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EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA

COMARCA DE PATOS DE MINAS – MG.

Processo nº 5001525-12.2020-0480

LUCAS EDUARDO DE OLIVEIRA, devidamente qualificado nos autos, por sua


advogada subscritora, com escritório profissional sito à Rua José de Santana, 1306, sala
302, centro, na cidade de Patos de Minas – MG, vem respeitosamente, à presença de
Vossa Excelência, apresentar CONTESTAÇÃO à AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE
DANOS POR ACIDENTE DE TRÂNSITO – COLISÃO ENTRE VEÍCULOS, movida
em seu desfavor por CESAR PEREIRA PORTO, já qualificado nos autos em
epígrafe, pelos fatos e fundamentos, a seguir declinado:

I – SÍNTESE DA EXORDIAL

Alega o Requerente que é proprietário de um veículo Fiat/Strada Working CE, placa


HNP-9309, cor preta.

Aduz que no dia 24 de agosto de 2019 seu veículo estava estacionado no cruzamento
existente entre as ruas Juscelino Kubitschek e Chico Borges e que por volta de
21h30min, o Requerido na condução de seu veículo GM/Celta, placa JGJ-5490, ao
efetuar o cruzamento supramencionado, veio a colidir com o veículo do Requerente.

A Polícia Militar foi acionada, lavrando-se o respectivo Boletim de Ocorrência (REDS


nº 2019-041008245-001), na oportunidade o Requerido se comprometeu a arcar com os
devidos custos com os reparos do veículo.
Discorre o Requerente, que em decorrência do acidente de trânsito sofreu prejuízos de
ordem material no veículo na quantia de R$757,34 (setecentos e cinquenta e sete reais e
trinta e quatro centavos), bem como requer que o Requerido venha a arcar com lucros
cessantes, correspondente à R$4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais).

No entanto, as alegações do Requerente não revelam toda a verdade acontecida no


infortúnio, bem como os pedidos não devem ser acolhidos em sua integralidade,
conforme demonstrará a seguir.

II – VERDADE DOS FATOS

O Requerido, Lucas, reconhece que, ao efetuar o cruzamento mencionado, não prestou


as devidas cautelas e acabou colidindo com o veículo do Requerente, que estava
estacionado, conforme relatado pelo mesmo.

Ao constatar a colisão, o Requerido se dirigiu até sua casa, para chamar seu genitor,
para auxiliá-lo, em um impulso diante do nervosismo pela situação vivenciada,
retornando ao local do sinistro instantes depois da colisão, prestando assistência e se
colocando à disposição para auxiliar no que fosse necessário, conforme narrado no
próprio Boletim de Ocorrência anexado aos autos de ID - 106896659.

Observa-se que todas as tratativas para os reparados necessários foram feitas através de
ligação telefônica e que as partes não chegaram a um consenso quanto à forma de
reparo do veículo, aja vista que o Requerente se manteve irredutível ao afirmar que
levaria seu veículo até a cidade de Patos de Minas para o devido reparo, onerando
sobremaneira o valor final.

Importante ponderar que os valores apresentados pelo Sr. Lucas, para reparo na cidade
de São Gonçalo, foram todos verbais, tanto é que se quer foram juntados aos autos.

Por fim, o Requerente não aceitou o valor que o Requerido havia lhe repassado e tão
pouco o Requerido aceitou o valor repassado pelo Requerente, valor a quem do justo,
pois sabia que na própria cidade em que residem há estabelecimentos capazes de efetuar
os reparos necessários por valores bem inferiores aos apresentados, não havendo
necessidade de se deslocarem até outra cidade para o conserto.
Por fim, o Reclamante não mais se manifestou quanto ao reparo do veículo, fazendo-o
dois meses após a colisão.

III – QUESTÕES PRÉVIAS

III.1 – IMPUGNAÇÃO AOS BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA


GRATUITA

Num primeiro momento, tem lugar impugnar o pleito de concessão dos benefícios da
assistência judiciária gratuita manifestado pelo Demandante, não só ante a ausência de
prova de hipossuficiência financeira, mas também, e principalmente, quando as provas
dos autos evidenciam a gozar de uma vida financeira, no mínimo, confortável.

Basta dizer que o próprio Requerente relata que chega a auferir renda diária de até
R$2.000,00 (dois mil reais).

Não é possível dizer que uma pessoa que recebe uma renda acima mencionada, possui
situação de debilidade financeira apta a propiciar o deferimento dos benefícios da
assistência judiciária gratuita, cabendo, pois, o indeferimento.

Assim sendo, pugna pelo indeferimento dos benefícios da justiça gratuita, dadas
razoáveis evidência financeira suficiente a arcar com ás custas processuais.

III.2 – CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA


GRATUITA

Diferente disso, o Demandado possui nítida situação de debilidade financeira, por não
possuir recursos suficientes a suprir a própria subsistência e de sua família, quanto mais
o pagamento de eventuais custas processuais e verbas sucumbenciais.

Diante disso é que requer, desde já, o deferimento dos benefícios da assistência
judiciária gratuita, por não ter condições mínimas sequer de arcar com os custos.

IV – DO MÉRITO

IV.1 – DOS DANOS MATERIAS


O Requerido não se escusa da responsabilidade de repara os valores gastos com o reparo
do carro. Assim se dispõe a ressarcir o Requerente no quantum despendido pelo reparo
do veículo, mencionado na inicial.

IV.2 – DOS LUCROS CESSANTES

Relata o Requerente que devido á colisão, deixou de ganhar lucros relativos ao seu
trabalho, visto que utiliza seu veículo para efetuar entregas de seu comércio.

Contudo, insta salientar que a inércia do Requerente em efetivar o reparo de seu veículo
não pode ser colocada como obrigação do Requerido, uma vez que o mesmo se dispôs a
custear todo o reparo do veículo na época do sinistro.

Ainda, o Demandante justifica sua inércia sob a afirmação de que não teria condições de
arcar com o reparo naquele momento e que teve que “juntar” o valor necessário para
tanto. Ocorre Excelência que, conforme palavras do próprio demandante, é costumeiro
na cidade a prestação de serviço à prazo, o que poderia, diante da necessidade alegada
pelo Sr. César, ter sido realizado o reparo nessas condições ou levado a conhecimento
do Requerido referida situação.

Ademais, o Requerente sequer juntou aos autos ou apresentou para o Requerido


orçamento quanto os reparo realizado, lembrando que aquele se negava a consertar seu
veículo na cidade de São Gonçalo do Abaeté.

Dessa forma, Excelência, o valor mencionado pelo Demandante, que se refere ao que
ele deixou de lucrar em seu estabelecimento, não é verba devida pelo Requerido, aja
vista, que a inércia do reparo foi ocasionada única e exclusivamente pelo Requerente.

Além disso, inexiste dever do Requerido em indenizar o Requerente pelos lucros


cessantes pois o mesmo não apresentou nenhuma comprovação cabal das perdas e danos
mencionados na inicial, anexando notas fiscais de compras de mercadoria o que sugere
que o estabelecimento comercial do mesmo estava funcionando normalmente (NF de ID
- 117909555; 117909554; 117909553 e 117909552).
Assim a parte Autora sequer comprovou, nos autos, que teve algum prejuízo no período
mencionado, portanto os lucros cessantes não podem ser presumidos, conforme nos traz
a jurisprudência:

EMENTA: APELAÇÕES CÍVEIS - AÇÃO DE COBRANÇA C/C


INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS -
ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO VEICULAR - ACIDENTE
AUTOMOBILÍSTICO - NEGATIVA DE COBERTURA - DANOS
EMERGENTES COMPROVADOS - LUCROS CESSANTES - PROVA
EFETIVA DE PREJUÍZOS ECONÔMICOS - IMPROCEDÊNCIA.

1. Comprovados o sinistro de trânsito, o dano emergente e o nexo de


causalidade entre este e aquele, impõe o reconhecimento do dever da
associação de proteção veicular indenizar o terceiro proprietário de
veículo atingido, por ausência de previsão expressa de qualquer cláusula
limitativa no regulamento do associado nesse sentido, ou de prova de
excludente de responsabilidade.

2. O pagamento de indenização por lucros cessantes, modalidade de dano


material, pressupõe a comprovação da diminuição potencial do
patrimônio da vítima, sendo necessária a prova, efetiva, dos
prejuízos aferíveis economicamente.

3. Apelos desprovidos. (TJMG - Apelação Cível 1.0261.16.013385-


4/001, Relator(a): Des.(a) José Arthur Filho , 9ª CÂMARA CÍVEL,
julgamento em 19/02/2019, publicação da súmula em 08/03/2019)

EMENTA: APELAÇÃO CIVIL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO -


ILEGITIMIDADE ATIVA AFASTADA - ACIDENTE DE TRÂNSITO
- EMPRESA DE TELEFONIA - RESPONSABILIDADE OBJETIVA -
MOTOCICLETA - CABO TELEFÔNICO SOLTO EM RODOVIA -
DANO MATERIAL COMPROVADO - DANO MORAL AUSENTE -
LUCROS CESSANTES NÃO CONFIGURADOS - SENTENÇA
CONFIRMADA. - A legitimidade ativa consiste na capacidade da parte
de sofrer os influxos da decisão a ser proferida, como sujeito da relação
jurídica. - A concessionária demandada, por ser a proprietária dos cabos
de telefonia que atingiram o veículo da parte autora, responde
objetivamente, com fulcro no art. 37, §6º, da CF/88 e no art. 14 do CDC.
- O dano material é aquele que atinge diretamente o patrimônio da parte,
podendo ser mensurado, consistindo no prejuízo financeiro efetivamente
sofrido. - Não é suficiente para caracterizar dano moral o infortúnio no
trânsito sem maiores consequências, ainda que de natureza leve, tratando-
se de mero aborrecimento. - Os lucros cessantes se referem à
frustração da expectativa de ganho, e, para que seja possível a
indenização faz-se necessário a sua comprovação, o que não ocorreu
na hipótese. - Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada e recursos de
apelação desprovidos. (TJMG - Apelação Cível 1.0331.13.000281-
8/001, Relator(a): Des.(a) Amorim Siqueira , 9ª CÂMARA CÍVEL,
julgamento em 08/08/2017, publicação da súmula em 23/08/2017)

DIREITO CONSTITUCIONAL - DIREITO CIVIL - DIREITO


PROCESSUAL CIVIL - APELAÇÕES - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO -
OBRA NA REDE DE ESGOTO - BURACO ABERTO NA RUA,
DURANTE A PASSAGEM DE VEÍCULO - QUEDA - CULPA
EXCLUSIVA DA VÍTIMA - NÃO DEMONSTRAÇÃO -
RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO PELOS DANOS
MATERIAIS - LUCROS CESSANTES - AUSÊNCIA DE PROVA -
DANO MORAL - NÃO CONFIGURAÇÃO - HONORÁRIOS
ADOVCATÍCIOS - DETERMINAÇÃO DE COMPENSAÇÃO -
FALTA DE INTERESSE RECURSAL DA PARTE QUE NÃO É
BENEFICIADA PELA JUSTIÇA GRATUITA - RECURSOS
DESPROVIDOS. - Constatada a ocorrência de danos sofridos por
particular, em decorrência de evento atribuível a conduta omissiva do
Poder Público, e não comprovada a alegação de culpa exclusiva daquele,
revelam-se caracterizados os elementos configuradores da
responsabilidade civil do Estado, criando-se o conseqüente dever de
indenizar os prejuízos demonstrados. Não são devidos lucros cessantes
se não há prova de que a parte perdeu oportunidades de trabalho
durante o período em que o veículo danificado estava na oficina, e
muito menos do valor que teria deixado de receber. - Se a integridade
física do particular não foi violada com o acidente, e se não há sinal de
que tenha experimentado humilhação, infâmia contra sua honra, alteração
psicológica após o evento, ou qualquer espécie de abalo interior que o
tenha tornado sentimentalmente prejudicado, não é devida indenização
por dano moral. - Se a sentença determinou a compensação dos
honorários advocatícios, e uma das partes está litigando amparada pelos
benefícios da Justiça gratuita, a parte contrária não tem interesse recursal
em pleitear o afastamento da compensação, porque seu procurador será
prejudicado com a suspensão da exigibilidade da referida verba, nos
termos da lei 1.060/50. (TJMG - Apelação Cível 1.0236.06.010339-
7/001, Relator(a): Des.(a) Moreira Diniz , 4ª CÂMARA CÍVEL,
julgamento em 19/04/2012, publicação da súmula em 02/05/2012).

Assim sendo, não deverá o Requerido ser condenado ao pagamento de indenizações por
lucros cessantes, vez que o Reclamante não conseguiu comprovar, cabalmente, os
valores que supostamente deixou de receber. Pelo contrário, anexou aos autos, notas
fiscais que comprovam sua atividade e renda no período em que o veículo não estava
funcionando com um período posterior ao conserto do mesmo, comprovando-se assim,
somente, que não houve prejuízo financeiro a ser indenizado referente aos lucros
cessantes pleiteados.

V – DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer a Vossa Excelência o recebimento da presente, com a respectiva


concessão dos benefícios da assistência gratuita, para efeito de, no mérito, afastar o
reconhecimento dos danos morais na modalidade de lucros cessantes pleiteados aja vista
a ausência de comprovação dos danos sofridos.
Para provas o alegado, requer todas as provas em direito admitidas, ainda que não
requeridas previamente, em especial documental, testemunhal e depoimento pessoa do
Requerente, sob pena de confissão.

Nestes termos;

Pede deferimento.

São Gonçalo do Abaeté – MG, 21 de julho de 2020.

P.p. Paula Mattos Magalhães de Souza Coelho

OAB/MG 144.462

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