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UROANÁLISE

Prof. Ms. Rulian Ricardo Faria


2021-1
EXAME DE URINA TIPO I ou EAS
MICROSCOPIA e
SEDIMENTOSCOPIA

Prof. Ms. Rulian Ricardo Faria


2021-1
EXAME DO SEDIMENTO
 Transferir 12 mL de urina para um tubo

de fundo cônico para centrífuga (tipo

Falcon);

 Centrifugar a urina por 10 min a 1500

rpm (rotação por minuto);


Elimina-se 11 mL do sobrenadante e

conservar 1 mL do sedimento (parte do

fundo do tubo);
Homogeneizar o sedimento e transferir para uma

lâmina duas gotas do sedimento com auxílio de

uma pipeta Pasteur;

 Cobrir a urina com uma lamínula para exame ao


microscópio;

Lâmina K-Cell

OBS.: Constitui-se em um dos exames mais úteis e, por sua vez, mais simples para
avaliação das doenças do trato urinário.
EXAME DO SEDIMENTO

 SEDIMENTOS INORGÂNICOS: cristais

 SEDIMENTOS ORGÂNICOS: células (leucócitos,

eritrócitos/hemácias, do epitélio do trato do sistema excretório

urinário), cilindros (aglomerados) de filamentos de muco,

bactérias, fungos e leveduras, parasitas, células, etc.


EXAME DO SEDIMENTO: INORGÂNICOS
Cristais comuns:

 pH ácido (pH ˂ 6,5): ácido úrico, uratos sódico, uratos amorfos,


oxalato de cálcio monohidratado e oxalato de cálcio bihidratado;

 pH ácido e neutro (6,5 ˂ pH ≤ 7): cistina, tirosina, bilirrubina e


colesterol;

 pH alcalino (pH > 7): fosfatos amorfos, fosfatos triplos, fosfato


cálcico, carbonato de cálcio amorfo e biureto de amônia.
EXAME DO SEDIMENTO: INORGÂNICOS

O resultado do exame de urina pode indicar a presença de cristais, sendo

indicado qual o tipo observado. Normalmente no laudo (resultado) é indicado que

há:

 Raros

 Poucos

 Vários

 Numerosos
EXAME DO SEDIMENTO: INORGÂNICOS
As principais causas que levam à formação de cristais são:

 Desidratação: a pouca ingestão de água faz com que haja o aumento na concentração de
substâncias formadoras dos cristais devido a baixa concentração de água. Isso estimula a
precipitação de sais, resultando na formação dos cristais;

 Uso de medicamentos: o uso de alguns medicamentos podem precipitar e levar a formação


de alguns tipos de cristais, como é o caso do cristal de sulfonamida e o cristal de ampicilina,
por exemplo;

 Infecções urinárias: a presença de microrganismos no sistema urinário excretório pode levar


à formação de cristais devido a alteração no pH, o que pode contribuir para a precipitação de
alguns compostos, como o cristal de fosfato triplo (comumente encontrado em urina de
pessoas com infecções geniturinárias;
EXAME DO SEDIMENTO: INORGÂNICOS
As principais causas que levam à formação de cristais são:

 Dieta hiperproteica: o consumo em excesso de proteínas pode sobrecarregar os rins e resultar


na formação de cristais devido ao aumento da concentração do subproduto da digestão de
proteínas e aminoácidos, o ácido úrico, podendo ser observado ao microscópio cristais de ácido
úrico.
 Gota: é uma doença inflamatória e dolorosa causada pelo aumento da concentração de ácido
úrico no sangue, mas também pode ser identificado na urina, sendo percebidos cristais de ácido
úrico.
 Pedra nos rins: as pedras nos rins (cálculo renal ou urolitíase) pode ocorrer por diversos fatores,
sendo percebida por meio de sintomas característicos (dor lombar variável e intensa, dor que
irradia para os flancos, náuseas, vômitos, desejo aumentado de urinar porém sempre em
pequenos volumes, desejo de evacuar), mas também por meio do exame de urina, em que são
identificados numerosos cristais de oxalato de cálcio.
CRISTAIS COMUNS: ÁCIDO ÚRICO (pH ácido)
 Normalmente encontrado em urina de pH ácido;
 Possuem diversas formas, mas comumente são de prismas
romboide, losango (planos com quatro lados), oval com
extremidades pontiagudas e em roseta (cristais agrupados
com pontas);
 Apresentam coloração amarelada ou castanho-
avermelhado, porém os cristais mais finos podem ser
incolores;
 Normalmente relacionado a dieta hiperproteica (dietas ricas
em proteínas levam ao acúmulo de precipitação de ácido
úrico);
 Também pode indicar possível presença de gota e nefrites
crônicas;
CRISTAIS COMUNS: ÁCIDO ÚRICO (pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: ÁCIDO ÚRICO (pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: ÁCIDO ÚRICO (pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: URATO DE SÓDIO (pH ácido)

 Normalmente encontrado em urinas ácidas;

 Podem ser encontrados na forma cristalizada (urato de

sódio) ou sem um formato específico (urato amorfo);

 Na forma cristalizada são vistos como agulhas

amareladas ou incolores, ou prismas delgados ou

organizados em feixes ou agrupamentos (forma de

roseta);

 A presença desses cristais não exibe importância clínica,

visto que pode ser de ocorrência natural do organismo.


CRISTAIS COMUNS: URATO DE SÓDIO (pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: URATO AMORFOS (pH ácido)

 Característicos de urina ácida;

 Aparecem na forma de grânulos castanhos-

amarelados;

 São visualizados geralmente em amostras que tenham

sido refrigeradas e formam um sedimento rosa

característico;

 Não exibe importância clínica, visto que pode ser de

ocorrência natural do organismo.


CRISTAIS COMUNS: URATO AMORFOS (pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: OXALATO DE CÁLCIO MONOHIDRATADO
(pH ácido)
 São característicos de urinas ácidas;
 Formato ovalado ou em halteres;
 Pouco observado;
 Geralmente não exibem importância clínicas, visto que pode
ser de ocorrência natural do organismo, principalmente,
depois da ingestão de alimentos ricos em oxalato, como
tomate, laranja e alho;
 Estudos recentes reportam que o aparecimento de grandes
número desse cristal indica a probabilidade de cálculos
renais;
 Aparecem em urinas de pessoas com: diabetes mellitus,
doença renal crônica grave e doenças hepáticas (hepatites,
cirrose, etc).
CRISTAIS COMUNS: OXALATO DE CÁLCIO MONOHIDRATADO
(pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: OXALATO DE CÁLCIO BIHIDRATADO
(pH ácido)
 São característicos de urinas ácidas;
 Aparece no formato de “envelope” octaédrico e incolor ou
como duas pirâmides aderidas por meio de suas bases;
 Facilmente observado;
 Geralmente não exibem importância clínicas, visto que
pode ser de ocorrência natural do organismo,
principalmente, depois da ingestão de alimentos ricos em
oxalato, como tomate, laranja e alho;
 Estudos recentes reportam que o aparecimento de grandes
número desse cristal indica a probabilidade de cálculos
renais;
 Aparecem em urinas de pessoas com: diabetes mellitus,
doença renal crônica grave e doenças hepáticas
(hepatites, cirrose, etc).
CRISTAIS COMUNS: OXALATO DE CÁLCIO BIHIDRATADO
(pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: OXALATO DE CÁLCIO BIHIDRATADO
(pH ácido)
CRISTAIS COMUNS: FOSFATO AMORFO (pH alcalino)

 Normais de urina alcalina;

 Possuem aparência granulosa, semelhante aos

uratos amorfos;

 São incolores ou escuros;

 Quando em alta concentração podem precipitar em

urinas refrigeradas, formando um precipitado branco

que dificilmente se dissolve;

 Não exibe importância clínica.


CRISTAIS COMUNS: FOSFATO AMORFO (pH alcalino)
CRISTAIS COMUNS: FOSFATO TRIPLO (pH alcalino)

 Comumente característicos de urinas alcalinas;


 Apresenta forma de prisma, “tampa de caixão”, possuem de
três a seis lados;
 Quando refrigerados podem precipitar na forma de
samambaia ou pena;
 A presença desses cristais na maior parte das vezes não
exibe importância clínica, porém existem algumas condições
patológicas que podem contribuir para o seu aparecimento:
pielonefrite crônica, cistite crônica, hiperplasia prostática e em
casos de retenção de urina na bexiga.
CRISTAIS COMUNS: FOSFATO TRIPLO (pH alcalino)
CRISTAIS COMUNS: FOSFATO DE CÁLCIO (pH alcalino)

 Cristais comuns de urina alcalina;

 Formato de prismas longos, incolores e podem

apresentar extremidade delgadas (finas),

rosetas, estrelas, agulhas ou placas grandes e

irregulares;

 Geralmente não estão relacionados com

nenhuma patologia, porém tornam-se frequentes

em pessoas que apresentam cálculos renais.


CRISTAIS COMUNS: FOSFATO DE CÁLCIO (pH alcalino)
CRISTAIS COMUNS: CARBONATO DE CÁLCIO AMORFO
(pH alcalino)

 Encontrados em pH alcalino;

 São pequenos, incolores com

forma esférica ou de haltere;

 Não exibe importância clínica.


CRISTAIS COMUNS: BIURATO DE AMÔNIA (pH alcalino)

 Associados a urina alcalina;

 Apresenta formato esférico no centro rodeado de

espículas irregulares com coloração castanho-

amarelado;

 Não possuem grande importância clínica, porém

aparecem mais frequentemente em infecções urinárias

caudas por bactérias que metabolizam a ureia em

amônia.
CRISTAIS COMUNS: BIURATO DE AMÔNIA (pH alcalino)
CRISTAIS COMUNS: CISTINA (pH neutro)
 Como são resultados do metabolismo do organismo
humano, podem ser considerados cristais orgânicos;
 Aparecem em urinas próximas da neutralidade ou em
urinas neutras;
 São incolores, hexagonais com bordas, geralmente, iguais;
 Aparecem em pessoas que herdam um distúrbio
metabólico que impede a reabsorção renal de cistina pelos
túbulos renais, sendo essa eliminada juntamente com a
urina (cistinúria). E também, em pessoas de idade muito
precoce que possuem tendência de desenvolver cálculos
renais.
CRISTAIS COMUNS: CISTINA (pH neutro)
CRISTAIS COMUNS: TIROSINA (pH neutro)
 Característicos de urinas próximas da neutralidade
ou urinas neutras;
 São observadas como finas agulhas, delgadas
(finas), que se organizam em agrupamentos ou
feixes;
 Coloração enegrecida, principalmente, no centro e
bordas amareladas;
 Geralmente estão acompanhadas de leucina;
 Comumente aparecem em amostras de urina em que
o resultado químico para bilirrubina deu positivo;
 Estão presentes em portadores de disfunção
hepática.
CRISTAIS COMUNS: TIROSINA (pH neutro)
CRISTAIS COMUNS: BILIRRUBINA (pH neutro)

 Característicos de urinas próximas da

neutralidade ou urinas neutras;

 Aparecem como agulhas agregadas ou

granulares, exibindo na cor

característico da bilirrubina ou castanho-

avermelhado;

 Presentes nas doenças hepáticas

(hepatites virais).
CRISTAIS COMUNS: BILIRRUBINA (pH neutro)
CRISTAIS COMUNS: COLESTEROL (pH neutro)

 Característicos de urinas próximas da

neutralidade ou urinas neutras;

 De difícil visualização;

 São vistos como placas retangulares com

entalhe em um ou mais cantos, grandes,

achatadas e transparentes;

 Os cristais de colesterol indicam intensa

ruptura tissular, nefrite e síndrome nefróticas.


CRISTAIS COMUNS: COLESTEROL (pH neutro)
URINÁLISE - OUTRAS PARTÍCULAS
CRISTAIS DEVIDO A DROGAS
EXAME DO SEDIMENTO

INORGÂNICOS: cristais

ORGÂNICOS: células (leucócitos, eritrócitos/hemácias,

epitélio do trato urinário), cilindros (aglomerados) de

filamentos de muco, bactérias, fungos e leveduras,

parasitas, etc.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - HEMATÚRIA
Presença de hemácias na urina, que pode ser:

 hematúria macroscópica: urina encontra-se


avermelhada no frasco de coleta;

 hematúria microscópica: a urina não se apresenta


vermelha no frasco de coleta, porém quando analisada ao
microscópio é observada grandes quantidades de
hemácias.

Normalmente o sedimento urinário não contém hemácias,


considerando-se normal até 2 ou menos por campo de visão
grande aumento (algumas vezes < 5 peças).
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS

CITOLÓGICO - HEMATÚRIA

 Hematúria de causa renal: glomerulonefrites, pielonefrites,

doenças císticas, nefrolitíase (pedra nos rins), trauma renal,

neoplasias, etc.

 Hematúria extrarrenal: diáteses hemorrágicas (hemofilia,

púrpura trombocitopênica, etc)


EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - HEMATÚRIA
A hematúria macroscópica geralmente está relacionada:
 a lesões glomerulares avançadas;
 Danos à integridade vascular do trato urinário causados por traumas, inflamação aguda, infecção e
coagulopatias (tendência em desenvolver tromboses).

A hematúria microscópica estar relacionada:


 hemorragia uretral;
 hemorragia vesical (traumatismos, pólipos, câncer, cistite);
 hemorragia prostática;
 hemorragia ureteral (geralmente por litíase renal);
 doenças glomerulares;
 carcinoma do trato urinário;
 cálculos renais;
 contaminação menstrual (amostras de pacientes do sexo feminino)
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - LEUCÓCITOS
Os leucocitos normalmente se consideram até 4 por
campo de maior aumento, de modo que 5 ou mais
são considerados patológicos e sugestivos de
infecção. A piúria expressa como mais de 10
leucocitos por ml de urina em câmara de contagem
de glóbulos ou um leucócito por campo em coloração
de gram, tem uma sensibilidade de 80 a 95% para
infecção urinária e uma especificidade de 50 a 76%.
Sua ausência questiona o diagnóstico de infecção
urinária.
CITOLÓGICO - LEUCÓCITOS

LEUCOCITÚRIA – para a quantidade de até 10 leucócitos por campo de visão

ao microscópio na maior aumento (400x)

PIÚRIA – para quantidades superiores a 10 leucócitos por campo de visão ao

microscópio no maior aumento (400x), indicando purulência.


EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS

CITOLÓGICO - PIÚRIA

Por outro lado, piúria com cultura negativa pode


indicar infecção por germes não usuais como
Chlamydia trachomatis, Ureoplasma urealiticum,
Mycobactetium tuberculosis ou fungos. Pode ser
também uma piúria não infecciosa ou estéril por
doenças glomerulares, febre, processos
inflamatórios na bexiga ou na região pélvica
(apendicite).
 Elevação no número de linfócitos está associado a inflamação do

trato urinário;

 A piúria é observada em situações como pancreatite e apendicite;

 A piúria também pode ser observada em condições não infeccionsas:

glomerulonefrite aguda, nefrite lúpica, desidratação intensa, febre,

estresse, etc
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
HEMATURIA, LEUCOCITÚRIA E PIÚRIA
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - MUCO
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - MUCO
 São filamentos delgados (finos), longos e ondulantes
de estruturas parecidas com fitas, que apresentam
estrias longitudinais discretas.
 Alguns dos filamentos mais largos podem ser
confundidos com cilindros hialinos.
 Estão presentes em baixas quantidades na urina
normal
 Podem estar em altas quantidades quando há irritação
do trato urinário ou inflamação.
 Possui maior prevalência em amostras de urina do
sexo feminino.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - BACTÉRIAS

 Enquanto a urina está no rim e armazenada na


bexiga normalmente não apresenta bactérias,
sendo considerada um líquido estéril.
 A contaminação pode acontecer devido à
presença de bactérias na uretra, na vagina, na
genitália externa ou no frasco utilizado na
coleta.
 Essas bactérias estão presentes na forma de
bacilos (barras) ou cocos (esféricas).
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - BACTÉRIAS
Em uma amostra coletada adequadamente, a presença de bactérias acompanhada
por piócitos é indicativa de infecção do trato urinário.

As bactérias mais comuns causadoras


de infecções urinárias são:
 Enterobacteriaceae (bacilos gram-
negativos);
 Staphylococcus;
 Enterococcus.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO – FUNGOS/LEVEDURAS

 As células de levedura são

incolores, lisas, e habitualmente

ovoides, com paredes duplamente

refringentes. Elas podem alterar em

tamanho e geralmente possuem

brotamentos1 e/ou micélios.


EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO –
FUNGOS/LEVEDURAS

 Podem ser detectadas nas infecções do


trato urinário, frequentemente em
pacientes com diabetes mellitus;
 Podem estar presentes na urina
resultantes de contaminação de origem
cutânea ou vaginal.
 A Candida albicans é a levedura mais
constantemente encontrada na urina.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO –
FUNGOS/LEVEDURAS

 Podem ser detectadas nas infecções do


trato urinário, frequentemente em
pacientes com diabetes mellitus;
 Podem estar presentes na urina
resultantes de contaminação de origem
cutânea ou vaginal.
 A Candida albicans é a levedura mais
constantemente encontrada na urina.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO – ESPERMATOZOIDES
 São simplesmente identificados no
sedimento urinário pelo seu formato oval,
cabeça ligeiramente cônica e calda longa,
semelhante a flagelo.
 Os espermatozoides são, eventualmente,
encontrados na urina de homens e
mulheres após relação sexual,
masturbação ou ejaculação noturna.
 Esporadicamente são de relevância
clínica, salvo nos casos de infertilidade
masculina ou ejaculação retrógrada.
URINÁLISE - OUTRAS PARTÍCULAS
MICROORGANISMOS
URINÁLISE - OUTRAS PARTÍCULAS
LIPÍDIOS
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS

CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
 CILINDROS: são conglomerados de

elementos celulares ou proteicos que se formam

no interior do túbulo contorcido distal e do ducto

coletor (estruturas renais envolvidas na formação

e eliminção da urina). Por esta razão todas as

partículas que estiverem contidas em seu interior

são provenientes dos rins.


EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
 Indivíduos saudáveis, principalmente após exercícios extenuantes,
febre ou uso de diuréticos, podem apresentar pequena quantidade de
cilindros, geralmente hialinos.

 Os cilindros retêm o conteúdo dos túbulos renais no momento em


são formados, constituindo-se em verdadeiras “biópsias”.
 Quando em conjunto com outros achados do sedimento urinário e do
exame bioquímico da urina, funcionam como biomarcadores do local
da lesão renal (glomerular, tubular ou intersticial), de natureza da
lesão (funcional ou estrutural) e até mesmo de prognóstico.

 Nas doenças renais, apresentam-se em grandes quantidades e em


diferentes formas, de acordo com o local da sua formação.
EXAME DO SEDIMENTO: ORGÂNICOS
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
Os cilindros podem ser:
 Cilindros hialinos (ou cilindros translúcidos): são conglomerados de proteínas (exercícios extenuantes,
febre ou uso de diuréticos);

 Cilindros hemáticos (ou cilindros eritrocitários): são conglomerados de eritrocitos/hemácias (doença


renal intrínseca);

 Cilindros leucocitários: são conglomerados de leucocitos (pielonefrites);

 Cilindros bacterianos: são conglomerados de bacterias (infecções bacterianas);

 Cilindros de células epiteliais (ou cilindros granulosos): são conglomerados de células epiteliais (doença
renal glomerular ou tubular);

 Cilindros céreos: são conglomerados de cilindros hialinos desidratados ou conglomerados de fragmentos


dos elementos dos cilindros granulosos (insuficiencia renal, rejeição a transplantes, doenças renais agudas e
estase do fluxo urinário).
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS HIALINOS OU TRANSLÚCIDOS

 Esse tipo de cilindro é o mais comum;


 Formado basicamente pela proteína Tamm-Horsfall
(uromodulina)*.
 Quando são encontrados até 2 cilindros hialinos na urina é
considerado normal: acontece devido à prática de atividades
físicas extensas, desidratação, calor excessivo ou estresse;
 Quando são vistos vários cilindros hialinos: pode ser
indicativo de glomerulonefrite aguda, pielonefrite ou doença
renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva e outros.

* Proteína de Tamm-Horsfall, também chamada de uromodulina, produzida exclusivamente nos rins, e em condições
normais, é a proteína excretada em maior volume na urina humana. Ela desempenha importantes funções nos rins e trato
urinário, participando dos processos de transporte de íons, interage com vários componentes do sistema imunológico e
possui papel na defesa contra infecções do trato urinário. Além disso, pesquisa recentes teem mostrado ser um bom
biomarcador de função renal em adultos portadores de diversas doenças renais.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS HIALINOS OU TRANSLÚCIDOS
 Visto que são compostos

somente por proteínas,

apresentam índice de refração

muito baixo e devem ser

observados sob baixa

intensidade luminosa.

 São transparentes, incolores,

homogêneos e frequentemente

exibem extremidades

arredondadas
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS HEMÁTICOS OU ERITROCITÁRIOS

 Os cilindros hemáticos podem exibir coloração

castanha, podem ser praticamente incolores ou

laranja-avermelhados;

 Estes cilindros são mais frágeis que os outros cilindros

e podem existir como fragmentos ou ter forma mais

irregular;

 É comum que além dos cilindros, no exame de urina

pode indicar a presença de proteínas e numerosas

hemácias.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS HEMÁTICOS OU ERITROCITÁRIOS
 Os cilindros hemáticos são sempre patológicos e
acusam hematúria renal.
 Frequentemente são diagnósticos de doença
glomerular, sendo encontrados na glomerulonefrite
aguda, trauma renal, nefrite lúpica, endocardite
bacteriana subaguda e síndrome de
Goodpasture*.
 Podem estar presentes também na trombose de
veia renal, infarto renal, na insuficiência cardíaca
congestiva direita, periarterite nodosa e pielonefrite
grave.
* A síndrome de Goodpasture é uma patologia mediada pelo sistema imunológico, na qual auto-
anticorpos contra a cadeia a 3 (IV) do colágeno tipo IV se ligam à membrana basal, alveolar e
glomerular, causando glomerulonefrite progressiva e hemorragia pulmonar
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS HEMÁTICOS OU ERITROCITÁRIOS
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS LEUCOCITÁRIOS
 O cilindro leucocitário é formado principalmente por

leucócitos e a sua presença é normalmente indicativa

de infecção ou inflamação do néfron.

 Podem possuir bordas irregulares e são compostos

geralmente por neutrófilos e, a menos que tenha

ocorrido desintegração, podem apresentar núcleos

multilobulados.

 Os leucócitos podem apresentar-se em quantidade

pequena no cilindro ou em várias células agregadas.


CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS LEUCOCITÁRIOS
 Os cilindros leucocitários são encontrados em situações

de infecção e inflamação não bacteriana renais.

 Eles podem ser vistos na pielonefrite aguda, nefrite

intersticial e nefrite lúpica.

 Também podem ser encontrados na doença glomerular.

 Apesar do cilindro leucocitário ser indicativo de

pielonefrite, a presença dessa estrutura não deve ser

considerado critério único de diagnóstico, sendo

importante avaliar outros parâmetros do exame.


CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS LEUCOCITÁRIOS
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS DE CÉLULAS EPITELIAIS
 Os cilindros epiteliais são gerados a partir de estase e

da descamação de células epiteliais tubulares renais.

 A presença de cilindros de células epiteliais na urina é

normalmente indicativo de destruição avançada do

túbulo renal

 As células epiteliais podem ordenar-se como linhas

paralelas no cilindro, ou podem organizar-se ao acaso,

diversificando quanto ao tamanho, morfologia e estágio

de degeneração.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS DE CÉLULAS EPITELIAIS
 Os cilindros epiteliais são raramente vistos na urina,
aparecem em raros episódios de doenças renais que
causam danos aos túbulos (necrose).
 Eles são encontrados na urina após exposição:
 a agentes nefrotóxicos: medicamentos,
exposição à metais pesados (que acarretam
danos que acompanham a lesão glomerular);
 infecções virais: p. ex., vírus da hepatite (que
acarretam danos que acompanham a lesão
glomerular);
 na rejeição de aloenxerto renal (também
acompanham cilindros leucocitários nos casos
de pielonefrite).
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS GRANULOSOS
São sempre patológicos, assim como os epiteliais que os originam por degeneração celular.

 Apresentam superfície recoberta por grânulos e a origem dos grânulos pode ser
patológica ou não.
 Origem não patológica: são provenientes de lisossomos eliminados
pelas células epiteliais tubulares renais durante o metabolismo normal
(durante exercícios intensos, ocorre aumento do metabolismo celular
e, consequentemente, aumento breve de cilindros granulosos que é
acompanhado do aumento de cilindros hialinos).
 Origem patológica: são resultados da desintegração de cilindros
celulares e de células tubulares ou a associação de proteínas filtradas
pelo glomérulo.
 A princípio, os grânulos são grandes e grosseiros, entretanto, quando a estase
urinária é estendida, os grânulos tornam-se finos devido sua quebra.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS GRANULOSOS
 Os cilindros granulosos estão

presentes na glomerulonefrite e

na pielonefrite.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS CÉREOS
A presença desses cilindros representa um estágio avançado da
evolução natural dos cilindros hialinos patológicos, sendo
indicativo de lesão tubular crônica. Possui como característica
uma "dobradinha" na cauda.

 Os cilindros céreos são curtos e largos, possuindo um índice de


refração elevado;
 Tem estrutura rígida, com aparência lisa homogênea, apresentando
bordas serrilhadas;
 Sua coloração pode ser amarela, acinzentada ou incolor;
 São formados a partir da desidratação dos cilindros hialinos ou a
partir da fragmentação dos elementos granulares dos cilindros
granulosos.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS CÉREOS
 Os cilindros céreos são representativos de
estase urinária extrema, que aponta
insuficiência renal crônica grave.
 Estão presentes também em casos de
hipertensão maligna, nefropatia diabética e
amiloidose renal*.

*Amiloidose é uma doença rara em que proteínas dobradas de forma


anormal formam fibrilas de amiloide que se acumulam em vários tecidos e
órgãos, às vezes levando à disfunção ou insuficiência do órgão e morte.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS BACTERIANOS

 O cilindro bacteriano é difícil de ser

visualizado, no entanto é comum

de aparecer na pielonefrite e é

formado por bactérias ligadas à

proteína Tamm-Horsfall.
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROS DE LEVEDURAS
CITOLÓGICO - CILINDRÚRIA
CILINDROIDES

São cilindros formados na junção da alça de Henle e do Túbulo contornado distal, são

afilados e possui como característica uma "caudinha" no seu final.


REVISANDO…

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