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A PROTEÇÃO DO INDIVÍDUO QUANTO AO

TRATAMENTO DE SEUS DADOS PESSOAIS EM


AMBIENTE DIGITAL: UM ENTRAVE À
INOVAÇÃO TECNOLÓGICA?

Daniel Francisco Nagão Menezes1

Alessyara Giocássia Resende de Sá Rocha Vidigal2

Resumo: O desenvolvimento tecnológico e o advento de novas


técnicas de registro, armazenamento e processamento de dados,
trazem em seu bojo o debate jurídico quanto aos limites do
avanço da tecnologia, face à proteção, que se impõe, dos direitos
concernentes à esfera privada do indivíduo. Nesse sentido, o pre-
sente artigo objetiva analisar o problema: a proteção do indiví-
duo quanto ao tratamento de dados pessoais seria um entrave à
inovação? Nesse sentido, buscar-se-á realizar a sistematização
da relevância da inovação; dos avanços da inovação tecnológica
quanto ao tratamento de dados pessoais; da tutela constitucional
quanto ao tratamento de dados pessoais e a ponderação se a pro-
teção do indivíduo quanto ao tratamento de seus dados seria um
entrave à inovação.

Palavras-Chave: Inovação. Desenvolvimento. Dados pessoais.


Dignidade da pessoa humana. Ponderação.

1
Graduação em Direito (PUC-Campinas), Mestre e Doutor em Direito Político e Eco-
nômico (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Pós-Doutor em Direito (USP). Pós-
Doutorando em Economia (UNESP-Araraquara). Professor do Programa de Pós-Gra-
duação em Direito Político e Econômico da Faculdade de Direito da Universidade
Presbiteriana Mackenzie.
2
Graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Mes-
tranda em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo.

Ano 7 (2021), nº 4, 251-277


_252________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

Abstract: Technological development and the advent of new


techniques of data recording, storage and processing, bring
within it the legal debate regarding the limits of the advancement
of technology, in view of the protection, which is imposed, of
the rights concerning the private sphere of the individual. In this
sense, this article aims to analyze the problem: would the pro-
tection of the individual regarding the processing of personal
data be an obstacle to innovation? In this sense, we will seek to
systematize the relevance of innovation; advances in technolog-
ical innovation regarding the processing of personal data; con-
stitutional protection regarding the processing of personal data
and considering whether the protection of the individual regard-
ing the processing of his data would be an obstacle to innovation.

Keywords: Innovation. Development. Personal data. Dignity of


human person. Weighting.

1 INTRODUÇÃO

o presente estudo, abordar-se-á a análise do pro-


blema a ser discutido: a proteção do indivíduo
quanto ao tratamento de dados pessoais seria um
entrave à inovação?
O desenvolvimento tecnológico e o ad-
vento de novas técnicas de registro, armazenamento e processa-
mento de dados, trazem em seu bojo o debate jurídico quanto
aos limites do avanço da tecnologia, face à proteção, que se im-
põe, dos direitos concernentes à esfera privada do indivíduo. A
inovação transforma e substitui as formas de produção e organi-
zação da economia, dando lugar a novos mercados, processos e
mercadorias mais eficientes do que os antecedentes. Contudo,
impera-se destacar impacto ainda maior: trata-se de fator pri-
mordial ao desenvolvimento de uma nação.
O Estado brasileiro, por meio da Constituição Federal e
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da Lei de Inovação (n. 10.973/04), traz o reconhecimento de que


a inovação, a ciência e a tecnologia são fatores essenciais do pro-
gresso, o que segue em sintonia às diretrizes políticas de países
em todo o mundo.
Na sociedade contemporânea, a base segura de um pro-
cesso consistente de inovação é o desenvolvimento de compe-
tências técnicas diferenciadas, capazes de transformar a gama de
produtos e os seus processos de produção, criando mercados
para a inovação e destruindo ou enfraquecendo mercados pré-
existentes. A formação de redes, a intensidade de conexões e a
rapidez da informação, gerada pela “economia do conheci-
mento”, têm criado um grande impacto no ramo dos negócios,
intensificando a competição empresarial e a busca, em ciclos
constantes e contínuos, por inovações3, notadamente quando se
considera que a “informação” é subsídio para a criação ou apri-
moramento de produtos e serviços, o que se potencializa no am-
biente digital. Hodiernamente as informações pessoais detêm
grande valor comercial e ganham especial importância quando
se tornam insumo para a realização de novos negócios. Ocorre
que o tratamento de dados não pode ocorrer de forma indiscri-
minada, razão pela qual impera-se a ponderação da tutela cons-
titucional quanto ao tratamento de dados pessoais.
Nesse sentido, buscar-se-á realizar a sistematização da
relevância da inovação; dos avanços da inovação tecnológica
quanto ao tratamento de dados pessoais; da tutela constitucional
quanto ao tratamento de dados pessoais e a ponderação se a pro-
teção do indivíduo quanto ao tratamento de dados seria um en-
trave à inovação.

2 INOVAÇÃO COMO PRESSUPOSTO PARA O DESEN-


VOLVIMENTO

3
FLORES, André Stringhi. Incentivo fiscal de inovação: impacto da Lei do Bem nas
empresas brasileiras. R. de Dir. Empresarial – RDEmp | Belo Horizonte, ano 12, n. 1,
p. 101-123, jan./abr. 2015. Pág. 101
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As inovações são cada vez mais reconhecidas como for-


ças motrizes centrais da transformação das estruturas econômi-
cas e do desenvolvimento dos países de todo o mundo, no con-
texto da sociedade contemporânea.
Building upon the analysis of Adam Smith and Karl Marx, Jo-
seph Schumpeter explicitly incorporated innovation as a cen-
tral variable in economic analysis. In fact, technology and tech-
nical change were important parts of the post-war debate on
development. Schumpeter’s concept of development contrib-
uted to this debate with two central ideas: the connection of
technology with production, and the disruptive character of de-
velopment. The first idea relates innovation with economic
agents, leading to the generation of new products and processes
or the establishment of new markets. The second idea encom-
passes the understanding that the evolution of the economic
system is marked by the continuous destruction of old struc-
tures and the creation of new ones. This idea was further de-
veloped by many scholars, showing how great transformations
of the world economy over centuries were related to new
modes of production and the diffusion of technologies, such as
the steam engine, telegraph, electricity, and information and
communication technologies (ICTs)4.
O avanço das tecnologias transforma e substitui as for-
mas de produção e organização da economia, dando lugar a no-
vos mercados, processos e mercadorias, mais eficientes do que
os antecedentes5. A importância de se investir em desenvolvi-
mento científico, tecnológico e de inovação foi primeiramente
reconhecida por economistas, cujas teorias passaram a conside-
rar a produção de inovação como fator essencial para o cresci-
mento econômico ao proporcionar ganhos de competitividade,
4
CASSIOLATO, José Eduardo & MATOS, Marcelo G. Pessoa de & LASTRES, He-
lena M. M. Innovation Systems - https://www.researchgate.net/publica-
tion/299898698 - Pág.7
5
BAPTISTA, Patrícia & KELLER, Clara Iglesias. Por que, quando e como regular as
novas tecnologias? Os desafios trazidos pelas inovações disruptivas. Artigo recebido
em 29 de agosto de 2016 e aprovado em 29 de setembro de 2016. DOI: http://
dx.doi.org/10.12660/rda.v273.2016.66659 - RDA – revista de direito administrativo,
rio de Janeiro, v. 273, p. 123-163, set./dez. 2016 – Pág. 129
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de produtividade e de mercado, com a criação de novos produ-


tos6. Segundo João Furtado, a inovação é, em sua essência, um
fenômeno econômico, e a base segura de um processo consis-
tente de inovação é o desenvolvimento de competências técnicas
diferenciadas, capazes de transformar a gama de produtos e os
seus processos de produção, criando mercados para a inovação
e destruindo ou enfraquecendo mercados pré-existentes7.
[...] pode-se dizer que a dinâmica da inovação só pode ser con-
siderada enraizada de forma definitiva quando ela se torna in-
contornável, quer dizer, quando a única maneira de conviver
com os ataques vindos de outras empresas utilizando as armas
típicas do campo da inovação (e responder-lhes) de maneira
saudável é por meio de respostas análogas. Este patamar é al-
cançado quando as empresas – pelo menos algumas empresas
– estão num patamar de desenvolvimento tecnológico que ali-
menta de forma contínua os seus processos de inovação e os
resultados obtidos no(s) mercado(s). Uma vez alcançado este
patamar crítico é que a dinâmica inovativa deixa de ser uma
alternativa entre vários caminhos possíveis que se abrem para
cada empresa em particular e para a dinâmica setorial (daquele
grupo ou subgrupo de empresas que se vêem como rivais) e
torna-se uma condição indispensável de sobrevivência8.
De forma geral, a inovação pode surgir pela ação, estudo,
pesquisa de qualquer agente interessado, seja ele pesquisador,
agente público ou mesmo por demanda de empresa, mas uma
característica é fundamental: em sua base, busca-se o encontro
de novas soluções para um processo já existente ou para a cria-
ção de alternativas disruptivas. E o motor primordial da inova-
ção é a obtenção e vantagens. Enquanto as empresas puderem,
em qualquer indústria e mercado, sobreviver com armas tradici-
onais aos desafios da concorrência, os padrões contemporâneos

6
CLARK, Giovani & TORRES, Luiza Viana & CORREA, Leonardo Alves. O pla-
nejamento estatal, inovação e políticas públicas. R. de Dir. Empresarial – RDEmp |
Belo Horizonte, ano 14, n. 2, p. 209-226, maio/ago. 2017. Pág. 209
7
FURTADO, João. O Estado da Inovação no Brasil: Evolução Recente e Perspectivas
- www.finep.gov.br/portaldpp . Pág. 19
8
FURTADO, João. O Estado da Inovação no Brasil: Evolução Recente e Perspectivas
- www.finep.gov.br/portaldpp . Págs. 19/20
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de produção e desenvolvimento não poderão ser considerados


arraigados, muito menos poderão ser dominantes. A inovação
bem-sucedida retira dos concorrentes fatias de mercado, dedu-
zindo-lhes valores que são agregados à empresa inovadora. É no
resultado do desenvolvimento da nova alternativa, resultante da
inovação, que o agente inovador alimenta o processo face a seus
competidores, razão pela qual a ação de um agente interfere no
ambiente em que figuram os demais.
O papel da inovação é tão relevante para o progresso de
uma nação que a maioria dos países concede apoio fiscal para o
desenvolvimento tecnológico das empresas, com isso, confere
estímulos à desenvolução de novas técnicas. Nesse sentido, o
papel contemporâneo fundamental de uma política de desenvol-
vimento tecnológico e inovação no contexto brasileiro é o de
ajudar a dar potência aos esforços das empresas9. Giovani Clark;
Luiza Viana Torres e Leonardo Alves Correa dispõem que a ino-
vação deve ser entendida como um conjunto de métodos e prá-
ticas ou a implementação de produtos que são capazes de mudar
um conjunto econômico vigente10. Mazzucato, em referência a
Keynes e Schumpeter, dispõe que os investimentos em inovação
pelo Estado podem estimular uma economia produtiva, que gere
lucro e receitas capazes de financiar direitos ligados ao bem-es-
tar social. Ainda no âmbito da ciência econômica, a estudiosa
dispõe que existe um debate entre os economistas sobre quais
seriam os fatores mais importantes para o crescimento econô-
mico, mas afigura-se unânime a relevância crucial da tecnolo-
gia11. Os países de todo o mundo buscam alcançar um cresci-
mento econômico que seja inteligente, inclusivo e sustentável, o
9
FURTADO, João. O Estado da Inovação no Brasil: Evolução Recente e Perspectivas
- www.finep.gov.br/portaldpp . Págs. 21
10
CLARK, Giovani & TORRES, Luiza Viana & CORREA, Leonardo Alves. O pla-
nejamento estatal, inovação e políticas públicas. R. de Dir. Empresarial – RDEmp |
Belo Horizonte, ano 14, n. 2, p. 209-226, maio/ago. 2017. Pág. 209
11
MAZZUCATO, Mariana. O estado empreendedor: desmascarando o mito do setor
público vs. Setor privado. Tradução Elvira Serapicos. São Paulo: Portfolio-Penguin,
2014. Pag.60/61
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que muitas vezes dependente de processos de inovação para ser


alcançado. Nesse sentido, surge a grande razão para que o go-
verno busque articular alternativas para possibilitar que se de-
senvolva a inovação.
In this context, innovation policy is about identifying and ar-
ticulating new missions that can galvanize production, distri-
bution, and consumption patterns across sectors. Mission-ori-
ented policies can be defined as systemic public policies that
draw on frontier knowledge to attain specific goals or ‘big sci-
ence’ deployed to meet big problems12
Nesse sentido, a variável meramente econômica é iden-
tificada como insuficiente para gerar o desenvolvimento de uma
nação. O desenvolvimento é que deveria ser o fim último a ser
perseguido, por distribuir os resultados do crescimento econô-
mico e, assim, promover as transformações sociais necessárias
em países em desenvolvimento, como o Brasil13. E, nesse sen-
tido, o Estado brasileiro, por meio da Constituição Federal e da
Lei de Inovação (n. 10.973/04), traz o reconhecimento de que a
inovação, a ciência e a tecnologia são fatores essenciais do pro-
gresso14. A inovação é essencialmente um processo também so-
cial. Se a principal restrição de desenvolvimento de uma região
ou país é a erradicação da miséria, a inovação tem um papel
muito relevante no fornecimento de possíveis soluções15.
The results of the Brazil Without Misery plan reinforce two
main arguments of this chapter. First, in order to achieve

12
MAZZUCATO, Mariana & PENNA, Caetano. The Brazilian Innovation System:
A Mission-Oriented Policy Proposal. Avaliação de Programas em CT&I. Apoio ao
Programa Nacional de Ciência (Plataformas de conhecimento). Brasília, DF: Centro
de Gestão e Estudos Estratégicos, 2015. Pág. 6
13
CLARK, Giovani & TORRES, Luiza Viana & CORREA, Leonardo Alves. O pla-
nejamento estatal, inovação e políticas públicas. R. de Dir. Empresarial – RDEmp |
Belo Horizonte, ano 14, n. 2, p. 209-226, maio/ago. 2017. Pág. 210
14
Arts.218 e 219 da Constituição Federal.
Lei 10.973/04 - Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnoló-
gica no ambiente produtivo e dá outras providências.
15
CASSIOLATO, José Eduardo & MATOS, Marcelo G. Pessoa de & LASTRES,
Helena M. M. Innovation Systems - https://www.researchgate.net/publica-
tion/299898698 - Pag. 33
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development it is necessary to tackle inequalities, and therefore


that objective should be at the center of the research and policy
agendas. This requires widening the perception of innovation
systems, understanding that innovation is not restricted to a
group of “advanced” actors, activities, and regions of the
world. This will probably shed light on the group of activities
capable of mobilizing productive inclusion and improving es-
sential public goods and services. Second, the above results un-
derline the need to overcome the trap of ignoring territories and
contexts and dissociating economic from social development,
in both research and policy programs—hence the importance
of understanding production and innovation systems centered
in activities such as health, sanitation, etc16.
A inovação não se refere apenas à geração de novas
idéias, mas também à tentativa de explorar essas idéias na prá-
tica, a fim de aumentar a competitividade e responder aos pro-
blemas ou desafios que surgem. Nesse sentido, é que a inovação
surge como resposta a problemas sociais e econômicos.
It is this “problem-solving” nature that potentially makes inno-
vation a relevant force for dealing with important social and
economic issues that politicians care about. Innovation policy
is therefore particularly relevant when politicians are able to
clearly define problems that they want innovation to contribute
to the solution of. An effective innovation policy is one that
provides direction to firm’s innovation efforts and that is cred-
ible and not subject to frequent, unpredictable changes. Under-
stood in this way, innovation policy may be a powerful tool for
transforming our economy in fundamental ways, e.g., away
from its dependence on burning of fossil fuels (Fagerberg et al
2016; Schot 2015). Second, in order to transform economies
and cope with societal challenges through innovation, policy
makers may need to adjust their instrumentation. In many
countries general subsidies to R&D expenditures in firms (of-
ten through the tax system) have been considered as a central
element of innovation policy.17

16
CASSIOLATO, José Eduardo & MATOS, Marcelo G. Pessoa de & LASTRES,
Helena M. M. Innovation Systems - https://www.researchgate.net/publica-
tion/299898698 - Pág.33
17
EDLER, Jakob & FAGERBERG, Jan. Innovation Policy: What, Why & How -
http://ideas.repec.org/s/tik/inowpp.html - Pág. 17
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Nesse sentido, a inovação não é apenas relevante em ati-


vidades baseadas na ciência ou na indústria de transformação,
mas também se destaca a relevância de impacto em diversos se-
tores da sociedade, incluindo, por exemplo, indústrias de servi-
ços, indústrias criativas e o setor público. É justamente o que
hoje consagra a Constituição Federal, ao prever que o Estado
promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pes-
quisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação, dando-
lhe tratamento prioritário na busca pelo progresso, pela solução
dos problemas brasileiros, pelo desenvolvimento do sistema pro-
dutivo e pela autonomia tecnológica (arts. 218 e 219 da CR).

3 O VALOR DOS DADOS PESSOAIS NO CONTEXTO DA


ERA DIGITAL

Na era digital, dados tornam-se grande ativo e patri-


mônio. O valor, contudo, das informações não consiste tão so-
mente na sua capacidade de acúmulo e no interesse a serviço de
que e de quem podem ser usadas, mas, notadamente, na perspec-
tiva de que é possível obter novos elementos informativos a res-
peito dos indivíduos a partir do estudo de dados previamente for-
necidos18.
A nova assimetria informacional não se reduz ao poder, nada
desprezível, que o fornecedor pode ganhar com relação ao con-
sumidor na medida em que reúne e trata informações ao seu
respeito. Ela se revela também como eixo do modelo de negó-
cio em que a informação pessoal se objetiva como a principal
mercadoria. Verifica-se uma modificação no perfil do fluxo in-
formacional entre fornecedor e consumidor – aos olhos da ati-
vidade de marketing, este deixou de atuar prioritariamente ape-
nas como destinatário de informações, tonando-se fonte de da-
dos que moldam as formas de abordagem não mais tendo em
vista um grupo ou segmento de consumidores, mas

18
SCHERTEL, Laura Mendes. Privacidade, proteção de dados e defesa do consumi-
dor. Linhas gerais de um novo direito fundamental. São Paulo. Editora Saraiva. 2014,
1a Ed. Pág. 30.
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individualizadamente19.
Como tecnologia, em sentido amplo, pode ser conside-
rado qualquer processo com capacidade de transformação da re-
alidade, física ou virtual. Uma inovação disruptiva ocorre
quando esta for capaz de enfraquecer ou, eventualmente, de
substituir indústrias, empresas ou produtos estabelecidos no
mercado20. E justamente como exemplo de uma inovação
disruptiva, pode-se se citar a capacidade de se gerar produtos,
serviços, riqueza e desenvolvimento pela manipulação e trata-
mento de dados pessoais. No mundo cercado pelos avanços ci-
entíficos, o ambiente com que se defrontam as empresas tem
sido, a cada dia que passa, mais concorrido, complexo e dinâ-
mico. O crescimento e o avanço das tecnologias têm criado rea-
lidades cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidi-
mensionais e transnacionais. A formação de redes, a intensidade
de conexões e a rapidez da informação, gerada pela “economia
do conhecimento”, têm criado um grande impacto no ramo dos
negócios, intensificando a competição empresarial e a busca, em
ciclos constantes e contínuos, por inovações21, notadamente
quando se considera que a “informação” é subsídio para a cria-
ção ou aprimoramento de produtos e serviços, o que se potenci-
aliza no ambiente digital. Hodiernamente as informações pesso-
ais detêm grande valor comercial e ganham especial importância
quando se tornam insumo para a realização de novos negócios.
Os dados prospectados por meio de um contínuo processo de
coleta a que alguns autores reservam o nome emblemático de

19
DONEDA, Danilo. A proteção de dados pessoais nas relaçōes de consumo: para
além da informação creditícia. Escola Nacional de Defesa do Consumidor. Brasília:
SDE/DPDC, 2010 Pág. 61.
20
BAPTISTA, Patrícia & KELLER, Clara Iglesias. Por que, quando e como regular
as novas tecnologias? Os desafios trazidos pelas inovações disruptivas. Artigo rece-
bido em 29 de agosto de 2016 e aprovado em 29 de setembro de 2016. DOI: http://
dx.doi.org/10.12660/rda.v273.2016.66659 - RDA – revista de direito administrativo,
rio de Janeiro, v. 273, p. 123-163, set./dez. 2016 – Pág. 129
21
FLORES, André Stringhi. Incentivo fiscal de inovação: impacto da Lei do Bem nas
empresas brasileiras. R. de Dir. Empresarial – RDEmp | Belo Horizonte, ano 12, n. 1,
p. 101-123, jan./abr. 2015. Pág. 101
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________261_

data mining, são empregados gradativamente na composição


de um perfil do consumidor ou de um grupo de consumidores22.
A título de exemplo,
Algumas empresas começaram a explorar a possibilidade de se
tornarem data brokers dos cidadãos, uma espécie de corretores
de dados que gerenciariam nossa informação, devolvendo-nos
parte dos lucros gerados por ela (...). Na aurora dessa promessa
de negócio, proliferam corretores de dados dedicados ao cru-
zamento de diferentes bases para aumentar o preço de venda
dos perfis gerados a partir do cruzamento de informações de
atividade online e offline: relatórios médicos, por exemplo, po-
dem adicionar muito valor a um histórico de busca na inter-
net23.
A partir de dados pessoais serão extraídas as descobertas
capazes de transformar a realidade não só das organizações, mas
de novos mercados.
“Com a inteligência gerada pela ciência mercadológica, espe-
cialmente quanto à segmentação dos bens de consumo (marke-
ting) e sua promoção (publicidade), os dados pessoais dos ci-
dadãos convertem-se em um fator vital para a engrenagem da
economia da informação. E com a possibilidade de organizar
tais dados de maneira mais escalável (e.g., big data), criou-se
um (novo) mercado cuja base de sustentação é a sua extração e
comodificação. Há uma ‘economia de vigilância’ que tende a
posicionar o cidadão como um mero expectador das suas infor-
mações”24.
“O que faz a empresa ganhar dinheiro não é receber a informa-
ção em si própria. É transformar essa informação em conheci-
mento que depois é aplicado”25.
A respeito da utilização com fins negociais de dados pes-
soais, dispõe Veridiana Alimonti:

22
SCHREIBER, Anderson. Direito à privacidade n Brasil: Avanços e retrocessos em
25 anos de Constituição in Direitos fundamentais e jurisdição constitucional. Alexan-
dre Freire coordenação – 1a ed. São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 2014. Pág.
183/201
23
https://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/12/tecnologia/1434103095_932305.html
24
BIONI, Bruno Ricardo. Proteção de dados pessoais: a função e os limites do con-
sentimento. Rio de Janeiro: Forense, 2019. Pag. 12/13
25
AMARAL, João Ferreira do. Economia da informacao e do conhecimento. Coim-
bra: Almedina, 2009. Pág. 116
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A constituição de bancos de dados sobre consumidores não é


novidade, tampouco foi inaugurada com a digitalização da in-
formação ou com a polarização da internet. Entretanto, é certo
que as ferramentas digitais de coleta, tratamento, armazena-
mento e transferência de dados pessoais potencializaram essas
operações em quantidade, qualidade e velocidade, conferindo
cada vez mais destaque a esse tema no contexto da tutela do
consumidor e do cidadão26.
E sobre o tema, alerta Danilo Doneda:
a abundância de informação passível de ser obtida sobre o con-
sumidor pode caracterizar uma nova vulnerabilidade do consu-
midor em relação àqueles que detêm a informação pessoal. O
acesso do fornecedor a estas informações é capaz de desequili-
brar a relação de consumo em várias de suas fases, ao consoli-
dar uma nova modalidade de assimetria informacional27.
Henrique Antoun, especialista sobre cibercultura dispõe
a respeito do poder de gestão das informações:
Podemos pensar que o poder da mídia de massa deixou de ser
um poder moderno, sob a forma de uma ação sobre a ação pre-
sente, para tornar-se um poder de controle, investindo a ação
sobre uma ação futura (Deleuze, 1992; Foucault, 2008). Mais
do que um lugar disciplinar de irradiação e circulação de ordem
(Deleuze & Guattari, 1980; Foucault, 1977a), ele revela-se
como um poder de atualização da memória nas comunicações.
No caso da mídia massiva trata-se de um monopólio sobre a
atualização das informações; um poder de monopolizar, pro-
cessar e narrar (...) e a informação é atualizada para mobilizar
as esferas de decisão e ação social sendo preferencialmente in-
vestido para endossar ou inibir os programas eleitorais de can-
didatos a cargos executivos, as imagens públicas de candidatos
majoritários épocas de eleição e as discussões legais acopladas
a decisões parlamentares para criação ou transformação de leis
existentes28.

26
ALIMONTI, Veridiana. O fortalecimento da protecao do consumidor com o marco
civil da internet. In Vigilância e visibilidade: espaço, tecnologia e identificação / or-
ganizado por Fernanda Bruno, Marta Kanashiro e Rodrigo Firmino. Porto Alegre,
210. Pág.215/257
27
DONEDA, Danilo. A proteção de dados pessoais nas relaçōes de consumo: para
além da informação creditícia. Escola Nacional de Defesa do Consumidor. Brasília:
SDE/DPDC, 2010 Pág. 9-10
28
ANTOUN, Henrique Vigilância, comunicação e subjetividade na cibercultura. In
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________263_

Ressalte-se, contudo, que o tratamento de dados pessoais


possui impactos para além da mera relação de mercado, sendo
que cada vez mais ganha interesse dos setores público de segu-
rança, saúde e educação. Contudo, para que qualquer agente in-
teressado no tratamento de dados avance nesse sentido é essen-
cial avaliar os limites e diretrizes impostos pela Constituição Fe-
deral a fim de respeitar os direitos da privacidade e da dignidade
da pessoa humana do titular dos dados.

4 DA TUTELA CONSTITUCIONAL QUANTO AO TRATA-


MENTO DE DADOS PESSOAIS

Mariane Sardenberg Sussekind lista cinco direitos fun-


damentais do indivíduo face à informática:
o direito à intimidade – consistindo na limitação de informa-
ções prestáveis apenas aos fins específicos da fonte coletora;
o direito à confidencialidade – visando coibir o acesso às infor-
mações de terceiros não legitimados;
o direito de acesso às informações coletadas a seu próprio res-
peito – com fins de identificar sua extensão e grau de exatidão;
o direito à correção e eventual exclusão de informações inexa-
tas que sejam incabíveis ou irrelevantes para os fins propostos
pela fonte coletora;
o direito à prescritibilidade de informações de caráter potenci-
almente danoso, considerando-se o decurso do tempo e a não
repetição de faltas análogas ou semelhantes29.
A doutrina elenca diversos direitos do indivíduo face ao
avanço da tecnologia da informação, contudo, quatro devem ser
destacados pelo caráter fundamental, previsto constitucional-
mente: intimidade, vida privada, honra e dignidade da pessoa
humana.
Alguns autores não veem relevância no estabelecimento

Vigilância e visibilidade: espaço, tecnologia e identificação / organizado por Fernanda


Bruno, Marta Kanashiro e Rodrigo Firmino. Porto Alegre, 210. Pág.141/154
29
SUSSEKIND, Mariane Sardenberg. O direito à privacidade e a divulgação de dados
pessoais: a estrutura legal da proteção conferida aos cidadãos no Brasil e nos Estados
Unidos da América. Direito, Estado e Sociedade, número 18. Rio de Janeiro. Pág.201
_264________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

de distinção entre os conceitos de vida privada e intimidade e


nesse sentido dispõe Ana Paula Gambogi:
esta diferenciação apresenta uma reduzida importância, uma
vez que os defeitos jurídicos da violação da intimidade e da
vida privada são idênticos, ensejando no âmbito civil, o dever
de reparação consistente no pagamento de indenização dos da-
nos morais e patrimoniais sofridos pela vítima30.
Verifica-se, contudo, que o Constituinte se preocupou
com essa distinção de modo a elencar cada um dos direitos indi-
viduais. Ressalte-se, ademais, que a violação ao direito à vida
privada não é o mesmo que expor a intimidade do sujeito em
termos de lesão ao seu íntimo e à dignidade do indivíduo. A res-
peito do conceito de vida privada, recorre-se à acepção de Dirley
da Cunha, que dispõe:
a vida privada não se confunde com a intimidade, pois é menos
secreta que esta. Não diz respeito aos segredos restritos da pes-
soa, mas sim à sua vida em família, no trabalho e no relaciona-
mento com seus amigos, enfim, a vida privada é sempre um
viver entre comuns, mas que também exige uma certa reserva31.
A intimidade, contudo,
se estabelece onde se fixa uma divisão nuclear entre o eu e o
outro, de forma a criar um espaço que o titular deseja manter
impenetrável mesmo aos mais próximos. Assim, o direito de
intimidade tem importância e significação jurídica na proteção
do indivíduo exatamente para defendê-lo de lesões a direitos
dentro da interpessoalidade da vida privada32.
Verifica-se, portanto, que a intimidade se relaciona ao
mundo intrapsíquico do ser humano, aos seus sentimentos, seus
segredos, aquilo que lhe é confidencial. A vida privada, noutro
sentido, compreende fatos que, em que pese não sejam de co-
nhecimento de toda a coletividade, “transcendem o indivíduo,

30
CARVALHO, Ana Paula Gambogi. O consumidor e o direito à autodeterminação
informacional: considerações sobre os bancos de dados eletrônicos. RDC 46/77-119.
São Paulo: Ed. RT, abr. 2003.
31
CUNHA Jr., Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 5 ed. rev. amp. e atual.
Salvador. Juspodium, 2011. Pág. 702.
32
ARAUJO, Luiz Alberto David; NUNES JR., Vidal Serrano. Curso de Direito Cons-
titucional. 7 ed. São Paulo. Saraiva, 2003. p. 117.
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________265_

uma vez que há interrelação com parte da sociedade”33. Quanto


mais pessoal e mais privado é o fato, maiores tendem a ser as
consequências pessoais a quem foi exposto e, nesse sentido, José
Adércio Leite Sampaio cita como exemplo:
o prejuízo moral provocado pela divulgação de um defeito fí-
sico que a vítima procura esconder do público ou de suas liga-
ções amorosas é objetivamente maior do que aquele causado
pela divulgação do nome paronímico de um artista conhecido
apenas pelo seu pseudônimo34.
Quanto ao conceito de honra, dispõe Adriano Cupis: “a
honra significa tanto o valor moral íntimo do homem, como a
estima de outros, ou a consideração social, o bom nome ou a boa
fama, como, enfim, o sentimento, ou consciência, da própria dig-
nidade pessoal”35. Verifica-se, portanto, que a honra se relaciona
ao nome construído pelo cidadão em seu meio social e a sua vi-
são de si mesmo.
Ressalte-se que se compreende a privacidade como o di-
reito de estar só, aquele que salvaguarda a esfera do ser humano,
insuscetível de intromissões externas36. A pessoa tem o direito
de retrair aspectos de sua vida do domínio público. Nesse con-
texto, a privacidade se trata da liberdade negativa de o indivíduo
não sofrer interferência alheia. Verifica-se, portanto, que dados
pessoais como histórico de mensagens de e-mail, aplicativo de
mensagens e extrato de fatura de cartão de crédito enquadram-
se como informações que, se expostas, podem vir a abalar a in-
timidade, a vida privada ou a honra do seu titular. Ocorre que os
dados pessoais não são informações sempre e por si mesmas

33
MAURMO, Julia Gomes Pereira. A distinção conceitual entre privacidade, intimi-
dade, vida privada, honra e imagem. Revista de Direito Privado. Ed. RT. Vol. 57.
2014. 33-52. Pág. 47.
34
SAMAPIO, José Adércio Leite. Direito à intimidade e à vida privada: uma visão
jurídica da sexualidade, da família, da comunicação e informações pessoais, da vida
e da morte. Belo Horizonte. Del Rey, 1998. P. 446.
35
CUPIS, Adriano de. Os direitos da personalidade. Trad. Afonso Celso Furtado de
Rezende. Campinas: Romana, 2004. p. 138.
36
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva,
2008. Pág. 431.
_266________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

privadas que não podem chegar ao domínio público,


A dinâmica de proteção dos dados pessoais foge à dicotomia
do público e do privado, diferenciando-se substancialmente do
direito à privacidade. Propugnar que o direito à proteção de da-
dos pessoais seria uma mera evolução do direito à privacidade
é uma construção dogmática falha que dificulta a sua compre-
ensão (...) há uma série de liberdades individuais, atreladas ao
direito à proteção de dados pessoais, que não são abraçadas
pelo direito à privacidade37.
Veja-se, por exemplo, que o nome da pessoa, o seu CPF,
a associação de que uma pessoa é casada com outra, em que pese
sejam dados pessoais, são informações públicas. Ademais, há si-
tuações em que o manejo de dados pessoais do indivíduo não
afigura violação ao seu direito à privacidade, afinal ocorre ape-
nas a utilização e tratamento das informações e não a sua publi-
cização. Ocorre que o titular dos dados possui o direito e limitar
a utilização desses dados, ainda que o resultado do tratamento
seja mantido em caráter privado. A exemplo de páginas de e-
commerce que, uma vez conhecedoras de produtos que o cliente
procura, tornam a direcionar massiva propaganda. Veja-se, neste
caso, não houve divulgação sequer de hábitos de consumo, por-
tanto não houve violação da privacidade do sujeito, mas o con-
sumidor reiteradamente é perturbado pelo volume de propagan-
das direcionadas. A sociedade da informação imprime, portanto,
uma nova dinâmica e novos desafios para a garantia dos direitos
da personalidade. A privacidade nas últimas décadas reuniu uma
série de interesses ao redor de si, o que modificou a sua concei-
tuação e análise. Nesse sentido, a privacidade não mais se estru-
tura em torno do eixo “pessoa-informação-segredo”, mas as-
sume um paradigma “pessoa-informação-circulação-con-
trole”38.
A proteção da privacidade na sociedade da informação, tomada
na sua forma de proteção de dados pessoais, avança sobre

37
BIONI, Bruno Ricardo. Proteção de dados pessoais. Op. cit, pag. 99
38
DONEDA, Danilo. Da privacidade, à proteção de dados pessoais. Ed. Renovar.
2017. Pág. 14
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________267_

terrenos outrora intransponíveis e nos induz a pensá-la como


um elemento que, antes de garantir o isolamento ou tranquili-
dade, serve a proporcionar ao indivíduo os meios necessários à
construção e consolidação de uma esfera privada própria, den-
tro de um paradigma de vida em relação e sob o signo da soli-
dariedade. [...] Este desdobramento verifica-se, sobretudo, na
forma com que o tema foi tratado na elaboração da recente
Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, em cujo
art. 7o trata do tradicional direito ao ‘respeito pela vida familiar
e privada’; enquanto seu art. 8o é dedicado especificamente à
proteção de dados pessoais. A Carta, dessa forma, reconhece a
complexidade dos interesses ligados à privacidade e utiliza-se
de dois artigos para a sua disciplina: um primeiro, destinado a
tutelar o momento individualista de intromissões exteriores; e
outro, destinado à tutela dinâmica dos dados pessoais nas suas
várias modalidades – sem fracionar sua fundamentação, que é
a dignidade do ser humano39.
Os dados pessoais, além de se formar como uma nova
identificação da pessoa, passam a ser sua mercadoria e a interfe-
rir em sua própria esfera relacional, por isso os direitos da priva-
cidade passam a não ser suficientes para determinar os limites
da proteção e disponibilidade desses direitos, sendo necessário
recorrer a um direito também fundamental, mas mais amplo, que
venha a abranger um complexo de interesses, tanto do titular
quanto da coletividade, sendo ele: da dignidade da pessoa hu-
mana.
A privacidade encerra valores que se desdobram em uma série
de situações que não podem ser abrangidas dentro da lógica do
direito subjetivo. Assim, a tradicional forma do direito à priva-
cidade revela-se falaciosa, ou ao menos desaconselhável, ao
aproximar-se de uma simbologia nos moldes de um direito sub-
jetivo, inapto a colher a complexidade da situação40.
A respeito da dignidade da pessoa humana, direito tute-
lado constitucionalmente,
A dignidade da pessoa humana é um valor espiritual e moral

39
DONEDA, Danilo. Da privacidade, à proteção de dados pessoais. Ed. Renovar.
2017. Pág. 15-16
40
DONEDA, Danilo. Da privacidade, à proteção de dados pessoais. Ed. Renovar.
2017. Pág. 88
_268________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autode-


terminação consciente e responsável da própria vida e que traz
consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas,
constituindo-se em um mínimo invulnerável que todo estatuto
jurídico deve assegurar, de modo que apenas excepcionalmente
possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos funda-
mentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que
merecem todas as pessoas enquanto seres humanos41.
Entende a doutrina que a dignidade da pessoa humana se
insere no texto constitucional como uma cláusula geral a que se
subordinam todos os outros direitos da personalidade42. E, nesse
cenário, a dignidade da pessoa humana se enquadra como direito
fundamental também adequado para a tutela dos direitos do titu-
lar de dados pessoais, isso porque esses sujeitos merecem prote-
ção tanto pelo potencial de lesão que a sua exposição pode cau-
sar ao seu titular quanto pelo fato de que podem ser utilizados
de forma diversa pelo sujeito, até com caráter patrimonial.
É comum a afirmação de que os dados pessoais são o petróleo,
insumo ou uma commodity, estando para a economia da infor-
mação como a destruição do meio ambiente estava para a eco-
nomia industrial. Há uma verdadeira transformação das pes-
soas em mercadorias, considerando-se que os seus dados são o
seu prolongamento. Não é à toa que se fala em morte da priva-
cidade, crise ou erosão da intimidade, pois a realidade que lhe
é subjacente demonstra que os dados pessoais são o que ali-
menta e movimenta tal economia e, mais do que isso, são a base
de sustentação e ativo estratégico de uma série de modelos de
negócios e para a formulação de políticas públicas. Há uma
economia e uma sociedade que são cada vez mais reféns e de-
pendentes desse livre fluxo informativo.
Nesse contexto, historicamente, normas de proteção de dados
pessoais sempre tiveram a dupla função de não só garantir a
privacidade e outros direitos fundamentais, mas também fo-
mentar o desenvolvimento econômico43.

41
MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Consti-
tucional. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2011. Pág.61.
42
FARIAS, Edílson Pereira de. Colisão de Direitos: à honra, à intimidade, à vida Pri-
vada e à imagem versus a liberdade de expressão e informação. 2.ed. P.63
43
BIONI, Bruno Ricardo. Proteção de dados pessoais. Op. cit, pag. 108
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________269_

Nesse cenário, os direitos da intimidade, da vida privada


e da honra, não são suficientes para garantir a proteção do titular
dos dados pessoais, desse modo, vislumbra-se a necessidade de
se recorrer também à garantia constitucional da dignidade da
pessoa humana, a fim de resguardar o sujeito face ao crescente
interesse comercial quanto ao tratamento de seus dados.

5 ENTRAVE À INOVAÇÃO?

O desenvolvimento tecnológico e o advento de novas


técnicas de registro, armazenamento e processamento de dados,
trazem em seu bojo o debate jurídico quanto aos limites do
avanço da tecnologia, face à proteção, que se impõe, dos direitos
concernentes à esfera privada do indivíduo.
Conforme já exposto, a inovação transforma e substitui
as formas de produção e organização da economia, dando lugar
a novos mercados, processos e mercadorias mais eficientes do
que os antecedentes. Contudo, impera-se destacar impacto ainda
maior: trata-se de fator primordial ao desenvolvimento de uma
nação. Leonardo Alves Correa em seu trabalho “Existe um con-
ceito jurídico de desenvolvimento?” define que o desenvolvi-
mento pode ser concebido como: “sinônimo de crescimento;
etapa linear e evolucionista de modernização; expansão das li-
berdades individuais; como complexo processo de alteração das
estruturas sociais e econômicas”44. Segundo esse conceito, as
nações devem se deparar com um conceito estruturado de desen-
volvimento integral, a partir do tripé econômico-social-político.
E de acordo com esse paradigma, o desenvolvimento supera a
mera análise econômica da inovação. Nesse sentido, a fim de se
ponderar os limites do avanço de tecnologias e da inovação,
quanto ao tratamento de dados pessoais, impera-se destacar que
44
CORREA, Leonardo Alves. Existe um conceito jurídico de desenvolvimento? No-
tas da proposta de uma teoria jurídica de desenvolvimento pluridimensional constitu-
cionalmente adequada. Revista Fórum de Direito Financeiro e Econômico ‐ RFDFE
–Belo Horizonte, ano 1, n. 1, mar. / ago. 2012 – pág 3
_270________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

as garantias constitucionais que tutelam a dignidade da pessoa


humana figuram como aspecto social do conceito de desenvol-
vimento. E em que pese, de fato, o desenvolvimento de tecnolo-
gias a respeito do tratamento de dados pessoais seja relevante,
impera-se realizar a efetiva ponderação de valores e, nesse sen-
tido, recorre-se ao professor Doutor Álvaro Ricardo de Souza
Cruz que dispõe que “a defesa de um direito individual vai muito
além da tutela dos interesses das partes envolvidas, pois quando
o direito de qualquer um de nós é violado, toda a sociedade é
aviltada com isso”45. Ressalte-se que a garantia dos direitos fun-
damentais é aspecto básico para qualquer sociedade moderna e
“o papel do Direito é ser instrumento de transformação social
para resgate de direitos ainda hoje não realizados. Cabe, pois,
inevitavelmente, estabelecermos o caminho da reconstrução
dos direitos fundamentais estabelecido pelo paradigma consti-
tucional do Estado Democrático de Direito”46.
Segundo Patrícia Baptista e Clara Iglesias Keller, “a re-
gulação das novas tecnologias digitais não parece divergir subs-
tancialmente das decisões ordinárias da vida do Estado sobre a
disciplina das demais atividades humanas”47, sendo que a inter-
net e as plataformas digitais são inovações tecnológicas disrup-
tivas e, sem dúvidas, trazem uma nova realidade à sociedade,
contudo, o direito não é prospectivo, nem ativista; sua tendência
natural é procurar a solução das novas questões dentro do seu
próprio arsenal de institutos48. Nesse sentido, é que cumprirá ao
45
CRUZ, Álvaro Ricardo de Souza. Hermenêutica jurídica em debate: o constitucio-
nalismo brasileiro entre a teoria do discurso e a ontologia existencial. Belo Horizonte,
Fórum, 2007. Pág339.
46
CRUZ, Álvaro Ricardo de Souza e SAMPAIO, José Adércio Sampaio Leite. Her-
menêutica e Jurisdição Constitucional. Belo Horizonte, Del Rey, 2001. Pág. 200.
47
BAPTISTA, Patrícia & KELLER, Clara Iglesias. Por que, quando e como regular
as novas tecnologias? Os desafios trazidos pelas inovações disruptivas. Artigo rece-
bido em 29 de agosto de 2016 e aprovado em 29 de setembro de 2016. DOI: http://
dx.doi.org/10.12660/rda.v273.2016.66659 - RDA – revista de direito administrativo,
rio de Janeiro, v. 273, p. 123-163, set./dez. 2016 – Pág. 127
48
BAPTISTA, Patrícia & KELLER, Clara Iglesias. Por que, quando e como regular
as novas tecnologias? Os desafios trazidos pelas inovações disruptivas. Artigo rece-
bido em 29 de agosto de 2016 e aprovado em 29 de setembro de 2016. DOI: http://
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________271_

aplicador do direito a realização da efetiva ponderação dos limi-


tes, até que ponto a garantia constitucional de proteção do indi-
víduo, quanto ao tratamento de seus dados pessoais, pode ser re-
lativizada em nome de permitir que se inove neste mesmo as-
pecto. Conforme abordado, impera-se ressaltar mais uma vez
que a ponderação deverá ser realizada pelo aplicador do direito
de acordo com o caso concreto, contudo, a título de exemplifi-
cação impera-se registrar que a Lei 13.709/18 que é a Lei Geral
de Proteção de Dados Pessoais regula a atividade de tratamento
de dados pessoais e revela aspectos dessa ponderação. Verifica-
se que a LGPD lista o consentimento como uma hipótese para o
tratamento de dados pessoais, ocorre que nem sempre o titular
ao oferecer o seu consentimento detém pleno domínio das con-
sequências, para a sua reputação, do tratamento desses dados.
Nesse sentido, a lei deve ser respeitada como um todo, de modo
que, mesmo com consentimento, o agente de tratamento deve se
embasar primariamente nos princípios insculpidos no art. 6o da
lei49. Ao mesmo tempo, o consentimento não é condição

dx.doi.org/10.12660/rda.v273.2016.66659 - RDA – revista de direito administrativo,


rio de Janeiro, v. 273, p. 123-163, set./dez. 2016 – Pág. 128
49
Art. 6º As atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a boa-fé e
os seguintes princípios:
I - finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explí-
citos e informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma in-
compatível com essas finalidades;
II - adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titu-
lar, de acordo com o contexto do tratamento;
III - necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de
suas finalidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não exces-
sivos em relação às finalidades do tratamento de dados;
IV - livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma
e a duração do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais;
V - qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atu-
alização dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade
de seu tratamento;
VI - transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente
acessíveis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento,
observados os segredos comercial e industrial;
VII - segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os
_272________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

absoluta para a realização do tratamento de dados pessoais,


sendo que a Lei 13.709/18 estabelece que é possível ainda o tra-
tamento de dados pessoais, independentemente do consenti-
mento do titular dos dados, “quando necessário para atender aos
interesses legítimos do controlador ou de terceiro, exceto no
caso de prevalecerem direitos e liberdades fundamentais do titu-
lar que exijam a proteção dos dados pessoais”. Não obstante a
necessária relevância ao consentimento, fato é que a sua exigên-
cia em todas as hipóteses necessariamente impactaria a dinami-
cidade dos contratos, das relações, uma vez que se as hipóteses
de tratamento de dados fossem adstritas aos termos do consenti-
mento, verificar-se-ia grande burocratização, impossibilitando
muitas vezes o desenvolvimento. Desse modo, a lei estabeleceu
uma cláusula genérica permissiva do tratamento de dados pes-
soais, independentemente de consentimento do titular, o que
vem a garantir os interesses da empresa quanto ao tratamento de
dados dos seus clientes, desde que, no caso concreto, não viole
os direitos e liberdades fundamentais do titular. As hipóteses de
tratamento de dados previstas pelo dispositivo transcrito de-
monstram justamente o conflito que a realidade impõe entre o
interesse do agente de tratamento e o titular dos dados e a LGPD
estabelece diretrizes para a ponderação desses valores. A LGPD
dispõe também sobre o tratamento de dados anonimizados,
sendo que estes não são considerados dados pessoais, razão pela
qual é possível o tratamento das informações independente-
mente do consentimento do seu titular. Em que pese parte da

dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de des-


truição, perda, alteração, comunicação ou difusão;
VIII - prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude
do tratamento de dados pessoais;
IX - não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins discri-
minatórios ilícitos ou abusivos;
X - responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da adoção de
medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas
de proteção de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas.
RJLB, Ano 7 (2021), nº 4________273_

doutrina apresente crítica a essa possibilidade de tratamento de


dados, impera-se ressaltar que o desenvolvimento nacional e tec-
nológico é objetivo da república federativa do Brasil e o trata-
mento de dados é uma das grandes ferramentas para a produção
de conhecimento e desenvolvimento de uma atividade econô-
mica e política produtiva e estratégica. Ressalte-se que a todo o
tempo busca-se resguardar a intimidade do sujeito, uma vez que
a divulgação de seus dados pessoais pode lesar aspectos da sua
intimidade, vida privada e honra. Contudo, uma vez efetiva-
mente anomizados os dados, é possível que eles sejam usados
para o avanço da tecnologia, da medicina, da comunicação e,
também, para a tomada de decisões políticas.
A regulamentação de dados não deve ser um impeditivo
do incentivo e da produção cientifica na área da saúde pública,
por exemplo, todavia os mesmos procedimentos de segurança da
informação adotados por quaisquer outros institutos e finalida-
des devem ser observados. Assim, a acepção do direito relativa
à proteção de dados pessoais exige a conciliação de critérios in-
terpretativos adaptáveis ao desenvolvimento tecnológico e aos
direitos do indivíduo. A superação de tal dicotomia deverá con-
siderar o caso concreto e a relevância de todos os valores colo-
cados em análise. Nesse cenário, longe da pretensão de se apre-
sentar fórmulas à ponderação dos limites do tratamento de dados
pessoais, face aos direitos dos indivíduos que se impõem, con-
clui-se que a proteção do indivíduo não se trata de um entrave à
inovação digital, mas sim de um aspecto de enorme relevância a
ser considerado como critério para a tomada de decisão.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A velocidade dos avanços tecnológicos, especialmente a


inovação digital quanto ao tratamento de dados, tem posto em
voga os desafios de se ponderar quando, por que e até onde in-
tervir e disciplinar esses avanços. As inovações são cada vez
_274________RJLB, Ano 7 (2021), nº 4

mais reconhecidas como forças motrizes centrais da transforma-


ção das estruturas econômicas e do desenvolvimento dos países
de todo o mundo, no contexto da sociedade contemporânea.
Nesse sentido, elemento de grande relevância na discussão a res-
peito dos limites quanto às inovações relativas ao tratamento de
dados pessoais são os direitos do indivíduo, os quais se revelam
de forma mais completa pelo princípio da dignidade da pessoa
humana. Diante desse cenário, apresentou-se como problema a
ser discutido: a proteção do indivíduo quanto ao tratamento de
dados pessoais seria um entrave à inovação? Não que haja pro-
priamente uma novidade aí. Diversos setores da inovação, con-
frontam-se com essas questões. Na temática, é preciso reconhe-
cer, há ainda muito mais perguntas do que respostas, mas, nem
por isso, o estudioso do direito pode se esquivar de esmiuçar o
tema. Com isso em mente, empreendeu-se aqui um esforço de
sistematização da relevância da inovação; dos avanços da inova-
ção tecnológica quanto ao tratamento de dados pessoais; da tu-
tela constitucional quanto ao tratamento de dados pessoais e a
ponderação se a proteção do indivíduo quanto ao tratamento de
dados seria um entrave à inovação. Nesse sentido, longe da pre-
tensão de se apresentar fórmulas à ponderação dos limites do
tratamento de dados pessoais, face aos direitos dos indivíduos
que se impõem, conclui-se que a proteção do indivíduo não se
trata de um entrave à inovação digital, mas sim de um aspecto
de enorme relevância a ser considerado como critério para a to-
mada de decisão.


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