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DP - DIREITO PENAL

Q1 (FCC – 2014 – TRF3 – ANALISTA JUDICIÁRIO)

Dentre as ideias estruturantes ou princípios abaixo, todos especialmente


importantes ao direito penal brasileiro, NÃO tem expressa e literal
disposição constitucional o da:

a) legalidade.
b) proporcionalidade.
c) individualização.
d) pessoalidade.
e) dignidade humana.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre os princípios elencados pela questão, apenas o


princípio da proporcionalidade não está expressamente previsto na Constituição
Federal, embora possa ser extraído de forma implícita.
Os demais encontram previsão no art. 5º, cap ut e incisos XLVI, XLV e art. 1º, III da
Constituição.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q2 - "A terrível humilhação por que passam familiares de presos ao


visitarem seus parentes encarcerados consiste na obrigação de ficarem nus,
de agacharem diante de espelhos e mostrarem seus órgãos genitais para
agentes públicos. A maioria que sofre esses procedimentos é de mães,
esposas e filhos de presos. Até mesmo idosos, crianças e bebês são
submetidos ao vexame. É princípio de direito penal que a pena não
ultrapasse a pessoa do condenado".

Além da ideia de dignidade humana, por esse trecho o inconformismo do


autor, recentemente publicado na imprensa brasileira, sustenta-se mais
diretamente também no postulado constitucional da

a) individualização.
b) fragmentariedade.
c) pessoalidade.
d) presunção de inocência.
e) legalidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O texto do autor está relacionado ao princípio da


PERSONALIDADE da pena, ou da PESSOALIDADE DA PENA (Ou, ainda,
INTRANSCENDÊNCIA da pena), segundo o qual a pena não passará da pessoa do
apenado.
É claro que, pelo relato do texto, a pena em si não está sendo aplicada aos familiares.
Contudo, embora quem cumpra pena seja o infrator, é aplicada aos seus familiares
toda uma situação de flagelo e humilhação, como se o sofrimento excessivo fosse
deliberadamente imposto aos parentes do infrator.

Além disso, o texto é claro ao final ao dizer: ―É princípio de direito penal que a pena
não ultrapasse a pessoa do condenado‖, o que evidencia a relação com o princípio da
pessoalidade da pena. Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
Q3 – (FCC - 2013 - MPE-SE - ANALISTA - DIREITO) A ideia de insignificância
penal centra-se no conceito:

a) formal de crime.
b) material de crime.
c) analítico de crime.
d) subsidiário de crime.
e) aparente de crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O princípio da insignificância afasta a configuração da


tipicidade material, ou seja, a conduta, embora FORMALMENTE seja típica (adequada
perfeitamente ao tipo penal), não é capaz de ofender minimamente o bem jurídico
que se busca tutelar.

Q4 – O postulado da fragmentariedade em matéria penal relativiza

a) a proporcionalidade entre o fato praticado e a consequência jurídica.


b) a dignidade humana como limite material à atividade punitiva do Estado.
c) o concurso entre causas de aumento e diminuição de penas.
d) a função de proteção dos bens jurídicos atribuída à lei penal.
e) o caráter estritamente pessoal que decorre da norma penal.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A fragmentariedade estabelece que, embora existam


diversos bens jurídicos dignos de proteção pelo Estado, nem todos serão tutelados
pelo Direito Penal, mas somente aqueles mais relevantes.

Assim, ela relativiza a função de proteção de bens jurídicos atribuída à lei


penal. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q5 – O princípio da humanidade das penas está consagrado na Constituição


Federal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tal princípio está previsto no art. XLVII da CRFB/88, sendo também conhecido como
―princípio da limitação das penas‖:

Art. 5º (...)
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;

Questão correta.

Q6 – O princípio, segundo o qual se afirma que o Direito Penal não é o único


controle social formal dotado de recursos coativos, embora seja o que
disponha dos instrumentos mais enérgicos, é reconhecido pela doutrina
como princípio da
a) lesividade.
b) intervenção mínima.
c) fragmentariedade.
d) subsidiariedade.
e) proporcionalidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O item correto é a letra D. O princípio da subsidiariedade


dispõe que o Direito Penal somente deverá atuar quando todos os demais ramos do
Direito forem insuficientes para salvaguardar o bem jurídico que se pretende tutelar,
exatamente por ser o mais enérgico e, portanto, o mais agressivo ao cidadão.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.


Q7 – O princípio de intervenção mínima do Direito Penal encontra expressão
nos princípios da fragmentariedade e da subsidiariedade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta.

Q8 – De acordo com o que dispõe a Constituição Federal, é crime inafiançável


e imprescritível:

a) o estupro.
b) a tortura.
c) o terrorismo.
d) o racismo.
e) o crime hediondo.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A CRFB/88 estabelece como crime inafiançável e


imprescritível o RACISMO. Letra D

Q9 – (FUNIVERSA – 2013 – PM/DF – SOLDADO COMBATENTE)


Sentença penal condenatória determinou a aplicação da sanção de pena
privativa de liberdade ao réu e a decretação do perdimento de bens que, nos
termos da lei, acabaram por afetar seus familiares, exatamente no montante
do patrimônio transferido pelo réu. Considerando essa situação hipotética e
os princípios constitucionais que regem o Direito Penal, assinale a
alternativa
correta.

(A) A imposição da pena privativa de liberdade ao réu e não a seus familiares, que
não praticaram crime, corresponde à aplicação integral do princípio constitucional da
individualização da pena.
(B) A imposição do perdimento de bens aos familiares do condenado acabou por não
observar o princípio constitucional da personalidade ou responsabilidade pessoal.
(C) A extensão dos efeitos da condenação, com a decretação do perdimento de bens,
afetando os familiares do condenado não poderia ocorrer, em virtude da necessidade
de se observar o princípio constitucional da legalidade estrita.
(D) O fato de a pena privativa de liberdade ter atingido apenas a pessoa do
condenado com extensão, aos familiares, da obrigação de reparar o dano, atende
integralmente o que prescreve o princípio constitucional da personalidade ou
responsabilidade pessoal.
(E) O princípio da personalidade ou da responsabilidade pessoal é um princípio
implícito na Constituição Federal vigente.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O princípio da personalidade, da responsabilidade pessoal


ou da intranscendência da pena (qualquer destes nomes serve!) está expresso na
Constituição Federal. Vejamos:

Art. 5º (...)
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação
de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da
lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor
ansferido aos herdeiros) para o cumprimento da decisão de perdimento
de bens ou para a reparação do dano não estão abarcados pela
personalidade da pena. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q10 – A afirmação de que o Direito Penal não constitui um sistema exaustivo


de proteção de bens jurídicos, de sorte a abranger todos os bens que
constituem o universo de bens do indivíduo, mas representa um sistema
descontínuo de seleção de ilícitos decorrentes da necessidade de criminalizá-
los ante a indispensabilidade da proteção jurídico-penal, amolda-se, mais
exatamente,

a) ao conceito estrito de reserva legal aplicado ao significado de taxatividade da


descrição dos modelos incriminadores.
b) à descrição do princípio da fragmentariedade do Direito Penal que é corolário do
princípio da intervenção mínima e da reserva legal.
c) à descrição do princípio da culpabilidade como fenômeno social.
d) ao conteúdo jurídico do princípio de humanidade relacionado ao conceito de Justiça
distributiva.
e) à descrição do princípio da insignificância em sua relativização na busca de mínima
proporcionalidade entre gravidade da conduta e cominação de sanção.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal afirmação se amolda à descrição do princípio da


fragmentariedade do Direito Penal. O princípio da fragmentariedade do Direito Penal
está relacionado à IMPORTÂNCIA do bem jurídico para a sociedade. Ou seja, o Direito
Penal só poderá tutelar aqueles bens jurídicos especialmente relevantes, cabendo aos
demais ramos do Direito a tutela daqueles bens que não sejam dotados de tamanha
importância social.

Além disso, pelo caráter SUBSIDIÁRIO do Direito Penal, ele só deve tutelar esses
bens jurídicos extremamente relevantes quando não for possível aos demais ramos
do Direito exercer esta tarefa, já que o Direito Penal é um instrumento extremamente
invasivo.

Q11 – Henrique, não aceitando o fim do relacionamento, decide matar Paola,


sua ex-namorada. Para tanto, aguardou na rua a saída da vítima do trabalho
e, após, desferiu-lhe diversas facadas na barriga, sendo estas lesões a causa
eficiente de sua morte. Foi identificado por câmeras de segurança, porém, e
denunciado pela prática de homicídio consumado. Em relação ao crime de
lesão corporal, é correto afirmar que Henrique não foi denunciado com
base no princípio da:
(A) especialidade;
(B) subsidiariedade expressa;
(C) alternatividade;
(D) subsidiariedade tácita;
(E) consunção.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela, o dolo de Henrique era de MATAR. Em


assim sendo, Henrique deverá responder por homicídio consumado. Todas as
condutas que são consideradas como ―meio‖ para alcançar esta finalidade ficam
ABSORVIDAS pelo crime de homicídio, pelo princípio da consunção. A ALTERNATIVA
CORRETA É A LETRA E.

Q12 – A proscrição de penas cruéis e infamantes, a proibição de tortura e


maus-tratos nos interrogatórios policiais e a obrigação imposta ao Estado de
dotar sua infraestrutura carcerária de meios e recursos que impeçam a
degradação e a dessocialização dos condenados são desdobramentos do
princípio da

a) proporcionalidade.
b) intervenção mínima do Estado.
c) fragmentariedade do Direito Penal.
d) humanidade.
e) adequação social.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tais previsões são decorrências lógicas do princípio da


humanidade, que não se restringe à vedação a determinados tipos de penas
(humanidade das penas), mas se aplica a todo o sistema penal e processual penal.
LETRA D.

Q13 – Assinale a alternativa que apresenta o princípio que deve ser atribuído
a Claus Roxin, defensor da tese de que a tipicidade penal exige uma ofensa
de gravidade aos bens jurídicos protegidos.

a) Insignificância.
b) Intervenção mínima.
c) Fragmentariedade.
d) Adequação social.
e) Humanidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O princípio que prega que o tipo penal deve exigir uma
ofenda grave ao bem jurídico, não se satisfazendo com uma ofensa irrelevante, é o
princípio da insignificância. O princípio tem origem no Direito Romano, embora tenha
sido feita uma releitura, no século XX, pelo Jurista alemão Claus Roxin. LETRA A.

Q14 – O Estado é a única fonte de produção do direito penal, já que compete


privativamente à União legislar sobre normas gerais em matéria penal,
ressaltando que, excepcionalmente, lei estadual (ou distrital) poderá tratar
sobre questões específicas de Direito Penal, desde que permitido pela União
por meio de lei complementar.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Compete ao Estado (lato sensu), mais precisamente à União, mediante Lei Formal,
legislar sobre direito penal, sendo cabível, excepcionalmente, que lei estadual (ou
distrital) trate sobre questões específicas de Direito Penal, desde que permitido pela
União por meio de lei complementar, nos termos do art. 22, § único da CF/88.
Correta.

Q15 – Sobre a analogia e a interpretação da lei penal, analise as assertivas e


indique a alternativa correta:

I – A analogia consiste em aplicar-se a uma hipótese já regulada por lei uma


disposição mais benéfica relativa a um caso semelhante.
II – Entende-se por analogia o processo de averiguação do sentido da norma
jurídica, valendo-se de elementos fornecidos pela própria lei, através de
método de semelhança.
III – Na interpretação analógica, existe uma norma regulando a hipótese
expressamente, mas de forma genérica, o que torna necessário o recurso à
via interpretativa.
IV – Não se admite o emprego de analogia para normas incriminadoras, uma
vez que não se pode violar o princípio da reserva legal.

(A) apenas as assertivas I e II são verdadeiras.


(B) apenas as assertivas I e III são verdadeiras.
(C) apenas as assertivas II e III são verdadeiras.
(D) apenas as assertivas II e IV são verdadeiras.
(E) apenas as assertivas III e IV são verdadeiras.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
I – ERRADA: A analogia consiste em aplicar determinada norma, prevista para uma
determinada hipótese, a um caso por ela não abrangido, mas semelhante, em relação
ao qual não há regulamentação.
II – ERRADA: Item errado, pois esta é a definição da interpretação analógica.
III – CORRETA: Item correto, pois na interpretação analógica não há lacuna na Lei.
Ocorre que, como a Lei não pode prever todas as hipóteses, o dispositivo legal traz
uma fórmula genérica, de maneira que cabe ao intérprete analisar se o caso concreto
se amolda à hipótese exemplificativa trazida pela norma penal.
IV – CORRETA: Item correto, pois é vedada a analogia in malam partem.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

Q16 – A norma inserida no art. 7.º, inciso II, alínea "b", do Código Penal -
Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro (...) os
crimes (...) praticados por brasileiro - encerra o princípio

a) da universalidade ou da justiça mundial.


b) da territorialidade.
c) da nacionalidade ou da personalidade ativa.
d) real, de defesa ou da proteção de interesses.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal norma encerra o princípio da personalidade ativa, ou


princípio da nacionalidade, conforme definição dada pela doutrina penal.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.
Q17 – Relativamente ao tema da territorialidade e extraterritorialidade,
analise as afirmativas a seguir.

I. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro os crimes contra a


administração pública, por quem está a seu serviço.
II. Ficam sujeitos à lei brasileira, os crimes praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro
ainda que julgados no estrangeiro.
III. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro os crimes contra
o patrimônio da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território ou de Município
quando não sejam julgados no estrangeiro.

Assinale:
a) se somente a afirmativa I estiver correta.
b) se somente a afirmativa II estiver correta.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
I – CORRETA: Item correto, nos termos do art. 7º, I, c do CP.
II – ERRADA: Neste caso, tais embarcações não são consideradas
território nacional por extensão. Assim, somente será aplicada a lei
brasileira caso o delito não seja julgado no país em que ocorreu o crime,
nos termos do art. 7º, II, c do CP.
III – ERRADA: Item errado, pois tais crimes, ainda quando cometidos no
estrangeiro, poderão ser julgados pela lei penal brasileira, ainda que já
tenham sido julgados no estrangeiro, nos termos do art.7º, I, b e §1º do
CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q18 – Embora cometidos no estrangeiro, NÃO ficam sujeitos à lei brasileira


os crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e ainda que aí
não sejam julgados.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa hipótese é de extraterritorialidade CONDICIONADA, perceba que se NÃO foi
julgado no estrangeiro, sujeitar-se-á o agente à lei brasileira. Errada.

Q19 - A imunidade dos agentes diplomáticos impede o processo, a prisão ou


detenção do agente, não abrangendo o dever de depor como testemunha.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A imunidade dos agentes diplomáticos abrange, inclusive, o direito de se opor a
prestar depoimento como testemunha. Errada.

Q20 – O elemento diferenciador entre o dolo eventual e a culpa consciente é


a previsão concreta e subjetiva do resultado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item errado, pois em ambos o agente tem a previsão concreta da possibilidade de
ocorrência do resultado. Contudo, o que distingue ambos é o fato de que no dolo
eventual o agente não se importa com a ocorrência do resultado, enquanto na culpa
consciente o agente acredita piamente que irá conseguir evitar sua ocorrência.

Q21 – O elemento diferenciador entre a culpa consciente e a culpa


inconsciente é a previsibilidade objetiva do resultado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A previsibilidade OBJETIVA deve estar presente em qualquer delas (possibilidade de
que o resultado fosse previsto pelo agente, ou seja, deve se tratar de um resultado
PREVISÍVEL). O que as diferencia é a previsibilidade SUBJETIVA (efetiva previsão,
pelo agente, da possibilidade de ocorrência do resultado), que só está presente na
culpa consciente.

Q22 – O ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da


excepcionalidade do crime culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item correto, pois no nosso ordenamento jurídico os crimes culposos são exceção,
somente havendo punição a título de culpa quando a Lei assim expressamente
determinar.

Q23 – IADES - De acordo com o art. 14, inciso II do Código Penal Brasileiro (CPB),
um crime é tentado quando o agente inicia a sua execução e ele só não se realiza por
circunstâncias alheias à vontade do agente.

Considere, hipoteticamente, que Mévio, querendo matar seu desafeto Tício, prostra-
se nas imediações da escola em que ele estuda, aguardando o fim do período de
aulas. Ao vê-lo, Mévio saca um revólver calibre 38 e efetua seis disparos na direção
de Tício, sem, contudo, atingi-lo.

Com base na situação apresentada, é correto afirmar que

a) Mévio não praticou crime algum, pois não atingiu o algoz.


b) conquanto não tenha acertado o desafeto, Mévio praticou o crime de homicídio
tentado, e a referida tentativa é denominada de branca ou cruenta.
c) a tentativa de Mévio pode ser vista como inidônea, posto que a conduta dele
efetivamente criou perigo para a vida de Tício.
d) o caso hipotético descreve o que a doutrina denomina de tentativa perfeita ou
acabada, uma vez que Mévio esgotou o processo de execução, descarregando o
revólver no desafeto, mas não o atingiu por circunstâncias alheias à sua vontade. A
essa tentativa perfeita ou acabada dá-se o nome de crime falho.
e) a tentativa de Mévio foi idônea, conquanto o meio utilizado na empreitada
criminosa tenha sido absolutamente ineficaz, caracterizando hipótese de crime
impossível (CP, art. 17).

RESPOSTA DA QUESTÃO: A questão poderia ter sido anulada. Isso porque a


resposta exige que o candidato saiba quantos projéteis havia na arma do infrator (ou
quantos projéteis uma arma deste calibre comporta). Contudo, desconsiderando tal
fato, a resposta correta é letra D.
Isso porque a questão diz que o agente disparou seis tiros (descarregando, portanto,
o revólver), e que o resultado não se consumou por circunstâncias alheias à vontade
do agente (erro na pontaria). Assim, Mévio responderá pelo crime de homicídio
tentado, sendo modalidade de tentativa PERFEITA (ou acabada), também chamada
de crime falho.

Não se trata de tentativa CRUENTA, mas INCRUENTA (OU BRANCA).


Também não se trata de crime impossível, eis que o resultado poderia, em tese, ter
ocorrido. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q24 – Segundo o previsto no Código Penal, incorrerá na excludente de


ilicitude denominada estado de necessidade aquele que pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, era razoável exigir-se.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
RESPOSTA DA QUESTÃO: Atua em estado de necessidade aquele que pratica o fato
definido como crime para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade,
nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se, nos termos do art. 24 do CP. Errada.

Q25 – Nos termos do Código Penal considera-se causa do crime a ação ou


omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão certa.

Q26 – Quando a descrição legal do tipo penal contém o dissenso, expresso


ou implícito, como elemento específico, o consentimento do ofendido
funciona como causa de exclusão da

a) antijuridicidade formal
b) tipicidade.
c) antijuridicidade material.
d) punibilidade do fato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Existem crimes cujo tipo penal prevê, expressa ou


implicitamente, a necessidade de que a conduta seja praticada ―sem autorização‖ ou
―contra a vontade‖, etc. Nestes crimes, se a conduta é praticada ―com autorização‖
ou ―de acordo com a vontade‖, ou seja, com o ―consentimento do ofendido‖, não há
crime, pois há exclusão da tipicidade, já que a ausência do consentimento do
ofendido é um elemento normativo do tipo penal.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q27 – Conforme o disposto no artigo 14, parágrafo único, do Código Penal,


―Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços‖.

O critério de diminuição da pena levará em consideração


a) a motivação do crime.
b) a intensidade do dolo.
c) o iter criminis percorrido pelo agente.
d) a periculosidade do agente.
RESPOSTA DA QUESTÃO: A tentativa é punida de forma menos gravosa que o
delito consumado, uma vez que o desvalor do resultado é menor que no
crime consumado. O patamar de redução varia de um a dois terços, devendo
ser utilizado como parâmetro para uma maior ou menor redução da pena o
iter criminis percorrido pelo agente, ou seja, quanto mais próximo da
consumação, menor o patamar de redução. Quanto mais distante da
consumação, maior o patamar de redução. Gab: C

Q28 – (VUNESP – 2002 – SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE RENDAS)


São causas de exclusão da ilicitude:
a) a legítima defesa, o exercício regular de direito e a coação irresistível.
b) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a desistência voluntária.
c) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estrito cumprimento do
dever legal.
d) o estado de necessidade, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.
e) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de
necessidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: As causas de exclusão da ilicitude (ou exclusão da


antijuridicidade) estão previstas no art. 23 do CP. Letra E

Q29 – Com relação ao crime culposo, assinale a alternativa correta.

a) Imprudência é uma omissão, uma ausência de precaução em relação ao ato


realizado.
b) Na culpa consciente, o resultado não é previsto pelo agente, embora previsível.
c) O resultado involuntário trata de elemento do fato típico culposo.
d) Na culpa imprópria, o resultado não é previsto, embora seja previsível.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: A imprudência, embora seja uma falta de dever de cuidado, constitui-se
numa AÇÃO, ou seja, na falta de cautela quando da prática de um conduta ativa.
B) ERRADA: Na culpa consciente o resultado é previsto pelo agente.
C) CORRETA: Item correto, pois a ocorrência de um resultado não querido pelo
agente, embora previsível, é elemento indispensável de todo tipo penal culposo.
D) ERRADA: Item errado porque esta é a definição de culpa inconsciente.

A culpa imprópria é aquela na qual o agente quer o resultado e, portanto, age


dolosamente. Contudo, lhe é imputada a pena do crime culposo porque ele teve uma
representação equivocada da realidade, em razão de um descuido interpretativo seu.

Elementos do fato típico CULPOSO:


* Conduta voluntária
* Resultado naturalístico involuntário
* Nexo causal
* Tipicidade
* Previsibilidade objetiva
* Violação do dever objetivo de cuidado

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.


Q30 – O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza

a) só responde pelos atos já praticados.


b) não comete crime, pois tem afastada a ilicitude da ação.
c) beneficia-se pela causa de diminuição de pena do arrependimento posterior.
d) é punido com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.
e) terá pena reduzida de um a dois terços, mas, desde que, por ato voluntário, tenha
reparado o dano ou restituído a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal agente somente responderá pelos atos até então
praticados, eis que restou configurada a desistência voluntária ou o arrependimento
eficaz.
Vejamos:
Desistência voluntária e arrependimento eficaz(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A
LETRA A.

Q31 - Após a morte da mãe, A recebeu, durante um ano, a pensão


previdenciária daquela, depositada mensalmente em sua conta bancária, em
virtude de ser procuradora da primeira. Descoberto o fato, A foi denunciada
por apropriação indébita. Se a sentença concluir que a acusada (em razão de
sua incultura, pouca vivência, etc.) não tinha percepção da antijuricidade de
sua conduta, estará reconhecendo

a) erro sobre elemento do tipo, que exclui o dolo.


b) erro de proibição.
c) descriminante putativa.
d) ignorância da lei.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela, o agente incorreu em erro de proibição,


pois incidiu em erro sobre a ilicitude do fato praticado. Vejamos: Art. 21 - O
desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,
isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA
B.

Q32 - Pretendendo matá-lo, Fulano coloca veneno no café de Sicrano. Sem


saber do envenenamento, Sicrano ingere o café. Logo em seguida, Fulano,
arrependido, prescreve o antídoto a Sicrano, que sobrevive, sem qualquer
seqüela. Diante disso, é correto afirmar que se trata de hipótese de
arrependimento posterior, pois o dano foi reparado por Fulano até o
recebimento da denúncia.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso o agente será beneficiado pelo instituto do


arrependimento eficaz pois, após ter praticado a conduta, tomou as providências para
impedir a ocorrência do resultado, tendo êxito. Errado.
Q33 - É causa de exclusão da tipicidade, a insignificância do fato ou a sua
adequação social, segundo corrente doutrinária e jurisprudencial.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta. Isto porque a insignificância e a adequação social são fatores que
afastam a tipicidade material (necessidade de que a conduta seja uma violação a um
bem jurídica penalmente relevante) e, portanto, a tipicidade.

Q34 - Na desistência voluntária e no arrependimento eficaz o agente só


responde pelos atos já praticados, se típicos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta.

Q35 - Na tentativa punível, o correspondente abatimento na pena intensifica-


se segundo

a) a aptidão para consumar.


b) a periculosidade demonstrada.
c) a lesividade já efetivada.
d) o itinerário já percorrido.
e) o exaurimento já alcançado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para a definição de qual o patamar de redução, será utilizado o critério da maior ou
menos proximidade com a consumação do delito. Quanto mais longe, maior a
redução de pena. Quanto mais próximo da consumação, menor a redução. Ou seja,
será avaliado o itinerário percorrido pela conduta criminosa. Gabarito: D

Q36 - Não há crime sem resultado naturalístico.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O resultado naturalístico só se exige nos crimes materiais, bem como a lesão. Errada.

Q37 - Segundo entendimento doutrinário, o consentimento do ofendido


(quando não integra a própria descrição típica), a adequação social e a
inexigibilidade de conduta diversa constituem causas supralegais de
exclusão, respectivamente, da

a) tipicidade, da culpabilidade e da ilicitude.


b) culpabilidade, da tipicidade e da ilicitude.
c) ilicitude, da tipicidade e da culpabilidade.
d) ilicitude, da culpabilidade e da tipicidade.
e) culpabilidade, da ilicitude e da tipicidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O consentimento do ofendido é causa supralegal de


exclusão ilicitude (antijuridicidade), desde que a ausência de consentimento do
ofendido não esteja expressa no tipo penal como elemento do tipo. Neste caso,
teremos exclusão da tipicidade.
A adequação social afasta a tipicidade material da conduta, por ausência de lesividade
social. Por fim, a inexigibilidade de conduta diversa é um dos elementos capazes de
afastar a culpabilidade. LETRA C.

Q38 - Fernando deu início à execução de um delito material, praticando atos


capazes de produzir o resultado lesivo. Todavia, aliou-se à sua ação uma
concausa

I. preexistente, absolutamente independente em relação à conduta do agente que,


por si só, produziu o resultado.
II. concomitante, absolutamente independente em relação à conduta do agente que,
por si só, produziu o resultado.
III. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente,
situada na mesma linha de desdobramento físico da conduta do agente, concorrendo
para a produção do resultado.
IV. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente, sem
guardar posição de homogeneidade em relação à conduta do agente e que, por si só,
produziu o resultado.

O resultado lesivo NÃO será imputado a Fernando, que responderá apenas


pelos atos praticados, nas situações indicadas em
a) I, II e IV.
b) III e IV.
c) I e III.
d) I e II.
e) II, III e IV.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Essa questão se resolve facilmente da seguinte forma:


As concausas ABSOLUTAMENTE independentes (I e II) que, por si sós, produziram o
resultado NUNCA geram a imputação do resultado ao agente. As concausas
RELATIVAMENTE independentes, preexistentes ou concomitantes, não excluem a
imputação do resultado ao agente, pois há uma soma de ―esforços‖ entre a concausa
e a conduta do agente. Em relação às concausas SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE
independentes, devemos dividi-las em:

a) Produziram, por si só, o resultado.


b) Agregaram-se ao nexo causal iniciado pela conduta do agente, contribuindo para a
produção do resultado.
No primeiro caso o agente NÃO responde pelo resultado, mas apenas pelos atos que
praticou. No segundo o caso o agente responde pelo resultado, pois a concausa
superveniente, a despeito de estar ligada à conduta inicial do agente, criou um novo
nexo de causalidade, vindo a produzir o resultado sem se inserir na cadeia causal da
conduta do agente. Assim, podemos verificar que somente na afirmativa III o agente
responderá pelo resultado, por se tratar de concausa superveniente, relativamente
independente que SE AGREGOU à conduta do agente para, conjuntamente,
produzirem o resultado. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q39 – (FCC – 2015 – TCM-GO – AUDITOR CONSELHEIRO SUBSTITUTO)

A respeito do dolo e da culpa, é correto afirmar que


a) na culpa consciente o agente prevê o resultado e admite a sua ocorrência
como consequência provável da sua conduta.
b) no dolo eventual o agente prevê a ocorrência do resultado, mas espera
sinceramente que ele não aconteça.
c) a imprudência é a ausência de precaução, a falta de adoção das cautelas
exigíveis por parte do agente.
d) a imperícia é a prática de conduta arriscada ou perigosa, aferida pelo
comportamento do homem médio.
e) é previsível o fato cujo possível superveniência não escapa à perspicácia
comum.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: Na culpa consciente, apesar de prever o resultado, o agente acredita que
ele não vá acontecer.
B) ERRADA: Esta é a definição de culpa consciente. No dolo eventual o agente prevê
o resultado como provável, mas sem se importar com sua eventual ocorrência.
C) ERRADA: Item errado, pois esta é a definição da NEGLIGÊNCIA.
D) ERRADA: A definição corresponde à IMPRUDÊNCIA. A imperícia é a prática de uma
conduta por quem não tem os atributos exigidos para tal.
E) CORRETA: De fato, a doutrina entende que a previsibilidade objetiva deve ser
aferida com base num juízo mediano de inteligência, ou seja, será previsível o fato
que pudesse ser antevisto por uma pessoa de inteligência mediana (homem médio),
inerente à maioria das pessoas. LETRA E.

Q40 - Os crimes que resultam do não fazer o que a lei manda, sem
dependência de qualquer resultado naturalístico, são chamados de

A) comissivos por omissão.


B) formais.
C) omissivos próprios.
D) comissivos.
E) omissivos impróprios.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: Os crimes comissivos por omissão resultam de um ―não fazer‖ o que a lei
manda, mas dependem de um resultado naturalístico.
B) ERRADA: Os crimes formais, de fato, independem da existência do resultado
naturalístico, mas não necessariamente são omissivos.
C) CORRETA: Os crimes omissivos próprios são os únicos que reúnem ambas as
características, pois decorrem de um ―não fazer‖ o que a lei manda, e são formais, ou
seja, independem de um resultado naturalístico.
D) ERRADA: Os crimes comissivos não decorrem de ―um não fazer‖, mas de um
‖fazer‖. Portanto, a alternativa está incorreta.
E) ERRADA: Os omissivos impróprios são sinônimos de comissivos por omissão, logo,
está errada, nos termos da fundamentação da alternativa A. LETRA C.

Q41 - A disposição legal contida no art. 13, parágrafo segundo do CP,


segundo a qual a omissão apresenta valor penal quando o agente devia e
podia agir para evitar o resultado, corresponde corretamente à ideia ou ao
conceito de

A) causalidade normativa.
B) possibilidade de punição superveniente de causa independente ao delito.
C) causalidade entre a omissão e o resultado naturalístico.
D) desnecessária conjugação do dever legal e possibilidade real de agir.
E) regra aplicável somente aos crimes omissivos próprios.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) CORRETA: Pois nesses crimes atribui-se ao omitente o resultado naturalístico, sem
que de sua conduta ele tenha surgido. Nesse caso, o resultado é atribuído não por
uma causalidade natural (inexistente), mas por uma causalidade normativa (lei
estabelece). Assim, a questão está correta.
B) ERRADA: Não guarda qualquer relação com o nexo de causalidade normativa que
se aplica aos crimes comissivos por omissão.
C) ERRADA: Não há causalidade entre a omissão e o resultado pois a omissão é um
―nada‖ e do ―nada‖, nada surge.
D) ERRADA: Alternativa completamente esquizofrênica. A conjugação entre o dever
agir e o poder agir é plenamente necessária, pois não se pode atribuir a alguém uma
atitude heroica, colocando sua própria vida em risco.
E) ERRADA: Essa regra em nada se aplica aos crimes omissivos próprios, nos quais o
resultado naturalístico é completamente irrelevante, logo, não há que se falar em
nexo de causalidade. LETRA A.

Q42 - A relação de causalidade


A) não fica excluída pela superveniência de causa relativamente
independente.
B) não está regulada, em nosso sistema, pela teoria da equivalência dos
antecedentes causais.
C) é normativa nos crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão.
D) é dispensável nos crimes materiais.
E) é imprescindível nos crimes formais.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: A superveniência de causa relativamente independente exclui a relação
de causalidade, desde que a causa superveniente tenha produzido por si só o
resultado.
B) ERRADA: O nosso sistema penal adotou expressamente a teoria da equivalência
dos antecedentes como regra, art. 13 do CP, e como exceção a teoria da causalidade
adequada, art. 13, § 1° do CP.
C) CORRETA: Como vimos, os crimes omissivos impróprios são aqueles nos quais a
omissão do agente é punida com o crime decorrente do resultado naturalístico, e não
da simples omissão. Nesse caso, não há causalidade natural, pois do nada, nada pode
surgir. Entretanto, por ficção legal, a lei estabelece um vínculo entre a omissão e o
resultado naturalístico (causalidade naturalística).
D) ERRADA: Nos crimes materiais o resultado naturalístico é imprescindível, logo, o
vínculo entre esse resultado e a conduta do agente também. Portanto, a relação de
causalidade é indispensável nestes crimes. E) ERRADA: Nos crimes formais, o crime
se consuma independentemente do resultado naturalístico. Portanto, a relação de
causalidade é completamente irrelevante.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q43 - No trajeto do transporte de dois presos para o foro criminal por


agentes penitenciários um deles saca de um instrumento perfurante e
desfere diversos golpes contra o outro preso. Os agentes da lei presenciaram
a ação desde o início e permaneceram inertes. Na conduta dos agentes
a) há amparo pela excludente de ilicitude do exercício regular do direito, deixando de
agir por exposição do risco às próprias vidas.
b) a omissão é penalmente irrelevante porque a causalidade é fática.
c) não há punição porque o Estado criou o risco da ocorrência do resultado.
d) a omissão é penalmente relevante porque a causalidade é normativa.
e) a omissão é penalmente relevante porque a causalidade é fática normativa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela a omissão é penalmente relevante, pois


os policiais tinham o dever legal de evitar o resultado. Trata-se, portanto, de crime
omissivo impróprio.

Nesse caso, a causalidade não é fática (ou natural), eis que o policial não matou a
vítima (não deu causa, do ponto de vista físico, à morte). Contudo, temos o que se
chama de causalidade normativa, ou seja, o resultado é imputado ao policial não por
ter dado causa faticamente ao resultado, mas por não ter impedido o resultado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q44 - Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão são aqueles


que decorrem do não fazer o que a lei determina, sem dependência de
resultado naturalístico.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Os crimes omissivos impróprios (ou comissivos por omissão) são aqueles que o
resultado é imputado ao agente que, embora não tendo realizado a conduta descrita
no tipo penal, devia e podia agir para evitar que o resultado ocorresse (causalidade
normativa).

Q45 - Dentre os elementos do fato típico, NÃO se inclui

a) o resultado.
b) a ação ou a omissão.
c) o dolo ou a culpa.
d) a relação de causalidade.
e) a tipicidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O fato típico se divide em QUATRO elementos, são eles:


· Conduta humana (alguns entendem possível a conduta de pessoa jurídica);
· Resultado naturalístico;
· Nexo de causalidade;
· Tipicidade

A conduta humana, por sua vez, nada mais é que uma ação ou omissão, a depender
do tipo penal que estamos falando.

Assim, o único dos elementos trazidos pela questão que não é um elemento do fato
típico é o dolo ou a culpa, que são o que chamamos de elemento subjetivo. Eles
fazem parte da CONDUTA, e, de certa forma integram o fato típico, mas não se pode
dizer que são um de seus elementos. LETRA C.

Q46 - Os crimes culposos

a) admitem tentativa.
b) não dispensam a previsibilidade do resultado pelo agente.
c) não admitem coautoria.
d) independem de expressa previsão legal.
e) não admitem a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Os crimes culposos, considerando que não há


direcionamento da conduta para a realização do resultado, não admitem tentativa,
embora a Doutrina mais moderna admita a coautoria.

A previsibilidade, que é a possibilidade de que o resultado fosse previsto, é SEMPRE


EXIGÍVEL, embora a efetiva previsão do resultado no caso concreto não esteja
presente em todos os crimes culposos (eis que na culpa inconsciente o agente não
prevê o resultado, que era previsível).

Os crimes somente são punidos a título de culpa quando houver expressa previsão
legal nesse sentido. Caso contrário, somente se pune a modalidade dolosa. Por fim,
tais crimes admitem a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos, nos termos do art. 44, I do CP. Gab: B
―Eu, LEO, discordo desse gabarito, para mim não tem questão certa’’ A previsibilidade
do AGENTE não é elemento do fato culposo, só da culpa consciente (espécie de
culpa).

Q47 – O parágrafo único do art. 14 do Código Penal pune a tentativa,


caracterizando-se como norma de extensão da

a) tipicidade.
b) desistência voluntária.
c) culpabilidade formal.
d) culpabilidade material.
e) reprovação social.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A tentativa é norma de extensão da tipicidade, uma vez


que o tipo penal prevê (em regra) a punição pela consumação do delito, e não por
sua tentativa.
Assim, para que se possa punir aquele que não consumou o delito, é necessária uma
norma de extensão, a fim de que se possa considerar como típica sua conduta, e é o
que faz o art. 14, II e seu § único do CP. Letra A

Q48 - O arrependimento posterior não influi no cálculo da prescrição penal.


deve ocorrer até o oferecimento da denúncia ou da queixa.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Pegadinha recorrente, cuidado. O item está errado, pois o arrependimento posterior
deve ocorrer até o RECEBIMENTO da denúncia ou queixa, conforme dispõe o art. 16
do CP. Errada.

Q49 - A legítima defesa, o estado de necessidade, a obediência hierárquica e


o exercício regular do direito são causas excludentes da ilicitude ou
antijuridicidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Atenção aqui! A obediência hierárquica é causa excludente de culpabilidade.

Q50 - José conversava com Antônio em frente a um prédio. Durante a


conversa, José percebe que João, do alto do edifício, jogara um vaso mirando
a cabeça de seu interlocutor. Assustado, e com o fim de evitar a possível
morte de Antônio, José o empurra com força.

Antônio cai e, na queda, fratura o braço. Do alto do prédio, João vê a cena e


fica irritado ao perceber que, pela atuação rápida de José, não conseguira
acertar o vaso na cabeça de Antônio.

Com base no caso apresentado, segundo os estudos acerca da teoria da


imputação objetiva, assinale a afirmativa correta.

A) José praticou lesão corporal culposa.


B) José praticou lesão corporal dolosa.
C) O resultado não pode ser imputado a José, ainda que entre a lesão e sua conduta
exista nexo de causalidade.
D) O resultado pode ser imputado a José, que agiu com excesso e sem a observância
de devido cuidado.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A questão retrata o exemplo mais clássico sobre a Teoria


da Imputação Objetiva. Embora José tenha empurrado João, e esta conduta tenha
sido a causa das lesões sofridas por João em seu braço, certo é que José não agiu
com dolo de ferir João, tendo agido assim para evitar a ocorrência de um evento
ainda mais danoso para este, qual seja, a sua eventual morte em razão do impacto
que seria provocado pelo vaso jogado do alto do prédio por Antônio.

Assim, como José evitou a ocorrência de um resultado lesivo ainda maior, tendo sido
movido por essa intenção, pela Teoria da Imputação Objetiva, não pode responder
pelo delito de lesões corporais. LETRA C.

Q51 - Entende-se por culpabilidade o juízo de reprovabilidade que se exerce


sobre uma determinada pessoa que pratica um fato típico e antijurídico,
tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e
a exigibilidade de conduta diversa.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Conceituação perfeita de culpabilidade. Questão correta.

Q52 - Em matéria penal, a embriaguez incompleta, resultante de caso


fortuito ou de força maior, não suprime a imputabilidade penal, mas diminui
a capacidade de entendimento gerando uma causa geral de diminuição de
pena.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tal embriaguez NÃO exclui a imputabilidade penal, pois não é completa. Contudo, é
causa de diminuição de pena de 1/3 a 2/3. LETRA A

Q53 - Constitui causa de exclusão da culpabilidade a doença mental ou o


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, em função de não se
poder exigir conduta diversa do agente.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
A simples presença da doença não exclui a culpabilidade. Como vimos, o Brasil
adotou o critério biopsicológico, sendo necessário que, além da doença, fique provado
que o agente não era capaz de entender o caráter ilícito da conduta. Errada.

Q54 - Exclui a imputabilidade penal, nos termos preconizados pelo Código


Penal, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era inteiramente
capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Se ele não era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, será
considerado semi-imputável, mas deverá ser condenado e sua pena ser diminuída,
em razão da menor culpabilidade em relação aos demais.

Q55 - O erro inevitável sobre a ilicitude do fato isenta o réu de pena.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta. Exclui a culpabilidade se inevitável e atenua se evitável.

Q56 - A dispara seu revólver e mata B, acreditando tratar-se de um animal. A


respeito dessa hipótese é correto afirmar que que exclui o dolo e a culpa, se
escusável.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Dica importante: O erro de TIPO, relaciona-se com a IRREALIDADE FÁTICA, ele faz
algo acreditando estar fazendo outra. Questão correta.

Q57 – Constitui-se erro de tipo escusável casar-se com pessoa cujo cônjuge
foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Nesse caso não há erro de tipo, mas fato atípico, pois se o cônjuge foi declarado
morto para efeitos civis, o casamento anterior não mais existia, de forma que não há
que se falar em crime de bigamia. Questão errada.

Q58 - Em Direito Penal, o erro de tipo, se for invencível, exclui a tipicidade


dolosa e a culposa.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
CORRETA: Esta é a previsão do art. 20 do CP. Ademais, não pode responder por culpa
por não haver previsibilidade alguma do agente e do homem médio
(INEVITABILIDADE). Se for EVITÁVEL, responderá na forma culposa, SE HOUVER
previsão culposa no tipo penal. Ex: Furto em erro de tipo evitável, não responde por
NADA, não existe furto culposo.

Q59 – A legítima defesa putativa exclui a culpabilidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta. A legítima defesa putativa é a conduta na qual o agente pratica o
ato acreditando que está acobertado por uma situação de legítima defesa, quando, na
verdade, não está. Vejamos o que diz o art. 20, §1º do CP:
Art. 20 - (...)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias,


supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de
pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).

Q60 - A legítima defesa putativa exclui a

a) punibilidade em abstrato.
b) ilicitude.
c) culpabilidade.
d) tipicidade.
e) punibilidade em concreto.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Gab C. A legítima defesa putativa é a conduta na qual o agente pratica o ato
acreditando que está acobertado por uma situação de legítima defesa, quando, na
verdade, não está. Vejamos o que diz o art. 20, §1º do CP:
Art. 20 - (...)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias,


supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de
pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).

Q61 - NÃO é causa extintiva da punibilidade:

a) prescrição, após o lançamento do tributo.


b) morte do agente, após definitiva a condenação.
c) retratação do querelado, na calúnia contra os mortos
d) perempção, na ação penal privada subsidiária da pública.
e) perdão judicial, na apropriação indébita previdenciária.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Cuidado! Esta é uma pegadinha clássica. A perempção é


instituto que só se aplica nas ações penais EXCLUSIVAMENTE privadas. A ação penal
privada subsidiária da pública, como o próprio nome diz, é uma exceção, já que o
processo deveria ser de ação pública. A ação privada subsidiária não admite os
benefícios próprios da ação penal privada exclusiva, como perdão do ofendido,
perempção, etc. A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q62 - Constituem causas de extinção da punibilidade que se relacionam com


a ação penal pública condicionada

a) a perempção e o perdão do ofendido.


b) a decadência e a perempção.
c) o perdão do ofendido e a composição homologada dos danos civis no juizado
especial criminal.
d) a decadência e o perdão do ofendido.
e) a composição homologada dos danos civis no juizado especial criminal e a
decadência.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas apenas a letra E


corresponde a uma hipótese de extinção da punibilidade que se relaciona à ação
penal pública CONDICIONADA. Isso porque, nos Juizados Especiais, a composição
civil dos danos (acordo entre infrator e vítima) devidamente homologada acarreta a
renúncia ao direito de representação, caso seja crime de ação pública condicionada,
nos termos do art. 74, § único da Lei 9.099/95.

A decadência, o perdão do ofendido e a perempção são todos institutos que se


relacionam à ação penal PRIVADA (a decadência, porém, pode se dar também em
relação ao direito de representação na ação penal pública condicionada).

Q63 - Com relação ao concurso de pessoas, assinale a afirmativa incorreta.

a) Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade.
b) Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um
sexto a um terço.
c) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste, salvo quando previsível o resultado mais grave, caso que será
aplicada a pena do crime mais grave.
d) Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo
quando elementares do crime.
e) O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:

A) CORRETA: Item certo, na forma do art. 29 do CP.


B) CORRETA: Item correto, pois se trata de previsão contida no §1º do art. 29 do CP.
C) ERRADA: Aqui temos o que se chama de COOPERAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA.
Neste caso, o agente que quis participar do crime MENOS GRAVE responderá sempre
por ESTE CRIME. Contudo, se for previsível a ocorrência do crime mais grave, este
agente terá a sua pena (relativa ao crime MENOS GRAVE) aumentada até a metade,
nos termos do art. 29, §2º do CP:

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
(...)
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, serlhe-
á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

D) CORRETA: Item correto, previsão expressa no art. 30 do CP.


E) CORRETA: Item correto, pois no Direito Penal pátrio não se pune a fase anterior à
execução do delito, chamada de cogitatio, nos termos do art.
31 do CP. Portanto, a ALTERNATIVA ERRADA É A LETRA C.
Q64 – Sofia decide matar sua mãe. Para tanto, pede ajuda a Lara, amiga de
longa data, com quem debate a melhor maneira de executar o crime, o
melhor horário, local etc. Após longas discussões de como poderia executar
seu intento da forma mais eficiente possível, a fim de não deixar nenhuma
pista, Sofia pede emprestado a Lara um facão. A amiga prontamente atende
ao pedido. Sofia despede-se agradecendo a ajuda e diz que, se tudo correr
conforme o planejado, executará o homicídio naquele mesmo dia e assim o
faz. No entanto, apesar dos cuidados, tudo é descoberto pela polícia.

A respeito do caso narrado e de acordo com a teoria restritiva da autoria,


assinale a afirmativa correta.

Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante de o crime
ter sido praticado contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas partícipe do crime e
deve responder por homicídio, sem a presença da circunstância agravante.

Q65 – Coautores são aqueles que, atuando de forma idêntica, executam o


comportamento que a lei define como crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Embora seja coautor todo aquele que pratica o comportamento definido como crime,
não é necessário que a conduta seja idêntica, pois pode haver hipótese de coautoria
funcional, na qual os agentes praticam. Errada.
condutas diversas, que se complementam.

Q66 – É inadmissível a participação nos crimes omissivos próprios.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Nos crimes omissivos próprios se admite a participação


moral, quando, por exemplo, alguém induz outra pessoa a se omitir. Errada.

Q67 – É possível a coautoria nos crimes de mão própria.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
ERRADA (cuidado): Nos crimes de mão própria não se admite coautoria, em razão de
o crime dever ser praticado especificamente por determinada pessoas. No entanto, o
STF admite a participação, notadamente a participação moral, realizada através da
instigação ou induzimento à prática do delito. Exemplo do julgado: Advogado de
defesa que instiga/induz à prática de falso de testemunho.

Q68 - José instigou Pedro, agindo sobre a vontade deste, de forma a fazer
nascer neste a idéia da prática do crime. João prestou auxílio a Pedro,
emprestando-lhe uma arma para que pudesse executar o delito. José e João
são considerados, tecnicamente.

A) co-autores.
B) autores.
C) Partícipes.
D) partícipe e co-autor, respectivamente.
E) co-autor e partícipe, respectivamente.
RESPOSTA DA QUESTÃO: Nesse caso, ambos apenas auxiliaram (moralmente e
materialmente) o autor a praticar o delito, motivo pelo qual são considerados
partícipes do crime. ASSIM, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q69 – Nos chamados crimes monossubjetivos,

A) o concurso de pessoas é eventual.


B) o concurso de pessoas só ocorre no caso de autoria mediata.
C) o concurso de pessoas é necessário.
D) não há concurso de pessoas.
E) há concurso de pessoas apenas na forma de participação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Nos crimes monossubjetivos, em regra o delito é praticado por um único agente, não
sendo necessária a pluralidade de agentes. Portanto, nestes crimes (que são a regra),
o concurso de agentes é meramente eventual. Gab: A

Q70 – 07 - (FCC - 2011 - TRE-PE - ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)

De acordo com o Código Penal brasileiro,

A) não há distinção entre autores, co-autores e partícipes, que incidem de forma


idêntica nas penas cominadas ao delito.
B) os autores, co-autores e partícipes incidem nas penas cominadas ao delito na
medida de sua culpabilidade.
C) ao autor principal será obrigatoriamente imposta pena mais alta que a dos co-
autores e partícipes.
D) ao autor principal e aos co-autores será obrigatoriamente imposta pena mais alta
que a dos partícipes.
E) ao autor principal será imposta a pena prevista para o delito, sendo que os co-
autores e os partícipes terão obrigatoriamente a pena reduzida de um sexto a um
terço.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Com relação à punibilidade de cada um dos participantes


do evento criminoso, o CP prevê que cada um seja punido de acordo com sua
culpabilidade, não estabelecendo, em abstrato, penas mais graves para um ou para
outro, bem como não estabelecendo que as penas devam ser idênticas. Nos termos
do art. 29 do CP:

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984). LETRA B.

Q71 – Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída


de metade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa questão é recorrente e chata! Na participação de menor importância a pena é
reduzida de 1/6 a 1/3. Errada. DICA FATAL:

Imagine que um articulado bandido resolva assaltar a um banco, seu amigo, lhe
presta auxílio emprestando-lhe UM CESTO para que ponha os pacotes de dinheiro
fruto do crime, enquanto permanece em sua casa rezando com UM TERÇO para que
tudo ocorra bem. Veja: Sua participação foi de menor importância e a pena será
reduzida de:

GAB: ERRADA.

Q72 – A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar que a) a


importância da participação não influi na pena a ser imposta.

b) não é possível participação por omissão em crime comissivo.


c) é possível a participação em crime omissivo puro.
d) não pode haver participação em contravenção.
e) é possível participação dolosa em crime culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA - A alternativa está errada, pois a participação de cada agente determina
na quantidade da pena a ser aplicada. Vejamos:

Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um


sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) B) ERRADA - É
possível a participação omissiva no crime comissivo, através da omissão de quem
tenha o dever legal de evitar o resultado.
Não agindo, será considerado partícipe, nos termos do art. 13, §2º do CP.

C) CORRETA - De fato, é possível a participação em crime omissivo puro, na


modalidade de participação moral à prática da omissão. EXEMPLO:

Alguém que instiga um funcionário público a deixar de praticar um ato de ofício por
sentimento pessoal. Nesse caso estará participando do crime de prevaricação (art.
319), na modalidade de participação moral;
D) ERRADA - Não há qualquer vedação ao concurso de agentes para a prática de
contravenções.
E) ERRADA - A Doutrina majoritária não admite a participação dolosa em crime
culposo, por entender que como o crime culposo não é direcionado à prática de um
delito, impossível o liame subjetivo entre autor epartícipe, indispensável à ação
mediante concurso de agentes. ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q73 – Os requisitos para a ocorrência do concurso de pessoas no


cometimento de crime são:

a) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do


partícipe e o resultado do crime e vínculo objetivo-subjetivo entre autor e partícipe.
b) presença física de autor e partícipe, nexo de causalidade entre o comportamento
do coautor e o resultado do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e
identidade do crime.
c) presença física de autor e partícipe, pluralidade de comportamentos, nexo de
causalidade entre o comportamento do partícipe e o resultado do crime; vínculo
subjetivo entre autor e partícipe e identidade do crime.
d) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do
partícipe e o resultado do crime; vínculo objetivo entre autor e partícipe e identidade
do crime.
e) pluralidade de comportamentos, nexo de causalidade entre o comportamento do
partícipe e o resultado do crime; vínculo subjetivo entre autor e partícipe e identidade
do crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O concurso de pessoas pode ser conceituado como a


colaboração de dois ou mais agentes para a prática de um delito ou contravenção
penal.
O concurso de pessoas é regulado pelos arts. 29 a 31 do CP.

Cinco são os requisitos para que seja caracterizado o concurso de pessoas:

•! Pluralidade de agentes culpáveis (e, obviamente, de condutas)


•! Relevância da colaboração (nexo de causalidade)
•! Vínculo subjetivo (ou liame subjetivo)
•! Unidade de crime (ou contravenção) para todos os agentes
•! Existência de fato punível

Vejam que a questão trata de apenas quatro, esquecendo da "existência de fato


punível", que para alguns autores não é um requisito, por ser inerente à própria
noção de delito. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

Q74 – 15 - (FCC – 2012 – TCE/AP – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO)


A respeito do concurso de pessoas, é correto afirmar:

a) Para fins de aplicação da pena no concurso de pessoas é irrelevante que a


participação tenha sido de menor importância.
b) Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena do crime mais grave.
c) É possível a participação em crime comissivo puro.
d) As condições e circunstâncias pessoais comunicam-se entre os coautores e
partícipes quando não forem elementares do crime.
e) Pode ocorrer participação culposa em crime doloso ou participação dolosa em
crime culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: Nos termos do art. 29, §1º, a pena poderá ser diminuída de um sexto a
um terço caso a participação seja de menor importância.
B) ERRADA: A pena a ser aplicada, neste caso, é a do crime MENOS grave, podendo
haver uma majoração caso fosse previsível a ocorrência do crime mais grave, nos
termos do art. 29, §2º do CP.
C) CORRETA: Cuidado! A Banca induz o candidato a achar que se está a tratar de
crime OMISSIVO puro, mas na verdade fala em crime COMISSIVO puro, que admite
plenamente a participação. A participação em crime OMISSIVO puro é controvertida
na Doutrina.
D) ERRADA: As circunstâncias pessoais não se comunicam, e regra, salvo se
ELEMENTARES do crime, nos termos do art. 30 do CP.
E) ERRADA: A Doutrina não admite a participação dolosa em crime culposo (e o STJ
também não), nem a participação culposa em crime doloso.

Para que haja participação, a homogeneidade subjetiva é requisito indispensável.


Assim, só há participação dolosa em crime doloso, não sendo possível cogitar da
ocorrência de participação culposa em crime doloso, ou, da participação dolosa em
crime culposo. A LETRA C.

Q75 - Se alguém instiga outrem a surrar inimigo comum, mas o instigado se


excede e mata a vítima, é correto afirmar que

a) a conduta do partícipe é atípica.


b) o partícipe poderá responder por lesão corporal, sem qualquer aumento de pena,
se não podia prever o resultado morte.
c) o partícipe poderá responder por homicídio doloso, mas fará jus, necessariamente,
ao reconhecimento da participação de menor importância.
d) o partícipe poderá responder por lesão corporal, com a pena aumentada até um
terço, se previsível o resultado letal.
e) o partícipe não poderá responder por homicídio doloso, mesmo que tenha
assumido o risco do resultado morte.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Aqui temos o que se chama de cooperação dolosamente


distinta, que ocorre quando um dos agentes quis participar de CRIME MENOS GRAVE,
mas outro dos comparsas acabou praticando CRIME MAIS GRAVE. o agente que quis
praticar o crime menos grave receberá a pena DESTE. Entretanto, se o crime mais
grave (e que efetivamente ocorreu) era previsível, a pena será aumentada até a
metade. Gab: B

Q76 – (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO)


No que tange ao concurso de pessoas nos crimes de corrupção ativa e
passiva, o Código Penal adotou a teoria
a) monista.
b) causal.
c) dualista.
d) pluralística.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No que tange aos crimes de corrupção ativa e passiva o


CP adotou a teoria pluralista ou pluralística (exceção à teoria monista), eis que num
mesmo contexto criminoso, em relação ao corruptor e ao corrompido, cada um
responderá por um delito diferente (o particular por corrupção ativa e o funcionário
por corrupção passiva). LETRA D.

Q77 – Agente PCDF - A pessoa que conduz um inimputável à prática de uma


conduta delituosa responde pelo resultado na condição de autor mediato.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esta é a exata definição de autoria mediata, ou seja, é a prática de um delito
mediante a utilização de um inimputável como mera ―ferramenta‖. Correta.

Q78 – Quanto à natureza jurídica do concurso de agentes, o Código Penal


adotou a teoria unitária ou monista.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item correto, pois o CP, de fato, adotou a teoria monista em relação ao concurso de
agentes, ou seja, como regra, todos aqueles que participam de uma empreitada
criminosa são responsabilizados pelo mesmo tipo penal.

Q79 – Admite-se a co-autoria no crime culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A Doutrina majoritária entende possível a COAUTORIA em crime culposo, embora
existam vozes em contrário. Ex: "Suponha-se o caso de dois pedreiros que, numa
construcão, tomam uma trave e a atiram à rua, alcancando um transeunte. Não há
falar em autor principal e secundário, em realizacão e instigacão, em acão e auxílio
etc. Oficiais do mesmo ofício, incumbia-lhes aquela tarefa, só realizável pela
conjugacão das suas forcas. Donde a acão única - apanhar e lancar o madeiro - e o
resultado - lesões ou morte da vítima, também uno, foram praticados por duas
pessoas, que uniram seus esforcos e vontades, resultando assim coautoria’’. Item
Correto.

Q80 – Na autoria colateral, há divisão de tarefas para a obtenção de um


resultado comum.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item errado, pois na autoria colateral não há nenhum ajuste, nenhuma combinação
entre os agentes, de forma que não há que se falar em divisão de tarefas. Na autoria
colateral há, apenas, coincidência de execução por parte de duas pessoas distintas,
que não se encontram agindo em acordo de vontades.

Q81 – Henrique, desejando matar seu pai, equivocou-se e matou seu irmão.
Nessa situação hipotética, é correto afirmar que Henrique responderá por
fratricídio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão capciosa, o fratricídio é homicídio cometido contra irmão ou irmã. Assassinar
o pai é o que denomina a doutrina por parricídio. Errada.

Q82 – Quanto aos demais agentes do crime, o parentesco entre o autor e a


vítima; a) comunica-se, desde que elementar ao tipo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O parentesco entre um dos comparsas e a vítima, em regra, não se comunica aos
demais comparsas, ou seja, é irrelevante em relação a eles. Contudo, em
determinados casos, quando este grau de parentesco for uma das questões
elementares do tipo penal, haverá comunicação com os demais comparsas, como
ocorre no crime deinfanticídio, em que o parentesco de um dos comparsas (a mãe) e
a vítima (filho) irá se estender aos demais agentes do delito, possibilitando sua
punição pela conduta de infanticídio, nos termos do art. 123, c/c art. 30 do CP.
Correta.

Q83 – ―Haverá o _________________ quando o agente, mediante uma só


conduta dolosa, praticar dois ou mais crimes, idênticos ou não, resultantes
de desígnios autônomos.‖ Assim ale a alternativa que completa
corretamente a afirmativa anterior:
a) concurso material
b) concurso formal perfeito
c) crime continuado simples
d) concurso formal imperfeito
e) crime continuado qualificado

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Concurso formal imperfeito (impróprio) – Aqui o agente se vale de uma única conduta
para, dolosamente, produzir mais de um crime. Imaginem que Camila desejasse
matar o pedestre, antigo desafeto, bem como lesionar o outro pedestre (sua ex-
sogra). Assim,com sua única conduta, Camila objetivou praticar ambos os crimes,
respondendo por ambos em concurso formal imperfeito, e lhe será aplica a pena de
ambos cumulativamente (sistema do cúmulo material), pois esse concurso formal é
formal apenas no nome, já que deriva de intenções (desígnios) autônomas.
Observação: Não importa se os crimes são iguais ou diferentes. Ex: Morte + Morte ou
Morte + Lesão Corporal, sempre haverá o cúmulo material (soma das penas). Letra
D.

Q84 – Existe o chamado concurso formal imperfeito ou impróprio:

a) quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica crimes idênticos
e subsequentes contra a mesma vítima.
b) quando o agente, mediante uma única ação ou omissão culposa, pratica crimes
não resultantes de desígnios autônomos.
c) quando o agente, mediante uma única ação ou omissão culposa, pratica crimes
resultantes de desígnios autônomos.
d) quando o agente, mediante uma única ação ou omissão dolosa, pratica crimes não
resultantes de desígnios autônomos.
e) quando o agente, mediante uma única ação ou omissão dolosa, pratica crimes
resultantes de desígnios autônomos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Idem ao anterior. Gabarito letra E. Desígnios autônomos = Intenções distintas.

Q85 – É necessário que cada concorrente tenha consciência de contribuir


para a atividade delituosa de outrem, dispensada aprévia combinação entre
eles.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item correto, pois a existência de vínculo subjetivo (liame subjetivo) entre os
comparsas é indispensável, embora não seja necessário o prévio ajuste entre eles,
pois um pode aderir à conduta do outro, que já se encontra em andamento. Ex: Furto
de carga de caminhão após acidente, dois amigos se deparam com a cena e resolver
em conjunto subtrais os bens.

Q86 – Em tema de concurso de pessoas, é possível afirmar que

a) o concorrente, na chamada cooperação dolosamente diversa, responderá pelo


crime menos grave que quis participar, mas sempre com aumento da pena.
b) indispensável a adesão subjetiva à vontade do outro, embora desnecessária a
prévia combinação.
c) o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio nunca são puníveis, se o crime
não chega, pelo menos, a ser tentado.
d) não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, ainda que
elementares do crime.
e) a participação de menor importância constitui causa geral de diminuição da pena,
incidindo na segunda etapa do cálculo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: Item errado, pois na cooperação dolosamente distinta (ou diversa), o
agente responde sempre pelo crime menos grave, mas o aumento de pena só é
aplicável se o crime mais grave (que efetivamente ocorreu) era previsível, nos termos
do art. 29, §2º do CP.
B) CORRETA: Item correto, pois a existência de vínculo subjetivo (liame subjetivo)
entre os comparsas é indispensável, embora não seja necessário o prévio ajuste entre
eles, pois um pode aderir à conduta do outro, que já se encontra em andamento, por
exemplo.
C) ERRADA: Item errado. Cuidado! Vejamos a redação do art. 31 do CP: Art.
31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Vejam, assim, que EM REGRA tais condutas não são puníveis, mas a Lei pode dizer o
contrário para determinadas situações, por isso o item está errado, pois diz que
NUNCA SERÃO puníveis.
D) ERRADA: Se forem elementares do delito, tais condições irão se comunicar, nos
termos do art. 30 do CP.
E) ERRADA: De fato, a participação de menor importância constitui causa geral de
diminuição de pena, prevista no art. 29, §1º do CP. Contudo, ela incidirá na
TERCEIRA FASE da aplicação da pena, e não na segunda.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q87 - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-
lhe-á aplicada a pena deste, essa pena será aumentada de 1/3 a 2/3, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O aumento de pena (no caso de ser previsível o crime mais grave) é de ―ATÉ A
METADE‖ e não de um a dois terços, na forma do art. 29, §2º do CP. Uma observação
a parte: A pena será aumentada de metade em RELAÇÃO AO CRIME MENOS
GRAVOSO, cuidado com pegadinhas. Errada

Q88 - Maria foi condenada pela prática do crime de estelionato cometido


contra entidade de direito público (§ 3º do Artigo 171 do CP) em concurso
material com o crime de falsidade documental (Art. 298 do CP). De acordo
com a sentença condenatória, Maria teria apresentado declaração falsa com
assinatura atribuída a determinado servidor público em que este último
reconheceria a existência de união estável entre ambos. Com isso, Maria
passou a receber pensão por morte, como dependente do aludido funcionário
público.

Exclusivamente sob o prisma do concurso de crimes, a sentença:


a) está incorreta, pois o magistrado deveria ter reconhecido a existência de concurso
formal entre as condutas atribuídas a Maria, já que ela não as teria realizado com
desígnios autônomos.
b) está incorreta, pois o magistrado deveria ter reconhecido a existência de crime
continuado entre as condutas atribuídas a Maria, já que ela as teria realizado nas
mesmas circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução.
c) está correta ao condenar Maria pela prática de ambos os crimes, em concurso
material, pois a conduta realizada ofendeu dois bens jurídicos distintos.
d) está incorreta, pois o magistrado deveria ter reconhecido a absorção do crime de
falsidade documental pelo crime de estelionato, uma vez que aquele se exauriu neste
último, sem mais potencialidade lesiva.
e) está incorreta, pois o magistrado deveria ter condenado Maria apenas pela prática
do crime de falsidade documental, já que o crime de estelionato, neste caso,
configura mero exaurimento do falso.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Podemos resolver esta questão pela análise simples do


verbete nº 17 da súmula do STJ:

Súmula 17 do STJ - "Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais


potencialidade lesiva, é por este absorvido".

Assim, o Juiz deveria ter condenado Maria penas pelo crime de estelionato.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q89 – POLÍCIA DO SENADO - Nos crimes cometidos sem violência ou grave


ameaça à pessoa, o agente que voluntariamente repara o dano, depois do
recebimento da denúncia ou da queixa, mas antes do julgamento,

a) ficará com sua pena inalterada.


b) terá a pena reduzida de um a dois terços
c) terá a pena atenuada.
d) ficará isento de pena.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Se reparar APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E ANTES DA SENTENÇA, atenuante
genérica:
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
(...)
III - ter o agente:
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime,
evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o
dano;
Gab: C

Q90 - Com relação ao concurso de pessoas, assinale a afirmativa incorreta.

a) Para a teoria da acessoriedade mínima para que haja participação punível


basta que o autor tenha praticado uma conduta típica; para a da
acessoriedade temperada, adotada pela maioria da doutrina, basta que a
conduta do autor seja típica e ilícita; para a da acessoriedade máxima se
exige que a conduta do autor seja típica, ilícita e culpável.
b) Para a doutrina majoritária, se o executor desiste voluntariamente da
consumação do crime ou impede que o resultado se produza, responderá
apenas pelos atos já praticados, beneficiando-se dessa circunstância os
vários partícipes, nos termos dos artigos 15 e 29 do Código Penal.

c) São requisitos para o concurso de pessoas: pluralidade de agentes e de


condutas; relevância causal de cada conduta; liame subjetivo entre os
agentes e identidade de infração penal.

d) É possível a participação em delitos de mão própria.

e) Demonstrado que um dos concorrentes quis participar de crime menos


grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste com o aumento de metade, se
previsível o resultado mais grave.

Gabarito:
Dada repercussão de questões anteriores, a letra E está errada, as demais corretas.

Q91 - As regras do concurso formal perfeito (em que se adota o sistema da


exasperação da pena) foram adotadas pelo Código Penal com o objetivo de
beneficiar o agente que, mediante uma só conduta, praticou dois ou mais
crimes. No entanto, quando o sistema da exasperação for prejudicial ao
acusado, deverá prevalecer o sistema do cúmulo material (em que a soma
das penas será mais vantajosa do que o aumento de uma delas com
determinado
percentual, ainda que no patamar mínimo).

A essa hipótese, a doutrina deu o nome de

a) concurso material benéfico.


b) concurso formal imperfeito.
c) concurso formal heterogêneo.
d) exasperação sui generis.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Quando a conduta, por si só, seja hipótese de concurso


formal, mas o cálculo de aplicação da pena pelo sistema da exasperação (art. 70 do
CP) se demonstrar mais prejudicial que o cálculo de aplicação pelo sistema do cúmulo
material (art. 69 do CP), o art. 70, § único do CP, determina que aplica-se o sistema
do cúmulo material. Gab: A

Q92 - 35 - (FGV - 2010 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - II -


PRIMEIRA FASE)

Com relação ao concurso de delitos, é correto afirmar que:


a) no concurso de crimes as penas de multa são aplicadas distintamente, mas de
forma reduzida.
b) o concurso material ocorre quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes com dependência fática e jurídica entre estes.
c) o concurso formal perfeito, também conhecido como próprio, ocorre quando o
agente, por meio de uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes idênticos,
caso em que as penas serão somadas.
d) o Código Penal Brasileiro adotou o sistema de aplicação de pena do cúmulo
material para os concursos material e formal imperfeito, e da exasperação para o
concurso formal perfeito e crime continuado.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A afirmativa A está errada, eis que no concurso de crimes


as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente, nos termos do art. 72. A
afirmativa B também está errada, que não há dependência jurídica entre eles. Há,
apenas, dependência fática (devem ser praticados num mesmo contexto fático). A
letra C caracteriza bem o concurso formal, no entanto, peca quanto às
consequências, já que as penas não são somadas, aplicando-se o sistema da
exasperação, nos termos do art. 70 do CP.

Já a letra D está correta, eis que o sistema do cúmulo material (soma das penas) é
aplicado ao concurso material e ao concurso formal imperfeito (agente pratica uma só
conduta, atingindo mais de um bem jurídico, só que com a intenção de lesionar os
dois), nos termos dos arts. 69 e 70, segunda parte, do CP. Já o sistema da
exasperação é previsto para o concurso formal próprio ou perfeito (com uma só
conduta atinge dois bens jurídicos, sem a intenção de lesionar ambos) e ao crime
continuado, conforme podemos extrair dos arts. 70 e 71 do CP. AFIRMATIVA
CORRETA É A LETRA D.

Q93 - Casuística 1: Amarildo, ao chegar a sua casa, constata que sua filha
foi estuprada por Terêncio. Imbuído de relevante valor moral, contrata
Ronaldo, pistoleiro profissional, para tirar a vida do estuprador. O serviço é
regularmente executado.

Casuística 2: Lucas concorre para um infanticídio auxiliando Julieta,


parturiente, a matar o nascituro – o que efetivamente acontece. Lucas sabia,
desde o início, que Julieta estava sob a influência do estado puerperal.

Levando em consideração a legislação vigente e a doutrina sobre o concurso


de pessoas (concursus delinquentium), é correto afirmar que no exemplo 1,
Amarildo responderá pelo homicídio privilegiado e Ronaldo pelo crime de
homicídio qualificado por motivo torpe. No exemplo 2, Lucas e Julieta
responderão pelo crime de infanticídio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Caso 01 – Tendo Amarildo agido mediante relevante valor moral, logo após injusta
provocação da vítima, Amarildo responde por homicídio privilegiado, mas essa
circunstância, por ser de caráter pessoal, não se comunica a Ronaldo, que responde
por homicídio qualificado pelo motivo torpe (mediante paga ou promessa de
recompensa);
Caso 02 – Embora o delito de infanticídio seja crime próprio, que só pode ser
praticado pela mãe contra o próprio filho, durante o estado puerperal, é atualmente
pacífico o entendimento no sentido de que é possível concurso de agentes, desde que
o comparsa saiba da condição de sua comparsa, ou seja, saiba que ela está matando
o próprio filho sob a influência do estado puerperal. Assim, ambos responderão por
infanticídio.
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q94 - Zenão e Górgias desejam matar Tales. Ambos sabem que Tales é
pessoa bastante metódica e tem a seguinte rotina ao chegar no trabalho:
pega uma xícara de café na copa, deixa-a em cima de sua bancada particular,
vai a outra sala buscar o jornal e retorna à sua bancada para lê-lo, enquanto
degusta a bebida.

Aproveitando-se de tais dados, Zenão e Górgias resolvem que executarão o


crime de homicídio através de envenenamento. Para tanto, Zenão,
certificando-se que não havia ninguém perto da bancada de Tales, coloca na
bebida 0,1 ml de poderoso veneno. Logo em seguida chega Górgias, que
também verifica a ausência de qualquer pessoa e adiciona ao café mais 0,1
ml do mesmo veneno poderoso. Posteriormente, Tales retorna à sua mesa e
senta-se confortavelmente na cadeira para degustar o café lendo o jornal,
como fazia todos os dias. Cerca de duas horas após a ingestão da bebida,
Tales vem a falecer. Ocorre que toda a conduta de Zenão e Górgias foi
filmada pelas câmeras internas presentes na sala da vítima, as quais eram
desconhecidas de ambos, razão pela qual a autoria restou comprovada.
Também restou comprovado que Tales somente morreu em decorrência da
ação conjunta das duas doses de veneno, ou seja, somente 0,1 ml da
substância não seria capaz de provocar o resultado morte. Com base na
situação descrita, é correto afirmar que

a) caso Zenão e Górgias tivessem agido em concurso de pessoas, deveriam


responder por homicídio qualificado doloso consumado.
b) mesmo sem qualquer combinação prévia, Zenão e Górgias deveriam
responder por homicídio qualificado doloso consumado.
c) Zenão e Górgias, agindo em autoria colateral, deveriam responder por
homicídio culposo.
d) Zenão e Górgias, agindo em concurso de pessoas, deveriam responder por
homicídio culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela, Zenão e Górgias agiram em autoria


colateral, e NÃO em concurso de pessoas, pois não havia qualquer vínculo subjetivo
entre eles (um não conhecia a conduta do outro).

Em se tratando de autoria colateral, cada um dos agentes somente responde pela sua
conduta, e não pelo resultado ocorrido.

Não há que se falar em concurso de agentes, pois um desconhecia a conduta do


outro. Contudo, caso estivessem agindo em concurso, ambos responderiam pelo
resultado, ou seja, homicídio doloso qualificado consumado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
Q95 - A co-autoria é impossível nos crimes:

(A) Comissivos.
(B) Omissivos.
(C) Próprios.
(D) De mão própria.
(E) Culposos

RESPOSTA DA QUESTÃO: Entende-se que a coautoria é incabível nos crimes de


mão própria, motivo pelo qual a alternativa D está correta, e o gabarito está correto
quanto a este ponto.
Contudo, e embora não haja unanimidade doutrinária, a Doutrina majoritária não
admite a coautoria nos crimes omissivos. Um adendo, é plenamente possível a
participação em crimes omissivos próprios.
Portanto, entendo que a questão deveria ter sido ANULADA.

Q96 – Se da lesão corporal dolosa resulta morte e as circunstâncias


evidenciam que o agente não quis o resultado morte, nem assumiu o risco de
produzi-lo, configura(m)-se a) lesão corporal seguida de morte.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso o resultado morte decorreu de culpa, de


maneira que o agente responderá pelo delito de lesão corporal seguida de morte, nos
termos do art. 129, §3º do CP. Certa.

Q97 - É um resultado que caracteriza o crime de lesão corporal de natureza


grave, cuja pena é de reclusão de um a cinco anos:

a) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de dez dias.


b) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de vinte dias.
c) debilidade temporária de membro, sentido ou função
d) incapacidade para as ocupações habituais, por mais de quinze dias.
e) aceleração de parto.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra E


configura um crime de lesão corporal de natureza grave, nos termos do art. 129, §1º,
IV do CP. Ressalte-se que a letra C, ainda que fale em lesão grave e não gravíssima,
exige-se, de acordo com o previsto no CP ―debilidade permanente de membro,
sentido ou função‖ não confundir com o disposto no parágrafo das lesões gravíssima,
em que faz a menção da lesão grave com consequência a ―Incapacidade permanente
para o trabalho‖ Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E. Vale a pena a
leitura no inteiro teor.

Q98 - Assinale a alternativa que traz as duas hipóteses de aborto legal,


praticado por médico, expressamente previstas no art. 128 do CP.

a) Se o feto sofre de doença incurável, sendo praticado com o consentimento


da gestante; se há má-formação fetal que inviabilize a vida extrauterina.
b) Se há má-formação fetal que inviabilize a vida extrauterina; se não há
outro meio de salvar a vida da gestante.
c) Se não há outro meio de salvar a vida da gestante; se praticado com o
consentimento dela, tendo sido a gravidez resultada de estupro.
d) Se o feto sofre de doença incurável, sendo praticado com o consentimento
da gestante; se praticado com o consentimento da gestante, tendo sido a
gravidez resultada de estupro.
e) Se a gestante é menor de idade, sendo o procedimento autorizado pelos
responsáveis; se praticado com o consentimento da gestante, tendo sido a
gravidez resultada de estupro.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O aborto é permitido, quando praticado pelo médico, nas


hipóteses do art. 128 do CP:

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54) Aborto
necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez
resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento
da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

O STF passou a entender, ainda, que o aborto de fetos anencefálicos (sem cérebro ou
com má formação cerebral) também seria legal, por respeito à dignidade da mãe.

Assim, vemos que apenas a letra C traz duas hipóteses expressamente previstas no
CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q99 - ―X‖ recebe recomendação médica para ficar de repouso, caso


contrário, poderia sofrer um aborto. Ocorre que ―X‖ precisa trabalhar e não
consegue fazer o repouso desejado e, por essa razão, acaba expelindo o feto,
que não sobrevive. Em tese, ―X‖

a) não praticou crime algum.


b) praticou o crime de aborto doloso.
c) praticou o crime de aborto culposo.
d) praticou o crime de lesão corporal qualificada pela aceleração do parto.
e) praticou o crime de desobediência.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O agente não praticou crime algum, pois o aborto se deu
de forma culposa. O aborto somente é punido quando ocorre de maneira DOLOSA. No
caso em tela a gestante não teve a intenção de provocar o aborto, nem agiu de forma
a ―não se importar‖ com sua ocorrência (assumir o risco). A gestante sabia do risco,
mas acreditava que conseguiria trabalhar sem prejudicar sua gestão, tendo aqui o
que se chama de CULPA CONSCIENTE.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q100 - Considere que João e José se agrediram mutuamente e que as lesões


recíprocas não são graves. Nesta hipótese, o art. 129, § 5.º do CP prescreve
que ambos podem:

a) ser beneficiados com a exclusão da ilicitude


b) ser beneficiados com o perdão judicial.
c) ter as penas de reclusão substituídas por prisão simples.
d) ser beneficiados com a exclusão da culpabilidade.
e) ter as penas de detenção substituídas por multa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso, nos termos do art. 129, §5º, II do CP, o Juiz
poderá substituir a pena de prisão pela pena de multa. ALTERNATIVA CORRETA É A
LETRA E.

Q101 - Para os efeitos dos crimes contra a vida, considera-se morta a pessoa
no momento em que:

a) cessar sua atividade respiratória sem auxílio externo.


b) perder sua consciência de forma irreversível.
c) cessar sua atividade encefálica.
d) perder sua capacidade psicomotora.
e) cessar sua capacidade cardiopulmonar sem auxílio externo.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial,


considera-se morta a pessoa no momento em que cessa sua atividade encefálica, ou
seja, quando há a chamada ―morte cerebral‖.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q102 - Adriana, desejando a morte de sua amiga Leda, por vingança,


mediante ameaça com uma faca, obrigou-a a ingerir ―chumbinho",
substância utilizada para matar ratos, a despeito das súplicas da vítima que
sabia que a ingestão daquela substância poderia leva-la a morte. Após a
ingestão do veneno, a vítima permaneceu agonizando por duas horas, vindo
a óbito. Logo, Adriana deve responder pelo crime de homicídio doloso:

a) simples consumado.
b) qualificado por meio insidioso.
c) qualificado por meio cruel.
d) duplamente qualificado por motivo torpe e por meio insidioso.
e) duplamente qualificado por motivo torpe e por meio cruel.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Trata-se, aqui, de homicídio qualificado pelo meio CRUEL,


pois a vítima sabia que estava ingerindo veneno. Com relação à vingança, ela pode
ou não qualificar o delito, a depender da natureza da vingança (pode ser uma
vingança ―nobre‖, como matar o assassino do próprio, filho, por exemplo), ou seja,
não se pode afirmar que o delito seria qualificado pela vingança.
Ademais, ainda que fosse possível determinar que se tratava de vingança por motivo
fútil ou torpe, o crime não seria ―duplamente‖ qualificado, pois isso não existe. Seria
apenas qualificado, e a segunda qualificadora seria utilizada como circunstância
agravante.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q103 - Manoel estava cortando uma laranja com um canivete em seu sítio,
distraído, quando seu primo, Paulo, por mera brincadeira, veio por trás e deu
um grito. Em razão do susto, Manoel virou subitamente, ferindo Paulo no
pescoço, provocando uma lesão que o levou a óbito. Logo, Manoel:

a) não praticou crime, pois agiu por ato reflexo.


b) praticou o crime de homicídio culposo.
c) praticou o crime de homicídio doloso por dolo direto.
d) praticou crime de homicídio doloso por dolo eventual.
e) praticou crime de lesão corporal seguida de morte.
RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela Manoel agiu por ato REFLEXO, ou seja,
não teve dolo nem culpa em sua conduta, pois, como bem afirmado pela questão,
Manoel virou-se subitamente em razão do susto provocado pela própria vítima. Não
havendo dolo nem culpa, fica afastada a CONDUTA, que é um dos elementos do fato
típico.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q104 - São crimes contra a vida, assim previstos pelo Código Penal:
a) latrocínio, homicídio, extorsão mediante sequestro seguido de morte e infanticídio.
b) homicídio, aborto, infanticídio e induzimento ao suicídio.
c) homicídio, aborto, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.
d) extorsão mediante sequestro seguido de morte, rixa seguida de morte, latrocínio,
infanticídio e aborto.
e) latrocínio, lesão corporal seguida de morte, difamação e periclitação da vida.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra B


traz exclusivamente crimes contra a vida, pois todos estão incluídos no Capítulo I do
Título da Parte Especial do CP, nos termos dos arts. 121, 122, 123 e 124 a 128. Como
resolver essa questão? Faça uma análise do bem jurídico tutelado! Latrocínio protege
o patrimônio e não apenas a vida, o mesmo vale pela extorão mediante sequestro
seguido de morte, rixa seguida de morte, entre outros, já no caso da lesão corporal
seguida de morte, o crime é preterdoloso, responde o agente a título de culpa pela
morte, pois não queria o resultado. ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q105 - No que toca ao delito de aborto e seus permissivos legais, é correto


afirmar que é excepcionalmente admissível na legislação pátria, no caso de
aborto terapêutico ou aborto humanitário (ou piedoso).

RESPOSTA DA QUESTÃO:
RESPOSTA DA QUESTÃO: O aborto só é permitido na legislação brasileira em
hipóteses excepcionais, que são o aborto terapêutico ou aborto humanitário. O
primeiro ocorre quando há risco de vida para a mãe, e o segundo quando a gestação
deriva de estupro e a mãe consente com a realização do aborto, conforme previsto no
art. 128, I e II do CP.
Contudo, o STF passou a admitir, também, o aborto de fetos anencéfalos (fetos sem
cérebro ou com má formação cerebral), no julgamento da ADPF 54.
Porém, a questão pede que se responda com base nas exceções previstas na LEI, que
são só as duas primeiras. Questão certa.
Q106 - (FGV – 2008 – SENADO FEDERAL – POLICIAL LEGISLATIVO)
Um domingo, ao chegar em casa vindo do jogo de futebol a que fora assistir,
Tício encontra sua esposa Calpúrnia traindo-o com seu melhor amigo, Mévio.
No mesmo instante, Tício saca sua arma e dispara um tiro na cabeça de
Calpúrnia e outro na cabeça de Mévio. Embora pudesse fazer outros
disparos, Tício guarda a arma. Ato contínuo, apercebendo-se da besteira que
fizera, coloca os amantes em seu carro e parte em disparada para um
hospital.

O trabalho dos médicos é extremamente bem-sucedido, retirando a bala da


cabeça dos amantes sem que ambos tivessem qualquer espécie de seqüela.
Aliás, não fosse a imediata atuação de Tício, Calpúrnia e Mévio teriam
morrido. Com efeito, quinze dias depois, ambos já retornaram às suas
atividades profissionais habituais. A partir do texto, assinale a alternativa
que indique o crime praticado por Tício.

a) lesão corporal leve


b) lesão corporal grave
c) tentativa de homicídio
d) Tício não praticou crime
e) exercício arbitrário das próprias razões
RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela houve desistência voluntária e
arrependimento eficaz, pois o agente desistiu de prosseguir na execução do delito,
embora pudesse, e ainda procurou evitar que o resultado ocorresse. Nesse caso,
aplica-se o art. 15 do CP:

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (Redação dada pela Lei nº 7.209, de


11.7.1984)
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Assim, Tício responderá apenas pelas lesões
corporais causadas (graves, em razão do fato de resultar em perigo de vida),
nos termos do art. 129, §1º, II do CP. A questão tenta confundir o candidato pelo
fato de voltarem as atividades em apenas 15 dias, o que por sí só não configuraria a
gravidade da lesão, por isso é importante levar todo o teor do assunto para a prova.
PORTANTO, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q107 - Jaime, objetivando proteger sua residência, instala uma cerca


elétrica no muro. Certo dia, Cláudio, com o intuito de furtar a casa de Jaime,
resolve pular o referido muro, acreditando que conseguiria escapar da cerca
elétrica ali instalada e bem visível para qualquer pessoa. Cláudio, entretanto,
não obtém sucesso e acaba levando um choque, inerente à atuação do
mecanismo de proteção. Ocorre que, por sofrer de doença cardiovascular, o
referido ladrão falece quase instantaneamente. Após a análise pericial, ficou
constatado que a descarga elétrica não era suficiente para matar uma
pessoa em condições normais de saúde, mas suficiente para provocar o óbito
de Cláudio, em virtude de sua cardiopatia.
Nessa hipótese é correto afirmar que:

a) Jaime deve responder por homicídio culposo, na modalidade culpa consciente.


b) Jaime deve responder por homicídio doloso, na modalidade dolo eventual.
c) Pode ser aplicado à hipótese o instituto do resultado diverso do pretendido.
d) Pode ser aplicado à hipótese o instituto da legítima defesa preordenada.
RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela, Jaime se valeu do que se chama de
―legítima defesa preordenada‖, utilizando-se de uma ―ofendículas‖ (instrumento
preordenado a defender um bem jurídico, no caso, o patrimônio).
A legítima defesa preordenada é admitida pela Doutrina, que a vê como uma
modalidade válida de legítima defesa, de maneira que, também em relação a esta, o
―excesso‖ é punível, seja ele culposo ou doloso.

No caso, a questão deixa claro que não houve excesso por parte de Jaime, já que a
corrente elétrica não seria capaz de matar uma pessoa em condições normais, de
maneira que a morte de Cláudio não pode ser atribuída a Jaime.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q108 - Paula, com intenção de matar Maria, desfere contra ela quinze
facadas, todas na região do tórax. Cerca de duas horas após a ação de Paula,
Maria vem a falecer. Todavia, a causa mortis determinada pelo auto de
exame cadavérico foi envenenamento.

Posteriormente, soube-se que Maria nutria intenções suicidas e que, na


manhã dos fatos, havia ingerido veneno.
Com base na situação descrita, assinale a afirmativa correta.
a) Paula responderá por homicídio doloso consumado.
b) Paula responderá por tentativa de homicídio.
c) O veneno, em relação às facadas, configura concausa relativamente independente
superveniente que por si só gerou o resultado.
d) O veneno, em relação às facadas, configura concausa absolutamente independente
concomitante.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No presente caso temos uma causa absolutamente


independente, preexistente, que por si só produziu o resultado. Paula, desta forma,
responderá apenas pelos atos praticados (tentativa de homicídio), não podendo o
resultado ser a ela imputado, pois a ele não deu causa, pela teoria da causalidade
adequada. LETRA B.

Q109 - Sofia decide matar sua mãe. Para tanto, pede ajuda a Lara, amiga de
longa data, com quem debate a melhor maneira de executar o crime, o
melhor horário, local etc. Após longas discussões de como poderia executar
seu intento da forma mais eficiente possível, a fim de não deixar nenhuma
pista, Sofia pede emprestado a Lara um facão. A amiga prontamente atende
ao pedido. Sofia despede-se agradecendo a ajuda e diz que, se tudo correr
conforme o planejado, executará o homicídio naquele mesmo dia e assim o
faz. No entanto, apesar dos cuidados, tudo é descoberto pela polícia.

A respeito do caso narrado e de acordo com a teoria restritiva da autoria,


Sofia é a autora do delito e deve responder por homicídio com a agravante
de o crime ter sido praticado contra ascendente. Lara, por sua vez, é apenas
partícipe do crime e deve responder por homicídio, sem a presença da
circunstância agravante.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Para esta teoria, autor é quem pratica a conduta descrita
no núcleo do tipo (o verbo). Partícipe é todo aquele que, de alguma forma, colabora
para o intento criminoso sem, contudo, praticar a conduta nuclear. No caso em tela,
Sofia é autora do delito, com a agravante de ter sido praticado o delito contra
ascendente (art. 61, II, e do CP). Lara, por sua vez, será mera partícipe, e não será
aplicada a ela a agravante, eis que não se trata de uma elementar do delito, sendo
uma circunstância periférica e de caráter pessoal (que não se comunica, portanto,
entre os comparsas).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA

Q110 - João, com intenção de matar, efetua vários disparos de arma de fogo
contra Antônio, seu desafeto. Ferido, Antônio é internado em um hospital, no
qual vem a falecer, não em razão dos ferimentos, mas queimado em um
incêndio que destrói a enfermaria em que se encontrava.
Assinale a alternativa que indica o crime pelo qual João será
responsabilizado.

a) Homicídio consumado.
b) Homicídio tentado.
c) Lesão corporal.
d) Lesão corporal seguida de morte.
RESPOSTA DA QUESTÃO: A causa da morte, neste caso, foi o incêndio. Temos,
assim, uma causa relativamente independente (pois se não fosse a conduta de
João, Antônio não estaria ali), mas que produziu por si só o resultado (foi ela,
sozinha, que causou a morte).
Neste caso, João não responde pelo resultado, mas apenas por sua conduta, de forma
que responderá por homicídio na forma tentada. LETRA B.

Q111 - José dispara cinco tiros de revólver contra Joaquim, jovem de 26


(vinte e seis) anos que acabara de estuprar sua filha. Contudo, em
decorrência de um problema na mira da arma, José erra seu alvo, vindo a
atingir Rubem, senhor de 80 (oitenta) anos, ceifando-lhe a vida. José
responderá apenas por homicídio privilegiado consumado, uma vez que
ocorreu erro na execução.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
No caso em questão houve o que se chama de ―erro na execução‖, pois o agente
vislumbrou perfeitamente a vítima pretendida, mas errou na execução do delito.
Neste caso, considera-se o crime como tendo sido praticado em face da vítima
pretendida, e não da vítima efetivamente atingida. Correta.

Q112 - Roberto estava na fila de um banco, quando, por descuido, esbarrou


em Renato que estava a sua frente, fazendo com que caísse no chão a pasta
que estava na mão de Renato. Não obstante o pedido de desculpas, Renato
ficou enfurecido, saiu do banco, foi até seu veículo, pegou uma pistola e
aguardou na esquina a saída de Roberto do banco. Assim que a vítima cruzou
a esquina, Renato sacou a arma e desferiu cinco disparos pelas costas de
Roberto, levando-o a imediato óbito. Renato cometeu crime de

a) homicídio simples;
b) homicídio qualificado pelo motivo torpe;
c) homicídio duplamente qualificado pelo motivo torpe e com recurso que dificultou ou
tornou impossível a defesa do ofendido
d) homicídio duplamente qualificado pelo motivo fútil e com recurso que dificultou ou
tornou impossível a defesa do ofendido
e) homicídio triplamente qualificado pelo motivo torpe, emprego de arma de fogo e
com recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido

RESPOSTA DA QUESTÃO: Temos aqui um homicídio QUALIFICADO, pelo motivo fútil


e por ter sido utilizado recurso que dificultou a defesa da vítima, nos termos do art.
121, II e IV do CP. Contudo, a terminologia ―duplamente qualificado‖ (assim como
―triplamente qualificado‖) é absolutamente equivocada. A melhor Doutrina rejeita
essa terminologia, e a FGV jamais deveria tê-la utilizado.

Entretanto, não há como lutar contra isso. A alternativa D é a ―menos errada‖, pois
traz a solução correta, ainda que com um nome errado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q113 - Tício tentou suicidar-se e cortou os pulsos. Em seguida arrependeu-


se e chamou uma ambulância. Celsus, que sabia das intenções suicidas de
Tício, impediu dolosamente que o socorro chegasse e Tício morreu por
hemorragia. Nesse caso, Celsus responderá por
A) auxílio a suicídio.
B) homicídio doloso.
C) instigação a suicídio.
D) induzimento a suicídio.
E) homicídio culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa questão é sensacional! Uma pegadinha e tanto!
Como Celsus impediu o socorro de Tício, que tentou se suicidar, a conduta poderia
ser classificada como auxílio ao suicídio. Porém, como a questão diz que Tício se
arrependeu, logo, NÃO QUERIA MAIS MORRER, e Celsus sabia disso, Celsus quis, ele
próprio a morte de Tício, e não ajuda-lo a se matar (pois este não mais queria isso).
Logo, o homicídio é DOLOSO.

Se Celsus não soubesse que Tício não queria mais se matar, e achasse que ele ainda
pretendia a morte, a conduta dele seria a de auxílio ao suicídio.
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q114 - Maria e seu namorado João praticaram manobras abortivas que


geraram a expulsão do feto. Todavia, em razão da chegada de terceiros ao
local e dos cuidados médicos dispensados, o neonato sobreviveu. Nesse
caso, Maria e João responderão por

A) tentativa de aborto.
B) crime de aceleração de parto.
C) tentativa de homicídio.
D) infanticídio.
E) tentativa de infanticídio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa questão é outra pegadinha! Não há, de plano, nem infanticídio, nem tentativa de
infanticídio, tampouco homicídio, pois ainda não havia vida extrauterina.
Entretanto, o problema está na tentativa de aborto. De fato, ambos praticaram aborto
na modalidade tentada, pois tinham como finalidade (DOLO, Tudo se resolve com o
dolo!) o ABORTO, o crime praticado é o de aborto na modalidade tentada (pois o feto
sobreviveu).
A confusão poderia ocorrer porque o CP incrimina a conduta de lesão corporal grave,
sendo uma das hipóteses que qualifica a lesão corporal, a ocorrência de aceleração de
parto.

Mas como distinguir um crime do outro? Nesse caso, deve ser analisado o dolo do
agente. Se ele quis o aborto, responderá por aborto tentado. Se quis lesionar a
gestante, e, sem querer, aconteceu a aceleração do parto (crime qualificado pelo
resultado), haverá lesão corporal grave! Cuidado, meu povo!
Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q115 - Antonio e sua mulher Antonia resolveram, sob juramento, morrer na


mesma ocasião. Antonio, com o propósito de livrar-se da esposa, finge que
morreu. Antonia, fiel ao juramento assumido, suicida-se. Nesse caso,
Antonio responderá por

A) auxílio ao suicídio culposo.


B) homicídio doloso.
C) homicídio culposo.
D) induzimento ao suicídio.
E) tentativa de homicídio.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A Banca adotou, seguindo tese majoritária, o fato de que


Antonia tirou a própria vida por livre e espontânea vontade, e que Antonio, seu
marido, com sua conduta anterior (pacto de morte), a induziu ou instigou a se
suicidar. Tendo Antonio sobrevivido, responderá pelo crime do art. 122 do CP.

Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q116 - Segundo o entendimento jurisprudencial hoje preponderante, a lesão


corporal respectivamente simples e qualificada ocorrida no Brasil (Cód.
Penal, Art. 129 e seus parágrafos) é um crime de ação penal

a) pública incondicionada e de ação penal privada.


b) pública condicionada à representação e de ação penal privada.
c) pública condicionada à representação e incondicionada.
d) privada e de ação penal pública condicionada à representação.
e) pública e exclusivamente condicionada à representação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A lesão corporal simples é considerada crime de ação


penal pública condicionada à representação, por força do que dispõe o art. 88 da Lei
9.099/95. Já o crime de lesão corporal qualificada permanece como delito de ação
penal pública incondicionada, já que o CP é silente com relação a este delito.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q117 - Em relação aos crimes contra a vida, correto afirmar que o homicídio
simples, em determinada situação, pode ser classificado como crime
hediondo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Na hipótese de ser praticado em atividade típica de grupo de extermínio, nos termos
do art. 1º, I da Lei 8.072/90. Certo.

Q118 - Em relação aos crimes contra a vida, correto afirmar que


incompatível o homicídio privilegiado com a qualificadora do emprego de
asfixia.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
É possível a combinação de homicídio privilegiado qualificado, desde que a
qualificadora seja de natureza objetiva, como o meio de execução, que é a hipótese
de ser realizado mediante asfixia, por exemplo. Errada.

Q119 - O autor de homicídio praticado com a intenção de livrar um doente,


que padece de moléstia incurável, dos sofrimentos que o atormentam
(eutanásia), perante a legislação brasileira,

a) não cometeu infração penal.


b) responderá por crime de homicídio privilegiado.
c) responderá por homicídio qualificado pelo motivo torpe.
d) responderá por homicídio simples.
e) responderá por homicídio qualificado pelo motivo fútil.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O autor do homicídio, neste caso, responderá pelo delito


de homicídio privilegiado, na forma do art. 121, §1º do CP:

Art. 121. Matar alguem:


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a
um terço.
Vejam que o delito foi praticado por motivo de relevante valor moral (aliviar a dor da
vítima).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q120 - Dentre as hipóteses de formas qualificadas dos crimes de injúria,


calúnia e difamação, NÃO se incluem os crimes cometidos

A) mediante promessa de recompensa.


B) contra Governador de Estado.
C) contra chefe de governo estrangeiro.
D) na presença de várias pessoas.
E) contra funcionário público, em razão de suas funções.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Nos termos do art. 141, I a IV do CP, são causas de


aumento de pena:

Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se


qualquer dos crimes é cometido:

I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;


II - contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia,
da difamação ou da injúria.
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto
no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)

Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa,


aplica-se a pena em dobro.

Assim, a alternativa que não contempla uma hipótese de causa de aumento de pena
é a letra B.

Q121 - Admite-se a exceção da verdade no crime de A) calúnia, se do crime


imputado, embora de ação pública, o acusado for absolvido por sentença
irrecorrível.

B) injúria, se a ofensa consistir na utilização de elementos referentes a raça, cor,


etnia, religião ou origem.
C) difamação, se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de
suas funções.
D) calúnia, se o crime foi cometido contra o Presidente da República, chefe de
governo estrangeiro ou funcionário público no exercício de suas funções.
E) calúnia, se constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença recorrível.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A exceção da verdade (exceptio veritatis) é admitida


como regra na calúnia, e como exceção da difamação.

Já na difamação, a exceção da verdade não se admite, em regra, só sendo admitida


caso o fato se refira a funcionário público no exercício da função, art. 139, § único do
CP. ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

Q122 - 36.! (FCC – 2006 – TRF1RG – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


JUDICIÁRIA)
A respeito dos crimes contra a honra, é correto afirmar que

A) é punível a calúnia contra os mortos.


B) constitui difamação punível a ofensa irrogada pela parte em juízo, na defesa da
causa.
C) é isento de pena o querelado que, antes da sentença, se retratar cabalmente da
injúria.
D) a injúria só pode ser cometida por gesto e palavras, nunca pela prática de vias de
fato.
E) admite-se a exceção da verdade no crime de injúria, se a vítima for funcionário
público e a ofensa for relacionada à função.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A calúnia contra os mortos é punível, nos termos do art.


138, § 2° do CP. A difamação irrogada em Juízo não constitui crime.

A retratação da injúria não é causa de extinção da punibilidade (art. 143 do CP). A


injúria pode ser cometida por meio de vias-de-fato (INJÚRIA REAL, art. 140, §2° do
CP). No crime de injúria NUNCA SE ADMITE EXCEÇÃO DA VERDADE. Assim, a
ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q123 - No tocante à exceção da verdade, INCORRETO afirmar que a)


inaplicável no crime de calúnia se o fato imputado constitui delito de ação
pública e o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.

b) inaplicável no crime de calúnia se praticado contra chefe de governo


estrangeiro.
c) inaplicável no crime de calúnia se o fato imputado constitui delito de ação
privada e não houve a propositura de queixa.
d) inaplicável no crime de difamação se a ofensa a funcionário público não é
relativa ao exercício de suas funções.
e) aplicável, em qualquer circunstância, no crime de injúria.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A exceção da verdade nunca é admitida na injúria, até porque se trata de uma
ofensa, não da narrativa de um fato, a letra E é a correta, portanto. Observe ainda
o item C, muito interessante para reflexão, pois se o crime é de ação penal privada,
não há que se falar em exceção da verdade enquanto a ação não for proposta
mediante queixa. A Calúnia contra o Presidente da República ou contra Chefe de
Governo Estrangeiro também não admitem a exceção da verdade.

Q124 - É admissível a exceção da verdade na injúria, se a vítima é


funcionária pública e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Na injúria não se admite exceção da verdade, apenas nos casos de calúnia e
difamação, desde que respeitadas algumas condições. Errada.

Q125 - É admissível a retratação apenas nos casos de calúnia e difamação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esta é a previsão contida no art. 143 do CP: Art. 143 - O querelado que, antes da
sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena.
Certa.

Q126 – É é admissível o perdão judicial no crime de difamação, se houver


retorsão imediata.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Nos termos do art. 140, §1º, II do CP, a retorsão imediata é causa de perdão judicial
no crime de injúria, não no crime de difamação. Errada.

Q127 - A injúria real consiste no emprego de elementos preconceituosos ou


discriminatórios relativos à raça, cor, etnia, religião, origem e condição de
idoso ou deficiente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esta definição refere-se à injúria qualificada, e não à injúria real, nos termos do art.
140, §3º do CP. A injúria real consiste em violência ou vias de fato, que, por sua
natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes, nos termos do art. 140,
§2º do CP. Errada.

Q128 - Miguel cometeu crime de difamação contra Vitor e está respondendo


uma ação penal privada movida pelo ofendido (querelante), que tramita
perante uma das varas criminais da comarca de Macapá. Miguel, o querelado,
poderá se retratar cabalmente e, neste caso,

a) ficará isento da pena se a retratação ocorrer antes do trânsito em julgado da


sentença e contar com a anuência expressa do querelante.
b) terá a pena reduzida de um a dois terços se a retratação ocorrer antes da
sentença.
c) ficará isento de pena se a retratação ocorrer antes do trânsito em julgado da
sentença.
d) ficará isento de pena se a retratação ocorrer antes da sentença.
e) terá a pena reduzida de um a dois terços se a retratação ocorrer antes da
sentença e contar com a anuência expressa do querelante.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão capciosa que buscou exatamente os termos da lei.
Embora a lei tenha se limitado a apontar apenas "sentença" como parâmetro para a
retratação, a doutrina entende que apenas a retratação efetivada até a sentença de
primeiro grau extingue a punibilidade. Gabarito: D

Q129 - Uma empregada doméstica, percebendo que os proprietários


encontravam-se na cama, sorrateiramente, tranca a porta do quarto com
chave pelo lado de fora, impedindo-os de acessar outros co;modos da
resid<ncia. Imediatamente, permite a entrada de dois comparsas que,
durante 10 (dez) minutos, passam a recolher todos os objetos de valor que
conseguem transportar em

duas mochilas grandes de costa. Os proprietários levantam com o barulho e


ao tentarem sair do quarto percebem estar trancados naquele ambiente,
quando passam a chamar pela empregada que, todavia, ignora
deliberadamente o chamado, abandona o emprego com os demais membros
do grupo, após a empreitada criminosa.

Pela janela da casa, conseguem chamar um vizinho que, adentra ao imóvel e


destranca a porta do cômodo. Após saírem do quarto, os proprietários
percebem o desaparecimento de vários objetos de valor, bem como a
ausência da empregada. A polícia foi acionada,

sendo registrada ocorrência com codificação principal de:

a) Roubo.
b) Furto.
c) Cárcere privado.
d) Apropriação indébita.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O crime ocorrido foi o de roubo, previsto no art.


157 do
CP. Trata-se de roubo cometido com violência imprópria, ou seja, apesar
de o agente não empregar violência física ou grave ameaça, reduz a
vítima à impossibilidade de defesa (parte final do art. 157 do CP).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q130 - Eufrosina, experiente psicóloga e conhecedora profunda das técnicas


de hipnose, propõe a sua amiga Ambrosia hipnotizá-la, sob o argumento de
curá-la de um trauma da infância.

Acreditando na cura, Ambrosia aceita a terapia. Estando sob os efeitos da


hipnose e das determinações de Eufrosina, Ambrosia entrega-lhe um colar de
brilhantes, que já era cobiçado pela psicóloga há anos. Eufrosina vai embora
surrupiando a joia.

Assim, Eufrosina praticou o crime de:

a) roubo próprio.
b) furto simples.
c) furto mediante fraude.
d) roubo impróprio.
e) estelionato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela houve a prática do delito de ROUBO


(roubo próprio, no qual a violência ou grave ameaça ocorre para possibilitar a
subtração da coisa), mediante a utilização de VIOLÊNCIA IMPRÓPRIA (aquela em que
o agente não agride a vítima, não se vale de violência física propriamente dita, mas
reduz a possibilidade de defesa da vítima, como no caso da hipnose). Trata-se,
portanto, de roubo próprio, nos termos do art. 157, caput, do CP. Gab: A.

Q131 - Lucileide, ao sair de sua residência, foi rendida por dois homens, que
portavam armas de fogo, e colocada no porta-malas do seu próprio veículo.
Os marginais percorreram por muitas horas vários bairros, sendo exigido
sempre de Lucileide efetuar vários saques bancários em contas de sua
titularidade, sempre sob a ameaça de armas, inclusive sob a ameaça de ser
violentada sexualmente. Logo, Lucileide foi vítima do delito de:

a) cárcere privado (artigo 148 do CP).


b) roubo (artigo 157, § 2, V, do CP).
c) extorsão simples (artigo 158, caput do CP).
d) extorsão qualificada (artigo 158, § 3º do CP).
e) extorsão mediante sequestro (artigo 159 do CP).

RESPOSTA DA QUESTÃO: O crime praticado aqui foi o de extorsão qualificada, nos


termos do art. 158, §3º do CP, o chamado ―sequestro relâmpago‖.

Vejamos:
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito
de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que
se faça ou deixar de fazer alguma coisa:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.


(...)
§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de
reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave
ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
(Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009) LETRA D.

Q132 - Sílvio e Mário, por determinação de Valmeia, prima de Sílvio,


tomaram vários eletrodomésticos da casa de Joaquina, que havia saído para
trabalhar. Após a divisão em partes iguais, Valmeia, por necessitar para
utilização em sua casa, comprou de Sílvio e Mário os eletrodomésticos que
lhes couberam na divisão. Logo, pode-se afirmar que todos praticaram o
delito de furto e que
Valmeia não responde por receptação porque participou do delito anterior, e
a receptação, aqui, é considerada como mero post factum impunível.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Segundo Rogério Sanches (CP, p. 180), o sujeito atiivo da receptação poderá ser
qualquer um, DESDE QUE não tenha concorrido para o delito anterior. Assim, nenhum
dos três poderá ser incriminado por receptação, somente por furto. Questão certa.
Q133 - Num período em que faltam corpos humanos para estudo nos
institutos de anatomia das universidades de medicina, Claudionor,
funcionário de uma universidade privada, vende um cadáver desta
universidade para outra, sem o conhecimento dos administradores da
instituição em que trabalha. Assim, Claudionor:

a) não praticou nenhum crime, haja vista o cadáver não poder ser objeto de crime.
b) praticou o crime de destruição, subtração ou ocultação de cadáver.
c) praticou o crime de vilipêndio a cadáver.
d) praticou o crime de violação de sepultura.
e) praticou o crime de furto.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O agente, aqui, praticou o delito de FURTO, pois o


cadáver é considerado objeto e, no caso de ser pertencente a alguém (como era
pertencente à Universidade), está sujeito aos crimes patrimoniais, como o furto.

Não se trata do crime do art. 171, §2º, II do CP (disposição de coisa alheia como
própria), pois aqui o agente ENGANA o comprador (fraude).

Ou seja, a vítima neste delito seria o comprador. No caso da questão, o comprador


não teve prejuízo algum, não houve qualquer fraude. O prejuízo foi exclusivo da
Universidade, que teve seu patrimônio subtraído. Gab: E

Q134 - Vitorina, ex-funcionária da empresa de fornecimento de energia


elétrica, vestindo um uniforme antigo, foi até a casa de Pauliana dizendo que
estava ali para receber os valores da conta mensal de fornecimento de
energia elétrica. Acreditando em Vitorina, Pauliana, pagou os valores a esta,
que utilizou o dinheiro para comprar alguns vestidos. Entretanto, como
sempre, as contas dessa empresa eram e deveriam ser pagas na rede
bancária. Logo, Vitorina praticou o crime de:

a) furto.
b) roubo.
c) estelionato.
d) apropriação indébita.
e) extorsão.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela houve o delito de estelionato, pois a


agente se valeu de fraude para obter para si vantagem ilícita, nos termos do art. 171
do CP. Não se trata de furto mediante fraude, pois neste a vítima é ―distraída‖ pela
fraude, que facilita a subtração da coisa. No caso da questão a própria vítima entrega
a vantagem (dinheiro) à infratora, o que configura o estelionato. LETRA C.

Q135 - Segundo o Código Penal, apropriar-se de coisa alheia móvel, de que


tem a posse ou a detenção tipifica o crime de:

a) furto.
b) roubo.
c) extorsão.
d) extorsão indireta.
e) apropriação indébita.
RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal conduta configura o delito de apropriação indébita,
nos termos do art. 168 do CP:

Apropriação indébita
Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. LETRA E.

Q136 - Aurélio, numa tarde de domingo, percebe que havia gasto todo o seu
dinheiro. Assim, como não teria dinheiro para comprar o jantar, resolve
praticar um assalto. Para conseguir o seu desígnio, esconde-se atrás de um
matagal à espera de uma vítima. Após horas esperando, por volta das
22:00h, Patrícia, que retornava da Igreja em direção a sua casa, passa em
frente ao matagal onde estava Aurélio. Aproveitando-se da distração de
Patrícia e fingindo estar armado, coloca sua mão embaixo da camisa, salta
na frente de Patrícia e mediante uma grave ameaça subtrai-lhe a bolsa com
sua carteira, documentos, dinheiro e a Bíblia, e sai correndo levando todos
os pertences.

Analisando a história acima narrada, a conduta praticada por Aurélio se


enquadra no seguinte tipo penal:

a) roubo qualificado.
b) roubo famélico.
c) furto qualificado mediante fraude.
d) furto com aumento de pena em razão do repouso noturno.
e) roubo simples.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela o agente praticou o delito de ROUBO


SIMPLES, nos termos do art. 157 do CP. Não se trata de roubo majorado pelo
emprego de arma (art. 157, §2º, I do CP), pois o agente apenas fingiu portar uma
arma, inexistente. A grave ameaça (em razão da pretensa existência de uma arma),
por si só, não majora o delito, pois a grave ameaça é uma circunstância elementar do
tipo principal. LETRA E.

Q137 - A e B, agindo em concurso e com unidade de desígnios entre si,


mediante grave ameaça, exercida com o emprego de arma de fogo,
abordaram C, que reagiu após o anúncio de assalto. Ante a reação, B efetuou
um disparo contra C, mas por erro na execução, o projétil atingiu o
comparsa, causando-lhe a morte. Em seguida, B pôs-se em fuga, sem
realizar a subtração patrimonial visada. Esse fato configura

a) roubo tentado e homicídio consumado, em concurso material.


b) latrocínio tentado.
c) homicídio consumado.
d) latrocínio consumado.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso temos o crime de roubo seguido de morte


(latrocínio), em sua forma consumada, nos termos do art. 157, §3º do CP. O STF já
consolidou entendimento no sentido de que o latrocínio se consuma com a ocorrência
do evento morte, ainda que a subtração não ocorra.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q138 - No que diz respeito aos crimes contra o patrimônio previstos no


Código Penal, é correto afirmar que subtrair coisa móvel alheia, para si ou
para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, e mantendo a
vítima em seu poder, restringindo sua liberdade, caracteriza o crime de
extorsão
mediante sequestro.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tal conduta configura o crime de roubo, nos termos do art. 157 do CP. A extorsão
mediante sequestro é a que o agente exige de outrem vantagem indevida como
moeda de troca. Errada.

Q139 - O crime de furto é qualificado se praticado durante o repouso


noturno.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item errado, pois o crime, neste caso, não será qualificado. Haverá, porém, a
incidência de uma causa de aumento de pena, nos termos do art. 155, §1º do CP.

Q140 - Imagine que João confunda seu aparelho de telefone celular com
o de seu colega Pedro e, descuidadamente, leve para sua casa o
aparelho de Pedro. Ao perceber o equívoco, João imediatamente
comunica-se com Pedro e informa o ocorrido. No dia seguinte,
João devolve o aparelho ao colega sem qualquer dano. Analisando
a hipótese narrada, é possível afirmar que João

(A) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto da desistência
voluntária.
(B) não cometeu crime algum.
(C) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto
da desistência voluntária.
(D) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto do
arrependimento eficaz.
(E) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto
do arrependimento eficaz.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O agente, neste caso, agiu em ERRO DE TIPO, por incidir
em erro sobre um dos elementos que compõem o tipo penal (no caso, o elemento
―coisa alheia‖, já que acreditava que a coisa era sua). Neste caso, João não pode ser
responsabilizado pelo crime de furto, nos termos do art. 20 do CP. Até se poderia
cogitar a punição da conduta a título culposo, caso ficasse comprovado que o erro foi
imperdoável (erro inescusável). Contudo, o delito de furto não admite modalidade
culposa. Gab: B

Q141 - No que concerne ao crime de receptação, analise as seguintes


assertivas:

I. Não é punível se desconhecido o autor do crime de que proveio a coisa.


II. Não é punível se isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa.
III. A pena para a figura simples dolosa (CP, art. 180, caput) é aplicada em
dobro caso se trate de bem da União. As assertivas estão, respectivamente:

(A) correta; correta; incorreta.


(B) incorreta; correta; incorreta.
(C) correta; correta; correta.
(D) incorreta; incorreta; incorreta.
(E) incorreta; incorreta; correta.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
I – ERRADA: Tal fato é irrelevante para a punibilidade da receptação, nos termos do
§4º do art. 180 do CP.
II - ERRADA: Tal fato também não impede a punição pelo crime de receptação, nos
termos do §4º do art. 180 do CP.
III – CORRETA: Esta é a exata previsão do art. 180, §6º do CP. LETRA E.

Q142 - O crime de fraude no pagamento por meio de cheque (CP, art. 171, §
2.º, VI) tem expressa previsão de aumento de pena, na razão de um terço,
se

(A) cometido em detrimento de entidade de direito público.


(B) cometido por funcionário público.
(C) causa qualquer prejuízo à vítima.
(D) consumado.
(E) causa vultoso prejuízo à vítima.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal delito tem aumento de pena, de um terço, se o crime


é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia
popular, assistência social ou beneficência, nos termos do art. 171, §3º do CP. LETRA
A.

Q143 - Estabelece o art. 155, § 2.º do CP como requisitos necessários para


que, no crime de furto, o juiz aplique somente a pena de multa, ser o
criminoso

(A) confesso e de insignificante valor a coisa subtraída.


(B) primário e de pequeno valor a coisa furtada.
(C) não reincidente e portador de condições pessoas favoráveis,
como domicílio fixo e ocupação lícita.
(D) menor de 21 (vinte e um) anos ou maior de 70 (setenta) anos
e que proceda à restituição voluntária da coisa subtraída.
(E) confesso e que proceda à restituição voluntária da coisa subtraída.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O §2º do art. 155 estabelece que o Juiz poderá substituir
a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar
somente a pena de multa caso o criminoso seja PRIMÁRIO e seja de pequeno valor a
coisa furtada. LETRA B.

Q144 Cícero entrou no automóvel de Augustus e subtraiu-lhe um


computador portátil que estava no banco traseiro. Augustus percebeu a ação
delituosa e perseguiu Cícero, com o qual entrou em luta corporal. No
entanto, Cícero causou ferimentos leves em Augustus, e conseguiu fugir do
local, de posse do aparelho subtraído. Cícero responderá por crime de

A) roubo impróprio.
B) furto simples.
C) furto qualificado pela destreza.
D) furto e de lesões corporais.
E) apropriação indébita.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Aqui temos o que se chama de ROUBO IMPRÓPRIO, pois


o agente, embora não tenha se utilizado de violência ou grave ameaça para realizar a
subtração da coisa, o faz para garantir a impunidade ou o proveito do crime. Vejamos
o que diz o art. 157, §1° do CP:
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:

Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.


§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega
violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime
ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. Letra A.

Q145 - Mara, empregada doméstica, subtraiu joias de sua empregadora


Dora, colocando-as numa caixa que enterrou no quintal da residência. No dia
seguinte, porém, Dora deu pela falta das joias e chamou a polícia que
realizou busca no imóvel e encontrou o esconderijo onde Mara as havia
guardado. Nesse caso, Mara responderá por

A) apropriação indébita.
B) furto tentado.
C) furto consumado.
D) roubo.
E) estelionato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela houve FURTO CONSUMADO, eis que a


agente (Mara) chegou a ter a posse sobre os bens, ainda que estes estivessem dentro
da propriedade da proprietária, mas já não estavam mais sob a posse dela.
O crime de furto se consuma com a posse efetiva sobre os bens furtados, pouco
importando se eles saíram ou não de perto da vítima. Letra C.

Q146 - Paulo postou-se em frente a um restaurante e apresentou- se como


manobrista a um freguês que chegou para jantar.

Entregou-lhe um papel com um número e recebeu deste as chaves o veículo,


do qual se apossou, fugindo do local. Paulo responderá por crime de

A) apropriação indébita.
B) estelionato.
C) furto qualificado pela fraude.
D) furto simples.
E) furto com abuso de confiança.
RESPOSTA DA QUESTÃO: No crime de estelionato, a fraude é o meio utilizado pelo
agente para que a vítima, enganada, LHE ENTREGUE A VANTAGEM INDEVIDA (no
caso, o veículo). Já no crime de furto qualificado pela utilização de fraude, o agente
emprega o ardil, a fraude, de forma a fazer com que a vítima diminua sua vigilância
sobre o bem, facilitando, desta forma, a conduta do larápio, que irá SUBTRAIR O
BEM. No caso em tela, como não houve subtração, mas entrega voluntária da coisa
pela vítima, em razão da fraude perpetrada pelo agente, temos ESTELIONATO. Letra
B.

Q147 - José encontrou um talonário de cheques na rua. Retirou uma das


folhas, preencheu e a utilizou para pagar R$ 200,00 de combustível num
posto de gasolina.

Tal conduta configurou o delito de

A) estelionato.
B) furto qualificado mediante fraude.
C) venda de coisa alheia como própria.
D) receptação.
E) extorsão.

COMENTÁRIO DA QUESTÃO:
No caso em tela, embora tenha havido a prática de falsificação de documento público,
essa falsificação se deu como crime-meio para a prática do crime de estelionato.
Tendo a potencialidade lesiva do documento falso se esgotado no estelionato
praticado, o estelionato absorve o crime de falso, conforme Jurisprudência do STJ, de
forma que o agente deve responder apenas por estelionato, previsto no art. 171 do
CP. Vejamos:
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,
induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer
outro meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez
contos de réis.

Vejamos a posição do STJ, inclusive pela súmula 17:


PENAL. HABEAS CORPUS. USO DE DOCUMENTO FALSO. ESTELIONATO TENTADO.
PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E DA SÚMULA 17/STJ.
INVIABILIDADE. POTENCIALIDADE LESIVA DO FALSO QUE NÃO SE EXAURE
NA FRAUDE PERPETRADA. ORDEM DENEGADA.
1. Segundo dispõe o enunciado 17 da Súmula desta Corte, "quando o falso se
exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido".
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q148 - Paulo subtraiu um toca-fitas e vendeu o referido aparelho para João.


João não sabia que se tratava de produto de furto, interessou-se pelo
negócio porque o preço do rádio correspondia a 10% do valor de mercado.

Nesse caso, João cometeu crime de


A) estelionato.
B) receptação dolosa.
C) receptação culposa.
D) furto.
E) apropriação indébita.

COMENTÁRIO DA QUESTÃO:
João praticou o crime de receptação culposa, eis que adquiriu produto de crime,
mesmo embora não sabendo que o fosse, mas em razão da desproporção do preço do
produto e seu valor real, deveria ter desconfiado. Letra C

Q149 - No tocante aos crimes contra o patrimônio, é correto afirmar que A) a


subtração de coisa comum não constitui crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Se a porção subtraída não excede à parte que cabia ao infrator não constitui crime.
CUIDADO MÁXIMO. Errado.

Q150 - O dano culposo constitui infração de menor potencial ofensivo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O dano culposo não é considerado infração penal, por ausência de expressa previsão
legal nesse sentido, punindo-se apenas o dano doloso. Errada.

Q151 - Há previsão legal de escusa absolutória nos delitos patrimoniais


desde que seja cometido contra cônjuge, na constância da sociedade
conjugal, ascendente, descendente, excluídos os crimes de roubo ou de
extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de violência ou grave ameaça
contra a pessoa e ao estranho que participa do crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Aquele que comete QUALQUER DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO é isento de
pena se pratica o fato contra:

Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste
título, em prejuízo:

I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;


II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo,
seja civil ou natural.
A norma do inciso I se estende, também, àqueles que vivam em União Estável.

No entanto, estas escusas absolutórias não se aplicam nas hipóteses do art. 183 do
CP:
Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de
grave ameaça ou violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime.
III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta)
anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003). Questão Correta.

Q152 – Entre os crimes em que se admite a figura privilegiada, com


substituição da pena de reclusão pela de detenção, diminuição de um a dois
terços ou aplicação somente da pena de multa, encontra-se:

a) o furto.
b) o estelionato.
c) a apropriação indébita.
d) a receptação.
e) todas estão corretas.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A figura privilegiada consistente na possibilidade de ―substituição da pena de reclusão
pela de detenção, diminuição de um a dois terços ou aplicação somente da pena de
multa‖ está prevista para diversos crimes patrimoniais. Gab: D

Q153 - A subtração de veículo automotor que venha a ser transportado para


o exterior, ocorrida mediante concurso de agentes, durante o repouso
noturno e com emprego de narcotização da vítima classifica-se precisamente
como

a) furto simples.
b) furto com causa de aumento.
c) furto qualificado.
d) roubo impróprio.
e) roubo próprio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Roubo próprio com violência imprópria. E

Q154 - Epicuro e Tales resolvem subtrair importância em dinheiro de um


veículo coletivo de passageiros, com uso de simulacro de arma de fogo, e
ameaçam o cobrador do ônibus, tomando-lhe pequena importância em
espécie. Na mesma conduta subtraem dinheiro e celulares de dois
passageiros e do próprio cobrador. Epicuro e Tales cometeram crime de

a) roubo qualificado pelo uso de arma de fogo.


b) roubo qualificado em concurso material de crimes.
c) roubo simples em concurso material de crimes.
d) furto qualificado em concurso material de crimes.
e) roubo majorado em concurso de crimes.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso, os agentes cometeram o delito de roubo majorado (pelo concurso de
pessoas) em concurso de crimes, pois foram praticados quatro delitos de roubo
diferentes (um contra a empresa de ônibus e outros três contra os passageiros e o
cobrador), sendo concurso formal, já que praticados mediante uma única conduta
global. Letra E

Q155 - Quatro ladrões chegaram de carro em frente a uma residência para a


prática de crime de furto. Porém, antes de descerem do veículo, foram
obstados pela polícia, que os observava, e levados para a Delegacia onde
lavrou-se o auto de prisão em flagrante. Nesse caso, os agentes praticaram
tentativa de furto qualificado pelo concurso de pessoas.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Os agentes tinham finalidade de praticar o crime de furto qualificado por concurso de
agentes, mas não passaram da fase de meros atos preparatórios, impunível. Errada.
Q156 - Dentre os crimes contra o patrimônio, ainda que primário o agente e
de pequeno valor a coisa ou o prejuízo, NÃO admite a imposição exclusiva de
pena de multa

a) o estelionato.
b) o furto.
c) a receptação dolosa.
d) a apropriação indébita.
e) o dano culposo.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal circunstância não é aplicável ao crime de ―dano


culposo‖, pois tal conduta é considerada FATO ATÍPICO. Letra E.

Q157 - O segurança de um estabelecimento comercial, mediante


remuneração de R$ 10.000,00, desligou o alarme durante trinta minutos
para que seus comparsas arrombassem a porta, entrassem e subtraíssem
todo o dinheiro do cofre.

Nesse caso, o segurança responderá pelo crime de

a) furto simples, na condição de co-autor.


b) furto qualificado, na condição de partícipe.
c) favorecimento real.
d) favorecimento pessoal.
e) roubo qualificado, na condição co-autor.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O segurança responderá pelo crime de furto qualificado


pelo concurso de pessoas, na qualidade de partícipe do crime (pois auxiliou na sua
prática). Letra B

Q158 - Pedro ingressou numa joalheria e afirmou que pretendia adquirir um


anel de ouro para sua esposa. A vendedora colocou sobre a mesa diversos
anéis. Após examiná-los, Pedro disse que lhe agradou mais uma peça que
estava exposta no canto da vitrine e que queria vê-la. A vendedora voltou-
lhe as costas, abriu a vitrine e retirou o anel. Valendo-se desse momento de
descuido da vendedora, Pedro apanhou um dos anéis que estava sobre a
mesa
e colocou-o no bolso. Em seguida, examinou o anel que estava na vitrine,
disse que era bonito, mas muito caro, agradeceu e foi embora, levando no
bolso a joia que havia apanhado. Nesse caso, Pedro responderá por furto
qualificado pela fraude.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
No caso em tela o agente se valeu de uma fraude (se fez passar por comprador
honesto) para diminuir a vigilância da vítima. Questão correta.

Q159 - O ato de receber, como garantia de dívida, abusando da situação de


alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a
vítima, constitui crime de

a) fraude na entrega de coisa.


b) estelionato.
c) fraude no comércio.
d) extorsão indireta.
e) furto qualificado pela fraude.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Esta conduta configura o delito de extorsão indireta,


previsto no art. 160 do CP:

Extorsão indireta
Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de
alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou
contra terceiro:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. LETRA D.

Q160 - Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua


liberdade no crime de roubo, haverá aumento de pena.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
É o que prevê o Art. 157, §2º, V do CP. Correta.

Q161 - José ingressou no escritório da empresa Alpha, sendo que o


segurança não lhe obstou o acesso porque estava vestido de faxineiro e
portando materiais de limpeza. No interior do escritório, arrombou a gaveta
e subtraiu R$ 3.000,00 do seu interior. Quando estava saindo do local, o
segurança, alertado pelo barulho, tentou detê-lo. José, no entanto, o agrediu
e o deixou desacordado e ferido no solo, fugindo, em seguida, do local de
posse do dinheiro subtraído. Nesse caso, José responderá por roubo
impróprio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Roubo impróprio com violência própria. Obs: É impossível roubo impróprio com
violência imprópria. Correta.

Q162 - No crime de apropriação indébita,

a) o dolo é antecedente à posse.


b) a ação penal é sempre pública incondicionada, independentemente da condição da
vítima.
c) o Juiz pode reduzir a pena se primário o criminoso e de pequeno valor a coisa
apropriada.
d) é possível o perdão judicial no caso de apropriação indébita culposa.
e) há aumento da pena quando o agente recebe a coisa em razão de emprego, mas
não de profissão.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: A posse é anterior ao dolo, que passa a existir apenas em momento
posterior.
B) ERRADA: Pois a ação será pública condicionada quando a vítima for alguma das
pessoas enumeradas no art. 182 do CP.
C) CORRETA: Esta é a previsão contida no art. 170 do CP, que se remete ao art. 155,
§2º do CP.
D) ERRADA: A apropriação indébita culposa é uma figura atípica, ou seja, não é
prevista como crime.
E) ERRADA: Tanto numa quanto noutra hipótese haverá aumento de pena, por força
do art. 168, §1º, III do CP.
Gab: LETRA C.

Q163 - José, réu primário, após subtrair para si, durante o repouso noturno,
mediante rompimento de obstáculo, um botijão de gás avaliado em R$ 50,00
do interior de uma residência habitada, foi preso em flagrante delito.

O crime praticado por José é atípico em razão da incidência do princípio da


insignificância.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
CUIDADO! Para os Tribunais, não há se falar em aplicação do Princípio da
Insignificância nas hipóteses de Furto qualificado. O STF entende que as
qualificadoras do furto já denotam uma maior ofensividade da conduta dos agentes.
Logo, seria incompatível a aplicação da benesse. (STF/HC: 94765)

Entretanto, é possível que haja furto privilegiado (furto de coisa pequena rs), desde
que a qualificadora seja de ordem objetiva. É o que diz a orientação do STJ.

Súmula 511 (STJ): É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art.


155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a
primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem
objetiva. Errada.

Q164 - Praticar, na presença de alguém menor de 18 (dezoito) anos,


conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria
ou de outrem, tipifica o crime de satisfação de lascívia mediante presença de
criança ou adolescente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item errado, pois tal delito só se caracteriza quando a conduta é realizada na
presença de alguém menor de 14 anos, nos termos do art. 218-A do CP.

Q165 - Constranger alguém, mediante fraude, a ter conjunção carnal ou a


praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso, tipifica
crime de estupro.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso teremos o delito de violência sexual mediante fraude, nos termos do art.
215 do CP. Errada.

Q166 - Atrair à prostituição alguém menor de 18 (dezoito) anos tipifica o


crime de favorecimento da prostituição, ou de outra forma de exploração
sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 218-B do CP.
Q167 - ―X‖, em um cinema, durante a exibição de um filme que continha
cenas de sexo, é flagrado por policiais expondo e manipulando sua genitália.
Tal conduta, em tese, não tipifica crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A conduta do agente, em tese, configura o delito de ato obsceno, previsto no art. 233
do CP. Questão errada.

Q168 - Nos termos do Código Penal, assinale a alternativa que contenha


apenas crimes contra a dignidade sexual

a) Perigo de contágio venéreo; atentado ao pudor mediante fraude; assédio sexual.


b) Assédio sexual; perigo de contágio venéreo; corrupção de menores.
c) Estupro; atentado violento ao pudor; prostituição.
d) Atentado violento ao pudor; sedução; estupro.
e) Estupro; corrupção de menores; assédio sexual.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra


E traz três condutas que são crimes contra a dignidade sexual (arts. 213,
218 e 216-A do CP). LETRA E.

Q169 - Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou


favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior
hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função, caracteriza o crime de assédio sexual.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art.
216-A do CP.

Q170 - No crime de estupro,

a) não é possível a responsabilização penal por omissão.


b) há presunção de violência quando a vítima não é maior de 14 anos.
c) a tipificação não exige o contato físico entre a vítima e o agente.
d) como regra, a ação penal é privada, exigindo-se a queixa-crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
a) ERRADA: É plenamente possível a responsabilização pela omissão, quando o
agente tinha o dever de evitar a ocorrência do resultado (ex.: mãe que deixa o
padrasto estuprar a própria filha, sem nada fazer para impedir), nos termos do art.
13, §2º do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois a presunção de violência, que caracteriza o crime de
estupro de vulnerável, só ocorre quando a vítima é MENOR de 14 anos (e não quando
a vítima ―não é maior‖ de 14 anos), nos termos do art. 217-A do CP.
c) CORRETA: Item polêmico. Há duas correntes sobre o tema. Uma sustenta que é
necessário o contato físico (prevalece no STJ), e a outra sustenta que o contato físico
é DISPENSÁVEL. A Banca adotou esta última corrente.
d) ERRADA: Item errado, pois a ação penal é, em regra, pública
condicionada, nos termos do art. 225 do CP.
Gab: D
Q171 - Os crimes contra a dignidade sexual são, como regra, processados e
julgados por ação pública condicionada à representação, mas são de ação
pública incondicionada quando se trata de vítima menor de dezoito anos ou
vulnerável.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Os crimes contra a dignidade sexual são, em regra, crimes de ação penal pública
condicionada à representação, mas serão de ação pública incondicionada quando se
trata de vítima menor de dezoito anos ou vulnerável, nos termos do art. 225 e seu §
único do CP. Questão certa.

Q172 - Nos crimes de estupro (artigo 213 do Código Penal) e estupro de


vulnerável (artigo 217-A do Código Penal), a pena é aumentada pela metade
quando o

a) agente é empregador da vítima.


b) crime é cometido em concurso de duas ou mais pessoas.
c) agente é reincidente específico
d) agente praticou o crime em estado de embriaguez preordenada.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Em relação a tais delitos, nos termos do art. 226, II do


CP, a pena é aumentada de metade se o ―agente é ascendente, padrasto ou
madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador
da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela‖.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

Q173 - Para a tipificação do crime de lenocínio, exige-se que a conduta seja


dirigida a pessoa determinada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Se o induzimento é genérico, sem pessoa determinada como destinatária, não se
caracteriza o delito do art. 227 do CP.

Q174 - Há estupro quando alguém constranger outro alguém, mediante


violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique um
ato libidinoso qualquer ou a ter conjunção carnal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão correta nos termos da nova redação do art. 213 do CP.

Q175 - Calêndula vendeu sua enteada Florisbela, de dezenove anos de idade,


com a finalidade da mesma ser explorada sexualmente em Barcelona. Logo,
Calêndula praticou o crime de favorecimento da prostituição ou outra forma
de exploração sexual.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso o agente responderá pelo delito de tráfico internacional de pessoa para
fim de exploração sexual, previsto no art. 231 do CP. Errada.

Q176 - Maria, a pedido de sua prima Joana, por concupiscência desta,


convenceu sua vizinha Pauliana, de 12 anos de idade, a assistir Joana e seu
namorado Paulo em intimidades sexuais. Assim, pode-se concluir que Maria
obrou para o delito de:

a) submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância


a vexame ou a constrangimento.
b) aliciar criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso.
c) favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de
vulnerável.
d) satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente.
e) corrupção de menores.

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela, Maria praticou o crime de satisfação da


lascívia mediante presença de criança ou adolescente, previsto no art. 218-A do CP:

Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente (Incluído pela Lei


nº 12.015, de 2009) Art. 218-A. Praticar, na presença de alguém menor de 14
(catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso,
a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: (Incluído pela Lei nº 12.015, de
2009)

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.‖ (Incluído pela Lei nº 12.015, de


2009)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q177 - Aquele que submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma


de exploração sexual alguém menor de dezoito anos ou que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para
a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone, comete o
crime de:

a) estupro de vulnerável.
b) corrupção de menores.
c) instigação sexual de vulnerável.
d) favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de
vulnerável.
e) satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta descrita no enunciado da questão se amolda


perfeitamente ao tipo penal do art. 218-B do CP, que trata do crime de
―Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável‖.
Gab: D

Q178 - Constitui crime contra a dignidade sexual praticar conjunção carnal


ou outro ato libidinoso, sem violência ou grave ameaça, com alguém não
deficiente mental ou enfermo menor de dezoito anos e maior de quatorze
anos em situação de prostituição.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
A prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso, sem violência ou grave ameaça,
com alguém não deficiente mental ou enfermo, somente poderá caracterizar o delito
de estupro de vulnerável se a vítima for menor de 14 anos, na forma do art. 217-A do
CP. Caso menor de 14 anos, temos estupro de vulnerável. Certa.
Q179 - No ano de 2011, Giovane, com a anuência de sua companheira
Fernanda, pratica com Pérola, filha desta e sua enteada, de apenas, 10 anos,
atos libidinosos diversos, o que ocorreu em três dias distintos no mesmo
mês, sempre agindo da mesma forma e nas mesmas condições. O fato foi
levado ao conhecimento da autoridade policial que instaurou o procedimento
próprio.

Diante deste quadro, Giovane deverá responder por estupro de vulnerável,


por três vezes, na forma continuada, e Fernanda pela mesma infração por
força de sua omissão, eis que tinha o dever jurídico de impedir o resultado,
com relação a ela incidindo a causa de aumento por ser a vítima sua filha.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Apesar de Giovane ter praticado a conduta três vezes, neste caso, considerando as
circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução, deverá ser reconhecida a
continuidade delitiva, de forma que Giovane responderá por estupro de vulnerável
com a causa de aumento de pena por ser a vítima sua enteada, por três vezes, em
continuidade delitiva. Já Fernanda irá responder pela mesma infração por força de
sua omissão, eis que tinha o dever jurídico de impedir o resultado. Não haverá
aumento de pena, neste caso, pois teríamos bis in idem, já que a punição de
Fernanda tem como pressuposto ser mãe da vítima, de forma que a aplicação da
causa de aumento de pena seria dupla punição pelo mesmo fato. Assertiva incorreta.

Q180 - Nos crimes contra a dignidade sexual, não mais haverá ação penal
privada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
De fato, não há previsão de crimes de ação penal PRIVADA em se tratando de crimes
contra a dignidade sexual. Certa.

Q181 - Se alguém der sonífero à vítima para, aproveitando-se do seu sono,


manter com ela relação sexual, ele pratica o crime de estupro com violência
presumida.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O agente, aqui, estará praticando o delito de ESTUPRO DE VULNERÁVEL. Errada.

Q182 - Joaquim constrange Benedita, por meio de grave ameaça, a ter com
ele relação sexual. Após o coito Benedita falece em decorrência de ataque
cardíaco, pois padecia, desde criança, de cardiopatia grave, condição
desconhecida por Joaquim.

No caso em tela, Joaquim responderá por estupro simples.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Estupro na modalidade simples, pois o resultado morte não decorreu de dolo ou culpa
do agente, de maneira que não pode a ele ser imputado. Certo.

Q183 - Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula em um show de rock, em


uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco, resolvem dirigir-se
a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações sexuais
com Paula. Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13
anos e que somente conseguira entrar no show mediante apresentação de
carteira de identidade falsa.

A partir da situação narrada, assinale a afirmativa correta.


A) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável doloso.
B) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável culposo.
C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial.
D) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de proibição direto.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Em tese, Bráulio praticou o delito do art. 217-A do CP


(estupro de vulnerável), por ter mantido relação sexual com pessoa menor de 14
anos. Contudo, no caso concreto, podemos afirmar que Bráulio agiu em erro de tipo
essencial, pois representou equivocadamente a realidade (acreditava que Paula
tivesse mais de 14 anos), incorrendo em erro sobre um dos elementos que integram
o tipo penal (ser a vítima menor de 14 anos), nos termos do art. 20 do CP. LETRA C.

Q184 - Figure que em consultório odontológico exista uma pequena copa,


onde os dentistas e demais profissionais que ali trabalham realizam suas
refeições. Imagine, ainda, que por imprudência na manutenção do fogão e
respectivas mangueiras ocorra um vazamento de gás, seguido de uma
explosão. Dela decorrem danos materiais de razoável monta, mas não se
registra nenhum dano à incolumidade física. Independentemente de quem
seja (eventual) responsável, é correto afirmar que não houve ilícito algum.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
houve crime de explosão (forma culposa), nos termos do art. 251, §3º do CP. Errada.

Q185 - Constitui causa de aumento de pena o fato de o crime de incêndio ser


praticado

a) mediante utilização de explosivos.


b) em situação de violência doméstica ou familiar contra a mulher
c) por motivo fútil ou torpe
d) em canteiro de obras em área de grande densidade demográfica e populacional.
e) nenhuma das alternativas está correta

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Vale a leitura do art. 250, §1º, II, ―e‖ do CP, nenhum dos itens se amolda. Questão
incorreta.

Q186 - Sobre os crimes de perigo comum previstos no Código Penal, é


correto afirmar:

a) Todos os crimes de perigo comum admitem forma qualificada pelo


resultado.
b) O crime de incêndio, por ser de perigo comum, pode se consumar com a
provocação do mero perigo de incêndio, independentemente de expor
diretamente a risco à vida ou à integridade física ou patrimônio de outrem.
c) Os crimes de perigo comum não admitem forma tentada.
d) Os crimes de perigo comum não admitem forma culposa.
e) Os crimes de perigo comum exigem elemento subjetivo
específico.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
a) CORRETA: Item correto, pois há expressa previsão nesse sentido, conforme consta
no art. 258 do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois o crime de incêndio é considerado crime de perigo
CONCRETO, exigindo-se que da conduta do agente resulte efetivo perigo à vida, à
integridade física ou ao patrimônio de terceiros.
c) ERRADA: Item errado, pois a forma tentada é admitida, exceto nas modalidades
culposas.
d) ERRADA: Item errado, pois há previsão de forma culposa nos crimes dos arts. 260,
§2º, 261, §3º e 262, §2º, todos do CP. Na forma culposa, porém, é necessário que o
desastre efetivamente ocorra (não basta mera situação de perigo).
e) ERRADA: Item errado, pois tais delitos não exigem elemento subjetivo específico
(dolo específico ou especial fim de agir), bastando o mero dolo genérico. LETRA A.

Q187 - Letícia, mediante arremesso de dinamite, expôs a perigo a vida e a


integridade física de passageiros de uma aeronave. Nessa situação, Letícia
deve responder por crime de explosão, que admite a modalidade culposa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O item está correto, pois a conduta de Letícia configura


o delito de explosão. Vejamos:

Explosão
Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de
outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de
dinamite ou de substância de efeitos análogos:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
§ 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Lembrando que a conduta de meramente ―arremessar‖ é uma das condutas puníveis,


que somente consumará o delito com a efetiva exposição a perigo, já que se trata de
crime de perigo concreto.

Tal delito, ainda, é punível também na modalidade culposa:


§ 3º - No caso de culpa, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos
análogos, a pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos; nos demais casos,
é de detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

Q188 - Flávia arremessou projétil em ônibus destinado ao transporte


público, enquanto o ônibus estava em movimento e com passageiros em seu
interior. Nessa situação, a conduta de Flávia somente será considerada crime
se tiver resultado em lesão corporal ou morte; caso contrário, será
considerada apenas ilícito civil.
RESPOSTA DA QUESTÃO: O item está errado, pois a conduta do agente, aqui, já
consumou o delito de arremesso de projétil, previsto no art. 264 do CP:

Arremesso de projétil
Art. 264 - Arremessar projétil contra veículo, em movimento, destinado ao
transporte público por terra, por água ou pelo ar:
Pena - detenção, de um a seis meses.
Parágrafo único - Se do fato resulta lesão corporal, a pena é de detenção, de
6 (seis) meses a 2 (dois) anos; se resulta morte, a pena é a do art. 121, § 3º,
aumentada de um terço.

Trata-se de crime de perigo abstrato, não sendo exigível a efetiva criação do perigo
real. Além disso, a ocorrência de lesão corporal ou morte apenas qualifica o delito,
mas é irrelevante para sua consumação na forma simples.

Q189 - Mário, revoltado com os sucessivos defeitos de seu velho carro,


levou-o até um lugar ermo e desabitado e ateou fogo no veículo, destruindo-
o. Mário não cometeu crime de incêndio, porque tratando-se de local ermo e
desabitado, o fato não ocasionou perigo comum e concreto.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O delito de ―incêndio‖ é crime de perigo concreto, ou seja, exige que ocorra a
situação de perigo real ao bem jurídico tutelado, de forma que o crime não se verifica
se o agente cria o incêndio em local ermo, sem expor o bem jurídico a qualquer
situação de perigo. Questão certa.

Q190 - Relativamente ao tipo objetivo, pode-se afirmar que o crime de incêndio


(―art. 250: Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o
patrimônio de outrem‖) é considerado:

a) de perigo abstrato.
b) de perigo concreto.
c) de perigo presumido.
d) de alto risco.
e) de baixo risco.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O delito de ―incêndio‖ é crime de perigo concreto, ou


seja, exige que ocorra a situação de perigo real ao bem jurídico tutelado, de forma
que o crime não se verifica se o agente cria o incêndio sem expor o bem jurídico a
qualquer situação de perigo. Gab: B

Q191 - Inserto no Título VIII, do Código Penal ―Dos crimes contra a


incolumidade pública‖, é exemplo de ―crime de perigo comum‖, previsto no
Capítulo I do mesmo código:

a) expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio
de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado;
b) obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento;
c) falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público
verdadeiro;
d) praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público;
e) fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade,
substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à
sua fabricação.
RESPOSTA DA QUESTÃO: Das condutas apresentadas apenas a que consta na
alternativa E representa um crime de perigo comum, o delito de ―Fabrico,
fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou
asfixiante‖, que configura o delito do art. 253 do CP:

Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou


asfixiante

Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da


autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material
destinado à sua fabricação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

Q192 – (OFICIAL PMCE) Em se tratando de crimes de incêndio e explosão,


admite-se o concurso de crimes, afastando-se a aplicação do princípio da
consunção.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Não há que se falar em aplicação do princípio da consunção em relação a tais delitos,
eis que um não é considerado meio para a prática do outro. Correta.

Q193 - Aquele que, publicamente, zomba de alguém em virtude de sua


função religiosa como padre

a) comete crime de ultraje a culto, previsto no Código Penal entre os crimes contra o
sentimento religioso.
b) não comete crime algum, pois o fato é atípico e não está previsto no Código Penal.
c) comete crime de injúria qualificada por ofensa a credo
religioso, previsto no Código Penal entre os crimes contra a honra.
d) comete crime de vilipêndio a ministro religioso, previsto entre os crimes contra a
liberdade religiosa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta do agente, no caso em tela, caracteriza o


delito de ultraje a culto, previsto no art. 208 do CP:

Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função


religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar
publicamente ato ou objeto de culto religioso:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.


Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem
prejuízo da correspondente à violência.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.
Q194
Q195 - Osvaldo, desejando matar, disparou seu revólver contra Arnaldo, que,
em razão do susto, desmaiou. Osvaldo, acreditando piamente que Arnaldo
estava morto, colocou-o em uma cova rasa que já havia cavado, enterrando-
o, vindo a vítima a efetivamente morrer, em face da asfixia.Assim, Osvaldo
praticou:
a) homicídio qualificado pela asfixia e homicídio culposo, bemcomo ocultação de
cadáver.
b) homicídio qualificado pela asfixia e ocultação de cadáver.
c) homicídio simples e ocultação de cadáver.
d) homicídio culposo.
e) homicídio simples.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Osvaldo teve a intenção de matar com o disparo de arma de fogo e não com a asfixia,
portanto: HOMICÍDIO SIMPLES. Osvaldo tentou ocultar o cadáver, mas como a vítima
ainda estava viva há crime impossível em relação à ocultação, portanto: NÃO HÁ
OCULTAÇÃO DE CADÁVER. Gab: E

Q196 - Na corrupção passiva, há diferenciações normativas se:

- em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa


de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringido dever funcional - o
funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração
de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem.
Tem-se, nesses dois fatores de penas, respectivamente:

a) qualificadora e causa de diminuição.


b) causa de aumento e privilégio.
c) qualificadora e causa de aumento.
d) causa de aumento e qualificadora.
e) privilégio e qualificadora.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso, teremos, respectivamente, uma causa de


aumento de pena e uma privilegiadora (ou privilégio), previstos nos §§1º e 2º do art.
317 do CP:

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº
10.763, de 12.11.2003)
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou
promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
pratica infringindo dever funcional.
§ 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com
infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

Q197 - José foi surpreendido pelo policial João, dirigindo alcoolizado um


veículo na via pública. Nessa oportunidade, ofereceu a João a quantia de R$
100,00 para não prendê-lo, nem multá-lo. João aceitou a proposta, guardou
o dinheiro, mas multou e efetuou a prisão em flagrante de José por dirigir
alcoolizado. Nesse caso, João responderá pelo crime de:
a) condescendência criminosa.
b) corrupção ativa.
c) prevaricação
d) corrupção passiva.
e) concussão.

RESPOSTA DA QUESTÃO: João, não confundam, é o policial. Assim, João, ao


receber o dinheiro, praticou o delito de corrupção passiva na forma
consumada. Vejamos:

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº
10.763, de 12.11.2003)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

Q198 - No que concerne ao crime de peculato doloso, é correto afirmar que

a) o ressarcimento do dano até a denúncia extingue a punibilidade do agente.


b) o particular responde pelo delito quando for coautor ou partícipe.
c) o delito só se caracteriza se o agente tiver obtido vantagem patrimonial.
d) a imputação do delito depende de prévia tomada ou prestação de contas do
responsável pelo desvio.
e) não é possível a continuidade delitiva.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A) ERRADA: Isto só se aplica ao peculato culposo, nos termos do art. 312, §3º do CP.
Além disso, o prazo para a extinção da punibilidade (no peculato culposo!) vai até a
sentença irrecorrível.
B) CORRETA: Embora o particular, a princípio, não possa praticar o delito, por não ser
funcionário público, caso venha a praticar a conduta em concurso de pessoas
(coautoria ou participação) com alguém que possua a qualidade exigida (ser
funcionário público e valer-se do cargo para o crime), responderá também o
particular pelo delito, nos termos do art. 30 do CP. É necessário, ainda, que o
particular saiba que seu comparsa possui a qualidade exigida pelo tipo penal.
C) ERRADA: Item errado, pois a obtenção da vantagem pode se dar por terceiro, e
não necessariamente em favor do agente que pratica o delito.
D) ERRADA: Item errado, pois não há qualquer exigência no CP neste sentido, sendo
as esferas (administrativa e penal) autônomas.
E) ERRADA: Não há nada que proíba a continuidade delitiva em tais crimes, ou seja, o
peculato pode ser praticado na forma do art. 71 do CP (prática reiterada de diversos
crimes de peculato em circunstâncias de tempo, lugar, modo de execução, etc.). A
CORRETA É A LETRA B.

Q199 - Um contribuinte foi até o balcão de atendimento do setor fiscal e


apresentou documento para a comprovação de quitação do tributo. Todavia,
faltou com o respeito contra o funcionário autorizado para o registro no
sistema. O funcionário, diante da ofensa, alterou os dados inseridos para que
constasse pagamento parcial e não total do tributo. Com isso, o contribuinte
foi acionado judicialmente para pagamento do tributo que já tinha quitado. A
conduta do funcionário está inserida no crime de

a) prevaricação.
b) modificação não autorizada de sistema de informações.
c) sonegação de documento
d) falsidade ideológica.
e) inserção de dados falsos em sistema de informações.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O funcionário praticou o delito de inserção de dados


falsos em sistema de informações, previsto no art. 313-A do CP.

Vejamos:
Inserção de dados falsos em sistema de informações (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos,
alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou
bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida
para si ou para outrem ou para causar dano:
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000))
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)
O agente responde por este delito, e não por prevaricação, já que é uma forma
―especial‖ de violação aos deveres funcionais, que neste caso específico ocorreu com
o intuito de CAUSAR DANO ao contribuinte. LETRA E.

Q200 - Funcionário público, responsável pelo andamento de procedimento,


descobriu que determinado contribuinte era seu primo. Diante disso, sem
qualquer contato com o primo, decidiu colocar o procedimento em uma das
caixas que guardavam papéis destinados ao arquivo. A conduta do
funcionário caracteriza o crime de

a) supressão de documento.
b) sonegação de livro ou documento.
c) subtração de livro ou documento.
d) prevaricação.
e) advocacia administrativa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O agente cometeu, aqui, o delito de prevaricação,


previsto no art. 319 do CP, pois praticou ato funcional em contrariedade aos deveres
do cargo, para satisfazer sentimento pessoal (ajudar o primo). LETRA D.

Q201 - O crime de inserção de dados falsos em sistema de informações (art.


313-A do Código Penal) pode ser cometido pelo funcionário autorizado que
inserir ou facilitar a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de
dados da Administração pública, com o fim de obter vantagem indevida para
si ou para outrem ou para causar dano.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tal delito só pode ser cometido pelo funcionário AUTORIZADO que inserir ou facilitar
a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos
sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração pública, com o fim de
obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano, conforme
previsão contida no art. 313-A do CP. Questão Certa.

Q202 - Durante um julgamento perante o Tribunal do Júri, um jurado, que


em sua vida normal exerce a função de vendedor, solicitou R$ 10.000,00
(dez mil reais) ao advogado do réu para votar pela absolvição deste. O
jurado cometeu o crime de corrupção passiva.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O jurado é considerado, sim, funcionário público, pois o conceito de funcionário
público para fins penais é muito mais abrangente que no Direito Civil, de forma a
abranger aqueles que exercem mera função pública, ainda que transitoriamente e
sem remuneração. O jurado cometeu, assim, o crime previsto no art. 317 do CP, pois
solicitou vantagem indevida para si em razão da função que exercia. Nesse caso,
cometeu o crime de corrupção passiva.
ASSIM, A ALTERNATIVA ESTÁ CORRETA.

Q203 - Constitui crime de desobediência o não atendimento por funcionário


público de ordem legal de outro funcionário público.

ERRADA: O crime de desobediência é um crime que só pode ser praticado pelo


particular. Se praticado pelo funcionário público pode, no entanto, configurar o crime
de prevaricação, nos termos dos arts. 329 e 319 do CP.

Q204 - Pratica crime de resistência quem se opõe, mediante violência, ao


cumprimento de mandado de prisão decorrente de sentença condenatória
supostamente contrária à prova dos autos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O fato de a sentença judicial que embasa o mandado de prisão ser considerada
injusta não desconfigura o crime, pois o modo correto para o agente questionar a
sentença é a via recursal. Nesse caso, o ato praticado pelo funcionário público (oficial
de justiça) é plenamente legal, pois se fundamenta em decisão judicial válida, que
pode, no entanto, ser atacada pela via do recurso. Questão correta.

Q205 - Cronos é Analista Judiciário, Área Judiciária, Especialidade Execução


de Mandados. No exercício de suas funções, no cumprimento de mandado
judicial, atendendo a pedido de influente político da região, retardou a
prática de ato de ofício, deixando de remover bens penhorados de Zeus, cabo
eleitoral
deste. Nessa hipótese, Cronos

a) cometeu crime de prevaricação.


b) não cometeu crime contra a Administração Pública.
c) cometeu crime de corrupção passiva.
d) cometeu crime de advocacia administrativa.
e) concussão.
RESPOSTA DA QUESTÃO: Muito cuidado com esta questão, povo! Esta conduta se
amolda ao tipo penal previsto no art. 317, § 2° do CP, que prevê o crime de
corrupção privilegiada. Este tipo estabelece uma penalidade diferenciada para o
funcionário que se corrompe (deixa de fazer o que deveria, ou faz o que não deveria)
não para obter uma vantagem, mas apenas para fazer um favor a alguém, para
atender a um pedido, como no caso da questão.

Muitos candidatos confundiram a conduta com o crime de prevaricação, do art. 319


do CP. Contudo, não se trata de prevaricação, pois na prevaricação o agente pratica a
conduta para satisfazer sentimento pessoal (ódio, vingança, etc.) Na corrupção
passiva privilegiada temos o famoso ―jeitinho amigo‖.

Assim, Cronos praticou o crime de corrupção passiva. LETRA C.

Q206 - O funcionário público que, se valendo dessa qualidade, patrocina


interesse privado perante a administração pública comete, em princípio, o
crime de

a) corrupção passiva.
b) condescendência criminosa.
c) advocacia administrativa.
d) excesso de exação.
e) prevaricação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O funcionário público, neste caso, pratica o delito


de advocacia administrativa, previsto no art. 321 do CP:

Advocacia administrativa
Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a
administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. LETRA C.

Q207 - Matias, diretor da Penitenciária XYZ, permite livremente o acesso de


aparelho telefônico celular dentro da Penitenciária que dirige, o que está
permitindo a comunicação dos presos com o ambiente externo. Neste caso,
Matias

a) está praticando o crime de peculato doloso simples.


b) está praticando o crime de concussão.
c) está praticando o crime de peculato doloso qualificado.
d) está praticando o crime de prevaricação imprópria.
e) não está praticando crime tipificado pelo Código Penal brasileiro.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso o funcionário público está praticando o delito


previsto no art. 319-A do CP:
Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu
dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que
permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente
externo: (Incluído pela Lei nº 11.466, de 2007).
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Este tipo não possui um ―nome
oficial‖, mas foi batizado pela Doutrina como prevaricação imprópria, por ser uma
espécie de prevaricação. LETRA D.
Q208 - Modela-se também pelas ideias de furto e de apropriação indébita a
figura legal do crime de

a) prevaricação.
b) concussão.
c) excesso de exação.
d) favorecimento pessoal.
e) peculato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O delito, dentre os citados, que se amolda à ideia de


furto e de apropriação indébita é o delito de peculato, eis que se trata de um delito
que congrega duas condutas (subtrair e apropriar-se) também previstas nestes
delitos. Contudo, no peculato existem outras variantes que fazem com que tenhamos
este delito e não furto ou apropriação indébita (art. 155 e art. 168 do CP,
respectivamente). LETRA E.

Q209 - O peculato culposo tem a punibilidade extinta se o agente repara o


dano antes da sentença irrecorrível.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O peculato culposo é fato TÍPICO, pois está previsto no art. 312, §2º do CP, com uma
pena bem inferior à do peculato doloso.
Entretanto, caso o agente repare o dano ATÉ a sentença irrecorrível, ficará extinta a
punibilidade. Vejamos:

Art. 312 (...)


Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena
imposta. Veja, essa segunda parte, que não é o caso da questão, também costuma
ser cobrada em provas, fique alerta. Gab: Certa.

Q210 - O funcionário público que tem conhecimento de infração cometida no


exercício do cargo por subordinado e que, por indulgência, não promove sua
responsabilização e também não comunica o fato ao superior competente
para tanto pratica

(A) corrupção ativa (CP, art. 333).


(B) corrupção passiva (CP, art. 317).
(C) fato atípico, pois não está descrito expressamente como crime no CP.
(D) condescendência criminosa (CP, art. 320).
(E) prevaricação (CP, art. 319).

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal funcionário público estará praticando o crime de


condescendência criminosa, previsto no art. 320 do CP. Letra D. (Indulgência = Pena)

Q211 - Marcelo é aprovado em concurso público para o cargo de Delegado de


Polícia. Sabe que seu vizinho tem expedido em seu desfavor mandado de
prisão. Mesmo antes de assumir o cargo, Marcelo procura seu vizinho, que é
proprietário de automóvel de luxo, e solicita-lhe comprar o veículo por 1/3
do preço de mercado, insinuando de modo implícito que caso a proposta não
seja aceita efetuará sua prisão tão logo assuma o cargo público. O vizinho
não cede e Marcelo, mesmo após assumir o cargo, não toma qualquer atitude
em desfavor de seu vizinho. Marcelo praticou

a) corrupção passiva.
b) estelionato, na modalidade tentada.
c) meros atos preparatórios.
d) corrupção passiva, na modalidade tentada.
e) concussão.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal conduta caracteriza o delito de corrupção passiva,


previsto no art. 317 do CP. Como podemos ver, tal delito pode ser cometido mesmo
antes de a pessoa assumir a função pública, desde que a conduta tenha relação com
o futuro cargo.
Poderia ser questionado se, no caso, não houve concussão (dada a existência de uma
ameaça velada). Entendo que sim, e a questão poderia ter sido anulada. Contudo,
não podemos nos esquecer de a questão foi clara ao utilizar o verbo SOLICITAR, o
que caracterizaria a corrupçãopassiva. Letra A.

Q212 - Imagine que, por erro, um cidadão entrega a um funcionário público


determinada quantia em dinheiro. O funcionário, ciente de tal circunstância,
não devolve o dinheiro ao cidadão, não informa o ocorrido aos seus
superiores e, finalmente, apropria-se do dinheiro.

Diante disso, é correto afirmar que o funcionário


A) não comete crime, mas apenas uma infração funcional.
B) comete crime de peculato mediante erro de outrem.
C) comete crime de corrupção passiva.
D) comete crime de excesso de exação.
E) comete crime de prevaricação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta do funcionário público se amolda ao tipo penal


do crime de peculato mediante erro de outrem, previsto no art. 313 do CP:
Art. 313 - Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do
cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. LETRA B.

Q213 - A pena do crime de corrupção passiva é aumentada se o funcionário


público, em consequência da vantagem ou promessa, infringe dever
funcional

I. retardando ou deixando de praticar qualquer ato de ofício;


II. praticando qualquer ato de ofício;
III. de forma intencional ou premeditada.

É correto o que se afirma em


A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e II, apenas.
E) I, II e III.
RESPOSTA DA QUESTÃO: A pena do crime de corrupção passiva é aumentada, nos
termos do art. 317, §1º do CP:

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela


Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
§ 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou
promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o
pratica infringindo dever funcional.
Assim, a pena é aumentada se o funcionário pratica o ato de ofício com infração a
dever funcional ou se retarda ou deixa de praticá-lo. LETRA D.

Q214 - Tomando como base o crime de peculato, analise as afirmações:


I. Estão previstas no crime de peculato as condutas de apropriar-se, desviar
ou subtrair dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel.
II. Especificamente quanto ao peculato culposo, é admissível a reparação do
dano antes ou depois da sentença.
III. O dinheiro proveniente da prática do crime de peculato deve ser usado
em proveito próprio. Está correto somente o contido em

A) I.
B) II.
C) I e II.
D) I e III.
E) II e III.

RESPOSTA DA QUESTÃO: As afirmativas I e II estão corretas, pois, de fato, o art.


312 e seu §1º, prevê as referidas condutas como possíveis formas de prática do
delito de peculato Por fim, a afirmativa III está errada, eis que o dinheiro proveniente
do peculato pode ser usado em proveito próprio ou alheio, sendo indiferente para a
caracterização do delito. LETRA C.

Q215 - Determinado policial militar disse de forma impositiva ao assaltante


que acabou de prender em flagrante, com o intuito de se locupletar
indevidamente, que somente muito dinheiro o faria "aliviar sua barra". Tal
conduta

A) não tipifica crime.


B) somente tipificaria algum delito caso houvesse a efetiva
entrega do dinheiro.
C) tipifica o crime de peculato.
D) tipifica o crime de concussão.
E) tipifica o crime de corrupção passiva.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A Banca entendeu que o enunciado deixou claro tratar-se de crime de CONCUSSÃO,
já que o enunciado fala que o policial militar falou em tom impositivo. Gab: D
Q216 - O crime de falsidade ideológica, presentes os demais elementos
legais, apenas se configura se o documento é público, não havendo crime se
o documento é particular.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de falsidade ideológica, previsto no art. 299 do CPP, pode ser praticado tanto
utilizando-se documento público quanto documento particular. Errada.

Q217 - A conduta do funcionário público que, antes de assumir a função, mas


em razão dela, exige para outrem, indiretamente, vantagem indevida não
configura crime algum, pois o fato ocorre antes de assumir a função.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
No presente caso a conduta se amolda ao tipo penal do art. 316 do CP, que define o
crime de concussão. Errada.

Q218 - O fazendeiro de uma cidade do interior de São Paulo, que solicita aos
assentados dinheiro a pretexto de influir na atuação de funcionário do ITESP
a fim de facilitar a concessão de títulos de domínio visando a regularização
fundiária, comete o crime de:

a) corrupção passiva qualificada.


b) tráfico de influência.
c) advocacia administrativa.
d) exploração de prestígio.
e) estelionato

RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta do fazendeiro, neste caso, configura o delito


de tráfico de influência. Letra B

Q219 - Policiais Militares Ambientais comparecem a um assentamento e


constatam a extração ilegal de madeira (crime ambiental).

Trabalhadores assentados pedem aos policiais que não adotem providências,


no que são prontamente atendidos e os policiais se retiram, sem que
qualquer providência fosse implementada.

Diante da afirmação anterior, e com relação aos crimes contra a


Administração Pública, os Policiais Militares cometeram o crime de corrupção
passiva privilegiada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Exatamente. A pena, neste caso, é menor que na corrupção passiva propriamente
dita, eis que aqui o funcionário público não age para obter qualquer vantagem. Certa.

Q220 - Agamenon, funcionário público, teve desavenças pessoais no trabalho


contra Pitágoras. Com o desejo de vingar-se do seu desafeto, Agamenon
retarda indevidamente um ato de ofício quedevia praticar, com o claro
objetivo de prejudicar Pitágoras.
Conforme o que dispõe o Código Penal, essa conduta de Agamenon
caracteriza o crime de
a) corrupção passiva.
b) descaminho.
c) concussão.
d) violência arbitrária.
e) prevaricação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso o funcionário público praticou o delito de


prevaricação, eis que retardou, indevidamente, ato de ofício para satisfazer
sentimento pessoal.

Q221 - Nos crimes praticados por funcionário público contra a Administração


Pública em geral, conforme previsto no Código Penal, se o autor do crime for
ocupante de cargo em comissão ou de função de direção ou assessoramento
de órgão da administração direta,

a) ele apenas perderá o cargo, mas ficará isento de pena.


b) sua pena será reduzida.
c) ele não responderá criminalmente pelo fato delituoso, mas apenas civil e
administrativamente.
d) sua pena será aumentada.
e) acarretar-se-á a punição também daquele que o nomeou para o cargo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso o infrator terá sua pena aumentada em um terço, conforme prevê
o art. 327, §2º do CP:

Funcionário público
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos
neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou
assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista,
empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. (Incluído pela Lei nº
6.799, de 1980). Gabarito: D

Observação importantíssima que vai além dessa questão, mas pode vir a ser cobrada
na sua prova: A LEI SE OMITIU QUANTO AOS CARGOS COMISSIONADOS DAS
AUTARQUIAS, E NÃO SE PERMITE ANALOGIA IN MALAM PARTEM.

Q222 - O funcionário que modifica ou altera sistema de informações ou


programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade
competente pratica o crime de inserção de dados falsos em sistemas de
informações.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O funcionário, neste caso, pratica o delito de Modificação


ou alteração não autorizada de sistema de informações, previsto no art. 313-B do CP.
AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

Q223 - Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei, só


tipificará o crime de abandono de função se resultar prejuízo público.
RESPOSTA DA QUESTÃO: Item errado, pois a consumação do delito independe da
ocorrência de prejuízo (art. 323 do CP), mas a eventual ocorrência de prejuízo
qualifica o crime (§1º do art. 323 do CP). AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

Q224 - A lei penal admite interpretação analógica, recurso que permite a


ampliação do conteúdo da lei penal, através da indicação de fórmula
genérica pelo legislador.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
São diversos os casos que o Código Penal autoriza o emprego da interpretação
analógica: art. 28, II ("substância de efeitos análogos"); art. 71 ("e outras
semelhantes"); art. 146 ("qualquer outro meio"); art. 171 ("qualquer outro meio
fraudulento") etc.

A interpretação analógica não deve ser confundida com o emprego da analogia. A


interpretação analógica visa a alcançar a vontade da norma por meio da semelhança
com fórmulas utilizadas pelo legislador. Certa.

225 - São crimes praticados por particular contra a Administração em Geral,


exceto:

(A) Os crimes de Usurpação de Função Pública e Resistência.


(B) Os crimes de Desobediência e Desacato.
(C) Os crimes de Tráfico de Influência e Corrupção Ativa.
(D) Os crimes de Descaminho e Contrabando.
(E) Os crimes de Denunciação Caluniosa e Comunicação falsa de crime ou de
contravenção.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, todas trazem


apenas crimes praticados por particular contra a administração em geral, exceto a
letra E, pois os crimes de denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime ou
contravenção configuram crimes contra a administração da Justiça.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

226 - O crime de resistência previsto no artigo 329 do CP tem sua pena


aplicada sem prejuízo da pena correspondente à violência grave.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Item correto, nos termos do art. 329, §2º do CP:

Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a


funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio: Pena
- detenção, de dois meses a dois anos.

(...) § 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à
violência.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

227 - O delito de desobediência, previsto no artigo 330, CP, é crime comum,


tendo como sujeito ativo qualquer pessoa, com exceção do funcionário
público, que mesmo quando não está no exercício da função, não perde essa
condição para efeitos penais.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Item errado, pois o funcionário público pode praticar o


delito de desobediência, na qualidade de particular, quando estiver fora do exercício
das funções. Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

228 - Opor-se à execução de ato legal, ainda que sem violência ou ameaça a
funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando
auxílio, tipifica o crime de resistência.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Item errado, pois para a caracterização deste delito é


indispensável o emprego de violência ou ameaça, nos termos do art. 329 do CP.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

229 - José, policial militar, no exercício da sua função, decidiu abordar João
na via pública, pois este passou a correr quando percebeu a aproximação da
viatura policial. Durante a abordagem, João passou a desprestigiar e ofender
José, em razão do seu salário de policial militar, inclusive proferindo
palavras de baixo calão contra ele. Com relação à conduta de João, pode-se
afirmar sobre ele que

(A) ao sair correndo, quando viu a viatura policial, praticou o delito de resistência.
(B) cometeu o delito de desobediência.
(C) sua conduta é atípica.
(D) é passível de queixa-crime, ajuizada por José, no prazo de 6 meses, a contar da
data do fato, caso sinta que sua honra profissional tenha sido ofendida.
(E) praticou o crime de desacato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: João, neste caso, praticou o delito de desacato, previsto


no art. 331 do CP. Gab: E.

230 - Antônio foi abordado por Policiais Militares na via pública e, quando
informado que seria conduzido para a Delegacia de Polícia, pois era
―procurado‖ pela Justiça, passou a desferir socos e pontapés contra um dos
policiais. Sobre a conduta de Antônio, pode-se afirmar que

(A) praticou o crime de desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal.


(B) praticou o crime de resistência, previsto no artigo 329 do Código Penal.
(C) praticou o crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal.
(D) não praticou nenhum crime, pois todo cidadão tem direito à sua autodefesa.
(E) praticou o crime de corrupção ativa, previsto no artigo 333 do Código Penal, pois
pretendeu, com sua reação, corromper o funcionário público a não cumprir ato de
ofício.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso o agente praticou o delito de resistência,


previsto no art. 329 do CP

231 - Sobre o delito de corrupção ativa, pode-se afirmar que

(A) é crime próprio.


(B) tem como objeto jurídico a honestidade do funcionário público.
(C) é crime formal.
(D) é crime de concurso necessário.
(E) admite forma culposa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O crime de corrupção ativa é COMUM (pode ser praticado


por qualquer pessoa) e tem como objeto (bem jurídico) a moralidade e a probidade
da administração pública. Além disso, é crime de concurso EVENTUAL e não admite
forma culposa. Por fim, trata-se de crime FORMAL, pois se consuma com a mera
prática da conduta, independentemente de o agente obter o resultado pretendido.
LETRA C.

232 José solicita e recebe dinheiro de um empresário que participará de uma


licitação pública a pretexto de ajudá-lo a vencer o certame, sob o argumento
de que tem muitos amigos no comando da Administração Pública. Sobre a
conduta de José, está correto afirmar que

(A) praticou o crime de usurpação da função pública (art. 328,


Código Penal).
(B) praticou o crime de corrupção ativa (art. 333, Código Penal).
(C) praticou o crime de impedimento, perturbação ou fraude concorrência (art. 335,
Código Penal).
(D) praticou o crime de tráfico de influência (art. 332, Código Penal).
(E) não praticou nenhum crime (fato atípico), pois quem decide o resultado de
licitação é o agente público e não o particular.

RESPOSTA DA QUESTÃO: José praticou o delito de tráfico de influência, previsto no


art. 332 do CP. Gab: D.

233 - A resistência qualificada consiste

A) na oposição do agente ao ato legal mediante violência.


B) na oposição do agente ao ato legal, causando considerável prejuízo à vítima.
C) na oposição do agente ao ato legal mediante o emprego da violência ou ameaça.
D) na vontade exteriorizada do agente de empregar violência ou usar de ameaça
contra o funcionário competente para executar o ato legal, ou ainda, a quem lhe
esteja prestando auxílio.
E) na não execução do ato legal diante da resistência do agente.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal delito se caracteriza, na forma qualificada, quando o


ato não é executado em razão da resistência do agente.

Vejamos:
Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a
funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:

Pena - detenção, de dois meses a dois anos.


§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena - reclusão, de um a três anos. LETRA E.

234 - Assinale a alternativa que exemplifica o crime de desacato.


A) "X", de forma muito humilhante, diz a seu vizinho, funcionário público, durante um
churrasco entre amigos, que ele é a pessoa mais preguiçosa e lenta que já conheceu.
B) "X" descumpre a ordem dada pelo juiz em audiência e continua fotografando a
vítima do crime sob julgamento.
C) "X", ao deparar-se no fórum com a escrevente "Z", dirige a ela as seguintes
palavras: que coisa mais linda, até parece um anjo!
D) "X", ao ter seu veículo apreendido pelo Delegado de Polícia "Z", gesticula a ele de
forma obscena utilizando o dedo médio da mão.
E) "X", que assiste a uma partida de vôlei, zomba de um dos jogadores: Vejam como
o nosso promotor público enfeita a quadra, até parece uma borboleta!

RESPOSTA DA QUESTÃO: O delito de desacato está previsto no art. 331 do CP.


O crime de desacato deve ser praticado contra o funcionário público NO EXERCÍCIO
DA FUNÇÃO (quando estiver exercendo a função) ou EM RAZÃO DELA (mesmo fora
do local do exercício da função, mas em razão da função).
No caso em tela, somente a alternativa D traz uma hipótese de caracterização do
delito de desacato. LETRA D.

Observação (atualizando as informações):


A Quinta Turma do STJ decidiu no final de 2016 que o desacato não é crime, essa
decisão é isolada mas pode cair em prova, se a questão dizer o que diz a
jurisprudência, marque que não é crime, mas de acordo com o CP ainda é crime, já
que o legislador ainda não se manifestou. Para todos os efeitos, veja trecho do
acórdão (esse assunto é altamente relevante para o concurso de POLICIAL MILITAR):

"O afastamento da tipificação criminal do desacato não impede a responsabilidade


ulterior, civil ou até mesmo de outra figura típica penal (calúnia, injúria, difamação
etc.), pela ocorrência de abuso na expressão verbal ou gestual ofensiva, utilizada
perante o funcionário público".

Estudar os crimes cometidos por particulares contra a administração pública é


essencial para o concurso da Polícia Militar, destacando-se: Desobediência,
Resistência, Desacato e Corrupção Ativa.

235 - São pressupostos do delito de resistência que

I. o ato ao qual se opõe seja legal;


II. a violência ou ameaça seja praticada contra o policial que executar o ato;
III. a oposição seja praticada mediante violência ou ameaça.
Está correto o contido em

A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) I e II, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O delito de resistência está previsto no art. 329 do CP o


ato ao qual se opõe deve ser LEGAL. A violência ou ameaça deve ser praticada contra
o funcionário competente para praticar o ato, e não necessariamente um policial. Por
fim, A oposição ao ato deve ser praticada necessariamente com violência ou ameaça.
Assim, as afirmativas I e III estão corretas.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.
236 - A conduta de opor-se mediante violência ou ameaça à execução de
ordem legal advinda de funcionário competente tipifica o crime de

A) desobediência.
B) desacato.
C) fraude processual.
D) resistência.
E) exercício arbitrário das próprias razões.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta descrita caracteriza o delito do art. 329 do CP,


ou seja, crime de RESISTÊNCIA.

237 - Examine as afirmações sobre o crime de tráfico de influência.


I. Ocorre se o agente solicita para si ou para outrem vantagem a pretexto de
influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função.
II. É praticado, ainda que sem intenção, e de forma imprudente, se o agente
exige para si ou para outrem vantagem a pretexto de influir em ato praticado
por funcionário público no exercício da função.
III. Tem a sua pena aumentada se o agente alega que a vantagem solicitada
é também destinada ao funcionário público que se deixará influenciar.

Está correto o contido em


A) I, somente.
B) I e II, somente.
C) I e III, somente.
D) II e III, somente.
E) I, II e III.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
I - CORRETA: Esta é a redação do tipo penal previsto no art. 332 do CP,
caracterizando o delito de tráfico de influência;
II - ERRADA: O crime somente é punido a título de dolo, não havendo previsão de
forma culposa;
III - CORRETA: Esta é a causa de aumento de pena prevista no art. 332, § único do
CP, aumentando-se a pena em metade. LETRA C.

238 - A pena prevista pelo Código Penal para o crime de "resistência" (CP,
art. 329), por expressa disposição legal, é

A) de reclusão e de multa.
B) de reclusão, de seis meses a um ano.
C) maior, se o funcionário público, em razão da violência, fica afastado do cargo.
D) maior se o ato, em razão da resistência, não se executa.
E) diminuída de um a dois terços se a resistência não é praticada com violência.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para resolvermos a questão é necessária a transcrição do art. 329 do CP, que define o
tipo penal do delito de resistência. Gab: D

239 - Somente comete crime de resistência aquele que age com violência ou
ameaça.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
É necessário que o agente resista à ordem legal utilizando-se de violência ou grave
ameaça, nos termos do art. 329 do CP. Correta.

240 - Quem desobedece à ordem ilegal de funcionário público não comete


crime de desobediência.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para que tal crime se configure é necessário que a ordem do funcionário público seja
LEGAL, nos termos do art. 330 do CP. Correta.

241 - Apenas se configura o crime de desacato se a ação for praticada contra


funcionário no exercício da função ou em razão dela.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
É indispensável, no delito de desacato, que o funcionário desacatado esteja no
exercício da função ou, pelo menos, que o desacato se dê em razão da função, nos
termos do art. 331 do CP. Correta.

242 - Constitui crime de desobediência o não atendimento por funcionário


público de ordem legal de outro funcionário público.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
ERRADA: O crime de desobediência é um crime que só pode ser praticado pelo
particular. Se praticado pelo funcionário público pode, no entanto, configurar o crime
de prevaricação, nos termos dos arts. 329 e 319 do CP.

243 - Comete crime de corrupção ativa quem oferece vantagem indevida a


funcionário público para determiná-lo a deixar de praticar medida ilegal.

ERRADA:
Cuidado com a pegadinha! Se a medida que o funcionário público ia praticar era
ilegal, não há crime de corrupção ativa, pois se exige que o ato que o funcionário
público iria praticar seja legal, nos termos do art. 333 do CP. Errada.

244 - Para a caracterização do crime de desacato não é necessário que o


funcionário público esteja no exercício da função ou, não estando, que a
ofensa se verifique em função dela.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
ERRADA: É necessário que a ofensa seja proferida, em qualquer caso, em razão da
função pública, esteja ou não o funcionário público no exercício da função no
momento do crime.

245 - Túlio assumiu o exercício de função pública sem ser nomeado ou


designado, executando ilegitimamente ato de ofício. Tal conduta caracteriza
o crime de

a) desobediência.
b) tráfico de influência.
c) exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado.
d) advocacia administrativa.
e) usurpação de função pública.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Como Túlio não possuía qualquer vínculo com a


administração pública, o exercício da função pública, neste caso, configura o crime de
usurpação de função pública, nos termos do art. 328 do CP. O crime de exercício
funcional ilegalmente antecipado só se configuraria se Túlio tivesse sido nomeado
mas ainda não empossado no cargo, o que não ocorreu. LETRA E.

246 - O crime de desobediência

A) só pode ser praticado por omissão.


B) será punido apenas com multa, se for culposo.
C) ocorre independentemente da legalidade da ordem.
D) exige violência ou grave ameaça.
E) não prescinde de dolo, ainda que eventual.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O crime de desobediência só é punível na modalidade


dolosa, motivo pelo qual a existência desse elemento subjetivo do tipo é
INDISPENSÁVEL. Letra E.

247 - O crime de corrupção ativa caracteriza-se mesmo que a oferta de


vantagem indevida seja feita após a prática do ato de ofício.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O item está errado, pois é necessário que a oferta ou promessa de vantagem indevida
seja anterior à prática do ato, pois o tipo penal exige que ela seja feita ―para‖
ocasionar a falta funcional, e não em decorrência dela. Gab: E.

248 – O delito de corrupção ativa não se caracteriza quando o agente se


limita a pedir ao funcionário público que pratique, omita ou retarde ato de
ofício.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso, o particular que apenas solicita ao funcionário público um ―jeitinho‖ (sem
nada oferecer em troca), não pratica crime. O funcionário público, entretanto, caso
atenda ao pedido, pratica crime de corrupção passiva privilegiada, nos termos do art.
317, §2º do CP. Gab: Certa.

249 - Processado por roubo cometido contra empresa pública federal, Mélvio
teve sua prisão preventiva legalmente decretada. Ao ser regularmente
cumprido o respectivo mandado por Oficial de Justiça, Mélvio resistiu com
violência à prisão e, ao final, foi absolvido da imputação de roubo, posto que
afinal reconhecida injusta. Com base somente nesses dados,

(A) inexistiu crime de resistência, qualquer que seja o fundamento técnico da


absolvição quanto ao roubo.
(B) inexistiu crime de resistência, desde que a absolvição seja pela negativa de
autoria quanto ao roubo.
(C) inexistiu crime de resistência, mas responde Mélvio, de qualquer modo, por outro
eventual crime correspondente à violência.
(D) inexistiu o crime de resistência, desde que a absolvição quanto ao roubo tenha
afirmado a inexistência ou o atipicidade do fato respectivo.
(E) caracteriza-se o crime de resistência.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso restou PLENAMENTE caracterizado o delito de


resistência, pois o agente, mediante violência, resistiu ao cumprimento de ato legal
por parte de funcionário público. Gab: E.

250 - Paulo é estudante de uma determinada faculdade do Estado de


Roraima, cursando o primeiro semestre. No início deste ano de 2015 Paulo é
submetido a um trote acadêmico violento e, amarrado, é obrigado a
consumir à força bebida alcoólica e substância entorpecente. Após o trote,
Paulo, completamente embriagado e incapacitado de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento por
conta desta embriaguez e do uso de droga, desloca-se até uma Delegacia de
Polícia da cidade de Boa Vista, onde tramita um inquérito contra ele por
crime de lesão corporal dolosa decorrente de uma briga em uma casa
noturna, e oferece R$ 10.000,00 em dinheiro ao Delegado de Polícia para que
este não dê prosseguimento às investigações. Paulo acaba preso em
flagrante pela Autoridade Policial. No caso hipotético exposto, Paulo a)
praticou crime de corrupção ativa e terá a pena reduzida de um a dois terços
no caso de condenação.

b) é isento de pena pelo crime cometido nas dependências da Delegacia de


Polícia.
c) praticou crime de corrupção ativa e não terá a pena reduzida no caso de
condenação pela embriaguez.
d) praticou crime de concussão e não terá a pena reduzida no caso de
condenação.
e) praticou crime de concussão e terá a pena reduzida de um a dois terços no
caso de condenação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Paulo praticou a conduta típica prevista no art. 333 do


CP, ou seja, em tese teria praticado o delito de corrupção ativa.
Contudo, a questão deixa claro que ele se encontrava inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com este
entendimento, situação decorrente de embriaguez ocasionada por FORÇA MAIOR.
Assim, Paulo é inimputável e, segundo o CP, isento de pena (afasta a culpabilidade),
nos termos do art. 28, §1º do CP. Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

251 - O advogado de um contribuinte mencionou que seu procedimento


administrativo poderia ter o andamento mais célere, caso efetivasse o
pagamento de uma ―taxa de andamento‖ ao funcionário responsável pelo
encaminhamento processual, mediante o conhecimento e a amizade que ele
possuía com o referido funcionário. Efetivado o acordo, o cliente lhe
entregou os valores. A conduta do advogado está inserida no crime de

a) fato atípico pela cobrança de honorários.


b) advocacia administrativa.
c) corrupção ativa.
d) tráfico de influência.
e) estelionato.
RESPOSTA DA QUESTÃO: A conduta do agente, aqui, configura o delito de tráfico
de influência.

252 - NÃO constitui crime praticado por particular contra a Administração


em geral

a) o tráfico de influência.
b) a desobediência.
c) a resistência.
d) a advocacia administrativa.
e) o desacato.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra D


traz um crime que não constitui ―crime praticado por particular contra a
Administração em geral‖, eis que tal delito é um crime praticado por FUNCIONÁRIO
PÚBLICO contra a administração em geral, nos termos do art. 321 do CP. LETRA D.

253 - Desacato implica aviltamento.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de desacato implica aviltamento ao funcionário público e à própria função
pública em si, não sendo necessário que haja resistência ao cumprimento de ordem,
tampouco coação ou desobediência. Correta.

254 – O crime de desacato pode ser cometido através de ofensa feita a


funcionário público pelo telefone.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para a caracterização do crime de desacato é necessário, conforme doutrina
majoritária, que a conduta seja praticada na presença do funcionário público. Errada.

255 – O crime de desacato só se caracteriza se o funcionário, estando no


local, ouça ou veja a ofensa que lhe é dirigida, em razão de suas funções.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para a caracterização do crime de desacato é necessário, conforme doutrina
majoritária, que a conduta seja praticada NA PRESENÇA do funcionário público.
Correta.

256 – O crime de desacato caracteriza-se mesmo que a ofensa feita ao


funcionário público não diga respeito ao exercício de suas funções.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
As ofensas devem ter relação com as funções exercidas, não caracterizando o delito
meras críticas genéricas a uma Instituição (Ex.: A Polícia está uma droga, o Ministério
Público não faz seu trabalho, etc.). Errada.

257 – O crime de desacato pode ser cometido por escrito, através de carta
dirigida ao funcionário público.
Para a caracterização do crime de desacato é necessário, conforme doutrina
majoritária, que a conduta seja praticada NA PRESENÇA do funcionário público. Tem
que desenhar?

258 - Quem se opõe à execução de ato legal, mediante ameaça ao


funcionário competente para executá-lo, comete crime de
a) resistência.
b) desobediência.
c) desacato.
d) exercício arbitrário das próprias razões.
e) coação no curso do processo.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal pessoa estará praticando o delito de resistência, nos


termos do art. 329 do CP. LETRA A.

259 - NÃO constituem crimes praticados por particular contra a


administração em geral

a) o desacato e a fraude de concorrência.


b) a condescendência criminosa e a advocacia administrativa.
c) a corrupção ativa e a sonegação de contribuição previdenciária.
d) o tráfico de influência e a resistência.
e) a desobediência e o contrabando.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra B


traz crimes que não constituem ―crimes praticado por particular contra a
Administração em geral‖, eis que tais delitos são crimes praticados por FUNCIONÁRIO
PÚBLICO contra a administração em geral, nos termos do art. 320 e do art. 321,
ambos do CP. LETRA B.

260 - A conduta de iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou


imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria
tipifica o crime de

a) contrabando.
b) descaminho.
c) peculato.
d) prevaricação.
e) excesso de exação.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Tal conduta configura o delito de descaminho,


previsto no art. 334 do CP. LETRA B.

261 - No momento em que um policial, em cumprimento a mandado judicial,


deu voz de prisão a Brutus, seu irmão Paulus interveio e impediu a execução
do ato, agredindo o policial a socos e pontapés, causando-lhe ferimentos
leves. Paulus responderá

a) pelo crime de desobediência.


b) somente pelo crime de lesões corporais leves.
c) somente pelo crime de resistência.
d) pelos crimes de resistência e lesões corporais leves.
e) pelos crimes de desobediência e resistência.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Paulus praticou, neste caso, o delito de resistência, nos


termos do art. 329 do CP, pois se opôs a execução de ato legal por parte do
funcionário público. Paulus praticou, ainda, o delito de lesões corporais leves, eis que
o delito de resistência não engloba punição pela violência praticada, de maneira que o
agente responde por ambos os delitos em concurso material, nos termos do art. 329,
§2º do CP. LETRA D.
262 - O crime de falso testemunho, do art. 342 do Código Penal,

A) pode ser praticado no âmbito de inquérito policial; somente pode ser praticado por
conduta positiva.
B) pode ser praticado no âmbito de processo administrativo; somente pode ser
praticado por conduta negativa.
C) somente pode ser praticado no âmbito de processo judicial; pode ser praticado
tanto por conduta positiva como por conduta negativa.
D) somente pode ser praticado no âmbito de processo judicial; somente pode ser
praticado por conduta negativa.
E) pode ser praticado no âmbito de juízo arbitral; pode ser praticado tanto por
conduta positiva como por conduta negativa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: O crime de falso testemunho, previsto no art. 342 do CP,


pode ser praticado no âmbito de juízo arbitral, inquérito policial, processo
administrativo ou judicial, bem como ser realizado por conduta positiva (ação) ou
negativa (omissão). Gab: E

263 - O ato de fazer justiça pelas próprias mãos para satisfazer pretensão,
embora legítima, mas sem permissão legal, configura o crime de

A) fraude processual.
B) violência arbitrária.
C) condescendência criminosa.
D) coação no curso do processo.
E) exercício arbitrário das próprias razões.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Esta conduta representa o delito previsto no art. 345 do


CP, que traz o crime de exercício arbitrário das próprias razões. Gab: E

264 - O crime de exploração de prestígio está inserido no capítulo dos crimes


praticados

A) contra a moralidade pública.


B) contra a administração da justiça.
C) por particular, contra a administração em geral.
D) por funcionário público, contra a administração em geral.
E) por particular, contra a administração pública estrangeira.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Este delito está previsto no art. 357 do CP, estando
inserido, portanto, no capítulo dos crimes contra a administração da Justiça. Gab: B

265 - Quanto ao crime de denunciação caluniosa, pode-se afirmar que a


conduta típica é provocar, dar causa à ação da autoridade policial pela
comunicação de ocorrência de crime ou de contravenção que não se
verificou.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A conduta só se caracteriza se há a instauração de algum procedimento, não sendo
suficiente a mera provocação da ação da polícia, nos termos do art. 339 do CP.

266 - O crime de denunciação caluniosa consiste na ação de A) dar causa à


instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A alternativa reflete o previsto na redação do tipo penal. Correta.

267 - X" mãe de "Z", ao descobrir que o filho praticou o furto de um veículo,
dirige-se à delegacia de polícia e se apresenta como a autora do delito. Em
tese, "X" praticou o crime de

A) condescendência criminosa.
B) falso testemunho.
C) autoacusação falsa.
D) denunciação caluniosa.
E) fato atípico

RESPOSTA DA QUESTÃO: No caso em tela o agente praticou o delito de


AUTOACUSAÇÃO FALSA DE CRIME, delito previsto no art. 341 do CP. Gab: C.

268 - Segundo o entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, o


delito de corrupção de menores, previsto no artigo 244-B do Estatuto da
Criança e do Adolescente:

a) É crime material e depende de prova da efetiva corrupção do menor.


b) É crime formal e depende de prova da efetiva corrupção do menor.
c) É crime de mera conduta e independe de prova da efetiva corrupção do menor.
d) É crime formal e independe de prova da efetiva corrupção do menor.
e) É crime material e independe de prova da efetiva corrupção do menor.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Súmula 500: a configuração do crime previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança
e do Adolescente independe da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de
delito formal.
A súmula vem para solidificar entendimento de que a simples presença de um menor
acompanhando um adulto na hora em que este pratica uma infração penal, já é capaz
de ensejar a configuração do crime do artigo 244 do ECA que diz:

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com


ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la.
A súmula permite ainda o entendimento de que pouco importa para a configuração do
crime de corrupção de menor, o fato deste já ter sido ―corrompido‖ em momento
anterior e que já tenha praticado inclusive ato infracional ou mesmo já ter cumprido
medida socioeducativa. Gab: D.
269 - Imagine que um advogado solicite dinheiro de seu cliente, deixando
claro que, mediante o pagamento do valor, procurará uma testemunha do
processo, a fim de influenciá-la a prestar um depoimento mais favorável à
pretensão do cliente. Além disso, o advogado insinua que a quantia será
repartida com a testemunha.

O advogado recebe o dinheiro, mas engana seu cliente e não procura a


testemunha.
Nesse caso, o advogado

A) cometeu o crime de corrupção passiva.


B) cometeu o crime de estelionato.
C) cometeu o crime de exploração de prestígio.
D) cometeu o crime de corrupção ativa.
E) não cometeu crime algum.

RESPOSTA DA QUESTÃO: A resposta é letra C. Exploração de prestígio

Art. 357 - Solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto


de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, funcionário de justiça, perito,
tradutor, intérprete ou testemunha:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.


Além disso, a pena será aumentada de 1/3, em razão do fato de o agente ter
afirmado que o dinheiro seria repartido com a testemunha supostamente corrupta.

270 - A esposa que comprovadamente ludibria autoridade policial e auxilia


marido, autor de crime de roubo, a subtrair-se à ação da autoridade pública.

A) deve cumprir pena por exercício arbitrário das próprias razões (CP, art.
345).
B) deve cumprir pena por favorecimento real (CP, art. 349).
C) fica isenta de pena.
D) deve cumprir pena por crime de favorecimento pessoal (CP, art. 348)
E) deve cumprir pena por fuga de pessoa presa (CP, art. 351).

RESPOSTA DA QUESTÃO: Neste caso, a esposa pratica o delito de favorecimento


pessoal, previsto no art. 348 do CP. Contudo, por se tratar de cônjuge do infrator, a
esposa ficará isenta de pena, por força do §2º do art. 348 do CP:
Favorecimento pessoal
Art. 348 - Auxiliar a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a
que é cominada pena de reclusão:
(...)
§ 2º - Se quem presta o auxílio é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão
do criminoso, fica isento de pena.

271 - Com intuito de proteger seu filho, João comparece perante a


autoridade policial e, falsamente, diz ter praticado o crime que em verdade
fora praticado por seu filho. João

(A) comete falsa comunicação de crime.


(B) comete falso testemunho, mas não será punido por expressa disposição legal.
(C) comete falso testemunho.
(D) não comete crime algum, pois não está descrito
expressamente como crime no CP.
(E) comete autoacusação falsa.

RESPOSTA DA QUESTÃO: João, neste caso, praticou o delito de autoacusação falsa


de crime, previsto no art. 341 do CP.

272 - Luiz, contando com o auxílio de Tereza, subtraiu de uma loja uma
filmadora e uma máquina digital. Sabendo que os policiais estavam em seu
encalço, foi até a casa de João e lhe pediu para guardar os bens subtraídos,
de forma a garantir o lucro de sua empreitada criminosa. João aceitou a
proposta de Luiz.

Nessa situação hipotética, João praticou o crime de

a) receptação.
b) favorecimento real.
c) favorecimento pessoal.
d) fraude processual.
e) roubo na modalidade coparticipação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Favorecimento Real - Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de co-autoria ou
de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.

Cuidado para não confundir com Receptação: Art. 180 - Adquirir, receber,
transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:
Favorecimento Real (art. 349): 1) Crime contra a Administração da Justiça. 2) O
beneficiado pela conduta é autor do crime antecedente. 3) Proveito econômico ou de
outra natureza. Gab: B

273 - Rogério, conhecido traficante do Morro do Bem-te-vi, foge da cadeia e


busca auxílio para sair do Estado com seu irmão, Rafael. Este tenta ajudá-lo
a fugir, levando-o no porta-malas do carro, mas ambos são presos na divisa
com Minas Gerais. Rafael praticou o crime de:

a) favorecimento pessoal, mas é isento de pena por ser irmão de Rogério.


b) favorecimento pessoal.
c) favorecimento real, mas é isento de pena por ser irmão de Rogério.
d) favorecimento real.
e) fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Diferença entre favorecimento pessoal (art. 348CP) e favorecimento real (art.349CP)
=>favorecimento pessoal: assegura a fuga
=>favorecimento real: assegura o proveito do crime
Gab: A
274 - No crime de favorecimento pessoal, previsto no título ―Dos Crimes
contra a Administração Pública‖ do Código Penal, algumas pessoas, pela sua
qualidade pessoal, ficam isentas de pena em decorrência do auxílio prestado
ao criminoso. NÃO se inclui entre elas:

a) O irmão do autor do crime.


b) O colateral até o segundo grau do autor do crime.
c) O cônjuge do autor do crime.
d) O ascendente do autor do crime.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
São sujeitos da escusa absolutória de punibilidade no crime de Favorecimento
Pessoal: CADI.

275 - Bruno, penalmente responsável, induziu uma menina de treze anos de


idade à prática de prostituição, obtendo, com isso, vantagem econômica em
face de clientes eventualmente angariados para a menor.
Nessa situação hipotética, a conduta de Bruno caracteriza o crime de
favorecimento da prostituição e exploração sexual de vulnerável.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O doutrinador GUILHERME DE SOUZA NUCCI, em sua obra Crimes contra a dignidade
sexual se referindo ao sujeitos e objetos do crime de Favorecimento da prostituição
ou outra forma de exploração sexual de vulnerável, diz: "O crime pode ser cometido
por qualquer pessoa. O sujeito passivo, entretanto, é o menor de 18 anos e o maior
de 14 anos (afinal, qualquer exploração sexual do menor de 14 anos configura o
estupro de vulnerável, ainda que na forma de participação) ou a pessoa enferma ou
deficiente mental, sem capacidade de entendimento suficiente para a prática do ato.
Errada.

276 - Josenildo constrangeu Fabrícia mediante emprego de grave ameaça,


causando-lhe grande sofrimento mental, em razão de discriminação
religiosa, pois era evangélico e Fabrícia de uma religião de matriz afro-
brasileira, o que ele não admitia. Assim, Josenildo praticou o crime:

a) de injúria racial (artigo 140, § 3º doCP).


b) de constrangimento ilegal (artigo 146 doCP).
c) de lesão corporal (artigo 129 doCP).
d) tipificado na lei que definiu crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor
(Lei nº 7.716/1989).
e) de tortura (Lei nº 9.455/1997).

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de tortura, no inciso I abarca 3 fins para o cometimento do sofrimento físico
ou mental causado pela violência ou grave ameaça:
1) Obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceiro;
2) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
3) EM RAZÃO DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL OU RELIGIOSA.
Portanto, letra E.

277 - Ao realizar a manutenção da rede elétrica na casa de um cliente, o


eletricista Servílio inadvertidamente entra em um quarto que pensava ser o
banheiro. Lá encontra fotos do dono da casa fantasiado de Adolf Hitler, além
de um diário. Ao folhear o diário, Servílio descobre vários escritos nos quais
o dono da casa manifesta seu desprezo por um vizinho, por ele denominado
―judeu sujo". Servílio, então, leva o fato ao conhecimento do vizinho, que,
sentindo-se ofendido, noticia o fato em uma delegacia policial. Ouvido o
dono da casa, este revela ser simpatizante do nazismo, usando o referido
cômodo para dar secretamente vazão à sua ideologia. Outrossim, o diário
seria uma forma de extravasar suas inquietações sem ser descoberto por
terceiros. Considerando o caso concreto, é possível afirmar que a conduta do
dono da casa:

a) configura crime de difamação.


b) configura crime de injuria por preconceito.
c) configura crime de injuria.
d) configura crime previsto em lei especial.
e) é atípica.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para configuração do crime previsto no § 1º é necessário a FINALIDADE ESPECÍFICA
ou seja, FINALIDADE DE DIVULGAÇÃO, o que não restou configurado no caso em
questão, pois o dono da residência disse que utilizava material com ideologia nazista
se forma secreta e pessoal. Gab: E.

278 - A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo em crime de difamação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, já que o bem jurídico protegido pelo
tipo é a honra objetiva da vítima, ou seja, o que terceiros pensam dela (empresa),
ainda que a ofensa não atinja diretamente ou indiretamente as pessoas de seus
diretores. Há também uma correte, que afirma que a PJ pode ser também vítima de
calúnia nos casos específicos da lei (ambiental, economia popular...), mas não admite
em caso de injúria, pois a a honra neste caso é de natureza subjetiva.

279 - Leia as alternativas a seguir e assinale a correta.

a) A pessoa jurídica pode figurar como sujeito ativo de crime contra a


administração pública previsto no Código Penal.
b) O inimputável por embriaguez proveniente de caso fortuito não pode
figurar como sujeito passivo.
c) Os inimputáveis não podem ser vítimas de crimes contra a honra.
d) A pessoa jurídica só pode ser sujeito passivo em crimes patrimoniais.
e) A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo em crime de difamação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A pessoa jurídica pode ser vítima de difamação, já que o bem jurídico protegido pelo
tipo é a honra objetiva da vítima, ou seja, o que terceiros pensam dela (empresa),
ainda que a ofensa não atinja diretamente ou indiretamente as pessoas de seus
diretores. Há também uma correte, que afirma que a PJ pode ser também vítima de
calúnia nos casos específicos da lei (ambiental, economia popular...), mas não admite
em caso de injúria, pois a a honra neste caso é de natureza subjetiva. Gab: E
280 - Nos crimes contra a honra — calúnia, difamação e injúria —, o Código
Penal admite a retratação como causa extintiva de punibilidade, desde que
ocorra antes da sentença penal, seja cabal e abarque tudo o que o agente
imputou à vítima.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Só é admitida a retratação nos crimes de calúnia e difamação (injúria não).
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou
da difamação, fica isento de pena.

Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a


difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim
desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. Errada.

281 - Cabelo de Anjo, no intuito de prejudicar seu desafeto, o delegado de


polícia civil da cidade, cuja atuação na repressão à criminalidade é
amplamente reconhecida, especialmente nos casos de corrupção, apresenta
representação por via postal ao Ministério Público, imputando à referida
autoridade policial a prática de vários ilícitos penais, dentre eles o de
corrupção passiva, sabendo que tais fatos não ocorreram. No intervalo entre
a remessa da correspondência e o recebimento pelo representante do
Ministério Público, o delegado toma conhecimento e consegue interceptar a
missiva, desmascarando a trama com a prova de sua inocência. Nesse caso,
Cabelo de Anjo responderá por

a) denunciação caluniosa na forma consumada


b) calúnia na forma tentada
c) denunciação caluniosa na forma tentada
d) calúnia na forma consumada

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Preposto: ambas (calúnia e denunciação caluniosa) admitem a tentativa e o exemplo
da questão serviria muito bem a uma situação fática. Sobre a questão: uma diferença
fundamental é que a calúnia é punível porque o delinquente ofende a honra da
vítima, enquanto a denunciação caluniosa é punida porque o criminoso faz com que o
aparato estatal perca tempo e recursos investigando alguém por um crime que não
ocorreu ou do qual ele é inocente. Ela cria uma distração que beneficia os verdadeiros
criminosos que deveriam estar sendo realmente investigados. A questão é um tanto
vaga, mas fica objetiva a intenção (dolo) do agente, que se abra procedimento
investigativo, não restando dúvidas quanto ao gabarito: Letra C.

282 - Marinaldo, por ser inimigo de Nando, espalhou junto à vizinhança em


que moram que Nando furta toca-fitas de veículos, o que é falso. Logo,
Marinaldo deverá responder pelo crime de:

a) calúnia (artigo 138 do CP).


b) difamação (artigo 139 do CP).
c) injúria (artigo 140 do CP).
d) denunciação caluniosa (artigo 339 do CP).
e) comunicação falsa de crime (artigo 340 do CP).

RESPOSTA DA QUESTÃO:
"ATENÇÃO: Imputação de fato desonroso genérico, vago, impreciso e indeterminado
caracteriza o crime de injúria (Ex: Fulana é assaltante de bancos), pois a calúnia e a
difamação pressupõem imputação de fato determinado". A meu ver, o desabono
dessa questão é que a injúria exige a ofensa à honra subjetiva, e não deixou claro
que a vítima tomou conhecimento, a injúria quer significar a ofensa à honra subjetiva
da vítima, que tem a dignidade (amor próprio ou respeitabilidade) ou o decoro
(correção moral) atingidos. Portanto, deveria ser anulada. Gab: C

283 - O termo ―decoro‖, prescrito no tipo penal do artigo 140 do CP, pode ser
classificado como elemento:
a) misto.
b) objetivo.
c) subjetivo.
d) normativo.
e) alternativo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Injúria – art. 140 CP - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade e o decoro

Elemento objetivo: é o verbo - injuriar


Elemento subjetivo: é a finalidade – a vontade de injuriar (animus injuriandi)
Elemento normativo: depende de interpretação – dignidade e decoro.
(Elemento Normativo: É aquele que depende de interpretação para se extrair o
significado, ou seja, é necessário um juízo de valor sobre o elemento). Gab: D.

284 - No que respeita ao crime de injúria, verifica-se que a consumação


ocorre quando a emissão do conceito negativo chega ao conhecimento da
vítima.]

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A injúria é crime formal e consuma-se no momento em que o ofendido fica sabendo
da imputação de qualidade negativa. Certa.

285 - A retorsão imediata é causa de diminuição de pena, de observância


obrigatória pelo magistrado quando da prolação da sentença.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A retorsão imediata, prevista no artigo 140, §1º, inciso II, do Código Penal (acima
transcrito), é hipótese de perdão judicial (e não causa de diminuição de pena).
Errada.

286 – Na injúria é admitida a exceção da verdade, quando ocorrer ofensa à


dignidade e ao decoro da vítima.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Como a injúria não contém a exposição de um fato determinado, em nenhuma
hipótese admite-se o uso da exceção da verdade. Errada.

287 - A pessoa jurídica pode ser vítima do crime de injúria, tendo em conta
gozar de reputação perante o mercado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
As pessoas jurídicas, na condição de entes fictícios, não possuem honra subjetiva e
não podem ser sujeito passivo de injúria. Errada.

288 - Mirtes, a fim de se vingar de Anacleto, seu companheiro, que rompera


o relacionamento amoroso entre ambos, vai até a Delegacia Especial de
Atendimento à Mulher (DEAM) e noticia falsamente crime de violência
doméstica, imputando a ele a conduta. Dias depois do início da investigação,
arrependida, Mirtes retorna à DEAM, desta feita se desdizendo e confessando
a falsidade da imputação. Nesse contexto, Mirtes poderá ser criminalmente
responsabilizada por crime de denunciação caluniosa, não sendo extinta sua
punibilidade pela retratação, por ausência de previsão legal específica.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Mirtes deve responder pelo delito de denunciação caluniosa, na medida em que sua
conduta se subsume de modo perfeito à norma do artigo 339, do Código Penal. A
retratação apenas é causa extintiva da punibilidade quando lei assim a admite, nos
termos do inciso VI do artigo 107 do Código Penal, como ocorre, por exemplo, nos
casos de crime contra a honra (artigo 143 do Código Penal) e de falso testemunho ou
de falsa perícia (artigo 342, §3º do Código Penal). Certa.

289 - Certo Juiz de Direito encaminha ofício à Delegacia de Polícia visando à


instauração de inquérito policial em desfavor de determinado Advogado,
porque o causídico, em uma ação penal de iniciativa privada, havia, em sede
de razões de apelação, formulado protestos e críticas contra o Magistrado,
alegando que este fundamentara sua sentença em argumentos puramente
fantasiosos. Resta comprovado na investigação que os termos usados pelo
Advogado foram duros e que tinham aptidão para ofender a honra do
Magistrado, embora empregados de forma objetiva e impessoal. Assim, o
Advogado:

a) deve responder por crime de injúria.


b) deve responder por crime de desacato.
c) deve responder por crime de difamação.
d) deve responder por crime de calúnia.
e) não responde por crime algum.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
pelo princípio da imunidade judiciária, não constituem crime contra a honra as
ofensas irrogadas em juízo pela parte ou por seu procurador, desde que guardem
iniludível vinculação com o objeto da causa, seja na narrativa dos fatos, seja
igualmente no exercício do direito de defesa. Gab: E.

290 - É possível a participação de particular no delito de corrupção passiva,


já que as circunstâncias de caráter pessoal elementares ao crime se
comunicam.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Em regra, as circunstâncias de caráter pessoal não se comunicam. Contudo, nos
crimes próprios de funcionários públicos, se um terceiro coautor que não seja agente
público conhece esta qualidade especial do outro indivíduo, que com ele pratica o
crime, será denunciado pelo mesmo delito que o funcionário público, mesmo que seja
tal crime próprio de agente público. Isso porque, nesse caso específico, a
circunstância de caráter pessoal (ser funcionário publico) era conhecida pelo terceiro
e motivo essencial para a prática do crime. Exceção à regra. Gab: C.

291 - O homicídio praticado com dolo eventual afasta a incidência das


circunstâncias qualificadoras, uma vez que o agente não quer diretamente o
resultado, ape- nas assume o risco de produzi-lo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O dolo eventual não impede a qualificação do crime de homicídio, desde que o crime
seja consumado por algumas das circunstâncias previstas no § 2º do art. 121. Por
exemplo, um grupo de amigos que tecem fogo sobre um mendigo, apenas por
diversão. Não agiram com dolo direto, e sim dolo eventual. Entretanto, serão
denunciados por homicidio qualificado, por emprego de fogo.
Q292 - No crime de injúria, se a ofensa à honra consiste na utilização de
elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de
pessoa idosa ou portadora de deficiência a ação penal será:

a) de iniciativa privada.
b) imprescritível.
c) pública condicionada.
d) pública incondicionada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O Superior Tribunal de Justiça, recentemente, em decisão acertada, decidiu que a
alteração promovida pela Lei n. 12.033/2009 – que torna de ação penal pública
condicionada a representação o crime de injúria racial – possui natureza de norma
processual híbrida, devendo, para efeitos de aplicação da lei no tempo, seguir as
regras de direito material penal. Gab: C

Q293 - Maria, ex-namorada de Vitor, por estar com muito ciúme do mesmo,
por este ter arranjado uma nova namorada, resolve ir à Delegacia de Polícia
e inventar uma história dizendo ter sido agredida por Vitor. Maria, que em
momento algum sofreu qualquer agressão por parte de Vitor, dirige-se à
Delegacia de Polícia e comunica ao Delegado que teria sofrido agressão por
parte de Vitor e mostra algumas marcas que possuía. Essas na verdade,
foram em razão de uma queda de bicicleta. O Delegado, diante dos fatos,
toma as seguintes providências: registra o fato, encaminha Maria para
exame de corpo de delito e, logo em seguida, instaura o Inquérito Policial
para apurar melhor os fatos.

Diante do quadro acima descrito, Maria praticou a seguinte infração penal:


a) denunciação caluniosa
b) falso testemunho.
c) calúnia
d) comunicação falsa de crime.
e) injúria.

GAB: A.

Q294 - Caso um advogado, na discussão da causa durante uma audiência,


acuse o juiz de prevaricação, o crime de calúnia estará amparado pela
imunidade judiciária.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
A imunidade judiciária não abrange o crime de calúnia irrogada em juízo, referindo-se
apenas aos crimes de injúria e de difamação. Errada.

Q295 - A exceção da verdade, no crime de calúnia, é admitida se,


constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi
condenado por sentença irrecorrível.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Se o fato imputado a alguém for de ação privada e o ofendido não foi condenado por
sentença irrecorrível, não se admite a exceção da verdade. Errada.

Q296 - Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que


não realize o agente a subtração dos bens da vítima.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa é a (Súmula 610, STF). Questão correta.

Q297 - Um agente alvejou vítima com disparo e, embora tenha iniciado a


execução do ilícito, não exauriu toda a sua potencialidade lesiva ante a falha
da arma de fogo empregada, fugindo do local do crime em seguida.

Nessa situação hipotética, a atitude do agente configura tentativa perfeita ou crime


falho, pois a execução foi concluída, mas o crime não se consumou.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tentativa perfeita (crime falho) - quando o agente esgota todos os atos executórios e
não consegue consumar o seu intento por situação alheia à sua vontade.

Tentativa Imperfeita - quando posterior ao início da ação não se esgotam todos os


meios de execução, sendo interrompido por situação alheia à sua vontade.
Gab: Errada

Q298 - A desistência voluntária e o arrependimento eficaz, espécies de


tentativa abandonada ou qualificada, provocam a exclusão da adequação
típica indireta, respondendo o autor pelos atos até então praticados, e não,
pela tentativa do delito que inicialmente se propôs a cometer.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tentativa abandonada, também chamada de tentativa qualificada, ocorre nos crimes
em que o resultado não ocorre por circunstâncias intrínsecas à vontade do autor do
delito. Como espécies de tentativa abandonada temos o arrependimento eficaz e a
desistência voluntária. Certa.

LEXT - LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

Q1 - A perda do cargo ou função pública pelo servidor público está prevista


como efeito da condenação por crimes resultantes de preconceito de raça ou
de cor, no entanto, para que isso ocorra, deve o juiz declará-lo
motivadamente
na sentença.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o
servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por
prazo não superior a três meses.

Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos,
devendo ser motivadamente declarados na sentença. Certa.

Q2 – Considere a seguinte conduta descrita: Publicar ilustração de recém-


nascidos afrodescendentes em fuga de sala da parto, associado aos dizeres
de um personagem (supostamente médico) de cor branca "Segurança! É uma
fuga em massa!". Tal conduta amolda-se à seguinte tipificação legal:

a) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de ofensa social e não de conteúdo
racial.
b) Injúria, prevista no art. 140 do Código Penal.
c) Crime de racismo, previsto na Lei no 7.716/89.
d) Difamação, prevista no art. 139 do Código Penal.
e) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de liberdade de expressão − direito
de charge.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A conduta (bizarra) descrita na questão deixa claro que se trata de crime de racismo,
não é mesmo!? O tipo está previsto no art. 20 da Lei nº 7.716/1989. Assertiva certa.

Q3 - Considera-se crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a


prática do racismo, por ele respondendo os mandantes, os executores e os
que, podendo evitá-lo, se omitirem.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O racismo é crime inafiançável e imprescritível, nos termos da Constituição Federal. O
que a Constituição considera crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia
são os crimes de tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos. Por essa razão a assertiva está
errada.

Q4 - Conforme a lei que prevê condutas discriminatórias, cometerá crime de


discriminação ou preconceito o agente que impedir o acesso de idoso a
edifício público pelas entradas sociais.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Na realidade a idade não é mencionada pelo art. 1º, que apenas trata do preconceito
de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, portanto, errada.
PEGADINHA RECORRENTE (ler a lei) – Seria analogia in malam partem.

Q5 - ―X‖ é negro e jogador de futebol profissional. Durante uma partida é


chamado pelos torcedores do time adversário de macaco e lhe são atiradas
bananas no meio do gramado. Caso sejam identificados os torcedores, é
correto afirmar que, em tese,
a) responderão pelo crime de preconceito de raça ou de cor, nos termos da Lei n.º
7.716/89.
b) responderão pelo crime de racismo, nos termos da Lei n.º 7.716/89.
c) responderão pelo crime de difamação, nos termos do art. 139 do Código
Penal, entretanto, com o aumento de pena previsto na Lei n.º 7.716/89.
d) não responderão por crime algum, tendo em vista que esse tipo de rivalidade entre
as torcidas é própria dos jogos de futebol, restando apenas a punição na esfera
administrativa.
e) responderão pelo crime de injúria racial, nos termos do art. 140, § 3.º do Código
Penal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Interessante a banca ter elaborado uma questão com uma hipótese que pouco
tempo depois veio a ocorrer de fato, não é mesmo? Neste caso estamos diante
de injúria racial, e não de racismo, pois a discriminação foi direcionada a uma
pessoa específica. Nossa resposta, portanto, é a alternativa E.

Q6 - Questão 07 – DPE-MS – Defensor Público – 2008 – VUNESP


É crime de preconceito, definido na Lei n.º 7.716/89,

a) impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso.


b) ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico,
de causar-lhe mal injusto e grave.
c) reduzir alguém à condição análoga à de escravo, submetendo-lhe a trabalhos
forçados.
d) impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e
elevadores ou escada de acesso aos mesmos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Das condutas descritas na questão, a única que consta na Lei nº 7.716/1989 a
alternativa D.

Q7 - Constitui crime o fato de determinado clube social recusar a admissão


de um cidadão em razão de preconceito de raça, salvo se o respectivo
estatuto atribuir à diretoria a faculdade de recusar propostas de admissão,
sem declinação de motivos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O STJ já julgou no sentido de que ―A recusa de admissão no quadro associativo de
clube social, em razão de preconceito de raça ou de cor, caracteriza o tipo inserto no
artigo 9º da Lei nº 7.716/89, enquanto modo da conduta impedir, que lhe integra o
núcleo‖. A assertiva, portanto, está errada.

Q8 - No interior de uma aeronave de uma companhia americana, quando esta


sobrevoava o estado da Bahia, Patrícia, que embarcara no aeroporto de
Vitória – ES, viajando para os Estados Unidos da América, teve um
desentendimento com uma comissária de bordo do avião, por causa do
assento em que estava posicionada. Em razão do tratamento dispensado
pela comissária de bordo, Patrícia solicitou seu nome, ocasião em que a
funcionária da companhia aérea disse que não daria, inclusive afirmou:

―Amanhã vou acordar jovem, bonita, orgulhosa, rica e sendo uma poderosa
americana, e você vai acordar como safada, depravada, repulsiva, canalha
e miserável brasileira.‖ Assim, essa aeromoça:

a) não praticou crime perante a lei brasileira, em face do princípio do pavilhão.


b) praticou o crime de injúria racial, com fulcro no artigo 140, § 3º do CP.
c) praticou o crime de tortura (Lei nº 9.455/1997), pois constrangeu a vítima,
causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação racial.
d) praticou o crime de racismo, preceituado na Lei n° 7.716/1989.
e) praticou o crime de difamação, com fulcro no artigo 139 do CP.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Aqui você poderia ficar em dúvida entre o crime de racismo previsto na Lei nº
7.716/1989 e a injúria racial do §3º do art. 140 do Código Penal. Essa questão
levantou muita polêmica na época em que foi aplicada, justamente por não deixar tão
claro se a ofensa foi dirigida apenas à passageira ou a todo o povo brasileiro.

O gabarito oficial é a alternativa D, mas vale mencionar que essa questão se baseia
num caso real, que realmente ocorreu, e no qual foi aplicada a Lei nº 7.716/1989.

Q9 - Considere que Tânia, proprietária de um salão de beleza especializado


em
penteados afros, recuse atendimento a determinada pessoa de pele branca e
cabelos ruivos, sob a justificativa de o atendimento, no salão, restringir-se a
afrodescendentes. Nessa situação, a conduta de Tânia não constitui crime,
visto que, sendo proprietária do estabelecimento, ela tem o direito de
restringir o atendimento a determinados clientes.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Aqui é importante prestar atenção à justificativa dada pela negativa do atendimento.
Se a dona do salão disse que seu atendimento se restringia a afrodescendentes,
cometeu crime de racismo, previsto no art. 10 da Lei nº 7.716/1989. Esta questão
gerou um pouco de polêmica na época, mas foi dada como errada pelo Cespe.

Q10 - Considere que Mauro, irritado com a demora no andamento da fila do


caixa de um supermercado, tenha proferido xingamentos direcionados à
atendente do caixa, atribuindo a demora no atendimento à inferioridade
intelectual que, segundo ele, era característica intrínseca da raça a que a
moça pertencia. Nessa situação, Mauro deve ser acusado de crime de
racismo, previsto na legislação específica, por ter negado à funcionária, por
motivo racial, o direito de trabalho no comércio.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
À época da questão, muitos disseram que a assertiva estava errada, pois tratarse- ia
de crime de injúria qualificada. De acordo com os julgados mais recentes (a exemplo
do HC STJ 63350), a conduta praticada por Mauro pode ser considerada crime de
racismo, enquadrado no art. 20 da Lei nº 7.716/1989, pois, apesar de a conduta ter
sido dirigida a uma única pessoa, a ofensa foi proferida contra toda a raça. O assunto
ainda é polêmico, mas, de qualquer forma, a assertiva continua incorreta, pois o
enquadramento foi feito como se o agente tivesse negado o direito de trabalho à
atendente do caixa. Nossa assertiva, portanto, está errada.
Q11 - O crime de racismo praticado por meio da rede mundial de
computadores consuma-se no local onde sejam recebidas as manifestações
racistas.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Vimos na aula de hoje que nos crimes de racismo praticados pela internet, considera-
se consumado o delito no local de onde partiram as manifestações tidas por racistas.
Nossa assertiva está errada.

Q12 - Suponha que o diretor de recursos humanos de uma concessionária de


serviço público obste, por discriminação religiosa, a promoção funcional de
um subordinado seu. Nesse caso, o referido diretor não praticará conduta
penalmente típica, mas infração, a ser apurada no âmbito administrativo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 3º da Lei nº 7.716/1989 faz menção expressa à inclusão das concessionárias
de serviços públicos com relação à conduta típica de ―obstar a promoção funcional‖, o
que torna a assertiva errada.

Q13 - Pedro pediu em casamento Carolina, que tem 16 anos de idade, e ela
aceitou. O pai de Carolina, porém, negou-se a autorizar o casamento da filha,
pelo fato de o noivo ser negro. Todavia, para não ofender Pedro, solicitou a
Carolina que lhe dissesse que o motivo da sua recusa era o fato de ele ser
ateu. Nessa situação, o pai de Carolina cometeu infração penal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Parece que o pai de Carolina trocou seis por meia dúzia, não é mesmo? Ele praticaria
o crime de racismo por ter impedido sua filha de casar-se com Pedro em razão de sua
cor. Para não incorrer no crime, porém, mentiu dizendo que a razão era religiosa.
Vimos na aula de hoje que a discriminação fundada na raça, cor, etnia, religião ou
origem constitui crime de racismo. Certa.

Q14 - NÃO constitui crime previsto na Lei nº 7.716/1989, que tipifica os


ilícitos
resultantes de preconceito:

a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou


locais semelhantes abertos ao público.
b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e
elevadores ou escada de acesso aos mesmos.
c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional.
d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro meio simbólico,
de causar-lhe mal injusto e grave, em virtude de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O nosso erro está na alternativa D, que na realidade trata da injúria racial, e não do
crime de racismo.
Q15 - Serão punidos na forma da Lei Ordinária 7.716/1989 os crimes
resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião,
procedência nacional e sexo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Está incorreta porque a lei não pune atos discriminatórios em relação a sexo.

Q16 - Os efeitos decorrentes da condenação pela prática de crimes previstos


na Lei Ordinária nº. 7.716/1989 são automáticos, dispensando a sua
fundamentação na sentença.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Está incorreta porque esses efeitos da condenação não são automáticos, devendo ser
motivadamente declarados na sentença, nos termos do art. 18.

Q17 - Nas infrações penais previstas na Lei de Crimes Ambientais Lei n°


9.605/98, a ação penal épública incondicionada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 26. Nas infrações penais previstas nesta Lei, a ação penal é pública
incondicionada.

Q18 - No caso de reincidência de pessoa jurídica na prática de crimes


previstos na lei que reprime condutas e atividades lesivas ao meio ambiente,
será efeito
automático da condenação a dissolução da pessoa jurídica.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A lei prevê a possibilidade de liquidação forçada da pessoa jurídica, quando esta for
utilizada preponderantemente com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de
crime ambiental. Essa liquidação, porém, precisa ser decretada, nos termos do art.
24. Não é automática! GABARITO: E

Q19 - A pena de prestação de serviços à comunidade nos crimes ambientais


inclui prestação de serviços em entidades assistenciais, hospitais, escolas e
orfanatos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Opa! Muita calma nessa hora! Segundo o art. 9º, a ―prestação de serviços à
comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques
e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa particular,
pública ou tombada, na restauração desta, se possível‖. GABARITO: E.

Q20 - O valor pago a título de pena de prestação pecuniária não será


deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o
infrator.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 12 autoriza expressamente essa dedução. GABARITO: E
Q21 - A autoridade ambiental que tiver conhecimento de infração ambiental
será obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo
administrativo próprio, sob pena de corresponsabilidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esta é a regra do art. 70, §3º.

Q22 - De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, constituem penas


restritivas de direito

a) o recolhimento domiciliar e a prisão simples.


b) a interdição definitiva de direitos e a prestação pecuniária.
c) a suspensão parcial ou total de atividades e a interdição definitiva do direito de
transitar em unidades de conservação.
d) a prestação de serviços à comunidade e a interdição temporária de direitos.
e) o recolhimento domiciliar e a obrigatoriedade de participar do curso de educação
ambiental.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Isso é importante decorar!
As modalidades de penas restritivas de direitos estão elencadas no art. 8° da Lei n°
9.605/1998.

Art. 8º As penas restritivas de direito são:


I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar. (Veja que essa é restritiva de direitos e não de
liberdade)!

Gab: D

Q23 - Considere que Alzirina tenha queimado madeira imprestável em sua


chácara no Lago Norte da capital federal, o que causou um incêndio no
Parque
Nacional de Brasília. Nesse caso, de acordo com a Lei dos Crimes Ambientais,
além de outras cominações, ocorreu crime contra a flora, na modalidade
culposa.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Este crime está tipificado no art. 40 da Lei n° 9.605/1998.
Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas de que
trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de
sua localização:

Pena - reclusão, de um a cinco anos.


§ 1o Entende-se por Unidades de Conservação de Proteção Integral as Estações
Ecológicas,
as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os Monumentos Naturais e os Refúgios
de
Vida Silvestre.
[...]
§ 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
GABARITO: C

Q24 - Constitui crime cuja pena é de seis meses a um ano e multa matar,
perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou
em rota migratória, em desacordo com as prescrições legais pertinentes.

Assim, diante de uma ocorrência policial dessa natureza e não havendo


causas de aumento de pena, a autoridade policial competente deverá lavrar
termo circunstanciado, em face da incidência de delito de menor potencial
ofensivo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Este crime, tipificado no art. 61 da Lei de Crimes Ambientais, pode ser considerado de
menor potencial ofensivo, em função da pena cominada, que é inferior a 2 anos. Aos
crimes ambientais se aplica, em geral, o regime da Lei n°
9.099/1995. Por essa razão deve ser lavrado o TCO (é vinculante sempre que se
admite o TCO, não cabendo IP, em qualquer crime, não apenas nos ambientais).
GAB: C

Q25 - A ação penal para todos os delitos previstos na lei que dispõe acerca
das
sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas
ao meio ambiente é, exclusivamente, pública incondicionada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Questão simples e direta. Todos os crimes previstos na Lei dos Crimes Ambientais são
de ação penal pública incondicionada. GABARITO: C

Q26 - O agente que dolosamente promova a queimada de lavouras e


pastagens
deve responder pela prática do delito de incêndio previsto na Lei dos Crimes
Ambientais.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Na realidade, a Lei dos Crimes Ambientais somente pune o incêndio provocado em
mata ou floresta (art. 41). O caso trazido pela assertiva deve ser punido com base no
crime de de incêndio (art. 250 do Código Penal). GABARITO: E

Q27 - Entre as circunstâncias que atenuam a pena dos delitos previstos na


Lei dos Crimes Ambientais incluem-se o baixo grau de instrução ou
escolaridade do agente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
As atenuantes mencionadas pela assertiva constam no art. 14 da Lei dos Crimes
Ambientais.

Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:

I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;


II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou
limitação significativa da degradação ambiental causada;
III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

GABARITO: C

Q28 - O valor pago em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada


com fim social, em razão da aplicação da pena restritiva de direitos de
prestação pecuniária, prevista na Lei dos Crimes Ambientais, não poderá ser
deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o
infrator.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 12 autoriza expressamente essa dedução. GABARITO: E

Q29 - A prática de abuso e maus-tratos a animais, como feri-los ou mutilá-


los,
prevista na Lei dos Crimes Ambientais, incide somente nas hipóteses em que
o animal seja silvestre, nativo ou exótico, sendo a conduta praticada em
relação a animal doméstico configurada apenas como contravenção penal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime tipificado no art. 32 alcança animais silvestres, domésticos ou domesticados,
nativos ou exóticos. GABARITO: E

Q30 - De acordo com a Lei n.º 9.605/98, nos casos de crimes praticados
contra a fauna, a pena é aumentada até o triplo, quando o crime for
praticado em decorrência do exercício

a) de caça profissional.
b) em período proibido à caça.
c) em unidade de conservação.
d) durante a noite.
e) contra espécie rara.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Apenas a caça profissional aumenta a pena até o triplo. As demais hipóteses
aumentam a pena de metade. GABARITO: A

Q31 - A responsabilidade das pessoas jurídicas nos crimes ambientais não


exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Quanto à possibilidade de responsabilização da pessoa jurídica nos crimes ambientais,
a Lei nº 9.605/1998 é muito calara, não havendo mais o que discutir sobre o assunto.
Não há bis in idem quando a pessoa jurídica e a pessoa física diretamente envolvida
na conduta são responsabilizadas ao mesmo tempo (art. 3º, parágrafo único). Certa.

Q32 - A regra da responsabilidade penal de pessoa jurídica no Brasil segue o


princípio societas delinquere non potest, salvo a seguinte exceção no caso de
crimes contra o meio ambiente, nos casos em que a infração seja cometida
por decisão dos representantes da pessoa jurídica, legais ou contratuais, ou
de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício de sua entidade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A essa altura todos nós já temos certeza da possibilidade de responsabilização
penal das pessoas jurídicas nos crimes ambientais. Isso ocorrerá quando a infração
for cometida por decisão dos seus representantes, ou de seu órgão colegiado, no
interesse ou benefício da entidade. É importante também que fique claro para você
que não há bis in idem quando é promovida ao mesmo tempo a responsabilização da
pessoa jurídica e a da pessoa física responsável pela conduta. Certa.

Q33 - A suspensão parcial ou total de atividade, exclusivamente para


pessoas jurídicas, será aplicada quando a empresa não estiver cumprindo as
normas ambientais.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às
prescrições legais. O artigo abrange tanto pessoa física como jurídica. Errada.

Q34 – Em se tratando de crimes ambientais, as penas de interdição


temporária de direito incluem a proibição de o condenado participar de
licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três
anos, no de crimes culposos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 10. Correta.

Q35 - O crime de dano não admite a tentativa.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O dano se consuma quando o agente, efetivamente, destrói, inutiliza ou deteriora
coisa alheia, seja ela móvel ou imóvel.

Por se tratar de crime material e plurissubsistente, admite-se a possibilidade de


tentativa. Questão errada.

Q36 - Caracteriza uma das espécies do crime de tortura a conduta


consistente em, com emprego de grave ameaça, constranger outrem em
razão de discriminação racial, causando-lhe sofrimento mental.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 1º Constitui crime de tortura (LEI 9.455/97):

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe


sofrimento físico ou mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira


pessoa ( TORTURA PROVA);
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; ( TORTURA CRIME)
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; ( TORTURA PRECONCEITO)

Q37 - Agente de Atividades Penitenciárias – 2015 – Universa.


A condenação por crime de tortura acarretará a perda do cargo, da função ou
do emprego público e a interdição, para seu exercício, pelo triplo do prazo da
pena aplicada.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Opa! Olha a pegadinha!!! Na realidade a interdição deve perdurar pelo dobro do prazo
da pena, e não pelo triplo! GABARITO: E

Q38 - O crime de tortura (Lei no 9.455/97) tem pena aumentada de um


sexto até um terço se for praticado

a) ininterruptamente, por período superior a 24 h.


b) em concurso de pessoas
c) por motivos políticos.
d) contra mulher
e) por agente público.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Aumenta-se a pena de um sexto até um terço nas seguintes circunstâncias:
I - se o crime é cometido por agente público;
II - se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência,
adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;
III - se o crime é cometido mediante sequestro.
GABARITO: E

Q39 - Se a vítima da tortura for criança, a Lei nº 9.455/97 deve ser afastada
para incidência do tipo penal específico de tortura previsto no Estatuto da
Criança e do Adolescente (art. 233 do ECA), por esta ser norma especial
editada posteriormente a lei de tortura.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O tipo penal do ECA que tratava de tortura contra criança ou adolescente foi revogado
pela Lei de Tortura, que é mais recente. Hoje a tortura praticada contra criança,
gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 anos sujeita o infrator
a aumento de pena de um sexto até um terço. Errada.

Q40 - Há previsão legal de crime por omissão na tortura.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A lei traz a previsão da tortura por omissão em seu art. 1o, §2o. Certa.

Q41 - É inviável a suspensão condicional do processo para qualquer das


modalidades típicas previstas na lei.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Na tortura por omissão cabe a suspensão condicional da pena, uma vez que a pena
deste delito é de 1 a 4 anos de detenção. Errada.

Q42 - Com relação à tortura, cabe afirmar:

a) Genericamente trata-se de crime próprio.


b) Não está tipificada distintamente a conduta cometida com finalidade puramente
discriminatória.
c) Na versão especificamente omissiva, trata-se de crime comum.
d) Trata-se de crime insuscetível de graça, porém não de anistia.
e) Pode ser aplicada a lei brasileira ao crime praticado por brasileiro no estrangeiro.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A alternativa A está incorreta porque, apesar de o crime ser considerado comum na
maior parte das suas modalidades, o art. 1o, II traz uma modalidade própria do crime
de tortura, assim como a tortura por omissão. Isso também torna a alternativa C
incorreta. A alternativa B está incorreta por causa da previsão da tortura racismo
(art. 1o, I, ―c‖). A alternativa D está incorreta porque a tortura é crime inafiançável e
insuscetível de graça e anistia, nos termos da Constituição Federal. GABARITO: E

Q43 - Joaquim, agente penitenciário federal, foi condenado, definitivamente,


a uma pena de três anos de reclusão, por crime disposto na Lei n.º
9.455/1997. Nos termos da referida lei, Joaquim ficará impedido de exercer
a referida função pelo prazo de seis anos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A condenação por crime de tortura acarreta a perda do cargo, função ou emprego
público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada, nos
termos do art. 1o, §5o da Lei no 9.455/1997. Certa.

Q44 - Um agente penitenciário federal determinou que José, preso sob sua
custódia, permanecesse de pé por dez horas ininterruptas, sem que pudesse
beber água ou alimentar-se, como forma de castigo, já que José havia
cometido, comprovadamente, grave falta disciplinar. Nessa situação, esse
agente cometeu crime de tortura, ainda que não tenha utilizado de violência
ou grave ameaça contra José.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Para responder corretamente a questão você precisa conhecer o conteúdo do §1º do
art. 1o da Lei de Tortura: ―Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou
sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da
prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal‖. GABARITO: C

Q45 - Para a comprovação da materialidade da conduta do agente que


pratica as modalidades atribuídas pela legislação como tortura, é
imprescindível a realização de exame de corpo de delito que confirme a
existência do delito.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A Lei da Tortura não menciona em nenhum de seus dispositivos a
necessidade
de exame de corpo de delito para que se comprove que houve o crime. É
possível inclusive a tortura de natureza mental/emocional resultante de
grave ameaça. GABARITO: E

Q46 - O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.


RESPOSTA DA QUESTÃO: Esta é a letra da Constituição Federal, em seu art.
5º, XLIII. O STF já decidiu que o indulto também não é aplicável no caso de
crime de tortura. Lembre-se também de que o crime de tortura não é
imprescritível!
GABARITO: C

Q47 - É considerado crime de tortura submeter alguém, com emprego de


violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como
forma de aplicar-lhe castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esta é a Tortura-Castigo (a única modalidade que menciona intenso sofrimento).
Lembre-se de que esta modalidade é crime próprio, pois somente pode ser praticado
por quem tenha o dever de guarda ou exerça poder ou autoridade sobre a vítima. Ao
mesmo tempo exige-se também uma condição especial do sujeito passivo, que
precisa estar sob a autoridade do torturador. GABARITO: C
Q48 – A perda da função pública e a interdição de seu exercício pelo dobro
do prazo da condenação decorrente da prática de crime de tortura previsto
em lei especial são de imposição facultativa do julgador, tratando-se de
efeito genérico da condenação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A perda da função pública e a interdição de seu exercício são imediatas e
obrigatórias, nos termos do §5° do art. 1° da Lei n° 9.455/1997. Para efeito DESSA
lei, os efeitos são automáticos e dispensam motivação. E.

Q49 – Suponha que João, penalmente capaz, movido por sadismo, submeta
Sebastião, com emprego de violência, a contínuo e intenso sofrimento físico,
provocando-lhe lesão corporal de natureza gravíssima. Nessa situação, João
deverá responder pelo crime de tortura e, se condenado, deverá cumprir a
pena em regime inicial fechado.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de tortura exige um elemento subjetivo específico: ―obter informação,
declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa‖ (tortura prova); ―provocar
ação ou omissão de natureza criminosa‖ (tortura imprópria ou por omissão); ―por
motivo de discriminação racial ou religiosa‖ (tortura preconceito). O agente que
inflige sofrimento em outra pessoa por sadismo não comete crime de tortura, mas
sim de lesão corporal ou, a depender do caso, de homicídio tentado. GABARITO: E

Q50 - O policial condenado por induzir, por meio de tortura praticada nas
dependências do distrito policial, um acusado de tráfico de drogas a
confessar a prática do crime perderá automaticamente o seu cargo, sendo
desnecessário, nessa situação, que o juiz sentenciante motive a perda do
cargo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A perda do cargo, emprego ou função pública é efeito extrapenal administrativo da
condenação, e não precisa ser declarado pelo juiz. GABARITO: C

Q51 - Ressalvada a situação daquele que se omite, quando tinha dever de


evitar ou apurar, os condenados por crime de tortura, na forma da Lei nº
9.455/97, devem cumprir a pena em regime:
a) integralmente fechado;
b) inicialmente fechado;
c) inicialmente semiaberto;
d) inicialmente semiaberto, no caso de tortura vindicativa;
e) aberto.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A posição RECENTE do 1° Turma do STF é no sentido de que o cumprimento de pena
no caso de Tortura inicial em regime fechado, contrariando a posição do Pleno acerca
da Lei dos Crimes Hediondos. Resumindo...

- Regime INTEGRALMENTE fechado: Inconstitucional (decisão do Pleno em 2007); -


Regime INICIALMENTE fechado: Inconstitucional para Hediondos e equiparados
(decisão do Pleno em 2012) - Regime INICIALMENTE fechado: Constitucional para o
crime de Tortura (decisão da 1° Turma de 2015). VAI CAIR!

Q52 - Se um membro da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do


Norte,
integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos, for passar uma
temporada de trabalho no Haiti — país que não pune o crime de tortura — e
lá for vítima de tortura, não haverá como aplicar a Lei n.º 9.455/1997.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 2° da Lei da Tortura determina que ela se aplica ainda quando o crime não
tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-
se o agente em local sob jurisdição brasileira. GABARITO: E

Q53 – Agente de Atividades Penitenciárias – Funiversa 2015


O STF afastou a previsão de obrigatoriedade de imposição de regime inicial
fechado aos condenados por crimes hediondos ou a estes equiparados,
devendo ser observadas as regras do CP no que se refere à fixação do
regime prisional inicialmente previsto para os crimes hediondos e os a estes
equiparados.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Ler questão Q51 – Questão certa.

Q54 - Ressalvada a situação daquele que se omite, quando tinha dever de


evitar ou apurar, os condenados por crime de tortura, na forma da Lei nº
9.455/97, devem cumprir a pena em regime:

a) integralmente fechado;
b) inicialmente fechado;
c) inicialmente semiaberto;
d) inicialmente semiaberto, no caso de tortura vindicativa;
e) aberto.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Ler questão Q51 e Q53 (importante) – Gab: B

Q55 - No crime de tortura em que a pessoa presa ou sujeita a medida de


segurança é submetida a sofrimento físico ou mental, por intermédio da
prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal, não é
exigido, para seu aperfeiçoamento, especial fim de agir por parte do agente,
bastando, portanto, para a configuração do crime, o dolo de praticar a
conduta descrita no tipo objetivo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A conduta do §1° do art. 1° é a única que não exige dolo específico por parte do
agente do crime de tortura.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de
segurança
a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou
não
resultante de medida legal.
GABARITO: C
Q56 - Considere a seguinte situação hipotética. Rui, que é policial militar,
mediante violência e grave ameaça, infligiu intenso sofrimento físico e
mental a um civil, utilizando para isso as instalações do quartel de sua
corporação. A
intenção do policial era obter a confissão da vítima em relação a um suposto
caso extraconjugal havido com sua esposa.

Nessa situação hipotética, a conduta de Rui, independentemente de sua


condição de militar e de o fato ter ocorrido em área militar, caracteriza o
crime de tortura na forma tipificada em lei específica.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Aqui estamos diante da Tortura-Prova ou Tortura Persecutória: a tortura foi
infligida com a finalidade de obter informação, declaração ou confissão da vítima.
GABARITO: C

Q57 - Daniel, delegado de polícia, estava em sua sala, quando percebeu a


chegada dos agentes de polícia Irineu e Osvaldo, acompanhados por uma
pessoa que havia sido detida, sob a acusação de porte de arma e de
entorpecentes. O delegado permaneceu em sua sala, elaborando um
relatório, antes de lavrar o auto de prisão em flagrante. Durante esse
período, ouviu ruídos de tapas, bem como de gritos, vindos da sala onde se
encontravam os agentes e a pessoa detida, percebendo que os agentes
determinavam ao detido que ele confessasse quem era o verdadeiro
proprietário da droga. Quando foi lavrar a prisão em flagrante, o delegado
notou que o detido apresentava equimoses avermelhadas no rosto, tendo
declinado que havia guardado a droga para um conhecido traficante da
região. O delegado, contudo, mesmo constatando as lesões, resolveu nada
fazer em relação aos seus agentes, uma vez que os considerava excelentes
policiais. Nessa situação, o delegado praticou o crime de tortura, de forma
que, sendo proferida sentença condenatória, ocorrerá, automaticamente, a
perda do cargo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Nesta hipótese foi praticada a tortura em sua modalidade omissiva. Lembre-se de que
este crime apenas pode ser praticado por aquele que tinha o dever de evitar ou
apurar o ato de tortura e não o fez. GABARITO: C
OBS: Veja que mesmo na hipótese da tortura imprópria (por omissão) a perda do
cargo é certa!

Q58 - O condenado pela prática de crime de tortura, por expressa previsão


legal, não poderá ser beneficiado por livramento condicional, se for
reincidente específico em crimes dessa natureza.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O livramento condicional não pode ser concedido nesse caso em função do art. 83 do
Código Penal:

Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena


privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que
[...]
V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime
hediondo,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. Não confundir com
a progressão de regime. GABARITO: C

Q59 - Em seu local de trabalho, um servidor público federal, agente de


segurança, se desentendeu com um cidadão e desferiu um soco na direção
do rosto deste, mas, por circunstâncias alheias à sua vontade, foi bloqueado
por outro colega de trabalho que segurou-lhe o braço. ASSERTIVA: Nessa
situação, o agente de segurança deverá responder pelo delito de tentativa de
abuso de autoridade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Neste caso podemos dizer que o agente público incorreu na conduta prevista no art.
3o, ―i‖: atentado à incolumidade física do indivíduo. Perceba que a conduta típica é o
próprio atentado, e por isso não podemos falar em tentativa, mas sim em crime
consumado mesmo, pois a ―tentativa‖ já é a conduta típica. GABARITO: E
Crime de atentado (ou empreendimento): Consuma-se com a tentativa, ou seja, não
admitem tentativa.

Q60 - Conforme o entendimento do STJ, ao acusado de crime de abuso de


autoridade pode ser feita proposta de transação penal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
É verdade. O STJ já entendeu que é possível propor a transação penal no crime de
abuso de autoridade, pois a Lei n. 10.259/2001 não exclui da competência do Juizado
Especial Criminal os crimes que possuam rito especial. Não confunda com a lei de
improbidade, é a única que não admite. GABARITO: C

Q61 - O crime de abuso de autoridade, em todas as suas modalidades, é


infração de menor potencial ofensivo, sujeitando-se seu autor às medidas
despenalizadoras previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais
cíveis e criminais, desde que preenchidos os demais requisitos legais.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O abuso de autoridade sujeita o seu autor a sanções civis, penais e administrativas.
Dentre as sanções penais cominadas consta a detenção de 10 dias a 6 meses. Por
isso podemos dizer que se trata de uma infração penal de menor potencial ofensivo,
pois sua pena máxima cominada não é superior a 2 anos, e, portanto, podem ser
aplicadas as medidas despenalizadoras previstas na Lei no 9.099/1995. GABARITO: C

Q62 - Entre as sanções penais previstas na lei que dispõe sobre abuso de
autoridade, incluem-se a perda do cargo público e a inabilitação para o
exercício de qualquer outra função pública por prazo de até três anos.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Exato! Perceba que a perda do cargo aí é sanção de natureza penal, mesmo, e não
administrativa como na de tortura. Cuidado para não se confundir hein!? GABARITO:
C

Outra observação tão importante quanto e que vai ser cobrada na sua prova: Quando
o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer
categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o
acusado exercer funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por
prazo de um a cinco anos. Sendo exceção à regra.

Q63 - A competência para processar e julgar o crime de abuso de autoridade


praticado por policial militar em serviço é da justiça militar estadual.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de abuso de autoridade não é delito militar e, portanto, é de competência da
Justiça comum. Este posicionamento já foi corroborado pela Jurisprudência do STJ.
Errada.

Q64 - Os crimes de abuso de autoridade serão analisados perante o Juizado


Especial Criminal da circunscrição onde os delitos ocorreram, salvo nos casos
em que tiverem sido praticados por policiais militares.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O STJ já confirmou que o crime de abuso de autoridade não tem natureza militar e,
portanto, é de competência da Justiça comum. Como a maior pena prevista é a
detenção pelo período de 6 meses, a competência para o processamento dos crimes
é, como regra geral, dos Juizados Especiais Criminais. GABARITO: E

Q65 - Constitui abuso de autoridade qualquer atentado ao sigilo de


correspondência, ao livre exercício de culto religioso e à liberdade de
associação.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A expressão ―qualquer atentado‖ pode nos deixar na dúvida, mas vamos relembrar o
teor do art. 3° da Lei n° 4.898/1965:

Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:


a) à liberdade de locomoção;
b) à inviolabilidade do domicílio;
c) ao sigilo da correspondência;
d) à liberdade de consciência e de crença;
e) ao livre exercício do culto religioso;
f) à liberdade de associação;
g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício do voto;
h) ao direito de reunião;
i) à incolumidade física do indivíduo;
j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.

GABARITO: C

Q66 - Com base no disposto na Lei Federal nº 4.898 de 09 de dezembro de


1965 (Abuso de Autoridade), constitui abuso de autoridade:

a) Comunicar ao Juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa.


b) Reduzir a execução da prisão temporária.
c) Qualquer atentado ao sigilo da correspondência.
d) Deixar de comunicar, imediatamente, à família, a prisão de um de seus membros.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 3º. Constitui abusode autoridade qualquer atentado:
a) à liberdade delocomoção;
b) à inviolabilidade dodomicílio;
c) ao sigilo dacorrespondência;
d) à liberdade deconsciência e de crença;
e) ao livre exercício doculto religioso;
f) à liberdade deassociação;
g) aos direitos egarantias legais assegurados ao exercício do voto;
h) ao direito dereunião;
i) à incolumidadefísica do indivíduo;

Não confundir o art. 4, alínea d da lei lei de abuso de autoridade com o art. 306 do
CPP que é bem mais abrangente: "A prisão de qualquer pessoa e o local onde se
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público
e à família do preso ou à pessoa por ele indicada."

Gabarito Letra C

Q67 - Constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guarda ou


custódia a vexame ou a constrangimento, mesmo que autorizado em lei.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
(Vale muito a pena a leitura do Art. 4º da Lei 4898.

Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:


a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as
formalidades legais ou com abuso de poder;
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento
não autorizado em lei;
c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção
de qualquer pessoa;
d) deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja
comunicada;
e) levar à prisão e nela deter quem quer que se proponha a prestar fiança,
permitida em lei;
f) cobrar o carcereiro ou agente de autoridade policial carceragem, custas,
emolumentos ou qualquer outra despesa, desde que a cobrança não tenha apoio em
lei, quer quanto à espécie quer quanto ao seu valor;
g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância
recebida a título de carceragem, custas, emolumentos ou de qualquer outra despesa;
h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica, quando
praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal;
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança,
deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de
liberdade.

Isso ocorre porque o próprio ato de prisão legal é para o delinquente um ato
vexatório e constrangedor, mas não pode constituir abuso de autoridade, exceto se o
ato não for autorizado por lei. Gab: Errada.

Q68 - O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um


acessório de uso restrito, sem autorização, no exercício de atividade
comercial
constitui crime de comércio ilegal de arma de fogo, com a pena aumentada
pela metade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Vamos relembrar o art. 17?
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito,
desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer
forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou
industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.


Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste
artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou
clandestino, inclusive o exercido em residência.

Em primeiro lugar vemos que montar ou desmontar a arma de fogo são condutas
previstas no crime de comércio ilegal de arma de fogo. Em segundo lugar, vemos
que, nos termos do art. 18, neste crime a pena é aumentada da metade se a arma de
fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. GABARITO: C

Q69 - Tales foi preso em flagrante delito quando transportava, sem


autorização legal ou regulamentar, dois revólveres de calibre 38
desmuniciados e com numerações raspadas.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que se segue, com base na
jurisprudência dominante dos tribunais superiores relativa a esse tema.
O fato de as armas apreendidas estarem desmuniciadas não tipifica o crime
de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito em razão da total
ausência de potencial lesivo da conduta.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Porte de arma desmuniciada é crime sim! O STJ tem entendido que a conduta não
será típica quando a arma não estiver apta a realizar disparos e essa condição seja
comprovada em laudo pericial, mas isso é diferente de uma arma em funcionamento,
mas sem munição. Ademais, é importante ressaltar que toda arma de uso permitido
que sofra qualquer tipo de adulteração (alongada, reduzida, numeração suprimida,
etc..) será considerada de uso restrito para fins de aplicação da lei já que norma
prevê diferenciação substancial entre as duas (permitido e restrito).

GABARITO: E

Q70 - O crime de omissão de cautela, previsto no Estatuto do


Desarmamento, é delito omissivo, sendo a culpa na modalidade negligência o
elemento subjetivo do tipo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Corretíssimo! O crime de omissão de cautela realmente é delito omissivo, e o
elemento subjetivo do tipo é a negligência. Vamos relembrar o art. 13?

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18
(dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo
que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.


GABARITO: C

Q71 - Segundo entendimento consolidado do STJ, a potencialidade lesiva da


arma é um dado dispensável para a tipificação do delito de porte ilegal de
arma de fogo, pois o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física,
mas a segurança pública e a paz social, colocados em risco com a posse ou o
portede armas.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Esse é o julgado do STJ de 2013, que caracteriza o crime como de perigo abstrato,
portanto a questão está correta, mas tenha atenção nesse tipo de questão, pois
posteriormente, o próprio STJ relativizou seu próprio entendimento, por entender que
a arma totalmente inapta a efetuar disparos (quebrada), não representa perigo
abstrato, e portanto, a capacidade lesiva deve ser verificada por perícia, ou seja é a
exceção à regra, fique atento pois pode estar certa ou errada conforme vir o
enunciado. Questão certa.

Q72 - Se for possível, mediante o uso de processos físico-químicos,


recuperar
numeração de arma de fogo de uso permitido que tenha sido raspada, estará
desconfigurado o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito,
devendo a conduta ser classificada como porte ilegal de arma de fogo de uso
permitido.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime se consuma com a supressão da marca, nos termos do art. 16, parágrafo
único, I. GABARITO: E

Q73 - Segundo entendimento do STJ, o porte de arma de fogo desmuniciada


configura delito previsto no Estatuto do Desamamento por ser crime de
perigo abstrato, entretanto o porte de munição desacompanhada da
respectiva arma é fato atípico, visto que não gera perigo à incolumidade
pública.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O entendimento tradicional do STJ é no sentido de que porte irregular de munição
também é conduta típica.
GABARITO: E

Q74 - Os crimes de porte de arma de fogo de uso permitido e de disparo de


arma de fogo são delitos inafiançáveis, segundo entendimento do STF.

RESPOSTA DA QUESTÃO: Aprendemos na aula de hoje que o STF considerou a


classificação desses crimes como inafiançáveis desarrazoada e, portanto,
inconstitucional, já que são crimes de mera conduta. GABARITO: E

Q75 - Supondo que determinado cidadão seja responsável pela segurança de


estrangeiros em visita ao Brasil e necessite de porte de arma, a concessão da
respectiva autorização será de competência do ministro da Justiça.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Essa questão foi maldosa. Vejamos o que diz o Estatuto do Desarmamento sobre o
porte de arma para responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita
ao Brasil.

Art. 9o Compete ao Ministério da Justiça a autorização do porte de arma para os


responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ou sediados no Brasil
e, ao Comando do Exército, nos termos do regulamento desta Lei, o registro e a
concessão de porte de trânsito de arma de fogo para colecionadores, atiradores e
caçadores e de representantes estrangeiros em competição internacional oficial de
tiro realizada no território nacional.

Perceba que o dispositivo confere competência ao Ministério da Justiça (não


necessariamente ao Ministro). Pois bem, outras normas estabelecem a
responsabilidade da própria Policia Federal (órgão componente do Ministério da
Justiça) para autorizar o porte nesses casos. O Cespe pegou pesado aqui, não foi
mesmo?
GABARITO: E

Q76 - Servidor público alfandegário que, em serviço de fiscalização


fronteiriça,
permitir a determinado indivíduo penalmente imputável adentrar o território
nacional trazendo consigo, sem autorização do órgão competente e sem o
devido desembaraço, pistola de calibre 380 de fabricação estrangeira deverá
responder pela prática do crime de facilitação de contrabando, com infração
do dever funcional excluída a hipótese de aplicação do Estatuto do
Desarmamento.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O crime de tráfico internacional de armas de fogo prevê também a conduta de
―facilitar a entrada ou saída‖ das armas de fogo do território nacional sem
autorização. GABARITO: E
Q77 - Segundo atual entendimento do STF e do STJ, configura crime o porte
de arma de fogo desmuniciada, que se caracteriza como delito de perigo
abstrato cujo objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a
segurança pública e a paz social.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Exato! Este é o entendimento do STJ e do STF ☺
GABARITO: C

Q78 - Com referência ao Estatuto do Desarmamento, julgue o item


subsecutivo.

As armas das polícias militares deverão ser registradas no Sistema Nacional


de Armas.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Sigma-> Forças armadas, das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, da
Agência Brasileira de Inteligência e do Gabinete de Segurança Institucional da
Presidência da República.

Sinarm-> Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Civis, órgãos policiais da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, integrantes do quadro efetivo dos
agentes e guardas prisionais, integrantes das escolas de presos, das Guardas
Portuárias, das Guardas Municipais e dos órgãos públicos cujos servidores tenham
autorização legal para portar arma de fogo em serviço. Questão Errada.

Q79 - Durante uma operação policial de rotina, policiais rodoviários federais


abordam o caminhão conduzido por Teotônio. Revistado o veículo,
encontram um revólver calibre 38, contendo munições intactas em seu
tambor, escondido no porta-luvas. Os policiais constatam, ainda, que a
numeração de série do revólver não está visível, sendo certo que perícia
posterior concluiria que o desaparecimento se deu por oxidação natural,
decorrente da ação do tempo. Questionado, Teotônio revela não possuir
porte de arma e sequer tem o instrumento registrado em seu nome. Afirma,
também, que a arma fora adquirida para que pudesse se proteger, pois um
desafeto o ameaçara, prometendo-lhe agressão física futura. Nesse
contexto, é correto afirmar que Teotônio cometeu crime de porte de arma de
fogo de uso permitido.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Havendo indícios de que o número de série da arma apreendida se encontrava
parcialmente ilegível em razão do adiantado estado de oxidação do artefato, impõe-se
a desclassificação para o delito previsto no art. 14 da Lei10.826/03. Questão certa.

Q80 - Lucas, delegado de polícia de determinado estado da Federação, em


dia de folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em
um sinal de trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e
executou um disparo para o alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por
autoridade policial que estava próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa
situação hipotética, a conduta de Lucas poderá ser enquadrada como crime,
com possibilidade de aumento de pena, devido ao fato de ele ser delegado de
polícia.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15 (disparo), 16, 17 e 18, a pena é
aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas
referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei. Certa.

Q81 - TITO, policial civil, está sendo ameaçado, decidiu então comprar um
revólver calibre 38, para ter uma arma extra. Vai até o centro da cidade e
compra de Antônio um revólver calibre 38, com a numeração raspada.
Antônio, o vendedor, 25 anos de idade, também, ofereceu a ele uma pistola
de uso exclusivo das forças armadas. Marque a alternativa CORRETA.

a) TITO na condição de policial pode utilizar durante as suas diligências o


revólver comprado de Antônio como uma segunda arma.

b) Caso TITO deixe a arma comprada apenas em sua casa, não há


cometimento de crime.

c) Caso TITO seja preso, poderá pagar uma fiança estabelecida pelo
delegado, e ser solto.

d) Os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais têm o


porte de arma de fogo regulado em Lei, devendo realizar comprovação de
capacidade técnica e de aptidão física.

e) É possível aos residentes em áreas rurais, sendo maiores de 25 (vinte e


cinco) anos, que comprovarem depender do emprego de arma de fogo para
prover a subsistência de sua família, a concessão do porte de arma de fogo
na categoria caçador para subsistência.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 5º, § 5º da lei 10826/2003. Gab: E.

Q82 - A responsabilidade da sociedade empresarial e dos sócios pelo ilícito


penal ambiental é objetiva, bastando, para que sejam devidas as sanções,
provar o dano produzido ao meio ambiente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A responsabilidade da sociedade empresarial e dos sócios pelo ilícito penal ambiental
é objetiva, bastando, para que sejam devidas as sanções, provar o dano produzido ao
meio ambiente.

1) A Responsabilidade da sociedade empresarial é OBJETIVA


2) A Responsabilidade dos sócios é SUBJETIVA

>>> Outro erro da questão é dizer " bastando, para que sejam devidas as sanções,
provar o dano produzido ao meio ambiente."
>>> Como a responsabilidade é OBJETIVA, têm que provar não só o DANO, mas
também a CONDUTA e o NEXO CAUSAL. Errada.

Q83 - A entrega de arma de fogo à criança ou adolescente caracteriza crime


previsto no ECA, e não no Estatuto do Desarmamento, pois o ECA é lei
especial que prevalece sobre a geral.
RESPOSTA DA QUESTÃO:
Este é um tema que já gerou alguma polêmica, principalmente na época da
promulgação do Estatuto do Desarmamento. O entendimento hoje é no sentido de
que o crime previsto no art. 242 do ECA foi revogado pelo Estatuto do
Desarmamento, exceto no que se refere às armas brancas. GABARITO: E

Q84 - O fornecimento de bebida alcoólica à criança ou adolescente tipifica o


crime previsto no art. 243 do ECA.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Corretíssimo! Lembre-se de que esse crime envolve não apenas as substâncias
classificadas como drogas, mas também de quaisquer outras que possam causar
dependência. GABARITO: C

Q85 - Douglas adquiriu gratuitamente vídeo com cenas de sexo explícito


envolvendo menores de idade, para a satisfação de seus próprios desejos
sexuais, sem expô-lo a terceiros. Nessa situação, Douglas praticou crime
tipificado no ECA.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 241-B do ECA tipifica a conduta de adquirir, possuir ou armazenar esse tipo de
material. A conduta é criminosa independentemente da forma como se deu a
aquisição ou de qual era a intenção do agente. GABARITO: C

Q86 - Para a configuração do crime de corrupção de menores, previsto no


ECA,
não se faz necessária prova da efetiva corrupção do menor, uma vez que se
trata de delito formal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Mais uma questão a respeito da Súmula 500 do STJ, não é? Lembre-se de que, para
esteja configurado o crime de corrupção de menores não é necessário provar a
efetiva corrupção do menor. Apenas a sua participação já é suficiente para a
consumação do crime de corrupção de menores. GABARITO: C

Q87 - De acordo com o entendimento consolidado do STJ, requer-se, para a


configuração do crime de corrupção de menores previsto no ECA, a
existência de prova a respeito da efetiva corrupção do menor.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Mais uma vez está aqui a Súmula 500, não é? Fique ligado, pois é um assunto
―quente‖ que pode muito bem ser cobrado na sua prova. GABARITO: E

Q88 - O crime de corrupção de menores previsto no art. 244-B da Lei n.


8.069/90 é classificado como material, exigindo-se prova inequívoca de que
o infante, antes do crime, não era corrompido.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Mais uma vez! Acredito que a Súmula 500 do STJ possa surgir na sua prova, ok?
Preste atenção! ☺ GABARITO: E
Q89 - O adolescente, nos termos da Lei n.º 8.069/90,
a) tem o direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase
do procedimento.
b) por estar em desigualdade na relação processual em razão de sua idade, não
poderá ser confrontado com a vítima, ou com as testemunhas dos fatos.
c) não poderá ser preso em flagrante, entretanto será ouvido pelo delegado de polícia
competente e indiciado pela prática do ato infracional.
d) poderá ser privado de sua liberdade, inclusive em situações de flagrante delito,
desde que seja reincidente na prática de ato infracional grave.
e) não será necessariamente representado por advogado nos processos por ato
infracional, bastando que compareça em juízo acompanhado pelos pais ou por
responsável legal.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A alternativa A é a nossa resposta, conforme art. 111 do ECA. A alternativa B está
incorreta porque o art. 111, II do ECA autoriza expressamente que o adolescente se
confronte com vítimas e testemunhas. A alternativa C está incorreta porque o art.
106 do ECA autoriza a APREENSÃO do adolescente, desde que em flagrante de ato
infracional ou por ordem escrita e fundamentada do juiz. A alternativa D está
incorreta porque o ECA não exige que haja reincidência. A alternativa E está incorreta
porque o art. 111, III do ECA assegura ao adolescente a garantia de defesa técnica
por advogado.
GABARITO: A

Q90 - O ato de corromper menor de dezoito anos de idade ou de facilitar a


sua
corrupção para a prática de infração penal é considerado delito formal, cuja
caracterização demanda a coautoria ou participação de indivíduo maior de
idade, majorando-se a pena caso o delito perpetrado em decorrência da
corrupção seja hediondo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Este crime é tipificado pelo art. 244-B do ECA, que prevê aumento da pena de um
terço caso a infração cometida ou induzida conste no rol dos crimes hediondos (Lei n°
8.072/1990). Correta.

Q91 - Se, após a regular apreensão de adolescente, a autoridade policial


responsável deixar de comunicar, imediatamente, o fato à autoridade
judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada,
delegado de polícia, por ter a incumbência legal de ordenar a lavratura do
auto de apreensão e demais medidas dele decorrentes, será responsabilizado
criminalmente por delito previsto no ECA.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O delito tratado pela assertiva é tipificado pelo art. 231 do ECA.
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou
adolescente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à
família do apreendido ou à pessoa por ele indicada:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Q92 - Felipe, com cinquenta anos de idade, diretor e produtor de agência de
filmes de conteúdo erótico para reprodução na Internet, contratou dois
atores
(homem e mulher), com dezenove e vinte anos de idade, respectivamente,
que aparentavam ser bem mais jovens, e produziu vídeo com cenas de sexo
explícito, modificando-as por meio digital, de modo a simular a participação
de adolescentes. Nessa situação, não haverá infração penal por parte de
Felipe e dos provedores de acesso à Internet porque os atores envolvidos no
vídeo são maiores de idade, sendo-lhes assegurada a liberdade de expressão
e de manifestação artística prevista constitucionalmente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A assertiva está incorreta, pois o art. 241-C do ECA criminaliza a simulação da
participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica.
GABARITO: E

Q93 - Valter, ocupante de cargo cujas atribuições incluem fornecer


declaração de nascimento, não forneceu esse documento a Gabriela, quando
ela recebeu
alta médica, após dar à luz seu filho. Nessa situação hipotética, a conduta de
Valter

a) é atípica.
b) constitui crime preceituado no ECA, que pode ser punido a título de dolo ou culpa.
c) constitui crime preceituado no ECA, punido apenas na modalidade dolosa.
d) constituirá crime se ele puder ser considerado funcionário público, para fins penais.
e) constitui crime de prevaricação, previsto no CP.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Uma das condutas tipificadas pelo art. 228 do ECA é a daquele que deixa de fornecer
declaração de nascimento, sendo possível inclusive a punição do crime na modalidade
culposa.

Q94 - Em caso de flagrante da prática de ato infracional, o adolescente não é


prontamente liberado pela autoridade policial, apesar do comparecimento
dos pais, quando, pela gravidade do ato infracional e por sua repercussão
social, o adolescente deve permanecer sob internação para manutenção da
ordem pública.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 174 do ECA trata da situação mencionada na assertiva. É possível que o
adolescente seja internado mesmo com o comparecimento dos pais à delegacia,
quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o
adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou
manutenção da ordem pública. GABARITO: C

Q95 - O regime de semiliberdade possibilita ao adolescente a realização de


atividades externas, mediante expressa autorização judicial.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
De acordo com o art. 120 do ECA, o regime de semiliberdade pode ser determinado
desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a
realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial.
GABARITO: E

Q96 - Se o adolescente, devidamente notificado, não comparecer,


injustificadamente, à audiência de apresentação, a autoridade judiciária
deve decretar sua revelia e encaminhar os autos à defensoria pública para
apresentação de resposta escrita.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
O art. 187 do ECA determina que se o adolescente não comparecer,
injustificadamente, à audiência de apresentação, o juiz deve designar nova data,
determinando sua condução coercitiva. GABARITO: E

Q97 - Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime, sendo


indiferente, nos termos do ECA, a prática de contravenção penal pelo menor
de idade.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Tanto as condutas previstas como crimes quanto aquelas consideradas contravenções
penais são consideradas atos infracionais quando cometidas por menor de idade.
GABARITO: E

Q98 - O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde


logo, encaminhado à autoridade judicial competente.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
A assertiva está cobrando a letra do art. 172 do ECA. Esse dispositivo determina que
o adolescente apanhado em flagrante ato infracional deverá ser encaminhado à
autoridade policial, e não à autoridade judicial. GAB: E

Q99 - Rafael, adolescente de 16 anos, durante a prática de furto em uma loja


de departamentos, foi flagrado pelos seguranças do estabelecimento e
apresentado à delegacia de polícia competente. Lavrado o procedimento
policial, o adolescente foi encaminhado à Vara da Infância e da Juventude.

Restando demonstrado que o adolescente é estudante assíduo, integrado à


família e sem qualquer outro antecedente infracional, o representante do
Ministério Público pode, antes de iniciado o procedimento judicial, conceder
a remissão, como forma de exclusão do processo.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
Art. 126 do ECA. Questão correta.

Q100 - De acordo com a Lei n.º 4.898/65 (Abuso de Autoridade), é correto


afirmar que o processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim
de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

RESPOSTA DA QUESTÃO:
CERTA; Art. 7 § 3º: O processo administrativo não poderá ser sobrestado para o fim
de aguardar a decisão da ação penal ou civil.

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