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Quem esteve lá viu

D e cima, lá do segundo meza-


nino, podiam-se ver e ouvir
luzes em profusão e um mis-
to de vozes e mecanismos diversos
em plena operação. Nada de con-
Justiça seja feita: isso não é nenhuma novidade, porque
ela parece ter o dom da ubiqüidade, marcando sua pre-
sença em todos os lugares ao mesmo tempo. E esta edi-
ção de “O Mundo da Usinagem” dá alguns exemplos
disso.
fusão generalizada, muito pelo Ela sempre entra nas histórias das indústrias sob a
contrário: o nada discreto charme forma de elemento de aperfeiçoamento, como o fez quan-
da 23ª da Feira da Mecânica esta- do se uniu à NMHG para viabilizar a produção das em-
va evidenciado ali, onde homens pilhadeiras Yale no Brasil e à Voith Sulzer São Paulo,
que produzem e compram máqui- que acabou tornando-se centro de competência em ma-
Maria Carolina Bottura nas e equipamentos revelavam qual nufatura e projeto de cilindros secadores para máqui-
é o ritmo da indústria metal-mecânica neste momento. nas de papel, podendo fornecê-los para as fábricas do
“Retomada dos negócios”, diziam uns”. “Crescimen- Grupo Voith em todo o mundo (páginas 19 e 23, respec-
to”, entusiasmam-se outros. tivamente). Isso tudo se soma à sua participação como
O fato é que quem esteve no Palácio de Exposições do patrocinadora de seminários e encontros sobre novas
Anhembi, em São Paulo, capital, entre os dias 8 e 13 de tecnologias (página 5).
maio, viu 1.623 expositores brasileiros e internacionais ini- Como seu raio de alcance extrapola qualquer fron-
ciando ou fechando negócios entre eles mesmos e com os teira, ela aparece aqui ora como peça-chave em pesqui-
quase 100 mil visitantes que fizeram desta a maior feira do sas de ponta para a produção de moldes e matrizes, ao
setor em toda a América Latina, onde cerca de 1.300 visi- lado da Universidade de Birminghan, na Inglaterra (pá-
tantes e 796 expositores estrangeiros ratificaram a sua con- gina 7), ora como um dos elos que permitiram à Quin-
dição de evento internacional que ganhara há anos atrás e ton Hazell Automotive, de Colwyn Bay, no País de Ga-
compuseram as cenas que nos remetem a um futuro menos les, impedir que os tempos de preparação de suas má-
limitado. quinas para a usinagem dos diversificados itens que fa-
A Sandvik Coromant estava lá, mas não da forma brica se estendessem às raias da falta de competitivida-
que sempre esteve, como conta a matéria da página 13. de (página 30).

REPORTAGEM
Sandvik e mais oito empresas, juntas, contam como se chega ao topo..............13

ARTIGOS TÉCNICOS
Pesquisa acelera e dá tom de modernidade à usinagem ...................................... 7
Usinagem sem geração de cavacos e com menos itens em estoque ............... 27
Menores tempos de máquinas paradas e usinagem mais eficaz ....................... 30
27 - Um macho
laminador pode
SEÇÕES substituir vários tipos
de machos de corte
Página do Presidente ------------------ 3 para furos cegos e
Notas & Novas ---------------------------- 4 passantes
Entre em Contato ----------------------- 33
30 - A QHA consegue
produtividade e
competitividade na usinagem
7 - A Universidade de de lotes pequenos e bem
Birmingham (Inglaterra), diferentes uns dos outros
pesquisou o que é melhor
para a usinagem de
moldes e matrizes

_ O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


O homem é o ponto central

A
Sandvik já de há muito
tem o certificado ISO
SANDVIK DO BRASIL 9000 e vem se preparan-
Diretor-Presidente: José Viudes Parra
do para entrar no rol
DIVISÃO COROMANT das certificadas pela ISO
Diretor: José Viudes Parra 14000. Mas antes disso, ao
olharmos à nossa volta e nos
Gerente de Negócios: Claudio José
determos em nossos produtos,
Camacho
Gerente de Marketing e Treinamento: enxergamos ali as mãos que os trouxeram à luz com qualidade tal
Francisco Carlos Marcondes que fez da Sandvik Coromant líder de seu segmento de mercado. E
Coordenadora de Marketing: Heloisa mais que nunca valorizamos a vida dos nossos funcionários. As
Helena Pais Giraldes indústrias em geral certificam seus produtos e seus processos de
Assistente de Marketing: Cibele
Aparecida Rodrigues dos Santos
produção, mas por que perseguir apenas a qualidade de itens, pro-
cessos, serviços se o homem é o ponto central? É o começo, o meio
Editora: Maria Carolina Bottura
Tradução: Vera Lúcia Natale
e o fim de tudo isso?
Editoração Eletrônica: Adilson A. Claro, a Sandvik não tem nenhum problema com os órgãos fis-
Barbosa calizadores de assuntos relacionados com o meio ambiente e ja-
Fotografias: Izilda França Moreira e mais teve que se curvar ao peso de suas multas porque efetiva-
Studio Amat
Fotolito: Studio Quatro Fotolito Digital
mente não faz pouco caso do ar, do solo e da água. As plantas que
Gráfica: Fotoline Gráfica e Fotolito embelezam as alamedas de sua área externa são prova disso e
ninguém, aqui, descarta água com resíduos nocivos nem respira
CORPO TÉCNICO ar contaminado. Toda a água utilizada na fábrica é descontami-
(DIVISÃO COROMANT)
Gerente Regional do Departamento
nada, metade retornando aos processos fabris e metade indo para
Técnico: José Roberto Gamarra efluentes e rios — mas passando, antes, por um aquário de peixes
Especialista em Fresamento: Marcos ornamentais que tem seu pH medido duas vezes ao dia por um de
Antonio Oliveira nossos profissionais.
Especialista em Capto & CoroCut:
Francisco de Assis Cavichiolli
A lama resultante de alguns processos também é reciclada e re-
Especialista em Torneamento: Domenico torna ao solo sob a forma de fertilizante. Os pós químicos são total-
Carmino Landi mente coletados e devolvidos ao processo e os óleos de máquinas
Especialista em Furação: Dorival completamente regenerados e reaproveitados. Para nós o conceito
Aparecido da Silveira
de “verde” contempla programas como o “Qualidade de Vida”,
Especialista em Torneamento: Antonio
José Giovanetti onde estão inseridos cursos sobre planejamento de orçamento do-
Especialista em Die & Making: João méstico, planos de condicionamento físico na academia da empre-
Carosella sa, conscientização sobre a importância de uma alimentação equi-
e-mail da revista: librada e total incentivo às atividades do GAAS, o Grupo de Auto Ajuda
omundo.dausinagem@sandvik.com Sandvik, voltado à recuperação de dependentes químicos.
SAC (Departamento Comercial): Mais que uma das maiores e melhores indústrias do mundo,
(011) 525-2743 afinal, a Sandvik quer ser sempre fonte de vidas bem vividas.
Atendimento ao Cliente:
0800 55 9698

Sandvik do Brasil S.A.


Divisão Coromant
Av. das Nações Unidas, 21.732 José Viudes Parra
Jurubatuba - São Paulo - SP Diretor-Presidente
CEP 04795-914

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 _ !


Já está no Brasil o novo Steel
Turning, programa de torneamento
da Sandvik
omo parte de uma campa- vas classes 4035, 4025 e Ultra- mentos recentes, entre eles as pas-

C nha mundial para o lança-


mento de seu mais recente
programa de classes e pas-
tilhas para torneamento, o Steel
Turning, a Sandvik do Brasil
Speed 4015, que permitem au-
mentos da velocidade de corte de
até 20% em relação às classes
convencionais, e as novas geome-
trias alisadoras (WM e WF) para
tilhas alisadoras de cerâmica e de
CBN, as pastilhas de CBN sólidas,
o novo sistema CoroCut para cor-
tes e ranhuras e os novos sistemas
de pastilhas positivas com ângulo
promoveu em maio uma série de torneamento,
eventos com a presença de Heinz com as quais há
Gotz Werner, da Sandvik da Su- a excelente pos-
écia. Werner é graduado em en- sibilidade de usi-
genharia mecânica e trabalha na nar com avanços
Coromant desde 1977, onde já até duas vezes
ocupou vários cargos em depar- maiores que os
tamentos de projetos e desenvol- usualmente obti-
vimento de ferramentas para usi- dos com as pas-
nagem e atuou como líder do tilhas convencio-
grupo mundial de desenvolvi- nais, sejam ope-
mento de ferramentas para a in- rações de acaba-
dústria automobilística nas áre- mento sejam de
as de torneamento e fresamento. semi-acabamen-
Atualmente, traba- O especialista da Sandvik
lha como especia- Coromant da Suécia
apresentou o Steel
lista no desenvol-
Turning para uma grande
vimento de geome- platéia no Brasil
trias de pastilhas
para torneamento. de folga de 7 e 11 graus,
Durante duas respectivamente deno-
semanas, ele minis- minados CoroTurn 107
trou palestras para e CoroTurn 111.
profissionais de vá- Todos os participan-
rias empresas em tes das palestras rece-
todo o Brasil, apre- beram o CD oficial da
sentando detalhes campanha, que contém
do Steel Turning, a íntegra da apresenta-
que foi desenvolvi- ção, em português, no
do com vistas a proporcionar um to (em “Mais força com novas que diz respeito aos produtos para
aumento significativo da produ- classes para torneamento”, na torneamento de aços e os meios para
tividade em operações de tornea- página 18 da edição 1. 2000 de O que possam aplicar as técnicas de
mento e já está disponível no mer- Mundo da Usinagem, há mais de- aumento da produtividade de seus
cado. As palestras abordaram o talhes sobre isso). processos de torneamento com a
conceito, objetivos, benefícios da O especialista da Sandvik tam- utilização dos produtos Coromant
campanha e produtos, como as no- bém apresentou outros desenvolvi- destinados a essa finalidade.

4 _ O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


Sandvik mais uma vez se junta a
escolas em nome da tecnologia
Sandvik Coromant está in- Sistemas Computacionais para França); Joachim Rix e Luiz San-

A tensificando o ritmo de sua


estratégia de não apenas dis-
seminar sua própria tecno-
logia, mas também contribuir para
que as universidades e escolas téc-
Projeto e Manufatura da Univer-
sidade Metodista de Piracicaba em
parceria com a Universidade Téc-
nica de Darmstadt, da Alemanha.
O tema do evento da Unimep/
tos (Fraunhofer, Alemanha); Uwe
Baake (Mercedes-Benz, Brasil); e
Hugo Resende (Embraer, Brasil).
A quarta versão do seminário,
realizada no ano passado, cujo tema
nicas brasileiras avancem em suas Darmstadt deste ano, “Inovações principal foi a usinagem a altas ve-
atividades de formadoras e aper- Tecnológicas no Desenvolvimento locidades, teve mais de 180 partici-
feiçoadoras da base de conheci- do Produto”, vai abordar aspectos pantes vindos de empresas como
mentos tecnológi- SKF do Brasil, MC
cos do país. Além Mazak, Volkswagen,
dos patrocínios e Mercedes-Benz, Romi,
convênios que fo- Embraer, Bosch, Xe-
ram noticiados na rox, Prensas Schuler,
edição passada de Siemens, Sandvik, Du-
O Mundo da Usi- ratex, Cofap, entre ou-
nagem, nas pági- tras, além de pesquisa-
nas 6 e 23, neste dores das universidades
ano a empresa tam- de São Paulo (USP) e
bém está patroci- Federal de Santa Cata-
nando outros três rina (UFSC) e doInsti-
eventos: o “I En- tuto Tecnológico da Ae-
contro Nacional de ronáutica (ITA).
Tecnologia e Inova- Para mais informa-
ção em Materiais” A versão anterior do seminário da Unimep/Darmstadt reuniu uma ções sobre o I Encon-
platéia formada por profissionais de empresas de peso no mercado
realizado em junho brasileiro tro Nacional de Tecno-
pelo Centro de Ca- logia e Inovação em
racterização e Desenvolvimento de do desenvolvimento distribuído/in- Materiais, o leitor deve entrar em
Materiais da Universidade Fede- tegrado do produto; influência dos contato com seus organizadores por
ral de São Carlos em conjunto com fatores ecológicos no desenvolvi- meio do telefone/fax (11) 6694-4548
a UNESP - Universidade Estadu- mento do produto; normas STEP e ou do e-mail ccdm@ccdm.usfcar.br
al Paulista; as “Semanas Tecno- a integração cliente/fornecedor; e no site ccdm@ccdm.usfcar.br. So-
lógicas” das Áreas Automobilísti- modelo digital do produto; integra- bre as Semanas Tecnológicas, são
ca e Metal-Mecânica (no período ção digital da cadeia produtiva; e fornecidas informações pelo tel.
de 20 a 23 de setembro), Instru- gerenciamento de dados do produ- (13) 261-6000, ramal 228, e pelo
mentação e Eletroeletrônica (27 a to. Até a data de fechamento desta e-mail burger@sp.senai.br. Sobre
30 de setembro) e Informática e edição de O Mundo da Usinagem, o 5° Seminário Internacional de
Movelaria (4 a 7 de outubro), pro- dez palestrantes já haviam confir- Alta Tecnologia, existe o site
movidas pela Escola Senai Anto- mado sua presença: H. Schulz, Alp w w w. u n i m e p . b r / f e m p / s c p m /
nio Souza Noschese, em Santos Atik e Caspar von Gyldenfeldt eventos.htm com informações de-
(SP); e o 5° Seminário Internaci- (PTW, Alemanha); Bernd Pätzold talhadas, que também são forneci-
onal de Tecnologia, que será rea- (ProSTEP, Alemanha); R. Andrel das através do tel.: (19) 430-1792,
lizado no dia 5 de outubro, em Pi- e Erik Claassen (DiK, Alemanha); do fax (19) 455-1361 e do e-mail
racicaba (SP), pelo Laboratório de Patrick G. Serraferro (Kade-Tech, labscpm@unimep.br.
O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 _ 5
Criatividade e envolvimento no trabalho
compensam e são reconhecidos
o surpreenderam naquela se- tor de esteira, o D61. Foi de lá para
gunda-feira com uma singela cá que o supervisor Ailson se fez
cerimônia em que foi distingui- notar mais intensamente, enquan-
do como “profissional de to se desdobrava para que o suces-
destaque”. so da empreitada chegasse o mais
A distinção é mereci- cedo e completo possível para a
da, mas para Ailson tal- empresa.
vez também já esteja se Ailson José da Silva iniciou sua
transformando em normal, trajetória profissional na Komatsu em
uma vez que este é o ter- agosto de 1976 e até assumir o cargo
ceiro ano consecutivo em de supervisor de afiação/ferramenta-
que a cerimônia se repete. ria, no ano passado, passou por ou-
Ailson José da Silva, supervisor de afiação/ Tranqüilo, porém visi- tros, entre os quais o de técnico, que
ferramentaria, destacou-se no velmente feliz, lá estava ele erradamente lhe foi atribuído pela re-
aperfeiçoamento e modernização da produção no centro das atenções do portagem de O Mundo da Usina-
da Komatsu
pessoal do chão-de-fábrica gem, na edição anterior, na matéria
da Komatsu do Brasil por “Komatsu: Investimento de US$ 22
uando chegou ao trabalho novamente ter se destacado como milhões, novo trator e mais merca-

Q numa segunda-feira de junho,


o supervisor de afiação/ferra-
mentaria, Ailson José da Sil-
va, como sempre estava pron-
to para realizar suas atividades nor-
profissional participativo e coopera-
tivo, tendo apresentado à empresa
durante o ano passado as melhores e
mais volumosas sugestões e soluções
para o aperfeiçoamento e a moderni-
do” (edição 1. 2000, página 21), na
legenda de uma foto em que ele não
aparece. Fazendo coro aos seus pa-
res que lhe renderam homenagem na-
quela manhã de segunda-feira de ju-
mais. Formado em Tecnologia de zação da sua produção. nho, todo o pessoal da Sandvik Co-
Qualidade Total pela Universidade A Komatsu do Brasil passou romant deixa aqui os seus cumpri-
Brás Cubas e já de há muito envol- por um longo e minucioso processo mentos a Ailson, e, também, se retra-
vido com tais atividades, ele não su- de modernização de sua fábrica ta pelo erro inadvertida-
punha que o que fazia com tanta de- que se iniciou em 1997, acompa- mente cometido pela equi-
senvoltura estivera sendo observado nhando a nova estratégia global pe que produziu a revista.
atentamente por seus colegas e su- adotada pela matriz, sediada no Ja-
periores. O caso é que o “normal” pão, e se preparando para passar
para Ailson vem sendo reconhecido a ser também produtora e expor-
como “admirável” pelos outros, que tadora de seu recém-lançado tra-

Retificação de legenda
foto das ferramentas fa- ria “Ferramentas para furar e

Brocas Alpha 2 e 4, Alpha 22 e


Maximiza
A bricadas pela Titex Plus
Precision Cutting Tools
que aparecem na página
15 da edição anterior de O
Mundo da Usinagem, na maté-
rosquear com HSC e sem re-
frigeração”, saiu com a legen-
da errada. A foto é republicada
aqui com a legenda devidamen-
te corrigida.
6 _ O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000
Pesquisa acelera e dá tom
de modernidade à
usinagem
A usinagem a alta velocidade é aplicável na produção de
moldes e matrizes? Para responder aos vários aspectos que
esta pergunta apresenta, pesquisadores da Escola de
Manufatura e Engenharia Mecânica da Universidade de
Birmingham, na Inglaterra, desenvolveram um trabalho
bastante extenso em que foram analisados itens como
ferramentas, porta-ferramentas e máquinas. E as ferramentas
da Sandvik Coromant, mais uma vez, provaram ter
performance adequada a este processo.

usinagem tem um impacto de aço, assim como aços baixa-liga,

A
Teste de usinagem de uma cavidade
substancial sobre os custos também são usadas. As matrizes em um centro de usinagem
de produção da indústria de para forjamento geralmente têm du- Matsuura FX-5 usando uma fresa de
moldes e matrizes principal- reza de 45-46 HRC. topo Ball Nose (Ponta Esférica)
GC1020 da Sandvik Coromant. O
mente porque envolve a remoção Os materiais típicos para mol- material é um aço endurecido AISI
de grandes volumes de metal den- des para injeção de termoplásticos H13 para matriz para trabalho a
tro de tolerâncias estreitas quanto e termofixos são os aços-ferramen- quente
a geometria e acabamento super- ta trabalhados a frio, incluindo
ficial das peças processadas. Além AISI P20, AISI P6, AISI 01 (en- das em matrizes. Raios de 0,25-3
disso, os aços-ferramenta usados durecido a óleo) e AISI S7 (resis- mm são comuns nas cavidades das
neste segmento industrial são mui- tente a choques), sendo também matrizes e muitas delas precisam
tos e bem diferentes uns dos ou- aplicáveis alguns aços inoxidáveis, de ângulos cônicos na faixa de 0,5-
tros. ferros fundidos cinzentos e aços- 5° para permitir a remoção das pe-
Para matrizes de forjamento e ferramenta trabalhados a quente, o ças. A precisão dimensional neces-
fundição, a escolha geralmente re- que faz saltar à vista o fato de que sária pode ser de até ± 5 µm e a
cai sobre os aços-ferramenta tra- a ampla variedade de materiais precisão posicional das cavidades
balhados a quente que podem su- para moldes reflete a diversidade é da mesma ordem de grandeza,
portar as temperaturas relativa- dos próprios plásticos que são pro- para garantir que não haja nenhum
mente altas envolvidas nestes pro- cessados. A faixa de dureza típica ressalto entre as faces macho e fê-
cessos, onde se incluem os aços-fer- de tais aços no momento da usina- mea de um conjunto de matriz. Em
ramenta trabalhados a quente à gem é de 32-58 HRC. muitos casos é necessário um va-
base de cromo (AISI H13, por Uma diversificada gama de for- lor de acabamento superficial de
exemplo) e à base de tungstênio matos e tamanhos de cavidades é Ra 1 µm.
(como o AISI H21). Algumas ligas produzida pela indústria de mol- Nos últimos 60 anos, a HSM (de
Este artigo foi produzido pela equipe técnica da AB
des e matrizes para a produção de High Speed Machining, ou Usina-
Sandvik (Suécia), Divisão Coromant. peças plásticas, forjadas e fundi- gem a Altas Velocidades) foi apli-

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 7


Projeto de pesquisa: buscando o melhor dentro do que é bom
ficial (camadas refundidas, microdu- menor que 50 mm) e os raios inter-
reza, tensões residuais etc.) foram nos não são menores que 1 mm. Ca-
completamente avaliados. O traba- vidades maiores e mais profundas
lho também envolveu a fabricação provavelmente exigem usinagem em
de cavidades de moldes/matrizes desbaste de material recozido, tra-
que depois passaram por testes tamento térmico subseqüente para
para a determinação da influência alcançar a dureza, e, depois, usina-
dos processos de usinagem na vida gem de acabamento por eletroero-
das matrizes/moldes. são. Ainda assim é possível que a
As cavidades de moldes e matri- HSM seja o caminho de fabricação
zes produzidas pela técnica HSM preferido, mas para cavidades mais
são, em sua maioria, relativamente profundas com raios abaixo de 1 mm
pequenas (comprimento abaixo de é improvável que ela apresente mais
150-200 mm), rasas (profundidade vantagens que a eletroerosão.
Richard Harding e Andrew Mantle
realizando testes de usinagem
em alumínio intermetálico gama-
titânio usando um dinamômetro
de força de corte

O primeiro estágio da pesquisa


realizada em Birmingham envolveu
testes com vários materiais de fer-
ramentas e geometrias para identi-
ficar o melhor ferramental para apli-
cação em aços endurecidos para
matrizes como, por exemplo, o aço-
ferramenta para trabalhos a quente
AISI H13, cuja dureza é de ±50
HRC. Os testes permitiram que se
estabelecesse um banco de dados
de usinabilidade para uma gama de
parâmetros de corte (avanços e ve-
locidades) usando um ferramental
selecionado. O desgaste da ferra-
menta, as forças de corte e as tem-
peraturas da interface ferramenta/
peça foram medidos e analisados David Aspinwall, pesquisador sênior (centro), com Richard Dewes,
para que se compreendessem os palestrante, e Andrew Mantle, companheiros de pesquisa na escola de
processos que ocorrem na HSM. O Manufatura e Engenharia Mecânica da Universidade de Birmingham, medindo
acabamento e a integridade super- uma matriz usinada com altas velocidades

cada em uma grande variedade de plo, o fresamento em cópia e de ca- alcançar a dureza necessária) e re-
materiais metálicos e não-metáli- vidades de peças de liga de alumí- tificação de acabamento; ou a usi-
cos, inclusive para a produção de nio típicas da indústria aeroespa- nagem por eletroerosão (EDM, de
peças com exigências bastante es- cial para rapidamente remover Electrical Discharge Machining,
pecíficas de topografia da superfí- grandes volumes de material. ou Usinagem por Descargas Elétri-
cie, além da usinagem de materiais Para a maioria das peças em cas); ou o uso de ferramental apro-
com dureza de 50 HRC para cima. aço endurecido acima de 30 HRC, priado de cerâmica mista ou de ni-
O termo “Usinagem a Altas Velo- as opções normalmente incluem a treto cúbico de boro policristalino
cidades” se refere, em geral, ao fre- usinagem do material na sua con- (PCBN) para proporcionar uma
samento de topo com altas veloci- dição mole (ou seja, recozido) se- usinagem limitada de cavidades
dades de rotação, como, por exem- guida de tratamento térmico (para cilíndricas/planas.
8 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000
A realização de perfis comple- partir de aços-ferramenta endure- te particularmente em aplicações
xos muitas vezes exige a combi- cidos. Por conta disso, hoje se per- de desbaste de aço totalmente en-
nação dessas opções e, no caso de cebe uma redução significativa de durecido. Para executar a pesqui-
moldes e matrizes, envolve tam- custos e prazos de entrega. sa, a universidade comprou um
bém o polimento manual. Com Há um projeto de pesquisa na centro de usinagem da Matsuura,
isso, os custos de produção podem Universidade de Birmingham, na o FX-5 de alta velocidade (20.000
ser altos e os tempos de entrega Inglaterra, intitulado “Usinagem rpm), que está instalado em sua
excessivamente dilatados. Como com velocidades ultra-rápidas de Escola de Manufatura e Engenha-
resultado dos avanços nas áreas de ligas ferrosas endurecidas” (veja ria Mecânica. (Na página 31 da
ferramentas de corte, máquinas- o box “Projeto de pesquisa: bus- edição anterior de “O Mundo da
ferramentas e tecnologias CAD/ cando o melhor dentro do que é Usinagem”, o artigo “As veloci-
CAM, uma das aplicações mais bom”, na página 8), sobre o fre- dades de corte aumentam e tra-
recentes de HSM é exatamente na samento de topo de moldes e ma- zem benefícios”, contém mais in-
fabricação de moldes e matrizes a trizes com altas velocidades de cor- formações sobre esta máquina).

Fresas WC Ball Nose fazem bonito nos testes de Birmingham


dos com fresamento tanto concor- fície do material H13 apresentou al-
dante como discordante com a peça guma deformação mecânica e resis-
fixada na horizontal. tência residual à compressão de até
Os resultados indicaram que as 250 Mpa. Isso é desejável, pois a
ferramentas sem cobertura não são resistência à compressão está asso-
apropriadas para essa aplicação, en- ciada à maior vida útil da matriz. Em
quanto que as revestidas com Ti(CN) contraste, a natureza térmica do pro-
oferecem a melhor performance. cesso de eletroerosão, que ainda é
Com velocidades de corte mais al- usado intensamente para a forma-
tas, em geral o uso da refrigeração ção de cavidades de matrizes, cau-
resultou em uma vida útil maior que sa tensões residuais que prejudicam
na usinagem sem refrigeração, a vida da peça.
mas a baixas velocidades a usina- Estudos recentes, com a peça in-
gem sem refrigeração foi mais clinada a 60 graus para simular mais
bem-sucedida. A exceção foi a GC de perto a usinagem de uma parede
1020, uma classe de cobertura de da cavidade, produziram resultados de
Ti(CN), que teve melhor performan- acabamento superficial e valores de
ce na usinagem sem refrigeração resistência residual à compressão sig-
em ambas as velocidades. A vida nificativamente melhores.
Fresa de topo, inteiriça de metal útil mais longa foi de
duro (grãos finos), com cobertura, 161 minutos e propor-
da Sandvik Coromant cionou um comprimen-
to de corte de 655 me-
As fresas interiças de metal duro tros. Com o uso de refrige-
sem cobertura e com cobertura de ração por névoa a vida útil
TiN e Ti(CN) de 6 mm de diâmetro resultante ficou entre
fabricadas pela Sandvik Coromant aquelas da usinagem com
foram testadas em várias condições: e sem refrigeração.
sem refrigeração, usando lubrifica- Sem que isso seja uma
ção por névoa (spray) e com refrige- surpresa, a rugosidade su-
ração (27 bar, 60 litros/min). Os pa- perficial da peça deteriorou
râmetros de usinagem selecionados durante o processamento
foram: velocidades de corte de 100 de cada teste, porém foi A fresa de topo da classe GC 1020 teve
e 200 m/min (velocidades rotacionais 50% menor na usinagem melhor performance na usinagem sem
de 9.597 rpm e 19.195 rpm), profun- com velocidades de corte refrigeração tanto em velocidades de corte
didades de corte axial de 0,5 mm e mais altas. Os estudos re- baixas quanto altas (100 e 200 m/min). A vida
radial de 0,5 mm e avanço de 0,1 lativos à integridade superfi- útil atingiu 161 minutos, proporcionando um
mm/dente. Os testes foram realiza- cial indicaram que a super- comprimento de corte de 655 m

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 9


A HSM é um grande Uma questão crítica da HSM é entanto, geralmente não são ade-
avanço, mas não quanto ao controle do percurso da quadas para a HSM de aços endu-
tem só vantagens fresa. Os dados do controle numé- recidos devido à sua baixa resis-
rico precisam ser fornecidos com tência térmica e baixa rigidez. As
O lado positivo da HSM inclui faixas mais altas e volumes maio- fresas de carboneto de tungstênio
altas taxas de remoção de metal, res que para as máquinas-ferra- (WC), ou seja, de metal duro, são
baixas forças de corte e mínima mentas convencionais. Quando é as mais comumente usadas, além
deformação da peça, além da pos- realizada usinagem em contorno, das de topo com ponta soldada de
sibilidade de usinar seções de pa- são necessários pequenos e fre- WC ou as que incorporam pasti-
redes finas e de se usar dispositi- qüentes movimentos da fresa para lhas intercambiáveis, disponíveis
vos de fixação simples. Além dis- se obter a precisão desejada na em vários tipos com diâmetro mí-
so tudo, ela produz acabamentos peça. As máquinas de altas velo- nimo de 10 mm.
superficiais a partir de Ra 0,1 µm, cidades devem ser capazes de ar- Para diâmetros menores, as fer-
pouco ou nenhum dano à integri- mazenar grandes volumes de da- ramentas inteiriças de WC, forneci-
dade da peça, redução da va- das por um grande número
riedade de ferramentas de de fabricantes, são as pre-
corte necessárias ao proces- feridas porque têm alta ri-
so, peças livres de rebarbas gidez e geralmente atendem
e um melhor e mais fácil es- à demanda por altas tole-
coamento dos cavacos. râncias. Tais ferramentas
Há, porém, uma série de estão disponíveis em diâme-
desvantagens que não devem tros a partir de 1 mm e o
ser ignoradas, e entre elas es- que se sabe é que há pelo
tão o alto desgaste das ferra- menos um fabricante que as
mentas, a necessidade de ma- fornece com diâmetro tão
teriais caros para as ferra- pequeno quanto 0,2 mm.
mentas e o seu balanceamen- Quando se fala em fer-
to, porta-ferramentas com Efeitos de velocidades de corte e taxas de remoção ramentas de WC está-se fa-
cones de alta precisão, fusos mais altas (1), acabamento superficial (2), forças de lando em microgrãos e co-
corte (3) e vida da ferramenta (4)
de alto custo e baixa vida útil berturas específicas, como
(a faixa típica é de 5.000-10.000 dos, e, também, de processá-los nitreto de titânio (TiN), nitreto de
horas com velocidade rotacional muito rapidamente. Os controlado- alumínio-titânio (TiAL)N e carbo-
máxima), além de máquinas e sis- res comumente incorporam a fun- nitreto de titânio Ti(CN). As ferra-
temas de controle igualmente caros. ção “look ahead” (olhar adiante) mentas de cermet à base de TiC,
Os fabricantes de fresadoras e para dar à máquina a capacidade Ti(CN) e (ou) TiN, mais que as de
centros de usinagem comumente de manter a precisão quando ocor- WC, também são aplicadas em pro-
oferecem velocidades rotacionais rerem rápidas mudanças na dire- cessos HSM de materiais endure-
de 10.000 rpm como opção, sen- ção do avanço. cidos para matrizes. As pastilhas e
do usuais velocidades de 20.000 as ferramentas inteiriças estão dis-
rpm, mas fresadoras com veloci- HSM e ferramentas, poníveis em faixas de diâmetro si-
dades de fuso tão altas quanto porta-ferramentas milares às das fresas de WC.
100.000 rpm também já estão dis- e temperaturas As ferramentas de cerâmica
poníveis. Tais máquinas freqüen- convencionais, como, por exem-
temente são capazes de trabalhar Do mercado total para fresas de plo, as de óxido de alumínio (alu-
na faixa de avanço de 15 m/min topo, uma fatia de aproximada- mina) reforçadas por whiskers,
ou mais com acelerações rápidas mente 40% é de domínio exclusi- permitem o uso de altas velocida-
e desacelerações na faixa de avan- vo daquelas que são fabricadas em des de corte graças à sua alta re-
2
ço de até 20 m/s . aço rápido (HSS), as quais, no sistência térmica e geralmente à

10 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


sua baixa solubilidade em muitos
materiais de peças, incluindo os
aços. Ainda que a baixa resistên-
cia a fraturas e as dificuldades de
fabricação normalmente restrin-
jam o uso dessas ferramentas no
fresamento de topo, elas são mos-
tradas em catálogos de alguns fa-
bricantes em diâmetros na faixa de
3 a 12 mm. As fresas de topo com
blanks de PCBN soldados em uma
haste de WC ou de HSS estão se
tornando mais amplamente dispo-
níveis e hoje já se pode dizer que
existe um bom número de empre-
sas que as fornecem.
Os fabricantes indicam diâme-
tros de 5 a 6 mm, mas há catálo-
gos com produtos de até 2 mm de
diâmetro. Além disso, há muitas John Wedderburn e Richard Dewes, na Universidade de Birmingham,
indústrias que produzem ferra- observando a usinagem de aço endurecido com altas velocidades
mentas de diamante sob pedido. versidade de Birmingham, cujos to das ferramentas usadas em pro-
Formatos alternativos de fresas de testes envolveram o uso de fresas cessos a altas velocidades de ro-
topo com pastilhas intercambiá- de topo Ball Nose (Ponta Esférica) tação, mas cada caso tem de ser
veis estão disponíveis em diâme- de WC e PCBN para usinar aços analisado individualmente (o ar-
tros maiores. O uso de ferramen- AISI H13 endurecidos (50 HRC) tigo “Você deve balancear suas
tas de diamante policristalino para matrizes para trabalhos a ferramentas?” — página 8 da
(PCD) para usinagem de aços é quente (leia “Fresas WC Ball edição 1. 2000 de O Mundo da
contra-indicado devido à reação Nose fazem bonito nos testes de Usinagem — fala extensivamente
do diamante com o carbono dos Birmingham” e “Ferramentas de sobre isso). O ferramental desba-
materiais ferrosos e por reverter PCBN: raras, caras e não tão lanceado pode levar à oscilação
a grafite em temperaturas que ul- boas”, nas páginas 9 e 12, respec- das forças centrífugas, repercutin-
trapassam 750ºC. tivamente). do em desgaste da ferramenta, des-
A vida útil das ferramentas tam- Geralmente há consenso quan- gaste ou quebra do fuso, acaba-
bém foi objeto de estudo na Uni- to à necessidade de balanceamen- mento superficial insatisfatório e
baixa vida útil.
Encontram-se no mercado má-
quinas que medem os níveis de
desbalanceamento e realizam o
balanceamento dinâmico e, com
base na experiência prática, foi
estabelecida uma norma (ISO
A usinagem de moldes e 1940/1 BS 6868 Parte 1) com
matrizes se beneficia classes de números para um balan-
com os novos conceitos ceamento de boa qualidade. Tra-
de geometria e
tam-se dos já bastante conhecidos
desenhos de
ferramentas da Sandvik ‘números G’, em que um número
Coromant menor indica uma alta qualidade
O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 11
Ferramentas de PCBN: raras, caras e não tão boas
Uma pesquisa sobre fresas de Ball Nose, sendo reduzida a zero pequena e as ferramentas com tra-
topo Ball Nose (Ponta Esférica) de em alguns casos. Outros proble- tamento ER da aresta (roneamen-
PCBN revelou que o mercado britâ- mas incluíram um pequeno lasca- to) não foram significativamente me-
nico não é farto, a qualidade de al- mento da aresta e uma ferramenta lhores. Fresas fornecidas com chan-
gumas das que foram encontradas foi fornecida afiada, mas sem a fro T deram melhores resultados de-
era questionável e seu preço era preparação da aresta. pendendo do tamanho do chanfro,
alto em comparação com as ferra- Pesquisas feitas na Alemanha e o que indica que a preparação da
mentas de metal duro. Isso levou os no Japão indicam que as fresas de aresta é um ponto crítico.
pesquisadores da Universidade de topo Ball Nose (Ponta Esférica) de Vidas úteis consistentes e lon-
Birmingham a avaliar o que, em ter- PCBN têm performance superior à gas foram obtidas com fresas de
mos de qualidade, os fabricantes de produtos de cermet ou WC equi- metal duro com cobertura e os pa-
europeus e britânicos de ferramen- valentes. Isso, no entanto, conflita râmetros desenvolvidos foram
tas poderiam produzir e a que pre- com os resultados do trabalho do usados na produção real de cavi-
ço e prazo de entrega. Foram pro- pessoal de Birmingham. Em testes dades de moldes e matrizes a al-
postos dois desenhos de fresa em de usinagem com o aço H13 endu- tas velocidades. A performance da
uma faixa de diâmetros de 5, 6, 8 e recido para matrizes para trabalho fresa foi previsível com as ferra-
10 mm e com várias preparações de a quente, a maioria das fresas mentas disponíveis no mercado a
aresta e diferentes materiais PCBN. PCBN falhou mais por lascamento custos relativamente baixos. Um
A precisão quanto aos ângulos que pelo desgaste gradual do flan- fator contra as fresas WC, testa-
e dimensões críticas das ferramen- co. A vida útil variou extensivamen- das em alguns produtos, é que
tas fornecidas ficou, na maior par- te com um comprimento máximo de elas não atenderam às especifica-
te, dentro da tolerância, mas outros corte de 5 a 207 metros em idênti- ções do batimento radial (tipica-
aspectos não foram compatíveis cas condições de usinagem. Essa mente 8-10 µm) que são dadas
com o desenho fornecido. Em par- diferença foi atribuída principalmen- pelos fabricantes de máquinas
ticular, a preparação da aresta no te às variações na preparação da para altas velocidades. Isso pode
chanfro T em várias ferramentas aresta das fresas. Inexplicavelmen- levar à performance insatisfatória
não foi consistente na periferia da te, a vida da ferramenta afiada foi e à baixa vida útil do fuso.

de balanceamento. Por exemplo, cessidades menos exigentes. Além Este conhecimento levará a uma
G6.3 é apropriado para aplica- disso, foi desenvolvida uma nova melhor compreensão do desgaste
ções onde as velocidades são bai- interface de máquina-ferramenta/ da ferramenta e de aspectos da in-
xas, G2.5 é necessário para se porta-ferramenta, conhecida como tegridade superficial da peça. Os
obter alta qualidade e G1.0 é cone HSK (DIN 69893). Trata-se métodos de medição de tempera-
apropriado para aplicações com de um sistema que tem uma haste tura envolveram o uso de termo-
altas velocidades rotacionais e oca e cuja massa corresponde à pares implantados na ferramenta
exigências de alta precisão. metade da massa de um cone ISO e na peça e medição com raios in-
A maioria dos centros de usi- convencional. Ele apresenta alta fravermelhos.
nagem utiliza uma norma interna- precisão e repetibilidade na troca Os resultados iniciais indicam
cional (ISO297, BS1660 Parte 4) do ferramental e, também, alta ri- que na usinagem de aços endureci-
para o cone de arraste, comumen- gidez e capacidade para transmis- dos com ferramentas de carboneto
te chamado de “cone ISO”. Para são de altos torques. de tungstênio as temperaturas da
aplicações de alta precisão, os ân- Em paralelo ao trabalho des- interface da fresa foram surpreen-
gulos do cone atendem às especi- crito no box “Projeto de pesqui- dentemente baixas, ficando normal-
ficações da norma com relação às sa: buscando o melhor dentro do mente dentro da faixa de 200 a
tolerâncias de ângulo (ISO1947, que é bom”, da página 8, a pes- 300ºC. Esse é mais um dado posi-
BS4500 Parte 5). Essas normas quisa da Universidade de Birmin- tivo que reforça o fato de que o WC
oferecem uma faixa de ‘números gham também investigou os as- pode (e deve) efetivamente ser usa-
AT’ a partir de AT1, para cones pectos mais científicos da HSM, do pelas indústrias para a usinagem
de alta precisão com tolerância como, por exemplo, a medição da de aços endurecidos para a produ-
muito estreita, até AT6, para ne- temperatura na zona de corte. ção de moldes e matrizes.

12 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


Sandvik e mais oito
empresas, juntas, contam
como se chega ao topo
Um simples passeio pela Mecânica’2000 foi suficiente para qualquer um, até para os menos
atentos, perceber que este promete ser o ano da ‘virada’ da indústria metal-mecânica brasileira.
E o novo OTS – Original Tooling Sales, departamento da Sandvik Coromant, estava lá junto com
Okuma, Romi, Garreta, Index, Mazak e Ergomat, numa demonstração de que mais que nunca as
empresas têm que estar aptas a apresentar soluções aos seus clientes. De outra parte, duas
indústrias de peso também estão dando o que falar: a Voith Sulzer e a NMHG Brasil, que
reorganizaram suas estruturas, modernizaram suas fábricas e, lançando mão dos lançamentos de
alta tecnologia e de ferramental especial desenvolvidos pela Sandvik, ganharam competitividade
tal que as coloca em lugar de destaque dentro dos grupos internacionais a que pertencem.

Fornecedores de máquinas e
Sandvik mostram que união
faz a força
ma das grandes surpresas des- nal Tooling Sales, departamen-

U ta última Mecânica’2000 —
Feira Internacional da Mecâ-
nica, que se realizou em maio,
em São Paulo, SP, é que lá não esta-
va o estande da Sandvik, que em to-
to voltado ao pronto atendi-
mento das necessidades dos
fabricantes de máquinas-fer-
ramentas, entre elas a elabo-
ração de layouts, definição de
dos os eventos deste calibre é de visi- processos de usinagem e estu-
ta obrigatória tanto pelo diferencial dos de tempo e ferramental.
arquitetônico em relação aos demais Onde estava ela? Os estandes
como pelas novidades com que cos- da Romi, Index, Okuma,
tuma receber seus visitantes. Mas a Ergomat, CLG e Mazak que Dorival Cesário, vendedor-técnico, e
Fernando Garcia de Oliveira, supervisor do
Sandivik Coromant não apenas esta- o digam.
OTS, o novo departamento da Divisão
va na feira como também fez ali o Para atender ao aumento Coromant da Sandvik do Brasil, na
lançamento oficial do OTS - Origi- da demanda de serviços por Mecânica’2000

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 13


Feira da Mecânica mostrou que o
mercado brasileiro está reaquecido mento para dar suporte à indústria
Uma conta rápida mostra Luiz Carlos Delben Leite, de máquinas e atender às novas
o motivo de os fabricantes de presidente da Abimaq – As- exigências deste setor”, justificou
máquinas-ferramentas entre- sociação Brasileira da In- Cláudio José Camacho, gerente
vistados pela reportagem de dústria de Máquinas e Equi- de negócios da Sandvik Coromant,
O Mundo da Usinagem es- pamentos, enfatizou que acrescentando que no longo perío-
tarem tão felizes: Index, “apenas 14 países produ- do de retração enfrentado duran-
Romi, Ergomat, Mazak, Oku- zem bens de capital em es- te a década de 90 os fabricantes
ma e CLG venderam um to- cala mundial e o Brasil ocu- foram obrigados a promover um
tal de 206 máquinas durante pa a sexta colocação”. Se- downsizing, reduzindo suas estru-
a feira, o que equivale a R$ gundo ele, o setor de máqui- turas internas nas áreas de ferra-
26,5 milhões. E mais: no con- nas e equipamentos deverá
mentas, dispositivos e processos,
junto, esses fornecedores crescer 10% neste ano e o
entre outras.
estão contando com a pos- índice de exportação au-
sibilidade firme de vender mentará 15%. A Abimaq “Agora, como o mercado está
outras 216 unidades (R$ aproveitou a Mecânica para dinâmico, visualizamos que era
27,9 milhões) dentro dos pró- lançar o PAE – Programa hora de retomar as atividades do
ximos três meses apenas em Abimaq de Excelência, que OTS”, disse Fernando Garcia de
decorrência do evento. Es- visa a facilitar às indústrias Oliveira, que assumiu o cargo de
ses números dão a medida brasileiras o acesso a novas supervisor do departamento. Se-
da retomada dos investimen- tecnologias e novos mode- gundo ele, no passado os fabrican-
tos no Brasil e refletem a ten- los de gestão empresarial, e tes contavam com estrutura com-
dência generalizada de rea- para divulgar a criação do pleta para elaborar layouts e defi-
quecimento da economia. Selo de Qualidade Abimaq, nir todos os processos que envol-
“Em média, os negócios fe- “uma certificação reconheci- vem a venda de máquinas, e agora,
chados e alavancados na feira da mundialmente”.
“depois do downsizing, estão trans-
equivalem a dois meses de A Feira Internacional da
ferindo esse trabalho para seus for-
produção para o período de um Mecânica realizou-se no pe-
ano e isso significa que a feira ríodo de 8 a 13 de maio no necedores de diversas áreas”.
movimentou um montante en- Pavilhão de Exposições do Isso vai ao encontro das exigên-
tre R$ 1,6 e 1,8 bilhão”, infor- Anhembi, em São Paulo cias dos consumidores de máqui-
mou Evaristo Nascimento, di- (SP), ocupando um espaço nas. “Cada vez mais os comprado-
retor da feira, acrescentando de 74 mil metros quadrados res estão optando pelo sistema turn-
que o evento recebeu um total que abrigaram inclusive pa- key, ou seja, compram as máqui-
de 98.573 visitantes e 1.334 vilhões internacionais reu- nas e querem recebê-las já prontas
estrangeiros. “Cerca de 50% nindo empresas sem víncu- para entrar em produção”, ressal-
das indústrias de bens de ca- los com o Brasil, um espa- tou Oliveira. Este fator integra um
pital mecânicos brasileiros e ço específico para bancos e conjunto de novas demandas trazi-
40% das empresas estrangei- outro, com 60 estandes pa- do pela globalização: os clientes
ras que importam para o país dronizados, para empresas
querem um processo mais produti-
estavam presentes na Mecâni- de menor porte sob a coor-
vo, com mais qualidade, mais ba-
ca”, disse. No total eram 1.623 denação do Sebrae – Servi-
expositores — 827 nacionais e ço de Apoio às Micro e Pe- rato e com a tecnologia de proces-
796 internacionais. quenas Empresas. so de produção mais otimizada.
Em princípio, o OTS está estrutu-
rado com três vendedores-técnicos e
parte dos fabricantes de máquinas, tamento que já existira no passa- um projetista e basicamente prestará
conseqüência do saudável reaque- do e aproveitou o evento para tra- serviços de definição de ferramentas
cimento que este setor está regis- zê-lo a público operando tal qual e de processos de usinagem para apli-
trando desde o final do ano passa- o faz no cotidiano: junto com os cações específicas que envolvem a
do, a Sandvik reativou um depar- clientes. “Recriamos o departa- compra de máquinas. De outra parte,

14 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


como o salto tecnológico dado pela in- cia na medida em que as indústrias pão, sede da Yamazaki Mazak.
dústria de ferramentas nos últimos vão recebendo encomendas de novos “Provavelmente neste exato mo-
anos foi muito significativo, as novas produtos. “Veja o caso das autope- mento nossas engenharias estão de-
informações relativas a isso não po- ças: concorrer neste ambiente globa- senvolvendo inúmeros trabalhos no
dem e não devem ficar restritas ao pró- lizado requer empresas mais ágeis na mundo todo junto aos nossos clien-
prio segmento de ferramentas. “Assim, definição de máquinas, processos e tes visando, de alguma forma, a mi-
nosso objetivo também é o de levar ferramentas e corporativamente ca- nimizar ainda mais os seus custos de
aos clientes os novos produtos e tec- pazes de, por exemplo, elaborar pro- produção com o uso de máquinas
nologias desenvolvidos recentemente, jetos turn-key, o que só é possível multitarefas e de altas velocidades em
por meio de testes e palestras técni- quando atuam em conjunto com seus conjunto com novas ferramentas, e
cas”, acrescentou Oliveira. Aliás, se- fornecedores dentro de um alto nível tais soluções serão imediatamente
gundo ele a indústria de máquinas de de comprometimento para a obten- compartilhadas com todas as nossas
certa forma já esperava uma ação da ção de novas soluções”, explicou. filiais e clientes no Brasil”.
Sandvik Coromant neste sentido, até Segundo ele, o contato constante
porque ela é a líder de mercado. “Eles dos técnicos da Sandvik com a área Nichos complementares —
tinham essa expectativa porque têm de engenharia de vendas da MC “Este suporte diferenciado oferecido
necessidade de um fornecedor que pos- Mazak agilizará o retorno das in- pela Sandvik é muito importante para
sa lhes oferecer estrutura e segurança formações aos seus clientes “e isso nós, já que somos especialistas em
que os suportem nessa área”. sem dúvida beneficiará as empre- máquinas e não em ferramentas”, dis-
sas interessadas na compra de no- se Marco Fontolan Neto, gerente co-
Soluções bem-vindas — vas máquinas”. mercial da Garreta - CLG, empresa
“Na medida em que existe uma gran- Considerando todos esses fatores, que representa no Brasil as marcas
de demanda de novas peças e, conse- Edson disse que é natural a parceria Lagun, Ona, Dyna e Jiten, entre ou-
qüentemente, também de máquinas da Mazak com a Sandvik. “Afinal, tras. “O fato de contar diariamente
mais rápidas e ferramentas de última sendo ela a maior fabricante de fer- com o pessoal da Sandvik nos dá uma
geração, para que haja aumento da ramentas do mercado brasileiro, con- segurança que repassamos aos nos-
produtividade das indústrias, o OTS tando com estru-
veio preencher uma das nossas ne- tura e serviços, a
cessidades”. A frase é de Edson S. Mazak se sente
Oliveira, gerente geral de vendas da segura ao reco-
MC Mazak, empresa que no Brasil mendá-la”. Além
comercializa a linha da Yamazaki disso, ambas tam-
Mazak e cujo estande na feira mos- bém são parceiras
trava máquinas ferramentadas pela em vários países,
Sandvik e contava com profissionais inclusive no Ja-
do OTS sempre
que um visitan-
te solicitava es-
Centro de usinagem Mazak
clarecimentos FJV-250 UHS de alta velocidade
sobre as tecno- usinando com ferramentas
logias da área Sandvik Coromant durante a
Mecânica’2000 e vista geral do
de metal duro. estande da empresa
Na opinião
de Edson, esse sos clientes”. Na Mecânica’2000,
tipo de serviço todas as máquinas de remoção de
do fabricante de cavacos mostradas pela CLG es-
ferramentas é de tavam ferramentadas com produ-
suma importân- tos da Sandvik Coromant.

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 15


Um caso otimização do ferramental de corte
antigo — A para que o melhor rendimento possí-
Ergomat ocu- vel das máquinas fosse atingido. “O
pou 180 metros departamento de engenharia de apli-
quadrados em cação da Sandvik é um ponto de
que podiam ser apoio fundamental para o fabrican-
vistas oito má- te da máquina e para o seu usuário
final, pois está permanen-
temente à sua disposição
para especificar o ferra-
Máquinas Dyna e Lagun, mental de corte ideal para
comercializadas pela CLG cada aplicação”, disse.
no Brasil. A fresadora da
Lagun estava equipada Um bom exemplo disso,
com o sistema CoroGrip segundo ele, é o caso da tec-
nologia de fresamento com
“Já participamos de ou- alta rotação, que é novida-
tras feiras com esta parce- de para muitos usuários e
ria, o que é uma garantia de onde a atuação dos enge-
que nossas máquinas não fi- nheiros da Sandvik na es-
carão paradas devido a pro- pecificação das modernas
blemas com ferramentas”, contou quinas, entre tornos e fresadoras, dasferramentas de corte é de importân-
Fontolan, salientando que “esta é uma quais um dos maiores destaques era cia crucial. “Hoje já existem aplica-
das vantagens de se contar com o su- o TBG 42, um torno automático CNC ções de usinagem de material endu-
porte de uma empresa que é líder tipo Gang, ideal para o torneamen- recido, grafite ou mesmo ligas leves,
mundial”, contou. to de peças seriadas a partir de como, por exemplo, o alumínio, em
Quanto ao OTS, Fontolan disse barras ou em segunda operação. que podem ser atingidas rotações da
que o trabalho em conjunto tende a Da Deckel Maho, sua representa- ordem de 50 mil rpm”, frisou. “Sandvik
trazer benefícios para todas as par- da, exibiu a fresadora universal e Ergomat já mantêm um trabalho
tes envolvidas. “Um entrosamento CNC DMU 60 E com mesa fixa e em parceria há mais de 30 anos”,
como esse deve repercutir em um me- árvore principal de até 12 mil rpm, acrescentou, “e isso se traduz na cer-
lhor relacionamento com o compra- que usina aço ligado endurecido (50 teza de podermos oferecer aos nos-
dor, o cliente final”. HRC), tanto para ferramentaria e sos clientes máquinas com ferramen-
Dos produtos utilizados pela modelação quanto
Sandvik nas máquinas expostas no para produção.
estande da CLG, o que mais chamou Segundo o dire-
a atenção de Fontolan foi o CoroGrip, tor de vendas da Er-
sistema hidromecânico para fixação gomat, Alfredo V.
de ferramentas com pressão de fixa- F. Ferrari, os dois
ção de 700 bar, empregado com uma equipamentos fo-
ferramenta Ball Nose na fresadora de ram ferramentados
banco fixo CNC GBM 325, da La- pela Sandvik com
gun, de grande porte, com cursos de base em um traba-
3.000 x 1.000 x 1.000 mm e mesa lho conjunto entre
que suporta peças de até 8 toneladas. os departamentos
Voltada para a indústria de moldes e de engenharia e de
matrizes, durante o evento a máqui- aplicação de ambas
na estava usinando o estampo de um as empresas no de- Estande da Ergomat: máquinas de sua própria
tanque de gasolina. senvolvimento e fabricação e da representada Deckel Maho

16 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


testes de ferramental. “Estamos ce- gem vertical Crown V 4018, high
dendo as máquinas e é nossa inten- speed, que opera a 12 mil rpm, vol-
ção substitui-las a cada seis meses, tado para produção ou ferramen-
para permitir que a Sandvik sempre taria, com alto torque e potência e
tenha equipamentos de última gera- troca de ferramentas em apenas 1,5
ção em seu show room”, disse. segundo. O novo centro de usina-
O principal beneficiário da par- gem se caracteriza por robustez,
ceria, na opinião de Hänni, será o grandes velocidades de avanço, po-
cliente, que passará a adquirir má- tência e precisão, segundo Hänni.
quinas prontas para dar início à “Aliás, rigidez e robustez são mar-
produção. “Por outro lado, temos cas da Okuma”, completou.
condições de oferecer soluções
completas, o que é especialmente Pioneirismo — Entre os pro-
positivo para pequenas e médias dutos mostrados pela Index na fei-
empresas”, dis- ra estava o centro de torneamento
se, ressaltando G 300. Versátil, além de tornear ele
a segurança que pode realizar operações típicas de
O novo torno
automático TBG 42
a parceria com centros de usinagem e fresadoras,
CNC tipo Gang, a Sandvik pro- com capacidade inclusive para cor-
lançado na feira pela porciona devido tar dentes de engrenagens e fresar
Ergomat. No detalhe, a à estrutura que entalhados, e foi inteiramente fer-
área de trabalho
mantém no Bra- ramentado pela Sandvik Coromant.
tal de corte de última geração, que sil, com fábrica, reposição e pron- “É uma máquina de última gera-
atendem às mais exigentes aplicações ta entrega. “Eu participo desse ção com 18 eixos programáveis,
de usinagem”. sendo que um dos ca-
beçotes-revólver tem
Acordo também quatro eixos, ou seja,
lá fora — Recriado re- X, Z, Y e B”, descre-
centemente, o OTS já veu Antonio Felício
contabiliza um bom acor- Arrotéia, gerente-ad-
do. A Okuma, a exemplo junto de vendas técni-
de sua congênere dos cas da Index.
EUA, vai passar a comer- Index e Sandvik já
cializar suas máquinas no mantêm bom relacio-
Brasil já ferramentadas namento técnico e co-
pela Sandvik Coromant mercial há longos anos
desde que seja solicitado
pelo cliente o fornecimen-
to de um projeto turn-key. O novo centro de usinagem
“Nós estamos trazendo para cá o es- Crown V 4018 de alta
treito relacionamento que já existe velocidade, da Okuma, que
entre a Okuma e a Sandvik nos chamou a atenção dos
visitantes
EUA”, contou Paulo Hänni, gerente
de vendas da Okuma Latino Ameri- mercado há 20 anos e sou teste-
cana. A Okuma manterá duas má- munha disso”, afirmou.
quinas no show room da Sandvik Para a Mecânica’2000, a
para treinamento de clientes das duas Sandvik ferramentou o lançamen-
empresas, além de demonstrações e to da Okuma, o centro de usina-

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 17


Das diversas máquinas em exposição no estande da
Index, uma das que chamaram mais atenção foi o ... ... novo G 300, centro de torneamento que realiza, além de
torneamento, operações de centro de usinagem e fresadora
“e a criação de um departamento se, mas re-
específico para atender aos fabri- conheceu que o OTS vai otimizar a requisitar soluções turn-key dos
cantes de máquinas, o OTS, deverá parceria na medida em que concen- fabricantes de máquinas, incluin-
estreitar ainda mais os laços entre trará o atendimento, de maneira que do equipamentos, acessórios e fer-
as duas empresas”, disse Arrotéia. a partir de agora a Romi terá um ramentas, e, portanto, é preciso
“A Sandvik está sendo pioneira tam- departamento com o qual tratará que haja esta união entre fabrican-
bém neste campo”. diretamente. “A inclusão de um tes de máquinas e de ferramentas”,
departamento específico para afirmou, acrescentando que “as
Otimização — Outro que sau- atender aos fabricantes de máqui- empresas nacionais que almejam
dou a entrada em operação do OTS nas em seu organograma reflete a a competitividade internacional
importância que precisam utilizar processos e pro-
a Sandvik está cedimentos similares aos que são
dando a este se- utilizados no Exterior”.
tor, o que é mui- Para a feira Mecânica’2000, a
to bom para Sandvik ferramentou o centro de

O estande da Romi foi um dos mais visitados e


mostrou o ...
...centro de usinagem vertical Discovery 560,
que, com uma solução OTS, estava usinando
um molde para injeção de plástico

foi Mário Hiroshi Assada, chefe do nós”, comemorou. usinagem vertical Discovery 560,
departamento de engenharia de ven- Assada disse que o mercado fabricado pela Romi, que foi mos-
das e marketing da Indústrias Romi, brasileiro vem passando por gran- trado usinando um molde de inje-
que, no entanto, dez questão de fri- des mudanças, fruto da globaliza- ção de hélice de ventilador, uma
sar que o trabalho entre Romi e Sandvik ção, com a instalação de empre- solução bem típica desenvolvida
sempre existiu. “Já mantínhamos sas internacionais no país. “Tra- pelo OTS em conjunto com o for-
um relacionamento muito bom”, dis- tam-se de empresas habituadas a necedor da máquina e o usuário.

18 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


Custos mais baixos e elevação do
índice de nacionalização

O
dia 18 de maio de 2000 vai uma importância
ficar como uma data de gló- bastante significati-
ria para NMHG Brasil: a pri- va especialmente na
meira empilhadeira Yale pro- redução dos tempos
duzida nas dependências da filial de produção con-
brasileira da Nacco Materials Hand- quistada. “Há uma
ling Group, empresa de origem nor- cooperação muito
te-americana proprietária das mar- grande do corpo téc-
cas Hyster e Yale, foi embarcada nico da Sandvik com
para a indústria Manicraft, de São os nossos planos e
Paulo (SP), que produz papel ondu- projetos”, diz ele,
lado. O fato significou o êxito de um destacando a atua-
longo processo de análises e estu- ção de Mário No-
dos de viabilidade para a produção gherotto, vendedor-
da linha Yale nas mesmas instala- técnico que presta
ções onde já eram produzidas as atendimento sema-
empilhadeiras Hyster e do investi- nal à NMHG e que
mento de US$ 2 milhões para a mo- teve participação
dernização do parque fabril, que in- ativa nos estudos,
cluiu a compra de um centro de usi- “sugerindo ferra-
nagem, um torno CNC, uma máqui- mentas, soluções e
na de corte a laser e uma prensa vi- procedimentos que
radeira hidráulica CNC. contribuíram para
Para o sucesso do empreendi- viabilizar o projeto
mento foram fundamentais os estu- de nacionalização”.
dos que culminaram com a naciona-
lização de 13 itens até então impor- A maestria das
tados já usinados, entre eles a car- soluções — Cinco for-
caça do diferencial, o eixo de dire- necedores de ferramentas
ção e o tambor de freio. A produção foram convidados a
local só seria justificada se houves- apresentar propostas para
se a redução dos custos de produ- o projeto de nacionaliza-
ção, no mínimo igualando-os aos ção dos 13 itens “e a
preços obtidos no mercado externo. Sandvik foi escolhida de-
Era um desafio e tanto, mas a em- vido aos seus produtos de
presa saiu a campo em busca da alta tecnologia e à exce-
melhor solução. E a encontrou numa lente prestação de servi-
Ao todo foram desenvolvidas 12
já antiga e sólida parceria. ços”, conta o supervisor de métodos ferramentas especiais para a
“Nossa relação com a Sandvik e processos, Hélio Silvestre, ressal- NMHG, mas a relação de
Coromant vem de longe e sempre foi tando que também foram importan- ferramentas usadas pela empresa é
muito construtiva”, afirma o diretor tes na decisão da NMHG os cursos quase uma lista dos mais recentes
lançamentos da Sandvik Coromant,
gerente da NMHG do Brasil, Álvaro oferecidos pela empresa e o treina- pois o que se buscava era a redução
da Silva Sousa, que credita a isso mento do pessoal da produção so- dos custos de produção

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 19


As peças nacionalizadas pela NMHG
depois da adoção das ferramentas
da Sandvik Coromant são: carcaça
do volante do motor, suportes direito mandrilar que usina os dois lados da
e esquerdo do motor, ponta de eixo,
peça, eliminando a necessidade de
eixo de direção, suportes direito e
esquerdo da ancoragem do eixo, girá-la, pois ela entra deslocada e
tambor do freio, mangas de eixo usina a parte de cima, se desloca e
direito e esquerdo, cubo de roda, usina os diâmetros intermediários e
tie-rod (haste de direção) e carcaça
do diferencial
depois a parte de baixo. O resulta-
do? “Não poderia ser melhor”, diz
dia, a produção de cada tie-rod de- Silvestre, “pois se antes um tie-rod
morava 20 minutos: depois de fu- era usinado em 20 minutos, agora
rar, exigia uma calibragem com usinamos oito em apenas 16 minu-
alargador. Em seguida, a peça era tos”. Mais que isso: no total foram
virada, repetia-se a operação no desenvolvidas 12 ferramentas es-
segundo lado, concluindo-a com peciais para atender a todos os
um rebaixo. itens nacionalizados e “todas apre-
A Sandvik sugeriu o desenvol- sentaram um ótimo desempenho
vimento de uma ferramenta espe- desde o início dos try-outs, de ma-
bre manuseio e desgaste de ferra- cial que usinasse a peça numa única neira que conseguimos o aprovei-
mentas, realizado na fábri- tamento máximo do
ca. “Durante os cursos, pu- conjunto máquina, dis-
demos conhecer mais deta- positivo e ferramenta”.
lhadamente toda a linha
Coromant e a estrutura da A excelência dos
Sandvik no Brasil, sua fábri- novos — Os tornos
ca e o Departamento de Fer- CNC e centros de usina-
ramentas Especiais”. gem em operação na
O projeto de uma ferra- NMHG são 100% ferra-
menta especial foi, aliás, o mentados com itens da
que causou maior impacto Sandvik e na verdade a
a todas as pessoas ligadas à lista de ferramentas ado-
usinagem e à diretoria da tadas é quase uma rela-
NMHG do Brasil. “Ela sim- O operador Ednaldo da Silva Amorim supervisiona um dos ção dos seus últimos
plesmente permitiu que pas- centros de usinagem que trabalham com o sistema Capto lançamentos, a começar
sássemos a produzir um dos pelo Capto, sistema
itens do programa de produção num fixação, o que certamente garanti- modular de fixação, autocentrante,
tempo surpreendentemente mais ria a redução do
baixo”, conta Silvestre, que, com tempo de produ-
26 anos de experiência dentro da ção. Os desenhos
NMHG, garante jamais ter visto foram levados ao
algo “tão fora de série”. O item em Departamento de
questão era o tie-rod, ou haste de Ferramentas Es-
direção, peça em aço SAE 4140 que peciais e a solu-
une o cilindro da direção e a man- ção encontrada
ga de eixo da empilhadeira. Em mé- foi uma barra de
Hélio Silvestre, supervisor de métodos e processos da
NMHG: “As ferramentas da Sandvik Coromant já
entraram em produção sem necessidade de reparos ou
ajustes e a barra de mandrilar produz oito hastes de
direção em 16 minutos, sendo que antes a usinagem de
apenas uma dessas hastes demorava 20 minutos”

20 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


Nacco, Yale, Hyster e NMHG: quatro gigantes em um
A centenária North Ameri- tiva da Yale e da Hyster no
can Coal Company (Nacco), território nacional, no entan-
que tem forte atuação no mer- to, só foi efetivada depois do
cado norte-americano de car- desaparecimento de uma em-
vão mineral, saiu às compras presa brasileira licenciada
há cerca de 15 anos e adqui- para produzir as empilhadei-
riu a fabricante de empilha- ras Yale. Até então a rede de
deiras Yale. Três anos depois distribuição Yale vinha impor-
comprou a Hyster e, após um tando diretamente das várias
processo de racionalização fábricas que a NMHG man-
das atividades das duas em- tém nos EUA, Europa e Ja-
presas, abrigou-as sob a si- pão. Agora, com o início da
gla NMHG (Nacco Materials produção local, os pedidos já
Handling Group), que já é lí- podem ser encaminhados à
der no mercado norte-ameri- NMHG do Brasil.
cano de empilhadeiras e a se- “Essa fábrica vai produzir
gunda maior empresa do as duas linhas, o que amplia
mundo nesse segmento. A nosso leque de produção e
Nacco consolidou o que ha- nosso mercado tanto no
via de comum entre as duas Brasil quanto no Mercosul,
empresas, mas manteve as para onde pretendemos ex-
duas marcas separadamente “Agora a NMHG fabrica as linhas de pandir nossa liderança”,
no mercado. “As duas redes empilhadeiras Yale e Hyster e deveremos afirma Sousa. O mercado
de distribuição são indepen- estar produzindo 100 máquinas por mês brasileiro consome 3 mil em-
dentes, de forma que não até o final deste ano, produção que pode pilhadeiras/ano.
ser dobrada com o aumento de um turno
existe nenhum distribuidor no São produzidas na
de trabalho”, diz Álvaro da Silva Sousa,
mundo que comercializa as diretor-gerente da empresa NMGH do Brasil as famílias
duas marcas”, frisa Álvaro da Hyster e Yale de 2 a 3 tone-
Silva Sousa, diretor-gerente fábrica da Hyster em São Pau- ladas a combustão interna,
da NMHG do Brasil. lo, a NMHG também é líder do faixa que representa cerca
Presente no Brasil desde segmento, com cerca de 35% de 70% do consumo nacio-
1957, quando foi instalada a de market-share. A união efe- nal de empilhadeiras. A linha

rígido e de alta repetibilidade. “Com as fresas CoroMill R245, R290, sidade de uma fresa tipo abacaxi e
o Capto pode-se fazer o intercâm- R390 e N331.32 também merecem uma fresa de topo tipo caracol, re-
bio de ferramentas entre uma má- destaque. “A performance da famí- duzindo o tempo de operação.
quina e outra, mantendo-se dois ou lia CoroMill é excelente, e, só para Já a broca Delta Drill, que per-
três cabeçotes de fresar, e quando se ter uma idéia, basta dizer que com mite abrir furos com tolerância de
as pastilhas se desgastam basta a R245 estamos trabalhando a 0,04 mm, descartou o uso posterior
substitui-los, pois o pré-set sempre velocidades de corte que vão a até do alargador. Isso foi muito bom,
será o mesmo uma vez que a sua 370 m/min em ferro fundido e com mas os ganhos não param por aí
repetibilidade é garantidamente de a R390 fazemos acabamento no — Silvestre cita também o macho
100%”, afirma Silvestre. “A van- mesmo material usinando em corte da Titex Plus. “Antes, a cada três
tagem do Capto é que se ganha em interrompido a 220 m/min”, diz Sil- peças um macho era substituído.
tempo e produtividade”, reforça vestre, acrescentando que o empre- Agora a troca de ferramenta é rea-
Mário Nogherotto. go da R390 na usinagem da carca- lizada depois da usinagem de um
Entre as ferramentas utilizadas, ça do diferencial eliminou a neces- lote de 40 a 50 unidades”. Da linha
O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 21
co da Nacco para empilha-
deiras), cilindros e compo-
nentes hidráulicos. “Existem
planos de ampliar o índice
de nacionalização, porém
condicionados à manuten-
ção do projeto da máquina,
que é conceituada no Bra-
sil como de alta durabilida-
de e grande confiabilidade.
Temos muitas empilhadei-
ras Hyster trabalhando há
mais de 20 anos”, afirma
Sousa. “Além disso, man-
tendo o projeto idêntico ao
das máquinas vendidas no
resto do mundo, a reposição
de peças e sua intercambia-
Agora a linha de empilhadeiras Yale (esquerda) é produzida também na bilidade não serão afeta-
mesma planta que já produzia a linha Hyster das, de tal sorte que se um
cliente comprar uma empi-
básica das duas marcas é zidas localmente e, futura- lhadeira nos EUA e outra no
composta de três famílias: de mente, empilhadeiras movi- Brasil, desmontá-las e mis-
2 e 3 toneladas; de 4 e 5; e das a bateria poderão tam- turar as peças poderá mon-
de 6 e 7. A partir daí, a linha bém passar a constar de seu tar novamente duas empilha-
da Hyster prossegue até catálogo geral de produtos. deiras”, explica, e diz que so-
modelos de 45 t, incluindo Hoje, 48% dos componen- madas à economia alcança-
um guindaste para movimen- tes das empilhadeiras produ- da na usinagem, outras ati-
tação de até cinco contêine- zidas no Brasil são importa- vidades foram realizadas vi-
res empilhados. Ambas as dos, incluídos aí motores, sando à redução de custos,
marcas também contam com transaxle (eixo com trans- “o que acabou resultando no
versões elétricas não produ- missão, um projeto específi- corte de 20% no custo total”.

Coromant, a NMHG tam- no projeto de nacionalização não


bém utiliza cabeçotes mi- acomodou a equipe de usinagem da
crométricos para mandri- NMHG do Brasil. Pelo contrário,
lamento de furos com alta sobre a planilha elaborada para jus-
precisão; brocas Coro- tificar a produção localmente, no-
mant U; brocas de metal vos ganhos de tempo de produção
duro inteiriças; fresas de têm sido alcançados: a usinagem
topo de metal duro e ca- dos suportes direito e esquerdo do
beçote para rosqueamen- motor foi reduzida em 41%; o suporte
to. Da linha Titex Plus, da ancoragem do eixo em 35%; e o
além de machos standard eixo de direção em 44%. Estes
e especiais utiliza tam- resultados abrem a perspectiva de
bém alargadores. ampliar a nacionalização de itens,
O sucesso alcançado que hoje está em 52%.
22 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000
Wiper: um lance espetacular em
um caso que vem de longe
e repente tive parar para, pensar

“D um insight de
como otimizar a
usinagem das
pontas de eixos dos cilin-
dros secadores que com-
e trocar idéias sobre
usinagem. Todas as
vezes que participei
de cursos ou even-
tos na Sandvik eu
põem as máquinas de papel sempre trouxe algo
produzidas pela empresa”. que apliquei na fá-
A frase é de Rubens Bueno brica”.
de M. Filho, técnico de fer- Naquele dia
ramentas da Voith Sulzer, Rubens percebeu
que no final do ano passa- claramente que a
do participou do Coromant Wiper poderia tra-
Day, evento que se con- zer ganhos de pro-
centrou na divulgação da dutividade na ope-
Torneamento de acabamento com a ferramenta Wiper, da Sandvik
tecnologia e da aplicação Coromant. A peça é uma ponta de eixo que integra os cilindros ração de acaba-
de duas novas ferramentas secadores fabricados no Brasil para todas as filiais da Voith Sulzer mento das pontas
da Sandvik Coromant: as em todo o mundo. Com esta ferramenta, a operação tem um tempo de eixos dos cilin-
12 minutos mais curto, o que resulta em um tempo de usinagem
pastilhas alisadoras Wiper total reduzido em 55% em relação ao que era até então obtido dros secadores que
e os bedames CoroCut de são fornecidos às
1 e 2 arestas. mos visualizar uma aplicação imedia- filiais da Voith Sulzer do mundo todo,
Rubens também já havia tomado ta porque, como só produzimos sob que, apesar de também serem dife-
conhecimento da Wiper por meio dos encomenda, praticamente tudo que rentes umas das outras, são todas
catálogos técnicos que Agnaldo Ri- entra na máquina é diferente da peça pontas de eixos. “A condição de for-
bessi, vendedor técnico da linha Co- anterior”, explica. Além disso, nem necedores mundiais do grupo Voith
romant da Sandvik, havia lhe forne- sempre o cotidiano da fábrica permi- nessa linha nos faz perseguir melho-
cido. “Muitas vezes ele nos traz no- te que ele se debruce sobre uma no- rias constantes na fabricação, pois
vidades para as quais não consegui- vidade. Situação distinta da propor- quanto mais derrubamos os tempos
cionada pelo e os custos, mais competitivos fica-
Coromant Day. mos”, explica. As pontas de eixo são
“Lá, durante uma produzidas em aço fundido ou ferro
explanação de fundido GG 25 ou GGG 40, com
meio dia, além peso médio de 400 kg, e têm o diâ-
de um conheci- metro maior em torno de 470 mm e
mento mais pro- o menor próximo de 165 mm, en-
fundo da ferra- quanto que o comprimento varia de
menta, tem-se a 800 mm até 1,5 m, dependendo do
oportunidade de projeto.
Agnaldo Ribessi, vendedor-técnico da Sandvik
(esquerda), com Rubens Bueno de M. Filho, técnico de
ferramentas, e José Imaculado da Costa, supervisor
de produção, ambos da Voith Sulzer. O assunto entre
eles sempre gira em torno de soluções para aumentar
a produtividade no chão-de-fábrica da Voith

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 23


As pontas de eixo (direita) são parte integrante de cilindros
secadores de máquinas para a produção de papel. Uma máquina de
porte médio tem até 44 cilindros, em média, e cada um deles pode ter
diâmetro de até 1,8 m e comprimento de 3 a 11 metros. O material
para um cilindro de 9 m entra no torno pesando 22 toneladas e depois
de cerca de 13 horas de usinagem pesa 12 toneladas

Desempenho — Os testes fo- da versão em cerâmica da Wiper, à usinagem com 22 toneladas e de-
ram realizados em um centro de usi- com a qual acredita que será possí- pois de 12 a 13 horas de trabalho sai
nagem Max Müller, onde é dado o vel alcançar um ganho ainda maior. com 12 toneladas. Uma máquina de
acabamento superficial das pontas de “Mesmo numa peça já considera- papel de porte médio é equipada, em
eixo. “Começamos pelas peças em da otimizada, como é o caso da pon- média, com 34 ou 44 cilindros. A
aço, usando uma pastilha Wiper Cer- ta de eixo, são fundamentais esses capacidade de produção da Voith
met numa operação até então efetua- ganhos de performance”, explica Sulzer é de um cilindro/dia.
da com pastilhas DNMG, também da Rubens, contando que há três anos No momento, estão sendo estuda-
Sandvik, e o resultado foi mais que cada ponta de eixo era usinada em das outras aplicações para as pasti-
satisfatório: ganhamos 12 minutos na em média em oito horas, tempo que lhas alisadoras Wiper na produção da
operação, o que significou uma re- caiu pela metade com a utilização de empresa. “Depois desse primeiro pas-
dução de 55% do tempo de usina- novas tecnologias e processos. “Afi- so, vamos levá-las para as pontas de
gem”, conta Rubens. nal, não podemos perder de vista o eixos maiores, produzidas em outras
Em seguida, comparou-se o de- objetivo da filial brasileira de ser a máquinas, e também para as tampas,
sempenho de uma Wiper de metal fornecedora exclusiva da linha de ro- onde se encaixam as pontas de eixos”,
duro com uma pastilha de cerâmica los e cilindros para as unidades da adianta Rubens, que para isso conta-
no acabamento superficial da ponta Voith em nível mundial”. rá com o apoio do vendedor-técnico
de eixo em ferro fundido. Mais uma Peças de grande porte, os cilin- da Sandvik Coromant. “De tanto par-
vez o resultado surpreendeu: o tem- dros secadores têm diâmetros de até ticipar das nossas atividades, hoje ele
po de usinagem caiu em 40%. “Com 1,8 m e comprimentos que podem va- já sugere as ferramentas que podemos
a Wiper cheguei à rugosidade que ne- riar entre 3 e 11 m. Para usiná-los, a usar em determinada peça com um
cessito, em termos de projeto, e que Voith Sulzer conta com um torno ver- elevado índice de acerto, o que facili-
já alcançava com a cerâmica, só que tical especial Dörries, considerado o ta muito nosso trabalho”, diz Rubens.
num tempo melhor. Ou seja, aumen- maior da América Latina, com capa-
tei os avanços e cheguei à mesma ru- cidade para peças de até 12 metros Liderança — A Voith Sulzer
gosidade”, comemora Rubens, que de altura. Para se ter uma idéia, um lidera o mercado de máquinas para a
diz estar aguardando o lançamento cilindro de 9 m, por exemplo, chega produção de papel no Brasil. Desde
24 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000
Além de modernizar e “Como nossa planta é
reorganizar suas empresas no
muito grande e tem um
Brasil, a Voith também
investiu em processos bom potencial, quere-
avançados de produção, o que mos avançar”, adianta
lhe deu mais competitividade. Massera. Avançar, no
À esquerda, uma operação de
torneamento sem refrigeração
caso, significa a con-
e, abaixo, com refrigeração — quista da qualificação
ambas as operações são COM e COP também
realizadas com ferramentas para outras linhas
da Sandvik Coromant
além das de cilin-
dros secadores e ci-
lindros Yankee (ci-
1967, quando forneceu para lindros-base para
a Cocelpa a primeira máqui- as máquinas que fa-
na completa produzida lo- zem papel absor-
calmente, a filial já forneceu vente), de até 4,5 m
121 máquinas (59 exporta- de diâmetro por
das), além de 13 máquinas 4,25 m de largura.
desaguadoras de celulose. Na esteira da vi-
Da produção atual de papel rada na área organi-
no Brasil, 80% dos papéis zacional veio a alta
de escrever e imprimir são nos negócios: “A pre-
produzidos por máquinas visão de faturamento
Voith, assim como 30% dos para este ano fiscal
papéis tissue (absorvente), 40% dos Hydro, Voith Turbo e Voith Service (outubro/setembro) é 30% maior que
papéis especiais e 30% dos papéis — empregavam 6 mil pessoas e tra- o do exercício anterior”, comemora
cartão e de embalagem. “Além dis- balhavam em três turnos, todos os Massera. Aliás, a comemoração co-
so, 80% da produção nacional de ce- dias, 24 horas/dia. Produziam desde meçou cedo: 70% deste total já se en-
lulose saem de máquinas fornecidas peças de apenas 200 g até rotores de contravam em carteira no final do se-
pela empresa”, informa o gerente in- 300 t, mas o alto custo de um leque gundo quadrimestre. Cerca de 80%
dustrial, Claudio Massera. tão amplo forçou a reorganização do faturamento são provenientes de
A Voith Sulzer tem capacidade visando à competitividade. Hoje, to- exportações.
produtiva de 27 mil horas/mês na das as unidades empregam cerca de Se no exercício passado a Voith
parte fabril (caldeiraria, usinagem e 1200 pessoas, depois que se iniciou, Sulzer São Paulo esteve totalmen-
montagem) e emprega cerca de 900 em 1993, um processo rigoroso de te empenhada na prestação de ser-
pessoas, 320 delas atuando na área terceirização e desenvolvimento de viços para as outras unidades do
operacional.Segundo Massera, a fornecedores para a produção das grupo, no atual concretizou a ven-
planta brasileira está montada para peças de pequeno porte. da de duas máquinas completas —
produzir máquinas completas de pa- Enxuta e competitiva, a Voith uma para a Austrália e outra para
pel, incluindo os equipamentos de Sulzer São Paulo passou a ser Cen- o Chile. Claudio Massera conside-
preparação de massa, da pasta de tro de Competência em Manufatura ra essa última um grande desafio.
celulose, mistura, refinamento, todo (COM) em cilindros secadores, ou “O cliente nos entregou o terreno e
o processo de reciclagem e também seja, podia fabricar e fornecer para vai receber a planta pronta para
os serviços de manutenção dos equi- todo o grupo, e a partir de maio foi produzir papel, incluindo a parte ci-
pamentos de máquinas de papel. classificada também como Centro de vil, vias de acesso, jardinagem,
Em 1992, as unidades da Voith Competência de Projeto (COP), res- tudo. É a primeira vez que uma uni-
localizadas no Brasil — Voith Sulzer ponsável pelos projetos desses cilin- dade do grupo Voith assume um
Paper Technology, Voith Siemens dros. Mas não deve parar por aí. compromisso nesse nível”.

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 25


A história começou há 133 anos e parece que não acaba cedo
Quando se propôs a fincar Voith Sulzer Paper Tech-
as bases de sua empresa em nology, da Voith Siemens
Heidenhein, na Alemanha, em Hydro, da Voith Turbo e da
1867, o caldeiro Johann Mat- Voith Service, incluindo
thäus Voith estava começan- uma fundição com capaci-
do um negócio que se espa- dade de produção de 10
lharia por mais de 20 países e mil toneladas/ano.
chegaria ao ano 2000 empre- Há três anos a Voith
gando 13 mil pessoas. As má- S.A. fechou um acordo de
quinas produzidas pela Voith fornecimento exclusivo
respondem hoje por um terço com a Sandvik Coromant,
das produções mundiais de que hoje responde por mais Há dois anos, por exemplo, os
papel e de energia hidrelétri- de 80% do metal duro por ela funcionários ligados à usina-
ca. Uma das principais filiais do utilizado. O acordo estreitou gem receberam treinamento
grupo, localizada em São Pau- os laços entre as duas empre- na própria planta e, em maio
lo, ocupa um terreno de 297 mil sas e, entre outros aspectos, passado, todos passaram por
metros quadrados e tem área intensificou a participação do uma reciclagem. Paralelamen-
construída de 134 mil metros pessoal da Voith em cursos e te, vários funcionários partici-
quadrados. Fundada em 1964, treinamentos oferecidos pela param de cursos e eventos na
a filial abriga as unidades da fornecedora de ferramentas. sede da Sandvik.

Gestão — A Voith Sulzer ini- cado. “Esperamos colher os primei- deles o máximo de benefícios”.
ciou recentemente o processo de im- ros resultados dessa implantação a Formado em engenharia mecâ-
plantação do projeto de gestão indus- partir de setembro”, diz Massera. nica e trabalhando há 20 anos na
trial Total Productive Maintenance O sucesso de projetos como este Voith, Massera já participou de
(TPM), que abrangerá desde o pro- depende também de uma maior apro- cursos na Sandvik Coromant
jeto até a entrega do produto. Desen- ximação entre a empresa e seus for- quando, em 1993, assumiu a ge-
volvido no Japão, o TPM visa a eli- necedores de produtos, peças e ser- rência responsável pela linha de
minar as perdas no processo produ- viços, segundo Massera. “Quando usinagem de turbinas e teve que
tivo e melhorar as condições de tra- não há um bom entrosamento entre burilar seus conhecimentos sobre
balho, capacitando os funcionários a as partes logo surgem críticas dentro técnicas de fresamento e de tor-
atender melhor as exigências do mer- da fábrica”, comenta, ressaltando que neamento. Desde então tornou-se
com a Sandvik isso um incentivador da participação
não existe. “Esta é dos funcionários da Voith nos cur-
uma parceria real- sos promovidos pela Sandvik e re-
mente muito afinada centemente promoveu uma reci-
em que a confiança clagem de conhecimentos na área
se sobrepõe a qual- de ferramentas para todo o pes-
quer outra questão. soal do chão-de-fábrica da empre-
A Sandvik não se sa, envolvendo inclusive pessoas
preocupa só em ven- que passaram anteriormente pelo
der: faz desenvolvi- curso. “Esses cursos sempre tra-
mento e treina os zem algo novo e permitem que
usuários, mostrando sejam visualizados os valores en-
Claudio Massera, gerente industrial da Voith Sulzer.
qual a melhor manei- volvidos, as performances e toda
“A filial brasileira foi a primeira do Grupo
a fechar um contrato para a entrega de uma planta ra de utilizar seus a tecnologia que está por trás das
completa para a produção de papel” produtos para tirar ferramentas”, justifica.

26 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


Usinagem sem geração de
cavacos e com menos
itens em estoque
Nas operações de rosqueamento de quase 70%
dos materiais usados na indústria com coeficiente
de escoamento de no mínimo de 9%, a laminação a
frio pode levar a uma redução de custos bastante
significativa e é uma alternativa técnica realmente muito
segura. A laminação de roscas mostra uma performance
excepcional na usinagem de aços até 1.000 N/mm², aços
inoxidáveis, ligas de alumínio com até 12% Si e ligas macias
de cobre, sem contar que um macho laminador pode substituir
vários tipos de machos de corte tanto para furos cegos como
passantes em diferentes tipos de materiais.

fixação por rosca é a solu- duzidos em tais operações também Os machos de corte

A ção mais freqüente em mui-


tas áreas da engenharia me-
cânica quando os projetistas
e engenheiros de produção se con-
frontam com a tarefa de definir qual
podem aumentar os tempos de máqui-
na parada, na medida em que têm de
ser removidos manualmente para evi-
tar o entupimento dos canais e a con-
seqüente quebra da ferramenta.
cedem sua vez à
laminação a frio

No rosqueamento laminado a
frio, o ponto mais alto do filete do
é a maneira de realizar a conexão Isso tudo não pode ser subestima- macho é pressionado para dentro do
entre duas ou mais peças. do quando da análise do tempo total material a ser usinado. O macho en-
Na grande maioria dos casos, as de produção, principalmente no mun- tra no pré-furo em movimento espi-
roscas têm sido até agora produzidas do de hoje, em que a crescente con- ral da mesma maneira que o macho
pelas operações tradicionais de ros- corrência internacional exerce uma de corte, e o
queamento com machos de corte. Es- forte pressão sobre as indústrias, que, material cede
pecialmente em materiais de cavacos para não perderem o passo, estão diu- e “flui” por
longos e também em roscas mais pro- turnamente procurando meios de re- entre seus fi-
fundas, sempre há o risco de quebra duzir seus custos/preços e melhorar letes forman-
das ferramentas devido à má forma- seus processos de manufatura. E é do, assim, o
ção dos cavacos, arestas postiças e aqui que a Titex Plus entra nesta his- perfil da ros-
outras ocorrências. Os cavacos pro- tória com uma solução que é um ver- ca (figura 1).
dadeiro divisor de águas: de um lado Isso significa
Este artigo foi escrito por Roland Heiler, engenheiro ficam as operações convencionais de que a lamina-
formado pela Universidade de Darmstadt, que é Gerente
de Desenvolvimento de Produtos na Área de rosqueamento e, de outro, estão as ção a frio é Figura 1
Rosqueamento da Titex Plus - Frankfurt (Alemanha).
O material flui por
Co-autor: Marcos Soto, Gerente Regional de
operações em que os cavacos sim- um processo entre os filetes do
Vendas da Titex Plus no Brasil. plesmente não existem. de transfor- macho

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 27


mação que não produz cavacos, que é uma regra geral, chega-se a há fluxo de cavacos contra a direção
formando roscas mais resistentes e uma idéia aproximada da broca a de avanço da ferramenta. Em mate-
com um acabamento superficial de ser usada, mas deve-se ter em mente riais facilmente deformáveis (coefi-
melhor qualidade, além de tornar a que nos casos de roscas laminadas ciente de escoamento mínimo de 9%),
limpeza quase desnecessária e não existem outros fatores que também como, por exemplo, o alumínio e suas
gerar os custos de remoção de cava- podem influenciar o dimensiona- ligas, aços para estruturas e aços ino-
cos longos próprios da operação mento do furo — material, lubrifi- xidáveis, a vida útil da ferramenta
convencional, com machos de cor- cante, VC, entre outros. pode superar consideravelmente a dos
te, os quais muitas vezes se alojam na machos de corte. Ambos os fatores
haste da ferramenta e impõem riscos A lubrificação é um significam ciclos de produção e cus-
ao trabalho. Como se não bastasse, o fator decisivo na tos reduzidos para esse tipo de apli-
risco de arestas postiças que podem laminação de roscas cação (figura 3).
causar a quebra dos machos em ros- Como já foi dito aqui, o macho
cas mais profundas é eliminado. Assim como em outros processos adentra a rosca duran-
Se no tradicional processo com de transformação a frio, a lubrifica- te o processo de lami-
machos de corte o diâmetro do furo ção eficaz é de grande importância nação a frio e, como a
após a operação de rosquear fica na produção de roscas laminadas de-
igual ao diâmetro pré-usinado, no vido ao atrito gerado pelo processo,
processo de rosca laminada o diâ- mas, em função da evolução dos re-
metro do pré-furo é alterado pelo vestimentos das ferramentas e aten-
macho. Isso quer dizer que a carac- dendo às restrições cada vez maiores
terística do perfil do filete nas ros- ao uso de óleos minerais integrais, por
cas laminadas a frio é diferente da- serem extremamente poluentes, os
quela das roscas produzidas por ma- machos laminadores trabalham com Figura 3
chos de corte (a figura 2 mostra es- refrigeração por óleo solúvel de bai- Macho laminador dentro da peça
(esquerda) e rosca laminada
quematicamente ambos os perfis). xa concentração ou mínima lubrifi-
(direita)
Graças à rigidez dos machos la- cação por névoa, o que torna a rela-
minadores, as ocorrências de que- ção custo/beneficio de sua aplicação rosca não é cortada, e sim “confor-
bra de ferramentas são menos fre- bastante vantajosa. Esta é, aliás, a ra- mada”, não gerando cavacos, as
zão de cada vez tendências de quebra da ferramen-
mais ser comum a ta são minimizadas. O risco de pro-
aplicação desse duzir roscas de qualidade inferior
tipo de machos em tanto do ponto de vista de tolerân-
máquinas não-es- cia quanto de acabamento superfi-
pecíficas para ros- cial, e, portanto, de refugo, é rela-
queamento e cen- tivamente pequeno no processo a
Figura 2 tros de usinagem frio. Isso faz com que a constância
Comparativo entre os processos de corte e de laminação
com refrigeração dimensional seja limitada apenas
qüentes. Para alcancar o perfil das comum ou por névoa. pelo comportamento de desgaste
roscas no processo de laminação é Ao contrário do tradicional ros- das ferramentas. Uma vez que sob
necessário que o diâmetro do pré- queamento com macho de corte, na condições normais o desgaste ocor-
furo seja maior e com uma tolerân- laminação a frio podem ser usadas re de forma uniforme e homogênea,
cia mais estreita do que no dos ma- velocidades de corte mais altas em o processo de produção pode ser
chos de corte. Aplicando-se a fór- conjunto com uma grande segurança controlado apenas por ajustes de
mula atribuída ao formato rígido do ma- torque ou pelo controle da potên-
cho, especialmente em roscas mais cia da máquina, não dependendo de
Furo inicial (Ø da broca) = D1 - (1/2 x P)
profundas em furos cegos, onde não verificações constantes.

28 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


r o s c a s n ã o são
produzidas com
nenhuma remoção
de cavacos, como
mostra a figura 4.
Além disso tudo
há a vantagem espe-
cial de a geometria
toda de um macho
Figura 4
Os perfis dos machos laminador e de corte
laminador a frio, em
comparação com a Figura 5
Alguns machos laminadores têm sulcos para
As diferenças que de um macho convencio- lubrificação
“fazem a diferença” nal, ser essencialmente
no rosqueamento mais forte e, então, capaz de traba- ma influência negativa sobre a esta-
No processo de laminação, o lhar em condições desfavoráveis. bilidade da ferramenta (figura 5).
flanco da rosca é suavizado e as fi- Certos machos para laminação a frio Um grande benefício do proces-
so a frio é que é possível produzir
Titex Plus: um braço forte da Sandvik furos cegos e passantes em materi-
ais de diferentes tipos com uma só
Sediada em Frankfurt (Alemanha), da unidade brasileira da Sandvik. geometria, ao contrário dos machos
a Titex Plus Precision Cutting Tools é Dentro do segmento de rosquea-
uma das empresas que formam o mul- mento, a Titex Plus oferece uma linha de corte, que em geral têm canais
tifacetado Grupo Sandvik. Fundada completa de machos laminadores helicoidais para furos cegos e retos
em 1890, ela reforça e complementa standard em HSS que vão de rosca para furos passantes (figura 6). Isso
as atividades do Grupo no nicho de M1 até M16; rosca fina de M8 até 16
tecnologia de ponta em ferramentas com superfície sem tratamento, re-
é um fator de diminuição dos custos
de metal duro e HSS para furação, ros- vestida com TiN ou oxidada a vapor; com ferramental, devido à redução
queamento e fresamento e, desde machos para roscas UNC e UNF com de itens em estoque.
1997, vem atuando direta e intensa- superfície sem tratamento ou oxida- Na fase de estudos para um novo
mente no mercado brasileiro como um da a vapor; e também machos em
braço importante da Divisão Coromant metal duro para roscas M4 até M10. produto o método convencional de
rosqueamento deve ser avaliado, mas
bras do material são delimitadas, são providos de
não cortadas. As fibras contínuas sulcos estreitos
do material e o trabalho de confor- por onde se rea-
mação conferem à rosca um endu- liza a lubrifica-
recimento superficial e uma resis- ção. Tais ma-
tência significativamente maiores chos foram con-
em comparação com as que são cebidos especial-
obtidas convencionalmente. mente para tra-
A construção de um macho la- balhos com de-
minador a frio é completamente terminados tipos
diferente da construção de um ma- de material e
cho convencional de corte. Para para furos mais
deformar o material da peça de profundos, auxi- Figura 6
modo suave e fácil, a seção trans- liando extrema- São necessários diferentes machos de corte para
diferentes materiais
versal da ferramenta é feita com mente na distri-
um perfil de polígono especial. O buição do lubrificante durante a ope- freqüentemente um macho lamina-
macho não tem canais porque as ração, mas não exercendo nenhu- dor a frio é a alternativa ótima.

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 29


Menores tempos de
máquinas paradas e
usinagem mais eficaz

O ferramental modular de troca


rápida utilizado nos centros de
torneamento Mazak Quick Turn 20
recentemente instalados na fábrica
da Quinton Hazell Automotive
Limited, em Colwyn Bay, Norte do
País de Gales, está se mostrando
uma solução versátil e produtiva
para as operações de usinagem da
empresa, que fabrica uma extensa
gama de peças muito diferentes
umas das outras, o que poderia
significar enormes tempos de
preparação de máquinas.
“Poderia”, mas a
combinação das tecnologias
da Sandvik Coromant e da
Mazak com a perspicácia da
Quinton não permitiu.

abricante de peças para con-

F juntos de direção, suspensões


e bombas d’água de automó-
veis que em sua maior parte
são direcionados ao mercado de re-
posição, a Quinton Hazell Automo-
tive (QHA) recentemente deu mais
um passo rumo à fabricação celu-
lar — colocou em operação duas
novas células de usinagem, ambas A célula de alta velocidade e pequenos lotes atualmente produz cerca de 25
diferentes peças em volumes variando de 50 a 250 unidades. A maioria das
Este artigo foi produzido pela equipe técnica da AB peças é usinada a partir de blanks forjados EN5. As pastilhas para torneamento
Sandvik (Suécia), Divisão Coromant. T-Max U melhoraram a performance da célula

30 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


adotar a abordagem celular, a Turn 20 complementam uma má-
Sandvik Coromant, como prin- quina 10N mais antiga e todos fo-
cipal fornecedora de pastilhas ram equipados com o ferramen-
intercambiáveis e porta-ferra- tal modular Coromant Capto. O
mentas da QHA em Colwyn Bay, potencial para um longo tempo de
foi convidada a apresentar pro- máquinas paradas em ambientes
postas que conciliassem a intro- como esse é considerável, mas o
dução da mais recente tecnolo- conceito modular de troca rápida
gia nesta área e a garantia de eliminou completamente essa
que a flexibilidade e os crono- possibilidade: a QHA obteve eco-
gramas de produção fossem ple- nomias muito significativas
As brocas Coromant-U com namente atendidos. quanto a ajustes e mudanças
pastilhas intercambiáveis, com A recomendação da Coromant quando o comprimento das ferra-
acoplamentos Coromant Capto
integrados, são usadas com dados foi que as máquinas fossem equi- mentas e as compensações conhe-
de corte mais altos nas operações padas com o sistema Coromant cidas são aplicados a cada ferra-
de usinagem nas fábricas da QHA, Capto e pastilhas para torneamen- menta. E, além disso, as brocas
em Colwyn Bay. Os tempos de
to da série GC 4000, especifica- Coromant-U com pastilhas inter-
máquinas paradas mais curtos
significaram uma rápida mente introduzidas para a usina- cambiáveis são extensivamente
amortização do investimento em gem de aços. A vasta área de apli- usadas em algumas operações de
ferramental cação oferecida por essas classes usinagem, integradas também aos
de pastilhas também possibilitou sistemas Coromant Capto. Os da-
trabalhando com volumes de peças que a QHA obtivesse importan- dos de corte foram aumentados
altamente contrastantes. tes economias adicionais de cus- devido ao novo desenho da broca
As operações de usinagem de to em função da racionalização e à inerente rigidez desse sistema
pequenos lotes (os volumes variam das próprias pastilhas. de fixação.
de 50 a 250 unidades) na célula de Na célula, três novos Quick
resposta rápida produzem, atual- O torneamento é
mente, cerca de 25 diferentes pe- preciso e apresenta
ças, a maioria usinada a partir de bom controle de
blanks forjados de aço EN5. A cé- cavacos
lula foi implantada especificamen-
te para atender à variada, e geral- Quanto à célula de usinagem
mente de curto prazo, demanda. de alto volume, a QHA estava
certa de que à medida em que a
Produção e retorno demanda crescesse para certos
de investimentos tamanhos de pinos esféricos e ter-
muito rápidos minais de direção, o manuseio e
carregamento automatizados de
Nesse ambiente, o ferramental blanks e peças usinadas se torna-
Coromant Capto proporcionou o riam essenciais para atender aos
retorno do investimento em um volumes em questão. Ambos os
prazo expressivamente curto gra- Quick Turn 20 são equipados com
ças à rapidez de mudança de um carregadores automáticos fabri-
set-up para outro, precisão consis- cados sob medida, mas era extre-
tente e eliminação do pré-ajuste mamente importante que o escoa-
das ferramentas. mento dos cavacos gerados pelos
Uma vez tomada a decisão de dois centros de torneamento não

O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000 • 31


Sistema de ferramentas modulares de troca rápida e
multifunção: Coromant Capto, ao seu dispor

• Sua versatilidade permite que com furo para refrigeração interna


seja usado na maioria das máqui- • Oferece excelente resistência às
nas-ferramentas e em muitos tipos forças de deflexão
de usinagem, formando a base para
• Permite a transmissão de torque
o próximo estágio da produção JIT
nos dois sentidos com máxima ri-
(just-in-time)
gidez
• É a única solução viável para cen-
• Torna a troca de ferramentas mui-
tros de tornofresamento e FMS, mas
to simples e rápida
também pode ser usado com gran-
de vantagem em muitas máquinas • Não envolve nenhuma peça solta
tradicionais (chaves, pinos, etc)
• Permite a padronização do siste- • É autocentrante, com excepcional
ma de ferramentas precisão radial e mínimo batimento
• Reduz os custos de estoque • Desenho simples
• Simplifica o manuseio físico e ad- • A altura central da ferramenta está
ministrativo de ferramentas sempre correta
• Único sistema igualmente eficaz para Coromant Capto: um acoplamento • A grande área superficial do polí-
torneamento, fresamento e furação revolucionário baseado em um gono proporciona baixa pressão
superficial e risco mínimo de defor-
• Igualmente adequado para insta- polígono cônico pré-tensionado e
mação, menos desgaste e, conse-
lações manuais ou automáticas retificado
qüentemente, uma consistente pre-
• As ferramentas são fornecidas cisão de posição

paralisasse o trabalho entre eles. Do blank até a peça “A abordagem celular para a
Mais uma vez o ferramental acabada em apenas usinagem de uma gama tão am-
Coromant Capto foi recomendado, 50 segundos pla de peças está sendo altamen-
pois um tempo mínimo de máqui- te bem-sucedida, mas exigiu que
na parada na troca de ferramentas Desde a instalação, o recurso de nossa escolha de máquina e fer-
é essencial. De qualquer forma, carregamento automático tem fun- ramental fosse muito cuidadosa”,
como os dados de corte e o con- cionado muito bem — os tempos conta John Shore, engenheiro de
trole eficaz do escoamento de ca- médios de ciclo, por exemplo para produção sênior da Quinton Ha-
vacos ainda eram uma área que um pino esférico, são de 50 segun- zell. “O ferramental Coromant
merecia toda a atenção, a solução dos desde o blank até a peça com- Capto proporcionou uma combi-
dada pela Coromant foi o uso das pletamente acabada. As esteiras nação excepcional de flexibilida-
suas mais recentes pastilhas para transportadoras que, a partir das de e eliminação do longo tempo
torneamento, da série T-Max U, máquinas Quick Turn, levam as pe- de máquinas paradas durante o
específicas para usinagem de pre- ças usinadas para a fase de acaba- ajuste das ferramentas, e o nosso
cisão. Os testes de prova em ou- mento têm versatilidade suficiente receio de que o escoamento de
tras máquinas tiveram excelentes para direcioná-las a operações adi- cavacos poderia prejudicar a per-
resultados, o que significou o si- cionais, principalmente a rolagem formance da célula de alta velo-
nal verde para que o sistema de de roscas, e o temido problema de cidade foi afastado pela perícia
fixação e os dispositivos da torre escoamento de cavacos nas áreas da Coromant ao nos indicar as
fossem projetados e os try-outs de trabalho efetivamente não teve ferramentas adequadas e a corre-
minimizados. vez nessa história. ta aplicação das pastilhas”.

32 • O Mundo da Usinagem – Sandvik Coromant do Brasil - 2. 2000


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Você aproveita o que as
novas pastilhas
oferecem à sua
produção?

As máquinas e as ferramentas avançaram significativamente durante este século e as fábricas já


não usam mais como antes ferramentas de aço rápido para torneamento pelo simples motivo de
que uma peça que demandava mais de uma hora e meia de usinagem hoje está pronta em menos
de um minuto. Com as alterações nos produtos ocorrendo a toda velocidade e a pressão por
competitividade, é muito importante que você se certifique de que suas ferramentas não são as
mesmas de poucos anos atrás, porque o que levava um minuto para ser usinado até então, hoje
leva menos de 50 segundos.

númeras empresas são altamen- dução, de outro lado há que se consi-

I
ças são usinadas com pastilhas de
te competitivas porque deram derar que elas só são boas se as ares- metal duro, as quais foram desenvol-
uma atenção especial aos suces- tas de corte com as quais estão equi- vidas a partir da década de 50, quan-
sivos desenvolvimentos na área padas também o são. do começaram a substituir as ferra-
de usinagem. Se de um lado há avan- O torneamento de aços sempre foi mentas soldadas. Essa mudança ele-
ços crescentes quanto a capacidade, uma das operações mais freqüente- vou a velocidade de corte de 80 para
qualidade, controles e todos os ou- mente realizadas na indústria de ma- 110 m/min e as faixas de avanço tam-
tros parâmetros de máquinas que são nufatura. Há muitas peças produzidas bém passaram a ser mais altas.
suficientes para as exigências de pro- com diferentes tipos de aços tanto em As indústrias que estiveram à
Este artigo foi produzido pela equipe técnica da AB
lotes unitários quanto de produção em frente dessa mudança — disponí-
Sandvik (Suécia), Divisão Coromant. massa e quase sem exceção essas pe- vel a qualquer um, dia e noite — se

2 • Sandvik Coromant do Brasil


máquinas-ferramentas, se-
jam tornos NC do final da
década de 70 ou centros de
torneamento CNC de últi-
ma geração.

GC 4000:
melhores por
dentro e por fora

As pastilhas para tor-


neamento de aços das clas-
ses da série GC 4000 estão
sob constante análise e de-
senvolvimento de acordo
com as novas exigências
dos usuários e as mudanças
dentro das fábricas. A sua
Desenvolvimento da velocidade de corte e da faixa de avanço por minuto para o área de aplicação abrange
torneamento de aços desde a introdução das pastilhas intercambiáveis, que pelo menos 95% das apli-
substituíram as ferramentas de metal duro soldadas durante os anos 60. cações das indústrias em
Tipicamente, as ferramentas soldadas usinavam a uma velocidade de corte de 80
m/min e a uma faixa de avanço de aproximadamente 100 m/min. As primeiras todo o mundo. Fatores
pastilhas T-Max para torneamento de aços representaram um salto para 110 m/min e como o desenho da peça, as
300 mm/min em avanço. Com a introdução, em 1971, das pastilhas de metal duro tolerâncias, os desenvolvi-
revestidas das classes GC, as velocidades de corte e o avanço se elevaram do dia
mentos e as variações do
para a noite para 150 m/min e 600 mm/min, respectivamente. Desde então, houve um
contínuo aumento na velocidade e no avanço até a atual GC 4015 combinada com as material, máquinas cada
pastilhas alisadoras Wiper, também intercambiáveis. A velocidade de corte em vez mais estáveis com fu-
potencial está hoje acima de 400 m/min e a faixa de avanço dobrou para além de sos de altas velocidades e
1.400 m/min, em comparação com o que era usual nos anos 90
menor necessidade de mo-
colocaram em uma posição muito çavam velocidades de 200 m/min. Ig- nitoramento direto da usinagem afe-
vantajosa e competitiva, mas as que norar todas essas mudanças é um tam o perfil das novas classes.
continuaram usando as mesmas grande perigo. A qualidade do revestimento ele-
pastilhas nos 10 anos posteriores Quem não estiver tirando vanta- vou substancialmente o índice de
muito provavelmente foram deixa- gem do desenvolvimento pelo qual as melhora das três classes. Hoje, na
das para trás por aquelas que opta- pastilhas intercambiáveis com cober- maioria dos casos as coberturas das
ram por pastilhas de metal duro tura para torneamento de aços pas- modernas pastilhas de metal duro
com cobertura recentemente intro- saram durante os anos 90 deve estar são combinações de uma camada in-
duzidas, as chamadas “pastilhas da usando um nível de velocidade de cor- terna de TiCN (carbonitreto de titâ-
classe GC”. te significativamente abaixo do que nio), que proporciona principalmen-
As pastilhas GC possibilitaram o hoje é recomendado. Mais que isso, te resistência ao desgaste de flanco;
torneamento de aços a uma veloci- há vantagens adicionais que se tor- uma camada secundária de Al203
dade de 150 m/min com faixas de naram disponíveis com o desenvol- (óxido de alumínio), basicamente
avanço mais altas e a mesma vida útil vimento das pastilhas, e entre elas es- para proporcionar resistência a cra-
das anteriores. Posteriormente, no tão a previsibilidade de maiores avan- terizações e agir como uma barreira
início dos anos 80, o torneamento de ços, a segurança de vida útil e a ver- térmica para o substrato da pasti-
aços passou a ser realizado com no- satilidade operacional. Tais ganhos lha; e uma terceira camada de TiN
vas classes com cobertura que alcan- ocorreram independentemente das (nitreto de titânio), cujo objetivo

Sandvik Coromant do Brasil • 3


O metal duro deixou o aço rápido e outros materiais lá atrás
Ao longo dos últimos 20 anos hou- campo ocorrido na indústria
ve muitas especulações quanto ao me- de máquinas. O metal duro
tal duro ter atingido seu pleno potencial se desenvolveu dentro da
como material para ferramentas de cor- fina arte de equilibrar as
te juntamente com as coberturas que propriedades da aresta de
elevaram sua performance. Cerâmicas, corte pela otimização do
cermets e novos desenvolvimentos em substrato da pastilha, dos
aço rápido poderiam tirar uma fatia con- materiais da cobertura e da
siderável das aplicações das pastilhas interação entre eles, o que
de metal duro revestidas, mas ocorreu envolve a combinação de
o contrário: o metal duro representa, áreas como a metalurgia, a
hoje, mais da metade do material con- química, a física e outras
sumido na fabricação de ferramentas de afins.
corte, tendo superado o aço rápido du- Cada uma das introdu-
rante os anos 90 e, de longe, os outros ções de várias novas clas-
tipos de materiais. ses com cobertura para tor-
A relação típica entre os custos envolvidos na
A principal razão disso tudo é a in- neamento de aços durante
usinagem é “custo por peça/velocidade de
tensa e contínua melhora na perfor- as últimas três décadas sig-
corte”. Há uma faixa que pode ser facilmente
mance das classes com cobertura, pro- nificou um aumento médio
calculada para cada operação de torneamento
porcionando um nível mais uniforme e de produtividade de mais de
que, por um lado, é limitada pela velocidade de
mais vantajoso de resistência ao des- 10%. Além disso, a vida útil
corte econômica e, por outro, pela velocidade
gaste em relação à tenacidade. Claro também melhorou e é im-
para máxima produtividade. A vida útil
que as pastilhas de agora são muito possível não levar em con-
econômica da aresta de corte em uma operação
melhores que as da década passada, ta o importante aspecto de
significa o uso de uma velocidade que fique em
mas engana-se quem pensa que seu segurança na usinagem e o
algum lugar dessa faixa, não maximizando o
aperfeiçoamento não está avançando atendimento à constante
número de peças ou os minutos que uma aresta
ainda mais. exigência de que a aresta
pode durar
Por trás de todo esse desenvolvi- de corte tenha uma vida útil
mento de melhores classes estão mui- mais econômica. Os níveis de segurança da pastilha,
tas pesquisas e muitos desenvolvimen- Fazer uma aresta usinar muitas pe- a previsibilidade da aresta de corte e a
tos de processos de produção de pas- ças e durar o maior tempo possível, in- sua capacidade para manter a preci-
tilhas, tudo ligado ao dependente do nível da velocidade de são e o acabamento superficial, duran-
trabalho de corte em potencial, não resulta, entre- te as operações de acabamento, me-
PCD CBN CC tanto, em uma vida útil econômica. Só lhoraram significativamente em compa-
quando a pastilha tiver uma per- ração com as classes de pastilhas de
formance otimizada em rela- dez anos atrás. O efeito disso nas fá-
CT ção aos vários fatores de bricas pode ser visto no menor núme-
custo de produção para a ro de peças rejeitadas, em menos pa-
operação em questão é que radas de máquinas, no menor tempo
se pode afirmar que ela foi de usinagem e na menor necessidade
atingida no melhor sen- de monitoramento direto do operador
tido que há para a eco- para se certificar de que a usinagem
nomia de produção. ocorre exatamente como deve.
O torneamento de aços está agora
Distribuição dos dando um outro passo para o próximo
materiais de milênio que, mais uma vez, vem acom-
ferramentas em panhado de melhores níveis de produ-
volume. C: metal tividade e segurança. E não fica ape-
duro à base de nas nisso: traz também melhorias adi-
C HSS tungstênio; HSS: cionais sob a forma de maior seguran-
aço rápido; CT: ça da aresta de corte, classes e áreas
cermets; CC: de aplicação mais amplas e mais van-
cerâmicas; CBN: nitreto tajosas e uma muito maior capacidade
cúbico de boro; PCD: para a usinagem em que o refrigerante
diamante policristalino foi completamente eliminado.

4 • Sandvik Coromant do Brasil


As arestas de corte de hoje devem
suportar altas cargas em
temperaturas de cerca de 1000°C.
As combinações de cargas
térmicas, abrasivas, químicas e
mecânicas agem no sentido de
prejudicar a capacidade da
pastilha remover o metal de modo
produtivo, manter as tolerâncias
desejadas e gerar um bom
acabamento superficial

principal é a melhor identificação do mecânicas. Veja alguns exemplos: celente resistência ao desgaste desde
desgaste das arestas. • Vários cortes interrompidos po- que o corte seja contínuo, sem varia-
Se o desgaste da pastilha é gerado dem levar a pequenas trincas térmi- ções, mas tão logo as variáveis da
em um corte contínuo, como no tor- cas no revestimento, que reduzem sua operação comecem a causar descon-
neamento longitudinal de uma barra robustez e durabilidade. tinuidades a cobertura passa a correr
longa, a resistência ao desgaste (vida • Os materiais pastosos das peças o risco de se deteriorar, uma vez que
útil) é amplamente determinada pela podem reter partes da cobertura tal pastilha não foi desenvolvida para
espessura das camadas da cobertura. quando a aresta deixa o corte. lidar com todos esses fatores diferen-
A maior parcela das operações, no • O martelamento de cavacos é pre- tes de usinagem considerados aqui.
entanto, é constituída de cortes dife- judicial na medida em que a cobertura Além disso, a capacidade para supor-
rentes, como perfilamento, facea- se quebra no decorrer da usinagem. tar essas alterações varia considera-
mento, cortes interrompidos e ou- • Uma pequena deformação pode velmente de pastilha para pastilha,
tros, o que submete a pastilha reves- levar a trincas na cobertura. mesmo que elas pareçam ter a mesma
tida a diferentes cargas térmicas e Uma pastilha revestida pode ter ex- construção de camadas.

A série de classes GC 4000 de pastilhas para torneamento de aços está sob desenvolvimento e análise contínuos,
em sintonia com as exigências dos usuários e as mudanças dos ambientes das fábricas. Sua área de aplicação
abrange pelo menos 95% das operações industriais no mundo todo. Fatores como tolerâncias e desenhos das
peças, novos desenvolvimentos e variantes de máquinas, que são mais estáveis com velocidades mais altas do
fuso, e menor monitoramento direto da usinagem deram o perfil das novas classes

Sandvik Coromant do Brasil • 5


Três classes ISO abrangem as aplicações das indústrias
O torneamento de aços é uma área identificar as propriedades em que a necessidade. Essa área de aplicação
de usinagem bastante ampla e variada. performance da aresta de corte pode é importante para muitas indústrias cuja
Por volume, os maiores grupos de ma- ser melhorada. Quantas classes de manufatura de peças é limitada pelas
teriais de peças são o aço-carbono, o metal duro com cobertura são então ne- exigências de tolerâncias e acabamen-
aço-liga, o aço endurecido por cemen- cessárias para manter um alto nível na to superficial mas onde a alta produti-
tação, o aço para rolamentos e o aço área de torneamento de aços? Até vidade é essencial. As profundidades
com alta resistência à tensão. Pode-se onde se deve procurar o número de de corte variam em cerca de 3 mm e
também dividi-la em segmentos carac- pastilhas necessárias? Quão alta deve com mais freqüência é o raio de ponta
terizados por: a) grande ou pequeno vo- ser a capacidade de uso geral de uma que faz a maior parte da usinagem.
lume de produção, b) peças de tama- pastilha em detrimento da otimização? A P25 é uma área de usinagem
nho grande ou pequeno, c) exigências Uma olhada nas principais áreas da- média que abrange uma ampla gama
quanto ao acabamento e à precisão, das pela norma ISO nos indica como e de operações de semi-acabamento e
d) necessidades de segurança de produ- por qual razão as séries de pastilhas desbaste leve. Muito do torneamento
ção e e) aqueles em que prevalecem vêm se desenvolvendo até hoje. geral é realizado dentro dela, com pro-
as variações no material em uma mes- A área ISO P15 é caracterizada fundidades de corte de aproximada-
ma peça. Para facilitar a seleção da pas- pelas condições favoráveis de usina- mente até 6 mm. Aqui, mais que em
tilha, as operações de torneamento de gem. São baixas as exigências quanto qualquer outro lugar, a capacidade de
aços são divididas em desbaste, usina- a suportar tensões, porém a resistên- uso geral em uma área ampla está em
gem média e acabamento. cia ao desgaste e a habilidade para re- alta na lista de prioridades.
Outras categorias são feitas para sistir à deformação plástica são uma A área P35 é típica de condições des-

O torneamento de acabamento de A área de aplicação da usinagem As pastilhas ISO P35 devem ter
aços é uma operação típica da média, centrada na norma ISO aresta de corte robusta para lidar
área ISO P15. As pastilhas para próximo da P25, é ampla e exige com as exigências dos cortes
isso devem ter, além de alta das pastilhas uma alta capacidade pesados, das cascas forjadas, dos
resistência ao desgaste, também para uso geral, prioritariamente. A cortes interrompidos, entre outros.
alta resistência à deformação melhora das condições das As novas classes para essa área
plástica e a escamações ferramentas durante os últimos típica do desbaste proporcionaram,
anos possibilitou às modernas no entanto, também uma maior
versões dessas pastilhas terem um resistência ao desgaste para a
nível mais elevado de resistência ao manutenção dos níveis de
desgaste que as anteriores produtividade com alta segurança

Elas resistem ao alcançado por meio dos novos pro- do otimizada propicia uma melhor
desgaste contínuo cessos de revestimento, em que a es- performance.
e descontínuo trutura da cobertura pode ser con- Antes, uma estrutura não-unifor-
trolada e modificada para se obter me, grosseira, significava um alto
As coberturas das novas classes diferentes propriedades. Seu com- grau de incerteza sobre o comporta-
4000 possuem excelente resistência portamento é, no entanto, também mento dos revestimentos em traba-
tanto ao mecanismo de desgaste con- dependente da combinação entre ela lho nas suas respectivas áreas de
tínuo quanto ao descontínuo. Isso foi e o substrato de metal duro, que, sen- aplicação. Agora, os níveis de per-

6 • Sandvik Coromant do Brasil


ção em massa. As
profundidades de
corte variam dentro
de uma faixa exten-
sa que vai de pou-
cos milímetros até
12 mm ou mais.
Hoje é impos-
sível realizar o tor-
neamento de aços
de maneira com-
petitiva com ape- Três classes básicas de metal duro revestido
nas uma classe de para torneamento de aços foram
metal duro revesti- estabelecidas como ideais para proporcionar
da, de uso geral. uma boa abrangência da área de torneamento
Apenas duas clas- de aços ISO P e para garantir uma ampla
ses iriam significar sobreposição entre as classes P15, P25 e P35
um nível de com- e atender a amplas faixas de aplicação. Hoje,
A Organização Internacional de Normas (ISO, prometimento difí- elas oferecem as soluções para torneamento
de International Standards Organization) teve, cil de ser alcança- na maioria absoluta das operações
por algum tempo, um sistema de classificação do quanto à velo-
conforme a aplicação. O uso de pastilhas foi cidade de corte ou à robus- classes GC 4000 de forma que elas
adotado de acordo com o material da peça a tez da pastilha, e, então, o possam abranger basicamente cada
ser usinada. O grupo P se refere a materiais de resultado seria insatisfatório operação de usinagem de aços e pro-
cavacos longos, dominado pelos aços em em termos de níveis de pro- piciem uma boa sobreposição de uma
várias formas. Cada grupo é dividido em dutividade ou de segurança. para a outra, para garantir que os
subgrupos de 01 a 50, sendo que quanto maior No outro extremo da ques- usuários possam realizar uma fácil es-
o número, maior a tenacidade necessária, e tão, quatro classes ou mais colha de classe qualquer que seja a
quanto menor o número, maior a resistência ao proporcionam altos níveis de operação a ser realizada. Na verda-
desgaste exigida da aresta de corte. Assim, as especificidade para as dife- de nem todas as fábricas precisam
aplicações normalmente incluídas em cada rentes áreas do torneamen- dessas três classes básicas — algu-
subgrupo variam: o acabamento está incluído to de aços, mas isso signifi- mas até podem usar apenas uma ou
na faixa de P01 a 20, a usinagem média de P10 ca grandes programas de duas —, mas elas são necessárias
a 40 e o desbaste de P30 a 50. Uma versão pastilhas e grandes esto- para que se ofereça à indústria de usi-
americana comparável à ISO é a norma ANSI ques de ferramentas nas fá- nagem em geral uma gama competiti-
bricas que produzem peças. va de pastilhas. Classes complemen-
favoráveis de usinagem com altas exi- Com base nos níveis de capacida- tares, desenvolvidas para aplicações
gências de robustez da aresta de corte. de atualmente atingidos pelas pasti- específicas, são também uma neces-
Desenvolveu-se em uma área com gran- lhas em razão de pesquisas e desen- sidade importante, assim como quan-
des variações de exigências. Além dis- volvimentos intensivos, três classes do as exigências de tenacidade são
so, sendo a robustez da aresta de corte básicas de metal duro com cobertura excepcionais ou quando as classes de
o fator principal, freqüentemente também são consideradas um número ideal. O cermet são preferidas para o acaba-
são exigidas capacidades de velocida- trabalho tem sido muito intenso tam- mento leve e para a usinagem de aços
des de cortes mais altas para a produ- bém no sentido de se posicionar as muito pastosos.

formance de materiais para cober- quecida próxima da superfície. Essa sultado disso é que a faixa de apli-
tura, como o óxido de alumínio, por zona auxilia a prevenir a propaga- cação, determinada pelas proprieda-
exemplo, já estão bem estabelecidos, ção de trincas da superfície, resul- des da deformação plástica e tena-
otimizando as suas excelentes pro- tando em melhores propriedades de cidade, foi ampliada.
priedades básicas. O substrato de tenacidade da pastilha. Como a zona A sinterização do gradiente tem
metal duro para as classes GC 4000 ligante enriquecida é muito fina, a sido uma prática comum para as
é um gradiente sinterizado com uma resistência da pastilha à deformação classes de usinagem média e de des-
fina fase ligante em uma zona enri- plástica não é muito afetada. O re- baste para as áreas P25 e P35, mas

Sandvik Coromant do Brasil • 7


Variante A Variante B Variante C

6 min 8 min 12 min


As diferenças em performance
como resultado da diferente
cobertura com estrutura de cristal
e a sua interação com o substrato.
As pastilhas foram testadas em
uma operação de torneamento
com cortes interrompidos. A
variante A perdeu a sua cobertura
na aresta de corte após 6 min. A 10 min 16 min
variante B usinou quase duas
vezes mais sob as mesmas
condições de teste e a variante C
durou quase três vezes mais

não para a P15. O motivo é que a classe GC 4015 propiciou uma zona amplas. Entretanto, os desenvolvi-
maior concentração de ligante na de gradiente capaz de suportar tem- mentos recentes a colocaram em no-
zona da superfície tem sido prejudi- peraturas de usinagem consideravel- vos níveis e levaram a uma melhor
cial na usinagem em que ocorrem mente mais altas. zona de superfície. Em conjunto com
altas temperaturas, típicas das ope- Não há novidade nenhuma quan- uma interação muito melhor entre o
rações da área P15, de maneira que do se fala da técnica de sinterização substrato e a cobertura, também fo-
a zona fina do gradiente fica local- do gradiente, pois já faz alguns anos ram estabelecidas propriedades me-
mente deformada. Entretanto, o de- que ela foi aplicada na obtenção de lhores e mais precisas do substrato
senvolvimento do material da nova classes com faixas de aplicação mais da pastilha, além de uma redução sig-
nificativa de certas tendências do
A nova classe GC 4015 para
acabamento de aços representa um substrato à deformação em proces-
novo e grande passo no sos onde há altas temperaturas.
desenvolvimento de materiais de A segunda geração das classes
corte. Graças à nova tecnologia de
sinterização do gradiente, o
GC 4000 para torneamento de aços
substrato é capaz de suportar suporta consideravelmente melhor os
temperaturas consideravelmente fatores de desgaste tanto contínuo
mais altas e a pastilha é menos quanto descontínuo e esta é uma ca-
propícia à deformação plástica. A
zona da superfície mais tenaz, racterística excelente dentro do seu
próximo à primeira camada do perfil de performance. Isso só foi pos-
revestimento, proporciona maiores sível com a realização de pesquisas e
níveis de robustez da aresta,
desenvolvimentos intensivos que in-
resistência a trincas térmicas e um
efeito inibidor de trincas em operações mais exigentes. As mudanças na troduziram mudanças na estrutura do
estrutura das coberturas e a melhor interação entre elas e o substrato revestimento, e, também, na sinteri-
acrescentaram algo a mais à nova geração GC 4015, que tem um nível de zação do gradiente do substrato da
capacidade bem superior ao da classe anterior, cuja denominação
permanece a mesma. Esta é também a primeira classe para acabamento de
pastilha e na interação entre o reves-
aços que tem propriedades desenvolvidas para uma adequação direta à timento e o substrato.
usinagem sem refrigeração As designações das novas classes

8 • Sandvik Coromant do Brasil


GC 4000 não foram alteradas em • resistência bem maior ao des-
parte para refletir a continuação do gaste (desgaste de flanco);
processo de desenvolvimento visan- • maior resistência a escamações
do a níveis de capacidade ainda mais (cobertura removida); e
altos e em parte para que as fábricas • manutenção da tenacidade (ro-
usuárias não tenham a necessidade bustez).
de renomear a especificação das pas- Os seguintes objetivos foram es-
tilhas em seus respectivos programas, tabelecidos com base na resposta da
folhas de tarefas, listas de estoque e indústria quanto ao que ela esperava
rotinas de compra. da nova geração de pastilhas P15
para aços:
As grandes áreas de • capacidade para velocidades de
aplicação, segundo corte mais altas (produtividade)
a norma ISO • maior previsibilidade da vida útil
(segurança);
As áreas definidas pela ISO são Veja as melhorias obtidas em • capacidade bem maior para usi-
atendidas pela Sandvik Coromant função do controle dos parâmetros nagem sem refrigeração (custos e
com ferramentas que dão um bom do processo de revestimento de meio ambiente); e
pastilhas de metal duro. As arestas
e sonoro “não” a questões como: • área de aplicação bem mais am-
mostradas são do mesmo tipo
“Há necessidade de refrigeração?”; (composição e espessura da pla (estoque de ferramentas).
“Apenas usinagem média?”; “Fal- camada), mas como suas estruturas Um completo reprojeto da classe
ta robustez?”. E a muitas outras, cristalinas são diferentes, as líder GC 4015 deu a resposta que a
quantidades de escamação também
nem um pouco menos importantes o são. As estruturas finas e
indústria queria. O substrato da pas-
que essas (leia também o box “Três uniformes obtidas por meio do tilha, combinações de camadas de
classes ISO cobrem as aplicações desenvolvimento da tecnologia de cobertura, aplicação da camada e
usuais nas indústrias”, na página processo de revestimento e a processos de fabricação passaram
habilidade para variar isso para
6). parâmetros apropriados resultaram por mudanças, resultando em uma
• P15 — Atualmente essa é em um nível consideravelmente pastilha com novas propriedades.
uma área de aplicação mais ampla mais alto de propriedades Isso é o resultado de um trabalho de
otimizadas das arestas
e isso se deve, em parte, a uma fir- desenvolvimento considerável na tec-
me mudança da escala de aplica- As fotos da aresta mostram a nologia de materiais de ferramentas,
ção ISO mais na direção das ope- diferença de escamações relativas a nos processos de manufatura de pas-
rações P05 em conjunto com exi- variações nas estruturas cristalinas: tilhas e na cadeia de atividades que
1. Tipo antigo – cobertura com
gências de manutenção da robus- escamações embaixo do substrato
vai da análise das tendências das fá-
tez da aresta de corte freqüentemen- da pastilha. bricas até a produção das pastilhas.
te encontrada na área P30. A clas- 2. Novo tipo – primeira alternativa A nova GC 4015 pode lidar com
se de metal duro com cobertura P15 de cobertura com escamações mais temperaturas mais altas e, ao mesmo
externas
de hoje, ou GC 4015, foi introdu- 3. Novo tipo – segunda alternativa tempo, atender às exigências de te-
zida em 1994 e tem sido a líder em de cobertura sem escamações nacidade de um amplo e variado le-
muitas indústrias. O monitoramen- que de operações. Os principais fa-
to das operações em que ela é apli- cipais melhorias das propriedades tores que contribuíram para isso são
cada mostrou a tendência das exi- da classe que foram incorporadas os desenvolvimentos das técnicas de
gências a que era submetida, o que como resultado das exigências de sinterização do substrato, técnicas de
possibilitou a visualização clara do usinagem de produção das indús- cobertura e, acima de tudo, a intera-
sentido de direção que sua suces- trias de hoje são: ção entre ambos.
sora deveria ter. • maior resistência à deformação O projeto do revestimento da pas-
Para as aplicações P15, as prin- plástica (quebra da aresta); tilha GC 4015 contemplou o pleno

Sandvik Coromant do Brasil • 9


As superfícies de duas coberturas de alumina que são idênticas quanto à composição e à espessura. À esquerda,
cobertura produzida por um processo antigo. À direita, cobertura produzida pelo novo processo. A estrutura dessa
última é muito mais fina e mais uniforme, enquanto a da outra, mais grosseira e não-uniforme, significava um maior
grau de incerteza com relação aos níveis de performance. A nova estrutura, lisa, otimiza as propriedades básicas da
cobertura, acrescentando um novo nível de previsibilidade quanto à vida útil e à segurança

atendimento às rigorosas exigências Os trabalhos de desenvolvimento geral. As pastilhas que aqui se in-
quanto à adesão das camadas ao da nova GC 4015 resultaram em um serem são a primeira escolha de
substrato e à resistência ao desgaste. substrato com núcleo mais duro po- muitas fábricas quando do plane-
Convencionalmente, quanto mais es- rém superfície mais tenaz, exclusiva jamento do ferramental a ser apli-
pessa é a camada, mais resistente ao no que se refere a classes para aca- cado na usinagem de uma peça de
desgaste de flanco é a aresta, mas o bamento em operações de torneamen- aço, pois elas têm um alto nível de
preço que se tem que pagar por isso to de aços. Antes, a sinterização do performance em uma gama muito
é uma menor tenacidade. gradiente normalmente gerava uma grande de aplicações. Comparativa-
Para ampliar sua faixa de apli- zona de superfície mais macia e, por- mente, é necessária uma maior ro-
cabilidade, a GC 4015 superou al- tanto, mais sujeita à deformação, al- bustez da pastilha, mas hoje as exi-
gumas dessas antigas limitações. terando negativamente a microgeo- gências incluem alta resistência a
Um exemplo é que, por ser capaz metria da aresta de corte. vários tipos de desgaste resultantes
de suportar mais calor, ela foi con- Quanto à tecnologia de materiais da usinagem de aços. Também aqui
sideravelmente melhorada para e processos de fabricação de metal os corte contínuos e interrompidos
proporcionar melhor performance duro para o aperfeiçoamento da GC devem ser gerenciados com níveis de
em operações onde a resistência ao 4015, basta dizer que ela permitiu que segurança satisfatórios, uma vez que
desgaste e à deformação plástica se pudesse aumentar em 20% a velo- a área se sobrepõe consideravelmen-
era até agora limitada pela veloci- cidade de corte usualmente pratica- te às aplicações P15.
dade de corte. da com a antiga classe líder, que ti- Essa classe de metal duro com co-
As camadas mais espessas de re- nha o mesmo nome. Efetivamente ela bertura para usinagem média em tor-
vestimento — com melhor resistên- passou a oferecer novos e exclusivos neamento também se baseou em uma
cia a escamações — basicamente níveis de performance que, para as combinação completamente nova do
proporcionam maior resistência ao indústrias usuárias, se traduzem em revestimento, do substrato e do pro-
desgaste e o substrato mais duro ga- uma arma formidável na luta por me- cesso de sinterização, ganhando ní-
rante a resistência à deformação nores custos de produção. veis mais altos de capacidade para
plástica. A zona tenaz da superfí- resistir ao desgaste tanto em cortes
cie (gradiente) propicia robustez e • A P25 — A faixa de tornea- contínuos quanto intermitentes e ní-
resistência a tendências de lasca- mento centrada na ISO P25 repre- veis maiores de segurança.
mento, e, adicionalmente, age como senta a maior área de aplicação de A melhora provavelmente é mais
um inibidor de trincas em operações pastilhas e o maior volume de ope- visível quando da usinagem de aços
mais exigentes. rações realizadas pela indústria em cementados, em que o baixo teor de

10 • Sandvik Coromant do Brasil


carbono favorece a tendência à
abrasão e, conseqüentemente,
ao microlascamento da aresta
de corte. Esse tipo de aço é usa-
do intensivamente na indústria
automotiva, onde os altos níveis
de automação elevaram as exi-
gências feitas às pastilhas quan-
to a quebras súbitas das ares-
tas (um dos fatores de influên-
cia no desenvolvimento da GC
4025, que acabou provando ter
performance muito adequada a
tais circunstâncias).
A atual GC 4025 foi intro-
duzida no mercado em 1997
em substituição à classe de
mesmo nome que estava em
uso desde 1992. A denomina-
ção, aliás, é a única similari-
dade entre ambas, pois na ver-
dade elas representam diferen-
tes fases do rápido desenvol-
vimento da tecnologia de me-
tal duro com revestimento e da
Melhores condições de usinagem e máquinas fizeram com que muitas operações na
abordagem progressiva da sé- área de torneamento em usinagem média necessitassem de uma mudança em direção
rie GC 4000 para atualizar a um maior nível de resistência ao desgaste, além de um nível satisfatório de robustez
continuamente todas as áreas
do torneamento de aços. operações em que a resistência ao • P35 — A robustez da aresta de
Um melhor projeto das máquinas desgaste é mais exigida. Combinada corte é a principal propriedade da
novas e a otimização das condições com uma geometria mais robusta, classe P35 que atua dentro dessa
dos tornos já em operação geralmen- essa classe também torna a pastilha área, cujas operações típicas são o
te provocam mudanças em direção a eficaz para desbaste. desbaste sob condições desfavoráveis
Operações de torneamento com cortes
contínuos e intermitentes submetem a aresta
de corte a diferentes exigências. Uma
pastilha revestida pode ter excelente
resistência ao desgaste desde que o corte
seja contínuo. No entanto, características
intrínsecas do corte intermitente podem levar
à quebra súbita de uma pastilha cujo
desenvolvimento não levou isso em conta.
Em uma operação intermitente como o
fresamento, é necessária a habilidade para
resistir a trincas térmicas que tendem a
aparecer com a intermitência rápida. Na área
de aplicação ISO P35, a segurança da aresta
de corte é uma das principais exigências,
combinada com a alta resistência ao
desgaste para possibilitar alta produtividade

Sandvik Coromant do Brasil • 11


se P25 para usinagem média seja a tada de monitoramento do operador. A
melhor escolha, mas as cargas im- escolha entre a classe P25 e a P35 pode
postas ao processo durante um pe- significar, em muitos casos, uma dife-
ríodo mais longo geralmente apon- rença entre 80% e 100% nos níveis de
tam em direção à necessidade de segurança.
maior robustez para suportar as va- Durante os trabalhos de desenvol-
riações do material da peça em um vimento para se chegar ao perfil mais
ou vários lotes diferentes. Por outro apropriado para a classe P35, as cau-
lado, essa é uma classe que pode sas e os mecanismos de fratura da
usinar com velocidades de corte re- pastilha foram especialmente estuda-
lativamente altas e especialmente dos. A capacidade de resistir a fissu-
quando a duração do corte for rela- ras térmicas é importante, pois em
tivamente curta. operações incluindo intermitência
Com uma camada espessa de óxi- rápida elas tendem a aparecer — es-
do de alumínio sobre uma camada de pecialmente quando se usa refrigeran-
carbonitreto de titânio de espessura te, uma vez que ele amplia as varia-
média e um substrato com gradiente ções de temperatura na aresta de cor-
O controle de cavacos é um fator sinterizado, a antiga classe GC 4035 te. As trincas térmicas reduzem a re-
importante também com relação
(lançada em 1993) resultou em alta sistência do material da ferramenta
ao desenvolvimento do desgaste
da ferramenta. O martelamento, resistência aos efeitos das cargas me- na aresta, e, assim, o risco de ocor-
quando a extremidade de cada cânicas durante a usinagem, em es- rência de fratura aumenta.
cavaco gerado é quebrada com o pecial em cortes interrompidos. A A atual GC 4035 lida considera-
impacto contra a pastilha, com o
tempo pode levar a escamações
nova geração dessa classe tem me- velmente melhor com as causas das
e outras formas de lhor resistência ao desgaste sem pre- trincas térmicas, escamações e defor-
enfraquecimento da aresta de juízo da tenacidade em operações mação plástica. Em conseqüência
corte. A escolha correta da onde a robustez é exigida. disso, também trabalha muito bem em
geometria da pastilha e dos
dados de corte proporciona a Sobrepondo-se à área P25 para situações onde a variação das peças
mais vantajosa ação de corte, usinagem média, a nova GC 4035 em aço é ampla, mantendo níveis
melhorando o nível de segurança proporciona uma segurança adicio- mais elevados de segurança.
da operação
nal de produção em operações difí-
ceis e também uma melhor capaci- As GC 4000 dão um
— interrupções pesadas, vibrações e dade de trabalho em velocidades de “basta” definitivo às
peças com dureza e formato não-uni- corte mais altas. forças destrutivas
formes ou casca forjada —, e que é a A decisão quanto a aplicar a clas-
menor da três faixas de aplicação do se P25 ou a P35 é usualmente deter- A nova geração de pastilhas das
torneamento de aços: nela há apenas minada pelo set-up de produção, onde séries GC 4015, GC 4025 e GC 4035
metade das muitas operações de aca- a condição/capacidade da máquina, impuseram com visível eficácia um
bamento da P15. Por outro lado, a as exigências do corte nas operações limite severo à sua degradação e a me-
P35 é muito mais variada com rela- de torneamento e os volumes dos lo- canismos que comprometem os resul-
ção a peças, materiais, operações e tes são fatores importantes. Nisso se tados de sua aplicação na usinagem
condições. Operações de mandrila- apóia a afirmação de que a GC 4025 de peças de aço, ou seja, deformação
mento leve mas difícil e cortes pesa- vai proporcionar um nível mais alto plástica, fratura da aresta, escama-
dos com pastilhas redondas são de produtividade e a GC 4035 vai ga- ções, desgaste de flanco e crateriza-
exemplos de duas aplicações de li- rantir segurança adicional para a ção e fissuras térmicas. Vejamos:
mites diferentes. aresta de corte. A nova GC 4035 traz • A melhor resistência à defor-
Trata-se de uma área onde fre- mais vantagens para muitas operações mação plástica das atuais GC 4000
qüentemente se espera que uma clas- de alto volume com necessidade limi- as habilita a trabalhar a maiores ve-

12 • Sandvik Coromant do Brasil


Aprovação das novas pastilhas: processo longo, mas positivo
mento relativas às exigências a que a
classe final será submetida — robus-
tez, vários tipos de resistência ao des-
gaste, escamações, deformação plás-
tica etc. — e apenas as pastilhas que
efetivamente atendem a determinados
parâmetros continuam validadas para
possíveis testes de campo.
Anders Lenander e Michael Thysell
Os testes tecnológicos podem ser
são dois dos engenheiros de
divididos em dois grupos: os básicos,
desenvolvimento da Sandvik
onde um mecanismo de desgaste é iso-
Coromant que têm um papel de
lado, e os funcionais, em que vários ti-
destaque no desenvolvimento das
pos de desgaste atacam simultanea-
classes da nova série GC 4000. Num
mente as arestas de corte.
cenário formado por parte da
extensa gama de peças de aço
Recriando condições — Os proje-
usadas para testes internos, que
tos dos primeiros
precedem os testes nas indústrias,
testes, ou seja
eles falaram sobre as vantagens de
dos básicos, fo-
as indústrias uma vez mais elevarem
ram realizados de
sua faixa de usinagem obtendo,
forma que eles mostrassem efetiva-
como resultado, baixos custos de
senvolvimento contínuo de materiais, mente o quanto cada pastilha pode ser
produção. “A nova GC 4015, por
processos de fabricação e testes. resistente aos vários tipos de desgaste
exemplo, tem oferecido velocidades
Os testes de tecnologia, como par- e qual é o comportamento de tenacida-
de corte 20% acima das que a
te integrante do desenvolvimento de de das suas arestas. Dentro de cada um
novos materiais para ferramentas na desses grupos, os testes foram plane-
geração anterior da mesma classe
permitia”, afirmaram
Sandvik Coromant, está sempre avan- jados para representar diferentes mate-
çando para reproduzir o mais fielmen- riais de peças e operações.
O trabalho de pesquisa e desenvol- te possível o processo de desgaste da Os testes funcionais reproduzem
vimento na busca da evolução das ferramenta que ocorre na usinagem vários e bem definidos mecanismos de
classes de metal duro durante as dé- industrial. Os métodos e as peças são desgaste atuando simultaneamente
cadas passadas, especialmente a ele- desenvolvidos em estreita colaboração (por exemplo, deformação plástica e
vação da performance e da segurança com as próprias indústrias que usam escamação). Com isso recriam-se apli-
obtida nos anos 90, foi extenso. Para tais ferramentas. Para se chegar a con- cações particulares da indústria, com
que fossem obtidas as exigidas redu- clusões referentes às propriedades de um tipo real de peça sendo o modelo
ções de custo de produção no tornea- usinagem de uma classe que perma- para as peças-teste. Tais testes, que
mento de aços, o trabalho de projeto nece em constante processo de desen- usualmente têm uma ligação mais es-
foi, na verdade, iniciado dentro dos volvimento, são selecionados testes de treita com projetos de desenvolvimen-
departamentos de produção de indús- aplicação apropriados a partir de uma to específicos, estão crescendo em nú-
trias do mundo todo. ampla gama de operações, peças e mero e exigindo mais desenvolvimen-
Os engenheiros de vendas da Co- máquinas estabelecidos ao longo de to de métodos e projetos.
romant conhecem bem as exigências anos. Os métodos de teste são desen- Os laboratórios da Sandvikt têm
operacionais das fábricas usuárias, já volvidos para “provocar” o surgimento as mesmas dimensões das áreas de
que trabalham junto com elas para a dos mecanismos de desgaste que es- produção de empresas de médio por-
obtenção de soluções otimizadas e tão sendo estudados e peças da indús- te. Modernas máquinas CNC repro-
lhes dão assistência nas suas aplica- tria, especialmente desenhadas para duzem as condições e exigências
ções. Isso gera dados que alimentam isso, são usadas com exigências con- atuais e reais das indústrias e são su-
sistematicamente as unidades de pes- sideravelmente acima do normal. portadas por equipamentos sofistica-
quisa responsáveis pela gama de fer- Tais testes auxiliam na caracteri- dos para análise de material e recur-
ramentas em questão e levam ao de- zação das variantes de desenvolvi- sos de desenvolvimento metalúrgico.

locidades de corte e a realizar usina- ta a aresta de corte, provocando sua pressão da aresta), dependendo das
gem sem refrigeração. deformação plástica. A aresta pode condições de corte. O mecanismo de
Convencionalmente, o calor ex- ser pressionada para dentro (impres- impressão via de regra se inicia com
cessivo gerado no torneamento afe- são da aresta) ou para baixo (de- uma distorção leve da aresta, que

Sandvik Coromant do Brasil • 13


A produtividade de quem se mantém atualizado é 50% maior

primeiras versões GC 4000, pas-


saram automaticamente a não ser
mais competitivas para o tornea-
mento de aços.
É pouco? Pois saiba que as
geometrias das pastilhas também
avançaram consideravelmente, e
um excelente exemplo são as no-
vas Wiper. A esse somam-se ou-
tros exemplos de desenvolvimen-
to: forças de corte menores, mais
versatilidade, melhor quebra de
cavacos, maior precisão, melhor
segurança da aresta, capacidade
para maiores faixas de avanço.
As classes GC 4000 lançadas agora,
Porta-ferramentas, como os de fi-
em conjunto com as novas
xação rígida (RC, de Rigid Clam-
geometrias de pastilhas, porta-
ping), e sistemas de ferramentas,
ferramentas e sistemas de
como o Coromant Capto, otimiza-
ferramentas, fazem os ciclos de
ram a segurança e o tempo ne-
tempo e os custos de usinagem das
cessário para os set-ups das má-
indústrias caírem drasticamente. As
quinas e a troca do ferramental.
novidades incluem as pastilhas
Enfim, não há como negar que a
Wiper (foto 1) com modificações no
soma disso tudo repercutiu no to-
raio de ponta para permitir o dobro
tal de tempo de produção neces-
do avanço gerando o mesmo
sário e na duração dos ciclos de
acabamento superficial da anterior
tempo da usinagem.
ou um acabamento duas vezes
Por que fabricar peças com um
melhor se a faixa de avanço for mantida. Como a estabilidade é crítica
custo de produção mais alto se ago-
na usinagem, a Sandvik Coromant desenvolveu os porta-ferramentas de
ra se pode usar o potencial adicio-
fixação rígida, RC (foto 2), que proporcionam um grau muito alto de
nal de produtividade que os novos
segurança de fixação da pastilha, resultando em uma vida útil mais
desenvolvimentos trouxeram à
longa e confiável mesmo trabalhando com dados de corte mais
tona? De um modo geral, qualquer
elevados. Ferramentas modulares, como o Coromant Capto (foto 3),
fábrica que não tenha atualizado
reduziram ao mínimo o tempo de máquinas paradas necessário para
sua respectiva gama de classes
ajustes e troca de ferramentas
para torneamento de aços e deixa-
do de explorar o potencial adicional
As três classes GC 4000 entra- os níveis de segurança, aperfeiçoa- de velocidade de corte desde o iní-
ram no ano 2000 oferecendo uma dos, permitem que as indústrias usuá- cio dos anos 90 já está perdendo a
geração de metal duro com cober- rias diminuam seus custos de pro- oportunidade de ser capaz de usi-
tura cujos materiais das ferramen- dução. É claro que em função disso nar com um índice de produtivida-
tas, suas propriedades, as áreas muitas outras classes para essa de cerca de 50% maior, o que não
de aplicação, as performances e área, como as antigas GC 400 e as é nada bom.

então progride rapidamente devido volume da aresta de corte da pas- • As novas classes são otimiza-
ao subseqüente aumento do atrito, tilha, que é plasticamente deforma- das para se sobreporem umas às ou-
o qual causa mais calor e assim por da. A aresta é pressionada para tras de tal forma que a queda de per-
diante. Tal mecanismo de desgaste baixo até que não possa mais rea- formance seja evitada quando as exi-
é confundido com freqüência com o lizar a ação de corte e, em segui- gências de usinagem estão no limite
desgaste de flanco. da, se quebra. As GC 4000 agora da área de aplicação de uma delas.
A depressão afeta um grande estão imunes a isso tudo. A fratura da aresta (toda a aresta

14 • Sandvik Coromant do Brasil


ou parte dela se quebra) ocorre quan- ISO P. E a nova série GC 4000 está biu a altos níveis na nova série
do se usa uma classe muito quebra- garantida quanto a isso. GC 4000 e dá uma boa medida de
diça para as exigências da aplicação. As escamações (partes da cober- quanto as ferramentas se torna-
A escolha entre a resistência à defor- tura da pastilha que se desprendem ram mais previsíveis e seguras. A
mação plástica e o nível de tenacida- durante a usinagem) são outro me- espessura da cobertura sempre in-
de é sempre difícil quando se seleci- canismo que limita expressivamen- fluenciou a resistência ao desgas-
onam parâmetros de corte e classe oti- te a vida útil da pastilha — se a te, mas a Sandvik Coromant bai-
mizados para a aplicação. As clas- adesão entre a cobertura e o subs- xou a possibilidade dessa ocor-
ses que têm boa resistência à defor- trato for insuficiente, grandes pe- rência ao desenvolver meios de re-
mação plástica freqüentemente são daços da cobertura são removidos, vestir as pastilhas com camadas
quebradiças, o que acarreta níveis mas o mais freqüente é que ela saia de cobertura mais espessas e bem
menores de tenacidade. Não é o que gradualmente, em pequenos peda- mais aderentes.
ocorre com as classes GC 4000, po- ços, devido a uma falta de resis- • Desgaste de flanco e crateri-
rém, pois a combinação de um subs- tência intrínseca da cobertura. As zação também não são problemas
trato duro e uma zona de superfície duas razões principais para que as para a nova série. Na maior parte
mais tenaz, como nos substratos com escamações ocorram são a solda- dos casos esses tipos de desgaste
gradiente sinterizado, amplia efetiva- gem da aresta de corte ao material são descritos como desgastes con-
mente as suas propriedades. pastoso da peça e as variações de tínuos afins. O desgaste abrasivo
• A melhor adesão da cobertura é temperatura na aresta, resultando dominante no caso do desgaste de
um fator de vital importância para em fissuras térmicas da cobertura. flanco é o químico, e, no caso das
todas as aplicações dentro da área A resistência a escamações su- craterizações, o que predomina é o
desgaste por difusão. Em muitos
casos, no entanto, o que parece ser
um desgaste de flanco uniforme ou
por crateras é, na verdade, uma
mistura de diferentes mecanismos
de desgaste do tipo contínuo e des-
contínuo, como, por exemplo, es-
camações, fissuras térmicas e de-
formação plástica.
• Outro tipo de degradação a
que a família GC 4000 não está
exposta são as fissuras térmicas.
Mais freqüentemente relacionadas
ao desgaste das pastilhas para fre-
samento, e em geral não ocorren-
do em operações de torneamento,
elas surgem como grandes trincas
perpendiculares à aresta de cor-
te, podendo, também, se desenvol-
ver como um padrão orientado
Os principais tipos de desgaste no torneamento de acabamento de aços são:
aleatoriamente sob a forma de
desgaste de flanco, craterizações, deformação plástica sob as formas de muitas fissuras pequenas, o que
depressão ou impressão da aresta, fratura, fissuras térmicas e escamações da gradualmente diminui a resistên-
aresta. Testes de aplicação apropriados foram selecionados e combinados para cia da aresta. Acima de um deter-
provocar a tendência a tipos de desgaste específicos durante os ensaios
tecnológicos, antes de as variantes das novas GC 4000 serem consideradas minado estágio a taxa de desgas-
aptas para testes nas indústrias te se acelera rapidamente.

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