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AO EXMO SR PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE TRÂNSITO –

CETRAN
           RECURSO ADMINISTRATIVO

I-BREVE RELATO DOS FATOS


Eu na qualidade de recorrente informo que a autuação ocorreu por supostamente violar
o disposto no artigo 187, inciso I do Código Brasileiro de Trânsito, em razão de transitar
em local/horário não permitido (rodízio municipal).
Ademais, destaca-se que a infração foi auferida por sistema automático não metrológico
de fiscalização. Foi verificado, também, que o logradouro em questão é deficitário em
matéria de qualquer sinalização a respeito do rodízio municipal de veículos. Ante o
exposto, cabe dizer que não está especificada no auto de infração a data da última
aferição do equipamento fiscalizador.
II – PRELIMINAR DE MÉRITO: DA FÉ PÚBLICA / PRESUNÇÃO DE
VERACIDADE, LEGITIMIDADE E PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO.
Primeiramente é preciso destacar que, quanto à decisão da junta administrativa em
manter a autuação, não houve a devida exposição dos motivos que levaram a
manutenção da penalidade, algo absurdo, pois prejudica o contraditório e fere
diretamente o princípio da motivação, requisito esse que abrange toda a administração
pública na totalidade de seus atos, sendo assim, somente pelo explanado acima, já
configuraria um motivo cabal para o cancelamento na penalidade.
Ademais, é evidente que os atos da administração são revestidos de fé pública, cabendo
ao particular provar os que eventualmente estejam em desconformidade com a
realidade, porém com a existência e prova do erro cometido pelo agente ou pela
administração, como no caso em questão, esta presunção de veracidade deve cair por
terra, pois a fé pública não é absoluta.
Os argumentos elencados abaixo demonstram às irregularidades inerentes a confecção
do auto de infração, a má fé do agente que ratificou a autuação constatada por meio
mecânico, bem como a omissão do ente público ao liberar a via sem que houvesse a
devida demarcação da zona correspondente ao rodízio.
Do Direito
Inicialmente, há de se ressaltar que a atual legislação de trânsito brasileira não prevê
infração específica para o descumprimento do “rodízio de veículos”, implantado no
Município de São Paulo pela Lei n. 12.490/97, no entanto a fiscalização municipal vem
multando os motoristas com base no artigo 187, inciso I do Código de Trânsito
Brasileiro.
O dispositivo legal em questão estabelece que:
“Transitar em locais e horários não permitidos pela regulamentação estabelecida pela
autoridade competente. I – “Para todos os tipos de veículos: infração – média. Por
oportuno vejamos o conceito, constante do Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro
para a expressão “regulamentação da via”:
“implantação de sinalização de regulamentação pelo órgão ou entidade competente com
circunscrição sobre a via, definindo, entre outros, sentido de direção, tipo de
estacionamento, horários e dias”.
Portanto, verifica-se que no rodízio de veículos vigente neste município o órgão
competente de trânsito, nos termos da Resolução CONTRAN 180/05, está obrigado a
implantar a placa de sinalização denominada R-10, com as devidas informações
adicionais necessárias a regulamentação da restrição de circulação veicular, com o
objetivo de se legitimar o disposto na legislação que implantou o citado rodízio.
A respeito do tema, cumpre salientar o estabelecido na mencionada resolução, a qual
aprovou o Volume I do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.
com as regras de instalação e interpretação para toda a Sinalização vertical de
regulamentação:
“Sinal: Proibido trânsito de veículos automotores R-10.
Significado: Assinala ao condutor de qualquer veículo automotor a proibição de
transitar, a partir do ponto sinalizado, na área ou via/pista ou faixa. Princípios de
utilização: O sinal R-10 deve ser utilizado em área, via/pista ou faixa para proibir o
trânsito de veículos automotores. Quando utilizado para regulamentar a proibição em
determinada (s) faixa (s) deve vir acompanhado de informação complementar. Pode ser
utilizado associado à informação complementar “EXCETO...”, ou “PERMITIDO...”,
liberando o trânsito a determinada espécie ou categoria de veículo ou ainda outras
informações complementares tais como horário, dia da semana e/ou seta de controle de
faixa. O sinal R-10 tem validade a partir do ponto onde é colocado. Posicionamento na
via: A placa deve ser colocada no início do trecho da restrição, à direita ou à esquerda
ou em ambos os lados, conforme o caso. ...
Relacionamento com outras sinalizações: O sinal R-10 pode ser antecedido de
sinalização especial de advertência informando sobre a restrição à frente e/ou placa de
orientação indicando rotas alternativas. Enquadramento: O desrespeito ao sinal R-10
caracteriza infração prevista no art. 187, inciso I, do CTB.”
Assim sendo, verifica-se que norma do CONTRAN obriga a existência da placa R-10
para informar, orientar e advertir o condutor acerca da restrição de circulação em
determinados locais e horários imposta pela municipalidade, só assim poderá se
configurar a infração do artigo 187, inciso I, do CTB.
Portanto, a ausência da sinalização exigida implica na impossibilidade de autuação do
condutor, com base no artigo 187, inciso I, do CTB, face ao disposto no artigo 90 da
mesma codificação o qual estabelece que “Não serão aplicadas as sanções previstas
neste Código por inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta”.
Ademais, ressalta-se que os atos administrativos... (...)

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