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RESUMO

Este trabalho, tem por objetivo, mostrar das mais diversas formas, a importância da
etnomatemática dentro de uma sociedade, através de técnicas matemáticas, muitas
pessoas conseguem construir suas vidas através de um conhecimento que não vem
da sala de aula, apesar de parecer estranho, isto é possível, existem muitas formas
de aprender matemática, e serão dados neste trabalho diversos exemplos.

Também serão trazidas muitas ideias de pesquisadores importantes, que


contribuíram para o início dessas discussões sobre etnomatemática, inclusive foi
incluído no trabalho um fundamento filosófico muito importante sobre o tema, que
serve de reflexão para este tipo de debate, poderá ser visto como a etnomatemática
tem sido estudada e, além disso, como está sendo inserida na sociedade.

É de fundamental importância que o leitor entenda a importância deste tema quando


é levado em pauta, pois não é somente uma história, é uma coisa que pode servir
muito para o futuro da sociedade, e tendo este conhecimento em vista, é possível
reconhecer a importância da etnomatemática e encontrar possibilidades de incluir
esta matéria nas salas de aula, por exemplo.

Também é importante ressaltar sua importância no seu contexto social, pois quando
estudamos este tipo de tema, podemos aprender muito também com diversos povos
diferentes no mundo inteiro, estarão sendo exemplificados neste trabalho diversas
pessoas do mundo inteiro que utilizam a matemática de uma forma bastante
interessante, e nisso, pode-se perceber o quão diferente são as pessoas, e como
cada um sobrevivia graças a matemática, desde o inicio da humanidade, até os dias
atuais, então, é muito interessante que tenha esse conhecimento sobre diferentes
povos espalhados pelo mundo, contextualizar suas vidas, e trazer em pauta,
reflexões muito construtivas sobre a matéria.

Portanto, o trabalho será bem explicativo, abordando diversas discussões, reflexões,


debates, e, também será levado em conta opiniões de pesquisadores importantes,
filósofos, também será abordado alguns livros que ajudam no entendimento da
utilização da matemática em algumas culturas, com um material riquíssimo, o
trabalho está repleto de coisas interessantes e assim, tentando levar ao leitor a ver a
etnomatemática de uma forma mais interessante.
ABSTRACT

This work aims to show in various ways the importance of ethnomathematics within a
society, through mathematical techniques, many people manage to build their lives
through a knowledge that does not come from the classroom, although it seems
strange, this is possible, there are many ways to learn mathematics, and several
examples will be given in this work.

Many ideas will also be brought from important researchers, who contributed to the
beginning of these discussions on ethnomathematics, included in the work a very
important philosophical foundation on the subject, which serves as a reflection for
this type of debate, can be seen as ethnomathematics has been studied and,
moreover, how it is being inserted into society.

It is of fundamental importance that the reader understands the importance of this


theme when it is brought on the agenda, because it is not only a story, is something
that can serve much for the future of society, and having this knowledge in view, it is
possible to recognize the importance of ethnomathematics and find possibilities to
include this subject in the classrooms, for example.

It is also important to emphasize its importance in its social context, because when
we study this type of theme, we can learn a lot also from several different peoples all
over the world, are being exemplified in this work several people from all over the
world who use mathematics in a very interesting way, and in this, one can see how
different people are, and how each one survived thanks to mathematics, since the
beginning of humanity, to this day, so it's very interesting that you have this
knowledge about different peoples around the world, contextualize their lives, and
bring to the agenda, very constructive reflections on the matter.

Therefore, the work will be very explanatory, covering various discussions,


reflections, debates, and will also take into account the opinions of important
researchers, philosophers, and will also cover some books that help understand the
use of mathematics in some cultures, with a very rich material, the work is full of
interesting things and thus trying to lead the reader to see ethnomathematics in a
more interesting way.
INTRODUÇÃO

Desde 1970, a etnomatemática tem sido muito discutida como forma de fazer
matemática através de diferentes culturas, ao longo da história, existem diversos
registros de atividades que foram desenvolvidos em que foi preciso um
conhecimento matemático.

Para se ter uma noção do significado de matemática, pode-se pensar da seguinte


forma: “Etno” significa etnia, que se relaciona ao contexto cultural, “Matema” que
está relacionado aos ensinamentos e aprendizados, “Tica” que está relacionado aos
estilos, modelos, ou seja, é a arte, de um modo geral, etnomatemática seria a arte
de ensinar, aprender dentro de um contexto cultural, a matemática sempre foi
utilizada na sociedade para que construções pudessem ser feitas, mas isso iria vir
da cabeça de quem planeja a ideia, sem ser um engenheiro profissional, é possível
fazer diversas construções, por exemplo, utilizando a etnomatemática.

Um exemplo que pode ser dado, são os pedreiros, mais especificamente, aqueles
que possuem baixa escolaridade, não há um conhecimento matemático forte para
que o pedreiro desenvolva a construção de casas, mas sim, há técnicas próprias
onde eles conseguem raciocinar bem e desenvolver sua função da melhor maneira
possível, isso seria um exemplo da etnomatemática, pois não foi algo que foi
aprendido na escola, mas sim, de vivências, de experiências, o que é basicamente,
sua cultura, é isso o que a etnomatemática procura explicar desde que a ideia
surgiu.

Nas últimas décadas, tem crescido o número de professores que estudam a


etnomatemática para trabalhos pedagógicos. O grande objetivo deste trabalho é
conhecer diversas pessoas, de gerações diferentes, conhecimentos diferentes,
organizações diferentes e suas ideias matemáticas para desenvolverem suas ações
do dia a dia relacionados à matéria, assim podendo formar uma contextualização
dos conteúdos que são aplicados em salas de aula.

É de extrema importância que haja esse vínculo entre a matemática utilizada na


comunidade e da matemática utilizada na sala de aula, onde se ensinam estudantes
que procuram o desenvolvimento, assim sendo possível atribuir significados para
ambos os saberes. Através da reprodução do cotidiano, como foi dado o exemplo do
pedreiro, é possível formar cada vez mais alunos experientes em matemática, com
uma prática que não se limita somente na sala de aula.

Um dos nomes mais importantes dentro do estudo da etnomatemática que será


muito destacado ao longo do trabalho, é o Ubiratan D’Ambrosio, matemático, que
destacou muito sua ideia sobre o tema como um campo fértil que aproxima o
contexto social com o espaço escolar. Ele também percebe que com o constante
movimento que acontece na etnomatemática, vai originando diferenças entre este e
a própria matemática.

Surgimento

A fim de criticar a Matemática como era conhecida, foi criada, nos anos 1970, a
etnomatemática, tendo diversos nomes conhecidos, entre eles, Cláudia Zalavski e
D’Ambrosio, na qual, serão destacados ao longo do trabalho.

Contrariados com a forma como a matéria era aplicada, dando somente uma visão,
como uma verdade absoluta, além de perceberem que não havia alguma
valorização para que as experiências sociais fossem incluídas dentro da
matemática, como por exemplo, de um vendedor, de um pedreiro, entre outros, esta
disciplina acabou sendo vista como rasa pelos estudiosos, e sendo assim, nos anos
1970, muitos desses deixaram seus conceitos, bastante diferenciados da
matemática tradicional, na história.

Primeiramente em 1973, Cláudia Zalavski dava os primeiros passos no que seria


depois definido como etnomatemática, na época, ela foi a fundadora da
Sociomatemática, que focalizava na matemática dentro da cultura africana, a forma
que os povos africanos aplicavam a matemática no seu dia a dia e inversamente, a
influência na qual as instituições locais exerciam e exercem sobre a matemática,
sendo essas as principais ideias do seu trabalho.

Assim, surgiu a etnomatemática, tendo em vista que é possível valorizar diversas


culturas e valorizar as atividades do dia a dia dentro da matemática, foi trazido um
conceito mais amplo do conteúdo, que, sendo aplicado em sala de aula, ajuda os
estudantes a ter uma melhor compreensão do que está sendo dado, contribuindo
assim, pra um aprendizado mais forte.
Conceito

No ano de 1985, pela primeira vez, é utilizado o termo “Etnomatemática”, pelo


D’Ambrosio, dentro do livro “Etnomathematics and its Place in the History of
Mathematics”, onde ele cita que já havia utilizado o termo em 1978 numa
conferência, assim, começando a incluir a etnomatemática na história da
matemática.

Em 1986, um fato de extrema importância aconteceu na área, foi criado o IGSEm


que significa Grupo Internacional de Estudo em Etnomatemática, que reunia
pesquisadores, matemáticos, educadores do mundo inteiro, que de alguma forma,
procuravam pesquisar sobre o tema, e como incluir melhor nas salas de aula, de
forma a desenvolver o aprendizado num contexto local.

Em 1986 dentro de uma conferência do Grupo Internacional de Estudo em


Etnomatemática, temos pela primeira vez, uma definição do que é a
etnomatemática, segundo os membros desse grupo, seria a zona de confluência
entre Matemática e Antropologia Cultural, ou seja, é uma história de uma cultura em
que o foco é a matemática, da forma como ela era utilizada para o dia a dia dos
povos, sendo assim, o primeiro conceito dado para a etnomatemática.

Uma outra definição que foi dada para etnomatemática, é uma ideia mais particular,
onde ele define que etnomatemática é um “caminho que grupos particulares
específicos encontraram para classificar, ordenar, contar e medir”, cada vez mais os
pesquisadores foram dando mais ideias amplas para conceituar o objeto da
pesquisa.

Mas tendo muitas ideias em mente, um pesquisador chamado Huntig resolveu


agrupar cada uma e definir da seguinte forma: “Etnomatemática é a matemática
usada por um grupo cultural definido na solução de problemas e atividades do dia a
dia”, daí, vai percebendo-se que cada vez mais pesquisadores foram se
interessando pelo tema e cada vez mais as ideias eram discutidas.

Outro pesquisador que deu uma ótima contribuição para a etnomatemática, foi
D’Ambrosio, que escreveu em 1987 a seguinte frase: ““...as diferentes formas de
matemática que são próprias de grupos culturais, chamamos de Etnomatemática”.
Até hoje é possível perceber que ainda é muito discutida essa definição para
etnomatemática, há diferentes opiniões relacionados ao tema, como, para os
antropólogos, é parte da Etnologia de um grupo, já para os educadores, é um
método de ensinar matemática, e já para os pesquisadores, como foi citado nos
parágrafos anteriores, é um subconjunto da Educação que contém a matemática
como um desses subconjuntos.

Essa polêmica faz com que os pesquisadores tenham muito cuidado na hora de
definir este termo, pois existem diversas opiniões, que são válidas, e é preciso que
sejam consideradas, para adicionar ao conhecimento próprio e para que se formule
novas ideias, desenvolvendo cada vez mais a etnomatemática para a sociedade
atualmente.

Sendo assim, nessa dificuldade de definir um termo para a etnomatemática, um


pesquisador chamado Bishop decidiu fazer a seguinte declaração sobre o tema: ““...
é um conceito que ainda não encontrou sua definição. Em face das idéias e
afirmações que temos, talvez fosse mais apropriado não usar ainda este termo na
busca de um melhor entendimento – ou, se optarmos por utilizá-lo, devemos
precisar claramente a conceituação que estiver sendo a ele aplicada”.

Gerdes, um pesquisador que tinha pensamentos alinhados ao D’Ambrosio, nesta


ideia de subconjuntos para a matemática em relação a etnomatemática e a
educação, define de Acento Etnomatemático para referir-se a si mesmo e o
movimento da etnomatemática quando utilizado pedagogicamente, para ele:
“Etnomatemáticos salientam e analisam as influências de fatores sócioculturais
sobre o ensino, a aprendizagem e o desenvolvimento da matemática”, isto se
referindo aos pesquisadores da área de conhecimento.

Tendo em vista estes estudos, pode-se observar que a matemática começa a tomar
uma tendência cultural, há um olhar para grupos sociais, e como um produto cultural
tem sua história, é observado as condições sociais, culturais e econômicas, criando
assim, uma nova visão sob a matemática, existiram muitas resistências de alguns
especialistas, mas cada vez mais, a matemática vem se desenvolvendo sob um
olhar diferente.
Fundamentos

Pode-se dizer que muitos estudiosos da etnomatemática têm procurado desenvolver


teorias que explicassem o tema, e para que fosse cada vez mais aceito, foi preciso
recorrer aos filósofos da ciência, que procuravam explicar melhor as teorias
relacionadas ao objeto de estudo.

Um filósofo que pode responder a essas questões é o Thomas R. Kuhn, ele indica
os caminhos que devem ser percorridos pela ciência, desde o nascimento até a
ruptura, ele diz a seguinte frase “...mesmo sendo a ciência praticada por indivíduos,
o conhecimento científico é intrinsecamente um produto de grupo e é impossível
entender tanto a sua eficácia peculiar como a forma de seu desenvolvimento, sem
fazer referência à natureza especial dos grupos que a produziram. Nesse sentido, o
trabalho desses grupos tem profundas raízes sociológicas, mas não de uma maneira
que permita separar o sujeito de epistemologia”.

Trazendo esta ideia para relacionar a etnomatemática, podemos dizer que esse
tema se caracteriza pela história da matemática, mas que ao longo dos anos, se
desenvolve, criando assim, novas raízes, raízes que são culturais, o que muitos
pesquisadores acreditam, é que existe uma evolução cultural que faz com que o
momento que eles vivem marquem um estágio histórico da matemática, estas ideias
ficam conhecidas como teoria educacional.

E para descobrir se de fato a etnomatemática pode ser considerada uma teoria, o


filósofo traz uma ideia do paradigma, que segundo ele “o paradigma tem que existir
antes da teoria”, e assim, para Kuhn, o paradigma é um artefato que pode solucionar
os enigmas “O cientista normal é um adepto da solução de enigmas - não apenas
um mero ` solucionar de problemas`, mas uma solução de enigmas - que consiste,
prototipicamente, a `ciência normal`”, sendo que esta ciência normal se refere a
quem pratica a ciência normal.

Sendo assim então, o paradigma deverá ser um instrumento para a solução de


enigmas, assim para qualquer enigma que deva ser solucionado pelo paradigma,
deverá ter um instrumento com seu manual de instrução para que possa ser
utilizado com êxito.

Relacionando com a etnomatemática, há um enigma na qual os pesquisadores


procuram muito entender, que nada mais é que como se apropriar do conhecimento
para dentro da sala de aula com o objetivo de buscar uma educação com um
significado, isso faz com que a etnomatemática possa ter suas teorias, como
citamos a teoria educacional, uma coisa que pra um paradigma importa muito, é
uma crença na qual muitas pessoas acreditam, além de ter que ser construtivo,
como um material de pesquisa que importe muito dentro da sociedade.

Para resolver o enigma da etnomatemática, o paradigma que importará é a


modelagem, que funcionará da primeiramente pela fase de modelar as ideias, mitos,
jogos, etc, na qual são discutidos entre os estudiosos da área, logo depois disso, é
necessário modelar a realidade do grupo, que é influenciada por meios externos
como os meios de comunicação, por exemplo, e depois, tem a fase de modelar as
visões dentro de um grupo mais amplo, uma comunidade maior, e fazendo dessa
forma, os pesquisadores conseguem direcionar este paradigma e responder ao
enigma da etnomatemática de acordo com o que eles veem.

Daí uma pergunta pode ser feita, se um enigma precisa ser solucionado, e é
necessário um paradigma para isto, onde estão as regras? E nisto, o Kuhn pode
responder da seguinte forma, “Não há regras, mas sim, preocupações, pontos de
vista estabelecidos, uma rede de semelhanças familiares imbricadas e
entrecruzadas”, ou seja, não é necessária uma criação de regras para que um
enigma seja respondido, as preocupações, os pontos de vistas na qual são
colocados pelos pesquisadores, e que geram interpretações, dão uma necessidade
de procurar uma resposta para os questionamentos do tema.

Outra coisa que Kuhn cita, é a temporalidade do paradigma, que é a reformulação


de um paradigma dentro da ciência qualitativa, com isso, o paradigma não pode ser
descrito de uma forma que seja utilizado modos de ciência normal, como por
exemplo, na etnomatemática, a linguagem matemática utilizada, não pode ser
utilizada de paradigma para se resolver um enigma.

A principal ideia do paradigma é o modelo, que sim, tem a linguagem matemática


como um dos meios, mas isso não é o foco da questão, outras questões muito
importantes que precisam ser vistas, é a etnografia, etnologia, validação, e
principalmente, a ação de retorno da modelagem na comunidade, se não fosse por
todas essas questões, seria uma ciência normal, e não estaríamos tratando de um
paradigma que possa resolver um enigma em questão.
Para o filósofo então, este paradigma é muito mais do que um modo de ver, é uma
afirmação, não sobre o uso a saber, no qual sendo a imagem de alguma coisa, pode
ser utilizada para representar outra, como citado “O paradigma é a imagem concreta
de uma coisa A, usada analiticamente para descrever outra coisa concreta B. Seu
concretismo então tem duas espécies”, entendendo esta ideia, sendo então, uma
imagem é a descrição de coisas diferentes.

Podendo afirmar que a etnomatemática possui um enigma e um paradigma de fato


estabelecidos, pode ser de fato considerado um paradigma de Kuhn, deixando de
ser, então, um pré-paradigma, pois resolvido a questão da escolha de paradigmas,
discutidos, e pesquisados, a etnomatemática chega no ponto onde existe um
paradigma soberano na qual pode resolver, de fato, seu enigma.

Vale lembrar que durante a fase pré-paradigma, é possível que haja sinônimos nas
ideias trazidas, tanto no reflexo imediato como nos pensamentos de alguma coisa
conhecida, as vezes essa “coisa conhecida” não é conhecida pelo pesquisador,
sendo, portanto, o melhor termo a ser utilizado nesta situação.

A fim de criar sinônimos para a palavra Etnomatemática, diversos estudiosos do


tema, utilizaram termos metafóricos que pudessem se referir de fato ao objeto
estudado, entrando na literatura da etnomatemática, alguns desses termos
utilizados, foram “Sociomatemática” – Zalavski, “Matemática Espontânea” –
D’Ambrosio, “Matemática Informal” – Posner, “Matemática Oprimida” – Gerdes,
“Matemática Codificada no Saber-Fazer” – Sebastiani, estas são algumas metáforas
na qual os pesquisadores da área deram pra se referir a etnomatemática, todos
esses exemplos dados, podem ser classificados como pré-paradigmas, pois para ser
classificado dessa forma é preciso de uma imagem concreta do objeto de estudo
que seja o modo de ver do pesquisador.

Hoje, pode-se dizer que existe um paradigma para a etnomatemática, Gerdes no


seu livro, cita uma caracterização do tema, este “modo de ver” ao “salientar e
analisar as influências dos fatores sócio-culturais sobre o ensino, a aprendizagem e
o desenvolvimento da matemática”, classificando sempre a matemática como um
produto cultural, universal e linear, ou seja, a etnomatemática se define por uma
construção humana, que depende temporalmente, e culturalmente para a
matemática.
Se por um lado, citamos muito neste texto, a questão do paradigma, outra coisa que
vem a cabeça é: e a teoria? Bom, a teoria da etnomatemática não existe, pois até
hoje, não é definido com clareza, do que seja a etnomatemática, até hoje, existe
este tipo de discussão, mas como o próprio filósofo diz: “o paradigma já existe
quando a teoria ainda não existe”.

Além disso, Bishop, um dos pesquisadores da etnomatemática, já vinha dizendo


desde antes que era preciso cuidado na hora de falar sobre o tema, pois ele ainda
não possui uma teoria, mas por outro lado, por ter um modo de ver, já podemos
dizer que a etnomatemática possui um paradigma bem definido.

Utilidades

A Etnomatemática diante da sociedade, possui diversas funcionalidades, que sendo


bem utilizadas, contribui muito para o desenvolvimento da matemática, discutir
essas questões é fundamental para que sejam feitas medidas práticas para a boa
utilização do material na qual deverá ser ensinado.

Uma das utilidades de extrema importância e foco dentro da etnomatemática, com


certeza, é pra dar aula, pois, o professor que leciona a matéria, tem a oportunidade
de levar aos alunos um conhecimento prático dentro da comunidade, de como a
matemática pode ser aplicada, situações do dia a dia são ensinadas e o aluno não
tem um olhar somente para a matemática comum, há um olhar para uma
matemática que ira ser extremamente útil para a vida toda, e isso, sendo bem
ensinado, no futuro, colhe-se bons frutos.

Outras utilidades que podemos citar sobre a etnomatemática, é a questão social,


pois, ela pode ser uma arma importante para combate ao racismo ou xenofobia, por
exemplo, ao ser debatido sobre culturas de diversos lugares do mundo e como a
matemática influenciava as decisões que tinham que ser tomadas, tendo
conhecimento deste material riquíssimo, podemos transformar a sociedade,
podemos enxergar como evoluir, pensar nas questões sociais, de uma forma
melhor, esse é um outro ponto na qual a etnomatemática também pode ajudar.
Campos de Atuação

Existem muitos campos de atuação na qual um estudioso da etnomatemática tenha


que ficar atento, pois é nesses campos de atuação que ele atuará em busca do
pleno desenvolvimento da matemática, assim, fortalecendo cada vez mais esta ideia
de uma cultura dentro da matemática, é de suma importância que o pesquisador
desta área saiba como proceder para incluir todas as culturas, e pensar como que a
matemática influencia nessa questão, para benefícios de uma evolução da área,
além de novos ensinamentos que podem ser aplicados em sala de aula.

O principal campo de atuação, é a pesquisa, pois sem essa, nenhuma ideia poderia
ser bem formulada, é necessário um bom estudo para que se possa discutir as
ideias, e a pesquisa é fundamental para que se tire boas conclusões, como
exemplificamos a questão do paradigma para se resolver um enigma, por isso é de
fundamental importância que o estudioso da etnomatemática procure sempre
pesquisar sobre os assuntos, não somente a matemática, mas sim, a cultura, seja
local, ou seja de outros lugares do mundo.

É importante pensar na ideia de que educar não é só ensinar o conteúdo ali


presente, na qual o professor precisa lecionar, ensinar significa juntar o conteúdo na
qual está sendo ministrado com a atividade cognitiva do aluno, por isso a
etnomatemática, quando bem pesquisada, bem discutida, é muito importante para a
sociedade, tudo começa nas salas de aula, quando o professor leciona, essas
aplicações vão ser muito utilizadas no dia a dia, e assim, se constrói uma sociedade
cada vez mais evoluída.

O próprio D’Ambrosio, que foi influenciado pela dialogicidade de Freire e reflexão do


Piaget, apontou uma ação pautada em um contínuo diálogo e reflexão, e
principalmente um resgate socio cultural do educando, ou seja, mesmo que a
matemática traga conceitos lógicos de resolver um problema, o professor que
leciona a matéria precisa trazer o lado do diálogo e da reflexão da vida, a cultura da
forma que ela é, tem extrema importância na história da matemática, então é
importante pautar dentro da sala de aula, formas culturais de resolver problemas
matemáticos.

Voltando aos estudos da etnomatemática, é importante ressaltar que, toda opinião


emitida sobre o assunto precisa ter o devido cuidado, como o Bishop havia falado,
pois não há uma teoria bem definida sobre o tema, mas toda a pesquisa é válida,
toda discussão é bem-vinda, aliás, ao longo dos anos, cada vez mais pessoas têm
procurado se dedicar ao estudo da etnomatemática, é uma forma de contribuir para
a evolução da sociedade.

Vale lembrar que a etnomatemática, quando discutida, não é uma negação à


matemática formal, mas sim, uma forma de acrescentar conteúdos que possam ser
bastante úteis no ensino, a etnomatemática acrescenta quando se traz assuntos de
reflexão e aprendizados do dia a dia, tudo vai além de uma formalidade, então é
importante ressaltar que a matemática formal permanece intacta, mas que,
precisando pensar no modo humano, nas culturas, na sociedade, entre outros, foi
preciso acrescentar esse lado social dentro da matemática.

Portanto, um bom estudioso da etnomatemática, deverá estar sempre pesquisando


sobre os assuntos referentes ao tema, ao pesquisar, organizar todas as ideias na
mente, e após isso, colocar em discussão toda a reflexão feita, por não ter uma
teoria bem formulada ainda, se torna bem difícil discutir essa questão, mas é pra
isso que os pesquisadores servem, no final, quem ganhará com isso é a sociedade,
pois com a evolução que a matemática pode ter nas escolas, é de suma importância
que haja esse entendimento na sociedade, e quem é o responsável por trazer esses
ensinamentos inicialmente são os pesquisadores.

Etnomatemática em culturas

Podemos observar que durante todo este trabalho, citamos muito as culturas e que
elas têm uma importância enorme pro desenvolvimento da matemática, mas não
exemplificamos estas culturas para que se possa ter noção, este é o objetivo desde
texto agora, várias culturas serão destacadas ao longo do trabalho e pode-se ter
noção de como eram feitas as coisas, mesmo sem o conhecimento formal de uma
sala de aula.

Também procuraremos exemplificar algumas profissões na qual é possível utilizar a


matemática sem um conhecimento prévio numa escola, situações do dia a dia na
qual é possível utilizar a matemática, é possível perceber que nem sempre o
conhecimento dentro de uma sala de aula é restritamente necessário, portanto, é
importante conhecer a história por trás das comunidades.
Ao entender que a cultura tem uma grande importância para a matemática, pode-se
perceber que historicamente já havia um conhecimento sobre a matéria, na qual era
aplicada das mais variadas formas, mas que funcionavam da maneira adequada, e
isso desperta uma curiosidade muito grande nos estudiosos, pois, mesmo estas
pessoas provavelmente não conhecendo a matemática formal, como é aplicada nas
salas de aulas, elas possuem uma ideia de matemática que aplicada no dia a dia
funciona de uma forma excelente.

A etnomatemática, ao ser estudada, é de suma importância que leve em conta os


contextos sociais, seja o que for, pois isso vai determinar profundamente na forma
que ele aplica os conhecimentos, o dia a dia de cada ser humano é diferente, e isso
trás um conceito de que as ideias são diferentes, as experiências são diferentes, ou
seja, técnicas diferentes da matemática foram utilizadas para resolver problemas, a
matemática é uma forma de solucionar problemas, não somente pela sua
formalidade, mas pelas experiências vividas.

O primeiro exemplo que será dado é de uma tribo, chamada Waimiri-Atroari, que
possui o tronco linguístico Karib, localiza-se nos territórios do Amazonas e Roraima,
tendo uma população aproximada de 600 índios, devido a inundação de seus
territórios devido a construção de uma usina hidrelétrica na região, as entidades
locais se reuniram para ajudar os índios, entre essas ajudas, possuía um projeto de
reforma das escolas da aldeia, além de formação de professores índios pro local, na
qual é escolhido pela própria comunidade.

A escola da aldeia é bastante diferenciada das escolas tradicionais, da cidade e até


dos campos, pois eles costumam respeitar as datas festivas da aldeia, eles
costumam ter pescarias no local, e para alfabetizar os alunos, eles utilizam a língua
própria inicialmente, pra depois ensinar o português, além da ciência ser ensinada
das formas étnica e tradicional, fazendo uma ponte entre os dois conhecimentos.

Mas nisso, vários professores que foram ajudar a lecionar aula descobriram coisas
muito interessantes dessa aldeia, eles tinham uma numeração específica, um
intérprete ao fazer a tradução, escreveu da forma que ele entendia, os índios da
própria aldeia desconheciam esta numeração, mas foi dado a numeração pra esta
tribo.
Um grande aprendizado que se pode ter desta tribo é com relação as formas
geométricas, pois, eles possuem um conhecimento muito bom em relação a este
tema, e da língua deles, foram ensinando algumas formas geométricas, como por
exemplo, itaktyhy para quadrado, mixop itaktyhy para retângulo, sendo que mixop
significa comprido, entre outras formas.

Dessa forma, podemos observar que não há um conceito que foi ensinado a eles de
uma forma formal, mas sim, de experiências de vida de cada um da aldeia, na qual
foram descobrindo diversas formas geométricas, e na língua deles, foram criando os
nomes, usando isto de aplicação nas escolas.

Podemos perceber também, que além do aprendizado que tinha em relação a uma
cultura, como exemplificados a tribo Waimiri-Atroari, existe também uma ideia da
etnomatemática que eles aplicam dentro das salas de aula, pois ao viverem suas
experiências de vida, os professores dessa aldeia procuram levar isso para dentro
da sala de aula e ensinar os seus alunos, é uma forma não formal de se ensinar,
mas que é bastante eficiente, capacita muito bem os estudantes.

Então daí, é possível perceber que dentro de muitas culturas, estilos de vida
diferentes, é possível possuir um conhecimento matemático, mesmo que não formal,
mas que serve de referência para vivencias, é por isso que a matemática é de
extrema importância para todo mundo, sem ela, seria difícil sobreviver, mesmo que
sem querer, a matemática em algum momento é aplicada na sua vida, e isso que é
muito estudado dentro da etnomatemática.

Um outro exemplo de uma matemática aplicada dentro da cultura, vamos buscar um


pouco mais longe, mais especificamente no Japão, cultura asiática, onde temos ali
uma forma interessante que foi desenvolvida pelos japoneses para ensinar
matemática, observe que até em localidades distantes, pode-se encontrar outros
exemplos da etnomatemática.

Esta matemática japonesa na qual citei, ficou conhecida como Sangaku que significa
mais especificamente, Matemática Sagrada, ou Geometria dos Templos Japoneses,
é uma geometria singular que foi desenvolvida pelos japoneses em uma alternativa
à matemática tradicional.

Em resumo, Sangaku são tábuas votivas que possuem problemas matemáticos, em


que muitos envolvem geometria, estas tábuas eram penduradas em templos
budistas em um período que o Japão se encontrada isolado do mundo ocidental,
uma das funções do Sangaku era ensinar a matemática de uma forma diferenciada,
atraindo interesse de pessoas de todas as idades e de todos os tipos de vida, quem
se interessava, acabava gostando de resolver os problemas matemáticos.

Com essa prática, muitos matemáticos, sejam eles, amadores ou profissionais,


resolviam em teoremas, ou problemas matemáticos, podendo ser de geometria, e
colocavam a resolução nas tábuas retangulares de madeira, mediam entre 50cm por
30cm ou 180cm por 90cm, podendo ter mais de um teorema, assim como textos
explicativos escritos em Kanbum, uma língua japonesa antiga.

Essas tábuas eram penduradas em templos budistas, não só como homenagem aos
deuses, mas também para exibir seus engenhos e desafiar matemáticos rivais,
propagando conhecimento, mas também promovendo as escolas e seus mestres,
com quem aprenderam. Um matemático japonês faz a seguinte afirmação “é uma
obra de arte, bem como uma declaração matemática”, explicando bem como
funciona esta matemática aplicada dentro do Japão.

Percebe-se como a etnomatemática entra nessa questão, ao fugir um pouco da


matemática tradicional, é utilizado seus modos orientais, com a finalidade de atrair
mais pessoas para resolver problemas matemáticos, assim criando uma coisa
bastante diferente do mundo, é uma ideia muito boa para resolver problemas
matemáticos, bastante eficiente, e que faz muito bem para a vida deles.

Como falamos, a etnomatemática é o estudo de culturas que utilizam a matemática


com boas finalidades, no seu dia a dia, para garantir a sobrevivência, e também, de
outros modos, como exemplificamos nessa matemática japonesa, onde é utilizado
para homenagear seus deuses.

Sempre importante frisar que não é para fugir completamente da matemática formal
que é utilizado, como por exemplo, nas salas de aulas, mas sim, criar técnicas
diferentes, de acordo com o que cada um vive, dentro de uma cultura, para se
aplicar a matemática, existem muitas técnicas boas, e sabendo utilizar da forma
correta, geram grandes resultados.

Tanto o exemplo da tribo como o exemplo dos japoneses mostram que existem
formas diferentes de se aprender matemática, não apenas uma, e isso que é
bastante interessante, pois, conhecendo essas técnicas de aprendizado, você
consegue enxergar as coisas em muitas visões diferentes, isso acaba sendo muito
bom para o conhecimento, tanto social como matemático, é nisso que a
etnomatemática se desenvolve, e que a cada ano que passa, vai se desenvolvendo
cada vez mais.

Indo para a África, podemos perceber que existem das mais variadas formas
matemáticas que foram desenvolvidos por esses povos, a etnomatemática quando
pesquisada, possui muitas ideias centralizadas na cultura africana, isso porque a
história da nossa humanidade, que teria iniciado na África, fica interligada com a
matemática, sendo importante ter essa ligação com os povos do mundo inteiro.

Em um livro chamado Etnogeometria: Cultura e o Despertar do Pensamento


Geométrico, Paulo Gerdes coloca a possível origem da geometria, segundo ele, teria
começado no Egito antigo, ele ainda apresenta uma possibilidade de que a natureza
criou a essência de que a geometria é o homem, talvez, adaptando o que fosse
preciso para garantir sua sobrevivência.

Diante dessa ideia, a geometria teria nascido para suprir a necessidade do homem,
uma vez que o ser humano necessitava medir e comparar objetos, conhecimento
que vem de forma natural, sendo assim, fazendo essas observações, podemos
concluir que a geometria teria surgido como uma ciência empírica, podemos chamar
assim então de Geometria Subconsciente.

Ao longo da história, o homem foi descobrindo simetrias que existiam na natureza, e


assim, passou a fazer objetos para que facilitasse sua vida, como uma cesta, por
exemplo, pinturas rupestres são um grande exemplo de como a matemática era viva
na antiguidade, conceitos de ângulos, retas, etc, era bastante utilizado para que se
pudesse fazer os desenhos nas cavernas.

Com o desenvolvimento da humanidade ao longo dos anos, várias etnias foram


sendo formadas, assim, fomos vendo várias culturas, vários jeitos diferentes de
garantir a sobrevivência, e consequentemente, muitas formas diferentes de se
utilizar a matemática, muitos desses conhecimentos eram transmitidos de forma
ilustrada, através de desenhos feitos que mostravam o dia a dia deles.

Segundo Gerdes, a Etnogeometria tem buscado estudar cada vez mais as maneiras
com que os povos antigos utilizavam a geometria nas suas vidas, e a forma como
que eles transmitiam este conhecimento, como exemplificamos, a cesta, redes,
varas de pesca, entre outros objetos que tinham como objetivo, garantir a
sobrevivência desses povos, seja aonde for, muitas dessas criações eram
transmitidas por ilustrações, como citamos a arte rupestre, e assim, os
pesquisadores conseguem fazer descobertas fascinantes, algo que atualmente,
pode ser muito útil para a nossa sociedade.

Uma geometria que é bastante conhecida nesta área, é a Geometria Sona, na qual,
foi baseado em desenhos africanos na areia, em que Paulo Gerdes estudou
enquanto esteve em Moçambique e na Angola.

No seu livro, Gerdes relata no primeiro volume da edição que despertou um


interesse nele em estudar sobre desenhos africanos quando leu o livro Desenhos na
Areia dos Quiocos do Nordeste da Angola, o Gerdes percebeu que havia algumas
propriedades relacionados a matemática nestes desenhos, e daí resolveu estudar
melhor sobre o assunto, assim, começava os estudos sobre a Geometria Sona.

Esta tradição dos sona, pertencem aos Cokwes que vivem no leste da Angola e em
zonas vizinhas no Noroeste da Zâmbia, e do atual Congo, esta população vive da
caça e da agricultura, e nele, podemos observar muitos traços da geometria que são
bastante interessantes de ser vistos.

Esse povo Cokwe também pode ser chamado de Quioco, eles são muito conhecidos
pela sua arte, na qual eles fazem desenhos nas paredes de suas casas, cerâmicas,
trabalhos na madeira, forjam ferros, fabricam esteiras e cestos decorados.

Para compreender este trabalho, o pesquisador que foi até a Angola, procurou
entender os seguintes conceitos: Analisar os elementos matemáticos da tradição
sona; explorar os usos dos sona na Educação Matemática; explorar conceitos
matemáticos dos sona; estudar outras tradições que se assemelham com a tradição
sona.

Consideramos sona sendo os desenhos feitos na areia, enquanto lusona é a forma


singular, estes desenhos eram executados com a máxima precisão, para que ficasse
bem-feito mesmo, pois servia de transmissão de conhecimento para o povo tribal
que fosse vendo nas próximas gerações.

Segundo a tradição deles, somente os akwa kuta podiam fazer os desenhos, eles
podem contar uma história dos mais variados temas, geralmente relatando
acontecimentos na tribo, ou explicando algum fenômeno místico, assim transmitindo
o conhecimento para outras pessoas da tribo.

Por ser feito na areia, esta arte dificilmente fica preservada, sendo levada pelo
vento, ou seja, é apagada, isso dificultava que os sona fossem vistos por outras
pessoas, além dos que já viam, que não fosse apenas para a memorização de
poucos, mas é uma forma muito boa de transmitir os conhecimentos matemáticos,
para dentro da tribo.

Assim, podemos concluir que desses exemplos que trouxe da cultura africana, a
geometria acabou sendo fundamental para a sobrevivência dos seres humanos no
início da humanidade, sendo possível criar diversos objetos que pudessem ser úteis
para determinada pessoa.

Também podemos imaginar o quanto fomos fundo para procurar exemplos que
pudessem ser pesquisados que tivessem a ver com a etnomatemática, pois, de
vários lugares do mundo, podemos perceber o quão criativo são as pessoas para
que, longe da matemática formal, pudesse criar formas que levassem a aprender a
matemática de um jeito legal e que se utilizassem dessas formas no dia a dia,
existem muitos outros exemplos de culturas que utilizam a matemática de um jeito
interessante, não somente essas, mas já pudemos perceber o tamanho da
diversidade do assunto.

A etnomatemática tem um debate bastante amplo sobre essas questões, e todas


essas ideias sendo levadas em conta, procurando o bom entendimento, discutindo,
analisando, podem ser levados para as salas de aula, excelentes ideias de como
ensinar matemática para os estudantes, existe um material riquíssimo dentro da
etnomatemática que ajuda no pleno desenvolvimento da sociedade, e é muito
interessante que seja cada vez mais procurada e bem trabalhada para que as
próximas gerações, aprendam cada vez mais nas escolas sobre a matemática.

Relacionadas as profissões, a etnomatemática também procura entender onde que


essas pessoas adquiriram o conhecimento para o pleno desenvolvimento de suas
funções, mesmo que não tenham um certo conhecimento matemático para isso, ou
seja, de pessoas que não aprenderam a matemática dentro da sala de aula.

Seja um pedreiro, que precise trabalhar com construções, um cozinheiro, que


trabalha com comida, ou uma costureira que trabalha costurando roupas, o
engenheiro que monta os projetos, todas essas pessoas podem possuir uma técnica
matemática para executarem bem suas funções mesmo sem ter um conhecimento
da matemática de dentro da sala de aula.

Para que todas essas pessoas que executem suas profissões da melhor maneira
possível, é obvio, seria bom um conhecimento matemático de sala de aula, mas a
própria experiência com esses tipos de trabalho, pode fazer com que o trabalho seja
muito bem feito, a experiência é fundamental para a execução de tarefas
importantes, é por isso que muitas pessoas conseguem trabalhar mesmo sem saber
muitas coisas de sala de aula, cada cultura ensina da sua forma ao que está
aprendendo, e este, vai executar da forma que lhe foi ensinada, não há formalidade,
mas sim, práticas diferenciadas, mas que são boas, assim, há uma boa construção
de uma sociedade.

CONCLUSÃO

Podemos concluir que a etnomatemática é uma ferramenta de extrema importância


para a sociedade no mundo atual, pois é dela que vamos descobrir mais sobre a
história da matemática, e como ela era aplicada no passado, isso é de extrema
importância para que possamos ter um olhar diferente para matéria e assim,
levarmos ideias boas para as práticas do dia a dia.

Assim, pudemos trazer diversos exemplos que pudessem contextualizar as culturas,


em seus tempos, e a forma com que desenvolviam a matemática, vimos que ela vai
muito além de um simples cálculo pra resolver, mas é por uma questão de
sobrevivência, pessoas precisam ter um conhecimento para garantir suas vidas,
todas as coisas que existem hoje, foi uma pessoa que se utilizou de um
conhecimento matemático para construir, assim continuará sendo, nas próximas
invenções no futuro, é dessa forma que a sociedade tem que evoluir.

Então, na minha opinião, é de extrema importância que a etnomatemática seja


debatida, e consequentemente, seja levada nas salas de aula, como uma forma de
entender o lado diferente da matemática, pensar na matéria, como algo mais social,
afinal, estamos numa sociedade, e não podemos ver a matemática como algo raso,
existem muitos significados de muita importância na história da humanidade que
comprovam isso.
E como falamos muito sobre paradigma e teorias, isto é um debate que os
pesquisadores fazem até hoje, não há uma definição de fato do que seja a
etnomatemática, mas como dito, tem um paradigma já bem definido, e é nessa
linhagem que a área de conhecimento será levada, daqui pra frente, um dia a teoria
será bem formulada, é importante que, com o extremo cuidado, essa questão seja
levada em debate.

Sua história está bem formada, mas é preciso que se pense no futuro, como que a
etnomatemática será discutida daqui para frente? Quantas pessoas a mais irão se
interessar pelo assunto? Quantas pessoas vão procurar levar esta ideia para as
salas de aula? São questões que ainda têm que ser melhor vistas, mas podemos
perceber um avanço muito grande, destacamos aqui muitos pesquisadores, entre
eles, D’Ambrosio, que foi o grande precursor desta área, então, se nos inspirarmos
cada vez mais nestes pesquisadores, e procurarmos debater sobre a
etnomatemática, podemos dar grandes passos para a evolução no futuro.

E para concluir, o trabalho tem como foco, levar ao leitor, diferentes situações
matemáticas encontradas para resolver problemas, e encontradas, refletir sobre
cada ideia, a história da matemática é incrível, e a etnomatemática que é tão
discutida atualmente, tende a fazer ainda mais dessa história, então é muito legal
ver os contextos sociais entrando numa área tão importante da sociedade, levando
isso dentro das salas de aula, e refletindo sobre o futuro, podemos esperar coisas
ainda mais incríveis da nossa sociedade, e que esses pesquisadores possam ficar
na história da matemática, por esse marco tão importante, pois não é fácil mudar a
matemática formal trazendo ideias completamente diferentes das conhecidas, mas
que deu certo e isso foi fundamental para darmos o passo de evolução.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etnomatematica-pedreiros

http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/etno.pdf

https://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/etnomatematica.htm

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https://www.partes.com.br/2015/12/27/etnomatematica-na-perspectiva-de-ubirantan-
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http://www.faculdadealfredonasser.edu.br/files/Pesquisar_4/T%202.14%20AS
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http://www.sbem.com.br/enem2016/anais/pdf/7247_4306_ID.pdf

http://eadcampus.spo.ifsp.edu.br/pluginfile.php/167284/mod_resource/content/0/Tha
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http://eadcampus.spo.ifsp.edu.br/pluginfile.php/118729/mod_resource/content/0/TCC
_Dayene_Ferreira_dos_Santos_1468103_2sem_2017_ifsp.pdf

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