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Formação OCC

O papel do Contabilista
no âmbito do Contencioso Tributário

SEG3919

Jesuíno Alcântara Martins

Setembro de 2019
Apresentação do curso

O presente curso está estruturado em dois blocos


formativos:

• O Bloco 1

• O Bloco 2

• O bloco 1 aborda os pontos 1 a 7 do manual


e
• O bloco 2 trata dos pontos 8 a 11 do Manual

Existe ainda um capítulo relativo aos casos práticos.


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Formação OCC

BLOCO 1
DIS5319

Setembro de 2019
Enquadramento

• O desempenho da atividade de contabilista certificado exige o


conhecimento do SNC e de outras normas, sejam estas de
dimensão europeia ou internacional, e ainda de diretrizes
contabilísticas estabelecidas por entidade competente e
reconhecida na matéria.

• Através da contabilidade e das demonstrações financeiras obtém-


se a verdade sobre a situação financeira e patrimonial das
entidades a quem os contabilistas prestam serviços, sendo de igual
modo a contabilidade o ponto de partida para a determinação da
matéria tributável e correlativa verdade sobre a situação tributária
dos contribuintes.
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Enquadramento

• Impõe-se aos contabilistas a observância de muitos normativos e


aspetos de entre os quais se destacam:

✓ Os contabilistas certificados (CC) apenas podem aceitar a


prestação de serviços para os quais tenham capacidade
profissional bastante, de modo a poderem executá-los de
acordo com as normas legais e técnicas vigentes.

✓ Os contabilistas certificados apenas podem subscrever as


declarações fiscais, as demonstrações financeiras e os seus
anexos que resultem do exercício direto das suas funções,
devendo fazer prova da sua qualidade, nos termos e
condições definidos pela Ordem.

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Enquadramento

No domínio do procedimento tributário, os CC têm um especial dever de


colaboração que se deve balizar dentro dos parâmetros seguintes:

• Assegurar que as declarações fiscais que assinam estão de acordo com a lei
e as normas técnicas em vigor;

• Acompanhar, quando para tal forem solicitados, o exame aos registos,


documentação e declarações fiscais das entidades a que prestem serviços,
prestando os esclarecimentos e informações diretamente relacionados com o
exercício das suas funções;

• Abster-se da prática de quaisquer atos que, direta ou indiretamente,


conduzam a ocultação, destruição, inutilização, falsificação ou viciação dos
documentos e das declarações fiscais a seu cargo;

• Assegurar, nos casos em que a lei o preveja, o envio por via eletrónica das
declarações fiscais dos seus clientes ou entidades patronais.

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Enquadramento

• O desempenho das funções de contabilista certificado exige um exímio


conhecimento dos Códigos Fiscais referentes aos diversos tributos,
com especial enfoque nos Códigos do Imposto sobre o Rendimento
das Pessoas Coletivas (CIRC), do imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares (CIRS) e do Imposto sobre o Valor Acrescentado
(CIVA).

• Os contabilistas certificados podem“[i]ntervir, em representação dos


sujeitos passivos por cujas contabilidades sejam responsáveis, na fase
graciosa do procedimento tributário e no processo tributário,
até ao limite a partir do qual, nos termos legais, é obrigatória a
constituição de advogado, no âmbito de questões relacionadas com as
suas competências específicas” – al. b) do n.º 2 do art.º 10.º EOCC.

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Enquadramento

• A intervenção ou participação dos contabilistas certificados na área


do Contencioso Tributário exige um acréscimo de conhecimentos
técnicos e jurídicos, os quais impõem um maior esforço aos
contabilistas certificados, mas que se poderá relevar muito
gratificante no domínio profissional e no campo da realização
pessoal e profissional.

• Pode ser exigente e difícil o caminho a percorrer pelos contabilistas


certificados que optem por intensificar e reforçar a sua intervenção
na área do contencioso tributário, mas o futuro dar-lhes-á razão
e potenciará um melhor, mais completo e profícuo desempenho
das suas funções de CC.
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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• As regras gerais sobre os sistemas de avaliação da matéria


tributável constam dos art.ºs 81.º a 90 da Lei Geral Tributável.

• Estas regras têm de ser articuladas com os normativos específicos


insertos em cada Código de tributação.

• A avaliação direta visa a determinação do valor real dos


rendimentos ou bens sujeitos a tributação (n.º 1 do art.º 83.º da
LGT).
• Este normativo faz jus ao comando constante do n.º 2 do artigo
104.º da Constituição da República Portuguesa (CRP), que dispõe
que “[a] tributação das empresas incide fundamentalmente sobre
o seu rendimento real”.
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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• A avaliação direta ou apuramento da matéria tributável tem por


base as declarações dos contribuintes, desde que estes as
apresentem nos termos da lei e forneçam à AT os elementos
indispensáveis à verificação da sua situação tributária.

• A competência para efetuar a avaliação direta pertence à


Administração, salvo nos casos de autoliquidação que pertence ao
sujeito passivo da relação jurídica tributária.

• A avaliação direta é feita em função da capacidade contributiva do


contribuinte, e com observância dos princípios da legalidade,
igualdade, proporcionalidade e assenta em critérios objetivos
evidenciados na contabilidade do contribuinte.
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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• Esta presunção funciona em benefício do contribuinte


pertencendo à Administração Tributária o ónus de provar que a
declaração fiscal ou a contabilidade não reflete a verdade sobre a
sua situação tributária.

• Os contabilistas certificados no exercício da sua profissão devem


respeitar as normas legais e os princípios contabilísticos em vigor,
pugnando pela verdade contabilística e fiscal, evitando, deste
modo, que se verifique a quebra ou cessação da presunção de
verdade das declarações fiscais.

• A presunção de verdade cessa se se verificar alguma das


circunstâncias previstas no n.º 2 do art.º 75.º da LGT.
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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• A avaliação indireta da matéria tributável visa a determinação


do valor dos rendimentos ou bens tributáveis a partir de indícios,
presunções ou outros elementos de que a Administração
Tributária disponha - n.º 2 do art.º 83.º da LGT.

• A competência para realizar a avaliação indireta da matéria


tributável pertence à Administração Tributária, mas para que esta
possa acontecer não é suficiente que as declarações fiscais não
sejam apresentadas no prazo legal, ou que existam nas
declarações ou na contabilidade algumas omissões, inexatidões ou
irregularidades.

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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• Nem sequer é suficiente que, no âmbito de um procedimento


de inspeção tributária, se verifique a falta de cooperação
ilegítima do sujeito passivo ou demais obrigados tributários.

• A avaliação indireta só pode ser feita nos casos e condições


expressamente previstos na lei e estas estão taxativamente
indicados no n.º 1 do artigo 87.º da LGT, sendo que, nos
termos do n.º 3 do art.º 74.º da LGT, compete à Autoridade
Tributária e Aduaneira (AT) fazer a prova dos pressupostos
legais que permitem determinar a matéria tributável com base
em avaliação indireta.
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Sistemas de avaliação da matéria tributável

• A opção pela tributação através de avaliação indireta não pode ser


tomada pelos serviços da AT de ânimo leve, uma vez que lhe cabe
o ónus da prova quanto à existência dos pressupostos legais que
permitem tal tipo de avaliação da matéria tributável.

• A lei impõe à AT um especial dever de fundamentação


especificada das razões que determinam a aplicação de métodos
indiretos - n.º 3 do art.º 74 e n.º 4 do art.º 77.º da LGT.

• Os contabilistas certificados podem ter uma relevante função de


aconselhamento legal e técnico, no sentido de motivar as pessoas
ou entidades a quem prestam serviços a cumprir as suas
obrigações tributárias com rigor e integridade.
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Determinação da matéria tributável

• O apuramento da matéria tributária é feito com base nas declarações


dos contribuintes, desde que estes as apresentem nos termos previstos
na lei e forneçam à Administração Tributária os elementos indispensáveis
à verificação da sua situação tributária – n.º 2 do art.º 59.º do CPPT.

• Cada cédula de tributação integra as suas regras específicas para


apuramento ou fixação da matéria tributável e cálculo do imposto
devido, sem prejuízo da aplicação subsidiária das regras gerais ínsitas na
LGT.

• É indispensável que todos os rendimentos auferidos pelo contribuinte


sejam declarados e que, em relação, àqueles que estão enquadrados no
regime da contabilidade organizada, sejam observados os princípios e as
políticas contabilistas.
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Determinação da matéria tributável

• Para que seja possível determinar o lucro tributável, de forma rigorosa


e tecnicamente correta, o contabilista certificado, de entre outros
aspetos técnicos a considerar, deve providenciar para que a
contabilidade:

✓ Esteja organizada de acordo com a normalização contabilística e


outras disposições legais em vigor para o respetivo sector de
atividade, sem prejuízo da observância das disposições previstas
no CIRC.

✓ Deva refletir todas as operações realizadas pelo sujeito passivo e


ser organizada de modo que os resultados das operações e
variações patrimoniais sujeitas ao regime geral do IRC possam
claramente distinguir-se dos das restantes.
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Determinação da matéria tributável

• Se na execução da contabilidade e apuamento do resultado contabilístico


estiverem presentes as normas legais e os princípios contabilísticos em
vigor, fazendo, o contabilista certificado, a sua adaptação à situação
concreta das entidades a quem presta serviços, pugnando, assim, pela
verdade contabilística e fiscal, será relativamente fácil determinar o lucro
tributável e proceder à autoliquidação do imposto.

• Se todos estes aspetos contabilísticos e fiscais forem observados, e a


declaração de rendimentos for apresentada no prazo legal, sem prejuízo
da ocorrência de qualquer erro técnico, de cálculo ou de escrita, que a
todo o ser humano pode acontecer, não existirão quaisquer motivos para
que a declaração do contribuinte não beneficie da presunção de verdade e
de boa fé, emergentes do n.º 1 do art.º 75.º e n.º 2 do art.º 59.º da LGT.

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Determinação da matéria tributável

• O rendimento coletável em IRS é o que resulta do


englobamento dos rendimentos das várias categorias auferidos
em cada ano, depois de feitas as deduções e os abatimentos
legalmente previstos.

• A determinação dos rendimentos empresariais e profissionais,


salvo no caso da imputação prevista no art.º 20.º do CIRS,
faz-se:

✓ Com base na aplicação das regras decorrentes do regime


simplificado;

✓ Com base na contabilidade.

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Determinação da matéria tributável

• Quanto ao IVA podemos referir que os sujeitos passivos, quer


possuam ou não contabilidade organizada, estão obrigados a
observar regras específicas para registar as operações e apurar
o imposto a entregar nos cofres do Estado.

• O art.º 44.º do CIVA determina que a contabilidade deve ser


organizada de forma a possibilitar o conhecimento claro e
inequívoco dos elementos necessários ao cálculo do imposto,
bem como a permitir o seu controlo, comportando todos os
dados necessários ao preenchimento da declaração periódica
do imposto.
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Determinação da matéria tributável

• No domínio deste imposto, a intervenção do CC é de fundamental


importância, sem menosprezar os demais aspetos técnicos
(deduções, regularizações, etc.), cuja execução se reveste de enorme
complexidade, e em que o conhecimento e a experiência do CC se
pode revelar determinante para evitar a prática de irregularidades ou
mesmos de ilícitos fiscais.

• Em relação aos restantes tributos a intervenção do CC não será de


especial importância quanto à determinação da matéria tributável,
mas poderá sê-lo na identificação, configuração e qualificação
técnico-tributária dos atos, factos e negócios jurídicos, contribuindo o
CC para a verdade contabilista e fiscal das entidades a quem preste
serviços.
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Fixação da matéria tributável

• O sistema de avaliação indireta da matéria tributável é um sistema de


exceção, que só pode ser utilizado nos casos e condições
expressamente previstas na lei.

• As modalidades de tributação indireta que podem ser utilizadas pela


Administração tributária estão expressamente prevista no n.º 1 do art.º
87.º da LGT.

• Em relação aos contribuintes que se encontram enquadrados no regime


simplificado, não obstante este configurar uma modalidade de
tributação indireta, não existe qualquer ato de fixação da matéria
tributável, porquanto, esta é o resultado da aplicação dos coeficientes
previstos na lei (art.º 31.º do CIRS e art.º 86.º-B do CIRC) aos valores
declarados pelo contribuinte.
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Fixação da matéria tributável

• Se um contribuinte enquadrado no regime simplificado não apresentar a


declaração de rendimentos, não será, então, tributado segundo as regras
deste regime, mas sim através de uma das outras alternativas legais e que
poderão ocorrer:

✓ Liquidação oficiosa (al. b) ou c) do n.º 1 do art.º 76.º do CIRS e al.


b) ou c) do n.º 1 do art.º 90.º do CIRC),

✓ Aplicação de métodos indiretos.

• Para que o contribuinte seja tributado através da aplicação, stricto sensu,


do regime simplificado é essencial que o CC, seja bastante incisivo,
rigoroso e pedagógico, de modo a permitir a que o contribuinte, não só
apresente atempadamente a sua declaração de rendimentos, bem como
faça incluir nela todas as realidades fiscais sujeitas a tributação.

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Fixação da matéria tributável

• Todo e qualquer contribuinte, independentemente do regime de tributação em


que se encontre enquadrado, está sujeito ao poder inspetivo da AT.

• Os órgãos competentes da AT podem, nos termos da lei, desenvolver todas as


diligências necessárias para proceder ao apuramento da situação tributária
dos sujeitos passivos e dos demais obrigados tributários.

• No âmbito do procedimento inspeção tributária, num primeiro momento, a AT,


personalizada na pessoa do inspetor tributário, procurará proceder à
tributação real ou direta dos rendimentos e dos bens patrimoniais do
contribuinte.

• Daí que, atenta a situação concreta identificada pela AT, a atuação será
desenvolvida no sentido de tentar identificar os factos e rendimentos para
proceder à reconstituição da real situação tributária do contribuinte.

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Fixação da matéria tributável

• As condições previstas no n.º 1 do art.º 87.º da LGT podem ser agrupadas em


duas metodologias de tributação através de métodos indiretos, ou seja, as
alíneas b) e e) constituem uma metodologia, podendo esta ser aplicável, quer a
sujeitos passivos de IRS, quer sujeitos passivos de IRC.

• As alíneas d) e f) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT constituem outra metodologia,


mas esta apenas é aplicável a sujeitos passivos de IRS.

• As condições ou pressupostos previstos nas alíneas d) e f) podem fundamentar


a aplicação de métodos indiretos isolada e autonomamente, isto é, cada alínea
per si, mas também podem existir situações que justifiquem a aplicação
conjunta de ambas as alíneas.
• O n.º 2 do art.º 87.º da LGT dispõe que no caso de verificação simultânea dos
pressupostos de aplicação da al. d) e da al. f) do 1 do art.º 87.º da LGT, a avaliação
indireta deve ser efetuada nos termos dos n.ºs 3 e 5 do art.º 89.º-A daquela lei.

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Fixação da matéria tributável

• SISTEMAS DE AVALIAÇÃO INDIRECTA

M-1 Regime simplificado de tributação

METODOLOGIAS M-2 al. b) e e) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT

M-3 al. d) e f) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT

COMPETÊNCIA PARA FIXAR A MEIOS DE DEFESA


MATÉRIA TRIBUTÁVEL
Pedido de Revisão da Matéria tributável
Art.ºs 91.º a 93.º da LGT
DIRECTOR DE FINANÇAS M-2

M-2 M-3 Recurso Judicial


Art.º 146.º-B do CPPT M-3
Pode delegar Não pode delegar

Jesuino Alcântara Martins 25


Fixação da matéria tributável

• Todas as situações de que temos conhecimento de tributação indireta,


com fundamento nas alíneas b), d) e) e f) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT,
ocorreram sempre no âmbito de uma ação de inspeção tributária.

• Quando a AT sentir a necessidade de recorrer à avaliação indireta da


matéria tributável, é porque algo de incorreto ocorreu no capítulo do
cumprimento das obrigações tributárias.

• A responsabilidade pelas omissões, irregularidades e inexatidões


pertencerá sempre ao sujeito passivo da relação jurídica tributária, e será
uma responsabilidade absoluta se na organização dos elementos de
escrita e na apresentação da declaração fiscal não houver intervenção de
um terceiro, concretamente, de um contabilista certificado.

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Fixação da matéria tributável

• A responsabilidade tributária e a responsabilidade penal tributária


pode ser assacada só ao sujeito passivo da relação tributária.

• Importa considerar que não deixará de existir responsabilidade


funcional do contabilista certificado em relação à pessoa ou entidade
a quem presta serviço.

• Não será assim se a atuação do contabilista certificado for totalmente


alheia à situação de irregularidades ocorridas na situação tributária do
contribuinte, na medida em que o contabilista pode não ter
conseguido demover o contribuinte de práticas inaceitáveis ou,
eventualmente, até pode desconhecer as atuações inadequadas ou
ilícitas desenvolvidas pela pessoa a quem presta serviços.
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Fixação da matéria tributável

• Ao CC não pode ser imputada qualquer responsabilidade ou ser alvo de


censura se tiver tido uma atuação positiva perante os comportamentos
inadequados de outrem.

• O inverso verificar-se-á sempre que, direta ou indiretamente, o CC possa


ter tido alguma participação em comportamentos ou atuações menos
idóneas ou adequadas no capítulo do cumprimento das obrigações
tributárias, quer no tocante à obrigação principal, quer em relação às
obrigações acessórias a que o contribuinte possa estar sujeito.

• Importa ter presente que, nos termos dos EOCC, impendem


responsabilidades específicas, quer no domínio técnico, quer no domínio
deontológico, sobre o contabilista certificado quando estiver no exercício
da sua atividade profissional.

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Fixação da matéria tributável

• O contabilista certificado pode , nesta fase, assumir um papel ou função de


especial relevância, uma vez que pode colocar todo o seu saber e experiência
técnica ao serviço da pessoa ou entidade que pretenda usufruir dos seus
serviços.

• A intervenção do contabilista certificado pode ser relevante no domínio do


aconselhamento técnico, bem como no domínio comportamental ou das
atitudes a adotar, visto que o contribuinte pode ter a tendência de adotar uma
atuação que, em vez do beneficiar, pode contribuir para agravar a sua situação
tributária.

• A intervenção do contabilista certificado pode ser de enorme importância para


o contribuinte alvo da ação inspetiva da AT, não só no domínio técnico, na área
contabilística e fiscal, mas também na definição da estratégia a prosseguir.

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Fixação da matéria tributável

• A intervenção do CC também pode ser útil para a pessoa a quem presta


serviços, caso entenda que a atuação da AT está a ser desconforme
com a lei e desproporcionada, optando, neste caso, por aconselhar o
contribuinte a defender os seus direitos e interesses legais recorrendo
aos meios impugnatórios.

• A atuação do contabilista certificado no domínio fiscal é bastante


exigente, uma vez que o sistema fiscal é bastante diversificado e
complexo e de enorme instabilidade, porquanto as alterações
legislativas são assaz frequentes.

• Torna-se, assim, necessário o permanente acompanhamento da


dinâmica legislativa e da doutrina administrativa divulgada pelos
serviços da AT.
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Fixação da matéria tributável

• O atraso na execução da contabilidade ou na escrituração dos livros de


registo, bem como a não exibição imediata daquela ou destes, só
determinam a aplicação de métodos indiretos após o decurso do prazo
fixado, em notificação feita pelo inspetor tributário a fixar prazo entre
cinco a trinta dias, para o contribuinte proceder à regularização da
contabilidade ou dos elementos de escrita ou para proceder à sua
apresentação, sem que se mostre cumprida a respetiva obrigação.

• Observada esta obrigação pelo contribuinte cumprirá ao inspetor


tributário, em face da factualidade concreta observada, decidir sobre o
sistema de tributação a aplicar, sendo que, tal como já foi referido, ónus
da prova sobre os pressupostos que permitem fazer avaliação indireta
pertence à AT.

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Fixação da matéria tributável

• Aplicar métodos indiretos em sede de IRC é idêntico ao que foi


referido para o IRS, mas importa analisar de perto os respetivos
normativos, sendo que o n.º 1 do art.º 57.º do CIRC prescreve que a
aplicação de métodos indiretos efetua-se nos casos e condições
previstos nos art.ºs 87.º a 89.º da Lei Geral Tributária.

• O art.º 59.º do CIRC dispõe que a determinação do lucro tributável


por métodos indiretos é efetuada pelo Diretor de Finanças da área da
sede, direção efetiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo,
ou por funcionário em quem este tenha delegado, e baseia-se em
todos os elementos de que a AT disponha, de acordo com o art.º 90.º
da LGT e demais normas legais aplicáveis.

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Fixação da matéria tributável

• Também no domínio do IRS e do IVA, a competência para aplicar os


métodos indiretos está atribuída ao Diretor de Finanças da área do
domicílio, sede, direção efetiva ou estabelecimento estável do sujeito
passivo ou ao funcionário em quem tiver sido delegada essa competência
– n.º 5 do art.º 65.º do CIRS e n.º 2 do art.º 90.º do CIVA.

• A competência para aplicar os métodos indiretos é do dirigente do serviço


periférico regional da área do domicílio, sede, direção efetiva ou
estabelecimento estável do sujeito passivo, sem prejuízo da competência
atribuída ao Diretor da UGC – art.º 9.º do Decreto-Lei n.º 6/2013, de 17
de Janeiro.

• A UGC, de entre outras, tem por atribuição o controlo e fiscalização dos


contribuintes de grande relevância económica e fiscal.

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Fixação da matéria tributável

• Em função das razões que a AT invocar para justificar a impossibilidade


de comprovação e quantificação direta e exata da matéria tributável, bem
como os critérios em que esteja a fundamentar a quantificação da
matéria tributável, o CC poderá avaliar a situação e ponderar sobre qual a
estratégia de atuação a adotar no tocante a exercer ou não o direito de
audição aquando da notificação do projeto de relatório do procedimento
de inspeção tributária.

• Previamente a esta notificação, o CC poderá dialogar com o inspetor


tributário na fase dos atos de inspeção, no sentido de invocar alguns
aspetos ou factos que este possa não estar a considerar, tentando assim,
demover o inspetor tributário de aplicar métodos indiretos ou, pelo
menos, levá-lo a ser mais comedido nos seus objetivos quantitativos.

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Fixação da matéria tributável

• Avaliada a situação, pode o contabilista certificado concluir que não será


relevante intervir nesta fase do procedimento, devendo, assim, o
contribuinte aguardar a defesa dos seus interesses legalmente
protegidos para o pedido de revisão da matéria tributável.

• Se o fundamento da aplicação da avaliação indireta for a sequência de


resultados nulos ou prejuízos fiscais (al. e) do n.º 1 do art.º 87.º da
LGT), também, nesta situação, pode o contabilista certificado ponderar
sobre os benefícios da sua intervenção no sentido de justificar as razões
que motivam tal sequência de resultados fiscais, podendo alegar com
erros de projeção de mercado, desproporcionados investimentos ou
com a acomodação de conjuntura económica desfavorável.

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Fixação da matéria tributável

• Qualquer intervenção do contabilista certificado, no conselho do


contribuinte ou no sentido de levar este a atuar nesta fase do
procedimento tributário, não obsta ou prejudica a defesa dos direitos
do contribuinte em sede impugnatória da decisão de fixação dos
métodos indiretos.

• A função técnica e de aconselhamento exercida pelo contabilista


certificado pode assumir grande importância para o contribuinte, no
sentido de impedir este de fazer declarações inexatas ou
inconsistentes quanto à origem dos rendimentos, porquanto, a AT
tem condições legais e objetivas para confirmar ou infirmar a
veracidade das justificações expendidas pelo contribuinte.

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Fixação da matéria tributável

• O contribuinte está obrigado, nos termos da lei, a colaborar com a AT


no apuramento da sua situação tributária, porém, este dever de
colaboração deve ser executado num espírito de confiança, verdade e
de boa-fé, pelo é importante avaliar o alcance e efeito legal e prático
das declarações ou esclarecimentos prestados.

• Nas situações de avaliação indireta, visto que, com as conclusões do


procedimento de inspeção tributária, é notificada, outrossim, a decisão
de aplicação de métodos indiretos, torna-se necessário articular as
normas do RCPITA com as normas especiais insertas nos códigos de
tributação sobre esta temática.

• Os sujeitos passivos são notificados do lucro tributável fixado por


métodos indiretos, através de carta registada com aviso de receção.

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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• Em regra, a decisão do órgão da AT que aplicar métodos indiretos,


isto é, que procede à avaliação indireta da matéria tributável do
contribuinte, é notificada conjuntamente com o relatório final do
procedimento de inspeção tributária.

• Se o contribuinte destinatário do ato for uma pessoa coletiva de


imediato sabe que contra a decisão de aplicação de métodos
indiretos pode reagir no prazo de 30 dias, para sindicar os
fundamentos aduzidos pela AT, quer no que respeita à verificação
dos pressupostos para aplicar os métodos indiretos, quer no
tocante à quantificação da matéria tributável.

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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• Se o contribuinte for uma pessoa singular é fundamental


identificar qual é o prazo que o contribuinte tem para reagir
contra a decisão de aplicação de métodos indiretos:

✓ Se a decisão tiver por fundamento os pressupostos da alínea


b) ou e) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT, o contribuinte tem 30
dias para apresentar o pedido de revisão da matéria
tributável.

✓ Se a decisão da AT tiver por fundamento os pressupostos das


alíneas d) e/ou f) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT, o contribuinte
apenas tem um prazo de 10 dias para reagir contra a decisão
de aplicação dos métodos indiretos.
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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• O texto da notificação e as conclusões do procedimento de inspeção


tributária, permitem ao contribuinte determinar se está na posse de
toda a informação para conhecer qual

✓ foi a metodologia de avaliação indireta utilizada,

✓ o meio de defesa que deve acionar e o respetivo prazo,

• bem como poderá perceber que a reação contra a decisão de


aplicação de métodos indiretos é necessária, sempre que pretenda
questionar a legalidade dos pressupostos ou o excesso da
quantificação da matéria tributável, sob pena da decisão quanto
a estes aspetos se tornar definitiva e não ser mais suscetível de
impugnação, quer sem sede administrativa, quer no domínio do
processo judicial tributário.
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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• Se o contribuinte concluir que, através de toda a informação e


elementos fornecidos pela AT (relatório final e notificação), não está
em condições de compreender ou conhecer as razões que
determinaram a formação da decisão, ou não consegue identificar o
meio de defesa e respetivo prazo, existindo na sua perspetiva uma
real e objetiva insuficiência de notificação, pode

✓ acionar no prazo de 10 dias, se for uma pessoas singular, e

✓ no prazo de 30 dias se for uma pessoa coletiva,

• o mecanismo previsto no art.º 37.º do CPPT, para solicitar os


elementos que considerar terem sido omitidos, os quais tem de
identificar no seu pedido.

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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• Compreendias as razões que determinaram a AT a fazer a fixação


da matéria tributável através de avaliação indireta, uma de duas
hipóteses se colocam ao sujeito passivo da relação jurídica
tributária:

✓ Conformar-se com a decisão e aguardar a notificação da


liquidação do tributo para proceder ao seu pagamento;

✓ Não se conformar com a decisão, visto não concordar com as


razões invocadas pela AT, quer em relação aos pressupostos da
decisão, quer em relação à quantificação da matéria tributável,
e acionar o respetivo meio de defesa para tutela dos seus
legítimos interesses.
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A reação do contribuinte contra a decisão de fixação da
matéria tributável

• O contabilista certificado pode ter aqui um papel importante,

✓ quer no tocante à análise objetiva das razões que motivam a opção


pela avaliação indireta,

✓ quer no que respeita aos critérios utilizados para quantificar o valor


da matéria tributável fixada pela AT, e aconselhar o contribuinte sobre
a estratégia a prosseguir em face da decisão notificada.

• Em face da real e concreta situação tributária do contribuinte é


fundamental decidir se a melhor opção é conformar-se com a decisão ou
se existem razões objetivas e consistentes para impugnar a decisão de
aplicação de métodos indiretos.

• O contencioso tributário não deve ser acionado de forma precipitada ou


infundada.

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Pedido de revisão da matéria tributável

• O pedido de revisão da matéria tributável tem a natureza de


reclamação necessária, porquanto, é condição de
procedibilidade da impugnação judicial prevista no art.º 117.º do
CPPT.

• O pedido de revisão da matéria tributável tem de ser


apresentado no prazo de 30 dias a contar da notificação da
decisão de aplicação de métodos indiretos.

• Este prazo conta-se no termos do art.º 279.º do Código Civil (n.º


3 do art.º 57.º da LGT e n.º 1 do art.º 20.º do CPPT), isto é, o
prazo é contínuo não se suspendendo aos sábados, domingos e
feriados.
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Pedido de revisão da matéria tributável

• Os fundamentos do pedido de revisão da matéria tributável (MT) são


exclusivamente o erro nos pressupostos de aplicação dos métodos
indiretos e/ou o erro na quantificação da matéria tributável.

• O pedido de revisão é dirigido ao Diretor de Finanças da área do


domicílio fiscal do sujeito passivo (se o contribuinte estiver sob a
jurisdição da UGC, o pedido de revisão é dirigido ao Diretor desta
unidade orgânica da AT).

• O pedido de revisão da MT, não está sujeito a qualquer forma solene,


porém, atenta a maior ou menor complexidade da matéria, o
contribuinte pode optar por formular o pedido de revisão da matéria
tributável sob a forma de petição articulada.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 45
Pedido de revisão da matéria tributável

• O contabilista certificado tem uma dupla legitimidade para intervir no


pedido de revisão da matéria tributável.

• O CC pode intervir, nos termos da alínea b) do n.º 2 do art.º 10.º do


Estatuto da Ordem dos Contabilistas Certificados (EOCC), em
representação do sujeito passivo alvo da decisão de aplicação de
métodos indiretos, desde que seja responsável pela execução da
contabilidade do contribuinte.

• O CC pode, também, intervir no pedido de revisão na qualidade de


perito indicado pelo sujeito passivo para no âmbito do procedimento
de revisão representar e fazer a defesa dos interesses do
contribuinte.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 46
Pedido de revisão da matéria tributável

• Há que sublinhar que o pedido de revisão da matéria tributável se


desenvolve através de um debate contraditório entre o perito do
contribuinte e o perito da Administração Tributária.

• Quando o contribuinte optar por apresentar o pedido de revisão da


matéria tributável deve identificar bem qual o fundamento que vai
invocar para sustentar a defesa dos seus direitos e interesses legalmente
protegidos.

• O pedido de revisão tem de ser elaborado e estruturado em função da


pretensão que o contribuinte pretender alcançar, se for apenas uma
questão de quantificação, deve, então, focalizar a defesa dos seus
interesses na demostração de que existe excesso de quantificação.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 47
Pedido de revisão da matéria tributável

• Se o contribuinte não concordar com a aplicação dos métodos indiretos,


deve dar especial prioridade à focalização neste fundamento, em ordem a
demonstrar que não existe qualquer impossibilidade de comprovação e
quantificação da matéria tributável com base na sua contabilidade e/ou
que a sequência de prejuízos é objetivamente justificável.

• O contabilista certificado é o técnico mais bem qualificado para participar


na elaboração do pedido de revisão, bem como para intervir no
procedimento de revisão como perito a fazer a defesa dos interesses do
sujeito passivo.

• Esta qualificação será ainda mais intensa se o contabilista certificado for o


técnico responsável pela elaboração e execução da contabilidade do
contribuinte.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 48
Pedido de revisão da matéria tributável

• Tem de existir um especial cuidado em relação aos prazos legais, desde


logo, em relação ao prazo de apresentação do pedido revisão, uma vez
que a sua interposição intempestiva conduz, irremediavelmente, ao
indeferimento liminar do pedido de revisão.

• É fundamental ter em atenção as datas marcadas para a reunião dos


peritos no procedimento de revisão.

• Se o CC intervir no procedimento de revisão como perito será notificado


pela AT da data da primeira reunião, à qual não pode faltar, salvo em caso
de força maior ou impossibilidade objetiva.

• Esta falta tem de ser justificada a título de justo impedimento, nos


termos definidos no art.º 140.º do Código de Processo Civil.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 49
Pedido de revisão da matéria tributável

• A falta à primeira reunião ou a não comparência à segunda reunião valem


como desistência do pedido de revisão (n.º 6 do art.º 91.º da LGT).

• Esta circunstância tem relevância, na medida em que a desistência do


pedido equivale a perder todo e qualquer meio de defesa para reagir
contra a decisão de aplicação de métodos indiretos, uma vez que fica,
outrossim, prejudicada a utilização da impugnação judicial prevista no
art.º 117.º do CPPT.

• O contabilista certificado deve ter estes aspetos em especial


consideração, porque se não for possível chegar a acordo no
procedimento e, consequentemente, ficar frustrada a defesa dos
interesses do sujeito passivo, que tal ocorra por razões substantivas e
não por motivos processuais ou de ordem formal.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 50
Pedido de revisão da matéria tributável

• As correções meramente aritméticas da matéria tributável resultantes


de imposição legal e as questões de direito, salvo quando referidas
aos pressupostos da determinação indireta da matéria coletável, não
estão abrangidas (…) pelo pedido de revisão - n.º 14 do art.º 91.º da
LGT.

• O n.º 15 do art.º 91.º da LGT estabelece que “(é) autuado um único


procedimento de revisão em caso de reclamação de matéria
tributável apurada na mesma ação de inspeção, ainda que respeitante
a mais de um exercício ou tributo”.

• Assim, o contribuinte só deve apresentar um pedido de revisão


integrando todos os tributos e todos os períodos de tributação.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 51
Pedido de revisão da matéria tributável

• A elevada tecnicidade destes aspetos pode demonstrar que a intervenção


do CC é essencial, no sentido de evitar eventuais erros de procedimento
ou de forma na elaboração do pedido de revisão.

• Quanto aos aspetos ou matéria substantiva a intervenção do CC é de


inelutável importância, por forma a decidir se o pedido de revisão deve ou
não ser formulado, e em caso positivo, o seu saber e experiência técnica
será essencial na fundamentação da pretensão do contribuinte.

• No procedimento de revisão ainda pode intervir um perito


independente, a pedido do sujeito passivo.

• Há que sublinhar que esta intervenção está condicionada ao pagamento


de uma taxa, nos termos da Portaria n.º 78/2001, de 8 de Fevereiro.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 52
Pedido de revisão da matéria tributável

• A intervenção do perito independente só se justificará nas situações de


elevada complexidade, tanto mais que o seu parecer não tem força
vinculativa, pode, contudo, contribuir para a formação de acordo entre os
peritos (do contribuinte e da Administração Fiscal).

• Em geral, em matéria de perito independente, o papel do contabilista


certificado será muito limitado, por força das condicionantes legais
impostas para a nomeação de perito independente.

• É evidente que o CC para ser perito independente não pode ser o


responsável pela execução da contabilidade do sujeito passivo.

• O perito da Administração Fiscal tem a sua atuação balizada pelo princípio


da legalidade, embora beneficie de discricionariedade técnica.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 53
Pedido de revisão da matéria tributável

• O CC quando participar no procedimento de revisão como perito deve ter


em consideração os diversos aspetos relevantes.

• A sua atuação exige um adequado planeamento estratégico, no sentido


de perspetivar a dimensão dos resultados a alcançar, tópicos que devem
ser ponderados logo na fase de aconselhamento do sujeito passivo
quanto à estratégia de defesa a prosseguir.

• As alternativas são limitadas, ou se paga ou se reage com fundamento


legal e consistência técnica.

• Na ausência de acordo no procedimento de revisão, o contribuinte pode


fazer a defesa dos seus interesses através da impugnação judicial (art.º
117.º do CPPT), a interpor contra o ato de liquidação, no prazo de três
meses, a contar do termo do prazo de pagamento voluntário.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 54
Recurso judicial

• Quando a decisão de avaliação da matéria tributável do contribuinte


se fundamentar na al. d) e/ou na al. f) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT,
a decisão do Diretor de Finanças (ou do Diretor da UGC, se o controlo
e fiscalização do contribuinte pertencer àquela unidade orgânica da
AT) tem de ser fundamentada com o ónus acrescido que decorre do
n.º 4 do art.º 77.º da LGT.

• Após a notificação da decisão de tributação com base em


manifestações de fortuna ou acréscimos patrimoniais, o sujeito
passivo tem 10 dias para interpor o recurso judicial previsto no
art.º 146.º-B do CPPT, visto não lhe ser aplicável o procedimento de
revisão da matéria tributável previsto no art.º 91.º da LGT (n.º 7 do
art.º 89.º-A da LGT).

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 55
Recurso judicial

• A tributação indiciária com base nos bens da tabela (n.º 4 do art.º


89.º-A da LGT) é objetiva e concreta, visto que resulta, em função do
tipo de bem, da aplicação do valor percentual previsto na tabela ao
valor do bem identificado.

• É portanto, um rendimento padrão, nesta medida, não sujeito a


qualquer contingência.

• Em relação aos acréscimos patrimoniais ou despesa efetuada não


existe tanta objetividade, daí que no n.º 11 do art.º 89.º-A da LGT, o
legislador tenha estabelecido que “[a] avaliação indireta no caso da
al. f) do n.º 1 do art.º 87.º deve ser feita no âmbito de um
procedimento que inclua a investigação das contas bancárias”.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 56
Recurso judicial

• Se o contabilista certificado for chamado a intervir neste


procedimento deve ter um especial cuidado na análise dos
factos, de modo a que o seu contributo técnico seja
consentâneo com os deveres gerais que deve observar,
evitando, assim, criar qualquer situação que se possa vir a
revelar pouco digna no quadro do exercício da profissão.

• O contribuinte tem direito a justificar a fonte dos rendimentos,


designadamente, que os bens foram adquiridos, total ou
parcialmente, com recurso ao crédito bancário ou qualquer
outro tipo de financiamento.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 57
Recurso judicial

• Se a AT insistir na tributação com base nestas metodologias de


avaliação indireta, e for convicção do contribuinte que esta atuação é
ilegal e injusta, restar-lhe-á lançar mão ao recurso judicial previsto
no art.º 146.º-B do CPPT, o qual tem efeito suspensivo da liquidação
do tributo e tramita como processo urgente, o que permite obter uma
decisão judicial no prazo de 90 dias (n.º 7 do art.º 89.º-A da LGT e
art.º 146.º-D do CPPT).

• Este recurso judicial é dirigido ao juiz do Tribunal Tributário de 1.ª


instância da área do domicílio fiscal do sujeito passivo, devendo ser
entregue neste tribunal no prazo de 10 dias, a contar da notificação
da decisão de aplicação de métodos indiretos.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 58
Recurso judicial

• Em face do seu saber técnico e experiência profissional, o contabilista


certificado poder prestar um serviço de consultadoria relevante, no
domínio contabilístico e fiscal, bem como desenvolver um auxílio
executivo eficaz e profícuo, participando de forma ativa e extensa na
defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos do sujeito
passivo.

• Também aqui o contencioso tributário não deve ser suscitado de


forma precipitada e sem consistência material, não só pela razão de
não ter qualquer efeito útil na situação tributária do contribuinte,
mas, designadamente, porque implica gastos para o sujeito passivo,
visto que em caso de decaimento tem de suportar a totalidade das
custas processuais.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 59
Procedimento de inspeção tributária

• A ação inspetiva assume especial relevância no quadro das


atribuições de que a AT está incumbida, não só porque permite
observar as realidades tributárias e o rigor e consistência do
cumprimento das obrigações fiscais por parte dos sujeitos passivos e
demais obrigados tributários, mas, outrossim, pela ação preventiva
que representa quanto à prática de infrações tribuárias.

• Indistintamente da tipologia da ação de inspeção, quando esta tenha


por fim a comprovação e verificação da situação tributária do
contribuinte, a intervenção do contabilista certificado é importante,
sendo, todavia, mais relevante no procedimento de inspeção externo.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 60
Procedimento de inspeção tributária

• Na ação de inspeção interna, a participação do contabilística


certificado é extremamente importante na execução do ato de
apresentar, com prontidão e celeridade, os documentos, bem como
de realizar os esclarecimentos, que sejam pedidos pelo inspetor
tributário.

• A inspeção tributária e os sujeitos passivos ou demais obrigados


tributários, estão sujeitos a um dever de mútua cooperação e o
contabilista certificado, em especial, nos termos do art.º 73.º do
EOCC, tem deveres específicos para com a AT, em relação aos
sujeitos passivos de que seja responsável pela elaboração da
contabilidade ou elementos de escrita.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 61
Procedimento de inspeção tributária

• O sujeito passivo, os seus representantes legais, o contabilista certificado


e o revisor oficial de contas devem estar presentes no momento da
prática de atos de inspeção externa quando esta se efetue nas instalações
ou dependências do contribuinte e a sua presença for considerada
indispensável à descoberta da verdade material.

• O sujeito passivo ou obrigado tributário pode, sempre que o pretenda,


assistir às diligências da inspeção externa desde que os atos se realizem
nas suas instalações ou dependências (art.º 54.º do RCPITA).

• No início da ação de inspeção externa, o sujeito passivo ou obrigado


tributário deve designar uma pessoa para coordenar os seus contactos
com a AT (inspetor tributário) e assegurar o cumprimento das obrigações
legais nos termos da lei (art.º 52.º do RCPITA).
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 62
Procedimento de inspeção tributária

• A pessoa designada pelo sujeito passivo pode ser o contabilista


certificado, visto ser o responsável pela execução da contabilidade,
sendo que esta mais não visa que traduzir os métodos de registo e de
cálculo dos atos relevantes à vida das empresas, no desenvolvimento
do respetivo objeto social, e deve refletir, enquanto um todo e pelos
períodos económicos ou de tributação relevantes, os factos
patrimoniais ocorridos ao longo da sua existência.

• É bastante amplo o acervo de obrigações do contabilista certificado,


independentemente do serviço ser prestado através de um vínculo de
contrato individual de trabalho ou de contrato de prestação de
serviços.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 63
Procedimento de inspeção tributária

• No procedimento de inspeção tributária externa, enquanto


representante do sujeito passivo e interlocutor do inspetor tributário, o
CC deve ser bastante diligente e rigoroso.

• Deve prestar de forma profícua todos os esclarecimentos solicitados,


bem como exibir os documentos pedidos, sendo que quando os pedidos
de esclarecimento visarem atos jurídicos ou negócios comerciais dos
quais não conheça as respetivas coordenadas ou substância, deve
socorrer-se da pessoa que na empresa seja responsável e deva
providenciar o cabal esclarecimento do inspetor tributário.

• Desde que seja o responsável pela execução da contabilidade, o CC tem


um dever especial de colaboração para com a AT, não podendo refugiar-
se no dever de guardar segredo profissional.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 64
Procedimento de inspeção tributária

• O dever de colaboração para com a AT não obriga o contabilista certificado a


revelar segredo de ordem comercial, industrial ou outro que se relacione com a
atividade empresarial do sujeito passivo, o seu dever de colaboração restringe-
se à sua responsabilidade técnica, no domínio da contabilidade e da fiscalidade.

• Se o CC for designado interlocutor do sujeito passivo tem de ter uma boa


capacidade de análise para avaliar quando é que o pedido de esclarecimento se
integra no âmbito das suas funções técnicas de contabilista ou as extravasa.

• Na qualidade de interlocutor para com a AT, o CC não está no estrito exercício


da suas atividades técnicas de contabilista, é a voz do sujeito passivo, pelo que
se deve socorrer do superior hierárquico (se for o caso) ou do responsável da
empresa para projetar a tipologia do esclarecimento a prestar ao inspetor
tributário.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 65
Procedimento de inspeção tributária

• O contabilista certificado deve facilitar a recolha de elementos, inclusive,


proporcionar a produção de fotocópias de todo e qualquer documento com
relevância fiscal, bem como prestar declarações caso seja instado a tal pelo
inspetor tributário sobre determinadas matérias, e assinar o auto de
declarações.

• A atuação do contabilista certificado deve ser sempre desenvolvida com estrita


observância dos princípios contabilísticos vigentes, das normas contabilísticas
e dos normativos fiscais.

• O CC, quando assinar a ordem de serviço ou o despacho que determinar a


realização do procedimento de inspeção tributária, deve verificar a identidade
do(s) inspetor(es) para avaliar da idoneidade da credenciação, conforme
decorre do art.º 46.º do RCPITA, e, designadamente, para conhecer o âmbito
e a extensão do procedimento de inspeção tributária.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 66
Procedimento de inspeção tributária

• Se existir uma atitude dialogante entre o inspetor tributário e o contabilista


certificado esta pode contribuir para o cabal esclarecimento das situações e
evitar correções ao lucro tributável desproporcionadas ou ilegais.

• Pode ainda motivar, caso as correções propostas pelo inspetor tributário


tenham fundamento técnico e legal, o sujeito passivo a efetuar a
regularização voluntária da situação tributária, nos termos plasmados no
art.º 58.º do RCPITA.

• A participação do contabilista certificado pode ser muito relevante na


definição da estratégia a prosseguir quanto ao exercício do direito de
audição, bem como na escalpelização e análise dos fundamentos técnicos
invocados pela AT na fundamentação das correções propostas e na
elaboração do respetivo contraditório.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 67
www.occ.pt

Formação OCC

BLOCO 2
DIS5319

Setembro de 2019
O procedimento de liquidação dos tributos

• Nos serviços da AT, o procedimento de liquidação encontra-se totalmente


informatizado, daí que quando o sujeito passivo seja assistido por um
contabilista certificado este deva assumir responsabilidades pela
regularidade técnica, nas áreas contabilística e fiscal, e assegurar que as
declarações fiscais que assina estão de acordo com a lei e as normas
técnicas em vigor, bem como proceder, no caso em que a lei o preveja, ao
envio por via eletrónica das declarações fiscais.

• Até prova em contrário, presumem-se verdadeiras e de boa-fé as


declarações dos contribuintes apresentadas nos termos previstos na lei,
bem como os dados e apuramentos inscritos na sua contabilidade ou
escrita, quando estas estiverem organizadas de acordo com a legislação
comercial e fiscal.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 69
O procedimento de liquidação dos tributos

• Se a AT em momento prévio à liquidação do tributo identificar que os


dados constantes da declaração apresentada pelo contribuinte evidência

✓ erros formais, de natureza aritmética ou exija a mera clarificação


ou justificação de elementos declarados;

✓ que os dados não coincidem com os constantes de outras


declarações do sujeito passivo ou de um terceiro em poder da
Administração Tributária, não relacionados com o exercício de uma
atividade económica,

• Neste caso, a AT pode solicitar esclarecimentos ao sujeito passivo, não


integrando este pedido qualquer atividade enquadrável no âmbito de
um procedimento de inspeção tributária (n.º 6 do art.º 2.º do RCPITA).

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A liquidação administrativa

• A liquidação administrativa é aquela que é efetuada pelos serviços da


AT e que tem por base a declaração apresentada pelo sujeito passivo, quer
se trate de uma primeira declaração ou de uma declaração de substituição.

• É ainda liquidação administrativa a que é realizada com base nos


elementos ou dados resultantes das conclusões de um procedimento de
inspeção tributária.

• Caso a AT no âmbito de uma ação de inspeção tenha identificado factos ou


situações, suscetíveis de configurar erros, omissões, inexatidões ou
irregularidades e tenha decidido fazer correções meramente aritméticas à
matéria tributável ou tenha optado por aplicar de métodos indiretos, estar-
se-á perante uma liquidação adicional.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 71
A liquidação administrativa

• A Autoridade Tributária e Aduaneira procede ainda à liquidação


adicional, sendo caso disso, em consequência de:

✓ Revisão do lucro tributável nos termos do art.º 62.º do CIRC;

✓ Exame à contabilidade efetuado posteriormente à realização de


uma liquidação corretiva

✓ Erros de facto ou de direito ou omissões verificados em qualquer


liquidação.

• A relevância da intervenção do contabilista certificado é prévia


à realização do procedimento de liquidação do tributo e
depende de cada situação em concreto.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 72
A liquidação administrativa

• A participação do CC pode ter ocorrido na execução da contabilidade ou


elementos de escrita, preenchimento da declaração fiscal e respetivo envio
ou, então, pode só verificar-se no decurso da marcha procedimental da ação
de inspeção tributária.

• Quer onde se tenha verificado a participação do CC, e sem prejuízo da


prática de erros, o importante é que se tenha pautado na plena observância
dos princípios e deveres gerais, de modo a contribuir para o prestígio da
respetiva atividade, desempenhada consciente e diligentemente, no sentido
de fortalecer a dignidade da profissão.

• Quando o sujeito passivo for notificado da liquidação, o CC deve avaliar a


conformidade e coerência dos elementos constantes da nota demonstrativa
da liquidação com os elementos constantes da declaração ou das conclusões
do relatório da inspeção tributária.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 73
A autoliquidação

• O procedimento de liquidação é denominado de autoliquidação quando a


liquidação ou o apuramento do imposto é realizado pelo sujeito passivo ou
outro obrigado tributário. Sem prejuízo de outros tributos também sujeitos a
esta regra, as situações de autoliquidação com maior relevância são as
liquidações do IRC (art.º 89.º do CIRC) e do IVA (art.º 27.º do CIVA).

• A autoliquidação é uma situação procedimental em que o legislador decidiu


transferir para o sujeito passivo ou outro obrigado tributário o procedimento
de apuramento da matéria tributável e a liquidação ou a quantificação do
imposto a entregar ao Estado.

• Esta situação não representa para o CC qualquer acréscimo específico de


responsabilidade, uma vez que a sua atividade técnica, no domínio
contabilístico e fiscal, tem de ser desenvolvida e executada com igual grau de
rigor técnico e deontológico.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 74
A liquidação oficiosa

• A liquidação oficiosa é feita pela Autoridade Tributária e Aduaneira e


apenas acontece quando o sujeito passivo não proceda à apresentação da
declaração fiscal.

• Se a liquidação oficiosa não for feita com base nos critérios estabelecidos
na lei, será, então, feita com base nos elementos de que a AT disponha.

• A realização de uma ação de inspeção tributária pode, eventualmente,


motivar a anulação, total ou parcial, da liquidação oficiosa.

• No caso do IVA, se a liquidação oficiosa não ficar sem efeito ou não for
paga no prazo de 90 dias a contar da notificação da liquidação, é
extraída pelos serviços centrais da AT certidão de dívida, nos termos do
art.º 88.º do CPPT, para efeitos de cobrança coerciva.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 75
A liquidação oficiosa

• Em relação ao IRS e ao IRC a apresentação da declaração só produzirá


efeitos se dela resultar mais imposto a pagar.

• Se da declaração apresentada pelo contribuinte resultar imposto a pagar


inferior ao da liquidação oficiosa, ela só será eficaz se for apresentada no
prazo e conjuntamente com reclamação graciosa ou impugnação judicial.

• A intervenção do contabilista certificado pode ser determinante, quer no


campo do aconselhamento técnico evidenciando ao interessado as
vantagens de concretizar a cessação da atividade, quer no domínio da
execução contabilística procedendo à reconstituição ou elaboração da
contabilidade ou elementos de escrita, com a subsequente apresentação
das declarações fiscais, evitando, assim, o avolumar ou incremento dos
problemas fiscais do contribuinte.
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A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• O ato de liquidação é o ato tributário por excelência, é o ato mais


agressivo para o sujeito passivo, porquanto, é este que uma vez
integrado na sua esfera jurídica (quando validamente notificado) tem um
efeito ablativo do seu património.

• Para determinar qual a reação a empreender contra o ato de liquidação


importa que, na sequência da notificação do ato de liquidação, se proceda
à análise da situação para verificar se a liquidação

✓ resulta de uma declaração fiscal, apresentada pelo contribuinte;

✓ se tem na sua origem um procedimento de inspeção tributária;

✓ se resulta de um procedimento oficioso, por falta de apresentação da


declaração fiscal.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 77
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• Para determinar a forma de reação, importa, ainda, determinar se o ato


de liquidação tem a natureza de liquidação administrativa, de
autoliquidação ou de liquidação oficiosa.

• Dada a densificação técnica da matéria, poderá ser muito relevante que o


contribuinte provoque a intervenção do contabilista certificado, solicitando
o seu parecer técnico.

• É fundamental que o contabilista certificado reforce a sua formação


contabilística com sólidos conhecimentos técnicos no campo do direito
fiscal e da fiscalidade, visto que, nas empresas quando for rececionada
uma notificação, cujo objeto seja uma nota demonstrativa da liquidação
de um tributo, em regra, a primeira pessoa a ser instada a pronunciar-se
é o contabilista certificado.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 78
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• Para a projeção da relevância e dignidade da atividade de CC é essencial que,


em qualquer momento, que seja instado a emitir opinião ou parecer técnico
este seja correto e relevante, quer do domínio da substância, quer da
caracterização processual, o que, tendo em consideração a diversificação e
complexidade das matérias, exige ao contabilista certificado um enorme
esforço de atualização e de dedicação à profissão.

• Se a liquidação notificada ao contribuinte respeitar a IRS e resultar da


declaração de rendimentos – Declaração Mod.3-IRS – e o contribuinte através
da análise (direta ou por interposta pessoa) da nota demonstrativa da
liquidação detetar um erro, independentemente deste ser imputável aos
serviços da AT ou ao próprio sujeito passivo, para sindicar a legalidade da
liquidação é indispensável ter em consideração o normativo do n.º 2 do art.º
140.º do CIRS

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 79
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• Se a liquidação resultar de autoliquidação, sendo esta da


responsabilidade do sujeito passivo, a deteção de algum erro impõe a
observância dos normativos do art.º 131.º do CPPT.

• Em relação ao IVA a situação pode ser idêntica, mas no caso deste


tributo se existir algum erro no apuramento do imposto, torna-se
necessário identificar o tipo de erro praticado, visto que este pode ser
enquadrável nos normativos dos n.º 3 e 6 do art.º 78.º do CIVA e é
necessário observar o normativo do n.º 2 do art.º 97.º do CIVA.

• Importa, assim, atentar na parte final do n.º 2 do art.º 97.º do CIVA que
dispõe que “[o]s recursos hierárquicos, as reclamações e as impugnações
não são admitidos (…) se não tiver sido entregue a declaração periódica
cuja falta originou a liquidação prevista no art.º 88.º”.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 80
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• Se o ato de liquidação notificado, e que é suscetível de alterar a


situação tributária do contribuinte, tiver na sua origem um
procedimento de inspeção tributária, poderá o contribuinte lançar
mão aos meios impugnatórios, quer de natureza administrativa, quer
de natureza judicial, para questionar a legalidade do ato de
liquidação.

• Será fundamental a intervenção do contabilista certificado, não só


porque, eventualmente, terá acompanhado a marcha e o
desenvolvimento procedimental da ação de inspeção tributária, mas
também para opinar sobre a estratégia de defesa a adotar pelo
sujeito passivo.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 81
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• Para determinar a estratégia de defesa a adotar pelo sujeito passivo,


importará identificar a melhor vertente de ação e determinar se:

✓ existe algum fundamento para arguir a caducidade do direito à


liquidação do tributo;

✓ a defesa a fazer tem de incidir sobre matéria substantiva, no sentido


de invocar a ilegalidade das correções à matéria tributável,

✓ Existe vício de forma por falta de fundamentação das correções, ou a


preterição de outras formalidades legais;

✓ a matéria tributável foi fixada por avaliação indireta e se, neste caso,
estão reunidas as condições de procedibilidade;

✓ em face das correções realizadas pela AT, é melhor proceder ao


pagamento do tributo.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 82
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• O parecer do contabilista certificado pode não ser a opinião final sobre o


que fazer pelo sujeito passivo, mas pode ser essencial se não mesmo
determinante na definição da estratégia de atuação, o que se pode
revelar fundamental para assegurar a defesa dos direitos e interesses
legalmente protegidos do contribuinte.

• Se a liquidação respeitar a um período de tributação cujo prazo legal de


caducidade já tenha ocorrido, para determinar se no caso concreto da
liquidação notificada existe ou não caducidade importará determinar se

✓ o procedimento inspetivo foi interno ou externo

✓ tiver sido externo, é necessário saber qual foi a sua duração efetiva;

✓ existe qualquer outra causa de suspensão do prazo de caducidade.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 83
A reação do contribuinte contra o ato de liquidação

• O conhecimento factual e técnico do contabilista certificado é essencial para


avaliar a matéria e identificar a existência ou não de pontos críticos.

• AT pode efetuar a notificação da liquidação através de transmissão eletrónica


de dados.

• A notificação será efetuada através carta registada ou de notificação pessoal,


na modalidade de contacto direto de funcionário com o destinatário do ato
(n.º 5 do art.º 38.º do CPPT).

• É desaconselhável que o CC assuma a responsabilidade de efetuar a gestão do


domicílio eletrónico das pessoas ou entidades a quem presta serviços, nas
áreas contabilística e fiscal.

• A receção e perfeição das notificações não está dependente de qualquer ato


ou ação voluntária do CC, sendo o controlo de tais atos muito volátil e
suscetível de poder constituir uma fonte de situações complexas e difíceis.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 84
A reclamação graciosa

• A impugnação do ato de liquidação pode ser feita através de reclamação


graciosa ou de impugnação judicial, com fundamento em qualquer
ilegalidade, designadamente, as indicadas no art.º 99.º do CPPT, que
consistem em

✓ Errónea qualificação e quantificação dos rendimentos, lucros, valores


patrimoniais e outros factos tributários;

✓ Incompetência;

✓ Ausência ou vício da fundamentação legalmente exigida;

✓ Preterição de outras formalidades legais.


• O contribuinte, em função da natureza do processo e dos encargos
financeiros que pode envolver, tem de decidir qual serve melhor os seus
interesses, porquanto ambos visam a anulação, total ou parcial, do ato
tributário.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 85
A reclamação graciosa

• A reclamação graciosa constitui uma forma de procedimento tributário (al. f)


do n.º 1 do art.º 54.º da LGT), e está abrangida pelo princípio da gratuitidade.

• A impugnação judicial, em virtude de ser um tipo de processo judicial


tributário, está sujeita a forma solene e as custas judiciais e, se o valor da
liquidação for superior a € 10 000, exige a constituição de advogado (art.º 6.º
do CPPT).

• A reclamação graciosa é resolvida com grande celeridade, enquanto que a


impugnação judicial está sujeita à morosidade dos tribunais judiciais.

• Se a reclamação graciosa não estiver decidida no prazo de quatro meses


estabelecidos no n.º 1 do art.º 57.º da LGT, muito, provavelmente, o tempo
máximo de espera não ultrapassará os dozes meses, enquanto que a decisão
do juiz do tribunal tributário pode demorar vários anos.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 86
A reclamação graciosa

• É o contribuinte é que tem de decidir se utiliza a reclamação


graciosa ou a impugnação judicial, sendo que ambas, só por si,
não suspendem o processo de execução fiscal.

• Ambos os procedimentos/processos exigem a prestação de


garantia ou a necessidade de autorização de dispensa de
prestação de garantia (art.º 177.º-A do CPPT).

• A decisão da reclamação graciosa, quer seja de indeferimento tácito


ou de indeferimento expresso, pode ser objeto de impugnação
judicial, tendo assim o contribuinte, em momentos diferentes, acesso
aos tribunais tributários.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 87
A reclamação graciosa

• A intervenção do contabilista certificado pode ser de grande relevância


no sentido de avaliar qual a tipologia da matéria controvertida e, assim,
consoante, maior ou menor for o peso da matéria de facto, de natureza
contabilística ou fiscal, poder decidir se será preferível optar pela
reclamação graciosa ou pela impugnação judicial.

• O contabilista certificado pode intervir em ambas, designadamente,


quando a matéria controvertida se integrar no âmbito de questões
relacionadas com as suas competências específicas.

• O contabilista certificado pode intervir no procedimento tributário em


representação dos sujeitos passivos por cujas contabilidades seja
responsável (al. b) do n.º 2 do art.º 10.º do EOCC).

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 88
A reclamação graciosa

• Na reclamação graciosa, o CC pode ter uma intervenção de cariz técnico,


avaliando a matéria substantiva e sobre ela emitir parecer, bem como pode
proceder à elaboração da reclamação graciosa e pode, inclusive, subscrever a
petição, desde que esteja na posse de título de representação, em ordem a
provar junto dos serviços da AT que, nos termos do n.º 1 do art.º 9.º do CPPT,
tem legitimidade para intervir no procedimento tributário.

• Na reclamação graciosa, a intervenção do contabilista certificado não é


condicionada pelo valor da liquidação dos tributos.

• Quanto à elaboração e subscrição da reclamação graciosa o contabilista


certificado não tem qualquer condicionante quando as matérias controvertidas
forem enquadráveis no âmbito de questões relacionadas com as suas
competências específicas.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 89
A reclamação graciosa

• A participação do CC poderá ocorrer em qualquer circunstância quando a


sua participação visar a emissão de parecer técnico sobre a substância das
matérias impugnáveis, bem como a sua intervenção é absolutamente livre
de quaisquer condicionantes legais ou formais quando a petição da
reclamação for subscrita pelo sujeito passivo da relação jurídica tributária.

• Estas atividades no domínio do direito tributário processual exigem ao CC


um forte domínio técnico nas áreas das suas competências específicas,
bem como do direito fiscal substantivo e processual.

• No âmbito do procedimento tributário, o meio procedimental adequado e


idóneo para invocar a ilegalidade da liquidação de qualquer tributo é a
reclamação graciosa, cuja regulamentação consta nos art.º 68.º a 77.º-
A do CPPT.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 90
A reclamação graciosa

• O requerimento ou petição da reclamação (a reclamação pode ser


elaborada em texto corrido ou em petição articulada) é dirigida ao
dirigente do órgão periférico regional – Diretor de Finanças – da área do
domicílio fiscal do sujeito passivo.

• Se se tratar de um contribuinte de elevada relevância económica e social


(art.º 68.º-B da LGT, a reclamação graciosa é dirigida ao Diretor da
Unidade dos Grandes Contribuintes.

• A reclamação deve ser apresentada, no prazo legal (120 dias) em


duplicado nos serviços da AT ou enviada por via postal, sob registo.

• Conjuntamente com a reclamação têm de ser apresentados os elementos


probatórios, documentos identificados por anexo que devem ser
expressamente identificados na reclamação graciosa.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 91
A reclamação graciosa

• A apresentação da reclamação graciosa tem de ser feita no prazo legal, sob


pena de indeferimento liminar com fundamento na sua intempestividade.

• A ocorrência desta circunstância equivale à perda do meio impugnatório,


ficando assim prejudicada a defesa dos legítimos interesses do contribuinte.

• O prazo da reclamação graciosa inicia-se no dia seguinte ao do termo do prazo


de pagamento voluntário ou ao da notificação e conta-se de forma contínua,
não se suspendo aos sábados, domingos e feriados e quando o termo do prazo
ocorrer em dia não útil a petição da reclamação pode ser apresentada no
primeiro dia útil seguinte – n.º 3 do art.º 57.º da LGT e n.º 1 do art.º 20.º do
CPPT e al. e) do art.º 279.º do Código Civil.

• Em relação ao prazo de dois anos aplica-se a regra prevista na al. c) do


artigo 279.º do Código Civil.

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A reclamação graciosa

• É preciso, em função da lei, determinar o prazo da reclamação:

✓ O prazo é de 2 anos a contar da apresentação da declaração, no caso


de autoliquidação (art.º 131,º do CPPT);

✓ O prazo é de 2 anos a contar do termo do prazo legal para


apresentação da declaração, no caso de erro da declaração do IRS (n.º
2 do art.º 140.º do IRS);

✓ O prazo é de dois 2 anos a contar do dia 20 de janeiro do ano seguinte


àquele a que a retenção disser respeito, no caso de erro na retenção
na fonte – n.º 3 do art.º 140.º do CIRS e art.º 132.º do CPPT);

✓ O prazo é de 2 anos a contar do termo dos dois anos previstos nos n.ºs
3 e 6 do artigo 78.º do CIVA, em caso de erro de registo, escrita ou
cálculo – n.º 2 do art.º 97.º do CIVA e art.º 131.º do CPPT;

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 93
A reclamação graciosa

• É preciso, em função da lei, determinar o prazo da reclamação:

✓ O prazo é 120 dias a contar do termo do prazo de pagamento voluntário


(qualquer tributo que não o IRS liquidado com base na declaração de
rendimentos ou tributo autoliquidado, ou outro sujeito a prazo especial) –
art.º 70 e al. a) do n.º 1do 102.º do CPPT;

✓ O prazo é de 120 dias, a contar do termo do prazo de pagamento


voluntário (qualquer tributo cuja liquidação tenha tido origem no
procedimento de inspeção tributária) – art.º 70.º e al. a) do n.º 1 do
art.º 102.º do CPPT;

✓ O prazo é de 120 dias, a contar da notificação quando não houver lugar a


qualquer liquidação – al, b) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;
✓ O prazo é de 120 dias a contar da citação, no caso de efetivação da
responsabilidade subsidiária – al. c) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 94
A reclamação graciosa

• A reclamação graciosa deverá estar decidida no prazo de quatro meses


contados a partir da entrada da petição do contribuinte no serviço
competente da Administração Tributária.

• Decorrido este prazo sem que exista uma decisão do órgão competente, o
contribuinte pode presumir o indeferimento tácito da reclamação graciosa
e, se for essa a sua opção, pode desta decisão tácita, interpor recurso
hierárquico ou impugnação judicial – n.º 5 do art.º 57.º e 80.º da LGT,
art.ºs 66.º e 67.º, al. d) do n.º 1 do art.º 102.º e art.º 106.º do CPPT).

• O contribuinte tem a faculdade de reagir ou não ao indeferimento tácito,


podendo optar por esperar pela notificação da decisão expressa e, caso
esta não lhe seja favorável, total ou parcialmente, decidir, então, interpor
recurso hierárquico ou impugnação judicial.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 95
O recurso hierárquico

• O recurso hierárquico também é uma forma de procedimento tributário.

• O recurso hierárquico visa a reapreciação de uma decisão proferida por um


órgão da Administração Tributária sobre uma pretensão de um
contribuinte, em que existe identidade do autor e dos fundamentos de
facto e de direito invocados – art.º 47.º do CPPT.

• O recurso hierárquico não é o meio procedimental idóneo para reagir, ab


initio, em sede administrativa contra a ilegalidade do ato de liquidação.

• Quando a pretensão do contribuinte consistir em pedido de anulação do


ato de liquidação tem de apresentar uma reclamação graciosa e só quando
a decisão proferida nesta não lhe for favorável, total ou parcialmente, é
que pode interpor recurso hierárquico.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 96
O recurso hierárquico

• Se o ato ou a decisão do órgão da Administração Tributária for um ato


administrativo em matéria tributária, por exemplo, a decisão de
indeferimento de pedido de reconhecimento de benefícios fiscais ou
uma decisão quanto ao volume de negócios e enquadramento em
regime do IVA, o meio procedimental idóneo para reagir contra a
decisão do órgão da Administração Tributária é o recurso hierárquico.

• O recurso hierárquico tem de ser apresentado no prazo de 30 dias, a


contar da notificação da decisão recorrível.

• Este prazo é contínuo e conta-se nos termos do art.º 279.º do Código


Cível – n.º 3 do art.º 57.º da LGT e n.º 1 do art.º 20 do CPPT.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 97
O recurso hierárquico

• Se o prazo para a sua apresentação não for respeitado, o recurso será


liminarmente indeferido com fundamento na sua intempestividade, o
que implica a perda do meio defesa do contribuinte, salvo se o
contribuinte optar por sindicar a decisão do órgão da Administração
Tributária através de meio judicial.

• O recurso hierárquico tem de ser dirigido ao mais elevado superior


hierárquico do autor do ato e apresentado perante o autor do ato
recorrido – n.º 2 do art.º 66.º do CPPT.

• O contabilista certificado, de acordo com a al. b) do n.º 2 do artigo 10.º


do EOCC, tem legitimidade para intervir no recurso hierárquico desde
que este seja referente a pessoas ou entidades por cujas contabilidade
ou elementos de escrita seja responsável.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 98
O recurso hierárquico

• Para elaboração do recurso hierárquico é fundamental analisar os


fundamentos da decisão da reclamação graciosa e, eventualmente, revisitar,
se for este o caso, os fundamentos das correções à matéria tributável
constantes do relatório da ação de inspeção e fazer o contraditório não só
contra a fundamentação das correções mas, outrossim, contra os
fundamentos de indeferimento da reclamação graciosa.

• O recurso hierárquico deve ser apresentado em duplicado, sendo-lhe


aplicável as regras referidas para a reclamação graciosa, e com a petição
deve o contribuinte apresentar todos os elementos probatórios.

• Se o órgão recorrido não revogar o ato, o recurso hierárquico deve ser


decidido no prazo máximo de 60 dias a contar da data da sua remessa ao
órgão competente para a decisão.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 99
O recurso hierárquico

• Os contribuintes preferem aguardar a decisão expressa do recurso


hierárquico e, em função do seu sentido e da fundamentação, tomar,
então, uma decisão sobre o que fazer:

✓ Conformar-se com a decisão proferida pela Administração


Tributária;

✓ Continuar a defesa dos seus direitos e interesses legalmente


protegidos.

• Da decisão de indeferimento, total ou parcial, do recurso


hierárquico o contribuinte pode interpor impugnação judicial,
sempre que o ato recorrido seja um ato de liquidação.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 100
O recurso hierárquico

• Se o ato recorrido for um ato administrativo em matéria tributária e não um


ato de liquidação, e neste caso não houve lugar a apresentação de reclamação
graciosa, o meio judicial a que o contribuinte tem de lançar mão, para reagir
contra a decisão proferida no recurso hierárquico e prosseguir a defesa dos
seus legítimos interesses, é a ação administrativa, regulada no CPTA.

• Na ação administrativa, que corre termos nos Tribunais Administrativos e


Fiscais (TAF), o contabilista certificado não pode ter qualquer intervenção
porque, independentemente do seu valor, esta ação judicial implica sempre a
constituição de advogado – art.º 11,º do CPTA.

• Quanto à intervenção do contabilista certificado no recurso hierárquico é válido


tudo o que foi referido e sublinhado a propósito da reclamação graciosa.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 101
A impugnação judicial

• A impugnação judicial é uma forma de processo judicial tributário que


visa garantir a tutela plena, eficaz e efetiva dos direitos e interesses
legalmente protegidos do sujeito passivo e demais obrigados tributários
– art.ºs 96.º e 97.º do CPPT.

• Através desta forma de processo judicial tributário o contribuinte pode


sindicar a legalidade do ato de liquidação de qualquer tributo e reagir
contra a ilegalidade de atos tributários que sejam lesivos dos seus
legítimos interesses – n.º 2 do art.º 9.º da LGT.

• O processo judicial tributário corre termos nos tribunais tributários de


1.ª instância, podendo ser considerado um processo de partes, uma vez
que visa dirimir um conflito entre a Administração Tributária e um
contribuinte.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 102
A impugnação judicial

• O processo judicial tributário (na 1.ª instância) é decidido por um juiz que,
independente do valor da ação judicial, funciona sob a forma de tribunal
singular, sendo a respetiva decisão denominada por sentença.

• No tribunal tributário de 1.ª instância, sem prejuízo da constituição de


mandatário em qualquer ação, o sujeito passivo da relação jurídica tributária e
os demais obrigados tributários podem intervir diretamente no processo judicial
tributário, desde que o valor da ação não seja superior € 10 000.

• É este o valor que serve de referência para balizar a capacidade de intervenção


do contabilista certificado no processo judicial tributário, visto que de acordo
com o normativo da alínea b) do n.º 2 do art.º 10.º do EOCC, os CC podem
intervir no âmbito de questões relacionadas com as suas competências
específicas, em representação dos sujeitos passivos por cujas contabilidades
sejam responsáveis.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 103
A impugnação judicial

• Na qualidade de representante da pessoa ou entidade a quem presta


serviços, o contabilista certificado pode intervir em todo o tipo de
processo ou ação judicial tipificada no n.º 1 do art.º 97.º do CPPT, com
exceção dos meios processuais acessórios e da ação administrativa – als.
j), m) e p) do n.º 1 do art.º 97.º do CPPT.

• A constituição de advogado nos Tribunais Tributários é, na primeira 1.ª


instância, obrigatória quando o valor da causa – art.º 97.º -A do CPPT –
for superior a € 10 000, conforme estipulado no art.º 6.º do CPPT.

• O contabilista certificado não pode intervir na interposição de recursos


para os Tribunais Tributários superiores (TCA e STA), visto que nestes é
sempre obrigatória a constituição de advogado.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 104
A impugnação judicial

• Na impugnação judicial, cuja regulamentação consta nos artigos 99.º a


126.º do CPPT, a situação mais frequente, em que o contabilista
certificado pode ser instado a intervir em representação das pessoas ou
entidades por cujas contabilidades ou elementos de escritas seja
responsável, é a impugnação do ato de liquidação dos tributos.

• Para reagir em matéria de pressupostos legais e de quantificação da


matéria tributável, poderá ser acionada, consoante o caso, a impugnação
judicial prevista no art.º 117.º do CPPT (é já uma reação contra a
liquidação) e recurso judicial (reação contra a decisão de aplicação de
métodos indiretos) previsto no art.º 146.º-B do CPPT).

• Em relação a outras situações de impugnação judicial, a intervenção do


contabilista certificado, embora possa ocorrer, já se afigura mais difícil.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 105
A impugnação judicial

• Em caso de intervenção do contabilista certificado no processo judicial


tributário, em exercício de representação, é indispensável e essencial
ter sempre presente que a mesma só pode acontecer em relação às
pessoas ou entidades, por cujas contabilidades seja responsável, e no
âmbito de questões relacionadas com as suas competências específicas.

• A petição de impugnação judicial é dirigida ao juiz do Tribunal Tributário


de 1.ª instância (Tribunal Administrativo e Fiscal) da área do domicílio
fiscal do contribuinte.

• A petição de impugnação judicial tem de ser apresentada em triplicado,


elaborada obrigatoriamente em articulado, e pode ser entregue
diretamente no tribunal ou no serviço de finanças.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 106
A impugnação judicial

• Na impugnação judicial é sindicada a legalidade do ato de liquidação,


podendo ser invocada qualquer ilegalidade, designadamente aquelas que
estão elencadas no art.º 99.º do CPPT, e que consistem em:

✓ Errónea qualificação e quantificação dos rendimentos, lucros, valores


patrimoniais e outros factos tributários;

✓ Incompetência;

✓ Ausência ou vício da fundamentação legalmente exigida;

✓ Preterição de outras formalidades legais.

• Salvo em situações específicas previstas na lei e diretamente relacionadas


com o objeto ou fim da impugnação judicial, e em que a lei estabelece um
prazo especial, o prazo regra da impugnação judicial é de três meses
(art.º 102.º do CPPT).
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 107
A impugnação judicial

• No universo das situações com relevância para o contabilista


certificado, o prazo da impugnação é de três meses a contar de:

✓ Termo do prazo de pagamento voluntário da liquidação de


qualquer tributo feita com base em declaração do contribuinte e
em que a impugnação judicial não esteja dependente de
reclamação necessária – al. a) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

✓ Termo do prazo de pagamento voluntário da liquidação de


qualquer tributo com origem em procedimento de inspeção
tributária – al. a) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

✓ Notificação de ato tributário, quando não houver lugar a qualquer


liquidação – al. b) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

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A impugnação judicial

• No universo das situações com relevância para o contabilista


certificado, o prazo da impugnação é de três meses a contar de:

✓ Notificação de decisão expressa proferida em reclamação graciosa


– al. e) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

✓ Notificação de decisão expressa proferida em recurso hierárquico –

al. e) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

✓ Constituição de indeferimento tácito em reclamação graciosa ou


em recurso hierárquico – al. d) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT;

✓ Citação de responsável subsidiário, em caso de efetivação de


responsabilidade subsidiária em processo de execução fiscal – al.
c) do n.º 1 do art.º 102.º do CPPT.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 109
A impugnação judicial

• A elaboração da petição de impugnação deve refletir e obedecer a uma


lógica estruturada, por forma a que contenha

✓ no cabeçalho a indicação do meritíssimo juiz e tribunal a que é dirigida;

✓ uma parte de identificação do impugnante e do ato impugnado, com


referência aos normativos legais que permitem enquadrar o objeto da
impugnação;

✓ o corpo da petição deve integrar duas partes, uma em que são


estruturados os fundamentos de direito, e outra parte em que são
indicados os fundamentos de facto;

✓ deve encerrar com uma conclusão, no final da qual deve ser feito o
pedido correspondente à pretensão do impugnante (vg. anulação, total
ou parcial, do ato de liquidação).

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A impugnação judicial

• A petição terá de ser subscrita pelo impugnante ou pelo contabilista


certificado, tendo neste caso de ser junto o título de representação). Tem de
ser autoliquidada a taxa de justiça (a guia de pagamento é processada pelo
impugnante/representante em qualquer equipamento com acesso à internet e
paga (em terminal ATM), com base no tipo de processo (impugnação judicial,
etc.) e no valor da causa, de acordo com os normativos do Código das Custas
Judiciais.

• Com as adaptações necessárias, na elaboração da petição é conveniente ter


em atenção os normativos dos art.ºs 186.º, 552.ºe 558.º do Código de
Processo Civil – al. a) do n.º 1 do art.º 98.º e 108.º do CPPT.

• O CC tem de ter em consideração o direito e os factos invocados pela AT na


fundamentação do ato/decisão e constante da notificação, de informação,
parecer ou do relatório final do procedimento de inspeção tributária.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 111
A impugnação judicial

• No seu contraditório, o contabilista certificado deve ser incisivo a


descrever as razões porque não concorda com o direito aplicado pela AT
ou com a interpretação da lei feita pela AT, e enunciar a sua perspetiva
legal, bem como deve com factos concretos demonstrar que a AT não tem
razão na fundamentação de facto que fez do ato tributário ou da decisão
tributária.

• O contabilista certificado pode ter outro tipo de intervenções na


impugnação judicial e noutro tipo de ações que integram o processo
judicial tributário.

• Quando a petição de impugnação for subscrita por advogado, o


contabilista certificado pode ser arrolado como testemunha da pessoa
ou entidade por cuja contabilidade seja responsável.

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A impugnação judicial

• O contabilista certificado pode ser instado a intervir na qualidade de perito,


na eventualidade, de ser suscitada a produção de prova através de perícia.

• Este tipo de prova pode ser ordenada pelo juiz, sendo que na impugnação
judicial, em regra, ocorre a pedido do contribuinte impugnante, em virtude
deste considerar ser relevante a realização de uma peritagem à
contabilidade.

• Este tipo de intervenção está expressamente prevista na al. c) do n.º 2 do


artigo 10.º do EOCC, normativo que prescreve que o contabilista certificado
pode “[d]esempenhar quaisquer outras funções definidas por lei,
relacionadas com o exercício das respetivas funções, designadamente as de
perito nomeado pelos tribunais ou por outras entidades públicas ou
privadas”.

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Pedido de revisão do ato tributário

• No art.º 78.º da LGT está prevista a revisão do ato tributário pela


entidade que o praticou com fundamento em qualquer ilegalidade ou
com fundamento em erro imputável aos serviços da AT.

• A revisão do ato tributário por iniciativa dos serviços só pode


acontecer se existir erro imputável aos serviços.

• A revisão do ato tributário por iniciativa do contribuinte, nos termos


do art.º 78.º da LGT, pode ocorrer com fundamento em qualquer
ilegalidade, mediante pedido apresentado no prazo da reclamação
administrativa ou, então, pode ocorrer oficiosamente, mediante
pedido do interessado, com fundamentado em erro imputado aos
serviços.

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Pedido de revisão do ato tributário

• O pedido de revisão do ato tributário não consubstancia um meio de


reação alternativo à reclamação graciosa ou à impugnação judicial.

• O pedido de revisão do ato tributário é sim um meio de defesa


complementar para assegurar a tutela plena e efetiva dos interesses
legalmente protegidos do sujeito passivo da relação jurídica
tributária.

• Quando o contribuinte pretender invocar a ilegalidade do ato de


liquidação de um tributo o que deve fazer é apresentar reclamação
graciosa ou impugnação judicial, salvo se a reclamação graciosa for
necessária e, consequentemente, for condição procedimental da
apresentação da impugnação judicial.

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Pedido de revisão do ato tributário

• O contribuinte apenas deve lançar mão ao pedido de revisão do


art.º 78.º da LGT se já tiverem precludido os prazos para
interposição de impugnação judicial ou de apresentação de
reclamação graciosa.

• Quando a motivação do pedido de revisão do ato tributário for


qualquer ilegalidade, o pedido de revisão tem de ser apresentado
no prazo da reclamação graciosa, o qual deve ser formulado em
petição dirigida ao Diretor-Geral da AT, devidamente
fundamentada e instruída com elementos probatórios adequados
a sustentar a pretensão do contribuinte.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 116
Pedido de revisão do ato tributário

• No pedido de revisão previsto no art.º 78.º da LGT a intervenção


do contabilista certificado pode ter uma dimensão e um alcance
idêntico àquele que se verifica na reclamação graciosa.

• Se o pedido de revisão for indeferido, total ou parcialmente, o


contribuinte para prosseguir a defesa dos seus direitos ou
interesses legalmente protegidos pode lançar mão à impugnação
judicial, no prazo de três meses a contar da constituição do
indeferimento tácito ou da notificação da decisão expressa do
pedido de revisão do ato tributário (als. d) e e) do n.º 1 do artigo
102.º do CPPT).

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 117
A execução fiscal

• O processo de execução fiscal tem natureza judicial – art.º 103.º


da LGT.

• Só quando no processo for suscitado algum incidente através da


interposição de oposição judicial, embargos de terceiro ou de
reclamação dos atos do órgão da execução fiscal é que os atos e
decisões são da competência do Tribunal Tributário de 1.ª instância –
art.º 151.º do CPPT.

• Quando nos referimos ao processo de execução fiscal, não estamos


perante uma forma de procedimento tributário, mas sim perante um
tipo de processo cujo titular é o juiz do Tribunal Tributário de 1.ª
instância.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 118
A execução fiscal

• Quando o executado ou qualquer outro interessado, com legitimidade


para intervir na execução fiscal, pretender reagir contra qualquer ato ou
decisão praticado no âmbito da tramitação do processo de execução fiscal
não pode lançar mão à reclamação graciosa ou ao recurso hierárquico.

• Tendo o processo de execução fiscal natureza judicial, a legitimidade dos


contabilistas certificados não é absoluta.

• A sua intervenção na execução fiscal apenas pode ocorrer em termos


relativos ou condicionados.

• De acordo com o normativo da al. b) do n.º 2 do art.º 10.º do EOCC, os


contabilistas certificados só podem intervir no processo judicial tributário
quando o valor da ação ou causa não obrigar à constituição de advogado,
o mesmo é dizer não for de valor superior a € 10 000.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 119
A execução fiscal

• Quando a matéria controvertida for exclusivamente de direito, o


mandato tributário só pode ser exercido, nos termos da lei, por
advogados, advogados estagiários e solicitadores.

• Nesta medida, a capacidade de intervenção dos contabilistas


certificados no procedimento tributário é total quando estiverem em
causas questões relacionadas com as suas competências específicas.

• Ainda que estejam em causa questões deste tipo, na execução fiscal


o contabilista certificado só pode intervir em representação das
pessoas ou entidades por cujas contabilidades ou elementos de
escrita seja responsável.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 120
A execução fiscal

• Pode existir uma forte conexão entre o procedimento tributário e a


execução fiscal.

• Na base da execução fiscal pode estar um ato de liquidação com


origem em declaração apresentada pelo contribuinte, em liquidação
oficiosa ou em procedimento de liquidação instaurado com
fundamento em elementos resultantes de um procedimento de
inspeção tributária.

• A execução fiscal tem meios de defesa específicos, pelo que se torna


fundamental que, em função da tipologia do ato lesivo ou ilegal, seja
identificado o meio impugnatório adequado e idóneo para reagir
contra o ato ou decisão cuja ilegalidade se pretende sindicar.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 121
A execução fiscal

• Os meios de defesa específicos da execução fiscal são os seguintes:

✓ A oposição judicial, regulada nos art.ºs 203.º a 213.º do CPPT, e


que tem por objeto a exigibilidade da dívida exequenda, podendo
ser invocados os fundamentos taxativamente enunciados no n.º 1
do art.º 204.º do CPPT;

✓ Os embargos de terceiro, regulados nos art.ºs 167.º, 237.º e 238.º


do CPPT, cujo objeto consiste na defesa dos direitos ou interesses
conexos com a posse ou a titularidade de bens ou direitos
ofendidos com a penhora de bens ou outra diligência incompatível
realizada na execução fiscal, e cujos efeitos jurídicos se produziram
na esfera jurídica de terceiro e não na do executado;

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 122
A execução fiscal

• Os meios de defesa específicos da execução fiscal são os seguintes:

✓ A reclamação dos atos do órgão da execução fiscal, regulada nos art.ºs


276.º a 278.º do CPPT e cujo âmbito de aplicação é residual, mas de
uma enorme relevância para a defesa dos direitos ou interesses do
executado ou de terceiro com legitimidade para intervir na execução
fiscal. A reclamação do artigo 276.º do CPPT é o meio processual
idóneo e adequado para acionar, salvo se a matéria controvertida for
fundamento de oposição judicial ou de embargos de terceiro.

✓ Requerimento inominado dirigido ao órgão da execução fiscal para


invocar a falta de citação, nulidade de citação, por preterição de
formalidade legal, e para provocar o conhecimento oficioso da
prescrição da dívida exequenda.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 123
A execução fiscal

• Se o executado na execução fiscal for o próprio contabilista certificado, este tem


legitimidade para intervir na defesa dos seus direitos e interesses, sempre que o
valor da controvérsia não exceder os € 10 000, na oposição judicial, nos embargos
de terceiro e na reclamação dos atos do órgão da execução fiscal.

• Se estiver a atuar na qualidade de executado, o contabilista certificado pode


subscrever sempre o requerimento inominado, independentemente do seu objeto,
isto é, quer o requerimento tenha por finalidade

✓ requerer o pagamento em prestações da dívida exequenda;

✓ requerer a dispensa de prestação de garantia;

✓ Invocar nulidade insanável – al. a) do n.º 1 do art.º 165.º do CPPT, por falta de
citação;

✓ Provocar o conhecimento oficioso da prescrição da dívida exequenda – art.º


175.º do CPPT.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 124
A execução fiscal

• Se o contabilista certificado estiver a agir em representação das pessoas


ou entidades por cujas contabilidades seja responsável apenas poderá
intervir quando a matéria controvertida não dê origem a causa de valor
superior € 10 000, e é necessário que as questões sejam conexas com as
suas competências específicas.

• Em face destes requisitos legais – al. b) do n.º 2 do art.º 10.º do EOCC –


afigura-se-nos ser muito restrito o campo de intervenção do contabilista
certificado no âmbito da execução fiscal.

• O CC pode intervir em representação do revertido, se for responsável pela


sua contabilidade ou elementos de escrita, desde que o valor da
liquidação de imposto e juros compensatórios (quantia exequenda) em
causa não seja superior a € 10 000.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 125
A execução fiscal

• Na oposição judicial, o contabilista certificado só poderá ter uma


intervenção direta em duas situações:

✓ Quando for ele o alvo da reversão do processo de execução fiscal;

✓ Quando o objeto da oposição for a ilegalidade em concreto da


liquidação que motivou a instauração da execução fiscal.

• Não havendo um ato administrativo autónomo de liquidação, não se


abriu ao interessado o prazo legal para poder interpor reclamação
graciosa ou impugnação judicial para sindicar a ilegalidade do tributo.

• Nesta situação, para questionar a ilegalidade em concreto da liquidação


do tributo, o interessado pode apresentar oposição judicial – al. h) do n.º
1 do art.º 204.º do CPPT.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 126
A execução fiscal

• O contabilista certificado poderá intervir em representação do oponente


na oposição, proceder à elaboração da petição de oposição e subscrevê-
la, desde que o valor em casa não seja superior a € 10 000 e a matéria
controvertida seja factual e conexa com questões relacionadas com as
competências específicas do contabilista certificado.

• Se para além de discutir a ilegalidade em concreto do tributo, o


interessado também pretender sindicar a ilegalidade do ato do órgão da
execução fiscal que determinou a reversão, o contabilista certificado já
não poderá intervir na oposição judicial em representação da pessoa ou
entidade por cujas contabilidades é responsável, uma vez que no
processo vão estar a ser discutidas também matérias que se afastam do
âmbito das suas competências específicas.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 127
A execução fiscal

• Na oposição judicial pode, outrossim, ser invocada a caducidade do direito


à liquidação do tributo – al. e) e i) do n.º 1 do art.º 204.º do CPPT –
sendo para o efeito relevante a data da realização da notificação da
liquidação.

• Uma vez que o procedimento de inspeção tributária externa é suscetível


de influenciar a data de caducidade do direito à liquidação – n.º 1 do art.º
46.º da LGT – somos a admitir que o contabilista certificado possa
intervir, neste caso, na oposição em representação das entidades por
cujas contabilidades seja responsável.

• A oposição judicial será o processo em que o contabilista certificado


poderá ter uma intervenção relevante em representação das entidades
por cujas contabilidades seja responsável.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 128
A execução fiscal

• A oposição judicial, os embargos de terceiro, a cuja tramitação se


aplicam as regras da oposição judicial – art.º 168.º do CPPT – e a
reclamação dos atos do órgão da execução fiscal têm de ser
elaborados em petição articulada dirigida ao juiz do Tribunal Tributário
de 1.ª instância (Tribunal Administrativo e Fiscal), com jurisdição na
área de competência territorial do órgão da execução fiscal.

• A petição não pode ser apresentada diretamente no tribunal, tem de


ser apresentada em triplicado no órgão da execução onde estiver
pendente o processo de execução fiscal fundamento da controvérsia,
e está sujeita ao pagamento de taxa de justiça, nos ternos do
Regulamento das Custas Judiciais.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 129
A execução fiscal

• A petição deve ter uma parte em que sejam explanadas as conclusões e,


subsequentemente, feito o respetivo pedido, inerente ao tipo de processo em
questão. Por exemplo:

✓ Na oposição judicial será pedida a extinção da execução fiscal, se tiver em


causa a efetivação da responsabilidade subsidiária ou a prescrição da dívida,

✓ Na oposição judicial será pedida a anulação da liquidação, se o fundamento


invocado for o da alínea e) ou h);

✓ Nos embargos de terceiro será feito o pedido de levantamento da penhora ou


o cancelamento da diligência ofensiva dos direitos ou interesses do terceiro;

✓ Na reclamação dos atos do órgão da execução fiscal será pedida a anulação


do ato do órgão da execução ou de outro órgão da Administração Tributária
praticado no âmbito da execução fiscal.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 130
A execução fiscal

• A petição pode ser subscrita pelo próprio executado ou pelo contabilista


certificado, se a matéria estiver conexa com as competências
específicas deste, quando o valor da ação não for superior a € 10 000,
devendo neste caso ser feita prova da respetiva legitimidade.

• Sempre que o valor da ação for superior a € 10 000 a petição terá de


ser subscrita, nos termos da lei, por mandatário judicial – art.º 6.º do
CPPT.

• Em matéria de prazos há que atender ao n.º 2 do art.º 20.º do CPPT,


sendo o prazo destes meios de defesa contado nos termos do art.º
138.º do CPC, e inicia-se no dia seguinte à citação, à notificação ou dia
seguinte ao conhecimento efetivo consoante o caso em concreto.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 131
A execução fiscal

• Vejamos qual é o prazo para cada tipo de ação:

✓ Oposição judicial – 30 dias (n.º 1 do art.º 203.º do CPPT), a contar da


citação pessoal. Esta citação pode revestir a forma de carta registada
com aviso de receção ou de transmissão eletrónica de dados;

✓ Embargos de terceiro – 30 dias (n.º 3 do art.º 237.º do CPPT, a contar


da notificação da penhora ou diligência agressiva. Se não existir
notificação o prazo conta-se com referência ao conhecimento efetivo do
ato, cuja prova, neste caso, cabe ao terceiro;

✓ Reclamação dos atos do órgão da execução – 10 dias (n.º 1 do art.º


277.º do CPPT), a contar da notificação do ato ilegal ou do
conhecimento efetivo do ato, sendo que, neste último caso, o ónus da
prova do conhecimento efetivo do ato cabe ao interessado.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 132
A execução fiscal

• Salvo revogação do ato pelo órgão da execução fiscal – art.º 167.º, n.º 2
do art.º 208.º, n.ºs 2 e 3 do art.º 277.º todos do CPPT – a oposição
judicial, os embargos ou a reclamação dos atos do órgão da execução fiscal
são decididos pelo juiz do Tribunal Tributário de 1.ª inst.ª (sentença).

• A decisão do juiz, se o valor do decaimento for superior a € 5 000, é


suscetível de recurso jurisdicional, nos termos do art.º 279.º do CPPT.

• Quer em sua própria representação, quer em representação das entidades


por cujas contabilidades seja responsável, o contabilista certificado não
pode intervir no recurso jurisdicional, porquanto, este impõe sempre a
constituição de mandatário judicial – n.º 1, in fine, do art.º 6.º do CPPT.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 133
A execução fiscal

• A Administração Tributária pode, em qualquer momento, notificar o


devedor ou terceiros para a apresentação de elementos que se revelem
necessários à cobrança da dívida, incluindo os elementos da contabilidade
das empresas.

• Não nos parece que o contabilista certificado, ainda que a notificação da


AT lhe seja diretamente dirigida, possa fazer esta apresentação sem o
consentimento da entidade a quem presta serviços, sob pena de violação
de princípios gerais consagrados no Código Deontológico.

• O processo de execução fiscal não reveste a forma de procedimento


tributário, pelo que, sem prejuízo de um bom relacionamento com a AT, o
contabilista certificado não está vinculado a qualquer dever de
colaboração.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 134
As infrações tributárias

• As infrações tributárias são de natureza criminal ou de natureza


contraordenacional e a sua definição e tipificação, nos termos do n.º
1 do art.º 8.º da LGT, estão sujeitas ao princípio da legalidade.

• As infrações tributárias são identificadas ou detetadas no âmbito do


procedimento tributário e, em face da sua natureza, são penalizadas
em sede de processo penal tributário ou em processo de
contraordenação, sendo que este último integra uma fase
administrativa e uma fase judicial.

• Existe uma forte conexão entre o procedimento tributário e o


processo de sancionamento das infrações tributárias,
designadamente, quando estas têm natureza não criminal.
O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 135
As infrações tributárias

• Não se nos figura que o legislador ao referir na al. b) do n.º 2 do art.º 10.º
do EOCC que os contabilistas certificados podem intervir na fase graciosa do
procedimento tributário e no processo tributário tenha querido afastar a
intervenção dos CC no processo de contraordenação.

• A expressão processo tributário está utilizada, naquele normativo, no


sentido de abranger tudo o que não seja procedimento tributário.

• A intervenção dos contabilistas certificados tem de se centrar dentro de


dois parâmetros:

✓ Apenas pode ocorrer em representação de pessoas e entidades por


cujas contabilidades sejam responsáveis;

✓ A matéria controvertida tem de estar conexa com questões relacionadas


com as competências específicas dos contabilistas certificados.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 136
As infrações tributárias

• A intervenção dos contabilistas certificados fica prejudicada quando a


matéria controvertida envolver questões que impliquem a
interpretação e aplicação do direito, ou seja, a ação direta dos
contabilistas certificados no procedimento tributário ou no processo
tributário só pode ocorrer quando as questões de factos sejam o
principal alvo ou objeto da discussão suscitada no respetivo
procedimento ou processo.

• Foi vontade do legislador que os contabilistas certificados possam,


dentro dos respetivos limites e condições estabelecidas no seu
estatuto, intervir no processo de contraordenação tributário, tanto
mais que são estes que devem:

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 137
As infrações tributárias

✓ Assegurar que as declarações fiscais que assinam estão de acordo com


a lei e as normas técnicas em vigor;

✓ Assegurar, nos casos em que a lei o preveja, o envio por via eletrónica
das declarações fiscais dos seus clientes ou entidades patronais;

✓ Abster-se da prática de quaisquer atos que, direta ou indiretamente,


conduzam a ocultação, destruição, inutilização, falsificação ou viciação
dos documentos e das declarações fiscais a seu cargo.

• É o rigoroso cumprimento das normas contabilistas e fiscais que


concorrem para a ausência da prática de ilícitos tributários, sendo que a
atividade dos contabilistas certificados é de primordial importância para a
concretização deste desiderato.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 138
As infrações tributárias

• Não descortinamos qualquer razão que justifique o afastamento da


intervenção dos contabilistas certificados no processo de
contraordenação, o mesmo já não nos parece a nível do processo
penal tributário (inquérito), uma vez que neste, pela gravidade do
ilícito, estarão em causa não só aspetos de natureza factual, mas,
outrossim, questão conexas com a aplicação do direito.

• É nosso parecer que no processo penal tributário a intervenção do


contabilista se deve limitar à sua inquirição na qualidade de
testemunha, salvo se existir motivos concreto para outro tipo de
participação ordenada pelo Ministério Público.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 139
As infrações tributárias

• Não nos parece que o contabilista certificado, ainda que tenha sido
notificado para tal, deva ou possa fazer a apresentação da contabilidade
do sujeito passivo da relação jurídica tributária ou de outro obrigado
tributário em processo de inquérito, ainda que seja por ela responsável,
sem prévia informação da pessoa ou entidade a quem presta serviços,
sob pena de violar alguns deveres para como aquela ou princípios
deontológicos gerais.

• O contabilista certificado não deve deixar de apresentar a contabilidade


no processo de inquérito, dado que a notificação terá sido feita pelo
instrutor do processo na qualidade de órgão de polícia criminal, o qual
atua sob direta orientação e dependência funcional do Ministério
Público.

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As infrações tributárias

• A intervenção do contabilista certificado, embora muito condicionada


pelas questões de direito, é muito ativa e ampla no processo de
contraordenação ou no domínio do direito à redução da coima.

• O pedido de pagamento da coima reduzida, nos termos da al. c) do


n.º 1 do art.º 29.º do RGIT, acontece em resultado do início de um
procedimento de inspeção tributária.

• Este pedido tem de ser subscrito pelo próprio interessado, isto é, o


contabilista certificado não pode subscrever este pedido em
representação da pessoa entidade alvo da ação de inspeção, ainda
que seja responsável pela contabilidade.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 141
As infrações tributárias

• Nesta fase, não estão definidos os contornos da matéria identificada,


desde logo não é possível antever o valor da coima ou coimas a
pagar, pelo que se pode estar perante um pedido de redução de
coima cujo valor pode ultrapassar o valor de € 10 000.

• O contabilista certificado, designadamente, quando tiver assumido


alguma responsabilidade ao nível do controlo das notificações, deve
ter um especial cuidado, visto que se a coima não for paga no prazo
de 15 dias a contar da notificação (esta notificação é feita por via
postal ou por transmissão eletrónica de dados) ocorre a perda do
direito à redução da coima, o que se traduz num acréscimo
oneroso para a entidade infratora.

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As infrações tributárias

• Nas situações de apresentação de declarações fiscais ou de prestação


tributária fora do prazo legal, e a coima possa ser paga nos termos
das al. a) e b) do n.º 1 do art.º 29.º do RGIT, o contabilista certificado
deve ter igual cuidado, dado que em caso de falta de pagamento da
coima reduzida é de imediato instaurado processo de contraordenação
– n.º 2 do art.º 30.º do RGIT.

• No processo de contraordenação, quando a coima aplicável não seja


de valor superior a € 10 000, o CC poderá subscrever a defesa a
apresentar pelo infrator, mas apenas quando estiverem em causa
situações factuais, isto é, falta de apresentação de declarações fiscais
e de prestação tributária, ou qualquer outra situação que implique,
exclusivamente, a análise de factos.
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As infrações tributárias

• Não se nos apresentam razões relevantes para que o contabilista


certificado não possa subscrever o requerimento a formular o pedido
de dispensa ou de atenuação da coima, em representação das
pessoas ou entidades por cujas contabilidades seja responsável, tanto
mais que o contabilista certificado é a pessoa que melhor conhece as
circunstância que conduziram à prática da infração, bem como
conhece da regularização ou não da situação tributária.

• No âmbito do processo de contraordenação apenas existem dois


meios de defesa. A defesa propriamente dita a apresentar, no prazo
de 10 dias, nos termos do art.º 71.º do RGIT. Este prazo conta-se da
notificação efetuada nos termos do art.º 70.º do RGIT e é contínuo.

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As infrações tributárias

• O outro meio de defesa é o recurso judicial previsto no art.º 80.º e


seguintes do RGIT, no qual podem ser invocadas nulidades (art.º 63.º
do RGIT), prescrição do procedimento (art.º 33.º do RGIT), extinção
do procedimento (art.º 61.º do RGIT) e outras razões conexas com a
decisão de aplicação da coima.

• O prazo para a interposição do recurso judicial é de 20 dias a contar


da notificação de decisão de aplicação da coima.

• Este prazo conta-se nos termos do art.º 60.º do regime do ilícito de


mera ordenação social, ou seja, a lei quadro das contraordenações,
pelo que o prazo se suspende aos sábados, domingo e feriados.

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As infrações tributárias

• A petição do recurso judicial é dirigida ao juiz do Tribunal Tributário de 1.ª


instância, mas porque se trata de um recurso no próprio processo de
contraordenação, tem de ser apresentado no serviço de finanças onde estiver
pendente o processo de contraordenação.

• O recurso deve assumir a forma de petição articulada, apresentada em


triplicado, em cujo cabeçalho deve ser identificado o Tribunal Tributário de 1.ª
instância com jurisdição na área de competência territorial do serviço de
finanças que tenha aplicado a coima.

• O CC apenas poderá subscrever o recurso judicial de aplicação da coima


quando as razões que determinam a interposição do recurso judicial sejam
conexas com factos ou questões relacionadas com as suas competências
específicas, ou seja, se se verificam ou não os factos constitutivos de ilícito
fiscal e outros aspetos conexos com a apresentação de declarações fiscais.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 146
Representação - Procuração

• A legitimidade para intervir no procedimento tributário e no processo


judicial tributário decorre dos normativos do artigo 9.º do CPPT.

• Esta intervenção terá de ser feita nos termos da lei, pelo que no
processo judicial tributário a Administração Tributária é representada
pelo representa da Fazenda Pública e o contribuinte, em regra, quando
o valor da ação for superior a € 10 000, tem de proceder à
constituição de mandatário judicial (art.º 6.º do CPPT e art.º 40.º se segs. do CPC).

• Os interessados ou seus representantes legais podem conferir


mandato, sob a forma prevista na lei, para a prática de atos de
natureza procedimental ou processual tributária que não tenham
carácter pessoal (n.º 1 do art.º 5.º do CPPT).

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Representação - Procuração

• A legitimidade dos contabilistas certificados decorre da alínea b) do n.º 2 do


artigo 10.º do EOCC que estabelece que os contabilistas inscritos na Ordem
podem “[i]ntervir, em representação dos sujeitos passivos por cujas
contabilidades sejam responsáveis, na fase graciosa do procedimento tributário
e no processo tributário, até ao limite a partir do qual, nos termos legais, é
obrigatória a constituição de advogado, no âmbito de questões relacionadas
com as suas competências específicas”.

• Esta representação tem de ser feita nos termos da lei, tanto mais que o
contabilista terá de apresentar nos tribunais tributários o título de
representação e pode acontecer ou, em regra, acontecerá que os serviços da
Administração Tributária exijam a exibição do documento constitutivo da
representação, em ordem a aferir da legitimidade Contabilista Certificado.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 148
Representação - Procuração

• A representação da pessoa ou entidade por cuja contabilidade o contabilista


certificado seja responsável far-se-á nos termos da lei civil e terá o alcance
consignado no art.º 258.º do Código Civil que prescreve que “[o] negócio
jurídico realizado pelo representante em nome do representado, nos limites dos
poderes que lhe competem, produz os seus efeitos na esfera jurídica deste
último”.

• O ato através do qual alguém atribui a outrem, voluntariamente, poderes de


representação designa-se por procuração (n.º 1 do art.º 262.º do Código Civil).

• A procuração só pode ser outorgada por quem tenha poderes para o ato, ou
seja, o próprio contribuinte, ou a pessoa que, nos termos da lei, represente
legalmente a pessoa, entidade ou sociedade (art.ºs 163.º e 996.º do Código
Civil).

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Representação - Procuração

• A procuração pode ser conferida ao contabilista certificado por documento


escrito sem intervenção notarial, isto é, por documento particular (art.º 43.º do
CPC), à semelhança do que ocorre com os mandatários judiciais.

• Sem prejuízo da procuração poder ser revogada pelo representado, a


procuração extinguir-se-á quando o contabilista certificado deixar de ser o
responsável pela elaboração da contabilidade da pessoa ou entidade
representada (art.º 265.º do Código Civil).

• Se o contabilista certificado, independentemente do vínculo jurídico que lhe


estava subjacente deixar de ser o responsável pela elaboração da contabilidade
do representado, deixa, outrossim, de ter legitimidade para a respetiva
representação no domínio do procedimento tributário e do processo judicial
tributário.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• A empresa XPTO, Ldª, com sede social em Lisboa, NIPC xxx xxx xxx, com
atividade económica no sector de produtos alimentares, enquadrada no regime
geral do IRC, com contabilidade organizada, e no regime normal do IVA com
periodicidade trimestral. A empresa procedeu sempre à entrega da declaração
modelo 22-IRC, no prazo legal. Em relação ao ano de 2015, a autoliquidação
de IRC realizada pelo sujeito passivo foi no valor de € 2 830.

• Em relação aos exercícios precedentes (2012, 2013 e 2014), a empresa


declarou prejuízo fiscal. A Administração Fiscal, através dos Serviços de
Inspeção Tributária afetos à Direção de Finanças com jurisdição no local da
sede da empresa, realizou uma ação de inspeção externa, com âmbito parcial
(IRC e IVA) e extensão ao exercício de 2015.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• Examinados os diversos elementos da contabilidade, de entre os quais se destaca
o registo das mercadorias compradas e das mercadorias vendidas, bem como os
inventários do ano de 2015, o inspetor tributário identificou diversas divergências,
e em face dos valores declarados pelo sujeito passivo a margem média de lucro
líquido foi considerada muito baixa, dado afastar-se significativamente da margem
média do referido sector de atividade.

• Foram pedidos diversos documentos e esclarecimentos ao contribuinte, alguns


dos quais não foram exibidos, bem como os esclarecimentos prestados não foram
suficientemente claros e idóneos, no sentido de clarificar e justificar as razões das
divergências identificadas.

• Em face dos factos verificados, o inspetor tributário concluiu que a contabilidade


do ano de 2015 evidenciava significativas omissões e inexatidões no capítulo das
vendas de mercadorias.
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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• Em face da impossibilidade de comprovar e quantificar de forma direta e exata a
matéria tributável do ano de 2012, o inspetor tributário propôs que o lucro tributável
para o período de tributação de 2012 fosse fixado através de avaliação indireta (al.
b) do n.º 1 do art.º 87.º da LGT).

• Após a apreciação do direito de audição exercido pelo sujeito passivo, o Diretor de


Finanças de Lisboa, em sede de IRC, fixou a matéria tributável de € 92 480, bem
como procedeu, outrossim, à fixação da base tributável de IVA, por avaliação
indireta, em conformidade. Tendo por base a observação das realidades tributárias,
referentes ao ano de 2015, o inspetor tributário verificou, ainda, que, em relação ao
2.º e 3.º trimestres, foram efetuadas deduções de IVA, cujos documentos de suporte
não revestem a forma legal (al. a) do n.º 2 do art.º 19.º do CIVA), pelo que
procedeu à correção do IVA dedutível nos referidos períodos de tributação,
respetivamente no valor de € 20 320 e de € 102 480.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• O sujeito passivo foi notificado das conclusões do relatório final da ação de inspeção
tributária e do despacho do Diretor de Finanças que fixou a matéria tributável de IRC
e a base tributável de IVA, através de métodos indiretos, no dia 10 de Maio de 2019,
conforme se comprova através da data inscrita no aviso de receção. Importa
determinar como pode o sujeito passivo promover a defesa dos seus direitos e
interesses legalmente protegidos, visto não concordar com as conclusões da AT.

• No cado em análise estão evidenciadas duas situações distintas:

✓ Tributação através de métodos indiretos, nas cédulas de IRC e de IVA, em


relação aos períodos de tributação de 2015;

✓ Correções meramente aritméticas, nos 2.º e 3.º trimestres do ano de 2015, em


sede de IVA, com fundamento na inexistência do direito à dedução do IVA, por
ausência de documento com forma legal.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• Em relação à decisão de aplicação de métodos indiretos, quer em sede de IRC, quer em
sede de IVA, o sujeito passivo, ao não concordar com os fundamentos da decisão da AT, terá
de apresentar pedido de revisão da matéria tributável, nos termos do art.º 91.º da LGT.

• Este pedido de revisão da matéria tributável apenas poderá ter por fundamento erro nos
pressupostos de aplicação dos métodos indiretos ou erro na quantificação da matéria
tributável.

• Em face da situação concreta, no requerimento do pedido de revisão, o sujeito passivo deve


evidenciar o fundamento concreto que considera relevante e aplicável à sua situação.

• Para a adequada elaboração do pedido de revisão da matéria tributável, importa ter em


consideração o disposto no n.º 3 do artigo 74.º da LGT, que determina que “[e]m caso de
determinação da matéria tributável por métodos indiretos, compete à administração
tributária o ónus da prova da verificação dos pressupostos da sua aplicação, cabendo ao
sujeito passivo o ónus da prova do excesso na respetiva quantificação”.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• No requerimento do pedido de revisão, o sujeito passivo deve argumentar de forma substantiva e
adequada a demonstrar que os fundamentos da decisão de aplicação de métodos indiretos são
inconsistentes e desadequados à realidade material da situação económica e fiscal do
contribuinte, devendo suportar os argumentos invocados em provas documentais. No
requerimento do pedido de revisão, o sujeito passivo tem de indicar o perito que o vai
representar no debate contraditório que ocorre no procedimento de revisão da matéria tributável
entre o perito do contribuinte e o perito da Administração Tributária (n.º 1 do art.º 91.º e n.º 1
do art.º 92.º da LGT).

• O pedido de revisão da matéria tributável é dirigido ao Diretor de Finanças de Lisboa, podendo


ser entregue nesta unidade orgânica da AT ou no serviço de finanças, e, neste caso concreto, terá
de ser apresentado no prazo de 30 dias, a contar da notificação da decisão de aplicação dos
métodos indiretos, ou seja, neste caso concreto, até ao dia 11 de Junho de 2019. Importa realçar
que o trigésimo dia, e os dias seguintes, não são dia útil, razão pela qual o pedido de revisão
pode ser apresentado no primeiro dia útil seguinte (11.06.2019) – al. e) do art.º 279.º do Código
Civil.

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Casos práticos

CASO 1 – Avaliação indireta – Aplicação de métodos indiretos


• O pedido de revisão da matéria tributável pode ser subscrito pelo sujeito passivo ou pelo
contabilista certificado responsável pela execução da contabilidade do contribuinte.

• A matéria relativa ao exercício do direito à dedução do IVA não pode ser invocada no pedido de
revisão da matéria tributável (n.º 14 do art.º 91.º da LGT). Se o contribuinte não concordar com
os fundamentos da AT, para contestar ou alegar a ilegalidade do corte do direito à dedução do
IVA, tem de apresentar reclamação graciosa contra a liquidação adicional, emergente daquelas
correções técnicas. A desconsideração do direito à dedução do IVA, no 2.º e 3.º trimestres de
2012, vai motivar liquidações adicionais de IVA, no valor, respetivamente, de € 20 320 e de € 102
480, acrescidas de juros compensatórios.

• A reclamação graciosa tem de ser apresentada no prazo de 120 dias, a contar do termo do prazo
de pagamento voluntário. Admitindo, por hipótese, que o prazo de pagamento voluntário termina
no dia 26 de Setembro de 2019, a reclamação graciosa, contra as liquidações adicionais de IVA,
terá de ser interposta até ao dia 14 de Janeiro de 2020. Como o dia 14 de Janeiro não é dia útil a
reclamação graciosa poderá ser apresentada no dia 15 de Janeiro de 2020.

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Casos práticos

CASO 2 – Avaliação indireta – Manifestações de fortuna


• António, com domicílio fiscal na cidade do Porto, NIF xxx xxx xxx, com a atividade
profissional de economista, sujeito passivo de IRS, com contabilidade organizada, e
enquadrado no regime normal do IVA, com periodicidade trimestral.

• António, tem por hábito cumprir atempadamente as obrigações tributárias. As


declarações de rendimentos, modelo 3-IRS, dos anos de 2015, 2016 e 2017, foram
apresentadas no prazo legal. Em face dos rendimentos declarados, nos referidos
anos, foi determinada a matéria tributável, respetivamente, nos valores de € 27 500,
€ 29 200 e € 30 800. Através dos elementos disponíveis e fornecidos por terceiros, a
AT identificou que, em 2017, o contribuinte procedeu à aquisição de um imóvel, cujo
valor patrimonial tributário é de € 370 000, e de um veículo da marca volvo, no valor
de € 70 000. Em relação a este período de tributação, na declaração de rendimentos
modelo 3-IRS, foram inscritos valores que determinaram uma matéria tributável no
montante de € 31 200.

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Casos práticos

CASO 2 – Avaliação indireta – Manifestações de fortuna

• Em face desta situação e atentas as manifestações de fortuna evidenciadas pelo sujeito


passivo, foi iniciado um procedimento de inspeção tributária, no âmbito do qual o
contribuinte foi instado a provar qual a efetiva fonte de rendimentos. O sujeito passivo
argumentou que todos os rendimentos sujeitos a tributação sempre foram alvo de
declaração e que a aquisição dos bens em causa foi efetuada com algumas poupanças
feitas ao longo dos anos e com recurso ao crédito, não tendo o contribuinte apresentado
qualquer prova documental.

• A AT desconsiderou os argumentos do contribuinte e, através da Direção de Finanças do


Porto, fixou a matéria tributável através de avaliação indireta, com fundamento na alínea
d) do n.º 1 do artigo 87.º da LGT, com aplicação dos demais normativos legais (art.º 89.º-
A da LGT e normativos do CIRS), no valor de € 109 000. O sujeito passivo foi notificado do
relatório final da ação de inspeção e do despacho de aplicação dos métodos indiretos, cuja
data inscrita no aviso de receção corresponde ao dia 06 de Setembro de 2019.

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Casos práticos

CASO 2 – Avaliação indireta – Manifestações de fortuna


• Como deve o contribuinte proceder para fazer a defesa dos seus direitos e legítimos
interesses?

• Embora se trate de tributação através de métodos indiretos, o sujeito passivo não


pode utilizar o pedido de revisão da matéria tributável previsto no artigo 91.º da LGT
(n.º 7 do art.º 89.º-A da LGT).

• O único meio de defesa a que o contribuinte pode lançar mão é o recurso judicial
previsto no artigo 146.º-B do CPPT. Há que sublinhar que caso não seja interposto
este recurso judicial a matéria tributável torna-se definitiva, e não poderá,
posteriormente, ser sindicada quanto à legalidade dos fundamentos e respetiva
quantificação.

• O recurso judicial é dirigido ao juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal da área do


domicílio do sujeito passivo e tem de ser apresentado diretamente no tribunal até ao
dia 16 de Setembro de 2019, inclusive.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 160
Casos práticos

CASO 2 – Avaliação indireta – Manifestações de fortuna


• Em face do valor da matéria tributável fixada, o contabilista certificado
responsável pela execução da contabilidade do contribuinte não pode
subscrever a petição do recurso judicial.

• Todavia, visto que, neste caso (n.º 3 do art.º 146.º-B do CPPT), a lei não exige
a constituição de Advogado, a petição pode ser subscrita pelo próprio sujeito
passivo.

• Se não for apresentado recurso judicial a decisão de fixação da matéria


tributável com fundamento em manifestações de fortuna consolida-se,
definitivamente, na ordem jurídica e não mais poderá ser sindicada, ficando
impossibilitada a interposição de impugnação judicial contra o ato de liquidação
com o fim de invocar a ilegalidade da decisão de aplicação de métodos
indiretos.

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Casos práticos

CASO 3 – Ato de liquidação com origem em ação de inspeção


• A sociedade Alfa & Omega, SA., NIPC xxx xxx xxx, com sede no concelho de Lisboa,
com atividade económica no sector da produção de componentes eletrónicos, em
face da sua relevância económica e fiscal, está integrada na unidade orgânica dos
grandes contribuintes, pelo que os serviços de inspeção tributária da UGC levaram a
efeito uma ação de inspeção externa, de âmbito parcial (IRC) e extensão ao período
de tributação de 2017. O inspetor tributário identificou três situações suscetíveis de
motivar alterações ao lucro tributável:

✓ Errada qualificação jurídico-tributária de uma operação referente a um negócio


comercial de venda de bens;

✓ Divergência quanto ao enquadramento de um contrato de prestação de Serviços a


uma empresa espanhola;

✓ Desconsideração do gasto com a aquisição de um equipamento digital para


controlo da frota automóvel.

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Casos práticos

CASO 3 – Ato de liquidação com origem em ação de inspeção


• Não obstante o sujeito passivo se ter disponibilizado para prestar todos os
esclarecimentos sobre o enquadramento técnico tributário das referidas
operações, nunca foi exibido qualquer documento ou esclarecidas as questões
colocados pelo inspetor tributário ao representante da empresa.

• O inspetor tributário, de acordo com a doutrina administrativa e o entendimento


prosseguido pelos serviços da T, optou por propor correções ao lucro tributável.
Não obstante ter sido notificado para o efeito a sociedade optou por não exercer o
direito de audição. As conclusões do relatório final do procedimento de inspeção
tributária foram notificadas ao sujeito passivo no dia 03 de Julho de 2019. O
ato de liquidação de IRC e juros compensatórios, no valor total de € 9 890, foi
notificado no dia 22 de Julho de 2019, e o prazo de pagamento voluntário
terminou no dia 29 de Agosto.

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Casos práticos

CASO 3 – Ato de liquidação com origem em ação de inspeção


• A sociedade não concorda com as conclusões da AT, vertidas no relatório da ação de
inspeção, nem com os fundamentos do ato de liquidação de IRC. O que pode fazer
para a tutela dos seus interesses legalmente protegidos?

• Este ato de liquidação tem na sua base correções meramente aritméticas ao lucro
tributável, pelo que estamos em sede de avaliação direta da matéria tributável.

• As correções ao lucro tributável não são diretamente impugnáveis (art.º 11.º do


RCPITA), porquanto são atos preparatórios do procedimento de liquidação do tributo.
Neste caso, só o ato de liquidação do tributo é que é impugnável, com vista à
apreciação da legalidade do ato de liquidação. A impugnação da liquidação de IRC
pode ser efetuada por uma de duas vias:

✓ Através da apresentação de reclamação graciosa no prazo de 120 dias a contar do


termo do prazo de pagamento voluntário;

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Casos práticos

CASO 3 – Ato de liquidação com origem em ação de inspeção


✓Através da interposição de impugnação judicial, no prazo de 3 meses a
contar do termo do prazo de pagamento voluntário.

• O sujeito passivo optou pela impugnação judicial, em virtude da matéria


controvertida ser essencialmente de natureza jurídica, isto é, são basicamente
questões conexas com a interpretação da lei e aplicação do direito é que
motivaram a realização das correções técnicas ao lucro tributável e
fundamentam a liquidação adicional do IRC.

• A impugnação judicial tem de ser dirigida ao juiz do Tribunal Tributário de


Lisboa, e pode ser apresentada, em petição elaborada em articulado,
diretamente no tribunal ou, em alternativa, no serviço de finanças da área do
domicílio fiscal do sujeito passivo.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 165
Casos práticos

CASO 3 – Ato de liquidação com origem em ação de inspeção

• Sem prejuízo da constituição de advogado (art.º 6.º do CPPT), a


petição pode ser subscrita pelo representante legal da sociedade

• Uma vez que as questões controvertidas constituem exclusivamente


matéria de direito, e não obstante o valor da causa ser inferior a €
10 000, o contabilista certificado responsável pela execução da
contabilidade da empresa, não pode subscrever a petição da
impugnação judicial, porquanto as questões não estão relacionadas
com as suas competências específicas.

• O prazo limite para apresentação da impugnação judicial é no dia 29


de Novembro de 2019.

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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação


• Beatriz, com domicílio Fiscal em Leiria, NIF xxx xxx xxx, é profissional
liberal, com a atividade de médica de clínica geral, e para efeitos de IRS
encontra-se enquadrada no regime de contabilidade organizada. Em
matéria de IVA está isenta nos termos do artigo 9.º do CIVA.

• Em relação ao ano de 2016, foi cometido um erro no preenchimento da


declaração de rendimentos – modelo 3-IRS – o qual motivou a liquidação
indevida de imposto, no valor de € 7 200.

• Em face do n.º 2 do artigo 140.º do Código do IRS, o contabilista


certificado responsável pela execução da contabilidade da Beatriz, uma vez
que tinha sido o autor material do erro, elaborou e subscreveu o
requerimento da reclamação graciosa.

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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação

• No dia 17 de Junho de 2019, a Beatriz foi notificada do despacho do Diretor


de Finanças de Leiria que indeferiu a pretensão formulada na reclamação
graciosa, no sentido de anular parcialmente a liquidação de IRS do ano de
2016.

• Analisados os fundamentos do despacho de indeferimento, Beatriz concluiu


que os serviços da AT desconsideraram em absoluto as razões invocadas na
reclamação graciosa, não obstante terem sido juntos elementos probatórios
suficientes para demonstrar o motivo da prática do erro na declaração.

• Beatriz não se conforma com esta decisão da AT e pretende continuar a


pugnar pela defesa dos seus legítimos interesses. Para o efeito, o que poderá
fazer?
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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação

• Nesta fase do procedimento, o que está em causa é um despacho de


indeferimento de uma reclamação graciosa, interposta com fundamento em
erro na declaração de rendimentos do IRS.

• Beatriz para reagir contra o despacho de indeferimento e obter a tutela dos


seus direitos e interesses legalmente protegidos pode optar por uma de duas
vias:

✓ Apresentar recurso hierárquico, no prazo de 30 dias a contar da notificação


da decisão de indeferimento da reclamação graciosa;

✓ Interpor impugnação judicial, no prazo de 3 meses, a contar da notificação


do despacho de indeferimento da reclamação graciosa.

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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação


• Uma vez que a Beatriz, neste caso concreto, não precisa de recorrer aos serviços de um
advogado, visto que o valor do imposto contestado não é superior a € 10 000, os gastos
associados à impugnação judicial apenas são diferentes, comparativamente com o recurso
hierárquico, na medida em que este beneficia do princípio da gratuitidade e a impugnação
judicial está sujeita ao pagamento da taxa de justiça.

• Beatriz sabe que o recurso hierárquico, não obstante ser dirigido ao mais elevado superior
hierárquico do autor do ato recorrido, é decidido no seio da Administração Tributária, pelo
que a probabilidade da sua pretensão ser de novo indeferida é muito forte.

• No sentido de não correr tal risco, pode optar, desde já, por impugnar a decisão de
indeferimento da reclamação graciosa e colocar a apreciação da legalidade da liquidação
de IRS do ano de 2016, no âmbito do poder judicial.

• Todavia, Beatriz sabe que se optar por interposto recurso hierárquico e este vier a ser
indeferido, esta decisão é sindicável através de impugnação judicial a interpor no prazo de
3 meses, a contar da notificação do indeferimento do recurso hierárquico.

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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação


• Os direitos e interesses legalmente protegidos da Beatriz estão bastante protegidos e
tutelados pelo ordenamento jurídico, podendo o direito de impugnação dos atos
lesivos ou ilegais ser exercido em diversos momentos temporais.

• Se a Beatriz optar pelo recuso hierárquico, o mesmo tem de ser dirigido ao Ministro
das Finanças, devendo, todavia, ser entregue no órgão recorrido – serviço de
finanças da área do domicílio fiscal da Beatriz. O recurso hierárquico terá de ser
apresentado até ao dia 17 de Julho de 2019.

• A impugnação judicial tem de ser dirigida ao juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal


de Leiria, elaborada em articulado, e apresentada em triplicado, com cópia de todos
os elementos probatórios, inclusive, cópia do requerimento da reclamação graciosa e
do despacho de indeferimento. Tem ainda de ser junto o documento comprovativo
do pagamento da taxa de justiça.

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Casos práticos

CASO 4 – Liquidação de IRS com fundamento em erro na liquidação

• A impugnação judicial contra o despacho de indeferimento da reclamação graciosa


terá de ser apresentada até ao dia 17 de Setembro de 2019.

• Se a Beatriz optar pelo recurso hierárquico e este vier a ser indeferido, poderá
impugnar a referida decisão de indeferimento, no prazo de 3 meses a contar da
notificação proferida no recurso hierárquico. A esta impugnação judicial aplicação
tudo o que foi referido para a impugnação do despacho de indeferimento da
reclamação graciosa, com ligeiras adaptações.

• Uma vez que a matéria controvertida é meramente factual e conexa com as


competências específicas do contabilista certificado, este pode subscrever, em
representação da Beatriz, quer o requerimento do recurso hierárquico, quer a
petição da impugnação judicial.

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Casos práticos

CASO 5 – Execução Fiscal – Penhora de créditos


• A empresa XPTO, Ldª., com sede social em Lisboa, NIPC xxx xxx xxx, com atividade
económica no sector de produtos alimentares, está enquadrada no regime geral do IRC,
com contabilidade organizada, e no regime normal do IVA com periodicidade trimestral. A
empresa foi alvo de uma ação de inspeção ao período de tributação de 2015, no âmbito da
qual foram feitas correções meramente aritméticas ao lucro tributável que motivaram uma
liquidação de IRC e juros compensatórios, no valor total de € 9 250.

• A empresa considera que as correções técnicas ao lucro tributável são ilegais, tanto mais
que a fundamentação da AT, para além de ser manifestamente insuficiente é incongruente
e obscura. Nesta conformidade, a empresa apresentou uma reclamação graciosa para
questionar a legalidade do ato de liquidação e, uma vez que ainda não se reequilibrou
financeiramente dos danos provocados pela crise financeira, requereu a dispensa de
prestação de garantia, de modo a obter a sua suspensão do processo de execução fiscal,
entretanto, instaurado com vista à cobrança coerciva do valor de € 9 250, referente à
liquidação adicional de IRC do ano de 2015.

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Casos práticos

CASO 5 – Execução Fiscal – Penhora de créditos


• No dia 10 de Setembro de 2019, a empresa foi surpreendida por um contacto
telefónico de um seu cliente dando-lhe conta que tinha entregue, nos cofres do
Estado; à ordem do órgão da execução fiscal da área da sede da empresa XPTO, o
valor de € 8 200, corresponde ao valor da ordem de penhora de créditos, notificada
pela AT. O representante legal da empresa interpelou o contabilista certificado para
compreender o que se estava a passar, uma vez que o CC o tinha informado que
tinha apresentado reclamação graciosa contra a liquidação adicional de IRC, do ano
de 2015, e tinha requerida a isenção de prestação de garantia.

• O CC dirigiu-se ao serviço de finanças para questionar o porquê da penhora de


créditos e da razão da empresa não ter sido notificada da realização da mesma,
tendo alegado que, tendo sido interposta reclamação graciosa contra a liquidação e
estando ainda pendente de apreciação o pedido de dispensa de garantia, não podiam
ter sido praticados atos de execução, pelo que a penhora é ilegal.

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Casos práticos

CASO 5 – Execução Fiscal – Penhora de créditos


• Perante toda esta factualidade, como pode a empresa reagir contra o ato do órgão
da execução fiscal que determinou a realização da penhora de créditos?

• O não pagamento da liquidação adicional de IRC, no valor de € 9 250, referente ao


ano de 2015, no prazo de pagamento voluntário, motivou, de acordo com a lei (art.º
88.º do CPPT) a instauração do processo de execução fiscal. Contudo, tendo sido
deduzida contra aquela liquidação de IRC reclamação graciosa e estando pendente
de apreciação pedido de dispensa de garantia, a penhora de créditos não devia ter
sido realizada, pelo que a referida penhora não pode deixar de ser reputada de
ilegal.

• Atenta a natureza judicial da execução fiscal (n.º 1 do art.º 103.º da LGT)


ilegalidade da penhora só pode ser arguida através da reclamação dos atos do órgão
da execução fiscal, prevista no n.º 2 do artigo 103.º da LGT e regulada nos artigos
276.º a 278.º do CPPT.

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Casos práticos

CASO 5 – Execução Fiscal – Penhora de créditos


• A circunstância da empresa XPTO não ter sido notificada da penhora não obsta a que esta
invoque a ilegalidade do ato de penhora de créditos, os quais espera receber em breve do
seu cliente, porquanto, o prazo para interpor a reclamação do artigo 276.º do CPPT é de
10 dias a contar da notificação do ato lesivo ou do momento do seu conhecimento efetivo.
Assim, não tendo sido notificada da penhora, a empresa só tem de fazer prova da data em
que teve conhecimento efetivo da penhora, sendo a partir desta data que se conta o prazo
para apresentar a reclamação dos atos do órgão da execução fiscal.

• A reclamação é elaborada em petição articula, apresentada em triplicado, dirigida ao juiz


do Tribunal Administrativo e Fiscal com jurisdição na área do órgão da execução onde
estiver pendente o processo de execução fiscal em que tiver sido emitida a ordem de
penhora. À petição da reclamação devem ser juntos elementos probatórios para provar os
argumentos invocados pela reclamante, bem como, no caso concreto, deve ser invocado e
sustentado que a penhora provoca prejuízo irreparável ao normal exercício da atividade
económica da executada.

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CASO 5 – Execução Fiscal – Penhora de créditos


• A petição da reclamação, duplicados, e documento comprovativo da taxa de justiça
tem de ser apresentada no órgão da execução fiscal que tiver ordenado a ordem de
penhora dos créditos, ou seja, no serviço onde estiver pendente o processo de
execução fiscal. A petição não pode ser apresentada no tribunal tributário (Tribunal
Administrativo e Fiscal).

• Uma vez que a matéria é exclusivamente factual, bem como o valor da causa não é
superior a € 10 000, o contabilista certificado é que poderá controlar através da
contabilidade a existência ou não dos créditos alvo de penhora, a petição da
reclamação poderá ser subscrita pelo CC, porquanto, estamos perante questões
relacionadas com as suas competências específicas.

• A petição da reclamação contra os atos do órgão da execução fiscal tem de ser


apresentada até ao dia 20 de Setembro de 2019.

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CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima
• Bento, é contabilista certificado e exerce a sua atividade em regime de profissional
liberal. No sentido de dignificar a sua atividade profissional faz questão de observar
todos os princípios e normativos contabilísticos e fiscais, bem como apresentar
atempadamente todas as declarações fiscais das pessoas ou entidades a quem
presta serviços. Por maioria de razão, cumpre com rigor exímio as suas obrigações
tributárias, tendo a sua situação tributária regularizada.

• No dia 03 de Setembro foi citado, na qualidade de responsável subsidiário, no


processo de execução fiscal em que é executada a empresa XPTO, Ld.ª, em virtude
da executada não ter procedido ao pagamento de diversas coimas, no montante
total de € 3 800, aplicadas por falta de apresentação da declaração modelo 22-IRC,
do ano de 2016, e diversas declarações periódicas de IVA, referentes a períodos de
tributação daquele ano.

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CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima

• Bento, ficou estupefacto com a referida citação, porquanto, exerceu o direito de


audição no referido procedimento de reversão, tendo argumentado e
demonstrado que a dívida exequenda referente às coimas não lhe pode ser
exigida, uma vez que em Dezembro de 2016 renunciou ao exercício da função
de contabilista certificado, em relação à empresa em causa, bem como antes
da renúncia havia feito, nos termos do n.º 3 do artigo 8.º do RGIT, a
comunicação à AT de que as razões da falta de apresentação das declarações
fiscais não lhe são imputáveis a qualquer título. A reversão é fundamentada no
artigo 8.º do RGIT.

• Perante esta factualidade, Bento não sabe como pode reagir contra tão
inusitado e lesivo ato da AT.

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CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima
• A reversão do processo da execução fiscal é um procedimento que tem regulação e
enquadramento específico, podendo, todavia ser catalogado como um incidente do
processo de execução fiscal, logo, sujeito a meios de defesa específicos.

• A reversão do processo de execução fiscal tem por objetivo a efetivação da


responsabilidade subsidiária (n.º 1 do art.º 23.º da LGT e n.º 3 do art.º 8.º do
RGIT), não podendo esta ocorrer sem que previamente os potenciais responsáveis
subsidiários sejam notificados para exercer, nos termos do artigo 60.ºda LGT, o
direito de audição (n.º 4 do art.º 23.º da LGT).

• Bento, na sequência da notificação para o efeito exerceu o direito de audição e,


nesta sede, invocou e demonstrou os factos adequados e idóneos a afastar a
imputação de responsabilidade tributária subsidiária.

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Casos práticos

CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima
• O órgão da execução fiscal não atribuiu relevância ao direito de audição e decidiu efetivar a
responsabilidade subsidiária chamando o Bento ao processo de execução fiscal instaurado
contra a sociedade XPTO. A reversão do processo de execução ocorre no exato momento
em que a pessoa chamada na qualidade de responsável subsidiário for citada.

• Bento foi citado no dia 03 de Setembro, o que significa que a partir daquele momento
passou, outrossim, a ser executado no referido processo de execução.

• Perante a gravidade de tal ato do órgão da execução fiscal, e independentemente dos


factos, razões ou fundamentos invocados pela AT, bem como das atitudes já desenvolvidas
ou realizadas pelo contabilista certificado, perante a efetivação da citação, o contabilista
certificado, para garantir a defesa dos seus legítimos interesses, não pode deixar de
acionar o único meio de defesa idóneo para arguir a ilegalidade da reversão e demonstrar
que a dívida exequenda não lhe pode ser exigida.

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Casos práticos

CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima

• O meio processual adequado e idóneo para reagir contra a reversão do


processo de execução fiscal é a oposição judicial, a qual tem de ser interposta
no prazo de 30 dias a contar da citação do responsável subsidiário.

• A oposição judicial é dirigida ao juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal,


elaborada em articulado, apresentada em triplicado, devendo-lhe ser junto
todos os elementos probatórios, bem como o documento comprovativo do
pagamento da taxa de justiça. A petição da oposição judicial tem de ser
apresentada no órgão de execução fiscal onde estiver pendente o processo de
execução em que tiver sido ordenada a reversão, não podendo ser interposta
diretamente no tribunal.

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Casos práticos

CASO 6 – Reversão do processo de execução fiscal contra o contabilista


certificado por falta de pagamento de coima

• O Bento de modo a garantir a defesa dos seus direitos e interesses


legalmente protegidos tinha de apresentar a oposição até ao dia 03
de Outubro de 2019.

• Atento o valor das coimas revertidas (quantia exequenda), Bento


pode subscrever a petição da oposição judicial, porém, neste caso
concreto, tal ato não é praticado na qualidade de contabilista
certificado (al. b) do n.º 2 do art.º 10.º do EOCC), mas sim na
qualidade de executado (revertido) (n.º 1 do art.º 6.º do CPPT).

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Casos práticos

CASO 7 – Processo de contraordenação – Recurso judicial


• A empresa Beta & Beta, Ld.ª; com sede em Coimbra, NIPC xxx xxx xxx, tendo
por atividade a realização de estudos e investigação científica, encontra-se
enquadrada no regime geral de IRC, com contabilidade organizada e no regime
normal de IVA, com periodicidade trimestral.

• Foi alvo de uma ação de inspeção externa, com âmbito parcial (IRC) e
extensão ao período de tributação de 2017.

• Não obstante a rigorosa observação levada a efeito pelo inspetor tributário, as


correções propostas no relatório final não motivaram alterações ao lucro
tributável, bem como as infrações tributárias detetadas, quer as referentes a
aspetos substantivos ou materiais, bem como as relativas a obrigações
declarativas, relevam diminuta gravidade e não existe qualquer valor de
imposto em falta.

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Casos práticos

CASO 7 – Processo de contraordenação – Recurso judicial


• Com base no auto de notícia levantado pelo inspetor tributário foi instaurado no
serviço de finanças com jurisdição na área do domicílio fiscal da empresa o processo
de contraordenação.

• Na sequência da notificação do artigo 70.º do RGIT, o carácter acidental das


infrações e a sua diminuta gravidade, a empresa não apresentou defesa, mas
apresentou um requerimento a solicitar a aplicação do artigo 32.º do RGIT.

• No dia 16 de Setembro a empresa foi surpreendida com uma notificação, nos termos
do artigo 79.º do RGIT, a notificar o despacho de aplicação de quatro coimas
(cúmulo material – art.º 25.º do RGIT), no valor total de € 9 200.

• O representante legal da empresa de imediato interpelou o contabilista certificado,


com o objetivo de encontrar explicação para o teor da decisão proferida pelos órgãos
da AT, e encarregou o contabilista certificado de preparar o meio de reação idóneo
para acautelar os interesses da empresa.

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Casos práticos

CASO 7 – Processo de contraordenação – Recurso judicial


• O processo de contraordenação tem por finalidade sancionar as infrações
tributárias sem natureza criminal, e compreende duas fases: uma fase
administrativa da responsabilidade dos órgãos da Administração Tributária e
uma fase judicial que se inicia com a impugnação da decisão de aplicação da
coima.

• Independentemente das razões que possam motivar a impugnação do


despacho de aplicação da coima, apenas existe um meio processual idóneo
para sindicar a legalidade da decisão do órgão administrativo competente para
aplicação da coima.

• O meio processual idóneo para impugnar a decisão de aplicação da coima é o


recurso judicial previsto no artigo 80.º e seguintes do RGIT.

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Casos práticos

CASO 7 – Processo de contraordenação – Recurso judicial

• O recurso judicial tem de ser dirigido ao juiz do Tribunal Administrativo


e Fiscal com competência na área do serviço em que correr termos o
processo de contraordenação, é elaborado em petição articulada, e
tem de ser apresentado no serviço de finanças onde estiver pendente
o processo de contraordenação.

• O recurso judicial, não obstante ser dirigido ao juiz do Tribunal


Administrativo e Fiscal não pode ser interposto diretamente no
tribunal, visto que se trata de um recurso no próprio processo de
contraordenação.

O papel do Contabilista no âmbito do Contencioso Tributário Setembro de 2019 © ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS 187
Casos práticos

CASO 7 – Processo de contraordenação – Recurso judicial

• O recurso judicial é interposto no prazo de 20 dias a contar da notificação da


decisão de aplicação da coima, pelo que, neste caso, o recurso tem de ser
apresentado até ao dia 14 de Outubro de 2019, visto que o prazo se suspende
aos sábados, domingos e feriados.

• Atento o valor das coimas aplicadas, bem como as razões que motivaram a
interposição do recurso judicial, que são essencialmente de natureza factual e
conexas com as competências específicas do contabilista certificado, permitem
que este possa subscrever a petição do recurso judicial para impugnar a
decisão administrativa de aplicação das coimas.

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