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Manual de Formação

UFCD 0349 Ambiente, Segurança Higiene e


Saúde no Trabalho
Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

ÍNDICE

Objetivos 3
Benefícios e condições de utilização 3
Ambiente 5
Principais problemas ambientais da atualidade 5
Resíduos 9
Gestão de resíduos 12
Segurança higiene e saúde no trabalho 16
Conceitos básicos relacionados com a segurança higiene e saúde no
19
trabalho
Enquadramento legislativo da segurança higiene e saúde no trabalho 22
Acidentes de trabalho 26
Doenças profissionais 30
Principais riscos profissionais 33
Riscos Físicos 34
Riscos Químicos 42
Riscos de incêndio ou explosão 50
Riscos elétricos 57
Riscos mecânicos 59
Riscos ergonómicos 61
Riscos psicossociais 63
Sinalização de segurança e saúde 65
Equipamentos de proteção coletiva e de proteção individual 68
Bibliografia 72

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OBJETIVOS

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 0349 – Ambiente, Segurança Higiene e Saúde no Trabalho, de acordo com
o Catálogo Nacional de Qualificações.
O manual em questão pretende apoiar as sessões de formação e servir de suporte às
sessões e às apresentações de diapositivos, bem como constituir um auxiliar na realização
das tarefas propostas.
Com a consulta do presente manual pretende-se que os formandos adquiram
conhecimentos que lhes permitam adotar práticas de trabalho seguras, de forma a
protegerem a sua integridade física e psicológica, bem como o ambiente.

BENEFÍCIOS E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO

O manual encontra-se dividido em dois temas principais, de acordo com os conteúdos da


UFCD n.º 0349 – Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, o primeiro
relacionado com a temática do ambiente e respetivos problemas ambientais e o segundo
relacionado com as questões subjacentes ao tema segurança higiene e saúde no trabalho
No primeiro tema “ambiente”, pretende-se identificar os principais problemas ambientais da
atualidade, dando especial destaque ao seu impacte no quotidiano da humanidade, bem
como à problemática dos resíduos e da sua gestão.
No segundo tema “segurança, higiene e saúde no trabalho” são explicitados, num primeiro
momento, os conceitos base da temática em análise. Posteriormente é feito o
enquadramento legal do tema, tendo como referência a legislação nacional, neste capítulo
são abordados os direitos e deveres de empregadores e trabalhadores em matéria de
segurança, higiene e saúde no trabalho.
No segundo tema, também é abordado o conceito de acidente de trabalho e as suas
implicações: definição, consequências custos diretos e indiretos. O mesmo se aplica às
doenças profissionais.
Seguidamente são elencados e desenvolvidos os principais riscos profissionais,
nomeadamente:
 Riscos biológicos;
 Riscos físicos;
 Riscos químicos;
 Riscos de incêndio ou explosão;
 Riscos elétricos;
 Riscos mecânicos;
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 Riscos ergonómicos;
 Riscos psicossociais.
Em todas as classes/categorias de risco é feita uma abordagem às formas de mitigação do
mesmo.
Finalmente serão abordados os temas da sinalização de segurança e equipamentos de
proteção individual.

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AMBIENTE

Principais problemas ambientais da atualidade

A evolução histórica da Humanidade mostra claramente as mudanças que ocorreram na


relação entre homem e natureza. O homem sempre modificou o ambiente natural em que
está inserido para garantir a sua sobrevivência.
Nas últimas décadas temos assistido a uma crescente consciencialização de que o atual
modelo de desenvolvimento, baseado na exploração dos recursos naturais, é insustentável.
O modo como as sociedades, nomeadamente as do hemisfério norte, vivem representa um
grande impacte no planeta e nos seus recursos, repetido constantemente. Esta situação
evidencia-se por exemplo na perda de biodiversidade com a destruição de florestas tropicais
ou na sobre pesca, que são excessivos e que têm efeitos nefastos nos nossos padrões de
consumo, no ambiente, no clima e na saúde humana
A intensificação da agricultura, a industrialização e o aumento do uso energético são
tendências que ao longo dos anos têm vindo a ter um grande impacto no ambiente físico.
Cada um destes fatores tem o potencial de melhorar a saúde humana, ou de degradar o
ambiente físico e aumentar a exposição humana a ameaças ambientais, através da emissão
de poluentes e da escassez de recursos naturais.
A crescente tensão que colocamos sobre os recursos e sistemas ambientais, tais como a
água, a terra e o ar, através do modo como produzimos, consumimos e gerimos os
desperdícios não pode continuar para sempre
Assim, o Homem, agente perturbador dos ecossistemas, causa diretamente, com a sua
atuação, catástrofes, como, as explosões, a guerra, o terrorismo e a poluição. Entende-se
por poluição a degradação do meio ambiente pela sociedade tecnológica. Atualmente os
principais problemas ambientais prendem-se com a degradação da água, do solo e do ar.

Contaminação das águas superficiais e subterrâneas

As atividades humanas provocam a poluição das águas dos rios e lagos, fazendo diminuir a
quantidade e a qualidade da água doce disponível:
 Pesticidas e fertilizantes usados na agricultura, ricos em nitratos e fosfatos,
contaminam as águas subterrâneas, por infiltração, e os rios e lagos, através da
contaminação superficial.

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 Efluentes industriais lançados nos cursos de água, que podem conter resíduos tóxicos
e metais pesados como o mercúrio.
 Efluentes domésticos, ricos em matéria orgânica, nitratos, fosfatos, bactérias e vírus,
contaminam os cursos de água.
 Resíduos da pecuária, semelhantes aos efluentes domésticos, poluem águas
superficiais e subterrâneas.
Os efluentes ricos em matéria orgânica, nitratos, fosfatos servem de nutrientes às plantas
aquáticas, podendo, no entanto, provocar a proliferação de algas superficiais que impedem a
penetração na água da luz solar. As algas submersas deixam de realizar a fotossíntese,
morrem e decompõe-se. Sem oxigénio e sem alimento, grande parte da fauna aquática
desaparece.
Podem, ainda, fazer diminuir as reservas de água doce:
 A salinização dos aquíferos (uma exploração excessiva permite a intrusão da água
salgada, principalmente na áreas próximas do mar).
 A desflorestação (provoca o aumento da contaminação superficial, reduzindo a
infiltração da água da chuva, diminuindo a recarga de aquíferos).
Outra forma de intervenção humana nos cursos de água é a construção de barragens que,
por um lado, permite o armazenamento de água e a regularização do caudal dos rios, mas
por outro tem impactos ambientais importantes.

Poluição dos oceanos e mares

Os oceanos são fundamentais para o equilíbrio do Planeta. Influenciam o clima, intervêm em


processos vitais como o ciclo hidrológico, absorvem poluentes como o dióxido de carbono,
além de constituírem uma importante fonte de recursos naturais.
Apesar disso, os oceanos e mares foram considerados, durante muito tempo, como grandes
depósitos de resíduos, muitos com elevado teor de substâncias tóxicas e radioativas. Como a
sua capacidade de absorção e renovação não é ilimitada, começam a surgir problemas
graves.
Os derrames de petróleo e seus derivados provocados por acidentes com navios petroleiros
e por lavagens ilegais de depósitos são uma das formas mais graves de poluição marinha.
Esses acidentes afetam principalmente as áreas de maior circulação marítima. Note-se que
Portugal está na rota internacional dos petroleiros e, por isso, sujeito a eventuais derrames
de petróleo.

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Chuvas ácidas

A combustão de carvão, petróleo e gás natural (fontes de energia mais utilizadas a nível
mundial) liberta gases como o dióxido de enxofre e o óxido de azoto. Estes gases misturam-
se com o vapor de água da atmosfera, transformando-se em ácido sulfúrico e ácido nítrico,
que são depositados na superfície terrestre, geralmente dissolvidos na água da chuva.
Assim se formam as chuvas ácidas, que provocam graves danos nos solos, nas águas e na
vegetação, danificando também os edifícios e os monumentos. Devido à ação dos ventos,
muitas vezes as chuvas ácidas afetam áreas muito distantes daquelas onde foram
produzidos os gases que as originaram.

Redução da camada de ozono

Com a redução da camada de ozono, dá-se uma diminuição da proteção da superfície


terrestre em relação aos raios ultravioletas, com graves consequências:
 Aumento do risco de doenças, como o cancro da pele e as cataratas e redução das
defesas do sistema imunológico;
 Diminuição da capacidade de fotossíntese das plantas;
 Aumento do efeito estufa, devido à maior penetração da radiação solar.

Aumento do efeito estufa

Um dos impactos ambientais da atividade humana é o progressivo aumento da concentração


de gases de efeito estufa na atmosfera, o que provoca uma intensificação da contra-radiação
e um aumento da temperatura média da superfície terrestre.
Os incêndios que ocorrem elevam consideravelmente a quantidade de dióxido de carbono na
atmosfera. A intensa e descontrolada queima dos combustíveis fósseis e o derrube das
florestas têm agravado substancialmente o problema dado que não se processa a absorção
deste gás e consequente libertação de oxigénio.
Contaminação dos solos

A contaminação dos solos, tal como das águas subterrâneas deve-se à utilização excessiva
de produtos químicos na agricultura. A necessidade de aumentar a produtividade tem levado
à aplicação de fertilizantes e pesticidas que estão a contaminar os solos cultivados de forma
irremediável. A longo prazo a produção agrícola corre o risco de ficar comprometida.

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Os pesticidas usados têm efeitos poderosos, e o seu uso é cada vez maior. Os efeitos dos
pesticidas vêm-se revelando cada vez mais nocivos, qualquer que seja o tipo usado,
provocam profundas perturbações nos ecossistemas em que é introduzido. A sua toxicidade
acaba por se estender a todas as espécies animais e vegetais e mesmo ao Homem. Mesmo
que se pretenda destruir apenas um número limitado de espécies, acabam por afetar, de
diversas maneiras, todos os seres vivos.
Outras causas de contaminação dos solos são os efluentes industriais não tratados,
principalmente da indústria pecuária ou a extração exagerada de água subterrânea, em
regiões do litoral que leva à salinização dos solos.
Com este conjunto de agressões efetuadas ao solo, torna-se maior a sua degradação, com
as camadas produtivas a perderem nutrientes e a consequente desertificação, porque a
capacidade de regeneração dos solos é limitada.
Assim, a preocupação com a preservação, proteção, controlo e recuperação do solo tem sido
ampliada nas últimas três décadas, altura em que os acontecimentos de áreas contaminadas
passaram a ser socialmente ampliados.

Resíduos

A definição de resíduo vem consignada no direito europeu desde 1975, não tendo sofrido
alterações importantes desde então.
A nova Diretiva-quadro em matéria de resíduos veio clarificar a definição de resíduo de modo
a reforçar a valorização dos resíduos e a sua utilização com vista a preservar os recursos
naturais e a aumentar o valor económico dos resíduos, tendo sido introduzidos os conceitos
de subproduto e de fim do estatuto de resíduo, de forma a aproximar a gestão dos materiais

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que se encontram no âmbito desses conceitos, da gestão dos recursos materiais no sistema
económico.
A nível nacional, a definição de resíduo encontra-se estabelecida no Decreto-Lei n.º
178/2006, de 5 de Setembro, que consagra o regime jurídico de gestão de resíduos em
Portugal. Importa referir que se encontram excluídos do conceito de resíduo, os efluentes
gasosos emitidos para a atmosfera e as águas residuais, com exceção dos resíduos em
estado líquido, a biomassa florestal e a biomassa agrícola.
Analisando a definição legal de resíduo a nível nacional podemos reconhecer duas
componentes importantes. A primeira incide na base da própria definição, ou seja, no
entendimento de que é considerado resíduo qualquer “substância ou objeto de que o
detentor se desfaz, tem a intenção ou a obrigação de se desfazer”. A segunda componente
diz respeito à classificação dos resíduos, nomeadamente através da Lista Europeia de
Resíduos (LER) e das classes i) a xvi) enumeradas no Decreto-Lei n.º 178/2006.
A Lista Europeia de Resíduos referida na definição Portuguesa de resíduo corresponde à
classificação de resíduos utilizada atualmente a nível europeu para identificar os resíduos, e
encontra-se consagrada no direito nacional na Portaria n.º 209/2004, 3 de Março.
Assim, por um lado, uma determinada substância ou objeto que se enquadre nestas
classificações não constitui automaticamente um resíduo. Apenas se torna resíduo se o
detentor se desfaz ou tem a intenção ou a obrigação de se desfazer dessa substância ou
objeto. Porém, numa lógica de utilização sustentável dos recursos, as substâncias ou objetos
de que um detentor se pretenda desfazer não devem considerar-se um resíduo de forma
automática, pois podem constituir um recurso para outra entidade (industrial, por exemplo).
Neste contexto, o conceito de subproduto presente na nova Diretiva-quadro é importante, de
forma a facilitar o aproveitamento destes recursos, desde que se garanta que esse
aproveitamento é realizado em condições adequadas.
A definição de “Gestão de Resíduos” compreende, por seu turno, as atividades de recolha,
transporte, armazenagem, triagem, tratamento, valorização e eliminação de resíduos, bem
como às operações de descontaminação de solos, incluindo a supervisão dessas operações e
o acompanhamento dos locais de eliminação após encerramento.
Assim, os resíduos são originados pelas inúmeras atividades de produção e consumo que
têm lugar na nossa sociedade. Estas atividades são alimentadas por recursos naturais
(matérias-primas e energia) que entram no ciclo económico desempenhando uma
determinada função ou serviço. Mais cedo ou mais tarde, caso não sejam reaproveitados,
estes recursos retornam ao ambiente mas já sob a forma de resíduos ou emissões que
constituem desperdícios das referidas atividades.

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Existe assim uma relação estreita, apesar de não linear nem direta, entre o consumo de
matérias-primas e a produção de resíduos. Isto porque, a interação existente entre os fluxos
de entrada na economia (recursos) e os fluxos de saída da economia (neste caso os
resíduos) depende de vários fatores, incluindo a estrutura da economia, a dimensão da
população, os padrões de produção e consumo e os próprios padrões de reutilização e
reciclagem, e pode ser desfasada no tempo, devido aos diferentes períodos de vida útil dos
produtos e à utilização que deles se faz.
Neste contexto, os materiais que entram na economia têm diferentes períodos de vida útil
dependendo das características dos materiais e dos produtos em que estão incorporados.
Duas categorias principais de produtos podem distinguir-se neste âmbito:
 Aqueles que possuem curtos períodos de vida (bens não duráveis), e que se
transformam rapidamente em resíduos (em menos de um ano) e
 Aqueles que possuem um tempo de vida médio longo (bens duráveis), tornando-se
resíduos após um período de tempo superior a um ano.
A primeira categoria inclui, nomeadamente, a generalidade das embalagens e dos alimentos,
e a segunda inclui os edifícios, os veículos ou os equipamentos elétricos e eletrónicos. No
que diz respeito aos bens não duráveis, a quantidade de resíduos produzida está quase
sempre diretamente relacionada com as suas vendas.
Para os bens duráveis isto não ocorre imediatamente, na medida em que os produtos
permanecem mais tempo na economia. O nível do seu stock é assim mais elevado e a
produção de resíduos é dependente das vendas no passado.
O tempo médio de vida e a produção de resíduos, por produto e por ano, podem também
mudar devido à dinâmica dos mercados, a qual pode causar constrangimentos às políticas
aplicáveis aos resíduos e às relações entre os agentes económicos.
Esta associação estreita entre recursos e resíduos apela a uma abordagem da prevenção e
gestão dos resíduos num contexto mais alargado, de gestão de recursos naturais e das
políticas de produção e consumo.
Nesta medida, os problemas relacionados com os resíduos não resultam apenas da sua
produção (tendo em conta a definição legal aplicável), mas principalmente do seu
insuficiente reaproveitamento como materiais úteis, quando tecnicamente possível, e de
alguma gestão menos adequada, que pode originar impactes ambientais significativos
(nomeadamente através da mobilização para o meio natural de substâncias perigosas).
Promover o fecho dos ciclos dos materiais é um aspeto fundamental para garantir uma
gestão de resíduos mais sustentável, direcionando as perdas (materiais e energéticas) para

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novas aplicações produtivas reduzindo assim, simultaneamente, a pressão sobre os recursos


naturais e sobre a capacidade da Natureza para regenerar os resíduos.

Gestão de resíduos

Entidades gestoras de fluxos específicos de resíduos

Fruto de particular complexidade ou importância crescente em termos quantitativos e/ou


qualitativos de alguns tipos de resíduos, designados por fluxos específicos de resíduos, foi
concedida particular atenção à sua gestão, mediante a criação de legislação específica, a
qual introduziu, em geral, uma corresponsabilização pela sua gestão, dos vários
intervenientes no seu ciclo de vida.
No contexto da legislação específica e consoante as características do fluxo específico de
resíduos em causa, é aplicado:
 Um modelo de gestão técnico-económico baseado no Princípio da Responsabilidade
Alargada do Produtor do bem, operacionalizado através da adoção de sistemas
individuais ou da implementação de sistemas integrados de gestão, ou
 Um modelo em que a responsabilidade da gestão assenta no produtor/detentor do
resíduo.

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O Decreto-Lei n.º 73/2011, de 17 de Junho, que estabelece a terceira alteração do Decreto-


Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro, e transpõe a Diretiva n.º 2008/98/CE do Parlamento
Europeu e do Conselho, de 19 de Novembro de 2008, relativa aos resíduos, estabelece, no
n.º 4 do artigo 10.º-A, ainda a possibilidade dos produtores do produto poderem assumir a
responsabilidade pela gestão dos resíduos provenientes dos seus produtos através da
celebração de acordos voluntários com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Existem ainda alguns fluxos de resíduos para os quais se encontra em estudo a viabilidade e
de se enveredar por uma das vias acima descritas, designados por fluxos emergentes.
O princípio da responsabilidade alargada do produtor confere ao produtor do bem/produto a
responsabilidade por uma parte significativa dos impactes ambientais dos seus produtos ao
longo do seu ciclo de vida (fases de produção, comércio, consumo e pós-consumo).
Concretamente, e de acordo com o artigo 10.º-A do Decreto-Lei n.º 73/2011, de 17 de
Junho, consiste em “atribuir, total ou parcialmente, física e ou financeiramente, ao produtor
do produto a responsabilidade pelos impactes ambientais e pela produção de resíduos
decorrentes do processo produtivo e da posterior utilização dos respetivos produtos, bem
como da sua gestão quando atingem o final de vida”, nos termos do n.º 1 do artigo 10.º-A
do Decreto-Lei n.º 73/2011, de 17 de Junho.
Deste modo, a responsabilização do produtor do bem, permite colocar o ónus da gestão do
resíduo no interveniente que poderá ter maior impacto em todo o ciclo de vida do material,
incentivando alterações na conceção do produto, maximizando a poupança de matérias-
primas e, minimizando a produção de resíduos.
Na prática, a responsabilização do produtor traduz-se no cumprimento de objetivos e metas
quantificadas de recolha, de reutilização, de reciclagem e de valorização, incentivando-o,
deste modo, a alterar a conceção do seu produto. Tal estratégia tem normalmente um
impacto na ecoeficiência dos produtos (utilização de menores quantidades de matéria-prima
ou utilização de materiais recicláveis/reciclados,...), bem como no seu "eco-design" (maior
facilidade de desmantelamento ou reciclagem, menor conteúdo em substâncias
perigosas,...).
A responsabilidade do produtor do produto pela sua gestão, quando este atinge o final de
vida, pode ser assumida a título individual ou transferida para um sistema integrado, nos
termos da lei, ou ainda através da celebração de acordos voluntários entre o produtor do
produto e a APA, enquanto Autoridade Nacional dos Resíduos.
No âmbito de um sistema integrado, a responsabilidade do produtor do bem é transferida
para uma entidade gestora do fluxo em causa, mediante o pagamento de prestações
financeiras (ou ecovalor) pelos produtos colocados no mercado.

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A aplicação do Princípio da Responsabilidade Alargada do Produtor está em vigor em


Portugal desde 1997, quando a primeira entidade gestora de fluxos específicos de resíduos
foi licenciada, sendo presentemente aplicado na gestão de: embalagens, pneus, óleos
minerais, equipamentos elétricos e eletrónicos, veículos e pilhas e acumuladores.
A responsabilidade do produtor pela gestão dos resíduos provenientes dos seus produtos,
pode ser assumida através da celebração de Acordos Voluntários entre o produtor do
produto e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), como Autoridade Nacional de Resíduos,
nos termos do artigo 10.º-A do Decreto-Lei nº 73/2011, de 17 de Junho.
Os Acordos Voluntários caracterizam-se pela vontade dos sectores produtivos para,
voluntariamente, se comprometerem perante o Estado a reduzir a produção de resíduos
provenientes dos seus produtos, aumentando os níveis de reciclagem, garantindo a
utilização eficiente de recursos e aumentando a qualidade dos materiais reciclados,
permitindo assim atingir objetivos ambientais de forma mais flexível, promovendo-se a
imagem do sector neles envolvido, bem como a consciência no consumidor.
A dificuldade na aplicação das disposições do regime geral a alguns fluxos específicos de
resíduos, pelas questões específicas que lhes estão associadas, levou à necessidade de criar
regimes jurídicos diferentes. Estes fluxos, assentes na responsabilidade pela gestão do
resíduo, apesar de envolverem os diferentes intervenientes no ciclo de vida, não se aplica o
princípio da responsabilidade alargada do produtor. Enquadram-se neste tipo os resíduos de
construção e demolição e os óleos alimentares usados.

Estratégias de atuação

A Política de Resíduos assenta em objetivos e estratégias que visam garantir a preservação


dos recursos naturais e a minimização dos impactes negativos sobre a saúde pública e o
ambiente. Para a prossecução destes objetivos importa incentivar a redução da produção
dos resíduos e a sua reutilização e reciclagem por fileiras. Em grande medida, tal passa pela
promoção da identificação, conceção e adoção de produtos e tecnologias mais limpas e de
materiais recicláveis.
Face ao papel que desempenham na gestão de resíduos, importa promover ações de
sensibilização e divulgação em matéria de resíduos.
Para além da prevenção, importa ainda promover e desenvolver sistemas integrados de
recolha, tratamento, valorização e destino final de resíduos por fileira (p.ex., óleos usados,
solventes, têxteis, plásticos e matéria orgânica).

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A elaboração e aplicação de um Plano Nacional de Gestão de Resíduos e o cumprimento


integral dos Planos Estratégicos de Gestão dos Resíduos são medidas de política de
Ordenamento do Território e de Ambiente, preconizada para a prossecução dos princípios de
sustentabilidade, transversalidade, integração, equidade e da participação, advogados no
Programa do Governo.

Boas práticas para o meio ambiente

O planeamento e gestão de resíduos, englobando todas as tipologias de resíduos e as suas


origens, constituem o objetivo das políticas neste domínio do ambiente, assumindo um papel
de carácter transversal pela incidência na preservação dos recursos naturais, e em outras
estratégias ambientais.
O Decreto-Lei n.º 73/2011, de 17 de junho, prevê, no seu enquadramento legislativo:
 Reforço da prevenção da produção de resíduos e fomento da sua reutilização e
reciclagem, promovendo o aproveitamento do mercado organizado de resíduos,
como forma de consolidar a valorização dos resíduos, com benefícios para os agentes
económicos, e estímulo para o aproveitamento de resíduos com potencial de
valorização;
 Clarifica conceitos-chave como as definições de resíduo, prevenção, reutilização,
preparação para a reutilização, tratamento e reciclagem, e a distinção entre os
conceitos de valorização e eliminação de resíduos, prevê-se a aprovação de
programas de prevenção e estabelecem-se metas de preparação para reutilização,
reciclagem e outras formas de valorização material de resíduos;
 Incentivo à reciclagem que permita o cumprimento das metas, e a preservação dos
recursos naturais;
 Definição de requisitos para que substâncias ou objetos resultantes de um processo
produtivo possam ser considerados subprodutos e não resíduos;
 Critérios para que determinados resíduos deixem de ter o estatuto de resíduo;
 Introduzido o mecanismo da responsabilidade alargada do produtor, tendo em conta
o ciclo de vida do produto e material e não apenas a fase de fim de vida, com
vantagens do ponto de vista da utilização eficiente dos recursos e do impacte
ambiental.

A sua gestão adequada contribui para a preservação dos recursos naturais, ao nível da
prevenção, através da reciclagem e valorização, além de outros instrumentos jurídicos

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específicos, constituindo simultaneamente o reflexo da importância deste sector, encarado


nas suas vertentes, ambiental e económica, e dos desafios que se colocam aos responsáveis
pela execução das políticas e a todos os intervenientes na cadeia de gestão, desde a
Administração Pública, passando pelos operadores económicos até aos cidadãos, enquanto
produtores de resíduos e agentes indispensáveis da prossecução destas políticas.

SEGURANÇA HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO

Desde há muitos séculos que existem preocupações com a segurança no trabalho, por
exemplo Hipócrates em 460 a.C., foi o primeiro médico a relacionar a alimentação e o
ambiente com o aparecimento de doenças, nomeadamente o satumismo (resultante do
envenenamento por contato com chumbo) que surgia nos homens que trabalhavam na
extração do chumbo. Mais tarde, em 1770, Bernardino Ramazzini analisou o risco acrescido
de contrair determinadas doenças, nos trabalhadores cujas tarefas os obrigavam a contatar
com produtos químicos.
No século XX, as alterações dos processos produtivos e a crescente industrialização
alteraram profundamente a sociedade: a relação Homem/utensílios de trabalho/matérias-
primas transformou-se, resultando no aparecimento de riscos até aí inexistentes. Os
acidentes de trabalho aumentaram (o Homem deixou de controlar o processo de produção, a
carga horária de trabalho aumentou, empregavam-se mulheres e crianças nas piores
condições físicas, os locais de trabalho eram insuficientes para o progressivo aumento da
mão de obra, etc.), surgiram novas doenças e aumentou a mortalidade devido a acidentes
de trabalho, em suma as condições de vida agravaram-se. Face a esta nova situação foram
desencadeados, pelos estados dos países mais industrializados, processos que visavam a
proteção da saúde dos trabalhadores.
Nos primeiros anos do século XX, Frederick Taylor, procurando uma metodologia que
conduzisse ao aumento da produtividade, cria a “Escola de Administração Científica”. Os
estudos de Taylor baseavam-se na análise do método de trabalho (movimentos necessários
para executar determinada tarefa, tempo necessário, etc.), desta análise partia-se para a
formação específica do trabalhador e na readaptação de movimentos e operações. A escola
de Taylor teve o mérito de introduzir novos conceitos relativamente às condições de
trabalho: a iluminação, a ventilação, a ausência de ruído, o conforto do trabalhador

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passaram a ser tomados em consideração, porque a melhoria destes fatores resultava num
aumento da produtividade do trabalhador.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi criada, em 1919, promovendo a criação
de um serviço de prevenção de acidentes de trabalho com o objetivo de caraterizar e definir
riscos de acidente e doenças decorrentes das novas técnicas industriais, propondo a
existência de um controlador de segurança.
A II Grande Guerra e a procura de mão de obra que implicou, contribuiu também para a
tomada de consciência das condições de trabalho, de tal modo que foram sendo
gradualmente introduzidas nas políticas de gestão das empresas medidas de prevenção de
riscos de acidentes.
Foi a partir dos anos 50 do século XX que os países mais desenvolvidos, promulgaram leis,
no sentido de melhorar as condições laborais.
Em 1975, a então Comunidade Económica Europeia aprovou um regulamento relativo à
criação da Fundação Europeia para o melhoramento das condições de vida e de trabalho. Foi
também a partir da década de 70 que se acionou um novo modelo de atuação em que se
responsabilizavam os empregadores e os trabalhadores. Este modelo admitia que a
prevenção nas empresas devia assentar na evolução científica e técnica, na melhoria das
condições envolventes e no reconhecimento de que a novas tecnologias estariam associados
novos riscos e novas formas de intervenção.
Assim, a segurança no trabalho desenvolveu-se de forma crescente, reunindo cada vez mais
fatores e atividades, desde as primeiras ações de reparação de danos até um conceito mais
vasto onde se pretende prevenir todas as situações causadoras de efeitos indesejados para o
trabalhador.
Como já referido, apesar de existir legislação sobre condições laborais, nos anos 70, nas
empresas, a segurança e higiene no trabalho tinha um caráter principalmente reativo,
centrado em equipamentos e processos.
Contudo, desde a década de 80 assistiu-se a um aumento progressivo da importância
atribuída ao tema da saúde e segurança do trabalhador no local de trabalho a par de uma
maior sensibilização, por parte das entidades responsáveis, para a necessidade de
implementação de medidas mais eficazes de prevenção de riscos profissionais que
contribuam para minimizar os elevados encargos económico-sociais daí decorrentes e
promovam o bem-estar e qualidade de vida do trabalhador.
Atualmente a aplicação dos princípios de segurança e higiene no trabalho pretende atingir os
seguintes fins:
 Proporcionar postos de trabalho que garantam a integridade dos trabalhadores;

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 Aumentar a produtividade e a qualidade dos serviços/produtos oferecidos pelas


empresas;
 Implementar nas empresas uma filosofia de prevenção de riscos, reduzindo o número
de dias de trabalho perdidos, as incapacidades e as mortes;
 Controlar os níveis de agentes nocivos a que os trabalhadores estão expostos, para
que os níveis de exposição não ultrapassem valores que ponham em perigo a saúde
dos trabalhadores;
 Combater situações de inadaptação, discriminação ou outros conflitos no trabalho;
 Contribuir, através da canalização das verbas resultantes da diminuição da
sinistralidade, para o aumento da capacidade financeira das instituições sociais;
 Combater a concorrência desleal.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Conceitos básicos relacionados com a SHST

Segurança no trabalho
Conjunto de metodologias adequadas à prevenção de acidentes de trabalho, tendo como
principal campo de ação o reconhecimento e controlo dos riscos associados aos
componentes materiais do trabalho.

Higiene no trabalho
Conjunto de metodologias não médicas necessárias à prevenção das doenças profissionais,
tendo como principal campo de ação o controlo da exposição aos agentes físicos, químicos e
biológicos presentes nos componentes materiais do trabalho. Esta abordagem assenta em
técnicas e medidas que incidem sobre o ambiente de trabalho.

Saúde no Trabalho
Abordagem que integra, além da vigilância médica, o controlo dos elementos físicos, sociais
e mentais que possam afetar a saúde dos trabalhadores.

Medicina no trabalho
Especialidade médica que visa a vigilância e controlo do estado de saúde dos trabalhadores.

Ergonomia
É, segundo a definição oficial adotada pela Associação Internacional de Ergonomia em 2000,
a disciplina que tem por objetivo as interações entre os homens e os outros elementos de
um sistema e a profissão, que aplica a teoria, os princípios, os dados e os métodos na
conceção, de modo a otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral do sistema.

Psicossociologia no trabalho
Ramo da Psicologia Aplicada que estuda o comportamento humano no trabalho, orientado
para a seleção de pessoal, para a preparação profissional, para a melhoria das relações
humanas e para aceitação das regras de prevenção de riscos profissionais.
Acidente de trabalho

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Acidente de trabalho é o acontecimento súbito e imprevisto, sofrido pelo trabalhador que se


verifique no local e no tempo de trabalho. A expressão "durante o tempo de trabalho " é
entendida como no "decorrer da atividade profissional ou durante o período em serviço”.

Doença profissional
A Doença profissional é aquela que resulta diretamente das condições de trabalho, consta da
Lista de Doenças Profissionais e causa incapacidade para o exercício da profissão ou morte.

Perigo
Propriedade intrínseca de um componente do trabalho potencialmente causador de dano
para o trabalhador ou para o ambiente ou local de trabalho ou uma combinação destes.

Risco profissional
O Risco é a possibilidade de um trabalhador sofrer um determinado dano provocado pelo
trabalho. Combinação da probabilidade de ocorrência do dano e da sua gravidade.

Prevenção
Conjunto de políticas e programas, disposições ou medidas tomadas e previstas no
licenciamento e em todas as fases de atividade da empresa, estabelecimento ou serviço, que
visem eliminar ou diminuir os riscos profissionais a que os trabalhadores podem estar
sujeitos.

Proteção
Conjunto de meios e técnicas para controlar os riscos mediante:
 A adaptação de sistemas de segurança (dispositivos e resguardos);
 Equipamentos de proteção individual;
 Normas de segurança e sinalização de riscos;
 Disciplina e incentivos.

Avaliação de riscos
A avaliação de riscos constitui a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde e é
fundamental para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Se for bem
realizada, esta avaliação pode melhorar a segurança e a saúde, bem como, de um modo
geral, o desempenho das empresas.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Controlo de riscos
Na prevenção e no controlo dos riscos, importa ter em conta os seguintes princípios gerais
de prevenção:
 Evitar os riscos;
 Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
 Combater os riscos na origem;
 Conferir às medidas de proteção coletiva prioridade em relação às medidas de
proteção individual (por exemplo, controlar a exposição a vapores através de
ventilação do local em vez de recorrer a máscaras respiratórias);
 Adaptar-se ao progresso técnico e às mudanças na informação;
 Procurar melhorar o nível de proteção.

Enquadramento legislativo nacional da Segurança Higiene e Saúde no Trabalho

O Decreto-Lei n.º 441/91, de 14 de novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-


Lei n.º 133/99, de 21 de abril estabelece os princípios que visam a promoção da segurança,
higiene e saúde do trabalho, de acordo com o estabelecido na Constituição.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Este diploma aplica-se a todos os ramos de atividade, nos setores público, privado ou
cooperativo e social, não sendo aplicável a atividades da função pública cujo exercício seja
condicionado por critérios de segurança ou de emergência, (por exemplo forças armadas,
polícia ou nas atividades específicas de proteção civil), e a todos os trabalhadores por conta
de outrém, aos empregadores, bem como aos trabalhadores independentes.
A política de prevenção de riscos profissionais determinada neste diploma pretende:
a. A definição das condições técnicas a que devem obedecer os componentes
materiais do trabalho;
b. A determinação das substâncias, agentes ou processos que devam ser proibidos,
limitados ou sujeitos a autorização ou controlo da autoridade;
c. A promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores;
d. O incremento da investigação no domínio da segurança, higiene e saúde no
trabalho.

O Decreto-Lei n.º 441/91, de 14 de novembro obriga o empregador a assegurar a todos os


trabalhadores as condições de segurança, higiene e saúde no trabalho, devendo zelar, de
forma continuada e permanente, pelo exercício da atividade em condições de segurança e
de saúde para o trabalhador, tendo em conta os seguintes princípios gerais de prevenção:
a) Identificação dos riscos previsíveis em todas as atividades da empresa,
estabelecimento ou serviço, na conceção ou construção de instalações, de locais e
processos de trabalho, assim como na seleção de equipamentos, substâncias e
produtos, com vista à eliminação dos mesmos ou, quando esta seja inviável, à
redução dos seus efeitos;
b) Integração da avaliação dos riscos para a segurança e a saúde do trabalhador no
conjunto das atividades da empresa, estabelecimento ou serviço, devendo adotar as
medidas adequadas de proteção;
c) Combate aos riscos na origem, por forma a eliminar ou reduzir a exposição e
aumentar os níveis de proteção;
d) Assegurar, nos locais de trabalho, que as exposições aos agentes químicos, físicos e
biológicos e aos fatores de risco psicossociais não constituem risco para a segurança
e saúde do trabalhador;
e) Adaptação do trabalho ao homem, especialmente no que se refere à conceção dos
postos de trabalho, à escolha de equipamentos de trabalho e aos métodos de
trabalho e produção, com vista a, nomeadamente, atenuar o trabalho monótono e o
trabalho repetitivo e reduzir os riscos psicossociais;

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

f) Adaptação ao estado de evolução da técnica, bem como a novas formas de


organização do trabalho;
g) Substituição do que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
h) Priorização das medidas de proteção coletiva em relação às medidas de proteção
individual;
i) Elaboração e divulgação de instruções compreensíveis e adequadas à atividade
desenvolvida pelo trabalhador.

Sem prejuízo das demais obrigações do empregador, as medidas de prevenção


implementadas devem ser antecedidas e corresponder ao resultado das avaliações dos riscos
associados às várias fases do processo produtivo, incluindo as atividades preparatórias, de
manutenção e reparação, de modo a obter como resultado níveis eficazes de proteção da
segurança e saúde do trabalhador.
Sempre que confiadas tarefas a um trabalhador, devem ser considerados os seus
conhecimentos e as suas aptidões em matéria de segurança e de saúde no trabalho,
cabendo ao empregador fornecer as informações e a formação necessárias ao
desenvolvimento da atividade em condições de segurança e de saúde.
Sempre que seja necessário aceder a zonas de risco elevado, o empregador deve permitir o
acesso apenas ao trabalhador com aptidão e formação adequadas, pelo tempo mínimo
necessário.
O empregador deve adotar medidas e dar instruções que permitam ao trabalhador, em caso
de perigo grave e iminente que não possa ser tecnicamente evitado, a sua atividade ou
afastar -se imediatamente do local de trabalho, sem que possa retomar a atividade enquanto
persistir esse perigo, salvo em casos excecionais e desde que assegurada a proteção
adequada.
O empregador deve ter em conta, na organização dos meios de prevenção, não só o
trabalhador como também terceiros suscetíveis de serem abrangidos pelos riscos da
realização dos trabalhos, quer nas instalações quer no exterior.
O empregador deve assegurar a vigilância da saúde do trabalhador em função dos riscos a
que estiver potencialmente exposto no local de trabalho.
O empregador deve estabelecer em matéria de primeiros socorros, de combate a incêndios e
de evacuação as medidas que devem ser adotadas e a identificação dos trabalhadores
responsáveis pela sua aplicação, bem como assegurar os contactos necessários com as
entidades externas competentes para realizar aquelas operações e as de emergência
médica.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Na aplicação das medidas de prevenção, o empregador deve organizar os serviços


adequados, internos ou externos à empresa, estabelecimento ou serviço, mobilizando os
meios necessários, nomeadamente nos domínios das atividades técnicas de prevenção, da
formação e da informação, bem como o equipamento de proteção que se torne necessário
utilizar.
As prescrições legais ou convencionais de segurança e de saúde no trabalho estabelecidas
para serem aplicadas na empresa, estabelecimento ou serviço devem ser observadas pelo
próprio empregador.
O empregador suporta os encargos com a organização e o funcionamento do serviço de
segurança e de saúde no trabalho e demais medidas de prevenção, incluindo exames,
avaliações de exposições, testes e outras ações dos riscos profissionais e vigilância da saúde,
sem impor aos trabalhadores quaisquer encargos financeiros.
Para efeitos do disposto no presente artigo, e salvaguardando as devidas adaptações, o
trabalhador independente é equiparado a empregador.
Em relação aos trabalhadores, o Decreto-Lei n.º 441/91 confere-lhes o dever de:
a) Cumprir as prescrições de segurança e de saúde no trabalho estabelecidas nas
disposições legais e em instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho, bem
como as instruções determinadas com esse fim pelo empregador;
b) Zelar pela sua segurança e pela sua saúde, bem como pela segurança e pela saúde
das outras pessoas que possam ser afetadas pelas suas ações ou omissões no
trabalho, sobretudo quando exerça funções de chefia ou coordenação, em relação
aos serviços sob o seu enquadramento hierárquico e técnico;
c) Utilizar corretamente e de acordo com as instruções transmitidas pelo empregador,
máquinas, aparelhos, instrumentos, substâncias perigosas e outros equipamentos e
meios postos à sua disposição, designadamente os equipamentos de proteção
coletiva e individual, bem como cumprir os procedimentos de trabalho estabelecidos;
d) Cooperar ativamente na empresa, no estabelecimento ou no serviço para a melhoria
do sistema de segurança e de saúde no trabalho, tomando conhecimento da
informação prestada pelo empregador e comparecendo às consultas e aos exames
determinados pelo médico do trabalho;
e) Comunicar imediatamente ao superior hierárquico ou, não sendo possível, ao
trabalhador designado para o desempenho de funções específicas nos domínios da
segurança e saúde no local de trabalho as avarias e deficiências por si detetadas que
se lhe afigurem suscetíveis de originarem perigo grave e iminente, assim como
qualquer defeito verificado nos sistemas de proteção;

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

f) Em caso de perigo grave e iminente, adotar as medidas e instruções previamente


estabelecidas para tal situação, sem prejuízo do dever de contactar, logo que
possível, com o superior hierárquico ou com os trabalhadores que desempenham
funções específicas nos domínios da segurança e saúde no local de trabalho.

Acidentes de trabalho

É acidente de trabalho aquele que se verifique no local e no tempo de trabalho e produza


direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte
redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a morte.
Um acidente de trabalho não é um acontecimento fortuito, cuja responsabilidade se possa
imputar a um acaso, a uma “fatalidade”. Um acidente de trabalho tem sempre origem em
uma ou mais causas. Devemos no entanto distinguir entre:
 Incidente - Acontecimento não intencional que em circunstâncias ligeiramente
diferentes poderia provocar danos corporais, danos materiais ou perdas de produção.
 Acidente - Acontecimento não intencional que provoca danos corporais, danos
materiais ou perdas de produção.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Sempre que um dano corporal necessitar de cuidados médicos ou de enfermagem é um


acidente, mesmo que o acidentado, por razões diversas, não tenha procurado esses
cuidados.
As causas dos acidentes de trabalho devem ser investigadas. Elas devem ser corretamente
identificadas e prontamente eliminadas ou minimizadas de forma a evitar a ocorrência de
novos acidentes de trabalho.
Um acidente de trabalho pode dever-se a um dos seguintes fatores: humano, material,
organizacional, material ou ambiental. A causa pessoal, ou humana, está relacionada com o
conjunto de conhecimentos e habilidades que cada um possui para desempenhar uma tarefa
num dado momento.
Existem várias características no indivíduo que o tornam mais ou menos propenso para o
acidente:
 Sexo;
 Idade;
 Características genéticas;
 Maior ou menor aptidão para o trabalho que realiza;
 Ignorância dos riscos, dos perigos inerentes ao trabalho;
 Determinados tipos de personalidade e de inteligência;
 Demasiada segurança em si próprio;
 Estado de saúde;
 Maior ou menor experiência;
 Maior ou menor tendência para a fadiga;
 Falta de proteção individual eficaz – acha que não é necessário;
 Maior ou menor motivação para o trabalho;
 Outros.

A causa material, ou mecânica diz respeito às falhas materiais existentes no ambiente de


trabalho, como por exemplo:
 Materiais defeituosos
 Equipamentos em más condições
 Ambiente físicos ou químico não adequado
 Localização imprópria das máquinas
 Roupa e calçado não apropriados
 Instalações elétricas impróprias ou com defeito

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Os fatores organizacionais relacionam-se com a estrutura e organização do trabalho da


própria entidade, como sendo por exemplo:
 Conflito de metas (pressões que possam ser exercidas para atingir uma determinada
meta, sem considerar os potenciais conflitos)
 Má distribuição de horários e tarefas.

As causas dos acidentes de trabalho podem existir no ambiente de trabalho, entendendo-se


por ambiente de trabalho um todo que rodeia o trabalhador e no qual se integram, também,
as características individuais do próprio trabalhador, por exemplo:
 Ambientes de trabalho pouco saudáveis
 Iluminação pouco adequada
 Elevado nível de ruído
 Ventilação não adequada
 Stress térmico.
Atualmente, embora algumas empresas tenham implantado e implementado com sucesso as
normas de segurança e medicina do trabalho, o índice de acidentes é ainda altíssimo.
As consequências podem ser categorizadas em:
 Simples assistência médica - o segurado recebe atendimento médico e retorna
imediatamente às suas atividades profissionais;
 Incapacidade temporária - o segurado fica afastado do trabalho por um período, até
que esteja apto para retomar sua atividade profissional. Para a Segurança Social é
importante participar esse período seja inferior a 15 dias ou superior, uma vez que,
no segundo caso, é gerado um benefício pecuniário, o auxílio-doença por acidente do
trabalho;
 Incapacidade permanente - o segurado fica incapacitado de exercer a atividade
profissional que exercia à época do acidente. Essa incapacidade permanente pode ser
total ou parcial. No primeiro caso o segurado fica impossibilitado de exercer qualquer
tipo de trabalho e passa a receber uma aposentadoria por invalidez. No segundo caso
o segurado recebe uma indemnização pela incapacidade sofrida (auxílio-acidente),
mas é considerado apto para o desenvolvimento de outra atividade profissional;
 Morte - o segurado falece em consequência do acidente de trabalho.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

A atribuição de indemnizações ou pensões de invalidez, além de diferenciada, é, em alguns


casos, incompleta. A situação é ainda mais crítica para as ocorrências de lesões múltiplas e
para os acidentados com lesões pré-existentes.
Danos humanos e materiais com custos para as empresas:
 Custos diretos: custos de seguros e respetivos agravamentos, vencimento e subsídios
referentes ao dia do acidente, diferença de vencimentos.
 Custos indiretos: danos materiais e patrimoniais, diminuição da produtividade,
indemnização a clientes por não cumprimento de prazos, imagem da empresa,
substituição do sinistrado, formação do trabalhador substituto, tempos de paragem
de outros trabalhadores, tempos de deslocação de terceiros a estabelecimentos
hospitalares, tempos de investigação dos acidentes pela hierarquia e outros, mau
ambiente de trabalho.
Todos os anos na União Europeia cerca de 5 milhões de pessoas são vítimas de acidentes de
trabalho que ocasionam ausências superiores a 3 dias, num total de aproximadamente 146
milhões de dias de trabalho perdidos:
 Ocorre 1 acidente de trabalho em cada 5 segundos, na EU;
 Morre 1 trabalhador a cada 2 horas, vítima de acidente de trabalho, na EU;
 Dois terços das 30 000 substâncias químicas mais utilizadas na EU, não foram
submetidas a testes toxicológicos completos e sistemáticos;
 Um quinto dos trabalhadores da UE - 32 milhões de pessoas – estão expostos a
agentes cancerígenos;

Estes riscos são agravados por uma informação e cumprimento inadequados das normas de
segurança. Um estudo, determinou que apenas 12% das empresas conheciam os seus
deveres legais. Além disso, um estudo separado revelou que 20% das Fichas de Dados de
Segurança fornecidas pelos fabricantes de substâncias perigosas continham erros. Apenas as
substâncias químicas notificadas desde 1981 são obrigatoriamente submetidas a esses
testes, embora a EU esteja a desenvolver uma estratégia para a avaliação sistemática das
chamadas substâncias químicas existentes.
Em todo o mundo ocorrem por ano cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho e são
registadas mais de 160 milhões de doenças profissionais.
Algumas consequências desses acidentes são permanentes e afetam a capacidade de
trabalho das vítimas e a sua vida extralaboral. Os acidentes de trabalho ocorrem em todas
as indústrias e incluem escorregões, tropeções, quedas de pessoas ou de objetos, objetos
cortantes e quentes, e acidentes que envolvem veículos e máquinas.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Em Portugal, a situação também é preocupante

Doenças profissionais

Doença profissional é aquela que resulta diretamente das condições de trabalho, consta da
Lista de Doenças Profissionais prevista na legislação em vigor e causa incapacidade para o
exercício da profissão ou morte:
 Doenças profissionais são aquelas que são adquiridas na sequência do exercício do
trabalho em si.
 Doenças do trabalho são aquelas decorrentes das condições especiais em que o
trabalho é realizado. Ambas são consideradas como acidentes do trabalho, quando
delas decorrer a incapacidade para o trabalho.

A Lei também considera que a lesão corporal, a perturbação funcional ou a doença não
incluídas na lista serão indemnizáveis, desde que se provem serem consequência, necessária
e direta, da atividade exercida e não representem normal desgaste do organismo
As doenças profissionais em nada se distinguem das outras doenças, salvo pelo facto de
terem a sua origem em fatores de risco existentes no local de trabalho.
A proteção da eventualidade de doenças profissionais integra-se no âmbito material do
regime geral de segurança social dos trabalhadores vinculados por contrato de trabalho e
dos trabalhadores independentes e dos que sendo apenas cobertos por algumas
eventualidades efetuem descontos nas respetivas contribuições com vista a serem

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

protegidos pelo regime das doenças profissionais. Das principais doenças profissionais
destacam-se as seguintes:
a) As perturbações músculo-esqueléticas ou doenças osteo-musculares e do tecido
conjuntivo relacionadas com o trabalho têm uma origem multifatorial complexa,
sendo estes fatores geralmente subdivididos em três categorias, muitas vezes
interrelacionáveis:
 Fatores relacionados com exigências biomecânicas do trabalho (trabalhos que
implicam, por exemplo, movimentos mecânicos repetidos por períodos de tempo
prolongados, utilização de ferramentas vibratórias, posições forçadas e cargas
excessivas);
 Fatores psicossociais e de organização do trabalho,
 Fatores individuais.
b) As perturbações auditivas
Outra doença profissional relativamente frequente em Portugal é a surdez profissional
que tem impactos físico-funcionais consideráveis para o indivíduo, são as lesões
provocadas pelo ruído que atualmente adquirem maior importância no conjunto de todas
as doenças profissionais, embora se possa ainda afirmar que este valor está
subestimado.
Quando a exposição ao ruído ultrapassa determinados limites quer de exposição
prolongada (duração) quer de exposição a sons de grande intensidade, poderá provocar
lesões auditivas, algumas irreversíveis.
O estudo clínico da surdez profissional começa pelo seu diagnóstico que depende de três
fatores: o tempo mínimo de exposição, o ruído com características sonotraumáticas e a
imagem de lesão no traçado audiométrico.

c) Os traumatismos craneo-encefálicos
Os traumatismos craneo-encefálicos podem ocorrer aquando de um acidente de
trabalho, provocando disfunções neurológicas temporárias ou permanentes. Muitos dos
custos e incapacidades que estes traumatismos causam permanecem escondidos e, por
vezes, não há provas físicas evidentes nos sobreviventes.
Mas podem efetivamente mudar severamente e permanentemente a vida de um
indivíduo, resultar em ruturas familiares, em perda de rendimento e de potencial de
ganho, muitos destes traumatismos resultam de acidentes rodoviários e de quedas.
As consequências de um traumatismo craneo-encefálico verificam-se a vários níveis:
Consequências neurológicas (motor, sensorial e automático)

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

 Redução da capacidade motora – coordenação, equilíbrio, marcha, discurso, gestos


 Perda sensorial – gosto, tato, audição, visão, olfato
 Perturbação do sono – insónia, fadiga
 Outras complicações médicas - Ex. epilepsia pós-traumática.
 Disfunção sexual
Alterações cognitivas
 Redução da memória, dificuldades na aprendizagem, alterações na atenção e
concentração;
 Redução da fluidez do discurso e da flexibilidade do processamento do pensamento;
dificuldades nas competências de resolução de problemas;
 Problemas no planeamento, organização e tomada de decisão;
 Problemas ao nível da linguagem – afasia, problemas na evocação de palavras,
dificuldades de leitura e de escrita;
 Problemas ao nível do julgamento e crítica e da avaliação do perigo.
Mudanças comportamentais e de personalidade
 Dificuldades sociais e de competências de coping, redução da autoestima;
 Alterações no controlo emocional, baixa tolerância à frustração e dificuldades na
gestão da raiva, negação e egocentrismo;
 Redução da capacidade de intuir;
 Desinibição, impulsividade;
 Perturbações psiquiátricas – ansiedade, depressão, desordem de stress pós-
traumático, psicoses.

d) A depressão e a ansiedade
A depressão e a ansiedade são dois problemas de saúde, muitas vezes relacionados com
o trabalho, que apesar de muitas vezes não serem consideradas doenças profissionais
pela dificuldade em estabelecer nexo de causalidade, acarretam impactos físico-
funcionais consideráveis para o indivíduo, nomeadamente:
 Redução da capacidade de adaptação,
 Redução da capacidade de lidar com a mudança,
 Dificuldades na aprendizagem e memória,
 Diminuição da autoestima,
 Dificuldades de relacionamento interpessoal,
 Irritabilidade ou passividade,

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

 Apatia,
 Diminuição da produtividade.

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Principais riscos profissionais

Riscos biológicos
Os agentes biológicos estão presentes em muitos sectores, mas, como raramente são
visíveis, os riscos que comportam nem sempre são considerados. Entre estes agentes
contam-se as bactérias, os vírus, os fungos (leveduras e bolores) e os parasitas.
Este tipo de riscos relaciona-se com a presença no ambiente de trabalho de microrganismos
como bactérias, vírus, fungos, bacilos, etc., presentes em alguns ambientes de trabalho,
como:
 Hospitais,
 Laboratórios de análises clínicas,
 Recolha de lixo,
 Indústria do couro,
 Tratamento de Efluentes líquidos.

Os agentes biológicos são classificados de acordo com o risco que representam para a
saúde.
Penetrando no organismo do homem por via digestiva, respiratória, olhos e pele, o
organismos biológicos são responsáveis por algumas doenças profissionais, podendo dar
origem a doenças menos graves como infeções intestinais ou a simples gripe ou mais graves
como a hepatite, meningite ou Sida.
Como estes microrganismos se adaptam melhor e se reproduzem mais em ambientes sujos,
as medidas preventivas a tomar terão de ser relacionadas com:
 A rigorosa higiene de Locais de trabalho,
 A rigorosa higiene de Corpo e das roupas;
 Destruição por processos de elevação da temperatura (esterilização) ou uso de cloro;
 Uso de equipamentos individuais para evitar contacto direto com os microrganismos;
 Ventilação permanente e adequada;
 Controle médico constante,
 Vacinação sempre que possível

A verificação da presença de agentes biológicos em ambientes de trabalho é feita por meio


de recolha de amostras de ar e de água, que serão analisadas em laboratórios
especializados.
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Riscos Físicos

Temperatura
Os ambientes térmicos podem ser classificados como:
• Quentes (por exemplo nas fundições, cerâmicas, padarias, indústria vidreiras);
• Frios (por exemplo nos armazéns frigoríficos, atividades piscatórias);
• Neutros (por exemplo nos escritórios);

Nos ambientes quentes, onde há a necessidade do uso de equipamentos, como fornos e


maçaricos, associados ao tipo de material utilizado e às características das construções
(insuficiência de janelas, portas ou outras aberturas necessárias a uma boa ventilação),
pode-se gerar altos níveis de temperatura prejudicial à saúde do trabalhador. Desta forma, a
sensação de calor que sentimos é proveniente da temperatura existente no local de trabalho
e do esforço físico que fazemos para executar uma tarefa, e pode provocar Stress Térmico.
O conceito de Stress Térmico está relacionado com o desconforto do trabalhador em
condições de trabalho em que a temperatura ambiente é muito elevada, podendo conjugar-
se com humidade baixa e com circulação de ar deficiente.
Sendo assim, a temperatura registada, estabelece-se em função dos seguintes fatores:
 Humidade relativa do ar;
 Velocidade e temperatura do ar;
 Calor radiante (gerado por fontes de calor do ambiente).

A unidade de medida da temperatura adotada é o grau Celsius, abreviadamente ºC, e a


temperatura ideal situa-se entre 21ºC e 26ºC enquanto a humidade relativa do ar deve estar
situada entre 55% a 65%, e a velocidade do ar deve ser cerca de 0,12 m/s.
Os sintomas de exposição a ambientes térmicos quentes podem ser descritos por:
• Aumento da temperatura superficial da pele e aumento ligeiro da temperatura interna;
• Sudação;
• Mal-estar generalizado;
• Tonturas e desmaios;
• Esgotamento e morte.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Como nos casos de ambientes térmicos quentes, os ambientes térmicos frios são igualmente
prejudiciais para a saúde dos trabalhadores, bem como para a boa execução das suas
tarefas.
De modo bastante semelhante ao que foi enunciado para o combate ao stress térmico as
medidas de minimização de impactos passam pela promoção de:
• Uma correta dieta alimentar de modo a fortalecer o organismo;
• Implementação de turnos com menor carga horária em situações onde ocorre
exposição a ambientes hostis;
• Não ingestão de álcool;
• Adoção de medidas de proteção individual (luvas, vestuário térmico especial);

Os sintomas mais vulgarmente associados a ambiente térmicos frios são:


• Frieiras localizadas nos dedos das mãos e dos pés;
• Alteração circulatória do sangue, que leva a que as extremidades do corpo humano
adquiram uma coloração vermelha – azulada;
• “Pé das Trincheiras”, que surge em situações de grande humidade, ficando os pés
frios e com cor violácea;
• Enregelamento, ou seja, congelamento de tecidos devido a exposição a temperaturas
muito baixas ou ao contacto com superfícies muito frias.

As medidas a ser implementadas para minimizar os efeitos do Stress Térmico passam por:
 Uma correta dieta alimentar de modo a fortalecer o organismo;
 Ingestão de bastante água à temperatura ambiente;
 Moderação do consumo de cafeína.

Podem ainda ser tomadas medidas de carácter mais geral que passam por:
 Alterações de layout;
 Implementação de sistemas de ventilação;
 Implementação de turnos com menor carga horária em situações onde ocorre a
exposição a ambientes hostis;
 Adoção de medidas de proteção coletiva (enclausuramento ou arrefecimento de
máquinas) e/ou medidas de proteção individual (viseiras, vestuário térmico especial).
Iluminação

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Uma iluminação adequada no local de trabalho contribui para que as condições do mesmo
não provoquem tensões psíquicas e fisiológicas. Nesta perspetiva, todos os locais de trabalho
devem oferecer boa visibilidade aos seus funcionários, de acordo com as tarefas realizadas
pelos mesmos.
Caso a iluminação esteja adaptada ao local de trabalho esta pode proporcionar um aumento
de produtividade, motivação, desempenho geral, etc.
Se a iluminação for inadequada pode conduzir a eventuais atrasos na execução das tarefas,
induzir stress, dores de cabeça, fadiga física e psíquica, etc.
Para tarefas normais (leitura, montagens de peças e operações com máquinas) recomenda-
se:
 200 lux - para tarefas com bom contrastes, sem necessidade de perceção de muitos
detalhes,
 Aumentar a intensidade luminosa à medida que o contraste diminui e se exige a
perceção de muitos detalhes;
 Uma intensidade maior pode ser necessária - reduzir as diferenças de brilhos no
campo visual, ex.: na presença de uma lâmpada ou de uma janela no campo visual
do trabalhador;
 As pessoas idosas e com deficiência visual requerem mais luz.

Para tarefas especiais (tarefas de inspeção, em que pequenos detalhes devem ser detetados
ou quando o contraste é pequeno) recomenda-se:
 Colocar um foco de luz diretamente sobre a tarefa;
 Admite-se que, neste caso, o nível pode chegar até 3000 lux.
 Considerar que níveis muito elevados provocam fadiga visual.
Para aumentar a eficiência e a qualidade dos ambientes de trabalho deve-se usar a
complementação entre a luz artificial (lâmpadas e respetivos sistemas de controlo) e a luz
natural (janelas, portas).

Radiações

O termo radiação designa a emissão de energia, sob a forma de onda eletromagnética ou de


partículas energéticas.

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Manual de Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Uma radiação é ionizante quando, ao interagir com a matéria, gera partículas com carga
elétrica, denominadas iões. As radiações ionizantes podem ser eletromagnéticas, como os
raio X e gama, ou corpusculares (partículas que compõem os átomos e que são emitidas,
partículas α e β). A exposição a radiações ionizantes pode causar lesões muito graves e
irreversíveis para a saúde (de entre as quais, o surgimento do cancro).
No que diz respeito às radiações não ionizantes, os seus efeitos no organismo são distintos,
consoante a banda de frequências em causa. Enquanto as radiações ultravioletas podem
produzir afeções na pele (de vermelhidões a queimaduras) e conjuntivites por exposição da
pele e dos olhos, respetivamente. A radiação de infravermelhos pode causar lesões na ou
danos na pele, devido ao calor que gera.
Os equipamentos dotados de visor são um dos emissores de radiação, sendo cada vez mais
utilizados, sobretudo em trabalhos de escritório, administrativos, entre outros. A densidade
da informação apresentada, as características do visor e a postura do utilizador face à
máquina podem constituir fatores de risco para a saúde deste último.
Apesar de certos visores emitirem um grau de radiação, suficientemente baixo para evitar
danos para a saúde do utilizador, mesmo assim as más condições de trabalho com
equipamentos dotados de visor podem causar danos à saúde dos utilizadores. Por isso, deve
fazer-se com que os trabalhadores possam monitorizar a sua saúde de forma adequada,
tendo em conta, e de forma particular, os riscos para a vista, os problemas físicos e o
esforço mental, o possível efeito combinado dos riscos e a eventual patologia concomitante.
Esta monitorização da saúde deve ser oferecida aos trabalhadores:
 No momento de início do desempenho do trabalho;
 Posteriormente, com uma periodicidade adequada ao nível de risco;
 Sempre que apareçam transtornos que possam ser atribuídos a este tipo de trabalho;
 Sempre que os resultados da monitorização da saúde o justifiquem, os trabalhadores
terão direito a um exame oftalmológico.

Ao nível de outras profissões, as radiações estão presentes em muitos equipamentos óticos,


de medição e de controlo e cada vez mais em equipamentos de corte de precisão em
diversos sectores industriais como, por exemplo, a metalomecânica.
Os raios laser são feixes eletromagnéticos altamente direcionais com uma densidade de
energia alta. Os mais comuns utilizam comprimentos de onda da banda de luz visível e
infravermelho mas também existem os que utilizam a banda de ultravioleta, ainda mais
energéticos. Dada a concentração de energia em muito pequenas áreas é necessário tomar
especial atenção a estes raios.

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Os principais efeitos das radiações não ionizantes são:


 Efeitos Carcinogénicos na pele, resultantes de exposições prolongadas,
principalmente à radiação UV, com origem na luz solar e lâmpadas de luz ultravioleta
(“luz negra” e solários)
 Efeitos Térmicos:
 Queimaduras na pele, tipo “vermelhão”, ou mais graves no caso de exposição a
fontes particularmente intensas (lasers)
 Sensibilização dos tecidos em geral
 Inflamações da córnea e da conjuntiva podendo conduzir a glaucoma e cataratas
 Queimaduras graves dos tecidos oculares, provocando cegueira no caso dos lasers.

No que respeita às radiações não ionizantes as medidas de proteção incidem principalmente


sobre o trabalhador:
 Redução dos tempos de exposição, para todos os tipos de radiações;
 Na proteção da pele, contra a radiação ultra violoeta , recorrer a vestuário adequado
e a filtros solares do tipo “praia”;
 Na proteção dos olhos, contra a radiação ultra violeta e infravermelha, recorrer a
proteção específica que obedeça às normas europeias relativas aos equipamentos de
proteção individual para os olhos;
 Na proteção contra a radiação em feixes de raios laser, utilizar proteção ocular
adequada e adotar métodos de trabalho seguros.

Ruído

O ruído é um agente físico que pode afetar de modo significativo a qualidade de vida do
trabalhador.
O ruído é o som desagradável e indesejável que perturba o ambiente, contribui para o mal-
estar e provoca situações de risco para a segurança e saúde do trabalhador. O ruído pode
alterar o bem-estar psicológico ou fisiológico e provocar lesões auditivas que podem levar à
surdez e prejudicar a produtividade do trabalhador.
Ainda decorrentes da exposição ao ruído, alguns trabalhadores têm manifestado alterações
respiratórias, cardiovasculares, no sistema digestivo ou visuais.

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Os níveis elevados de ruído podem também provocar perturbações do sono, irritabilidade e


cansaço.
As perdas de audição são derivadas da frequência e intensidade do ruído, enquanto a fadiga
evidencia-se por uma menor acuidade auditiva. Em condições de exposição prolongada ao
ruído por parte do aparelho auditivo, os efeitos podem resultar na surdez profissional cuja
cura é impossível, deixando o trabalhador com dificuldades para se relacionar com os
colegas e família, assim como dificuldades acrescidas em se aperceber da movimentação de
veículos ou máquinas, agravando as suas condições de risco.
Mede-se o ruído utilizando um instrumento denominado medidor de pressão sonora, e a
unidade usada como medida é o decibel ou abreviadamente dB.
 Para 8 horas diárias de trabalho, o limite máximo de ruído estabelecido é de 85
decibéis.
 O ruído emitido por uma britadeira é equivalente a 100 decibéis.
 O limite máximo de exposição contínua do trabalhador a esse ruído, sem proteção
auditiva, é de 1 hora.

Sem medidas de controlo ou proteção, o excesso de intensidade do ruído, acaba por afetar o
cérebro e o sistema nervoso.
Em condições de exposição prolongada ao ruído por parte do aparelho auditivo, os efeitos
podem resultar na surdez profissional cuja cura é impossível, deixando o trabalhador com
dificuldades para se relacionar com os colegas e família, assim como dificuldades acrescidas
em se aperceber da movimentação de veículos ou máquinas, agravando as suas condições
de risco por acidente físico.
Consoante os valores de ruído a que o trabalhador está sujeito, a organização deverá atuar
da seguinte forma:

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Medidas preventivas de carácter geral:


 Informação e formação dos trabalhadores;
 Sinalização e limitação de acesso a zonas muito ruidosas;
 Vigilância médica e audiométrica da função auditiva dos trabalhadores.

Medidas preventivas de carácter específico:


 Eliminação ou substituição por máquina mais silenciosa;
 Modificação no ritmo de funcionamento da máquina;
 Aumento da distância e redução da concentração de máquinas, em relação à posição
do trabalhador;
 Suportes antivibráticos;
 Enclausuramento integral e parcial;
 Barreiras Acústicas;
 Silenciadores nos escapes e escoamentos;
 Isolamento em cabina silenciosa.

Vibrações

A energia de vibração produzida por ferramenta vibratória é transmitida às mãos e braços do


operador, podendo daí advir efeitos na sua saúde e bem-estar. Qualquer estratégia que vise
a redução das vibrações transmitidas da ferramenta à mão, ajudará a prevenir os sintomas.
O controlo das vibrações é um passo importante para a proteção dos trabalhadores expostos
a este agente físico.
Assim, o objetivo é eliminar ou reduzir as vibrações das ferramentas. A regra fundamental é
combater prioritariamente o estado de ressonância.
As principais intervenções situam-se basicamente nos três seguintes processos:
• Reduzir as vibrações na origem
• Redução das vibrações na transmissão
• Alteração do processo

Qualquer intervenção na transmissão e propagação das vibrações pode revestir a seguinte


forma:
• Suprimir o meio transmissor
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• Realizar uma montagem anti-vibratória


• Aumentar a inércia ou a massa de um sistema
• Modificar os modos vibratórios do sistema e criar o amortecimento.

Riscos químicos

Os produtos químicos estão presentes no dia-a-dia de todas as pessoas. Podem ser


encontrados em todos os tipos de produtos de higiene e limpeza, da casa ou das pessoas,
nos combustíveis, na comida. Na esmagadora maioria das indústrias podemos encontrar
toda uma infinidade de produtos químicos que são utilizados como matérias-primas, como
matérias subsidiárias ou com outras finalidades.
Os efeitos que os produtos químicos produzem nas pessoas dependem das suas
características físico-químicas, das suas propriedades toxicológicas, do modo como são
utilizados e das quantidades em que são utilizados. Os produtos químicos são considerados
perigosos quando apresentam riscos para o ser humano ou para o ambiente.
Uma abordagem importante aos agentes químicos é a que encara a contaminação do ar por
estes agentes, especialmente o dos locais de trabalho, dado ser a via respiratória a principal
via de entrada dos agentes químicos no organismo.
Os contaminantes podem ser encontrados em três estados fundamentais da matéria: estado
sólido, estado líquido ou estado gasoso:
a) Contaminantes Químicos no estado sólido
 Poeiras – partículas esferoidais, em suspensão no ar, muito pequenas. Dividem-se
em:

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o Poeiras Totais ou Inaláveis: todas as partículas sólidas presentes no ambiente,


num dado momento. Englobam as respiráveis
o Poeiras Respiráveis: fração das poeiras totais, com uma dimensão inferior a
7μm. Penetram no organismo até aos alvéolos pulmonares
 Fibras – partículas, geralmente em suspensão no ar, e cujo comprimento é superior
mais de três vezes ao seu diâmetro.
 Fumos – suspensão no ar de partículas esféricas, mais pequenas que as poeiras,
resultantes de combustões incompletas ou resultantes da sublimação de alguns
vapores.
b) Contaminantes Químicos no estado líquido
 Aerossóis – suspensões de gotículas no ar cujo tamanho não é visível a olho nu. A
sua origem é, normalmente, a dispersão mecânica de líquidos
 Neblinas – suspensões no ar de gotículas visíveis a olho nu, produzidas por
condensação de vapor.

c) Contaminantes Químicos no estado gasoso


 Gases – substâncias que à temperatura de 25ºC e à pressão de 1 atmosfera se
encontram no estado gasoso.
 Vapores – substâncias que à temperatura de 25ºC e à pressão de 1 atmosfera se
encontram no estado líquido ou no estado sólido.
Os agentes químicos ficam em suspensão no ar e podem penetrar no organismo por:
 Via respiratória: é a principal porta de entrada dos agentes químicos, porque
respiramos continuadamente, e tudo o que está no ar acaba por passar nos pulmões;
 Via digestiva: se o trabalhador comer ou beber algo com as mãos sujas, ou que
ficaram muito tempo expostas a produtos químicos, parte das substâncias químicas
serão ingeridas com o alimento, atingindo o estômago e podendo provocar danos;
 Epiderme: essa via de penetração é a mais difícil, mas se o trabalhador estiver
desprotegido e tiver contacto com substâncias químicas, havendo deposição no
corpo, serão absorvidas pela pele;
 Via ocular: alguns químicos permanecem no ar e causam irritação nos olhos.
Alguns produtos químicos podem ser perigosos, levando à ocorrência de acidentes de
trabalho e até doenças profissionais. Os produtos químicos podem ser abordados de acordo
com os vários tipos de riscos e em especial das suas consequências.

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As substâncias químicas quando absorvidas pelo organismo em quantidades suficientes,


podem provocar lesões no mesmo. Assim surge a definição de DOSE: Quantidade de
substância absorvida pelo organismo. Os efeitos no organismo vão depender da dose
absorvida e da quantidade de tempo de exposição a essa dose.
Assim, os graus de Intoxicação com produtos Químicos podem ser classificados em:
 Intoxicação Aguda, corresponde a uma absorção rápida num curto período de tempo;
 Intoxicação Crónica, absorção de pequenas doses em certos períodos de tempo.
Existem tóxicos que provocam em todos os seres humanos os mesmos efeitos, as mesmas
respostas. No entanto, existem outros que não desencadeiam uma sintomatologia
característica, sendo a sua ação mais complexa e aparentemente não específica.
Esta inconstância dos tóxicos não está em contradição com a noção de especificidade do
modo de atuação dos tóxicos. A par de uma ação principal, as ações secundárias podem
variar segundo os indivíduos.
Os sintomas que, por ação dos tóxicos, frequentemente se manifestam (diarreia, vómitos)
não traduzem os principais efeitos nocivos, mas sim epifenómenos relacionados com o
próprio indivíduo. Apenas ações que causam os traumatismos apresentam alguma
especificidade e devem merecer a tenção.
Convém sublinhar que, a partir da sua entrada no sangue, qualquer que seja a via por onde
tenha entrado, o tóxico é transportado em 23 segundos através de todo o organismo.
Em função da natureza físico-química do tóxico e dos órgãos, e das condições de
acessibilidade, o tóxico elegerá um ou mais órgãos e aí se fixará. A partir daí, estenderá a
sua ação sobre as células e tecidos, interferindo nocivamente no metabolismo dos mesmos.

Classificação, rotulagem e armazenagem

Os diversos países adotaram o método da simbologia expressa em painéis, placas e


etiquetas de identificação de matérias perigosas.
A utilização das etiquetas de perigo servem para classificar as mercadorias perigosas
contendo as seguintes finalidades:
 Serem reconhecidas à distância;
 Identificar a natureza do perigo
 Ser facilmente reconhecida face aos símbolos.

Principais símbolos:
 Bomba: perigo de explosão;

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 Chama: perigo de incêndio;


 Caveira: perigo de envenenamento;
 Trifólio: perigo de radioatividade;
 Os líquidos gotejando dos tubos de ensaio sobre uma mão e uma placa de metal:
perigo de corrosão.

Figura 1 Etiquetas de Perigo

Outros símbolos complementares utilizados são:


 Uma chama sobre um círculo: comburentes/oxidantes;
 Uma garrafa: gases comprimidos não inflamáveis;
 Três meias luas sobre um círculo: substâncias infecciosas;
 Uma cruz sobre uma espiga: substância nociva que deve colocar-se longe de
alimentos;
 Sete franjas verticais: substâncias perigosas diversas
Os rótulos das embalagens têm como função identificar os riscos relativos à utilização dos
produtos bem como as medidas de prevenção a ter na sua utilização. Todas as embalagens
devem possuir rótulo, com as seguintes informações:
 Indicar o perigo que a substância apresenta e os símbolos de perigo;
 Indicações sobre o fabricante;
 Número CEE;

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 Estas informações deverão ser coerentes com a substância;


 Tem de estar de acordo com o idioma do pais em questão;
 Nome da substância de acordo com uma lista internacional.

Figura 2 Exemplo de rótulo

Figura 3 Símbolos utilizados nos rótulos

Regras gerais relativas à armazenagem de substâncias químicas


 A armazenagem deve iniciar-se com a identificação das substâncias a serem
armazenadas e com o conhecimento das classes de perigo associadas. Assim, o
pessoal que trabalha nas áreas de armazenagem deve ser conhecedor das

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características das substâncias armazenadas e do modo de realização das suas


tarefas, em segurança.
 A separação ou isolamento são recomendados em função do grau de perigo, das
quantidades totais armazenadas e do tamanho e duração de contentores individuais.
 O material e tamanho dos contentores de armazenagem afetará a necessidade de
práticas especiais de armazenagem e de procedimentos de segurança.
 A ventilação é necessária para químicos e contentores que podem libertar
quantidades de vapores ou gases perigosos ou inflamáveis, corrosivos, irritantes ou
tóxicos. A ventilação pode também ser necessária para contentores e químicos que
possam produzir odores prejudiciais.
 Podem estar nos serviços e/ou nas áreas de trabalho as substâncias químicas que
são usadas frequentemente, mas em quantidades limitadas ao mínimo necessário; o
tamanho dos contentores não deve ultrapassar de 2,5 a 5 litros.
 Deverão ser realizadas inspeções periódicas a todos os locais de armazenagem
(mínimo anual), no respeitante à sua caducidade, deterioração ou integridade do
recipiente e do rótulo, procedendo-se à respetiva eliminação em segurança. Estas
devem ser realizadas por pessoa/Entidade competente.
 De igual modo, deverão ser verificadas nos espaços de armazenagem, boas
condições de limpeza e manutenção.
 Para cada área de armazenagem deverão existir procedimentos de emergência e de
evacuação, a serem seguidos em caso de situação acidental.
 As medidas de segurança genéricas e afetas às áreas de armazenagem devem
incluir:
o Ventilação para proteger a saúde das pessoas e prevenir a corrosão dos
equipamentos;
o Iluminação suficiente para a leitura dos rótulos e identificação das prateleiras;
o Prateleiras fortes e resistentes à corrosão;
o Identificação clara e completa dos locais de armazenagem;
o Acessórios como bancos, carrinhos e cestos que permitam remover e
movimentar em segurança as substâncias;
o Locais de acesso fácil. Todos os corredores de circulação devem estar
desobstruídos;
o Transporte de recipientes de gás comprimido em carrinhos equipados com
correntes/cintas;

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o Dispositivos de segurança para prevenção de queda/choque de recipientes;


o Dispositivos de segurança para retenção de eventuais derrames (paletes de
contenção, bacias de retenção, entre outros);
o Locais distintos para armazenagem temporária de recipientes vazios e cheios;
o Meios de combate a incêndios, cujas especificações dependem do tipo e
quantidades das substâncias químicas armazenadas;
o Fichas de Dados de Segurança (FDS) para cada substância química. Estas
devem estar compiladas, e disponíveis em locais de fácil acesso e do
conhecimento geral.
Através de uma correta manipulação dos produtos potencialmente perigosos, pretende-se
minimizar os riscos associados à exposição a essas substâncias.
São enunciadas algumas regras gerais relativas ao manuseamento de substâncias químicas,
nomeadamente:
 Minimizar a exposição a substâncias químicas em geral;
 Usar o equipamento de proteção individual adequado ao trabalho a desenvolver. Este
deverá incluir sempre, bata, luvas e óculos de proteção;
 Não usar cabelos compridos soltos, pois podem estar na origem de situações de
risco, retirar pulseiras e anéis dado que as substâncias perigosas e outros materiais
podem alojar-se nestes objetos e causarem lesões na pele;
 Ler com atenção as instruções antes de iniciar qualquer trabalho;
 Conferir o rótulo do recipiente ou a FDS antes de utilizar uma substância química, no
sentido de verificar quais são as suas propriedades de risco;
 Nunca usar produtos de recipientes que não tenham rótulos legíveis. Esta regra
também se aplica a outros tipos de embalagens, que devem estar sempre rotuladas;
 Quando se verter um líquido de um recipiente para outro, fazê-lo pelo lado oposto ao
do rótulo para evitar a deterioração deste pelo líquido;
 Não misturar substâncias químicas ao acaso, pois podem ocorrer reações
incompatíveis, que se poderão traduzir em reações violentas ou explosivas;
 Não colocar num recipiente qualquer substância química que dele tenha sido retirado.
Seguindo esta regra, evita-se o risco de trocas e de reações químicas incompatíveis;
 Depois de retirar uma substância química de um recipiente, voltar a fechá-lo,
imediatamente;
 Não tocar, cheirar ou provar qualquer substância química;

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 Não fumar, comer, beber ou guardar alimentos em locais que não sejam próprios
para esse efeito, especialmente em áreas onde se localizem substâncias químicas;
 Usar sistemas de aviso sempre que possam ocorrer situações de risco graves, como
sejam as exposições a radiações ionizantes, laser, materiais inflamáveis, muito
tóxicos ou outras situações especiais;
 A fim de evitar contaminações, não deverá usar o equipamento de proteção fora do
local de trabalho;
 Lavar-se bem antes de abandonar o local de trabalho. Evitar o uso de solventes para
limpar a pele. Estes desengorduram a pele produzindo inflamações ou irritações. Em
muitas situações a lavagem com solventes facilita a absorção cutânea dos produtos
químicos.

Riscos de incêndio ou explosão

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Fogo:
 É uma combustão na qual se pode visualizar a produção de chamas com libertação
de energia, sob a forma de luz e calor.

Combustão:
 É uma reação química entre dois reagentes, o combustível e o comburente, mediante
condições favoráveis de temperatura e humidade.

Incêndio:
 É quando o fogo foge do controle

Combustível:
 Agente redutor que ao oxidar em determinadas circunstâncias é capaz de arder.
Exemplos: madeira, papel, plástico

Comburente:
 Agente oxidante (oxigénio) que alimenta a combustão.

Energia de ativação:
 Energia fornecida ao combustível e ao comburente para atingir a temperatura do
ponto de inflamação.

Reação em cadeia:
 União dos três elementos básicos para que a combustão continue, de maneira a
permitir a propagação do incêndio no espaço e no tempo.

Triângulo do fogo:
 É a representação dos três elementos básicos do fogo: comburente (oxigénio do ar),
combustível (no estado vapor) e energia de ativação (calor).

Tetraedro do fogo:
 Quando a união dos três elementos básicos são ligados por uma combustão de
maneira continuada – reação em cadeia.

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Há um incêndio, ou risco de incêndio, toda vez que uma causa qualquer provoca inflamação
ou aumento de temperatura capaz de causar perigo, seja de materiais ou mercadorias, seja
de uma habitação, de um estabelecimento industrial ou comercial, de um depósito.
O risco de incêndio num determinado local depende da quantidade e da qualidade do
combustível aí existente. Está diretamente relacionado com três fatores:
 Poder Calorífico (quantidade de calor libertada pela combustão completa de uma
unidade de massa combustível);
 Potencial Calorífico (quantidade de calor suscetível de ser libertada pela combustão
completa de um corpo);
 Carga de Incêndio (potencial calorífico da totalidade dos materiais combustíveis
contidos num espaço, compreendendo o revestimento das paredes, divisórias,
soalhos e tetos).
As causas de incêndio são muito variadas, mas, na sua generalidade, resultam da atividade
humana. Os incêndios provocados por causas naturais são pouco frequentes.
De entre as fontes de ignição de incêndio mais comuns, podem destacar-se:
 Fontes de origem térmica (fósforos, cigarros, fornos, soldadura, viaturas),
 Fontes de origem elétrica (interruptores, disjuntores, aparelhos elétricos defeituosos,
eletricidade estática);
 Fontes de origem mecânica (chispas provocadas por ferramentas, sobreaquecimento
devido à fricção mecânica).
 Fontes de origem química (reação química com libertação de calor, reação de
substâncias auto-oxidantes).
De entre as causas humanas de incêndio, podem destacar-se:
 O descuido;
 O desconhecimento;
 Fogo posto (origem criminosa). Como exemplos de causas humanas de incêndio,
provocado por descuido ou desconhecimento, podem apontar-se:
 Trasfega de líquidos ou gás combustível sem as medidas de segurança adequadas;
 Fuga ou derrame de líquido ou gás combustível;
 Objetos de fumo (por exemplo cigarros) deficientemente controlados;
 Trabalhos a quente ou com chama nua ( por exemplo soldadura) sem as medidas de
segurança adequadas;
 Lareiras, fogueiras e outros espaços com chama nua, deficientemente apagados;
confeção de refeições (fogões, fornos, exaustores) sem as medidas de segurança
adequadas;
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 Reações químicas não controladas;


 Instalações elétricas com sobrecarga e/ou mal protegidas;
 Utilização de equipamentos sem as medidas de segurança adequadas.

Os fogos possuem características diferentes consoante a sua origem e o material que está a
sofrer a combustão. É importante o seu conhecimento, uma vez que cada tipo de fogo é
extinto com um diferente tipo de extintor.

Fogos de Sólidos (ou Fogos Secos)


 Fogos que resultam da combustão de materiais sólidos, geralmente à base de
celulose, os quais dão normalmente origem a brasas.
 Combustíveis: Madeira, Papel, Tecidos, Carvão, etc.

Fogos de Líquidos (ou Fogos Gordos)


 Fogos que resultam da combustão de líquidos ou de sólidos liquidificáveis.
 Combustíveis: Álcoois, Acetonas, Éteres, Gasolinas, Vernizes, Ceras, Óleos, Plásticos,
etc.

Fogos de Gases
 Fogos que resultam da combustão de gases.
 Combustíveis: Hidrogénio, Butano, Propano, Acetileno, etc.

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Fogos de Metais (ou Fogos Especiais)


 Fogos que resultam da combustão de metais.
 Combustíveis: Metais em pó (alumínio, cálcio, titânio), Sódio, Potássio, Magnésio, etc.

Em função da forma como se manifestam, podemos encontrar três subclassificações:


 Segundo o foco em que se produzem;
 Segundo o seu tamanho;
 Segundo o local onde se desenrolam.
Segundo o foco em que se produzem, os fogos podem ser planos, verticais ou alimentados
(neste caso, um fogo vertical ou horizontal é alimentado por um combustível procedente de
depósitos que não estão em contacto direto com o incêndio).
Segundo o seu tamanho, os fogos podem ser pequenos (área da superfície ativa das chamas
menor que 4 m2), médios (área entre 4 e 10 m2), grandes (área entre 10 e 100 m2) e de
envergadura (área maior que 100 m2).
Segundo o local onde se desenvolvem, os incêndios podem ser interiores ou exteriores.

Métodos de extinção
São considerados meios de primeira intervenção os extintores portáteis e as redes de
incêndio armadas. Quer no caso dos Extintores Portáteis, como no caso das Redes de
incêndio armadas (RIA), antes do seu uso, verificar a sua adequação ao tipo de fogo de
acordo com o agente extintor em uso.
No caso das RIA, a água e nos Extintores Portáteis consultar a inscrição no corpo do mesmo,
onde devem constar, para além das classes de fogos, a capacidade, data de inspeção e
instruções de utilização.

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Classificação dos Extintores


Extintor de água pressurizada (arrefecimento)
Características:
 Por ser um extintor de água, possui um grande poder de infiltração
 Tem um alcance de 7.5 metros, atacando o fogo na sua base
 Indicado para incêndios de classe A, que queimam em superfície e em profundidade

Modo de usar:
 Água pressurizada: romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o jato na base do
fogo
Extintor de pó químico (abafamento)
Características:
 Possui no seu interior pó químico, podendo ser pó de bicarbonato
 Ataca o fogo através de uma nuvem de pó de modo a cobrir a área atingida
Modo de usar:
 Pó químico pressurizado: romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o jato na base
do fogo

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Extintor de espuma química (arrefecimento e abafamento)


Modo de usar:
 Aproximar com segurança do líquido em chamas e inverter a posição do extintor (de
cabeça para baixo), dirigindo o jato na superfície do líquido de maneira a envolver
como uma manta.

Extintor de dióxido de carbono ou de neve carbónica (abafamento e arrefecimento)


Características:
 Este tipo de extintor possui dióxido de carbono, quando utilizado forma gelo seco que
queima
 Ataca o fogo através de abafamento ou arrefecimento

Modo de usar:
 Romper o lacre e apertar no gatilho, dirigindo o difusor para a base do fogo.
 Não tocar no difusor, pois quando formar o gelo, pode queimar

Escolha do agente extintor

Uma vez conhecidos os materiais combustíveis existentes nos diferentes locais a proteger, o
agente extintor deve ser o apropriado para os tipos de fogo em causa.
Existem extintores de vários tipos e capacidades e que utilizam diversos tipos de agentes
extintores de acordo com a classe de fogo em que se enquadram os materiais combustíveis.
A classificação dos fogos servirá para selecionar o tipo de extintor de incêndio mais
adequado a cada situação. Assim:

Fogos de Sólidos (ou Fogos Secos)


 Para este tipo de fogos são adequados os seguintes tipos de agentes extintores:
água, água com aditivos, água finalmente pulverizada ou em “nuvem”; pó químico
seco do tipo ABC, espuma, dióxido de carbono (pouco eficaz) e agentes halogenados.

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Fogos de Líquidos (ou Fogos Gordos)


 Para este tipo de fogos são adequados os seguintes tipos de agentes extintores:
água com aditivos e água em nuvem em alguns casos; pó químico seco do tipo ABC,
pó químico seco do tipo BC, espuma, dióxido de carbono e agentes halogenados.

Fogos de Gases
 Para este tipo de fogos são adequados vários tipos de agentes extintores: pó químico
seco do tipo ABC, pó químico seco do tipo BC, dióxido de carbono e gases inertes

Fogos de Metais (ou Fogos Especiais)


 Para este tipo de fogos é adequado o agente extintor específico (geralmente um pó
químico) para cada caso.
Riscos elétricos

A eletricidade é um dos tipos de energia mais utilizados, proporcionando ajuda e


comodidade à maioria das atividades do ser humano, mas apresenta riscos sérios que é
necessário conhecer e prever.
TIPOS DE CONTACTO COM A ELECTRICIDADE
 Contacto direto: É o que se produz com as partes ativas da instalação.
 Contacto indireto: é o que se produz com massas em tensão.
Ao falarmos em riscos elétricos para as pessoas, temos de ter muito presentes dois conceitos
fundamentais: eletrocussão - um choque elétrico que origina um acidente mortal – e
eletrização - um choque elétrico que não causa um acidente mortal, mas que pode originar
outro tipo de acidentes, com consequências que podem ser mais ou menos graves.

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A eletrocussão é provocada pela eletricidade em contacto com o corpo quando este está
ligado a terra por um bom condutor, que pode ser o vestuário, o calçado, solo molhado ou
tubagens metálicas e originam correntes de baixa ou alta tensão.
As correntes de baixa tensão provocam paragens cardíacas, e a corrente de alta tensão mata
por asfixia, ou seja, paragem da respiração.
Os choques elétricos provocam queimaduras. Uma bolha branca ou uma ferida podem
esconder grandes estragos internos de tecidos. O choque pode deixar um ferimento na
entrada e um outro no local da saída, ferimentos esses, muitas vezes de 3º grau.
Os tecidos do meio, que incluem vasos sanguíneos, nervos e músculos, são geralmente
muito danificados ou destruídos. Se o choque elétrico atravessar o cérebro ou o coração,
existem riscos de desmaio e de perturbações do ritmo cardíaco, podendo haver uma
paragem cardíaca.
Antes de iniciar o salvamento deve-se ter sempre o cuidado de verificar se a vítima ainda
está ligada a fonte de tensão, e se for o caso, desligá-la imediatamente com um objeto não
condutor, como por exemplo um pau.

Medidas de prevenção e proteção


Para evitar os contactos diretos, é necessário:
• Afastar os cabos e as ligações dos locais de trabalho e de passagem
• Interpor ou colocar obstáculos para proteção
• Cobrir as partes em tensão com material isolador
• Utilizar tensões inferiores a 25 volt.
Para evitar os contactos indiretos, existem os seguintes meios de proteção:
• A ligação à terra
• O disjuntor diferencial
Quando se produz um contacto elétrico indireto, a ligação à terra desvia uma grande parte
da corrente elétrica que, de outro modo, passaria através do corpo do trabalhador.
Mas nem todas as ligações à terra se encontram em bom estado. É necessário verificar se
estão bem efetuadas e cuidadas pelo técnico especializado.
O disjuntor diferencial é um aparelho de grande precisão que corta a corrente quase
instantaneamente, assim que se produz uma corrente de defeito.
Medidas de prevenção básicas:
• Não realize trabalhos de eletricidade se não estiver habilitado e autorizado a fazê-lo.
• Tenha cuidado com os fios elétricos. Mantenha a distância de segurança.
• Utilize equipamentos e meios de proteção individual certificados.

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• Nos locais molhados ou metálicos, utilize apenas aparelhos elétricos portáteis com
tensão reduzida de segurança (24 V).
• Certifique-se de que o seu meio ambiente de trabalho é seguro.
Em regra, deve comprovar-se que:
• Os conectores, as fichas, os interruptores automáticos e os fusíveis são os adequados.
• É impedido o acesso aos elementos que se encontram sob tensão, mantendo fechados
os respetivos invólucros, se possível com chave, a qual deverá ser guardada pelo
responsável.
• Os interruptores de alimentação são acessíveis e todos sabem utilizá-los em caso de
emergência.
• As instalações são verificadas periodicamente por eletricistas qualificados;.
• Existe uma lista dos aparelhos portáteis que visa assegurar que são revistos
periodicamente.
• Qualquer aparelho que se suspeite apresentar algum problema é retirado de utilização e
guardado num local seguro, com uma etiqueta “não usar”, enquanto aguarda ser revisão;
• A revisão periódica dos disjuntores diferenciais será realizada pelo pessoal responsável.
• Antes de serem limpos, regulados ou mantidos, as ferramentas e os equipamentos
serão desligados da rede elétrica.
Riscos mecânicos

Os riscos mecânicos decorrem do trabalho com máquinas e equipamentos.


As máquinas devem, de origem, estar aptas a cumprir a função a que se destinam e não
devem expor a riscos as pessoas que com elas trabalham quando se efetua regulação ou
manutenção. O fabricante deve aplicar os seguintes princípios pela ordem indicada:
 Eliminar ou reduzir os riscos, na medida do possível na fase de conceção.
 Tomar as medidas de proteção face aos riscos que não possam ser eliminados.
 Informar os utilizadores de riscos residuais; indicar se é necessária formação
específica e se é necessário a utilização de EPI.

Riscos associados ao trabalho com máquinas:


 Esmagamento
 Cortes e perfurações
 Prisão em equipamento
 Pancadas
 Projeções de partículas

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 Choques elétricos
 Riscos térmicos (chamas, explosões, radiações, etc.)
 Ruído e vibrações
 Perigo de contacto ou inalação de fluidos, gases, fumos, substâncias tóxicas, etc.

Medidas a aplicar aos trabalhadores:


 Informar as condições de utilização das máquinas
 Informar a conduta a seguir em situação normal, ou em contexto de incidente
previsível
 Informar sobre as conclusões retiradas da experiência, permitindo assim evitar riscos.

Movimentação mecânica de cargas


Atualmente, existe uma grande oferta de meios de movimentação mecânica de cargas,
permitindo encontrar soluções ajustadas para cada problema de movimentação. No entanto,
nem sempre as condições de instalação e de exploração permitem obter as melhores
condições de segurança nos locais de trabalho.
Dos diversos equipamentos utilizados na movimentação mecânica de cargas, é usual
classificá-los em três grupos, em função da sua mobilidade, da continuidade de operação,
dos riscos envolvidos e respetivas medidas de prevenção:
• Equipamentos de funcionamento contínuo em percurso pré-estabelecido
• Equipamentos de Funcionamento Descontínuo de Movimentação Limitada
• Equipamentos Móveis de Funcionamento Descontínuo.
Muitas das medidas de prevenção são comuns aos diversos tipos de equipamentos de
movimentação mecânica de carga, outras serão específicas de cada tipo. Das comuns são
exemplo:
• Não ultrapassar a carga máxima de funcionamento dos equipamentos.
• Não efetuar qualquer intervenção no equipamento com este em funcionamento.
• Utilização de EPI adequado, pelos trabalhadores.

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Riscos ergonómicos

A Movimentação Manual de Cargas pode ser definida como qualquer operação de


movimentação ou deslocamento voluntário de cargas, incluindo as operações fundamentais
de elevação, transporte e descarga.
A ocorrência de acidentes neste tipo de movimentações é consequência de movimentos
incorretos ou esforços físicos exagerados, de grandes distâncias de elevação, do
abaixamento e transporte, bem como de períodos insuficientes de repouso, especialmente
quando se tratam de cargas volumosas.
A Movimentação Manual de Cargas pesadas implica o desenvolvimento de esforço muscular.
Esse esforço traduz-se numa compressão dos vasos sanguíneos e do tecido muscular,
originando uma diminuição do fluxo sanguíneo e, consequentemente, uma diminuição do
fornecimento de oxigénio e de açúcar. Todo este quadro conduz à fadiga. A fadiga pode
provocar uma redução da eficiência do trabalho, que, em casos extremos, leva à ocorrência
de acidentes de trabalho.
De forma a minimizar os riscos e, consequentemente, as lesões, nas atividades de transporte
de cargas, existem várias medidas de prevenção que se deverão tomar:
 A redução das cargas (os valores-limite da carga variam consoante idade, sexo,
duração da tarefa, frequência do movimento de elevação e transporte e capacidade
física do trabalhador);
 A correta escolha do pessoal que desempenha essas atividades;

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 A formação sobre técnicas corretas de movimentação de cargas;


 A utilização de Equipamentos de Proteção Individual adequado (vestuário, luvas e
calçado);
 A utilização de meios mecânicos auxiliares (carros de mão, rolos, patins, ventosas,
pinças ou garras, ou imans);
 A readequação do espaço de trabalho.
Em termos mais específicos, no levantamento de cargas do solo, o trabalhador deve seguir
as seguintes regras de prevenção:
 Posicionar-se o mais perto possível da carga, em posição estável.
 Afastar os pés com o objetivo de equilibrar a distribuição do peso;
 Agarrar a carga firmemente, sempre que possível com a mão completa;
 Fletir os joelhos mantendo as costas direitas, de forma a evitar um esforço incorreto
da coluna, prevenindo o aparecimento de lesões e/ou doenças;
 Elevar a carga sem puxões bruscos, mediante a extensão das pernas;
 Manter os braços e a carga o mais próximo possível do corpo.

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Riscos psicossociais

As transformações da organização do trabalho (obrigação de resultados e maior flexibilidade)


têm uma incidência profunda nos problemas de saúde no trabalho e, em termos mais gerais,
no bem-estar dos trabalhadores.
Constata-se que doenças como o stress, a depressão, a violência, o assédio e a intimidação
no trabalho são cada vez mais frequentes. As estratégias de prevenção destes novos riscos
sociais deverão também integrar a incidência das dependências, em particular as
relacionadas com o consumo de álcool e medicamentos na taxa de sinistralidade.
Das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo, cinco são doenças provocadas
pelo stress. Se considerarmos mortalidade e morbilidade / incapacidade, verificamos que a
depressão, em termos de carga global da doença, ocupa o quarto lugar a nível mundial, e na
projeção para 2020 estará em segundo lugar.
Mas se olharmos apenas para os países desenvolvidos, a depressão já é a segunda causa,
entre mais de 100 patologias avaliadas, de anos de vida perdidos ajustados para a
incapacidade, e estima-se que passará para primeira em 2020.
Deve ser promovida uma política de saúde e segurança no trabalho para um verdadeiro
"bem-estar no trabalho", não só físico, mas também moral e social, que se não mede apenas
por uma ausência de acidentes ou doenças profissionais. Para atingir este objetivo devem
ser tomadas várias medidas complementares:
• Redução contínua dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais;
• Prevenção dos riscos sociais (stress, assédio no trabalho, depressão, ansiedade e
dependências);
• Reforço da prevenção das doenças profissionais, nomeadamente das doenças
provocadas pelo amianto que provoca a perda de audição, e das patologias músculo-
esqueléticas;

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• Consideração da evolução demográfica e seus efeitos a nível dos riscos, acidentes e


doenças (trabalhadores mais velhos e proteção dos jovens no trabalho);
• Integração da dimensão da igualdade entre homens e mulheres na avaliação dos riscos,
nas medidas de prevenção e nos dispositivos de indemnização e compensação;
• Consideração das transformações das formas de emprego e dos modos de organização
do trabalho (trabalho temporário e atípico);

Para melhorar o conhecimento dos riscos serão necessários:


• Educação e formação (sensibilização nos programas escolares, ensino ministrado nos
cursos profissionais e no âmbito da formação profissional contínua);
• Sensibilização das entidades patronais para o desafio da criação de um ambiente de
trabalho controlado;
• Antecipação dos riscos novos e emergentes, quer se trate dos riscos associados às
inovações técnicas, quer dos decorrentes da evolução social;
• Melhor aplicação da legislação em vigor (a aplicação efetiva do direito humano é uma
condição necessária para a melhoria da qualidade do ambiente de trabalho).

As doenças sociais são no fundo todos os males que advêm da vivência em sociedade: o
stress, o cansaço, os horários a cumprir, a alimentação cada vez mais “plástica”, as
incertezas profissionais e remunerações insatisfatórias, a conduta social tanto no trabalho
como em sociedade, são tudo causas mais que prováveis destas doenças.
É fundamental procurar-se um ambiente saudável no trabalho, e isso implica conceitos de
ergonomia, capacidade de gerir conflitos, implementação de qualidade nos locais de trabalho
e regras de segurança, higiene e saúde para todos.

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Sinalização de segurança e saúde

A Sinalização de Segurança e Saúde é uma condição básica essencial de prevenção dos


riscos profissionais.
A sinalização pretende condicionar e orientar a atuação do indivíduo perante situações de
risco para as quais se pretende chamar a atenção.
No interior e exterior das instalações da empresa, devem existir formas de aviso e
informação rápida que possam auxiliar os elementos da Empresa a atuar em conformidade
com os procedimentos de segurança. A sinalização de segurança destina-se a identificar:
 Situações perigosas;
 Percursos seguros de evacuação;
 Equipamentos de intervenção;
 Dispositivos manuais de acionamento do alarme;
 Dispositivos de comando de sistemas de segurança.

Esta sinalização apenas se destina a assinalar os aspetos referidos e não constitui um meio
de eliminar os perigos, aspeto que deve ser garantido por outras medidas de segurança.
A sinalização de segurança é concretizada através de sinais com formas, cores e, muitas
vezes, pictogramas adequados à informação a transmitir, possuindo as dimensões e uma
localização que permita a sua visibilidade.

Figura 4 Sinalização de Segurança

Em seguida, apresentam-se alguns exemplos do tipo de sinalização existente e a ser


aplicada nas Empresas.
a) Sinais de Perigo:

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Os sinais de perigo têm forma triangular, o contorno e pictograma a preto e o fundo a


amarelo. Indicam situações de risco potencial de acordo com o pictograma inserido no
sinal. São utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos,
entre outros.

Figura 5 Sinais de Perigo

b) Sinais de Proibição:
São sinais que têm forma circular, o contorno vermelho, pictograma a preto e o fundo
branco, que indicam comportamentos proibidos de acordo com o pictograma inserido no
sinal. São utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, entre
outros.

Figura 6 Sinais de Proibição

c) Sinais de Obrigação:
São sinais com forma circular, fundo azul e pictograma a branco, que indicam
comportamentos obrigatórios de acordo com o pictograma inserido no sinal. São
utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, entre outros.

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Figura 7 Sinais de Obrigação

d) Sinais de Emergência:
São sinais que têm forma retangular, fundo verde e pictograma a branco, que fornecem
informações de salvamento de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados
em instalação, acessos e equipamentos, entre outros.

Figura 8 Sinais de Emergência

Equipamentos de proteção coletiva e de proteção individual

As medidas de proteção coletiva, através dos equipamentos de proteção coletiva (EPC),


devem ter prioridade, conforme determina a legislação, uma vez que beneficiam todos os
trabalhadores, indistintamente.
Os EPCs devem ser mantidos nas condições que os especialistas em segurança
estabelecerem, devendo ser reparados sempre que apresentarem qualquer deficiência.

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Vejamos alguns exemplos de aplicação de EPCs:


 Sistema de exaustão que elimina gases, vapores ou poeiras contaminantes do local
de trabalho;
 Enclausuramento de máquina ruidosa para livrar o ambiente do ruído excessivo;
 Comando bimanual, que mantém as mãos ocupadas, fora da zona de perigo, durante
o ciclo de uma máquina;
 Cabo de segurança para conter equipamentos suspensos sujeitos a esforços, caso
venham a se desprender.

Quando não for possível adotar medidas de segurança de ordem geral, para garantir a
proteção contra os riscos de acidentes e doenças profissionais, devem-se utilizar os
equipamentos de proteção individual, conhecidos pela sigla EPI.
São considerados equipamentos de proteção individual todos os dispositivos de uso pessoal
destinados a proteger a integridade física e a saúde do trabalhador.
Os EPIs não evitam os acidentes, como acontece de forma eficaz com a proteção coletiva.
Apenas diminuem ou evitam lesões que podem decorrer de acidentes.
A lei determina que os EPIs sejam aprovados pelo Ministério do Trabalho, mediante
certificados de aprovação (CA). As empresas devem fornecer os EPIs gratuitamente aos
trabalhadores que deles necessitarem.
A lei estabelece também que é obrigação dos empregados usar os equipamentos de
proteção individual onde houver risco, assim como os demais meios destinados a sua
segurança.

Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar


óculos de proteção capacete de proteção protetor de ouvidos

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Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar


máscara de proteção calçado de proteção luvas de proteção

Obrigatório usar Obrigatório usar Obrigatório usar proteção


roupa de proteção viseira de proteção individual contra quedas

Existem EPIs para proteção de praticamente todas as partes do corpo. Veja alguns
exemplos:

CABEÇA E CRÂNIO  Capacete de segurança contra


impactos, perfurações, ação dos
agentes meteorológicos etc.

OLHOS  Óculos contra impactos, que evita a


cegueira total ou parcial e a
conjuntivite.
 É utilizado em trabalhos onde existe
o risco de impacto de estilhaços e
limalhas.

VIAS  Protetor respiratório, que previne


RESPIRATÓRIAS problemas pulmonares e das vias
respiratórias, e deve ser utilizado em
ambientes com poeiras, gases,
vapores ou fumos nocivos.

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FACE  Máscara de solda, que protege contra


impactos de partículas, respingos de
produtos químicos, radiação
(infravermelha e ultravioleta) e
ofuscamento.

OUVIDOS  Auriculares, que previne a surdez, o


cansaço, a irritação e outros
problemas psicológicos.
 Deve ser usada sempre que o
ambiente apresentar níveis de ruído
superiores aos aceitáveis, de acordo
com a norma regulamentadora.

MÃOS E BRAÇOS  Luvas, que evitam problemas de


pele, choque elétrico, queimaduras,
cortes e raspões e devem ser usadas
em trabalhos com solda elétrica,
produtos químicos, materiais
cortantes, ásperos, pesados e
quentes.

PERNAS E PÉS  Botas de borracha, que proporcionam


isolamento contra eletricidade e
humidade.
 Devem ser utilizadas em ambientes
húmidos e em trabalhos que exigem
contacto com produtos químicos.

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TRONCO  Aventais de couro, que protegem de


impactos, gotas de produtos
químicos, choque elétrico,
queimaduras e cortes.
 Devem ser usados em trabalhos de
soldagem elétrica, oxiacetilénica,
corte a quente.

Cada tipo de Equipamento de Proteção Individual apresenta um conjunto de regras relativas


à sua utilização e manutenção. De seguida apresenta-se um conjunto de cuidados, de
carácter geral:
 Antes de utilizar o EPI, o trabalhador deverá verificar sempre o seu estado de
conservação e limpeza e respetivos prazos de validade;
 Se o EPI apresentar alguma deficiência que altere as suas características protetoras,
deverá a sua utilização ser evitada e a chefia direta informada de tal cato, por
escrito;
 Os EPI’s são de uso individual, a fim de se adaptarem às medidas do utilizador e
também por razões higiénicas;
 O trabalhador deverá limpar cuidadosamente os EPI’s após cada utilização.
 Após a utilização dos EPI’s em presença de produtos tóxicos, deverão os mesmos ser
desinfetados com materiais adequados que não alterem as suas características;
 Os EPI’s deverão ser guardados em recipiente ou armário próprio, isento de poeiras,
produtos tóxicos ou abrasivos, utilizando embalagem própria e nas melhore
condições de higiene;
Os EPI’s não deverão nunca estar em contacto direto com ferramentas e outros materiais ou
equipamentos

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BIBILIOGRAFIA UTILIZADA

CABRAL, Fernando; Veiga, Rui; Higiene, Segurança, Sáude e Prevenção de Acidentes de

Trabalho, Verlag Dashofer, Edições Profissionais

IDICT (Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho), Serviços de

Prevenção nas Empresas. Livro Verde, Lisboa, IDICT, 1997.

IDICT (Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho), Serviços de

Prevenção nas Empresas. Livro Branco, Lisboa, IDICT, 1999.

MIGUEL, A. Sérgio. Manual de Higiene e Segurança do Trabalho. Porto, Porto Editora,

1989.

MIGUEL, A. Sérgio, Segurança e Higiene do Trabalho. Lisboa, Universidade Aberta, 1998.

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