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1 - Pergunta de Partida

De acordo com Quivy (1992), através da pergunta de partida, “o investigador


tenta exprimir o mais exactamente possível aquilo que procura saber, elucidar,
compreender melhor. Esta pergunta de partida servirá de primeiro fio condutor da
investigação”.

A pergunta de partida elaborada pelo grupo foi a seguinte:

QUAIS OS FACTORES QUE CONTRIBUEM PARA O APARECIMENTO DAS DOENÇAS MÚSCULO-

ESQUELÉTICAS EM ENFERMEIROS

1.1 - Delimitação do Problema

Inicialmente focamos o facto de os acidentes de trabalho ainda estarem tão


presentes, apesar dos imensos métodos actualmente existentes para travar a sua
ocorrência. Acidentes de trabalho "são aqueles que ocorrem pelo exercício do trabalho
a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que causa
a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o
trabalho" (J.Oliveira, 1992).

Pesquisas que enfocam os acidentes do trabalho em trabalhadores de


enfermagem, demonstram que os acidentes mais frequentes são as lesões perfuro-
cortantes seguidos pelos ferimentos que comprometem o sistema osteoarticular,
advindos principalmente de contusões e torções (W.D.F. Santos, 1989), ou seja lesões
músculo-esqueléticas, estas que de acordo com Uva et al., (2001) “são consideradas
uma causa importante de absentismo/doença, de incapacidade e de gastos em
cuidados de saúde”.

E no caso de enfermagem, estas são mais que evidentes, como referem


Josephson et al., (1997), que descreveram que os enfermeiros são considerados um
grupo de risco para o desenvolvimento de lesões osteomusculares.

Segundo Bernard, existem vários factores de risco: (1) físicos, (2) psicossociais
e (3) individuais que contribuem para o desenvolvimento das LME. Entre os factores
de risco físico, segundo Daraiseh et al., (2003) a manipulação manual de doentes tem
sido considerada como o mais importante factor de risco no desenvolvimento das
lesões músculo-esqueléticas, nos enfermeiros. E para alguns autores esta é
considerada uma actividade de alto risco (Menzel et al., 2004). Os factores
psicossociais ligados ao trabalho incluem, entre outros, a satisfação com o emprego, o
suporte social e o nível de controlo que os trabalhadores sentem ter sobre o seu
trabalho. A ansiedade e a insatisfação no trabalho são também factores que, segundo
Hitchings e Smith (2001), podem aumentar a prevalência das LME. Nos factores de
risco individuais incluem-se, entre outros a idade, sexo, peso e altura do trabalhador
(NIOSH, 1997).
2 - Enquadramento Teórico

Para Fortin (2003), os principais objectivos da revisão bibliográfica são, entre


outros, fornecer ideias para a investigação, verificar qual a informação existente sobre
o tema que se pretende explorar, proporcionar um contexto conceptual e encontrar um
modo de desenvolver a investigação.

Escolhemos este tema para a nossa investigação, uma vez que, hoje existem
vários equipamentos que nos permite salvaguardar a nossa saúde mas as lesões
músculo-esqueléticas continuam a acontecer com uma grande incidência.

A maioria destas lesões produzem dores locais, que limitam a mobilidade e


incapacitam de forma temporária ou definitiva o profissional para a realização de
tarefas laborais e actividades de vida diária.

Em diferentes estudos, as lesões músculo-esqueléticas têm sido definidas de


diferentes formas. Alguns autores utilizam definições baseadas na patologia clínica, na
presença de sinais e sintomas, na demonstração de processos patológicos objectivos
e ainda nos efeitos e/ou incapacidade produzida (NIOSH, 1997).

Como refere Simões (2000), as LMELT, são consideradas um problema sério,


em muitas organizações, nomeadamente nas instituições de saúde.

As lesões músculo-esqueléticas ligadas ao trabalho, são um conjunto amplo e


diversificado de patologias, que se sobrepõem, na maioria, às doenças reumáticas
periarticulares, mas que diferem destas pelo facto de incluírem algumas situações de
lesões osteoarticulares e das bolsas sinoviais e também, por apresentarem, na sua
origem, factores de risco de natureza ocupacional.

Para enquadrar de melhor forma o tema do trabalho e seguindo a definição


acima reproduzida vamos fazer uma breve exposição acerca dos seus conceitos
básicos de forma a obter os conhecimentos já validados e encontrar a melhor forma de
dirigirmos o estudo em causa, nomeadamente sobre:

 Os riscos ocupacionais da profissão de enfermagem;


 Os riscos ocupacionais que surgem devido ao excesso de carga:
o Factores e variáveis que interferem na carga física;
o Tipos mais comuns de lesões músculo-esqueléticas resultantes do risco
ergonómico por carga física

Nesta revisão bibliográfica é feita também uma pequena referência às medidas


preventivas que deviam ser implementadas e seguidas para minimizar o risco
ergonómico por carga física.

Medidas Preventivas para Minimizar o Risco Ergonómico por Carga Física:

 Atitude do Enfermeiro, Importante nas Medidas Preventivas;


 A Atitude do Utente Face aos Instrumentos Facilitadores;
 Limites Aceitáveis como Forma de Prevenção.

A consciencialização e a formação dos trabalhadores no local de trabalho são a


melhor forma de prevenir acidentes, a que acresce a aplicação de todas as medidas
de segurança colectiva e individual, inerentes à actividade desenvolvida. Os custos
dos acidentes de trabalho, são elevadíssimos, contudo não podemos abranger apenas
a perspectiva económica. O sofrimento e a incapacidade dos profissionais ligados às
LMELT (Lesões Músculo-Esqueléticas Ligadas ao Trabalho) constituem custos
denominados indirectos, com impacto não só do indivíduo, como também ao nível
familiar e social.

Prevenir, é a melhor forma de evitar que os acidentes aconteçam. As acções e


medidas destinadas a evitar acidentes de trabalho estão directamente dependentes do
tipo de actividade exercida, do ambiente de trabalho e das tecnologias e técnicas
utilizadas.

O ISHST (Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho) é o organismo


público melhor posicionado para dar informação nesta área.
– Principais lesões músculo-esqueléticas

Neste ponto agruparemos as LMELT em 2 grandes grupos:

1) Lesões ao nível da coluna vertebral


2) Lesões ao nível dos membros superiores (ombro, braço, antebraço e
mão)

2.1.1 – Lesões músculo-esqueléticas ao nível da coluna vertebral

No decurso da actividade profissional dos enfermeiros, as agressões ao


nível do eixo vertebro-raquidiano são frequentes. as lesões descritas diferem
em função do nível atingido: cervical, dorsal e lombar. Podem surgir em
particular durante a manipulação de cargas e contribuir para o aparecimento
de determinadas patologias como as hérnias discais.
As lesões músculo-esqueléticas estão incluídas nos grupos de doenças
profissionais mais prevalentes, sendo as lombalgias uma das queixas relacionadas
com o trabalho frequentemente referida (Swezey, 1998)

Doença profissional é aquela que resulta directamente das condições de


trabalho, consta da Lista de Doenças Profissionais (Decreto Regulamentar n.º
76/2007, de 17 de Julho) e causa incapacidade para o exercício da profissão ou morte,
as quais podem ser lesões músculo-esqueléticas.

Segundo o relatório da European Agency for Safety and Health at Work (2000),
a principal causa de acidentes resulta de exigências da actividade de trabalho que
determinam posturas “extermas” durante a execução de movimentos corporais,
constituindo a lombalgia mecânica a causa mais frequente de incapacidade temporária
ou permanente da capacidade laboral.

Nas profissões de enfermagem, auxiliares de acção médica, trabalhadores da


construção, carpinteiros, trabalhadores agrícolas, entre outros, as prevalências são
mais elevadas. (Rip Op De Beeck e Hermans, 2000; Bernard, 1997).

2.1.2 – Lesões músculo-esqueléticas ao nível dos membros superiores


(ombro, braço, antebraço e mão) (LMEMS)
Apesar de existirem muitos estudos nesta área, ainda existem algumas dúvidas
e divergências relativamente à etiologia destas lesões, à relação causa-efeito e
consequente papel dos factores de risco na origem e desenvolvimento destas
patologias e ainda nos critérios utilizados no seu diagnóstico (Rip Op De Beeck e
Hermans, 2000).

Os factores de risco podem ser agrupados em: físicos, organizacionais,


psicossociais, individuais e socioculturais (NIOSH, 1997). Neste momento, é
importante referir algumas definições possíveis de factor de risco:

“Factor (profissional) susceptível de provocar um efeito adverso” (Prista e Uva, 2003).

ou

“Uma fonte de efeito adverso potencial ou uma situação capaz de causar efeito
adverso em termos de saúde, lesão, ambiente ou uma combinação” (Uva e Graça,
2004).

Uma grande parte das queixas músculo-esqueléticas dos membros superiores


são consideradas não específicas, uma vez que reflectem casos iniciais e ligeiros de
doença específica, ou então, apresentam-se com sintomas que conduzem a diferentes
diagnósticos ou, ainda, que se manifestam por processos de dor crónica que não se
enquadram em nenhum grupo de diagnóstico aceite. Estas lesões “são habitualmente
caracterizadas por dor nos músculos, tendões, nervos e articulações, sem evidência
de um conjunto de sinais e sintomas característicos de uma das LME específicas dos
membros superiores” (Uva et al., 2001, p.141).

De acordo com Uva et al., (2001), existem 2 tipos de factores profissionais


relacionados com as LMEMS específicas e não específicas, referentes a 4 regiões
principais (pescoço, ombro/braço, cotovelo/antebraço e punho/mão):

• 2.1.2.1 - Factores físicos


De entre os factores físicos destacam-se a postura, a força, o movimento e as
vibrações.

Segundo Blatter e Bongers (1999), existem evidências que muitos dos


sintomas músculo-esqueléticos localizados estão associados com os factores de risco
relacionados com o trabalho, tais como: repetitividade dos movimentos, trabalho
intenso, posturas estáticas e a exposição a vibrações. A exposição a diferentes
factores de risco físico conduz a um aumento do risco de lesão músculo-esquelética,
quando comparada com a exposição a apenas um factor (Uva et al., 2001).

• 2.1.2.2 - Factores não físicos

Uva et al., (2001), referem que os factores não físicos no local de trabalho,
associados com os factores físicos, podem contribuir para o aumento da LMEMSLT

Existe uma evidência crescente que factores, como o trabalho monótono, a


pressão temporal, a insatisfação e as elevadas exigências mentais do trabalho
executado, têm influência no desenvolvimento de LME (Bongers et al., 1993; Bernard,
1997). Actualmente, existem evidências que as elevadas exigências mentais,
combinadas com o baixo suporte social no trabalho, aumentam o risco de problemas
músculo-esqueléticos (Bongers et al., 1993; Bernard, 1997; Moon e Sauter, 1996).

– Prevalência no sector da saúde, particularmente na enfermagem

A patologia músculo-esquelética é muito frequente em contexto hospitalar,


sendo detectada, nos prestadores de cuidados de saúde, prevalências anuais na
ordem dos 35% a 52% (Estryn-Béhar, 1991).

Um dos sintomas mais frequentemente referidos pelos enfermeiros é a dor. A


prevalência da dor lombar tem sido relatada em alguns estudos como elevada,
situando-se próxima dos 87% (Smith e Leggat, 2003), contribuindo decisivamente para
esta prevalência as tarefas de transporte manual de cargas, que fazem parte das
actividades do dia-a-dia dos enfermeiros, nas enfermarias hospitalares.
As situações de fadiga física estão presentes diariamente no ambiente
hospitalar, motivadas pela realização de tarefas em posição de pé e/ou resultantes de
posturas fisiologicamente “inadequadas” e extremas (ex.: bloco operatório), pelas
distâncias percorridas nas enfermarias, pelo transporte de cargas e muitas outras
exigências impostas pelas características do próprio trabalho e, sobretudo, pelas
condições em que muitas vezes este é realizado (Uva e Faria, 1992).

Em Portugal não existem registos nacionais da prevalência das lesões


músculo-esqueléticas nos enfermeiros. O que existe é um registo dos acidentes de
serviço compilado no relatório do Departamento de Modernização e Recursos da
Saúde sobre os acidentes de trabalho do Ministério da Saúde. Em 2000, as lesões por
aplicação de força e movimentos/posturas “inadequados”, foram a segunda causa de
acidentes de trabalho nos enfermeiros. No total de 1690 acidentes, 197 são por estas
lesões e é nos serviços de internamento que se dá a ocorrência do maior número de
acidentes (Ministério da Saúde, 2002).

– Actividade de trabalho dos enfermeiros e factores de risco

A movimentação de doentes consiste na mobilização destes entre os diferentes


decúbitos (lateral, dorsal e ventral). O conceito de transferência entre as várias
superfícies significa “um conjunto de técnicas coerentemente organizadas e
padronizadas que visam facilitar no doente, as deslocações de uma superfície para a
outra” (Queirós et al.; 1996, p. 7).

A postura é a posição habitualmente adoptada pelo corpo, aquando da


realização de uma actividade. As posturas “inadequadas” geralmente, são
consideradas aquelas que desviam as articulações da postura neutral e que estão
associadas com o aumento do risco de lesão músculo-esquelética (Ergoweb, 2004)

As posturas mais adequadas à realização de uma tarefa são aquelas que


permitem executá-la com o mínimo de esforço muscular (Costa, 1994).

Postos de trabalho mal dimensionados e tarefas demasiadamente exigentes


devem ser tidos em conta no contexto da análise e/ou intervenção ergonómica, porque
podem conduzir para o aparecimento de dores lombares, cervicais e dos ombros e
ainda lesões resultantes por esforços repetitivos do punho e antebraço (Costa, 1994).

A manipulação manual de doentes tem sido considerada como o mais


importante factor de risco no desenvolvimento das LME, nos enfermeiros (Daraiseh et
al., 2003) e engloba um conjunto de tarefas executadas, sem auxílio de dispositivos
mecânicos, tais como: vestir, prestar cuidados de higiene, puxar o doente da cama,
transferir o doente da cama para a maca, ou da cama para a cadeira e vice-versa.
Segundo Oliveira et al., (2002), e referenciado por Yassi et al., (1995), 45% das
lesões, ao nível da coluna vertebral encontrada nos enfermeiros, devem-se ao
levantamento e transporte de doentes.

O risco aumenta substancialmente, quando existem outros factores de risco de


difícil controlo, como: as características morfológicas dos pacientes (ex.: excesso de
peso), capacidades e limitações fisiológicas dos profissionais de ambos os sexos.
Regra geral, o sexo feminino apresenta, em relação ao sexo masculino, uma estatura
mais baixa, os membros mais pequenos, uma musculatura mais frágil e uma força
muscular inferior em 20% a 25% (Lambert, 1988).

Larese e Fiorito (1994), encontraram unidades de saúde com menor rácio


enfermeiro/doente, onde se verificava uma maior prevalência de lesões da coluna
lombar, por comparação com as unidades cujo rácio era superior.

Profissão de Enfermagem
Foi Florence Nightingale quem primeiro referiu o cuidar como
sendo um acto cheio de humanidade e profundidade, sentindo por
isso uma necessidade profunda de criar uma profissão vocacionada
para o cuidar de pessoas. Para Nightingale, a enfermagem contribuía
para que o doente ficasse nas melhores condições, para que a
natureza pudesse actuar, através da cura, ou através da manutenção
da saúde. A actividade da enfermeira era vocacionada para a
recuperação de saúde, prevenção das infecções, controle das
condições sanitárias e educação para uma vida sadia. Os cuidados de
enfermagem eram dirigidos para todas as pessoas,
independentemente da raça, condição social, entre outras.
Considerava a pessoa como um todo, com as suas componentes
intelectual, emocional e espiritual. A essência deste cuidar posto em
prática por Nightingale foi-se difundido ao longo dos tempos, dando
lugar à técnica e, assim, a enfermagem foi-se tornando numa
disciplina científica.
A enfermagem, o longo dos últimos anos, sofreu uma evolução,
quer ao nível da sua formação, sendo neste momento um curso
superior de 4 anos, quer ao nível do conteúdo profissional.
Actualmente, enfermagem possuiu uma Ordem que regulamenta e
controla o exercício profissional do ponto de vista deontológico e
profissional.
Na carreira de enfermagem existem 3 áreas de actuação: a área
de prestação de cuidados, a de gestão e a de assessoria.
A área de prestação de cuidados compreende a categoria de
enfermeiro, enfermeiro graduado e enfermeiro especialista. A área de
gestão compreende a categoria de enfermeiro chefe e enfermeiro
supervisor e a área de assessoria, a de assessor de enfermagem
(Decreto Lei nº437/91).
Na maioria dos hospitais, os serviços de enfermagem prestam
cuidados aos utentes 24 horas por dia e os enfermeiros trabalham
normalmente por turnos, incluindo noites, fins-de-semana e feriados.
Na função pública a carga horária normal dos enfermeiros é de 35
horas semanais, podendo haver algumas situações em que os
horários dos enfermeiros podem ser de 42 horas semanais (horário
acrescido) ou 20-24 horas semanais (tempo parcial). Os turnos
diurnos geralmente são de 6 horas e os nocturnos são de 12 horas.
Em algumas instituições os turnos diurnos são de 7 ou 12 horas e os
nocturnos de 10 ou de 8 horas.
Os locais de trabalho são variados, desde grandes hospitais
públicos ou privados com diferentes serviços especializados e
enfermarias, hospitais de pequena dimensão, em unidades de
cuidados de saúde primários, em consultórios e em postos de
atendimento, entre outros.
Em contexto hospitalar, os enfermeiros desenvolvem a sua
actividade em enfermarias, urgências, sala de observação, de
exames e salas de ambulatório, consultas, blocos operatórios, entre
outras, cuja organização depende da orgânica funcional de cada
hospital. Habitualmente, os enfermeiros deslocam-se entre estes
serviços ou para o exterior da instituição, quando é necessário o
transporte de utentes.
A departamentalização de tarefas é semelhante ao verificado no
sector industrial. O hospital organiza os seus serviços em função das
grandes directrizes fundamentadas no decurso da doença.
A departamentalização de tarefas resulta da utilização de
pessoal em função da actividade médica.
As tarefas do tipo das desenvolvidas pela enfermagem
englobam um nível de responsabilidades, com repercussões quer a
nível profissional, quer a nível dos utentes.
No domínio da prestação de cuidados gerais:
Compete ao enfermeiro:

• Colher dados para a identificação das necessidades em


cuidados de enfermagem.
• Elaborar o plano de cuidados de enfermagem em função dos
problemas identificados e estabelecer prioridades.
• Executar cuidados de enfermagem planeados.
• Integrar no planeamento e execução de cuidados de
enfermagem ao indivíduo e á família, a preparação da alta.
• Responsabilizar-se por prestar cuidados de enfermagem a
família como unidade de cuidados, no âmbito de cuidados de
saúde primários.
• Participar nas acções que visem a articulação entre os
cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde
diferenciados.
• Avaliar os cuidados de enfermagem prestados, efectuando os
respectivos registos.
• Reavaliar as necessidades dos utentes em cuidados de
enfermagem.
• Realizar ou colaborar em estudos sobre problemas de
enfermagem.
• Utilizar os resultados de estudos e de trabalhos de investigação
para a melhoria dos cuidados de enfermagem.
• Colaborar na formação realizada na unidade.

Ao enfermeiro graduado compete:

• Executar o conteúdo funcional descrito na categoria de


enfermeiro nível I e ainda as funções de orientação e
coordenação de equipas de enfermagem na prestação de
cuidados.

Ao enfermeiro especialista compete:

• Executar o conteúdo funcional inerente às categorias de enfermeiro


nível I e de enfermeiro graduado.
• Prestar cuidados de enfermagem que requerem um nível mais
profundo de conhecimentos e habilidades.
• Estabelecer prioridades de intervenção do enfermeiro no
atendimento do doente em situação de urgência.
• Definir e utilizar indicadores que lhe permitam, assim com a
equipa de enfermagem, avaliar as mudanças verificadas na
situação de saúde do utente.
• Responsabilizar-se pela área de enfermagem, nas equipas
multiprofissionais, no que diz respeito ao diagnóstico de saúde
da comunidade e à consecução das intervenções de
enfermagem.
• Emitir pareceres sobre a localização, instalações e
equipamento, pessoal e organização de unidades prestadores
de cuidados.
• Colaborar na determinação de custo/beneficio na área de
prestação de cuidados.
• Responsabilizar-se pela formação em serviço do pessoal de
enfermagem e outro pessoal da unidade.
• Elaborar o relatório de actividades de formação em serviço.
• Colaborar nos projectos de formação.
• Realizar ou colaborar em trabalhos de investigações em
enfermagem.

Ao enfermeiro chefe compete:

• Integrar o órgão de gestão das unidades de cuidados.

• Promover e colaborar na definição ou actualização de normas


e critérios para a prestação de cuidados.
• Determinar a necessidade em enfermeiros, tendo em vista os
cuidados de enfermagem a prestar, cabendo-lhe a
responsabilidade de os distribuir e adequar às necessidades
existentes, através da elaboração de horários e planos de
férias.
• Propor o nível e tipo de qualificações exigidas ao pessoal de
enfermagem, em função dos cuidados de enfermagem a
prestar.
• Participar na elaboração do plano e do relatório globais da
unidade de cuidados.
• Incrementar métodos de trabalho que favoreçam um melhor
nível de desempenho do pessoal de enfermagem.
• Planear e concretizar, com a equipa de enfermagem, acções
que visem a melhoria de qualidade dos cuidados de
enfermagem.

Fonte: Decreto Lei nº437/91

À medida que os enfermeiros progridem na carreira, as funções


de prestação de cuidados podem-se associar a outras áreas, como as
de gestão e assessoria: gerir, orientar, avaliar, efectuar a provisão e
previsão de recursos, formação (nomeadamente, as funções
desenvolvidas pelo enfermeiro chefe) e ainda funções no âmbito da
investigação e docência. A diversidade e tarefas desenvolvidas pelos
enfermeiros, diariamente, apontam para uma sobrecarga de
atribuições sobre um mesmo profissional.

3.Metodologia

“No decurso desta fase, o investigador determina os métodos


que utilizará para obter as respostas às questões de investigação
colocadas ou às hipóteses formuladas. É necessário escolher um
desenho apropriado segundo se trata de explorar, de descrever um
fenómeno, de examinar associações e diferenças ou de verificar
hipóteses. O investigador define a população e escolhe os
instrumentos mais apropriados para efectuar a colheita dados.
Assegura-se também de que os instrumentos são fiéis e validos.
Estas diversas decisões metodológicas são importantes para
assegurar a fiabilidade e a qualidade dos recursos de investigação”.
(Fortin, 2003, p.40)

3.1 Objectivos gerais do estudo

Na área da saúde, os profissionais de enfermagem estão


expostos a inúmeros factores de risco, que podem provocar doenças
ocupacionais como as lesões músculo-esqueléticas. As actividades de
enfermagem requerem esforços físicos repetitivos, transporte manual
de cargas, movimentação de doentes e outros, o que leva estes
profissionais a adoptarem posturas “inadequadas”, extremas e
prejudiciais à saúde. Tais posturas resultam das exigências e
frequentemente, da ausência de meios técnicos adequados às
actividades desta profissão.
De acordo com Araújo (1998) a má concepção dos postos de
trabalho está associada ao aparecimento de lesões diversas que
afectam não só a saúde do trabalhador como a eficácia da
organização.
O objectivo geral deste estudo é identificar a incidência das
lesões músculo-esqueléticas nos profissionais de saúde e a sua
prevenção.

3.1.1.1 Objectivos específicos do estudo


A partir das questões de investigação, definimos os seguintes
objectivos específicos:
• Descrever quais as lesões mais incidentes nos profissionais
de saúde.
• Descrever quais as lesões mais frequentes de acordo com os
serviços.
• Procurar associações entre as lesões e as actividades
específicas de enfermagem.
• Descrever medidas preventivas para evitar este tipo de
lesão nos profissionais de saúde.

3.2 Tipo de estudo

Optamos por um estudo dirigido aos profissionais de saúde,


essencialmente enfermeiros, de quatro hospitais, um da cidade de
Vila Nova de Gaia, dois da cidade do Porto e um de Santa Maria da
Feira (São Sebastião).
Sendo o tema deste estudo uma problemática que decorre da
prática de enfermagem, tendo por base os cuidados, a organização e
o funcionamento das instituições e a evolução científica e tecnológica
ao nível da saúde o que nos leva a um estudo do tipo descritivo.

3.3 População e amostra

Segundo o Quivy, uma população é “á totalidade de elementos,


ou unidades constitutivas do conjunto considerado chama-se
«população», podendo este termo designar tanto um conjunto de
pessoas, como de organizações ou de objectos de qualquer
natureza”.
Seleccionamos uma população alvo de enfermeiros de ambos
os sexos e que desempenham funções em dois hospitais na cidade do
Porto (São João e Santo António), num hospital da cidade de Vila Nova
de Gaia (Santos Silva) e num hospital de Santa Maria da Feira (São
Sebastião).
Para o nosso estudo tornou-se essencial que os enfermeiros
destes hospitais tivessem práticas de cuidados de enfermagem
baseadas no contacto com doentes adultos/crianças independentes,
totalmente ou parcialmente dependentes.
De acordo com as condições atrás mencionadas e com os
objectivos propostos, consideramos necessário seleccionar todos os
enfermeiros que desempenhassem funções nos diferentes serviços
dos vários hospitais: medicina (homens e mulheres), cirurgia (homens
e mulheres), obstetrícia, ginecologia, urologia (homens e mulheres),
ortopedia (homens e mulheres), neurocirurgia (homens e mulheres),
blocos, unidades de cuidados intensivos neonatias e de adultos e
serviços de pediatria, permitindo-nos através de cada área específica
de prestação de cuidados, obter dados sobre vivencias e realidades
diferentes de forma a conhecer os diferentes tipos e lesões músculo-
esqueléticas mais prevalentes nos enfermeiros. Ao fazermos esta
escolha pretendíamos também saber se as diferentes actividades e as
realidades também diferentes iriam influenciar o tipo de lesão auto-
referida pelos enfermeiros.
“Uma amostra é um subconjunto de elementos ou de sujeitos
tirados da população que são convidados a participar no estudo. É
uma réplica, em miniatura, da população alvo” (Fortin, 2003, p. 41).
“A amostragem aleatória estratificada é uma variante da
amostra aleatória simples. Esta técnica consiste em dividir a
população alvo em subgrupos homogéneos chamados «estratos» e a
seguir tirar de forma aleatória uma amostra de cada estrato. É a
maneira de fazer a amostragem em subdivisões da população alvo”.
A amostra foi seleccionada de forma aleatória estratificada.
Foram inquiridos 50% dos enfermeiros de cada serviço tendo todos a
mesma probabilidade de serem inquiridos.
Se vamos fazer questionários
Os questionários serão deixados pessoalmente aos enfermeiros
seleccionados. Após o procedimento os questionários são colocados
pelos respectivos enfermeiros num envelope no gabinete do
enfermeiro chefe. O período de tempo para o seu preenchimento será
de uma semana.
3.4 Definição das variáveis

“As variáveis são qualidades, propriedades ou características de


objectos, de pessoas ou de situações que são estudadas numa
investigação. Uma variável pode tomar diferentes valores para
exprimir graus, quantidades, diferenças. As variáveis independentes
são as que o investigador manipula no estudo experimental para
medir o seu efeito na variável dependente. As variáveis dependentes
são as que sofrem o efeito esperado da variável independente: é o
comportamento, à resposta ou o resultado observado que é devido à
presença da variável independente”. (Fortin, 2003, P.37).
As variáveis deste estudo são as lesões músculo-esqueléticas
(variável dependente) e as diferentes actividades exercidas pelos
enfermeiros (variável independente) ao longo dos diferentes turnos.

3.5 Definição de questões de investigação

De acordo com o nosso tipo de estudo Tendo em conta a


finalidade do estudo e com base no enquadramento teórico definimos
as seguintes questões de investigação:
• Qual a lesão músculo-esquelética comummente referida
pelos profissionais de saúde?
• Quais as actividades com maior risco na profissão de
Enfermagem?
• Quais os serviços onde é mais comum a ocorrência destas
lesões?
• Será que existe medidas que devem ser adoptadas pelos
profissionais de saúde para prevenir este tipo de lesões?

3.6 Instrumentos de recolha de dados

O instrumento de colheita de dados é “uma etapa intermediária


entre a construção dos conceitos e das hipóteses, por um lado, e o
exame dos dados utilizados para a testar por outro” (Quivy).
Escolhemos como instrumento da colheita de dados o inquérito
por questionário. Optamos pelo inquérito por questionário porque: é
um instrumento de medida que traduz “os objectivos de um estudo
com variáveis mensuráveis” (Fortin; 1999, p.249); as questões são
apresentadas por escrito permitindo a resposta anónima, implicando
poucos recursos humanos na sua distribuição e recolha.
Uma das vantagens de aplicação deste método é permitir
quantificar uma diversidade de dados e permitir inúmeras análises.
Este método apresenta algumas desvantagens como o peso e o
custo elevado e a superficialidade das respostas, que não nos permite
a análise de certos processos.
“Para que este método seja digno de confiança devem ser
preenchidas varias condições: rigor na escolha da amostra,
formulação clara e unívoca das perguntas, correspondência entre o
universo de referência das perguntas e o universo de referência do
entrevistador, atmosfera de confiança no momento da administração
do questionário, honestidade e consciência profissional dos
entrevistadores.” (Quivy, p. 192)
O questionário foi elaborado tendo em conta: a caracterização
do respondente, nesta etapa pretende-se obter dados gerais (idade,
sexo, peso, altura, local de trabalho, categoria e tempo de serviço,
tipo de horários e número de horas nos diferentes turnos). Uma
segunda parte onde se pretendia a identificação de lesões músculo-
esqueléticas (algum tipo de lesão referida pelo profissional e o local
da lesão). E uma terceira parte que nos fala da formação e
actividades de enfermagem onde foram incluídas a participação em
formações, a existência de equipamento facilitador e de mobilização
de doentes e por último as actividades de enfermagem realizadas
frequentemente.

4.Previsão de recursos

4.1 Recursos Humanos

 Elementos do grupo;

 Professora margarida;

 Funcionária da biblioteca da faculdade de medicina da


universidade do porto;

 Funcionária da biblioteca da faculdade de enfermagem da


universidade do porto;
4.2 Recursos Materiais

 Computador;
 Impressora;
 Papel;
 Tinteiro;
 Fotocopias;
 Carro;
 Gasolina;
 Canetas;
 Revistas;
 Artigos;
 Internet;

4.3 Recursos de tempo (cronograma)

Data Outubr Novemb Dezemb


Janeiro
Etapa o ro ro

Pergunta de
x x
Partida

Delimitação do
x x
Problema

Enquadramento
x x x x
Teórico

Objectivos e x
Finalidades do
Estudo

Tipo de Estudo x

População e
x
Amostra

Definição de
x
Variáveis

Definição de
Hipóteses/Questõe x
s de Investigação

Definição de
Métodos de
x
Colheita e Análise
de Dados

Revisão
x x x x
Bibliográfica

Entrega do
x
Projecto

5. Conclusão:

Segundo Quivy (1992), a conclusão de um trabalho é uma das


partes que os leitores costumam ler em primeiro lugar. Graças a essa
leitura de algumas páginas de conclusão, o leitor poderá, com efeito,
ficar com uma ideia do interesse que a investigação tem para si, sem
ter de ler o conjunto do relatório.
Como última formulação remanesceu a seguinte pergunta de
partida:
“Quais os factores que contribuem para o aparecimento das
doenças músculo-esqueléticas em enfermeiros?”
Para uma possível investigação com base na pergunta de
partida, procedemos ao subsequente modelo de análise:
Para Fortin (2003), “as conclusões devem indicar a posição do
investigador face aos resultados obtidos”.