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PCDF

POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


AGENTES PÚBLICOS

Livro Eletrônico
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO
Agentes Públicos
Prof. Diogo Surdi

SUMÁRIO
Agentes Públicos.........................................................................................5
1. Conceito de Agentes Públicos....................................................................5
2. Classificações dos Agentes........................................................................6
2.1. Classificação de Hely Lopes Meirelles.......................................................7
2.1.1. Agentes Políticos................................................................................7
2.1.2. Agentes Administrativos......................................................................9
2.1.2.1. Cargo, Emprego e Função Pública.................................................... 10
2.1.2.1.1. Cargos Públicos.......................................................................... 10
2.1.2.1.2. Empregos Públicos...................................................................... 13
2.1.2.1.3. Função Pública........................................................................... 14
2.1.3. Agentes Honoríficos.......................................................................... 17
2.1.4. Agentes Credenciados....................................................................... 18
2.1.5. Agentes Delegados........................................................................... 18
2.2. Classificação de Maria Sylvia Zanella Di Pietro......................................... 20
2.2.1. Agentes Políticos.............................................................................. 20
2.2.2. Servidores Públicos.......................................................................... 21
2.2.3. Militares.......................................................................................... 22
2.2.4. Particulares em Colaboração com o Poder Público................................. 23
3. Regime Jurídico..................................................................................... 25
3.1. Obrigatoriedade do Regime Jurídico Único.............................................. 25
3.2. Regime Jurídico Estatutário.................................................................. 27
3.3. Regime Jurídico Celetista..................................................................... 28
4. Disposições Constitucionais sobre os Agentes Públicos................................ 28
4.1. Servidores Públicos em Sentido Amplo e Restrito..................................... 29
4.1.1. Servidores Públicos em Sentido Restrito.............................................. 29
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Agentes Públicos
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4.1.2. Servidores Públicos em Sentido Amplo................................................ 30


4.2. Acesso a Cargos, Empregos e Funções Públicas....................................... 31
4.2.1. Limite de Idade................................................................................ 34
4.2.2. A Questão do Exame Psicotécnico....................................................... 36
4.2.3. Edital.............................................................................................. 37
4.2.4. Direito de Nomeação........................................................................ 40
4.2.5. Apresentação da Documentação......................................................... 43
4.3. Remuneração dos Agentes Públicos....................................................... 45
4.3.1. Subsídio.......................................................................................... 46
4.3.2. Vencimentos.................................................................................... 47
4.3.3. Salário............................................................................................ 47
4.3.4. Remuneração em Sentido Amplo e em Sentido Estrito........................... 48
4.3.5. Teto Remuneratório.......................................................................... 49
4.4. Acumulação de Cargos, Empregos e Funções.......................................... 53
4.5. Direito de Greve e de Associação Sindical............................................... 55
4.6. Aposentadoria dos Servidores Públicos................................................... 59
4.6.1. Aposentadoria por Invalidez............................................................... 61
4.6.2. Aposentadoria Compulsória............................................................... 62
4.6.3. Aposentadoria Voluntária................................................................... 63
4.7. Direitos Sociais Atribuídos aos Servidores............................................... 64
Resumo.................................................................................................... 66
Questões de Concurso................................................................................ 72
Gabarito................................................................................................... 82
Gabarito Comentado.................................................................................. 83

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DIOGO SURDI
Diogo Surdi é formado em Administração Pública e professor de Direito
Administrativo em concursos públicos, para vários cargos, dentre os
quais se destacam: Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (2014),
Analista Judiciário do TRT-SC (2013), Analista Tributário da Receita Fe-
deral do Brasil (2012) e Técnico Judiciário dos seguintes órgãos: TRT-
-SC, TRT-RS, TRE-SC, TRE-RS, TRT-MS e MPU.

Olá, concurseiro(a), tudo bem? Espero que sim!

Na aula de hoje, estudaremos as disposições constitucionais, doutrinárias e ju-

risprudenciais acerca dos Agentes Públicos.

Grande abraço e boa aula!

Diogo

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AGENTES PÚBLICOS

1. Conceito de Agentes Públicos

Os agentes públicos podem ser conceituados como todas as pessoas que

possuem uma vinculação profissional com o Estado, mesmo que em cará-

ter temporário e ainda que sem o recebimento de remuneração. Por isso

mesmo, trata-se de um conceito bastante amplo que, de maneira geral, pode ser

definido por intermédio do artigo 2º da Lei n. 8.429/1992:

Reputa-se agente público, para os efeitos desta lei, todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação
ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função
nas entidades mencionadas no artigo anterior.

Ainda que o artigo exposto seja restrito às disposições da Lei n. 8.429/1992,

estamos diante do conceito de agentes públicos que comumente é utilizado pe-

las bancas organizadoras, uma vez que apresenta um sentido bastante amplo de

agentes públicos.

É por meio dos agentes que o Estado exerce suas funções e pratica os atos admi-

nistrativos que lhe são competentes. Assim, em caso de dano causado ao particular

em decorrência da atuação estatal, será o Estado quem será responsabilizado, e

não o respectivo agente. Posteriormente, verificando o Poder Público que o agente

agiu com dolo ou culpa, poderá promover a competente ação de ressarcimento.

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Agentes Públicos
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Aprendendo na Prática

Suponha que um agente público, dirigindo um veículo oficial do órgão público no

qual desempenha suas atribuições, deixa de observar a sinalização de trânsito e

colide com um veículo particular.

Nesse caso, quem responderá perante o particular que teve o automóvel dani-

ficado será o próprio Poder Público. No caso de dolo ou culpa do agente público

(caso tenha havido a intenção ou o agente tenha sido imprudente, negligente ou

imperito), terá o Estrado a faculdade de ajuizar uma ação regressiva contra o

servidor que causou prejuízo ao particular.

Ainda que o exemplo transcrito trate do conceito de responsabilidade civil do

Estado, conseguimos, por meio da situação narrada, verificar como os agentes

públicos são importantes para a realização de todas as atividades que o

Estado se dispõe a prestar.

Quanto mais íntegros, eficientes e preparados os agentes públicos forem,

melhor será o desempenho da atividade estatal e do bem-estar da coletividade.

2. Classificações dos Agentes

A classificação dos agentes públicos é tema que não apresenta uniformidade

por parte dos autores administrativistas. Basicamente, as bancas utilizam a classi-

ficação apresentada por Hely Lopes Meirelles, por meio do qual os agentes públicos

são divididos em cinco categorias: agentes políticos, agentes administrativos,

agentes honoríficos, agentes delegados e agentes credenciados.

Ocasionalmente, é possível encontrar questões exigindo o conhecimento da

classificação da autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, para a qual os agentes pos-

suem quatro classificações: agentes políticos, servidores públicos, militares

e particulares em colaboração com o Poder Público.


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Classificação de Classificação de
Hely Lopes Meirelles Maria Sylvia Zanella Di Pietro

Agentes políticos Agentes políticos

Agentes administrativos Servidores públicos

Agentes honoríficos Militares

Agentes credenciados Particulares em colaboração

Agentes delegados

2.1. Classificação de Hely Lopes Meirelles

2.1.1. Agentes Políticos

Os agentes políticos são aqueles que ocupam os mais altos postos no âmbito

dos Poderes da República, estando ligados às decisões fundamentais do Estado

e possuindo grande parte de suas competências estabelecidas diretamente pela

Constituição. Outra peculiaridade dessa classe é o alto nível de autonomia que

possuem para tomar as suas decisões.

No âmbito do Poder Executivo, os agentes políticos são os ocupantes dos mais

altos cargos da Administração Pública, tal como os Chefes do Poder Executivo (Pre-

sidente, Governador e Prefeito) e seus respectivos Ministros e Secretários Estadu-

ais e Municipais.

Durante algum tempo, houve certa dúvida sobre a questão dos Magistrados

pertencerem ou não à classe dos agentes políticos. Coube ao STF, no julgamento

do Recurso Especial 228.977, sedimentar o entendimento, considerando todos os

magistrados (independentemente da esfera ou área de atuação) agentes políticos:

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Jurisprudência para Concursos

Os magistrados enquadram-se na espécie agente político, investidos para o

exercício de atribuições constitucionais, sendo dotados de plena liberdade fun-

cional no desempenho de suas funções, com prerrogativas próprias e legislação

específica.

A grande discussão existente, atualmente, está na classificação que deve ser

adotada para os membros dos Tribunais de Contas e para os membros do Minis-

tério Público.

No que se refere aos membros dos Tribunais de Contas, temos a inusitada situ-

ação em que a doutrina os classifica como agentes políticos, ao passo que o STF,

em sentido oposto, os classifica como agentes administrativos.

Em questões de provas, aconselha-se que seja utilizado o seguinte entendimento:

Caso a questão solicite a classificação dos membros dos Tribunais de Contas e

mencione expressamente que deve ser utilizado o entendimento de acordo

com o STF, deve-se responder que estes, indiscutivelmente, são agentes admi-

nistrativos.

Para todas as demais situações em que a questão não vier “blindada”, deve ser

respondido que os membros dos Tribunais de Contas são classificados como agen-

tes políticos.

STF
Membros dos Tribunais de Contas são agentes administrativos.

Doutrina
Membros dos Tribunais de Contas são agentes políticos.

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No caso dos membros do Ministério Público (Promotores e Procuradores), a

corrente majoritária tem entendido que estes pertencem à classe de agentes polí-

ticos, uma vez que, ainda que não se trate o Ministério Público de um dos Poderes

da República, é inegável que sua função é imprescindível para a defesa da ordem

jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis,

conforme estabelece o artigo 127 da Constituição Federal.

2.1.2. Agentes Administrativos

Se os agentes políticos se caracterizam por possuir uma grande parcela de po-

der, podendo exercer suas atribuições com autonomia e discricionariedade, o mes-

mo não se pode afirmar dos agentes administrativos, uma vez que tal classe de

agentes se caracteriza justamente pela subordinação e pela hierarquia funcional.


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Assim, os agentes administrativos são todas as pessoas investidas no âmbito de

um órgão ou entidade da Administração Pública, com competências executórias

e tendo seus direitos e deveres sendo regulados por meio de uma lei, e não dire-

tamente da Constituição.

Percebe-se que temos agentes administrativos tanto no âmbito dos órgãos da

Administração direta quanto nas entidades da Administração indireta. Em ambas as

organizações, há a necessidade de agentes encarregados de cumprir as atividades

necessárias para que o Poder Público consiga manifestar sua vontade.

2.1.2.1. Cargo, Emprego e Função Pública

Os agentes administrativos podem vir a ocupar cargos, empregos ou funções

públicas no âmbito da estrutura da Administração Pública.

2.1.2.1.1. Cargos Públicos

Os cargos públicos podem ser conceituados como o conjunto de atribui-

ções, responsabilidades, direitos e obrigações que são atribuídas aos ser-

vidores públicos para o desempenho das suas atividades funcionais. Dessa

forma, quem ocupa cargo público encontra-se regido por um estatuto funcional,

que é o documento legal no qual todos os direitos e benefícios do servidor público

encontram-se presentes.

Ressalta-se que a criação de cargos públicos deverá ser feita por intermédio de

lei, sendo que a iniciativa para propor a norma caberá ao chefe do respectivo Poder

onde os cargos estão sendo criados.

Os cargos públicos podem ser divididos em cargos isolados, em cargos de

carreira e em cargos em comissão.


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Os cargos isolados são aqueles que são formados apenas por uma classe, sen-
do que o seu ocupante, com o passar do tempo, não possui o direito de progredir
na carreira.
Os cargos em carreira, em sentido oposto, são aqueles que são organizados
em classes, de forma que os servidores ocupantes, após um intervalo de tempo e

desde que atendidas as demais condições previstas em lei, progridem na carreira.

Aprendendo na Prática
Se tomarmos como exemplo a estrutura de cargos do Poder Judiciário da
União, veremos que estes são organizados em três classes (A, B e C), sendo
que cada classe é composta por diversos padrões. Representam os padrões,
dessa forma, uma subdivisão das classes.
No âmbito do Poder Judiciário da União, as Classes A e B possuem cinco pa-
drões e a Classe C possui três padrões.
Assim, ao entrar em exercício, o servidor público pertence à Classe A e ao pa-
drão 1. Após o intervalo de um ano, passará ele, desde que atendidos todos
os requisitos legais, ao padrão 2, mas ainda estará dentro da mesma classe.
O processo de mudança de padrão é chamado de progressão.
Quando o servidor chegar ao último padrão da Classe A (A5), passará ele,
após o período de um ano, para o primeiro padrão de uma nova Classe (no
caso, a B). Nessa hipótese, não ocorre a progressão, mas, sim, a promoção
do servidor.

Passagem do servidor de Promoção Uma vez na nova classe, o


um padrão para outro, den- servidor passa, novamente,
tro da mesma classe. por uma série de padrões.
Passagem do servidor de
uma classe para outra.
Progressão Progressão

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Os cargos em comissão são aqueles destinados às funções de direção, che-

fia e assessoramento. Em virtude dessa condição, são considerados de livre no-

meação e exoneração por parte da autoridade competente, o que implica dizer que

a sua nomeação independe da realização de concurso público, requisito imprescin-

dível para a admissão dos servidores estatutários e dos empregados públicos.

De acordo com a Constituição Federal (art. 37, V), os cargos em comissão po-

dem ser providos tanto por servidores já ocupantes da carreira funcional (e

que foram aprovados em concurso público) quanto por terceiros que ainda não

possuam vínculo funcional com o respectivo Poder Público.

Entretanto, como forma de evitar que todos os cargos de direção, chefia e as-

sessoramento fossem providos exclusivamente por pessoas alheias ao serviço pú-

blico, a Constituição Federal estabeleceu que as leis organizadoras de cada carreira

deverão determinar que seja observado um percentual mínimo de servidores de

carreira para as nomeações destinadas aos cargos em comissão.

Aprendendo na Prática

Caso um parlamentar resolva nomear um assessor para chefiar o respectivo

gabinete, poderá ele optar entre realizar a nomeação de um servidor de car-

reira ou de um terceiro que não possua vínculo com o órgão público.

No entanto, o total geral das nomeações para cargos em comissão deverá ob-

servar um percentual mínimo de servidores de carreira. Tal percentual deverá

constar na lei que regulamenta a carreira dos servidores.

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1. (CESPE/MPU/TÉCNICO DE SEGURANÇA/2015) Acerca do regime jurídico dos

servidores públicos federais, julgue o item subsequente: O servidor ocupante de

cargo em comissão pode ser exonerado a qualquer momento, independentemente

de motivação.

Certo.

Os cargos em comissão são considerados de livre nomeação e exoneração, po-

dendo, por isso mesmo, ser exonerados a juízo da autoridade competente, sem a

necessidade de motivação.

2.1.2.1.2. Empregos Públicos

Os empregos públicos são exercidos por pessoas que se sujeitam às regras

da CLT, tal como ocorre com os funcionários da iniciativa privada, mas com a pe-

culiaridade de estarem exercendo suas atribuições no âmbito da Adminis-

tração Pública.
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Em outras palavras, os empregados públicos podem ser entendidos como pes-

soas que trabalham nas entidades da Administração Pública indireta que possuem

personalidade jurídica de direito privado. Tais entidades são as ditas empresas esta-

tais, conceito que abarca as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

Como essas pessoas são regidas pela CLT (que é o regime adotado pelas empre-

sas privadas), podemos chamá-los de empregados. Entretanto, como essa “em-

presa” é uma entidade da Administração Pública, deve ela obediência a uma série

de regras previstas para o direito público, tal como a necessidade da realização de

concurso público e a obrigatoriedade da prestação de contas. Logo, nada mais na-

tural do que a denominação “públicos” para tais agentes.

Servidores públicos Empregados públicos


Regidos por um estatuto funcional Regidos pela CLT
Pertencem à Administração Pública Pertencem à Administração Pública
Normas de direito público Normas de direito privado
Garantias como a estabilidade Direitos como o FGTS

2.1.2.1.3. Função Pública

Por fim, temos a função pública, que é encontrada pelo critério residual em

nosso ordenamento. Assim, os agentes que não ocuparem um cargo ou um empre-

go público, mas que desempenharem atividades em regime de vínculo com o Poder

Público, serão classificados como ocupante de uma função pública.


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De acordo com Hely Lopes Meirelles, em passagem que já foi objeto de vários

questionamentos em provas de concursos, “Todo cargo tem função, mas pode

haver função sem cargo”.

Aprendendo na Prática

Ao ocupar um cargo público, o servidor passa a desempenhar uma série de

funções. Como consequência, o servidor ocupa um cargo público e desempe-

nha uma função pública.

Situação diferente ocorre com um mesário convocado para trabalhar nas elei-

ções. Nessa situação, ele não ocupa um cargo ou um emprego público, uma

vez que suas atividades serão realizadas por um prazo determinado de tempo.

Mas é inegável que ele desempenha uma função pública, uma vez que sua ati-

vidade é essencial para a manutenção do regime democrático.

Outro exemplo clássico de ocupantes exclusivos de funções públicas são os

agentes temporários. De acordo com a Constituição, em seu artigo 37, IX, temos

a seguinte previsão:

A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a ne-
cessidade temporária de excepcional interesse público.

Dessa forma, os entes federativos estão autorizados pela Constituição a contra-

tar em caráter temporário. No entanto, para que isso seja possível, exige-se que,

anteriormente, seja editada uma lei disciplinando todas as regras que deve-

rão ser observadas pelos futuros contratados.

E como as atividades desempenhadas por tais agentes são executadas apenas

por um período determinado de tempo, não podem eles ser classificados como ocu-

pantes de cargos ou empregos públicos. Fazendo uso do critério residual, é correto

afirmar que os agentes temporários ocupam uma função pública.


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Importante frisar que os agentes temporários não são regidos por um estatuto

(tal como ocorre com os servidores públicos) ou pelas normas da CLT (tal como

ocorre com os empregados públicos), mas, sim, por uma lei específica, própria

de cada ente federativo.

O fato de não estarem regidos pela CLT é fundamental para determinar qual

a justiça competente para o julgamento dos seus litígios. Nesse sentido, o STJ já

se manifestou que não compete à Justiça do Trabalho processar e julgar as

causas relativas aos agentes temporários, mas, sim, à Justiça Comum, con-

forme se observa do teor do Agravo Regimental 134888:

Jurisprudência para Concursos

1. Cabe à Justiça Comum processar e julgar as causas entre a administração

e seus contratados temporários, admitidos com fundamento no art. 37, IX,

da Constituição Federal. Precedentes do STJ e do STF. Devido à característica

da temporariedade, não há necessidade de realização de concurso público

para a admissão dos temporários, bastando a utilização de processo seletivo

simplificado.

Admitidos em virtude de necessidade temporária.

Não há obrigatoriedade de realização de concurso,


mas sim de mero processo seletivo.

Características
Não ocupam cargo ou emprego público, apenas
dos agentes
desempenhando uma função pública.
temporários

São regidos por uma lei própria.

Suas causas são julgadas pela Justiça Comum,


e não pela Justiça do Trabalho.

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2.1.3. Agentes Honoríficos

Os agentes honoríficos podem ser compreendidos como pessoas que são de-

signadas ou requisitadas para a prestação de um determinado serviço público em

razão de características que lhes são próprias, tal como a honra e a capacidade

profissional.

A principal característica dessa classe de agentes é a particularidade de não

possuírem um vínculo permanente com o Estado, de forma que eles são requisita-

dos por um determinado período de tempo e, como regra, não recebem remunera-

ção pela sua atuação.

Aprendendo na Prática

Como exemplo, temos os jurados de um Tribunal do Júri e os mesários das

eleições.

Em ambas as situações, a atividade desempenhada é por tempo determina-

do, de forma que tais agentes não ocupam um cargo ou um emprego público,

mas, sim, desempenham uma função pública.

2. (CESPE/ANATA MDIC/MDIC/2014) Com relação aos agentes públicos e aos po-

deres da Administração Pública, julgue o item subsecutivo.

Os particulares, ao colaborarem com o poder público, ainda que em caráter epi-

sódico, como os jurados do tribunal do júri e os mesários durante as eleições, são

considerados agentes públicos.

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Certo.

Nesse caso, estamos diante de agentes públicos, mais precisamente dos agentes

honoríficos.

2.1.4. Agentes Credenciados

Segundo Hely Lopes Meirelles, os agentes credenciados podem ser conceitua-

dos da seguinte forma:

Agentes credenciados são os que recebem a incumbência da Administração para repre-


sentá-la em determinado ato ou praticar certa atividade específica, mediante remune-
ração do Poder Público credenciante.

Aprendendo na Prática

É a situação em que um conhecido advogado é designado para palestrar, em

nome do Brasil, em um congresso internacional, ou então quando um médico

renomado é enviado, em representação brasileira, com a finalidade de ser en-

trevistado sobre pesquisas aqui realizadas.

2.1.5. Agentes Delegados

A principal característica dos agentes delegados é o fato de assumirem o

risco da atividade em que atuam. Assim, nessas áreas, o Estado opta por não

realizar diretamente o serviço, ficando apenas com a fiscalização.

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Caso a atividade apresente prejuízo, deverá o particular arcar com as despesas

correspondentes, não havendo que se falar em responsabilidade do Estado. Por

isso mesmo, os agentes delegados não são servidores públicos e não atuam em

nome do Estado, mas apenas colaboram com o Poder Público.

Aprendendo na Prática

Como exemplo, temos os leiloeiros oficiais e as concessionárias e permissio-

nárias de serviço público. Nessas atividades, o Estado opta por não realizá-las

diretamente, delegando a sua prestação a particulares que já atuem nas res-

pectivas áreas.

Uma característica dos agentes delegados é a questão de responderem, tal

como a Administração Pública direta e as entidades com personalidade jurídica

de direito público da Administração indireta (autarquias e fundações públicas), de

forma objetiva pelos danos causados aos usuários do serviço público, conforme

determinação da Constituição Federal (art. 37, § 6º):

As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.

Dessa forma, se os agentes delegados, quando no exercício de suas atribuições,

causarem danos aos particulares, deverão ser responsabilizados a pagar a respec-

tiva indenização, independente de haver conduta dolosa ou culposa por parte de

seus agentes.

Relaciona-se adiante as cinco espécies de classificação dos agentes públicos na

visão de Hely Lopes Meirelles:


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São os detentores de Poder, com competências previstas na Constituição


Agentes
Federal e autonomia para tomar suas decisões.
Políticos
Ex.: Chefes do Executivo, Membros do Legislativo e Magistrados.
São os ocupantes de cargo, emprego ou função pública, desempenhando
Agentes atividades de execução e estando subordinados hierarquicamente.
Administrativos Ex.: servidores de um órgão público e empregados públicos de uma socie-
dade de economia mista.
São pessoas designadas ou requisitadas para a prestação de determina-
Agentes dos serviços públicos em razão de condições que lhe são peculiares. Em
Honoríficos regra, atuam sem remuneração.
Ex.: jurados e mesários eleitorais.
São pessoas que recebem a incumbência de representar a Administração
Agentes
Pública em razão de condições pessoais ou profissionais.
Credenciados
Ex.: um artista ou um advogado que represente o Brasil no exterior.
São os que assumem os riscos das atividades em que atuam, exercendo
Agentes
suas atribuições como colaboradores do Estado.
Delegados
Ex.: leiloeiros e as concessionárias de serviço público.

2.2. Classificação de Maria Sylvia Zanella Di Pietro

De acordo com a autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, quatro são as possíveis

classificações que os agentes públicos podem vir a receber quando da sua atuação,

sendo elas: agentes políticos, servidores públicos, militares e particulares

em colaboração.

2.2.1. Agentes Políticos

Os agentes políticos, na visão da mencionada autora, não apresentam maio-

res distinções em relação à classificação proposta por Hely Lopes Meirelles. Assim,

tais servidores possuem as características da autonomia funcional e da discri-

cionariedade de sua atuação. Da mesma forma, suas atribuições encontram-se

expressas, precipuamente, na Constituição.


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De acordo com a autora, são agentes políticos aqueles que exercem mandato

eletivo (Chefes do Poder Executivo, Senadores e Deputados), os Magistrados e os

respectivos Ministros e Secretários. Em sentido oposto, não entram no conceito

de agentes políticos os membros do Ministério Público e os membros dos Tribunais

de Contas.

Não obstante, aconselha-se que o conceito de agentes políticos que deve ser

levado para as provas de concursos seja o do autor Hely Lopes Meirelles.

2.2.2. Servidores Públicos

A classificação dos agentes públicos como servidores civis não oferece maiores

dificuldades, sendo composta pelos servidores estatutários, pelos empregados

públicos e pelos agentes temporários.


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Os servidores estatutários são admitidos por meio de concurso público, sen-

do regidos por um estatuto e ocupantes de cargos públicos.

Os empregados públicos são regidos pela CLT, sendo admitidos por concurso

e ocupantes de emprego público.

Os agentes temporários não são admitidos por meio de concurso público, mas,

sim, através de processo seletivo simplificado. Tais servidores não ocupam cargo ou

emprego, apenas desempenhando uma função pública de caráter transitório.

Claramente se percebe que a presente classificação se assemelha, em muitos

aspectos, aos que Hely Lopes Meirelles conceitua como agentes administrativos.

2.2.3. Militares

Os militares são agentes regidos pelo regime estatutário, instituído por meio de

lei, mas com regras jurídicas próprias das estabelecidas para os servidores civis.

Em nosso ordenamento, são militares os agentes que prestam serviços

para as seguintes corporações:

a) Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica);

b) Polícia Militar;

c) Corpo de Bombeiros Militar.

Antes da entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 18, os militares eram

classificados como “servidores militares”, sendo que os direitos previstos para

os servidores civis eram a eles estendidos. Com a entrada da emenda constitucio-

nal, tais agentes passaram a ser regidos por regras próprias, sendo a eles assegu-

rados apenas alguns direitos que os servidores civis fazem jus.

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Nesse sentido, são direitos sociais conferidos aos militares (art. 142, § 3º, VIII):

décimo terceiro salário, salário-família, férias anuais remuneradas, licença

à gestante, licença-paternidade e assistência gratuita aos filhos e depen-

dentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas.

3. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/2016) No que concerne aos agentes públicos,

julgue o próximo item.

Por manter com o Estado vínculo de natureza diferenciada, os militares não inte-

gram a categoria de agentes públicos.

Errado.

Conforme analisado, os militares são uma das espécies de agentes públicos.

2.2.4. Particulares em Colaboração com o Poder Público

Os particulares em colaboração são pessoas que prestam serviços ao Poder

Público sem vínculo com o Estado. Tal forma de prestação pode dar-se de forma

remunerada ou gratuita, sendo que tais agentes colaboram com o Poder Público por

meio dos mais diversos vínculos, dentre os quais se destacam:

a) Delegação: atividades desempenhadas, dentre outros, pelas concessioná-

rias e permissionárias e pelos leiloeiros oficiais. Trata-se da classificação de

agentes delegados de Hely Lopes Meirelles.

b) Requisição: atividades desempenhadas em razão de condições morais e cívi-

cas dos particulares, sendo exemplos os jurados e os mesários eleitorais. Nessa

classificação, temos o conceito de agentes honoríficos de Hely Lopes Meirelles.

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c) Gestores de negócios: são aqueles que, espontaneamente, assumem de-

terminadas funções públicas em momento de emergência, tal como ocorre

com um incêndio, uma enchente ou um desmoronamento.

Aprendendo na Prática

Com uma enchente, diversas são as pessoas que são afetadas e que, como

consequência, necessitam de ajuda estatal.

Assim, todos os particulares que auxiliarem as pessoas necessitadas são con-

siderados gestores de negócios.

E isso ocorre porque a finalidade primordial do Poder Público é garantir o

bem-estar coletivo, de forma que todos aqueles que auxiliarem no atendi-

mento dessa finalidade passam a desempenhar um encargo público.

Como forma de facilitar a memorização das duas correntes de classificação dos

agentes públicos, relaciona-se a seguir, com as comparações pertinentes, os enten-

dimentos dos dois autores administrativistas.

Agentes honoríficos Correspondem aos particulares em colaboração.


Agentes delegados Correspondem aos particulares em colaboração.
Agentes credenciados Sem correspondência.
Agentes administrativos Correspondem aos servidores públicos.
Agentes políticos Correspondem aos agentes políticos.
Sem correspondência Militares.

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3. Regime Jurídico

O regime jurídico pode ser conceituado como o conjunto de regras que

disciplinam os direitos e as obrigações de uma determinada categoria de

agentes públicos. É por meio do regime jurídico, por exemplo, que conhecemos

todas as vantagens e benefícios que um servidor público pode usufruir ao longo de

sua carreira.

3.1. Obrigatoriedade do Regime Jurídico Único

Ainda que a imensa maioria dos entes federativos utilize o regime jurídico

estatutário como forma de regular a vida funcional de seus agentes, deve-se sa-

lientar que não há a obrigação, por parte de um determinado ente, da utilização de

um regime jurídico específico.

Entretanto, há a obrigação da adoção de um regime jurídico único por

parte de cada um dos entes federados. No âmbito da União e dos Estados, o

regime utilizado é o estatutário, instituído por lei e conferindo aos seus agentes a

ocupação de cargos públicos.

Com a entrada em vigor da Constituição Federal, ficou estabelecido, em seu ar-

tigo 39, que todos os entes federativos deveriam adotar um regime jurídico único:

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua


competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da adminis-
tração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Assim, tanto a União quanto os demais entes federativos poderiam escolher um

regime jurídico, desde que tal regime fosse aplicado a todos os servidores daquele

respectivo ente. Foi com base nesse dispositivo, por exemplo, que a União editou a

Lei n. 8.112/1990, que, desde então, é a norma que disciplina a relação jurídica

dos servidores públicos civis federais.


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Ocorre que com a Emenda Constitucional n. 19/1998, o regime jurídico único

foi revogado, fazendo com que cada ente federativo pudesse ter em seu quadro

funcional, ao mesmo tempo, servidores de mais de um regime jurídico.

A redação do artigo 39 da Constituição Federal, após a entrada em vigor da

emenda em questão, ficou assim:

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política


de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos
respectivos Poderes.

Percebam que não mais se fazia menção a um regime jurídico único, sendo

que tal peculiaridade, ainda que existente em muitos entes, deixou de ser obri-

gatória. A partir de então, inúmeros entes da federação (principalmente os Muni-

cípios) começaram a contratar servidores, ainda que por meio de concurso público

(pois essa regra não foi modificada), mas regendo-os pelas disposições da CLT.

Tal situação perdurou até o ano de 2007, sendo essa a razão de ainda encon-

trarmos, nos dias atuais, Municípios com servidores regidos por ambos os regimes

jurídicos. Em 2007, porém, o STF declarou que a Emenda Constitucional n. 19

padecia de inconstitucionalidade, uma vez que foi aprovada sem respeitar o rito

estabelecido pela Constituição Federal. A decisão do STF garantiu eficácia ex nunc,

com efeitos prospectivos, sendo que apenas a partir da decisão é que o regime

jurídico funcional voltaria a ser único.

Para facilitar a compreensão, podemos ordenar os fatos que determinaram a

obrigatoriedade da adoção de um regime jurídico único, bem como a existência,

atualmente, de agentes públicos regidos por diferentes regimes jurídicos:

1º) Inicialmente, cada ente federativo podia escolher o regime jurídico

que adotaria para reger seus servidores, sendo que a única regra que

devia ser observada é que o regime escolhido fosse único para todos os ser-

vidores daquele ente;


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2º) Com a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 19, o regime

jurídico único foi revogado, de forma que passou a ser possível, para to-

dos os entes federativos, reger seus servidores por regimes jurídicos

diferentes;

3º) Com a suspensão da aplicabilidade da EC n. 19, ocorrida em 2007, o

regime jurídico único passou a vigorar novamente, mas apenas a par-

tir da decisão do STF, ou seja, sem efeitos retroativos, de forma que todas

as contratações realizadas na vigência da EC n. 19 permaneciam válidas e

em vigor;

4º) Nos dias atuais, os entes da federação apenas podem admitir servi-

dores pelo regime jurídico único (à escolha de cada ente), mas podemos

encontrar, em diversas unidades da federação, agentes públicos sendo regi-

dos por regimes diferentes do atual, uma vez que os mesmos foram contra-

tados no período de vigência da EC n. 19.

3.2. Regime Jurídico Estatutário

O regime estatutário caracteriza-se, basicamente, por ser estabelecido por

meio de lei de cada ente federativo. Assim, tanto a União como os diversos Es-

tados e Municípios publicam uma lei que regula toda a atividade funcional de seus

servidores, incluindo aí os direitos e as obrigações e os critérios gerais de diversos

outros institutos.

Na esfera federal, temos a Lei n. 8.112/1990, que estatui o regime jurídico

dos servidores públicos civis da União.

Sendo o estatuto um regime legal, pode ser modificado, por lei, pela pessoa po-

lítica instituidora (União, Estados, Distrito Federal ou Municípios), desde que respei-

tados os direitos já adquiridos pelos servidores. Estes, depois de empossados nos

seus cargos (e não empregos), ingressam em situação jurídica legalmente definida.


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As principais características de um regime jurídico estatutário são a estabilida-

de, o estágio probatório, o regime próprio de previdência e as diversas licenças e

adicionais.

Servidores estatutários são agentes públicos detentores de cargo público.

3.3. Regime Jurídico Celetista

Já o regime celetista é o utilizado pela iniciativa privada e, no âmbito da Ad-

ministração Pública, pelas empresas estatais (empresas públicas e sociedades de

economia mista). Tal regime possui como base normativa a Consolidação das Leis

do Trabalho (CLT) e assegura aos seus funcionários uma relação de emprego,

que pode ser na iniciativa privada ou, como mencionado, em uma empresa estatal.

Nesse último caso, dizemos que o seu ocupante é detentor de um emprego pú-

blico, tendo como principais características o fato de ser uma relação contratual e

assegurar direitos como o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e multa

em caso de demissão imotivada.

Regime Jurídico Estatutário Regime Jurídico Celetista


Regidos por um estatuto Regidos pela CLT
Normas de Direito Público Normas de Direito Privado
Servidores públicos Empregados públicos
Garantias da estabilidade Direitos como o FGTS

4. Disposições Constitucionais sobre os Agentes Públicos

Diversas são as regras a serem observadas pela Administração Pública, de acor-

do com o texto constitucional, com o objetivo de conferir legitimidade e legalida-

de à atuação do Poder Público.


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De início, cumpre salientar que a Constituição Federal de 1988 preocupou-se

não só com as regras gerais a serem observadas por todas as esferas da Adminis-

tração Pública, mas também em detalhar diversos direitos e garantias aos ocupan-

tes de cargos, empregos e funções públicas.

4.1. Servidores Públicos em Sentido Amplo e Restrito

Antes de partirmos para as disposições propriamente constitucionais, vamos

analisar dois conceitos que constantemente são exigidos pelas bancas organiza-

doras: o conceito de servidores em sentido amplo e de servidores em sen-

tido restrito.

4.1.1. Servidores Públicos em Sentido Restrito

Em sentido restrito, a expressão “servidores públicos” compreende os agentes

públicos que estão sendo regidos por um estatuto funcional. Cabe ao estatuto, des-

sa forma, disciplinar todos os direitos, deveres, vantagens e responsabilidades que

devem ser observadas pelo servidor no âmbito de sua vida funcional.

Aprendendo na Prática

Como exemplo, podemos citar os servidores públicos federais, regidos pelas dis-

posições da Lei n. 8.112/1990.

No âmbito de sua vida funcional, todos os direitos devidos a tais servidores, bem

como a forma com que estes podem ser exercidos, estão dispostos na referida

norma.

Como o estatuto trata-se de uma lei, pode constantemente ser modificado por

meio da edição de outra norma, exigindo-se, para tal, a observância dos direitos

adquiridos dos servidores.

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4.1.2. Servidores Públicos em Sentido Amplo

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, servidores públicos em sentido amplo

“são as pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da

Administração Indireta, com vínculo empregatício e mediante remunera-

ção paga pelos cofres públicos”.

Temos, dessa forma, que o conceito de servidor público em sentido amplo abran-

ge três categorias distintas:

a) Estatutários ou servidor público em sentido estrito:

São os titulares de cargo público efetivo ou em comissão, com regime jurídico

estatutário definido em lei.

b) Empregados públicos:

São os titulares de empregos públicos das empresas públicas e das sociedades

de economia mista. Não ocupam cargo público e não possuem o direito à estabi-

lidade. Embora sujeitos à CLT, submetem-se às normas constitucionais referentes

aos requisitos de investidura, acumulação de cargos e vencimentos. São enquadra-

dos, tal como os comissionados e temporários, no regime geral da previdência, que

é o utilizado na iniciativa privada.

c) Temporários:

Agentes temporários são os que exercem uma função pública sem estarem

vinculados a cargo ou emprego público. Só pode ocorrer a contratação por tempo

determinado para atender à necessidade temporária de excepcional interesse

público, cabendo a cada ente federativo regulamentar, por meio de lei específica, o

regime jurídico desses servidores.


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4.2. Acesso a Cargos, Empregos e Funções Públicas

Estabelece a Constituição Federal, em seu artigo 37, I e II, as regras pertinentes

à forma como deve ocorrer a admissão dos agentes públicos:

I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preen-
cham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em con-
curso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a comple-
xidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

Dos incisos acima expostos, conseguimos perceber que os brasileiros natos

ou naturalizados podem ocupar qualquer cargo público, desde que para tal

obedeçam aos requisitos estipulados em lei para o respectivo exercício.

Com relação aos estrangeiros, temos como regra a impossibilidade de tais

pessoas ocuparem cargos, empregos ou funções públicas. No entanto, e

com o objetivo de incentivar o desenvolvimento nacional em setores estratégi-

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cos (tais como a pesquisa e a educação), a Constituição Federal assegurou a

possibilidade dos estrangeiros terem acesso às funções estatais. Para tal,

basta que o ente federativo interessado edite uma lei disciplinando a forma como

se dará o exercício.

Quando à investidura, temos a previsão constitucional da realização de con-

curso público como critério de seleção. Dessa forma, o concurso público pode ser

entendido como o procedimento administrativo instaurado pelo Poder Público com

o objetivo de selecionar os candidatos mais aptos para o exercício de cargos e em-

pregos públicos.

O fundamento para a realização do concurso está na vedação às contratações

pautadas em critérios subjetivos, tal como o apadrinhamento e a nomeação

de pessoas conhecidas em troca de benefícios escusos. Identifica-se, assim,

que a realização de concurso público está pautada na observância dos princípios

da impessoalidade, da moralidade, da isonomia e da legalidade.

A regra geral é que todas as pessoas possam participar do concurso público, que

deverá ser amplamente divulgado como forma de encontrar interessados. Nesse

ponto, merece destaque o fato de a publicidade oficial do edital de concurso público

ser condição imprescindível para a produção de efeitos perante terceiros.

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Da mesma forma, o concurso público deve sempre ser pautado em critérios

objetivos de escolha, ainda que algumas fases do certame, eventualmente, se-

jam constituídas por exame de títulos ou por experiência profissional comprovada.

Consequentemente, pode-se afirmar que jamais poderemos ter um concurso

público realizado apenas com a fase da análise de títulos, uma vez que tal

procedimento colocaria em risco a objetividade e a lisura da seleção.

Merecem destaque, no que se refere ao concurso público, as disposições do ar-

tigo 37, III e IV, da Constituição Federal, de seguinte teor:

III – o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma
vez, por igual período;
IV – durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado
em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade
sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;

Da análise dos incisos, consegue-se extrair que o prazo de validade de um

concurso público será de, no máximo, 2 anos, de forma que a Administração

pode, perfeitamente, realizar concurso público com prazo de validade inferior ao

constitucionalmente previsto.

Trata-se a prorrogação do prazo de validade do concurso de uma faculdade para

a Administração que o realizou. Caso, no entanto, queira prorrogar, deverá ser ob-

servado o mesmo prazo inicialmente previsto para a validade do certame.

Nesse mesmo sentido, durante o prazo inicialmente previsto para a validade do

concurso, ainda que a Administração possa realizar nova seleção, os candidatos

aprovados no primeiro processo deverão ser chamados com prioridade so-

bre novos aprovados.

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Aprendendo na Prática

Uma autarquia realiza concurso público para provimento de cargos vagos, esta-

belecendo, em seu edital, prazo de validade de 2 anos e possibilidade de pror-

rogação por mais 2 anos.

Tendo realizado o concurso, e estando dentro do prazo de validade de 2 anos,

poderá a Administração, em tese, realizar uma nova seleção, oportunidade em

que uma nova lista de aprovados será gerada.

Não pode a Administração, nessa situação, chamar os aprovados na segunda

seleção sem que tenha esgotado a lista do primeiro concurso realizado.

4.2.1. Limite de Idade

O STF possui entendimento sumulado de que o limite de idade como condição

para a participação em concurso público apenas é válido quando decorrer das

necessidades das atribuições do cargo que será exercido.

Como regra, é proibida a previsão de limite de idade para participação em con-

cursos públicos, uma vez que o artigo 7º, XXX, da Constituição Federal, dispõe

sobre impossibilidade de admissão, dentre outros, por motivo de idade.

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XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admis-


são por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

Entretanto, algumas atribuições podem dar ensejo à limitação de idade, tal

como ocorre, por exemplo, com os concursos destinados ao provimento de profis-

sionais da segurança pública.

Em tais situações, o que é levado em conta é o interesse coletivo, assegurando

à população profissionais em plenas condições de atender às atividades públicas.

Nesse sentido está a Súmula 683 do STF:

O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.


7º, XXX, da CF/88, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo
a ser preenchido.

Importante salientar que, de acordo com o STF, o veto não motivado à participa-

ção em concurso público é inconstitucional, uma vez que agride diversos princípios,

tais como o da impessoalidade e da moralidade. Na esteira desse entendimento,

destaca-se a Súmula 684 do STF, de seguinte teor:

É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público.

Percebe-se, pelo teor das duas súmulas, que a Administração pode perfeita-

mente vetar ou limitar a idade de determinados candidatos, uma vez que

não existem direitos ou garantias de caráter absoluto.

O que se exige, em ambos os casos, é que haja motivação por parte da Ad-

ministração Pública: no caso do veto, relatando a causa de tal providência. No

caso do limite etário, demonstrando que o serviço a ser executado não é viável,

por circunstâncias de ordem física ou psicológica, para pessoas acima de determi-

nada idade.

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4.2.2. A Questão do Exame Psicotécnico

Questão bastante interessante é a possibilidade de aplicação de exame psi-

cotécnico ou avaliação psicológica como etapa eliminatória do concurso.

Durante muito tempo, tivemos diversos impasses nas decisões dos tribunais

superiores, até que o STF, no julgamento do AI 758.533/MG, estabeleceu que “O

exame psicotécnico pode ser estabelecido para concurso público desde

que por lei, tendo por base critérios objetivos de reconhecido caráter cien-

tífico, devendo existir, inclusive, a possibilidade de reexame”.

Posteriormente, o entendimento foi sedimentado por meio da Súmula Vincu-

lante 44, de seguinte teor:

Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo


público.

Nota-se, dessa forma, que é plenamente possível o estabelecimento de exame

psicotécnico como uma das fases do concurso público. Para isso, a previsão deverá

estar expressa em lei, não sendo possível a sua determinação, exclusivamente, por

meio da edição de ato administrativo. Além disso, deverá a Administração pautar a

avaliação por critérios objetivos, bem como possibilitar ao particular o reexame da

avaliação.

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4. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/DIREITO/2016) Com base no disposto nas

súmulas do Supremo Tribunal Federal relativas a direito administrativo, julgue o

item subsequente.

Insere-se na esfera de poder discricionário da administração pública a decisão de

incluir o exame psicotécnico como fase de concurso para provimento de cargos pú-

blicos, o que pode ser feito mediante previsão em edital.

Errado.

Para que o exame psicotécnico possa ser exigido em um determinado concurso

público, devemos ter, previamente, a previsão legal nesse sentido, conforme en-

tendimento do STF:

Súmula Vinculante 44 – Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação


de candidato a cargo público.

4.2.3. Edital

Sempre que a Administração resolver realizar concurso público para admissão

de pessoal, deverá publicar edital dispondo sobre todas as regras pertinen-

tes à seleção. Trata-se o edital, dessa forma, da lei do concurso público, en-

contrando-se a Administração vinculada às regras nele previstas.

Dentre outras, são informações que devem constar no edital: o prazo para a

realização das inscrições e o respectivo valor, a data da realização das provas, os

critérios utilizados para a classificação dos candidatos e a possibilidade de recurso

ante a realização de cada uma das etapas da seleção.


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Entretanto, ainda que o edital seja considerado o documento máximo pertinente


ao concurso público, trata-se este de um ato administrativo. Assim, é com a
publicidade que o documento passa a produzir efeitos jurídicos perante terceiros.
Caso, no entanto, ocorra uma mudança legislativa referente à carreira que
está sendo objeto de seleção, poderá a Administração, ainda que o concurso
esteja em andamento, realizar as necessárias alterações. Parte-se do pressu-
posto, nesses casos, de que a lei possui hierarquia superior aos atos administrativos.
O próprio STF já se manifestou nesse sentido, conforme se observa do julga-

mento do Recurso Especial 318106:

Após a publicação do edital e no curso do certame, só se admite a alteração das regras


do concurso se houver modificação na legislação que disciplina a respectiva carreira.
Precedentes.

Aprendendo na Prática

Suponhamos que a Receita Federal publique edital para o cargo de auditor-fiscal

e coloque, como uma das fases do concurso, a participação em curso de for-

mação de caráter estritamente classificatório, ou seja, sem a possibilidade de

eliminação dos candidatos.

Dessa forma, todos os candidatos que foram aprovados nas fases anteriores do

concurso (prova objetiva e prova subjetiva) estarão aptos a iniciar o curso de

formação.

Antes do término do concurso, no entanto, o Ministério da Fazenda publica lei

que altera as regras relativas à carreira dos auditores-fiscais, de modo que ago-

ra, para se tornar auditor, o candidato, além de ter sido aprovado nas provas

objetivas e subjetivas, deverá também participar de curso de formação, que

passará a ter caráter eliminatório e classificatório, ou seja, com a possibilidade

de eliminação dos candidatos que não atingirem as notas mínimas exigidas.

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Nessa situação, ainda que o edital nada mencionasse sobre o caráter eliminató-

rio do curso de formação (uma vez que a lei vigente à época nada mencionava

a esse respeito), agora, com a alteração legislativa, todos os aprovados de con-

curso público ainda não homologado deverão igualmente se sujeitar às novas re-

gras, participando do curso de formação de caráter classificatório e eliminatório.

Sobre os critérios utilizados para a escolha dos candidatos, ainda que certas

carreiras contem com a possibilidade da avaliação de títulos, ressalta-se que de-

verá haver previsão, no edital do concurso, de critérios objetivos de classificação.

Nesse sentido, concursos que apresentam como critério de desempate o tempo de

serviço público anteriormente prestado são considerados, na visão do STF, incons-

titucionais e conflitantes com o princípio da razoabilidade.

Dois julgados do STF ajudam a esclarecer a opinião do tribunal, sendo ambos

proferidos, respectivamente, no julgamento das ADI 3443 e 3522.

Viola o princípio constitucional da isonomia norma que estabelece como título o mero
exercício de função pública (ADI 3443).

Surge a conflitar com a igualdade almejada pelo concurso público o empréstimo de


pontos a desempenho profissional anterior em atividade relacionada com o concurso
público. Mostra-se conflitante com o princípio da razoabilidade eleger como critério de
desempate tempo anterior na titularidade do serviço para o qual se realiza o concurso
público (ADI 3522).

5. (CESPE/ANALISTA/SUFRAMA/GERAL/2014) A respeito da organização político-

-administrativa do Estado, da administração pública e dos servidores públicos, jul-

gue o item subsequente.

É possível que edital de concurso público preveja a participação de concorrentes de

determinado sexo em detrimento do outro.


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Certo.

Como regra, o edital de concurso público deve ser o mais abrangente possível,

possibilitando que todas as pessoas, sem distinções de sexo, possam concorrer aos

cargos públicos ofertados.

Em determinadas situações, contudo, poderá ocorrer essa limitação, desde que

fundamentada e por razões de interesse público. Como exemplo, cita-se o concurso

realizado com a finalidade de selecionar policiais para atuar em presídios onde os

presos sejam todos do sexo feminino.

4.2.4. Direito de Nomeação

Com a aprovação dos candidatos e a homologação do respectivo concurso, os

aprovados dentro do número inicial de vagas previstas no edital possuem, se-

gundo entendimento do STF, direito subjetivo à nomeação.

Atualmente, esse entendimento encontra-se sedimentado por meio da Súmula 15:

Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem o direito à nomea-


ção, quando o cargo for preenchido sem observância da classificação.

Aprendendo na Prática

A Administração realiza concurso público para admissão de servidores. No edital,

estabelece a Administração a existência de 30 cargos vagos. Tendo sido realiza-

das as provas e homologado o resultado final, constam 35 candidatos aprovados.

Assim, antes do término do prazo de validade do concurso, deverão ser chama-

dos, obrigatoriamente, 30 candidatos aprovados.

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Em caso de desistência de algum candidato aprovado dentro do número de va-

gas, o direito subjetivo à nomeação passa a ser do candidato seguinte.

Ressalta-se que o STF possui entendimento de que o candidato aprovado (ain-

da que fora do número de vagas inicialmente previstas) possui direito à nomeação

caso surjam vagas novas no decorrer no prazo de validade da seleção. Nesse sen-

tido está a ARE 790.897, de seguinte teor:

Jurisprudência para Concursos

O direito à nomeação também se estende ao candidato aprovado fora do número

de vagas previstas no edital na hipótese em que surgirem novas vagas no prazo

de validade do concurso.

Merece destaque, contudo, a decisão do STF no sentido de possibilitar que, em

situações excepcionais, a Administração Pública possa deixar de nomear os candi-

datos aprovados dentro do número de vagas inicialmente previstas. Nesse sentido,

por exemplo, é o entendimento do tribunal no âmbito do RE598099:

Jurisprudência para Concursos

Quando se afirma que a Administração Pública tem a obrigação de nomear os

aprovados dentro do número de vagas previsto no edital, deve-se levar em con-

sideração a possibilidade de situações excepcionalíssimas que justifiquem solu-

ções diferenciadas, devidamente motivadas de acordo com o interesse público.

Não se pode ignorar que determinadas situações excepcionais podem exigir a

recusa da Administração Pública de nomear novos servidores.

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Nessas hipóteses, que se revestem de caráter excepcionalíssimo, algumas ca-

racterísticas devem ser observadas cumulativamente:

a) Superveniência: os eventuais fatos ensejadores de uma situação excepcio-

nal devem ser necessariamente posteriores à publicação do edital do certame

público.

b) Imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por circunstâncias ex-

traordinárias, imprevisíveis à época da publicação do edital.

c) Gravidade: os acontecimentos extraordinários e imprevisíveis devem ser ex-

tremamente graves, implicando onerosidade excessiva, dificuldade ou mes-

mo impossibilidade de cumprimento efetivo das regras do edital.

d) Necessidade: a solução drástica e excepcional de não cumprimento do de-

ver de nomeação deve ser extremamente necessária, de forma que a Admi-

nistração somente pode adotar tal medida quando absolutamente não exis-

tirem outros meios menos gravosos para lidar com a situação excepcional e

imprevisível.

Aprendendo na Prática

Caso o Poder Público tenha realizado concurso público com a previsão de 15

vagas, os candidatos aprovados dentro desse número possuem, como já men-

cionado, direito subjetivo de nomeação.

Entretanto, caso seja editada uma lei, dentro do prazo de validade do concurso,

prevendo a criação de mais 10 cargos, o número de candidatos com direito sub-

jetivo de nomeação passa a ser de 25.

6. (CESPE/PGE-BA/2014) Acerca do regime jurídico-administrativo, julgue o item

seguinte.
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De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), a administração

pública está obrigada a nomear candidato aprovado em concurso público dentro do

número de vagas previsto no edital do certame, ressalvadas situações excepcionais

dotadas das características de superveniência, imprevisibilidade e necessidade.

Certo.

Candidato aprovado dentro do número de vagas previstas inicialmente pelo edital

tem o direito subjetivo (pessoal) de nomeação.

A única ressalva fica por conta de situações extremas de caráter supervenien-

te (ocorridas após a publicação do edital), imprevisíveis (que não eram previstas

quando da publicação do edital) e necessárias (quando a nomeação resultar na

falta de recursos para a utilização em demais políticas públicas).

4.2.5. Apresentação da Documentação

Outra controvérsia que vem sendo objeto de inúmeras ações judiciais é a ques-

tão do momento temporal em que a Administração deve exigir a documen-

tação que comprove que o servidor possui todos os requisitos legais.

Ainda que inúmeros entes estabeleçam, como data-limite para apresentação da

documentação exigida, a data de realização da inscrição (de forma que o candida-

to que não reunir, nesse momento, todos os requisitos para entrar em exercício, é

declarado inapto), o entendimento que deve ser levado é o de que, nos termos da

Súmula 266 do STJ:

O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não
na inscrição para o concurso público.

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Entretanto, com a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 45, um dos

requisitos necessários para o ingresso na carreira da Magistratura ou do Ministério

Público passou a ser o cumprimento de três anos de atividade jurídica.

Regulamentando tais disposições, o Conselho Nacional de Justiça estabeleceu

que o cumprimento de tal lapso temporal deve tomar como base a data da inscrição

definitiva do candidato. Em outros termos, todos os candidatos ao cargo de juiz que

não comprovem, na data da inscrição definitiva, o cumprimento de três anos de

atividade jurídica, estarão eliminados do concurso.

No âmbito do Ministério Público, coube ao Conselho Nacional do Ministério Pú-

blico editar resolução com a expressa previsão de que a exigência constitucional

de três anos deveria ser comprovada no momento da inscrição. Posteriormente, o

mesmo Conselho alterou sua resolução e passou a dispor que o momento da com-

provação dos três anos de atividade jurídica deveria ser na data da posse.

Coube ao STF, no julgamento da ADI 3460, estabelecer que o prazo de três anos

deve ser comprovado na data da inscrição definitiva:

A norma impugnada veio atender ao objetivo da Emenda Constitucional 45/2004 de


recrutar, com mais rígidos critérios de seletividade técnico-profissional, os pretendentes
às carreira ministerial pública. Os três anos de atividade jurídica contam-se da data da
conclusão do curso de Direito e o fraseado “atividade jurídica” é significante de atividade
para cujo desempenho se faz imprescindível a conclusão de curso de bacharelado em
Direito. O momento da comprovação desses requisitos deve ocorrer na data da inscrição
no concurso, de molde a promover maior segurança jurídica tanto da sociedade quanto
dos candidatos.

Salienta-se, no entanto, que a decisão do STF foi tomada antes da alteração da

resolução por parte do Conselho Nacional do Ministério Público, bem como que, na

mencionada decisão da suprema corte, ficou estabelecido que ambos os Conselhos

poderiam livremente dispor sobre o momento em que os três anos de atividade

jurídica deveriam ser comprovados.


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Dessa forma, é correto afirmar, atualmente, que, ainda que a regra da exi-

gência dos requisitos de habilitação tenha como base a data da posse, no

caso dos candidatos à Magistratura, em caráter de exceção, exige-se a

comprovação no momento da inscrição definitiva.

Outra exceção à regra refere-se à comprovação da idade máxima nas situações

em que os editais reguladores prevejam a vedação à participação de pessoas acima

de determinada idade. Nesses casos, como o requisito é necessário à própria par-

ticipação do concurso, deve-se exigir a comprovação de idade no momento de re-

alização das inscrições.

4.3. Remuneração dos Agentes Públicos

Com a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 19, ocorrida em 1998,

o sistema remuneratório da Administração Pública passou a contar com três for-

mas distintas de categorias jurídicas, sendo elas o subsídio, os vencimentos e

o salário.

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4.3.1. Subsídio

O subsídio caracteriza-se por ser a forma de pagamento realizado em parcela

única, sendo vedado o acréscimo de qualquer tipo de gratificação, adicional

ou verba de representação.

Constitui o subsídio a forma mais transparente de remunerar os servidores pú-

blicos, uma vez que evita as chamadas gratificações imprecisas ou pouco detalha-

das. Por meio do subsídio, temos um valor único fixado em lei, de forma que o valor

final a ser recebido pelo servidor já é conhecido de antemão, sem a possibilidade

de recebimento de gratificações ou adicionais que se incorporem ao vencimento.

De acordo com a Constituição Federal, todas as classes de servidores podem

receber por meio de subsídio, desde que alterem a lei que regula a respectiva car-

reira funcional.

Para algumas categorias, no entanto, temos a determinação constitucional do

recebimento por meio de subsídio, sem a hipótese de alteração, ainda que por

intermédio de norma legal, sendo elas:

a) Agentes Políticos (Chefes do Executivo, Parlamentares, Magistrados, Minis-

tros, Secretários);

b) Membros da Advocacia-Geral da União;

c) Defensores Públicos;

d) Procurador-Geral da Fazenda Pública;

e) Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal;

f) Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar;

g) Corpo de Bombeiros Militar.

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4.3.2. Vencimentos

Também chamada de remuneração em sentido estrito, é a recebida pelos

servidores públicos estatutários. Compreende o vencimento básico, que cor-

responde ao padrão que cada servidor ocupa na carreira, acrescido das vantagens

pecuniárias previstas em lei, tais como as gratificações, os adicionais, os abonos e

as ajudas de custo.

4.3.3. Salário

Por salário devemos entender o valor que é pago aos empregados públi-

cos, uma vez que estes, ainda que integrantes das entidades da Administração

indireta, encontram-se submetidos ao mesmo regime jurídico dos trabalhadores da

iniciativa privada, fazendo jus a todas as regras e direitos a eles garantidos.

Em nosso ordenamento, o diploma que estabelece as regras pertinentes aos

empregados públicos, bem como aos empregados em geral, é a Consolidação das

Leis do Trabalho (CLT).

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4.3.4. Remuneração em Sentido Amplo e em Sentido Estrito

A remuneração em sentido amplo compreende todas as espécies remunerató-

rias que sejam passíveis de pagamento aos agentes públicos, dela fazendo parte,

por exemplo, os vencimentos, os salários e os subsídios.

Em sentido estrito, a remuneração compreende os vencimentos e as gratifica-

ções, adicionais e demais verbas passíveis de pagamento aos servidores.

Nota-se, dessa forma, que a remuneração em sentido amplo compreende a

remuneração em sentido estrito (composta pelo vencimento e pelas demais grati-

ficações e adicionais) e as demais formas de remuneração dos servidores (subsídio

e salário).

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4.3.5. Teto Remuneratório

No âmbito da remuneração que pode ser paga aos servidores públicos, precisa-

mos conhecer o dispositivo constitucional que estabelece o teto a ser observado por

todos os servidores dos três Poderes. Assim, nos termos da Constituição Federal

(artigo 37, XI), temos a seguinte regra geral:

A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da


administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato
eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remu-
neratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Mi-
nistros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsí-
dio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no
âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito
do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado
a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie,
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este
limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos.

Salienta-se que não serão computadas, para efeito dos limites remunera-

tórios de que trata o mencionado artigo constitucional, as parcelas de caráter

indenizatório previstas em lei.

Para os fins do limite previsto na Constituição Federal, fica facultado aos Estados

e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Consti-

tuições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores

do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centé-

simos por cento do subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal, não

se aplicando o disposto nesse parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e

Distritais e dos Vereadores.

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Vamos entender melhor como funciona a questão do teto e dos subtetos:

1) Existe um teto geral que deve ser observado por todos os membros

e servidores de todos os entes da federação (União, Estados, Distrito

Federal e Municípios). Tal teto tem como parâmetro o subsídio dos membros

do Supremo Tribunal Federal.

2) Além do teto geral, existem subtetos a serem observados pelos Esta-

dos, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, sendo eles:

–– a) Nos Municípios, o subteto do funcionalismo será o subsídio dos Pre-

feitos.

–– b) Nos Estados e no Distrito Federal, teremos subtetos em cada um dos

Poderes:

–– b1) no Executivo, o limite será o subsídio do Governador;

–– b2) no Legislativo, o limite será o subsídio dos Deputados Estaduais

ou Distritais;

–– b3) no Judiciário, teremos como limite remuneratório o subsídio dos De-

sembargadores dos Tribunais de Justiça;

3) Os Estados e o Distrito Federal possuem a faculdade de fixar como teto

um limite único, que será o subsídio dos Desembargadores do Tribunal

de Justiça;

4) Apenas estão excluídas do teto as parcelas de caráter indenizatório, e ain-

da assim desde que estejam previstas em lei;

5) Tais limites compreendem todas as verbas remuneratórias, independente

da denominação ou características a elas concernentes.

Em outras palavras, de nada adianta determinada Administração Pública remu-

nerar seus servidores com uma parcela denominada “indenização pelos servi-

ços prestados” quando essa parcela for constituída de caráter remuneratório.


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De acordo com a Constituição Federal, o valor do teto remuneratório se aplica

ainda que os servidores, empregados ou demais agentes públicos acumu-

lem licitamente dois cargos públicos. Assim, o que é levado em conta, para

análise da observância do teto constitucional, é a soma de todos os valores recebi-

dos pelo servidor, ainda que em caráter de acumulação ou com relação às parcelas

decorrentes da inatividade.

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Aprendendo na Prática

Dessa forma, se um servidor se aposenta de um cargo público, passa ele a re-

ceber proventos decorrentes da inatividade.

Caso, posteriormente, venha ele a ocupar outro cargo público licitamente acu-

mulável, a soma das duas fontes de renda (ativa e inativa) será levada em conta

para a aplicação do teto constitucional.

Questão interessante refere-se aos empregados das empresas públicas e

das sociedades de economia mista.

Como tais entidades, ainda que integrantes da Administração indireta, são regi-

das, predominantemente, pelo direito privado, devem elas enfrentar a concorrência

no âmbito de seu campo de atuação.

Com isso, vigora a regra, em nosso ordenamento, de que os empregados pú-

blicos (tal com os empregados da iniciativa privada) não se submetem à regra

da obrigatoriedade de observar o limite remuneratório constitucionalmen-

te previsto.

Entretanto, caso as mencionadas entidades recebam subvenções do Poder Pú-

blico para custear suas atividades ou para auxiliar no pagamento de pessoal, a

observância do teto constitucional deverá ser mantida.

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4.4. Acumulação de Cargos, Empregos e Funções

Como regra, é vedada a acumulação remunerada de cargos, empregos

ou funções públicas, vedação essa que se estende, de acordo com a previsão

constitucional, às subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indireta-

mente, pelo Poder Público.

Devem observar a regra da vedação à acumulação de cargos, empregos ou fun-

ções públicas todos os órgãos da Administração direta, todas as entidades da Ad-

ministração indireta e as respectivas subsidiárias ou sociedades controladas de tais

entidades. Da mesma forma, a remuneração recebida pelos servidores não poderá

ser acumulada com os proventos decorrentes da inatividade, ainda que os cargos

públicos sejam acumuláveis quando em atividade.

Em caráter de exceção, a Constituição Federal apresenta as situações em que a

acumulação será lícita. Para tal, deverá ser observada, em todos os casos, a com-

patibilidade de horários.

Vejamos as disposições constitucionais sobre o tema, expressa no artigo 37,

XVI e XVII, da Constituição Federal:

XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas;
XVII – a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e so-
ciedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público;

Além das hipóteses elencadas pelo mencionado artigo, a Constituição Federal

apresenta, ainda, três outras situações em que a acumulação é considerada lícita,

sendo elas:
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a) Cargo de juiz com outro de magistério;

b) Cargo de membro do Ministério Público com outro de magistério;

c) Cargo eletivo de vereador com o cargo ocupante pelo servidor eleito.

Em todas as situações, conforme já afirmado, deve ser observada a regra

da compatibilidade de horários para que a acumulação seja considerada

lícita. Logo, é correto afirmar que a acumulação de cargos, empregos ou funções

públicas apenas será possível quando as jornadas forem passíveis de exercício em

horários distintos.

As hipóteses que configuram exceção à regra da impossibilidade de acumulação

de cargos, empregos ou funções públicas podem ser mais bem visualizadas por

meio do gráfico a seguir:

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7. (CESPE/FUB/ÓTICA/2015) Julgue o próximo item, relativo aos servidores públi-

cos.

É direito do servidor público a acumulação remunerada de dois cargos públicos de

professor, independentemente da compatibilidade de horários, sendo responsabi-

lidade da administração conciliar os horários da prestação de serviços, ainda que

tenha de reduzir a jornada de trabalho.

Errado.

Como já ressaltado, a possibilidade de acumulação de cargos públicos, nas estritas

hipóteses da Constituição Federal, deve, obrigatoriamente, respeitar a regra da

compatibilidade de horários.

4.5. Direito de Greve e de Associação Sindical

Com relação ao direito de associação sindical, estabelece a Constituição Fe-

deral, em seu artigo 37, VI, que todos os servidores públicos civis possuem o direi-

to de se associar a sindicato:

VI – é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;

Salienta-se que o mencionado inciso não é extensível a todos os agentes públi-

cos, mas apenas aos servidores públicos civis. Em sentido oposto, os militares não

possuem o direito à livre associação sindical, conforme previsão do artigo 142, IV,

da Constituição Federal:

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IV – ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;

Importante questão refere-se à possibilidade de greve por parte dos ser-

vidores públicos. De início, estabelece a Constituição, em seu artigo 37, VII,

que “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos

em lei específica”.

Como se observa, trata-se de uma norma de eficácia limitada, carecendo de

regulamentação legal para que possa entrar em vigor. E como tal lei, até o mo-

mento, ainda não foi editada, questionava-se se o direito à greve, por parte dos

servidores públicos, poderia ser exercido.

Quando a questão chegou à análise do STF, determinou o tribunal, em decisão

histórica, que o direito à greve dos servidores públicos civis não poderia ser

obstado, devendo ser aplicado a tais agentes, até a edição da lei regula-

mentadora, as normas relativas à Lei Geral da Greve (Lei n. 7.783/1989).

Merece destaque, com relação à possibilidade de greve, passagem extraída do

voto do Ministro Celso de Mello, no julgamento do MI 708, que exemplifica com

maestria o entendimento da Suprema Corte:

Não mais se pode tolerar, sob pena de fraudar-se a vontade da Constituição, esse esta-
do de continuada, inaceitável, irrazoável e abusiva inércia do Congresso Nacional, cuja
omissão, além de lesiva ao direito dos servidores públicos civis - a quem se vem ne-
gando, arbitrariamente, o exercício do direito de greve, já assegurado pelo texto cons-
titucional -, traduz um incompreensível sentimento de desapreço pela autoridade, pelo
valor e pelo alto significado de que se reveste a Constituição da República.

Dessa forma, os servidores públicos civis podem perfeitamente fazer uso do

direito de greve a eles assegurados, com a ressalva de que certos serviços, de-

vido à sua essencialidade para a coletividade, não podem ser objeto de

paralisação coletiva, devendo, nessas situações, ser mantido um contingente de

servidores para se evitar danos à população.


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Foi com base nesse entendimento que o STJ fixou um percentual mínimo de

servidores que devem permanecer em exercício quando da realização de greve. De

acordo com as Petições 7.933, 7.961 e 7.985, estabeleceu o tribunal que, no perí-

odo eleitoral, o percentual mínimo de servidores da Justiça Eleitoral não poderá

ser inferior a 80%. Da mesma forma, o número de contingentes mínimos de ser-

vidores não poderá ser inferior a 60% para os servidores da Justiça Federal e

50% para os Peritos do INSS.

Nem todos os agentes públicos poderão fazer uso da greve. Estabelece a Cons-

tituição Federal (artigos 142, § 3º, IV, e artigo 42, § 1º) que os militares das Forças

Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e dos respectivos Estados, Distrito Fede-

ral e Territórios não poderão utilizar tal direito. Por aplicação analógica, o STF possui

entendimento de que os policiais civis também estão impedidos de fazer greve.

8. (CESPE/ANALISTA ADMINISTRATIVO (ANATEL)/DIREITO/2014) A respeito do di-

reito de greve dos servidores públicos, julgue o item que se segue, com base no

entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

É ilícita greve de servidores prestadores de serviços públicos essenciais.


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Errado.

Conforme analisado, nem todos os agentes públicos poderão fazer uso da greve.

Nessas situações, o entendimento do tribunal é de que os serviços prestados são

considerados essenciais para a coletividade.

Com a realização da greve, pode o órgão público determinar o corte dos

vencimentos dos servidores grevistas durante o período em que a greve

perdurar, uma vez que em tal situação estamos diante de faltas não abonadas

pela chefia competente.

Entretanto, nada impede que o órgão em que os servidores exerçam suas fun-

ções adote uma medida compensatória como forma de restabelecer a re-

muneração dos dias não trabalhados. Nesse caso, deverá o servidor trabalhar

além de sua jornada como forma de compensar os dias de paralisação.

Por fim, ainda que diversas sejam as leis existentes em nosso ordenamento

jurídico determinando que os servidores em estágio probatório não podem fazer

greve, sob pena de exoneração, o STF possui entendimento, conforme se observa

da ADI 3.235, de que tais leis violam o direito constitucional da greve e o princípio

da isonomia.

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Jurisprudência para Concursos

O Supremo Tribunal Federal, nos termos dos Mandados de Injunção n. 670/ES,

708/DF e 712/PA, já manifestou o entendimento no sentido da eficácia imediata

do direito constitucional de greve dos servidores públicos, a ser exercício por

meio da aplicação da Lei n. 7.783/1989, até que sobrevenha lei específica para

regulamentar a questão. Decreto estadual que viola a Constituição Federal, por

(a) considerar o exercício não abusivo do direito constitucional de greve como

fato desabonador da conduta do servidor público e por (b) criar distinção de tra-

tamento a servidores públicos estáveis e não estáveis em razão do exercício do

direito de greve.

4.6. Aposentadoria dos Servidores Públicos

Ao entrar em exercício, os servidores públicos efetivos passam a ser regidos por

um regime próprio de previdência social (RPPS), que, em diversos aspectos,

se diferencia do regime geral de previdência social (RGPS), aplicável aos trabalha-

dores da iniciativa privada.

Salienta-se, em um primeiro momento, que não são todos os agentes públicos

que se submetem às regras do regime próprio de previdência, mas apenas os ser-

vidores públicos estatutários. Em sentido oposto, os servidores que ocupem

exclusivamente cargo em comissão, os empregados públicos, os agentes

temporários e os titulares de mandato eletivo estão regidos pelas regras

do regime geral de previdência social.

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Regime próprio de previdência social Regime geral de previdência social


Servidores públicos estatutários Empregados públicos
Ocupantes de cargo em comissão
Agentes temporários
Titulares de mandatos eletivos

Ainda que a regra de submissão a regime próprio de previdência seja um direito

dos servidores públicos estatutários de todos os entes federativos, diversos Municí-

pios, devido à precariedade da máquina administrativa, optam por não insti-

tuir regime próprio. Nessas situações, o regime que irá reger os seus servidores é

o geral, tal como ocorre com os trabalhadores da iniciativa privada.

Tal medida não afasta os direitos e garantias atribuídos por lei aos servidores,

tais como a estabilidade e as diversas licenças e concessões. Contudo, o limite com

que tais servidores poderão se aposentar será o estabelecido, no momento da apo-

sentadoria, para o teto das aposentadorias regidas pelo regime geral.

Aprendendo na Prática

Determinado Município, por não contar com uma grande estrutura administrati-

va, opta por não instituir regime próprio de previdência para os seus servidores

estatutários.

Nesse caso, todos os servidores do município, quando atingirem as condições

previstas em estatuto para a aposentadoria, poderão solicitar tal providência,

com a ressalva de que o valor máximo do benefício será o referente ao teto das

aposentadorias regidas pelo regime geral, aplicável também a todos os trabalha-

dores da iniciativa privada.

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De acordo com a Constituição Federal, em seu artigo 40, três são as formas dis-

tintas com que o servidor público estatutário poderá se aposentar: por invalidez

permanente, compulsoriamente ou voluntariamente.

4.6.1. Aposentadoria por Invalidez

A aposentadoria por invalidez ocorre nas situações em que o servidor público

é considerado inválido, em caráter permanente, para o exercício da função

pública.

Como regra, tal forma de aposentadoria acarretará para o servidor o direito ao

recebimento de proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Caso, no en-

tanto, o servidor tenha sido considerado inválido em virtude de acidente em ser-

viço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, seus

proventos serão integrais, de forma que os valores a serem recebidos a título de

aposentadoria serão os mesmos que o servidor recebia, até então, no desempenho

de suas atividades.

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4.6.2. Aposentadoria Compulsória

A aposentadoria compulsória ocorre quando o servidor público atinge a ida-

de limite para permanecer em exercício no serviço público.

Antes da entrada da Emenda Constitucional n. 88, ocorrida em 2015, a idade

em que a aposentadoria compulsória ocorria era aos 70 anos. Com a mencionada

emenda, passamos a contar com a possibilidade de lei complementar estabelecer

o prazo de 75 anos para a aposentadoria compulsória.

Vejamos o mencionado texto constitucional, já com as alterações promovidas

pela EC n. 88/2015 (art. 40, § 1º, II):

II – compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos


70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei
complementar;

Trata-se o artigo exposto de uma norma constitucional de eficácia limitada,

carecendo de lei complementar para a sua regulamentação. Nesse sentido, impor-

tante frisar que a competência para a edição da mencionada lei é do Congresso

Nacional, uma vez que o STF possui entendimento consolidado no sentido de que

cabe à União legislar sobre a previdência dos servidores públicos, conforme se ob-

serva, por exemplo, da leitura do Mandado de Injunção 1898:

A Corte firmou entendimento no sentido de que a competência concorrente para legislar


sobre previdência dos servidores públicos não afasta a necessidade da edição de norma
regulamentadora de caráter nacional, cuja competência é da União.

Regulamentando a emenda constitucional, foi editada a Lei Complementar n.

152, que, por se tratar de uma norma nacional, é de observância obrigatória por

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todos os entes federativos. Por intermédio de tal lei, os servidores públicos da

União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios serão aposenta-

dos compulsoriamente aos 75 anos de idade.

4.6.3. Aposentadoria Voluntária

A aposentadoria voluntária será concedida quando o servidor público atender a

uma série de condições estabelecidas na Constituição Federal, sendo elas:

1) Tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público;

2) Tempo mínimo de cinco anos no cargo público em que se dará a apo-

sentadoria;

3) Tempo de idade e contribuição, sendo:

a) Sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem,

e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se mulher.

Para os professores que comprovem, exclusivamente, tempo de efetivo

exercício, nas funções de magistério, dedicados ao ensino fundamental e

médio, os limites de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos

em cinco anos.

Nessas hipóteses, a aposentadoria ocorrerá com proventos integrais.

b) Sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de

idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.

Nessa situação, a aposentadoria ocorrerá com proventos proporcionais.

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Aposentadoria voluntária Aposentadoria voluntária


integral proporcional
Mínimo de 10 anos de exercício no Mínimo de 10 anos de exercício no
serviço público serviço público
Mínimo de 5 anos no cargo em que Mínimo de 5 anos no cargo em que
ocorrerá a aposentadoria ocorrerá a aposentadoria
Homens: 60 anos de idade e 35 de
Homens: 65 anos de idade
contribuição
Mulheres: 55 anos de idade e 30
Mulheres: 60 anos de idade
de contribuição
Homem professor: 55 anos de
idade e 30 de contribuição
Mulher professora: 50 anos de
idade e 25 de contribuição

4.7. Direitos Sociais Atribuídos aos Servidores

De acordo com o artigo 39, § 3º, da Constituição Federal, diversos direitos

sociais atribuídos aos trabalhadores em geral são estendidos aos servido-

res públicos. Tal lista comporta, atualmente, quatorze direitos, que podem ser

mais bem visualizados por meio da divisão a seguir proposta:

1) Três direitos referem-se ao termo “salário”:

a) Salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender

a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação,

educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com

reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vin-

culação para qualquer fim;

b) Garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem re-

muneração variável;

c) Salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa ren-

da nos termos da lei;


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2) Sete direitos são referentes aos direitos comuns, facilmente identifi-

cados na maioria das relações trabalhistas:

a) Décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da

aposentadoria;

b) Remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;

c) Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

d) Remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cin-

quenta por cento à do normal;

e) Gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais

do que o salário normal;

f) Licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração

de cento e vinte dias;

g) Licença-paternidade, nos termos fixados em lei;

3) Três direitos referem-se à isonomia e à proteção à segurança:

a) Proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos espe-

cíficos, nos termos da lei;

b) Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saú-

de, higiene e segurança;

c) Proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério

de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

4) Por fim, temos um direito bastante específico e tipicamente utilizado

nas relações privadas, motivo pelo qual pode ensejar a dúvida de inúmeros

candidatos:

a) Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e

quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,

mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.


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RESUMO

• Os agentes públicos podem ser conceituados como todas as pessoas que

possuem uma vinculação profissional com o Estado, mesmo que em

caráter temporário e ainda que sem o recebimento de remuneração.

• É por meio dos agentes que o Estado exerce suas funções e pratica os

atos administrativos que lhe são competentes. Assim, em caso de dano

causado ao particular em decorrência da atuação estatal, será o Estado quem

será responsabilizado, e não o respectivo agente.

• Duas são as principais classificações acerca dos agentes públicos, con-

forme pode ser verificado na tabela abaixo:

Classificação de Classificação de
Hely Lopes Meirelles Maria Sylvia Zanella Di Pietro
Agentes políticos Agentes políticos
Agentes administrativos Servidores públicos
Agentes honoríficos Militares
Agentes credenciados Particulares em colaboração
Agentes delegados

• Os agentes políticos são aqueles que ocupam os mais altos postos no

âmbito dos Poderes da República, estando ligados às decisões fundamen-

tais do Estado e possuindo grande parte de suas competências estabele-

cidas diretamente pela Constituição. Outra peculiaridade dessa classe é o

alto nível de autonomia que possuem para tomar as suas decisões.

• Os agentes administrativos são todas as pessoas investidas no âmbito

de um órgão ou entidade da Administração Pública, com competên-

cias executórias e tendo seus direitos e deveres sendo regulados por

meio de uma lei, e não diretamente da Constituição.


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• Os agentes administrativos podem vir a ocupar cargos, empregos ou fun-

ções públicas no âmbito da estrutura da Administração Pública.

• Os cargos públicos podem ser conceituados como o conjunto de atribui-

ções, responsabilidades, direitos e obrigações que são atribuídas aos

servidores públicos para o desempenho das suas atividades funcionais.

• Os empregos públicos são exercidos por pessoas que se sujeitam às re-

gras da CLT, tal como ocorre com os funcionários da iniciativa privada, mas

com a peculiaridade de estarem exercendo suas atribuições no âmbito da

Administração Pública.

• Por fim, temos a função pública, que é encontrada pelo critério residual em

nosso ordenamento. Assim, os agentes que não ocuparem um cargo ou

um emprego público, mas que desempenharem atividades em regime de

vínculo com o Poder Público, serão classificados como ocupantes de uma

função pública.

• Os agentes honoríficos podem ser compreendidos como pessoas que são

designadas ou requisitadas para a prestação de um determinado serviço

público em razão de características que lhes são próprias, tal como a

honra e a capacidade profissional.

• Agentes credenciados são os que recebem a incumbência da Adminis-

tração para representá-la em determinado ato ou para praticar certa

atividade específica mediante remuneração do Poder Público credenciante.

• A principal característica dos agentes delegados é o fato de assumirem o

risco da atividade em que atuam. Assim, nessas áreas, o Estado opta por

não realizar diretamente o serviço, ficando apenas com a fiscalização.

• Os particulares em colaboração são pessoas que prestam serviços ao

Poder Público sem vínculo com o Estado.


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• O regime jurídico pode ser conceituado como o conjunto de regras que

disciplinam os direitos e as obrigações de uma determinada categoria

de agentes públicos.

• Ainda que a imensa maioria dos entes federativos utilize o regime jurídico

estatutário como forma de regular a vida funcional de seus agentes, deve-se

salientar que não há a obrigação, por parte de um determinado ente,

da utilização de um regime jurídico específico.

• O regime estatutário caracteriza-se, basicamente, por ser estabelecido

por meio de lei de cada ente federativo. Assim, tanto a União como os

diversos Estados e Municípios publicam uma lei que regula toda a atividade

funcional de seus servidores, incluindo aí os direitos e as obrigações e os cri-

térios gerais de diversos outros institutos.

• Já o regime celetista é o utilizado pela iniciativa privada e, no âmbito da

Administração Pública, pelas empresas estatais (empresas públicas e

sociedades de economia mista). Tal regime possui como base normativa a

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e assegura aos seus funcioná-

rios uma relação de emprego, que pode ser na iniciativa privada ou, como

mencionado, em uma empresa estatal.

Regime Jurídico Estatutário Regime Jurídico Celetista


Regidos por um estatuto Regidos pela CLT
Normas de Direito Público Normas de Direito Privado
Servidores públicos Empregados públicos
Garantias da estabilidade Direitos como o FGTS

• Em sentido restrito, a expressão “servidores públicos” compreende os

agentes públicos que estão sendo regidos por um estatuto funcional.

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• Servidores públicos em sentido amplo são as pessoas físicas que prestam

serviços ao Estado e às entidades da Administração indireta, com vínculo

empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos.

• Temos, dessa forma, que o conceito de servidor público em sentido amplo

abrange três categorias distintas: a) estatutários ou servidor público em

sentido estrito; b) empregados públicos; c) temporários.

• Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros

que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estran-

geiros, na forma da lei.

• O STF possui entendimento sumulado de que o limite de idade como condição

para a participação em concurso público apenas é válido quando decorrer das

necessidades das atribuições do cargo que será exercido.

• O exame psicotécnico pode ser estabelecido para concurso público desde

que por lei, tendo por base critérios objetivos de reconhecido caráter

científico, devendo existir, inclusive, a possibilidade de reexame.

• Viola o princípio constitucional da isonomia norma que estabelece como

título o mero exercício de função pública.

• Com a aprovação dos candidatos e a homologação do respectivo concurso,

os aprovados dentro do número inicial de vagas previstas no edital

possuem, segundo entendimento do STF, direito subjetivo à nomeação.

• A comprovação do atendimento dos requisitos exigidos no edital deve ser

feita no momento da posse, e não na inscrição ou na data de realização

das provas.

• Com a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 19, ocorrida em 1998,

o sistema remuneratório da Administração Pública passou a contar com três

formas distintas de categorias jurídicas, sendo elas o subsídio, os venci-

mentos e o salário.
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• O subsídio caracteriza-se por ser a forma de pagamento realizado em

parcela única, sendo vedado o acréscimo de qualquer tipo de gratificação,

adicional ou verba de representação.

• O vencimento, também chamado de remuneração em sentido estrito, é

a parcela recebida pelos servidores públicos estatutários. Compreende

o vencimento básico, que corresponde ao padrão que cada servidor ocupa na

carreira, acrescido das vantagens pecuniárias previstas em lei, tais como as

gratificações, os adicionais, os abonos e as ajudas de custo.

• Por salário devemos entender o valor que é pago aos empregados pú-

blicos, uma vez que estes, ainda que integrantes das entidades da Admi-

nistração indireta, encontram-se submetidos ao mesmo regime jurídico dos

trabalhadores da iniciativa privada, fazendo jus a todas as regras e direitos a

eles garantidos.

• A remuneração em sentido amplo compreende todas as espécies remu-

neratórias que sejam passíveis de pagamento aos agentes públicos,

dela fazendo parte, por exemplo, os vencimentos, os salários e os subsídios.

• Em sentido estrito, a remuneração compreende os vencimentos e as gra-

tificações, adicionais e demais verbas passíveis de pagamento aos

servidores.

• Como regra, é vedada a acumulação remunerada de cargos, empregos

ou funções públicas, vedação essa que se estende, de acordo com a previ-

são constitucional, às subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indire-

tamente, pelo Poder Público.

• Em caráter de exceção, a Constituição Federal apresenta as situações em que

a acumulação será lícita. Para tal, deverá ser observada, em todos os ca-

sos, a compatibilidade de horários.

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• São hipóteses de acumulação previstas na Constituição Federal: a) a de dois

cargos de professor; b) a de um cargo de professor com outro técnico

ou científico; c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissio-

nais de saúde, com profissões regulamentadas; d) cargo de juiz com

outro de magistério; e) cargo de membro do Ministério Público com

outro de magistério; f) cargo eletivo de vereador com o cargo ocu-

pante pelo servidor eleito.

• Ao entrar em exercício, os servidores públicos efetivos passam a ser regidos

por um regime próprio de previdência social (RPPS), que, em diversos

aspectos, se diferencia do regime geral de previdência social (RGPS), aplicá-

vel aos trabalhadores da iniciativa privada.

• A aposentadoria por invalidez ocorre nas situações em que o servidor

público é considerado inválido, em caráter permanente, para o exercí-

cio da função pública.

• A aposentadoria compulsória ocorre quando o servidor público atinge a

idade limite para permanecer em exercício no serviço público. Atual-

mente, a idade limite é a de 75 anos.

• A aposentadoria voluntária será concedida quando o servidor público aten-

der a uma série de condições estabelecidas na Constituição Federal,

podendo dar-se de forma integral ou parcial.

Aposentadoria voluntária integral Aposentadoria voluntária proporcional

Mínimo de 10 anos de exercício no serviço público Mínimo de 10 anos de exercício no serviço público

Mínimo de 5 anos no cargo em que ocorrerá a apo- Mínimo de 5 anos no cargo em que ocorrerá a apo-
sentadoria sentadoria

Homens: 60 anos de idade e 35 de contribuição Homens: 65 anos de idade

Mulheres: 55 anos de idade e 30 de contribuição Mulheres: 60 anos de idade

Homem professor: 55 anos de idade e 30 de con-


tribuição

Mulher professora: 50 anos de idade e 25 de con-


tribuição

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/CÂM. DEP./CONSULTOR LEGISLATIVO/2014) Acerca da organização ad-

ministrativa e dos agentes públicos, julgue o item seguinte.

Os agentes particulares colaboradores, como, por exemplo, os concessionários e

permissionários de serviços públicos, embora atuem em funções públicas delega-

das pelo Estado, não são agentes públicos, ante a ausência de vínculo estatutário,

celetista ou eletivo com a administração.

2. (CESPE/CÂM. DEP./CONSULTOR LEGISLATIVO/2014) Acerca da contratação de

pessoal por prazo determinado para o atendimento de necessidade temporária de

excepcional interesse público, julgue o item a seguir. 

Caso seja praticada infração disciplinar por pessoa contratada para atender a ne-

cessidade temporária de excepcional interesse público, deve-se instaurar processo

administrativo disciplinar para a apuração do ato, aplicando-se o rito previsto na

Lei n. 8.112/1990.

3. (CESPE/FUB/2015) No que se refere à administração pública e às disposições

gerais dos servidores públicos e do Poder Executivo, julgue o item subsequente.

A contratação feita por tempo determinado para atender a necessidade temporária

de excepcional interesse público é forma de admissão de pessoal que tem vínculo

funcional com a administração pública de caráter jurídico administrativo.

4. (CESPE/TC-DF/2014) Ao contrário das empresas públicas, em que o regime de

pessoal é híbrido, sendo permitida a vinculação de agentes tanto sob o regime cele-

tista quanto sob o estatutário, nas sociedades de economia mista, o vínculo jurídico

que se firma é exclusivamente contratual, sob a égide da Consolidação das Leis do

Trabalho.
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5. (CESPE/ANTAQ/2014) A respeito dos agentes públicos, julgue o próximo item. 

Os cargos em comissão, criados por lei, destinam-se somente às atribuições de

direção, chefia e assessoramento.

6. (CESPE/MPU/ATUARIAL/2015) A respeito dos cargos e funções públicas, julgue

o item que se segue.

A função pública compreende o conjunto de atribuições conferidas aos servidores

ocupantes de cargo efetivo, razão por que não é exercida por servidores temporários.

7. (CESPE/TCU/CONTROLE EXTERNO/2015) No que se refere a ato administrativo,

agente público e princípios da administração pública, julgue o item.

A exoneração dos ocupantes de cargos em comissão deve ser motivada, respeitan-

do-se o contraditório e a ampla defesa.

8. (CESPE/FUB/2015) No que se refere às disposições gerais relacionadas aos ser-

vidores públicos, julgue o item a seguir.

Destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento as funções

de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo

bem como os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira,

nos casos, nas condições e nos percentuais mínimos previstos em lei.

9. (CESPE/MTE/2014) Apenas por meio de prévia aprovação em concurso de pro-

vas ou de provas e títulos, poderá o cidadão brasileiro ter acesso aos cargos e em-

pregos públicos.

10. (CESPE/ICMBIO/2014) É obrigatória a realização de concurso público para pro-

vimento de cargo efetivo na administração direta ou indireta.

11. (CESPE/ANATEL/ADMINISTRATIVO/2014) Julgue o item seguinte, referente a


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agentes públicos e poder de polícia.

Para que seja admitida a realização de exame psicotécnico em concurso público,

basta que haja previsão no edital, com a definição de critérios objetivos e a possi-

bilidade de recurso.

12. (CESPE/ANATEL/ADMINISTRATIVO/2014) Em um concurso público que requei-

ra investigação social como uma de suas fases, a existência de inquérito policial

instaurado contra o candidato não tem, por si só, o poder de eliminá-lo do certame.

13. (CESPE/ANATEL/DIREITO/2014) Acerca das regras para a realização de con-

curso público, julgue o item subsequente.

De acordo com o entendimento mais recente do STF, a administração não é obriga-

da a nomear os candidatos aprovados no número de vagas definidas no edital de

concurso, desde que haja razão de interesse público decorrente de circunstâncias

extraordinárias, imprevisíveis e supervenientes.

14. (CESPE/DPE-PE/2015) A respeito dos servidores públicos, julgue o item sub-

sequente.

Conforme entendimento atual do STF, é dever da administração pública nomear

candidato aprovado em concurso público dentro das vagas previstas no edital, em

razão do princípio da boa-fé e da proteção da confiança, salvo em situações excep-

cionais caracterizadas pela necessidade, superveniência e imprevisibilidade.

15. (CESPE/SUFRAMA/2014) Considerando que o trabalho seja fundamental para a

dignidade da pessoa humana, é correto afirmar que a acumulação de cargos públi-

cos é regra na legislação brasileira, devendo-se observar apenas a compatibilidade

de horários.
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16. (CESPE/SUFRAMA/GERAL/2014) Considere que um professor universitário fe-

deral aposentado tenha sido aprovado em concurso público para o cargo de técnico

da SUFRAMA. Nesse caso, será legalmente possível a acumulação dos proventos da

inatividade com o vencimento do novo cargo.

17. (CESPE/SUFRAMA/GERAL/2014) As regras constitucionais de cumulação de

vencimentos no setor público são igualmente obrigatórias nos estados e municípios

da Federação.

18. (CESPE/SUFRAMA/2014) A impossibilidade de acumulação de cargos públicos

é a regra geral, não obstante, a lei prevê exceções, como a possibilidade de servi-

dor acumular determinados cargos, independentemente de compatibilidade de ho-

rários, devendo ser observado apenas o limite máximo de oitenta horas de trabalho

semanal.

19. (CESPE/PM-CE/2014) A proibição de acumular cargos públicos alcança todos

os órgãos da administração direta, autárquica e fundacional, não se estendendo

apenas aos empregos situados nas empresas públicas, sociedades de economia

mista e suas subsidiárias, cujo pessoal está submetido a regime jurídico de direito

privado.

20. (CESPE/FUB/ÓTICA/2015) O servidor público que acumule legalmente dois

cargos públicos remunerados terá de optar, quando de sua aposentadoria, por um

dos cargos para o recebimento dos proventos.

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21. (CESPE/MPU/ADMINISTRAÇÃO/2013) A respeito dos agentes públicos, julgue

o próximo item.

Os ministros de Estado são considerados agentes políticos, dado que integram os

mais altos escalões do poder público.

22. (CESPE/CNJ/ADMINISTRATIVA/2013) Considere que determinado cidadão te-

nha sido convocado como mesário em um pleito eleitoral. Nessa situação hipoté-

tica, no exercício de suas atribuições, ele deve ser considerado agente político e,

para fins penais, funcionário público.

23. (CESPE/TRT-17/ADMINISTRATIVA/2013) Acerca dos agentes e cargos públi-

cos, julgue o item seguinte.

Os agentes temporários que desempenham, por tempo determinado, atividades de

excepcional interesse público são agentes públicos cuja contratação somente pode

ser feita no âmbito da administração direta.

24. (CESPE/MIN/2013) A ausência de previsão de acesso de estrangeiros a cargos

públicos coaduna-se com a política de soberania do Estado brasileiro, que restringe

as funções públicas aos brasileiros que gozam de direitos políticos.

25. (CESPE/DEPEN/2013) Com referência à administração pública e seus agentes,

julgue o item subsequente. 

Com relação à greve no serviço público, o STF tem decidido aplicar a legislação

existente para o setor privado aos servidores públicos. Entretanto, em razão da

índole de suas atividades públicas, o STF decidiu pela inaplicabilidade do direito de

greve a certos servidores, como os que exercem atividades relacionadas à manu-

tenção da ordem pública, à segurança pública e à administração da justiça.


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26. (CESPE/SEDF/2017) Com fundamento na classificação dos agentes públicos e

na Lei Complementar n. 840/2011, julgue o item que se segue.

Os ministros de Estado são considerados agentes políticos, embora não sejam elei-

tos para o exercício de mandato.

27. (CESPE/SEDF/2017) Considerando os dispositivos constitucionais relativos ao

exercício do serviço público no Brasil, julgue o item a seguir.

A estabilidade para servidores públicos se dará após dois anos de efetivo exercício

no serviço público.

28. (CESPE/PROC. MUN./PREF. FORTALEZA/2017) O item a seguir é apresentada

uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito da or-

ganização administrativa e dos atos administrativos.

Em razão de incorporações legais, determinado empregado público recebe uma

remuneração que se aproxima do teto salarial constitucional. Nessa situação, con-

forme o entendimento do STF, a remuneração do servidor poderá ser superior ao

teto constitucional se ele receber uma gratificação por cargo de chefia.

29. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/2016) No que concerne aos agentes públi-

cos, julgue o próximo item.

A definição de servidor público, em sentido amplo, engloba os empregados públicos

e servidores temporários.

30. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/2016) Julgue o item subsequente, acerca

dos atos e dos poderes administrativos.

O advogado-geral da União e o defensor público-geral da União são classificados

como agentes políticos, pois sua atuação possui fundamento constitucional.

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31. (CESPE/TRE-RJ/ADMINISTRATIVA/2012) A respeito dos agentes públicos e dos

poderes administrativos, julgue o item que se segue.

Cargos públicos são núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem preen-

chidos por agentes contratados para desempenhá-los sob relação trabalhista.

32. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

Com a aprovação no referido concurso, João passará a ocupar cargo público efetivo

regido pelo regime jurídico único dos servidores públicos civis.

33. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

A partir das informações apresentadas na situação hipotética em apreço, é correto

concluir que João foi nomeado para ocupar emprego público.

34. (CESPE/STJ/2012) Com relação ao regime jurídico dos servidores públicos civis

da União, julgue o item que se segue.

O servidor público adquire estabilidade no cargo após dois anos de efetivo exer-

cício, de modo que, após decorrido esse prazo, somente poderá ser demitido em

virtude de decisão judicial transitada em julgado.

35. (CESPE/TCE-SC/CONTROLE EXTERNO/ADMINISTRAÇÃO/2016) Com base na

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doutrina e nas normas de direito administrativo, julgue o item que se segue.

O servidor público ocupante exclusivamente de cargo em comissão adquire a esta-

bilidade após três anos de efetivo exercício.

36. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

Na situação descrita, após três anos de efetivo exercício, João adquirirá a estabi-

lidade estatutária, própria dos servidores públicos, desde que seja aprovado em

estágio probatório.

37. (CESPE/DPU/2016) Em relação ao regime jurídico dos cargos, empregos e fun-

ções públicas e às disposições da Lei n. 8.112/1990, julgue o item que se segue.

De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é válida a exigência

de exame psicotécnico em concursos públicos desde que esteja a exigência previs-

ta no edital do certame.

38. (CESPE/INSS/2016) Julgue o item que se segue, acerca da administração pú-

blica.

No cômputo do limite remuneratório (chamado de teto constitucional), devem ser

consideradas todas as parcelas percebidas pelo agente público, incluídas as de ca-

ráter indenizatório.

39. (CESPE/CÂM. DEP./ARQUITETO/2012) No que se refere à administração públi-

ca, julgue o item abaixo.

O direito de greve dos servidores públicos será exercido nos termos e nos limites
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definidos em lei complementar federal.

40. (CESPE/TCE-SC/CONTROLE EXTERNO/DIREITO/2016) Julgue o item subse-

quente, relativo aos agentes públicos, à responsabilidade civil do Estado e à licita-

ção.

Conforme a jurisprudência do STJ, no setor público, a deflagração do movimento

grevista suspende o vínculo funcional e, por conseguinte, desobriga o poder público

ao pagamento referente aos dias não trabalhados, podendo haver compensação

dos dias de greve.

41. (CESPE/MPE-RR/2017) De acordo com o entendimento do STF, no que se refe-

re à inscrição de candidatos que possuam tatuagens gravadas na pele, não haven-

do lei que disponha sobre o tema, os editais de concursos públicos

a) estão impedidos de restringi-la, com exceção dos casos em que essas tatuagens

violem valores constitucionais.

b) devem restringi-la com base na relação objetiva e direta entre tatuagem e con-

duta atentatória à moral e aos bons costumes.

c) estão impedidos de restringi-la, para garantir o pleno e livre exercício da função

pública.

d) devem restringi-la, quando se tratar de cargo efetivo da polícia militar.

42. (CESPE/TJ-PR/2017) O ingresso na carreira de juiz se dá mediante concurso

público de provas e títulos, com a participação da OAB em todas as fases, exigin-

do-se do candidato que ele seja bacharel em direito com, no mínimo, três anos de

atividade jurídica.

Nesse sentido, de acordo com o entendimento do STF, a exigência de comprovação

do triênio de prática forense, quando houver ausência de especificação de data no

edital, deverá ser cumprida


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a) no ato de inscrição definitiva no concurso.

b) na data da nomeação.

c) na data da posse.

d) no ato de inscrição inicial no concurso.

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GABARITO

1. E 23. E

2. E 24. E

3. C 25. C

4. E 26. C

5. C 27. E

6. E 28. E

7. E 29. C

8. C 30. E

9. E 31. E

10. C 32. E

11. E 33. C

12. C 34. E

13. C 35. E

14. C 36. E

15. E 37. E

16. C 38. E

17. C 39. E

18. E 40. C

19. E 41. a

20. E 42. A

21. C

22. E

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GABARITO COMENTADO

1. (CESPE/CÂM. DEP./CONSULTOR LEGISLATIVO/2014) Acerca da organização ad-

ministrativa e dos agentes públicos, julgue o item seguinte.

Os agentes particulares colaboradores, como, por exemplo, os concessionários e

permissionários de serviços públicos, embora atuem em funções públicas delega-

das pelo Estado, não são agentes públicos, ante a ausência de vínculo estatutário,

celetista ou eletivo com a administração.

Errado.

As concessionárias e permissionárias de serviços públicos são um bom exemplo de

agentes delegados, ou seja, particulares que desempenham atividades públicas e

que assumem o risco da atividade que está sendo executada.

2. (CESPE/CÂM. DEP./CONSULTOR LEGISLATIVO/2014) Acerca da contratação de

pessoal por prazo determinado para o atendimento de necessidade temporária de

excepcional interesse público, julgue o item a seguir. 

Caso seja praticada infração disciplinar por pessoa contratada para atender a ne-

cessidade temporária de excepcional interesse público, deve-se instaurar processo

administrativo disciplinar para a apuração do ato, aplicando-se o rito previsto na

Lei n. 8.112/1990.

Errado.

Os agentes temporários não são regidos por um vínculo estatutário ou celetista,

mas, sim, por uma lei editada por cada ente federativo.

Como consequência, em caso de violação de infração cometida por tais agentes, o


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procedimento de apuração será aquele definido na lei editada por cada ente, e não

pelas disposições da Lei 8.112/1990, norma que estabelece o regime estatutário

dos servidores públicos federais.

3. (CESPE/FUB/2015) No que se refere à administração pública e às disposições

gerais dos servidores públicos e do Poder Executivo, julgue o item subsequente.

A contratação feita por tempo determinado para atender a necessidade temporária

de excepcional interesse público é forma de admissão de pessoal que tem vínculo

funcional com a administração pública de caráter jurídico administrativo.

Certo.

Os agentes temporários não possuem cargo ou emprego público, desempenhando

apenas uma função pública. Logo, o vínculo mantido entre eles e a Administração

Pública é funcional, ou seja, em razão das atividades (funções) que estão sendo

desempenhadas.

4. (CESPE/TC-DF/2014) Ao contrário das empresas públicas, em que o regime de

pessoal é híbrido, sendo permitida a vinculação de agentes tanto sob o regime cele-

tista quanto sob o estatutário, nas sociedades de economia mista, o vínculo jurídico

que se firma é exclusivamente contratual, sob a égide da Consolidação das Leis do

Trabalho.

Errado.

Em ambas as entidades (empresas públicas e sociedades de economia mista), existe

apenas a possibilidade de contratação de empregados públicos, pessoas regidas pela

Consolidação das Leis do Trabalho e não ligadas ao Estado por meio de um estatuto.

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5. (CESPE/ANTAQ/2014) A respeito dos agentes públicos, julgue o próximo item. 

Certo.

Trata-se de previsão da Constituição Federal, conforme estabelece o artigo 37, V:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de car-
go efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento; 

6. (CESPE/ATUARIAL/2015) A respeito dos cargos e funções públicas, julgue o item


que se segue.
A função pública compreende o conjunto de atribuições conferidas aos servidores
ocupantes de cargo efetivo, razão por que não é exercida por servidores temporários.

Errado.
Os agentes temporários não ocupam cargo ou emprego público, apenas exercen-
do uma função pública.
O cargo público, em sentido diverso, pode ser conceituado como o conjunto de
atribuições e responsabilidades conferidas aos servidores públicos.

7. (CESPE/TCU/CONTROLE EXTERNO/2015) No que se refere a ato administrativo,


agente público e princípios da administração pública, julgue o item.
A exoneração dos ocupantes de cargos em comissão deve ser motivada, respeitan-
do-se o contraditório e a ampla defesa.

Errado.
Os cargos em comissão são considerados de livre nomeação e exoneração, mo-
tivo pelo qual podem ser admitidos e exonerados livremente, sem a necessi-

dade de motivação por parte da autoridade competente.


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8. (CESPE/FUB/2015) No que se refere às disposições gerais relacionadas aos ser-

vidores públicos, julgue o item a seguir.

Destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento as funções

de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo

bem como os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira,

nos casos, nas condições e nos percentuais mínimos previstos em lei.

Certo.

Novamente faremos uso das disposições da Constituição Federal, mais precisamen-

te do artigo 37, V, de seguinte teor:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de car-
go efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento;

9. (CESPE/MTE/2014) Apenas por meio de prévia aprovação em concurso de pro-

vas ou de provas e títulos, poderá o cidadão brasileiro ter acesso aos cargos e em-

pregos públicos.

Errado.

Ainda que o concurso seja a regra para admissão de pessoal no serviço público,

certas situações são excepcionadas por tal mandamento.

Como exemplo, cita-se o cargo em comissão, que pode perfeitamente ser ocupa-

do por pessoa que não possua, até o momento, vínculo com o Poder Público.

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10. (CESPE/ICMBIO/2014) É obrigatória a realização de concurso público para pro-

vimento de cargo efetivo na administração direta ou indireta.

Certo.

Todos os órgãos e entidades da Administração Pública direta ou indireta devem re-

alizar concurso como forma de admissão de pessoal.

Nesse sentido é o teor do artigo 37, II, da Constituição Federal:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao se-
guinte:
II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia
em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e
a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea-
ções para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.

11. (CESPE/ANATEL/ADMINISTRATIVO/2014) Julgue o item seguinte, referente a

agentes públicos e poder de polícia.

Para que seja admitida a realização de exame psicotécnico em concurso público,

basta que haja previsão no edital, com a definição de critérios objetivos e a possi-

bilidade de recurso.

Errado.

A simples previsão no edital do concurso não é suficiente para fundamentar a rea-

lização de exame psicotécnico. Para que essa medida seja possível, deve haver lei

previsão em lei, como estabelece a Súmula 686 do STF:

Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo

público.

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12. (CESPE/ANATEL/ADMINISTRATIVO/2014) Em um concurso público que requei-

ra investigação social como uma de suas fases, a existência de inquérito policial

instaurado contra o candidato não tem, por si só, o poder de eliminá-lo do certame

Certo.

A simples existência de inquérito policial instaurado não justifica a eliminação de

candidato aprovado em concurso público.

Para que a eliminação ocorra, deve haver, obrigatoriamente, o trânsito em julgado

da decisão.

13. (CESPE/ANATEL/DIREITO/2014) Acerca das regras para a realização de con-

curso público, julgue o item subsequente.

De acordo com o entendimento mais recente do STF, a administração não é obriga-

da a nomear os candidatos aprovados no número de vagas definidas no edital de

concurso, desde que haja razão de interesse público decorrente de circunstâncias

extraordinárias, imprevisíveis e supervenientes.

Certo.

Candidato aprovado dentro do número de vagas previstas inicialmente pelo edital

tem o direito subjetivo (pessoal) de nomeação. Essa é a regra!!

A única ressalva fica por conta de situações extremas de caráter superveniente

(ocorridas após a publicação do edital), imprevisíveis (que não eram previstas

quando da publicação do edital) e necessárias (quando a nomeação resultar na

falta de recursos para a utilização em demais políticas públicas).

14. (CESPE/DPE-PE/2015) A respeito dos servidores públicos, julgue o item sub-

sequente.
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Conforme entendimento atual do STF, é dever da administração pública nomear

candidato aprovado em concurso público dentro das vagas previstas no edital, em

razão do princípio da boa-fé e da proteção da confiança, salvo em situações excep-

cionais caracterizadas pela necessidade, superveniência e imprevisibilidade.

Certo.

Conforme já afirmado, a nomeação de candidatos aprovados dentro do número de

vagas previstas no edital trata-se de um direito subjetivo, ou seja, pessoalmente

conferido ao indivíduo.

A ressalva fica por conta de situações excepcionais de caráter superveniente, im-

previsível e necessária.

15. (CESPE/SUFRAMA/2014) Considerando que o trabalho seja fundamental para a

dignidade da pessoa humana, é correto afirmar que a acumulação de cargos públi-

cos é regra na legislação brasileira, devendo-se observar apenas a compatibilidade

de horários.

Errado.

Como regra, temos a vedação à acumulação de cargos, empregos e funções públi-

cas, conforme previsão do artigo 37, XVI, da Constituição Federal:


XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando
houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso
XI (...)

16. (CESPE/SUFRAMA/GERAL/2014) Considere que um professor universitário fe-

deral aposentado tenha sido aprovado em concurso público para o cargo de técnico

da SUFRAMA. Nesse caso, será legalmente possível a acumulação dos proventos da

inatividade com o vencimento do novo cargo.

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Certo.

Temos aqui uma das exceções à regra da vedação à acumulação de cargos prevista

na Constituição Federal:

XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas;

O simples fato de o professor estar aposentado não interfere nas regras de vedação

à acumulação. Nesses casos, deverá ser observado o disposto no § 10 do mesmo

artigo.

§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do


art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública,
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eleti-
vos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.

17. (CESPE/SUFRAMA/GERAL/2014) As regras constitucionais de cumulação de

vencimentos no setor público são igualmente obrigatórias nos estados e municípios

da Federação.

Certo.

A regra da vedação à acumulação é de observância obrigatória por todos os entes

federativos, uma vez que as disposições da Constituição Federal, expressas em

capítulo destinado aos servidores públicos, são aplicáveis à União, aos Estados, ao

Distrito Federal e aos Municípios:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,

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dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de le-
galidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver
compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:

18. (CESPE/SUFRAMA/2014) A impossibilidade de acumulação de cargos públicos

é a regra geral, não obstante, a lei prevê exceções, como a possibilidade de servi-

dor acumular determinados cargos, independentemente de compatibilidade de ho-

rários, devendo ser observado apenas o limite máximo de oitenta horas de trabalho

semanal.

Errado.

Em todas as situações em que a Constituição Federal permite a acumulação de

cargos, empregos ou funções públicas, o requisito da compatibilidade de horários

deve ser atendido.

XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver

compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:

19. (CESPE/PM-CE/2014) A proibição de acumular cargos públicos alcança todos

os órgãos da administração direta, autárquica e fundacional, não se estendendo

apenas aos empregos situados nas empresas públicas, sociedades de economia

mista e suas subsidiárias, cujo pessoal está submetido a regime jurídico de direito

privado.

Errado.

A vedação à acumulação alcança a Administração direta e indireta de todos os en-


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tes federativos. Nesse sentido, menciona-se o caput do artigo 37 da Constituição

Federal (em capítulo destinado à Administração Pública):

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte
(...)

20. (CESPE/FUB/ÓTICA/2015) O servidor público que acumule legalmente dois

cargos públicos remunerados terá de optar, quando de sua aposentadoria, por um

dos cargos para o recebimento dos proventos.

Errado.

Nesse caso, como os cargos públicos já eram acumuláveis na atividade, poderá o

servidor receber os proventos de ambas as aposentadorias, conforme previsão do

artigo 37, § 10, da Constituição Federal:

§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do


art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública,
ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eleti-
vos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.

21. (CESPE/ADMINISTRAÇÃO/2013) A respeito dos agentes públicos, julgue o pró-

ximo item.

Os ministros de Estado são considerados agentes políticos, dado que integram os

mais altos escalões do poder público.

Certo.

No âmbito do Poder Executivo, os agentes políticos são os ocupantes dos mais altos

postos da Administração Pública, tal como os Chefes do Poder Executivo (Presiden-


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te, Governador e Prefeito) e seus respectivos Ministros e Secretários Estaduais e

Municipais.

Tais agentes possuem ampla autonomia para exercer suas competências, que, em

sua maior parte, são definidas diretamente pela Constituição Federal.

22. (CESPE/CNJ/ADMINISTRATIVA/2013) Considere que determinado cidadão te-

nha sido convocado como mesário em um pleito eleitoral. Nessa situação hipoté-

tica, no exercício de suas atribuições, ele deve ser considerado agente político e,

para fins penais, funcionário público.

Certo.

No caso, o cidadão deve ser considerado um agente honorífico, uma vez que sua

convocação ocorreu por razões pessoas, tais como a moral e a honra.

23. (CESPE/TRT-17/ADMINISTRATIVA/2013) Acerca dos agentes e cargos públi-

cos, julgue o item seguinte.

Os agentes temporários que desempenham, por tempo determinado, atividades de

excepcional interesse público são agentes públicos cuja contratação somente pode

ser feita no âmbito da administração direta.

Errado.

Os agentes temporários podem ser contratados não apenas pela Administração

direta, mas também pelas entidades da Administração indireta com persona-

lidade jurídica de direito público (autarquias e fundações).

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24. (CESPE/MIN/2013) A ausência de previsão de acesso de estrangeiros a cargos

públicos coaduna-se com a política de soberania do Estado brasileiro, que restringe

as funções públicas aos brasileiros que gozam de direitos políticos.

Errado.

Ao contrário do que afirma a questão, os cargos públicos também podem ser exer-

cidos pelos estrangeiros, desde que estes observem as regras estabelecidas em lei.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: 
I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham
os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;

25. (CESPE/DEPEN/2013) Com referência à administração pública e seus agentes,

julgue o item subsequente. 

Com relação à greve no serviço público, o STF tem decidido aplicar a legislação

existente para o setor privado aos servidores públicos. Entretanto, em razão da

índole de suas atividades públicas, o STF decidiu pela inaplicabilidade do direito de

greve a certos servidores, como os que exercem atividades relacionadas à manu-

tenção da ordem pública, à segurança pública e à administração da justiça.

Certo.

Estabelece a Constituição Federal (artigos 142, § 3º, IV, e artigo 42, § 1º) que os

militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e dos res-

pectivos Estados, Distrito Federal e Territórios não poderão utilizar o direito

de greve.

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Por aplicação analógica, o STF possui entendimento de que os policiais civis tam-

bém estão impedidos de fazer greve.

Nessas situações, o entendimento do tribunal é de que os serviços prestados são

considerados essenciais para a coletividade.

26. (CESPE/SEDF/2017) Com fundamento na classificação dos agentes públicos e

na Lei Complementar n. 840/2011, julgue o item que se segue.

Os ministros de Estado são considerados agentes políticos, embora não sejam elei-

tos para o exercício de mandato.

Certo.

Os agentes políticos são aqueles que desempenham funções essenciais ao Estado

como um todo. Os Ministros de Estado entram nessa classificação.

27. (CESPE/SEDF/2017) Considerando os dispositivos constitucionais relativos ao

exercício do serviço público no Brasil, julgue o item a seguir.

A estabilidade para servidores públicos se dará após dois anos de efetivo exercício

no serviço público.

Errado.

A estabilidade apenas é adquirida após três anos de efetivo exercício, conforme

previsão da Constituição Federal:

Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público

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28. (CESPE/PROC. MUN./PREF. FORTALEZA/2017) O item a seguir é apresentada

uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito da or-

ganização administrativa e dos atos administrativos.

Em razão de incorporações legais, determinado empregado público recebe uma

remuneração que se aproxima do teto salarial constitucional. Nessa situação, con-

forme o entendimento do STF, a remuneração do servidor poderá ser superior ao

teto constitucional se ele receber uma gratificação por cargo de chefia.

Errado.

O teto constitucional deve ser observado com relação à soma de todas as remune-

rações recebidas pelo agente público. Ficam excluídas do cálculo, apenas, as par-

celas de natureza indenizatória.

No caso, como a gratificação pelo cargo de chefia possui natureza remuneratória,

deve ser levada em conta para fins de observância do limite constitucional.

29. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/2016) No que concerne aos agentes públi-

cos, julgue o próximo item.

A definição de servidor público, em sentido amplo, engloba os empregados públicos

e servidores temporários.

Certo.

O conceito de servidor público em sentido amplo abrange três diferentes catego-

rias: os estatutários (servidores públicos em sentido estrito), os empregados públi-

cos (regidos pela CLT) e os agentes temporários (regidos por um contrato especial

de direito público).

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30. (CESPE/TCE-PA/ADMINISTRATIVA/2016) Julgue o item subsequente, acerca

dos atos e dos poderes administrativos.

O advogado-geral da União e o defensor público-geral da União são classificados

como agentes políticos, pois sua atuação possui fundamento constitucional.

Errado.

A corrente majoritária adotada em nosso ordenamento jurídico entende que o Ad-

vogado-Geral da União e o Defensor Público-Geral da União não são agentes polí-

ticos, ainda que boa parte de suas atribuições encontre previsão no texto da Cons-

tituição Federal.

Tais cargos estariam classificados, de acordo com essa doutrina, como agentes ad-

ministrativos.

31. (CESPE/TRE-RJ/ADMINISTRATIVA/2012) A respeito dos agentes públicos e dos

poderes administrativos, julgue o item que se segue.


Cargos públicos são núcleos de encargos de trabalho permanentes a serem preen-

chidos por agentes contratados para desempenhá-los sob relação trabalhista.

Errado.

Os cargos públicos são regidos por um estatuto, e não por uma relação trabalhista.

Os agentes que são regidos pelas disposições da CLT são os empregados públicos.

32. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.


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Com a aprovação no referido concurso, João passará a ocupar cargo público efetivo

regido pelo regime jurídico único dos servidores públicos civis.

Errado.

João foi nomeado para exercer suas atribuições em uma empresa pública ou em

uma sociedade de economia mista, que são pessoas jurídicas de direito privado.

Em ambos os casos, João ocupará um emprego público, e não um cargo público,

sendo regido, dessa forma, pelas disposições da CLT.

33. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

A partir das informações apresentadas na situação hipotética em apreço, é correto

concluir que João foi nomeado para ocupar emprego público.

Certo.

No caso, João foi nomeado para exercer suas atribuições em uma empresa públi-

ca ou em uma sociedade de economia mista, que são pessoas jurídicas de direito

privado. Consequentemente, ocupará ele um emprego público, sendo regido pelas

disposições da CLT.

34. (CESPE/STJ/2012) Com relação ao regime jurídico dos servidores públicos civis

da União, julgue o item que se segue.

O servidor público adquire estabilidade no cargo após dois anos de efetivo exer-

cício, de modo que, após decorrido esse prazo, somente poderá ser demitido em

virtude de decisão judicial transitada em julgado.


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Errado.

De acordo com a Constituição Federal, a estabilidade é alcançada, no serviço públi-

co, após três anos de efetivo exercício.

Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público.

35. (CESPE/TCE-SC/CONTROLE EXTERNO/ADMINISTRAÇÃO/2016) Com base na

doutrina e nas normas de direito administrativo, julgue o item que se segue.

O servidor público ocupante exclusivamente de cargo em comissão adquire a esta-

bilidade após três anos de efetivo exercício.

Errado.

Apenas adquirem estabilidade os servidores ocupantes de cargo público de provi-

mento efetivo, ou seja, aqueles que forem aprovados em concurso público. Os ocu-

pantes de cargos em comissão, quando não forem, também, servidores efetivos,

não adquirem a estabilidade no serviço público.

36. (CESPE/ANVISA/2016) João, após aprovação em concurso público, foi nome-

ado em 2015 para integrar o quadro de uma entidade da administração indireta

dotada de personalidade jurídica de direito privado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.

Na situação descrita, após três anos de efetivo exercício, João adquirirá a estabi-

lidade estatutária, própria dos servidores públicos, desde que seja aprovado em

estágio probatório.

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Errado.

Os empregados públicos não adquirem estabilidade, uma vez que são regidos pelas

disposições da CLT.

37. (CESPE/DPU/2016) Em relação ao regime jurídico dos cargos, empregos e fun-

ções públicas e às disposições da Lei n. 8.112/1990, julgue o item que se segue.

De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é válida a exigência

de exame psicotécnico em concursos públicos desde que esteja a exigência previs-

ta no edital do certame.

Errado.
Para que o exame psicotécnico possa ser exigido, não basta a previsão em edital,
devendo, obrigatoriamente, haver dispositivo legal nesse sentido, conforme enten-
dimento sumulado do STF.

Súmula Vinculante 44 – Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação


de candidato a cargo público.

38. (CESPE/INSS/2016) Julgue o item que se segue, acerca da administração pú-


blica.
No cômputo do limite remuneratório (chamado de teto constitucional), devem ser
consideradas todas as parcelas percebidas pelo agente público, incluídas as de ca-
ráter indenizatório.

Errado.
No cômputo do limite remuneratório, devem ser consideradas todas as parcelas de
natureza remuneratória, e não, conforme afirmado, as parcelas de natureza inde-
nizatória.

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39. (CESPE/CÂM. DEP./ARQUITETO/2012) No que se refere à administração públi-


ca, julgue o item abaixo.
O direito de greve dos servidores públicos será exercido nos termos e nos limites
definidos em lei complementar federal.

Errado.
De acordo com a Constituição Federal, o direito de greve será exercido, pelos servi-
dores públicos, nos termos e condições definidos em lei específica, e não, conforme
afirmado, em lei complementar federal.

Art. 37, VII – o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei
específica;

40. (CESPE/TCE-SC/CONTROLE EXTERNO/DIREITO/2016) Julgue o item subse-

quente, relativo aos agentes públicos, à responsabilidade civil do Estado e à licita-

ção.

Conforme a jurisprudência do STJ, no setor público, a deflagração do movimento

grevista suspende o vínculo funcional e, por conseguinte, desobriga o poder público

ao pagamento referente aos dias não trabalhados, podendo haver compensação

dos dias de greve.

Certo.

Com a greve, temos a suspensão do vínculo funcional mantido entre o Po-

der Público e os agentes grevistas, motivo pelo qual a Administração não pre-

cisa, no referido período, pagar aos agentes os dias não trabalhados.

Na prática, o que acontece, na imensa maioria das vezes, é um acordo de compen-

sação, de forma que os agentes públicos compensam os dias não trabalhados e não

deixam, com isso, de receber suas remunerações.

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41. (CESPE/MPE-RR/2017) De acordo com o entendimento do STF, no que se refe-

re à inscrição de candidatos que possuam tatuagens gravadas na pele, não haven-

do lei que disponha sobre o tema, os editais de concursos públicos

a) estão impedidos de restringi-la, com exceção dos casos em que essas tatuagens

violem valores constitucionais.

b) devem restringi-la com base na relação objetiva e direta entre tatuagem e con-

duta atentatória à moral e aos bons costumes.

c) estão impedidos de restringi-la, para garantir o pleno e livre exercício da função

pública.

d) devem restringi-la, quando se tratar de cargo efetivo da polícia militar.

Letra a.

O STF decidiu, no julgamento do REsp 898450, que os editais de concursos públicos

estão impedidos, como regra geral, de restringir a participação de candidatos com

tatuagens.

Em caráter de exceção, podem ser adotados mecanismos de restrição quando as

tatuagens violarem valores defendidos pela Constituição Federal.

42. (CESPE/TJ-PR/2017) O ingresso na carreira de juiz se dá mediante concurso

público de provas e títulos, com a participação da OAB em todas as fases, exigin-

do-se do candidato que ele seja bacharel em direito com, no mínimo, três anos de

atividade jurídica.

Nesse sentido, de acordo com o entendimento do STF, a exigência de comprovação

do triênio de prática forense, quando houver ausência de especificação de data no

edital, deverá ser cumprida

a) no ato de inscrição definitiva no concurso.

b) na data da nomeação.
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c) na data da posse.

d) no ato de inscrição inicial no concurso.

Letra a.

Um dos requisitos para que o particular possa se tornar juiz é a comprovação do

tempo mínimo de três anos de atividade jurídica.

O STF entende que é constitucional a exigência de comprovação do tempo mínimo

necessário já no momento da inscrição definitiva, conforme decidido na ADI 3.460.

A exigência de comprovação, no momento da inscrição definitiva (e não na posse), do


triênio de atividade jurídica privativa de bacharel em Direito como condição de ingresso
nas carreiras da magistratura e do ministério público foi declarada constitucional pelo
STF na ADI 3.460.

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