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Resumo do livro POIRIER, Alfred.

O Pastor Pacificador – Um Guia Bíblico para a

Solução de Conflitos na Igreja. São Paulo: Vida Nova, 2011.

Introdução

Os conflitos na igreja devem ser vistos a partir de uma perspectiva bíblica. Sendo
assim, o objetivo deste livro é reorientar a visão de pastores e líderes sobre o que a
Palavra de Deus ensina sobre a resolução de conflitos, encorajar pastores a exercerem
o ministério da Palavra de forma holística, ou seja, um ministério que vá além da
pregação e aplique os ensinos da Palavra de Deus de forma geral na vida de igreja, o
que, necessariamente, inclui a resolução de conflitos.

Esperança para um Herege


O fundamento da obra de pacificação na igreja é Jesus Cristo. A mensagem do
Evangelho é uma mensagem de reconciliação, a mensagem de pacificação que deve
ser a mensagem insistentemente levada a pessoas que estão em conflito. O título
deste capítulo ilustra a realidade de muitos que pastores ao enfrentarem conflitos em
suas igrejas. Ora, se Cristo, sendo perfeitamente humano e sem pecado, enfrentou
inúmeros conflitos, porque pastores imaginariam que em seus ministérios, num
chamado para imitarem a Cristo, não enfrentariam vários conflitos?
Os Caminhos do Conflito
Conflitos acontecem quando os desejos, metas, expectativas ou temores das pessoas
entram em rota de colisão. O conflito em si não é pecado, mas pode-se afirmar que só
existem conflitos porque existe o pecado. Geralmente, os conflitos na igreja
acontecem por um deste quatro motivos: são: Lealdade dividida, as questões de
autoridade, a criação de barreiras e, principalmente, as questões de caráter pessoal.
Numa tentativa de demonstrar a dinâmica das possíveis respostas humanas ao
conflito, o autor do livro apresenta a “Ladeira Escorregadia” de Ken Sande. Existem 3
tipos de respostas possíveis para os conflitos: as respostas de fuga (Negação, Fuga e
Suicídio), as respostas de ataque (Agressão, Litígio e Homicídio) e as respostas de
pacificação (Falsa Paz, Reconciliação, Negociação, Mediação, Arbitragem e
Responsabilização).
O Coração do Conflito
Este capítulo aponta para o âmago dos conflitos. Poirier ensina que os conflitos podem
ser identificados a partir de uma percepção correta do que governa o coração das
pessoas. A maior parte do capítulo é desenvolvido a partir de uma análise do capítulo 4
da epístola de Tiago, avaliando as causas do conflito, bem como os ensinos do texto
para a resolução dos conflitos.
A glória de Deus nos conflitos
Este capítulo é uma espécie de “teologia bíblica da pacificação”. Poirier trata do início
dos conflitos, mostra como Deus é soberano sob todos os conflitos e os ordenou para
a sua própria glória. O capítulo avança para mostrar que Deus é o grande e principal
proponente da paz. Isto reflete tanto o caráter de Deus, quanto as suas obras. O ápice
da manifestação da paz é a encarnação do Verbo. A mensagem do Evangelho é a
mensagem da pacificação, e “a pacificação é a materialização do ministério pastoral
assim como Cristo é a personificação (encarnação) do Deus da paz”.
A Pacificação na família de Deus
O quinto capítulo pode ser divido em duas partes: uma articulação bíblico-teológica da
doutrina da filiação e uma aplicação dos princípios discutidos na primeira para a
pacificação e resolução de conflitos. Poirier conclui apresentando dois efeitos práticos
da percepção correta da filiação, segundo as Escrituras. Em primeiro lugar, a filiação
remodela a percepção das pessoas envolvidas em conflitos, habilitando-as a
enxergarem a si mesmas e ao outro como irmãos e não como inimigos. Em segundo
lugar, a filiação reorienta o foco das pessoas em conflitos: tira o foco delas mesmas e
coloca o foco em Deus.
Confessando nossos pecados uns para os outros
O sexto capítulo trata de um dos assuntos mais importantes no processo de
pacificação: a confissão de pecados. O capítulo começa com uma importante distinção
entre remorso e arrependimento. Posteriormente, avança para dizer que a confissão é
fruto do arrependimento e não do remorso e termina, em mais uma citação do livro do
Ken Sande – O Pacificador -, apresentando os 7 passos da confissão de pecados: (1)
dirija-se a todos os envolvidos, (2) evite dizer se, mas e talvez, (3) admita de forma
específica, (4) aceite as consequências, (5) mude seu comportamento, (6) peça perdão
e (7) dê tempo ao tempo.
Concedendo o perdão verdadeiro
Prosseguindo na forma lógica e encadeada de expor as ideias do livro, Poirier passou
da confissão no capítulo 6 para a concessão do perdão no capítulo 7. Ele ensina que
existem casos em que devemos apenas tolerar o pecado dos irmãos. Depois faz uma
importante distinção entre os conceitos terapêuticos e de autoajuda sobre o perdão e
o ensino bíblico do perdão. Na parte final do capítulo, Poirier ensina que o perdão
bíblico tem que ver com o reconhecimento da perversidade do pecado, com a
comunidade da aliança na qual estamos envolvidos e com a própria aliança que Deus
tem com o seu povo, com o próprio Deus e sua promessa e que se processo em dois
estágios: a disposição do perdão e a transação do perdão.
Buscando o interesse dos outros
O capítulo 8 inicia a última parte do livro que vai até o capítulo 13. Estes capítulos
concentram métodos e estratégias que os pastores pacificadores podem utilizar para
lidar com “as questões materiais do conflito”. Poirier ensina que a negociação é
importante instrumentos para a resolução dos conflitos. Negociar, segundo sua
definição, “é deliberar com outra pessoa sobre uma questão de interesse comum a fim
de chegar a um acordo”. Contudo, não é qualquer tipo de negociação que deve ser
implementada pelos pastores pacificadores, mas eles devem lançar mão da negociação
que tem os seus princípios alicerçados nas Escrituras Sagradas. Desta forma, para
ilustrar como a negociação bíblica pode ser implementada, Poirier ensina os passos
básicos em uma negociação a partir do acróstico em inglês PAUSE [P = Prepare
(Preparar); A = Affirm relationships (Afirmar relacionamentos); U = Understand
interests (Entender Interesses); S = Search for creative resolutions (Buscar soluções
criativas); E = Evaluate options objectively and reasonably (Avaliar opções de forma
objetiva e sensata)].
O Pastor como mediador
Neste capítulo Poirier traça o perfil do pastor como alguém que deve ser totalmente
comprometido com a pacificação e, por conseguinte, com a mediação. A pacificação
não é apenas uma das atribuições dentre as várias possíveis de um pastor, mas deve
um “jeito de ser”. Como já foi dito desde o início do livro e reafirmado ao longo de
todo o livro, o supremo exemplo que deve guiar todos os pastores é o Senhor Jesus, o
Mediador por excelência. Poirier diz que é apenas em Cristo que os pastores devem se
colocar para mediarem conflitos e para ajudarem pessoas em conflitos.
Mediação e arbitragem
Poirier aponta a mediação e arbitragem como maneiras possíveis para ajudar pessoas
que estão em conflitos. Ele ensina que Deus estabeleceu os líderes da igreja com
autoridade para exercerem função de tribunal, quando for necessário, para solucionar
conflitos que surjam no meio do povo de Deus. As duas passagens trabalhadas neste
capítulo para fundamentar a mediação e arbitragem pela liderança da igreja são
Mateus 18 e 1 Coríntios 6. Na mediação, as partes em conflito chamam um terceiro
para ajuda-las a chegar num ponto final do conflito; na arbitragem, por outro lado, as
partes envolvidas no conflito chamam um terceiro (ou terceiros) e atribuem
autoridade para que cheguem numa decisão final sobre a questão.
Princípios de disciplina na igreja
Neste capítulo Poirier mostra como há uma compreensão incorreta sobre o significado
da disciplina. Ele defende que a disciplina não é um evento extraordinário na vida dos
cristãos, mas que ela faz parte da vida de todo o cristão. Em seguida, apresenta um
breve esboço histórico sobre o entendimento reformado da disciplina e ensina os
princípios básicos da disciplina na igreja que são revelados nas Escrituras.
Práticas de disciplina na igreja
Neste capítulo Poirier continua o ensino sobre a disciplina eclesiásticas, mas com um
foco na aplicação dela. A disciplina deve ser exercida com humildade, com uma visão
séria da natureza destrutiva do pecado e com o coração de pastor. Poirier traz ensinos
importantes sobre o processo de aplicação de disciplina na igreja, como o que deve ser
informado à igreja, no caso de uma disciplina pública, e a necessidade de perceber que
a disciplina não envolve apenas as partes envolvidas e o concílio, mas todo o corpo de
Cristo.
Em direção a tornar-se uma igreja pacificadora
O encerramento é um grande clamor. Poirier conclui fazendo um chamamento para
que as igrejas assumam um verdadeiro compromisso com a pacificação, assumindo
uma clara e definida cultura de paz. Além de várias orientações práticas, Poirier conclui
com um caso específico da sua igreja que é simplesmente arrebatador.

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