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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA Reitor Lúcio José Botelho Vice- Reitor Ariovaldo Bolzan EDITORA DA UFSC Diretor Executivo Alcides Buss Conselho Editorial Alcides Buss - Diretor Executivo Eunice Sueli Nodari - Presidente Cornélio Celso de Brasil Camargo Jõao Hernesto Weber Luiz Henrique de araújo Dutra Nilcéa Pelandré Regina Carvalho Sergio F. Torres de Freitas

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Orgs.)

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina Universidade Federal de Santa Catarina

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Organizadores)

Capa
Maria José H. Coelho

Editoração Eletrônica
Sandra Werle

Revisão
Maria Elizabeth Saraiva Nogueira

Supervisão Editorial
Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti

J82

Jornalismo em perspectiva / Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (org.). - Florianópolis: [s.n.], 2005. 288p. Inclui bibliografia. 1. Jornalismo - Santa Catarina - História. 2. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina - História. 3. Imprensa - História. 4. Ética Jornalística. 5. Jornalismo - Objetividade. 6. Jornalismo - Aspectos Sociais. I. Baldessar, Maria José. II. Christofoletti, Rogério. CDU: 07.01

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

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Marli Cristina Scomazzon 85 87 103 Rádio: na 3ª idade.Elaine Borges Televisão.César Valente 11 13 21 33 45 49 71 Parte 2 .Jacques Mick 123 131 143 153 165 .Rubens Lunge A mídia no Vale do Itajaí .Apolinário Ternes Uma história de coragem no sul do estado .Índice Apresentação 7 Parte 1 .Paulo Ramos Derengoski A imprensa no norte de Santa Catarina .Andressa Braun Mulheres e jornalismo .Moacir Pereira Jornalismo em cima do muro . jornalismo e negócios .Roger Bittencourt Comunicação no Terceiro Setor .Regina Zandomênico 115 Fotojornalismo Catarina .Celso Martins Resistência no oeste catarinense .Mario Luiz Fernandes A imprensa na Grande Florianópolis .Histórias do jornalismo catarinense Imprensa na Serra .Áureo Moraes Jornalismo e Política . mas ágil como adolescente .Expansões e Transformações Assessoria de Imprensa: mercado em expansão .

Inovação e Perspectivas 185 Muita história para contar (ou Uma história por contar) .Parte 3 .Maria José Baldessar 203 A preocupação com a ética: tradição e futuro .Rogério Christofoletti 219 A contribuição das escolas: o curso da UFSC .Francisco José Karam 233 A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mario Xavier 247 Parte 4 .Gastão Cassel 187 Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e contradições.O traço do jornalismo catarinense Apresentação Bonson Fábio Abreu Frank Samuel Casal Sandro Zé Dassilva 265 267 268 270 272 274 276 278 Os autores se apresentam 281 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 6 .

O mundo parece ter ficado menor com as novas velocidades dos meios de transporte e mesmo com a facilidade de manuseio e agilidade dos veículos de comunicação. Isso se traduziu em outras sociabilidades e comunicabilidades. Tanto por seu título quanto por seu escopo. pela profissionalização do exercício e pela consolidação do jornalismo como uma atividade vital para a sociedade. modificando o impacto sobre o meio ambiente. A obra se debruça muito mais sobre o próprio jornalismo que vimos construindo nas últimas décadas.Apresentação Um livro como este dispensaria apresentações. alterando nossas relações interpessoais. conferindo novos contornos também às nossas idéias e condutas. os organizadores deste Jornalismo em perspectiva consideram necessárias algumas palavras não para introduzir o leitor nas histórias que lerá a seguir. dos confrontos armados e da complexidade das sociedades. fatia de tempo fartamente recheada pelos avanços tecnológicos. Tanto pelos autores quanto pelo ineditismo da obra. Assistimos a uma enxurrada de progressos ao mesmo tempo em que percebemos o aumento da desigualdade social. Os últimos 50 anos mudaram a face da vida humana no globo. A vida parece ter ficado JORNALISMO EM PERSPECTIVA 7 . mas para reconhecer e sublinhar os esforços aqui empreendidos. Entretanto. Mas este não é um livro sobre o Sindicato. entidade que vem acompanhando a evolução do jornalismo no estado e que vem contribuindo para muito desse desenvolvimento. Este livro marca as celebrações dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina.

cobrindo todas as regiões catarinenses. mais curta. de forma a registrar parte das ações humanas no campo da comunicação em Santa Catarina.mais rápida. O que só alimenta a disposição pelo res- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 8 . foram convidados jornalistas de todo o estado para tentar oferecer ao leitor um retrato de 50 anos de jornalismo. O jornalismo catarinense deu sucessivos saltos de qualidade neste período: estendeu a malha de cobertura noticiosa. É evidente que o tema não se esgota neste título. chargistas e ilustradores. fazendo circular bens e notícias. E tudo isso apesar da sua pouca extensão territorial. morais e de comportamento. Em 50 anos. num estado industrialmente competitivo. o estado viu surgirem no interior influentes jornais e empresas de radiodifusão. num diversificado exportador. num pólo tecnológico. fazendo girar a roda da fortuna nos departamentos comerciais. fortaleceu sua infra-estrutura e passou a capacitar melhor os seus profissionais. editores. colunistas. Um pouco desse mosaico de realizações está descrito nas próximas páginas. homens e mulheres dos mais diferentes meios reúnem aqui uma generosa parcela da história recente do campo jornalístico local. Repórteres. investiu em infra-estrutura e melhorou seus índices de desenvolvimento humano. e o jornalismo apressou-se em contar as histórias que serviam de fundo para as revoluções tecnológicas. o mercado publicitário também evoluiu. arte. Paralelamente. Santa Catarina deixou um modesto posto entre as unidades da federação para se converter num destacado produtor agrícola. diversão e informação. Para tanto. Os meios de comunicação registraram tudo isso. Muita gente e muita história ficaram de fora. tornando-se em berçários dos novos jornalistas. Por conta de sua distribuição geográfica. o estado ampliou a qualidade de vida. Escolas de comunicação se espalharam. A mídia e a indústria cultural também se expandiram. Na última metade do século XX.

gate de mais fatos em novos volumes, como bem o fazemos cotidianamente no jornalismo. Autêntico trabalho de Sísifo, o exercício de reportar os fatos não termina nunca, sabemos todos. Este Jornalismo em perspectiva não dá conta de tudo o que se produziu em meio século na área. Mas isso já era esperado desde os primeiros instantes dessa idéia. A intenção era mesmo produzir uma obra multifacetada, parcial, plural, dinâmica. Ao longo dessas páginas, o leitor vai se deparar com a menção a nomes já mitificados na imprensa local e vai encontrar também a citação de autores de outros capítulos do volume. Não é mera coincidência, já que alguns dos convidados a escrever não apenas foram testemunhas dos acontecimentos como imprimiram suas digitais neles, participando ativamente da história. O livro foi totalmente produzido por jornalistas: dos textos às ilustrações, da capa ao projeto gráfico, da organização e revisão à captação de recursos para a sua impressão. Disposto em quatro partes, o conteúdo não apenas reconta a trajetória dos acontecimentos que talharam o jornalismo catarinense nos últimos 50 anos. Inicialmente, é apresentada uma certa geografia do fazer jornalístico no estado, seção em que o leitor poderá visualizar as regiões catarinenses como peças de um quebra-cabeça. Nesta parte, o foco se desloca do Planalto Serrano ao Vale do Itajaí, do Norte ao Sul e passando pelo Oeste e pela região metropolitana, salientando a imprensa local, os principais nomes, as maiores empresas. Na segunda parte do livro, a produção jornalística de outros meios é mostrada. O fio condutor é o conjunto de expansões e transformações que a atividade sofreu no rádio e na televisão, na fotografia e na política, bem como os impactos das assessorias de comunicação no mercado de trabalho. Como nenhum balanço é completo sem a miragem de algum futuro, a terceira parte do livro realça as inovações que marcaram o jornalismo local e sinalizam algumas perspectivas para a área.

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O advento das escolas de comunicação, a discussão sobre a ética profissional e a chegada dos computadores às redações são alguns dos tópicos abordados. Mas também são apontadas a participação das mulheres no fazer jornalístico e as contribuições do Sindicato dos Jornalistas na articulação dos profissionais. Para completar, a quarta parte reúne trabalhos de alguns dos mais talentosos e importantes ilustradores e chargistas de Santa Catarina: crítica, humor e inteligência. Jornalismo em perspectiva serve de registro do passado, reflete ações do presente e lança luzes para caminhadas futuras. As contribuições que este livro oferece vão da preservação da memória de um tempo ao desenvolvimento de novos procedimentos que aperfeiçoem as práticas diárias dos que vivem das notícias. Este projeto deve um agradecimento especial à Universidade Federal de Santa Catarina, que patrocinou a impressão desta obra, e a todos os jornalistas envolvidos na sua produção. Uma história do jornalismo catarinense – mesmo que parcial – só poderia mesmo ser escrita por jornalistas. Os que aqui imprimem as suas assinaturas, o fizeram sem nenhuma remuneração, sem qualquer menção a ganhos eventuais. Todos os autores deste Jornalismo em perspectiva acreditaram no projeto, e cederam direitos autorais, e parcela de sua energia e entusiasmo para viabilizar o produto. As páginas que o leitor vê a seguir foram pura obra de um esforço coletivo. Os organizadores

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Histórias do jornalismo catarinense

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Imprensa na Serra

Paulo Ramos Derengoski

Nos primórdios, a imprensa serrana foi basicamente a imprensa de Lages. E o primeiro jornal editado em Lages foi “O Lageano”, na verdade um micro-jornal de formato 23x33 cm, com apenas quatro páginas. O primeiro número circulou em 14 de abril de 1883. Dirigido pelo professor João da Cruz e Silva, era um vibrante e pequenino semanário que dedicava seus artigos de fundo à defesa do ensino público, criticando as péssimas estradas da região e exigindo a criação de um Mercado Público, bem como a retirada do cemitério da época do centro da cidade. Dentre os colaboradores que mais se destacaram com empolgados textos estavam o médico homeopata e futuro desembargador, Genuíno Firmino Vidal Capistrano e João José Theodoro da Costa. Em 4 de janeiro de 1884, o pequeno semanário foi vendido para Henrique José Siqueira, que acrescentou “mais uma coluna em cada página”. Nessa fase, o grande colaborador seria o acadêmico de Direito, “nosso correspondente em São Paulo”, Caetano José da Costa, que entre reportagens memoráveis, descreveu a visita à bandeirante capital de dois manda-chuvas lageanos: os coronéis Belizário de Oliveira Ramos e Henrique de Oliveira Ramos, “que conferenciaram com o chefe da democracia paulista”, dr. Rangel Pestana, e foram à ópera, assistir “A Corsa do Bosque”. Com a proclamação da República, “O Lageano” deixou de circular por algum tempo. Não que ele fosse monarquista. Ao conJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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Seus redatores eram homens cultos. um bi-semanário que circulava às quintas-feiras e aos domingos e que tinha um sistema de entregas nas grandes fazendas da região. Caetano Costa e Antônio Henrique. O saudoso pequenino “O Lageano” voltaria a circular em 1891 pelas mãos de João Costa. mas sob a direção do mesmo José Joaquim de Córdova Passos.“do Cajuru aos fundos da Coxilha Rica”. já circulava em Lages. Em 1886. Julio da Costa e Manoel Thiago de Castro. Vidal Ramos. Advertindo ainda que as assinaturas teriam que ser pagas adiantadas. Sebastião Furtado. Henrique José Siqueira. Mesmo assim. notável intelectual serrano. o Professor Tota. Nessa ocasião. Caetano Costa. “O Escudo”. e os “autógrafos que nos forem remetidos não serão devolvidos”. o seu proprietário. Belizário Ramos. com boa penetração. Em 21 de abril de 1892. saía o primeiro número da “Gazeta de Lages’. Era diretorproprietário Manoel Thiago de Castro. surge na Serra – com duração até hoje – a sátira e o humor irônico para encarar as pugnas partidárias provin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 14 . Até que em 1º de janeiro de 1897 começaria a circular um jornal de maior duração: o “Região Serrana” dirigido também por Manoel Thiago de Castro e que marcaria época em todas as regiões catarinenses pela ampla atuação política. João Nunes. órgão do Partido Liberal. historiadores como Fernando Athayde e até poetas como Sebastião Furtado. agora órgão do Partido Republicano Federalista.trário. Suas páginas registraram uma polêmica que marcou época entre Caetano Costa e Pedro Leite Júnior. Seria substituído em 1893 pelo “Rebate”. Do mesmo diretor apareceria em 1896 “O Município”. mudou o nome para “Quinze de Novembro”. seria fuzilado barbaramente em 1893. cujo gerente era José Joaquim de Córdova Passos e cujo lema era: “Não se admitem testas de ferro”.

calúnia e traição (. algumas de caráter puramente pessoal.. Ele atacaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 15 . querendo chamar para si as glórias do mundo (. chamado pelo contendor de “tucano de bombacha”. que fundou o semanário “O Imparcial” em 23 de junho de 1901. marcando um bom churrasco “sem bebidas alcoólicas”. Outro polemista violento foi José Castello Branco. O tom subiu tanto que muitas matérias eram pagas pelos contendores. tornando-se um verdadeiro idiota. arvorado em pasquineiro.. baseadas nos Lusíadas e assinadas pelo pseudônimo de “Petit Camões”.ciais.. até que a turma do deixa-disso interviesse.) abrindo diques de asneiras. impacientes Em assalto ao Poder representado Pela honra e critério convenientes Ao povo e ao partido denodado (.) (..inspiração” Grandes polêmicas.) De tudo desfazer do pé pra mão Pelo insulto.. Uma das discussões mais famosas travou-se entre os grandes fazendeiros José Maria Antunes Ramos e Hortencio Rosa. Os versos de sátira política.) Camoneando exporei nesta Secção Se pra tanto houver tempo e..” Muitas dessas ofensas terminavam em desforços pessoais e ameaças de tiros.. publicados no semanário. Acredito que eram feitas por três mestres: Caetano.. atingiram até a Capital.. Ao que este respondia dizendo que o outro era “dominado pela vaidade.. Eis um exemplo mordaz.. Até hoje se discute quem era o autor das setas envenenadas – ou dos perdigotos cáusticos – que eram lançadas de Serra Acima.. Eram as famosas “herciliadas”.) (. inundavam as paginas do “Região Serrana”.. Furtado e o professor Tota. aventureiro desalmado.. em decassílabos: “Os feitos e os varões proeminentes Que da terra fecunda deste Estado Surgiram afobados. provocando o então governador Hercílio Luz.

de 1º de maio de 1904. de Itajaí) ousou criticar o hábito serrano das serenatas noturnas. Os franciscanos lançaram então o semanário “O Cruzeiro do Sul”. No dia 7 de setembro de 1906. chamando-o de Pedro Barulho. que teve que mudar de profissão transformando-se em “cenógrafo teatral”. quando volta a circular “O Lageano” sob a direção de Jucundino Godinho e que teve notável atuação política quando da cisão do poderoso Partido Republicano Catarinense em 1920 e lançou JORNALISMO EM PERSPECTIVA 16 . aparecia “O Clarim”. de tal modo que não pode ser lido por famílias”. mas que cortavam a grana quando vinham as cíclicas crises do preço da carne. A fase mais profissional da imprensa serrana começa em 1915.. dizendo: “É um mau jornal. mas com um número bem avantajado de páginas. principalmente frei Pedro Sinzig. quase todos tinham vida curta. que davam um aporte quando o preço do boi subia. E já no seu número 9. dirigido por Bibiano Lima. não é isento de Culpa. ameaçando o seu “correspondente”. Observe que na ocasião era muito grande a influência da Loja Maçônica Lageana – “A Luz Serrana”. é indecente e obsceno. os nanicos da região se uniram e proibiram a circulação do mesmo na Serra.” Talvez de tão acossado “O Imparcial” faliu em 1907.. Por isso. Quase todas essas publicações dependiam de “amigos e favorecedores”. E ainda por cima foi editada pelos padres uma espécie de revista mensal intitulada “A Sineta do Céu”. caía em cima do “Imparcial”.va os padres. Em fins de 1907. desabrido e até agressivo. quando um jornal de fora (“Evolução”. E ameaçava: “Quem apoiar tão nojento órgão a-católico (não católico) seja por assinatura ou recomendação. surgia “A Aurora” jornal que se pretendia humorístico e literário. sob a direção do frei Sinzig no dia 13 de maio de 1902 e que também usava um tom polêmico. intelectual franciscano respeitado e autor de vários livros. Mesmo assim.

em suas páginas a candidatura de Nereu Ramos a deputado federal. “O Diabo”. sob a direção de João Pedro Ghiorzi e do coronel Aristiliano Ramos. com o advento do tenentismo no sul do Brasil. sob a direção dos irmãos Athayde e que tinha no expediente um elenco de colaboradores permanentes de alto nível. Mais radical ainda era “A Defesa”. “O Fantasma”. começava a circular “O Planalto”. etc. por seu estilo refinado. Quase todos eram semanários. como Octacílio Costa. “O Garoto”. O Centro Cívico Cruz e Sousa. o chefe político da oposição lageana. entidade que congregava basicamente representantes da raça negra. contra a vontade das cúpulas partidárias. “A Marreta”. Nesse período em que a imprensa serrana se profissionalizava. lageano que também se destacaria nos jornais da Capital. “A Região Serrana”. Em 1924. O secretário de Redação era um nome legendário na imprensa catarinense. voltou às bancas em 5 de setembro de 1937. novos jornais surgiam e desapareciam do dia para a noite. maior no verão. lançou “A Época”. coronel Aristiliano Ramos. “A Metralhadora”. não deixavam de publicar alguns jornais nanicos. Mas com o crescente acirramen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 17 . tinham apenas quatro páginas e tiragem variável. Excelentes crônicas sobre a história de Lages começaram a ser publicadas no “Planalto”. menor no inverno. Até o distrito lageano do Painel (hoje município) teve um jornal semi-manuscrito. Geralmente. Com o acirramento das lutas políticas. “O Painelense” de 1917. “O Dunguinha”. “A Verruma”. que também teve vida efêmera. também editou por breve período “O Cruz e Sousa”. todos de vida breve e feliz: “A Coruja”. o “Zum-Zum”. Ou. com uma linha editorial agressiva e com violentos ataques aos adversários. cuja circulação havia sido interrompida em 1914. Até que um jornal de bom nível. cultura e bom humor: Jayme de Arruda Ramos. como preferiam se auto-intitular: “Hebdomadários”. do advogado Odílio Malheiros. Em 23 de junho de 1917.

Depois de uma breve interrupção. E assim se conserva até hoje com grandes inovações gráficas. Nele pontificavam os professores: Walter Dachs. Após o falecimento de José Baggio. golpes e revoluções. Rio do Sul. com análises sobre a história e as tradições da Serra. lançado pelo próprio Vigário de Lages. o jornal de mais forte permanência voltou a ser dos padres. genealogista. o tradicional “Região” partia também para o ataque e a retaliação. são os atuais proprietários. De bissemanário a diário foi um pulo. José Paschoal Baggio. Bom Retiro e até a Capital onde muitos eram os assinantes. reapareceria sob a direção de um empreendedor da imprensa. tendo a lado a cultura de Edésio Nery Caon. Izabel e Paulo Baggio. As páginas culturais do “Guia Serrano” eram de boa qualidade. que formou gerações de serranos com suas aulas de inglês. Até que em 1955 as máquinas pararam. totalmente informatizado. Octacílio Costa com as pesquisas de outrora.158. O editorialista Nevio Santana de Fernandes tem milhares de artigos assinados e a atual editora-chefe é a jornalista Olivette Salmória que conduz uma equipe de bons profissionais. frei Archanjo Moratelli em março de 1936 e que se pretendia “apolítico”. Era o poderoso “Guia Serrano”. seus filhos. Nesse período conturbado.to das lutas políticas nacionais e até mundiais. nacional e local. Fernando Athayde com alentados arquivos de notas e o padre mineiro (Brude) Sebastião da Silva Neiva. principalmente no Palácio do Governo. O seu alcance se estendia a municípios vizinhos como São Joaquim. com amplo noticiário internacional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 18 . Curitibanos. a grande estrela da imprensa lageana passou a ser o “Correio Lageano” sob a direção de João Ribas Ramos e Almiro de Freitas. A partir de 21 de outubro de 1951. com guerras mundiais. quando saiu o número 3. Durou 35 anos ininterruptos até dezembro de 1971.

Em Ponte Serrada. Mas nem só em Lages floresceu a imprensa serrana. Se o tamanho e o alcance da imprensa reflete as dimensões de uma região como queria Victor Hugo. “A Semana”. Um semanário que se firmou em Lages é “O Momento”. E em Taió. O diretor do vibrante jornal é Wilson Graupner. com periodicidade mensal. Em Canoinhas. dirigido pelo engenheiro Roberto Amaral. vários semanários apareceram: “Correio do Norte”. às vezes se esgotando mal chega às bancas. Em Caçador tem boa penetração o semanário “Folha da Cidade”. proprietário de uma grande rede de rádios e televisão no Estado. refletem uma tendência mundial. Em Capinzal. Pois em quase todos os países. econômicos e sociais da comunidades onde se situam. relatando.Em 1977. tendo um vasto número de leitores. e a poderosa Rádio Clube de Lages. não restam dúvidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 19 . noticiando fatos diversos. Com as novas técnicas de impressão quase todos esses jornais são em cores e nesse sentido. de Roberto Amaral. Em Joaçaba. Lages é a cidade onde se gera a imagem da Rede TV Sul. “Jornal da Cidade” e “O Melhor”. o semanário “Gazeta do Alto Vale”. aparecia em Lages “O Planalto”. embora alguns tenham vida curta. Na TV por assinatura. que já teve em seus quadros um brilhante diagramador: Moacyr Oliveira. médias e pequenas cidades têm seus próprios jornais. de grande penetração no campo. a TV Nova Era e a TV Câmara Municipal. com um bom corpo de redatores e repórteres e cujo forte é a cobertura completa de área local e policial. descrevendo. o semanário “O Tempo”. Em Curitibanos. o bissemanal “O Vale”. “O Gazeta do Oeste”. foram pioneiras no estado a TV Pinhão. “Correio da Sorte”. “Folha do Planalto”. jornais bem mais jovens vêm se firmando. Em outros municípios. com um corpo de veteranos radialistas.

. jornalistas colaboradores aos diretores. mais vale gastar-se do que se enferrujar. passando pelos gráficos. refletindo o império da opinião pública. Porque na vida. E que sempre existiram graças ao esforço dos que nela trabalham e trabalharam: os operários do jornalismo – desde os simples entregadores.que a imprensa da Serra catarinense é o reflexo de uma sociedade pujante e dinâmica. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 20 . redação.. são jornais que se impuseram pelo critério. De um modo geral. como nos jornais – e até na máquina do mundo –.

solteiro. exaustivamente. Aos 34 anos. que redigia de próprio punho e depois “assalariava” terceiros calígrafos para. já pelo título denunciava o perfil da publicação que tinha o espírito indomável do melhor jornalismo. como tal. de ironia. interior da Prússia Oriental. “O Observador às margens do Rio Mathias”. O ribeirão Mathias. contudo. além de receber notícias “de fora”. sob a iniciativa do imigrante polonês Karl Konstantin Knüppel. jamais num rio caudaloso.   JORNALISMO EM PERSPECTIVA 21 . de águas calmas e serenas. chegado a Joinville a 13 de dezembro de 1851 a bordo do veleiro “Neptun”. constituía-se num plácido córrego no centro da colônia. assim denominado em homenagem ao presidente da Sociedade Colonizadora Hamburguesa de 1849. viria a se constituir no escrivão da colônia e. senador Mathias Schroeder. Decidiu publicar um “boletim informativo”.. De profissão lavrador. bem informado sobre tudo o que acontecia na colônia Dona Francisca. próprio para designar grandes rios como o Amazonas ou o Nilo. atual Polônia.A Imprensa no norte de Santa Catarina Apolinário Ternes Mesmo com São Francisco do Sul então com cerca de dois séculos de existência. repetirem de 20 a 30 outras cópias comercializadas a 120 réis a ávidos leitores da colônia. Karl Knüppel procedia da cidadezinha de Pinne. quando surge o jornal manuscrito “Der Beobachter am Mathiasstrom” – O Observador às margens do Rio Mathias . estrepitoso. a imprensa no Norte de Santa Catarina tem como data de nascimento o dia 2 de novembro de 1852. como seria o caso do vocábulo “strom”. denúncia e críticas.

Ah! Doloroso adeus. tenha sido estimulado pelo surgimento do jornal portoalegrense. Pouco adiante. Na primeira página. Não tinha mais espaço para nós. debater as condições entre empregadores e empregados e demonstrar porque seria mais vantajoso para a colônia se fossem empregados apenas trabalhadores europeus. o Príncipe de Joinville e a Sociedade Colonizadora. O de Joinville seria o segundo em língua alemã no Brasil. estende sua mão. destaca: “demos adeus à plagas do torrão natal. então o primeiro jornal em língua alemã em todo o país. caridade e coleta”. da idolatrada e inesquecível pátria? É a vontade de uma Providência onisciente e insondável. Apoderou-se de nós e consigo nos arrastou a possante corrente de desconfiança e do fracasso. Knüppel. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 22 . fundado em Porto Alegre a 2 de agosto de 1852. aos milhares. caso perdurem as atuais condições. desde o seu início. hospital. informar a respeito das obrigações dos colonos e de seus direitos para com o Estado. os objetivos do jornal: “Levar a opinião e os anseios de todos ao conhecimento geral. esclarecer assuntos como escola. a terra que fez a felicidade de nossos pais e que amávamos mais do que o nosso sangue? O que foi – e continua sendo – que nos expulsou.“Mathiasstrom”  O “Mathiasstrom” nasceu apenas três meses antes de “Der Kolonist” – O Colono -. sempre que um coração torturado anseia por mitigação e que. informar as obrigações da Sociedade Colonizadora e a maneira de sua aplicação. igreja. É possível que o próprio lavrador-jornalista da colônia Dona Francisca. que generosamente se revela. demonstrar a necessidade da formação de uma comuna. informar os colonos a respeito das condições da colônia. do qual deve ter tido conhecimento em razão de suas funções de escrivão na colônia. onde existe alma em desespero”. pródiga. o “artigo de fundo” do número 1 do “Observador”. demonstrar a situação no futuro.

fundou o “Colégio Benjamin Franklin”. em 1880. (Tradução Elly Herkenhoff. pp.Zeitung”  A “grande imprensa” da colônia Dona Francisca teria início com o surgimento do “Kolonie-Zeitung”. no dia 20 de novembro de 1854. Sabe-se. vindo a falecer no dia 18 de setembro de l895. coletar e publicar assuntos de interesse geral. adquirida em Leipzig. das quais o jornal “Kolonie” será das mais importantes e fundamentais para o sucesso do empreendimento colonizador. transferiu-se para Botucatu. chegado à colônia a bordo do “Floretin”. na Rua 15 de novembro. 18 e 19) Não se tem notícia sobre a existência de uma única cópia do primeiro jornal da colônia. contudo. Instalado em modesta casa onde mais tarde edificaria a sólida residência que hoje abriga o Museu de Arte de Joinville. jornalista e político Ottokar Doerffel.exemplar de prova – por iniciativa do advogado. já casado com Caroline Baring desde julho de 1853. a 20 de dezembro de 1862. publicará anedotas e pilhérias sadias e miscelâneas que lhe forem enviadas e anúncios”. e iniciaria a publicação do primeiro jornal impresso de Joinville. cultural e econômica da colônia.1998. nem informações sobre até quando circulou o “Observador”. figurando como fundador das primeiras instituições. Ottokar Doerffel terá excepcional presença na vida política. e para que o útil seja unido ao agradável. in “História da Imprensa de Joinville”. Posteriormente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 23 . com a publicação do “probenummer”. que o jornalista Knüppel no ano de 1861. onde. O “Observador” irá ainda: “divulgar os meios para melhor produção das diversas culturas agrícolas e esclarecer sobre a venda dos produtos.   “Kolonie. ali mesmo instalaria uma pequena prensa. instalou-se na cidade de São Paulo para lecionar na Escola Alemã.

O “Kolonie – Zeitung” cresceu ao longo dos anos. Boehm e depois para seu filho. a grande maioria de assinantes e leitores. 80 anos após a edição número 1 do “KolonieZeitung”. transformando-se em importante fonte de informações para a história de Joinville. o que determinou o fechamento da empresa. circulando até três vezes por semana. destinava-se a ser uma espécie de órgão oficial das colônias de Joinville e Blumenau. O jornal de Ottokar Doerffel será publicado ininterruptamente por 80 anos consecutivos. em 1951. e teve sua publicação interrompida em 1942. uma característica do jornalismo que se pratiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 24 . a partir de 1938. ampliou o número de páginas e de edições. só conseguia ler jornal na língua de Goethe.   Outras publicações Levantamento feito pelo historiador Plácido Gomes e publicado no Álbum do Centenário de Joinville. quando seus editores tiveram que publicar o jornal em português. enquanto os anúncios serão cobrados a 150 réis e 120 réis. em 1906. Otto. em razão da Campanha de Nacionalização decretada por Getúlio Vargas. A única coleção completa das oito décadas do jornal encontra-se no Arquivo Histórico de Joinville. o jornal passou às mãos da família Boehm. por linha”. A grande maioria foi de publicações efêmeras. “Qualquer artigo de interesse geral será publicado gratuitamente. quase todas de cunho político-partidário. Ainda no início da década de 1940. A assinatura anual custava 1500 réis e o número avulso 100 réis. Após a morte de Ottokar. inicialmente de Carl W. que mantiveram por longas décadas importante empresa gráfica e livraria na cidade. espalhados por todo o Sul do Brasil. integralmente em língua alemã.Publicado aos sábados. enumera dezenas de publicações jornalísticas feitas na cidade até aquela data. depois de quatro anos de dificuldades crescentes.

1891 – Surge “A Gazeta de Joinville”. A Gazeta era impressa na gráfica do “Kolonie” e tinha como redator principal Carlos Lange e colaboradores Etiene Douat e o telegrafista Manoel da Costa Pereira. substituído logo depois pelo “Reform”. filiado ao Partido Conservador. Abdon Batista. e posteriormente passou a denominar-se “O Democrata”.. sob a orientação política do Dr. com duas publicações semanais. de caráter supra-partidário. de forma que passamos a citar de forma abreviada as principais publicações enumeradas por Plácido Gomes: 1884 – Publicou-se “O Globo”. 1885 – Apareceu “O Constitucional”. também. 1885 – Imprime-se o “Neue Kolonie Zeitung”. 1910 – Surge o “Die Fackel”. tendo como redator Crispim Mira.primeiro jornal em português – numa colônia de pouco mais de 20 mil habitantes. surge outra “Gazeta de Joinville”. posteriormente sucedido por Vitor Mueller e Francisco Schendl. 1905 – Em abril.cava na primeira metade do século XX em todo o país. um dos mais conceituados jornalistas de Joinville nas primeiras décadas do século 20 e que seria assassinado em Florianópolis. Moreira da Silva Reis Jr. órgão oficial do Partido Liberal. lendo apenas textos em alemão. sem caráter políticopartidário. 1891 – Imprimiu-se o “Volkstaat”. composto e impresso em tipografia própria. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. em 1927. de propriedade de M. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 25 . tendo como redator Albino Kolbach. Raras foram as iniciativas de cunho empresarial. “noticioso e comercial”. com a grande maioria falando apenas o alemão e. sob a direção de Robert Gernhad. que nasciam e desapareciam ao sabor dos interesses político-eleitorais de cada momento. 1877 – “A Gazeta de Joinville” .

1919 – Surge o “Jornal de Joinville”. Aristides Rego. publicações com nomes sugestivos de “O Gato e a Borboleta” e a “Revista do Estado”. Foi um dos mais importantes jornais da cidade. “A Comarca” é outro jornal de cunho político. Albino Kolbach. Busse e poucos mais. Kasting. Hudler. Manoel Simões. o “Joinvillenzer Zeitung” e o “Kolonie Zeitung”. Otto Boehm. Wolfgang Ammon. Circulam ainda.” Na imprensa alemã: Victor Muller. Avelino de Carvalho. Eduardo Schwartz. José de Diniz. Leopoldo Jardim. Plácido Olympio de Oliveira. R. Arthur Costa. Eduardo Schutel. Ignácio Bastos.   Jornalistas importantes Ainda da lavra de Plácido Gomes. publicam-se em Joinville. Em alemão. no período. tendo como redatores Aristides Rego e Carlos Gomes de Oliveira. César de Carvalho e Dr. Moacyr Gomes. por cerca de 20 anos editorialista de “A Notícia”. novos colaboradores vieram-se juntar à lista dos precedentes: Heráclito Lobato. Carlos Gomes de Oliveira. F. Carlos Gomes de Oliveira e Marinho Lobo. em português. “A Gazeta” e o “Comércio de Joinville”. C. Nas seções JORNALISMO EM PERSPECTIVA 26 . a partir de 1924. Depois de 1940. sob a direção do Dr. Plácido Gomes.Ao longo da década de 1910. posteriormente encampado pela rede dos Diários Associados. Augusto Sylvio Prodhol e Ilmar Carvalho. Ulysses Costa. de propriedade do jornalista Eduardo Schwartz. Montezuma de Carvalho. registre-se os seguintes apontamentos sobre veículos e redatores importantes na primeira metade do século XX: “depois de 1905. podem ser citados como os mais freqüentes colaboradores da imprensa joinvilense os seguintes. cada qual em seu tempo e com mais ou menos assiduidade: Crispim Mira. Primeiramente bissemanário. depois trissemanário e por fim diário. Circulou até a década de l980. Leonel Costa. Oswaldo Silva.

1951. espírito aventureiro e grande tino comercial. “A Notícia” evoluirá de um modestíssimo semanário de quatro páginas para um grande jornal. passou a bissemanário e partir de l926. mesmo com a cidade tendo pouco mais de 20 mil habitantes. pp. N. tinha como intenção criar um jornal independente. quartas e sábados. Rio de Janeiro e Florianópolis. Nesse período de pouco mais de 20 anos. O fundador do jornal. Arcy Neves. Em 1929. acima das correntes políticas e em língua portuguesa. Realcy Moreira.esportivas. Stamm. Plácido Gomes. Raul Vidal e Gilberto Navarro Lins. o que acontece até 17 de dezembro de 1944. A primeira fase de “A Notícia” desenvolve-se no período em que seu fundador comanda diretamente o jornal. Instalou a redação na Rua 3 de maio e começou “A Notícia” como semanário. passa a circular todos os dias da semana.49-53). José Lopes de Oliveira. Posteriormente. com parque gráfico próprio e dos mais equipados em todo o Sul do país. vítima de aneurisma cerebral. Desde o início. quanto como fonte de informação. Hugo Weber. Álbum do Centenário de Joinville. Personagem polêmico e contraditório. quando Aurino Soares morre de forma repentina. (IN: Dr. Com máquina impressora capaz de imprimir caderno de até 32 páginas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 27 . tanto para o convívio social.   “A Notícia” O primeiro número de “A Notícia” circulou no dia 24 de fevereiro de 1923. de terça a domingo. adquire máquina própria de impressão e desde 11 de outubro de 1930. ou seja. o jornal saía às ruas às segundas. Jota Gonçalves. a maioria só usando a língua alemã. se instalara na ainda quase colônia de Joinville há pouco tempo e vinha de experiências jornalísticas em cidades como Curitiba. Aurino tinha a pele morena. o paranaense Aurino Soares.

“A Notícia” foi o primeiro jornal brasileiro a conquistar a certificação ISO 14001. em cores. aprovado o seu projeto de recuperação. o jornal deixa de circular por 18 meses. em l978. com apenas oito jornalistas. edições todos os dias da semana. “A Notícia” vem escrevendo novos capítulos de expansão desde então. que se prolonga até 1956. que detém desde o ano JORNALISMO EM PERSPECTIVA 28 . produtos especiais e contínua atualização em informática. especialmente projetada para acolher empresa jornalística. “A Notícia” tinha tiragem de cerca de oito mil exemplares e edições de 8 a 12 páginas. inicialmente.. A quarta fase tem início em 1978 e dura até o presente. o jornal publicava aos domingos revista ilustrada. era um dos principais jornais. Hoje. posteriormente.– a primeira rotativa instalada no estado -. à Rua Caçador. só voltando às ruas a 1º de maio de 1946. No eixo Rio de Janeiro – Porto Alegre. com sistema próprio de gestão ambiental. O controle acionário pertence então ao empresário Antonio Ramos Alvim e ao político Aderbal Ramos da Silva. de vender o jornal e. impressão em cores. Wittich Freitag e Baltasar Buschle. 112. novo parque gráfico. liderados por três empresários importantes da cidade: Helmut Fallgatter. encarregado. com o jornal passando ao controle de um grupo de 130 acionistas. quase todos de Joinville. Com a morte do fundador. A terceira fase de “A Notícia” começa no dia 23 de outubro de 1956. Ocupando nova sede. Quando Thomazi chegou à empresa. com índices de crescimento recordes no setor em todo o país. Nova sede. a redação é constituída por 130 profissionais e as edições têm média de 50 páginas todos os dias. de recolocar “A Notícia” na liderança editorial e jornalística em Santa Catarina. de Florianópolis. quando inicia a chamada segunda fase. conferem nova e pujante dimensão à empresa. com a chegada de Moacir Thomazi à presidência do jornal. com 24 páginas e tinha grande circulação no Estado de Santa Catarina e no Sul do país.

como o “Mathiasstrom” em Joinville. ainda. O “Liberdade” deu lugar. fundado por este autor. será a vez de “O Urubu”. em outubro de 1988. Também o surgimento da “Gazeta de Joinville”. a partir de 1885. em 1892. em dezembro de 2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 29 . quando era semanário e depois bissemanário. no período de março de 1978 a outubro de 1988 do jornal “Extra”.2002 e também a única empresa jornalística com tal certificação na América Latina. doze anos após a fundação da colônia. também com os mesmos ideais republicanistas. disputando as finais com jornais de porte como a “Folha de S. a existência em Joinville. em 1852. nos anos de 1999 e 2002. Em São Bento. Depois de conquistar dois prêmios Esso de Jornalismo na região Sul. O autor da idéia será o médico Felipe Maria Wolf. A registrar. a publicação tem caráter empresarial e pretende disputar o mercado editorial com edições de 12 páginas e circulação apenas local. ao “Legalidade”.Paulo”. Posteriormente. do Rio de Janeiro. que se manteve em sua direção até janeiro de 1979. São Bento do Sul A história da imprensa em São Bento do Sul começa também com o surgimento de um jornal manuscrito. que cedeu sua residência para a instalação do quartel general dos revolucionários federalistas de 1893. o “Estadão” e “O Globo”. ainda do mesmo médico e jornalista Maria Wolf. Semanário. em 1988 e 1989. um republicano convicto. Já em 1860 surge o “Liberdade”. que usava o periódico para difundir suas idéias republicanas. foi transformado em diário e assim se manteve até o encerramento de suas atividades. “A Notícia” obteve o primeiro lugar no prêmio Fernando Pini de excelência gráfica. impresso em tipografia. da Associação Brasileira da Indústria Gráfica.

Nos dias atuais. reunindo a colaboração de nomes importantes da vida cultural sãobentense e seu último número circulou 29 anos depois da primeira edição. A adoção de sucursais comprova que o Tribuna tinha pretensões de regionalização”. segundo pesquisa da jornalista Marília Maciel em sua monografia de final de curso. sob a direção de Pedro Skiba. e tinha forte conotação de jornal partidário. com redação e sede na cidade de Rio Negro. em 2003. semanário. que circulava em Mafra. circulando desde 14 de junho de 1979. “Evolução”. hoje circula às quartas-feiras e sábados. ainda do mesmo Maria Wolf. O jornal teria vida longa. criado em 1990. que também mantinha secções em alemão. A 1º de maio de 1911 vem à lume “O Catharinense”. Na data de 3 de janeiro de 1963. São Bento conta com quatro jornais: “Informação”. com quatro páginas. A partir da edição número 2. no Paraná.Em julho de 1900. em português. informa a jornalista Marília Maciel. a 19 de novembro de 1938. Em 1908. que tinha o título de “Gazeta do Povo”. fundado por Luiz de Vasconcellos. “A princípio saía como ‘Tribuna da Fronteira’ e funcionava como uma extensão do jornal do mesmo nome. Inicialmente semanário. cuja circulação perdurou por dez anos. em Joinville. na turma de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior Luterano. o cabeçalho indicava Antonio Dias e Nivaldo Lang como diretores. “Tri- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 30 . Arno Fendrich como diretor da sucursal de São Bento e Carlos Von Bathen como diretor da sucursal de Rio Negrinho e Alaor Lino da Silva como diretor-gerente. escrito em língua alemã. surge o “Der Wolksbote”. Publicações de vida curta foram se multiplicando ao longo dos anos 30 e 40 em São Bento do Sul. São Bento conhece simultaneamente o “Wolkszeitung”. composto de três páginas em língua alemã e uma página em português. circula às sextas-feiras. defendendo a proclamação da República. surge o “Tribuna da Serra”.

Mudando de proprietários várias vezes. Antes de Eugenio Victor Schmöckel. o seu mais antigo jornal. primeiro jornal eletrônico de Santa Catarina. O fundador do jornal foi Venâncio da Silva Porto. na forma de semanário. entre os anos de 1922 a 1936. falecido no dia 17 de maio de 2004. que voltou ao jornal numa segunda gestão entre os anos de l943 a 1957. que circula desde 15 de março de 1995. “Absoluto”. fundado em 1919. diariamente. semanário. até chegar ao comando o jornalista Eugênio Victor Schmöckel. Jaraguá do Sul Jaraguá do Sul tem no “Correio do Povo”. e “A Gazeta”. com destaque para as editorias de esporte e sociedade. jornal diário. que o dirigiu e imprimiu entre os anos de 1919 a 1922. jornal com 85 anos de existência. Honorato Tomelin. de 1946 a 1959. seguindo-se Murilo Barreto de Azevedo e Fidelis Wolf. “AN Jaraguá”. pela internert. quatro anos antes de “A Notícia” em Joinville. sob a direção de Cezar Celeski. circulam em Jaraguá do Sul os seguintes jornais: “A Gazeta”. aos 82 anos de idade e poucos dias antes da passagem dos 85 anos do “Correio do Povo”. Seguiu-se a gestão de Artur Muller. diretor do “Correio do Povo” desde 1957. veio o comando de Paulino Pedri. o “Correio do Povo” tem se constituído num porta-voz da comunidade jaraguaense e hoje circula cinco vezes por semana.buna do Povo”. Depois. sob a direção de Jairson Sabino. caderno diário de “A JORNALISMO EM PERSPECTIVA 31 . 12 anos proprietário.   Outras publicações Nos dias atuais. muitos personagens da política e da economia de Jaraguá do sul. o jornal teve outros proprietários. juntamente com Waldemar Grubba. através de empresa gráfica sólida e com ambiciosos planos de futuro.

História da Imprensa de Joinville. 2ª edição revista e ampliada: 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 32 .Notícia”. Ielusc. “Dom sete”. 1998 MACIEL. UFSC e Fundação Cultural de Joinville. com destaque para política. Na região do Vale do Itapocu. em Guaramirim e jornal “O Regional”. 1951 Correio do Povo. Em Jaraguá do Sul circulam ainda sete revistas: “Nossa Região”. 2003 TERNES. Marília. destaque ainda para o “Jornal do Vale”. da mesma cidade. “Mercado Brasil” e “Conteúdo”. História do Jornal “A Notícia”. com circulação desde 1997 (semanal) e diária desde 4 de abril de 2000. “Quale”.   Referências bibliográficas Álbum do Centenário de Joinville. Imprensa em São Bento. edição especial de 85 anos. 1ª edição: 1983. Elly. “Thefato”. esportes e comunidade. Apolinário. “Fia Mais”. maio de 2004 HERKENHOFF. monografia.

no município de Tubarão. O oficial da então Força Pública trazia uma ordem de prisão do governador Hercílio Luz. descontente com matérias sobre episódios ocorridos em Araranguá. valentão! Foi assim que o capitão Elpídio Silveira deu voz de prisão ao jornalista João de Oliveira. fora aberto um inquérito para apurar o assassinato do delegado de polícia Manoel Maciel. o jovem logo se casou com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 33 . Havia chegado em Tubarão como bacharel recém-formado na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. no final da primeira década do século passado. segundo Walter Zumblick. poeta de rimas inspiradas”. “Inteligente” e “orador de recursos que iam às figuras e aos gestos teatrais. João de Oliveira denunciou as “arbitrariedades” promovidas pelo “ditador catarinense”. Por esse motivo. superintendente municipal e chefe do Partido Republicano em Araranguá há 30 anos. em Ouro Fino (MG). o jornalista e advogado João de Oliveira. ele resolveu ignorar a ordem de prisão. em fins de março de 1925.Uma história de coragem no sul do estado Celso Martins – Sai para a rua. e enfrentar armado qualquer tentativa de invasão da gráfica de seu jornal. pensou em tudo o que já havia ocorrido. Nesses momentos de muita tensão e medo. que aproveitou o momento para atingir pessoas ligadas ao coronel João Fernandes. ouvida da janela da casa onde funcionava a gráfica do jornal “A Imprensa”. nascido em 18 de fevereiro de 1891. o que resultou na ordem de prisão. conduzido pelo próprio capitão Silveira. Nessa cidade. caído em desgraça perante o governador.

“fazia dele o seu florete de corte perigoso. Os Colaços e genro partiram de trem até Laguna e de lá num vapor para a Capital. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 34 . e gritou: – Quero ver se o João de Oliveira é homem de coragem. foi a vez da destruição da gráfica da tipografia Americana. o mais famoso. e “A Folha”. a casa do superintendente e imediações da ponte sobre o rio Tubarão. na rua de Baixo. o que gerou uma revolta geral. já que as máquinas foram desmontadas e os tipos e prelo lançados no rio Tubarão. um “hebdomadário crítico. Na noite do dia 14 de agosto de 1913. enquanto a gráfica onde João de Oliveira imprimia seus jornais foi empastelada. “O Fiscal” ficou sem circular algumas semanas. O que não pôde ser quebrado foi parar dentro do rio. embriagado. No dia 2 de fevereiro do ano seguinte.Maria Elisa Colaço. iniciado em 1911. e deu um tiro para o alto. A resposta foi uma saraivada de balas na direção do grupo. alguns homens se reuniram no hotel Itália. levando à invasão da residência do superintendente e sua deposição. destaca Zumblick. 1914. a partir de 1º de janeiro de 1912. coronel João Luiz Colaço. em Tubarão. Na saída. Não demorou muito e estavam todos de volta. a vestir seus argumentos com a roupagem das frases contundentes”. vinda de dois lados. sacou a arma ao passar pela frente da casa do coronel Colaço. circulando desde julho de 1911. onde era impresso o jornal “O Fiscal”. logo adquiriu inimizades. o dentista Antônio Pereira Pitta. João de Oliveira começou no jornalismo imprimindo três jornais na tipografia municipal – “O Argonauta”. “Gazeta do Sul”. fazendo grande bebedeira. “Polemista duro. disse. onde foram conferenciar com o governador Vidal Ramos. Dirigido por Fábio Silva. Mestre no editorial. Eram todos da oposição. filha do superintendente municipal e chefe político local. literário e noticioso” e “órgão de oposição à grei política chefiada pelos Colaços”. que esgrimia com audácia e agilidade”. Pitta foi atingido e morreu. em 1913.

Alertados pelos amigos sobre a iminência de uma tragédia – o capitão Elpídio dissera que em 12 horas efetuaria a prisão “custasse o que custasse” –. Entre a manhã do dia 27 até a noite de 31 de março de 1924. “Correio do Sul”. escrito em parceria com Alexandrino Barreto. às 2 da madrugada de 1º de abril. delegado especial de polícia. conta Zumblick. João de Oliveira entregou os pontos e seguiu rumo ao Rio Grande do Sul.João de Oliveira pensava em todos esses acontecimentos durante o cerco do final de março de 1924 a seu jornal. dando começo então ao ato de selvageria e banditismo que consistiu no empastelamento da tipografia. no edifício de ‘A Imprensa’. requerido pelo jovem advogado Nereu Ramos. Depois dos episódios de 1913 e 1914. cuja oficina tipográfica havia sido empastela às 3 horas do dia 7 de agosto de 1922. dentro da lei. o tipógrafo Geraldino Eduardo. No seu livro “O Ditador Catarinense”. havia editado a “Folha do Sul” (1918). Às 15h30 do dia 4 de abril. contou mais tarde. que foi transformado em seu reduto”. “A Tribuna” (1919) e finalmente “A Imprensa”. tipos e latas de tinta foram atirados ao rio”. o então Superior Tribunal de Justiça do Estado acatou pedido de habeas-corpus preventivo em favor de Oliveira. João de Oliveira recorda a ocasião: “Depois de haverem subjugado e amordaçado Pedro Spritze [gerente gráfico]. às 15 horas. A ação foi executada pelo tenente da Força Pública Athanázio de Freitas. cujas caixas e demais materiais tipográficos eram conduzidos pelos soldados e atirados ao rio Tubarão. que já estava próximo da fronteira com o Rio Grande do Sul quando um emissário chegou com a informação. quando “máquinas. o tenente e seus soldados amarraram. que corre a cem metros mais ou menos”. Nesse mesmo dia. A notícia só chegou a Tubarão 35 horas após a partida do beneficiado. estava de volta a Tubarão. ato contínuo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 35 . “esse jornalista resistiu de armas em punho. por ordem do Governo do Estado.

valentão!” Mas o sossego ao lado da família não durou 24 horas. O cenário do confronto estava montado. evidentemente ilegal. afim de que fossem arrebatadas as máquinas de impressão”. Arrombados o portão de ferro e as grossas portas reforçadas com trancas de madeira. ocupando a Superintendência Municipal (prefeitura). ignorando o habeas-corpus preventivo. “horda de selvagens. com suas “carabinas embaladas”. o célebre Trogílio Melo tratou de recrutar reforços pela região. recorda Oliveira em “O Ditador Catarinense”. “com escolhido grupo de soldados. 22 policiais. “É assunto que regularizarei”. “As ordens escritas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 36 . e ordenava que se invadisse o prédio das oficinas gráficas de ‘A Imprensa’. Ao todo. que invadiram o edifício do jornal às 9h15 do dia de Tiradentes. que tentou sem êxito cumprir a ordem até o dia 17. e que a resistência oferecida por ele. ao invés de dar uma ordem de prisão. armados de fuzis e fartamente municiados”. escreveu. foi fundada no direito que assiste ao cidadão de reagir contra ordens ilegais. muito embora emanadas de autoridades constituídas”. Segundo Oliveira. sendo chamado de volta à Capital. colocando patrulhas nas ruas à noite. de uma verdadeira ferocidade”. uma sexta-feira santa. Hercílio Luz exigia “a todo custo a minha prisão. Autoridade que.“A decisão do Egrégio tribunal”. trazidas pelo novo delegado especial. chegou no dia seguinte. Foi um corre-corre na cidade. eram de uma violência desumana. No dia 5 de abril. de confusão e de correria”. Seu substituto. Além dos homens que levou da Capital. durante cinco dias. um “momento de pavor. com pancadas violentas e sucessivas”. o capitão Trogílio Melo. “a soldadesca investiu a coices de carabinas. “veio demonstrar que a prisão do dr João de Oliveira era um ato de puro arbítrio. lança um desafio: “Sai para a rua. Hercílio Luz renova a ordem de prisão. garante em telegrama ao mesmo capitão Elpídio. 21 de abril.

O capitão Trogílio e seus soldados ocuparam a tipografia. em 19 de maio. em plena cidade. chegaram o coronel João Colaço e sua filha Maria Elisa. acovardada e transita de susto”. e um prelo pequeno. Colocadas em caixotes. impresso na Alemanha e que não chegou a circular devido o falecimento de Hercílio Luz. anuncia Oliveira. “O saque a mão armada se consumou. mas as carabinas dos soldados se voltaram contra eles. os escritórios. “A Imprensa” vai “circular em breve”. Vencidos os obstáculos se consuma a invasão. Os oito tipógrafos que trabalham no local fugiram. em altas vozes. a força deixou o prédio “levando um prelo grande. Depois. “Novas máquinas foram adquiridas a custa de sacrifícios”. Mais tarde. irmão de Maria Elisa. Nesse momento. o Supremo Tribunal Federal confirmou o habeas-corpus da Corte catarinense. não sou eu! Veja esta ordem! O velho coronel Colaço olhou a assinatura e viu o nome de seu filho. a pedal e força matriz. cunhado de João de Oliveira. À noite. entretanto. secretário do Interior e Justiça do Estado. à luz do dia. foram parar nas mãos de amigos e na Biblioteca Pública do Estado. esposa de João de Oliveira. ele requisitou um mecânico e carpinteiro das oficinas da Estrada de Ferro Teresa Cristina para que desmontassem as duas máquinas de impressão. É nesse momento que Oliveira reúne os artigos que vão compor o livro “O Ditador Catarinense”. protestando “com altivez e dignidade contra o ato de banditismo que se cometia”. perante uma população estarrecida. serviço que durou todo o dia. como o grupo armado que depreda e assalta. proferindo. . para tiragem de jornal.Não sou eu o bandido. palavrões que homem educado não diz a frente de uma senhora”. “muito agitado e cheio de raiva. Alguns exemplares. para impressão de avulsos e serviços de gabinete”. anuncia. se justificou. o interior do prédio enfim”. não causa tanto horror. seguiram para Florianópolis. O capitão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 37 .em sertões agrestes. a pedal.

“Sacrifício e esforço”
Uma característica comum entre a segunda metade do século XIX, e avançando bastante no seguinte, foi o “topete atrevido do corpo redatorial”. Todos eles possuem “forte tempero característico que o tempo ainda não conseguiu apagar”, escreve Zumblick no início da década de 1970. Quase todos eram partidários e, ao mesmo tempo em que “teciam loas aos seus”, respingavam “a lama mal cheirosa de um palavreado feio e nada elegante, àqueles outros, da oposição”. Até o surgimento do off-set e da informatização, as oficinas gráficas eram o lugar do “desconforto e igual sujeira”, quase sempre “montadas em pardieiros”. Quem chegou a conhecer uma deve se lembrar que “pelo ar, dominando o ambiente, o constante resfolegar compassado do prelo grande, a pedal, num movimento de mandíbulas, enchendo de letras e borrões escuros o branco das páginas”, descreve Zumblick. A rotina era mais ou menos comum. Na segunda-feira, bem cedo, eram desmanchadas as páginas da última edição, devolvidos os tipos a seus lugares nas gavetas, estantes e prateleiras. Era um trabalho demorado e minucioso. Lá pela quarta-feira, com os originais à mão ou datilografados na frente, o tipógrafo ia montando letra por letra o texto a ser impresso. As manchetes e títulos tinham tipos especiais, mantidos após o surgimento das máquinas linotipos para a composição. Claro que essa sujeira era eliminada periodicamente, mas a natureza da atividade era ingrata: com o tempo, a tinta e a fumaça impregnavam e escureciam o ambiente. Muitas dessas oficinas eram instaladas em porões, devido ao peso do conjunto de equipamentos, facilitando a chegada de papel e a saída dos jornais impressos. A análise de Zumblick dos profissionais que fizeram a imprensa em Tubarão, serve de perfil para os demais. “Há muito diletantismo nos homens que movimentaram os nossos semanários
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de ontem” e, jornalistas mesmo, “poucos o foram”. Entre esses, sempre estiveram presentes “o sacrifício e o esforço”, vivendo “intensamente” os dramas de um jornalismo “inçado de discórdias e polêmicas”, momentos que eram “soltas as amarras da ética, cortados os cabos do bom senso e desamarradas as cordas da polidez”. As retaliações “pipocavam atrevidas” e “os fatos mais íntimos ganhavam inteiras dimensões. Ao redor das refregas valiam todos os tipos de armas. Armas-palavra. Armas-vitupério. Armascalúnia”, resume o mesmo Zumblick.

O berço em Laguna
José Joaquim Lopes foi um baiano nascido em 24 de outubro de 1805, militar voluntário da guerra da Independência, estabelecido em Laguna com a dissolução de seu batalhão e aparecendo em 1831, como professor de primeiras letras na cidade. Com os episódios da República Catarinense em 1839, se transferiu para Desterro (Florianópolis), voltando os olhos para o jornalismo, tendo adquirido em hasta pública a Tipografia Provincial. Além de criar o jornal “O Argus da Província de Santa Catarina”, em 1º de janeiro de 1856, que passou a circular três vezes por semana a partir de 1861, considerado diário, ligado ao Partido Conservador. Ele é apontado como autor do primeiro jornal de Laguna, denominado “Pirilampo”, lançado em 6 de junho de 1864, de curta duração. Mestre-escola e deputado provincial (18501863), J. J. Lopes também foi editor, tendo falecido em 6 de abril de 1894, em Florianópolis. O segundo periódico, impresso em Laguna, foi o “Município”. Circulou a partir de 12 de setembro de 1878, dirigido pelo sergipano Prezalino Lery Santos, que tinha 28 anos de idade ao ser contratado por negociantes locais para a instalação de um colégio. “Era baixo, magro, moreno, nariz grande e usava somente bigode”, “volumoso e preto”, diz Saul Ulysséa.
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Os primeiros números do “Município”, impressos em tipografia própria, tinham o formato de 17 x 23 centímetros, ampliado depois para 23 x 29 cm. “Ensinou a alguns rapazes a arte tipográfica”, um deles “de nome Pedro Gaspar e um pardo de nome Luiz”. Lery Santos, como ficou conhecido, montou o colégio e dava aulas nas residências. “Era inteligente e bom orador”, recorda o mesmo Ulysséa, um de seus ex-alunos. O terceiro jornal lagunense apareceu em 6 de julho de 1879, por iniciativa de Tomáz Argemiro Ferreira Chaves – “A Verdade”. Chaves era natural do Recife (PE), nascido em 28 de julho de 1851, advogado e deputado estadual entre 1882-1885, ano em que faleceu na Capital. Outros dois profissionais pioneiros do jornalismo em Laguna, então o município mais importante do Sul do Estado, foram José Johanny e Antônio Bessa. Nascido em Laguna em 30 de maio de 1872, filho do armador e exportador Henrique Joahanny, José tinha onze anos de idade ao concluir o ensino primário e ingressar como aprendiz no jornal “A Verdade”, do advogado Chaves. Desde então, dedicouse de corpo e alma às artes tipográficas, passando por diversos periódicos de Laguna, como “Fanal” (1887), “O Trabalho” (1888), “A Pátria” (1892). Em 1892, Johanny, com 20 anos, atuou em “O Lidador” e gerenciou o jornal “O Pharol”, órgão federalista. Com 24 anos de idade teve que ganhar a vida, ingressando como agente de correio (Gravatal, 1896) e professor público (1899), passando em seguida ao comércio. Também foi secretário da Câmara de Laguna (1902-1908) e deputado estadual nas 6ª e 7ª legislaturas, em 1909 e 1910-1912, respectivamente. Mas renunciou ao mandato para assumir a direção do jornal “O Albor” (1910), onde permaneceu pouco tempo, passando a se dedicar à edição da “Revista Catarinense”, seu principal trabalho. Tendo circulado entre 1911 e 1914, a “Revista Catarinense” deu ênfase aos episódios da República Catarinense de 1839, publi-

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cando textos de Tobias Becker (“Os farrapos em Santa Catarina”), em capítulos, assim como as atas da Câmara de Laguna sobre a experiência republicana. Em suas páginas foram editados artigos de Cruz e Souza, Henrique, José e Lucas Boiteux, José Vieira da Rosa, Luiz Delfino, Horácio Nunes, Virgílio Várzea e Crispim Mira, entre outros. Johanny faleceu em 1915, com 43 anos de idade, no auge da produção jornalística. A história do principal semanário de Laguna começa no dia 15 de setembro de 1901, quando três adolescentes resolvem fundar um jornal denominado “O Albor”: Adalberto Bessa, Manoel dos Passos Bessa e Manoel Bessa. Antônio Bessa, que trabalhava na gráfica Futuro, onde era impresso o jornal, assumiu a direção de “O Albor” a partir de 1904. “O jornal circulou até 19 de janeiro de 1965, e só parou de circular devido a uma grande alta no preço do papel”, entre outros fatores, conta Lúcia Maria Barros da Silveira, bisneta de Antônio, autora de um trabalho de conclusão de curso de Jornalismo na UFSC sobre o periódico. “Até 2000, era o semanário com maior tempo de circulação no Estado”, assinala a jornalista, que passou um ano e meio lendo as 3.054 edições – os primeiros números na Secretaria de Turismo de Laguna e os restantes na Biblioteca Pública do Estado. Durante algum tempo, “O Albor” enfrentou a concorrência do jornal “Correio do Sul”, fundado em 1931, pelo mesmo João de Oliveira já referido, e que circulou até 1955, ano de seu falecimento. O prédio onde funcionou o semanário, em Laguna, ainda ostenta na fachada a logomarca da publicação. “A pessoa que adquiriu a edificação manteve intactos, como meu pai deixou, os móveis e equipamentos da redação”, conta Vamiré Collaço de Oliveira. Um excelente perfil de João de Oliveira pode ser conferido em “Retrato Político de uma Época - 1947-1960” (Editora Insular: Florianópolis, 1999), de Paulo Konder Bornhausen.

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Imigrantes italianos
Os demais jornais do Sul do Estado surgiram em regiões de imigração italiana, iniciada em 1878, como Criciúma, Orleans e Urussanga. Nessa última cidade, vamos encontrar José Caruso MacDonald, siciliano, regente real do consulado italiano em Florianópolis, que se dedicou desde a chegada à educação. Era um homem de “inteligência aberta e muito interessante no processo de colônia”, diz o padre Luigi Marzano. Chegado em Urussanga em 1899, primeiro padre italiano, Marzano entrou em conflito com a liderança dos colonos. “Quando o sacerdote chegou, encontrou os pobres imigrantes italianos à mercê da exploração de alguns patrícios seus, prepostos do governo de Itália”, narra o padre Claudino Biff. “Eram eles filhos do Mezzagiorno e da Reggio Emilia, ainda hoje a mais comunista das províncias italianas. E por que eram anticlericais, carbonários, logo de início sentiram a força da liderança do sacerdote que contestava a opressão destes funcionários do governo italiano”, acrescenta. Um deles era o próprio Mac-Donald, que passou a publicar um jornal intitulado “L’Azino” (O Asno), atacando padre Marzano, que não se intimidou e mandou editar a resposta em Turim, sob a denominação de “Il Mulo” (“O Jumento”). O enfrentamento durou até 1908, quando o padre foi chamado de volta a Roma. O principal trabalho de Mac-Donald, entretanto, foi o “La Patria”, editado em italiano, entre maio de 1901 e maio de 1902, num total de 52 números. “A Gazeta Orleanense”, de Orleans, surgiu em 1915 e circulou durante três anos, nas mãos do jornalista Tito Carvalho (Orleans 1896, Florianópolis 1975), então auxiliar de escritório do Loyd, ao lado do cunhado, Godofredo Marques. Outros jornais surgiram no município, todos com assinantes em Braço do Norte, Urussanga, Tubarão, Laguna e Florianópolis e mesmo no Rio de Janeiro
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“Nossa Folha” e “Última Hora” (Tubarão). O jornal pioneiro de Criciúma foi lançado em 1º de janeiro de 1926. circulam os semanários “Folha de Criciúma”. “Agora” e “Hoje” (Orleans).e São Paulo. Em Criciúma. que já em 1911. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 43 . Entre os mais importantes de Tubarão destaque para “A Imprensa”. fustigava Deus e todo mundo”. e o minerador Frederico Minatto. impresso em Porto Alegre (RS). destaque para o “Gazeta do Sul”. “Quase todos os jornais eram de orientação política definida. ligados ao Partido Republicano Catarinense”. Outro personagem de presença permanente e controversa foi o jornalista Hermínio Menezes. podemos dizer que o Sul de Santa Catarina conheceu centenas de periódicos desde fins do século XIX. Marcos Rovaris. primeiro jornal catarinense a circular em off-set a partir de 1969. estava no ramo. “Jornal de Bairros”. Zumblick fala num “destemido jornalista” que. Jornalismo hoje Tomando por base a relação de cerca de 100 jornais editados em Tubarão. Pedro Benedet. “A Crítica”. diz o padre João Leonir Dall’Alba. dirigido por Manoel de Aguiar entre 1934 e 1960. Os principais semanários são o “Jornal de Laguna” (Laguna). “do alto do seu jornal. Tendo o professor Adolpho Campos como redator. O jornal foi criado por ele. Hoje. feita por Walter Zumblick. “Jornal da Cidade”. Entre os pioneiros no aprimoramento técnico. “O Mineiro” registrou os principais momentos da criação de um novo município catarinense. “O Mineiro”. data da posse do primeiro superintendente (prefeito) municipal. com circulação regional. “Folha dos Municípios” e “Folha Regional” (editado em Maracajá). o presidente do Conselho Municipal (Câmara). a região conta com vários jornais. editado em Tubarão desde 1959.

Em Imbituba.O diário mais antigo é o “Diário do Sul” (Tubarão).! (Vol 2). Orleans: Edição do Autor/Instituto São José. Tubarão: Edição do Autor. editado em Braço do Norte. . O “Diário do Sul Vale”. Crônicas da Diocese de Tubarão. Alexandrino. Colonos e mineiros no grande Orleans. João Leonir da.. 1924 PIAZZA. Este meu Tubarão. terceiro do país a usar sistema de fotografia digital. Em Criciúma. Laguna antes de 1880. BARRETO. em Lauro Müller. e o “Notisul” (iniciado em 2000) no mesmo município. desde 1995.. 1943 ZUMBLICK. antigo “Tribuna Criciumense”) e o “Diário de Criciúma”. Walter F (org). João de. 1996 DALL’ALBA. circulam os diários “Jornal da Manh㔠(desde 1983) e “Tribuna do Dia” (1955. circula o “Diário do Sul Litoral”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 44 . 1986 OLIVEIRA. Claudino. Saul. 2001 ULYSSÉA. s/d. O Dictador Catharinense – Artigos de defesa. Walter. Italianos em Santa Catarina (Vol 1). Tubarão: A Imprensa. Florianópolis: Lunardelli. cobre os municípios entre o vale de Braço do Norte e o pé da Serra do Rio do Rastro. Fontes BIFF. Tubarão: Edição do Autor. Florianópolis: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina (Ioesc).

É esta a história que devo contar com o ex-chefe de uma redação de jornalistas que buscou a verdade como fonte e construiu a unidade como profissionais. principalmente quanto ao exercício profissional. profissionais resistem até mesmo ao mais cruel argumento dos empresários: a demissão. ainda são problemas a serem vencidos: as Universidades formam jornalistas. Em nome de uma idéia e de um conceito sobre jornalismo e equipe. É possível que o ciclo esteja se findando com a abertura de um curso de Jornalismo em São Miguel do Oeste. que enconJORNALISMO EM PERSPECTIVA 45 . como o cumprimento da legislação. mesmo com os cursos superiores. três mulheres e a redação de um tradicional e conceituado jornal impresso. Mas as grandes preocupações dos jornalistas. envolvendo mais de um terço da área de Santa Catarina e mais de uma centena de municípios –. em meados da década de 1990. por fim em Lages. e. Longe demais Antes de iniciar efetivamente esta parte da história do jornalismo brasileiro.Resistência no Oeste catarinense Rubens Lunge A ação coletiva em defesa dos direitos dos trabalhadores pelos jornalistas do Oeste de Santa Catarina tem como parâmetro o mês de fevereiro de 2004. primeiramente em Chapecó. no final da mesma década. na fronteira com a Argentina. neste início de século e milênio. vale registrar que a categoria na região – um vasto território. e depois em Concórdia. somente sofreu forte transformação com a chegada dos cursos superiores.

em tempo algum. no final dos anos de 1980. pela falta de estrutura. especialmente a fiscalização do Ministério do Trabalho. quando o grupo da redação – um chefe de redação e quatro repórteres – iniciam a construção de uma proposta buscando na comunidade a resposta que ela – a comunidade – quer nos meios de comunicação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 46 . carência de tempo. Principalmente aquelas que tratam de assuntos relacionados com o Poder Executivo e com os grupos economicamente mais ativos. A notícia que os jornalistas dariam nem sempre é aquela que a empresa recomenda. assim como a carência de formação voltada para os dirigentes. credenciar conveniados e. Mantém um estilo sóbrio. O espaço privilegiado para os debates sempre foi o da Universidade. promover cursos de aperfeiçoamento. O choque legalista.tram não habilitados exercendo a função nos meios de comunicação. em buscar a filiação de jornalistas profissionais. “Diário da Manh㔠O jornal “Diário da Manh㔠começou a circular em Chapecó há um quarto de século. debater com maior profundidade e substância o exercício profissional. mas faz questão de se pautar por suas relações. uma vez que nenhum. como o realizado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. e pelas distâncias a serem percorridas para o fazer sindical na base. A ação sindical ocupou-se. No entanto. sucessão após sucessão de dirigentes. não se verifica. a matriz. eventualmente. Ocorre o mesmo nas redações de Passo Fundo. que deveria ser promovido pelos órgãos governamentais. foi liberado. Erechim e Carazinho. uma outra possibilidade começou a acontecer em maio de 2004. diante da quase impossibilidade do exercício do sindicalismo de ação pelos dirigentes sindicais.

todos os que tiveram. os seus direitos atingidos. a demissão da jornalista Solange Oro moveu os colegas da redação. que na tentativa de construir o diálogo com os proprietários da empresa. a greve estava declarada. brutal – e recheada de ameaças -. em fevereiro de 2004. a sua aliança. e tendo como deflagrador a troca de gerentes da unidade. porque comprometido com a informação verdadeira e ética. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 47 . pela empresa. oferecendo informação de qualidade e sem nenhum compromisso que não o do interesse coletivo. Diante da negativa. para abertura de inquérito administrativo. o dirigente sindical e chefe de redação. Nem mesmo com a convocação da Subdelegacia Regional do Trabalho de Chapecó os representantes da empresa compareceram para a negociação. A estratégia da empresa foi desfazer a equipe. buscaram reparação. O grupo exigia a anulação da demissão de Solange Oro. e principalmente porque antes de tudo quer cumprir o seu acordo. ocorre a demissão do chefe de redação e o seu retorno. O gerente exige que o chefe de redação demita uma das jornalistas. com o seu público. que aplicava na prática uma das propostas teóricas de todas as faculdades de jornalismo que se possa ter conhecimento: o exercício da função pública do trabalhador jornalista. preferindo mais um ato que atenta contra a liberdade de organização de qualquer categoria de trabalhadores: demite as repórteres Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro por justa causa. Na Justiça.Nem bem haviam se passado seis meses deste início. e afasta. através do novo gerente. e notificam que se não houvesse conversações. em Passo Fundo (RS). faz uma nova tentativa para acabar com este grupo de jornalistas. encaminha uma pauta de solicitações para a sede da empresa. acusando insubordinação. com o leitor. em vista de sua condição de dirigente sindical. ele mesmo o faz. Sem justificativa. A empresa “Diário da Manhã”. por ordem judicial.

constataram que em alguns lugares ainda há preferências orientadas pela relação comercial. forçosamente. sim. Resolveram dizer que acreditam na Universidade. voltada para todos. Solange. principalmente. Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro chegaram ao mercado de trabalho com os sonhos de todos os principiantes: construir através da comunicação uma relação melhor. na profissão de jornalista – empregado. Essas três trabalhadoras do jornalismo de Chapecó devem ter seus nomes guardados. mas tem verdade.Jornalismo e Realidade Recém-formadas. de uma empresa privada. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 48 . Não porque foram as primeiras a participar de uma greve em um meio de comunicação na maior cidade do Oeste de Santa Catarina para exigir justiça. porém com o coração e as mentes dirigidas pela função pública – e. mas porque demonstraram o verdadeiro espírito do sindicalismo. Em poucos meses. Fernanda e Cátia fizeram a opção mais difícil. que acreditam que a informação não tem versão. teriam que se render aos ditames do mercado. e que elas não poderiam sonhar com as teorias da Universidade. Pela demonstração que deixaram para aqueles que lhes são contemporâneas e para todas as gerações futuras. Solange Oro. e. em que a solidariedade é a base para todas as ações.

2 A dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2000 é um estudo inédito sobre a pequena imprensa catarinense e foi transformada no livro “A Força do Jornal do Interior” (Fernandes. escolares. TV Bela Aliança (Rio do Sul). de acordo com a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. Em pesquisa realizada em 19992 . pelo menos 36 (17 FMs e 19 AMs) estão no Vale. o terceiro mais importante do estado. Há ainda seis emissoras de televisão com sinal aberto1 . Das 184 emissoras de rádio existentes no estado. além de emissoras comerciais não filiadas à entidade. 2003).A mídia no Vale do Itajaí Mario Luiz Fernandes Uma das mais ricas e populosas regiões de Santa Catarina e segundo pólo têxtil do mundo. house organs. Na pesquisa. colocando a cidade em posição de vanguarda em relação a municípios maiores como Florianópolis e Joinville. “A Notícia”. TV Educativa Vale do Itajaí (Blumenau). a região mantém posição de destaque na radiodifusão. “Jornal de Santa Catarina” e “O Esta1 Comerciais: RBS TV Blumenau (Blumenau) e TV Record (Itajaí). não foram considerados jornais institucionais como de bairros. Educativas: TV Brasil Esperança (Itajaí). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 49 . isto sem levar em conta as educativas e comunitárias. No jornalismo impresso. além dos quatro maiores: “Diário Catarinense”. sindicais. além dos canais por assinatura. especializados e outros mantidos por instituições não comerciais. o Vale do Itajaí tem um papel singular na história dos meios de comunicação do estado. mais precisamente em Blumenau. que nasceu a mídia eletrônica – rádio e televisão – catarinense. constatamos que a imprensa catarinense é constituída por 177 pequenos jornais. religiosos. o destaque é o “Jornal de Santa Catarina”. TV Panorama (Balneário Camboriú). É no Vale. Mais de setenta anos depois.

durante 15 anos. de Florianópolis. é o jornal catarinense mais antigo ainda em circulação. “Jornal do Médio Vale” (Timbó). e “O Comércio” (11 de junho de 1931). e que em 1929 instalou um serviço de alto-falantes no centro de Blumenau. o serviço de rádio amador prestado por Medeiros Júnior.do”. Roberto Grossembacher e Medeiros Júnior. 5 A rádio contava então com dez sócios. Dois estão entre os seis mais antigos3 do estado ainda em circulação: 3º) “Nova Era” (Rio do Sul – desde 26/12/1937). “O Atlântico” (Itapema). ele iniciou as primeiras experiências radiofônicas e em 1935 a Rádio Clube (PCR-4) estava no ar.5 3 “O Estado” (13 de maio de 1915). Entre os pequenos jornais. Ingo Hering. vale registrar ainda o “Página 3” e “Tribuna Catarinense” (Balneário Camboriú). 6º) “O Município” (Brusque – desde 25/06/1954). No final de 1931. de Jaraguá do Sul. o primeiro radioamador4 licenciado do estado. “A Voz da Razão” e “Tribuna Regional” (Blumenau). “Cruzeiro do Vale” (Gaspar). também. “Diário da Cidade” e o polêmico “Diário do Litoral” (Itajaí). concentraremos nossa abordagem na imprensa escrita de Blumenau e Itajaí como representativas da região. “foi o principal elo de comunicação de Blumenau com o Brasil e com o mundo. “A Cidade” (Rio do Sul) e o “Jornal do Comércio” (Piçarras). os dois primeiros são “Correio do Povo” (10 de maio de 1919). de Porto União. Em razão da brevidade desse capítulo. entre eles Luiz de Freitas Melro. Esta pequena panorâmica evidencia a necessidade de uma ampla pesquisa para se traçar o perfil da imprensa no Vale do Itajaí. a maioria semanários. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 50 . 45 (25%) estavam no Vale. Por suas atuações nas respectivas comunidades. Tal delimitação parte do fato. que estes são os municípios mais expressivos e os pioneiros da indústria cultural do Vale e de Santa Catarina. 4 De acordo com Medeiros e Vieira. Apenas como ilustração. Entre os pequenos. numa época em que não havia serviço telefônico de longa distância e o telégrafo era ainda bastante precário” (1999 : 29). é importante ressaltar que o pioneirismo do rádio coube a João Medeiros Júnior. A licença saiu em 19 de março de 1936.

9 Assis Chateaubriand. é sempre necessário recorrermos à história. Ao contrário do que ocorreria com a mídia eletrônica no século XX. em 1º de setembro de 1969. durante vinte anos. a primeira emissora oficialmente instalada em Santa Catarina. dezenove anos depois da TV Tupi. em 26 de outubro de 1942. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 51 . 23 anos depois de fundada a Rádio Sociedade Rio de Janeiro. Em 1954. 7 A emissora foi fundada em 23 de abril de 1923 por Roquete Pinto e Henrique Morize. o jornalismo na região também nasceu estreitamente comprometido com o poder político. o fundador dos Diários Associados.pleiteou a concessão de um canal de televisão para Blumenau. a primeira do país9 . foi o pioneiro da televisão brasileira ao fundar a TV Tupi Difusora. a rede contava ainda com a Clube de Gaspar. Araguaia (Brusque). mais tarde . foi.Santa Catarina entrava na era do rádio6 .01/02/ 1941). a TV Coligadas. Surgia assim. Clube de Indaial. Assim como ocorreu nos primórdios da imprensa em todo mundo. 8 Liderada pela Rádio Clube de Blumenau. O “Kolonie Zeitung”. Breve retorno às origens Para compreendermos melhor o processo de evolução da imprensa no Vale do Itajaí. em 18 de setembro de 1950.14/05/1943) e Rádio Catarinense (Joaçaba . Difusora (Blumenau) e Clube de Itajaí.26/10/1942). em São Paulo.06/07/1945). o porta-voz dos blumenauenses e por isso mesmo considerado o primeiro jornal 6 Depois da Rádio Clube vieram a Rádio Difusora de Joinville (Joinville . Dagoberto Alves Nogueira e Adolfo de Oliveira Júnior instalaram oficialmente a Rádio Difusora. era constituída a Rede Coligadas de Rádio8 que. a primeira do Brasil7 . a terceira em solo catarinense. e só nos últimos vinte anos vem rompendo lentamente essas amarras. lançado em Joinville em 1862. Rádio Guarujá (Florianópolis . o jornalismo impresso nasceu tardiamente em Santa Catarina e mais ainda no Vale do Itajaí. Em Itajaí. Rádio Difusora de Itajaí (Itajaí .

o primeiro jornal da província. e Baugartem tornou-se o único dono. Circulou até 2 de dezembro de 1938. o valor das ações foi devolvido gradativamente aos cotistas. então com 25 anos. o descendente de alemães voltou à sua terra natal com o objetivo de montar um jornal.5 centímetros. Hermann Blumenau. e 31 anos após o início da colonização oficial de Blumenau. Desterro). o semanário surgia no formado 30 por 39. só surgiu em 1º de janeiro de 1881. Com uma impressora importada de Leipzig (Alemanha). A falta de recursos financeiros o levou à constituição da Sociedade Tipográfica Blumenauer Zeitung. Conforme o estabelecido em contrato. quatro páginas. mas ilustrado em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Tal conservadorismo é defendido por Silva (1977: 10) como “altamente proveitoso à ordem e disciplina JORNALISMO EM PERSPECTIVA 52 . Blumenau recebia a devolução de sua parcela no empreendimento. de fato. Joinville. em Desterro.da colônia fundada por Hermann Blumenau. O primeiro periódico local. Nascido em Blumenau. Uma semana depois da primeira edição. foi resultado de uma ação cooperativada da qual 71 colonos eram cotistas. onde mantinha agentes (Itajaí. Brusque. em 1879. redigido em alemão e com circulação nas principais cidades catarinenses. somente em 1884. Ou seja. Mesmo contrário à criação do jornal. “O Catharinense”. comprou duas ações e sob sua assinatura colocou a observação bedingt (condicionalmente). Antônio Härte era o redator e Hermann Baumgarten o editor. A iniciativa partiu de Hermann Bauggarten. o Vale do Itajaí só teve imprensa própria cinqüenta anos após Jerônimo Coelho ter lançado em 28 de julho de 1831. o administrador da colônia. Blumenau O “Blumenauer Zeitung” (“Gazeta Blumenauense”). além do Rio de Janeiro e Alemanha. primeiro jornal de Blumenau e do Vale. Em Itajaí.

lutas sérias. ligado ao Partido Conservador. Antunes. já que o “Blumenauer” fazia oposição ao intendente. A comissão praticou desmandos. O “Immigrant”. os opositores à política florianista. O “Immigrant”. voltadas exclusivamente para a defesa do nome da Colônia e dos interesses dos seus moradores. O confronto entre os dois jornais chegou à esfera do poder público. Justifica o autor: “Os anos que se seguiram à publicação regular do Blumenauer-Zeitung vieram dar-lhe razão. editado em português e alemão. Em 18 de julho de 1892. Após a grande enchente de 1880 . e em muitos casos bastante contundentes. foi criado por Bernardo Scheimantel e circulou de abril de 1883 a abril de 1891. favorecimentos e atos de corrupção que geraram pronta reação do “Blumenauer-Zeitung”. ataques à moral e à dignidade dos contendores e dos seus adeptos” (idem). Foi então que simpatizantes e beneficiados por Antunes criaram o “Immigrant”.que atrasou em dois anos a instalação do município -. O “Blumenauer”. provocou a fundação de outro jornal. Nascia como resultado declarado de um embate político. o Immigrant e dos debates entre as duas folhas. de matiz liberal. segundo jornal da colônia blumenauense. o governo imperial designou uma comissão de engenheiros. Os desafetos só amenizaram quando a comissão Antunes deixou Blumenau. O objetivo era veicular os comunicados oficiais da Intendência. Sem apoio. o “Immigrant” fechou as portas em 1891. comemorou o novo regime em vários editoriais e perdeu muitos aliados. embora sem sombra de dúvidas. Após a Proclamação da República. os dois jornais travaram novo embate. criada em 1882. chefiada pelo Dr. As atividades políticas desse jornal.da Colônia”. para fazer o levantamento dos prejuízos e atuar na reconstrução da colônia. nasceram discórdias. sendo debatido na Câmara de Vereadores. surge “O Município”. revidou. O jornal teve apenas 32 edições e saiu de circulação em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 53 .

Este foi o responsável pela orientação do jornal durante quase trinta anos. foram encartados em “Der Urwaldsbote” durante muitos anos. após as eleições daquele ano. órgãos sindicais. agremiativos. Seguindo a vocação industrial do município. em nome da Conferência Pastoral Evangélica. A partir da década de 30. foi o principal jornal blumenauense até o nascimento do “Jornal de Santa Catarina” em 1971. Até início dos anos 70. colegiais. que defendia a causa federalista. o “Der Urwaldsbote” trocou de proprietário algumas vezes. fundado por Honorato Tomelin. assumindo também colorações políticas. Variados e ricos suplementos. os jornais tornaram-se cada vez menos voltados às questões da imigração e à agricultura. foi substituído por Eugênio Fouquet. Em sua longa trajetória. nada menos que 32 municípios foram desmembrados de Blumenau. Os novos títulos criados a partir do início do século XX expandiram a imprensa de Blumenau. classistas. Foi comprado pelo pastor Faulhaber. anuários e outros. com novos veículos de comunicação emergindo como porta-vozes destas novas comunidades. que circulou até 29 de agosto de 1941. Os confrontos entre os dois jornais não tardaram. A maioria da população era republicana e tinha como porta-voz o “Blumenauer”. foi substituído pela segunda versão de o “Immigrant”. O pastor Faulhaber ficou no comando da redação até 1898 e. que passou a editar o semanário religioso “Der Urwaldsbote” (“O Mensageiro da Floresta”). “A Nação” (1943/1980). A Primeira Guerra interrompeu a circulação do jornal por dois anos. após 16 edições.março de 1893. No mesmo mês. e mais ao cotidiano urbano e industrial. agora sob a direção de Paulo Stelzer. house organs. inclusive impressos na Alemanha. de acordo com Silva. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 54 . o jornal chegava à tiragem de cinco mil exemplares. que retornou em 23 de agosto de 1919. foram 137 publicações entre jornais-empresa. revistas. Em 1928. Em 16 de julho. “Immigrant” desaparecia pela segunda vez.

Em 10 de maio de 1884. Este foi o mote inicial para que a imprensa da foz do Itajaí estivesse cada vez mais atrelada ao poder político. expressiva parcela dos jornais catarinenses não escondia suas cores partidárias. e o primeiro com circulação em todo o Vale. Inovou ainda na distribuição gratuita e no conteúdo bilíngüe (português e alemão). Com uma postura editorial de isenção ante às refregas políticas locais. lança o semanário “Itajahy”. em 20 de fevereiro de 1887. O exemplo seguinte foi um outro semanário intitulado “Gazeta de Itajahy” criado em 13 de outubro de 1892. um dos líderes locais do republicanismo. Porém. “As precárias condições econômicas e tecnológicas aliadas aos obstáculos políticos oferecidos à circulação de idéias em uma sociedade nitidamente autoritária” são elencadas por Santos (2002: 259) como as principais causas que condicionaram o atraso do nascimento da imprensa itajaiense. funda a “Gazeta de Itajahy” “para divulgar as idéias republicanas e defender as ações político-administrativas do interventor Lauro Muller” (Ibidem: 260). João da Cruz. às portas da Proclamação da República. que circulou pouco mais de um mês. “Jornal do Brasil” (1896) e o “Progresso” (1899). Na mesma linha editorial. circularam na cidade O “Immigrant” (1890).Itajaí Em uma época em que. Encerrando a primeira fase da imprensa itajaiense do final do século XIX. o mestre Janja. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 55 . Galdino de Pereira Lima coloca em circulação “A Liberdade”. esta aparente neutralidade da imprensa local muda radicalmente em setembro de 1890 quando o médico Pedro Ferreira e Silva. cenário que só começaria a mudar gradativamente a partir do final do século XX. “A Flexa” e “A Semana Ilustrada” (1894). em 18 de fevereiro de 1886. Tranqüilo Antônio da Silva e Eduardo Dias de Miranda lançam o moderado bissemanário “A Idéia”. também republicanista. ocorre a primeira e breve experiência da imprensa de Itajaí.

consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. criado por João Honório de Miranda. editada em Balneário Camboriú por Coninck Júnior e Ivaine Salete Gilioli. vale o registro da “Realeza”. Longe de limitar a questão em torno de ter ou não diploma superior para exercer a profissão. “Diário da Cidade” (1992). “Jornal do Povo” (1935/1989). 83 jornais foram lançados. Caminhos para a profissionalização Definir com precisão o início da profissionalização da imprensa escrita no Vale do Itajaí. por Adilson Amaral. e “Papa Siri”.Do início ao final do século XX. teve a colaboração dos irmãos Konder (Victor. algumas se tornaram marcos na imprensa local por sua longevidade e postura editorial: “Novidades” (1904/ 1919). fundado por Abdon Fóes. Marcos e Adolpho) e desempenhou importante papel na Campanha Civilista. entendemos por profissionalização aquela que passa pela modernização e consolidação econômica das empresas. de acordo com levantamento de Santos (2002). quando do surgimento do jornal “A Nação”. “O Pharol” (1904/1936). No segmento revista. de Valdemir Corrêa das Chagas. qualidade do conteúJORNALISMO EM PERSPECTIVA 56 . “Diário de Itajaí” (1914 – quatro meses). de oposição e postura crítica. foi fechado pela censura de Getúlio Vargas. vinculada à Academia Itajaiense de Letras. Em meio a tantas publicações efêmeras. foi o primeiro diário da cidade. o único jornal local de oposição ao regime militar e inclusive era revisado por censores do Serviço Nacional de Informação (SNI). de Elias Adaime. “O Correio” (1963/1976). de Dalmo Viveira. não é tarefa fácil. de Manoel Ferreira de Miranda. dominando o cenário jornalístico itajaiense até o início dos anos 60. “Diário do Litoral” (1979). de Rui Barbosa em 1910. passou por várias fases com diferentes proprietários. fundado por Tibúrcio de Freitas. conscientização e espírito de classe dos profissionais.

e a divide nas fases artesanal – estruturada no jornalismo opinativo e no jornalismo adjetivado – e industrial – centrada no jornalismo técnico e no jornalismo técnico-profissional. O jornalismo técnico de “A Nação” O jornal “A Nação”. o “Jornal de Santa Catarina”. Acrescentamos ainda a contribuição do professor e jornalista Hélio Floriano dos Santos10 . O jornal blumenauense nasceu com seis páginas e circulação às terças. o primeiro do Vale. elencamos pelo menos quatro marcos fundamentais: o jornal “A Nação”. de Itajaí. Ou seja. de Blumenau. pelo menos em alguns dos aspectos enumerados. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 57 . sob a direção de Wilfredo Eugênio Currlin e 10 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. o primeiro grande e moderno empreendimento jornalístico do estado.do informativo. Nesta direção. de Itajaí. conduta ética de empresários e jornalistas. Todos fecharam em 1980 com a falência do grupo. quintas e sábados. processo este que ainda está em construção. o curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Estas fases da imprensa itajaiense não só complementam como aprofundam a proposta deste artigo. é um desmembramento do “A Nação”. que há anos estuda a imprensa de Itajaí. A versão itajaiense de “A Nação” foi lançada em 15 de novembro de 1962. fundado por Honorato Tomelim em 29 de maio de 1943. Em Santa Catarina. o grupo contava ainda com o “Jornal de Joinville” (1919) e “Diário Catarinense” (Florianópolis – 1973). a chegada dos primeiros jornalistas com formação superior. Já em agosto do ano seguinte era adquirido pelo voraz Assis Chateaubrian. dos Diários Associados. de Blumenau. e compromisso social com a informação e com o leitor. como o primeiro a implantar as modernas técnicas de redação. Seis meses depois se tornava diário.

O jornal disponibilizava muito espaço e nós tínhamos que preencher. que se tornou uma verdadeira academia “formando” pelo menos duas gerações de jornalistas dentro da nova técnica. “Antes se misturava muito os fatos e as opiniões. apenas ficavam lendo bajulações. de onde traz para Itajaí as novas técnicas de redação. quase um testemunho. Às vezes. Os comentários e opiniões ficavam por conta das fontes (informantes. Os leitores não eram levados à reflexão. 2004). A nova técnica também chegou às emissoras de rádio. acabávamos escrevendo a mesma coisa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 58 . já que seus departamentos de jornalismo tinham os jornais como suas fontes. após realizar um curso de jornalismo técnico por correspondência no Instituto Gutenberg. Outro repórter do “A Nação” a dar uma forte contribuição à difusão das novas técnicas jornalísticas em Itajaí. objetividade e imparcialidade. só que com outras palavras“. No relato do jornalista. inflamado. Na verdade o jornalismo era mais feito de opinião do que de informação. Com a nova técnica tudo isso foi revisto. mas se espalhou rapidamente pela redação de “A Nação”. Numa época em que o texto jornalístico era carregado de adjetivação. Durante o ano de 1967. opinião e proposições políticas. o repórter Renato Mannes de Freitas fez estágio no “Diário do Paraná”. foi Álvaro Balbinot.Nilton Isaac Russi. Era um texto de cunho pessoal. Basicamente aprendemos a elaborar um texto onde estava bem separado o fato e a opinião” (Freitas In: Santos. entrevistados). Estas incluem as seis perguntas clássicas que compõem o lead – O quê? Quem? Quando? Como? Onde? Por quê? – além do conceito de pirâmide invertida. O jornalismo era mais comentado. O repórter passou a ter a função de relatar de forma impessoal os fatos. em Curitiba. a nova técnica causou polêmicas. uma síntese do que era o improviso e o amadorismo do jornalismo da época: “a imprensa só elogiava e as matérias eram superficiais. o uso de normas e o manual de redação.

atingir os então 197 municípios catarinenses. ninguém se arriscava”. destaca Flávio de Almeida Coelho11 . 22 de setembro de 1971”. o conteúdo editorial e a produção industrial. para. “Os jornalistas tinham medo de se posicionar e sofrer represálias na redação. incluindo edições pilotos para avaliar o projeto gráfico. ao invés da cidade sede e a data. O “Jornal de Santa Catarina” inicia a era da modernização A 22 de setembro de 1971. Foi também o primeiro jornal a ter um sistema de telefoto no estado e a contar com uma frota de 26 veículos para a distribuição do jornal em todo território catarinense. Na capa. Assim nascia o “Jornal de Santa Catarina”. Era uma época que “Santa Catarina não tinha jornal independente”. “Boa parte dos jornalistas não vivia do jornalismo. constava “Santa Catarina. abaixo do logotipo. questiona o empresário. Foram dois anos de planejamento. sistema de composição que era privilégio apenas dos grandes diários das principais capitais brasileiras. O projeto era coordenado pelo professor e jornalista gaúcho Nestor Fedrizzi que deixou um exemplo de profissionalismo para a imprensa catarinense. O governador Colombo Machado Salles acionou as rotativas que imprimiram a primeira edição com a manchete em tom de denúncia e embalada em moderno projeto gráfico: “Esgoto só existe em duas cidades de Santa Catarina”. principalmente no Governo do Estado. Por isso não existia censura. 2003: 77). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 59 . Santa Catarina entra na era do jornalismo moderno com o seu primeiro jornal em off-set. vivia de outros empregos. a partir de Blumenau.A ditadura militar. que estava no seu auge no início dos anos 70. também impunha suas amarras à imprensa local e os efeitos eram nefastos à autonomia editorial. lembra Balbinot (In Jordão. Como então a imprensa podia ser independente?”. concorrendo com “A Notícia” (Joinville) e “O Estado” (Florianópolis).

A titularidade do jornal passa por diferentes grupos políticos e empresariais. 11 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. Paulo”. Apesar do sucesso. só faltava o jornal impresso. logo surge a primeira crise interna a que se sucederiam várias outras. pois os gaúchos não conheciam as peculiaridades de Santa Catarina e levou algum tempo para se adaptarem ao novo cenário. o controle acionário passa a um grupo de empresários e políticos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 60 . não era nada modesta para a época. onde os cursos de Jornalismo da Universidade Federal e da Universidade Católica já tinham 20 anos de tradição. Wilson Melro e Caetano Deecke se desentendem sobre a administração das empresas e os jornalistas gaúchos são demitidos. o Santa contava com 200 funcionários e chegou a 400 no início da década de 80. Flávio Rosa e Flávio de Almeida Coelho. Com a TV Coligadas operando desde setembro de 1969 e uma cadeia de emissoras de rádios associadas. Quando do seu lançamento. Dois anos depois. O “Jornal de Santa Catarina” nascia para completar a primeira grande rede de comunicação do estado. entre outros que formavam o grupo. Essa “importação” deu trabalho. no projeto dos empresários Wilson de Freitas Melro.A redação sob o comando de Nestor Fedrizzi (também diretor do departamento de telejornalismo da TV Coligadas). “Folha de S. e operava com as agências de notícias do “Jornal do Brasil”. pelo menos 15 dos 40 profissionais da sede em Blumenau foram trazidos de Porto Alegre. Para montar a moderna redação. Contava com cerca de 40 profissionais na sede e outros 20 apenas na sucursal de Florianópolis. indo da matiz política de direita à esquerda12 . incluindo o jornalista Adolfo Ziguelli. Reuters e Asa Press. Caetano Deecke de Figueiredo. Essa alternância de comando afetou a estrutura da empresa e a linha editorial do jornal que perde sua independência e imparcialidade. 12 Em 1972. Tinha a colaboração de colunistas como Ibraim Sued e Joelmir Betting.

passava a ser impresso em cores e em 1996 chegava à Internet. Em 1º de setembro de 1992. No ano seguinte. Rio do Sul e Jaraguá do Sul. a transação foi conduzida secretamente pelo então presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). 1992 : 126)”. 1993 : 14). seus jornalistas realizaram a mais longa greve da categoria. tesoureiro da campanha do governador Pedro Ivo Campos. embora o movimento tenha sido julgado legal. Em maio de 1990. fechando praticamente todas as sucursais. é o terceiro em tiragem no estado. Segundo o autor. não conseguia penetrar maciçamente no Vale do Itajaí. Brusque.Com a venda da TV Coligadas em 1980. Atualmente. Durante o tempo em que a redação parou. O Santa foi regionalizado e atualmente atinge 64 municípios do Vale do Itajaí com sucursais em Florianópolis. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 61 . Nogert Wiest. integrado por Mário Petrelli. mantendo íntimas ligações com o Palácio Santa Catarina (Pereira. o Santa representava um grande portal de entrada da RBS naquele importante mercado de anunciantes e leitores. Em 1985. nova transferência. comercial e administrativo. Conta com cerca de 50 profissionais na redação que produzem a média de 44 páginas diárias. desta vez para um grupo de 12 empresários blumenauenses. Flávio Coelho e Rudi Bauer ficam no comando até 1983. “Mais de 40 profissionais foram demitidos. que durou quase dois meses. o Santa mergulha em grave crise financeira. jornal do grupo lançado em Florianópolis em 1986. A aquisição era estratégica. acentuada pela recessão no início do Governo Collor. Mário Petrelli. foi a vez de Petrelli vender sua parte e Flávio de Almeida Coelho passa a acionista majoritário. Como o “Diário Catarinense”. Itajaí. Nas primeiras semanas a adesão foi de quase 100% dos jornalistas. e o Santa passa “a ser dirigido por profissionais indicados ou aprovados pelo governo do PMDB. Flávio Coelho negocia o jornal com o empreiteiro Nilton José dos Reis. Flávio Coelho. entre outros. a RBS assumia o jornal imprimindo-lhe novo ritmo editorial. Já em setembro de 1994. o jornal circulou precariamente e no início uma edição de quatro páginas explicava aos leitores o que estava acontecendo” (Zero. No final dos anos 80. Paulo e Jorge Bornhausen. chegando a 20 mil exemplares de segunda a sábado e cerca de 25 mil aos domingos. ano em que Bauer deixa a sociedade.

chegaram mais seis gaúchos. Alberto César Russi. voltou à região para atuar na Rádio União de Blumenau (1980/1982). itajaiense formado pela Universidade Nacional de Brasília em 1980. chega a Itajaí a primeira geração de jornalistas com graduação na área. trabalhou na sucursal de “A Notícia” (1982/1987). o jornal não deixou de trazer jornalistas de outros estados para aperfeiçoar seu quadro profissional.Nesta nova fase. atuou em jornais de Curitiba. Foi a primeira mulher na imprensa de Joinville (“Jornal de Joinville” – 1978) e em Itajaí (sucursal de A Notícia – 1980). e foi colunista esportivo no “Diário do Litoral” (1989/1991). São Paulo e Paraná. 13 Entrevista concedida ao autor em 10/01/2005. na época pertencente a Rede Eldorado de Comunicações – RCE. Edgar Gonçalves Júnior. formada pela Universidade Católica do Paraná em 1976. A primeira foi a itajaiense Constância Teresinha Severino. Ela lembra que não houve preconceito. mas foi um “choque” para os jornalistas de Joinville e Itajaí verem invadido um território que até então era exclusivamente masculino13 . Antes de retornar à terra natal. TV Vale do Itajaí (1986/1988 e 1991/ 1993). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 62 . encerrando as atividades como jornalista em 1982. além de profissionais do Rio de Janeiro. dirige a Rádio e TV Univali e é diretor do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação da Univali. No início de 1993. Os desbravadores No início dos anos 80. Entre eles. Em Itajaí. Trabalhou ainda na sucursal de “O Estado” e no “Diário do Litoral”. Atualmente. foram contratados principalmente jornalistas paranaenses. Era uma época em que muitos jornalistas não eram nem provisionados e a grande maioria tinha apenas formação em nível de 2º grau. que a partir de janeiro de 2000 tornou-se o atual editor-chefe. Após a greve de 1990.

ingressou no semanário “Liberal do Vale”. No Santa. A lageana Márcia Estela da Costa foi da primeira turma (1982). Foi a primeira mulher a atuar na televisão em Itajaí. de Waldemir Correa das Chagas. Luciene Cruz. destaca o improviso e a estrutura amadora que era a televisão. Curso de Jornalismo da Univali Vários fatores relegaram ao atraso a imprensa catarinense.Das duas primeiras turmas formadas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Janete Jane Cardozo da Silveira (turma de 1983). é editora-chefe da Rádio Educativa Univali FM. Hoje o profissional é mais voltado para o mercado”. Passou três anos estudando e trabalhando no México (1984/1987). coincidentemente todas mulheres. Em 1984. Um deles. também da turma de 1983. muitas vezes. de 1985 a 1990. Jane Cardozo atuou ainda em vários veículos entre eles nas sucursais de “O Estado”. vieram atuar na imprensa de Itajaí e atualmente são professoras do curso de Jornalismo da Univali. Da fase inicial. Fazia parte de uma geração “mais idealista” para a qual a atividade jornalística “era mais um ideal que uma profissão. foi a primeira professora jornalista contratada no curso de Jornalismo da Univali. inclusive com jornalistas tendo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 63 . “A Notícia” e “Jornal de Santa Catarina” e desde 1993 é professora no curso de Jornalismo da Univali. Em 1991. três profissionais. foi a falta da formação de profissionais es14 Entrevista concedida ao autor em 21/12/2004. foi uma das demitidas durante a greve de 1990. foi apresentadora do Jornal do Meio Dia na TV Vale de Itajaí. Além do ensino. 15 Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. voltou à emissora como produtora. Chegou a Blumenau no final de 1987 onde atuou no “Jornal de Santa Catarina” e em 1988 na assessoria de comunicação do grupo Hering. sem dúvida. observa a jornalista14. Entre 1994 e 1996. que produzir matérias comerciais15.

apenas 30% eram selecionados.. Dos seus mais de 50 profissionais da redação. Hoje. que formou a primeira turma em 1982. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 64 . de 1962 a 1967. caracteriza-se pelo jornalismo opinativo e estrutura empresarial constituída por sociedades ou subsidiada por grupos político-econômicos. A artesanal tem dois momentos: de 1886 a 1962. Entre a formatura da primeira turma em setembro de 1995 e final de 2004. muitos deles atuando nos mais variados veículos de comunicação do país. O “Jornal de Santa Catarina”. é um importante termômetro da evolução do curso na região. mais da metade é egressa da Univali. Movimento de Oposição Sindical Além desses fatores que marcaram o início da profissionalização da imprensa no Vale do Itajaí. lembra que dos egressos das primeiras turmas que chegavam ao Santa em busca de uma colocação. o da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). pratica-se um jornalismo adjetivado e com vínculo político-econômico. acrescentamos a contribuição do professor Hélio Floriano dos Santos sobre o jornalismo do município de Itajaí. como já dissemos. Esta realidade só começou a mudar lentamente com a criação do primeiro curso de Jornalismo do estado. este índice ultrapassa aos 80%. o desenvolvimento da imprensa local se divide em duas fases: artesanal e industrial. editor-chefe. jornalistas formados no estado só começaram a chegar em maior número às redações do Vale após a criação do curso de Jornalismo da Univali em 1991. Ele destaca que alguns destes jornalistas já alçaram um novo patamar profissional no jornal e hoje ocupam cargos de chefia na redação.pecializados. entre tantos outros. Para ele. mas começa a se constituir como empresa capitalista. Edgar Gonçalves Jr. Porém. o curso já havia formado 518 profissionais.

é marcada pelo jornalismo técnico que prima pela informação em detrimento da opinião e notícia passa a ser tratada como um produto.A fase industrial também se divide em dois períodos: de 1967 a 1980. sendo três com diploma de jornalista. em Florianópolis. Como resultado desse processo que também ocorreu em outras cidades. criou a Delegacia Regional do Sindicato. apenas três profissionais itajaienses foram filiados e puderam votar. b) situação sindical (1986 a 1991). inclusive com algumas despesas da entidade – aluguel da sede da entidade. Portanto. Com a criação do curso de Jornalismo da Univali e a conscientização profissional iniciado nas fases anteriores. Em Itajaí. O Movimento de Oposição Sindical – MOS – surgiu em 1980. por exemplo – sendo custeados pelo governo. em razão dos artifícios criados pela diretoria da entidade para dificultar a filiação de novos sócios. o MOS venceu as eleições daquele ano. Depois de um trabalho de base feito pelo jornalista e encaminhamento de processos de provisionamento. As características da chamada fase artesanal e sua transição para a industrial já foram abordadas. Blumenau e Itajaí. o período é ditado pelo jornalismo técnico-profissional que se subdivide em: a) oposição sindical (1980 a 1986). de 1980 aos dias atuais. Este vem sendo marcado pelo expurgo gradativo dos provisionados e não diplomados. aqui focaremos os três períodos mais recentes que dizem respeito à questão sindical e à diplomação. Hélio Floriano destaca que nas eleições de 1982 para o Sindicato dos Jornalistas. nas eleições de 1986. nasce o atual período da diplomação. Itajaí já contava com 31 filiados votantes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 65 . embora estes ainda atuem em bom número em Itajaí. e muitos jornalistas tinham na folha de pagamento do Estado sua principal fonte de renda. num momento em que o Sindicato de Santa Catarina vivia um forte atrelamento político. tendo como delegado Hélio Floriano dos Santos. c) período de diplomação (1991 em diante).

De entidade recreativa. Com a popularização do computador. na solenidade de posse de Emerson Ghislandi como presidente da entidade.Outro processo que está na base da conscientização profissional na imprensa local foi a criação do Clube da Imprensa de Itajaí – CIITA – que iniciou informalmente em novembro de 1980. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 66 . Considerações finais O “Jornal de Santa Catarina” é uma exceção na imprensa escrita do Vale do Itajaí. Os demais veículos ainda precisam superar algumas etapas para chegarem ao estágio da profissionalização. administrativa e até de circulação. se modernizaram. quer defendendo seus filiados contra atos de censura e arbitrariedades. com a eleição da primeira diretoria que teve como presidente José Pereira. Sua instalação oficial se deu em 15 de maio de 1981. coordenado por Valdemir Correa das Chagas. Edson Villela. Porém. A posse foi em 12 de julho e já no dia 29 daquele mês era realizada palestra com o presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina – Hugo Silveira Lopes. comercial. quer promovendo coletivas de imprensa. o que se percebe é uma frágil qualidade editorial – estética e de conteúdo –. reivindicando o curso. Em alguns veículos ainda há resistência na contratação de jornalistas formados. da maior a menor. mostrando que o CIITA pretendia ser mais que um clube recreativo. Aproximou o CIITA do Sindicato dos Jornalistas e iniciou a campanha para criação do curso de Jornalismo na Univali. Em 1988. era entregue um abaixo-assinado dos profissionais da imprensa ao reitor da Univali. A gestão de Hélio Floriano iniciou em 10 de maio de 1985 e atuou prioritariamente no registro dos profissionais da imprensa junto aos sindicatos dos jornalistas e radialistas. falta investir em recursos humanos. passou a atuar em questões técnicas e políticas. e à Delegacia Regional do Trabalho. Como resultado. as empresas.

sem formação profissional e com pouca experiência profissional. não significa apenas diploma universitário para os jornalistas. Esse também é o perfil do profissional atuante no Vale do Itajaí. Neste contexto. Porém. mas a consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. conduta ética de empresários e jornalistas. há espaço para sólidos e modernos grupos de comunicação. Ou seja. Em uma região tão rica. mas também pela formação humanística e o discernimento crítico e ético. seja criando seu próprio negócio de comunicação ou atuando nas redações dos veículos já estabelecidos. compromisso social com a informação e com o leitor. profissionalização. a profissionalização não está relacionada apenas à instrumentalização técnica propiciada aos profissionais pelas universidades. conscientização e espírito de classe dos profissionais. faltam investimentos para que o Vale tenha a imprensa que precisa e merece. qualidade do conteúdo informativo. Como assinalamos. evidenciava o perfil de um profissional jovem. mal remunerado. para que empresários e jornalistas possam atuar com a autonomia indispensável ao jornalismo. É este conjunto de competências técnicas e culturais que legitimam o profissional na construção social da realidade de uma comunidade. Os novos profissionais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 67 . no caso das redações. publicitário ou administrador de empresas – têm o importante compromisso de colocar nossa imprensa no caminho da profissionalização. A consolidação econômica das empresas também faz parte desse processo. os profissionais com formação superior seja jornalista. também começam a redimensionar o setor. principalmente aguçando a sadia concorrência.A já referida pesquisa que realizamos em 1999 sobre a pequena imprensa catarinense.

Itajaí. In: LENZI. Florianópolis : Lunardelli. MEDEIROS. Márcia Estela da. VIEIRA. SANTOS. 1996. Jornal a Nação – o surgimento do jornalismo técnico em Itajaí. Itajaí: Prefeitura Municipal / Secretaria da Educação / Fundação Genésio Miranda Lins. 2003. Florianópolis-Blumenau : UFSC-FURB. Flávia dos Santos. J.d. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 68 . SILVA.A Comunicação em Santa Catarina. A Força do Jornal do Interior.d. Lúcia Helena. Dulce Márcia. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Univali. Flávio de Almeida. Itajaí: s. Hélio Floriano dos. Itajaí Outras Histórias. 1999. ________. Florianópolis : Insular. PEREIRA. 2003. Itajaí : Univali. Itajaí: s. Luciene Rebelo. Rogério Marcos (organizador). Televisão e Negócio – A RBS em Santa Catarina.Referências Bibliográficas CRUZ. COSTA. FERNANDES. Ferreira da. A História da Imprensa na Cidade de Itajaí. 1992. História do Rádio em Santa Catarina. JORDÃO. A Nação: o surgimento do jornalismo moderno em Itajaí (artigo). Imprensa & Poder . Mario Luiz. 2002. Moacir. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005 CRUZ. Ricardo. A História do Clube da Imprensa de Itajaí (artigo). Entrevistas COELHO. A Imprensa em Blumenau. Florianópolis: Secretaria da Educação e Cultura: 1977. _______. Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004.

GONÇALVES JÚNIOR. 22 e 23 de setembro de 2001. SILVEIRA. Entrevista concedida ao autor em 07/12/ 2004. Entrevista concedida ao autor em 10/ 01/2005. 29 de outubro de 1997. PAPEL JORNAL. Suplemento Especial. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. Alberto César. Blumenau : Caderno Especial. 2 de setembro de 1977. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. Suplemento Especial. Entrevista concedida ao autor em 21/ 12/2004. 20 de dezembro de 1993. Hélio Floriano dos. Florianópolis : outubro de 1999. SANTOS. 22 e 23 de setembro de 1996. SEVERINO. RUSSI. Periódicos JORNAL DE SANTA CATARINA. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 69 . Edgard. Edição número 5 de agosto de 1999. Janete Jane Cardoso da. Constância Teresinha. Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Suplemento Especial. Florianópolis : Edição número 5. ZERO. edição número 15.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 70 .

Mais especificamente. Por décadas a imprensa da capital de Santa Catarina viveu essa rotina provinciana. as notícias eram copiadas do repórter Esso. ditadas pela fonte ou ainda recortadas de jornais de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 71 . de certa forma. As notícias. Os jornais e as emissoras de rádio em Florianópolis eram conhecidos por serem “de propriedade” de uma ou de outra corrente política. só que com o sinal inverso. o PSD (Partido Social Democrático) e a UDN (União Democrática Nacional). da Rádio Nacional do Rio. faziam a rádio Diário da Manhã e o jornal “A Gazeta”. E para saber o que estavam dizendo dos Bornhausen era só ler o jornal do PSD. Uma espécie de serviço de alto-falantes dos principais partidos ou coligações. A rádio Guarujá e o jornal “O Estado” elogiavam quem era simpático ao PSD e expunham as mazelas dos adversários. redatores daqueles textos rebuscados que invariavelmente iniciavam com um longo “nariz de cera”. Os jornalistas. Ninguém parecia interessado em ganhar dinheiro com jornais ou em buscar mais leitores com algumas inovações já disponíveis em outras capitais brasileiras: bastava que cumprissem seu papel de arautos dos partidos. Os jornais eram mantidos em estado de indigência tecnológica pela falta de ambição comercial. Amigos e apadrinhados das principais personalidades políticas de cada clã.A imprensa na Grande Florianópolis César Valente No princípio. ora. na Santa Catarina da época da criação do Sindicato. eram os partidos políticos. Simples assim. eram também partidários. da UDN. A mesma coisa. E era um jogo. às claras: todos sabiam que se quisessem encontrar críticas aos Ramos teriam que ler o jornal da UDN.

fez grande sucesso e reuniu colaborações dos principais nomes da época. de tempos em tempos comprava uma ou outra máquina nova.com. Em 1964. em 1965. o jornal “O Estado” iniciou um lento e longo processo de modernização. O “Diário da Tarde” fechou e “A Gazeta” continuava. Já podia produzir suas próprias fotos e ilustrações. Além dos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 72 . Em 1957. ao comprar uma segunda linotipo. Essa polarização PSD/UDN durou mais ou menos até a década de 70. A crise financeira. animados com os novos equipamentos. A pequena cidade. Paschoal Pitsica contou. Paschoal e seu irmão Nicolau foram encarregados da parte cultural e Zury Machado fazia a coluna social. que o diretor Rubens de Arruda Ramos e o gerente Domingos de Aquino.uol. A extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2. impressora mais moderna e rápida que a prensa tipográfica anterior e instalou uma clicheria. não tinha a pressa de hoje. disponível em http://an. os demais jornais permaneciam onde sempre estiveram ou regrediam. Foi uma espécie de “primavera de Praga” que durou um ano. instalou uma rotoplana. o jornal “O Estado” já era de propriedade do exgovernador Aderbal Ramos da Silva. jovem genro do “Doutor Aderbal”. Em 1956. numa entrevista a Apolinário Ternes (“A Notícia”. o jornal fica sob a responsabilidade de José Matusalém Comelli. 1996. em 1958. ainda que capital de estado. mas sem novidades. depois irá se instalar confortavelmente e tomar parte em todos os movimentos da imprensa florianopolitana. que a essa altura é um personagem novo. um Suplemento Dominical “cultural e social” em “O Estado”. certamente contribuiu para que as coisas mudassem ou pelo menos se tornassem menos evidentes e preponderantes. Quando Rubens de Arruda Ramos deixa a direção. A justificativa para o fechamento do suplemento foi a necessidade de economizar.br/grande/pitsica). resolveram criar. Enquanto “O Estado”.fora e publicadas no dia seguinte.

surpreendido pela iniciativa do Santa. mas também porque. pelo sucesso da “Última Hora” em Porto Alegre) levou para Blumenau jornalistas da melhor qualidade. O lançamento do “Jornal de Santa Catarina”. Não só porque Nestor Fedrizzi (jornalista gaúcho responsável. O jornal “O Estado” foi. em geral. E o jornal “O Estado” continuava sua lenta e segura trajetória de mudanças. começou a montar uma grande sucursal na capital. foi um terremoto jornalístico cuja onda de choque chegou a Florianópolis com toda a força. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 73 . José Matusalém Comelli conta que a modernização de “O Estado” estava sendo pensada e planejada. mas ainda não tinha sido feito qualquer processo de compra ou importação de equipamentos. demorava mais de um ano. trazido de São Paulo por Nestor Fedrizzi. uma rotina jornalística profissional e nova tecnologia de impressão. composto a frio e impresso em rotativa off-set. antes mesmo do lançamento. um radialista de prestígio que embora apaixonado por Florianópolis e defensor das tradições locais. com João Aveline. em Blumenau.filhos de Rubens (Sérgio da Costa Ramos que desde os 14 anos de idade convivia com o jornal e Paulo da Costa Ramos). E um projeto editorial moderno e competitivo. ao chegar a Florianópolis em 1970. mesmo antes de tornar-se colunista do jornal. de certa forma. Mauro Júlio Amorim e Luiz Henrique Tancredo. O Santa foi lançado em 22 de setembro de 1971. Comelli cercou-se de outros jovens. em 1971. Todos os demais jornais tinham composição a quente (com linotipos) ou manual (com tipos móveis) e impressão direta plana ou no máximo rotoplana (matriz plana e entintador rotativo). Raul Caldas Filho. Ayrton Kanitz lembra que. com a tarefa de montar a sucursal do Santa (como é chamado o jornal de Blumenau) foi muito bem recebido por Adolfo Zigelli. não hostilizou os recém-chegados e os ajudou de inúmeras formas. procedimentos excessivamente burocratizados e que. como Marcílio Medeiros Filho.

importara todo o maquinário para instalar um jornal em Maringá. havia todo um sistema de composição a frio IBM e uma rotativa off-set Goss. “O Estado”. com o Vanguarda. enquanto ainda estavam nos portos de Santos e Paranaguá. oito meses depois. Para fazê-lo. No rádio. Em meados de 1971. estava em processo de mudança. tanto no serviço de imprensa do Palácio quanto na rádio da UDN. na verdade. gráfica e editorialmente. completar uma das histórias profissionais mais interessantes: o garoto engajado nas lides da UDN em Joaçaba. na rua Felipe Schmidt. após sete meses de mandato. surpreendendo a todos. do grupo de apoio do então governador paranaense Haroldo Leon Peres. em maio de 1972. O jornalista florianopolitano também nunca mais foi o mesmo. A imprensa. em portos brasileiros. o jornal “O Estado” estreava sua nova sede. Um jornal totalmente renovado. acrescentando alguns jornalistas gaúchos recém-chegados e poucos locais. Diante disso. locutor de rádio do partido. como um todo. Adolfo Zigelli conseguia. num episódio até hoje obscuro). percebe o momento histórico e acaba ganhando credibilidade com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 74 . com todos os demais equipamentos complementares à venda. o dono do jornal achou melhor não lançá-lo e saiu em busca de compradores para as máquinas. “O Estado” conseguiu renovar-se. Não eram só os jornais que mudavam. trazido para Florianópolis para continuar a atuar politicamente. Foi por isso que. o governador deixou o cargo (Peres renunciou em setembro de 1971. em tempo recorde. Praticamente pronta entrega. O amigo de Daux. As máquinas tinham acabado de chegar e. trouxe parte da equipe que lançara o Santa. foi beneficiado pelo acaso. com equipamentos semelhantes aos do concorrente de Blumenau. Portanto.Mesmo assim. Jorge Daux (então proprietário da rede de cinemas da capital) procurou Comelli para apresentá-lo a um deputado paranaense que estava vendendo o equipamento que “O Estado” precisava.

Florianópolis estava “cheia” de jornalistas gaúchos. nessa época. O Jorge Escosteguy (falecido em 1996). Ocupava uma vaga de redator no Caderno 2. grande jornalista que depois tornou-se nacionalmente conhecido e respeitado. Jorge Escosteguy. Naturalmente. porque as redações dos principais veículos. Ele desenhava e diagramava as páginas que editava. mais à esquerda. poderiam. Em 1972. Vale lembrar que. traduzia os telegramas das agências internacionais. era uma esfinge arrogante aos olhos curiosos dos locais. os postos principais nas principais editorias eram ocupados pelos “gaúchos”. Elaine Borges. trabalhar em qualquer lugar do mundo. Nós éramos os iniciantes. O choque cultural e profissional era ao mesmo tempo assustador e estimulante. Não era um fato isolado. na sucursal do Santa e no jornal “O Estado”. só que numa linguagem moderna. Eles eram os jornalistas experientes. Mário Medaglia. Nei Duclós. por exemplo. E não eram quaisquer jornalistas: Ayrton Kanitz. Tinha vindo diretamente de Porto Alegre. como de fato alguns fizeram. sem ter passado pelo Santa. editado pelo Paulo da Costa Ramos. trabalhava sem descanso e sem levar a sério aquele bando de provincianos que circundava o grande centro do saber. a UDN estava unida ao PSD na Aliança Renovadora Nacional – Arena –. o partido-frente que se opunha ao MDB. JB Scalco. O Vanguarda não era um programa da UDN e não tinha o ranço político-partidário que caracterizou o passado do mesmo Zigelli. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 75 . no Rio e em São Paulo também estavam “cheias” de gaúchos talentosos. eu estava entre os jornalistas catarinenses que compunham a redação. Virson Olderbaun. o outro partido-frente do sistema bipartidário.uma atuação focada na defesa da cidade e de seus valores que começavam a desaparecer (como a até hoje injustificada demolição do Miramar). na nova etapa de “O Estado”. Em março de 1972. com 19 anos. mas não deixava também de ter a visão política básica dos dessa corrente.

para nós mesmos e para o mundo. favorecendo os atritos. Mas a conjuntura na qual o incidente ocorreu era mais ampla. descansar. A gota d’água que provocou a saída daquela turma. vista a esta distância. os “gaúchos” foram embora. A primeira edição que fizemos chegou às bancas perto do meiodia (não lembro se antes ou depois). Aprender a fazer tudo o que ainda não tínhamos aprendido. A segunda. tinha menos de um ano de vida. jantar. mesmo sem os “gaúchos”. parece mesmo apenas uma gota (uma discussão menor sobre funções e atribuições). pelo menos. fomos chamados a assumir todas as funções do jornal que tinham ficado desguarnecidas. E os principais jorna- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 76 . de repente. nós.E eu. alguns de grande qualidade jornalística) e do outro os dirigentes do jornal. tinha cinco ou seis jornais. achava tudo muito divertido. mas chegou. Mas o melhor estava por vir. fiquei dois dias inteiros no jornal. Eu. literalmente de uma hora para a outra. Tivemos que arrebentar a caixa preta a marretadas. No meio da tarde. Em outubro de 1972. responsáveis pela implantação de uma mudança que. os jornalistas que tinham sido criados num ambiente empresarial mais profissional (Porto Alegre. que éramos capazes de baixar um jornal. acabaram ficando na cidade até hoje. Tomamo-nos de brios e ninguém mais falou em ir pra casa. para poder manter o jornal circulando. os remanescentes e inexperientes catarinas. E ainda me pagavam para participar daquela festa. Havia um conflito latente sobre como conduzir o jornal “O Estado”: de um lado. Muitos dos jornalistas que vieram de outros estados naquela época. sem maiores responsabilidades do que dar texto final a matérias culturais. muitas delas traduzidas de revistas estrangeiras. àquela altura. embora radical. Provamos. um pouco mais cedo. Parecia que o ritmo dos locais que estavam se esforçando para modernizar a imprensa provinciana e de quem tinha vindo de fora com o mesmo objetivo não estava sintonizado.

Essa injeção de profissionalismo nas práticas semi-amadoras do jornalismo ilhéu foi. influenciados. Nos três. também naquela época. (“Correio do Povo”). como o concorrente mais importante de “O Estado”. a meu ver. movimentou o mercado.listas locais. foram. Com uma sucursal grande e ativa na capital. A experiência durou pouco tempo. melhorou a cobertura. o miolo era igual. Trouxeram uns de São Paulo. mudando apenas a capa. Sem dispor da qualidade do off-set. José Carlos Soares. Depois da “debandada” dos “gaúchos”. houve uma tentativa de reativação do jornal “A Gazeta”. com redação em Florianópolis. Marcílio Medeiros Filho (“Jornal do Brasil”). mas não chegou a ameaçar de fato os líderes. Paulo”) e Silva Jr. de uma ou outra forma. por maior ou menor tempo. todos fomos. provocou discussões. o jornal “O Estado” começou a recompor sua equipe tomando mais cuidado para não ficar tão dependente de grupos de profissionais. ao longo da década de 70. Vânio Bossle (“Folha de S. Agitou o ambiente. Também nesse ano. o Zico (“O Estado de S. “A Nação”. Reforçou a redação. Raul Caldas Filho (“Manchete”). o “Jornal de Santa Catarina” continuava. outros do Paraná e mais alguns foram recrutados em Florianópolis mesmo. o principal fato jornalístico destes 50 anos. mas continuava a ser impresso tipograficamente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 77 . estimulou o aperfeiçoamento. Em 1977. A década de 70 é um marco importante na imprensa florianopolitana. A cidade não foi mais a mesma. as fotos e ilustrações perdiam em qualidade. foram lançados três jornais: o “Diário de Notícias”. Antônio Kowalsky (“O Globo”). E um marco fundamental para o jornalismo catarinense. Paulo”). para inserção das matérias dos correspondentes de cada um dos locais. correspondentes de publicações de outros estados: Sérgio da Costa Ramos (“Veja”). que circulava na Grande Florianópolis. O surgimento dos jornais do grupo Diários Associados. em Blumenau e o “Jornal de Joinville”.

tornado. o “Jornal da Semana”. na cidade. ciclone. Zigelli. Acreditavam que ainda não havia. além do próprio Fedrizzi. de Nestor Fedrizzi (o mesmo que criou o Santa) e de José Joaquim de Souza. Luiz Lanzetta e Flávio de Sturdze. deliciando-se com as novidades. empresário da construção civil. Durante boa parte da sua vida. assim como Ayrton Kanitz. por favor. teve uma circulação de cerca de 20 mil exemplares. elaborou o projeto do curso em poucos meses. entre seus editores. Florianópolis viu surgir muitos veículos. dando opinião e lançando sobre a província e seus hábitos um olhar crítico. com maior ou menor sucesso e variado tempo de vida. na trilha aberta por Zózimo Barroso do Amaral. Teve. no JB. Durante os primeiros anos da década. Lançado em fevereiro de 1975. o MEC autorizou e no vestibular de 1979 foram colocadas à disposição as primeiras 40 vagas. escolham o chavão preferido para nomear as mudanças na primeira metade da década de 70). que teve a participação do irmão. tratando sem frescuras tanto de amenidades quanto de fatos políticos. maroto e bem humorado. com grande espaço para anúncios. Não sobreviveu ao início da década de 80.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 78 . Em 1978.. George Daux. Beto Stodieck dava às colunas sociais uma nova roupagem. o grupo de trabalho liderado pelo jornalista Moacir Pereira chegou à conclusão contrária. semanário de distribuição gratuita. a cidade estava posta em sossego.A partir desse impulso inicial e talvez estimulados pelo ambiente de renovação. “A Ponte” e o “Vento Sul”. Entre eles. eram contrários à criação de um curso de Jornalismo em Florianópolis. foi uma idéia de Luiz Daux. por exemplo. Outro jornal que teve uma trajetória importante na cidade foi o “Bom Dia. Valdir Zwetsch. Passado o furacão (tsunami. Tratava-se de um “Shopping News”. Domingo”. Seria mais útil cursar Jornalismo em cidades como Porto Alegre ou São Paulo e depois voltar para exercer a profissão com uma visão mais aberta e atualizada. empresas jornalísticas em número e qualidade suficientes. “Afinal”.

que numa disputa com um pretendente de outro estado. o governador tomaria partido dos locais. Maurício Sirotsky. numa movimentação que provavelmente a maioria da população e mesmo dos jornalistas nem tenha percebido. Estamos em plena ditadura (ainda que num processo “lento e seguro” de distenção). em Porto Alegre. o “Jornal de Santa Catarina”. o presidente é o general Ernesto Geisel e os governadores. a TV Catarinense é outorgada à RBS (Rede Brasil Sul). ao governador Antônio Carlos Konder Reis informar que liderava um grupo que pretendia disputar o canal. Comelli e Aderbal recuam e Sirotsky decide entrar na disputa sem sócios. também estava sem a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 79 . Suas inovações e contribuições ajudaram a colocar Florianópolis no mapa do ensino do jornalismo no País. A abertura da concorrência para o segundo canal de televisão em VHF de Florianópolis agitou o empresariado local e das cidades e estados vizinhos. também está interessado. sempre político. A minuta do contrato chega a ser redigida. de concessão de canais de TV. Imaginavam os opositores da sociedade. de Sirotsky. que anteriormente era exclusividade da TV Coligadas. têm grande participação no processo. Mas a pressão contra essa aliança com os “estrangeiros” cresce. O governador. José Matusalém Comelli foi. indicados sem voto popular. Mas seu desenrolar definiu o perfil e o futuro da imprensa nesta pequena ilha do sul do Brasil. conta Comelli. Em 1977. Propõe sociedade a Comelli e ao ex-governador Aderbal Ramos da Silva. portanto. disse que achava “muito justo que o jornal “O Estado” tenha um canal de TV. da mesma forma que o “Jornal de Santa Catarina” tem a TV Coligadas”. dono da TV Gaúcha e do jornal “Zero Hora”.O curso de Jornalismo da UFSC acabaria se destacando entre os demais cursos brasileiros. retransmitindo a programação da Globo. mas o principal concorrente. O jornal “O Estado” continua sem um canal de TV. com as bênçãos de Antônio Carlos Konder Reis. A televisão entra no ar em 1979.

em 1987. O jornal fez três edições extras. Muitos chegaram ainda no sábado à noite e vários. Para estimular a sindicalização (sem a qual não haveria votos). Muitos jornalistas. foi criado o Movimento de Oposição Sindical. Como reconhecimento ao fato de todos terem aparecido. que escalou o morro para buscar os filmes e trazer para revelar”. que teve ampla adesão em todo o estado. emocionado. Essa disputa mexe profundamente com as empresas de comunicação de Florianópolis. Assim como a chegada do off-set e das novas práticas profissionais foi importante para os jornalistas e para o jornalismo. Osmar Schlindwein. tinham o sentimento que a profissionalização e a paixão pela profissão precisavam ser acompanhadas pelo Sindicato. caiu um avião da Transbrasil no morro dos Ratones. “Tinha até o nome do vigia. todos os jornalistas e funcionários de O Estado tinham voluntariamente chegado à redação para trabalhar. um expediente especial com a nominata completa. desta vez para comprar ou associar-se ao JORNALISMO EM PERSPECTIVA 80 . As que perderam saíram desgastadas e a ganhadora chega ao estado com o poderosíssimo trunfo que é a Rede Globo e seu quase monopólio de faturamento comercial. passaram a madrugada no local do acidente. então. O MOS atingiu seu objetivo com a posse. foi publicado. conta. entre os quais me incluía. como os fotógrafos. Na noite de 12 de abril de 1980. uma longa luta para colocar no Sindicato dos Jornalistas uma diretoria mais sintonizada com os novos tempos. A RBS iniciou a década de 80 retomando as conversas com José Matusalém Comelli.sua TV. a disputa pelo segundo canal de TV em Florianópolis foi decisiva para as empresas. Às 8 horas da manhã de domingo. em cada uma das edições. próximo à sede do jornal “O Estado” e já era madrugada quando o local foi alcançado pela polícia e pela Aeronáutica. Começou. da diretoria presidida por Celso Vicenzi. e fazer campanha. que fora vendida em 1975 para o grupo paranaense de Mário Petrelli. um sábado.

nas oficinas tipográficas de “O Estado”. a decisão acabou sofrendo a influência de muitos grupos de pressão. Após dois anos de estudos. que resolveu reforçar sua circulação em Florianópolis. empresários. Sem negócio com “O Estado”. A RBS-TV. uma das personalidades mais versáteis do jornalismo da capital: Osmar Schlindwein. que não se pode delimitar exatamente o que o Osmar faz. naquele “O Estado” da rua Conselheiro Mafra. políticos. que viam na venda de “O Estado” uma espécie de rendição ao “inimigo”. Em geral amigos. em 1970. fez ou fazia. Armando Burd. chega à cidade em 1984 e começa as conversas com jornalistas.jornal “O Estado”. Mas também fazia as vezes de gerente de recursos humanos. talvez porque depois não tenha visto. Não é repórter. Mas também lembro dele colocando ordem na composição eletrônica do jornal. lidera a audiência e garante o suporte financeiro para a empreitada. O “Jornal de Santa Catarina”. Osmar começou cedo. Osmar lembra que estava no Santa quando o jornal bateu o recorde catarinense de tiragem. apaziguando ânimos. a RBS decide lançar seu próprio jornal. Envolveu-se de tal maneira com a manufatura dos jornais. grande empenho para ajudar o jornal a sobreviver. naqueles que pressionaram para que o negócio não fosse feito. também. Comelli conta isso com uma certa mágoa. até hoje não superado: 102 mil JORNALISMO EM PERSPECTIVA 81 . anos mais tarde. Novamente. ampliando a sucursal. mas sabe quando uma matéria está bem escrita e quando o repórter é apenas um enrolão. foi vendido para o empresário Nilton Reis. colunistas e jornalistas e levou. Já o vi dirigindo o comercial. o “Diário Catarinense” é lançado em 1986. E certamente muitos o viram prestando consultoria a seus próprios chefes. em 1985. não por acaso seu tio. cujo gerente era Domingos de Aquino. de “O Estado”. Tirou. o jornalista escalado para fazer as primeiras sondagens e ajudar na formatação do projeto. a cavaleiro da programação da Globo. Lembro-me dele sujo de tinta.

enchíamonos de justificado orgulho. para dar um susto na concorrência. Só que nenhum outro jornal. Emocionados com o elementar e saudável efeito da disputa pelo leitor. Achei que poderíamos fazer uma boa dupla. Ao completar 80 anos. o colocava como principal concorrente do DC. Nessa época “O Estado” ainda circulava na maioria dos municípios e sua venda. o jornal hoje só circula na Grande Florianópolis. para reforçar a equipe. fiz questão que o jornal recontratasse o Osmar Schlindwein. deu-se conta da importância e do apelo popular desse material. Com a ajuda do Flávio de Sturdze. em todos os estados. Fui editor-chefe de “O Estado” de 1988 a 1989. aos domingos. que existem até hoje e circulam também em outros estados. trouxe para o “mais antigo” vários jornalistas que estavam se destacando no nascente “Diário Catarinense”. E sempre que fazíamos alguma cobertura melhor que o concorrente. em 1995. a população literalmente foi às ruas para comprar a lista. E. O interesse por economia e negócios cresce no país todo e em Florianópolis surgem duas revistas especializadas. ainda em formato standard. Bastava ir lá buscar e publicar. o grupo que pu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 82 . A equipe viveu. a cerca de 30 mil exemplares). grande emoções: tanto lá quanto cá havia gente capaz de produzir um bom jornal. tanto em bancas quanto de assinaturas (chegava. Uma demonstração de vitalidade que parece difícil de se repetir. em 1986. em “O Estado”. Uma vez publicada a edição extra. Acuado pela crise.exemplares da edição extra com a tabela da Sunab do plano Cruzado. a “Expressão” (1990) e a “Empreendedor” (1993). A tabela não era exclusiva. que ainda não podia ser considerado “líder”. em Santa Catarina. Em 1995. a estatal EBN (Empresa Brasileira de Notícias) distribuiu para todos os seus escritórios. naturalmente. O Estado publicou um caderno comemorativo com 76 páginas bem recheadas de anúncios. mudou para o formato tablóide e raramente tem edições com mais de 16 páginas.

editado em Joinville. o crescimento do jornal “A Notícia”. ora mundial. ora estadual. não se refletiu na melhoria do padrão salarial. ora nacional. Toda essa movimentação profissional e empresarial. não são suficientes nem para remunerar um trabalho com tal responsabilidade e nem para dar aos jornalistas uma vida digna. A impressão era em Curitiba. Para agravar a situação. que circula com o reparte da Grande Florianópolis. ora local. por exemplo).blica o “Indústria & Comércio” em Curitiba. Mas não chegou a completar quatro anos. de Joinville. semanários que institucionalizam a picaretagem: as “reportagens” só são publicadas se os interessados pagarem. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 83 . a achar que isso é jornalismo. em muitos bairros. E os salários. nos últimos anos surgiram. Inicialmente parecia promissor. impresso em off-set a partir de 1980. como um dos projetos mais estáveis e bem sucedidos. que trouxe tantas mudanças e afetou de tantas maneiras o jornalismo da capital. porque montou uma equipe de grande qualidade (com jornalistas como Flávio de Sturdze e Belmiro Southier. a sucursal edita um caderno. levou-o a instalar-se em Florianópolis. como conseqüência. Além de fornecer material para o jornal principal. o que é pior. não houve crescimento do número de leitores e a verba publicitária gerada pela economia da Capital não parece suficiente para manter os veículos. Montou uma redação local para editar algumas páginas e utilizava material do jornal paranaense para fechar as demais páginas. com uma sucursal que também passou a fazer parte do mercado profissional. Isso leva o leitor a desacreditar dos jornais e a desconfiar que seja assim em todo lugar. lançou aqui um jornal com o mesmo nome. As empresas justificam os baixos salários com a crise. o “ANCapital”. E. Assim como a sucursal do “Jornal de Santa Catarina” teve papel importante no jornalismo da capital. Na verdade.

que me ajudaram a confirmar muitos detalhes e informações. por condensar num capítulo tantos casos e lembranças. Flávio de Sturdze. Elaine Borges.Agradecimentos Em dezembro de 2004 e janeiro de 2005. conversei com alguns dos participantes dessa história. Mário Medaglia e Osmar Schlindwein. José Matusalém Comelli. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 84 . Marcílio Medeiros Filho. que valeriam um livro inteiro): Ayrton Kanitz. A eles o meu agradecimento (e desculpas.

Expansões e Transformações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 85 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 86 .

edição de informativos. mas na essência as atividades estão muito próximas. O cargo de assessor é uma das atividades do Jornalismo. jornalista ou assessor? Nem todo jornalista é assessor. telespectadores e ouvintes não parecem ter dúvidas neste sentido. Os assessores e jornalistas de redações trabalham com a mesma matéria-prima – a informação. Mas afinal. E o pior. mas todo o assessor de imprensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser. assessor e escritor Francisco Viana destaca inclusive que as assessoJORNALISMO EM PERSPECTIVA 87 . reportagens. programas de rádio e televisão. fontes. leitores. na execução de algumas tarefas. Há diferenças. Atualmente. os profissionais saem das redações para trabalhar em assessorias e vice-versa. a edição e a pauta. é função de jornalista e hoje um importante campo no mercado de trabalho para a categoria. se assessor de imprensa é jornalista ou não. A assessoria de imprensa. que até hoje brigam para fazer valer a obrigatoriedade do diploma universitário para exercer a profissão. São aqueles que se aproveitam da falta de regulamentação e fiscalização da atividade profissional dos jornalistas. entre outras ações. assim como a reportagem. por que na essência são jornalistas e não vão perder esta condição por estarem desempenhando este ou aquele papel. Numa assessoria de imprensa também se faz pautas. Claro que existe muito assessor que não é jornalista. a discussão se dá mais entre os próprios jornalistas. Ou ainda. já que clientes.Assessoria de imprensa: mercado em expansão Roger Bittencourt Jornalista ou assessor? É comum muita confusão entre uma definição e outra. como o nome mesmo diz. é claro. O experiente e respeitado jornalista. todas próprias do Jornalismo. para ficar nas mais tradicionais.

como se não pudessem conviver em perfeita harmonia. com a compreensão de que o papel do assessor – como o nome mesmo define – é assessorar na divulgação de notícias. assim como nas universidades. seus funcionários e a opinião pública e fornecer aos veículos de comunicação e. ou seja lá como for chamada. conseqüentemente. ganhando espaço e reconhecimento nas redações. norteando o seu trabalho de forma ética e consciente”. nada mais é que o reconhecimento da importância da atividade – até como perspectiva de absorção dos centenas de jornalistas que se formam em todo país anualmente. afirma Viana. no livro “O Papel do Assessor”. No livro “De Cara com a Mídia”. que vai aproveitar ou não estas informações. Francisco Viana define bem essa relação: “Nunca consegui ver empresários e imprensa em campos opostos. ou Jornalismo Empreendedor. escreve o texto. Entende de todas as pontas do processo. “Jornalista é aquele que pensa a pauta. e edita. informações de interesse coletivo. ressalta a função desses profissionais na “nem sempre fácil tarefa de contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação entre a instituição. A disciplina de Jornalismo Empresarial.rias devem caminhar para um modelo de redação de jornal. não é diferente”. Assim como não posso aceitar o princípio de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 88 . auxiliando inclusive o trabalho da imprensa. A atividade de assessor vem a cada dia se profissionalizando. nos sindicatos de jornalistas e junto à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). à sociedade. A jornalista Eliane Ulhôa. Na assessoria. Por que a dúvida então entre jornalista ou assessor? Porque alguns míopes ainda tentam contrapor as duas atividades. onde deve prevalecer o profissionalismo e o interesse público. O mestre em Comunicação João José Forni considera que o relacionamento do assessor com o jornalista de redação passou a ser um jogo pautado pelo respeito ao trabalho de cada um.

no século XV. em lados antagônicos. é cada vez menos expressiva a restrição à assessoria de imprensa. na Inglaterra. Pelo contrário. revela que vem das cartas circulares que apresentavam decisões e realizações da Dinastia Han. empresários e imprensa. segundo Boanerges Lopes. bons e maus jornalistas. editado pela primeira vez em 1696. como em toda atividade. da prensa de tipos móveis e ainda mais com a chegada da rotativa em 1811 e do linotipo em 1885. ou melhor. na China (202 a.que o assessor e o jornalista que trabalha na mídia são adversários. Esta definição seria ampliada muito tempo depois. por Gutenberg. há bons e maus assessores. Com um setor de imJORNALISMO EM PERSPECTIVA 89 . Um pouco de história Atualmente. o título de primeiro exemplar do chamado jornalismo empresarial. Já a precursora na área de assessoria de imprensa. assessores e jornalistas ocupam sim espaços diferentes e desempenham funções diferentes na sociedade. com a invenção. o conceito básico de assessoria de imprensa: a necessidade de divulgar opiniões e realizações de um indivíduo ou grupo de pessoas. Gaudêncio Torquato do Rêgo. que remonta a um passado bastante distante e onde não havia controvérsias. credita ao Lloyd´s List. nos Estados Unidos. autor do livro “O que é Assessoria de Imprensa”. já que os empregados não tinham acesso à grande imprensa da época.C). data de 1829. se é que se poderia chamar assim na época. Estão unidos em busca da transparência e da racionalidade”. Contudo estão unidos no objetivo maior de construir o desenvolvimento e promover justiça social. No século XIX. surgem nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha as primeiras publicações empresariais para reduzir o descontentamento interno em diversas organizações. professor e jornalista. O professor e jornalista Boanerges Lopes. organizada por Amos Kendall para o Governo de Andrew Jackson. uma atividade. É claro que.

pela primeira. Criado para divulgar obras e atos do presidente. Até porque. “foi um dos piores momentos do setor”. Mas foi o presidente Getúlio Vargas que criou oficialmente um serviço de atendimento à imprensa durante o Estado Novo – o temido DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). cúmplice do regime e inimigos da informação para a imprensa. em muitos casos. apontado por muitos estudiosos do assunto como o primeiro house-organ. tinham exatamente o papel oposto ao que se propunham na essência – cabia a elas esconder a verdade. o DIP acabou se transformando em um órgão de promoção pessoal de Vargas e de censura. Com o advento do Regime Militar em 1964. Paulo”. Na opinião de Clovis Rossi. Essa deformação talvez seja a responsável até hoje pela postura equivocada de alguns jornalistas em relação às assessorias de imprensa. que a partir da década de 70 tiveram rápida expansão. a assessoria pioneira publica o “The Globe”. ainda com a missão clara do controle da informação para o público. A excelente pesquisa do professor Boanerges Lopes revela que no Brasil a Light foi a precursora do conceito de preservação e divulgação positiva da imagem da empresa. Segundo o professor Chaparro. jornalista da “Folha de S. na maioria das vezes. Em 1868. retoma seu conceito original e passa a ocupar importante espaço tanto na absorção de mão-de-obra como nos processos jornalísticos. “as assessorias estão inseridas em todas as fontes detentoras de informações. os jornalistas passaram a ser inimigos do sistema e a imagem negativa das assessorias de imprensa aumentou.prensa e relações públicas bem organizado. Essa re- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 90 . vez as expressões agente de imprensa (press agent) e divulgador (publicity agent). conforme revela o professor de Jornalismo Manoel Carlos Chaparro. surgem nos Estados Unidos. seguida pelo Ministério da Agricultura. É nos anos 80 que o setor de assessoria de imprensa se consolida. pois o assessor passou a ser. opiniões e explicações que interessam à sociedade” e à imprensa.

órgãos governamentais descobriram o valor da atividade das assessorias de imprensa. O crescimento do mercado também é registrado em números. Veículos segmentados da grande imprensa (em especial nas áreas de Economia e Esportes). O impulso se deu tanto pela importância da atividade e sua compreensão pelo mercado da comunicação. Grandes empresas. que hoje utilizam cada vez mais profissionais qualificados e novas tecnologias. na última pesquisa da AbraJORNALISMO EM PERSPECTIVA 91 . a mídia especializada (dos mais diversos setores) e uma quantidade cada vez maior de jornalistas inteligentes já perceberam que o assessor pode e deve auxiliar muito na busca de informações. Na mesma linha. entidades. em 1995. inclusive em Santa Catarina. Boanerges lembra que a importância do setor se consolida nos anos 90 com as faculdades de Comunicação criando disciplinas específicas tanto na graduação como em cursos de especialização. com a proliferação dos serviços em todas as regiões e não apenas na Capital e em Joinville. inclusive em muitos veículos de comunicação. o que igualmente contribui para o boom deste mercado. da importância do papel da assessoria de imprensa seja para ajudar a obter informações ou acelerar esta busca. para retratar o universo das assessorias de imprensa. com o fortalecimento das comissões de assessoria de imprensa em diversos sindicatos. como por ser mais uma alternativa de trabalho para centenas de jornalistas que saem das universidades todos os anos. Apesar do setor ainda não ser suficientemente organizado para se ter uma estatística nacional completa. Mercado em expansão Este crescimento é inegável nos últimos anos. Também nesta época surgem os primeiros manuais de assessoria de imprensa e a valorização do setor pelas entidades de classe dos jornalistas.tomada dos valores iniciais é acompanhada também do reconhecimento hoje existente. a Fenaj cria o Departamento de Mobilização em Assessoria de Imprensa.

contra apenas 22% das empresas onde houve redução de trabalho. O papel desempenhado pelas assessorias para profissionalizar o setor foi e está sendo fundamental para quebrar resistências e valorizar as empresas deste segmento. Nas universidades. Para 74% das assessorias. que deixou de ser prerrogativa das grandes corporações para beneficiar os processos de comunicação de médias e até pequenas empresas. 66% das assessorias contam com até dez clientes e 25% chegam até 20 clientes. indústria (37%) e terceiro setor (33%) são alguns dos mais atendidos pelas assessorias de imprensa. sempre enxutas e correndo contra o relógio.com – Associação Brasileira das Agências de Comunicação –. E as perspectivas são animadoras: 32% dos entrevistados apostam que o mercado vai permanecer regular e 64% acreditam que vai melhorar. bom (29%) ou muito bom (9%). Os setores de serviços (62%). o mercado é considerado regular (36%). com 185 empresas de assessoria. saúde (46%). E esta pequena amostragem revela que praticamente todos os setores hoje já utilizam o serviço de assessoria de imprensa. comércio varejista (37%). Ainda segundo o mesmo levantamento. apesar dos valores pagos ainda serem considerados baixos – o investimento máximo das empresas em assessoria é de R$ 3 mil em 46% dos contratos. tecnologia (40%). 41% revelaram que o número de clientes aumentou e para 37% este índice permaneceu estável. a função do assessor de imprensa tem sido mais estimulada e respeita- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 92 . ampliando o leque de atuação. Também é inquestionável a profissionalização do segmento. que hoje conta com muitos especialistas e busca cada vez mais se adequar aos anseios dos clientes e às necessidades das redações. assim como as transformações no País e no mundo. realizada em 2003. educação (37%). sindicatos e já em muitas redações. privilegiando a transparência e precisão nas informações.

Nos EstaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 93 . estarão inclusive contribuindo para qualificar ainda mais as assessorias e adquirindo fontes confiáveis para busca de informações. hoje reconhecida nacionalmente. revista. deveriam se preocupar em qualificar mais suas equipes para usarem corretamente o que estas empresas oferecem de melhor e descartar o que não é Jornalismo. São casos cada vez menores. Não se tem o dado. E a tendência é aumentar. certos jornalistas. que ainda mantêm uma visão ultrapassada sobre o papel da assessoria de imprensa. São os profissionais do jornal. Apesar de toda evolução e reconhecimento do setor de assessoria de imprensa. Recente pesquisa da Universidade de São Paulo junto à mídia mostrou que mais de 80% das notícias publicadas em jornais tiveram origem em estímulo externo. ainda preferem condenar e até boicotar o trabalho das assessorias de imprensa. Em alguns casos. Estes poucos. é importante manter um excelente e permanente diálogo com as redações e seus jornalistas. não partiram de dentro das redações (pautas próprias). O poder da redação E qual o papel das redações neste caso específico? Filtrar as informações que chegam e transformá-las em notícias de interesse para o público. quem manda é a redação. quando entender que há valor no material recebido da assessoria. o que se vê é um processo desvirtuado. ou seja. Já para a assessoria. mas com certeza boa parte destas informações foram geradas por assessorias. rádio. portal ou televisão que vão decidir se vão e quando aproveitar as sugestões enviadas pelas assessorias. Agindo assim. ao invés de saberem aproveitar o material que recebem.da. ou simplesmente descartá-lo quando inútil. ao contrário de perder tempo combatendo a atividade. mas que ainda existem até porque esses profissionais não têm a percepção do poder da redação. Na verdade.

Uma boa assessoria de imprensa saberá oferecer de maneira oportuna a matéria-prima (notícia do cliente) para os veículos de comunicação. e de outro. O desafio da assessoria É exatamente quando uma empresa ou interlocutor transforma-se em fonte fidedigna para o jornalista e consegue igualmente divulgar o serviço ou produto por ela desenvolvido com foco positivo que podemos considerar que a assessoria de imprensa cumpriu o seu papel na plenitude. buscar divulgação para o cliente. Forni é outro que aponta como papel do assessor contribuir com o repórter na apuração da matéria e buscar dar uma característica de serviço ao leitor/telespectador naquilo que é divulgado. onde o press agent é muito respeitado pelos colegas que atuam em veículos. há uma JORNALISMO EM PERSPECTIVA 94 . o assessor de imprensa tem que fazer fluir a informação. A assessoria trabalha de forma a equilibrar dois interesses distintos. oferecer aos veículos de comunicação conteúdo adequado de interesse para a sociedade. Cabe à assessoria buscar esta visibilidade positiva do cliente seguindo as regras do Jornalismo e os princípios éticos que norteiam a profissão. lembra João José Forni.dos Unidos. É ele quem organiza o trânsito das informações em áreas em que os repórteres não conseguiriam entrar. é comum assessores fazerem estágios nas redações para adquirir experiência e compreender na prática o funcionamento dos veículos. Daí a importância da assessoria estar permanentemente sintonizada com as redações para ter a percepção de quais as pautas podem despertar mais interesse. De um lado. não por favores. rapidez. “Transformar em ponto de referência dos jornalistas. Para o professor Manuel Carlos Chaparro. eficiência e credibilidade é um resultado que poucos conseguem”. transformando informações da empresa em notícias potenciais. Na opinião do jornalista Augusto Nunes. mas pelo trabalho pró-ativo e dinâmico.

quanto mais feeling jornalístico seus profissionais forem capazes de possuir e quanto maior credibilidade a assessoria de imprensa conquistar junto às redações e suas equipes. Do “Manual de Comunicação da Unimed” vem uma analogia interessante neste sentido: da mesma maneira que só o médico pode diagnosticar e receitar quando o assunto é saúde.relação cada vez mais profissionalizada entre jornalista e fontes justamente porque a capacidade das assessorias de produzir conteúdos rompeu com os limites do jornal. Quanto mais interessante ou importante for a informação que uma empresa tem a divulgar. É o valor da notícia que determina o espaço ocupado jornalisticamente. iniciativa e proximidade com a comunidade onde atua. Com jornalistas conquista-se a simpatia pela tese – é o convencimento democrático. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 95 . Isto explica porque as maiores organizações de todo o mundo aliam o trabalho de publicidade ao de assessoria de imprensa quando precisam estar em intensa evidência positiva junto à comunidade ou ao seu público consumidor. mais chances terá a assessoria de imprensa de conseguir uma boa colocação na mídia. Quanto mais experiência a assessoria tiver em realizar este tipo de trabalho. só o comunicador (assessor) está habilitado a diagnosticar e prescrever ações de comunicação. maiores serão as chances de sucesso na publicação de uma matéria. Com a profissionalização do setor. profetiza Francisco Viana. O trabalho da assessoria de imprensa é de manter seu cliente no lado positivo da notícia. este trabalho de “construção de uma boa pauta jornalística” e de “convencimento” das redações que a notícia tem importância deve ser feito exclusivamente por uma assessoria de imprensa. É provocar situações que rendam à determinada marca uma imagem associada à competência. produtividade.

mas também propondo fatos geradores de notícias e descobrindo assuntos internos que gerem exposição positiva na mídia. Para isso. A veracidade no relacionamento com as informações e com a imprensa é outra características indispensável para uma assessoria obter sucesso e manter a credibilidade. Mesmo tendo que atender os interesse dos clientes. tanto do cliente quanto dos veículos de comunicação. A verdade. fidelidade e presença constante para alcançar bons resultados. como também na hora de esclarecer alguma informação equivocadamente publicada. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 96 . Essa rapidez deve ocorrer no momento de divulgação de um novo serviço/projeto. os assessores devem estar permanentemente em contato com o cliente não apenas atendendo às solicitações da empresa. O trabalho de assessoria de imprensa também exige continuidade. as assessorias de imprensa precisam atuar com a agilidade necessária para dar resposta às demandas. hoje. O “Manual Nacional de Assessoria”. Idéia compartilhada por Augusto Nunes. não levará a assessoria a sério. elaborado pela Fenaj é mais enfático: “A mentira é condenável em qualquer circunstância. principalmente. da própria assessoria. qualidade fundamental no relacionamento com os veículos de comunicação. buscando a informação em outras vertentes”. para quem o pecado mortal de uma fonte é mentir – “Nesses casos não há absolvição: acaba-se a fonte”. as assessorias de imprensa devem se pautar pela verdade sob pena de prejudicar o nome do cliente e. pode ser mais bem compreendida do que qualquer mentira e nunca fecha as portas para futuros entendimentos”. O especialista em assessoria João José Forni destaca no livro “O Papel do Assessor” que o leitor quer informação correta e o jornalista não pode enganá-lo: “Se esse jornalista se sentir usado.Apostando a verdade Com a modernização e a facilidade tecnológica para a comunicação. ainda que referente a um fato desagradável ou inconveniente.

a consistência das informações e a atenção aos compromissos dos jornalistas são elementos que contribuem muito para o sucesso. hoje. ainda existe uma ausência de uma cultura de comunicação com a imprensa em muitas empresas. o claro entendimento de que área comercial do veículo é uma coisa e redação é outra. Elementos como estes prejudicam o processo. Daí caber também à assessoria exercer um trabalho pedagógico com seus clientes. qual o modelo de atuação? Para Francisco Viana. E a saída apontada por ele parece simples. ele ressalta: “Essa capacidade sólida – teórica e prática – a respeito do papel. Manuais de assessoria ensinam que a transparência. Com tantos vetores influenciando no trabalho e ainda levando-se em consideração que no fundo.Entender a imprensa é pré-requisito fundamental. assim como o desconhecimento sobre o funcionamento do processo jornalístico e até do que é notícia realmente. trata-se de um caso permanente de relação interpessoal (assessor x jornalista de redação). portanto uma regra pode ser estabelecida: é fundamental conhecer bem o cliente e os veículos de comunicação. afirma João José Forni. Apesar de todos os avanços no segmento de assessoria. natureza e características da mídia permite às assessorias de imprensa encontrarem um caminho adequado no relacionamento. ressalta Forni. Não são raros os casos de fontes querendo ser editadas da maneira como desejam. As peculiaridades dos clientes e dos veículos de comunicação é que vão definir o mecanismo de operação. de centralização da informação e até de incompreensão do papel da imprensa. não é possível definir um modelo de trabalho para assessorias de imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 97 . Em artigo escrito em conjunto com o professor e jornalista Armando Medeiros Faria. Evita que a assessoria seja preconceituosa em relação à imprensa ou maniqueísta (sentir-se sempre vítima de perseguições da mídia)”. a presença imediata. “É preciso ser flexível e criativo”.

Ou pior. cada vez mais. uma das ferramentas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 98 . as três áreas contribuem de maneira inequívoca para a solidificação de uma marca. serviço ou conceito. Vale ressaltar. serviços e da marca. a sistematização da comunicação para consolidar a imagem de uma empresa ou instituição é uma meta a ser alcançada e a assessoria. Com base nessa premissa. prejudicando inclusive o nome assessoria de imprensa. a assessoria de imprensa passou a ser um instrumento fundamental para o bom desempenho da estratégia de comunicação de uma empresa ou instituição. Assessoria integrada com a publicidade. mas jamais vinculada. é a percepção cada vez maior das agências de publicidade de que o trabalho de uma assessoria de imprensa dentro de uma empresa contribui em muito para reforçar. Aliada ao marketing e à publicidade. Positiva no atual mercado nacional de comunicação e Santa Catarina não foge à regra. O que até é uma ofensa aos jornalistas. Conceito também abalado por todos aqueles que se metem a exercer as funções de assessor de imprensa. na maioria das vezes sem profissionais especializados ou em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos clientes com resultados pelo menos satisfatórios. sem serem efetivamente jornalistas e sem a mínima formação para a função. produto. e assim se intitularem. é cada vez mais comum que as agências incluam em seu planejamento estratégico a utilização dos serviços de assessoria de imprensa.Sintonia com a publicidade Num mercado onde o que importa. Atuando de forma integrada e seguindo a mesma linguagem. a própria agência se aventurava à tarefa. com credibilidade. é a percepção dos produtos. que a compra legítima de espaço publicitário não implica na reserva automática de espaço editorial no jornal ou televisão. o que até pouco tempo não ocorria. sim. a mensagem passada através dos anúncios. no entanto.

completa o jornalista e mestre em Comunicação João José Forni. hoje. eventos. Outra novidade é o que se convencionou chamar de release eletrônico. boletins. as empresas do setor passaram a assessorias de comunicação. seminários. O surgimento da internet abriu novos caminhos para as assessorias. Ele compartilha a tese de que a concepção negativa do passado já não existe mais e hoje a ferramenta é indispensável. Atuação diversificada O mercado de assessoria de imprensa não apenas cresceu como buscou novas vertentes. newsletter on line e murais informativos. Essas atribuições incluem desde a criação e execução de projetos de jornais. as assessorias vêm desenvolvendo outras atividades complementares para atender a demanda dos clientes na área de comunicação.“Comunicação é essencial na vida das empresas. Além da atividade original de divulgação na imprensa e relacionamento com os jornalistas. tanto para ampliar o leque de divulgação. A nova denominação vem acompanhada de uma série de serviços oferecidos. revistas. o que Francisco Viana define como “a mesma coisa dita de forma diferente”. De assessoria de imprensa. Nada mais é que a produção de vídeo com imagens e entrevistas realizadas em palestras. Trata-se de um investimento prioritário e estratégico”. destacou Francisco Viana em recente entrevista ao site Comunique-se. como para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 99 . “Ignorar ou menosprezar o papel da assessoria seria colocar fora importante instrumento de conquistas de espaço na imprensa”. com a respectiva edição e envio de texto com as informações para utilização pelas emissoras de televisão que não tiveram oportunidade de realizar a cobertura. até o desenvolvimento de roteiros e produção de vídeos institucionais e peças eletrônicas jornalísticas para veiculação no rádio e na televisão.

prefácios. É importante ter métodos claros. até por uma questão de sobrevivência pelo surgimento de muitas assessorias. abriu mais oportunidades de divulgação e igualmente exigiu uma maior preparação dos entrevistados e uma adaptação não apenas do conteúdo.oferecer o trabalho de elaboração de conteúdo para sites e portais. em especial da televisão fechada. com eficiente sistema de aferição de resultados. Algumas empresas do segmento se especializaram na administração de assuntos que tornaram-se crises na imprensa. a partir de um fato inesperado ou mesmo já previsto. organização e muita produção. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 100 . comprar espaços nos veículos de comunicação não é atividade de jornalistas e sim das agências de publicidade. palestras. As assessorias assumiram o papel de monitorar as notícias veiculadas pela imprensa. Afinal. que não se materializa no simples cálculo de quantos centímetros por coluna ou minutos de exposição o cliente mereceu e quanto isso representa em termos financeiros. artigos. A análise dos resultados vai além dos números e atinge elementos subjetivos. É o treinamento das fontes para se relacionarem com os jornalistas e de como se posicionarem em entrevistas de rádios e televisão para que a mensagem seja melhor captada pelo público. apresentações. relacionados à credibilidade. editoriais e até na revisão de conteúdos. A proliferação dos meios eletrônicos. A comum tarefa dos jornalistas de escrever ganhou relevância na elaboração de discursos. é preciso diversificar. mas também ao formato. bem como a manutenção de notícias online na página da empresa e de envio automático de matérias para jornalistas cadastrados. planejamento. As assessorias desenvolveram então um novo produto. Enfim. coordenar o trabalho de atendimento aos veículos e elaborar estratégias para garantir que as versões do cliente também mereçam atenção. muito em evidência atualmente – o media training. posicionamento e valorização da marca.

no entanto. vincular a ação editorial ao processo publicitário ou personalizar as ações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 101 . na essência a função é a mesma. os três poderes têm grandes e eficientes estruturas. hoje têm sistemas de assessoria muito eficientes e bem montados. aqui abordados. ou deveria ser. que. É claro que existem algumas peculiaridades. Para ficar em alguns exemplos.A profissionalização da gestão é também outra necessidade hoje para as assessorias de imprensa. Prefeituras de grande e médio porte também possuem suas assessorias bem instaladas e até o Judiciário investe no melhor relacionamento com a imprensa através de estruturação de assessorias profissionais. onde as tentativas de dominar a mídia. A assessoria da Assembléia Legislativa até um canal de televisão mantém no ar e a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado possui um eficiente sistema de comunicação por rádio que oferece de maneira ágil e fácil informações para todas as emissoras do Estado. Tarefa difícil aos jornalistas. ainda há dificuldades no setor público. já que as oportunidades são muitas. não tiveram formação adequada ou não gostam de se dedicar aos processos administrativos. esta é uma necessidade para a sobrevivência da assessoria. em geral. Setor público O papel e as características da assessoria de imprensa. No entanto. e as prerrogativas são as mesmas. Em Santa Catarina. A profissionalização das assessorias de imprensa não deve ser prerrogativa de clientes da iniciativa privada. mas jornalistas que desejam atuar neste setor vão encontrar um bom filão. A ética que rege a assessoria de imprensa do órgão público é a mesma que serve para a iniciativa privada. No entanto. em geral com estruturas internas. Não é um mercado alvissareiro para as empresas de assessoria de imprensa. Órgãos públicos. já que normalmente os profissionais são concursados ou indicados. servem igualmente para o setor público.

com a imprensa e com o assessorado. Esta talvez seja a maior diferença entre o assessor de imprensa de uma empresa privada e de um órgão público. onde efetivamente é mais difícil para o profissional não incorporar o papel do assessorado. vale ressaltar que a atividade é.“Comunicação é arte divina. cabe também ao assessor de órgão público ser ainda mais criativo nas suas estratégias de comunicação e capaz no relacionamento com a imprensa. à veracidade e à ética. à busca da informação. paciência e senso de equilíbrio para lidar com o assunto. Em função do oficialismo das notícias. E por ser trabalho para jornalistas. em geral. Concluindo essa colcha de retalhos sobre o mister de assessoria de imprensa. considerando a vantagem que.são grandes. em muitos casos a própria imprensa vai em busca das informações diariamente. é preciso buscar o aprimoramento constante. Faz tempo que assessoria deixou de ser bico para jornalistas. Não podemos vulgarizar nosso trabalho”. inovar. Utilizando palavras de Francisco Viana para evidenciar o valor da atividade . diversificar os serviços e gerenciar profissionalmente a empresa. função jornalística. no entanto. hoje desenvolvida por profissionais com experiência e competência e que merecem o respeito das redações. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 102 . modernizar processos jornalísticos. também são maiores nesta esfera e é preciso ao assessor conhecimento. Os momentos de crise. sim. assim também deve ser encarado pelo assessores no que tange à criatividade. Assessoria é igualmente um excelente mercado para os novos profissionais.

O enfoque dar-se-á. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 103 . Outras defendem interesses empresariais. A forma de organização também é muito variada. seriam naturalmente atendidas pelas instituições formais. Neste capítulo. sejam muito diversos.3 milhão de pessoas. àquelas instituições preocupadas com democracia e que atuam na contestação da hierarquia social. Algumas destas são jornalistas que prestam assessoria de imprensa para estas instituições. o Terceiro Setor no Brasil movimenta R$ 23 bilhões/ano e emprega aproximadamente 1. Podem se instituir como redes. comunitários. cerca de 250 mil ONGs (Organizações Não Governamentais). numa sociedade ideal. Existem no Brasil. econômica e cultural predominante. de classe. segundo Luciano Junqueira. sindicatos. como a forma de atuar. com destaque especial ao movimento sindical e à experiência da autora no Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e Região. mar de Terceiro Setor. esportivos. serão tratados alguns aspectos do trabalho do jornalista neste tipo de organização. sobretudo. Parte destas entidades tem orientação filantrópica ou assistencial. E sua importância econômica no conjunto não é desprezível. Segundo Junqueira. atualmente. fundações. Com número tão expressivo é de se esperar que tanto os interesses. sociais. cooperativas.Comunicação no Terceiro Setor Marli Cristina Scomazzon O Terceiro Setor existe para preencher lacunas de demandas sociais que. coordenador do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor da PUC/SP As ONGs formam um conjunto que é convenção se cha. institutos. culturais.

em menor grau. Um trabalho exemplar em termos de comunicação em uma ONG brasileira é o da Pastoral da Criança. folhetos. Também tem um programa de rádio semanal de veiculação nacional. de 16 páginas com 230 mil exemplares. interferir no debate público. A primeira criando meios de diálogo dentro da organização – a comunicação interna. criado em 1981. formadores de opinião nos meios de comunicação de massa. através de suas próprias publicações. distribuído especialmente para os ativistas do movimento em todo país. formando opiniões. Ambas têm em comum. rádios comunitárias e experiências em comunicação alternativa. escolas. que procura a construção da democracia. a idéia de que é necessário primeiro entender para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 104 . A segunda visa abrir canais externos de interação com a sociedade e o Estado. cuja ação é organizada em rede e aproveita boa parte da estrutura da igreja católica no país. até a produção de um jornal bimestral. O objetivo aqui é dar visibilidade às ações da instituição e expor suas propostas. além do jornalismo. gestores de políticas públicas. O processo de comunicação no Terceiro Setor inclui. vai desde materiais educativos. segundo seu estatuto. combatendo desigualdades e estimulando a participação cidadã. à prestação de contas e informação dos rumos adotados pelo comando da instituição.A comunicação no Terceiro Setor atua em duas frentes. que é uma instituição. as relações públicas e a propaganda. O público-alvo é o de movimentos sociais populares. audiovisuais. vídeos. Outro exemplo é o do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). inserir sua visão de mundo na mídia e. boa parte dela dedicada à formação dos integrantes da entidade e. a revista semanal “Democracia Viva” e um jornal bimestral – “Jornal da Cidadania”. estudantes e professores da rede pública de ensino fundamental e médio. entre outros. na orientação de suas políticas de comunicação. O serviço de comunicação da Pastoral é extenso. Edita. parlamentares e assessores.

por exemplo. Evitam cair num erro freqüente das publicações do Terceiro Setor que é dedicar seus conteúdos exclusivamente a discursos panfletários.depois propor. Isto se deve à profissionalização. Para se ter um exemplo da efervescência no estado vale registrar. Em Santa Catarina Nos últimos 20 anos. com o chamado novo sindicalismo. existem hoje publicações que abandonaram o característico estilo amador presente em muitas das produções comunicativas deste segmento. na maioria das vezes. em 1991. durante uma greve geral nacional de quatro dias. a imprensa no Terceiro Setor em Santa Catarina evoluiu sensivelmente. Isto foi resultado da formação. com tiragem diária de 60 mil exemplares. formar o leitor. não vão dedicar seu tempo à leitura de algo que já conhecem. através da informação que veiculam. que abrangia a Grande Florianópolis. um projeto de jornal unificado. o engajamento na sua causa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 105 . Estes veículos buscam. Embora o aprimoramento não tenha sido uniforme. propagandísticos que afastam os leitores (porque os que concordam com as posições defendidas já sabem o que será dito e. do Grupo Nois (Núcleo Organizado da Imprensa Sindical) que criou. Por vários fatores. estas entidades passaram a ser uma frente de trabalho para jornalistas. o movimento sindical catarinense produziu um jornal unificado. o jornal nunca foi editado. Assim. também não lêem – a não ser para polemizar . os que discordam. à contratação de jornalistas para ocuparem os departamentos de imprensa destas instituições.porque não têm simpatia pela causa em questão). inclusive. O avanço maior aconteceu no início da década de 90. sobretudo no movimento sindical que viveu um crescimento no país. que em 1993. sem cair na linguagem ativista e provocar a participação. em Florianópolis. portanto. a ser vendido em bancas.

o programa chegou a ser censurado pela emissora e saiu do ar. a atuação no Terceiro Setor pode ser classificada ainda como convencional. Ainda predomina o amadorismo. o SJSC. propuseram que a comunicação destas duas entidades fizesse uso da linguagem jornalística (proposta a ser detalhada quando falarmos do caso do Sinergia). Atualmente. do volume e periodicidade dos informativos da Apufsc. é claro. sobretudo no que diz respeito à profissionalização e possibilidade de financiamento dos setores de comunicação do Terceiro Setor em Santa Catarina. É claro que há necessidade de muito mais. E existem já bons exemplos a seguir como o da sobriedade do boletim do Sintrafesc. os jornalistas Gastão Cassel e Jacques Mick. como o do programa de rádio semanal do Mucap (Movimento Unificado Contra a Privatização). No geral. como a autopromoção. assessores de imprensa dos sindicatos dos eletricitários e bancários respectivamente. formada por jornalistas. o peso e seriedade da home page do nosso próprio sindicato. destaca-se também o trabalho do departamento de comunicação do Observatório Social. o trabalho está sendo feito. Em algumas ocasiões. a agilidade da home page do Sintrajusc e. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 106 . que era realizado por um profissional. com entrevistas ou diálogos sobre temas atuais e veiculado todos os sábados pela rádio CBN. Há pouca informação a respeito da importância da comunicação para as ONG’s e são recorrentes os gastos desmedidos com publicações inócuas. a Fundação Democracia e Comunicação Adelmo Genro Filho passou a produzir boletins (eram quatro boletins mensais) através da agência Ipsis Litteris. Mas. Tivemos ainda exemplos de resistência.Ainda em 1991. lideranças sindicais e professores universitários com objetivo de difundir informações à margem da grande imprensa Também no início da década de 90. que sequer cumprem objetivos menores.

Ou seja. utilizá-los como um instrumento de dominação. do Sindicato dos Bancários de Florianópolis. Cassel e Mick detalham a proposta: “Defendemos uma visão de imprensa sindical baseada na informação e orientada por um comportamento ético rigoroso. construindo uma imprensa que se coloque como alternativa especialmente por sua seriedade e credibilidade”. no início da década de 90. efetivamente. o mesmo comportamento da grande imprensa.que é de quatro páginas semanais com a contra-capa dedicada quase exclusivamente a temas culturais. definiram um projeto denominado “Imprensa Cidadã”. junto com o jornalista Jacques Mick. com a contratação de um jornalista. O projeto gráfico foi de Maria José H. quando o jornal chegou a sua centésima edição. no final da década de 80. que já atuava na “Folha Sindical”. O objetivo era não repetir. O primeiro boletim em arquivo data de fevereiro de 87. surge o primeiro informativo e. As análises e propostas do projeto foram muito importantes e são elas que orientam todo trabalho do setor de comunicação do Sinergia até hoje. Gastão Cassel. Logo depois. orientado para os interesses próprios da diretoria do sindicato. Num documento datado de 1992. na época trabalhando no Sindicato dos Bancários. com os meios de comunicação sindical.O exemplo do Sinergia A comunicação no Sindicato dos Eletricitários de Floranópolis começou. Em 1987. ocorreu a mudança gráfica e passou a ter o formato que mantém até hoje . em agosto do mesmo ano. foi estruturado o departamento de imprensa. em março de 1988. O objetivo deveria ser o de viabilizar a cidadania. o primeiro jornal. E mais: “A imprensa sindical tem o papel de disputar a hegemonia. uma espécie de co-irmã do “Linha Viva”. Coelho. justamente colocando a informação à disposição dos cidadãos para que estes possam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 107 . com o nome “Linha Viva”. O primeiro jornalista contratado pelo Sinergia. Em julho de 1990.

A publicação semanal tem função dupla: a de comunicação interna (com a categoria eletricitária de Santa Catarina e para alguns eletricitários dos outros dois estados do Sul) e de ligação com setores do público externo. jornalismo”. na Eletrosul e Tractebel em quatro estados. sociedade. a imprensa sindical é. o jornal “Linha Viva” – que já teve até ombudsman (tarefa executada durante alguns meses pelo jornalista Cesar Valen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 108 . O jornal procura realizar a cobertura jornalística de diversas áreas: economia. Sua tiragem já foi de sete mil exemplares e hoje está nos quatro mil. Porém. Em última análise. esporte.se posicionar frente ao mundo que os rodeia. e a Intersul que reúne sindicatos de eletricitários atuantes no ONS. Ele ainda serve para diminuir a dispersão organizativa que existe dentro das duas intersindicais: a Intercel. pois é enviado. o projeto não teve grandes problemas de implementação e foi ao longo do tempo formando uma nova mentalidade que passou a entender que “a importância de um relato é mais forte que um discurso. De acordo com as premissas da “Imprensa Cidadã”. por correio. O jornal “Linha Viva”. comportamento. ou seja. para formadores de opinião. Portanto. a escolha de temas gerais se dá pelo seu conteúdo alternativo. junto com a home page (esta inaugurada em 2003). que representa os trabalhadores da Celesc em todo estado de Santa Catarina. política. é o produto de maior visibilidade do Sinergia. evitam-se temas ou enfoques da grande imprensa. que a objetividade pode ser mais revolucionária que uma análise”. cultura. devido à redução do quadro de pessoal das empresas. sobretudo. procurando-se dar para reflexão do leitor elementos novos e que encontram pouco eco nas publicações tradicionais. o “Linha Viva” procurou sempre balancear as notícias corporativas com as de interesse geral. Como a perspectiva era a mesma da diretoria das duas entidades.

te) – além de difundir as ações dos sindicatos. porém. Um dos grandes feitos do “Linha Viva” é a sua edição ininterrupta. teve fases mais diversificadas em que produzia cartazes. a linguagem escolhida pela publicação é a comum. numa tentativa ambiciosa que é a de dar argumentos a esses leitores a fim de que ampliem seus conceitos de cidadania. sem obviedades. à classe política em geral. a assessoria de imprensa elabora alguns boletins e releases. aos trabalhadores tratados como uma categoria homogênea e. O setor. brochuras e livros. folders. A grande queixa dos dirigentes sindicais é da pouca quantidade do que chamam de “matérias investigativas” que seriam reportagens e registro de depoimentos de trabalhadores. em termo de educação formal. todo este material. Existe um espaço dedicado ao leitor chamado “Tribuna Livre”. O jornal passa por fases de maior e menor participação dos associados. Hoje. Ainda dentro da perspectiva de que o jornalismo é uma forma de conhecimento democrático. algumas vezes. Os editoriais são dirigidos em geral aos patrões. completando em dezembro de 2004 sua edição número 776. a primeira pessoa do singular e do plural só aparece se devidamente identificada. Toda matéria que tem objetivo não informativo é classificada como editorial. é bastante diferenciado. adesivos. informar seus leitores sobre assuntos de interesse específico dos trabalhadores. Atualmente. assim como a home JORNALISMO EM PERSPECTIVA 109 . tendo mantido a periodicidade semanal desde a primeira edição. Por isso. além do jornal semanal. trata de temas atuais. Abrange desde pessoas medianamente alfabetizadas àquelas com pós-graduação. O público-alvo do jornal. desenvolvam novas perspectivas de intervenção na sociedade. Cada edição começa a ser preparada com uma semana de antecedência e inicia com uma reunião de pauta com a diretoria executiva do Sinergia.

caiu sensivelmente e isto. onde a fonte de poder de decisões – o governo estadual . neste período. canetas. Por orientação política.estava perto e era suscetível aos movimentos da comunidade local – que foi onde se JORNALISMO EM PERSPECTIVA 110 . O processo começou timidamente no início da década de 90 com a “desregulamentação”. Porém. essencialmente. surgiu outra ameaça: a privatização da Celesc. Limitou-se a “apagar o fogo” diário e se retraiu devido. projetos. Para o setor de imprensa. enfim todo material específico de marketing de campanhas. Também são confeccionados por terceiros calendários. é terceirizado. esta era apenas uma parte do que teria que ser enfrentado. congressos. Privatização Um dos grandes desafios para o departamento de imprensa foi o processo de privatização da Eletrosul. chaveiros. a entidade não ocupa espaços publicitários nos grandes veículos de audiência aberta. foi um período difícil. concursos promovidos pelo sindicato. geraram muita instabilidade e incertezas. O quadro de pessoal da empresa. Apesar da imagem externa da entidade não ter sofrido muito. bonés. Faltaram ainda interlocutores experientes para trocar idéias. como a falta de planejamento para a comunicação no período. internamente as mudanças decorrentes deste episódio. a atuação do setor foi tímida em relação à Eletrosul e mais positiva em termos de Celesc. já que a venda da Eletrosul foi um acontecimento incomum. O departamento não conseguiu assumir a função estratégica de sugerir ações. Assim. levando-se em conta este e outros fatores. teve reflexos diretos na entidade. é claro. encontros. como de resto para toda entidade. a “caça aos marajás” e o início da fase de “desestatização”. Collor.page. à idéia que havia na entidade de que a opinião pública teria sido iludida pelo marketing e propaganda da privatização. Em meados da década de 90.

por exemplo. A grande questão seria: o assessor de imprensa deve ser também um ativista da ONG? Essa discussão precisa ser feita com maior rigor. Essa empatia é crucial para a entidade. pode assegurar e firmar sua postura profissional denJORNALISMO EM PERSPECTIVA 111 . que é a partir disto que todo resto do exercício da profissão acontece. no dia a dia de trabalho numa ONG. sobretudo com as mobilizações do Mucap. Minha experiência mostrou que se tivermos em conta que o coração da atividade jornalística é informar.concentrou todo trabalho do departamento. qual a melhor abordagem para tornar relevante um desafio no qual a entidade vai despender muita energia. o tema do engajamento do jornalista é recorrente. que vai precisar inúmeras vezes confiar no julgamento do jornalista quando decidir. já que não existem respostas prontas. E. pode-se abordar a questão de outra forma: é importante para o jornalista que trabalha para este tipo de entidade estar em sintonia com os objetivos primeiros da organização. como jornalistas. está sempre presente. O jornalista no Terceiro Setor Um dos debates típicos em torno da comunicação para o Terceiro Setor diz respeito à militância do profissional de comunicação contratado pela instituição. Mas. É importante procurar saber se pode haver um equilíbrio entre o nosso papel social como profissionais e cidadãos. o trabalho numa assessoria de imprensa no Terceiro Setor não será diferente do trabalho numa redação da grande imprensa. nosso dever ético é de não manipular eventos ou informações. A identificação é importante para o jornalista porque. Se não esquecermos que. só a partir dela. esse equilíbrio fica mais fácil de ser alcançado. ou como apresentar posicionamentos que dizem respeito a sua imagem junto à sociedade.

no sentido de instrumentalizar um marketing de promoção pessoal. De forma geral. No meu trabalho. a respeito do meu comportamento. que muitas vezes é condenada por parte da entidade. se a ética jornalística for valorizada. O dilema central de um jornalista trabalhando para uma ONG é a da neutralidade e conseqüentemente o da objetividade. junto a entidades do Terceiro Setor. O engajamento com a causa maior da entidade permite executar seu trabalho de acordo com o “primeiro mandamento”: informar clara e objetivamente. acessível para um público maior. isto não é tarefa para jornalista. toda vez que descuidei e agi como ativista. ou de um grupo de pessoas.tro da organização. Nunca simpatizei muito com a função de “porta-voz”. O trabalho do jornalista numa ONG também tem um aspecto educacional. porque acredito que o assessor de imprensa não é a fonte original de informação. facilitando. os anseios das pessoas para as quais trabalho. Outra polêmica a respeito da atividade jornalística numa ONG tem a ver com o papel de “relações públicas”. Meu esforço tem sido sempre no sentido de tornar inteligível. encorajando a participação. Quer dizer. tanto para o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 112 . Do meu ponto de vista. compreensível. Mas a prática da militância interferindo na produção da assessoria de imprensa é prejudicial para ambos. a intervenção deste público. e mais produtivo. Outro foco de discussões é a relação da assessoria com os jornalistas da grande imprensa. ou deixei me “arrebatar” ao narrar um fato. a ONG ganha em respeito externo e mantém uma estrutura interna sólida e segura. dos leitores e minhas. no sentido pejorativo do termo. os resultados do que produzi trouxeram danos para a entidade – que sofreu descrédito e passou a ser alvo de preconceito junto a diversos públicos – e censuras negativas de meus colegas. Ele deverá periodicamente lembrar os integrantes da instituição qual é o papel da imprensa e mostrar que. nos contatos com a grande imprensa o correto.

Esta rotina exige esforços – alguns dos quais foram mencionados rapidamente aqui – que.assessor. é: nunca mentir. do direito da sociedade à livre informação. jamais fazer colocações off the record. são os mesmos do jornalista que trabalha em qualquer outro segmento: o da responsabilidade com a ética. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 113 . o de ser objetivo e verdadeiro no que faz. não falar do que não se sabe. no geral. evitar exageros. A comunicação no Terceiro Setor passa por uma tarefa diária dupla: a de incentivar o ativismo dentro da organização e de tornar visível este ativismo para a sociedade. como para os integrantes da ONG.

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Santa Catarina foi o último a despertar para o novo veículo de comunicação. econômicos e sociais que marcaram a história. da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. Em Santa Catarina. tem uma marca invejável. solidificaram a importância dos veículos de comunicação. em 1923. No jornalismo. A oficialização só ocorreu depois de uma veiculação de dois anos em caráter experimental que começou com um sistema de alto-falantes. ao radioamador João Medeiros Júnior foi concedida a paternidade da radiodifusão em nosso estado com a instalação em 1935. acompanhou e repercutiu fatos políticos. aos 70 anos de idade. localizado no Vale do Itajaí. e da primeira estação de TV ao término dos anos 60. a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Distante 160 quilômetros da capital catarinense. Já na década de 20. quanto o Paraná já desfrutavam da novidade que mexia com o imaginário dos ouvintes. mas ágil como adolescente Regina Zandomênico O rádio em Santa Catarina. as inovações ajudaram a consolidar a informação como poder e. além de presenciar as profundas mudanças que os avanços tecnológicos provocaram em todas as áreas de conhecimento. e os gaúchos a Rádio Gaúcha. no final da década de 30. conseqüentemente. Dos três estados da Região Sul. Na cronologia dos acontecimentos.Rádio: na 3ª idade. tanto o Rio Grande do Sul. já ouviam a Rádio Clube Paranaense. inaugurada em 1927. Blumenau traz no currículo o pioneirismo da primeira emissora de rádio. Os paranaenses em 1924. um município. logo após a instalação oficial da primeira emissora brasileira. por exemplo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 115 . principalmente a catarinense.

fatos fictícios para conferir a reação dos ouvintes e mais tarde lembrá-los que se tratava de primeiro de abril. instalou oficialmente em 1941 a Rádio Difusora de Joinville. O início da emissora em 1938 também foi através de alto-falantes. editado na língua alemã e que circulou em Blumenau e Joinville de 1862 a 1934. formada principalmente por repertório musical e leitura de comunicados. Nesse contexto. constatou na pioneira Rádio Clube de Blumenau o poder que o meio exercia ao veicular. um jovem técnico em eletrônica descendente de alemães cujo avô era proprietário do jornal “Kolonie Zeitung”.O surgimento da primeira emissora catarinense seguiu os moldes da época baseado na fundação de clubes ou sociedades onde os associados pagavam cotas que financiavam o funcionamento das emissoras. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 116 . Embora o trabalho na rádio fosse inovador e empolgante. O jornalismo não era a marca da nova emissora e a figura do repórter sequer existia. O maior município de Santa Catarina. enfrentava situações absurdas para os padrões atuais: interrupções devido à precariedade dos equipamentos e à falta de locutores conhecidos como speakers. O fundador Medeiros Júnior. recebesse da Câmara de Vereadores de Joinville o título de Cidadão Benemérito. A programação ao vivo da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. acumulando as funções de locutor. operador de áudio e até mesmo ator de radionovela. fizeram com que em 1997. O esforço de Brosig. era comum a veiculação nas próprias emissoras e nos jornais impressos de pedidos de contribuições financeiras para ajudar na manutenção dos novos veículos. como uma espécie de Orson Welles tupiniquim. entretanto. aos 80 anos. seis anos depois do primeiro passo da radiodifusão catarinense. a data instituída como o Dia da Mentira pelos franceses há cinco séculos. financeiramente não era atraente o que justificava que os integrantes do quadro de funcionários trabalhassem em outros locais com jornadas mais rígidas. A novidade chegou pelas mãos de Wolfgang Brosig.

por terem a obrigação de se tornarem rentáveis. radionovelas. a oportunidade de ouvir entrevistas com personalidades. já estava autorizada pelo Governo Federal e a programação das emissoras vivenciava a chamada “Época de Ouro”. e o responsável por ela não havia nascido na Ilha ou sequer era catarinense. e programas de auditório ao vivo. em São Paulo. manteve por cerca de um ano o sistema de alto-falantes e conseguiu oficializar a emissora em 1943. acompanhado de um grupo de amigos. começaram a ouvir a sua primeira rádio através de um sistema de alto-falantes. conhecidos como “reclames”. era uma garantia de audiência. A presença dos comerciais mudou o perfil das emissoras que. A Radio Guarujá passou a desempenhar um papel de “assessor político” do PSD (Partido Social Democrático). os ouvintes acompanhavam uma programação mais popular que incluía jornalismo. Embora nos primeiros programas os locutores lessem notícias veiculadas nos jornais. Três anos mais tarde. remo e basquete. O crescimento do número de ouvintes incentivou as emissoras a apostarem na JORNALISMO EM PERSPECTIVA 117 .O surgimento das primeiras emissoras longe de Florianópolis indica que o pomposo título de capital não contribuiu para que a Ilha fosse pioneira na radiodifusão catarinense. Se o fato de receber a novidade com atraso incomodava os mais afoitos. incluindo futebol. assumiu o comando da emissora. com estórias criadas ou adaptadas por roteiristas catarinenses. a exemplo dos ouvintes de Blumenau e Joinville. buscaram alternativas para aumentar a audiência. Aderbal Ramos da Silva. O final da década de 40 marcou o surgimento de emissoras em várias regiões catarinenses em um período onde a veiculação de comerciais nas rádios. transmissões de esporte. eleito no ano seguinte governador do Estado. a ironia foi saber que o nome da emissora – Rádio Guarujá – era uma homenagem a um bairro de Santos. Os florianopolitanos. O gaúcho Ivo Serrão Vieira. Nesse período. principalmente políticas.

outro governador. pela chegada da TV no Brasil. A efervescência do jornalismo. Também era comum a compra de espaços na programação por parte daqueles que ainda não tinham suas próprias emissoras. A programação do rádio não apenas entretinha e anunciava produtos. aliada à influência política. como também despertava nos ouvintes uma participação social mais ativa. autor do livro “A Era do Rádio”. A “Época de Ouro” do rádio em Santa Catarina também foi marcada pela forte influência política.figura do repórter. sob a responsabilidade dos irmãos Adolfo e Walter Ziguelli. em Florianópolis. o que conseqüentemente melhorou a factualidade das notícias locais nos radiojornais. Boa parte delas com tempo de vida vinculado apenas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 118 . Um dos destaques da emissora era o programa “Vanguarda”. as rádios pertencentes à Rede só concediam espaço aos adversários mediante pagamento. O sociólogo Antonio Miranda. chegaram a pertencer a grupos políticos que nos noticiários defendiam abertamente seus interesses confrontando adversários. A descoberta do rádio como peça de marketing político influenciou o surgimento de várias emissoras em todas as regiões catarinenses. Ligada ao PSD. Muitas emissoras. a Rede Coligadas. motivou a criação da primeira rede de emissoras do estado. avalia que esse período causou na sociedade brasileira impactos mais profundos do que os provocados . em Blumenau. a exemplo da Rádio Guarujá. no ano de 1954. Irineu Bornhausen. Em 1954. Além de Aderbal Ramos da Silva. Ainda nessa década surgiram na capital outras emissoras como a Anita Garibaldi e a Rádio Jornal A Verdade. também se aventurou pelas ondas do rádio como peça de persuasão política. a partir de 1950. ele conseguiu a concessão da Rádio Diário da Manhã. para defender os interesses da UDN (União Democrática Nacional).

Em todo o estado as rádios se destacavam por particularidades da programação. A liberdade de expressão permitia que os veículos se posicionassem abertamente e a participação dos ouvintes era intensa nos programas de debates. e posteriormente com a inauguração da TV Cultura. o processo não foi diferente e começou em 1969 com a chegada da TV Coligadas. em Blumenau. foi aos poucos perdendo espaço para uma programação quase que exclusivamente musical e que retomava com força a antiga prática do gillete press. a transmitir comícios eleitorais. A onipotência do rádio no Brasil começou a ser ameaçada com a chegada da TV em 1950. na década de 50. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 119 . na capital. O espírito jornalístico das rádios catarinenses que concretizou até transmissões internacionais. incluindo até mesmo fatos políticos. poesias e conselhos de beleza. Além das radionovelas. A Rádio Diário da Manhã. as ouvintes podiam sintonizar programas que tratavam de culinária. a primeira emissora de TV do estado. À medida que as estações de TV foram se espalhando pelo território nacional e o público tendo contato com o veículo que além do som trazia imagens. inaugurada oficialmente em 1946 e localizada a pouco mais de 100 quilômetros da Capital. Na Difusora de Laguna. A produção usava a estrutura de texto e sonoplastia das radionovelas para apresentar as notícias da cidade. Em Santa Catarina. O público específico era mais uma ferramenta que as emissoras dispunham para atrair anunciantes e aumentar os lucros. inclusive. Muitas rádios chegaram. as emissoras foram perdendo o espaço conquistado.ao período eleitoral. Paralelo aos programas de forte influência política. um dos diferenciais era o programa “Picadeiro Político”. as rádios também investiram em programas dirigidos aos universos feminino e infantil. em 1970. investiu no “As crianças se divertem” retransmitido para 14 emissoras. como um campeonato panamericano de remo na Argentina.

a ausência de telenovelas locais colocou os atores em uma situação difícil. mas a realidade é outra. a adaptação foi mais fácil. também eram produzidas ao vivo. em 2004. os atores do rádio migraram para as telenovelas que. assim como as  rádios continuam crescendo e se adaptando cada vez mais às novas tecnologias – as rádios virtuais são uma prova. No ano anterior. a partir da década de 70. prevendo o fim do jornalismo  gráfico. outras 4. várias previsões pessimistas garantiram que os avanços tecnológicos beneficiariam a TV e a internet e provocariam o desaparecimento do jornal impresso e do rádio.412 com o mesmo perfil foram fechadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por terem sido consideradas ile- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 120 . o rádio não está mais submetido à conexão de uma tomada e pode ser ouvido em qualquer lugar. embora a TV exigisse um “olho no olho” com o telespectador e a preocupação com a relação texto/imagem. Para os locutores. mostraram a eficiência do veículo. desde a descoberta do transistor em 1947 por cientistas americanos. Uma avaliação superficial do rádio pode considerar que atualmente o veículo não possui o mesmo poder de informação em relação aos outros meios de comunicação. Nas últimas décadas. Em centros menores. Muitos ouvintes deixaram os antigos programas AM de lado e passaram a sintonizar as FMs que ofereciam uma nova linguagem. no início. o americano Anthony Smith conseguiu recordes de vendagem ao lançar o livro “Adeus a Gutenberg”. Dados do Ministério das Comunicações indicam que. Em 1980. também provocou mudanças.  Entretanto. como o apagão de 2003 em Florianópolis. jornais e revistas. e a passagem do ciclone Catarina. em outubro de 2004.Nos grandes centros. como Rio de Janeiro e São Paulo. Fatos recentes em Santa Catarina. Além disso. só no âmbito das rádios comunitárias. A chegada das FMs no Brasil.119 tinham autorização para funcionar no país. como Santa Catarina. 2.

Nem mesmo os jornais online que trabalham em fluxo  contínuo  conseguem chegar na frente na disputa com o meio quando a tarefa é veicular e repercutir o factual. as piratas. Os estudiosos da comunicação consideram que  entre as novas tecnologias. cabe salientar que as novas tecnologias mudaram a relação do jornalista com o tempo. A prática jornalística do dia a dia demonstra que em termos de agilidade o rádio ainda é imbatível. seu quadro de filiados tem atualmente 71 emissoras FM e 101 AM. as veiculadas pela internet. Para os que ainda teimam em ser pessimistas uma má notícia: às vésperas de completar 83 anos no Brasil e 70 em Santa Catarina. o rádio ainda tem fôlego e está na ativa. O rádio. De acordo com a entidade. Dentro deste contexto.gais. elaboração e difusão da informação. é o que mais rápido e facilmente consegue colocar em prática a filosofia do slogan “pense global. O mais recente levantamento feito pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) aponta que todas as regiões de Santa Catarina estão contempladas com emissoras radiofônicas. Cabe salientar que nesta relação não estão computadas as rádios comunitárias. um fator sempre determinante para um profissional da área. a que mais se destaca é a relacionada à transmissão. e algumas oficiais não filiadas à associação. com seu custo relativamente baixo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 121 . muitas delas tendo o jornalismo como carro-chefe aliado às transmissões esportivas. aja local”.

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Até começo da década de 1960. em Blumenau. instalou um laboratório próprio e fez as primeiras ampliações em 1910. a única maneira de incluir fotos na imprensa era recortá-las de outras publicações e colá-las para a reprodução no jornal. fazia imagens do estado para expôlas em painéis no Rio de Janeiro. a técnica conhecida como gilette press. em 1906. A exceção foi a publicação precursora e isolada do jornal blumenauense “Blumenauer Zeitung”. em julho de 1871. Em Santa Catarina. que pela experiência autônoma de Alfred Baumgarten. a primeira foto jornalística registra a inauguração da ponte sobre o ribeirão Garcia. o inglês considerado o primeiro fotojornalista da história. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 123 .Fotojornalismo Catarina Andressa Braun Após Roger Fenton. por Alfred Baumgarten. de tanto aventurar trabalhos fotográficos em casa. um século se passou até que aparecessem os fotógrafos precursores da imprensa catarinense. A produção fotojornalística em Santa Catarina também foi incentivada pelo trabalho do catarinense Valdemar Anacleto que. em meados da década de 1960. filho do fundador do jornal. que formam uma imagem fotográfica em preto-e-branco. O marco do fotojornalismo mundial é a publicação da primeira imagem pelo jornal sueco “Nordisk Boktrycheri-Tidning”. O fotógrafo era um grande entusiasta da documentação fotográfica num período em que as imagens eram utilizadas apenas como ilustração das matérias de jornal. A publicação de fotografias por jornais e revistas esbarrava na dificuldade técnica de se imprimir toda a gama de tons diferentes de cinza (entre o branco absoluto e o preto absoluto).

As fotos se tornaram mais presentes na imprensa catarinense por volta de 1963. O jornal “O Estado”, o mais antigo diário em circulação em Santa Catarina, fundado em 1915, comprava o resultado do trabalho independente do fotojornalista Paulo Dutra, que começou a fotografar fatos isolados que considerava de interesse da imprensa. A publicação era realizada geralmente na capa com legendas explicativas criadas pela redação. Dutra possuía um pequeno laboratório de revelação e ampliação em casa. Simultaneamente, ele fazia fotos de Florianópolis e as vendia ao jornal gaúcho “Correio do Povo”. Paulo Dutra também teve experiências em publicações nacionais. Em 1970, quando trabalhava no Palácio do Governo do Estado de Santa Catarina, fotografou uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça e, sem perceber, registrou o momento exato do choque entre duas aeronaves. O acidente, de repercussão nacional, foi assunto na revista “Manchete”, da editora Bloch, que pouco tempo depois contratou Dutra. Lá, ele trabalhou por dez anos. Mas foi em Santa Catarina que passou a maior parte de sua carreira. Funcionário público federal, ele trabalhou, entre outras repartições, na Agência de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Dutra voltou em 1988 ao jornal “O Estado”, onde permaneceu, entre entradas e breves saídas, até 2002. Paulo Dutra ainda participou da primeira equipe profissional de fotojornalistas de um jornal catarinense. Junto com Gaston Guglielmi, Sérgio Rosário e Rivaldo de Souza, sob o comando de Orestes Araújo, eles formaram, em 1972, o time de fotógrafos de O Estado. Foi nesse ano que o jornal de Florianópolis adquiriu uma máquina de impressão off-set – que facilitava a impressão de fotografias – exatamente um ano depois da compra do mesmo equipamento pelo concorrente, o “Jornal de Santa Catarina”, com sede em Blumenau. O jornal do Vale publicava fotografias produzidas pelos cinegrafistas da TV Coligadas, que faziam o trabalho de cam-

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po munidos de filmadora e câmara fotográfica. A parceria era possível porque o jornal e a TV pertenciam ao mesmo grupo. Para Orestes Araújo, o início do fotojornalismo foi marcado por uma incansável busca pelas melhores imagens, relacionada com o “realizar algo proibido”. “Algumas vezes sentia um certo medo de estar tão perto da notícia”, acrescenta. O relato é também embasado pelo pioneirismo na fundação, em 1965, da assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, ao lado do jornalista João José de Souza. Nesse período, Orestes profissionalizou-se com a realização de cursos de fotografia em São Paulo. Lá, percebeu o interesse de publicações de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, por fotografias de Santa Catarina. “As revistas do eixo Rio-São Paulo mandavam profissionais para o Estado quando precisavam de imagens”, conta ao relembrar o motivo que o levou a oferecer as próprias fotos a publicações como a revista “Veja”, onde trabalhou doze anos como correspondente em Santa Catarina. Todas essas experiências creditaram Orestes Araújo a finalizar, em 1985, a formação da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”, o primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil. Em 1986, o DC possuía os mais modernos e completos equipamentos fotográficos de imprensa da época: 18 câmeras Nikon modelos F-3 e F-3 HP grande-angulares, teleobjetivas, flashes, , tripés e filtros, entre outros acessórios. Além disso, o “Diário Catarinense” ainda dispunha dos melhores computadores e programas de edição eletrônica de textos para imprensa da América Latina. Até 1991, Orestes Araújo continuou o trabalho em outros diferentes veículos de comunicação e na assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Naquele ano, ele cria o “Jornal de Barreiros”, onde até hoje realiza diversas funções: produção fotográfica, texto, edição, distribuição e até venda de espaços publicitários.

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A partir do início da década de 1970, a linguagem fotográfica passou a estar de acordo com o texto, matéria jornalística e imagem complementavam-se. Para o fotógrafo e historiador do fotojornalismo Tim Gidal (1971), a evolução do fotojornalismo moderno deve-se a um fator técnico – desenvolvimento de câmaras fotográficas compactas, luminosas e com visor na parte traseira – e outro intelectual - o surgimento de uma nova geração de fotógrafos no mundo, na maioria com educação superior e descendência judaica. Na década de 1970, as revistas já utilizavam fotos coloridas, captadas por slides. Apesar da dificuldade inicial de utilização da nova tecnologia, ela teve que ser adotada pelos profissionais. A informação transmitida pela foto colorida deixava a imagem com aparência plastificada, porque além da dificuldade de trabalho dos fotógrafos, os gráficos também tinham problemas para a impressão. “Foi um verdadeiro caos para o fotojornalismo”, opina o fotojornalista Tarcísio Mattos sobre o início do uso de slides quando “muitos profissionais deixaram de fotografar porque não conseguiam se adaptar”. Tarcísio Mattos é sócio–fundador da Soma Fotojornalismo, empresa criada em 1988 e que passou a cobrir pautas para o “Jornal de Santa Catarina”, AN e “O Estado”, geralmente em cidades que não eram sede dos jornais. A carreira começou aos 18 anos, em 1979, como laboratorista do jornal “O Estado”. No ano seguinte, foi fotografar profissionalmente na equipe do jornal, com a saída do pioneiro Rivaldo de Souza. “Quando ingressei no mercado, o material era muito barato, o que me permitia experimentar”. No começo dos anos de 1980, ele trocou uma câmera Canon Ftb por uma Pentax SP 500. Bem humorado, Mattos conta que, como era o mais novo da equipe, só recebia pautas que classifica como “carne de pescoço”. Em dois anos de trabalho, ele teve que provar que tinha capa-

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cidade. Depois de realizar com sucesso uma pauta sobre argentinos em Balneário Camboriú, passou a ser escalado para coberturas mais importantes. Ele lembra que, naturalmente, o repórter fotográfico “cobria melhor”, direcionava-se para o assunto com o qual mais se identificava.

Uma questão também de sorte
Paulo Dutra acredita que, para fazer uma boa fotografia para imprensa, o profissional tem que ter sorte acima de tudo, técnica e muita rapidez. O fotojornalista Tarcísio Mattos não discorda, mas defende que o profissional deve ser, antes de tudo, um jornalista. “Ele tem que ter técnica, senso estético, mas, essencialmente, precisa estar ligado à notícia.” A fotojornalista Suzete Sandin, a primeira no Estado, concorda que além de “olho” (refere-se à sensibilidade para perceber o que é importante e inusitado em uma cena), o profissional precisa da sorte. Ela reconhece que a tecnologia no fotojornalismo proporcionou ganho de tempo, mas critica: “Com a era digital, a fotografia tornou-se muito mais programada, menos espontânea. É difícil uma foto que realmente chame a atenção”. Para ela, o slide ainda garante melhor definição e fidelidade de cores, diferente do equipamento digital. Mattos diz que, hoje, o fotógrafo é escravizado pela técnica, o que se reflete na grande quantidade de fotos posadas nos jornais. “A fotografia privilegia a técnica em detrimento da informação”, completa. Para ele, a tecnologia foi somente uma evolução e não pode ser vista como fim, mas como meio. Ele cita, por exemplo, a baixa qualidade das imagens vendidas por agências de notícias. Ao mesmo tempo, reconhece ser difícil atender tantos interesses diferentes, o que justifica, em parte, a perda na qualidade. Orestes Araújo comprovou o quanto a sorte na profissão é importante depois de um episódio inusitado. No início da década
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de 1970, quando os Estados Unidos e o mundo questionavam se o presidente Richard Nixon seria candidato à reeleição, o fotojornalista conheceu, por insistência de um amigo, uma fábrica em Rio Negrinho, no interior de Santa Catarina, que estampava em canecos, a pedido do comitê de reeleição, a imagem do então presidente. Como de costume, Orestes levou consigo o equipamento fotográfico, fez fotos e as vendeu para as principais publicações brasileiras e agências internacionais. O fotógrafo defende a complementaridade imagem-texto. “A boa imagem para o jornal deve ser casada com o texto. Deve seguir a mesma linguagem, além de ter qualidade, bom ângulo e bom enquadramento”. Para Orestes, o fotojornalismo contribuiu muito para a valorização do produto jornal. “Hoje, ninguém mais lê jornal sem foto”, completa Paulo Dutra.

Uma estranha no ninho
Com o surgimento do primeiro jornal totalmente informatizado criado no Brasil, surge também a primeira fotojornalista do estado, Suzete Sandin. Ingressa por acaso na profissão, como ela mesmo descreve, Suzete só se interessou profissionalmente pela fotografia durante a realização de um curso de especialização com um profissional norte-americano de passagem por Florianópolis. Ela foi sorteada e recebeu uma bolsa para o curso na época em que estudava Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Após o trabalho de conclusão do curso superior - um audiovisual que demonstrava o destino do lixo em Florianópolis -, surgiram várias oportunidades de trabalhos freelancers em fotografia. Hoje, Suzete diz que a escolha pelo fotojornalismo foi uma casualidade que deu certo. Em 1985, ela tornou-se parte da equipe de fotógrafos do “Diário Catarinense”. “Foi ali que aprendi tudo”, reconhece.

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Uma das fotografias da cobertura foi premiada pela revista francesa “Photo” com o 1º lugar na categoria La Lumière. “A fotografia para jornal deve emocionar. Apesar das dificuldades. Uma das coberturas que mais a marcou e com a qual conquistou reconhecimento internacional foi realizada em 1997 em um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra em Abelardo Luz. a fotografia deve chamar a atenção para o texto porque uma boa imagem estimula a leitura. Para ela. Ela fotografou em Santa Catarina um alemão que criava tigres em casa. e realiza eventuais trabalhos freelancers para revistas como “Caras” e “Quem”. futebol naquela época. “Aprendi todos os palavrões da minha vida no campo de futebol”. conclui Suzete. Suzete acredita que um dos maiores desafios do fotojornalista é transmitir toda a informação em uma única imagem. o jornalismo diário é a melhor escola de fotografia. Outra cobertura fotográfica que Suzete não se esquece foi realizada para a revista americana “Life”. soube que esta era a forma que os agricultores comemoram o retorno da colheita. Era graças à ajuda dos outros fotógrafos que “encarava” as brincadeiras da torcida. A fotojornalista acreditou que fosse a Polícia tentando retirar os trabalhadores do lugar em que estavam. Pouco depois. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 129 . Atualmente. por exemplo. “Você tem sempre que encontrar uma saída e levar a foto para a redação”. Suzete passou uma semana acampada e viveu momentos de apreensão. o profissional deve conhecer bem o assunto e saber exatamente o que deseja transmitir”. para Suzete. Um dos objetivos era mostrar de que forma o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pressionava o governo. Um deles foram tiros na madrugada. Suzete passa seis meses no Brasil e outros seis no Canadá.Ela lembra das dificuldades de uma mulher cobrir.

1996 SANTOS. primeiro fotojornalista a exercer profissionalmente a função no Estado. cultura e as histórias de sua gente (1950-85). Blumenau – arte.REFERÊNCIAS Entrevistas pessoais: Orestes Araújo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 130 . primeira fotojornalista de Santa Catarina Tarcísio Mattos. Maria José Baldessar e Luciany Alves Schlickmann. EDITH. fotojornalista e sócio-fundador da Soma Fotojornalismo Dissertação: IVAN LUIZ GIACOMELLI. Dissertação para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC. FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Univali. Volume IV. aposentado Suzete Sandin. Florianópolis: Edeme Indústria Gráfica e Comunicação. Agradecimentos Aos jornalistas Celso Vicenzi. Impacto da fotografia digital no fotojornalismo diário: um estudo de caso. fotojornalista responsável pela criação da primeira equipe de fotógrafos do jornal “O Estado” e editor do “Jornal de Barreiros” Paulo Dutra. Florianópolis: Oficinas Gráficas da Imprensa da UFSC. 1999. Celso Martins. SÍLVIO COELHO DOS. Santa Catarina no Século XX. 2000 Livros: CABRAL. OSWALDO. Nossa Senhora do Desterro. 1972 KORMANN. Florianópolis: Editora da UFSC.

Em plena ditadura militar. Naquele mesmo ano – 1972 –. Rece- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 131 . cultura. Se hoje vejo na mídia eminentes lideranças políticas de Santa Catarina dando freqüentes entrevistas às repórteres do setor. As editorias de política. tentei inúmeras vezes entrevistar um deles. comportamento. entre outras.E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!? A pergunta – feita por uma autoridade do alto escalão do governo Colombo Machado Salles – retrata bem o momento em que vivíamos. Enviada especial do jornal “O Estado”. esporte e polícia. fui acompanhar agricultores. iriam para a terra dos sonhos. Na época. fui escalada para cobrir o famoso clássico Avaí e Figueirense. E – pelo inusitado – virei notícia. era raríssimo mulher-repórter trabalhar nas editorias de esporte. atraídos pelas promessas de uma nova vida. Nossas funções nas redações estavam delimitadas: variedades. tradicionalmente eram preenchidas por jornalistas do sexo masculino. eram editorias eminentemente femininas. Minha reportagem era acompanhar a reação da torcida. Mais raro ainda era fazer reportagens nos campos de futebol.Mulheres e Jornalismo Elaine Borges . sorrio quando lembro as barreiras invisíveis que estes mesmos políticos erguiam ao perceberem a presença de repórteres. a maioria do oeste catarinense que. Naquela tarde do mês de outubro de 1972. eu estava no aeroporto Hercílio Luz embarcando para Belém do Pará. a Amazônia (sonho que se transformou em pesadelo – a Transamazônica era mais um projeto megalômano do governo ditatorial do general Emílio Garrastazu Médici).

Trabalhou também no jornalismo político e relembra: “Eu.” Aline Bertoli (assessora de imprensa do Tribunal de Contas) foi uma das primeiras jornalistas a apresentar telejornal em Santa Catarina.. tinha que ficar sempre muito séria.das delícias de morar numa ilha paradisíaca. além de jornalista. Decididas e combativas. exigíamos igualdade. tive de enfrentar os entrevistados por insistirem em ler os textos antes de publicados. Era para impor respeito”. “talvez”.bia apenas respostas lacônicas. para chegar às minhas fontes. Correspondente de “O Estado de S. magra. é campeã sênior de tênis). Mas os galanteios eram inevitáveis. Paulo”.. limitando-se ao “sim”. Marise de Martini Fetter (hoje morando em Brasília) foi uma das tantas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 132 . em alguns episódios. em Florianópolis. Nesse período – década de 70 – presidi duas vezes o Clube dos Repórteres Políticos de Santa Catarina. Sofríamos mais contestação nas matérias que escrevíamos do que os jornalistas do sexo masculino.nunca aceita pela direção do jornal. minha demissão foi “gentilmente” solicitada por lideranças locais . além de novas oportunidades de emprego oferecidas em Santa Catarina. lembra: “A desconfiança que despertávamos na época não sei se era atribuída à profissão ou a nossa condição de sermos mulheres jornalistas. Lideranças nacionais – como Ulysses Guimarães – transformavam entrevistas em aulas de democracia e de resistência. era chefe da sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. Mas havia aquelas que. até mesmo com cara de poucos amigos. Bernadete Santos Viana (hoje. fui orientada por seus assessores para encaminhar perguntas por escrito. ou depois contestavam o que haviam dito. Galanteios que sempre procurava reverter em boas declarações. com pouco mais de um metro e 60. De tanta insistência. nos anos 70. As respostas foram as mais lacônicas. Inúmeras vezes. também queriam usufruir como ainda hoje . “não”.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 133 . Marisa é assessora de imprensa da Casa Civil do governo de Santa Catarina. em 1975 chegou a Florianópolis vinda do Rio de Janeiro. Essa facilidade percebida por Marise foi também registrada por Rosamaria Urbanetto (hoje trabalhando na Globonews. ao contrário da turma que veio do sul. Ao entrevistar um secretário de estado. Uma mulher que sabe tudo. ele dizia”. foi homenageada com a medalha do mérito pela Associação Catarinense de Imprensa.. conclui.para ser entrevistada. Mais tarde. Em 1999. ainda na década de 70. Trabalhou na antiga TV Cultura dirigindo um programa voltado para as mulheres. tinha sempre festa! E aquela musicalidade do jeito de falar dos ilhéus. A jornalista Marisa Ramos (que na década de 60 teve a “ousadia” de ser a primeira mulher de Florianópolis a botar a barriga de fora usando maiô de duas peças) foi também umas das primeiras mulheres jornalistas a comandar programas televisivos. Atualmente. no Rio).. Eloá Miranda. O governador era acessível. Mas o que me chamou a atenção foi a facilidade com que a gente falava com as autoridades. com a modernização do jornal “O Estado”. Coisa de foca”. mantinha uma coluna com informações e comentários destinados ao público feminino. e imediatamente o secretário colocou o braço em volta do ombro da Rosinha e pediu que o fotógrafo tirasse uma foto de ambos. “Eu lembro que o Celso Pamplona (famoso e folclórico colunista social da cidade) tinha um programa de Variedades na TV Cultura e me convidou .que veio do sul para trabalhar em Florianópolis: “Para mim era fazer turismo. Trabalhou no jornal O Estado e depois na TV Cultura. O secretário sempre estava disponível. Aquilo me impressionava muito. Queria registrar o que considerou um fato inédito: ser entrevistado por uma mulher. as praias. foi surpreendida com um convite inusitado: “Espera um momento”. o vento sul.por ser uma mulher exercendo a profissão de jornalista .

Imara gosta de dar um recado às futuras colegas: “Digo que devem evitar decotes ousados e tudo que possa desviar a atenção ou seduzir o entrevistado. pode ser um problema na hora da entrevista se a jornalista for também inteligente. bonita. Eu ligava e a mulher do sujeito atendia. Em determinadas situações. A maioria. É o caso da jornalista Roseméri Laurindo (hoje trabalhando na FURB. desenvolvi uma tática para ligar para a casa de algumas fontes ou autoridades. foi acusada de “mentirosa e irresponsável”. Traumas também marcaram a vida profissional de algumas repórteres. no final da década de 80. Por isso. grosseiramente ofendidas por homens públicos. Imara Stallbaum. escreveu uma reportagem comparando os assédios dos partidos aos deputados como se fosssem lances de um leilão (havia um intenso troca-troca de partidos devido à chegada do PRN do Collor). Repórter setorista de “O Estado” na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. em São José. Estou certa de que ela desconfiava que eu era um cacho do marido. repórter do “Diário Catarinense” no final das décadas de 80 e 90. Ao ligar. Aprendi na marra. agir com sutileza foi sempre uma tática da repórter: “Na época. em Joinville e da Estácio de Sá. Hoje. eu explicava em detalhes a matéria em curso para que se sentissem importantes.O “saber tudo” e a ousadia intrigavam e faziam aflorar o lado machista de alguns políticos e empresários. No dia JORNALISMO EM PERSPECTIVA 134 . atraente. professora dos cursos de Jornalismo da Ielusc. acha que exagero. No fundo. O ataque do madeireiro a ela “consistiu em tentar me desmoralizar de forma machista”. um dos primeiros desafios que aprendi a superar foi aturar suas mulheres e as secretárias. isso era uma prática feminista”. E não entende que ser mulher. não uma repórter. ao fazer uma série de reportagens. em Blumenau). certamente. O ideal é serem maravilhosas na hora de escrever a matéria”. denunciando a retirada ilegal de madeira de uma floresta da reserva Indígena de Ibirama. Ninguém me ensinou isso.

me chamando de mau caráter. Rose nunca mais voltou à AL e direcionou sua profissão para outros caminhos: “Fiquei traumatizada com o episódio”. há mais de dez anos é repórter de política e. Precisam mostrar extrema competência e independência para conquistar o respeito do meio. o da política. tanto dentro quanto fora do jornal”. na redação do “A Notícia”. Talvez o ‘valentão’ que botou o dedo no meu nariz não o fizesse se eu fosse homem”. Ficamos falando sobre o quadro político do momento. muito menos por uma mulher”. Levantei e também dei de dedo na cara dele. Foi preciso ser muito firme para deixar clara a relação sempre profissional. pelo então candidato a prefeito de São José. nessas situações. Há os assédios. que lidam diretamente com o poder – exercido predominantemente por homens – têm desafios dobrados. As mulheres jornalistas que trabalham em áreas como a política. Lúcia Helena foi agredida verbalmente. Há um outro episódio que retrata bem a necessidade quase permanente das mulheres jornalistas provarem que são capazes e inteligentes: “Lembro-me de uma longa conversa com um deputado. mas tu és inteligente!” E eu. embora nunca tenha enfrentado problemas profissionais. reconhece que “num mundo que ainda é predominantemente masculino. espantadíssima com as observações dele. experiente jornalista.. Nas eleições municipais de 2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 135 . Ele não admitiu ser questionado ou denunciado. Lúcia Helena Vieira. ele me questionava e depois repetia várias vezes:“ah.seguinte à publicação da matéria. confessa. No “Diário Catarinense”.Não sei se. rebatia: “ué. foi recebida duramente por um deles: “Eu não tenho nada a declarar a você que está na zona”. é preciso ter jogo de cintura. Fernando Elias (PSDB): “Ele ficou possesso por causa de uma matéria minha e deu de dedo na minha cara. “também enfrentei poderosos que pediram minha cabeça . disse. que são quase comuns. deixaria de sofrer as agressões. se fosse homem. em Florianópolis..

Mas vou morrer achando que a gravata é quase que uma senha de acesso ao mundinho da política. Deborah atuou na editoria de política e tinha esperanças de um dia aprender a “fórmula mágica” de comparecer às coletivas já muito bem informada. Reverenciados pelos políticos. ficou surpresa: não havia banheiro feminino e às vezes nem papel higiênico. Detalhes que fazem a diferença chamaram a atenção da Doroti Port. Até porque já tinham sido informados em primeira mão dos acontecimentos num café da manhã no dia anterior”. 30 anos de profissão.. As exceções confirmam a regra”. cheios de pompa. “A redação. que só fiz isso boa parte da vida. cheia de papéis jogados no chão”. lascando sempre as melhores perguntas e naturalmente arrancando dos entrevistados as melhores respostas”. grande parte deles vividos nas redações dos jornais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 136 . aos olhos de uma mulher. “Logo percebi que no mundo da política as entrevistas coletivas não deveriam provocar espanto nos jornalistas mais experientes. ano em que chegou de Porto Alegre para trabalhar na redação de “O Estado”.mas o que o senhor esperava”? Mais tarde compreendi que ele não estava acostumado a lidar com mulheres que pensam!” Deborah Almada (sócia-proprietária de uma agência de notícias) sempre teve uma estranha impressão de que os colegas jornalistas homens impunham mais respeito: “Eles chegavam nas entrevistas coletivas sempre muito sérios. Longe de mim. As laudas (que com a internet não mais existem) tinham então dupla utilidade. parecia um tanto bagunçada. os jornalistas apenas emprestavam seu prestígio a eventos desta natureza. Durante dez anos – de 1986 a 1996 –. Deborah constata que os espaços de maior prestígio continuam sendo preenchidos por colegas do sexo masculino: “Não quero diminuir a presença feminina no jornalismo político. logo eu. Em 1975. vestidos de terno e gravata.. Ao avaliar sua atuação no jornalismo político.

A seriedade e a competência profissional foram reconhecidas: em 1995. Era recebida “com certa resistência. as gracinhas e o assédio sempre existiram. as cantadas. desde 1987. Claudia. como o esporte. Suzete Antunes trabalhou no “Diário Catarinen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 137 . se eu viajasse. é repórter especializada em cobrir esportes. Eu sempre tirei de letra tudo isso. acostumados a mandar equipes com motorista. antes eram as “cantadas”. Atuar no jornalismo esportivo também exigia das profissionais duplo esforço: mostrar competência e superar preconceitos. Aquela coisa de matar um leão por dia”. redação e editores. é a que está mais tempo em atividade no jornalismo esportivo de Santa Catarina (18 anos). quebrou um tabu: até então os agraciados eram radialistas e homens. colocavam todos no mesmo quarto no hotel e. Não foi fácil para Claudia se impor profissionalmente. Com a honraria. a empresa teria um custo adicional. O que hoje chamam assédio. “Quando eu dizia que trabalhava na editoria de esportes. entre as mulheres. as pessoas invariavelmente perguntavam: ‘mas você entra no vestiário para entrevistar os jogadores?’” Claudia trabalhou pouco na cobertura de futebol. Claudia Sanz ganhou a Bola de Ouro – prêmio entregue aos cronistas esportivos de todo o país. fotógrafo e repórter. pois teria que reservar dois quartos”. eram todos homens”. Assédios que logo eram contornados: “Mostrávamos que éramos profissionais sérias”. Mas lembra que dificilmente era escolhida para trabalhar fora de Florianópolis porque “os jornais. prefere o esporte amador. mas tive que me esforçar mais do que muitos homens para conquistar meu espaço. Fora das redações. Claudia Sanz. Doroti lembra que alguns “figurões” tentavam aproximações mais pessoais.Outra constatação: “os chefes de reportagem. sem contar que num mundo masculino. as mulheres jornalistas também têm histórias para contar.

“Naquele momento tenso. Histórias sobre a atuação das mulheres na imprensa de Santa Catarina são muitas. A profissional. Seu primeiro texto foi em resposta a um desafio: José Acrísio. O que considera ser “o maior exemplo de sexismo estúpido” aconteceu quando passou a atuar como assessora de imprensa. como posso ir acompanhado por uma assessora. a partir do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 138 . ela certamente teria muito que contar. além da eterna preocupação com a aparência (exigência também para os profissionais do sexo masculino).se” no final da década de 80. mas eu sou contra isso e nunca usei de tal artimanha. através do jornal “O Elegante”. tem que assumir uma postura séria. irritados com a presença dos repórteres. desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis. há percalços a serem superados. Ligia Gastaldi . Reconhece que na redação o convívio entre os colegas foi sempre harmonioso. Maura não só aceitou o desafio como. uma mulher?” Entre as jornalistas que trabalham nas emissoras de televisão. O que me livrou de algumas cantadas indesejáveis”. ficou nítido que se fosse um repórter a reação não seria tão violenta”. para ser respeitada. Se. A seriedade profissional não a impediu. Nunca vou trabalhar de saia curta. Pelo contrário. Viu uma colega ser preterida a assumir um posto de chefia por ser mulher.há mais de vinte anos trabalhando na RBS/TV – percebe que há jornalistas que fazem do visual um marketing pessoal: “Conheço casos de mulheres que vestem roupas mais ousadas para conquistar certas vantagens no trabalho. tomo muito cuidado com meu visual. Argumento do chefe: “e se eu for jantar com um jornalista homem. Os farristas. Foi durante uma reportagem sobre a Farra do Boi. fôssemos entrevistar Maura de Senna Madureira. em Florianópolis. chamando-a de “mulherzinha” e “vagabunda”. ou com decote acentuado. de ser agredida. no entanto. com a ajuda da máquina do tempo. Maura foi a pioneira. passaram a agredi-la verbalmente.

O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina iniciou em 1979 e a primeira turma. com especialidade. sem a menor reflexão. o percentual de mulheres jornalistas também é superior ao dos homens. bem mascarada. formaramse sete mulheres e três homens. no primeiro semestre de 1995. em 1992. para apparecer bem. as mulheres passaram a buscar empregos nas empresas de comunicação. à medida que as universidades – públicas e particulares – formavam jornalistas. em 2000. muito se há pregado uma profissão para a mulher. carmin e crayon. cuidando das modas e de flirt. No curso de Comunicação Social da Univali. Que ella se não dedique exclusivamente à aprendizagem de encargos domésticos e prendas especialmente feminis. à força de rouge. usava um pseudônimo – Alba Lygia – logo esquecido. Nas últimas décadas. a quem levianamente entregará o coração e a vida. Nas universidades particularidades.seu primeiro texto.)” O aumento do número de mulheres jornalistas nas redações em Santa Catarina está relacionado diretamente ao aumento dos cursos de comunicação. e que lhe assegurará a mesma existência cômmoda e chic. era composta de nove homens e nove mulheres. E o que mais: que não viva unicamente a cuidar de si. Basta ver os números para constatar que a presença das mulheres jornalistas nas diversas mídias passou a predominar..(. quase sempre sem amor. escreveu: “Nesses últimos tempos. eram 27 mulheres e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 139 . Foi a primeira autora de um artigo feminista publicado em Santa Catarina (1923). de um total de 20 formandos. formaram-se 19 mulheres e 14 homens. Dez anos depois. em busca do marido rico. 15 eram mulheres e cinco homens. Em 2003. No começo. Dois anos após a publicação do seu primeiro texto. vivendo a vida material das futilidades e do coquettismo. das mentiras de salão.. formada em 1982. não mais deixou de escrever. de invejável posição social.

31 mulheres ingressaram no curso em 2005 e apenas 14 homens. no noturno. A jornalista Ana Cláudia Menezes observa que “há uma dificuldade das mulheres em chegarem a postos de chefia em Santa Catarina. A presença das jornalistas nas redações representa um expressivo percentual. 24 mulheres e oito homens. No entanto. A filha aniversariante já estava dormindo abraçada à irmã mais velha. a presença das mulheres nas redações não tem correspondido ao acesso aos postos de relevância. Conciliar a vida doméstica com a profissão sempre foi um grande desafio para as mulheres. 28 são mulheres. em 2004. Histórias que aqui são contadas evidenciam que o longo caminho percorrido pelas mulheres jornalistas em Santa Catarina têm JORNALISMO EM PERSPECTIVA 140 . em Palhoça. com o observar. em São Miguel do Oeste. 36 são mulheres. Correu atrás da fonte. A visibilidade cada vez maior das mulheres nas diversas mídias não corresponde ao aumento de poder. No curso de Comunicação Social da UNOESC. Para as que escolheram jornalismo como profissão. o desafio é administrar a vida pessoal com a imprevisibilidade da função. escreveu e finalmente foi para casa. É necessário refletir sobre esta tendência”. Sendo nossa profissão uma atividade intelectual. com raras exceções. a repórter Imara Stallbaum foi fazer uma matéria no dia do aniversário de uma das filhas. Devido a uma pauta inesperada. em 2005 ingressaram no curso de jornalismo 24 mulheres e seis homens no período diurno e 18 mulheres e oito homens. Na Unisul. entre 40 aprovados. nossas tarefas e rotinas estão relacionadas com o escrever.sete homens. Na Unochapecó. atingem o cargo de editoras. Elas realizam um trabalho competente em suas editorias. mas. No vestibular de 2005. com o pensar. A maioria dos que concluem os cursos de jornalismo não exercerá a profissão – ou por falta de emprego ou por terem optado por outras profissões. de um total de 50 aprovados em 2005.

de quebra de tabus. Convém sublinhar que as barreiras a vencer são heranças culturais. oportunidade igual para todos com salários dignos. estaremos atingindo o ideal no mercado de trabalho – ou seja.sido de conquista. Há quem diga que se hoje há um grande número de mulheres nas redações é porque os salários pagos aos jornalistas são baixos. de preconceito. e até de enfrentamento. E não mais ouviremos a pergunta: “E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!?” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 141 . Talvez no dia em que não mais dedicarmos espaços para registrar a presença da mulher na imprensa.

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ministrando cursos de atualização para jornalistas. educacionais. 1988 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 143 . integração. identidade nacional ou progresso. além de ser um alto negócio. “Atrás das câmeras.Octávio Ianni1 Talvez uma das provas mais contundentes da importância do negócio chamado televisão possa ser ilustrada por uma experiência pessoal. produtividade. Em termos comparativos. crescimento. 1 In FILHO. estabilidade política. Dizem respeito à ordem. jornalismo e negócios Áureo Moraes “. militares e outros do bloco do poder. desenvolvimento. por outro lado. Informações e idéias congruentes com os interesses econômicos. Relações entre cultura. o estado do Acre tem algo em torno de 10% da população de Santa Catarina (5. em termos de aplicação de capital. por exemplo.5% do número de municípios (293 contra 22) e. paz social.. políticos. modernização”. vivida há poucos anos. Laurindo Leal.. . quando tivemos a oportunidade de permanecer uma semana em Rio Branco. segurança. Summus. pode ser importante para divulgar informações e idéias que interessem às classes dominantes. estado e televisão”. uma rede de televisão.3 milhões de habitantes contra 560 mil). religiosos. pouco mais de 7.Televisão. Santa Catarina ocupa uma área relativa a 60% do território do Acre.

Ou até ambas as situações ocorriam simultaneamente. o que chamou a atenção foi que. situaremos as pioneiras. a de que o veículo ao longo dos últimos 50 anos sempre se pautou por esta relação intensa com o poder. sabidamente. o modelo de concessão e autorização do funcionamento é. E é só. seja o do capital. Em momentos distintos. Nesta perspectiva. Logo. a TV Catarinense. Aliás. o que está em jogo são interesses de grupos. tendo como referenciais as relações estreitas entre seus proprietários e os governantes da época. Era um período em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 144 . Em regra. longe de atender às demandas de uma população. cinco. partir desta condição consolidada. em termos de veículos de comunicação. mais adiante. ao nosso ver. baseado nestas relações. mais precisamente as TVs Coligadas e Cultura e. a empresarial e a profissional. Cada uma a seu tempo foi formada a partir da realidade política nacional e estadual. cada uma delas cumpre a função de explicitar em que medida é peculiar o papel da TV no cotidiano dos catarinenses. O contexto da televisão no estado pode ser situado em três dimensões: a histórica. catarinenses e acreanos. E em Santa Catarina não haveria como ser diferente. não se trata aqui de requerer uma redução lá ou uma ampliação cá. ainda que a realidade sócio-econômica seja incomparável. a constituição de tais empresas reunia os componentes familiar e político. falar da televisão como negócio deve.Longe de qualquer interpretação pejorativa. ambos. a atuação dos agentes políticos e das forças do capital transformam o quadro das comunicações num universo em que. mas de constatar que. Em relação à primeira das dimensões. têm uma realidade muito semelhante: só para ficar no caso das emissoras de televisão. Ou seus administradores eram proprietários de outros negócios aos quais foi incorporada a emissora ou seus membros estavam ligados a grupos políticos. as duas capitais têm o mesmo número de empresas. seja o do Estado.

uma experiência adequada a espíritos empreendedores. Equipamentos caros. Esta dimensão. O capital montava a empresa. receber a concessão implicava em fazer concessões. o poder 2 A História da TV Coligadas de Blumenau – Joni César Tomazoni – disponível no site do LAMCE (http://www. assumindo o lugar de protagonista que antes cabia às emissões radiofônicas. Exemplo disso era o Jornal Malhas Hering. Falemos agora da segunda dimensão. Com uma forte ascendência do rádio. as emissoras funcionavam a partir da lógica oligárquica. de certo modo. o regime de concessões e autorizações de operação passou a ser gerido pelo componente político. por razões inclusive tecnológicas. restando pouco que se possa avaliar desde o ponto de vista da gestão do negócio. modelo fartamente adotado pelo rádio de então. multiplicaram-se as concessões. Ainda que na sua origem muitas das emissoras tenham surgido a partir da associação de empreendedores. Funcionava ainda o sistema de programação jornalística vinculada ao nome do anunciante.univali. Vivia-se então uma era de transformações tecnológicas. vale dizer partidário. ainda captadas em câmeras de película. O próprio mercado de anunciantes era emergente e. fazer TV era missão das mais difíceis.que. a partir dos anos de 1960/1970. a empresarial.cehcom. a histórica.br/lamce/impressao/livro21. descrente dos resultados que o veículo então em surgimento poderia oferecer. formação profissional restrita. Invariavelmente ligadas a famílias. o meio TV já não despertava tanta desconfiança nem era mais alvo de grande descrença. com alguma experiência em rádio. Assim.pdf) JORNALISMO EM PERSPECTIVA 145 . Muito antes pelo contrário: iniciava-se o processo de consolidação de sua ação junto ao grande público. exibido pela TV Coligadas logo no início de suas transmissões e relatado no trabalho de Joni César Tomazoni2. sobre cuja linguagem foram acrescentadas as imagens. Neste contexto – histórico e político –. tem seu reconhecimento no que se refere ao caráter de pioneirismo em si mesmo.

ambos garantiam a manutenção da relação por meio da atuação política nas esferas do estado. No âmbito da atuação profissional. senadores. No caso de Santa Catarina. Pronto! Estavam criadas as condições para a promiscuidade ou. Atuavam como repórteres. a implantação de uma faculdade de jornalismo daria início ao processo que. redatores e. De outra parte. a programação jornalística refletia igualmente a circunstância em torno das relações entre estado e televisão. levaram às transformações. A criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. ou vinham de outros estados ou eram graduados em áreas como o Direito. a totalidade dos profissionais atuantes em Santa Catarina. profundamente ligados entre si. entrevistas coletivas e solenidades ganhavam destaque. apresentadores. como as “listas negras” que freqüentavam redações. o anonimato. Consciência profissional. na melhor hipótese. A pauta dos noticiários revelava-se absolutamente oficial. em outros turnos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 146 . Mas o ambiente e seus vetores. abriu novas e diferentes perspectivas no cenário da TV. Muitos mantinham duplo vínculo. de modo geral acabou por tomar conta do mercado da televisão a partir dos anos de 1980. Deputados. como assessores. empresários. entraremos no que chamamos da terceira dimensão do contexto da TV no estado. eram palavras um tanto distantes do exercício profissional. prefeitos. Lembremonos de que o país ebulia neste período. Deste período é importante destacar situações emblemáticas. detinham o uso e o abuso da televisão. a fartura da presença no vídeo. era ainda incipiente a ação política dos profissionais. Aqui. Aos amigos. com formação universitária. para a omissão. Em finais da década de 1970. combinados. Aos inimigos. isenção.político sustentava a conquista da autorização e. em 1979. Inaugurações. atuação coletiva. Óbvio que a criação pura e simples de uma faculdade não foi a única responsável pelas mudanças que o mercado de TV passou a experimentar.

pedagogicamente inovador. as chamadas pautas comunitárias. críticos. sua condição de protagonista no processo de mudança do negócio chamado TV ainda era tímida. ocupando salas do prédio da Imprensa Universitária. quando se formou a primeira turma. rigorosa e literalmente. socialmente preocupados e politicamente engajados. Em 1984 constatou-se a inviabilidade de um projeto estritamente político e muitos professores deixaram a universidade. O Jornalismo funcionava com espaço físico reduzido. democratizando em alguma medida o acesso à informação. tinha poucos equipamentos e quase nenhuma estrutura laboratorial. Sua vocação para a formação crítica. a intenção de. Mas sua inserção no mercado de trabalho e. estabeleceu outras bases para a atuação dos profissionais que passou a formar. e seguindo a agenda da nação. Experiências inovadoras de programas e processos. ele tinha no seu seio. fazia dos profissionais ali formados jornalistas com conhecimento amplo do sentido da profissão. mas acaba por se render ao inimigo.jornalismo. Os estudantes daquelas primeiras turmas possuíam o perfil de outros tantos de diferentes áreas do conhecimento na época: contestadores. até então.” A realidade que se tinha. viveu um período de desânimo. formar jornalistas. o Jornalismo da UFSC já nasceu rebelde. O curso que se tornara conhecido nacionalmente como inovador.ufsc. Conforme o histórico do curso no sítio www. por exemplo. Forma-se como um combatente do estado de coisas. portanto. constataram-se deficiências nas áreas técnica e científica.br: “Os primeiros anos foram de intensa participação na vida política do Estado. Mas. se a formação política estava em alta. trazendo.Pioneiro no estado. em 1982. Deste período houve frutos no mercado local de televisão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 147 . aproximando a população da TV. Ainda que se credite uma boa dose de idealismo e outro tanto de carências estruturais à primeira fase de implantação do Curso.

sobretudo. àquela época. Neste período. a remuneração devida entre outras conquistas. sem dúvida. Um movimento criado naquele ambiente de teimosa democracia. A geração que atuava era mais atenta às questões sociais. A partir de discussões e debates nascidos entre os alunos e professores se articulou. um dos mais relevantes. em meados dos anos de 1980.Outro resultado dos primeiros anos da faculdade de Jornalismo da UFSC foi. em que a pura e simples eqüidade de tratamento tornou-os jornalistas. eram tratados nas emissoras como radialistas. O registro profissional. Trata-se dos repórteres cinematográficos que. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 148 . a jornada de trabalho. Foi a partir da atuação da recém-eleita diretoria do SJSC que se passou a ter exigências hoje absolutamente banais. legitimados a utilizar tal expressão. No conteúdo apresentado. os profissionais passaram a agir com outros princípios. Vencidas as eleições para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. mais precisamente nos anos de 1988 a 1990. com outras condutas. criaram-se ali as condições para superar o oficialismo sindical que se mantinha pelos favores do estado. E o reflexo se deu no dia-a-dia do negócio chamado TV. posicionada criticamente perante os aspectos legais do exercício profissional e engajada nas transformações políticas em curso. a conquista de uma dignidade profissional. outras pelo tipo de formação que passou a existir. o devido enquadramento de funções restritas aos jornalistas. Algumas delas determinadas pelo fluxo do mercado. Na fase derradeira dos anos de chumbo. também houve mudanças. O reflexo no dia-a-dia dos repórteres da imagem foi altamente positivo: jornada de trabalho e salários adequados e. Somente por meio da consolidação de um projeto de ação sindical baseado nos marcos legais existentes foi possível integrar ao Sindicato estes jornalistas. o Sindicato dos Jornalistas processa a inclusão de um grupo de profissionais de televisão até então excluídos do reconhecimento legal. o MOS – Movimento de Oposição Sindical.

As TVs por assinatura elevam o número de pessoas com acesso a outros canais. mais formandos. há que se validar outras variáveis com tanta ou maior relevância. Novas abordagens. provocada pelas mudanças tecnológicas. o negócio TV passou a sofrer com a crescente variedade de espaços de difusão de informações. destacamos algumas considerações do professor Hé- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 149 . Se por um lado o fato gerou discussões do tipo “haverá mercado para todos”. A saída. ressalvado que o tema estará sempre inconcluso. diferentes perspectivas de mundo ampliam as opções do espectador. mais oportunidade de consolidação de um olhar local sobra a realidade local. novos olhares.Seguiu-se ao Curso da UFSC. Neste sentido. a bandeira utilizada levava à convicção de que somente pela redistribuição do modelo concentrado se obteria a efetiva democratização da comunicação. Mesmo que se leve em conta o fracasso parcial do modelo de TV a cabo – decorrência da superestimação do mercado –. que democratizar era distribuir as emissoras entre a sociedade. Mais escolas. de outro é inegável admitir que. a grande crítica aos meios de comunicação eletrônica era quanto à concentração de sua propriedade em poucas mãos. A título de conclusão. Viu-se. a produção independente ganha força. Dizia-se em corredores e salas de aula. no âmbito das emissoras de televisão houve um expressivo aumento de profissionais com conhecimento da realidade regional. a implantação de outras escolas de Jornalismo no estado. sua implantação levou à conclusão de que mais do que ser dono é possível ser produtor. No início da última década do século XX. em um país cuja ordem política já não dependia dos generais. mais adiante. que deter a concessão não seria de fato a melhor maneira de se chegar ao acesso universal. estava em se deter o modo de produção. Nos anos de 1970 e 1980. Ainda que se julgue que a nova realidade profissional tenha boa parcela de participação na transformação do meio TV naqueles tempos. Como elemento de um discurso ideológico.

E determinante: no sentido de quem serão seus pioneiros. 1998 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 150 . 4) especialização da programação jornalística de emissoras de rádio e de televisão por assinatura. 6) intensificação da cobertura regional por veículos nacionais. Isso pode ser constatado pelos seguintes indicadores: 1) surgimento de novos canais de televisão por assinatura. mas o que atrai atenção é o acirramento desta competição em anos recentes. quinzenais e mensais. Tudo isso amplia as possibilidades de escolha da audiência. Não apenas no caso de veículos impressos como também nos eletrônicos. já que o ambiente de concorrência que se estabelece no jornalismo deve ser melhor compreendido”.. A TV Digital bate às portas como fato iminente. por empresas jornalísticas. como se darão as relações de poder entre os agra- 3 Jornalismo e Mercado: análise da competição entre veículos jornalísticos. impressa ou via internet. a concorrência torna-se um componente decisivo na gestão das empresas que têm o jornalismo como negócio..”3 Diante das três dimensões aqui propostas – a histórica. É uma falha que deve ser corrigida. 7) intensificação da cobertura local por veículos regionais. em si. um fato novo. XXI Congresso da Intercom. do Departamento de Jornalismo da UFSC em artigo publicado em 1998: “O mercado brasileiro de jornalismo movimenta-se no sentido de forte competição.(.lio Schuch. Nesta competição os veículos estabelecem as mais diversas estratégias de ação. seja de meios impressos. 2) aumento da oferta de novas revistas semanais. imaginamos ser possível prever que elas persistirão daqui para o futuro. Pode-se dizer que a atividade jornalística sob enfoque de mercado não é um assunto devidamente analisado e discutido nas escolas. a empresarial e a profissional –. seja de meios eletrônicos. 5) oferta de novos serviços de informação. Hélio Ademar Schuch. e também de jornais e revistas. 3) aumento da oferta de novos jornais.) A concorrência entre veículos jornalísticos não é.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 151 .ciados com a concessão dos canais digitais e os sem-concessão. Perguntas que outros cinqüenta anos nos ajudarão a responder. que profissionais as escolas irão formar e que foco eles terão diante da nova tecnologia.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 152 .

do talentoso escritor francês Honoré de Balzac. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 153 . um dos nossos mais festejados historiadores. Publicado em 1843. passando pela mais ostensiva manipulação política. consegui alguns depoimentos em conversas informais e entrevistas gravadas sobre temas polêmicos da história catarinense. “Ilusões Perdidas” é um desses livros a merecer leitura obrigatória dos estudantes de todos os cursos de Comunicação do Brasil. seja pela atualidade de suas apreciações. do exercido de forma engajada ao praticado pela permuta do vil metal. seja pelo conteúdo literário. Qualquer abordagem que se faça sobre o jornalismo e a política exercidos em Santa Catarina nestes 174 anos de existência da imprensa não poderá prescindir dos escritos do professor Oswaldo Rodrigues Cabral. ao afirmar que a história da imprensa não pode ser desvinculada da história da política e dos partidos. foi definitivo. Foi dos últimos pesquisadores o que mais se dedicou à leitura dos jornais e o que mais buscou documentos nos arquivos públicos e particulares para confirmar versões e fatos. Tendo com o saudoso médico uma fraterna convivência. fruto de seu pioneiro trabalho na instalação do Museu de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina. tem um volume com lições extraordinárias sobre a prática do jornalismo. Indagado certa vez sobre a inexistência de um livro de sua autoria sobre a imprensa catarinense. a coleção “Comédia Humana”. Ali estão denunciadas as várias faces do jornalismo.Jornalismo e Política Moacir Pereira Apontada pelos círculos acadêmicos como um dos clássicos da literatura universal.

Enquanto o PSD defendia os governos pessedistas pelo jornal “O Estado”. A política sempre foi o nosso esporte. revelou este engajamento político ao declarar guerra aberta ao centralismo governamental. A Rádio Guarujá. defendia os interesses do PSD. era a voz ativa da UDN. Os jornais assumiam até no frontispício a condição de órgãos de atuação partidária. Seguiu-se na República velha idêntica conotação. o arqueiro da justiça. de maneira que os jornais sempre viveram em função da política e dos partidos”. atirando pesado contra o Império. do líder udenista Irineu Bornhausen. a Rádio Diário da Manhã. Sobre estes três diários há singulares registros históricos.Proclamou em 1975: “A imprensa de Santa Catarina nunca se desvinculou da política. na maioria delas. subordinadas às principais correntes de pensamento: liberal e conservador. do líder pessedista Aderbal Ramos da Silva. os jornais tinham duas tendências claras. E. a atuação partidária. disparava contra o PSD e usava todos os escudos para promover a UDN em sua JORNALISMO EM PERSPECTIVA 154 . Dois excepcionais jornalistas atuavam em trincheiras opostas: Rubens de Arruda Ramos defendia o PSD e atacava a UDN na famosa coluna “Frechando”. Os exemplos clássicos expressam de forma contundente este cenário predominante em inúmeros municípios. Restabelecida a democracia. em “O Estado”. quando lançou o primeiro número de “O Catharinense”. os principais jornais estabeleceram-se em Florianópolis. Jaime de Arruda Ramos. Instalaram-se as principais emissoras de rádio. Ao longo do período monárquico. ou pelas páginas de “A Gazeta”. a UDN fazia o mesmo no jornal “Diário da Manhã”. com uma bela ilustração em bico de pena. valendo-se do pseudônimo Guilherme Tell. e seu irmão. já mais acentuada com a marca do partidarismo. Jerônimo Coelho. Veio a ditadura getulista e com ela a censura do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) aos órgãos de imprensa.

o fim do pluripartidarismo e as novas tecnologias em todos os veículos mudou o perfil da imprensa catarinense. Fundado por Jairo Callado. Os gladiadores podiam tudo. quinzenários e até diários criados por candidatos. usando o pseudônimo “Tim Tim”. Na fase final. Os governos mudam. E que desapareciam imediatamente após o término das eleições. Uma prática que marcou os períodos eleitorais em Santa Catarina deixou de existir há anos: semanários. ostentava “Um jornal sem ligações partidárias”. Como dependia quase sempre das verbas governamentais. segundo os críticos de plantão. em “A Gazeta” ou no “Diário da Manhã”. mas esgrimavam com categoria e elegância.. A chegada de novos jornais.com as oposições. Rubens teve que viajar ao Rio de Janeiro. O acordo. era mais folclórico do que real. O fato é que Rubens e Jaime não faziam concessões partidárias. O matutino “A Gazeta” teve forte presença em Florianópolis durante anos. A irmandade exigia de ambos fina ironia. partidos e empresas com objetivo específico de fazer o marketing de seus candidatos.prestigiada coluna “Tim Tim”. marca atuação de vários veículos neste início do século XXI em diferentes municípios do Estado. estilo literário e alto nível em todas as batalhas. Versão que corre há decênios nos meios jornalísticos revela que Rubens e Jaime tinham um pacto. garantem os filhos da notável dupla. teve o comando de Martinho Callado Júnior. que acrescentavam “. mas eles permanecem sempre na mesma posição.. A instalação do curso de Jornalismo na UFSC consolidou esta tendência. Acometido pela doença que o vitimou.” Situação que. era alvo de tiradas irônicas dos concorrentes. menos xingar a mãe. o temível adversário na mídia. que foi abandonando gradativamente essa forte atuação partidária para assumir uma postura mais profissional e isenta. A disputa sequer arranhou a fraterna amizade que cultivaram durante toda a vida. o advento da televisão. E seguiu acompanhado do irmão Jaime. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 155 .

Este fato acaba empobrecendo a análise política. proclamação de valores e direitos. as informações se multiplicam sobre motivação política na origem da decisão. Mas. sejam eles econômicos. a propagação de mensagens que atuem na promoção humana. O jornalismo constitui atividade profissional realizadora. enfim. porque muitas vezes incompreendida. O analista político não sobrevive sem boas fontes. contudo. O repórter político. transmitindo toda a emoção vivida na cobertura. Ao demitirem seus comentaristas políticos. nos bastidores. Dois fenômenos. Sacrificada. combate a toda forma de desonestidade. na investigação e na qualidade da impressão dos jornais de Florianópolis e de praticamente todos os diários das principais cidades de Santa Catarina. De um lado. Mas também. os jornalistas políticos sentem-se mais contingenciados. São visíveis os avanços técnicos na edição. Nas eleições. registra-se um paradoxo. particulares e até sociais. as redes de televisão e os jornais alegam sempre “contenção de despesas” ou “mudanças editoriais”. antenado. pela exigência de plantão permanente nas 24 horas do dia. sobretudo no jornalismo político. muitas vezes exercido como missão. limitam o jornalismo político: a cobertura das campanhas eleitorais e as múltiplas pressões sobre os profissionais. penosa e sacrificada. uma vez que a cobertura tradicional tem se limitado aos fatos e declarações oficiais. registrará fatos e ouvirá depoimentos que ampliam suas informações mais amplas de acontecimentos nos bastidores. E estas. eis que. defesa de princípios.A fase mais recente vai identificar os jornais na busca de uma postura mais profissional na linha editorial e na cobertura política. sejam elas auto- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 156 . pela possibilidade de prestação de serviço público. Enquanto os cronistas esportivos realizam-se plenamente nos grandes eventos – campeonatos e olimpíadas –. o comentarista político é exigido em todos os ambientes que freqüente.

O Sindicato dos Jornalistas. o Sindicato viveu fases distintas de sua trajetória. como ética e responsabilidade social. a nominata dos fundadores e. se hoje são altamente qualificadas e freqüentam as colunas com registros positivos. a falta de unidade da classe e a representatividade restrita das entidades de classe. em todos os níveis. no segmento político. viveu períodos distintos nestas cinco décadas. iniciou-se um processo de depuração. mantendo no Sindicato apenas os jornalistas registrados nos termos da legislação. porque pode implicar num envolvimento comprometedor pela proximidade ou num distanciamento limitador das informações. sobretudo. profissionais liberais e até intelectuais que não praticavam o jornalismo e que buscavam o registro na época para o desfrute dos benefícios legais. é extremamente delicada. Antes e depois da regulamentação. oxigenado por dois privilégios conferidos pela legislação: jornalistas tinham desconto de 50% nas passagens aéreas e gozavam de isenção do imposto de renda. Era a primeira seleção destinada a transformar a entidade na representação efetiva dos jornalistas catarinenses. o nível de investigação do jornalismo praticado no Estado. amanhã podem ser alvo de avaliações críticas ou até denúncias de ocorrências que as envolvem em práticas condenáveis pela sociedade. Por isso mesmo. Uma delas deu prestígio estadual e pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 157 . parlamentares ou dirigentes partidários. As comemorações do cinqüentenário de fundação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina oferecem uma oportunidade singular para debates e reflexões em torno destas questões profissionais de real interesse coletivo e abordagem de temas sempre relevantes e atuais. Com a regulamentação profissional imposta pelo DecretoLei 972/69.ridades. Esta relação jornalista-fonte. Uma comissão mista designada pelo Ministério do Trabalho fez uma profunda triagem. afinal. Começou forte e numeroso. dos primeiros associados vai encontrar número elevado de comerciantes.

Entre eles. Armando Rolemberg (Brasília). Eleito pelo voto direto dos companheiros de todo o estado. várias frentes foram atacadas. num dos episódios mais dramáticos de nossa história recente. que revela as intensas e proveitosas atividades do período. Nos congressos nacionais e conferências. orgulho e sentimento do dever cumprido. Mauricio Azedo (Rio de Janeiro). na cerimônia de transmissão do cargo. Dentro do estado. Aprovado pela assembléia da categoria. tive o privilégio de presidir o Sindicato dos Jornalistas de 1975 a 1978. ofereci aos colegas um relatório resumido de fim do mandato. João Borges de Souza e Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (Rio Grande do Sul). jamais titubeou em avalizar apoio a moções e documentos que denunciavam atentados contra o exercício profissional e enfatizavam a volta da constitucionalidade. atestam a riqueza política e intelectual desta época. Dela me recordo com saudade e emoção. Em primeiro lugar. O Sindicato instalou delegacias em quatro municípios. mostra uma transformação inédita.jeção nacional ao jornalismo catarinense. subscrevendo todos os documentos nacionais da classe pelo restabelecimento da liberdade de imprensa e da democracia. Dídimo Paiva e Washington de Melo (Minas Gerais). o sindicato catarinense alinhou-se à histórica luta do Sindicato de São Paulo contra a censura imposta pelo AI-5. com uma atuação nacional sem precedentes e uma produtividade estadual até hoje não suplantada. Derrotado na tentativa de reeleição. para viabilizar a regu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 158 . desde que o Brasil foi sacudido com a morte do jornalista Vladimir Herzog. Alguns testemunhos insuspeitos dos presidentes e diretores dos Sindicatos de vários Estados. Joesil de Barros (Pernambuco). pelo engajamento determinado em todas as lutas contra a censura e pelo restabelecimento da ordem jurídica no Brasil. cito com respeito o nome do corajoso amigo e bravo companheiro Audálio Dantas (São Paulo).

para o segundo lançamento nacional de seu livro “A Ilha”. e do Prêmio Imprensa. ressalte-se. que depois tornou-se best-seller. São Paulo e outros estados.lamentação profissional. Promoção dos prêmios Jerônimo Coelho de Reportagem. baseado no livro denúncia dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein. Eventos que. A programação cultural não foi desprezada. tinham sempre casa cheia. Homenageado o saudoso repórter Rodolfo Sullivan. até sob protestos de alguns colegas conservadores. Várias entidades de classe e empresas privadas passaram a contratar profissionais registrados para edição de jornais e revistas. uma cartilha sobre todo o processo de registro e sindicalização. Foram assinados convênios com a Caixa de Assistência dos Advogados da OAB. com a Ciclo e com a Medisan. conquista que já era uma realidade no Rio Grande do Sul. com a presença efetiva de companheiros de várias ten- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 159 . do jornalista Adolfo Zigelli. Audálio Dantas participou de noite de autógrafos de seu vitorioso “O Circo do Desespero”. para prestação de assistência odontológica e médica. em cooperação com a Assembléia Legislativa. Editado o livro “Hipólito da Costa”. o jornalista Fernando Morais. o que permitiu a ampliação de sua base de oito para dezessete municípios. Data desta fase uma constante atuação na Delegacia do Ministério do Trabalho para o efetivo cumprimento da legislação. Propôs na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho o primeiro acordo para fixação de piso salarial. O Sindicato trouxe a Florianópolis. Editou o livro “Jornalista-Orientação Profissional”. sobre o famoso caso Watergate. na edição de “O Estado”. Um produtivo debate foi realizado após a exibição do filme “Todos os homens do presidente”. As três principais empresas jornalísticas de Florianópolis assinaram acordo de piso de três salários mínimos para cinco horas de jornada diária. além de outros benefícios. que levou o presidente Nixon à renúncia.

enfatize-se. Imara Stailbaun. que contou com a presença dos jornalistas americanos Bruce Wandler (“The Washigton Post”) e Roberto Sullivan (“The New York Times”). Ricardo Kotscho (“O Estado de S.dências ideológicas e partidárias. Sérgio Jaguaribe. Rivaldo Souza. Sérgio Bonson. o que aconteceu em Florianópolis em 1979. Seminário Internacional de Jornalismo. Coroando estas realizações. Flávio Sturtdze. Sérgio Motta Melo (Rede Globo). Orestes Araújo. tiveram a maior repercussão na comunidade e contaram sempre com platéias expressivas. por unanimidade. José Carlos Soares e Rosamaria Urbanetto. Jandyr Corte Real. Ivani Borges. Foram lançadas quatro edições do jornal “Encontro”. Laudelino José Sarda. José Marques de Melo (USP). e o 1º. Bento Silvério. O Sindicato ganhou tanto prestígio de congêneres do país que obteve aprovação. em Florianópolis. como Cláudio Abramo (“Folha de S. Hélio Fernandes (“Tribuna da Imprensa”). Paulo”). Depois de aprovar moções em todos os eventos promovidos pelo Sindicato. órgão oficial do Sindicato. Idealizadas e realizadas duas edições da Semana Catarinense de Jornalismo. à proposta de realização da 12ª Conferência Nacional dos Jornalistas. ganhou destaque por último a articulação para criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Fernando Morais (“Veja”). Eventos que. e nos congressos e conferências nacionais. Elaine Borges. Raimundo Caruso. Paulo”). César Valente. que trouxeram a Santa Catarina nomes destacados da imprensa nacional. Villas Boas Correa (“Jornal do Brasil”). Lourenço Cazarré. Eurico Andrade (“Veja”). em Santa Catarina. Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (PUC-RS). a Diretoria iniciou entendi- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 160 . e uma edição do Encontro da Imprensa Catarinense (Chapecó). que teve a participação dos jornalistas Aluízio de Amorim. o Jaguar (“O Pasquim”). Luiz Antônio Soares.

mas teve o mérito de manter a classe unida e prestigiada. Enfrentou um período de dificuldades. Martinho Callado Júnior mesclava atividades profissionais com a militância no Partido Democrata Cristão. Foi sucedido por seu secretário. figura humana de extraordinária comunicação. a semente plantada anos antes. transformou-se o único empregador a dirigir um sindicato de empregados no Brasil.mentos com o reitor Caspar Erich Stemmer. que se comprometeu em acolher as reivindicações e viabilizou a instalação do curso através de vários atos assinados em 1978. sigla que mais tarde o elevaria ao cargo de secretário da Educação do governo Celso Ramos. Primeiro presidente. Gustavo Neves assumiu a presidência em 1961. foi o segundo presidente. Na 1ª Semana Catarinense de Jornalismo. marco do ciclo de eventos profissionais. o jornalista Adão Miranda. pelo estilo elegante com que escrevia. fato que viabilizou sua reeleição por novo mandato. instrumento legal que permitiria o pleno funcionamento da organização profissional. foi possível resgatar alguns dados dos dirigentes sindicais. consolidando a obra dos fundadores da Associação Catarinense de Imprensa. foram lembrados todos os ex-presidentes. com o auditório lotado. Tratou de dar à entidade a marca sindical. Jairo Callado. Sua principal realização foi a aprovação do Estatuto do Sindicato. generoso com os amigos e muito bem relacionado com os poderes constituídos. O jornalista Alírio Bosle exerceu dois mandatos com uma fixação: a união da categoria. políticos e culturais. Durante muitos anos. Ali. Marcou o mandato com a conquista da carta sindical. Homenageado com a denominação de “Príncipe”. diretor proprietário de “A Gazeta”. a garantia de um sistema de assistên- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 161 . Sua presença no comando da entidade representou dignidade e prestígio para o jornalismo. com uma característica singular.

Credenciado na área patronal e com trânsito nas agências de propaganda. dandolhe caráter mais social e cultural. Osmar Schlindwein foi eleito pela totalidade dos associados. Intimado na véspera da posse. que controlava pelo Serviço Secreto as liberações de candidatos às eleições sindicais. Batalhou durante muito tempo até fundar a Casa do Jornalista. retardara a notícia na esperança de vê-la revogada. onde atuava há décadas. onde cumpria várias tarefas jornalísticas.cia social aos mais idosos e. tendo como candidato a presidente o jornalista Osmar Antônio Schlindwein. sobretudo. seu conterrâneo de Brusque. na época com sede em Florianópolis e maior unidade militar de Santa Catarina. havia cassado a posse do presidente Osmar Schlindwein e do suplente da diretoria. obteve a cessão por empréstimo de um casarão na rua Vidal Ramos. companheiro de excelentes relações com a redação de “O Estado”. Foi eleita chapa única. a integração entre patrões e empregados tendo como parâmetro a prestigiada Associação Riograndense de Imprensa. mas não assumiu. comerciais e administrativas. e a atuação harmônica entre os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas. que coordenava por lei todo o processo eleitoral. Graças às excelentes relações com o então governador Ivo Silveira. onde era constante e numerosa freqüência dos jornalistas e radialistas. Ciro Belli Muller. Fato inédito na história do Sindicato aconteceu na sucessão de Alirio Bossle. o advogado Moacyr JORNALISMO EM PERSPECTIVA 162 . O 5º. destinada a abrigar todos os profissionais da imprensa. O delegado. Motivo alegado: o jornalista havia sido confundido com um homônimo. montada de comum acordo com várias correntes. Distrito Naval. por suas funções exercidas no “mais antigo diário de Santa Catarina”. Moacir Pereira. aprovado pelos sócios de outros jornais. Ação posterior do jornalista Cyro Barreto naquela unidade da Marinha resultou no cancelamento do veto à Moacir Pereira. compareceu na sede da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho.

o aperfeiçoamento promovido por incontáveis promoções de interesse profissional e público. prometi lutar pela eliminação da censura prévia oficial. pende para o partidarismo e vincula-se a interesses de grupos. Ao assumir a presidência.Pereira. em que proclamava a certa altura: “Quando a imprensa curva-se diante das benesses do poder. ex-vereador do PTB. pelo aprimoramento e unidade da classe. que viria a ser mais tarde inquieto repórter policial e leal assessor de Esperidião Amin em várias funções públicas e dois mandatos de governador do Estado. Três anos depois. quase sempre ao lado do inseparável amigo e vizinho. o Zico. José Carlos Soares. foi um dos marcos da gestão de Kowalski. o piso salarial conquistado. pelo cumprimento da regulamentação profissional. Tive o prazer de pronunciar discurso perante autoridades. relatava que o AI-5 estava sendo guilhotinado definitivamente. pelo congraçamento de todos os profissionais e pela criação de um curso de Jornalismo. dedicado e competente redator que fez carreira desde menino na antiga redação de “O Estado”. Quando. Criado o impasse. para o lugar do jornalista impugnado. exigência do Decreto-Lei 972/69. a categoria demonstrava mais prestígio e união e estava oficialmente criado o Curso de Comunicação-habilitação em Jornalismo pela UFSC. concluído o mandato. fichado no Distrito Naval por atuar na concessão de benefícios aos pescadores. o registro profissional mantido como exigência legal. na rua Conselheiro Mafra. a cidadania entrega-se aos azares do arbítrio. Schlindwein teve cassação definitiva e jamais exerceu a presidência do Sindicato. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 163 . ao contrário. os demais membros da Diretoria decidiram então eleger Antônio Kowalski Sobrinho. o vice. pelo piso salarial. colegas e convidados. ela assume seu verdadeiro papel reafirmando os direitos e garantias individuais. Nova revisão dos registros profissionais.

os apelos pelos direitos dos cidadãos. onde são marcantes hoje os anseios de democracia. aí. protege o cidadão e segura o Estado. Na realidade. os ideais de um entendimento amplo com a concessão da anistia reparadora de punições injustas. uma magnífica oportunidade de enriquecimento político. enfim. pessoal e profissional. cremos haver chegado a um grau elogiável de conscientização profissional no jornalismo catarinense. incompreendida. sim. O exercício da presidência de um sindicato constitui. Prosseguia a manifestação de despedida: “Como fruto dessas lições e enunciados. penosa. dizia há 27 anos: “Gratificante. impondo juridicamente as regras do equilíbrio entre liberdade e autoridade”. difícil. esta jornada sindical constitui-se na melhor escola de formação de liderança. que pautaram as ações do Sindicato dos Jornalistas nestes três anos. Ao concluir o mandato.disseminando princípios democráticos e espalhando valores humanos e cristãos. o firme propósito de ver os irmãos unidos e mais próximos. as mensagens eloqüentes pela melhoria das condições de vida de todos os brasileiros.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 164 . tendo na presidência da República um retirante nordestino que forjou toda sua formação na luta sindical. os desejos de justiça social. sob todos os títulos. todos vivendo sem discriminações”. O Brasil dá um magnífico exemplo ao mundo. Estes postulados sopram como vento nas redações. de política e de cidadania. realmente. mas realizadora missão. Diria que a nenhum jornalista seria lícito negar o exercício de tão sacrificada. foi a experiência que termina.

editores. noutros é delgada e porosa. A imagem (pobre de estilo. ainda. um embaraço no meio de um caminho que. o muro se dissolve. mas deontologicamente expressiva) tenta dar conta da complexidade da relação. Essa relação de confronto/confluência de interesses cerca. escadas. não se vende. nas práticas orientadas pelo profissionalismo e pela ética. assessores de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 165 . segrega a gerência comercial e simboliza a hegemonia de um jornalismo que. O muro demarca territórios. na revisão teórica de conceitos de jornalismo econômico. na concepção dos transeuntes. providenciais espaços de conexão entre os territórios favorecem a confluência de interesses comuns ou o contrabando. quando não rivais. Fendas. orientado pelo interesse público.Jornalismo em cima do muro Jacques Mick Uma metáfora político-arquitetônica é evocada com freqüência para defender a autonomia dos jornalistas: é com um muro imaginário entre o departamento comercial e a redação que a categoria separa os interesses distintos. à sombra de tais jogos de pressão. na observação crítica da cobertura do setor dos últimos quinze anos e no diálogo com repórteres. túneis. vãos. noutros. o jornalismo econômico. deveria estar livre. Quando anunciantes interessados em aparecer bem na imprensa encontram empresas jornalísticas ou profissionais dispostos a agradá-los. O texto é especulativo e ampara-se em resgate histórico. é simplesmente um falso obstáculo. de cada um desses setores. A parede é mais espessa e alta em certas editorias ou veículos. particularmente. Este capítulo analisa a profissionalização da cobertura econômica na história recente da imprensa catarinense.

Sérgio Murillo de Andrade. Foram entrevistados e/ou opinaram sobre os originais Aluízio de Amorim. Rogério Christofoletti e Samuel Pantoja Lima.imprensa e/ou empresários que contribuíram para que a área alcançasse o status que detinha em 20041. A consolidação do jornalismo econômico em Santa Catarina O jornalismo econômico. Silvio Melatti e Zuba Coutinho. proponho uma crítica em torno de temas que. cobre os acontecimentos de dois universos inter-relacionados: o mercado e a política econômica. A rotina da editoria envolve ouvir vendedores e compradores. Cláudio Loetz. Na primeira. como o papel desempenhado pelas assessorias de imprensa e as novas formas de envolvimento com a mídia adotadas pelo empresariado. Daisi Vogel. Luiz Felipe Guimarães Soares. formuladores de políticas (mais do que suas vítimas). A cobertura do setor se desenvolveu nos anos 1970. Nenhum desses profissionais tem qualquer responsabilidade sobre os juízos de valor emitidos neste artigo. derivados da revisão histórica. como reação à censura: falar de economia era uma maneira disfarçada de. me parecem relevantes para compreender limites e potencialidades do jornalismo econômico praticado no estado. de modo a delimitar mais precisamente o objeto que será analisado na seqüência. As adversidades da economia nacional nas décadas de 1980 e 1990 contribuíram para evidenciar a 1 A escolha dos entrevistados foi apenas parcialmente aleatória: procurei personalidades ao mesmo tempo relevantes para a história recente do jornalismo econômico e acessíveis no prazo de 60 dias (contando Natal e Ano Ano-Novo) entre a encomenda e a entrega do capítulo. apresento uma interpretação da história recente do jornalismo econômico em Santa Catarina. falar de política. – aos quais agradeço. Na segunda. A argumentação está desdobrada em duas partes. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 166 . Sou grato também às críticas apresentadas pelos professores Gastão Cassel. como anotam Basile (2002) e Caldas (2003). também. empresários (mais do que trabalhadores). Eli Diniz.

Somente então. em conexão com esse fenômeno. que se concentra na mídia impressa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 167 . trazendo. Escrito por uma equipe imigrante de repórteres4. a variedade e a complexidade desse arranjo produtivo constituem um desafio permanente para a cobertura jornalística. Nesse um quarto de século. houve cinco no país entre 1986 e 1994. a partir de 1971. 85). 3 Há jornalismo econômico em emissoras de rádio e TV e em veículos na internet. culturas de imigração). foram ocupando em maior número as redações de jornais e emissoras de rádio e TV” (TERNES. 2 Só mudanças de moedas. em 1969. 4 “Impresso em Blumenau e com boa circulação nas principais regiões do Estado. o Jornal de Santa Catarina inovou os meios editoriais e jornalísticos de Santa Catarina. em conseqüência.relevância das pautas dessa área para os cidadãos2 e transformar em celebridades jornalísticas os principais colunistas da área. Aloysio Biondi. A história recente da imprensa catarinense tem como um marco a audácia do "Jornal de Santa Catarina". mas interpretar tais manifestações é objetivo inatingível nos limites deste texto. a inflação chegoujá foi de a 84. 2003. Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. Celso Ming. Joelmir Beting.32% no último mês do governo José Sarney. os primeiros profissionais de imprensa do Rio Grande do Sul. criado por iniciativa dos mesmos empresários que haviam inaugurado a TV Coligadas. nas iniciativas político-empresariais na disputa por leitores. Em Santa Catarina. a cobertura setorial surgiu e se consolidou. como Luiz Nassif. O desenvolvimento do estado teve relação com suas características geográficas e humanas (topografia acidentada. que. não é possível falar de jornalismo econômico antes dos 25 anos precedentes a 2004. p. Mas não é apenas no aspecto temático que jornalismo e mercado se relacionam: o crescimento do estado se refletiu também nas mudanças na estrutura de propriedade dos veículos de comunicação e. desde a década de [19]70. sob diversas identidades3. foi o primeiro diário impresso em offset no estado. inclusive. sem contar indexadores (como a URV). o estado registrou intenso crescimento de sua economia.

o Santa passou ao controle do empresário Mário Petrelli. Jorge Konder Bornhausen. este é um mérito a ser destacado. Osvaldo Colin (à época. o prêmio Fernando Pini. encontrava-se o apoio político de Antônio Carlos Konder Reis. O jornal. é reconhecido pela excelência gráfica: a elegância do projeto. Baltasar Buschle. o AN investiu US$ 6 milhões para informatizar a redação e modernizar o parque gráfico. 7 Uma década depois. 6 Apolinário Ternes descreveu com superlativos o significado da inovação tecnológica para o diário de Joinville: “De um dia para outro. 105-106). c1992. 2003. por exemplo. p. da Tupy. ex-presidente da Drogaria Catarinense. aliás. lideranças políticas e alguns dos maiores empresários do estado. 119). o BB financiou parte do empreendimento) (TERNES. Em "A Notícia". Os investimentos para a modernização tecnológica das empresas jornalísticas incrementaram a articulação entre proprietários de imprensa. a partir de 31 de janeiro de 1980. em 33 cadernos e tiragem de 50 mil exemplares. preservando seu prestígio e a maior tiragem da época5. associado a Jorge e Paulo Konder Bornhausen. um quarto de século depois da edição. circulação e prestígio em todo o Estado” (PEREIRA. Ao lado do suporte dos grandes empresários. indicado por Bornhausen. 2003)7. a impressão em cores (TERNES. de propriedade familiar. O Estado. da Tigre. p.. presidente do Banco do Brasil.” (TERNES. João Hansen Jr. p. assegurou ao diário o troféu de maior prestígio no setor. em termos de tiragem.Seu principal concorrente. e para marcar a data foi idealizado o mais arrojado projeto editorial da imprensa catarinense de todos os tempos: uma edição histórica. o que permitiu. combinada com o apuro na rodagem. realizava-se a mais completa revolução numa empresa de comunicação do país. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 168 . da Buschle & Lepper. com total de 264 páginas. cuja repercussão e importância são lembradas ainda nos dias atuais. aprimorou o sistema de impressão dois anos depois. 5 “É na década de 70 que o ‘mais antigo’ registrará fase áurea. e também pelo acionista majoritário e ex-prefeito Helmut Fallgatter. a partir de setembro de 1995. 88-89). 2003. A Notícia trocou a linotipo pelo offset em 19806. Numa imprensa em geral carente de brilhantismo. os US$ 5 milhões aplicados na modernização do processo produtivo foram aportados por Dieter Schmidt. No final dos anos 1970.

já havia sido uma conquista da equipe. enfeitado pela reprodução das colunas das estrelas nacionais do setor ("A Notícia" e Santa publicavam Celso Ming. aos domingos. 1999. Das 40 páginas. pelo direito à liberdade 8 Para os dados. 9 O primeiro fora recebido no ano anterior. "O Estado" veiculava Joelmir Beting). para caprichar na cobertura do mercado da região norte do estado. p. quando surge o "Diário Catarinense". cultivando suas fontes nos palácios e noutros ícones do poder quase dez anos antes da criação de editorias estruturadas para a área.O fim do ciclo de adoção do offset coincide com o surgimento dos primeiros repórteres especializados na cobertura econômica no estado. 128). AN e DC adotaram colunistas exclusivos de economia no mesmo ano. A cartola "Economia" passa. p. Em 1986. conceito que simbolizaria o rompimento com a tradição de vínculo direto entre os veículos e os grupos político-partidários que os criaram. já não podiam ignorar o impacto das decisões econômicas no cotidiano dos cidadãos-leitores8. a acompanhar um noticiário predominantemente produzido por agências. com a pauta "Fraude em seguro lesa o BESC"9. com uma série de matérias sobre fraudes no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). 80). Pereira (1992. que. os jornais catarinenses adotaram o discurso de que são pautados pelo interesse público. oito. com sete meses de distância um do outro. seis eram regularmente dedicadas ao tema e. o estado tinha 72 jornais locais e três diários de circulação regional (Santa. O DC nasce ambicioso e desde o início adota uma editoria robusta para economia. desde o final dos anos 1970. "O Estado" e "A Notícia"). "A Notícia" vitaminou sua editoria de economia em 1992. Por essa época. em 1989. As mudanças tecnológicas dos anos 1970 e o aumento da concorrência nos anos 1980 deram início ao que Moacir Pereira chamou de década da profissionalização (1992. no ano do Plano Cruzado. mas o segundo Prêmio Esso Regional Sul recebido pelo veículo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 169 .

à busca de precisão. isso significou que mais jornalistas profissionais passaram a acompanhar a área. acompanhando-a por longo tempo. 11 O DC foi o primeiro dos jornais catarinenses que. A primeira turma do Curso de Jornalismo da UFSC fora graduada em 1982. isso trouxe aprimoramentos na linguagem e na qualidade do trabalho de reportagem. característicos de um jornalismo de fato orientado pelo interesse público. E a editoria de economia nos diários mais antigos beneficiou-se das inovações adotadas pelos veículos na programação visual (incluindo a impressão em cores) para fazer frente à concorrência do DC. de 1996. (. pôde empregar profissionais formados em Santa Catarina. apontando circunstâncias em que a censura ou a argumentação silogística restringem a pluralidade de opiniões e/ou violam o interesse público. que circulou com capa colorida e diagramação em módulos desde o primeiro número. Karam (2004) critica o cinismo do discurso. a economia passou a ocupar lugar central na edição dos diários. A cobertura se diversificou. Na cobertura econômica.. desde sua criação.) Em uma sociedade livre. substituindo ou acompanhando os economistas que iniciaram o métier11. na qual os empresários da comunicação afirmaram que “a credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade.. acrescentando às pautas de política econômica e de vida empresarial o jornalismo de serviço ao consumidor e ao empreendedor e o acompanhamento de negócios. Os vínculos político-partidários permaneciam. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 170 . Entre outros avanços. imparcialidade e eqüidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. de tema periférico. com repórteres familiarizados à temática. mas a bandeira da profissionalização levou à adoção de novos processos produtivos. a opinião pública premia ou castiga”. além de maior estabilidade na cobertura. Como resultado. O aprimoramento da cobertura econômica dos diários locais foi apimentado pela concorrência com os principais jornais do 10 Tais valores são consolidados em manifestações de classe como a Declaração de Chapultepec.de expressão e pelo compromisso com a pluralidade de pontos de vista10.

Também nos anos 1990. A "Folha de S. Nos limites dessa opção. A "Gazeta Mercantil". os empresários e outras fontes da área econômica desenvolveram opiniões mais elaboradas sobre a cobertura. a práticas de responsabilidade social. seguramente. editava um caderno diário sobre a economia estadual. não havia leitores suficientes para tornar viáveis. a inovações tecnológicas e a iniciativas empresariais para preservar o meio ambiente. Produto mais completo e denso do jornalismo econômico catarinense. surgiram e conquistaram mercado duas revistas especializadas no mundo empresarial. o caderno foi extinto em 2001. Expressão e Empreendedor mostraram que era possível realizar uma abordagem competente do universo corporativo. com um jornalismo investigativo capaz de perturbar proprietários de empresas ou governantes. que entre meados de 1980 e 2000 tiveram sucursais em Florianópolis para cobrir os acontecimentos de Santa Catarina. Uma olhada para a lista das maiores empresas do estado em dois momentos da história recente (1973 e 2004. manteve o serviço de 1989 a 1996. Mudara o jornalismo. selecionados aleatoria- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 171 . prestando informação útil a empresários e a novos empreendedores. importante segmento da cobertura econômica.país. praticavam um jornalismo cuidadoso e. Paulo". Deram relevância. Eram projetos cujo conteúdo era orientado por uma identificação entre os valores do veículo e os de seu público preferencial: nenhum leitor esperaria das revistas uma cobertura ácida. por exemplo. em termos comerciais. mais aprofundado que os jornais diários. Ao que parece. além de uma equipe de correspondentes. mas também o empresariado. O jornal "Indústria & Comércio" atuou no mercado catarinense durante poucos anos. por exemplo. Como saldo dessas transformações no mercado e no modo de produzir o jornalismo. Focavam-se nas boas práticas de gestão. diários predominantemente econômicos voltados ao mercado local.

a partir de entrevistas com 19 representantes das maiores empresas do estado em 1995. Há fontes empresariais que esperam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 172 .mas que a imprensa local precisa deles. FGV (apud. Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 1973 Empresa Hansen Tupy Hering Consul Carlos Renaux Teka Battistela Cremer PL (US$ mi) 35 27 15 13 9 9 8 7 2004 Empresa Tractebel Sadia Bunge Embraco Perdigão Weg Seara Maesa PL (US$ mi) 900 517 498 270 266 189 142 119 Fontes: Para 1973. FGV (PL dolarizado pela cotação de 31/12/2003). Os empresários. Julgam que não precisam da imprensa local . MICHELS. Para 2004. portanto. limitando os contatos com a imprensa local às ocasiões convenientes para a estratégia de vinculação com a comunidade. assim como a presença do capital estrangeiro. utilizam as informações da imprensa para traçar cenários e identificar os movimentos da concorrência. 1998. a agroindústria surgiu e consolidou-se. São. zelosos quanto a informações estratégicas (tanto quanto um governante gestando reformas no primeiro escalão). Global players preferem dar entrevistas para veículos nacionais. a indústria têxtil perdeu relevância.mente) mostra como se alteraram a composição e o perfil da elite empresarial: somente uma empresa permaneceu na relação (Embraco/Consul). o predomínio da gestão familiar foi substituído pelo das SAs. 221-222). Pesquisa de Schuch (1996) mapeou a percepção do empresariado catarinense sobre a ação da imprensa. p. como os atores da política. a exportação tornara-se variável-chave para o desempenho das empresas (Quadro 1).

Repórteres incisivos são ainda rejeitados. mas colheu críticas duras aos diários do estado. especializados ou não em economia. Quando isso não ocorre. "pela posição econômica do estado. De todo modo. "O jornalismo econômico é um instrumento auxiliar de administração empresarial. O levantamento de Schuch constatou o predomínio de impressões positivas entre o empresariado quanto à importância do jornalismo econômico catarinense. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 173 . às vezes.docilidade da imprensa. Os setoristas. um cuidado revisional. sem os devidos critérios de checagem e que não espelham a realidade" (SCHUCH. de especialização do repórter. em relação aos da imprensa diária estadual ou regional. Os depoimentos destacaram a "melhoria das editorias econômicas dos veículos tradicionais". já que. Há que se ter. em geral. no entanto. Condenaram. 1996)12. assessores. no entanto. diretores. estão mais bem informados sobre o que cobrem e procuram estabelecer relações profissionais com CEOs. evitando que matérias publicadas contenham índices (percentuais) e valores (monetários) distorcidos. a frase indica o quanto podem ser reveladoras pesquisas sobre as representações do empresariado em relação à mídia. gerentes. são as fontes que estão mais bem informadas sobre as fragilidades que 12 Lastimavelmente o autor não discute as implicações da subordinação do jornalismo econômico à administração de empresas. Nas mídias de circulação nacional identificavam principalmente maior correção na informação e critérios mais rigorosos quanto à checagem. A natureza da crítica indica que a relação da imprensa com as fontes no mundo empresarial melhorou nos últimos 25 anos. o jornalismo econômico de Santa Catarina tem uma importância considerável". As fontes percebiam diferenças na qualificação dos repórteres dos jornais nacionais. Diferenciação semelhante efetuavam entre o pessoal das revistas especializadas e o dos diários. por serem "agressivos". a falta de precisão e correção e. mas agem com ela com o mesmo autoritarismo com que conduzem seus negócios.

de Chapecó. mudou o formato para tablóide. até 2004. havia se tornado novamente um veículo de importância local. o estado de Santa Catarina tinha quase 6 milhões de habitantes. assolado por imenso passivo e atolado em vaidosa incompetência administrativa. em 1999. amenidades. Eram apenas dois os diários que buscavam o mercado estadual. o jornalismo (investigação. Quatro diários locais conservavam algum prestígio. apesar de suas tiragens inferiores a 10 mil exemplares: o "Correio Lageano". adquirido pelo grupo RBS em 1º de setembro de 1992. Quanto a este último aspecto. "O Estado". o "Jornal de Santa Catarina". Saldo da crise financeira que os atingira após o fim da paridade cambial entre real e dólar. as revistas especializadas em economia haviam encontrado nichos específicos de mercado. comparação. conquistaram viabilidade financei- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 174 . o "Jornal da Manhã". e o "Diário do Litoral" (Diarinho). por motivos que serão analisados na próxima seção. crítica). em dias de semana. Nascidas como concorrentes. Boa parte dos empresários aprecia coberturas positivas. visibilidade que estimula devaneios de poder político. Outro ex-standard. considerando o tamanho da população catarinense: o Diário imprimia. de Itajaí. Do confronto à convergência Em 2004.cercam o exercício da profissão e agem com mais tolerância diante delas. eles tinham poucas razões para alimentar rancores: a cobertura econômica era bastante dócil. contra 32 mil de "A Notícia". de Criciúma. simplesmente. detesta o mau jornalismo ou. era simplesmente irrelevante. o "Diário da Manhã". segmentadas. ambos com tiragens pouco expressivas. o DC e o AN. 41 mil exemplares. os veículos de circulação nacional operavam com freelancers ou deslocavam para coberturas episódicas no estado repórteres e correspondentes do Paraná ou do Rio Grande do Sul.

Como aponta Beting (2003). em cumplicidade com burocratas enrustidos e equivocados" . Com tiragem e zonas de circulação cristalizadas havia vários anos. além de apresentar as mais modernas e eficientes formas de gestão empresarial”. caracterizado pela falta de pluralismo nas abordagens. Analistas como Kucinski condenam o adesismo como falha crucial das abordagens. Trata-se da aceitação acrítica das políticas econômicas e das declarações das fontes.ra e puderam dar continuidade às premissas que orientavam a qualidade de seu jornalismo13. para que coubessem em suas expectativas de faturamento. Excluída a competitividade como motivador da qualidade dos veículos. baseados em conteúdo exclusivo (como pesquisas para a elaboração do ranking de maiores empresas da Região Sul e a definição de prêmios para empresas nas áreas de meio ambiente e inovação tecnológica). os avanços de qualidade registrados desde os anos 1980 mantiveram o jornalismo econômico desenvolvido pelos diários num patamar inferior ao que merecem os leitores. Empreendedor. especialmente as oficiais. esta dependia de fatores tão voláteis quanto o desejo dos proprietários. ao final de 2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 175 . focara-se em “orientar e estimular os atuais e futuros empreendedores. de todos os portes” ao “mostrar e ressaltar os empresários que estão inovando e agregando valores aos seus produtos e serviços. os diários dedicavam-se a controlar custos de produção. não existia concorrência efetiva entre os veículos de imprensa. A ausência de distanciamento crítico está relacionada com outro problema: o fontismo. Em função dessas características dos competidores. A julgar pelas críticas de empresários e intelectuais (e também pela autocrítica dos profissionais). criada em 1994. a exigência dos leitores ou o empenho espontâneo dos profissionais. é possível apontar o hermetismo na linguagem e o descuido com a 13 Expressão deixara de ser uma revista mensal para tornar-se um conjunto de seis anuários temáticos. Quanto aos materiais elementares de que é feito o jornal. certo jornalismo econômico "se deixou ficar refém de cenaristas recorrentes e tendenciosos.

Os jornais publicam muitas histórias. leva a confusões banais como a troca de milhares por milhões. A profissão fora pauperizada e o trabalho de reportagem passara a ser feito por equipes cada vez mais jovens. Parte das razões para tantos problemas encontrava-se nas características das organizações jornalísticas. em regra. Pouco jornalismo de serviço limitava o público da editoria de economia aos formadores de opinião. ou a confusão entre dólar. mas eram mais exigidos. A sucessão de pautas-clichê (como a suíte no estado de temas nacionais. e disto por bilhões. na busca do inédito. A falta de rigor na apuração e no tratamento da informação. "os jornalistas das redações escrevem cada vez mais sobre fatos que não observam e sobre assuntos de que não entendem".se limitam a refleti-las ou a ecoar as modas da administração.) revelava um jornalismo sem imaginação. 73).. a cobertura se burocratizara. mas poucas são aquelas capazes de acrescentar conhecimento ao leitor. mas relativamente poucas abordagens decisivamente relacionadas ao interesse público. Não antecipam tendências . do diferencial.informação como questões recorrentes. Concepções militantes da profissão haviam sido JORNALISMO EM PERSPECTIVA 176 . Uma variável cultural também pode ter influenciado a cobertura econômica. sensação que é agravada pela falta de profundidade: as coberturas usualmente não avançam na identificação de tendências. a política industrial do governo federal. como a variação na taxa de desemprego. euro e real. lastimavelmente freqüente. padecia de falta de criatividade: a cobertura apresentava abundantes relatos sobre a vida das empresas.. Além disso. O resultado era um material que. Folhas de pagamentos enxutas e contas de telefone enormes eram a síntese contábil desse modo de fazer jornal. Com estruturas limitadas e linhas telefônicas suficientes. os setoristas de economia tinham salários tão baixos quanto os demais. a última pesquisa do IBGE. p. significativamente alteradas na década de 1990. Como notou Chaparro (1994. Erros banais revelam um jornalismo imaturo.

Empresas jornalísticas também. muito menos celeiro de anarquistas. Assessores de empresas ou jornalistas de firmas especializadas em assessoria tendem a ter melhores salários e formação mais completa do que o pessoal das redações. A perda de prestígio do conceito de luta de classes e a hegemonia do liberalismo revigoraram a imagem dos empresários. a suas técnicas de gestão. A profissionalização das assessorias foi mais veloz e abrangente do que a das redações. 14 Mais da metade dos jornalistas catarinenses não estava empregada em veículos de comunicação em 2004. Havia menos entusiasmo quanto à contribuição potencial do jornalismo para as mudanças sociais (e menos ilusões). e ela se dá. Para equipes competentes de assessoria de imprensa. socialistas. o trabalho ficara facilitado. Portanto.foram progressivamente substituídos por concepções de harmonia. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 177 . mas é apenas cínica) que identificava o jornalismo com um produto e com o mercado. A percepção dos atores sociais teve seus sinais ideológicos alterados: empresários que no passado eram vistos pelos repórteres como adversários de classe passaram a ser reconhecidos como agentes de desenvolvimento. dentre eles. Sob tais transformações no ambiente das empresas de comunicação. mas não há pesquisas disponíveis sobre o tema. a maioria trabalhasse em assessoria de imprensa. comunistas. Redações não eram mais abrigo. Empresas em geral têm interesse em dar visibilidade a suas inovações. tycoons do emprego e das oportunidades. Raramente trabalham aos domingos. mas mais regulares. têm jornadas freqüentemente mais extensas. na veiculação de "notícias positivas".que levaram à criação da metáfora do muro . há convergência de interesses. encontram apoio quando desejam continuar seus estudos (que jornal ou emissora de TV contribui com o pagamento de um curso de pós-graduação?)14. os conflitos de interesse entre o jornalismo e os anunciantes .substituídas por uma noção (que parece pragmática. a seus produtos. é provável que. sobretudo.

para blindar os principais executivos e preservar a imagem da corporação. A organização do empresariado industrial se fortaleceu nos anos 1970 e se consolidou na década seguinte. mas empresas do setor somam 80% a 90% de utilização de seus releases. basta lembrar das sucessivas especulações dos colunistas políticos sobre a possibilidade de o ex-presidente da Fiesc Osvaldo Douat lançar sua candidatura a governador. base para novos textos ou. O padrão de relacionamento entre a Fiesc e a imprensa ilustra esse comportamento. Há uma tecnologia para a gestão de situações de crise. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 178 . a torcida tem o que celebrar. Aprende-se que a qualidade da informação (e sua veracidade) tem relação direta com a imagem positiva da empresa. É como um improvável artilheiro. A repercussão das ações sociais de instituições como o Sesi e 15 A esse respeito. esquematiza os "pecados capitais" cometidos pelos empresários na relação com os jornalistas (como pedir para ler a matéria antes da publicação). A Fiesc adotou uma estrutura de assessoria de imprensa profissional. O aproveitamento na íntegra é mais raro. a deputado federal ou a suplente de Jorge Bornhausen no Senado. A ação do empresariado também explorou o prestígio de suas entidades de classe para projetar lideranças na mídia. capaz de acertar o gol (ou passar perto) oito vezes a cada dez chutes: mesmo que o goleiro defenda. O media-training discorre sobre os limites do trabalho da imprensa. como notas. potencializando candidaturas de confiança15.O sucesso das firmas de assessoria de imprensa (ou das divisões especializadas dentro das empresas ou organizações de classe) é medido pelo aproveitamento do material enviado às redações. pautas. para perseguir o objetivo de converter em interesse público suas reivindicações corporativas. Algumas empresas de assessoria de imprensa contribuíram para levar o entendimento de empresários em relação aos meios de comunicação a transcender o senso comum. simplesmente. transcrições integrais.

Um punhado de exemplos reais: a) o jornal banca uma série de reportagens sobre suspeitas de irregularidades cometidas num órgão paraestatal. publica16 A pressão cresce quando interesses econômicos e políticos estão articulados para pressionar os jornais ou blindar determinados temas. apontando as referências de qualidade profissional sob o prisma da entidade de classe. de uma fonte confiável mergulhada em uísque. A ameaça não é cumprida. grandes anunciantes faziam pressões explícitas sobre os veículos. os anúncios do poder público e dos grandes anunciantes representam pressão muito elevada sobre o veículo. especialmente diante de noticiário que os desagradasse. Ainda assim. ainda nos anos 1980. A notícia. Em parte como resultado dessas estratégias mais sofisticadas de relacionamento com a imprensa adotadas pelo empresariado. e mais freqüente em momentos de crise (se ele produzia resultados. que se esgota em poucos dias. O exercício da barganha era cotidiano. b) o mesmo jornal aponta irregularidades nos sorteios de uma loteria. mergulhado em problemas financeiros. consolidou a estratégia de relacionamento cordial com a mídia. é outra questão)16. o veículo fecha. Articulado com outros empresários. O boicote é praticado.o Senai contribuiu para revigorar a imagem do empresariado e de sua principal entidade representativa. Meses mais tarde. O jornal mantém a abordagem do tema. diretamente ou por intermédio de suas agências de propaganda ou órgãos de representação. a confirmação de que uma grande empresa local será vendida a uma multinacional. A cobertura do tema é interrompida. o dono da loteria ameaça boicotar o veículo. Somados. os embates diretos eram cada vez menos freqüentes. A criação do Prêmio Fiesc de Jornalismo Econômico. c) um repórter que só bebe Coca-Cola ouve. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 179 . ameaçando cortar verbas publicitárias. O órgão e seus congêneres pressionam a direção do veículo para que suspenda a cobertura.

da dias depois, é negada com veemência pelo dono da empresa, que ameaça o jornal. O proprietário do veículo decide apoiar o repórter. Semanas depois, a venda é confirmada, nos termos exatos da primeira notícia; d) um vazamento de óleo de uma grande indústria afeta o rio que abastece de água a cidade. Os prejuízos para a população são dramáticos, mas a cobertura enfatiza a agilidade da empresa em reconhecer sua responsabilidade e tomar providências para conter o dano. A ação da empresa recebe mais destaque que o dano em si. A agilidade da iniciativa, combinada ao fato de a empresa ser um grande anunciante, elimina naturalmente as zonas de ruído com a imprensa, que espontaneamente abandona sua função como porta-voz do interesse público para repercutir a "responsabilidade" social de quem se restringe a cumprir seu dever. Em função do histórico de pressões, havia equipes que se autocensuravam, rejeitando a hipótese de investigar denúncias contra proprietários de marcas renomadas, driblando os dissabores que anteviam. Em vez do "publique isto", prevalecia o "evite isto". A gestão profissional da relação com a imprensa, a voluntária contenção dos veículos no tratamento de temas espinhosos para o empresariado, a pressão direta dos anunciantes, a ação estratégica em momentos de crise - todos esses fenômenos tornaram mais rara a prática do "jabá". Desde os pontos mais remotos da história do Jornalismo houve repórter ou empresa que trocou diretamente notícia por dinheiro. Hoje, o "jabá" foi diferido. O mais comum dos fluxos envolve uma conexão entre o departamento comercial e algum cargo elevado na redação. Surge quando o cliente pede à agência de propaganda que interfira junto ao veículo para que providencie cobertura ao evento que constitui o objeto do anúncio ou da campanha. A agência autoriza a veiculação dos anúncios (digamos que se trata de uma verba de dezenas de milhares de reais) e apresenta o pedido para o contato comercial. A "sugestão de pauJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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ta" chega à editoria e é gentilmente acatada, povoando o noticiário de bobagens e irrelevâncias. Há também o "jabá" miúdo e sedutor. Anunciantes pagam viagens, distribuem brindes, fazem agrados. O catálogo de mimos é vasto: agendas exclusivas com capas de couro, CDs, livros, calendários, canetas importadas e dezenas de objetos inocentes. Organizam-se megaeventos de relações públicas, de cardápio fino e farto. Oferecem-se viagens, e assim focas conhecem o Costão do Sauípe, veteranos vão mais uma vez ao Salão do Automóvel, hospedados em hotéis cujas diárias equivalem a vários salários mínimos. É simplista afirmar que a generosidade compra simpatias assim como é ingênuo supor que, independentemente de tamanha amabilidade, as empresas recebam o mesmo tratamento. Em síntese, o problema ético continua muito vivo, especialmente na cobertura econômica. Poderia ser diferente, caso os jornais afirmassem, nas negociações comerciais, seu compromisso editorial com o interesse público - o que, definitivamente, não ocorre. (As crianças aprendem que um "não" pode ser tão amoroso quanto um "sim", mas contatos comerciais não negam coisa alguma a seus clientes.) A inexistência de uma cultura comercial que valorize a autonomia do jornalismo não é, evidentemente, uma responsabilidade do pessoal da redação, mas uma prática do veículo, derivada da histórica relação com os governos e as grandes empresas. E o interesse público?

Considerações finais
O muro entre a redação e o departamento comercial dissolve-se nessa trajetória de convergência de interesses e aprendizado mútuo entre jornais e suas fontes-anunciantes. A cobertura econômica, no núcleo desta relação, é como um espelho mágico que, ao mesmo tempo em que reflete o jornalismo de seu tempo, indica antecipadamente a direção para onde caminham as práticas profisJORNALISMO EM PERSPECTIVA

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sionais. Ao final de 2004, a voz desse espelho descrevia, no fim do caminho, a imagem de um muro metaforicamente derrubado e, sobre os escombros, a coexistência de interesses outrora percebidos como rivais. A distinção entre o jornalismo econômico e o jornalismo empresarial encontra-se na idéia de que um é supostamente orientado pelo interesse público e o outro, claramente identificado com o privado17. Como vimos, apenas excepcionalmente os diários, driblando seus próprios limites organizacionais, alcançam excelência na cobertura econômica. Cada vez menos os anunciantes impõem censura, porque ela surge espontaneamente. Não há cultura comercial para sustentar um jornalismo mais independente. Diante disso, faz algum sentido o discurso de que os diários operam de acordo com o interesse público? Ao fazer jornalismo de qualidade com maior regularidade, embora com o enfoque restrito dado pela identificação com o interesse do empresariado, as revistas tornaram-se mais úteis a seus públicos do que os diários. Afirmar claramente sua identidade de valores com uma determinada categoria social - os empreendedores - não impediu tais veículos de desenvolverem coberturas abrangentes e aprofundadas, no recorte temático imposto pela identificação. Tal recorte, entretanto, é insatisfatório para públicos nãoespecíficos. Ainda que a aproximação de interesses entre a imprensa e o empresariado seja acompanhada de um aprimoramento na qualidade da cobertura do jornalismo diário, a autocensura, a vulnerabilidade a pressões, a aceitação acrítica das técnicas de relacionamento impostas pelas assessorias de imprensa continuarão operando em desfavor do leitor. Moacir Pereira concluiu seu livro sobre as conexões entre a imprensa e a política em Santa Catarina indicando dois pontos em
17 Essa distinção merece análise mais aprofundada, desafio que escapa aos limites deste capítulo.

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que o jornalismo catarinense ainda teria muito a avançar. Um era a ampliação das tiragens dos principais veículos, de modo a que se tornassem compatíveis com o tamanho da população do estado. O segundo era mais inquietação na busca da informação diferenciada, para qualificar o produto. Tais desafios, como vimos, permanecem por ser superados, e dificilmente o serão sem um incremento da concorrência entre os veículos capaz de romper a estagnação provocada pela crise e pela acomodação dos diários. A competitividade não pode ser vista como uma panacéia, mas sem ela os avanços dependerão de fatores ainda mais complexos - como a auto-organização dos leitores ou dos jornalistas para discutir o trabalho da imprensa e reivindicar melhorias18. Ao final de 2004, a fragilidade da imprensa regional (ainda maior nos veículos locais) a tornava especialmente vulnerável às pressões econômicas. O equilíbrio financeiro precário a levava ao apelo permanente à generosidade dos órgãos públicos, ao assédio aos grandes anunciantes, à mendicância nas portas das maiores agências de propaganda. A situação financeira dos diários do estado permitia a seus donos dividir resultados, ao preço de um produto burocrático, sem qualquer brilhantismo. A ausência de novos concorrentes no mercado só agravava o paradoxo: veículos financeiramente frágeis não desenvolvem jornalismo independente e, ao não fazê-lo, continuam frágeis19. Como produto, às vezes se assemelhavam a cadernos de classificados, embrulhados em jornal.

18 Para uma noção das resistências das empresas de comunicação a qualquer possibilidade de controle social, basta evocar a criação do Conselho Federal de Jornalismo, idéia que sequer pôde ser discutida em 2004 antes de ser soterrada por uma eficaz ação do lobby do setor no Congresso Nacional. 19 É possível que a ausência de novidades no mercado posteriores à aquisição do “Jornal de Santa Catarina” pelo grupo RBS, em 1992, se deva à recessão econômica, combinada às taxas de juros elevadas, fatores que tornam arriscado e desinteressante, para proprietários de capital, o investimento em atividade produtiva.

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Inovação e Perspectivas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 185 .

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alguns com registros incompletos. pretendemos constituir um pequeno guia para quem se aventurar a trabalhar num documento mais completo do ponto de vista historiográfico1 . A memória da entidade não foi preservada nem sistematizada pelas diretorias que a dirigiram especialmente nas primeiras três décadas dos seus cinqüenta anos. especialmente sobre a primeira campanha de moralização da emissão de registros profissionais no estado. fundada três anos antes. A maior parte dessa história está guardada na lembrança dos seus personagens e precisa ser cruzada com algum tipo de registro oficial que lhes confira a exatidão e a precisão que a memória não consegue lhe emprestar. Ao recuperar diversos episódios desse período. Não é tarefa para um fragmento de livro relatar e conectar com seu tempo tudo o que ocorreu em meio século. em hipótese alguma. em Sindicato. contar a história do Sindicato. que era suficientemente ampla para abrigar uma categoria que não tinha muitos 1 Há neste livro uma Linha do Tempo elaborada caprichosamente por Mário Xavier da qual foram retiradas várias referências para compor este capítulo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 187 . Os documentos são dispersos. A profissão era regulamentada por legislação de 1938.Muita história para contar (ou Uma história por contar) Gastão Cassel A história do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina ainda está por ser contada. No dia 13 de maio de 1955. Este capítulo não pretende. Nada poderia ser mais relativo na época do que a própria expressão “jornalistas profissionais”. foi expedida a Carta Sindical que transformou a Associação dos Jornalistas Profissionais.

mas é provável que o Sindicato nos seus primeiros anos de vida funcionasse como um balcão onde pessoas ligadas a esquemas de poder iam buscar declarações que facilitassem a obtenção do registro no Ministério do Trabalho. O diploma não era uma exigência para exercer o jornalismo e talvez nem pudesse ser. sem referências que pudessem dar a ela um espírito de unidade ou mesmo uma noção de coletividade. Não pelo amor ao ofício de informar. Não se precisava muito mais do que vontade de ser jornalista para se obter um registro profissional na Delegacia Regional do Trabalho. desconto de 50% em passagens aéreas (garantido por lei) e em passagens terrestres (por liberalidade das empresas). uma vez que era escassa a quantidade de cursos universitários de jornalismo no país. Por estas e outras razões. do imposto inter-vivos (aquele pago quando se vende um imóvel. mas para usufruir direitos que a sociedade dava a quem tivesse registro. Com uma declaração expedida por uma empresa de comunicação e o aval do sindicato. mas que obtinham com facilidade a documentação que os faria jornalistas de papel passado. aposentadoria especial. hoje chamado de ITBI). facilidade de acesso a financiamentos de casa própria e de automóvel. tratava-se de uma categoria sem uma identidade própria. Não encontramos registros que sustentem a hipótese. era geralmente em Direito ou Letras. Quando tinham alguma formação superior. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 188 . Os jornalistas daquela época se formavam no calor das redações de jornais e dos estúdios de rádio. Jornalista tinha isenção de Imposto de Renda.espaços efetivos para a formação profissional. qualquer um virava “jornalista”. E muita gente queria ser jornalista. e até tratamento especial na Justiça. O Sindicato dos Jornalistas era uma espécie de avalista do passe para essas benesses com que se locupletavam pessoas que jamais haviam chegado perto de uma redação.

o jornalista Alírio Bosle. chefe do SNI/-NAFL em Santa Catarina. comerciantes e até autoridades do clero. Silveira Lenzi. Jorge Cherem. era recheada de personalidades notáveis. prefeitos. no período mais obscuro do Regime Militar. Em 13 de agosto de 1968. O Serviço Nacional de Informações queria saber da vida do jornalista Erasmo Prates de Souza. O pessoal do Primeiro Comando fazia oposição à diretoria da entidade e era liderado pelos jornalistas Eurides Antunes Severo. Quem pesquisar essa fase da história da entidade terá que recorrer aos componentes do Primeiro Comando de Ação (PCA). Adolfo Ziguelli. O elenco de perguntas era objetivo: “O Sr. O pesquisador precisará descobrir o que mais o Sindicato fazia. mas alguns papéis deixados para trás mostram que ajudar os militares a perseguir jornalistas foi uma das práticas do Sindicato durante os anos de chumbo da história do Brasil. o sindicato tinha cerca de 400 filiados.. Melo Prates e outros. para “verificar fatos ligados à Reserva de Índios de Xanxerê”. incluindo secretários de estado. deputados. As atividades do PCA não tardaram a ser estigmatizadas como “coisa de comunista” nas vésperas do golpe militar de 1964. Não há muitos documentos.. entre 1955 e 1964. na época. funcionários públicos. Nesse tempo. mas estima-se que 70% deles eram ilegítimos. justamente brigando pela moralização da concessão de registros profissionais. banqueiros. que entre 1962 e 1963 lançou a primeira campanha pública do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. recebeu a correspondência 663/68 do general Álvaro Veiga Lima.A relação dos associados ao Sindicato. presidente do Sindicato. além de multiplicar o número de registros frios. É proprietário de jornal em Xanxerê? Qual o nome do Jornal? Jornalismo é profissão única do referido senhor? Qual seu conceito na área do Sindicato? Outros dados úteis ao esclarecimento JORNALISMO EM PERSPECTIVA 189 . Erasmo Prates de Souza é Jornalista Profissional? O referido Jornalista é sindicalizado?.

ainda. R. Propague. diretor do jornal Imprensa do Povo [. perguntou a Bosle. Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos)”.. N. Os jantares eram. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 190 .. revela de forma inequívoca a cordialidade da entidade com o Regime Militar. Mas quem fosse a estes rapa-pés teria que desembolsar CR$ 2. ao transcurso de mais um aniversário da Revolução. J. relata o periódico de 10 de outubro de 1966. Martins. homenageado por sugestão da agência A. sem a bebida.sobre a vida funcional e particular do citado cidadão”.S.417/67. Entre os convidados para os jantares do Sindicato. o Sindicato fez muita festa.700. Na cópia da carta. através do ofício número 143/NAFL/SNI/71. do exercício de 1970. Em 20 de fevereiro de 1971. a solenidade que realizamos no mês de Março. “Vale assinalar. eram chamadas de anfitriãs. que na época era presidido por Adão Miranda.00. No dia 27 do mesmo mês. empresário e primeiro suplente de deputado eleito pela UDN. no informativo mimeografado da entidade. Durante a ditadura. há apenas a anotação manuscrita “Providenciado” e um carimbo do remetente que diz que “O destinatário é Responsável pela Manutenção do Sigilo dêste Documento (Art. A praxe era pelo menos um jantar por mês para homenagear autoridades que pouco tinham a ver com a categoria. em sessão solene de confraternização”. prefeito indicado de Florianópolis. quando reunimos as autoridades militares desta Capital. o chefe do SNI/NAFL continuava preocupado com Xanxerê. “se o Sr. Bosle encaminhou resposta ao general mediante ofício número 26 do Sindicato. bancados pelas empresas de comunicação que. O Relatório da Diretoria do SJPSC. Três anos depois. 62 Dec. 60.] é associado e devidamente registrado nessa Associação”. desfilavam nomes como o do general Paulo Weber Vieira da Rosa. algumas vezes. dia em que foi homenageado Osmar Dutra. mas que eram muito bem colocadas na esfera do poder. Mas não se conhece o teor da carta.

Comandado pelo jornalista Moacir Pereira. As viagens eram parte do programa de cooptação sindical articulado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). As boas relações com o poder rendiam seus frutos. em Curitiba). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 191 . a Federação Nacional dos Jornalistas esboçava uma reação à censura imposta pelo governo (como em documento aprovado pelo congresso da entidade em junho de 1976. Nesta época. Entre 1975 e 1978 há um período da vida do SJPSC que merece atenção especial do pesquisador. Ele foi como bolsista convidado pelo Adido Trabalhista da Embaixada dos Estados Unidos junto com outros cinco sindicalistas catarinenses. o então presidente do Sindicato. A participação na excursão aos EUA não era resultado do prestígio de Miranda. diretor da Fundação Tupy (pré-candidato ao governo derrotado internamente na UDN) também estrelou um jantar. A entidade se limitava a transitar junto aos poderosos numa simbiose de vaidades e locupletações. eram promovidas em cidades do interior e invariavelmente destacavam autoridades e empresários bem relacionados com o governo. o Sindicato sinaliza tênue defesa das liberda2 A estratégia de levar sindicalistas para os EUA e sua articulação com os movimentos anti-comunistas é fartamente relatada por René Armand Dreifuss em seu livro “1964: A Conquista do Poder”.2 Os anos 60 e 70 foram levados pelo Sindicato nesta toada. uma vez como diretor da Artex e outra como presidente da Celesc. muitas vezes. Nilson Bender. Adão Miranda.Júlio Zandrozny recebeu homenagens. pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e pelo Conselho Superior das Classes Produtoras (CONCLAP) em colaboração com o Departamento de Estado Americano (leiase CIA) para combater a “avanço do comunismo na América Latina”. As festas. partiu para uma viagem de 45 dias a 25 cidades norte-americanas. Em 31 de julho de 1966.

do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais da UFSC. Os novos filiados representavam uma base eleitoral potencial para as eleições da entidade que ocorreriam em 1984. O crescimento da resistência democrática no país. uma vez que este pouco significava em termos práticos para a categoria. criando o piso salarial de seis salários mínimos para os jornalistas. A gestão de Pereira. pois a maioria dos jornalistas ignorava o Sindicato. Também investe no discurso de qualificação profissional. mas com mais força a partir de 1982. o Movimento de Oposição Sindical (MOS) dos jornalistas começa a fazer o trabalho que o sindicato deveria fazer3. relata e analisa o MOS em artigo produzido para a disciplina Movimentos Sociais. que começavam a se organizar dentro dos sindicatos ou em oposições que visavam a conquistar as estruturas sindicais. o MOS também tratava de fortalecer a entidade por meio de campanhas de sindicalização. Os jornalistas catarinenses não tinham nenhuma tradição de organização trabalhista. na realização de vários eventos e palestras com profissionais de destaque nacional. a criação do Curso de Jornalismo da UFSC começam a desenhar definitivamente um elo de articulação entre os jornalistas catarinenses. o que o Sindicato insistia em não ser. em 1985. também. 3 O jornalista e professor Eduardo Meditsch. Pereira investe. particularmente em Santa Catarina.des individuais e faz denúncias contra a censura. mas o MOS tinha o exemplo próximo dos operários do ABC paulista. não rompe com a tradição de relação estreita com o poder. Boa parte dos fatos que mencionamos aqui é descrita em tal trabalho. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 192 . contraditoriamente. sob orientação da professora Ilse Scherer Warren. A partir de 1979. a reorganização dos movimentos sociais e. É nesta gestão que é assinado o primeiro Acordo Coletivo da categoria. embora avance inegavelmente no sentido da construção de uma identidade corporativa para os jornalistas. Ao mesmo tempo que denunciava e enfrentava a direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

Diversas entidades apoiaram política e estruturalmente a oposição dos jornalistas. Ayrton Kanitz foi escolhido para liderar a chapa. o MOS realizou eleições prévias em todo o estado. Tendo como voz o “Jornal dos Jornalistas”. com mais de 200 participantes. apesar de o pleito ter sido prejudicado pela enchente que ocorreu em 1984 em Santa Catarina. de maneira inconfessa. que tiveram mais de 220 votantes. composta de Artur Scavone. Sua representatividade logo foi constatada pela categoria e pelos setores da sociedade vinculados às lutas democráticas. Nem a divisão entre tendências dentro do MOS parecia atrapalhar. Elizabeth Brandão. Ayrton Kanitz. Bonifácio Thiesen e Valdir Alves. que elegeram a primeira Comissão Executiva do MOS. Mário Medaglia e Celso Vicenzi. Moacir Loth. Para escolher os nomes que concorreriam à direção do Sindicato. que estava disposta a manter o seu singelo aparelho sob controle. O principal obstáculo era a máquina política do governo do estado. Moacir Loth. A situação lançou Cyro Barreto JORNALISMO EM PERSPECTIVA 193 . reconheciam o movimento ao permitir que seus representantes visitassem as redações para distribuir informativos e discutir com a categoria. nos dias 24 e 25 de abril de 1983. Os simpatizantes do novo sindicalismo do ABC paulista (que viria a desaguar na Central Única dos Trabalhadores) disputavam com ampla vantagem espaços com os representantes da Unidade Sindical (que viria a criar a Força Sindical liderada por Medeiros e Magri). As próprias empresas de comunicação. Ionice Lorenzoni. em pleno Teatro Carlos Gomes. que crescia como uma locomotiva que se deslocava a todo vapor em direção ao Sindicato. Associações e clubes de imprensa de todo o estado passaram a apoiar o MOS. que tinha ainda os nomes de Elaine Borges.Realizar reuniões com cerca de 60 pessoas era normal para o MOS. Maria Lins. o MOS se estadualizou e celebrou a sua consolidação no encontro estadual realizado em Blumenau.

De 24 solicitações. pedir a impugnação de todos os membros da chapa de oposição junto ao Ministério do Trabalho. Um funcionário da Celesc ligado politicamente ao governador da época. sob boatos e trocas de acusações. que foi contestado pela situação. O MOS brigou pelo adiamento. A Delegacia Regional do Trabalho emudecia diante das denúncias da oposição. alegando falta de documentos. as cédulas foram levadas para o interior do estado pelos próprios candidatos da situação. A oposição não tinha. As empresas de comunicação se dedicavam a auxiliar a situação. com a prerrogativa de escolher pessoalmente os outros 23 nomes que comporiam a chapa. que compunha a chapa de situação. só ele tinha acesso à documentação de habilitação das chapas. Mas o resultado não valia nada. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 194 . era legalmente o coordenador do processo eleitoral. por exemplo. na maioria das vezes. O Ministério do Trabalho adiou a eleição na última hora. No dia 25 de julho de 1984. que “informavam” os eleitores que a chapa do MOS havia sido impugnada. pois a legislação exigia que a chapa vencedora obtivesse maioria absoluta num primeiro turno. Ficou fácil suprimir papéis e. Nova eleição foi marcada para 9 de agosto. acesso às listas de votantes. o MOS venceu a situação por dois votos de diferença: 120 a 118. que via na calamidade a chance de descontar os votos do interior do estado que havia perdido no primeiro escrutínio. ainda que de forma velada. A abertura oficial do processo eleitoral revelou um adversário difícil de ser enfrentado: o conjunto de regras e leis sindicais que favorecia de diversas formas o continuísmo. E a diretoria do Sindicato criava empecilhos para que os associados pagassem as suas mensalidades para ter direito a voto. nove foram acatadas. dois dias depois de uma forte enchente fustigar o Estado. Como o presidente do Sindicato. mas continuou fazendo vistas grossas para as outras irregularidades.para concorrer à eleição. No segundo turno. A eleição ocorreu assim mesmo.

relatou a um eletricitário que. repórter do “Diário Catarinense”4. como coletivo. as cédulas eram trocadas nas dependências internas dos Correios. acontecem duas greves na redação do “Jornal de Santa Catarina”. eram poucas as categorias profissionais que não iam às ruas reivindicar seus direitos. Celso Vicenzi. uma na sucursal de Florianópolis e uma em toda a empresa.Esperidião Amin. Mesmo assim. Com o país sob um processo inflacionário e recessivo. Renunciou em fevereiro de 1986 alegando que a oposição anarquizara o Sindicato. O impacto da derrota desarticulou o MOS por longo período. mas oito meses depois uma determinação judicial reintegrou-o ao emprego. Mas em 1987 o Movimento reergueu-se para concorrer a novas eleições e dessa vez obteve êxito. O resultado dessa nova auto-imagem é a mobilização. foi um fracasso. Várias lideranças do movimento deixaram o estado ou se envolveram em projetos profissionais que os afastaram do cotidiano da categoria. O jornal “O Estado” também enfrentou duas paralisações dos jornalistas. Nos três anos da primeira gestão do MOS. iniciou uma nova fase da vida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Sua gestão. venceu a eleição e assumiu a entidade. Ele sequer completou o mandato. uma de doze dias. enquanto os fiscais do MOS conferiam a chegada de votos por correspondência na Caixa Postal do Sindicato. Durante as greves. com a complacência e colaboração do órgão. a RBS imediatamente demitiu-o. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 195 . Nesse momento também os jornalistas começam a se enxergar como categoria. então com as garantias que o cargo lhe assegurava. que tinha como patrimônio um arquivo de aço e um telefone. “O Estado” era fecha4 Ao saber que Celso Vicenzi compunha a chapa do MOS. A gestão de Vicenzi ocorreu num momento em que o Movimento Sindical estava a plenos pulmões. a identificação de um parceiro de agruras e possibilidades em cada colega de redação. no entanto. O resultado foi a vitória de Cyro Barreto por 137 a 116 votos.

que algumas vezes acabaram em dissídio julgado pela Justiça.do praticamente só com despachos de agências de notícias e algumas matérias de assessorias de imprensa. sobretudo. A diretoria não ficava 15 dias sem passar nas redações para debater as questões emergentes. diagramador. chegou a ser o mais alto do Brasil. que era o terceiro mais baixo do país. editor. Sem recursos. Os empresários de comunicação começaram a sentir o peso de uma gestão sindical disposta a batalhar pelos direitos da categoria. a descontar em folha a mensalidade da entidade. e as empresas se negavam. Hoje. que diminuíram a escala de produção de releases. o que só foi conseguido mais tarde. Ativados por alguns telefonemas. Um trabalho do comando de greve junto aos assessores do governo angariou a solidariedade de alguns deles. fotógrafo).dificultando ainda mais o baixamento do jornal. O endurecimento das negociações. Conquista importante foi a unificação do piso salarial. que era dividido em cinco faixas distintas por função (repórter. O estreitamento das relações entre o Sindicato e a categoria se evidenciou em situações como a que ocorreu num dia de 1988. por exemplo. subeditor. Em várias negociações houve reajustes diferenciados que privilegiaram os salários mais baixos. O piso salarial catarinense. Nenhum acordo foi fechado sem que se obtivesse pelo menos a reposição da inflação do período. só foi sustentado porque a representatividade do sindicato se impôs. o piso regional está na média nacional. criando vínculos essenciais com a categoria. o Sindicato persegue desde sempre o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 196 . De estrutura o Sindicato não dispunha. quando a direção do “Diário Catarinense” resolveu impedir os sindicalistas de entrarem na redação para distribuir um informativo. praticamente todos os profissionais do jornal deixaram seus postos de trabalho e foram até a frente do prédio ouvir o que o Sindicato tinha a dizer. A atividade sindical desse período foi sempre realizada na adversidade. por força do Acordo Coletivo.

que destoava do servilismo que caracterizou as gestões anteriores. por exemplo. out-doors e faixas em viadutos foram utilizados dentro das parcas possibilidades financeiras da entidade. mas sua falta de estrutura não consegue dar conta dessa tarefa. Vários deles usaram as suas colunas para atacar o novo comportamento do Sindicato. Para quebrar a barreira de comunicação com a sociedade. a sociedade civil identifica nos sindicatos de jornalistas uma legitimidade similar a de órgãos como a OAB. Então. A dificuldade da entidade se comunicar foi bem explorada pelos colunistas que cerraram fileira com os interesses das empresas. Uma dificuldade paradoxal do Sindicato é a de se comunicar com a sociedade. que era veiculada mensalmente nos jornais. Passeatas. Mas ainda era pouco. Na cobertura das eleições de 1992. especialmente em eventos de grande repercussão.sonho da interiorização. algum jornalista aparecia de “papagaio de pirata” atrás do repórter com um cartaz com alguma reivindicação dos jornalistas. não consegue estar presente em todos os espaços sociais que seu prestígio permite. A idéia era simples: fazer aparecer na televisão mensagens sobre as condições de trabalho dos jornalistas. da presença efetiva em todos os pontos do estado. A criatividade e a ousadia deram forma à Operação Papagaio. que poderia redundar no fortalecimento das próprias lutas internas da categoria. cartas às agências de publicidade. um repórter da RBS TV entrevistava ao vivo o presidente do Tribunal JORNALISMO EM PERSPECTIVA 197 . Embora tenha um enorme potencial de representatividade e credibilidade. o Sindicato investiu em eventos culturais. O problema se agravou depois que as empresas de comunicação espertamente suprimiram dos Acordos Coletivos a publicação da coluna do Sindicato. especialmente exposições de fotos e charges que correram o estado. Por ser uma entidade que representa profissionais de comunicação. sem ônus para o SJPSC. em várias transmissões ao vivo.

a tarefa de defender a categoria dos ataques à regulamentação da profissão. com o cartaz “RBS Rede de Baixos Salários”. a tarefa de reivindicar salários e condições de trabalho fica muito mais difícil quando é necessário debater com a sociedade a necessidade de se ter diploma para exercer o jornalismo. a equipe da Operação Papagaio despertou a ira de Pedro Sirotsky que. Melhor para as empresas de segurança que eram contratadas para evitar que qualquer faixa ou cartaz fosse aberto diante das câmeras.Regional Eleitoral quando atrás da autoridade surgiu Valdir Cachoeira. com as iniciais da empresa grifadas. como a distribuição em encontros empresariais de panfletos que comparavam os editoriais nos quais as empresas de comunicação defendiam práticas de gestão moderna com o tratamento feudal dispensado aos jornalistas. desceu de seu camarote para desafiar os dirigentes do Sindicato. as duas de Sérgio Murillo de Andrade tiveram. baixinho é o salário do jornalista” e o já tradicional “Rede de Baixos Salários”. disse o herdeiro da RBS com o dedo em riste. “Isso não vai ficar assim”. Obviamente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 198 . Para evitar ações dessa natureza. Ele não gostou das faixas que diziam “Xuxa. Os principais alvos do sindicato eram as transmissões do Jornal do Almoço ao vivo. ao final do espetáculo. ainda. Essa prática ganhou outras formas de expressão. Embora singelas. a RBS contratou mais de 200 seguranças para o show do roqueiro Rod Stewart. os sorteios do Caminhão do Faustão e os grandes shows. essas ações de guerrilha informativa espalharam pânico e paranóia entre as empresas de comunicação. Se as duas gestões de Celso Vicenzi tiveram o caráter de dar ao sindicato uma estrutura mínima e à categoria uma identidade corporativa. Deu uma enorme confusão e Cachoeira teve sua credencial caçada pelo TRE. Quando Xuxa veio ao estádio Orlando Scarpelli como convidada da RBS para as festas de Natal. então repórter do jornal “O Estado”.

A desmobilização não é um fenômeno que atinge somente os jornalistas. provavelmente atingindo jornalistas mais jovens. que parecia uma tarefa dos anos 70. estar presente desde o processo de formação dos novos profissionais. mas um fato que desafia todo o movimento sindical no momento em que as ideologias que alavancam o individualismo ganham força e terreno. O reflexo deste novo quadro na organização sindical é grande. O auto-engano com relação ao status da profissão talvez seja hoje menos relevante do que no passado. pelo menos para os setores mais esclarecidos. trouxe algumas vantagens e muitos desafios para o Sindicato (como sindicalizar os egressos dos cursos. No entanto.Prevalecia até pouco tempo o arquétipo do jornalista como uma pessoa bem situada economicamente e com trânsito nos escalões do poder. Pesquisa publicada pela revista “Imprensa” mostra que a cate- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 199 . mas não participa de suas iniciativas. a dissolução do espírito coletivo solidificado em meados dos anos 80 é um fato que acompanha uma postura de quem confia no seu sindicato. por exemplo). Já é possível perceber que a exposição pública dessa categoria não é proporcional à sua remuneração e. a mitificação parece relativizada e. que ainda não tiveram contato com toda a extensão da realidade profissional. Defender a profissionalização do mercado. A proliferação de cursos de comunicação em Santa Catarina. com um maior número de jornalistas no mercado. A sofisticação dos processos de cooptação dentro das empresas com políticas ousadas de endomarketing e desenvolvimento de culturas empresariais certamente também concorre para dissolver o espírito classista. Nesse período. os desafios se tornaram pelo menos mais complexos para os sindicalistas. às difíceis condições de trabalho que enfrentam na maioria das vezes. os jornalistas não carregam mais o glamour que lhes era atribuído. passa a ser novamente uma urgência. muito menos. Hoje. com a multiplicação numérica dos jornalistas.

Estatisticamente. Ter uma entidade representativa desta nova categoria exige novos entendimentos. mas que esse índice é mais baixo entre os jornalistas jovens e recém-egressos de universidades. segundo a Fenaj). jornais e TVs.goria tem alto índice de sindicalização (cerca de 40% em escala nacional. mais nova ainda em Santa Catarina. além disso. O resultado imediato foi um aquecimento da mobilização nas campanhas salariais. estão nas universidades ensinando jornalismo (o que é uma função jornalística. que por sua natureza precisa estar sintonizada com as movimentações tecnológicas. A dinâmica da sociedade repercute muito rapidamente nessa categoria. outro tipo de estrutura física e operacional. só perdendo para os bancários. mas que precisa lembrar que há outros habitats para a categoria que também merecem atenção. A primeira gestão de Luis Fernando Assunção foi marcada justamente pelo esforço de interiorização do sindicato. Eles estão espalhados nas assessorias de empresas. nova postura institucional e. mas superando os metalúrgicos). Por tudo isso. Já a segunda gestão (durante a qual Assunção licenciou-se por onze meses. até como empregadores de outros jornalistas). novas habilidades de abordagem. quem for contar a história do Sindicato vai ter muito trabalho. governo e terceiro setor. Vai ter que articular os poucos documentos que localizar com o seu tempo. Mas o olhar sobre ela já carece de reciclagem. passando a direção para Rogério Christofoletti. e retornando em seguida) acontece em circunstâncias em que se redesenha o perfil dos jornalistas. O Jornalismo é profissão nova. com as tendências do mercado e os novos paradigmas produtivos da sociedade. seus locais de trabalho não são mais majoritariamente as redações de rádios. com presença freqüente de diretores nas principais cidades. Vai ter que encontrar os nexos entre as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 200 . Não se trata de dizer que o Sindicato deve esquecer as redações. estão nas suas próprias agências de comunicação (às vezes.

Vai ter que resgatar o folclore dos personagens e inseri-lo na história coletiva. Vai ter que pensar sobre jornalismo e jornalistas. Vai ter muita história para contar. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 201 . Vai ter que conhecer a conjuntura política de cada circunstância e sua influência nas ações.relações de poder de cada época e as atitudes da entidade.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 202 .

A eletricidade. inventada em 1873. nenhuma suplantou totalmente a outra. A cada dia. pois a posse da informação caracteriza uma forma de poder. a humanidade presenciou o surgimento de diversas inovações na área da comunicação.Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e informatização nas redações catarinenses Maria José Baldessar contradições .. a Internet.Um breve relato da chegada da “(. e a Internet com certeza não será exceção à regra e nem será a última invenção humana nessa área..) Nada conseguiremos compreender da era moderna se não nos apercebermos da maneira como a revolução na comunicação criou um novo mundo”. o computador e. atingiu 50 milhões de usuários JORNALISMO EM PERSPECTIVA 203 . o cinema. se observarmos a linha de tempo de algumas invenções dos dois últimos séculos. sem exceção. verificaremos que o tempo de difusão da Internet é incomparavelmente menor que os demais. aumenta sobremaneira. a televisão. Cada uma dessas inovações teve grande impacto em sua época e todas. por fim. o rádio. sejam elas noticiosas ou não.H. C. Entre elas destacam-se o telefone.Cooley Os avanços da ciência e tecnologia vivenciados na atualidade se refletem em todos os segmentos da sociedade. No decorrer do século XX. a busca de informações. No entanto. continuam a existir e a exercer forte papel no cotidiano das pessoas. Ao contrário do que muitos pensavam.

por sua vez. fotografia e os equipamentos para produzir materiais para estes suportes não estão diretamente ligados a ela? O que seriam o telefone. “era na parte da frente que trabalhava a intelectualidade. o rádio (1906). eram organizados. revisor do extinto jornal A Gazeta. o velho telex e as máquinas de linotipia e clicheria senão formas de tecnologia? Talvez o que se possa discutir é que. ou seja “line of type” (linha de matrizes). o fax. Carlos Sepetiba. o telefone (1876). 35 anos para atingir esta mesma marca. tem hoje 378 milhões de usuários. ideológicos e tinham os salários pagos sempre em dia”. 16 anos. que está na origem do seu nome. atrás ficavam gráficos que contavam histórias engraçadas e que. É esta particularidade de fundir num só bloco de chumbo uma linha de matrizes (type em inglês). 55 anos. 22 anos. 1 Máquina de linotipia inventada pelo alemão Ottmar Mergenthaler em 1879. conta que na sede da Rua Conselheiro Mafra a redação ficava na frente e as Mergenthaler1 atrás – separadas por meia parede de tijolos. a realidade que se apresenta é bem diversa. Desde sempre o Jornalismo esteve ligado à tecnologia. Nessa meia parede havia uma passagem estreita por onde o aprendiz levava o material escrito a máquina ou a mão para a composição. de Florianópolis. Por acaso os aparelhos de rádio. não letras mas matrizes de letras que formam um molde/bloco em linha. com a ajuda de um teclado. Por isso estas máquinas se chamam “linhas bloco” em oposição às máquinas que compõem linhas letra por letra (ex: Monotype). televisão. criada na década de 90. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 204 . muitas vezes. diferentemente dos jornalistas. E mais. um muro (literalmente) separou os jornalistas desses inventos maravilhosos. 26 anos e o microcomputador (1975). A Internet. Estes números são motivo de reflexão e de impaciência: qual o próximo invento humano? Embora um sem-número de jornalistas continue a afirmar que a profissão nada tem de tecnológica e que é movida pela criatividade e expressividade do profissional. O princípio da Linotype consiste em juntar. o automóvel (1886).depois de 46 anos de existência. a televisão (1926).

) um sistema de ar condicionado central acabou com o clima tropical que sufocava (. telefones. assinado por Astrid Fontenelle e Débora Chaves.. nada de montanhas de papel”. cujos focos de luz só iluminam as mesas dos terminais.As mudanças nas redações e no cotidiano profissional Sem dúvida.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 205 . estabelecendo um paralelo entre a redação do passado e a atual: “uma louca sinfonia de gritos.) e a sinfonia das pretinhas deu lugar a um silêncio cibernético.2 As mudanças são percebidas não só no ambiente e na estrutura física. gargalhadas... Um artigo publicado na revista Imprensa sobre a informatização do jornal O Globo descreve as mudanças no ambiente da redação.) e o impiedoso papel carbono tingia mesas. Com a introdução dos computadores. iniciada na década de oitenta. dedos..) montanhas de laudas se formavam para qualquer lado que se olhasse (. a intensificação do trabalho. a especialização crescente... sobretudo. O fazer texto através do computador.) as Olivetti e Remington que não sofriam de arritmia eram disputadas no tapa (..) e a limpeza.. campainhas reverberavam impunemente (. paletós.... mãos e rostos menos atentos (.. as modificações nas condições de trabalho e.. propiciado pelos 140 terminais e suas 138 teclas (. as grandes mudanças no cotidiano profissional dos jornalistas começam com a informatização das redações dos jornais e revistas no Brasil. Neste artigo são descritas as condições da redação do jornal O Globo antes e depois da informatização. com suas possibilidades de proces2 Artigo publicado na revista Imprensa em setembro de 1987. mangas de camisa. os jornalistas tiveram de se adaptar a uma realidade profissional que incluía a exigência de maior qualificação. sem reflexos nos olhos ou nas telas (. mas também numa nova relação com o texto.) hoje as persianas amarrotadas foram substituídas por um moderno sistema de iluminação que inclui um requinte inimaginável: calhas especialmente desenhadas.

Até mesmo o cafezinho e o cigarro se renderam à tecnologia. Mas. que antes não vivia sem a régua de paicas. o computador hifeniza (.) a tela pode ser dividida em duas.) mas é no terminal que se escondem as mais saborosas novidades para qualquer jornalista (. as cartelas de letras set e a caneta nanquim. Avaliar se o jornal ficou melhor ou pior sem esses dois profissionais... sumiram as caixas de papel carbono para as cópias necessárias para a linha de produção. é na linha de produção de um jornal ou revista que se percebem as mudanças mais óbvias: o diagramador.. aderiu aos softwares de edição de texto e trabalha com precisão. sem dúvida nenhuma. uma vez que os terminais ficam prejudicados com farelos e ambientes poluídos.3 No espaço físico das redações a tecnologia introduziu limpeza – desapareceram as centenas de laudas amassadas no chão. fazer..) o computador também permite a inserção de qualquer informação. é tarefa que cabe a nós jornalistas. em qualquer ponto”.) para começar o usuário fica dispensado da preocupação com o fim de cada linha.samento e arquivo de texto. foram desaparecendo da redação. como profissionais e categoria laboral. numa linha de produção ordenada.. Com a Internet não foi diferente. um a um. Jornalismo e a Internet A cada década do último século surgiram mídias e se desenvolveram ferramentas capazes de torná-las massivas e populares em poucos anos.. Criada original3 Idem nota de rodapé anterior. simplesmente. A mesma sorte não tiveram os revisores e copy-desks que. ganha mobilidade e rapidez: “ (... Mudou também a iluminação e a temperatura do ar. hoje isso é rotina e já está incorporado ao dia-a-dia. de um lado a matéria do repórter e do outro a do redator (. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 206 . Se antes do computador era inimaginável uma redação com ar condicionado e persiana nas janelas.

o número aumentou 75% em 2002. apropriando-se da linguagem de outros veículos para a difusão de textos. Em 2002 a Internet recebeu mais de 130 milhões de novos usuários e o número global atingiu mais de 620 milhões . Hoje.) só poderemos desenvolver o verdadeiro jornalismo online quando 4 Disponível em www.5% e na Índia. Mesmo no Oriente Médio.br/informacao.folha.. Apesar destes números. começou interconectando dez computadores. 136%. reúne. Não restam dúvidas. 3. Embora no Brasil não se tenha estatísticas sobre o número de publicações online. três vezes mais que nos países desenvolvidos. no Brasil.9% da população mundial. para Simone (2001). lideram o número de publicações online: são 4.mente pelos militares americanos no final dos anos 60.com. segundo o American Journalism Review News4 ..ccp. o Ibope fez um levantamento sobre a audiência desses veículos. No entanto. O número de usuários nos países em desenvolvimento aumentou 40%.ainda sem uma linguagem definida. que essa linguagem se estabelecerá a partir da convergência das mídias e da união dos recursos infinitos de arquivo com a transmissão de informação em tempo real e com as possibilidades inéditas de interatividade e customização. trinta anos mais tarde.925 sites de notícias existentes até setembro de 1998. Acessado em 24 de junho de 2003 5 Disponível em www.622 pertencem a empresas de comunicação. 78. no entanto. 50% dos 25 mil internautas entrevistados afirmaram que navegam na Internet em busca de informações5 . De acordo com a pesquisa realizada em 1999.9. “(. em 2002.edu. sons e imagens. segundo o Instituto de Pesquisa NEC. a Internet vive a sua pré-história como meio de comunicação . o uso da Internet cresceu 116%. Acessado 18 de junho de 2003. Os EUA. uma das regiões menos conectadas do mundo. aproximadamente 300 milhões de computadores em 150 países do mundo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 207 . ligado à Universidade de Princeton. destes. Na China.ucla.

desenhado especificamente para a Web como um novo meio de comunicação”. não é sem propósito que todos nós navegamos ou folheamos os sites jornalísticos com uma certa facilidade. e em boa parte do mundo. animação – e não esboços destas ferramentas”. Esse terceiro estágio seria caracterizado também pela “aceitação 6 As empresas brasileiras de mídia se utilizam. O mesmo não acontece com o restante do conteúdo da rede. a saber: (1) transpositivo . No Brasil. áudio. que tem como característica a integração das linguagens dos meios tradicionais com as novas possibilidades da rede e (3) onde “um original conteúdo noticioso. vai fluir. bastando verificar a dependência que temos dos instrumentos de busca e. com capa.transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. Para Pavlick (1997) o modelo transpositivo – shovelware. muitas vezes. ainda está “agarrado” aos velhos paradigmas do jornal impresso e se aproxima do rádio. a transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. em alguma medida. continuam com características de jornal e revista impressa.6 A maioria dos sites de notícia ainda são divididos em editorias (índice à vista). Os portais de ou com conteúdo jornalístico. manchetes principais e chamadas para notícias secundárias. “é integrante dos três estágios do desenvolvimento de conteúdos para Web. ou seja.todos nós tivermos possibilidade de usar a banda larga e todos os benefícios que vêm do vídeo. O jornalismo na Internet ou jornalismo online vive seus primórdios. quando se trata de conteúdo e forma textual. (2) adaptativo. a incapacidade de chegar a resultados satisfatórios quando temos que ousar em hiperlinks múltiplos. Assim. do que os americanos conceituam como “shovelware”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 208 . banners comerciais e links para negócios. de forma paradoxal. mesmo os que dispõem de links para últimas notícias.

(2) aumento na produtividade dos repórteres.de repensar a natureza de uma comunidade online. “É consensual a idéia de que a Internet evoluirá de forma a garantir uma mais rápida circulação da informação na rede. aceitação de experimentar novas formas de contar uma história”. redação. E os jornalistas. entre eles (1) a possibilidade de cada um atuar como jornalista. como ficam? Muitos pesquisadores afirmam que a ascensão e consolidação do jornalismo online vai alterar aspectos importantes de produção. (8) melhores formas de arquivo e busca das informações. a aumentar a informação disponível e a sofisticar a metodologia de identificação e acesso às informações”. (5) menor dependência das fontes para interpretação daquelas informações. disponibilizando conteúdos na Internet. (3) diminuição do custo de obtenção de informações em todos os níveis e em todos os assuntos. processamento e difusão da informação. 2000:83) Para estudiosos como Garrison (1993) e Reddick/King (1995). alterando as rotinas de coleta. (2) a usurpação ao jornalista da função de gatekeeper privilegiado do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 209 . (4) qualidade na análise das informações. o próprio conceito de jornalismo poderá modificar-se devido a vários fatores. audiência e relação com os receptores. Podemos enumerar estas mudanças e mesmo as avaliarmos como positivas: (1) acesso às fontes. (6) aumento do acesso à informação. edição e publicação da notícia. (7) incremento da confiança técnica e maior exatidão das informações. A constatação de que o jornalismo está passando por transformações profundas e se encontra em processo de renovação de muitas de suas práticas pode ser aferida se aceitarmos que o mundo online está reconfigurando as redações e as práticas profissionais. (Bastos. além da circulação. mais. (9) maior agilidade e facilidades de deslocamento.

possibilitando acesso a todo tipo de detalhe. “(. As normas que norteiam o jornalismo poderão alterar-se. a edições anteriores. isto é. A cronomentalidade dos jornalistas poderá acentuarse. “(. editores ou mesmo projetistas gráficos têm seus empregos ameaçados pela tecnologia. de modo a poder confrontar a informação recebida da mesma maneira que o bom jornalista confronta. devido à possibilidade de atualização constante do noticiário... que permitem o aproveitamento do hipermedia (a confluência de “várias mídias numa só” e das hiperligações (os links que permitem a navegação na Internet). Outros como Koch (1991). inclusive em outras línguas. o perfil profissional também mudará. se não mesmo a clandestinidade.) Na Internet. a bancos de dados. Campos (2001) compartilha dessa visão e vai além.espaço público informativo. o receptor conta com várias “camadas” de texto que formam o hiperlink. Ele afirma que a Internet permite uma forma diferente de fazer jornalismo e aponta as possibilidades do profissional de contextualizar cotidianos e fatos através dos hiperlinks e de como o receptor pode interagir como essa nova notícia. Já em 1996 Lage discutia essas modificações na profissão e apontava a necessidade permanente de reciclagem para o enfrentamento do cotidiano profissional. “checa” a informação recebida de suas fontes”. além das imagens atualizadas e até do som se for o caso. nem repórteres fotográficos. em função dessas mudanças. a pesquisas de todo tipo. Nem repórteres. Pavlik (1996) e Dizard (1997) afirmam que. a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 210 . as deadlines tendem a concretizar-se no imediatismo. (3) as características próprias da Internet. seja por força da própria natureza da Internet..) Uma reciclagem que nos permita a inclusão entre nossas atividades de boa parte das tarefas outrora exercidas pelos trabalhadores gráficos. seja por força de novas políticas editoriais das organizações noticiosas.. uma vez que. que possibilita a diluição das responsabilidades e até o anonimato. redatores.

uma percepção mais aguda do cotidiano. de modo a torná-las acessíveis ao grande público. A indústria farmacêutica internacional. cada vez mais. um profissional qualificado para a produção de cd-rom. A reciclagem necessária para isso é do tipo inclusiva isto é. que está montando escritórios de jornalismo e relações públicas para a produção dos manuais de instrução. Como formar um jornalista que saiba aliar a capacidade técnica de produção com um olhar crítico da realidade? Para muitos essa parceria é inviável. Ampliou-se. Nesse contexto. Mas como formar esse profissional? Essa talvez seja a principal discussão que permeia o cotidiano das escolas de Comunicação e Jornalismo país afora. como os estudos culturais – um dos contextos em que se procede uma reflexão multifacetada e transdisci- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 211 . nos obriga a acrescentar às nossas habilidades o manuseio de sistemas informatizados e o conhecimento de processos de telemática.” Um profissional capaz e com qualificação adequada pode servir de mediador entre as diversas “tribos” do mundo globalizado. a exemplo do que já acontece hoje. o âmbito de suas atribuições. Assim sendo. outro aspecto que pode ser considerado é a expansão do mercado de trabalho.curto e médio prazos. enciclopédias virtuais e banco de dados. Finalmente. afora. sem dúvida. O mesmo procedimento está sendo adotado pela indústria de eletrodomésticos da Europa e Ásia. Talvez devamos considerar questões como: (1) as novas tecnologias da informação desencadearam uma discussão sobre a identidade e a sobrevivência das profissões que eram responsáveis pela mediação simbólica. os processos judiciais. por exemplo. está contratando jornalistas e publicitários para traduzirem a linguagem médica das bulas de medicamentos. o que é ser jornalista na atualidade? (2) sendo as ciências da Comunicação e Jornalismo – e os estudos teóricos relacionados a ambas. e assim evitar os erros de interpretação e conseqüentemente. a explosão das chamadas novas mídias tende a exigir. é claro.

como forma de racionalizar custos e de prepa- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 212 . sempre foi incentivado pela Associação Nacional dos Jornais.plinar sobre o mundo de hoje. A assimilação desse fato facilita o vislumbre do profissional necessário para a atualidade: um profissional que cumpre as atividades jornalísticas tradicionais. O processo. como deveria ser a formação de um profissional que dê conta dessa realidade. será possível afirmar que a especificidade do meio não altera a especificidade da mensagem? (4) até onde a construção desse profissional deve aprofundar saberes específicos ou mesclá-los com generalidades e saberes localizados? As respostas a estas questões talvez possam ser facilitadas se tivermos claro que o jornalismo sempre teve seu fazer cotidiano ligado à tecnologia. mas que utiliza a Internet e o mundo em rede como ferramenta cotidiana. que via com bons olhos “a modernização da infra-estrutrura física e administrativa das empresas de comunicação“. A cada novo invento a profissão modifica suas práticas. na década de 70. desenvolve linguagens. O jornal “Folha de S. A informatização nas redações catarinenses: pioneirismo e contradições Em todo o Brasil. a modernização nas empresas de comunicação começou pelas áreas gráfica e gerencial. apesar de lento. com a chegada dos computadores. estéticas e de linguagem que as especificidades do jornalismo exigem? (3) considerando o jornalismo online como transposição de uma certa forma de olhar a realidade (o olhar jornalístico) para o suporte informático. cria novas formas de mostrar o mundo através da informação. Já nas redações o processo foi iniciado na década de 80. no país inteiro. levando em conta questões éticas. Paulo” foi um dos pioneiros na adoção e criação de uma rede informatizada.

ainda tirava suas edições em linotipia.rar para uma “possibilidade de ampliação de mercado e de internacionalização da comunicação. demissões arbitrárias e até o enquadramento dos profissionais em outras categorias. o DC atingia 166 municípios. Contradição gerada por relações de trabalho truculentas. A criação do DC. através do advento da Internet. seguido pelo “Jornal de Santa Catarina”. sendo que até 1992 o jornal “O Município”. Compreensivelmente. que só em 1980 adotou a off-set. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 213 . entre repórteres. No interior. mostrou aos jornalistas catarinenses uma nova realidade. 1997. marcadas pelo desrespeito a jornada profissional de cinco horas. o processo de modernização das redações apresentou surpresas e veio acompanhado de pioneirismo e contradição. finalmente. considerando-se assinaturas e venda avulsa. No final da década de 80 e início de 90 uma série de greves. Pioneirismo por conta da implantação do “Diário Catarinense”. 7 Ver. A reforma dos parques gráficos começou no jornal “O Estado” em 1971. editores. Sua redação era composta por 126 jornalistas. que mesclava necessidade de reciclagem profissional e adaptação a novas ferramentas de trabalho. Estudo sobre a Associação Nacional dos Jornais. em maio de 1986. No ano de sua implantação.7 Em Santa Catarina. paralisações e protestos mostraram a organização dos jornalistas catarinense e o resultado desse processo foi o fortalecimento do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e da categoria profissional. Maria José. em 1972. por “A Notícia”. redatores. como forma de burlar as leis trabalhistas e do piso salarial vigente. fotógrafos e diagramadores. Mimeo. o primeiro jornal a “nascer” informatizado na América Latina. com uma circulação média de 26 mil exemplares. o processo não foi diferente. Baldessar. e. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC. do grupo RBS. de Brusque. a adoção de novas formas de imprimir deu-se aos poucos.

Mas onde está a diferença? A estrutura da redação do DC era diferente de tudo o que era conhecido no jornalismo catarinense até então. A informatização mudou as redações. isso implicava a possibilidade de cobrir assuntos com mais rapidez e agilidade. Ainda dentro da experiência pioneira do DC. mais recentemente. outra novidade foram as estações móveis de trabalho. a experiência durou menos de dois anos e as estações móveis foram desativadas por implicarem “gastos excessivos”. o processo acompanhou a evolução regional. “A Notícia” iniciou o processo em 1994. As normas rígidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 214 . Na diagramação e fotografia. o jornal “O Estado”. Para os jornalistas. depois o “Jornal de Santa Catarina” e. que incluíam horas-extras. já que serviam exclusivamente para escrever. o processo de digitalização só começaria no final da década seguinte. num investimento aproximado de U$$ 500 mil. No interior. No fotojornalismo. Isso só mudaria anos mais tarde com o aperfeiçoamento dos processadores de texto. as novidades se misturavam com a tradição: embora os terminais permitissem um pré-cálculo do tamanho da matéria. Simplesmente substituíam as máquinas de datilografia. Depois do DC. tendo começado pelos semanários de Criciúma e Chapecó. que não precisavam se deslocar até a redação para terminar a matéria. por sua vez. Cada editoria ficava em uma sala e em cada uma delas havia diversos monitores ligados a uma única CPU – eram os chamados computadores burros. A limpeza e o silêncio contrastavam com tudo o que se conhecia. os diagramadores continuaram a usar as réguas de paica e os diagramas. hospedagem. alimentação e outros. e se espalhado até mesmo aos jornais de pequeno porte. Eram uma prerrogativa dos repórteres especiais. os demais jornais catarinenses seguiram a tendência de informatização das redações. Cada profissional dispunha de uma senha para abrir sua “máquina” e modificar o texto. No entanto.

tendo como resultado o enquadramento em outra categoria profissional. celular ou qualquer forma de plantão permanente. os jornalistas logo perceberam outras ameaças: as mudanças na nomenclatura de contratação.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 215 . em que o salário era menor e a jornada de trabalho maior que o limite de cinco horas de trabalho estabelecido pela CLT para os jornalistas. Os não aproveitados farão jus a um aviso prévio de. Para os que tenham mais de 35 anos de idade. As escolas de comunicação lançam no mercado cerca de três mil pro8 Horas de sobreaviso: “As empresas que exigirem a utilização de aparelhos eletrônicos de localização. o aviso será de 180 dias. os jornalistas tinham outras preocupações. a partir de 1986. as empresas ficam obrigadas a desenvolver. pagarão adicional de 30% sobre o salário mensal”. no mínimo. Outro aspecto relevante foi a juvenização da profissão. do tipo bip ou telefone portátil. já que a produção do texto para muitos jornalistas começava com o ritual do cigarro e do café. “proibido fumar” e outros. estudos de reaproveitamento em outras atividades dos jornalistas atingidos. que não se coadunavam com o cotidiano profissional até então estabelecido. aparecem cláusulas de proteção ao jornalista em virtude da adoção das novas tecnologias. a das horas de sobreaviso 8 . Nessa primeira fase. junto com o Sindicato. uma vez que todos estavam a par do que ocorrera na “Folha de S. quando a informatização da redação deixou pelo menos 200 desempregados. Além do desemprego. Adoção de novas tecnologias: “Na hipótese de adoção de novas tecnologias que possam implicar redução do quadro funcional. Em conseqüência. mudaram a representação sindical – de jornalistas passaram a gráficos. em 1980. 90 dias. Em todos os acordos e dissídios coletivos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina.acesso e uso das máquinas eram complementadas pelos avisos de “proibido fazer lanche”. como. Paulo”. por exemplo. Os diagramadores passaram a ser “paginadores eletrônicos”. Estas cláusulas foram muito discutidas.

em quinze a abolição do controle de ponto através de livro ou máquina. Assim.em seis é constatada a existência de contratos temporários de trabalho. Some-se ainda a estes problemas a questão da saúde. a OIT refaz a pesquisa e acrescenta outros problemas causados pelo computador: deficiências na visão e no sistema reprodutor. feita em 1984. Uma pesquisa da Organização Mundial do Trabalho.fissionais/ano – em Santa Catarina esse número chega a quase 300. bronquite crônica devido ao ar refrigerado. qualificado e jovem tem permitido ao empresariado a opção pela contratação de profissionais recém formados. as neuroses e as doenças do aparelho digestivo como sendo as enfermidades mais freqüentes na profissão de jornalista. em vinte e duas o não depósito de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. não só mostram o desrespeito à legislação profissional como evidenciam a precarização do trabalho. pode-se afirmar que a introdução dos com- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 216 . alergias. e em catorze o não pagamento do salário normativo. Os laudos da Delegacia Regional do Trabalho. a evidência de precarização no trabalho é observada nos chamados procedimentos flexibilizados. Onze anos depois. em detrimento de outros com mais idade e experiência. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina” . Em 1995. Além da deterioração das condições de saúde. lesões permanentes nos tendões. epilepsia. apesar das mudanças físicas nas redações e algumas alterações nos procedimentos cotidianos de coleta da informação. no uso da Internet como fonte de dados e do computador como banco de informações. estresse. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina deflagrou uma campanha contra o exercício irregular da profissão. responsável pela fiscalização. identificou as doenças cardiovasculares. “A Notícia”. além de problemas de ergonomia. Das trinta empresas fiscalizadas – entre elas os jornais “Diário Catarinense”. Esse procedimento acirra a rotatividade e reforça a manutenção de salários baixos. Esse exército de reserva numeroso.

As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. 1989 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 217 .putadores nas redações catarinenses. Computer-assisted reporting. Califórnia: Pine Forge Press. Nova Fronteira. New Jersey: Laurence Erlbaum Associates.br/artigos. COOLEY. Nilson. A tecnologia não mudou a relação do jornalista com seu fazer profissional ou com as ferramentas de trabalho necessárias a ele. informação. assim como em todo o país. Edição em jornalismo eletrônico. Pedro Celso. Elizabet Saad. 1997 GARRISON. 1998 FIDLER. Convergência Tecnológica.H. Publicado no Website Observatório da Imprensa. não alterou a condição social do jornalista. 1996. DIZARD. .observatoriodaimprensa. Novos paradigmas de produção. Porto Alegre. Bruce. Rio de Janeiro. Acessado em 23 de junho de 2003. 1901 CORRÊA. Pierre. C. Roger. São Paulo: Edicom ECA/USP 2000. www. Mediamorphosis: Understanding New Media: Journalism and communications for new century. Da mesma forma. New York: Charles Scribner’s Sons. Wilson P A nova mídia: a comunicação de massa na era da . essa continua sendo mediada pelo capital e pela apropriação do trabalho. não mudou a relação entre o empresariado de comunicação e os profissionais. Social Organization. 27. In: Congresso Nacional dos Jornalistas. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1995 LAGE. LÉVY. Referências bibliográficas CAMPOS. Mahwah. emissão e recepção do discurso.com.

NEGROPONTE. São Paulo: Companhia das Letras. New York: Allyn&Bacon. Columbia Rewiew. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 218 . 1995 PAVLICK. Journalism: a guide to who’s doing what. New media technologies and the information highway. 1996 ———————— The future of Online Journalismo. John. Nicholas. jun/ago. 1997. A Vida Digital.

temos de reconhecer que há uma moral que o envolve e uma ética profissional que pode ser tratada especificamente”. manifestam suas preocupações com a ética? É bem verdade que não há um único pólo irradiador dos valores deontológicos que marginam as ações dos sujeitos. controlado por uma certa rigidez dos princípios e pela indeclinável vontade de alguns de manter a retidão da conduta. sim. Francisco José Karam .Jornalismo. que comungam rotinas e valores. mas também a possibilidade de ruptura com esses limites para formular uma outra prática. EntreJORNALISMO EM PERSPECTIVA 219 . Existem. Se reconhecemos a importância contemporânea do jornalismo e a necessidade de refletirmos sobre ela. iniciativas isoladas que tentam traçar linhas imaginárias que orientem os profissionais na sua lida diária. Há núcleos morais duros em volta dos quais gravitam outros valores e práticas. ética e liberdade Onde fica o centro de gravidade moral de uma profissão? De que forma uma categoria profissional escolhe e adota suas referências de conduta? Como os indivíduos orientam suas ações quando estão no campo de trabalho? De que maneira esses sujeitos. O centro de gravidade moral de uma profissão deslocase num raio mínimo.A preocupação com a ética: tradição e futuro Rogério Christofoletti “A reflexão sobre o jornalismo não pode levar em conta somente a prática e seus limites.

no primeiro Congresso Brasileiro de Jornalistas. p. os jornalistas brasileiros balizam sua atuação pelos códigos vigentes em outros países. Pelo menos no jornalismo. essas entidades de classe não apenas atuam nas esferas de defesa dos direitos e interesses dos jornalistas. O primeiro código de ética dos jornalistas brasileiros vai surgir em fevereiro de 1949. a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) “ocupava-se com os delitos de Imprensa e das incontinências de linguagem dos jornalistas. Em 1911. esses esforços se liquefazem diante da complexidade das situações. Baldessar (2003. motivado já pela Federação Nacional JORNALISMO EM PERSPECTIVA 220 . de mais legitimidade e autoridade moral. para as quais chegou a elaborar um plano”. Assim. entre os jornalistas. a propor a criação de um tribunal de imprensa. Não é à toa que. historicamente. marcadamente liberais”. 97) conta que. o tema da ética profissional foi intensamente discutido. frente ao dinamismo da vida e à tensão freqüente dos muitos interesses em jogo. Em 1926. Sete anos depois. códigos de ética surjam a partir das discussões que essas entidades lideram e estimulam. por exemplo. inclusive. a preocupação com a ética data dos primeiros tempos de sua organização como categoria profissional. nessa época. mas também promovem ações de reforço aos valores que dão o perfil identitário da profissão. As primeiras são sindicatos e organizações associativas que reúnem os profissionais tendo como frente demandas relativas ao trabalho. porque essas gozam de mais profundidade nas discussões. Barbosa Lima Sobrinho chega. de mais reflexão social. idéia que não avança. provocando novos debates nos anos seguintes. p.tanto. 39) relata que. Adísia Sá (1999. Mais perenes são as iniciativas coletivas. “embora ainda não tenham um código de ética definido. admitia a elevação do nível profissional por meio de escolas. o que se percebe é que o grosso das iniciativas para a preservação de valores e atenção ética se dá em dois ambientes: nas entidades de classe e na academia.

Entretanto.dos Jornalistas. Por isso. prolixo e com poucas condições de perenidade. O código de 1949 “considerava indeclinável dever das empresas coibir a publicação de estampas e fotografias que possam ferir o pudor público. No conteúdo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 221 . o que poderia induzir o leitor a erro e à desinformação. pp. Quem fazia cumprir o código eram os sindicatos e eles deveriam decidir as sanções conforme as regras de seus estatutos de funcionamento. um novo código de ética foi discutido.). em Porto Alegre. a primeira carta de intenções deontológicas dos jornalistas brasileiros já estava caduca. e “sem que houvesse aceitação dos participantes – mesmo assim foi aprovado”. Além disso. os jornalistas manifestavam preocupação com a imparcialidade. com o sigilo de fontes. apesar de fixar os deveres e os valores que balizariam a conduta. preocupava-se com o emprego de ternos dúbios pelo jornalista. mas o texto não chegou a ser votado. cuja conduta deveria se pautar por valores que elevassem e dignificassem o ser humano. durante o 12º congresso da categoria. Mesmo assim. com a condição do profissional e seu compromisso com a comunidade. lembra Adísia Sá (op. 1 Mario Erbolato (1982. a dignidade e o decoro de alguém”. O código ainda apontava a necessidade do profissional esforçar-se para “aprimorar seus conhecimentos técnico-profissionais. fixava os deveres fundamentais do jornalista. o segundo código deontológico dos jornalistas não estabelecia as sanções àqueles que desacatassem o documento. O documento era relativamente longo. O texto deste segundo código já era mais sintético. sua cultura e sua moral”. Fenaj – fundada em 1946 – e aprovado no terceiro congresso nacional da categoria em Salvador1 . Em 1968.219-220) relata que os jornalistas Alberto Dines e Washington Novaes teriam formulado uma proposta de código de ética a pedido da ABI.cit. com apenas quinze artigos e duas disposições gerais.

Com 27 artigos.Em 1971. T rata. Ceará. por fim. e em 1981. Da 8ª Conferência de Goiânia. partiu a orientação de que os sindicatos deveriam promover debates acerca dos valores que norteavam a atuação dos trabalhadores em veículos de comunicação. mas frisa trechos estratégicos. a Declaração da Unesco sobre os meios de comunicação (1983). o acesso à informação como um direito do cidadão e o exercício de informar como um dever do jornalista. prega a liberdade de expressão. a discussão sobre a ética continuava a atrair os olhares dos profissionais. a Declaração de Prin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 222 . o código tem consonância com os principais documentos internacionais acerca do papel dos meios de comunicação e dos jornalistas. na de Caucaia. A Fenaj indica uma comissão para reunir as sugestões vindas de todo o país. por exemplo. define os trâmites de um processo nas comissões de ética quando se observa desvio ou falha deontológica. no Rio de Janeiro em 1985. a censura e a opressão. condena o arbítrio. Reforços a essa proposição são feitos em 1977. Os sindicatos criam comissões locais para a discussão de um novo texto deontológico nacional. na Conferência de Manaus. O órgão dá sustentação ao texto e a partir de 1987 os sindicatos se ajustam para seguir as novas orientações de observação deontológica. tornando-se o terceiro código de ética dos jornalistas brasileiros. tais como o Código Latino-Americano de Ética Jornalística (1981). Em 1986. orienta a conduta do profissional e ressalta a sua responsabilidade social. versão que vigora até hoje. Contemporâneo e bem situado. o 21º Congresso Nacional da categoria faz adendos ao texto. e o jornalista mineiro Didimo Paiva assume a relatoria do documento que seria apresentado na 15ª Conferência Nacional. Não são mais os sindicatos quem deliberam sobre as sanções aos faltosos. e cria a Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. o Código de Ética do Jornalista Brasileiro é parecido com a sua versão anterior. O texto foi amplamente discutido e aprovado.

Jarson Frank. e que dão o devido encaminhamento aos casos concretos. Em Santa Catarina. Elaine Borges. Por determinação do Código. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 223 . inclusive. presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina no final dos anos 70. Apesar de ainda pouco conhecida. estavam a institucionalização da comissão e a divulgação de sua existência e finalidades. a Declaração de Chapultepec (1994) e a Declaração de Princípios para a conduta dos jornalistas. são essas comissões que recebem denúncias sobre supostos desvios éticos. gerando debates internos e notas públicas. a primeira Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais surgiu em 1987. os membros eram Eduardo Meditsch. e assim o fazem com maior autoridade porque contam com mais legitimidade. naquela época. de Florianópolis. Entre os propósitos principais do grupo. uma parcela dos trabalhadores do jornal O Estado. destacadamente em 1989. prestes a completar vinte anos2. enquanto que outros jornalistas assumiram as funções dos grevistas. as questões pertinentes à ética jornalística eram tratadas pela diretoria da entidade. decidiu cruzar os braços. quando. acompanhou o embate entre dois grupos de jornalistas por ocasião de uma greve. da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). Escolhidos por uma assembléia da categoria após a eleição da diretoria da entidade – conforme estabelece o Código -. as comissões de ética são um advento recente. Em fevereiro daquele ano. A dis2 Segundo Moacir Pereira. a comissão que atuou de 1987 a 1990 chegou a analisar alguns casos. na gestão de Celso Vicenzi.cípios da American Society of Newspapers Editors (1975). São elas também que propagam com mais empenho os valores próprios da profissão. As comissões de ética Principais braços dos sindicatos no campo da deontologia. Sérgio Lopes e Mario Medaglia. quando o assunto se mostrava mais grave. datada de 1954 e emendada em 1968.

com a sua exclusão do quadro de associados do Sindicato. e esse espírito vai ajudar a forjar uma casca moral um pouco mais rígida no imaginário nacional. Pelo menos no terreno da administração pública. Em sua decisão. “civismo” e “justiça”. a “impunidade” e o “mandonismo”. E todas as suas decisões mais importantes eram veiculadas na Coluna dos Jornalistas. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina”. a Comissão de Ética não entendeu que os jornalistas tinham ferido os princípios do Código. a Constituição de 1988 se infiltra positivamente no cotidiano dos cidadãos. veiculadas nas páginas dos quatro principais jornais catarinenses3 . um colunista foi advertido por 3 Na época. Camadas sociais cada vez mais expressivas vão rechaçar o “jeitinho brasileiro”. Francisco José Karam e Moacir Loth. Foi num ambiente como esse que a Comissão de Ética do Sindicato atuou. o Papel Jornal.cussão sobre se a adesão à paralisação teria sido uma infração ética foi a espinha dorsal do processo que consumiu dois meses de trabalho da comissão do Sindicato. José Matusalém Comelli. o Sindicato não tinha ainda o seu próprio informativo impresso. publicada em “A Notícia”. uma nova Comissão de Ética foi escolhida pela assembléia dos jornalistas. Fixam-se na mentalidade coletiva valores como “cidadania”. “Diário Catarinense”. Em 1990. já que havia claro conflito de interesses naquela condição. Essas transformações contribuem para um resgate de alguns princípios esquecidos pela população (ou pelo menos recalcados pela ditadura militar). Os tempos são de definições importantes na vida social brasileira: o primeiro presidente civil após o Golpe de 1964 é eleito diretamente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 224 . Não é à toa que deste período emergiram severas punições em processos éticos no Estado: duas advertências públicas a jornalistas. mas penalizou o proprietário do jornal. Uma atmosfera de legalismo se espalha pelo país ao mesmo tempo em que se multiplicam as denúncias sobre corrupção na esfera pública. Dois nomes se mantiveram – os de Eduardo Meditsch e Elaine Borges – e a eles se somaram os de Ademar Vargas de Freitas. Num dos casos.

os arquivos da Comissão no Sindicato contabilizam a tramitação de sete casos. Em 1993. em 1996. Entre 1991 e 1993. As respostas apontaram para o fato de que nem todos se consideravam bem informados sobre ética. em outro caso. foi distribuído entre os jornalistas de diversas partes do Estado. são eleitos Silvio Melatti. Com os resultados do trabalho. As duas comissões trabalharam sob o período das gestões de Sérgio Murillo de Andrade à frente do Sindicato e não apenas analisaram denúncias como também tiveram ações afirmativas como a impressão e distribuição de milhares de exemplares de bolso do Código de Ética do Jornalista. e as denúncias de condutas reprimíveis cresceram nos anos seguintes. Nas duas situações. Aluízio Amorim. 4 Esse mesmo esforço já havia sido feito em 1992 na Comissão de Ética anterior. Doroti Port e José Gayoso. mais seis. com o apoio da Agência de Comunicação (Agecom-UFSC) e da gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina4. mas simplesmente ignoraram as convocações da Comissão de Ética. e entre 1994 e 2000. o Código de Ética foi ferido e em ambos os casos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 225 . a instância se consolidou como referência ética no Estado. a Comissão de Ética decidiu consultar a categoria para aperfeiçoar seu trabalho. Para um período de mais três anos. mas que todos achavam muito importante o assunto. com sete perguntas. A sondagem ainda reuniu sugestões e considerações sobre como a Comissão de Ética deveria atuar melhor. o réu desrespeitara acintosamente fontes mencionadas em suas crônicas.defender a aplicação da censura e estimular a demissão de jornalistas. os envolvidos tiveram amplas condições para se defender. Para isso. um questionário simples. Mario Xavier. Em 1997. Moacir Loth. conforme lembrou Francisco José Karam. Celso Vicenzi. toma posse a terceira Comissão de Ética do SJSC: Francisco José Karam. Elaine Borges e Eduardo Meditsch.

A pesquisa revelou que os próprios jornalistas “desconhecem muitos dos dispositivos que têm para fiscalizar seus procedimentos sob um prisma de valores éticos. como exigir-lhes que os acessem?” (Christofoletti. o que inibe a apresentação de novas denúncias. Francisco José Karam e Sérgio Murillo de Andrade. Eduardo Meditsch e Laudelino dos Santos Neto. observou-se também. as comissões vêm trabalhando. da Fenaj. 2003. Celso Vicenzi.139). Tanto é que entre 2001 e 2004. Dependentes das queixas externas e submissas às sanções do Código. conforme o Código -. foram protocoladas na sede do Sindicato apenas quatro ocorrências.Em 1999. Uma terceira foi encaminhada à Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. Muito possivelmente por causa disso. foram escolhidos os jornalistas Maria José Baldessar. houve uma evidente renovação nos quadros da Comissão de Ética do sindicato catarinense. para garantir o equilíbrio da avaliação já que a denúncia havia partido de um dos membros da própria comissão catarinense. Nilson Lage. Mesmo tendo pouco poder punitivo – a expulsão do Sindicato e a advertência pública são as maiores sanções. as comissões de ética perdem muito de seu poder de atuação. o número de denúncias vem caindo gradativamente. Assumiram os postos os jornalistas Raquel Moysés. Laudelino Santos Neto. questionei pessoalmente os jornalistas locais sobre a sua confiança na eficácia do Código de Ética e no andamento dos processos nas comissões competentes. duas não deram andamento – ou por não ser da competência de análise da Comissão ou por fugir de seu alcance de julgamento. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 226 . Para o período de 2002 a 2005. Destas. Entre 2000 e 2001. Se não os conhecem. Edelberto Behs. p. O estudo mostrou que há dúvidas quanto ao alcance e eficiência do Código de Ética como um instrumento forte na orientação da conduta dos jornalistas.

e “Jornalismo. pauta no evento que ocorreu de 31 de outubro a 4 de novembro de 1990. o 1º Congresso Estadual dos Jornalistas vai espelhar essa tendência. Um ano antes. Ao longo das celebrações. Blumenau reuniu a categoria para o 2º Congresso Estadual dos Jornalistas. Em 1995. e do professor da Universidade Federal. mais uma vez. o então editor de Zero Hora. os debatedores foram os jornalistas Moacir Pereira. Em Santa Catarina. Fernando Portela. Florianópolis sediou o 24º Congresso Nacional dos Jornalistas. Florianópolis deu lugar ao 14º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação JORNALISMO EM PERSPECTIVA 227 . em 2003. Hélio Doyle. No programa. Realizado em Rio do Sul. debates sobre o mercado de trabalho. com o secretário de governo de Brasília. À época. Os clamores por mudanças na lei de imprensa e na estrutura concentrada dos meios de comunicação brasileiros foram. ética e poder”. com as presenças do diretor de comunicação da Fiat. Oito anos depois. do então ombudsman do ANCapital. entre 11 e 13 de outubro de 1991. Augusto Nunes. os jornalistas colocam o debate sobre a conduta profissional no centro de suas preocupações. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina completou 40 anos de atividades. sobre o ensino de comunicação e sobre a ética e a democratização dos meios. Mario Xavier. Com um código deontológico nacional e comissões de ética em todos os estados. a democratização da comunicação e a ética profissional. e o professor Nilson Lage. o evento trouxe em seu programa um painel que discutiu a lei de imprensa. Não é à toa que o assunto será tema de uma série de eventos promovidos pelas entidades classistas. Na segunda quinzena de agosto de 1992.Eventos A discussão sobre a ética profissional ganha mais evidência a partir do final dos anos 80. destacaram-se dois concorridos debates envolvendo a ética jornalística: “Que jornalismo é esse?”. Hélio Schuch. Sérgio Murillo de Andrade e Francisco José Karam.

o ensino propicia a repetição e a transmissão desses valores deontológicos às próximas gerações de jornalistas. Em 25 anos. No ambiente acadêmico. percebe-se que a academia e a organização classista são os nichos mais estruturados de discussão da ética profissional e onde se vê com mais transparência essa preocupação. Grande parte da produção intelectual sobre ética jornalística vem da academia.(Enjac) e ao 4º Encontro Internacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação no Mercosul. os eventos reuniram mais de trezentos participantes que discutiram também o tema da ética nas relações com as fontes de informação. em Florianópolis – que atendem a esses propósitos. Sob a rubrica “Ética. que passam a considerar que exista uma distância intransponível entre a teoria e a prática. com exceção da Universidade Federal. entre a cotidiano concreto e o ideário das escolas. A pesquisa científica e a produção de conhecimento ajudam a repensar as práticas do mercado. É nessas escolas que se forma o grosso da mão JORNALISMO EM PERSPECTIVA 228 . E isso se observa nas estantes e nas novas gerações que passam a ocupar mais espaços nas redações. De qualquer modo. Esse embate gera uma atmosfera de crítica e autocrítica que nem sempre é bem recebida pelos profissionais desconectados das universidades. confrontando-as com os valores já cristalizados. As escolas Enxerga-se com mais nitidez nas entidades de classe as discussões que os profissionais fazem sobre a ética jornalística. Formação e Mercado”. há outro ambiente igualmente fértil para essas reflexões: a universidade. Santa Catarina viu surgir onze cursos superiores para a formação de jornalistas. E todas as regiões hoje são contempladas com unidades de ensino – quase todas particulares. com os clientes e com os colegas dos meios de comunicação. Porém.

Neste contexto nacional. 1998). todos os cursos contam com matérias voltadas à discussão da conduta profissional. A academia tem funcionado como um pólo gerador de novos conhecimentos e de muita reflexão sobre o fazer-ser jornalista. de Francisco José Karam (Summus. 2002). de Bernardo Kucinski (Fundação Perseu Abramo. No segundo. Além do ensino da técnica jornalística e do estímulo à reflexão. inclusive com contribuições de Santa Catarina. a UnC (Concórdia). UFSC e Ed. “O arsenal da democracia” de Claude-Jean Bertrand (Edusc. que instrui sobre aspectos legais da profissão e que arranha valores e princípios morais da profissão. Há basicamente dois modelos: um que oferece a disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo. “Ética da informação”. cidadania e imprensa”. 2002). 1997). a Estácio de Sá (São José) e o Ibes (Blumenau). E se o assunto é ética jornalística. é importante citar alguns títulos vindos da academia: “Jornalismo. estão a UFSC. sendo uma de Ética Jornalística e outra de Legislação em Comunicação. “Ética e jornalismo”. Univali. 2003) e “A ética jornalística e o interesse público”. organizado por Raquel Paiva (Mauad: 2002). No campo da deontologia. e outro que oferece ao aluno duas disciplinas separadas. “A deontologia das mídias”. a Unisul (Palhoça e Tubarão). a Unochapecó (Chapecó). a Univali (Itajaí). “Síndrome da antena parabólica”. de Francisco José Karam (Summus. os últimos quinze anos assistiram a uma avalanche de lançamentos editoriais na área. 1999). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 229 . “Monitores de mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos”. Mas não apenas isso. ética e liberdade”. de Daniel Cornu (Edusc. 1998). parte das universidades a maioria dos livros produzidos sobre jornalismo. “Ética. 2004).de obra que abastece o mercado de trabalho local. de Claude-Jean Bertrand (Edusc. a Facvest (Lages) e a Unidavi (Rio do Sul). de Rogério Christofoletti (Ed. de Mayra Rodrigues (Escrituras. As disciplinas constam de 4 créditos e carga horária que varia de 60 a 72 horas/aula. No primeiro modelo. o Ielusc (Joinville).

dando transparência ao seu trabalho e difundindo a existência de um sistema próprio de avaliação da conduta profissional. visivelmente ligado ao empresariado da radiodifusão gaúcha. a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) conseguiu o apoio do governo federal para a tramitação no Congresso de um projeto de lei que criaria o Conselho Federal de Jornalismo e suas instâncias regionais. A medida tinha entre os seus objetivos fortalecer o Código de Ética na medida em que traria mais condições à categoria de punição aos profissionais faltosos. o deputado Nelson Proença (PPS-RS). Boa parte do caminho parece já ter sido palmilhada. da política nacional e até de parcelas da categoria. Com o descarte dos conselhos profissionais para os jornalistas. O projeto de lei tramitou aceleradamente no Congresso Nacional e foi rejeitado pelo relator. Os conselhos de jornalismo poderiam fazer valer os princípios e valores éticos expressos pelos jornalistas em seu código deontológico. Adiada essa possibilidade. As entidades precisam dar mais visibilidade a essas instâncias bem como disseminar mais e mais o seu código deontológico na tentativa de introjetá-lo na vida cotidiana dos trabalhadores. perdeu-se uma histórica chance de discussão aprofundada sobre as condições em que se produz jornalismo no país. Existe ainda a necessiJORNALISMO EM PERSPECTIVA 230 . a proposta recebeu uma saraivada de críticas do empresariado de comunicações. Para muitos.O que há adiante Em 2004. o que há pela frente? Muita coisa pode ser feita. Não totalmente compreendida. visando o cumprimento do código de ética e a atuação profissional em defesa dos interesses do público. Perdeu-se ainda uma excelente oportunidade de constituir um instrumento público de acompanhamento da conduta dos jornalistas. era uma solução a pouca efetividade das sanções aplicáveis e à oferta de um instrumento importante para a sociedade. As entidades de classe – como os sindicatos e a própria Fenaj – precisam fortalecer suas comissões de ética.

Insular. preocupadas com a boa formação dos profissionais e com a sua permanente reflexão sobre o bom exercício da profissão. Deontologia da Comunicação Social. Rogério. a construção de um processo em que a ética esteja no centro das preocupações jornalísticas é lento.dade de que o tema da ética permaneça vivo nas rodas de discussão da classe. podem investir mais na pesquisa e no ensino da deontologia. de crítica e autocrítica permanentes. Maria José. por sua vez. Petrópolis: Vozes. Esse processo depende também de um engajamento coletivo. As escolas de comunicação. é um caminho que não se faz isoladamente. estabelecendo pontes de entendimento comum. porque segue regras históricas. nos eventos promovidos. é necessária ainda revisão contínua das regras que a categoria e o público estabelecem. 2003 ERBOLATO. UFSC e Ed. nos documentos oficiais e nas manifestações públicas. Mario. 2003 CHRISTOFOLETTI. UFSC. Portanto. enfrentando o claro desafio de tornar a disciplina tão prática e concreta quanto qualquer outra matéria que trate da técnica no jornalismo. Monitores de Mídia – como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. Referências Bibliográficas BALDESSAR. Florianópolis: Ed. Enfim. A mudança anunciada – o cotidiano dos jornalistas com o computador na redação. Itajaí-Florianópolis: Ed. 1982 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 231 . É um caminho que se faz no gerúndio. Univali e Ed. A academia precisa se aproximar mais do mercado de trabalho e das entidades de classe. de reflexão intensa.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 232 . de 1946 a 1999. ética e liberdade. 1999. O jornalista brasileiro – Federação Nacional dos Jornalistas. ampliada e atualizada. 2ª edição revisada. Adísia. SP: Summus Editorial. Francisco José. Jornalismo. 1997 SÁ.KARAM. Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha.

por meio do entendimento de como é possível fazêla. Isto é. pode-se responder que é para formar profissionais jornalistas. hoje temos informações instantâneas e dobra-se o volume de informação e conhecimento a cada dois anos. jornalista profissional.por meio.e ainda mais rapidamente . ainda que como qualidade sempre em discussão. sem precisar que a forma quadrada se arredonde ao longo de décadas ou séculos. os campos de conhecimento. vencedora na categoria Instituição Paradigmática. que permanecem campos de sistematização do saber apesar dos mais de oito séculos que as sustentam. dos espaços sistematizados e acelerados dos processos de conhecimento. a de Bolonha. chega-se a ela rapidamente. Como conhecer? Duas das mais antigas universidades do planeta. precisamente. resulta1 Parte deste texto formou o dossiê da candidatura do Curso ao Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação 2004.A contribuição das escolas: o curso da UFSC Francisco José Castilhos Karam 1 Para que deve existir um curso de Jornalismo? Para formar profissionais cidadãos? Para formar para o mercado? Para formar críticos do mercado? Ainda que resumidamente. Num volume como nunca na história da humanidade. Teríamos de juntar as duas palavras numa só – o jornalista profissional e pensar sobre o que é ser isso. Quando a informação aumenta e a tecnologia se acelera e diversifica. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 233 . Eles surgem por necessidade social e porque não é possível “descobrir a roda” a cada momento. É possível conhecer . potencialmente. (Itália) e Salamanca (Espanha). circula mais conhecimento e. podem responder. os centros de estudos. mais saber.

Mas. o curso de Jornalismo persegue a excelência no ensino e o compromisso com a sociedade. isso era apenas um sonho para alguns. que me pareceram importantes para afirmar o curso de Jornalismo da UFSC no cenário catarinense e nacional. e um local onde se possa acessá-los mais rapidamente. E mais: uma forma moral de ser profissional. adequado tecnicamente e com suporte para a reflexão teórica e ética do jornalismo e da mídia. um duro projeto a ser criado. Da proposição política à qualificação integral em Jornalismo Desde sua fundação. As escolas de Jornalismo em Santa Catarina só chegam no final de 1979.do da diversificação dos saberes e da divisão social do trabalho. em sua forma mais elevada e complexa. a UFSC foi destacada para integrar o livro alusivo aos 50 anos do Sindicato. os que agora chegam encontram um ambiente estruturado tecnologicamente. tarefa certamente delicada. em universidades. dos muitos possíveis. mais 10 cursos. A primeira foi a da Universidade Federal de Santa Catarina. necessária. em 1979. já que é preciso uma certa recuperação de um árduo período. Passados 26 anos. transformamse. E. E para afirmar a necessidade de formação graduada em Jornalismo. tanto diante da multiplicidade de mídias e de desdobramento tecnológico quanto diante das especificidades de ordem ética. estética e técnica que a profissão e a formação para ela demandam. A profissão jornalística seguiu tal tendência por necessidade social e para a afirmação de um ethos que significa uma forma de ser profissional. teórica. com os desafios JORNALISMO EM PERSPECTIVA 234 . Assim. em meados dos anos 70. faço apenas alguns registros. nos últimos 26 anos. também. como pioneira na formação de jornalistas. em centros de estudos e. No entanto. seguindo-se. contemporaneamente.

a mídia e o jornalismo no país apresentavam alguns desafios: de um lado. que contribuíram para a rápida qualificação acadêmica . a criação do curso e acompanhava os debates nacionais e internacionais sobre a formação acadêmica. Pontificam. O curso. contra a visão então hegemônica de setores profissionais e acadêmicos do estado catarinense. sequer. que defendeu. Maria Elena Hermosilla e Orlando Tambosi. O ambiente então. teve logo o ingresso de jornalistas então muito jovens. a realidade . iniciado em 1979. César Orlando Valente. no início dos anos 80. um punhado de profissionais. a resistência ou a desconfiança em relação a um curso universitário de Jornalismo em Santa Catarina (o primeiro) em ambiente em que a maioria dos profissionais que então atuavam não tinham diploma na área ou. hoje aposentado. geral e irrestrita” e a incipiente constituição de pólos universitários de ensino e pesquisa sobre a comunicação. nos primeiros cinco anos. que o curso estruturou seu projeto pedagógico com base no conhecimento 2 Ver mais detalhes sobre a formação inicial das comissões e primórdios do curso no capítulo de Mário Xavier. E foi de 1979 a 1984. Entre eles. ainda que a estrutura funcional fosse incipiente. que integra este livro.exigia um campo de sistematização do conhecimento prático-teórico e do envolvimento de tal campo com os novos desdobramentos sociais que o país viveria dali por diante. que vivia o final da ditadura militar. Luiz Lanzetta. a luta pela “anistia ampla. Assim. Daniel Koslowski Herz. ser necessário um curso de graduação em Jornalismo. de outro. de graduação em outra área.dada a complexidade crescente social e a profissionalização em outras regiões . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 235 . Carlos Müller. professores e pesquisadores consideraram. em sucessivas reuniões.e obstáculos a serem superados. Ayrton Kanitz. com o apoio institucional de alguns administradores da UFSC. destacou-se a figura do jornalista Moacir Pereira2 . de grande qualidade técnica e teórica. Paulo José da Cunha Brito.

o primeiro até hoje no curso de Jornalismo.Felafacs. em 1981 – memorável encontro que reuniu. Tal etapa. a participação em eventos de porte nacional e estadual. À cultura de comprometimento com mudanças políticas somava-se a necessidade de formar com qualidade os futuros jornalistas. além do contrato de trabalho. em 1982. o então professor Ayrton Kanitz). além do expediente e do período letivo: foi época de luta por espaço físico. por posicionamentos políticos contra a ditadura e por mudanças sociais no país. o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação. que custou aulas no saguão da JORNALISMO EM PERSPECTIVA 236 . Ao grupo de professores. somavam-se dois dos principais funcionários técnico-administrativos que dariam sustentação às atividades administrativas. três mil pessoas. em 84. realizando excelente trabalho operacional. as mudanças na profissionalização e no compromisso do jornalista com a sociedade (concorrendo. para a presidência do Sindicato dos Jornalistas. e na qual se formou Sérgio Murillo de Andrade. Dalton Barreto e Sônia Silva. formada em 31 de março de 1984. como a luta pelas Diretas Já (nome da terceira turma. o encontro da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social . buscando formar profissionais qualificados do ponto de vista teórico e técnico e com preocupações éticas e estéticas. eleito em 2004 presidente da Federação Nacional dos Jornalistas). para alocação de salas de aula e laboratórios. em 1983). então.prático-teórico. com o envolvimento de alunos e professores (organizando o Congresso da União Católica Brasileira de Comunicação. Tal tarefa exigiu dedicação além do previsto. as lutas pelas políticas democráticas e públicas de comunicação (movimento iniciado em 84 na UFSC por meio de Daniel Herz). vinculando sua formação tanto ao exercício diário do jornalismo quanto às questões sócio-políticas e econômicas da sociedade brasileira. das primeiras reivindicações por mais equipamentos e professores.

Lanzetta. o curso teve algumas modificações estruturais. alunos e categoria profissional. além de acompanhar o movimento do curso até 2005. tornando-se referência teórica e ética para os colegas. protestos estudantis e luta pela defesa da formação (diploma). autor de diversos livros sobre política e um especial sobre Teoria do Jornalismo. tendo retornado. em Salvador (Bahia). com a saída então do primeiro grupo de professores. As culturas profissional e política se ampliavam. responsável pela ampliação das preocupações e reflexões sobre a área. superando resistências do campo da Comunicação. Foi o reconhecimento pelo pioneirismo na constituição de uma teoria bem sistematizada para a área. hoje um clássico na área. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 237 . convidados a atuar em novos e desafiantes projetos. nome que obteve a maioria dos votos diante de quatro apresentados no 2º Encontro da SBPJor. com professores e ex-alunos. refratária a estudos específicos sobre jornalismo. embora este último sempre tenha mantido relação muito próxima à instituição. falecido cinco anos depois. Maria Elena e Valente. a Assembléia Geral da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo criou o Prêmio de Pesquisa em Jornalismo Adelmo Genro Filho. No entanto. De 83 a 88. Em novembro de 2004.Reitoria. Foi no início dos anos 80. para colaborar na manutenção da qualidade didático-pedagógica do projeto. Foi um período de ingresso de novos e jovens professores. que ingressou nos quadros do Jornalismo da UFSC o professor Adelmo Genro Filho. precisamente em março de 1983. entre eles Herz. como em 1986. capitaneada pelo recém-professor Hélio Schuch e já então coordenador do curso. Kanitz. no país e exterior. Müller. como substituto ou convidado. que uniam militância política e experiência/cultura profissional. que até hoje perdura. que se tornou disciplina no curso de UFSC e em vários espalhados por todo o país. quase todo o grupo inicial sempre manteve contato.

Simultaneamente. Da mesma forma.Em 1982. Durante todos os 26 anos. envolvimento com temas da categoria profissional e qualificação prático-teórica. Áureo Moraes e Ivan Giacomelli (estes entre o final dos anos 80 e década de 90) renovam os desafios. que amplia a cultura profissional naquela década e se torna responsável pelo desenvolvimento de pesquisas. de 2000 a 2005. o curso sempre esteve atuando ao lado das questões profissionais. Luiz Scotto. Fernando Crócomo. Carmem Rial. e de projetos de extensão. já no decorrer dos anos 80. por meio da criação de espaços específicos de debates sobre a profissão e da qualificação prático-teórica. chega ao curso o professor Eduardo Barreto Vianna Meditsch. Ricardo Barreto. Sérgio Weigert e Sérgio Mattos. que. mantendo o compromisso com as grandes questões sociais sem perder a necessidade sempre renovada de atualização curricular. não perdendo nunca. os Direitos Autorais. ao lado de já exalunos como Maria José Baldessar . ampliou-se a parceria para melhorar a formação dos profissionais. mais adequado aos novos rumos sociais e de acordo com os desdobramentos tecnológicos que o final da década de 80 e anos 90 iriam enfrentar. especialmente na área de rádio. continuando nos últimos seis. Neila Bianchin. a Lei de Imprensa. o Conselho Federal de Jornalismo. nos últimos cinco anos. como debates ético-deontológicos junto com o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e com a Federação Nacional dos Jornalistas. Mauro Pommer. Aglair Bernardo. iniciando-se discussões sobre um novo currículo. de vista. Muitos alunos têm participado de pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 238 . Carlos Locatelli. a intervenção e a discussão sobre a formação profissional. Gilka Girardello. o Conselho de Comunicação Social. ingressam professores como Hélio Ademar Schuch. Valci Zuculoto. o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e muitos outros temas. Francisco José Castilhos Karam. ou logo depois. Regina Carvalho.

além de refletir necessidades de novas áreas e procedimentos. Ensino/Currículos Depois de passar por sucessivas mudanças ao longo de 26 anos. Acredita-se que assim deve ser. e subscrito pelas principais entidades da área. O último currículo. buscando novas exigências e estimulando novos estudos. por exemplo – também. é formada por tópicos especiais. é possível adequar rapidamente (a cada semestre) as ne- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 239 . além de cursar as necessárias obrigatórias e as optativas – podendo dar ênfase mais à área de mídia impressa ou telejornalística ou digital. tanto específicos profissionais quanto de carências sociais. como Intercom. por razões que parecem ser mais um mérito do que dificuldades em alterá-lo. e por meio de dois programas especiais. Parece que.gramas de estágio ou aperfeiçoamento como os da TV Globo. permitindo tanto a busca pelo emprego quanto mantendo a capacidade crítica diante do entorno profissional e social. uma parte de disciplinas optativas e uma terceira que. como o da Cátedra Fenaj-UFSC de Jornalismo para a Cidadania e o da Cátedra UFSC-RBS para aproximação ao mercado profissional. atualizado em 1996. Paulo. além de ser optativa. aprovado em 1987. assim. de 1991. São projetos que ampliam e sedimentam a pluralidade necessária ao ambiente universitário. Compós. por meio de tópicos. é o mais longo da história do curso. no fato de que o currículo é “móvel”. Editora Abril. Projeto Caras Novas (hoje desativado) da Rede Brasil Sul. do Estado de S. basicamente. sem nome de disciplina apriorístico. Sportv. Abecom e Enecos. E contemplam o disposto no Programa Nacional de Qualidade de Ensino da Fenai. Há uma parte de disciplinas obrigatórias. A explicação está. em torno de 55 a 60%. o currículo atual do curso de Jornalismo – o sexto de sua trajetória – está novamente em discussão.

Fotojornalismo. abrindo-se a interdisciplinaridade própria do Jornalismo. Na primeira fase. Pesquisa Científica (objeto de estudos em Jornalismo) ou Práticas Editoriais (por exemplo implantação de sítios digitais. seja em voltadas para o texto de revista ou jornal. para a formação profissional em Jornalismo. jornal. no último ano. há disciplinas como Técnica de Reportagem. podendo escolher tema adequado para o Trabalho de Conclusão de Curso. Assim. tele ou rádio). O curso também é voltado. Radio I. para revista. junto com a de Comunicação e Realidade Brasileira I. história . Há a opção. os TCCs permitem escolher. Teoria do Jornalismo. Legislação e Ética do Jornalismo. Método de Pesquisa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 240 . economia. um outro conjunto de disciplinas que ensinam a escrever e a pesquisar. Políticas de Comunicação. seja Grande Reportagem (por exemplo. Jornalismo on line. sobre questões de cultura. Planejamento Gráfico. de buscar disciplinas em outros cursos da Universidade. buscando o saber fazer e o saber pensar sobre o fazer. Assim. a área para desenvolver o projeto. comportamento – tanto por meio de reportagens em qualquer suporte quanto temáticas de discussões e seminários. Foto. política. como disciplinas que podem ser. que lida com todas as áreas sociais. Tal lógica percorre todo o currículo. também. Redação para Rádio e TV e outras laboratoriais que. ainda. juntamente com o suporte mais apropriado em cada caso.cessidades de formação a aspectos emergenciais que surgem. disciplinas como Teoria da Comunicação. programas de rádio ou tevê. desde a primeira fase. por exemplo. seja em investigação via internet. revistas ou jornais e similares). acompanham as disciplinas como Tele I . permite a conexão entre aspectos específicos da profissão com o entendimento e a reflexão sobre aspectos históricos do Brasil. relacionando sua futura atividade à sociedade em que a profissão está inserida. Ao mesmo tempo. Comunicação e Filosofia e o conjunto de tópicos e optativas permitem ao aluno chegar. Estética e Cultura de Massas.

a partir de 1998. rádios e tevês. a Revista da Semana e outros ocupam os espaços destinados pela UFSC TV JORNALISMO EM PERSPECTIVA 241 . Muitos deles atuam em jornais. Extensão A partir de 1991. cursar pós-graduação ou trabalhar. no estado ou pelo país afora. chega.Nos 26 anos de existência. e mantém. A produção é feita por alunos bolsistas ou voluntários. revistas. 24 horas no ar. No telejornalismo. A mudança nas rotinas profissionais. O Unaberta Digital. a 10 mil acessos diários. supervisionados por professores da área. hoje espalhados pelo estado e país. Trata-se de sítio digital com atualização. tarefa a que muitos hoje se dedicam. a Radioponto UFSC. o curso de Jornalismo ampliou significativamente seus projetos de extensão internos ou junto à comunidade. que em média tem três mil acessos por dia. trazendo informações sobre a Universidade Federal de Santa Catarina e o mundo da Educação. como Rádio Cultura e CBN. portais. além de vários terem escolhido o exterior para viver. tanto no âmbito da própria UFSC quanto no estado e no país. o curso da UFSC formou ao redor de 800 profissionais. mesclando notícias com grandes reportagens temáticas. o surgimento de novas tecnologias e a crise de empregabilidade gerou novos desafios e necessidades: atuar em assessorias de imprensa ou de comunicação. em coberturas especiais como o vestibular ou durante as greves. prestar serviços por meio de micro-empresas e similares. o Projeto Universidade Aberta obtém reconhecimento nacional. via internet. o TV e Ação Comunitária. a cada 30 minutos. Hoje. e com plantões aos finais de semana. em média. Também o Unaberta Rádio mantém programas sobre a Universidade e a Educação em emissoras locais.

acrescentando-se a cobertura do Vestibular e sua produção midiática jornalística. em 2003. São projetos com a participação de professores. supervisionado por acadêmico bolsista. junto a uma escola do Bairro Pantanal. Mantém-se. junto à comunidade. Mantém-se o Núcleo de Radioteatro. Foi criado. Os Trabalhos de Conclusão de Curso ampliam os dados a cada ano. os jornais murais. o jornal-laboratório “Zero” e desenvolve-se. mesmo nos programas não diretamente vinculados à comunidade. o projeto Rádio Beatriz. a necessidade de buscar parcerias para profissionalizar os respectivos setores. foram criados dois núcleos: o de Projetos Editoriais e o de Televisão Digital Interativa. Em 2004. Com isso. além de sítios digitais. junto à comunidade. e buscam a captação de recursos junto a órgãos de fomento e estabelecem parcerias com instituições públicas e privadas. se produz um conjunto de programas que. ressaltando-se. no momento seguinte. Tais projetos foram intensificados a partir de 1998. e de entidades filantrópicas ou sem fins lucrativos. alunos e funcionários especializados. como o da Associação dos Aposentados do Hospital Universitário. sendo momento profícuo de apresentação e de debates sobre a formação e o resultado dela para o futuro jornalista e para a sociedade. mas de segmentos do entorno social e da educação como um todo. capazes de desenvolver pesquisas e projetos que auxiliem tanto a formação como desenvolvam o mercado qualitativamente. projetos prestados junto à comunidade.(canal a cabo) e pela TV Cultura local (aberto). há tratamento de temas de interesse não apenas da universidade. edições de jornal – 8. Destacase que. programas de rádio – 1296. a cada ano. chegou aos seguintes indicadores: programas em vídeo – 252. assessoria para desenvolvimento de pequenas revistas e jornais. sítios digitais produzidos – 21. da Associação Catarinense de Integração do Cego. envolvendo comunicação institucional – 14. ain- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 242 .

para desenvolver projetos adequados aos próximos anos. conhecido como projeto Fungradão. Grande Reportagem ou Práticas Editoriais. internet. Com dois ingressos de 30 alunos. permitindo que o aluno trabalhe Pesquisa Científica. O número de equipamentos nos laboratórios de rádio. o Laboratório de Mídias Digitais e Convergência Tecnológica. tele. destinado a melhorar as condições de ensino e aparelhar tecnologicamente as instituições federais de ensino superior. o espaço de planejamento e confecção dos trabalhos de conclusão de curso. radiojornalismo e jornalismo digital. com digitalização de praticamente todas as suas produções. este acréscimo de projetos deveu-se. por exemplo.da. nas teóricas. softwares atualizados nas áreas de telejornalismo. a partir do início dos anos 2000. que se trabalhe com um aluno por computador nos laboratórios. características possíveis dada a divisão das turmas laboratoriais em no máximo 15 alunos por sala e. hoje. nos meses de março e agosto. de 30 por sala. com câmeras fotográficas e de vídeo de última geração. com quatorze estações não lineares para edição de vídeo. sites e afins permite. é possível manter tal perspectiva. éticos e políticos. Bem aproveitado. à chegada de equipamentos via Governo Federal. tal projeto fez com que o curso de Jornalismo da UFSC tenha conseguido – juntamente com outros apresentados junto a instituições de fomento – estruturar seus laboratórios. totalizando 60. que atende o conceito A no item específico previsto nos processos de avaliação dos cursos da área. foto. mídia impressa. tanto no sentido de proposição de estudos e soluções quanto no de acompanhar o desdobramento da área na atividade jornalística em seus aspectos técnicos. tem produzido alguns projetos que resultam em sítios digitais JORNALISMO EM PERSPECTIVA 243 . fotojornalismo. Da mesma forma. Estrutura laboratorial Em parte.

ético. seja no corpo diretor JORNALISMO EM PERSPECTIVA 244 . seja por meio de livros. mantém Programa de Estudos em Jornalismo e Mídia. Alguns dos trabalhos têm sido apresentados em eventos e obtido destaque. Pesquisa/produção científica O curso de Jornalismo da UFSC é de graduação. estético e tecnológico. seja no Expocom (premiação da Intercom para produção de alunos da graduação). pesquisas sobre jornais catarinenses. é a criação do mestrado acadêmico em Jornalismo. voltado para a formação do jornalista qualificado nos planos teórico. dentro do espírito da plataforma Rede Alfredo de Carvalho para a História da Mídia. quer tem na UFSC a produção de seu sítio digital.permanentes. O corpo docente. ao qual se integraram nos últimos dois anos as professoras Gislene Silva e Heloiza Herscovitz. concursos catarinenses e similares. juntamente com outros. nível de Especialização. artigos. da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic). Vários dos docentes integram diretorias de entidades de pesquisa na área. Unaberta e Jornalismo no Cinema. como o de adoção de menores. por meio da Iniciação Científica. assim como em congressos em países europeus e nos Estados Unidos. para 2006. do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. como o da SBPJor. livros como reportagens sobre política. Atualmente. E programa ainda incipiente de pesquisa na graduação. produz periodicamente nas suas áreas. A perspectiva. em sua quarta edição durante 2005. resenhas e participações em eventos como os do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). técnico. esportes ou narcotráfico. seleção para apresentação em emissoras de rádio ou tevê. os encontros da Compós (encontro de programas das pós-graduações).

ou como coordenação de Grupo de Trabalho. com a contratação do professor Nilson Lemos Lage. É o principal prêmio na área acadêmica e tal fato confirma os caminhos. o currículo. venceu o renomado prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação’2004. que. Palavras finais O Curso de Jornalismo mantém. houve a atribuição de conceito Cinco Estrelas pelo Guia do Estudante da Abril. 2004). O projeto descrito aqui não é o único existente e nem o exclusivo a seguir. Quando comemorou 25 anos. E parte integra. os programas.br. cresceu a partir dos anos 1990. conselhos editoriais de revistas acadêmicas. na categoria Instituição Paradigmática. contribuiu para grande visibilidade social e profissional do curso por meio de sua extensa produção científica e reconhecimento nacional de sua atividade nas redações e na academia. a produção científica e outros itens. mais especificamente no campo do Jornalismo. especialmente a partir de 92. ainda que árduos. também. Também. hoje. além de torná-las mais úteis e consistentes no tratamento das questões de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 245 . seu sítio digital no ar. o corpo docente. agora já com 50 anos de experiência. Está acessível por meio de www. incluindo atividades profissionais e acadêmicas. 2003. A ampliação de estudos na área.ufsc. trilhados pelo Jornalismo da UFSC na implementação e consolidação de seu projeto didático-pedagógico. incluindo. onde poderá ser conhecida parte da trajetória. ao focar seu projeto didáticopedagógico em Jornalismo. o curso da UFSC ajudou a consolidar a profissão e a formação no estado catarinense e no Brasil. desde 1998. os alunos. Mas certamente. pelo terceiro ano consecutivo (2002. nos dois últimos de forma isolada.jornalismo.

com as dimensões que significam as palavras formação e jornalista. vinculadas às contribuições sociais que delas decorrem. precisamente porque valorizou o profissional integral. Apesar das dificuldades operativas no dia-a-dia de uma Universidade Pública. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 246 . encontrar um caminho que legitimou sua aposta: um projeto voltado para a formação de jornalistas. servidores técnico-administrativos e alunos.interesse social a partir de sua especificidade. pelo envolvimento de professores. o curso soube.

no Brasil. como resposta à reorganização da sociedade civil e da promulgação da nova Constituição em 1988. resultante da própria evolução e complexidade crescentes da mídia e do fazer jornalístico. contribuintes e consumidores.de 1955 a 2005 -. eleitores. nos anos 50: uma demanda da sociedade e da categoria. Os anos 90 representaram a tentativa de afirmação de um jornalismo voltado crescentemente para os interesses sociais amplos. de forma a atender o cidadão nas suas expectativas de uma informação cada dia mais ética.A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Mário Xavier Nos 50 anos de existência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) . em diferentes períodos como: o pós II Guerra. a imprensa do estado e do país registrou grandes e marcantes transformações nos campos político-ideológico. a redemocratização nos anos 80. plural e de qualidade. comercial-mercadológico e de conteúdo editorial. Surgiu então a consciência da necessidade de instrumentos e ferramentas que JORNALISMO EM PERSPECTIVA 247 . a ditadura militar dos anos 60 e 70. Nos anos 70. a academia passou a aprimorar a formação. Uma parte significativa dessas mudanças refletiu macro tendências mundiais e se inseriu. o neoliberalismo e a globalização dos anos 90. incentivando a defesa pública dos direitos elementares dos cidadãos. As cinco décadas que nos antecederam coincidem com a criação dos primeiros cursos de Jornalismo e faculdades de Comunicação Social do país. E o movimento sindical ressurgiu também com mais força no começo dos anos 80. a pesquisa e a pós-graduação no campo midiático. os anos JK. industrial-tecnológico.

ainda há muito a construir e consolidar nesse campo. que vinha descumprindo suas obrigações. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 248 . ações práticas que contribuíram para aperfeiçoar o exercício do jornalismo. Melo Prates. Em Santa Catarina . buscando servir de inspiração e referência para pesquisas e projetos futuros mais detalhados e aprofundados sobre o assunto. A iniciativa foi de um Comando Permanente de Ação liderado pelos jornalistas sindicalizados Eurides Antunes de Severo. tornando-se a entidade credenciada a representar e defender coletiva e juridicamente os interesses dos profissionais que atuam em todo o estado.como no Brasil de um modo geral -.recebe a Carta Sindical dia 13 de maio. mediante uma crítica sistemática da mídia e uma permanente atenção ao ser-fazer jornalístico. ao longo dos anos. A linha do tempo a seguir visa resgatar e pontuar cronologicamente momentos dessa trajetória de contribuições catarinenses ao tema em pauta. Jorge Cherem. Amaral e Silva e outros. Silveira Lenzi. 1962 a 1963 Registram-se as primeiras campanhas públicas pela valorização da categoria e promoção de valores éticos e profissionais junto aos associados e à comunidade.contribuíssem mais diretamente para o aperfeiçoamento da imprensa e dos jornalistas. Adolfo Ziguelli. no monitoramento público e na auto-observação.fundada em 18/11/1953 e que deu origem ao SJSC . de oposição à diretoria do SJSC na época. Mas já é possível pinçar. 1955 A Associação dos Jornalistas Profissionais . qualificar a atuação da categoria e abrir diversos caminhos para a formulação e exercício de uma crítica de mídia fundamentada na observação.

comerciantes bem-sucedidos. encontravam-se até mesmo indivíduos de destacada posição econômica e social: secretários de estado. fosse de apenas cerca de 30% dos associados ao SJSC. Na lista dos “jornalistas” ilegais de então. Somente uma “empresa jornalística” havia emitido 73 atestados falsos. sendo os outros 70% composto pelos pseudojornalistas que detinham carteiras frias. entre 1962 e 1963. relembra Severo. prefeitos. banqueiros. que era feita com a conivência de órgãos como o Ministério do Trabalho.A campanha de moralização denunciou a emissão irregular de carteiras de jornalistas. o número de verdadeiros jornalistas sindicalizados. “Não faltou quem nos acusasse de comunistas perigosos. aposentadoria especial. mediante declarações falsas de empresas do setor. veterano radialista e jornalista catarinense. extremistas exaltados”. descreve um relato do Comando de Ação Permanente da época. “Eram pessoas que estavam interessadas nos benefícios materiais. integrando os estudantes do ensino superior na campanha de moralização da classe jornalística. o que resultava em descrédito público da categoria e deterioração da profissão. em Florianópolis. facilidades de financiamento para aquisição da casa própria e de automóvel. alguns buscavam obter o status de jornalista junto ao SJSC e ao Ministério do Trabalho. A fim de usufruírem ilegalmente desses benefícios. tratamento especial da justiça civil. funcionários públicos e autoridades do clero. Isso fez com que. Questionou legislações governamentais para jornalistas e combateu o usufruto ilegal de direitos tais como: isenção de imposto de renda e do imposto intervivos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 249 . num total de aproximadamente 400. o SJSC organiza o 1º Seminário de Imprensa Universitária. Em 29 de abril de 1963 (cerca de um ano antes do golpe militar de 1964). deputados. descontos de 50% nas passagens aéreas e nas passagens terrestres. em detrimento da responsabilidade de informar”. industriais.

1971 É criado em Blumenau o “Jornal de Santa Catarina”. O Santa marcou também o começo de um novo estilo profissional. 70 e meados de 80. Moacir Pereira e Osmar Teixeira. muitos jornalistas já graduados ou com experiência profissional migraram para Santa Catarina. sob o comando do jornalista e ex-professor da PUC de Porto Alegre. o primeiro com o projeto editorial de cobertura estadual. Entre os participantes. e os jornalistas Antônio Kowalski Sobrinho. 1975 O jornalista Moacir Pereira preside o SJSC de 1975 a 1978. Na década de 60. os professores Aníbal Nunes Pires e Murilo Pirajá Martins. 1969 O SJSC passa a propor a criação de um curso superior de Jornalismo em Santa Catarina para qualificar os profissionais e suprir as deficiências do mercado de trabalho regional. incluem-se: a professora Aurora Goulart. que obrigava as empresas jornalísticas a requisitar profissionais de outros centros. o destaque desse período foram as lutas do SinJORNALISMO EM PERSPECTIVA 250 .1968 É fundada a Associação Catarinense de Imprensa (ACI). Marcílio Medeiros Filho. 1973 É formado o primeiro grupo de trabalho para a criação do curso de Jornalismo da UFSC. também denominada Casa do Jornalista. notadamente do Rio Grande do Sul. Segundo Pereira. Nestor Fedrizzi. também o primeiro diretor de telejornalismo da TV Coligadas.

1978 É constituído um outro grupo de trabalho para retomar a iniciativa da criação do curso de Jornalismo da UFSC. personalidade marcante na renovação profissional do jornalismo catarinense especialmente na área do rádio. Moacir Pereira e Paulo Brito. além da realização de seminários. é convidado para coordenar a implantação do curso de Jornalismo pelo então reitor da UFSC. o que adia a criação do curso. Santa Catarina era JORNALISMO EM PERSPECTIVA 251 .dicato pela defesa das liberdades. além dos jornalistas César Valente. professor da PUC de Porto Alegre e presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS. Moacir Pereira relembra que. do professor José Marques de Melo (SP) e de Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles. entre outros. Participam desta vez os professores Aurora Goulart e Celestino Sachet. As propostas foram aprovadas em junho de 1978 pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da UFSC. palestras com profissionais de destaque nacional e internacional. foi assinado o primeiro acordo coletivo entre a categoria e as empresas do setor. Espalhava-se a figura do jornalista provisionado. Em 30 de junho. conferindo-lhes: formação eclética. Roberto Mündell de Lacerda. que receberam apoio. universal e com espírito crítico. estabelecendo piso salarial de seis salários-mínimos. e tornava-se imperativo a formação de profissionais no estado. o curso foi criado por portaria do reitor Caspar Erich Stemmer. Foi lançado também o primeiro jornal do SJSC. Na época. Zigelli falece em um desastre aéreo. na Universidade. como presidente do SJSC. participando de eventos nacionais e regionais de jornalismo. O jornalista Adolfo Zigelli. contra a censura e pelo aprimoramento profissional. debates. convencerase de que somente com um curso de Jornalismo catarinense seria possível cumprir a legislação profissional (decreto-lei 972/ 69) que exigia o curso superior. Porém.

dando início a um processo de resgate da ética na categoria e à formação de um novo conjunto de lideranças sindicais. 1979 Começam as atividades do primeiro curso de Jornalismo do estado. pela aprovação das leis federais de criação do Conselho de Comunicação Social. Ao lado da formação científica e técnica. deveria estar a formação política. nasceu durante a ditadura. que daria origem ao atual Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC): responsável.o único estado do Sul do Brasil que não tinha ainda um curso superior de Jornalismo. mas comprometido com a democracia. Segundo seu primeiro coordenador. profissionais e acadêmicas que assumiriam o SJSC seis anos mais tarde. professor Moacir Pereira. consciência crítica e responsabilidade”. influindo no rumo da categoria no estado até o final do século XX e começo do século XXI. o lema era: “liberdade. A primeira turma se formou em 1982. um dos primeiros professores do curso da UFSC e autor do livro “A história secreta da Rede Globo”. na UFSC. Com uma proposta pedagógica inovadora. 1983 O jornalista e professor da UFSC Ayrton Kanitz tem papel fundamental na articulação do MOS e foi o primeiro candidato à preJORNALISMO EM PERSPECTIVA 252 . da TV a Cabo e da Radiodifusão Comunitária. nas eleições de 1987. 1982 O jornalista Daniel Herz. entre outras conquistas posteriores. lança as bases da Frente Nacional de Luta por Políticas Democráticas de Comunicação. Os jornalistas catarinenses criam o MOS – Movimento de Oposição Sindical -. que ficou conhecido como uma faculdade “alternativa”.

no segundo turno. mas perde a eleição. com uma série de reportagens publicadas no jornal “O Estado”. representa um novo desafio de competitividade no cenário da imprensa barriga-verde: induzindo a uma maior qualificação geral dos profissionais e do produto jornal. que um jornalista conquistou um prêmio nacional com um trabalho publicado num veículo de comunicação fora do eixo Rio-São Paulo. 1986 A implantação do jornal “Diário Catarinense” em Florianópolis e nas cidades-pólo de Santa Catarina. 1985 O jornalista Celso Vicenzi recebe o Prêmio Esso de Informação Científica e Tecnológica. para a chapa da situação. O MOS vence no primeiro turno. em 30 anos de história do prêmio. com a participação de delegados catarinenses. estimulando a organização sindical dos jornalistas e renovando e intensificando a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 253 . Foi a primeira vez. contribuindo de forma decisiva e pioneira para o começo da campanha pelas Diretas Já em Santa Catarina. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é redigido em 1985 e aprovado em congresso realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) no Rio de Janeiro.sidência do Sindicato pelo movimento. conectados on-line via intranet. cujo lema é adotado pela turma de formandos de 1983. 1984 Os professores e estudantes do curso de Jornalismo da UFSC participam ativamente do processo político do país. que colou grau em março de 1984.

Rio de Janeiro. a exposição de fotografias “20 Anos da Gamma Presse Imagens”. incentivando uma movimentação e discussão em torno do fazer jornalístico. Morreu em Florianópolis. técnicos e acadêmicos voltados para a dignidade da categoria e aperfeiçoamento da profissão e da imprensa catarinense. A Agência de Comunicação da UFSC (Agecom). no Brasil. uma das três maiores agências de fotojornalismo do mundo. publica sua dissertação de mestrado “O segredo da pirâmide . aos 37 anos. 1987 O jornalista Celso Vicenzi é eleito presidente do SJSC pela chapa do MOS. dá início à formulação e implementação de uma pioneira Política Pública de Comunicação que é reconhecida em 1994 pelo CNPq com o Prêmio José de Reis de Divulgação Científica. da disciplina de Teoria do Jornalismo. Sua obra influenciou dezenas de teses sobre jornalismo em todo o país. especialmente as integrantes do Fascom – Fórum de Assessores de Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). na década de 90. A criação do DC. O professor do curso de Jornalismo da UFSC.integração informativa. O modelo serve de referência. em 1988. Genro Filho é considerado o virtual introdutor. cultural. política e social de todo o estado. além de ampliar o mercado para profissionais locais experientes e para os jovens formandos catarinenses. Florianópolis é a segunda cidade do país a receber (depois de São Paulo).para uma teoria marxista do jornalismo”. Paraná e Rio Grande do Sul. dirigida pelo jornalista Moacir Loth. dando início a uma gestão calcada em propostas e valores éticos. com 2 mil fotógrafos em vários países que enviam fotos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 254 . para outras instituições de ensino superior. Adelmo Genro Filho. também motivou a migração de jornalistas de outros estados como São Paulo.

integrado pelos irmãos Paulo e Chico Caruso. em parceria com o Conselho da Condição Feminina. culminando com um show. do Muda Brasil Tancredo Jazz Band.   1988 O SJSC organiza a exposição Humor na Ilha e Humor em Joinville. O SJSC traz a Florianópolis uma exposição internacional de cartazes sobre a paz. Em Florianópolis. A exposição também é realizada em Blumenau e Chapecó. no Museu de Arte de Joinville. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 255 . a exposição seguiu também para Blumenau. Participam cerca de 300 jornalistas e alguns convidados estrangeiros. nas duas cidades.   1989 O SJSC traz a Florianópolis a exposição de fotos premiadas em 33 anos do Prêmio Esso de Jornalismo. O jornalista Celso Vicenzi é reeleito presidente do SJSC. e em Joinville.a mais de 2 mil publicações internacionais. Joinville. Luís Fernando Veríssimo e Reinaldo (da turma do Casseta e Planeta). Organizada pelo SJSC na Galeria de Arte da Associação Catarinense de Artistas Plásticos. Arquidiocese de São Paulo. com dezenas dos principais cartunistas do país. com mandato até 1993. a exposição foi apresentada no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC). UFSC e Secretaria de Cultura e Esporte.   1990 O SJSC realiza em Florianópolis o 24º Congresso Nacional de Jornalistas. Chapecó e Gravatal. o mais importante do país.

Apufsc. decidem pela filiação do Sindicato à Central Única dos Trabalhadores. SEEB (Bancários). como parte das ações da Agecom/UFSC. realizado em Rio do Sul. em Blumenau. modernização (anos 70). entre outros.A Comunicação em Santa Catarina”. estruturado especialmente pelos profissionais do Sinergia. Sinte. e profissionalização (anos 80). O encontro também debateu a Lei de Imprensa.1991 Profissionais de imprensa participantes do 1º Congresso Estadual dos Jornalistas. que tentava sistematizar as experiências na área e foi debatido em eventos no estado e no país. integrantes da Comissão de Ética do SJSC. O NOIS . inauguração da TV Coligadas. A campanha se repete em 1997. A expansão ocorre com: o surgimento de novas estações de rádio no interior. Sindprevs. a Agecom e a Fenaj imprimem e distribuem exemplares do Código de Ética da categoria a todos os profissionais e às faculdades e cursos de Comunicação e Jornalismo do Brasil. lançamento da TV Florianópolis. O jornalista e advogado Moacir Pereira lança o livro “Imprensa & Poder .   1992 Por iniciativa dos jornalistas Moacir Loth e Francisco Karam. e o processo JORNALISMO EM PERSPECTIVA 256 . uma promoção do SJSC. de 11 a 13 de outubro.  São Francisco do Sul sedia o 1º Seminário Estadual sobre Ética Jornalística. A ação insere-se numa estratégia inédita de disseminação do tema e valorização do bom jornalismo e da qualificação profissional na imprensa e na mídia brasileiras. Pereira divide em três fases distintas a evolução da imprensa catarinense: expansão (anos 60). democratização da comunicação e ética profissional. Na obra. lança o texto “A imprensa no Sindicato Cidadão: uma reflexão sobre o exercício do jornalismo sindical”.Núcleo Organizado de Imprensa Sindical (SC) -.

O SJSC traz a Florianópolis. cada participante gravou entrevista em vídeo sobre o exercício do jornalismo e o ofício do jornalista. José Hamilton Ribeiro e Washington Novaes. como Ricardo Kotscho. Além de palestras. entre outros. no jornalismo impresso. que trouxe à Capital catarinense vários jornalistas de destaque dos principais veículos de comunicação do país. no MASC. Ainda conforme o autor.partidária. a nova concepção empresarial do setor. as fotos premiadas no InterpressPhoto 1992 – o maior concurso internacional de fotojornalismo. a eliminação da vinculação política nos meios. Ricardo Noblat.  O SJSC e o curso de Jornalismo da UFSC organizam o projeto Memória do Jornalismo. e de Nestor Fedrizzi. de um processo histórico: a subordinação . na qual dedica um capítulo a ques- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 257 . o aperfeiçoamento dos profissionais. com mandato até 1996. 1995 O jornalista e professor Itamar Aguiar publica sua dissertação de mestrado “Violência e golpe eleitoral: Jaison e Amin na disputa pelo governo catarinense”. o processo de abertura política e redemocratização do Brasil. a profissionalização tem como principais causas a imparcialidade dos jornalistas Adolfo Zigelli. o meio jornal era inexpressivo e ainda não conseguira se desvencilhar. o movimento de oposição sindical (MOS).de implantação da TV Cultura na Capital. a presença do grupo de comunicação RBS. a criação do curso de Jornalismo da UFSC.ou a linha editorial . 1993 O jornalista Sérgio Murillo de Andrade é eleito presidente do SJSC. assim como o rádio. Neste período. no radiojornalismo. e o aumento da concorrência entre os diversos veículos.

em setembro. nos próximos anos. em Florianópolis. vida curta. O jornalista Mário Xavier assume pioneiramente no Sul do Brasil. nos EUA. segunda a autora. em 2003. UFPR. e em 1996 são criados cargos de ouvidores na UFSC e na Celesc. dando origem. instrumento de política partidária”. já eram perceptíveis as principais características que marcariam o jornalismo catarinense até os anos 80 do século XX: “vinculação partidária direta ou indiretamente com o poder público. o caso do Sindicato dos Jornalistas e a “construção” da imagem. em 1996. UFRJ. A experiência do jornalista Mário Xavier como ombudsman passa a ser inserida como objeto de pesquisas universitárias por estudantes da UnB. a função de ombudsman de imprensa do jornal “A Notícia Capital” (ANC). UFRGS.tões como a mídia na campanha. A implantação do ombudsman de imprensa no ANC tem repercussões em outras esferas da vida catarinense.A imprensa de Desterro no século XIX”. com mandato até 1999. Neste período. o controle pela elite. em instituições como a Secretaria de Saúde e o CREA. no Congresso Internacional da ONO (Organization of News Ombudsmen). pela Editora da UFSC. à criação da seccional catarinense da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO). 1996 O jornalista Sérgio Murillo é reeleito presidente do SJSC. em 1997 nos Supermercados Angeloni e. UFSC e Universidad Católica Andrés Bello .Facultad de Humanidades y Educación Escuela de Comunicación Social. representa Santa Catarina e o Brasil. A historiadora Joana Maria Pedro lança a obra “Nas Tramas entre o Público e o Privado . da Venezuela. e exerce a função até agosto de 1997. O jornalista é convidado a compartilhar sua experiência em palestras e even- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 258 .

atendendo a pedido da emissora. O jornalista Carlos Alberto de Souza lança pela Editora da Univali o livro “O fundo do espelho é outro”. Equador. que tentava suspender a obrigatoriedade de formação superior para o exercício profissional do jornalismo.Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina.tos. recolheu a edição e recolocou-a no mercado com outra capa. o SJSC. O jornalista Mário Xavier é convidado a escrever para o sítio do Instituto Gutenberg. A Editora da Univali. de Quito. à época. O livro é uma das poucas obras no país a refletir o conflito regional X global na TV. O livro causou polêmica. Em 2001. 2000 De 2 a 5 de maio. também direJORNALISMO EM PERSPECTIVA 259 . porque trazia em sua capa uma arte que mesclava as marcas da Globo e da RBS. 1999 O jornalista Luis Fernando Assunção é eleito presidente do SJSC. em conjunto com a Fenaj e a Agecom da UFSC. editada pelo CIESPAL . sob a liderança do jornalista Moacir Loth. o artigo é um dos incluídos pelos advogados da Fenaj no “agravo de instrumento” apresentado ao Tribunal Regional Federal de São Paulo para defender a regulamentação da profissão e contestar a medida da juíza paulista Carla Abrantkoski Rister. e a escrever o artigo “Los Ombudsmen de Prensa son necesarios? Por qué?”. discutindo identidade regional e padrão nacional de produção televisiva. onde analisa a condição da RBS TV de afiliada da TV Globo. na edição nº 54 da Chasqui – Revista Latinoamericana de Comunicación. num debate nacional sobre os 30 anos da regulamentação da profissão de jornalista no país. com mandato até 2002. o artigo “A quem interessa ser contra o diploma?”.

Santa Catarina. avaliando criticamente sua cobertura noticiosa.Minas Gerais. liderado pelos professores doutores José Marques de Melo e Francisco Karam. organizam e realizam pela primeira vez fora do eixo Rio . por intermédio da UFSC e de integrantes do SJSC. 2001 O jornalista. A ABJC era então presidida pelo jornalista Hamilton Ribeiro. e que inclui um sítio digital sob a responsabilidade de Clóvis Geyer e Vinicius Carvalho. foram percorridos mais de seis mil quilômetros visitando pequenas redações e entrevistando empresários e jornalistas.São Paulo . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 260 .tor da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). professor e doutor em Comunicação Rogério Christofoletti implanta na Universidade do Vale do Itajaí (Univali). o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. defende a dissertação de mestrado “Perfil da Pequena Imprensa de SC”. tem participação destacada na criação do projeto Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar) . como eles estavam estruturados e vários outros temas de interesse.preservando a memória e construindo a história dos 200 anos da Imprensa no Brasil. um inédito trabalho de pesquisa e extensão denominado Monitor de Mídia. Um dos resultados do evento foi a publicação do livro “Comunicando a Ciência”. O Monitor de Mídia faz o acompanhamento sistemático dos três maiores jornais diários do estado. tornando-se referência acadêmica nacional como instrumento de crítica e aperfeiçoamento da imprensa. tendo como ponto de partida saber quantos jornais existiam no estado. O jornalista e professor Mario Luiz Fernandes. na PUC-RS: uma pesquisa inédita e de referência. então coordenador do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali. junto ao Centro de Ensino Superior de Ciências Humanas e da Comunicação (CEHCOM). Para traçar este perfil.

obra que discute a importância do diploma e da formação superior na área. na sede da ABI (RJ). fez alusão histórica afirmando que a utopia ali esboçada assemelhava-se ao sonho que. em 5/04/2001.A Rede Alcar propõe converter o século XXI no século da imprensa brasileira. há um século. jornalista Fernando Segismundo. “Em 1908 – afirmou Segismundo . no qual avalia as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 261 . A Fenaj. Sua premissa é a de que o processo civilizatório ancora-se na capacidade de abstração intelectual dos componentes de qualquer sociedade humana. com mandato até 2005. O livro foi distribuído em todo o país. com apoio do curso de Jornalismo da UFSC.   2002 O jornalista Luiz Fernando Assunção é reeleito presidente do SJSC.ninguém acreditava que fosse possível transformar o ofício noticioso numa profissão juridicamente reconhecida e socialmente legitimada”. impulsionara (o catarinense e desterrense) Gustavo de Lacerda a lançar as bases do associativismo jornalístico no país. ao ajudar a fundar e tornar-se o primeiro presidente da ABI. A jornalista e professora Maria José Baldessar lança o livro “A Mudança Anunciada” (Editoras UFSC e Insular). contribuindo para o fortalecimento da nossa cidadania. o presidente da entidade. como carro-chefe da campanha da Fenaj pela afirmação do diploma. 2003 O SJSC promove e organiza o 14º Enjac (Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Imprensa) e o 4º Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação do Mercosul. Quando da constituição formal da Rede Alcar. lança o livro “Formação Superior em Jornalismo – uma exigência que interessa à sociedade”.

A Fenaj congrega 31 sindicatos de jornalistas de todo o País. Murillo formou-se pela UFSC em 1984. Há cinco anos. O SJSC participa do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Profissão de Jornalista com diversas atividades em todo o Estado. 42 anos.946. Ancorado no código de ética da categoria.000 profissionais. é mestrando na mesma universidade e diretor do SJSC. que representam mais de 30. trabalha como professor do curso de Jornalismo do Ielusc. analisa vários dispositivos de aferição do comportamento profissional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 262 . Rogério Christofoletti lança o livro “Monitores da Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe os seus deslizes éticos”. estadual ou nacional. aponta para a preocupação de como os jornalistas catarinenses avaliam seus procedimentos éticos no dia a dia das redações e das assessorias de imprensa. Por proposição da ACI à Assembléia Legislativa. pela Lei nº 12.modificações sofridas pelos jornalistas catarinenses com a adoção do computador em suas rotinas de trabalho. expresidente por duas vezes do SJSC. braço catarinense da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania. Com a participação do SJSC. pela Editora da UFSC. Gustavo de Lacerda. como as comissões de ética dos órgãos da categoria e a figura do ombudsman (ouvidor). Nele. 2004 O jornalista catarinense Sérgio Murillo de Andrade. pelo telefone 0800-619 619. é instituído em Florianópolis o Fórum Catarinense de Acompanhamento da Mídia (FCAM). o Governo do Estado institui. em Joinville. o Dia da Imprensa Catarinense. em 1908. quase 100 anos após outro catarinense. O livro é um dos poucos no país sobre o cotidiano dos jornalistas e sobre os impactos tecnológicos em suas rotinas de trabalho. é eleito presidente da Fenaj. ter se tornado o primeiro presidente da ABI. Todo o cidadão pode denunciar abusos na programação de rádio e TV.

em Florianópolis. O SJSC atua como co-promotor e co-organizador do 2º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho e do 7º Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. o Comitê Catarinense de Apoio à Criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 263 . em ato público na Assembléia Legislativa. O jornalista. estando presente na vida social e política do país. tendo como objeto de estudo o papel social e político da atividade jornalística.comemorado anualmente em 28 de julho: data em que circulou em Desterro o primeiro jornal da Província de Santa Catarina. editores e executivos do jornal para fazer críticas e sugestões. O jornal “Diário Catarinense” e o “Jornal de Santa Catarina” criam pioneiramente na imprensa estadual o “Conselho de Leitores”. “O Catarinense”. e que tinha como slogan “Sentinela da Liberdade”. atuando firmemente na defesa da categoria e da própria profissão. uma modalidade de monitoramento público da qualidade e do conteúdo da imprensa executada com a participação não-remunerada de nove leitores que se reúnem a cada 20 dias com o editor-chefe. editado pelo lagunense Jerônimo Francisco Coelho. O Curso de Jornalismo da UFSC completa 25 anos. 2005 O SJSC completa seus 50 anos. professor do curso de Jornalismo da UFSC e doutor Francisco Karam lança o livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. Para ele. lutando pela democracia e justiça social. é essencial para a democracia e para a consolidação e a manutenção da cidadania. Karam mostra que a informação diária de qualidade. os princípios que regeram a atividade no século XX buscaram estabelecer um estreito vínculo entre a ética profissional e o interesse público. É lançado. produzida por profissionais íntegros e competentes.

UFRGS. Podem se associar ao SJSC todos os profissionais que. Moacir Pereira. Fontes consultadas ABI. Rede Alcar. integrem a categoria profissional. Nei Manique. É lançado pelo SJSC o livro “Jornalismo em Perspectiva”. Francisco Karam. Maria José Baldessar. Instituto Gutenberg. Moacir Loth. Rogério Christofoletti. PUC-RS. UFSC/Departamento de Jornalismo. Celso Vicenzi. Antunes Severo. com o objetivo de oferecer ao leitor um panorama do jornalismo praticado em SC nas últimas cinco décadas. Fenaj. Elaine Borges. Luiz Paulo Fedrizzi. ACI/Casa do Jornalista. Flávio de Sturdze. Univali. Sílvio da Costa Pereira. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 264 . por atividade prevista na legislação que regulamenta a profissão. SJSC. Sérgio Luiz Casares Pinto.destacando-se na luta pela democratização da comunicação no Brasil.

O traço do jornalismo catarinense JORNALISMO EM PERSPECTIVA 265 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 266 .

No outro dia. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 267 . O alto apuro estético. na ilustração e nas diversas formas de expressão do traço. Explicar esse trabalho em palavras é difícil. A imprensa cotidiana é diariamente abastecida com trabalhos que não só sintetizam situações e personagens como dão graça e leveza ao noticiário. Há ainda nomes premiados como Samuel Casal e obras originais como a de Sandro ou a de Fábio Abreu. melhor é virar a página e encontrá-lo numa curta. vai começar tudo de novo. da interpretação do fato e de sua relação com demais acontecimentos. Quando nela chega. cores e formas o seu vocabulário diário. então. a charge provocará gargalhadas e ranger de dentes. O chargista. mas representativa amostra do talento e da inteligência desses jornalistas. é possível lembrar nomes de expressão nacional em diversas gerações: de Clóvis Geyer e Bonson a Frank e Zé Dassilva. Tarefa ingrata é a do chargista que vasculha nas folhas do tempo vestígios que podem levá-lo à melhor piada. desenhos e croquis são mais uma ferramenta informativa na edição. rabisca caprichosamente a gag e preenche o espaço na página do jornal.Apresentação O jornalismo catarinense é pródigo também no humor gráfico. Sem fazer esforço. para tornar os conteúdos mais compreensíveis. No caso das charges e cartuns. buscando a síntese. A ilustração também assume papel cada vez mais relevante no noticiário cotidiano. e em pouco tempo se perderá na memória do público. Infográficos. o equilíbrio. a melhor tradução imagética de palavras e ações. a noção de espaço e a precisa exploração das páginas auxiliam os profissionais que fazem de curvas. o humor dá a dimensão precisa da crítica.

Bonson “A Notícia” .10 de fevereiro de 2004 “A Notícia” .13 de outubro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 268 .

27 de setembro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 269 .15 de julho de 2004 “A Notícia” .“A Notícia” .

Fábio Abreu “A Notícia” 26 de agosto de 2001 “A Notícia” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 270 .

20 de abril de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 271 .“A Notícia”6 de agosto de 2003 “A Notícia” .

Frank “A Notícia” .abril de 2000 “A Notícia” .7 de fevereiro de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 272 .

15 de fevereiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 273 .“A Notícia” .2 de junho de 2001 “A Notícia” .

Samuel Casal “Diário Catarinense” 16 de março de 2002 “Diário Catarinense” 22 de agosto de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 274 .

17 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 275 .“Diário Catarinense” 24 de agosto de 2003 “Diário Catarinense” .

Sandro “A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 276 .2002 “A Notícia” .

“A Notícia” .2004 “A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 277 .

Zé Dassilva “Diário Catarinense” .29 de outubro de 2002 “Diário Catarinense” .6 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 278 .

11 de janeiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 279 .30 de novembro de 2003 “Diário Catarinense” .“Diário Catarinense” .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 280 .

onde já exerceu as funções de Chefe do Departamento de Jornalismo e Diretor da Assessoria de Comunicação. assessora de comunicação e pesquisadora da Rede Alfredo de Carvalho. Desde maio de 2004.Os autores se apresentam Andressa Braun é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Foi diretor do Arquivo Histórico e da Biblioteca Pública de Joinville. sul da França. Até maio de 04. como chargista em “A Notícia”. romance.com. jornais. Depois. ocupa a Chefia do Gabinete do Reitor. no “finado” jornal “O Estado”. Apolinário Ternes – Jornalista e historiador. Na imprensa como cartunista desde 74. Atua em “A Notícia” desde l970. É autor de 23 livros dedicados à história regional. Áureo Mafra de Moraes – Natural de Brusque (SC).angelfire. atuou como diretor de programas políticos e desde 1993 é professor do Curso de Jornalismo da UFSC. onde exerce a função de editorialista há 25 anos. Bonson nasceu em 13/11/49. jornalista formado pela UFSC em 1987. é formado em História e Direito e tem Mestrado em Cultura e Educação.br JORNALISMO EM PERSPECTIVA 281 . iniciou profissionalmente em rádio em 1984 como locutor e repórter. crônica e teatro. expôs na França em 91 na cidade Bonson.Trabalhou na Folha e no Estadão em 84 e 85. Seus trabalhos podem ser vistos no site www.com/art2/sergiobonson email: bonson@tecnohelp. passou por emissoras de TV. pela UDESC. Como aquarelista e desenhista.

Fez parte do Movimento de Oposição Sindical e integrou duas vezes a Comissão de Ética do SJSC. É acadêmico de História da UDESC. nascido em 23 de novembro de 1955. “Farol de Santa Marta . É autor de “Os Comunas . 1998) e “Aninha virou Anita” (A Notícia. como Assessor de Informação da Secretaria da Administração. atua no jornalismo desde 1976. o jornal “O Estado” e o governo federal (UFSC e EBN). “O Estado” e “Jornal da Semana”. Trabalhei em Florianópolis. Porto Alegre. Vivo em Joinville desde 1995. entre outros. em Laguna (SC).Álvaro Ventura e o PCB catarinense” (Paralelo 27. a Gazeta Mercantil. São Paulo e Brasília. Sou sócio-diretor de uma empresa de serviços de jornalismo e comunicação (Multitarefa Ltda. e também participou do livro “Hercílio Luz – Uma ponte” (Tempo Editorial). em jornal. e repórter especial da sucursal do jornal “A Notícia” em Florianópolis. 7 de Novembro.Celso Martins da Silveira Júnior. Ocupo um cargo de confiança no governo do estado de Santa Catarina. 1995). brincava de fazer história em quadrinhos. 1999).A esquina do Atlântico” (Garapuvu. Profissional do desenho desde 92.). Também integrou a equipe da Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Em Florianópolis. Paulo” em Santa Catarina por mais de duas décadas. sou carioca de origem com sólida formação em Bahia. É co-autora do livro “Vozes da Lagoa” (editado pela Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes). Fábio Abreu – Nascido em 1964. Os principais empregadores foram a TV Gaúcha. César Valente – Jornalista desde 1972 e florianopolitano desde 1953. Elaine Borges foi correspondente do jornal “O Estado de S. coordenou a Editoria de Política do “Diário Catarinense” e foi repórter do “Jornal de Santa Catarina”. exerci praticamente todas as funções previstas na definição profissional do Jornalismo. Nos primórdios. trabalhei no JORNALISMO EM PERSPECTIVA 282 .

trabalhou oito anos na assessoria de comunicação do Sindicato dos Eletricitários. e hoje está no Ielusc. faço ilustrações. Nascido Frank Luiz Maia Bretas em 29 de abril de 1967. Pai da Luiza. Francisco José Castilhos Karam é jornalista e professor no Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Gastão Cassel é jornalista formado na Universidade Federal de Santa Maria em 1986. na Univali. também. Ética e Liberdade” e “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. em Nilópolis (RJ). Lecionou. Lá. onde colaborou no suplemento “O Estadinho”. onde criou e editou o semanário “Linha Viva”. onde publi-cou as primeiras tirinhas.“Bahia Hoje”. Integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo . sua empresa. Foi assessor de imprensa da CUT/RS. Passou pelo jornal “O Estado”. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 283 . Trabalhou no jornal “A Razão” e na sucursal da Empresa Jornalística Caldas Júnior (“Correio do Povo” e “Rádio Guaíba”) e atuou como repórter fotográfico freelancer  para vários jornais do RS. de Salvador e em “A Notícia”. infografias e desenho umas páginas. editou o fanzine “Futio Indispensável” e é ilustrador freelancer pela Traça Editorial. onde sou Editor de Arte. Em Florianópolis.SBPJor. iniciou a carreira docente no curso de Jornalismo da UFSC atuando nas áreas de Redação Jornalística e Planejamento Gráfico. é autor dos livros “Jornalismo. de Joinville. Sócio da Quorum Comunicação. a ordem dos fatores depende do dia. No mesmo período. virou Frank Maia na faculdade de Jornalismo da UFSC (1986) e arredondou para apenas FRANK. caricaturas. os dois pela Summus (SP). adoro ficar com ela e gosto de jogar futebol e tomar cerveja com os amigos. veio morar em Florianópolis em 1979. na página dois do jornal “A Notícia” faz oito anos.

Mario Luiz Fernandes – Natural de Jonville (SC). Maria José Baldessar é professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi repórter do jornal “A Notícia” e editor dos semanários “Evolução” (São Bento do Sul) e “O Município” (Brusque). é especialista em Marketing pela UDESC/ESAG. visitando o jornal Santa. Cursou Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) entre 1986 e 1989. atuando como auxiliar de redação e posteriormente como repórter na sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. além de ministrar aulas. Foi secretária-geral do SJSC por duas gestões e atualmente integra a Comissão de Ética da entidade. Jacques Mick é jornalista. doutoranda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e mestre em Sociologia Política. é professor do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajai (Univali). Trabalhou nas TVs Barriga Verde e Cultura e depois em assessoria de imprensa. Desde 1995. professor do Curso de Jornalismo do Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc (de Joinville). em Blumenau. doutor em Sociologia Política (UFSC). em Porto Alegre (RS). coordenou projetos de extensão como Universidade Aberta.agência especializada em comunicação e marketing institucional que atua no mercado há dez anos. Na UFSC. Fazendo Rádio na Escola e implantação da rádio Ponto. Mário Xavier Antunes de Oliveira nasceu em 02/05/1956. É mestre e doutorando em Comunicação Social pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul. onde iniciou no jornalismo aos 16 anos. e diretor da Quorum Comunicação (em Florianópolis). pelas mãos do jornalista Nes- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 284 . Conheceu SC no começo dos anos 70.

atua hoje como empreendedor independente. Paulo”. “Jornal de Santa Catarina” e na RBS TV. “O Estado”. presta assessoria de imprensa para o Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis e região e para as intersindicais dos eletricitários de Santa Catarina (Intercel) e do Sul do Brasil (Intersul). nos anos 90. sua Comissão de Ética. “Diário Catarinense”. “O Estado de S. “Isto ɔ.Ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC. pelo jornalista catarinense Políbio Braga. Marli Cristina Scomazzon tem 48 anos.tor Fredrizzi. Graduou-se Bacharel em Comunicação pela UFRGS. Escreveu como freelancer para jornais e revistas como “Veja”. da Universidade Federal de Santa Catarina. Moacir Pereira . Depois de uma bolsa de estudos culturais nos Estados Unidos. Desde 1991. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 285 . conselheiro da Fenaj e da UCBC. prestando serviços de consul-toria. “O Globo”. foi iniciado na profissão em 1980. é jornalista graduada em Jornalismo Gráfico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem mestrado em Mídia e Conhecimento pela Engenharia de Produção e Sistema. assessoria. Em 1985. Foi repórter. Trabalhou também como assessor de imprensa de entidades públicas e privadas e como professor universitário. chefe de reportagem. radicou-se em Florianópolis. Já trabalhou em jornais como “Zero Hora”. colunista político. De 1995 a 1997. fundador e primeiro coordenador do Curso de Jornalismo da UFSC. em 1974/75. em 1982. pesquisa. Prêmio Nacional de Comunicação Luiz Beltrão (Intercom). tornou-se o 1º ombudsman de imprensa catarinense. redação e edição de conteúdos. filiando-se ao SJSC e vindo a integrar. editor e colaborador na imprensa escrita. Criador da Redactor. política e comunicação. na região de New York. membro da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e autor de 21 livros sobre jornalismo.

jornalista formado pela PUC-RS. onde sofreu pressão do AI-5 por entrevista–bomba de um general. Róger Bittencourt – 38 anos. Atualmente. Regina lecionou nos cursos de Jornalismo da UFSC e do Ielusc e atualmente é professora e coordenadora da agência de notícias da Faculdade Estácio de Sá em Santa Catarina. Salim Miguel e outros. na área de Mídia e Conhecimento. voltou para Santa Catarina. foi sub-secretário da Sucursal Rio da “Folha de S. onde escreveu vários livros sobre a Guerra do Contestado. Record e foi assessora de imprensa na Assembléia Legislativa de Santa Catarina e do Governo do Estado. foi redator da revista “Manchete”. Depois. tem coluna semanal no “Diário Catarinense” e colabora com outros jornais do país. Barriga Verde. ao lado de Nilson Lage. ainda menor.Paulo Ramos Derengoski é lageano. foi repórter da “Última Hora” de Porto Alegre. Na década de 70. trabalhou na RBSTV. Foi repórter e editor de Política do “Diário Catarinense” e editor de Geral do DC. meio ambiente e índios guarani. Regina Zandomênico – formada em Comunicação Social – habilitação Jornalismo pela UFSC e mestre em Engenharia de Produção. atua em Santa Catarina há 18 anos. em Florianópolis. Na década de 80. sobre grandes pintores. Na década de 60. Carlos Heitor Cony. onde se destacou com a matéria “Sabonete Fugiu Pela Porta Escura da Morte” sobre um preso comum.Paulo” a convite de Cláudio Abramo. Atuou como professor nos cursos de Jornalismo da UFSC e da Univali. Trabalhou como chefe de reportagem e editor-chefe de Jornalismo na RBS-TV em Santa Catarina. além de entidades privadas. Começou a carreira há 17 anos na extinta Rádio União FM. Também foi repórter e editora de revistas especializadas. Ocupou o cargo de secretário de Comunicação do Estado e hoje é diretor da FábriJORNALISMO EM PERSPECTIVA 286 .

UnC Concórdia e leciona atualmente na Faculdade Concórdia. ganhou o Troféu HQmix como Desenhista Revelação e em 2003 venceu o XI Salão de Desenho para Imprensa. É mestre em Lingüística pela UFSC e doutor em Ciências da Comunicação pela USP Professor do curso . Em 2001.dois de contos e um de poesia . “Mundo Estranho”. 12 e 14. e também trabalhou como assessor de imprensa. e ilustrador  freelancer. tem três livros publicados . na categoria Histórias em QuaJORNALISMO EM PERSPECTIVA 287 . é autor de dois livros: “O discurso da transição” (2000) e “Monitores de Mídia . Foi professor na UnoChapecó. “Exame Info”. já tendo colaborado com várias publicações nacionais como “Caros Amigos”. Paraná e Santa Catarina. é jornalista desde 1991. em Florianópolis. 30 anos. 9. Já atuou em jornais e revistas de São Paulo. de Jornalismo da Univali. e integra duas coletâneas de contos. é Editor de Arte do “Diário Catarinense”. 11. Rubens Lunge. Ragú 5 e no catálogo da exposição ConSeqüências (Madri/Espanha). Atualmente. é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em Comunicação pela Universidade Metodista. Desde 2002. 45. É diretor do Sindicato dos Jornalistas de SC e reside em Concórdia.ca de Comunicação. Samuel Casal. na coletânea “10 na Área. “Macmania”. é ilustrador profissional desde 1990. “Folha de S. um na Banheira e Ninguém no Gol”. 10. Paulo” entre outras. é vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. “Superinteressante”. empresa de assessoria de imprensa com atuação estadual e nacional. Escritor. “Você S/A”. Rogério Christofoletti – Paulista radicado em Santa Catarina há oito anos.como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (2003). Casal também é quadrinista e suas hqs já  foram publicadas nos álbuns Front 8.

natural de Joinville. como ghost-writer. Lá. Em 2004. Participo dos sites www. 36 anos. de onde seus cartuns já foram pinçados para republicação em veículos como “Veja”. uma reportagem sobre o lendário time de futebol Metropol. Desde 1998 é chargista do “Diário Catarinense”. Formou-se em jornalismo na UFSC aos 20 anos e lançou.com. “Pasquim 21”.com e www. chargista. “Zero Hora” e “O Globo”. no último dia do ano de 1973. com o Xerocs Porcoration. Casseta & Planeta.cybercomix.br. que depois rendeu um documentário dirigido por ele. mando charges pro site do Zé Simão.drinhos. Também produziu cartuns animados para o canal SporTv e vinhetas para a TV Globo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 288 . Zé Dassilva nasceu em Criciúma. o livro “Histórias que a Bola Esqueceu”. arquiteto. o Monkey News. já colaborei com a revista MAD e com o PASQUIM21. Ilustrador Nacional e pelo melhor Fanzine. Gente Inocente. Sandro Luis Schmidt. Turma do Didi e Globo Ciência. Também escreveu duas biografias institucionais.patodelaranja. onde é roteirista desde 2000. escreveu para os programas Sai de Baixo. como melhor Desenhista Nacional. e lá fiquei até 2005. Xuxa. Comecei a carreira como chargista e quadrinhista no jornal “A Notícia” em 1988. dois anos mais tarde. recebeu Menção Honrosa na categoria  Ilustração Editorial também no Salão Internacional de POA e mais três  troféus HQmix. eventualmente.