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A dança como linguagem física e metafísica

Como professora de dança e psicóloga, percebi um grande potencial na arte


terapia como recurso expressivo e seu lugar simbólico sobre os sentidos como
benefícios da música, por seu caráter físico e metafísico, uma vez que esta
sensibiliza os sentidos por meio de sua reverberação inconsciente e consciente
da memória.
Entendo a dança com uma leitura antropológica enquanto arte, ela seria capaz
de provocar o indivíduo a realizar transformações na sua vida.
A dança tem a sua própria linguagem e historicidade e a percepção que se tem
dela é individual e coletiva.
A dança apresenta-se como potencializadora dos sentidos, por seu caráter de
rito, composta de movimento e pausa, toque, ruído e silêncio, expondo uma
estrutura física e metafísica.
Olho para a dança como uma linguagem que permite trabalhar os elos do
inconsciente, ou seja, os arquétipos junguianos do coletivo.
Assim, a dança na Arteterapia, acompanha o processo das relações
antropológicas, dado que ela se desenvolve de acordo com as construções
humanas, revelando assim a presença da dança ao longo dos movimentos
político, sociais, culturais e históricos.  
Os benefícios da dança, como recurso expressivo, permitem ampliar a
consciência sobre si, melhorando sua relação com as próprias emoções,
sentidos e sensações, pois atua no sistema nervoso e no metabolismo de cada
pessoa, mobilizando a saúde do corpo e da mente.
Tais efeitos sobre o metabolismo podem ser positivos ou negativos, conforme
as singularidades da vida de cada pessoa. A dança enquanto recurso mobiliza,
age e reverbera nas emoções, possibilitando a recuperação de doenças,
melhorando a autoestima de quem participa das sessões terapêuticas.

A dança como autoconhecimento: pulsão


A reverberação e os benefícios da dança ressoam de diferentes formas no
corpo, uma vez que cada pessoa tem sua formação histórica cultural única,
mas está diretamente exposta ao contato com elementos do movimento.
Para entender esta ligação física da dança com o ser humano faço uma
reflexão simples:
 Se estivermos num determinado espaço em que não haja qualquer hipótese de
movimento, jamais ficaríamos completamente parados.
Isso acontece porque o corpo orgânico, físico do ser humano possui o seu
próprio movimento, na pulsação, na respiração, no sangue que circula, o
centro do corpo reverbera um ritmo.
O coração pulsante determina que haja a produção de movimentos e ruídos no
próprio corpo. Assim, ao colocarmos a mão no peito sentimos a beleza do
pulsar, escutando o ritmo, o pulso interno.
Com isso, a noção do movimento humano é uma caracterização do mundo
externo ao seu corpo. Dessa maneira, a dança mobiliza e afeta de uma forma
tanto física quanto metafísica, pois transcende o nosso corpo por ser
linguagem.
Essa dimensão física e metafísica da dança é que nos permite ligar os
diferentes lugares dela para uma pessoa, respectivamente da realidade do eu
aos lugares da fantasia, da magia, do onírico, contidos na mitologia, no
folclore, nos contos de fada.
Além disso, um dos benefícios da dança é a potencialidade de provocar
memórias, também através da música, e como curativa individualmente e
coletivamente tanto física quanto emocional pois permite o acesso as
memórias do inconsciente para tratá-la conscientemente, por isso o uso da
dança deve ser intencional.
 
A dança como recurso expressivo

Contudo, tanto este recurso expressivo artístico como as outras artes utilizadas
na Arteterapia, não procuram um padrão estético, formativo, como os
cursos de artes visuais, cênicas e música. 
A dança é vista pelo olhar do que foi produzido na compreensão do cliente, do
sujeito que está em processo de individuação, buscando o lugar simbólico
desta.
Assim, a dança é como um recurso facilitador do processo arteterapêutico para
entendimento dos conteúdos do inconsciente individual e coletivo, uma vez
que ela permite ao sujeito se expressar ou mobilizar a expressão deste, por
meio das emoções, não necessariamente apresentando-se com agradável, mas
como um meio de transformação e conhecimento sobre si mesmo.

Benefícios da dança
O uso de determinada dança para um grupo específico ou um sujeito pode
provocar revolta ou um distanciamento do processo emocional. 
Por isso, entendo que o estudo sobre a reações e sobre a própria dança são
fundamentais para o seu uso como ferramenta.
Dessa forma, busco diferentes olhares sobre o uso da dança na Psicologia, 
Arteterapia, Antropologia e  na própria História da Dança para compreender
como a música pode ser utilizada de diferentes formas uma vez que, ela pode
ser trabalhada para exploração das emoções, dos sentimentos, das sensações.
 Como também, no processo de integração a dança em si apresenta-se como
símbolo a ser trabalhado, pelo que ela emerge e significa para o indivíduo ou
para o grupo. Ou mesmo como uma criação coreográfica própria.
Percebo na dança um poder de movimento, de mudança, podendo associar-
se a outras formas expressivas como a musica, mas também de uma forma
mais indireta às artes visuais, à literatura e ao teatro, emergindo o lugar
simbólico da potência do transformar.
Com efeito, entendo-a como provocadora dos outros sentidos do corpo, uma
vez que, ao trabalhar o movimento, este reverbera e ressoa de forma que
permite desenvolver o tato e os demais sentidos.

A dança na expressão e comunicação do corpo


Numa sessão de movimento e dança emocional o corpo percebido como
produtor de diferentes movimentações, permite à mulher se apropriar e se
reconhecer ao explorar as diferentes formas de produzir movimentos,
desenvolvendo uma consciência corporal através dos sentidos mobilizados
pela dança.
Portanto, a dança está diretamente ligada ao ser humano como formadora e
transformadora tanto individual quanto coletivamente, sendo ela um recurso
que permite um olhar simbólico cultural para reconhecimento do sujeito sobre
si.

7 benefícios da Música

1. Expansão da consciência por trabalhar de forma física e


metafísica nos seres, a dança apresenta-se como motivadora para
alegria e liberação das tensões do corpo;
2. A dança permite estímulos para melhor circulação sanguínea e
ativação da memória tanto sensorial como cognitiva, bem como,
estimula a inteligência e o equilíbrio emocional e afetivo;
3. Por meio da dança conseguimos sentir e explorar as mais
variadas ações e reações do nosso corpo e dos outros seres
(pessoas, animais, plantas), assim nos comunicando melhor por ser
um recurso expressivo de autoconhecimento em nosso processo de
individuação, mantendo a saúde do nosso ser na sociedade.
4. A dança auxilia e estimula a criatividade e atenção para
momentos de relaxamento, meditativos e de fruição da imaginação;
5. A dança permite compreendermos o nosso ser para além da razão
e é uma excelente ferramenta para desprendimento do controle e se
permitir fluir por meio das emoções e pulsões, como na forma de
catarse ou de satisfação das necessidades veladas;
6. A dança é auxiliar contra o medo e a ansiedade, por meio da
movimentação que permite tranquilizar o cérebro e abre caminhos
para um sono com qualidade.
7. A dança é um meio de educar nosso corpo e nossos sentidos de
forma fluída auxiliando processo de transformação e
ressignificação.