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DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA

Licenciatura em Ensino Básico - EaD

Teste Especial 2 de Necessidade Educativas Especiais. a.a. 2019

Nome: Manuel João Bata

Matrícula: 10.0528.2018

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BLOCO1: IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO

Nome: Lucas Jorge Idade: 13


Classe: 5ª Número de reprovações: 3
Tipo de NEE: Défice de atenção e hiperactividade Origem: Congénita

Caracterização da défice da atenção e hiperactividade da criança

A criança não consegue se concentrar nas tarefas e se distrai com facilidade. Controlar impulsos
também é uma tarefa mais difícil para ela, principalmente em situações que exijam seguimento
de regras ou reflexão sobre consequências futuras. Permanecer sentado é um dos desafios para o
aluno, exibe excesso de actividade motora (gosta de ficar em pé e correr pela sala, por exemplo)
e tem reacções emocionais fortes.

Ademais, a criança portadora da hiperactividade apresenta perfis comportamentais impulsivos,


não permanecendo quieta, perturbando a concentração dos colegas e o trabalho do professor,
perdendo materiais, tendo uma caligrafia desconforme e levando o docente a conceber tal
comportamento como desleixo, má vontade, desobediência e preguiça.
O professor da criança tem envidando esforços através de estratégias de ajuda como orienta-o
para trabalhos em grupos pequenos para favorecer a concentração, tem proporcionado intervalos
durante as tarefas e ajuda os aluno a retomar o trabalho quando volta da pausas.

A escola tem desenvolvido estratégias que propiciam a criança hiperactiva a conviver


socialmente com os colegas da mesma faixa etária e aprender a vivenciar regras.

BLOCO 2: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Défice de atenção e hiperactividade

O Transtorno do Deficit de Atenção/Hiperactividade (DA/H) é caracterizado por padrão


persistente de desatenção, impulsividade e inquietude acentuada. Podendo se manifestar de três
formas diferentes: a)DA/H com predomínio de sintomas de desatenção; b)DA/H com
predomínio de sintomas de hiperactividade/impulsividade; c)DA/H combinado (FALCETO
(2008).

Características

De acordo com ROHDE (1999) a Défice de atenção e hiperactividade (DAH) se constitui por
uma excessiva dificuldade em manter o foco em uma actividade que exija esforço mental
prolongado; uma actividade que precise ser desempenhada com regras, prazos pré-determinados.
Além disso, crianças com défice de atenção têm dificuldade para começar e terminar suas
tarefas.

Outra dificuldade é a de rever situações e erros; dificuldade de fazer conclusões, síntese e análise
de atitude. As crianças com TDAH tendem a ser mais esquecidas, desorganizadas e perdem-se
em tarefas.

Além disso FALCETO (2008), identifica as seguintes características da DH:

 Tendem a ter rendimentos escolares e rotineiros mais baixos;

 Podem ser completamente introspectivas;

 Problema de memorização, capacidade de organização e interiorização de conceitos e


aprendizagens;
Causas

Na maior parte dos casos, não se sabe a causa concreta da origem da défice de atenção e
hiperactividade no individuo. É normalmente um conjunto de factores, entre eles genéticos, o
meio ambiente em que se vive, factores sociais ou mesmo traumas induzidos no cérebro .
(CIASCA, 2003:76).

Os estudos indicam que a défice de atenção e hiperactividade é, em muitos casos, hereditária. No


entanto, dado que não existe uma causa precisa para a existência da DAH, esta é apenas uma
parte que pode levar a esta perturbação, com certas mutações a nível dos genes herdados pelos
pais a contribuir para a susceptibilidade de ser afectado pela DAH.

As mutações genéticas consideradas mais comuns para a prevalência desta condição, são
normalmente relacionadas com a neurotransmissão da dopamina. No entanto, a DAH está
envolvida com mais variáveis genéticas para além da dopamina.

CIASCA (2003:77), explica que alguns dos genes principais associados a esta perturbação são o
DAT, DRD4, DRD5, TAAR1, MAO-A, COMT, DBH, ADRA2A, TPH2, GRIN2A, 5-HTT, 5-
HTR1B, etc, o que demonstra a enorme complexidade desta condição, já que envolve imensos
sistemas para além da dopamina.

Os genes referidos acima envolvem a neurotransmissão de monoaminas como a norepinefrina,


serotonina, glutamato; receptores específicos como o alfa adrenérgico 2A, o receptor de
dopamina 4 e 5; transportadores da dopamina e serotonina e mesmo enzimas como a MAO-A e
COMT, responsáveis pela degradação das várias monoaminas principais, entre outras (Idem).

Tratamento

Segundo CARNEIRO (2011), os neurotransmissores que parecem estar deficitários em


quantidade ou funcionamento nos indivíduos com TDAH são basicamente a dopamina e a
noradrenalina e podem ser estimulados através de medicação, com o devido acompanhamento
médico, de modo a amenizar os sintomas de défice de atenção/hiperactividade. Entretanto, nem
todas as pessoas respondem positivamente ao tratamento.
É importante que seja avaliada criteriosamente a utilização dos medicamentos em função dos
seus efeitos colaterais. A duração da administração varia em cada caso, a depender da resposta
do paciente, não se justificando o uso dessas drogas nos casos em que os pacientes não
apresentem melhora significativa (BASTOS, 2002:25).

Cerca de 70% dos pacientes respondem adequadamente ao metilfenidato e o toleram bem. Como
a meia-vida do metilfenidato é curta, geralmente utiliza-se o esquema de duas doses por dia, uma
de manhã e outra ao meio dia. A disponibilidade de preparados de acção prolongada tem
possibilitado maior comodidade aos pacientes.

Além de fármacos, ministrados com acompanhamento especializado permanente, o tratamento


médico pode contar com apoio psicológico, fonoaudiológico, terapêutico ocupacional ou
psicopedagógico.

Quem é afectado pelo DAH dispõe de vários tipos de fármacos para o seu tratamento, sendo os
estimulantes considerados os mais eficazes e consequentemente os mais utilizados.

CIASCA (2003), explica que no grupo dos não estimulantes a atomoxetina é a opção principal,
podendo também ser utilizada a guanfacina. Apesar de não ser considerado como fármaco para o
tratamento do DAH em Portugal, a clonidina é também uma hipótese neste grupo, normalmente
em combinação com um fármaco estimulante.

Existem ainda mais opções que, não sendo consideradas oficialmente como tratamento para o
DAH, são hipóteses válidas e satisfatórias em muitos casos, como é o caso do bupropiona e do
modafinil.

BLOCO C: PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Propõe-se que a escola adopte regras claras, um programa previsível e carteiras separadas. A
avaliação do professor deve ser frequente e imediata, e as tarefas devem variar, mas devem
permanecer interessantes ao aluno.

O professor deve usar de criatividade ao transmitir os conteúdos; atrair a atenção da criança em


actividades monótonas, repetitivas e rotineiras; unir actividades físicas aos processos de
aprendizagem; usar giz de cores distintas para evidenciar aspectos relevantes do conteúdo;
alternar actividades de grande e menor interesse no decorrer da aula; disponibilizar instruções
directas, curtas e claras; orientar a criança sobre técnicas de como fazer resumos, listas,
anotações, calendários de compromissos para que ela compreenda como lidar com suas
limitações.

BLOCO D: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASTOS, F. L. Diabinhos: Tudo sobre o Transtorno de Deficit de Atenção/Hiperactividade,


2003.

CARNEIRO, F.T. Diagnóstico e Terapia, Rio de Janeiro, Zahar, 2011.

CIASCA, S. M. Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo:


Casa do Psicólogo, 2003

FALCETO, O. Diagnóstico Psiquiátrico da Família: Um Esquema. Revista de Psiquiatria do


RS. Porto Alegre, 2008.

ROHDE, L. A. Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade: Oque é? Como ajudar? Porto


Alegre: Artes Médicas Sul, 1999