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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Reitor Lúcio José Botelho Vice- Reitor Ariovaldo Bolzan EDITORA DA UFSC Diretor Executivo Alcides Buss Conselho Editorial Alcides Buss - Diretor Executivo Eunice Sueli Nodari - Presidente Cornélio Celso de Brasil Camargo Jõao Hernesto Weber Luiz Henrique de araújo Dutra Nilcéa Pelandré Regina Carvalho Sergio F. Torres de Freitas

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Orgs.)

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina Universidade Federal de Santa Catarina

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Organizadores)

Capa
Maria José H. Coelho

Editoração Eletrônica
Sandra Werle

Revisão
Maria Elizabeth Saraiva Nogueira

Supervisão Editorial
Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti

J82

Jornalismo em perspectiva / Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (org.). - Florianópolis: [s.n.], 2005. 288p. Inclui bibliografia. 1. Jornalismo - Santa Catarina - História. 2. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina - História. 3. Imprensa - História. 4. Ética Jornalística. 5. Jornalismo - Objetividade. 6. Jornalismo - Aspectos Sociais. I. Baldessar, Maria José. II. Christofoletti, Rogério. CDU: 07.01

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

Universidade Federal de Santa Catarina
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Apolinário Ternes Uma história de coragem no sul do estado . jornalismo e negócios .Áureo Moraes Jornalismo e Política .Moacir Pereira Jornalismo em cima do muro .Jacques Mick 123 131 143 153 165 .Celso Martins Resistência no oeste catarinense .Rubens Lunge A mídia no Vale do Itajaí .Elaine Borges Televisão.Andressa Braun Mulheres e jornalismo .Regina Zandomênico 115 Fotojornalismo Catarina .Roger Bittencourt Comunicação no Terceiro Setor .Índice Apresentação 7 Parte 1 .Expansões e Transformações Assessoria de Imprensa: mercado em expansão .Mario Luiz Fernandes A imprensa na Grande Florianópolis .Paulo Ramos Derengoski A imprensa no norte de Santa Catarina .Histórias do jornalismo catarinense Imprensa na Serra .Marli Cristina Scomazzon 85 87 103 Rádio: na 3ª idade. mas ágil como adolescente .César Valente 11 13 21 33 45 49 71 Parte 2 .

Rogério Christofoletti 219 A contribuição das escolas: o curso da UFSC .Parte 3 .Francisco José Karam 233 A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mario Xavier 247 Parte 4 .Inovação e Perspectivas 185 Muita história para contar (ou Uma história por contar) .Maria José Baldessar 203 A preocupação com a ética: tradição e futuro .O traço do jornalismo catarinense Apresentação Bonson Fábio Abreu Frank Samuel Casal Sandro Zé Dassilva 265 267 268 270 272 274 276 278 Os autores se apresentam 281 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 6 .Gastão Cassel 187 Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e contradições.

Assistimos a uma enxurrada de progressos ao mesmo tempo em que percebemos o aumento da desigualdade social. dos confrontos armados e da complexidade das sociedades. entidade que vem acompanhando a evolução do jornalismo no estado e que vem contribuindo para muito desse desenvolvimento. conferindo novos contornos também às nossas idéias e condutas. Tanto por seu título quanto por seu escopo. Entretanto. Os últimos 50 anos mudaram a face da vida humana no globo. modificando o impacto sobre o meio ambiente. Este livro marca as celebrações dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. O mundo parece ter ficado menor com as novas velocidades dos meios de transporte e mesmo com a facilidade de manuseio e agilidade dos veículos de comunicação. A obra se debruça muito mais sobre o próprio jornalismo que vimos construindo nas últimas décadas. Mas este não é um livro sobre o Sindicato.Apresentação Um livro como este dispensaria apresentações. Isso se traduziu em outras sociabilidades e comunicabilidades. A vida parece ter ficado JORNALISMO EM PERSPECTIVA 7 . os organizadores deste Jornalismo em perspectiva consideram necessárias algumas palavras não para introduzir o leitor nas histórias que lerá a seguir. mas para reconhecer e sublinhar os esforços aqui empreendidos. alterando nossas relações interpessoais. pela profissionalização do exercício e pela consolidação do jornalismo como uma atividade vital para a sociedade. Tanto pelos autores quanto pelo ineditismo da obra. fatia de tempo fartamente recheada pelos avanços tecnológicos.

Santa Catarina deixou um modesto posto entre as unidades da federação para se converter num destacado produtor agrícola. Na última metade do século XX. tornando-se em berçários dos novos jornalistas. Para tanto. investiu em infra-estrutura e melhorou seus índices de desenvolvimento humano. Em 50 anos. Por conta de sua distribuição geográfica. morais e de comportamento. o mercado publicitário também evoluiu. de forma a registrar parte das ações humanas no campo da comunicação em Santa Catarina. Um pouco desse mosaico de realizações está descrito nas próximas páginas. fazendo circular bens e notícias. num diversificado exportador. foram convidados jornalistas de todo o estado para tentar oferecer ao leitor um retrato de 50 anos de jornalismo. arte. diversão e informação. Muita gente e muita história ficaram de fora. o estado ampliou a qualidade de vida. o estado viu surgirem no interior influentes jornais e empresas de radiodifusão. e o jornalismo apressou-se em contar as histórias que serviam de fundo para as revoluções tecnológicas. num pólo tecnológico. É evidente que o tema não se esgota neste título. chargistas e ilustradores. mais curta. colunistas. Escolas de comunicação se espalharam. homens e mulheres dos mais diferentes meios reúnem aqui uma generosa parcela da história recente do campo jornalístico local. editores. fazendo girar a roda da fortuna nos departamentos comerciais. fortaleceu sua infra-estrutura e passou a capacitar melhor os seus profissionais. O jornalismo catarinense deu sucessivos saltos de qualidade neste período: estendeu a malha de cobertura noticiosa. Paralelamente. cobrindo todas as regiões catarinenses. E tudo isso apesar da sua pouca extensão territorial. Os meios de comunicação registraram tudo isso. num estado industrialmente competitivo. Repórteres. O que só alimenta a disposição pelo res- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 8 . A mídia e a indústria cultural também se expandiram.mais rápida.

gate de mais fatos em novos volumes, como bem o fazemos cotidianamente no jornalismo. Autêntico trabalho de Sísifo, o exercício de reportar os fatos não termina nunca, sabemos todos. Este Jornalismo em perspectiva não dá conta de tudo o que se produziu em meio século na área. Mas isso já era esperado desde os primeiros instantes dessa idéia. A intenção era mesmo produzir uma obra multifacetada, parcial, plural, dinâmica. Ao longo dessas páginas, o leitor vai se deparar com a menção a nomes já mitificados na imprensa local e vai encontrar também a citação de autores de outros capítulos do volume. Não é mera coincidência, já que alguns dos convidados a escrever não apenas foram testemunhas dos acontecimentos como imprimiram suas digitais neles, participando ativamente da história. O livro foi totalmente produzido por jornalistas: dos textos às ilustrações, da capa ao projeto gráfico, da organização e revisão à captação de recursos para a sua impressão. Disposto em quatro partes, o conteúdo não apenas reconta a trajetória dos acontecimentos que talharam o jornalismo catarinense nos últimos 50 anos. Inicialmente, é apresentada uma certa geografia do fazer jornalístico no estado, seção em que o leitor poderá visualizar as regiões catarinenses como peças de um quebra-cabeça. Nesta parte, o foco se desloca do Planalto Serrano ao Vale do Itajaí, do Norte ao Sul e passando pelo Oeste e pela região metropolitana, salientando a imprensa local, os principais nomes, as maiores empresas. Na segunda parte do livro, a produção jornalística de outros meios é mostrada. O fio condutor é o conjunto de expansões e transformações que a atividade sofreu no rádio e na televisão, na fotografia e na política, bem como os impactos das assessorias de comunicação no mercado de trabalho. Como nenhum balanço é completo sem a miragem de algum futuro, a terceira parte do livro realça as inovações que marcaram o jornalismo local e sinalizam algumas perspectivas para a área.

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O advento das escolas de comunicação, a discussão sobre a ética profissional e a chegada dos computadores às redações são alguns dos tópicos abordados. Mas também são apontadas a participação das mulheres no fazer jornalístico e as contribuições do Sindicato dos Jornalistas na articulação dos profissionais. Para completar, a quarta parte reúne trabalhos de alguns dos mais talentosos e importantes ilustradores e chargistas de Santa Catarina: crítica, humor e inteligência. Jornalismo em perspectiva serve de registro do passado, reflete ações do presente e lança luzes para caminhadas futuras. As contribuições que este livro oferece vão da preservação da memória de um tempo ao desenvolvimento de novos procedimentos que aperfeiçoem as práticas diárias dos que vivem das notícias. Este projeto deve um agradecimento especial à Universidade Federal de Santa Catarina, que patrocinou a impressão desta obra, e a todos os jornalistas envolvidos na sua produção. Uma história do jornalismo catarinense – mesmo que parcial – só poderia mesmo ser escrita por jornalistas. Os que aqui imprimem as suas assinaturas, o fizeram sem nenhuma remuneração, sem qualquer menção a ganhos eventuais. Todos os autores deste Jornalismo em perspectiva acreditaram no projeto, e cederam direitos autorais, e parcela de sua energia e entusiasmo para viabilizar o produto. As páginas que o leitor vê a seguir foram pura obra de um esforço coletivo. Os organizadores

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Histórias do jornalismo catarinense

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Imprensa na Serra

Paulo Ramos Derengoski

Nos primórdios, a imprensa serrana foi basicamente a imprensa de Lages. E o primeiro jornal editado em Lages foi “O Lageano”, na verdade um micro-jornal de formato 23x33 cm, com apenas quatro páginas. O primeiro número circulou em 14 de abril de 1883. Dirigido pelo professor João da Cruz e Silva, era um vibrante e pequenino semanário que dedicava seus artigos de fundo à defesa do ensino público, criticando as péssimas estradas da região e exigindo a criação de um Mercado Público, bem como a retirada do cemitério da época do centro da cidade. Dentre os colaboradores que mais se destacaram com empolgados textos estavam o médico homeopata e futuro desembargador, Genuíno Firmino Vidal Capistrano e João José Theodoro da Costa. Em 4 de janeiro de 1884, o pequeno semanário foi vendido para Henrique José Siqueira, que acrescentou “mais uma coluna em cada página”. Nessa fase, o grande colaborador seria o acadêmico de Direito, “nosso correspondente em São Paulo”, Caetano José da Costa, que entre reportagens memoráveis, descreveu a visita à bandeirante capital de dois manda-chuvas lageanos: os coronéis Belizário de Oliveira Ramos e Henrique de Oliveira Ramos, “que conferenciaram com o chefe da democracia paulista”, dr. Rangel Pestana, e foram à ópera, assistir “A Corsa do Bosque”. Com a proclamação da República, “O Lageano” deixou de circular por algum tempo. Não que ele fosse monarquista. Ao conJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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Sebastião Furtado. mudou o nome para “Quinze de Novembro”. historiadores como Fernando Athayde e até poetas como Sebastião Furtado. Seria substituído em 1893 pelo “Rebate”. Caetano Costa e Antônio Henrique. surge na Serra – com duração até hoje – a sátira e o humor irônico para encarar as pugnas partidárias provin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 14 . Até que em 1º de janeiro de 1897 começaria a circular um jornal de maior duração: o “Região Serrana” dirigido também por Manoel Thiago de Castro e que marcaria época em todas as regiões catarinenses pela ampla atuação política. Advertindo ainda que as assinaturas teriam que ser pagas adiantadas. com boa penetração. Nessa ocasião.“do Cajuru aos fundos da Coxilha Rica”. agora órgão do Partido Republicano Federalista. e os “autógrafos que nos forem remetidos não serão devolvidos”. Vidal Ramos. órgão do Partido Liberal. Em 1886. Em 21 de abril de 1892. Era diretorproprietário Manoel Thiago de Castro. João Nunes. “O Escudo”. um bi-semanário que circulava às quintas-feiras e aos domingos e que tinha um sistema de entregas nas grandes fazendas da região. Suas páginas registraram uma polêmica que marcou época entre Caetano Costa e Pedro Leite Júnior. Caetano Costa. já circulava em Lages. Seus redatores eram homens cultos. saía o primeiro número da “Gazeta de Lages’. Belizário Ramos. Do mesmo diretor apareceria em 1896 “O Município”.trário. notável intelectual serrano. seria fuzilado barbaramente em 1893. Henrique José Siqueira. o Professor Tota. cujo gerente era José Joaquim de Córdova Passos e cujo lema era: “Não se admitem testas de ferro”. Julio da Costa e Manoel Thiago de Castro. O saudoso pequenino “O Lageano” voltaria a circular em 1891 pelas mãos de João Costa. o seu proprietário. Mesmo assim. mas sob a direção do mesmo José Joaquim de Córdova Passos.

. inundavam as paginas do “Região Serrana”. O tom subiu tanto que muitas matérias eram pagas pelos contendores. Até hoje se discute quem era o autor das setas envenenadas – ou dos perdigotos cáusticos – que eram lançadas de Serra Acima. Outro polemista violento foi José Castello Branco. arvorado em pasquineiro.) De tudo desfazer do pé pra mão Pelo insulto. marcando um bom churrasco “sem bebidas alcoólicas”. impacientes Em assalto ao Poder representado Pela honra e critério convenientes Ao povo e ao partido denodado (. Uma das discussões mais famosas travou-se entre os grandes fazendeiros José Maria Antunes Ramos e Hortencio Rosa. Ao que este respondia dizendo que o outro era “dominado pela vaidade. em decassílabos: “Os feitos e os varões proeminentes Que da terra fecunda deste Estado Surgiram afobados. querendo chamar para si as glórias do mundo (. aventureiro desalmado. tornando-se um verdadeiro idiota. provocando o então governador Hercílio Luz. Ele atacaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 15 .) abrindo diques de asneiras.ciais. Eram as famosas “herciliadas”.) (. atingiram até a Capital... chamado pelo contendor de “tucano de bombacha”.. Eis um exemplo mordaz.. publicados no semanário. até que a turma do deixa-disso interviesse..inspiração” Grandes polêmicas... algumas de caráter puramente pessoal. Furtado e o professor Tota. Acredito que eram feitas por três mestres: Caetano... Os versos de sátira política..) (. baseadas nos Lusíadas e assinadas pelo pseudônimo de “Petit Camões”.” Muitas dessas ofensas terminavam em desforços pessoais e ameaças de tiros. calúnia e traição (.) Camoneando exporei nesta Secção Se pra tanto houver tempo e.... que fundou o semanário “O Imparcial” em 23 de junho de 1901.

Mesmo assim. Por isso. Observe que na ocasião era muito grande a influência da Loja Maçônica Lageana – “A Luz Serrana”. os nanicos da região se uniram e proibiram a circulação do mesmo na Serra. desabrido e até agressivo. aparecia “O Clarim”. sob a direção do frei Sinzig no dia 13 de maio de 1902 e que também usava um tom polêmico. Quase todas essas publicações dependiam de “amigos e favorecedores”.. ameaçando o seu “correspondente”. é indecente e obsceno. principalmente frei Pedro Sinzig. dirigido por Bibiano Lima. mas que cortavam a grana quando vinham as cíclicas crises do preço da carne. A fase mais profissional da imprensa serrana começa em 1915. de tal modo que não pode ser lido por famílias”. surgia “A Aurora” jornal que se pretendia humorístico e literário. caía em cima do “Imparcial”. E ameaçava: “Quem apoiar tão nojento órgão a-católico (não católico) seja por assinatura ou recomendação. quando um jornal de fora (“Evolução”. dizendo: “É um mau jornal. não é isento de Culpa. de 1º de maio de 1904. E já no seu número 9.” Talvez de tão acossado “O Imparcial” faliu em 1907.va os padres. intelectual franciscano respeitado e autor de vários livros. Os franciscanos lançaram então o semanário “O Cruzeiro do Sul”.. No dia 7 de setembro de 1906. que davam um aporte quando o preço do boi subia. Em fins de 1907. de Itajaí) ousou criticar o hábito serrano das serenatas noturnas. que teve que mudar de profissão transformando-se em “cenógrafo teatral”. mas com um número bem avantajado de páginas. quase todos tinham vida curta. E ainda por cima foi editada pelos padres uma espécie de revista mensal intitulada “A Sineta do Céu”. chamando-o de Pedro Barulho. quando volta a circular “O Lageano” sob a direção de Jucundino Godinho e que teve notável atuação política quando da cisão do poderoso Partido Republicano Catarinense em 1920 e lançou JORNALISMO EM PERSPECTIVA 16 .

“A Metralhadora”. cultura e bom humor: Jayme de Arruda Ramos. Geralmente. lançou “A Época”. etc.em suas páginas a candidatura de Nereu Ramos a deputado federal. voltou às bancas em 5 de setembro de 1937. com o advento do tenentismo no sul do Brasil. Em 1924. Até que um jornal de bom nível. contra a vontade das cúpulas partidárias. não deixavam de publicar alguns jornais nanicos. “A Região Serrana”. “O Garoto”. como Octacílio Costa. cuja circulação havia sido interrompida em 1914. Quase todos eram semanários. o “Zum-Zum”. todos de vida breve e feliz: “A Coruja”. Com o acirramento das lutas políticas. O Centro Cívico Cruz e Sousa. “O Diabo”. sob a direção de João Pedro Ghiorzi e do coronel Aristiliano Ramos. novos jornais surgiam e desapareciam do dia para a noite. que também teve vida efêmera. também editou por breve período “O Cruz e Sousa”. por seu estilo refinado. “O Dunguinha”. sob a direção dos irmãos Athayde e que tinha no expediente um elenco de colaboradores permanentes de alto nível. entidade que congregava basicamente representantes da raça negra. O secretário de Redação era um nome legendário na imprensa catarinense. como preferiam se auto-intitular: “Hebdomadários”. “A Marreta”. “O Fantasma”. do advogado Odílio Malheiros. Em 23 de junho de 1917. Nesse período em que a imprensa serrana se profissionalizava. Até o distrito lageano do Painel (hoje município) teve um jornal semi-manuscrito. maior no verão. lageano que também se destacaria nos jornais da Capital. Mas com o crescente acirramen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 17 . o chefe político da oposição lageana. menor no inverno. Mais radical ainda era “A Defesa”. Excelentes crônicas sobre a história de Lages começaram a ser publicadas no “Planalto”. tinham apenas quatro páginas e tiragem variável. Ou. com uma linha editorial agressiva e com violentos ataques aos adversários. começava a circular “O Planalto”. “A Verruma”. “O Painelense” de 1917. coronel Aristiliano Ramos.

O editorialista Nevio Santana de Fernandes tem milhares de artigos assinados e a atual editora-chefe é a jornalista Olivette Salmória que conduz uma equipe de bons profissionais. Até que em 1955 as máquinas pararam. As páginas culturais do “Guia Serrano” eram de boa qualidade. o tradicional “Região” partia também para o ataque e a retaliação. que formou gerações de serranos com suas aulas de inglês. com guerras mundiais. o jornal de mais forte permanência voltou a ser dos padres. Izabel e Paulo Baggio. Octacílio Costa com as pesquisas de outrora. seus filhos. Durou 35 anos ininterruptos até dezembro de 1971. são os atuais proprietários. De bissemanário a diário foi um pulo. Bom Retiro e até a Capital onde muitos eram os assinantes. Era o poderoso “Guia Serrano”. nacional e local. Após o falecimento de José Baggio. O seu alcance se estendia a municípios vizinhos como São Joaquim. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 18 . Curitibanos.to das lutas políticas nacionais e até mundiais. Fernando Athayde com alentados arquivos de notas e o padre mineiro (Brude) Sebastião da Silva Neiva. genealogista. José Paschoal Baggio. Rio do Sul. E assim se conserva até hoje com grandes inovações gráficas. frei Archanjo Moratelli em março de 1936 e que se pretendia “apolítico”. Nele pontificavam os professores: Walter Dachs. lançado pelo próprio Vigário de Lages. A partir de 21 de outubro de 1951. com análises sobre a história e as tradições da Serra. Depois de uma breve interrupção. com amplo noticiário internacional.158. reapareceria sob a direção de um empreendedor da imprensa. tendo a lado a cultura de Edésio Nery Caon. golpes e revoluções. a grande estrela da imprensa lageana passou a ser o “Correio Lageano” sob a direção de João Ribas Ramos e Almiro de Freitas. Nesse período conturbado. principalmente no Palácio do Governo. quando saiu o número 3. totalmente informatizado.

Em Canoinhas. às vezes se esgotando mal chega às bancas. jornais bem mais jovens vêm se firmando. vários semanários apareceram: “Correio do Norte”. Pois em quase todos os países. proprietário de uma grande rede de rádios e televisão no Estado. descrevendo. Em Ponte Serrada. “A Semana”. “O Gazeta do Oeste”. que já teve em seus quadros um brilhante diagramador: Moacyr Oliveira. refletem uma tendência mundial. Mas nem só em Lages floresceu a imprensa serrana. Um semanário que se firmou em Lages é “O Momento”. de Roberto Amaral. econômicos e sociais da comunidades onde se situam. o bissemanal “O Vale”. dirigido pelo engenheiro Roberto Amaral. com um bom corpo de redatores e repórteres e cujo forte é a cobertura completa de área local e policial. Se o tamanho e o alcance da imprensa reflete as dimensões de uma região como queria Victor Hugo. relatando. E em Taió. com periodicidade mensal. a TV Nova Era e a TV Câmara Municipal. Em Capinzal. Na TV por assinatura. embora alguns tenham vida curta. “Correio da Sorte”. tendo um vasto número de leitores. e a poderosa Rádio Clube de Lages. “Folha do Planalto”. Com as novas técnicas de impressão quase todos esses jornais são em cores e nesse sentido. Em Caçador tem boa penetração o semanário “Folha da Cidade”. “Jornal da Cidade” e “O Melhor”. o semanário “Gazeta do Alto Vale”. o semanário “O Tempo”. Em Curitibanos. Lages é a cidade onde se gera a imagem da Rede TV Sul.Em 1977. não restam dúvidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 19 . noticiando fatos diversos. de grande penetração no campo. médias e pequenas cidades têm seus próprios jornais. O diretor do vibrante jornal é Wilson Graupner. foram pioneiras no estado a TV Pinhão. Em Joaçaba. Em outros municípios. aparecia em Lages “O Planalto”. com um corpo de veteranos radialistas.

como nos jornais – e até na máquina do mundo –. são jornais que se impuseram pelo critério.que a imprensa da Serra catarinense é o reflexo de uma sociedade pujante e dinâmica. refletindo o império da opinião pública. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 20 . redação. passando pelos gráficos. jornalistas colaboradores aos diretores.. De um modo geral. Porque na vida. mais vale gastar-se do que se enferrujar.. E que sempre existiram graças ao esforço dos que nela trabalham e trabalharam: os operários do jornalismo – desde os simples entregadores.

de águas calmas e serenas. senador Mathias Schroeder. sob a iniciativa do imigrante polonês Karl Konstantin Knüppel. De profissão lavrador. já pelo título denunciava o perfil da publicação que tinha o espírito indomável do melhor jornalismo. interior da Prússia Oriental. contudo.. O ribeirão Mathias. estrepitoso. solteiro. chegado a Joinville a 13 de dezembro de 1851 a bordo do veleiro “Neptun”. Aos 34 anos. viria a se constituir no escrivão da colônia e. próprio para designar grandes rios como o Amazonas ou o Nilo. exaustivamente. jamais num rio caudaloso. como tal. constituía-se num plácido córrego no centro da colônia. Decidiu publicar um “boletim informativo”. atual Polônia. como seria o caso do vocábulo “strom”. assim denominado em homenagem ao presidente da Sociedade Colonizadora Hamburguesa de 1849. denúncia e críticas. Karl Knüppel procedia da cidadezinha de Pinne. repetirem de 20 a 30 outras cópias comercializadas a 120 réis a ávidos leitores da colônia. de ironia. a imprensa no Norte de Santa Catarina tem como data de nascimento o dia 2 de novembro de 1852. “O Observador às margens do Rio Mathias”.   JORNALISMO EM PERSPECTIVA 21 . bem informado sobre tudo o que acontecia na colônia Dona Francisca.A Imprensa no norte de Santa Catarina Apolinário Ternes Mesmo com São Francisco do Sul então com cerca de dois séculos de existência. quando surge o jornal manuscrito “Der Beobachter am Mathiasstrom” – O Observador às margens do Rio Mathias . além de receber notícias “de fora”. que redigia de próprio punho e depois “assalariava” terceiros calígrafos para.

do qual deve ter tido conhecimento em razão de suas funções de escrivão na colônia. destaca: “demos adeus à plagas do torrão natal. informar os colonos a respeito das condições da colônia. desde o seu início. os objetivos do jornal: “Levar a opinião e os anseios de todos ao conhecimento geral. Ah! Doloroso adeus. aos milhares. a terra que fez a felicidade de nossos pais e que amávamos mais do que o nosso sangue? O que foi – e continua sendo – que nos expulsou. onde existe alma em desespero”. Na primeira página. hospital. Pouco adiante. informar as obrigações da Sociedade Colonizadora e a maneira de sua aplicação. caso perdurem as atuais condições. caridade e coleta”.“Mathiasstrom”  O “Mathiasstrom” nasceu apenas três meses antes de “Der Kolonist” – O Colono -. então o primeiro jornal em língua alemã em todo o país. Não tinha mais espaço para nós. o Príncipe de Joinville e a Sociedade Colonizadora. Apoderou-se de nós e consigo nos arrastou a possante corrente de desconfiança e do fracasso. debater as condições entre empregadores e empregados e demonstrar porque seria mais vantajoso para a colônia se fossem empregados apenas trabalhadores europeus. É possível que o próprio lavrador-jornalista da colônia Dona Francisca. esclarecer assuntos como escola. o “artigo de fundo” do número 1 do “Observador”. pródiga. tenha sido estimulado pelo surgimento do jornal portoalegrense. fundado em Porto Alegre a 2 de agosto de 1852. informar a respeito das obrigações dos colonos e de seus direitos para com o Estado. Knüppel. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 22 . demonstrar a situação no futuro. sempre que um coração torturado anseia por mitigação e que. da idolatrada e inesquecível pátria? É a vontade de uma Providência onisciente e insondável. O de Joinville seria o segundo em língua alemã no Brasil. igreja. que generosamente se revela. demonstrar a necessidade da formação de uma comuna. estende sua mão.

instalou-se na cidade de São Paulo para lecionar na Escola Alemã. O “Observador” irá ainda: “divulgar os meios para melhor produção das diversas culturas agrícolas e esclarecer sobre a venda dos produtos. e para que o útil seja unido ao agradável. com a publicação do “probenummer”. 18 e 19) Não se tem notícia sobre a existência de uma única cópia do primeiro jornal da colônia. já casado com Caroline Baring desde julho de 1853. vindo a falecer no dia 18 de setembro de l895. fundou o “Colégio Benjamin Franklin”. jornalista e político Ottokar Doerffel. no dia 20 de novembro de 1854. (Tradução Elly Herkenhoff. chegado à colônia a bordo do “Floretin”. coletar e publicar assuntos de interesse geral.1998. na Rua 15 de novembro. cultural e econômica da colônia. a 20 de dezembro de 1862. ali mesmo instalaria uma pequena prensa. em 1880. pp. in “História da Imprensa de Joinville”. publicará anedotas e pilhérias sadias e miscelâneas que lhe forem enviadas e anúncios”. figurando como fundador das primeiras instituições.Zeitung”  A “grande imprensa” da colônia Dona Francisca teria início com o surgimento do “Kolonie-Zeitung”. transferiu-se para Botucatu. contudo. Instalado em modesta casa onde mais tarde edificaria a sólida residência que hoje abriga o Museu de Arte de Joinville. Posteriormente. e iniciaria a publicação do primeiro jornal impresso de Joinville. Sabe-se. adquirida em Leipzig. onde. das quais o jornal “Kolonie” será das mais importantes e fundamentais para o sucesso do empreendimento colonizador. Ottokar Doerffel terá excepcional presença na vida política. que o jornalista Knüppel no ano de 1861. nem informações sobre até quando circulou o “Observador”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 23 .exemplar de prova – por iniciativa do advogado.   “Kolonie.

a partir de 1938. quando seus editores tiveram que publicar o jornal em português. uma característica do jornalismo que se pratiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 24 . por linha”. em 1951. circulando até três vezes por semana. O “Kolonie – Zeitung” cresceu ao longo dos anos. que mantiveram por longas décadas importante empresa gráfica e livraria na cidade. Otto. destinava-se a ser uma espécie de órgão oficial das colônias de Joinville e Blumenau.   Outras publicações Levantamento feito pelo historiador Plácido Gomes e publicado no Álbum do Centenário de Joinville. em 1906. enquanto os anúncios serão cobrados a 150 réis e 120 réis. depois de quatro anos de dificuldades crescentes. quase todas de cunho político-partidário. Boehm e depois para seu filho. Ainda no início da década de 1940. 80 anos após a edição número 1 do “KolonieZeitung”. espalhados por todo o Sul do Brasil. só conseguia ler jornal na língua de Goethe. integralmente em língua alemã. A grande maioria foi de publicações efêmeras. a grande maioria de assinantes e leitores. Após a morte de Ottokar. A assinatura anual custava 1500 réis e o número avulso 100 réis. ampliou o número de páginas e de edições. transformando-se em importante fonte de informações para a história de Joinville. inicialmente de Carl W. O jornal de Ottokar Doerffel será publicado ininterruptamente por 80 anos consecutivos. em razão da Campanha de Nacionalização decretada por Getúlio Vargas.Publicado aos sábados. o jornal passou às mãos da família Boehm. “Qualquer artigo de interesse geral será publicado gratuitamente. A única coleção completa das oito décadas do jornal encontra-se no Arquivo Histórico de Joinville. e teve sua publicação interrompida em 1942. o que determinou o fechamento da empresa. enumera dezenas de publicações jornalísticas feitas na cidade até aquela data.

que nasciam e desapareciam ao sabor dos interesses político-eleitorais de cada momento. lendo apenas textos em alemão. sem caráter políticopartidário. Moreira da Silva Reis Jr. órgão oficial do Partido Liberal. sob a orientação política do Dr. de caráter supra-partidário. posteriormente sucedido por Vitor Mueller e Francisco Schendl.primeiro jornal em português – numa colônia de pouco mais de 20 mil habitantes. “noticioso e comercial”.. 1885 – Imprime-se o “Neue Kolonie Zeitung”. Raras foram as iniciativas de cunho empresarial.cava na primeira metade do século XX em todo o país. 1891 – Imprimiu-se o “Volkstaat”. sob a direção de Robert Gernhad. e posteriormente passou a denominar-se “O Democrata”. 1885 – Apareceu “O Constitucional”. 1877 – “A Gazeta de Joinville” . tendo como redator Albino Kolbach. 1910 – Surge o “Die Fackel”. com a grande maioria falando apenas o alemão e. 1891 – Surge “A Gazeta de Joinville”. A Gazeta era impressa na gráfica do “Kolonie” e tinha como redator principal Carlos Lange e colaboradores Etiene Douat e o telegrafista Manoel da Costa Pereira. tendo como redator Crispim Mira. 1905 – Em abril. de propriedade de M. com duas publicações semanais. substituído logo depois pelo “Reform”. composto e impresso em tipografia própria. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 25 . também. surge outra “Gazeta de Joinville”. em 1927. Abdon Batista. de forma que passamos a citar de forma abreviada as principais publicações enumeradas por Plácido Gomes: 1884 – Publicou-se “O Globo”. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. um dos mais conceituados jornalistas de Joinville nas primeiras décadas do século 20 e que seria assassinado em Florianópolis. filiado ao Partido Conservador.

publicam-se em Joinville. Leonel Costa. Plácido Gomes. Depois de 1940. Montezuma de Carvalho. podem ser citados como os mais freqüentes colaboradores da imprensa joinvilense os seguintes. registre-se os seguintes apontamentos sobre veículos e redatores importantes na primeira metade do século XX: “depois de 1905. “A Gazeta” e o “Comércio de Joinville”. Circulou até a década de l980. sob a direção do Dr. Augusto Sylvio Prodhol e Ilmar Carvalho. Ignácio Bastos.Ao longo da década de 1910. a partir de 1924. tendo como redatores Aristides Rego e Carlos Gomes de Oliveira. Manoel Simões. cada qual em seu tempo e com mais ou menos assiduidade: Crispim Mira. Circulam ainda. Otto Boehm. César de Carvalho e Dr.   Jornalistas importantes Ainda da lavra de Plácido Gomes. posteriormente encampado pela rede dos Diários Associados. José de Diniz. Foi um dos mais importantes jornais da cidade. Busse e poucos mais. depois trissemanário e por fim diário. F. Kasting. Plácido Olympio de Oliveira. Oswaldo Silva. por cerca de 20 anos editorialista de “A Notícia”. C. Hudler. Avelino de Carvalho. “A Comarca” é outro jornal de cunho político. novos colaboradores vieram-se juntar à lista dos precedentes: Heráclito Lobato. em português. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. Aristides Rego. publicações com nomes sugestivos de “O Gato e a Borboleta” e a “Revista do Estado”. Em alemão. Leopoldo Jardim. Eduardo Schwartz. R. 1919 – Surge o “Jornal de Joinville”. no período. Eduardo Schutel. Primeiramente bissemanário. Carlos Gomes de Oliveira e Marinho Lobo. Albino Kolbach. Carlos Gomes de Oliveira. Moacyr Gomes. Arthur Costa. Ulysses Costa. Nas seções JORNALISMO EM PERSPECTIVA 26 .” Na imprensa alemã: Victor Muller. o “Joinvillenzer Zeitung” e o “Kolonie Zeitung”. Wolfgang Ammon.

(IN: Dr. mesmo com a cidade tendo pouco mais de 20 mil habitantes. o que acontece até 17 de dezembro de 1944. se instalara na ainda quase colônia de Joinville há pouco tempo e vinha de experiências jornalísticas em cidades como Curitiba. A primeira fase de “A Notícia” desenvolve-se no período em que seu fundador comanda diretamente o jornal. acima das correntes políticas e em língua portuguesa. de terça a domingo. Arcy Neves. passa a circular todos os dias da semana. o paranaense Aurino Soares. Álbum do Centenário de Joinville. “A Notícia” evoluirá de um modestíssimo semanário de quatro páginas para um grande jornal. com parque gráfico próprio e dos mais equipados em todo o Sul do país. 1951. Realcy Moreira. Raul Vidal e Gilberto Navarro Lins. Em 1929. o jornal saía às ruas às segundas. N. quanto como fonte de informação. tinha como intenção criar um jornal independente. adquire máquina própria de impressão e desde 11 de outubro de 1930. Desde o início. Com máquina impressora capaz de imprimir caderno de até 32 páginas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 27 . passou a bissemanário e partir de l926. Plácido Gomes.esportivas. quartas e sábados. Aurino tinha a pele morena. Hugo Weber. pp. vítima de aneurisma cerebral. Jota Gonçalves.49-53). ou seja. Instalou a redação na Rua 3 de maio e começou “A Notícia” como semanário. Personagem polêmico e contraditório. Stamm. Rio de Janeiro e Florianópolis. Nesse período de pouco mais de 20 anos. espírito aventureiro e grande tino comercial. O fundador do jornal. tanto para o convívio social. a maioria só usando a língua alemã. quando Aurino Soares morre de forma repentina. José Lopes de Oliveira.   “A Notícia” O primeiro número de “A Notícia” circulou no dia 24 de fevereiro de 1923. Posteriormente.

liderados por três empresários importantes da cidade: Helmut Fallgatter. de vender o jornal e. posteriormente. “A Notícia” tinha tiragem de cerca de oito mil exemplares e edições de 8 a 12 páginas. com apenas oito jornalistas. com o jornal passando ao controle de um grupo de 130 acionistas. encarregado. que se prolonga até 1956. “A Notícia” foi o primeiro jornal brasileiro a conquistar a certificação ISO 14001. de recolocar “A Notícia” na liderança editorial e jornalística em Santa Catarina. com 24 páginas e tinha grande circulação no Estado de Santa Catarina e no Sul do país. Quando Thomazi chegou à empresa. em l978. à Rua Caçador. era um dos principais jornais. em cores. de Florianópolis. impressão em cores. só voltando às ruas a 1º de maio de 1946. Nova sede. produtos especiais e contínua atualização em informática. 112. o jornal publicava aos domingos revista ilustrada. No eixo Rio de Janeiro – Porto Alegre. com sistema próprio de gestão ambiental. A quarta fase tem início em 1978 e dura até o presente. inicialmente. aprovado o seu projeto de recuperação. Ocupando nova sede. o jornal deixa de circular por 18 meses. Hoje..– a primeira rotativa instalada no estado -. com índices de crescimento recordes no setor em todo o país. conferem nova e pujante dimensão à empresa. A terceira fase de “A Notícia” começa no dia 23 de outubro de 1956. edições todos os dias da semana. a redação é constituída por 130 profissionais e as edições têm média de 50 páginas todos os dias. com a chegada de Moacir Thomazi à presidência do jornal. Wittich Freitag e Baltasar Buschle. O controle acionário pertence então ao empresário Antonio Ramos Alvim e ao político Aderbal Ramos da Silva. especialmente projetada para acolher empresa jornalística. “A Notícia” vem escrevendo novos capítulos de expansão desde então. novo parque gráfico. Com a morte do fundador. quando inicia a chamada segunda fase. quase todos de Joinville. que detém desde o ano JORNALISMO EM PERSPECTIVA 28 .

Em São Bento. disputando as finais com jornais de porte como a “Folha de S. como o “Mathiasstrom” em Joinville. em outubro de 1988. O “Liberdade” deu lugar. A registrar. em 1988 e 1989. Semanário. o “Estadão” e “O Globo”. impresso em tipografia. “A Notícia” obteve o primeiro lugar no prêmio Fernando Pini de excelência gráfica. ao “Legalidade”. ainda do mesmo médico e jornalista Maria Wolf. a partir de 1885. a existência em Joinville. Já em 1860 surge o “Liberdade”. nos anos de 1999 e 2002. foi transformado em diário e assim se manteve até o encerramento de suas atividades. que cedeu sua residência para a instalação do quartel general dos revolucionários federalistas de 1893. no período de março de 1978 a outubro de 1988 do jornal “Extra”. que usava o periódico para difundir suas idéias republicanas. em dezembro de 2004. Depois de conquistar dois prêmios Esso de Jornalismo na região Sul. um republicano convicto. em 1852. em 1892. também com os mesmos ideais republicanistas. São Bento do Sul A história da imprensa em São Bento do Sul começa também com o surgimento de um jornal manuscrito.2002 e também a única empresa jornalística com tal certificação na América Latina. Posteriormente. a publicação tem caráter empresarial e pretende disputar o mercado editorial com edições de 12 páginas e circulação apenas local. ainda. quando era semanário e depois bissemanário. Também o surgimento da “Gazeta de Joinville”. da Associação Brasileira da Indústria Gráfica. do Rio de Janeiro. doze anos após a fundação da colônia.Paulo”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 29 . será a vez de “O Urubu”. que se manteve em sua direção até janeiro de 1979. fundado por este autor. O autor da idéia será o médico Felipe Maria Wolf.

reunindo a colaboração de nomes importantes da vida cultural sãobentense e seu último número circulou 29 anos depois da primeira edição. o cabeçalho indicava Antonio Dias e Nivaldo Lang como diretores. surge o “Der Wolksbote”. informa a jornalista Marília Maciel. Inicialmente semanário. composto de três páginas em língua alemã e uma página em português. segundo pesquisa da jornalista Marília Maciel em sua monografia de final de curso. escrito em língua alemã. Na data de 3 de janeiro de 1963. semanário. hoje circula às quartas-feiras e sábados. A partir da edição número 2. no Paraná. a 19 de novembro de 1938. “A princípio saía como ‘Tribuna da Fronteira’ e funcionava como uma extensão do jornal do mesmo nome. sob a direção de Pedro Skiba. defendendo a proclamação da República. e tinha forte conotação de jornal partidário. em 2003. Arno Fendrich como diretor da sucursal de São Bento e Carlos Von Bathen como diretor da sucursal de Rio Negrinho e Alaor Lino da Silva como diretor-gerente. que também mantinha secções em alemão. cuja circulação perdurou por dez anos. surge o “Tribuna da Serra”. São Bento conta com quatro jornais: “Informação”. “Tri- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 30 . na turma de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior Luterano. circula às sextas-feiras. circulando desde 14 de junho de 1979. O jornal teria vida longa. criado em 1990. São Bento conhece simultaneamente o “Wolkszeitung”. Publicações de vida curta foram se multiplicando ao longo dos anos 30 e 40 em São Bento do Sul.Em julho de 1900. em português. com quatro páginas. que circulava em Mafra. “Evolução”. ainda do mesmo Maria Wolf. Nos dias atuais. em Joinville. fundado por Luiz de Vasconcellos. A adoção de sucursais comprova que o Tribuna tinha pretensões de regionalização”. Em 1908. com redação e sede na cidade de Rio Negro. A 1º de maio de 1911 vem à lume “O Catharinense”. que tinha o título de “Gazeta do Povo”.

sob a direção de Jairson Sabino.   Outras publicações Nos dias atuais. de 1946 a 1959. com destaque para as editorias de esporte e sociedade. muitos personagens da política e da economia de Jaraguá do sul. “AN Jaraguá”. diretor do “Correio do Povo” desde 1957. até chegar ao comando o jornalista Eugênio Victor Schmöckel.buna do Povo”. quatro anos antes de “A Notícia” em Joinville. e “A Gazeta”. caderno diário de “A JORNALISMO EM PERSPECTIVA 31 . que o dirigiu e imprimiu entre os anos de 1919 a 1922. Mudando de proprietários várias vezes. falecido no dia 17 de maio de 2004. aos 82 anos de idade e poucos dias antes da passagem dos 85 anos do “Correio do Povo”. sob a direção de Cezar Celeski. semanário. Antes de Eugenio Victor Schmöckel. seguindo-se Murilo Barreto de Azevedo e Fidelis Wolf. que circula desde 15 de março de 1995. através de empresa gráfica sólida e com ambiciosos planos de futuro. diariamente. entre os anos de 1922 a 1936. circulam em Jaraguá do Sul os seguintes jornais: “A Gazeta”. 12 anos proprietário. jornal com 85 anos de existência. “Absoluto”. Jaraguá do Sul Jaraguá do Sul tem no “Correio do Povo”. o “Correio do Povo” tem se constituído num porta-voz da comunidade jaraguaense e hoje circula cinco vezes por semana. primeiro jornal eletrônico de Santa Catarina. na forma de semanário. que voltou ao jornal numa segunda gestão entre os anos de l943 a 1957. o seu mais antigo jornal. Seguiu-se a gestão de Artur Muller. juntamente com Waldemar Grubba. veio o comando de Paulino Pedri. jornal diário. o jornal teve outros proprietários. Honorato Tomelin. pela internert. fundado em 1919. Depois. O fundador do jornal foi Venâncio da Silva Porto.

da mesma cidade. destaque ainda para o “Jornal do Vale”. Em Jaraguá do Sul circulam ainda sete revistas: “Nossa Região”. esportes e comunidade.   Referências bibliográficas Álbum do Centenário de Joinville. monografia. maio de 2004 HERKENHOFF. “Fia Mais”. com circulação desde 1997 (semanal) e diária desde 4 de abril de 2000. Marília. Elly.Notícia”. “Thefato”. Na região do Vale do Itapocu. edição especial de 85 anos. com destaque para política. “Dom sete”. História da Imprensa de Joinville. 2ª edição revista e ampliada: 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 32 . 1951 Correio do Povo. UFSC e Fundação Cultural de Joinville. em Guaramirim e jornal “O Regional”. 1998 MACIEL. Ielusc. 1ª edição: 1983. “Mercado Brasil” e “Conteúdo”. Apolinário. “Quale”. Imprensa em São Bento. História do Jornal “A Notícia”. 2003 TERNES.

“Inteligente” e “orador de recursos que iam às figuras e aos gestos teatrais. João de Oliveira denunciou as “arbitrariedades” promovidas pelo “ditador catarinense”. o jornalista e advogado João de Oliveira. Nesses momentos de muita tensão e medo. no final da primeira década do século passado. o que resultou na ordem de prisão. no município de Tubarão. ele resolveu ignorar a ordem de prisão. segundo Walter Zumblick. em fins de março de 1925. o jovem logo se casou com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 33 . nascido em 18 de fevereiro de 1891. Por esse motivo. ouvida da janela da casa onde funcionava a gráfica do jornal “A Imprensa”. fora aberto um inquérito para apurar o assassinato do delegado de polícia Manoel Maciel. pensou em tudo o que já havia ocorrido. poeta de rimas inspiradas”. descontente com matérias sobre episódios ocorridos em Araranguá. Havia chegado em Tubarão como bacharel recém-formado na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. em Ouro Fino (MG). superintendente municipal e chefe do Partido Republicano em Araranguá há 30 anos.Uma história de coragem no sul do estado Celso Martins – Sai para a rua. que aproveitou o momento para atingir pessoas ligadas ao coronel João Fernandes. Nessa cidade. e enfrentar armado qualquer tentativa de invasão da gráfica de seu jornal. O oficial da então Força Pública trazia uma ordem de prisão do governador Hercílio Luz. conduzido pelo próprio capitão Silveira. valentão! Foi assim que o capitão Elpídio Silveira deu voz de prisão ao jornalista João de Oliveira. caído em desgraça perante o governador.

disse. vinda de dois lados. e gritou: – Quero ver se o João de Oliveira é homem de coragem. A resposta foi uma saraivada de balas na direção do grupo. Eram todos da oposição. “Polemista duro. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 34 . a casa do superintendente e imediações da ponte sobre o rio Tubarão. circulando desde julho de 1911. embriagado. “fazia dele o seu florete de corte perigoso. onde foram conferenciar com o governador Vidal Ramos. fazendo grande bebedeira. o que gerou uma revolta geral. na rua de Baixo. coronel João Luiz Colaço. sacou a arma ao passar pela frente da casa do coronel Colaço. logo adquiriu inimizades. e “A Folha”. Na saída. Mestre no editorial. enquanto a gráfica onde João de Oliveira imprimia seus jornais foi empastelada. Os Colaços e genro partiram de trem até Laguna e de lá num vapor para a Capital. Na noite do dia 14 de agosto de 1913. a partir de 1º de janeiro de 1912. um “hebdomadário crítico. Pitta foi atingido e morreu. levando à invasão da residência do superintendente e sua deposição. “O Fiscal” ficou sem circular algumas semanas. O que não pôde ser quebrado foi parar dentro do rio. alguns homens se reuniram no hotel Itália. o mais famoso. em 1913. e deu um tiro para o alto. No dia 2 de fevereiro do ano seguinte. Dirigido por Fábio Silva. a vestir seus argumentos com a roupagem das frases contundentes”.Maria Elisa Colaço. Não demorou muito e estavam todos de volta. onde era impresso o jornal “O Fiscal”. “Gazeta do Sul”. literário e noticioso” e “órgão de oposição à grei política chefiada pelos Colaços”. já que as máquinas foram desmontadas e os tipos e prelo lançados no rio Tubarão. filha do superintendente municipal e chefe político local. foi a vez da destruição da gráfica da tipografia Americana. 1914. destaca Zumblick. João de Oliveira começou no jornalismo imprimindo três jornais na tipografia municipal – “O Argonauta”. o dentista Antônio Pereira Pitta. iniciado em 1911. em Tubarão. que esgrimia com audácia e agilidade”.

às 15 horas. ato contínuo. Entre a manhã do dia 27 até a noite de 31 de março de 1924. “A Tribuna” (1919) e finalmente “A Imprensa”. cujas caixas e demais materiais tipográficos eram conduzidos pelos soldados e atirados ao rio Tubarão. delegado especial de polícia. tipos e latas de tinta foram atirados ao rio”. João de Oliveira recorda a ocasião: “Depois de haverem subjugado e amordaçado Pedro Spritze [gerente gráfico]. A notícia só chegou a Tubarão 35 horas após a partida do beneficiado. o tipógrafo Geraldino Eduardo. dando começo então ao ato de selvageria e banditismo que consistiu no empastelamento da tipografia. Depois dos episódios de 1913 e 1914.João de Oliveira pensava em todos esses acontecimentos durante o cerco do final de março de 1924 a seu jornal. contou mais tarde. dentro da lei. A ação foi executada pelo tenente da Força Pública Athanázio de Freitas. estava de volta a Tubarão. Às 15h30 do dia 4 de abril. que corre a cem metros mais ou menos”. escrito em parceria com Alexandrino Barreto. que já estava próximo da fronteira com o Rio Grande do Sul quando um emissário chegou com a informação. No seu livro “O Ditador Catarinense”. conta Zumblick. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 35 . Alertados pelos amigos sobre a iminência de uma tragédia – o capitão Elpídio dissera que em 12 horas efetuaria a prisão “custasse o que custasse” –. “Correio do Sul”. João de Oliveira entregou os pontos e seguiu rumo ao Rio Grande do Sul. às 2 da madrugada de 1º de abril. quando “máquinas. cuja oficina tipográfica havia sido empastela às 3 horas do dia 7 de agosto de 1922. no edifício de ‘A Imprensa’. o tenente e seus soldados amarraram. Nesse mesmo dia. o então Superior Tribunal de Justiça do Estado acatou pedido de habeas-corpus preventivo em favor de Oliveira. que foi transformado em seu reduto”. “esse jornalista resistiu de armas em punho. havia editado a “Folha do Sul” (1918). por ordem do Governo do Estado. requerido pelo jovem advogado Nereu Ramos.

evidentemente ilegal. recorda Oliveira em “O Ditador Catarinense”. afim de que fossem arrebatadas as máquinas de impressão”. ocupando a Superintendência Municipal (prefeitura). um “momento de pavor. colocando patrulhas nas ruas à noite. e que a resistência oferecida por ele. e ordenava que se invadisse o prédio das oficinas gráficas de ‘A Imprensa’. “a soldadesca investiu a coices de carabinas. “É assunto que regularizarei”. Foi um corre-corre na cidade. armados de fuzis e fartamente municiados”. No dia 5 de abril. Além dos homens que levou da Capital. “veio demonstrar que a prisão do dr João de Oliveira era um ato de puro arbítrio. chegou no dia seguinte. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 36 . Ao todo. durante cinco dias. O cenário do confronto estava montado. eram de uma violência desumana. uma sexta-feira santa. sendo chamado de volta à Capital. “horda de selvagens. “com escolhido grupo de soldados. o célebre Trogílio Melo tratou de recrutar reforços pela região. de uma verdadeira ferocidade”. muito embora emanadas de autoridades constituídas”. de confusão e de correria”. com pancadas violentas e sucessivas”.“A decisão do Egrégio tribunal”. o capitão Trogílio Melo. Segundo Oliveira. que tentou sem êxito cumprir a ordem até o dia 17. 22 policiais. trazidas pelo novo delegado especial. “As ordens escritas. 21 de abril. Hercílio Luz renova a ordem de prisão. ao invés de dar uma ordem de prisão. escreveu. foi fundada no direito que assiste ao cidadão de reagir contra ordens ilegais. ignorando o habeas-corpus preventivo. Autoridade que. Hercílio Luz exigia “a todo custo a minha prisão. lança um desafio: “Sai para a rua. garante em telegrama ao mesmo capitão Elpídio. Arrombados o portão de ferro e as grossas portas reforçadas com trancas de madeira. que invadiram o edifício do jornal às 9h15 do dia de Tiradentes. Seu substituto. com suas “carabinas embaladas”. valentão!” Mas o sossego ao lado da família não durou 24 horas.

se justificou. mas as carabinas dos soldados se voltaram contra eles. os escritórios. a pedal e força matriz.Não sou eu o bandido. anuncia. Vencidos os obstáculos se consuma a invasão. Depois. como o grupo armado que depreda e assalta.em sertões agrestes. “Novas máquinas foram adquiridas a custa de sacrifícios”. não sou eu! Veja esta ordem! O velho coronel Colaço olhou a assinatura e viu o nome de seu filho. Mais tarde. chegaram o coronel João Colaço e sua filha Maria Elisa. anuncia Oliveira. foram parar nas mãos de amigos e na Biblioteca Pública do Estado. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 37 . em 19 de maio. a pedal. À noite. secretário do Interior e Justiça do Estado. “A Imprensa” vai “circular em breve”. É nesse momento que Oliveira reúne os artigos que vão compor o livro “O Ditador Catarinense”. “muito agitado e cheio de raiva. cunhado de João de Oliveira. O capitão Trogílio e seus soldados ocuparam a tipografia. em plena cidade. entretanto. à luz do dia. seguiram para Florianópolis. proferindo. o Supremo Tribunal Federal confirmou o habeas-corpus da Corte catarinense. protestando “com altivez e dignidade contra o ato de banditismo que se cometia”. o interior do prédio enfim”. perante uma população estarrecida. Colocadas em caixotes. irmão de Maria Elisa. acovardada e transita de susto”. para tiragem de jornal. . Os oito tipógrafos que trabalham no local fugiram. esposa de João de Oliveira. em altas vozes. para impressão de avulsos e serviços de gabinete”. palavrões que homem educado não diz a frente de uma senhora”. serviço que durou todo o dia. impresso na Alemanha e que não chegou a circular devido o falecimento de Hercílio Luz. O capitão. ele requisitou um mecânico e carpinteiro das oficinas da Estrada de Ferro Teresa Cristina para que desmontassem as duas máquinas de impressão. “O saque a mão armada se consumou. a força deixou o prédio “levando um prelo grande. não causa tanto horror. Nesse momento. e um prelo pequeno. Alguns exemplares.

“Sacrifício e esforço”
Uma característica comum entre a segunda metade do século XIX, e avançando bastante no seguinte, foi o “topete atrevido do corpo redatorial”. Todos eles possuem “forte tempero característico que o tempo ainda não conseguiu apagar”, escreve Zumblick no início da década de 1970. Quase todos eram partidários e, ao mesmo tempo em que “teciam loas aos seus”, respingavam “a lama mal cheirosa de um palavreado feio e nada elegante, àqueles outros, da oposição”. Até o surgimento do off-set e da informatização, as oficinas gráficas eram o lugar do “desconforto e igual sujeira”, quase sempre “montadas em pardieiros”. Quem chegou a conhecer uma deve se lembrar que “pelo ar, dominando o ambiente, o constante resfolegar compassado do prelo grande, a pedal, num movimento de mandíbulas, enchendo de letras e borrões escuros o branco das páginas”, descreve Zumblick. A rotina era mais ou menos comum. Na segunda-feira, bem cedo, eram desmanchadas as páginas da última edição, devolvidos os tipos a seus lugares nas gavetas, estantes e prateleiras. Era um trabalho demorado e minucioso. Lá pela quarta-feira, com os originais à mão ou datilografados na frente, o tipógrafo ia montando letra por letra o texto a ser impresso. As manchetes e títulos tinham tipos especiais, mantidos após o surgimento das máquinas linotipos para a composição. Claro que essa sujeira era eliminada periodicamente, mas a natureza da atividade era ingrata: com o tempo, a tinta e a fumaça impregnavam e escureciam o ambiente. Muitas dessas oficinas eram instaladas em porões, devido ao peso do conjunto de equipamentos, facilitando a chegada de papel e a saída dos jornais impressos. A análise de Zumblick dos profissionais que fizeram a imprensa em Tubarão, serve de perfil para os demais. “Há muito diletantismo nos homens que movimentaram os nossos semanários
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de ontem” e, jornalistas mesmo, “poucos o foram”. Entre esses, sempre estiveram presentes “o sacrifício e o esforço”, vivendo “intensamente” os dramas de um jornalismo “inçado de discórdias e polêmicas”, momentos que eram “soltas as amarras da ética, cortados os cabos do bom senso e desamarradas as cordas da polidez”. As retaliações “pipocavam atrevidas” e “os fatos mais íntimos ganhavam inteiras dimensões. Ao redor das refregas valiam todos os tipos de armas. Armas-palavra. Armas-vitupério. Armascalúnia”, resume o mesmo Zumblick.

O berço em Laguna
José Joaquim Lopes foi um baiano nascido em 24 de outubro de 1805, militar voluntário da guerra da Independência, estabelecido em Laguna com a dissolução de seu batalhão e aparecendo em 1831, como professor de primeiras letras na cidade. Com os episódios da República Catarinense em 1839, se transferiu para Desterro (Florianópolis), voltando os olhos para o jornalismo, tendo adquirido em hasta pública a Tipografia Provincial. Além de criar o jornal “O Argus da Província de Santa Catarina”, em 1º de janeiro de 1856, que passou a circular três vezes por semana a partir de 1861, considerado diário, ligado ao Partido Conservador. Ele é apontado como autor do primeiro jornal de Laguna, denominado “Pirilampo”, lançado em 6 de junho de 1864, de curta duração. Mestre-escola e deputado provincial (18501863), J. J. Lopes também foi editor, tendo falecido em 6 de abril de 1894, em Florianópolis. O segundo periódico, impresso em Laguna, foi o “Município”. Circulou a partir de 12 de setembro de 1878, dirigido pelo sergipano Prezalino Lery Santos, que tinha 28 anos de idade ao ser contratado por negociantes locais para a instalação de um colégio. “Era baixo, magro, moreno, nariz grande e usava somente bigode”, “volumoso e preto”, diz Saul Ulysséa.
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Os primeiros números do “Município”, impressos em tipografia própria, tinham o formato de 17 x 23 centímetros, ampliado depois para 23 x 29 cm. “Ensinou a alguns rapazes a arte tipográfica”, um deles “de nome Pedro Gaspar e um pardo de nome Luiz”. Lery Santos, como ficou conhecido, montou o colégio e dava aulas nas residências. “Era inteligente e bom orador”, recorda o mesmo Ulysséa, um de seus ex-alunos. O terceiro jornal lagunense apareceu em 6 de julho de 1879, por iniciativa de Tomáz Argemiro Ferreira Chaves – “A Verdade”. Chaves era natural do Recife (PE), nascido em 28 de julho de 1851, advogado e deputado estadual entre 1882-1885, ano em que faleceu na Capital. Outros dois profissionais pioneiros do jornalismo em Laguna, então o município mais importante do Sul do Estado, foram José Johanny e Antônio Bessa. Nascido em Laguna em 30 de maio de 1872, filho do armador e exportador Henrique Joahanny, José tinha onze anos de idade ao concluir o ensino primário e ingressar como aprendiz no jornal “A Verdade”, do advogado Chaves. Desde então, dedicouse de corpo e alma às artes tipográficas, passando por diversos periódicos de Laguna, como “Fanal” (1887), “O Trabalho” (1888), “A Pátria” (1892). Em 1892, Johanny, com 20 anos, atuou em “O Lidador” e gerenciou o jornal “O Pharol”, órgão federalista. Com 24 anos de idade teve que ganhar a vida, ingressando como agente de correio (Gravatal, 1896) e professor público (1899), passando em seguida ao comércio. Também foi secretário da Câmara de Laguna (1902-1908) e deputado estadual nas 6ª e 7ª legislaturas, em 1909 e 1910-1912, respectivamente. Mas renunciou ao mandato para assumir a direção do jornal “O Albor” (1910), onde permaneceu pouco tempo, passando a se dedicar à edição da “Revista Catarinense”, seu principal trabalho. Tendo circulado entre 1911 e 1914, a “Revista Catarinense” deu ênfase aos episódios da República Catarinense de 1839, publi-

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cando textos de Tobias Becker (“Os farrapos em Santa Catarina”), em capítulos, assim como as atas da Câmara de Laguna sobre a experiência republicana. Em suas páginas foram editados artigos de Cruz e Souza, Henrique, José e Lucas Boiteux, José Vieira da Rosa, Luiz Delfino, Horácio Nunes, Virgílio Várzea e Crispim Mira, entre outros. Johanny faleceu em 1915, com 43 anos de idade, no auge da produção jornalística. A história do principal semanário de Laguna começa no dia 15 de setembro de 1901, quando três adolescentes resolvem fundar um jornal denominado “O Albor”: Adalberto Bessa, Manoel dos Passos Bessa e Manoel Bessa. Antônio Bessa, que trabalhava na gráfica Futuro, onde era impresso o jornal, assumiu a direção de “O Albor” a partir de 1904. “O jornal circulou até 19 de janeiro de 1965, e só parou de circular devido a uma grande alta no preço do papel”, entre outros fatores, conta Lúcia Maria Barros da Silveira, bisneta de Antônio, autora de um trabalho de conclusão de curso de Jornalismo na UFSC sobre o periódico. “Até 2000, era o semanário com maior tempo de circulação no Estado”, assinala a jornalista, que passou um ano e meio lendo as 3.054 edições – os primeiros números na Secretaria de Turismo de Laguna e os restantes na Biblioteca Pública do Estado. Durante algum tempo, “O Albor” enfrentou a concorrência do jornal “Correio do Sul”, fundado em 1931, pelo mesmo João de Oliveira já referido, e que circulou até 1955, ano de seu falecimento. O prédio onde funcionou o semanário, em Laguna, ainda ostenta na fachada a logomarca da publicação. “A pessoa que adquiriu a edificação manteve intactos, como meu pai deixou, os móveis e equipamentos da redação”, conta Vamiré Collaço de Oliveira. Um excelente perfil de João de Oliveira pode ser conferido em “Retrato Político de uma Época - 1947-1960” (Editora Insular: Florianópolis, 1999), de Paulo Konder Bornhausen.

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Imigrantes italianos
Os demais jornais do Sul do Estado surgiram em regiões de imigração italiana, iniciada em 1878, como Criciúma, Orleans e Urussanga. Nessa última cidade, vamos encontrar José Caruso MacDonald, siciliano, regente real do consulado italiano em Florianópolis, que se dedicou desde a chegada à educação. Era um homem de “inteligência aberta e muito interessante no processo de colônia”, diz o padre Luigi Marzano. Chegado em Urussanga em 1899, primeiro padre italiano, Marzano entrou em conflito com a liderança dos colonos. “Quando o sacerdote chegou, encontrou os pobres imigrantes italianos à mercê da exploração de alguns patrícios seus, prepostos do governo de Itália”, narra o padre Claudino Biff. “Eram eles filhos do Mezzagiorno e da Reggio Emilia, ainda hoje a mais comunista das províncias italianas. E por que eram anticlericais, carbonários, logo de início sentiram a força da liderança do sacerdote que contestava a opressão destes funcionários do governo italiano”, acrescenta. Um deles era o próprio Mac-Donald, que passou a publicar um jornal intitulado “L’Azino” (O Asno), atacando padre Marzano, que não se intimidou e mandou editar a resposta em Turim, sob a denominação de “Il Mulo” (“O Jumento”). O enfrentamento durou até 1908, quando o padre foi chamado de volta a Roma. O principal trabalho de Mac-Donald, entretanto, foi o “La Patria”, editado em italiano, entre maio de 1901 e maio de 1902, num total de 52 números. “A Gazeta Orleanense”, de Orleans, surgiu em 1915 e circulou durante três anos, nas mãos do jornalista Tito Carvalho (Orleans 1896, Florianópolis 1975), então auxiliar de escritório do Loyd, ao lado do cunhado, Godofredo Marques. Outros jornais surgiram no município, todos com assinantes em Braço do Norte, Urussanga, Tubarão, Laguna e Florianópolis e mesmo no Rio de Janeiro
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podemos dizer que o Sul de Santa Catarina conheceu centenas de periódicos desde fins do século XIX. que já em 1911. o presidente do Conselho Municipal (Câmara). diz o padre João Leonir Dall’Alba. Marcos Rovaris. dirigido por Manoel de Aguiar entre 1934 e 1960. Zumblick fala num “destemido jornalista” que. Pedro Benedet. “Nossa Folha” e “Última Hora” (Tubarão). Entre os mais importantes de Tubarão destaque para “A Imprensa”. O jornal pioneiro de Criciúma foi lançado em 1º de janeiro de 1926. data da posse do primeiro superintendente (prefeito) municipal.e São Paulo. primeiro jornal catarinense a circular em off-set a partir de 1969. fustigava Deus e todo mundo”. Tendo o professor Adolpho Campos como redator. “A Crítica”. “do alto do seu jornal. “Folha dos Municípios” e “Folha Regional” (editado em Maracajá). editado em Tubarão desde 1959. circulam os semanários “Folha de Criciúma”. “Quase todos os jornais eram de orientação política definida. estava no ramo. Jornalismo hoje Tomando por base a relação de cerca de 100 jornais editados em Tubarão. Em Criciúma. a região conta com vários jornais. “Agora” e “Hoje” (Orleans). Outro personagem de presença permanente e controversa foi o jornalista Hermínio Menezes. feita por Walter Zumblick. O jornal foi criado por ele. “O Mineiro” registrou os principais momentos da criação de um novo município catarinense. com circulação regional. Hoje. Os principais semanários são o “Jornal de Laguna” (Laguna). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 43 . “Jornal da Cidade”. ligados ao Partido Republicano Catarinense”. “Jornal de Bairros”. e o minerador Frederico Minatto. “O Mineiro”. Entre os pioneiros no aprimoramento técnico. destaque para o “Gazeta do Sul”. impresso em Porto Alegre (RS).

Florianópolis: Lunardelli. 1986 OLIVEIRA. terceiro do país a usar sistema de fotografia digital. Tubarão: Edição do Autor. O “Diário do Sul Vale”. Tubarão: A Imprensa. Em Criciúma. O Dictador Catharinense – Artigos de defesa.. 1924 PIAZZA. s/d.! (Vol 2). desde 1995. Este meu Tubarão. circulam os diários “Jornal da Manh㔠(desde 1983) e “Tribuna do Dia” (1955.O diário mais antigo é o “Diário do Sul” (Tubarão). Fontes BIFF. Italianos em Santa Catarina (Vol 1). Saul. Alexandrino. em Lauro Müller. Laguna antes de 1880. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 44 . circula o “Diário do Sul Litoral”. editado em Braço do Norte. João de. Orleans: Edição do Autor/Instituto São José. cobre os municípios entre o vale de Braço do Norte e o pé da Serra do Rio do Rastro. Florianópolis: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina (Ioesc). Walter. Crônicas da Diocese de Tubarão.. Colonos e mineiros no grande Orleans. BARRETO. antigo “Tribuna Criciumense”) e o “Diário de Criciúma”. Walter F (org). . João Leonir da. e o “Notisul” (iniciado em 2000) no mesmo município. 1996 DALL’ALBA. 2001 ULYSSÉA. Em Imbituba. Tubarão: Edição do Autor. Claudino. 1943 ZUMBLICK.

primeiramente em Chapecó. principalmente quanto ao exercício profissional. vale registrar que a categoria na região – um vasto território. somente sofreu forte transformação com a chegada dos cursos superiores. É esta a história que devo contar com o ex-chefe de uma redação de jornalistas que buscou a verdade como fonte e construiu a unidade como profissionais. mesmo com os cursos superiores. no final da mesma década. envolvendo mais de um terço da área de Santa Catarina e mais de uma centena de municípios –. neste início de século e milênio. e. em meados da década de 1990. por fim em Lages. Longe demais Antes de iniciar efetivamente esta parte da história do jornalismo brasileiro. como o cumprimento da legislação. Mas as grandes preocupações dos jornalistas. profissionais resistem até mesmo ao mais cruel argumento dos empresários: a demissão. Em nome de uma idéia e de um conceito sobre jornalismo e equipe. na fronteira com a Argentina. que enconJORNALISMO EM PERSPECTIVA 45 . ainda são problemas a serem vencidos: as Universidades formam jornalistas. e depois em Concórdia.Resistência no Oeste catarinense Rubens Lunge A ação coletiva em defesa dos direitos dos trabalhadores pelos jornalistas do Oeste de Santa Catarina tem como parâmetro o mês de fevereiro de 2004. três mulheres e a redação de um tradicional e conceituado jornal impresso. É possível que o ciclo esteja se findando com a abertura de um curso de Jornalismo em São Miguel do Oeste.

em tempo algum. A ação sindical ocupou-se. O espaço privilegiado para os debates sempre foi o da Universidade. O choque legalista. como o realizado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. no final dos anos de 1980. que deveria ser promovido pelos órgãos governamentais. foi liberado. não se verifica. promover cursos de aperfeiçoamento. credenciar conveniados e.tram não habilitados exercendo a função nos meios de comunicação. quando o grupo da redação – um chefe de redação e quatro repórteres – iniciam a construção de uma proposta buscando na comunidade a resposta que ela – a comunidade – quer nos meios de comunicação. a matriz. uma outra possibilidade começou a acontecer em maio de 2004. diante da quase impossibilidade do exercício do sindicalismo de ação pelos dirigentes sindicais. “Diário da Manh㔠O jornal “Diário da Manh㔠começou a circular em Chapecó há um quarto de século. Mantém um estilo sóbrio. debater com maior profundidade e substância o exercício profissional. Principalmente aquelas que tratam de assuntos relacionados com o Poder Executivo e com os grupos economicamente mais ativos. especialmente a fiscalização do Ministério do Trabalho. No entanto. pela falta de estrutura. eventualmente. Ocorre o mesmo nas redações de Passo Fundo. uma vez que nenhum. A notícia que os jornalistas dariam nem sempre é aquela que a empresa recomenda. e pelas distâncias a serem percorridas para o fazer sindical na base. carência de tempo. sucessão após sucessão de dirigentes. em buscar a filiação de jornalistas profissionais. Erechim e Carazinho. mas faz questão de se pautar por suas relações. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 46 . assim como a carência de formação voltada para os dirigentes.

a sua aliança. Nem mesmo com a convocação da Subdelegacia Regional do Trabalho de Chapecó os representantes da empresa compareceram para a negociação. brutal – e recheada de ameaças -. que aplicava na prática uma das propostas teóricas de todas as faculdades de jornalismo que se possa ter conhecimento: o exercício da função pública do trabalhador jornalista. ocorre a demissão do chefe de redação e o seu retorno. Sem justificativa. encaminha uma pauta de solicitações para a sede da empresa. que na tentativa de construir o diálogo com os proprietários da empresa. A empresa “Diário da Manhã”. oferecendo informação de qualidade e sem nenhum compromisso que não o do interesse coletivo. O gerente exige que o chefe de redação demita uma das jornalistas. Diante da negativa. acusando insubordinação. preferindo mais um ato que atenta contra a liberdade de organização de qualquer categoria de trabalhadores: demite as repórteres Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro por justa causa. os seus direitos atingidos. e principalmente porque antes de tudo quer cumprir o seu acordo. A estratégia da empresa foi desfazer a equipe. em fevereiro de 2004. com o leitor. em vista de sua condição de dirigente sindical. através do novo gerente. com o seu público. em Passo Fundo (RS). pela empresa. por ordem judicial. e afasta. a demissão da jornalista Solange Oro moveu os colegas da redação. e notificam que se não houvesse conversações. a greve estava declarada. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 47 . e tendo como deflagrador a troca de gerentes da unidade. faz uma nova tentativa para acabar com este grupo de jornalistas. todos os que tiveram.Nem bem haviam se passado seis meses deste início. buscaram reparação. para abertura de inquérito administrativo. porque comprometido com a informação verdadeira e ética. O grupo exigia a anulação da demissão de Solange Oro. o dirigente sindical e chefe de redação. Na Justiça. ele mesmo o faz.

Pela demonstração que deixaram para aqueles que lhes são contemporâneas e para todas as gerações futuras. e que elas não poderiam sonhar com as teorias da Universidade. Fernanda e Cátia fizeram a opção mais difícil. Solange Oro. e.Jornalismo e Realidade Recém-formadas. forçosamente. na profissão de jornalista – empregado. Essas três trabalhadoras do jornalismo de Chapecó devem ter seus nomes guardados. mas porque demonstraram o verdadeiro espírito do sindicalismo. em que a solidariedade é a base para todas as ações. voltada para todos. constataram que em alguns lugares ainda há preferências orientadas pela relação comercial. porém com o coração e as mentes dirigidas pela função pública – e. Em poucos meses. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 48 . Solange. teriam que se render aos ditames do mercado. que acreditam que a informação não tem versão. Resolveram dizer que acreditam na Universidade. Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro chegaram ao mercado de trabalho com os sonhos de todos os principiantes: construir através da comunicação uma relação melhor. sim. de uma empresa privada. mas tem verdade. Não porque foram as primeiras a participar de uma greve em um meio de comunicação na maior cidade do Oeste de Santa Catarina para exigir justiça. principalmente.

Em pesquisa realizada em 19992 . É no Vale. constatamos que a imprensa catarinense é constituída por 177 pequenos jornais. não foram considerados jornais institucionais como de bairros. além dos quatro maiores: “Diário Catarinense”. o destaque é o “Jornal de Santa Catarina”. que nasceu a mídia eletrônica – rádio e televisão – catarinense. No jornalismo impresso. TV Bela Aliança (Rio do Sul). religiosos. o terceiro mais importante do estado. escolares. “Jornal de Santa Catarina” e “O Esta1 Comerciais: RBS TV Blumenau (Blumenau) e TV Record (Itajaí). Educativas: TV Brasil Esperança (Itajaí). além de emissoras comerciais não filiadas à entidade. colocando a cidade em posição de vanguarda em relação a municípios maiores como Florianópolis e Joinville. Há ainda seis emissoras de televisão com sinal aberto1 . além dos canais por assinatura. 2 A dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2000 é um estudo inédito sobre a pequena imprensa catarinense e foi transformada no livro “A Força do Jornal do Interior” (Fernandes. 2003). mais precisamente em Blumenau. sindicais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 49 . house organs. Das 184 emissoras de rádio existentes no estado. de acordo com a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. isto sem levar em conta as educativas e comunitárias. Mais de setenta anos depois. pelo menos 36 (17 FMs e 19 AMs) estão no Vale. especializados e outros mantidos por instituições não comerciais. TV Educativa Vale do Itajaí (Blumenau). o Vale do Itajaí tem um papel singular na história dos meios de comunicação do estado. TV Panorama (Balneário Camboriú). Na pesquisa. a região mantém posição de destaque na radiodifusão. “A Notícia”.A mídia no Vale do Itajaí Mario Luiz Fernandes Uma das mais ricas e populosas regiões de Santa Catarina e segundo pólo têxtil do mundo.

durante 15 anos. o primeiro radioamador4 licenciado do estado. entre eles Luiz de Freitas Melro. No final de 1931. Entre os pequenos. é importante ressaltar que o pioneirismo do rádio coube a João Medeiros Júnior. de Jaraguá do Sul. 4 De acordo com Medeiros e Vieira. Apenas como ilustração. e que em 1929 instalou um serviço de alto-falantes no centro de Blumenau. que estes são os municípios mais expressivos e os pioneiros da indústria cultural do Vale e de Santa Catarina. “O Atlântico” (Itapema). Por suas atuações nas respectivas comunidades. A licença saiu em 19 de março de 1936. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 50 . de Florianópolis. 45 (25%) estavam no Vale. é o jornal catarinense mais antigo ainda em circulação. concentraremos nossa abordagem na imprensa escrita de Blumenau e Itajaí como representativas da região. Roberto Grossembacher e Medeiros Júnior. Em razão da brevidade desse capítulo. “A Cidade” (Rio do Sul) e o “Jornal do Comércio” (Piçarras). de Porto União. a maioria semanários. “A Voz da Razão” e “Tribuna Regional” (Blumenau). Esta pequena panorâmica evidencia a necessidade de uma ampla pesquisa para se traçar o perfil da imprensa no Vale do Itajaí. “Jornal do Médio Vale” (Timbó). “Cruzeiro do Vale” (Gaspar). Dois estão entre os seis mais antigos3 do estado ainda em circulação: 3º) “Nova Era” (Rio do Sul – desde 26/12/1937). numa época em que não havia serviço telefônico de longa distância e o telégrafo era ainda bastante precário” (1999 : 29). o serviço de rádio amador prestado por Medeiros Júnior. Entre os pequenos jornais. “foi o principal elo de comunicação de Blumenau com o Brasil e com o mundo. vale registrar ainda o “Página 3” e “Tribuna Catarinense” (Balneário Camboriú).do”. “Diário da Cidade” e o polêmico “Diário do Litoral” (Itajaí). 5 A rádio contava então com dez sócios. também. Ingo Hering.5 3 “O Estado” (13 de maio de 1915). ele iniciou as primeiras experiências radiofônicas e em 1935 a Rádio Clube (PCR-4) estava no ar. 6º) “O Município” (Brusque – desde 25/06/1954). os dois primeiros são “Correio do Povo” (10 de maio de 1919). e “O Comércio” (11 de junho de 1931). Tal delimitação parte do fato.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 51 . Surgia assim. a terceira em solo catarinense. Clube de Indaial. em 18 de setembro de 1950. em 1º de setembro de 1969. o jornalismo na região também nasceu estreitamente comprometido com o poder político. Ao contrário do que ocorreria com a mídia eletrônica no século XX. a primeira do Brasil7 . O “Kolonie Zeitung”.06/07/1945). Breve retorno às origens Para compreendermos melhor o processo de evolução da imprensa no Vale do Itajaí. Em Itajaí. Assim como ocorreu nos primórdios da imprensa em todo mundo. 7 A emissora foi fundada em 23 de abril de 1923 por Roquete Pinto e Henrique Morize. 9 Assis Chateaubriand. a TV Coligadas. em São Paulo.14/05/1943) e Rádio Catarinense (Joaçaba . a primeira do país9 . o fundador dos Diários Associados. Difusora (Blumenau) e Clube de Itajaí. Rádio Guarujá (Florianópolis . Rádio Difusora de Itajaí (Itajaí . era constituída a Rede Coligadas de Rádio8 que. foi. durante vinte anos. 23 anos depois de fundada a Rádio Sociedade Rio de Janeiro.pleiteou a concessão de um canal de televisão para Blumenau. lançado em Joinville em 1862. e só nos últimos vinte anos vem rompendo lentamente essas amarras. foi o pioneiro da televisão brasileira ao fundar a TV Tupi Difusora.26/10/1942). o porta-voz dos blumenauenses e por isso mesmo considerado o primeiro jornal 6 Depois da Rádio Clube vieram a Rádio Difusora de Joinville (Joinville . 8 Liderada pela Rádio Clube de Blumenau. em 26 de outubro de 1942.01/02/ 1941). é sempre necessário recorrermos à história. a rede contava ainda com a Clube de Gaspar. mais tarde . Em 1954. o jornalismo impresso nasceu tardiamente em Santa Catarina e mais ainda no Vale do Itajaí. Dagoberto Alves Nogueira e Adolfo de Oliveira Júnior instalaram oficialmente a Rádio Difusora. a primeira emissora oficialmente instalada em Santa Catarina.Santa Catarina entrava na era do rádio6 . dezenove anos depois da TV Tupi. Araguaia (Brusque).

o semanário surgia no formado 30 por 39. foi resultado de uma ação cooperativada da qual 71 colonos eram cotistas. Em Itajaí. Desterro). somente em 1884. “O Catharinense”. A falta de recursos financeiros o levou à constituição da Sociedade Tipográfica Blumenauer Zeitung. Uma semana depois da primeira edição. Joinville. Antônio Härte era o redator e Hermann Baumgarten o editor.5 centímetros. Circulou até 2 de dezembro de 1938. Hermann Blumenau. o Vale do Itajaí só teve imprensa própria cinqüenta anos após Jerônimo Coelho ter lançado em 28 de julho de 1831. Tal conservadorismo é defendido por Silva (1977: 10) como “altamente proveitoso à ordem e disciplina JORNALISMO EM PERSPECTIVA 52 . o primeiro jornal da província. primeiro jornal de Blumenau e do Vale. em 1879. e Baugartem tornou-se o único dono. O primeiro periódico local. Mesmo contrário à criação do jornal. Blumenau recebia a devolução de sua parcela no empreendimento. redigido em alemão e com circulação nas principais cidades catarinenses. Ou seja. só surgiu em 1º de janeiro de 1881. de fato. mas ilustrado em Porto Alegre e Rio de Janeiro. o valor das ações foi devolvido gradativamente aos cotistas.da colônia fundada por Hermann Blumenau. o administrador da colônia. Com uma impressora importada de Leipzig (Alemanha). então com 25 anos. comprou duas ações e sob sua assinatura colocou a observação bedingt (condicionalmente). Nascido em Blumenau. em Desterro. quatro páginas. e 31 anos após o início da colonização oficial de Blumenau. além do Rio de Janeiro e Alemanha. Brusque. o descendente de alemães voltou à sua terra natal com o objetivo de montar um jornal. Blumenau O “Blumenauer Zeitung” (“Gazeta Blumenauense”). A iniciativa partiu de Hermann Bauggarten. Conforme o estabelecido em contrato. onde mantinha agentes (Itajaí.

já que o “Blumenauer” fazia oposição ao intendente. revidou. ataques à moral e à dignidade dos contendores e dos seus adeptos” (idem). O “Blumenauer”. e em muitos casos bastante contundentes. surge “O Município”. favorecimentos e atos de corrupção que geraram pronta reação do “Blumenauer-Zeitung”. sendo debatido na Câmara de Vereadores. Nascia como resultado declarado de um embate político. As atividades políticas desse jornal. O jornal teve apenas 32 edições e saiu de circulação em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 53 . Após a Proclamação da República. o “Immigrant” fechou as portas em 1891. o governo imperial designou uma comissão de engenheiros. O “Immigrant”.que atrasou em dois anos a instalação do município -. Os desafetos só amenizaram quando a comissão Antunes deixou Blumenau. Antunes. O “Immigrant”. para fazer o levantamento dos prejuízos e atuar na reconstrução da colônia. os opositores à política florianista. Justifica o autor: “Os anos que se seguiram à publicação regular do Blumenauer-Zeitung vieram dar-lhe razão. editado em português e alemão. foi criado por Bernardo Scheimantel e circulou de abril de 1883 a abril de 1891. o Immigrant e dos debates entre as duas folhas. segundo jornal da colônia blumenauense. A comissão praticou desmandos. provocou a fundação de outro jornal. lutas sérias. os dois jornais travaram novo embate. O confronto entre os dois jornais chegou à esfera do poder público. Após a grande enchente de 1880 . criada em 1882. de matiz liberal. O objetivo era veicular os comunicados oficiais da Intendência. voltadas exclusivamente para a defesa do nome da Colônia e dos interesses dos seus moradores. ligado ao Partido Conservador. chefiada pelo Dr. nasceram discórdias. comemorou o novo regime em vários editoriais e perdeu muitos aliados. Em 18 de julho de 1892. embora sem sombra de dúvidas. Sem apoio. Foi então que simpatizantes e beneficiados por Antunes criaram o “Immigrant”.da Colônia”.

foram 137 publicações entre jornais-empresa. anuários e outros. A Primeira Guerra interrompeu a circulação do jornal por dois anos. após 16 edições. Os confrontos entre os dois jornais não tardaram. Variados e ricos suplementos. Em 16 de julho. “A Nação” (1943/1980). A partir da década de 30. agora sob a direção de Paulo Stelzer. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 54 . após as eleições daquele ano. que passou a editar o semanário religioso “Der Urwaldsbote” (“O Mensageiro da Floresta”). o jornal chegava à tiragem de cinco mil exemplares.março de 1893. agremiativos. colegiais. e mais ao cotidiano urbano e industrial. foram encartados em “Der Urwaldsbote” durante muitos anos. Seguindo a vocação industrial do município. house organs. Foi comprado pelo pastor Faulhaber. No mesmo mês. em nome da Conferência Pastoral Evangélica. foi substituído pela segunda versão de o “Immigrant”. “Immigrant” desaparecia pela segunda vez. Em sua longa trajetória. assumindo também colorações políticas. foi substituído por Eugênio Fouquet. o “Der Urwaldsbote” trocou de proprietário algumas vezes. que retornou em 23 de agosto de 1919. os jornais tornaram-se cada vez menos voltados às questões da imigração e à agricultura. órgãos sindicais. Os novos títulos criados a partir do início do século XX expandiram a imprensa de Blumenau. revistas. de acordo com Silva. A maioria da população era republicana e tinha como porta-voz o “Blumenauer”. Em 1928. que circulou até 29 de agosto de 1941. com novos veículos de comunicação emergindo como porta-vozes destas novas comunidades. foi o principal jornal blumenauense até o nascimento do “Jornal de Santa Catarina” em 1971. Até início dos anos 70. classistas. nada menos que 32 municípios foram desmembrados de Blumenau. O pastor Faulhaber ficou no comando da redação até 1898 e. inclusive impressos na Alemanha. que defendia a causa federalista. Este foi o responsável pela orientação do jornal durante quase trinta anos. fundado por Honorato Tomelin.

um dos líderes locais do republicanismo. esta aparente neutralidade da imprensa local muda radicalmente em setembro de 1890 quando o médico Pedro Ferreira e Silva. João da Cruz.Itajaí Em uma época em que. Na mesma linha editorial. Com uma postura editorial de isenção ante às refregas políticas locais. em 18 de fevereiro de 1886. também republicanista. Em 10 de maio de 1884. que circulou pouco mais de um mês. “Jornal do Brasil” (1896) e o “Progresso” (1899). Inovou ainda na distribuição gratuita e no conteúdo bilíngüe (português e alemão). Galdino de Pereira Lima coloca em circulação “A Liberdade”. expressiva parcela dos jornais catarinenses não escondia suas cores partidárias. “As precárias condições econômicas e tecnológicas aliadas aos obstáculos políticos oferecidos à circulação de idéias em uma sociedade nitidamente autoritária” são elencadas por Santos (2002: 259) como as principais causas que condicionaram o atraso do nascimento da imprensa itajaiense. funda a “Gazeta de Itajahy” “para divulgar as idéias republicanas e defender as ações político-administrativas do interventor Lauro Muller” (Ibidem: 260). o mestre Janja. Este foi o mote inicial para que a imprensa da foz do Itajaí estivesse cada vez mais atrelada ao poder político. lança o semanário “Itajahy”. circularam na cidade O “Immigrant” (1890). em 20 de fevereiro de 1887. às portas da Proclamação da República. Encerrando a primeira fase da imprensa itajaiense do final do século XIX. cenário que só começaria a mudar gradativamente a partir do final do século XX. “A Flexa” e “A Semana Ilustrada” (1894). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 55 . ocorre a primeira e breve experiência da imprensa de Itajaí. O exemplo seguinte foi um outro semanário intitulado “Gazeta de Itajahy” criado em 13 de outubro de 1892. Porém. e o primeiro com circulação em todo o Vale. Tranqüilo Antônio da Silva e Eduardo Dias de Miranda lançam o moderado bissemanário “A Idéia”.

de acordo com levantamento de Santos (2002). qualidade do conteúJORNALISMO EM PERSPECTIVA 56 . 83 jornais foram lançados. Marcos e Adolpho) e desempenhou importante papel na Campanha Civilista. dominando o cenário jornalístico itajaiense até o início dos anos 60. de Elias Adaime. algumas se tornaram marcos na imprensa local por sua longevidade e postura editorial: “Novidades” (1904/ 1919). de Dalmo Viveira. por Adilson Amaral. “Diário do Litoral” (1979). Em meio a tantas publicações efêmeras. de Rui Barbosa em 1910. de Manoel Ferreira de Miranda. editada em Balneário Camboriú por Coninck Júnior e Ivaine Salete Gilioli. “O Correio” (1963/1976). fundado por Abdon Fóes. vinculada à Academia Itajaiense de Letras. foi o primeiro diário da cidade.Do início ao final do século XX. entendemos por profissionalização aquela que passa pela modernização e consolidação econômica das empresas. Caminhos para a profissionalização Definir com precisão o início da profissionalização da imprensa escrita no Vale do Itajaí. “Jornal do Povo” (1935/1989). quando do surgimento do jornal “A Nação”. fundado por Tibúrcio de Freitas. Longe de limitar a questão em torno de ter ou não diploma superior para exercer a profissão. não é tarefa fácil. criado por João Honório de Miranda. o único jornal local de oposição ao regime militar e inclusive era revisado por censores do Serviço Nacional de Informação (SNI). No segmento revista. “Diário de Itajaí” (1914 – quatro meses). conscientização e espírito de classe dos profissionais. vale o registro da “Realeza”. de Valdemir Corrêa das Chagas. consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. de oposição e postura crítica. foi fechado pela censura de Getúlio Vargas. “Diário da Cidade” (1992). e “Papa Siri”. “O Pharol” (1904/1936). passou por várias fases com diferentes proprietários. teve a colaboração dos irmãos Konder (Victor.

elencamos pelo menos quatro marcos fundamentais: o jornal “A Nação”. de Itajaí. o curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). quintas e sábados. de Blumenau. fundado por Honorato Tomelim em 29 de maio de 1943. de Itajaí. Nesta direção. o grupo contava ainda com o “Jornal de Joinville” (1919) e “Diário Catarinense” (Florianópolis – 1973). o primeiro do Vale. Estas fases da imprensa itajaiense não só complementam como aprofundam a proposta deste artigo. a chegada dos primeiros jornalistas com formação superior.do informativo. processo este que ainda está em construção. Acrescentamos ainda a contribuição do professor e jornalista Hélio Floriano dos Santos10 . e a divide nas fases artesanal – estruturada no jornalismo opinativo e no jornalismo adjetivado – e industrial – centrada no jornalismo técnico e no jornalismo técnico-profissional. O jornalismo técnico de “A Nação” O jornal “A Nação”. que há anos estuda a imprensa de Itajaí. e compromisso social com a informação e com o leitor. dos Diários Associados. o primeiro grande e moderno empreendimento jornalístico do estado. é um desmembramento do “A Nação”. Em Santa Catarina. Todos fecharam em 1980 com a falência do grupo. pelo menos em alguns dos aspectos enumerados. A versão itajaiense de “A Nação” foi lançada em 15 de novembro de 1962. de Blumenau. como o primeiro a implantar as modernas técnicas de redação. O jornal blumenauense nasceu com seis páginas e circulação às terças. conduta ética de empresários e jornalistas. Ou seja. Já em agosto do ano seguinte era adquirido pelo voraz Assis Chateaubrian. Seis meses depois se tornava diário. sob a direção de Wilfredo Eugênio Currlin e 10 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. o “Jornal de Santa Catarina”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 57 .

Estas incluem as seis perguntas clássicas que compõem o lead – O quê? Quem? Quando? Como? Onde? Por quê? – além do conceito de pirâmide invertida. acabávamos escrevendo a mesma coisa. o repórter Renato Mannes de Freitas fez estágio no “Diário do Paraná”. Na verdade o jornalismo era mais feito de opinião do que de informação. O repórter passou a ter a função de relatar de forma impessoal os fatos. em Curitiba. opinião e proposições políticas. Era um texto de cunho pessoal. Com a nova técnica tudo isso foi revisto. quase um testemunho. Às vezes. Outro repórter do “A Nação” a dar uma forte contribuição à difusão das novas técnicas jornalísticas em Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 58 . No relato do jornalista. Durante o ano de 1967. Os leitores não eram levados à reflexão.Nilton Isaac Russi. “Antes se misturava muito os fatos e as opiniões. objetividade e imparcialidade. mas se espalhou rapidamente pela redação de “A Nação”. inflamado. 2004). de onde traz para Itajaí as novas técnicas de redação. já que seus departamentos de jornalismo tinham os jornais como suas fontes. Os comentários e opiniões ficavam por conta das fontes (informantes. o uso de normas e o manual de redação. entrevistados). O jornal disponibilizava muito espaço e nós tínhamos que preencher. Basicamente aprendemos a elaborar um texto onde estava bem separado o fato e a opinião” (Freitas In: Santos. O jornalismo era mais comentado. apenas ficavam lendo bajulações. Numa época em que o texto jornalístico era carregado de adjetivação. uma síntese do que era o improviso e o amadorismo do jornalismo da época: “a imprensa só elogiava e as matérias eram superficiais. que se tornou uma verdadeira academia “formando” pelo menos duas gerações de jornalistas dentro da nova técnica. a nova técnica causou polêmicas. só que com outras palavras“. A nova técnica também chegou às emissoras de rádio. foi Álvaro Balbinot. após realizar um curso de jornalismo técnico por correspondência no Instituto Gutenberg.

também impunha suas amarras à imprensa local e os efeitos eram nefastos à autonomia editorial. “Os jornalistas tinham medo de se posicionar e sofrer represálias na redação. abaixo do logotipo. Santa Catarina entra na era do jornalismo moderno com o seu primeiro jornal em off-set. “Boa parte dos jornalistas não vivia do jornalismo. destaca Flávio de Almeida Coelho11 . 2003: 77). ao invés da cidade sede e a data. O “Jornal de Santa Catarina” inicia a era da modernização A 22 de setembro de 1971. Foram dois anos de planejamento. lembra Balbinot (In Jordão. Na capa. Foi também o primeiro jornal a ter um sistema de telefoto no estado e a contar com uma frota de 26 veículos para a distribuição do jornal em todo território catarinense. Assim nascia o “Jornal de Santa Catarina”. atingir os então 197 municípios catarinenses.A ditadura militar. questiona o empresário. Por isso não existia censura. incluindo edições pilotos para avaliar o projeto gráfico. principalmente no Governo do Estado. sistema de composição que era privilégio apenas dos grandes diários das principais capitais brasileiras. a partir de Blumenau. vivia de outros empregos. ninguém se arriscava”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 59 . O governador Colombo Machado Salles acionou as rotativas que imprimiram a primeira edição com a manchete em tom de denúncia e embalada em moderno projeto gráfico: “Esgoto só existe em duas cidades de Santa Catarina”. 22 de setembro de 1971”. o conteúdo editorial e a produção industrial. constava “Santa Catarina. Era uma época que “Santa Catarina não tinha jornal independente”. que estava no seu auge no início dos anos 70. para. Como então a imprensa podia ser independente?”. O projeto era coordenado pelo professor e jornalista gaúcho Nestor Fedrizzi que deixou um exemplo de profissionalismo para a imprensa catarinense. concorrendo com “A Notícia” (Joinville) e “O Estado” (Florianópolis).

Essa “importação” deu trabalho.A redação sob o comando de Nestor Fedrizzi (também diretor do departamento de telejornalismo da TV Coligadas). Contava com cerca de 40 profissionais na sede e outros 20 apenas na sucursal de Florianópolis. pelo menos 15 dos 40 profissionais da sede em Blumenau foram trazidos de Porto Alegre. não era nada modesta para a época. Wilson Melro e Caetano Deecke se desentendem sobre a administração das empresas e os jornalistas gaúchos são demitidos. O “Jornal de Santa Catarina” nascia para completar a primeira grande rede de comunicação do estado. logo surge a primeira crise interna a que se sucederiam várias outras. A titularidade do jornal passa por diferentes grupos políticos e empresariais. Tinha a colaboração de colunistas como Ibraim Sued e Joelmir Betting. o controle acionário passa a um grupo de empresários e políticos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 60 . no projeto dos empresários Wilson de Freitas Melro. Caetano Deecke de Figueiredo. Apesar do sucesso. Essa alternância de comando afetou a estrutura da empresa e a linha editorial do jornal que perde sua independência e imparcialidade. Para montar a moderna redação. e operava com as agências de notícias do “Jornal do Brasil”. Com a TV Coligadas operando desde setembro de 1969 e uma cadeia de emissoras de rádios associadas. entre outros que formavam o grupo. Reuters e Asa Press. indo da matiz política de direita à esquerda12 . Flávio Rosa e Flávio de Almeida Coelho. só faltava o jornal impresso. 12 Em 1972. Quando do seu lançamento. onde os cursos de Jornalismo da Universidade Federal e da Universidade Católica já tinham 20 anos de tradição. 11 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. “Folha de S. incluindo o jornalista Adolfo Ziguelli. pois os gaúchos não conheciam as peculiaridades de Santa Catarina e levou algum tempo para se adaptarem ao novo cenário. Paulo”. o Santa contava com 200 funcionários e chegou a 400 no início da década de 80. Dois anos depois.

entre outros. Itajaí. foi a vez de Petrelli vender sua parte e Flávio de Almeida Coelho passa a acionista majoritário. Rio do Sul e Jaraguá do Sul. Segundo o autor. o jornal circulou precariamente e no início uma edição de quatro páginas explicava aos leitores o que estava acontecendo” (Zero. Atualmente. O Santa foi regionalizado e atualmente atinge 64 municípios do Vale do Itajaí com sucursais em Florianópolis. acentuada pela recessão no início do Governo Collor. o Santa mergulha em grave crise financeira. Como o “Diário Catarinense”. “Mais de 40 profissionais foram demitidos. Mário Petrelli. desta vez para um grupo de 12 empresários blumenauenses. Paulo e Jorge Bornhausen. Já em setembro de 1994. Nogert Wiest. 1993 : 14). Conta com cerca de 50 profissionais na redação que produzem a média de 44 páginas diárias. fechando praticamente todas as sucursais. A aquisição era estratégica. Durante o tempo em que a redação parou. Em 1985. Flávio Coelho. Em 1º de setembro de 1992.Com a venda da TV Coligadas em 1980. chegando a 20 mil exemplares de segunda a sábado e cerca de 25 mil aos domingos. No final dos anos 80. é o terceiro em tiragem no estado. o Santa representava um grande portal de entrada da RBS naquele importante mercado de anunciantes e leitores. a transação foi conduzida secretamente pelo então presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). integrado por Mário Petrelli. jornal do grupo lançado em Florianópolis em 1986. 1992 : 126)”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 61 . Em maio de 1990. tesoureiro da campanha do governador Pedro Ivo Campos. comercial e administrativo. Brusque. passava a ser impresso em cores e em 1996 chegava à Internet. Nas primeiras semanas a adesão foi de quase 100% dos jornalistas. e o Santa passa “a ser dirigido por profissionais indicados ou aprovados pelo governo do PMDB. Flávio Coelho e Rudi Bauer ficam no comando até 1983. a RBS assumia o jornal imprimindo-lhe novo ritmo editorial. não conseguia penetrar maciçamente no Vale do Itajaí. embora o movimento tenha sido julgado legal. que durou quase dois meses. Flávio Coelho negocia o jornal com o empreiteiro Nilton José dos Reis. ano em que Bauer deixa a sociedade. nova transferência. No ano seguinte. mantendo íntimas ligações com o Palácio Santa Catarina (Pereira. seus jornalistas realizaram a mais longa greve da categoria.

itajaiense formado pela Universidade Nacional de Brasília em 1980. Atualmente. São Paulo e Paraná. Edgar Gonçalves Júnior. que a partir de janeiro de 2000 tornou-se o atual editor-chefe. Entre eles. e foi colunista esportivo no “Diário do Litoral” (1989/1991). Os desbravadores No início dos anos 80. Após a greve de 1990. o jornal não deixou de trazer jornalistas de outros estados para aperfeiçoar seu quadro profissional. Ela lembra que não houve preconceito. além de profissionais do Rio de Janeiro. voltou à região para atuar na Rádio União de Blumenau (1980/1982). atuou em jornais de Curitiba. Antes de retornar à terra natal. TV Vale do Itajaí (1986/1988 e 1991/ 1993). encerrando as atividades como jornalista em 1982. No início de 1993. 13 Entrevista concedida ao autor em 10/01/2005. trabalhou na sucursal de “A Notícia” (1982/1987). na época pertencente a Rede Eldorado de Comunicações – RCE. A primeira foi a itajaiense Constância Teresinha Severino. dirige a Rádio e TV Univali e é diretor do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação da Univali. Trabalhou ainda na sucursal de “O Estado” e no “Diário do Litoral”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 62 .Nesta nova fase. Era uma época em que muitos jornalistas não eram nem provisionados e a grande maioria tinha apenas formação em nível de 2º grau. chega a Itajaí a primeira geração de jornalistas com graduação na área. foram contratados principalmente jornalistas paranaenses. formada pela Universidade Católica do Paraná em 1976. Em Itajaí. Alberto César Russi. chegaram mais seis gaúchos. Foi a primeira mulher na imprensa de Joinville (“Jornal de Joinville” – 1978) e em Itajaí (sucursal de A Notícia – 1980). mas foi um “choque” para os jornalistas de Joinville e Itajaí verem invadido um território que até então era exclusivamente masculino13 .

que produzir matérias comerciais15. Um deles. No Santa. Luciene Cruz. é editora-chefe da Rádio Educativa Univali FM. foi a falta da formação de profissionais es14 Entrevista concedida ao autor em 21/12/2004. coincidentemente todas mulheres. “A Notícia” e “Jornal de Santa Catarina” e desde 1993 é professora no curso de Jornalismo da Univali. muitas vezes. Da fase inicial. Hoje o profissional é mais voltado para o mercado”. Passou três anos estudando e trabalhando no México (1984/1987). Além do ensino. Jane Cardozo atuou ainda em vários veículos entre eles nas sucursais de “O Estado”. sem dúvida. ingressou no semanário “Liberal do Vale”. Fazia parte de uma geração “mais idealista” para a qual a atividade jornalística “era mais um ideal que uma profissão. observa a jornalista14. Foi a primeira mulher a atuar na televisão em Itajaí. Chegou a Blumenau no final de 1987 onde atuou no “Jornal de Santa Catarina” e em 1988 na assessoria de comunicação do grupo Hering. foi uma das demitidas durante a greve de 1990. A lageana Márcia Estela da Costa foi da primeira turma (1982). três profissionais. voltou à emissora como produtora. vieram atuar na imprensa de Itajaí e atualmente são professoras do curso de Jornalismo da Univali. Curso de Jornalismo da Univali Vários fatores relegaram ao atraso a imprensa catarinense. de 1985 a 1990. Janete Jane Cardozo da Silveira (turma de 1983). Entre 1994 e 1996. Em 1991. de Waldemir Correa das Chagas. foi apresentadora do Jornal do Meio Dia na TV Vale de Itajaí. também da turma de 1983. foi a primeira professora jornalista contratada no curso de Jornalismo da Univali.Das duas primeiras turmas formadas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 63 . destaca o improviso e a estrutura amadora que era a televisão. inclusive com jornalistas tendo. Em 1984. 15 Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004.

Entre a formatura da primeira turma em setembro de 1995 e final de 2004. o desenvolvimento da imprensa local se divide em duas fases: artesanal e industrial. A artesanal tem dois momentos: de 1886 a 1962. acrescentamos a contribuição do professor Hélio Floriano dos Santos sobre o jornalismo do município de Itajaí. mas começa a se constituir como empresa capitalista. Dos seus mais de 50 profissionais da redação. de 1962 a 1967. Esta realidade só começou a mudar lentamente com a criação do primeiro curso de Jornalismo do estado. apenas 30% eram selecionados. como já dissemos. o da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 64 . muitos deles atuando nos mais variados veículos de comunicação do país. lembra que dos egressos das primeiras turmas que chegavam ao Santa em busca de uma colocação. pratica-se um jornalismo adjetivado e com vínculo político-econômico. o curso já havia formado 518 profissionais. O “Jornal de Santa Catarina”. editor-chefe. entre tantos outros.pecializados. é um importante termômetro da evolução do curso na região.. Movimento de Oposição Sindical Além desses fatores que marcaram o início da profissionalização da imprensa no Vale do Itajaí. caracteriza-se pelo jornalismo opinativo e estrutura empresarial constituída por sociedades ou subsidiada por grupos político-econômicos. este índice ultrapassa aos 80%. que formou a primeira turma em 1982. jornalistas formados no estado só começaram a chegar em maior número às redações do Vale após a criação do curso de Jornalismo da Univali em 1991. Porém. mais da metade é egressa da Univali. Edgar Gonçalves Jr. Para ele. Ele destaca que alguns destes jornalistas já alçaram um novo patamar profissional no jornal e hoje ocupam cargos de chefia na redação. Hoje.

por exemplo – sendo custeados pelo governo. em Florianópolis. Portanto. O Movimento de Oposição Sindical – MOS – surgiu em 1980. de 1980 aos dias atuais. Em Itajaí. em razão dos artifícios criados pela diretoria da entidade para dificultar a filiação de novos sócios. e muitos jornalistas tinham na folha de pagamento do Estado sua principal fonte de renda. Itajaí já contava com 31 filiados votantes. Com a criação do curso de Jornalismo da Univali e a conscientização profissional iniciado nas fases anteriores. nas eleições de 1986. num momento em que o Sindicato de Santa Catarina vivia um forte atrelamento político. Blumenau e Itajaí. tendo como delegado Hélio Floriano dos Santos. apenas três profissionais itajaienses foram filiados e puderam votar. sendo três com diploma de jornalista. aqui focaremos os três períodos mais recentes que dizem respeito à questão sindical e à diplomação. criou a Delegacia Regional do Sindicato. Depois de um trabalho de base feito pelo jornalista e encaminhamento de processos de provisionamento. b) situação sindical (1986 a 1991). Hélio Floriano destaca que nas eleições de 1982 para o Sindicato dos Jornalistas. é marcada pelo jornalismo técnico que prima pela informação em detrimento da opinião e notícia passa a ser tratada como um produto. embora estes ainda atuem em bom número em Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 65 . c) período de diplomação (1991 em diante). inclusive com algumas despesas da entidade – aluguel da sede da entidade.A fase industrial também se divide em dois períodos: de 1967 a 1980. o período é ditado pelo jornalismo técnico-profissional que se subdivide em: a) oposição sindical (1980 a 1986). Como resultado desse processo que também ocorreu em outras cidades. nasce o atual período da diplomação. o MOS venceu as eleições daquele ano. As características da chamada fase artesanal e sua transição para a industrial já foram abordadas. Este vem sendo marcado pelo expurgo gradativo dos provisionados e não diplomados.

administrativa e até de circulação. Em alguns veículos ainda há resistência na contratação de jornalistas formados. Em 1988. Considerações finais O “Jornal de Santa Catarina” é uma exceção na imprensa escrita do Vale do Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 66 . Como resultado. Aproximou o CIITA do Sindicato dos Jornalistas e iniciou a campanha para criação do curso de Jornalismo na Univali. reivindicando o curso. Os demais veículos ainda precisam superar algumas etapas para chegarem ao estágio da profissionalização. De entidade recreativa. era entregue um abaixo-assinado dos profissionais da imprensa ao reitor da Univali. com a eleição da primeira diretoria que teve como presidente José Pereira. passou a atuar em questões técnicas e políticas. coordenado por Valdemir Correa das Chagas. o que se percebe é uma frágil qualidade editorial – estética e de conteúdo –. quer promovendo coletivas de imprensa. e à Delegacia Regional do Trabalho. falta investir em recursos humanos. Sua instalação oficial se deu em 15 de maio de 1981. Com a popularização do computador. Edson Villela. mostrando que o CIITA pretendia ser mais que um clube recreativo. quer defendendo seus filiados contra atos de censura e arbitrariedades. da maior a menor. se modernizaram. as empresas. Porém. comercial. A posse foi em 12 de julho e já no dia 29 daquele mês era realizada palestra com o presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina – Hugo Silveira Lopes.Outro processo que está na base da conscientização profissional na imprensa local foi a criação do Clube da Imprensa de Itajaí – CIITA – que iniciou informalmente em novembro de 1980. A gestão de Hélio Floriano iniciou em 10 de maio de 1985 e atuou prioritariamente no registro dos profissionais da imprensa junto aos sindicatos dos jornalistas e radialistas. na solenidade de posse de Emerson Ghislandi como presidente da entidade.

mas também pela formação humanística e o discernimento crítico e ético. É este conjunto de competências técnicas e culturais que legitimam o profissional na construção social da realidade de uma comunidade. os profissionais com formação superior seja jornalista. principalmente aguçando a sadia concorrência. Os novos profissionais. Ou seja. profissionalização. Neste contexto. publicitário ou administrador de empresas – têm o importante compromisso de colocar nossa imprensa no caminho da profissionalização. no caso das redações. há espaço para sólidos e modernos grupos de comunicação. Esse também é o perfil do profissional atuante no Vale do Itajaí. conduta ética de empresários e jornalistas. mal remunerado. Em uma região tão rica. Como assinalamos. seja criando seu próprio negócio de comunicação ou atuando nas redações dos veículos já estabelecidos. evidenciava o perfil de um profissional jovem. faltam investimentos para que o Vale tenha a imprensa que precisa e merece. conscientização e espírito de classe dos profissionais. mas a consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. também começam a redimensionar o setor. A consolidação econômica das empresas também faz parte desse processo. para que empresários e jornalistas possam atuar com a autonomia indispensável ao jornalismo. compromisso social com a informação e com o leitor. qualidade do conteúdo informativo. Porém. a profissionalização não está relacionada apenas à instrumentalização técnica propiciada aos profissionais pelas universidades. sem formação profissional e com pouca experiência profissional. não significa apenas diploma universitário para os jornalistas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 67 .A já referida pesquisa que realizamos em 1999 sobre a pequena imprensa catarinense.

Itajaí Outras Histórias. _______. Dulce Márcia.d. 1999. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Univali. MEDEIROS. A Imprensa em Blumenau. Mario Luiz. Florianópolis : Insular. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 68 . Moacir. Itajaí : Univali. Jornal a Nação – o surgimento do jornalismo técnico em Itajaí. J. 1992. Flávio de Almeida. 2003. Itajaí: s. Luciene Rebelo. FERNANDES. A História do Clube da Imprensa de Itajaí (artigo). A Nação: o surgimento do jornalismo moderno em Itajaí (artigo). ________. A Força do Jornal do Interior. História do Rádio em Santa Catarina. Televisão e Negócio – A RBS em Santa Catarina. Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. Itajaí: s. Entrevistas COELHO. Hélio Floriano dos. Ricardo. PEREIRA. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005 CRUZ. Florianópolis-Blumenau : UFSC-FURB. In: LENZI. 1996. Florianópolis: Secretaria da Educação e Cultura: 1977. Itajaí. Flávia dos Santos. 2002. Ferreira da.A Comunicação em Santa Catarina. JORDÃO. COSTA.d. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. Lúcia Helena. Imprensa & Poder . A História da Imprensa na Cidade de Itajaí.Referências Bibliográficas CRUZ. Itajaí: Prefeitura Municipal / Secretaria da Educação / Fundação Genésio Miranda Lins. Florianópolis : Lunardelli. Rogério Marcos (organizador). VIEIRA. 2003. SILVA. Márcia Estela da. SANTOS.

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JORNALISMO EM PERSPECTIVA 70 .

Amigos e apadrinhados das principais personalidades políticas de cada clã. E era um jogo. Os jornais eram mantidos em estado de indigência tecnológica pela falta de ambição comercial. Simples assim. Os jornalistas. Por décadas a imprensa da capital de Santa Catarina viveu essa rotina provinciana. eram os partidos políticos. da UDN. Uma espécie de serviço de alto-falantes dos principais partidos ou coligações. às claras: todos sabiam que se quisessem encontrar críticas aos Ramos teriam que ler o jornal da UDN.A imprensa na Grande Florianópolis César Valente No princípio. Mais especificamente. ditadas pela fonte ou ainda recortadas de jornais de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 71 . as notícias eram copiadas do repórter Esso. As notícias. na Santa Catarina da época da criação do Sindicato. A mesma coisa. só que com o sinal inverso. ora. eram também partidários. Ninguém parecia interessado em ganhar dinheiro com jornais ou em buscar mais leitores com algumas inovações já disponíveis em outras capitais brasileiras: bastava que cumprissem seu papel de arautos dos partidos. o PSD (Partido Social Democrático) e a UDN (União Democrática Nacional). de certa forma. Os jornais e as emissoras de rádio em Florianópolis eram conhecidos por serem “de propriedade” de uma ou de outra corrente política. redatores daqueles textos rebuscados que invariavelmente iniciavam com um longo “nariz de cera”. A rádio Guarujá e o jornal “O Estado” elogiavam quem era simpático ao PSD e expunham as mazelas dos adversários. faziam a rádio Diário da Manhã e o jornal “A Gazeta”. da Rádio Nacional do Rio. E para saber o que estavam dizendo dos Bornhausen era só ler o jornal do PSD.

fora e publicadas no dia seguinte. Enquanto “O Estado”. de tempos em tempos comprava uma ou outra máquina nova. fez grande sucesso e reuniu colaborações dos principais nomes da época. resolveram criar.br/grande/pitsica). disponível em http://an. Foi uma espécie de “primavera de Praga” que durou um ano. Em 1957. o jornal fica sob a responsabilidade de José Matusalém Comelli. certamente contribuiu para que as coisas mudassem ou pelo menos se tornassem menos evidentes e preponderantes. impressora mais moderna e rápida que a prensa tipográfica anterior e instalou uma clicheria. os demais jornais permaneciam onde sempre estiveram ou regrediam. em 1958. que o diretor Rubens de Arruda Ramos e o gerente Domingos de Aquino. o jornal “O Estado” já era de propriedade do exgovernador Aderbal Ramos da Silva. Em 1964. Já podia produzir suas próprias fotos e ilustrações. A justificativa para o fechamento do suplemento foi a necessidade de economizar. que a essa altura é um personagem novo. mas sem novidades. em 1965. Paschoal e seu irmão Nicolau foram encarregados da parte cultural e Zury Machado fazia a coluna social. A extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2. O “Diário da Tarde” fechou e “A Gazeta” continuava.com. instalou uma rotoplana. jovem genro do “Doutor Aderbal”. não tinha a pressa de hoje.uol. A crise financeira. ainda que capital de estado. Em 1956. Além dos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 72 . numa entrevista a Apolinário Ternes (“A Notícia”. animados com os novos equipamentos. ao comprar uma segunda linotipo. Paschoal Pitsica contou. o jornal “O Estado” iniciou um lento e longo processo de modernização. Quando Rubens de Arruda Ramos deixa a direção. depois irá se instalar confortavelmente e tomar parte em todos os movimentos da imprensa florianopolitana. 1996. Essa polarização PSD/UDN durou mais ou menos até a década de 70. A pequena cidade. um Suplemento Dominical “cultural e social” em “O Estado”.

demorava mais de um ano. composto a frio e impresso em rotativa off-set. Mauro Júlio Amorim e Luiz Henrique Tancredo. Raul Caldas Filho. O jornal “O Estado” foi. E o jornal “O Estado” continuava sua lenta e segura trajetória de mudanças. José Matusalém Comelli conta que a modernização de “O Estado” estava sendo pensada e planejada. trazido de São Paulo por Nestor Fedrizzi. uma rotina jornalística profissional e nova tecnologia de impressão. O Santa foi lançado em 22 de setembro de 1971. em 1971. Não só porque Nestor Fedrizzi (jornalista gaúcho responsável.filhos de Rubens (Sérgio da Costa Ramos que desde os 14 anos de idade convivia com o jornal e Paulo da Costa Ramos). surpreendido pela iniciativa do Santa. Todos os demais jornais tinham composição a quente (com linotipos) ou manual (com tipos móveis) e impressão direta plana ou no máximo rotoplana (matriz plana e entintador rotativo). em Blumenau. como Marcílio Medeiros Filho. pelo sucesso da “Última Hora” em Porto Alegre) levou para Blumenau jornalistas da melhor qualidade. mas também porque. com a tarefa de montar a sucursal do Santa (como é chamado o jornal de Blumenau) foi muito bem recebido por Adolfo Zigelli. ao chegar a Florianópolis em 1970. em geral. mas ainda não tinha sido feito qualquer processo de compra ou importação de equipamentos. mesmo antes de tornar-se colunista do jornal. procedimentos excessivamente burocratizados e que. com João Aveline. não hostilizou os recém-chegados e os ajudou de inúmeras formas. O lançamento do “Jornal de Santa Catarina”. foi um terremoto jornalístico cuja onda de choque chegou a Florianópolis com toda a força. um radialista de prestígio que embora apaixonado por Florianópolis e defensor das tradições locais. de certa forma. começou a montar uma grande sucursal na capital. E um projeto editorial moderno e competitivo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 73 . antes mesmo do lançamento. Ayrton Kanitz lembra que. Comelli cercou-se de outros jovens.

como um todo. em maio de 1972. em tempo recorde. surpreendendo a todos. num episódio até hoje obscuro). havia todo um sistema de composição a frio IBM e uma rotativa off-set Goss. locutor de rádio do partido. enquanto ainda estavam nos portos de Santos e Paranaguá. “O Estado”. Diante disso. o jornal “O Estado” estreava sua nova sede. Um jornal totalmente renovado. com equipamentos semelhantes aos do concorrente de Blumenau. em portos brasileiros. percebe o momento histórico e acaba ganhando credibilidade com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 74 . Adolfo Zigelli conseguia. com o Vanguarda. estava em processo de mudança. Não eram só os jornais que mudavam. O amigo de Daux.Mesmo assim. Portanto. gráfica e editorialmente. trazido para Florianópolis para continuar a atuar politicamente. completar uma das histórias profissionais mais interessantes: o garoto engajado nas lides da UDN em Joaçaba. o governador deixou o cargo (Peres renunciou em setembro de 1971. A imprensa. acrescentando alguns jornalistas gaúchos recém-chegados e poucos locais. oito meses depois. foi beneficiado pelo acaso. Jorge Daux (então proprietário da rede de cinemas da capital) procurou Comelli para apresentá-lo a um deputado paranaense que estava vendendo o equipamento que “O Estado” precisava. com todos os demais equipamentos complementares à venda. trouxe parte da equipe que lançara o Santa. tanto no serviço de imprensa do Palácio quanto na rádio da UDN. Foi por isso que. o dono do jornal achou melhor não lançá-lo e saiu em busca de compradores para as máquinas. na verdade. Praticamente pronta entrega. “O Estado” conseguiu renovar-se. Em meados de 1971. Para fazê-lo. na rua Felipe Schmidt. As máquinas tinham acabado de chegar e. No rádio. O jornalista florianopolitano também nunca mais foi o mesmo. importara todo o maquinário para instalar um jornal em Maringá. após sete meses de mandato. do grupo de apoio do então governador paranaense Haroldo Leon Peres.

só que numa linguagem moderna. Em 1972. Nei Duclós. Não era um fato isolado. mais à esquerda. na sucursal do Santa e no jornal “O Estado”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 75 . Em março de 1972. a UDN estava unida ao PSD na Aliança Renovadora Nacional – Arena –. eu estava entre os jornalistas catarinenses que compunham a redação. O Vanguarda não era um programa da UDN e não tinha o ranço político-partidário que caracterizou o passado do mesmo Zigelli. Naturalmente.uma atuação focada na defesa da cidade e de seus valores que começavam a desaparecer (como a até hoje injustificada demolição do Miramar). Florianópolis estava “cheia” de jornalistas gaúchos. Jorge Escosteguy. como de fato alguns fizeram. Eles eram os jornalistas experientes. no Rio e em São Paulo também estavam “cheias” de gaúchos talentosos. os postos principais nas principais editorias eram ocupados pelos “gaúchos”. era uma esfinge arrogante aos olhos curiosos dos locais. mas não deixava também de ter a visão política básica dos dessa corrente. O choque cultural e profissional era ao mesmo tempo assustador e estimulante. Ocupava uma vaga de redator no Caderno 2. sem ter passado pelo Santa. com 19 anos. Virson Olderbaun. JB Scalco. trabalhava sem descanso e sem levar a sério aquele bando de provincianos que circundava o grande centro do saber. Ele desenhava e diagramava as páginas que editava. Tinha vindo diretamente de Porto Alegre. trabalhar em qualquer lugar do mundo. poderiam. O Jorge Escosteguy (falecido em 1996). Elaine Borges. o partido-frente que se opunha ao MDB. o outro partido-frente do sistema bipartidário. traduzia os telegramas das agências internacionais. Vale lembrar que. na nova etapa de “O Estado”. porque as redações dos principais veículos. grande jornalista que depois tornou-se nacionalmente conhecido e respeitado. nessa época. editado pelo Paulo da Costa Ramos. por exemplo. E não eram quaisquer jornalistas: Ayrton Kanitz. Nós éramos os iniciantes. Mário Medaglia.

embora radical. os “gaúchos” foram embora. fomos chamados a assumir todas as funções do jornal que tinham ficado desguarnecidas. Muitos dos jornalistas que vieram de outros estados naquela época. fiquei dois dias inteiros no jornal. A primeira edição que fizemos chegou às bancas perto do meiodia (não lembro se antes ou depois). Provamos. E ainda me pagavam para participar daquela festa. os jornalistas que tinham sido criados num ambiente empresarial mais profissional (Porto Alegre. literalmente de uma hora para a outra. muitas delas traduzidas de revistas estrangeiras. A gota d’água que provocou a saída daquela turma. para nós mesmos e para o mundo. alguns de grande qualidade jornalística) e do outro os dirigentes do jornal. No meio da tarde. Tivemos que arrebentar a caixa preta a marretadas. nós. tinha cinco ou seis jornais. achava tudo muito divertido. os remanescentes e inexperientes catarinas. Tomamo-nos de brios e ninguém mais falou em ir pra casa. sem maiores responsabilidades do que dar texto final a matérias culturais. pelo menos. Em outubro de 1972. Havia um conflito latente sobre como conduzir o jornal “O Estado”: de um lado. vista a esta distância. descansar. acabaram ficando na cidade até hoje. Mas a conjuntura na qual o incidente ocorreu era mais ampla. mas chegou. mesmo sem os “gaúchos”. de repente. favorecendo os atritos. E os principais jorna- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 76 . um pouco mais cedo. parece mesmo apenas uma gota (uma discussão menor sobre funções e atribuições). tinha menos de um ano de vida. jantar. Parecia que o ritmo dos locais que estavam se esforçando para modernizar a imprensa provinciana e de quem tinha vindo de fora com o mesmo objetivo não estava sintonizado. responsáveis pela implantação de uma mudança que. Mas o melhor estava por vir. A segunda. Eu. Aprender a fazer tudo o que ainda não tínhamos aprendido.E eu. para poder manter o jornal circulando. que éramos capazes de baixar um jornal. àquela altura.

mas não chegou a ameaçar de fato os líderes. A cidade não foi mais a mesma. como o concorrente mais importante de “O Estado”. movimentou o mercado. o Zico (“O Estado de S. A experiência durou pouco tempo. Com uma sucursal grande e ativa na capital. mas continuava a ser impresso tipograficamente. correspondentes de publicações de outros estados: Sérgio da Costa Ramos (“Veja”). Vânio Bossle (“Folha de S. que circulava na Grande Florianópolis. Paulo”) e Silva Jr. o “Jornal de Santa Catarina” continuava. influenciados. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 77 . (“Correio do Povo”). Depois da “debandada” dos “gaúchos”. o jornal “O Estado” começou a recompor sua equipe tomando mais cuidado para não ficar tão dependente de grupos de profissionais. foram lançados três jornais: o “Diário de Notícias”. também naquela época. o miolo era igual. para inserção das matérias dos correspondentes de cada um dos locais. outros do Paraná e mais alguns foram recrutados em Florianópolis mesmo. a meu ver. ao longo da década de 70. Essa injeção de profissionalismo nas práticas semi-amadoras do jornalismo ilhéu foi. o principal fato jornalístico destes 50 anos. houve uma tentativa de reativação do jornal “A Gazeta”. Trouxeram uns de São Paulo. Agitou o ambiente. Raul Caldas Filho (“Manchete”). Nos três. Reforçou a redação. estimulou o aperfeiçoamento. José Carlos Soares. melhorou a cobertura. Paulo”). A década de 70 é um marco importante na imprensa florianopolitana. Marcílio Medeiros Filho (“Jornal do Brasil”). Antônio Kowalsky (“O Globo”). Também nesse ano. todos fomos. Em 1977. de uma ou outra forma. Sem dispor da qualidade do off-set. por maior ou menor tempo. as fotos e ilustrações perdiam em qualidade. O surgimento dos jornais do grupo Diários Associados.listas locais. com redação em Florianópolis. em Blumenau e o “Jornal de Joinville”. E um marco fundamental para o jornalismo catarinense. provocou discussões. “A Nação”. mudando apenas a capa. foram.

entre seus editores. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 78 . Lançado em fevereiro de 1975. escolham o chavão preferido para nomear as mudanças na primeira metade da década de 70). Durante os primeiros anos da década. Acreditavam que ainda não havia. Zigelli. com grande espaço para anúncios. Passado o furacão (tsunami. empresário da construção civil. de Nestor Fedrizzi (o mesmo que criou o Santa) e de José Joaquim de Souza. Em 1978. Teve. por exemplo. semanário de distribuição gratuita. George Daux. Outro jornal que teve uma trajetória importante na cidade foi o “Bom Dia. “Afinal”. teve uma circulação de cerca de 20 mil exemplares. dando opinião e lançando sobre a província e seus hábitos um olhar crítico. na cidade. que teve a participação do irmão. Tratava-se de um “Shopping News”. Beto Stodieck dava às colunas sociais uma nova roupagem.. Luiz Lanzetta e Flávio de Sturdze. foi uma idéia de Luiz Daux. a cidade estava posta em sossego. Valdir Zwetsch. deliciando-se com as novidades. com maior ou menor sucesso e variado tempo de vida. além do próprio Fedrizzi. o grupo de trabalho liderado pelo jornalista Moacir Pereira chegou à conclusão contrária. empresas jornalísticas em número e qualidade suficientes.A partir desse impulso inicial e talvez estimulados pelo ambiente de renovação. tornado. maroto e bem humorado. ciclone. Florianópolis viu surgir muitos veículos. Durante boa parte da sua vida. Seria mais útil cursar Jornalismo em cidades como Porto Alegre ou São Paulo e depois voltar para exercer a profissão com uma visão mais aberta e atualizada. Domingo”. eram contrários à criação de um curso de Jornalismo em Florianópolis. “A Ponte” e o “Vento Sul”. elaborou o projeto do curso em poucos meses. o MEC autorizou e no vestibular de 1979 foram colocadas à disposição as primeiras 40 vagas.. por favor. assim como Ayrton Kanitz. Entre eles. na trilha aberta por Zózimo Barroso do Amaral. no JB. tratando sem frescuras tanto de amenidades quanto de fatos políticos. Não sobreviveu ao início da década de 80. o “Jornal da Semana”.

portanto. dono da TV Gaúcha e do jornal “Zero Hora”. ao governador Antônio Carlos Konder Reis informar que liderava um grupo que pretendia disputar o canal. A abertura da concorrência para o segundo canal de televisão em VHF de Florianópolis agitou o empresariado local e das cidades e estados vizinhos. mas o principal concorrente. também estava sem a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 79 . Suas inovações e contribuições ajudaram a colocar Florianópolis no mapa do ensino do jornalismo no País. sempre político. Estamos em plena ditadura (ainda que num processo “lento e seguro” de distenção). indicados sem voto popular. que numa disputa com um pretendente de outro estado. Comelli e Aderbal recuam e Sirotsky decide entrar na disputa sem sócios. Propõe sociedade a Comelli e ao ex-governador Aderbal Ramos da Silva. da mesma forma que o “Jornal de Santa Catarina” tem a TV Coligadas”. Mas seu desenrolar definiu o perfil e o futuro da imprensa nesta pequena ilha do sul do Brasil. Em 1977.O curso de Jornalismo da UFSC acabaria se destacando entre os demais cursos brasileiros. o “Jornal de Santa Catarina”. A televisão entra no ar em 1979. de Sirotsky. o governador tomaria partido dos locais. José Matusalém Comelli foi. em Porto Alegre. numa movimentação que provavelmente a maioria da população e mesmo dos jornalistas nem tenha percebido. também está interessado. o presidente é o general Ernesto Geisel e os governadores. Maurício Sirotsky. Imaginavam os opositores da sociedade. têm grande participação no processo. de concessão de canais de TV. O governador. A minuta do contrato chega a ser redigida. a TV Catarinense é outorgada à RBS (Rede Brasil Sul). com as bênçãos de Antônio Carlos Konder Reis. que anteriormente era exclusividade da TV Coligadas. conta Comelli. O jornal “O Estado” continua sem um canal de TV. disse que achava “muito justo que o jornal “O Estado” tenha um canal de TV. retransmitindo a programação da Globo. Mas a pressão contra essa aliança com os “estrangeiros” cresce.

Assim como a chegada do off-set e das novas práticas profissionais foi importante para os jornalistas e para o jornalismo. conta. A RBS iniciou a década de 80 retomando as conversas com José Matusalém Comelli. Muitos chegaram ainda no sábado à noite e vários. Como reconhecimento ao fato de todos terem aparecido. foi criado o Movimento de Oposição Sindical. como os fotógrafos. em 1987. a disputa pelo segundo canal de TV em Florianópolis foi decisiva para as empresas. em cada uma das edições. “Tinha até o nome do vigia. um expediente especial com a nominata completa. próximo à sede do jornal “O Estado” e já era madrugada quando o local foi alcançado pela polícia e pela Aeronáutica.sua TV. que teve ampla adesão em todo o estado. Para estimular a sindicalização (sem a qual não haveria votos). Muitos jornalistas. que escalou o morro para buscar os filmes e trazer para revelar”. e fazer campanha. O jornal fez três edições extras. que fora vendida em 1975 para o grupo paranaense de Mário Petrelli. uma longa luta para colocar no Sindicato dos Jornalistas uma diretoria mais sintonizada com os novos tempos. entre os quais me incluía. O MOS atingiu seu objetivo com a posse. Essa disputa mexe profundamente com as empresas de comunicação de Florianópolis. Às 8 horas da manhã de domingo. caiu um avião da Transbrasil no morro dos Ratones. todos os jornalistas e funcionários de O Estado tinham voluntariamente chegado à redação para trabalhar. passaram a madrugada no local do acidente. emocionado. foi publicado. então. As que perderam saíram desgastadas e a ganhadora chega ao estado com o poderosíssimo trunfo que é a Rede Globo e seu quase monopólio de faturamento comercial. da diretoria presidida por Celso Vicenzi. um sábado. desta vez para comprar ou associar-se ao JORNALISMO EM PERSPECTIVA 80 . Na noite de 12 de abril de 1980. Começou. tinham o sentimento que a profissionalização e a paixão pela profissão precisavam ser acompanhadas pelo Sindicato. Osmar Schlindwein.

Tirou. talvez porque depois não tenha visto. Comelli conta isso com uma certa mágoa. foi vendido para o empresário Nilton Reis. Mas também fazia as vezes de gerente de recursos humanos. O “Jornal de Santa Catarina”. também. Já o vi dirigindo o comercial. A RBS-TV. naquele “O Estado” da rua Conselheiro Mafra. o jornalista escalado para fazer as primeiras sondagens e ajudar na formatação do projeto. que não se pode delimitar exatamente o que o Osmar faz. apaziguando ânimos. cujo gerente era Domingos de Aquino. E certamente muitos o viram prestando consultoria a seus próprios chefes. Sem negócio com “O Estado”. chega à cidade em 1984 e começa as conversas com jornalistas. a cavaleiro da programação da Globo. que resolveu reforçar sua circulação em Florianópolis. em 1970. não por acaso seu tio. nas oficinas tipográficas de “O Estado”. naqueles que pressionaram para que o negócio não fosse feito. grande empenho para ajudar o jornal a sobreviver. em 1985. a RBS decide lançar seu próprio jornal. mas sabe quando uma matéria está bem escrita e quando o repórter é apenas um enrolão. Mas também lembro dele colocando ordem na composição eletrônica do jornal. Osmar lembra que estava no Santa quando o jornal bateu o recorde catarinense de tiragem. anos mais tarde. Não é repórter. Armando Burd. Lembro-me dele sujo de tinta. empresários. o “Diário Catarinense” é lançado em 1986. Osmar começou cedo. Envolveu-se de tal maneira com a manufatura dos jornais. colunistas e jornalistas e levou. até hoje não superado: 102 mil JORNALISMO EM PERSPECTIVA 81 . a decisão acabou sofrendo a influência de muitos grupos de pressão. Novamente. uma das personalidades mais versáteis do jornalismo da capital: Osmar Schlindwein. de “O Estado”.jornal “O Estado”. que viam na venda de “O Estado” uma espécie de rendição ao “inimigo”. fez ou fazia. ampliando a sucursal. Após dois anos de estudos. Em geral amigos. políticos. lidera a audiência e garante o suporte financeiro para a empreitada.

E. Em 1995. mudou para o formato tablóide e raramente tem edições com mais de 16 páginas. Acuado pela crise. Nessa época “O Estado” ainda circulava na maioria dos municípios e sua venda. naturalmente. trouxe para o “mais antigo” vários jornalistas que estavam se destacando no nascente “Diário Catarinense”. Bastava ir lá buscar e publicar. A tabela não era exclusiva. em 1995. a cerca de 30 mil exemplares). em todos os estados. o colocava como principal concorrente do DC. a “Expressão” (1990) e a “Empreendedor” (1993). A equipe viveu. Com a ajuda do Flávio de Sturdze.exemplares da edição extra com a tabela da Sunab do plano Cruzado. tanto em bancas quanto de assinaturas (chegava. Uma demonstração de vitalidade que parece difícil de se repetir. enchíamonos de justificado orgulho. em “O Estado”. Só que nenhum outro jornal. aos domingos. em Santa Catarina. que existem até hoje e circulam também em outros estados. O interesse por economia e negócios cresce no país todo e em Florianópolis surgem duas revistas especializadas. E sempre que fazíamos alguma cobertura melhor que o concorrente. Ao completar 80 anos. o grupo que pu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 82 . para dar um susto na concorrência. para reforçar a equipe. fiz questão que o jornal recontratasse o Osmar Schlindwein. a estatal EBN (Empresa Brasileira de Notícias) distribuiu para todos os seus escritórios. a população literalmente foi às ruas para comprar a lista. que ainda não podia ser considerado “líder”. ainda em formato standard. O Estado publicou um caderno comemorativo com 76 páginas bem recheadas de anúncios. grande emoções: tanto lá quanto cá havia gente capaz de produzir um bom jornal. o jornal hoje só circula na Grande Florianópolis. deu-se conta da importância e do apelo popular desse material. Emocionados com o elementar e saudável efeito da disputa pelo leitor. em 1986. Achei que poderíamos fazer uma boa dupla. Uma vez publicada a edição extra. Fui editor-chefe de “O Estado” de 1988 a 1989.

a sucursal edita um caderno. não são suficientes nem para remunerar um trabalho com tal responsabilidade e nem para dar aos jornalistas uma vida digna. como um dos projetos mais estáveis e bem sucedidos. Inicialmente parecia promissor. levou-o a instalar-se em Florianópolis. por exemplo). em muitos bairros. Além de fornecer material para o jornal principal. semanários que institucionalizam a picaretagem: as “reportagens” só são publicadas se os interessados pagarem. Na verdade. Mas não chegou a completar quatro anos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 83 . que circula com o reparte da Grande Florianópolis. ora local. Toda essa movimentação profissional e empresarial. o crescimento do jornal “A Notícia”. As empresas justificam os baixos salários com a crise. editado em Joinville. com uma sucursal que também passou a fazer parte do mercado profissional. não se refletiu na melhoria do padrão salarial. como conseqüência. nos últimos anos surgiram. o que é pior. Montou uma redação local para editar algumas páginas e utilizava material do jornal paranaense para fechar as demais páginas. impresso em off-set a partir de 1980. de Joinville.blica o “Indústria & Comércio” em Curitiba. E os salários. a achar que isso é jornalismo. A impressão era em Curitiba. que trouxe tantas mudanças e afetou de tantas maneiras o jornalismo da capital. lançou aqui um jornal com o mesmo nome. não houve crescimento do número de leitores e a verba publicitária gerada pela economia da Capital não parece suficiente para manter os veículos. Isso leva o leitor a desacreditar dos jornais e a desconfiar que seja assim em todo lugar. o “ANCapital”. ora estadual. porque montou uma equipe de grande qualidade (com jornalistas como Flávio de Sturdze e Belmiro Southier. ora nacional. E. Assim como a sucursal do “Jornal de Santa Catarina” teve papel importante no jornalismo da capital. Para agravar a situação. ora mundial.

Flávio de Sturdze. por condensar num capítulo tantos casos e lembranças. que me ajudaram a confirmar muitos detalhes e informações. Elaine Borges. conversei com alguns dos participantes dessa história. A eles o meu agradecimento (e desculpas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 84 . José Matusalém Comelli. Marcílio Medeiros Filho. que valeriam um livro inteiro): Ayrton Kanitz. Mário Medaglia e Osmar Schlindwein.Agradecimentos Em dezembro de 2004 e janeiro de 2005.

Expansões e Transformações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 85 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 86 .

O experiente e respeitado jornalista. leitores. todas próprias do Jornalismo. São aqueles que se aproveitam da falta de regulamentação e fiscalização da atividade profissional dos jornalistas. Há diferenças. mas todo o assessor de imprensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser. Ou ainda. se assessor de imprensa é jornalista ou não. telespectadores e ouvintes não parecem ter dúvidas neste sentido. a discussão se dá mais entre os próprios jornalistas. fontes. é claro. os profissionais saem das redações para trabalhar em assessorias e vice-versa. para ficar nas mais tradicionais. E o pior. como o nome mesmo diz. Mas afinal. edição de informativos. Os assessores e jornalistas de redações trabalham com a mesma matéria-prima – a informação. Atualmente. A assessoria de imprensa. assessor e escritor Francisco Viana destaca inclusive que as assessoJORNALISMO EM PERSPECTIVA 87 . jornalista ou assessor? Nem todo jornalista é assessor. mas na essência as atividades estão muito próximas. a edição e a pauta. Claro que existe muito assessor que não é jornalista.Assessoria de imprensa: mercado em expansão Roger Bittencourt Jornalista ou assessor? É comum muita confusão entre uma definição e outra. entre outras ações. programas de rádio e televisão. Numa assessoria de imprensa também se faz pautas. assim como a reportagem. é função de jornalista e hoje um importante campo no mercado de trabalho para a categoria. já que clientes. reportagens. por que na essência são jornalistas e não vão perder esta condição por estarem desempenhando este ou aquele papel. na execução de algumas tarefas. O cargo de assessor é uma das atividades do Jornalismo. que até hoje brigam para fazer valer a obrigatoriedade do diploma universitário para exercer a profissão.

No livro “De Cara com a Mídia”. nada mais é que o reconhecimento da importância da atividade – até como perspectiva de absorção dos centenas de jornalistas que se formam em todo país anualmente. conseqüentemente. auxiliando inclusive o trabalho da imprensa. A disciplina de Jornalismo Empresarial. à sociedade. não é diferente”. A atividade de assessor vem a cada dia se profissionalizando. O mestre em Comunicação João José Forni considera que o relacionamento do assessor com o jornalista de redação passou a ser um jogo pautado pelo respeito ao trabalho de cada um. assim como nas universidades. ganhando espaço e reconhecimento nas redações. como se não pudessem conviver em perfeita harmonia. afirma Viana. ressalta a função desses profissionais na “nem sempre fácil tarefa de contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação entre a instituição. e edita. norteando o seu trabalho de forma ética e consciente”. nos sindicatos de jornalistas e junto à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). Na assessoria. ou seja lá como for chamada. informações de interesse coletivo. com a compreensão de que o papel do assessor – como o nome mesmo define – é assessorar na divulgação de notícias. seus funcionários e a opinião pública e fornecer aos veículos de comunicação e. “Jornalista é aquele que pensa a pauta. Entende de todas as pontas do processo. Assim como não posso aceitar o princípio de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 88 . onde deve prevalecer o profissionalismo e o interesse público. Francisco Viana define bem essa relação: “Nunca consegui ver empresários e imprensa em campos opostos.rias devem caminhar para um modelo de redação de jornal. que vai aproveitar ou não estas informações. A jornalista Eliane Ulhôa. ou Jornalismo Empreendedor. escreve o texto. no livro “O Papel do Assessor”. Por que a dúvida então entre jornalista ou assessor? Porque alguns míopes ainda tentam contrapor as duas atividades.

Contudo estão unidos no objetivo maior de construir o desenvolvimento e promover justiça social. Pelo contrário. o conceito básico de assessoria de imprensa: a necessidade de divulgar opiniões e realizações de um indivíduo ou grupo de pessoas. Gaudêncio Torquato do Rêgo.C). em lados antagônicos. professor e jornalista. Um pouco de história Atualmente. ou melhor.que o assessor e o jornalista que trabalha na mídia são adversários. há bons e maus assessores. o título de primeiro exemplar do chamado jornalismo empresarial. data de 1829. Já a precursora na área de assessoria de imprensa. segundo Boanerges Lopes. É claro que. nos Estados Unidos. revela que vem das cartas circulares que apresentavam decisões e realizações da Dinastia Han. da prensa de tipos móveis e ainda mais com a chegada da rotativa em 1811 e do linotipo em 1885. na Inglaterra. organizada por Amos Kendall para o Governo de Andrew Jackson. O professor e jornalista Boanerges Lopes. já que os empregados não tinham acesso à grande imprensa da época. uma atividade. bons e maus jornalistas. credita ao Lloyd´s List. surgem nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha as primeiras publicações empresariais para reduzir o descontentamento interno em diversas organizações. Com um setor de imJORNALISMO EM PERSPECTIVA 89 . que remonta a um passado bastante distante e onde não havia controvérsias. Esta definição seria ampliada muito tempo depois. Estão unidos em busca da transparência e da racionalidade”. editado pela primeira vez em 1696. por Gutenberg. como em toda atividade. no século XV. empresários e imprensa. na China (202 a. com a invenção. é cada vez menos expressiva a restrição à assessoria de imprensa. se é que se poderia chamar assim na época. No século XIX. autor do livro “O que é Assessoria de Imprensa”. assessores e jornalistas ocupam sim espaços diferentes e desempenham funções diferentes na sociedade.

opiniões e explicações que interessam à sociedade” e à imprensa.prensa e relações públicas bem organizado. A excelente pesquisa do professor Boanerges Lopes revela que no Brasil a Light foi a precursora do conceito de preservação e divulgação positiva da imagem da empresa. jornalista da “Folha de S. tinham exatamente o papel oposto ao que se propunham na essência – cabia a elas esconder a verdade. o DIP acabou se transformando em um órgão de promoção pessoal de Vargas e de censura. “foi um dos piores momentos do setor”. apontado por muitos estudiosos do assunto como o primeiro house-organ. retoma seu conceito original e passa a ocupar importante espaço tanto na absorção de mão-de-obra como nos processos jornalísticos. Em 1868. pois o assessor passou a ser. Na opinião de Clovis Rossi. a assessoria pioneira publica o “The Globe”. Criado para divulgar obras e atos do presidente. cúmplice do regime e inimigos da informação para a imprensa. pela primeira. seguida pelo Ministério da Agricultura. na maioria das vezes. Segundo o professor Chaparro. Essa deformação talvez seja a responsável até hoje pela postura equivocada de alguns jornalistas em relação às assessorias de imprensa. É nos anos 80 que o setor de assessoria de imprensa se consolida. conforme revela o professor de Jornalismo Manoel Carlos Chaparro. Paulo”. “as assessorias estão inseridas em todas as fontes detentoras de informações. surgem nos Estados Unidos. em muitos casos. os jornalistas passaram a ser inimigos do sistema e a imagem negativa das assessorias de imprensa aumentou. vez as expressões agente de imprensa (press agent) e divulgador (publicity agent). que a partir da década de 70 tiveram rápida expansão. ainda com a missão clara do controle da informação para o público. Essa re- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 90 . Até porque. Mas foi o presidente Getúlio Vargas que criou oficialmente um serviço de atendimento à imprensa durante o Estado Novo – o temido DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Com o advento do Regime Militar em 1964.

com o fortalecimento das comissões de assessoria de imprensa em diversos sindicatos. Na mesma linha. Grandes empresas. O impulso se deu tanto pela importância da atividade e sua compreensão pelo mercado da comunicação. órgãos governamentais descobriram o valor da atividade das assessorias de imprensa. O crescimento do mercado também é registrado em números. da importância do papel da assessoria de imprensa seja para ajudar a obter informações ou acelerar esta busca. inclusive em muitos veículos de comunicação. entidades. que hoje utilizam cada vez mais profissionais qualificados e novas tecnologias. como por ser mais uma alternativa de trabalho para centenas de jornalistas que saem das universidades todos os anos. Veículos segmentados da grande imprensa (em especial nas áreas de Economia e Esportes). a Fenaj cria o Departamento de Mobilização em Assessoria de Imprensa. Mercado em expansão Este crescimento é inegável nos últimos anos. Apesar do setor ainda não ser suficientemente organizado para se ter uma estatística nacional completa. inclusive em Santa Catarina. Também nesta época surgem os primeiros manuais de assessoria de imprensa e a valorização do setor pelas entidades de classe dos jornalistas. o que igualmente contribui para o boom deste mercado. a mídia especializada (dos mais diversos setores) e uma quantidade cada vez maior de jornalistas inteligentes já perceberam que o assessor pode e deve auxiliar muito na busca de informações. para retratar o universo das assessorias de imprensa. na última pesquisa da AbraJORNALISMO EM PERSPECTIVA 91 . Boanerges lembra que a importância do setor se consolida nos anos 90 com as faculdades de Comunicação criando disciplinas específicas tanto na graduação como em cursos de especialização. em 1995. com a proliferação dos serviços em todas as regiões e não apenas na Capital e em Joinville.tomada dos valores iniciais é acompanhada também do reconhecimento hoje existente.

apesar dos valores pagos ainda serem considerados baixos – o investimento máximo das empresas em assessoria é de R$ 3 mil em 46% dos contratos.com – Associação Brasileira das Agências de Comunicação –. o mercado é considerado regular (36%). 66% das assessorias contam com até dez clientes e 25% chegam até 20 clientes. sindicatos e já em muitas redações. sempre enxutas e correndo contra o relógio. assim como as transformações no País e no mundo. O papel desempenhado pelas assessorias para profissionalizar o setor foi e está sendo fundamental para quebrar resistências e valorizar as empresas deste segmento. bom (29%) ou muito bom (9%). E esta pequena amostragem revela que praticamente todos os setores hoje já utilizam o serviço de assessoria de imprensa. realizada em 2003. Nas universidades. a função do assessor de imprensa tem sido mais estimulada e respeita- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 92 . 41% revelaram que o número de clientes aumentou e para 37% este índice permaneceu estável. Também é inquestionável a profissionalização do segmento. privilegiando a transparência e precisão nas informações. educação (37%). contra apenas 22% das empresas onde houve redução de trabalho. com 185 empresas de assessoria. ampliando o leque de atuação. indústria (37%) e terceiro setor (33%) são alguns dos mais atendidos pelas assessorias de imprensa. saúde (46%). Ainda segundo o mesmo levantamento. que hoje conta com muitos especialistas e busca cada vez mais se adequar aos anseios dos clientes e às necessidades das redações. tecnologia (40%). Os setores de serviços (62%). Para 74% das assessorias. E as perspectivas são animadoras: 32% dos entrevistados apostam que o mercado vai permanecer regular e 64% acreditam que vai melhorar. que deixou de ser prerrogativa das grandes corporações para beneficiar os processos de comunicação de médias e até pequenas empresas. comércio varejista (37%).

Agindo assim. São os profissionais do jornal. Recente pesquisa da Universidade de São Paulo junto à mídia mostrou que mais de 80% das notícias publicadas em jornais tiveram origem em estímulo externo. E a tendência é aumentar. mas que ainda existem até porque esses profissionais não têm a percepção do poder da redação. ainda preferem condenar e até boicotar o trabalho das assessorias de imprensa. revista. mas com certeza boa parte destas informações foram geradas por assessorias. Apesar de toda evolução e reconhecimento do setor de assessoria de imprensa. Nos EstaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 93 . não partiram de dentro das redações (pautas próprias). certos jornalistas. quem manda é a redação. ao invés de saberem aproveitar o material que recebem. Em alguns casos. rádio. quando entender que há valor no material recebido da assessoria. O poder da redação E qual o papel das redações neste caso específico? Filtrar as informações que chegam e transformá-las em notícias de interesse para o público. hoje reconhecida nacionalmente. Estes poucos. Já para a assessoria. Na verdade. São casos cada vez menores. portal ou televisão que vão decidir se vão e quando aproveitar as sugestões enviadas pelas assessorias. estarão inclusive contribuindo para qualificar ainda mais as assessorias e adquirindo fontes confiáveis para busca de informações. o que se vê é um processo desvirtuado. é importante manter um excelente e permanente diálogo com as redações e seus jornalistas. ao contrário de perder tempo combatendo a atividade. que ainda mantêm uma visão ultrapassada sobre o papel da assessoria de imprensa. ou seja. deveriam se preocupar em qualificar mais suas equipes para usarem corretamente o que estas empresas oferecem de melhor e descartar o que não é Jornalismo. ou simplesmente descartá-lo quando inútil.da. Não se tem o dado.

onde o press agent é muito respeitado pelos colegas que atuam em veículos. há uma JORNALISMO EM PERSPECTIVA 94 . buscar divulgação para o cliente. “Transformar em ponto de referência dos jornalistas. A assessoria trabalha de forma a equilibrar dois interesses distintos. mas pelo trabalho pró-ativo e dinâmico. eficiência e credibilidade é um resultado que poucos conseguem”. e de outro. Na opinião do jornalista Augusto Nunes. lembra João José Forni. De um lado. Cabe à assessoria buscar esta visibilidade positiva do cliente seguindo as regras do Jornalismo e os princípios éticos que norteiam a profissão. Uma boa assessoria de imprensa saberá oferecer de maneira oportuna a matéria-prima (notícia do cliente) para os veículos de comunicação. Para o professor Manuel Carlos Chaparro. É ele quem organiza o trânsito das informações em áreas em que os repórteres não conseguiriam entrar. Daí a importância da assessoria estar permanentemente sintonizada com as redações para ter a percepção de quais as pautas podem despertar mais interesse. Forni é outro que aponta como papel do assessor contribuir com o repórter na apuração da matéria e buscar dar uma característica de serviço ao leitor/telespectador naquilo que é divulgado. O desafio da assessoria É exatamente quando uma empresa ou interlocutor transforma-se em fonte fidedigna para o jornalista e consegue igualmente divulgar o serviço ou produto por ela desenvolvido com foco positivo que podemos considerar que a assessoria de imprensa cumpriu o seu papel na plenitude.dos Unidos. não por favores. rapidez. transformando informações da empresa em notícias potenciais. é comum assessores fazerem estágios nas redações para adquirir experiência e compreender na prática o funcionamento dos veículos. oferecer aos veículos de comunicação conteúdo adequado de interesse para a sociedade. o assessor de imprensa tem que fazer fluir a informação.

Quanto mais experiência a assessoria tiver em realizar este tipo de trabalho. quanto mais feeling jornalístico seus profissionais forem capazes de possuir e quanto maior credibilidade a assessoria de imprensa conquistar junto às redações e suas equipes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 95 . É provocar situações que rendam à determinada marca uma imagem associada à competência. Do “Manual de Comunicação da Unimed” vem uma analogia interessante neste sentido: da mesma maneira que só o médico pode diagnosticar e receitar quando o assunto é saúde. É o valor da notícia que determina o espaço ocupado jornalisticamente. iniciativa e proximidade com a comunidade onde atua.relação cada vez mais profissionalizada entre jornalista e fontes justamente porque a capacidade das assessorias de produzir conteúdos rompeu com os limites do jornal. mais chances terá a assessoria de imprensa de conseguir uma boa colocação na mídia. só o comunicador (assessor) está habilitado a diagnosticar e prescrever ações de comunicação. Isto explica porque as maiores organizações de todo o mundo aliam o trabalho de publicidade ao de assessoria de imprensa quando precisam estar em intensa evidência positiva junto à comunidade ou ao seu público consumidor. produtividade. este trabalho de “construção de uma boa pauta jornalística” e de “convencimento” das redações que a notícia tem importância deve ser feito exclusivamente por uma assessoria de imprensa. O trabalho da assessoria de imprensa é de manter seu cliente no lado positivo da notícia. Com a profissionalização do setor. Quanto mais interessante ou importante for a informação que uma empresa tem a divulgar. profetiza Francisco Viana. Com jornalistas conquista-se a simpatia pela tese – é o convencimento democrático. maiores serão as chances de sucesso na publicação de uma matéria.

elaborado pela Fenaj é mais enfático: “A mentira é condenável em qualquer circunstância. qualidade fundamental no relacionamento com os veículos de comunicação. os assessores devem estar permanentemente em contato com o cliente não apenas atendendo às solicitações da empresa. mas também propondo fatos geradores de notícias e descobrindo assuntos internos que gerem exposição positiva na mídia. Para isso. principalmente. da própria assessoria. tanto do cliente quanto dos veículos de comunicação. as assessorias de imprensa devem se pautar pela verdade sob pena de prejudicar o nome do cliente e. hoje. não levará a assessoria a sério.Apostando a verdade Com a modernização e a facilidade tecnológica para a comunicação. ainda que referente a um fato desagradável ou inconveniente. para quem o pecado mortal de uma fonte é mentir – “Nesses casos não há absolvição: acaba-se a fonte”. as assessorias de imprensa precisam atuar com a agilidade necessária para dar resposta às demandas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 96 . fidelidade e presença constante para alcançar bons resultados. O “Manual Nacional de Assessoria”. O trabalho de assessoria de imprensa também exige continuidade. Mesmo tendo que atender os interesse dos clientes. como também na hora de esclarecer alguma informação equivocadamente publicada. Idéia compartilhada por Augusto Nunes. buscando a informação em outras vertentes”. A verdade. pode ser mais bem compreendida do que qualquer mentira e nunca fecha as portas para futuros entendimentos”. Essa rapidez deve ocorrer no momento de divulgação de um novo serviço/projeto. A veracidade no relacionamento com as informações e com a imprensa é outra características indispensável para uma assessoria obter sucesso e manter a credibilidade. O especialista em assessoria João José Forni destaca no livro “O Papel do Assessor” que o leitor quer informação correta e o jornalista não pode enganá-lo: “Se esse jornalista se sentir usado.

não é possível definir um modelo de trabalho para assessorias de imprensa. Evita que a assessoria seja preconceituosa em relação à imprensa ou maniqueísta (sentir-se sempre vítima de perseguições da mídia)”. As peculiaridades dos clientes e dos veículos de comunicação é que vão definir o mecanismo de operação. natureza e características da mídia permite às assessorias de imprensa encontrarem um caminho adequado no relacionamento. Elementos como estes prejudicam o processo. portanto uma regra pode ser estabelecida: é fundamental conhecer bem o cliente e os veículos de comunicação. E a saída apontada por ele parece simples. o claro entendimento de que área comercial do veículo é uma coisa e redação é outra. a consistência das informações e a atenção aos compromissos dos jornalistas são elementos que contribuem muito para o sucesso. ele ressalta: “Essa capacidade sólida – teórica e prática – a respeito do papel. Não são raros os casos de fontes querendo ser editadas da maneira como desejam. de centralização da informação e até de incompreensão do papel da imprensa. trata-se de um caso permanente de relação interpessoal (assessor x jornalista de redação). “É preciso ser flexível e criativo”. assim como o desconhecimento sobre o funcionamento do processo jornalístico e até do que é notícia realmente. Com tantos vetores influenciando no trabalho e ainda levando-se em consideração que no fundo. qual o modelo de atuação? Para Francisco Viana. afirma João José Forni. Manuais de assessoria ensinam que a transparência. hoje. Daí caber também à assessoria exercer um trabalho pedagógico com seus clientes. ressalta Forni. Em artigo escrito em conjunto com o professor e jornalista Armando Medeiros Faria. ainda existe uma ausência de uma cultura de comunicação com a imprensa em muitas empresas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 97 .Entender a imprensa é pré-requisito fundamental. a presença imediata. Apesar de todos os avanços no segmento de assessoria.

Ou pior. Positiva no atual mercado nacional de comunicação e Santa Catarina não foge à regra. a sistematização da comunicação para consolidar a imagem de uma empresa ou instituição é uma meta a ser alcançada e a assessoria. Atuando de forma integrada e seguindo a mesma linguagem. na maioria das vezes sem profissionais especializados ou em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos clientes com resultados pelo menos satisfatórios. prejudicando inclusive o nome assessoria de imprensa. Assessoria integrada com a publicidade.Sintonia com a publicidade Num mercado onde o que importa. serviço ou conceito. a assessoria de imprensa passou a ser um instrumento fundamental para o bom desempenho da estratégia de comunicação de uma empresa ou instituição. uma das ferramentas. produto. no entanto. a própria agência se aventurava à tarefa. com credibilidade. a mensagem passada através dos anúncios. Com base nessa premissa. Aliada ao marketing e à publicidade. sim. é a percepção dos produtos. mas jamais vinculada. sem serem efetivamente jornalistas e sem a mínima formação para a função. é cada vez mais comum que as agências incluam em seu planejamento estratégico a utilização dos serviços de assessoria de imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 98 . é a percepção cada vez maior das agências de publicidade de que o trabalho de uma assessoria de imprensa dentro de uma empresa contribui em muito para reforçar. Vale ressaltar. serviços e da marca. cada vez mais. Conceito também abalado por todos aqueles que se metem a exercer as funções de assessor de imprensa. O que até é uma ofensa aos jornalistas. que a compra legítima de espaço publicitário não implica na reserva automática de espaço editorial no jornal ou televisão. o que até pouco tempo não ocorria. e assim se intitularem. as três áreas contribuem de maneira inequívoca para a solidificação de uma marca.

revistas. Além da atividade original de divulgação na imprensa e relacionamento com os jornalistas. O surgimento da internet abriu novos caminhos para as assessorias. o que Francisco Viana define como “a mesma coisa dita de forma diferente”. tanto para ampliar o leque de divulgação. hoje. Atuação diversificada O mercado de assessoria de imprensa não apenas cresceu como buscou novas vertentes. “Ignorar ou menosprezar o papel da assessoria seria colocar fora importante instrumento de conquistas de espaço na imprensa”.“Comunicação é essencial na vida das empresas. Ele compartilha a tese de que a concepção negativa do passado já não existe mais e hoje a ferramenta é indispensável. Outra novidade é o que se convencionou chamar de release eletrônico. seminários. Essas atribuições incluem desde a criação e execução de projetos de jornais. De assessoria de imprensa. como para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 99 . newsletter on line e murais informativos. as empresas do setor passaram a assessorias de comunicação. destacou Francisco Viana em recente entrevista ao site Comunique-se. até o desenvolvimento de roteiros e produção de vídeos institucionais e peças eletrônicas jornalísticas para veiculação no rádio e na televisão. as assessorias vêm desenvolvendo outras atividades complementares para atender a demanda dos clientes na área de comunicação. boletins. Nada mais é que a produção de vídeo com imagens e entrevistas realizadas em palestras. eventos. completa o jornalista e mestre em Comunicação João José Forni. A nova denominação vem acompanhada de uma série de serviços oferecidos. Trata-se de um investimento prioritário e estratégico”. com a respectiva edição e envio de texto com as informações para utilização pelas emissoras de televisão que não tiveram oportunidade de realizar a cobertura.

As assessorias assumiram o papel de monitorar as notícias veiculadas pela imprensa. organização e muita produção. A análise dos resultados vai além dos números e atinge elementos subjetivos. posicionamento e valorização da marca. artigos. editoriais e até na revisão de conteúdos. até por uma questão de sobrevivência pelo surgimento de muitas assessorias. é preciso diversificar. em especial da televisão fechada. apresentações. bem como a manutenção de notícias online na página da empresa e de envio automático de matérias para jornalistas cadastrados. que não se materializa no simples cálculo de quantos centímetros por coluna ou minutos de exposição o cliente mereceu e quanto isso representa em termos financeiros. Enfim. A comum tarefa dos jornalistas de escrever ganhou relevância na elaboração de discursos. É o treinamento das fontes para se relacionarem com os jornalistas e de como se posicionarem em entrevistas de rádios e televisão para que a mensagem seja melhor captada pelo público. comprar espaços nos veículos de comunicação não é atividade de jornalistas e sim das agências de publicidade. planejamento. As assessorias desenvolveram então um novo produto. relacionados à credibilidade. É importante ter métodos claros. A proliferação dos meios eletrônicos. abriu mais oportunidades de divulgação e igualmente exigiu uma maior preparação dos entrevistados e uma adaptação não apenas do conteúdo.oferecer o trabalho de elaboração de conteúdo para sites e portais. a partir de um fato inesperado ou mesmo já previsto. Afinal. palestras. coordenar o trabalho de atendimento aos veículos e elaborar estratégias para garantir que as versões do cliente também mereçam atenção. Algumas empresas do segmento se especializaram na administração de assuntos que tornaram-se crises na imprensa. muito em evidência atualmente – o media training. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 100 . com eficiente sistema de aferição de resultados. prefácios. mas também ao formato.

em geral com estruturas internas. já que as oportunidades são muitas. No entanto. A ética que rege a assessoria de imprensa do órgão público é a mesma que serve para a iniciativa privada. Setor público O papel e as características da assessoria de imprensa. no entanto. servem igualmente para o setor público. Órgãos públicos. em geral. mas jornalistas que desejam atuar neste setor vão encontrar um bom filão. não tiveram formação adequada ou não gostam de se dedicar aos processos administrativos. Para ficar em alguns exemplos.A profissionalização da gestão é também outra necessidade hoje para as assessorias de imprensa. vincular a ação editorial ao processo publicitário ou personalizar as ações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 101 . A assessoria da Assembléia Legislativa até um canal de televisão mantém no ar e a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado possui um eficiente sistema de comunicação por rádio que oferece de maneira ágil e fácil informações para todas as emissoras do Estado. aqui abordados. Prefeituras de grande e médio porte também possuem suas assessorias bem instaladas e até o Judiciário investe no melhor relacionamento com a imprensa através de estruturação de assessorias profissionais. e as prerrogativas são as mesmas. os três poderes têm grandes e eficientes estruturas. já que normalmente os profissionais são concursados ou indicados. hoje têm sistemas de assessoria muito eficientes e bem montados. A profissionalização das assessorias de imprensa não deve ser prerrogativa de clientes da iniciativa privada. Não é um mercado alvissareiro para as empresas de assessoria de imprensa. No entanto. onde as tentativas de dominar a mídia. Em Santa Catarina. esta é uma necessidade para a sobrevivência da assessoria. É claro que existem algumas peculiaridades. ainda há dificuldades no setor público. Tarefa difícil aos jornalistas. que. na essência a função é a mesma. ou deveria ser.

cabe também ao assessor de órgão público ser ainda mais criativo nas suas estratégias de comunicação e capaz no relacionamento com a imprensa. também são maiores nesta esfera e é preciso ao assessor conhecimento. onde efetivamente é mais difícil para o profissional não incorporar o papel do assessorado. em geral. inovar. hoje desenvolvida por profissionais com experiência e competência e que merecem o respeito das redações. paciência e senso de equilíbrio para lidar com o assunto. sim. vale ressaltar que a atividade é. no entanto. em muitos casos a própria imprensa vai em busca das informações diariamente. considerando a vantagem que. Assessoria é igualmente um excelente mercado para os novos profissionais.são grandes. à veracidade e à ética. Faz tempo que assessoria deixou de ser bico para jornalistas. à busca da informação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 102 . Utilizando palavras de Francisco Viana para evidenciar o valor da atividade . com a imprensa e com o assessorado. Concluindo essa colcha de retalhos sobre o mister de assessoria de imprensa.“Comunicação é arte divina. assim também deve ser encarado pelo assessores no que tange à criatividade. função jornalística. Não podemos vulgarizar nosso trabalho”. Esta talvez seja a maior diferença entre o assessor de imprensa de uma empresa privada e de um órgão público. diversificar os serviços e gerenciar profissionalmente a empresa. é preciso buscar o aprimoramento constante. E por ser trabalho para jornalistas. modernizar processos jornalísticos. Os momentos de crise. Em função do oficialismo das notícias.

Algumas destas são jornalistas que prestam assessoria de imprensa para estas instituições. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 103 . O enfoque dar-se-á. serão tratados alguns aspectos do trabalho do jornalista neste tipo de organização. sejam muito diversos. institutos. E sua importância econômica no conjunto não é desprezível. Outras defendem interesses empresariais. esportivos. coordenador do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor da PUC/SP As ONGs formam um conjunto que é convenção se cha. Neste capítulo. fundações.Comunicação no Terceiro Setor Marli Cristina Scomazzon O Terceiro Setor existe para preencher lacunas de demandas sociais que. atualmente. cooperativas. culturais. àquelas instituições preocupadas com democracia e que atuam na contestação da hierarquia social. com destaque especial ao movimento sindical e à experiência da autora no Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região. A forma de organização também é muito variada. sindicatos. Com número tão expressivo é de se esperar que tanto os interesses. comunitários. sociais. numa sociedade ideal. sobretudo. Podem se instituir como redes. Segundo Junqueira. econômica e cultural predominante. mar de Terceiro Setor. o Terceiro Setor no Brasil movimenta R$ 23 bilhões/ano e emprega aproximadamente 1. como a forma de atuar. cerca de 250 mil ONGs (Organizações Não Governamentais). de classe. Parte destas entidades tem orientação filantrópica ou assistencial.3 milhão de pessoas. Existem no Brasil. seriam naturalmente atendidas pelas instituições formais. segundo Luciano Junqueira.

O objetivo aqui é dar visibilidade às ações da instituição e expor suas propostas. formadores de opinião nos meios de comunicação de massa. parlamentares e assessores. interferir no debate público. combatendo desigualdades e estimulando a participação cidadã. A primeira criando meios de diálogo dentro da organização – a comunicação interna. gestores de políticas públicas. O processo de comunicação no Terceiro Setor inclui. inserir sua visão de mundo na mídia e. segundo seu estatuto. Edita. vai desde materiais educativos. formando opiniões. distribuído especialmente para os ativistas do movimento em todo país. O serviço de comunicação da Pastoral é extenso. em menor grau. cuja ação é organizada em rede e aproveita boa parte da estrutura da igreja católica no país. vídeos. à prestação de contas e informação dos rumos adotados pelo comando da instituição. de 16 páginas com 230 mil exemplares. folhetos. que procura a construção da democracia. Também tem um programa de rádio semanal de veiculação nacional. boa parte dela dedicada à formação dos integrantes da entidade e. O público-alvo é o de movimentos sociais populares. Ambas têm em comum. criado em 1981. na orientação de suas políticas de comunicação. as relações públicas e a propaganda. que é uma instituição. Outro exemplo é o do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). escolas.A comunicação no Terceiro Setor atua em duas frentes. através de suas próprias publicações. audiovisuais. Um trabalho exemplar em termos de comunicação em uma ONG brasileira é o da Pastoral da Criança. a idéia de que é necessário primeiro entender para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 104 . rádios comunitárias e experiências em comunicação alternativa. até a produção de um jornal bimestral. entre outros. A segunda visa abrir canais externos de interação com a sociedade e o Estado. além do jornalismo. estudantes e professores da rede pública de ensino fundamental e médio. a revista semanal “Democracia Viva” e um jornal bimestral – “Jornal da Cidadania”.

Para se ter um exemplo da efervescência no estado vale registrar. Estes veículos buscam. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 105 . sobretudo no movimento sindical que viveu um crescimento no país. que abrangia a Grande Florianópolis. que em 1993. por exemplo. o jornal nunca foi editado. durante uma greve geral nacional de quatro dias. O avanço maior aconteceu no início da década de 90. o movimento sindical catarinense produziu um jornal unificado. Assim. na maioria das vezes. à contratação de jornalistas para ocuparem os departamentos de imprensa destas instituições. Evitam cair num erro freqüente das publicações do Terceiro Setor que é dedicar seus conteúdos exclusivamente a discursos panfletários. em 1991. Isto foi resultado da formação. a imprensa no Terceiro Setor em Santa Catarina evoluiu sensivelmente. através da informação que veiculam. propagandísticos que afastam os leitores (porque os que concordam com as posições defendidas já sabem o que será dito e. com o chamado novo sindicalismo. Por vários fatores. o engajamento na sua causa. do Grupo Nois (Núcleo Organizado da Imprensa Sindical) que criou. sem cair na linguagem ativista e provocar a participação. um projeto de jornal unificado. inclusive. Isto se deve à profissionalização. não vão dedicar seu tempo à leitura de algo que já conhecem. a ser vendido em bancas. portanto. Em Santa Catarina Nos últimos 20 anos. estas entidades passaram a ser uma frente de trabalho para jornalistas.depois propor. com tiragem diária de 60 mil exemplares.porque não têm simpatia pela causa em questão). existem hoje publicações que abandonaram o característico estilo amador presente em muitas das produções comunicativas deste segmento. formar o leitor. Embora o aprimoramento não tenha sido uniforme. os que discordam. também não lêem – a não ser para polemizar . em Florianópolis.

No geral. Mas. o peso e seriedade da home page do nosso próprio sindicato. como o do programa de rádio semanal do Mucap (Movimento Unificado Contra a Privatização). Tivemos ainda exemplos de resistência. o trabalho está sendo feito. que era realizado por um profissional. é claro. sobretudo no que diz respeito à profissionalização e possibilidade de financiamento dos setores de comunicação do Terceiro Setor em Santa Catarina.Ainda em 1991. Atualmente. Em algumas ocasiões. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 106 . formada por jornalistas. os jornalistas Gastão Cassel e Jacques Mick. como a autopromoção. que sequer cumprem objetivos menores. propuseram que a comunicação destas duas entidades fizesse uso da linguagem jornalística (proposta a ser detalhada quando falarmos do caso do Sinergia). E existem já bons exemplos a seguir como o da sobriedade do boletim do Sintrafesc. o programa chegou a ser censurado pela emissora e saiu do ar. a atuação no Terceiro Setor pode ser classificada ainda como convencional. a Fundação Democracia e Comunicação Adelmo Genro Filho passou a produzir boletins (eram quatro boletins mensais) através da agência Ipsis Litteris. Ainda predomina o amadorismo. com entrevistas ou diálogos sobre temas atuais e veiculado todos os sábados pela rádio CBN. o SJSC. É claro que há necessidade de muito mais. lideranças sindicais e professores universitários com objetivo de difundir informações à margem da grande imprensa Também no início da década de 90. a agilidade da home page do Sintrajusc e. Há pouca informação a respeito da importância da comunicação para as ONG’s e são recorrentes os gastos desmedidos com publicações inócuas. assessores de imprensa dos sindicatos dos eletricitários e bancários respectivamente. do volume e periodicidade dos informativos da Apufsc. destaca-se também o trabalho do departamento de comunicação do Observatório Social.

Coelho. com os meios de comunicação sindical. O primeiro jornalista contratado pelo Sinergia. que já atuava na “Folha Sindical”. Ou seja. quando o jornal chegou a sua centésima edição. As análises e propostas do projeto foram muito importantes e são elas que orientam todo trabalho do setor de comunicação do Sinergia até hoje. o primeiro jornal. com a contratação de um jornalista. O projeto gráfico foi de Maria José H. com o nome “Linha Viva”. efetivamente. o mesmo comportamento da grande imprensa. orientado para os interesses próprios da diretoria do sindicato. O primeiro boletim em arquivo data de fevereiro de 87. em março de 1988. Num documento datado de 1992. Em 1987. uma espécie de co-irmã do “Linha Viva”. justamente colocando a informação à disposição dos cidadãos para que estes possam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 107 . Logo depois. no início da década de 90. na época trabalhando no Sindicato dos Bancários.que é de quatro páginas semanais com a contra-capa dedicada quase exclusivamente a temas culturais. ocorreu a mudança gráfica e passou a ter o formato que mantém até hoje . Gastão Cassel. do Sindicato dos Bancários de Florianópolis. E mais: “A imprensa sindical tem o papel de disputar a hegemonia. utilizá-los como um instrumento de dominação. surge o primeiro informativo e. foi estruturado o departamento de imprensa. no final da década de 80. junto com o jornalista Jacques Mick. Em julho de 1990. O objetivo era não repetir. em agosto do mesmo ano. definiram um projeto denominado “Imprensa Cidadã”.O exemplo do Sinergia A comunicação no Sindicato dos Eletricitários de Floranópolis começou. Cassel e Mick detalham a proposta: “Defendemos uma visão de imprensa sindical baseada na informação e orientada por um comportamento ético rigoroso. O objetivo deveria ser o de viabilizar a cidadania. construindo uma imprensa que se coloque como alternativa especialmente por sua seriedade e credibilidade”.

junto com a home page (esta inaugurada em 2003). devido à redução do quadro de pessoal das empresas. jornalismo”. comportamento. cultura. Porém. Sua tiragem já foi de sete mil exemplares e hoje está nos quatro mil. o projeto não teve grandes problemas de implementação e foi ao longo do tempo formando uma nova mentalidade que passou a entender que “a importância de um relato é mais forte que um discurso. O jornal “Linha Viva”. Em última análise. O jornal procura realizar a cobertura jornalística de diversas áreas: economia. A publicação semanal tem função dupla: a de comunicação interna (com a categoria eletricitária de Santa Catarina e para alguns eletricitários dos outros dois estados do Sul) e de ligação com setores do público externo. sobretudo. De acordo com as premissas da “Imprensa Cidadã”. ou seja. política. que a objetividade pode ser mais revolucionária que uma análise”. é o produto de maior visibilidade do Sinergia. esporte. Portanto. o jornal “Linha Viva” – que já teve até ombudsman (tarefa executada durante alguns meses pelo jornalista Cesar Valen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 108 . Ele ainda serve para diminuir a dispersão organizativa que existe dentro das duas intersindicais: a Intercel. pois é enviado. a imprensa sindical é. sociedade. evitam-se temas ou enfoques da grande imprensa. por correio. que representa os trabalhadores da Celesc em todo estado de Santa Catarina. e a Intersul que reúne sindicatos de eletricitários atuantes no ONS. o “Linha Viva” procurou sempre balancear as notícias corporativas com as de interesse geral. Como a perspectiva era a mesma da diretoria das duas entidades. a escolha de temas gerais se dá pelo seu conteúdo alternativo.se posicionar frente ao mundo que os rodeia. na Eletrosul e Tractebel em quatro estados. para formadores de opinião. procurando-se dar para reflexão do leitor elementos novos e que encontram pouco eco nas publicações tradicionais.

A grande queixa dos dirigentes sindicais é da pouca quantidade do que chamam de “matérias investigativas” que seriam reportagens e registro de depoimentos de trabalhadores. Cada edição começa a ser preparada com uma semana de antecedência e inicia com uma reunião de pauta com a diretoria executiva do Sinergia. O jornal passa por fases de maior e menor participação dos associados. a linguagem escolhida pela publicação é a comum. Toda matéria que tem objetivo não informativo é classificada como editorial. tendo mantido a periodicidade semanal desde a primeira edição. a primeira pessoa do singular e do plural só aparece se devidamente identificada. Existe um espaço dedicado ao leitor chamado “Tribuna Livre”. algumas vezes. completando em dezembro de 2004 sua edição número 776. é bastante diferenciado. Hoje. a assessoria de imprensa elabora alguns boletins e releases. sem obviedades. teve fases mais diversificadas em que produzia cartazes. Os editoriais são dirigidos em geral aos patrões. assim como a home JORNALISMO EM PERSPECTIVA 109 . informar seus leitores sobre assuntos de interesse específico dos trabalhadores. trata de temas atuais. Atualmente. numa tentativa ambiciosa que é a de dar argumentos a esses leitores a fim de que ampliem seus conceitos de cidadania. O público-alvo do jornal. brochuras e livros. à classe política em geral. Abrange desde pessoas medianamente alfabetizadas àquelas com pós-graduação. O setor. todo este material. adesivos. Ainda dentro da perspectiva de que o jornalismo é uma forma de conhecimento democrático.te) – além de difundir as ações dos sindicatos. Um dos grandes feitos do “Linha Viva” é a sua edição ininterrupta. folders. desenvolvam novas perspectivas de intervenção na sociedade. aos trabalhadores tratados como uma categoria homogênea e. Por isso. porém. em termo de educação formal. além do jornal semanal.

a atuação do setor foi tímida em relação à Eletrosul e mais positiva em termos de Celesc. essencialmente. canetas. Apesar da imagem externa da entidade não ter sofrido muito. esta era apenas uma parte do que teria que ser enfrentado. internamente as mudanças decorrentes deste episódio. à idéia que havia na entidade de que a opinião pública teria sido iludida pelo marketing e propaganda da privatização. O departamento não conseguiu assumir a função estratégica de sugerir ações. Por orientação política. levando-se em conta este e outros fatores. chaveiros. Faltaram ainda interlocutores experientes para trocar idéias. foi um período difícil. congressos.page. Em meados da década de 90. Para o setor de imprensa. geraram muita instabilidade e incertezas. é claro. neste período. bonés. encontros. Privatização Um dos grandes desafios para o departamento de imprensa foi o processo de privatização da Eletrosul. como de resto para toda entidade. é terceirizado. enfim todo material específico de marketing de campanhas. teve reflexos diretos na entidade. Assim. projetos. O processo começou timidamente no início da década de 90 com a “desregulamentação”. a entidade não ocupa espaços publicitários nos grandes veículos de audiência aberta. surgiu outra ameaça: a privatização da Celesc.estava perto e era suscetível aos movimentos da comunidade local – que foi onde se JORNALISMO EM PERSPECTIVA 110 . a “caça aos marajás” e o início da fase de “desestatização”. Limitou-se a “apagar o fogo” diário e se retraiu devido. já que a venda da Eletrosul foi um acontecimento incomum. Porém. como a falta de planejamento para a comunicação no período. concursos promovidos pelo sindicato. O quadro de pessoal da empresa. Também são confeccionados por terceiros calendários. onde a fonte de poder de decisões – o governo estadual . caiu sensivelmente e isto. Collor.

está sempre presente. A identificação é importante para o jornalista porque. por exemplo. já que não existem respostas prontas. o tema do engajamento do jornalista é recorrente. Minha experiência mostrou que se tivermos em conta que o coração da atividade jornalística é informar. ou como apresentar posicionamentos que dizem respeito a sua imagem junto à sociedade. no dia a dia de trabalho numa ONG.concentrou todo trabalho do departamento. o trabalho numa assessoria de imprensa no Terceiro Setor não será diferente do trabalho numa redação da grande imprensa. esse equilíbrio fica mais fácil de ser alcançado. que é a partir disto que todo resto do exercício da profissão acontece. Mas. qual a melhor abordagem para tornar relevante um desafio no qual a entidade vai despender muita energia. É importante procurar saber se pode haver um equilíbrio entre o nosso papel social como profissionais e cidadãos. Se não esquecermos que. A grande questão seria: o assessor de imprensa deve ser também um ativista da ONG? Essa discussão precisa ser feita com maior rigor. como jornalistas. nosso dever ético é de não manipular eventos ou informações. Essa empatia é crucial para a entidade. pode-se abordar a questão de outra forma: é importante para o jornalista que trabalha para este tipo de entidade estar em sintonia com os objetivos primeiros da organização. O jornalista no Terceiro Setor Um dos debates típicos em torno da comunicação para o Terceiro Setor diz respeito à militância do profissional de comunicação contratado pela instituição. sobretudo com as mobilizações do Mucap. E. só a partir dela. pode assegurar e firmar sua postura profissional denJORNALISMO EM PERSPECTIVA 111 . que vai precisar inúmeras vezes confiar no julgamento do jornalista quando decidir.

O engajamento com a causa maior da entidade permite executar seu trabalho de acordo com o “primeiro mandamento”: informar clara e objetivamente. encorajando a participação. dos leitores e minhas. Outra polêmica a respeito da atividade jornalística numa ONG tem a ver com o papel de “relações públicas”. se a ética jornalística for valorizada. No meu trabalho. nos contatos com a grande imprensa o correto. junto a entidades do Terceiro Setor. os resultados do que produzi trouxeram danos para a entidade – que sofreu descrédito e passou a ser alvo de preconceito junto a diversos públicos – e censuras negativas de meus colegas. no sentido de instrumentalizar um marketing de promoção pessoal. porque acredito que o assessor de imprensa não é a fonte original de informação. isto não é tarefa para jornalista. Outro foco de discussões é a relação da assessoria com os jornalistas da grande imprensa. compreensível. a intervenção deste público. ou de um grupo de pessoas. Do meu ponto de vista. Ele deverá periodicamente lembrar os integrantes da instituição qual é o papel da imprensa e mostrar que. Meu esforço tem sido sempre no sentido de tornar inteligível. Quer dizer. facilitando. a respeito do meu comportamento. que muitas vezes é condenada por parte da entidade. ou deixei me “arrebatar” ao narrar um fato. O dilema central de um jornalista trabalhando para uma ONG é a da neutralidade e conseqüentemente o da objetividade. no sentido pejorativo do termo. tanto para o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 112 . Nunca simpatizei muito com a função de “porta-voz”. a ONG ganha em respeito externo e mantém uma estrutura interna sólida e segura. De forma geral. O trabalho do jornalista numa ONG também tem um aspecto educacional.tro da organização. Mas a prática da militância interferindo na produção da assessoria de imprensa é prejudicial para ambos. os anseios das pessoas para as quais trabalho. acessível para um público maior. e mais produtivo. toda vez que descuidei e agi como ativista.

no geral. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 113 . jamais fazer colocações off the record. evitar exageros. são os mesmos do jornalista que trabalha em qualquer outro segmento: o da responsabilidade com a ética. como para os integrantes da ONG. do direito da sociedade à livre informação. não falar do que não se sabe. é: nunca mentir. A comunicação no Terceiro Setor passa por uma tarefa diária dupla: a de incentivar o ativismo dentro da organização e de tornar visível este ativismo para a sociedade. Esta rotina exige esforços – alguns dos quais foram mencionados rapidamente aqui – que. o de ser objetivo e verdadeiro no que faz.assessor.

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A oficialização só ocorreu depois de uma veiculação de dois anos em caráter experimental que começou com um sistema de alto-falantes. as inovações ajudaram a consolidar a informação como poder e. Na cronologia dos acontecimentos. e da primeira estação de TV ao término dos anos 60. ao radioamador João Medeiros Júnior foi concedida a paternidade da radiodifusão em nosso estado com a instalação em 1935. Blumenau traz no currículo o pioneirismo da primeira emissora de rádio. tem uma marca invejável. Santa Catarina foi o último a despertar para o novo veículo de comunicação. No jornalismo. Já na década de 20. inaugurada em 1927. Dos três estados da Região Sul. no final da década de 30. e os gaúchos a Rádio Gaúcha. aos 70 anos de idade. principalmente a catarinense. em 1923. além de presenciar as profundas mudanças que os avanços tecnológicos provocaram em todas as áreas de conhecimento. quanto o Paraná já desfrutavam da novidade que mexia com o imaginário dos ouvintes. da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. acompanhou e repercutiu fatos políticos. logo após a instalação oficial da primeira emissora brasileira. conseqüentemente. a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Distante 160 quilômetros da capital catarinense. por exemplo. um município.Rádio: na 3ª idade. mas ágil como adolescente Regina Zandomênico O rádio em Santa Catarina. Os paranaenses em 1924. tanto o Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina. solidificaram a importância dos veículos de comunicação. localizado no Vale do Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 115 . já ouviam a Rádio Clube Paranaense. econômicos e sociais que marcaram a história.

enfrentava situações absurdas para os padrões atuais: interrupções devido à precariedade dos equipamentos e à falta de locutores conhecidos como speakers. operador de áudio e até mesmo ator de radionovela. acumulando as funções de locutor. Embora o trabalho na rádio fosse inovador e empolgante. Nesse contexto. como uma espécie de Orson Welles tupiniquim. O esforço de Brosig. editado na língua alemã e que circulou em Blumenau e Joinville de 1862 a 1934. um jovem técnico em eletrônica descendente de alemães cujo avô era proprietário do jornal “Kolonie Zeitung”. A programação ao vivo da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. seis anos depois do primeiro passo da radiodifusão catarinense. fizeram com que em 1997.O surgimento da primeira emissora catarinense seguiu os moldes da época baseado na fundação de clubes ou sociedades onde os associados pagavam cotas que financiavam o funcionamento das emissoras. constatou na pioneira Rádio Clube de Blumenau o poder que o meio exercia ao veicular. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 116 . O fundador Medeiros Júnior. entretanto. A novidade chegou pelas mãos de Wolfgang Brosig. financeiramente não era atraente o que justificava que os integrantes do quadro de funcionários trabalhassem em outros locais com jornadas mais rígidas. instalou oficialmente em 1941 a Rádio Difusora de Joinville. O início da emissora em 1938 também foi através de alto-falantes. O jornalismo não era a marca da nova emissora e a figura do repórter sequer existia. O maior município de Santa Catarina. formada principalmente por repertório musical e leitura de comunicados. era comum a veiculação nas próprias emissoras e nos jornais impressos de pedidos de contribuições financeiras para ajudar na manutenção dos novos veículos. a data instituída como o Dia da Mentira pelos franceses há cinco séculos. recebesse da Câmara de Vereadores de Joinville o título de Cidadão Benemérito. aos 80 anos. fatos fictícios para conferir a reação dos ouvintes e mais tarde lembrá-los que se tratava de primeiro de abril.

conhecidos como “reclames”. remo e basquete. A presença dos comerciais mudou o perfil das emissoras que. e programas de auditório ao vivo. transmissões de esporte. Nesse período. principalmente políticas. os ouvintes acompanhavam uma programação mais popular que incluía jornalismo. Embora nos primeiros programas os locutores lessem notícias veiculadas nos jornais. era uma garantia de audiência. Aderbal Ramos da Silva. começaram a ouvir a sua primeira rádio através de um sistema de alto-falantes. a oportunidade de ouvir entrevistas com personalidades. em São Paulo. A Radio Guarujá passou a desempenhar um papel de “assessor político” do PSD (Partido Social Democrático). Os florianopolitanos. já estava autorizada pelo Governo Federal e a programação das emissoras vivenciava a chamada “Época de Ouro”. e o responsável por ela não havia nascido na Ilha ou sequer era catarinense. incluindo futebol. assumiu o comando da emissora. acompanhado de um grupo de amigos. por terem a obrigação de se tornarem rentáveis. a exemplo dos ouvintes de Blumenau e Joinville. Três anos mais tarde. radionovelas. eleito no ano seguinte governador do Estado. a ironia foi saber que o nome da emissora – Rádio Guarujá – era uma homenagem a um bairro de Santos.O surgimento das primeiras emissoras longe de Florianópolis indica que o pomposo título de capital não contribuiu para que a Ilha fosse pioneira na radiodifusão catarinense. O crescimento do número de ouvintes incentivou as emissoras a apostarem na JORNALISMO EM PERSPECTIVA 117 . buscaram alternativas para aumentar a audiência. com estórias criadas ou adaptadas por roteiristas catarinenses. O final da década de 40 marcou o surgimento de emissoras em várias regiões catarinenses em um período onde a veiculação de comerciais nas rádios. Se o fato de receber a novidade com atraso incomodava os mais afoitos. manteve por cerca de um ano o sistema de alto-falantes e conseguiu oficializar a emissora em 1943. O gaúcho Ivo Serrão Vieira.

autor do livro “A Era do Rádio”. como também despertava nos ouvintes uma participação social mais ativa. em Florianópolis. em Blumenau. aliada à influência política. o que conseqüentemente melhorou a factualidade das notícias locais nos radiojornais. outro governador. Em 1954. sob a responsabilidade dos irmãos Adolfo e Walter Ziguelli. Boa parte delas com tempo de vida vinculado apenas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 118 . A programação do rádio não apenas entretinha e anunciava produtos. Ainda nessa década surgiram na capital outras emissoras como a Anita Garibaldi e a Rádio Jornal A Verdade. Também era comum a compra de espaços na programação por parte daqueles que ainda não tinham suas próprias emissoras. A descoberta do rádio como peça de marketing político influenciou o surgimento de várias emissoras em todas as regiões catarinenses. motivou a criação da primeira rede de emissoras do estado. também se aventurou pelas ondas do rádio como peça de persuasão política. Irineu Bornhausen. Muitas emissoras. a partir de 1950. ele conseguiu a concessão da Rádio Diário da Manhã. O sociólogo Antonio Miranda. pela chegada da TV no Brasil. a Rede Coligadas. chegaram a pertencer a grupos políticos que nos noticiários defendiam abertamente seus interesses confrontando adversários. para defender os interesses da UDN (União Democrática Nacional). avalia que esse período causou na sociedade brasileira impactos mais profundos do que os provocados . A “Época de Ouro” do rádio em Santa Catarina também foi marcada pela forte influência política. Um dos destaques da emissora era o programa “Vanguarda”. a exemplo da Rádio Guarujá. A efervescência do jornalismo. Ligada ao PSD.figura do repórter. no ano de 1954. as rádios pertencentes à Rede só concediam espaço aos adversários mediante pagamento. Além de Aderbal Ramos da Silva.

A onipotência do rádio no Brasil começou a ser ameaçada com a chegada da TV em 1950. Na Difusora de Laguna. Além das radionovelas. Em todo o estado as rádios se destacavam por particularidades da programação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 119 . as rádios também investiram em programas dirigidos aos universos feminino e infantil. O público específico era mais uma ferramenta que as emissoras dispunham para atrair anunciantes e aumentar os lucros. A produção usava a estrutura de texto e sonoplastia das radionovelas para apresentar as notícias da cidade. um dos diferenciais era o programa “Picadeiro Político”. Paralelo aos programas de forte influência política. investiu no “As crianças se divertem” retransmitido para 14 emissoras. em Blumenau. as ouvintes podiam sintonizar programas que tratavam de culinária. e posteriormente com a inauguração da TV Cultura. inaugurada oficialmente em 1946 e localizada a pouco mais de 100 quilômetros da Capital. Em Santa Catarina. À medida que as estações de TV foram se espalhando pelo território nacional e o público tendo contato com o veículo que além do som trazia imagens. poesias e conselhos de beleza. Muitas rádios chegaram. em 1970. A liberdade de expressão permitia que os veículos se posicionassem abertamente e a participação dos ouvintes era intensa nos programas de debates. O espírito jornalístico das rádios catarinenses que concretizou até transmissões internacionais.ao período eleitoral. foi aos poucos perdendo espaço para uma programação quase que exclusivamente musical e que retomava com força a antiga prática do gillete press. na capital. na década de 50. a transmitir comícios eleitorais. incluindo até mesmo fatos políticos. a primeira emissora de TV do estado. como um campeonato panamericano de remo na Argentina. as emissoras foram perdendo o espaço conquistado. inclusive. A Rádio Diário da Manhã. o processo não foi diferente e começou em 1969 com a chegada da TV Coligadas.

no início. assim como as  rádios continuam crescendo e se adaptando cada vez mais às novas tecnologias – as rádios virtuais são uma prova. só no âmbito das rádios comunitárias. Muitos ouvintes deixaram os antigos programas AM de lado e passaram a sintonizar as FMs que ofereciam uma nova linguagem. em outubro de 2004. Em 1980. jornais e revistas.412 com o mesmo perfil foram fechadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por terem sido consideradas ile- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 120 . em 2004. a ausência de telenovelas locais colocou os atores em uma situação difícil. 2. mostraram a eficiência do veículo. o americano Anthony Smith conseguiu recordes de vendagem ao lançar o livro “Adeus a Gutenberg”. No ano anterior. Para os locutores. mas a realidade é outra. embora a TV exigisse um “olho no olho” com o telespectador e a preocupação com a relação texto/imagem. Dados do Ministério das Comunicações indicam que.  Entretanto. o rádio não está mais submetido à conexão de uma tomada e pode ser ouvido em qualquer lugar. Nas últimas décadas. A chegada das FMs no Brasil. a adaptação foi mais fácil. Em centros menores. os atores do rádio migraram para as telenovelas que. a partir da década de 70. outras 4. como Santa Catarina.119 tinham autorização para funcionar no país. como Rio de Janeiro e São Paulo. Uma avaliação superficial do rádio pode considerar que atualmente o veículo não possui o mesmo poder de informação em relação aos outros meios de comunicação. Além disso.Nos grandes centros. Fatos recentes em Santa Catarina. como o apagão de 2003 em Florianópolis. e a passagem do ciclone Catarina. também eram produzidas ao vivo. prevendo o fim do jornalismo  gráfico. desde a descoberta do transistor em 1947 por cientistas americanos. também provocou mudanças. várias previsões pessimistas garantiram que os avanços tecnológicos beneficiariam a TV e a internet e provocariam o desaparecimento do jornal impresso e do rádio.

cabe salientar que as novas tecnologias mudaram a relação do jornalista com o tempo. aja local”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 121 . O mais recente levantamento feito pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) aponta que todas as regiões de Santa Catarina estão contempladas com emissoras radiofônicas. Nem mesmo os jornais online que trabalham em fluxo  contínuo  conseguem chegar na frente na disputa com o meio quando a tarefa é veicular e repercutir o factual. muitas delas tendo o jornalismo como carro-chefe aliado às transmissões esportivas. Os estudiosos da comunicação consideram que  entre as novas tecnologias. o rádio ainda tem fôlego e está na ativa. um fator sempre determinante para um profissional da área. as veiculadas pela internet. a que mais se destaca é a relacionada à transmissão. De acordo com a entidade. com seu custo relativamente baixo. elaboração e difusão da informação. e algumas oficiais não filiadas à associação. é o que mais rápido e facilmente consegue colocar em prática a filosofia do slogan “pense global. Para os que ainda teimam em ser pessimistas uma má notícia: às vésperas de completar 83 anos no Brasil e 70 em Santa Catarina. as piratas. seu quadro de filiados tem atualmente 71 emissoras FM e 101 AM. A prática jornalística do dia a dia demonstra que em termos de agilidade o rádio ainda é imbatível. O rádio. Cabe salientar que nesta relação não estão computadas as rádios comunitárias.gais. Dentro deste contexto.

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O fotógrafo era um grande entusiasta da documentação fotográfica num período em que as imagens eram utilizadas apenas como ilustração das matérias de jornal. Até começo da década de 1960. a única maneira de incluir fotos na imprensa era recortá-las de outras publicações e colá-las para a reprodução no jornal. A publicação de fotografias por jornais e revistas esbarrava na dificuldade técnica de se imprimir toda a gama de tons diferentes de cinza (entre o branco absoluto e o preto absoluto). por Alfred Baumgarten. um século se passou até que aparecessem os fotógrafos precursores da imprensa catarinense. fazia imagens do estado para expôlas em painéis no Rio de Janeiro. a técnica conhecida como gilette press. filho do fundador do jornal. O marco do fotojornalismo mundial é a publicação da primeira imagem pelo jornal sueco “Nordisk Boktrycheri-Tidning”. a primeira foto jornalística registra a inauguração da ponte sobre o ribeirão Garcia. Em Santa Catarina. que formam uma imagem fotográfica em preto-e-branco. que pela experiência autônoma de Alfred Baumgarten. em Blumenau. em 1906. instalou um laboratório próprio e fez as primeiras ampliações em 1910.Fotojornalismo Catarina Andressa Braun Após Roger Fenton. A produção fotojornalística em Santa Catarina também foi incentivada pelo trabalho do catarinense Valdemar Anacleto que. em meados da década de 1960. em julho de 1871. A exceção foi a publicação precursora e isolada do jornal blumenauense “Blumenauer Zeitung”. o inglês considerado o primeiro fotojornalista da história. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 123 . de tanto aventurar trabalhos fotográficos em casa.

As fotos se tornaram mais presentes na imprensa catarinense por volta de 1963. O jornal “O Estado”, o mais antigo diário em circulação em Santa Catarina, fundado em 1915, comprava o resultado do trabalho independente do fotojornalista Paulo Dutra, que começou a fotografar fatos isolados que considerava de interesse da imprensa. A publicação era realizada geralmente na capa com legendas explicativas criadas pela redação. Dutra possuía um pequeno laboratório de revelação e ampliação em casa. Simultaneamente, ele fazia fotos de Florianópolis e as vendia ao jornal gaúcho “Correio do Povo”. Paulo Dutra também teve experiências em publicações nacionais. Em 1970, quando trabalhava no Palácio do Governo do Estado de Santa Catarina, fotografou uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça e, sem perceber, registrou o momento exato do choque entre duas aeronaves. O acidente, de repercussão nacional, foi assunto na revista “Manchete”, da editora Bloch, que pouco tempo depois contratou Dutra. Lá, ele trabalhou por dez anos. Mas foi em Santa Catarina que passou a maior parte de sua carreira. Funcionário público federal, ele trabalhou, entre outras repartições, na Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Dutra voltou em 1988 ao jornal “O Estado”, onde permaneceu, entre entradas e breves saídas, até 2002. Paulo Dutra ainda participou da primeira equipe profissional de fotojornalistas de um jornal catarinense. Junto com Gaston Guglielmi, Sérgio Rosário e Rivaldo de Souza, sob o comando de Orestes Araújo, eles formaram, em 1972, o time de fotógrafos de O Estado. Foi nesse ano que o jornal de Florianópolis adquiriu uma máquina de impressão off-set – que facilitava a impressão de fotografias – exatamente um ano depois da compra do mesmo equipamento pelo concorrente, o “Jornal de Santa Catarina”, com sede em Blumenau. O jornal do Vale publicava fotografias produzidas pelos cinegrafistas da TV Coligadas, que faziam o trabalho de cam-

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po munidos de filmadora e câmara fotográfica. A parceria era possível porque o jornal e a TV pertenciam ao mesmo grupo. Para Orestes Araújo, o início do fotojornalismo foi marcado por uma incansável busca pelas melhores imagens, relacionada com o “realizar algo proibido”. “Algumas vezes sentia um certo medo de estar tão perto da notícia”, acrescenta. O relato é também embasado pelo pioneirismo na fundação, em 1965, da assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, ao lado do jornalista João José de Souza. Nesse período, Orestes profissionalizou-se com a realização de cursos de fotografia em São Paulo. Lá, percebeu o interesse de publicações de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, por fotografias de Santa Catarina. “As revistas do eixo Rio-São Paulo mandavam profissionais para o Estado quando precisavam de imagens”, conta ao relembrar o motivo que o levou a oferecer as próprias fotos a publicações como a revista “Veja”, onde trabalhou doze anos como correspondente em Santa Catarina. Todas essas experiências creditaram Orestes Araújo a finalizar, em 1985, a formação da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”, o primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil. Em 1986, o DC possuía os mais modernos e completos equipamentos fotográficos de imprensa da época: 18 câmeras Nikon modelos F-3 e F-3 HP grande-angulares, teleobjetivas, flashes, , tripés e filtros, entre outros acessórios. Além disso, o “Diário Catarinense” ainda dispunha dos melhores computadores e programas de edição eletrônica de textos para imprensa da América Latina. Até 1991, Orestes Araújo continuou o trabalho em outros diferentes veículos de comunicação e na assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Naquele ano, ele cria o “Jornal de Barreiros”, onde até hoje realiza diversas funções: produção fotográfica, texto, edição, distribuição e até venda de espaços publicitários.

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A partir do início da década de 1970, a linguagem fotográfica passou a estar de acordo com o texto, matéria jornalística e imagem complementavam-se. Para o fotógrafo e historiador do fotojornalismo Tim Gidal (1971), a evolução do fotojornalismo moderno deve-se a um fator técnico – desenvolvimento de câmaras fotográficas compactas, luminosas e com visor na parte traseira – e outro intelectual - o surgimento de uma nova geração de fotógrafos no mundo, na maioria com educação superior e descendência judaica. Na década de 1970, as revistas já utilizavam fotos coloridas, captadas por slides. Apesar da dificuldade inicial de utilização da nova tecnologia, ela teve que ser adotada pelos profissionais. A informação transmitida pela foto colorida deixava a imagem com aparência plastificada, porque além da dificuldade de trabalho dos fotógrafos, os gráficos também tinham problemas para a impressão. “Foi um verdadeiro caos para o fotojornalismo”, opina o fotojornalista Tarcísio Mattos sobre o início do uso de slides quando “muitos profissionais deixaram de fotografar porque não conseguiam se adaptar”. Tarcísio Mattos é sócio–fundador da Soma Fotojornalismo, empresa criada em 1988 e que passou a cobrir pautas para o “Jornal de Santa Catarina”, AN e “O Estado”, geralmente em cidades que não eram sede dos jornais. A carreira começou aos 18 anos, em 1979, como laboratorista do jornal “O Estado”. No ano seguinte, foi fotografar profissionalmente na equipe do jornal, com a saída do pioneiro Rivaldo de Souza. “Quando ingressei no mercado, o material era muito barato, o que me permitia experimentar”. No começo dos anos de 1980, ele trocou uma câmera Canon Ftb por uma Pentax SP 500. Bem humorado, Mattos conta que, como era o mais novo da equipe, só recebia pautas que classifica como “carne de pescoço”. Em dois anos de trabalho, ele teve que provar que tinha capa-

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cidade. Depois de realizar com sucesso uma pauta sobre argentinos em Balneário Camboriú, passou a ser escalado para coberturas mais importantes. Ele lembra que, naturalmente, o repórter fotográfico “cobria melhor”, direcionava-se para o assunto com o qual mais se identificava.

Uma questão também de sorte
Paulo Dutra acredita que, para fazer uma boa fotografia para imprensa, o profissional tem que ter sorte acima de tudo, técnica e muita rapidez. O fotojornalista Tarcísio Mattos não discorda, mas defende que o profissional deve ser, antes de tudo, um jornalista. “Ele tem que ter técnica, senso estético, mas, essencialmente, precisa estar ligado à notícia.” A fotojornalista Suzete Sandin, a primeira no Estado, concorda que além de “olho” (refere-se à sensibilidade para perceber o que é importante e inusitado em uma cena), o profissional precisa da sorte. Ela reconhece que a tecnologia no fotojornalismo proporcionou ganho de tempo, mas critica: “Com a era digital, a fotografia tornou-se muito mais programada, menos espontânea. É difícil uma foto que realmente chame a atenção”. Para ela, o slide ainda garante melhor definição e fidelidade de cores, diferente do equipamento digital. Mattos diz que, hoje, o fotógrafo é escravizado pela técnica, o que se reflete na grande quantidade de fotos posadas nos jornais. “A fotografia privilegia a técnica em detrimento da informação”, completa. Para ele, a tecnologia foi somente uma evolução e não pode ser vista como fim, mas como meio. Ele cita, por exemplo, a baixa qualidade das imagens vendidas por agências de notícias. Ao mesmo tempo, reconhece ser difícil atender tantos interesses diferentes, o que justifica, em parte, a perda na qualidade. Orestes Araújo comprovou o quanto a sorte na profissão é importante depois de um episódio inusitado. No início da década
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de 1970, quando os Estados Unidos e o mundo questionavam se o presidente Richard Nixon seria candidato à reeleição, o fotojornalista conheceu, por insistência de um amigo, uma fábrica em Rio Negrinho, no interior de Santa Catarina, que estampava em canecos, a pedido do comitê de reeleição, a imagem do então presidente. Como de costume, Orestes levou consigo o equipamento fotográfico, fez fotos e as vendeu para as principais publicações brasileiras e agências internacionais. O fotógrafo defende a complementaridade imagem-texto. “A boa imagem para o jornal deve ser casada com o texto. Deve seguir a mesma linguagem, além de ter qualidade, bom ângulo e bom enquadramento”. Para Orestes, o fotojornalismo contribuiu muito para a valorização do produto jornal. “Hoje, ninguém mais lê jornal sem foto”, completa Paulo Dutra.

Uma estranha no ninho
Com o surgimento do primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil, surge também a primeira fotojornalista do estado, Suzete Sandin. Ingressa por acaso na profissão, como ela mesmo descreve, Suzete só se interessou profissionalmente pela fotografia durante a realização de um curso de especialização com um profissional norte-americano de passagem por Florianópolis. Ela foi sorteada e recebeu uma bolsa para o curso na época em que estudava Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Após o trabalho de conclusão do curso superior - um audiovisual que demonstrava o destino do lixo em Florianópolis -, surgiram várias oportunidades de trabalhos freelancers em fotografia. Hoje, Suzete diz que a escolha pelo fotojornalismo foi uma casualidade que deu certo. Em 1985, ela tornou-se parte da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”. “Foi ali que aprendi tudo”, reconhece.

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Suzete passou uma semana acampada e viveu momentos de apreensão. o jornalismo diário é a melhor escola de fotografia. Suzete acredita que um dos maiores desafios do fotojornalista é transmitir toda a informação em uma única imagem. soube que esta era a forma que os agricultores comemoram o retorno da colheita. para Suzete. e realiza eventuais trabalhos freelancers para revistas como “Caras” e “Quem”. A fotojornalista acreditou que fosse a Polícia tentando retirar os trabalhadores do lugar em que estavam. “A fotografia para jornal deve emocionar. Uma das fotografias da cobertura foi premiada pela revista francesa “Photo” com o 1º lugar na categoria La Lumière. Apesar das dificuldades. Uma das coberturas que mais a marcou e com a qual conquistou reconhecimento internacional foi realizada em 1997 em um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra em Abelardo Luz. Suzete passa seis meses no Brasil e outros seis no Canadá. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 129 . Um dos objetivos era mostrar de que forma o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pressionava o governo. o profissional deve conhecer bem o assunto e saber exatamente o que deseja transmitir”. “Você tem sempre que encontrar uma saída e levar a foto para a redação”. futebol naquela época. Um deles foram tiros na madrugada. Era graças à ajuda dos outros fotógrafos que “encarava” as brincadeiras da torcida. a fotografia deve chamar a atenção para o texto porque uma boa imagem estimula a leitura. por exemplo. Ela fotografou em Santa Catarina um alemão que criava tigres em casa. Atualmente. Outra cobertura fotográfica que Suzete não se esquece foi realizada para a revista americana “Life”. “Aprendi todos os palavrões da minha vida no campo de futebol”. Pouco depois. conclui Suzete.Ela lembra das dificuldades de uma mulher cobrir. Para ela.

Florianópolis: Edeme Indústria Gráfica e Comunicação. Nossa Senhora do Desterro.REFERÊNCIAS Entrevistas pessoais: Orestes Araújo. OSWALDO. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 130 . cultura e as histórias de sua gente (1950-85). 1999. Maria José Baldessar e Luciany Alves Schlickmann. fotojornalista e sócio-fundador da Soma Fotojornalismo Dissertação: IVAN LUIZ GIACOMELLI. SÍLVIO COELHO DOS. EDITH. fotojornalista responsável pela criação da primeira equipe de fotógrafos do jornal “O Estado” e editor do “Jornal de Barreiros” Paulo Dutra. 1972 KORMANN. Volume IV. Santa Catarina no Século XX. Blumenau – arte. FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Univali. Florianópolis: Editora da UFSC. Dissertação para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC. 2000 Livros: CABRAL. Impacto da fotografia digital no fotojornalismo diário: um estudo de caso. Florianópolis: Oficinas Gráficas da Imprensa da UFSC. primeira fotojornalista de Santa Catarina Tarcísio Mattos. Celso Martins. 1996 SANTOS. aposentado Suzete Sandin. Agradecimentos Aos jornalistas Celso Vicenzi. primeiro fotojornalista a exercer profissionalmente a função no Estado.

Minha reportagem era acompanhar a reação da torcida. E – pelo inusitado – virei notícia. entre outras.Mulheres e Jornalismo Elaine Borges . eu estava no aeroporto Hercílio Luz embarcando para Belém do Pará. As editorias de política. era raríssimo mulher-repórter trabalhar nas editorias de esporte. tradicionalmente eram preenchidas por jornalistas do sexo masculino. Na época. atraídos pelas promessas de uma nova vida. cultura. iriam para a terra dos sonhos. fui acompanhar agricultores. a maioria do oeste catarinense que. fui escalada para cobrir o famoso clássico Avaí e Figueirense. Rece- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 131 . Enviada especial do jornal “O Estado”. Naquele mesmo ano – 1972 –. Nossas funções nas redações estavam delimitadas: variedades. sorrio quando lembro as barreiras invisíveis que estes mesmos políticos erguiam ao perceberem a presença de repórteres. tentei inúmeras vezes entrevistar um deles. Mais raro ainda era fazer reportagens nos campos de futebol. a Amazônia (sonho que se transformou em pesadelo – a Transamazônica era mais um projeto megalômano do governo ditatorial do general Emílio Garrastazu Médici). Naquela tarde do mês de outubro de 1972. esporte e polícia. Em plena ditadura militar. Se hoje vejo na mídia eminentes lideranças políticas de Santa Catarina dando freqüentes entrevistas às repórteres do setor. comportamento.E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!? A pergunta – feita por uma autoridade do alto escalão do governo Colombo Machado Salles – retrata bem o momento em que vivíamos. eram editorias eminentemente femininas.

Bernadete Santos Viana (hoje. minha demissão foi “gentilmente” solicitada por lideranças locais .bia apenas respostas lacônicas. Marise de Martini Fetter (hoje morando em Brasília) foi uma das tantas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 132 . Decididas e combativas. tinha que ficar sempre muito séria. Mas havia aquelas que. Inúmeras vezes. Trabalhou também no jornalismo político e relembra: “Eu. Era para impor respeito”. Correspondente de “O Estado de S. fui orientada por seus assessores para encaminhar perguntas por escrito. magra.. limitando-se ao “sim”.nunca aceita pela direção do jornal. era chefe da sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. Galanteios que sempre procurava reverter em boas declarações. Sofríamos mais contestação nas matérias que escrevíamos do que os jornalistas do sexo masculino. exigíamos igualdade. além de jornalista. De tanta insistência. em alguns episódios. também queriam usufruir como ainda hoje . em Florianópolis. Paulo”. “não”. até mesmo com cara de poucos amigos. tive de enfrentar os entrevistados por insistirem em ler os textos antes de publicados. Nesse período – década de 70 – presidi duas vezes o Clube dos Repórteres Políticos de Santa Catarina. “talvez”. é campeã sênior de tênis). com pouco mais de um metro e 60. além de novas oportunidades de emprego oferecidas em Santa Catarina. para chegar às minhas fontes.” Aline Bertoli (assessora de imprensa do Tribunal de Contas) foi uma das primeiras jornalistas a apresentar telejornal em Santa Catarina. Lideranças nacionais – como Ulysses Guimarães – transformavam entrevistas em aulas de democracia e de resistência.das delícias de morar numa ilha paradisíaca. Mas os galanteios eram inevitáveis. nos anos 70. As respostas foram as mais lacônicas.. lembra: “A desconfiança que despertávamos na época não sei se era atribuída à profissão ou a nossa condição de sermos mulheres jornalistas. ou depois contestavam o que haviam dito.

com a modernização do jornal “O Estado”. e imediatamente o secretário colocou o braço em volta do ombro da Rosinha e pediu que o fotógrafo tirasse uma foto de ambos. Atualmente. foi surpreendida com um convite inusitado: “Espera um momento”. tinha sempre festa! E aquela musicalidade do jeito de falar dos ilhéus.que veio do sul para trabalhar em Florianópolis: “Para mim era fazer turismo. “Eu lembro que o Celso Pamplona (famoso e folclórico colunista social da cidade) tinha um programa de Variedades na TV Cultura e me convidou . Essa facilidade percebida por Marise foi também registrada por Rosamaria Urbanetto (hoje trabalhando na Globonews. O secretário sempre estava disponível. Queria registrar o que considerou um fato inédito: ser entrevistado por uma mulher. Aquilo me impressionava muito. em 1975 chegou a Florianópolis vinda do Rio de Janeiro. Eloá Miranda. no Rio). Trabalhou no jornal O Estado e depois na TV Cultura. Uma mulher que sabe tudo. ao contrário da turma que veio do sul.para ser entrevistada. Em 1999. foi homenageada com a medalha do mérito pela Associação Catarinense de Imprensa. Mas o que me chamou a atenção foi a facilidade com que a gente falava com as autoridades.. Trabalhou na antiga TV Cultura dirigindo um programa voltado para as mulheres. as praias. mantinha uma coluna com informações e comentários destinados ao público feminino. Ao entrevistar um secretário de estado. Marisa é assessora de imprensa da Casa Civil do governo de Santa Catarina. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 133 . conclui. o vento sul. O governador era acessível. ele dizia”. Coisa de foca”. A jornalista Marisa Ramos (que na década de 60 teve a “ousadia” de ser a primeira mulher de Florianópolis a botar a barriga de fora usando maiô de duas peças) foi também umas das primeiras mulheres jornalistas a comandar programas televisivos. ainda na década de 70. Mais tarde..por ser uma mulher exercendo a profissão de jornalista .

pode ser um problema na hora da entrevista se a jornalista for também inteligente. No fundo. Estou certa de que ela desconfiava que eu era um cacho do marido. Por isso. ao fazer uma série de reportagens. Traumas também marcaram a vida profissional de algumas repórteres. foi acusada de “mentirosa e irresponsável”. Em determinadas situações. em São José. Imara gosta de dar um recado às futuras colegas: “Digo que devem evitar decotes ousados e tudo que possa desviar a atenção ou seduzir o entrevistado. Imara Stallbaum. isso era uma prática feminista”. professora dos cursos de Jornalismo da Ielusc. E não entende que ser mulher. Hoje. Eu ligava e a mulher do sujeito atendia. Ninguém me ensinou isso. Ao ligar. um dos primeiros desafios que aprendi a superar foi aturar suas mulheres e as secretárias. grosseiramente ofendidas por homens públicos. no final da década de 80. No dia JORNALISMO EM PERSPECTIVA 134 . Repórter setorista de “O Estado” na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. O ideal é serem maravilhosas na hora de escrever a matéria”. certamente. atraente. agir com sutileza foi sempre uma tática da repórter: “Na época. em Joinville e da Estácio de Sá. O ataque do madeireiro a ela “consistiu em tentar me desmoralizar de forma machista”. A maioria. eu explicava em detalhes a matéria em curso para que se sentissem importantes. desenvolvi uma tática para ligar para a casa de algumas fontes ou autoridades. É o caso da jornalista Roseméri Laurindo (hoje trabalhando na FURB. não uma repórter. Aprendi na marra. denunciando a retirada ilegal de madeira de uma floresta da reserva Indígena de Ibirama. repórter do “Diário Catarinense” no final das décadas de 80 e 90. em Blumenau). acha que exagero.O “saber tudo” e a ousadia intrigavam e faziam aflorar o lado machista de alguns políticos e empresários. bonita. escreveu uma reportagem comparando os assédios dos partidos aos deputados como se fosssem lances de um leilão (havia um intenso troca-troca de partidos devido à chegada do PRN do Collor).

Lúcia Helena foi agredida verbalmente. tanto dentro quanto fora do jornal”. reconhece que “num mundo que ainda é predominantemente masculino. Levantei e também dei de dedo na cara dele. o da política. pelo então candidato a prefeito de São José. ele me questionava e depois repetia várias vezes:“ah. No “Diário Catarinense”. Nas eleições municipais de 2004. que são quase comuns. disse. rebatia: “ué. muito menos por uma mulher”.seguinte à publicação da matéria. experiente jornalista. é preciso ter jogo de cintura.. nessas situações. confessa. há mais de dez anos é repórter de política e.Não sei se. me chamando de mau caráter. se fosse homem. foi recebida duramente por um deles: “Eu não tenho nada a declarar a você que está na zona”. Há os assédios. Fernando Elias (PSDB): “Ele ficou possesso por causa de uma matéria minha e deu de dedo na minha cara. Ele não admitiu ser questionado ou denunciado. espantadíssima com as observações dele. em Florianópolis. Rose nunca mais voltou à AL e direcionou sua profissão para outros caminhos: “Fiquei traumatizada com o episódio”. Precisam mostrar extrema competência e independência para conquistar o respeito do meio. Lúcia Helena Vieira. Talvez o ‘valentão’ que botou o dedo no meu nariz não o fizesse se eu fosse homem”. Ficamos falando sobre o quadro político do momento.. Há um outro episódio que retrata bem a necessidade quase permanente das mulheres jornalistas provarem que são capazes e inteligentes: “Lembro-me de uma longa conversa com um deputado. deixaria de sofrer as agressões. “também enfrentei poderosos que pediram minha cabeça . As mulheres jornalistas que trabalham em áreas como a política. embora nunca tenha enfrentado problemas profissionais. na redação do “A Notícia”. mas tu és inteligente!” E eu. Foi preciso ser muito firme para deixar clara a relação sempre profissional. que lidam diretamente com o poder – exercido predominantemente por homens – têm desafios dobrados. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 135 .

. aos olhos de uma mulher. As exceções confirmam a regra”. grande parte deles vividos nas redações dos jornais. que só fiz isso boa parte da vida. Ao avaliar sua atuação no jornalismo político. Longe de mim. vestidos de terno e gravata. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 136 . Até porque já tinham sido informados em primeira mão dos acontecimentos num café da manhã no dia anterior”. parecia um tanto bagunçada. Durante dez anos – de 1986 a 1996 –. cheios de pompa. “A redação.. Reverenciados pelos políticos. As laudas (que com a internet não mais existem) tinham então dupla utilidade. Detalhes que fazem a diferença chamaram a atenção da Doroti Port. lascando sempre as melhores perguntas e naturalmente arrancando dos entrevistados as melhores respostas”. Deborah atuou na editoria de política e tinha esperanças de um dia aprender a “fórmula mágica” de comparecer às coletivas já muito bem informada. 30 anos de profissão. Em 1975. “Logo percebi que no mundo da política as entrevistas coletivas não deveriam provocar espanto nos jornalistas mais experientes. os jornalistas apenas emprestavam seu prestígio a eventos desta natureza. ficou surpresa: não havia banheiro feminino e às vezes nem papel higiênico. ano em que chegou de Porto Alegre para trabalhar na redação de “O Estado”.mas o que o senhor esperava”? Mais tarde compreendi que ele não estava acostumado a lidar com mulheres que pensam!” Deborah Almada (sócia-proprietária de uma agência de notícias) sempre teve uma estranha impressão de que os colegas jornalistas homens impunham mais respeito: “Eles chegavam nas entrevistas coletivas sempre muito sérios. Deborah constata que os espaços de maior prestígio continuam sendo preenchidos por colegas do sexo masculino: “Não quero diminuir a presença feminina no jornalismo político. cheia de papéis jogados no chão”. Mas vou morrer achando que a gravata é quase que uma senha de acesso ao mundinho da política. logo eu.

Fora das redações. como o esporte. as pessoas invariavelmente perguntavam: ‘mas você entra no vestiário para entrevistar os jogadores?’” Claudia trabalhou pouco na cobertura de futebol. mas tive que me esforçar mais do que muitos homens para conquistar meu espaço.Outra constatação: “os chefes de reportagem. Atuar no jornalismo esportivo também exigia das profissionais duplo esforço: mostrar competência e superar preconceitos. Doroti lembra que alguns “figurões” tentavam aproximações mais pessoais. Mas lembra que dificilmente era escolhida para trabalhar fora de Florianópolis porque “os jornais. colocavam todos no mesmo quarto no hotel e. se eu viajasse. O que hoje chamam assédio. Era recebida “com certa resistência. entre as mulheres. eram todos homens”. Assédios que logo eram contornados: “Mostrávamos que éramos profissionais sérias”. Aquela coisa de matar um leão por dia”. desde 1987. sem contar que num mundo masculino. acostumados a mandar equipes com motorista. as gracinhas e o assédio sempre existiram. é repórter especializada em cobrir esportes. Não foi fácil para Claudia se impor profissionalmente. pois teria que reservar dois quartos”. antes eram as “cantadas”. Claudia Sanz. a empresa teria um custo adicional. Com a honraria. as cantadas. “Quando eu dizia que trabalhava na editoria de esportes. Claudia. Claudia Sanz ganhou a Bola de Ouro – prêmio entregue aos cronistas esportivos de todo o país. fotógrafo e repórter. é a que está mais tempo em atividade no jornalismo esportivo de Santa Catarina (18 anos). as mulheres jornalistas também têm histórias para contar. A seriedade e a competência profissional foram reconhecidas: em 1995. Suzete Antunes trabalhou no “Diário Catarinen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 137 . quebrou um tabu: até então os agraciados eram radialistas e homens. Eu sempre tirei de letra tudo isso. redação e editores. prefere o esporte amador.

para ser respeitada. passaram a agredi-la verbalmente. O que considera ser “o maior exemplo de sexismo estúpido” aconteceu quando passou a atuar como assessora de imprensa. Histórias sobre a atuação das mulheres na imprensa de Santa Catarina são muitas. Os farristas. A seriedade profissional não a impediu. há percalços a serem superados. Maura foi a pioneira. A profissional. Pelo contrário. fôssemos entrevistar Maura de Senna Madureira. ela certamente teria muito que contar.se” no final da década de 80. a partir do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 138 . mas eu sou contra isso e nunca usei de tal artimanha. Maura não só aceitou o desafio como. em Florianópolis. de ser agredida. Seu primeiro texto foi em resposta a um desafio: José Acrísio.há mais de vinte anos trabalhando na RBS/TV – percebe que há jornalistas que fazem do visual um marketing pessoal: “Conheço casos de mulheres que vestem roupas mais ousadas para conquistar certas vantagens no trabalho. ou com decote acentuado. como posso ir acompanhado por uma assessora. Ligia Gastaldi . ficou nítido que se fosse um repórter a reação não seria tão violenta”. irritados com a presença dos repórteres. Foi durante uma reportagem sobre a Farra do Boi. “Naquele momento tenso. com a ajuda da máquina do tempo. Viu uma colega ser preterida a assumir um posto de chefia por ser mulher. no entanto. Reconhece que na redação o convívio entre os colegas foi sempre harmonioso. Argumento do chefe: “e se eu for jantar com um jornalista homem. Se. tomo muito cuidado com meu visual. além da eterna preocupação com a aparência (exigência também para os profissionais do sexo masculino). Nunca vou trabalhar de saia curta. O que me livrou de algumas cantadas indesejáveis”. chamando-a de “mulherzinha” e “vagabunda”. tem que assumir uma postura séria. através do jornal “O Elegante”. uma mulher?” Entre as jornalistas que trabalham nas emissoras de televisão. desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis.

para apparecer bem.(. o percentual de mulheres jornalistas também é superior ao dos homens. em 2000. eram 27 mulheres e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 139 . O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina iniciou em 1979 e a primeira turma. cuidando das modas e de flirt. no primeiro semestre de 1995. E o que mais: que não viva unicamente a cuidar de si. em 1992. com especialidade. muito se há pregado uma profissão para a mulher.. de um total de 20 formandos. No começo. Basta ver os números para constatar que a presença das mulheres jornalistas nas diversas mídias passou a predominar. formaram-se 19 mulheres e 14 homens. em busca do marido rico. Dois anos após a publicação do seu primeiro texto. das mentiras de salão.. quase sempre sem amor. bem mascarada. formaramse sete mulheres e três homens. a quem levianamente entregará o coração e a vida. vivendo a vida material das futilidades e do coquettismo. e que lhe assegurará a mesma existência cômmoda e chic. carmin e crayon. sem a menor reflexão. era composta de nove homens e nove mulheres. as mulheres passaram a buscar empregos nas empresas de comunicação. formada em 1982. à medida que as universidades – públicas e particulares – formavam jornalistas. à força de rouge.seu primeiro texto. Nas universidades particularidades.)” O aumento do número de mulheres jornalistas nas redações em Santa Catarina está relacionado diretamente ao aumento dos cursos de comunicação. não mais deixou de escrever. Nas últimas décadas. Dez anos depois. Em 2003. 15 eram mulheres e cinco homens. de invejável posição social. Foi a primeira autora de um artigo feminista publicado em Santa Catarina (1923). usava um pseudônimo – Alba Lygia – logo esquecido. Que ella se não dedique exclusivamente à aprendizagem de encargos domésticos e prendas especialmente feminis. No curso de Comunicação Social da Univali. escreveu: “Nesses últimos tempos.

com o pensar. A filha aniversariante já estava dormindo abraçada à irmã mais velha. atingem o cargo de editoras. 31 mulheres ingressaram no curso em 2005 e apenas 14 homens. Histórias que aqui são contadas evidenciam que o longo caminho percorrido pelas mulheres jornalistas em Santa Catarina têm JORNALISMO EM PERSPECTIVA 140 . Correu atrás da fonte. No entanto. nossas tarefas e rotinas estão relacionadas com o escrever. a presença das mulheres nas redações não tem correspondido ao acesso aos postos de relevância. Para as que escolheram jornalismo como profissão. Na Unochapecó. mas. em 2004. Na Unisul. com o observar. Devido a uma pauta inesperada. 28 são mulheres. em 2005 ingressaram no curso de jornalismo 24 mulheres e seis homens no período diurno e 18 mulheres e oito homens. No vestibular de 2005.sete homens. Elas realizam um trabalho competente em suas editorias. A presença das jornalistas nas redações representa um expressivo percentual. Conciliar a vida doméstica com a profissão sempre foi um grande desafio para as mulheres. 24 mulheres e oito homens. A visibilidade cada vez maior das mulheres nas diversas mídias não corresponde ao aumento de poder. A maioria dos que concluem os cursos de jornalismo não exercerá a profissão – ou por falta de emprego ou por terem optado por outras profissões. em Palhoça. de um total de 50 aprovados em 2005. Sendo nossa profissão uma atividade intelectual. no noturno. a repórter Imara Stallbaum foi fazer uma matéria no dia do aniversário de uma das filhas. 36 são mulheres. escreveu e finalmente foi para casa. No curso de Comunicação Social da UNOESC. o desafio é administrar a vida pessoal com a imprevisibilidade da função. A jornalista Ana Cláudia Menezes observa que “há uma dificuldade das mulheres em chegarem a postos de chefia em Santa Catarina. É necessário refletir sobre esta tendência”. com raras exceções. em São Miguel do Oeste. entre 40 aprovados.

estaremos atingindo o ideal no mercado de trabalho – ou seja. de quebra de tabus. e até de enfrentamento. Há quem diga que se hoje há um grande número de mulheres nas redações é porque os salários pagos aos jornalistas são baixos. Talvez no dia em que não mais dedicarmos espaços para registrar a presença da mulher na imprensa.sido de conquista. de preconceito. oportunidade igual para todos com salários dignos. Convém sublinhar que as barreiras a vencer são heranças culturais. E não mais ouviremos a pergunta: “E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!?” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 141 .

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Informações e idéias congruentes com os interesses econômicos. pode ser importante para divulgar informações e idéias que interessem às classes dominantes. jornalismo e negócios Áureo Moraes “. estado e televisão”. em termos de aplicação de capital. identidade nacional ou progresso. por exemplo. por outro lado. crescimento. ministrando cursos de atualização para jornalistas. produtividade. Em termos comparativos. modernização”. segurança. além de ser um alto negócio. “Atrás das câmeras. educacionais. Summus. 1 In FILHO..Octávio Ianni1 Talvez uma das provas mais contundentes da importância do negócio chamado televisão possa ser ilustrada por uma experiência pessoal.5% do número de municípios (293 contra 22) e. pouco mais de 7. Relações entre cultura. militares e outros do bloco do poder. religiosos.3 milhões de habitantes contra 560 mil). integração.Televisão. políticos. quando tivemos a oportunidade de permanecer uma semana em Rio Branco. Laurindo Leal. o estado do Acre tem algo em torno de 10% da população de Santa Catarina (5. uma rede de televisão. 1988 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 143 . Dizem respeito à ordem. . paz social. desenvolvimento. Santa Catarina ocupa uma área relativa a 60% do território do Acre. vivida há poucos anos. estabilidade política..

Era um período em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 144 . situaremos as pioneiras. o que está em jogo são interesses de grupos. a TV Catarinense. mas de constatar que. têm uma realidade muito semelhante: só para ficar no caso das emissoras de televisão. Em momentos distintos. a empresarial e a profissional. ao nosso ver. mais precisamente as TVs Coligadas e Cultura e.Longe de qualquer interpretação pejorativa. Nesta perspectiva. falar da televisão como negócio deve. Ou seus administradores eram proprietários de outros negócios aos quais foi incorporada a emissora ou seus membros estavam ligados a grupos políticos. E é só. o que chamou a atenção foi que. cada uma delas cumpre a função de explicitar em que medida é peculiar o papel da TV no cotidiano dos catarinenses. sabidamente. longe de atender às demandas de uma população. E em Santa Catarina não haveria como ser diferente. Cada uma a seu tempo foi formada a partir da realidade política nacional e estadual. Em regra. Em relação à primeira das dimensões. mais adiante. ainda que a realidade sócio-econômica seja incomparável. cinco. seja o do capital. a de que o veículo ao longo dos últimos 50 anos sempre se pautou por esta relação intensa com o poder. as duas capitais têm o mesmo número de empresas. não se trata aqui de requerer uma redução lá ou uma ampliação cá. Aliás. Logo. o modelo de concessão e autorização do funcionamento é. tendo como referenciais as relações estreitas entre seus proprietários e os governantes da época. Ou até ambas as situações ocorriam simultaneamente. catarinenses e acreanos. O contexto da televisão no estado pode ser situado em três dimensões: a histórica. baseado nestas relações. a atuação dos agentes políticos e das forças do capital transformam o quadro das comunicações num universo em que. seja o do Estado. em termos de veículos de comunicação. a constituição de tais empresas reunia os componentes familiar e político. ambos. partir desta condição consolidada.

que. a histórica. Exemplo disso era o Jornal Malhas Hering. Ainda que na sua origem muitas das emissoras tenham surgido a partir da associação de empreendedores. de certo modo. O próprio mercado de anunciantes era emergente e. fazer TV era missão das mais difíceis. exibido pela TV Coligadas logo no início de suas transmissões e relatado no trabalho de Joni César Tomazoni2. descrente dos resultados que o veículo então em surgimento poderia oferecer. Funcionava ainda o sistema de programação jornalística vinculada ao nome do anunciante. O capital montava a empresa.pdf) JORNALISMO EM PERSPECTIVA 145 . Falemos agora da segunda dimensão. assumindo o lugar de protagonista que antes cabia às emissões radiofônicas. Equipamentos caros. as emissoras funcionavam a partir da lógica oligárquica. Com uma forte ascendência do rádio. o meio TV já não despertava tanta desconfiança nem era mais alvo de grande descrença. Invariavelmente ligadas a famílias. Assim. ainda captadas em câmeras de película. a empresarial. tem seu reconhecimento no que se refere ao caráter de pioneirismo em si mesmo. Vivia-se então uma era de transformações tecnológicas. o poder 2 A História da TV Coligadas de Blumenau – Joni César Tomazoni – disponível no site do LAMCE (http://www. multiplicaram-se as concessões. por razões inclusive tecnológicas. Esta dimensão. modelo fartamente adotado pelo rádio de então. a partir dos anos de 1960/1970. Neste contexto – histórico e político –. com alguma experiência em rádio. formação profissional restrita. receber a concessão implicava em fazer concessões.univali.cehcom. o regime de concessões e autorizações de operação passou a ser gerido pelo componente político.br/lamce/impressao/livro21. Muito antes pelo contrário: iniciava-se o processo de consolidação de sua ação junto ao grande público. uma experiência adequada a espíritos empreendedores. restando pouco que se possa avaliar desde o ponto de vista da gestão do negócio. vale dizer partidário. sobre cuja linguagem foram acrescentadas as imagens.

redatores e. eram palavras um tanto distantes do exercício profissional. com formação universitária. Deputados. Atuavam como repórteres. entrevistas coletivas e solenidades ganhavam destaque. Mas o ambiente e seus vetores. Deste período é importante destacar situações emblemáticas. na melhor hipótese.político sustentava a conquista da autorização e. abriu novas e diferentes perspectivas no cenário da TV. Óbvio que a criação pura e simples de uma faculdade não foi a única responsável pelas mudanças que o mercado de TV passou a experimentar. a implantação de uma faculdade de jornalismo daria início ao processo que. como assessores. De outra parte. prefeitos. empresários. em 1979. atuação coletiva. Aos inimigos. No caso de Santa Catarina. a totalidade dos profissionais atuantes em Santa Catarina. profundamente ligados entre si. em outros turnos. Em finais da década de 1970. Muitos mantinham duplo vínculo. o anonimato. como as “listas negras” que freqüentavam redações. para a omissão. Lembremonos de que o país ebulia neste período. detinham o uso e o abuso da televisão. ou vinham de outros estados ou eram graduados em áreas como o Direito. A criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. levaram às transformações. apresentadores. A pauta dos noticiários revelava-se absolutamente oficial. senadores. era ainda incipiente a ação política dos profissionais. entraremos no que chamamos da terceira dimensão do contexto da TV no estado. Consciência profissional. isenção. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 146 . combinados. de modo geral acabou por tomar conta do mercado da televisão a partir dos anos de 1980. Pronto! Estavam criadas as condições para a promiscuidade ou. Aqui. No âmbito da atuação profissional. Inaugurações. ambos garantiam a manutenção da relação por meio da atuação política nas esferas do estado. a fartura da presença no vídeo. a programação jornalística refletia igualmente a circunstância em torno das relações entre estado e televisão. Aos amigos.

Conforme o histórico do curso no sítio www. Em 1984 constatou-se a inviabilidade de um projeto estritamente político e muitos professores deixaram a universidade. O Jornalismo funcionava com espaço físico reduzido. constataram-se deficiências nas áreas técnica e científica. formar jornalistas. ocupando salas do prédio da Imprensa Universitária. Ainda que se credite uma boa dose de idealismo e outro tanto de carências estruturais à primeira fase de implantação do Curso. democratizando em alguma medida o acesso à informação. até então. viveu um período de desânimo. se a formação política estava em alta. pedagogicamente inovador. Forma-se como um combatente do estado de coisas. socialmente preocupados e politicamente engajados. ele tinha no seu seio. Mas. O curso que se tornara conhecido nacionalmente como inovador. sua condição de protagonista no processo de mudança do negócio chamado TV ainda era tímida.ufsc. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 147 . Deste período houve frutos no mercado local de televisão. por exemplo. trazendo. portanto. o Jornalismo da UFSC já nasceu rebelde. Sua vocação para a formação crítica. mas acaba por se render ao inimigo. Mas sua inserção no mercado de trabalho e.” A realidade que se tinha. rigorosa e literalmente.jornalismo. as chamadas pautas comunitárias. em 1982. aproximando a população da TV. quando se formou a primeira turma. Os estudantes daquelas primeiras turmas possuíam o perfil de outros tantos de diferentes áreas do conhecimento na época: contestadores. estabeleceu outras bases para a atuação dos profissionais que passou a formar. Experiências inovadoras de programas e processos. críticos. e seguindo a agenda da nação. a intenção de.Pioneiro no estado.br: “Os primeiros anos foram de intensa participação na vida política do Estado. fazia dos profissionais ali formados jornalistas com conhecimento amplo do sentido da profissão. tinha poucos equipamentos e quase nenhuma estrutura laboratorial.

em que a pura e simples eqüidade de tratamento tornou-os jornalistas. em meados dos anos de 1980. Um movimento criado naquele ambiente de teimosa democracia. àquela época. Vencidas as eleições para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. sobretudo. também houve mudanças. outras pelo tipo de formação que passou a existir. Algumas delas determinadas pelo fluxo do mercado. O registro profissional. o Sindicato dos Jornalistas processa a inclusão de um grupo de profissionais de televisão até então excluídos do reconhecimento legal. o devido enquadramento de funções restritas aos jornalistas. A partir de discussões e debates nascidos entre os alunos e professores se articulou. No conteúdo apresentado. legitimados a utilizar tal expressão. o MOS – Movimento de Oposição Sindical. Neste período. um dos mais relevantes. posicionada criticamente perante os aspectos legais do exercício profissional e engajada nas transformações políticas em curso. a jornada de trabalho. Trata-se dos repórteres cinematográficos que. a conquista de uma dignidade profissional. a remuneração devida entre outras conquistas. eram tratados nas emissoras como radialistas. com outras condutas. Foi a partir da atuação da recém-eleita diretoria do SJSC que se passou a ter exigências hoje absolutamente banais. E o reflexo se deu no dia-a-dia do negócio chamado TV. A geração que atuava era mais atenta às questões sociais.Outro resultado dos primeiros anos da faculdade de Jornalismo da UFSC foi. criaram-se ali as condições para superar o oficialismo sindical que se mantinha pelos favores do estado. os profissionais passaram a agir com outros princípios. O reflexo no dia-a-dia dos repórteres da imagem foi altamente positivo: jornada de trabalho e salários adequados e. sem dúvida. Na fase derradeira dos anos de chumbo. mais precisamente nos anos de 1988 a 1990. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 148 . Somente por meio da consolidação de um projeto de ação sindical baseado nos marcos legais existentes foi possível integrar ao Sindicato estes jornalistas.

Ainda que se julgue que a nova realidade profissional tenha boa parcela de participação na transformação do meio TV naqueles tempos. estava em se deter o modo de produção. a bandeira utilizada levava à convicção de que somente pela redistribuição do modelo concentrado se obteria a efetiva democratização da comunicação. Dizia-se em corredores e salas de aula. a grande crítica aos meios de comunicação eletrônica era quanto à concentração de sua propriedade em poucas mãos. novos olhares. o negócio TV passou a sofrer com a crescente variedade de espaços de difusão de informações. diferentes perspectivas de mundo ampliam as opções do espectador. Mesmo que se leve em conta o fracasso parcial do modelo de TV a cabo – decorrência da superestimação do mercado –. No início da última década do século XX. mais formandos. destacamos algumas considerações do professor Hé- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 149 . a produção independente ganha força. no âmbito das emissoras de televisão houve um expressivo aumento de profissionais com conhecimento da realidade regional. mais oportunidade de consolidação de um olhar local sobra a realidade local. Nos anos de 1970 e 1980. Novas abordagens. a implantação de outras escolas de Jornalismo no estado. Se por um lado o fato gerou discussões do tipo “haverá mercado para todos”. de outro é inegável admitir que. que democratizar era distribuir as emissoras entre a sociedade. mais adiante. Viu-se. em um país cuja ordem política já não dependia dos generais. A título de conclusão. ressalvado que o tema estará sempre inconcluso. que deter a concessão não seria de fato a melhor maneira de se chegar ao acesso universal. Neste sentido. Mais escolas.Seguiu-se ao Curso da UFSC. As TVs por assinatura elevam o número de pessoas com acesso a outros canais. A saída. sua implantação levou à conclusão de que mais do que ser dono é possível ser produtor. Como elemento de um discurso ideológico. há que se validar outras variáveis com tanta ou maior relevância. provocada pelas mudanças tecnológicas.

imaginamos ser possível prever que elas persistirão daqui para o futuro. impressa ou via internet. 2) aumento da oferta de novas revistas semanais. A TV Digital bate às portas como fato iminente. como se darão as relações de poder entre os agra- 3 Jornalismo e Mercado: análise da competição entre veículos jornalísticos. Tudo isso amplia as possibilidades de escolha da audiência. seja de meios impressos. E determinante: no sentido de quem serão seus pioneiros. 7) intensificação da cobertura local por veículos regionais. Isso pode ser constatado pelos seguintes indicadores: 1) surgimento de novos canais de televisão por assinatura.lio Schuch. 3) aumento da oferta de novos jornais.) A concorrência entre veículos jornalísticos não é. XXI Congresso da Intercom. quinzenais e mensais. 4) especialização da programação jornalística de emissoras de rádio e de televisão por assinatura. 1998 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 150 . Nesta competição os veículos estabelecem as mais diversas estratégias de ação. já que o ambiente de concorrência que se estabelece no jornalismo deve ser melhor compreendido”. Não apenas no caso de veículos impressos como também nos eletrônicos. Hélio Ademar Schuch. seja de meios eletrônicos.(. a concorrência torna-se um componente decisivo na gestão das empresas que têm o jornalismo como negócio..”3 Diante das três dimensões aqui propostas – a histórica. em si. por empresas jornalísticas. 6) intensificação da cobertura regional por veículos nacionais. do Departamento de Jornalismo da UFSC em artigo publicado em 1998: “O mercado brasileiro de jornalismo movimenta-se no sentido de forte competição. um fato novo. mas o que atrai atenção é o acirramento desta competição em anos recentes. É uma falha que deve ser corrigida. Pode-se dizer que a atividade jornalística sob enfoque de mercado não é um assunto devidamente analisado e discutido nas escolas. 5) oferta de novos serviços de informação. e também de jornais e revistas. a empresarial e a profissional –..

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 151 . que profissionais as escolas irão formar e que foco eles terão diante da nova tecnologia.ciados com a concessão dos canais digitais e os sem-concessão. Perguntas que outros cinqüenta anos nos ajudarão a responder.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 152 .

um dos nossos mais festejados historiadores. Tendo com o saudoso médico uma fraterna convivência. seja pela atualidade de suas apreciações.Jornalismo e Política Moacir Pereira Apontada pelos círculos acadêmicos como um dos clássicos da literatura universal. foi definitivo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 153 . ao afirmar que a história da imprensa não pode ser desvinculada da história da política e dos partidos. tem um volume com lições extraordinárias sobre a prática do jornalismo. Publicado em 1843. passando pela mais ostensiva manipulação política. fruto de seu pioneiro trabalho na instalação do Museu de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina. consegui alguns depoimentos em conversas informais e entrevistas gravadas sobre temas polêmicos da história catarinense. Foi dos últimos pesquisadores o que mais se dedicou à leitura dos jornais e o que mais buscou documentos nos arquivos públicos e particulares para confirmar versões e fatos. a coleção “Comédia Humana”. Ali estão denunciadas as várias faces do jornalismo. do talentoso escritor francês Honoré de Balzac. “Ilusões Perdidas” é um desses livros a merecer leitura obrigatória dos estudantes de todos os cursos de Comunicação do Brasil. Indagado certa vez sobre a inexistência de um livro de sua autoria sobre a imprensa catarinense. do exercido de forma engajada ao praticado pela permuta do vil metal. seja pelo conteúdo literário. Qualquer abordagem que se faça sobre o jornalismo e a política exercidos em Santa Catarina nestes 174 anos de existência da imprensa não poderá prescindir dos escritos do professor Oswaldo Rodrigues Cabral.

era a voz ativa da UDN. com uma bela ilustração em bico de pena. do líder udenista Irineu Bornhausen. Jerônimo Coelho. Jaime de Arruda Ramos. a UDN fazia o mesmo no jornal “Diário da Manhã”. valendo-se do pseudônimo Guilherme Tell.Proclamou em 1975: “A imprensa de Santa Catarina nunca se desvinculou da política. Ao longo do período monárquico. subordinadas às principais correntes de pensamento: liberal e conservador. Sobre estes três diários há singulares registros históricos. na maioria delas. Restabelecida a democracia. e seu irmão. em “O Estado”. Seguiu-se na República velha idêntica conotação. Enquanto o PSD defendia os governos pessedistas pelo jornal “O Estado”. E. revelou este engajamento político ao declarar guerra aberta ao centralismo governamental. a Rádio Diário da Manhã. Os exemplos clássicos expressam de forma contundente este cenário predominante em inúmeros municípios. a atuação partidária. já mais acentuada com a marca do partidarismo. A Rádio Guarujá. Veio a ditadura getulista e com ela a censura do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) aos órgãos de imprensa. o arqueiro da justiça. quando lançou o primeiro número de “O Catharinense”. defendia os interesses do PSD. Instalaram-se as principais emissoras de rádio. de maneira que os jornais sempre viveram em função da política e dos partidos”. A política sempre foi o nosso esporte. atirando pesado contra o Império. Dois excepcionais jornalistas atuavam em trincheiras opostas: Rubens de Arruda Ramos defendia o PSD e atacava a UDN na famosa coluna “Frechando”. os principais jornais estabeleceram-se em Florianópolis. ou pelas páginas de “A Gazeta”. Os jornais assumiam até no frontispício a condição de órgãos de atuação partidária. disparava contra o PSD e usava todos os escudos para promover a UDN em sua JORNALISMO EM PERSPECTIVA 154 . do líder pessedista Aderbal Ramos da Silva. os jornais tinham duas tendências claras.

Acometido pela doença que o vitimou. que acrescentavam “. estilo literário e alto nível em todas as batalhas. garantem os filhos da notável dupla. usando o pseudônimo “Tim Tim”. o temível adversário na mídia. Rubens teve que viajar ao Rio de Janeiro.” Situação que. O fato é que Rubens e Jaime não faziam concessões partidárias. menos xingar a mãe. Os gladiadores podiam tudo. o advento da televisão. Os governos mudam..prestigiada coluna “Tim Tim”. teve o comando de Martinho Callado Júnior. em “A Gazeta” ou no “Diário da Manhã”. que foi abandonando gradativamente essa forte atuação partidária para assumir uma postura mais profissional e isenta. era mais folclórico do que real. A disputa sequer arranhou a fraterna amizade que cultivaram durante toda a vida. mas eles permanecem sempre na mesma posição. Versão que corre há decênios nos meios jornalísticos revela que Rubens e Jaime tinham um pacto. ostentava “Um jornal sem ligações partidárias”. E que desapareciam imediatamente após o término das eleições. quinzenários e até diários criados por candidatos. Uma prática que marcou os períodos eleitorais em Santa Catarina deixou de existir há anos: semanários. Fundado por Jairo Callado. O matutino “A Gazeta” teve forte presença em Florianópolis durante anos. era alvo de tiradas irônicas dos concorrentes. Na fase final. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 155 . A irmandade exigia de ambos fina ironia.com as oposições. A chegada de novos jornais. A instalação do curso de Jornalismo na UFSC consolidou esta tendência. E seguiu acompanhado do irmão Jaime. Como dependia quase sempre das verbas governamentais. mas esgrimavam com categoria e elegância. segundo os críticos de plantão. marca atuação de vários veículos neste início do século XXI em diferentes municípios do Estado. O acordo. partidos e empresas com objetivo específico de fazer o marketing de seus candidatos.. o fim do pluripartidarismo e as novas tecnologias em todos os veículos mudou o perfil da imprensa catarinense.

contudo. sejam eles econômicos. a propagação de mensagens que atuem na promoção humana. muitas vezes exercido como missão. Este fato acaba empobrecendo a análise política. sejam elas auto- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 156 . O analista político não sobrevive sem boas fontes. De um lado. o comentarista político é exigido em todos os ambientes que freqüente. Dois fenômenos. pela exigência de plantão permanente nas 24 horas do dia. limitam o jornalismo político: a cobertura das campanhas eleitorais e as múltiplas pressões sobre os profissionais. Mas também. sobretudo no jornalismo político. as informações se multiplicam sobre motivação política na origem da decisão. registra-se um paradoxo. Sacrificada. Nas eleições. Mas. penosa e sacrificada. eis que. proclamação de valores e direitos. na investigação e na qualidade da impressão dos jornais de Florianópolis e de praticamente todos os diários das principais cidades de Santa Catarina. os jornalistas políticos sentem-se mais contingenciados. transmitindo toda a emoção vivida na cobertura. uma vez que a cobertura tradicional tem se limitado aos fatos e declarações oficiais. pela possibilidade de prestação de serviço público. enfim.A fase mais recente vai identificar os jornais na busca de uma postura mais profissional na linha editorial e na cobertura política. porque muitas vezes incompreendida. Enquanto os cronistas esportivos realizam-se plenamente nos grandes eventos – campeonatos e olimpíadas –. combate a toda forma de desonestidade. nos bastidores. particulares e até sociais. E estas. as redes de televisão e os jornais alegam sempre “contenção de despesas” ou “mudanças editoriais”. antenado. registrará fatos e ouvirá depoimentos que ampliam suas informações mais amplas de acontecimentos nos bastidores. O repórter político. defesa de princípios. Ao demitirem seus comentaristas políticos. O jornalismo constitui atividade profissional realizadora. São visíveis os avanços técnicos na edição.

mantendo no Sindicato apenas os jornalistas registrados nos termos da legislação. Era a primeira seleção destinada a transformar a entidade na representação efetiva dos jornalistas catarinenses. no segmento político. se hoje são altamente qualificadas e freqüentam as colunas com registros positivos. sobretudo. o Sindicato viveu fases distintas de sua trajetória. a falta de unidade da classe e a representatividade restrita das entidades de classe. o nível de investigação do jornalismo praticado no Estado. As comemorações do cinqüentenário de fundação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina oferecem uma oportunidade singular para debates e reflexões em torno destas questões profissionais de real interesse coletivo e abordagem de temas sempre relevantes e atuais. afinal. profissionais liberais e até intelectuais que não praticavam o jornalismo e que buscavam o registro na época para o desfrute dos benefícios legais. parlamentares ou dirigentes partidários. Uma delas deu prestígio estadual e pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 157 .ridades. Por isso mesmo. Começou forte e numeroso. a nominata dos fundadores e. porque pode implicar num envolvimento comprometedor pela proximidade ou num distanciamento limitador das informações. amanhã podem ser alvo de avaliações críticas ou até denúncias de ocorrências que as envolvem em práticas condenáveis pela sociedade. dos primeiros associados vai encontrar número elevado de comerciantes. como ética e responsabilidade social. viveu períodos distintos nestas cinco décadas. iniciou-se um processo de depuração. Antes e depois da regulamentação. em todos os níveis. Com a regulamentação profissional imposta pelo DecretoLei 972/69. Esta relação jornalista-fonte. O Sindicato dos Jornalistas. Uma comissão mista designada pelo Ministério do Trabalho fez uma profunda triagem. oxigenado por dois privilégios conferidos pela legislação: jornalistas tinham desconto de 50% nas passagens aéreas e gozavam de isenção do imposto de renda. é extremamente delicada.

Dentro do estado. Dídimo Paiva e Washington de Melo (Minas Gerais). para viabilizar a regu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 158 . ofereci aos colegas um relatório resumido de fim do mandato. várias frentes foram atacadas. tive o privilégio de presidir o Sindicato dos Jornalistas de 1975 a 1978. Joesil de Barros (Pernambuco). Derrotado na tentativa de reeleição. orgulho e sentimento do dever cumprido. com uma atuação nacional sem precedentes e uma produtividade estadual até hoje não suplantada. Aprovado pela assembléia da categoria. Entre eles. Nos congressos nacionais e conferências. jamais titubeou em avalizar apoio a moções e documentos que denunciavam atentados contra o exercício profissional e enfatizavam a volta da constitucionalidade. subscrevendo todos os documentos nacionais da classe pelo restabelecimento da liberdade de imprensa e da democracia. na cerimônia de transmissão do cargo. Dela me recordo com saudade e emoção. o sindicato catarinense alinhou-se à histórica luta do Sindicato de São Paulo contra a censura imposta pelo AI-5. mostra uma transformação inédita. pelo engajamento determinado em todas as lutas contra a censura e pelo restabelecimento da ordem jurídica no Brasil. Mauricio Azedo (Rio de Janeiro). Em primeiro lugar. Alguns testemunhos insuspeitos dos presidentes e diretores dos Sindicatos de vários Estados. Eleito pelo voto direto dos companheiros de todo o estado. João Borges de Souza e Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (Rio Grande do Sul).jeção nacional ao jornalismo catarinense. cito com respeito o nome do corajoso amigo e bravo companheiro Audálio Dantas (São Paulo). atestam a riqueza política e intelectual desta época. O Sindicato instalou delegacias em quatro municípios. que revela as intensas e proveitosas atividades do período. Armando Rolemberg (Brasília). desde que o Brasil foi sacudido com a morte do jornalista Vladimir Herzog. num dos episódios mais dramáticos de nossa história recente.

do jornalista Adolfo Zigelli. conquista que já era uma realidade no Rio Grande do Sul. Editou o livro “Jornalista-Orientação Profissional”. para o segundo lançamento nacional de seu livro “A Ilha”. até sob protestos de alguns colegas conservadores. A programação cultural não foi desprezada. As três principais empresas jornalísticas de Florianópolis assinaram acordo de piso de três salários mínimos para cinco horas de jornada diária. uma cartilha sobre todo o processo de registro e sindicalização. ressalte-se. Promoção dos prêmios Jerônimo Coelho de Reportagem. sobre o famoso caso Watergate. Eventos que. baseado no livro denúncia dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein. Foram assinados convênios com a Caixa de Assistência dos Advogados da OAB. O Sindicato trouxe a Florianópolis.lamentação profissional. Audálio Dantas participou de noite de autógrafos de seu vitorioso “O Circo do Desespero”. para prestação de assistência odontológica e médica. Um produtivo debate foi realizado após a exibição do filme “Todos os homens do presidente”. tinham sempre casa cheia. na edição de “O Estado”. em cooperação com a Assembléia Legislativa. com a presença efetiva de companheiros de várias ten- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 159 . Propôs na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho o primeiro acordo para fixação de piso salarial. Várias entidades de classe e empresas privadas passaram a contratar profissionais registrados para edição de jornais e revistas. que levou o presidente Nixon à renúncia. o jornalista Fernando Morais. Data desta fase uma constante atuação na Delegacia do Ministério do Trabalho para o efetivo cumprimento da legislação. Editado o livro “Hipólito da Costa”. o que permitiu a ampliação de sua base de oito para dezessete municípios. Homenageado o saudoso repórter Rodolfo Sullivan. São Paulo e outros estados. e do Prêmio Imprensa. com a Ciclo e com a Medisan. além de outros benefícios. que depois tornou-se best-seller.

Idealizadas e realizadas duas edições da Semana Catarinense de Jornalismo. Sérgio Jaguaribe. Sérgio Motta Melo (Rede Globo). Paulo”). Sérgio Bonson. Foram lançadas quatro edições do jornal “Encontro”. O Sindicato ganhou tanto prestígio de congêneres do país que obteve aprovação. órgão oficial do Sindicato. como Cláudio Abramo (“Folha de S.dências ideológicas e partidárias. Imara Stailbaun. Eventos que. Seminário Internacional de Jornalismo. César Valente. Elaine Borges. Jandyr Corte Real. Bento Silvério. Fernando Morais (“Veja”). Flávio Sturtdze. José Carlos Soares e Rosamaria Urbanetto. tiveram a maior repercussão na comunidade e contaram sempre com platéias expressivas. Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (PUC-RS). Raimundo Caruso. Ricardo Kotscho (“O Estado de S. que teve a participação dos jornalistas Aluízio de Amorim. Paulo”). em Florianópolis. o que aconteceu em Florianópolis em 1979. e o 1º. que contou com a presença dos jornalistas americanos Bruce Wandler (“The Washigton Post”) e Roberto Sullivan (“The New York Times”). Hélio Fernandes (“Tribuna da Imprensa”). Rivaldo Souza. Luiz Antônio Soares. Coroando estas realizações. Depois de aprovar moções em todos os eventos promovidos pelo Sindicato. enfatize-se. Lourenço Cazarré. o Jaguar (“O Pasquim”). em Santa Catarina. Orestes Araújo. e nos congressos e conferências nacionais. que trouxeram a Santa Catarina nomes destacados da imprensa nacional. por unanimidade. Ivani Borges. a Diretoria iniciou entendi- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 160 . e uma edição do Encontro da Imprensa Catarinense (Chapecó). Laudelino José Sarda. Eurico Andrade (“Veja”). ganhou destaque por último a articulação para criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. à proposta de realização da 12ª Conferência Nacional dos Jornalistas. Villas Boas Correa (“Jornal do Brasil”). José Marques de Melo (USP).

Durante muitos anos. Martinho Callado Júnior mesclava atividades profissionais com a militância no Partido Democrata Cristão. instrumento legal que permitiria o pleno funcionamento da organização profissional. consolidando a obra dos fundadores da Associação Catarinense de Imprensa. Primeiro presidente.mentos com o reitor Caspar Erich Stemmer. Na 1ª Semana Catarinense de Jornalismo. a semente plantada anos antes. diretor proprietário de “A Gazeta”. mas teve o mérito de manter a classe unida e prestigiada. foram lembrados todos os ex-presidentes. foi o segundo presidente. Jairo Callado. Enfrentou um período de dificuldades. Foi sucedido por seu secretário. a garantia de um sistema de assistên- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 161 . o jornalista Adão Miranda. que se comprometeu em acolher as reivindicações e viabilizou a instalação do curso através de vários atos assinados em 1978. Sua principal realização foi a aprovação do Estatuto do Sindicato. O jornalista Alírio Bosle exerceu dois mandatos com uma fixação: a união da categoria. políticos e culturais. Gustavo Neves assumiu a presidência em 1961. Homenageado com a denominação de “Príncipe”. com o auditório lotado. transformou-se o único empregador a dirigir um sindicato de empregados no Brasil. com uma característica singular. sigla que mais tarde o elevaria ao cargo de secretário da Educação do governo Celso Ramos. Ali. figura humana de extraordinária comunicação. Tratou de dar à entidade a marca sindical. fato que viabilizou sua reeleição por novo mandato. foi possível resgatar alguns dados dos dirigentes sindicais. pelo estilo elegante com que escrevia. Marcou o mandato com a conquista da carta sindical. Sua presença no comando da entidade representou dignidade e prestígio para o jornalismo. marco do ciclo de eventos profissionais. generoso com os amigos e muito bem relacionado com os poderes constituídos.

retardara a notícia na esperança de vê-la revogada. e a atuação harmônica entre os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas. Fato inédito na história do Sindicato aconteceu na sucessão de Alirio Bossle. Osmar Schlindwein foi eleito pela totalidade dos associados. obteve a cessão por empréstimo de um casarão na rua Vidal Ramos. Batalhou durante muito tempo até fundar a Casa do Jornalista. Credenciado na área patronal e com trânsito nas agências de propaganda. Foi eleita chapa única. Motivo alegado: o jornalista havia sido confundido com um homônimo. na época com sede em Florianópolis e maior unidade militar de Santa Catarina. O 5º. Distrito Naval. Graças às excelentes relações com o então governador Ivo Silveira.cia social aos mais idosos e. tendo como candidato a presidente o jornalista Osmar Antônio Schlindwein. aprovado pelos sócios de outros jornais. o advogado Moacyr JORNALISMO EM PERSPECTIVA 162 . companheiro de excelentes relações com a redação de “O Estado”. onde atuava há décadas. onde era constante e numerosa freqüência dos jornalistas e radialistas. O delegado. Moacir Pereira. que controlava pelo Serviço Secreto as liberações de candidatos às eleições sindicais. por suas funções exercidas no “mais antigo diário de Santa Catarina”. onde cumpria várias tarefas jornalísticas. Ciro Belli Muller. a integração entre patrões e empregados tendo como parâmetro a prestigiada Associação Riograndense de Imprensa. havia cassado a posse do presidente Osmar Schlindwein e do suplente da diretoria. destinada a abrigar todos os profissionais da imprensa. Ação posterior do jornalista Cyro Barreto naquela unidade da Marinha resultou no cancelamento do veto à Moacir Pereira. Intimado na véspera da posse. compareceu na sede da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho. que coordenava por lei todo o processo eleitoral. seu conterrâneo de Brusque. mas não assumiu. sobretudo. comerciais e administrativas. montada de comum acordo com várias correntes. dandolhe caráter mais social e cultural.

relatava que o AI-5 estava sendo guilhotinado definitivamente. que viria a ser mais tarde inquieto repórter policial e leal assessor de Esperidião Amin em várias funções públicas e dois mandatos de governador do Estado. para o lugar do jornalista impugnado. a categoria demonstrava mais prestígio e união e estava oficialmente criado o Curso de Comunicação-habilitação em Jornalismo pela UFSC.Pereira. pelo aprimoramento e unidade da classe. ela assume seu verdadeiro papel reafirmando os direitos e garantias individuais. pelo cumprimento da regulamentação profissional. o piso salarial conquistado. fichado no Distrito Naval por atuar na concessão de benefícios aos pescadores. dedicado e competente redator que fez carreira desde menino na antiga redação de “O Estado”. Três anos depois. os demais membros da Diretoria decidiram então eleger Antônio Kowalski Sobrinho. o vice. pelo piso salarial. colegas e convidados. exigência do Decreto-Lei 972/69. pelo congraçamento de todos os profissionais e pela criação de um curso de Jornalismo. prometi lutar pela eliminação da censura prévia oficial. Ao assumir a presidência. Quando. pende para o partidarismo e vincula-se a interesses de grupos. ex-vereador do PTB. ao contrário. Tive o prazer de pronunciar discurso perante autoridades. José Carlos Soares. em que proclamava a certa altura: “Quando a imprensa curva-se diante das benesses do poder. o registro profissional mantido como exigência legal. concluído o mandato. a cidadania entrega-se aos azares do arbítrio. o aperfeiçoamento promovido por incontáveis promoções de interesse profissional e público. o Zico. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 163 . quase sempre ao lado do inseparável amigo e vizinho. foi um dos marcos da gestão de Kowalski. Criado o impasse. Nova revisão dos registros profissionais. na rua Conselheiro Mafra. Schlindwein teve cassação definitiva e jamais exerceu a presidência do Sindicato.

protege o cidadão e segura o Estado. Diria que a nenhum jornalista seria lícito negar o exercício de tão sacrificada. impondo juridicamente as regras do equilíbrio entre liberdade e autoridade”. O exercício da presidência de um sindicato constitui. esta jornada sindical constitui-se na melhor escola de formação de liderança. os desejos de justiça social. tendo na presidência da República um retirante nordestino que forjou toda sua formação na luta sindical. Ao concluir o mandato. difícil. Na realidade. aí.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 164 . realmente. enfim. Estes postulados sopram como vento nas redações. penosa. os ideais de um entendimento amplo com a concessão da anistia reparadora de punições injustas. que pautaram as ações do Sindicato dos Jornalistas nestes três anos. incompreendida. sim. foi a experiência que termina. de política e de cidadania. dizia há 27 anos: “Gratificante.disseminando princípios democráticos e espalhando valores humanos e cristãos. os apelos pelos direitos dos cidadãos. Prosseguia a manifestação de despedida: “Como fruto dessas lições e enunciados. todos vivendo sem discriminações”. O Brasil dá um magnífico exemplo ao mundo. uma magnífica oportunidade de enriquecimento político. mas realizadora missão. pessoal e profissional. sob todos os títulos. o firme propósito de ver os irmãos unidos e mais próximos. onde são marcantes hoje os anseios de democracia. cremos haver chegado a um grau elogiável de conscientização profissional no jornalismo catarinense. as mensagens eloqüentes pela melhoria das condições de vida de todos os brasileiros.

A imagem (pobre de estilo. assessores de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 165 . deveria estar livre. o jornalismo econômico. Essa relação de confronto/confluência de interesses cerca. nas práticas orientadas pelo profissionalismo e pela ética. não se vende. ainda. O texto é especulativo e ampara-se em resgate histórico. Fendas. orientado pelo interesse público. O muro demarca territórios. mas deontologicamente expressiva) tenta dar conta da complexidade da relação. noutros. um embaraço no meio de um caminho que.Jornalismo em cima do muro Jacques Mick Uma metáfora político-arquitetônica é evocada com freqüência para defender a autonomia dos jornalistas: é com um muro imaginário entre o departamento comercial e a redação que a categoria separa os interesses distintos. A parede é mais espessa e alta em certas editorias ou veículos. quando não rivais. vãos. providenciais espaços de conexão entre os territórios favorecem a confluência de interesses comuns ou o contrabando. segrega a gerência comercial e simboliza a hegemonia de um jornalismo que. na observação crítica da cobertura do setor dos últimos quinze anos e no diálogo com repórteres. na concepção dos transeuntes. particularmente. na revisão teórica de conceitos de jornalismo econômico. Este capítulo analisa a profissionalização da cobertura econômica na história recente da imprensa catarinense. o muro se dissolve. editores. à sombra de tais jogos de pressão. de cada um desses setores. é simplesmente um falso obstáculo. noutros é delgada e porosa. escadas. túneis. Quando anunciantes interessados em aparecer bem na imprensa encontram empresas jornalísticas ou profissionais dispostos a agradá-los.

Daisi Vogel. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 166 . falar de política. Cláudio Loetz. como o papel desempenhado pelas assessorias de imprensa e as novas formas de envolvimento com a mídia adotadas pelo empresariado.imprensa e/ou empresários que contribuíram para que a área alcançasse o status que detinha em 20041. proponho uma crítica em torno de temas que. também. Eli Diniz. A consolidação do jornalismo econômico em Santa Catarina O jornalismo econômico. A rotina da editoria envolve ouvir vendedores e compradores. empresários (mais do que trabalhadores). como anotam Basile (2002) e Caldas (2003). de modo a delimitar mais precisamente o objeto que será analisado na seqüência. como reação à censura: falar de economia era uma maneira disfarçada de. me parecem relevantes para compreender limites e potencialidades do jornalismo econômico praticado no estado. Nenhum desses profissionais tem qualquer responsabilidade sobre os juízos de valor emitidos neste artigo. cobre os acontecimentos de dois universos inter-relacionados: o mercado e a política econômica. derivados da revisão histórica. As adversidades da economia nacional nas décadas de 1980 e 1990 contribuíram para evidenciar a 1 A escolha dos entrevistados foi apenas parcialmente aleatória: procurei personalidades ao mesmo tempo relevantes para a história recente do jornalismo econômico e acessíveis no prazo de 60 dias (contando Natal e Ano Ano-Novo) entre a encomenda e a entrega do capítulo. formuladores de políticas (mais do que suas vítimas). Sou grato também às críticas apresentadas pelos professores Gastão Cassel. – aos quais agradeço. Luiz Felipe Guimarães Soares. Silvio Melatti e Zuba Coutinho. Sérgio Murillo de Andrade. apresento uma interpretação da história recente do jornalismo econômico em Santa Catarina. Na primeira. Foram entrevistados e/ou opinaram sobre os originais Aluízio de Amorim. Rogério Christofoletti e Samuel Pantoja Lima. Na segunda. A cobertura do setor se desenvolveu nos anos 1970. A argumentação está desdobrada em duas partes.

O desenvolvimento do estado teve relação com suas características geográficas e humanas (topografia acidentada.32% no último mês do governo José Sarney. o estado registrou intenso crescimento de sua economia. a inflação chegoujá foi de a 84. em 1969. A história recente da imprensa catarinense tem como um marco a audácia do "Jornal de Santa Catarina". em conseqüência. trazendo. em conexão com esse fenômeno. Em Santa Catarina. inclusive. foi o primeiro diário impresso em offset no estado. 4 “Impresso em Blumenau e com boa circulação nas principais regiões do Estado. Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. nas iniciativas político-empresariais na disputa por leitores. Mas não é apenas no aspecto temático que jornalismo e mercado se relacionam: o crescimento do estado se refletiu também nas mudanças na estrutura de propriedade dos veículos de comunicação e. como Luiz Nassif. 85). não é possível falar de jornalismo econômico antes dos 25 anos precedentes a 2004. criado por iniciativa dos mesmos empresários que haviam inaugurado a TV Coligadas. a partir de 1971. p. mas interpretar tais manifestações é objetivo inatingível nos limites deste texto. Joelmir Beting. Aloysio Biondi. Nesse um quarto de século. os primeiros profissionais de imprensa do Rio Grande do Sul. que. 2 Só mudanças de moedas.relevância das pautas dessa área para os cidadãos2 e transformar em celebridades jornalísticas os principais colunistas da área. 2003. o Jornal de Santa Catarina inovou os meios editoriais e jornalísticos de Santa Catarina. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 167 . 3 Há jornalismo econômico em emissoras de rádio e TV e em veículos na internet. a cobertura setorial surgiu e se consolidou. houve cinco no país entre 1986 e 1994. foram ocupando em maior número as redações de jornais e emissoras de rádio e TV” (TERNES. que se concentra na mídia impressa. desde a década de [19]70. sem contar indexadores (como a URV). sob diversas identidades3. Escrito por uma equipe imigrante de repórteres4. a variedade e a complexidade desse arranjo produtivo constituem um desafio permanente para a cobertura jornalística. culturas de imigração). Somente então. Celso Ming.

Os investimentos para a modernização tecnológica das empresas jornalísticas incrementaram a articulação entre proprietários de imprensa. o prêmio Fernando Pini. aliás. associado a Jorge e Paulo Konder Bornhausen. cuja repercussão e importância são lembradas ainda nos dias atuais. da Tupy. é reconhecido pela excelência gráfica: a elegância do projeto. o Santa passou ao controle do empresário Mário Petrelli. em termos de tiragem. ex-presidente da Drogaria Catarinense. e para marcar a data foi idealizado o mais arrojado projeto editorial da imprensa catarinense de todos os tempos: uma edição histórica. 2003)7. c1992. No final dos anos 1970. 7 Uma década depois. um quarto de século depois da edição. da Tigre. 105-106). 2003. da Buschle & Lepper. A Notícia trocou a linotipo pelo offset em 19806. p. circulação e prestígio em todo o Estado” (PEREIRA. 2003. de propriedade familiar. 5 “É na década de 70 que o ‘mais antigo’ registrará fase áurea.Seu principal concorrente. João Hansen Jr. por exemplo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 168 . 88-89). o BB financiou parte do empreendimento) (TERNES. aprimorou o sistema de impressão dois anos depois. a partir de setembro de 1995. 119). a partir de 31 de janeiro de 1980. indicado por Bornhausen. com total de 264 páginas. Jorge Konder Bornhausen. Ao lado do suporte dos grandes empresários. lideranças políticas e alguns dos maiores empresários do estado. em 33 cadernos e tiragem de 50 mil exemplares. Numa imprensa em geral carente de brilhantismo. preservando seu prestígio e a maior tiragem da época5. O jornal. Em "A Notícia". Baltasar Buschle. os US$ 5 milhões aplicados na modernização do processo produtivo foram aportados por Dieter Schmidt. Osvaldo Colin (à época. p. o que permitiu. este é um mérito a ser destacado. O Estado. a impressão em cores (TERNES.” (TERNES. realizava-se a mais completa revolução numa empresa de comunicação do país. e também pelo acionista majoritário e ex-prefeito Helmut Fallgatter.. p. combinada com o apuro na rodagem. presidente do Banco do Brasil. o AN investiu US$ 6 milhões para informatizar a redação e modernizar o parque gráfico. assegurou ao diário o troféu de maior prestígio no setor. encontrava-se o apoio político de Antônio Carlos Konder Reis. 6 Apolinário Ternes descreveu com superlativos o significado da inovação tecnológica para o diário de Joinville: “De um dia para outro.

aos domingos. já havia sido uma conquista da equipe. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 169 . cultivando suas fontes nos palácios e noutros ícones do poder quase dez anos antes da criação de editorias estruturadas para a área. a acompanhar um noticiário predominantemente produzido por agências. mas o segundo Prêmio Esso Regional Sul recebido pelo veículo. 1999. com sete meses de distância um do outro. o estado tinha 72 jornais locais e três diários de circulação regional (Santa. com uma série de matérias sobre fraudes no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). seis eram regularmente dedicadas ao tema e. "O Estado" e "A Notícia"). pelo direito à liberdade 8 Para os dados. AN e DC adotaram colunistas exclusivos de economia no mesmo ano. Em 1986. 9 O primeiro fora recebido no ano anterior. quando surge o "Diário Catarinense". em 1989. enfeitado pela reprodução das colunas das estrelas nacionais do setor ("A Notícia" e Santa publicavam Celso Ming. "A Notícia" vitaminou sua editoria de economia em 1992. com a pauta "Fraude em seguro lesa o BESC"9. As mudanças tecnológicas dos anos 1970 e o aumento da concorrência nos anos 1980 deram início ao que Moacir Pereira chamou de década da profissionalização (1992. p. "O Estado" veiculava Joelmir Beting). para caprichar na cobertura do mercado da região norte do estado.O fim do ciclo de adoção do offset coincide com o surgimento dos primeiros repórteres especializados na cobertura econômica no estado. já não podiam ignorar o impacto das decisões econômicas no cotidiano dos cidadãos-leitores8. 80). Das 40 páginas. Por essa época. no ano do Plano Cruzado. que. Pereira (1992. p. A cartola "Economia" passa. 128). oito. conceito que simbolizaria o rompimento com a tradição de vínculo direto entre os veículos e os grupos político-partidários que os criaram. desde o final dos anos 1970. os jornais catarinenses adotaram o discurso de que são pautados pelo interesse público. O DC nasce ambicioso e desde o início adota uma editoria robusta para economia.

A primeira turma do Curso de Jornalismo da UFSC fora graduada em 1982. isso trouxe aprimoramentos na linguagem e na qualidade do trabalho de reportagem. a opinião pública premia ou castiga”. de 1996. que circulou com capa colorida e diagramação em módulos desde o primeiro número. substituindo ou acompanhando os economistas que iniciaram o métier11. a economia passou a ocupar lugar central na edição dos diários. Os vínculos político-partidários permaneciam. 11 O DC foi o primeiro dos jornais catarinenses que. pôde empregar profissionais formados em Santa Catarina. Na cobertura econômica. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 170 . Entre outros avanços. acrescentando às pautas de política econômica e de vida empresarial o jornalismo de serviço ao consumidor e ao empreendedor e o acompanhamento de negócios. com repórteres familiarizados à temática. de tema periférico. (. mas a bandeira da profissionalização levou à adoção de novos processos produtivos. além de maior estabilidade na cobertura. na qual os empresários da comunicação afirmaram que “a credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade. acompanhando-a por longo tempo.. Como resultado. isso significou que mais jornalistas profissionais passaram a acompanhar a área.de expressão e pelo compromisso com a pluralidade de pontos de vista10. à busca de precisão. Karam (2004) critica o cinismo do discurso. desde sua criação. A cobertura se diversificou. imparcialidade e eqüidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais..) Em uma sociedade livre. característicos de um jornalismo de fato orientado pelo interesse público. apontando circunstâncias em que a censura ou a argumentação silogística restringem a pluralidade de opiniões e/ou violam o interesse público. O aprimoramento da cobertura econômica dos diários locais foi apimentado pela concorrência com os principais jornais do 10 Tais valores são consolidados em manifestações de classe como a Declaração de Chapultepec. E a editoria de economia nos diários mais antigos beneficiou-se das inovações adotadas pelos veículos na programação visual (incluindo a impressão em cores) para fazer frente à concorrência do DC.

diários predominantemente econômicos voltados ao mercado local. Mudara o jornalismo. Produto mais completo e denso do jornalismo econômico catarinense. mas também o empresariado. O jornal "Indústria & Comércio" atuou no mercado catarinense durante poucos anos. além de uma equipe de correspondentes. Eram projetos cujo conteúdo era orientado por uma identificação entre os valores do veículo e os de seu público preferencial: nenhum leitor esperaria das revistas uma cobertura ácida. mais aprofundado que os jornais diários. por exemplo. não havia leitores suficientes para tornar viáveis. que entre meados de 1980 e 2000 tiveram sucursais em Florianópolis para cobrir os acontecimentos de Santa Catarina. com um jornalismo investigativo capaz de perturbar proprietários de empresas ou governantes. por exemplo. selecionados aleatoria- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 171 . Também nos anos 1990. Paulo". a práticas de responsabilidade social. Deram relevância. importante segmento da cobertura econômica. Uma olhada para a lista das maiores empresas do estado em dois momentos da história recente (1973 e 2004. praticavam um jornalismo cuidadoso e. prestando informação útil a empresários e a novos empreendedores. Expressão e Empreendedor mostraram que era possível realizar uma abordagem competente do universo corporativo. os empresários e outras fontes da área econômica desenvolveram opiniões mais elaboradas sobre a cobertura. surgiram e conquistaram mercado duas revistas especializadas no mundo empresarial. Ao que parece. a inovações tecnológicas e a iniciativas empresariais para preservar o meio ambiente.país. o caderno foi extinto em 2001. manteve o serviço de 1989 a 1996. seguramente. Focavam-se nas boas práticas de gestão. Nos limites dessa opção. Como saldo dessas transformações no mercado e no modo de produzir o jornalismo. A "Gazeta Mercantil". editava um caderno diário sobre a economia estadual. A "Folha de S. em termos comerciais.

utilizam as informações da imprensa para traçar cenários e identificar os movimentos da concorrência. como os atores da política. 221-222).mente) mostra como se alteraram a composição e o perfil da elite empresarial: somente uma empresa permaneceu na relação (Embraco/Consul). Há fontes empresariais que esperam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 172 . Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 1973 Empresa Hansen Tupy Hering Consul Carlos Renaux Teka Battistela Cremer PL (US$ mi) 35 27 15 13 9 9 8 7 2004 Empresa Tractebel Sadia Bunge Embraco Perdigão Weg Seara Maesa PL (US$ mi) 900 517 498 270 266 189 142 119 Fontes: Para 1973. zelosos quanto a informações estratégicas (tanto quanto um governante gestando reformas no primeiro escalão). 1998. limitando os contatos com a imprensa local às ocasiões convenientes para a estratégia de vinculação com a comunidade.mas que a imprensa local precisa deles. a agroindústria surgiu e consolidou-se. a exportação tornara-se variável-chave para o desempenho das empresas (Quadro 1). portanto. MICHELS. o predomínio da gestão familiar foi substituído pelo das SAs. a indústria têxtil perdeu relevância. São. Os empresários. assim como a presença do capital estrangeiro. Julgam que não precisam da imprensa local . Para 2004. a partir de entrevistas com 19 representantes das maiores empresas do estado em 1995. Pesquisa de Schuch (1996) mapeou a percepção do empresariado catarinense sobre a ação da imprensa. FGV (apud. p. FGV (PL dolarizado pela cotação de 31/12/2003). Global players preferem dar entrevistas para veículos nacionais.

O levantamento de Schuch constatou o predomínio de impressões positivas entre o empresariado quanto à importância do jornalismo econômico catarinense. Condenaram. no entanto. às vezes. Há que se ter. gerentes. em relação aos da imprensa diária estadual ou regional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 173 . no entanto. "O jornalismo econômico é um instrumento auxiliar de administração empresarial. Repórteres incisivos são ainda rejeitados. Os depoimentos destacaram a "melhoria das editorias econômicas dos veículos tradicionais".docilidade da imprensa. Quando isso não ocorre. assessores. "pela posição econômica do estado. o jornalismo econômico de Santa Catarina tem uma importância considerável". As fontes percebiam diferenças na qualificação dos repórteres dos jornais nacionais. De todo modo. a falta de precisão e correção e. sem os devidos critérios de checagem e que não espelham a realidade" (SCHUCH. 1996)12. por serem "agressivos". especializados ou não em economia. um cuidado revisional. em geral. diretores. Diferenciação semelhante efetuavam entre o pessoal das revistas especializadas e o dos diários. a frase indica o quanto podem ser reveladoras pesquisas sobre as representações do empresariado em relação à mídia. A natureza da crítica indica que a relação da imprensa com as fontes no mundo empresarial melhorou nos últimos 25 anos. de especialização do repórter. evitando que matérias publicadas contenham índices (percentuais) e valores (monetários) distorcidos. mas agem com ela com o mesmo autoritarismo com que conduzem seus negócios. Nas mídias de circulação nacional identificavam principalmente maior correção na informação e critérios mais rigorosos quanto à checagem. estão mais bem informados sobre o que cobrem e procuram estabelecer relações profissionais com CEOs. são as fontes que estão mais bem informadas sobre as fragilidades que 12 Lastimavelmente o autor não discute as implicações da subordinação do jornalismo econômico à administração de empresas. Os setoristas. já que. mas colheu críticas duras aos diários do estado.

o DC e o AN. Outro ex-standard. visibilidade que estimula devaneios de poder político.cercam o exercício da profissão e agem com mais tolerância diante delas. Do confronto à convergência Em 2004. "O Estado". Saldo da crise financeira que os atingira após o fim da paridade cambial entre real e dólar. de Itajaí. e o "Diário do Litoral" (Diarinho). Eram apenas dois os diários que buscavam o mercado estadual. o "Diário da Manhã". em dias de semana. as revistas especializadas em economia haviam encontrado nichos específicos de mercado. havia se tornado novamente um veículo de importância local. Quanto a este último aspecto. em 1999. apesar de suas tiragens inferiores a 10 mil exemplares: o "Correio Lageano". de Criciúma. até 2004. simplesmente. contra 32 mil de "A Notícia". detesta o mau jornalismo ou. Boa parte dos empresários aprecia coberturas positivas. crítica). ambos com tiragens pouco expressivas. era simplesmente irrelevante. o estado de Santa Catarina tinha quase 6 milhões de habitantes. o jornalismo (investigação. o "Jornal de Santa Catarina". assolado por imenso passivo e atolado em vaidosa incompetência administrativa. considerando o tamanho da população catarinense: o Diário imprimia. por motivos que serão analisados na próxima seção. de Chapecó. Quatro diários locais conservavam algum prestígio. amenidades. o "Jornal da Manhã". Nascidas como concorrentes. eles tinham poucas razões para alimentar rancores: a cobertura econômica era bastante dócil. adquirido pelo grupo RBS em 1º de setembro de 1992. conquistaram viabilidade financei- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 174 . segmentadas. 41 mil exemplares. os veículos de circulação nacional operavam com freelancers ou deslocavam para coberturas episódicas no estado repórteres e correspondentes do Paraná ou do Rio Grande do Sul. comparação. mudou o formato para tablóide.

de todos os portes” ao “mostrar e ressaltar os empresários que estão inovando e agregando valores aos seus produtos e serviços. Trata-se da aceitação acrítica das políticas econômicas e das declarações das fontes. é possível apontar o hermetismo na linguagem e o descuido com a 13 Expressão deixara de ser uma revista mensal para tornar-se um conjunto de seis anuários temáticos. Empreendedor. esta dependia de fatores tão voláteis quanto o desejo dos proprietários. os diários dedicavam-se a controlar custos de produção. especialmente as oficiais. Em função dessas características dos competidores. Analistas como Kucinski condenam o adesismo como falha crucial das abordagens. A julgar pelas críticas de empresários e intelectuais (e também pela autocrítica dos profissionais). A ausência de distanciamento crítico está relacionada com outro problema: o fontismo. certo jornalismo econômico "se deixou ficar refém de cenaristas recorrentes e tendenciosos. focara-se em “orientar e estimular os atuais e futuros empreendedores. além de apresentar as mais modernas e eficientes formas de gestão empresarial”. criada em 1994. Com tiragem e zonas de circulação cristalizadas havia vários anos. os avanços de qualidade registrados desde os anos 1980 mantiveram o jornalismo econômico desenvolvido pelos diários num patamar inferior ao que merecem os leitores.ra e puderam dar continuidade às premissas que orientavam a qualidade de seu jornalismo13. Excluída a competitividade como motivador da qualidade dos veículos. para que coubessem em suas expectativas de faturamento. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 175 . a exigência dos leitores ou o empenho espontâneo dos profissionais. ao final de 2004. baseados em conteúdo exclusivo (como pesquisas para a elaboração do ranking de maiores empresas da Região Sul e a definição de prêmios para empresas nas áreas de meio ambiente e inovação tecnológica). não existia concorrência efetiva entre os veículos de imprensa. Quanto aos materiais elementares de que é feito o jornal. Como aponta Beting (2003). em cumplicidade com burocratas enrustidos e equivocados" . caracterizado pela falta de pluralismo nas abordagens.

significativamente alteradas na década de 1990. Concepções militantes da profissão haviam sido JORNALISMO EM PERSPECTIVA 176 . euro e real.informação como questões recorrentes. p. ou a confusão entre dólar.) revelava um jornalismo sem imaginação. do diferencial. "os jornalistas das redações escrevem cada vez mais sobre fatos que não observam e sobre assuntos de que não entendem". padecia de falta de criatividade: a cobertura apresentava abundantes relatos sobre a vida das empresas. Como notou Chaparro (1994. A sucessão de pautas-clichê (como a suíte no estado de temas nacionais.se limitam a refleti-las ou a ecoar as modas da administração.. Folhas de pagamentos enxutas e contas de telefone enormes eram a síntese contábil desse modo de fazer jornal. mas relativamente poucas abordagens decisivamente relacionadas ao interesse público. os setoristas de economia tinham salários tão baixos quanto os demais. a última pesquisa do IBGE. Pouco jornalismo de serviço limitava o público da editoria de economia aos formadores de opinião. sensação que é agravada pela falta de profundidade: as coberturas usualmente não avançam na identificação de tendências.. Uma variável cultural também pode ter influenciado a cobertura econômica. 73). O resultado era um material que. lastimavelmente freqüente. Os jornais publicam muitas histórias. a política industrial do governo federal. Erros banais revelam um jornalismo imaturo. a cobertura se burocratizara. Além disso. Não antecipam tendências . A falta de rigor na apuração e no tratamento da informação. mas eram mais exigidos. leva a confusões banais como a troca de milhares por milhões. Parte das razões para tantos problemas encontrava-se nas características das organizações jornalísticas. como a variação na taxa de desemprego. Com estruturas limitadas e linhas telefônicas suficientes. na busca do inédito. em regra. mas poucas são aquelas capazes de acrescentar conhecimento ao leitor. e disto por bilhões. A profissão fora pauperizada e o trabalho de reportagem passara a ser feito por equipes cada vez mais jovens.

substituídas por uma noção (que parece pragmática. A perda de prestígio do conceito de luta de classes e a hegemonia do liberalismo revigoraram a imagem dos empresários. Empresas em geral têm interesse em dar visibilidade a suas inovações. mas mais regulares.foram progressivamente substituídos por concepções de harmonia.que levaram à criação da metáfora do muro . comunistas. é provável que. A profissionalização das assessorias foi mais veloz e abrangente do que a das redações. dentre eles. muito menos celeiro de anarquistas. A percepção dos atores sociais teve seus sinais ideológicos alterados: empresários que no passado eram vistos pelos repórteres como adversários de classe passaram a ser reconhecidos como agentes de desenvolvimento. mas não há pesquisas disponíveis sobre o tema. Para equipes competentes de assessoria de imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 177 . na veiculação de "notícias positivas". a seus produtos. Havia menos entusiasmo quanto à contribuição potencial do jornalismo para as mudanças sociais (e menos ilusões). encontram apoio quando desejam continuar seus estudos (que jornal ou emissora de TV contribui com o pagamento de um curso de pós-graduação?)14. sobretudo. Sob tais transformações no ambiente das empresas de comunicação. há convergência de interesses. Redações não eram mais abrigo. o trabalho ficara facilitado. Raramente trabalham aos domingos. a suas técnicas de gestão. Portanto. a maioria trabalhasse em assessoria de imprensa. Empresas jornalísticas também. 14 Mais da metade dos jornalistas catarinenses não estava empregada em veículos de comunicação em 2004. mas é apenas cínica) que identificava o jornalismo com um produto e com o mercado. têm jornadas freqüentemente mais extensas. tycoons do emprego e das oportunidades. Assessores de empresas ou jornalistas de firmas especializadas em assessoria tendem a ter melhores salários e formação mais completa do que o pessoal das redações. e ela se dá. os conflitos de interesse entre o jornalismo e os anunciantes . socialistas.

O media-training discorre sobre os limites do trabalho da imprensa. para blindar os principais executivos e preservar a imagem da corporação. transcrições integrais.O sucesso das firmas de assessoria de imprensa (ou das divisões especializadas dentro das empresas ou organizações de classe) é medido pelo aproveitamento do material enviado às redações. basta lembrar das sucessivas especulações dos colunistas políticos sobre a possibilidade de o ex-presidente da Fiesc Osvaldo Douat lançar sua candidatura a governador. simplesmente. capaz de acertar o gol (ou passar perto) oito vezes a cada dez chutes: mesmo que o goleiro defenda. mas empresas do setor somam 80% a 90% de utilização de seus releases. potencializando candidaturas de confiança15. O padrão de relacionamento entre a Fiesc e a imprensa ilustra esse comportamento. base para novos textos ou. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 178 . a torcida tem o que celebrar. A organização do empresariado industrial se fortaleceu nos anos 1970 e se consolidou na década seguinte. a deputado federal ou a suplente de Jorge Bornhausen no Senado. pautas. A ação do empresariado também explorou o prestígio de suas entidades de classe para projetar lideranças na mídia. A repercussão das ações sociais de instituições como o Sesi e 15 A esse respeito. Algumas empresas de assessoria de imprensa contribuíram para levar o entendimento de empresários em relação aos meios de comunicação a transcender o senso comum. A Fiesc adotou uma estrutura de assessoria de imprensa profissional. Há uma tecnologia para a gestão de situações de crise. como notas. para perseguir o objetivo de converter em interesse público suas reivindicações corporativas. É como um improvável artilheiro. esquematiza os "pecados capitais" cometidos pelos empresários na relação com os jornalistas (como pedir para ler a matéria antes da publicação). O aproveitamento na íntegra é mais raro. Aprende-se que a qualidade da informação (e sua veracidade) tem relação direta com a imagem positiva da empresa.

que se esgota em poucos dias. A criação do Prêmio Fiesc de Jornalismo Econômico. grandes anunciantes faziam pressões explícitas sobre os veículos. b) o mesmo jornal aponta irregularidades nos sorteios de uma loteria. mergulhado em problemas financeiros. A ameaça não é cumprida. A cobertura do tema é interrompida. consolidou a estratégia de relacionamento cordial com a mídia. O órgão e seus congêneres pressionam a direção do veículo para que suspenda a cobertura. ainda nos anos 1980. de uma fonte confiável mergulhada em uísque. o veículo fecha. O boicote é praticado. A notícia. c) um repórter que só bebe Coca-Cola ouve. os embates diretos eram cada vez menos freqüentes. Meses mais tarde. o dono da loteria ameaça boicotar o veículo. Um punhado de exemplos reais: a) o jornal banca uma série de reportagens sobre suspeitas de irregularidades cometidas num órgão paraestatal. é outra questão)16. Em parte como resultado dessas estratégias mais sofisticadas de relacionamento com a imprensa adotadas pelo empresariado. O jornal mantém a abordagem do tema. ameaçando cortar verbas publicitárias. Ainda assim. a confirmação de que uma grande empresa local será vendida a uma multinacional. especialmente diante de noticiário que os desagradasse. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 179 . os anúncios do poder público e dos grandes anunciantes representam pressão muito elevada sobre o veículo. e mais freqüente em momentos de crise (se ele produzia resultados. publica16 A pressão cresce quando interesses econômicos e políticos estão articulados para pressionar os jornais ou blindar determinados temas. diretamente ou por intermédio de suas agências de propaganda ou órgãos de representação.o Senai contribuiu para revigorar a imagem do empresariado e de sua principal entidade representativa. Articulado com outros empresários. O exercício da barganha era cotidiano. apontando as referências de qualidade profissional sob o prisma da entidade de classe. Somados.

da dias depois, é negada com veemência pelo dono da empresa, que ameaça o jornal. O proprietário do veículo decide apoiar o repórter. Semanas depois, a venda é confirmada, nos termos exatos da primeira notícia; d) um vazamento de óleo de uma grande indústria afeta o rio que abastece de água a cidade. Os prejuízos para a população são dramáticos, mas a cobertura enfatiza a agilidade da empresa em reconhecer sua responsabilidade e tomar providências para conter o dano. A ação da empresa recebe mais destaque que o dano em si. A agilidade da iniciativa, combinada ao fato de a empresa ser um grande anunciante, elimina naturalmente as zonas de ruído com a imprensa, que espontaneamente abandona sua função como porta-voz do interesse público para repercutir a "responsabilidade" social de quem se restringe a cumprir seu dever. Em função do histórico de pressões, havia equipes que se autocensuravam, rejeitando a hipótese de investigar denúncias contra proprietários de marcas renomadas, driblando os dissabores que anteviam. Em vez do "publique isto", prevalecia o "evite isto". A gestão profissional da relação com a imprensa, a voluntária contenção dos veículos no tratamento de temas espinhosos para o empresariado, a pressão direta dos anunciantes, a ação estratégica em momentos de crise - todos esses fenômenos tornaram mais rara a prática do "jabá". Desde os pontos mais remotos da história do Jornalismo houve repórter ou empresa que trocou diretamente notícia por dinheiro. Hoje, o "jabá" foi diferido. O mais comum dos fluxos envolve uma conexão entre o departamento comercial e algum cargo elevado na redação. Surge quando o cliente pede à agência de propaganda que interfira junto ao veículo para que providencie cobertura ao evento que constitui o objeto do anúncio ou da campanha. A agência autoriza a veiculação dos anúncios (digamos que se trata de uma verba de dezenas de milhares de reais) e apresenta o pedido para o contato comercial. A "sugestão de pauJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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ta" chega à editoria e é gentilmente acatada, povoando o noticiário de bobagens e irrelevâncias. Há também o "jabá" miúdo e sedutor. Anunciantes pagam viagens, distribuem brindes, fazem agrados. O catálogo de mimos é vasto: agendas exclusivas com capas de couro, CDs, livros, calendários, canetas importadas e dezenas de objetos inocentes. Organizam-se megaeventos de relações públicas, de cardápio fino e farto. Oferecem-se viagens, e assim focas conhecem o Costão do Sauípe, veteranos vão mais uma vez ao Salão do Automóvel, hospedados em hotéis cujas diárias equivalem a vários salários mínimos. É simplista afirmar que a generosidade compra simpatias assim como é ingênuo supor que, independentemente de tamanha amabilidade, as empresas recebam o mesmo tratamento. Em síntese, o problema ético continua muito vivo, especialmente na cobertura econômica. Poderia ser diferente, caso os jornais afirmassem, nas negociações comerciais, seu compromisso editorial com o interesse público - o que, definitivamente, não ocorre. (As crianças aprendem que um "não" pode ser tão amoroso quanto um "sim", mas contatos comerciais não negam coisa alguma a seus clientes.) A inexistência de uma cultura comercial que valorize a autonomia do jornalismo não é, evidentemente, uma responsabilidade do pessoal da redação, mas uma prática do veículo, derivada da histórica relação com os governos e as grandes empresas. E o interesse público?

Considerações finais
O muro entre a redação e o departamento comercial dissolve-se nessa trajetória de convergência de interesses e aprendizado mútuo entre jornais e suas fontes-anunciantes. A cobertura econômica, no núcleo desta relação, é como um espelho mágico que, ao mesmo tempo em que reflete o jornalismo de seu tempo, indica antecipadamente a direção para onde caminham as práticas profisJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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sionais. Ao final de 2004, a voz desse espelho descrevia, no fim do caminho, a imagem de um muro metaforicamente derrubado e, sobre os escombros, a coexistência de interesses outrora percebidos como rivais. A distinção entre o jornalismo econômico e o jornalismo empresarial encontra-se na idéia de que um é supostamente orientado pelo interesse público e o outro, claramente identificado com o privado17. Como vimos, apenas excepcionalmente os diários, driblando seus próprios limites organizacionais, alcançam excelência na cobertura econômica. Cada vez menos os anunciantes impõem censura, porque ela surge espontaneamente. Não há cultura comercial para sustentar um jornalismo mais independente. Diante disso, faz algum sentido o discurso de que os diários operam de acordo com o interesse público? Ao fazer jornalismo de qualidade com maior regularidade, embora com o enfoque restrito dado pela identificação com o interesse do empresariado, as revistas tornaram-se mais úteis a seus públicos do que os diários. Afirmar claramente sua identidade de valores com uma determinada categoria social - os empreendedores - não impediu tais veículos de desenvolverem coberturas abrangentes e aprofundadas, no recorte temático imposto pela identificação. Tal recorte, entretanto, é insatisfatório para públicos nãoespecíficos. Ainda que a aproximação de interesses entre a imprensa e o empresariado seja acompanhada de um aprimoramento na qualidade da cobertura do jornalismo diário, a autocensura, a vulnerabilidade a pressões, a aceitação acrítica das técnicas de relacionamento impostas pelas assessorias de imprensa continuarão operando em desfavor do leitor. Moacir Pereira concluiu seu livro sobre as conexões entre a imprensa e a política em Santa Catarina indicando dois pontos em
17 Essa distinção merece análise mais aprofundada, desafio que escapa aos limites deste capítulo.

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que o jornalismo catarinense ainda teria muito a avançar. Um era a ampliação das tiragens dos principais veículos, de modo a que se tornassem compatíveis com o tamanho da população do estado. O segundo era mais inquietação na busca da informação diferenciada, para qualificar o produto. Tais desafios, como vimos, permanecem por ser superados, e dificilmente o serão sem um incremento da concorrência entre os veículos capaz de romper a estagnação provocada pela crise e pela acomodação dos diários. A competitividade não pode ser vista como uma panacéia, mas sem ela os avanços dependerão de fatores ainda mais complexos - como a auto-organização dos leitores ou dos jornalistas para discutir o trabalho da imprensa e reivindicar melhorias18. Ao final de 2004, a fragilidade da imprensa regional (ainda maior nos veículos locais) a tornava especialmente vulnerável às pressões econômicas. O equilíbrio financeiro precário a levava ao apelo permanente à generosidade dos órgãos públicos, ao assédio aos grandes anunciantes, à mendicância nas portas das maiores agências de propaganda. A situação financeira dos diários do estado permitia a seus donos dividir resultados, ao preço de um produto burocrático, sem qualquer brilhantismo. A ausência de novos concorrentes no mercado só agravava o paradoxo: veículos financeiramente frágeis não desenvolvem jornalismo independente e, ao não fazê-lo, continuam frágeis19. Como produto, às vezes se assemelhavam a cadernos de classificados, embrulhados em jornal.

18 Para uma noção das resistências das empresas de comunicação a qualquer possibilidade de controle social, basta evocar a criação do Conselho Federal de Jornalismo, idéia que sequer pôde ser discutida em 2004 antes de ser soterrada por uma eficaz ação do lobby do setor no Congresso Nacional. 19 É possível que a ausência de novidades no mercado posteriores à aquisição do “Jornal de Santa Catarina” pelo grupo RBS, em 1992, se deva à recessão econômica, combinada às taxas de juros elevadas, fatores que tornam arriscado e desinteressante, para proprietários de capital, o investimento em atividade produtiva.

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Inovação e Perspectivas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 185 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 186 .

Este capítulo não pretende. Não é tarefa para um fragmento de livro relatar e conectar com seu tempo tudo o que ocorreu em meio século. Ao recuperar diversos episódios desse período. especialmente sobre a primeira campanha de moralização da emissão de registros profissionais no estado. contar a história do Sindicato. A maior parte dessa história está guardada na lembrança dos seus personagens e precisa ser cruzada com algum tipo de registro oficial que lhes confira a exatidão e a precisão que a memória não consegue lhe emprestar. foi expedida a Carta Sindical que transformou a Associação dos Jornalistas Profissionais. fundada três anos antes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 187 . em Sindicato. pretendemos constituir um pequeno guia para quem se aventurar a trabalhar num documento mais completo do ponto de vista historiográfico1 .Muita história para contar (ou Uma história por contar) Gastão Cassel A história do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina ainda está por ser contada. que era suficientemente ampla para abrigar uma categoria que não tinha muitos 1 Há neste livro uma Linha do Tempo elaborada caprichosamente por Mário Xavier da qual foram retiradas várias referências para compor este capítulo. Nada poderia ser mais relativo na época do que a própria expressão “jornalistas profissionais”. A profissão era regulamentada por legislação de 1938. No dia 13 de maio de 1955. A memória da entidade não foi preservada nem sistematizada pelas diretorias que a dirigiram especialmente nas primeiras três décadas dos seus cinqüenta anos. em hipótese alguma. alguns com registros incompletos. Os documentos são dispersos.

Quando tinham alguma formação superior. mas é provável que o Sindicato nos seus primeiros anos de vida funcionasse como um balcão onde pessoas ligadas a esquemas de poder iam buscar declarações que facilitassem a obtenção do registro no Ministério do Trabalho. sem referências que pudessem dar a ela um espírito de unidade ou mesmo uma noção de coletividade. aposentadoria especial. O Sindicato dos Jornalistas era uma espécie de avalista do passe para essas benesses com que se locupletavam pessoas que jamais haviam chegado perto de uma redação. qualquer um virava “jornalista”. tratava-se de uma categoria sem uma identidade própria. mas que obtinham com facilidade a documentação que os faria jornalistas de papel passado. do imposto inter-vivos (aquele pago quando se vende um imóvel. Não encontramos registros que sustentem a hipótese. e até tratamento especial na Justiça. hoje chamado de ITBI). Não pelo amor ao ofício de informar. facilidade de acesso a financiamentos de casa própria e de automóvel. E muita gente queria ser jornalista. Jornalista tinha isenção de Imposto de Renda. Os jornalistas daquela época se formavam no calor das redações de jornais e dos estúdios de rádio. Com uma declaração expedida por uma empresa de comunicação e o aval do sindicato. mas para usufruir direitos que a sociedade dava a quem tivesse registro. uma vez que era escassa a quantidade de cursos universitários de jornalismo no país. era geralmente em Direito ou Letras. Por estas e outras razões. O diploma não era uma exigência para exercer o jornalismo e talvez nem pudesse ser. desconto de 50% em passagens aéreas (garantido por lei) e em passagens terrestres (por liberalidade das empresas). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 188 .espaços efetivos para a formação profissional. Não se precisava muito mais do que vontade de ser jornalista para se obter um registro profissional na Delegacia Regional do Trabalho.

O elenco de perguntas era objetivo: “O Sr. entre 1955 e 1964. Silveira Lenzi. Adolfo Ziguelli. que entre 1962 e 1963 lançou a primeira campanha pública do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. funcionários públicos. para “verificar fatos ligados à Reserva de Índios de Xanxerê”. Nesse tempo. no período mais obscuro do Regime Militar. As atividades do PCA não tardaram a ser estigmatizadas como “coisa de comunista” nas vésperas do golpe militar de 1964. banqueiros. Melo Prates e outros. o jornalista Alírio Bosle. O Serviço Nacional de Informações queria saber da vida do jornalista Erasmo Prates de Souza. o sindicato tinha cerca de 400 filiados. mas alguns papéis deixados para trás mostram que ajudar os militares a perseguir jornalistas foi uma das práticas do Sindicato durante os anos de chumbo da história do Brasil.A relação dos associados ao Sindicato. Não há muitos documentos. recebeu a correspondência 663/68 do general Álvaro Veiga Lima. comerciantes e até autoridades do clero. Jorge Cherem. Erasmo Prates de Souza é Jornalista Profissional? O referido Jornalista é sindicalizado?. deputados.. Quem pesquisar essa fase da história da entidade terá que recorrer aos componentes do Primeiro Comando de Ação (PCA). chefe do SNI/-NAFL em Santa Catarina. O pessoal do Primeiro Comando fazia oposição à diretoria da entidade e era liderado pelos jornalistas Eurides Antunes Severo. prefeitos. presidente do Sindicato.. incluindo secretários de estado. era recheada de personalidades notáveis. É proprietário de jornal em Xanxerê? Qual o nome do Jornal? Jornalismo é profissão única do referido senhor? Qual seu conceito na área do Sindicato? Outros dados úteis ao esclarecimento JORNALISMO EM PERSPECTIVA 189 . justamente brigando pela moralização da concessão de registros profissionais. O pesquisador precisará descobrir o que mais o Sindicato fazia. além de multiplicar o número de registros frios. na época. mas estima-se que 70% deles eram ilegítimos. Em 13 de agosto de 1968.

algumas vezes. diretor do jornal Imprensa do Povo [. Mas não se conhece o teor da carta. do exercício de 1970.417/67. 60.00. sem a bebida. o Sindicato fez muita festa. desfilavam nomes como o do general Paulo Weber Vieira da Rosa. Entre os convidados para os jantares do Sindicato. No dia 27 do mesmo mês. empresário e primeiro suplente de deputado eleito pela UDN. mas que eram muito bem colocadas na esfera do poder. Bosle encaminhou resposta ao general mediante ofício número 26 do Sindicato.] é associado e devidamente registrado nessa Associação”. Em 20 de fevereiro de 1971. A praxe era pelo menos um jantar por mês para homenagear autoridades que pouco tinham a ver com a categoria. Três anos depois. dia em que foi homenageado Osmar Dutra. Propague. Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos)”. Na cópia da carta. quando reunimos as autoridades militares desta Capital. que na época era presidido por Adão Miranda. ainda.700. 62 Dec. a solenidade que realizamos no mês de Março. eram chamadas de anfitriãs. no informativo mimeografado da entidade. Martins. Os jantares eram. relata o periódico de 10 de outubro de 1966. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 190 .sobre a vida funcional e particular do citado cidadão”. O Relatório da Diretoria do SJPSC. J. bancados pelas empresas de comunicação que.. N. ao transcurso de mais um aniversário da Revolução. através do ofício número 143/NAFL/SNI/71. prefeito indicado de Florianópolis. Mas quem fosse a estes rapa-pés teria que desembolsar CR$ 2.S.. em sessão solene de confraternização”. perguntou a Bosle. há apenas a anotação manuscrita “Providenciado” e um carimbo do remetente que diz que “O destinatário é Responsável pela Manutenção do Sigilo dêste Documento (Art. “Vale assinalar. “se o Sr. Durante a ditadura. o chefe do SNI/NAFL continuava preocupado com Xanxerê. homenageado por sugestão da agência A. R. revela de forma inequívoca a cordialidade da entidade com o Regime Militar.

As boas relações com o poder rendiam seus frutos. As viagens eram parte do programa de cooptação sindical articulado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). em Curitiba). o Sindicato sinaliza tênue defesa das liberda2 A estratégia de levar sindicalistas para os EUA e sua articulação com os movimentos anti-comunistas é fartamente relatada por René Armand Dreifuss em seu livro “1964: A Conquista do Poder”. A entidade se limitava a transitar junto aos poderosos numa simbiose de vaidades e locupletações. o então presidente do Sindicato. Comandado pelo jornalista Moacir Pereira. pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e pelo Conselho Superior das Classes Produtoras (CONCLAP) em colaboração com o Departamento de Estado Americano (leiase CIA) para combater a “avanço do comunismo na América Latina”. As festas. Entre 1975 e 1978 há um período da vida do SJPSC que merece atenção especial do pesquisador. Ele foi como bolsista convidado pelo Adido Trabalhista da Embaixada dos Estados Unidos junto com outros cinco sindicalistas catarinenses. A participação na excursão aos EUA não era resultado do prestígio de Miranda. Adão Miranda. a Federação Nacional dos Jornalistas esboçava uma reação à censura imposta pelo governo (como em documento aprovado pelo congresso da entidade em junho de 1976. Em 31 de julho de 1966. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 191 .Júlio Zandrozny recebeu homenagens. Nilson Bender. eram promovidas em cidades do interior e invariavelmente destacavam autoridades e empresários bem relacionados com o governo. muitas vezes. partiu para uma viagem de 45 dias a 25 cidades norte-americanas. diretor da Fundação Tupy (pré-candidato ao governo derrotado internamente na UDN) também estrelou um jantar.2 Os anos 60 e 70 foram levados pelo Sindicato nesta toada. Nesta época. uma vez como diretor da Artex e outra como presidente da Celesc.

mas o MOS tinha o exemplo próximo dos operários do ABC paulista. particularmente em Santa Catarina. É nesta gestão que é assinado o primeiro Acordo Coletivo da categoria. Os novos filiados representavam uma base eleitoral potencial para as eleições da entidade que ocorreriam em 1984. do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais da UFSC. o que o Sindicato insistia em não ser. Também investe no discurso de qualificação profissional. A gestão de Pereira. a criação do Curso de Jornalismo da UFSC começam a desenhar definitivamente um elo de articulação entre os jornalistas catarinenses. contraditoriamente. a reorganização dos movimentos sociais e. criando o piso salarial de seis salários mínimos para os jornalistas. pois a maioria dos jornalistas ignorava o Sindicato. relata e analisa o MOS em artigo produzido para a disciplina Movimentos Sociais. o Movimento de Oposição Sindical (MOS) dos jornalistas começa a fazer o trabalho que o sindicato deveria fazer3. 3 O jornalista e professor Eduardo Meditsch. Os jornalistas catarinenses não tinham nenhuma tradição de organização trabalhista. embora avance inegavelmente no sentido da construção de uma identidade corporativa para os jornalistas. também.des individuais e faz denúncias contra a censura. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 192 . em 1985. Ao mesmo tempo que denunciava e enfrentava a direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. uma vez que este pouco significava em termos práticos para a categoria. sob orientação da professora Ilse Scherer Warren. não rompe com a tradição de relação estreita com o poder. na realização de vários eventos e palestras com profissionais de destaque nacional. O crescimento da resistência democrática no país. o MOS também tratava de fortalecer a entidade por meio de campanhas de sindicalização. Pereira investe. que começavam a se organizar dentro dos sindicatos ou em oposições que visavam a conquistar as estruturas sindicais. Boa parte dos fatos que mencionamos aqui é descrita em tal trabalho. mas com mais força a partir de 1982. A partir de 1979.

O principal obstáculo era a máquina política do governo do estado. As próprias empresas de comunicação. reconheciam o movimento ao permitir que seus representantes visitassem as redações para distribuir informativos e discutir com a categoria. Nem a divisão entre tendências dentro do MOS parecia atrapalhar. composta de Artur Scavone. A situação lançou Cyro Barreto JORNALISMO EM PERSPECTIVA 193 . o MOS se estadualizou e celebrou a sua consolidação no encontro estadual realizado em Blumenau. que estava disposta a manter o seu singelo aparelho sob controle. Ayrton Kanitz. Elizabeth Brandão. Moacir Loth. nos dias 24 e 25 de abril de 1983. Sua representatividade logo foi constatada pela categoria e pelos setores da sociedade vinculados às lutas democráticas. Bonifácio Thiesen e Valdir Alves. Ionice Lorenzoni. Ayrton Kanitz foi escolhido para liderar a chapa. com mais de 200 participantes. Os simpatizantes do novo sindicalismo do ABC paulista (que viria a desaguar na Central Única dos Trabalhadores) disputavam com ampla vantagem espaços com os representantes da Unidade Sindical (que viria a criar a Força Sindical liderada por Medeiros e Magri).Realizar reuniões com cerca de 60 pessoas era normal para o MOS. Associações e clubes de imprensa de todo o estado passaram a apoiar o MOS. Maria Lins. Moacir Loth. apesar de o pleito ter sido prejudicado pela enchente que ocorreu em 1984 em Santa Catarina. que elegeram a primeira Comissão Executiva do MOS. que tinha ainda os nomes de Elaine Borges. Tendo como voz o “Jornal dos Jornalistas”. que tiveram mais de 220 votantes. Para escolher os nomes que concorreriam à direção do Sindicato. Diversas entidades apoiaram política e estruturalmente a oposição dos jornalistas. de maneira inconfessa. que crescia como uma locomotiva que se deslocava a todo vapor em direção ao Sindicato. o MOS realizou eleições prévias em todo o estado. Mário Medaglia e Celso Vicenzi. em pleno Teatro Carlos Gomes.

Mas o resultado não valia nada. que foi contestado pela situação. com a prerrogativa de escolher pessoalmente os outros 23 nomes que comporiam a chapa. pedir a impugnação de todos os membros da chapa de oposição junto ao Ministério do Trabalho. era legalmente o coordenador do processo eleitoral. O MOS brigou pelo adiamento. que compunha a chapa de situação. ainda que de forma velada. que “informavam” os eleitores que a chapa do MOS havia sido impugnada. só ele tinha acesso à documentação de habilitação das chapas. que via na calamidade a chance de descontar os votos do interior do estado que havia perdido no primeiro escrutínio. pois a legislação exigia que a chapa vencedora obtivesse maioria absoluta num primeiro turno. No segundo turno. O Ministério do Trabalho adiou a eleição na última hora. Um funcionário da Celesc ligado politicamente ao governador da época. E a diretoria do Sindicato criava empecilhos para que os associados pagassem as suas mensalidades para ter direito a voto. nove foram acatadas. o MOS venceu a situação por dois votos de diferença: 120 a 118.para concorrer à eleição. dois dias depois de uma forte enchente fustigar o Estado. No dia 25 de julho de 1984. Como o presidente do Sindicato. Nova eleição foi marcada para 9 de agosto. A oposição não tinha. mas continuou fazendo vistas grossas para as outras irregularidades. A abertura oficial do processo eleitoral revelou um adversário difícil de ser enfrentado: o conjunto de regras e leis sindicais que favorecia de diversas formas o continuísmo. sob boatos e trocas de acusações. A eleição ocorreu assim mesmo. as cédulas foram levadas para o interior do estado pelos próprios candidatos da situação. A Delegacia Regional do Trabalho emudecia diante das denúncias da oposição. acesso às listas de votantes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 194 . Ficou fácil suprimir papéis e. As empresas de comunicação se dedicavam a auxiliar a situação. por exemplo. na maioria das vezes. alegando falta de documentos. De 24 solicitações.

como coletivo. Nos três anos da primeira gestão do MOS. Mas em 1987 o Movimento reergueu-se para concorrer a novas eleições e dessa vez obteve êxito. O resultado foi a vitória de Cyro Barreto por 137 a 116 votos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 195 . Várias lideranças do movimento deixaram o estado ou se envolveram em projetos profissionais que os afastaram do cotidiano da categoria. acontecem duas greves na redação do “Jornal de Santa Catarina”. que tinha como patrimônio um arquivo de aço e um telefone. “O Estado” era fecha4 Ao saber que Celso Vicenzi compunha a chapa do MOS. Ele sequer completou o mandato. venceu a eleição e assumiu a entidade. A gestão de Vicenzi ocorreu num momento em que o Movimento Sindical estava a plenos pulmões. Sua gestão. Celso Vicenzi. foi um fracasso. Renunciou em fevereiro de 1986 alegando que a oposição anarquizara o Sindicato. Nesse momento também os jornalistas começam a se enxergar como categoria.Esperidião Amin. a identificação de um parceiro de agruras e possibilidades em cada colega de redação. Mesmo assim. a RBS imediatamente demitiu-o. O jornal “O Estado” também enfrentou duas paralisações dos jornalistas. no entanto. as cédulas eram trocadas nas dependências internas dos Correios. então com as garantias que o cargo lhe assegurava. repórter do “Diário Catarinense”4. eram poucas as categorias profissionais que não iam às ruas reivindicar seus direitos. Durante as greves. uma de doze dias. Com o país sob um processo inflacionário e recessivo. uma na sucursal de Florianópolis e uma em toda a empresa. O resultado dessa nova auto-imagem é a mobilização. iniciou uma nova fase da vida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. enquanto os fiscais do MOS conferiam a chegada de votos por correspondência na Caixa Postal do Sindicato. com a complacência e colaboração do órgão. mas oito meses depois uma determinação judicial reintegrou-o ao emprego. relatou a um eletricitário que. O impacto da derrota desarticulou o MOS por longo período.

A atividade sindical desse período foi sempre realizada na adversidade. Ativados por alguns telefonemas. por força do Acordo Coletivo. Os empresários de comunicação começaram a sentir o peso de uma gestão sindical disposta a batalhar pelos direitos da categoria. que algumas vezes acabaram em dissídio julgado pela Justiça.do praticamente só com despachos de agências de notícias e algumas matérias de assessorias de imprensa. criando vínculos essenciais com a categoria. diagramador. Conquista importante foi a unificação do piso salarial. Nenhum acordo foi fechado sem que se obtivesse pelo menos a reposição da inflação do período. por exemplo. sobretudo. quando a direção do “Diário Catarinense” resolveu impedir os sindicalistas de entrarem na redação para distribuir um informativo. O endurecimento das negociações. que diminuíram a escala de produção de releases. que era o terceiro mais baixo do país. só foi sustentado porque a representatividade do sindicato se impôs. a descontar em folha a mensalidade da entidade. chegou a ser o mais alto do Brasil. o que só foi conseguido mais tarde.dificultando ainda mais o baixamento do jornal. O piso salarial catarinense. De estrutura o Sindicato não dispunha. o Sindicato persegue desde sempre o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 196 . Hoje. editor. O estreitamento das relações entre o Sindicato e a categoria se evidenciou em situações como a que ocorreu num dia de 1988. Um trabalho do comando de greve junto aos assessores do governo angariou a solidariedade de alguns deles. fotógrafo). subeditor. A diretoria não ficava 15 dias sem passar nas redações para debater as questões emergentes. o piso regional está na média nacional. Sem recursos. que era dividido em cinco faixas distintas por função (repórter. e as empresas se negavam. Em várias negociações houve reajustes diferenciados que privilegiaram os salários mais baixos. praticamente todos os profissionais do jornal deixaram seus postos de trabalho e foram até a frente do prédio ouvir o que o Sindicato tinha a dizer.

A idéia era simples: fazer aparecer na televisão mensagens sobre as condições de trabalho dos jornalistas. não consegue estar presente em todos os espaços sociais que seu prestígio permite. Passeatas. especialmente exposições de fotos e charges que correram o estado. um repórter da RBS TV entrevistava ao vivo o presidente do Tribunal JORNALISMO EM PERSPECTIVA 197 . Vários deles usaram as suas colunas para atacar o novo comportamento do Sindicato. especialmente em eventos de grande repercussão. que poderia redundar no fortalecimento das próprias lutas internas da categoria. Para quebrar a barreira de comunicação com a sociedade. que destoava do servilismo que caracterizou as gestões anteriores. mas sua falta de estrutura não consegue dar conta dessa tarefa. da presença efetiva em todos os pontos do estado.sonho da interiorização. que era veiculada mensalmente nos jornais. algum jornalista aparecia de “papagaio de pirata” atrás do repórter com um cartaz com alguma reivindicação dos jornalistas. a sociedade civil identifica nos sindicatos de jornalistas uma legitimidade similar a de órgãos como a OAB. Uma dificuldade paradoxal do Sindicato é a de se comunicar com a sociedade. sem ônus para o SJPSC. out-doors e faixas em viadutos foram utilizados dentro das parcas possibilidades financeiras da entidade. por exemplo. Por ser uma entidade que representa profissionais de comunicação. Mas ainda era pouco. cartas às agências de publicidade. A criatividade e a ousadia deram forma à Operação Papagaio. Na cobertura das eleições de 1992. Embora tenha um enorme potencial de representatividade e credibilidade. em várias transmissões ao vivo. O problema se agravou depois que as empresas de comunicação espertamente suprimiram dos Acordos Coletivos a publicação da coluna do Sindicato. Então. o Sindicato investiu em eventos culturais. A dificuldade da entidade se comunicar foi bem explorada pelos colunistas que cerraram fileira com os interesses das empresas.

com as iniciais da empresa grifadas. a tarefa de reivindicar salários e condições de trabalho fica muito mais difícil quando é necessário debater com a sociedade a necessidade de se ter diploma para exercer o jornalismo. ainda.Regional Eleitoral quando atrás da autoridade surgiu Valdir Cachoeira. como a distribuição em encontros empresariais de panfletos que comparavam os editoriais nos quais as empresas de comunicação defendiam práticas de gestão moderna com o tratamento feudal dispensado aos jornalistas. Embora singelas. Melhor para as empresas de segurança que eram contratadas para evitar que qualquer faixa ou cartaz fosse aberto diante das câmeras. essas ações de guerrilha informativa espalharam pânico e paranóia entre as empresas de comunicação. Deu uma enorme confusão e Cachoeira teve sua credencial caçada pelo TRE. disse o herdeiro da RBS com o dedo em riste. “Isso não vai ficar assim”. Para evitar ações dessa natureza. Essa prática ganhou outras formas de expressão. Obviamente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 198 . ao final do espetáculo. os sorteios do Caminhão do Faustão e os grandes shows. desceu de seu camarote para desafiar os dirigentes do Sindicato. Se as duas gestões de Celso Vicenzi tiveram o caráter de dar ao sindicato uma estrutura mínima e à categoria uma identidade corporativa. a tarefa de defender a categoria dos ataques à regulamentação da profissão. Quando Xuxa veio ao estádio Orlando Scarpelli como convidada da RBS para as festas de Natal. a RBS contratou mais de 200 seguranças para o show do roqueiro Rod Stewart. Ele não gostou das faixas que diziam “Xuxa. então repórter do jornal “O Estado”. Os principais alvos do sindicato eram as transmissões do Jornal do Almoço ao vivo. as duas de Sérgio Murillo de Andrade tiveram. a equipe da Operação Papagaio despertou a ira de Pedro Sirotsky que. com o cartaz “RBS Rede de Baixos Salários”. baixinho é o salário do jornalista” e o já tradicional “Rede de Baixos Salários”.

com um maior número de jornalistas no mercado. passa a ser novamente uma urgência. pelo menos para os setores mais esclarecidos. Pesquisa publicada pela revista “Imprensa” mostra que a cate- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 199 . Nesse período. A proliferação de cursos de comunicação em Santa Catarina. estar presente desde o processo de formação dos novos profissionais. mas um fato que desafia todo o movimento sindical no momento em que as ideologias que alavancam o individualismo ganham força e terreno. trouxe algumas vantagens e muitos desafios para o Sindicato (como sindicalizar os egressos dos cursos. provavelmente atingindo jornalistas mais jovens. No entanto. com a multiplicação numérica dos jornalistas. a dissolução do espírito coletivo solidificado em meados dos anos 80 é um fato que acompanha uma postura de quem confia no seu sindicato.Prevalecia até pouco tempo o arquétipo do jornalista como uma pessoa bem situada economicamente e com trânsito nos escalões do poder. mas não participa de suas iniciativas. Hoje. A sofisticação dos processos de cooptação dentro das empresas com políticas ousadas de endomarketing e desenvolvimento de culturas empresariais certamente também concorre para dissolver o espírito classista. que ainda não tiveram contato com toda a extensão da realidade profissional. os jornalistas não carregam mais o glamour que lhes era atribuído. os desafios se tornaram pelo menos mais complexos para os sindicalistas. por exemplo). que parecia uma tarefa dos anos 70. Já é possível perceber que a exposição pública dessa categoria não é proporcional à sua remuneração e. Defender a profissionalização do mercado. A desmobilização não é um fenômeno que atinge somente os jornalistas. O reflexo deste novo quadro na organização sindical é grande. às difíceis condições de trabalho que enfrentam na maioria das vezes. O auto-engano com relação ao status da profissão talvez seja hoje menos relevante do que no passado. a mitificação parece relativizada e. muito menos.

governo e terceiro setor. segundo a Fenaj). com as tendências do mercado e os novos paradigmas produtivos da sociedade. Não se trata de dizer que o Sindicato deve esquecer as redações. mas superando os metalúrgicos). seus locais de trabalho não são mais majoritariamente as redações de rádios. com presença freqüente de diretores nas principais cidades. O Jornalismo é profissão nova. O resultado imediato foi um aquecimento da mobilização nas campanhas salariais. estão nas suas próprias agências de comunicação (às vezes. Estatisticamente. novas habilidades de abordagem. Por tudo isso. mas que precisa lembrar que há outros habitats para a categoria que também merecem atenção. até como empregadores de outros jornalistas). Mas o olhar sobre ela já carece de reciclagem. além disso.goria tem alto índice de sindicalização (cerca de 40% em escala nacional. Eles estão espalhados nas assessorias de empresas. A primeira gestão de Luis Fernando Assunção foi marcada justamente pelo esforço de interiorização do sindicato. quem for contar a história do Sindicato vai ter muito trabalho. passando a direção para Rogério Christofoletti. mas que esse índice é mais baixo entre os jornalistas jovens e recém-egressos de universidades. nova postura institucional e. e retornando em seguida) acontece em circunstâncias em que se redesenha o perfil dos jornalistas. mais nova ainda em Santa Catarina. estão nas universidades ensinando jornalismo (o que é uma função jornalística. Ter uma entidade representativa desta nova categoria exige novos entendimentos. jornais e TVs. só perdendo para os bancários. Vai ter que articular os poucos documentos que localizar com o seu tempo. Já a segunda gestão (durante a qual Assunção licenciou-se por onze meses. Vai ter que encontrar os nexos entre as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 200 . outro tipo de estrutura física e operacional. A dinâmica da sociedade repercute muito rapidamente nessa categoria. que por sua natureza precisa estar sintonizada com as movimentações tecnológicas.

Vai ter que conhecer a conjuntura política de cada circunstância e sua influência nas ações. Vai ter que pensar sobre jornalismo e jornalistas. Vai ter muita história para contar. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 201 . Vai ter que resgatar o folclore dos personagens e inseri-lo na história coletiva.relações de poder de cada época e as atitudes da entidade.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 202 .

A eletricidade. aumenta sobremaneira. Entre elas destacam-se o telefone.) Nada conseguiremos compreender da era moderna se não nos apercebermos da maneira como a revolução na comunicação criou um novo mundo”.. o rádio.Cooley Os avanços da ciência e tecnologia vivenciados na atualidade se refletem em todos os segmentos da sociedade.H. a televisão. o cinema.. A cada dia. Cada uma dessas inovações teve grande impacto em sua época e todas. C. Ao contrário do que muitos pensavam. atingiu 50 milhões de usuários JORNALISMO EM PERSPECTIVA 203 . a humanidade presenciou o surgimento de diversas inovações na área da comunicação. verificaremos que o tempo de difusão da Internet é incomparavelmente menor que os demais. pois a posse da informação caracteriza uma forma de poder. o computador e. nenhuma suplantou totalmente a outra. sejam elas noticiosas ou não. sem exceção. por fim.Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e informatização nas redações catarinenses Maria José Baldessar contradições . continuam a existir e a exercer forte papel no cotidiano das pessoas. No entanto.Um breve relato da chegada da “(. inventada em 1873. a busca de informações. se observarmos a linha de tempo de algumas invenções dos dois últimos séculos. No decorrer do século XX. e a Internet com certeza não será exceção à regra e nem será a última invenção humana nessa área. a Internet.

O princípio da Linotype consiste em juntar. “era na parte da frente que trabalhava a intelectualidade. conta que na sede da Rua Conselheiro Mafra a redação ficava na frente e as Mergenthaler1 atrás – separadas por meia parede de tijolos. Por acaso os aparelhos de rádio. o rádio (1906). revisor do extinto jornal A Gazeta. o telefone (1876). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 204 . A Internet. eram organizados. 55 anos. a televisão (1926). o fax. Nessa meia parede havia uma passagem estreita por onde o aprendiz levava o material escrito a máquina ou a mão para a composição. criada na década de 90. É esta particularidade de fundir num só bloco de chumbo uma linha de matrizes (type em inglês). 35 anos para atingir esta mesma marca. ou seja “line of type” (linha de matrizes). muitas vezes. 26 anos e o microcomputador (1975). diferentemente dos jornalistas. que está na origem do seu nome. tem hoje 378 milhões de usuários.depois de 46 anos de existência. a realidade que se apresenta é bem diversa. um muro (literalmente) separou os jornalistas desses inventos maravilhosos. com a ajuda de um teclado. de Florianópolis. 22 anos. 16 anos. 1 Máquina de linotipia inventada pelo alemão Ottmar Mergenthaler em 1879. por sua vez. Carlos Sepetiba. fotografia e os equipamentos para produzir materiais para estes suportes não estão diretamente ligados a ela? O que seriam o telefone. televisão. Por isso estas máquinas se chamam “linhas bloco” em oposição às máquinas que compõem linhas letra por letra (ex: Monotype). o velho telex e as máquinas de linotipia e clicheria senão formas de tecnologia? Talvez o que se possa discutir é que. o automóvel (1886). Desde sempre o Jornalismo esteve ligado à tecnologia. atrás ficavam gráficos que contavam histórias engraçadas e que. não letras mas matrizes de letras que formam um molde/bloco em linha. Estes números são motivo de reflexão e de impaciência: qual o próximo invento humano? Embora um sem-número de jornalistas continue a afirmar que a profissão nada tem de tecnológica e que é movida pela criatividade e expressividade do profissional. ideológicos e tinham os salários pagos sempre em dia”. E mais.

estabelecendo um paralelo entre a redação do passado e a atual: “uma louca sinfonia de gritos..) montanhas de laudas se formavam para qualquer lado que se olhasse (. a intensificação do trabalho... nada de montanhas de papel”. iniciada na década de oitenta. paletós. as modificações nas condições de trabalho e.. telefones.. a especialização crescente.. Um artigo publicado na revista Imprensa sobre a informatização do jornal O Globo descreve as mudanças no ambiente da redação... sobretudo. mãos e rostos menos atentos (.) e a sinfonia das pretinhas deu lugar a um silêncio cibernético. as grandes mudanças no cotidiano profissional dos jornalistas começam com a informatização das redações dos jornais e revistas no Brasil. dedos. Com a introdução dos computadores. mas também numa nova relação com o texto.As mudanças nas redações e no cotidiano profissional Sem dúvida.. propiciado pelos 140 terminais e suas 138 teclas (.2 As mudanças são percebidas não só no ambiente e na estrutura física. mangas de camisa.) e o impiedoso papel carbono tingia mesas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 205 . os jornalistas tiveram de se adaptar a uma realidade profissional que incluía a exigência de maior qualificação.. cujos focos de luz só iluminam as mesas dos terminais.) e a limpeza.) as Olivetti e Remington que não sofriam de arritmia eram disputadas no tapa (.. com suas possibilidades de proces2 Artigo publicado na revista Imprensa em setembro de 1987..) hoje as persianas amarrotadas foram substituídas por um moderno sistema de iluminação que inclui um requinte inimaginável: calhas especialmente desenhadas.) um sistema de ar condicionado central acabou com o clima tropical que sufocava (. sem reflexos nos olhos ou nas telas (.. gargalhadas. Neste artigo são descritas as condições da redação do jornal O Globo antes e depois da informatização. assinado por Astrid Fontenelle e Débora Chaves. campainhas reverberavam impunemente (. O fazer texto através do computador..

é tarefa que cabe a nós jornalistas. que antes não vivia sem a régua de paicas. é na linha de produção de um jornal ou revista que se percebem as mudanças mais óbvias: o diagramador.. uma vez que os terminais ficam prejudicados com farelos e ambientes poluídos. sem dúvida nenhuma. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 206 . foram desaparecendo da redação.) para começar o usuário fica dispensado da preocupação com o fim de cada linha.. Com a Internet não foi diferente. Mudou também a iluminação e a temperatura do ar.. Mas. as cartelas de letras set e a caneta nanquim. A mesma sorte não tiveram os revisores e copy-desks que. o computador hifeniza (.samento e arquivo de texto. em qualquer ponto”.. Até mesmo o cafezinho e o cigarro se renderam à tecnologia..) a tela pode ser dividida em duas.3 No espaço físico das redações a tecnologia introduziu limpeza – desapareceram as centenas de laudas amassadas no chão.. um a um. ganha mobilidade e rapidez: “ (. Criada original3 Idem nota de rodapé anterior.) o computador também permite a inserção de qualquer informação. aderiu aos softwares de edição de texto e trabalha com precisão. Se antes do computador era inimaginável uma redação com ar condicionado e persiana nas janelas. de um lado a matéria do repórter e do outro a do redator (. sumiram as caixas de papel carbono para as cópias necessárias para a linha de produção. como profissionais e categoria laboral. Jornalismo e a Internet A cada década do último século surgiram mídias e se desenvolveram ferramentas capazes de torná-las massivas e populares em poucos anos.. numa linha de produção ordenada. simplesmente..) mas é no terminal que se escondem as mais saborosas novidades para qualquer jornalista (. fazer. hoje isso é rotina e já está incorporado ao dia-a-dia. Avaliar se o jornal ficou melhor ou pior sem esses dois profissionais.

edu. no entanto. De acordo com a pesquisa realizada em 1999. destes. o uso da Internet cresceu 116%.9% da população mundial. Acessado em 24 de junho de 2003 5 Disponível em www.ainda sem uma linguagem definida. segundo o Instituto de Pesquisa NEC. Hoje. apropriando-se da linguagem de outros veículos para a difusão de textos.622 pertencem a empresas de comunicação. reúne.ccp.. aproximadamente 300 milhões de computadores em 150 países do mundo. para Simone (2001). O número de usuários nos países em desenvolvimento aumentou 40%. lideram o número de publicações online: são 4. no Brasil. em 2002.folha. Não restam dúvidas. Na China. “(. Os EUA. três vezes mais que nos países desenvolvidos. a Internet vive a sua pré-história como meio de comunicação .com. 3. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 207 . Embora no Brasil não se tenha estatísticas sobre o número de publicações online. sons e imagens.br/informacao. 136%. No entanto. ligado à Universidade de Princeton. o número aumentou 75% em 2002. que essa linguagem se estabelecerá a partir da convergência das mídias e da união dos recursos infinitos de arquivo com a transmissão de informação em tempo real e com as possibilidades inéditas de interatividade e customização. uma das regiões menos conectadas do mundo. trinta anos mais tarde. começou interconectando dez computadores.5% e na Índia.925 sites de notícias existentes até setembro de 1998.. o Ibope fez um levantamento sobre a audiência desses veículos.ucla. Em 2002 a Internet recebeu mais de 130 milhões de novos usuários e o número global atingiu mais de 620 milhões . Acessado 18 de junho de 2003.) só poderemos desenvolver o verdadeiro jornalismo online quando 4 Disponível em www. segundo o American Journalism Review News4 . 78. Apesar destes números.9. 50% dos 25 mil internautas entrevistados afirmaram que navegam na Internet em busca de informações5 .mente pelos militares americanos no final dos anos 60. Mesmo no Oriente Médio.

que tem como característica a integração das linguagens dos meios tradicionais com as novas possibilidades da rede e (3) onde “um original conteúdo noticioso. com capa. muitas vezes. vai fluir. continuam com características de jornal e revista impressa. e em boa parte do mundo. O jornalismo na Internet ou jornalismo online vive seus primórdios. banners comerciais e links para negócios. “é integrante dos três estágios do desenvolvimento de conteúdos para Web. Assim.6 A maioria dos sites de notícia ainda são divididos em editorias (índice à vista). O mesmo não acontece com o restante do conteúdo da rede. a incapacidade de chegar a resultados satisfatórios quando temos que ousar em hiperlinks múltiplos. Esse terceiro estágio seria caracterizado também pela “aceitação 6 As empresas brasileiras de mídia se utilizam. em alguma medida.transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. Os portais de ou com conteúdo jornalístico. não é sem propósito que todos nós navegamos ou folheamos os sites jornalísticos com uma certa facilidade. ainda está “agarrado” aos velhos paradigmas do jornal impresso e se aproxima do rádio. do que os americanos conceituam como “shovelware”. mesmo os que dispõem de links para últimas notícias.todos nós tivermos possibilidade de usar a banda larga e todos os benefícios que vêm do vídeo. animação – e não esboços destas ferramentas”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 208 . a saber: (1) transpositivo . Para Pavlick (1997) o modelo transpositivo – shovelware. desenhado especificamente para a Web como um novo meio de comunicação”. (2) adaptativo. a transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. ou seja. quando se trata de conteúdo e forma textual. bastando verificar a dependência que temos dos instrumentos de busca e. de forma paradoxal. No Brasil. áudio. manchetes principais e chamadas para notícias secundárias.

audiência e relação com os receptores. como ficam? Muitos pesquisadores afirmam que a ascensão e consolidação do jornalismo online vai alterar aspectos importantes de produção.de repensar a natureza de uma comunidade online. (2) a usurpação ao jornalista da função de gatekeeper privilegiado do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 209 . E os jornalistas. (7) incremento da confiança técnica e maior exatidão das informações. mais. disponibilizando conteúdos na Internet. (2) aumento na produtividade dos repórteres. 2000:83) Para estudiosos como Garrison (1993) e Reddick/King (1995). (Bastos. processamento e difusão da informação. entre eles (1) a possibilidade de cada um atuar como jornalista. (4) qualidade na análise das informações. alterando as rotinas de coleta. A constatação de que o jornalismo está passando por transformações profundas e se encontra em processo de renovação de muitas de suas práticas pode ser aferida se aceitarmos que o mundo online está reconfigurando as redações e as práticas profissionais. aceitação de experimentar novas formas de contar uma história”. edição e publicação da notícia. (8) melhores formas de arquivo e busca das informações. (9) maior agilidade e facilidades de deslocamento. além da circulação. o próprio conceito de jornalismo poderá modificar-se devido a vários fatores. (3) diminuição do custo de obtenção de informações em todos os níveis e em todos os assuntos. (5) menor dependência das fontes para interpretação daquelas informações. “É consensual a idéia de que a Internet evoluirá de forma a garantir uma mais rápida circulação da informação na rede. (6) aumento do acesso à informação. a aumentar a informação disponível e a sofisticar a metodologia de identificação e acesso às informações”. redação. Podemos enumerar estas mudanças e mesmo as avaliarmos como positivas: (1) acesso às fontes.

redatores.. a edições anteriores. Nem repórteres. uma vez que. As normas que norteiam o jornalismo poderão alterar-se. seja por força da própria natureza da Internet. Já em 1996 Lage discutia essas modificações na profissão e apontava a necessidade permanente de reciclagem para o enfrentamento do cotidiano profissional.. o receptor conta com várias “camadas” de texto que formam o hiperlink. nem repórteres fotográficos. A cronomentalidade dos jornalistas poderá acentuarse. “checa” a informação recebida de suas fontes”. isto é. Pavlik (1996) e Dizard (1997) afirmam que. “(. (3) as características próprias da Internet. Outros como Koch (1991). “(. que permitem o aproveitamento do hipermedia (a confluência de “várias mídias numa só” e das hiperligações (os links que permitem a navegação na Internet). editores ou mesmo projetistas gráficos têm seus empregos ameaçados pela tecnologia. em função dessas mudanças. seja por força de novas políticas editoriais das organizações noticiosas.. que possibilita a diluição das responsabilidades e até o anonimato.. inclusive em outras línguas. de modo a poder confrontar a informação recebida da mesma maneira que o bom jornalista confronta.espaço público informativo. a pesquisas de todo tipo.) Uma reciclagem que nos permita a inclusão entre nossas atividades de boa parte das tarefas outrora exercidas pelos trabalhadores gráficos. a bancos de dados. se não mesmo a clandestinidade. devido à possibilidade de atualização constante do noticiário. as deadlines tendem a concretizar-se no imediatismo. a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 210 . Campos (2001) compartilha dessa visão e vai além. o perfil profissional também mudará. além das imagens atualizadas e até do som se for o caso. possibilitando acesso a todo tipo de detalhe. Ele afirma que a Internet permite uma forma diferente de fazer jornalismo e aponta as possibilidades do profissional de contextualizar cotidianos e fatos através dos hiperlinks e de como o receptor pode interagir como essa nova notícia.) Na Internet.

o âmbito de suas atribuições.” Um profissional capaz e com qualificação adequada pode servir de mediador entre as diversas “tribos” do mundo globalizado. um profissional qualificado para a produção de cd-rom. A reciclagem necessária para isso é do tipo inclusiva isto é. está contratando jornalistas e publicitários para traduzirem a linguagem médica das bulas de medicamentos. Ampliou-se. afora. Nesse contexto. Assim sendo. nos obriga a acrescentar às nossas habilidades o manuseio de sistemas informatizados e o conhecimento de processos de telemática. que está montando escritórios de jornalismo e relações públicas para a produção dos manuais de instrução.curto e médio prazos. Como formar um jornalista que saiba aliar a capacidade técnica de produção com um olhar crítico da realidade? Para muitos essa parceria é inviável. por exemplo. Mas como formar esse profissional? Essa talvez seja a principal discussão que permeia o cotidiano das escolas de Comunicação e Jornalismo país afora. o que é ser jornalista na atualidade? (2) sendo as ciências da Comunicação e Jornalismo – e os estudos teóricos relacionados a ambas. a exemplo do que já acontece hoje. sem dúvida. uma percepção mais aguda do cotidiano. outro aspecto que pode ser considerado é a expansão do mercado de trabalho. os processos judiciais. de modo a torná-las acessíveis ao grande público. como os estudos culturais – um dos contextos em que se procede uma reflexão multifacetada e transdisci- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 211 . A indústria farmacêutica internacional. Talvez devamos considerar questões como: (1) as novas tecnologias da informação desencadearam uma discussão sobre a identidade e a sobrevivência das profissões que eram responsáveis pela mediação simbólica. enciclopédias virtuais e banco de dados. Finalmente. O mesmo procedimento está sendo adotado pela indústria de eletrodomésticos da Europa e Ásia. cada vez mais. é claro. a explosão das chamadas novas mídias tende a exigir. e assim evitar os erros de interpretação e conseqüentemente.

como deveria ser a formação de um profissional que dê conta dessa realidade. levando em conta questões éticas. A informatização nas redações catarinenses: pioneirismo e contradições Em todo o Brasil. no país inteiro. estéticas e de linguagem que as especificidades do jornalismo exigem? (3) considerando o jornalismo online como transposição de uma certa forma de olhar a realidade (o olhar jornalístico) para o suporte informático. A cada novo invento a profissão modifica suas práticas. O processo. mas que utiliza a Internet e o mundo em rede como ferramenta cotidiana. O jornal “Folha de S. será possível afirmar que a especificidade do meio não altera a especificidade da mensagem? (4) até onde a construção desse profissional deve aprofundar saberes específicos ou mesclá-los com generalidades e saberes localizados? As respostas a estas questões talvez possam ser facilitadas se tivermos claro que o jornalismo sempre teve seu fazer cotidiano ligado à tecnologia.plinar sobre o mundo de hoje. A assimilação desse fato facilita o vislumbre do profissional necessário para a atualidade: um profissional que cumpre as atividades jornalísticas tradicionais. apesar de lento. Já nas redações o processo foi iniciado na década de 80. cria novas formas de mostrar o mundo através da informação. com a chegada dos computadores. desenvolve linguagens. que via com bons olhos “a modernização da infra-estrutrura física e administrativa das empresas de comunicação“. sempre foi incentivado pela Associação Nacional dos Jornais. na década de 70. Paulo” foi um dos pioneiros na adoção e criação de uma rede informatizada. a modernização nas empresas de comunicação começou pelas áreas gráfica e gerencial. como forma de racionalizar custos e de prepa- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 212 .

seguido pelo “Jornal de Santa Catarina”. No interior. em 1972. No ano de sua implantação. A reforma dos parques gráficos começou no jornal “O Estado” em 1971. Pioneirismo por conta da implantação do “Diário Catarinense”. Contradição gerada por relações de trabalho truculentas. fotógrafos e diagramadores. Estudo sobre a Associação Nacional dos Jornais. Sua redação era composta por 126 jornalistas. como forma de burlar as leis trabalhistas e do piso salarial vigente. do grupo RBS. Baldessar. o DC atingia 166 municípios. paralisações e protestos mostraram a organização dos jornalistas catarinense e o resultado desse processo foi o fortalecimento do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e da categoria profissional. que só em 1980 adotou a off-set. em maio de 1986. entre repórteres. sendo que até 1992 o jornal “O Município”. mostrou aos jornalistas catarinenses uma nova realidade. considerando-se assinaturas e venda avulsa. através do advento da Internet. a adoção de novas formas de imprimir deu-se aos poucos. A criação do DC. 1997. com uma circulação média de 26 mil exemplares. o processo de modernização das redações apresentou surpresas e veio acompanhado de pioneirismo e contradição. que mesclava necessidade de reciclagem profissional e adaptação a novas ferramentas de trabalho. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 213 . finalmente. por “A Notícia”. demissões arbitrárias e até o enquadramento dos profissionais em outras categorias.7 Em Santa Catarina. o processo não foi diferente. No final da década de 80 e início de 90 uma série de greves. de Brusque. 7 Ver. Compreensivelmente. editores. e. marcadas pelo desrespeito a jornada profissional de cinco horas. o primeiro jornal a “nascer” informatizado na América Latina. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC. ainda tirava suas edições em linotipia. redatores. Mimeo.rar para uma “possibilidade de ampliação de mercado e de internacionalização da comunicação. Maria José.

os diagramadores continuaram a usar as réguas de paica e os diagramas. Isso só mudaria anos mais tarde com o aperfeiçoamento dos processadores de texto. As normas rígidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 214 . No fotojornalismo. Na diagramação e fotografia. os demais jornais catarinenses seguiram a tendência de informatização das redações. depois o “Jornal de Santa Catarina” e. No interior. mais recentemente. num investimento aproximado de U$$ 500 mil. e se espalhado até mesmo aos jornais de pequeno porte. que não precisavam se deslocar até a redação para terminar a matéria. Para os jornalistas. No entanto. Cada editoria ficava em uma sala e em cada uma delas havia diversos monitores ligados a uma única CPU – eram os chamados computadores burros. já que serviam exclusivamente para escrever. Depois do DC. as novidades se misturavam com a tradição: embora os terminais permitissem um pré-cálculo do tamanho da matéria. hospedagem. “A Notícia” iniciou o processo em 1994.Mas onde está a diferença? A estrutura da redação do DC era diferente de tudo o que era conhecido no jornalismo catarinense até então. Ainda dentro da experiência pioneira do DC. que incluíam horas-extras. outra novidade foram as estações móveis de trabalho. Eram uma prerrogativa dos repórteres especiais. Cada profissional dispunha de uma senha para abrir sua “máquina” e modificar o texto. tendo começado pelos semanários de Criciúma e Chapecó. Simplesmente substituíam as máquinas de datilografia. A limpeza e o silêncio contrastavam com tudo o que se conhecia. o processo de digitalização só começaria no final da década seguinte. por sua vez. alimentação e outros. o processo acompanhou a evolução regional. o jornal “O Estado”. isso implicava a possibilidade de cobrir assuntos com mais rapidez e agilidade. A informatização mudou as redações. a experiência durou menos de dois anos e as estações móveis foram desativadas por implicarem “gastos excessivos”.

Adoção de novas tecnologias: “Na hipótese de adoção de novas tecnologias que possam implicar redução do quadro funcional. já que a produção do texto para muitos jornalistas começava com o ritual do cigarro e do café. Em todos os acordos e dissídios coletivos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Paulo”. celular ou qualquer forma de plantão permanente. como. que não se coadunavam com o cotidiano profissional até então estabelecido. a das horas de sobreaviso 8 . o aviso será de 180 dias. em 1980. as empresas ficam obrigadas a desenvolver. Em conseqüência. uma vez que todos estavam a par do que ocorrera na “Folha de S. no mínimo. Para os que tenham mais de 35 anos de idade. junto com o Sindicato. Os diagramadores passaram a ser “paginadores eletrônicos”. Outro aspecto relevante foi a juvenização da profissão. a partir de 1986. os jornalistas tinham outras preocupações. tendo como resultado o enquadramento em outra categoria profissional. Os não aproveitados farão jus a um aviso prévio de. quando a informatização da redação deixou pelo menos 200 desempregados. Nessa primeira fase.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 215 . pagarão adicional de 30% sobre o salário mensal”. em que o salário era menor e a jornada de trabalho maior que o limite de cinco horas de trabalho estabelecido pela CLT para os jornalistas.acesso e uso das máquinas eram complementadas pelos avisos de “proibido fazer lanche”. por exemplo. As escolas de comunicação lançam no mercado cerca de três mil pro8 Horas de sobreaviso: “As empresas que exigirem a utilização de aparelhos eletrônicos de localização. estudos de reaproveitamento em outras atividades dos jornalistas atingidos. os jornalistas logo perceberam outras ameaças: as mudanças na nomenclatura de contratação. Estas cláusulas foram muito discutidas. Além do desemprego. do tipo bip ou telefone portátil. 90 dias. mudaram a representação sindical – de jornalistas passaram a gráficos. “proibido fumar” e outros. aparecem cláusulas de proteção ao jornalista em virtude da adoção das novas tecnologias.

em seis é constatada a existência de contratos temporários de trabalho. Esse procedimento acirra a rotatividade e reforça a manutenção de salários baixos. e em catorze o não pagamento do salário normativo.fissionais/ano – em Santa Catarina esse número chega a quase 300. a evidência de precarização no trabalho é observada nos chamados procedimentos flexibilizados. Em 1995. em detrimento de outros com mais idade e experiência. Além da deterioração das condições de saúde. Some-se ainda a estes problemas a questão da saúde. Esse exército de reserva numeroso. estresse. lesões permanentes nos tendões. bronquite crônica devido ao ar refrigerado. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina” . responsável pela fiscalização. epilepsia. feita em 1984. identificou as doenças cardiovasculares. as neuroses e as doenças do aparelho digestivo como sendo as enfermidades mais freqüentes na profissão de jornalista. Das trinta empresas fiscalizadas – entre elas os jornais “Diário Catarinense”. Uma pesquisa da Organização Mundial do Trabalho. Assim. “A Notícia”. Os laudos da Delegacia Regional do Trabalho. Onze anos depois. qualificado e jovem tem permitido ao empresariado a opção pela contratação de profissionais recém formados. pode-se afirmar que a introdução dos com- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 216 . a OIT refaz a pesquisa e acrescenta outros problemas causados pelo computador: deficiências na visão e no sistema reprodutor. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina deflagrou uma campanha contra o exercício irregular da profissão. apesar das mudanças físicas nas redações e algumas alterações nos procedimentos cotidianos de coleta da informação. não só mostram o desrespeito à legislação profissional como evidenciam a precarização do trabalho. em vinte e duas o não depósito de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. em quinze a abolição do controle de ponto através de livro ou máquina. além de problemas de ergonomia. no uso da Internet como fonte de dados e do computador como banco de informações. alergias.

Mediamorphosis: Understanding New Media: Journalism and communications for new century. 1989 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 217 . informação. Pierre. . Rio de Janeiro. Nova Fronteira.H. Roger. Referências bibliográficas CAMPOS. Nilson. Convergência Tecnológica. 27. Mahwah. Publicado no Website Observatório da Imprensa. Porto Alegre. essa continua sendo mediada pelo capital e pela apropriação do trabalho. In: Congresso Nacional dos Jornalistas. A tecnologia não mudou a relação do jornalista com seu fazer profissional ou com as ferramentas de trabalho necessárias a ele.putadores nas redações catarinenses. 1997 GARRISON.com. C. Wilson P A nova mídia: a comunicação de massa na era da . 1901 CORRÊA. Edição em jornalismo eletrônico. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Da mesma forma. LÉVY. emissão e recepção do discurso. Pedro Celso. não mudou a relação entre o empresariado de comunicação e os profissionais. Elizabet Saad. DIZARD.observatoriodaimprensa. New Jersey: Laurence Erlbaum Associates. COOLEY. Bruce. Acessado em 23 de junho de 2003. www. 1996. assim como em todo o país. 1998 FIDLER. 1995 LAGE. New York: Charles Scribner’s Sons. Social Organization. Novos paradigmas de produção. não alterou a condição social do jornalista. Califórnia: Pine Forge Press. Computer-assisted reporting. São Paulo: Edicom ECA/USP 2000.br/artigos. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

Journalism: a guide to who’s doing what. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 218 . São Paulo: Companhia das Letras. New media technologies and the information highway. 1997. 1995 PAVLICK. 1996 ———————— The future of Online Journalismo.NEGROPONTE. John. jun/ago. Columbia Rewiew. Nicholas. A Vida Digital. New York: Allyn&Bacon.

controlado por uma certa rigidez dos princípios e pela indeclinável vontade de alguns de manter a retidão da conduta. iniciativas isoladas que tentam traçar linhas imaginárias que orientem os profissionais na sua lida diária. Existem. Francisco José Karam . sim. ética e liberdade Onde fica o centro de gravidade moral de uma profissão? De que forma uma categoria profissional escolhe e adota suas referências de conduta? Como os indivíduos orientam suas ações quando estão no campo de trabalho? De que maneira esses sujeitos. que comungam rotinas e valores. manifestam suas preocupações com a ética? É bem verdade que não há um único pólo irradiador dos valores deontológicos que marginam as ações dos sujeitos. EntreJORNALISMO EM PERSPECTIVA 219 .A preocupação com a ética: tradição e futuro Rogério Christofoletti “A reflexão sobre o jornalismo não pode levar em conta somente a prática e seus limites. mas também a possibilidade de ruptura com esses limites para formular uma outra prática. temos de reconhecer que há uma moral que o envolve e uma ética profissional que pode ser tratada especificamente”.Jornalismo. Se reconhecemos a importância contemporânea do jornalismo e a necessidade de refletirmos sobre ela. O centro de gravidade moral de uma profissão deslocase num raio mínimo. Há núcleos morais duros em volta dos quais gravitam outros valores e práticas.

entre os jornalistas. marcadamente liberais”. os jornalistas brasileiros balizam sua atuação pelos códigos vigentes em outros países. a preocupação com a ética data dos primeiros tempos de sua organização como categoria profissional. porque essas gozam de mais profundidade nas discussões. Assim. o tema da ética profissional foi intensamente discutido. de mais legitimidade e autoridade moral. inclusive. Sete anos depois. o que se percebe é que o grosso das iniciativas para a preservação de valores e atenção ética se dá em dois ambientes: nas entidades de classe e na academia. por exemplo. para as quais chegou a elaborar um plano”. Adísia Sá (1999. p. historicamente. esses esforços se liquefazem diante da complexidade das situações. códigos de ética surjam a partir das discussões que essas entidades lideram e estimulam. Barbosa Lima Sobrinho chega. provocando novos debates nos anos seguintes. a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) “ocupava-se com os delitos de Imprensa e das incontinências de linguagem dos jornalistas. idéia que não avança. frente ao dinamismo da vida e à tensão freqüente dos muitos interesses em jogo. Pelo menos no jornalismo. mas também promovem ações de reforço aos valores que dão o perfil identitário da profissão. Em 1926. Em 1911. “embora ainda não tenham um código de ética definido. As primeiras são sindicatos e organizações associativas que reúnem os profissionais tendo como frente demandas relativas ao trabalho. motivado já pela Federação Nacional JORNALISMO EM PERSPECTIVA 220 . admitia a elevação do nível profissional por meio de escolas. Baldessar (2003. no primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas. de mais reflexão social. Não é à toa que. O primeiro código de ética dos jornalistas brasileiros vai surgir em fevereiro de 1949. Mais perenes são as iniciativas coletivas. nessa época.tanto. p. 39) relata que. 97) conta que. essas entidades de classe não apenas atuam nas esferas de defesa dos direitos e interesses dos jornalistas. a propor a criação de um tribunal de imprensa.

com o sigilo de fontes. prolixo e com poucas condições de perenidade. o que poderia induzir o leitor a erro e à desinformação. O código ainda apontava a necessidade do profissional esforçar-se para “aprimorar seus conhecimentos técnico-profissionais.dos Jornalistas. No conteúdo. durante o 12º congresso da categoria.219-220) relata que os jornalistas Alberto Dines e Washington Novaes teriam formulado uma proposta de código de ética a pedido da ABI. Em 1968. O código de 1949 “considerava indeclinável dever das empresas coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público. O documento era relativamente longo. Por isso. em Porto Alegre. um novo código de ética foi discutido. lembra Adísia Sá (op. com a condição do profissional e seu compromisso com a comunidade. apesar de fixar os deveres e os valores que balizariam a conduta. e “sem que houvesse aceitação dos participantes – mesmo assim foi aprovado”. O texto deste segundo código já era mais sintético. fixava os deveres fundamentais do jornalista. o segundo código deontológico dos jornalistas não estabelecia as sanções àqueles que desacatassem o documento. a primeira carta de intenções deontológicas dos jornalistas brasileiros já estava caduca.cit. os jornalistas manifestavam preocupação com a imparcialidade. preocupava-se com o emprego de ternos dúbios pelo jornalista. Mesmo assim. Quem fazia cumprir o código eram os sindicatos e eles deveriam decidir as sanções conforme as regras de seus estatutos de funcionamento. sua cultura e sua moral”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 221 . Entretanto. com apenas quinze artigos e duas disposições gerais. a dignidade e o decoro de alguém”. mas o texto não chegou a ser votado.). pp. Além disso. cuja conduta deveria se pautar por valores que elevassem e dignificassem o ser humano. 1 Mario Erbolato (1982. Fenaj – fundada em 1946 – e aprovado no terceiro congresso nacional da categoria em Salvador1 .

partiu a orientação de que os sindicatos deveriam promover debates acerca dos valores que norteavam a atuação dos trabalhadores em veículos de comunicação. condena o arbítrio. e em 1981. a Declaração da Unesco sobre os meios de comunicação (1983). por fim. a Declaração de Prin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 222 . o 21º Congresso Nacional da categoria faz adendos ao texto. define os trâmites de um processo nas comissões de ética quando se observa desvio ou falha deontológica. a censura e a opressão. o código tem consonância com os principais documentos internacionais acerca do papel dos meios de comunicação e dos jornalistas. Ceará. no Rio de Janeiro em 1985. o acesso à informação como um direito do cidadão e o exercício de informar como um dever do jornalista. T rata. mas frisa trechos estratégicos. a discussão sobre a ética continuava a atrair os olhares dos profissionais. e o jornalista mineiro Didimo Paiva assume a relatoria do documento que seria apresentado na 15ª Conferência Nacional. Da 8ª Conferência de Goiânia. Não são mais os sindicatos quem deliberam sobre as sanções aos faltosos. Contemporâneo e bem situado. orienta a conduta do profissional e ressalta a sua responsabilidade social. tais como o Código Latino-Americano de Ética Jornalística (1981). A Fenaj indica uma comissão para reunir as sugestões vindas de todo o país. o Código de Ética do Jornalista Brasileiro é parecido com a sua versão anterior. por exemplo. Reforços a essa proposição são feitos em 1977. prega a liberdade de expressão. tornando-se o terceiro código de ética dos jornalistas brasileiros. versão que vigora até hoje. e cria a Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. Em 1986. na Conferência de Manaus. Os sindicatos criam comissões locais para a discussão de um novo texto deontológico nacional. Com 27 artigos. O texto foi amplamente discutido e aprovado.Em 1971. O órgão dá sustentação ao texto e a partir de 1987 os sindicatos se ajustam para seguir as novas orientações de observação deontológica. na de Caucaia.

presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina no final dos anos 70. estavam a institucionalização da comissão e a divulgação de sua existência e finalidades. quando. são essas comissões que recebem denúncias sobre supostos desvios éticos. São elas também que propagam com mais empenho os valores próprios da profissão. prestes a completar vinte anos2. Por determinação do Código. Elaine Borges. de Florianópolis. na gestão de Celso Vicenzi. e assim o fazem com maior autoridade porque contam com mais legitimidade. a Declaração de Chapultepec (1994) e a Declaração de Princípios para a conduta dos jornalistas. Entre os propósitos principais do grupo. a comissão que atuou de 1987 a 1990 chegou a analisar alguns casos. naquela época. Jarson Frank. quando o assunto se mostrava mais grave. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 223 .cípios da American Society of Newspapers Editors (1975). gerando debates internos e notas públicas. inclusive. a primeira Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais surgiu em 1987. Sérgio Lopes e Mario Medaglia. datada de 1954 e emendada em 1968. Escolhidos por uma assembléia da categoria após a eleição da diretoria da entidade – conforme estabelece o Código -. decidiu cruzar os braços. uma parcela dos trabalhadores do jornal O Estado. as comissões de ética são um advento recente. as questões pertinentes à ética jornalística eram tratadas pela diretoria da entidade. Apesar de ainda pouco conhecida. da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). e que dão o devido encaminhamento aos casos concretos. Em Santa Catarina. Em fevereiro daquele ano. acompanhou o embate entre dois grupos de jornalistas por ocasião de uma greve. enquanto que outros jornalistas assumiram as funções dos grevistas. os membros eram Eduardo Meditsch. destacadamente em 1989. A dis2 Segundo Moacir Pereira. As comissões de ética Principais braços dos sindicatos no campo da deontologia.

veiculadas nas páginas dos quatro principais jornais catarinenses3 . Uma atmosfera de legalismo se espalha pelo país ao mesmo tempo em que se multiplicam as denúncias sobre corrupção na esfera pública. Pelo menos no terreno da administração pública. o Sindicato não tinha ainda o seu próprio informativo impresso. um colunista foi advertido por 3 Na época. “Diário Catarinense”. a “impunidade” e o “mandonismo”. Foi num ambiente como esse que a Comissão de Ética do Sindicato atuou. Camadas sociais cada vez mais expressivas vão rechaçar o “jeitinho brasileiro”. “civismo” e “justiça”. Num dos casos. o Papel Jornal. Em sua decisão. com a sua exclusão do quadro de associados do Sindicato. Os tempos são de definições importantes na vida social brasileira: o primeiro presidente civil após o Golpe de 1964 é eleito diretamente. Essas transformações contribuem para um resgate de alguns princípios esquecidos pela população (ou pelo menos recalcados pela ditadura militar). já que havia claro conflito de interesses naquela condição. E todas as suas decisões mais importantes eram veiculadas na Coluna dos Jornalistas. uma nova Comissão de Ética foi escolhida pela assembléia dos jornalistas. a Comissão de Ética não entendeu que os jornalistas tinham ferido os princípios do Código. José Matusalém Comelli.cussão sobre se a adesão à paralisação teria sido uma infração ética foi a espinha dorsal do processo que consumiu dois meses de trabalho da comissão do Sindicato. Francisco José Karam e Moacir Loth. a Constituição de 1988 se infiltra positivamente no cotidiano dos cidadãos. e esse espírito vai ajudar a forjar uma casca moral um pouco mais rígida no imaginário nacional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 224 . Fixam-se na mentalidade coletiva valores como “cidadania”. Não é à toa que deste período emergiram severas punições em processos éticos no Estado: duas advertências públicas a jornalistas. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina”. Em 1990. mas penalizou o proprietário do jornal. publicada em “A Notícia”. Dois nomes se mantiveram – os de Eduardo Meditsch e Elaine Borges – e a eles se somaram os de Ademar Vargas de Freitas.

Com os resultados do trabalho. com sete perguntas. Elaine Borges e Eduardo Meditsch. Aluízio Amorim. Moacir Loth. Celso Vicenzi. Para isso. com o apoio da Agência de Comunicação (Agecom-UFSC) e da gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina4. As duas comissões trabalharam sob o período das gestões de Sérgio Murillo de Andrade à frente do Sindicato e não apenas analisaram denúncias como também tiveram ações afirmativas como a impressão e distribuição de milhares de exemplares de bolso do Código de Ética do Jornalista. a instância se consolidou como referência ética no Estado. foi distribuído entre os jornalistas de diversas partes do Estado. em 1996. em outro caso. Doroti Port e José Gayoso. As respostas apontaram para o fato de que nem todos se consideravam bem informados sobre ética. Mario Xavier. são eleitos Silvio Melatti.defender a aplicação da censura e estimular a demissão de jornalistas. toma posse a terceira Comissão de Ética do SJSC: Francisco José Karam. e as denúncias de condutas reprimíveis cresceram nos anos seguintes. Em 1997. e entre 1994 e 2000. mas simplesmente ignoraram as convocações da Comissão de Ética. Entre 1991 e 1993. mais seis. mas que todos achavam muito importante o assunto. o Código de Ética foi ferido e em ambos os casos. Em 1993. conforme lembrou Francisco José Karam. os envolvidos tiveram amplas condições para se defender. o réu desrespeitara acintosamente fontes mencionadas em suas crônicas. um questionário simples. Nas duas situações. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 225 . 4 Esse mesmo esforço já havia sido feito em 1992 na Comissão de Ética anterior. A sondagem ainda reuniu sugestões e considerações sobre como a Comissão de Ética deveria atuar melhor. a Comissão de Ética decidiu consultar a categoria para aperfeiçoar seu trabalho. os arquivos da Comissão no Sindicato contabilizam a tramitação de sete casos. Para um período de mais três anos.

foram escolhidos os jornalistas Maria José Baldessar. p. Mesmo tendo pouco poder punitivo – a expulsão do Sindicato e a advertência pública são as maiores sanções. Dependentes das queixas externas e submissas às sanções do Código. Tanto é que entre 2001 e 2004. Edelberto Behs. Se não os conhecem. Laudelino Santos Neto. conforme o Código -. como exigir-lhes que os acessem?” (Christofoletti.Em 1999. para garantir o equilíbrio da avaliação já que a denúncia havia partido de um dos membros da própria comissão catarinense. o número de denúncias vem caindo gradativamente. Celso Vicenzi. Destas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 226 . houve uma evidente renovação nos quadros da Comissão de Ética do sindicato catarinense. as comissões vêm trabalhando. da Fenaj. observou-se também. Nilson Lage. duas não deram andamento – ou por não ser da competência de análise da Comissão ou por fugir de seu alcance de julgamento. O estudo mostrou que há dúvidas quanto ao alcance e eficiência do Código de Ética como um instrumento forte na orientação da conduta dos jornalistas. Muito possivelmente por causa disso. Uma terceira foi encaminhada à Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão.139). questionei pessoalmente os jornalistas locais sobre a sua confiança na eficácia do Código de Ética e no andamento dos processos nas comissões competentes. A pesquisa revelou que os próprios jornalistas “desconhecem muitos dos dispositivos que têm para fiscalizar seus procedimentos sob um prisma de valores éticos. 2003. Para o período de 2002 a 2005. as comissões de ética perdem muito de seu poder de atuação. Francisco José Karam e Sérgio Murillo de Andrade. Entre 2000 e 2001. foram protocoladas na sede do Sindicato apenas quatro ocorrências. o que inibe a apresentação de novas denúncias. Eduardo Meditsch e Laudelino dos Santos Neto. Assumiram os postos os jornalistas Raquel Moysés.

Oito anos depois. Não é à toa que o assunto será tema de uma série de eventos promovidos pelas entidades classistas. entre 11 e 13 de outubro de 1991. do então ombudsman do ANCapital. Em 1995. Ao longo das celebrações.Eventos A discussão sobre a ética profissional ganha mais evidência a partir do final dos anos 80. os debatedores foram os jornalistas Moacir Pereira. o então editor de Zero Hora. Blumenau reuniu a categoria para o 2º Congresso Estadual dos Jornalistas. e do professor da Universidade Federal. a democratização da comunicação e a ética profissional. No programa. em 2003. debates sobre o mercado de trabalho. o evento trouxe em seu programa um painel que discutiu a lei de imprensa. Na segunda quinzena de agosto de 1992. Florianópolis deu lugar ao 14º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação JORNALISMO EM PERSPECTIVA 227 . Fernando Portela. mais uma vez. e “Jornalismo. pauta no evento que ocorreu de 31 de outubro a 4 de novembro de 1990. À época. Florianópolis sediou o 24º Congresso Nacional dos Jornalistas. Hélio Doyle. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina completou 40 anos de atividades. Sérgio Murillo de Andrade e Francisco José Karam. Mario Xavier. o 1º Congresso Estadual dos Jornalistas vai espelhar essa tendência. Realizado em Rio do Sul. ética e poder”. com o secretário de governo de Brasília. Com um código deontológico nacional e comissões de ética em todos os estados. Hélio Schuch. Os clamores por mudanças na lei de imprensa e na estrutura concentrada dos meios de comunicação brasileiros foram. Augusto Nunes. e o professor Nilson Lage. destacaram-se dois concorridos debates envolvendo a ética jornalística: “Que jornalismo é esse?”. com as presenças do diretor de comunicação da Fiat. Em Santa Catarina. Um ano antes. os jornalistas colocam o debate sobre a conduta profissional no centro de suas preocupações. sobre o ensino de comunicação e sobre a ética e a democratização dos meios.

o ensino propicia a repetição e a transmissão desses valores deontológicos às próximas gerações de jornalistas. há outro ambiente igualmente fértil para essas reflexões: a universidade. É nessas escolas que se forma o grosso da mão JORNALISMO EM PERSPECTIVA 228 . Esse embate gera uma atmosfera de crítica e autocrítica que nem sempre é bem recebida pelos profissionais desconectados das universidades. que passam a considerar que exista uma distância intransponível entre a teoria e a prática. percebe-se que a academia e a organização classista são os nichos mais estruturados de discussão da ética profissional e onde se vê com mais transparência essa preocupação. De qualquer modo. Sob a rubrica “Ética. com os clientes e com os colegas dos meios de comunicação. entre a cotidiano concreto e o ideário das escolas. A pesquisa científica e a produção de conhecimento ajudam a repensar as práticas do mercado. em Florianópolis – que atendem a esses propósitos. confrontando-as com os valores já cristalizados. Formação e Mercado”. Porém. Grande parte da produção intelectual sobre ética jornalística vem da academia. E isso se observa nas estantes e nas novas gerações que passam a ocupar mais espaços nas redações. Santa Catarina viu surgir onze cursos superiores para a formação de jornalistas. Em 25 anos. os eventos reuniram mais de trezentos participantes que discutiram também o tema da ética nas relações com as fontes de informação.(Enjac) e ao 4º Encontro Internacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação no Mercosul. com exceção da Universidade Federal. As escolas Enxerga-se com mais nitidez nas entidades de classe as discussões que os profissionais fazem sobre a ética jornalística. E todas as regiões hoje são contempladas com unidades de ensino – quase todas particulares. No ambiente acadêmico.

é importante citar alguns títulos vindos da academia: “Jornalismo. Há basicamente dois modelos: um que oferece a disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo. de Francisco José Karam (Summus. “Ética. UFSC e Ed. a Estácio de Sá (São José) e o Ibes (Blumenau). a Unochapecó (Chapecó). a UnC (Concórdia). estão a UFSC. “Ética e jornalismo”. organizado por Raquel Paiva (Mauad: 2002). A academia tem funcionado como um pólo gerador de novos conhecimentos e de muita reflexão sobre o fazer-ser jornalista. “Monitores de mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos”. de Francisco José Karam (Summus. 1999). de Mayra Rodrigues (Escrituras. e outro que oferece ao aluno duas disciplinas separadas. 1998). todos os cursos contam com matérias voltadas à discussão da conduta profissional. 1997). os últimos quinze anos assistiram a uma avalanche de lançamentos editoriais na área. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 229 . Mas não apenas isso. de Claude-Jean Bertrand (Edusc. a Unisul (Palhoça e Tubarão). 2003) e “A ética jornalística e o interesse público”.de obra que abastece o mercado de trabalho local. de Rogério Christofoletti (Ed. 1998). cidadania e imprensa”. “Ética da informação”. parte das universidades a maioria dos livros produzidos sobre jornalismo. No segundo. 2002). a Univali (Itajaí). E se o assunto é ética jornalística. o Ielusc (Joinville). a Facvest (Lages) e a Unidavi (Rio do Sul). “A deontologia das mídias”. No primeiro modelo. Além do ensino da técnica jornalística e do estímulo à reflexão. de Bernardo Kucinski (Fundação Perseu Abramo. ética e liberdade”. sendo uma de Ética Jornalística e outra de Legislação em Comunicação. Univali. inclusive com contribuições de Santa Catarina. “O arsenal da democracia” de Claude-Jean Bertrand (Edusc. de Daniel Cornu (Edusc. Neste contexto nacional. As disciplinas constam de 4 créditos e carga horária que varia de 60 a 72 horas/aula. “Síndrome da antena parabólica”. 2002). 2004). que instrui sobre aspectos legais da profissão e que arranha valores e princípios morais da profissão. No campo da deontologia.

visando o cumprimento do código de ética e a atuação profissional em defesa dos interesses do público. Os conselhos de jornalismo poderiam fazer valer os princípios e valores éticos expressos pelos jornalistas em seu código deontológico. Existe ainda a necessiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 230 . O projeto de lei tramitou aceleradamente no Congresso Nacional e foi rejeitado pelo relator. Para muitos. Adiada essa possibilidade. Boa parte do caminho parece já ter sido palmilhada. era uma solução a pouca efetividade das sanções aplicáveis e à oferta de um instrumento importante para a sociedade. a proposta recebeu uma saraivada de críticas do empresariado de comunicações. da política nacional e até de parcelas da categoria. visivelmente ligado ao empresariado da radiodifusão gaúcha. A medida tinha entre os seus objetivos fortalecer o Código de Ética na medida em que traria mais condições à categoria de punição aos profissionais faltosos. o deputado Nelson Proença (PPS-RS). Com o descarte dos conselhos profissionais para os jornalistas. o que há pela frente? Muita coisa pode ser feita. As entidades precisam dar mais visibilidade a essas instâncias bem como disseminar mais e mais o seu código deontológico na tentativa de introjetá-lo na vida cotidiana dos trabalhadores.O que há adiante Em 2004. As entidades de classe – como os sindicatos e a própria Fenaj – precisam fortalecer suas comissões de ética. dando transparência ao seu trabalho e difundindo a existência de um sistema próprio de avaliação da conduta profissional. a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) conseguiu o apoio do governo federal para a tramitação no Congresso de um projeto de lei que criaria o Conselho Federal de Jornalismo e suas instâncias regionais. Não totalmente compreendida. perdeu-se uma histórica chance de discussão aprofundada sobre as condições em que se produz jornalismo no país. Perdeu-se ainda uma excelente oportunidade de constituir um instrumento público de acompanhamento da conduta dos jornalistas.

A mudança anunciada – o cotidiano dos jornalistas com o computador na redação. Maria José. Mario. a construção de um processo em que a ética esteja no centro das preocupações jornalísticas é lento. é necessária ainda revisão contínua das regras que a categoria e o público estabelecem. Florianópolis: Ed. Itajaí-Florianópolis: Ed. 2003 ERBOLATO. Monitores de Mídia – como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. É um caminho que se faz no gerúndio. podem investir mais na pesquisa e no ensino da deontologia. Deontologia da Comunicação Social. As escolas de comunicação. Referências Bibliográficas BALDESSAR. porque segue regras históricas. nos eventos promovidos. UFSC. 1982 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 231 . Enfim. Petrópolis: Vozes. de crítica e autocrítica permanentes. preocupadas com a boa formação dos profissionais e com a sua permanente reflexão sobre o bom exercício da profissão. de reflexão intensa. 2003 CHRISTOFOLETTI. A academia precisa se aproximar mais do mercado de trabalho e das entidades de classe. Univali e Ed. é um caminho que não se faz isoladamente. Esse processo depende também de um engajamento coletivo. Portanto. por sua vez. nos documentos oficiais e nas manifestações públicas. enfrentando o claro desafio de tornar a disciplina tão prática e concreta quanto qualquer outra matéria que trate da técnica no jornalismo. Rogério. UFSC e Ed.dade de que o tema da ética permaneça vivo nas rodas de discussão da classe. Insular. estabelecendo pontes de entendimento comum.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 232 . Jornalismo. 1997 SÁ. de 1946 a 1999. Francisco José. ética e liberdade. 1999. Adísia. 2ª edição revisada.KARAM. Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha. O jornalista brasileiro – Federação Nacional dos Jornalistas. ampliada e atualizada. SP: Summus Editorial.

dos espaços sistematizados e acelerados dos processos de conhecimento.A contribuição das escolas: o curso da UFSC Francisco José Castilhos Karam 1 Para que deve existir um curso de Jornalismo? Para formar profissionais cidadãos? Para formar para o mercado? Para formar críticos do mercado? Ainda que resumidamente.por meio. os campos de conhecimento. mais saber. pode-se responder que é para formar profissionais jornalistas. Como conhecer? Duas das mais antigas universidades do planeta. que permanecem campos de sistematização do saber apesar dos mais de oito séculos que as sustentam. podem responder. potencialmente. a de Bolonha. resulta1 Parte deste texto formou o dossiê da candidatura do Curso ao Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação 2004. Quando a informação aumenta e a tecnologia se acelera e diversifica. Isto é.e ainda mais rapidamente . vencedora na categoria Instituição Paradigmática. Eles surgem por necessidade social e porque não é possível “descobrir a roda” a cada momento. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 233 . sem precisar que a forma quadrada se arredonde ao longo de décadas ou séculos. jornalista profissional. circula mais conhecimento e. É possível conhecer . precisamente. hoje temos informações instantâneas e dobra-se o volume de informação e conhecimento a cada dois anos. os centros de estudos. Num volume como nunca na história da humanidade. por meio do entendimento de como é possível fazêla. (Itália) e Salamanca (Espanha). chega-se a ela rapidamente. Teríamos de juntar as duas palavras numa só – o jornalista profissional e pensar sobre o que é ser isso. ainda que como qualidade sempre em discussão.

faço apenas alguns registros. E para afirmar a necessidade de formação graduada em Jornalismo. mais 10 cursos. dos muitos possíveis. em 1979. necessária. isso era apenas um sonho para alguns. E mais: uma forma moral de ser profissional. E. Mas. teórica.do da diversificação dos saberes e da divisão social do trabalho. nos últimos 26 anos. transformamse. os que agora chegam encontram um ambiente estruturado tecnologicamente. a UFSC foi destacada para integrar o livro alusivo aos 50 anos do Sindicato. como pioneira na formação de jornalistas. em centros de estudos e. em meados dos anos 70. A primeira foi a da Universidade Federal de Santa Catarina. o curso de Jornalismo persegue a excelência no ensino e o compromisso com a sociedade. contemporaneamente. já que é preciso uma certa recuperação de um árduo período. também. que me pareceram importantes para afirmar o curso de Jornalismo da UFSC no cenário catarinense e nacional. com os desafios JORNALISMO EM PERSPECTIVA 234 . tanto diante da multiplicidade de mídias e de desdobramento tecnológico quanto diante das especificidades de ordem ética. Passados 26 anos. e um local onde se possa acessá-los mais rapidamente. Assim. adequado tecnicamente e com suporte para a reflexão teórica e ética do jornalismo e da mídia. tarefa certamente delicada. As escolas de Jornalismo em Santa Catarina só chegam no final de 1979. estética e técnica que a profissão e a formação para ela demandam. seguindo-se. Da proposição política à qualificação integral em Jornalismo Desde sua fundação. No entanto. em universidades. um duro projeto a ser criado. A profissão jornalística seguiu tal tendência por necessidade social e para a afirmação de um ethos que significa uma forma de ser profissional. em sua forma mais elevada e complexa.

a mídia e o jornalismo no país apresentavam alguns desafios: de um lado. Daniel Koslowski Herz. destacou-se a figura do jornalista Moacir Pereira2 . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 235 . um punhado de profissionais. com o apoio institucional de alguns administradores da UFSC. de outro. Entre eles. César Orlando Valente. nos primeiros cinco anos. contra a visão então hegemônica de setores profissionais e acadêmicos do estado catarinense. de grande qualidade técnica e teórica. E foi de 1979 a 1984.e obstáculos a serem superados.dada a complexidade crescente social e a profissionalização em outras regiões . ainda que a estrutura funcional fosse incipiente. iniciado em 1979. ser necessário um curso de graduação em Jornalismo. Pontificam. hoje aposentado. O ambiente então. em sucessivas reuniões. sequer. que integra este livro. Paulo José da Cunha Brito. que o curso estruturou seu projeto pedagógico com base no conhecimento 2 Ver mais detalhes sobre a formação inicial das comissões e primórdios do curso no capítulo de Mário Xavier. Carlos Müller. geral e irrestrita” e a incipiente constituição de pólos universitários de ensino e pesquisa sobre a comunicação. Ayrton Kanitz. O curso. que contribuíram para a rápida qualificação acadêmica . que vivia o final da ditadura militar. no início dos anos 80. a criação do curso e acompanhava os debates nacionais e internacionais sobre a formação acadêmica.exigia um campo de sistematização do conhecimento prático-teórico e do envolvimento de tal campo com os novos desdobramentos sociais que o país viveria dali por diante. Maria Elena Hermosilla e Orlando Tambosi. a realidade . de graduação em outra área. teve logo o ingresso de jornalistas então muito jovens. que defendeu. a resistência ou a desconfiança em relação a um curso universitário de Jornalismo em Santa Catarina (o primeiro) em ambiente em que a maioria dos profissionais que então atuavam não tinham diploma na área ou. a luta pela “anistia ampla. Assim. Luiz Lanzetta. professores e pesquisadores consideraram.

as mudanças na profissionalização e no compromisso do jornalista com a sociedade (concorrendo. Dalton Barreto e Sônia Silva. então. em 1983). que custou aulas no saguão da JORNALISMO EM PERSPECTIVA 236 . em 1981 – memorável encontro que reuniu. somavam-se dois dos principais funcionários técnico-administrativos que dariam sustentação às atividades administrativas. em 1982. buscando formar profissionais qualificados do ponto de vista teórico e técnico e com preocupações éticas e estéticas. por posicionamentos políticos contra a ditadura e por mudanças sociais no país. À cultura de comprometimento com mudanças políticas somava-se a necessidade de formar com qualidade os futuros jornalistas. Ao grupo de professores. realizando excelente trabalho operacional. a participação em eventos de porte nacional e estadual. Tal tarefa exigiu dedicação além do previsto. três mil pessoas.prático-teórico. das primeiras reivindicações por mais equipamentos e professores. Tal etapa. em 84. eleito em 2004 presidente da Federação Nacional dos Jornalistas). o então professor Ayrton Kanitz). para a presidência do Sindicato dos Jornalistas. além do expediente e do período letivo: foi época de luta por espaço físico.Felafacs. o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação. como a luta pelas Diretas Já (nome da terceira turma. o primeiro até hoje no curso de Jornalismo. com o envolvimento de alunos e professores (organizando o Congresso da União Católica Brasileira de Comunicação. além do contrato de trabalho. formada em 31 de março de 1984. e na qual se formou Sérgio Murillo de Andrade. para alocação de salas de aula e laboratórios. as lutas pelas políticas democráticas e públicas de comunicação (movimento iniciado em 84 na UFSC por meio de Daniel Herz). o encontro da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social . vinculando sua formação tanto ao exercício diário do jornalismo quanto às questões sócio-políticas e econômicas da sociedade brasileira.

para colaborar na manutenção da qualidade didático-pedagógica do projeto. em Salvador (Bahia). que ingressou nos quadros do Jornalismo da UFSC o professor Adelmo Genro Filho. no país e exterior. Foi o reconhecimento pelo pioneirismo na constituição de uma teoria bem sistematizada para a área. superando resistências do campo da Comunicação. como em 1986. alunos e categoria profissional. Lanzetta. com professores e ex-alunos. Kanitz. capitaneada pelo recém-professor Hélio Schuch e já então coordenador do curso. entre eles Herz. falecido cinco anos depois. que se tornou disciplina no curso de UFSC e em vários espalhados por todo o país. refratária a estudos específicos sobre jornalismo. As culturas profissional e política se ampliavam. tornando-se referência teórica e ética para os colegas. Em novembro de 2004. autor de diversos livros sobre política e um especial sobre Teoria do Jornalismo. protestos estudantis e luta pela defesa da formação (diploma). com a saída então do primeiro grupo de professores. Maria Elena e Valente. além de acompanhar o movimento do curso até 2005. embora este último sempre tenha mantido relação muito próxima à instituição. a Assembléia Geral da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo criou o Prêmio de Pesquisa em Jornalismo Adelmo Genro Filho. quase todo o grupo inicial sempre manteve contato. que uniam militância política e experiência/cultura profissional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 237 . De 83 a 88. No entanto. nome que obteve a maioria dos votos diante de quatro apresentados no 2º Encontro da SBPJor. convidados a atuar em novos e desafiantes projetos. Foi um período de ingresso de novos e jovens professores. o curso teve algumas modificações estruturais. Foi no início dos anos 80. responsável pela ampliação das preocupações e reflexões sobre a área. que até hoje perdura. tendo retornado. precisamente em março de 1983.Reitoria. hoje um clássico na área. como substituto ou convidado. Müller.

continuando nos últimos seis. chega ao curso o professor Eduardo Barreto Vianna Meditsch. por meio da criação de espaços específicos de debates sobre a profissão e da qualificação prático-teórica. Valci Zuculoto. a Lei de Imprensa. nos últimos cinco anos. ao lado de já exalunos como Maria José Baldessar . que. e de projetos de extensão. mantendo o compromisso com as grandes questões sociais sem perder a necessidade sempre renovada de atualização curricular. Sérgio Weigert e Sérgio Mattos. Neila Bianchin. de vista. especialmente na área de rádio. de 2000 a 2005. Mauro Pommer. Luiz Scotto. os Direitos Autorais. já no decorrer dos anos 80. que amplia a cultura profissional naquela década e se torna responsável pelo desenvolvimento de pesquisas. a intervenção e a discussão sobre a formação profissional. Francisco José Castilhos Karam. Simultaneamente. iniciando-se discussões sobre um novo currículo. Muitos alunos têm participado de pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 238 . Aglair Bernardo. mais adequado aos novos rumos sociais e de acordo com os desdobramentos tecnológicos que o final da década de 80 e anos 90 iriam enfrentar. não perdendo nunca. envolvimento com temas da categoria profissional e qualificação prático-teórica. Gilka Girardello. ingressam professores como Hélio Ademar Schuch. Fernando Crócomo. Ricardo Barreto. Carlos Locatelli. ampliou-se a parceria para melhorar a formação dos profissionais. Da mesma forma. Carmem Rial. Durante todos os 26 anos. o Conselho de Comunicação Social. Áureo Moraes e Ivan Giacomelli (estes entre o final dos anos 80 e década de 90) renovam os desafios. ou logo depois. o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e muitos outros temas.Em 1982. Regina Carvalho. como debates ético-deontológicos junto com o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e com a Federação Nacional dos Jornalistas. o curso sempre esteve atuando ao lado das questões profissionais. o Conselho Federal de Jornalismo.

como Intercom. sem nome de disciplina apriorístico. Paulo. por razões que parecem ser mais um mérito do que dificuldades em alterá-lo. e subscrito pelas principais entidades da área. em torno de 55 a 60%. buscando novas exigências e estimulando novos estudos. Abecom e Enecos. o currículo atual do curso de Jornalismo – o sexto de sua trajetória – está novamente em discussão. Projeto Caras Novas (hoje desativado) da Rede Brasil Sul.gramas de estágio ou aperfeiçoamento como os da TV Globo. no fato de que o currículo é “móvel”. e por meio de dois programas especiais. Compós. é o mais longo da história do curso. atualizado em 1996. além de cursar as necessárias obrigatórias e as optativas – podendo dar ênfase mais à área de mídia impressa ou telejornalística ou digital. Ensino/Currículos Depois de passar por sucessivas mudanças ao longo de 26 anos. por exemplo – também. como o da Cátedra Fenaj-UFSC de Jornalismo para a Cidadania e o da Cátedra UFSC-RBS para aproximação ao mercado profissional. tanto específicos profissionais quanto de carências sociais. E contemplam o disposto no Programa Nacional de Qualidade de Ensino da Fenai. de 1991. basicamente. assim. Parece que. uma parte de disciplinas optativas e uma terceira que. Acredita-se que assim deve ser. além de refletir necessidades de novas áreas e procedimentos. O último currículo. Editora Abril. além de ser optativa. São projetos que ampliam e sedimentam a pluralidade necessária ao ambiente universitário. do Estado de S. A explicação está. é possível adequar rapidamente (a cada semestre) as ne- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 239 . aprovado em 1987. Sportv. por meio de tópicos. permitindo tanto a busca pelo emprego quanto mantendo a capacidade crítica diante do entorno profissional e social. Há uma parte de disciplinas obrigatórias. é formada por tópicos especiais.

sobre questões de cultura. no último ano. permite a conexão entre aspectos específicos da profissão com o entendimento e a reflexão sobre aspectos históricos do Brasil. como disciplinas que podem ser. Redação para Rádio e TV e outras laboratoriais que. O curso também é voltado. Ao mesmo tempo. Planejamento Gráfico. Radio I. ainda. Método de Pesquisa. comportamento – tanto por meio de reportagens em qualquer suporte quanto temáticas de discussões e seminários. juntamente com o suporte mais apropriado em cada caso. abrindo-se a interdisciplinaridade própria do Jornalismo. por exemplo. que lida com todas as áreas sociais. relacionando sua futura atividade à sociedade em que a profissão está inserida. Estética e Cultura de Massas. seja em voltadas para o texto de revista ou jornal. de buscar disciplinas em outros cursos da Universidade. programas de rádio ou tevê. Pesquisa Científica (objeto de estudos em Jornalismo) ou Práticas Editoriais (por exemplo implantação de sítios digitais. para revista. história . Foto. seja Grande Reportagem (por exemplo. Na primeira fase. Comunicação e Filosofia e o conjunto de tópicos e optativas permitem ao aluno chegar. Fotojornalismo. Jornalismo on line. política. revistas ou jornais e similares). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 240 . disciplinas como Teoria da Comunicação. os TCCs permitem escolher.cessidades de formação a aspectos emergenciais que surgem. jornal. Políticas de Comunicação. desde a primeira fase. a área para desenvolver o projeto. Há a opção. Legislação e Ética do Jornalismo. Teoria do Jornalismo. podendo escolher tema adequado para o Trabalho de Conclusão de Curso. buscando o saber fazer e o saber pensar sobre o fazer. tele ou rádio). para a formação profissional em Jornalismo. Assim. Assim. economia. há disciplinas como Técnica de Reportagem. também. um outro conjunto de disciplinas que ensinam a escrever e a pesquisar. acompanham as disciplinas como Tele I . junto com a de Comunicação e Realidade Brasileira I. seja em investigação via internet. Tal lógica percorre todo o currículo.

A mudança nas rotinas profissionais. que em média tem três mil acessos por dia. Hoje. chega. em coberturas especiais como o vestibular ou durante as greves. cursar pós-graduação ou trabalhar. portais. via internet. Extensão A partir de 1991. Muitos deles atuam em jornais. tanto no âmbito da própria UFSC quanto no estado e no país. o curso da UFSC formou ao redor de 800 profissionais.Nos 26 anos de existência. como Rádio Cultura e CBN. e mantém. No telejornalismo. prestar serviços por meio de micro-empresas e similares. mesclando notícias com grandes reportagens temáticas. tarefa a que muitos hoje se dedicam. O Unaberta Digital. trazendo informações sobre a Universidade Federal de Santa Catarina e o mundo da Educação. a 10 mil acessos diários. revistas. a partir de 1998. a Radioponto UFSC. supervisionados por professores da área. no estado ou pelo país afora. o curso de Jornalismo ampliou significativamente seus projetos de extensão internos ou junto à comunidade. 24 horas no ar. e com plantões aos finais de semana. Trata-se de sítio digital com atualização. rádios e tevês. Também o Unaberta Rádio mantém programas sobre a Universidade e a Educação em emissoras locais. A produção é feita por alunos bolsistas ou voluntários. o Projeto Universidade Aberta obtém reconhecimento nacional. além de vários terem escolhido o exterior para viver. o surgimento de novas tecnologias e a crise de empregabilidade gerou novos desafios e necessidades: atuar em assessorias de imprensa ou de comunicação. o TV e Ação Comunitária. a Revista da Semana e outros ocupam os espaços destinados pela UFSC TV JORNALISMO EM PERSPECTIVA 241 . em média. a cada 30 minutos. hoje espalhados pelo estado e país.

sendo momento profícuo de apresentação e de debates sobre a formação e o resultado dela para o futuro jornalista e para a sociedade. mesmo nos programas não diretamente vinculados à comunidade. alunos e funcionários especializados. no momento seguinte. Destacase que. Mantém-se. em 2003. ain- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 242 . os jornais murais. ressaltando-se. da Associação Catarinense de Integração do Cego. foram criados dois núcleos: o de Projetos Editoriais e o de Televisão Digital Interativa. Os Trabalhos de Conclusão de Curso ampliam os dados a cada ano. junto à comunidade. a necessidade de buscar parcerias para profissionalizar os respectivos setores. o projeto Rádio Beatriz. o jornal-laboratório “Zero” e desenvolve-se. acrescentando-se a cobertura do Vestibular e sua produção midiática jornalística. se produz um conjunto de programas que. há tratamento de temas de interesse não apenas da universidade. chegou aos seguintes indicadores: programas em vídeo – 252. programas de rádio – 1296. São projetos com a participação de professores. Com isso. supervisionado por acadêmico bolsista. edições de jornal – 8. junto a uma escola do Bairro Pantanal. junto à comunidade. sítios digitais produzidos – 21. mas de segmentos do entorno social e da educação como um todo. capazes de desenvolver pesquisas e projetos que auxiliem tanto a formação como desenvolvam o mercado qualitativamente. Em 2004. assessoria para desenvolvimento de pequenas revistas e jornais. Tais projetos foram intensificados a partir de 1998. e de entidades filantrópicas ou sem fins lucrativos. como o da Associação dos Aposentados do Hospital Universitário. Mantém-se o Núcleo de Radioteatro.(canal a cabo) e pela TV Cultura local (aberto). Foi criado. projetos prestados junto à comunidade. a cada ano. além de sítios digitais. e buscam a captação de recursos junto a órgãos de fomento e estabelecem parcerias com instituições públicas e privadas. envolvendo comunicação institucional – 14.

tanto no sentido de proposição de estudos e soluções quanto no de acompanhar o desdobramento da área na atividade jornalística em seus aspectos técnicos. Com dois ingressos de 30 alunos. nos meses de março e agosto. tele. com câmeras fotográficas e de vídeo de última geração. com digitalização de praticamente todas as suas produções. tem produzido alguns projetos que resultam em sítios digitais JORNALISMO EM PERSPECTIVA 243 . que atende o conceito A no item específico previsto nos processos de avaliação dos cursos da área. é possível manter tal perspectiva. de 30 por sala. Da mesma forma.da. totalizando 60. fotojornalismo. radiojornalismo e jornalismo digital. Bem aproveitado. internet. Grande Reportagem ou Práticas Editoriais. éticos e políticos. O número de equipamentos nos laboratórios de rádio. destinado a melhorar as condições de ensino e aparelhar tecnologicamente as instituições federais de ensino superior. para desenvolver projetos adequados aos próximos anos. à chegada de equipamentos via Governo Federal. Estrutura laboratorial Em parte. que se trabalhe com um aluno por computador nos laboratórios. permitindo que o aluno trabalhe Pesquisa Científica. hoje. características possíveis dada a divisão das turmas laboratoriais em no máximo 15 alunos por sala e. softwares atualizados nas áreas de telejornalismo. foto. este acréscimo de projetos deveu-se. sites e afins permite. nas teóricas. mídia impressa. por exemplo. a partir do início dos anos 2000. o Laboratório de Mídias Digitais e Convergência Tecnológica. tal projeto fez com que o curso de Jornalismo da UFSC tenha conseguido – juntamente com outros apresentados junto a instituições de fomento – estruturar seus laboratórios. conhecido como projeto Fungradão. com quatorze estações não lineares para edição de vídeo. o espaço de planejamento e confecção dos trabalhos de conclusão de curso.

seja no corpo diretor JORNALISMO EM PERSPECTIVA 244 . para 2006. concursos catarinenses e similares. artigos. livros como reportagens sobre política. pesquisas sobre jornais catarinenses. dentro do espírito da plataforma Rede Alfredo de Carvalho para a História da Mídia. voltado para a formação do jornalista qualificado nos planos teórico. produz periodicamente nas suas áreas. seleção para apresentação em emissoras de rádio ou tevê. Alguns dos trabalhos têm sido apresentados em eventos e obtido destaque. em sua quarta edição durante 2005. como o de adoção de menores. quer tem na UFSC a produção de seu sítio digital. A perspectiva. assim como em congressos em países europeus e nos Estados Unidos. Unaberta e Jornalismo no Cinema. mantém Programa de Estudos em Jornalismo e Mídia. nível de Especialização. ético. O corpo docente. E programa ainda incipiente de pesquisa na graduação. do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic). seja por meio de livros. juntamente com outros. como o da SBPJor. os encontros da Compós (encontro de programas das pós-graduações). Vários dos docentes integram diretorias de entidades de pesquisa na área. resenhas e participações em eventos como os do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).permanentes. esportes ou narcotráfico. Atualmente. é a criação do mestrado acadêmico em Jornalismo. técnico. seja no Expocom (premiação da Intercom para produção de alunos da graduação). estético e tecnológico. por meio da Iniciação Científica. ao qual se integraram nos últimos dois anos as professoras Gislene Silva e Heloiza Herscovitz. Pesquisa/produção científica O curso de Jornalismo da UFSC é de graduação.

Palavras finais O Curso de Jornalismo mantém. o corpo docente. incluindo. ao focar seu projeto didáticopedagógico em Jornalismo. pelo terceiro ano consecutivo (2002. que. trilhados pelo Jornalismo da UFSC na implementação e consolidação de seu projeto didático-pedagógico. com a contratação do professor Nilson Lemos Lage. A ampliação de estudos na área. 2004). hoje. É o principal prêmio na área acadêmica e tal fato confirma os caminhos. o currículo. desde 1998. também. Quando comemorou 25 anos. 2003. nos dois últimos de forma isolada. contribuiu para grande visibilidade social e profissional do curso por meio de sua extensa produção científica e reconhecimento nacional de sua atividade nas redações e na academia. venceu o renomado prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação’2004.br. além de torná-las mais úteis e consistentes no tratamento das questões de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 245 . Está acessível por meio de www. o curso da UFSC ajudou a consolidar a profissão e a formação no estado catarinense e no Brasil.ou como coordenação de Grupo de Trabalho. onde poderá ser conhecida parte da trajetória. incluindo atividades profissionais e acadêmicas. os alunos. houve a atribuição de conceito Cinco Estrelas pelo Guia do Estudante da Abril. Também.ufsc. os programas.jornalismo. O projeto descrito aqui não é o único existente e nem o exclusivo a seguir. na categoria Instituição Paradigmática. Mas certamente. mais especificamente no campo do Jornalismo. agora já com 50 anos de experiência. cresceu a partir dos anos 1990. a produção científica e outros itens. conselhos editoriais de revistas acadêmicas. E parte integra. seu sítio digital no ar. ainda que árduos. especialmente a partir de 92.

Apesar das dificuldades operativas no dia-a-dia de uma Universidade Pública.interesse social a partir de sua especificidade. precisamente porque valorizou o profissional integral. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 246 . com as dimensões que significam as palavras formação e jornalista. pelo envolvimento de professores. vinculadas às contribuições sociais que delas decorrem. o curso soube. servidores técnico-administrativos e alunos. encontrar um caminho que legitimou sua aposta: um projeto voltado para a formação de jornalistas.

o neoliberalismo e a globalização dos anos 90. comercial-mercadológico e de conteúdo editorial. nos anos 50: uma demanda da sociedade e da categoria. de forma a atender o cidadão nas suas expectativas de uma informação cada dia mais ética. Nos anos 70. plural e de qualidade.A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mário Xavier Nos 50 anos de existência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) . a redemocratização nos anos 80. Uma parte significativa dessas mudanças refletiu macro tendências mundiais e se inseriu. resultante da própria evolução e complexidade crescentes da mídia e do fazer jornalístico. como resposta à reorganização da sociedade civil e da promulgação da nova Constituição em 1988. contribuintes e consumidores. a ditadura militar dos anos 60 e 70. a academia passou a aprimorar a formação. Surgiu então a consciência da necessidade de instrumentos e ferramentas que JORNALISMO EM PERSPECTIVA 247 . E o movimento sindical ressurgiu também com mais força no começo dos anos 80. Os anos 90 representaram a tentativa de afirmação de um jornalismo voltado crescentemente para os interesses sociais amplos. os anos JK. As cinco décadas que nos antecederam coincidem com a criação dos primeiros cursos de Jornalismo e faculdades de Comunicação Social do país. industrial-tecnológico. eleitores. a imprensa do estado e do país registrou grandes e marcantes transformações nos campos político-ideológico. em diferentes períodos como: o pós II Guerra. incentivando a defesa pública dos direitos elementares dos cidadãos. no Brasil. a pesquisa e a pós-graduação no campo midiático.de 1955 a 2005 -.

que vinha descumprindo suas obrigações. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 248 . Melo Prates.contribuíssem mais diretamente para o aperfeiçoamento da imprensa e dos jornalistas. de oposição à diretoria do SJSC na época. Adolfo Ziguelli.como no Brasil de um modo geral -. mediante uma crítica sistemática da mídia e uma permanente atenção ao ser-fazer jornalístico. 1962 a 1963 Registram-se as primeiras campanhas públicas pela valorização da categoria e promoção de valores éticos e profissionais junto aos associados e à comunidade. ações práticas que contribuíram para aperfeiçoar o exercício do jornalismo. Mas já é possível pinçar. qualificar a atuação da categoria e abrir diversos caminhos para a formulação e exercício de uma crítica de mídia fundamentada na observação. Silveira Lenzi. buscando servir de inspiração e referência para pesquisas e projetos futuros mais detalhados e aprofundados sobre o assunto. A iniciativa foi de um Comando Permanente de Ação liderado pelos jornalistas sindicalizados Eurides Antunes de Severo.fundada em 18/11/1953 e que deu origem ao SJSC . Em Santa Catarina . ao longo dos anos. no monitoramento público e na auto-observação.recebe a Carta Sindical dia 13 de maio. A linha do tempo a seguir visa resgatar e pontuar cronologicamente momentos dessa trajetória de contribuições catarinenses ao tema em pauta. tornando-se a entidade credenciada a representar e defender coletiva e juridicamente os interesses dos profissionais que atuam em todo o estado. Jorge Cherem. ainda há muito a construir e consolidar nesse campo. Amaral e Silva e outros. 1955 A Associação dos Jornalistas Profissionais .

industriais. relembra Severo. em Florianópolis. Em 29 de abril de 1963 (cerca de um ano antes do golpe militar de 1964). fosse de apenas cerca de 30% dos associados ao SJSC. extremistas exaltados”. o SJSC organiza o 1º Seminário de Imprensa Universitária. alguns buscavam obter o status de jornalista junto ao SJSC e ao Ministério do Trabalho. o número de verdadeiros jornalistas sindicalizados. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 249 . em detrimento da responsabilidade de informar”. encontravam-se até mesmo indivíduos de destacada posição econômica e social: secretários de estado. Somente uma “empresa jornalística” havia emitido 73 atestados falsos. facilidades de financiamento para aquisição da casa própria e de automóvel. A fim de usufruírem ilegalmente desses benefícios. “Não faltou quem nos acusasse de comunistas perigosos. que era feita com a conivência de órgãos como o Ministério do Trabalho.A campanha de moralização denunciou a emissão irregular de carteiras de jornalistas. entre 1962 e 1963. num total de aproximadamente 400. mediante declarações falsas de empresas do setor. aposentadoria especial. banqueiros. deputados. Na lista dos “jornalistas” ilegais de então. tratamento especial da justiça civil. o que resultava em descrédito público da categoria e deterioração da profissão. funcionários públicos e autoridades do clero. descontos de 50% nas passagens aéreas e nas passagens terrestres. sendo os outros 70% composto pelos pseudojornalistas que detinham carteiras frias. descreve um relato do Comando de Ação Permanente da época. prefeitos. comerciantes bem-sucedidos. Questionou legislações governamentais para jornalistas e combateu o usufruto ilegal de direitos tais como: isenção de imposto de renda e do imposto intervivos. veterano radialista e jornalista catarinense. “Eram pessoas que estavam interessadas nos benefícios materiais. Isso fez com que. integrando os estudantes do ensino superior na campanha de moralização da classe jornalística.

70 e meados de 80. também denominada Casa do Jornalista. sob o comando do jornalista e ex-professor da PUC de Porto Alegre. Moacir Pereira e Osmar Teixeira. Na década de 60. 1971 É criado em Blumenau o “Jornal de Santa Catarina”. o primeiro com o projeto editorial de cobertura estadual. que obrigava as empresas jornalísticas a requisitar profissionais de outros centros. 1975 O jornalista Moacir Pereira preside o SJSC de 1975 a 1978. 1969 O SJSC passa a propor a criação de um curso superior de Jornalismo em Santa Catarina para qualificar os profissionais e suprir as deficiências do mercado de trabalho regional. Segundo Pereira. também o primeiro diretor de telejornalismo da TV Coligadas. Nestor Fedrizzi. 1973 É formado o primeiro grupo de trabalho para a criação do curso de Jornalismo da UFSC. O Santa marcou também o começo de um novo estilo profissional. Entre os participantes. Marcílio Medeiros Filho. incluem-se: a professora Aurora Goulart. muitos jornalistas já graduados ou com experiência profissional migraram para Santa Catarina. notadamente do Rio Grande do Sul.1968 É fundada a Associação Catarinense de Imprensa (ACI). os professores Aníbal Nunes Pires e Murilo Pirajá Martins. o destaque desse período foram as lutas do SinJORNALISMO EM PERSPECTIVA 250 . e os jornalistas Antônio Kowalski Sobrinho.

na Universidade. é convidado para coordenar a implantação do curso de Jornalismo pelo então reitor da UFSC. Moacir Pereira e Paulo Brito. o que adia a criação do curso. professor da PUC de Porto Alegre e presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS. Participam desta vez os professores Aurora Goulart e Celestino Sachet. debates. estabelecendo piso salarial de seis salários-mínimos. personalidade marcante na renovação profissional do jornalismo catarinense especialmente na área do rádio. Porém. O jornalista Adolfo Zigelli. participando de eventos nacionais e regionais de jornalismo. foi assinado o primeiro acordo coletivo entre a categoria e as empresas do setor. do professor José Marques de Melo (SP) e de Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles. contra a censura e pelo aprimoramento profissional. universal e com espírito crítico. além dos jornalistas César Valente. palestras com profissionais de destaque nacional e internacional. 1978 É constituído um outro grupo de trabalho para retomar a iniciativa da criação do curso de Jornalismo da UFSC. como presidente do SJSC. convencerase de que somente com um curso de Jornalismo catarinense seria possível cumprir a legislação profissional (decreto-lei 972/ 69) que exigia o curso superior. além da realização de seminários. Roberto Mündell de Lacerda. Na época. Moacir Pereira relembra que. Espalhava-se a figura do jornalista provisionado. entre outros. Santa Catarina era JORNALISMO EM PERSPECTIVA 251 . Em 30 de junho.dicato pela defesa das liberdades. Foi lançado também o primeiro jornal do SJSC. Zigelli falece em um desastre aéreo. que receberam apoio. o curso foi criado por portaria do reitor Caspar Erich Stemmer. e tornava-se imperativo a formação de profissionais no estado. As propostas foram aprovadas em junho de 1978 pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da UFSC. conferindo-lhes: formação eclética.

dando início a um processo de resgate da ética na categoria e à formação de um novo conjunto de lideranças sindicais. que daria origem ao atual Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC): responsável. mas comprometido com a democracia. consciência crítica e responsabilidade”. Os jornalistas catarinenses criam o MOS – Movimento de Oposição Sindical -. o lema era: “liberdade. Segundo seu primeiro coordenador. nas eleições de 1987.o único estado do Sul do Brasil que não tinha ainda um curso superior de Jornalismo. da TV a Cabo e da Radiodifusão Comunitária. influindo no rumo da categoria no estado até o final do século XX e começo do século XXI. 1983 O jornalista e professor da UFSC Ayrton Kanitz tem papel fundamental na articulação do MOS e foi o primeiro candidato à preJORNALISMO EM PERSPECTIVA 252 . entre outras conquistas posteriores. um dos primeiros professores do curso da UFSC e autor do livro “A história secreta da Rede Globo”. deveria estar a formação política. pela aprovação das leis federais de criação do Conselho de Comunicação Social. nasceu durante a ditadura. que ficou conhecido como uma faculdade “alternativa”. lança as bases da Frente Nacional de Luta por Políticas Democráticas de Comunicação. na UFSC. profissionais e acadêmicas que assumiriam o SJSC seis anos mais tarde. 1979 Começam as atividades do primeiro curso de Jornalismo do estado. professor Moacir Pereira. Ao lado da formação científica e técnica. Com uma proposta pedagógica inovadora. 1982 O jornalista Daniel Herz. A primeira turma se formou em 1982.

1984 Os professores e estudantes do curso de Jornalismo da UFSC participam ativamente do processo político do país. 1986 A implantação do jornal “Diário Catarinense” em Florianópolis e nas cidades-pólo de Santa Catarina. que um jornalista conquistou um prêmio nacional com um trabalho publicado num veículo de comunicação fora do eixo Rio-São Paulo. O MOS vence no primeiro turno. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é redigido em 1985 e aprovado em congresso realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) no Rio de Janeiro. para a chapa da situação. conectados on-line via intranet. contribuindo de forma decisiva e pioneira para o começo da campanha pelas Diretas Já em Santa Catarina. em 30 anos de história do prêmio. cujo lema é adotado pela turma de formandos de 1983. 1985 O jornalista Celso Vicenzi recebe o Prêmio Esso de Informação Científica e Tecnológica. representa um novo desafio de competitividade no cenário da imprensa barriga-verde: induzindo a uma maior qualificação geral dos profissionais e do produto jornal. mas perde a eleição. que colou grau em março de 1984. com uma série de reportagens publicadas no jornal “O Estado”. com a participação de delegados catarinenses. estimulando a organização sindical dos jornalistas e renovando e intensificando a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 253 . Foi a primeira vez.sidência do Sindicato pelo movimento. no segundo turno.

Florianópolis é a segunda cidade do país a receber (depois de São Paulo). especialmente as integrantes do Fascom – Fórum de Assessores de Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). publica sua dissertação de mestrado “O segredo da pirâmide .integração informativa. Sua obra influenciou dezenas de teses sobre jornalismo em todo o país. dirigida pelo jornalista Moacir Loth. com 2 mil fotógrafos em vários países que enviam fotos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 254 . política e social de todo o estado.para uma teoria marxista do jornalismo”. 1987 O jornalista Celso Vicenzi é eleito presidente do SJSC pela chapa do MOS. A criação do DC. além de ampliar o mercado para profissionais locais experientes e para os jovens formandos catarinenses. na década de 90. cultural. no Brasil. a exposição de fotografias “20 Anos da Gamma Presse Imagens”. incentivando uma movimentação e discussão em torno do fazer jornalístico. Rio de Janeiro. em 1988. uma das três maiores agências de fotojornalismo do mundo. dá início à formulação e implementação de uma pioneira Política Pública de Comunicação que é reconhecida em 1994 pelo CNPq com o Prêmio José de Reis de Divulgação Científica. Genro Filho é considerado o virtual introdutor. Paraná e Rio Grande do Sul. Morreu em Florianópolis. dando início a uma gestão calcada em propostas e valores éticos. da disciplina de Teoria do Jornalismo. técnicos e acadêmicos voltados para a dignidade da categoria e aperfeiçoamento da profissão e da imprensa catarinense. O modelo serve de referência. aos 37 anos. para outras instituições de ensino superior. também motivou a migração de jornalistas de outros estados como São Paulo. A Agência de Comunicação da UFSC (Agecom). Adelmo Genro Filho. O professor do curso de Jornalismo da UFSC.

o mais importante do país. com dezenas dos principais cartunistas do país.   1988 O SJSC organiza a exposição Humor na Ilha e Humor em Joinville. Participam cerca de 300 jornalistas e alguns convidados estrangeiros. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 255 . UFSC e Secretaria de Cultura e Esporte.   1989 O SJSC traz a Florianópolis a exposição de fotos premiadas em 33 anos do Prêmio Esso de Jornalismo. e em Joinville. a exposição seguiu também para Blumenau. culminando com um show. Luís Fernando Veríssimo e Reinaldo (da turma do Casseta e Planeta).a mais de 2 mil publicações internacionais. integrado pelos irmãos Paulo e Chico Caruso. Em Florianópolis. Arquidiocese de São Paulo. em parceria com o Conselho da Condição Feminina. no Museu de Arte de Joinville. A exposição também é realizada em Blumenau e Chapecó. O jornalista Celso Vicenzi é reeleito presidente do SJSC. Chapecó e Gravatal. Joinville. do Muda Brasil Tancredo Jazz Band. Organizada pelo SJSC na Galeria de Arte da Associação Catarinense de Artistas Plásticos. com mandato até 1993. O SJSC traz a Florianópolis uma exposição internacional de cartazes sobre a paz. nas duas cidades.   1990 O SJSC realiza em Florianópolis o 24º Congresso Nacional de Jornalistas. a exposição foi apresentada no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC).

a Agecom e a Fenaj imprimem e distribuem exemplares do Código de Ética da categoria a todos os profissionais e às faculdades e cursos de Comunicação e Jornalismo do Brasil.Núcleo Organizado de Imprensa Sindical (SC) -. e profissionalização (anos 80). de 11 a 13 de outubro.1991 Profissionais de imprensa participantes do 1º Congresso Estadual dos Jornalistas. lançamento da TV Florianópolis. A expansão ocorre com: o surgimento de novas estações de rádio no interior. como parte das ações da Agecom/UFSC.   1992 Por iniciativa dos jornalistas Moacir Loth e Francisco Karam. O jornalista e advogado Moacir Pereira lança o livro “Imprensa & Poder . A campanha se repete em 1997. Apufsc. inauguração da TV Coligadas. realizado em Rio do Sul. SEEB (Bancários). modernização (anos 70). que tentava sistematizar as experiências na área e foi debatido em eventos no estado e no país. e o processo JORNALISMO EM PERSPECTIVA 256 .  São Francisco do Sul sedia o 1º Seminário Estadual sobre Ética Jornalística. democratização da comunicação e ética profissional. A ação insere-se numa estratégia inédita de disseminação do tema e valorização do bom jornalismo e da qualificação profissional na imprensa e na mídia brasileiras. em Blumenau. decidem pela filiação do Sindicato à Central Única dos Trabalhadores. Na obra. lança o texto “A imprensa no Sindicato Cidadão: uma reflexão sobre o exercício do jornalismo sindical”. estruturado especialmente pelos profissionais do Sinergia. O NOIS . integrantes da Comissão de Ética do SJSC. Sinte. uma promoção do SJSC. entre outros. Sindprevs.A Comunicação em Santa Catarina”. Pereira divide em três fases distintas a evolução da imprensa catarinense: expansão (anos 60). O encontro também debateu a Lei de Imprensa.

as fotos premiadas no InterpressPhoto 1992 – o maior concurso internacional de fotojornalismo.ou a linha editorial .partidária. 1993 O jornalista Sérgio Murillo de Andrade é eleito presidente do SJSC. O SJSC traz a Florianópolis. no jornalismo impresso. 1995 O jornalista e professor Itamar Aguiar publica sua dissertação de mestrado “Violência e golpe eleitoral: Jaison e Amin na disputa pelo governo catarinense”. entre outros. no MASC. Além de palestras. que trouxe à Capital catarinense vários jornalistas de destaque dos principais veículos de comunicação do país. de um processo histórico: a subordinação . com mandato até 1996. José Hamilton Ribeiro e Washington Novaes. a eliminação da vinculação política nos meios. a presença do grupo de comunicação RBS. o movimento de oposição sindical (MOS).  O SJSC e o curso de Jornalismo da UFSC organizam o projeto Memória do Jornalismo. a nova concepção empresarial do setor. Neste período. e de Nestor Fedrizzi. e o aumento da concorrência entre os diversos veículos. como Ricardo Kotscho. assim como o rádio. cada participante gravou entrevista em vídeo sobre o exercício do jornalismo e o ofício do jornalista.de implantação da TV Cultura na Capital. Ainda conforme o autor. o meio jornal era inexpressivo e ainda não conseguira se desvencilhar. no radiojornalismo. o processo de abertura política e redemocratização do Brasil. Ricardo Noblat. na qual dedica um capítulo a ques- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 257 . a criação do curso de Jornalismo da UFSC. o aperfeiçoamento dos profissionais. a profissionalização tem como principais causas a imparcialidade dos jornalistas Adolfo Zigelli.

vida curta. em instituições como a Secretaria de Saúde e o CREA. O jornalista Mário Xavier assume pioneiramente no Sul do Brasil. o caso do Sindicato dos Jornalistas e a “construção” da imagem. representa Santa Catarina e o Brasil. em setembro. A experiência do jornalista Mário Xavier como ombudsman passa a ser inserida como objeto de pesquisas universitárias por estudantes da UnB. UFRGS. dando origem. Neste período. em 1996. instrumento de política partidária”. A implantação do ombudsman de imprensa no ANC tem repercussões em outras esferas da vida catarinense. e exerce a função até agosto de 1997.Facultad de Humanidades y Educación Escuela de Comunicación Social. em 2003. 1996 O jornalista Sérgio Murillo é reeleito presidente do SJSC.A imprensa de Desterro no século XIX”. da Venezuela. com mandato até 1999. UFRJ. a função de ombudsman de imprensa do jornal “A Notícia Capital” (ANC). já eram perceptíveis as principais características que marcariam o jornalismo catarinense até os anos 80 do século XX: “vinculação partidária direta ou indiretamente com o poder público. nos próximos anos. em 1997 nos Supermercados Angeloni e. e em 1996 são criados cargos de ouvidores na UFSC e na Celesc. O jornalista é convidado a compartilhar sua experiência em palestras e even- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 258 . o controle pela elite. A historiadora Joana Maria Pedro lança a obra “Nas Tramas entre o Público e o Privado . pela Editora da UFSC. à criação da seccional catarinense da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO). UFPR. no Congresso Internacional da ONO (Organization of News Ombudsmen). nos EUA. em Florianópolis. UFSC e Universidad Católica Andrés Bello .tões como a mídia na campanha. segunda a autora.

onde analisa a condição da RBS TV de afiliada da TV Globo. porque trazia em sua capa uma arte que mesclava as marcas da Globo e da RBS. o artigo “A quem interessa ser contra o diploma?”. Equador. sob a liderança do jornalista Moacir Loth. A Editora da Univali. O jornalista Carlos Alberto de Souza lança pela Editora da Univali o livro “O fundo do espelho é outro”. editada pelo CIESPAL . também direJORNALISMO EM PERSPECTIVA 259 . atendendo a pedido da emissora. Em 2001.Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina. e a escrever o artigo “Los Ombudsmen de Prensa son necesarios? Por qué?”. num debate nacional sobre os 30 anos da regulamentação da profissão de jornalista no país. de Quito. O jornalista Mário Xavier é convidado a escrever para o sítio do Instituto Gutenberg. 2000 De 2 a 5 de maio. na edição nº 54 da Chasqui – Revista Latinoamericana de Comunicación. recolheu a edição e recolocou-a no mercado com outra capa. o artigo é um dos incluídos pelos advogados da Fenaj no “agravo de instrumento” apresentado ao Tribunal Regional Federal de São Paulo para defender a regulamentação da profissão e contestar a medida da juíza paulista Carla Abrantkoski Rister. discutindo identidade regional e padrão nacional de produção televisiva. à época.tos. O livro é uma das poucas obras no país a refletir o conflito regional X global na TV. com mandato até 2002. o SJSC. 1999 O jornalista Luis Fernando Assunção é eleito presidente do SJSC. em conjunto com a Fenaj e a Agecom da UFSC. O livro causou polêmica. que tentava suspender a obrigatoriedade de formação superior para o exercício profissional do jornalismo.

o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. tendo como ponto de partida saber quantos jornais existiam no estado.São Paulo . 2001 O jornalista. avaliando criticamente sua cobertura noticiosa. O jornalista e professor Mario Luiz Fernandes. O Monitor de Mídia faz o acompanhamento sistemático dos três maiores jornais diários do estado. A ABJC era então presidida pelo jornalista Hamilton Ribeiro.tor da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). e que inclui um sítio digital sob a responsabilidade de Clóvis Geyer e Vinicius Carvalho. junto ao Centro de Ensino Superior de Ciências Humanas e da Comunicação (CEHCOM). organizam e realizam pela primeira vez fora do eixo Rio . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 260 . um inédito trabalho de pesquisa e extensão denominado Monitor de Mídia. Santa Catarina. na PUC-RS: uma pesquisa inédita e de referência. Para traçar este perfil. por intermédio da UFSC e de integrantes do SJSC. defende a dissertação de mestrado “Perfil da Pequena Imprensa de SC”. Um dos resultados do evento foi a publicação do livro “Comunicando a Ciência”. tornando-se referência acadêmica nacional como instrumento de crítica e aperfeiçoamento da imprensa. professor e doutor em Comunicação Rogério Christofoletti implanta na Universidade do Vale do Itajaí (Univali). como eles estavam estruturados e vários outros temas de interesse.preservando a memória e construindo a história dos 200 anos da Imprensa no Brasil. liderado pelos professores doutores José Marques de Melo e Francisco Karam.Minas Gerais. então coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali. tem participação destacada na criação do projeto Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar) . foram percorridos mais de seis mil quilômetros visitando pequenas redações e entrevistando empresários e jornalistas.

ao ajudar a fundar e tornar-se o primeiro presidente da ABI. Quando da constituição formal da Rede Alcar. com apoio do curso de Jornalismo da UFSC. “Em 1908 – afirmou Segismundo .   2002 O jornalista Luiz Fernando Assunção é reeleito presidente do SJSC. A Fenaj. contribuindo para o fortalecimento da nossa cidadania. fez alusão histórica afirmando que a utopia ali esboçada assemelhava-se ao sonho que. A jornalista e professora Maria José Baldessar lança o livro “A Mudança Anunciada” (Editoras UFSC e Insular). lança o livro “Formação Superior em Jornalismo – uma exigência que interessa à sociedade”. como carro-chefe da campanha da Fenaj pela afirmação do diploma. com mandato até 2005. O livro foi distribuído em todo o país. Sua premissa é a de que o processo civilizatório ancora-se na capacidade de abstração intelectual dos componentes de qualquer sociedade humana. o presidente da entidade. há um século. obra que discute a importância do diploma e da formação superior na área.A Rede Alcar propõe converter o século XXI no século da imprensa brasileira. impulsionara (o catarinense e desterrense) Gustavo de Lacerda a lançar as bases do associativismo jornalístico no país. 2003 O SJSC promove e organiza o 14º Enjac (Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Imprensa) e o 4º Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação do Mercosul. na sede da ABI (RJ).ninguém acreditava que fosse possível transformar o ofício noticioso numa profissão juridicamente reconhecida e socialmente legitimada”. jornalista Fernando Segismundo. no qual avalia as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 261 . em 5/04/2001.

Murillo formou-se pela UFSC em 1984. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 262 . Nele. Rogério Christofoletti lança o livro “Monitores da Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe os seus deslizes éticos”. O livro é um dos poucos no país sobre o cotidiano dos jornalistas e sobre os impactos tecnológicos em suas rotinas de trabalho. Por proposição da ACI à Assembléia Legislativa. Gustavo de Lacerda. aponta para a preocupação de como os jornalistas catarinenses avaliam seus procedimentos éticos no dia a dia das redações e das assessorias de imprensa. pelo telefone 0800-619 619. A Fenaj congrega 31 sindicatos de jornalistas de todo o País.000 profissionais. em 1908. como as comissões de ética dos órgãos da categoria e a figura do ombudsman (ouvidor). ter se tornado o primeiro presidente da ABI. o Dia da Imprensa Catarinense. analisa vários dispositivos de aferição do comportamento profissional. trabalha como professor do curso de Jornalismo do Ielusc. estadual ou nacional. é mestrando na mesma universidade e diretor do SJSC. pela Editora da UFSC. expresidente por duas vezes do SJSC. O SJSC participa do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Profissão de Jornalista com diversas atividades em todo o Estado. que representam mais de 30. quase 100 anos após outro catarinense. Com a participação do SJSC. Todo o cidadão pode denunciar abusos na programação de rádio e TV. é eleito presidente da Fenaj. braço catarinense da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania. Ancorado no código de ética da categoria. é instituído em Florianópolis o Fórum Catarinense de Acompanhamento da Mídia (FCAM). o Governo do Estado institui. em Joinville.946.modificações sofridas pelos jornalistas catarinenses com a adoção do computador em suas rotinas de trabalho. Há cinco anos. 2004 O jornalista catarinense Sérgio Murillo de Andrade. pela Lei nº 12. 42 anos.

2005 O SJSC completa seus 50 anos. Karam mostra que a informação diária de qualidade. produzida por profissionais íntegros e competentes. “O Catarinense”. e que tinha como slogan “Sentinela da Liberdade”. em ato público na Assembléia Legislativa. O jornalista. estando presente na vida social e política do país. lutando pela democracia e justiça social. uma modalidade de monitoramento público da qualidade e do conteúdo da imprensa executada com a participação não-remunerada de nove leitores que se reúnem a cada 20 dias com o editor-chefe. editores e executivos do jornal para fazer críticas e sugestões. O jornal “Diário Catarinense” e o “Jornal de Santa Catarina” criam pioneiramente na imprensa estadual o “Conselho de Leitores”. em Florianópolis. é essencial para a democracia e para a consolidação e a manutenção da cidadania. atuando firmemente na defesa da categoria e da própria profissão.comemorado anualmente em 28 de julho: data em que circulou em Desterro o primeiro jornal da Província de Santa Catarina. os princípios que regeram a atividade no século XX buscaram estabelecer um estreito vínculo entre a ética profissional e o interesse público. O SJSC atua como co-promotor e co-organizador do 2º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho e do 7º Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. editado pelo lagunense Jerônimo Francisco Coelho. professor do curso de Jornalismo da UFSC e doutor Francisco Karam lança o livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. O Curso de Jornalismo da UFSC completa 25 anos. e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 263 . tendo como objeto de estudo o papel social e político da atividade jornalística. É lançado. Para ele. o Comitê Catarinense de Apoio à Criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ).

com o objetivo de oferecer ao leitor um panorama do jornalismo praticado em SC nas últimas cinco décadas. Sílvio da Costa Pereira.destacando-se na luta pela democratização da comunicação no Brasil. Rede Alcar. Maria José Baldessar. Sérgio Luiz Casares Pinto. Luiz Paulo Fedrizzi. UFSC/Departamento de Jornalismo. Fenaj. Nei Manique. Elaine Borges. SJSC. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 264 . É lançado pelo SJSC o livro “Jornalismo em Perspectiva”. UFRGS. Podem se associar ao SJSC todos os profissionais que. Univali. Instituto Gutenberg. integrem a categoria profissional. Moacir Pereira. por atividade prevista na legislação que regulamenta a profissão. PUC-RS. Celso Vicenzi. Antunes Severo. Fontes consultadas ABI. Rogério Christofoletti. Flávio de Sturdze. ACI/Casa do Jornalista. Francisco Karam. Moacir Loth.

O traço do jornalismo catarinense JORNALISMO EM PERSPECTIVA 265 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 266 .

No outro dia. o equilíbrio. Tarefa ingrata é a do chargista que vasculha nas folhas do tempo vestígios que podem levá-lo à melhor piada. a charge provocará gargalhadas e ranger de dentes. vai começar tudo de novo. Há ainda nomes premiados como Samuel Casal e obras originais como a de Sandro ou a de Fábio Abreu. da interpretação do fato e de sua relação com demais acontecimentos. buscando a síntese. A ilustração também assume papel cada vez mais relevante no noticiário cotidiano. desenhos e croquis são mais uma ferramenta informativa na edição. A imprensa cotidiana é diariamente abastecida com trabalhos que não só sintetizam situações e personagens como dão graça e leveza ao noticiário. rabisca caprichosamente a gag e preenche o espaço na página do jornal. Explicar esse trabalho em palavras é difícil. Infográficos. então. e em pouco tempo se perderá na memória do público. cores e formas o seu vocabulário diário. Quando nela chega. para tornar os conteúdos mais compreensíveis. No caso das charges e cartuns. a melhor tradução imagética de palavras e ações. na ilustração e nas diversas formas de expressão do traço. a noção de espaço e a precisa exploração das páginas auxiliam os profissionais que fazem de curvas. melhor é virar a página e encontrá-lo numa curta. O alto apuro estético. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 267 . é possível lembrar nomes de expressão nacional em diversas gerações: de Clóvis Geyer e Bonson a Frank e Zé Dassilva. mas representativa amostra do talento e da inteligência desses jornalistas.Apresentação O jornalismo catarinense é pródigo também no humor gráfico. Sem fazer esforço. O chargista. o humor dá a dimensão precisa da crítica.

13 de outubro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 268 .Bonson “A Notícia” .10 de fevereiro de 2004 “A Notícia” .

“A Notícia” .27 de setembro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 269 .15 de julho de 2004 “A Notícia” .

Fábio Abreu “A Notícia” 26 de agosto de 2001 “A Notícia” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 270 .

“A Notícia”6 de agosto de 2003 “A Notícia” .20 de abril de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 271 .

abril de 2000 “A Notícia” .7 de fevereiro de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 272 .Frank “A Notícia” .

“A Notícia” .2 de junho de 2001 “A Notícia” .15 de fevereiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 273 .

Samuel Casal “Diário Catarinense” 16 de março de 2002 “Diário Catarinense” 22 de agosto de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 274 .

“Diário Catarinense” 24 de agosto de 2003 “Diário Catarinense” .17 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 275 .

2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 276 .2002 “A Notícia” .Sandro “A Notícia” .

“A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 277 .2004 “A Notícia” .

6 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 278 .Zé Dassilva “Diário Catarinense” .29 de outubro de 2002 “Diário Catarinense” .

30 de novembro de 2003 “Diário Catarinense” .11 de janeiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 279 .“Diário Catarinense” .

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É autor de 23 livros dedicados à história regional. onde exerce a função de editorialista há 25 anos. Até maio de 04. assessora de comunicação e pesquisadora da Rede Alfredo de Carvalho. crônica e teatro. sul da França. Desde maio de 2004. onde já exerceu as funções de Chefe do Departamento de Jornalismo e Diretor da Assessoria de Comunicação. iniciou profissionalmente em rádio em 1984 como locutor e repórter. jornalista formado pela UFSC em 1987.Os autores se apresentam Andressa Braun é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Áureo Mafra de Moraes – Natural de Brusque (SC). jornais. passou por emissoras de TV. é formado em História e Direito e tem Mestrado em Cultura e Educação. Foi diretor do Arquivo Histórico e da Biblioteca Pública de Joinville. ocupa a Chefia do Gabinete do Reitor. romance. Na imprensa como cartunista desde 74. como chargista em “A Notícia”. Depois.angelfire. expôs na França em 91 na cidade Bonson. atuou como diretor de programas políticos e desde 1993 é professor do Curso de Jornalismo da UFSC. no “finado” jornal “O Estado”.br JORNALISMO EM PERSPECTIVA 281 . Bonson nasceu em 13/11/49. Atua em “A Notícia” desde l970. Como aquarelista e desenhista. Apolinário Ternes – Jornalista e historiador. Seus trabalhos podem ser vistos no site www.Trabalhou na Folha e no Estadão em 84 e 85.com/art2/sergiobonson email: bonson@tecnohelp.com. pela UDESC.

Vivo em Joinville desde 1995. Em Florianópolis. 1998) e “Aninha virou Anita” (A Notícia. exerci praticamente todas as funções previstas na definição profissional do Jornalismo. brincava de fazer história em quadrinhos. 1995). Fábio Abreu – Nascido em 1964. Os principais empregadores foram a TV Gaúcha. Porto Alegre. e também participou do livro “Hercílio Luz – Uma ponte” (Tempo Editorial). Sou sócio-diretor de uma empresa de serviços de jornalismo e comunicação (Multitarefa Ltda. Paulo” em Santa Catarina por mais de duas décadas. como Assessor de Informação da Secretaria da Administração. sou carioca de origem com sólida formação em Bahia. trabalhei no JORNALISMO EM PERSPECTIVA 282 . Também integrou a equipe da Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. “Farol de Santa Marta .Álvaro Ventura e o PCB catarinense” (Paralelo 27. Elaine Borges foi correspondente do jornal “O Estado de S. 1999). o jornal “O Estado” e o governo federal (UFSC e EBN). Fez parte do Movimento de Oposição Sindical e integrou duas vezes a Comissão de Ética do SJSC. Trabalhei em Florianópolis. a Gazeta Mercantil. É acadêmico de História da UDESC. César Valente – Jornalista desde 1972 e florianopolitano desde 1953. entre outros. Nos primórdios. É autor de “Os Comunas . atua no jornalismo desde 1976. “O Estado” e “Jornal da Semana”. 7 de Novembro.).A esquina do Atlântico” (Garapuvu. É co-autora do livro “Vozes da Lagoa” (editado pela Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes). São Paulo e Brasília. Profissional do desenho desde 92. nascido em 23 de novembro de 1955. Ocupo um cargo de confiança no governo do estado de Santa Catarina. coordenou a Editoria de Política do “Diário Catarinense” e foi repórter do “Jornal de Santa Catarina”.Celso Martins da Silveira Júnior. em Laguna (SC). e repórter especial da sucursal do jornal “A Notícia” em Florianópolis. em jornal.

adoro ficar com ela e gosto de jogar futebol e tomar cerveja com os amigos. onde sou Editor de Arte. iniciou a carreira docente no curso de Jornalismo da UFSC atuando nas áreas de Redação Jornalística e Planejamento Gráfico. Francisco José Castilhos Karam é jornalista e professor no Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. onde colaborou no suplemento “O Estadinho”. os dois pela Summus (SP). na Univali. editou o fanzine “Futio Indispensável” e é ilustrador freelancer pela Traça Editorial. e hoje está no Ielusc. em Nilópolis (RJ). na página dois do jornal “A Notícia” faz oito anos. Trabalhou no jornal “A Razão” e na sucursal da Empresa Jornalística Caldas Júnior (“Correio do Povo” e “Rádio Guaíba”) e atuou como repórter fotográfico freelancer  para vários jornais do RS. de Joinville.“Bahia Hoje”. Passou pelo jornal “O Estado”. infografias e desenho umas páginas. Ética e Liberdade” e “A Ética Jornalística e o Interesse Público”.SBPJor. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 283 . veio morar em Florianópolis em 1979. a ordem dos fatores depende do dia. Lecionou. de Salvador e em “A Notícia”. Sócio da Quorum Comunicação. No mesmo período. também. Gastão Cassel é jornalista formado na Universidade Federal de Santa Maria em 1986. Foi assessor de imprensa da CUT/RS. é autor dos livros “Jornalismo. sua empresa. Em Florianópolis. virou Frank Maia na faculdade de Jornalismo da UFSC (1986) e arredondou para apenas FRANK. trabalhou oito anos na assessoria de comunicação do Sindicato dos Eletricitários. onde criou e editou o semanário “Linha Viva”. Integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo . caricaturas. onde publi-cou as primeiras tirinhas. Nascido Frank Luiz Maia Bretas em 29 de abril de 1967. Lá. faço ilustrações. Pai da Luiza.

é especialista em Marketing pela UDESC/ESAG. doutoranda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e mestre em Sociologia Política. além de ministrar aulas. É mestre e doutorando em Comunicação Social pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul. onde iniciou no jornalismo aos 16 anos. Foi secretária-geral do SJSC por duas gestões e atualmente integra a Comissão de Ética da entidade. Trabalhou nas TVs Barriga Verde e Cultura e depois em assessoria de imprensa. Conheceu SC no começo dos anos 70. Jacques Mick é jornalista. coordenou projetos de extensão como Universidade Aberta. Desde 1995. visitando o jornal Santa. em Blumenau. Mário Xavier Antunes de Oliveira nasceu em 02/05/1956. professor do Curso de Jornalismo do Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc (de Joinville). e diretor da Quorum Comunicação (em Florianópolis).agência especializada em comunicação e marketing institucional que atua no mercado há dez anos. doutor em Sociologia Política (UFSC). Maria José Baldessar é professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. pelas mãos do jornalista Nes- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 284 . Cursou Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) entre 1986 e 1989. Fazendo Rádio na Escola e implantação da rádio Ponto. Mario Luiz Fernandes – Natural de Jonville (SC). atuando como auxiliar de redação e posteriormente como repórter na sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. em Porto Alegre (RS). Na UFSC. é professor do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajai (Univali). Foi repórter do jornal “A Notícia” e editor dos semanários “Evolução” (São Bento do Sul) e “O Município” (Brusque).

“O Globo”. redação e edição de conteúdos. presta assessoria de imprensa para o Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e região e para as intersindicais dos eletricitários de Santa Catarina (Intercel) e do Sul do Brasil (Intersul). editor e colaborador na imprensa escrita. Marli Cristina Scomazzon tem 48 anos. Em 1985. Moacir Pereira . em 1982. da Universidade Federal de Santa Catarina.tor Fredrizzi. sua Comissão de Ética. “Jornal de Santa Catarina” e na RBS TV. em 1974/75. “O Estado de S. nos anos 90. política e comunicação. Trabalhou também como assessor de imprensa de entidades públicas e privadas e como professor universitário. Desde 1991. Criador da Redactor. prestando serviços de consul-toria. na região de New York. Foi repórter. chefe de reportagem. filiando-se ao SJSC e vindo a integrar. Escreveu como freelancer para jornais e revistas como “Veja”. fundador e primeiro coordenador do Curso de Jornalismo da UFSC. Graduou-se Bacharel em Comunicação pela UFRGS. “Isto ɔ. assessoria. radicou-se em Florianópolis. foi iniciado na profissão em 1980. Paulo”. é jornalista graduada em Jornalismo Gráfico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem mestrado em Mídia e Conhecimento pela Engenharia de Produção e Sistema. pelo jornalista catarinense Políbio Braga. De 1995 a 1997. “Diário Catarinense”. Prêmio Nacional de Comunicação Luiz Beltrão (Intercom). Depois de uma bolsa de estudos culturais nos Estados Unidos. Já trabalhou em jornais como “Zero Hora”.Ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC. conselheiro da Fenaj e da UCBC. atua hoje como empreendedor independente. tornou-se o 1º ombudsman de imprensa catarinense. colunista político. membro da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e autor de 21 livros sobre jornalismo. “O Estado”. pesquisa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 285 .

onde sofreu pressão do AI-5 por entrevista–bomba de um general. Regina Zandomênico – formada em Comunicação Social – habilitação Jornalismo pela UFSC e mestre em Engenharia de Produção. Carlos Heitor Cony. trabalhou na RBSTV. voltou para Santa Catarina. na área de Mídia e Conhecimento. foi repórter da “Última Hora” de Porto Alegre. Na década de 80. Na década de 60. Começou a carreira há 17 anos na extinta Rádio União FM. ao lado de Nilson Lage. Foi repórter e editor de Política do “Diário Catarinense” e editor de Geral do DC. onde escreveu vários livros sobre a Guerra do Contestado. sobre grandes pintores. em Florianópolis. Atualmente. Depois. onde se destacou com a matéria “Sabonete Fugiu Pela Porta Escura da Morte” sobre um preso comum. Ocupou o cargo de secretário de Comunicação do Estado e hoje é diretor da FábriJORNALISMO EM PERSPECTIVA 286 . além de entidades privadas. meio ambiente e índios guarani. Na década de 70. Barriga Verde. Róger Bittencourt – 38 anos. Também foi repórter e editora de revistas especializadas. foi sub-secretário da Sucursal Rio da “Folha de S. foi redator da revista “Manchete”. Salim Miguel e outros. Trabalhou como chefe de reportagem e editor-chefe de Jornalismo na RBS-TV em Santa Catarina. ainda menor. atua em Santa Catarina há 18 anos. Regina lecionou nos cursos de Jornalismo da UFSC e do Ielusc e atualmente é professora e coordenadora da agência de notícias da Faculdade Estácio de Sá em Santa Catarina. tem coluna semanal no “Diário Catarinense” e colabora com outros jornais do país.Paulo” a convite de Cláudio Abramo. Atuou como professor nos cursos de Jornalismo da UFSC e da Univali. jornalista formado pela PUC-RS.Paulo Ramos Derengoski é lageano. Record e foi assessora de imprensa na Assembléia Legislativa de Santa Catarina e do Governo do Estado.

Rogério Christofoletti – Paulista radicado em Santa Catarina há oito anos. É diretor do Sindicato dos Jornalistas de SC e reside em Concórdia. é jornalista desde 1991. Foi professor na UnoChapecó.como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (2003). Ragú 5 e no catálogo da exposição ConSeqüências (Madri/Espanha). “Macmania”. é autor de dois livros: “O discurso da transição” (2000) e “Monitores de Mídia . “Exame Info”. é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Comunicação pela Universidade Metodista. 45. empresa de assessoria de imprensa com atuação estadual e nacional. “Superinteressante”. Samuel Casal. e ilustrador  freelancer. UnC Concórdia e leciona atualmente na Faculdade Concórdia. ganhou o Troféu HQmix como Desenhista Revelação e em 2003 venceu o XI Salão de Desenho para Imprensa. na coletânea “10 na Área. Paraná e Santa Catarina. “Folha de S. é vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. tem três livros publicados . Atualmente. É mestre em Lingüística pela UFSC e doutor em Ciências da Comunicação pela USP Professor do curso .ca de Comunicação. é ilustrador profissional desde 1990. “Mundo Estranho”. 9. Casal também é quadrinista e suas hqs já  foram publicadas nos álbuns Front 8. e também trabalhou como assessor de imprensa. 30 anos. um na Banheira e Ninguém no Gol”. 12 e 14. Desde 2002.dois de contos e um de poesia . “Você S/A”. e integra duas coletâneas de contos. é Editor de Arte do “Diário Catarinense”. de Jornalismo da Univali. Rubens Lunge. na categoria Histórias em QuaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 287 . em Florianópolis. Paulo” entre outras. 10. Escritor. 11. Já atuou em jornais e revistas de São Paulo. Em 2001. já tendo colaborado com várias publicações nacionais como “Caros Amigos”.

Casseta & Planeta. Sandro Luis Schmidt. Ilustrador Nacional e pelo melhor Fanzine. Comecei a carreira como chargista e quadrinhista no jornal “A Notícia” em 1988.com. arquiteto. já colaborei com a revista MAD e com o PASQUIM21. onde é roteirista desde 2000.br. Participo dos sites www. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 288 . como ghost-writer. Também produziu cartuns animados para o canal SporTv e vinhetas para a TV Globo.cybercomix. Lá. Gente Inocente.com e www. Também escreveu duas biografias institucionais. mando charges pro site do Zé Simão. Zé Dassilva nasceu em Criciúma. “Pasquim 21”. recebeu Menção Honrosa na categoria  Ilustração Editorial também no Salão Internacional de POA e mais três  troféus HQmix. o Monkey News. Em 2004.patodelaranja. como melhor Desenhista Nacional. de onde seus cartuns já foram pinçados para republicação em veículos como “Veja”. que depois rendeu um documentário dirigido por ele. chargista. uma reportagem sobre o lendário time de futebol Metropol.drinhos. eventualmente. Formou-se em jornalismo na UFSC aos 20 anos e lançou. com o Xerocs Porcoration. Desde 1998 é chargista do “Diário Catarinense”. 36 anos. “Zero Hora” e “O Globo”. Xuxa. Turma do Didi e Globo Ciência. e lá fiquei até 2005. o livro “Histórias que a Bola Esqueceu”. no último dia do ano de 1973. escreveu para os programas Sai de Baixo. natural de Joinville. dois anos mais tarde.