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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Reitor
Lúcio José Botelho
Vice- Reitor
Ariovaldo Bolzan

EDITORA DA UFSC

Diretor Executivo
Alcides Buss
Conselho Editorial
Alcides Buss - Diretor Executivo
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Cornélio Celso de Brasil Camargo
Jõao Hernesto Weber
Luiz Henrique de araújo Dutra
Nilcéa Pelandré
Regina Carvalho
Sergio F. Torres de Freitas

Maria José Baldessar
e Rogério Christofoletti (Orgs.)

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Universidade Federal de Santa Catarina

Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti (Organizadores)

Capa
Maria José H. Coelho

Editoração Eletrônica
Sandra Werle

Revisão
Maria Elizabeth Saraiva Nogueira

Supervisão Editorial
Maria José Baldessar e Rogério Christofoletti

J82 Jornalismo em perspectiva / Maria José Baldessar e
Rogério Christofoletti (org.). - Florianópolis: [s.n.], 2005.
288p.

Inclui bibliografia.

1. Jornalismo - Santa Catarina - História. 2. Sindicato
dos Jornalistas de Santa Catarina - História. 3.
Imprensa - História. 4. Ética Jornalística. 5.
Jornalismo - Objetividade. 6. Jornalismo - Aspectos
Sociais. I. Baldessar, Maria José. II. Christofoletti,
Rogério.

CDU: 07.01

Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

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Catarina CEP 88010-970
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jornal@cce.ufsc.br http://www.editora.ufsc.br

Marli Cristina Scomazzon 103 Rádio: na 3ª idade.César Valente 71 Parte 2 .Paulo Ramos Derengoski 13 A imprensa no norte de Santa Catarina .Jacques Mick 165 . jornalismo e negócios .Regina Zandomênico 115 Fotojornalismo Catarina .Rubens Lunge 45 A mídia no Vale do Itajaí .Elaine Borges 131 Televisão.Expansões e Transformações 85 Assessoria de Imprensa: mercado em expansão .Apolinário Ternes 21 Uma história de coragem no sul do estado .Celso Martins 33 Resistência no oeste catarinense .Roger Bittencourt 87 Comunicação no Terceiro Setor .Andressa Braun 123 Mulheres e jornalismo . mas ágil como adolescente .Índice Apresentação 7 Parte 1 .Histórias do jornalismo catarinense 11 Imprensa na Serra .Moacir Pereira 153 Jornalismo em cima do muro .Áureo Moraes 143 Jornalismo e Política .Mario Luiz Fernandes 49 A imprensa na Grande Florianópolis .

O traço do jornalismo catarinense 265 Apresentação 267 Bonson 268 Fábio Abreu 270 Frank 272 Samuel Casal 274 Sandro 276 Zé Dassilva 278 Os autores se apresentam 281 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 6 .Rogério Christofoletti 219 A contribuição das escolas: o curso da UFSC .Parte 3 .Gastão Cassel 187 Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e contradições.Francisco José Karam 233 A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia - Mario Xavier 247 Parte 4 .Maria José Baldessar 203 A preocupação com a ética: tradição e futuro .Inovação e Perspectivas 185 Muita história para contar (ou Uma história por contar) .

conferindo novos contornos também às nossas idéias e condutas. O mundo parece ter ficado menor com as novas velocidades dos meios de transporte e mesmo com a facilidade de manuseio e agilidade dos veículos de comunicação. A vida parece ter ficado JORNALISMO EM PERSPECTIVA 7 . modificando o impac- to sobre o meio ambiente. entidade que vem acompanhando a evolução do jornalismo no estado e que vem con- tribuindo para muito desse desenvolvimento. os organizadores deste Jornalis- mo em perspectiva consideram necessárias algumas palavras não para introduzir o leitor nas histórias que lerá a seguir. As- sistimos a uma enxurrada de progressos ao mesmo tempo em que percebemos o aumento da desigualdade social. pela profissionalização do exercício e pela consolidação do jorna- lismo como uma atividade vital para a sociedade. Este livro marca as celebrações dos 50 anos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Entretanto. Os últimos 50 anos mudaram a face da vida humana no glo- bo. fatia de tempo fartamente recheada pelos avanços tecnológicos. mas para reconhecer e sublinhar os esforços aqui empreendidos. Mas este não é um livro sobre o Sindicato. dos confrontos ar- mados e da complexidade das sociedades. Tanto pelos autores quanto pelo ineditismo da obra. A obra se debruça muito mais sobre o próprio jornalismo que vimos construindo nas últimas décadas.Apresentação Um livro como este dispensaria apresentações. Isso se traduziu em outras sociabilidades e comunicabilidades. alterando nossas relações interpessoais. Tanto por seu título quanto por seu escopo.

fazendo circular bens e notícias. e o jornalismo apressou-se em contar as histórias que serviam de fundo para as revoluções tecnológicas. A mídia e a indústria cultural também se expandiram. Em 50 anos. Repórteres. chargistas e ilustradores. num diversificado exportador. fortale- ceu sua infra-estrutura e passou a capacitar melhor os seus profis- sionais. o estado ampliou a qualidade de vida. Escolas de comunicação se espalharam. colunistas. num estado industrialmente com- petitivo. O que só alimenta a disposição pelo res- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 8 . cobrindo todas as regi- ões catarinenses. tornando-se em berçários dos novos jornalistas. fazendo girar a roda da fortuna nos departamentos comerciais.mais rápida. E tudo isso apesar da sua pouca extensão territorial. Por conta de sua distribuição geográfica. arte. Paralelamente. morais e de comportamento. homens e mulheres dos mais diferentes meios reúnem aqui uma generosa parcela da história recente do campo jornalístico local. mais curta. É evidente que o tema não se esgota neste título. foram convidados jornalistas de todo o estado para tentar oferecer ao leitor um retrato de 50 anos de jornalis- mo. Santa Catarina deixou um modesto posto entre as unidades da federação para se converter num destacado produtor agrícola. Muita gente e muita história ficaram de fora. o mercado publicitário tam- bém evoluiu. Os meios de comunicação registraram tudo isso. diversão e informação. investiu em infra-estrutura e melhorou seus índices de desenvolvimento humano. de forma a registrar parte das ações huma- nas no campo da comunicação em Santa Catarina. Um pouco desse mosaico de realizações está descrito nas próximas páginas. num pólo tecnológico. editores. Para tanto. o estado viu sur- girem no interior influentes jornais e empresas de radiodifusão. O jornalismo catarinense deu sucessivos saltos de qualidade neste período: estendeu a malha de cobertura noticiosa. Na última metade do século XX.

gate de mais fatos em novos volumes, como bem o fazemos coti-
dianamente no jornalismo. Autêntico trabalho de Sísifo, o exercí-
cio de reportar os fatos não termina nunca, sabemos todos.
Este Jornalismo em perspectiva não dá conta de tudo o
que se produziu em meio século na área. Mas isso já era esperado
desde os primeiros instantes dessa idéia. A intenção era mesmo
produzir uma obra multifacetada, parcial, plural, dinâmica. Ao lon-
go dessas páginas, o leitor vai se deparar com a menção a nomes já
mitificados na imprensa local e vai encontrar também a citação de
autores de outros capítulos do volume. Não é mera coincidência,
já que alguns dos convidados a escrever não apenas foram teste-
munhas dos acontecimentos como imprimiram suas digitais neles,
participando ativamente da história.
O livro foi totalmente produzido por jornalistas: dos textos
às ilustrações, da capa ao projeto gráfico, da organização e revisão
à captação de recursos para a sua impressão. Disposto em quatro
partes, o conteúdo não apenas reconta a trajetória dos aconteci-
mentos que talharam o jornalismo catarinense nos últimos 50 anos.
Inicialmente, é apresentada uma certa geografia do fazer jornalísti-
co no estado, seção em que o leitor poderá visualizar as regiões
catarinenses como peças de um quebra-cabeça. Nesta parte, o
foco se desloca do Planalto Serrano ao Vale do Itajaí, do Norte ao
Sul e passando pelo Oeste e pela região metropolitana, salientando
a imprensa local, os principais nomes, as maiores empresas.
Na segunda parte do livro, a produção jornalística de outros
meios é mostrada. O fio condutor é o conjunto de expansões e
transformações que a atividade sofreu no rádio e na televisão, na
fotografia e na política, bem como os impactos das assessorias de
comunicação no mercado de trabalho.
Como nenhum balanço é completo sem a miragem de algum
futuro, a terceira parte do livro realça as inovações que marcaram
o jornalismo local e sinalizam algumas perspectivas para a área.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
9

O advento das escolas de comunicação, a discussão sobre a ética
profissional e a chegada dos computadores às redações são alguns
dos tópicos abordados. Mas também são apontadas a participação
das mulheres no fazer jornalístico e as contribuições do Sindicato
dos Jornalistas na articulação dos profissionais. Para completar, a
quarta parte reúne trabalhos de alguns dos mais talentosos e im-
portantes ilustradores e chargistas de Santa Catarina: crítica, hu-
mor e inteligência.
Jornalismo em perspectiva serve de registro do passado,
reflete ações do presente e lança luzes para caminhadas futuras. As
contribuições que este livro oferece vão da preservação da me-
mória de um tempo ao desenvolvimento de novos procedimentos
que aperfeiçoem as práticas diárias dos que vivem das notícias.
Este projeto deve um agradecimento especial à Universida-
de Federal de Santa Catarina, que patrocinou a impressão desta
obra, e a todos os jornalistas envolvidos na sua produção. Uma
história do jornalismo catarinense – mesmo que parcial – só pode-
ria mesmo ser escrita por jornalistas. Os que aqui imprimem as
suas assinaturas, o fizeram sem nenhuma remuneração, sem qual-
quer menção a ganhos eventuais. Todos os autores deste Jornalis-
mo em perspectiva acreditaram no projeto, e cederam direitos
autorais, e parcela de sua energia e entusiasmo para viabilizar o
produto. As páginas que o leitor vê a seguir foram pura obra de
um esforço coletivo.

Os organizadores

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
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Histórias do
jornalismo catarinense

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
11

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
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Paulo Ramos Derengoski
Imprensa na Serra

Nos primórdios, a imprensa serrana foi basicamente a im-
prensa de Lages.
E o primeiro jornal editado em Lages foi “O Lageano”, na
verdade um micro-jornal de formato 23x33 cm, com apenas qua-
tro páginas. O primeiro número circulou em 14 de abril de 1883.
Dirigido pelo professor João da Cruz e Silva, era um vibrante e
pequenino semanário que dedicava seus artigos de fundo à defesa
do ensino público, criticando as péssimas estradas da região e exi-
gindo a criação de um Mercado Público, bem como a retirada do
cemitério da época do centro da cidade.
Dentre os colaboradores que mais se destacaram com em-
polgados textos estavam o médico homeopata e futuro desem-
bargador, Genuíno Firmino Vidal Capistrano e João José Theodoro
da Costa.
Em 4 de janeiro de 1884, o pequeno semanário foi vendido
para Henrique José Siqueira, que acrescentou “mais uma coluna
em cada página”. Nessa fase, o grande colaborador seria o acadê-
mico de Direito, “nosso correspondente em São Paulo”, Caetano
José da Costa, que entre reportagens memoráveis, descreveu a
visita à bandeirante capital de dois manda-chuvas lageanos: os co-
ronéis Belizário de Oliveira Ramos e Henrique de Oliveira Ramos,
“que conferenciaram com o chefe da democracia paulista”, dr.
Rangel Pestana, e foram à ópera, assistir “A Corsa do Bosque”.
Com a proclamação da República, “O Lageano” deixou de
circular por algum tempo. Não que ele fosse monarquista. Ao con-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
13

Vidal Ramos. Julio da Costa e Manoel Thiago de Castro. um bi-semanário que circulava às quintas-feiras e aos domingos e que tinha um sistema de entregas nas grandes fazen- das da região. Até que em 1º de janeiro de 1897 começaria a circular um jornal de maior duração: o “Região Serrana” dirigido também por Manoel Thiago de Castro e que marcaria época em todas as regi- ões catarinenses pela ampla atuação política. Em 1886. cujo gerente era José Joaquim de Córdova Passos e cujo lema era: “Não se admitem testas de ferro”. Sebastião Furtado. surge na Serra – com duração até hoje – a sátira e o humor irônico para encarar as pugnas partidárias provin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 14 .trário. seria fuzilado bar- baramente em 1893. Nessa ocasião. Caetano Costa. o Professor Tota. historiadores como Fernando Athayde e até poe- tas como Sebastião Furtado. com boa penetração. Seus redatores eram homens cultos. O saudoso pequenino “O Lageano” voltaria a circular em 1891 pelas mãos de João Costa. Caetano Costa e Antônio Henrique. Mesmo as- sim. mudou o nome para “Quinze de Novembro”. Era diretor- proprietário Manoel Thiago de Castro.“do Cajuru aos fundos da Coxilha Rica”. Suas páginas registraram uma polêmica que marcou época entre Caetano Costa e Pedro Leite Júnior. Seria substituído em 1893 pelo “Rebate”. Advertindo ainda que as assinaturas teriam que ser pagas adiantadas. Henrique José Siqueira. já circulava em Lages. o seu proprietário. e os “autógrafos que nos forem remetidos não serão devolvidos”. mas sob a direção do mesmo José Joaquim de Córdova Passos. João Nunes. Do mesmo diretor apareceria em 1896 “O Município”. Belizário Ramos. notável intelectual serrano. órgão do Partido Liberal. saía o primeiro número da “Gazeta de Lages’. “O Escudo”. Em 21 de abril de 1892. agora órgão do Partido Republicano Federalista.

chamado pelo contendor de “tucano de bombacha”..) (. aventureiro desalmado.. Acredito que eram feitas por três mestres: Caetano. que fun- dou o semanário “O Imparcial” em 23 de junho de 1901. publicados no semanário.... tornando-se um verdadeiro idiota.) De tudo desfazer do pé pra mão Pelo insulto.” Muitas dessas ofensas terminavam em desforços pessoais e ameaças de tiros. mar- cando um bom churrasco “sem bebidas alcoólicas”... Ao que este respondia dizendo que o outro era “dominado pela vaidade..ciais.inspiração” Grandes polêmicas. Os versos de sátira política. até que a turma do deixa-disso interviesse. atingi- ram até a Capital. calúnia e traição (..) abrindo diques de asneiras. Uma das discus- sões mais famosas travou-se entre os grandes fazendeiros José Maria Antunes Ramos e Hortencio Rosa... Ele ataca- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 15 . Até hoje se discute quem era o autor das setas envenenadas – ou dos perdigotos cáusticos – que eram lançadas de Serra Acima. arvorado em pasquineiro. inundavam as paginas do “Região Serrana”. impacientes Em assalto ao Poder representado Pela honra e critério convenientes Ao povo e ao partido denodado (. Outro polemista violento foi José Castello Branco. O tom subiu tanto que muitas matérias eram pagas pelos contendores. Furtado e o professor Tota. provocando o então governador Hercílio Luz.. Eram as famosas “herciliadas”.) Camoneando exporei nesta Secção Se pra tanto houver tempo e. baseadas nos Lusíadas e assinadas pelo pseudônimo de “Petit Camões”.) (. algumas de caráter puramente pessoal. querendo chamar para si as glórias do mundo (. Eis um exemplo mordaz... em decassílabos: “Os feitos e os varões proeminentes Que da terra fecunda deste Estado Surgiram afobados.

mas com um número bem avantajado de páginas. dizendo: “É um mau jornal. A fase mais profissional da imprensa serrana começa em 1915. surgia “A Aurora” jornal que se pretendia humorístico e literário. quase todos tinham vida curta. E ainda por cima foi editada pelos padres uma espécie de revista mensal intitulada “A Sineta do Céu”. de 1º de maio de 1904. os nani- cos da região se uniram e proibiram a circulação do mesmo na Serra. caía em cima do “Imparcial”. quando um jornal de fora (“Evolução”. aparecia “O Clarim”.” Talvez de tão acossado “O Imparcial” faliu em 1907. que davam um aporte quando o preço do boi subia.va os padres. que teve que mudar de profissão transformando-se em “cenógrafo teatral”. No dia 7 de setembro de 1906.. E ameaçava: “Quem apoiar tão nojento órgão a-católico (não católico) seja por assinatura ou recomendação. quando volta a circular “O Lageano” sob a direção de Jucun- dino Godinho e que teve notável atuação política quando da cisão do poderoso Partido Republicano Catarinense em 1920 e lançou JORNALISMO EM PERSPECTIVA 16 . principalmente frei Pedro Sinzig. mas que cortavam a grana quando vinham as cíclicas crises do preço da carne. Por isso. é indecente e obsceno. intelectual francis- cano respeitado e autor de vários livros. Mesmo assim. sob a direção do frei Sinzig no dia 13 de maio de 1902 e que também usava um tom polêmico. Os franciscanos lançaram então o semanário “O Cruzeiro do Sul”.. não é isento de Culpa. de tal modo que não pode ser lido por famí- lias”. dirigido por Bibiano Lima. chamando-o de Pedro Barulho. ameaçando o seu “correspondente”. E já no seu número 9. Observe que na ocasião era muito grande a influência da Loja Maçônica Lageana – “A Luz Serrana”. Em fins de 1907. desabrido e até agressivo. Quase todas essas publicações dependiam de “amigos e favorecedores”. de Ita- jaí) ousou criticar o hábito serrano das serenatas noturnas.

sob a direção dos irmãos Athayde e que tinha no expediente um elenco de colaboradores permanentes de alto nível. Nesse período em que a imprensa serrana se profissionali- zava. com o advento do tenentismo no sul do Brasil. Até o distrito lageano do Painel (hoje município) teve um jornal semi-manuscrito. todos de vida breve e feliz: “A Coruja”. “O Diabo”. maior no verão. O Centro Cívico Cruz e Sousa. entidade que congregava basicamente representantes da raça negra. do advogado Odílio Malheiros. lageano que também se destacaria nos jornais da Capital. tinham apenas quatro páginas e tiragem variável. voltou às bancas em 5 de setembro de 1937. Em 1924. novos jornais surgiam e desapareciam do dia para a noite. O secretário de Redação era um nome legendário na imprensa catarinense. etc. “O Dunguinha”. contra a vontade das cúpulas partidárias. o “Zum-Zum”. cuja circulação havia sido interrompida em 1914. Mas com o crescente acirramen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 17 . “O Painelense” de 1917. “A Ver- ruma”. com uma linha editorial agressiva e com violentos ataques aos adversários. “A Região Serrana”. sob a direção de João Pedro Ghiorzi e do coronel Aristiliano Ramos. Em 23 de junho de 1917. “O Fantasma”. Ou. coronel Aristiliano Ramos. por seu estilo refinado. Geralmente.em suas páginas a candidatura de Nereu Ramos a deputado fede- ral. “A Metralhadora”. como pre- feriam se auto-intitular: “Hebdomadários”. começava a circular “O Planalto”. como Octací- lio Costa. Excelentes crônicas sobre a história de Lages começa- ram a ser publicadas no “Planalto”. não deixavam de publicar alguns jornais nanicos. lançou “A Épo- ca”. que também teve vida efêmera. “O Garoto”. o chefe po- lítico da oposição lageana. Mais radical ainda era “A Defesa”. cultura e bom humor: Jayme de Arruda Ramos. menor no inverno. Com o acirramento das lutas políticas. Até que um jornal de bom nível. tam- bém editou por breve período “O Cruz e Sousa”. Quase todos eram semanários. “A Marreta”.

O seu alcance se estendia a municípios vizinhos como São Joaquim. seus filhos.158.to das lutas políticas nacionais e até mundiais. Izabel e Paulo Baggio. são os atuais proprietários. com amplo noticiário internacional. O editori- alista Nevio Santana de Fernandes tem milhares de artigos assi- nados e a atual editora-chefe é a jornalista Olivette Salmória que conduz uma equipe de bons profissionais. reapareceria sob a direção de um empreendedor da im- prensa. nacional e local. Fernando Athayde com alenta- dos arquivos de notas e o padre mineiro (Brude) Sebastião da Silva Neiva. Nesse período conturbado. E assim se conserva até hoje com grandes inovações gráficas. Curi- tibanos. o tradicional “Re- gião” partia também para o ataque e a retaliação. Nele pontifi- cavam os professores: Walter Dachs. Até que em 1955 as máquinas pararam. principalmente no Palácio do Governo. Bom Retiro e até a Capital onde muitos eram os assinantes. As páginas culturais do “Guia Serrano” eram de boa qualida- de. Após o falecimento de José Baggio. Depois de uma breve inter- rupção. lançado pelo próprio Vi- gário de Lages. Octacílio Cos- ta com as pesquisas de outrora. genealogista. tendo a lado a cultura de Edésio Nery Caon. Era o poderoso “Guia Serrano”. Durou 35 anos ininterruptos até dezembro de 1971. com guerras mundiais. com análises sobre a história e as tradições da Serra. A partir de 21 de outubro de 1951. José Paschoal Baggio. De bissemanário a diário foi um pulo. frei Archanjo Moratelli em março de 1936 e que se pretendia “apolítico”. que formou gerações de serranos com suas aulas de inglês. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 18 . quando saiu o número 3. a grande estrela da im- prensa lageana passou a ser o “Correio Lageano” sob a direção de João Ribas Ramos e Almiro de Freitas. Rio do Sul. golpes e revoluções. o jornal de mais forte permanência voltou a ser dos padres. totalmente informatiza- do.

Em ou- tros municípios. às vezes se esgotando mal chega às bancas. com um corpo de veteranos radialistas. “Correio da Sorte”. de Roberto Amaral. Em Curitibanos. Lages é a cidade onde se gera a imagem da Rede TV Sul. foram pioneiras no estado a TV Pinhão. o bisse- manal “O Vale”. Pois em quase todos os países. Em Caçador tem boa penetração o semanário “Folha da Ci- dade”. “Folha do Planalto”. relatando. o semanário “O Tempo”. Um semanário que se firmou em Lages é “O Momento”. o semanário “Gazeta do Alto Vale”. Em Ponte Serrada. econômicos e sociais da comunidades onde se situam. Em Canoinhas. “O Gazeta do Oeste”. E em Taió. embo- ra alguns tenham vida curta. “Jor- nal da Cidade” e “O Melhor”. jornais bem mais jovens vêm se firmando. descrevendo. com um bom corpo de redatores e repórteres e cujo forte é a cobertura completa de área local e policial. Em 1977. Em Capinzal. proprietário de uma grande rede de rádios e televisão no Estado. Em Joaçaba. tendo um vasto núme- ro de leitores. refletem uma tendência mundi- al. de grande penetração no campo. com periodicidade mensal. aparecia em Lages “O Planalto”. Com as novas técnicas de impressão quase todos esses jor- nais são em cores e nesse sentido. a TV Nova Era e a TV Câmara Municipal. não restam dúvidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 19 . dirigido pelo en- genheiro Roberto Amaral. médias e pequenas cidades têm seus próprios jornais. que já teve em seus quadros um brilhante diagramador: Moacyr Oliveira. Mas nem só em Lages floresceu a imprensa serrana. Se o tamanho e o alcance da imprensa reflete as dimensões de uma região como queria Victor Hugo. noticiando fatos di- versos. “A Semana”. e a poderosa Rádio Clube de Lages. O dire- tor do vibrante jornal é Wilson Graupner. Na TV por assinatura. vários semanários apareceram: “Correio do Norte”.

De um modo geral. Porque na vida. passando pelos gráficos..que a imprensa da Serra catarinense é o reflexo de uma sociedade pujante e dinâmica. são jornais que se impuse- ram pelo critério.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 20 . redação. refletindo o império da opinião pública. E que sempre existiram graças ao esforço dos que nela trabalham e tra- balharam: os operários do jornalismo – desde os simples entrega- dores. como nos jornais – e até na máquina do mun- do –. jornalistas colaboradores aos diretores. mais vale gastar-se do que se enferrujar.

próprio para desig- nar grandes rios como o Amazonas ou o Nilo. chegado a Joinville a 13 de dezembro de 1851 a bordo do veleiro “Neptun”. de águas calmas e serenas. além de receber notícias “de fora”. como tal. como seria o caso do vocábulo “strom”. quando surge o jornal manuscrito “Der Beobachter am Mathiasstrom” – O Observador às margens do Rio Mathias . assim denominado em homenagem ao presidente da Sociedade Colonizadora Hamburguesa de 1849. interior da Prússia Oriental. sob a iniciativa do imigrante polonês Karl Konstantin Knüppel. Aos 34 anos. O ribei- rão Mathias. contudo.   JORNALISMO EM PERSPECTIVA 21 . Karl Knüppel procedia da cidadezinha de Pinne. bem informado sobre tudo o que acontecia na colônia Dona Fran- cisca. Decidiu publicar um “bo- letim informativo”. Apolinário Ternes A Imprensa no norte de Santa Catarina Mesmo com São Francisco do Sul então com cerca de dois séculos de existência. a imprensa no Norte de Santa Catarina tem como data de nascimento o dia 2 de novembro de 1852. já pelo título denunciava o perfil da publicação que tinha o espírito indo- mável do melhor jornalismo. constituía-se num plácido córrego no centro da colô- nia. denúncia e críticas. repetirem de 20 a 30 outras cópias comercializadas a 120 réis a ávidos leitores da colônia. jamais num rio caudaloso. estrepi- toso. exaustivamente.. viria a se constituir no escrivão da colônia e. solteiro. que redigia de próprio punho e depois “assala- riava” terceiros calígrafos para. “O Observador às margens do Rio Mathias”. atual Polônia. senador Mathias Schroeder. de ironia. De profissão lavrador.

O de Joinville seria o segundo em língua alemã no Brasil. hospital. Na primeira página. aos milhares. os objetivos do jornal: “Levar a opinião e os anseios de todos ao conhecimento ge- ral. fundado em Porto Alegre a 2 de agosto de 1852. que generosamente se revela.“Mathiasstrom”  O “Mathiasstrom” nasceu apenas três meses antes de “Der Kolonist” – O Colono -. esclarecer assuntos como escola. destaca: “demos adeus à plagas do torrão natal. informar as obrigações da Sociedade Colonizadora e a maneira de sua aplicação. onde existe alma em desespero”. des- de o seu início. informar os colonos a respeito das condições da colônia. debater as condições entre empregadores e empregados e demonstrar porque seria mais vantajoso para a colô- nia se fossem empregados apenas trabalhadores europeus. a terra que fez a felicidade de nossos pais e que amávamos mais do que o nosso sangue? O que foi – e continua sendo – que nos expulsou. caridade e coleta”. sempre que um coração torturado anseia por mitigação e que. da idolatrada e inesquecí- vel pátria? É a vontade de uma Providência onisciente e insondável. o “artigo de fundo” do número 1 do “Observador”. Ah! Doloroso adeus. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 22 . demonstrar a necessidade da formação de uma comuna. igreja. demonstrar a situação no futuro. pródiga. É possível que o próprio lavrador-jornalista da colônia Dona Francisca. então o primeiro jornal em língua alemã em todo o país. Pouco adiante. Apoderou-se de nós e consigo nos arrastou a possante corrente de desconfiança e do fracasso. caso per- durem as atuais condições. estende sua mão. Knüppel. do qual deve ter tido conhecimento em razão de suas funções de escrivão na colônia. tenha sido estimulado pelo surgimento do jornal portoalegrense. Não tinha mais espaço para nós. o Príncipe de Joinville e a Sociedade Colonizadora. informar a respeito das obrigações dos colonos e de seus direitos para com o Estado.

onde. adquirida em Leipzig. na Rua 15 de novembro. em 1880. cultural e econômica da colônia. figurando como fundador das pri- meiras instituições. e para que o útil seja unido ao agradável. das quais o jornal “Kolonie” será das mais im- portantes e fundamentais para o sucesso do empreendimento co- lonizador. pp. in “História da Imprensa de Joinville”. chegado à colônia a bordo do “Floretin”. a 20 de dezembro de 1862. já casado com Caroline Baring desde julho de 1853. transferiu-se para Botucatu. com a publicação do “probenummer”. que o jornalista Knüppel no ano de 1861. ali mesmo instalaria uma pequena prensa. e iniciaria a publicação do primeiro jornal impresso de Joinville. Ottokar Doerffel terá excepcional presença na vida política. nem informações sobre até quando cir- culou o “Observador”. vindo a falecer no dia 18 de setembro de l895. jornalista e político Ottokar Doerffel. Instalado em modesta casa onde mais tarde edificaria a sólida residência que hoje abriga o Museu de Arte de Joinville. contudo. instalou-se na cidade de São Paulo para lecionar na Escola Alemã.Zeitung”  A “grande imprensa” da colônia Dona Francisca teria início com o surgimento do “Kolonie-Zeitung”. (Tra- dução Elly Herkenhoff. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 23 . 18 e 19) Não se tem notícia sobre a existência de uma única cópia do primeiro jornal da colônia. fundou o “Colégio Benjamin Franklin”.   “Kolonie. no dia 20 de novembro de 1854.1998. Posteriormente.  O “Observador” irá ainda: “divulgar os meios para melhor produção das diversas culturas agrícolas e esclarecer sobre a ven- da dos produtos. Sabe-se. coletar e publicar assuntos de interesse geral. publicará anedotas e pilhé- rias sadias e miscelâneas que lhe forem enviadas e anúncios”.exemplar de prova – por iniciativa do advogado.

Boehm e depois para seu filho. quase todas de cunho político-partidário. A grande maioria foi de publicações efêmeras. O jornal de Ottokar Doerffel será publicado ininterrupta- mente por 80 anos consecutivos. O “Kolonie – Zeitung” cresceu ao longo dos anos. o jornal passou às mãos da família Boehm. por linha”. e teve sua publicação interrompida em 1942. Otto. quando seus editores tiveram que publicar o jornal em português. inicialmente de Carl W. o que determinou o fechamen- to da empresa. ampliou o número de páginas e de edições. a grande maioria de assi- nantes e leitores. em ra- zão da Campanha de Nacionalização decretada por Getúlio Var- gas. em 1951. que mantiveram por longas décadas importante empresa gráfica e livraria na cidade. Após a morte de Ottokar. depois de quatro anos de dificuldades crescentes. Ainda no início da década de 1940. circulando até três vezes por semana. integralmente em língua alemã. a partir de 1938. uma característica do jornalismo que se prati- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 24 . em 1906. só conse- guia ler jornal na língua de Goethe. enquanto os anúncios serão cobrados a 150 réis e 120 réis. A única coleção completa das oito décadas do jornal encontra-se no Arquivo His- tórico de Joinville. A assinatura anual custava 1500 réis e o número avul- so 100 réis. transformando-se em importan- te fonte de informações para a história de Joinville. espalhados por todo o Sul do Brasil. Publicado aos sábados. des- tinava-se a ser uma espécie de órgão oficial das colônias de Joinville e Blumenau. “Qualquer artigo de interesse geral será publicado gratuitamente. 80 anos após a edição número 1 do “Kolonie- Zeitung”. enumera de- zenas de publicações jornalísticas feitas na cidade até aquela data.   Outras publicações Levantamento feito pelo historiador Plácido Gomes e publi- cado no Álbum do Centenário de Joinville.

Raras foram as iniciativas de cunho empresarial. de forma que passamos a citar de forma abrevi- ada as principais publicações enumeradas por Plácido Gomes: 1884 – Publicou-se “O Globo”. A Gazeta era impressa na gráfica do “Kolonie” e tinha como redator principal Carlos Lange e colaboradores Etiene Douat e o telegrafista Manoel da Costa Pereira.primeiro jornal em portugu- ês – numa colônia de pouco mais de 20 mil habitantes. também. composto e impresso em tipografia própria. substituído logo depois pelo “Reform”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 25 . sem caráter político- partidário. Abdon Batista.cava na primeira metade do século XX em todo o país. 1910 – Surge o “Die Fackel”. filiado ao Partido Con- servador. e posteriormente passou a denominar-se “O Democrata”. 1905 – Em abril. 1885 – Imprime-se o “Neue Kolonie Zeitung”. com a grande maioria falando apenas o alemão e. posteriormente sucedido por Vitor Mueller e Fran- cisco Schendl.. de pro- priedade do jornalista Eduardo Schwartz. órgão oficial do Partido Liberal. “noticioso e comercial”. que nasci- am e desapareciam ao sabor dos interesses político-eleitorais de cada momento. Moreira da Silva Reis Jr. surge outra “Gazeta de Joinville”. 1891 – Surge “A Gazeta de Joinville”. 1877 – “A Gazeta de Joinville” . com duas publicações sema- nais. 1891 – Imprimiu-se o “Volkstaat”. sob a orientação política do Dr. de propriedade de M. 1885 – Apareceu “O Constitucional”. em 1927. sob a dire- ção de Robert Gernhad. um dos mais conceituados jornalistas de Joinville nas primeiras décadas do século 20 e que seria assassinado em Floria- nópolis. de caráter supra-partidário. tendo como redator Crispim Mira. tendo como redator Al- bino Kolbach. lendo apenas textos em alemão.

podem ser citados como os mais freqüentes colaboradores da imprensa joinvilense os se- guintes. Circulam ainda. Aristides Rego. Manoel Simões. José de Diniz. cada qual em seu tempo e com mais ou menos assiduida- de: Crispim Mira. Leopoldo Jardim. Primeiramente bissemanário. “A Comarca” é outro jornal de cunho político.” Na imprensa alemã: Victor Muller. Kasting. Carlos Gomes de Oliveira e Marinho Lobo. Augusto Sylvio Prodhol e Ilmar Carvalho. R.   Jornalistas importantes Ainda da lavra de Plácido Gomes. Leonel Costa. Ignácio Bastos. Depois de 1940. publicam-se em Joinville. Eduardo Schwartz. o “Joinvillenzer Zeitung” e o “Kolonie Zeitung”. Em alemão. registre-se os seguintes apontamentos sobre veículos e redatores importantes na primeira metade do século XX: “depois de 1905. Circulou até a década de l980. Hudler. “A Gazeta” e o “Comércio de Joinville”. Ao longo da década de 1910. Avelino de Carvalho. novos colaboradores vieram-se juntar à lista dos precedentes: Heráclito Lobato. por cerca de 20 anos editorialista de “A Notícia”. Busse e poucos mais. Carlos Gomes de Oliveira. F. publicações com nomes sugestivos de “O Gato e a Bor- boleta” e a “Revista do Estado”. Otto Boehm. em português. posteriormente encampado pela rede dos Diários Associados. Arthur Costa. Nas seções JORNALISMO EM PERSPECTIVA 26 . Wolfgang Ammon. no período. Moacyr Gomes. de propriedade do jor- nalista Eduardo Schwartz. sob a direção do Dr. a partir de 1924. Ulysses Costa. depois trissemanário e por fim diário. tendo como redatores Aristides Rego e Carlos Gomes de Oliveira. Plácido Gomes. 1919 – Surge o “Jornal de Joinville”. Albino Kolbach. C. Plácido Olympio de Oliveira. Oswal- do Silva. Eduardo Schutel. César de Carvalho e Dr. Foi um dos mais importantes jornais da cidade. Montezuma de Carvalho.

Stamm. Em 1929. A primeira fase de “A Notícia” desenvolve-se no período em que seu fundador comanda diretamente o jornal. de terça a domingo. ou seja. Plácido Gomes. pp. Jota Gonçal- ves. O fundador do jornal. Álbum do Centenário de Joinville. quando Aurino Soares morre de forma repentina. Raul Vidal e Gilberto Navarro Lins. passou a bissemanário e partir de l926. Aurino tinha a pele morena. o jornal saía às ruas às segundas. Posteriormente. acima das correntes políticas e em língua portuguesa.49-53). adquire máquina própria de impressão e desde 11 de outu- bro de 1930. tinha como intenção criar um jornal independente. N. Hugo Weber. Desde o início. Nesse período de pouco mais de 20 anos.esportivas. quartas e sábados. espírito aventureiro e grande tino comercial. Com máquina impressora capaz de imprimir caderno de até 32 páginas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 27 . o paranaense Aurino So- ares. a maioria só usando a língua alemã. se instalara na ainda quase colônia de Joinville há pouco tem- po e vinha de experiências jornalísticas em cidades como Curitiba. o que acontece até 17 de dezembro de 1944. José Lopes de Oliveira. vítima de aneurisma cerebral. Rio de Janeiro e Florianópolis. (IN: Dr. passa a circular todos os dias da semana.   “A Notícia” O primeiro número de “A Notícia” circulou no dia 24 de fevereiro de 1923. quanto como fonte de informação. Realcy Moreira. Instalou a redação na Rua 3 de maio e começou “A Notícia” como semanário. tanto para o convívio social. “A Notícia” evoluirá de um modestíssimo semanário de quatro páginas para um grande jornal. mesmo com a ci- dade tendo pouco mais de 20 mil habitantes. Personagem polêmico e contraditório. 1951. com parque gráfico próprio e dos mais equipados em todo o Sul do país. Arcy Neves.

aprovado o seu projeto de recuperação. especialmente projetada para acolher empresa jornalística. “A Notícia” foi o primeiro jornal brasileiro a conquistar a certificação ISO 14001. edições todos os dias da se- mana. de Florianópolis. de recolocar “A Notícia” na lideran- ça editorial e jornalística em Santa Catarina. a redação é constituída por 130 profissionais e as edições têm média de 50 páginas todos os dias. com índices de cres- cimento recordes no setor em todo o país. A terceira fase de “A Notícia” começa no dia 23 de outubro de 1956. em l978. Com a morte do fundador. que detém desde o ano JORNALISMO EM PERSPECTIVA 28 . Ocupando nova sede. “A Notícia” tinha tiragem de cerca de oito mil exemplares e edições de 8 a 12 páginas. quando inicia a chamada segunda fase. liderados por três empresári- os importantes da cidade: Helmut Fallgatter. com o jornal passando ao controle de um grupo de 130 acionistas. que se prolonga até 1956. o jornal publicava aos domingos revista ilustrada.– a primeira rotativa instalada no estado -. em cores. produtos especiais e contínua atualização em informática. novo parque gráfico. Quando Thomazi che- gou à empresa. A quarta fase tem início em 1978 e dura até o presente. 112. era um dos principais jornais. posteriormente. com apenas oito jornalistas. Wittich Freitag e Bal- tasar Buschle. à Rua Caçador. encarrega- do. No eixo Rio de Janeiro – Porto Alegre. impressão em cores. de vender o jornal e. O controle aci- onário pertence então ao empresário Antonio Ramos Alvim e ao político Aderbal Ramos da Silva. com a chegada de Moacir Thomazi à presidência do jornal. o jornal deixa de circular por 18 meses. Nova sede.. só voltando às ruas a 1º de maio de 1946. com sistema próprio de gestão ambiental. quase todos de Joinville. Hoje. com 24 páginas e tinha gran- de circulação no Estado de Santa Catarina e no Sul do país. “A Notícia” vem escre- vendo novos capítulos de expansão desde então. conferem nova e pujante dimensão à empresa. inicialmente.

em outubro de 1988. Em São Bento. Também o surgimento da “Gazeta de Joinville”.2002 e também a única empresa jornalística com tal certificação na América Latina. quando era semanário e depois bissemanário. ao “Legalidade”. fundado por este autor. disputando as finais com jornais de porte como a “Folha de S. também com os mes- mos ideais republicanistas. em 1892. em 1988 e 1989. a existência em Joinville. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 29 . um republicano convic- to. da Associação Bra- sileira da Indústria Gráfica. Já em 1860 sur- ge o “Liberdade”. como o “Mathi- asstrom” em Joinville. ainda. que se manteve em sua direção até janeiro de 1979. impresso em tipografia. O “Liberdade” deu lugar. a publicação tem caráter empresarial e pretende disputar o mercado editorial com edições de 12 páginas e circulação apenas local.Paulo”. será a vez de “O Urubu”. que usava o periódico para difundir suas idéias republicanas. que cedeu sua residência para a instalação do quartel general dos revolucionários federalistas de 1893. em 1852. em dezem- bro de 2004. o “Esta- dão” e “O Globo”. “A Notícia” obteve o primeiro lugar no prêmio Fernando Pini de excelência gráfica. foi transformado em diário e assim se manteve até o encerramento de suas atividades. Depois de conquistar dois prêmios Esso de Jornalismo na região Sul. Posteriormente. doze anos após a fundação da colônia. do Rio de Janeiro. Semanário. A registrar. no período de março de 1978 a outubro de 1988 do jornal “Extra”. ainda do mesmo médico e jornalista Maria Wolf. O autor da idéia será o médico Felipe Maria Wolf. a partir de 1885. nos anos de 1999 e 2002. São Bento do Sul A história da imprensa em São Bento do Sul começa tam- bém com o surgimento de um jornal manuscrito.

em português. A 1º de maio de 1911 vem à lume “O Catharinense”. A partir da edição número 2. Inicialmente se- manário. e tinha forte conotação de jornal partidário. A adoção de sucursais com- prova que o Tribuna tinha pretensões de regionalização”. escrito em língua alemã. criado em 1990. “Tri- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 30 . “Evolução”. no Paraná. Em 1908. composto de três páginas em língua alemã e uma página em português. segundo pesquisa da jornalista Marília Maciel em sua mo- nografia de final de curso. O jornal teria vida longa. em 2003. em Joinville. sob a direção de Pedro Skiba. São Bento conta com quatro jornais: “Infor- mação”. a 19 de novembro de 1938. circula às sextas-feiras. reunindo a colaboração de nomes importantes da vida cultural sãobentense e seu último número circulou 29 anos depois da primeira edição. ainda do mesmo Maria Wolf. surge o “Tribuna da Serra”. que circulava em Mafra. circulando desde 14 de junho de 1979. São Bento conhece simultaneamente o “Wolkszei- tung”. o cabeçalho indicava Antonio Dias e Nivaldo Lang como diretores. Arno Fendrich como diretor da sucursal de São Bento e Carlos Von Bathen como diretor da sucursal de Rio Negrinho e Alaor Lino da Silva como diretor-gerente. Publicações de vida curta foram se multiplicando ao longo dos anos 30 e 40 em São Bento do Sul. sema- nário. com quatro páginas. que tinha o título de “Gazeta do Povo”. informa a jornalista Marília Maciel. na turma de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior Luterano. Em julho de 1900. hoje circula às quartas-feiras e sábados. defendendo a proclamação da República. “A princípio saía como ‘Tribuna da Fronteira’ e funcionava como uma extensão do jornal do mes- mo nome. surge o “Der Wolksbote”. Na data de 3 de janeiro de 1963. com redação e sede na cidade de Rio Negro. cuja circulação perdurou por dez anos. que também mantinha secções em alemão. fundado por Luiz de Vasconcellos. Nos dias atuais.

Depois. Mudando de proprietários várias vezes. aos 82 anos de idade e poucos dias antes da passagem dos 85 anos do “Correio do Povo”. “AN Jaraguá”. jornal com 85 anos de existência. diretor do “Correio do Povo” desde 1957. que circula desde 15 de março de 1995. através de empresa gráfica sólida e com ambiciosos planos de futuro. seguindo-se Murilo Barreto de Azeve- do e Fidelis Wolf.   Outras publicações Nos dias atuais. com destaque para as editorias de esporte e so- ciedade. “Absoluto”. juntamente com Waldemar Grubba. primeiro jornal eletrônico de Santa Catarina. o jornal teve outros proprietários. pela internert. veio o comando de Paulino Pedri. 12 anos pro- prietário. de 1946 a 1959. sob a direção de Jairson Sabino. quatro anos antes de “A Notícia” em Joinville. diariamente. que o dirigiu e imprimiu entre os anos de 1919 a 1922. fundado em 1919. muitos personagens da política e da economia de Jaraguá do sul. que voltou ao jornal numa segunda gestão entre os anos de l943 a 1957. falecido no dia 17 de maio de 2004.buna do Povo”. caderno diário de “A JORNALISMO EM PERSPECTIVA 31 . Jaraguá do Sul Jaraguá do Sul tem no “Correio do Povo”. jornal diário. o seu mais antigo jornal. O funda- dor do jornal foi Venâncio da Silva Porto. Antes de Eugenio Victor Schmöckel. sob a direção de Cezar Celeski. Seguiu-se a gestão de Artur Muller. o “Correio do Povo” tem se constituído num porta-voz da comunidade jaraguaense e hoje circula cinco vezes por semana. entre os anos de 1922 a 1936. Honorato Tomelin. e “A Gazeta”. circulam em Jaraguá do Sul os seguintes jor- nais: “A Gazeta”. na forma de semanário. semanário. até chegar ao comando o jornalista Eugênio Victor Schmöckel.

Marília. “Dom sete”. destaque ainda para o “Jornal do Vale”. Elly.Notícia”. 1951 Correio do Povo. Em Jaraguá do Sul circulam ainda sete revistas: “Nossa Re- gião”. UFSC e Fundação Cultural de Joinville. edição especial de 85 anos. Ielusc. “Fia Mais”. Imprensa em São Bento. 2003 TERNES. História da Imprensa de Joinville. esportes e co- munidade. Na região do Vale do Itapocu. maio de 2004 HERKENHOFF. 1ª edição: 1983. “Mercado Bra- sil” e “Conteúdo”.   Referências bibliográficas Álbum do Centenário de Joinville. “Quale”. da mesma cidade. em Guaramirim e jornal “O Regional”. História do Jornal “A Notícia”. “Thefato”. com destaque para política. 2ª edição revista e ampliada: 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 32 . 1998 MACIEL. com circulação desde 1997 (semanal) e diária desde 4 de abril de 2000. monografia. Apolinário.

em fins de março de 1925. que aproveitou o momento para atingir pes- soas ligadas ao coronel João Fernandes. no município de Tubarão. valentão! Foi assim que o capitão Elpídio Silveira deu voz de prisão ao jornalista João de Oliveira. Por esse motivo. o jornalista e advogado João de Oliveira. “Inteligente” e “orador de recursos que iam às figuras e aos gestos teatrais. descontente com matérias sobre episódios ocorridos em Araranguá. Celso Martins Uma história de coragem no sul do estado – Sai para a rua. caído em desgraça perante o governador. Nesses momentos de muita tensão e medo. nascido em 18 de fevereiro de 1891. ouvida da janela da casa onde funcionava a gráfica do jornal “A Imprensa”. Havia chegado em Tubarão como bacharel recém-formado na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. João de Oliveira denunciou as “arbitrariedades” promovidas pelo “ditador catarinense”. poeta de rimas inspiradas”. fora aberto um inquérito para apurar o assas- sinato do delegado de polícia Manoel Maciel. conduzido pelo pró- prio capitão Silveira. pensou em tudo o que já havia ocorrido. o que resultou na ordem de prisão. em Ouro Fino (MG). Nessa cidade. O oficial da então Força Pública trazia uma ordem de prisão do governador Hercílio Luz. o jovem logo se casou com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 33 . superintendente municipal e chefe do Partido Republicano em Araranguá há 30 anos. no final da primeira década do século passado. ele resolveu ignorar a ordem de prisão. e enfrentar armado qualquer tentativa de invasão da gráfica de seu jornal. segundo Walter Zumblick.

o dentista Antô- nio Pereira Pitta. onde era impresso o jornal “O Fiscal”. o que gerou uma revolta geral. já que as máquinas foram desmontadas e os tipos e prelo lançados no rio Tubarão. a partir de 1º de janeiro de 1912. “Gazeta do Sul”. fazendo gran- de bebedeira. Na saída. coronel João Luiz Colaço. sacou a arma ao passar pela frente da casa do coronel Colaço. levando à invasão da residência do superinten- dente e sua deposição. inici- ado em 1911. Dirigido por Fábio Silva. em 1913. onde foram conferen- ciar com o governador Vidal Ramos. alguns homens se reuniram no hotel Itália. A resposta foi uma saraivada de balas na direção do grupo. a vestir seus argumentos com a rou- pagem das frases contundentes”. foi a vez da destruição da gráfica da tipografia Americana. Os Colaços e genro partiram de trem até Laguna e de lá num vapor para a Capital. na rua de Baixo. João de Oliveira começou no jornalismo imprimindo três jor- nais na tipografia municipal – “O Argonauta”. “Polemista duro. Pitta foi atingido e morreu. embriagado. vinda de dois lados. em Tubarão. literário e noticioso” e “órgão de oposição à grei política chefiada pelos Colaços”. enquanto a gráfica onde João de Oliveira imprimia seus jornais foi empastelada. Eram todos da oposição. Mestre no editorial. filha do superintendente municipal e chefe po- lítico local. No dia 2 de fevereiro do ano seguinte. e deu um tiro para o alto. o mais famoso. “fazia dele o seu florete de corte perigoso. O que não pôde ser quebra- do foi parar dentro do rio.Maria Elisa Colaço. 1914. a casa do superintendente e imediações da ponte sobre o rio Tubarão. “O Fiscal” ficou sem circular algu- mas semanas. Não demorou muito e estavam todos de volta. disse. que esgrimia com audácia e agilidade”. Na noite do dia 14 de agosto de 1913. e gritou: – Quero ver se o João de Oliveira é homem de coragem. logo adquiriu inimizades. destaca Zumblick. e “A Folha”. circulando desde julho de 1911. um “hebdomadário crítico. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 34 .

por ordem do Governo do Estado. ato contínuo. delegado especial de polícia. No seu livro “O Ditador Catarinense”. estava de volta a Tubarão. havia editado a “Folha do Sul” (1918). tipos e latas de tinta foram atirados ao rio”. “A Tribuna” (1919) e finalmente “A Im- prensa”. João de Oliveira pensava em todos esses acontecimentos durante o cerco do final de março de 1924 a seu jornal. o tenente e seus soldados amarraram. Depois dos episódios de 1913 e 1914. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 35 . Alertados pelos amigos sobre a iminência de uma tragédia – o capitão Elpídio dissera que em 12 horas efetuaria a prisão “custasse o que custasse” –. o tipógrafo Geraldino Eduardo. contou mais tarde. cujas caixas e demais materiais tipográficos eram conduzidos pelos soldados e atirados ao rio Tubarão. A ação foi executada pelo tenente da Força Pública Athanázio de Frei- tas. que já estava próximo da fronteira com o Rio Grande do Sul quando um emissário chegou com a informação. cuja oficina tipográfica havia sido empastela às 3 horas do dia 7 de agosto de 1922. Às 15h30 do dia 4 de abril. Entre a manhã do dia 27 até a noite de 31 de março de 1924. dando começo então ao ato de sel- vageria e banditismo que consistiu no empastelamento da tipogra- fia. “Correio do Sul”. às 2 da madrugada de 1º de abril. escrito em parceria com Alexandrino Barreto. que foi transformado em seu reduto”. “esse jornalista resistiu de armas em punho. que corre a cem metros mais ou menos”. quando “máquinas. o então Superior Tribunal de Justiça do Estado acatou pedido de habeas-corpus preventivo em favor de Oliveira. requerido pelo jovem advogado Nereu Ramos. João de Oliveira entregou os pontos e seguiu rumo ao Rio Grande do Sul. dentro da lei. A notícia só chegou a Tubarão 35 horas após a partida do benefici- ado. Nesse mesmo dia. no edifício de ‘A Imprensa’. João de Oliveira recorda a ocasião: “De- pois de haverem subjugado e amordaçado Pedro Spritze [gerente gráfico]. conta Zumblick. às 15 horas.

durante cinco dias. ignorando o habeas-corpus preventivo. recorda Oliveira em “O Ditador Catarinense”. chegou no dia seguinte. com suas “carabinas embaladas”. “A decisão do Egrégio tribunal”. Autoridade que. de confusão e de correria”. e que a resistência oferecida por ele. muito embora emanadas de autoridades cons- tituídas”. 21 de abril. 22 policiais. garante em telegrama ao mesmo capitão Elpídio. escreveu. Ao todo. ocupando a Superintendên- cia Municipal (prefeitura). uma sexta-feira santa. que invadiram o edifício do jornal às 9h15 do dia de Tiradentes. “horda de selvagens. lança um desafio: “Sai para a rua. Seu substituto. Foi um corre-corre na cidade. colocando patrulhas nas ruas à noite. e ordenava que se invadisse o prédio das oficinas gráficas de ‘A Imprensa’. Além dos homens que levou da Capital. o célebre Trogílio Melo tratou de recrutar reforços pela região. O cenário do confronto estava montado. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 36 . “a soldadesca investiu a coices de carabinas. Segundo Oliveira. trazidas pelo novo delegado especial. um “momento de pavor. Hercílio Luz renova a ordem de prisão. valentão!” Mas o sossego ao lado da família não durou 24 horas. que tentou sem êxito cumprir a ordem até o dia 17. Hercílio Luz exigia “a todo custo a minha prisão. ao invés de dar uma ordem de prisão. “É assunto que regularizarei”. sendo chamado de volta à Capital. evidentemente ilegal. “As ordens escritas. de uma verdadeira ferocidade”. “com escolhido grupo de soldados. Ar- rombados o portão de ferro e as grossas portas reforçadas com trancas de madeira. arma- dos de fuzis e fartamente municiados”. No dia 5 de abril. eram de uma violência desumana. o capitão Trogílio Melo. com pancadas violentas e sucessivas”. foi fundada no direito que assiste ao cidadão de reagir contra ordens ilegais. afim de que fossem arrebata- das as máquinas de impressão”. “veio demonstrar que a prisão do dr João de Oliveira era um ato de puro arbítrio.

não sou eu! Veja esta ordem! O velho coronel Colaço olhou a assinatura e viu o nome de seu filho. não causa tanto horror. a força deixou o prédio “le- vando um prelo grande.Não sou eu o bandido. secretário do Interior e Justiça do Estado. entretanto. Os oito tipógrafos que trabalham no local fugiram. à luz do dia. irmão de Ma- ria Elisa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 37 . Alguns exemplares. Colocadas em caixotes. É nesse momento que Oliveira reúne os artigos que vão compor o livro “O Ditador Catarinense”. impresso na Alemanha e que não chegou a circular devido o faleci- mento de Hercílio Luz. Depois. acovardada e transita de susto”. perante uma população estarrecida. O capitão Trogílio e seus soldados ocuparam a tipogra- fia. anuncia Oliveira. “mui- to agitado e cheio de raiva. em plena cidade. para tiragem de jornal. ele requisi- tou um mecânico e carpinteiro das oficinas da Estrada de Ferro Teresa Cristina para que desmontassem as duas máquinas de im- pressão. em 19 de maio. anuncia. “Novas máquinas foram adquiri- das a custa de sacrifícios”. foram pa- rar nas mãos de amigos e na Biblioteca Pública do Estado. Nesse momento. esposa de João de Oliveira. Mais tarde. seguiram para Florianópolis. protestando “com alti- vez e dignidade contra o ato de banditismo que se cometia”. e um prelo pequeno. os escritórios. cunhado de João de Oliveira. À noite.em sertões agrestes. o Supremo Tribunal Federal con- firmou o habeas-corpus da Corte catarinense. para impressão de avulsos e ser- viços de gabinete”. O capitão. a pedal. . em altas vozes. “A Imprensa” vai “cir- cular em breve”. “O saque a mão armada se consumou. chegaram o coronel João Colaço e sua fi- lha Maria Elisa. mas as carabinas dos soldados se voltaram contra eles. palavrões que homem educado não diz a frente de uma senhora”. proferindo. a pedal e força matriz. se justificou. Ven- cidos os obstáculos se consuma a invasão. como o grupo arma- do que depreda e assalta. o interior do prédio enfim”. serviço que durou todo o dia.

“Sacrifício e esforço”
Uma característica comum entre a segunda metade do sé-
culo XIX, e avançando bastante no seguinte, foi o “topete atrevido
do corpo redatorial”. Todos eles possuem “forte tempero carac-
terístico que o tempo ainda não conseguiu apagar”, escreve Zum-
blick no início da década de 1970. Quase todos eram partidários
e, ao mesmo tempo em que “teciam loas aos seus”, respingavam
“a lama mal cheirosa de um palavreado feio e nada elegante, àque-
les outros, da oposição”.
Até o surgimento do off-set e da informatização, as oficinas
gráficas eram o lugar do “desconforto e igual sujeira”, quase sem-
pre “montadas em pardieiros”. Quem chegou a conhecer uma deve
se lembrar que “pelo ar, dominando o ambiente, o constante res-
folegar compassado do prelo grande, a pedal, num movimento de
mandíbulas, enchendo de letras e borrões escuros o branco das
páginas”, descreve Zumblick.
A rotina era mais ou menos comum. Na segunda-feira, bem
cedo, eram desmanchadas as páginas da última edição, devolvidos
os tipos a seus lugares nas gavetas, estantes e prateleiras. Era um
trabalho demorado e minucioso. Lá pela quarta-feira, com os ori-
ginais à mão ou datilografados na frente, o tipógrafo ia montando
letra por letra o texto a ser impresso. As manchetes e títulos ti-
nham tipos especiais, mantidos após o surgimento das máquinas
linotipos para a composição.
Claro que essa sujeira era eliminada periodicamente, mas a
natureza da atividade era ingrata: com o tempo, a tinta e a fumaça
impregnavam e escureciam o ambiente. Muitas dessas oficinas eram
instaladas em porões, devido ao peso do conjunto de equipamen-
tos, facilitando a chegada de papel e a saída dos jornais impressos.
A análise de Zumblick dos profissionais que fizeram a im-
prensa em Tubarão, serve de perfil para os demais. “Há muito di-
letantismo nos homens que movimentaram os nossos semanários

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
38

de ontem” e, jornalistas mesmo, “poucos o foram”. Entre esses, sem-
pre estiveram presentes “o sacrifício e o esforço”, vivendo “intensa-
mente” os dramas de um jornalismo “inçado de discórdias e polêmi-
cas”, momentos que eram “soltas as amarras da ética, cortados os
cabos do bom senso e desamarradas as cordas da polidez”.
As retaliações “pipocavam atrevidas” e “os fatos mais ínti-
mos ganhavam inteiras dimensões. Ao redor das refregas valiam
todos os tipos de armas. Armas-palavra. Armas-vitupério. Armas-
calúnia”, resume o mesmo Zumblick.

O berço em Laguna
José Joaquim Lopes foi um baiano nascido em 24 de outubro
de 1805, militar voluntário da guerra da Independência, estabele-
cido em Laguna com a dissolução de seu batalhão e aparecendo
em 1831, como professor de primeiras letras na cidade. Com os
episódios da República Catarinense em 1839, se transferiu para
Desterro (Florianópolis), voltando os olhos para o jornalismo, tendo
adquirido em hasta pública a Tipografia Provincial.
Além de criar o jornal “O Argus da Província de Santa Cata-
rina”, em 1º de janeiro de 1856, que passou a circular três vezes
por semana a partir de 1861, considerado diário, ligado ao Partido
Conservador. Ele é apontado como autor do primeiro jornal de
Laguna, denominado “Pirilampo”, lançado em 6 de junho de 1864,
de curta duração. Mestre-escola e deputado provincial (1850-
1863), J. J. Lopes também foi editor, tendo falecido em 6 de abril
de 1894, em Florianópolis.
O segundo periódico, impresso em Laguna, foi o “Municí-
pio”. Circulou a partir de 12 de setembro de 1878, dirigido pelo
sergipano Prezalino Lery Santos, que tinha 28 anos de idade ao ser
contratado por negociantes locais para a instalação de um colégio.
“Era baixo, magro, moreno, nariz grande e usava somente bigo-
de”, “volumoso e preto”, diz Saul Ulysséa.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
39

Os primeiros números do “Município”, impressos em tipo-
grafia própria, tinham o formato de 17 x 23 centímetros, amplia-
do depois para 23 x 29 cm. “Ensinou a alguns rapazes a arte tipo-
gráfica”, um deles “de nome Pedro Gaspar e um pardo de nome
Luiz”. Lery Santos, como ficou conhecido, montou o colégio e
dava aulas nas residências. “Era inteligente e bom orador”, recor-
da o mesmo Ulysséa, um de seus ex-alunos.
O terceiro jornal lagunense apareceu em 6 de julho de 1879,
por iniciativa de Tomáz Argemiro Ferreira Chaves – “A Verdade”.
Chaves era natural do Recife (PE), nascido em 28 de julho de 1851,
advogado e deputado estadual entre 1882-1885, ano em que fale-
ceu na Capital. Outros dois profissionais pioneiros do jornalismo
em Laguna, então o município mais importante do Sul do Estado,
foram José Johanny e Antônio Bessa.
Nascido em Laguna em 30 de maio de 1872, filho do arma-
dor e exportador Henrique Joahanny, José tinha onze anos de ida-
de ao concluir o ensino primário e ingressar como aprendiz no
jornal “A Verdade”, do advogado Chaves. Desde então, dedicou-
se de corpo e alma às artes tipográficas, passando por diversos
periódicos de Laguna, como “Fanal” (1887), “O Trabalho” (1888),
“A Pátria” (1892). Em 1892, Johanny, com 20 anos, atuou em “O
Lidador” e gerenciou o jornal “O Pharol”, órgão federalista.
Com 24 anos de idade teve que ganhar a vida, ingressando
como agente de correio (Gravatal, 1896) e professor público
(1899), passando em seguida ao comércio. Também foi secretário
da Câmara de Laguna (1902-1908) e deputado estadual nas 6ª e 7ª
legislaturas, em 1909 e 1910-1912, respectivamente. Mas renun-
ciou ao mandato para assumir a direção do jornal “O Albor” (1910),
onde permaneceu pouco tempo, passando a se dedicar à edição
da “Revista Catarinense”, seu principal trabalho.
Tendo circulado entre 1911 e 1914, a “Revista Catarinense”
deu ênfase aos episódios da República Catarinense de 1839, publi-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
40

cando textos de Tobias Becker (“Os farrapos em Santa Catarina”),
em capítulos, assim como as atas da Câmara de Laguna sobre a
experiência republicana. Em suas páginas foram editados artigos
de Cruz e Souza, Henrique, José e Lucas Boiteux, José Vieira da
Rosa, Luiz Delfino, Horácio Nunes, Virgílio Várzea e Crispim Mira,
entre outros. Johanny faleceu em 1915, com 43 anos de idade, no
auge da produção jornalística.
A história do principal semanário de Laguna começa no dia
15 de setembro de 1901, quando três adolescentes resolvem fun-
dar um jornal denominado “O Albor”: Adalberto Bessa, Manoel
dos Passos Bessa e Manoel Bessa. Antônio Bessa, que trabalhava
na gráfica Futuro, onde era impresso o jornal, assumiu a direção de
“O Albor” a partir de 1904. “O jornal circulou até 19 de janeiro de
1965, e só parou de circular devido a uma grande alta no preço do
papel”, entre outros fatores, conta Lúcia Maria Barros da Silveira,
bisneta de Antônio, autora de um trabalho de conclusão de curso
de Jornalismo na UFSC sobre o periódico.
“Até 2000, era o semanário com maior tempo de circulação
no Estado”, assinala a jornalista, que passou um ano e meio lendo as
3.054 edições – os primeiros números na Secretaria de Turismo
de Laguna e os restantes na Biblioteca Pública do Estado.
Durante algum tempo, “O Albor” enfrentou a concorrência
do jornal “Correio do Sul”, fundado em 1931, pelo mesmo João
de Oliveira já referido, e que circulou até 1955, ano de seu faleci-
mento. O prédio onde funcionou o semanário, em Laguna, ainda
ostenta na fachada a logomarca da publicação. “A pessoa que ad-
quiriu a edificação manteve intactos, como meu pai deixou, os
móveis e equipamentos da redação”, conta Vamiré Collaço de Oli-
veira. Um excelente perfil de João de Oliveira pode ser conferido
em “Retrato Político de uma Época - 1947-1960” (Editora Insular:
Florianópolis, 1999), de Paulo Konder Bornhausen.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
41

Imigrantes italianos
Os demais jornais do Sul do Estado surgiram em regiões de
imigração italiana, iniciada em 1878, como Criciúma, Orleans e
Urussanga. Nessa última cidade, vamos encontrar José Caruso Mac-
Donald, siciliano, regente real do consulado italiano em Florianó-
polis, que se dedicou desde a chegada à educação. Era um homem
de “inteligência aberta e muito interessante no processo de colô-
nia”, diz o padre Luigi Marzano.
Chegado em Urussanga em 1899, primeiro padre italiano,
Marzano entrou em conflito com a liderança dos colonos. “Quan-
do o sacerdote chegou, encontrou os pobres imigrantes italianos à
mercê da exploração de alguns patrícios seus, prepostos do go-
verno de Itália”, narra o padre Claudino Biff. “Eram eles filhos do
Mezzagiorno e da Reggio Emilia, ainda hoje a mais comunista das
províncias italianas. E por que eram anticlericais, carbonários,
logo de início sentiram a força da liderança do sacerdote que
contestava a opressão destes funcionários do governo italiano”,
acrescenta.
Um deles era o próprio Mac-Donald, que passou a publicar
um jornal intitulado “L’Azino” (O Asno), atacando padre Marzano,
que não se intimidou e mandou editar a resposta em Turim, sob a
denominação de “Il Mulo” (“O Jumento”). O enfrentamento durou
até 1908, quando o padre foi chamado de volta a Roma. O princi-
pal trabalho de Mac-Donald, entretanto, foi o “La Patria”, editado
em italiano, entre maio de 1901 e maio de 1902, num total de 52
números.
“A Gazeta Orleanense”, de Orleans, surgiu em 1915 e circu-
lou durante três anos, nas mãos do jornalista Tito Carvalho (Orle-
ans 1896, Florianópolis 1975), então auxiliar de escritório do Loyd,
ao lado do cunhado, Godofredo Marques. Outros jornais surgi-
ram no município, todos com assinantes em Braço do Norte, Urus-
sanga, Tubarão, Laguna e Florianópolis e mesmo no Rio de Janeiro

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
42

Entre os mais importantes de Tubarão destaque para “A Im- prensa”. e o minerador Frederico Minatto. “Quase todos os jornais eram de orientação política definida. Outro personagem de presença permanente e controversa foi o jornalista Hermínio Menezes. editado em Tubarão desde 1959. Hoje. Entre os pioneiros no aprimoramento técnico. “Folha dos Municípios” e “Folha Regional” (editado em Maracajá). “O Mineiro” registrou os principais momentos da criação de um novo município catarinense. “Agora” e “Hoje” (Orle- ans). impresso em Porto Alegre (RS). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 43 . “A Crítica”. Jornalismo hoje Tomando por base a relação de cerca de 100 jornais edita- dos em Tubarão.e São Paulo. podemos dizer que o Sul de Santa Catarina conheceu centenas de periódicos desde fins do século XIX. Pedro Benedet. feita por Walter Zumblick. Os principais sema- nários são o “Jornal de Laguna” (Laguna). “Nossa Folha” e “Última Hora” (Tubarão). O jornal foi criado por ele. estava no ramo. circulam os se- manários “Folha de Criciúma”. “Jornal de Bairros”. fustigava Deus e todo mundo”. “O Mineiro”. que já em 1911. Marcos Rovaris. data da posse do primeiro superintendente (prefeito) municipal. primeiro jor- nal catarinense a circular em off-set a partir de 1969. diz o padre João Leonir Dall’Alba. Zumblick fala num “destemido jornalista” que. Em Criciúma. O jornal pioneiro de Criciúma foi lançado em 1º de janeiro de 1926. Tendo o professor Adolpho Cam- pos como redator. com circulação regional. a região conta com vários jornais. ligados ao Partido Republicano Catarinense”. “do alto do seu jornal. dirigido por Manoel de Aguiar entre 1934 e 1960. “Jornal da Cidade”. o presidente do Conselho Municipal (Câmara). destaque para o “Gazeta do Sul”.

Walter F. s/d. Tubarão: A Imprensa. João Leonir da. O diário mais antigo é o “Diário do Sul” (Tubarão). 1943 ZUMBLICK. desde 1995. editado em Braço do Norte. O “Diário do Sul Vale”. Este meu Tubarão. antigo “Tribuna Criciumense”) e o “Diário de Criciú- ma”. Tubarão: Edição do Autor.! (Vol 2). cir- culam os diários “Jornal da Manh㔠(desde 1983) e “Tribuna do Dia” (1955. Crônicas da Diocese de Tubarão. Italianos em Santa Catarina (Vol 1). BARRETO. Saul. Walter. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 44 . Claudino. Florianópolis: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina (Ioesc). circula o “Diário do Sul Litoral”. João de. Em Imbituba. 1996 DALL’ALBA. Em Criciúma. O Dictador Catharinense – Artigos de defesa. Orleans: Edição do Autor/Instituto São José. 1924 PIAZZA. Florianópolis: Lunardelli. Tubarão: Edição do Autor. e o “No- tisul” (iniciado em 2000) no mesmo município.. Fontes BIFF. (org). 2001 ULYSSÉA. em Lauro Müller. Alexandrino. terceiro do país a usar sistema de fotografia digital. cobre os municípios entre o vale de Braço do Norte e o pé da Serra do Rio do Rastro.. 1986 OLIVEIRA. Laguna antes de 1880. Colonos e mineiros no grande Orleans.

como o cum- primento da legislação. por fim em Lages. neste início de século e milênio. no final da mesma década. três mulheres e a redação de um tradicional e conceituado jornal impresso. primeiramente em Chapecó. vale registrar que a categoria na região – um vasto território. somente sofreu forte trans- formação com a chegada dos cursos superiores. ainda são problemas a serem vencidos: as Universidades formam jornalistas. É esta a história que devo contar com o ex-chefe de uma redação de jornalistas que buscou a verdade como fonte e construiu a uni- dade como profissionais. Em nome de uma idéia e de um conceito sobre jornalismo e equipe. que encon- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 45 . na fronteira com a Argentina. Mas as grandes preocupações dos jornalistas. É possível que o ciclo esteja se findando com a abertura de um curso de Jornalismo em São Miguel do Oeste. envolvendo mais de um terço da área de Santa Catarina e mais de uma centena de municípios –. e. profissionais resistem até mesmo ao mais cruel argumento dos empresários: a demissão. mesmo com os cursos superiores. principalmente quanto ao exercício profis- sional. e depois em Con- córdia. em meados da década de 1990. Rubens Lunge Resistência no Oeste catarinense A ação coletiva em defesa dos direitos dos trabalhadores pelos jornalistas do Oeste de Santa Catarina tem como parâmetro o mês de fevereiro de 2004. Longe demais Antes de iniciar efetivamente esta parte da história do jorna- lismo brasileiro.

Principal- mente aquelas que tratam de assuntos relacionados com o Poder Executivo e com os grupos economicamente mais ativos. a matriz. promover cursos de aperfeiçoamento. pela falta de estrutura.tram não habilitados exercendo a função nos meios de comunica- ção. uma vez que nenhum. “Diário da Manh㔠O jornal “Diário da Manh㔠começou a circular em Chapecó há um quarto de século. O espaço privilegiado para os debates sempre foi o da Uni- versidade. Erechim e Cara- zinho. em buscar a filiação de jornalistas profissionais. No entanto. foi liberado. especialmente a fiscalização do Ministério do Tra- balho. O choque legalista. não se verifica. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 46 . credenciar conveniados e. carência de tempo. A notícia que os jornalistas dariam nem sempre é aquela que a empresa recomenda. debater com maior pro- fundidade e substância o exercício profissional. quando o grupo da redação – um chefe de redação e quatro repórteres – iniciam a construção de uma pro- posta buscando na comunidade a resposta que ela – a comunidade – quer nos meios de comunicação. uma outra possibilidade começou a acontecer em maio de 2004. no final dos anos de 1980. diante da quase impossibilidade do exercício do sindi- calismo de ação pelos dirigentes sindicais. que deveria ser promovido pelos órgãos governamentais. e pelas distâncias a serem percorridas para o fazer sindi- cal na base. Ocorre o mesmo nas redações de Passo Fundo. mas faz ques- tão de se pautar por suas relações. como o realizado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina. Mantém um estilo sóbrio. A ação sindical ocupou-se. em tempo algum. sucessão após sucessão de diri- gentes. eventualmente. assim como a carência de formação voltada para os dirigentes.

Sem justificativa. oferecendo informação de qualidade e sem nenhum compromisso que não o do interesse coletivo. em Passo Fundo (RS). a demissão da jornalista Solange Oro moveu os colegas da redação. com o seu público. através do novo gerente. Diante da negativa. em vista de sua condição de dirigente sindical. a greve estava declarada. os seus di- reitos atingidos. Na Justiça. a sua aliança. A empresa “Diário da Manhã”. em fevereiro de 2004. faz uma nova tentativa para acabar com este grupo de jornalistas. porque comprometido com a informação verdadeira e ética. e notificam que se não houvesse conversações. brutal – e recheada de ameaças -. e afasta. O grupo exigia a anulação da demissão de Solange Oro. O gerente exige que o chefe de redação demita uma das jornalistas. encaminha uma pauta de solicitações para a sede da empresa. e ten- do como deflagrador a troca de gerentes da unidade. ocorre a demissão do chefe de redação e o seu retorno. buscaram reparação. ele mesmo o faz. com o leitor. pela empresa. que aplicava na prática uma das propostas teóricas de todas as faculdades de jornalismo que se possa ter conhecimento: o exercício da função pública do trabalhador jorna- lista. o dirigente sindical e chefe de redação. por ordem judici- al. preferindo mais um ato que atenta con- tra a liberdade de organização de qualquer categoria de trabalha- dores: demite as repórteres Fernanda Conte e Cátia Leila De Filtro por justa causa. para abertura de inquérito administrativo. acusando insubordinação. e principalmente porque antes de tudo quer cumprir o seu acor- do. que na tentativa de construir o diálogo com os propri- etários da empresa. todos os que tiveram. Nem mesmo com a convocação da Subdelegacia Regional do Trabalho de Chapecó os representantes da empresa compare- ceram para a negociação. Nem bem haviam se passado seis meses deste início. A estratégia da empresa foi desfazer a equipe. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 47 .

principalmente. e. forçosamente. Pela demonstração que deixaram para aqueles que lhes são contemporâneas e para todas as gerações futuras. voltada para todos. Fer- nanda e Cátia fizeram a opção mais difícil. sim. mas porque de- monstraram o verdadeiro espírito do sindicalismo. na profissão de jornalista – emprega- do. constataram que em alguns lugares ainda há preferências orientadas pela relação comercial. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 48 . Em poucos meses. porém com o coração e as mentes dirigidas pela função pública – e. Essas três trabalhadoras do jornalismo de Chapecó devem ter seus nomes guardados. Solange Oro. que acre- ditam que a informação não tem versão. e que elas não poderiam sonhar com as teorias da Uni- versidade. em que a soli- dariedade é a base para todas as ações. Solange.Jornalismo e Realidade Recém-formadas. teriam que se render aos ditames do mercado. Resolveram dizer que acreditam na Universidade. Fernanda Conte e Cátia Lei- la De Filtro chegaram ao mercado de trabalho com os sonhos de todos os principiantes: construir através da comunicação uma re- lação melhor. mas tem verdade. Não porque foram as primeiras a par- ticipar de uma greve em um meio de comunicação na maior cidade do Oeste de Santa Catarina para exigir justiça. de uma empresa privada.

Há ainda seis emisso- ras de televisão com sinal aberto1 . Educativas: TV Brasil Esperança (Itajaí). isto sem levar em conta as educativas e comunitárias. Em pesquisa re- alizada em 19992 . de acordo com a Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. “Jornal de Santa Catarina” e “O Esta- 1 Comerciais: RBS TV Blumenau (Blumenau) e TV Record (Itajaí). JORNALISMO EM PERSPECTIVA 49 . escolares. constatamos que a imprensa catarinense é cons- tituída por 177 pequenos jornais. É no Vale. que nasceu a mídia eletrônica – rádio e televisão – catarinense. o terceiro mais importante do estado. TV Panorama (Balneário Camboriú). mais precisamente em Blumenau. o destaque é o “Jornal de Santa Catarina”. TV Educativa Vale do Itajaí (Blumenau). além dos canais por assinatura. a região mantém posição de destaque na radiodifusão. religiosos. Mais de setenta anos depois. não foram considerados jornais institucionais como de bairros. 2 A dissertação de mestrado defendida na Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2000 é um estudo inédito sobre a pequena imprensa catarinense e foi transformada no livro “A Força do Jornal do Interior” (Fernandes. além dos quatro maiores: “Diá- rio Catarinense”. sindicais. 2003). pelo menos 36 (17 FMs e 19 AMs) estão no Vale. Das 184 emissoras de rádio existentes no estado. No jornalismo impresso. especializados e outros mantidos por instituições não comerciais. além de emissoras comerciais não filiadas à entidade. Mario Luiz Fernandes A mídia no Vale do Itajaí Uma das mais ricas e populosas regiões de Santa Catarina e segundo pólo têxtil do mundo. “A Notícia”. o Vale do Itajaí tem um papel singu- lar na história dos meios de comunicação do estado. house organs. TV Bela Aliança (Rio do Sul). colocando a cidade em posição de vanguarda em relação a municípios maiores como Florianópolis e Joinville. Na pesquisa.

numa época em que não havia serviço telefônico de longa distância e o telégrafo era ainda bastante precário” (1999 : 29). “foi o principal elo de comunicação de Blumenau com o Brasil e com o mundo. e “O Comércio” (11 de junho de 1931). que estes são os municípios mais expressivos e os pioneiros da indústria cul- tural do Vale e de Santa Catarina. de Florianópolis. “O Atlântico” (Itapema). Ingo Hering. 5 A rádio contava então com dez sócios. concentraremos nossa abor- dagem na imprensa escrita de Blumenau e Itajaí como representa- tivas da região. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 50 . ele ini- ciou as primeiras experiências radiofônicas e em 1935 a Rádio Clu- be (PCR-4) estava no ar. de Porto União. 45 (25%) estavam no Vale. e que em 1929 instalou um serviço de alto-falantes no centro de Blumenau. Roberto Grossembacher e Medeiros Júnior.5 3 “O Estado” (13 de maio de 1915). de Jaraguá do Sul. 6º) “O Município” (Brusque – desde 25/06/1954). Dois estão entre os seis mais antigos3 do estado ainda em circulação: 3º) “Nova Era” (Rio do Sul – desde 26/12/1937). é o jornal catarinense mais antigo ainda em circulação. Por suas atuações nas respectivas comunidades. Entre os pequenos jornais. “Diário da Cidade” e o polêmico “Diário do Litoral” (Itajaí). Entre os pequenos. “Jornal do Médio Vale” (Timbó). Apenas como ilustração. entre eles Luiz de Freitas Melro. “A Cidade” (Rio do Sul) e o “Jornal do Comércio” (Piçarras). “Cru- zeiro do Vale” (Gaspar). durante 15 anos.do”. No final de 1931. Em razão da brevidade desse capítulo. também. o serviço de rádio amador prestado por Medeiros Júnior. o primeiro radio- amador4 licenciado do estado. a maioria se- manários. é importante ressaltar que o pio- neirismo do rádio coube a João Medeiros Júnior. Tal delimitação parte do fato. Esta pequena panorâmica evidencia a necessidade de uma ampla pesquisa para se traçar o perfil da imprensa no Vale do Itajaí. A licença saiu em 19 de março de 1936. os dois primeiros são “Correio do Povo” (10 de maio de 1919). vale regis- trar ainda o “Página 3” e “Tribuna Catarinense” (Balneário Cambo- riú). “A Voz da Razão” e “Tribuna Regional” (Blume- nau). 4 De acordo com Medeiros e Vieira.

é sempre necessário recorrermos à história. e só nos últimos vinte anos vem rompendo lentamente essas amarras. 23 anos depois de fundada a Rádio Sociedade Rio de Janeiro. Breve retorno às origens Para compreendermos melhor o processo de evolução da imprensa no Vale do Itajaí. 9 Assis Chateaubriand. Em 1954. a primeira emissora oficialmente instalada em Santa Catarina. Dagoberto Alves Nogueira e Adolfo de Oliveira Júnior instalaram oficialmente a Rádio Difusora. Assim como ocorreu nos primórdios da imprensa em todo mundo. Rádio Difusora de Itajaí (Itajaí . em 18 de setembro de 1950. em 26 de outubro de 1942. o jornalismo impresso nasceu tardiamente em Santa Catarina e mais ainda no Vale do Itajaí. em 1º de setembro de 1969. Araguaia (Brusque). a rede contava ainda com a Clube de Gaspar.Santa Catarina entrava na era do rádio6 . a ter- ceira em solo catarinense. 8 Liderada pela Rádio Clube de Blumenau. era constituída a Rede Coligadas de Rádio8 que. 7 A emissora foi fundada em 23 de abril de 1923 por Roquete Pinto e Henrique Morize. Em Itajaí. Clube de Indaial. Difusora (Blumenau) e Clube de Itajaí. o fundador dos Diários Associados. o porta-voz dos blumenauenses e por isso mesmo considerado o primeiro jornal 6 Depois da Rádio Clube vieram a Rádio Difusora de Joinville (Joinville . a primeira do Brasil7 . Rádio Guarujá (Florianópolis .14/05/1943) e Rádio Catarinense (Joaçaba . a TV Coliga- das. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 51 . dezenove anos depois da TV Tupi.06/07/1945). foi o pioneiro da televisão brasileira ao fundar a TV Tupi Difusora. o jornalismo na região também nasceu estreitamente comprometido com o poder político. em São Paulo. mais tarde . a primeira do país9 . Ao contrário do que ocorreria com a mídia eletrônica no século XX. lança- do em Joinville em 1862. O “Kolonie Zeitung”.pleiteou a concessão de um canal de televisão para Blumenau. durante vinte anos. foi.26/10/1942).01/02/ 1941). Surgia assim.

Ou seja. o primeiro jornal da província. Conforme o estabelecido em contrato. Desterro). de fato. redigido em alemão e com circulação nas principais cida- des catarinenses. só surgiu em 1º de janeiro de 1881. e 31 anos após o início da colonização ofici- al de Blumenau. Antônio Härte era o redator e Hermann Baumgarten o editor.5 centímetros. Hermann Blumenau. O primeiro periódico local. A iniciativa partiu de Hermann Bauggarten. Em Itajaí. o Vale do Itajaí só teve imprensa pró- pria cinqüenta anos após Jerônimo Coelho ter lançado em 28 de julho de 1831. primei- ro jornal de Blumenau e do Vale.da colônia fundada por Hermann Blumenau. o descendente de alemães voltou à sua terra natal com o objetivo de montar um jornal. então com 25 anos. Com uma impressora importada de Leipzig (Alemanha). Brusque. Joinville. onde mantinha agentes (Itajaí. comprou duas ações e sob sua assinatu- ra colocou a observação bedingt (condicionalmente). em Desterro. Tal conservadorismo é defendido por Silva (1977: 10) como “altamente proveitoso à ordem e disciplina JORNALISMO EM PERSPECTIVA 52 . o semanário surgia no formado 30 por 39. mas ilustrado em Porto Alegre e Rio de Janeiro. além do Rio de Janeiro e Alemanha. em 1879. Nascido em Blumenau. Uma semana depois da primeira edição. e Baugartem tornou-se o único dono. o valor das ações foi devolvido grada- tivamente aos cotistas. so- mente em 1884. foi resultado de uma ação coope- rativada da qual 71 colonos eram cotistas. “O Catharinense”. Circulou até 2 de de- zembro de 1938. A falta de recursos financeiros o levou à constituição da Sociedade Tipográfica Blumenauer Zeitung. Mesmo contrário à criação do jornal. o administrador da colônia. Blumenau recebia a devolução de sua parcela no empreendimento. quatro páginas. Blumenau O “Blumenauer Zeitung” (“Gazeta Blumenauense”).

sendo debatido na Câmara de Vereadores. Os desafetos só amenizaram quando a comissão Antunes deixou Blumenau. os opositores à política florianista. Após a Proclamação da República. o governo imperial designou uma comissão de engenheiros. O “Immigrant”. Justifica o autor: “Os anos que se seguiram à publica- ção regular do Blumenauer-Zeitung vieram dar-lhe razão.que atrasou em dois anos a instalação do município -. criada em 1882. O “Immigrant”. chefiada pelo Dr. de matiz liberal. A comissão praticou desmandos. ataques à moral e à dignidade dos contendores e dos seus adeptos” (idem). os dois jornais travaram novo embate. Em 18 de julho de 1892. e em muitos casos bastante contundentes. nasceram discór- dias. revidou. O con- fronto entre os dois jornais chegou à esfera do poder público.da Colônia”. Após a grande enchente de 1880 . O jornal teve apenas 32 edições e saiu de circulação em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 53 . Antunes. embora sem sombra de dúvidas. O “Blumenauer”. favorecimentos e atos de corrupção que geraram pronta reação do “Blumenauer-Zeitung”. o “Immigrant” fechou as portas em 1891. o Immigrant e dos debates entre as duas folhas. Sem apoio. As ativi- dades políticas desse jornal. já que o “Blumenauer” fazia oposição ao inten- dente. foi criado por Bernardo Scheimantel e circulou de abril de 1883 a abril de 1891. Nascia como resultado declarado de um embate político. vol- tadas exclusivamente para a defesa do nome da Colônia e dos inte- resses dos seus moradores. segundo jornal da colônia blumenauense. ligado ao Partido Conserva- dor. lutas sérias. para fazer o levantamento dos prejuízos e atuar na reconstrução da colônia. Foi então que simpati- zantes e beneficiados por Antunes criaram o “Immigrant”. provocou a fundação de outro jornal. editado em português e alemão. O objetivo era veicular os comunicados ofici- ais da Intendência. surge “O Município”. comemorou o novo regime em vários editoriais e perdeu muitos aliados.

house organs.março de 1893. órgãos sindicais. foram encar- tados em “Der Urwaldsbote” durante muitos anos. após as eleições daquele ano. o jornal chegava à tiragem de cinco mil exemplares. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 54 . assumindo também colorações políticas. A Primeira Guerra interrompeu a circulação do jornal por dois anos. após 16 edições. foram 137 publicações entre jornais-empresa. Foi comprado pelo pastor Faulhaber. fun- dado por Honorato Tomelin. O pastor Faulhaber ficou no comando da redação até 1898 e. foi o principal jornal blumenauense até o nascimento do “Jornal de Santa Catarina” em 1971. “Immigrant” desaparecia pela segunda vez. que retornou em 23 de agosto de 1919. Seguindo a vocação industrial do município. Em 16 de julho. e mais ao cotidiano urbano e industrial. Variados e ricos suplementos. com novos veículos de co- municação emergindo como porta-vozes destas novas comunidades. Este foi o responsável pela orientação do jornal durante quase trinta anos. colegiais. Em sua longa trajetória. inclusive impressos na Alemanha. em nome da Conferência Pastoral Evangélica. Os novos títulos criados a partir do início do século XX expandiram a imprensa de Blumenau. No mesmo mês. “A Nação” (1943/1980). foi substituído pela segunda ver- são de o “Immigrant”. Até início dos anos 70. nada menos que 32 municípios foram desmembrados de Blumenau. Em 1928. agremiativos. de acordo com Silva. A maioria da população era republica- na e tinha como porta-voz o “Blumenauer”. o “Der Urwaldsbote” trocou de pro- prietário algumas vezes. revistas. que defendia a causa federalista. os jornais tornaram-se cada vez menos voltados às questões da imigração e à agricultura. foi substituído por Eugênio Fouquet. que circulou até 29 de agosto de 1941. anuários e outros. que passou a editar o semanário religioso “Der Urwaldsbote” (“O Men- sageiro da Floresta”). Os confrontos entre os dois jornais não tardaram. agora sob a direção de Paulo Stelzer. A partir da década de 30. classistas.

um dos líderes locais do republicanismo. Este foi o mote inicial para que a imprensa da foz do Itajaí estivesse cada vez mais atrelada ao poder político. esta aparente neutralidade da imprensa local muda radical- mente em setembro de 1890 quando o médico Pedro Ferreira e Silva. ocorre a primeira e breve experiência da im- prensa de Itajaí. “As precárias condições econômicas e tecnológicas aliadas aos obstáculos políticos oferecidos à circulação de idéias em uma sociedade nitidamente autoritária” são elencadas por Santos (2002: 259) como as principais causas que condicionaram o atraso do nascimento da imprensa itajaiense. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 55 . cenário que só começaria a mudar gradativamente a partir do final do século XX. lança o semanário “Itajahy”. Com uma postura editorial de isenção ante às refregas polí- ticas locais. “A Flexa” e “A Semana Ilustrada” (1894). Tranqüilo Antônio da Silva e Eduardo Dias de Miranda lançam o moderado bissemanário “A Idéia”. em 20 de fevereiro de 1887. também republicanis- ta.Itajaí Em uma época em que. funda a “Gazeta de Itajahy” “para divulgar as idéias republicanas e defender as ações político-administrativas do interventor Lauro Muller” (Ibidem: 260). Galdino de Pereira Lima coloca em circulação “A Liberdade”. O exemplo seguinte foi um outro semanário intitulado “Gazeta de Itajahy” criado em 13 de outubro de 1892. Po- rém. circularam na cidade O “Immigrant” (1890). Na mesma linha editorial. o mestre Janja. expressiva parcela dos jornais catarinenses não escondia suas cores partidárias. Inovou ainda na distribuição gratuita e no conteúdo bilíngüe (português e alemão). e o primeiro com circulação em todo o Vale. “Jornal do Brasil” (1896) e o “Progres- so” (1899). João da Cruz. que circulou pouco mais de um mês. Em 10 de maio de 1884. Encerrando a primeira fase da imprensa itajaiense do final do sécu- lo XIX. em 18 de fevereiro de 1886. às portas da Proclamação da Repú- blica.

“Jornal do Povo” (1935/1989). algumas se tornaram marcos na imprensa local por sua longevidade e postura editorial: “Novidades” (1904/ 1919). “O Correio” (1963/1976). passou por várias fases com diferentes proprietários. criado por João Honório de Miranda. por Adilson Amaral. foi o primeiro diário da cidade. de Dalmo Viveira. qualidade do conteú- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 56 . de Rui Barbosa em 1910. vinculada à Academia Itajaiense de Letras. vale o registro da “Realeza”. consis- tência e independência/imparcialidade da linha editorial. “Diário da Cidade” (1992). Do início ao final do século XX. fundado por Tibúrcio de Freitas. de Valdemir Corrêa das Chagas. de acordo com levantamen- to de Santos (2002). não é tarefa fácil. 83 jornais foram lançados. “Diário do Litoral” (1979). foi fechado pela censura de Getúlio Vargas. e “Papa Siri”. de Elias Adaime. entendemos por profissionalização aquela que passa pela modernização e consolidação econômica das empresas. No segmento revista. “Diário de Itajaí” (1914 – quatro meses). Em meio a tantas publicações efêmeras. de Manoel Fer- reira de Miranda. dominando o cenário jornalístico ita- jaiense até o início dos anos 60. Longe de limitar a questão em torno de ter ou não diploma superior para exercer a profissão. “O Pharol” (1904/1936). Caminhos para a profissionalização Definir com precisão o início da profissionalização da im- prensa escrita no Vale do Itajaí. Marcos e Adolpho) e desempenhou im- portante papel na Campanha Civilista. editada em Balneário Camboriú por Coninck Júnior e Ivaine Salete Gilioli. teve a colaboração dos irmãos Konder (Victor. quando do surgimento do jornal “A Nação”. de oposição e postura crítica. conscien- tização e espírito de classe dos profissionais. o único jornal local de oposição ao regime militar e inclusive era revisado por censores do Serviço Nacional de Informação (SNI). fundado por Abdon Fóes.

de Itajaí. de Blumenau. A versão itajaiense de “A Nação” foi lançada em 15 de no- vembro de 1962. o primeiro do Vale. a chegada dos primeiros jornalistas com forma- ção superior. e a divide nas fases artesanal – estruturada no jornalismo opinativo e no jornalismo adjetivado – e industrial – centrada no jornalismo técnico e no jornalismo técnico-profissional. como o primeiro a implantar as modernas técnicas de redação. Já em agosto do ano seguinte era adquirido pelo voraz Assis Chateaubrian. o curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). o “Jornal de Santa Catarina”. proces- so este que ainda está em construção.do informativo. Estas fases da imprensa itajaiense não só complementam como aprofundam a proposta deste artigo. quintas e sábados. Nesta direção. o grupo contava ainda com o “Jornal de Joinville” (1919) e “Diário Catarinense” (Florianópolis – 1973). elencamos pelo menos quatro marcos funda- mentais: o jornal “A Nação”. o primeiro grande e moderno empreendimento jorna- lístico do estado. Todos fecharam em 1980 com a falência do grupo. conduta ética de empresários e jornalistas. Acrescentamos ainda a contribuição do professor e jornalis- ta Hélio Floriano dos Santos10 . O jornal blumenauense nasceu com seis páginas e circulação às terças. que há anos estuda a imprensa de Itajaí. Ou seja. é um desmembramento do “A Nação”. O jornalismo técnico de “A Nação” O jornal “A Nação”. dos Diários Associados. e com- promisso social com a informação e com o leitor. Em Santa Catarina. Seis meses depois se tor- nava diário. de Blumenau. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 57 . fundado por Honorato Tomelim em 29 de maio de 1943. sob a direção de Wilfredo Eugênio Currlin e 10 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. pelo menos em alguns dos aspectos enumerados. de Itajaí.

em Curitiba.Nilton Isaac Russi. já que seus depar- tamentos de jornalismo tinham os jornais como suas fontes. mas se espalhou rapidamente pela redação de “A Na- ção”. Com a nova técnica tudo isso foi revisto. de onde traz para Itajaí as novas técnicas de redação. Na verdade o jornalismo era mais feito de opinião do que de informação. Os comentários e opiniões ficavam por conta das fontes (informantes. a nova técnica causou polêmicas. Às vezes. apenas ficavam lendo bajulações. acabávamos escrevendo a mesma coisa. quase um testemunho. A nova técnica também chegou às emissoras de rádio. Os leitores não eram levados à reflexão. o uso de normas e o ma- nual de redação. Outro repórter do “A Nação” a dar uma forte contribuição à difusão das novas técnicas jornalísticas em Itajaí. uma síntese do que era o improviso e o amadorismo do jornalismo da época: “a imprensa só elogiava e as matérias eram superficiais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 58 . após realizar um curso de jornalismo técnico por correspon- dência no Instituto Gutenberg. Basicamente aprendemos a elaborar um texto onde estava bem separado o fato e a opinião” (Freitas In: Santos. só que com outras palavras“. O jornalismo era mais comentado. inflamado. Era um texto de cunho pessoal. objetividade e imparcialidade. O repór- ter passou a ter a função de relatar de forma impessoal os fatos. o repórter Renato Mannes de Freitas fez estágio no “Diário do Paraná”. O jornal disponibilizava muito espaço e nós tínhamos que preencher. opinião e proposições políticas. Estas incluem as seis perguntas clássicas que compõem o lead – O quê? Quem? Quando? Como? Onde? Por quê? – além do conceito de pirâmide invertida. Durante o ano de 1967. entrevistados). que se tornou uma verdadeira academia “formando” pelo menos duas gerações de jornalistas dentro da nova técnica. Numa época em que o texto jornalístico era carregado de adjetivação. foi Álvaro Balbi- not. No relato do jornalista. “Antes se misturava muito os fatos e as opiniões. 2004).

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 59 . destaca Flávio de Almeida Coelho11 . o conteúdo editorial e a produção industrial. Na capa. para. incluindo edições pilotos para avaliar o projeto gráfico. principalmente no Governo do Es- tado. abaixo do logotipo. a partir de Blumenau. “Os jornalistas tinham medo de se posicionar e sofrer represálias na redação. Assim nascia o “Jornal de Santa Catarina”. O “Jornal de Santa Catarina” inicia a era da modernização A 22 de setembro de 1971. questiona o empresário. lembra Balbinot (In Jordão. Como então a imprensa podia ser independente?”. Era uma época que “Santa Catarina não tinha jornal independente”. concor- rendo com “A Notícia” (Joinville) e “O Estado” (Florianópolis). consta- va “Santa Catarina. “Boa parte dos jornalistas não vivia do jornalis- mo. O projeto era coordenado pelo professor e jornalista gaú- cho Nestor Fedrizzi que deixou um exemplo de profissionalismo para a imprensa catarinense. ao invés da cidade sede e a data. A ditadura militar. Foi também o primeiro jornal a ter um sistema de telefoto no estado e a contar com uma frota de 26 veículos para a distribuição do jornal em todo território catarinense. O governador Colombo Machado Salles acionou as rotativas que imprimiram a primeira edição com a manchete em tom de denúncia e embalada em moderno projeto gráfico: “Esgoto só existe em duas cidades de Santa Catarina”. que estava no seu auge no início dos anos 70. Por isso não existia cen- sura. também impunha suas amarras à imprensa local e os efeitos eram nefastos à autonomia editorial. atingir os então 197 municípios catarinenses. ninguém se arriscava”. Foram dois anos de planejamento. sistema de composição que era privilégio apenas dos grandes diários das principais capitais brasileiras. 2003: 77). 22 de setembro de 1971”. Santa Catarina entra na era do jornalismo moderno com o seu primeiro jornal em off-set. vivia de outros empregos.

Contava com cerca de 40 profis- sionais na sede e outros 20 apenas na sucursal de Florianópolis. logo surge a primeira crise interna a que se sucederiam várias outras. onde os cursos de Jornalismo da Universidade Federal e da Uni- versidade Católica já tinham 20 anos de tradição. só faltava o jornal impresso. e operava com as agên- cias de notícias do “Jornal do Brasil”. A redação sob o comando de Nestor Fedrizzi (também di- retor do departamento de telejornalismo da TV Coligadas). pois os gaúchos não conheciam as peculiarida- des de Santa Catarina e levou algum tempo para se adaptarem ao novo cenário. Tinha a colaboração de colu- nistas como Ibraim Sued e Joelmir Betting. incluindo o jornalista Adolfo Ziguelli. Com a TV Coligadas operando desde setembro de 1969 e uma cadeia de emissoras de rádios associadas. o controle acionário passa a um grupo de empresários e políticos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 60 . Paulo”. Essa “importa- ção” deu trabalho. Apesar do sucesso. o Santa contava com 200 funcionários e chegou a 400 no início da década de 80. no projeto dos empresários Wilson de Freitas Melro. indo da matiz política de direita à esquerda12 . entre outros que formavam o grupo. Para montar a moderna redação. Wilson Melro e Caetano Deecke se desentendem sobre a administração das empresas e os jornalistas gaúchos são demitidos. pelo menos 15 dos 40 pro- fissionais da sede em Blumenau foram trazidos de Porto Alegre. Caetano Deecke de Figueiredo. A titularidade do jornal passa por di- ferentes grupos políticos e empresariais. O “Jornal de Santa Catarina” nascia para completar a primei- ra grande rede de comunicação do estado. Dois anos depois. 12 Em 1972. Flávio Rosa e Flávio de Al- meida Coelho. Essa alternância de comando afetou a estrutu- ra da empresa e a linha editorial do jornal que perde sua indepen- dência e imparcialidade. 11 Entrevista concedida ao autor em 20/12/2004. Quando do seu lançamento. “Folha de S. Reuters e Asa Press. não era nada modesta para a época.

Como o “Diário Catarinense”. mantendo íntimas ligações com o Palácio Santa Catarina (Pereira. 1992 : 126)”. Brusque. Durante o tempo em que a redação parou. seus jornalistas realizaram a mais longa greve da categoria. tesoureiro da campanha do governador Pedro Ivo Campos. Conta com cerca de 50 profissionais na redação que produzem a média de 44 páginas diárias. o Santa representava um grande portal de entrada da RBS naquele importante mercado de anunciantes e leitores. o jornal circulou precariamente e no início uma edição de quatro páginas explicava aos leitores o que estava acontecendo” (Zero. comercial e administrativo. 1993 : 14). Paulo e Jorge Bornhausen. “Mais de 40 profissio- nais foram demitidos. Itajaí. e o Santa passa “a ser dirigido por profissionais indicados ou aprovados pelo governo do PMDB. Em 1985. que durou quase dois meses. Em maio de 1990. No final dos anos 80. chegando a 20 mil exemplares de segunda a sábado e cerca de 25 mil aos domingos. Segundo o autor. Atualmente. A aquisição era estratégica. Já em setembro de 1994. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 61 . ano em que Bauer deixa a sociedade. integrado por Mário Petrelli. O Santa foi regionalizado e atualmente atinge 64 municípios do Vale do Itajaí com sucursais em Florianópolis. Nas primeiras semanas a adesão foi de quase 100% dos jornalistas. o Santa mergulha em grave crise financeira. fechando praticamente todas as sucursais. Em 1º de setembro de 1992. Nogert Wiest. Flávio Coelho. Rio do Sul e Jaraguá do Sul. Flávio Coelho negocia o jornal com o empreiteiro Nilton José dos Reis. foi a vez de Petrelli vender sua parte e Flávio de Almeida Coelho passa a acionista majoritário. Flávio Coelho e Rudi Bauer ficam no comando até 1983. acentuada pela recessão no início do Governo Collor. é o terceiro em tiragem no estado. passava a ser impresso em cores e em 1996 chegava à Internet. a RBS assumia o jornal imprimin- do-lhe novo ritmo editorial. Mário Petrelli. No ano seguinte. Com a venda da TV Coligadas em 1980. embora o movimento tenha sido julgado legal. a transação foi conduzida secretamente pelo então presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). não conseguia penetrar maciçamente no Vale do Itajaí. jornal do grupo lançado em Florianópolis em 1986. nova transferência. entre outros. desta vez para um grupo de 12 empresários blumenauenses.

atuou em jornais de Curitiba. Em Itajaí. Era uma época em que muitos jornalistas não eram nem provisionados e a grande maioria tinha apenas formação em nível de 2º grau. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 62 . No início de 1993. encerrando as atividades como jornalista em 1982. na época pertencente a Rede Eldorado de Comunicações – RCE. foram contratados principalmente jornalistas para- naenses. Foi a primeira mulher na imprensa de Joinville (“Jornal de Joinville” – 1978) e em Itajaí (sucursal de A Notícia – 1980). São Paulo e Paraná. voltou à região para atuar na Rádio União de Blumenau (1980/1982). mas foi um “cho- que” para os jornalistas de Joinville e Itajaí verem invadido um ter- ritório que até então era exclusivamente masculino13 . Ela lembra que não houve preconceito. Antes de retornar à terra natal. chega a Itajaí a primeira geração de jornalistas com graduação na área. Após a greve de 1990. trabalhou na sucursal de “A Notícia” (1982/1987). que a partir de janeiro de 2000 tornou-se o atual editor-chefe. Alberto César Russi. Edgar Gonçalves Júnior. chegaram mais seis gaúchos. Atualmente. e foi colunista esportivo no “Diário do Litoral” (1989/1991). 13 Entrevista concedida ao autor em 10/01/2005. Entre eles. itajaiense formado pela Universidade Nacional de Brasília em 1980. além de profissionais do Rio de Janei- ro. o jornal não deixou de trazer jornalistas de outros estados para aperfeiçoar seu quadro profissional. Trabalhou ainda na sucursal de “O Estado” e no “Diário do Litoral”. TV Vale do Itajaí (1986/1988 e 1991/ 1993). Os desbravadores No início dos anos 80. A primeira foi a itajaiense Cons- tância Teresinha Severino. Nesta nova fase. formada pela Universidade Católica do Paraná em 1976. dirige a Rádio e TV Univali e é diretor do Centro de Ciências Humanas e da Comunicação da Univali.

vieram atuar na imprensa de Itajaí e atualmente são professoras do curso de Jornalismo da Univali. Passou três anos estudando e trabalhando no México (1984/1987). Além do ensino. que produzir matérias comerciais15. coincidentemente todas mulheres. Janete Jane Cardozo da Silveira (turma de 1983). Foi a primeira mulher a atuar na televisão em Itajaí. Fazia parte de uma geração “mais idealista” para a qual a atividade jornalística “era mais um ideal que uma profissão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 63 . Hoje o profissional é mais voltado para o mercado”. de 1985 a 1990. Luciene Cruz. No Santa. observa a jornalista14. Entre 1994 e 1996. 15 Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. Em 1991. Da fase inicial. inclusive com jornalistas tendo. foi a primeira professora jornalista contratada no curso de Jornalismo da Univali. Em 1984. “A Notícia” e “Jornal de Santa Catarina” e des- de 1993 é professora no curso de Jornalismo da Univali. sem dúvida. A lageana Márcia Estela da Costa foi da primeira turma (1982). voltou à emissora como produtora. foi apresentadora do Jornal do Meio Dia na TV Vale de Itajaí. Curso de Jornalismo da Univali Vários fatores relegaram ao atraso a imprensa catarinense. também da turma de 1983. ingressou no semanário “Liberal do Vale”. Um deles. muitas vezes. foi uma das demitidas durante a greve de 1990. Jane Cardozo atuou ainda em vários veículos entre eles nas sucur- sais de “O Estado”. destaca o improviso e a estrutura amadora que era a televisão. três profissionais. Das duas primeiras turmas formadas pela Universidade Fe- deral de Santa Catarina (UFSC). é editora-chefe da Rádio Educativa Univali FM. foi a falta da formação de profissionais es- 14 Entrevista concedida ao autor em 21/12/2004. de Waldemir Correa das Chagas. Chegou a Blumenau no final de 1987 onde atuou no “Jornal de Santa Catarina” e em 1988 na assessoria de comunicação do grupo Hering.

muitos deles atuando nos mais variados veículos de comunicação do país. jornalistas formados no estado só come- çaram a chegar em maior número às redações do Vale após a cri- ação do curso de Jornalismo da Univali em 1991.. Para ele. Entre a formatura da primeira turma em setembro de 1995 e final de 2004. Edgar Gonçalves Jr. Hoje. editor-chefe. apenas 30% eram selecionados. lembra que dos egressos das primeiras turmas que chegavam ao Santa em busca de uma colocação. de 1962 a 1967. mais da metade é egressa da Univali. o desenvolvimento da imprensa local se divide em duas fases: artesanal e industrial. pratica-se um jornalismo adjetivado e com víncu- lo político-econômico. este índice ul- trapassa aos 80%. caracte- riza-se pelo jornalismo opinativo e estrutura empresarial constitu- ída por sociedades ou subsidiada por grupos político-econômicos. o curso já havia formado 518 profissionais. entre tantos outros. Esta realidade só começou a mudar lentamente com a criação do primeiro curso de Jornalismo do estado. acrescentamos a contribuição do professor Hélio Floriano dos Santos sobre o jornalismo do município de Itajaí. como já dissemos. O “Jornal de Santa Catarina”. o da Univer- sidade Federal de Santa Catarina (UFSC). é um importante termômetro da evolução do curso na região. que formou a primeira turma em 1982. mas começa a se constituir como empresa capitalista. Ele destaca que alguns destes jornalistas já alça- ram um novo patamar profissional no jornal e hoje ocupam cargos de chefia na redação. Dos seus mais de 50 profissionais da redação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 64 . Porém.pecializados. Movimento de Oposição Sindical Além desses fatores que marcaram o início da profissionali- zação da imprensa no Vale do Itajaí. A artesanal tem dois momentos: de 1886 a 1962.

A fase industrial também se divide em dois períodos: de 1967 a 1980. Este vem sendo marcado pelo expurgo gradativo dos provisionados e não diplomados. inclusive com algumas despesas da entidade – aluguel da sede da entidade. aqui focaremos os três perí- odos mais recentes que dizem respeito à questão sindical e à diploma- ção. é marcada pelo jornalismo técnico que prima pela informação em detrimento da opinião e notícia passa a ser tratada como um produto. Como resultado desse processo que também ocorreu em outras cidades. embora estes ain- da atuem em bom número em Itajaí. Blumenau e Itajaí. Itajaí já con- tava com 31 filiados votantes. de 1980 aos dias atuais. O Movimento de Oposição Sindical – MOS – surgiu em 1980. nasce o atual período da diplomação. tendo como delegado Hé- lio Floriano dos Santos. sendo três com diploma de jornalista. As características da chamada fase artesanal e sua transição para a industrial já foram abordadas. Portanto. o MOS venceu as eleições daquele ano. num momento em que o Sindicato de Santa Catarina vivia um forte atrelamento político. nas eleições de 1986. o período é ditado pelo jornalismo técnico-profissional que se subdivide em: a) oposi- ção sindical (1980 a 1986). c) período de diplomação (1991 em diante). em Florianópolis. apenas três profissionais itajaienses foram filiados e puderam votar. em razão dos artifícios criados pela dire- toria da entidade para dificultar a filiação de novos sócios. criou a Delegacia Regional do Sindicato. Com a criação do curso de Jornalismo da Univali e a consci- entização profissional iniciado nas fases anteriores. e muitos jornalistas tinham na folha de pagamento do Estado sua principal fonte de renda. por exem- plo – sendo custeados pelo governo. b) situação sindical (1986 a 1991). Depois de um trabalho de base feito pelo jornalista e encaminhamento de processos de provisionamento. Em Itajaí. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 65 . Hélio Floriano destaca que nas eleições de 1982 para o Sin- dicato dos Jornalistas.

A gestão de Hélio Floriano iniciou em 10 de maio de 1985 e atuou prioritariamente no registro dos profissionais da imprensa junto aos sindicatos dos jornalistas e radialistas. Como resultado. co- ordenado por Valdemir Correa das Chagas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 66 . e à Delegacia Regi- onal do Trabalho. o que se percebe é uma frágil qualida- de editorial – estética e de conteúdo –. Edson Villela. administrativa e até de circulação. mostrando que o CIITA pre- tendia ser mais que um clube recreativo. falta investir em recursos humanos. era entregue um abaixo-assinado dos profissionais da im- prensa ao reitor da Univali. Considerações finais O “Jornal de Santa Catarina” é uma exceção na imprensa es- crita do Vale do Itajaí. De entidade recreati- va. comercial. quer defenden- do seus filiados contra atos de censura e arbitrariedades. Aproximou o CIITA do Sindicato dos Jornalistas e iniciou a campanha para criação do curso de Jornalismo na Univali. Em alguns veículos ainda há resistência na contratação de jornalistas formados. Sua instalação oficial se deu em 15 de maio de 1981. quer pro- movendo coletivas de imprensa. da maior a menor. as empresas. Os demais veículos ainda precisam superar algumas etapas para chegarem ao estágio da profissionalização. reivindicando o curso. se modernizaram. Outro processo que está na base da conscientização profis- sional na imprensa local foi a criação do Clube da Imprensa de Itajaí – CIITA – que iniciou informalmente em novembro de 1980. na solenidade de posse de Emerson Ghislandi como presidente da entidade. com a eleição da primeira diretoria que teve como presidente José Perei- ra. Com a popularização do computador. Em 1988. Porém. A posse foi em 12 de julho e já no dia 29 daquele mês era realizada palestra com o presidente do Sindicato dos Radialistas de Santa Catarina – Hugo Silveira Lopes. passou a atuar em questões técnicas e políticas.

há espaço para sólidos e modernos grupos de comunicação. A já referida pesquisa que realizamos em 1999 sobre a pe- quena imprensa catarinense. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 67 . evidenciava o perfil de um profissio- nal jovem. mal remunerado. conduta ética de empre- sários e jornalistas. conscientização e espírito de classe dos profissio- nais. os profissionais com formação superior - seja jornalista. publicitário ou administrador de empresas – têm o importante compromisso de colocar nossa imprensa no caminho da profissionalização. qualidade do conteúdo informativo. não significa apenas diploma universitário para os jornalistas. a profissionalização não está relacionada apenas à instrumentalização técnica propiciada aos profissionais pelas uni- versidades. no caso das redações. A consolidação econômica das empresas também faz parte desse processo. Porém. para que empresários e jornalistas possam atuar com a autonomia indispensável ao jornalismo. mas a consistência e independência/imparcialidade da linha editorial. Ou seja. profissionalização. sem formação profissional e com pouca experiência profissional. Neste contexto. compromisso social com a informação e com o leitor. Os novos profissionais. mas também pela formação humanística e o discerni- mento crítico e ético. principalmente aguçando a sadia concorrência. faltam investimentos para que o Vale tenha a imprensa que precisa e merece. Como assinalamos. Em uma região tão rica. Esse também é o perfil do profissional atuante no Vale do Itajaí. seja criando seu próprio negócio de comunicação ou atuando nas redações dos veículos já estabeleci- dos. É este conjunto de competências técnicas e culturais que legitimam o profissional na construção social da reali- dade de uma comunidade. também começam a redimensionar o setor.

Itajaí: s. MEDEIROS. Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Univali. Hélio Floriano dos. 1999. Luciene Rebelo. Márcia Estela da. Florianópolis-Blumenau : UFSC-FURB. VIEIRA. 2002. Flávio de Almeida. SILVA. FERNANDES. Ricardo. J. A Nação: o surgimento do jornalismo moderno em Itajaí (artigo). 1996. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. A História do Clube da Imprensa de Itajaí (artigo). Moacir. PEREIRA. Itajaí : Univali. _______. Florianópolis : Lunardelli. Entrevista concedida ao autor em 16/12/2004. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 68 . Mario Luiz. A Força do Jornal do Interior. Flávia dos Santos. Itajaí: s. Itajaí Outras Histórias. JORDÃO. Televisão e Negócio – A RBS em Santa Catarina. Imprensa & Poder .d. Dulce Márcia. Jornal a Nação – o surgimento do jornalismo técnico em Itajaí.d. Itajaí: Prefeitura Municipal / Secretaria da Educação / Fundação Genésio Miranda Lins. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005 CRUZ. Florianópolis : Insular. COSTA. 1992. História do Rádio em Santa Catarina. In: LENZI. A Imprensa em Blumenau. 2003. Itajaí.Referências Bibliográficas CRUZ. Ferreira da. Florianópolis: Secretaria da Educação e Cultura: 1977. ________. Entrevistas COELHO. SANTOS.A Comunicação em Santa Catarina. Lúcia Helena. Rogério Marcos (organizador). 2003. A História da Imprensa na Cidade de Itajaí.

22 e 23 de setembro de 1996. Entrevista concedida ao autor em 10/ 01/2005. Constância Teresinha. Janete Jane Cardoso da. ZERO. Florianópolis : outubro de 1999. 20 de dezembro de 1993. Entrevista concedida ao autor em 19/01/2005. Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. SEVERINO. Suplemento Especial. 29 de outubro de 1997. Edgard. Florianópolis : Edição número 5. Entrevista concedida ao autor em 21/ 12/2004. 22 e 23 de setembro de 2001. Suplemento Especial. Entrevista concedida ao autor em 07/12/ 2004. Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Blumenau : Caderno Especial. Entrevista concedida ao autor em 20/12/ 2004. PAPEL JORNAL. RUSSI. SANTOS. Edição número 5 de agosto de 1999. Alberto César.GONÇALVES JÚNIOR. Suplemento Especial. 2 de setembro de 1977. edição número 15. Periódicos JORNAL DE SANTA CATARINA. SILVEIRA. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 69 . Hélio Floriano dos.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 70 .

Ninguém parecia interessado em ganhar dinheiro com jornais ou em buscar mais leitores com algumas inovações já disponíveis em outras capitais brasileiras: bas- tava que cumprissem seu papel de arautos dos partidos. ora. Uma espécie de servi- ço de alto-falantes dos principais partidos ou coligações. E era um jogo. da UDN. César Valente A imprensa na Grande Florianópolis No princípio. Os jornalistas. Simples assim. A rádio Guarujá e o jornal “O Estado” elogiavam quem era simpático ao PSD e expunham as mazelas dos adversári- os. da Rádio Na- cional do Rio. só que com o sinal inverso. Os jornais eram mantidos em estado de indigência tecnoló- gica pela falta de ambição comercial. as notícias eram copiadas do repórter Esso. o PSD (Partido Social Democrático) e a UDN (União Democrática Naci- onal). às claras: todos sabiam que se quisessem encontrar críticas aos Ramos teriam que ler o jornal da UDN. redatores daqueles textos rebuscados que in- variavelmente iniciavam com um longo “nariz de cera”. faziam a rádio Diário da Manhã e o jornal “A Gazeta”. eram tam- bém partidários. A mesma coisa. Mais especifica- mente. eram os partidos políticos. na Santa Catarina da época da criação do Sindicato. Por décadas a imprensa da capital de Santa Catarina viveu essa rotina provinciana. de certa forma. As notíci- as. ditadas pela fonte ou ainda recortadas de jornais de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 71 . Os jornais e as emissoras de rádio em Florianópolis eram conhecidos por serem “de propriedade” de uma ou de outra cor- rente política. E para saber o que estavam dizendo dos Bornhausen era só ler o jornal do PSD. Amigos e apadrinhados das principais personali- dades políticas de cada clã.

em 1958. jovem genro do “Doutor Aderbal”. A justificativa para o fechamento do suplemento foi a neces- sidade de economizar. de tempos em tempos comprava uma ou outra máquina nova. depois irá se instalar confortavelmente e tomar parte em todos os movimentos da imprensa florianopolitana. 1996.uol. Enquanto “O Estado”. instalou uma rotoplana. ao comprar uma segunda linotipo. certamente contribuiu para que as coisas mudassem ou pelo menos se tornassem menos evi- dentes e preponderantes. Quando Rubens de Arruda Ramos deixa a direção. um Suplemento Dominical “cultural e social” em “O Es- tado”. os demais jornais permaneciam onde sem- pre estiveram ou regrediam.br/grande/pitsi- ca). o jornal fica sob a responsabilidade de José Matusalém Comelli. A extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2. em 1965. o jornal “O Estado” iniciou um lento e longo pro- cesso de modernização. Em 1956. A crise financeira. disponível em http://an. Essa polarização PSD/UDN durou mais ou menos até a década de 70. A pequena cidade. O “Diário da Tarde” fechou e “A Ga- zeta” continuava. resolveram criar. Além dos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 72 . mas sem novidades. que a essa altura é um personagem novo. Paschoal e seu irmão Nicolau foram encarregados da parte cultural e Zury Machado fazia a coluna social. animados com os novos equipamentos. ainda que ca- pital de estado. o jornal “O Estado” já era de propriedade do ex- governador Aderbal Ramos da Silva.fora e publicadas no dia seguinte. numa entrevista a Apolinário Ternes (“A Notícia”. Em 1964.com. não tinha a pressa de hoje. Foi uma espécie de “primavera de Praga” que durou um ano. que o diretor Rubens de Arruda Ramos e o gerente Domingos de Aquino. Já podia produzir suas próprias fotos e ilustrações. Paschoal Pitsica contou. Em 1957. fez grande sucesso e reuniu colaborações dos principais nomes da época. impressora mais moderna e rápida que a prensa tipográfica anterior e instalou uma clicheria.

em Blumenau. O jornal “O Estado” foi. trazido de São Paulo por Nestor Fedrizzi. ao chegar a Florianópolis em 1970. surpreendido pela iniciativa do Santa. foi um terremoto jornalístico cuja onda de choque che- gou a Florianópolis com toda a força. com a tarefa de montar a sucursal do Santa (como é chamado o jornal de Blumenau) foi muito bem recebido por Adolfo Zigelli. pelo su- cesso da “Última Hora” em Porto Alegre) levou para Blumenau jornalistas da melhor qualidade. mas ainda não tinha sido feito qualquer processo de compra ou importação de equipamentos. de certa forma. não hostilizou os recém-chegados e os ajudou de inú- meras formas. José Matusalém Comelli conta que a moderni- zação de “O Estado” estava sendo pensada e planejada. mesmo antes de tornar-se colunista do jornal. antes mesmo do lançamento. O Santa foi lançado em 22 de setembro de 1971. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 73 . como Marcílio Medeiros Filho. E um projeto editorial moderno e competitivo. O lançamento do “Jornal de Santa Catarina”. demorava mais de um ano. em geral. uma rotina jornalística profissional e nova tecnologia de impressão. com João Aveline. composto a frio e impresso em rotativa off-set. mas também porque.filhos de Rubens (Sérgio da Costa Ramos que desde os 14 anos de idade convivia com o jornal e Paulo da Costa Ramos). Ayrton Kanitz lembra que. um radialista de prestígio que embora apaixonado por Florianópolis e defensor das tradi- ções locais. E o jor- nal “O Estado” continuava sua lenta e segura trajetória de mudanças. começou a montar uma grande sucursal na capital. Mauro Júlio Amorim e Luiz Henrique Tancredo. Todos os demais jornais ti- nham composição a quente (com linotipos) ou manual (com tipos móveis) e impressão direta plana ou no máximo rotoplana (matriz plana e entintador rotativo). procedimentos excessivamente burocratizados e que. Comelli cer- cou-se de outros jovens. Não só porque Nestor Fe- drizzi (jornalista gaúcho responsável. em 1971. Raul Cal- das Filho.

em tempo recorde. Diante disso. Jorge Daux (então proprietário da rede de cinemas da capital) procurou Comelli para apresentá-lo a um deputado pa- ranaense que estava vendendo o equipamento que “O Estado” pre- cisava. percebe o momento histórico e acaba ganhando credibilidade com JORNALISMO EM PERSPECTIVA 74 . acrescentando alguns jornalistas gaúchos recém-chegados e poucos locais. estava em processo de mudança. trazido para Florianópolis para continuar a atuar politicamente. com o Vanguarda. locutor de rádio do parti- do. O jornalista floriano- politano também nunca mais foi o mesmo. na verdade. na rua Felipe Schmidt. oito meses depois. Um jornal totalmente renovado. “O Estado”. em portos brasileiros. Portanto. “O Estado” conseguiu renovar-se. enquanto ainda estavam nos portos de Santos e Paranaguá. com todos os demais equipamentos complementares à venda. importara todo o maquinário para instalar um jornal em Maringá. As máquinas tinham acabado de che- gar e. com- pletar uma das histórias profissionais mais interessantes: o garoto engajado nas lides da UDN em Joaçaba. gráfica e editorialmente. o dono do jornal achou melhor não lançá-lo e saiu em busca de compradores para as máquinas. sur- preendendo a todos. como um todo. Adolfo Zigelli conseguia. No rádio. O amigo de Daux. Praticamente pronta entrega. tanto no serviço de imprensa do Palácio quanto na rádio da UDN. Não eram só os jornais que mudavam. Mesmo assim. Em me- ados de 1971. num episódio até hoje obscu- ro). com equipamentos semelhantes aos do concorrente de Blumenau. após sete meses de mandato. foi beneficiado pelo acaso. o governador deixou o cargo (Peres renunciou em setembro de 1971. havia todo um sistema de composição a frio IBM e uma rotativa off-set Goss. A imprensa. do grupo de apoio do então governador paranaense Haroldo Leon Peres. trouxe parte da equipe que lançara o Santa. em maio de 1972. Para fazê-lo. o jor- nal “O Estado” estreava sua nova sede. Foi por isso que.

nessa época. mais à esquerda. trabalhar em qual- quer lugar do mundo. O choque cultural e profissional era ao mesmo tempo as- sustador e estimulante. poderiam. por exem- plo. mas não deixava também de ter a visão política básica dos dessa corrente. Jorge Escosteguy. como de fato alguns fizeram. Vale lem- brar que. editado pelo Paulo da Costa Ramos. O Jorge Escosteguy (falecido em 1996). Ocupava uma vaga de redator no Caderno 2. sem ter passado pelo Santa. Em 1972. na nova etapa de “O Estado”. o outro partido-frente do sistema bipartidário. Nei Duclós. trabalhava sem descan- so e sem levar a sério aquele bando de provincianos que circunda- va o grande centro do saber. porque as reda- ções dos principais veículos. Naturalmente. na sucursal do Santa e no jornal “O Estado”. grande jornalista que depois tornou-se nacionalmente conhecido e respeitado. só que numa linguagem moderna. Ele desenhava e diagramava as páginas que editava. o partido-frente que se opunha ao MDB. eu estava entre os jorna- listas catarinenses que compunham a redação. Mário Meda- glia.uma atuação focada na defesa da cidade e de seus valores que co- meçavam a desaparecer (como a até hoje injustificada demolição do Miramar). era uma esfinge arrogante aos olhos curiosos dos lo- cais. traduzia os telegramas das agências internacionais. Em março de 1972. Virson Olderbaun. Nós éramos os iniciantes. a UDN estava unida ao PSD na Aliança Renova- dora Nacional – Arena –. Elaine Borges. no Rio e em São Paulo também esta- vam “cheias” de gaúchos talentosos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 75 . Florianópolis estava “cheia” de jornalistas gaúchos. O Vanguarda não era um programa da UDN e não tinha o ranço político-partidário que caracterizou o passado do mesmo Zigelli. os postos principais nas principais editori- as eram ocupados pelos “gaúchos”. JB Scalco. com 19 anos. Tinha vindo diretamente de Porto Alegre. Não era um fato isolado. Eles eram os jornalistas expe- rientes. E não eram quaisquer jornalistas: Ayrton Kanitz.

de re- pente. E eu. os jornalistas que tinham sido criados num ambiente empresarial mais profissional (Porto Alegre. Mas a conjuntura na qual o incidente ocorreu era mais ampla. A primeira edição que fizemos chegou às bancas perto do meio- dia (não lembro se antes ou depois). E ainda me pagavam para partici- par daquela festa. Provamos. Muitos dos jornalistas que vieram de outros estados naquela época. tinha cinco ou seis jornais. jantar. muitas delas traduzidas de revistas estrangei- ras. Tomamo-nos de brios e ninguém mais falou em ir pra casa. Havia um conflito latente sobre como conduzir o jornal “O Estado”: de um lado. E os principais jorna- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 76 . A gota d’água que provocou a saída daquela turma. sem maiores responsabilidades do que dar texto final a matérias culturais. nós. acabaram ficando na cidade até hoje. que éramos capazes de baixar um jornal. Eu. fomos chamados a assumir todas as funções do jor- nal que tinham ficado desguarnecidas. pelo menos. achava tudo muito divertido. responsáveis pela implantação de uma mudança que. os remanescentes e inexperien- tes catarinas. favorecendo os atritos. vista a esta distância. A segunda. para poder manter o jornal circulando. para nós mesmos e para o mundo. um pouco mais cedo. mesmo sem os “gaúchos”. àquela altura. Mas o melhor estava por vir. tinha menos de um ano de vida. embora radi- cal. Parecia que o ritmo dos locais que estavam se esforçando para modernizar a imprensa provinci- ana e de quem tinha vindo de fora com o mesmo objetivo não estava sintonizado. parece mesmo apenas uma gota (uma discussão menor sobre funções e atribuições). os “gaúchos” foram embora. Tivemos que arrebentar a caixa preta a marretadas. Em outubro de 1972. fiquei dois dias inteiros no jornal. alguns de grande qualidade jornalística) e do outro os dirigentes do jornal. Aprender a fazer tudo o que ainda não tínhamos aprendido. literalmente de uma hora para a outra. No meio da tarde. mas chegou. descansar.

as fotos e ilustrações perdiam em qualidade. O surgimento dos jornais do grupo Diários Associados. o principal fato jornalístico destes 50 anos. que circula- va na Grande Florianópolis. Raul Caldas Filho (“Man- chete”). estimulou o aperfeiçoamento. de uma ou outra forma. correspondentes de publicações de outros estados: Sér- gio da Costa Ramos (“Veja”). o Zico (“O Estado de S. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 77 . Vânio Bossle (“Folha de S. influenciados. Marcílio Medeiros Filho (“Jornal do Brasil”). Reforçou a redação. (“Correio do Povo”). por maior ou menor tempo. com redação em Florianó- polis. movimentou o mercado. a meu ver. foram lançados três jornais: o “Diário de Notícias”. Também nesse ano. o jornal “O Estado” começou a recompor sua equipe tomando mais cuidado para não ficar tão dependente de grupos de profissionais. Trouxeram uns de São Paulo. Agitou o ambiente. para inserção das matérias dos correspondentes de cada um dos locais. A experiência durou pouco tempo. ao longo da década de 70. outros do Paraná e mais alguns foram recrutados em Florianópolis mesmo. houve uma tentativa de reativação do jornal “A Gazeta”. Nos três. Paulo”).listas locais. melhorou a cobertura. todos fomos. Com uma sucursal grande e ativa na capital. provocou discussões. mas continuava a ser impresso tipograficamente. foram. Depois da “debandada” dos “gaúchos”. A cidade não foi mais a mesma. A década de 70 é um marco importante na imprensa floria- nopolitana. E um marco fundamental para o jornalismo catarinen- se. em Blumenau e o “Jornal de Joinville”. Paulo”) e Silva Jr. Sem dispor da quali- dade do off-set. Em 1977. o miolo era igual. o “Jornal de San- ta Catarina” continuava. Essa injeção de profissionalismo nas práticas semi-amadoras do jornalismo ilhéu foi. Antônio Kowalsky (“O Globo”). como o con- corrente mais importante de “O Estado”. também naquela época. mas não che- gou a ameaçar de fato os líderes. mudando apenas a capa. “A Nação”. José Carlos Soares.

Valdir Zwetsch. empresário da construção civil. deli- ciando-se com as novidades. na trilha aberta por Zózimo Barroso do Ama- ral. maroto e bem humorado. es- colham o chavão preferido para nomear as mudanças na primeira metade da década de 70). de Nestor Fedrizzi (o mesmo que criou o Santa) e de José Joaquim de Souza. ciclone. entre seus editores. tratando sem frescuras tanto de amenidades quanto de fatos políticos. que teve a participação do irmão. Durante boa parte da sua vida. o grupo de trabalho liderado pelo jorna- lista Moacir Pereira chegou à conclusão contrária. Durante os primeiros anos da década. a cidade estava posta em sossego. elaborou o pro- jeto do curso em poucos meses. assim como Ayrton Kanitz. Passado o furacão (tsunami. Lançado em fevereiro de 1975. Florianópolis viu surgir muitos veículos. por favor. semanário de distribuição gratuita. o MEC autorizou e no vestibular de 1979 foram colocadas à disposição as primeiras 40 vagas. Beto Stodieck dava às colunas sociais uma nova roupagem.. por exemplo. Teve. “A Ponte” e o “Vento Sul”. Seria mais útil cursar Jornalismo em cidades como Porto Alegre ou São Paulo e depois voltar para exercer a profissão com uma visão mais aber- ta e atualizada. eram contrários à criação de um curso de Jornalis- mo em Florianópolis. dando opinião e lançando sobre a província e seus hábitos um olhar crítico. Domingo”. o “Jornal da Semana”. Zigelli. teve uma circulação de cerca de 20 mil exemplares. Entre eles. foi uma idéia de Luiz Daux. com maior ou menor sucesso e variado tempo de vida. Não sobreviveu ao início da década de 80. tornado. com grande espaço para anún- cios. na cidade. “Afinal”. Em 1978. George Daux.. no JB. Luiz Lanzetta e Flávio de Sturdze. Tratava-se de um “Shopping News”. A partir desse impulso inicial e talvez estimulados pelo ambi- ente de renovação. empresas jornalísticas em número e qualidade suficientes. Acreditavam que ainda não havia. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 78 . além do pró- prio Fedrizzi. Outro jornal que teve uma trajetória importante na cidade foi o “Bom Dia.

Mas a pressão contra essa aliança com os “estrangeiros” cresce. indicados sem voto popular. ao governador Antônio Carlos Konder Reis informar que liderava um grupo que pretendia disputar o canal. Suas inovações e contribuições ajudaram a colocar Florianópolis no mapa do ensino do jornalismo no País. de Sirotsky. disse que achava “muito justo que o jornal “O Estado” tenha um canal de TV. que anteriormente era exclusividade da TV Coligadas. Comelli e Ader- bal recuam e Sirotsky decide entrar na disputa sem sócios. Propõe socie- dade a Comelli e ao ex-governador Aderbal Ramos da Silva. sempre político. Mas seu desenrolar definiu o perfil e o futuro da imprensa nesta pequena ilha do sul do Brasil. O jornal “O Estado” continua sem um canal de TV. o governador tomaria partido dos locais. portanto. A abertura da concorrência para o segundo canal de televi- são em VHF de Florianópolis agitou o empresariado local e das cidades e estados vizinhos. conta Comelli. também estava sem a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 79 . O governador. de concessão de canais de TV. mas o principal concorrente. numa movimentação que provavelmen- te a maioria da população e mesmo dos jornalistas nem tenha per- cebido. A mi- nuta do contrato chega a ser redigida. da mesma forma que o “Jornal de Santa Catarina” tem a TV Coligadas”. A televisão entra no ar em 1979. o “Jornal de Santa Catarina”. que numa disputa com um pretendente de outro estado. o presidente é o general Ernesto Geisel e os governadores. com as bênçãos de Antônio Carlos Konder Reis. Em 1977. Maurício Sirotsky. Estamos em plena ditadura (ainda que num processo “lento e seguro” de distenção). dono da TV Gaúcha e do jornal “Zero Hora”. retransmitindo a programação da Globo. José Matusalém Comelli foi. O curso de Jornalismo da UFSC acabaria se destacando entre os demais cursos brasileiros. em Porto Alegre. também está interessado. a TV Catarinense é outorgada à RBS (Rede Brasil Sul). têm grande partici- pação no processo. Imaginavam os opositores da sociedade.

próximo à sede do jornal “O Estado” e já era madrugada quando o local foi alcançado pela polí- cia e pela Aeronáutica. e fazer campanha. entre os quais me incluía. Essa disputa mexe profundamente com as empresas de co- municação de Florianópolis. um sábado. uma lon- ga luta para colocar no Sindicato dos Jornalistas uma diretoria mais sintonizada com os novos tempos. O MOS atingiu seu objetivo com a posse. As que perderam saíram desgastadas e a ganhadora chega ao estado com o poderosíssimo trunfo que é a Rede Globo e seu quase monopólio de faturamento comercial.sua TV. Como reconhecimento ao fato de todos terem aparecido. Na noite de 12 de abril de 1980. que fora vendida em 1975 para o grupo paranaense de Mário Petrelli. O jornal fez três edições extras. em cada uma das edições. a disputa pelo se- gundo canal de TV em Florianópolis foi decisiva para as empresas. Osmar Schlindwein. Assim como a chegada do off-set e das novas práticas profissionais foi importante para os jornalistas e para o jornalismo. conta. “Tinha até o nome do vigia. tinham o senti- mento que a profissionalização e a paixão pela profissão precisa- vam ser acompanhadas pelo Sindicato. Muitos jornalistas. que teve ampla adesão em todo o estado. emocionado. passaram a madrugada no local do acidente. Começou. que escalou o morro para buscar os filmes e trazer para revelar”. Para estimular a sindicalização (sem a qual não haveria votos). um expediente especial com a nominata completa. todos os jornalistas e funcionários de O Estado tinham voluntariamente che- gado à redação para trabalhar. Às 8 horas da manhã de domingo. foi criado o Movimento de Oposição Sindical. em 1987. como os fotógrafos. então. Muitos chegaram ainda no sábado à noite e vários. da diretoria presidida por Celso Vicenzi. A RBS iniciou a década de 80 retomando as conversas com José Matusalém Comelli. caiu um avião da Transbrasil no morro dos Ratones. foi publicado. desta vez para comprar ou associar-se ao JORNALISMO EM PERSPECTIVA 80 .

Em geral amigos. o “Diário Catarinense” é lançado em 1986. A RBS-TV. até hoje não superado: 102 mil JORNALISMO EM PERSPECTIVA 81 . Lembro-me dele sujo de tinta. Já o vi dirigindo o comercial. cujo gerente era Domingos de Aquino. em 1970. Comelli conta isso com uma certa mágoa. a cavaleiro da programação da Globo. o jornalista escalado para fazer as pri- meiras sondagens e ajudar na formatação do projeto. que viam na venda de “O Estado” uma espécie de rendição ao “inimigo”. Armando Burd. mas sabe quando uma matéria está bem escrita e quando o repórter é apenas um enrolão. Novamente. lidera a audiência e garante o suporte financeiro para a empreitada. em 1985. nas oficinas tipográficas de “O Estado”. Tirou. O “Jornal de Santa Catarina”. a RBS decide lançar seu pró- prio jornal. foi vendido para o empresário Nilton Reis. naqueles que pressionaram para que o negócio não fosse feito. ampliando a sucursal. Mas também fazia as vezes de gerente de recursos humanos. Não é repórter. chega à cida- de em 1984 e começa as conversas com jornalistas. uma das personalidades mais versáteis do jornalismo da capital: Osmar Schlindwein. não por acaso seu tio. apaziguando ânimos. Sem negócio com “O Estado”. de “O Estado”. empresários. Envolveu-se de tal maneira com a manufatura dos jornais. Mas também lembro dele colocando ordem na composição eletrônica do jornal. colunis- tas e jornalistas e levou.jornal “O Estado”. Osmar lembra que estava no Santa quando o jornal bateu o recorde catarinense de tiragem. fez ou fazia. anos mais tarde. que resolveu reforçar sua circulação em Florianópolis. também. Após dois anos de estudos. talvez porque depois não tenha visto. que não se pode delimitar exatamente o que o Osmar faz. grande empenho para ajudar o jornal a sobreviver. Osmar começou cedo. E certamente muitos o viram pres- tando consultoria a seus próprios chefes. naquele “O Estado” da rua Conse- lheiro Mafra. a decisão acabou sofrendo a influên- cia de muitos grupos de pressão. po- líticos.

para reforçar a equipe. E. trouxe para o “mais antigo” vários jorna- listas que estavam se destacando no nascente “Diário Catarinen- se”. O Estado publicou um caderno comemorativo com 76 páginas bem recheadas de anúnci- os. em todos os estados. E sempre que fazíamos alguma cobertura melhor que o concorrente. a população literalmente foi às ruas para comprar a lista. em Santa Catarina. a cerca de 30 mil exemplares). Fui editor-chefe de “O Estado” de 1988 a 1989. Uma vez publicada a edição extra. o grupo que pu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 82 . O interesse por economia e negócios cresce no país todo e em Florianópolis surgem duas revistas especializadas. Achei que poderíamos fazer uma boa dupla. grande emoções: tanto lá quanto cá havia gente capaz de produzir um bom jornal. Nessa época “O Estado” ainda circulava na maioria dos municípios e sua venda. ainda em formato standard. o colocava como principal concorrente do DC. A equipe viveu. para dar um susto na concorrência. a “Expres- são” (1990) e a “Empreendedor” (1993). em 1995. o jornal hoje só circula na Grande Florianópolis. Com a aju- da do Flávio de Sturdze. em “O Estado”. enchíamo- nos de justificado orgulho. Em 1995. Emocionados com o elementar e sau- dável efeito da disputa pelo leitor. naturalmente. Só que ne- nhum outro jornal. a estatal EBN (Empresa Brasileira de Notícias) distribuiu para todos os seus escritórios. fiz questão que o jornal recontratasse o Osmar Schlindwein. Ao completar 80 anos. Bastava ir lá buscar e publicar. A tabela não era exclusiva. deu-se conta da importância e do apelo popular desse material. em 1986. Uma demonstração de vitalidade que parece difícil de se repetir. Acuado pela crise. que ainda não podia ser considerado “líder”.exemplares da edição extra com a tabela da Sunab do plano Cruza- do. mudou para o formato tablóide e raramente tem edições com mais de 16 páginas. que existem até hoje e circulam também em outros estados. aos do- mingos. tanto em bancas quanto de assinaturas (chegava.

nos últimos anos surgiram. não se refletiu na melhoria do padrão salarial. não são suficientes nem para remunerar um trabalho com tal responsabilidade e nem para dar aos jornalis- tas uma vida digna. Inicialmente parecia promissor. semanários que institucionalizam a picaretagem: as “re- portagens” só são publicadas se os interessados pagarem. ora local.blica o “Indústria & Comércio” em Curitiba. Toda essa movimentação profissional e empresarial. Assim como a sucursal do “Jornal de Santa Catarina” teve papel importante no jornalismo da capital. E os salári- os. por exem- plo). em mui- tos bairros. a sucursal edita um caderno. de Joinville. editado em Joinville. como um dos projetos mais estáveis e bem sucedidos. Mas não chegou a completar quatro anos. levou-o a instalar-se em Florianópolis. que trou- xe tantas mudanças e afetou de tantas maneiras o jornalismo da capital. lançou aqui um jornal com o mesmo nome. o “ANCapital”. não houve crescimento do número de leitores e a verba publicitária gerada pela economia da Capital não parece suficiente para manter os veículos. Para agravar a situação. E. a achar que isso é jornalismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 83 . com uma sucursal que tam- bém passou a fazer parte do mercado profissional. o crescimento do jornal “A Notícia”. porque montou uma equipe de grande qualidade (com jornalistas como Flávio de Sturdze e Belmiro Southier. ora estadual. Montou uma redação local para editar algu- mas páginas e utilizava material do jornal paranaense para fechar as demais páginas. Na verdade. que circula com o reparte da Gran- de Florianópolis. impresso em off-set a partir de 1980. Isso leva o leitor a desacreditar dos jornais e a desconfiar que seja assim em todo lugar. ora mundial. ora nacional. Além de fornecer materi- al para o jornal principal. A impressão era em Curitiba. As empresas justificam os baixos salários com a crise. o que é pior. como conseqüência.

Marcílio Medeiros Fi- lho. Elaine Borges. José Matusalém Comelli.Agradecimentos Em dezembro de 2004 e janeiro de 2005. Mário Medaglia e Osmar Schlindwein. por condensar num capítulo tantos casos e lembran- ças. conversei com alguns dos participantes dessa história. que me ajudaram a confir- mar muitos detalhes e informações. Flávio de Sturdze. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 84 . A eles o meu agradecimento (e desculpas. que valeriam um livro inteiro): Ayrton Kanitz.

Expansões e Transformações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 85 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 86 .

O cargo de assessor é uma das atividades do Jornalismo. a edição e a pauta. São aqueles que se aproveitam da falta de regulamentação e fiscalização da atividade profissional dos jornalistas. fontes. se assessor de imprensa é jornalista ou não. reportagens. Há diferenças. os profissionais saem das re- dações para trabalhar em assessorias e vice-versa. Numa assessoria de imprensa também se faz pautas. a discussão se dá mais entre os próprios jornalistas. mas na essência as atividades estão muito próximas. entre outras ações. Mas afinal. A assessoria de imprensa. Atualmente. mas todo o assessor de im- prensa é jornalista – ou pelo menos deveria ser. Ou ainda. programas de rádio e televisão. para ficar nas mais tradicionais. já que clientes. por que na essência são jornalistas e não vão perder esta condição por estarem desempe- nhando este ou aquele papel. como o nome mesmo diz. O experiente e respeitado jornalista. edição de infor- mativos. Os assessores e jornalistas de redações trabalham com a mesma matéria-prima – a informação. todas próprias do Jornalismo. Roger Bittencourt Assessoria de imprensa: mercado em expansão Jornalista ou assessor? É comum muita confusão entre uma definição e outra. é claro. Claro que existe muito assessor que não é jornalista. que até hoje brigam para fazer valer a obrigatorie- dade do diploma universitário para exercer a profissão. na execução de algumas tarefas. assim como a reportagem. leitores. E o pior. as- sessor e escritor Francisco Viana destaca inclusive que as assesso- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 87 . jornalista ou assessor? Nem todo jornalista é assessor. é fun- ção de jornalista e hoje um importante campo no mercado de tra- balho para a categoria. telespectadores e ouvintes não pa- recem ter dúvidas neste sentido.

ganhando espaço e reconhecimento nas redações. à sociedade. A jornalista Eliane Ulhôa. No livro “De Cara com a Mídia”. Na assessoria. Francisco Viana define bem essa relação: “Nunca consegui ver empresários e imprensa em campos opostos. no livro “O Papel do Assessor”.rias devem caminhar para um modelo de redação de jornal. seus funcionários e a opinião pública e fornecer aos veícu- los de comunicação e. e edita. afirma Viana. O mes- tre em Comunicação João José Forni considera que o relaciona- mento do assessor com o jornalista de redação passou a ser um jogo pautado pelo respeito ao trabalho de cada um. não é diferen- te”. que vai aproveitar ou não estas informações. como se não pudessem conviver em perfeita harmonia. onde deve prevalecer o profissionalismo e o interesse público. escreve o texto. Assim como não posso aceitar o princípio de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 88 . norteando o seu trabalho de forma ética e consciente”. nada mais é que o reconhecimento da importância da atividade – até como perspectiva de absorção dos centenas de jornalistas que se formam em todo país anualmente. “Jor- nalista é aquele que pensa a pauta. conseqüentemente. A disciplina de Jornalismo Empre- sarial. Por que a dúvida então entre jornalista ou assessor? Porque alguns míopes ainda tentam contrapor as duas atividades. informa- ções de interesse coletivo. ressalta a função desses profissionais na “nem sempre fácil tarefa de contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação entre a ins- tituição. A atividade de assessor vem a cada dia se profissionalizando. com a compreen- são de que o papel do assessor – como o nome mesmo define – é assessorar na divulgação de notícias. ou seja lá como for chamada. auxiliando inclusive o trabalho da imprensa. nos sindicatos de jornalistas e junto à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). assim como nas universidades. Enten- de de todas as pontas do processo. ou Jornalismo Empreendedor.

data de 1829. no século XV. Já a precur- sora na área de assessoria de imprensa. empresários e imprensa. uma atividade. bons e maus jornalistas. Esta definição seria ampliada muito tempo depois. o conceito básico de assessoria de imprensa: a necessidade de divulgar opiniões e reali- zações de um indivíduo ou grupo de pessoas. surgem nos Estados Unidos e na Grã-Breta- nha as primeiras publicações empresariais para reduzir o descon- tentamento interno em diversas organizações. Estão unidos em busca da transparência e da racionalidade”. revela que vem das cartas circulares que apresentavam decisões e reali- zações da Dinastia Han. que remonta a um passado bastante distante e onde não havia controvérsias. credita ao Lloyd´s List. na Inglaterra. o título de pri- meiro exemplar do chamado jornalismo empresarial. Gaudêncio Torquato do Rêgo.C). organizada por Amos Ken- dall para o Governo de Andrew Jackson. professor e jornalista. Contudo estão unidos no objetivo maior de construir o desenvolvimento e promover justi- ça social. Um pouco de história Atualmente. como em toda atividade. há bons e maus asses- sores. se é que se poderia chamar assim na época. da prensa de tipos móveis e ainda mais com a chegada da rotativa em 1811 e do linotipo em 1885. ou melhor. O professor e jornalista Boanerges Lopes. assessores e jornalistas ocupam sim espaços diferentes e desempe- nham funções diferentes na sociedade.que o assessor e o jornalista que trabalha na mídia são adversários. É claro que. em lados antagônicos. já que os emprega- dos não tinham acesso à grande imprensa da época. nos Estados Unidos. No século XIX. autor do livro “O que é Assessoria de Imprensa”. é cada vez menos expressiva a restrição à as- sessoria de imprensa. por Gutenberg. Pelo contrário. na China (202 a. Com um setor de im- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 89 . segundo Boanerges Lo- pes. editado pela primeira vez em 1696. com a invenção.

Segundo o professor Chaparro. ainda com a missão clara do controle da informação para o público. Mas foi o presidente Getúlio Vargas que criou oficialmente um serviço de atendimento à imprensa durante o Estado Novo – o temido DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). conforme revela o profes- sor de Jornalismo Manoel Carlos Chaparro. pela primeira. os jornalistas passaram a ser inimigos do sistema e a imagem negativa das assessorias de imprensa aumentou. vez as expressões agente de imprensa (press agent) e divulgador (publicity agent).prensa e relações públicas bem organizado. a assessoria pioneira publica o “The Globe”. Essa re- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 90 . em muitos casos. Com o advento do Regime Militar em 1964. cúm- plice do regime e inimigos da informação para a imprensa. o DIP aca- bou se transformando em um órgão de promoção pessoal de Var- gas e de censura. na maioria das vezes. Na opinião de Clovis Rossi. jornalista da “Folha de S. apontado por muitos estudiosos do assun- to como o primeiro house-organ. Paulo”. “as assessorias estão inseridas em todas as fontes detentoras de informações. tinham exatamente o papel oposto ao que se propunham na essência – cabia a elas esconder a verdade. Em 1868. retoma seu conceito original e passa a ocupar importan- te espaço tanto na absorção de mão-de-obra como nos processos jornalísticos. seguida pelo Ministé- rio da Agricultura. Até porque. É nos anos 80 que o setor de assessoria de imprensa se consolida. Criado para divulgar obras e atos do presidente. surgem nos Estados Unidos. Essa deformação talvez seja a responsável até hoje pela postura equivocada de alguns jor- nalistas em relação às assessorias de imprensa. pois o assessor passou a ser. A excelente pesquisa do professor Boanerges Lopes revela que no Brasil a Light foi a precursora do conceito de preservação e divulgação positiva da imagem da empresa. opiniões e explicações que interessam à sociedade” e à imprensa. “foi um dos piores momen- tos do setor”. que a partir da dé- cada de 70 tiveram rápida expansão.

órgãos governamentais des- cobriram o valor da atividade das assessorias de imprensa. na última pesquisa da Abra- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 91 . o que igualmente contribui para o boom deste mercado. para retratar o universo das assessorias de imprensa.tomada dos valores iniciais é acompanhada também do reconheci- mento hoje existente. com o fortalecimento das comissões de assessoria de imprensa em di- versos sindicatos. em 1995. a Fenaj cria o Depar- tamento de Mobilização em Assessoria de Imprensa. O crescimento do mercado também é registrado em núme- ros. que hoje utilizam cada vez mais profissionais qualificados e novas tec- nologias. Na mesma linha. inclusive em muitos veículos de comunica- ção. da importância do papel da assessoria de imprensa seja para ajudar a obter informações ou acelerar esta busca. Veículos seg- mentados da grande imprensa (em especial nas áreas de Economia e Esportes). como por ser mais uma alternativa de trabalho para centenas de jornalistas que saem das universidades todos os anos. O impulso se deu tanto pela importância da atividade e sua compreensão pelo mercado da comunicação. Apesar do setor ainda não ser suficientemente organizado para se ter uma estatística nacional completa. a mídia especializada (dos mais diversos setores) e uma quantidade cada vez maior de jornalistas inteligentes já perceberam que o assessor pode e deve auxiliar muito na busca de informações. com a proliferação dos serviços em todas as regi- ões e não apenas na Capital e em Joinville. entidades. Também nesta época surgem os primeiros manuais de assessoria de imprensa e a valorização do setor pelas entidades de classe dos jornalistas. Boanerges lembra que a importância do setor se consolida nos anos 90 com as faculdades de Comunicação criando disciplinas específicas tanto na graduação como em cursos de especialização. Grandes empresas. Mercado em expansão Este crescimento é inegável nos últimos anos. inclusive em Santa Catarina.

66% das assessorias contam com até dez clientes e 25% chegam até 20 clientes. Para 74% das assessorias. o mercado é considerado regular (36%). co- mércio varejista (37%). Nas universidades. que hoje conta com muitos especialistas e busca cada vez mais se adequar aos anseios dos clientes e às necessidades das redações. Ainda segundo o mesmo levantamento. sindicatos e já em muitas redações.com – Associação Brasileira das Agências de Comunicação –. saúde (46%). com 185 empresas de assessoria. O papel desempe- nhado pelas assessorias para profissionalizar o setor foi e está sen- do fundamental para quebrar resistências e valorizar as empresas deste segmento. Também é inquestionável a profissionalização do segmento. privilegiando a transparência e precisão nas informações. indústria (37%) e ter- ceiro setor (33%) são alguns dos mais atendidos pelas assessorias de imprensa. Os setores de serviços (62%). 41% revelaram que o número de clientes aumentou e para 37% este índice per- maneceu estável. educação (37%). tecnologia (40%). contra apenas 22% das empresas onde houve redução de trabalho. rea- lizada em 2003. sempre enxutas e correndo contra o relógio. ampliando o leque de atuação. a fun- ção do assessor de imprensa tem sido mais estimulada e respeita- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 92 . que deixou de ser prerrogativa das grandes corporações para beneficiar os processos de comunicação de médias e até pe- quenas empresas. E esta pequena amostragem revela que praticamente todos os setores hoje já utilizam o serviço de assessoria de im- prensa. apesar dos valores pagos ainda serem considerados baixos – o investi- mento máximo das empresas em assessoria é de R$ 3 mil em 46% dos contratos. E as perspectivas são animadoras: 32% dos entrevistados apostam que o mercado vai permanecer regular e 64% acreditam que vai melhorar. bom (29%) ou muito bom (9%). assim como as transformações no País e no mun- do.

ou simplesmente descartá-lo quando inútil. não partiram de dentro das redações (pautas próprias). mas com certeza boa parte destas informações foram geradas por assesso- rias. Recente pesquisa da Universidade de São Paulo junto à mídia mostrou que mais de 80% das notícias publicadas em jornais tive- ram origem em estímulo externo. Agindo assim. estarão inclusive contribuindo para qualificar ainda mais as assessorias e adquirindo fontes confiáveis para busca de informações. certos jornalistas. portal ou televisão que vão decidir se vão e quando apro- veitar as sugestões enviadas pelas assessorias. ao invés de saberem aproveitar o material que recebem. é importante manter um excelente e permanente diálogo com as redações e seus jornalistas. Nos Esta- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 93 . mas que ainda existem até porque esses profissionais não têm a per- cepção do poder da redação. E a tendência é aumentar. ou seja. São casos cada vez menores. revis- ta. quando entender que há valor no material recebido da assessoria.da. Em alguns casos. rádio. Estes poucos. Apesar de toda evolução e reconhecimento do setor de assessoria de imprensa. São os profissionais do jornal. ao contrário de perder tempo combatendo a atividade. Já para a assessoria. Não se tem o dado. deveriam se preocupar em qualificar mais suas equipes para usa- rem corretamente o que estas empresas oferecem de melhor e descartar o que não é Jornalismo. hoje reconhecida nacionalmente. ainda preferem condenar e até boicotar o trabalho das assessorias de imprensa. Na verdade. que ainda mantêm uma visão ultrapassada so- bre o papel da assessoria de imprensa. o que se vê é um processo desvir- tuado. O poder da redação E qual o papel das redações neste caso específico? Filtrar as informações que chegam e transformá-las em notícias de interesse para o público. quem manda é a redação.

O desafio da assessoria É exatamente quando uma empresa ou interlocutor trans- forma-se em fonte fidedigna para o jornalista e consegue igualmen- te divulgar o serviço ou produto por ela desenvolvido com foco positivo que podemos considerar que a assessoria de imprensa cumpriu o seu papel na plenitude. Para o professor Manuel Carlos Chaparro. é comum assessores fazerem estágios nas redações para adquirir experiência e compreender na prática o funcionamento dos veículos. oferecer aos veículos de comunicação conteúdo adequado de interesse para a sociedade. Forni é outro que aponta como papel do asses- sor contribuir com o repórter na apuração da matéria e buscar dar uma característica de serviço ao leitor/telespectador naquilo que é divulgado. eficiência e credibilidade é um resultado que poucos conseguem”. Uma boa assessoria de imprensa saberá oferecer de maneira oportuna a matéria-prima (notícia do cliente) para os veículos de comunicação. há uma JORNALISMO EM PERSPECTIVA 94 . o assessor de im- prensa tem que fazer fluir a informação. Cabe à assesso- ria buscar esta visibilidade positiva do cliente seguindo as regras do Jornalismo e os princípios éticos que norteiam a profissão. e de ou- tro. rapidez. “Transformar em ponto de refe- rência dos jornalistas. Daí a importância da assessoria estar permanentemente sintonizada com as redações para ter a percep- ção de quais as pautas podem despertar mais interesse. buscar divulgação para o cliente.dos Unidos. É ele quem organiza o trânsito das informações em áreas em que os repórteres não con- seguiriam entrar. transfor- mando informações da empresa em notícias potenciais. lembra João José Forni. mas pelo trabalho pró-ati- vo e dinâmico. onde o press agent é muito respeitado pelos colegas que atuam em veículos. não por favores. Na opinião do jornalista Augusto Nunes. De um lado. A assessoria trabalha de forma a equilibrar dois interesses distintos.

É provocar situações que rendam à determinada marca uma imagem associada à competência. Com jornalistas conquista-se a simpatia pela tese – é o convencimento democrático. Quanto mais experiência a assessoria tiver em realizar este tipo de trabalho. O trabalho da assessoria de imprensa é de manter seu clien- te no lado positivo da notícia.relação cada vez mais profissionalizada entre jornalista e fontes jus- tamente porque a capacidade das assessorias de produzir conteú- dos rompeu com os limites do jornal. Quanto mais interessante ou importante for a infor- mação que uma empresa tem a divulgar. mais chances terá a asses- soria de imprensa de conseguir uma boa colocação na mídia. maiores serão as chances de sucesso na publicação de uma matéria. iniciativa e proximidade com a comunidade onde atua. É o valor da notícia que determina o espaço ocupado jorna- listicamente. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 95 . Com a profissionalização do setor. quanto mais fee- ling jornalístico seus profissionais forem capazes de possuir e quanto maior credibilidade a assessoria de imprensa conquistar junto às redações e suas equipes. Isto explica porque as maiores organizações de todo o mundo aliam o trabalho de publicidade ao de assessoria de imprensa quan- do precisam estar em intensa evidência positiva junto à comunida- de ou ao seu público consumidor. Do “Manual de Comunicação da Unimed” vem uma analogia interessante neste sentido: da mesma maneira que só o médico pode diagnosticar e receitar quando o assunto é saúde. produ- tividade. este trabalho de “cons- trução de uma boa pauta jornalística” e de “convencimento” das redações que a notícia tem importância deve ser feito exclusiva- mente por uma assessoria de imprensa. profetiza Francisco Viana. só o comu- nicador (assessor) está habilitado a diagnosticar e prescrever ações de comunicação.

não levará a assessoria a sério. qualidade funda- mental no relacionamento com os veículos de comunicação. A verdade. tanto do clien- te quanto dos veículos de comunicação. mas também propondo fatos geradores de notícias e des- cobrindo assuntos internos que gerem exposição positiva na mídia. da própria asses- soria. principalmente. O especialista em assessoria João José Forni destaca no livro “O Papel do Assessor” que o leitor quer informação correta e o jornalista não pode enganá-lo: “Se esse jornalista se sentir usado. A veracidade no relacionamento com as informações e com a imprensa é outra características indispensável para uma as- sessoria obter sucesso e manter a credibilidade. elaborado pela Fenaj é mais enfático: “A mentira é condenável em qualquer circunstância. Idéia com- partilhada por Augusto Nunes. Mesmo tendo que atender os interesse dos clientes. ainda que referente a um fato desagradável ou inconve- niente. as assessorias de imprensa precisam atuar com a agilidade necessária para dar resposta às demandas. Para isso. buscando a informação em outras vertentes”. O “Manual Nacional de Assessoria”. para quem o pecado mortal de uma fonte é mentir – “Nesses casos não há absolvição: acaba-se a fonte”. como também na hora de esclarecer alguma informação equivocadamente publicada. fidelidade e presença constante para alcançar bons resul- tados. as as- sessorias de imprensa devem se pautar pela verdade sob pena de prejudicar o nome do cliente e. pode ser mais bem compreendida do que qualquer menti- ra e nunca fecha as portas para futuros entendimentos”. O trabalho de assessoria de imprensa também exige conti- nuidade. os assessores devem estar permanentemente em contato com o cliente não apenas atendendo às solicitações da empresa. hoje. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 96 .Apostando a verdade Com a modernização e a facilidade tecnológica para a comu- nicação. Essa rapidez deve ocor- rer no momento de divulgação de um novo serviço/projeto.

As peculiaridades dos clientes e dos veículos de comuni- cação é que vão definir o mecanismo de operação. “É preciso ser flexível e criativo”. E a saída apontada por ele parece simples. afirma João José Forni. Em artigo escrito em conjunto com o professor e jor- nalista Armando Medeiros Faria. ain- da existe uma ausência de uma cultura de comunicação com a im- prensa em muitas empresas. Não são raros os casos de fontes querendo ser editadas da maneira como desejam. Daí caber também à assessoria exercer um trabalho pedagógico com seus clientes. Evita que a assessoria seja preconceituosa em relação à imprensa ou maniqueísta (sentir-se sempre vítima de perseguições da mídia)”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 97 . a consistência das informações e a atenção aos compromissos dos jornalistas são elementos que contribuem muito para o sucesso. o claro entendimento de que área comercial do veículo é uma coisa e redação é outra. a presença imediata. Manuais de assessoria ensinam que a transparência. assim como o desconhecimento sobre o funcionamento do processo jornalístico e até do que é notícia realmente. ressalta Forni. Com tantos vetores influenciando no trabalho e ainda levan- do-se em consideração que no fundo. Entender a imprensa é pré-requisito fundamental. não é possí- vel definir um modelo de trabalho para assessorias de imprensa. Ele- mentos como estes prejudicam o processo. qual o modelo de atuação? Para Francisco Viana. natureza e caracterís- ticas da mídia permite às assessorias de imprensa encontrarem um caminho adequado no relacionamento. trata-se de um caso perma- nente de relação interpessoal (assessor x jornalista de redação). portanto uma regra pode ser estabelecida: é fundamental conhecer bem o clien- te e os veículos de comunicação. Apesar de todos os avanços no segmento de assessoria. de centralização da informação e até de incompreensão do papel da imprensa. ele ressalta: “Essa capacidade só- lida – teórica e prática – a respeito do papel. hoje.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 98 . com credibilidade. sim. a própria agência se aventurava à tarefa. prejudicando inclusive o nome as- sessoria de imprensa. Positiva no atual mercado nacional de comunicação e Santa Catarina não foge à regra. a mensagem passada através dos anúncios. Atuando de forma integrada e seguindo a mesma linguagem. o que até pouco tempo não ocorria. Ou pior. a assessoria de impren- sa passou a ser um instrumento fundamental para o bom desem- penho da estratégia de comunicação de uma empresa ou institui- ção. Assessoria integrada com a publicidade. mas jamais vinculada. cada vez mais. uma das ferra- mentas. na maio- ria das vezes sem profissionais especializados ou em quantidade insuficiente para atender às necessidades dos clientes com resulta- dos pelo menos satisfatórios. as três áreas contribuem de maneira inequívoca para a solidificação de uma marca. que a compra legítima de espaço publicitário não implica na reserva automática de espaço editorial no jornal ou televisão. serviço ou conceito. Aliada ao marketing e à publicidade. é a percepção cada vez maior das agên- cias de publicidade de que o trabalho de uma assessoria de im- prensa dentro de uma empresa contribui em muito para reforçar. sem serem efetivamente jornalistas e sem a mínima formação para a função. Com base nessa premissa.Sintonia com a publicidade Num mercado onde o que importa. Conceito também abalado por todos aque- les que se metem a exercer as funções de assessor de imprensa. é cada vez mais comum que as agências incluam em seu planejamento estratégico a utilização dos serviços de assessoria de imprensa. é a per- cepção dos produtos. serviços e da marca. Vale ressaltar. produto. a sistematização da comunicação para consolidar a imagem de uma empresa ou insti- tuição é uma meta a ser alcançada e a assessoria. O que até é uma ofensa aos jornalistas. e assim se intitularem. no entanto.

tanto para ampliar o leque de divulgação. o que Francisco Viana define como “a mesma coisa dita de forma dife- rente”. “Comunicação é essencial na vida das empresas. boletins. Outra novidade é o que se convencionou chamar de release eletrônico. A nova denominação vem acompanhada de uma série de ser- viços oferecidos. Nada mais é que a produção de vídeo com imagens e entrevistas realizadas em palestras. Ele compar- tilha a tese de que a concepção negativa do passado já não existe mais e hoje a ferramenta é indispensável. “Ignorar ou menosprezar o papel da assessoria seria colocar fora importante instrumento de conquistas de espaço na imprensa”. O surgimento da internet abriu novos caminhos para as as- sessorias. como para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 99 . as em- presas do setor passaram a assessorias de comunicação. seminários. eventos. Trata-se de um investimento prioritário e estratégico”. Atuação diversificada O mercado de assessoria de imprensa não apenas cresceu como buscou novas vertentes. com a respectiva edição e envio de texto com as informações para utili- zação pelas emissoras de televisão que não tiveram oportunidade de realizar a cobertura. hoje. Além da atividade original de divulgação na im- prensa e relacionamento com os jornalistas. newsletter on line e murais informativos. De assessoria de imprensa. revistas. Essas atribui- ções incluem desde a criação e execução de projetos de jornais. completa o jornalista e mestre em Comunicação João José Forni. destacou Francisco Viana em recente entrevista ao site Comunique-se. até o desenvolvimento de roteiros e produção de vídeos institucionais e peças eletrônicas jornalísticas para veiculação no rádio e na televisão. as assessorias vêm desenvolvendo outras atividades complementares para aten- der a demanda dos clientes na área de comunicação.

posicionamento e va- lorização da marca. artigos. organização e muita produção. prefácios. mas também ao formato. é preciso diversificar. A comum tarefa dos jornalistas de escrever ganhou relevân- cia na elaboração de discursos. bem como a manutenção de notícias online na página da em- presa e de envio automático de matérias para jornalistas cadastrados. A análise dos resultados vai além dos números e atinge elemen- tos subjetivos. A proliferação dos meios eletrônicos. a partir de um fato inesperado ou mesmo já previsto. que não se materializa no simples cálculo de quantos centímetros por coluna ou minutos de exposição o cliente mereceu e quanto isso representa em ter- mos financeiros. relacionados à credibilidade. É o treinamento das fontes para se relacionarem com os jornalistas e de como se posicionarem em entrevistas de rádios e televisão para que a mensagem seja melhor captada pelo público. As assessorias assu- miram o papel de monitorar as notícias veiculadas pela imprensa. apre- sentações. planejamento. muito em evidência atualmente – o media training. As assessorias desenvolveram então um novo produto. Afinal. palestras. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 100 . Algumas empresas do segmento se especializaram na admi- nistração de assuntos que tornaram-se crises na imprensa. até por uma questão de sobrevivência pelo surgimen- to de muitas assessorias.oferecer o trabalho de elaboração de conteúdo para sites e por- tais. comprar espaços nos veículos de comuni- cação não é atividade de jornalistas e sim das agências de publicida- de. editoriais e até na revisão de conteúdos. Enfim. em especial da televisão fechada. com eficiente sistema de aferição de resultados. coordenar o trabalho de atendimento aos veículos e elaborar es- tratégias para garantir que as versões do cliente também mereçam atenção. abriu mais oportunidades de divulgação e igualmente exigiu uma maior prepa- ração dos entrevistados e uma adaptação não apenas do conteúdo. É importante ter métodos claros.

em geral com estruturas internas. hoje têm sistemas de assessoria muito eficientes e bem montados. Para ficar em alguns exemplos. e as prerrogativas são as mesmas. É claro que existem algumas peculiaridades. ainda há dificuldades no setor público. já que as oportunidades são muitas. Prefeituras de grande e mé- dio porte também possuem suas assessorias bem instaladas e até o Judiciário investe no melhor relacionamento com a imprensa atra- vés de estruturação de assessorias profissionais. já que normalmente os profissionais são concursados ou indicados. Em San- ta Catarina. No entanto. em geral. Órgãos públicos. Setor público O papel e as características da assessoria de imprensa. no entanto. que. aqui abordados. os três poderes têm grandes e eficientes estruturas. mas jornalistas que desejam atuar neste setor vão en- contrar um bom filão. A ética que rege a assessoria de imprensa do órgão público é a mesma que serve para a iniciativa privada. onde as tentativas de dominar a mídia. No entanto. Tarefa difícil aos jornalistas. servem igualmente para o setor público. vincular a ação editorial ao processo publicitário ou personalizar as ações JORNALISMO EM PERSPECTIVA 101 . Não é um mercado alvissareiro para as empresas de assessoria de im- prensa. A profissionalização das assessorias de imprensa não deve ser prerrogativa de clientes da iniciativa privada. na essência a função é a mesma. não tiveram formação adequada ou não gostam de se dedicar aos processos administrativos. A assessoria da Assembléia Legislativa até um canal de televisão man- tém no ar e a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado possui um eficiente sistema de comunicação por rádio que oferece de maneira ágil e fácil informações para todas as emissoras do Es- tado. esta é uma necessidade para a sobrevivência da assessoria. A profissionalização da gestão é também outra necessidade hoje para as assessorias de imprensa. ou deveria ser.

vale ressaltar que a atividade é. Esta talvez seja a maior diferença entre o assessor de imprensa de uma empresa privada e de um órgão público. modernizar pro- cessos jornalísticos. Não podemos vulgarizar nosso trabalho”. Os momentos de crise. Em função do oficialismo das notícias. função jor- nalística. Utilizando palavras de Francisco Viana para evidenciar o valor da atividade . JORNALISMO EM PERSPECTIVA 102 .são grandes. paciência e senso de equilíbrio para lidar com o assunto. con- siderando a vantagem que. cabe também ao as- sessor de órgão público ser ainda mais criativo nas suas estratégias de comunicação e capaz no relacionamento com a imprensa. E por ser trabalho para jornalistas. onde efetivamente é mais difícil para o profissional não incorporar o pa- pel do assessorado.“Comunicação é arte divina. com a imprensa e com o assessorado. inovar. assim também deve ser encarado pelo assessores no que tange à criatividade. em muitos casos a própria imprensa vai em busca das informações diariamente. diversificar os serviços e gerenciar profissio- nalmente a empresa. em geral. é pre- ciso buscar o aprimoramento constante. Concluindo essa colcha de retalhos sobre o mister de asses- soria de imprensa. também são maiores nesta esfera e é preciso ao asses- sor conhecimento. Assessoria é igualmente um excelente mercado para os novos profissionais. à busca da informação. Faz tempo que assessoria deixou de ser bico para jornalistas. hoje desenvolvida por profissionais com experiência e competência e que merecem o respeito das redações. sim. no entanto. à veracidade e à ética.

culturais. numa sociedade ideal. de classe. Neste capítulo. àquelas instituições preocupadas com democracia e que atuam na contestação da hierarquia social. A forma de organiza- ção também é muito variada. so- bretudo. sindicatos. Outras defendem interesses empresariais. cooperativas. Existem no Brasil. cerca de 250 mil ONGs (Or- ganizações Não Governamentais). fundações. O enfoque dar-se-á. Com número tão expressivo é de se espe- rar que tanto os interesses. comunitári- os. sociais. serão tratados alguns aspectos do trabalho do jornalista neste tipo de organização. Podem se instituir como redes. o Ter- ceiro Setor no Brasil movimenta R$ 23 bilhões/ano e emprega apro- ximadamente 1. econômica e cultural predominante. como a forma de atuar. segundo Luciano Junqueira. E sua importância eco- nômica no conjunto não é desprezível. com destaque especial ao movimento sindical e à experiência da autora no Sindicato dos Eletricitários de Florianó- polis e Região. esportivos. As ONGs formam um conjunto que é convenção se cha- mar de Terceiro Setor. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 103 . insti- tutos. sejam muito diversos. atualmente. Marli Cristina Scomazzon Comunicação no Terceiro Setor O Terceiro Setor existe para preencher lacunas de deman- das sociais que.3 milhão de pessoas. co- ordenador do Núcleo de Estudos Avançados do Terceiro Setor da PUC/SP. Parte destas entidades tem orientação filantrópica ou as- sistencial. Algumas destas são jornalis- tas que prestam assessoria de imprensa para estas instituições. seriam naturalmente atendi- das pelas instituições formais. Segundo Junqueira.

audiovisuais. a idéia de que é necessário primeiro entender para JORNALISMO EM PERSPECTIVA 104 . A segunda visa abrir canais externos de interação com a sociedade e o Estado. Outro exemplo é o do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). em menor grau. O processo de comunicação no Terceiro Se- tor inclui. folhetos. A comunicação no Terceiro Setor atua em duas frentes. O serviço de comunicação da Pastoral é extenso. formando opiniões. estu- dantes e professores da rede pública de ensino fundamental e mé- dio. que é uma instituição. de 16 páginas com 230 mil exemplares. criado em 1981. gestores de políticas públicas. além do jornalismo. vai desde ma- teriais educativos. cuja ação é organizada em rede e aproveita boa parte da estrutura da igreja católica no país. Edita. através de suas próprias publicações. O público-alvo é o de movimentos sociais populares. parlamentares e assessores. à prestação de contas e informação dos rumos adotados pelo comando da instituição. escolas. inserir sua visão de mundo na mídia e. distribu- ído especialmente para os ativistas do movimento em todo país. O objetivo aqui é dar visibilidade às ações da instituição e expor suas propostas. boa parte dela dedicada à formação dos inte- grantes da entidade e. interferir no debate público. na orientação de suas políticas de comunicação. que procura a construção da democracia. Ambas têm em comum. a revista semanal “Democracia Viva” e um jornal bi- mestral – “Jornal da Cidadania”. se- gundo seu estatuto. vídeos. com- batendo desigualdades e estimulando a participação cidadã. entre outros. formadores de opinião nos meios de comunicação de massa. as relações públicas e a propaganda. rádios comunitárias e experiências em comunicação alternati- va. Um trabalho exemplar em termos de comunicação em uma ONG brasileira é o da Pastoral da Criança. até a produção de um jornal bimestral. A primeira criando meios de diálogo dentro da organização – a co- municação interna. Tam- bém tem um programa de rádio semanal de veiculação nacional.

com tiragem diária de 60 mil exemplares. portanto. Evitam cair num erro freqüente das publicações do Terceiro Setor que é dedicar seus conteúdos exclusivamente a discursos panfletários. que em 1993. em 1991. Estes veículos buscam. a imprensa no Terceiro Setor em Santa Catarina evoluiu sensivelmente. um projeto de jornal unificado. Embora o aprimoramento não te- nha sido uniforme. durante uma greve geral nacional de quatro dias. existem hoje publicações que abandonaram o característico estilo amador presente em muitas das produções comunicativas deste segmento. que abrangia a Grande Florianópolis. o engajamento na sua causa. os que dis- cordam. com o chamado novo sindicalismo. também não lêem – a não ser para polemizar . inclusive. à contratação de jornalistas para ocuparem os departamentos de imprensa destas instituições. Assim. através da informação que veiculam. sobretudo no movimento sindical que viveu um crescimento no país. Em Santa Catarina Nos últimos 20 anos. a ser vendido em bancas. formar o leitor. por exemplo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 105 . do Grupo Nois (Núcleo Organizado da Imprensa Sindical) que criou. Por vários fatores. não vão dedicar seu tempo à leitura de algo que já conhecem. O avanço maior aconteceu no início da década de 90. o jornal nunca foi editado. Para se ter um exemplo da efervescência no estado vale registrar.depois propor. Isto se deve à profissionalização. propagandísti- cos que afastam os leitores (porque os que concordam com as posições defendidas já sabem o que será dito e. na maioria das vezes. estas entidades passaram a ser uma frente de trabalho para jornalistas. sem cair na linguagem ativista e provocar a participação.porque não têm simpatia pela causa em questão). em Florianópolis. o movimento sindical catarinense produziu um jornal unificado. Isto foi resultado da formação.

a Fundação Democracia e Comunicação Adelmo Genro Filho passou a produzir boletins (eram quatro bo- letins mensais) através da agência Ipsis Litteris. E exis- tem já bons exemplos a seguir como o da sobriedade do boletim do Sintrafesc. propuseram que a co- municação destas duas entidades fizesse uso da linguagem jornalís- tica (proposta a ser detalhada quando falarmos do caso do Sinergia). assessores de imprensa dos sindicatos dos eletricitários e bancários respectivamente. o peso e seriedade da home page do nosso próprio sindicato. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 106 . Tivemos ainda exemplos de resistência. que sequer cumprem objetivos menores. do volume e periodicidade dos informativos da Apu- fsc. a agilidade da home page do Sintrajusc e. No geral. Ainda em 1991. como o do progra- ma de rádio semanal do Mucap (Movimento Unificado Contra a Privatização). lideranças sindicais e professores universitários com objeti- vo de difundir informações à margem da grande imprensa Também no início da década de 90. que era realizado por um profissional. Ainda predomina o amadorismo. a atuação no Terceiro Setor pode ser classificada ainda como convencional. Em algumas ocasiões. os jornalistas Gastão Cassel e Jacques Mick. como a autopromoção. é claro. Mas. Atual- mente. É claro que há necessidade de muito mais. com entrevis- tas ou diálogos sobre temas atuais e veiculado todos os sábados pela rádio CBN. o SJSC. formada por jorna- listas. sobretudo no que diz respeito à profissionalização e possibilidade de financia- mento dos setores de comunicação do Terceiro Setor em Santa Catarina. o trabalho está sendo feito. Há pouca informação a respeito da importância da comunicação para as ONG’s e são re- correntes os gastos desmedidos com publicações inócuas. o programa chegou a ser censurado pela emissora e saiu do ar. destaca-se também o trabalho do departamento de comu- nicação do Observatório Social.

em agosto do mesmo ano. quando o jornal chegou a sua cen- tésima edição. foi estruturado o departamen- to de imprensa. O primeiro boletim em arquivo data de fevereiro de 87. com os meios de comunicação sindical. junto com o jornalista Jacques Mick. Coelho. do Sindicato dos Bancários de Florianópolis. Ou seja. com a contratação de um jornalista. construindo uma imprensa que se coloque como alternativa espe- cialmente por sua seriedade e credibilidade”.que é de quatro páginas semanais com a contra-capa dedicada quase exclusivamente a temas culturais. com o nome “Linha Viva”. Em julho de 1990. surge o primeiro informativo e. que já atuava na “Folha Sindical”. Cassel e Mick detalham a proposta: “Defendemos uma visão de imprensa sindical baseada na informação e orientada por um comportamento ético rigoroso. Gastão Cas- sel. O primeiro jornalista contratado pelo Sinergia. utilizá-los como um instrumento de dominação. uma espé- cie de co-irmã do “Linha Viva”. efetivamente. definiram um projeto denominado “Imprensa Cidadã”. O objetivo era não repetir. o primeiro jornal. O objetivo deveria ser o de viabilizar a cidadania. O projeto gráfico foi de Maria José H. o mesmo comportamento da grande imprensa. em março de 1988. ocorreu a mudança gráfica e passou a ter o formato que mantém até hoje . As análises e propostas do projeto foram muito importantes e são elas que orientam todo trabalho do setor de comunicação do Sinergia até hoje. no início da década de 90. E mais: “A imprensa sindical tem o papel de disputar a hegemonia. Em 1987. Logo depois. no final da década de 80. na época trabalhando no Sindicato dos Bancários. orientado para os interesses próprios da diretoria do sindicato. Num documento datado de 1992.O exemplo do Sinergia A comunicação no Sindicato dos Eletricitários de Floranó- polis começou. justamente colocan- do a informação à disposição dos cidadãos para que estes possam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 107 .

junto com a home page (esta inaugura- da em 2003). Portanto. De acordo com as premissas da “Imprensa Cidadã”. O jornal procura realizar a cobertura jornalística de diver- sas áreas: economia. para formadores de opi- nião. Em última análise. devido à redução do quadro de pessoal das empresas. procurando-se dar para reflexão do leitor ele- mentos novos e que encontram pouco eco nas publicações tradi- cionais. e a Intersul que reúne sindicatos de eletricitários atuantes no ONS. política. que representa os trabalhadores da Celesc em todo estado de Santa Catarina. comportamento. por correio. a escolha de temas gerais se dá pelo seu conteúdo alternativo. na Eletrosul e Tractebel em quatro estados. Como a perspectiva era a mesma da diretoria das duas enti- dades. O jornal “Linha Viva”. o jornal “Linha Viva” – que já teve até ombudsman (tarefa executada durante alguns meses pelo jornalista Cesar Valen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 108 . evitam-se temas ou enfoques da grande imprensa. o “Li- nha Viva” procurou sempre balancear as notícias corporativas com as de interesse geral. sobretudo. pois é enviado. jornalismo”. A publica- ção semanal tem função dupla: a de comunicação interna (com a categoria eletricitária de Santa Catarina e para alguns eletricitários dos outros dois estados do Sul) e de ligação com setores do públi- co externo. a imprensa sindical é. Ele ainda serve para diminuir a dispersão organizativa que existe dentro das duas intersindicais: a Intercel. Porém. ou seja. sociedade. o projeto não teve grandes problemas de implementação e foi ao longo do tempo formando uma nova mentalidade que pas- sou a entender que “a importância de um relato é mais forte que um discurso. Sua tiragem já foi de sete mil exemplares e hoje está nos quatro mil. espor- te. é o produto de maior visibilidade do Sinergia. cultura. que a objetividade pode ser mais revolucionária que uma análise”.se posicionar frente ao mundo que os rodeia.

aos trabalhadores tratados como uma categoria homogênea e. Abrange desde pessoas medianamente alfa- betizadas àquelas com pós-graduação. Por isso. A grande queixa dos dirigentes sindicais é da pouca quan- tidade do que chamam de “matérias investigativas” que seriam re- portagens e registro de depoimentos de trabalhadores. além do jornal semanal. Existe um espaço dedicado ao leitor chamado “Tribu- na Livre”. numa tentativa ambiciosa que é a de dar argu- mentos a esses leitores a fim de que ampliem seus conceitos de cidadania. porém. algumas vezes. completando em dezembro de 2004 sua edição número 776. tendo mantido a periodicidade semanal desde a primeira edição. O público-alvo do jornal. Atualmente.te) – além de difundir as ações dos sindicatos. a linguagem esco- lhida pela publicação é a comum. adesivos. sem obviedades. assim como a home JORNALISMO EM PERSPECTIVA 109 . Toda matéria que tem objetivo não informativo é classificada como editorial. em termo de educação formal. a primeira pessoa do singular e do plural só aparece se devidamente identificada. Hoje. tra- ta de temas atuais. brochuras e livros. a assessoria de impren- sa elabora alguns boletins e releases. Os editoriais são dirigi- dos em geral aos patrões. O setor. Cada edição começa a ser preparada com uma semana de antece- dência e inicia com uma reunião de pauta com a diretoria executiva do Sinergia. teve fases mais diversificadas em que produzia cartazes. informar seus leito- res sobre assuntos de interesse específico dos trabalhadores. todo este material. Um dos grandes feitos do “Linha Viva” é a sua edição ininter- rupta. desenvolvam novas perspectivas de intervenção na so- ciedade. O jornal passa por fases de maior e menor participação dos associados. folders. é bastante diferenciado. Ainda dentro da perspectiva de que o jornalismo é uma forma de conhecimento democrático. à classe política em geral.

internamente as mu- danças decorrentes deste episódio. foi um período difícil. Apesar da imagem externa da entidade não ter sofrido muito. proje- tos. a entidade não ocupa espaços publi- citários nos grandes veículos de audiência aberta.estava perto e era suscetível aos movimentos da comunidade local – que foi onde se JORNALISMO EM PERSPECTIVA 110 . encontros. à idéia que havia na entidade de que a opinião pública teria sido iludida pelo marketing e propaganda da privatização. chaveiros. canetas. neste período. caiu sensivelmente e isto. Por orientação política. surgiu outra ameaça: a privatização da Celesc. é claro. Collor. bonés. a “caça aos marajás” e o início da fase de “desestatização”. O quadro de pessoal da empre- sa. já que a venda da Eletrosul foi um acontecimento incomum. Faltaram ainda interlocutores experientes para trocar idéias.page. a atuação do setor foi tímida em rela- ção à Eletrosul e mais positiva em termos de Celesc. como de resto para toda entidade. Também são confeccionados por terceiros calendários. concursos promovidos pelo sindicato. Porém. O departamen- to não conseguiu assumir a função estratégica de sugerir ações. Assim. enfim todo material espe- cífico de marketing de campanhas. essencial- mente. Limitou-se a “apagar o fogo” diário e se retraiu devido. teve reflexos diretos na entidade. congressos. Privatização Um dos grandes desafios para o departamento de imprensa foi o processo de privatização da Eletrosul. é terceirizado. como a falta de planejamento para a comunicação no período. Em meados da década de 90. onde a fonte de poder de decisões – o governo estadual . levando-se em conta este e outros fatores. O processo começou timidamente no início da década de 90 com a “desregulamentação”. geraram muita instabilidade e incertezas. esta era apenas uma parte do que teria que ser enfrentado. Para o setor de imprensa.

por exemplo. Minha experiência mostrou que se tivermos em conta que o coração da atividade jornalística é informar. está sempre presente. como jornalistas. ou como apresentar posicionamentos que dizem respeito a sua imagem jun- to à sociedade. Essa empatia é crucial para a entidade. só a partir dela. pode assegurar e firmar sua postura profissional den- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 111 . sobretudo com as mobilizações do Mucap. Se não esquecermos que. esse equilíbrio fica mais fácil de ser alcançado. o tema do engaja- mento do jornalista é recorrente. no dia a dia de trabalho numa ONG. E.concentrou todo trabalho do departamento. o trabalho numa assessoria de imprensa no Terceiro Setor não será diferente do trabalho numa redação da grande imprensa. pode-se abordar a questão de ou- tra forma: é importante para o jornalista que trabalha para este tipo de entidade estar em sintonia com os objetivos primeiros da organização. qual a melhor abordagem para tornar relevante um desafio no qual a entidade vai despender muita energia. É impor- tante procurar saber se pode haver um equilíbrio entre o nosso papel social como profissionais e cidadãos. que é a partir disto que todo resto do exercício da profissão acontece. que vai precisar inú- meras vezes confiar no julgamento do jornalista quando decidir. A grande questão seria: o asses- sor de imprensa deve ser também um ativista da ONG? Essa discussão precisa ser feita com maior rigor. nosso dever ético é de não manipular even- tos ou informações. já que não existem respostas prontas. A identificação é importante para o jornalista porque. Mas. O jornalista no Terceiro Setor Um dos debates típicos em torno da comunicação para o Terceiro Setor diz respeito à militância do profissional de comuni- cação contratado pela instituição.

facilitan- do. De forma geral. Do meu ponto de vista. O dilema central de um jornalista trabalhando para uma ONG é a da neutralidade e conseqüentemente o da objetividade. acessível para um pú- blico maior. Mas a prática da militância interferindo na produção da assessoria de imprensa é prejudicial para ambos. nos contatos com a grande imprensa o correto. ou dei- xei me “arrebatar” ao narrar um fato. Outra polêmica a respeito da atividade jornalística numa ONG tem a ver com o papel de “relações públicas”. tanto para o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 112 .tro da organização. os anseios das pessoas para as quais trabalho. encorajando a participação. a res- peito do meu comportamento. compreensível. O engajamento com a causa maior da entidade permite executar seu trabalho de acordo com o “primeiro manda- mento”: informar clara e objetivamente. ou de um grupo de pessoas. Nunca simpatizei muito com a fun- ção de “porta-voz”. que muitas vezes é condenada por parte da entidade. a intervenção deste público. isto não é tarefa para jornalista. porque acredito que o assessor de imprensa não é a fonte original de informação. os resultados do que pro- duzi trouxeram danos para a entidade – que sofreu descrédito e passou a ser alvo de preconceito junto a diversos públicos – e censuras negativas de meus colegas. Quer dizer. a ONG ganha em respeito externo e mantém uma estrutura interna sólida e segura. dos leitores e minhas. e mais produtivo. Outro foco de discussões é a relação da assessoria com os jornalistas da grande imprensa. O trabalho do jornalista numa ONG também tem um aspecto educacional. Ele deverá pe- riodicamente lembrar os integrantes da instituição qual é o papel da imprensa e mostrar que. se a ética jornalística for valorizada. Meu esforço tem sido sempre no sentido de tornar inteligível. no sentido de instrumentalizar um ma- rketing de promoção pessoal. No meu trabalho. no sentido pejorati- vo do termo. junto a entidades do Terceiro Setor. toda vez que descuidei e agi como ativista.

não falar do que não se sabe. são os mesmos do jornalista que trabalha em qual- quer outro segmento: o da responsabilidade com a ética. do direi- to da sociedade à livre informação.assessor. é: nunca mentir. evi- tar exageros. jamais fazer colocações off the record. A comunicação no Terceiro Setor passa por uma tarefa diá- ria dupla: a de incentivar o ativismo dentro da organização e de tornar visível este ativismo para a sociedade. Esta rotina exige es- forços – alguns dos quais foram mencionados rapidamente aqui – que. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 113 . no geral. o de ser objetivo e verdadeiro no que faz. como para os integrantes da ONG.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 114 .

no final da década de 30. a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. mas ágil como adolescente O rádio em Santa Catarina. as inovações ajudaram a consolidar a informação como poder e. Santa Catarina foi o último a despertar para o novo veículo de comunicação. um município. e da primeira estação de TV ao término dos anos 60. e os gaúchos a Rádio Ga- úcha. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 115 . A oficialização só ocorreu depois de uma veiculação de dois anos em caráter experimental que começou com um sistema de alto-falantes. inaugurada em 1927. Já na década de 20. aos 70 anos de idade. principalmente a catarinense. Dos três estados da Região Sul. Em Santa Catarina. tem uma marca invejável. Os paranaenses em 1924. da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. conseqüente- mente. quanto o Paraná já desfrutavam da novidade que mexia com o imaginário dos ouvintes. solidificaram a importância dos veículos de comunicação. tanto o Rio Grande do Sul. ao radioamador João Medeiros Júnior foi concedida a paterni- dade da radiodifusão em nosso estado com a instalação em 1935. além de presenciar as profundas mudanças que os avanços tecnológicos provocaram em todas as áreas de conhecimento. localizado no Vale do Ita- jaí. econômicos e sociais que mar- caram a história. Distante 160 quilômetros da capital catarinense. logo após a instalação oficial da primeira emissora brasileira. Na cronologia dos acontecimen- tos. Blumenau traz no currículo o pioneirismo da primeira emissora de rádio. Regina Zandomênico Rádio: na 3ª idade. já ouviam a Rádio Clube Paranaense. em 1923. por exem- plo. No jornalismo. acompa- nhou e repercutiu fatos políticos.

editado na língua alemã e que circulou em Blumenau e Joinville de 1862 a 1934. fizeram com que em 1997. constatou na pioneira Rádio Clube de Blumenau o poder que o meio exercia ao veicular. um jovem técnico em eletrônica des- cendente de alemães cujo avô era proprietário do jornal “Kolonie Zeitung”. operador de áudio e até mesmo ator de radiono- vela. a data institu- ída como o Dia da Mentira pelos franceses há cinco séculos. era comum a veiculação nas próprias emissoras e nos jornais impressos de pedidos de contri- buições financeiras para ajudar na manutenção dos novos veículos. Nesse contexto. O maior município de Santa Catarina. O fundador Medeiros Júnior. como uma espécie de Orson Welles tupi- niquim. aos 80 anos. instalou oficialmente em 1941 a Rádio Difusora de Joinville. O jornalismo não era a marca da nova emissora e a figura do repórter sequer existia. A programação ao vivo da PRC-4 Rádio Clube de Blumenau. seis anos depois do primeiro passo da radiodifusão catarinense. enfrentava situações absurdas para os padrões atuais: in- terrupções devido à precariedade dos equipamentos e à falta de locutores conhecidos como speakers. entretanto. A novidade chegou pe- las mãos de Wolfgang Brosig. financeiramente não era atraente o que justificava que os integrantes do quadro de funcionários traba- lhassem em outros locais com jornadas mais rígidas. acumulando as fun- ções de locutor. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 116 . O esforço de Brosig. Embora o trabalho na rádio fosse inovador e empolgante. O início da emissora em 1938 também foi através de alto-falantes. recebesse da Câma- ra de Vereadores de Joinville o título de Cidadão Benemérito. fatos fictícios para conferir a reação dos ouvintes e mais tarde lembrá-los que se tratava de primeiro de abril. formada principalmente por repertório musical e leitura de comu- nicados. O surgimento da primeira emissora catarinense seguiu os moldes da época baseado na fundação de clubes ou sociedades onde os associados pagavam cotas que financiavam o funcionamen- to das emissoras.

assumiu o comando da emissora. A presença dos comerciais mudou o perfil das emissoras que. Aderbal Ramos da Silva. acompanhado de um grupo de amigos. os ouvintes acompanhavam uma programação mais popular que incluía jorna- lismo. a oportunidade de ouvir entrevistas com personalidades. e o responsável por ela não havia nascido na Ilha ou sequer era catari- nense. O gaúcho Ivo Serrão Vieira. manteve por cerca de um ano o sistema de alto-falantes e conseguiu oficializar a emissora em 1943. incluindo futebol. A Radio Guarujá passou a desempenhar um papel de “assessor político” do PSD (Partido Social Democrático). por terem a obrigação de se tornarem rentáveis. buscaram alternativas para aumentar a audiência. era uma garantia de audiência. prin- cipalmente políticas. Os florianopolita- nos. Nesse período. transmissões de esporte. Três anos mais tarde. O final da década de 40 marcou o surgimento de emissoras em várias regiões catarinenses em um período onde a veiculação de comerciais nas rádios. e programas de auditório ao vivo. Se o fato de receber a novidade com atraso incomodava os mais afoitos. a exemplo dos ouvintes de Blumenau e Joinville. a ironia foi saber que o nome da emissora – Rádio Guarujá – era uma homenagem a um bairro de Santos. já estava autorizada pelo Governo Federal e a programação das emissoras vivenciava a chamada “Época de Ouro”. com estórias criadas ou adaptadas por rotei- ristas catarinenses. remo e basquete. eleito no ano seguinte governador do Es- tado. O surgimento das primeiras emissoras longe de Florianópo- lis indica que o pomposo título de capital não contribuiu para que a Ilha fosse pioneira na radiodifusão catarinense. começaram a ouvir a sua primeira rádio através de um sistema de alto-falantes. O crescimento do número de ouvintes incentivou as emissoras a apostarem na JORNALISMO EM PERSPECTIVA 117 . radionovelas. conhecidos como “reclames”. em São Paulo. Embora nos pri- meiros programas os locutores lessem notícias veiculadas nos jor- nais.

Boa parte delas com tempo de vida vinculado apenas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 118 . em Florianópolis. o que conseqüentemente melhorou a factuali- dade das notícias locais nos radiojornais. motivou a criação da primeira rede de emissoras do estado. como também despertava nos ouvintes uma participação social mais ativa. A efervescência do jornalismo. sob a responsabili- dade dos irmãos Adolfo e Walter Ziguelli. para defender os inte- resses da UDN (União Democrática Nacional). Um dos desta- ques da emissora era o programa “Vanguarda”. aliada à influência política. avalia que esse período causou na sociedade brasileira impac- tos mais profundos do que os provocados . a exemplo da Rádio Guarujá. pela chegada da TV no Brasil. também se aventurou pelas ondas do rádio como peça de persuasão política. no ano de 1954. Em 1954.figura do repórter. as rádios pertencentes à Rede só concediam espaço aos adversários medi- ante pagamento. chegaram a pertencer a grupos políticos que nos noticiários defendiam abertamente seus interesses confron- tando adversários. a partir de 1950. Ligada ao PSD. A “Época de Ouro” do rádio em Santa Catarina também foi marcada pela forte influência política. ele conseguiu a concessão da Rádio Diário da Manhã. A descoberta do rádio como peça de marketing político in- fluenciou o surgimento de várias emissoras em todas as regiões catarinenses. Além de Aderbal Ramos da Silva. A programação do rádio não apenas entretinha e anunciava produtos. Muitas emissoras. Também era comum a compra de espaços na programação por parte daqueles que ainda não tinham suas pró- prias emissoras. outro governador. Irineu Bornhausen. em Blumenau. autor do livro “A Era do Rá- dio”. O sociólogo Antonio Miranda. Ainda nessa década sur- giram na capital outras emissoras como a Anita Garibaldi e a Rádio Jornal A Verdade. a Rede Coligadas.

na capital. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 119 . A liberdade de expressão permitia que os veículos se posicionassem abertamente e a participação dos ouvin- tes era intensa nos programas de debates. Na Difusora de Laguna. inaugurada oficialmente em 1946 e localizada a pouco mais de 100 quilômetros da Capital. um dos diferenciais era o programa “Picadeiro Político”. incluindo até mesmo fatos políticos. À medida que as estações de TV foram se espalhando pelo território nacional e o público tendo contato com o veículo que além do som trazia imagens. A produção usava a estrutura de texto e sonoplastia das radionovelas para apresentar as notícias da cidade. investiu no “As crianças se divertem” retransmitido para 14 emissoras. as ouvintes podiam sintonizar programas que tratavam de culinária. as rádios também investiram em programas dirigidos aos universos femini- no e infantil. como um campeonato pan- americano de remo na Argentina. em 1970. e posteriormente com a inauguração da TV Cultura.ao período eleitoral. Em todo o estado as rádios se destacavam por particularidades da programação. Além das radionovelas. inclusive. O espírito jornalístico das rádios catarinenses que concreti- zou até transmissões internacionais. a primeira emissora de TV do esta- do. foi aos poucos perdendo espaço para uma programação quase que exclusivamente musical e que retomava com força a antiga prática do gillete press. a transmitir comícios eleitorais. A onipotência do rádio no Brasil começou a ser ameaçada com a chegada da TV em 1950. o processo não foi diferente e começou em 1969 com a chegada da TV Coligadas. poesias e conselhos de bele- za. Paralelo aos programas de forte influência política. na década de 50. A Rádio Diário da Manhã. Em Santa Catarina. as emisso- ras foram perdendo o espaço conquistado. em Blumenau. Muitas rádios chega- ram. O público específico era mais uma ferramenta que as emissoras dispunham para atrair anunciantes e aumentar os lucros.

mostra- ram a eficiência do veículo. tam- bém eram produzidas ao vivo. Além disso. como Rio de Janeiro e São Paulo. Muitos ouvintes deixaram os antigos programas AM de lado e pas- saram a sintonizar as FMs que ofereciam uma nova linguagem.119 tinham autorização para funcionar no país. mas a realidade é outra. o rádio não está mais submetido à conexão de uma tomada e pode ser ouvido em qualquer lugar. Nos grandes centros. em 2004. Dados do Ministério das Comunicações indicam que. embora a TV exigisse um “olho no olho” com o telespectador e a preocupação com a relação texto/imagem. o americano Anthony Smith conseguiu recordes de ven- dagem ao lançar o livro “Adeus a Gutenberg”. assim como as  rádios continuam crescendo e se adaptando cada vez mais às novas tecnologias – as rádios virtuais são uma prova. Fatos recentes em Santa Catarina. prevendo o fim do jornalismo  gráfico. os atores do rádio migraram para as telenovelas que. e a passagem do ciclone Catarina. em outubro de 2004. no início. outras 4. como o apagão de 2003 em Florianópolis. a partir da década de 70. só no âmbito das rádios comunitárias. também provocou mudanças. Em centros menores. A chegada das FMs no Brasil. várias previsões pessimistas garanti- ram que os avanços tecnológicos beneficiariam a TV e a internet e provocariam o desaparecimento do jornal impresso e do rádio. No ano anterior.412 com o mesmo perfil foram fechadas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por terem sido consideradas ile- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 120 . Uma avaliação superficial do rádio pode considerar que atu- almente o veículo não possui o mesmo poder de informação em relação aos outros meios de comunicação. 2. a adaptação foi mais fácil. Para os locutores. a ausência de telenovelas locais colocou os atores em uma situação difícil. jornais e revistas. desde a descoberta do transistor em 1947 por cientistas americanos.  Entretanto. como Santa Catarina. Em 1980. Nas últimas décadas.

gais. O mais recente levantamento feito pela Acaert (Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão) aponta que todas as regiões de Santa Catarina estão contempladas com emissoras radiofônicas. as piratas. Os estudiosos da comunicação consideram que  entre as novas tecnologias. O rádio. aja local”. a que mais se destaca é a relacionada à transmissão. Para os que ainda teimam em ser pessimistas uma má notícia: às vésperas de completar 83 anos no Brasil e 70 em Santa Catarina. Cabe salientar que nesta relação não estão computadas as rádios comunitárias. Dentro deste contexto. um fator sempre determinante para um profissional da área. as veiculadas pela internet. De acordo com a entidade. cabe salientar que as novas tecnologias mudaram a relação do jornalista com o tempo. A prática jornalística do dia a dia demonstra que em ter- mos de agilidade o rádio ainda é imbatível. com seu custo relativamente baixo. é o que mais rápido e facilmente consegue colocar em prática a filosofia do slogan “pense global. seu quadro de filiados tem atualmente 71 emissoras FM e 101 AM. Nem mesmo os jornais online que trabalham em fluxo  contínuo  conseguem chegar na frente na disputa com o meio quando a tarefa é veicular e repercu- tir o factual. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 121 . muitas delas tendo o jornalismo como carro-chefe aliado às transmissões esportivas. o rádio ainda tem fôlego e está na ativa. e algumas ofi- ciais não filiadas à associação. elaboração e difusão da informação.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 122 .

a única maneira de incluir fotos na imprensa era recortá-las de outras publicações e colá-las para a reprodução no jornal. O marco do fo- tojornalismo mundial é a publicação da primeira imagem pelo jor- nal sueco “Nordisk Boktrycheri-Tidning”. Andressa Braun Fotojornalismo Catarina Após Roger Fenton. Em Santa Catarina. um século se passou até que aparecessem os fotógrafos precursores da imprensa catarinense. o inglês considerado o primeiro foto- jornalista da história. por Alfred Baumgar- ten. instalou um laboratório próprio e fez as pri- meiras ampliações em 1910. Até começo da década de 1960. em 1906. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 123 . A publicação de fotografias por jornais e revistas esbarrava na dificuldade técnica de se imprimir toda a gama de tons diferen- tes de cinza (entre o branco absoluto e o preto absoluto). em Blumenau. a primeira foto jornalística registra a inauguração da ponte sobre o ribeirão Garcia. que formam uma imagem fotográfica em preto-e-branco. a técnica conhecida como gilette press. de tanto aventurar trabalhos fotográficos em casa. A exceção foi a publicação precursora e isolada do jornal blumenauense “Blume- nauer Zeitung”. em meados da década de 1960. O fotógrafo era um grande entusias- ta da documentação fotográfica num período em que as imagens eram utilizadas apenas como ilustração das matérias de jornal. filho do fundador do jornal. A produção fotojornalística em Santa Catarina também foi incentivada pelo trabalho do catarinense Valdemar Anacleto que. que pela experiência autônoma de Alfred Baum- garten. fazia imagens do estado para expô- las em painéis no Rio de Janeiro. em julho de 1871.

As fotos se tornaram mais presentes na imprensa catarinen-
se por volta de 1963. O jornal “O Estado”, o mais antigo diário em
circulação em Santa Catarina, fundado em 1915, comprava o re-
sultado do trabalho independente do fotojornalista Paulo Dutra,
que começou a fotografar fatos isolados que considerava de inte-
resse da imprensa. A publicação era realizada geralmente na capa
com legendas explicativas criadas pela redação. Dutra possuía um
pequeno laboratório de revelação e ampliação em casa. Simultane-
amente, ele fazia fotos de Florianópolis e as vendia ao jornal gaú-
cho “Correio do Povo”.
Paulo Dutra também teve experiências em publicações naci-
onais. Em 1970, quando trabalhava no Palácio do Governo do Es-
tado de Santa Catarina, fotografou uma apresentação da Esquadri-
lha da Fumaça e, sem perceber, registrou o momento exato do
choque entre duas aeronaves. O acidente, de repercussão nacio-
nal, foi assunto na revista “Manchete”, da editora Bloch, que pou-
co tempo depois contratou Dutra. Lá, ele trabalhou por dez anos.
Mas foi em Santa Catarina que passou a maior parte de sua carrei-
ra. Funcionário público federal, ele trabalhou, entre outras reparti-
ções, na Agência de Comunicação da Universidade Federal de San-
ta Catarina. Dutra voltou em 1988 ao jornal “O Estado”, onde per-
maneceu, entre entradas e breves saídas, até 2002.
Paulo Dutra ainda participou da primeira equipe profissional
de fotojornalistas de um jornal catarinense. Junto com Gaston Gu-
glielmi, Sérgio Rosário e Rivaldo de Souza, sob o comando de Ores-
tes Araújo, eles formaram, em 1972, o time de fotógrafos de O
Estado. Foi nesse ano que o jornal de Florianópolis adquiriu uma
máquina de impressão off-set – que facilitava a impressão de foto-
grafias – exatamente um ano depois da compra do mesmo equipa-
mento pelo concorrente, o “Jornal de Santa Catarina”, com sede
em Blumenau. O jornal do Vale publicava fotografias produzidas
pelos cinegrafistas da TV Coligadas, que faziam o trabalho de cam-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
124

po munidos de filmadora e câmara fotográfica. A parceria era pos-
sível porque o jornal e a TV pertenciam ao mesmo grupo.
Para Orestes Araújo, o início do fotojornalismo foi marcado
por uma incansável busca pelas melhores imagens, relacionada com
o “realizar algo proibido”. “Algumas vezes sentia um certo medo
de estar tão perto da notícia”, acrescenta. O relato é também
embasado pelo pioneirismo na fundação, em 1965, da assessoria
de imprensa da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catari-
na, ao lado do jornalista João José de Souza.
Nesse período, Orestes profissionalizou-se com a realiza-
ção de cursos de fotografia em São Paulo. Lá, percebeu o interesse
de publicações de outros estados, especialmente do Rio de Janei-
ro, por fotografias de Santa Catarina. “As revistas do eixo Rio-São
Paulo mandavam profissionais para o Estado quando precisavam
de imagens”, conta ao relembrar o motivo que o levou a oferecer
as próprias fotos a publicações como a revista “Veja”, onde traba-
lhou doze anos como correspondente em Santa Catarina.
Todas essas experiências creditaram Orestes Araújo a finali-
zar, em 1985, a formação da equipe de fotógrafos do “Diário Ca-
tarinense”, o primeiro jornal totalmente informatizado criado no
Brasil. Em 1986, o DC possuía os mais modernos e completos
equipamentos fotográficos de imprensa da época: 18 câmeras Ni-
kon modelos F-3 e F-3 HP, grande-angulares, teleobjetivas, flashes,
tripés e filtros, entre outros acessórios. Além disso, o “Diário Cata-
rinense” ainda dispunha dos melhores computadores e programas
de edição eletrônica de textos para imprensa da América Latina.
Até 1991, Orestes Araújo continuou o trabalho em outros
diferentes veículos de comunicação e na assessoria de imprensa da
Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Naquele ano,
ele cria o “Jornal de Barreiros”, onde até hoje realiza diversas fun-
ções: produção fotográfica, texto, edição, distribuição e até venda
de espaços publicitários.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
125

A partir do início da década de 1970, a linguagem fotográfica
passou a estar de acordo com o texto, matéria jornalística e ima-
gem complementavam-se. Para o fotógrafo e historiador do foto-
jornalismo Tim Gidal (1971), a evolução do fotojornalismo mo-
derno deve-se a um fator técnico – desenvolvimento de câmaras
fotográficas compactas, luminosas e com visor na parte traseira –
e outro intelectual - o surgimento de uma nova geração de fotó-
grafos no mundo, na maioria com educação superior e descendên-
cia judaica.
Na década de 1970, as revistas já utilizavam fotos coloridas,
captadas por slides. Apesar da dificuldade inicial de utilização da
nova tecnologia, ela teve que ser adotada pelos profissionais. A
informação transmitida pela foto colorida deixava a imagem com
aparência plastificada, porque além da dificuldade de trabalho dos
fotógrafos, os gráficos também tinham problemas para a impres-
são. “Foi um verdadeiro caos para o fotojornalismo”, opina o foto-
jornalista Tarcísio Mattos sobre o início do uso de slides quando
“muitos profissionais deixaram de fotografar porque não conse-
guiam se adaptar”.
Tarcísio Mattos é sócio–fundador da Soma Fotojornalismo,
empresa criada em 1988 e que passou a cobrir pautas para o “Jor-
nal de Santa Catarina”, AN e “O Estado”, geralmente em cidades
que não eram sede dos jornais. A carreira começou aos 18 anos,
em 1979, como laboratorista do jornal “O Estado”. No ano se-
guinte, foi fotografar profissionalmente na equipe do jornal, com a
saída do pioneiro Rivaldo de Souza. “Quando ingressei no merca-
do, o material era muito barato, o que me permitia experimen-
tar”. No começo dos anos de 1980, ele trocou uma câmera Ca-
non Ftb por uma Pentax SP 500.
Bem humorado, Mattos conta que, como era o mais novo
da equipe, só recebia pautas que classifica como “carne de pesco-
ço”. Em dois anos de trabalho, ele teve que provar que tinha capa-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
126

cidade. Depois de realizar com sucesso uma pauta sobre argenti-
nos em Balneário Camboriú, passou a ser escalado para cobertu-
ras mais importantes. Ele lembra que, naturalmente, o repórter
fotográfico “cobria melhor”, direcionava-se para o assunto com o
qual mais se identificava.

Uma questão também de sorte
Paulo Dutra acredita que, para fazer uma boa fotografia para
imprensa, o profissional tem que ter sorte acima de tudo, técnica
e muita rapidez. O fotojornalista Tarcísio Mattos não discorda, mas
defende que o profissional deve ser, antes de tudo, um jornalista.
“Ele tem que ter técnica, senso estético, mas, essencialmente, pre-
cisa estar ligado à notícia.”
A fotojornalista Suzete Sandin, a primeira no Estado, con-
corda que além de “olho” (refere-se à sensibilidade para perceber
o que é importante e inusitado em uma cena), o profissional preci-
sa da sorte. Ela reconhece que a tecnologia no fotojornalismo pro-
porcionou ganho de tempo, mas critica: “Com a era digital, a foto-
grafia tornou-se muito mais programada, menos espontânea. É di-
fícil uma foto que realmente chame a atenção”. Para ela, o slide
ainda garante melhor definição e fidelidade de cores, diferente do
equipamento digital.
Mattos diz que, hoje, o fotógrafo é escravizado pela técnica,
o que se reflete na grande quantidade de fotos posadas nos jornais.
“A fotografia privilegia a técnica em detrimento da informação”,
completa. Para ele, a tecnologia foi somente uma evolução e não
pode ser vista como fim, mas como meio. Ele cita, por exemplo, a
baixa qualidade das imagens vendidas por agências de notícias. Ao
mesmo tempo, reconhece ser difícil atender tantos interesses di-
ferentes, o que justifica, em parte, a perda na qualidade.
Orestes Araújo comprovou o quanto a sorte na profissão é
importante depois de um episódio inusitado. No início da década

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
127

de 1970, quando os Estados Unidos e o mundo questionavam se o
presidente Richard Nixon seria candidato à reeleição, o fotojorna-
lista conheceu, por insistência de um amigo, uma fábrica em Rio
Negrinho, no interior de Santa Catarina, que estampava em cane-
cos, a pedido do comitê de reeleição, a imagem do então presi-
dente. Como de costume, Orestes levou consigo o equipamento
fotográfico, fez fotos e as vendeu para as principais publicações
brasileiras e agências internacionais.
O fotógrafo defende a complementaridade imagem-texto.
“A boa imagem para o jornal deve ser casada com o texto. Deve
seguir a mesma linguagem, além de ter qualidade, bom ângulo e
bom enquadramento”. Para Orestes, o fotojornalismo contribuiu
muito para a valorização do produto jornal. “Hoje, ninguém mais lê
jornal sem foto”, completa Paulo Dutra.

Uma estranha no ninho
Com o surgimento do primeiro jornal totalmente informati-
zado criado no Brasil, surge também a primeira fotojornalista do
estado, Suzete Sandin. Ingressa por acaso na profissão, como ela
mesmo descreve, Suzete só se interessou profissionalmente pela
fotografia durante a realização de um curso de especialização com
um profissional norte-americano de passagem por Florianópolis.
Ela foi sorteada e recebeu uma bolsa para o curso na época em que
estudava Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.
Após o trabalho de conclusão do curso superior - um
audiovisual que demonstrava o destino do lixo em Florianópolis
-, surgiram várias oportunidades de trabalhos freelancers em foto-
grafia. Hoje, Suzete diz que a escolha pelo fotojornalismo foi uma
casualidade que deu certo. Em 1985, ela tornou-se parte da equipe
de fotógrafos do “Diário Catarinense”. “Foi ali que aprendi tudo”,
reconhece.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
128

Uma das fotografias da cobertura foi premiada pela revista francesa “Pho- to” com o 1º lugar na categoria La Lumière. Ela lembra das dificuldades de uma mulher cobrir. Era graças à ajuda dos outros fotógra- fos que “encarava” as brincadeiras da torcida. Atualmente. “A fotografia para jornal deve emocio- nar. Para ela. Apesar das dificul- dades. “Aprendi todos os palavrões da minha vida no campo de futebol”. Suzete passa seis meses no Brasil e outros seis no Canadá. Suzete acredita que um dos maiores desafios do fotojorna- lista é transmitir toda a informação em uma única imagem. Uma das coberturas que mais a marcou e com a qual con- quistou reconhecimento internacional foi realizada em 1997 em um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra em Abelardo Luz. “Você tem sempre que encontrar uma saída e levar a foto para a redação”. futebol naquela época. A fotojornalista acreditou que fosse a Polícia tentando retirar os trabalhadores do lugar em que estavam. o jornalismo diário é a melhor escola de foto- grafia. soube que esta era a forma que os agricultores comemoram o retorno da colheita. Um dos objetivos era mostrar de que forma o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pressionava o gover- no. para Suzete. Pouco depois. conclui Suzete. Outra cobertura fotográfica que Suzete não se esquece foi realizada para a revista americana “Life”. Um deles foram tiros na madrugada. Ela fotografou em Santa Catarina um alemão que criava tigres em casa. o profissional deve conhecer bem o assunto e saber exata- mente o que deseja transmitir”. por exem- plo. Suzete passou uma semana acampada e viveu momentos de apreensão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 129 . a fotografia deve chamar a atenção para o texto porque uma boa imagem estimula a leitura. e realiza even- tuais trabalhos freelancers para revistas como “Caras” e “Quem”.

Florianópolis: Editora da UFSC. Volume IV. OSWALDO. aposentado Suzete Sandin. SÍLVIO COELHO DOS. 1996 SANTOS.REFERÊNCIAS Entrevistas pessoais: Orestes Araújo. 2000 Livros: CABRAL. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 130 . FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Univali. Impacto da fotografia digital no fotojornalismo diário: um estudo de caso. Dissertação para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC. Agradecimentos Aos jornalistas Celso Vicenzi. Florianópolis: Oficinas Gráficas da Imprensa da UFSC. fotojornalista e sócio-fundador da Soma Fotojornalismo Dissertação: IVAN LUIZ GIACOMELLI. EDITH. Maria José Baldessar e Luciany Alves Schlickmann. Florianópolis: Edeme Indústria Gráfica e Comunicação. Celso Martins. cultura e as histórias de sua gente (1950-85). fotojornalista responsável pela criação da primeira equipe de fotógrafos do jornal “O Estado” e editor do “Jornal de Barreiros” Paulo Dutra. Blumenau – arte. 1972 KORMANN. Santa Catarina no Século XX. primeira fotojornalista de Santa Catarina Tarcísio Mattos. primeiro fotojornalista a exercer profissionalmente a função no Estado. Nossa Senhora do Desterro. 1999.

E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!? A pergunta – feita por uma autoridade do alto escalão do governo Colombo Machado Salles – retrata bem o momento em que vivíamos. atraídos pelas promessas de uma nova vida. Minha reportagem era acom- panhar a reação da torcida. a maioria do oeste catarinense que. Naquela tarde do mês de outubro de 1972. Se hoje vejo na mídia eminentes lideranças políticas de Santa Catarina dando freqüentes entrevistas às repórteres do setor. tentei inúmeras vezes entrevistar um deles. era raríssimo mulher-repór- ter trabalhar nas editorias de esporte. Na época. eu esta- va no aeroporto Hercílio Luz embarcando para Belém do Pará. a Amazônia (so- nho que se transformou em pesadelo – a Transamazônica era mais um projeto megalômano do governo ditatorial do general Emílio Garrastazu Médici). Mais raro ainda era fazer repor- tagens nos campos de futebol. Rece- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 131 . sor- rio quando lembro as barreiras invisíveis que estes mesmos políti- cos erguiam ao perceberem a presença de repórteres. comportamento. Naquele mesmo ano – 1972 –. tra- dicionalmente eram preenchidas por jornalistas do sexo masculino. entre outras. eram editorias emi- nentemente femininas. Elaine Borges Mulheres e Jornalismo . Enviada especial do jornal “O Estado”. Nossas funções nas redações estavam delimitadas: varieda- des. Em plena ditadura militar. E – pelo inusitado – virei notícia. cultura. esporte e polícia. fui acompanhar agriculto- res. As editorias de política. iriam para a terra dos sonhos. fui escalada para cobrir o famoso clássico Avaí e Figueirense.

Mas os galanteios eram inevitáveis. Lideranças nacionais – como Ulysses Guimarães – transformavam entrevistas em aulas de democracia e de resistência. “talvez”. com pouco mais de um metro e 60. limitando-se ao “sim”. em alguns episódios.nunca aceita pela direção do jornal. tinha que ficar sempre muito séria.. além de novas oportunidades de em- prego oferecidas em Santa Catarina. magra.das delícias de morar numa ilha paradisíaca. tive de enfrentar os entrevista- dos por insistirem em ler os textos antes de publicados. até mesmo com cara de poucos amigos. Nesse período – década de 70 – presidi duas vezes o Clube dos Repórteres Políticos de Santa Catarina. é campeã sênior de tênis). Decididas e combativas. De tanta insistência. além de jornalista. Era para impor respeito”. fui orientada por seus assessores para encaminhar perguntas por escrito. Galanteios que sempre procurava reverter em boas declarações. Trabalhou também no jornalismo político e relembra: “Eu. Inúmeras vezes. era chefe da sucursal do “Jornal de Santa Catarina”. As respostas foram as mais lacônicas. lembra: “A desconfiança que despertávamos na época não sei se era atribuída à profissão ou a nossa condição de sermos mulheres jornalistas. “não”.” Aline Bertoli (assessora de imprensa do Tribunal de Contas) foi uma das primeiras jornalistas a apresentar telejornal em Santa Catarina.bia apenas respostas lacônicas.. Bernadete Santos Viana (hoje. ou depois contestavam o que haviam dito. também queriam usufruir - como ainda hoje . para chegar às minhas fontes. nos anos 70. exigía- mos igualdade. Correspondente de “O Estado de S. minha demissão foi “gentilmente” solicitada por lideranças locais . Sofríamos mais contestação nas matérias que escrevíamos do que os jornalistas do sexo masculino. em Florianópolis. Mas havia aquelas que. Paulo”. Marise de Martini Fetter (hoje morando em Brasília) foi uma das tantas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 132 .

Eloá Miranda. Em 1999. Mais tarde. Uma mulher que sabe tudo. no Rio). O governador era acessível. e imediatamente o secretário colocou o braço em volta do ombro da Rosinha e pediu que o fotógrafo tirasse uma foto de ambos. Trabalhou no jornal O Estado e depois na TV Cultura. o vento sul.. Mas o que me chamou a atenção foi a facilidade com que a gente falava com as autorida- des. ele dizia”. foi surpreendida com um convite inusitado: “Espera um momento”. Atualmente. mantinha uma coluna com informações e comentários destinados ao público feminino. foi homenageada com a medalha do mérito pela Associação Catarinense de Imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 133 . ao contrário da turma que veio do sul. “Eu lembro que o Celso Pamplona (famoso e folclórico colunista social da cidade) tinha um programa de Variedades na TV Cultura e me convidou . ainda na década de 70.que veio do sul para trabalhar em Florianópolis: “Para mim era fazer turismo. Aquilo me impressionava muito. O secretário sempre estava disponível. Marisa é assessora de imprensa da Casa Civil do governo de Santa Catarina. A jornalista Marisa Ramos (que na década de 60 teve a “ou- sadia” de ser a primeira mulher de Florianópolis a botar a barriga de fora usando maiô de duas peças) foi também umas das primei- ras mulheres jornalistas a comandar programas televisivos. com a modernização do jornal “O Estado”. tinha sempre festa! E aquela musicalidade do jeito de falar dos ilhéus. as praias. Essa facilidade percebida por Marise foi também registrada por Rosamaria Urbanetto (hoje trabalhando na Globonews.. em 1975 chegou a Florianópolis vinda do Rio de Janeiro. Queria registrar o que considerou um fato inédito: ser entrevista- do por uma mulher. Ao entrevistar um secretário de estado.por ser uma mulher exercendo a profissão de jornalista . conclui. Traba- lhou na antiga TV Cultura dirigindo um programa voltado para as mulheres.para ser entre- vistada. Coisa de foca”.

atraente. Imara Stallbaum. professora dos cursos de Jornalismo da Ielusc. desenvolvi uma tática para ligar para a casa de algumas fontes ou autoridades. denunciando a retirada ilegal de madeira de uma floresta da reserva Indígena de Ibirama. A maioria. acha que exagero. Hoje. foi acusa- da de “mentirosa e irresponsável”. em São José. É o caso da jornalista Roseméri Laurindo (hoje trabalhando na FURB. em Joinville e da Estácio de Sá. pode ser um problema na hora da entre- vista se a jornalista for também inteligente. em Blumenau). Em determinadas situações. grosseiramente ofendidas por homens públicos. certamente. Imara gosta de dar um recado às futuras colegas: “Digo que devem evitar decotes ousa- dos e tudo que possa desviar a atenção ou seduzir o entrevistado. não uma repórter. Traumas também marcaram a vida profissional de algumas repórteres. Repórter setorista de “O Estado” na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. um dos primeiros desafios que aprendi a superar foi aturar suas mulheres e as secre- tárias. No fundo. Aprendi na marra. Por isso. escreveu uma reportagem comparando os assédios dos partidos aos depu- tados como se fosssem lances de um leilão (havia um intenso tro- ca-troca de partidos devido à chegada do PRN do Collor). bonita. O ideal é serem mara- vilhosas na hora de escrever a matéria”. no final da década de 80. eu explicava em detalhes a matéria em curso para que se sentissem importantes. re- pórter do “Diário Catarinense” no final das décadas de 80 e 90. Eu ligava e a mulher do sujeito atendia. No dia JORNALISMO EM PERSPECTIVA 134 . O “saber tudo” e a ousadia intrigavam e faziam aflorar o lado machista de alguns políticos e empresários. agir com sutileza foi sempre uma tática da repórter: “Na época. E não entende que ser mulher. O ataque do madeireiro a ela “consistiu em tentar me desmoralizar de forma machista”. Ao ligar. Ninguém me ensinou isso. ao fazer uma série de reportagens. isso era uma prática feminista”. Estou certa de que ela desconfiava que eu era um cacho do marido.

As mulheres jornalistas que trabalham em áreas como a política. Precisam mostrar extrema competência e independência para conquistar o respeito do meio. mas tu és inteligen- te!” E eu. Talvez o ‘valentão’ que botou o dedo no meu nariz não o fizesse se eu fosse homem”. na redação do “A Notícia”. Lúcia Helena Vieira. disse.seguinte à publicação da matéria. tanto dentro quanto fora do jornal”. Levantei e também dei de dedo na cara dele.. nessas situações. que lidam diretamente com o poder – exercido predominantemente por homens – têm desafios dobrados. embora nunca tenha enfrentado pro- blemas profissionais.. pelo então candidato a prefeito de São José. Há um outro episódio que retrata bem a necessidade quase permanente das mulheres jornalistas provarem que são capazes e inteligentes: “Lembro-me de uma longa conversa com um deputa- do. Há os assédios. muito menos por uma mulher”. foi recebida duramente por um deles: “Eu não tenho nada a declarar a você que está na zona”.Não sei se. me chamando de mau caráter. No “Diário Catarinen- se”. Ele não admitiu ser questionado ou de- nunciado. há mais de dez anos é repórter de política e. reconhece que “num mundo que ainda é pre- dominantemente masculino. confessa. em Florianópolis. rebatia: “ué. Ficamos falando sobre o quadro político do momento. se fosse homem. Foi preciso ser muito firme para deixar clara a relação sempre profissional. que são quase comuns. espantadíssima com as observações dele. Fernando Elias (PSDB): “Ele ficou possesso por causa de uma matéria minha e deu de dedo na minha cara. experiente jornalista. ele me questionava e depois repetia várias vezes:“ah. é preciso ter jogo de cintura. Rose nunca mais voltou à AL e direcionou sua profissão para outros caminhos: “Fiquei traumatizada com o episódio”. o da política. Nas eleições municipais de 2004. “também enfrentei poderosos que pediram minha cabeça . Lúcia Helena foi agredida verbalmente. deixaria de sofrer as agressões. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 135 .

mas o que o senhor esperava”? Mais tarde compreendi que ele não estava acostumado a lidar com mulheres que pensam!” Deborah Almada (sócia-proprietária de uma agência de no- tícias) sempre teve uma estranha impressão de que os colegas jornalistas homens impunham mais respeito: “Eles chegavam nas entrevistas coletivas sempre muito sérios. os jornalistas apenas emprestavam seu prestígio a eventos desta natureza. “A redação. aos olhos de uma mulher. Ao avaliar sua atuação no jornalismo político. As laudas (que com a internet não mais existem) tinham então dupla utilidade. As exceções confirmam a regra”. Mas vou morrer achando que a gravata é quase que uma senha de acesso ao mundinho da política. 30 anos de profissão. parecia um tanto bagunçada. ano em que chegou de Por- to Alegre para trabalhar na redação de “O Estado”. Longe de mim. lascando sempre as melhores perguntas e naturalmente arrancando dos entrevistados as melhores respos- tas”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 136 . logo eu. ficou sur- presa: não havia banheiro feminino e às vezes nem papel higiê- nico. grande parte deles vividos nas redações dos jornais. cheios de pompa.. Até porque já tinham sido informados em primeira mão dos acontecimentos num café da manhã no dia anterior”. cheia de papéis jogados no chão”. Detalhes que fazem a diferença chamaram a atenção da Doroti Port. que só fiz isso boa parte da vida. Durante dez anos – de 1986 a 1996 –. Reverenciados pelos políticos. “Logo percebi que no mundo da política as entrevistas coletivas não deveriam provocar espanto nos jornalistas mais experientes. Deborah cons- tata que os espaços de maior prestígio continuam sendo preenchi- dos por colegas do sexo masculino: “Não quero diminuir a pre- sença feminina no jornalismo político.. Deborah atuou na editoria de política e tinha esperanças de um dia aprender a “fór- mula mágica” de comparecer às coletivas já muito bem informada. ves- tidos de terno e gravata. Em 1975.

Claudia. Não foi fácil para Claudia se impor profissionalmente. Fora das redações. é a que está mais tempo em atividade no jornalismo esportivo de Santa Catarina (18 anos). pois teria que reservar dois quartos”.Outra constatação: “os chefes de reportagem. acostumados a mandar equipes com motorista. Mas lembra que dificilmente era escolhida para trabalhar fora de Florianópolis porque “os jornais. Suzete Antunes trabalhou no “Diário Catarinen- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 137 . Era recebida “com certa resistência. Eu sempre tirei de letra tudo isso. antes eram as “cantadas”. “Quando eu dizia que trabalhava na editoria de esportes. como o esporte. redação e edi- tores. entre as mulheres. sem contar que num mundo mas- culino. Claudia Sanz ganhou a Bola de Ouro – prêmio en- tregue aos cronistas esportivos de todo o país. colocavam todos no mesmo quarto no hotel e. prefere o esporte amador. fotógrafo e repórter. Com a honraria. Claudia Sanz. Assédios que logo eram contornados: “Mostrávamos que éramos profissionais sérias”. O que hoje chamam assédio. a empresa teria um custo adicional. A seriedade e a competência profissional foram reconheci- das: em 1995. Do- roti lembra que alguns “figurões” tentavam aproximações mais pessoais. as gracinhas e o assédio sem- pre existiram. se eu viajasse. mas tive que me esforçar mais do que muitos homens para conquistar meu espaço. quebrou um tabu: até então os agraciados eram radialistas e ho- mens. Atuar no jornalismo esportivo também exigia das profissio- nais duplo esforço: mostrar competência e superar preconceitos. é repórter especializada em cobrir es- portes. eram todos homens”. as mulheres jornalistas também têm his- tórias para contar. Aquela coisa de matar um leão por dia”. as cantadas. desde 1987. as pessoas invariavelmente perguntavam: ‘mas você entra no ves- tiário para entrevistar os jogadores?’” Claudia trabalhou pouco na cobertura de futebol.

ou com decote acentuado. Maura não só aceitou o desafio como. Histórias sobre a atuação das mulheres na imprensa de San- ta Catarina são muitas.há mais de vinte anos trabalhando na RBS/TV – percebe que há jornalistas que fazem do visual um marketing pessoal: “Conheço casos de mulheres que vestem rou- pas mais ousadas para conquistar certas vantagens no trabalho. ficou nítido que se fosse um repórter a reação não seria tão violenta”. chamando-a de “mulherzi- nha” e “vagabunda”. Argumento do chefe: “e se eu for jantar com um jornalista homem. além da eterna preocupação com a aparência (exigência tam- bém para os profissionais do sexo masculino). A profissional. O que me livrou de algumas cantadas indesejáveis”. como posso ir acom- panhado por uma assessora. de ser agredida. Os farristas. para ser res- peitada. desafiou publicamente as mulheres a escreverem na imprensa de Florianópolis. mas eu sou contra isso e nunca usei de tal artimanha. uma mulher?” Entre as jornalistas que trabalham nas emissoras de televi- são. Foi durante uma reportagem sobre a Farra do Boi. tomo muito cuidado com meu visual.se” no final da década de 80. Maura foi a pioneira. ela certamente teria muito que contar. com a ajuda da máquina do tempo. Ligia Gastaldi . em Florianópolis. passaram a agredi-la verbalmente. Seu primeiro texto foi em resposta a um desafio: José Acrísio. Reconhece que na redação o convívio entre os colegas foi sempre harmonioso. Nunca vou trabalhar de saia curta. fôs- semos entrevistar Maura de Senna Madureira. Se. no entanto. Viu uma colega ser preterida a assumir um posto de chefia por ser mulher. “Naquele momento tenso. Pelo contrá- rio. O que considera ser “o maior exemplo de sexismo estúpido” aconteceu quando passou a atuar como assessora de imprensa. A seriedade profissional não a impediu. tem que assumir uma postura séria. irritados com a presença dos repórte- res. há percalços a se- rem superados. através do jornal “O Elegante”. a partir do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 138 .

. O curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina iniciou em 1979 e a primeira turma. no primeiro semestre de 1995. em 1992. bem mascarada. das mentiras de salão. No curso de Comuni- cação Social da Univali. cuidando das modas e de flirt. sem a menor reflexão. Basta ver os números para constatar que a presença das mulheres jornalistas nas diversas mídias passou a predominar. formaram-se 19 mulheres e 14 homens. as mulheres passaram a buscar empregos nas empresas de comuni- cação. Foi a pri- meira autora de um artigo feminista publicado em Santa Catari- na (1923). usava um pseudônimo – Alba Lygia – logo esquecido. eram 27 mulheres e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 139 . quase sempre sem amor. para apparecer bem. de invejável posição social. E o que mais: que não viva unicamente a cuidar de si. carmin e crayon. Nas universidades particularidades. e que lhe assegurará a mesma existência cômmoda e chic.)” O aumento do número de mulheres jornalistas nas redações em Santa Catarina está relacionado diretamente ao aumento dos cursos de comunicação. o percentual de mulheres jor- nalistas também é superior ao dos homens. Dez anos depois. era composta de nove homens e nove mulheres. em busca do marido rico. a quem levi- anamente entregará o coração e a vida. vivendo a vida material das futilidades e do coquettismo. escreveu: “Nesses últimos tempos. de um total de 20 formandos. não mais deixou de escrever. formaram- se sete mulheres e três homens. Que ella se não dedique exclusivamente à aprendizagem de encargos domésticos e pren- das especialmente feminis. 15 eram mulheres e cin- co homens.. formada em 1982. Dois anos após a publicação do seu primeiro texto.seu primeiro texto. em 2000. Em 2003. com especialidade. Nas últimas décadas. muito se há pregado uma profissão para a mulher.(. à força de rouge. à medida que as uni- versidades – públicas e particulares – formavam jornalistas. No começo.

em São Miguel do Oeste. em 2005 ingressaram no curso de jornalismo 24 mulhe- res e seis homens no período diurno e 18 mulheres e oito ho- mens. 31 mulheres ingressaram no curso em 2005 e apenas 14 homens. nossas tare- fas e rotinas estão relacionadas com o escrever. Devido a uma pauta ines- perada. Na Unisul. Na Unochapecó. 36 são mulheres. 28 são mulheres. com o observar. A jornalista Ana Cláudia Menezes observa que “há uma dificuldade das mulheres em chegarem a postos de chefia em Santa Catarina. o desafio é administrar a vida pes- soal com a imprevisibilidade da função. 24 mulheres e oito homens. É necessário refletir sobre esta tendência”. No vestibu- lar de 2005. entre 40 aprovados. atingem o cargo de editoras. Conciliar a vida doméstica com a profissão sem- pre foi um grande desafio para as mulheres. Histórias que aqui são contadas evidenciam que o longo ca- minho percorrido pelas mulheres jornalistas em Santa Catarina têm JORNALISMO EM PERSPECTIVA 140 . Correu atrás da fonte. de um total de 50 aprovados em 2005.sete homens. No entanto. com raras exceções. no noturno. escreveu e finalmente foi para casa. A presença das jornalistas nas reda- ções representa um expressivo percentual. a presen- ça das mulheres nas redações não tem correspondido ao acesso aos postos de relevância. A maioria dos que concluem os cursos de jornalismo não exercerá a profissão – ou por falta de emprego ou por terem op- tado por outras profissões. com o pensar. Para as que escolhe- ram jornalismo como profissão. Elas realizam um trabalho competente em suas editorias. em 2004. A visibilidade cada vez maior das mulhe- res nas diversas mídias não corresponde ao aumento de poder. A filha aniversariante já estava dormindo abraçada à irmã mais velha. mas. em Palhoça. a repórter Imara Stallbaum foi fazer uma matéria no dia do aniversário de uma das filhas. Sendo nossa profissão uma atividade intelectual. No curso de Comunicação Social da UNOESC.

Há quem diga que se hoje há um grande núme- ro de mulheres nas redações é porque os salários pagos aos jorna- listas são baixos. Talvez no dia em que não mais dedicarmos espa- ços para registrar a presença da mulher na imprensa. de quebra de tabus.sido de conquista. Convém sublinhar que as barreiras a vencer são heranças culturais. E não mais ouviremos a pergunta: “E sua mãe sabe que você vai viajar sozinha!?” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 141 . e até de enfrentamento. oportunidade igual para todos com salários dignos. de preconceito. estaremos atingindo o ideal no mercado de trabalho – ou seja.

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além de ser um alto negócio. “Atrás das câmeras. Summus.3 milhões de habitantes contra 560 mil). religiosos. por exemplo.Octávio Ianni1 Talvez uma das provas mais contundentes da importância do negócio chamado televisão possa ser ilustrada por uma experiên- cia pessoal. integra- ção.. 1 In FILHO. políticos. pouco mais de 7. estado e televisão”. desenvolvimento. Em termos comparativos. . pode ser importante para divul- gar informações e idéias que interessem às clas- ses dominantes. moder- nização”. Santa Catarina ocupa uma área relativa a 60% do território do Acre. militares e outros do bloco do poder. cresci- mento. identidade nacional ou progresso. ministrando cursos de atualização para jornalistas. produtividade. 1988 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 143 . jornalismo e negócios “. Laurindo Leal. segurança. estabilidade política.. Informações e idéias congru- entes com os interesses econômicos. em termos de aplica- ção de capital. por outro lado. vivida há poucos anos. quando tivemos a oportunidade de permanecer uma semana em Rio Branco. paz social. o estado do Acre tem algo em torno de 10% da população de Santa Catari- na (5. Dizem respeito à ordem. uma rede de televisão.5% do número de municípios (293 contra 22) e. Áureo Moraes Televisão. educacionais. Relações entre cultura.

Logo. mais precisamente as TVs Coligadas e Cultura e. cinco. as duas capitais têm o mesmo número de empresas. Era um período em JORNALISMO EM PERSPECTIVA 144 . ambos. Em momen- tos distintos. Ou seus administradores eram pro- prietários de outros negócios aos quais foi incorporada a emissora ou seus membros estavam ligados a grupos políticos. têm uma realidade muito semelhante: só para ficar no caso das emissoras de televisão. catarinenses e acreanos. tendo como referenciais as relações estreitas entre seus proprietários e os governantes da época. longe de aten- der às demandas de uma população. baseado nestas relações. O contexto da televisão no estado pode ser situado em três dimensões: a histórica. ainda que a realidade sócio-econômica seja incomparável. não se trata aqui de requerer uma redução lá ou uma ampliação cá. Ou até am- bas as situações ocorriam simultaneamente. em termos de veículos de comunicação. mas de constatar que. Cada uma a seu tempo foi formada a partir da realidade política nacional e estadual. o que chamou a atenção foi que. a atuação dos agentes políticos e das forças do capital transformam o quadro das comunicações num universo em que. E é só. Em regra. E em Santa Catarina não haveria como ser diferente. ao nosso ver. o que está em jogo são inte- resses de grupos. a TV Catarinense. situaremos as pionei- ras. Em relação à primeira das dimensões. a empresarial e a profissional. cada uma delas cumpre a função de explicitar em que medida é peculiar o papel da TV no cotidiano dos catarinenses. sabida- mente. seja o do capital. falar da televisão como negócio deve. a constituição de tais empresas reunia os com- ponentes familiar e político. Nesta perspectiva. Longe de qualquer interpretação pejorativa. a de que o veículo ao longo dos últimos 50 anos sempre se pautou por esta relação in- tensa com o poder. partir desta condição consolidada. mais adiante. seja o do Estado. Aliás. o modelo de concessão e autorização do funcionamento é.

Vivia-se então uma era de transformações tecnológicas. com alguma experiência em rá- dio. fazer TV era missão das mais difíceis. Funcionava ainda o sistema de programa- ção jornalística vinculada ao nome do anunciante. formação profissional restrita. de certo modo. tem seu reconhecimento no que se refere ao caráter de pioneirismo em si mesmo. o poder 2 A História da TV Coligadas de Blumenau – Joni César Tomazoni – disponível no site do LAMCE (http://www. Neste contexto – histórico e político –. a histórica. vale dizer partidário. o meio TV já não despertava tanta desconfiança nem era mais alvo de grande descrença. O próprio mercado de anunciantes era emergente e.pdf) JORNALISMO EM PERSPECTIVA 145 . receber a concessão implicava em fazer concessões. exibido pela TV Coligadas logo no início de suas transmissões e relatado no trabalho de Joni César Tomazoni2. a empresarial. a partir dos anos de 1960/1970. Assim. O capital montava a empresa. Exemplo disso era o Jornal Malhas Hering. Ainda que na sua origem muitas das emissoras tenham surgido a partir da associação de empreendedores. assu- mindo o lugar de protagonista que antes cabia às emissões radiofô- nicas. Falemos agora da segunda dimensão.cehcom. o regime de con- cessões e autorizações de operação passou a ser gerido pelo com- ponente político.br/lamce/impressao/livro21. Muito antes pelo contrário: iniciava-se o pro- cesso de consolidação de sua ação junto ao grande público. por razões inclusive tecnológicas. Invariavelmente ligadas a famílias. uma experiência adequada a espíritos empreendedores. multiplicaram-se as conces- sões. ainda captadas em câmeras de película. sobre cuja linguagem foram acrescen- tadas as imagens. descrente dos resultados que o veículo então em surgi- mento poderia oferecer. restando pouco que se possa avaliar desde o ponto de vista da gestão do negócio. Esta dimensão. modelo farta- mente adotado pelo rádio de então. Com uma forte ascendência do rádio. Equipamentos caros.univali.que. as emissoras funcionavam a par- tir da lógica oligárquica.

Deputados. Aos ini- migos. a implantação de uma faculdade de jornalismo daria início ao processo que. Deste período é importante destacar situações emblemáti- cas. a programação jornalística refletia igualmente a circunstância em torno das relações entre estado e televisão. Aos amigos. Inaugura- ções. entraremos no que chamamos da terceira dimensão do contexto da TV no estado. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 146 . a totalidade dos profissionais atuantes em Santa Catarina. prefeitos. eram palavras um tanto distantes do exercício profissional. A pauta dos noticiários revelava-se absolutamente oficial. No caso de Santa Catarina. Mas o ambiente e seus vetores. Atua- vam como repórteres. A criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Consciência profissional. a fartura da presença no vídeo.político sustentava a conquista da autorização e. De outra parte. para a omissão. No âmbito da atuação profissional. Aqui. o anonimato. pro- fundamente ligados entre si. entrevistas coletivas e solenidades ganhavam destaque. em outros turnos. como as “listas negras” que freqüentavam redações. Pronto! Estavam criadas as condições para a promiscuidade ou. detinham o uso e o abuso da televisão. era ainda incipiente a ação política dos profissionais. Lembremo- nos de que o país ebulia neste período. atuação coletiva. Óbvio que a criação pura e simples de uma faculdade não foi a única responsável pelas mu- danças que o mercado de TV passou a experimentar. senadores. combinados. isenção. na melhor hipótese. como assessores. Em finais da década de 1970. ou vinham de outros estados ou eram gradu- ados em áreas como o Direito. apresentadores. com for- mação universitária. Muitos mantinham duplo vínculo. levaram às transformações. ambos garantiam a manutenção da relação por meio da atuação política nas esferas do estado. em 1979. empresários. redatores e. abriu novas e diferentes perspectivas no cenário da TV. de modo geral acabou por tomar conta do mer- cado da televisão a partir dos anos de 1980.

O Jorna- lismo funcionava com espaço físico reduzido.br: “Os primeiros anos foram de intensa par- ticipação na vida política do Estado. Pioneiro no estado. o Jornalismo da UFSC já nasceu rebelde. Ainda que se credite uma boa dose de idealismo e outro tanto de carências estruturais à primeira fase de implantação do Curso. Experiências ino- vadoras de programas e processos.” A realidade que se tinha. quando se formou a primeira turma. aproximando a população da TV. sua condição de protagonista no processo de mudança do negócio chamado TV ainda era tímida. a intenção de. em 1982. Sua vocação para a formação crítica. portanto. se a formação política estava em alta. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 147 . as chamadas pautas comunitárias. Mas. fazia dos profissionais ali formados jornalistas com conhecimento amplo do sentido da pro- fissão. Mas sua inserção no mercado de trabalho e. Conforme o histórico do curso no sítio www. críticos. socialmente preocupados e politicamente engajados. formar jornalistas. por exemplo. rigorosa e literal- mente. Os estudantes daquelas primeiras turmas possuíam o perfil de outros tantos de diferentes áreas do conhecimento na época: contestadores. até então. Em 1984 constatou-se a in- viabilidade de um projeto estritamente político e muitos professo- res deixaram a universidade. constataram-se deficiências nas áreas técnica e científica. Deste perí- odo houve frutos no mercado local de televisão. O curso que se tornara conhecido nacionalmente como inovador. mas acaba por se render ao inimigo. tinha poucos equipamentos e quase nenhuma estrutura laboratorial. viveu um período de desânimo. ele tinha no seu seio.ufsc. Forma-se como um combatente do estado de coisas. trazendo. e seguindo a agenda da nação. democratizando em alguma medida o acesso à informação.jornalismo. estabeleceu outras bases para a atuação dos profissionais que pas- sou a formar. pedagogicamente inovador. ocupando salas do prédio da Imprensa Universitária.

os profissio- nais passaram a agir com outros princípios. o Sindicato dos Jornalistas processa a inclusão de um grupo de pro- fissionais de televisão até então excluídos do reconhecimento legal. Somente por meio da con- solidação de um projeto de ação sindical baseado nos marcos legais existentes foi possível integrar ao Sindicato estes jornalistas. em meados dos anos de 1980. posicionada criticamente perante os aspectos legais do exercício profissional e engajada nas transfor- mações políticas em curso. o devido enquadramento de funções restritas aos jor- nalistas. O re- flexo no dia-a-dia dos repórteres da imagem foi altamente positivo: jornada de trabalho e salários adequados e. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 148 . O registro profissional. A partir de discussões e debates nascidos entre os alunos e professores se articulou. Vencidas as eleições para o Sin- dicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. àquela época. o MOS – Movimento de Oposição Sindical. legitimados a utilizar tal expressão. com outras condutas. um dos mais relevantes. em que a pura e simples eqüidade de tratamento tornou-os jornalistas. Algumas delas determinadas pelo fluxo do mercado. também houve mudanças. cri- aram-se ali as condições para superar o oficialismo sindical que se mantinha pelos favores do estado. Neste período. a conquista de uma dignidade profissional. E o reflexo se deu no dia-a-dia do negócio chamado TV. sem dúvida. A geração que atuava era mais atenta às questões sociais. Outro resultado dos primeiros anos da faculdade de Jorna- lismo da UFSC foi. outras pelo tipo de formação que passou a existir. Na fase derradeira dos anos de chumbo. Foi a partir da atuação da recém-eleita diretoria do SJSC que se passou a ter exigências hoje absolutamente banais. sobretudo. eram tratados nas emissoras como radialistas. Um movimento criado naquele ambiente de teimosa democracia. a remuneração devida entre outras conquistas. mais precisamente nos anos de 1988 a 1990. Trata-se dos repórteres cinematográficos que. No conteúdo apresentado. a jornada de trabalho.

Mesmo que se leve em conta o fracasso parcial do modelo de TV a cabo – decorrência da superestimação do mercado –. a bandeira utilizada levava à convicção de que somente pela redistribuição do modelo concentrado se obteria a efetiva democratização da comunicação. Se por um lado o fato gerou discus- sões do tipo “haverá mercado para todos”. há que se validar outras variáveis com tanta ou maior relevância. destacamos algumas considerações do professor Hé- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 149 . No início da última década do século XX. a implantação de outras esco- las de Jornalismo no estado. Ainda que se julgue que a nova realidade profissional tenha boa parcela de participação na transformação do meio TV naque- les tempos. Dizia-se em corredores e salas de aula. sua implantação le- vou à conclusão de que mais do que ser dono é possível ser produtor. no âmbito das emissoras de televisão houve um ex- pressivo aumento de profissionais com conhecimento da realida- de regional. provocada pelas mudanças tecnológicas. o negócio TV passou a sofrer com a crescen- te variedade de espaços de difusão de informações. que democratizar era distribuir as emissoras entre a sociedade. Novas abordagens. de outro é inegável admitir que. A título de conclusão. mais formandos. diferentes perspectivas de mun- do ampliam as opções do espectador. Seguiu-se ao Curso da UFSC. novos olhares. A saída. Mais escolas. mais adiante. que deter a concessão não seria de fato a melhor maneira de se chegar ao acesso universal. em um país cuja ordem política já não dependia dos generais. Nos anos de 1970 e 1980. a grande crítica aos meios de comunicação eletrônica era quanto à concentração de sua pro- priedade em poucas mãos. ressalvado que o tema estará sempre inconcluso. As TVs por assinatura ele- vam o número de pessoas com acesso a outros canais. mais oportunidade de consolidação de um olhar local sobra a realidade local. Como elemento de um discurso ideológico. Neste sentido. estava em se deter o modo de produção. a produção independente ganha for- ça. Viu-se.

. do Departamento de Jornalismo da UFSC em artigo publicado em 1998: “O mercado brasileiro de jornalismo movi- menta-se no sentido de forte competição.lio Schuch. e também de jornais e revistas.) A concorrência entre veículos jornalísticos não é. 5) oferta de novos ser- viços de informação.”3 Diante das três dimensões aqui propostas – a histórica. por empresas jor- nalísticas. 2) aumento da oferta de novas revistas semanais. 1998 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 150 . E determinante: no sentido de quem serão seus pioneiros. 6) intensificação da cobertura regional por veículos naci- onais. Não apenas no caso de veículos impressos como também nos eletrônicos. A TV Digital bate às portas como fato iminente. É uma falha que deve ser corrigida. já que o ambiente de concorrência que se estabelece no jornalismo deve ser melhor compreendido”. Hélio Ademar Schuch. imaginamos ser possível prever que elas persistirão daqui para o futuro. um fato novo. como se darão as relações de poder entre os agra- 3 Jornalismo e Mercado: análise da competição entre veículos jornalísticos. Tudo isso amplia as possibilidades de escolha da audiência. a empresarial e a profissional –. quinzenais e men- sais. seja de meios impressos. 3) aumento da oferta de novos jornais.. seja de meios eletrônicos. em si. Isso pode ser constatado pelos seguintes indicado- res: 1) surgimento de novos canais de televisão por assinatura. impressa ou via internet. 4) especialização da programação jornalística de emissoras de rádio e de televisão por assinatura. 7) intensificação da cobertura local por veículos regionais. Pode-se dizer que a atividade jornalística sob enfoque de mercado não é um as- sunto devidamente analisado e discutido nas escolas.(. Nesta competição os veículos estabelecem as mais diversas estratégias de ação. mas o que atrai atenção é o acirramento desta competição em anos recentes. a concorrência torna-se um componente decisivo na gestão das empresas que têm o jornalismo como negócio. XXI Congresso da Intercom.

que profissionais as escolas irão formar e que foco eles terão dian- te da nova tecnologia. Perguntas que outros cinqüenta anos nos ajudarão a responder. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 151 .ciados com a concessão dos canais digitais e os sem-concessão.

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do exercido de forma engajada ao praticado pela permuta do vil metal. tem um volume com lições extraordinárias sobre a prática do jornalismo. seja pela atualidade de suas apreciações. Tendo com o saudoso médico uma fraterna convivência. Qualquer abordagem que se faça sobre o jornalismo e a po- lítica exercidos em Santa Catarina nestes 174 anos de existência da imprensa não poderá prescindir dos escritos do professor Oswal- do Rodrigues Cabral. ao afirmar que a história da imprensa não pode ser desvinculada da história da política e dos partidos. passando pela mais ostensiva manipulação política. fru- to de seu pioneiro trabalho na instalação do Museu de Antropolo- gia da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi dos últimos pesquisadores o que mais se dedicou à leitura dos jornais e o que mais buscou documentos nos arquivos públi- cos e particulares para confirmar versões e fatos. foi definitivo. seja pelo conteúdo literário. Indagado certa vez so- bre a inexistência de um livro de sua autoria sobre a imprensa cata- rinense. “Ilusões Perdidas” é um desses livros a merecer leitura obrigatória dos estudantes de todos os cursos de Comunicação do Brasil. do talentoso escritor francês Honoré de Balzac. a coleção “Comédia Humana”. consegui alguns de- poimentos em conversas informais e entrevistas gravadas sobre temas polêmicos da história catarinense. Moacir Pereira Jornalismo e Política Apontada pelos círculos acadêmicos como um dos clássicos da literatura universal. Publicado em 1843. Ali estão denunciadas as várias faces do jornalismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 153 . um dos nossos mais festejados historiado- res.

os jornais tinham duas tendências claras. já mais acentuada com a marca do partidarismo. Jaime de Arruda Ramos. era a voz ativa da UDN. com uma bela ilustração em bico de pena. E. os principais jornais estabeleceram-se em Florianópolis. Os exemplos clássicos expressam de forma contundente este cenário predominante em inúmeros municípios. Ao longo do período monárquico. do líder pessedista Aderbal Ramos da Silva. Instalaram-se as principais emissoras de rádio. do líder udenista Irineu Bor- nhausen. a Rádio Diário da Manhã. defendia os interesses do PSD. Veio a ditadura getulista e com ela a censura do DIP (Depar- tamento de Imprensa e Propaganda) aos órgãos de imprensa. revelou este engajamento político ao declarar guer- ra aberta ao centralismo governamental. quando lançou o primeiro número de “O Catharinense”. A política sempre foi o nosso esporte. atirando pesado contra o Império. Res- tabelecida a democracia. Seguiu-se na República velha idênti- ca conotação. Sobre estes três diários há singulares registros históricos. subordinadas às principais correntes de pensa- mento: liberal e conservador. Jerônimo Coelho. na maioria delas. o arqueiro da justiça. Proclamou em 1975: “A imprensa de Santa Catarina nunca se desvinculou da política. Enquanto o PSD defendia os governos pessedistas pelo jornal “O Estado”. Os jornais assumiam até no frontispício a condição de órgãos de atua- ção partidária. de maneira que os jornais sempre viveram em função da política e dos partidos”. disparava con- tra o PSD e usava todos os escudos para promover a UDN em sua JORNALISMO EM PERSPECTIVA 154 . e seu irmão. A Rádio Guarujá. a atuação partidária. em “O Estado”. valendo-se do pseudônimo Guilherme Tell. Dois excepcionais jornalistas atuavam em trincheiras opostas: Ru- bens de Arruda Ramos defendia o PSD e atacava a UDN na famosa coluna “Frechando”. ou pelas páginas de “A Gazeta”. a UDN fazia o mes- mo no jornal “Diário da Manhã”.

. A disputa sequer arranhou a fraterna amizade que cultivaram durante toda a vida. Uma prática que marcou os períodos eleitorais em Santa Catarina deixou de existir há anos: semanários. em “A Gazeta” ou no “Diário da Manhã”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 155 . Os gladiadores podiam tudo. O matutino “A Gazeta” teve forte presença em Florianópolis durante anos. o advento da televisão. garantem os filhos da notável du- pla. O fato é que Rubens e Jaime não faziam concessões partidárias. Acometido pela doença que o vitimou. Fundado por Jairo Callado. O acordo.prestigiada coluna “Tim Tim”. segundo os críticos de plantão. E seguiu acompanhado do irmão Jaime. partidos e empresas com objetivo específico de fazer o marketing de seus candidatos. A irmandade exigia de ambos fina ironia. E que desapa- reciam imediatamente após o término das eleições. Na fase final. o temível adversário na mídia. Os governos mudam. marca atuação de vários veículos neste início do século XXI em diferentes municípios do Estado. menos xingar a mãe. era mais folclórico do que real. mas esgrimavam com catego- ria e elegância. que foi abandonando gra- dativamente essa forte atuação partidária para assumir uma postu- ra mais profissional e isenta. teve o comando de Mar- tinho Callado Júnior.” Situação que.com as oposições.. Rubens teve que viajar ao Rio de Janeiro. Versão que corre há decênios nos meios jornalísticos revela que Rubens e Jaime tinham um pacto. Como dependia quase sempre das verbas go- vernamentais. A instalação do curso de Jornalismo na UFSC consolidou esta tendência. mas eles permanecem sempre na mesma posição. A chegada de novos jornais. o fim do pluripartidarismo e as novas tecnologias em todos os veículos mudou o perfil da imprensa catarinense. que acrescentavam “. usando o pseudônimo “Tim Tim”. quinzenários e até diários criados por candidatos. estilo lite- rário e alto nível em todas as batalhas. ostentava “Um jornal sem liga- ções partidárias”. era alvo de tiradas irônicas dos concorrentes.

eis que. sejam elas auto- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 156 . muitas vezes exercido como missão. sejam eles econômicos. os jornalistas políticos sentem-se mais contingenciados. O repórter político. E estas. Mas também. limitam o jornalismo político: a cobertura das campanhas eleitorais e as múltiplas pressões sobre os profissionais. Enquanto os cronis- tas esportivos realizam-se plenamente nos grandes eventos – cam- peonatos e olimpíadas –. A fase mais recente vai identificar os jornais na busca de uma postura mais profissional na linha editorial e na cobertura política. Sacrificada. Nas eleições. De um lado. na investigação e na qualidade da impressão dos jornais de Florianópolis e de pratica- mente todos os diários das principais cidades de Santa Catarina. uma vez que a cobertura tradicional tem se limitado aos fatos e declarações oficiais. Este fato acaba empobrecendo a análise política. enfim. Dois fenômenos. nos bastidores. a propagação de mensagens que atuem na promoção humana. São visíveis os avanços técnicos na edição. proclamação de valores e direitos. registrará fatos e ouvirá depoimentos que ampliam suas informações mais amplas de acon- tecimentos nos bastidores. transmitindo toda a emoção vivida na cobertura. O jornalismo constitui atividade profissional realizadora. antenado. pela possibilidade de presta- ção de serviço público. defesa de princípios. o comentarista político é exigido em todos os ambientes que freqüente. Ao demitirem seus comentaristas políticos. contudo. as redes de te- levisão e os jornais alegam sempre “contenção de despesas” ou “mudanças editoriais”. pela exigência de plantão permanente nas 24 horas do dia. Mas. registra-se um paradoxo. porque muitas vezes incompreendida. sobretudo no jornalismo político. O analis- ta político não sobrevive sem boas fontes. combate a toda forma de desonestidade. as informações se mul- tiplicam sobre motivação política na origem da decisão. parti- culares e até sociais. penosa e sacrificada.

no seg- mento político. é extremamente delicada. afinal. viveu períodos distintos nestas cinco décadas. o Sindicato viveu fases distintas de sua trajetória. Era a primeira seleção destinada a transformar a entidade na representação efetiva dos jornalistas catarinenses. Com a regulamentação profissional imposta pelo Decreto- Lei 972/69. O Sindicato dos Jornalistas.ridades. como ética e responsabilidade social. o nível de investigação do jornalismo praticado no Estado. dos primeiros associados vai encontrar número eleva- do de comerciantes. amanhã podem ser alvo de avaliações crí- ticas ou até denúncias de ocorrências que as envolvem em práticas condenáveis pela sociedade. a nominata dos fundadores e. parlamentares ou dirigentes partidários. oxigenado por dois privilégios conferidos pela legislação: jornalistas tinham des- conto de 50% nas passagens aéreas e gozavam de isenção do im- posto de renda. Esta relação jornalista-fonte. iniciou-se um processo de depuração. se hoje são altamente qualificadas e freqüentam as colunas com registros positivos. Uma delas deu prestígio estadual e pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 157 . Uma comissão mista designada pelo Ministério do Trabalho fez uma profunda tri- agem. Antes e depois da regulamentação. Por isso mesmo. profissionais liberais e até intelectuais que não praticavam o jornalismo e que buscavam o registro na época para o desfrute dos benefícios legais. porque pode implicar num envolvimento comprometedor pela proximidade ou num dis- tanciamento limitador das informações. As comemorações do cinqüentenário de fundação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina oferecem uma oportuni- dade singular para debates e reflexões em torno destas questões pro- fissionais de real interesse coletivo e abordagem de temas sempre relevantes e atuais. sobretudo. em todos os ní- veis. a falta de unidade da classe e a representatividade restrita das entidades de classe. mantendo no Sindicato apenas os jornalistas registrados nos termos da legislação. Começou forte e numeroso.

João Borges de Souza e Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (Rio Grande do Sul). Entre eles. O Sindica- to instalou delegacias em quatro municípios. Eleito pelo voto direto dos companheiros de todo o estado. Aprovado pela assembléia da categoria. Dentro do estado. num dos episódios mais dramáticos de nossa história recente. des- de que o Brasil foi sacudido com a morte do jornalista Vladimir Her- zog. Dela me recordo com saudade e emoção. Alguns testemunhos insuspeitos dos presidentes e direto- res dos Sindicatos de vários Estados. pelo engajamento deter- minado em todas as lutas contra a censura e pelo restabelecimento da ordem jurídica no Brasil. subscrevendo todos os documentos nacionais da classe pelo restabelecimento da liberdade de imprensa e da democracia. que revela as intensas e proveitosas atividades do período. Nos congressos nacionais e conferências. atestam a riqueza política e intelectual desta época. na cerimônia de transmissão do cargo.jeção nacional ao jornalismo catarinense. jamais titubeou em avalizar apoio a moções e documentos que denunciavam atenta- dos contra o exercício profissional e enfatizavam a volta da consti- tucionalidade. o sindicato catarinense alinhou-se à his- tórica luta do Sindicato de São Paulo contra a censura imposta pelo AI-5. Dídimo Paiva e Washington de Melo (Minas Gerais). Joesil de Barros (Pernambuco). cito com respeito o nome do corajoso amigo e bravo companheiro Audálio Dantas (São Paulo). Em primeiro lugar. Mauricio Azedo (Rio de Janeiro). Derrotado na tentativa de reeleição. orgulho e sentimento do dever cumprido. com uma atuação nacional sem precedentes e uma produtividade estadual até hoje não suplantada. tive o privilégio de presidir o Sindicato dos Jornalistas de 1975 a 1978. Armando Rolemberg (Brasí- lia). ofereci aos colegas um relatório resumido de fim do mandato. várias frentes foram atacadas. para viabilizar a regu- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 158 . mostra uma trans- formação inédita.

o jornalista Fernando Morais. ressalte-se.lamentação profissional. tinham sempre casa cheia. Um produtivo debate foi realizado após a exibição do filme “Todos os homens do presidente”. conquista que já era uma realidade no Rio Grande do Sul. em cooperação com a Assembléia Legislativa. São Paulo e outros estados. sobre o famoso caso Watergate. uma cartilha sobre todo o processo de registro e sindicalização. que levou o presidente Ni- xon à renúncia. base- ado no livro denúncia dos jornalistas Bob Woodward e Carl Berns- tein. Editado o livro “Hipólito da Costa”. para prestação de assistência odontológica e médica. para o segundo lançamento nacional de seu livro “A Ilha”. O Sindicato trou- xe a Florianópolis. A programação cultural não foi desprezada. do jornalista Adolfo Zigelli. Várias entidades de classe e empresas privadas passaram a contra- tar profissionais registrados para edição de jornais e revistas. e do Prêmio Imprensa. Eventos que. Promoção dos prêmios Jerônimo Coe- lho de Reportagem. que depois tornou-se best-seller. Propôs na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho o primeiro acordo para fixação de piso salarial. As três principais empresas jornalísticas de Florianópolis assina- ram acordo de piso de três salários mínimos para cinco horas de jornada diária. Editou o livro “Jornalista-Orienta- ção Profissional”. Data desta fase uma constante atuação na Delegacia do Mi- nistério do Trabalho para o efetivo cumprimento da legislação. com a presença efetiva de companheiros de várias ten- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 159 . até sob protestos de alguns colegas conserva- dores. o que permitiu a ampliação de sua base de oito para dezessete municípios. com a Ciclo e com a Medisan. na edição de “O Estado”. Homenageado o saudoso repórter Rodolfo Sullivan. Audálio Dantas participou de noite de autógrafos de seu vitorioso “O Circo do Desespero”. além de outros benefícios. Foram assinados convê- nios com a Caixa de Assistência dos Advogados da OAB.

Raimundo Caruso. que trouxeram a Santa Catarina nomes destacados da imprensa nacional. que teve a participação dos jornalistas Aluízio de Amorim. Ivani Borges. e uma edição do Encontro da Imprensa Catarinense (Chapecó). Seminário Internacional de Jorna- lismo. Sérgio Motta Melo (Rede Globo). Paulo”). Paulo”). Sérgio Bonson. em Florianópolis. Foram lançadas quatro edições do jornal “Encontro”. José Marques de Melo (USP). Laudelino José Sarda. Villas Boas Correa (“Jornal do Brasil”). e o 1º. Idealizadas e realizadas duas edições da Semana Catarinense de Jornalismo. o que aconteceu em Florianópolis em 1979. ganhou destaque por último a articulação para criação do curso de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Hélio Fernandes (“Tribuna da Imprensa”). em Santa Catarina. O Sindicato ganhou tanto prestígio de congêneres do país que obteve aprovação. Coroando estas realizações. o Jaguar (“O Pasquim”). que contou com a presença dos jornalistas americanos Bru- ce Wandler (“The Washigton Post”) e Roberto Sullivan (“The New York Times”). Lourenço Cazarré. Rivaldo Souza. Fernando Morais (“Veja”). Imara Stailbaun. Depois de aprovar moções em todos os eventos promovidos pelo Sindicato. Bento Silvério. César Valente. órgão oficial do Sindicato. Luiz Antônio Soares. José Carlos Soares e Rosamaria Urbanetto. Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles (PUC-RS). a Diretoria iniciou entendi- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 160 . Jandyr Corte Real. tive- ram a maior repercussão na comunidade e contaram sempre com platéias expressivas. Eventos que. como Cláudio Abramo (“Folha de S. à proposta de realização da 12ª Conferência Nacional dos Jornalistas. Sérgio Jaguaribe. Elaine Borges. e nos congressos e conferências nacionais. Ores- tes Araújo. enfatize-se.dências ideológicas e partidárias. Eurico Andrade (“Veja”). por unanimidade. Ricardo Kotscho (“O Esta- do de S. Flávio Sturtdze.

Durante mui- tos anos. Marcou o mandato com a conquista da carta sindical. com uma característica singular. Enfrentou um período de dificulda- des. Ali. foi o se- gundo presidente. Foi sucedido por seu secretário. figura humana de extraordinária comunicação. po- líticos e culturais. Na 1ª Semana Catari- nense de Jornalismo. Homenageado com a denominação de “Príncipe”. Sua principal realização foi a aprovação do Estatuto do Sindicato. fato que viabilizou sua reeleição por novo mandato. a garantia de um sistema de assistên- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 161 . foi possível resgatar alguns dados dos diri- gentes sindicais. generoso com os amigos e muito bem relacionado com os poderes constituídos. Martinho Callado Júnior mesclava ativi- dades profissionais com a militância no Partido Democrata Cris- tão. instru- mento legal que permitiria o pleno funcionamento da organização profissional. pelo esti- lo elegante com que escrevia. Primeiro presidente. transformou-se o único empregador a dirigir um sindica- to de empregados no Brasil. consolidando a obra dos fundadores da Associação Cata- rinense de Imprensa. sigla que mais tarde o elevaria ao cargo de secretário da Edu- cação do governo Celso Ramos. O jornalista Alírio Bosle exerceu dois mandatos com uma fixação: a união da categoria. a semente plantada anos antes. mas teve o mérito de manter a classe unida e prestigiada. o jornalista Adão Miranda. Jairo Callado. que se comprome- teu em acolher as reivindicações e viabilizou a instalação do curso através de vários atos assinados em 1978. Tratou de dar à entidade a marca sindical. Gustavo Neves assumiu a presidên- cia em 1961. Sua presença no comando da entidade representou dignidade e prestígio para o jornalismo. diretor proprietário de “A Gazeta”. marco do ciclo de eventos profissionais. foram lembrados todos os ex-presidentes.mentos com o reitor Caspar Erich Stemmer. com o auditório lotado.

Ação posterior do jornalista Cyro Barreto naquela unidade da Marinha resultou no cancelamento do veto à Moacir Pereira. Intimado na véspera da posse. onde era constante e numerosa freqüência dos jornalistas e radialistas. O delegado. aprovado pelos sócios de outros jornais. Credenciado na área pa- tronal e com trânsito nas agências de propaganda. retardara a notícia na espe- rança de vê-la revogada. e a atuação harmônica entre os Sindi- catos dos Jornalistas e dos Radialistas. Ciro Belli Muller. que controlava pelo Serviço Secreto as liberações de candidatos às elei- ções sindicais. Motivo alegado: o jornalis- ta havia sido confundido com um homônimo. onde atuava há décadas. Distrito Naval. mas não assumiu. por suas fun- ções exercidas no “mais antigo diário de Santa Catarina”. Foi eleita chapa única. Batalhou durante muito tempo até fundar a Casa do Jornalis- ta. o advogado Moacyr JORNALISMO EM PERSPECTIVA 162 . Osmar Schlindwein foi eleito pela totalidade dos associados. comerciais e administrativas. companheiro de excelentes relações com a redação de “O Estado”. montada de comum acor- do com várias correntes. na época com sede em Florianópolis e maior unidade militar de Santa Catarina. sobretudo. Moacir Pereira. seu conterrâneo de Brusque. tendo como candidato a presidente o jornalista Osmar Antônio Schlindwein. dando- lhe caráter mais social e cultural. onde cum- pria várias tarefas jornalísticas. obteve a cessão por em- préstimo de um casarão na rua Vidal Ramos. Fato inédito na história do Sindicato aconteceu na sucessão de Alirio Bossle. havia cassado a posse do presidente Osmar Schlin- dwein e do suplente da diretoria. destinada a abrigar todos os profissionais da imprensa. a integração entre patrões e empregados tendo como parâmetro a prestigiada Associação Riograndense de Imprensa. compareceu na sede da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho. O 5º. Graças às excelentes relações com o então governador Ivo Silveira. que coorde- nava por lei todo o processo eleitoral.cia social aos mais idosos e.

o registro profissional mantido como exigência legal. exigência do De- creto-Lei 972/69. pelo congraçamento de todos os profissionais e pela criação de um curso de Jornalismo. ao contrário. Quando. prometi lutar pela eliminação da censura prévia oficial. os demais membros da Diretoria decidi- ram então eleger Antônio Kowalski Sobrinho. em que proclamava a certa altura: “Quando a imprensa curva-se diante das benesses do poder. Tive o prazer de pronunciar discurso perante autoridades. Schlindwein teve cas- sação definitiva e jamais exerceu a presidência do Sindicato. a cidadania entre- ga-se aos azares do arbítrio.Pereira. pende para o partidarismo e vincula-se a interesses de grupos. o aper- feiçoamento promovido por incontáveis promoções de interesse profissional e público. ela assume seu verdadeiro papel reafirmando os direitos e garantias individuais. a categoria demonstrava mais prestígio e união e estava oficialmente criado o Curso de Comunicação-habili- tação em Jornalismo pela UFSC. Nova revisão dos registros profissionais. Criado o impasse. pelo piso salarial. pelo aprimoramento e unidade da clas- se. na rua Conselheiro Mafra. José Carlos Soares. o piso salarial conquistado. pelo cumprimento da regulamentação pro- fissional. concluído o mandato. relatava que o AI-5 estava sendo guilhotinado definitivamente. que viria a ser mais tarde inquieto repórter policial e leal assessor de Esperidião Amin em várias funções públicas e dois mandatos de governador do Estado. colegas e convidados. Ao assumir a presidência. foi um dos marcos da gestão de Kowalski. ex-vereador do PTB. fichado no Distrito Naval por atuar na concessão de benefícios aos pescadores. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 163 . Três anos depois. dedi- cado e competente redator que fez carreira desde menino na anti- ga redação de “O Estado”. o Zico. o vice. quase sem- pre ao lado do inseparável amigo e vizinho. para o lugar do jornalista impugnado.

difícil. cremos haver chegado a um grau elo- giável de conscientização profissional no jornalismo catarinense. os ideais de um entendimento amplo com a concessão da anistia reparadora de punições injustas. dizia há 27 anos: “Gratificante. O Brasil dá um magnífico exemplo ao mundo. as mensagens elo- qüentes pela melhoria das condições de vida de todos os brasilei- ros. Diria que a nenhum jornalista seria lícito negar o exercício de tão sacrificada. os desejos de justiça social. sim. impondo juridicamente as regras do equilíbrio entre liberdade e autoridade”. os apelos pelos direitos dos cidadãos. Prosseguia a manifestação de despedida: “Como fruto des- sas lições e enunciados. mas realizadora missão. pessoal e profissional. uma magnífica oportunidade de enrique- cimento político. foi a experiência que termina.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 164 . todos vivendo sem dis- criminações”. sob todos os títulos. aí. O exercício da presidência de um sindi- cato constitui. que pautaram as ações do Sindicato dos Jornalistas nestes três anos. penosa. enfim. tendo na pre- sidência da República um retirante nordestino que forjou toda sua formação na luta sindical. de política e de cidadania. Ao concluir o mandato. onde são marcantes hoje os anseios de democracia. realmente. protege o cidadão e segura o Estado. Estes postulados sopram como vento nas redações. Na realidade. incom- preendida. o firme propósito de ver os irmãos unidos e mais próximos. esta jornada sindical constitui-se na melhor escola de formação de liderança.disseminando princípios democráticos e espalhando valores hu- manos e cristãos.

Jacques Mick Jornalismo em cima do muro Uma metáfora político-arquitetônica é evocada com freqüên- cia para defender a autonomia dos jornalistas: é com um muro imaginário entre o departamento comercial e a redação que a ca- tegoria separa os interesses distintos. noutros é delgada e porosa. o jornalismo econômico. um embaraço no meio de um caminho que. deveria estar livre. Essa relação de confronto/confluência de interesses cerca. ainda. noutros. O muro demarca territórios. editores. mas deontologicamente expres- siva) tenta dar conta da complexidade da relação. orientado pelo interesse público. assessores de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 165 . segrega a gerência comer- cial e simboliza a hegemonia de um jornalismo que. O texto é especulativo e ampara-se em res- gate histórico. Quando anuncian- tes interessados em aparecer bem na imprensa encontram em- presas jornalísticas ou profissionais dispostos a agradá-los. A imagem (pobre de estilo. A parede é mais espessa e alta em certas editorias ou veí- culos. Fendas. na observação crítica da cobertura do setor dos últimos quinze anos e no diálogo com repórteres. é simplesmente um falso obstáculo. quando não rivais. à sombra de tais jogos de pressão. particularmente. vãos. na concepção dos transeuntes. túneis. nas práticas orientadas pelo profissionalismo e pela ética. escadas. de cada um desses setores. providenciais espaços de conexão entre os terri- tórios favorecem a confluência de interesses comuns ou o contra- bando. não se vende. na revisão teórica de conceitos de jornalismo eco- nômico. o muro se dissolve. Este capítulo analisa a profissionalização da cobertura eco- nômica na história recente da imprensa catarinense.

como o papel desempenhado pelas assessorias de imprensa e as novas formas de envolvimento com a mídia adotadas pelo empresariado. A argumentação está desdobrada em duas partes. apresento uma interpretação da história recente do jorna- lismo econômico em Santa Catarina. Sou grato também às críticas apresentadas pelos professores Gastão Cassel. Foram entrevistados e/ou opinaram sobre os originais Aluízio de Amorim. me parecem relevantes para compreender limites e potencialidades do jornalismo econômico praticado no estado. A rotina da editoria envolve ouvir vendedores e compradores. Eli Diniz. – aos quais agradeço. empresários (mais do que trabalhadores). falar de política.imprensa e/ou empresários que contribuíram para que a área al- cançasse o status que detinha em 20041. A cobertura do setor se desenvolveu nos anos 1970. como anotam Basile (2002) e Cal- das (2003). como reação à censura: falar de economia era uma maneira disfarçada de. derivados da revi- são histórica. de modo a delimitar mais pre- cisamente o objeto que será analisado na seqüência. Cláudio Loetz. Daisi Vogel. cobre os acontecimentos de dois universos inter-rela- cionados: o mercado e a política econômica. A consolidação do jornalismo econômico em Santa Catarina O jornalismo econômico. Na segunda. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 166 . Luiz Felipe Guimarães Soares. Sérgio Murillo de Andrade. Rogério Christofoletti e Samuel Pantoja Lima. Na pri- meira. proponho uma crítica em torno de temas que. Nenhum desses profissionais tem qualquer responsabilidade sobre os juízos de valor emitidos neste artigo. formuladores de políticas (mais do que suas vítimas). As adversidades da economia nacio- nal nas décadas de 1980 e 1990 contribuíram para evidenciar a 1 A escolha dos entrevistados foi apenas parcialmente aleatória: procurei personalidades ao mesmo tempo relevantes para a história recente do jornalismo econômico e acessíveis no prazo de 60 dias (contando Natal e Ano Ano-Novo) entre a encomenda e a entrega do capítulo. também. Silvio Melatti e Zuba Coutinho.

sem contar indexadores (como a URV). a inflação chegoujá foi de a 84. 3 Há jornalismo econômico em emissoras de rádio e TV e em veículos na internet. mas interpretar tais manifestações é objetivo inatingível nos limites deste texto. Nesse um quarto de século. 2003. 4 “Impresso em Blumenau e com boa circulação nas principais regiões do Estado. inclusive. p. que. O desen- volvimento do estado teve relação com suas características geo- gráficas e humanas (topografia acidentada. foi o primeiro diário impresso em offset no estado. em 1969.relevância das pautas dessa área para os cidadãos2 e transformar em celebridades jornalísticas os principais colunistas da área. em conseqüência. Em Santa Catarina. Somente então. desde a década de [19]70. sob diversas identidades3. foram ocupando em maior número as redações de jornais e emissoras de rádio e TV” (TERNES. Mas não é apenas no aspecto temático que jornalismo e mercado se relacio- nam: o crescimento do estado se refletiu também nas mudanças na estrutura de propriedade dos veículos de comunicação e. os primeiros profissionais de imprensa do Rio Grande do Sul. Joelmir Beting.32% no último mês do governo José Sarney. A história recente da imprensa catarinense tem como um marco a audácia do "Jornal de Santa Catarina". culturas de imigração). criado por iniciativa dos mesmos empresários que haviam inaugurado a TV Coligadas. que se concentra na mídia impressa. a cobertura se- torial surgiu e se consolidou. 85). nas iniciativas político-empresariais na disputa por leitores. como Luiz Nassif. o Jornal de Santa Catarina inovou os meios editoriais e jornalísticos de Santa Catarina. Aloysio Biondi. Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. o estado registrou intenso crescimento de sua economia. 2 Só mudanças de moedas. a variedade e a complexidade desse arranjo produtivo constituem um desafio permanente para a cobertura jornalística. trazendo. a partir de 1971. Escrito por uma equipe imigrante de repórteres4. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 167 . houve cinco no país entre 1986 e 1994. não é possível falar de jornalismo econô- mico antes dos 25 anos precedentes a 2004. em conexão com esse fenômeno. Celso Ming.

os US$ 5 milhões aplicados na modernização do processo produtivo foram aporta- dos por Dieter Schmidt. 2003)7. presidente do Banco do Brasil. p. o prêmio Fernando Pini. O jornal. 2003. Jorge Konder Bornhausen. este é um mérito a ser destacado. No final dos anos 1970. circulação e prestígio em todo o Estado” (PEREIRA. p.” (TERNES. 119). Ao lado do suporte dos grandes empresários. Numa imprensa em geral carente de brilhantismo. da Tigre. associado a Jor- ge e Paulo Konder Bornhausen. aliás. Osvaldo Colin (à época. a impressão em cores (TERNES. Os investimentos para a modernização tecnológica das em- presas jornalísticas incrementaram a articulação entre proprietári- os de imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 168 . preservando seu prestígio e a maior tiragem da época5. 5 “É na década de 70 que o ‘mais antigo’ registrará fase áurea. 105-106). assegurou ao diário o troféu de maior prestígio no setor. lideranças políticas e alguns dos maiores empresá- rios do estado. realizava-se a mais completa revolução numa empresa de comunicação do país. o AN investiu US$ 6 milhões para informatizar a redação e modernizar o parque gráfico. ex-presidente da Drogaria Catarinense. 6 Apolinário Ternes descreveu com superlativos o significado da inovação tecnológica para o diário de Joinville: “De um dia para outro. um quarto de século depois da edição. o BB financiou parte do em- preendimento) (TERNES. a partir de setembro de 1995. por exemplo. João Hansen Jr..Seu principal concorrente. Balta- sar Buschle. O Estado. p. da Buschle & Lepper. 88-89). de propriedade familiar. combinada com o apuro na rodagem. Em "A Notícia". e também pelo acionista majo- ritário e ex-prefeito Helmut Fallgatter. cuja repercussão e importância são lembradas ainda nos dias atuais. c1992. o que permitiu. 7 Uma década depois. o Santa passou ao controle do empresário Mário Petrelli. encon- trava-se o apoio político de Antônio Carlos Konder Reis. em termos de tiragem. e para marcar a data foi idealizado o mais arrojado projeto editorial da imprensa catarinense de todos os tempos: uma edição histórica. com total de 264 páginas. apri- morou o sistema de impressão dois anos depois. indicado por Bornhausen. em 33 cadernos e tiragem de 50 mil exemplares. da Tupy. 2003. é reconhecido pela excelência gráfica: a elegância do projeto. a partir de 31 de janeiro de 1980. A Notícia trocou a linotipo pelo offset em 19806.

já havia sido uma conquista da equipe. O DC nasce ambicioso e desde o início adota uma editoria robusta para economia. p. no ano do Plano Cruzado. Em 1986. desde o final dos anos 1970. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 169 . já não podi- am ignorar o impacto das decisões econômicas no cotidiano dos cidadãos-leitores8. A cartola "Economia" passa. com sete meses de distância um do outro. para caprichar na cobertura do mercado da região norte do estado. a acompanhar um noticiário predominantemente produzido por agências. quando surge o "Diário Catarinense". pelo direito à liberdade 8 Para os dados. com uma série de matérias sobre fraudes no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). enfeitado pela reprodução das colunas das estrelas nacionais do setor ("A Notícia" e Santa publicavam Celso Ming. "O Estado" veiculava Joelmir Beting). "A Notícia" vitaminou sua editoria de economia em 1992. 9 O primeiro fora recebido no ano anterior. cultivando suas fontes nos palácios e noutros ícones do poder quase dez anos antes da criação de editorias es- truturadas para a área. Das 40 páginas. que. os jornais catarinenses adotaram o discurso de que são pautados pelo interesse público. "O Estado" e "A Notícia"). com a pauta "Fraude em seguro lesa o BESC"9. oito. O fim do ciclo de adoção do offset coincide com o surgi- mento dos primeiros repórteres especializados na cobertura eco- nômica no estado. Pereira (1992. 1999. seis eram regularmente dedicadas ao tema e. As mudanças tecnológicas dos anos 1970 e o aumento da concorrência nos anos 1980 deram início ao que Moacir Pereira chamou de década da profissionalização (1992. p. mas o segundo Prêmio Esso Regional Sul recebido pelo veículo. 128). 80). AN e DC adotaram colunistas exclusivos de economia no mesmo ano. Por essa época. aos domingos. conceito que simbolizaria o rompimento com a tradição de vínculo direto entre os veículos e os grupos político-partidários que os criaram. em 1989. o estado ti- nha 72 jornais locais e três diários de circulação regional (Santa.

. A cobertura se diversificou. característicos de um jornalismo de fato orientado pelo interesse público.de expressão e pelo compromisso com a pluralidade de pontos de vista10. isso trouxe aprimoramentos na linguagem e na qualidade do trabalho de reportagem. substituindo ou acom- panhando os economistas que iniciaram o métier11. a opinião pública premia ou castiga”. O aprimoramento da cobertura econômica dos diários lo- cais foi apimentado pela concorrência com os principais jornais do 10 Tais valores são consolidados em manifestações de classe como a Declaração de Chapultepec. A primeira turma do Curso de Jornalismo da UFSC fora graduada em 1982. imparcialidade e eqüidade e à clara diferenciação entre as mensagens jornalísticas e as comerciais. que circulou com capa colorida e diagrama- ção em módulos desde o primeiro número. além de maior estabilidade na cober- tura. Entre outros avanços. Como resultado. acrescentando às pautas de política econômica e de vida empresarial o jornalismo de serviço ao consumidor e ao empreendedor e o acompanhamento de negócios. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 170 . mas a ban- deira da profissionalização levou à adoção de novos processos pro- dutivos. de tema periférico. pôde empregar profissionais formados em Santa Catarina.. isso significou que mais jornalistas profissionais passaram a acompanhar a área. Karam (2004) critica o cinismo do discurso. Os vínculos político-partidários permaneciam.) Em uma sociedade livre. desde sua criação. Na cobertura econômica. E a editoria de economia nos diários mais antigos beneficiou-se das inovações adotadas pelos veículos na programa- ção visual (incluindo a impressão em cores) para fazer frente à concorrência do DC. apontando circunstâncias em que a censura ou a argumentação silogística restringem a pluralidade de opiniões e/ou violam o interesse público. (. com repórteres familiarizados à temática. a economia passou a ocupar lugar central na edi- ção dos diários. na qual os empresários da comunicação afirmaram que “a credibilidade da imprensa está ligada ao compromisso com a verdade. acompanhando-a por longo tempo. 11 O DC foi o primeiro dos jornais catarinenses que. de 1996. à busca de precisão.

diários predominantemente econômicos voltados ao mercado local. surgiram e conquistaram mercado duas revistas especializadas no mundo empresarial. por exemplo. mas também o empresariado. Uma olhada para a lista das maiores empresas do estado em dois mo- mentos da história recente (1973 e 2004. Também nos anos 1990. os empresários e outras fontes da área econômica desenvolveram opiniões mais elaboradas sobre a co- bertura. a inovações tecnológicas e a iniciativas empresariais para preservar o meio ambiente. Paulo". Expressão e Empreendedor mostraram que era possível realizar uma abordagem competente do universo corporativo. A "Fo- lha de S. praticavam um jornalismo cuidadoso e. Deram relevância. o cader- no foi extinto em 2001. A "Gazeta Mercantil". Mudara o jornalismo. a práticas de responsabilidade social. manteve o serviço de 1989 a 1996. além de uma equipe de correspondentes. com um jornalismo investigativo capaz de perturbar proprietários de empresas ou governantes. seguramen- te. não havia leitores suficientes para tornar viáveis. Ao que parece.país. Nos limites dessa opção. em termos comerci- ais. Focavam-se nas boas práticas de gestão. selecionados aleatoria- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 171 . que entre meados de 1980 e 2000 tiveram sucursais em Flo- rianópolis para cobrir os acontecimentos de Santa Catarina. importante segmento da cobertura econômica. prestando informação útil a empresários e a novos empreendedores. Produto mais completo e denso do jornalismo econômico catarinense. Como saldo dessas transformações no mercado e no modo de produzir o jornalismo. O jornal "Indústria & Comércio" atuou no mercado catarinense durante poucos anos. por exemplo. mais aprofundado que os jornais diários. editava um caderno diário sobre a economia estadual. Eram pro- jetos cujo conteúdo era orientado por uma identificação entre os valores do veículo e os de seu público preferencial: nenhum leitor esperaria das revistas uma cobertura ácida.

Para 2004. Pesquisa de Schuch (1996) mapeou a percepção do empre- sariado catarinense sobre a ação da imprensa. o predomínio da gestão familiar foi substituído pelo das SAs. Julgam que não precisam da imprensa local . utilizam as in- formações da imprensa para traçar cenários e identificar os movi- mentos da concorrência. assim como a presença do capital estrangeiro. Os empresários. a partir de entrevis- tas com 19 representantes das maiores empresas do estado em 1995. 221-222). Ordem 1973 2004 Empresa PL (US$ mi) Empresa PL (US$ mi) 1 Hansen 35 Tractebel 900 2 Tupy 27 Sadia 517 3 Hering 15 Bunge 498 4 Consul 13 Embraco 270 5 Carlos Renaux 9 Perdigão 266 6 Teka 9 Weg 189 7 Battistela 8 Seara 142 8 Cremer 7 Maesa 119 Fontes: Para 1973.mente) mostra como se alteraram a composição e o perfil da elite empresarial: somente uma empresa permaneceu na relação (Em- braco/Consul). FGV (PL dolarizado pela cotação de 31/12/2003).mas que a imprensa local precisa deles. Há fontes empresariais que esperam JORNALISMO EM PERSPECTIVA 172 . limitando os contatos com a imprensa local às ocasiões convenientes para a estratégia de vinculação com a co- munidade. a exportação tornara-se variável-chave para o desempenho das empresas (Quadro 1). p. portanto. FGV (apud. MICHELS. São. zelosos quanto a informa- ções estratégicas (tanto quanto um governante gestando reformas no primeiro escalão). a agroindústria surgiu e consolidou-se. a indústria têxtil perdeu relevância. Global players preferem dar entrevistas para veículos nacionais. como os atores da política. 1998.

Repórteres incisivos são ainda rejeitados. Diferenciação semelhante efetuavam entre o pessoal das re- vistas especializadas e o dos diários. gerentes. sem os devidos critérios de checagem e que não espelham a realidade" (SCHU- CH. Nas mídias de circulação nacional identificavam principalmente maior correção na informação e critérios mais rigorosos quanto à checa- gem. "O jornalismo econômico é um instrumento auxiliar de administração empresarial. a frase indica o quanto podem ser reveladoras pesquisas sobre as representações do empresariado em relação à mídia. Os setoristas. evitando que matérias publicadas contenham índices (percentuais) e valores (monetários) distorcidos. especializados ou não em econo- mia. a falta de precisão e correção e.docilidade da imprensa. em relação aos da imprensa diária estadual ou regional. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 173 . estão mais bem informados sobre o que cobrem e procuram estabelecer relações profissionais com CEOs. já que. "pela posi- ção econômica do estado. diretores. Há que se ter. em geral. são as fontes que estão mais bem informadas sobre as fragilidades que 12 Lastimavelmente o autor não discute as implicações da subordinação do jornalismo econômico à administração de empresas. por serem "agressivos". Condenaram. Quando isso não ocorre. um cuidado revisional. O levantamento de Schuch constatou o predomínio de im- pressões positivas entre o empresariado quanto à importância do jornalismo econômico catarinense. às vezes. no entanto. 1996)12. assessores. o jornalismo econômico de Santa Cata- rina tem uma importância considerável". As fontes percebiam diferenças na qualificação dos repórteres dos jornais nacionais. mas agem com ela com o mesmo autori- tarismo com que conduzem seus negócios. mas colheu críticas duras aos diários do estado. de especialização do repórter. De todo modo. Os depoimentos destacaram a "melhoria das editorias econômicas dos veículos tradicionais". A natureza da crítica indica que a relação da imprensa com as fontes no mundo empresarial melhorou nos últimos 25 anos. no entanto.

simplesmente. Quanto a este último aspecto. de Criciúma. crítica). os veículos de circulação nacional operavam com freelancers ou deslocavam para cobertu- ras episódicas no estado repórteres e correspondentes do Paraná ou do Rio Grande do Sul. o "Jornal da Manhã". segmentadas. 41 mil exemplares. era simplesmente ir- relevante. por motivos que serão analisa- dos na próxima seção. detesta o mau jornalismo ou. Do confronto à convergência Em 2004. o estado de Santa Catarina tinha quase 6 milhões de habitantes. visibilidade que estimula devaneios de poder político. amenidades. Eram ape- nas dois os diários que buscavam o mercado estadual. de Chapecó. adquirido pelo grupo RBS em 1º de setembro de 1992.cercam o exercício da profissão e agem com mais tolerância dian- te delas. eles tinham poucas razões para alimentar rancores: a cober- tura econômica era bastante dócil. considerando o ta- manho da população catarinense: o Diário imprimia. mudou o formato para tablóide. Saldo da crise financeira que os atingira após o fim da parida- de cambial entre real e dólar. ambos com tiragens pouco expressivas. as revis- tas especializadas em economia haviam encontrado nichos especí- ficos de mercado. o DC e o AN. o "Diário da Manhã". ape- sar de suas tiragens inferiores a 10 mil exemplares: o "Correio Lageano". contra 32 mil de "A Notícia". Boa parte dos empresários aprecia coberturas positivas. assolado por imenso passivo e atola- do em vaidosa incompetência administrativa. de Itajaí. "O Estado". e o "Diário do Litoral" (Diarinho). o "Jornal de Santa Catarina". até 2004. comparação. em 1999. havia se tornado novamente um veículo de importância local. Ou- tro ex-standard. Nascidas como concorrentes. o jornalismo (investi- gação. conquistaram viabilidade financei- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 174 . em dias de semana. Quatro diários locais conservavam algum prestígio.

Em função dessas características dos competidores. caracterizado pela falta de pluralismo nas abordagens. é possível apontar o hermetismo na linguagem e o descuido com a 13 Expressão deixara de ser uma revista mensal para tornar-se um conjunto de seis anuários temáticos. Trata-se da aceitação acrítica das políticas econômicas e das declarações das fontes. criada em 1994. ao final de 2004. esta dependia de fatores tão voláteis quanto o desejo dos proprietários. além de apresentar as mais modernas e eficientes formas de gestão empresarial”. Analistas como Kucinski condenam o adesismo como falha crucial das abordagens. certo jor- nalismo econômico "se deixou ficar refém de cenaristas recorren- tes e tendenciosos. A ausência de distanciamento crítico está relacio- nada com outro problema: o fontismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 175 . baseados em conteúdo exclusivo (como pesquisas para a elaboração do ranking de maiores empresas da Região Sul e a definição de prêmios para empresas nas áreas de meio ambiente e inovação tecnológica). em cumplicidade com burocratas enrustidos e equivocados" . os diários dedicavam-se a controlar custos de produção. Exclu- ída a competitividade como motivador da qualidade dos veículos. Como aponta Beting (2003). para que coubessem em suas expectativas de faturamento.ra e puderam dar continuidade às premissas que orientavam a qua- lidade de seu jornalismo13. focara-se em “orientar e estimular os atuais e futuros empreendedores. a exigência dos leitores ou o empenho espontâneo dos profissionais. A julgar pelas críticas de empresários e intelectuais (e tam- bém pela autocrítica dos profissionais). não existia concorrência efetiva entre os veículos de im- prensa. Empreendedor. de todos os portes” ao “mostrar e ressaltar os empresários que estão inovando e agregando valores aos seus produtos e serviços. os avanços de qualidade registrados desde os anos 1980 mantiveram o jornalismo econô- mico desenvolvido pelos diários num patamar inferior ao que me- recem os leitores. Com tiragem e zonas de circulação cristalizadas havia vári- os anos. especial- mente as oficiais. Quanto aos materiais elementares de que é feito o jornal.

A sucessão de pautas-clichê (como a suíte no estado de temas nacionais. a política industri- al do governo federal. do diferencial.se limitam a refleti-las ou a ecoar as mo- das da administração.) revelava um jornalismo sem imaginação. em re- gra. na busca do inédito. Os jornais publicam muitas histórias. como a variação na taxa de desemprego. 73). Não antecipam tendências . Como notou Chaparro (1994. Parte das razões para tantos problemas encontrava-se nas características das organizações jornalísticas. O resultado era um material que. Erros banais revelam um jornalismo imaturo. euro e real. leva a confusões banais como a troca de milhares por milhões. padecia de falta de criatividade: a cobertura apresentava abun- dantes relatos sobre a vida das empresas. Uma variável cultural também pode ter influenciado a co- bertura econômica. os setoristas de economia tinham salários tão baixos quanto os demais. mas relativamente pou- cas abordagens decisivamente relacionadas ao interesse público. sensação que é agravada pela falta de profundidade: as coberturas usualmente não avançam na identificação de tendências. mas pou- cas são aquelas capazes de acrescentar conhecimento ao leitor. ou a confusão entre dólar. e disto por bilhões. significativamente al- teradas na década de 1990. lastimavelmente freqüente. a última pesquisa do IBGE.informação como questões recorrentes.. a cobertura se burocratizara. A falta de rigor na apura- ção e no tratamento da informação. Concepções militantes da profissão haviam sido JORNALISMO EM PERSPECTIVA 176 . Com estruturas limitadas e linhas telefônicas suficientes. Folhas de pagamentos enxutas e con- tas de telefone enormes eram a síntese contábil desse modo de fazer jornal. p. A profissão fora pauperizada e o trabalho de reporta- gem passara a ser feito por equipes cada vez mais jovens. mas eram mais exigidos.. Pouco jornalismo de serviço limitava o público da editoria de eco- nomia aos formadores de opinião. "os jornalistas das redações escre- vem cada vez mais sobre fatos que não observam e sobre assuntos de que não entendem". Além disso.

é provável que. Sob tais transformações no ambiente das empresas de co- municação. A percepção dos atores sociais teve seus sinais ideológi- cos alterados: empresários que no passado eram vistos pelos re- pórteres como adversários de classe passaram a ser reconheci- dos como agentes de desenvolvimento. Empre- sas em geral têm interesse em dar visibilidade a suas inovações. Assessores de empre- sas ou jornalistas de firmas especializadas em assessoria tendem a ter melhores salários e formação mais completa do que o pessoal das redações. Raramente trabalham aos domingos. socialistas. so- bretudo. a maioria trabalhasse em assessoria de imprensa. Redações não eram mais abrigo. a suas técnicas de gestão. A perda de prestígio do conceito de luta de classes e a hegemonia do liberalismo revigoraram a imagem dos empresá- rios. muito menos celeiro de anar- quistas. dentre eles. na veiculação de "notícias positivas". encontram apoio quando desejam continuar seus estudos (que jornal ou emissora de TV contribui com o pagamento de um curso de pós-graduação?)14. 14 Mais da metade dos jornalistas catarinenses não estava empregada em veículos de comunicação em 2004. Para equipes competentes de assessoria de imprensa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 177 .foram pro- gressivamente substituídos por concepções de harmonia. comunistas. Empresas jornalísticas também. os conflitos de interesse entre o jornalismo e os anun- ciantes . mas mais regulares. A profissionalização das assessorias foi mais veloz e abrangente do que a das redações. Havia menos entusiasmo quanto à contribuição potencial do jornalismo para as mudanças sociais (e menos ilusões). e ela se dá.que levaram à criação da metáfora do muro . o tra- balho ficara facilitado. mas não há pesquisas disponíveis sobre o tema. há convergência de interesses. Portanto. mas é apenas cínica) que identificava o jornalismo com um produto e com o mercado. tycoons do emprego e das oportunidades.substituídas por uma noção (que parece pragmática. a seus produtos. têm jornadas freqüentemente mais extensas.

transcrições in- tegrais. capaz de acertar o gol (ou passar perto) oito vezes a cada dez chutes: mesmo que o goleiro defenda. simplesmente. potencializando candidaturas de confian- ça15. pautas. Algumas empresas de assessoria de imprensa contribuíram para levar o entendimento de empresários em relação aos meios de comunicação a transcender o senso comum.O sucesso das firmas de assessoria de imprensa (ou das divisões especializadas dentro das empresas ou organizações de classe) é medido pelo aproveitamento do material enviado às redações. A organização do empresariado indus- trial se fortaleceu nos anos 1970 e se consolidou na década seguin- te. base para novos textos ou. para perseguir o objetivo de converter em interesse públi- co suas reivindicações corporativas. Há uma tecno- logia para a gestão de situações de crise. É como um improvável artilheiro. para blindar os principais executivos e preservar a imagem da corporação. Aprende-se que a qualidade da informação (e sua veracidade) tem relação direta com a imagem positiva da empresa. A repercussão das ações sociais de instituições como o Sesi e 15 A esse respeito. O padrão de relacionamento entre a Fiesc e a imprensa ilus- tra esse comportamento. O aproveitamento na íntegra é mais raro. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 178 . O media-training discorre sobre os limites do trabalho da imprensa. basta lembrar das sucessivas especulações dos colunistas políticos sobre a possibilidade de o ex-presidente da Fiesc Osvaldo Douat lançar sua candidatura a governador. a deputado federal ou a suplente de Jorge Bornhausen no Senado. como notas. mas empresas do setor somam 80% a 90% de utilização de seus releases. a torcida tem o que celebrar. A Fiesc adotou uma estrutura de assessoria de imprensa profis- sional. A ação do empresariado tam- bém explorou o prestígio de suas entidades de classe para proje- tar lideranças na mídia. esquematiza os "pecados capitais" cometidos pelos empresários na relação com os jornalistas (como pedir para ler a matéria antes da publicação).

consolidou a es- tratégia de relacionamento cordial com a mídia. que se esgota em poucos dias. o dono da loteria ameaça boicotar o veículo. dire- tamente ou por intermédio de suas agências de propaganda ou órgãos de representação. A criação do Prêmio Fiesc de Jornalismo Econômico. O boicote é praticado. é outra questão)16. apontando as refe- rências de qualidade profissional sob o prisma da entidade de classe. A cobertura do tema é interrompida. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 179 . ameaçando cortar verbas publicitárias. Um punhado de exemplos reais: a) o jornal banca uma série de reportagens sobre suspeitas de irregularidades cometidas num órgão paraestatal.o Senai contribuiu para revigorar a imagem do empresariado e de sua principal entidade representativa. especialmente diante de noticiário que os desagradasse. A notícia. Ainda assim. mergulhado em proble- mas financeiros. os embates diretos eram cada vez menos freqüentes. de uma fonte confiável mergulhada em uísque. a confirmação de que uma grande empresa local será vendida a uma multinacional. publica- 16 A pressão cresce quando interesses econômicos e políticos estão articulados para pressionar os jornais ou blindar determinados temas. Somados. o veículo fecha. ainda nos anos 1980. gran- des anunciantes faziam pressões explícitas sobre os veículos. c) um repórter que só bebe Coca-Cola ouve. Em parte como resultado dessas estratégias mais sofistica- das de relacionamento com a imprensa adotadas pelo empresaria- do. O exercício da barganha era cotidiano. A ameaça não é cumprida. Meses mais tarde. Articulado com outros empresários. O jor- nal mantém a abordagem do tema. b) o mesmo jornal aponta irregularidades nos sorteios de uma loteria. O órgão e seus congêneres pressionam a direção do veículo para que sus- penda a cobertura. e mais freqüente em momentos de crise (se ele produzia resulta- dos. os anúncios do poder público e dos grandes anunciantes representam pressão muito elevada sobre o veículo.

da dias depois, é negada com veemência pelo dono da empresa,
que ameaça o jornal. O proprietário do veículo decide apoiar o
repórter. Semanas depois, a venda é confirmada, nos termos exa-
tos da primeira notícia;
d) um vazamento de óleo de uma grande indústria afeta o rio
que abastece de água a cidade. Os prejuízos para a população são
dramáticos, mas a cobertura enfatiza a agilidade da empresa em
reconhecer sua responsabilidade e tomar providências para con-
ter o dano. A ação da empresa recebe mais destaque que o dano
em si. A agilidade da iniciativa, combinada ao fato de a empresa ser
um grande anunciante, elimina naturalmente as zonas de ruído com
a imprensa, que espontaneamente abandona sua função como por-
ta-voz do interesse público para repercutir a "responsabilidade"
social de quem se restringe a cumprir seu dever.
Em função do histórico de pressões, havia equipes que se
autocensuravam, rejeitando a hipótese de investigar denúncias con-
tra proprietários de marcas renomadas, driblando os dissabores
que anteviam. Em vez do "publique isto", prevalecia o "evite isto".
A gestão profissional da relação com a imprensa, a voluntária
contenção dos veículos no tratamento de temas espinhosos para o
empresariado, a pressão direta dos anunciantes, a ação estratégica
em momentos de crise - todos esses fenômenos tornaram mais
rara a prática do "jabá". Desde os pontos mais remotos da história
do Jornalismo houve repórter ou empresa que trocou diretamen-
te notícia por dinheiro. Hoje, o "jabá" foi diferido. O mais comum
dos fluxos envolve uma conexão entre o departamento comercial
e algum cargo elevado na redação. Surge quando o cliente pede à
agência de propaganda que interfira junto ao veículo para que pro-
videncie cobertura ao evento que constitui o objeto do anúncio ou
da campanha. A agência autoriza a veiculação dos anúncios (diga-
mos que se trata de uma verba de dezenas de milhares de reais) e
apresenta o pedido para o contato comercial. A "sugestão de pau-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
180

ta" chega à editoria e é gentilmente acatada, povoando o noticiário
de bobagens e irrelevâncias.
Há também o "jabá" miúdo e sedutor. Anunciantes pagam
viagens, distribuem brindes, fazem agrados. O catálogo de mimos
é vasto: agendas exclusivas com capas de couro, CDs, livros, ca-
lendários, canetas importadas e dezenas de objetos inocentes.
Organizam-se megaeventos de relações públicas, de cardápio fino
e farto. Oferecem-se viagens, e assim focas conhecem o Costão
do Sauípe, veteranos vão mais uma vez ao Salão do Automóvel,
hospedados em hotéis cujas diárias equivalem a vários salários mí-
nimos. É simplista afirmar que a generosidade compra simpatias -
assim como é ingênuo supor que, independentemente de tamanha
amabilidade, as empresas recebam o mesmo tratamento.
Em síntese, o problema ético continua muito vivo, especial-
mente na cobertura econômica. Poderia ser diferente, caso os jor-
nais afirmassem, nas negociações comerciais, seu compromisso
editorial com o interesse público - o que, definitivamente, não ocor-
re. (As crianças aprendem que um "não" pode ser tão amoroso
quanto um "sim", mas contatos comerciais não negam coisa alguma
a seus clientes.) A inexistência de uma cultura comercial que valo-
rize a autonomia do jornalismo não é, evidentemente, uma respon-
sabilidade do pessoal da redação, mas uma prática do veículo, de-
rivada da histórica relação com os governos e as grandes empre-
sas. E o interesse público?

Considerações finais
O muro entre a redação e o departamento comercial dissol-
ve-se nessa trajetória de convergência de interesses e aprendizado
mútuo entre jornais e suas fontes-anunciantes. A cobertura econô-
mica, no núcleo desta relação, é como um espelho mágico que, ao
mesmo tempo em que reflete o jornalismo de seu tempo, indica
antecipadamente a direção para onde caminham as práticas profis-

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
181

sionais. Ao final de 2004, a voz desse espelho descrevia, no fim do
caminho, a imagem de um muro metaforicamente derrubado e,
sobre os escombros, a coexistência de interesses outrora perce-
bidos como rivais.
A distinção entre o jornalismo econômico e o jornalismo
empresarial encontra-se na idéia de que um é supostamente orien-
tado pelo interesse público e o outro, claramente identificado com
o privado17. Como vimos, apenas excepcionalmente os diários, dri-
blando seus próprios limites organizacionais, alcançam excelência
na cobertura econômica. Cada vez menos os anunciantes impõem
censura, porque ela surge espontaneamente. Não há cultura co-
mercial para sustentar um jornalismo mais independente. Diante
disso, faz algum sentido o discurso de que os diários operam de
acordo com o interesse público?
Ao fazer jornalismo de qualidade com maior regularidade,
embora com o enfoque restrito dado pela identificação com o in-
teresse do empresariado, as revistas tornaram-se mais úteis a seus
públicos do que os diários. Afirmar claramente sua identidade de
valores com uma determinada categoria social - os empreendedo-
res - não impediu tais veículos de desenvolverem coberturas abran-
gentes e aprofundadas, no recorte temático imposto pela identifi-
cação. Tal recorte, entretanto, é insatisfatório para públicos não-
específicos. Ainda que a aproximação de interesses entre a im-
prensa e o empresariado seja acompanhada de um aprimoramen-
to na qualidade da cobertura do jornalismo diário, a autocensura, a
vulnerabilidade a pressões, a aceitação acrítica das técnicas de re-
lacionamento impostas pelas assessorias de imprensa continuarão
operando em desfavor do leitor.
Moacir Pereira concluiu seu livro sobre as conexões entre a
imprensa e a política em Santa Catarina indicando dois pontos em

17 Essa distinção merece análise mais aprofundada, desafio que escapa aos limites
deste capítulo.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA
182

que o jornalismo catarinense ainda teria muito a avançar. Um era a
ampliação das tiragens dos principais veículos, de modo a que se
tornassem compatíveis com o tamanho da população do estado.
O segundo era mais inquietação na busca da informação diferenci-
ada, para qualificar o produto. Tais desafios, como vimos, perma-
necem por ser superados, e dificilmente o serão sem um incre-
mento da concorrência entre os veículos capaz de romper a es-
tagnação provocada pela crise e pela acomodação dos diários. A
competitividade não pode ser vista como uma panacéia, mas sem
ela os avanços dependerão de fatores ainda mais complexos - como
a auto-organização dos leitores ou dos jornalistas para discutir o
trabalho da imprensa e reivindicar melhorias18.
Ao final de 2004, a fragilidade da imprensa regional (ainda
maior nos veículos locais) a tornava especialmente vulnerável às
pressões econômicas. O equilíbrio financeiro precário a levava ao
apelo permanente à generosidade dos órgãos públicos, ao assédio
aos grandes anunciantes, à mendicância nas portas das maiores agên-
cias de propaganda. A situação financeira dos diários do estado
permitia a seus donos dividir resultados, ao preço de um produto
burocrático, sem qualquer brilhantismo. A ausência de novos con-
correntes no mercado só agravava o paradoxo: veículos financei-
ramente frágeis não desenvolvem jornalismo independente e, ao
não fazê-lo, continuam frágeis19. Como produto, às vezes se asse-
melhavam a cadernos de classificados, embrulhados em jornal.

18 Para uma noção das resistências das empresas de comunicação a qualquer
possibilidade de controle social, basta evocar a criação do Conselho Federal de
Jornalismo, idéia que sequer pôde ser discutida em 2004 antes de ser soterrada
por uma eficaz ação do lobby do setor no Congresso Nacional.
19 É possível que a ausência de novidades no mercado posteriores à aquisição do
“Jornal de Santa Catarina” pelo grupo RBS, em 1992, se deva à recessão
econômica, combinada às taxas de juros elevadas, fatores que tornam arriscado e
desinteressante, para proprietários de capital, o investimento em atividade
produtiva.

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JORNALISMO EM PERSPECTIVA
184

Inovação e Perspectivas JORNALISMO EM PERSPECTIVA 185 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 186 .

contar a história do Sindicato. Os documentos são dispersos. especialmente sobre a primeira campanha de moralização da emissão de registros profissionais no estado. funda- da três anos antes. Gastão Cassel Muita história para contar (ou Uma história por contar) A história do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina ainda está por ser contada. No dia 13 de maio de 1955. preten- demos constituir um pequeno guia para quem se aventurar a tra- balhar num documento mais completo do ponto de vista historio- gráfico1 . que era sufici- entemente ampla para abrigar uma categoria que não tinha muitos 1 Há neste livro uma Linha do Tempo elaborada caprichosamente por Mário Xavier da qual foram retiradas várias referências para compor este capítulo. em Sindicato. Ao recuperar diversos episódios desse período. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 187 . alguns com registros incompletos. A memória da entidade não foi preservada nem sistematizada pelas diretorias que a dirigiram es- pecialmente nas primeiras três décadas dos seus cinqüenta anos. Este capítulo não pretende. A maior parte dessa história está guardada na lembrança dos seus personagens e precisa ser cruzada com algum tipo de registro oficial que lhes confira a exatidão e a precisão que a memória não consegue lhe emprestar. foi expedida a Carta Sindical que transformou a Associação dos Jornalistas Profissionais. em hipótese alguma. Nada poderia ser mais relativo na época do que a própria expressão “jornalistas profissionais”. Não é tarefa para um fragmento de livro relatar e conectar com seu tempo tudo o que ocorreu em meio século. A profissão era regulamentada por legislação de 1938.

sem referências que pudessem dar a ela um espírito de unidade ou mesmo uma noção de coletividade. era geralmente em Direito ou Letras.espaços efetivos para a formação profissional. hoje chamado de ITBI). Não se precisava muito mais do que vontade de ser jornalista para se obter um re- gistro profissional na Delegacia Regional do Trabalho. O Sindicato dos Jornalistas era uma espécie de avalista do passe para essas benesses com que se locupletavam pessoas que jamais haviam chegado perto de uma redação. mas é provável que o Sindicato nos seus primeiros anos de vida funcionasse como um balcão onde pessoas ligadas a esquemas de poder iam buscar declarações que facilitassem a obtenção do re- gistro no Ministério do Trabalho. do imposto inter-vivos (aquele pago quando se vende um imóvel. aposentadoria especial. Jornalista tinha isenção de Imposto de Renda. facilidade de acesso a financiamen- tos de casa própria e de automóvel. mas que obtinham com facilidade a documentação que os faria jornalistas de papel passado. E muita gente queria ser jornalista. O diploma não era uma exigência para exercer o jornalismo e talvez nem pudesse ser. Quando tinham alguma formação superior. e até tratamento especial na Justiça. Não encontramos registros que sustentem a hipótese. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 188 . Os jornalistas daquela época se formavam no calor das reda- ções de jornais e dos estúdios de rádio. Por estas e outras razões. tratava-se de uma categoria sem uma identidade própria. mas para usufruir direitos que a sociedade dava a quem tivesse registro. qualquer um virava “jornalista”. desconto de 50% em passagens aéreas (garan- tido por lei) e em passagens terrestres (por liberalidade das em- presas). Não pelo amor ao ofício de informar. uma vez que era escassa a quantidade de cursos universitários de jornalismo no país. Com uma declaração expedida por uma empresa de comunicação e o aval do sindicato.

chefe do SNI/-NAFL em Santa Catarina. As atividades do PCA não tardaram a ser estigmatizadas como “coisa de comunista” nas vésperas do golpe militar de 1964. mas alguns papéis deixados para trás mostram que ajudar os militares a perseguir jornalistas foi uma das práticas do Sindicato durante os anos de chumbo da história do Brasil. deputados. banqueiros. justamen- te brigando pela moralização da concessão de registros profissio- nais. Quem pesquisar essa fase da história da entidade terá que recorrer aos componentes do Primeiro Comando de Ação (PCA). Em 13 de agosto de 1968. Nesse tempo. O pessoal do Primeiro Comando fazia oposição à diretoria da entidade e era liderado pelos jornalistas Eurides Antunes Severo. O pesquisador precisará descobrir o que mais o Sindicato fazia. o jornalista Alírio Bosle. para “verificar fatos ligados à Reserva de Índios de Xanxe- rê”. entre 1955 e 1964. comerci- antes e até autoridades do clero. Erasmo Prates de Souza é Jornalista Profissional? O referido Jornalista é sindicaliza- do?. Melo Prates e ou- tros. recebeu a correspondência 663/68 do general Álvaro Veiga Lima. prefeitos. Jorge Cherem. que entre 1962 e 1963 lançou a primeira campanha pública do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Adolfo Ziguelli. mas estima-se que 70% deles eram ilegítimos.. incluindo secretários de estado. no período mais obscuro do Regime Militar.. O Serviço Nacional de Informações queria saber da vida do jornalista Erasmo Prates de Souza. O elenco de perguntas era objetivo: “O Sr. além de multiplicar o número de registros frios. presidente do Sindicato. na época. o sindicato tinha cerca de 400 filiados. era reche- ada de personalidades notáveis. A relação dos associados ao Sindicato. funcionários públicos. É proprietário de jornal em Xanxerê? Qual o nome do Jor- nal? Jornalismo é profissão única do referido senhor? Qual seu con- ceito na área do Sindicato? Outros dados úteis ao esclarecimento JORNALISMO EM PERSPECTIVA 189 . Não há muitos documentos. Silveira Lenzi.

ao transcurso de mais um aniversário da Revolu- ção. Durante a ditadura. prefeito indicado de Flori- anópolis. o chefe do SNI/NAFL continuava preocu- pado com Xanxerê. no informativo mimeografado da entidade. No dia 27 do mesmo mês. N. Três anos depois. relata o periódico de 10 de outubro de 1966. bancados pelas empresas de comunicação que. Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos)”. desfilavam nomes como o do general Paulo Weber Vieira da Rosa.417/67. do exercício de 1970. há apenas a anotação manuscrita “Providenciado” e um carimbo do remetente que diz que “O destinatário é Responsável pela Manu- tenção do Sigilo dêste Documento (Art. através do ofício número 143/NAFL/SNI/71. A praxe era pelo menos um jantar por mês para homenagear autoridades que pouco tinham a ver com a categoria. a solenidade que realizamos no mês de Março. perguntou a Bosle. homenageado por sugestão da agência A. Mas não se conhece o teor da carta. Martins. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 190 .] é associado e devidamente registrado nessa Associação”. “Vale assinalar. o Sindicato fez muita festa. Propague. R.. sem a bebida. ainda.700. Os jantares eram. 62 Dec. J. revela de forma inequívoca a cordialidade da entidade com o Regi- me Militar. empresário e primeiro suplente de deputado eleito pela UDN. Bosle encaminhou resposta ao general mediante ofício número 26 do Sindicato. O Relatório da Diretoria do SJPSC. Em 20 de fevereiro de 1971. algumas vezes.. Entre os convidados para os jantares do Sindicato. que na época era presidido por Adão Miranda. quando reunimos as autoridades militares desta Capital. “se o Sr.S. diretor do jornal Imprensa do Povo [.00. Mas quem fosse a estes rapa-pés teria que desembolsar CR$ 2. em sessão solene de confraternização”. 60. dia em que foi homenageado Osmar Dutra. mas que eram muito bem colocadas na esfera do poder. eram chamadas de anfitriãs. Na cópia da carta.sobre a vida funcional e particular do citado cidadão”.

Ele foi como bolsista convidado pelo Adido Trabalhista da Embai- xada dos Estados Unidos junto com outros cinco sindicalistas cata- rinenses. As festas. Adão Miranda. Entre 1975 e 1978 há um período da vida do SJPSC que merece atenção especial do pesquisador. em Curitiba). Comandado pelo jorna- lista Moacir Pereira. o Sindicato sinaliza tênue defesa das liberda- 2 A estratégia de levar sindicalistas para os EUA e sua articulação com os movimentos anti-comunistas é fartamente relatada por René Armand Dreifuss em seu livro “1964: A Conquista do Poder”. partiu para uma viagem de 45 dias a 25 cidades norte-americanas. eram promovidas em cidades do interior e invariavelmente destacavam autoridades e empresários bem relacionados com o governo. Nesta época.2 Os anos 60 e 70 foram levados pelo Sindicato nesta toada. As boas relações com o poder rendiam seus frutos. As viagens eram parte do programa de co- optação sindical articulado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). o então presidente do Sindicato. diretor da Fundação Tupy (pré-candidato ao governo derrotado interna- mente na UDN) também estrelou um jantar. A participação na excursão aos EUA não era resultado do prestígio de Miranda. a Federação Nacional dos Jornalistas esboçava uma reação à censura imposta pelo go- verno (como em documento aprovado pelo congresso da entida- de em junho de 1976. A entidade se limitava a transitar junto aos poderosos numa simbiose de vaidades e locupletações. Em 31 de julho de 1966. Nilson Bender. uma vez como diretor da Artex e outra como presidente da Celesc. pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e pelo Conselho Superior das Classes Produtoras (CONCLAP) em colaboração com o Departamento de Estado Americano (leia- se CIA) para combater a “avanço do comunismo na América Lati- na”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 191 . muitas ve- zes.Júlio Zandrozny recebeu homenagens.

Também investe no discurso de qualificação profissional. O crescimento da resistência democrática no país. sob orientação da professora Ilse Scherer Warren. Os novos filiados representavam uma base eleitoral po- tencial para as eleições da entidade que ocorreriam em 1984.des individuais e faz denúncias contra a censura. não rompe com a tradição de relação estreita com o poder. também. particularmente em Santa Cata- rina. Os jornalistas catarinenses não tinham nenhuma tradição de organização trabalhista. É nesta gestão que é assinado o primeiro Acordo Coletivo da categoria. embora avance inegavelmente no sentido da construção de uma identidade corporativa para os jornalistas. Pereira investe. criando o piso salarial de seis salários mínimos para os jornalistas. A gestão de Pereira. mas o MOS tinha o exemplo próximo dos operários do ABC paulista. uma vez que este pouco significava em termos práticos para a categoria. A partir de 1979. relata e analisa o MOS em artigo produzido para a disciplina Movimentos Sociais. pois a maioria dos jornalistas ignorava o Sindicato. o MOS tam- bém tratava de fortalecer a entidade por meio de campanhas de sindicalização. o que o Sindicato insistia em não ser. que começavam a se organizar dentro dos sindicatos ou em oposições que visavam a conquistar as estru- turas sindicais. con- traditoriamente. em 1985. 3 O jornalista e professor Eduardo Meditsch. mas com mais força a partir de 1982. o Movimento de Oposição Sindical (MOS) dos jornalistas começa a fazer o trabalho que o sindicato deveria fazer3. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 192 . Ao mesmo tempo que denunciava e enfrentava a direção do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. do Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais da UFSC. Boa parte dos fatos que mencionamos aqui é descrita em tal trabalho. a reorga- nização dos movimentos sociais e. na realização de vários eventos e palestras com profissionais de destaque nacional. a criação do Curso de Jornalismo da UFSC começam a dese- nhar definitivamente um elo de articulação entre os jornalistas ca- tarinenses.

que tiveram mais de 220 votantes. Mário Medaglia e Celso Vicenzi. em pleno Teatro Carlos Gomes. que elege- ram a primeira Comissão Executiva do MOS. Di- versas entidades apoiaram política e estruturalmente a oposição dos jornalistas. Para escolher os nomes que concorreriam à direção do Sin- dicato. com mais de 200 participantes. Tendo como voz o “Jornal dos Jornalistas”. Ayrton Kanitz. Elizabeth Brandão. Ayr- ton Kanitz foi escolhido para liderar a chapa. As próprias empresas de comunicação. reconheciam o movimento ao permitir que seus re- presentantes visitassem as redações para distribuir informativos e discutir com a categoria. Moacir Loth. Ionice Lorenzoni. apesar de o pleito ter sido prejudi- cado pela enchente que ocorreu em 1984 em Santa Catarina. Maria Lins. de maneira inconfessa. composta de Artur Scavone. Moacir Loth. Os simpatizantes do novo sindicalismo do ABC paulista (que viria a desaguar na Central Única dos Trabalhadores) disputavam com ampla vantagem espaços com os representantes da Unidade Sindi- cal (que viria a criar a Força Sindical liderada por Medeiros e Magri). que tinha ainda os nomes de Elaine Borges. Bonifá- cio Thiesen e Valdir Alves. Associações e clubes de imprensa de todo o estado passa- ram a apoiar o MOS. O principal obs- táculo era a máquina política do governo do estado. Sua representatividade logo foi constatada pela categoria e pelos setores da sociedade vinculados às lutas democráticas. que crescia como uma locomotiva que se deslocava a todo vapor em direção ao Sindicato. o MOS se esta- dualizou e celebrou a sua consolidação no encontro estadual reali- zado em Blumenau. o MOS realizou eleições prévias em todo o estado. A situação lançou Cyro Barreto JORNALISMO EM PERSPECTIVA 193 . nos dias 24 e 25 de abril de 1983. que estava disposta a manter o seu singelo aparelho sob controle. Realizar reuniões com cerca de 60 pessoas era normal para o MOS. Nem a divisão entre tendências dentro do MOS parecia atrapalhar.

Nova eleição foi marcada para 9 de agosto. só ele tinha acesso à documentação de habilitação das chapas. que compunha a chapa de situação. nove foram acatadas. Um funci- onário da Celesc ligado politicamente ao governador da época. A oposição não tinha. No dia 25 de julho de 1984. A abertura oficial do processo eleitoral revelou um adversá- rio difícil de ser enfrentado: o conjunto de regras e leis sindicais que favorecia de diversas formas o continuísmo. o MOS venceu a situação por dois votos de diferença: 120 a 118. No segundo turno. que “informavam” os eleitores que a chapa do MOS havia sido impugnada. acesso às listas de votantes. com a prerrogativa de escolher pessoal- mente os outros 23 nomes que comporiam a chapa. Ficou fácil suprimir papéis e. De 24 solicitações. que foi contestado pela situa- ção. dois dias depois de uma forte enchente fustigar o Esta- do. O MOS brigou pelo adiamento. Mas o resultado não valia nada. mas continuou fazendo vistas grossas para as outras irregularidades.para concorrer à eleição. A eleição ocorreu assim mesmo. era legalmente o coordenador do processo eleitoral. por exemplo. que via na calamidade a chance de descontar os votos do interior do estado que havia perdido no primeiro escrutínio. Como o presidente do Sindicato. alegando falta de documentos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 194 . A Delegacia Regi- onal do Trabalho emudecia diante das denúncias da oposição. na maioria das vezes. As empre- sas de comunicação se dedicavam a auxiliar a situação. pois a legislação exigia que a chapa vencedora obtivesse mai- oria absoluta num primeiro turno. O Ministério do Trabalho adiou a eleição na última hora. ainda que de forma velada. as cédulas foram levadas para o interior do estado pelos próprios candidatos da situação. E a diretoria do Sindicato criava empecilhos para que os associados pagassem as suas mensalidades para ter direito a voto. pedir a im- pugnação de todos os membros da chapa de oposição junto ao Ministério do Trabalho. sob boatos e trocas de acusações.

O jornal “O Estado” também enfrentou duas paralisações dos jorna- listas. no entanto. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 195 . Com o país sob um pro- cesso inflacionário e recessivo. O impacto da derrota desarticulou o MOS por longo perío- do. uma de doze dias. as cédulas eram trocadas nas dependên- cias internas dos Correios. “O Estado” era fecha- 4 Ao saber que Celso Vicenzi compunha a chapa do MOS. Renunciou em fevereiro de 1986 alegando que a oposição anarquizara o Sindicato. com a complacência e colaboração do órgão. mas oito meses depois uma determinação judicial reintegrou-o ao emprego. uma na sucursal de Florianópolis e uma em toda a empresa. a RBS imediatamente demitiu-o. O resultado dessa nova auto-imagem é a mobiliza- ção. a identificação de um parceiro de agruras e possibilidades em cada colega de redação. Nesse momen- to também os jornalistas começam a se enxergar como categoria. Celso Vicenzi. enquanto os fiscais do MOS conferiam a chegada de votos por correspondência na Caixa Postal do Sindicato. iniciou uma nova fase da vida do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. acontecem duas greves na redação do “Jornal de Santa Catarina”. relatou a um eletricitário que. que tinha como patrimônio um arquivo de aço e um te- lefone. Nos três anos da primeira gestão do MOS. A gestão de Vicenzi ocorreu num momento em que o Movi- mento Sindical estava a plenos pulmões. Sua gestão. Mesmo assim. Várias lideranças do movimento deixaram o estado ou se en- volveram em projetos profissionais que os afastaram do cotidiano da categoria. Mas em 1987 o Movimento reergueu-se para con- correr a novas eleições e dessa vez obteve êxito. eram poucas as categorias profissi- onais que não iam às ruas reivindicar seus direitos. foi um fracasso. então com as garantias que o cargo lhe assegurava. venceu a eleição e assumiu a entidade. O resultado foi a vitória de Cyro Barreto por 137 a 116 votos. repórter do “Diário Catarinense”4.Esperidião Amin. Ele sequer comple- tou o mandato. Durante as greves. como coletivo.

que diminuíram a escala de produção de releases. o piso regional está na média nacional. o que só foi conseguido mais tarde. A diretoria não ficava 15 dias sem passar nas redações para debater as questões emergen- tes. editor. Hoje. De estrutura o Sindicato não dispunha. sobretudo. e as empresas se negavam. Sem recursos. Os empresários de comunicação começaram a sentir o peso de uma gestão sindical disposta a batalhar pelos direitos da catego- ria.dificultando ainda mais o baixamento do jornal. Conquista importante foi a unificação do piso salarial. O endurecimento das negociações. O es- treitamento das relações entre o Sindicato e a categoria se eviden- ciou em situações como a que ocorreu num dia de 1988.do praticamente só com despachos de agências de notícias e algu- mas matérias de assessorias de imprensa. por exemplo. que era dividido em cinco faixas distintas por função (repórter. Em várias negociações houve reajustes diferenciados que privilegiaram os salários mais baixos. Nenhum acordo foi fecha- do sem que se obtivesse pelo menos a reposição da inflação do período. fotógrafo). quando a direção do “Diário Catarinense” resolveu impedir os sindicalistas de entrarem na redação para distribuir um informativo. A atividade sindical desse período foi sempre realizada na adversidade. subeditor. criando vínculos essenciais com a categoria. Ativados por alguns telefonemas. chegou a ser o mais alto do Brasil. a descontar em folha a mensalidade da entidade. que era o terceiro mais baixo do país. diagramador. o Sindicato persegue desde sempre o JORNALISMO EM PERSPECTIVA 196 . praticamente todos os profissionais do jornal deixaram seus postos de trabalho e foram até a frente do prédio ouvir o que o Sindicato tinha a dizer. que algumas vezes aca- baram em dissídio julgado pela Justiça. O piso salarial catarinense. só foi sustentado porque a representatividade do sindicato se impôs. por força do Acordo Coletivo. Um trabalho do coman- do de greve junto aos assessores do governo angariou a solidarie- dade de alguns deles.

Vários deles usaram as suas colunas para atacar o novo com- portamento do Sindicato. Para quebrar a barreira de comunicação com a sociedade. A criatividade e a ousadia deram forma à Opera- ção Papagaio. especialmente exposições de fotos e charges que correram o estado.sonho da interiorização. especialmente em eventos de grande repercussão. A dificuldade da entidade se comunicar foi bem explorada pelos colunistas que cerraram fileira com os interesses das empre- sas. out-doors e faixas em viadutos foram utili- zados dentro das parcas possibilidades financeiras da entidade. em várias transmissões ao vivo. não consegue estar presente em to- dos os espaços sociais que seu prestígio permite. Na cobertura das eleições de 1992. que poderia redundar no fortale- cimento das próprias lutas internas da categoria. Passeatas. Por ser uma entidade que representa profissionais de comunicação. sem ônus para o SJPSC. que era veicula- da mensalmente nos jornais. Mas ainda era pouco. Uma dificuldade paradoxal do Sindicato é a de se comunicar com a sociedade. da presença efetiva em todos os pontos do estado. A idéia era simples: fazer aparecer na televisão men- sagens sobre as condições de trabalho dos jornalistas. Embora tenha um enorme potencial de repre- sentatividade e credibilidade. O problema se agravou depois que as empresas de comunicação espertamente suprimiram dos Acor- dos Coletivos a publicação da coluna do Sindicato. o Sindicato investiu em eventos culturais. cartas às agências de publicidade. mas sua falta de estrutura não consegue dar conta dessa tarefa. um re- pórter da RBS TV entrevistava ao vivo o presidente do Tribunal JORNALISMO EM PERSPECTIVA 197 . que destoava do servilismo que caracte- rizou as gestões anteriores. a socieda- de civil identifica nos sindicatos de jornalistas uma legitimidade si- milar a de órgãos como a OAB. algum jornalista aparecia de “papagaio de pirata” atrás do repórter com um cartaz com alguma reivindicação dos jornalistas. Então. por exemplo.

ao final do espetáculo. Ele não gostou das faixas que diziam “Xuxa. disse o herdeiro da RBS com o dedo em riste. os sorteios do Caminhão do Faustão e os grandes shows.Regional Eleitoral quando atrás da autoridade surgiu Valdir Cacho- eira. Embora singelas. essas ações de guerrilha in- formativa espalharam pânico e paranóia entre as empresas de co- municação. baixinho é o salário do jornalista” e o já tradicional “Rede de Baixos Salários”. a tarefa de reivindicar salários e condições de trabalho fica muito mais difícil quando é necessário debater com a sociedade a necessidade de se ter diploma para exercer o jornalismo. Se as duas gestões de Celso Vicenzi tiveram o caráter de dar ao sindicato uma estrutura mínima e à categoria uma identidade corporativa. com as iniciais da empresa grifadas. a equipe da Operação Papa- gaio despertou a ira de Pedro Sirotsky que. Para evitar ações dessa nature- za. Quando Xuxa veio ao estádio Orlando Scarpelli como con- vidada da RBS para as festas de Natal. então repórter do jornal “O Estado”. a RBS contratou mais de 200 seguranças para o show do ro- queiro Rod Stewart. “Isso não vai ficar assim”. Obviamente. Os principais alvos do sindicato eram as transmis- sões do Jornal do Almoço ao vivo. Melhor para as empresas de segurança que eram con- tratadas para evitar que qualquer faixa ou cartaz fosse aberto dian- te das câmeras. Deu uma enorme confusão e Cachoeira teve sua credencial caçada pelo TRE. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 198 . as duas de Sérgio Murillo de Andrade tiveram. a tarefa de defender a categoria dos ataques à regulamentação da profissão. ainda. Essa prática ganhou outras formas de expressão. desceu de seu camarote para desafiar os dirigentes do Sindicato. como a distribuição em encontros empresariais de panfletos que compa- ravam os editoriais nos quais as empresas de comunicação defen- diam práticas de gestão moderna com o tratamento feudal dispen- sado aos jornalistas. com o cartaz “RBS - Rede de Baixos Salários”.

Pesquisa publicada pela revista “Imprensa” mostra que a cate- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 199 . às difíceis condições de trabalho que enfrentam na maioria das vezes. Defender a profissionalização do mercado. A proliferação de cursos de co- municação em Santa Catarina. O auto-engano com relação ao status da profissão talvez seja hoje menos relevante do que no passado. que parecia uma tarefa dos anos 70. provavelmente atingin- do jornalistas mais jovens. Nesse período. Prevalecia até pouco tempo o arquétipo do jornalista como uma pessoa bem situada economicamente e com trânsito nos es- calões do poder. muito menos. que ainda não tiveram contato com toda a extensão da realidade profissional. com a multiplicação numérica dos jornalistas. mas um fato que desafia todo o movimento sindical no momento em que as ideologias que alavancam o individualismo ganham força e terreno. os desafios se tornaram pelo menos mais complexos para os sindicalistas. O reflexo deste novo quadro na organização sindical é gran- de. trouxe algumas vantagens e muitos desafios para o Sin- dicato (como sindicalizar os egressos dos cursos. estar presente desde o processo de formação dos novos profissionais. passa a ser novamente uma urgência. Já é possível perceber que a exposi- ção pública dessa categoria não é proporcional à sua remuneração e. A desmobilização não é um fenô- meno que atinge somente os jornalistas. os jornalistas não carregam mais o gla- mour que lhes era atribuído. a dissolução do espírito coletivo solidificado em meados dos anos 80 é um fato que acompanha uma postura de quem confia no seu sindicato. A sofisticação dos processos de cooptação dentro das empresas com políticas ousadas de endomarketing e desenvolvimento de culturas empresari- ais certamente também concorre para dissolver o espírito classista. pelo menos para os setores mais esclarecidos. com um maior número de jornalistas no mercado. mas não participa de suas iniciativas. por exem- plo). No entanto. Hoje. a mitificação parece relativizada e.

Eles estão espalhados nas assessorias de empresas. O Jornalismo é profissão nova. mas que esse índice é mais baixo entre os jornalistas jovens e recém-egressos de universidades. Já a segunda gestão (durante a qual Assunção licenciou-se por onze meses. mais nova ainda em Santa Catarina. Estatisticamente. Ter uma entidade representativa desta nova categoria exige novos entendimentos. gover- no e terceiro setor. mas que precisa lembrar que há outros habitats para a categoria que também merecem atenção. A primeira gestão de Luis Fernando Assunção foi marcada justamente pelo esforço de interiorização do sindicato. estão nas suas próprias agências de comunica- ção (às vezes. segundo a Fenaj). outro tipo de estrutura física e operacional. Por tudo isso. novas habilidades de abordagem. O resultado imediato foi um aquecimento da mobilização nas campanhas salari- ais.goria tem alto índice de sindicalização (cerca de 40% em escala nacional. seus locais de tra- balho não são mais majoritariamente as redações de rádios. quem for contar a história do Sindicato vai ter muito trabalho. com pre- sença freqüente de diretores nas principais cidades. Mas o olhar sobre ela já carece de reciclagem. mas superando os meta- lúrgicos). com as tendências do mercado e os novos paradig- mas produtivos da sociedade. jornais e TVs. es- tão nas universidades ensinando jornalismo (o que é uma função jornalística. A dinâmi- ca da sociedade repercute muito rapidamente nessa categoria. que por sua natureza precisa estar sintonizada com as movimentações tecnológicas. nova postura institucional e. Não se trata de dizer que o Sindica- to deve esquecer as redações. passando a direção para Rogério Christofoletti. além disso. só perdendo para os bancários. Vai ter que articular os poucos documentos que localizar com o seu tempo. Vai ter que encontrar os nexos entre as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 200 . e re- tornando em seguida) acontece em circunstâncias em que se rede- senha o perfil dos jornalistas. até como empregadores de outros jornalistas).

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 201 . Vai ter que conhecer a conjuntura política de cada circunstância e sua in- fluência nas ações. Vai ter muita história para contar. Vai ter que resgatar o folclore dos personagens e inseri-lo na história coletiva. Vai ter que pensar sobre jornalismo e jornalistas.relações de poder de cada época e as atitudes da entidade.

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 202 .

Cada uma dessas inovações teve grande impacto em sua época e todas. sejam elas noticiosas ou não. Maria José Baldessar Jornalismo e tecnologia: pioneirismo e contradições . o cinema. e a Internet com certeza não será exceção à regra e nem será a última invenção humana nessa área. No decorrer do século XX.H. a televisão. A eletricidade. atingiu 50 milhões de usuários JORNALISMO EM PERSPECTIVA 203 . a humanidade presenciou o surgimento de diversas inovações na área da comunicação. inventada em 1873. Entre elas destacam-se o telefone. aumenta so- bremaneira.) Nada conseguiremos compreender da era moderna se não nos apercebermos da maneira como a revolução na comunicação criou um novo mundo”.. o com- putador e. a Internet. Ao con- trário do que muitos pensavam. verificaremos que o tempo de difusão da Internet é incomparavelmente menor que os demais. se observarmos a linha de tempo de algumas invenções dos dois últimos séculos. nenhuma suplantou totalmente a outra.Um breve relato da chegada da informatização nas redações catarinenses “(. No entanto. A cada dia. C. por fim. a busca de informações.Cooley Os avanços da ciência e tecnologia vivenciados na atualidade se refletem em todos os segmentos da sociedade. pois a posse da informação caracteriza uma forma de poder.. sem exceção. continuam a existir e a exercer forte papel no cotidiano das pessoas. o rádio.

muitas vezes. o velho telex e as máquinas de linotipia e clicheria senão formas de tecnologia? Talvez o que se possa discutir é que.depois de 46 anos de existência. ide- ológicos e tinham os salários pagos sempre em dia”. revisor do extinto jornal A Gazeta. de Florianó- polis. Carlos Sepetiba. conta que na sede da Rua Conselheiro Mafra a redação ficava na frente e as Mergenthaler1 atrás – separadas por meia parede de tijolos. 26 anos e o microcomputa- dor (1975). 1 Máquina de linotipia inventada pelo alemão Ottmar Mergenthaler em 1879. um muro (literalmente) separou os jornalistas desses inventos maravilhosos. 22 anos. Estes números são motivo de reflexão e de impaciência: qual o próximo invento humano? Embora um sem-número de jornalistas continue a afirmar que a profissão nada tem de tecnológica e que é movida pela cria- tividade e expressividade do profissional. 55 anos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 204 . a televisão (1926). não letras mas matrizes de letras que formam um molde/bloco em linha. o fax. 35 anos para atingir esta mesma marca. com a ajuda de um teclado. Por acaso os aparelhos de rádio. que está na origem do seu nome. o telefone (1876). “era na parte da frente que trabalhava a inte- lectualidade. por sua vez. 16 anos. televisão. atrás ficavam gráficos que contavam histórias engra- çadas e que. Nessa meia parede havia uma passagem estreita por onde o aprendiz levava o material escrito a máquina ou a mão para a composição. diferentemente dos jornalistas. ou seja “line of type” (linha de matrizes). Por isso estas máquinas se chamam “linhas bloco” em oposição às máquinas que compõem linhas letra por letra (ex: Monotype). eram organizados. Desde sempre o Jornalismo esteve ligado à tecnologia. E mais. fotografia e os equipamentos para produzir materiais para estes suportes não estão diretamente ligados a ela? O que seriam o telefone. a realidade que se apre- senta é bem diversa. É esta particularidade de fundir num só bloco de chumbo uma linha de matrizes (type em inglês). o rádio (1906). criada na década de 90. o automóvel (1886). tem hoje 378 milhões de usuários. A Internet. O princípio da Linotype consiste em juntar.

) e a limpeza.As mudanças nas redações e no cotidiano profissional Sem dúvida.) montanhas de laudas se formavam para qualquer lado que se olhasse (.... Neste artigo são descritas as condições da redação do jornal O Globo antes e depois da informatização. nada de montanhas de papel”.. paletós. mãos e rostos menos atentos (. sobretudo. estabelecendo um paralelo entre a redação do passado e a atual: “uma louca sinfonia de gritos. a especialização crescente. O fazer texto através do computador. gargalhadas. sem reflexos nos olhos ou nas telas (.) as Olivetti e Remington que não sofriam de arritmia eram disputadas no tapa (. com suas possibilidades de proces- 2 Artigo publicado na revista Imprensa em setembro de 1987.) e o impi- edoso papel carbono tingia mesas. iniciada na década de oitenta.. Com a introdução dos computadores. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 205 .2 As mudanças são percebidas não só no ambiente e na estru- tura física. propiciado pelos 140 terminais e suas 138 teclas (.. as modificações nas con- dições de trabalho e. mangas de camisa. assinado por Astrid Fontenelle e Débora Chaves. a intensificação do trabalho. de- dos. mas também numa nova relação com o texto. cam- painhas reverberavam impunemente (... as grandes mudanças no cotidiano profissional dos jornalistas começam com a informatização das redações dos jornais e revistas no Brasil.) hoje as persianas amarrotadas foram substituídas por um moderno sistema de ilu- minação que inclui um requinte inimaginável: calhas especialmente desenhadas. os jornalistas tiveram de se adap- tar a uma realidade profissional que incluía a exigência de maior qualificação.. telefones.. cujos focos de luz só iluminam as mesas dos termi- nais.) e a sinfonia das pretinhas deu lugar a um silêncio cibernético....) um sistema de ar condicionado central acabou com o clima tropical que sufocava (.. Um artigo publicado na revista Imprensa sobre a informati- zação do jornal O Globo descreve as mudanças no ambiente da redação.

Mas. ganha mobilidade e rapidez: “ (. o computador hifeni- za (..) para começar o usuário fica dispensa- do da preocupação com o fim de cada linha. como profissionais e categoria laboral. Até mesmo o cafezinho e o cigarro se rende- ram à tecnologia. é tarefa que cabe a nós jornalistas. foram desaparecen- do da redação. sem dúvida nenhuma..) o computador também per- mite a inserção de qualquer informação.. um a um.. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 206 .) a tela pode ser dividida em duas. é na linha de produção de um jornal ou revista que se percebem as mudanças mais óbvias: o dia- gramador.3 No espaço físico das redações a tecnologia introduziu lim- peza – desapareceram as centenas de laudas amassadas no chão. simplesmente.. Com a Internet não foi diferente.. fazer. numa linha de produção ordenada. de um lado a matéria do repórter e do outro a do redator (. em qualquer ponto”.) mas é no terminal que se escondem as mais saborosas novidades para qualquer jornalista (. que antes não vivia sem a régua de paicas... Se antes do computador era inimaginável uma redação com ar condicionado e persiana nas janelas. Avaliar se o jornal ficou melhor ou pior sem esses dois profissionais. aderiu aos softwares de edição de texto e trabalha com precisão. Mudou também a iluminação e a temperatura do ar. uma vez que os terminais ficam prejudicados com farelos e ambientes poluídos. Criada original- 3 Idem nota de rodapé anterior. Jornalismo e a Internet A cada década do último século surgiram mídias e se desen- volveram ferramentas capazes de torná-las massivas e populares em poucos anos. as cartelas de letras set e a caneta nanquim. sumiram as caixas de papel carbono para as cópias necessárias para a linha de produção. hoje isso é rotina e já está incorporado ao dia-a-dia. A mesma sorte não tiveram os revi- sores e copy-desks que.samento e arquivo de texto.

para Simone (2001).. Mesmo no Oriente Médio. em 2002. No entanto. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 207 . 136%. lide- ram o número de publicações online: são 4. apropriando-se da linguagem de outros veículos para a difusão de textos. Apesar destes números.) só poderemos desenvolver o verdadeiro jornalismo online quando 4 Disponível em www.com. no Brasil.mente pelos militares americanos no final dos anos 60.. Embora no Brasil não se tenha estatís- ticas sobre o número de publicações online. 78.edu. Em 2002 a Internet recebeu mais de 130 milhões de novos usuários e o número global atingiu mais de 620 milhões .5% e na Índia. sons e imagens. no entanto. Não restam dúvidas. 3. o número aumentou 75% em 2002. reúne. a Internet vive a sua pré-história como meio de comunicação .br/informacao.9. começou interconectando dez computadores. Na China.622 pertencem a empresas de comunicação.9% da população mundial. o uso da Internet cresceu 116%.folha.ucla.925 sites de notícias existentes até setembro de 1998. segundo o American Journalism Review News4 . aproximadamente 300 milhões de computadores em 150 países do mundo. Hoje. Acessado 18 de junho de 2003. segundo o Instituto de Pesquisa NEC. De acordo com a pes- quisa realizada em 1999. Acessado em 24 de junho de 2003 5 Disponível em www. trinta anos mais tarde. destes.ainda sem uma linguagem definida. o Ibope fez um levan- tamento sobre a audiência desses veículos. três vezes mais que nos países desenvolvidos. que essa linguagem se estabelecerá a partir da convergência das mídias e da união dos recursos infinitos de arquivo com a transmissão de infor- mação em tempo real e com as possibilidades inéditas de interati- vidade e customização. Os EUA. ligado à Universidade de Princeton. O número de usuários nos países em desenvolvimento aumentou 40%. 50% dos 25 mil internautas entrevista- dos afirmaram que navegam na Internet em busca de informações5 . uma das regiões menos conectadas do mundo.ccp. “(.

e em boa parte do mundo. manchetes principais e chamadas para notícias secundárias. Os portais de ou com conteúdo jornalístico. continuam com carac- terísticas de jornal e revista impressa. que tem como característica a integração das lin- guagens dos meios tradicionais com as novas possibilidades da rede e (3) onde “um original conteúdo noticioso. O jornalismo na Internet ou jornalismo online vive seus pri- mórdios. (2) adaptativo. não é sem propósito que todos nós navegamos ou folheamos os sites jornalísticos com uma certa facilidade.6 A maioria dos sites de no- tícia ainda são divididos em editorias (índice à vista). ban- ners comerciais e links para negócios. animação – e não esboços destas ferramentas”. a transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. “é integrante dos três estágios do desenvolvimento de conteúdos para Web. bastando verificar a dependência que temos dos instrumentos de busca e. de forma paradoxal. muitas vezes. ou seja. vai fluir. em alguma medida. quando se trata de conteúdo e forma textual. desenhado especifica- mente para a Web como um novo meio de comunicação”. com capa. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 208 . áudio. mesmo os que dispõem de links para últimas notícias. a saber: (1) transpositivo .transposição do conteúdo analógico para o digital – com pequenas ou nenhuma modificação. O mesmo não acontece com o restante do conteúdo da rede. ainda está “agarra- do” aos velhos paradigmas do jornal impresso e se aproxima do rádio. do que os americanos conceituam como “shovelware”. a incapacidade de che- gar a resultados satisfatórios quando temos que ousar em hiper- links múltiplos. Esse terceiro estágio seria caracterizado também pela “aceitação 6 As empresas brasileiras de mídia se utilizam.todos nós tivermos possibilidade de usar a banda larga e todos os benefícios que vêm do vídeo. No Brasil. Para Pavlick (1997) o modelo transpositivo – shovelware. Assim.

o próprio conceito de jornalismo poderá modificar-se devido a vários fatores. (9) maior agilida- de e facilidades de deslocamento. (8) melho- res formas de arquivo e busca das informações. (7) incremento da confiança técnica e maior exatidão das informações. (3) dimi- nuição do custo de obtenção de informações em todos os níveis e em todos os assuntos. como ficam? Muitos pesquisadores afirmam que a ascensão e consolida- ção do jornalismo online vai alterar aspectos importantes de pro- dução. 2000:83) Para estudiosos como Garrison (1993) e Reddick/King (1995).de repensar a natureza de uma comunidade online. audiência e relação com os receptores. (Bas- tos. processamento e difusão da informação. aceitação de experimentar novas formas de contar uma história”. (2) a usurpação ao jornalista da função de gatekeeper privilegiado do JORNALISMO EM PERSPECTIVA 209 . A constatação de que o jornalismo está passando por transformações profundas e se en- contra em processo de renovação de muitas de suas práticas pode ser aferida se aceitarmos que o mundo online está reconfigurando as redações e as práticas profissionais. além da circulação. disponibilizando conteúdos na Internet. a aumentar a informação disponível e a sofisti- car a metodologia de identificação e acesso às informações”. alterando as rotinas de co- leta. (5) menor dependência das fontes para interpretação daquelas in- formações. (6) aumento do acesso à informação. mais. E os jornalistas. (2) aumento na produtividade dos repórteres. edição e publicação da notícia. redação. (4) qualidade na análise das informações. Podemos enumerar estas mudanças e mesmo as avaliarmos como positivas: (1) acesso às fontes. “É consensual a idéia de que a Internet evoluirá de forma a garantir uma mais rápida circulação da informação na rede. entre eles (1) a possibilidade de cada um atuar como jornalista.

) Na Internet. editores ou mesmo pro- jetistas gráficos têm seus empregos ameaçados pela tecnologia. além das imagens atualizadas e até do som se for o caso. uma vez que. nem repórteres fotográficos. a edições anteriores. Pavlik (1996) e Dizard (1997) afirmam que. a bancos de dados. em função dessas mudanças. “checa” a informação recebida de suas fontes”. as deadlines tendem a concretizar-se no imediatis- mo. Ele afirma que a Internet permite uma forma diferente de fazer jornalismo e aponta as possibilidades do profissional de contextua- lizar cotidianos e fatos através dos hiperlinks e de como o recep- tor pode interagir como essa nova notícia. o perfil profissional tam- bém mudará. que possibilita a diluição das responsabilidades e até o anonimato. seja por força de novas políticas editoriais das organizações noticiosas. Nem repórteres. de modo a poder confrontar a informação recebida da mesma maneira que o bom jornalista confronta... A cronomentalidade dos jornalistas poderá acentuar- se. Campos (2001) compartilha dessa visão e vai além.. o receptor conta com várias “camadas” de texto que formam o hiperlink.) Uma reciclagem que nos permita a inclusão entre nossas atividades de boa parte das tarefas outrora exercidas pelos trabalhadores gráficos. As normas que norteiam o jornalismo poderão alterar-se. “(. Outros como Koch (1991). devido à possibilidade de atualização constante do noticiário.. “(. (3) as características próprias da In- ternet. que permitem o aproveitamento do hipermedia (a conflu- ência de “várias mídias numa só” e das hiperligações (os links que permitem a navegação na Internet). se não mesmo a clandestinidade. redatores. a pesquisas de todo tipo. possibilitando acesso a todo tipo de detalhe. seja por força da própria natureza da Internet. inclusive em outras línguas. isto é. Já em 1996 Lage discutia essas modificações na profissão e apontava a necessidade permanente de reciclagem para o enfren- tamento do cotidiano profissional. a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 210 .espaço público informativo.

A indústria farmacêutica internacio- nal. a explosão das chamadas novas mídias tende a exigir. A reciclagem necessária para isso é do tipo inclusiva - isto é. a exemplo do que já acontece hoje. Nesse contexto. outro aspecto que pode ser considerado é a expan- são do mercado de trabalho. Como formar um jornalista que saiba aliar a capacidade técnica de produção com um olhar crítico da realidade? Para muitos essa parceria é inviável. uma percepção mais aguda do cotidia- no. enciclopédias virtuais e banco de dados. como os estudos culturais – um dos con- textos em que se procede uma reflexão multifacetada e transdisci- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 211 . sem dúvida. Mas como formar esse profissional? Essa talvez seja a princi- pal discussão que permeia o cotidiano das escolas de Comunica- ção e Jornalismo país afora. e assim evitar os erros de interpretação e conseqüentemente. Finalmente. um profissional qualificado para a produção de cd-rom. que está montando escritóri- os de jornalismo e relações públicas para a produção dos manuais de instrução. está contratando jornalistas e publicitários para traduzirem a linguagem médica das bulas de medicamentos. Assim sendo.curto e médio prazos. O mesmo procedimento está sendo adotado pela indústria de eletrodomésticos da Europa e Ásia. de modo a torná-las acessíveis ao grande público. por exemplo. afora. nos obriga a acrescentar às nossas habilidades o manuseio de sistemas informatizados e o conhecimento de processos de telemática. o âmbito de suas atribuições. é claro. os processos judici- ais. o que é ser jornalista na atualidade? (2) sendo as ciências da Comunicação e Jornalismo – e os estudos teóricos relacionados a ambas. cada vez mais. Talvez devamos con- siderar questões como: (1) as novas tecnologias da informação desencadearam uma discussão sobre a identidade e a sobrevivên- cia das profissões que eram responsáveis pela mediação simbólica.” Um profissional capaz e com qualificação adequada pode ser- vir de mediador entre as diversas “tribos” do mundo globalizado. Ampliou-se.

plinar sobre o mundo de hoje. apesar de lento. O pro- cesso. A informatização nas redações catarinenses: pioneirismo e contradições Em todo o Brasil. levando em conta questões éticas. a modernização nas empresas de comuni- cação começou pelas áreas gráfica e gerencial. O jornal “Folha de S. Já nas redações o processo foi iniciado na década de 80. como forma de racionalizar custos e de prepa- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 212 . como deveria ser a formação de um profissional que dê conta dessa realidade. cria novas for- mas de mostrar o mundo através da informação. com a che- gada dos computadores. no país inteiro. Paulo” foi um dos pioneiros na adoção e criação de uma rede informatizada. que via com bons olhos “a mo- dernização da infra-estrutrura física e administrativa das empresas de comunicação“. desenvolve linguagens. sempre foi incentivado pela Associação Nacional dos Jornais. será possível afirmar que a especificidade do meio não altera a especificidade da mensagem? (4) até onde a construção desse profissional deve aprofundar sa- beres específicos ou mesclá-los com generalidades e saberes loca- lizados? As respostas a estas questões talvez possam ser facilita- das se tivermos claro que o jornalismo sempre teve seu fazer cotidiano ligado à tecnologia. na década de 70. estéticas e de linguagem que as especificidades do jornalismo exigem? (3) considerando o jornalismo online como transposição de uma certa forma de olhar a realidade (o olhar jor- nalístico) para o suporte informático. A cada novo invento a profissão modifica suas práticas. A assimilação desse fato facilita o vislumbre do profissional necessário para a atualidade: um profissional que cumpre as atividades jornalísti- cas tradicionais. mas que utiliza a Internet e o mundo em rede como ferramenta cotidiana.

7 Ver. paralisações e protestos mostraram a organiza- ção dos jornalistas catarinense e o resultado desse processo foi o fortalecimento do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e da categoria profissional. 1997. através do advento da Internet. sendo que até 1992 o jornal “O Município”. A reforma dos parques gráficos começou no jornal “O Estado” em 1971. Contradição gerada por relações de trabalho truculentas. e. No final da década de 80 e início de 90 uma série de greves. No interior. o processo não foi diferente. em maio de 1986. Pioneirismo por conta da implantação do “Diário Catarinen- se”. fotógrafos e diagramadores. Estudo sobre a Associação Nacional dos Jornais. mostrou aos jornalistas catarinenses uma nova realidade. com uma circulação média de 26 mil exemplares. Sua redação era composta por 126 jornalistas. Baldessar. seguido pelo “Jornal de Santa Catarina”. o DC atingia 166 municí- pios. que só em 1980 adotou a off-set. o processo de moder- nização das redações apresentou surpresas e veio acompanhado de pioneirismo e contradição. Mimeo. a adoção de novas formas de imprimir deu-se aos poucos. Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC. como forma de burlar as leis trabalhistas e do piso salarial vigente.rar para uma “possibilidade de ampliação de mercado e de interna- cionalização da comunicação. Compreensivelmente. de Brusque.7 Em Santa Catarina. editores. A criação do DC. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 213 . do grupo RBS. entre repórteres. finalmente. que mesclava necessi- dade de reciclagem profissional e adaptação a novas ferramentas de trabalho. ainda tirava suas edições em linotipia. o primeiro jornal a “nascer” informatizado na América Latina. em 1972. redatores. demissões arbitrárias e até o enquadramento dos profissionais em outras categorias. conside- rando-se assinaturas e venda avulsa. No ano de sua implantação. por “A Notícia”. Maria José. marcadas pelo desrespeito a jornada profissional de cinco horas.

Isso só mudaria anos mais tarde com o aper- feiçoamento dos processadores de texto. a experiência durou menos de dois anos e as estações móveis foram desativadas por implicarem “gastos excessivos”. depois o “Jornal de Santa Catarina” e. No fotojornalismo. as novidades se misturavam com a tradi- ção: embora os terminais permitissem um pré-cálculo do tama- nho da matéria. hospedagem. As normas rígidas de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 214 . os demais jornais catarinenses seguiram a tendência de informatização das redações. Cada profissional dispunha de uma senha para abrir sua “máquina” e modificar o texto. que não precisavam se deslocar até a reda- ção para terminar a matéria. Ainda dentro da experiência pioneira do DC. e se espalhado até mesmo aos jornais de pequeno porte. Na diagramação e fotografia. Eram uma prerrogativa dos repórteres especiais. Para os jornalistas. No interior. Cada editoria ficava em uma sala e em cada uma delas havia diversos monitores ligados a uma única CPU – eram os chamados computadores bur- ros. isso implicava a possibilidade de cobrir assuntos com mais rapidez e agilidade. Depois do DC. os diagramadores continuaram a usar as réguas de paica e os diagramas. o jornal “O Estado”. já que serviam exclusivamente para escrever. que incluíam horas-extras. A informatização mudou as redações. “A Notícia” iniciou o processo em 1994. alimentação e outros. o processo acompanhou a evolu- ção regional. A limpeza e o silêncio contrastavam com tudo o que se conhecia. Simplesmente substituíam as máquinas de datilografia. num investimento aproximado de U$$ 500 mil. mais recentemente. outra novidade foram as estações móveis de trabalho. o processo de digitalização só começaria no final da déca- da seguinte. por sua vez. No entanto. tendo começado pelos semanários de Criciúma e Cha- pecó.Mas onde está a diferença? A estrutura da redação do DC era diferente de tudo o que era conhecido no jornalismo catarinense até então.

Outro aspecto relevante foi a juvenização da profissão. por exemplo. Adoção de novas tecnologias: “Na hipótese de adoção de novas tecnologias que possam implicar redução do quadro funcional. em 1980. tendo como resultado o enquadramento em outra categoria profissional. Paulo”. o aviso será de 180 dias. uma vez que todos estavam a par do que ocorrera na “Folha de S. a das horas de sobreavi- so 8 . no mínimo. pagarão adicional de 30% sobre o salário mensal”. a partir de 1986. 90 dias. “proibido fumar” e outros. do tipo bip ou telefone portátil. Nessa primeira fase. quando a informatização da redação deixou pelo menos 200 de- sempregados. os jornalistas tinham outras preocupa- ções. apare- cem cláusulas de proteção ao jornalista em virtude da adoção das novas tecnologias. como. celular ou qualquer forma de plantão permanente. estudos de reaproveitamento em outras atividades dos jornalistas atingidos. em que o salário era menor e a jornada de trabalho maior que o limite de cinco horas de trabalho estabelecido pela CLT para os jornalistas. Estas cláusulas foram muito discutidas. As escolas de comunicação lançam no mercado cerca de três mil pro- 8 Horas de sobreaviso: “As empresas que exigirem a utilização de aparelhos eletrônicos de localização. as empresas ficam obrigadas a desenvolver. junto com o Sindicato. que não se coadunavam com o cotidiano profissional até então estabelecido.acesso e uso das máquinas eram complementadas pelos avisos de “proibido fazer lanche”. Os diagramadores passaram a ser “paginadores eletrônicos”. os jornalistas logo perceberam ou- tras ameaças: as mudanças na nomenclatura de contratação.” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 215 . mudaram a representação sindical – de jornalistas passaram a gráficos. Além do desemprego. Para os que tenham mais de 35 anos de idade. Em todos os acordos e dissídios coletivos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Os não aproveitados farão jus a um aviso prévio de. Em conseqüência. já que a produção do texto para muitos jornalistas começava com o ritual do cigarro e do café.

em seis é constatada a existência de contratos temporários de trabalho. bronquite crônica devi- do ao ar refrigerado. “A Notícia”. além de problemas de ergonomia. Uma pesquisa da Organização Mundial do Trabalho. e em catorze o não pagamento do salário normativo. em detrimento de outros com mais idade e ex- periência. em vinte e duas o não depósito de Fundo de Garantia por Tem- po de Serviço. Em 1995. a evidência de precarização no trabalho é observada nos chamados procedimen- tos flexibilizados. responsá- vel pela fiscalização. não só mostram o desrespeito à legislação pro- fissional como evidenciam a precarização do trabalho. iden- tificou as doenças cardiovasculares. Esse exército de reserva numeroso. no uso da Internet como fonte de dados e do computador como banco de informações. Esse procedimento acirra a rotatividade e reforça a manutenção de salários baixos. em quinze a abolição do controle de ponto através de livro ou máqui- na. Das trinta empresas fiscalizadas – entre elas os jornais “Diário Catarinense”. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina deflagrou uma campanha contra o exercício irregular da profissão. feita em 1984. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina” . Some-se ainda a estes problemas a questão da saúde. pode-se afirmar que a introdução dos com- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 216 . Assim. qualificado e jovem tem per- mitido ao empresariado a opção pela contratação de profissionais recém formados. apesar das mudanças físicas nas redações e algumas alterações nos procedimentos cotidianos de coleta da informação.fissionais/ano – em Santa Catarina esse número chega a quase 300. Onze anos depois. alergias. epilepsia. a OIT refaz a pesqui- sa e acrescenta outros problemas causados pelo computador: de- ficiências na visão e no sistema reprodutor. lesões permanentes nos tendões. Além da deterioração das condições de saúde. as neuroses e as doenças do aparelho digestivo como sendo as enfermidades mais freqüentes na profissão de jornalista. estresse. Os laudos da Delegacia Regional do Trabalho.

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manifestam suas preocupa- ções com a ética? É bem verdade que não há um único pólo irradiador dos valores deontológicos que marginam as ações dos sujeitos. Existem. Entre- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 219 . mas tam- bém a possibilidade de ruptura com esses limites para formular uma outra prática. ética e liberdade Onde fica o centro de gravidade moral de uma profissão? De que forma uma categoria profissional escolhe e adota suas re- ferências de conduta? Como os indivíduos orientam suas ações quando estão no campo de trabalho? De que maneira esses sujei- tos. Rogério Christofoletti A preocupação com a ética: tradição e futuro “A reflexão sobre o jornalismo não pode levar em conta somente a prática e seus limites. temos de reconhecer que há uma moral que o envolve e uma ética profissional que pode ser tratada espe- cificamente”. Há nú- cleos morais duros em volta dos quais gravitam outros valores e práticas. controlado por uma certa rigidez dos princí- pios e pela indeclinável vontade de alguns de manter a retidão da conduta.Jornalismo. Se reconhece- mos a importância contemporânea do jornalismo e a necessidade de refletirmos sobre ela. Francisco José Karam . sim. que comungam rotinas e valores. O centro de gravidade moral de uma profissão desloca- se num raio mínimo. iniciativas isoladas que tentam traçar linhas imaginárias que orientem os profissionais na sua lida diária.

Baldessar (2003. historicamente. para as quais chegou a elaborar um plano”. p. p. o que se percebe é que o grosso das iniciativas para a preservação de valores e atenção ética se dá em dois ambientes: nas entidades de classe e na academia. entre os jornalistas. 97) conta que. O primeiro código de ética dos jornalistas brasileiros vai surgir em fevereiro de 1949. de mais reflexão social. por exemplo. essas entidades de classe não apenas atuam nas esferas de defesa dos direitos e interesses dos jornalistas. Sete anos depois. admitia a elevação do nível profissional por meio de escolas. esses esforços se liquefazem diante da complexidade das situações. a propor a criação de um tribunal de imprensa. provocando novos debates nos anos seguin- tes. marcadamente liberais”. Em 1926. Adísia Sá (1999. As pri- meiras são sindicatos e organizações associativas que reúnem os profissionais tendo como frente demandas relativas ao trabalho. no primeiro Con- gresso Brasileiro de Jornalistas. Barbosa Lima Sobrinho chega. mas também pro- movem ações de reforço aos valores que dão o perfil identitário da profissão.tanto. a pre- ocupação com a ética data dos primeiros tempos de sua organiza- ção como categoria profissional. inclusive. Assim. Pelo menos no jornalismo. motivado já pela Federação Nacional JORNALISMO EM PERSPECTIVA 220 . porque essas gozam de mais profundidade nas discussões. os jornalistas brasi- leiros balizam sua atuação pelos códigos vigentes em outros paí- ses. Mais perenes são as iniciativas coleti- vas. a Asso- ciação Brasileira de Imprensa (ABI) “ocupava-se com os delitos de Imprensa e das incontinências de linguagem dos jornalistas. o tema da ética profissional foi in- tensamente discutido. Não é à toa que. nessa época. Em 1911. códigos de ética sur- jam a partir das discussões que essas entidades lideram e estimulam. frente ao dinamismo da vida e à tensão freqüente dos muitos interesses em jogo. 39) relata que. “embora ainda não tenham um código de ética definido. de mais legitimidade e autoridade moral. idéia que não avança.

dos Jornalistas. em Porto Alegre.). Além disso. apesar de fixar os deveres e os valores que balizariam a conduta. O texto deste segundo código já era mais sintético. o segundo código deontológico dos jornalistas não estabelecia as sanções àqueles que desacatas- sem o documento.cit. mas o texto não chegou a ser votado. Quem fazia cumprir o código eram os sindica- tos e eles deveriam decidir as sanções conforme as regras de seus estatutos de funcionamento. pp. Por isso. a dignidade e o decoro de alguém”. com apenas quinze artigos e duas disposições gerais. os jornalistas manifestavam preocupação com a imparcialidade. preocupava-se com o emprego de ternos dúbios pelo jornalista. prolixo e com poucas condições de pereni- dade. um novo código de ética foi discutido. Fenaj – fundada em 1946 – e aprovado no terceiro congresso nacional da categoria em Salvador1 . O documento era relativamente longo. O código de 1949 “considerava indecliná- vel dever das empresas coibir a publicação de estampas e fotogra- fias que possam ferir o pudor público. e “sem que houvesse aceitação dos participantes – mes- mo assim foi aprovado”. cuja conduta deveria se pautar por valores que elevassem e digni- ficassem o ser humano. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 221 . Mesmo assim. durante o 12º con- gresso da categoria. o que poderia induzir o leitor a erro e à desinformação. Em 1968. No conteúdo.219-220) relata que os jornalistas Alberto Dines e Washington Novaes teriam formulado uma proposta de código de ética a pedido da ABI. a primeira carta de intenções deontológicas dos jornalistas brasileiros já estava caduca. fixava os deveres fundamentais do jornalista. O código ainda apontava a necessidade do profissional esforçar-se para “aprimorar seus conhecimentos técnico-profissionais. com a condição do profissio- nal e seu compromisso com a comunidade. Entretanto. lembra Adísia Sá (op. 1 Mario Erbolato (1982. com o sigilo de fontes. sua cultura e sua moral”.

a discussão sobre a ética continuava a atrair os olhares dos profissionais. condena o arbítrio. o acesso à informação como um direito do cida- dão e o exercício de informar como um dever do jornalista. o Código de Ética do Jornalista Brasileiro é parecido com a sua versão anterior. o código tem consonância com os principais documentos internacionais acerca do papel dos meios de comunicação e dos jornalistas. no Rio de Janeiro em 1985. tornando-se o terceiro código de ética dos jornalistas brasileiros. na de Caucaia. o 21º Congresso Nacional da categoria faz adendos ao texto. Da 8ª Conferência de Goiânia. Não são mais os sindicatos quem deliberam sobre as sanções aos faltosos. na Conferência de Manaus. Trata. prega a liberdade de expressão. por exemplo. define os trâmites de um processo nas comissões de ética quando se observa desvio ou falha deontológica. Os sindicatos criam comissões locais para a discussão de um novo texto deontológico nacional. versão que vigora até hoje. a Declaração da Unes- co sobre os meios de comunicação (1983). Contemporâneo e bem situado. mas frisa trechos estratégicos. Cea- rá. orienta a conduta do profissional e ressalta a sua responsabilidade so- cial. Reforços a essa proposição são feitos em 1977. a Declaração de Prin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 222 . e em 1981. A Fenaj indica uma comissão para reunir as sugestões vindas de todo o país. partiu a orientação de que os sindicatos deveriam promover debates acer- ca dos valores que norteavam a atuação dos trabalhadores em ve- ículos de comunicação. tais como o Código Lati- no-Americano de Ética Jornalística (1981). a censura e a opressão. por fim. Com 27 artigos. O texto foi amplamente discutido e aprovado. Em 1971. e o jornalista minei- ro Didimo Paiva assume a relatoria do documento que seria apre- sentado na 15ª Conferência Nacional. Em 1986. O órgão dá sustentação ao texto e a partir de 1987 os sindicatos se ajustam para seguir as novas orientações de observação deontológica. e cria a Comissão Nacional de Ética e Liber- dade de Expressão.

as comissões de ética são um advento recente. prestes a comple- tar vinte anos2. a De- claração de Chapultepec (1994) e a Declaração de Princípios para a conduta dos jornalistas. a comissão que atuou de 1987 a 1990 chegou a analisar alguns ca- sos.cípios da American Society of Newspapers Editors (1975). quando. gerando debates internos e notas públicas. a primeira Comissão de Ética do Sindica- to dos Jornalistas Profissionais surgiu em 1987. destacadamente em 1989. da Federação Internacional dos Jornalis- tas (FIJ). São elas também que propagam com mais empenho os valores próprios da profis- são. Por determinação do Código. e assim o fazem com maior autoridade porque contam com mais legitimidade. Jarson Frank. uma parcela dos trabalhadores do jor- nal O Estado. os membros eram Eduardo Meditsch. enquanto que outros jornalistas assumiram as funções dos grevistas. de Florianópolis. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 223 . Entre os propósitos principais do grupo. Elaine Borges. estavam a institucionalização da comissão e a divulgação de sua existência e finalidades. A dis- 2 Segundo Moacir Pereira. As comissões de ética Principais braços dos sindicatos no campo da deontologia. na gestão de Celso Vicenzi. Sérgio Lopes e Mario Medaglia. naquela época. presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina no final dos anos 70. as questões pertinentes à ética jornalística eram tratadas pela diretoria da entidade. são essas comissões que recebem denúncias sobre supostos desvios éticos. Em fevereiro daquele ano. decidiu cruzar os braços. datada de 1954 e emendada em 1968. quando o assunto se mostrava mais grave. acompanhou o embate entre dois grupos de jornalistas por ocasião de uma greve. e que dão o devido encaminhamento aos casos concretos. inclusive. Em Santa Catarina. Apesar de ainda pouco conhecida. Escolhidos por uma assembléia da categoria após a elei- ção da diretoria da entidade – conforme estabelece o Código -.

Dois nomes se mantiveram – os de Eduardo Meditsch e Elaine Borges – e a eles se somaram os de Ademar Vargas de Freitas. o Papel Jornal. Não é à toa que deste período emergiram severas punições em processos éticos no Estado: duas advertências públi- cas a jornalistas. Foi num ambiente como esse que a Comissão de Ética do Sindicato atuou. veiculadas nas páginas dos quatro principais jor- nais catarinenses3 .cussão sobre se a adesão à paralisação teria sido uma infração ética foi a espinha dorsal do processo que consumiu dois meses de tra- balho da comissão do Sindicato. “O Estado” e “Jornal de Santa Catarina”. Essas transformações contribuem para um resgate de alguns princípios esquecidos pela população (ou pelo menos recalcados pela ditadu- ra militar). Em 1990. uma nova Comissão de Ética foi escolhida pela assembléia dos jornalistas. o Sindicato não tinha ainda o seu próprio informativo impresso. mas penalizou o proprietário do jornal. a “impunidade” e o “mandonismo”. a Constituição de 1988 se infiltra positivamente no cotidi- ano dos cidadãos. Francisco José Karam e Moacir Loth. com a sua exclusão do quadro de associados do Sin- dicato. “civismo” e “justiça”. E todas as suas decisões mais importantes eram veiculadas na Coluna dos Jornalistas. Os tempos são de definições importantes na vida social brasileira: o primeiro presidente civil após o Golpe de 1964 é eleito direta- mente. Camadas sociais cada vez mais expressivas vão recha- çar o “jeitinho brasileiro”. já que havia claro conflito de interesses naquela condição. Num dos casos. publicada em “A Notícia”. José Matusa- lém Comelli. e esse espírito vai ajudar a forjar uma casca moral um pouco mais rígida no imaginário nacional. Em sua decisão. a Comissão de Ética não entendeu que os jornalistas tinham ferido os princípios do Código. Pelo menos no terreno da administração pública. Uma atmosfera de legalismo se espalha pelo país ao mesmo tempo em que se multiplicam as denúncias sobre corrupção na esfera pública. “Diário Catarinense”. um colunista foi advertido por 3 Na época. Fixam-se na mentalidade coletiva va- lores como “cidadania”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 224 .

toma posse a terceira Comissão de Ética do SJSC: Francisco José Karam.defender a aplicação da censura e estimular a demissão de jornalis- tas. Moacir Loth. Em 1997. a Comissão de Ética decidiu consultar a categoria para aperfeiçoar seu trabalho. Aluízio Amorim. Mario Xavier. o réu desrespeitara acintosamente fontes men- cionadas em suas crônicas. em outro caso. Doroti Port e José Gayoso. são eleitos Silvio Melatti. As respostas apontaram para o fato de que nem todos se consideravam bem informados sobre ética. os envolvidos tiveram amplas con- dições para se defender. conforme lembrou Francisco José Karam. Para um período de mais três anos. foi distribuído entre os jornalistas de diversas partes do Estado. mas que to- dos achavam muito importante o assunto. e entre 1994 e 2000. Nas duas situações. mas simplesmente ignoraram as convoca- ções da Comissão de Ética. Para isso. Entre 1991 e 1993. um questionário simples. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 225 . com o apoio da Agência de Comunicação (Agecom-UFSC) e da gráfica da Univer- sidade Federal de Santa Catarina4. 4 Esse mesmo esforço já havia sido feito em 1992 na Comissão de Ética anterior. As duas comissões trabalharam sob o perío- do das gestões de Sérgio Murillo de Andrade à frente do Sindicato e não apenas analisaram denúncias como também tiveram ações afirmativas como a impressão e distribuição de milhares de exem- plares de bolso do Código de Ética do Jornalista. a instância se consolidou como referência ética no Estado. Em 1993. o Código de Ética foi ferido e em ambos os casos. e as denúncias de condutas re- primíveis cresceram nos anos seguintes. os arquivos da Comissão no Sindicato contabilizam a tramitação de sete casos. com sete perguntas. A sondagem ainda reu- niu sugestões e considerações sobre como a Comissão de Ética deveria atuar melhor. Com os resultados do trabalho. em 1996. Celso Vicenzi. Elaine Borges e Eduardo Meditsch. mais seis.

O estudo mos- trou que há dúvidas quanto ao alcance e eficiência do Código de Ética como um instrumento forte na orientação da conduta dos jornalistas. como exigir-lhes que os acessem?” (Christofoletti. o que inibe a apresentação de novas denúncias. questionei pessoalmente os jornalistas locais sobre a sua confiança na eficácia do Código de Ética e no andamento dos processos nas comissões competentes. Edelberto Behs. duas não deram an- damento – ou por não ser da competência de análise da Comissão ou por fugir de seu alcance de julgamento. o número de denúncias vem caindo gradativamente. Mesmo tendo pouco poder punitivo – a expulsão do Sindi- cato e a advertência pública são as maiores sanções. houve uma evidente renovação nos quadros da Comissão de Ética do sindicato catarinense. Em 1999. Entre 2000 e 2001. Destas. para garantir o equilíbrio da avaliação já que a denúncia havia partido de um dos membros da própria comissão catarinense. Tanto é que entre 2001 e 2004. 2003. Muito possivelmente por causa disso. foram protocoladas na sede do Sindicato apenas quatro ocorrências. foram escolhidos os jornalistas Maria José Bal- dessar. conforme o Código -. ob- servou-se também. Francisco José Karam e Sérgio Murillo de Andrade. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 226 . Laudelino Santos Neto. as comissões de ética perdem muito de seu poder de atuação. p. Depen- dentes das queixas externas e submissas às sanções do Código. Celso Vicenzi.139). Uma terceira foi enca- minhada à Comissão Nacional de Ética e Liberdade de Expressão. Nilson Lage. Para o período de 2002 a 2005. A pesqui- sa revelou que os próprios jornalistas “desconhecem muitos dos dispositivos que têm para fiscalizar seus procedimentos sob um prisma de valores éticos. Se não os conhecem. da Fenaj. Eduardo Meditsch e Lau- delino dos Santos Neto. Assumiram os postos os jornalistas Raquel Moysés. as comissões vêm trabalhando.

e do professor da Universidade Federal. pauta no evento que ocorreu de 31 de outubro a 4 de novembro de 1990. Ao longo das celebrações. os debatedores foram os jornalistas Moacir Pereira. Não é à toa que o assunto será tema de uma série de eventos promovidos pelas entidades classistas. À época. Na segunda quinzena de agosto de 1992. Realizado em Rio do Sul. Fernando Portela. com o secretário de governo de Brasília. Em Santa Catarina. Hélio Schuch. em 2003. com as presenças do diretor de comu- nicação da Fiat. Em 1995. sobre o ensino de comunicação e sobre a ética e a democratização dos meios. Um ano antes. e “Jornalismo. Oito anos depois. o então editor de Zero Hora. Com um código deontológico nacional e comissões de ética em todos os estados. mais uma vez. Blumenau reuniu a categoria para o 2º Congresso Estadual dos Jorna- listas.Eventos A discussão sobre a ética profissional ganha mais evidência a partir do final dos anos 80. o 1º Congresso Estadual dos Jornalistas vai espelhar essa tendência. Augusto Nunes. Hélio Doyle. Florianópolis sediou o 24º Congresso Nacional dos Jornalistas. a democratização da comunicação e a ética profissional. Florianópolis deu lugar ao 14º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação JORNALISMO EM PERSPECTIVA 227 . e o professor Nilson Lage. o evento trouxe em seu programa um painel que discutiu a lei de imprensa. do então ombudsman do AN- Capital. No programa. Os clamores por mudanças na lei de imprensa e na es- trutura concentrada dos meios de comunicação brasileiros foram. ética e poder”. debates sobre o mercado de trabalho. o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina com- pletou 40 anos de atividades. Sérgio Murillo de Andrade e Francisco José Karam. Mario Xavier. entre 11 e 13 de outubro de 1991. os jornalistas colocam o debate sobre a conduta profissional no centro de suas preocupa- ções. destaca- ram-se dois concorridos debates envolvendo a ética jornalística: “Que jornalismo é esse?”.

Santa Catarina viu surgir onze cursos superiores para a formação de jornalistas. No ambiente acadêmico. há outro ambiente igualmente fértil para essas reflexões: a universidade. Em 25 anos. Po- rém. As escolas Enxerga-se com mais nitidez nas entidades de classe as dis- cussões que os profissionais fazem sobre a ética jornalística. que passam a considerar que exista uma distância intransponível entre a teoria e a prática. o ensino propicia a repetição e a transmissão desses valores deontológicos às próximas gerações de jornalistas. entre a cotidiano concreto e o ideário das escolas. É nessas escolas que se forma o grosso da mão JORNALISMO EM PERSPECTIVA 228 . Sob a rubrica “Ética. confrontando-as com os valores já cristalizados. Grande parte da produção intelectual sobre ética jornalística vem da academia. em Florianópolis – que atendem a esses propósitos. Formação e Mercado”. percebe-se que a academia e a organização classista são os nichos mais estruturados de discussão da ética profissional e onde se vê com mais transparência essa preocupação. com os clientes e com os colegas dos meios de comunicação. E isso se observa nas estantes e nas novas gerações que passam a ocupar mais espaços nas redações. E todas as regiões hoje são contem- pladas com unidades de ensino – quase todas particulares. com exceção da Universidade Federal. os eventos reuniram mais de trezentos participantes que discutiram também o tema da ética nas relações com as fontes de informação. De qualquer modo.(Enjac) e ao 4º Encontro Internacional de Jornalistas em Assessori- as de Comunicação no Mercosul. Esse embate gera uma atmosfera de crítica e autocrítica que nem sempre é bem recebida pelos profis- sionais desconectados das universidades. A pesquisa científica e a produção de conhecimento ajudam a repensar as práticas do mercado.

Univali. 2003) e “A ética jornalística e o inte- resse público”. UFSC e Ed. e outro que oferece ao aluno duas disciplinas separadas. “O arsenal da democracia” de Claude-Jean Bertrand (Edusc. No segundo. organizado por Raquel Paiva (Mauad: 2002). os últimos quinze anos assistiram a uma avalanche de lançamentos editoriais na área. parte das universidades a maioria dos livros produzidos sobre jornalismo. de Bernardo Kucinski (Fundação Perseu Abramo. cidadania e imprensa”. de Rogério Christofo- letti (Ed. Neste contexto na- cional. a UnC (Concórdia). o Ielusc (Joinville). a Unisul (Palhoça e Tubarão). No primeiro modelo. 1997). 2002). de Mayra Rodri- gues (Escrituras. 1998). “Ética e jornalismo”. 1999). a Facvest (Lages) e a Unidavi (Rio do Sul). a Estácio de Sá (São José) e o Ibes (Blumenau). Além do ensino da técnica jornalística e do estímulo à refle- xão. a Univali (Itajaí). es- tão a UFSC. é importante citar alguns títulos vindos da academia: “Jorna- lismo. ética e liberdade”. a Unochapecó (Chapecó). de Claude-Jean Ber- trand (Edusc. de Daniel Cornu (Edusc. A academia tem funcionado como um pólo gerador de novos conhecimentos e de muita reflexão sobre o fazer-ser jornalista. “Ética da informação”. E se o assunto é ética jornalística.de obra que abastece o mercado de trabalho local. Há basicamente dois modelos: um que oferece a disciplina de Legislação e Ética em Jor- nalismo. de Francisco José Karam (Summus. de Francisco José Karam (Summus. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 229 . “Ética. 2004). No campo da deontologia. As disciplinas constam de 4 créditos e carga horária que varia de 60 a 72 horas/aula. 2002). inclusive com contribuições de Santa Catarina. 1998). sendo uma de Ética Jornalística e outra de Legislação em Comunicação. todos os cursos contam com matérias vol- tadas à discussão da conduta profissional. “A deontologia das mídias”. “Monitores de mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos”. “Síndrome da antena parabólica”. Mas não apenas isso. que instrui sobre aspectos legais da profissão e que arra- nha valores e princípios morais da profissão.

visivelmente ligado ao em- presariado da radiodifusão gaúcha.O que há adiante Em 2004. da política nacional e até de parcelas da categoria. Para muitos. a proposta recebeu uma sa- raivada de críticas do empresariado de comunicações. Boa parte do caminho parece já ter sido palmilhada. dan- do transparência ao seu trabalho e difundindo a existência de um sistema próprio de avaliação da conduta profissional. Não totalmente compreendida. a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) con- seguiu o apoio do governo federal para a tramitação no Congresso de um projeto de lei que criaria o Conselho Federal de Jornalismo e suas instâncias regionais. perdeu-se uma histórica chance de discussão aprofundada sobre as condições em que se produz jor- nalismo no país. Os con- selhos de jornalismo poderiam fazer valer os princípios e valores éticos expressos pelos jornalistas em seu código deontológico. A medida tinha entre os seus objetivos fortalecer o Código de Ética na medida em que traria mais condi- ções à categoria de punição aos profissionais faltosos. Existe ainda a necessi- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 230 . Adiada essa possibilidade. era uma solução a pouca efetividade das sanções aplicáveis e à ofer- ta de um instrumento importante para a sociedade. Perdeu-se ainda uma excelente oportunidade de constituir um instrumento público de acompanhamento da condu- ta dos jornalistas. As entidades de classe – como os sindicatos e a própria Fenaj – precisam fortalecer suas comissões de ética. visando o cumprimento do código de ética e a atuação profissional em defesa dos interesses do público. o que há pela frente? Muita coisa pode ser feita. O projeto de lei tramitou aceleradamente no Congresso Nacional e foi rejeitado pelo relator. As entidades precisam dar mais visibilidade a essas instâncias bem como disse- minar mais e mais o seu código deontológico na tentativa de intro- jetá-lo na vida cotidiana dos trabalhadores. Com o descarte dos conselhos profissionais para os jornalistas. o deputado Nelson Proença (PPS-RS).

a construção de um processo em que a ética esteja no centro das preocupações jornalísticas é lento. por sua vez. Itajaí-Florianópolis: Ed. UFSC. Mario. Esse processo depende também de um engajamento coletivo. Insular. nos eventos promovidos. 2003 ERBOLATO. nos documentos oficiais e nas manifestações públicas. As escolas de comunicação. é necessária ainda revisão contínua das regras que a categoria e o público estabelecem. Univali e Ed. Rogério. de reflexão intensa. Florianópolis: Ed. podem investir mais na pesquisa e no ensino da deontologia. A academia precisa se aproximar mais do mercado de trabalho e das entidades de classe. preocupadas com a boa formação dos profissionais e com a sua permanente reflexão sobre o bom exercício da profissão. Enfim. Deontologia da Comunicação Social. UFSC e Ed. Monitores de Mídia – como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos. de crítica e autocrítica permanentes. Referências Bibliográficas BALDESSAR. Portanto. 2003 CHRISTOFOLETTI. estabelecendo pontes de entendimento comum. É um caminho que se faz no gerúndio. Maria José. enfrentando o claro desafio de tornar a disciplina tão prática e concreta quanto qualquer outra matéria que trate da técnica no jornalismo.dade de que o tema da ética permaneça vivo nas rodas de discus- são da classe. 1982 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 231 . porque segue regras históricas. é um caminho que não se faz isola- damente. Petrópolis: Vozes. A mudança anunciada – o cotidiano dos jornalistas com o computador na redação.

ética e liberdade. ampliada e atualizada. 1997 SÁ. 2ª edição revisada. de 1946 a 1999.KARAM. Francisco José. SP: Summus Editorial. 1999. Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha. Jornalismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 232 . Adísia. O jornalista brasileiro – Federação Nacional dos Jornalistas.

Eles surgem por necessidade social e porque não é possível “descobrir a roda” a cada momento. podem responder. É possível conhecer . precisamente. Isto é. mais sa- ber. sem precisar que a forma quadrada se arredonde ao longo de décadas ou séculos. vencedora na categoria Instituição Paradigmática. ainda que como qualidade sempre em discussão. Num volume como nunca na história da humanidade. Como conhecer? Duas das mais antigas universidades do pla- neta. Quando a informação aumenta e a tecnologia se acelera e diversifica. pode-se respon- der que é para formar profissionais jornalistas. dos espaços sistematizados e acelerados dos processos de conhecimento. a de Bolonha.e ainda mais rapidamente . resulta- 1 Parte deste texto formou o dossiê da candidatura do Curso ao Prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação 2004.por meio. hoje temos informações instantâneas e dobra-se o volume de informa- ção e conhecimento a cada dois anos. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 233 . jornalista profissional. os campos de conhecimento. Francisco José Castilhos Karam A contribuição das escolas: o curso da UFSC 1 Para que deve existir um curso de Jornalismo? Para formar profissionais cidadãos? Para formar para o mercado? Para formar críticos do mercado? Ainda que resumidamente. por meio do entendimento de como é possível fazê- la. Teríamos de juntar as duas palavras numa só – o jornalista profissional e pensar sobre o que é ser isso. circula mais conhecimento e. (Itália) e Salamanca (Espanha). os centros de estudos. chega-se a ela rapidamente. que permane- cem campos de sistematização do saber apesar dos mais de oito séculos que as sustentam. potencialmente.

No entanto. isso era apenas um sonho para alguns. que me pareceram importantes para afirmar o curso de Jornalis- mo da UFSC no cenário catarinense e nacional. E para afirmar a necessidade de formação graduada em Jornalismo. em sua forma mais elevada e complexa. Assim. tanto diante da multiplicidade de mídias e de desdobramento tecnológico quanto diante das especificidades de ordem ética. em centros de estudos e. contemporaneamente. A primeira foi a da Universidade Federal de Santa Catarina. Da proposição política à qualificação integral em Jornalismo Desde sua fundação. como pioneira na formação de jornalistas. mais 10 cursos. E mais: uma forma moral de ser profissional. com os desafios JORNALISMO EM PERSPECTIVA 234 .do da diversificação dos saberes e da divisão social do trabalho. Passados 26 anos. teórica. A profissão jornalísti- ca seguiu tal tendência por necessidade social e para a afirmação de um ethos que significa uma forma de ser profissional. E. também. em universidades. um duro projeto a ser criado. adequado tecnicamente e com suporte para a reflexão teórica e ética do jornalismo e da mídia. a UFSC foi destacada para integrar o livro alusivo aos 50 anos do Sindicato. dos muitos possíveis. necessária. transformam- se. e um local onde se possa acessá-los mais rapidamente. faço apenas alguns registros. tarefa certa- mente delicada. já que é preciso uma certa recuperação de um árduo período. Mas. em meados dos anos 70. os que agora chegam encontram um am- biente estruturado tecnologicamente. seguindo-se. em 1979. As escolas de Jornalismo em Santa Catarina só chegam no final de 1979. nos últimos 26 anos. estética e téc- nica que a profissão e a formação para ela demandam. o curso de Jornalismo perse- gue a excelência no ensino e o compromisso com a sociedade.

O ambiente então. Luiz Lanzetta. a mídia e o jornalismo no país apresen- tavam alguns desafios: de um lado. contra a visão então hegemônica de setores profissionais e acadêmicos do estado catarinense. com o apoio institucional de alguns administradores da UFSC. Carlos Müller. ser necessário um curso de graduação em Jornalismo. a resistência ou a desconfiança em relação a um curso universitário de Jornalismo em Santa Cata- rina (o primeiro) em ambiente em que a maioria dos profissionais que então atuavam não tinham diploma na área ou. Paulo José da Cunha Bri- to. nos primeiros cinco anos. de grande qualidade técnica e teórica. hoje aposentado. de outro. professores e pesquisado- res consideraram. no início dos anos 80. sequer. geral e irrestrita” e a incipiente constituição de pólos universitários de ensino e pes- quisa sobre a comunicação. em sucessivas reuniões. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 235 . que o curso estruturou seu projeto pedagógico com base no conhecimento 2 Ver mais detalhes sobre a formação inicial das comissões e primórdios do curso no capítulo de Mário Xavier. Assim. César Orlando Valente. a criação do curso e acompanhava os debates nacionais e internacionais sobre a formação acadêmica. a luta pela “anistia ampla. Ayrton Kanitz. Entre eles. de gra- duação em outra área.exigia um campo de sistematização do conhecimento prático-teórico e do envolvimento de tal campo com os novos desdobramentos sociais que o país viveria dali por diante. um punhado de profissionais. que defen- deu. que vivia o final da ditadura militar. iniciado em 1979. E foi de 1979 a 1984. Daniel Koslowski Herz. Pontificam. teve logo o ingresso de jornalistas então muito jovens.dada a complexidade crescente social e a profissionalização em outras regiões . que contribu- íram para a rápida qualificação acadêmica . que integra este livro. a realidade . destacou-se a figura do jornalista Moacir Pereira2 . Maria Elena Her- mosilla e Orlando Tambosi. O curso. ainda que a estrutura funcional fosse incipiente.e obstáculos a serem superados.

por posicionamentos políticos contra a ditadura e por mudanças sociais no país. então. vinculando sua formação tanto ao exercício diário do jor- nalismo quanto às questões sócio-políticas e econômicas da socie- dade brasileira. realizando excelente trabalho operacional. as lutas pelas políticas democráticas e públi- cas de comunicação (movimento iniciado em 84 na UFSC por meio de Daniel Herz). o então professor Ayr- ton Kanitz). das primeiras reivindicações por mais equipamentos e pro- fessores. em 1983). eleito em 2004 presidente da Federação Na- cional dos Jornalistas). com o envolvimento de alunos e professores (organizando o Congresso da União Católica Brasileira de Comunicação. Ao grupo de professores. o En- contro Nacional de Estudantes de Comunicação. somavam-se dois dos principais funcionários técnico-administrativos que dariam sustentação às ati- vidades administrativas. para alocação de salas de aula e laborató- rios. além do contra- to de trabalho. e na qual se formou Sérgio Murillo de Andrade. três mil pessoas. À cultura de comprometimento com mudanças políticas so- mava-se a necessidade de formar com qualidade os futuros jorna- listas. como a luta pelas Diretas Já (nome da terceira tur- ma. Tal etapa. além do expediente e do período letivo: foi época de luta por espaço físico. as mudanças na profissionalização e no compro- misso do jornalista com a sociedade (concorrendo. a participação em eventos de porte nacional e estadu- al. formada em 31 de março de 1984. que custou aulas no saguão da JORNALISMO EM PERSPECTIVA 236 . em 1982. buscando formar profissionais qualificados do ponto de vista teórico e técnico e com preocupações éticas e es- téticas. Dalton Barreto e Sônia Silva. para a presi- dência do Sindicato dos Jornalistas.Felafacs.prático-teórico. em 1981 – memorável encontro que reuniu. o en- contro da Federação Latino-Americana de Faculdades de Comuni- cação Social . o primeiro até hoje no curso de Jornalismo. em 84. Tal tarefa exigiu dedicação além do previsto.

No entanto. supe- rando resistências do campo da Comunicação. Foi um período de ingresso de novos e jovens professores. Em novembro de 2004. entre eles Herz.Reitoria. Maria Elena e Valente. Lanzetta. autor de diversos livros sobre política e um especial so- bre Teoria do Jornalismo. hoje um clássico na área. falecido cinco anos depois. tendo retornado. que até hoje perdura. que se tornou disciplina no curso de UFSC e em vários espalhados por todo o país. refratária a estudos específicos sobre jornalismo. Müller. alunos e categoria pro- fissional. Foi o reconhecimento pelo pioneirismo na constituição de uma teoria bem sistematizada para a área. As culturas profissional e política se ampliavam. com professores e ex-alunos. convidados a atuar em novos e desafiantes projetos. Kanitz. nome que obteve a maio- ria dos votos diante de quatro apresentados no 2º Encontro da SBPJor. que uniam militância polí- tica e experiência/cultura profissional. responsável pela ampliação das preocupações e reflexões sobre a área. Foi no início dos anos 80. capitaneada pelo recém-professor Hélio Schuch e já então coordenador do curso. para co- laborar na manutenção da qualidade didático-pedagógica do proje- to. além de acompanhar o movimento do curso até 2005. tornando-se referência teórica e ética para os colegas. como substituto ou convidado. embora este último sempre tenha mantido relação muito próxima à insti- tuição. De 83 a 88. quase todo o grupo inicial sempre manteve conta- to. o curso teve algumas modificações estruturais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 237 . como em 1986. no país e exterior. com a saída então do primeiro grupo de professores. que ingressou nos quadros do Jornalismo da UFSC o professor Adelmo Genro Filho. protestos estudantis e luta pela defesa da formação (di- ploma). precisamente em março de 1983. a Assembléia Geral da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo criou o Prêmio de Pes- quisa em Jornalismo Adelmo Genro Filho. em Salvador (Bahia).

Ricardo Barreto. continuando nos últimos seis. iniciando-se discussões sobre um novo currículo. Muitos alunos têm participado de pro- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 238 . nos últimos cinco anos. Carmem Rial. Gilka Girardello. Neila Bianchin. Francisco José Casti- lhos Karam. de 2000 a 2005. já no decorrer dos anos 80. como debates ético-deontológicos junto com o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e com a Federação Na- cional dos Jornalistas. Da mesma forma. o curso sempre esteve atuando ao lado das ques- tões profissionais. que amplia a cultura profissional naquela década e se torna responsável pelo desenvolvimento de pesquisas. ou logo depois. que. Valci Zuculoto. os Direitos Autorais. de vista. a Lei de Imprensa. a intervenção e a discussão sobre a formação profissional. o Conselho de Comunicação Social. o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e muitos outros temas. chega ao curso o professor Eduardo Barreto Vi- anna Meditsch. Simultanea- mente. mantendo o compromisso com as grandes questões sociais sem perder a necessidade sempre renovada de atualização curricular. ingressam professores como Hélio Ademar Schuch. Mauro Pommer. Durante todos os 26 anos. Sérgio Weigert e Sérgio Mattos. Luiz Scotto. Fernando Crócomo. Regina Carvalho. o Conselho Federal de Jornalismo. Aglair Bernar- do. envolvimento com temas da categoria profissional e qualificação prático-teórica. e de projetos de extensão. Carlos Locatelli. ao lado de já ex- alunos como Maria José Baldessar . mais adequado aos novos rumos sociais e de acordo com os desdobramentos tecnológicos que o final da década de 80 e anos 90 iriam enfrentar. não perdendo nunca. especial- mente na área de rádio. ampliou-se a par- ceria para melhorar a formação dos profissionais. Em 1982. por meio da criação de espaços específicos de debates sobre a profissão e da qualificação prático-teórica. Áureo Moraes e Ivan Giacomelli (estes entre o final dos anos 80 e década de 90) renovam os desafios.

além de refletir necessidades de novas áreas e procedimentos. e por meio de dois progra- mas especiais. do Estado de S. por exemplo – também. é for- mada por tópicos especiais. buscando novas exigências e estimulando novos estudos. no fato de que o currículo é “móvel”. Ensino/Currículos Depois de passar por sucessivas mudanças ao longo de 26 anos.gramas de estágio ou aperfeiçoamento como os da TV Globo. em torno de 55 a 60%. Parece que. Paulo. além de cursar as necessárias obrigatórias e as optativas – podendo dar ênfase mais à área de mídia impressa ou telejornalística ou digital. A explicação está. Projeto Caras Novas (hoje desativado) da Rede Brasil Sul. Há uma parte de disciplinas obrigatórias. O último currículo. Editora Abril. Acredita-se que assim deve ser. como Intercom. e subscrito pelas principais entidades da área. Abecom e Enecos. permitindo tanto a busca pelo emprego quanto mantendo a capacidade crítica diante do en- torno profissional e social. de 1991. Com- pós. assim. sem nome de disciplina apriorístico. por razões que parecem ser mais um mérito do que dificuldades em alterá-lo. tanto específicos profissionais quanto de carências sociais. além de ser optativa. uma parte de dis- ciplinas optativas e uma terceira que. por meio de tópicos. é possível adequar rapidamente (a cada semestre) as ne- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 239 . atualizado em 1996. basica- mente. como o da Cátedra Fenaj-UFSC de Jornalismo para a Cidadania e o da Cátedra UFSC-RBS para aproximação ao mer- cado profissional. E contemplam o disposto no Programa Nacional de Qualidade de Ensino da Fenai. o currículo atual do curso de Jornalismo – o sexto de sua trajetória – está novamente em discussão. Sportv. aprovado em 1987. São projetos que ampliam e sedimentam a plura- lidade necessária ao ambiente universitário. é o mais longo da história do curso.

Há a opção. O curso também é voltado. um outro conjunto de disciplinas que ensinam a escrever e a pesquisar.cessidades de formação a aspectos emergenciais que surgem. Jornalismo on line. revistas ou jornais e similares). também. Radio I. Comunicação e Filosofia e o conjunto de tópicos e optativas per- mitem ao aluno chegar. relacionando sua futura atividade à sociedade em que a profissão está inserida. Teo- ria do Jornalismo. desde a primeira fase. ainda. há discipli- nas como Técnica de Reportagem. Na primeira fase. Assim. Ao mesmo tempo. no último ano. economia. podendo escolher tema adequado para o Trabalho de Conclusão de Curso. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 240 . jornal. pro- gramas de rádio ou tevê. juntamente com o suporte mais apropriado em cada caso. seja em investigação via internet. Pesquisa Científica (objeto de estudos em Jornalismo) ou Práticas Editoriais (por exemplo implantação de sítios digitais. Estética e Cul- tura de Massas. Método de Pesquisa. Assim. de buscar disciplinas em outros cursos da Universidade. história . permite a conexão entre aspectos es- pecíficos da profissão com o entendimento e a reflexão sobre as- pectos históricos do Brasil. para a formação profissional em Jornalismo. como disciplinas que podem ser. Foto. tele ou rádio). sobre questões de cultu- ra. junto com a de Comunica- ção e Realidade Brasileira I. Tal lógica percorre todo o currículo. acompanham as disciplinas como Tele I . Políticas de Comunicação. seja em voltadas para o texto de revista ou jornal. os TCCs permi- tem escolher. a área para desenvolver o projeto. Planeja- mento Gráfico. buscando o saber fazer e o saber pensar sobre o fazer. abrindo-se a interdisciplinaridade própria do Jornalismo. disciplinas como Teoria da Comunicação. por exemplo. Fotojornalismo. que lida com todas as áreas sociais. para revista. seja Grande Reportagem (por exemplo. Redação para Rádio e TV e outras laboratoriais que. política. Legislação e Ética do Jornalismo. comportamento – tanto por meio de reportagens em qualquer suporte quanto temáticas de discus- sões e seminários.

a partir de 1998. via internet. A mudança nas rotinas profissionais. o curso de Jornalismo ampliou significativa- mente seus projetos de extensão internos ou junto à comunidade. Nos 26 anos de existência. supervisionados por professores da área. que em média tem três mil acessos por dia. como Rádio Cultura e CBN. a cada 30 minutos. trazendo informações sobre a Universidade Federal de Santa Catarina e o mundo da Educação. cursar pós-gradu- ação ou trabalhar. em média. a Radioponto UFSC. Também o Unaberta Rádio mantém progra- mas sobre a Universidade e a Educação em emissoras locais. chega. No telejornalismo. no estado ou pelo país afora. o surgimento de novas tecnologias e a crise de em- pregabilidade gerou novos desafios e necessidades: atuar em as- sessorias de imprensa ou de comunicação. mesclando notícias com grandes reportagens te- máticas. e com plantões aos finais de semana. prestar serviços por meio de micro-empresas e similares. A produ- ção é feita por alunos bolsistas ou voluntários. hoje espalhados pelo estado e país. revistas. e mantém. o curso da UFSC formou ao re- dor de 800 profissionais. 24 horas no ar. Extensão A partir de 1991. rádios e tevês. a 10 mil acessos diários. a Revista da Semana e outros ocupam os espaços destinados pela UFSC TV JORNALISMO EM PERSPECTIVA 241 . além de vários terem escolhido o exterior para viver. o TV e Ação Comunitária. Muitos deles atuam em jornais. tanto no âmbito da própria UFSC quanto no estado e no país. Hoje. em coberturas especiais como o vestibular ou durante as greves. portais. O Unaberta Digital. o Projeto Universidade Aberta obtém reconhecimen- to nacional. Trata-se de sítio digital com atualização. tarefa a que muitos hoje se dedicam.

sítios digitais produzidos – 21. a cada ano. e de entidades filantrópicas ou sem fins lucrativos. além de sítios digi- tais. chegou aos seguintes indicadores: progra- mas em vídeo – 252. a necessidade de buscar parcerias para profis- sionalizar os respectivos setores. no momento seguinte. Tais projetos foram intensificados a partir de 1998. edições de jornal – 8. o jornal-laboratório “Zero” e desenvolve-se. São projetos com a participa- ção de professores.(canal a cabo) e pela TV Cultura local (aberto). Destaca- se que. ain- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 242 . junto a uma escola do Bairro Pantanal. mesmo nos programas não diretamente vinculados à co- munidade. alunos e funcionários especializados. capazes de desenvolver pesquisas e projetos que auxiliem tanto a formação como desen- volvam o mercado qualitativamente. Com isso. o projeto Rádio Beatriz. Os Trabalhos de Conclusão de Curso ampliam os dados a cada ano. Mantém-se. ressaltando-se. junto à comunidade. como o da Associação dos Aposentados do Hospital Univer- sitário. projetos prestados junto à comunidade. acres- centando-se a cobertura do Vestibular e sua produção midiática jornalística. assessoria para de- senvolvimento de pequenas revistas e jornais. mas de segmentos do entorno social e da educação como um todo. os jornais murais. foram criados dois núcleos: o de Projetos Edito- riais e o de Televisão Digital Interativa. se produz um conjunto de pro- gramas que. da Associação Catarinense de Integração do Cego. envolvendo comunicação institucional – 14. Em 2004. Mantém-se o Núcleo de Radioteatro. há tratamento de temas de interesse não apenas da uni- versidade. sendo momento profícuo de apresentação e de debates sobre a formação e o resultado dela para o futuro jornalis- ta e para a sociedade. Foi criado. supervisionado por acadêmico bolsista. e bus- cam a captação de recursos junto a órgãos de fomento e estabele- cem parcerias com instituições públicas e privadas. programas de rádio – 1296. em 2003. junto à comunidade.

de 30 por sala.da. nos meses de março e agosto. hoje. mídia impressa. internet. com câmeras fotográficas e de vídeo de última ge- ração. tem produzido alguns projetos que resultam em sítios digitais JORNALISMO EM PERSPECTIVA 243 . softwares atualizados nas áreas de telejornalismo. com quatorze estações não lineares para edição de vídeo. foto. nas teóricas. que atende o conceito A no item es- pecífico previsto nos processos de avaliação dos cursos da área. é possível manter tal perspectiva. o Laboratório de Mídias Digitais e Convergência Tecnológica. destinado a melho- rar as condições de ensino e aparelhar tecnologicamente as insti- tuições federais de ensino superior. que se traba- lhe com um aluno por computador nos laboratórios. à chegada de equipamentos via Governo Federal. fotojornalismo. Com dois ingres- sos de 30 alunos. Estrutura laboratorial Em parte. a partir do início dos anos 2000. éticos e políticos. O número de equipamentos nos laboratórios de rádio. Grande Reportagem ou Práticas Editori- ais. este acréscimo de projetos deveu-se. conhecido como projeto Fungradão. característi- cas possíveis dada a divisão das turmas laboratoriais em no máxi- mo 15 alunos por sala e. permitindo que o aluno tra- balhe Pesquisa Científica. tal projeto fez com que o curso de Jornalismo da UFSC tenha conseguido – juntamente com outros apresentados junto a instituições de fo- mento – estruturar seus laboratórios. para desenvolver projetos adequados aos próximos anos. totalizando 60. com digitalização de praticamente todas as suas produções. Bem aproveitado. por exemplo. o espaço de planejamento e confecção dos trabalhos de conclusão de curso. sites e afins permite. radiojornalismo e jor- nalismo digital. tele. Da mesma forma. tanto no sentido de proposição de estudos e soluções quanto no de acom- panhar o desdobramento da área na atividade jornalística em seus aspectos técnicos.

técnico. estético e tecnológico. livros como repor- tagens sobre política. nível de Especializa- ção. voltado para a formação do jornalista qualificado nos planos teórico. em sua quarta edição durante 2005. por meio da Iniciação Científica. seja por meio de livros. é a cri- ação do mestrado acadêmico em Jornalismo. E programa ainda incipi- ente de pesquisa na graduação. O corpo docente.permanentes. da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalis- mo (SBPJor) e da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic). produz periodicamente nas suas áreas. ao qual se integraram nos últimos dois anos as professoras Gislene Silva e Heloiza Herscovitz. como o da SBPJor. concursos catarinenses e similares. Alguns dos trabalhos têm sido apresentados em eventos e obtido destaque. A perspectiva. dentro do espírito da plataforma Rede Alfre- do de Carvalho para a História da Mídia. como o de adoção de menores. os encontros da Compós (encontro de progra- mas das pós-graduações). mantém Programa de Estudos em Jornalismo e Mídia. juntamente com outros. para 2006. esportes ou narcotráfico. seja no corpo diretor JORNALISMO EM PERSPECTIVA 244 . Vários dos docentes integram diretorias de entidades de pesquisa na área. quer tem na UFSC a produção de seu sítio digital. Pesquisa/produção científica O curso de Jornalismo da UFSC é de graduação. artigos. ético. pesquisas sobre jornais catarinenses. Unaberta e Jornalismo no Cinema. resenhas e participações em eventos como os do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica- ção (Intercom). do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. seja no Expocom (premiação da Intercom para produção de alunos da graduação). Atualmente. seleção para apresentação em emissoras de rádio ou tevê. assim como em congressos em países europeus e nos Estados Unidos.

É o principal prêmio na área acadêmica e tal fato confirma os caminhos. além de torná-las mais úteis e consistentes no tratamento das questões de JORNALISMO EM PERSPECTIVA 245 .ufsc. agora já com 50 anos de experiência. hoje. os programas. os alunos. pelo terceiro ano consecutivo (2002. houve a atribuição de conceito Cinco Estre- las pelo Guia do Estudante da Abril. o currículo. onde poderá ser conhecida parte da trajetória. Mas certamente.br. Quando comemorou 25 anos. na categoria Insti- tuição Paradigmática. incluindo atividades profissionais e acadêmicas. E parte integra. 2003. Palavras finais O Curso de Jornalismo mantém. venceu o renomado prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação’2004. desde 1998. especial- mente a partir de 92. seu sítio digi- tal no ar. a produção científica e outros itens.ou como coordenação de Grupo de Trabalho. ao focar seu projeto didático- pedagógico em Jornalismo. incluindo. 2004). ainda que árduos. que. tam- bém. com a contratação do professor Nilson Le- mos Lage. cresceu a partir dos anos 1990. O projeto descrito aqui não é o único existente e nem o exclusivo a seguir. conselhos editoriais de revistas acadêmicas. mais especificamente no campo do Jornalismo. Também. A ampliação de estudos na área. trilhados pelo Jorna- lismo da UFSC na implementação e consolidação de seu projeto didático-pedagógico. Está acessível por meio de www. o corpo docente. o curso da UFSC ajudou a consolidar a profissão e a formação no estado catarinense e no Brasil.jornalismo. contribuiu para grande visi- bilidade social e profissional do curso por meio de sua extensa produção científica e reconhecimento nacional de sua atividade nas redações e na academia. nos dois últimos de forma isolada.

vinculadas às contribuições sociais que delas decorrem. encontrar um caminho que legitimou sua aposta: um projeto voltado para a formação de jornalistas. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 246 . o curso soube. pelo envolvimento de professores. servidores técnico-administra- tivos e alunos.interesse social a partir de sua especificidade. com as dimen- sões que significam as palavras formação e jornalista. precisamente por- que valorizou o profissional integral. Apesar das dificuldades ope- rativas no dia-a-dia de uma Universidade Pública.

industrial-tecnológico. como resposta à reorganiza- ção da sociedade civil e da promulgação da nova Constituição em 1988. de forma a atender o cidadão nas suas expectativas de uma informação cada dia mais ética. Mário Xavier A contribuição catarinense ao ser-fazer jornalístico e à Crítica de Mídia Nos 50 anos de existência do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) . nos anos 50: uma demanda da sociedade e da categoria. contribuintes e consumidores. no Bra- sil. Uma parte significativa dessas mudanças refletiu macro tendências mundiais e se inseriu. a redemocratização nos anos 80. em diferentes períodos como: o pós II Guerra. Nos anos 70. Os anos 90 representaram a tentativa de afirmação de um jornalismo voltado crescentemente para os interesses sociais am- plos. comercial-merca- dológico e de conteúdo editorial. os anos JK. E o movimento sindical ressurgiu também com mais força no começo dos anos 80. a pesquisa e a pós-graduação no campo midiático. resultante da própria evolução e complexidade cres- centes da mídia e do fazer jornalístico. eleitores. Surgiu então a consciência da necessidade de instrumentos e ferramentas que JORNALISMO EM PERSPECTIVA 247 . o neoliberalismo e a globalização dos anos 90. plural e de qualidade. a ditadura militar dos anos 60 e 70. a academia passou a aprimorar a formação. a imprensa do estado e do país registrou grandes e marcantes transformações nos cam- pos político-ideológico. incentivando a defesa pública dos direitos elementares dos cidadãos. As cinco décadas que nos antecederam coincidem com a criação dos primeiros cursos de Jornalismo e faculdades de Co- municação Social do país.de 1955 a 2005 -.

Adolfo Ziguelli. ainda há muito a construir e consolidar nesse campo. Jorge Cherem. A linha do tempo a seguir visa resgatar e pontuar cronologicamente momentos dessa traje- tória de contribuições catarinenses ao tema em pauta. A iniciativa foi de um Comando Permanente de Ação liderado pelos jornalistas sindicalizados Eu- rides Antunes de Severo. Mas já é pos- sível pinçar. Silveira Lenzi. que vinha descumprindo suas obrigações. Amaral e Silva e outros. tornando-se a entidade credenciada a representar e de- fender coletiva e juridicamente os interesses dos profissionais que atuam em todo o estado. no monito- ramento público e na auto-observação.recebe a Carta Sindical dia 13 de maio. ao longo dos anos. qualificar a atuação da categoria e abrir diversos caminhos para a formulação e exercício de uma crítica de mídia fundamentada na observação. mediante uma crítica sistemática da mídia e uma permanente atenção ao ser-fazer jornalístico. de oposição à dire- toria do SJSC na época. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 248 . buscando servir de inspiração e referência para pesquisas e projetos futuros mais detalhados e aprofundados sobre o assunto.como no Brasil de um modo geral -.contribuíssem mais diretamente para o aperfeiçoamento da im- prensa e dos jornalistas. ações práticas que contribuíram para aperfeiçoar o exercício do jornalismo. Melo Prates. 1962 a 1963 Registram-se as primeiras campanhas públicas pela valorização da categoria e promoção de valores éticos e profissionais junto aos associados e à comunidade.fundada em 18/11/1953 e que deu origem ao SJSC . 1955 A Associação dos Jornalistas Profissionais . Em Santa Catarina .

fosse de apenas cerca de 30% dos associados ao SJSC. Isso fez com que. que era feita com a conivência de órgãos como o Ministério do Trabalho. deputados. banqueiros. “Não faltou quem nos acusasse de comunistas perigosos. o que resultava em descrédito público da catego- ria e deterioração da profissão. fun- cionários públicos e autoridades do clero. em detrimento da respon- sabilidade de informar”.A campanha de moralização denunciou a emissão irregular de car- teiras de jornalistas. comerciantes bem-sucedidos. veterano radialista e jornalista catarinense. relembra Severo. A fim de usufruírem ilegalmente desses benefícios. “Eram pessoas que estavam in- teressadas nos benefícios materiais. encontravam-se até mesmo indivíduos de destacada posição econômica e social: secretários de estado. o SJSC organiza o 1º Seminário de Imprensa Univer- sitária. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 249 . entre 1962 e 1963. em Florianópolis. Questionou legislações gover- namentais para jornalistas e combateu o usufruto ilegal de direi- tos tais como: isenção de imposto de renda e do imposto inter- vivos. tratamento especial da justi- ça civil. integrando os estudantes do ensino su- perior na campanha de moralização da classe jornalística. descontos de 50% nas passagens aéreas e nas passagens terrestres. num total de aproximadamente 400. sendo os outros 70% composto pelos pseudojornalistas que detinham carteiras frias. alguns buscavam obter o status de jornalista junto ao SJSC e ao Ministério do Trabalho. prefei- tos. Na lista dos “jornalistas” ilegais de então. o número de verdadeiros jornalistas sindicalizados. facilidades de financiamento para aquisição da casa pró- pria e de automóvel. descreve um relato do Comando de Ação Perma- nente da época. industriais. Somente uma “empresa jornalística” ha- via emitido 73 atestados falsos. aposentadoria especial. extremistas exaltados”. Em 29 de abril de 1963 (cerca de um ano antes do golpe militar de 1964). mediante declarações falsas de empresas do setor.

1969 O SJSC passa a propor a criação de um curso superior de Jornalis- mo em Santa Catarina para qualificar os profissionais e suprir as deficiências do mercado de trabalho regional. e os jornalistas Antônio Kowalski Sobri- nho. Na década de 60. muitos jornalistas já graduados ou com experiência profissional migraram para Santa Catarina. 70 e meados de 80. O Santa marcou também o começo de um novo estilo profissional. Nestor Fedrizzi. 1973 É formado o primeiro grupo de trabalho para a criação do curso de Jornalismo da UFSC. incluem-se: a professora Aurora Goulart. o primeiro com o projeto editorial de cobertura estadual. sob o co- mando do jornalista e ex-professor da PUC de Porto Alegre. Entre os participantes. notadamente do Rio Grande do Sul. os professores Aníbal Nunes Pires e Murilo Pirajá Martins. o destaque desse período foram as lutas do Sin- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 250 . também o primeiro diretor de telejornalismo da TV Coligadas. que obrigava as empresas jornalísticas a requisitar profissionais de outros cen- tros. Moacir Pereira e Osmar Teixeira.1968 É fundada a Associação Catarinense de Imprensa (ACI). também denominada Casa do Jornalista. 1975 O jornalista Moacir Pereira preside o SJSC de 1975 a 1978. 1971 É criado em Blumenau o “Jornal de Santa Catarina”. Se- gundo Pereira. Marcílio Medeiros Filho.

Foi lançado tam- bém o primeiro jornal do SJSC. Participam desta vez os professores Aurora Goulart e Celestino Sachet. As propostas foram aprovadas em junho de 1978 pelo Conselho de Ensino e Pesquisa da UFSC. Zigelli falece em um desastre aéreo. o que adia a criação do curso. além dos jornalistas César Valente. o curso foi criado por portaria do reitor Caspar Erich Stemmer. professor da PUC de Porto Alegre e presidente do Sindicato dos Jornalis- tas do RS. do professor José Marques de Melo (SP) e de Antônio Firmo de Oliveira Gonzáles. na Universidade. Santa Catarina era JORNALISMO EM PERSPECTIVA 251 . Espalhava-se a figura do jorna- lista provisionado. é convidado para coordenar a implantação do curso de Jornalismo pelo então reitor da UFSC. O jornalista Adolfo Zigelli. palestras com profissionais de destaque nacional e internacional. 1978 É constituído um outro grupo de trabalho para retomar a iniciati- va da criação do curso de Jornalismo da UFSC. debates. foi assinado o primeiro acor- do coletivo entre a categoria e as empresas do setor. Em 30 de junho. além da realização de seminári- os. como presidente do SJSC. que re- ceberam apoio. e tornava-se imperativo a formação de pro- fissionais no estado. universal e com espírito crítico. Na época. Porém. dicato pela defesa das liberdades. Moacir Pereira e Paulo Brito. personalidade marcante na renovação profissional do jornalismo catarinense especialmente na área do rádio. estabele- cendo piso salarial de seis salários-mínimos. conferindo-lhes: forma- ção eclética. participando de eventos nacionais e regionais de jornalismo. entre outros. Roberto Mündell de La- cerda. contra a censura e pelo apri- moramento profissional. Moacir Pereira relembra que. convencera- se de que somente com um curso de Jornalismo catarinense seria possível cumprir a legislação profissional (decreto-lei 972/ 69) que exigia o curso superior.

o único estado do Sul do Brasil que não tinha ainda um curso superior de Jornalismo. nasceu du- rante a ditadura. 1979 Começam as atividades do primeiro curso de Jornalismo do esta- do. o lema era: “liberdade. entre outras conquistas posteriores. 1983 O jornalista e professor da UFSC Ayrton Kanitz tem papel funda- mental na articulação do MOS e foi o primeiro candidato à pre- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 252 . Os jornalistas catarinenses criam o MOS – Movimento de Oposi- ção Sindical -. um dos primeiros professores do curso da UFSC e autor do livro “A história secreta da Rede Globo”. nas eleições de 1987. Segundo seu primeiro coordenador. da TV a Cabo e da Radiodifusão Comunitária. deveria estar a formação políti- ca. professor Moacir Pe- reira. dando início a um processo de resgate da ética na categoria e à formação de um novo conjunto de lideranças sindi- cais. A primeira turma se formou em 1982. profissionais e acadêmicas que assumiriam o SJSC seis anos mais tarde. mas comprometido com a democracia. na UFSC. lança as bases da Frente Nacional de Luta por Políticas Demo- cráticas de Comunicação. que daria origem ao atual Fórum Na- cional pela Democratização da Comunicação (FNDC): respon- sável. Com uma proposta pedagógica inovadora. influindo no rumo da categoria no estado até o final do século XX e começo do século XXI. 1982 O jornalista Daniel Herz. consciência crítica e responsabili- dade”. pela aprovação das leis federais de criação do Conselho de Comunicação Social. que ficou conhecido como uma faculdade “alter- nativa”. Ao lado da formação científica e técnica.

cujo lema é adotado pela turma de formandos de 1983. em 30 anos de história do prêmio. O MOS vence no pri- meiro turno. 1985 O jornalista Celso Vicenzi recebe o Prêmio Esso de Informação Científica e Tecnológica. representa um novo desafio de competitividade no cenário da imprensa barriga-verde: induzindo a uma maior qualificação geral dos profissionais e do produto jornal. estimulando a orga- nização sindical dos jornalistas e renovando e intensificando a JORNALISMO EM PERSPECTIVA 253 . no segundo turno. mas perde a eleição. que um jornalista conquistou um prêmio nacional com um trabalho publicado num veículo de comunica- ção fora do eixo Rio-São Paulo. com uma série de reportagens publica- das no jornal “O Estado”. 1984 Os professores e estudantes do curso de Jornalismo da UFSC participam ativamente do processo político do país. sidência do Sindicato pelo movimento. 1986 A implantação do jornal “Diário Catarinense” em Florianópolis e nas cidades-pólo de Santa Catarina. Foi a primeira vez. com a participação de delegados catarinenses. conectados on-line via intra- net. para a cha- pa da situação. contribuin- do de forma decisiva e pioneira para o começo da campanha pelas Diretas Já em Santa Catarina. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é redigido em 1985 e aprovado em congresso realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) no Rio de Janeiro. que colou grau em março de 1984.

cultural. Genro Filho é considerado o virtual introdutor. política e social de todo o esta- do. 1987 O jornalista Celso Vicenzi é eleito presidente do SJSC pela chapa do MOS. com 2 mil fotógrafos em vários países que enviam fotos JORNALISMO EM PERSPECTIVA 254 . para outras instituições de ensino superior. O professor do curso de Jornalismo da UFSC. também motivou a migração de jornalistas de outros esta- dos como São Paulo. Adelmo Genro Filho. na década de 90. da disciplina de Teo- ria do Jornalismo. O modelo serve de referência. Morreu em Florianópolis. A criação do DC. técnicos e acadêmicos voltados para a dignidade da catego- ria e aperfeiçoamento da profissão e da imprensa catarinense. uma das três maiores agências de fotojornalismo do mundo. Paraná e Rio Grande do Sul.para uma teoria marxista do jornalismo”. dando início a uma gestão calcada em propostas e valores éticos. além de ampliar o mercado para profissi- onais locais experientes e para os jovens formandos catarinen- ses. dirigida pelo jor- nalista Moacir Loth. Rio de Janeiro. a exposição de fotografias “20 Anos da Gamma Presse Imagens”. Florianópolis é a segunda cidade do país a receber (depois de São Paulo). Sua obra influenciou dezenas de teses sobre jornalismo em todo o país. aos 37 anos. especialmente as in- tegrantes do Fascom – Fórum de Assessores de Comunicação das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). A Agência de Comunicação da UFSC (Agecom). integração informativa. no Brasil. incentivando uma movimentação e discussão em torno do fazer jornalístico. publica sua dissertação de mestrado “O segredo da pirâ- mide . dá início à formulação e implementação de uma pioneira Política Pública de Comunicação que é reconheci- da em 1994 pelo CNPq com o Prêmio José de Reis de Divulga- ção Científica. em 1988.

  1989 O SJSC traz a Florianópolis a exposição de fotos premiadas em 33 anos do Prêmio Esso de Jornalismo. Participam cerca de 300 jornalistas e alguns convidados estrangeiros. A exposição também é realizada em Blumenau e Chapecó. O SJSC traz a Florianópolis uma exposição internacional de carta- zes sobre a paz. UFSC e Secretaria de Cultu- ra e Esporte. Arquidiocese de São Paulo. a mais de 2 mil publicações internacionais. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 255 . com mandato até 1993. Em Flori- anópolis. integrado pelos irmãos Paulo e Chico Caruso.   1988 O SJSC organiza a exposição Humor na Ilha e Humor em Joinville. em parceria com o Conselho da Condição Fe- minina. Joinville. a exposição foi apresentada no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC). culminando com um show. Luís Fernando Veríssimo e Reinaldo (da turma do Casseta e Planeta). do Muda Brasil Tancredo Jazz Band. no Museu de Arte de Joinville. O jornalista Celso Vicenzi é reeleito presidente do SJSC. Organizada pelo SJSC na Galeria de Arte da Associação Catarinense de Artistas Plásti- cos. e em Joinville. com dezenas dos principais cartunistas do país. nas duas cidades.   1990 O SJSC realiza em Florianópolis o 24º Congresso Nacional de Jor- nalistas. a exposição seguiu também para Blumenau. Cha- pecó e Gravatal. o mais importante do país.

e o processo JORNALISMO EM PERSPECTIVA 256 . entre outros. estru- turado especialmente pelos profissionais do Sinergia. decidem pela filiação do Sindicato à Central Única dos Trabalha- dores. como parte das ações da Agecom/UFSC. A campanha se repete em 1997. que tentava sistematizar as experiências na área e foi debatido em eventos no estado e no país. a Agecom e a Fenaj im- primem e distribuem exemplares do Código de Ética da cate- goria a todos os profissionais e às faculdades e cursos de Comu- nicação e Jornalismo do Brasil. lança o texto “A imprensa no Sindicato Cidadão: uma reflexão sobre o exercício do jornalismo sindical”. Apufsc. uma promoção do SJSC. de 11 a 13 de outubro.Núcleo Organizado de Imprensa Sindical (SC) -. e profissiona- lização (anos 80). lançamento da TV Florianó- polis. inauguração da TV Coligadas. A expansão ocorre com: o surgimento de novas estações de rádio no interior. modernização (anos 70). demo- cratização da comunicação e ética profissional. Na obra. O NOIS . SEEB (Ban- cários). Sindprevs.  São Francisco do Sul sedia o 1º Seminário Estadual sobre Ética Jornalística. realizado em Rio do Sul. inte- grantes da Comissão de Ética do SJSC. A ação insere-se numa estratégia inédita de disseminação do tema e valorização do bom jornalis- mo e da qualificação profissional na imprensa e na mídia brasilei- ras. em Blumenau. Sinte. O encontro também debateu a Lei de Imprensa. O jornalista e advogado Moacir Pereira lança o livro “Imprensa & Poder .A Comunicação em Santa Catarina”.   1992 Por iniciativa dos jornalistas Moacir Loth e Francisco Karam.1991 Profissionais de imprensa participantes do 1º Congresso Estadual dos Jornalistas. Pereira divide em três fases distintas a evolução da imprensa catarinen- se: expansão (anos 60).

a pro- fissionalização tem como principais causas a imparcialidade dos jornalistas Adolfo Zigelli. Ricardo Noblat. a nova concepção em- presarial do setor. no radiojornalismo. de implantação da TV Cultura na Capital.ou a linha editorial . entre outros. assim como o rádio. o aperfeiçoamento dos profissionais. de um processo histórico: a subordinação . Além de palestras. o processo de abertura política e redemocratização do Brasil. Neste período. cada participante gravou entrevista em vídeo sobre o exercício do jornalismo e o ofício do jornalista. na qual dedica um capítulo a ques- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 257 . José Hamilton Ribeiro e Washington Novaes. as fotos premiadas no In- terpressPhoto 1992 – o maior concurso internacional de foto- jornalismo. e de Nestor Fedri- zzi.  O SJSC e o curso de Jornalismo da UFSC organizam o projeto Memória do Jornalismo. 1993 O jornalista Sérgio Murillo de Andrade é eleito presidente do SJSC. o meio jornal era inexpressivo e ainda não conseguira se desvencilhar. o movimento de oposição sindical (MOS). 1995 O jornalista e professor Itamar Aguiar publica sua dissertação de mestrado “Violência e golpe eleitoral: Jaison e Amin na disputa pelo governo catarinense”. com mandato até 1996.partidária. e o aumento da concorrên- cia entre os diversos veículos. no MASC. a criação do curso de Jornalismo da UFSC. a elimina- ção da vinculação política nos meios. que trouxe à Capital catarinense vários jornalistas de destaque dos principais veículos de comunicação do país. Ainda conforme o autor. no jornalismo impresso. a presença do grupo de comunicação RBS. como Ricardo Kotscho. O SJSC traz a Florianópolis.

já eram perceptíveis as principais características que marcariam o jor- nalismo catarinense até os anos 80 do século XX: “vinculação partidária direta ou indiretamente com o poder público. em Florianópolis. pela Editora da UFSC. nos EUA. UFRGS. à criação da seccional catarinense da Associação Brasileira de Ouvidores (ABO). o controle pela elite. no Congresso Internacional da ONO (Organization of News Ombudsmen). e em 1996 são cria- dos cargos de ouvidores na UFSC e na Celesc. a função de ombudsman de imprensa do jornal “A Notícia Capital” (ANC). segunda a autora. representa Santa Ca- tarina e o Brasil. UFSC e Universidad Ca- tólica Andrés Bello . A experiência do jornalista Mário Xavier como ombudsman passa a ser inserida como objeto de pesquisas universitárias por estu- dantes da UnB. com mandato até 1999. em 1997 nos Supermercados Angeloni e. O jornalista Mário Xavier assume pioneiramente no Sul do Brasil. e exerce a função até agosto de 1997. o caso do Sindicato dos Jornalistas e a “construção” da imagem. UFRJ.Facultad de Humanidades y Educación - Escuela de Comunicación Social. tões como a mídia na campanha. em 1996. Neste período. instrumento de política partidária”. em instituições como a Secretaria de Saúde e o CREA. da Venezuela.A imprensa de Desterro no século XIX”. dando origem. nos próximos anos. em setembro. vida curta. A implantação do ombudsman de imprensa no ANC tem repercus- sões em outras esferas da vida catarinense. O jornalista é convidado a compartilhar sua experiência em palestras e even- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 258 . em 2003. A historiadora Joana Maria Pedro lança a obra “Nas Tramas entre o Público e o Privado . UFPR. 1996 O jornalista Sérgio Murillo é reeleito presidente do SJSC.

O jornalista Mário Xavier é convidado a escrever para o sítio do Instituto Gutenberg. à época. na edição nº 54 da Chasqui – Revista Lati- noamericana de Comunicación. 1999 O jornalista Luis Fernando Assunção é eleito presidente do SJSC. o artigo é um dos incluídos pelos advogados da Fenaj no “agravo de instru- mento” apresentado ao Tribunal Regional Federal de São Paulo para defender a regulamentação da profissão e contestar a me- dida da juíza paulista Carla Abrantkoski Rister. também dire- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 259 . atendendo a pedido da emissora. que tentava sus- pender a obrigatoriedade de formação superior para o exercí- cio profissional do jornalismo. tos. em conjunto com a Fenaj e a Agecom da UFSC. porque trazia em sua capa uma arte que mesclava as marcas da Globo e da RBS. e a escrever o artigo “Los Ombudsmen de Prensa son ne- cesarios? Por qué?”. sob a liderança do jornalista Moacir Loth. o SJSC. O jornalista Carlos Alberto de Souza lança pela Editora da Univali o livro “O fundo do espelho é outro”.Centro Internacional de Estudios Superiores de Comunicación para América Latina. de Quito. num debate nacional sobre os 30 anos da regulamentação da profissão de jornalista no país. discutindo identidade regional e padrão nacional de produção televisiva. 2000 De 2 a 5 de maio. A Editora da Univali. Em 2001. editada pelo CIESPAL . O livro é uma das poucas obras no país a refletir o conflito regional X global na TV. onde analisa a condição da RBS TV de afiliada da TV Globo. Equador. o artigo “A quem interessa ser contra o diploma?”. O livro causou polêmi- ca. com mandato até 2002. recolheu a edição e recolocou-a no merca- do com outra capa.

o 6º Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. foram percorridos mais de seis mil quilômetros visitando pequenas redações e entrevistando empresários e jornalistas. avali- ando criticamente sua cobertura noticiosa. então coordena- dor do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Univali. organizam e realizam pela primeira vez fora do eixo Rio . tem participação destacada na criação do projeto Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar) . tor da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). tendo como ponto de partida saber quantos jornais existiam no esta- do. Para traçar este perfil.São Paulo . como eles estavam estruturados e vários outros temas de interesse. O jornalista e professor Mario Luiz Fernandes. na PUC-RS: uma pesquisa inédita e de referência. 2001 O jornalista. jun- to ao Centro de Ensino Superior de Ciências Humanas e da Co- municação (CEHCOM). por intermédio da UFSC e de integrantes do SJSC. um inédito trabalho de pesquisa e ex- tensão denominado Monitor de Mídia. defende a dissertação de mestrado “Perfil da Pequena Imprensa de SC”. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 260 . Um dos resultados do evento foi a publicação do livro “Comunicando a Ciência”.Minas Gerais.preservando a memória e construin- do a história dos 200 anos da Imprensa no Brasil. tornando-se referência acadêmica nacional como instrumento de crítica e aperfeiçoa- mento da imprensa. Santa Catarina. A ABJC era então presidida pelo jornalista Hamilton Ribeiro. professor e doutor em Comunicação Rogério Chris- tofoletti implanta na Universidade do Vale do Itajaí (Univali). liderado pelos professores doutores José Marques de Melo e Francisco Ka- ram. e que inclui um sítio digital sob a responsabilidade de Cló- vis Geyer e Vinicius Carvalho. O Monitor de Mídia faz o acompanhamen- to sistemático dos três maiores jornais diários do estado.

ao ajudar a fundar e tornar-se o primeiro presidente da ABI. O livro foi distribuído em todo o país. Sua premissa é a de que o processo civilizatório anco- ra-se na capacidade de abstração intelectual dos componentes de qualquer sociedade humana. A jornalista e professora Maria José Baldessar lança o livro “A Mu- dança Anunciada” (Editoras UFSC e Insular). jornalista Fernando Segismundo. há um século. na sede da ABI (RJ). A Fenaj. com apoio do curso de Jornalismo da UFSC. 2003 O SJSC promove e organiza o 14º Enjac (Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Imprensa) e o 4º Encontro dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação do Mercosul. obra que discute a importância do diploma e da formação superior na área. Quando da constituição formal da Rede Alcar. lança o livro “Formação Superior em Jornalismo – uma exigência que inte- ressa à sociedade”. com mandato até 2005. fez alusão histórica afirmando que a utopia ali es- boçada assemelhava-se ao sonho que. contribuindo para o fortalecimento da nossa cidadania.ninguém acreditava que fosse possível transfor- mar o ofício noticioso numa profissão juridicamente reconheci- da e socialmente legitimada”.   2002 O jornalista Luiz Fernando Assunção é reeleito presidente do SJSC.A Rede Alcar propõe converter o século XXI no século da im- prensa brasileira. no qual avalia as JORNALISMO EM PERSPECTIVA 261 . em 5/04/2001. “Em 1908 – afirmou Segismundo . como carro-chefe da campanha da Fenaj pela afirmação do diploma. impulsio- nara (o catarinense e desterrense) Gustavo de Lacerda a lançar as bases do associativismo jornalístico no país. o presidente da entidade.

Nele. quase 100 anos após outro catarinense.000 profissionais. ter se tornado o primeiro presidente da ABI. pelo telefone 0800-619 619. é instituído em Florianópolis o Fó- rum Catarinense de Acompanhamento da Mídia (FCAM). como as comissões de ética dos órgãos da categoria e a figura do ombudsman (ouvi- dor). trabalha como professor do curso de Jornalismo do Ielusc. é eleito presidente da Fenaj. braço catarinense da campanha Quem financia a baixaria é contra a cida- dania. Gustavo de Lacerda. em 1908. que repre- sentam mais de 30. o Governo do Estado institui. Rogério Christofoletti lança o livro “Monitores da Mídia – Como o jornalismo catarinense percebe os seus deslizes éticos”. estadual ou nacional. A Fenaj congrega 31 sindicatos de jornalistas de todo o País. O livro é um dos poucos no país sobre o cotidiano dos jornalistas e sobre os impactos tecnológicos em suas rotinas de trabalho. 42 anos. analisa vários dispositivos de aferição do comportamento profissional. ex- presidente por duas vezes do SJSC. Todo o cidadão pode denunciar abusos na programação de rádio e TV. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 262 . Com a participação do SJSC. o Dia da Imprensa Catarinense. em Joinville. Há cinco anos. modificações sofridas pelos jornalistas catarinenses com a ado- ção do computador em suas rotinas de trabalho. é mestrando na mesma universidade e diretor do SJSC. O SJSC participa do Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Profissão de Jornalista com diversas atividades em todo o Estado. pela Lei nº 12. aponta para a preocupação de como os jornalistas catarinenses avaliam seus procedimentos éticos no dia a dia das redações e das assessorias de imprensa. Ancorado no código de ética da categoria. Por proposição da ACI à Assembléia Legislativa.946. pela Editora da UFSC. Murillo formou-se pela UFSC em 1984. 2004 O jornalista catarinense Sérgio Murillo de Andrade.

em ato público na Assembléia Legislativa. O Curso de Jornalismo da UFSC completa 25 anos. e JORNALISMO EM PERSPECTIVA 263 . editores e executivos do jornal para fazer críticas e sugestões. tendo como objeto de estudo o papel social e político da atividade jornalística. editado pelo lagunense Jerônimo Francisco Coelho. “O Catarinense”. O jornal “Diário Catarinense” e o “Jornal de Santa Catarina” criam pioneiramente na imprensa estadual o “Conselho de Leitores”. O SJSC atua como co-promotor e co-organizador do 2º Encon- tro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho e do 7º Fórum Naci- onal dos Professores de Jornalismo. Karam mostra que a informação diária de qualidade. e que tinha como slogan “Sentinela da Liberdade”. produzida por profissionais íntegros e competen- tes. uma modalidade de monitoramento público da qualidade e do conteúdo da imprensa executada com a participação não-remu- nerada de nove leitores que se reúnem a cada 20 dias com o editor-chefe. comemorado anualmente em 28 de julho: data em que circulou em Desterro o primeiro jornal da Província de Santa Catarina. É lançado. Para ele. O jornalista. atuando firmemente na defesa da categoria e da própria profissão. em Florianópolis. é essencial para a democracia e para a consolidação e a ma- nutenção da cidadania. o Comitê Catarinense de Apoio à Criação do Conselho Federal de Jorna- lismo (CFJ). estando presente na vida social e política do país. os princípios que regeram a ati- vidade no século XX buscaram estabelecer um estreito vínculo entre a ética profissional e o interesse público. 2005 O SJSC completa seus 50 anos. professor do curso de Jornalismo da UFSC e doutor Francisco Karam lança o livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”. lutando pela democracia e justiça social.

Celso Vicenzi. SJSC. Sílvio da Costa Pereira. Nei Manique. PUC-RS. Moacir Pereira. destacando-se na luta pela democratização da comunicação no Brasil. Elaine Borges. Fontes consultadas ABI. por atividade prevista na legislação que regulamenta a profissão. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 264 . Luiz Paulo Fedrizzi. integrem a categoria profissional. Instituto Gutenberg. UFRGS. Fenaj. Univali. Antunes Severo. Moacir Loth. É lançado pelo SJSC o livro “Jornalismo em Perspectiva”. ACI/Casa do Jornalista. Podem se associar ao SJSC todos os profissionais que. Flávio de Sturdze. Sérgio Luiz Casares Pinto. UFSC/Departamento de Jornalismo. Rede Alcar. Francisco Karam. Rogério Christofoletti. com o objetivo de oferecer ao leitor um panorama do jornalismo pra- ticado em SC nas últimas cinco décadas. Maria José Baldessar.

O traço do jornalismo catarinense JORNALISMO EM PERSPECTIVA 265 .

JORNALISMO EM PERSPECTIVA 266 .

então. o equilíbrio. Há ainda nomes premiados como Sa- muel Casal e obras originais como a de Sandro ou a de Fábio Abreu. A imprensa cotidiana é diariamente abastecida com trabalhos que não só sintetizam situações e personagens como dão graça e leve- za ao noticiário. Tarefa ingrata é a do chargista que vasculha nas folhas do tempo vestígios que podem levá-lo à melhor piada.Apresentação O jornalismo catarinense é pródigo também no humor grá- fico. a charge provocará gar- galhadas e ranger de dentes. para tornar os conteúdos mais compreensíveis. é possível lembrar nomes de expressão nacional em diversas gerações: de Clóvis Geyer e Bon- son a Frank e Zé Dassilva. Infográficos. melhor é virar a página e encontrá-lo numa curta. na ilustração e nas diversas formas de expressão do traço. o humor dá a dimensão pre- cisa da crítica. e em pouco tempo se perderá na memória do público. vai começar tudo de novo. desenhos e croquis são mais uma ferramenta informativa na edição. cores e formas o seu vocabulário diário. rabisca caprichosamente a gag e preenche o espaço na página do jornal. mas representativa amostra do talento e da inteligência desses jornalistas. a noção de espaço e a precisa exploração das páginas auxiliam os profissio- nais que fazem de curvas. a melhor tradução imagética de palavras e ações. Explicar esse trabalho em palavras é difícil. Quando nela chega. O chargista. O alto apuro estético. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 267 . No caso das charges e cartuns. Sem fazer esforço. No outro dia. buscando a síntese. A ilustração também assume papel cada vez mais relevante no noticiário cotidiano. da interpretação do fato e de sua relação com de- mais acontecimentos.

10 de fevereiro de 2004 “A Notícia” .13 de outubro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 268 .Bonson “A Notícia” .

“A Notícia” .15 de julho de 2004 “A Notícia” .27 de setembro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 269 .

Fábio Abreu “A Notícia” - 26 de agosto de 2001 “A Notícia” JORNALISMO EM PERSPECTIVA 270 .

20 de abril de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 271 . “A Notícia”- 6 de agosto de 2003 “A Notícia” .

abril de 2000 “A Notícia” .Frank “A Notícia” .7 de fevereiro de 2003 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 272 .

2 de junho de 2001 “A Notícia” . “A Notícia” .15 de fevereiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 273 .

Samuel Casal “Diário Catarinense” - 16 de março de 2002 “Diário Catarinense” - 22 de agosto de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 274 .

“Diário Catarinense” - 24 de agosto de 2003 “Diário Catarinense” .17 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 275 .

Sandro “A Notícia” .2002 “A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 276 .

“A Notícia” .2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 277 .2004 “A Notícia” .

6 de maio de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 278 .Zé Dassilva “Diário Catarinense” .29 de outubro de 2002 “Diário Catarinense” .

30 de novembro de 2003 “Diário Catarinense” . “Diário Catarinense” .11 de janeiro de 2004 JORNALISMO EM PERSPECTIVA 279 .

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com. iniciou profissionalmente em rá- dio em 1984 como locutor e repórter. expôs na França em 91 na cidade Bonson. sul da França. ocupa a Chefia do Gabinete do Reitor. É autor de 23 livros dedicados à história regional. passou por emis- soras de TV. Seus trabalhos podem ser vistos no site www. Atua em “A Notícia” desde l970. no “finado” jornal “O Estado”. Foi diretor do Arquivo Histórico e da Biblioteca Públi- ca de Joinville.Trabalhou na Folha e no Esta- dão em 84 e 85.com/art2/sergiobonson email: bonson@tecnohelp.Os autores se apresentam Andressa Braun é jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. Bonson nasceu em 13/11/49. Desde maio de 2004. pela UDESC. assessora de comunicação e pesquisadora da Rede Alfredo de Carvalho. Apolinário Ternes – Jornalista e historiador. onde já exerceu as funções de Chefe do Departamento de Jorna- lismo e Diretor da Assessoria de Comunicação. crônica e teatro.br JORNALISMO EM PERSPECTIVA 281 . Como aquarelista e desenhista. Depois. Até maio de 04. Áureo Mafra de Moraes – Natural de Brusque (SC). Na imprensa como cartunista desde 74.angelfire. onde exerce a função de editorialista há 25 anos. como chargista em “A Notí- cia”. jornalista formado pela UFSC em 1987. atuou como diretor de programas políticos e desde 1993 é professor do Curso de Jornalismo da UFSC. jornais. romance. é formado em His- tória e Direito e tem Mestrado em Cultura e Educação.

sou carioca de origem com sólida formação em Bahia. exerci praticamente todas as funções previstas na defini- ção profissional do Jornalismo. 1995). “O Estado” e “Jornal da Semana”. Trabalhei em Florianópolis. Ocu- po um cargo de confiança no governo do estado de Santa Catari- na. Os principais empregadores foram a TV Gaúcha. e também participou do livro “Hercílio Luz – Uma ponte” (Tempo Editorial). trabalhei no JORNALISMO EM PERSPECTIVA 282 . Pau- lo” em Santa Catarina por mais de duas décadas. a Gazeta Mercantil. atua no jornalismo desde 1976. Porto Alegre. em Laguna (SC). É acadêmico de História da UDESC. É autor de “Os Comunas . “Farol de Santa Marta . Sou sócio-diretor de uma empresa de serviços de jornalismo e comunicação (Multitarefa Ltda. Profissional do desenho desde 92. como Assessor de Informação da Secretaria da Administração. Nos primórdios. Também integrou a equipe da Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa de Santa Catarina.A esquina do Atlântico” (Ga- rapuvu. Vivo em Joinville des- de 1995. nascido em 23 de novembro de 1955.Álvaro Ventura e o PCB catarinense” (Paralelo 27. 1999). e repórter especial da sucursal do jornal “A Notícia” em Florianópolis.Celso Martins da Silveira Júnior. brincava de fazer história em quadri- nhos. entre outros. o jornal “O Estado” e o governo federal (UFSC e EBN). em jornal. 7 de Novembro.). Elaine Borges foi correspondente do jornal “O Estado de S. coordenou a Editoria de Política do “Diário Catarinense” e foi repórter do “Jornal de Santa Catarina”. César Valente – Jornalista desde 1972 e florianopolitano desde 1953. É co-autora do livro “Vozes da Lagoa” (editado pela Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes). São Paulo e Brasília. Fábio Abreu – Nascido em 1964. 1998) e “Aninha virou Anita” (A Notícia. Fez parte do Movimento de Opo- sição Sindical e integrou duas vezes a Comissão de Ética do SJSC. Em Florianópo- lis.

infografias e desenho umas páginas. Passou pelo jornal “O Estado”. trabalhou oito anos na assessoria de comunicação do Sindicato dos Eletricitários. de Joinville. veio morar em Florianópolis em 1979. Francisco José Castilhos Karam é jornalista e professor no Cur- so de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. na página dois do jornal “A Notícia” faz oito anos. editou o fanzine “Futio Indispensável” e é ilustrador fre- elancer pela Traça Editorial. Ética e Liberdade” e “A Ética Jor- nalística e o Interesse Público”. virou Frank Maia na faculdade de Jornalismo da UFSC (1986) e arredondou para apenas FRANK. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. a ordem dos fatores depende do dia. Integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jorna- lismo . Pai da Luiza. Lecionou. faço ilustrações. Nascido Frank Luiz Maia Bretas em 29 de abril de 1967. onde publi-cou as primeiras tirinhas. é autor dos livros “Jornalismo. Em Florianópolis. Gastão Cassel é jornalista formado na Universidade Federal de Santa Maria em 1986. em Niló- polis (RJ). Trabalhou no jornal “A Razão” e na sucursal da Empresa Jornalística Caldas Júnior (“Correio do Povo” e “Rá- dio Guaíba”) e atuou como repórter fotográfico freelancer  para vários jornais do RS. Sócio da Quorum Comunicação. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 283 . onde sou Editor de Arte. também. No mesmo período. sua empresa. de Salvador e em “A Notícia”. adoro ficar com ela e gosto de jogar futebol e tomar cerveja com os amigos.SBPJor. na Univali. “Bahia Hoje”. onde colaborou no suplemento “O Estadinho”. onde criou e editou o semanário “Linha Viva”. Lá. os dois pela Summus (SP). Foi assessor de imprensa da CUT/RS. caricaturas. e hoje está no Ielusc. iniciou a carreira docente no curso de Jornalismo da UFSC atuando nas áreas de Redação Jor- nalística e Planejamento Gráfico.

e dire- tor da Quorum Comunicação (em Florianópolis). Mário Xavier Antunes de Oliveira nasceu em 02/05/1956. Trabalhou nas TVs Barriga Verde e Cultura e depois em assesso- ria de imprensa. visi- tando o jornal Santa. Foi repórter do jornal “A No- tícia” e editor dos semanários “Evolução” (São Bento do Sul) e “O Município” (Brusque). agência especializada em comunicação e marketing institucional que atua no mercado há dez anos. Maria José Baldessar é professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Conheceu SC no começo dos anos 70. Cursou Jornalismo na Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) entre 1986 e 1989. além de ministrar aulas. é especialista em Marketing pela UDESC/ESAG. doutor em Sociologia Política (UFSC). pelas mãos do jornalista Nes- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 284 . coordenou projetos de extensão como Universidade Aberta. doutoranda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e mestre em Sociologia Política. Mario Luiz Fernandes – Natural de Jonville (SC). Fazendo Rádio na Escola e implantação da rádio Ponto. Desde 1995. em Porto Alegre (RS). Jacques Mick é jornalista. onde iniciou no jornalismo aos 16 anos. em Blumenau. Foi secretária-geral do SJSC por duas gestões e atualmente integra a Comissão de Ética da entidade. professor do Curso de Jornalismo do Instituto Superior e Cen- tro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc (de Joinville). É mestre e doutorando em Comunicação Social pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Na UFSC. é professor do curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajai (Univali). atuando como auxiliar de redação e pos- teriormente como repórter na sucursal do “Jornal de Santa Ca- tarina”.

foi iniciado na profissão em 1980. “O Estado de S. editor e colaborador na imprensa escrita. re- dação e edição de conteúdos. colunista político. “Isto ɔ.Ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas de SC. “Jornal de Santa Catarina” e na RBS TV. Cri- ador da Redactor. “O Estado”. “Diário Catari- nense”. Desde 1991. Já trabalhou em jornais como “Zero Hora”. prestando serviços de consul-toria. fundador e primeiro coordenador do Curso de Jornalismo da UFSC. Em 1985. tornou-se o 1º ombudsman de imprensa catarinense. Moacir Pereira . Es- creveu como freelancer para jornais e revistas como “Veja”. mem- bro da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e autor de 21 livros sobre jorna- lismo. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 285 . em 1974/75. tor Fredrizzi. Graduou-se Bacharel em Comunicação pela UFRGS. da Universidade Federal de Santa Catari- na. Trabalhou também como assessor de imprensa de entidades pú- blicas e privadas e como professor universitário. Paulo”. radicou-se em Florianópolis. Depois de uma bolsa de estudos culturais nos Es- tados Unidos. chefe de reportagem. atua hoje como empreendedor independen- te. pelo jornalista catarinense Políbio Braga. assessoria. “O Globo”. filiando-se ao SJSC e vin- do a integrar. nos anos 90. política e comunicação. De 1995 a 1997. presta as- sessoria de imprensa para o Sindicato dos Eletricitários de Flori- anópolis e região e para as intersindicais dos eletricitários de San- ta Catarina (Intercel) e do Sul do Brasil (Intersul). Marli Cristina Scomazzon tem 48 anos. sua Comissão de Ética. Foi repórter. conselheiro da Fenaj e da UCBC. pesquisa. é jornalista graduada em Jornalismo Gráfico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem mestrado em Mídia e Conhecimento pela Engenharia de Produção e Sistema. na região de New York. Prêmio Nacional de Comunicação Luiz Beltrão (Intercom). em 1982.

sobre grandes pinto- res. atua em Santa Catarina há 18 anos. Róger Bittencourt – 38 anos. tem coluna se- manal no “Diário Catarinense” e colabora com outros jornais do país. onde escreveu vá- rios livros sobre a Guerra do Contestado. Na década de 80. Depois. Ocupou o cargo de secretário de Comunicação do Estado e hoje é diretor da Fábri- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 286 . Na década de 60. Atuou como professor nos cur- sos de Jornalismo da UFSC e da Univali. jornalista formado pela PUC-RS.Paulo” a convite de Cláu- dio Abramo. onde se destacou com a matéria “Sabonete Fugiu Pela Porta Escura da Morte” sobre um preso comum. onde sofreu pressão do AI-5 por entrevista–bom- ba de um general. ao lado de Nilson Lage. Regina lecionou nos cursos de Jorna- lismo da UFSC e do Ielusc e atualmente é professora e coorde- nadora da agência de notícias da Faculdade Estácio de Sá em San- ta Catarina. voltou para Santa Catarina. Record e foi assessora de imprensa na Assembléia Legislativa de Santa Catarina e do Governo do Esta- do. foi redator da revista “Manchete”. foi sub-se- cretário da Sucursal Rio da “Folha de S. Regina Zandomênico – formada em Comunicação Social – habi- litação Jornalismo pela UFSC e mestre em Engenharia de Produ- ção.Paulo Ramos Derengoski é lageano. Na década de 70. Barriga Verde. Traba- lhou como chefe de reportagem e editor-chefe de Jornalismo na RBS-TV em Santa Catarina. além de entidades privadas. ainda menor. foi repórter da “Última Hora” de Porto Alegre. na área de Mídia e Conhecimento. Carlos Heitor Cony. Atualmente. em Florianópolis. trabalhou na RBSTV. Foi repórter e editor de Política do “Diário Catarinense” e editor de Geral do DC. Salim Miguel e outros. Começou a carreira há 17 anos na extinta Rádio União FM. meio ambiente e índios guarani. Também foi repórter e editora de revistas especializadas.

já tendo colaborado com várias publicações nacionais como “Caros Amigos”. Rogério Christofoletti – Paulista radicado em Santa Catarina há oito anos. Paulo” entre outras. 30 anos. Desde 2002. Casal também é quadrinista e suas hqs já  foram publicadas nos álbuns Front 8. ganhou o Tro- féu HQmix como Desenhista Revelação e em 2003 venceu o XI Salão de Desenho para Imprensa. “Superin- teressante”. e também trabalhou como assessor de imprensa. em Florianó- polis. Atu- almente. Rubens Lunge. “Você S/A”. 9.como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (2003). é vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina. na categoria Histórias em Qua- JORNALISMO EM PERSPECTIVA 287 . Escri- tor. é autor de dois livros: “O discurso da transição” (2000) e “Monitores de Mídia . e integra duas coletâneas de contos. “Exa- me Info”. Samuel Casal. É diretor do Sindicato dos Jornalistas de SC e reside em Concórdia. Em 2001. um na Banheira e Ninguém no Gol”. Já atuou em jornais e revistas de São Paulo.dois de contos e um de poesia - . é Editor de Arte do “Diário Catarinense”. É mestre em Lingüística pela UFSC e dou- tor em Ciências da Comunicação pela USP. e ilustrador  freelancer. Ragú 5 e no catálogo da exposi- ção ConSeqüências (Madri/Espanha). “Folha de S. é ilustrador profissional desde 1990. na coletânea “10 na Área. “Macmania”. 10. é jornalista desde 1991. Foi professor na UnoChapecó. “Mundo Estranho”. tem três livros publicados . Paraná e Santa Catarina. é jornalista formado pela Universidade Fede- ral do Rio Grande do Sul e especialista em Comunicação pela Universidade Metodista. 11. Professor do curso de Jornalismo da Univali. 12 e 14. empresa de assessoria de imprensa com atuação estadual e nacional. 45. ca de Comunicação. UnC Concórdia e leciona atualmente na Faculdade Concórdia.

Comecei a carreira como chargista e quadrinhista no jornal “A Notícia” em 1988. Turma do Didi e Globo Ciência. Gente Inocente. recebeu Menção Honrosa na categoria  Ilus- tração Editorial também no Salão Internacional de POA e mais três  troféus HQmix. “Pas- quim 21”. Ilustrador Na- cional e pelo melhor Fanzine. Zé Dassilva nasceu em Criciúma. e lá fiquei até 2005.com. o Monkey News. 36 anos. onde é roteirista desde 2000.com e www. natural de Joinville. JORNALISMO EM PERSPECTIVA 288 . Lá. o livro “Histórias que a Bola Esqueceu”. drinhos. char- gista. Em 2004. arquiteto. “Zero Hora” e “O Globo”. eventual- mente. mando charges pro site do Zé Simão. Também escre- veu duas biografias institucionais. Sandro Luis Schmidt. Desde 1998 é chargista do “Diário Catarinense”. já colaborei com a revista MAD e com o PASQUIM21. no último dia do ano de 1973. Formou-se em jornalismo na UFSC aos 20 anos e lançou. como melhor Desenhista Nacional. com o Xerocs Porcoration.cybercomix. uma reportagem sobre o lendário time de futebol Metropol. Também produziu car- tuns animados para o canal SporTv e vinhetas para a TV Globo. como ghost-writer.patodelaranja. escreveu para os programas Sai de Baixo. Casseta & Planeta. Xuxa. dois anos mais tarde. Participo dos sites www. de onde seus cartuns já fo- ram pinçados para republicação em veículos como “Veja”.br. que de- pois rendeu um documentário dirigido por ele.