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CENTRO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ÉVORA

Curso Técnico/a de Cozinha/Pastelaria


UFCD Cidadania e Profissionalidade 4 – Processos Identitários

1. Fundamentação os princípios de conduta na relação com “o outro”

Objetivos:
Identidade e alteridade: a teoria do reconhecimento
a. Compreender o significado
de alteridade;
“Porque é o nosso olhar que aprisiona muitas vezes os outros, nas suas
b. Discutir a indissociabilidade
pertenças mais estreitas e é também o nosso olhar que tem o poder de os
da relação consigo mesmo,
libertar. “
com os outros e com as
Amin Maalouf (1998)
instituições;

A terra já foi o centro do mundo por erro de perceção e de imaturidade c. Identificar e reconhecer
científico. Depois o sol tomou o seu lugar na cosmologia e as instituições alguns princípios de conduta
humanas esforçaram-se por adotar uma outra perspetiva.
A verdade é que sempre que nos limitamos a aceitar apenas aquilo que nos
é dado a conhecer e não permitimos um espaço para dúvidas e diferenças, a Conceitos:
nossa natureza empobrece, estagna e, mais perigoso do que isso, a. Diferença;
estigmatiza e rejeita o que está para além da sua compreensão. b. Identidade;

A identidade, é uma das grandes questões não só da antropologia, mas c. Eu;

também das restantes ciências sociais, como a filosofia ou a história. Desde d. O outro;

o dia em que o indivíduo se auto-conhece como ser comunicante, que povos e. Princípios de conduta;
encontram povos e desse encontro resultam construções e delimitações de f. Direitos civis;
poder territorial, político, económico e cultural. g. Igualdade

A afirmação desse espaço é feita por oposição ao outro, e assim começa o


relacionamento entre grupos, sejam eles nacionais, regionais, étnicos,
culturais, linguísticos ou religiosos. Atividades

E também começa o aprisionamento do outro com definições ou atributos. a. Diga o que entende por
Mais que palavras ou conceitos, talvez o verdadeiro aprovisionamento identidade.
aconteça com o silêncio, ou melhor, com a ausência de reconhecimento. b. Como é que a sua
Falarmos da complexa necessidade humana, quer coletiva quer individual, e identidade pode influenciar
aceitação como fator de construção de identidade. Charles Taylor (1994), no o outro?
seu ensaio “A Política do Reconhecimento” defende que a falta ou recusa de c. Atua sob princípios de
reconhecimento e/ou um reconhecimento deformado podem ser conduta?
considerados formas de opressão e de expressão de desigualdades. Daí a Quais?
sua defesa do carácter dialógico da identidade em que o nós somos Exemplifique?
depende da interação com os outros. Diz-nos ainda que a identidade é por
nós sempre definida “em diálogo sobre e, por vezes, contra as coisas que os
nossos outros-importantes querem ver assumidas em nós.”
Essa inevitabilidade da condição humana como dialógica sustenta então a
necessidade de uma política de diferença. Isto porque o universalismo do
direito à igualdade e à dignidade não deve anular a unicidade, a
autenticidade e a originalidade de cada indivíduo.
É nas sociedades pré-democráticas que o conceito dignidade de estabelece
como garante do universalismo e igualitarismo. Isto é, a dignidade passa a
ser encarada como um valor comum a toos os indivíduos, ao contrário do
conceito de honra que anteriormente legitimava todo um sistema de
hierarquias sociais, logo desigualdades. Porque o reconhecimento está
ligado à identidade, Taylor apresenta-nos a mudança, preconizada por
Rousseau e Herder, na conceptualização da construção identitária. A noção
de autenticidade engloba, não só o carácter original da identidade de cada
um, como também a valorização moral da necessidade de se ser verdadeiro
para com a própria identidade.
Esta é a novidade e uma atitude introspetiva e interiorizadora de valores e
modelos de vida. A autenticidade está dentro de cada um de nós, tal como
está no meio de cada cultura. E essa identidade, parte integrante da
identidade, constrói-se e manifesta-se, inevitavelmente, em diálogo com os
outros.
Teresa Teófilo (2003) Identidade e Reconhecimento: O outro chinês
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UFCD Cidadania e Profissionalidade 4 – Processos Identitários

Objetivos:
Princípios de conduta: empatia, reação compassiva e solidariedade
a. Identificar e reconhecer que
existem diferentes princípios
Empatia, uma palavra simples, mas com um significado importante e
de conduta;
imprescindível no nosso quotidiano, principalmente quando colocada em
b. Diferenciar os sentimentos
prática nos nossos relacionamentos.
e as emoções no ser humano;
A empatia define-se como a capacidade psicológica que permite, de uma
c. Mostrar como se estabelece
forma aprofundada e íntima, a compreensão de ideias, sentimentos e
a relação entre o eu e o outro
motivações de outras pessoas. Muitas vezes, é caraterizada como a
capacidade de “se colocar no lugar do outro”, descobrir com os olhos do
Conceitos:
outro, sentir o que o outro sente.
a. Diferença;
b. Empatia;
c. Reação compassiva;
d. Solidariedade;
e. Princípios de conduta;
f. Equidade;

Atividades
a. Defina empatia.
b. Considera que age com
Mapa da empatia
empatia e de acordo com
princípios de igualdade e
Em alguns dicionários a empatia significa “a capacidade psicológica para se
equidade.
identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este sente
c. A diversidade, a aceitação, a
nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.”
tolerância são elementos
Como a maior parte das características pessoais, a empatia tem tanto de
prospetivos das sociedades
natural como de aprendizagem. Na realidade, nem todos possuímos esta
contemporâneas.
caraterística e, mesmo entre quem a tem, poucos a sabem utilizar a seu
Exemplifique.
favor. No entanto, qualquer um a pode desenvolver.
A empatia é um "ingrediente" fundamental para estabelecermos relações de d. Explique de que forma os
proximidade e intimidade com alguém. sentimentos e as emoções
dos seres humanos
Ivan Fábio Agliati In www.clicatribuna.com 2010 (adaptado) condicionam os seus
princípios de conduta.
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UFCD Cidadania e Profissionalidade 4 – Processos Identitários

Objetivos:
Manifestações de intolerância à diferença
a. Reconhecer o próprio
espaço social;
Recentemente, temos visto, construído e até mesmo prestado auxílio a uma
b. Caraterizar a diversidade
sociedade que está em constante evolução, proliferando assim as diferenças
étnica e cultural;
étnico-culturais. As diversidades evidenciam-se nas tradições, nos hábitos,
c. Identificar problemas
nas diferentes línguas, nos costumes, enfim, na cultura. Aqui um grande
resultantes da diversidade
desafio se nos coloca: como vão as sociedades reagir perante as
étnica e cultural.
diferenças/diversidades?
Para que exista uma integração de todos os “habitantes” (emigrantes e
refugiados, por exemplo), é necessária uma mediação absoluta e
Conceitos:
participativa dos mesmos. A sociedade vai-se assim construindo de forma
a. Unidade na diversidade;
mais emaranhada, mas ao mesmo tempo também mais abastada. Integrar e
b. Intolerância;
aceitar a diferença implica vermos isso como uma forma de produzirmos
c. Direitos sociais;
riqueza.
d. Direitos civis;
Mas, neste decurso permanente e crescimento, onde permanecem algumas
e. Equidade
adversidades, os meios de comunicação social exercem um papel
importante, através da maneira como observam, analisam e refletem acerca
Atividades
dos imigrantes ou refugiados, por exemplo. Difundindo isso para o exterior,
a. Defina racismo,
suscitando assim uma opinião sobre o tema, positiva ou negativa, na
xenofobia, desigualdade de
comunidade que com eles coabita.
género e homofobia.
Podíamos enunciar diferentes exemplos que demonstram as ações positivas
e as iniciativas que fomentam a inclusão. No entanto, todos sabemos que
Atividades – Trabalho de grupo
isso nem sempre acontece.
a. Pesquisem uma notícia de
A intolerância face à diferença pode manifestar-se de diferentes formas:
jornal onde se relate um caso
atitudes de racismo, xenofobia, desigualdades de género, homofobia, entre
de intolerância perante a
outros.
diferença.
A problemática da diferença é uma constante na história da humanidade.
Em todas as sociedades humanas se estabelece a diferenciação entre nós e b. Tentem colocar-se
os outros, diferenciação essa inerente à própria definição de uns e outros. perante a notícia que
No entanto, a forma como se opera essa diferenciação e as suas encontraram. Como
consequências variam de sociedade em sociedade, e têm conhecido reagiriam? Que meios
consideráveis mutações em diferentes momentos históricos. utilizariam?
A distinção entre nós e os outros implica o reconhecimento de uma c. Fundamentem a resposta
diferença e essa diferença nunca é neutra: pode provocar repulsa, receio, /posição o grupo.
inquietação ou atração. Como a diferenciação nós/outros, não é neutra, a
ela está associado o conceito de discriminação. O termo discriminação é
utilizado para referir perceções, avaliações ou comportamentos que
resultam numa desvantagem para o grupo-alvo, isto é, que prejudicam o
outro.
Associado ao conceito de discriminação surgem outros, em função do
grupo-alvo e do tipo de discriminação: etnocentrismo, racismo,
nacionalismo, entre outros.

R. Cabecinhas (2002) Racismo e etnicidade em portugal


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Objetivos:
Racismo no futebol português: casos da vida real, na primeira pessoa
a. Explorar conceitos como:
racismo, diferença, xenofobia,
Júnior, médio brasileiro do Paços de Ferreira, é um dos mais críticos,
atos humanos e sociedade;
lamentando que um país com relações com África e com o Brasil ainda não
tenha afastado de vez esses restícios de intolerância que se estranham em
pleno século XXI. «Acontece-me mais fora dos relvados do que dentro, mas
Conceitos:
já assisti a diversas situações desagradáveis. Portugal é um país
a. Equidade;
extremamente racista. O que me entristece é que isso é mais vincado nos
b. Intolerância;
jovens. Na escola, os meus filhos são chamados de pretos por tudo e por
c. Desigualdades;
nada. Às vezes, quando vou ao banco e ao supermercado, lá tenho de ouvir
d. Direitos sociais;
um miúdo dizer: pai, olha ali um preto. O pai fica envergonhado, eu procuro
ignorar», relata.
Atividades
Nos relvados, os jogadores de outras raças estão preparados para ouvir
a. O que entende por
insultos que visam desconcentrar o atleta, por parte dos adeptos e mesmo
racismo?
dos adversários. «Aqui, em Paços de Ferreira, não tenho desses problemas
b. Como se posiciona e/ou
com os adeptos, mas é habitual em alguns balneários, dentro do campo e
atua perante o racismo?
nas bancadas. Quando tentam criticam, chamam logo de preto, escravo,
c. Dê exemplos de situações
para salientar a nossa alegada burrice. Fico desanimado, quando vejo essa
que já tenha vivido ou
diferenciação por raças, cores ou religião. Podemos compreender que só
presenciado que se
têm como objetivo destabilizar, mas ouvir o som do macaco, por exemplo, é
remetam à temática do
extremamente desagradável, mesmo que não seja feito para nós», desabafa
racismo.
Júnior.
Janício, lateral direito que trocou no início da época o Torreense pelo Vitória
de Setúbal, está habituado ao «som do macaco», ao «uh, uh, uh, uh, uh»
que surge das bancadas quando um jogador de cor toca na bola. Há três
anos e meio em Portugal, o cabo-verdiana relata a sua experiência,
confirmando sentir maiores demonstrações de racismo nas pequenas
localidades e no norte do País. «Quando jogava pelo Torrense e íamos ao
Norte, era mais frequente, de facto, mas acaba por ser uma realidade de
todo o país», começa por dizer.
De entre uma série de situações desagradáveis ocorridas na presente
temporada, com a camisola da formação sadina, Janício acaba por descatar
a deslocação ao reduto do Pinhalnovense, para a Taça de Portugal: «Esta
época, continua a acontecer, não em Setúbal, mas noutros campos.
Considero que o mais grave foi no campo do Pinhalnovense, estive sempre a
ouvir insultos, mas tento nunca perder a concentração. Fazem tudo para nos
provocar, portanto tenho que concordar quando surgem casos como o Etoo,
que quis abandonar o relvado. Acho que a situação em Portugal não
melhorou, nos últimos anos».
Pelé (Belenenses) e Sandro (V. Setúbal) não alinham pelo mesmo diapasão.
Admitem a existência do fenómeno, nos relvados nacionais, mas garante
nunca terem sido alvos de manifestações de racismo. «Nunca vivi uma
situação como a do Etoo. Portugal é mais tranquilo nesse aspeto, mas
também há, também há. Nunca ouvi nenhum insulto racista dirigido a mim,
mas já ouvi para outros jogadores e isso é uma situação muito chata. Não
gosto, mas não deixo que isso me afete, porque é isso que essas pessoas
querem, mais do que insultar, querem perturbar os jogadores», afirma o
defesa-central da equipa do Restelo. «Uma ou outra vez acontece, mas julgo
que, em Portugal, os jogadores de cor não têm grandes razões de queixa.
Pessoalmente, nunca me aconteceu nada de especial», garante, por sua vez,
o médio da formação sadina.
In Mais Futebol, Fevereiro 2006
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Preconceitos
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“Velhos Clichês”

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