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CURSO DE

LICITAÇÕES
Venda para o Governo
Um Curso para quem vive o dia a dia em Licitações.
Líder Licitações
 Produtos:

◦ Boletim Informativo de Licitações;

◦ Boletim Informativo de Resultados;

◦ Boletim Informativo de Compras;

◦ Curi, Araújo e Machado – Consultoria Jurídica;

◦ Treinamento – Cursos de Licitações.


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◦ Banco de Dados na Internet;


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◦ Áreas de Interesse;
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Estatísticas do ano de 2018
UF CC TP PR RDC LE CV DL LL Outras TOTAL
AC 215 804 6.860 96 11 1.435 122 45 22 9.610
AL 346 615 10.973 48 62 54 5.056 33 9 17.196
AM 350 857 12.204 57 65 50 1.111 14 4 14.712
AP 31 103 2.703 19 10 37 176 7 0 3.086
BA 1.853 4.674 55.853 269 238 938 16.101 198 21 80.145
CE 2.171 7.578 43.143 236 83 16.817 37.610 153 31 107.822
DF 652 197 18.415 196 322 381 3.731 138 867 24.899
ES 789 1.477 21.938 17 68 98 945 50 13 25.395
GO 1.050 2.353 28.019 41 28 284 4.432 234 42 36.483
MA 1.178 3.873 24.033 73 76 80 1.233 47 6 30.599
MG 3.411 7.673 108.527 216 457 8.906 23.267 1.066 29 153.552
MS 693 1.702 18.423 50 35 173 1.723 64 63 22.926
MT 574 1.789 18.128 54 6 189 1.776 66 252 22.834
PA 1.238 1.964 28.244 263 57 485 3.384 100 27 35.762
PB 534 2.647 21.962 42 47 200 1.068 96 1 26.597
PE 958 2.430 27.275 93 484 179 3.103 118 58 34.698
PI 898 4.326 14.878 37 40 1.083 639 65 26 21.992
PR 5.549 9.148 109.870 159 668 1.330 6.779 522 800 134.825
RJ 1.785 1.944 42.354 233 2.476 3.587 13.819 361 106 66.665
RN 450 1.448 16.090 125 89 129 886 84 22 19.323
RO 139 662 12.623 29 12 66 464 26 0 14.021
RR 191 207 3.902 20 2 19 91 24 1 4.457
RS 3.507 9.434 73.291 111 394 3.541 18.250 768 120 109.416
SC 2.901 6.450 61.352 129 111 533 7.734 375 90 79.675
SE 441 896 9.073 25 51 112 2.272 39 33 12.942
SP 5.190 9.799 192.993 108 880 49.363 33.539 580 251 292.703
TO 243 1.050 12.368 17 17 417 561 46 8 14.727
37.337 86.100 995.494 2.763 6.789 90.486 189.872 5.319 2.902 1.417.062
Estatísticas do ano de 2019
UF CC TP PR RDC LE CV DL LL Outras TOTAL
AC 355 803 6.411 31 43 546 148 22 0 8.359
AL 322 956 9.221 66 296 57 4.471 54 9 15.452
AM 204 1.057 11.480 54 248 115 1.637 20 66 14.881
AP 59 226 3.192 28 40 88 309 8 2 3.952
BA 1.384 4.567 49.753 162 681 820 17.239 191 46 74.843
CE 1.616 8.592 43.861 318 458 7.454 28.953 165 32 91.449
DF 435 189 17.947 136 2.014 135 4.749 169 96 25.870
ES 808 2.092 22.016 27 252 115 1.051 90 5 26.456
GO 1.062 2.567 27.313 45 92 485 4.395 265 10 36.234
MA 775 4.279 21.396 78 248 157 968 61 9 27.971
MG 3.523 9.914 112.263 313 2.650 10.789 25.111 1.173 21 165.757
MS 596 2.016 17.898 19 333 190 2.619 102 13 23.786
MT 573 2.331 18.110 69 25 224 2.212 79 6 23.629
PA 911 2.039 28.407 232 175 587 4.904 75 12 37.342
PB 388 3.398 20.829 19 157 179 1.139 113 9 26.231
PE 781 2.601 27.157 38 1.620 194 3.490 146 21 36.048
PI 1.065 4.055 14.973 17 153 1.491 602 74 6 22.436
PR 3.721 8.609 101.954 154 1.922 1.382 8.971 599 582 127.894
RJ 2.038 2.814 43.907 255 11.361 5.810 13.669 529 50 80.433
RN 276 1.797 16.546 101 260 105 928 86 2 20.101
RO 198 1.061 13.649 29 20 174 1.014 37 0 16.182
RR 147 233 3.583 7 9 30 206 21 0 4.236
RS 4.217 11.132 72.886 74 993 3.078 17.786 796 342 111.304
SC 3.361 8.695 60.790 123 552 578 21.320 382 117 95.918
SE 407 1.185 9.324 10 103 132 2.684 75 51 13.971
SP 5.528 12.204 199.908 211 3.294 51.534 41.516 901 288 315.384
TO 380 2.153 14.596 29 47 772 453 66 15 18.511
35.130 101.565 989.370 2.645 28.046 87.221 212.544 6.299 1.810 1.464.630
Particulares ou Empresa Privada
 As empresas privadas estão livres para praticar qualquer ato ou desenvolver
qualquer atividade, desde a lei não proíba. Esta regra consta expressamente
na Constituição Federal que, em seu art. 5º, dispõe que “ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude da lei”.
Administração Pública
 A administração Pública sujeita-se ao regime jurídico administrativo, devendo
observar os diversos princípios constitucionais dentre os quais se destacam
a legalidade e o da impessoalidade, que estão diretamente ligados à
existência do processo licitatório.

Definições
 Helly Lopes Meirelles:
◦ “Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a
Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para contrato
de seu interesse.”
 Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello
◦ “Licitação é o procedimento administrativo pelo qual uma pessoa
governamental, pretendendo alienar, adquirir ou locar bens, realizar
obras ou serviços, segundo condições por ela estipuladas previamente,
convoca interessados na apresentação de propostas, a fim de selecionar
a que se revele mais conveniente em função de parâmetros
antecipadamente estabelecidos."

Cadastramento no SICAF
 Portal Brasil Cidadão:
 https://sso.acesso.gov.br/login?client_id=contas.acesso.gov.br&authorization
_id=175141c14bf

 Acesso ao Sicaf:
 https://www3.comprasnet.gov.br/sicaf-web/index.jsf

 Manuais necessários para facilitar o cadastramento:


 https://www.gov.br/compras/pt-br/centrais-de-conteudo/manuais/manual-sicaf
Regularidade Fiscal e Trabalhista para Habilitação em Licitações
 A Lei 8.666/93 traz o rol dessa espécie de documentos que poderão ser
exigidos dos licitantes para sua habilitação, em seu art. 29, incs. I ao IV no
que tange à regularidade fiscal e V para regularidade trabalhista.
 O inciso II trata da prova de inscrição no cadastro de contribuinte, devendo o
edital exigir o cadastro de contribuintes estadual quando o objeto da licitação
for compra (pois sujeito ao ICMS de competência do Estado) e, sendo o
objeto da licitação Serviços/Obras, o cadastro será do Município (relativo ao
ISS, cuja competência é Municipal).
 A Administração deve ter cautela de somente exigir a inscrição no cadastro
de contribuintes relativa à atividade que será licitada (se compra, a inscrição
Estadual e se serviços/obras, a Municipal) e ainda, do domicilio ou sede do
licitante (pois é no âmbito de sua sede que a pessoa jurídica é contribuinte).
 Sobre as certidões, iniciando no inc. III, a doutrina divide-se em duas
correntes:
 A primeira entende que a Administração deverá exigir dos licitantes a prova
de regularidade para as três fazendas, portanto, a Certidão Federal, Estadual
e Municipal e, a segunda, cujo entendimento leva em consideração a lógica
exposta no inciso II, ou seja: a regularidade a ser verificada será àquela
relativa ao tributo que incide no objeto e referente ao domicílio/sede do
licitante.
 Portanto, uma licitação que vise compras, deverá ser exigida certidão
Federal e certidão Estadual (esta relativa à sede do licitante).
 No caso de licitações para serviços, será exigida a certidão Federal e a
Municipal (esta relativa a sede do licitante). Insta lembrar que a Certidão
Federal é obtida no site da Receita Federal, relativa aos tributos federais,
divida ativa da união e englobando o INSS.
 As Estaduais ou Municipais são extraídas ou pela internet, ou pessoalmente
a depender da forma de cada Estado/Município.
 Com base no inc. IV, é necessário exigir dos licitantes a Certidão relativa ao
FGTS, extraída no site da Caixa Econômica Federal. E, por fim, é obrigatória
a prova de regularidade trabalhista, feita com base no inc. V do art. 29 da Lei
8.666, através da exigência de Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas –
CNDT, extraída no site www.tst.jus.br.
 As certidões apresentadas pelos licitantes, para garantir sua habilitação,
deverão ser Certidões Negativas ou Certidões Positivas com efeito de
Negativas.
Entidades do terceiro setor e dever de licitar
 Organizações Sociais (OS):
◦ Regidas pela Lei nº 9.637/98, que, além de dispor sobre a qualificação
de entidades privadas como OS, criou o processo que se chama
publicização. Qualificada a entidade como OS, com ela pode ser firmado
o contrato de gestão por meio do qual são passados recursos públicos
necessários à prestação de serviços a população.
◦ Entidade privada, sem fins lucrativos, que recebe determinados
benefícios do Poder Público (dotações orçamentárias, isenções fiscais
etc.), para a realização de seus fins, que devem ser necessariamente de
interesse da comunidade, cujas atividades sociais sejam dirigidas:
 Ensino;
 Pesquisa Científica;
 Desenvolvimento Tecnológico;
 Proteção e Preservação do Meio Ambiente;
 Cultura e Saúde.

Entidades do terceiro setor e dever de licitar


 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP):
◦ Reguladas pela Lei 9.790/99, que igualmente permite o repasse de
recursos públicos à entidade por meio de termo de parceria;
◦ Traz a possibilidade das pessoas jurídicas (grupos de pessoas ou
profissionais) de direito privado sem fins lucrativos serem qualificadas
OSCIPs desde que tenha como meta objetivos sociais e atendam as
normas estatutárias e os requisitos da lei.

Entidades do terceiro setor e dever de licitar


 Serviços Sociais Autônomos (SSA):
◦ Que são pessoas de direito privado, sem fins econômicos, criadas por lei
para desempenhar atividades assistenciais ou de ensino a determinadas
categorias profissionais; são mantidas com recursos públicos,
normalmente arrecadados por meio de contribuições para fiscais.
◦ Não prestam serviço público delegado, mas atuam ao lado do Estado.
◦ A maior particularidade dessas entidades reside no fato que são criadas
pelo Estado, mas não integram a Administração Pública direta ou
indireta. São exemplos de entidades integrantes do Sistema “S” o SESI,
o SENAI, O SENAC, O SESC e o SEBRAE.
Definições
 Obra:
◦ toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação,
realizada por execução direta ou indireta;
 Obra e Serviço de Engenharia:
◦ toda construção, reforma, recuperação, ampliação e demais atividades
que envolvam atribuições privativas dos profissionais das áreas de
engenharia e arquitetura (Sistema S);
 Serviço:
◦ toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para
a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem,
operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte,
locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais
(Demais serviços conforme Sistema S);
 Compra:
◦ toda aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só vez ou
parceladamente;
 Registro de Preços:
◦ É o sistema de compras pelo qual os interessados em fornecer materiais,
equipamentos ou gêneros ao Poder Público concordam em manter os
valores registrados no órgão competente, corrigidos ou não, por um
determinado período, e a fornecer as quantidades solicitadas pela
Administração, no prazo previamente estabelecido.
 Alienação:
◦ toda transferência de domínio de bens a terceiros;
 Obras, serviços e compras de grande vulto:
◦ aquelas cujo valor estimado seja superior a 25 (vinte e cinco) vezes o
limite estabelecido na alínea "c" do inciso I do art. 23 desta Lei (25 x
3.300.000,00 = R$ 82.500.000,00) (Lei Geral de Licitações)
 Seguro-Garantia:
◦ o seguro que garante o fiel cumprimento das obrigações assumidas por
empresas em licitações e contratos;
 Usuário/Cliente:
◦ são todos os setores da administração pública que se utilizam do
processo licitatório para a aquisição de bens e/ou serviços;
 Fornecedor/Prestador de Serviço:
◦ É aquele que, através da proposta escrita e assinada, oferece à
administração o objeto da licitação;
 Objeto:
◦ É o bem/serviço o qual pretende adquirir a administração;
Definições
 Procedimento:
◦ É o ato que compõe o processo licitatório;
 Processo:
◦ É o conjunto de atos e documentos que compõem a rotina legal que se
objetiva a aquisição de bens e/ou serviços;
 Edital de Licitação:
◦ É o caderno processual que traz todas as condições e exigências de um
determinado bem/serviço, do qual necessita a administração pública;
 Habilitação:
◦ São as condições exigidas, pela administração pública, dos
participantes do certame licitatório, para que estes possam oferecer
seus bens/serviços ao Estado;
 Proposta:
◦ É o documento através do qual o licitante participa do certame, nas
condições solicitadas pelo edital;
 Autoridade instauradora:
◦ tem, especialmente, os seguintes poderes: determinar a apuração;
escolher os membros da comissão e indicar o presidente; sobrestar o
processo, determinar a realização de perícia; nomear defensor dativo;
determinar saneamento; promover a responsabilidade de membros da
comissão por omissões grosseiras ou trabalho tendencioso; efetuar o
julgamento, quando no universo da sua competência; e conhecer
pedidos de reconsideração;
 Ata de Julgamento/Classificação:
◦ É a manifestação expressa da Comissão apontando a proposta que
atendeu as condições do edital;
 Adjudicação:
◦ É o ato privativo da CPL, que indica a autoridade instauradora, qual foi,
dentro as propostas apresentadas pelos fornecedores/prestadores de
serviço, a proposta que apresentou total compatibilidade com a
solicitação do edital;
 Homologação:
◦ É o ato privativo da autoridade instauradora que confirma a proposta,
indicada pela CPL, como a vencedora do certame.
 Execução Direta:
◦ a que é feita pelos órgãos e entidades da Administração pelos próprios
meios;
 Execução Indireta:
◦ a que o órgão ou entidade contrata com terceiros.
Definições
• Administração Pública:
◦ a administração direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, abrangendo inclusive as entidades com
personalidade jurídica de direito privado sob controle do poder público e
das fundações por ele instituidas ou mantidas;
 Administração:
◦ órgão, entidade ou unidade administrativa pela qual a Administração
Pública opera e atua concretamente;
 Imprensa Oficial:
◦ veículo oficial de divulgação da Administração Pública, sendo para a
União o Diário Oficial da União, e, para os Estados, o Distrito Federal e
os Município , o que for definido nas respectivas leis.
 Contratante:
◦ é o órgão ou entidade signatária do instrumento contratual;
 Contratado:
◦ a pessoa física ou jurídica signatária de contrato com a Administração
Pública
 Pregoeiro ou Comissão Permanente de Licitação
◦ Consideram-se responsáveis pela licitação, os agentes públicos
designados pela autoridade de competência, mediante ato administrativo
próprio (portaria, por exemplo), para integrar comissão de licitação, ser
pregoeiro ou para realizar licitação nas outras modalidades;
◦ A comissão de licitação é criada pela Administração com a função de
receber, examinar e julgar todos os documentos e procedimentos
relativos ao cadastramento de licitantes e às licitações nas modalidades
de concorrência, tomadas de preços e convite;
 Produtos Manufaturados Nacionais
◦ produtos manufaturados nacionais no território nacional de acordo com o
processo produtivo básico ou com as regras de origem estabelecidas
pelo Poder Executivo federal; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
 Serviços Nacionais
◦ serviços prestados no País, nas condições estabelecidas pelo Poder
Executivo federal; (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
 Sistemas de Tecnologia de Informação e Comunicação Estratégicos
◦ bens e serviços de tecnologia da informação e comunicação cuja
descontinuidade provoque dano significativo à administração pública e
que envolvam pelo menos um dos seguintes requisitos relacionados às
informações críticas: disponibilidade, confiabilidade, segurança e
confidencialidade. (Incluído pela Lei nº 12.349, de 2010)
O que é um Edital
• Edital é um ato escrito oficial em que há determinação, aviso etc., que se
afixa em lugares públicos ou se anuncia na imprensa oficial ou em jornais de
grande circulação, para conhecimento geral, ou de alguns interessados.
• São diversos os tipos de edital, que recebem denominação própria,
dependendo de seu objetivo. Um edital pode comunicar uma citação, um
proclama, um contrato, uma exoneração, uma licitação de obras, serviços,
tomada de preço etc.
• Em Licitação o edital estabelece as regras que serão usadas no processo
licitatório.
Mudanças no Edital
• o princípio da vinculação ao instrumento convocatório não deve ser
entendido, porém, no sentido de que o edital é imutável. Havendo a real e
efetiva necessidade de ser feita retificação no edital que possa, inclusive, vir
a afetar o conteúdo das propostas apresentadas, a Administração poderá
fazê-lo. A lei expressamente prevê, porém, na hipótese de a alteração vir a
afetar o conteúdo das propostas, que será obrigatória a realização de nova
divulgação do instrumento convocatório (edital ou convite), nos mesmos
termos em que se deu a divulgação anterior, e a reabertura de novo prazo
para apresentação de novas propostas.
Impugnações e consultas
• A impugnação, conforme ensina Santana:
• “É o ato pelo qual qualquer pessoa, licitante, ou não, provoca a
revisão do ato convocatório por parte da Administração Pública. É ato
de controle da legalidade do edital".
• o art. 12 do Decreto 3.555/00 fixa o prazo de até 2 (dois) dias úteis antes
da data marcada para recebimento das propostas, para que sejam feiras
consultas ou impugnações contra os termos do edital.
• O Art. 24 do Decreto 1024/2019 diz que Qualquer pessoa poderá
impugnar os termos do edital do pregão, por meio eletrônico, na forma
prevista no edital, até três dias úteis anteriores à data fixada para
abertura da sessão pública.
A impugnação a edital de licitação prevista na lei nº 8.666/93
 Os editais de licitações podem ser impugnados sempre que se apurar a
existência de irregularidades em seu conteúdo, que venham a contrariar a lei
licitatória.
 O ato de impugnar significa opor, contrariar, contestar, o que deve, no caso,
ser oposto, através de razões escritas formalmente apresentadas na forma e
condições previstas nos parágrafos 1º, 2º e 3º do artigo 41 da Lei nº
8.666/93, diploma legal que regula as licitações e contratos administrativos. A
petição de impugnação não precisa ser firmada ou apresentada por
advogados.
A impugnação a edital de licitação prevista na lei nº 8.666/93
• Não são, no entanto, apenas os licitantes que têm legitimidade para
impugnar o edital. O art. 41, §1°, dispõe que "qualquer cidadão é parte
legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação
desta Lei, devendo protocolar o pedido até 5 (cinco) dias úteis antes da data
fixada para a abertura dos envelopes de habilitação, devendo a
Administração julgar e responder à impugnação em até 3 (três) dias úteis,
sem prejuízo da faculdade prevista no §1° do art. 113".
 A Comissão de Licitação deverá analisar e julgar o pleito do impugnante,
devidamente autuado e protocolado, devendo responder à impugnação em
até três dias úteis, cabendo-lhe promover, conforme julgamento e decisão:
◦ Se procedente:
 a) Deverá a Comissão de Licitação, denominada também de
impugnada, acatar as razões e o postulado na impugnação para
fazer a alteração necessária no edital;
 b) Dar ciência aos demais licitantes do resultado da impugnação,
valendo ressaltar que a ciência neste caso é do resultado e não do
ingresso, como acontece com os recursos administrativos;
 c) Fazer as alterações necessárias no edital e promover a sua
republicação, devolvendo e reabrindo todos os prazos mínimos
previstos na lei, conforme a modalidade da licitação, para a
publicação do edital e a data de recepção dos envelopes. Se a
alteração no edital, indubitavelmente não afetar a elaboração das
propostas, poderá ser realizada e comunicada aos demais licitantes
sem necessidade da devolução e reabertura dos prazos.
◦ Se improcedente ou intempestiva:
 a) Sendo julgada improcedente, ou seja, não sendo acolhidas as
razões de impugnações recebidas, a Comissão responde dando
ciência ao impugnante do resultado, prosseguindo com a licitação;
 b) Se intempestiva, ou seja, interposta fora dos prazos previstos na
lei licitatória, pode a Comissão, ainda assim recebê-la como um
“direito de petição” (forma prevista no art. 5° da Constituição
Federal), examinando seu mérito, pois embora intempestiva ela pode
alertar para uma possível irregularidade no edital, que dentro das
prerrogativas de poder-dever da Administração Pública, poderá ser
acatada para efeitos de saneamento da irregularidade verificada.
A impugnação se trata de uma perfeita ferramenta de controle jurídico a
disposição dos licitantes, sendo que, apresentada tempestivamente, não o
impedirá de participar do processo licitatório até o trânsito em julgado da
decisão a ela pertinente, que também fica sujeita a possibilidade de ser
levada a conhecimento do Tribunal de Contas e ao Poder Judiciário para a
apreciação e controle externo da regularidade dos atos administrativos.
Representações ao Tribunal de Contas
• Acerca da possibilidade de serem feitas impugnações a qualquer licitação, o
art. 113, §10, permite que "qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou
jurídica poderá representar ao Tribunal de Contas ou aos órgãos integrantes
do sistema de controle interno contra irregularidades na aplicação desta Lei,
para os fins do disposto neste artigo".
Estrutura da Impugnação
◦ Fato:
 Descrição sucinta do fato que motiva a Impugnação do Edital;
◦ Fundamento:
 Base legal que ira estruturar a argumentação da Impugnação;
◦ Pedido:
 Detalhamento do que deve ser alterado no Edital para que permita
uma competição Justa;

Observações: Seja breve, sucinto e objetivo.


Constituição Federal de 1988
 Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
◦ XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e
fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido
o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de
economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998).
A Lei 8.666/93
 Em 1993, no dia 21 de Junho surgiu a Lei n° 8.666 que regulamenta o art.
37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e
contratos da Administração Pública e dá outras providências;
Legislação
 Art. 37.
◦ A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998):
 XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,
serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos
os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação
técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento
das obrigações (regulamentada pela Lei 8.666/96).
Obrigatoriedade de Licitar
 O princípio de licitar está intimamente ligado aos princípios da
indisponibilidade e supremacia do interesse público que são princípios
norteadores da atividade estatal.
 O fato de ter sido alçado ao status de princípio constitucional é de extrema
importância para a análise do procedimento licitatório dentro do ordenamento
jurídico.
Objetivo
 Proposta mais vantajosa:
◦ Nem sempre é o menor preço;
◦ Supremacia do Interesse Público.
 Duas Finalidades:
◦ Busca da satisfação do interesse público;
◦ Garantia de igualdade de tratamento entre os particulares que desejam
celebrar um contrato com a Administração.
Lei 8.666 Art. 2
 As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações,
concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando
contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação,
ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.
Distinção entre Dispensa e Inexigibilidade
 Existem, determinadas hipóteses em que, legitimamente, os contratos são
celebrados diretamente com a Administração Pública, sem a realização da
licitação. Há duas situações distintas em que tal se verifica: a
inexigibilidade de licitação ou sua dispensa.
 Nos casos em que a lei autoriza a não realização da licitação diz-se ser
ela dispensável. José dos Santos Carvalho Filho ensina que a licitação
dispensável tem previsão no artigo 24 da Lei 8666/93, e indica as
hipóteses em que a licitação seria juridicamente viável, embora a lei
dispense o administrador de realizá-la.
 Já no que se refere às hipóteses de inexigibilidade, a licitação é inviável,
ou seja, impossível de ser realizada, tendo em vista fatores que impedem
a competitividade. Neste sentido, preleciona a doutrina pátria:
◦ A diferença básica entre as duas hipóteses está no fato de que, na
dispensa, há possibilidade de competição que justifique a licitação;
de modo que a lei faculta a dispensa, que fica inserida na competência
discricionária da Administração. Nos casos de inexigibilidade, não há
possibilidade de competição, porque só existe um objeto ou uma
pessoa que atenda às necessidades da Administração; a licitação é,
portanto, inviável.
◦ A dispensa de licitação caracteriza-se pela circunstância de que, em
tese, poderia o procedimento ser realizado, mas que, pela
particularidade do caso, decidiu o legislador não torná-lo obrigatório.
Diversamente ocorre na inexigibilidade, porque aqui sequer é viável a
realização do certame.

A licitação é dispensável quando:


 Em situações de emergência: exemplos de Casos de guerra; grave
perturbação da ordem; calamidade pública, obras para evitar
desabamentos, quebras de barreiras, fornecimento de energia.
 Por motivo de licitação frustrada por fraude ou abuso de poder
econômico: preços superfaturados, neste caso pode-se aplicar o artigo
48 parágrafo 3º da Lei 8666/93 para conceder prazo para readaptação das
propostas nos termos do edital de licitação.
 Intervenção no Domínio Econômico: exemplos de congelamento de
preços ou tabelamento de preços.
 Dispensa para contratar com Entidades da Administração Pública:
Somente poderá ocorrer se não houver empresas privadas ou de
economia mista que possam prestar ou oferecer os mesmos bens ou
serviços. Exemplos de Imprensa Oficial, processamento de dados,
recrutamento, seleção e treinamento de servidores civis da administração.
A licitação é dispensável quando:
 Contratação de Pequeno Valor: Materiais, produtos, serviços, obras de
pequeno valor, que não ultrapassem o valor estimado por lei para esta
modalidade de licitação.
 Dispensa para complementação de contratos: Materiais, produtos,
serviços, obras no caso de rescisão contratual, desde que atendida a
ordem de classificação da licitação aceitas as mesmas condições
oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente
corrigido.
 Ausência de Interessados: Quando não tiver interessados pelo objeto da
licitação, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas em
edital.
 Comprometimento da Segurança Nacional: Quando o Presidente da
República, diante de um caso concreto, depois de ouvido o Conselho de
Defesa Nacional, determine a contratação com o descarte da licitação.
 Imóvel destinado a Administração: Para compra ou locação de imóvel
destinado ao atendimento, cujas necessidades de instalação e localização
condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o
valor de mercado, segundo avaliação prévia. Deverá a Administração
formalizar a locação se for de ordem temporária ou comprá-lo se for de
ordem definitiva.
 Gêneros Perecíveis: Compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros
gêneros perecíveis durante o tempo necessário para a realização do
processo licitatório correspondente.
 Ensino, pesquisa e recuperação social do preso: Na contratação de
instituição brasileira dedicada a recuperação social do preso, desde que a
contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não
tenha fins lucrativos na aplicação de suas funções.
 Acordo Internacional: Somente para aquisição de bens quando
comprovado que as condições ofertadas são vantajosas para o poder
público.
 Obras de Arte e Objetos Históricos: Somente se justifica a aplicação da
dispensa de licitação se a finalidade de resgatar a peça ou restaurar for de
importância para a composição do acervo histórico e artístico nacional.
 Aquisição de Componentes em Garantia: Caso a aquisição do
componente ou material seja necessário para manutenção de
equipamentos durante o período de garantia. Deverá a Administração
comprá-lo do fornecedor original deste equipamento, quando a condição
de exclusividade for indispensável para a vigência do prazo de garantia.
 Abastecimento em Trânsito: Para abastecimento de embarcações,
navios, tropas e seus meios de deslocamento quando em eventual curta
duração, por motivo de movimentação operacional e for comprovado que
compromete a normalidade os propósitos da operação, desde que o valor
não exceda ao limite previsto para dispensa de licitação.
A licitação é dispensável quando:
 Compra de materiais de uso pelas forças armadas: Sujeito à
verificação conforme material, ressaltando que as compras de material de
uso pessoal e administrativo sujeitam-se ao regular certame licitatório.
 Associação de portadores de deficiência física: A contratação desta
associação deverá seguir as seguintes exigências: Não poderá ter fins
lucrativos; comprovar idoneidade, preço compatível com o mercado.

Inexigibilidade de Licitação
 Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de
competição, em especial:
◦ I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só
possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a
comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido
pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a
licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou
Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;
◦ II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13
desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de
notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de
publicidade e divulgação;
◦ III - para contratação de profissional de qualquer setor artístico,
diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que
consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.
◦ § 1º Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa
cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de
desempenho anterior, estudos, experiências, publicações,
organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos
relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é
essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do
objeto do contrato.
◦ § 2º Na hipótese deste artigo e em qualquer dos casos de dispensa,
se comprovado superfaturamento, respondem solidariamente pelo
dano causado à Fazenda Pública o fornecedor ou o prestador de
serviços e o agente público responsável, sem prejuízo de outras
sanções legais cabíveis.
Inexigibilidade de Licitação
 Comentando o dispositivo legal em pauta, Jessé Torres Pereira Júnior
afirma que, em havendo dúvida sobre se determinado caso enquadra-se
em algum dos incisos de inexigibilidade, deverá a Administração
capitulá-lo desde que segura quanto à impossibilidade de competição.
 Concernente à hipótese trazida pelo artigo 25, inciso I da Lei n° 8.666/93,
o mesmo é destinado aos casos de aquisição de materiais, equipamentos
e gêneros que contenha somente um produtor, empresa ou representante
comercial, impossibilitando, deste modo, a competição. Por outro lado,
restando algum indício de que existem no mercado condições de
competição para os produtos, em observância ao princípio constitucional
da obrigatoriedade da licitação, não há que se falar em inexigibilidade de
licitação.

Justificativa
 Essa obrigação de motivar qualquer contratação direta está prevista no
art. 26, que dispõe nos seguintes termos:
◦ Art. 26. As dispensas previstas nos §§ 20 e 40 do art. 17 e no inciso III
e seguintes do art. 24, as situações de inexigibilidade referidas no art.
25, necessariamente justificadas, e o retardamento previsto no final do
parágrafo único do art. 80 desta Lei deverão ser comunicados, dentro
de 3 (três) dias, à autoridade superior para ratificação e publicação na
imprensa oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, como condição para a
eficácia dos atos.
◦ Parágrafo único. O processo de dispensa, de inexigibilidade ou de
retardamento, previsto neste artigo, será instruído, no que couber, com
os seguintes elementos:
◦ I - caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique
a dispensa, quando for o caso;
◦ II - razão da escolha do fornecedor ou executante;
◦ III -justificativa do preço.
◦ IV - documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos quais os
bens serão alocados.

Licitação Dispensada
 Licitação dispensada fundamenta-se no art. 17, incisos I e II, da Lei no
8.666/1993. É hipótese que desobriga a Administração do dever de licitar.
 Casos relacionados a licitação dispensada dizem respeito a alienação de
bens moveis e imóveis pela Administração Publica.
 Nessas situações, diante das peculiaridades do contrato a ser celebrado, ao
gestor não cabe optar pela licitação, mas proceder a contratação direta, na
forma da lei.
Categorias
 As hipóteses de licitação dispensável poderão ser divididas em quatro
categorias, conforme ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
◦ a) em razão do valor;
◦ b) em razão de situações excepcionais;
◦ c) em razão do objeto; e
◦ d) em razão da pessoa.
Valores para Licitação

TABELA DE VALORES PARA LICITAÇÕES (Conforme DECRETO Nº 9.412, DE 18 DE JUNHO DE 2018)

OBRAS E SERVIÇOS DE
MODALIDADE PRAZO COMPRAS OU SERVIÇOS
ENGENHARIA

DISPENSA Até R$ 17.600,00 Até R$ 33.000,00

Acima de R$ 17.600,00 Acima de R$ 33.000,00


CONVITE 05 dias úteis
Até R$ 176.000,00 Até R$ 330.000,00

Acima de R$ 176.000,00 Acima de R$ 330.000,00


TOMADA DE PREÇOS 15 dias corridos
Até R$ 1.400.000,00 Até 3.300.000,00

CONCORRÊNCIA 30 dias corridos Acima de R$ 1.400.000,00 Acima de R$ 3.300.000,00

PREGÃO PRESENCIAL 08 dias úteis Bens e serviços de uso comum

PREGÃO ELETRÔNICO 08 dias úteis Compras e serviços não válido

Licitação dispensável em razão do valor


 É dispensável a licitação para obras e serviços de engenharia de valor até
R$ 33.000.00, desde que não se refiram a parcelas de uma mesma obra
ou serviço ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no
mesmo local que possam ser realizadas conjunta e concomitantemente.

 Obs.: valores atualizados pelo Decreto Lei 9.412/2018 – Publicado em


19/06/2018
Licitação dispensável em razão do valor
 É dispensável a licitação para compras e outros serviços de até R$
17.600,00, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço ou
compra de maior vulto que possa ser realizada de uma só vez.

 Obs.: valores atualizados pelo Decreto Lei 9.412/2018 – Publicado em


19/06/2018

 O legislador entendeu que em razão do pequeno valor a ser contratado


não se justificaria a realização de licitação haja vista a sua pouca
economicidade. É sabido que a realização de licitação gera ônus para a
Administração, de modo que o custo de sua realização não justificaria os
seus benefícios. Não obstante a dispensa da licitação, é obrigação do
administrador proceder a uma pesquisa de preços de modo a justificar que
o preço obtido junto ao fornecedor contratado é compatível com os
normalmente praticados no mercado (Lei n° 8.666/93, art. 26, parágrafo
único, III)
 Sendo o reduzido valor do contrato um dos fundamentos que legitimam a
contratação direta, estar-se-ia diante da possibilidade de administradores,
fraudulentamente, fracionarem ou desmembrarem todos os seus contratos
de modo que as parcelas pudessem ser contratadas sem licitação.
 A esse respeito, a lei veda o fracionamento ou desmembramento de obra,
compra ou serviço cujo propósito seja o de enquadrar o valor dentro dos
limites de dispensa.

Vedação ao Fracionamento
◦ Art. 23.
 §5° É vedada a utilização da modalidade de convite ou tomada de
preços, conforme o caso, para parcelas de uma mesma obra ou
serviço, ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no
mesmo local que possam ser realizadas conjunta e
concomitantemente, sempre que o somatório de seus valores
caracterizar o caso de tomada de preços ou concorrência,
respectivamente, nos termos deste artigo, exceto para as parcelas
de natureza específica que possam ser executadas por pessoas
ou empresas de especialidade diversa daquele do executor da
obra ou serviço.
Licitação dispensável em razão de situações excepcionais
 Requisitos à contratação emergencial
◦ A lei dispensa a licitação quando a demora na realização do
procedimento licitatório for incompatível com a urgência na execução
do contrato. Verificamos essas hipóteses em casos de emergência ou
de calamidade pública (art. 24, IV). A lei igualmente dispensa a
licitação em casos de guerra ou grave perturbação da ordem (art. 24,
IlI);

◦ Existe, é bem verdade, certa imprecisão na definição, diante de casos


concretos, do que realmente seria situação de urgência ou de emergência
que esteja a justificar a contratação sem licitação. Lembramos, em
primeiro lugar, que toda contratação sem licitação deverá ser
minuciosamente motivada. Será sempre o interesse público que irá
justificar a contratação direta.

 A fim de melhor definir as hipóteses em que estará o administrador


legitimado a utilizar o permissivo do art. 24, IV, da Lei n° 8.666/93,
entendemos que deverão estar presentes os seguintes requisitos:
◦ situação emergencial ou calamitosa que não possa ser imputada à
desídia do administrador;
◦ urgência de atendimento; e
◦ risco da ocorrência de sérios danos a pessoas ou bens.

 A situação emergencial ou calamitosa que legitima a contratação direta,


primeiro requisito, é aquela cuja ocorrência escape às possibilidades
normais de prevenção por parte da Administração e que, portanto, não
possa ser imputada à desídia administrativa, à falta de planejamento ou à
má gestão dos recursos disponíveis.

Inércia do administrador causadora da emergência na contratação


 É preciso que a situação de urgência ou de emergência seja imprevisível.
Seria absolutamente descabido que o administrador, sabendo que
determinada situação iria ocorrer, e que sua ocorrência obrigaria a
celebração do devido contrato, não adotasse as medidas necessárias à
realização do procedimento licitatório. Jamais a inércia do administrador
poderá justificar a adoção de contratos emergenciais, conforme já
observamos.
Renovação e prorrogação de contratos emergenciais
 Art. 24, IV: "nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os
bens necessários ao atendimento de situação emergencial ou calamitosa
e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no
prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos,
contados da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a
prorrogação dos respectivos contratos"

O Caráter Emergencial e o Improrrogável Prazo de 180 Dias


 Antes de adentrar especificamente ao tema deste artigo, ou seja, à
questão relacionada à Abrangência da Nova Lei das Empresas Públicas.
 Como é sabido, a vigente Lei Federal de n. 8.666/1993, define em seu
artigo 24, inciso IV que em casos de Emergência ou Calamidade Pública,
quando caracterizada a urgência na adoção da solução necessária ao
problema emergencial, poderá a Administração Pública promover a
contratação direta por Dispensa de Licitação, todavia, dita contratação
deverá ter seu encerramento no prazo máximo de 180 (cento e oitenta)
dias, não podendo, portanto, ser prorrogada ou renovada.
 Ocorre que muita confusão decorre da interpretação do referido dispositivo
legal. Muitos pensam que o prazo de 180 dias é o período de vigência do
Contrato Administrativo, todavia, tal conclusão equivocada acaba sendo
responsável por inúmeros problemas enfrentados pelos gestores públicos
quando da análise de suas contas por parte dos Tribunais de Contas
Estaduais ou pelo TCU.
Quando Começa a Contar os 180 Dias?
 O prazo limite referido acima deve ser contado da data do fato que justifica
a condição emergencial ou calamitosa, possibilitando a contratação direta
por dispensa de licitação. Em razão de tal entendimento, se, por ventura, a
Administração Pública demora na adoção dos atos administrativos
necessários à celebração da pretendida contratação emergencial, o lapso
temporal do vínculo contratual deverá observar o período já decorrido
entre o momento caracterizador da emergência e o termo final dos 180
(cento e oitenta) dias, perdurando, apenas, pelo período que restar.
 Sendo mais explícito, se por razões burocráticas, a Administração Pública
ao identificar a condição emergencial ou calamitosa não concretiza com a
celeridade que a situação exige os atos inerentes ao procedimento de
dispensa de licitação, levando, a exemplo, 30 (trinta) dias entre a
constatação da emergência e a celebração do Contrato Administrativo,
este vínculo, obrigatoriamente, deverá vigorar pelo prazo máximo de 150
(cento e cinquenta) dias, posto que, o tempo definido no inciso IV do artigo
24 da Lei 8.666/1993 é contado da data do fato causador da emergência
ou da calamidade pública e não da data da assinatura do Contrato
Administrativo.

É Possível a Renovação ou Prorrogação do Contrato Emergencial?


 No tocante à renovação/prorrogação do Contrato Administrativo, a regra,
sem a menor dúvida, é por sua vedação, todavia, há diversos
entendimentos – inclusive do Tribunal de Contas da União – no sentido de
que ao se verificar o decurso dos 180 dias acima apontados, em sendo
constatado que a situação emergencial ou calamitosa se perdura, poderia
a Administração Pública, justificando tal fato, prorrogar o vínculo jurídico
celebrado por meio da Contratação Direta.
 Apesar de doutrinadores respeitados defenderem dita hipótese, discordo
frontalmente de tal conclusão, pois, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias,
poderia a Administração Pública haver promovido processo licitatório para
dar prosseguimento aos serviços adicionais que necessariamente seriam
exigidos em razão de sua dimensão e complexidade, não se tornando
possível a conclusão de todos os trabalhos no lapso temporal justificador
da contratação direta em razão da condição emergencial.
 O objetivo da dispensa de licitação em razão da condição emergencial é
sanar um problema urgente, todavia, tal não se configura como “cheque
em branco” para esquecer-se da obrigatoriedade de contratar-se por meio
de processo licitatório regular.
Como Deve Proceder o Gestor Público?
 Inexiste dúvidas no sentido de que 180 (cento e oitenta) dias é
demasiadamente suficiente para a Administração Pública instaurar
procedimento licitatório que regule como objeto da pretendida contratação,
a execução daqueles serviços adicionais que não seriam possíveis de
serem concluídos no prazo supra definido. Assim, apenas em hipóteses
demasiadamente excepcionais, acredito, poderia se encontrar justificada a
prorrogação da Dispensa de Licitação celebrada sob o fundamento da
emergência ou da calamidade pública, devendo o gestor público, por
prudência, realizar o processo licitatório para a execução dos serviços que
não serão passíveis de serem concluídos após os 180 dias contados da
data do fato que caracterizou a condição emergencial ou calamitosa.

 Rodrigo Soares de Azevedo - Advogado – OAB-PE n. 18.030

Licitação deserta ou frustrada - ausência de interessados


 Teríamos igualmente situação excepcional quando "não acudirem
interessados à licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser
repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas
as condições preestabelecidas" (art. 24, V). Esta hipótese é usualmente
denominada de licitação deserta ou frustrada;
 A primeira observação em relação à licitação deserta diz respeito à forte
possibilidade de que ausência de interessados se deva a erros constantes
do edital, ou, em menor medida, à pouca divulgação da licitação.
Modalidades
 Convite
◦ Características:
 modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu
objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número
mínimo de 3 pela unidade administrativa, a qual afixará, em local
apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos
demais cadastrados na correspondente especialidade que
manifestarem seu interesse com antecedência de 24 oras da
apresentação das propostas
 Compra de Material ou Prestação de Serviços: Até R$ 176.000,00
 Execução de Obras de Engenharia: Até R$ 330.000,00;
◦ Publicidade:
 Será dada publicidade, mensalmente, em órgão de divulgação oficial
ou em quadro de avisos de amplo acesso público;
 5 dias úteis de publicidade no Mural;
 No mínimo 3 convidados proponentes;
 Recursos até o 2 dias da divulgação do resultado.
◦ Base legal:
 Art. 22, § 3º - Lei 8.666
 Obs.: valores atualizados pelo Decreto Lei 9.412/2018 – Publicado
em 19/06/2018.

 Tomada de Preços
◦ Características:
 modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados
ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento
até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas,
observada a necessária qualificação;
 Cadastramento até o 3.º dia anterior;
 Compra de Material ou Prestação de Serviços até R$ 1.430.000,00;
 Execução de Obras de Engenharia: até R$ 3.300.000,00;
 Publicação em Diário Oficial e Portal Público;
 Prazos: 30 dias – Técnica e Preço e 15 dias – Menor preço;
◦ Base legal:
 Art. 22, § 2º - Lei 8.666.
 Obs.: valores atualizados pelo Decreto Lei 9.412/2018 – Publicado
em 19/06/2018.
Modalidades
 Concorrência
◦ Características:
 modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase
inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos
mínimos de qualificação exigidos no edital para execução do seu
objeto;
 Habilitação Preliminar;
 Compra de Material ou Prestação de Serviços: Acima de R$
1.430.000,00;
 Execução de Obras de Engenharia: Acima de R$ 3.300.000,00;
 Publicação em Diário Oficial e Portal Público;
 Prazos: 45 dias – Técnica e Preço e 30 dias – Menor preço;
◦ Base legal:
 Art. 22, § 1º - Lei 8.666.
 Obs.: valores atualizados pelo Decreto Lei 9.412/2018 – Publicado
em 19/06/2018.

 Leilão
◦ Características:
 Maior lance;
 Publicação em Diário Oficial e Portal Público;
 Prazos: 15 dias.
◦ Base legal:
 Art. 22, § 4º - Lei 8.666.

 Concurso
◦ Características:
 modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha
de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de
prêmios ou remuneração aos vencedores;
 Publicação em Diário Oficial e Portal Público;
 Prazos: 45 dias.
◦ Base legal:
 Art. 22, § 5º - Lei 8.666.
Modalidades
 Pregão
◦ Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços
comuns, promovida exclusivamente no âmbito da União, qualquer que
seja o valor estimado da contratação, em que a disputa pelo
fornecimento é feita por meio de propostas e lances em sessão pública.
 Características:
 Propostas escritas e lances verbais ou eletrônicos;
 Habilitação posterior;
 Publicação em Diário Oficial e Portal Público;
 Prazos: 8 dias úteis.
 Base legal:
 Lei 10520/02.
Limites para licitações
 LEI Nº 9.648 DE, 27 DE JUNHO DE 1998.
 Altera os limites de licitações e outros dispositivos da Lei nº 8.666/93.

Definição de Modalidade
 Valor estimado da contratação;
 Características do Objeto;
 A Lei nº. 8.666, de 21/06/93, aplica-se aos órgãos e entidades da esfera
Federal, Estadual e Municipal, bem como aos três poderes, no âmbito da
Administração Direta, os Fundos Especiais, as Autarquias, as Fundações
Públicas obedecidas o disposto no art. 37 — XXI da Constituição Federal.

Art. 3° da Lei 8.666/93


 Art. 3o A licitação destina-se a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade,
da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.
 (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010)
Princípios
 Os princípios jurídicos são de extrema relevância dentro do Direito. Para
Santana(1) os princípios "constituem fonte e origem das normas. Estão
implícitos em toda norma jurídica, da qual não se podem apartar, já que
estes concretizam a essência sociocultural dos destinatários e elaboradores
das normas. São, pois, a ‘alma’ da lei, de quem não se separam enquanto
esta vigora“.
• Jair Eduardo Santana, Pregão Presencial e Eletrônico, manual de
Implantação, operacionalização e Controle 2ª Edição.

Legalidade
 A Administração Pública deve limitar seus atos àquilo que estiver previsto em
lei.
 O administrador não tem liberdade de tomar a medida, ação ou decisão que
"bem quiser", sem o devido amparo legal.
 Nos procedimentos de licitação os licitantes e a Administração Publica
devem estar vinculados as regras estabelecidas nas normas e princípios em
vigor.
 Todas as suas providências devem estar previstas em legislação específica,
diferentemente do que ocorre com o empresário particular, que pode fazer
tudo o que não seja proibido por lei.

Impessoalidade
 Deve ser examinado sob os seguintes aspectos:
◦ Dever de isonomia por parte da Administração Pública em face dos
particulares;
◦ Dever de conformidade com o interesse público;
◦ Imputação dos atos praticados pelos agentes públicos diretamente às
pessoas jurídicas em que atuam;
 Todos são iguais perante a lei e o Estado.
Impessoalidade
 Diz Antônio Cecílio Moreira Pires, conclui quanto ao princípio da
impessoalidade que:
◦ Se a Administração Pública, em razão da isonomia, está obrigada a
tratar todos no mesmo pé de igualdade, temos que o princípio da
impessoalidade vem, em última análise, a concretizar a imposição
constitucional trazida no conteúdo da isonomia. Isso porque, pelo
princípio da impessoalidade, a Administração está obrigada a pautar
seus atos única e exclusivamente com vistas ao cumprimento do
interesse público, sendo vedado, portanto, o estabelecimento de
cláusulas ou condições que imponham privilégios ou prejuízos a quem
quer que seja, de modo a permitir que todos sejam tratados de forma
igualitária.

Moralidade
 Diferentemente do princípio da legalidade, a moralidade administrativa está
pautada em padrões éticos, exigindo por parte do administrador um
comportamento honesto e consequentemente dentro da lei.
 Celso Antônio Bandeira de Mello define da seguinte forma:
◦ O princípio da moralidade significa que o procedimento licitatório terá de
se desenrolar na conformidade de padrões éticos presáveis, o que
impõe, para a Administração e licitantes, um comportamento escorreito,
liso, honesto, de parte a parte.

Isonomia = Igualdade
 O princípio da igualdade visa além da escolha da melhor proposta, assegurar
aos interessados em contratar com a Administração Pública igualdade de
direitos, proibindo a concessão de preferências e privilégios a determinados
licitantes, conforme exposto por Di Pietro no seguinte trecho:
◦ O princípio da igualdade constitui um dos alicerces da licitação, na
medida em que está visa, não apenas permitir à Administração a escolha
da melhor proposta, como também assegurar igualdade de direitos a
todos os interessados em contratar. Esse princípio que hoje está
expresso no artigo 37, XXI, da Constituição, veda o estabelecimento de
condições que implique preferência em favor de determinados licitantes
em detrimento dos demais.
Igualdade entre Licitantes
 Significa dar tratamento igual a todos os interessados. É condição essencial
para garantir em todas as fases da licitação.
◦ "Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes;“
◦ Base Legal: Constituição Federal de 1988.

Publicidade
 A administração deve manter plena transparência de seus atos. A divulgação
que ocorre no âmbito da administração é condição indispensável a
realização de outro princípio, o da moralidade.
 Qualquer interessado deve ter acesso às licitações públicas e seu controle,
mediante divulgação dos atos praticados pelos administradores em todas as
fases da licitação.

Publicidade
◦ XXXIII - Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de
seu interesse particular; ou de interesse coletivo ou geral, que serão
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado;
◦ XXXIV - São a todos assegurados, independentemente do pagamento
de taxas:
 a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou
contra ilegalidade ou abuso de poder.
 b) a obtenção de certidões em repartições públicas, em defesa de
direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal.
 Constituição Federal 1988, art. 5°, incs. XXXIII e XXXIV
 Quando se trata de licitações publicas em geral, o §3º do art.3º e o art.4º da
Lei 8.666/93 dão concreção ao princípio da publicidade:
“art. 3º
◦ §3º. A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis ao
público os atos de seu procedimento, salvo quanto ao conteúdo das
propostas, até a respectiva abertura.”
Publicidade
 Art. 4º. Todos quantos participem de licitação promovida pelos órgãos ou
entidades a que se refere o art. 1º têm direito público subjetivo à fiel
observância do pertinente procedimento estabelecido nesta Lei, podendo
qualquer cidadão acompanhar o seu desenvolvimento, desde que não
interfira de modo a perturbar ou impedir a realização dos trabalhos.

Motivação
 A fundamentação, ou motivação administrativa, é o princípio ligado
diretamente à existência do Estado de Direito. Não se admite, à vista dos
princípios da moralidade, da publicidade e do controle jurisdicional a
existência de decisões sigilosas ou desmotivadas.

Razoabilidade
 Descendente também do princípio da legalidade, o princípio implícito da
razoabilidade proíbe que a Administração atue de modo desarrazoado,
ilógico ou incongruente ainda que haja mínima discricionariedade na sua
atuação concreta quando da aplicação da lei.

Probidade Administrativa
 O princípio da probidade administrativa é decorrente do princípio da
moralidade. Conforme analisa Celso Antônio Bandeira de Mello quanto ao
princípio da moralidade:
◦ Especificamente para a Administração, tal principio está reiterado na
referência ao princípio da probidade administrativa. Sublinha-se aí que o
certame haverá de ser por ela conduzido em estrita obediência a pautas
de moralidade, no que se inclui, evidentemente, não só a correção
defensiva dos interesses de quem a promove, mas também as
exigências de lealdade e boa-fé no trato com os licitantes.
 Todos os atos e condutas do gestor da coisa pública devem objetivar única e
exclusivamente o interesse público.
 O princípio da economicidade determina que todo e qualquer interesse
coletivo seja atingido com um mínimo de dispêndio. Há que se estabelecer
uma perfeita e harmoniosa relação entre o custo e o benefício alcançado.
Vinculação ao instrumento convocatório
 O instrumento convocatório é o documento que determina as regras que irão
reger a licitação, fazendo com que a Administração e as licitantes, fiquem
presas ao que for nele estipulado, sendo inadmissível a aceitação de
documentos ou propostas em desacordo com o exigido no edital.
 Obriga a Administração e o licitante a observarem as normas e condições
estabelecidas no ato convocatório.
 É a lei interna da licitação, e só poderá ser discutida antes da abertura da
mesma.
 Esse princípio e mencionado no art. 3º da Lei de Licitações e enfatizado pelo
art. 41 da mesma lei.
◦ Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e condições
do edital, ao qual se acha estritamente vinculada.
◦ Art. 41 da Lei 8.666/93.

Julgamento Objetivo
 O administrador deve observar critérios objetivos definidos no ato
convocatório para o julgamento das propostas.
 O julgador não pode fazer uso de fatores subjetivos ou de critérios não
previstos no ato convocatório, mesmo que em benefício da própria
Administração.
◦ Art. 45 - O julgamento das propostas será objetivo, devendo a Comissão
de licitação ou o responsável pelo convite, realizá-lo em conformidade
com os tipos de licitação, os critérios previamente estabelecidos no ato
convocatório e de acordo com os fatores exclusivamente nele referidos,
de maneira a possibilitar sua aferição pelos licitantes e pelos órgãos de
controle.
◦ Art. 45 da Lei 8.666/93.

Economicidade e Eficiência
 Sendo o fim da licitação a escolha da proposta mais vantajosa, deve o
administrador estar incumbido de honestidade ao cuidar coisa pública, não
dispendendo, ao seu talante, recursos desnecessários. Relaciona-se com o
princípio da moralidade bem como com o da eficiência, este inserido no texto
constitucional pela Emenda n.º 19/98.
 Marçal Justen Filho, no tocante ao princípio da economicidade assim afirma
“... Não basta honestidade e boas intenções para validação de atos
administrativos. A economicidade impõe adoção da solução mais
conveniente e eficiente sob o ponto de vista da gestão dos recursos
públicos”. (Justen Filho, 1998, p.66)
 Como exposto, o princípio da eficiência foi recentemente introduzido em
nosso texto constitucional, tendo influência direta sobre os casos de
contratação direta, objeto do presente trabalho.
Contraditório e da Ampla Defesa
 O Estado Democrático de Direito é o paradigma jurídico-institucional adotado
pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Assim sendo,
estabeleceu-se que “em processo judicial ou administrativo, são assegurados
o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”,
conforme prescreve o art. 5º, inciso LV, da Carta Magna.
 É evidente a inclusão, no texto constitucional, do princípio do devido
processo legal como sendo aplicável também ao processo administrativo,
afastando de vez a teoria que entende como processo apenas o judicial.
 O Processo, seja ele judicial ou administrativo, como instituto submetido aos
mandamentos constitucionais, visando a garantir aos litigantes o pleno
exercício do contraditório, da ampla defesa e da isonomia, só alcançará um
resultado final válido, se este for construído de maneira compartilhada entre
as partes, em acordo com a argumentação e as provas produzidas pelos
partícipes do processo.
 A Lei Nacional de Licitações e Contratos, em seu art. 3º, dispõe claramente
que “a licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional
da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração”.
 Da leitura do dispositivo acima, conclui-se que o procedimento licitatório
deriva, necessariamente, de um processo administrativo, eis que não há
como se garantir o princípio da isonomia entre os partícipes sem a presença
do contraditório e da ampla defesa.
 Nesse sentido, o art. 38 da Lei nº 8.666/93 dispõe o seguinte:
◦ Art. 38. O procedimento da licitação será iniciado com a abertura de
processo administrativo, devidamente autuado, protocolado e numerado,
contendo a autorização respectiva, a indicação sucinta de seu objeto e
do recurso próprio para a despesa, e ao qual serão juntados
oportunamente: (…)
 Não restam dúvidas, pois, que as licitações públicas dependem de um
processo administrativo regularmente instaurado, submetido aos
mandamentos constitucionais fundamentais.
 Estado Democrático exige a participação dos licitantes
 Inobstante isso, ainda subsistem entendimentos no sentido de que nem
sempre será obrigatória a observância dos princípios da ampla defesa e do
contraditório no processo licitatório.
 Um dos mais recorrentes casos em que os tribunais pátrios dispensam a
observância do mandamento constitucional é o previsto no art. 49 da Lei de
Licitações, que trata da anulação e revogação da licitação, in verbis:
◦ “Art. 49. A autoridade competente para a aprovação do procedimento
somente poderá revogar a licitação por razões de interesse público
decorrente de fato superveniente devidamente comprovado, pertinente e
suficiente para justificar tal conduta, devendo anulá-la por ilegalidade, de
ofício ou por provocação de terceiros, mediante parecer escrito e
devidamente fundamentado”.
Contraditório e da Ampla Defesa
 O § 3º do dispositivo legal acima é claro ao determinar o seguinte:
 “§ 3º. No caso de desfazimento do processo licitatório, fica assegurado o
contraditório e a ampla defesa”.
Procedimento Formal
 Procedimentos Administrativos:

◦ Art. 4.º, Parágrafo único.


 Art. 4° Todos quantos participem de licitação promovida pelos órgãos
ou entidades a que se refere o art. 1º têm direito público subjetivo à
fiel observância do pertinente procedimento estabelecido nesta lei,
podendo qualquer cidadão acompanhar o seu desenvolvimento,
desde que não interfira de modo a perturbar ou impedir a realização
dos trabalhos.
 Parágrafo único. O procedimento licitatório previsto nesta lei
caracteriza ato administrativo formal, seja ele praticado em qualquer
esfera da Administração Pública.

Procedimento Formal
 Importante:

◦ A informalidade não é contemplada no processo licitatório;

◦ Formalize todos os atos do processo, não aceite nada informal.

Margem de Preferência
 Art. 3° - § 2º Em igualdade de condições, como critério de desempate, será
assegurada preferência, sucessivamente, aos bens e serviços:
◦ I - (Revogado pela Lei 12349, de 2010) (produzidos ou prestados por
empresas brasileiras de capital nacional);
◦ II - produzidos no País;
◦ III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
◦ IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e
no desenvolvimento de tecnologia no País. (Incluído pela Lei 11.196, de
2005)
Margem de Preferência
 Art. 3° - § 5º Nos processos de licitação previstos no caput, poderá ser
estabelecido margem de preferência para produtos manufaturados e para
serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras.
 I - produtos manufaturados e para serviços nacionais que atendam a normas
técnicas brasileiras; e
 II - bens e serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa com
deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às
regras de acessibilidade previstas na legislação.
 Art. 3° - § 6º A margem de preferência de que trata o § 5º será estabelecida
com base em estudos revistos periodicamente, em prazo não superior a 5
(cinco) anos, que levem em consideração:
◦ I - geração de emprego e renda;
◦ II - efeito na arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais; III -
desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País
◦ IV - custo adicional dos produtos e serviços; e
◦ V - em suas revisões, análise retrospectiva de resultados.
Incluído pela Lei 12.349, de 2010
 § 7º Para os produtos manufaturados e serviços nacionais resultantes de
desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País, poderá ser
estabelecido margem de preferência adicional àquela prevista no § 5º.
 § 8º As margens de preferência por produto, serviço, grupo de produtos ou
grupo de serviços, a que se referem os §§ 5º e 7º, serão definidas pelo Poder
Executivo federal, não podendo a soma delas ultrapassar o montante de
25% (vinte e cinco por cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e
serviços estrangeiros.
 Incluído pela Lei 12.349, de 2010
 § 9º As disposições contidas nos §§ 5º e 7º deste artigo não se aplicam aos
bens e aos serviços cuja capacidade de produção ou prestação no País seja
inferior:
◦ I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou
◦ II - ao quantitativo fixado com fundamento no § 7º do art. 23 desta Lei,
quando for o caso.
 Incluído pela Lei 12349, de 2010
Margem de Preferência
 § 10. A margem de preferência a que se refere o § 5º poderá ser estendida,
total ou parcialmente, aos bens e serviços originários dos Estados Partes do
Mercado Comum do Sul - Mercosul.
 § 11. Os editais de licitação para a contratação de bens, serviços e obras
poderão, mediante prévia justificativa da autoridade competente, exigir que o
contratado promova, em favor de órgão ou entidade integrante da
administração pública ou daqueles por ela indicados a partir de processo
isonômico, medidas de compensação comercial, industrial, tecnológica ou
acesso a condições vantajosas de financiamento, cumulativamente ou não,
na forma estabelecida pelo Poder Executivo federal.
 Incluído pela Lei 12.349, de 2010
 § 12. Nas contratações destinadas à implantação, manutenção e ao
aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de informação e comunicação,
considerados estratégicos em ato do Poder Executivo federal, a licitação
poderá ser restrita a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e
produzidos de acordo com o processo produtivo básico de que trata a Lei
10176, de 11 de janeiro de 2001.
 § 13. Será divulgada na internet, a cada exercício financeiro, a relação de
empresas favorecidas em decorrência do disposto nos §§ 5º, 7º, 10, 11 e 12
deste artigo, com indicação do volume de recursos destinados a cada uma
delas.
 Incluído pela Lei 12.349, de 2010

Processo Produtivo Básico


• O Processo Produtivo Básico (PPB) foi definido por meio da Lei n.º 8.387,
de 30 de dezembro de 1991, como sendo "o conjunto mínimo de
operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva
industrialização de determinado produto".
• Apesar de o PPB ter surgido no governo Collor, os primeiros Processos
foram publicados no governo de Itamar Franco, no início dos anos 90,
quando começou a abertura da economia brasileira, incluindo o fim da
reserva de mercado do setor de informática, em outubro de 1992,
período que ficou conhecido pelo forte protecionismo da indústria
nacional.
• Desde então, o PPB tem sido utilizado como contrapartida pelo Governo
Federal à concessão de incentivos fiscais promovidos pela legislação da
Zona Franca de Manaus e pela legislação de incentivo à indústria de
bens de informática, telecomunicações e automação, mais conhecida
como Lei de Informática.
Processo Produtivo Básico
• Em resumo, o PPB consiste de etapas fabris mínimas necessárias que
as empresas deverão cumprir para fabricar determinado produto como
uma das contrapartidas aos benefícios fiscais estabelecidos por lei. Os
PPB são estabelecidos por meio de Portarias Interministeriais, assinadas
pelos Ministros da Economia (ME) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e
Comunicações (MCTIC).
• Em 1993 a Lei de Informática, n.º 8.248/91 incluiu a obrigatoriedade de
aplicação de 5% do faturamento bruto obtido da venda dos bens
incentivados, após dedução de impostos, em atividades de Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D). Com a publicação da Lei n.º 10.176, de 11 de
janeiro de 2001, o PPB e a aplicação de recursos financeiros em P&D
passaram a ser estabelecidos como contrapartidas aos benefícios fiscais
da Lei de Informática.
• Vale ressaltar que o investimento em P&D é também uma das
contrapartidas para a obtenção do benefício fiscal da Zona Franca de
Manaus, em relação aos bens de informática.

Elaboração do PPB
• A competência para fixação e alteração dos PPB’s é dos Ministros de
Estado da Economia e da Ciência e Tecnologia.
• Para examinar, emitir parecer e propor a fixação, alteração ou suspensão
de etapas dos Processos Produtivos Básicos, foi criado o Grupo Técnico
Interministerial (GT-PPB). A composição e o funcionamento do GT-PPB
foram disciplinados pela Portaria Interministerial ME/MCTIC nº 32, de 15
de julho de 2019. O Grupo é composto por representantes do ME, do
MCTIC e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
• O prazo para o estabelecimento ou alteração de um PPB é de 120 dias,
contados da solicitação fundada da empresa interessada, devendo ser
publicados em Portaria Interministerial os processos aprovados ou as
razões do indeferimento.
• Geralmente, a iniciativa de fixação ou alteração de PPB para um produto
específico é da empresa fabricante interessada na produção incentivada.
A partir do recebimento da proposta, o Governo, por meio do GT/PPB, irá
avaliar o pleito, trabalhando de forma que seja atingido o máximo de
valor agregado nacional, por meio do adensamento da cadeia produtiva,
observando a realidade da indústria brasileira. Se não atingir o grau
aceitável de valor agregado, que contribua, efetivamente, para o
desenvolvimento industrial do Brasil, o GT/PPB poderá recomendar o
indeferimento do pedido.
Elaboração do PPB
• Dessa forma, a elaboração do PPB é um processo que envolve a
empresa interessada, possíveis fornecedores nacionais, outras empresas
concorrentes pertencentes ao mesmo segmento e associações
representativas dos setores envolvidos.
• Na fixação de PPB, o governo procura se balizar pelas seguintes
diretrizes ou indicadores:
• Montante de investimentos a serem realizados pela empresa para a
fabricação do produto;
• Desenvolvimento tecnológico e engenharia local empregada;
• Nível de empregos a serem gerados;
• Se haverá a possibilidade de exportações do produto a ser
incentivado;
• Nível de investimentos empregados em P&D;
• Se haverá ou não deslocamento de produção dentro do território
nacional por conta dos incentivos fiscais; e
• Se investimentos de outras empresas do mesmo segmento
industrial serão ou não afetados por conta de aumento de
competitividade tributária gerada pelos incentivos fiscais.
• Dessa forma, a elaboração do PPB é um processo que envolve a
empresa interessada, possíveis fornecedores nacionais, outras empresas
concorrentes pertencentes ao mesmo segmento e associações
representativas dos setores envolvidos.
• Na fixação de PPB, o governo procura se balizar pelas seguintes
diretrizes ou indicadores:
• Montante de investimentos a serem realizados pela empresa para a
fabricação do produto;
• Desenvolvimento tecnológico e engenharia local empregada;
• Nível de empregos a serem gerados;
• Se haverá a possibilidade de exportações do produto a ser
incentivado;
• Nível de investimentos empregados em P&D;
• Se haverá ou não deslocamento de produção dentro do território
nacional por conta dos incentivos fiscais; e
• Se investimentos de outras empresas do mesmo segmento
industrial serão ou não afetados por conta de aumento de
competitividade tributária gerada pelos incentivos fiscais.
Incentivos Fiscais
• A utilização dos incentivos fiscais vinculados ao PPB é responsável pela
permanência ou instalação, no Brasil, de muitos empreendimentos
industriais, tanto no Polo Industrial de Manaus, como em outras
localidades do País, por meio da Lei de Informática.
• Ao contrário da Legislação da Zona Franca de Manaus, cujos incentivos
destinam-se às empresas fabricantes localizadas naquela região,
independentemente do tipo de produto industrializado, os incentivos da
Lei de Informática são destinados às empresas fabricantes de bens
definidos pelo Decreto n.º 5.906/06.
• Esses incentivos estão relacionados à redução do IPI para os bens de
informática e automação produzidos em todo o País. Também há a
manutenção de crédito do IPI na aquisição de matérias-primas, produtos
intermediários e material de embalagem empregados na industrialização
dos bens de informática. Em alguns estados, há, ainda, a redução do
ICMS na comercialização de produtos incentivados pelas empresas
habilitadas.
• Já, na Zona Franca de Manaus, os produtos fabricados de acordo com o
Processo Produtivo Básico recebem os seguintes incentivos:
• Redução de 88% do Imposto de Importação (II) dos insumos
importados;
• Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do bem
final;
• Isenção da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nas
operações internas na Zona Franca de Manaus;
• Alíquota e crédito diferenciados de PIS/PASEP e COFINS para venda
em outras regiões do País.

Sigilo de Propostas
 O conteúdo das propostas, antes de sua abertura oficial, é sigiloso. Esse
sigilo é uma necessidade pata cumprir o princípio de igualdade entre as
licitantes, pois quem conhece as propostas das outras participantes,
concorre com enorme vantagem em relação às demais.
◦ Art. 326. Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou
proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo:
◦ Pena - detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.
◦ Base Legal: Código Penal Brasileiro (Dec.-lei 2.848, de 07.12.1940).
Tipos de Licitação
 O tipo de licitação não deve ser confundido com modalidade de licitação.
Tipo é o critério de julgamento utilizado pela Administração para seleção da
proposta mais vantajosa. Modalidade é procedimento. Os tipos de licitação
mais utilizados para o julgamento das propostas são os seguintes:
◦ Menor Preço
 Critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a
Administração é a de menor preço. É utilizado para compras e
serviços de modo geral. Aplica-se também na aquisição de bens e
serviços de informática quando realizada na modalidade convite.
◦ Melhor Técnica
 Critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a
Administração é escolhida com base em fatores de ordem técnica. É
usado exclusivamente;
 para serviços de natureza predominantemente intelectual, em
especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão
e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral, e em
particular, para elaboração de estudos técnicos preliminares e
projetos básicos e executivos.
◦ Técnica e Preço
 Critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a
Administração é escolhida com base na maior média ponderada,
considerando-se as notas obtidas nas propostas de preço e de
técnica. É obrigatório na contratação de bens e serviços de
informática, nas modalidades tomada de preços e concorrência.
◦ Melhor Preço não é tipo de licitação. É terminologia usada para definir
Menor Preço conjugado com qualidade, durabilidade, funcionalidade,
desempenho, etc.

Tipos de Licitação (Alienação)


◦ Melhor Lance ou Oferta
 Tipo de licitação utilizada para venda ou alienação de bens. O critério
de seleção é a obtenção do melhor preço que pode ser obtido pelo
melhor lance, no caso do leilão ou melhor oferta quando se tratar de
concorrência.
Procedimentos para abertura do Processo Licitatório
◦ A fase interna do procedimento relativo a licitações públicas observará a
seguinte sequência de atos preparatórios:
 solicitação expressa do setor requisitante interessado, com indicação
de sua necessidade;
 elaboração do projeto básico e, quando for o caso, o executivo;
 aprovação da autoridade competente para início do processo
licitatório, devidamente motivada e analisada sob a ótica da
oportunidade, conveniência e relevância para o interesse público;
 autuação do processo correspondente, que deverá ser protocolizado
e numerado;
 elaboração da especificação do objeto, de forma precisa, clara e
sucinta, com base no projeto básico apresentado;
 estimativa do valor da contratação, mediante comprovada pesquisa
de mercado;
 indicação dos recursos orçamentários para fazer face à despesa;
 verificação da adequação orçamentária e financeira, em
conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal, quando for o
caso;
 elaboração de projeto básico, obrigatório em caso de obras e
serviços;
 definição da modalidade e do tipo de licitação a serem adotados.
◦ Com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, outras
exigências foram impostas ao gestor público para promover licitações
públicas, em especial quando a despesa se referir à criação, expansão
ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete aumento da
despesa.
◦ Nesse caso, são condições necessárias para a efetivação do
procedimento licitatório a existência de:
 estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que
deva entrar em vigor a despesa e nos dois subsequentes;
 declaração do ordenador de despesa de que o aumento tem
adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual
(LOA) e compatibilidade com o plano plurianual (PPA) e com a lei de
diretrizes orçamentárias (LDO).
Procedimentos para abertura do Processo Licitatório
◦ Para a Lei de Responsabilidade Fiscal, considera-se:
 adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto de dotação
específica e suficiente, ou que esteja abrangida por crédito genérico,
de forma que somadas todas as despesas da mesma espécie,
realizadas e a realizar, previstas no programa de trabalho, não sejam
ultrapassados os limites estabelecidos para o exercício;
 compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes
orçamentárias, a despesa que se conforme com as diretrizes,
objetivos, prioridades e metas previstos nesses instrumentos e não
infrinja qualquer de suas disposições.

Critérios de Aceitação da Proposta


 Ainda nessa fase interna, deve a Administração definir os critérios de
aceitação da proposta:
◦ estabelecer como o licitante vai descrever o produto (...);
◦ estabelecer como o licitante vai apresentar a proposta, número de
vias (...), o valor por extenso e em algarismos, indicando o que
prevalece, se houver divergência;
◦ embora a Lei do pregão e da licitação convencional sejam silentes
sobre a questão da amostra, o edital deve prever, se for o caso, como
se processa a entrega, o exame e a aprovação;
◦ indicar o procedimento para a aceitação de produto similar ao
pretendido pela Administração;
◦ estabelecer o prazo de garantia do produto e como se formalizará;
◦ estabelecer o prazo de entrega, as condições de embalagem;
◦ indicar outros elementos característicos para avaliação do objeto
ofertado pelo licitante.
Sanções / Penalidades
 As sanções administrativas aos licitantes e contratados da Administração
Pública Federal, autárquica e fundacional estão previstas essencialmente no
art. 87 da Lei nº 8.666, de 23 de junho de 1993, no art. 7º da Lei nº 10.520,
de 17 de julho de 2002, no art. 28 do Decreto nº 5.450, de 31 de maio de
2005 e no art. 27 da Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013.
 As sanções administrativas fixadas nas normas, aplicadas aos licitantes e
contratados, são as seguintes:
◦ advertência;
◦ multa;
◦ suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
◦ declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública;
◦ impedimento de licitar e contratar com a União, Estados, Distrito Federal
ou Municípios e o descredenciamento no Sistema de Cadastramento de
Fornecedores - SICAF pelo prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo
das multas previstas em edital e no contrato e das demais cominações
legais.
 ADVERTÊNCIA
◦ A sanção de advertência consiste em uma comunicação formal ao
fornecedor, após a instauração do processo administrativo sancionador,
advertindo-lhe sobre o descumprimento de obrigação legal assumida,
cláusula contratual ou falha na execução do serviço ou fornecimento,
determinando que seja sanada a impropriedade e, notificando que, em
caso de reincidência, sanção mais elevada poderá ser aplicada.
◦ “Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração
poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes
sanções:
 I – advertência.”
Sanções / Penalidades
 MULTA
◦ A sanção de multa tem natureza pecuniária e sua aplicação se dará na
gradação prevista no instrumento convocatório ou no contrato quando
houver atraso injustificado no cumprimento da obrigação contratual, e em
decorrência da inexecução parcial ou total do objeto da contratação, nos
termos do art. 86 e 87 da Lei nº 8.666, de 1993, a seguir:
 Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o
contratado à multa de mora, na forma prevista no instrumento
convocatório ou no contrato.
 [...]
 Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração
poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes
sanções:
 II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no
contrato
 Advertência, Suspensão e Inidoneidade
◦ As sanções de advertência, suspensão e inidoneidade
poderão ser aplicadas juntamente com a multa , conforme § 2º do
art. 87 de Lei nº 8.666, de 1993.
 Art. 87 (...)
 § 2º As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo poderão
ser aplicadas juntamente com a do inciso II, facultada a defesa prévia
do interessado, no respectivo processo, no prazo de 5 (cinco) dias
úteis.
◦ Demais disso, se a multa aplicada for superior ao valor da garantia
prestada, além da perda desta, responderá o contratado pela sua
diferença, que será descontada dos pagamentos eventualmente devidos
pela Administração ou cobrada judicialmente, conforme § 1º do art. 87 da
Lei nº 8.666, de 1993.
 Art. 87 (...)
 §1º Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada,
além da perda desta, responderá o contratado pela sua diferença,
que será descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela
Administração ou cobrada judicialmente.
Sanções / Penalidades
 SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DE PARTICIPAR EM LICITAÇÕES E
IMPEDIMENTO DE CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO
◦ A aplicação da suspensão temporária de licitar implica no impedimento
de contratar com a Administração Pública, sendo, portanto,
concomitantes.
◦ A sanção de suspensão temporária de participar em licitações suspende
o direito dos fornecedores de participarem dos procedimentos licitatórios
promovidos no âmbito do órgão ou entidade responsável pela aplicação
da sanção, por prazo não superior a 2 anos.
◦ A sanção de impedimento de contratar impede os fornecedores de
formalizarem contratos no âmbito do órgão ou entidade responsável pela
aplicação da sanção, por prazo não superior a 2 anos.
◦ Há de se ressaltar que nessa sanção considera-se contrato todo e
qualquer ajuste entre órgão ou entidade da Administração Pública e
particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de
vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a
denominação utilizada (Parágrafo Único do art. 2º da Lei nº 8.666, de
1993).
◦ A previsão legal está inserida no inciso III do art. 87 da Lei nº 8.666, de
21 de junho de 1993.
◦ “Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração
poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes
sanções:
◦ III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;”
Sanções / Penalidades
 IMPEDIMENTO DE LICITAR E CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL E
DESCREDENCIAMENTO NO SICAF.
◦ A aplicação do impedimento de licitar, contratar com a Administração
Pública e o descredenciamento do SICAF, previsto neste item, são
concomitantes.
◦ A sanção de impedimento de licitar e contratar prevista no
Art. 7º da Lei 10.520, de 17 de julho de 2002, impossibilitará o
fornecedor de participar de licitações e formalizar contrato no âmbito
interno do ente federativo que aplicar a sanção - União, Estado, DF ou
Municípios.
◦ A aplicabilidade desta sanção é adstrita à modalidade Pregão, bem como
nos contratos pactuados em decorrência das licitações realizadas nesta
modalidade, pelos motivos expostos a seguir:
 “Art. 7º Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua
proposta, não celebrar o contrato, deixar de entregar ou apresentar
documentação falsa exigida para o certame, ensejar o retardamento
da execução de seu objeto, não mantiver a proposta, falhar ou
fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou
cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com a
União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será
descredenciado no Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento de
fornecedores a que se refere o inciso XIV do art. 4º desta Lei, pelo
prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo das multas previstas em
edital e no contrato e das demais cominações legais.”
 IMPEDIMENTO DE LICITAR E CONTRATAR COM A ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL E
DESCREDENCIAMENTO NO SICAF.
◦ Acrescentando que o Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005, que rege
o Pregão Eletrônico, prevê em seu art. 28, que a sanção de impedimento
de licitar e contratar impossibilitará o fornecedor de participar de
licitações e formalizar contrato no âmbito da União, conforme abaixo se
descreve:
 "Art. 28. Aquele que, convocado dentro do prazo de validade de sua
proposta, não assinar o contrato ou ata de registro de preços, deixar
de entregar documentação exigida no edital, apresentar
documentação falsa, ensejar o retardamento da execução de seu
objeto, não mantiver a proposta, falhar ou fraudar na execução do
contrato, comportar-se de modo inidôneo, fizer declaração falsa ou
cometer fraude fiscal, garantido o direito à ampla defesa, ficará
impedido de licitar e de contratar com a União, e será
descredenciado no SICAF, pelo prazo de até cinco anos , sem
prejuízo das multas previstas em edital e no contrato e das demais
cominações legais."
Sanções / Penalidades
 DESCREDENCIAMENTO NO SICAF OU NOS SISTEMAS DE
CADASTRAMENTO DE FORNECEDORES.
◦ O descredenciamento no Sistema de Cadastramento de Fornecedores
do Governo Federal – SICAF se dará com a situação “inativo” sobre os
dados do fornecedor disponível no sistema, em consequência da
aplicação da sanção de impedido de licitar e contratar com a União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios, em conformidade com o art. 7º
da Lei nº 10.520, de 2002, e pelo Decreto nº 5.450, de 2005. Confira-se:

 "Art. 7º Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua


proposta, não celebrar o contrato, deixar de entregar ou apresentar
documentação falsa exigida para o certame, ensejar o retardamento
da execução de seu objeto, não mantiver a proposta, falhar ou
fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou
cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com a
União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será
descredenciado no Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento de
fornecedores a que se refere o inciso XIV do art. 4º desta Lei, pelo
prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo das multas previstas em
edital e no contrato e das demais cominações legais."
 "Art. 28. Aquele que, convocado dentro do prazo de validade de sua
proposta, não assinar o contrato ou ata de registro de preços, deixar
de entregar documentação exigida no edital, apresentar
documentação falsa, ensejar o retardamento da execução de seu
objeto, não mantiver a proposta, falhar ou fraudar na execução do
contrato, comportar-se de modo inidôneo, fizer declaração falsa ou
cometer fraude fiscal, garantido o direito à ampla defesa, ficará
impedido de licitar e de contratar com a União, e será
descredenciado no SICAF, pelo prazo de até cinco anos, sem
prejuízo das multas previstas em edital e no contrato e das demais
cominações legais."
Comentários à nova Instrução Normativa 01/2017
Condutas e dosimetria aplicável ao art. 7º da Lei 10.520/02
• A recente Instrução Normativa 01/17 (SGPR) estabeleceu critérios sobre
condutas e procedimentos destinados à chamada “dosimetria da
penalidade”[1] relacionada à aplicação da sanção prevista no art. 7º da
Lei 10.520/02, que assim dispõe:
• Art. 7º - Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua
proposta, não celebrar o contrato, deixar de entregar ou apresentar
documentação falsa exigida para o certame, ensejar o retardamento
da execução de seu objeto, não mantiver a proposta, falhar ou
fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou
cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com a
União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será
descredenciado no Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento de
fornecedores a que se refere o inciso XIV do art. 4o desta Lei, pelo
prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo das multas previstas em
edital e no contrato e das demais cominações legais.
• Considerando a discricionariedade nos atos administrativos e o juízo de
valores pertinente, ponderar a gravidade da prática cometida pelo
infrator, observando os Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade,
é medida adequada e elogiável a ser tomada pela Administração, pois
desta avaliação obterá uma média justa e eficaz para inibir tanto novas
práticas ilícitas quanto para punir a respectiva conduta reprovável.
Sanções / Penalidades
 Sobre o tema, o Manual de Sanções do site Compras Governamentais
também já estabelece:
 O processo administrativo para aplicação de sanção é o instrumento pelo
qual se assegura o respeito aos princípios da legalidade, finalidade,
motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa,
contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Trata-se de
um conjunto de atos ordenados em uma sequência lógica que visa à
apuração de um fato ou infração administrativa que pode resultar em
possível aplicação de sanção.
Sanções / Penalidades
 Nestes processos é importante que os responsáveis observem, dentre
outras, as seguintes condutas:
◦ a) Atuar conforme a lei e o Direito;
◦ b) Atuar segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
◦ c) Divulgar de maneira oficial os atos administrativos, ressalvadas as hipóteses
de sigilo previstas na Constituição;
◦ d) Promover a adequação entre meios e fins, vedada a imposição de
obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente
necessárias ao atendimento do interesse público;
◦ e) Indicar os pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
◦ f) Observar as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos
administrados;
◦ g) Adotar formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza,
segurança e respeito aos direitos dos administrados;
◦ h) Garantir os direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à
produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que
possam resultar sanções e nas situações de litígio;
◦ i) Observar a proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as
previstas em lei; 16 PROCEDIMENTOS GERAIS
◦ j) Dar impulsão, de ofício, no processo administrativo, sem prejuízo da atuação
dos interessados. Em contrapartida existem condutas que devem ser evitadas,
tais como:
◦ a) Aplicar sanção sem instauração de processo administrativo;
◦ b) Aplicar sanções sem a observância do contraditório e ampla defesa;
◦ c) Conferir prazo exíguo para a defesa prévia;
◦ d) Aplicar sanção sem atentar à dosimetria e a proporcionalidade;
◦ e) Fixar prazos exíguos para o cumprimento do ato de correção da
irregularidade conduzindo o contratado à reincidência;
◦ f) Deixar, injustificadamente, de aplicar sanção;
◦ g) Deixar de registrar no SICAF ou nos sistemas adequados as sanções
aplicadas;
◦ h) Deixar de requerer a complementação de garantias após o seu uso;
◦ i) Deixar de motivar a decisão que aplica a sanção;
◦ j) Deixar de fornecer informações dos atos processuais ao sancionado[4] (sem
grifos no original).
 No âmbito do Tribunal de Contas da União (TCU), “A dosimetria da pena (...)
tem como balizadores o nível de gravidade dos ilícitos apurados, com a
valoração das circunstâncias fáticas e jurídicas envolvidas, e a isonomia de
tratamento com casos análogos. O Tribunal não realiza dosimetria objetiva
da multa, comum à aplicação de normas do Direito Penal. Não há um rol de
agravantes e atenuantes legalmente reconhecido”.
A NOVA INSTRUÇÃO NORMATIVA 01/17
 A IN 01/17, publicada em 13/10/17, trouxe critérios relacionados à aplicação
da penalidade indicada no art. 7º da Lei do Pregão. Conforme estabelecido
em seu art. 2º (“Art. 2º - Nas licitações na modalidade pregão realizadas no
âmbito da Presidência da República é obrigatória a instauração de
procedimento administrativo para a aplicação das respectivas sanções,
quando da ocorrência das condutas a seguir relacionadas:”), eis as divisões:
A NOVA INSTRUÇÃO NORMATIVA 01/17

SITUAÇÕES AGRAVANTES
 Conforme art. 3º da IN 01/17 (SGPR), as sanções indicadas poderão ser
majoradas em 50%, para cada agravante e até o limite de 60 meses, se
ocorrer alguma das situações a seguir:
 Reincidência (art. 3º, inc. I)
◦ Quando o licitante/contratado já possuir registro no SICAF de penalidade
aplicada no âmbito da Presidência da República pela prática de qualquer
das condutas tipificadas pelo art. 2º, nos 12 meses anteriores ao fato que
decorrerá a aplicação de nova penalidade.
 Notória impossibilidade de atendimento ao edital (art. 3º, inc. II)
◦ Quando comprovadamente o licitante desclassificado ou inabilitado não
detinha condições de atender ao exigido em edital.
 Deliberado não atendimento de diligências (art. 3º, inc. III)
◦ Quando de forma deliberada (intencional) o licitante não atender ou
responder solicitações relacionadas a diligências destinadas ao
esclarecimento ou complementação da instrução do processo licitatório.
SITUAÇÕES ATENUANTES
 Segundo o art. 4º da IN 01/17 (SGPR), as penas previstas nos incs. I, II, IV e
V do art. 2º, poderão ser reduzidas em 50% (uma única vez) após a
incidência do previsto no art. 3º, quando não houver nenhum dano à
Administração, em decorrência das seguintes atenuantes:
 Falha perdoável (inc. I)
◦ Quando a conduta praticada pelo licitante ou contratado for
comprovadamente decorrente de falha escusável. Notória
impossibilidade de atendimento ao edital (art. 3º, inc. II)
 Vícios alheios à conduta do particular (inc. II)
◦ Quando a conduta praticada for decorrente da apresentação de
documentação que contenha vícios ou omissões para os quais não
tenha contribuído o licitante/contratado; ou que não sejam de fácil
identificação, devidamente comprovado.
 Deliberado não atendimento de diligências (art. 3º, inc. III)
◦ Quando de forma deliberada (intencional) o licitante não atender ou
responder solicitações relacionadas a diligências destinadas ao
esclarecimento ou complementação da instrução do processo licitatório.
 Declaração falsa de tratamento diferenciado (art. 3º, inc. IV)
◦ Quando comprovadamente o licitante apresentar declaração falsa de que
possui direito à tratamento diferenciado previsto em legislação
específica.
 Documentação equivocada que não atende ao edital, com ausência de
dolo (inc. III)
◦ Quando a conduta praticada pelo licitante/contratado decorrer da
apresentação de documentação que não atende às exigências do edital,
desde que evidenciado equívoco no seu encaminhamento e não existir
dolo na referida conduta.
◦ A aplicação das penas previstas pela IN 01/17 (SGPR) não excluem
outras sanções previstas no edital, contrato ou na legislação vigente (art.
7º), sem prejuízo das responsabilidades civil e criminal dos envolvidos,
inclusive perdas e danos causados para a Administração. Alerte-se,
também, que situações que envolvam “concurso de condutas” serão
apenadas mais severamente (art. 6º).
◦ Para a apuração dos fatos e das condutas praticadas, baseada no
princípio da boa-fé objetiva, a Administração poderá promover diligências
visando o esclarecimento de dúvidas e a apuração da veracidade das
informações, bem como considerar todas as provas e documentos
apresentados pela defesa dos envolvidos (art. 8º). Diligências poderão
ser, inclusive, requisitadas pelo acusado, o qual terá direito ao
contraditório e à ampla defesa, juntando ao processo todo meio de prova
necessário à sua defesa (parágrafo único).

◦ Material de Rogério Corrêa é advogado especialista em licitações e


contratos administrativos. (Orientação Técnica do Grupo Negócios
Públicos).
Edital
 Edital é o documento de publicidade da licitação, sendo que seu conteúdo
integra as disposições contratuais que serão acordadas entre a
Administração Pública e o licitante vencedor. A elaboração do Edital se utiliza
dos elementos levantados pela documentação preparada para a instrução do
processo de instauração da licitação
 Conforme estabelece a lei nº 10.520/02, no art. 4º, III, no edital deverão
constar:
◦ A Legislação Aplicada;
◦ Objeto da contratação;
◦ Condições para participação na licitação;
◦ Procedimentos para credenciamento na sessão do pregão;
◦ Requisitos de apresentação da proposta de preços e dos documentos de
habilitação;
◦ Procedimentos para recebimento e abertura dos envelopes com as
propostas;
◦ Critérios e procedimentos de julgamento das propostas;
◦ Requisitos de habilitação do licitante;
◦ Procedimentos e critérios para interposição de recursos e para aplicação
de sanções administrativas.
Edital
 Devem acompanhar o Edital, na forma de anexos, e em geral compreendem
os seguintes documentos:
◦ Termo de Referência;
◦ Planilha de Custo;
◦ Minuta de Contrato.
 O Edital não pode estipular exigências inibidoras da ampla participação,
quais sejam:
◦ a exigência de apresentação de garantias de proposta;
◦ a fixação de taxa/preço de aquisição do Edital pelos licitantes, como
condição para participação no certame;
◦ a exigência de pagamento de quaisquer outras taxas e emolumentos,
exceto o custo de reprodução gráfica do Edital.
Retirada de Edital
 De acordo com o preceito contido no artigo 63 da Lei de Licitações e
Contratos, “é permitido a qualquer licitante o conhecimento dos termos de
contrato e do respectivo processo licitatório e, a qualquer interessado, a
obtenção de cópia autenticada, mediante o pagamento dos emolumentos
devidos.”
 Os “emolumentos devidos”, citado corresponde exclusivamente, ao custo de
reprodução gráfica apurado pela Administração, que não poderá exceder o
valor gasto pelas cópias reprográficas. Para o custo das cópias, vale o
critério estabelecido pelo artigo 32, § 5º:
 “§ 5º Não se exigirá, para a habilitação de que trata este artigo, prévio
recolhimento de taxas ou emolumentos, salvo os referentes a fornecimento
do edital, quando solicitado, com os seus elementos constitutivos, limitados
ao valor do custo efetivo de reprodução gráfica da documentação fornecida.”
 Observação: Fato gerador de muitas impugnações.

Número mínimo de Empresas


 Acórdão n° 1.730/2005 - Segunda Câmara: (convite, número mínimo de três
propostas válidas, considerações acerca da validade das propostas)
 (...) a jurisprudência deste Tribunal é pacífica no sentido de exigir a presença
de três propostas válidas para o regular desenvolvimento de licitação na
modalidade convite, sob pena de repetição do ato.
 Para tanto, considera-se válida a proposta apta à seleção, ou seja, aquela
que efetivamente concorre com as demais, após a licitante ter atendido as
condições de qualificação exigidas no ato convocatório.

É permitido ao Órgão Licitante


 Incluir cláusulas de caráter objetivo, necessárias para garantir a qualidade e
o fornecimento dos bens e serviços, bem como a execução do objeto licitado.

Objeto Diferente do Contrato


 Acórdão n° 2.363/2006 - Segunda Câmara: (convite, empresas que não
atuam na área objeto da licitação)
 9.2. determinar à Prefeitura Municipal de Pedreiras/MA que nas licitações
realizadas com recursos federais: (...)
 9.2.3. deixe de convocar licitantes cujo ramo de atividade econômica seja
incompatível com o objeto da licitação realizada na modalidade de convite,
por força da restrição imposta no §3° do art. 22 da Lei n° 8.666/1993.
Documentos exigidos
 CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS TRABALHISTAS (CNDT) -
EXIGÊNCIA COMEÇA A PARTIR DE 04/01/2012.
◦ De acordo com a respectiva lei as empresas interessadas em participar
das licitações e firmar contratos com o Poder Público estão obrigadas a
apresentar, dentre o rol de documentos exigidos, a CNDT. A CNDT
certificará a empresa em relação a todos os seus estabelecimentos,
agências e filiais.
◦ A empresa não obterá a certidão quando em seu cadastro constar:
 O inadimplemento de obrigações estabelecidas em sentença
condenatória transitada em julgado proferida pela Justiça do Trabalho
ou em acordos judiciais trabalhistas; ou
 O inadimplemento de obrigações decorrentes de execução de
acordos firmados perante o Ministério Público do Trabalho ou
Comissão de Conciliação Prévia.
 Nota: faz parte da obrigação das empresas o pagamento não
somente do valor da condenação destinada ao reclamante, mas
inclusive no concernente aos recolhimentos previdenciários, a
honorários, a custas, a emolumentos ou a recolhimentos
determinados em lei.

◦ A Lei 12.440/2011 instituiu a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas -


CNDT expedida gratuita e eletronicamente, para comprovar a
inexistência de débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho. Esta
exigência passa a ser obrigatória a partir de 04 de janeiro de 2012.

Qualificação Técnica
 Para a realização de obras ou serviços de grande complexidade não podem
ser dispensados o conhecimento técnico especializado nem a comprovação
de experiência e de capacitação operativa para cumprir o objeto do contrato.
 Cintra do Amaral analisou a imposição de exigências de qualificação técnica
e sobre ela apresenta as seguintes considerações:
◦ Não encontramos absolutamente nenhum argumento favorável à licitação
pública aberta a todos e admitimos sem reserva o ponto de vista segundo
o qual, quando a licitação faz apelo à concorrência, é absolutamente
essencial que, para cada empreendimento licitado, a concorrência
pública se limite às empresas cuidadosamente escolhidas em função da
importância e da natureza das obras, e reconhecidamente capazes de
empreitar e executar o trabalho com os necessários requisitos de
qualidade.
Qualificação Técnica
 As exigências de qualificação técnica fixadas em edital pela Administração
Pública destinam-se a aferir se os licitantes interessados em contratar
reúnem as condições técnicas necessárias e suficientes para executar
satisfatoriamente o objeto contratual.
 Marçal Justen Filho, ao tratar sobre os requisitos de qualificação técnica,
explica que:
 “A expressão ‘qualificação técnica’ tem grande amplitude de significado. Em
termos sumários, consiste no domínio de conhecimentos e habilidades
teóricas e práticas para execução do objeto a ser contratado.
 (...)
 O conceito de qualificação técnica é complexo e variável, refletindo a
heterogeneidade dos objetos licitados. Cada espécie de contratação
pressupõe diferentes habilidades ou conhecimentos técnicos. É implausível
imaginar algum caso em que a qualificação técnica seria irrelevante para a
Administração. Quando muito, poderia imaginar-se que o objeto é
suficientemente simples para ser executado por qualquer profissional de uma
certa área. Por exemplo, suponha-se que a Administração necessite contratar
serviços de marcenaria muito simples. A qualificação técnica poderá
restringir-se à comprovação da titularidade da profissão de marceneiro, mas
é óbvio que não poderia ser contratada pessoa destituída de qualquer
habilidade nesse setor.
 Como decorrência, a determinação dos requisitos de qualificação técnica
far-se-á caso a caso, em face das circunstâncias e peculiaridades das
necessidades que o Estado deve realizar. Caberá à Administração, na fase
interna antecedente à própria elaboração do ato convocatório, avaliar os
requisitos necessários, restringindo-se ao estritamente indispensável a
assegurar um mínimo de segurança quanto à idoneidade dos licitantes.”
 As exigências de qualificação técnica fixadas em edital pela Administração
Pública destinam-se a aferir se os licitantes interessados em contratar
reúnem as condições técnicas necessárias e suficientes para executar
satisfatoriamente o objeto contratual.
 Marçal Justen Filho, ao tratar sobre os requisitos de qualificação técnica,
explica que:
Qualificação Técnica
 “A expressão ‘qualificação técnica’ tem grande amplitude de significado. Em
termos sumários, consiste no domínio de conhecimentos e habilidades
teóricas e práticas para execução do objeto a ser contratado.
 (...)
 O conceito de qualificação técnica é complexo e variável, refletindo a
heterogeneidade dos objetos licitados. Cada espécie de contratação
pressupõe diferentes habilidades ou conhecimentos técnicos. É implausível
imaginar algum caso em que a qualificação técnica seria irrelevante para a
Administração. Quando muito, poderia imaginar-se que o objeto é
suficientemente simples para ser executado por qualquer profissional de uma
certa área. Por exemplo, suponha-se que a Administração necessite contratar
serviços de marcenaria muito simples. A qualificação técnica poderá
restringir-se à comprovação da titularidade da profissão de marceneiro, mas
é óbvio que não poderia ser contratada pessoa destituída de qualquer
habilidade nesse setor.
 Como decorrência, a determinação dos requisitos de qualificação técnica
far-se-á caso a caso, em face das circunstâncias e peculiaridades das
necessidades que o Estado deve realizar. Caberá à Administração, na fase
interna antecedente à própria elaboração do ato convocatório, avaliar os
requisitos necessários, restringindo-se ao estritamente indispensável a
assegurar um mínimo de segurança quanto à idoneidade dos licitantes.”

Documentos exigidos
 A Lei n° 8.666/93, em seu Art. 30, ao dispor sobre a documentação
necessária à comprovação da qualificação técnica necessária à participação
de licitação, definiu que esta se limitará a(o):
◦ I - registro ou inscrição na entidade profissional competente;
◦ II - comprovação de aptidão para desempenho de atividade pertinente e
compatível em características, qualidades e prazos com o objeto da
licitação, e indicação das instalações e do aparelhamento e do pessoal
técnico adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação,
bem como da qualificação de cada um dos membros da equipe técnica
que se responsabilizará pelos trabalhos;
◦ III - comprovação de recebimento dos documentos concernentes à
licitação, e, quando exigido, de que tomou conhecimento de todas as
informações e das condições locais para o cumprimento das obrigações
objeto da licitação;
◦ IV - prova de atendimento de requisitos previstos em lei especial, quando
for o caso.
Aptidão
• § 1º A comprovação de aptidão referida no inciso II do "caput" deste artigo,
no caso das licitações pertinentes a obras e serviços, será feita por atestados
fornecidos por pessoas jurídicas de direito público ou privado, devidamente
registrados nas entidades profissionais competentes, limitadas as exigências
a:
• I - capacitação técnico-profissional: comprovação do licitante de possuir
em seu quadro permanente, na data prevista para entrega da proposta,
profissional de nível superior ou outro devidamente reconhecido pela
entidade competente, detentor de atestado de responsabilidade técnica
por execução de obra ou serviço de características semelhantes,
limitadas estas exclusivamente às parcelas de maior relevância e valor
significativo do objeto da licitação, vedadas as exigências de
quantidades mínimas ou prazos máximos;
• § 2º As parcelas de maior relevância técnica e de valor significativo,
mencionadas no parágrafo anterior, serão definidas no instrumento
convocatório. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
• § 3º Será sempre admitida a comprovação de aptidão através de certidões ou
atestados de obras ou serviços similares de complexidade tecnológica e
operacional equivalente ou superior.
• § 4º Nas licitações para fornecimento de bens, a comprovação de aptidão,
quando for o caso, será feita através de atestados fornecidos por pessoa
jurídica de direito público ou privado.
Aptidão
• § 5º É vedada a exigência de comprovação de atividade ou de aptidão com
limitações de tempo ou de época ou ainda em locais específicos, ou
quaisquer outras não previstas nesta Lei, que inibam a participação na
licitação.
• § 6º As exigências mínimas relativas a instalações de canteiros, máquinas,
equipamentos e pessoal técnico especializado, considerados essenciais para
o cumprimento do objeto da licitação, serão atendidas mediante a
apresentação de relação explícita e da declaração formal da sua
disponibilidade, sob as penas cabíveis, vedada as exigências de propriedade
e de localização prévia.
• § 8º No caso de obras, serviços e compras de grande vulto, de alta
complexidade técnica, poderá a Administração exigir dos licitantes a
metodologia de execução, cuja avaliação, para efeito de sua aceitação ou
não, antecederá sempre à análise dos preços e será efetuada
exclusivamente por critérios objetivos.
• § 9º Entende-se por licitação de alta complexidade técnica aquela que
envolva alta especialização, como fator de extrema relevância para garantir a
execução do objeto a ser contratado, ou que possa comprometer a
continuidade da prestação de serviços públicos essenciais.
• § 10º Os profissionais indicados pelo licitante para fins de comprovação da
capacitação técnico-operacional de que trata o inciso I do § 1º deste artigo
deverão participar da obra ou serviço objeto da licitação, admitindo-se a
substituição por profissionais de experiência equivalente ou superior, desde
que aprovada pela administração. (Incluído pela Lei nº 8.883, de 1994)

Capacidade técnico-operacional
 Capacitação técnico-operacional envolve comprovação de que a empresa
licitante, como unidade econômica agrupadora de bens e pessoas, já
executou, de modo satisfatório, atividade pertinente e compatível em
características, quantidades e prazos com o objeto da licitação.
 Capacidade técnico-operacional será comprovada mediante:
◦ apresentação de atestado de aptidão para desempenho de atividade
compatível com o objeto da licitação, em características, quantidades e
prazos;
◦ indicação das instalações, do aparelhamento e do pessoal técnico
adequados e disponíveis para a realização do objeto da licitação;
◦ qualificação de cada um dos membros da equipe técnica que será
responsável pela execução do objeto.
Documentos exigidos
 Em caso de compras, obras e serviços de grande vulto, de alta complexidade
técnica, a Administração pode exigir dos licitantes a metodologia de
execução a ser aplicada para cumprimento do objeto. Para efeito de
aceitação ou não, a avaliação da metodologia de execução será feita antes
da análise dos preços e exclusivamente por meio de critérios objetivos
definidos no ato convocatório.

Atestados de capacidade técnica


 Atestados de capacidade técnica são documentos fornecidos por pessoa
jurídica, de direito público ou privado, para quem as atividades foram
desempenhadas com pontualidade e qualidade. É nesse documento que o
contratante deve certificar detalhadamente que o contratado forneceu
determinado bem, executou determinada obra ou prestou determinado
serviço satisfatoriamente.
 Para efeito de qualificação técnica, atestado apresentado pelo licitante deve
demonstrar o cumprimento de atividade pertinente e compatível com o objeto
da licitação, em características, quantidades e prazos.
 Quando o objeto da licitação incluir mais de um item (etapa ou parcela),
devem ser aceitos atestados de capacitação técnica relativos a cada um dos
itens ofertados, de forma a ampliar a competição. Exemplo: Se a licitação for
de três itens, a capacitação poderá ser provada em até três atestados,
mediante aceitação de somatório dos quantitativos exigidos, conforme
dispuser o ato convocatório.

Vistoria ou visita técnica


 Para efeito de qualificação técnica, poderá ser exigida, quando for o caso,
comprovação de que o licitante tomou conhecimento de todas as
informações e das condições locais para o cumprimento das obrigações
relativas ao objeto licitado.
 Na hipótese de exigência de vistoria, deve o edital disciplinar a forma de
fazê-la, a exemplo de inserção de condições que estabeleçam prazo, data,
horário, endereço etc.
Deliberações do TCU
 O Tribunal de Contas da União – TCU, no Acórdão n.º 1085/2011-Plenário,
sedimentou entendimento de que a exigência em licitações, na fase
habilitatória, de certificação ISO é ilegal, não encontrando amparo na
legislação, in casu, no já mencionado art. 30 da Lei nº 8.666/93:
 As certificações nacionais correspondentes à família 9000 da ISO se referem,
em linhas gerais, a critérios para implantação de sistemas de garantia da
qualidade. Para obtê-los, a empresa deveria demonstrar a adequação de
seus procedimentos de fabricação aos padrões estabelecidos na norma, o
que garantiria, ao menos em tese, que os produtos oriundos dessa empresa
tenham sempre as mesmas características. Todavia, isso não garante que
eles tenham qualidade superior aos de uma empresa que não seja
certificada. Além do que, obter a certificação ISO é faculdade das empresas –
não há lei que a indique como condição para exercício de qualquer atividade.
Restritiva, portanto, a exigência desse predicado como condição para
qualificação em licitações, pois afastar os participantes não certificados reduz
a possibilidade de alcance da melhor proposta para a Administração, sem
que haja justificativa razoável para tanto.
 Inexiste obrigatoriedade legal de inscrição de empresas ou registro de
profissionais perante o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (CREA) cujas atividades estejam relacionadas à comercialização
e à manutenção, inclusive assistência técnica, de bens e serviços de
informática.
 É indevida a inabilitação de empresa licitante por ausência de apresentação
de certidão expedida pelo CREA, para fins de comprovação de qualificação
técnica, quando o objeto da licitação tratar-se de mera aquisição de bens e
serviços de informática.
 Acórdão 168/2009 Plenário (Sumário)
Deliberações do TCU
 Enunciado :
◦ É vedada a exigência de declaração de solidariedade de fabricante, por
constituir restrição ao caráter competitivo da licitação.
 Voto:
◦ 10. Com relação à declaração de solidariedade, o entendimento pacífico
desta Corte é que tal exigência, como condição de habilitação, não tem
amparo legal, não constitui exigência indispensável à garantia do
cumprimento das obrigações e constitui cláusula restritiva ao caráter
competitivo da licitação (Acórdãos TCU nº 1729/2008, 2056/2008 e
892/2010, todos do Plenário) .
 Acórdão:
◦ 9.3. determinar à Escola de Comando e Estado Maior do Exército que:
◦ 9.3.2. abstenha-se de incluir nos editais de licitação destinado à
aquisição de mobiliário, como requisito para habilitação, por
incompatíveis com os artigos 27, 30 e 31 da Lei nº 8.666/1993 e com o
que estabelece o art. 37, XXI, da Constituição Federal, in fine, as
seguintes exigências:
◦ 9.3.2.1. declaração de solidariedade de fabricante do mobiliário;
 Acórdão 2179/2011-Plenário (Sumário)

Deliberações do TCU
 Recentemente, o TCU reafirmou seu entendimento sobre o uso de atestados
falsos em licitações. De acordo com o Tribunal, a apresentação de atestado
com conteúdo falso, por si, já configura a prática de fraude à licitação e tem
como consequência a declaração de inidoneidade. (Ac. 1106/18-P).
 No mesmo sentido, decisões anteriores indicaram que a apresentação de
atestados com conteúdo falso caracteriza ilícito administrativo gravíssimo,
fere os princípios da moralidade, da isonomia e da competitividade aplicáveis
a todas as licitações públicas e faz surgir a possibilidade de o TCU declarar a
inidoneidade da empresa fraudadora para participar de licitação na
Administração Pública Federal, independentemente de a fraude ter resultado
em prejuízo financeiro para a Administração. (cf. acórdãos 27/13, 2988/13 e
2677/14, todos do Plenário).
Qualificação econômico-financeira
 No exame da documentação relativa à habilitação econômico-financeira deve
ser observada a boa situação financeira do licitante para execução do objeto
do certame.
 Para isso devem ser exigidos:
◦ balanço patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício
social, obrigatórios e já apresentados na forma da lei, que comprovem a
boa situação financeira da empresa, vedada a sua substituição por
balancetes ou balanços provisórios, podendo ser atualizados por índices
oficiais quando encerrado há mais de três meses da data de
apresentação da proposta;
◦ certidão negativa de falência ou concordata, ou de recuperação judicial,
expedida pelo distribuidor da sede da pessoa jurídica;
◦ certidão negativa de execução patrimonial, expedida no domicílio da
pessoa física, quando for o caso;
◦ garantia, nas modalidades e critérios previstos no caput e § 1º do art. 56
da Lei nº 8.666/1993, limitada a 1% do valor estimado do objeto da
contratação.
 Comprovação da boa situação financeira da empresa deverá ser avaliada
mediante aplicação de índices contábeis previstos no ato convocatório de
forma objetiva. Não podem ser exigidos índices e valores que não são
usualmente adotados para avaliação da boa situação financeira de
empresas.
 Índices contábeis exigidos devem estar justificados e motivados no processo
de licitação.
 Instrução Normativa/MARE nº 5, de 21 de julho de 1995, que estabelece os
procedimentos destinados à implantação e operacionalização do Sistema de
Cadastramento Unificado de Serviços Gerais (SICAF), disciplina que a
comprovação da boa situação financeira das empresas inscritas nesse
sistema terá por base a verificação dos índices de Liquidez Geral (LG),
Solvência Geral (SG) e Liquidez Corrente (LC), resultantes da aplicação das
seguintes fórmulas:
◦ LG = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) / ( Passivo Circulante
+ Exigível a Longo Prazo )
◦ SG = Ativo Total / ( Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo )
◦ LC = Ativo Circulante / Passivo Circulante
Qualificação econômico-financeira
 Esse regulamento dispõe ainda que as empresas que apresentarem
resultado igual ou menor do que 1 em qualquer um dos índices apurados
devem comprovar, para fins de habilitação, considerados os riscos para
Administração e a critério da autoridade competente, capital mínimo ou
patrimônio líquido mínimo no limite previsto na Lei nº 8.666/1993. Citada
exigência deve constar do ato convocatório.
 De acordo com a Lei de Licitações, na compra de bens para entrega futura,
execução de obras ou prestação de serviços, a Administração pode exigir,
para efeito de habilitação do licitante, desde que previsto no instrumento
convocatório do certame, comprovação de capital mínimo ou patrimônio
líquido mínimo, ou as garantias previstas no § 1º do art. 56 da Lei nº
8.666/1993. Essas exigências, que não podem ser cumulativas, não
excederão os seguintes percentuais:
◦ capital social mínimo/patrimônio líquido: até 10% do valor estimado da
licitação;
◦ garantia de participação da licitação (garantia de proposta): até 1% do
valor estimado da licitação.

Deliberações do TCU
 A exigência de capital social mínimo deve obedecer o limite legal de 10%
(dez por cento) do valor estimado da contratação. Acórdão 223/2008 Plenário
(Sumário)
 Sabendo-se que a qualificação econômico-financeira corresponde à
disponibilidade de recursos para a satisfatória execução do objeto da
contratação, só será titular de direito de licitar com a Administração Pública
aquele que comprovar, em termos efetivos, as condições mínimas exigidas
no edital para satisfazer tal requisito, rejeitando-se, para esse fim, o know
how utilizado na integralização de capital social, representado pela
experiência, o conhecimento e a capacidade técnico-operacional de sócio,
porquanto tal elemento não revela concretude na disponibilidade de recursos
a ser demonstrada para confirmar a viabilidade da execução contratual.
Acórdão 2014/2007 Plenário (Sumário)
Deliberações do TCU
 É legal a exigência de capital social proporcional ao valor total de contrato
cujo objeto será executado em mais de um exercício, desde que observado o
limite do § 3º do art. 31 da Lei nº 8.666/1993. Acórdão 1105/2007 Plenário
(Sumário)
 As exigências de habilitação devem ser indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações. Acórdão 112/2007 Plenário (Sumário)

Garantia de Proposta
 Pode ser exigida prestação de garantia para participação em licitações
públicas, desde que prevista no ato convocatório. Não pode o valor dessa
garantia exceder a 1% do custo estimado da contratação.
 Garantia de participação é denominada também de garantia de proposta.
 Em pregão, não é permitido exigir dos licitantes garantia de participação.
 Cabe ao licitante optar por uma das seguintes modalidades:
◦ caução em dinheiro;
◦ títulos da dívida pública;
◦ seguro-garantia;
◦ fiança bancária.
 Quanto à garantia prestada em dinheiro, a devolução será feita após
devidamente atualizada.

Regularidade Fiscal
• A respeito da regularidade fiscal, dispõe a Lei de Licitações e Contratos
Administrativos que:
• Art. 29. A documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista,
conforme o caso, consistirá em:
• I - prova de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no
Cadastro Geral de Contribuintes (CGC);
• II - prova de inscrição no cadastro de contribuintes estadual ou
municipal, se houver, relativo ao domicílio ou sede do licitante,
pertinente ao seu ramo de atividade e compatível com o objeto
contratual;
• III - prova de regularidade para com a Fazenda Federal, Estadual
e Municipal do domicílio ou sede do licitante, ou outra equivalente,
na forma da lei;
• IV - prova de regularidade relativa à Seguridade Social e ao Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), demonstrando situação
regular no cumprimento dos encargos sociais instituídos por lei.
• V – prova de inexistência de débitos inadimplidos perante a
Justiça do Trabalho, mediante a apresentação de certidão
negativa, nos termos do Título VII-A da Consolidação das Leis do
Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de
1943.
Outras comprovações
• Assim sendo, as certidões estaduais, que se referem apenas ao ICMS,
não são suficientes para comprovar a regularidade com toda essa
Fazenda. Para demonstrar total regularidade com a Fazenda Estadual
deve ser apresentada certidão que se refira a todos os impostos
estaduais (ICMS, IPVA, ITBI, Causa Mortis etc.) e também quanto à
dívida ativa estadual, uma vez que é possível existir débitos com o
Estado que não tenham procedência tributária.
• Situação semelhante acontece em relação à Fazenda Municipal. Além da
certidão de tributos mobiliários que engloba, entre outros, o ISSQN, que
é o documento usualmente apresentado pelas licitantes, precisa ser
comprovada a regularidade com os tributos imobiliários (IPTU) e,
também, a regularidade com a parte não tributária da Fazenda Municipal.

Cumprimento do disposto no inciso XXXIII


do art. 7º da Constituição Federal
 A Constituição Federal proíbe trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo
na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.

Cumprimento do Disposto Constitucional


• A mais recente exigência admissível para a habilitação das licitantes é o
que consta do inc. V do art. 27, incluído na Lei 8.666/93, pela Lei 9.854
de 27.10.1999, que obriga a proponente a comprovar o cumprimento do
disposto no inc. XXXIII do art. 7° da Constituição Federal, que tem a
seguinte redação:
• Art. 7°. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de
outros que visem à melhoria de sua condição social:
• XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
Declaração
• DECLARAÇÁO
• Ref.: (identificação da licitação)
• ................................. , inscrito no CNPJ n° ................, por intermédio de
seu representante legal ora} Sr(a} , portador(a} da Carteira de Identidade
n° ..................... e do CPF n° .................., DECLARA, para fins do
disposto no inciso V do art. 27 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993,
acrescido pela Lei nO9.854, de 27 de outubro de 1999, que não emprega
menor de dezoito anos em trabalho noturno, perigoso ou insalubre e não
emprega menor de dezesseis anos.
• Ressalva: emprega menor, a partir de quatorze anos, na condição de
aprendiz ( ) .

• (representante legal)

• (Observação: em caso afirmativo, assinalar a ressalva acima)

Registro Cadastral
 Órgãos e entidades da Administração Pública que promovem licitações com
frequência devem manter registros cadastrais para efeito de habilitação de
licitantes interessados que desejarem fazê-lo.
 Licitante interessado em participar de licitações públicas não está obrigado a
fazer registro cadastral no órgão ou entidade que realiza procedimentos
licitatórios.
 Apresentação de certificado de registro cadastral em substituição a
determinados documentos é faculdade que a Lei de Licitações confere ao
licitante.

Deliberações do TCU
 Abstenha-se de exigir em processos licitatórios realizados por meio de
pregão a apresentação de documentos e informações que já constem do
Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores - SICAF ou sistemas
semelhantes mantidos por Estados, Distrito Federal ou Municípios, em
observância ao art. 4º, inciso XIV, da Lei nº 10.520/2002 e ao art. 14,
parágrafo único, do Decreto nº 5.450/2005. Acórdão 267/2006 Plenário
Declaração de Fato Impeditivo
 Não exige a Lei de licitações comunicação de inexistência de fato impeditivo,
apenas disciplina a apresentação de declaração quando o licitante toma
ciência de fato superveniente impeditivo da habilitação. Logo, não há amparo
legal para se exigir declaração de superveniência de fato impeditivo de
habilitação em processo licitatório.
 Quando o certificado de registro cadastral for utilizado para substituir
documentos de habilitação, o licitante cadastrado tem o dever de informar à
Administração a superveniência de qualquer fato, caso tenha ocorrido, que o
impeça de se habilitar a participar de licitações públicas.

Prazo de validade das propostas


 De acordo com a legislação, devem ser observados os seguintes prazos de
validade das propostas:
◦ concorrência, tomada de preços ou convite: sessenta dias;
◦ pregão: sessenta dias, se outro, maior ou menor, não estiver fixado no
edital.
 Se, por motivo de força maior, a adjudicação não puder ocorrer dentro do
período de validade da proposta vencedora, e caso persista o interesse no
objeto licitado, a Administração poderá solicitar prorrogação dessa validade.
Prorrogação de prazo de propostas somente será válida se houver aceitação
expressa do licitante, documentada nos autos.

Preços
 O ato convocatório da licitação deve disciplinar a forma de apresentação dos
preços que podem ser assim discriminados:
◦ por item / unidade – valor unitário. Exemplo: uma caneta = R$ 2,00;
◦ pelo total do item – correspondente à multiplicação do preço unitário pela
quantidade de objetos. Exemplo: 10 canetas X R$ 2,00 = R$ 20,00;
◦ pelo preço global – valor total da proposta, incluindo o somatório de
todos os itens.
 Exemplo: R$ 35,00, que corresponde:
 10 canetas = R$ 20,00;
 10 lápis = R$ 10,00;
 10 borrachas = R$ 5,00;
◦ por lote ou grupo – valor total do lote ou grupo (discriminado por
componentes).
 Exemplo: R$ 5.400,00, que corresponde:
 um sofá de 1 lugar = R$ 1.600,00;
 um sofá de 2 lugares = R$ 1.800,00;
 um sofá de 3 lugares = R$ 2.000,00;
Aceitabilidade das propostas
 Para efeito de aceitação e julgamento das propostas, o ato convocatório
deve estabelecer com clareza todos os critérios, objetivos, especialmente
quanto à aceitabilidade e forma de apresentação das propostas, forma de
execução do objeto, prazos e preços máximos, garantias do contrato etc.
 Somente serão aceitos preços em moeda nacional, ou seja, em Real (R$),
em algarismos arábicos e por extenso. Em caso de divergência, prevalece o
valor por extenso, devendo ser desprezado qualquer outro além de centavos.

Informações obrigatórias
• O art. 40 da Lei de Licitações determina que o edital "conterá no preâmbulo o
número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu
setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de
que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da
documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes".
• Os incisos deste dispositivo indicam ainda outras informações que devem
obrigatoriamente nele constar.
• O edital são indicadas todas as regras e prazos que devem pautar a
tramitação da licitação e o próprio conteúdo do futuro contrato.

Divulgação do edital
• A divulgação do edital obedecerá ao disposto no art. 21 que determina que
“os avisos contendo os resumos dos editais das concorrências, das tomadas
de preços, dos concursos e dos leilões, embora realizadas no local da
repartição interessada, deverão ser publicados com antecedência, no
mínimo, por uma vez":
• I - no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por
órgão ou entidade da Administração Pública Federal e, ainda, quando
se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com recursos
federais ou garantidas por instituições federais;
• II - no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar,
respectivamente, de licitação feita por órgão ou entidade da
Administração Pública Estadual ou Municipal, ou do Distrito Federal;
• III - em sítio eletrônico oficial do respectivo ente federativo, facultado
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, alternativamente, a
utilização de sítio eletrônico oficial da União, conforme regulamento do
Poder Executivo federal. (Redação dada pela Medida Provisória nº
896, de 2019)
Recurso contra habilitação ou inabilitação
• É cabível recurso, com efeito suspensivo, contra ato de habilitação, assim
como contra o ato de inabilitação.
• Os recursos interpostos, dirigidos à Comissão de Licitação, deverão ser
julgados pela autoridade superior, responsável pela própria designação da
comissão. A lei (art. 109, §4°) admite que a Comissão possa reconsiderar a
sua decisão.
• Lembramos, por oportuno, que todas as decisões da comissão, inclusive as
relativas à habilitação ou inabilitação de licitantes, deverão ser devidamente
fundamentadas, formalizadas e juntadas aos autos de que trata o art. 38.

Prazos novas propostas


• Fixação de prazo para a apresentação de nova documentação ou de novas
propostas:
• Nos termos do art. 48, §3°, da Lei n° 8.666/93, se todos os licitantes
tiverem sido inabilitados ou, se na fase seguinte, relativa ao
julgamento, todas as propostas forem desclassificadas, "a
Administração poderá fixar aos licitantes prazo de oito dias para a
apresentação de nova documentação ou de outras propostas
escoimadas das causas referidas neste artigo, facultada, no convite, a
redução deste prazo para três dias".

Objeto
• A definição precisa e suficiente do objeto licitado constitui regra
indispensável da competição, até mesmo como pressuposto do
postulado de igualdade entre os licitantes, do qual é subsidiário o
principio da publicidade, que envolve o conhecimento, pelos concorrentes
potenciais das condições básicas da licitação, constituindo, na hipótese
particular da licitação para compra, a quantidade demandada uma das
especificações mínimas e essenciais à definição do objeto do pregão.
Indicação de Marca
 Experiências em licitações públicas têm demonstrado que os licitantes
necessitam, para bem elaborar propostas, de especificações claras e
precisas, que definam o padrão de qualidade e o desempenho do produto a
ser adquirido. Se não for assim, corre-se o risco de o licitante ofertar o que
tem de mais barato e não o que pode oferecer de melhor.
◦ São exemplos de compras realizadas rotineiramente pelo menor preço,
sem indicação de qualquer parâmetro de qualidade, que aparentemente
refletem menores gastos, mas que trazem resultados, por vezes,
insatisfatórios:
 canetas cuja tinta resseca, vaza ou falha ao ser usada;
 tubos de cola que têm mais água do que componente colante;
 lápis de grafite duro, que fura o papel ao escrever;
 borrachas que, ao apagar, se desfazem e às vezes não apagam;
 elásticos que ressecam;
 Etc.
 Por isso, é importante que o ato convocatório da licitação defina claramente
critérios de análise dos produtos ofertados, os quais deverão levar em conta
fatores de qualidade, durabilidade, funcionalidade e desempenho, dentre
outros julgados necessários.
 Exemplo: se forem necessários dois copinhos de plástico para tomar um
cafezinho, é preciso que se verifique o preço das duas unidades usadas. Não
se pode considerar o preço de um copinho isoladamente, quando se
necessita de dois ou mais.
 Na etapa de julgamento das propostas, amostras e protótipos dos produtos
cotados podem ser solicitados. Quando não se encontrarem de acordo com
as exigências da licitação, devem as propostas ser desclassificadas.
 É necessário que a exigência de amostras ou protótipos esteja previamente
estabelecida no ato convocatório, acompanhada de critérios de julgamento
estritamente objetivos.
 Será admitida a indicação de marca como parâmetro de qualidade para
facilitar a descrição do objeto a ser licitado, quando seguida das expressões
“ou equivalente”, “ou similar” e “ou de melhor qualidade”. No caso, o produto
deve ser aceito de fato e sem restrições pela Administração.
Indicação de Marca
 DELIBERAÇÕES DO TCU

A indicação ou preferência por marca em procedimento licitatório só é
admissível se restar comprovado que a alternativa adotada é a mais
vantajosa e a única que atende às necessidades do Órgão ou Entidade.
Acórdão 88/2008 Plenário (Sumário)
 DELIBERAÇÕES DO TCU
◦ É ilegal a indicação de marcas, salvo quando devidamente justificada por
critérios técnicos ou expressamente indicativa da qualidade do material a
ser adquirido, nos termos do § 7º do art. 15 da Lei nº 8.666/1993.
Quando necessária a indicação de marca como referência de qualidade
ou facilitação da descrição do objeto, deve esta ser seguida das
expressões “ou equivalente”, “ou similar” e “ou de melhor qualidade”,
devendo, nesse caso, o produto ser aceito de fato e sem restrições pela
Administração. Pode a administração inserir em seus editais cláusula
prevendo a necessidade de a empresa participante do certame
demonstrar, por meio de laudo expedido por laboratório ou instituto
idôneo, o desempenho, qualidade e produtividade compatível com o
produto similar ou equivalente à marca referência mencionada no edital.
Acórdão 2300/2007 Plenário (Sumário)

Marca – um vício reincidente


 Inclusão de Marca em cláusulas do edital, sem a devida justificativa;

◦ Acerca da necessidade de definição do objeto da licitação, dispõe o art.


40, I, que no edital constará a sua descrição sucinta e clara. A
obrigatoriedade de que o edital seja preciso na definição do objeto a ser
contratado é reiterada em inúmeros dispositivos da Lei na 8.666/93:
 Art. 3° ( ... )
 §1° É vedado aos agentes públicos:
 I - admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas
ou condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter
competitivo, inclusive nos casos de sociedades cooperativas, e
estabeleçam preferências ou distinções em razão da naturalidade, da
sede ou domicílio dos licitantes ou de qualquer outra circunstância
impertinente ou irrelevante para o específico objeto do contrato,
ressalvado o disposto nos §§ 5° a 12 deste artigo e no art. 3° da Lei
no 8.248, de 23 de outubro de 1991; (Redação dada pela Lei nº
12.349, de 2010).
Direcionamento do Objeto
◦ Art. 7° (...)
◦ §5° É vedada a realização de licitação cujo objeto inclua bens e serviços
sem similaridade ou de marcas, características e especificações
exclusivas, salvo nos casos em que for tecnicamente justificável (...).
◦ §6° A infringência do disposto neste artigo implica a nulidade dos atos ou
contratos realizados e a responsabilidade de quem lhes tenha dado
causa.
◦ Art. 15 (...)
◦ §7° Nas compras deverão ser observadas, ainda:
◦ I - a especificação completa do bem a ser adquirido, sem indicação de
marca;
◦ No âmbito do TCU, problemas relacionados à definição do objeto da
licitação, especialmente no que diz respeito à indicação de marca, têm
sido objeto de sistemáticas impugnações a licitações e contratos. A
importância do tema pode ser comprovada pelo exame da Súmula
elaborada pela Corte de Contas federall8 e pelos inúmeros acórdãos em
que a questão é enfrentada, que são apresentados ao final deste
capítulo.

Prazo e Condições para Assinatura do Contrato


• O prazo e as condições para assinatura do contrato ou retirada do
instrumento contratual devem estar claramente estabelecidos no edital. O
período para a convocação da licitante vencedora para assinar o contrato
pode ser prorrogado uma vez, por igual período, quando solicitado por
ela e aceito pela Administração, conforme § 1° art. 64 da Lei 8.666/93.
• O inc. XXII do art. 40 da Lei 10.520/02 determina que o prazo para a
assinatura do contrato, no caso do pregão, deve estar estabelecido no
edital. Nos exatos termos da lei, "homologada a licitação pela autoridade
competente, o adjudicatário será convocado para assinar o contrato no
prazo definido em edital".
Prazo para execução do Contrato e Entrega do Objeto
• O prazo para a execução ou entrega do objeto, assim como os prazos
parciais, se for o caso, devem estar previstos no edital, obrigando a
contratada a cumpri-los, sob pena de receber as sanções previstas no
instrumento convocatório e na legislação em vigor.
• O marco de início da contagem do prazo para a entrega do bem, ou da
conclusão do serviço, deve ser a data de assinatura do contrato. Alguns
editais determinam esse prazo como sendo contado a partir da emissão
da Ordem de Serviço - OS, o que possibilita a manipulação do prazo
efetivamente disponível à contratada, uma vez que não há prazo
predeterminado para a emissão da Ordem de Serviço.
• Assim, se a contratada for "amiga" a OS é retida até que ela tenha
condições de cumprir o prazo definido no edital.

Condições para Participação


• Tendo em vista a natureza, o vulto e a complexidade do objeto, o edital
tem que estabelecer o mínimo necessário à habilitação das proponentes.
Deve haver muita prudência na definição de quais são as condições
mínimas de qualificação, para não ferir o princípio de isonomia, nem
afastar possíveis pretendentes capazes de cumprir o contrato, e, ao
mesmo tempo, atender ao princípio da seletividade, impedindo a
participação de empresas que, sabidamente, não têm condições de
cumprir o que se espera.
• É imprescindível que o edital especifique, com clareza, os documentos
necessários à comprovação das condições de participação.

CRC - Certificado de Registro Cadastral


• O Certificado de Registro Cadastral - CRC comprova tanto a regularidade
jurídico-fiscal quanto a capacidade técnica e econômico-financeira, tendo
aplicação exclusiva nos procedimentos licitatórios. O CRC, que às vezes
é chamado de Certificado de Registro de Fornecedor - CRF, além de
várias outras denominações próprias de cada órgão emitente, existe em
todas as esferas de governo. Na Administração Federal, dá-se o nome de
SICAF, como será visto em seguida.
• As administrações que freqüentemente realizam licitações devem
organizar um sistema de cadastro, conforme determina o art. 34 da Lei
8.666/93, nas condições impostas pelos arts. 35 ao 37.
Instalação, aparelhamento e pessoal técnico
• A indicação das instalações, do aparelhamento e do pessoal técnico,
quando exigida pelo edital, pode ser atendida por meio de uma simples
relação e uma declaração da licitante que, quando necessária, aquela
estrutura estará disponível. É vedada a exigência de propriedade e de
localização prévia dessas condições, como consta do § 6° do art. 30 da
Lei 8.666/93.
• Muitos editais exigem que as instalações e os equipamentos fiquem à
disposição para vistoria, como requisito de adjudicação, o que é,
disfarçadamente, a exigência de propriedade e de localização prévia,
devendo, portanto, ser rejeitado o dispositivo editalício nesse sentido.
• Outra característica importante a destacar quanto à demonstração da
estrutura, como condição para a habilitação das interessadas, é que essa
exigência deve ser feita apenas nos casos em que haja a efetiva
necessidade de a empresa dispor de uma estrutura mínima para poder
executar o contrato, como é o caso de obras, por exemplo.

Atestado de Visita
• Também pode ser exigida da licitante, como condição de sua qualificação
técnica, a comprovação de que ela vistoriou o local da execução dos
serviços. Essa permissão está prevista no inc. III do art. 30 da Lei
8.666/93. Deve ficar atenta a licitante, pois, essa vistoria, por ser um
serviço técnico, deve ser realizada por um profissional devidamente
habilitado para exercer aquela atividade, ou por profissionais, quando o
serviço envolver mais do que uma habilitação profissional.
• Assim, num serviço de engenharia civil, deve a visita técnica ser
realizada por um engenheiro civil, num serviço de química, por um
químico, etc.

Outros Documentos
• O inc. IV deste art. 30 admite a hipótese de solicitação de outros
documentos, desde que exclusivamente aqueles relacionados com a
qualificação técnica da empresa e que tenham embasamento em alguma
lei específica.
• Esse dispositivo legal sustenta, por exemplo, a exigência de registro da
empresa nos órgãos da vigilância sanitária para a comercialização de
alimentos ou de medicamentos, assim como o registro no Ministério do
Exército, no caso de venda de armamentos.
Condições para participação de Consórcio
• Caso seja de interesse da Administração a participação de empresas
reunidas em consórcio, essa condição deve estar expressamente
indicada no edital.
• Se o edital não faz referência à participação em regime de consórcio,
significa que essa forma de apresentação da proposta não é aceita.
• As empresas só podem se reunir em consórcio quando o edital permitir,
explicitamente, essa composição.
• Nesse caso, o edital deve determinar, ainda, quais são as condições
dessa participação.

Forma de Apresentação das Propostas


• Precisa estar definido, de forma inequívoca, no edital, o que a licitante
tem de indicar na sua proposta, para que possa ser julgada pelo
pregoeiro.
• A Administração deve evitar exigência de proposta muito trabalhosa que
encareça, desnecessariamente, as ofertas, pois isso afasta possíveis
licitantes, principalmente no caso do pregão, em que o prazo entre a
divulgação e a apresentação das propostas é exíguo.

Critérios de Reajuste
• O edital precisa trazer, de forma inconfundível, qual o critério de reajuste
que será adotado para a correção dos preços propostos, ao longo da
contratação.
• O reajuste deve retratar a variação efetiva do custo de produção,
admitida a adoção de índices específicos ou seta reais que reflitam a
variação dos preços, consoante disciplina o inc. XI do art. 40 da Lei
8.666/93.
• XI - critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do
custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou
setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do
orçamento a que essa proposta se referir, até a data do
adimplemento de cada parcela;
• Art. 40 Lei 8666/93.
Critérios de Reajuste
• Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:
(...)
• III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e
periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização
monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do
efetivo pagamento;
• Considera-se como adimplemento a prestação do serviço, a realização
da obra, a entrega do bem ou de parcelas deste, assim como, qualquer
outro evento contratual cuja ocorrência esteja vinculada à emissão de
documento de cobrança, segundo define o § 3° do art. 40 da Lei
8.666/93.
• De acordo com o ordenado pelo texto da Lei Geral de Licitações, não
deveria mais ser realizada licitação com preço fixo e irreajustável. O § 1°
do art. 3° da Lei 10.192, de 14.02.2001, admite reajuste com intervalo de
12 (doze) meses contados a partir da data da proposta. Assim disciplina
tal dispositivo legal:
• Art. 3°. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da
Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos
monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com
ela não conflitarem, da Lei na 8.666, de 21 de junho de 1993.
• §10. A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste
artigo será contada a partir da data limite para apresentação da
proposta ou do orçamento a que essa se referir.

Limites de pagamento para instalação e Mobilização


• Deve constar do edital o valor "limite de pagamento de instalação e de
mobilização para execução de obras ou serviços que serão
obrigatoriamente previstos em separado das demais parcelas, etapas ou
tarefas", conforme disposto no inc. XIII do art. 40 da Lei 8.666/93.
• A indicação desses limites tem por finalidade definir, previamente, quais
são os parâmetros para o ressarcimento dessas despesas, no caso, por
exemplo, de uma rescisão ou suspensão do contrato, essa informação,
além de legalmente obrigatória, é extremamente útil, em se tratando de
serviços nos quais haja a necessidade de realizar atividades preliminares
à execução efetiva dos serviços contratados e, portanto, para as quais
não há remuneração específica. Os custos dessas ações
não-remuneradas, quanto da composição do preço, são lançados, junto
com os demais custos indiretos, na composição do BDI utilizado para a
elaboração da proposta da licitante.
Condições de Pagamento
• O edital deve apresentar, por força do disposto no inc. XIV do art. 40 da
Lei 8.666/93, as seguintes informações relacionadas com as condições
de pagamento:
• Prazo de pagamento não superior a 30 (trinta) dias da data final de
adimplemento de cada parcela;
• Cronograma de desembolso máximo por período, em conformidade
com as possibilidades financeiras da Administração;
• Condições de atualização financeira, também conhecida como
"correção monetária", dos valores a serem pagos, desde a data de
adimplemento até a data de efetivo pagamento;
• Compensações financeiras, penalizações por eventuais atrasos e
descontos por eventuais antecipações de pagamento. Além da
atualização financeira, deve ser prevista multa de mora para os
atrasos de pagamento e, também, um desconto para os casos em
que o pagamento seja feito antes do prazo definido pelo edital.

Instruções e normas para interpor recursos


• O edital precisa indicar a forma, o local, os prazos para a interposição e a
quem serão dirigidos os recursos contra as decisões da Administração.
Para tanto, pode transcrever o que está disciplinado pelo inc. XVIII do art.
4° da Lei 10.520/02 (ou inc. XVII do art. 11 do Decreto 3.555/00, no caso
de pregão presencia!, pelo art. 26 do Decreto 5.450/05, no caso de
pregão eletrônico), ou, no mínimo, expressar que cabe recurso nas
condições previstas nesses dispositivos legais.
• Encontra-se, com muita freqüência, editais que apresentam uma
condição que faculta à Administração anular ou revogar o edital sem que
caiba o direito de recurso ou indenização. Tal dispositivo não encontra
guarida na legislação vigente. A alínea "c" do inc. I do art. 109 da Lei
8.666/93 garante o direito de recurso, nos casos de anulação ou de
revogação da licitação.

Condições de Recebimento do Objeto


• Os prazos e as condições para que possa ser configurado o recebimento
provisório e o definitivo necessitam estar previstos no edital. Essas
informações estão indicadas no art. 73 da Lei 8.666/93, como sendo, em
se tratando de obras e serviços, provisoriamente em até 15 (quinze) dias
da comunicação escrita da contratada; e definitivamente após o decurso
do prazo de observação, ou vistoria, que comprove a adequação do
objeto aos termos contratuais, não podendo ser superior a 90 (noventa)
dias, salvo em casos excepcionais.
Outras Indicações peculiares a licitação
• Todas as demais informações que forem necessárias à perfeita
compreensão da forma pela qual se da o desenvolvimento da licitação e
da contratação devem estar expressas no edital.
• Não podem ser adotados procedimentos diferentes ou que não foram
previstos no edital, seja na fase de habilitação, seja na de classificação,
ou ainda, em qualquer outro ato licitatório.
• Outras indicações, especificações e particularidades do objeto, que não
forem conveniente incluir no corpo principal do edital, são expressas nos
anexos, para garantir a clareza e a perfeita definição do que será
contratado, não deixando nenhuma dúvida sobre as características da
execução do que está sendo licitado.

Anexos do Edital
• Fazem parte do edital, todos os seus anexos, como se estivessem
transcritos no próprio corpo do instrumento convocatório. A Lei 8.666/93
relaciona quatro deles em destaque: projeto básico, orçamento estimado,
minuta de contrato e especificações complementares.
• Conforme ordenado no inc. II do §2° do art. 40 da Lei 8.666/93, todo
edital deve vir acompanhado de um "orçamento estimado em planilhas
de quantitativos e preços unitários". Esse disposto vem sendo
descumprido, sistematicamente, por uma grande parcela da
Administração Pública, que insiste em não apresentar o preço dos itens
contratados, principalmente, nos casos de compras e serviços que não
sejam de engenharia.
• O Tribunal de Contas da União, analisando a questão em pauta, decidiu
determinar que "faça publicar, em anexo ao edital, orçamento estimado
em planilhas de quantitativos e preços unitários, em conformidade com o
estabelecido no §2°, inciso II, do artigo 40 da Lei 8.666/93".

Validade das Propostas


• Em função do disposto no art. 60 da Lei 10.520/02, o edital de pregão
pode definir um prazo de validade das propostas diferente de 60
(sessenta) dias, prazo este que é a regra imposta para as demais
modalidades.
• Se o edital não trouxer nenhuma definição quanto ao prazo de validade
das propostas, significa, então, que as ofertas devem ser mantidas pelo
prazo de 60 (sessenta) dias, mesmo que as propostas não tragam essa
informação.
• Ultrapassado o prazo de validade da proposta, as proponentes estão
liberadas dos compromissos assumidos.
Aprovação pela Assessoria Jurídica
• O parágrafo único do art. 38 da Lei 8.666/93 determina que as minutas
de editais de licitação, bem como dos contratos, devem ser previamente
examinadas pela assessoria jurídica da Administração.
• Como a Lei 8.666/93 é aplicada subsidiariamente ao pregão, essa
determinação legal também deve ser aplicada nessa modalidade.
• É comum encontrar Administrações nas quais a aprovação pela
assessoria jurídica é feita sobre uma "minuta-padrão" e não da minuta
específica de cada licitação. Esse não é o procedimento mais correto.
CONSTRUÇÃO CIVIL

Definição de Obra Pública


 Obra pública é considerada toda construção, reforma, fabricação,
recuperação ou ampliação de bem público. Ela pode ser realizada de forma
direta, quando a obra é feita pelo próprio órgão ou entidade da
Administração, por seus próprios meios, ou de forma indireta, quando a obra
é contratada com terceiros por meio de licitação. Neste caso, são autorizados
diversos regimes de contratação:

◦ empreitada por preço global: quando se contrata a execução da obra


ou do serviço por preço certo e total;

◦ empreitada por preço unitário: quando se contrata a execução da obra


ou do serviço por preço certo de unidades determinadas;

◦ tarefa: quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos por


preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;

◦ empreitada integral: quando se contrata um empreendimento em sua


integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e
instalações necessárias.

Fase preliminar de licitação


 As etapas incluídas na fase preliminar à licitação são de fundamental
importância para a tomada da decisão de licitar, apesar de, muitas vezes,
serem menosprezadas. Elas têm o objetivo de identificar necessidades,
estimar recursos e escolher a melhor alternativa para o atendimento dos
anseios da sociedade local. Passar para as demais fases de uma licitação
sem a sinalização positiva da viabilidade do empreendimento obtida na etapa
preliminar pode resultar no desperdício de recursos públicos pela
impossibilidade de execução da obra, por dificuldades em sua conclusão ou
efetiva futura utilização.
Programa de necessidades
 Antes de iniciar o empreendimento, o órgão deve levantar suas principais
necessidades, definindo o universo de ações e empreendimentos que
deverão ser relacionados para estudos de viabilidade. Esse é o programa de
necessidades.
 Em seguida, é necessário que a Administração estabeleça as características
básicas de cada empreendimento, tais como: fim a que se destina, futuros
usuários, dimensões, padrão de acabamento pretendido, equipamentos e
mobiliários a serem utilizados, entre outros aspectos. Deve-se considerar,
também, a área de influência de cada empreendimento, levando em conta a
população e a região a serem beneficiadas. Do mesmo modo, precisam ser
observadas as restrições legais e sociais relacionadas com o
empreendimento em questão, isto é, deve ser cumprido o Código de Obras
Municipal.

Estudos de viabilidade
 Os estudos de viabilidade objetivam eleger o empreendimento que melhor
responda ao programa de necessidades, sob os aspectos técnico, ambiental
e socioeconômico.
 No aspecto técnico, devem ser avaliadas as alternativas para a implantação
do projeto.
 A avaliação ambiental envolve o exame preliminar do impacto ambiental do
empreendimento, de forma a promover a perfeita adequação da obra com o
meio ambiente.
 A análise socioeconômica, por sua vez, inclui o exame das melhorias e
possíveis malefícios advindos da implantação da obra.

Anteprojeto
 Após a escolha do empreendimento a ser realizado, pode ser necessária a
elaboração de anteprojeto, que não se confunde com o projeto básico da
licitação.
 O anteprojeto deve ser elaborado no caso de obras de maior porte e consiste
na representação técnica da opção aprovada na etapa anterior. Deve
apresentar os principais elementos: – plantas baixas, cortes e fachadas – de
arquitetura, da estrutura e das instalações em geral do empreendimento,
além de determinar o padrão de acabamento e o custo médio.
Fase interna da licitação
 Definido o empreendimento, é necessário iniciar os preparativos para a
contratação, que deve ocorrer, usualmente, por meio de licitação.
 As etapas preparatórias para a publicação do edital de licitação constituem a
fase interna do certame.

Licenciamento ambiental
 Quando da elaboração do projeto básico, é necessário verificar se o
empreendimento necessita de licenciamento ambiental, conforme dispõem as
resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 001/1986 e
nº 237/1997 e da Lei nº 6.938/1981. Se preciso, deve-se elaborar Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), como
partes integrantes do Projeto Básico.

Projetos
 A elaboração dos projetos, além de observar as características e condições
do local de execução dos serviços ou obra e seu impacto ambiental, tem de
considerar os seguintes requisitos:
◦ segurança;
◦ funcionalidade e adequação ao interesse público;
◦ possibilidade de emprego de mão-de-obra, materiais, tecnologia e
matérias-primas existentes no local para execução, de modo a diminuir
os custos de transporte;
◦ facilidade e economia na execução, conservação e operação, sem
prejuízo da durabilidade da obra ou serviço;
◦ adoção das normas técnicas de saúde e de segurança do trabalho
adequadas;
◦ infraestrutura de acesso;
◦ aspectos relativos à insolação, iluminação e ventilação.

Responsabilidade do Projetista
 O responsável pela autoria dos projetos deve providenciar o alvará de
construção e suas aprovações pelos órgãos competentes, tais como,
Prefeitura Municipal, Corpo de Bombeiros, concessionárias de serviços
públicos (energia, telefonia, saneamento, etc.) e entidades de proteção
sanitária e do meio ambiente. Mesmo que o encaminhamento para
aprovação formal nas diversas instituições de fiscalização e controle não seja
realizado diretamente pelo autor do projeto, serão de sua responsabilidade
as eventuais modificações necessárias à sua aprovação. A aprovação do
projeto não exime seus autores das responsabilidades estabelecidas pelas
normas, regulamentos e legislação pertinentes às atividades profissionais.
Orçamento detalhado
 O orçamento-base de uma licitação tem como objetivo servir de paradigma
para a Administração fixar os critérios de aceitabilidade de preços – total e
unitários – no edital, sendo a principal referência para a análise das
propostas das empresas participantes na fase externa do certame licitatório.
 Na elaboração do orçamento detalhado de uma obra, é preciso:
◦ conhecer os serviços necessários para a exata execução da obra, que
constam dos projetos, memoriais descritivos e especificações técnicas;
◦ levantar com precisão os quantitativos desses serviços;
◦ calcular o custo unitário dos serviços;
◦ calcular o custo direto da obra;
◦ estimar os custos indiretos e o lucro da construtora.

Cronograma físico-financeiro
 Na composição do projeto básico, deve constar também o cronograma físico
financeiro com as despesas mensais previstas para serem incorridas ao
longo da execução da obra ou serviço. Esse cronograma auxiliará na
estimativa dos recursos orçamentários necessários ao longo de cada
exercício financeiro.
 O cronograma físico-financeiro deve ser elaborado de forma que sirva de
balizador, em fase posterior, para a análise das propostas apresentadas
pelas empresas participantes do certame licitatório.
 Importa destacar que, após o início das obras, sempre que o prazo e as
respectivas etapas de execução forem alterados, há a necessidade de se
adequar o cronograma físico-financeiro, de modo que esse sempre reflita as
condições reais do empreendimento.

Projeto Executivo
 Após a elaboração do projeto básico, a Administração deve providenciar o
projeto executivo, que apresentará os elementos necessários à realização do
empreendimento com nível máximo de detalhamento de todas as suas
etapas. Para a execução desse projeto, deve-se ter pleno conhecimento da
área em que a obra será executada e de todos os fatores específicos
necessários à atividade de execução.
 A Lei nº 8.666/1993 estabelece que o projeto executivo seja elaborado após a
conclusão do projeto básico e previamente à execução da obra, mas,
excepcionalmente, permite que ele seja desenvolvido concomitantemente à
realização do empreendimento. Nesse caso, deve haver a autorização
expressa da Administração.
Conteúdo do Edital de Obras
 Requisitos:
◦ objeto: descrição clara;
◦ prazo e condições contratuais: assinatura, execução, entrega do objeto;
◦ sanções para o caso de inadimplemento;
◦ O art. 7º, da Lei 8.666/93, determina que as licitações para
obras/serviços deve apresentar na ordem seqüencial os seguintes
documentos:
 Projeto Básico
 Projeto Executivo
 Execução das obras e serviços
◦ Critério para julgamento, (Parâmetros objetivos);
◦ Locais, horários, informações e esclarecimentos;

Anexos
 A Lei na 8.666/93 confere especial relevância à elaboração desses projetos.
Nesse sentido, são inúmeros os dispositivos que tratam da matéria:
◦ Art. 40 (...)
 §2° Constituem anexos do edital, dele fazendo parte integrante:
 I - o projeto básico e/ou executivo, com todas as suas partes,
desenhos, especificações e outros complementos;
 II -orçamento estimado em planilhas de quantitativos e preços
unitários;
◦ Art. 7° (...)
 §2° As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
 I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e
disponível para exame dos interessados em participar do processo
licitatório;
 II -existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a
composição de todos os seus custos unitários; (... )
 §9° O disposto neste artigo aplica-se também, no que couber, aos
casos de dispensa e de inexigibilidade de licitação.
Projeto Básico
 Art. 6° Para os fins desta Lei, considera-se: (...)
◦ IX - Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e suficientes,
com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou
complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base
nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do
empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a
definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os
seguintes elementos:
 a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão
global da obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com
clareza; (...)
 c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e
equipamentos a incorporar à obra (...);
 f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em
quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados;

Não podem participar


• Art. 9° Não poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da
execução de obra ou serviço e do fornecimento de bens a eles
necessários:
• I - o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física ou
jurídica;
• II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela
elaboração do projeto básico ou executivo (... );
• §1° é permitida a participação do autor do projeto ou da empresa a
que se refere o inciso II deste artigo, na licitação de obra ou
serviço, ou na execução, como consultor ou técnico, nas funções
de fiscalização, supervisão ou gerenciamento, exclusivamente a
serviço da administração interessada.
• §2° O disposto neste artigo não impede a licitação ou contratação
de obra ou serviço que inclua a elaboração de projeto executivo
como encargo do contratado ou pelo preço previamente fixado
pela Administração.
Requisitos
• Art. 12. Nos projetos básicos e projetos executivos de obras e serviços
serão considerados principalmente os seguintes requisitos: (...)
• VII - licença ambiental.
• Além das inúmeras referências feitas pela Lei n° 8.666/93, podem ser
identificados diversos decretos que tratam de aspectos relacionados à
elaboração dos projetos básico e executivo, especialmente em relação
ao aspecto relacionado ao licenciamento ambiental. Acerca
especificamente desse aspecto, o Decreto n° 99.274/1990, dispõe nos
seguintes termos:

Requisitos
• Art. 19. O Poder Público, no exercício de sua competência de controle,
expedirá as seguintes licenças:
• I - Licença Prévia (LP), na fase preliminar do planejamento de
atividade, contendo requisitos básicos a serem atendidos nas
fases de localização, instalação e operação, observados os planos
municipais, estaduais ou federais de uso do solo;
• II - Licença de Instalação (LI), autorizando o início da implantação,
de acordo com as especificações constantes do Projeto Executivo
aprovado; e
• III -Licença de Operação (LO), autorizando, após as verificações
necessárias, o início da atividade licenciada e o funcionamento de
seus equipamentos de controle de poluição, de acordo com o
previsto nas Licenças Prévia e de Instalação.

Pregão e Construção Civil


• Dispõe o artigo 5º do Decreto nº 3.555/00 que a licitação na modalidade
de pregão não se aplica às contratações de obras e serviços de
engenharia.
• Dois anos depois, a Lei nº 10.520/02 estabeleceu o cabimento da
modalidade pregão somente para a contratação de bens e serviços
comuns, definindo, em seu artigo 1º, que se consideram bens e serviços
comuns aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser
objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no
mercado.
• Observe-se que a Lei nº 10.520/02 não veda, expressamente, a
contratação de obras e serviços de engenharia por meio de pregão. Ela
apenas impõe que o objeto da licitação seja bem ou serviço comum.
Pregão e Construção Civil
• No tocante às obras de engenharia, depreende-se da leitura do texto
legal não ser possível a sua contratação por meio de Pregão. Conforme
previsto no art. 6º, IX, da Lei n.º 8.666/93, é necessária a definição
completa e detalhada do objeto, com “nível de precisão adequado para
caracterizar a obra” e “que possibilite a avaliação do custo da obra e a
definição dos métodos e do prazo de execução” para que se possa
realizar a sua contratação, bem como dos critérios de habilitação,
requisitos para aceitação e recebimento do objeto. Tais requisitos
demonstram não ter a obra de engenharia natureza comum, o que torna
sua contratação incompatível com o escopo e a sistemática do Pregão.
• Com relação aos serviços de engenharia, existe alguma controvérsia
doutrinária acerca da viabilidade de aplicação do Pregão à sua
contratação.

Deliberações do TCU
• Como se vê, a Lei nº 10.520, de 2002, não excluiu previamente a
utilização do Pregão para a contratação de obras e serviços de
engenharia. O que exclui essas contratações é o art. 5º do Decreto
3.555, de 2000. Todavia, o item 20 do Anexo II desse mesmo Decreto
autoriza a utilização do Pregão para a contratação de serviços de
manutenção de imóveis, que pode ser considerado serviço de
engenharia. Examinada a aplicabilidade dos citados dispositivos legais,
recordo que somente à lei compete inovar o ordenamento jurídico,
criando e extinguindo direitos e obrigações para as pessoas, como
pressuposto do princípio da legalidade. Assim, o Decreto, por si só, não
reúne força para criar proibição que não esteja prevista em lei, com o
propósito e regrar-lhe a execução e a concretização, tendo em vista o
que dispõe o inciso IV do art. 84 da Carta Política de 1988. Desse modo,
as normas regulamentadores que proíbem a contratação de obras e
serviços e engenharia pelo Pregão carecem de fundamento de validade,
visto que não possuem embasamento na Lei nº 10.520, de 2002. O único
condicionamento que a Lei do Pregão estabelece é a configuração do
objeto da licitação com bem ou serviço comum… (Acordão 817/2005 – 1ª
Câmara. Rel. Ministro Valmir Campelo. Brasília, 03 de maio de 2005)
PREGÃO PRESENCIAL
Breve Histórico do Pregão
• No Brasil, o pregão teve origem na Agência Nacional de Telecomunicações -
ANATEL, por intermédio da Lei 9.472/97, a Lei Geral de Telecomunicações -
LGT, artigos 54 ao 57, regulamentados pela Resolução da ANATEL 5, de
15.01.1998:
• Art. 54. A contratação de obras e serviços de engenharia civil está sujeita
ao procedimento das licitações previsto em lei geral para a Administração
Pública.
• Parágrafo único. Para os casos não previstos no caput, a Agência poderá
utilizar procedimentos próprios de contratação, nas modalidades de
consulta e pregão.

ANATEL – Uma experiência positiva


• Como mencionamos anteriormente, a LGT foi a precursora da novidade. A
experiência da ANATEL foi decisiva para que o modelo fosse estendido para
além de seus domínios.
• A aquisição de bens e serviços comuns por este órgão via pregão mostrou,
por meio de suas estatísticas:
• maior rapidez, transparência e agilidade no procedimento de escolha do
parceiro privado;
• contratos celebrados com preços mais compatíveis com os de mercado,
se comparados com as contrações tradicionalmente feitas com base na
Lei 8.666/l993; e
• uma significativa redução no volume de aquisições diretas, sem licitação,
feitas com fundamento no art. 24, IV; da Lei 8.666/1993, pois o pregão
passou a ser uma alternativa para aqueles casos onde a falta de tempo
para concluir um processo licitatório tradicional tinha como única solução
a contratação direta.

Lei 10.520, de 17.07.2002


• Em função do sucesso alcançado nos pregões realizados pela ANATEL, essa
modalidade foi estendida, inicialmente apenas à Administração Federal, por
intermédio da Medida Provisória 2.026, de 04.05.2000, e agora para roda a
Administração Pública, por força da Lei 10.520, de 17.07.2002.

Definição de Pregão
• Pregão é uma modalidade de licitação, destinada à contratação de objetos
comuns, de qualquer valor, em que a fase de competição se processa, por
meio de propostas e por lances, apresentador em sessão pública, reduzindo
as propostas iniciais, como se fosse um leilão reverso.
Decreto 3.555/00
• o Decreto 3.555, de 20.12.2000, que regulamenta a modalidade pregão no
âmbito da União no seu art. 2° define pregão como sendo "a modalidade de
licitação em que a disputa pelo fornecimento de bens ou serviços comuns é
feita em sessão pública, por meio de propostas de preços, e lances verbais".

Bens e serviços comuns


• Bens e serviços comuns, conforme definição constante do art. 1º da Lei
10.520/02, são “aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam
ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no
mercado”.
• Para Marçal Justen Filho, a definição trazida pela Lei é insuficiente, uma vez
que tanto bens/serviços comuns quanto incomuns obrigatoriamente serão
descritos objetivamente pelo edital.
• Visando diminuir a dificuldade em verificar na zona cinzenta quais objetos
são comuns, o autor formula algumas características, afirmando que o núcleo
do conceito de bem e serviço comum residirá nas características a seguir:
• disponibilidade no mercado próprio, isto é, que o objeto esteja disponível
para compra ou contratação a qualquer momento;
• padronização, que ocorrerá quando forem pré-determinados os atributos
essenciais do objeto, de forma objetiva e uniforme, cujas características
sejam invariáveis ou então, sujeitas a diferenças mínimas;
• desnecessidade de peculiaridade para satisfação da Administração, ou
seja, o bem será comum se apto a satisfazer necessidades comuns, não
precisando conter características peculiares para atingir seus fins.
Diferenças entre Pregão e outras modalidades
• De forma bem resumida, apenas para traçar um paralelo entre o pregão e as
modalidades tradicionais, pode ser afirmado que na concorrência, tomada de
preços e convite, do tipo "menor preço":
◦ O prazo mínimo entre a publicação do edital e a sessão da licitação é de:
5 (cinco) dias úteis quando a modalidade é convite, 15 (quinze) dias
corridos para o caso de tomada de preços e 30 (trinta) dias corridos na
concorrência;
◦ o procedimento do certame varia em função da modalidade, a qual muda,
por sua vez, em função do valor;
◦ No primeiro envelope ficam os documentos de habilitação;
◦ No segundo envelope se acondiciona a proposta comercial com o preço
ofertado;
◦ Somente examinam-se as propostas das empresas que foram habilitadas
na fase de análise da documentação;
◦ As propostas apresentadas não podem ser alteradas;
◦ Os recursos têm efeito suspensivo e podem ser apresentados na fase de
habilitação ou na de classificação, constituindo quatro etapas, de 5 dias
úteis cada: (a) recurso, (b) impugnação do recurso, (c) resposta da
comissão, e (d) resposta da autoridade competente;
◦ Alto grau de formalismo nas decisões.

Diferenças entre Pregão e outras modalidades


• Para modalidade pregão, as seguintes características:
• O prazo mínimo entre a publicação do edital e a sessão da licitação é,
sempre, de 8 dias úteis;
• O procedimento do certame é o mesmo para qualquer valor de
contratação;
• No primeiro envelope é que fica a proposta de preço;
• No segundo envelope estão os documentos de habilitação;
• São examinadas todas as propostas, antes mesmo de verificar se as
proponentes estão aptas a serem contratadas;
• Existe a possibilidade de reduzir a proposta;
• Só se analisam os documentos de habilitação da proponente que tiver
apresentado o "menor preço";
• É cabível a interposição de recurso contra as decisões do pregoeiro uma
única vez, ao final do certame, no prazo de 3 (três) dias; e
• Baixo grau de formalismo nas decisões.
Modalidade Pregão
• Valéria Cordeiro chama atenção de que "são comuns os equívocos da prática
ao se atribuir a existência de duas modalidades distintas, a presencial e
eletrônica, quando o que se admite são duas formas distintas de se adotar a
única modalidade prevista e disciplinada na Lei 10.520/02, norma geral do
Pregão".
 Antes de entrar diretamente no estudo do pregão, deve o leitor ter em mente
que essa modalidade é totalmente diferente das demais, inclusive no que se
refere à postura de licitantes e administradores.
 A primeira regra para assimilar bem a idéia do pregão é que, para trabalhar
nesse outro método de seleção da proposta mais vantajosa para a
Administração, deve deixar de lado tudo o que se fazia e, principalmente, o
que se sentia sobre licitação, nas demais modalidades.
 Há que haver uma mudança significativa de postura das pessoas envolvidas
com o pregão, em especial por parte da Administração Pública. A utilização
satisfatória do pregão implica em evitar decisões excessivamente formalistas
que acabam por reduzir o número de propostas em condições de serem
aproveitadas no certame.

Redução do formalismo
 O parágrafo único do art. 4° do Decreto 3.555/00 traz uma regra que, até
então, não havia similar, de forma explícita, na legislação aplicável às
licitações.
 O teor desse dispositivo legal, que dá uma guinada na forma de decidir de
muitos administradores, reza que: “Ás normas disciplinadoras da licitação
serão sempre interpretadas em favor da ampliação da disputa entre os
interessados, desde que não comprometam o interesse da Administração, a
finalidade e a segurança da contratação".
 Diante desse novo posicionamento ante o formalismo, o que se tem visto nos
pregões é que quase tudo pode ser feito pelo pregoeiro no sentido de
ampliar a competição. Propostas muito vantajosas para a Administração, que
anteriormente eram desprezadas por falhas que em nada comprometeriam a
contratação, agora são aproveitadas.
Princípios
 o Decreto 3.555/00 arrola os princípios aplicáveis ao pregão, trazendo alguns
já explicitamente citados na Lei 8.666/93 e outros que não constavam de
forma expressa na Lei Geral de Licitações, mas que podem ser considerados
como correlatos. Os princípios expressos na Lei 8.666/93, como já visto são:
legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade, probidade
administrativa, vinculação ao instrumento convocatório e julgamento objetivo.
 Os princípios citados no Decreto 3.555/00, que não estão indicados na Lei
8.666/93 são: celeridade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade,
competitividade, justo preço e seletividade.
 O Decreto traz ainda o princípio da comparação objetiva das propostas, que
é outra forma de denominar o princípio do julgamento objetivo.

Celeridade
 Uma das principais características do pregão é a agilidade do trâmite
processual, portanto, não poderia o legislador deixar de incluir, no texto legal,
o princípio da celeridade, ou seja, da rapidez, da ligeireza.
 A morosidade é incompatível com essa modalidade Licitatória, por
conseguinte, deve o administrador tomar as medidas cabíveis para que o
procedimento licitatório se desenvolva da forma mais rápida possível.

Finalidade
 Outro princípio expressamente indicado no texto legal é a finalidade, que
significa que a Administração deve agir visando atender aos objetivos a que
ela se destina, buscando sempre o interesse público.
 Os atos e as decisões do pregoeiro, bem como dos demais administradores,
devem ir de encontro com a finalidade esperada, que é a escolha da
proposta mais vantajosa para a Administração Pública.

Razoabilidade
 Por razoabilidade, emende-se que a Administração deve atuar com racional
idade e com aceitabilidade.
 A Administração precisa ser ponderada e sensata ao agir, evitando todas as
ações ou decisões inaceitáveis. Deve prevalecer o bom senso nas decisões
em que o agente público tiver a faculdade de escolha entre duas ou mais
alternativas.
 Marco Adriano Ramos Fonseca, diz:
◦ "Pelo princípio da razoabilidade, exige-se que o agente público atue com
bom senso, dentro dos padrões normais aceitos pela coletividade. Deve
haver uma compatibilidade lógica entre as decisões administrativas e as
necessidades coletivas".
Proporcionalidade
 A proporcionalidade é o princípio que impõe ao gestor público que a
imensidade do ato administrativo deve ser dosada na medida compatível e
necessária para alcançar a finalidade que se espera dele.
 A proporcionalidade pode ser interpretada como sendo uma variação do
princípio da razoabilidade, pois visa impedir que medidas desproporcionais
aos resultados esperados venham a ser adotadas.
 Celso Antônio Bandeira de Mello, diz:
◦ "atos desproporcionais são ilegais e por isso fulmináveis pelo Poder
Judiciário".

Competitividade
 O princípio da competitividade determina que à Administração cabe ampliar,
na medida do possível, a quantidade de proponentes, para que com isso
consiga, efetivamente, a competitividade esperada no certame.
 A escolha da melhor proposta para a Administração só seria uma verdade
absoluta se fosse viável comparar todas as ofertas possíveis.
 O princípio da competitividade busca estender, ao máximo, a competição,
para que mais próximo se chegue do conceito teórico de melhor proposta.

Justo Preço
 Por justo preço entende-se que a Administração está buscando um preço
baixo, porém exequível.
 É muito importante que o pregoeiro tenha em mente que o desejado no
pregão, assim como nas demais modalidades licitatórias, é o preço justo e
não o menor preço alcançável, sem levar em consideração a viabilidade
daquele valor.
 Um preço baixo, a qualquer pena, não pode ser a meta do pregoeiro, pois,
após o trâmite licitatório haverá a contratação e essa tem que se mostrar
viável, sob risco da Administração não ser atendida, podendo causar sérios
prejuízos.
Seletividade
 É o princípio da seletividade que permite ao Administrador escolher os
critérios que irá constar no edital, para definir quais são as empresas que
estão aptas a participarem da licitação.
 A seletividade não pode set interpretada isoladamente dos demais princípios,
em especial, da competitividade, da razoabilidade e da proporcionalidade.
 O gestor dos recursos governamentais tem o dever de tomar as medidas
cabíveis, dentro do que é legalmente admissível, para impedir que a
Administração seja lançada em aventuras, onde os riscos sejam
incompatíveis com suas características de defesa do interesse público. Por
isso, é necessário que haja a definição de parâmetros mínimos, escolhidos
caso a caso, para estipular um patamar abaixo do qual as empresas não são
aceitas na seleção, sem contudo, alijar da competição interessadas que
estejam capacitadas a executarem o contrato.

Comparação objetiva de Propostas


 O princípio da comparação objetiva das propostas denominado julgamento
objetivo pela Lei 8.666/93, impõe que a escolha da proposta mais vantajosa
seja feita por critérios claros e predeterminados.
 Não pode haver, no julgamento das propostas, inovações nas regras do
certame, quer para as licitantes, quer para a Administração.
 Todas as condições que influem na escolha da proposta mais vantajosa
precisam estar claramente definidas e escritas no edital, sem surpresas para
as competidoras.
Vantagens e desvantagens
 Em síntese, podem-se destacar as seguintes vantagens do pregão em
relação às modalidades tradicionais:
◦ Significativa redução do tempo gasto entre a disponibilidade do edital e a
efetiva contratação do objeto;
◦ Só há necessidade de verificar a habilitação da vencedora, evitando que
seja gasto tempo e recursos discutindo a documentação de uma licitante
que não será contratada, como ocorre, com muita frequência, nas
modalidades tradicionais;
◦ Maior transparência, notadamente verificada pela simplificação do
processo;
◦ Redução do valor a ser pago pela Administração para a contratação do
objeto pretendido, barateamento que ocorre em função da possibilidade
das licitantes diminuírem suas propostas por intermédio dos lances e da
fase de negociação;
◦ Diminuição da burocracia processual, em especial, no que se refere ao
trâmite recursal que fica, consideravelmente, mais rápido e simples;
◦ Aumento da liberdade da Administração para tomar decisões,
principalmente, quanto à aceitação das propostas e documentos de
habilitação com falhas de somenos importância;
◦ Não existe limite de valor, portanto, não se perde a licitação pelo
não-enquadramento na modalidade adequada; e
◦ Dificulta o "direcionamento" do resultado da licitação para empresa
previamente escolhida.

Pregão e Construção Civil


• A Lei n° 10.520/02, quando determina o uso de pregão para aquisição ou
contratação de bens ou serviços comuns, elimina qualquer possibilidade de
contratação de obras através do instituto.
• Assim, consideramos vedada sua utilização no caso de obras, em
consonância com a orientação do TCU, em sua revista de orientações
básicas:
• Não se aplica a modalidade pregão à contratação de obras de
engenharia, locações imobiliárias e alienações. Esse é o comando legal.
• Acórdão n.º 2312/2012- Plenário - TCU: A utilização de pregão para a
contratação de obras de engenharia afronta o disposto no art. 1º e em
seu parágrafo único da Lei 10.520/2002.
Pregão e Construção Civil
• A vedação à utilização do pregão presencial para obras está prevista, Art. 5º
do anexo I do Decreto nº 3.555/00, pelos quais:
• Decreto 3.555/00:
• Art. 5º A licitação na modalidade de pregão não se aplica às
contratações de obras e serviços de engenharia, bem como às
locações imobiliárias e alienações em geral, que serão regidas pela
legislação geral da Administração.

Proibido ou Não
• A possibilidade de contratação de serviços de manutenção de imóveis já
foi até objeto de decisão do Tribunal de Contas da União, que se
manifestou favorável à adoção do pregão promovido pelo Conselho da
Justiça Federal, cujo objeto era "selecionar empresa especializada com
vistas a contratar a locação de mão-de-obra necessária à execução dos
serviços de manutenção e conservação dos bens móveis, imóveis e
instalações prediais do edifício sede e do prédio da divisão de serviços
gráficos"
• Veja, nesse sentido, parte do voto do Ministro- Relator:
• (...) embora o Decreto nº 3.555/2000 vede a contratação de
serviços de engenharia mediante pregão, no caso presente, essa
proibição não se aplica, pois, para estes serviços contratados, de
manutenção de bem móveis e imóveis, não seriam necessários
serviços de engenharia, e, nesses casos, o Decreto, no seu anexo
II, permite expressamente a contratação mediante pregão (art. Iº
da Lei 10.520/02 ele anexo II do Decreto 3.555/00).

Pregão - Atribuições
• Para o pregão, foi organizada uma estrutura administrativa ligeiramente
diferenciada das demais modalidades licitatórias, trazendo, com isso,
novidades quanto às atribuições e competências dos envolvidos no
certame. São esses os três planos de atuação na estrutura do pregão:
• autoridade competente;
• pregoeiro; e
• equipe de apoio.
Autoridade Competente
• A "autoridade competente", que na Lei 8.666/93 é tratada por "autoridade
superior", mantém características semelhantes às que já tinha na
estrutura convencional.
• O pregoeiro, que se assemelha à Comissão de Licitação das
modalidades tradicionais, agora tem mais poder e responsabilidade.
• A equipe de apoio não tem equivalência na organização administrativa
utilizada nas modalidades tradicionais.

Atribuições da Autoridade Competente


• As atribuições da autoridade competente estão espalhadas pela
legislação, aparecendo nos incs. I e IV do art. 3°, no inc. XXI do art. 4° da
Lei 10.520/02 e, também, no art. 7°, no inc. IV do art. 8° e no art. 18 do
Decreto 3.555/00. Em suma, essas são as atribuições da autoridade
competente:
• Determinar a abertura de licitação;
• Designar o pregoeiro e a equipe de apoio;
• Decidir os recursos contra atos do pregoeiro;
• Homologar o resultado da licitação;
• Promover a celebração do contrato;
• Definir o objeto do certame e o seu valor;
• Justificar a necessidade da aquisição;
• Estabelecer os critérios de aceitação das propostas;
• Estabelecer as exigências de habilitação;
• Estabelecer as sanções;
• Estabelecer as cláusulas do contrato; e
• Revogar e Anular o Pregão.
Atribuições do Pregoeiro
• As atribuições da autoridade aparecem no art. 9° e no § 1° do art. 12 do
decreto 3.555/00, e são:
• Credenciamento dos interessados;
• Recebimento dos envelopes;
• Abertura dos envelopes das propostas de preços;
• Exame e classificação das propostas;
• Condução dos procedimentos relativos aos lances;
• Escolha da proposta ou do lance de menor preço;
• Adjudicação da proposta de menor preço;
• Elaboração da ata;
• Condução dos trabalhos da equipe de apoio;
• Recebimento, exame e decisão sobre recursos;
• Encaminhamento do processo para conclusão; e
• Responder às impugnações do edital.

Assessoria Jurídica
• Conforme dispõe a legislação, é exigido que o processo de instauração
da licitação seja acompanhado de parecer emitido pela Procuradoria ou
área de apoio jurídico do órgão ou entidade, por meio do qual é verificada
a legalidade do Edital da licitação.

Poder de Polícia ao Pregoeiro


• O poder de polícia que investe o pregoeiro é confirmado por Justen Filho,
para o qual, essa condição "produz a caracterização de um dever-poder.
Equivale a dizer que o pregoeiro não tem a faculdade de omitir-se acerca
da boa condução dos trabalhos".

Atribuições da Equipe de Apoio


 As funções atribuídas à equipe de apoio não estão determinadas na
legislação. Essa equipe pode ser considerada, de forma bem simplista,
para efeito de mera ilustração, como sendo os membros da comissão de
licitação e o pregoeiro como se fosse o presidente da comissão. Esse
paralelo é apenas no tocante ao trabalho realizado, não quanto à
responsabilidade de seus componentes.
Responsabilidade da Equipe de Apoio
 Os membros da equipe de apoio estão sujeitos às regras acerca do
responsabilidade de civil, penal e administrativa. Ainda que a eles não
incumba poder decisório, são responsáveis por todos as ações e
omissões que praticarem, no âmbito de suas atividades.
 Mais do que isso, poderão ser responsabilizados pessoalmente caso
omitam-se a propósito de irregularidades que cheguem a seu
conhecimento. Tendo ciência de qualquer desvio na conduta alheia,
deverão manifestar-se perante a autoridade competente, na primeira
oportunidade disponível.

Início do Processo
 Desde o início, conforme manda, dentre outros dispositivos legais, o art.
3° da Lei 10.520/02, o processo deve ser instruído com as peças
necessárias, que são:
◦ a requisição,
◦ a justificativa da necessidade do objeto,
◦ o termo de referência (similar ao que se denomina projeto básico nas
modalidades tradicionais),
◦ a justificativa das especificações do objeto,
◦ a justificativa das condições do edital e
◦ o orçamento feito pela Administração.

Termo de Referência
 O Termo de Referência, devidamente autorizado pela autoridade
competente, é o documento que deve conter todos os elementos capazes
de propiciar, de forma clara, concisa e objetiva, em especial:
 critério de aceitação do objeto;
 avaliação do custo pela administração diante de orçamento
detalhado;
 definição dos métodos;
 estratégia de suprimento;
 valor estimado em planilhas de acordo com o preço de mercado;
 cronograma físico-financeiro, se for o caso;
 deveres do contratado e da contratante;
 procedimentos de fiscalização e gerenciamento do contrato;
 prazo de execução e de garantia, se for o caso;
 sanções por inadimplemento.
PREGÃO PRESENCIAL
• o pregão comum, também chamado de pregão presencial é aquele em
que a licitante entrega pessoalmente sua proposta e, por meio de lances
verbais, tem a oportunidade de reduzir o valor original, conforme um
procedimento predeterminado.
• Pregão presencial não pode ser definido, propriamente, como sendo uma
modalidade. A modalidade é o pregão, seja ela processada na forma
presencial ou na forma eletrônica. Pregão comum é, portanto, apenas
uma das duas formas que pode ser processada a modalidade pregão.

Procedimento do Certame
• De pronto, deve ficar claro que, por se tratar de um pregão presencial,
deveria ser exigida a presença da licitante, tanto para a entrega dos
envelopes, quanto para a etapa de lances e também para a interposição
de recurso. Os incs. VI e VII do art. 4° da Lei 10.520/02 deixam clara a
necessidade da presença das proponentes.
• Note a redação destes incisos:
• VI - no dia, hora e local designados, será realizada sessão pública
para recebimento das propostas, devendo o interessado, ou seu
representante, identificar-se e, se for o caso, comprovar a
existência dos necessários poderes para formulação de propostas
e para a prática de todos os demais atos inerentes ao certame;
• VII - aberta a sessão, os interessados ou seus representantes,
apresentarão declaração dando ciência de que cumprem
plenamente os requisitos de habilitação e entregarão os envelopes
contendo a indicação do objeto e do preço oferecidos,
procedendo-se à sua imediata abertura e à verificação da
conformidade das propostas com os requisitos estabelecidos no
instrumento convocatório;
Sobre a presença do licitante
• Marçal Justen Filho, diz:
• Em princípio, a disciplina do pregão envolve a entrega dos envelopes
em sessão pública. Daí a orientação consagrada anteriormente, no
sentido da impossibilidade de sua remessa pelo correio ou sua
apresentação no protocolo da repartição com a presença de
interessado. Mas mais correta parece ser a interpretação defendida
por, Monteiro, no sentido de que "Eventuais propostas enviadas pelo
Correio ou entregues por portador sem poderes para formular
propostas e praticar atos durante a sessão não devem, a despeito da
falta de especifica representação, ser eliminadas de pronto do pregão
... Tais propostas devem ser consideradas e devidamente analisadas
na fase de julgamento, com a ressalva de que o autor da proposta
não terá a chance de dar lances ou praticar qualquer ato em seu
favor durante a sessão."

Abertura da Sessão
• É conveniente que o pregoeiro faça, logo no inicio da sessão, uma
explanação de como é o procedimento do pregão. Por tratar-se de uma
modalidade relativamente nova e que, por sua simplicidade, atrai
interessadas menos preparadas do que ocorre nas concorrências e nas
tomadas de preços, é aconselhável que o pregoeiro inicie a sessão
explicando qual é a seqüência das etapas, destacando a
responsabilidade dos lances verbais, a punição por não manter a
proposta, inclusive os lances verbais, e a punição pela falta de
documentação de habilitação ou pelo descumprimento do contrato.

Aviso de Licitação
• Existem dois tipo de Aviso de Licitações em Pregão Presencial
• Aviso 1, aquele em que é fixada a hora de entrega dos Documentos:
• “Os Documentos deverão ser entregues no dia 25/12 às 14:00h.”
• Devido a vinculação ao Edital os documentos deverão ser entregues
no local indicado, até o dia e hora indicados;
• Aviso 2, aquele que diz que:
• “A seção terá início ás 14:00h do dia 25/12.”
• Neste caso a seção tem início as 14:00 e será admitido um pequeno
atraso desde que não exceda o fim do credenciamento;
• Não serão mais admitidas entregas de documentos após o Fim
do Credenciamento.
Credenciamento
• O credenciamento servirá para que o representante credenciado da
licitante possa assinar declarações em nome da empresa, oferecer
lances verbais, negociar, manifestar intenção de recursos etc.
• São três documentos exigidos para o credenciamento (em original ou
cópia autenticada):
• Contrato Social, Ato Constitutivo ou Estatuto da pessoa jurídica. No
caso de empresa individual, registro comercial;
• Procuração outorgando poderes ao credenciado (por instrumento
público ou particular);
• Documento de identificação do credenciado - pessoa física (RG,
Carteira de Habilitação).

Lembretes
• Verificar se quem assina a credencial é o administrador ou
administradores;
• Se não for, poderá entregar o documentos, mas não poderá atuar no
Pregão.
• Verificar se o objeto do contratos social é compatível com o objeto da
licitação.
• Se for incompatível, poderá manifestar na fase de recurso;
Objeto Compatível
• A não previsão exata do objeto da licitação/contrato no contrato social da
empresa não é motivo, a priori, para justificar a inabilitação do processo
licitatório.
• É comum ocorrer dúvidas na fase de habilitação em licitações acerca
da necessária compatibilidade da atividade descrita no contrato social
da empresa com o objeto do futuro contrato.

Não é raro que o pregoeiro ou comissão de licitação tenham o


impulso de inabilitar determinado licitante ao verificar que entre as
atividades descritas em seu contrato social não consta aquela que é
objeto da licitação.

Cabe esclarecer que o contrato social da empresa é um dos


documentos previstos na Lei nº 8.666/93 (art. 28) para fins de
comprovação da habilitação jurídica do licitante.
Objeto Compatível
• Tribunal de Contas da União já destacou que a inabilitação de licitantes
por falta de previsão expressa do objeto licitado em seu contrato social
fere o caráter competitivo da licitação, conforme se observa do teor do
Acórdão 571/2006 - Plenário:
• “No que tange à questão de o objeto social ser incompatível com a
atividade de transporte de pessoas, verifico uma preocupação
exacerbada por parte dos gestores ao adotar a decisão de inabilitar a
empresa. A administração procurou contratar uma prestadora de
serviços devidamente habilitada para o exercício dos serviços
terceirizados e, ao constatar que o objeto social da empresa Egel, na
época da licitação, era "locação de veículos; locação de
equipamentos; coleta, entrega e transporte terrestre de documentos
e/ou materiais", vislumbrou que não estava incluída a possibilidade do
transporte de pessoas.
• De fato, não está expressamente consignado no contrato social o serviço
de transporte de pessoas almejado pela CNEN. Porém, constam dos
autos três atestados de capacidade técnica apresentados pela Egel que
comprovam a prestação dos serviços desejados para três distintas
pessoas jurídicas de direito público. (fls. 90, 99 e 100)
• Se uma empresa apresenta experiência adequada e suficiente para o
desempenho de certa atividade, não seria razoável exigir que ela
tenha detalhado o seu objeto social a ponto de prever expressamente
todas as subatividades complementares à atividade principal.”
Credenciamento
• ATENÇÃO: Os documentos referentes ao credenciamento não podem
ser incluídos nos envelopes de documentação e/ou proposta. Eles são
entregues ao pregoeiro/equipe de apoio separadamente dos envelopes.
• O edital do pregão deverá deixar clara esta regra para não existir
equívoco por parte dos licitantes.
• O credenciamento servirá para que o representante credenciado da
licitante possa assinar declarações em nome da empresa, oferecer
lances verbais, negociar, manifestar intenção de recursos etc.
• São três documentos exigidos para o credenciamento (em original ou
cópia autenticada):
• Contrato Social, Ato Constitutivo ou Estatuto da pessoa jurídica. No
caso de empresa individual, registro comercial;
• Procuração outorgando poderes ao credenciado (por instrumento
público ou particular);
• Documento de identificação do credenciado - pessoa física (RG,
Carteira de Habilitação).
• ATENÇÃO
• Os documentos referentes ao credenciamento não podem ser
incluídos nos envelopes de documentação e/ou proposta. Eles são
entregues ao pregoeiro/equipe de apoio separadamente dos
envelopes.
• O edital do pregão deverá deixar clara esta regra para não existir
equívoco por parte dos licitantes.
• O edital também deverá trazer o modelo da procuração. Isso porque,
é comum a entrega de procuração não concedendo poderes
expressos para os principais atos do pregão, o que pode gerar
discussões e controvérsias.
• O pregoeiro recolhe o credenciamento dos representantes das licitantes,
comprovando que estes possuem os necessários poderes para
apresentar as propostas, dar lances, interpor recursos, enfim, todos os
atos inerentes ao certame.
Credenciamento
• o edital deverá disciplinar: dia, hora, local e condições para
credenciamento. Alguns órgãos só aceitam a procuração original ou em
cópia autenticada. Outros, com base nas alterações do Novo Código Civil
nesta seara, aceitam as procurações em cópias simples. Alguns órgãos,
diante de instrumentos particulares de procuração, solicitam o
acompanhamento da comprovação de competência do signatário e por aí
vai.
• Desta feita, entende esta autora, que a exposição das regras sobre o
credenciamento auxilia os interessados e evita desentendimentos no
momento da sessão.
• A pessoa que está representando a licitante tem que comprovar,
documentalmente, que tem os citados poderes, sob pena de invalidação
dos seus atos e, por conseguinte, do próprio pregão, se não for possível
reformar a ilegalidade.
• O TCU ensina, sobre o documento de credenciamento no pregão
presencial, que:
• Em caso de pregão presencial, o mandato de procuração, ou
documento equivalente, deverá dar plenos poderes ao outorgado
para oferecer ofertas e lances verbais, negociar preços, declarar a
intenção ou renunciar ao direito de interpor recurso, enfim, para
praticar em nome do licitante todos os atos necessários durante a
licitação.
• Se o representante legal da empresa não se credenciar perante o
pregoeiro, ficará impedido de participar da fase de lances verbais e
de praticar os atos concernentes ao pregão.

Fim do credenciamento
• Recebidas todas as credenciais dos representantes presentes, o
pregoeiro declara encerrada a etapa de credenciamento. Depois de
declarado o encerramento do credenciamento, nenhuma outra
interessada pode participar do pregão.
• Fica assim concedida certa tolerância (entre o horário marcado para o
certame e o final do credenciamento) para sanar pequeno atraso de
alguma licitante.
• Não há prazo para que o pregoeiro conclua a fase de credenciamento, o
que dá margem para que ele, demorando nesse procedimento, espere
até que todas as interessadas, em potencial, tenham chegado.
Declaração de Habilitação
• O pregoeiro recebe, então, de todas licitantes, declaração de que
cumprem plenamente os requisitos de habilitação.
• Fique claro que essa não é a credencial, que já foi apresentada na etapa
de credenciamento.
• O correto é que essa declaração seja feira separadamente da credencial
para ser entregue, fora do envelope de proposta ou da habilitação, entre
o momento do credenciamento e o da entrega dos invólucros.
• Também é usual e interessante que o modelo dessa declaração conste,
como anexo, do edital.
• Se a licitante não trouxer esta declaração, os pregoeiros, na sua maioria,
permitem que o representante formule a declaração na hora, sem
prejuízo para sua participação no pregão, tudo em nome da ampliação da
disputa entre as interessadas, como reza o parágrafo único do art. 4° do
Decreto 3.555/00.

Recebimentos dos Envelopes


• Depois dos trâmites iniciais de abertura da sessão e credenciamento, o
pregoeiro deve solicitar a entrega dos envelopes contendo a proposta e a
documentação de habilitação de cada uma das empresas que se
cadastraram e apresentaram a declaração de habilitação.
• Apesar de não ser unânime o posicionamento encontrado no mercado
quanto a esse tema, quando o representante da empresa não apresentar
documentação de credenciamento apta a comprovar que ele pode
representar a licitante no pregão, os envelopes da empresa podem ser
aceitos. No entanto, ele não terá o direito de ofertar lances e não poderá
recorrer das decisões do pregoeiro. Essa mesma condição é válida para
o caso de envelopes enviados por um simples portador ou até mesmo
pelo correio.
Abertura das Propostas
• Recebidos os envelopes, o pregoeiro deve tomar o cuidado de separar
os invólucros comendo a proposta, dos envelopes que acondicionam os
documento de habilitação.
• Abrem-se primeiro os envelopes de proposta de todas as licitantes.
• Todos os envelopes contendo a documentação de habilitação das
participantes ficam guardados até o momento oportuno, para verificação
dos que forem necessários.
Análise das Propostas
• Abertos os envelopes, o pregoeiro passa a verificar o atendimento de
cada uma das propostas quanto aos requisitos impostos no edital.
• A Lei 10.520/02 prevê dois momentos distintos para a análise das
propostas:
• Verificar todas as propostas, assim que os envelopes forem abertos
(inc. VII do art. 40), e
• Conferir a de menor valor após a etapa de lance (inc. XI do mesmo
art. 40).
◦ Obs.: Já o Decreto 3.555/00 só se refere à análise da proposta que
ocorre depois da etapa de lances (inc. XII do art. 11).
• Praticamente todos os pregões são realizados com a análise minuciosa
de todas as propostas antes da etapa de lance, ficando para a segunda
análise apenas a questão do preço final alcançado em relação ao valor
de mercado.
• Ao analisar a proposta, o pregoeiro não pode se afastar do princípio da
razoabilidade e, com abuso de formalismo, rejeitar as propostas que
contenham falhas irrelevantes, que não comprometam a plena
compreensão dos seus conteúdos.
• Nesse momento, o julgador tem que considerar o interesse público sem,
no entanto, se afastar da legalidade, da isonomia e da impessoalidade.

Ordenamento das Propostas


 Excluídas as propostas que não atendam o edital, é feito o ordenamento das
propostas de forma crescente quanto aos seus valores, ou seja, colocando
em primeiro lugar a proposta de menor preço.
 Quando se tratar de uma licitação de objeto divisível esse ordenamento é
feito separadamente para cada item.
 O pregoeiro deve tomar o cuidado de documentar todas essas etapas do
certame, pois, ao final, essas peças instruirão o processo, para que estejam
disponíveis para análise, inclusive, pelos órgãos externos de controle da
Administração Pública.
Classificação para Fase de Lances
 Depois de ordenadas todas as propostas aceitáveis, é feita a classificação da
proposta de menor valor e de todas aquelas que tiverem preço até 10% (dez
por cento) acima da menor. As propostas que estiverem nessa faixa estão
selecionadas para disputarem a fase de lances.
 O termo "selecionadas" não está na legislação e nem é empregado
usualmente no mercado.
 Essa denominação está sendo utilizada aqui para melhor caracterizar essa
etapa do procedimento.
 Há quem chame essa etapa de "classificação provisória" e também de
"classificação preliminar".

No mínimo 3 propostas
 Não havendo pelo menos três propostas na faixa de até 10% (dez por cento)
acima da de menor valor, contando inclusive com a própria, portanto, a de
menor valor e mais duas, são selecionadas as três propostas de valores
mais baixos, independentemente dos preços propostos.
 Na situação de selecionar propostas com mais de 10% (dez por cento) acima
do menor preço, e havendo empate nos preços das propostas em terceiro
lugar, deveria ser feito um sorteio antes da seleção, para que só três passem
para a etapa de lances.
 O inc. IX do art. 4° da Lei 10.520102 determina que "no máximo" três
propostas passem para a etapa de lances, se não for alcançado esse
número de propostas na regra dos 10% (dez por cento). Mas não é assim
que ocorre na esmagadora maioria dos casos.

Coelho em Licitações
 Coelho é o apelido dado às empresas que participam de pregões eletrônicos,
cujo objeto está muito aquém de sua capacidade de fornecimento, com o
único objetivo de ganhar através de lances baixos (as vezes inexequíveis), e
mais tarde desistem de assinar o contrato, favorecendo outras empresas que
ficariam em posições imediatas no ranking da disputa, apenas esperando a
desclassificação delas para assumirem esses contratos.
 Essa prática levou o TCU a questionar os gestores públicos, que
administram o sistema de Pregão Eletrônico ComprasNet, sobre o por que
deles não terem aplicado punições severas contra esses fraudadores, para
evitar que eles fossem reincidentes nesse tipo de estratégia que acaba
favorecendo a concorrência desleal nas compras federais.
Coelho em Licitações
 Na prática a empresa conhecida como “Coelho” e a provável vencedora,
participam do certame com propostas muito próximas, ficando a primeira
com o menor preço.
 Os lances começam do maior lance para o menor, dando a oportunidade do
provável vencedor dar o lance, quando o “Coelho” mergulha na oferta, como
consequência os outros licitantes desistem dos lances, pois sabem que não
podem cobrir a oferta.
 Mas a empresa do esquema, numa combinação de movimentos, fica em
segundo lugar, com um preço bem superior ao “coelho”, suficiente apenas
para ultrapassar os demais.
 Encerrada a etapa de lances, o “coelho” é inabilitado, por qualquer bobagem.
Essa derrota já estava combinada. A empresa ganha em preço, sabendo que
vai perder na habilitação.
 Então, a segunda colocada é convocada a apresentar documentos. E vence
a licitação com o preço que propôs, pois essa é a regra do Pregão.
 Esse é um típico conluio entre licitantes. Uma combinação prévia para
afastar concorrentes e direcionar o resultado do certame.
 Primeiro: “prova” do conluio é algo difícil de obter. O mais provável é a
detecção de indícios. É fundamental, portanto, reunir o conjunto mais robusto
e convergente de indícios possível para fundamentar o caso concreto.

Exemplo 1
 Vão para a etapa de lances as empresas "A", "B", "C", "D" e "E", pela regra
"todas dentro dos 10% (dez por cento)".
◦ Empresa A R$ 100,00
◦ Empresa B R$ 103,00
◦ Empresa C R$ 104,00
◦ Empresa D R$ 106,00
◦ Empresa E R$ 109,00
◦ Empresa F R$ 111,00
◦ Empresa G R$ 113,00
Exemplo 2
 Primeira vertente: Vão para a etapa de lances as empresas "A", "B" e "C",
pela regra "três propostas". Esse é o critério dominante na condição em que
não há 3 (três) propostas na faixa de 10% (dez por cento) acima da de
menor valor.
◦ Empresa A R$ 100,00
◦ Empresa B R$ 107,00
◦ Empresa C R$ 114,00
◦ Empresa D R$ 126,00
◦ Empresa E R$ 129,00
◦ Empresa F R$ 151,00
◦ Empresa G R$ 163,00

Exemplo 3
 Primeira vertente: Vão para a etapa de lances as empresas "A", "B", "C" e
"D", pela regra "três propostas". Na prática, esta é a regra dominante para
esta hipótese.
◦ Empresa A R$ 100,00
◦ Empresa B R$ 107,00
◦ Empresa C R$ 114,00
◦ Empresa D R$ 114,00
◦ Empresa E R$ 129,00
◦ Empresa F R$ 151,00
◦ Empresa G R$ 163,00

 Observações.: 2 possibilidades
◦ sorteio para definir quem será a Primeira a dar lance entre “C” e “D”.
◦ sorteio para definir quem vai para etapa de lance entre “C” e “D”.

Exemplo 4
 Vão para a etapa de lances as empresas "A", "B" e "C" pela regra "3 (três)
propostas".
◦ Empresa A R$ 100,00
◦ Empresa B R$ 198,00
◦ Empresa C R$ 324.00
Exemplo 5
 Vão para a etapa de lances as empresas "A" e "B", pela regra "em não
havendo 3 (três) propostas".
◦ Empresa A R$ 100,00
◦ Empresa B R$ 107,00

Exemplo 6
 Vai direto para a etapa de análise de preço da proposta da empresa "A", pela
regra "em não havendo 3 (três) propostas".
◦ Empresa A R$ 100,00

Etapa de lances
 Na etapa de lances as licitantes que tiveram suas propostas selecionadas
têm a oportunidade de reduzir seus preços iniciais por intermédio de lances
verbais, segundo uma ordem preestabelecida.
 Inicia-se a etapa de lances com a licitante que apresentou a proposta de
maior preço (dentre as selecionadas, pois só estas participam da etapa de
lances), sendo permitido que ela faça um lance inferior à proposta de menor
valor. Nos exemplos apresentados anteriormente, para fixar o conceito de
seleção (classificação), a proponente que está destacada com sublinhado
seria a primeira a dar lance em cada caso exemplificado.

Etapa de lances
 O início da fase de lances pelo representante legal do licitante detentor da
proposta de maior preço, continuando com as demais, pela ordem
decrescente dos preços ofertados;
 O licitante que não quiser dar lances verbais, quando convocado pelo
pregoeiro, estará declinando da respectiva etapa e terá mantido, para efeito
de ordenação das propostas, o seu último preço apresentado;
 A ordem na apresentação dos lances deve, obrigatoriamente, ser seguida
pelo pregoeiro, sob pena de comprometer a legalidade do certame.

Etapa de lances
 Se quando for a sua vez de dar um lance a licitante deixar de fazê-lo, ato
denominado "declinar" ou "desistir" do lance, ou seja, se ela recusar-se a
reduzir seu preço para um valor menor do que o mais baixo ficará impedida
de continuar na etapa de lances. Mesmo se depois ela mudar de idéia e
quiser fazer uma oferta mais vantajosa para a Administração, não poderá
mais dar lances.
 A grande maioria dos pregoeiros não aceitam lances intermediários, ou seja,
só permanece na sessão quem der lance vencedor.
Lances Intermediários
 Se permitido, são duas as possibilidades:
◦ É permitido dar um lance, que não é vencedor, porém, menor que o
último lance dado. Nesta condição estaria automaticamente declinando,
pois só pode continuar dando lances quem dá lance vencedor.
◦ Incluir no edital, o texto do RDC, para regulamentação do lance
Intermediário:
 O §1º do art. 17 da Lei 12.462/2011 permite a apresentação de
lances intermediários, assim definidos:
 I - iguais ou inferiores ao maior já ofertado, mas superiores ao
último lance dado pelo próprio licitante, quando adotado o
julgamento pelo critério da maior oferta; ou
 II-iguais ou superiores ao menor já ofertado, mas inferiores ao
último lance dado pelo próprio licitante, quando adotados os
demais critérios de julgamento.

Lances Intermediários
 O Decreto Federal 7.581/11 definiu os lances intermediários como:
 Art. 20. O instrumento convocatório poderá estabelecer a possibilidade de
apresentação de lances intermediários pelos licitantes durante a disputa
aberta.
 § Parágrafo único: São considerados intermediários os lances:
◦ I – iguais ou inferiores ao maior já ofertado, mas superiores ao último
lance dado pelo próprio licitante, quando adotado o julgamento pelo
critério da maior oferta de preço: ou
◦ II – iguais ou superiores ao menor já ofertado, mas inferiores ao último
lance dado pelo próprio licitante, quando adotados os demais critérios de
julgamento.
◦ O objetivo de se permitir a utilização de lances intermediários com o
reinício da competição entre os demais licitantes, vai de encontro com a
hipótese de eventual desclassificação ou inabilitação do primeiro
colocado, ensejando a necessidade de convocar-se o segundo colocado
e assim por diante.

Lances Intermediários
 O procedimento de ofertar lances sucessivos melhores que os anteriores,
previsto na legislação, para modos de disputa aberto é simples, e seria eficaz
não fora, infelizmente, a cultura de se procurar brechas para obtenção de
vantagens na competição.
 Com a adoção da possibilidade de ofertar-se lances intermediários
superiores aos demais competidores, evitou-se a manobra do ”coelho” – qual
seja – um determinado licitante, combinado com outro que estivesse em
segundo lugar, “mergulhar” no preço, impedindo que os demais possam
propor seus lances.
 No entanto, a criatividade para obter-se vantagem na competição também se
desenvolveu, com a prática de “aguardar” a desistência dos demais e, na
última rodada de lances, ofertar lance irrisório, ligeiramente abaixo da
proposta, até então mais vantajosa.

Lances Intermediários
 Precisou que o TCU, através de seus Acórdãos, viesse a orientar as práticas
nos certames licitatórios determinando que se abstivessem de permitir a
oferta de lances intermediários antes que fosse definida a proposta mais
vantajosa para o órgão público.
 Assim, até o momento, com a legislação e as determinações do Tribunal de
Contas da União a questão está bem equacionada e serve de suporte para
as práticas saudáveis a serem utilizadas pela Administração Pública.

Verificação de Preferência LC 123/2006


 Após a etapa de lances, deve ser verificada a preferência para as
microempresas e empresas de pequeno porte, determinada pela Lei
Complementar 123/06, se for o caso, e ordenadas as propostas, já
considerado o critério de desempate previsto no art. 44 da referida Lei
Complementar.
 Para tanto, as Micro-Empresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP)
devem manifestar-se, até o momento desta fase, as suas intenções de
serem beneficiadas, no caso de empate com empresas médias ou grandes.
 A preferência para as microempresas e empresas de pequeno porre é objeto
de estudo deste trabalho, no capítulo específico sobre esse tema.

Análise da Melhor Proposta


 Após chegar à proposta de menor preço, essa proposta é analisada, tanto no
que se refere ao objeto ofertado, quanto ao valor. Nesse momento, o
pregoeiro deve dar especial atenção ao preço final ofertado, para verificar se
esse valor é excessivo, aceitável ou inexequível.
 Depois de devidamente analisada a proposta mais baixa, o pregoeiro decide
pela aceitação, ou não, da mesma. Se a proposta de menor valor não for
aceitável, deve o pregoeiro desclassificá-la e verificar a proposta seguinte de
menor valor. Se essa outra proposta também não for aceitável, verifica-se a
próxima, e assim sucessivamente, até que uma satisfaça a todas as
condições do edital e apresente preço considerado adequado.
Aceitação da Proposta
 A busca de outras propostas gerada pela não conformidade daquela de
menor preço pode chegar, inclusive, até as propostas que não foram
selecionadas para a fase de lance. Assim, uma licitante, que sequer foi para
a etapa de lances, pode vir a ser vencedora do certame, caso todas as
propostas inferiores à dela sejam inaceitáveis ou se essas licitantes forem
inabilitadas, situação esta que será vista adiante.

Aceitação da Proposta
 Caso não haja nenhuma proposta aceitável, a licitação é considerada
fracassada ou frustrada, devendo o pregão ser reiniciado, tomando os
cuidados para corrigir as condições do edital que implicaram na perda do
certame, se for esse o motivo das falhas que provocaram o fracasso da
licitação.

Verificação da Habilitação
 Após definir a licitante que ofertou o menor valor, é aberto o envelope de
habilitação, apenas dessa empresa, para verificar se os documentos
apresentados por esta proponente estão de acordo com as condições
impostas pelo edital, proposta essa, evidentemente, já considerada aceitável.
 Segundo o art. 13 do Decreto 3.555/00, o edital pode fazer as mesmas
exigências de habilitação previstas na Lei 8.666/93, ou seja, habilitação
jurídica, qualificação técnica, qualificação econômico-financeira, regularidade
fiscal e declaração de cumprimento do disposto no inc. XXXIII do art. 7° da
Constituição, declaração essa que deve ser feita conforme modelo imposto
pelo Decreto 4.358/02.
 Já o Decreto 3.555/00, art. 13, parágrafo único, obriga a substituição dos
documentos de habilitação pelo SICAF ou por outro registro cadastral, exceto
os referentes à qualificação técnica e à declaração quanto aos trabalhadores
menores.
 De acordo com o inc. XIII do art. 11 do Decreto 3.555/00 (que, como já
comentado, tem aplicabilidade somente no âmbito da União) caso conste do
cadastro algum documento vencido, pode a licitante apresentar o
documento, já devidamente atualizado, na própria sessão.
Verificação da Habilitação
 A falta de documento de habilitação, que tenha sido exigido no edital, tem
sido suprida por meio de várias soluções, como por exemplo: apresentação
posterior do documento, o envio do documento por fax durante a sessão, a
declaração de que será apresentado o documento no momento da
contratação, entre outras. Soluções tomadas com fulcro no parágrafo único
do art. 4° do Decreto 3.555/00, o qual reza que as normas disciplinadoras da
licitação devem ser sempre interpretadas em favor da ampliação da disputa
entre as interessadas.
Verificação da Habilitação
 Questão outra de extrema relevância diz respeito ao fato de estar o pregoeiro
limitado ao exame de documentos inseridos nos envelopes relativos à
habilitação. Não lhe é dado, pois, admitir a apresentação posterior de
documento que se achava vencido em registro cadastral e que, por
desatenção do licitante, deixou de constar oportunamente dentre aqueles
incluídos no invólucro. Em tal situação, até para que sempre serve a
isonomia, impõe-se a inabilitação do participante desatento.
 A despeito disso, a licitante deve tomar todo cuidado para não esquecer
nenhum documento, pois nem sempre é permitido suprir a falha na oferta.
 É usual que em um pregão a licitante seja eliminada do certame, pela falta
de determinado documento, documento esse que, em outro pregão, pôde ser
apresentado posteriormente, quando não junta do o envelope apropriado.

Habilitação
 Depois de verificada a documentação da proponente que tenha apresentado
o menor preço, o pregoeiro decide pela habilitação, ou não, daquela
empresa.
 Se a licitante que tiver ofertado a proposta de menor valor não for habilitada,
o pregoeiro deve verificar a proposta seguinte de menor valor, repetindo o
procedimento desde a etapa da análise da proposta de menor valor.
 Se essa outra licitante também for inabilitada, verifica-se a próxima e assim
sucessivamente, até que uma satisfaça as condições de qualificação
determinada pelo edital.
 Quando a concorrente, que tiver apresentado a proposta de menor preço, for
inabilitada, a próxima licitante na ordem de classificação das propostas,
lances inclusos, não precisa necessariamente reduzir o seu preço até o
mesmo valor da menor proposta que foi eliminada.
 Caso não haja nenhuma licitante habilitada, o pregão é considerado
fracassado. Neste caso, deve a licitação ser reiniciada, tomando os cuidados
para corrigir as solicitações abusivas do edital que implicaram na inabilitação
de todas proponentes, se for o caso de o edital ter sido demasiadamente
exigente.
Negociação
 A negociação está formalmente prevista na Lei 10.520/02, art. 4°, XVII. É a
negociação uma oportunidade que a Administração tem para melhorar, ainda
mais, a proposta que chegou ao menor valor. Essa fase é necessária, pois a
etapa de lances pode não ter sido suficiente para levar o preço para aquilo
que é compatível com o valor de mercado.
 Para Araújo se o pregoeiro:
◦ "perceber que o preço está maior do que o estimado pela Administração,
deverá negociar com o representante da empresa uma redução para
tentar chegar ao valor estimado pelo órgão público".
 Na fase de negociação a única variável é o preço, nada mais pode ser
modificado nas condições da proposta, as quais devem estar ajustadas às
regras do diploma editalício e dessa forma precisam permanecer.
 Dado o estigma de improbidade que persegue os negócios envolvendo a
Administração Pública e as suas contratadas, é conveniente que o pregoeiro
realize a negociação ainda durante a sessão pública, diante das demais
licitantes, evitando, assim, qualquer dúvida acerca dessa etapa.

Declaração do Resultado
 Concluída satisfatoriamente a negociação com a licitante que ofertou a
proposta de menor preço, o pregoeiro declara-a vencedora do certame.
 Caso o pregoeiro não aceite nenhuma das ofertas ele comunica o resultado
da licitação como fracassado.
 Esse resultado deve ter a devida publicidade, pois é a divulgação desse ato
que dá início à etapa recursal.
 Caso a decisão tenha sido tomada ainda durante a própria sessão, a ata,
assinada pelos representantes presentes, é suficiente para dar publicidade
ao resultado da licitação.
 Se a decisão for tomada após a sessão pública, deve o pregoeiro marcar
uma nova sessão para divulgar o resultado, permitindo, assim, que o trâmite
recursal ocorra conforme previsto na legislação e detalhado a seguir.
Recurso
 Declarado o nome da vencedora, qualquer licitante pode manifestar a
intenção de recorrer contra qualquer dos atos do pregoeiro durante o
certame, desde que apresente, de imediato, os motivos pelos quais discorda
da decisão adotada.
 A intenção de recorrer da decisão é feita verbalmente, tão logo seja
comunicada quem é a empresa vencedora, sob pena de decadência desse
direito na esfera administrativa.
 Depois de manifestado verbalmente o recurso, é concedido prazo para
apresentação formal de suas razões.
Recurso
 O prazo dado à licitante para apresentar a peça recursal é diferente na Lei
10.520/02 e no Decreto 3.555/00. O inc. XVIII do art. 4° da Lei 10.520/02
determina o prazo de 3 (três) dias corridos e o inc. XVII do art. 11 do Decreto
3.555/00 define como sendo 3 (três) dias úteis. Há, em função disso, duas
correntes, uma defendendo que o prazo para interpor a peça recursal no
pregão presencial é de 3 (três) dias úteis, outra que o prazo é de apenas 3
(três) dias corridos. Diante disto, a licitante deve atentar-se para a redação
do edital quanto ao prazo recursal que está lá estabelecido.
 As demais licitantes ficam automaticamente intimadas a apresentar
contra-razões (impugnar os recursos, como denominado na Lei 8.666/93) em
igual número de dias, período que começa contar da data de término do
prazo da recorrente.
 Durante toda a etapa recursal deve ser permitida vista imediata do processo
às interessadas.
 Destaca-se que no pregão, o prazo para apresentação de contra-razões não
conta a partir da data da comunicação, como é a regra nas modalidades
tradicionais, mas sim, a partir do dia subseqüente ao término do prazo
recursal.

Devolução dos Envelopes Não Abertos


 Após o trâmite recursal, ou a desistência desse direito, o pregoeiro pode
devolver os envelopes de habilitação às licitantes que não tiveram esses
invólucros abertos.
 Essa devolução pode ser feita na mesma sessão ou pode ocorrer após a
assinatura do contrato.
 Algumas Administrações preferem guardar os envelopes de habilitação das
demais licitantes ainda fechados, até a assinatura do contrato, porque é
possível que a próxima classificada venha a ser chamada, em função de a
vencedora não ter condições de firmar o instrumento contratual.
 Já tendo sido devolvido o envelope de habilitação à próxima classificada,
nada impede a solicitação de nova documentação, até porque, para a
assinatura do contrato, a proponente vencedora tem que apresentar
novamente a comprovação de habilitação, mesmo se já tiver apresentado na
licitação.
Adjudicação
 A adjudicação é feita pelo pregoeiro caso não haja a intenção de recurso.
Caso tenha havido a interposição de recursos, quem tem competência para
adjudicar é a autoridade competente, aquela que nomeou o pregoeiro, que
só pode adjudicar depois de decididos tais questionamentos.
 Assim, a adjudicação é um ato que no pregão é de competência de duas
pessoas diferentes, dependendo dos acontecimentos do certame. Se não
houver recurso, o próprio pregoeiro adjudica o objeto do certame à licitante
vencedora. Em havendo interposição de recurso, a adjudicação fica a cargo
da autoridade que lhe é superior.

Homologação
 Após a adjudicação, caso a autoridade competente entenda conveniente o
procedimento licitatório, ela homologa o resultado, finalizando o
procedimento licitatório. Seguindo então o processo para as providências de
contratação da empresa adjudicatária. A homologação é o último ato do
trâmite licitatório, caso a licitação seja aproveitável.

Cancelamento
 A autoridade competente pode, ao invés de homologar o resultado do
pregão, cancelá-lo.
 Existem duas hipóteses de cancelamento de uma licitação:
• a anulação que se determina em função de haver alguma ilegalidade
não sanável no processo; e
• a revogação que se aplica nos caso de o procedimento ter se tornado
inconveniente para o interesse público. Tanto a anulação, quanto a
revogação são de responsabilidade da autoridade competente, nos
termos do art. 18 do Decreto 3.555/00. Ambas, devem ter clara e
expressa justificativa.
Pregão Eletrônico
 o pregão eletrônico é aquele em que as propostas, assim como, os demais
lances, são enviados pela Internet. Todo o procedimento licitatório é
concluído sem a necessidade de que as licitantes se façam presentes na
Administração.
 Para Valéria Cordeiro, a execução do pregão na forma eletrônica implica no
processamento de "todos os atos que formalmente seriam praticados na
sessão do Pregão Presencial, neste caso, passaria a ser realizado por meio
da internet em ambiente virtual, atendidas às particularidades e
características inerentes à terminologia virtual, previstas na legislação
específica“.
 Essa forma de conduzir o pregão tem alcançado enorme sucesso na
Administração Pública, pela simplificação do procedimento, pelos resultados
obtidos, pela maior participação das licitantes e, também, pela redução dos
preços alcançados.

Simplificação
 A nova lei vem atender a simplificação, documental e da linguagem para
melhor compreensão de toda a sociedade civil, vem para fomentar a
desburocratização, ela exige que se evite emprego de expressões que
podem conferir duplo sentido ao texto no edital, tem objetivo de dar
celeridade e prevenção à fraude.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Objeto e âmbito de aplicação
◦ Art. 1º Este Decreto regulamenta a licitação, na modalidade de pregão,
na forma eletrônica, para a aquisição de bens e a contratação de
serviços comuns, incluídos os serviços comuns de engenharia, e
dispõe sobre o uso da dispensa eletrônica, no âmbito da administração
pública federal.
◦ § 1º A utilização da modalidade de pregão, na forma eletrônica, pelos
órgãos da administração pública federal direta, pelas autarquias, pelas
fundações e pelos fundos especiais é obrigatória.
◦ § 2º As empresas públicas, as sociedades de economia mista e
suas subsidiárias, nos termos do regulamento interno de que trata o
art. 40 da Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, poderão adotar, no
que couber, as disposições deste Decreto, inclusive o disposto no
Capítulo XVII, observados os limites de que trata o art. 29 da
referida Lei.
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Objeto e âmbito de aplicação
◦ § 3º Para a aquisição de bens e a contratação de serviços comuns
pelos entes federativos, com a utilização de recursos da União
decorrentes de transferências voluntárias, tais como convênios e
contratos de repasse, a utilização da modalidade de pregão, na forma
eletrônica, ou da dispensa eletrônica será obrigatória, exceto nos
casos em que a lei ou a regulamentação específica que dispuser sobre a
modalidade de transferência discipline de forma diversa as
contratações com os recursos do repasse.

Considerações
◦ Dentre uma das mudanças esta, na lei, esta relacionada com a
“dispensa eletrônica”, que na prática existia no portal de compras outra
modalidade, assim ela esta apenas substituindo a anterior do governo
federal, dentro dos padrões legais existentes previstos na Lei geral de
licitações, para os chamados dispensa de licitação em razão do valor
(Art. 24, da Lei nº 8.666/1993), a antiga era regida dentro da Portaria
306/2001, do ministério do Planejamento, era chamada de “Cotação
Eletrônica de preços”, que apesar de não constar obrigatoriedade na
portaria, era adotava a modalidade para dar maior transparência.
◦ Agora o Decreto da Nova Lei de Pregão cria no Artigo 01º e regulamenta
esta modalidade de fato no âmbito jurídico.
◦ Apontando uma mudança no texto anterior o Artigo 6º do Decreto 5.450,
dispensava todo serviço de engenharia, logo com esta nova legislação
foi incluída o termo engenharia comuns, logo por definição os não
enquadrados na engenharia especiais terão que ser licitados e
obedecerá esta nova lei.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Objeto e âmbito de aplicação
◦ § 4º Será admitida, excepcionalmente, mediante prévia justificativa da
autoridade competente, a utilização da forma de pregão presencial nas
licitações de que trata o caput ou a não adoção do sistema de dispensa
eletrônica, desde que fique comprovada a inviabilidade técnica ou a
desvantagem para a administração na realização da forma eletrônica.
◦ Obs.: Todo pregão presencial só poderá ser feito de forma motivada
e justificada.
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Princípios
◦ Art. 2º O pregão, na forma eletrônica, é condicionado aos princípios da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da
publicidade, da eficiência, da probidade administrativa, do
desenvolvimento sustentável, da vinculação ao instrumento
convocatório, do julgamento objetivo, da razoabilidade, da
competitividade, da proporcionalidade e aos que lhes são correlatos.
◦ § 1º O princípio do desenvolvimento sustentável será observado
nas etapas do processo de contratação, em suas dimensões
econômica, social, ambiental e cultural, no mínimo, com base nos
planos de gestão de logística sustentável dos órgãos e das
entidades. (Novidade).

Considerações
 Princípios § 1º - Novidade - Sustentabilidade
◦ O Decreto cria um dever jurídico de grande importância para os órgãos e
entidades que ainda não dispõe dele: o de elaborar seus planos de
gestão logística sustentável. É que há previsão expressa de dever de
inserção de requisitos de sustentabilidade social, econômica, ambiental e
cultural nos processos de pregão, no mínimo, com base nos planos de
gestão de logística sustentável. Isto significa que os órgãos e entidades
devem elaborar planos de gestão logística sustentável, e, com base
neles, estabelecer requisitos objetivos e subjetivos de sustentabilidade
nos processos licitatórios.
◦ Lembre-se que o descumprimento de dever jurídico pode ensejar a
responsabilidade por omissão própria, ou mesmo caracterizar erro
grosseiro passível de responsabilização pessoal.

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Princípios § 2º - Novidade – Redução da Formalidade
◦ § 2º As normas disciplinadoras da licitação serão interpretadas em
favor da ampliação da disputa entre os interessados, resguardados
o interesse da administração, o princípio da isonomia, a finalidade e
a segurança da contratação.
◦ Diante desse novo posicionamento ante o formalismo, o que se tem visto
nos pregões é que quase tudo pode ser feito pelo pregoeiro no sentido
de ampliar a competição. Propostas muito vantajosas para a
Administração, que anteriormente eram desprezadas por falhas que em
nada comprometeriam a contratação, agora são aproveitadas.
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Definições
◦ Art. 3º Para fins do disposto neste Decreto, considera-se:
◦ I - aviso do edital - documento que contém:
 a) a definição precisa, suficiente e clara do objeto;
 b) a indicação dos locais, das datas e dos horários em que poderá
ser lido ou obtido o edital; e
 c) o endereço eletrônico no qual ocorrerá a sessão pública com a
data e o horário de sua realização;
◦ II - bens e serviços comuns - bens cujos padrões de desempenho e
qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de
especificações reconhecidas e usuais do mercado;
◦ III - bens e serviços especiais - bens que, por sua alta heterogeneidade
ou complexidade técnica, não podem ser considerados bens e serviços
comuns, nos termos do inciso II;

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Definições
◦ IV - estudo técnico preliminar - documento constitutivo da primeira
etapa do planejamento de uma contratação, que caracteriza o
interesse público envolvido e a melhor solução ao problema a ser
resolvido e que, na hipótese de conclusão pela viabilidade da
contratação, fundamenta o termo de referência; (Novidade)
◦ V - lances intermediários - lances iguais ou superiores ao menor já
ofertado, porém inferiores ao último lance dado pelo próprio
licitante;
◦ VI - obra - construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação de
bem imóvel, realizada por execução direta ou indireta;
◦ VII - serviço - atividade ou conjunto de atividades destinadas a obter
determinada utilidade, intelectual ou material, de interesse da
administração pública;
Considerações
 Definições - IV - estudo técnico preliminar;
◦ Um dos importantes avanços produzidos pelo novo decreto diz respeito à
etapa de planejamento da licitação. Merecendo todos os aplausos,
estabelece a obrigatoriedade de elaboração, prévia à do termo de
referência, de um documento denominado estudo técnico preliminar.
Trata-se de uma etapa destinada a realizar estudos, análises e
definições necessárias para a correta e adequada elaboração do termo
de referência.
◦ Nesta etapa, por exemplo, devem ser verificados aspectos como
necessidade de adequação de espaços físicos para receber o objeto da
contratação (evitando que equipamentos não possam ser instalados por
insuficiência de estrutura de rede elétrica ou lógica, à guisa de exemplo),
ou mesmo de obtenção prévia de licenças, autorizações ou outorgas
(licenciamento ambiental prévio, vigilância sanitária, corpo de bombeiros,
etc.), dentre outras providencias e avaliações (a este propósito, uma
referência importante é a Instrução Normativa nº 05/2017 da Secretaria
de Gestão do Ministério do Planejamento, que trata bem do assunto).

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Definições
◦ VIII - serviço comum de engenharia - atividade ou conjunto de atividades
que necessitam da participação e do acompanhamento de profissional
engenheiro habilitado, nos termos do disposto na Lei nº 5.194, de 24 de
dezembro de 1966, e cujos padrões de desempenho e qualidade
possam ser objetivamente definidos pela administração pública,
mediante especificações usuais de mercado;
◦ IX - Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores - Sicaf -
ferramenta informatizada, integrante da plataforma do Sistema Integrado
de Administração de Serviços Gerais - Siasg, disponibilizada pelo
Ministério da Economia, para cadastramento dos órgãos e das entidades
da administração pública, das empresas públicas e dos participantes de
procedimentos de licitação, dispensa ou inexigibilidade promovidos pelos
órgãos e pelas entidades integrantes do Sistema de Serviços Gerais -
Sisg;
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
 Definições
◦ X - sistema de dispensa eletrônica - ferramenta informatizada, integrante
da plataforma do Siasg, disponibilizada pelo Ministério da Economia,
para a realização dos processos de contratação direta de bens e
serviços comuns, incluídos os serviços comuns de engenharia; e
◦ XI - termo de referência - documento elaborado com base nos estudos
técnicos preliminares, que deverá conter:
 a) os elementos que embasam a avaliação do custo pela
administração pública, a partir dos padrões de desempenho e
qualidade estabelecidos e das condições de entrega do objeto, com
as seguintes informações:
 1. a definição do objeto contratual e dos métodos para a sua
execução, vedadas especificações excessivas, irrelevantes ou
desnecessárias, que limitem ou frustrem a competição ou a
realização do certame;
 2. o valor estimado do objeto da licitação demonstrado em
planilhas, de acordo com o preço de mercado; e
 3. o cronograma físico-financeiro, se necessário;
 b) o critério de aceitação do objeto;
 Definições
 c) os deveres do contratado e do contratante;
 d) a relação dos documentos essenciais à verificação da qualificação
técnica e econômico-financeira, se necessária;
 e) os procedimentos de fiscalização e gerenciamento do contrato ou
da ata de registro de preços;
 f) o prazo para execução do contrato; e
 g) as sanções previstas de forma objetiva, suficiente e clara.
◦ § 1º A classificação de bens e serviços como comuns depende de
exame predominantemente fático e de natureza técnica.
◦ § 2º Os bens e serviços que envolverem o desenvolvimento de
soluções específicas de natureza intelectual, científica e técnica, caso
possam ser definidos nos termos do disposto no inciso II do caput, serão
licitados por pregão, na forma eletrônica.
 Vedações
◦ Art. 4º O pregão, na forma eletrônica, não se aplica a:
 I - contratações de obras;
 II - locações imobiliárias e alienações; e
 III - bens e serviços especiais, incluídos os serviços de engenharia
enquadrados no disposto no inciso III do caput do art. 3º.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
 Forma de realização
◦ Art. 5º O pregão, na forma eletrônica, será realizado quando a disputa
pelo fornecimento de bens ou pela contratação de serviços comuns
ocorrer à distância e em sessão pública, por meio do Sistema de
Compras do Governo federal, disponível no endereço eletrônico
www.comprasgovernamentais.gov.br.
◦ § 1º O sistema de que trata o caput será dotado de recursos de
criptografia e de autenticação que garantam as condições de segurança
nas etapas do certame.
◦ § 2º Na hipótese de que trata o § 3º do art. 1º, além do disposto no
caput, poderão ser utilizados sistemas próprios ou outros sistemas
disponíveis no mercado, desde que estejam integrados à plataforma de
operacionalização das modalidades de transferências voluntárias.
 Etapas
◦ Art. 6º A realização do pregão, na forma eletrônica, observará as
seguintes etapas sucessivas:
 I - planejamento da contratação;
 II - publicação do aviso de edital;
 III - apresentação de propostas e de documentos de habilitação;
 IV – abertura da sessão pública e envio de lances, ou fase
competitiva;
 V - julgamento;
 VI - habilitação;
 VII - recursal;
 VIII - adjudicação; e
 IX - homologação.
 Critérios de julgamento das propostas
◦ Art. 7º Os critérios de julgamento empregados na seleção da proposta
mais vantajosa para a administração serão os de menor preço ou maior
desconto, conforme dispuser o edital.
◦ Parágrafo único. Serão fixados critérios objetivos para definição do
melhor preço, considerados os prazos para a execução do contrato e do
fornecimento, as especificações técnicas, os parâmetros mínimos de
desempenho e de qualidade, as diretrizes do plano de gestão de
logística sustentável e as demais condições estabelecidas no edital.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
 Documentação
◦ Art. 7º Os critérios de julgamento empregados na seleção da proposta
Art. 8º O processo relativo ao pregão, na forma eletrônica, será
instruído com os seguintes documentos, no mínimo:
 I - estudo técnico preliminar, quando necessário;
 II - termo de referência;
 III - planilha estimativa de despesa;
 IV - previsão dos recursos orçamentários necessários, com a
indicação das rubricas, exceto na hipótese de pregão para registro de
preços;
 V - autorização de abertura da licitação;
 VI - designação do pregoeiro e da equipe de apoio;
 VII - edital e respectivos anexos;
 VIII - minuta do termo do contrato, ou instrumento equivalente, ou
minuta da ata de registro de preços, conforme o caso;
 IX - parecer jurídico;
 Documentação
 X - documentação exigida e apresentada para a habilitação;
 XI- proposta de preços do licitante;
 XII - ata da sessão pública, que conterá os seguintes registros, entre
outros:
 a) os licitantes participantes;
 b) as propostas apresentadas;
 c) os avisos, os esclarecimentos e as impugnações;
 d) os lances ofertados, na ordem de classificação;
 e) a suspensão e o reinício da sessão, se for o caso;
 f) a aceitabilidade da proposta de preço;
 g) a habilitação;
 h) a decisão sobre o saneamento de erros ou falhas na proposta
ou na documentação;
 i) os recursos interpostos, as respectivas análises e as decisões; e
 j) o resultado da licitação;
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS
 Documentação
 XIII - comprovantes das publicações:
 a) do aviso do edital;
 b) do extrato do contrato; e
 c) dos demais atos cuja publicidade seja exigida; e
 XIV - ato de homologação.
 § 1º A instrução do processo licitatório poderá ser realizada por
meio de sistema eletrônico, de modo que os atos e os documentos
de que trata este artigo, constantes dos arquivos e registros digitais,
serão válidos para todos os efeitos legais, inclusive para
comprovação e prestação de contas.
 § 2º A ata da sessão pública será disponibilizada na internet
imediatamente após o seu encerramento, para acesso livre.

CAPÍTULO III
DO ACESSO AO SISTEMA ELETRÔNICO
 Credenciamento
◦ Art. 9º A autoridade competente do órgão ou da entidade promotora
da licitação, o pregoeiro, os membros da equipe de apoio e os licitantes
que participarem do pregão, na forma eletrônica, serão previamente
credenciados, perante o provedor do sistema eletrônico.
◦ § 1º O credenciamento para acesso ao sistema ocorrerá pela atribuição
de chave de identificação e de senha pessoal e intransferível.
◦ § 2º Caberá à autoridade competente do órgão ou da entidade
promotora da licitação solicitar, junto ao provedor do sistema, o seu
credenciamento, o do pregoeiro e o dos membros da equipe de apoio.
 Licitante
◦ Art. 10. Na hipótese de pregão promovido por órgão ou entidade
integrante do Sisg, o credenciamento do licitante e sua manutenção
dependerão de registro prévio e atualizado no Sicaf.
◦ Art. 11. O credenciamento no Sicaf permite a participação dos
interessados em qualquer pregão, na forma eletrônica, exceto quando o
seu cadastro no Sicaf tenha sido inativado ou excluído por solicitação do
credenciado ou por determinação legal.
CAPÍTULO III
DO ACESSO AO SISTEMA ELETRÔNICO
 Órgão ou entidade promotora da licitação
◦ Art. 12. O pregão, na forma eletrônica, será conduzido pelo órgão ou
pela entidade promotora da licitação, com apoio técnico e operacional do
órgão central do Sisg, que atuará como provedor do Sistema de
Compras do Governo federal para os órgãos e entidades integrantes do
Sisg.
 Autoridade competente
◦ Art. 13. Caberá à autoridade competente, de acordo com as
atribuições previstas no regimento ou no estatuto do órgão ou da
entidade promotora da licitação:
 I - designar o pregoeiro e os membros da equipe de apoio;
 II - indicar o provedor do sistema;
 III - determinar a abertura do processo licitatório;
 IV - decidir os recursos contra os atos do pregoeiro, quando este
mantiver sua decisão;
 V - adjudicar o objeto da licitação, quando houver recurso;
 VI - homologar o resultado da licitação; e
 VII - celebrar o contrato ou assinar a ata de registro de preços.

CAPÍTULO IV
DA CONDUÇÃO DO PROCESSO
 Órgão ou entidade promotora da licitação
◦ Art. 12. O pregão, na forma eletrônica, será conduzido pelo órgão ou
pela entidade promotora da licitação, com apoio técnico e operacional do
órgão central do Sisg, que atuará como provedor do Sistema de
Compras do Governo federal para os órgãos e entidades integrantes do
Sisg.
 Autoridade competente
◦ Art. 13. Caberá à autoridade competente, de acordo com as
atribuições previstas no regimento ou no estatuto do órgão ou da
entidade promotora da licitação:
 I - designar o pregoeiro e os membros da equipe de apoio;
 II - indicar o provedor do sistema;
 III - determinar a abertura do processo licitatório;
 IV - decidir os recursos contra os atos do pregoeiro, quando este
mantiver sua decisão;
 V - adjudicar o objeto da licitação, quando houver recurso;
 VI - homologar o resultado da licitação; e
 VII - celebrar o contrato ou assinar a ata de registro de preços.
CAPÍTULO V
DO PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO
 Orientações gerais
◦ Art. 14. No planejamento do pregão, na forma eletrônica, será
observado o seguinte:
 I - elaboração do estudo técnico preliminar e do termo de referência;
 II - aprovação do estudo técnico preliminar e do termo de referência
pela autoridade competente ou por quem esta delegar;
 III - elaboração do edital, que estabelecerá os critérios de julgamento
e a aceitação das propostas, o modo de disputa e, quando
necessário, o intervalo mínimo de diferença de valores ou de
percentuais entre os lances, que incidirá tanto em relação aos
lances intermediários quanto em relação ao lance que cobrir a
melhor oferta;
 IV - definição das exigências de habilitação, das sanções aplicáveis,
dos prazos e das condições que, pelas suas particularidades, sejam
consideradas relevantes para a celebração e a execução do contrato
e o atendimento das necessidades da administração pública; e
 V - designação do pregoeiro e de sua equipe de apoio.

Considerações
 Vale observar que a permissiva de apresentação de lances intermediários
representa a capacidade de o licitante melhorar a sua proposta em patamar
igual ou aquém ao melhor lance já oferecido por outro participante. Em
outras palavras, é a oportunidade que detém para galgar posições na ordem
de classificação, sem que para isso tenha de superar a oferta mais vantajosa
enviada.
 Nota-se que o Tribunal de Contas da União possui jurisprudência que
identifica a inibição do efeito coelho como outro benefício relacionado à
apresentação de lances intermediários (v. g., acórdão 754/15-Plenário) e que
recomenda aos pregoeiros que ajam de maneira proativa ao longo da sessão
pública de lances, com o objetivo de incentivar os participantes a ofertarem
lances intermediários.
CAPÍTULO V
DO PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO
 Valor estimado ou valor máximo aceitável
◦ Art. 15. O valor estimado ou o valor máximo aceitável para a
contratação, se não constar expressamente do edital, possuirá
caráter sigiloso e será disponibilizado exclusiva e permanentemente
aos órgãos de controle externo e interno. (Novidade)
◦ § 1º O caráter sigiloso do valor estimado ou do valor máximo aceitável
para a contratação será fundamentado no § 3º do art. 7º da Lei nº
12.527, de 18 de novembro de 2011, e no art. 20 do Decreto nº 7.724, de
16 de maio de 2012.
◦ § 2º Para fins do disposto no caput, o valor estimado ou o valor máximo
aceitável para a contratação será tornado público apenas e
imediatamente após o encerramento do envio de lances, sem prejuízo da
divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações
necessárias à elaboração das propostas.
◦ § 3º Nas hipóteses em que for adotado o critério de julgamento pelo
maior desconto, o valor estimado, o valor máximo aceitável ou o valor de
referência para aplicação do desconto constará obrigatoriamente do
instrumento convocatório.

Considerações
 É uma alteração, do Artigo 15 desta lei que seque apenas a tendência da
legislação, já adotada no RDC, e anteriormente na cotação eletrônica, ocorre
que com esta nova lei se o edital não estiver trazendo tal valor não é motivo
para impugnação, pois possuirá caráter sigiloso, assim os valores serão
revelados e será tornado público apenas e imediatamente após o
encerramento do envio de lances, para tanto o sigilo dos preços deve ser
fundado, para não violarem o principio da lei de transparência e lei de acesso
(Lei 12.527/2011 e Decreto 7724/2012 respectivamente).
CAPÍTULO V
DO PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO
 Designações do pregoeiro e da equipe de apoio
◦ Art. 16. Caberá à autoridade máxima do órgão ou da entidade, ou a
quem possuir a competência, designar agentes públicos para o
desempenho das funções deste Decreto, observados os seguintes
requisitos:
 I - o pregoeiro e os membros da equipe de apoio serão servidores do
órgão ou da entidade promotora da licitação; e
 II - os membros da equipe de apoio serão, em sua maioria,
servidores ocupantes de cargo efetivo, preferencialmente
pertencentes aos quadros permanentes do órgão ou da entidade
promotora da licitação.
◦ § 1º No âmbito do Ministério da Defesa, as funções de pregoeiro e de
membro da equipe de apoio poderão ser desempenhadas por militares.
 Designações do pregoeiro e da equipe de apoio
◦ § 2º A critério da autoridade competente, o pregoeiro e os membros da
equipe de apoio poderão ser designados para uma licitação específica,
para um período determinado, admitidas reconduções, ou por período
indeterminado, permitida a revogação da designação a qualquer tempo.
◦ § 3º Os órgãos e as entidades de que trata o § 1º do art. 1º
estabelecerão planos de capacitação que contenham iniciativas de
treinamento para a formação e a atualização técnica de pregoeiros,
membros da equipe de apoio e demais agentes encarregados da
instrução do processo licitatório, a serem implementadas com base em
gestão por competências.
 Do pregoeiro
◦ Art. 17. Caberá ao pregoeiro, em especial:
 I - conduzir a sessão pública;
 II - receber, examinar e decidir as impugnações e os pedidos de
esclarecimentos ao edital e aos anexos, além de poder requisitar
subsídios formais aos responsáveis pela elaboração desses
documentos;
 III - verificar a conformidade da proposta em relação aos requisitos
estabelecidos no edital;
 IV - coordenar a sessão pública e o envio de lances;
 V - verificar e julgar as condições de habilitação;
CAPÍTULO V
DO PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO
◦ Do pregoeiro
 VI - sanear erros ou falhas que não alterem a substância das
propostas, dos documentos de habilitação e sua validade jurídica;
 VII - receber, examinar e decidir os recursos e encaminhá-los à
autoridade competente quando mantiver sua decisão;
 VIII - indicar o vencedor do certame;
 IX - adjudicar o objeto, quando não houver recurso;
 X - conduzir os trabalhos da equipe de apoio; e
 XI - encaminhar o processo devidamente instruído à autoridade
competente e propor a sua homologação.
 Parágrafo único. O pregoeiro poderá solicitar manifestação técnica
da assessoria jurídica ou de outros setores do órgão ou da entidade,
a fim de subsidiar sua decisão.
 Da equipe de apoio
◦ Art. 18. Caberá à equipe de apoio auxiliar o pregoeiro nas etapas do
processo licitatório.
 Do licitante
◦ Art. 19. Caberá ao licitante interessado em participar do pregão, na
forma eletrônica:
 I - credenciar-se previamente no Sicaf ou, na hipótese de que trata o
§2º do art. 5º, no sistema eletrônico utilizado no certame;
 II - remeter, no prazo estabelecido, exclusivamente via sistema, os
documentos de habilitação e a proposta e, quando necessário, os
documentos complementares;
 III - responsabilizar-se formalmente pelas transações efetuadas em
seu nome, assumir como firmes e verdadeiras suas propostas e seus
lances, inclusive os atos praticados diretamente ou por seu
representante, excluída a responsabilidade do provedor do sistema
ou do órgão ou entidade promotora da licitação por eventuais danos
decorrentes de uso indevido da senha, ainda que por terceiros;
 IV - acompanhar as operações no sistema eletrônico durante o
processo licitatório e responsabilizar-se pelo ônus decorrente da
perda de negócios diante da inobservância de mensagens emitidas
pelo sistema ou de sua desconexão;
CAPÍTULO V
DO PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO
 Do licitante
 V - comunicar imediatamente ao provedor do sistema qualquer
acontecimento que possa comprometer o sigilo ou a inviabilidade do
uso da senha, para imediato bloqueio de acesso;
 VI - utilizar a chave de identificação e a senha de acesso para
participar do pregão na forma eletrônica; e
 VII - solicitar o cancelamento da chave de identificação ou da senha
de acesso por interesse próprio.
 Parágrafo único. O fornecedor descredenciado no Sicaf terá sua
chave de identificação e senha suspensas automaticamente.

CAPÍTULO VI
DA PUBLICAÇÃO DO AVISO DO EDITAL
 Publicação
◦ Art. 20. A fase externa do pregão, na forma eletrônica, será iniciada
com a convocação dos interessados por meio da publicação do aviso do
edital no Diário Oficial da União e no sítio eletrônico oficial do órgão ou
da entidade promotora da licitação.
◦ Parágrafo único. Na hipótese de que trata o § 3º do art. 1º, a publicação
ocorrerá na imprensa oficial do respectivo Estado, do Distrito Federal ou
do Município e no sítio eletrônico oficial do órgão ou da entidade
promotora da licitação.
 Edital
◦ Art. 21. Os órgãos ou as entidades integrantes do Sisg e aqueles que
aderirem ao Sistema Compras do Governo federal disponibilizarão a
íntegra do edital no endereço eletrônico
www.comprasgovernamentais.gov.br e no sítio eletrônico do órgão ou da
entidade promotora do pregão.
◦ Parágrafo único. Na hipótese do § 2º do art. 5º, o edital será
disponibilizado na íntegra no sítio eletrônico do órgão ou da entidade
promotora do pregão e no portal do sistema utilizado para a realização
do pregão.
 Modificação do edital
◦ Art. 22. Modificações no edital serão divulgadas pelo mesmo
instrumento de publicação utilizado para divulgação do texto original e o
prazo inicialmente estabelecido será reaberto, exceto se,
inquestionavelmente, a alteração não afetar a formulação das propostas,
resguardado o tratamento isonômico aos licitantes.
CAPÍTULO VI
DA PUBLICAÇÃO DO AVISO DO EDITAL
 Esclarecimentos
◦ Art. 23. Os pedidos de esclarecimentos referentes ao processo
licitatório serão enviados ao pregoeiro, até três dias úteis anteriores à
data fixada para abertura da sessão pública, por meio eletrônico, na
forma do edital.
◦ § 1º O pregoeiro responderá aos pedidos de esclarecimentos no prazo
de dois dias úteis, contado da data de recebimento do pedido, e poderá
requisitar subsídios formais aos responsáveis pela elaboração do edital e
dos anexos.
◦ § 2º As respostas aos pedidos de esclarecimentos serão divulgadas
pelo sistema e vincularão os participantes e a administração.
 Impugnação
◦ Art. 24. Qualquer pessoa poderá impugnar os termos do edital do
pregão, por meio eletrônico, na forma prevista no edital, até três dias
úteis anteriores à data fixada para abertura da sessão pública.
◦ § 1º A impugnação não possui efeito suspensivo e caberá ao pregoeiro,
auxiliado pelos responsáveis pela elaboração do edital e dos anexos,
decidir sobre a impugnação no prazo de dois dias úteis, contado do data
de recebimento da impugnação.
◦ § 2º A concessão de efeito suspensivo à impugnação é medida
excepcional e deverá ser motivada pelo pregoeiro, nos autos do
processo de licitação.
◦ § 3º Acolhida a impugnação contra o edital, será definida e publicada
nova data para realização do certame.
CAPÍTULO VII
DA APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA E DOS
DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO
 Prazo
◦ Art. 25. O prazo fixado para a apresentação das propostas e dos
documentos de habilitação não será inferior a oito dias úteis, contado da
data de publicação do aviso do edital. (Novidade)

Considerações
 Prazo – Art. 25
◦ Esta é uma das inovações mais importantes trazidas pelo texto do novo
decreto é a previsão de que todos os licitantes enviem ao sistema os
documentos de habilitação juntamente com a proposta, ao longo do
prazo legal de, no mínimo, 8 (oito) dias úteis. Modifica-se, assim, não
apenas “quando” os documentos de habilitação deverão ser enviados,
mas, também, “quem” deverá encaminhá-los.
◦ Atualmente, no procedimento do pregão eletrônico, os documentos de
habilitação são enviados apenas pelo licitante que ofertou a melhor
proposta e somente após a fase de lances. Com a mudança todos
passam a ter essa obrigação, que deve ser cumprida antes mesmo do
início da sessão pública.

Considerações
 Prazo – Art. 25
◦ Vale notar que o sistema manterá os documentos de habilitação em
sigilo e estes somente serão disponibilizados para avaliação do
pregoeiro e para acesso público após o encerramento da fase de lances.
◦ Observa-se que a presente inovação poderá trazer um duplo benefício
ao rito do pregão eletrônico. O envio antecipado dos documentos de
habilitação potencialmente traz celeridade ao certame ao permitir que,
diante de desclassificação ou inabilitação de licitante, seja a
documentação do participante subsequente imediatamente analisada.
◦ Além disso, a medida auxiliará no combate à denominada fraude “novo
coelho”, em que determinado licitante termina a fase de lances em
primeiro lugar e, antes de enviar sua documentação ajusta em conluio
com o segundo colocado a sua “desistência”, facilitada pela possibilidade
de enviar algum documento incompleto que promoverá a sua inabilitação
e a desejada exclusão do certame sem que, posteriormente, seja
instaurado processo de aplicação de penalidades.
CAPÍTULO VII
DA APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA E DOS
DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO
 Apresentação da proposta e dos documentos de habilitação pelo
licitante
◦ Art. 26. Após a divulgação do edital no sítio eletrônico, os licitantes
encaminharão, exclusivamente por meio do sistema, concomitantemente
com os documentos de habilitação exigidos no edital, proposta com a
descrição do objeto ofertado e o preço, até a data e o horário
estabelecidos para abertura da sessão pública.
◦ § 1º A etapa de que trata o caput será encerrada com a abertura da
sessão pública.
◦ § 2º Os licitantes poderão deixar de apresentar os documentos de
habilitação que constem do Sicaf e de sistemas semelhantes mantidos
pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, quando a
licitação for realizada por esses entes federativos, assegurado aos
demais licitantes o direito de acesso aos dados constantes dos sistemas.
 Apresentação da proposta e dos documentos de habilitação pelo
licitante
◦ § 3º O envio da proposta, acompanhada dos documentos de habilitação
exigidos no edital, nos termos do disposto no caput, ocorrerá por meio de
chave de acesso e senha.
◦ § 4º O licitante declarará, em campo próprio do sistema, o cumprimento
dos requisitos para a habilitação e a conformidade de sua proposta com
as exigências do edital.
◦ § 5º A falsidade da declaração de que trata o § 4º sujeitará o licitante às
sanções previstas neste Decreto.
◦ § 6º Os licitantes poderão retirar ou substituir a proposta e os
documentos de habilitação anteriormente inseridos no sistema, até a
abertura da sessão pública.
CAPÍTULO VII
DA APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA E DOS
DOCUMENTOS DE HABILITAÇÃO
 Apresentação da proposta e dos documentos de habilitação pelo
licitante
◦ § 7º Na etapa de apresentação da proposta e dos documentos de
habilitação pelo licitante, observado o disposto no caput, não haverá
ordem de classificação das propostas, o que ocorrerá somente após os
procedimentos de que trata o Capítulo IX.
◦ § 8º Os documentos que compõem a proposta e a habilitação do
licitante melhor classificado somente serão disponibilizados para
avaliação do pregoeiro e para acesso público após o encerramento do
envio de lances.
◦ § 9º Os documentos complementares à proposta e à habilitação,
quando necessários à confirmação daqueles exigidos no edital e já
apresentados, serão encaminhados pelo licitante melhor classificado
após o encerramento do envio de lances, observado o prazo de que trata
o § 2º do art. 38.
 Horário de abertura
◦ Art. 27. A partir do horário previsto no edital, a sessão pública na
internet será aberta pelo pregoeiro com a utilização de sua chave de
acesso e senha.
◦ § 1º Os licitantes poderão participar da sessão pública na internet,
mediante a utilização de sua chave de acesso e senha.
◦ § 2º O sistema disponibilizará campo próprio para troca de mensagens
entre o pregoeiro e os licitantes.
 Conformidade das propostas
◦ Art. 28. O pregoeiro verificará as propostas apresentadas e
desclassificará aquelas que não estejam em conformidade com os
requisitos estabelecidos no edital.
◦ Parágrafo único. A desclassificação da proposta será fundamentada e
registrada no sistema, acompanhado em tempo real por todos os
participantes.
 Ordenação e classificação das propostas
◦ Art. 29. O sistema ordenará automaticamente as propostas
classificadas pelo pregoeiro.
◦ Parágrafo único. Somente as propostas classificadas pelo pregoeiro
participarão da etapa de envio de lances.
CAPÍTULO VIII
DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA E DO
ENVIO DE LANCES
 Início da fase competitiva
◦ Art. 30. Classificadas as propostas, o pregoeiro dará início à fase
competitiva, oportunidade em que os licitantes poderão encaminhar
lances exclusivamente por meio do sistema eletrônico.
◦ § 1º O licitante será imediatamente informado do recebimento do lance
e do valor consignado no registro.
◦ § 2º Os licitantes poderão oferecer lances sucessivos, observados o
horário fixado para abertura da sessão pública e as regras estabelecidas
no edital.
 Início da fase competitiva
◦ § 3º O licitante somente poderá oferecer valor inferior ou maior
percentual de desconto ao último lance por ele ofertado e registrado pelo
sistema, observado, quando houver, o intervalo mínimo de diferença de
valores ou de percentuais entre os lances, que incidirá tanto em relação
aos lances intermediários quanto em relação ao lance que cobrir a
melhor oferta.
◦ § 4º Não serão aceitos dois ou mais lances iguais e prevalecerá aquele
que for recebido e registrado primeiro.
◦ § 5º Durante a sessão pública, os licitantes serão informados, em
tempo real, do valor do menor lance registrado, vedada a identificação
do licitante.
 Modos de disputa
◦ Art. 31. Serão adotados para o envio de lances no pregão eletrônico os
seguintes modos de disputa:
◦ I - aberto - os licitantes apresentarão lances públicos e sucessivos, com
prorrogações, conforme o critério de julgamento adotado no edital; ou
◦ II - aberto e fechado - os licitantes apresentarão lances públicos e
sucessivos, com lance final e fechado, conforme o critério de julgamento
adotado no edital.
◦ Parágrafo único. No modo de disputa aberto, o edital preverá intervalo
mínimo de diferença de valores ou de percentuais entre os lances, que
incidirá tanto em relação aos lances intermediários quanto em relação ao
lance que cobrir a melhor oferta.
CAPÍTULO VIII
DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA E DO
ENVIO DE LANCES
 Modo de disputa aberto
◦ Art. 32. No modo de disputa aberto, de que trata o inciso I do caput do
art. 31, a etapa de envio de lances na sessão pública durará dez minutos
e, após isso, será prorrogada automaticamente pelo sistema quando
houver lance ofertado nos últimos dois minutos do período de duração
da sessão pública.
◦ § 1º A prorrogação automática da etapa de envio de lances, de que
trata o caput, será de dois minutos e ocorrerá sucessivamente sempre
que houver lances enviados nesse período de prorrogação, inclusive
quando se tratar de lances intermediários.
 Modo de disputa aberto
◦ § 2º Na hipótese de não haver novos lances na forma estabelecida no
caput e no § 1º, a sessão pública será encerrada automaticamente.
◦ § 3º Encerrada a sessão pública sem prorrogação automática pelo
sistema, nos termos do disposto no § 1º, o pregoeiro poderá,
assessorado pela equipe de apoio, admitir o reinício da etapa de envio
de lances, em prol da consecução do melhor preço disposto no
parágrafo único do art. 7º, mediante justificativa.
Considerações
 Modo de disputa aberto (Novidade)
◦ Trata-se de sistemática mais próxima à que atualmente se realizam os
pregões eletrônicos. Todavia, a alteração se dá quanto ao fechamento da
fase competitiva.
◦ O encerramento aleatório deixa de existir e dá lugar à “prorrogação
automática da etapa de lances”, que funcionará da seguinte maneira:
após a abertura do item colocado em disputa, a fase de lances terá
duração de dez minutos. Após esse período, o sistema encerrará a
competição caso seja nenhum lance seja apresentado dentro do
intervalo de 2 (dois) minutos.
◦ Em outras palavras, após os dez minutos, inicia-se uma contagem
regressiva de 2 minutos que será reiniciada a cada lance ofertado. Não
havendo qualquer nova oferta durante esse intervalo, o sistema
encerrará automaticamente a etapa de lances.
◦ Vale notar que o modo de disputa aberto assemelha-se ao utilizado pela
Bolsa Eletrônica de Compras do Estado de São Paulo – BEC.
CAPÍTULO VIII
DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA E DO
ENVIO DE LANCES
 Modo de disputa aberto e fechado
◦ Art. 33. No modo de disputa aberto e fechado, de que trata o inciso II
do caput do art. 31, a etapa de envio de lances da sessão pública terá
duração de quinze minutos.
◦ § 1º Encerrado o prazo previsto no caput, o sistema encaminhará o
aviso de fechamento iminente dos lances e, transcorrido o período de até
dez minutos, aleatoriamente determinado, a recepção de lances será
automaticamente encerrada.
◦ § 2º Encerrado o prazo de que trata o § 1º, o sistema abrirá a
oportunidade para que o autor da oferta de valor mais baixo e os autores
das ofertas com valores até dez por cento superiores àquela possam
ofertar um lance final e fechado em até cinco minutos, que será sigiloso
até o encerramento deste prazo.
 Modo de disputa aberto e fechado
◦ § 3º Na ausência de, no mínimo, três ofertas nas condições de que
trata o § 2º, os autores dos melhores lances subsequentes, na ordem de
classificação, até o máximo de três, poderão oferecer um lance final e
fechado em até cinco minutos, que será sigiloso até o encerramento do
prazo.
◦ § 4º Encerrados os prazos estabelecidos nos § 2º e § 3º, o sistema
ordenará os lances em ordem crescente de vantajosidade.
CAPÍTULO VIII
DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA E DO
ENVIO DE LANCES
 Modo de disputa aberto e fechado
◦ § 5º Na ausência de lance final e fechado classificado nos termos dos §
2º e § 3º, haverá o reinício da etapa fechada para que os demais
licitantes, até o máximo de três, na ordem de classificação, possam
ofertar um lance final e fechado em até cinco minutos, que será sigiloso
até o encerramento deste prazo, observado, após esta etapa, o disposto
no § 4º.
◦ § 6º Na hipótese de não haver licitante classificado na etapa de lance
fechado que atenda às exigências para habilitação, o pregoeiro poderá,
auxiliado pela equipe de apoio, mediante justificativa, admitir o reinício
da etapa fechada, nos termos do disposto no § 5º.

Considerações
 Modo de disputa aberto e fechado (Novidade)
◦ O modo de disputa aberto e fechado também eliminará o tão criticado
encerramento aleatório do decreto nº 5.450/05 e estabelece,
inicialmente, que a duração da etapa de lances em 15 (quinze) minutos.
◦ Encerrado esse prazo, a sessão entrará em fechamento iminente por um
período de até 10 (dez) minutos, que será aleatoriamente determinado.
◦ Ao término dessa etapa, o licitante que ofertou o melhor lance se junta a
todos os participantes cujas ofertas foram, no máximo, até 10% (dez por
cento) superiores, formando o grupo de licitantes que terá oportunidade
de oferecer uma proposta final fechada dentro do prazo de 5 (cinco)
minutos, que será sigilosa até o término desse período.
◦ Desse modo, após a etapa de lances (15 minutos) e o período de
fechamento iminente (até 10 minutos), o licitante mais bem classificado e
aqueles que ofertaram preços até 10% superiores, terão direito um
lance/proposta final, que será dado sem que ele conheça os valores dos
demais participantes.
CAPÍTULO VIII
DA ABERTURA DA SESSÃO PÚBLICA E DO
ENVIO DE LANCES
 Desconexão do sistema na etapa de lances
◦ Art. 34. Na hipótese de o sistema eletrônico desconectar para o
pregoeiro no decorrer da etapa de envio de lances da sessão pública e
permanecer acessível aos licitantes, os lances continuarão sendo
recebidos, sem prejuízo dos atos realizados.
◦ Art. 35. Quando a desconexão do sistema eletrônico para o pregoeiro
persistir por tempo superior a dez minutos, a sessão pública será
suspensa e reiniciada somente decorridas vinte e quatro horas após a
comunicação do fato aos participantes, no sítio eletrônico utilizado para
divulgação.
 Critérios de desempate
◦ Art. 36. Após a etapa de envio de lances, haverá a aplicação dos
critérios de desempate previstos nos art. 44 e art. 45 da Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, seguido da
aplicação do critério estabelecido no § 2º do art. 3º da Lei nº 8.666, de
1993, se não houver licitante que atenda à primeira hipótese.
◦ Art. 37. Os critérios de desempate serão aplicados nos termos do art.
36, caso não haja envio de lances após o início da fase competitiva.
◦ Parágrafo único. Na hipótese de persistir o empate, a proposta
vencedora será sorteada pelo sistema eletrônico dentre as propostas
empatadas.
 Critérios de desempate (Novidade)
◦ Deixa de existir a possibilidade de que o licitante vencedor seja escolhido
em razão do momento em que registrou a proposta no sistema.
◦ O inusitado critério era utilizado quando, por exemplo, as propostas
inicialmente registradas já se encontravam empatadas, ou no menor
valor possível, e nenhum lance era ofertado. Até então, o Comprasnet
considerava vencedora a proposta cadastrada em primeiro lugar. A rigor,
não há razão em privilegiar um licitante que cadastrou sua proposta no
1° dia em detrimento de outro que a cadastrou dentro do prazo legal de
divulgação do edital.
◦ Assim, a redação do novo decreto indica que, na persistência de empate,
o sistema realizará o sorteio eletrônico entre as propostas empatadas.
CAPÍTULO IX
DO JULGAMENTO
 Negociação da proposta
◦ Art. 38. Encerrada a etapa de envio de lances da sessão pública, o
pregoeiro deverá encaminhar, pelo sistema eletrônico, contraproposta ao
licitante que tenha apresentado o melhor preço, para que seja obtida
melhor proposta, vedada a negociação em condições diferentes das
previstas no edital.
◦ § 1º A negociação será realizada por meio do sistema e poderá ser
acompanhada pelos demais licitantes.
◦ § 2º O instrumento convocatório deverá estabelecer prazo de, no
mínimo, duas horas, contado da solicitação do pregoeiro no sistema,
para envio da proposta e, se necessário, dos documentos
complementares, adequada ao último lance ofertado após a negociação
de que trata o caput.
 Julgamento da proposta
◦ Art. 39. Encerrada a etapa de negociação de que trata o art. 38, o
pregoeiro examinará a proposta classificada em primeiro lugar quanto à
adequação ao objeto e à compatibilidade do preço em relação ao
máximo estipulado para contratação no edital, observado o disposto no
parágrafo único do art. 7º e no § 9º do art. 26, e verificará a habilitação
do licitante conforme disposições do edital, observado o disposto no
Capítulo X.
 Documentação obrigatória
◦ Art. 40. Para habilitação dos licitantes, será exigida, exclusivamente, a
documentação relativa:
 I - à habilitação jurídica;
 II - à qualificação técnica;
 III - à qualificação econômico-financeira;
 IV - à regularidade fiscal e trabalhista;
 V - à regularidade fiscal perante as Fazendas Públicas estaduais,
distrital e municipais, quando necessário; e
 VI - ao cumprimento do disposto no inciso XXXIII do caput do art. 7º
da Constituição e no inciso XVIII do caput do art. 78 da Lei nº 8.666,
de 1993.
◦ Parágrafo único. A documentação exigida para atender ao disposto nos
incisos I, III, IV e V do caput poderá ser substituída pelo registro
cadastral no Sicaf e em sistemas semelhantes mantidos pelos Estados,
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, quando a licitação for realizada
por esses entes federativos.
CAPÍTULO X
DA HABILITAÇÃO
 Documentação obrigatória
◦ Art. 41. Quando permitida a participação de empresas estrangeiras na
licitação, as exigências de habilitação serão atendidas mediante
documentos equivalentes, inicialmente apresentados com tradução livre.
◦ Parágrafo único. Na hipótese de o licitante vencedor ser estrangeiro,
para fins de assinatura do contrato ou da ata de registro de preços, os
documentos de que trata o caput serão traduzidos por tradutor
juramentado no País e apostilados nos termos do dispostos no Decreto
nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, ou de outro que venha a substituí-lo,
ou consularizados pelos respectivos consulados ou embaixadas.
 Empresas Estrangeiras – Art. 41 (Novidade)
◦ O art. 41 do texto do novo decreto torna explícito o entendimento de que,
quando permitida a participação de empresas estrangeiras no pregão
eletrônico, os documentos de habilitação poderão ser apresentados em
traduções livres.
◦ Somente para a assinatura do contrato, caso a sociedade empresária
seja estrangeira, é que será requerido que os documentos de habilitação
sejam autenticados pelos respectivos consulados ou embaixadas e
traduzidos por tradutor juramentado no Brasil.
CAPÍTULO X
DA HABILITAÇÃO
 Documentação obrigatória
◦ Art. 42. Quando permitida a participação de consórcio de empresas,
serão exigidas:
 I - a comprovação da existência de compromisso público ou particular
de constituição de consórcio, com indicação da empresa líder, que
atenderá às condições de liderança estabelecidas no edital e
representará as consorciadas perante a União;
 II - a apresentação da documentação de habilitação especificada no
edital por empresa consorciada;
 III - a comprovação da capacidade técnica do consórcio pelo
somatório dos quantitativos de cada empresa consorciada, na forma
estabelecida no edital;
 IV - a demonstração, por cada empresa consorciada, do atendimento
aos índices contábeis definidos no edital, para fins de qualificação
econômico-financeira;
 V - a responsabilidade solidária das empresas consorciadas pelas
obrigações do consórcio, nas etapas da licitação e durante a vigência
do contrato;
 VI - a obrigatoriedade de liderança por empresa brasileira no
consórcio formado por empresas brasileiras e estrangeiras,
observado o disposto no inciso I; e
 VII - a constituição e o registro do consórcio antes da celebração do
contrato.
 Parágrafo único. Fica vedada a participação de empresa
consorciada, na mesma licitação, por meio de mais de um consórcio
ou isoladamente.
CAPÍTULO X
DA HABILITAÇÃO
 Procedimentos de verificação
◦ Art. 43. A habilitação dos licitantes será verificada por meio do Sicaf,
nos documentos por ele abrangidos, quando os procedimentos
licitatórios forem realizados por órgãos ou entidades integrantes do Sisg
ou por aqueles que aderirem ao Sicaf.
◦ § 1º Os documentos exigidos para habilitação que não estejam
contemplados no Sicaf serão enviados nos termos do disposto no art. 26.
◦ § 2º Na hipótese de necessidade de envio de documentos
complementares após o julgamento da proposta, os documentos
deverão ser apresentados em formato digital, via sistema, no prazo
definido no edital, após solicitação do pregoeiro no sistema eletrônico,
observado o prazo disposto no § 2º do art. 38.
◦ § 3º A verificação pelo órgão ou entidade promotora do certame nos
sítios eletrônicos oficiais de órgãos e entidades emissores de certidões
constitui meio legal de prova, para fins de habilitação.
 Procedimentos de verificação
◦ § 4º Na hipótese de a proposta vencedora não for aceitável ou o
licitante não atender às exigências para habilitação, o pregoeiro
examinará a proposta subsequente e assim sucessivamente, na ordem
de classificação, até a apuração de uma proposta que atenda ao edital.
◦ § 5º Na hipótese de contratação de serviços comuns em que a
legislação ou o edital exija apresentação de planilha de composição de
preços, esta deverá ser encaminhada exclusivamente via sistema, no
prazo fixado no edital, com os respectivos valores readequados ao lance
vencedor.
◦ § 6º No pregão, na forma eletrônica, realizado para o sistema de
registro de preços, quando a proposta do licitante vencedor não atender
ao quantitativo total estimado para a contratação, poderá ser convocada
a quantidade de licitantes necessária para alcançar o total estimado,
respeitada a ordem de classificação, observado o preço da proposta
vencedora, precedida de posterior habilitação, nos termos do disposto no
Capítulo X.
CAPÍTULO X
DA HABILITAÇÃO
 Procedimentos de verificação
◦ § 7º A comprovação de regularidade fiscal e trabalhista das
microempresas e das empresas de pequeno porte será exigida nos
termos do disposto no art. 4º do Decreto nº 8.538, de 6 de outubro de
2015.
◦ § 8º Constatado o atendimento às exigências estabelecidas no edital, o
licitante será declarado vencedor.
 Intenção de recorrer e prazo para recurso
◦ Art. 44. Declarado o vencedor, qualquer licitante poderá, durante o
prazo concedido na sessão pública, de forma imediata, em campo
próprio do sistema, manifestar sua intenção de recorrer.
◦ § 1º As razões do recurso de que trata o caput deverão ser
apresentadas no prazo de três dias.
◦ § 2º Os demais licitantes ficarão intimados para, se desejarem,
apresentar suas contrarrazões, no prazo de três dias, contado da data
final do prazo do recorrente, assegurada vista imediata dos elementos
indispensáveis à defesa dos seus interesses.
◦ § 3º A ausência de manifestação imediata e motivada do licitante
quanto à intenção de recorrer, nos termos do disposto no caput,
importará na decadência desse direito, e o pregoeiro estará autorizado a
adjudicar o objeto ao licitante declarado vencedor.
◦ § 4º O acolhimento do recurso importará na invalidação apenas dos
atos que não podem ser aproveitados.

CAPÍTULO XII
DA ADJUDICAÇÃO E DA HOMOLOGAÇÃO
 Autoridade competente
◦ Art. 45. Decididos os recursos e constatada a regularidade dos atos
praticados, a autoridade competente adjudicará o objeto e homologará o
procedimento licitatório, nos termos do disposto no inciso V do caput do
art. 13.
 Pregoeiro
◦ Art. 46. Na ausência de recurso, caberá ao pregoeiro adjudicar o objeto
e encaminhar o processo devidamente instruído à autoridade superior e
propor a homologação, nos termos do disposto no inciso IX do caput do
art. 17.
CAPÍTULO XIII
DO SANEAMENTO DA PROPOSTA E DA HABILITAÇÃO
 Erros ou falhas
◦ Art. 47. O pregoeiro poderá, no julgamento da habilitação e das
propostas, sanar erros ou falhas que não alterem a substância das
propostas, dos documentos e sua validade jurídica, mediante decisão
fundamentada, registrada em ata e acessível aos licitantes, e lhes
atribuirá validade e eficácia para fins de habilitação e classificação,
observado o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.
◦ Parágrafo único. Na hipótese de necessidade de suspensão da sessão
pública para a realização de diligências, com vistas ao saneamento de
que trata o caput, a sessão pública somente poderá ser reiniciada
mediante aviso prévio no sistema com, no mínimo, vinte e quatro horas
de antecedência, e a ocorrência será registrada em ata.

CAPÍTULO XIV
DA CONTRATAÇÃO
 Assinatura do contrato ou da ata de registro de preços
◦ Art. 48. Após a homologação, o adjudicatário será convocado para
assinar o contrato ou a ata de registro de preços no prazo estabelecido
no edital.
◦ § 1º Na assinatura do contrato ou da ata de registro de preços, será
exigida a comprovação das condições de habilitação consignadas no
edital, que deverão ser mantidas pelo licitante durante a vigência do
contrato ou da ata de registro de preços.
◦ § 2º Na hipótese de o vencedor da licitação não comprovar as
condições de habilitação consignadas no edital ou se recusar a assinar o
contrato ou a ata de registro de preços, outro licitante poderá ser
convocado, respeitada a ordem de classificação, para, após a
comprovação dos requisitos para habilitação, analisada a proposta e
eventuais documentos complementares e, feita a negociação, assinar o
contrato ou a ata de registro de preços, sem prejuízo da aplicação das
sanções de que trata o art. 49.
◦ § 3º O prazo de validade das propostas será de sessenta dias,
permitida a fixação de prazo diverso no edital.
CAPÍTULO XV
DA SANÇÃO
 Impedimento de licitar e contratar
◦ Art. 49. Ficará impedido de licitar e de contratar com a União e será
descredenciado no Sicaf, pelo prazo de até cinco anos, sem prejuízo das
multas previstas em edital e no contrato e das demais cominações
legais, garantido o direito à ampla defesa, o licitante que, convocado
dentro do prazo de validade de sua proposta:
 I - não assinar o contrato ou a ata de registro de preços;
 II - não entregar a documentação exigida no edital;
 III - apresentar documentação falsa;
 IV - causar o atraso na execução do objeto;
 V - não mantiver a proposta;
 VI - falhar na execução do contrato;
 VII - fraudar a execução do contrato;
 VIII - comportar-se de modo inidôneo;
 IX - declarar informações falsas; e
 X - cometer fraude fiscal.

Considerações
 Impedimento de licitar e contratar (Comentário)
◦ Ao regulamentar o descredenciamento no Sicaf e o impedimento de
licitar e contratar com a União, a redação do novo decreto torna
expressa a previsão de que essas sanções também se aplicam aos
integrantes do cadastro de reserva formado a partir da realização de
pregão para o registro de preços, na hipótese em que forem convocados
e não honrarem, injustificadamente ou com justificativa não aceita pela
administração, o compromisso assumido.

CAPÍTULO XV
DA SANÇÃO
 Impedimento de licitar e contratar
◦ § 1º As sanções descritas no caput também se aplicam aos integrantes
do cadastro de reserva, em pregão para registro de preços que,
convocados, não honrarem o compromisso assumido sem justificativa ou
com justificativa recusada pela administração pública.
◦ § 2º As sanções serão registradas e publicadas no Sicaf.
CAPÍTULO XVI
DA REVOGAÇÃO E DA ANULAÇÃO
 Revogação e anulação
◦ Art. 50. A autoridade competente para homologar o procedimento
licitatório de que trata este Decreto poderá revogá-lo somente em razão
do interesse público, por motivo de fato superveniente devidamente
comprovado, pertinente e suficiente para justificar a revogação, e deverá
anulá-lo por ilegalidade, de ofício ou por provocação de qualquer pessoa,
por meio de ato escrito e fundamentado.
◦ Parágrafo único. Os licitantes não terão direito à indenização em
decorrência da anulação do procedimento licitatório, ressalvado o direito
do contratado de boa-fé ao ressarcimento dos encargos que tiver
suportado no cumprimento do contrato.
CAPÍTULO XVII
DO SISTEMA DE DISPENSA ELETRÔNICA
 Aplicação
◦ Art. 51. As unidades gestoras integrantes do Sisg adotarão o sistema
de dispensa eletrônica, nas seguintes hipóteses:
◦ I - contratação de serviços comuns de engenharia, nos termos do
disposto no inciso I do caput do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993;
◦ II - aquisição de bens e contratação de serviços comuns, nos termos do
disposto no inciso II do caput do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993; e
◦ III - aquisição de bens e contratação de serviços comuns, incluídos os
serviços comuns de engenharia, nos termos do disposto no inciso III e
seguintes do caput do art. 24 da Lei nº 8.666, de 1993, quando cabível.
◦ § 1º Ato do Secretário de Gestão da Secretaria Especial de
Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia
regulamentará o funcionamento do sistema de dispensa eletrônica.
◦ § 2º A obrigatoriedade da utilização do sistema de dispensa eletrônica
ocorrerá a partir da data de publicação do ato de que trata o § 1º.
◦ § 3º Fica vedada a utilização do sistema de dispensa eletrônica nas
hipóteses de que trata o art. 4º.
Considerações
 Comentários
◦ O texto do novo decreto alarga o alcance do antigo sistema de cotação
eletrônica, passando a contemplar a contratação direta, por dispensa de
licitação, de serviços comuns, incluindo os de engenharia. Surge, assim,
o sistema de dispensa eletrônica, cuja definição é apresentada no art. 3º,
inc. X: “ferramenta informatizada, integrante da plataforma do Siasg,
disponibilizada pelo Ministério da Economia, para a realização dos
processos de contratação direta de bens e serviços comuns, incluídos os
serviços comuns de engenharia”.
◦ Respeitadas as vedações descritas no art. 4º da minuta, a adoção do
sistema de cotação eletrônica para dispensas de valor, com fundamento
nos incisos I e II do art. 24 da Lei nº 8.666/1993 deixa de ser uma
faculdade (conforme atualmente descrito no art. 4º do Decreto nº
5.450/2005), passando a ser obrigatória aos órgãos e entidades do Sisg.
◦ Por fim, o novo decreto estende a possibilidade de utilização do sistema
de cotação eletrônica para além das hipóteses de dispensa de licitação
de valor, podendo ser utilizado, quando compatível, para a contratação
direta com fundamento em qualquer dos incisos do art. 24 da Lei nº
8.666/1993.
◦ Acredita-se que esta inovação será especialmente relevante para facilitar
a obtenção de propostas diante da necessidade de contratação direta
emergencial.
CAPÍTULO XVIII
DISPOSIÇÕES FINAIS
 Orientações gerais
◦ Art. 52. Ato do Secretário de Gestão da Secretaria Especial de
Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia
estabelecerá os prazos para implementação das regras decorrentes do
disposto neste Decreto quando se tratar de licitações realizadas com a
utilização de transferências de recursos da União de que trata o § 3º do
art. 1º.
◦ Art. 53. Os horários estabelecidos no edital, no aviso e durante a
sessão pública observarão o horário de Brasília, Distrito Federal,
inclusive para contagem de tempo e registro no sistema eletrônico e na
documentação relativa ao certame.
◦ Art. 54. Os participantes de licitação na modalidade de pregão, na
forma eletrônica, têm direito público subjetivo à fiel observância do
procedimento estabelecido neste Decreto e qualquer interessado poderá
acompanhar o seu desenvolvimento em tempo real, por meio da internet.
◦ Art. 55. Os entes federativos usuários dos sistemas de que trata o § 2º
do art. 5º poderão utilizar o Sicaf para fins habilitatórios.
 Orientações gerais
◦ Art. 56. A Secretaria de Gestão da Secretaria Especial de
Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia
poderá ceder o uso do seu sistema eletrônico a órgão ou entidade dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
mediante celebração de termo de acesso.
◦ Art. 57. As propostas que contenham a descrição do objeto, o valor e os
documentos complementares estarão disponíveis na internet, após a
homologação.
◦ Art. 58. Os arquivos e os registros digitais relativos ao processo
licitatório permanecerão à disposição dos órgãos de controle interno e
externo.
◦ Art. 59. A Secretaria de Gestão da Secretaria Especial de
Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia
poderá editar normas complementares ao disposto neste Decreto e
disponibilizar informações adicionais, em meio eletrônico.
CAPÍTULO XVIII
DISPOSIÇÕES FINAIS
 Revogação
◦ Art. 60. Ficam revogados:
 I - o Decreto nº 5.450, de 31 de maio de 2005; e
 II - o Decreto nº 5.504, de 5 de agosto de 2005.
 Vigência
◦ Art. 61. Este Decreto entra em vigor em 28 de outubro de 2019.
◦ § 1º Os editais publicados após a data de entrada em vigor deste
Decreto serão ajustados aos termos deste Decreto.
◦ § 2º As licitações cujos editais tenham sido publicados até 28 de
outubro de 2019 permanecem regidos pelo Decreto nº 5.450, de 2005.
Lei Complementar 123/06
 A Lei Complementar 123, de 14.12.2006, que institui o Estatuto Nacional da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, trouxe uma série de regalias
a essas espécies de empresas, privilégios esses, aplicáveis, inclusive, nos
procedimentos licitatórios, permitindo que essas empresas melhorem sua
competitividade na disputa por contratos administrativos.

Termos da Lei
 Art. 3°. Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se
microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a
sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n°
10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de
Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas jurídicas, conforme o
caso, desde que:
◦ I - no caso das microempresas, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela
equiparada, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior
a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais);
◦ II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada
ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e
sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões
e oitocentos mil reais).

Impedimentos
 § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto
nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei
Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica:
◦ I - de cujo capital participe outra pessoa jurídica;
◦ II - que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de
pessoa jurídica com sede no exterior;
◦ III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como
empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento
jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a
receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput
deste artigo;
◦ IV - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do
capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar,
desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso
II do caput deste artigo;
Condições
◦ V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra
pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global
ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo;
◦ VI - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo;
◦ VII - que participe do capital de outra pessoa jurídica;
◦ VIII - que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de
desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito,
financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de
distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de
arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de
previdência complementar;
◦ IX - resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de
desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5
(cinco) anos-calendário anteriores;
◦ X - constituída sob a forma de sociedade por ações.
◦ XI - cujos titulares ou sócios guardem, cumulativamente, com o
contratante do serviço, relação de pessoalidade, subordinação e
habitualidade.

Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional


◦ O artigo 3º, parágrafo 4º, da Lei Complementar 123/2006 traz previsão
expressa das pessoas jurídicas que estão excluídas dessa Lei. Como
exemplo, não pode se beneficiar do Simples Nacional a pessoa jurídica
de cujo capital participe outra pessoa jurídica ou mesmo aquela pessoa
jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica. É evidente que
existem outras situações impeditivas. Tais situações configuram uma
“vedação plena” ao Simples Nacional.
◦ Existe ainda as vedações “parciais” previstas no art. 17, da LC 123/2006,
que impedem apenas a apuração e recolhimento dos impostos e
contribuições na forma unificada e favorecida do Simples Nacional.
◦ A vedação plena diz respeito ao impedimento total de participar do
regime diferenciado e favorecido do Simples Nacional. A vedação parcial,
por outro lado, impede apenas as pessoas de recolherem os tributos e
contribuições na forma do Simples Nacional.
◦ O artigo 28, da LC 123/06, prevê que a exclusão poderá ocorrer de ofício
ou mediante comunicação das empresas optantes.
As Regalias
◦ A forma de aplicação da preferência nas aquisições de bens e serviços
pelos Poderes Públicos está detalhada nos arts. 42 ao 49 desta Lei
Complementar, que concede às microempresas e empresas de pequeno
porte os seguintes seis privilégios:
 Art. 42. Nas licitações públicas, a comprovação de regularidade fiscal
e trabalhista das microempresas e das empresas de pequeno porte
somente será exigida para efeito de assinatura do contrato.
 Art. 43. As microempresas e as empresas de pequeno porte, por
ocasião da participação em certames licitatórios, deverão apresentar
toda a documentação exigida para efeito de comprovação de
regularidade fiscal e trabalhista, mesmo que esta apresente alguma
restrição.
 Art. 44. Nas licitações será assegurada, como critério de desempate,
preferência de contratação para as microempresas e empresas de
pequeno porte.
 § 1º Entende-se por empate aquelas situações em que as propostas
apresentadas pelas microempresas e empresas de pequeno porte
sejam iguais ou até 10% (dez por cento) superiores à proposta mais
bem classificada.
 § 2º Na modalidade de pregão, o intervalo percentual estabelecido no
§ 1º deste artigo será de até 5% (cinco por cento) superior ao melhor
preço.
As Regalias
 Art. 45. Para efeito do disposto no art. 44 desta Lei Complementar,
ocorrendo o empate, proceder-se-á da seguinte forma:
 I - a microempresa ou empresa de pequeno porte mais bem
classificada poderá apresentar proposta de preço inferior àquela
considerada vencedora do certame, situação em que será
adjudicado em seu favor o objeto licitado;
 II - não ocorrendo a contratação da microempresa ou empresa de
pequeno porte, na forma do inciso I do caput deste artigo, serão
convocadas as remanescentes que porventura se enquadrem na
hipótese dos §§ 1º e 2º do art. 44 desta Lei Complementar, na
ordem classificatória, para o exercício do mesmo direito;
 III - no caso de equivalência dos valores apresentados pelas
microempresas e empresas de pequeno porte que se encontrem
nos intervalos estabelecidos nos §§ 1º e 2º do art. 44 desta Lei
Complementar, será realizado sorteio entre elas para que se
identifique aquela que primeiro poderá apresentar melhor oferta.
 § 1º Na hipótese da não-contratação nos termos previstos no caput
deste artigo, o objeto licitado será adjudicado em favor da proposta
originalmente vencedora do certame.
 § 2º O disposto neste artigo somente se aplicará quando a melhor
oferta inicial não tiver sido apresentada por microempresa ou
empresa de pequeno porte.
 § 3º No caso de pregão, a microempresa ou empresa de pequeno
porte mais bem classificada será convocada para apresentar nova
proposta no prazo máximo de 5 (cinco) minutos após o encerramento
dos lances, sob pena de preclusão.
 Art. 46. A microempresa e a empresa de pequeno porte titular de
direitos creditórios decorrentes de empenhos liquidados por órgãos e
entidades da União, Estados, Distrito Federal e Município não pagos
em até 30 (trinta) dias contados da data de liquidação poderão emitir
cédula de crédito micro empresarial.
As Regalias
 Art. 47. Nas contratações públicas da administração direta e
indireta, autárquica e fundacional, federal, estadual e municipal,
deverá ser concedido tratamento diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte objetivando a
promoção do desenvolvimento econômico e social no âmbito
municipal e regional, a ampliação da eficiência das políticas públicas
e o incentivo à inovação tecnológica.
 Parágrafo único. No que diz respeito às compras públicas,
enquanto não sobrevier legislação estadual, municipal ou
regulamento específico de cada órgão mais favorável à
microempresa e empresa de pequeno porte, aplica-se a legislação
federal.
 Art. 48. Para o cumprimento do disposto no art. 47 desta Lei
Complementar, a administração pública:
 I - deverá realizar processo licitatório destinado exclusivamente à
participação de microempresas e empresas de pequeno porte nos
itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80.000,00 (oitenta
mil reais);
 II - poderá, em relação aos processos licitatórios destinados à
aquisição de obras e serviços, exigir dos licitantes a
subcontratação de microempresa ou empresa de pequeno porte;
 III - deverá estabelecer, em certames para aquisição de bens de
natureza divisível, cota de até 25% (vinte e cinco por cento) do
objeto para a contratação de microempresas e empresas de
pequeno porte.

Impedimento as Regalias
 Art. 49. Não se aplica o disposto nos arts. 47 e 48 desta Lei
Complementar quando:
 II - não houver um mínimo de 3 (três) fornecedores competitivos
enquadrados como microempresas ou empresas de pequeno
porte sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir as
exigências estabelecidas no instrumento convocatório;
 III - o tratamento diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte não for vantajoso
para a administração pública ou representar prejuízo ao conjunto
ou complexo do objeto a ser contratado;
 IV - a licitação for dispensável ou inexigível, nos termos dos arts.
24 e 25 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, excetuando-se
as dispensas tratadas pelos incisos I e II do art. 24 da mesma Lei,
nas quais a compra deverá ser feita preferencialmente de
microempresas e empresas de pequeno porte, aplicando-se o
disposto no inciso I do art. 48. (Redação dada pela Lei
Complementar nº 147, de 2014)
Lei Complementar 147/2014, que altera a Lei Complementar 123/2006
◦ As licitações até R$ 80 mil passam, necessariamente a ser exclusivas
para as micro e pequenas empresas.
◦ Antes era uma opção do ente responsável pela licitação.
◦ Nas licitações de maior vulto de obras de engenharia e serviços de
qualquer natureza a subcontratação da micro e pequena empresa
permanece sendo facultativa, já nas licitações para aquisição de bens
divisíveis a subcontratação passa a ser obrigatória independentemente
de previsão expressa no edital da licitação.
◦ Art. 43. As microempresas e empresas de pequeno porte, por ocasião
da participação em certames licitatórios, deverão apresentar toda a
documentação exigida para efeito de comprovação de regularidade
fiscal, mesmo que esta apresente alguma restrição.
 § 1o Havendo alguma restrição na comprovação da regularidade
fiscal, será assegurado o prazo de 5 (cinco) dias úteis, cujo termo
inicial corresponderá ao momento em que o proponente for declarado
o vencedor do certame, prorrogável por igual período, a critério da
administração pública, para a regularização da documentação,
pagamento ou parcelamento do débito e emissão de eventuais
certidões negativas ou positivas com efeito de certidão negativa.
◦ Com as novas alterações introduzidas o tratamento favorecido nas
licitações deixa de ser facultativo e passa a ser obrigatório e o rol de
obrigados a adotar o tratamento favorecido nas licitações além da União,
Estados e Municípios passa a englobar a administração indireta
autárquica e fundacional das três esferas da federação.
◦ Recomenda ainda que nas dispensas fundadas nos artigos 24, incisos I
e II (compras de pequeno valor) as contratações sejam
preferencialmente feitas com as micro e pequenas empresas.
◦ A Lei Complementar 147 altera significativamente o quadro de vantagens
que haviam sido implementadas pela Lei Complementar 123, tornando o
processo de inserção e consolidação das micro e pequenas empresas
no mercado mais eficiente e garantido.
Regularidade Fiscal
◦ Deve estar atenta a empresa que pretenda participar de licitação nessa
condição, pois essa regalia não é aplicável para uma empresa que
deixou de apresentar um documento, mas apenas para aquela que
apresentou o documento indicando uma pendência. Também merece
cuidado, por parte da empresa que disputar o certame com
irregularidade fiscal, pois, se não conseguir apresentar a comprovação
de regularidade no prazo concedido, ela pode ser punida, como consta
do § 2° do art. 43 da Lei Complementar 123/06, cujo teor é o que segue:
 §2°. A não-regularização da documentação, no prazo previsto no § 1°
deste artigo, implicará decadência do direito à contratação, sem
prejuízo das sanções previstas no art. 81 da Lei 12° 8.666, de 21 de
junho de 1993, sendo facultado à Administração convocar os
licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para a
assinatura do contrato, ou revogar a licitação.

Critério de desempate
◦ A Lei Complementar 123/06 permite que as ME’s e EPP’s reduzam suas
propostas para valor inferior ao ofertado pelas demais empresas, quando
as ME’s e EPP’s estiverem, no caso das modalidades tradicionais, até
10% (dez por cento) acima do valor da mais bem classificada, ou, no
caso de pregão, até 5% (cinco por cento), variações percentuais nas
quais esta Lei considera como empatadas as propostas.
◦ Esse conceito de empate que, por óbvio, não é o mesmo da visão
matemática, é denominado empate ficto.
◦ Como afirma Santana:
 "A LC n° 123/06 criou uma ficção jurídica ao considerar empatadas
propostas cujos valores nominalmente não têm a mesma expressão
monetária".

Critério de desempate
◦ Pércio afirma:
 "De acordo com as novas regras, as microempresas e empresas de
pequeno porte, quando participarem de Licitações, serão
beneficiadas com a possibilidade de um empate fictício com o menor
preço/lance proposto por uma empresa média ou de grande porte“.
 Observe-se que a empresa favorecida pela regra deverá ser
chamada para oferecer um novo preço, mais baixo que o da empresa
grande ou média, após a fase de lance.
Licitações exclusivas
◦ Também está prevista, na legislação em apreço, a possibilidade de se
instaurar licitações destinadas a participação exclusiva de
microempresas e empresas de pequeno porre, quando o valor da
contratação for de até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).
◦ Essas condições estão previstas no art. 47 e detalhadas no inc. I do art.
48 da LC 123/06, cujas redações são as seguintes:
 Art. 47. Nas contratações públicas da administração direta e
indireta, autárquica e fundacional, federal, estadual e municipal,
deverá ser concedido tratamento diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte objetivando a
promoção do desenvolvimento econômico e social no âmbito
municipal e regional, a ampliação da eficiência das políticas públicas
e o incentivo à inovação tecnológica.
 Parágrafo único. No que diz respeito às compras públicas, enquanto
não sobrevier legislação estadual, municipal ou regulamento
específico de cada órgão mais favorável à microempresa e empresa
de pequeno porte, aplica-se a legislação federal.
 Art. 48. Para o cumprimento do disposto no art. 47 desta Lei
Complementar, a administração pública:
 I - deverá realizar processo licitatório destinado exclusivamente à
participação de microempresas e empresas de pequeno porte nos
itens de contratação cujo valor seja de até R$ 80.000,00 (oitenta
mil reais);
 II - poderá, em relação aos processos licitatórios destinados à
aquisição de obras e serviços, exigir dos licitantes a
subcontratação de microempresa ou empresa de pequeno porte;
 III - deverá estabelecer, em certames para aquisição de bens de
natureza divisível, cota de até 25% (vinte e cinco por cento) do
objeto para a contratação de microempresas e empresas de
pequeno porte.
Cota de Objeto Divisível para ME’s e EPP’s
◦ A participação das ME’s ou EPP’s, na parcela de 25% (vinte e cinco por
cento), não impede que essas empresas disputem, também, a outra
parcela de 75% (setenta e cinco por cento) do contrato. Essa condição
está prevista no inc. III do art. 48 da Lei Complementar 123/06 e
regulamentado pelo Decreto 6.204/07, no art. 8°, com a seguinte regra:
 Art. 8°. Nas licitações para a aquisição de bens, serviços e obras de
natureza divisível, e desde que não haja prejuízo para o conjunto ou
complexo do objeto, os órgãos e entidades contratantes poderão
reservar cota de até vinte e cinco por cento do objeto, para a
contratação de microempresas e empresas de pequeno porte.
 §1°. O disposto neste artigo não impede a contratação das
microempresas ou empresas de pequeno porte na totalidade do
objeto.
 §2°. O instrumento convocatório deverá prever que, não havendo
vencedor para a cota reservada, esta poderá ser adjudicada ao
vencedor da cota principal, ou, diante de sua recusa, aos licitantes
remanescentes, desde que pratiquem o preço do primeiro colocado.
 §3°. Se a mesma empresa vencer a cota reservada e a cota principal,
a contratação da cota reservada deverá ocorrer pelo preço da cota
principal, caso este tenha sido menor do que o obtido na cota
reservada.

Outras características
◦ Merece realce no Decreto 8.538/15, a obrigatoriedade de constar do
edital, expressamente, o tratamento diferenciado às microempresas e
empresas de pequeno porte, conforme determina o art. 11.
 Art. 11. Os critérios de tratamento diferenciado e simplificado para
as microempresas e empresas de pequeno porte deverão estar
expressamente previstos no instrumento convocatório.
 Art. 1º Nas contratações públicas de bens, serviços e obras, deverá ser
concedido tratamento favorecido, diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte, agricultor familiar, produtor
rural pessoa física, microempreendedor individual - MEI e sociedades
cooperativas de consumo, nos termos deste Decreto, com o objetivo de:
◦ I - promover o desenvolvimento econômico e social no âmbito local e
regional;
◦ II - ampliar a eficiência das políticas públicas; e
◦ III - incentivar a inovação tecnológica.
 § 1º Subordinam-se ao disposto neste Decreto, além dos órgãos da
administração pública federal direta, os fundos especiais, as autarquias, as
fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista
e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União.
Outras características
 § 2º Para efeitos deste Decreto, considera-se:
◦ I - âmbito local - limites geográficos do Município onde será executado o
objeto da contratação;
◦ II - âmbito regional - limites geográficos do Estado ou da região
metropolitana, que podem envolver mesorregiões ou microrregiões,
conforme definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -
IBGE; e
◦ III - microempresas e empresas de pequeno porte - os beneficiados
pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, nos termos
do inciso I do caput do art. 13.

Inaplicabilidade de Regalias
 Art. 49. Não se aplica o disposto nos arts. 47 e 48 desta Lei Complementar
quando:
◦ I - os critérios de tratamento diferenciado e simplificado para as
microempresas e empresas de pequeno porte não forem expressamente
previstos no instrumento convocatório;
◦ II - não houver um mínimo de 3 (três) fornecedores competitivos
enquadrados como microempresas ou empresas de pequeno porte
sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir as exigências
estabelecidas no instrumento convocatório;
◦ III - o tratamento diferenciado e simplificado para as microempresas e
empresas de pequeno porte não for vantajoso para a administração
pública ou representar prejuízo ao conjunto ou complexo do objeto a ser
contratado;
◦ IV - a licitação for dispensável ou inexigível, nos termos dos arts. 24 e 25
da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.
◦ IV - a licitação for dispensável ou inexigível, nos termos dos arts. 24 e 25
da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, excetuando-se as dispensas
tratadas pelos incisos I e II do art. 24 da mesma Lei, nas quais a compra
deverá ser feita preferencialmente de microempresas e empresas de
pequeno porte, aplicando-se o disposto no inciso I do art. 48. (Redação
dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)

Critérios de Desempate
◦ 10 % para licitações regidas pela lei 8.666 (outras modalidades);
◦ 5 % para licitações regidas pela lei 10.520(pregão);
◦ As propostas nos pregões ocorrem somente após o encerramentos dos
lances normais do pregão, abrindo a possibilidade das microempresas
poderem dar lances;
Exemplos 1 – Lei 8.666
◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 9.550,00
 3ª Proposta R$ 10.970,00
 4ª Proposta (ME) R$ 11.330,00
Obs: R$ 8.500,00 + 10 % = R$ 9.350,00

Resultado Final = 1ª Proposta Vencedora, a diferença é maior do que 10 %.

Exemplos 2 – Lei 8.666


◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 8.650,00
 3ª Proposta R$ 10.970,00
 4ª Proposta (ME) R$ 11.330,00
Obs: R$ 8.500,00 + 10 % = R$ 9.350,00;

A 2ª empresa pode cobrir a proposta do 1°, pois se encontra dentro dos 10


%;
Exemplos 3 – Lei 8.666
◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 8.650,00
 3ª Proposta R$ 8.970,00
 4ª Proposta (ME) R$ 9.130,00
Obs.: R$ 8.500,00 + 10 % = R$ 9.350,00;

A 2ª e a 4ª empresa pode cobrir a proposta do 1°, pois se encontram dentro


dos 10 %, a mais bem classificada tem a oportunidade de ofertar, se não
o fizer, a quarta pode ofertar.
Exemplos 1 – Pregão
◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 9.550,00
 3ª Proposta R$ 10.970,00
 4ª Proposta (ME) R$ 11.330,00
Obs.: R$ 8.500,00 + 5 % = R$ 8.925,00

Resultado Final = 1ª Proposta Vencedora, a diferença é maior do que 5 %.

Exemplos 2 – Pregão
◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 8.650,00
 3ª Proposta R$ 10.970,00
 4ª Proposta (ME) R$ 11.330,00
Obs.: R$ 8.500,00 + 5 % = R$ 8.925,00

A 2ª empresa pode cobrir a proposta do 1°, pois se encontra dentro dos 5 %;


Exemplos 3 – Pregão
◦ Abertura dos Envelopes de Proposta:
 1ª Proposta R$ 8.500,00
 2ª Proposta (ME) R$ 8.650,00
 3ª Proposta R$ 8.870,00
 4ª Proposta (ME) R$ 8.910,00
Obs.: R$ 8.500,00 + 5 % = R$ 8.925,00

A 2ª e a 4ª empresa pode cobrir a proposta do 1°, pois se encontram dentro


dos 10 %, a mais bem classificada tem a oportunidade de ofertar, se não
o fizer, a quarta pode ofertar.
Cuidados
◦ Nos Pregões Eletrônicos não sabemos quem é micro empresa ou não,
então sempre temos que ter em mente a diferença entre as propostas;
 Se quiser ter certeza da vitória, tem que dar lance de maior do que 5
%, assim tenho a garantia da vitória sem me submeter aos critérios
da LC 123;
 Se minha empresa está beneficiada pela LC 123, é ME ou EPP, e o
lance for menor que o meu, preocupo-me apenas em cobrir o lance
ou caso seja sabedor de que o concorrente não é beneficiado pela
LC 123, que o meu lance fique dentro dos 5 %;

Cuidados
◦ Nos Pregões Presenciais é mais fácil, sabemos se o nosso concorrente
é ME ou EPP;
 Se NÃO FOR ME OU EPP, e meu concorrente for, tenho que dar
lance acima de 5 %, para garantir a vitória;
 Se FOR ME OU EPP, e o ganhador não for, então tomo o cuidado de
meu lance sempre ficar dentro dos 5 % que a lei determina para
desempate técnico;

Lembrete
O desempate ocorre sempre após o término dos lances normais;
Estratégia de Atuação em Pregão
 Não é matemática financeira, é um conceito criado para facilitar o
entendimento de como atuar em pregão.

Conceitos Iniciais
 Preço com Lucro Zero
◦ Ao elaborar seu preço, a primeira missão é descobrir qual preço que não
traz nenhum lucro para a empresa e garantindo que também não traz
nenhum prejuízo;
◦ Este é o ponto de partida para elaboração da estratégia de atuação em
Licitação;
◦ Considerar como pagamento à vista, no momento da proposta, para que
possamos apropriar corretamente o custo financeiro do dinheiro nos
prazos médios praticados em Licitação.
 Margem de Contribuição
◦ Qual a contribuição esta venda vai trazer para empresa, podemos
considerar por produto, pela venda, o que vai trazer para nossa empresa
?
 Prazo do Pagamento:
◦ Qual o prazo de pagamento deste órgão, identificar por meio de
conversas com o setor financeiro do órgão e/ou pesquisas junto a
fornecedores, feedback empresarial.
 Custo do Dinheiro:
◦ Identificar se usaremos capital próprio ou recursos de terceiros, estamos
remunerando capital ou pagando juros de mercado, levar este custo para
uma planilha e ajustar os valores para criar o Preço Mínimo;
 Preço Mínimo:
◦ Levando em consideração o Preço com Lucro Zero, a Margem de
Contribuição, o Prazo de Pagamento e o Custo do Dinheiro
poderemos elaborar o preço Mínimo para Atuação em Pregão;
 Preço LC123:
◦ Preço em que começo a identificar a redução das chances de vitória;
 Preço de Mercado
◦ O Primeiro preço a ser ofertado, aquele em que consideramos a venda
ideal;
Atuação como Empresa Média ou Grande Empresa
 A Partir do Preço Mínimo(PM):
◦ Identificar os 5 % (diferença da Lei Complementar 123) que tornam
minha atuação mais arriscada;
◦ Exemplo:
 PM = R$ 1.000,00
 Preço LC123 = PM + 5 % = PM / 0,95 = R$ 1.052,63
◦ Estratégia:
 evitar o máximo possível baixar do LC123, fazendo que o meu seja o
último lance, identificando se o 2º lugar for uma ME ou EPP.
 Colocar uma diferença de 5 % + 1, ou seja, do preço da ME ou EPP:
 Preço ME ou EPP: 1.089,22
 Cálculo : 1.089,22 x 0,05 = 54,47 –> Preço Final = 1.089,22 –
54,47 – 0,01 = 1.034,74
 Diferença maior que 5 %: R$ 54,48
 Vitória Garantida da Média ou Grande Empresa

Atuação como ME ou EPP


 A Partir do Preço Mínimo(PM):
◦ Identificar os 5 % (diferença da Lei Complementar 123) que permitem a
minha empresa fazer a oferta vitoriosa, a cada lance tem que ser
calculado
◦ Exemplo:
 PM = R$ 1.000,00
 Preço LC123 = PM + 5 % = PM / 0,95 = R$ 1.052,63
◦ Estratégia:
 Identificado com quem estou concorrendo, lembrando que só levo
vantagem se o vencedor for uma empresa Média ou Grande;
 Perseguir, sem forçar o preço, em Pregão Eletrônico é tranquilo,
pois alguns já identificam quem é ME ou EPP, posso atuar livremente
e desacelerar as ofertas quando o preço baixar de Preço LC123;
 No Pregão presencial não é permitido lance intermediário, minha
atuação deve ser pautada pelos preços praticados no mercado e
quando baixar de Preço LC123, já devo programar minha parada
dos lances, lembrando, só funciona se estiver concorrendo com
empresas médias ou grandes;
Sistema de Registro de Preços
◦ Sistema de Registro de Preços (SRP) é o conjunto de procedimentos
adotados pela Administração para registro formal de preços relativos à
execução de serviços e fornecimento de bens.
◦ O SRP é uma ferramenta de Gestão Pública;
◦ Lei 8.666/93
 Art. 15 - As compras, sempre que possível, deverão:
 (...)
 II - ser processadas através de sistema de registro de preços;

Sistema de Registro de Preços


◦ Em relação às contratações convencionais, a principal diferença do
sistema de registro de preços reside no objeto da licitação. No sistema
convencional, a licitação destina-se a selecionar fornecedor e proposta
para contratação específica, efetivada pela Administração ao final do
procedimento. No registro de preços, a licitação direciona-se a selecionar
fornecedor e proposta para contratações não específicas, que poderão
ser realizadas, por repetidas vezes, durante certo período.
O Sistema de Registro de Preços
 Lei 8.666/93 – art. 15
◦ Registro precedido de ampla pesquisa de mercado;
◦ Os preços registrados serão publicados trimestralmente na imprensa
oficial.
◦ Regulamentado por decreto;
◦ Seleção feita mediante licitação;
◦ Estipulação prévia de controle e atualização dos preços registrados;
◦ Validade do registro não superior a um ano;
◦ A existência de preços registrados não obriga a administração a firmar as
contratações;
◦ Agilidade nas aquisições/contratações;
◦ Redução do número de licitações;
◦ Redução de custos;
◦ Inexistência de estoques;
◦ Redução de perdas com produtos perecíveis;
◦ Inexistência de desembolso financeiro para formação de estoques;
◦ Desnecessidade de espaços físicos para estocagem;
◦ Redução de operacionais e otimização das contratações;
◦ Economia de escala;
◦ Evita-se o fracionamento ilegal da despesa;
Nova Legislação
 Em 23 de Janeiro de 2013, foi publicado o Decreto nº 7.892 para
regulamentar o Sistema de Registro de Preços. Mas, antes de trazer as
alterações pela nova regulamentação, informa-se que o Decreto 3.931/01
que até então regulamentava a matéria, foi revogado com a publicação do
novo decreto.
 O Decreto 7.892/13 destaca a regulamentação da Utilização da Ata de
Registro de Preços(Caronas como são conhecidas) por Órgãos ou Entidades
Não Participantes, que já levaram a vários questionamentos pelo Tribunal de
Contas da União.
 O recém-publicado decreto federal nº 9.488/18 (31.08) provocará
importantes mudanças no Sistema de Registros de Preços, especialmente
quanto aos limites para adesão às atas de registro de preços, prazo para
manifestação de interesse (IRP) e a necessidade de realização de estudo
prévio para as denominadas “caronas”.

Nova Legislação
 A possibilidade de adesão a atas de registro de preços representa um dos
temas mais polêmicos em licitações e contratos administrativos. Apesar das
inúmeras vantagens decorrentes da boa utilização do instituto, a “carona”
recebe duras críticas de parte da doutrina e de órgãos de controle que
criticam seu uso sem o devido planejamento.
 Mudanças importantes:
◦ Restrições;
◦ Exigências e limites às adesões nas Atas de Registro de Preço;
◦ Necessidades de divulgações das intenções para registro de preços
(IRP) a ser procedida pelo órgão gerenciador.
◦ Com a mudança promovida pelo novo decreto, o §3º do art. 22 do
decreto nº 7.892/13 foi alterado e prevê a redução do limite individual de
100% (cem por cento) para 50% (cinquenta por cento).
Limite Global Anterior
 Com o objetivo de reverter cenário em que se constatava a acentuada
multiplicação dos quantitativos postos em disputa e registrados em ata, o
decreto nº 7.892/13 previu que o instrumento convocatório deverá prever
que o quantitativo decorrente das adesões à ata de registro de preços
não poderá exceder, na totalidade, ao quíntuplo do quantitativo de cada
item registrado na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e
órgãos participantes, independente do número de órgãos não
participantes que aderirem.
 Assim, apesar de não restringir o número de “caronas” permitidas, o
regulamento estabeleceu que a soma do quantitativo de todas as adesões
poderá atingir, no máximo, o quíntuplo da quantidade registrada em ata.
 Desse modo, considerando que o decreto nº 7.892/13 previa o quíntuplo do
quantitativo registrado como limite global, a soma do quantitativo de todas as
adesões

Limite Global Atual


 Com a alteração promovida pelo novo decreto, o §4º do art. 22 do decreto nº
7.892/13 foi alterado e para reduzir o limite global a apenas ao dobro do
quantitativo registrado a cada item.
 De acordo com a nova regulamentação, a soma o quantitativo de todas as
adesões não poderá ultrapassar, ao todo ao dobro da licitação original.
 A definição de Compras Nacionais é apresentada pelo próprio decreto nº
7.892/13, em seu art. 2º, VI: “compra ou contratação de bens e serviços, em
que o órgão gerenciador conduz os procedimentos para registro de preços
destinado à execução descentralizada de programa ou projeto federal,
mediante prévia indicação da demanda pelos entes federados beneficiados”.
 Para as Compras Nacionais, os limites individual e global não foram
alterados pelo o decreto nº 9.488/18, tornando-se explícitos no novo §4-A do
regulamento:
 Art. 4º-A Na hipótese de compra nacional:
◦ I – as aquisições ou as contratações adicionais não excederão, por
órgão ou entidade, a cem por cento dos quantitativos dos itens do
instrumento convocatório e registrados na ata de registro de preços para
o órgão gerenciador e para os órgãos participantes; e
◦ II – o instrumento convocatório da compra nacional preverá que o
quantitativo decorrente das adesões à ata de registro de preços não
excederá, na totalidade, ao quíntuplo do quantitativo de cada item
registrado na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e para
os órgãos participantes, independentemente do número de órgãos não
participantes que aderirem.
Necessidade de estudo prévio
 A regulamentação do SRP prevê que os órgãos e entidades não
participantes, que desejarem utilizar a ata de registro de preços, “deverão
consultar o órgão gerenciador da ata para manifestação sobre a
possibilidade de adesão”.
 Em complemento a essa previsão, o decreto nº 9.488/18, passou a
condicionar a referida manifestação do órgão gerenciador à realização, pelos
órgãos que desejarem pegar carona, de estudo “que demonstre o ganho de
eficiência, a viabilidade e a economicidade para a administração pública
federal da utilização da ata de registro de preços”.
 Caso aprovado, esse estudo deverá ser publicado no Portal de Compras do
Governo Federal.

Estudo prévio x Limite subjetivo


 O limite subjetivo estabelecido às adesões entre os entes da federação (art.
22, §§8º e 9º) define que os órgãos da administração pública federal não
podem aderir às atas gerenciadas por órgãos estaduais, distritais ou
municipais; e, por outro lado, que é permitido aos órgãos e entidades
estaduais, distritais e municipais adesão às atas de registro de preços
federais.
 O limite subjetivo fundamenta-se no alcance das publicações exigidas,
diferentes de acordo com o ente federativo que promove o certame, e que
ele não foi alterado pelo decreto nº 9.488/18.
 Quanto ao tema, o novo decreto apenas deixa claro que a condição referente
à realização de estudo prévio, que demonstre o ganho de eficiência, a
viabilidade e a economicidade, não se aplica aos pedidos de carona
realizados pelos estados, distrito federal e municípios.
 Em nossa visão, nada impediria que os demais entes federativos refletissem
a exigência em seus regulamentos. Ponderados os apuros e as
peculiaridades locais, consideramos que recomendável a extensão da
medida.

Intenção de Registro de Preços – IRP


 Como sabido, os órgãos gerenciadores devem utilizar o procedimento de
Intenção de Registro de Preços para oportunizar aos demais órgãos e
entidades a possibilidade de integrarem a ata de registro de preços na
condição de participantes.
 A novidade trazida pelo decreto nº 9.488/18 se dá na previsão de que a
Intenção de Registro de Preços-IRP deverá se manter aberta por, no mínimo,
8 (oito) dias uteis, contados de sua data de divulgação, para receber as
manifestações de interesse em participar do procedimento.
Limite Gerencial
 A utilização da ata de registro de preços por órgãos ou entidades não
participantes estará submetida a uma nova espécie de limitação direcionada,
especificamente, aos serviços de tecnologia da informação e comunicação.
 O novo §10 do decreto nº 7.892/13, acrescido pelo decreto nº 9.488/18,
restringe a possibilidade de contratação de serviços de tecnologia da
informação e comunicação, por meio de adesão, de acordo com o órgão
gerenciador da ata de registro de preços.
 Somente serão permitidas adesões às atas de serviços de tecnologia da
informação e comunicação se gerenciadas:
◦ I – pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; ou
◦ II – por outro órgão ou entidade e previamente aprovada pela Secretaria
de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ministério do
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.
 Vale notar que, de acordo com novo §11 do regulamento, o limite gerencial
não se aplica quando contratação de serviços estiver “vinculada ao
fornecimento de bens de tecnologia da informação e comunicação constante
da mesma ata de registro de preços”.

Regulamentação
 É desnecessária a comprovação orçamentária para a realização do
procedimento administrativo, no qual para as demais formas de contratação
são obrigatórias.
 O SRP impõe padronizações para a administração pública nos preços dos
produtos similares, permitindo troca de informações entre os órgãos com o
objetivo de evitar valores confusos dos produtos adquiridos nas mesmas
condições.
 Os diversos órgãos da Administração deverão trocar informações para evitar
a prática de preços conflitantes e variados para produtos similares. Isso
permitirá a detecção de distorções e imporá ao gestor de recursos públicos o
dever de recusar contratação por preços superiores aos adotados em outros
órgãos.
Competências do Gerenciador
 O Sistema de Registro de Preços deverá ter um órgão gerenciador, no qual a
prática de todos os atos de controle e administração é de sua inteira
responsabilidade.
 O art. 5º do Decreto 7.892/2013 relaciona as competências do Gerenciador:
◦ I - Registrar sua intenção de registro de preços no Portal de Compras do
Governo federal;
◦ II - consolidar informações relativas à estimativa individual e total de
consumo, promovendo a adequação dos respectivos termos de
referência ou projetos básicos encaminhados para atender aos requisitos
de padronização e racionalização;
◦ III - promover atos necessários à instrução processual para a realização
do procedimento licitatório;
◦ IV - realizar pesquisa de mercado para identificação do valor estimado
da licitação e consolidar os dados das pesquisas de mercado realizadas
pelos órgãos e entidades participantes;
◦ V - confirmar junto aos órgãos participantes a sua concordância com o
objeto a ser licitado, inclusive quanto aos quantitativos e termo de
referência ou projeto básico;
◦ VI - realizar o procedimento licitatório;
◦ VII - gerenciar a ata de registro de preços;
◦ VIII - conduzir eventuais renegociações dos preços registrados;
◦ IX - aplicar, garantida a ampla defesa e o contraditório, as penalidades
decorrentes de infrações no procedimento licitatório; e
◦ X - aplicar, garantida a ampla defesa e o contraditório, as penalidades
decorrentes do descumprimento do pactuado na ata de registro de
preços ou do descumprimento das obrigações contratuais, em relação às
suas próprias contratações.”
Peculiaridades
◦ São peculiaridades do sistema de registro de preços:
 não está a Administração obrigada a contratar o bem ou serviço
registrado. A contratação somente ocorre se houver interesse do
órgão/entidade;
 compromete-se o licitante a manter, durante o prazo de validade do
registro, o preço registrado e a disponibilidade do produto, nos
quantitativos máximos licitados;
 aperfeiçoa-se o fornecimento do objeto registrado por meio de
instrumento contratual (termo de contrato ou instrumento
equivalente);
 observados o prazo de validade do registro e os quantitativos
máximos previamente indicados na licitação, a Administração poderá
realizar tantas contratações quantas se fizerem necessárias;

Quando deve adotar o SRP


◦ Deve o SRP ser adotado preferencialmente quando:
 pelas características do bem ou serviço houver necessidade de
contratações freqüentes;
 pela natureza do objeto não for possível definir previamente o
quantitativo a ser demandado pela Administração;
 for mais conveniente a aquisição de bens com previsão de entregas
parceladas ou contratação de serviços necessários à Administração
para o desempenho das atribuições; e
 for vantajosa a aquisição de bens ou a contratação de serviços para
atendimento a mais de um órgão ou entidade ou a programas de
governo.

Carona no Registro de Preços


◦ O atual Decreto prevê o órgão participante, no qual a grande novidade é
que ele tem que registrar no SIASG a Intenção de Registro de Preço e
conforme art. 6º do Decreto 7.892/2013 no qual diz que; “será
responsável pela manifestação de interesse em participar do registro de
preços, providenciando o encaminhamento ao órgão gerenciador de sua
estimativa de consumo, local de entrega e, quando couber, cronograma
de contratação e respectivas especificações ou termo de referência ou
projeto básico.
◦ Para o registro de preços será incluído em ata todos os licitantes que
aceitarem cotar os bens ou serviços com preços iguais ao licitante
vencedor do certame, isto para formar cadastro de reserva em caso de
desistência do vencedor.
Carona no Registro de Preços
◦ Os caronas são admitidos, desde que devidamente justificada a
vantagem, vigente a ata de registro de preços e mediante anuência do
órgão gerenciador, permitindo o fornecedor beneficiário optar pela
aceitação ou não do fornecimento decorrente da adesão.
◦ Não poderá existir prejuízo para as obrigações presentes e futuras
decorrentes da ata, por ele assumidas com os órgãos gerenciadores e
participantes.
◦ Os caronas são admitidos, desde que devidamente justificada a
vantagem, vigente a ata de registro de preços e mediante anuência do
órgão gerenciador, permitindo o fornecedor beneficiário optar pela
aceitação ou não do fornecimento decorrente da adesão.
◦ Não poderá existir prejuízo para as obrigações presentes e futuras
decorrentes da ata, por ele assumidas com os órgãos gerenciadores e
participantes.

Novidades
 O órgão não participante que aderiu determinada ata de registro de preços
em efetivar a aquisição ou contratação em até noventa dias contados da
autorização do órgão gerenciador.
 Foi pacificado nos Tribunais de Contas e na doutrina especializada, está
ligado à vedação de adesão de uma ata de registro de preços realizada por
um órgão federal por um municipal, distrital ou estadual. Desta forma, tal
discussão saiu do campo jurisprudencial e doutrinário e agora está previsto
no novo regulamento.
 Desta forma, diante da nova regulamentação o "carona" se tornou mas
restrito quando compararmos com o decreto anterior, tendo em vista os
limites e exigências impostos pelo decreto de 2013.
Não é uma modalidade de licitação
◦ Deve ficar claro, de pronto, que sistema de registro de preços é um
regime de execução do contrato, não é uma modalidade de licitação.
◦ Barbosa chama bem atenção para isso:
 "O Sistema de Registro de Preços tem sido encarado, de forma
indevida, em muitas situações como sendo uma modalidade ou um
tipo de Licitação. Não é nem um, nem outro. É um sistema em que se
inclui uma Licitação, na modalidade Concorrência ou Pregão, e tipo
menor preço, em casos especiais tipo técnica e preço, com a
finalidade de registrar preços unitários para contratações futuras.
Observe-se que apesar de o Estatuto determinar a seleção através
da modalidade concorrência, a Lei 10.520/02, que instituiu a
modalidade de Licitação denominada Pregão, no art. II prevê a
utilização desta, quando as compras e contratações forem efetuadas
pelo Sistema de Registro de Preços".

Vinculação
◦ No SRP, O vencedor da licitação assina uma Ata de Registro de Preços,
que é um documento vinculativo, obrigacional, com característica de
compromisso para futura contratação, onde se registram os preços, os
fornecedores, os órgãos participantes e as condições a serem
praticadas, conforme as disposições contidas no instrumento
convocatório e nas propostas apresentadas.
◦ A ata de registro de preços não é o contrato administrativo, não garante
ao particular que ele irá fornecer ou prestar o serviço objeto do certame
licitatório, apenas cria obrigação para a empresa de aceitar o pedido, nas
condições lançadas naquele documento.

Vigência do Registro de Preços


◦ Durante a vigência da ata de registro de preços, havendo interesse da
Administração em adquirir algum item que esteja registrado naquele
documento, ela solicita à empresa que tem o preço registrado na ata,
que o forneça.
◦ Somente no momento da solicitação do objeto é que é firmado o efetivo
contrato entre as partes.
◦ A Administração não é obrigada a contratar do signatário da ata
nenhuma quantidade mínima e, se conseguir no mercado o mesmo
objeto por um preço menor do que o constante da ata, ela pode adquirir
o objeto por outra forma legalmente permitida de contratação. A empresa
de cujo preço está consignado na ata, só tem preferência na aquisição
no caso de preço igual, ou menor, do que o de mercado.
Contratação
◦ A oferta da proponente numa licitação configura uma proposta de
contratação.
◦ No sistema de registro de preços, a concorrente oferece a sua proposta
para uma promessa de contratação.
◦ A licitante que vencer o certame para esse sistema não é convocada
para firmar um contrato e já iniciar o fornecimento ou a prestação do
serviço.
◦ O dever da empresa é pactuar o registro de preços, formalizado em
documento chamado de Ata de Registro de Preços.

Vantagens
◦ Inúmeras são as vantagens para a Administração Pública na utilização
do sistema de registro de preços, como a possibilidade de fracionamento
das aquisições, a padronização dos preços, a redução de volume de
estoques a desnecessidade de dotação orçamentária, a redução dos
gastos e simplificação administrativa, a rapidez na contratação e
otimização dos gastos públicos, atualidade dos preços dentre outras.

Prazo de Validade
◦ A ata de registro de preços tem validade de, no máximo, 12 (doze)
meses. Isso significa que durante esse prazo a Administração pode
contratar com o particular, contratação essa que tem as condições,
inclusive de vigência, definidas no edital da licitação. Não há que
confundir o prazo de vigência da ata e o prazo de vigência do contrato
firmado com base nos preços registrados na ata. O primeiro (da ata) está
definido como sendo de, no máximo, 12 (doze) meses e o segundo (do
contrato) está disciplinado pelo art. 57 da Lei 8.666/93, podendo chegar
até aos 60 (sessenta) meses, em alguns casos.

Barbosa afirma:
◦ As contratações decorrentes de uma Ata de Registro de Preços somente
serão válidas se realizadas dentro do prazo de vigência desta. Todavia a
execução desses contratos poderá se estender além da vigência
daquela Ata e, por sua vez obedecerão a todo disciplinamento previsto
em lei para a execução contratual, inclusive quanto à prorrogação dos
mesmos.
◦ O Sistema de Registro de Preços é um meio para se chegar à
contratação; os contratos dele decorrentes não são pautados por regras
especiais, estão submetidos aos ditames e regras gerais estabelecidos
para as contratações da Administração Pública.
Adesão a ATA de Registro de Preços
 Como inovação, o Decreto 7.892/2013 trouxe em seu art. 2º, inciso V a
definição para órgão não participante (carona), in verbis:
◦ Art. 2º Para os efeitos deste Decreto, são adotadas as seguintes
definições:
◦ (...)
◦ V - órgão não participante - órgão ou entidade da administração pública
que, não tendo participado dos procedimentos iniciais da licitação,
atendidos os requisitos desta norma, faz adesão à ata de registro de
preços.

Limites ao Carona
◦ O Decreto 7.892/2013 tratou de regulamentar o limite para adesão à ata
por órgãos ou entidades não participantes (carona), fixando no seu art.
22, § 4º como limite o quíntuplo do quantitativo de cada item registrado
na ata de registro de preços, senão vejamos:
 Art. 22. Desde que devidamente justificada a vantagem, a ata de
registro de preços, durante sua vigência, poderá ser utilizada por
qualquer órgão ou entidade da administração pública federal que não
tenha participado do certame licitatório, mediante anuência do órgão
gerenciador.
 § 4º O instrumento convocatório deverá prever que o quantitativo
decorrente das adesões à ata de registro de preços não poderá
exceder, na totalidade, ao dobro do quantitativo de cada item
registrado na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e
órgãos participantes, independente do número de órgãos não
participantes que aderirem.

Deliberação do TCU
◦ O TCU respondeu ao interessado que, no caso de eventual prorrogação
da ata de registro de preços, dentro do prazo de vigência não superior a
um ano, não se restabelecem os quantitativos inicialmente fixados na
licitação, sob pena de se infringirem os princípios que regem o
procedimento licitatório, indicados no art. 3º da Lei nº 8.666/1993. O
prazo de vigência da ata de registro de preços não poderá ser superior a
um ano, admitindo-se prorrogações, desde que ocorram dentro desse
prazo. Acórdão 991/2009 Plenário (Sumário)
REGIME DIFERENCIADO DE CONTRATAÇÃO

Aspectos constitucionais e legais


◦ O art. 3º da Lei do RDC também explicitou o princípio: “Art. 3º As
licitações e contratações realizadas em conformidade com o RDC
deverão observar os princípios da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da igualdade, da publicidade, da eficiência, da probidade
administrativa, da economicidade, do desenvolvimento nacional
sustentável, da vinculação ao instrumento convocatório e do julgamento
objetivo.”

Considerações Iniciais sobre o RDC


 Com base nesses dispositivos, foram elaboradas as seguintes normas de
âmbito nacional:
◦ Lei 8.666/1993 – que institui normas para licitações e contratos da
Administração Pública;
◦ Lei 10.520/2002 – que institui no âmbito da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, a modalidade de licitação denominada pregão;
◦ Lei 12.232/2010 – que dispõe sobre as normas gerais para licitação e
contratação pela administração pública de serviços de publicidade
prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras
providências.
Objeto do Regime Especial
 O regime especial será aplicável a licitações e contratos:
I – dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, constantes da Carteira
de Projetos Olímpicos a ser definida pela Autoridade Pública Olímpica
(APO); e
II – da Copa das Confederações da Federação Internacional de Futebol
Associação – Fifa 2013 e da Copa do Mundo Fifa 2014, definidos pelo
Grupo Executivo – Gecopa 2014 do Comitê Gestor instituído para definir,
aprovar e supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações
do Governo Brasileiro para a realização da Copa do Mundo Fifa 2014 –
CGCOPA 2014, restringindo-se, no caso de obras públicas, às constantes
da matriz de responsabilidades celebrada entre a União, Estados, Distrito
Federal e Municípios;
III – de obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os
aero-portos das capitais dos Estados da Federação distantes até 350 km
(trezentos e cinquenta quilômetros) das cidades sedes dos mundiais
referidos nos incisos I e II.IV – das ações integrantes do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC)
V – das obras e serviços de engenharia no âmbito do Sistema Único de
Saúde – SUS.
VI – das obras e serviços de engenharia para construção, ampliação e
re-forma de estabelecimentos penais e unidades de atendimento
socioeducativo. [...][...]
§ 3º Além das hipóteses previstas no caput, o RDC também é aplicável às
licitações e contratos necessários à realização de obras e serviços de
engenharia no âmbito dos sistemas públicos de ensino.

Abrangência
 Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, constantes da Carteira de
Projetos a ser definida pela AP (art. 1o, I, LRDC)
 Copa das Confederações e Copa do Mundo – no caso de obras e serviços
de engenharia, ações da Matriz de Responsabilidades (art. 1o, II, LRDC)
 de obras de infraestrutura e de contratação de serviços para os aeroportos
das capitais distantes até 350 km das cidades sedes (art. 1o, III, LRDC)
 ações integrantes do PAC (art. 1o, IV, LRDC)
 obras e serviços de engenharia no SUS (art. 1o, IV, LRDC)
 realização de obras e serviços de engenharia no âmbito dos sistemas
públicos de ensino (art. 1o, § 3o)
 obras e serviços no âmbito do Programa Nacional de Dragagem Portuária e
Hidroviária II (MP n. 595/2012, art. 47, § 4º)
 modernização, construção, ampliação ou reforma de aeródromos públicos
(Art. 63-A, acrescido pela MP n. 600/2012)
Abrangência
 A adoção do regime diferenciado é opcional e, quando adotada, deverá
constar de forma expressa do instrumento convocatório e resultará no
afastamento das normas contidas na Lei 8.666/1993, exceto nos casos
expressamente previstos no diploma do regime especial. Assim, ao contrário
do que ocorre com a modalidade pregão, a Lei 8.666/1993 não terá
aplicação subsidiária ao novo regime.

Princípios e Diretrizes Aplicáveis


 São aplicáveis ao regime diferenciado as seguintes diretrizes, as quais se
diferenciam dos princípios por possuírem maior densidade normativa:
◦ I - Padronização do objeto da contratação, relativamente às
especificações técnicas e de desempenho, incluindo, quando for o caso,
as condições de manutenção, assistência técnica e de garantia
oferecidas;
◦ II – padronização de instrumentos convocatórios e minutas de contratos,
previamente aprovados pelo órgão jurídico competente;
◦ III – busca da maior vantagem para a administração, considerando
custos e benefícios, diretos e indiretos, de natureza econômica, social ou
ambiental, inclusive os relativos à manutenção, desfazimento de bens e
resíduos, índice de depreciação econômica e outros fatores de igual
relevância;
◦ IV – condições de aquisição e de pagamento compatíveis com as do
setor privado, inclusive mediante pagamento de remuneração variável
conforme desempenho;
◦ V - utilização, sempre que for possível, de mão de obra, materiais,
tecnologias e matérias primas existentes no local da execução;
◦ VI – parcelamento do objeto, visando à ampla participação de licitantes,
sem perda de economia de escala.

Publicação (art. 15 da Lei)


 A publicidade do procedimento deverá ocorrer nos seguintes termos:
◦ Publicação do extrato do edital no Diário Oficial da União, do Estado, do
Distrito Federal ou do Município, ou do ente de maior nível entre eles,
quando objeto de consórcio público, sem prejuízo da possibilidade de
publicação em jornal diário de grande circulação; e
◦ Divulgação do edital em sítio eletrônico oficial centralizado de divulgação
de licitações ou mantido pelo ente encarregado do procedimento
licitatório junto à rede mundial de computadores.
Fases do Regime Diferenciado (art. 12 da Lei)
 O procedimento de licitação deverá ser preferencialmente eletrônico e
observar as seguintes fases principais, nesta ordem:
◦ I–preparatória;
◦ II–publicação;
◦ III–apresentação das propostas ou lances;
◦ IV–julgamento;
◦ V–habilitação; e
◦ VI–recursos.

Modalidade Aberta
 Procedimento: apresentação de propostas antes da habilitação, com
possibilidade de inversão de fases (art. 12, LRDC)
 Orçamento: divulgação postergada, com possibilidade de constar do ato
convocatório (art. 6º LRDC e Acórdãos n. 3031/2012 e 306/2013 TCU)
 Modos de disputa (art. 16)
◦ Aberto
◦ Fechado
◦ Combinado – aberto/fechado e fechado/aberto
 Lances intermediários (art. 17, LRDC)
 Critério de julgamento
◦ Maior desconto (art. 19, LRDC)
◦ Técnica e Preço (art. 20, LRDC)
 Diferentes metodologias
 Contratação integrada (art. 9º LRDC)
 Negociação (art. 26, LRDC)
Apresentação das propostas ou lances
 De acordo com o art. 23 do Decreto 7.581/2011, os modos de disputa
poderão ser combinados da seguinte forma:
◦ iniciando-se pelo modo disputa fechado, com a classificação para a
etapa subsequente das três melhores propostas e o início da disputa
aberta com a apresentação de lances sucessivos; ou
◦ iniciando-se pelo modo disputa aberto, quando os licitantes que
apresentarem as três melhores propostas oferecerão propostas finais,
fechadas.
◦ Em princípio, não se pode afirmar qual modo de disputa é mais eficiente
para ampliar a competitividade do certame.
◦ A experiência da apresentação de lances no modo de disputa aberto
vem apresentado bons resultados na modalidade pregão, no sentido de
serem propiciadas ofertas mais vantajosas para a Administração.
◦ Assim, é positiva a possibilidade de o gestor adotar esse procedimento,
podendo combiná-lo ou não com a apresentação de propostas fechadas.
 O §1º do art. 17 da Lei permite a apresentação de lances intermediários,
assim definidos:
◦ I - iguais ou inferiores ao maior já ofertado, mas superiores ao último
lance dado pelo próprio licitante, quando adotado o julgamento pelo
critério da maior oferta; ou
◦ II-iguais ou superiores ao menor já ofertado, mas inferiores ao último
lance dado pelo próprio licitante, quando adotados os demais critérios de
julgamento.

Modalidades
RDC – Regime Diferenciado de Contratação
 Características:
◦ Propostas escritas e lances verbais ou eletrônicos;
◦ Habilitação posterior;
◦ Publicação em Diário Oficial e Internet;
◦ Prazos variáveis, conforme a especificação do objeto;
◦ Base legal:
◦ Lei 12.462/11;
Modalidades
RDC – Regime Diferenciado de Contratação
 Art. 15. Será dada ampla publicidade aos procedimentos licitatórios e de
pré-qualificação disciplinados por esta Lei, ressalvadas as hipóteses de
informações cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado, devendo ser adotados os seguintes prazos mínimos para
apresentação de propostas, contados a partir da data de publicação do
instrumento convocatório:
◦ I - para aquisição de bens:
 a) 5 (cinco) dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento
pelo menor preço ou pelo maior desconto; e
 b) 10 (dez) dias úteis, nas hipóteses não abrangidas pela alínea a
deste inciso;
◦ II - para a contratação de serviços e obras:
 a) 15 (quinze) dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento
pelo menor preço ou pelo maior desconto; e
 b) 30 (trinta) dias úteis, nas hipóteses não abrangidas pela alínea a
deste inciso;

Critérios de Julgamento (art. 18 a 23 da Lei)


De acordo com as características do objeto da licitação, poderão ser utilizados os
seguintes critérios de julgamento:
 Menor preço ou maior desconto, os quais poderão considerar os custos
indiretos, relacionados com as despesas de manutenção, utilização,
reposição, depreciação e impacto ambiental, dentre outros fatores, para a
definição do menor dispêndio;
 Melhor combinação de técnica e preço, sendo permitida a atribuição de
fatores de ponderação distintos para valorar as propostas técnicas e de
preço, não devendo o percentual de ponderação mais relevante ser superior
a 70%;
 Melhor técnica ou conteúdo artístico, quando, fixado o orçamento por parte
da Administração, serão consideradas exclusivamente as propostas técnicas
ou artísticas apresentadas pelos licitantes com base em critérios objetivos
previamente estabelecidos no instrumento convocatório;
 Maior oferta, a ser utilizado no caso de contratos que gerem receita para a
administração pública; ou
 Maior retorno econômico, de forma a selecionar a proposta que
proporcionará maior economia decorrente da execução do contrato para a
administração pública e será utilizado exclusivamente para a celebração de
contratos de eficiência.
Critérios de Julgamento
 Quando a proposta do primeiro classificado estiver acima do orçamento
estimado, a comissão de licitação poderá negociar com o licitante condições
mais vantajosas.
 A negociação poderá ser feita com os demais licitantes, segundo a ordem de
classificação inicialmente estabelecida, quando o preço do primeiro
colocado, mesmo após a negociação, for desclassificado por permanecer
acima do orçamento estimado. (art. 26 da Lei e 43 do Decreto).
 O orçamento efetuado pela Administração para a estipulação do limite a ser
aceito somente deverá ser divulgado após a adjudicação do objeto da
licitação.(art. 6º da Lei e art. 9º do Decreto).
 Esse dispositivo, entretanto, entra em aparente contradição com a aquele
referenciado anteriormente e que permite a renegociação da proposta
quando ela estiver acima do valor estimado pela Administração.
 Ora, se vai haver negociação para que o licitante ajuste sua proposta ao
valor orçado, é natural supor que ele deva saber o valor dessa proposta, de
forma que, nessa hipótese, o orçamento deveria ser revelado antes da
adjudicação do objeto.
 Quanto à divulgação do orçamento, o RDC adota procedimento diverso
daquele ocorrente nas contratações mediante a modalidade pregão, quando
a divulgação ou não do orçamento antes de finalizado o certame é matéria a
ser disposta no edital, ou mediante a Lei 8.666/1993, que prevê o orçamento
como anexo ao edital.
 A ausência de orçamento como anexo ao edital deve ocorrer sem prejuízo da
divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações
necessárias para que os licitantes elaborem suas propostas.
 Assim, quando da contratação de obras e serviços cujos custos unitários,
ainda que parcialmente, constam dos sistemas oficiais de referência, o sigilo
restará mitigado.
 Com a divulgação do orçamento ao final do certame, busca-se evitar que as
propostas gravitem em torno do orçamento fixado pela Administração,
ampliando-se a competitividade do certame e propiciando-se melhores
propostas para a Administração.
Habilitação
 Quando da aquisição de bens, poderá ser solicitada (art. 7º da Lei):
◦ Certificação da qualidade do produto ou do processo de fabricação,
inclusive sob o aspecto ambiental, por qualquer instituição oficial
competente ou por entidade credenciada;
◦ Desde que justificada, carta de solidariedade emitida pelo fabricante, que
assegure a execução do contrato, no caso de licitante revendedor ou
distribuidor;
◦ Amostra do bem no procedimento de pré-qualificação, na fase de
julgamento das propostas ou de lances, desde que justificada a
necessidade da sua apresentação.
 Desde que formalmente justificada, a marca ou modelo do produto poderá
ser indicada nas seguintes hipóteses:
a) em decorrência da necessidade de padronização;
b) Quando for a única capaz de atender às necessidades da entidade
contratante; ou
c) Quando a descrição do objeto a ser licitado puder ser melhor
compreendida pela identificação de determinada marca ou modelo aptos a
servir como referência, situação em que será obrigatório o acréscimo da
expressão “ou similar ou de melhor qualidade”.
Fase Recursal
 Nos termos do art. 45 da Lei, dos atos da administração pública decorrentes
da aplicação do RDC caberão:
I - pedidos de esclarecimento e impugnações ao instrumento convocatório
no prazo mínimo de:
 até dois dias úteis antes da data de abertura das propostas, no
caso de licitação para aquisição ou alienação de bens; ou
 b) até cinco dias úteis antes da data de abertura das propostas,
no caso de licitação para contratação de obras ou serviços;
II – recursos em face:
 Do ato que defira ou indefira pedido de pré-qualificação;
 Do ato de habilitação ou inabilitação de licitante;
 Do julgamento das propostas;
 Da anulação ou revogação da licitação;
 Do indeferimento do pedido de inscrição em registro cadastral,
sua alteração ou cancelamento;
 Da rescisão do contrato;
 Da aplicação das penas de advertência, multa, declaração de
inidoneidade, suspensão temporária de participação em
licitação e impedimento de contratar com a administração
pública.
III - representações, no prazo de cinco dias úteis contados a partir da data
da intimação, relativamente a atos de que não caiba recurso hierárquico.

Fase Recursal

 Salvo no caso de inversão de fases, o procedimento licitatório terá uma fase


recursal única, que se seguirá à habilitação do licitante vencedor. (art. 27 da
Lei).
 Na fase recursal serão analisados os recursos referentes ao julgamento das
propostas ou lances e à habilitação do licitante vencedor. (art. 45 da Lei).

Fase Recursal
 Os licitantes que desejarem recorrer em face dos atos do julgamento da
proposta ou da habilitação deverão manifestar imediatamente, após o
término de cada sessão, a sua intenção de recorrer, sob pena de preclusão.
 Nas licitações sob a forma eletrônica, a manifestação deve ser efetivada em
campo próprio do sistema, sob pena de preclusão.(art. 4, §1º da Lei e art. 53
do Decreto).
Fase Recursal
 As razões dos recursos deverão ser apresentadas no prazo de cinco dias
úteis contado a partir da data da intimação ou da lavratura da ata, conforme
o caso.
 O prazo para apresentação de contrarrazões será de cinco dias úteis e
começará imediatamente após o encerramento do prazo tratado
anteriormente. (art. 54 do Decreto).
 Prevista a possibilidade de estabelecimento de remuneração variável
vinculada ao desempenho da contratada, ao valor a ser pago e ao benefício
a ser gerado para a administração pública.
 Assim, por exemplo, uma empresa que adiante a execução das obras em
relação ao cronograma contratado poderá ser premiada com vantagens
financeiras.
 O valor da remuneração variável deverá ser proporcional ao benefício a ser
gerado para a administração pública.
 Eventuais ganhos provenientes de ações da administração pública não serão
considerados no cômputo do desempenho do contratado.
 Segundo o art. 70 do Decreto, a utilização da remuneração variável deverá
ser motivada quanto:
I – aos parâmetros escolhidos para aferir o desempenho do contratado;
II – ao valor a ser pago; e
III – ao benefício a ser gerado para a administração pública.
 Imprescindível, pois, a elaboração de anteprojetos ou projetos
básicos/executivos adequados, de modo a que os parâmetros de eficiência
observem a prática efetiva do mercado.
 Caso contrário, poder-se-ia desvirtuar o instituto em razão de falsos sinais de
eficiência, pois parâmetros por demais elastecidos provocariam dispêndios
adicionais para a Administração.
 Na utilização da remuneração variável, deverá ser respeitado o limite
orçamentário fixado pela administração pública para a contratação.
 Embora, salutar esse regramento, verifica-se que o instituto terá sua
aplicação limitada quando a proposta vencedora for de valor próximo àquele
limite fixado pela Administração, pois haverá pouca margem para a variação
da proposta inicial.
Contratação Simultânea do mesmo Objeto
 Possibilidade de contratação de mais de uma empresa ou instituição para
executar o mesmo objeto, quando houver a possibilidade de execução de
forma concorrente e simultânea por mais de um contratado.
 Exemplo disso seria a contratação demais de uma empresa de serviços de
telefonia de longa distância, de modo a permitir a utilização do serviço mais
vantajoso em determinada data/horário.

Contrato de Eficiência
 Terá por objeto a prestação de serviços, que pode incluir a realização de
obras e o fornecimento de bens, com o objetivo de proporcionar economia ao
contratante, na forma de redução de despesas correntes, sendo o contratado
remunerado com base em percentual da economia gerada. (art. 23 da Lei).
 Trata-se de contrato de risco em que o contratado assume a
responsabilidade pela redução de determinada despesa corrente da
Administração como, por exemplo, energia elétrica.
 O instrumento convocatório deverá prever parâmetros objetivos de
mensuração da economia gerada com a execução do contrato, que servirá
de base de cálculo da remuneração devida ao contratado.
 Para efeito de julgamento da proposta, o retorno econômico é o resultado da
economia que se estima gerar com a execução da proposta de trabalho,
deduzida a proposta de preço. (§§3º e 4º do art. 36 do Decreto).
 Nesse tipo de contrato, os licitantes apresentarão (art. 37 do Decreto):
I – proposta de trabalho, que deverá contemplar:
a) as obras, serviços ou bens, com respectivos prazos de realização
ou fornecimento; e
b) A economia que se estima gerar;
II - proposta de preço, que corresponderá a um percentual sobre a
economia que se estima gerar durante determinado período, expressa em
unidade monetária.
 Em não ocorrendo a economia prevista, a contratada poderá sofrer as
seguintes consequências (§ 3º do art. 23 da Lei):
◦ I – a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida será
descontada da remuneração da contratada; e
◦ II – se a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida
for superior à remuneração da contratada, será aplicada multa por
inexecução contratual no valor da diferença.
Limites de Alteração do Objeto Contratual
 Aplicam-se os limites previstos nos §§1º e 2º do art. 65 da Lei 8.666/1993.
Desta feita, os contratos não poderão sofrer acréscimos e/ou supressões
contratuais superiores a 25% ( nos casos gerais ) ou 50% ( nos casos de
reforma de edifícios ou equipamentos).
 Não se afasta contudo a possibilidade de que fatos imprevisíveis e
supervenientes, de acordo com os princípios da proporcionalidade e
razoabilidade, justifiquem a extrapolação do limite legal, consoante a
jurisprudência do TCU ( v.g. Decisão 215/1999 - Plenário).

Desistência por parte do Licitante Vencedor ( art. 40 da Lei)


 Quando o convocado não assinar o termo de contrato ou não aceitar ou
retirar o instrumento equivalente no prazo e condições estabelecidos, a
Administração poderá:
• Revogar a licitação; ou
• Convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação,
obedecidas as condições ofertadas pelo vencedor.
 Na hipótese de restar infrutífera a convocação dos licitantes
remanescentes pelo preço do vencedor, há a possibilidade de convocação
dos demais licitantes, pela ordem de classificação, nas condições por eles
ofertadas.
 Essa possibilidade difere do procedimento previsto no art. 64, §2º, da Lei
8.666/1993, quando os demais classificados devem assumir a proposta do
primeiro para que sejam contratados.

Desistência por parte do Licitante Vencedor


 Como, em princípio, os demais licitantes não devem querer assumir valores
menores do que aqueles de suas propostas, o novo regramento parece
atender ao interesse público ao buscar preservar os atos licitatórios já
praticados.
 Entretanto, em qualquer hipótese adotada, deve ser sempre respeitado o
valor máximo constante do orçamento estimado para a contratação.

Remanescente de Obra ( art. 41 da Lei)


 Pelos mesmos motivos, e diferentemente do disposto na Lei 8.666/1993, a
contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento de bens, em
consequência de rescisão contratual, deve observar a ordem de classificação
dos licitantes e as condições por estes ofertadas, desde que não seja
ultrapassado o orçamento estimado para a contratação.
Maior agilidade e menor burocracia
 Redução dos prazos mínimos para apresentação de propostas – obras e
serviços (art. 15, II)
◦ 15 dias úteis, quando adotados os critérios de julgamento pelo menor
preço ou pelo maior desconto; e
◦ 30 (trinta) dias úteis, nas demais hipóteses.
 Inversão de fases – é adotada como regra geral a apresentação das
propostas de preços antes da habilitação. Inversão de fases deve ser
motivada (art. 12)
 Fase recursal – fase recursal única, na qual serão analisados conjuntamente
os recursos referentes ao julgamento das propostas e da habilitação (art. 27)

Eficácia nas licitações e contratações


 Afastamento de excesso de formalismo - comissão pode adotar medidas
saneadoras para esclarecer informações, corrigir impropriedades na
habilitação ou complementar processo, desde que não altere a substância da
proposta (Art. 7o, § 2º, do Decreto) ;
 Definido o resultado do julgamento, a administração pública poderá negociar
condições mais vantajosas com o primeiro colocado. (art. 26, caput, LRDC);
 A negociação poderá ser feita com os demais licitantes, segundo a ordem de
classificação inicialmente estabelecida, quando o preço do primeiro
colocado, mesmo após a negociação, for desclassificado por sua proposta
permanecer acima do orçamento estimado. (art. 26, Parágrafo Único, LRDC).
 No caso de os licitantes remanescentes não aceitarem as condições
ofertadas pelo primeiro colocado desistente, poderão ser convocados a
contratar nas condições de suas propostas. (art. 40, Parágrafo Único)
◦ No limite do orçamento estimado para a contratação
 A contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento de bens
em consequência de rescisão contratual observará a ordem de classificação
dos licitantes remanescentes e as condições por estes ofertadas, desde que
não seja ultrapassado o orçamento estimado para a contratação. (art. 41)
 Critérios de Aceitabilidade (art. 42 do Decreto) – afastamento da rigidez do
preço unitário
◦ Para empreitada por preço unitário, custos unitários materialmente
relevantes não podem superar custo unitário do orçamento estimado
(§2°)
 São relevantes aqueles que representam 80% do valor ou sejam
essenciais à funcionalidade da obra ou do serviço de engenharia.
◦ Para preço global ou empreitada, critério de aceitabilidade por etapa de
obra, desde que custo global esteja de acordo com o orçamento
elaborado de acordo com sistemas de referência (§4°)
Melhores contratos - compartilhamento de riscos e incentivos
 Postergação da divulgação do orçamento – mais responsabilização pelas
propostas
◦ Incentiva maior estudo sobre o projeto;
◦ Fragiliza alegações de desequilíbrio econômico-financeiro.
 O RDC prevê cinco regimes de execução para obras e serviços de
engenharia (art. 8º, LRDC):
◦ (i) empreitada por preço unitário;
◦ (ii) empreitada por preço global;
◦ (iii) contratação por tarefa;
◦ (iv) empreitada integral; e
◦ (v) contratação integrada.
 Em obras e serviços de engenharia os regimes ii, iv e v são preferenciais
(art. 8º, § 1º, LRDC) – preço global, empreitada integral e contratação
integrada.
 Empreitada por preço global e empreitada integral (art. 42, §4°)
◦ no cálculo do valor da proposta, poderão ser utilizados custos unitários
diferentes dos previstos nos sistemas de referência, desde que o valor
global da proposta e o valor de cada etapa prevista no cronograma
físico-financeiro seja igual ou inferior ao valor calculado a partir do
sistema de referência utilizado;
◦ as alterações contratuais sob alegação de falhas ou omissões em
qualquer das peças, orçamentos, plantas, especificações, memoriais ou
estudos técnicos preliminares do projeto básico não poderão ultrapassar,
no seu conjunto, dez por cento do valor total do contrato.
 Contratação Integrada
◦ Justificativa técnica e econômica (art. 9º, caput, LRDC)
◦ Licitante vencedor deverá elaborar o projeto básico e o executivo com
base em um anteprojeto de engenharia fornecido pela Administração
Pública, que conterá todos os elementos necessários à elaboração de
propostas (art. 9º, LRDC)
 Fica vedada a celebração de termos aditivos, salvo para a
recomposição do equilíbrio econômico financeiro por caso
fortuito/força maior ou por alterações imprescindíveis solicitadas pela
Administração Pública (art. 9, § 4º, LRDC);
 Contratado passa a compartilhar os riscos com a Administração,
arcando com suas responsabilidades na execução do contrato.
◦ Permite a apresentação de projetos com metodologias de execução
diferentes pelos licitantes (Art. 9º, § 4º, LRDC) .
◦ A licitação é sempre por técnica e preço (art. 9º, § 2º, III, LRDC)
Melhores contratos - compartilhamento de riscos e incentivos
 Contratação Integrada – anteprojeto (art. 9o, § 2º, I, LRDC)
◦ a demonstração e a justificativa do programa de necessidades, a visão
global dos investimentos e as definições quanto ao nível de serviço
desejado;
◦ as condições de solidez, segurança, durabilidade e prazo de entrega;
◦ a estética do projeto arquitetônico; e
◦ os parâmetros de adequação ao interesse público, à economia na
utilização, à facilidade na execução, aos impactos ambientais e à
acessibilidade.
 Contratação Integrada – anteprojeto deve conter, quando couber, os
seguintes elementos técnicos (art. 73, § 1º)
◦ concepção da obra ou serviço de engenharia;
◦ projetos anteriores ou estudos preliminares que embasaram a
concepção adotada;
◦ levantamento topográfico e cadastral;
◦ pareceres de sondagem; e
◦ memorial descritivo dos elementos da edificação, dos componentes
construtivos e dos materiais de construção, de forma a estabelecer
padrões mínimos para a contratação.
 Contratação Integrada – orçamento (art. 9º § 2º, II, LRDC)
◦ o valor estimado da contratação será calculado com base em valores
praticados pelo mercado;
◦ valores pagos pela administração pública em serviços e obras similares;
◦ a avaliação do custo global da obra, aferida mediante orçamento
sintético ou metodologia expedita ou paramétrica.
 Contratação Integrada – questões suscitadas
◦ Prazo para propostas – 45 a 90 dias
◦ Abrangência e preferência
◦ Orçamento – precificação do risco
◦ Critérios de aceitabilidade de preços (art. 42, Decreto)
◦ Análise de projetos
 Aprovação prévia por etapa (art. 66, caput, Decreto)
Avaliação de Exequibilidade
 Em relação à avaliação da exequibilidade das obras, aplica-se a regra
contida no disposto no §1º do art. 48 da Lei8.666/1993, repetida no art. 41 do
Decreto:
◦ “Art. 41. Nas licitações de obras e serviços de engenharia,
consideram-se inexequíveis as propostas com valores globais inferiores
a setenta por cento do menor dos seguintes valores:
I - média aritmética dos valores das propostas superiores a
cinquenta por cento do valor do orçamento estimado pela
administração pública, ou
II – valor do orçamento estimado pela administração pública.”
 Esse critério objetivo de inexequibilidade, entretanto, conduz apenas a uma
presunção relativa, devendo ser dada ao licitante a oportunidade de
demonstrar a exequibilidade de sua proposta. (§§ 1º e 2º do art. 41 do
Decreto):
◦ “§1º A administração deverá conferir ao licitante a oportunidade de
demonstrar a exequibilidade da sua proposta.
◦ §2º Na hipótese de que trata o §1º, o licitante deverá demonstrar que o
valor da proposta é compatível com a execução do objeto licitado no que
se refere aos custos dos insumos e aos coeficientes de produtividade
adotados nas composições de custos unitários.”

Avaliação de Sobrepreço
 Para efeito de avaliação da economicidade da proposta, deverão ser
considerados exclusivamente o preço global e os preços unitários
considerados relevantes.
 De acordo como princípio da razoabilidade, é afastada a possibilidade de
que determinada proposta seja considerada com sobrepreço pelo simples
fato de algum item unitário não relevante apresentar valor acima daquele de
referência.
 Tal entendimento é compatível com a jurisprudência do TCU no sentido de
que: “estando o preço global no limite aceitável, dado pelo orçamento da
licitação, os sobrepreços existentes, devido à falta de critérios de
aceitabilidade de preços unitários, apenas causam prejuízos quando se
acrescentam quantitativos aos itens de serviço correspondentes, porque, até
esse momento, o valor contratado representava o equilíbrio entre preços
altos e baixos, apesar do vício de origem.”(Acórdão 296/2004-Plenário).

Avaliação de sobrepreço – preço unitário


 No caso de adoção do regime de empreitada por preço unitário ou de
contratação por tarefa, os custos unitários dos itens materialmente relevantes
das propostas não podem exceder os custos unitários estabelecidos no
orçamento estimado pela administração pública. (§2º do art. 42 do Decreto)
Avaliação de sobrepreço – preço unitário
 Serão considerados itens materialmente relevantes aqueles que representem
pelo menos oitenta por cento do valor total do orçamento estimado ou sejam
considerados essenciais à funcionalidade da obra ou do serviço de
engenharia. (§2º, inciso I, do art. 42 do Decreto).
 Em situações especiais, devidamente comprovadas pelo licitante em relatório
técnico circunstanciado aprovado pela administração pública, poderão ser
aceitos custos unitários superiores àqueles constantes do orçamento
estimado em relação aos itens materialmente relevantes. (§2º, inciso II, do
art. 42).
 Se o relatório técnico não for aprovado pela administração pública, cabe ao
licitante apresentar nova proposta, com adequação dos custos unitários
propostos aos limites previstos no orçamento e sem alteração do valor global
da proposta. (§3º do art. 42 do Decreto).
 Em não ocorrendo essa alteração da proposta, cabe adotar o procedimento
previsto para as situações em que ocorrer desistência do licitante vencedor
(art. 40 da Lei e §3º do art. 42 do Decreto).

Avaliação de sobrepreço Preço global e empreitada integral


 Quando se trata de contratações por preço global ou empreitada integral, há
uma maior flexibilização para os custos unitários, pois poderão ser utilizados
custos unitários diferentes daqueles previstos nos sistemas de referência,
desde que o valor global da proposta e o valor de cada etapa prevista no
cronograma físico-financeiro seja igual ou inferior ao valor orçado. (inciso I do
§4º do art. 42 do Decreto).
 Em situações especiais, devidamente comprovadas pelo licitante em relatório
técnico circunstanciado, aprovado pela administração pública, os valores das
etapas do cronograma físico-financeiro poderão exceder o limite mencionado
no parágrafo anterior. (inciso II do §4º do art. 42 do Decreto).
 Essas disposições, no que se refere à contratações por preço global,
também constam de sucessivas LDO.
Aditivo contratual Preço global e empreitada integral
 As alterações contratuais sob alegação de falhas ou omissões em qualquer
das peças, orçamentos, plantas, especificações, memoriais ou estudos
técnicos preliminares do projeto básico não poderão ultrapassar, no seu
conjunto, 10% do valor total do contrato, enquanto nas execuções por preço
unitário o limite é de 25%. (art. 65, §2º, da Lei 8.666/93 e inciso III do §4º do
art. 42 do Decreto do RDC).
 Trata-se de procedimento compatível com essas modalidades de execução
contratual em que se contrata a obra por preço certo e total e transfere-se
para a contratada parte dos riscos da obra.
 Ou seja, as licitantes deverão elaborar suas propostas com o devido zelo,
pois estará mais limitada a aceitabilidade de alterações contratuais em
decorrências de incompatibilidades entre o projeto básico e a execução da
obra.
 Essas regras foram adotada sem sucessivas LDO, restringindo-se, contudo,
às contratações por preço global. Entretanto, por não haver motivos para,
nesse aspecto, diferenciar-se a execução por preço global da execução por
empreitada integral, entende-se positiva a extensão da aplicabilidade desse
procedimento efetuada pelo Decreto.
LEI DAS ESTATAIS
Introdução
 A Lei nº 13.303 de 2016, mais conhecida como Lei das Estatais, completou
três anos em 30 de junho de 2019, trazendo novidades que impactam
organizações vinculadas aos governos. Como instrumento jurídico, a norma
incorporou boas práticas que devem promover segurança, eficiência e
melhoria de desempenho. As organizações ainda estão se adequando e se
beneficiarão mais aquelas cujos gestores perceberem a situação como uma
oportunidade em meio às críticas.
 O primeiro ponto da Lei das Estatais é a desburocratização de alguns
processos. Por exemplo, as estatais e sociedades de economia mista
ganham autonomia e agilidade nos processos de licitações, contratações
diretas e gestão de contratos, que precisam ser regulamentados
internamente, cabendo a essas organizações redigirem seus próprios
instrumentos normativos, conforme sua atuação e estrutura.
 Outro trecho que foi amplamente discutido se refere ao número de membros
do Conselho de Administração estabelecido pela Lei (de sete a 11 membros),
que pode parecer exagerado para o caso de pequenas organizações. No
entanto, é permitido que os Estados regulamentem medidas específicas para
empresas com faturamento menor que R$ 90 milhões. Esse limite deve ser
considerado individualmente, de modo que cada subsidiária seja submetida à
lei de acordo com seu faturamento, considerando suas proporções e
capacidade financeiras.
Introdução
 Algumas empresas já sofreram as consequências da não observância de
critérios específicos, principalmente com afastamento de executivos
indicados a cargos de liderança, no conselho e na administração, já que
estes devem ter comprovadamente as condições necessárias para cumprir
aquela função. Por isso, é importante observar o cronograma.
 Os artigos 23 e 95, que exigem a atualização do planejamento estratégico de
longo prazo, incluindo a análise de riscos e oportunidades para no mínimo os
próximos cinco anos, já estão valendo desde Dezembro de 2016. Os demais
artigos da lei passam a valer completamente em Julho de 2018 para todas as
estatais federais, considerando empresas públicas, sociedades de economia
mista e suas subsidiárias, incluindo qualquer sociedade em que maior parte
de seu capital pertença à União.
 As adequações nos estatutos deverão ser realizadas até 30 de junho de
2018, caso não haja a fixação de prazo inferior por parte da Comissão
Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de
Participações Societárias da União. Para alguns casos específicos, como a
troca de diretores ou membros do Conselho de Administração, a Lei também
já deve ser aplicada.
 Mais do que se adequar formalmente, essa é uma boa oportunidade para
conduzir uma transformação nessas organizações, que pode gerar mais
agilidade, eficiência e melhoria de desempenho. E como fazer isso?
Desenvolvendo uma estratégia completa em torno do tema, desde o
diagnóstico, até o monitoramento de resultados, passando por um plano de
ações. Importante também envolver especialistas e pessoas chave dentro
das organizações, de maneira que toda a empresa esteja engajada no
projeto.
 Até agora nosso levantamento já identificou mais de 250 empresas estatais e
sociedades de economias nas esferas Federal, Estadual e Municipal.

Diferenças entre a Lei 13.303 e a Lei 8.666


 No caso específico do domínio de Contratos e Licitações, organizamos o
quadro abaixo para apresentar as principais diferenças entre a Lei Geral de
Licitações (lei 8.666/93) e a Lei das Estatais (Lei 13.303/16) de forma a
exemplificar a gestores e especialistas nas Organizações sobre quais são as
principais mudanças.
Diferenças entre a Lei 13.303 e a Lei 8.666
Necessidade de Nova Regulamentação
 Antes de adentrarmos nas novas regras trazidas pela Lei, é essencial fazer
uma breve análise sobre o cenário em que tramitou o projeto.
 Com a operação da polícia federal, denominada Lava-jato, identificou-se uma
série de condutas criminosas que culminaram no desvio de quantias vultosas
nas contratações da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras).
 Durante o início da operação, foi suscitado o fato de que o Decreto da
Petrobrás que teria permitido a ocorrência desses crimes e fraudes.
Doutrinadores com maior conhecimento do tema, sempre pontuaram que os
incidentes ocorridos na Petrobrás, poderiam ter acontecido em qualquer
órgão ou entidade que observasse a Lei Geral de Licitações. Os episódios
delatados tem pouco relação com as facilidades do regulamento próprio de
licitação, mas tem muita relação com a ausência de uma matriz de
responsabilidade e marco legal de negócios de estatais.
 O que parece ter ocorrido, foi um conluio entre os licitantes e os operadores
da licitação e entre contratados e políticos. Essa situação, nenhuma Lei para
regular licitação pode conter, havendo necessidade de reflexão madura;
compreender que leis não são mazelas para todos os problemas. Se leis
fossem soluções, o Brasil tem mais de 5.000.000 de normas editadas desde
a Constituição Federal de 1988.
 O caminho para a contenção de desvios de condutas graves é a mudança de
cultura, a competência de gestão e a consistência de marcos reguladores,
associados a transparência de processos.
 Tal tese resta evidente ao se analisar a Lei nº 13.303/2016. Houve a
incorporação de vários regramentos previstos no Decreto da Petrobrás e não
há uma disposição sequer que poderia evitar a ocorrência das situações
apuradas pela Lava-jato.
 Nesse sentido, os órgãos de controle já identificaram: o que garante
moralidade à gestão não são leis e procedimentos burocráticos, mas sim
uma mudança na conscientização, que é o que se propõe com as regras de
integridade e compliance, temas de destaque na atualidade.

Inovações Normativas
 A Lei das Estatais, ao regulamentar os procedimentos licitatórios trouxe
apenas pequenas inovações, quando comparadas com as atuais normas
existentes para a Administração Pública Direta.
 Inclusive, a maior parte dos dispositivos consiste em nada mais do que
melhoras de interpretação, em conformidade com a doutrina e jurisprudência
sobre o tema.
 Por um lado, não trará grandes desafios na sua aplicação aos gestores que
aplicavam a Lei nº 8.666/1993. Por outro, deixa de inovar justamente para as
empresas que precisam de metodologias mais céleres e eficientes para
competir com o mercado privado, por exemplo.
Inovações – Incorporação do RDC
 Entre as principais alterações trazidas pela Lei das Estatais estão as inclusão
das novidades do Regime Diferenciado de Contratação (RDC).
◦ Desse modo, aplicam-se as estatais:
◦ os modos de disputa aberto, fechado e misto (art. 52);
◦ a inversão de fases como regra (art. 51);
◦ os critérios de julgamento “maior retorno econômico”, “melhor conteúdo
artístico” e “melhor destinação de bens alienados” (art. 54);
◦ a polêmica “contratação integrada” (art. 42, VI);
◦ a pré-qualificação permanente de fornecedores e produtos (art. 64).
 Tal medida vai de encontro a tese de que a utilização das regras do RDC
seriam específicas para situações particularidades, tendo em vista que na Lei
das Estatais, sua utilização se dará de modo irrestrito.
 Apesar dos grandes avanços que o RDC tem representado, a norma ao
incorporá-lo deixou de abordar as fraquezas que já vem sendo identificadas
pela doutrina.
 Por exemplo, ao estabelecer o modo de disputa aberto, fechado ou misto,
cria um grau de discricionariedade ao agente público que pode ser
questionado caso a caso perante o judiciário e os órgãos de controle,
exigindo robustas justificativas para garantir a celeridade do procedimento.
Como se tem percebido, as justificativas ficam sujeitos a opiniões de
“engenheiros de obras prontas”, ou seja a entendimento divergente depois
de longo tempo dos fatos ocorridos.
Contratação Direta – Dispensa de Licitação
 As hipóteses de dispensa de licitação, quanto as hipóteses de inexigibilidade
são, de modo geral, redações mais claras das regras previstas na Lei nº
8.666/1993.
 A perceptível redução do número de hipóteses de dispensa se adequa ao
entendimento doutrinário, ao excluir aquelas inaplicáveis às estatais, como
por exemplo, aquelas relativas às forças armadas.
 Na inexigibilidade, destaca-se a supressão da singularidade como condição
para contratação do notório especialista. Na Lei nº 8.666/1993, para a
contratação de especialista exigia-se que tanto a notoriedade deste, quanto a
singularidade do objeto. Para as estatais, a partir de agora, basta que o
serviço se enquadre entre algum daqueles trazidos no inciso II do art. 30.
 De igual relevância, foi a “atualização” dos preços para a hipótese de
dispensa de licitação nas contratações de “pequenos” valores. Seguindo a
linha dos projetos em trâmite no Congresso Nacional, os valores que na Lei
nº 8.666/1993 cingiam-se em quinze mil reais, para obras e serviços de
engenharia, e oito mil reais nos demais casos, foi majorado para cem mil e
cinquenta mil, respectivamente.
 Tal medida não só traz os valores da Lei Geral de Licitações, que não eram
atualizados deste 1998, para os dias atuais, mas também permite maior
flexibilidade para as estatais.

Prazos Contratuais
 Os prazos contratuais, na Lei Geral de Licitações, sempre foram alvos de
debates e críticas. A limitação dos contratos ao exercício financeiro, apesar
de compatível com as leis orçamentárias, não se constituem a praxe da
Administração Pública.
 As hipóteses de prorrogação de contratos até 60 meses também são, de
certo modo, restritas, dificultando projetos, em médio prazo, na
Administração Pública.
 A Lei das Estatais, desse modo, trouxe paradigma diverso a vigência dos
contratos, limitando-os à cinco anos, permitido prazo superior caso:
◦ a) os projetos estejam contemplados no plano de negócios e
investimentos da empresa pública ou da sociedade de economia mista;
◦ b) a pactuação por prazo superior a cinco anos seja prática rotineira de
mercado e a imposição de prazo menor inviabilize ou onere
excessivamente a realização do negócio.
Constituição Federal - Exigência
 o art. 173, da CF, exige uma lei própria de licitações para as
empresas estatais exploradoras de atividade econômica. Antes da
Lei nº 13.303/16 , a Petrobras realizava contratações diferenciadas
apoiada no Decreto nº 2.745/98 que aprovou o Regulamento do
Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A.
-PETROBRÁS previsto no art. 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de
1997.(veremos ao final que esse artigo foi revogado pela Lei nº
13.303/16).
 O TCU entende que esse decreto seria inconstitucional, devendo a
Petrobras aguardar até que fosse editada a Lei exigida pelo art. 173,
da CF. No entanto, a Petrobras conseguiu decisão favorável do STF
admitindo utilizar o citado decreto até que fosse feita a citada lei.
 Assim, foi feita a Lei nº 13.303/16.
 Na parte de licitações, a Lei nº 13.303/16 utilizou de vários institutos
da Lei do Regime Diferenciado de Contratações –RDC, Lei nº
12.462/2011. Em especial, nas fases do procedimento licitatório.
 Com o novo regime de licitações, as estatais não vão utilizar mais a
Lei nº 8.666/93, vale dizer que não serão utilizadas as modalidades
concorrência, tomada de preços e etc. As estatais têm modalidade
licitatória própria.

Lei 13.303 - Artigo 28 – Fixa regras nas Licitações


 O art. 28 estabelece que a regra é a realização de licitação
antes da celebração de contratos com terceiros.
 Art. 28. Os contratos com terceiros destinados à prestação
de serviços às empresas públicas e às sociedades de
economia mista, inclusive de engenharia e de publicidade, à
aquisição e à locação de bens, à alienação de bens e ativos
integrantes do respectivo patrimônio ou à execução de obras a serem
integradas a esse patrimônio, bem como à implementação
de ônus real sobre tais bens, serão precedidos de licitação
nos termos desta Lei, ressalvadas as hipóteses previstas nos
arts. 29 e 30.
 § 1º Aplicam-se às licitações das empresas públicas e das
sociedades de economia mista as disposições constantes dos arts.
42 a 49 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
Lei 13.303 - Artigo 28 – Exceção
 Apesar de o art. 28 fixar a regra de se fazer licitação, o seu § 3º institui
casos nos quais não haverá licitação.
§ 3º São as empresas públicas e as sociedades de economia mista
dispensadas da observância dos dispositivos deste Capítulo nas
seguintes situações:
I -comercialização, prestação ou execução, de forma direta, pelas
empresas mencionadas no caput, de produtos, serviços ou
obras especificamente relacionados com seus respectivos objetos
sociais;
II -nos casos em que a escolha do parceiro esteja
associada a suas características particulares, vinculada a
oportunidades de negócio definidas e específicas, justificada a
inviabilidade de procedimento competitivo.
 Desse modo, para uma estatal vender seus produtos e serviços
relacionados ao seu objeto social, não realiza a licitação(I). Em toda
empresa consta em seu estatuto qual seu objeto social(‘atividade-fim’)que
são as atividades desenvolvidas pelo empresário.
 No Estatuto do Banco do Brasil, além de outros objetos, consta a prestação
de serviços bancários, e o exercício de quaisquer atividades facultadas às
instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Cite-se por
exemplo, a abertura de conta corrente, conta poupança, seguros,
seguridade, empréstimos, financiamentos, câmbio entre outros. Assim, para
todas essas atividades, não haverá licitação. O BB poderá contratar com
quem ele desejar, sem precisar fazer licitação (art. 28 –dispensada) para
essas atividades.
 No entanto, nas atividades que não estiverem afetadas ao seu objeto social,
em outras palavras, nas ‘atividades-meio’ as estatais deverão fazer licitação,
salvo quanto houve autorização legal para a contratação direta.
 Consideram-se oportunidades de negócio a que se refere o inciso II do § 3º
do art. 28,a formação e a extinção de parcerias e outras formas
associativas, societárias ou contratuais, a aquisição e a alienação de
participação em sociedades e outras formas associativas, societárias ou
contratuais e as operações realizadas no âmbito do mercado de capitais,
respeitada a regulação pelo respectivo órgão competente.
 Como exemplo, seria o BB e CEF se juntando com outros bancos privados
para criar empresa de análise de crédito. Haverá um contrato entre todos
esses bancos, mas o BB e CEF não precisariam fazer licitação para a
escolha dos parceiros.
 Outro caso como exemplo, seria o BB fazendo a compra de um banco
privado como aquisição estratégica. Não precisaria, também, fazer licitação.
Até porque em todos esses casos pode ser inviável a licitação.
Lei 13.303 - Artigo 29 – Licitação Dispensável
 Quanto à licitação dispensável, trata-se de conceito similar àquele fixado na
Lei nº 8.666/93, no qual o administrador terá liberdade para, dentro das
hipóteses legais, escolher se faz ou não a licitação.
 Os casos de licitação dispensável são casos TAXATIVOS, vale dizer,
somente nas situações já previstas em lei.
 Vejamos:
◦ Art. 29. É DISPENSÁVEL a realização de licitação por empresas
públicas e sociedades de economia mista:
 I -para obras e serviços de engenharia de valor até R$ 100.000,00
(cem mil reais), desde que não se refiram a parcelas de uma mesma
obra ou serviço ou ainda a obras e serviços de mesma natureza e
no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e
concomitantemente;
 II -para outros serviços e compras de valor até R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais) e para alienações, nos casos previstos nesta
Lei, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço,
compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizado de uma
só vez;
 Note que a dispensa em razão do valor supera, e muito, os limites fixados
na Lei nº 8.666/93.
 Outro ponto de extrema importância foi que, o §3º, admitiu que os valores
estabelecidos nos incisos I e II possam ser alterados, para refletir a variação
de custos, por deliberação do Conselho de Administração da empresa
pública ou sociedade de economia mista, admitindo-se valores
diferenciados para cada sociedade.
 Essa margem de liberdade para o CONSAD ampliar os valores tem de ser
vista com cuidado. De fato, uma empresa de grande porte como é o caso da
Petrobras poderá ampliá-los com vistas a atender seus contratos de
“pequeno valor”, porém, não é razoável uma empresa estatal de porte
pequeno aumentar demasiadamente seus valores com o intuito de escapar
da regra de se fazer licitação.
◦ III -quando não acudirem interessados à licitação anterior e essa,
justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a empresa
pública ou a sociedade de economia mista, bem como para suas
respectivas subsidiárias, desde que mantidas as condições
preestabelecidas;
 O inciso III trata-se do caso da licitação DESERTA.
Lei 13.303 - Artigo 29 – Licitação Dispensável
◦ IV -quando as propostas apresentadas consignarem preços
manifestamente superiores aos praticados no mercado nacional ou
incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes;
 Nessa hipótese, houve licitação, mas todas as propostas consignaram
preços elevados.
◦ V -para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento de
suas finalidades precípuas, quando as necessidades de instalação e
localização condicionarem a escolha do imóvel, desde que o preço seja
compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia;
◦ VI -na contratação de remanescente de obra, de serviço ou de
fornecimento, em consequência de rescisão contratual, desde que
atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as
mesmas condições do contrato encerrado por rescisão ou distrato,
inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido.
 Na hipótese de nenhum dos licitantes aceitar a contratação nos termos do
inciso VI, a empresa pública e a sociedade de economia mista poderão
convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para a
celebração do contrato nas condições ofertadas por estes, desde que o
respectivo valor seja igual ou inferior ao orçamento estimado para a
contratação, inclusive quanto aos preços atualizados nos termos do
instrumento convocatório.
Lei 13.303 - Artigo 29 – Licitação Dispensável
◦ Note que os licitantes remanescentes serão chamados para contratar
pelo preço por eles ofertado, e não, pelo preço da proposta da empresa
vencedora.
 VII -na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou
estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento
institucional ou de instituição dedicada à recuperação social do
preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação
ético-profissional e não tenha fins lucrativos;
 VIII -para a aquisição de componentes ou peças de origem nacional
ou estrangeira necessários à manutenção de equipamentos durante
o período de garantia técnica, junto ao fornecedor original desses
equipamentos, quando tal condição de exclusividade for
indispensável para a vigência da garantia;
 IX -na contratação de associação de pessoas com deficiência física,
sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, para a prestação
de serviços ou fornecimento de mão de obra, desde que o preço
contratado seja compatível com o praticado no mercado;
 X -na contratação de concessionário, permissionário ou autorizado
para fornecimento ou suprimento de energia elétrica ou gás natural
e de outras prestadoras de serviço público, segundo as normas da
legislação específica, desde que o objeto do contrato tenha
pertinência com o serviço público.
 XI -nas contratações entre empresas públicas ou sociedades de
economia mista e suas respectivas subsidiárias, para aquisição ou
alienação de bens e prestação ou obtenção de serviços, desde que
os preços sejam compatíveis com os praticados no mercado e que o
objeto do contrato tenha relação com a atividade da contratada
prevista em seu estatuto social;
 Exemplo: Banco do Brasil contratando sua subsidiária BB
Tecnologia.
Lei 13.303 - Artigo 29 – Licitação Dispensável
 XII -na contratação de coleta, processamento e comercialização de
resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com
sistema de coleta seletiva de lixo, efetuados por associações ou
cooperativas formadas exclusivamente por pessoas físicas de baixa
renda que tenham como ocupação econômica a coleta de materiais
recicláveis, com o uso de equipamentos compatíveis com as normas
técnicas, ambientais e de saúde pública;
 XIII -para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou
prestados no País, que envolvam, cumulativamente, alta
complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de
comissão especialmente designada pelo dirigente máximo da
empresa pública ou da sociedade de economia mista;
 XIV -nas contratações visando ao cumprimento do disposto nos arts.
3º, 4º, 5º e 20 da Lei nº10.973, de 2 de dezembro de 2004,
observados os princípios gerais de contratação dela constantes;
◦ Essa lei dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e
tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências.
 XV -em situações de emergência, quando caracterizada urgência de
atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou
comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente
para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial e
para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no
prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e
ininterruptos, contado da ocorrência da emergência, vedada a
prorrogação dos respectivos contratos, observado o disposto no §
2º;
◦ Trata-se de situação semelhante àquela da Lei nº 8.666/93.
Lei 13.303 - Artigo 29 – Licitação Dispensável
◦ A contratação direta com base no inciso XV não dispensará a
responsabilização de quem, por ação ou omissão, tenha dado causa ao
motivo ali descrito, inclusive no tocante ao disposto na Lei nº 8.429, de 2
de junho de 1992 (Lei de Improbidade Administrativa)
 XVI -na transferência de bens a órgãos e entidades da
administração pública, inclusive quando efetivada mediante
permuta;
◦ Ex.: União vai fazer permuta (troca) de um terreno seu com terreno do
BB.
◦ Na Lei nº 8.666/93 esse é um caso de licitação dispensada.
 XVII -na doação de bens móveis para fins e usos de interesse social,
após avaliação de sua oportunidade e conveniência socioeconômica
relativamente à escolha de outra forma de alienação;
◦ Ex.: Petrobras fazendo doação de terreno para uma ONG.
 XVIII - na compra e venda de ações, de títulos de crédito e de dívida
e de bens que produzam ou comercializem.
◦ Ex,: Petrobras ou BB vendendo suas ações em mercado.
◦ Na Lei nº 8.666/93 esse é um caso de licitação dispensada (art. 17, II).

Lei 13.303 - Artigo 30 – Contratação Direta


◦ No art. 30,a Lei nº 13.303/16 utilizou a expressão ‘contratação direta’
quando houver inviabilidade de competição. Com efeito, temos aqui a
chamada INEXIGIBILIDADE de licitação, configurada pela inviabilidade
de competição.
 Art. 30. A contratação direta será feita quando houver inviabilidade
de competição, em especial na hipótese de:
 I -aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que só possam
ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial
exclusivo;
 II -contratação dos seguintes serviços técnicos especializados, com
profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a
inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação:
 a) estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou
executivos;
 b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
 c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras
ou tributárias;
 d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou
serviços;
 e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
 f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
 g) restauração de obras de arte e bens de valor histórico.
Lei 13.303 - Artigo 30 – Contratação Direta
◦ Considera-se de notória especialização o profissional ou a empresa cujo
conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho
anterior, estudos, experiência, publicações, organização,
aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos relacionados com
suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e
indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do
contrato.
◦ Note-se que na contratação dos seguintes serviços técnicos
especializados não foi utilizada a expressão ‘objeto singular’. No
entanto, apesar de não constar expressamente a expressão, tal
hipótese de contratação direta só poderá ser utilizada para casos
excepcionais, e não para casos corriqueiros. Se for uma situação
comum, do dia-a-dia, volta-se a regra geral que é a realização de
licitação. Porém, sendo situação excepcional, poderá ser contratado o
profissional mais adequado a fim de atender a excepcionalidade.
◦ Por exemplo, Petrobras está diante de uma ação de indenização por
danos materiais que causou a um particular. A Petrobras utilizará para a
defesa judicial de seu quadro próprio de advogados, altamente
capacitados. Porém, um litígio, de valor inestimável, envolvendo a
Petrobras e um dano ambiental ocorrido em outro país, poderá a
empresa, para atender a situação excepcional, contratar um advogado
especializado em direito internacional, sem fazer licitação (letra ‘e’).
◦ Perceba que o art. 30 não fez a previsão de serviços artísticos para
contratação direta.
◦ Em qualquer caso de contratação direta, se comprovado, pelo órgão de
controle externo, sobre preço ou superfaturamento, respondem
solidariamente pelo dano causado quem houver decidido pela
contratação direta e o fornecedor ou o prestador de serviços.
◦ O processo de contratação direta será instruído, no que couber, com os
seguintes elementos:
 I -caracterização da situação emergencial ou calamitosa que
justifique a dispensa, quando for o caso;
 II -razão da escolha do fornecedor ou do executante;
 III -justificativa do preço.
Lei 13.303 - Artigo 80 – Manifestação de Interesse Privado
◦ A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão adotar
PROCEDIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE
PRIVADO-PMI para o recebimento de propostas e projetos de
empreendimentos com vistas a atender necessidades previamente
identificadas, cabendo a regulamento a definição de suas regras
específicas.(art. 31)
◦ O autor ou financiador do projeto poderá participar da licitação para a
execução do empreendimento, podendo ser ressarcido pelos custos
aprovados pela empresa pública ou sociedade de economia mista caso
não vença o certame, desde que seja promovida a cessão de direitos de
que trata o art. 80.
◦ O PMI é um procedimento administrativo consultivo por meio do qual a
Administração Pública concede a oportunidade para que particulares
elaborem modelagens, estudos e projetos específicos, conforme
diretrizes predefinidas, que sejam úteis à elaboração do edital de
licitação pública e ao respectivo contrato PMI.
 Art. 80. Os direitos patrimoniais e autorais de projetos ou serviços
técnicos especializados desenvolvidos por profissionais autônomos
ou por empresas contratadas passam a ser propriedade da empresa
pública ou sociedade de economia mista que os tenha contratado,
sem prejuízo da preservação da identificação dos respectivos
autores e da responsabilidade técnica a eles atribuída.
Lei 13.303 - Artigo 32 – Diretrizes
◦ DIRETRIZES a serem observadas nas licitações
 Art. 32. Nas licitações e contratos de que trata esta Lei serão
observadas as seguintes diretrizes:
 I -padronização do objeto da contratação, dos instrumentos
convocatórios e das minutas de contratos, de acordo com normas
internas específicas;
 II -buscada maior vantagem competitiva para a empresa pública
ou sociedade de economia mista, considerando custos e
benefícios, diretos e indiretos, de natureza econômica, social ou
ambiental, inclusive os relativos à manutenção, ao desfazimento
de bens e resíduos, ao índice de depreciação econômica e a
outros fatores de igual relevância;
 III -parcelamento do objeto, visando a ampliar a participação de
licitantes, sem perda de economia de escala, e desde que não
atinja valores inferiores aos limites estabelecidos no art. 29,
incisos I e II;
 IV -adoção PREFERENCIAL da modalidade de licitação
denominada pregão, instituída pela Lei no10.520, de 17 de julho
de 2002, para a aquisição de bens e serviços comuns, assim
considerados aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade
possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de
especificações usuais no mercado;
 V -observação da política de integridade nas transações com
partes interessadas.
◦ Como questão de eficiência, deve-se buscar padronizar o
objeto, bem como editais e contratos que são feitos com
frequência no âmbito da EP ou SEM. Por exemplo, o BB
com frequência compra materiais de escritório, então, devem ser
padronizados os editais.
◦ Dissemos que as estatais têm agora um procedimento próprio de
licitações. No entanto, quando se tratar de aquisição de bens e
serviços comuns será utilizada a modalidade pregão, prevista na Lei
nº10.5020/2002, como forma preferencial.
Lei 13.303 - Artigo 32 – Diretrizes
◦ As licitações e os contratos devem respeitar, especialmente, as normas
relativas à:
 I -disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos
gerados pelas obras contratadas;
 II -mitigação dos danos ambientais por meio de medidas
condicionantes e de compensação ambiental, que serão
definidas no procedimento de licenciamento ambiental;
 III -utilização de produtos, equipamentos e serviços que,
comprovadamente, reduzam o consumo de energia e de recursos
naturais;
 IV -avaliação de impactos de vizinhança, na forma da legislação
urbanística;
 V –proteção do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e
imaterial, inclusive por meio da avaliação do impacto direto
ou indireto causado por investimentos realizados por
empresas públicas e sociedades de economia mista;
 VI -acessibilidade para pessoas com deficiência ou
com mobilidade reduzida.
◦ Trata-se de questões de sustentabilidade, respeitos às normas
de direito de vizinhança, proteção do patrimônio cultural, histórico,
arqueológico e respeito às pessoas com deficiência a serem observados
pelas estatais em suas licitações.

Lei 13.303 - Artigo 51 – Sigilo no Valor Estimado


◦ O VALOR ESTIMADO do contrato a ser celebrado pela empresa pública
ou pela sociedade de economia mista SERÁ SIGILOSO, facultando-se à
contratante, mediante justificação na fase de preparação prevista no
inciso I do art. 51da lei, conferir publicidade ao valor estimado do objeto
da licitação, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos
quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração
das propostas.(art. 34)
◦ Assim, como regra haverá o sigilo no valor estimado a ser contratado.
Essa novidade foi, também, prevista na lei do RDC que gerou muita
polêmica na época.
◦ No entanto, o intuito da lei é não oferecer o valor estimado aos
licitantes, para que eles possam apresentar suas propostas conforme os
valores por eles considerados adequados, trazendo por consequência
maior vantagem para a Administração Pública. Isso porque, se o
licitante já tem um valor estimado, a tendência é que ofereça uma
proposta próxima a esse valor.
Lei 13.303 - Artigo 51 – Sigilo no Valor Estimado
◦ Na hipótese em que for adotado o critério de julgamento por maior
desconto, o valor estimado constará do instrumento convocatório. Isso
porque, nesse critério de julgamento, o menor preço é apurado em
razão de desconto oferecido pelos licitantes sobre o parâmetro de
preços definido pela Administração no ato convocatório. Assim, quem
oferece o maior desconto, com base em preço apresentado pela
Administração Pública, é considerado o vencedor do certame. Com
efeito, nesse tipo de licitação não teria como omitir o valor estimado.
◦ No entanto, prevê a lei que a informação relativa ao valor estimado do
objeto da licitação, ainda que tenha caráter sigiloso, será disponibilizada
a órgãos de controle externo e interno, devendo a empresa pública ou a
sociedade de economia mista registrar em documento formal sua
disponibilização aos órgãos de controle, sempre que solicitado.

Lei 13.303 - Artigo 83 – Sanções


◦ Pela inexecução total ou parcial do contrato a empresa pública ou a
sociedade de economia mista poderá, garantida a prévia defesa, aplicar
ao contratado as seguintes sanções (art. 83):
 I -advertência;
 II -multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no
contrato;
 III -suspensão temporária de participação em licitação e
impedimento de contratar com a entidade sancionadora, por prazo
não superior a 2 (dois) anos.
◦ Note que a Lei nº 13.303/16 não fez a previsão da sanção de
declaração de inidoneidade. Porém, estará impedida de participar de
licitação empresa declarada inidônea pela União, por Estado, pelo
Distrito Federal ou pela unidade federativa a que está vinculada a
empresa pública ou sociedade de economia mista, enquanto
perdurarem os efeitos da sanção (art. 38).
◦ Este impedimento a que se refere o art. 38 se trata de declaração de
inidoneidade no qual a empresa participou de licitação com outro órgão
ou entidade e recebeu a aplicação da sanção, ou na forma do art. 43, da
Lei n. 8.4443/92, houve aplicação dessa sanção pelo TCU. Assim, essa
empresa não poderá participar de licitação com empresa estatal.
Lei 13.303 - Artigo 83 – Sanções
◦ Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada, além da
perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, que será
descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela empresa
pública ou pela sociedade de economia mista ou cobrada judicialmente.
A sanção de multa pode ser aplicada cumulativamente junto com as
demais, devendo a defesa prévia do interessado, no respectivo
processo, ser apresentada no prazo de 10 (dez) dias úteis.
◦ Note, também, que a suspensão temporária de licitação e impedimento
de contratar impede a empresa sancionada de licitar e contratar com a
entidade sancionadora. Vale dizer: com a empresa pública ou sociedade
de economia mista que aplicou a sanção.
◦ A suspensão temporária de licitação e impedimento de contratar
poderão também ser aplicadas às empresas ou aos profissionais que:
 I -tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios
dolosos, fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;
 II -tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os objetivos da
licitação;
 III -demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a
empresa pública ou a sociedade de economia mista em virtude de
atos ilícitos praticados.
◦ A empresa pública e a sociedade de economia mista deverão informar
os dados relativos às sanções por elas aplicadas aos contratados, nos
termos definidos no art. 83, de forma a manter atualizado o cadastro de
empresas inidôneas de que trata o art. 23 da Lei nº 12.846, de 1º de
agosto de 2013.Trata-se da denominada Lei Anticorrupção. (art. 37)
◦ O fornecedor incluído no cadastro referido não poderá disputar licitação
ou participar, direta ou indiretamente, da execução de contrato. Serão
excluídos do cadastro referido, a qualquer tempo, fornecedores que
demonstrarem a superação dos motivos que deram causa à restrição
contra eles promovida.
◦ Assim, a aplicação de sanção (qualquer uma delas) gera para a estatal
o dever de comunicação para que conste no cadastro de empresas
inidôneas da Lei Anticorrupção.
Lei 13.303 - Artigo 38 – Regras de Impedimento de Participação
◦ Estará impedida de participar de licitações e de ser contratada pela
empresa pública ou sociedade de economia mista a empresa:(art. 38)
 I -cujo administrador ou sócio detentor de mais de 5%(cinco por
cento) do capital social seja diretor ou empregado da empresa
pública ou sociedade de economia mista contratante;
 II -suspensa PELA EMPRESA PÚBLICA OU SOCIEDADE DE
ECONOMIA MISTA;
 III -declarada inidônea PELA UNIÃO, POR ESTADO, PELO
DISTRITO FEDERAL OU PELA UNIDADE FEDERATIVA A QUE
ESTÁ VINCULADAA EMPRESA PÚBLICA OU SOCIEDADE DE
ECONOMIA MISTA, ENQUANTO PERDURAREM OS EFEITOS DA
SANÇÃO;
 IV -constituída por sócio de empresa que estiver suspensa, impedida
ou declarada inidônea;
 V -cujo administrador seja sócio de empresa suspensa, impedida ou
declarada inidônea;
 VI -constituída por sócio que tenha sido sócio ou administrador de
empresa suspensa, impedida ou declarada inidônea, no período dos
fatos que deram ensejo à sanção;
 VII -cujo administrador tenha sido sócio ou administrador de
empresa suspensa, impedida ou declarada inidônea, no período dos
fatos que deram ensejo à sanção;
 VIII -que tiver, nos seus quadros de diretoria, pessoa que participou,
em razão de vínculo de mesma natureza, de empresa declarada
inidônea.
◦ Note que a SUSPENSÃO somente abrange seus efeitos referente à
estatal que aplicou a sanção.
Lei 13.303 - Artigo 38 – Vedação de Participação de Parentes e Empregados
◦ As regras sobre impedimentos aplicam-se também:
 I -à contratação do próprio empregado ou dirigente, como pessoa
física, bem como à participação dele em procedimentos licitatórios,
na condição de licitante;
 II -a quem tenha relação de parentesco, até o terceiro grau civil,
com:
 a) dirigente de empresa pública ou sociedade de economia mista;
 b) empregado de empresa pública ou sociedade de economia
mista cujas atribuições envolvam a atuação na área responsável
pela licitação ou contratação;
 c) autoridade do ente público a que a empresa pública ou
sociedade de economia mista esteja vinculada.
 III -cujo proprietário, mesmo na condição de sócio, tenha terminado
seu prazo de gestão ou rompido seu vínculo com a respectiva
empresa pública ou sociedade de economia mista promotora da
licitação ou contratante há menos de 6 (seis) meses.

Lei 13.303 - Artigo 39 – Pré Qualificação


◦ A pré-qualificação consiste em um procedimento administrativo, que tem
por finalidade antecipar a fase habilitatória da licitação, especialmente a
verificação de qualificações técnicas.
◦ Nesse caso, a empresa estatal fará uma divulgação e convocação
prévia para que os possíveis interessados compareçam para
verificações preliminares de qualificação técnica de seus produtos e
serviços oferecidos.
◦ Segundo Jessé Torres Pereira Júnior:
 “A inclusão, no procedimento das licitações mediante concorrência,
de uma etapa de pré-qualificação tem lugar, apenas, quando houver
necessidade de apurar-se, com especial acuidade, a qualificação
técnica de interessados em contratar obra ou serviço de grande
porte e cuja execução envolva peculiar grau de dificuldade, a
demandar do executor nível correspondente de especialização e
experiência. Este nível será o alvo da aferição a que a Administração
procederá na pré-qualificação, de sorte a somente a admitir no
certame aqueles que o alcançarem, comprovadamente”.
Lei 13.303 - Artigo 42 – Das Normas Específicas para Obras e Serviços
◦ A Lei nº 13.303/16 apresentou alguns conceitos importantes para seu
entendimento:
◦ Art. 42. Na licitação e na contratação de obras e serviços por empresas
públicas e sociedades de economia mista, serão observadas as
seguintes definições:
 I -empreitada por preço unitário: contratação por preço certo de
unidades determinadas; É utilizada quando não for possível definir
com exatidão o objeto a ser executado, que só será apurado no
decorrer da execução contratual.
 Exemplo: perfuração de subsolo para colocar estrutura/base de
uma ponte contratada por metro cúbico (m3);Petrobras quer
perfurar o solo para encontrar petróleo sendo que não sabe
exatamente a que profundidade encontrará, assim verifica-se um
preço por metro escavado e ao final o valor total.
 II –empreitada por preço global: contratação por preço certo e total;
A empreitada por preço global deve ser adotada quando for possível
definir previamente no projeto, com boa margem de precisão, as
quantidades dos serviços a serem executados. Por isso, alterações
contratuais (aditivos) devem ser evitadas. Já, a empreitada por
preço unitário, deve ser preferida para objetos que, por sua
natureza, não permitam a precisa indicação dos quantitativos a
serem executados.
 Exemplo: Petrobras quer perfurar solo para encontrar petróleo e
sabe exatamente em qual profundidade encontrará.
Lei 13.303 - Artigo 42 – Das Normas Específicas para Obras e Serviços
 III -tarefa: contratação de mão de obra para pequenos trabalhos por
preço certo, com ou sem fornecimento de material;
 Quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos por
preço certo, com ou sem fornecimento de materiais.
 Exemplo: pintura de uma pequena parede.
 IV -empreitada integral: contratação de empreendimento em sua
integralidade, com todas as etapas de obras, serviços e instalações
necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até a sua
entrega ao contratante em condições de entrada em operação,
atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em
condições de segurança estrutural e operacional e com as
características adequadas às finalidades para as quais foi
contratada;
 Quando se contrata um empreendimento em sua integralidade,
compreendendo todas as etapas das obras, serviços e
instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da
contratada até a sua entrega ao contratante em condições de
entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais
para sua utilização em condições de segurança estrutural e
operacional e com as características adequadas às finalidades
para que foi contratada.
 Na empreitada integral o contratado apresenta proposta com
base em projeto apresentado pela Administração, assumindo
todos os riscos da execução, sendo ainda mais restritos os
aditivos contratuais.
 Trata-se, na verdade, de uma espécie de execução por preço
global. A empreitada integral é, também, conhecida por turn
key(‘virar a chave’).
 Nessa modalidade todo o empreendimento contratado deve ser
entregue em perfeito funcionamento. É utilizado para contratos
de maior complexidade.
 V -contratação semi-integrada: contratação que envolve a
elaboração e o desenvolvimento do projeto EXECUTIVO, a
execução de obras e serviços de engenharia, a montagem, a
realização de testes, a pré-operação e as demais operações
necessárias e suficientes para a entrega final do objeto, de acordo
com o estabelecido nos §§ 1º e 3º deste artigo;
 Essa é uma das novidades da Lei!
 Na contratação SEMI-INTEGRADA exige que a Administração
Pública já tenha um projeto básico disponível para consulta,
devendo o contratado desenvolver o projeto executivo.
Lei 13.303 - Artigo 42 – Das Normas Específicas para Obras e Serviços
 VI -contratação integrada: contratação que envolve a elaboração e o
desenvolvimento dos projetos BÁSICO E EXECUTIVO, a execução
de obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de
testes, a pré-operação e as demais operações necessárias e
suficientes para a entrega final do objeto, de acordo com o
estabelecido nos §§ 1º , 2º e 3º deste artigo;
 Na contratação INTEGRADA deve o contratado desenvolver o
projeto básico e executivo. Assim, a Administração Pública
descreve em termos mais abrangentes (anteprojeto de
engenharia ) o objeto a ser executado, aproveitando-se da
expertise do contratado que desenvolverá o projeto básico e o
executivo.
 O anteprojeto de engenharia é a peça técnica com todos os
elementos de contornos necessário se fundamentais à
elaboração do projeto básico, devendo conter minimamente os
seguintes elementos.

Lei 13.303 - Artigo 42 – Vedações


◦ É vedada a participação direta ou indireta nas licitações para obras e
serviços de engenharia de que trata esta Lei:(art. 44)
 I –de pessoa física ou jurídica que tenha elaborado o anteprojeto ou
o projeto básico da licitação;
 II -de pessoa jurídica que participar de consórcio responsável pela
elaboração do anteprojeto ou do projeto básico da licitação;
 III -de pessoa jurídica da qual o autor do anteprojeto ou do projeto
básico da licitação seja administrador, controlador, gerente,
responsável técnico, subcontratado ou sócio, neste último caso
quando a participação superar 5% (cinco por cento) do capital
votante.
◦ A elaboração do projeto executivo constituirá encargo do
contratado, consoante preço previamente fixado pela empresa pública
ou pela sociedade de economia mista.
◦ É permitida a participação das pessoas jurídicas e da pessoa física de
que tratam os incisos II e III em licitação ou em execução de contrato,
como consultor ou técnico, nas funções de fiscalização, supervisão ou
gerenciamento, exclusivamente a serviço da empresa pública e da
sociedade de economia mista interessadas.
◦ Considera-se participação indireta a existência de vínculos de natureza
técnica, comercial, econômica, financeira ou trabalhista entre o autor do
projeto básico, pessoa física ou jurídica, e o licitante ou responsável
pelos serviços, fornecimentos e obras, incluindo-se os fornecimentos de
bens e serviços a estes necessários.
Lei 13.303 - Artigo 45 – Remuneração Variável
◦ Na contratação de obras e serviços, inclusive de engenharia, poderá ser
estabelecida remuneração variável vinculada ao desempenho do
contratado, com base em metas, padrões de qualidade, critérios de
sustentabilidade ambiental e prazos de entrega definidos no instrumento
convocatório e no contrato.(art. 45)
◦ A utilização da remuneração variável respeitará o limite orçamentário
fixado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista para
a respectiva contratação.

Lei 13.303 - Artigo 47 – Normas Específicas para Aquisição de Bens


◦ A empresa pública e a sociedade de economia mista, na licitação para
aquisição de bens, poderão: (art. 47)
 I -indicar marca ou modelo, nas seguintes hipóteses:
 a) em decorrência da necessidade de padronização do objeto;
 b) quando determinada marca ou modelo comercializado por
mais de um fornecedor constituir o único capaz de atender o
objeto do contrato; c) quando for necessária, para compreensão
do objeto, a identificação de determinada marca ou modelo apto
a servir como referência, situação em que será? obrigatório o
acréscimo da expressão “ou similar ou de melhor qualidade”;
 II -exigir amostra do bem no procedimento de pré-qualificação e na
fase de julgamento das propostas ou de lances, desde que
justificada a necessidade de sua apresentação;
 III -solicitar a certificação da qualidade do produto ou do processo de
fabricação, inclusive sob o aspecto ambiental, por instituição
previamente credenciada.
◦ Quando a indicação de marcar, a Lei nº 13.303/16 afastou o mito de que
em licitação não se pode fazer menção à marca. Com efeito, é possível
dentro de um procedimento licitatório fazer referência à marca, desde
que tenha justificativa, como, por exemplo, nas situações apresentadas
no inciso I do art. 47.
Lei 13.303 - Artigo 49 – Alienação de Bens
◦ A alienação de bens por empresas públicas e por sociedades de
economia mista será precedida de:(art. 49)
 I -avaliação formal do bem contemplado, ressalvadas as hipóteses
previstas nos incisos XVI a XVIII do art. 29;(ressalvada quando for
dispensável)
 XVI -na transferência de bens a órgãos e entidades da
administração pública, inclusive quando efetivada mediante
permuta;
 XVII -na doação de bens móveis para fins e usos de interesse
social, após avaliação de sua oportunidade e conveniência
socioeconômica relativamente à escolha de outra forma de
alienação;
 XVIII -na compra e venda de ações, de títulos de crédito e de
dívida e de bens que produzam ou comercializem.
 II -licitação, ressalvado o previsto no § 3º do art. 28.(§ 3º A empresa
pública e a sociedade de economia mista poderão celebrar convênio
ou contrato de patrocínio com pessoa física ou com pessoa jurídica
para promoção de atividades culturais, sociais, esportivas,
educacionais e de inovação tecnológica, desde que
comprovadamente vinculadas ao fortalecimento de sua marca,
observando-se, no que couber, as normas de licitação e contratos
desta Lei.)
◦ Note que a Lei nº 13.303/16 , no inciso II, consagrou a regra da licitação
na alienação de bens.
Lei 13.303 - Artigo 51 – Procedimento de Licitação
◦ A Lei nº 13.303/16 inaugurou uma nova modalidade de licitação para as
estatais com procedimento próprio.
◦ Assim, não serão adotadas as modalidades da Lei nº 8.666/1993.
Sendo licitação de empresa pública ou sociedade de economia mista
utiliza-se o procedimento licitatório previsto na Lei nº 13.303/16.
◦ As licitações das empresas estatais observação a seguinte sequência
de fases:(art. 51)
 I -preparação;
 II -divulgação;
 III -apresentação de lances ou propostas, conforme o modo de
disputa adotado;
 IV -julgamento;
 V -verificação de efetividade dos lances ou propostas;
 VI -negociação;
 VII -habilitação;
 VIII -interposição de recursos;
 IX -adjudicação do objeto;
 X -homologação do resultado ou revogação do procedimento.
Lei 13.303 - Artigo 51 – Procedimento de Licitação
◦ Note, também, que a regra é primeiro realizar o julgamento (fase IV) e
depois promover a habilitação (fase VII). Ou seja, o que era antes
exceção passa a ser a regra.
◦ Nas modalidades licitatórias da Lei nº 8.666/1993,a regra é primeiro
fazer a habilitação e posteriormente a fase de julgamento. Na Lei do
Pregão houve a inversão das duas fases, que depois foi estendida essa
possibilidade na Lei n. 8987/95, Lei das Concessões, bem como se
tornou a regra na Lei do RDC.
◦ Mais uma vez se torna a regra novamente! Primeiro julgamento, depois
habilitação.
◦ Contudo, a fase de habilitação poderá, excepcionalmente, anteceder as
fases previstas nos incisos III a VI, desde que expressamente previsto
no instrumento convocatório.
◦ Na fase de preparação são realizados os atos internos, como escolha
dos membros da comissão, estudos técnicos, elaboração de
orçamentos, pesquisas e etc.
◦ Na fase de divulgação inicia-se a ‘fase externa’ pela qual o edital será?
Divulgado nos meios legais.
◦ Nesse sentido, estabelece o art. 39 que os procedimentos licitatórios, a
pré-qualificação e os contratos serão divulgados em portal específico
mantido pela empresa pública ou sociedade de economia mista na
internet, devendo ser adotados os seguintes prazos mínimos para
apresentação de propostas ou lances, contados a partir da divulgação
do instrumento convocatório:
 I -para aquisição de bens:
 a) 5 (cinco) dias úteis, quando adotado como critério de
julgamento o menor preço ou o maior desconto;
 b) 10 (dez) dias úteis, nas demais hipóteses;
 II -para contratação de obras e serviços:
 a) 15 (quinze) dias úteis, quando adotado como critério de
julgamento o menor preço ou o maior desconto;
 b) 30 (trinta) dias úteis, nas demais hipóteses;
 III -no mínimo 45 (quarenta e cinco) dias úteis para licitação em que
se adote como critério de julgamento a melhor técnica ou a melhor
combinação de técnica e preço, bem como para licitação em que
haja contratação semi-integrada ou integrada.
◦ As modificações promovidas no instrumento convocatório serão objeto
de divulgação nos mesmos termos e prazos dos atos e procedimentos
originais, exceto quando a alteração não afetar a preparação das
propostas.
Lei 13.303 - Artigo 56 – Procedimento de Licitação
◦ Em seguida, virá a fase de apresentação de lances ou propostas, na
qual o licitante comparecerá ao local indicado no edital e apresentará
sua proposta conforme o modo de disputa adotado (aberto ou fechado).
No segundo caso, apresentará envelope contendo a proposta.
◦ Após, vem a fase de julgamento conforme os critérios definidos no edital
(veremos à frente).
◦ Na fase de verificação de efetividade dos lances ou propostas a
comissão verificará se a melhor proposta está de acordo com as
disposições do edital e demais condições do art. 56. A seguir:
◦ Art. 56. Efetuado o julgamento dos lances ou propostas, será promovida
a verificação de sua efetividade, promovendo-se a desclassificação
daqueles que:
 I –contenham vícios insanáveis;
 II -descumpram especificações técnicas constantes do instrumento
convocatório;
 III -apresentem preços manifestamente inexequíveis;(Preços que
não possam, em tese, ser cumpridos/honrados pelo licitante)
 IV -se encontrem acima do orçamento estimado para a contratação
de que trata o § 1º do art. 57, ressalvada a hipótese prevista no
caput do art. 34 desta Lei;
Lei 13.303 - Artigo 56 – Procedimento de Licitação
 V -não tenham sua exequibilidade demonstrada, quando exigido
pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista;
 VI -apresentem desconformidade com outras exigências do
instrumento convocatório, salvo se for possível a acomodação a
seus termos antes da adjudicação do objeto e sem que se
prejudique a atribuição de tratamento isonômico entre os licitantes.
 § 1º A verificação da efetividade dos lances ou propostas poderá ser
feita exclusivamente em relação aos lances e propostas mais bem
classificados.
 § 2º A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão
realizar diligências para aferir a exequibilidade das propostas ou
exigir dos licitantes que ela seja demonstrada, na forma do inciso V
do caput.
 (obs! Ao contrário da Lei nº 8.666/93 que determina a classificação
de propostas inexequíveis, a Lei nº 13.303/16 admite diligências
para verificar junto ao licitante se a proposta tem condição de ser
cumprida)
 § 3º Nas licitações de obras e serviços de engenharia,
consideram-se inexequíveis as propostas com valores globais
inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores:
 I -média aritmética dos valores das propostas superiores a 50%
(cinquenta por cento) do valor do orçamento estimado pela empresa
pública ou sociedade de economia mista; ou
 II -valor do orçamento estimado pela empresa pública ou sociedade
de economia mista.
 § 4º Para os demais objetos, para efeito de avaliação da
exequibilidade ou de sobre preço, deverão ser estabelecidos
critérios de aceitabilidade de preços que considerem o preço global,
os quantitativos e os preços unitários, assim definidos no
instrumento convocatório.

Lei 13.303 - Artigo 57 – Negociação


 Na fase de negociação, a Administração Pública ainda ofertará nova
proposta para reduzir ainda mais o valor ofertado pelo licitante.
 Confirmada a efetividade do lance ou proposta que obteve a primeira
colocação na etapa de julgamento, ou que passe a ocupar essa posição em
decorrência da desclassificação de outra que tenha obtido colocação
superior, a empresa pública e sociedade de economia mista DEVERÃO
negociar condições mais vantajosas com quem o apresentou. (art. 57)
 A negociação deverá ser feita com os demais licitantes, segundo a ordem
inicialmente estabelecida, quando o preço do primeiro colocado, mesmo
após a negociação, permanecer acima do orçamento estimado.
 Se depois de adotada essa providência não for obtido valor igual ou inferior
ao orçamento estimado para a contratação, será revogada a licitação.
Lei 13.303 - Artigo 58 – Habilitação
 Escolhida a melhor proposta e após a fase de negociação é feita a
habilitação, que compreende a verificação da documentação do licitante.
◦ Art. 58. A habilitação será apreciada exclusivamente a partir dos
seguintes parâmetros:
 I -exigência da apresentação de documentos aptos a comprovar a
possibilidade da aquisição de direitos e da contração de obrigações
por parte do licitante;
 II -qualificação técnica, restrita a parcelas do objeto técnica ou
economicamente relevantes, de acordo com parâmetros
estabelecidos de forma expressa no instrumento convocatório;
 III -capacidade econômica e financeira;
 IV -recolhimento de quantia a título de adiantamento, tratando-se de
licitações em que se utilize como critério de julgamento a maior
oferta de preço.
 Note que houve a eliminação de exigências de regularidade FISCAL,
TRABALHISTA e CERTIDÃO da empresa licitante afirmando que atende as
condições do trabalho do menor.
 Nesse ponto, andou muito bem a lei, pois a Lei nº 8.666/93 tem muitos
requisitos desnecessários que impedem a participação de licitantes, sendo
que o importante é verificar, especialmente, se o participante tem condições
de executar a proposta.
Lei 13.303 - Artigo 51 – Recursos
 A fase de recursos é única, via de regra. Na Lei nº 8.666/93é possível
recorrer de cada fase separadamente. Contudo, na Lei nº 13.303/16 há uma
concentração dos questionamentos em fase recursal única a fim de agilizar
o trâmite do procedimento.
 Os recursos serão apresentados no prazo de 5 (cinco) dias úteis após a
habilitação e contemplarão, além dos atos praticados nessa fase, aqueles
praticados em decorrência do disposto nos incisos IV e V do caput do art.
51.
 Na hipótese de inversão de fases, o prazo para recorrer será aberto após a
habilitação e após o encerramento da fase de verificação de efetividade dos
lances ou propostas, abrangendo o segundo prazo também atos
decorrentes da fase de julgamento.
◦ Assim:
 I -preparação;
 II -divulgação;
 III –habilitação (Cabe recurso)
 IV -apresentação de lances ou propostas, conforme o modo de
disputa adotado;
 V -julgamento;
 VI -verificação de efetividade dos lances ou propostas; (Cabe
recurso)
 VII -negociação;
 VIII -interposição de recursos;
 IX -adjudicação do objeto;
 X -homologação do resultado ou revogação do procedimento.
 Terminada a fase de recursos, virá a adjudicação que consiste na
declaração oficial do vencedor. Por fim, ocorrerá a homologação se o
procedimento ocorreu com regularidade ou haverá a revogação do
procedimento.
Lei 13.303 - Artigo 60 – Homologação
 Por fim, ocorrerá a homologação se o procedimento ocorreu com
regularidade ou haverá a revogação do procedimento.
 A homologação do resultado implica a constituição de direito relativo à
celebração do contrato em favor do licitante vencedor (art. 60). Assim, uma
vez homologada a licitação o vencedor tem direito, embora relativo, à
contratação. Relativo, porque pode ocorrer situações justificáveis em que a
Administração Pública possa resolver não contratar.
 A autoridade competente poderá revogara licitação por razões de interesse
público decorrentes de fato superveniente que constitua óbice manifesto e
incontornável, ou anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por provocação de
terceiros, salvo quando for viável a convalidação do ato ou do procedimento
viciado.
 A nulidade da licitação induz à do contrato.
 Depois de iniciada a fase de apresentação de lances ou propostas, referida
no inciso III do caput do art. 51, a revogação ou a anulação da licitação
somente será efetivada depois de se conceder aos licitantes que
manifestem interesse em contestar prazo apto a lhes assegurar o exercício
do direito ao contraditório e à ampla defesa.

Lei 13.303 - Artigo 52 – Modos de Disputa


 Poderão ser adotados os modos de DISPUTA ABERTO OU FECHADO, ou,
quando o objeto da licitação puder ser parcelado, a combinação de ambos,
observado o disposto no inciso III do art. 32 desta Lei.(art. 52)
 No modo de disputa aberto, os licitantes apresentarão lances públicos e
sucessivos, crescentes ou decrescentes, conforme o critério de julgamento
adotado.
 Quando for adotado o modo de disputa aberto, poderão ser admitidos:
◦ I -a apresentação de lances intermediários;
◦ II –o reinício da disputa aberta, após a definição do melhor lance, para
definição das demais colocações, quando existir diferença de pelo
menos 10% (dez por cento) entre o melhor lance e o subsequente.
 Nesse modo, as propostas são apresentadas em lances verbais.

Lei 13.303 - Artigo 52 – Modos de Disputa


 No modo de disputa fechado, as propostas apresentadas pelos licitantes
serão sigilosas até a data e a hora designadas para que sejam divulgadas.
 Nesse modo, as propostas são apresentadas em envelopes sigilosos.
 Em razão da Lei admitir a combinação dos modos de disputa, pode um
procedimento ter uma fase inicial de propostas em envelopes fechados e
depois as melhores ofertas vão para fase de lances abertos; ou inicia-se
com lances abertos e depois as melhores propostas apresentam novos
lances em envelopes fechados.
Lei 13.303 - Artigo 54 – Critérios de Julgamento
 Poderão ser utilizados os seguintes critérios de julgamento:
◦ I -menor preço;
 Pelo critério do menor preço será vencedor o que apresentar o
menor preço para a execução do contrato.
◦ II -maior desconto;
 Nesse critério, o menor preço é determinado em razão de desconto
oferecido pelos licitantes sobre o parâmetro de preços definido pela
Administração no ato convocatório. Assim, quem oferece o maior
desconto é considerado o vencedor do certame.
◦ III -melhor combinação de técnica e preço;
 Quando for utilizado esse critério, a avaliação das propostas
técnicas e de preço considerará o percentual de ponderação mais
relevante, limitado a 70% (setenta por cento).
◦ IV -melhor técnica;
◦ V -melhor conteúdo artístico;
 Segundo o Decreto nº 7.581/2011, que regulamenta o RDC, o
critério de julgamento pela melhor técnica ou pelo melhor conteúdo
artístico poderá ser utilizado para a contratação de projetos e
trabalhos de natureza técnica, científica ou artística, incluídos os
projetos arquitetônicos e excluídos os projetos de engenharia.
Lei 13.303 - Artigo 54 – Critérios de Julgamento
◦ VI -maior oferta de preço;
 Segundo o Decreto nº 7.581/2011, que regulamenta o RDC, o
critério de julgamento maior oferta de preço será utilizado no caso
de contratos que resultem em receita para a administração pública.
Esse critério é semelhante ao critério “maior lance” da Lei nº
8.666/93. Será utilizado principalmente quando for caso de fazer
alienação de bens.
◦ VII -maior retorno econômico;
 Nesse critério a remuneração do particular é estipulada com base
em percentual de economia gerada para a Administração Pública. O
objeto prestado ocorre mediante um contrato de eficiência,
vinculando a remuneração do contratado ao resultado do contrato.
 Os lances ou propostas terão o objetivo de proporcionar economia à
empresa pública ou à sociedade de economia mista, por meio da
redução de suas despesas correntes, remunerando-se o licitante
vencedor com base em percentual da economia de recursos gerada.
◦ VIII -melhor destinação de bens alienados.
 Os critérios de julgamento serão expressamente identificados no
instrumento convocatório e PODERÃO SER COMBINADOS na
hipótese de parcelamento do objeto.
 Parcelar o objeto significa fracionar o objeto para ampliar a
competição.
 Exemplo: uma empresa estatal irá fazer um evento no qual vai haver
fornecimento de refeição, bebidas e um cantor para música ao vivo.
Assim, em vez de fazer uma licitação para que a mesma empresa
forneça todos os produtos (buffet e o cantor), faz duas licitações
separadas. Uma para escolher o butffet e pode utilizar, por exemplo,
o critério de menor preço e outra licitação para escolher o artista,
adotando o critério de melhor conteúdo artístico.
Lei 13.303 - Artigo 54 – Critérios de Julgamento
◦ O critério de MAIOR DESCONTO:
 I –terá como referência o preço global fixado no instrumento
convocatório, estendendo-se o desconto oferecido nas propostas ou
lances vencedores a eventuais termos aditivos;
 II -no caso de obras e serviços de engenharia, o desconto incidirá de
forma linear sobrea totalidade dos itens constantes do orçamento
estimado, que deverá obrigatoriamente integrar o instrumento
convocatório.
◦ Atenção!
◦ Modo de disputa:
 Aberto ou Fechado (podem ser combinados)
Lei 13.303 - Artigo 54 – Critérios de Julgamento
◦ Critérios de julgamento:
 I -menor preço;
 II -maior desconto;
 III -melhor combinação de técnica e preço;
 IV -melhor técnica;
 V -melhor conteúdo artístico;
 VI -maior oferta de preço;
 VII -maior retorno econômico;
 VIII -melhor destinação de bens alienados.
◦ (podem ser combinados se houver parcelamento do objeto)

Lei 13.303 - Artigo 55 – Desempate


◦ Em caso de empate entre 2 (duas) propostas, serão utilizados, na
ordem em que se encontram enumerados, os seguintes critérios de
desempate:(art. 55)
 I -disputa final, em que os licitantes empatados poderão apresentar
nova proposta fechada, em ato contínuo ao encerramento da etapa
de julgamento;
 II -avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes, desde
que exista sistema objetivo de avaliação instituído;
 III -os critérios estabelecidos no art. 3º da Lei nº 8.248, de 23 de
outubro de 1991, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho
de 1993;
◦ LEI nº 8.248/91-Art. 3º Os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal, direta ou indireta, as fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público e as demais organizações sob o controle direto ou
indireto da União darão preferência, nas aquisições de bens e serviços
de informática e automação, observada a seguinte ordem, a:
 I -bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País;
 II -bens e serviços produzidos de acordo com processo produtivo
básico, na forma a ser definida pelo Poder Executivo.
Lei 13.303 - Artigo 55 – Desempate
◦ LEI Nº Lei nº 8.666/93, art. 3º, §2º Em igualdade de condições, como
critério de desempate, será assegurada preferência, sucessivamente,
aos bens e serviços:
 II-produzidos no País;
 III-produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
 IV -produzidos ou prestados por empresas que invistam em
pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País.(Incluído pela
Lei nº 11.196, de 2005)
 V -produzidos ou prestados por empresas que comprovem
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa com
deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam
às regras de acessibilidade previstas na legislação.(Incluído pela Lei
nº 13.146, de 2015)
 VI – Sorteio.
Lei 13.303 - Artigo 55 – Desempate
◦ A Lei inovou em relação à Lei nº 8.666/93, pois o primeiro critério para o
desempate será apresentação de novas propostas pelos 2 licitantes
empatados. Depois é que serão adotados os demais critérios. E, por
fim, se permanecer o empate será feito um sorteio.
◦ Resumindo:
 1º Critério: licitantes empatados poderão apresentar nova proposta
fechada;
 2º Critério: avaliação do desempenho contratual prévio dos
licitantes;
 3º Critério:
 LEI nº 8.248/91
 I -bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País;
 II -bens e serviços produzidos de acordo com processo produtivo
básico, na forma a ser definida pelo Poder Executivo.
 E
 LEI Nº Lei nº 8.666/93, art. 3º, §2º
 II-produzidos no País;
 III-produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
 IV -produzidos ou prestados por empresas que invistam em
pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no País.
 V -produzidos ou prestados por empresas que comprovem
cumprimento de reserva de cargos prevista em lei para pessoa
com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que
atendam às regras de acessibilidade previstas na
legislação.(Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015)(Vigência)
 4º Critério: Sorteio.
Lei 13.303 - Artigo 63 – Procedimentos Auxiliares das Licitações
◦ Art. 63. São procedimentos auxiliares das licitações regidas por esta Lei:
 I -pré-qualificação permanente;
 II -cadastramento;
 III -sistema de registro de preços;
 IV -catálogo eletrônico de padronização.
 Parágrafo único. Os procedimentos de que trata o caput deste artigo
obedecerão a critérios claros e objetivos definidos em regulamento.
Lei 13.303 - Artigo 64 – Pré-qualificação Permanente
 Considera-se pré-qualificação permanente o procedimento anterior à
licitação destinado a identificar:(art. 64)

◦ I -fornecedores que reúnam condições de habilitação exigidas para o


fornecimento de bem ou a execução de serviço ou obra nos prazos,
locais e condições previamente estabelecidos;

◦ II -bens que atendam às exigências técnicas e de qualidade da


administração pública.

◦ § 1º O procedimento de pré-qualificação será público e


permanentemente aberto à inscrição de qualquer interessado.

◦ § 2º A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão


restringir a participação em suas licitações a fornecedores ou produtos
pré-qualificados, nas condições estabelecidas em regulamento.

◦ § 3º A pré-qualificação poderá ser efetuada nos grupos ou segmentos,


segundo as especialidades dos fornecedores.

◦ § 4º A pré-qualificação poderá ser parcial ou total, contendo alguns ou


todos os requisitos de habilitação ou técnicos necessários à
contratação, assegurada, em qualquer hipótese, a igualdade de
condições entre os concorrentes.

◦ § 5º A pré-qualificação terá validade de 1 (um) ano, no máximo,


podendo ser atualizada a qualquer tempo.

◦ § 6º Na pré-qualificação aberta de produtos, poderá ser exigida a


comprovação de qualidade.

◦ § 7º É obrigatória a divulgação dos produtos e dos interessados que


forem pré-qualificados.
 Os registros cadastrais poderão ser mantidos para efeito de habilitação dos
inscritos em procedimentos licitatórios e serão válidos por 1 (um) ano, no
máximo, podendo ser atualizados a qualquer tempo.(art. 65).
 Esse registro cadastral é semelhante aquele do art. 34, da Lei nº 8.666/93.
Trata-se de registro mantido por empresas estatais que fazem licitações
frequentes com o intuito de promover, previamente, a fase de habilitação.
Sistema de Registro de Preços
 O licitante irá até a empresa estatal e fará o seu cadastro, apresentando a
documentação prévia para fins de habilitação. Quando for aberta a licitação
o licitante já estará cadastrado e habilitado.
 Art. 65, Lei nº 13.303/16
◦ § 1º Os registros cadastrais serão amplamente divulgados e ficarão
permanentemente abertos para a inscrição de interessados.
◦ § 2º Os inscritos serão admitidos segundo requisitos previstos em
regulamento.
◦ § 3º A atuação do licitante no cumprimento de obrigações assumidas
será anotada no respectivo registro cadastral.
◦ § 4º A qualquer tempo poderá ser alterado, suspenso ou cancelado o
registro do inscrito que deixar de satisfazer as exigências estabelecidas
para habilitação ou para admissão cadastral.
Sistema de Registro de Preços
 O Sistema de Registro de Preços é um sistema para registrar preços de
produtos e serviços para futuras contratações. É semelhante aquele previsto
no art. 15, da Lei nº 8.666/93. (art. 66)
◦ Exemplo: estatal compra com frequência tinta para impressoras. Faz
licitação e registra preços, quando quiser fazer a compra, verifica na ata
a melhor proposta e faz a compra da empresa.
 § 1º Poderá aderir ao sistema referido no caput qualquer órgão ou entidade
responsável pela execução das atividades contempladas no art. 1º desta
Lei.
 § 2º O registro de preços observará, entre outras, as seguintes condições:
◦ I -efetivação prévia de ampla pesquisa de mercado;
◦ II -seleção de acordo com os procedimentos previstos em regulamento;
◦ III -desenvolvimento obrigatório de rotina de controle e atualização
periódicos dos preços registrados;
◦ IV -definição da validade do registro;
◦ V -inclusão, na respectiva ata, do registro dos licitantes que aceitarem
cotar os bens ou serviços com preços iguais ao do licitante vencedor na
sequência da classificação do certame, assim como dos licitantes que
mantiverem suas propostas originais.
 § 3º A existência de preços registrados não obriga a administração pública a
firmar os contratos que deles poderão advir, sendo facultada a realização de
licitação específica, assegurada ao licitante registrado preferência em
igualdade de condições.
Lei 13.303 - Artigo 67 – Padronização das Compras
 Art. 67. O catálogo eletrônico de padronização de compras, serviços e obras
consiste em sistema informatizado, de gerenciamento centralizado,
destinado a permitir a padronização dos itens a serem adquiridos pela
empresa pública ou sociedade de economia mista que estarão disponíveis
para a realização de licitação.
 Parágrafo único. O catálogo referido no caput poderá ser utilizado em
licitações cujo critério de julgamento seja o menor preço ou o maior
desconto e conterá toda a documentação e todos os procedimentos da fase
interna da licitação, assim como as especificações dos respectivos objetos,
conforme disposto em regulamento.
Lei 13.303 - Artigo 68 – Formalização dos Contratos
 Os contratos celebrados pelas empresas estatais regulam-se pelas suas
cláusulas, pelo disposto na Lei nº 13.303/16 e pelos preceitos de direito
privado.(art. 68)
 Desse modo, existem três fontes que regulam os contratos: regras
específicas de cada contrato, regras da Lei nº 13.303/16, normas do direito
privado.
Lei 13.303 - Artigo 69 – Cláusulas dos Contratos
 São cláusulas necessárias nos contratos:(art. 69)
◦ I -o objeto e seus elementos característicos;
◦ II -o regime de execução ou a forma de fornecimento;
◦ III -o preço e as condições de pagamento, os critérios, a data-base e a
periodicidade do reajustamento de preços e os critérios de atualização
monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo
pagamento;
◦ IV -os prazos de início de cada etapa de execução, de conclusão, de
entrega, de observação, quando for o caso, e de recebimento;
◦ V -as garantias oferecidas para assegurar a plena execução do objeto
contratual, quando exigidas, observado o disposto no art. 68;
◦ VI -os direitos e as responsabilidades das partes, as tipificações das
infrações e as respectivas penalidades e valores das multas;
◦ VII -os casos de rescisão do contrato e os mecanismos para alteração
de seus termos;
◦ VIII -a vinculação ao instrumento convocatório da respectiva licitação ou
ao termo que a dispensou ou a inexigiu, bem como ao lance ou
proposta do licitante vencedor;
◦ IX –a obrigação do contratado de manter, durante a execução do
contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, as
condições de habilitação e qualificação exigidas no curso do
procedimento licitatório;
◦ X -matriz de riscos.
Lei 13.303 - Artigo 69 – Cláusulas dos Contratos
 Nos contratos decorrentes de licitações de obras ou serviços de engenharia
em que tenha sido adotado o modo de disputa aberto, o contratado deverá
reelaborar e apresentar à empresa pública ou à sociedade de economia
mista e às suas respectivas subsidiárias, por meio eletrônico, as planilhas
com indicação dos quantitativos e dos custos unitários, bem como do
detalhamento das Bonificações e Despesas Indiretas (BDI) e dos Encargos
Sociais (ES), com os respectivos valores adequados ao lance vencedor.

Lei 13.303 - Artigo 70 – Garantias


 Poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras,
serviços e compras.(Art. 70)
 Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de
garantia:
◦ I -caução em dinheiro;
◦ II -seguro-garantia;
◦ III -fiança bancária.
 A garantia não excederá a 5% (cinco por cento) do valor do contrato e terá
seu valor atualizado nas mesmas condições nele estabelecidas, ressalvado
o caso de obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo
complexidade técnica e riscos financeiros elevados, no qual o limite de
garantia poderá ser elevado para até 10% (dez por cento) do valor do
contrato.
 A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída após a
execução do contrato.
 Aqui temos regras muito semelhantes àquelas constantes na Lei nº
8.666/93.

Duração dos Contratos


 A duração dos contratos não excederá a 5 (cinco) anos, contados a partir de
sua celebração, exceto:
◦ I -para projetos contemplados no plano de negócios e investimentos da
empresa pública ou da sociedade de economia mista;
◦ II -nos casos em que a pactuação por prazo superior a 5 (cinco) anos
seja prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize
ou onere excessivamente a realização do negócio.
 É vedado o contrato por prazo indeterminado. Plano de negócios é o
instrumento que define a estratégia empresarial de curto e longo prazo, com
metas e objetivos negociais e financeiros.
 Por exemplo, a PETROBRÁS tem aprovado em Assembleia Geral que no
ano seguinte iniciará a construção de uma nova plataforma de petróleo que
demorará em média 5 anos para conclusão. Assim, os contratos vinculados
a esse projeto, vão durar pelo prazo previsto no plano de negócios da
empresa estimado para sua execução.
Lei 13.303 - Artigo 72 e 74 – Alteração dos Contratos
 Os contratos regidos pela Lei nº 13.303/16 somente poderão ser alterados
por acordo entre as partes, vedando-se ajuste que resulte em violação da
obrigação de licitar.(art. 72)
 Nesse ponto, uma inovação relevante, pois, ao contrário da Lei nº 8.666/93,
os contratos celebrados pelas empresas estatais só poderão ser alterados
por ACORDO ENTRE AS PARTES. Não há alteração unilateral pela estatal.
 A redução a termo do contrato poderá ser dispensada no caso de pequenas
despesas de pronta entrega e pagamento das quais não resultem
obrigações futuras por parte da empresa pública ou da sociedade de
economia mista. Nesse caso, ao invés de se fazer um contrato formal com
todas as suas cláusulas necessárias que a lei exigiria, a estatal está
autorizada a substituir esse instrumento contratual por outro instrumento
mais simplificado como, por exemplo, a nota fiscal.
 É permitido a qualquer interessado o conhecimento dos termos do contrato
e a obtenção de cópia autenticada de seu inteiro teor ou de qualquer de
suas partes, admitida a exigência de ressarcimento dos custos, nos termos
previstos na Lei de Acesso à Informação.(art. 74)

Lei 13.303 - Artigo 75 – Convocação e Assinatura do Contrato


 A empresa pública e a sociedade de economia mista convocarão o licitante
vencedor ou o destinatário de contratação com dispensa ou inexigibilidade
de licitação para assinar o termo de contrato, observados o prazo e as
condições estabelecidos, sob pena de decadência do direito à
contratação.(art. 75)
 Nesse caso, os prazos estarão previstos no edital da licitação.
 O prazo de convocação poderá ser prorrogado1 (uma) vez, por igual
período.
 É facultado à empresa pública ou à sociedade de economia mista,
quando o convocado não assinar o termo de contrato no prazo e nas
condições estabelecidos:
◦ I –convocar os licitantes remanescentes, na ordem de
classificação, para fazê-lo em igual prazo e nas mesmas
condições propostas pelo primeiro classificado, inclusive quanto aos
preços atualizados em conformidade com o instrumento convocatório;
◦ II -revogar a licitação.
Lei 13.303 - Artigo 75 – Responsabilidade do Contratado
 O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir,
às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se
verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de
materiais empregados, e responderá por danos causados diretamente a
terceiros ou à empresa pública ou sociedade de economia mista,
independentemente da comprovação de sua culpa ou dolo na execução do
contrato.(art. 76)
 Aqui uma redação um tanto atípica, pois estabeleceu uma espécie de
responsabilidade objetiva do contratado por danos causados a terceiros ou
à empresa estatal ao afirmar que “responderá por danos causados
diretamente a terceiros ou à empresa pública ou sociedade de economia
mista, independentemente da comprovação de sua culpa ou dolo na
execução do contrato.”
 O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais
resultantes da execução do contrato.(art. 77)

Lei 13.303 - Artigo 75 – Responsabilidade do Contratado


 A inadimplência do contratado quanto aos encargos trabalhistas, fiscais e
comerciais não transfere à empresa pública ou à sociedade de economia
mista a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto
do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações,
inclusive perante o Registro de Imóveis.
 Nesse ponto, redação idêntica à constante no art. 71, da Lei nº 8.666/93. De
modo a atribuir toda a responsabilidade pelos encargos trabalhistas, fiscais
e comerciais resultantes da execução do contrato ao contratado. Houve veto
presidencial com relação à responsabilidade solidária da Administração
Pública pelos encargos previdenciários. Inclusive o § 2º foi vetado:
◦ §2º do art. 77“§ 2º A empresa pública ou a sociedade de economia
mista responde solidariamente com o contratado pelos encargos
previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art.
31 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991.
◦ ”Razões do veto“
◦ O dispositivo se baseia, equivocadamente, no artigo 31 da Lei nº 8.212,
de 1991, cuja redação, entretanto, foi alterada pelo artigo 23 da Lei nº
9.711, de 1998, que extinguiu a responsabilidade solidária relativa às
contribuições previdenciárias, à exceção da aplicada nas contratações
de construção civil, já previstas também no artigo 30 da própria Lei nº
8.212/91.”
Lei 13.303 - Artigo 78 – Subcontratação
 O contratado, na execução do contrato, sem prejuízo das responsabilidades
contratuais e legais, poderá subcontratar partes da obra, serviço ou
fornecimento, até o limite admitido, em cada caso, pela empresa pública ou
pela sociedade de economia mista, conforme previsto no edital do
certame.(art. 78)
 É vedada a subcontratação de empresa ou consórcio que tenha participado:
◦ I -do procedimento licitatório do qual se originou a contratação;
◦ II -direta ou indiretamente, da elaboração de projeto básico ou
executivo.
 As empresas de prestação de serviços técnicos especializados deverão
garantir que os integrantes de seu corpo técnico executem pessoal e
diretamente as obrigações a eles imputadas, quando a respectiva relação
for apresentada em procedimento licitatório ou em contratação direta.

Lei 13.303 - Artigo 81 – Alteração dos Contratos


 Os contratos celebrados nos regimes previstos nos incisos I a V do art. 43
contarão com cláusula que estabeleça a possibilidade de alteração, POR
ACORDO ENTRE AS PARTES, nos seguintes casos:(art. 81)
◦ I -quando houver modificação do projeto ou das especificações, para
melhor adequação técnica aos seus objetivos;
◦ II -quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência
de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites
permitidos por esta Lei;
◦ III -quando conveniente a substituição da garantia de execução;
◦ IV -quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou
serviço, bem como do modo de fornecimento, em face de verificação
técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais originários;
◦ V -quando necessária a modificação da forma de pagamento, por
imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial
atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação ao
cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação de
fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço;
◦ VI -para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente
entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a
justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a
manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, na
hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
consequências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução
do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do
príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual.
Lei 13.303 - Artigo 81 – Alteração dos Contratos
 O contratado poderá aceitar, nas mesmas condições contratuais, os
acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras,
até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e,
no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de
50% (cinquenta por cento) para os seus acréscimos.
 Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder tais limites, salvo as
supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes.
 Note, mais uma vez, que para fazer acréscimos ou supressões, inclusive
dentro dos percentuais fixados em lei o contratado deverá ACEITAR as
modificações, pois a lei usa a expressão ‘poderá?’ aceitar. Na Lei nº
8.666/93 essas alterações podem ser feitas unilateralmente pela
Administração Pública independentemente da vontade do contratado.
 No caso de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver
adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, esses materiais
deverão ser pagos pela empresa pública ou sociedade de economia mista
pelos custos de aquisição regularmente comprovados e monetariamente
corrigidos, podendo caber indenização por outros danos eventualmente
decorrentes da supressão, desde que regularmente comprovados.
 A criação, a alteração ou a extinção de quaisquer tributos ou encargos
legais, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas
após a data da apresentação da proposta, com comprovada repercussão
nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para
menos, conforme o caso.

Lei 13.303 - Artigo 81 – Alteração dos Contratos


 Em havendo alteração do contrato que aumente os encargos do contratado,
a empresa pública ou a sociedade de economia mista deverá restabelecer,
por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial. Trata-se de
imposição que decorre do art. 37, XXI, da CF, pois durante toda a execução
contratual o equilíbrio financeiro do contrato deverá ser mantido.
 A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto
no próprio contrato e as atualizações, compensações ou penalizações
financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem
como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do
seu valor corrigido, não caracterizam alteração do contrato e podem ser
registrados por simples apostila, dispensada a celebração de aditamento.
 Assim, simples REAJUSTES (atualização de valores) são feitos por
apostilamento.
 De outro modo, sendo alteração para restabelecer a relação que as partes
pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado (caso de REVISÃO
do contrato) será feita por aditamento. É vedada a celebração de aditivos
decorrentes de eventos supervenientes alocados, na matriz de riscos, como
de responsabilidade da contratada.
Lei 13.303 - Artigo 85 – Fiscalização pelo Estado e pela Sociedade
 Os órgãos de controle externo e interno das 3 (três) esferas de governo
fiscalizarão as empresas públicas e as sociedades de economia mista a
elas relacionadas, inclusive aquelas domiciliadas no exterior, quanto à
legitimidade, à economicidade e à eficácia da aplicação de seus recursos,
sob o ponto de vista contábil, financeiro, operacional e patrimonial. (art. 85)
 O acesso dos órgãos de controle às informações será restrito e
individualizado.
 Para a realização da atividade fiscalizatória, os órgãos de controle deverão
ter acesso irrestrito aos documentos e às informações necessários à
realização dos trabalhos, inclusive aqueles classificados como sigilosos pela
empresa pública ou pela sociedade de economia mista, nos termos da Lei
no 12.527, de 18 de novembro de 2011.
 Veja que, mesmo sendo a informação sigilosa, os órgãos de controle terão
acesso, inclusive quanto aos atos estratégicos de gestão empresarial.
 O grau de confidencialidade será atribuído pelas empresas públicas e
sociedades de economia mista no ato de entrega dos documentos e
informações solicitados, tornando-se o órgão de controle com o qual foi
compartilhada a informação sigilosa corresponsável pela manutenção do
seu sigilo.
 Os atos de fiscalização e controle dispostos aplicar-se-ão, também, às
empresas públicas e às sociedades de economia mista de caráter e
constituição transnacional no que se refere aos atos de gestão e aplicação
do capital nacional, independentemente de estarem incluídos ou não em
seus respectivos atos e acordos constitutivos.
 As informações das empresas públicas e das sociedades de economia
mista relativas a licitações e contratos, inclusive aqueles referentes a bases
de preços, constarão de bancos de dados eletrônicos atualizados e com
acesso em tempo real aos órgãos de controle competentes. (art. 86)
 As atas e demais expedientes oriundos de reuniões, ordinárias ou
extraordinárias, dos conselhos de administração ou fiscal das empresas
públicas e das sociedades de economia mista, inclusive gravações e
filmagens, quando houver, deverão ser disponibilizados para os órgãos de
controle sempre que solicitados, no âmbito dos trabalhos de auditoria.
 As informações que sejam revestidas de sigilo bancário, estratégico,
comercial ou industrial serão assim identificadas, respondendo o servidor
administrativa, civil e penalmente pelos danos causados à empresa pública
ou à sociedade de economia mista e a seus acionistas em razão de
eventual divulgação indevida.
Lei 13.303 - Artigo 85 – Fiscalização pelo Estado e pela Sociedade
 O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais instrumentos
regidos por esta Lei será feito pelos órgãos do sistema de controle interno e
pelo tribunal de contas competente, na forma da legislação pertinente,
ficando as empresas públicas e as sociedades de economia mista
responsáveis pela demonstração da legalidade e da regularidade da
despesa e da execução, nos termos da Constituição. (art. 87)
 Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar edital de licitação por
irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar o pedido até 5
(cinco) dias úteis antes da data fixada para a ocorrência do certame,
devendo a entidade julgar e responder à impugnação em até 3 (três) dias
úteis.
 Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá
representar ao tribunal de contas ou aos órgãos integrantes do sistema de
controle interno contra irregularidades na aplicação da Lei nº 13.303/16 .
 Os tribunais de contas e os órgãos integrantes do sistema de controle
interno poderão solicitar para exame, a qualquer tempo, documentos de
natureza contábil, financeira, orçamentária, patrimonial e operacional das
empresas públicas, das sociedades de economia mista e de suas
subsidiárias no Brasil e no exterior, obrigando-se, os jurisdicionados, à
adoção das medidas corretivas pertinentes que, em função desse exame,
lhes forem determinadas.
 As empresas públicas e as sociedades de economia mista deverão
disponibilizar para conhecimento público, por meio eletrônico, informação
completa mensalmente atualizada sobre a execução de seus contratos e de
seu orçamento, admitindo-se retardo de até 2 (dois) meses na divulgação
das informações. (art. 88)
 A disponibilização de informações contratuais referentes a operações de
perfil estratégico ou que tenham por objeto segredo industrial receberá
proteção mínima necessária para lhes garantir confidencialidade.
 O exercício da supervisão por vinculação da empresa pública ou da
sociedade de economia mista, pelo órgão a que se vincula, não pode
ensejar a redução ou a supressão da autonomia da entidade supervisionada
ou da autonomia inerente a sua natureza, nem autoriza a ingerência do
supervisor em sua administração e funcionamento, devendo a supervisão
ser exercida nos limites da legislação aplicável.
 As ações e deliberações do órgão ou ente de controle não podem implicar
interferência na gestão das empresas públicas e das sociedades de
economia mista a ele submetidas nem ingerência no exercício de suas
competências ou na definição de políticas públicas.
Lei 13.303 - Artigo 91 – Disposições Finais e Transitórias
 Art. 91. A empresa pública e a sociedade de economia mista constituídas
anteriormente à vigência desta Lei deverão, no prazo de 24 (vinte e quatro)
meses, promover as adaptações necessárias à adequação ao disposto
nesta Lei.
◦ § 1º A sociedade de economia mista que tiver capital fechado na data de
entrada em vigor desta Lei poderá, observado o prazo estabelecido no
caput, ser transformada em empresa pública, mediante resgate, pela
empresa, da totalidade das ações de titularidade de acionistas privados,
com base no valor de patrimônio líquido constante do último balanço
aprovado pela assembleia-geral.
◦ § 2º (VETADO).
◦ § 3º Permanecem regidos pela legislação anterior procedimentos
licitatórios e contratos iniciados ou celebrados até o final do prazo
previsto no caput.
 Art. 92. O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins
manterá banco de dados público e gratuito, disponível na internet, contendo
a relação de todas as empresas públicas e as sociedades de economia
mista.
 Parágrafo único. É a União proibida de realizar transferência voluntária de
recursos a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios que não fornecerem
ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins as
informações relativas às empresas públicas e às sociedades de economia
mista a eles vinculadas.
Lei 13.303 - Artigo 93 – Disposições Finais e Transitórias
 Art. 93. As despesas com publicidade e patrocínio da empresa pública e da
sociedade de economia mista não ultrapassarão, em cada exercício, o limite
de 0,5% (cinco décimos por cento) da receita operacional bruta do exercício
anterior.
◦ § 1º O limite disposto no caput poderá ser ampliado, até o limite de 2%
(dois por cento) da receita bruta do exercício anterior, por proposta da
diretoria da empresa pública ou da sociedade de economia mista
justificada com base em parâmetros de mercado do setor específico de
atuação da empresa ou da sociedade e aprovada pelo respectivo
Conselho de Administração.
◦ § 2º É vedado à empresa pública e à sociedade de economia mista
realizar, em ano de eleição para cargos do ente federativo a que sejam
vinculadas, despesas com publicidade e patrocínio que excedam a
média dos gastos nos 3 (três) últimos anos que antecedem o pleito ou
no último ano imediatamente anterior à eleição.
 Art. 94. Aplicam-se à empresa pública, à sociedade de economia mista e às
suas subsidiárias as sanções previstas na Lei no 12.846, de 1o de agosto
de 2013, salvo as previstas nos incisos II, III e IV do caput do art. 19 da
referida Lei.
 Art. 95. A estratégia de longo prazo prevista no art. 23 deverá ser aprovada
em até 180 (cento e oitenta) dias da data de publicação da presente Lei.
 Art. 96. Revogam-se:
◦ I - o § 2o do art. 15 da Lei no 3.890-A, de 25 de abril de 1961, com a
redação dada pelo art. 19 da Lei no 11.943, de 28 de maio de 2009;
◦ II - os arts. 67 e 68 da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997.
 Trata-se de dispositivos que autorizavam a PETROBRÁS a ter licitação
diferenciada fixada por decreto. Foi revogada essa autorização. Assim, a
PETROBRÁS deve seguir o disposto na Lei nº 13.303/16 sobre licitações e
contratos.