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Sistemas Isolados: e Con ert,ados à R!

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1

rA enee I Saraiva
Energia Solar Fotovoltaica
Conceitos e Aplicações
Sistemas Isolados e Conectados à Rede
1

Energia Solar Fotovoltaica


Conceitos e Aplicações
2 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações
3

Marcelo Gradella Villalva


Jonas Rafael Gazoli

Energia Solar Fotovoltaica


Conceitos e Aplicações

1ª Edição

.,
ÉRICA
www.editoraerica.com.br
4 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Villalva, Marcelo Gradella

Energia solar fotovoltaica: conceitos e aplicações I Marcelo Gradella Villalva, Jonas Rafael Gazoli
-- 1. ed. -- São Paulo : Érica, 2012.

Bibliografia.
ISBN 978-85-365-0978-5

1. Energia solar 2. Energia solar fotovoltaica l. Gazoli, Jonas Rafael li. Título

12-08469 CDD-621.47

Índice para catálogo sistemático:


1. Energia solar fotovoltaica : Engenharia 621.47

Copyright© 2012 da Editora Érica Uda.


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Editora Érica. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nA 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Coordenação Editorial: Rosana Arruda da Silva


Capa: Maurício S. de França
Editoração e Finalização: Adriana Aguiar Santoro
Daniela Verônica Lima
Marlene T. Santin Alves
Carla de Oliveira Morais
Rosana Ap. A dos Santos
Avaliação Técnica: Eduardo Cesar Alves Cruz

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Dedicatória

Aos nossos pais, pela educação que recebemos, sem a qual este trabalho e muitas outras
coisas não teriam sido possíveis.
A nossas esposas, pela paciência e pelo apoio durante a elaboração deste trabalho.

"Se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever


todas as consequências dele, a pensar nelas a sério,
primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis,
depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos
de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."

José Saramago, in Ensaio sobre a Cegueira


6 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Agradecimentos

Ao professor doutor Ernesto Ruppert Filho, da UNICAMP, pelo apoio e pela orientação
durante nossos anos de estudos e pesquisas na universidade.
'
As empresas que cederam informações e imagens para a composição do livro, em especial
Finder, Bosch, Santerno, LG, Studer lnnotec, SMA e Multi-Contact.
7

Sumário

Capítulo 1 - Energia e Eletricidade 15


1 .1 Fontes renováveis 15
1.2 Fontes limpas de energia 16
1 . 3 Fontes alternativas de energia 18
1.4 Exemplos de fontes renováveis 19
1.4.1 Energia hidrelétrica 19
1.4.2 Energia solar térmica 20
1 .4. 3 Energia solar fotovoltaica 21
1.4.4 Energia eólica 22
1.4.5 Energia oceânica 24
1 .4. 6 Energia geotérmica 25
1.4.7 Energia da biomassa 25
1.5 Geração e uso de eletricidade no mundo 26
1.6 Geração distribuída de energia elétrica 30
1. 7 Fontes renováveis de energia no Brasil 32
1 .8 A energia solar fotovoltaica no Brasil 33
1.8.1 Situação atual 33
1.8.2 Potencial de utilização 34
1.8.3 Obstáculos 35
1.8.4 Normas e regulamentação 36
1.8.5 Benefícios 37
Exercícios 38

Capítulo 2 - Conceitos Básicos 39


2 . 1 Rad iação so I ar 39
2 .2 Massa de ar 42
2 .3 Tipos de radiação solar 44
2 .4 Energia solar 45
2.4.1 lrradiância 45
2.4.2 Insolação 46
2 .5 Orientação dos módulos fotovoltaicos 49
"
2 .6 Angulo azimutal 50
2.7 Movimentos da Terra 53
2 .8 Declinação solar 54
2.9 Altura solar 55
"
2.1 O Angulo de incidência dos raios solares 57
2.11 Escolha do ângulo de inclinação do módulo solar 57
2.12 Regras básicas para a instalação de módulos solares 59
8 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

2 .13 Rastreamento automático da posição do Sol 62


2.14 Espaçamento de módulos em usinas solares 63
Exercícios 64

Capítulo 3 - Células e Módulos Fotovoltaicos 65


3.1 Células fotovoltaicas 65
3.2 Um pouco de história 68
3.3 Tipos de células fotovoltaicas 69
3.3.1 Silício monocristalino 69
3.3.2 Silício policristalino 70
3.3.3 Filmes finos 71
3.3.4 Comparação entre as diferentes tecnologias 73
3.4 Módulo, placa ou painel fotovoltaico 74
3.5 Funcionamento e características dos módulos fotovoltaicos comerciais 76
3.5 .1 Curvas características de corrente, tensão e potência 76
3.6 Influência da radiação solar 79
3.7 Influência da temperatura 80
3.8 Características dos módulos fotovoltaicos comerciais 82
3.8.1 Folha de dados 82
3.8.2 Identificação e informações gerais 82
3.8.3 Características elétricas em STC 83
3.8.4 Características elétricas em NOCT 86
3.8.5 Características térmicas 87
3.9 Conjuntos ou arranjos fotovoltaicos 88
3.9.1 Conexão de módulos em série 88
3.9.2 Conexão de módulos em paralelo 89
3.9.3 Conexão de módulos em série e paralelo 91
3.1 O Sombreamento de módulos fotovoltaicos 91
3.11 Conexões elétricas 94
Exercícios 97

Capítulo 4 - Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 99


4.1 Aplicações dos sistemas fotovoltaicos autônomos 99
4.2 Componentes de um sistema fotovoltaico autônomo 102
4.3 Baterias 103
4.3.1 Bancos de baterias 103
4.3.2 Tipos de baterias 104
4.3.3 Baterias de ciclo profundo 107
4.3.4 Vida útil da bateria 108
4.3.5 Características das baterias estacionárias de chumbo ácido 11 O
9

4.4 Controlador de carga 11 O


4.4.1 Funções do controlador de carga 111
4.4.2 Modo de utilização do controlador de carga 112
4.4.3 Principais tipos de controladores de carga 114
4.5 Inversor 119
4.5.1 Princípio de funcionamento 119
4.5.2 Modo de conexão 121
4.5.3 Características principais dos inversores 122
4.5.4 Tipos de inversores 124
4.6 Módulos fotovoltaicos para sistemas autônomos 12 7
4. 7 Organização dos sistemas fotovoltaicos autônomos 12 8
4.7 .1 Sistemas para a alimentação de consumidores em corrente alternada 128
4.7 .2 Sistemas para a alimentação de consumidores em corrente contínua 129
4.7.3 Sistemas sem baterias 130
4.7 .4 Sistemas fotovoltaicos autônomos de grande porte 132
4.8 Cálculo da energia produzida pelos módulos fotovoltaicos 135
4.8.1 Método da insolação 135
4.8.2 Método da corrente máxima do módulo 137
4. 9 Dimensionamento do banco de baterias 139
4.1 O Levantamento do consumo de energia do sistema fotovoltaico autônomo 141
4.11 Exemplo de dimensionamento de um sistema fotovoltaico autônomo 143
Exercícios 14 7

Capítulo 5 - Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 149


5.1 Introdução 149
5.2 Categorias de sistemas fotovoltaicos conectados à rede 149
5 .2.1 Usinas de geração fotovoltaica 150
5.2.2 Sistemas de minigeração fotovoltaica 151
5.2.3 Sistemas de microgeração fotovoltaica 152
5.3 Sistemas de tarifação 155
5.3.1 Venda de energia no mercado livre 155
5.3.2 Tarifação net metering 155
5.3.3 Tarifação feed in 157
5.4 Inversores para a conexão à rede elétrica 158
5. 5 Características dos inversores 160
5.5.1 Faixa útil de tensão contínua na entrada 160
5.5.2 Tensão contínua máxima na entrada 161
5.5.3 Número máximo de strings na entrada 162
5.5.4 Número de entradas independentes com MPPT 162
5.5.5 Tensão de operação na conexão com a rede 163
5.5.6 Frequência da rede elétrica 163
10 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

5.5.7 Distorção da corrente injetada na rede 163


5.5.8 Grau de proteção 163
5.5.9 Temperatura de operação 163
5.5.10 Umidade relativa do ambiente 164
5.5 .11 Con su mo de energia parado 1 64
5.5.12 Consumo de energia noturno 164
5.5.13 Potência de corrente contínua na entrada 165
5.5.14 Potência de corrente alternada na saída 165
5.5.15 Rendimento 165
5.6 Recursos e funções dos inversores para a conexão de sistemas fotovoltaicos
à rede elétrica 166
5.6.1 Chave de desconexão de corrente contínua 166
5.6.2 Proteção contra fuga de corrente 166
5.6.3 Rastreamento do ponto de máxima potência (MPPT) 166
5.6.4 Detecção de il hamento e reconexão automática 1 70
5.6.5 Isolação com transformador 1 72
5.7 Requisitos para a conexão de sistemas fotovoltaicos à rede elétrica 1 75
5.7.1 Tensão de operação 176
5.7.2 Frequência de operação 176
5.7 .3 Minimização da injeção de corrente contínua na rede elétrica 177
5.7 .4 Distorção harmónica de corrente admissível 177
5.7 .5 Fator de potência 178
5.7.6 Atuação na detecção do ilhamento 178
5.7 .7 Normas brasileiras 179
5.8 Inversores comerciais para sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica 179
5.8.1 Inversores centrais para usinas e sistemas de minigeração 179
5.8.2 Inversores para minigeração e microgeração 184
5.8.3 Micro inversores 190
5.9 Organização dos conjuntos fotovoltaicos 191
5.9.1 Ligação de módulos fotovoltaicos em série e paralelo 191
5.9.2 Número de módulos em série no string 191
5.9.3 Sistemas fotovoltaicos modulares 192
5 .1 O Componentes dos sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica 194
5.10.1 Módulos fotovoltaicos 194
5 .1 O. 2 Inversores para a conexão à rede elétrica 1 94
5.10.3 Caixas de strings 194
5.10.4 Quadro de proteção de corrente contínua (CC) 197
5 .1 O .5 Quadro de proteção de corrente alternada (CA) 1 98
5.10.6 Acessórios 200
11

5.11 Conexões elétricas nos sistemas conectados à rede de distribuição


de baixa tensão 203
5.11.1 Dimensionamento das instalações do lado de corrente alternada (CA) 203
5.11 .2 Dimensionamento dos cabos no lado de corrente contínua (CC) 203
5.11.3 Dimensionamento dos fusíveis no lado de corrente contínua (CC) 204
5.11 .4 Escolha dos diodos de strings no lado de corrente contínua (CC) 205
5.12 Dispositivos de proteção de surto para sistemas fotovoltaicos 206
5.12.1 lntrodução 206
5.12 .2 Princípio de funcionamento 206
5.12.3 Classificações 207
5.12 .4 Esquemas de aplicação 209
5.13 Exemplo de dimensionamento de um sistema fotovoltaico de microgeração
conectado à rede elétrica 214
5.13.1 Energia produzida 214
5.13.2 Dimensionamento do número de módulos 215
5.13.3 Dimensionamento dos inversores 215
Exercícios 21 7

Bibliografia 219
,,
Indice Remissivo 221
12 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Sobre os autores

Marcelo Gradella Villalva


Engenheiro eletricista, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual
de Campinas (UNICAMP). Professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Espe­
cialista em inversores para sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Professor e
palestrante nas áreas de sistemas fotovoltaicos, energias renováveis, eletrónica de potên­
cia e máquinas elétricas. Autor de trabalhos científicos e artigos publicados no Brasil e
no exterior. Membro da Associação Brasileira de Eletrónica de Potência (SOBRAEP) e do
Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). Participou da comissão responsável
pela elaboração da norma brasileira de inversores fotovoltaicos conectados à rede elétrica
e do Grupo Setorial de Energia Fotovoltaica da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e
Eletrónica (ABINEE).

Jonas Rafael Gazoli


Engenheiro eletricista, mestre e doutorando em Engenharia Elétrica pela Universidade Esta­
dual de Campinas (UNICAMP). Fez especialização em inversores fotovoltaicos na Uni­
versidade de Padova, Itália. Autor de trabalhos sobre energia solar fotovoltaica publica­
dos em revistas e congressos no Brasil e no exterior. Membro da Associação Brasileira
de Eletrónica de Potência (SOBRAEP) e do Institute of Electrical and Electronics Engineers
(IEEE). Participou da comissão responsável pela elaboração da norma brasileira de inverso­
res fotovoltaicos conectados à rede elétrica e do Grupo Setorial de Energia Fotovoltaica da
/

Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrónica (ABINEE). E diretor da Eudora Solar,


empresa especializada em produtos, serviços e consultoria para sistemas de energia solar
fotovoltaica.
13

Prefácio

Ao elaborar este livro, os autores desejaram suprir uma lacuna existente no mercado edito­
rial brasileiro. A energia solar fotovoltaica está ganhando importância em nosso País e o seu
estudo deverá ser inserido nos currículos dos cursos técnicos, de engenharia e de pós-gra­
duação. O livro aborda os sistemas fotovoltaicos isolados e os conectados à rede elétrica.

O material que o leitor tem em mãos serve como guia de aprendizado sobre a energia solar
fotovoltaica para pessoas que ainda desconhecem o assunto, ou como obra de leitura e
referência para estudantes e profissionais que desejam adquirir e ampliar conhecimentos
sobre as aplicações, os componentes, o dimensionamento e a instalação de sistemas foto­
voltaicos.

A energia solar fotovoltaica tem uma característica que não se encontra em nenhuma outra:
ela pode ser usada em qualquer local, gerando eletricidade no próprio ponto de consumo,
sem a necessidade de levar a eletricidade para outro lugar através de linhas de transmissão
ou redes de distribuição. Além disso, diferentemente de outras fontes de energia, ela pode
ser empregada em praticamente todo o território nacional, em áreas rurais e urbanas.

Antes praticamente restrita a aplicações em pequenos sistemas de eletrificação instalados


em localidades não atendidas pela rede de energia elétrica, a partir do ano de 2012 a
energia solar fotovoltaica passou a ser considerada seriamente como uma alternativa para o
nosso País, tendo sua inserção na matriz energética nacional garantida com a aprovação da
resolução normativa nº 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que incentiva
e regulamenta a microgeração e a minigeração de eletricidade com fontes renováveis de
energia em sistemas conectados à rede elétrica de distribuição.

A aprovação desta resolução é um marco histórico que coloca o Brasil no grupo de países
que incentivam e apoiam a autoprodução de energia elétrica por cidadãos, empresas e ins­
tituições que desejam suprir seu consumo de eletricidade a partir de sistemas fotovoltaicos,
operando em paralelismo com a rede pública, complementando a geração e exportando o
excedente da energia produzida.

Os autores esperam que esta obra seja proveitosa para o leitor e que possa ajudar a dis­
seminar e consolidar o uso da energia solar fotovoltaica em nosso País.

Os autores
14 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

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1.1 Fontes renováveis
O Sol é a principal fonte de energia do nosso planeta. A superfí­
cie da Terra recebe anualmente uma quantidade de energia solar,
nas formas de luz e calor, suficiente para suprir milhares de vezes
as necessidades mundiais durante o mesmo período. Apenas uma
pequena parcela dessa energia é aproveitada. Mesmo assim, com
poucas exceções, praticamente toda a energia usada pelo ser huma­
no tem origem no Sol.

A energia da biomassa, ou da matéria orgânica, tem origem na


energia captada do Sol através da fotossíntese, que é a conversão da
energia da luz solar em energia química. A energia da água dos rios,
usada para mover turbinas de usinas hidrelétricas, tem origem na
evaporação, nas chuvas e no degelo provocados pelo calor do Sol.
A energia dos ventos tem origem nas diferenças de temperatura e
pressão na atmosfera ocasionadas pelo aquecimento solar. Os com­
bustíveis fósseis como o carvão, o gás natural e o petróleo também
têm origem na energia solar, pois são resultado da decomposição
da matéria orgânica produzida há muitos milhões de anos.

Figura 1.1: O Sol é a principal fonte de energia do nosso planeta.


Fonte: Stockxchng.
16 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

As fontes renováveis de energia são aquelas fontes é irrelevante diante da certeza de


consideradas inesgotáveis para os padrões que são recursos finitos.
humanos de utilização. Podemos utilizá-las
De maneira geral são consideradas renová­
continuamente e nunca se acabam, pois
veis as fontes de energia que não se apoiam
sempre se renovam. Alguns exemplos são
em recursos que são reconhecidamente
as energias solar, aproveitada diretamente
limitados e cujo uso não causa seu esgota­
para aquecimento ou geração de eletrici­
mento. Por outro lado, as fontes de energia
dade, hidrelétrica, eólica, oceânica, geo­
não renováveis são baseadas em combustí­
térmica e da biomassa.
veis fósseis ou outros recursos minerais que
A hidrelétrica, que é a fonte de energia vão se esgotando com o uso. Os exemplos
renovável mais utilizada em todo o mun­ mais conhecidos de fontes não renováveis
do, depende da disponibilidade de água são o petróleo, o carvão, o gás natural e o
nos rios. Esse recurso é infinito desde que urânio, esse último empregado nos reato­
não ocorra o esgotamento das bacias hídri­ res das usinas termonucleares.
cas pela ação direta humana ou por altera­
Por maiores que sejam as reservas conhe­
ções climáticas que modificam os regimes
cidas dos recursos não renováveis, é cer­
pluviométricos.
to que a humanidade não poderá contar
Os ventos também são inesgotáveis e cons­ sempre com a energia produzida a partir
tituem uma fonte de energia renovável, dessas fontes, embora possam ser levanta­
pois vão sempre soprar enquanto existir o das discussões sobre quando o seu esgota­
calor do Sol para aquecer a atmosfera. mento vai ocorrer.
/

E possível questionar até que ponto uma Além de serem limitadas, as fontes não
fonte de energia é inesgotável. A ciência renováveis são causadoras de diversos da­
aponta que ainda poderemos aproveitar nos ambientais, dentre os quais podem
a luz e o calor do Sol durante cerca de ser citados os vazamentos de petróleo nos
8 bilhões de anos, tempo suficiente para oceanos, a emissão de poluentes pela quei­
considerarmos inesgotável essa fonte de ma e as contaminações causadas pela esto­
energia, e as outras que dela derivam, para cagem de dejetos radioativos e pela ocor­
as necessidades humanas. rência de vazamentos em acidentes com
usinas nucleares que, embora raros, são um
Da mesma forma, a energia geotérmica,
risco permanente para o planeta.
que é o calor do subsolo terrestre, também
é considerada inesgotável, pois sua dis­
ponibilidade é muito vasta em compara­
ção com outras fontes de energia que vão
1.2 Fontes limpas de energia
esgotar-se muito antes, como é caso dos
O conceito de energia limpa é frequen­
combustíveis fósseis.
temente associado às fontes renováveis,
Embora sejam muito grandes as reservas de pois em comparação com os combustíveis
petróleo, gás e carvão em todo o mundo, fósseis apresentam reduzidos impactos
a disponibilidade desses recursos fósseis ambientais e praticamente não originam
diminui com o uso, portanto são fontes de resíduos ou emissões de poluentes. Entre­
energia não renováveis. A discussão sobre tanto, a exploração de qualquer fonte
quando ocorrerá o esgotamento dessas de energia provoca alterações no meio
Energia e Eletricidade 17

ambiente e produz impactos de maior ou termonucleares. São uma fonte não reno­
menor relevância. vável porque os minerais radioativos são
encontrados em quantidade limitada na
A instalação de geradores eólicos provoca
natureza. São uma fonte limpa porque,
a morte de pássaros, produz ruídos audí­
apesar do risco constante de contamina­
veis e modifica as paisagens. Na fabricação
ções radioativas, as usinas termonucleares
de geradores eólicos e células fotovoltaicas
não emitem carbono para a atmosfera.
empregam-se componentes tóxicos. As usi­
nas solares térmicas empregam fluidos tóxi­ Apesar dos impactos causados pelo bene­
cos e sua instalação ocupa grandes áreas ficiamento dos minerais radioativos e pelo
e afeta habitats naturais. A construção de armazenamento dos resíduos, as usinas
usinas hidrelétricas requer grandes quanti­ termonucleares produzem menos impac­
dades de matéria-prima e energia e a for­ tos do que outras. Tanto na construção
mação de represas inunda enormes áreas como na operação são menos prejudiciais
e altera irreversivelmente o ambiente no ao ambiente do que as usinas hidrelétri­
seu entorno. cas, que exigem o represamento de rios e
a inundação de grandes áreas, e as terme­
Apesar dos impactos negativos, as fon­
létricas movidas pela queima de combustí­
tes renováveis são relativamente limpas e
veis, que poluem a atmosfera.
seguras quando comparadas com as não
renováveis. O uso de fontes renováveis de As usinas termonucleares produzem ele­
energia para a produção de eletricidade tricidade com o calor obtido de reações
em substituição aos combustíveis fósseis com elementos radioativos como o urânio
colabora com a redução da emissão de e o plutónio. Essas usinas eram antes vistas
poluentes na atmosfera e reduz o chamado como uma esperança para a humanida­
efeito estufa, apontado como responsável de, pois são capazes de produzir grandes
pela elevação da temperatura do planeta e quantidades de energia com pequenas
por diversas mudanças climáticas observa­ porções de material radioativo.
das em todo o globo terrestre.
Entretanto, atualmente as usinas termonu­
Embora as fontes de energia possam ser cleares são vistas como uma ameaça à segu­
usadas nos meios de transporte, em siste­ rança do planeta. Países que antes aposta­
mas de aquecimento e em outras aplica­ vam muito nessa fonte de energia deixaram
ções, na maior parte do tempo o interesse de utilizá-la após a ocorrência de acidentes.
reside em sua utilização para a geração O mais recente deles ocorreu em 2011, no
de eletricidade. O ser humano é bastante Japão, e foi o de maior gravidade depois do
dependente da eletricidade e a demanda acidente de 1986 ocorrido na Ucrânia.
por essa energia cresce de manei ra acele­
A gravidade do recente acidente nuclear
rada em todo o mundo. As fontes renová­
levou o Japão a abandonar completamen­
veis têm ganhado importância crescente
te essa fonte de energia e desligar tempo­
em muitos países na tentativa de buscar
rariamente todos os seus reatores nuclea­
novas alternativas para a geração de eletri­
res no ano de 2012. Naturalmente, isso
cidade sem agredir o planeta.
teve consequências sobre a oferta de ele­
Um caso muito particular de fonte ener­ tricidade naquele país e exigiu o emprego
gética não renovável e limpa são as usinas de mais combustíveis fósseis.
18 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Alemanha vem encerrando gradativa­


mente a operação de diversas de suas
1.3 Fontes alternativas de energia
usinas nucleares e pretende fechar todas O aumento acelerado da demanda de
até 2022, a menos que ocorram mudan­ energia elétrica em todo o mundo, a ne­
ças políticas naquele país, o que sempre é cessidade de diminuir a dependência de
passível de ocorrer nos momentos de crise combustíveis fósseis e a preferência por
econômica. Enquanto as metas de utiliza­ fontes de energia que não poluem têm
ção de energias renováveis não se modifi­ levado à busca de novas fontes de energia
cam, a Alemanha vem apostando no uso para a geração de eletricidade.
de fontes alternativas e já tem 20% de sua
demanda de eletricidade suprida por fon- As tradicionais fontes de energia ainda
,, . constituem a base mundial da geração
tes renovavers.
de eletricidade - como as grandes usi­
Os Estados Unidos cessaram a instalação nas hidrelétricas, termelétricas a carvão e
de usinas termonucleares em 1979, após petróleo e usinas nucleares. Entretanto,
grave acidente nuclear, e mantiveram a tem-se observado a participação crescen­
proibição do uso dessas usinas durante te de fontes alternativas de eletricidade
quase 30 anos. Em 2012, apesar de os em muitos países. Alguns exemplos são as
Estados Unidos serem um país que apoia pequenas centrais hidrelétricas, os gerado­
e busca fontes alternativas de energia, res eólicos, os sistemas solares térmicos, os
o governo norte-americano autorizou a sistemas fotovoltaicos e as termelétricas e
construção de novas usinas nucleares. microturbinas alimentadas a gás natural.
Sempre haverá prós e contras para a ins­ Essas últimas, embora utilizem um com­
talação de usinas nucleares em todas as bustível fóssil não renovável, são mais
partes do mundo, com motivações econô­ eficientes e menos poluidoras do que as
micas e políticas pendendo para ambos os modalidades de geração baseadas na quei­
lados. Num mundo sedento por energia e ma do carvão ou do petróleo. O conceito
dependente de combustíveis fósseis, todas de energia alternativa não é exclusivo das
as soluções para a geração de eletricidade fontes renováveis, entretanto a maior par­
acabam se justificando de alguma forma. te dos sistemas alternativos de geração de
eletricidade emprega fontes renováveis.

Embora ainda tímidas e com participa­


ção muito reduzida na matriz energética
mundial, o uso das fontes alternativas vem
crescendo muito em todo o planeta. Em
diversos países, apesar de suprirem apenas
uma fração da demanda de eletricidade,
essas fontes já são consideradas maduras
e ocupam importante espaço nas políticas
públicas e nos investimentos privados. Os
custos das fontes alternativas de energia
figura 1.2: As usinas termonucleares são uma fonte estão caindo com o aumento da escala de
relativamente limpa de energia, porém representam utilização e o preço da energia elétrica por
uma ameaça constante à segurança do planeta.
fonte: Stockxchng.
elas gerada em muitos países já se equi-
Energia e Eletricidade 19

para ao da energia produzida pelas fontes A exploração e a integração de fontes alter­


tradicionais. nativas de energia aos sistemas elétricos,
sobretudo a solar fotovoltaica na forma de
Além de todas as vantagens citadas, a
micro e miniusinas conectadas às redes de
utilização de fontes alternativas motiva o
baixa tensão, demandam investimentos em
desenvolvimento tecnológico e traz bene­
pesquisa científica e tecnológica e originam
fícios econômicos indiretos. Normalmente
cadeias para a fabricação de materiais e
as vantagens econômicas das fontes de
equipamentos e para o fornecimento de
energia são analisadas apenas sob a óti­
serviços, gerando empregos locais e seg­
ca do custo da energia elétrica produzi­
mentando os investimentos em energia,
da, entretanto existem ganhos associados
tradicionalmente concentrados na constru­
quando se utilizam fontes alternativas.
ção de usinas de grande capacidade.

Reservatório

Barragem Transformador

Duto
Rio
Turbina

Figura 1.3: Ilustração de uma usina hidrelétrica.

1.4 Exemplos de fontes renováveis

1.4.1 Energia hidrelétrica


A energia hidrelétrica é muito empregada no Brasil. Quase toda a eletricidade gerada no
País tem origem nessa fonte. O princípio de funcionamento de uma usina hidrelétrica
é mostrado na Figura 1.3. A água de um rio é represada e depois escoa por um duto. A
energia potencial da água armazenada no reservatório é transformada em energia cinética
durante o escoamento. O movimento da água faz girar as pás de uma turbina que, por
sua vez, aciona um gerador elétrico. A eletricidade produzida é conduzida para um trans­
formador elétrico e depois despachada para os centros de consumo através de linhas de
transmissão. Como a água dos rios se renova devido ao ciclo de evaporação e das chuvas,
a energia hidrelétrica é uma fonte inesgotável de eletricidade. A Figura 1.4 mostra a bar­
ragem e o reservatório de uma usina hidrelétrica.
20 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

O calor do Sol também pode ser empre­


gado com a finalidade de produzir energia
elétrica. Isso é possível com as usinas sola­
res térmicas, que captam e concentram o
calor para aquecer um fluido. O princípio
é semelhante àquele usado no aquecimen­
to de água residencial. O calor é transpor­
tado pelo fluido até uma central geradora,
onde é empregado para produzir vapor e
acionar uma turbina acoplada a um gera­
dor elétrico, como ilustrado no esquema
Figura 1.4: Barragem e reservatório de
uma usina hidrelétrica. Fonte: Stockxchng. da Figura 1.6.

1.4.2 Energia solar térmica


.
Fluido quente

A energia do Sol pode ser aproveitada


Gerador[
como fonte de calor para aquecimento ou
para a produção de eletricidade. Nos siste­
mas de aquecimento solar o calor é captado
por coletores solares instalados nos telhados
+ Fluido frio
de prédios ou residências para aquecer a
Figura 1.6: Funcionamento de uma usina
água. Dentro dos coletores existem tubos solar térmica para geração de eletricidade.
por onde circula a água que é aquecida e
depois armazenada em um reservatório.
Existem diversos tipos de usinas solares tér­
O objetivo desses sistemas é aquecer a micas, de acordo com o sistema de capta­
água utilizando diretamente o calor do Sol, ção e concentração empregado. A Figura
de forma simples, limpa e eficiente, pou­ 1.7 ilustra alguns sistemas de concentra­
pando outros recursos energéticos como o ção solar que podem ser encontrados.
gás natural, o carvão e a energia elétrica. O primeiro deles é baseado em espelhos
A Figura 1.5 mostra uma residência que côncavos que refletem os raios solares e
emprega coletores solares instalados em concentram o calor em uma tubulação.
seu telhado para o aquecimento de água. Esses sistemas operam em temperaturas
de 1 OOºC a 400º( tipicamente. O segun­
do tipo é baseado em espelhos parabóli­
cos que concentram os raios solares em
um ponto central, onde é instalada uma
cápsula térmica. O terceiro tipo é basea­
do em um conjunto de espelhos planos
que refletem os raios solares e concen­
tram o calor em uma cápsula instalada no
alto de uma torre. O segundo e o terceiro
Figura 1.5: Coletores solares térmicos para o tipos operam em temperaturas superiores
aquecimento de água instalados no telhado a 400°(.
de uma residência. Fonte: Stockxchng.
Energia e Eletricidade 21

Coletores côncavos Coletores parabólicos Espelhos planos com torre concentradora de calor

Figura 1.7: Tipos de coletores de calor usados em usinas solares térmicas.

Figura 1.8: Usina solar térmica com espelhos Figura 1.1 O: Usina solar térmica com espelhos
concentradores côncavos. Fonte: Shutterstock. planos e torre concentradora. Fonte: Shutterstock.

1.4.3 Energia solar fotovoltaica


A energia do Sol pode ser utilizada para
produzir eletricidade pelo efeito fotovol­
taico, que consiste na conversão direta
da luz solar em energia elétrica. O efeito
fotovoltaico e o funcionamento das célu­
las e dos painéis solares fotovoltaicos serão
explicados no Capítulo 3.
Diferentemente dos sistemas solares tér­
micos, que são empregados para realizar
aquecimento ou para produzir eletricidade
Figura 1.9: Refletor parabólico de uma
a partir da energia térmica do Sol, os sis­
usina solar térmica. Fonte: Stockxchng.
temas fotovoltaicos têm a capacidade de
captar diretamente a luz solar e produzir
corrente elétrica. Essa corrente é coletada e
processada por dispositivos controladores e
conversores, podendo ser armazenada em
baterias ou utilizada diretamente em siste­
mas conectados à rede elétrica, que serão
apresentados ao leitor posteriormente.
22 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

As placas fotovoltaicas podem ser usadas conectados à rede, que permitem gerar
nos telhados e fachadas de residências e eletricidade em parai el ismo com a rede
edifícios para suprir as necessidades locais elétrica pública.
de eletricidade, Figura 1 .11, ou podem ser
empregadas na construção de usinas gera­
doras de eletricidade, Figura 1 .12. 1.4.4 Energia eólica
A energia eólica, ou a energia do vento,
já é empregada pelo homem há muitos
séculos no transporte e no acionamento de
mecanismos. A energia do vento pode ser
utilizada também na geração de eletricida­
de através de turbinas eólicas acopladas a
geradores elétricos. Em regiões do planeta
onde existem ventos constantes, a ener­
gia eólica é uma fonte inesgotável e muito
importante de eletricidade.

Figura 1.11: Placas fotovoltaicas para a geração de


eletricidade instaladas no telhado de uma residência.
Fonte: Shutterstock.

Figura 1.12: Usina de eletricidade fotovoltaica.


Fonte: Stockxchng.

A energia solar fotovoltaica é uma das fon­


tes de energia cujo uso mais cresce em todo
o mundo. Nos próximos capítulos serão
apresentados os conceitos necessários para
a utilização dessa fonte de energia para a
eletrificação de locais que não dispõem de
rede elétrica ou para a complementação
energética em locais já atendidos por ele­ Figura 1.13: A energia do vento é utilizada há
tricidade, através de sistemas fotovoltaicos muito tempo pelo homem. Fonte: Stockxchng.
Energia e Eletricidade 23

Existem dois tipos básicos de turbinas eóli­ As turbinas de eixo vertical são usadas em
cas: as de eixo horizontal e as de eixo ver­ pequenos geradores eólicos que podem ser
tical, ilustradas respectivamente nas Figu­ empregados para suprir necessidades locais
ras 1 .14 e 1 .1 5. de energia elétrica, instalados em residên­
cias ou no topo de edifícios, tanto em siste­
mas autônomos como em sistemas conec­
tados à rede elétrica. Os geradores de eixo
vertical têm a vantagem de poder aprovei­
tar ventos em qualquer direção, portanto
apresentam complexidade reduzida.

Desde o ano de 2004 o Brasil vem explo­


rando com sucesso a energia eólica para
a geração de eletricidade. O Programa de
Incentivo às Fontes Alternativas de Energia
Figura 1.14: Gerador eólico de eletricidade com Elétrica (PROINFA), criado pelo Governo
turbina de eixo vertical. Fonte: Stockxchng.
Federal para incentivar o uso de biomas­
sa, pequenas centrais hidrelétricas e ener­
gia eólica, foi responsável pela criação do
setor de energia eólica no País. A indús­
tria de energia eólica consolidou-se no
Brasil e vem crescendo muito. Diversos
parques de geração eólica já foram insta­
lados e encontram-se em construção no
País, especialmente nas regiões Nordeste e
Sul, onde há bons regimes de ventos.

Figura 1.15: Gerador eólico de eletricidade com


turbina de eixo vertical. Fonte: Stockxchng.

Grandes geradores eólicos, com potências


de vários megawatts, usados em parques
eólicos de eletricidade como o da Figura
1.16, empregam turbinas de eixo horizontal.
Figura 1.16: Parque eólico de geração de eletricidade.
Nessas turbinas é necessário fazer, através de
Fonte: Stockxchng.
sistemas automatizados, o ajuste da orienta­
ção das pás conforme a direção do vento.
24 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

1.4.5 Energia oceânica As correntes marítimas são resultado de


diferenças de temperatura e densidade da
Os oceanos também podem ser uma fonte água causadas pelo aquecimento solar.
de
, energia para a geração de eletricidade.
E possível extrair energia das ondas do mar, O aproveitamento da energia das marés
das correntes oceânicas ou do movimento pode ser feito através do represamento da
das marés. água, como nas usinas hidrelétricas. Na
subida das marés um reservatório é cheio
O movimento das marés é resultado da e na descida a água é escoada, como ilus­
atração gravitacional do Sol e da Lua sobre tra a Figura 1 .1 7. O movi mento da água é
a água dos oceanos. As ondas oceânicas usado para acionar as pás de uma turbina
têm origem indireta na energia solar e acoplada a um gerador elétrico.
resultam da ação do vento sobre a água.

Reservatório

Maré alta:
Duto .. água entrando
Turbina

Reservatório

.. Maré baixa:
Duto água saindo
Turbina

Figura 1.17: Aproveitamento da energia das marés.

A energia das ondas do mar pode ser aproveitada para a geração de eletricidade através de
sistemas com boias flutuantes, como mostrado na Figura 1.18. As boias capturam a energia
cinética das ondas e acionam um mecanismo capaz de produzir eletricidade. Existe uma
grande variedade de sistemas e mecanismos possíveis, mas todos têm em comum a utili­
zação de boias que flutuam com as ondas. Esse tipo de sistema de geração de eletricidade
parece bastante interessante diante do imenso potencial energético representado pelas
ondas ocêanicas.
Energia e Eletricidade 25

Boia centenas de metros de profundidade,


especialmente em regiões vulcânicas e
onde existe a presença de gêisers, que são
fontes de água quente que brotam do solo.

Nas usinas geotérmicas para produção de


eletricidade empregam-se tubulações sub­
terrâneas de água com as quais é possível
extrair o calor do subsolo e levá-lo até
centrais geradoras, que utilizam turbinas
a vapor para acionar geradores elétricos,
como ilustra a Figura 1.20.

Fluido frio ,J
Figura 1.18: Aproveitamento da energia
das ondas do mar. Fonte: Stockxchng. t Fluido quente

Subsolo
No terceiro modo de aproveitar a energia
dos oceanos, turbinas submersas podem Figura 1.20: Funcionamento de uma
usina geotérmica de eletricidade.
ser usadas para gerar eletricidade, captu­
rando o movimento das correntes de água,
como ilustrado na Figura 1 .19.
1.4.7 Energia da biomassa
A energia da biomassa é obtida a partir da
queima de compostos orgânicos de origem
vegetal ou animal. Os combustíveis fósseis
são uma forma de biomassa não renová­
vel. A biomassa renovável, por outro lado,
é constituída de compostos orgânicos,
sobretudo vegetais, que podem ser repos­
tos pelo plantio e não se esgotam.

Figura 1.19: Aproveitamento da energia


das correntes oceânicas. Fonte: Shutterstock.

1.4.6 Energia geotérmica


O calor do interior da Terra pode ser usa­
do como fonte para aquecimento ou para
a geração de eletricidade. Em algumas
regiões do planeta é possível encontrar
temperaturas elevadas a apenas algumas Figura 1.21: A biomassa vegetal é uma fonte
renovável de energia. Fonte: Shutterstock.
26 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

1.5 Geração e uso de


eletricidade no mundo
A energia elétrica, ou eletricidade, é a for­
ma de energia mais flexível que existe. Ela
pode ser transmitida a longas distâncias,
desde o ponto de geração até o local de
consumo, pode ser convertida em luz,
calor, movimento e informação.

Figura 1.22: Usina de geração de energia O ser humano depende da energia elétri­
elétrica a partir da queima da biomassa. ca para quase tudo. Em casa, no trabalho,
Fonte: Shutterstock.
no lazer e em todos os lugares o modo de
vida moderno apoia-se cada vez mais na
A biomassa renovável inclui a madeira, energia elétrica. Mas esse conforto tem um
os dejetos agrícolas, a cana-de-açúcar, custo muito elevado para o planeta.
o milho e qualquer outra matéria vege­
tal que possa fornecer energia a partir da O gráfico da Figura 1.23 mostra como
queima direta ou através da produção de tem crescido o consumo de energia elé­
biocombustíveis. trica no mundo desde 1980 e faz uma
previsão de como será esse consumo até
A cana-de-açúcar é uma tradicional fonte 2030. Em 1980 o mundo todo consumia
de combustíveis no Brasil e a queima do cerca de 7 .000 TWh (tera watts-hora) ou
seu bagaço ainda pode ser aproveitada 7.000.000 GWh (gigawatts-hora) de ele­
para produzir calor ou eletricidade. tricidade. Segundo previsões da Agên­
Os combustíveis produzidos a partir da cia Internacional de Energia (IEA), esse
biomassa, como o etanol e o biodiesel, número vai subir para quase 30.000 TWh
podem ser usados como fonte de energia em 2030.
para o transporte, nos motores a combus­ A energia de 1 TWh equivale a 1 mil GWh
tão, ou para a produção de eletricidade ou 1 milhão de MWh (megawatts-hora) ou
nas usinas termelétricas. 1 trilhão de kWh (quilowatts-hora). A ener­
A biomassa vegetal pode ser reconstituída gia de 30.000 TWh corresponde ao consu­
pelo plantio, portanto é uma fonte renová­ mo mensal de 60 milhões de residências
vel de energia. Desconsiderando aspectos brasileiras com base num consumo médio
negativos como a necessidade de grandes de 500 kWh de eletricidade por mês.
áreas de plantio e a exaustão dos solos, a Nem todas as residências do mundo têm
biomassa é considerada uma fonte limpa o mesmo padrão de consumo de energia
de energia, pois o carbono emitido na sua elétrica. Nos países desenvolvidos uma
queima é depois capturado da atmosfera residência comum gasta cerca de dez
pelas plantas na realização da fotossíntese vezes mais energia do que uma residên­
dentro de um ciclo fechado de queima e cia situada num país em desenvolvimento
replantio. como o Brasil.

Para que todos os habitantes do mundo


possam ter um padrão de vida semelhante
Energia e Eletricidade 27

ao dos habitantes dos países ricos, a previsão do consumo de energia elétrica para 2030
terá de ser ainda maior. Independentemente de números ou de previsões, é certo que o
mundo precisa de uma quantidade muito grande de energia elétrica para sustentar o seu
consumo atual e para atender a demanda crescente.

35.000
30.000
25.000
..s:::.
s
I-
20.000
15.000
10.000
5.000

1980 1990 2000 2010 2020 2030


Figura 1.23: Previsão de consumo de energia elétrica no mundo até 2030.
Fonte: IEA World Energy Outlook, 2009.

Para produzir 30.000 TWh ao ano são necessárias 230 usinas hidrelétricas iguais à de
Itaipu ou 1.000 usinas nucleares iguais à de Fukushima, no Japão, que esteve envolvida
num desastroso acidente nuclear em 2011.
Não existem rios suficientes no mundo para construir tantas usinas como a de Itaipu e a
humanidade não deseja utilizar a energia nuclear devido aos riscos que ela oferece. Atual­
mente existem cerca de 440 centrais termonucleares em operação no mundo. Seria neces­
sário dobrar esse número para atender a demanda mundial de eletricidade em 2030, mas
em muitos países existe um movimento contrário à instalação de novas usinas desse tipo.
Um acidente nuclear em uma única usina pode levar milhões de pessoas à morte e pode
inutilizar vastos territórios durante milhares de anos. Os acidentes com usinas nucleares são
raros, mas são desastrosos quando acontecem .

..s:::.
s
C)

5.000.000

o
1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009

[Il Carvão [l]óleo [1] Gás natural @] Nuclear Œ] Hidroelétrica ŒJ Biomassa III Geotérmica, solar, eólica

Figura 1.24: Uso das diversas fontes de energia para a geração de eletricidade no mundo.
Fonte: I EA, 2011 .
28 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A eletricidade pode ser produzida de mui­ Embora as fontes renováveis representem


tas formas. Grande parte da energia elétri­ hoje uma pequena parcela de nossa pro­
ca produzida em todo o planeta tem ori­ dução de eletricidade, o potencial para o
gem na queima de combustíveis fósseis e emprego dessas fontes é muito grande e
na energia nuclear. Apenas uma pequena acredita-se que no futuro, mediante de­
parte tem origem em fontes renováveis. O senvolvimento tecnológico e investimentos
gráfico da Figura 1.24 mostrou que cerca neste setor, toda a necessidade de eletrici­
de 80% da energia elétrica consumida no dade do mundo, ou pelo menos a maior
mundo é produzida a partir da queima do parte dela, poderá ser provida por fontes
carvão, do petróleo e do gás natural e a renováveis e limpas. Tudo depende do
partir de usinas nucleares. empenho de empresas, governos e cida­
dãos do mundo inteiro para intensificar o
O conforto e a praticidade que a eletrici­
uso das fontes de energia renováveis.
dade proporciona ao ser humano apenas
são possíveis à custa da exploração de O gráfico da Figura 1.25 ilustra uma pre­
combustíveis e minerais não renováveis, visão para o uso das diversas fontes de
poluidores e perigosos. Quando acende­ energia disponíveis no mundo até o ano
mos uma lâmpada, ligamos o televisor de 2100. A participação das energias não
ou usamos o chuveiro elétrico, estamos renováveis será cada vez menor devido
destruindo um pouco o nosso planeta e principalmente ao esgotamento das reser­
gastando recursos que se esgotam com o vas de combustíveis fósseis. As energias
uso. Além da certeza de que esses recur­ solar e eólica, que hoje são apenas consi­
sos vão se esgotar algum dia, um aspecto deradas alternativas e têm pouca participa­
muito negativo é o fato de que a queima ção na matriz energética mundial, serão as
dos combustíveis fósseis polui a atmosfera principais fontes de energia para o futuro
e contribui para o aquecimento do planeta da humanidade. Pelas previsões, ocupa­
pelo efeito est uf a. rá o lugar mais, importante a energia solar
fotovoltaica. E um prognóstico bastante
O ser humano precisa pensar com serie­
otimista e muito favorável à preservação
dade na ampliação do uso de fontes reno­
do planeta.
váveis de energia nos próximos séculos.

Aplicação anual de energia


2000 201 O 2020 2030 2040 2050 2100
DJ Solar térmica
[I] Solar fotovoltaica
[Il Eólica
8J Biomassa
ŒJ Energia das ondas
[ill Energia nuclear

ŒJ Gás natural
[fil Carvão
Œ) Petróleo
!1 O! Outras fontes renováveis

Figura 1.25: Previsão para a participação das fontes de energia no mundo até o ano de 21 OO.
Fonte: www.solarwirtschaft.de.
Energia e Eletricidade 29

Os gráficos a seguir mostram como tem crescido o emprego das fontes de energia solar
e eólica em todo o mundo nos últimos anos. No ano 2000 o mundo tinha menos de
5 GW (gigawatts) ou 5.000 MW (megawatts) de capacidade de geração de eletricidade
com sistemas fotovoltaicos. Esta capacidade pulou para cerca de 40 GW em 201 O e não
para de crescer.

O crescimento da geração de eletricidade com sistemas eólicos também cresceu muito,


partindo de cerca de 25 GW em 2001 e pulando para mais de 200 GW em 201 O - um
crescimento bastante expressivo.

40000
~
6 35000
ro
"'O
ro 30000
~
t;:;
e: 25000
ro
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2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 201O

Figura 1.26: Crescimento do uso da energia solar fotovoltaica no mundo.


Fonte: Market Outlook For Photovoltaics Until 2015, EPIA.

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250000
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6 200000
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2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Ano

Figura 1.27: Crescimento do uso da energia eólica no mundo.


Fonte: World Wind Energy Report, WWEA, 2009.
30 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

1.6 Geração distribuída de energia elétrica


A geração distribuída de energia elétrica é caracterizada pelo uso de geradores descentra­
lizados, instalados próximo aos locais de consumo, conforme a ilustração da Figura 1.28.
O modelo distribuído opõe-se ao modo tradicional de geração de energia elétrica baseado
em grandes usinas construídas em locais distantes dos consumidores.

O uso da geração distribuída com fontes alternativas de energia elétrica tem crescido em
todo o mundo e também no Brasil. As energias solar fotovoltaica e eólica são as fontes alter­
nativas com maior potencial para utilização na geração distribuída de eletricidade.

Geração tradicional Geração distribuída

·-..,,.,
-·· _. . _ ·-_·-··._..
--·
••• ....• ••••
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íiUli lâiil

l •••
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Figura 1.28: A geração distribuída de energia elétrica consiste no uso de


sua
m11111

---···
... ,¡¡
····
geradores descentralizados instalados próximo aos locais de consumo.

A modalidade de geração distribuída inclui contribuem com a geração de eletricidade


parques de geração construídos em áreas de todo o País.
abertas e também pequenos geradores
Em muitos países permite-se que usuários
conectados ao sistema elétrico e instala­
instalem microusinas para vender energia
dos dentro de zonas urbanas densamen­
a outros consumidores. No Brasil as micro
te povoadas. Esses geradores podem ser
e miniusinas de eletricidade serão empre­
instalados em residências e telhados de
gadas para abastecer o consumo próprio,
empresas, escolas e centros comerciais,
podendo gerar créditos de energia nos
constituindo microusinas e miniusinas de
períodos em que a geração é maior do que
geração de eletricidade conectadas ao sis­
o consumo.
tema elétrico nacional.
A instalação em massa de pequenos siste­
Essas pequenas usinas são conectadas
mas de geração distribuída vai contribuir
diretamente às redes de distribuição de
para o aumento da disponibilidade de ele­
baixa tensão, sem a necessidade de insta­
tricidade em nosso País, ajudando a pou­
lar transformadores ou linhas de distribui­
par água nos reservatórios das hidrelétricas
ção de eletricidade. Além de fornecerem
nos períodos de seca. Além disso, os siste­
energia para o consumo local, por estarem
mas de geração distribuída vão reduzir a
conectadas ao sistema elétrico, também
necessidade de construir usinas baseadas
em fontes não renováveis.
Energia e Eletricidade 31

Praticamente todo o território brasileiro


poderá utilizar esse tipo de geração de
energia elétrica. Além de poderem consti­
tuir usinas de geração, competindo com as
tradicionais fontes de energia, os sistemas
fotovoltaicos, por se adaptarem facilmente
à arquitetura e a qualquer tipo de espaço
vazio onde haja incidência de luz, como
paredes, fachadas e telhados de prédios
e residências, podem ser facilmente ins­
talados nas cidades e nos grandes centros
urbanos. Eles permitem a produção local
Figura 1.29: Microusina fotovoltaica
instalada em área residencial. de energia elétrica limpa, sem a emissão
Fonte: Stockxchng. de gases poluentes, resíduos ou ruídos,
contribuindo para o suprimento de ener­
O uso de sistemas de geração distribuída gia dos centros consumidores e ao mes­
baseados em fontes renováveis traz inúme­ mo tempo proporcionando a melhoria da
ros benefícios para os usuários e para o sis­ qualidade de vida nas grandes cidades,
tema de abastecimento de eletricidade dos tornando mais limpo o ar que respiramos
países que empregam essa modalidade de e mais sustentável o nosso modo de vida.
geração.

Além de proporcionar bem-estar e quali­


dade de vida com a introdução de fontes
limpas de energia, a geração distribuí­
da descentraliza a produção de energia,
produzindo eletricidade perto do local de
consumo e permitindo aliviar as linhas de
transmissão e os sistemas de distribuição.

O uso em larga escala de sistemas distribuí­


dos poderá reduzir a demanda por inves­
Figura 1.30: Miniusina fotovoltaica instalada
timentos em linhas de transmissão e adiar no telhado de um prédio comercial.
a construção de usi nas baseadas em fontes Cortesia: Bosch Solar Energy AG.
convencionais de energia.
De um modo geral, o uso de microusinas
No mundo inteiro a energia solar fotovol­
fotovoltaicas em todas as residências e pré­
taica é a fonte alternativa que tem recebi­
dios comerciais brasileiros pode aumentar
do mais atenção. Os sistemas de geração
a oferta de energia elétrica para sustentar o
distribuída baseados na energia solar foto­
crescimento da demanda, principalmente
voltaica são muito adequados para a insta­
para o consumo industrial, pois os sistemas
lação em qualquer local onde haja bastan­
fotovoltaicos vão gerar eletricidade duran­
te incidência de luz.
te o dia, justamente no período em que
o consumo nas residências é menor e as
indústrias demandam mais energia.
32 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

1.7 Fontes renováveis de a outros países. O Brasil possuía em 2009


uma capacidade de geração de energia
energia no Brasil elétrica de 105 GW. Isso representa apenas
10% da capacidade de geração de energia
Em comparação com outros países, o elétrica que possuem os principais países
Brasil já emprega bastante as fontes de desenvolvidos. Para o País sustentar seu
energia renováveis, pois quase toda a nos­ ritmo de crescimento e alcançar as gran­
sa eletricidade é obtida a partir de usinas des potências mundiais vai ser necessário
hidrelétricas, como mostra o gráfico da encontrar novas fontes de energia para a
Figura 1.31. Em virtude disso, nossa busca geração de eletricidade. As fontes renová­
por novas fontes renováveis não tem sido veis alternativas, como a solar fotovoltaica
tão acelerada como no resto do mundo. e a eólica, terão um papel fundamental
Entretanto, nossa geração de energia elétri­ nessa busca.
ca é muito pouca quando nos comparamos

500.000

450.000

400.000

350.000

300.000
.e
s
o
250.000

200.000

150.000

100.000

50.000

1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009

[Il Carvão [l] Óleo [l] Gás natural [±] Nuclear I}] Hidroelétrica Œ] Biomassa [z] Geotérmica, solar, eólica
Figura 1.31: Geração de eletricidade no Brasil e as diversas fontes de energia empregadas. Fonte: IEA, 2011.

Como se pode ver no gráfico da Figura 1.31, recentemente o Brasil passou a empregar
mais as fontes não renováveis, ou seja, os combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) e a
energia nuclear. Para reverter o crescimento do uso de energias sujas e sustentar seu cres­
cimento económico e populacional, o Brasil tem a possibilidade de empregar as energias
solar fotovoltaica e eólica.

Estudos da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) indicam que existe ainda um enorme
potencial de aproveitamento hidrelétrico. O Brasil pode chegar a 252 GW de geração de
eletricidade com usinas hidrelétricas, ou seja, mais do que o dobro da eletricidade que
conseguimos produzir atualmente incluindo todas as fontes.
Energia e Eletricidade 33

Entretanto, a fonte hidrelétrica não será Somando os potenciais hidrelétrico, eólico


suficiente para o Brasil alcançar uma gera­ e fotovoltaico do Brasil ainda inexplorados,
ção de eletricidade comparável à dos Esta­ pode-se calcular um potencial de geração
dos Unidos, Europa e China, por exemplo. de cerca de 600 GW de energia elétrica
somente com fontes renováveis e limpas.
Sabe-se que existe um potencial de quase
Isso representa seis vezes a capacidade de
150 GW para a utilização da energia eólica
geração disponível atualmente. A explora­
na geração de eletricidade no Brasil. Em
ção de todo esse potencial de energia lim­
2011 havia apenas 1 GW de capacidade
pa permitirá ao Brasil abandonar o uso de
de geração instalada com essa fonte no
combustíveis fósseis e energia nuclear na
País. O Brasil tem bons regimes de ventos
geração de eletricidade.
no litoral, especialmente nas Regiões Nor­
deste e Sul. Além disso, a maior parte da Desafios técnicos, políticos e económicos
nossa população e do consumo de eletri­ precisam ser vencidos para a inserção das
cidade está localizada no litoral, local ideal fontes solar e eólica no País. O primeiro
para a instalação de geradores eólicos. desafio é a redução do custo da energia
produzida por essas fontes, o que se con­
Nossa matriz de geração de eletricidade,
segue através do aumento da escala de
baseada fortemente na energia hidrelé­
utilização. Isso aconteceu com a energia
trica, oferece uma base excelente para a
eólica, que apresentou grande redução de
implantação das energias eólica e fotovol­
custo desde os primeiros sistemas instala­
taica. Devido à intermitência dessas fontes
dos. Espera-se que o mesmo comporta­
de energia, pois estão sujeitas à disponibi­
mento seja observado com a energia solar
lidade inconstante de vento e da luz solar,
fotovoltaica.
a quantidade de energia produzida por
essas fontes pode variar muito ao longo de A inserção em larga escala de novas fontes
horas, dias, semanas e meses. de energia depende de regulamentações
e da criação de normas técnicas, além de
As fontes de energia intermitentes funcio­
ações governamentais, através da conces­
nam bem quando complementam outras
são de estímulos, na forma de subsídios ou
fontes que estão disponíveis com mais
isenções, e da criação de linhas de finan­
regularidade, como é o caso da energia
ciamento para projetos de geração de ele­
hidrelétrica, que depende da quantidade
tricidade baseados em fontes renováveis. A
de água armazenada nos reservatórios.
energia eólica já venceu grande parte des­
Uma maneira de enxergar a excelente ses obstáculos e agora é a vez da energia
complementaridade entre as energias eóli­ solar fotovoltaica.
ca e fotovoltaica com a hidrelétrica é con­
siderar o sistema hidrelétrico como uma
grande bateria. A água armazenada nos
1.8 A energia solar
lagos e reservatórios é a energia armaze­ fotovoltaica no Brasil
nada na bateria. Quando se acrescentam
outras fontes de energia ao sistema, dei­
xa-se de usar a energia armazenada nas
1.8.1 Situação atual
baterias. Se por acaso essas fontes falha­ Atualmente a energia solar fotovoltaica
rem, devido a sua intermitência, tem-se à no Brasil é empregada principalmente em
disposição a energia armazenada. pequenos sistemas isolados ou autónomos
34 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

instalados em locais não atendidos pela ciais para a Inserção da Geração Solar
rede elétrica, em regiões de difícil acesso Fotovoltaica na Matriz Energética Brasilei­
ou onde a instalação de linhas de distribui­ ra", lançado pela AN EEL em 2011 em con­
ção de energia elétrica não é economica­ junto com empresas concessionárias de
mente viável. energia elétrica de todo o País. O projeto
tem o objetivo de promover a criação de
Sistemas fotovoltaicos autônomos são tra­
usinas experimentais de energia fotovoltai­
dicional mente usados na eletrificação de
ca interligadas ao sistema elétrico nacio­
propriedades rurais, comunidades iso­
nal, que deverão somar quase 25 MW de
ladas, bombeamento de água, centrais
potência instalada.
remotas de telecomunicações e sistemas
de sinalização.

Muitas residências brasileiras passaram


1.8.2 Potencial de utilização
a ser atendidas por eletricidade com sis­ A energia solar fotovoltaica apresenta mais
temas fotovoltaicos autônomos através regularidade no fornecimento de eletri­
do programa Luz Para Todos, criado pelo cidade do que a energia eólica e pode
Governo Federal em 2003 e previsto para ser empregada em todo o território bra­
existir até 2014. sileiro, pois o País é privilegiado com ele­
vadas taxas de irradiação solar em todas
Embora os sistemas autônomos de energia
as regiões.
solar fotovoltaica sejam uma importante
alternativa para a geração de eletricida­ A quantidade de energia produzida por
de em locais que não possuem rede elé­ um sistema fotovoltaico depende da inso­
trica, o uso da energia solar fotovoltaica lação do local onde é instalado. As Regiões
em breve estará concentrado nos sistemas Nordeste e Centro-Oeste são as que pos­
conectados à rede elétrica. O potencial de suem o maior potencial de aproveitamen­
exploração dessa energia é imenso para to da energia solar. Entretanto, as demais
a aplicação em micro e minissistemas de regiões não ficam muito atrás e também
geração distribuída, bem como nos par­ possuem consideráveis valores de insola­
ques de geração que funcionarão como ção. A Região Sul é a menos privilegiada,
grandes usinas de eletricidade. entretanto ainda possui insolação mellhor
do que aquelas encontradas em paísesque
O número de sistemas fotovoltaicos conec­
empregam largamente a energia solar foto­
tados à rede vem aumentando no Brasil e
voltaica.
sua utilização deverá ter um salto extraor­
dinário nos próximos anos, principalmen­ Em comparação com outros países que
te com a recente aprovação pela Agência concentram a maior parte da geração foto­
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) da voltaica no mundo, o Brasil é muito privi­
microgeração e da minigeração com siste­ legiado para a exploração dessa fonte de
mas de distribuição conectados em baixa energia.
tensão e alimentados por fontes renováveis
Atualmente a Alemanha é o país que mais
de energia.
usa a energia solar fotovoltaica. Sua capa­
Um importante passo para a inserção da cidade instalada é cerca de 20 GW, supe­
energia fotovoltaica no País foi o projeto rior à de todos os outros países juntos. Isso
estratégico "Arranjos Técnicos e Comer-
Energia e Eletricidade 35

representa aproximadamente 4% de toda condições climáticas e o espaço territorial


a eletricidade produzida naquele país. do nosso Paíssão extremamente favoráveis
para a energia solar fotovoltaica.
A melhor insolação da Alemanha é cerca
de 3500 Wh/m2 (watt-hora por metro qua­
drado) por dia, disponível apenas em uma 1.8.3 Obstáculos
pequena parte ao sul do seu território. A
maior parte do território alemão não possui A exemplo do que ocorreu com a energia
mais do que 3500 Wh/m2 diários de energia eólica e outras fontes alternativas, espe­
solar. Para comparação, o Brasil apresenta ram-se ações para promover a inserção da
valores de insolação diária entre 4500 e energia fotovoltaica no Brasil. O PROINFA,
6000 Wh/m2• programa criado pelo Governo Federal
para promover o uso de fontes alternativas
Dadas as dimensões territoriais e as eleva­ de energia, não incluiu a energia fotovol­
das taxas de irradiação solar brasileiras, é taica. A energia fotovoltaica também ficou
razoável esperar para o Brasil um potencial de fora do Plano Decenal de Energia até
de geração fotovoltaica pelo menos dez 2020 do Ministério de Minas e Energia.
vezes superior à capacidade instalada na
Alemanha atualmente. Isso representaria Valorizada nos paísesmais desenvolvidos do
200 GW de eletricidade a partir da luz do mundo, a energia fotovoltaica ficou esque­
Sol, ou seja, o dobro de toda energia elé­ cida durante muitos anos no Brasil, um País
trica que produzimos hoje. que possui luz solar em abundância. Pouco
havia sido feito para impulsionar a energia
Com o imenso potencial fotovoltaico que fotovoltaica antes do ano de 2011.
o Brasil possui, o País poderá tornar-se um
dos principais líderes mundiais no emprego Atualmente a participação da energia foto­
de energias renováveis alternativas. Embo­ voltaica na matriz energética brasileira é
ra o País seja conhecido por possuir uma praticamente desprezível. Apesar do enor­
matriz de geração de eletricidade relati­ me potencial de utilização, grande parte
vamente limpa e bastante renovável, esta da nossa população ainda desconhece
situação não vai perdurar nos próximos essa tecnologia.
anos sem o uso de novas fontes de energia. Felizmente existem sinais muito positivos
Existe muito espaço para o crescimento da de que este cenário será transformado nos
energia solar fotovoltaica no País. Mais do próximos anos e a energia fotovoltaica será
que uma fonte alternativa, a energia foto­ seriamente considerada como uma alter­
voltaica é uma opção viável e promissora nativa energética para o Brasil, não somen­
para complementar e ampliar a geração te com a criação de parques de geração,
de eletricidade. Os sistemas fotovoltaicos mas principalmente com o emprego de sis­
podem gerar eletricidade em qualquer temas de geração distribuída conectados à
espaço onde for possível instalar um pai­ rede elétrica de baixa tensão.
nel fotovoltaico. Telhados e fachadas de Vários fatores contribuíam e alguns ainda
prédios e residências poderão gerar eletri­ contribuem para o pouco uso da energia
cidade em áreas urbanas e usinas de ele­ solar fotovoltaica no Brasil. Até o início do
tricidade poderão ser construídas em áreas ano de 2012 o principal obstáculo era a
abertas de qualquer dimensão, próximas ausência de regulamentação e de normas
ou distantes dos centros de consumo. As técnicas para o setor fotovoltaico, o que
36 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

inibia o surgimento de uma indústria e de para pequenos e médios sistemas fotovol­


um mercado voltados para os sistemas de taicos. Já existem programas de financia­
geração distribuída em baixa tensão, que mento para projetos de alto custo, como
são um importante nicho de aplicação da as linhas "Fundo Clima" e "Energias Alter­
energia fotovoltaica. nativas" do BNDES e a linha "Economia
Verde" da Agência de Desenvolvimento
Outros obstáculos podem ser citados. O
do Estado de São Paulo, mas é aguarda­
custo da eletricidade gerada com a energia
da a criação de programas nacionais para
fotovoltaica ainda é considerado elevado
incentivar pequenos produtores, pessoas
em comparação com a energia hidrelé­
comuns ou pequenas empresas, a possuir
trica e isso tem sido apontado como um
micro e minissistemas de geração fotovol­
fator negativo para a inserção da energia
taica instalados em seus telhados.
fotovoltaica no País. Entretanto, esse obs­
táculo praticamente inexiste para as micro
e miniusinas fotovoltaicas instaladas em 1.8.4 Normas e regulamentação
zonas urbanas, onde o custo da energia
elétrica é muito elevado devido à incidên­ Ao longo do ano de 2011 houve muitos
cia dos impostos e dos custos de transmis­ avanços no setor de energia solar foto­
são e distribuição no preço final da energia voltaica no Brasil, especialmente com os
elétrica pago pelo consumidor. Ao contrá­ resultados das discussões geradas pelo
rio do que se pode afirmar, a energia solar Grupo Setorial de Energia Fotovoltaica da
fotovoltaica é economicamente viável e Associação Brasileira da Indústria Elétrica
muito competitiva diante do elevado custo e Eletrônica (ABINEE) e pela comissão de
da energia elétrica para o consumidor bra­ estudos CE-03:082.01 do Comité Brasilei­
sileiro e diante dos aumentos inflacionários ro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação
esperados das tarifas de eletricidade. e Telecomunicações (COBEI), responsável
pela elaboração da norma para a conexão
A presença de um enorme potencial hidre­ de inversores fotovoltaicos à rede elétrica.
létrico ainda não explorado no País tam­ Esses dois fóruns de discussão reuniram
bém é um fator negativo para a inserção da representantes de empresas e universida­
energia fotovoltaica em nossa matriz ener­ des com o objetivo de promover a energia
gética. A existência desse potencial torna fotovoltaica, propor mecanismos e discutir
menos atraente o investimento em outras regras para a inserção dessa fonte renová­
fontes de energia. Entretanto, quando se vel de energia na matriz brasileira.
levam em conta as dificuldades para cons­
truir usinas hidrelétricas, relacionadas aos Em abril de 2012 foi aprovada pela Agên­
licenciamentos ambientais e ao enfren­ cia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
tamento da opinião pública acerca dos a minuta da resolução normativa nº 482,
impactos causados pela construção de bar­ que permite a microgeração e a minigera­
ragens, outras fontes de energia, incluindo ção de energia elétrica a partir de fontes
a fotovoltaica, tornam-se mais vantajosas. renováveis e alternativas com sistemas de
geração distribuída conectados às redes
Finalmente, existem os obstáculos econô­ elétricas de baixa tensão. A publicação
micos. Faltam ainda incentivos governa­ desta resolução constitui um marco regula­
mentais, que poderiam surgir com a con­ tório em nosso País, beneficiando a popu­
cessão de subsídios ou de linhas de crédito lação e obrigando as concessionárias de
Energia e Eletricidade 37

energia elétrica a adaptar-se à entrada de consumidores, fabricantes de equipamen­


sistemas de geração distribuída com fontes tos, instaladores e concessionárias de ener­
alternativas, dentre elas a fotovoltaica, em gia elétrica.
suas redes de distribuição de baixa tensão.

A resolução nº 482 da ANEEL estabelece 1.8.5 Benefícios


que cada cidadão brasileiro ou empre­
sa poderá ter em seu telhado uma usina Quando as barreiras técnicas, regulatórias
fotovoltaica produzindo eletricidade para e económicas forem totalmente vencidas,
a complementação do consumo próprio será criada na sociedade brasileira a cul­
ou para a exportação de energia (neste tura da geração de eletricidade com siste­
mas fotovoltaicos. Os sistemas fotovoltaicos
caso complementando a necessidade de
energia de outra localidade, de acordo conectados à rede, disseminados na forma
com as regras da ANEEL). Em linhas gerais, de micro e miniusinas de eletricidade, per­
a resolução estabelece as condições para mitirão ampliar a oferta de energia elétri­
o acesso de microgeração e minigeração ca e ao mesmo tempo contribuir para a
distribuída aos sistemas de distribuição de manutenção da característica renovável de
energia elétrica e cria o sistema de com­ nossa matriz energética.
pensação de créditos de energia elétrica Quando instalado em uma região urbana e
para autoprodutores de energia. ligado diretamente à rede elétrica de baixa
Em março de 2012, como resultado das tensão, o sistema fotovoltaico produz ele­
discussões técnicas ocorridas na comissão tricidade a um custo muito competitivo e
CE-03:082.01 do COBEI, foi publicada a pode ser empregado para reduzir a con­
norma técnica ABNT NBR IEC 62116:2012 ta de eletricidade do consumidor. Os sis­
sobre o procedimento de ensaio de anti­ temas fotovoltaicos tornam-se ainda mais
-ilhamento para inversores fotovoltaicos vantajosos se considerarmos a inflação do
conectados à rede elétrica. preço da energia elétrica. Uma residência
ou empresa que instala um sistema foto­
Em meados de 2012, iniciaram-se as pri­ voltaico em seu telhado fica imune aos
meiras discussões da comissão CE-03:064.01 aumentos de preços e garante o abasteci­
do COBEI sobre os procedimentos para a mento de eletricidade por pelo menos 2 5
conexão dos sistemas fotovoltaicos à rede anos, que é o tempo mínimo de vida útil
elétrica, tratando dos sistemas de proteção, de um sistema fotovoltaico, e consegue
da especificação dos elementos elétricos pagar o investimento em poucos anos com
e outros aspectos relacionados à inserção a energia produzida.
desses sistemas nas redes de distribuição
de baixa tensão, em complementação à Além do aumento da disponibilidade de
norma NB R 541 O para sistemas elétricos. eletricidade e dos benefícios ambientais
do uso de uma fonte renovável, a inser­
São ainda incipientes no País os conheci­ ção da energia solar fotovoltaica no País
mentos sobre a construção e a operação vai impulsionar o desenvolvimento tec­
de plantas de energia solar fotovoltaica nológico, criar empregos e mover a eco­
conectadas à rede elétrica de distribuição nomia nacional. A massificação da micro
de baixa tensão. As normas publicadas e da minigeração de eletricidade com sis­
recentemente e atualmente em discussão temas fotovoltaicos conectados à rede vai
trarão importantes esclarecimentos para criar empregos no desenvolvimento e na
38 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

fabricação de painéis fotovoltaicos, inver­


sores eletrónicos e acessórios, além gerar
Exercícios
enorme demanda de profissionais no setor
1. Cite fontes de energia que têm ori­
de serviços de instalação, manutenção e
gem no calor e na luz do Sol.
treinamentos.
2. Defina os conceitos de energia re­
No lugar de grandes investimentos con­
novável, não renovável, limpa e al­
centrados necessários para a construção
ternativa.
de usinas convencionais de eletricidade,
como as hidrelétricas, nucleares e terrnelé­ 3. Cite aspectos negativos das fontes
tricas, a geração distribuída de eletricidade de energia renováveis e das não
com sistemas fotovoltaicos tem a possibili­ renováveis.
dade de pulverizar investimentos e recur­
4. Quais são os dois tipos básicos de
sos, criando milhares de empregos diretos
geradores eólicos e qual é a diferen­
e indiretos em todas as regiões do País.
ça entre eles?

S. Qual é a diferença entre a energia


solar térmica e a solar fotovoltaica?

6. Quais são as possíveis formas de uti­


lizar a energia solar fotovoltaica?

7. Cite os benefícios da energia solar


fotovoltaica.

8. Quando foi criado e o que é o pro­


grama PROINFA?

9. Qual é a capacidade de geração de


energia elétrica existente no Brasil
atualmente e qual é o potencial de
crescimento com energias renováveis?

1 O. Cite as fontes de energia emprega­


das na geração de eletricidade em
todo o mundo. Quais são as mais uti­
lizadas? Essas fontes são renováveis e
limpas?

11. Segundo previsões, qual será a fonte


de energia mais empregada no pró­
ximo século?
Gonceitos Básicos

2.1 Radiação solar


A energia do Sol é transmitida para o nosso planeta através do espa­
ço na forma de radiação eletromagnética. Essa radiação é constituí­
da de ondas eletromagnéticas que possuem frequências e compri­
mentos de onda diferentes.

Figura 2.1: A energia do Sol, que aquece e ilumina a Terra,


é transmitida na forma de ondas de radiação eletromagnética.

A energia que uma onda pode transmitir está associada à sua fre­
quência. Quanto maior a frequência, maior a energia transmitida.
O comprimento da onda eletromagnética é inversamente propor­
cional à frequência. Em outras palavras, quanto maior a frequência
da onda, menor o seu comprimento.
A equação seguinte, conhecida como relação de Planck ou equa­
ção de Plank-Einstein, mostra a relação entre a frequência e a ener­
gia de uma onda eletromagnética:

E= h · f
sendo E a energia da onda (expressa em joules UI ou elétrons-volt
[eV)), f sua frequência (expressa em hertz [Hz)) e h uma constan­
te física de proporcionalidade, chamada constante de Planck, que
vale aproximadamente 6,636.10-34 [J.s).
A luz viaja com uma velocidade constante no vácuo do espaço
extraterrestre. A fórmula matemática apresentada em seguida rela­
ciona a frequência, o comprimento da onda e a velocidade da onda
eletromagnética:
40 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

e= À· f
em que e é a velocidade da luz no vácuo (aproximadamente 300.000 km/s), À é o compri­
mento da onda (expressa em submúltiplos de metros) e fé a frequência da onda (em hertz).

Velocidade da onda (300.000 km/s)¢

Comprimento da onda

Figura 2.2: A luz é uma onda eletromagnética que se propaga no vácuo com velocidade
constante. O comprimento da onda está relacionado com sua frequência e sua velocidade.

As ondas eletromagnéticas vindas do Sol podem produzir efeitos diversos sobre os objetos
e os seres vivos. Uma pequena parte das ondas pode ser captada pelo olho humano e
representa o que chamamos de luz visível. Outra parte da radiação solar não pode ser vista
pelo olho humano e sua presença pode ser percebida de outras formas.

Comprimentos de onda em metros (m)


1 Q-14 10-12 10-10 1 Q-8 10-6 1 O-< 1 Q-2 10º 102

Raios gama Raios X ero-ondas Ondas de rádio

Luz visível

0,39 0,69
Micrómetros (= 10-6m)

Figura 2.3: Composição do espectro da radiação solar.

Chama-se espectro da radiação solar o conjunto de todas as frequências de ondas eletro­


magnéticas emitidas pelo Sol. Todo o espectro de radiação, incluindo as ondas visíveis ao
olho humano e as não visíveis, transportam energia que pode ser captada na forma de calor
ou energia elétrica.

No espaço extraterrestre, antes de atingir a atmosfera, a radiação solar é composta apro­


ximadamente de 53% de radiação invisível - com uma pequena parcela de luz infraver­
melha e uma grande parcela de luz ultravioleta - e 47% de luz visível. A luz visível, que
pode ser captada pelo olho humano, é a parte do espectro que podemos enxergar e é a
mesma utilizada pelas plantas para a realização da fotossíntese.
Conceitos Básicos 41

A captação do calor solar é a transforma­ transmitir calor, podem produzir alterações


ção da energia eletromagnética em ener­ nas propriedades elétricas ou originar ten­
gia térmica pelos corpos e materiais que sões e correntes elétricas. Existem diversos
recebem sua radiação. Quando as ondas efeitos elétricos da radiação eletromagnéti­
eletromagnéticas incidem sobre um corpo ca sobre os corpos, sendo dois deles o efei­
que tem a capacidade de absorver radia­ to fotovoltaico e o fotoelétrico, ilustrados
ção, a energia eletromagnética é transfor­ na Figura 2.4.
mada em energia cinética e transmitida
O efeito fotovoltaico, que é a base dos
para as moléculas e átomos que compõem
sistemas de energia solar fotovoltaica para
esse corpo. Esse processo corresponde à
a produção de eletricidade, consiste na
transmissão de calor ou energia térmica.
transformação da radiação eletromagné­
Quanto maior o estado de agitação dos
tica do Sol em energia elétrica através da
átomos e moléculas, maior a temperatura
criação de uma diferença de potencial,
do corpo. Em outras palavras, a tempe­
ou uma tensão elétrica, sobre uma célula
ratura de um corpo depende da energia
formada por um sanduíche de materiais
térmica que ele possui. Essa energia pode
semicondutores. Se a célula for conecta­
aumentar ou diminuir, dependendo da
da a dois eletrodos, haverá tensão elétrica
quantidade de radiação recebida por ele.
sobre eles. Se houver um caminho elétrico
As ondas eletromagnéticas ao incidirem entre os dois eletrodos, surgirá uma cor­
sobre determinados materiais, em vez de rente elétrica.

..
Emissão de
Movimento


Luz Luz elétrons
de elétrons

Efeito Efeito o o o
fotovoltaico fotoelétrico o o o
o o o
Diferen~L _
de potencial i O

( Sanduíche de material ( Biocode


semicondutor material metálico
Figura 2.4: Efeito fotovoltaico e efeito fotoelétrico.

O efeito fotoelétrico ocorre em materiais metálicos e não metálicos sólidos, líquidos ou


gasosos. Ele ocasiona a remoção de elétrons, mas não é capaz de criar uma tensão elétrica
sobre o material. O efeito fotoelétrico é muitas vezes confundido com o efeito fotovoltai­
co; embora estejam relacionados, são fenómenos diferentes.
42 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

2.2 Massa de ar AM=


1
casez
A radiação solar sofre diversas alterações
quando atravessa a atmosfera terrestre. As em que 9z é o ángulo zenital do Sol, con­
característicasda radiação solar que chega forme a Figura 2.5.
ao solo dependem da espessura da cama­
da de ar e da composição da atmosfera, A Figura 2.6 mostra como o trajeto dos
incluindo o ar e os elementos suspensos, raios solares depende do ángulo zenital
como o vapor de água e a poeira. do Sol. Um ângulo maior corresponde a
uma camada de ar mais espessa, portanto
A espessura da camada de ar atravessada uma influência maior da atmosfera sobre a
pelos raios solares depende do compri­ radiação solar.
mento do trajeto até o solo. Esse trajeto
depende do ángulo de inclinação do Sol
com relação à linha do zênite, ou ángulo
zenital do Sol, ilustrado na Figura 2.5.

O zênite é uma linha imaginária per­


pendicular ao solo. O ângulo zenital do
Sol é zero quando ele se encontra exata­
mente acima do observador.
A espessura da massa de ar atravessada
pelos raios solares na atmosfera depende Terra Atmosfera
do ángulo zenital do Sol.
Figura 2.6: A massa de ar depende
do ângulo zenital do Sol.

A distribuição de energia do espectro de


radiação solar depende da localização
~~,l9:,s:~ Ângulo :
geográfica, da hora do dia, do dia do ano,
''·'' I
',, zen~
das condições climáticas, da composição

\\,t
'~0
, Z
iI
' I
da atmosfera, da altitude e de diversos
\ : +--- Linha do zênite outros fatores.
'
perpendicular ao rolo
O perfil característico médio da radiação
solar em uma determinada localidade varia
Solo
em função da massa de ar e pode ser obti­
Figura 2.5: linha do zênite e ângulo zenital. do experimentalmente. A Figura 2.7 mostra
a distribuição AM1,5, obtida para o ángu­
lo zenital 9z = 48,5°. No mesmo gráfico
A massa de ar é internacionalmente defi­
apresenta-se a distribuição AMO, que cor­
nida pela sigla AM (do inglês Air Mass) e
responde à radiação solar no espaço extra­
calculada como:
terrestre, sem a influência da atmosfera.
Conceitos Básicos 43

2500
-€
M

E
} 2000
~
]"'
N 1500
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"'O
""iii 1100
~
tj
~
~
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'"'
'6
"'
I: 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0
Comprimento de onda em micrômetros
Figura 2.7: Características da radiação solar para as massas de ar AMO e AM1,5.

Em cada região do planeta a radiação solar sofre efeitos diferentes ao cruzar a atmosfera.
A distribuição espectral AM1 ,5 corresponde ao comportamento médio da radiação solar
ao longo de um ano em países temperados do hemisfério norte. Esses países são aqueles
localizados entre o trópico de Câncer e o círculo Ártico, mostrados na Figura 2.8.

Nos países dentro da zona tropical do planeta, situada entre os trópicos de Câncer e Capri­
córnio, os raios solares incidem com ângulos azimutais menores e por isso ficam sujeitos a
massas de ar reduzidas. Por essa razão as zonas tropicais são mais iluminadas e quentes do
que as temperadas.

A massa de ar AM1 ,5 e sua respectiva distribuição espectral de energia tornaram-se padrões


para o estudo e a análise dos sistemas fotovoltaicos, pois a tecnologia fotovoltaica surgiu
e desenvolveu-se em países do hemisfério norte, principalmente na Europa e nos Est.ados
Unidos. A massa de ar AM1 ,5 é usada mundialmente como referência e cit.ada em pratica­
mente todos os catálogos de fabricantes de células e módulos fotovoltaicos.

Círculo Ártico

Trópico de <¡âncer

Equador

Trópico ele Caprièárnio


- '
Círculo Antártico

Figura 2.8: Linhas paralelas dividem o globo terrestre em zonas tropicais e temperadas.
44 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

2.3 Tipos de radiação solar em uma redoma de vidro que recebe luz
de todas as direções e a concentra em um
A radiação solar sofre a influência do ar sensor de radiação solar inst.alado em seu
atmosférico, das nuvens e da poluição interior.
antes de chegar ao solo e poder ser cap­ A radiação direta pode ser medida com
t.ada por células e módulos fotovolt.aicos. um instrumento chamado pireliômetro,
A radiação que atinge uma superfície hori­ ilustrado na Figura 2.11, composto por
zontal do solo é composta por raios sola­ um sensor de radiação solar instalado den­
res que chegam de todas as direçõese são tro de um tubo com uma abertura de luz
absorvidos, espalhados e refletidos pelas estreit.a, de modo que somente a luz dire­
moléculas de ar, vapor, poeira e nuvens. ta, recebida do Sol em linha ret.a, possa
alcançar o sensor.
A radiação global é a soma da radiação
direta e da radiação difusa. A radiação
direta corresponde aos raios solares que
chegam diret.amente do Sol em linha reta e
w
incidem sobre o plano horizontal com uma
inclinação que depende do ângulo zenital
do Sol.
A radiação difusa corresponde aos raios
solares que chegam indiretamente ao pla­ Figura 2.1O: Piranômetro para a medida da
radiação solar global. Cortesia: Kipp & Zonen.
no. É resultado da difração na atmosfera e
da reflexão da luz na poeira, nas nuvens e
em outros objetos.

.,
Figura 2.11: Pireliômetro para a medida da
Radiação radiação solar direta. Cortesia: Kipp & Zonen.
difusa
/R~~~usa Medidas de radiação solar também podem
Radiação
ser realizadas com sensores baseados em
global
células fotovoltaicas de silício, como os
Figura 2.9: A radiação global é a ilustrados nas Figuras 2.12 e 2.13. Esses
soma das radiações direta e difusa.
sensores capturam uma faixa mais estreita
do espectro solar e não conseguem distin­
A radiação global pode ser medida por guir a radiação direta da difusa, mas são
um instrumento denominado piranôrne­ suficientes para a maior parte das aplica­
tro, ilustrado na Figura 2.10, que consiste ções fotovoltaicas. São sensores de baixo
Conceitos Básicos 45

custo que permitem avaliar o desempenho 2.4 Energia solar


dos módulos fotovoltaicos que fazem parte
de uma instalação.
2.4.1 lrradiância
Uma grandeza empregada para quantificar
a radiação solar é a irradiãncia, geralmente
chamada também de irradiação, expressa
na unidade de W/m2 (watt por metro qua­
drado). Trata-se de uma unidade de potên­
cia por área. Como se sabe, a potência é
uma grandeza física que expressa a energia
transport.ada durante um certo intervalo de
tempo, ou a taxa de variação da energia
Figura 2.12: Sensor de radiação solar com com o tempo. Quanto maior a potência da
célula fotovoltaica de silício. Cortesia: SMA. radiação solar, mais energia ela transporta
em um determinado intervalo de tempo.
Os sensores de radiação solar mostrados
nas páginas anteriores fornecem medidas
de irradiãncia. Na superfície terrestre a
irradiãncia da luz solar é tipicamente em
torno de 1000 W/m2. No espaço extrater­
restre, na distância média entre o Sol e a
Terra, a irradiãncia é cerca de 1353 W/m2.
A irradiãncia de 1000 W/m2 é adotada
como padrão na indústria fotovoltaica
Figura 2.13: Medidor de radiação solar portátil. para a especificação e avaliação de célu­
Cortesia: Eudora Solar. las e módulos fotovoltaicos. Assim como
Foto: Eng. João Adalberto Pereira a massa de ar AM1 ,5, a irradiãncia de
1000 W/m2 é mencionada em pratica­
Para propósitos práticos a análise da radia­ mente todos os catálogosde fabricantes de
ção solar ao nível do solo é realizada com dispositivos fotovoltaicos.
a medição e a quantificação da potência
ou da energia da radiação recebida do Sol A medida da irradiãncia em W/m2 é muito
em uma determinada área de superfície útil para avaliar a eficiência dos dispositi­
plana, considerando toda a faixa de fre­ vos e sistemas fotovoltaicos. Com o valor
quências do espectro da luz solar, visíveis padrão de 1000 W/m2 as eficiências das
e não visíveis ao olho humano, dentro das células e módulos fotovoltaicos de diver­
limit.ações do sensor. Cada tipo de sensor sos fabricantes podem ser especificadas
possui a capacidade de enxergar uma por­ e comparadas com base numa condição
ção maior ou menor do espectro. A faixa padrão de radiação solar.
de frequências do sensor é especificada
pelo fabricante e determina a precisão e o
custo do equipamento.
46 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Medindo a irradiãncia com um sensor e A Figura 2.14 mostra um gráfico típico da


armazenando os valores obtidos ao longo irradiãncia solar ao longo de um dia. Em
de um dia, pode-se calcular a quantidade cada inst.ante de tempo é realizada uma
de energia recebida do Sol por uma deter­ medida. Fazendo a integração dos valo­
minada área naquele dia. O mesmo pro­ res de irradiância ao longo do tempo, ou
cedimento pode ser usado para calcular seja, calculando a área embaixo da curva,
a energia solar recebida ao longo de uma obtém-se o valor da energia recebida do
semana, um mês ou um ano. No estudo Sol durante o dia por unidade de área,
da radiação solar e dos sistemas fotovoltai­ denominada insolação.
cos, é muito comum quantificar a energia
diária recebida do Sol, como veremos na
próxima seção.

solar

"'e
'e
""'5
~
Área da curva:
Energia
(Whim']

Nascente Tempo (horas] Poente

Figura 2.14: Perfil da irradiância solar ao longo de um dia.

2.4.2 Insolação
A insolação é a grandeza utilizada para expressar a energia solar que incide sobre uma
determinada área de superfície plana ao longo de um determinado intervalo de tempo.
Sua unidade é o Wh/m2 (watt-hora por metro quadrado). O watt-hora é uma unidade física
de energia e o watt-hora por metro quadrado expressa a densidade de energia por área.

I ,,

¡;;; Energia

1;f_·-~~
1 m
Figura 2.15: A insolação é a energia recebida do Sol (em Wh) por unidade de
área (m2) durante um determinado intervalo de tempo (um dia, por exemplo).
Conceitos Básicos 47

A medida de insolação em Wh/m2 é muito Os dados de insolação são disponibilizados


útil para fazer o dimensionamento dos sis­ ao público na forma de tabelas, mapas e
temas fotovoltaicos, como veremos poste­ ferramentas computacionais. Um enorme
riormente. Na prática encontramos tabelas conjunto de dados de insolação mundiais é
e mapas de insolação que fornecem valo­ disponibilizado gratuitamente pelo projeto
res diários expressos em Wh/m2/dia (watt­ SWERA (Solar and Wind Energy Resource
-hora por metro quadrado por dia). Assessment), do Núcleo de Programas
Ambientais das Nações Unidas, no website
Estações meteorológicas com sensores de
swera.unep.net. Entretanto, esses bancos
radiação solar são empregadas para fazer o
de dados destinam-se a aplicações cientí­
levant.amento da insolação em vários pon­
ficas e sua utilização não é muito prática.
tos do globo terrestre. Bancos de dados
com informações de insolação de todo o Para o uso prático, na análise e no dimen­
planet.a podem ser construídos a partir de sionamento de instalações fotovoltaicas,
medidas experiment.ais e a partir da inter­ podemos recorrer a mapas de insolação e
polação dos dados obtidos dos sensores. a ferramentas que fornecem imediatamen­
te as informações desejadas sobre a radia­
ção solar de uma determinada localidade.

localização: Campinas, SP

Coordenadas: -22 90098 -47 06863

Energia solar média incidente (kWh/m "2/dia)

-+- Média mensal - Média anual


7.0 ¡:---l...:..._..:..:..:.::.::..:::.:.::..:=--___:.:..::::::..:=;,.J---

4.o~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Figura 2.16: A calculadora solar fornece os dados de insolação de um local


em qualquer ponto do Brasil. Disponível em: www.calculadorasolar.com.br.
48 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Uma ferramenta útil para a obtenção de pela calculadora solar, mostra como a inso­
informações sobre a insolação de uma lação de um local varia em cada mês do
determinada localidade é a calculadora ano. Essa variação é resultado da influência
solar, disponibilizada gratuit.amente no dos diferentes níveis de radiação solar nas
website www.calculadorasolar.com.br. Com est.ações do ano, da ocorrência de chuvas
essa ferramenta é possível obter o valor da e da presença de mais ou menos nuvens
energia recebida do Sol por metro quadra­ no céu em determinadas épocas do ano.
do em qualquer lugar do Brasil, bastando
Para fazer com precisão o dimensiona­
informar a localização geográfica deseja­
mento de um sistema fotovoltaico é reco­
da. A calculadora fornece um gráfico com
mendável utilizar dados da calculadora
os valores mensais de energia e a média
solar, pois representam os valores exatos
anual. Esses valores são úteis para o dimen­
de insolação para uma determinada loca­
sionamento de sistemas fotovoltaicos, como
lização geográfica e para um determinado
será visto adiante.
mês do ano.
Além da calculadora solar é possível recor­
O mapa de insolação e a calculadora
rer a um mapa de insolação que mostra
solar mostram a energia recebida do Sol
o valor da energia por metro quadrado
ao nível do solo em determinado local.
recebida do Sol diariamente em diversas
Essa energia é medida através da insola­
regiões do Brasil. O mapa mostrado na
ção diária, expressa em Wh/m2/dia (watt­
Figura 2.17 abrange todo o território bra­
-hora por metro quadrado e por dia), ou
sileiro e pode ser encontrado na 2ª Edi­
seja, a quant.idade de energia (watt-hora)
ção do Atlas de Energia Elétrica do Bra­
recebida do Sol por cada met.ro quadra­
sil, publicado em 2005 pela ANEEL. Os
do de área durante o período de um dia.
valores de insolação são divididos em oito
faixas entre 4500 e 61 OO Wh/m2/dia, que lrradiância é a medida de potência por
são a pior e a melhor médias anuais de metro quadrado, ou seja, uma densidade
insolação diária do território brasileiro. de potência. É expressa em W/m2 (watt
por metro quadrado).
É import.ante destacar que a insolação de
um determinado local é diferente para Insolação é a medida de energia por
cada dia do ano. Os dados apresenta­ metro quadrado. Normalmente se usa
dos no mapa da Figura 2.17 referem-se a medida de insolação diária expressa
à média de insolação de todos os dias do em W/m2/dia (watt por metro quadrado
ano. O gráfico da Figura 2.16, fornecido por dia).
Conceitos Básicos 49

2
3 3 • -~.N~t.11
4
Î,rMilU
I,...,
4 • P,~-.,:1;1
3 3 2 2 41•«;1,
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~ª5 3 _,v...,.coeió

4
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3 •
Valores de insolação diária
3
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2
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Belo Hori,o"lt'
2
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Wh/m2/dia Gm... 3 3 • 6
3 • 4
:::::~:;:, 5900 a 6100 3 5 "/vrm,i,
4
4 5_;)
2 5700 a 5900 4 S&o P:wlo ,-~-.-Jo
G ... ..,S: Ftio dt J.vu:iro
3 5500 a 5700 Ì 5 78/'
l-- 6 o Curitih,"I
4 5300 a 5500
5 6 56 8 •A,ùópol;,
5100 a 5300 N

6 4900 a 5100
4700 a 4900 :J;·trç,11'
+
4500 a 4700 'ti O
',===~==,#.ó..,
soo 1000

Figura 2.17: Mapa de insolação do território brasileiro.


Fonte: Atlas de Energia Elétrica do Brasil, ANEEL, 2! edição (adaptado).

2.5 Orientação dos módulos


fotovoltaicos
Nos próximos capítulos vamos aprender
como funcionam os módulos fotovoltaicos
e como podem ser empregados na cons­
trução de sistemas para a produção de
Figura 2.18: Os raios solares chegam
energia elétrica. à Terra em linha reta e são paralelos
entre si antes de cruzar a atmosfera.
Vamos agora compreender o modo como
os raios solares chegam à Terra e como isso
afeta a maneira de instalação dos módulos Os raios solares são ondas eletromagnéti­
solares. cas paralelas entre si que chegam à Terra
em linha reta, como indica a Figura 2.18.
Algum conhecimento sobre a incidência Para o estudo da radiação solar em apli­
dos raios solares em nosso planeta é neces­ caçõesfotovoltaicas é suficiente considerar
sário para que os módulos sejam instalados que os raios são linhas retas.
corretamente, fazendo-os captar a energia
solar da melhor maneira possível.
50 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Ao cruzar a atmosfera terrestre, os raios 2.6 Ângulo azimutal


sofrem o efeito da difusão e são desvia­
dos e refletidos em todas as direções, mas O azimutal é o ângulo de orient.ação dos
a maior parte deles, que corresponde à raios solares com relação ao norte geográ­
radiação direta, continua sua trajetória em fico, como mostra a Figura 2.19. O Sol, em
linha reta. sua trajetória no céu desde o nascente até
Em cada pont.o do planeta a radiação dire­ o poente, descreve diferentes ângulos azi­
ta incide no solo com uma inclinação dife­ mut.ais ao longo do dia.
rente. Essa inclinação varia ao longo dos Isto significa que um observador localiza­
dias e meses do ano, de acordo com a do no hemisfério sul, abaixo da linha do
posição da Terra e do Sol no espaço. equador, quando estiver olhando para o
Não podemos fazer nada para melhorar Norte, verá o Sol com ângulos variáveis
a captação da radiação difusa, pois ela do seu lado direito no período da manhã
chega até a superfície terrestre de manei­ e do lado esquerdo no período da tarde.
ra aleatória e irregular. Entretanto, é pos­ Ao meio-dia solar o observador verá o Sol
sível inst.alar os módulos solares de modo exatamente à sua frente, o que representa
a maximizar a captação da radiação direta, o ângulo azimutal nulo.
melhorando assim o aproveitamento da
radiação solar global.

Ângulo

~·m
Poente
azimutal
j
. - d os
P rojeçao
a:~'~
Nascente
raios solares no
plano horizontal

Figura 2.19: O azimutal é o ângulo de incidência dos raios solares em relação ao norte geográfico.

No hemisfério sul, quando o ângulo do azimute solar coincide com o norte polar da Terra,
dizemos que o seu ângulo azimutal é zero e est.a situação é chamada de meio-dia solar.
Para observadores localizados no hemisfério norte, o ângulo azimutal é medido em relação
ao sul geográfico.
Quando o ângulo azimutal é nulo, o Sol está na metade do trajeto que percorre do inst.ante
em que nasce até o inst.ante em que se põe. Nem sempre o ângulo azimutal zero coincide
com o meio-dia horário.
A instalação correta de um módulo solar fotovoltaico deve levar em cont.a o movimento
diário do Sol. Um módulo instalado com sua face voltada para o Leste, como indica a Figu-
Conceitos Básicos 51

ra 2.20, fará o aproveitamento da energia to solar, é orientá-lo com sua face voltada
solar somente no período da manhã. No para o norte geográfico, conforme a Figura
período da tarde, após o meio-dia solar, 2.21. Essa orientação melhora o aproveita­
os raios solares vão deixar de incidir sobre mento da luz solar ao longo do dia, pois
a face do módulo e sua energia não será durante todo o tempo o módulo tem raios
aproveitada. Da mesma forma, se o módu­ solares incidindo sobre sua superfície, com
lo estiver com sua face voltada para o Oes­ maior incidência ao meio-dia solar, quan­
te, será capaz de aproveitar a energia solar do o módulo fica exatamente de frente
somente no período da tarde. para o Sol, ou seja, com ângulo azimut.al
zero. Para as cidades que estão acima da
A melhor maneira de instalar um módulo
linha do equador deve-se orient.ar o painel
solar fixo, sem um sistema de rastreamen-
para o sul geográfico.

1 Pela manhã os raios solares


incidem normalmente sobre o painel.

m
m a

2 Ao meio-dia solar os raios '•


começam a incidir de forma
paralela à superfície do painel.

m a
li
J Após o meio-dia solar os
raios solares incidem na
parte traseira do painel e sua

m energia não é aproveitada.

m a
li
Figura 2.20: Módulo solar com orientação azimutal incorreta.
52 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Meio-dia A agulha da bússola sempre fica alinhada


no sentido das linhas do campo magnéti­
co da Terra. Essas linhas distribuem-se pelo
globo terrestre de maneira irregular, de
modo que nem sempre a agulha aponta
para o norte geográfico.
Para descobrirmos a direção do norte geo­
gráfico, ou norte real, podemos utilizar
uma tabela ou um mapa com ângulos de
correção, como o da Figura 2.22. Em cada
região do Brasil é necessário subtrair um

a ângulo de correção do ângulo encontrado


na leitura da bússola.
O ângulo de correção varia de acordo com
a localização geográfica e também com o
tempo. Ao longo do tempo as linhas mag­
__ li néticas da Terra vão mudando de posição
Figura 2.21: Orientação azimutal correta do módulo e o mapa precisa ser corrigido. Entretanto
solar, com sua face voltada para o norte geográfico. essas mudanças são lent.as e ocorrem ao
longo de centenas de anos, de modo que
O norte geográfico pode ser encontrado não precisamos nos preocupar em dema­
indiretamente com o uso de uma bússola. sia com isso.

Norte
geográfico

Figura 2.22: Mapa de ângulos de correção para encontrar o norte geográfico, ou norte real,
a partir da indicação do norte magnético por uma bússola. Para saber a direção do
norte real, subtrai-se o ângulo de correção do ângulo indicado pela bússola.
Conceitos Básicos 53

2.7 Movimentos da Terra Ao mesmo tempo em que orbita o Sol,


nosso planeta gira em torno de seu pró­
A Terra descreve uma trajetória elíptica em prio eixo no movimento chamado rot.ação.
seu movimento de translação em torno do Um movimento de rotação completo dura
Sol. Um trajeto completo tem a duração 24 horas. Os movimentos de translação e
de aproximadamente 365 dias e seis horas. rotação são ilustrados na Figura 2.23.

A duração do ano do calendário é 365 O eixo de rotação da Terra, que é o eixo


dias. A cada quatro anos tem-se um ano dos polos norte e sul geográficos, é leve­
bissexto, que possui um dia a mais devido mente inclinado num ângulo de aproxi­
à diferença de seis horas entre o ano do madamente 23,5° com relação ao eixo do
calendário e o ano real, que corresponde movimento da órbita de translação, como
a uma volta complet.a da Terra em torno ilustra a Figura 2.24.
do Sol.

Trajetória elíptica da Terra


em torno do Sol
¡
Eixo do movimento ~ ¡y Eixo do movimento
de rotação da Terra de translação
~'!. :I{/~
~ ~

"'- Inverno no Verão no ~ "'-L~


hemisfério sul hemisfério sul

Figura 2.23: Movimentos de translação e de rotação do planeta Terra.

Eixo do movimento
de translação

Fi_gura 2.24: O e(xº. de rotação da Terra é inclinado com relação ao


eixo da órbita elïptìca em torno do Sol (movimento de translação).
54 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A inclinação do eixo de rotação da Terra 2.8 Declinação solar


faz com que os hemisférios norte e sul do
planeta fiquem mais próximos ou distan­ A declinação solar é o ângulo dos raios
tes do Sol em cada dia do ano, dependen­ solares com relação ao plano do equador.
do da posição da Terra em sua trajetória Esse ângulo é consequência da inclinação
de translação, dando origem às estações do eixo de rotação da Terra, como indicam
do ano. as figuras anteriores, e varia ao longo do
Nas proximidades da linha do equador ano de acordo com a posição do Sol.
a inclinação do eixo de rotação da Terra Nos solstícios, que marcam o início do
tem pouca influência sobre as estações verão e do inverno, o ângulo de declina­
do ano. Entretanto, conforme nos afasta­ ção solar é máximo. Nos equinócios, que
mos do equador e nos aproximamos dos marcam o início do outono e da primave­
polos norte e sul do planeta, no verão os ra, o ângulo de declinação é zero, o que
dias tornam-se mais longos e no inverno significa que os raios solares incidem para­
tornam-se mais curtos. lelamente ao plano do equador.
A duração dos dias e as diferentes massas As figuras a seguir ilustram o significado do
de ar percorridas pelos raios solares, que ângulo de declinação solar. Na Figura 2.25
dependem da localização geográfica, são observam-se as posições da Terra ao longo
os principais fatores que afetam a quanti­ do ano. O ângulo de declinação 8, que é
dade de energia solar recebida em cada o ângulo entre os raios solares e o plano
região do planeta. do equador, varia ao longo do ano devido
A quantidade de energia recebida do Sol à inclinação do eixo de rotação terrestre.
diariamente numa certa localidade é dife­ A Figura 2.26 mostra o significado do
rente em cada dia do ano e naturalmen­ ângulo de declinação, tendo a Terra como
te é maior no verão e menor no inverno referência e mostrando a posição aparen­
por causa da duração dos dias. Há ainda te do Sol. Observa-se nesta figura que nos
fatores atmosféricos que podem influen­ equinócios a declinação é nula e os raios
ciar o trajeto dos raios solares até o solo, incidem paralelamente ao plano do equa­
como já sabemos, e também contribuem dor, enquanto nos solstícios a declinação
para aumentar ou diminuir a energia solar é máxima.
disponível em cada dia do ano em uma
determinada localidade.
Conceitos Básicos 55

Outono Verão

Declinação 21/dezembro
21/junho solar Solstício
Solsticio õ
de inverno

Inverno
Primavera

Equinócio
de primavera
Figura 2.25: O ângulo de declinação solar varia ao longo do ano
de acordo com a posição da Terra em sua órbita em torno do Sol.

21/dezembro
Solstíciode verão

Linha do
21/setembro
equador
Equinócio
de primavera

21/junho
Solstício de inverno

Figura 2.26: O ângulo de declinação solar é máximo no início do inverno e


do verão (solstícios) e nulo no início do outono e da primavera (equinócios).

2.9 Altura solar


Devido à existência do ângulo de declinação solar, o Sol nasce e se põe em diferentes pon­
tos do céu e descreve uma trajetória com inclinação diferente em cada dia do ano, como
ilustra a Figura 2.27.
56 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Verão

Primavera

Linha do

Figura 2.27: A trajetória do movimento aparente do Sol é diferente ao longo do ano.

Linha do zênite
9, Ângulo azimutal perpendicular ao solo
0z Ângulo zenital +
Y, Ângulo da altura solar
---~=-'

Figura 2.28: A posição do Sol é definida pelos ângulos azimutal, zenital e da altura solar.

Um observador que olha em direção ao norte enxerga o Sol descrevendo uma trajetória
circular no céu. A altura do Sol no céu é maior nos dias de verão, o que significa que nes­
sa época os raios solares incidem sobre a cabeça do observador com um ângulo zenital
menor, percorrendo uma massa de ar reduzida.
Nos dias de inverno a altura solar no céu é menor e o observador enxerga o Sol mais baixo,
próximo da linha do horizonte. Neste casoo ângulo zenital e a massa de ar percorrida pelos
raios solares são maiores.
O ângulo de inclinação da trajetória do Sol com o plano horizontal recebe o nome de
ângulo da altura solar, como ilustra a Figura 2.28. Na mesma figura são mostradosos ângu­
los azimutal e zenital, que foram apresentados anteriormente.
O valor do ângulo da altura solar Y5 depende da localização geográfica do observador
e do ângulo da declinação solar. Os observadores próximos da linha do equador enxer­
gam alturas solares maiores, enquanto os observadores mais próximos dos polos terrestres
enxergam alturas menores, mesmo durante o verão.
Conceitos Básicos 57

2.1 O Angulo de incidência dos Os raios solares incidem sobre a superfície


do módulo com o ângulo de inclinação ß,
raios solares definido em relação à reta perpendicular à
superfície do módulo. Em cada dia do ano,
O modo como os raios solares incidem
conforme a altura solar Ys varia, o módulo
sobre a superfície terrestre depende da
recebe os raios solares com uma inclinação
posição do Sol no céu. Como sabemos, a
posição varia ao longo do dia e do ano,
ß diferente.
sendo determinada pelos ângulos azimut.al O melhor aproveitamento da energia solar
e zenit.al e pela altura solar. ocorre quando os raios incidem perpen­
dicularmente ao módulo, com ângulo
A Figura 2.29 mostra como incidem os raios
ß = O. Isso significa que idealmente, para
solares em um módulo solar. O módulo é
maximizar a captação da energia solar, a
inst.alado com ângulo de inclinação a em
inclinação do módulo deve ser ajustada
relação ao solo e tem sua face volt.ada para
diariamente para adequar-se ao valor da
o norte geográfico.
altura solar Ys naquele dia.

a Ângulo de inclinação do painel


ß Ângulo de incidência do raio solar
Y5 Ângulo da altura solar
Linha perpendicular
/ à superfície do painel
/

D._...__
Figura 2.29: Ângulo de inclinação do módulo e ângulo de incidência dos raios solares.

2.11 Escolha do ângulo de inclinação do módulo solar


A maior parte dos sistemas fotovoltaicos possui ângulo fixo de inclinação, então deve ser
escolhido um ângulo por algum critério. A escolha incorreta da inclinação reduz a captação
dos raios solares e compromete a produção de energia elétrica pelo módulo fotovoltaico.
A Figura 2.30 mostra o que acontece quando o módulo solar é instalado em diferentes
ângulos de inclinação com relação ao solo.
No primeiro caso mostrado na figura existe um ângulo de inclinação a que faz os raios sola­
res incidirem perpendicularmente à superfície do módulo. Este é o ângulo que maximiza a
capt.ação da radiação solar direta.
No segundo caso mostrado o módulo tem um ângulo de inclinação a ligeiramente menor,
que não é o ideal. Considerando o mesmo feixe de raios solares do caso anterior, percebe­
-se que uma parte dos raios não incide sobre o módulo, represent.ando uma captação
menor de energia.
58 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Nos demais casos mostrados na Figura rnizar a capt.ação dos raios solares em
2.30 os módulos são instalados nas posi­ todos os dias ou meses do ano, mas é pos­
ções horizontal e vertical. Na posição sível escolher um ángulo que possibilite
horizontal a captação de energia é pre­ uma boa produção média de energia ao
judicada nos meses de inverno, quando longo do ano.
a altura solar é menor, e maximizada nos
A Figura 2.31 mostra um gráfico da energia
meses de verão, quando a altura solar é
captada por um módulo com três ángulos
maior. Por outro lado, na posição vertical
de inclinação diferentes. Dependendo da
a produção de energia é maior no inverno
inclinação adotada, a energia produzida
e menor no verão.
pode ser maximizada ao longo do ano,
Naturalmente, com o módulo em ángulo somente nos meses de verão ou somente
de inclinação fixo não se consegue maxi- nos meses de inverno.

Ângulo ótimo Ângulo incorreto

Ângulo horizontal Ângulo vertical

Figura 2.30: Efeito da inclinação do módulo fotovoltaico na captação de energia.

• ... . ...---
. Inclinação
ótima '

• '
• '
• '

/
•,( ---

---- -- ... ... '
'
'

/
/ •
• '
' '''
,,. /
/
/ •
.•
Inclinação" - - -
'
'
'
' ' ,Inclinação
... ------
vertical
¡... -
horizontal

Verão Outono Inverno Primavera

Figura 2.31: Energia solar captada ao longo do ano com diferentes inclinações.
Conceitos Básicos 59

Não existe um consenso geral sobre o Tabela 2.2: Latitudes geográficas


das capitais brasileiras.
melhor método de escolher o ângulo de
inclinação para a instalação de um módu­ Capital UF Latitude
lo solar. Como vimos, a inclinação hori­ Aracaju SE 10º S
zontal privilegia a produção de energia Belém PA 01º S
no verão, enquanto a inclinação vertical Belo Horizonte MG 19° S
privilegia no inverno. Boa Vista RR 02º N
Brasilia DF 15° S
É possível determinar para uma latitu­
Cameo Grande MS 20° S
de geográfica um ângulo de inclinação
Cuiabá MT 15° S
que possibilite uma boa produção média Curitiba PR 25° S
de energia ao longo do ano. Uma regra Florianópolis SC 27° S
simples para a escolha do ângulo de ins­ Fortaleza CE 03° S
talação, adotada por muitos fabricantes Goiânia GO 16º S
de módulos fotovoltaicos, é apresentada João Pessoa PB 07° S
em seguida. Macaoá AP OOº N
Maceió AL 09° S
A Tabela2.1 mostra o ângulo de inclinação
Manaus AM 03° S
recomendado para diversas faixas de lati­
Natal RN 05° S
tude geográfica. Não se recomenda a ins­
Palmas TO 10° S
talação com ângulos de inclinação inferio­
Porto Alegre RS 30° S
res a 1 Oº para evitar o acúmulo de poeira
Porto Velho RO 08° S
sobre as placas. Recife PE 08° S
Para saber o ângulo de latitude de uma Rio Branco AC 09° S
localidade, pode-se recorrer a um atlas Rio de Janeiro RJ 22º S
Salvador BA 12º S
com mapas do Brasil, à ferramenta de
São Luis MA 02º S
mapas do Google (maps.google.com) ou à
São Paulo SP 23º S
calculadora solar (disponível no endereço
Teresina Pl 05° S
www.calculadorasolar.com.br).
Vitória ES 20° S

Tabela 2.1: Escolha do ângulo de inclinação


do módulo. Fonte: "Installation and Safety
Manual of the Bosch Solar Modules"
2.12 Regras básicas para
Latitude Ângulo de
geográfica do local inclinação recomendado a instalação de
Oºa100 a.=10º módulos solares
11° a 20° a.= latitude
21º a 30° a.= latitude + 5° Nas páginas anteriores aprendemos as
31ºa 40º a.= latitude + 10° variáveis que afetam a captação de energia
41 o ou mais a.= latitude + 1 5°
dos módulos solares. Essas variáveis estão
relacionadas com a inclinação do eixo de
Para auxiliar o leitor na instalaçãode módu­ rotação da Terra, o ângulo da altura solar,
los solares, a Tabela 2.2 apresenta as latitu­ o ângulo de inclinação dos módulos e o
des geográficasdas capitais brasileiras. ângulo azimutal do Sol.
60 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Em resumo, o leitor deve ter em mente A altura z da haste de fixação é calculada


duas regras básicas para fazer a instalação pela seguinte equação:
correta de um módulo solar.
z = L -sen a
Regra 1: Sempre que possível, orientar
o módulo com sua face voltada para o e a distância x é calculada como:
norte geográfico, pois isso maximiza a x = L -cos œ
produção média diária de energia.
Regra 2: Ajustar o ângulo de inclinação em que L é o comprimento do módulo
correto do módulo com relação ao solo solar ou a distância entre sua borda apoia­
para otimizar a produção de energia ao da no chão e o ponto de fixação, conforme
longo do ano. Para isso, deve-se escolher a Figura 2.32; x é a distância no chão entre
o ângulo de inclinação de acordo com a borda de apoio do módulo e a extremi­
a Tabela 2.1, em função do ângulo da dade da haste de fixação e z é altura da
latitude geográfica da localidade onde o haste.
sistema é instalado. Para uso prático o leitor pode recorrer à
Seguindo a Regra 2, obtém-se o valor do Tabela 2.3 para determinar a altura da has­
ângulo de inclinação a do módulo solar. te, bastando encontrar na tabela o valor da
Na prática, para a instalação física, o ins­ razão Rxz = x I z que corresponde ao ângulo
talador deve calcular a altura da haste de de inclinação a desejado. Com esta razão é
fixação (z) em função do ângulo calculado possível determinar o valor de x a partir de
(a) e levando em conta o comprimento do
um valor z conhecido, ou vice-versa. Basta
módulo (L) ou a distância entre a borda do multiplicar ou dividir a dimensão conhecida
módulo no solo e a barra de sustentação pelo valor da razão Rxz.
(x), como ilustra a Figura 2.32.
Tabela 2.3: Determinação da relação entre
x e za partir do ângulo de inclinação.

a Rxz = x I z a Rxz = x/z


10º 5,671282 26° 2,050304

11 e 5, 144554 27° 1,962611

12º 4,704630 28º 1,880726

13º 4,331476 29º 1,804048

14º 4,010781 30° 1,732051

z 15º 3,732051 31º 1,664279

16º 3,487414 32º 1,600335

17º 3,270853 33° 1,539865


Figura 2.32: A altura da haste de suporte do
18º 3,077684 34° 1,482561
módulo determina o ângulo de inclinação.
19º 2,904211 35° 1,428148
Conceitos Básicos 61

a Rxz = x/z a Rxz = x I z Exemplo 2.1


20º 2,747477 36° 1,376382 Determine a altura da haste de fixação de
um módulo solar que possui as dimensões
21° 2,605089 37° 1,327045 mostradas na figura seguinte. O módulo
22° 2,475087 38° 1,279942 será fixado por um suporte apoiado no
ponto médio do seu comprimento, situa­
23º 2,355852 39° 1,234897
ção também ilustrada na figura. Esse siste­
24º 2,246037 40° 1,191754 ma fotovoltaico seráempregado na cidade
de São Paulo.
25° 2,144507 41° 1,150368
Dimensões do painel:
Do mesmo modo, para encontrar o valor
de x a partir de um comprimento L conhe­
cido, pode-se recorrer à tabela Tabela 2.4,
que mostra a relação RxL = x IL para dife­ 1,70 m
rentes valores do ângulo de inclinação.

Tabela 2.4: Determinação da relação entre


L ex a partir do ângulo de inclinação.

1 m
a RXL =XI L a RXL =XI L

10º 0,984808 26º 0,898794 Modo de instalação:

11° 0,981627 27° 0,891007

12° 0,978148 28° 0,882948

13º 0,974370 29º 0,874620

14º 0,970296 30° 0,866025

15º 0,965926 31° 0,857167 Exemplo 2.1: Dimensões e


modo de instalação do módulo.
16º 0,961262 32º 0,848048

17º 0,956305 33° 0,838671


Solução
18º 0,951057 34° 0,829038
Consultando a Tabela 2.2, encontramos a
19º 0,945519 35° 0,819152 latitude geográfica da cidade de São Paulo,
0,939693
que é aproximadamente 23°. Em seguida,
20º 36° 0,809017
consultando a Tabela 2.1, encontramos o
21° 0,933580 37° 0,798636 ângulo de inclinação a= 23° + 5° = 28°.
22° 0,927184 38° 0,788011 No modo de instalação desejado, confor­
23º 0,920505 39° 0,777146 me a figura anterior, temos L = 1,70 I 2 =
0,85 m. Consult.ando a Tabela 2.4, encon­
24º 0,913545 40° 0,766044 tramos a razão RxL = x IL para o ângulo de
25° 0,906308 41° 0,75471 O
62 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

28°, que vale aproximadamente 0,88, e a geográfico, em localidades no hemisfério


partir daí obtemos o valor de x: sul) ou o ângulo de inclinação do módulo
com o solo.
x = L · RxL = 0,85 · 0,88 = O, 75 m
Com um grau de liberdade adicional é
Consultando a Tabela 2.3, para o ângu­ possível alterar os dois ângulos simulta­
lo de 28° temos Rxz = x I z = 1,880726. neamente, fazendo com que o módulo
Finalmente, calculamos a altura da haste: esteja sempre recebendo os raios solares
com o melhor ângulo de incidência pos­
z = x I Rxz = 0,40 m sível. Nest.e caso o movimento no eixo
Portanto, para esse módulo será necessário vertical permite ao módulo rastrear o mo­
um suporte de fixação com haste de 40 cm vimento do Sol ao longo do dia e o movi­
instalada a 75 cm da borda de cont.ato do mento no eixo horizontal permite ajustar
módulo com a superfície horizontal. o ângulo e a inclinação do módulo para
adaptar-se à altura solar.
Os sistemas com rastreamento aumen­
2.13 Rastreamento automático tam a captação de energia dos módulos.
Entretanto, apesar de serem mais efi­
da posição do Sol cientes do ponto de vista de geração de
energia, esse tipo de sistema tem custo
Módulos solares com rastreamento auto­
mais elevado e requer a manutenção das
mático da posição do Sol otimizam o ângu­
partes mecânicas móveis e dos sistemas
lo de incidência dos raios solares automa­
eletrónicos de controle.
ticamente ao longo do dia e ao longo dos
meses do ano. O sistema pode ter um ou Exist.em vários exemplos de instalações
dois graus de liberdade, como ilustra a fotovoltaicas com rastreadores, como os
Figura 2.33. mostrados nas Figuras 2.34, 2.35 e 2.36,
entretanto as instalações fixas, como a da
Figura 2.37, são as mais empregadas em
todo o mundo.

Figura 2.33: Módulo solar com dois


graus de liberdade de rastreamento.

O sistema com apenas um grau de liber­


dade permite ajustar somente um dos Figura 2.34: Usina solar fotovoltaica empregando
ângulos de instalação do módulo: o ângulo rastreamento automático com um grau de liberdade.
Fonte: US Air Force/Wikimedia Commons.
azimut.al (orientação com relação ao norte
Conceitos Básicos 63

Figura 2.37: Instalação fotovoltaica com


Figura 2.35: Módulos solares com dois graus módulos fixos. Fonte: Shutterstock.
de liberdade de rastreamento. Fonte: Petr Broz/
Chmee2/Creative Commons BY-SA 3.0.

2.14 Espaçamento de módulos


em usinas solares
Instalações fotovoltaicas grandes, como
as usadas em usinas solares fotovoltaicas,
costumam ser construídas com fileiras de
módulos colocadas umas atrás das outras,
como exemplificam as Figuras 2.37 e 2.38.
Nesse tipo de instalação deve-se calcular
corretamente a distância entre uma fileira
e outra para que os módulos não façam
sombras uns aos outros. Como veremos
em outro capítulo, a presença de som­
bras em módulos solares é extremamente
prejudicial ao desempenho dos sistemas
fotovoltaicos.

Figura 2.36: Mecanismo de rastreamento com dois


graus de liberdade. Fonte: Petr Broz/Chmee2/
Creative Commons BY-SA 3.0.

Figura 2.38: Fileiras de módulos em instalações fotovoltaicas.


64 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

O distanciamento entre os módulos deve fixação, pode-se empregar a seguinte regra


levar em conta a maximização da produ­ prática para o espaçamento entre fileiras:
ção de energia e também o fator de utiliza­
ção da área do terreno onde a usina solar d = 3,5 ·z
é construída. O fator de utilização, que é a
A segunda estratégia é maximizar o fator
razão entre a área do módulo e a área na
de aproveitamento da área, com a con­
superfície plana necessária para sua insta­
sequente redução da eficiência devido à
lação, é dado por:
presença de sombras sobre os módulos.
f =LID Essa estratégia é usada em sistemas foto­
voltaicos que sofrem com restrições de
em que f é o fator de utilização de área, espaço para a instalação. Nessa estratégia
L é a largura do módulo solar e O é a lar­ emprega-se a regra prática a seguir:
gura da área de instalação, ou a distância
entre as bordas de duas fileiras vizinhas O= 2,25 · L
de módulos, como ilustram as Figuras
2.38 e 2.39.
Exercícios
1. Explique ângulo azimutal, ângulo da
altura solar e ângulo zenital.
2. Explique declinação solar e como ela
afeta a incidência dos raios solares
na superfície terrestre.
Figura 2.39: Área do módulo e área
necessária para sua instalação. 3. Explique por que a energia captada
pelos módulos solares depende do
Tipicamente as usinas de energia solar são ângulo azimutal e do ângulo de incli­
construídas com um fator de utilização nação com o plano horizontal.
de área entre 35 e 45%. Para tanto, são
4. Quais devem ser os ângulos de incli­
empregadas duas estratégias para a deter­
nação de um módulo solar para pri­
minação da distância de instalação entre
vilegiar a produção de energia no
as fileiras de módulos.
inverno e no verão?
A primeira estratégia tem o objetivo de
5. Por que existe um ângulo de incli­
reduzir as perdas ocasionadas pela pre­
nação ótimo para a instalação do
sença de sombras, maximizando a eficiên­
módulo solar?
cia do sistema fotovoltaico. Dent.ro desta
estratégia, sendo z a altura da haste de 6. Calcule os ângulos de inclinação de
módulos solares instalados em todas
as capitais brasileiras.
Células e Móaulos
Fotovoltaicos

3.1 Células fotovoltaicas


O efeito fotovoltaico é o fenômeno físico que permite a conversão
direta da luz em eletricidade. Esse fenômeno ocorre quando a luz,
ou a radiação eletromagnética do Sol, incide sobre uma célula com­
post.a de materiais semicondutores com propriedades específicas.
A Figura 3.1 a seguir ilustra a estrutura de uma célula fotovoltaica
compost.a por duas camadas de material semicondutor P e N, uma
grade de coletores metálicos superior e uma base metálica inferior.
A grade e a base metálica inferior são os terminais elétricos que
fazem a coleta da corrente elétrica produzida pela ação da luz. A
baseinferior é uma película de alumínio ou de prata. A parte supe­
rior da célula, que recebe a luz, precisa ser translúcida, portanto
os cont.atos elétricos são construídos na forma de uma fina grade
metálica impressa na célula.
Uma célula comercial ainda possui uma camada de material antir­
reflexivo, normalmente feit.a de nitreto de silício ou de dióxido de
titânio, necessária para evitar a reflexão e aument.ar a absorção de
luz pela célula.

Terminais
elétricos
Semicondutor N

l "Yr--

,,___
Semicondutor P
Base metálica

Figura 3.1: Estrutura de uma célula fotovoltaica.


66 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Figura 3.2 mostra uma célula fotovoltai­ O material N possui um excedente de


ca comercial, onde se observam na parte elétrons e o material P apresenta fait.a de
superior as grades metálicas formadas por elétrons. Devido à diferença de concen­
um enorme conjunto de finos condutores tração de elétrons nas duas camadas de
e très condutores principais ligados a eles. materiais, os elétrons da camada N fluem
para a camada Pe criam um campo elétri­
co dentro de uma zona de depleção, tam­
bém chamada de barreira de potencial, no
interior da estrutura da célula.
A Figura 3.3 ilustra as estruturas molecula­
res dos materiais Pe N. O material P possui
menos elétrons do que teria um material
semicondutor puro, o que se percebe pela
presença de lacunas, portanto é um mate­
rial positivo. O material N possui elétrons
em excesso, como se observa na figura
Figura 3.2: Células fotovoltaicasde silício. pela presença de um elétron adicional
Cortesia: Bosch Solar Energy AC. em torno de alguns átomos da estrutura.
Devido ao excesso de elétrons, o material
As camadas semicondutoras da célula é negativo, pois o elétron é uma partícula
podem ser fabricadas com vários mate­ de carga negativa.
riais diferentes, sendo o mais comum o
silício. Cerca de 95% de todas as células
fotovoltaicas fabricadas no mundo são de
silício, pois é um material muito abun­
dante e barato.

Um semicondutor é um material que não


pode ser classificado como condutor elé­
trico nem como isolante. As propriedades
de um semicondutor podem ser modifi­
cadas pela adição de materiais dopantes
Semicondutor P
ou impurezas.

Uma célula fotovoltaica é composta tipi­


camente pela junção de duas camadas
de material semicondutor, uma do tipo
Pe outra N. Existem células de múltiplas
junções, que possuem um maior núme­
ro de camadas, entretanto seu funciona­ excesso
mento é idêntico ao das células de duas
camadas. As células de múltiplas junções
produzem mais energia, porém são mais
caras e não são tão utilizadas como as de Semicondutor N
apenas duas camadas.
Figura 3.3: Estruturas moleculares
dos semicondutores Pe N.
Células e Módulos Fotovoltaicos 67

Quando duas camadas de materiais P e N são colocadas em cont.ato, formando o que se


chama junção semicondutora, os elétrons da camada N migram para a camada Pe ocupam
os espaços vazios das lacunas, como ilustra a Figura 3.4.

A Figura 3.4 mostra o que acontece quando as duas camadas Pe N são unidas. A mudança
dos elétrons e lacunas de uma camada para outra origina um campo elétrico e cria uma
barreira de potencial entre as duas camadas. Os elétrons e lacunas permanecem presos
atrás dessa barreira quando a célula fotovoltaica não está iluminada.

Elétrons em excesso Materiais P e N


da camada N separados

+
N 10000001
p 10000001
t
Lacunas da
camada P

Materiais P e N
Lacunas formadas
na camada N formando junção

N
00000 Q . . __ Barreira de

p
0000 QJ potencial

Elétrons que migraram


para a camada P

Junção recebendo
energia da luz
Elétrons e lacunas Elétrons livres
recombinados
+
N
OO_Q a Corrente
T elétrica
p
OO!O
Lacunas e elétrons pulam
a barreira de potencial

Figura 3.4: Materiais semicondutores em três situações diferentes: separados, unidos para
formar uma junção e por último com a junção exposta à luz para produzir corrente elétrica.
68 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A camada superior de material N de uma cialmente são constituídas de silício mono­


célula fotovoltaica é tão fina que a luz cristali no, policristalino ou amorfo. Existem
pode penetrar nesse material e descarregar diversos outros tipos de tecnologias e mate­
sua energia sobre os elétrons, fazendo com riais e recentemente têm surgido pesquisas
que eles tenham energia suficiente para sobre as chamadas células fotovoltaicas
vencer a barreira de potencial e movimen­ orgánicas, que utilizam polímeros e outros
tar-se da camada N para a camada P. tipos de materiais combinados no lugar dos
semicondutores, mas essa tecnologia ainda
Os elétrons em movimento são coletados
não alcançou eficiência de conversão mui­
pelos eletrodos metálicos. Se houver um
to elevada nem a confiabilidade necessária
circuito fechado os elétrons vão circular
para a produção comercial.
em direção aos eletrodos da camada N,
formando uma corrente elétrica.
Uma parte dos elétrons acaba sendo apri­ 3.2 Um pouco de história
sionada pelas lacunas que existem na
camada N, entretanto uma grande parte As primeiras experiências com disposi­
deles fica livre para formar a corrente elé­ tivos fotovoltaicos remontam ao ano de
trica quando um condutor elétrico forma 1839, com a descoberta por Beqquerel, um
um circuito entre as duas camadas, como físico e cientista francês, de uma tensão
ilustrou a Figura 3.4. elétrica resultante da ação da luz sobre
um eletrodo metálico imerso em uma
Se não houver um caminho elétrico entre
solução química.
as duas camadas os elétrons livres não
podem formar uma corrente elétrica. Em 1877, Adams e Day, cientistas ingleses,
Entretanto, mesmo na ausência de corren­ observaram um efeito similar no selênio
te elétrica, percebe-se uma tensão elétrica sólido, outro tipo de semicondutor. Pos­
de aproximadamente 0,6 V entre os dois teriormente diversas experiências simila­
lados da célula, causada pelo campo elé­ res foram desenvolvidas por cientistas em
trico da barreira de potencial. todo o mundo, até que em 1905 o efeito
fotoelétrico, que possui estreita relação
A corrente elétrica produzida pela célula
com o efeito fotovoltaico, foi explicado
fotovoltaica, quando exposta à luz, pode
por Albert Einstein, cientista nascido na
ser usada numa infinidade de aplicações,
Alemanha, em pesquisa que lhe renderia
alimentando aparelhos elétricos, car­
posteriormente o prêmio Nobel.
regando baterias ou fornecendo eletricida­
de para ruas, bairros e cidades nos siste­ Em 1918, o cientista polonês Czochralski
mas conectados à rede elétrica. desenvolveu um método para fabricar
cristais de silício, que são hoje a base da
Uma célula fotovoltaica sozinha produz
indústria de semicondutores para compo­
pouca energia e apresenta uma tensão
nentes eletrónicos e células fotovoltaicas.
elétrica muito baixa, mas várias células
podem ser ligadas em série para fornecer A continuidade das investigações por
uma grande quantidade de energia elétrica outros cientistas levou ao desenvolvi mento
e uma tensão mais elevada. de células fotovoltaicas que tinham inicial­
mente eficiências muito pequenas.
Atualmente as células fotovoltaicas produ­
zidas em larga escala e disponíveis comer-
Células e Módulos Fotovoltaicos 69

Tendo permanecido como curiosidade outros materiais possam fornecer eficiên­


científica durante mais de um século, os cias maiores, o processo de fabricação de
dispositivos fotovoltaicos tiveram grande células de silício é mais simples e barato do
desenvolvimento nas décadas de 1970 a que os de outros materiais.
1990. Inicialmente usado em aplicações
na indústria aeroespacial, o efeito foto­
voltaico posteriormente ganhou força em 3.3 Tipos de células fotovoltaicas
aplicações terrestres para a geração de
energia elétrica. Existem atualmente diversas tecnologias
para a fabricação de células e módulos
Recentemente o interesse por fontes alter­ fotovoltaicos. As tecnologias de células
nativas e limpas de energia tem motivado fotovoltaicas mais comuns encontradas
e impulsionado a pesquisa e o desenvol­ no mercado são a do silício monocrist.ali­
vimento de células fotovoltaicas mais efi­ no, a do silício policristalino e a do filme
cientes e baratas. fino de silício. A seguir serão apresenta­
O silício é o material semicondutor mais das algumas características dessas dife­
usado na fabricação de células e foi o pri­ rentes tecnologias.
meiro comercialmente utilizado. Embo­ O silício empregado na fabricação de
ra existam diversos tipos de materiais, as células fotovoltaicas é extraído do mine­
células solares de silício são atualmente a ral quartzo. O Brasil é um dos principais
tecnologia com maior penetração no mer­ produtores mundiais desse minério, mas a
cado devido ao fato de sua tecnologia de purificação do silício não é feita em nosso
fabricação já estar bem desenvolvida e sua País, assim como a fabricação de células.
matéria-prima ser barata e abundante.
A Figura 3.5 mostra um cristal de quartzo
Por ser um material não tóxico e dispo­ bruto e um bloco de silício ultrapuro, que
nível em abundância em nosso planet.a, podem ser empregados na fabricação de
tem enorme vantagem sobre outros mate­ células fotovoltaicas e na indústria de com­
riais semicondutores. Além disso, embora ponentes eletrónicos semicondutores.

Fonte: Didier Descouens/Wiki Media Commons Fonte: Jurii/Wiki Media Commons


Figura 3.5: Cristal de quartzo (à esquerda) e bloco de silício ultrapuro (à direita).

3.3.1 Silício monocristalino


Blocos de silício ultrapuro, como o mostrado na figura anterior, são aquecidos em altas
temperaturas e submetidos a um processo de formação de cristal chamado método de
Czochralski. O produto result.ante desse processo é o lingote de silício monocristalino mos­
trado na Figura 3.6.
70 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Por último, a célula semiacabada recebe


uma película metálica em uma das faces,
uma grade metálica na outra face e uma
camada de material antirreflexivo na face
que vai receber a luz. O produto final é a
célula fotovoltaica monocrist.alina mostra­
da na Figura 3.8.

Figura 3.6: lingote de silício monocristalino.


Cortesia: Bosch Solar Energy AG.

O lingote de silício monocristalino é cons­


tituído de uma estrutura cristalina única
e possui organização molecular hornogè­
nea, o que lhe confere aspecto brilhante
e uniforme.
O lingote é serrado e fatiado para produ­
zir wafers, que são finas bolachas de silício Figura 3.8: Célula fotovoltaica de silício
monocristalino. Cortesia: Bosch Solar Energy AG.
puro, como a mostrada na Figura 3.7. Os
wafers não possuem as propriedades de
uma célula fotovoltaica. O aspecto de uma célula monocrist.alina é
uniforme, normalmente azulado escuro ou
preto, podendo assumir alguma coloração
diferente dependendo do tipo de trata­
mento antirreflexivo que recebe.
As células de silício monocristalino são as
mais eficientes produzidas em larga escala
e disponíveis comercialmente. Alcançam
eficiências de 15 a 18%, mas têm um custo
de produção mais elevado do que outros
tipos de células. São células rígidas e que­
bradiças, que precisam ser montadas em
módulos para adquirir resistência mecâni­
Figura 3.7: Wafer de silício monocristalino. ca para o uso prático.
Cortesia: Bosch Solar Energy AG.

Os wafers são submetidos a processos quí­ 3.3.2 Silício policristalino


micos nos quais recebem impurezas em O silício policristalino é fabricado por
ambas as faces, formando as camadas de um processo mais barato do que aquele
silício Pe N que constituem a base para o empregado na fabricação do monocris­
funcionamento da célula fotovoltaica. talino. O lingote de silício policristalino é
Células e Módulos Fotovoltaicos 71

formado por um aglomerado de peque­


nos cristais, com tamanhos e orientações
diferentes, cujo aspecto é exibido na
Figura 3.9.

Figura 3.1 O: Células fotovoltaicas de silício


policristalino. Fonte: Bosch Solar Energy AG.
Figura 3.9: Lingote de silício policristalino.
Fonte: Warut Roonguthai/Wiki Media Commons.

3.3.3 Filmes finos


O lingote policrist.alino também é serrado
para produzir wafers, que posteriormente Os filmes finos são uma tecnologia mais
transformam-se em células fotovoltaicas. recente, que surgiu após as tecnologias
As células policrist.alinas possuem apa­ cristalinas já estarem bem desenvolvidas.
rência heterogénea e normalmente são Diferentemente das células cristalinas, que
encontradas na cor azul, mas sua cor pode são produzidas a partir de fat.ias de lingo­
diferir em função do tratamento antirrefle­ tes de silício, os dispositivos de filmes finos
xivo empregado. são fabricados através da deposição de finas
camadas de materiais (silício e outros) sobre
A Figura 3.10 mostra células fotovoltaicas
uma baseque pode ser rígida ou flexível.
policrist.alinas. Observa-se a presença de
manchas em sua coloração devido ao tipo O processo de deposição, que pode ocor­
de silício empregado em sua fabricação. rer por vaporização ou através de outros
métodos, permite que pequenas quantida­
As células de silício policrist.alino têm efi­ des de matéria-prima sejam empregadas
ciências comerciais entre 13 e 15%, ligei­
para fabricar os módulos, além de evitar
ramente inferiores às das células monocris­ os desperdícios que ocorrem na serragem
talinas, entretanto seu custo de fabricação
dos wafers cristalinos, o que torna menor o
é menor do que o das células monocris­ custo desta tecnologia.
talinas e isso compensa a redução de efi­
ciência. As temperaturas de fabricação dos fil­
mes finos est.ão entre 200 e 500°(, em
São células rígidas e quebradiças, que
oposição às temperaturas de até 1500°(
precisam ser montadas em módulos para
necessárias na fabricação de células crista­
adquirir resistência mecânica.
linas. Portanto, além de consumir menos
72 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

matéria-prima, os filmes finos consomem única célula de grande área, tornando-os


menos energia em sua fabricação, tor­ menos sensíveis aos efeitos do sombrea­
nando muito baixo o custo da tecnologia. mento parcial (quando uma parte do
Além disso, a reduzida complexidade de módulo tem a luz obstruída por um obs­
fabricação torna mais simples os processos táculo qualquer). A sombra produzida
automatizados, favorecendo a produção atinge apenas uma pequena parte da célu­
em larga escala. la, result.ando em uma perda menor de
produção de energia. Por outro lado, um
Os dispositivos de filmes finos são produzi­
módulo cristalino que tem a luz obstruída
dos em qualquer dimensão e a única res­
por uma folha de árvore ou a sombra de
trição é a área da base para a fabricação do
um objeto próximo apresenta deterioração
módulo. Por esta razão a distinção entre
da produção de energia mesmo se uma
célula e módulo não existe no caso da tec­
única célula for prejudicada.
nologia de filmes finos. Módulos de filmes
finos, como os mostrados na Figura 3.11, O nome filme fino é usado para designar
são formados por uma grande e única diferentes tecnologias que exist.em atual­
célula fabricada na dimensão do módulo. mente, como o silício amorfo (aSi), o silí­
cio microcrist.alino (µSi), a tecnologia de
Apesar de terem custo relativamente bai­
telureto de cádmio (Cdîe) e a tecnologia
xo, os dispositivos de filmes finos têm baixa
CIGS (cobre-índio-gálio-selênio). As duas
eficiência e necessitam de maior área de
últimas são as mais eficientes e ainda em
módulos para produzir a mesma energia
desenvolvimento, com uma presença pe­
que produzem as tecnologias cristalinas.
quena no mercado.
Uma vantagem frequentemente apontada
para os filmes finos é o melhor aproveita­ Silício amorfo
mento da luz solar para baixos níveis de
A eficiência dos módulos de filmes finos de
radiação e para radiações do tipo difusa.
silício amorfo é muito baixa quando com­
Além disso, o coeficiente de temperatura é
parada com as dos dispositivos cristalinos.
mais favorável, isto é, a diminuição da pro­
A maior desvantagem das células amorfas
dução de energia com o aumento da tem­
consiste na sua baixa eficiência (entre 5 e
peratura é menor do que a verificada com
Bo/o). Sua eficiência diminui durante os pri­
outras tecnologias, portanto os módulos de
meiros 6 a 12 meses de funcionamento,
filmes finos são mais adequados para locais
devido à degradação induzida pela luz, até
com temperaturas elevadas.
chegar a um valor estável. Esta foi a primei­
Os módulos de filmes finos sofrem degra­ ra tecnologia de filme fino desenvolvida.
dação de maneira mais acelerada do que
os cristalinos. Em algumas instalações foto­ Silício microcristalino
voltaicas tem-se observado a degradação
Uma alternativa promissora para o futuro
muito acentuada quando os módulos não
são as células fotovoltaicas de filme fino de
são apropriadamente aterrados, o que
silício cristalino. Apresentam simultanea­
pode ser um aspecto muito inconveniente
mente as vantagens do silício cristalino e
para essa tecnologia.
da tecnologia de fabricação de filmes finos
Outra vantagem dos módulos de filmes (produção em massa, elevada automatiza­
finos é o fato de serem formados por uma ção, desperdício de material reduzido e
Células e Módulos Fotovoltaicos 73

menos energia utilizada na produção). As Cdle e CIGS


células microcristalinas são fabricadas em
As células de telureto de cádmio (Cdîe)
dois processos, um em alt.a temperatura e
e CIGS (cobre-índio-galio-selênio) são as
outro em baixa temperatura.
mais eficientes dentro da família dos filmes
O processo em alt.a temperatura consiste finos, entretanto não alcançaram ainda a
na deposição de filmes de silício de eleva­ produção em larga escala como as outras.
da qualidade sobre um substrato barato a
As células Cdîe enfrentam problemas para
temperaturas situadas entre 900 e 1 OOOºC,
sua produção em larga escala, pois o cád­
criando est.ruturas microcrist.alinas seme­
mio (Cd) é um material tóxico e o telúrio
lhantes à do silício policristalino. A célula
(Te) é um material raro, que não é encon­
resultante desse primeiro processo é clas­
trado em abundância.
sificada como cristalina.
As células CIGS não empregam materiais
O segundo processo, que ocorre em baixas
tóxicos e são mais eficientes do que as
temperaturas, é uma tecnologia de deposi­
células de silício, entretanto seu custo é
ção de filme fino entre 200 e SOOºC. Nes­
muito e elevado e sua aceitação comercial
se processo são produzidas películas de
ainda é pequena.
silício com estruturas microcrist.alinas de
grãos muito finos. As baixas temperaturas
permitem a utilização de materiais baratos
sobre os quais a célula é fabricada (vidro,
met.al ou plástico). Os processos de depo­
sição são similares aos da tecnologia de silí­
cio amorfo. As células microcristal i nas têm
obtido eficiências estáveis de até 8,So/o.

Células híbridas
A célula fotovoltaica híbrida result.a da
Figura 3.11: Módulos fotovoltaicos de filme fino
combinação da célula cristalina conven­ de silício. Cortesia: Bosch Solar Energy AC.
cional com uma célula de filme fino, acres­
cida posteriormente de uma fina camada
de silício sem impurezas, chamada cama­ 3.3.4 Comparação entre as
da intrínseca. diferentes tecnologias
Essa tecnologia não apresenta degradação As diferentes tecnologias e os diversos
da eficiência devido ao envelhecimento materiais empregados na fabricação de
pela exposição à luz, como ocorre nos fil­ células fotovoltaicas levam à obtenção de
mes finos de silício amorfo. Comparadas células e módulos com eficiências maio­
com as células solares cristalinas, a célula res ou menores.
híbrida distingue-se pela maior produção
de energia em elevadas temperaturas. Algumas tecnologias têm custo mais redu­
Além disso, a célula híbrida consome pou­ zido, porém os módulos e as células apre­
ca energia e pouca matéria-prima em sua sentam menor eficiência na conversão da
fabricação, o que torna seu custo atraente. energia solar em eletricidade, consequen­
temente exigindo mais área inst.alada para
a produção de energia.
74 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Tabela 3.1 faz uma comparação entre algumas das tecnologias fotovoltaicas existentes,
mostrando que as células e os módulos de silício mono e policristalino, com a exceção
das células híbridas, são os que apresentam as maiores eficiências de conversão, tanto nas
experiências em laboratório como nos produtos comercialmente disponíveis.

Tabela 3.1: Comparação da eficiência das diversas tecnologias de células fotovoltaicas.

Material da Eficiência da célula Eficiência da Eficiência dos


célula fotovoltaica em laboratório célula comercial módulos comerciais
Silício monocristalino 24,7% 18% 14%
Silicio policristalino 19,8% 15% 13%
Silicio cristalino de filme fino 19,2% 9,5% 7,9%
Silicio amorfo 13% 10,5% 7,5%
Silicio micromorfo 12% 10,7% 9,1%
Célula solar hibrida 20,1% 17,3% 15,2%
CIS, CIGS 18,8% 14% 10%
Telureto de cádmio 16,4% 10% 9%
Dados: Fraunhofer /SE, Universidade de Stuttgart, 26th IEEE PVSC, NREL, UNSW, folhas de dados
de vários fabricantes. Adaptada de "Energia fotovoltaica - Manual sobre tecnologias, projecto e
instalação", Portugal, 2004.

3.4 Módulo, placa ou painel fotovoltaico


A célula fotovoltaica é o dispositivo fotovoltaico básico. Uma célula sozinha produz pouca
eletricidade, então várias células são agrupadas para produzir painéis, placas ou módulos
fotovoltaicos.

Os termos módulo, placa ou painel têm o mesmo significado e são usados indistinta­
mente na literatura para descrever um conjunto empacotado de células fotovoltaicas
disponível comercialmente.

Um módulo fotovoltaico é constituído de um conjunto de células montadas sobre uma


estrutura rígida e conectadas eletricamente. Normalmente as células são conectadas em
série para produzir tensões maiores.
A Figura 3.12 ilustra o modo de conectar células em série. Os terminais superiores de uma
célula são ligados ao terminal inferior da outra e assim sucessivamente, até formar um con­
junto com a tensão de saída desejada.

Figura 3.12: Conexões elétricas em série das células fotovoltaicas de um módulo.


Células e Módulos Fotovoltaicos 75

Os módulos fotovoltaicos de silício cristali­ silício cristalino. O de filme fino tem um


no normalmente encontrados no mercado aspect.o uniforme, pois é formado por uma
produzem entre 50 e 250 W de potência, única célula, enquanto o cristalino é forma­
apresentam tensões máximas de até apro­ do por um conjunto de células discret.as.
ximadamente 37 V e podem fornecer em
torno de 8 A de corrente elétrica. A Figura
3.13 ilustra módulos fotovoltaicos de silício
monocristalino.

Figura 3.14: Módulos fotovoltaicosde filme


Figura 3.13: Módulos fotovoltaicos de silício fino (frente) e de silício cristalino (fundo).
monocristalino. Cortesia: Bosch Solar Energy AG. Cortesia: Bosch Solar Energy AG.

Os módulos de filmes finos são formados A Figura 3.15 mostra como é fabricado um
por uma célula única com as dimensões do módulo solar fotovoltaico típico. As célu­
próprio módulo, em geral encontrados em las e suas conexões elétricas são prensadas
potências em torno de 50 a 1 OO W. Esses dentro de lâminas plásticas. O módulo é
módulos apresentam tensões de saída recoberto por uma lâmina de vidro e por
maiores, de até 70 V aproximadamente, último recebe uma moldura de alumínio.
e são mais difíceis de empregar, pois suas Na parte traseira o módulo recebe uma
correntes de saída são pequenas e exigem
caixa de conexões elétricas, à qual são
um grande número de conjuntos em para­ conectados os cabos elétricos que normal­
lelo para alcançar a produção de energia
mente são fornecidos junto com o módu­
desejada. lo. Os cabos possuem conectores padroni­
A Figura 3.14 ilustra um módulo fotovol­ zados, que permitem a rápida conexão de
taico de filme fino comparado com um de módulos em série.
76 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

1: Vidro
2: Lâmina de plástico
3: Células fotovoltaicas
4: Lâmina de plástico
5: Conexões elétricas
6: Lâmina de suporte
7: Cabos e conectores
8: Caixa de conexões
9: Moldura de alumínio

Figura 3.15: Componentes de um módulo fotovoltaico. Cortesia: Bosch Solar Energy AG.

3.5 Funcionamento e características dos módulos


fotovoltaicos comerciais
A seguir vamos entender o funcionamento dos módulos fotovoltaicos e compreender as
informações disponibilizadas pelos fabricantes nas folhas de dados e catálogos.
Os painéis ou módulos fotovoltaicos são formados por um agrupamento de células conec­
t.adas eletricamente. Uma célula fotovoltaica consegue fornecer uma tensão elétrica de
até aproximadamente 0,6 V. Para produzir módulos com tensões de saída maiores, os
fabricantes conectam várias células em série. Tipicamente um módulo tem 36, 54 ou 60
células, dependendo de sua classe de potência. O modo de conexão das células em série
foi mostrado na Figura 3.12.
A corrente elétrica produzida por uma célula depende da sua área, pois a corrente elétrica
depende diret.amente da quant.idade de luz recebida pela célula. Quanto maior a área,
maior a capt.ação de luz e maior a corrente fornecida. Geralmente os módulos cristalinos
comerciais fornecem em torno de 8 A de corrente elétrica e os módulos de filmes finos
normalmente apresent.am correntes menores, em torno de 2 A.

3.5.1 Curvas características de corrente, tensão e potência


Um módulo fotovolt.aico não se comporta como uma fonte elétrica convencional. O módu­
lo fotovolt.aico não apresent.a uma tensão de saída const.ante nos seus terminais. A tensão
elétrica depende da sua corrente e vice-versa.
Células e Módulos Fotovoltaicos 77

O ponto de operação do módulo fotovoltaico, ou seja, o valor da tensão e da corrente nos


seus terminais, depende do que está conectado aos seus terminais. Se conectarmos um
aparelho que demanda muita corrente, a tensão de saída do módulo tenderá a cair. Por
outro lado, se conectarmos uma carga que demanda pouca corrente, a tensão do módulo
será mais elevada, tendendo à tensão de circuito aberto.
A relação entre a tensão e a corrente de saída de um módulo fotovoltaico é mostrada na
curva I - V da Figura 3.16. Todos os módulos fotovoltaicos possuem uma característica
semelhante. Para cada curva I - V existe uma curva P - V correspondente, como a da Figura
3.17, que mostra como a potência do módulo varia em função de sua tensão.
Observando a Figura 3.16, nota-se a presença de três pontos de destaque na curva I - V:
ponto de corrente de curto-circuito, ponto de máxima potência e ponto de tensão de cir­
cuito aberto.

<,
Corrente de
Ponto de,,;"
curto-circuito
máxima
potência

Tensão de
circuito aberto.._.
Q'--~~~~~~~~~~~~~-=-----'
o
Tensãoelétrica (volts, V]

Figura 3.16: Curva característica I - V de corrente e tensão de um módulo fotovoltaico.

máxima
potência

Tensãode
circuito aberto~

Tensão elétrica (volts, VJ

Figura 3.17: Curva característica P - V de potência e tensão de um módulo fotovoltaico.


78 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Situação 1

~ _'· ....---.

v,

,, Situação 2: lâmpadas em série

v,

Situação 3: lâmpadas em paralelo

v,

Figura 3.18: Módulo solar alimentando lâmpadas em três situações diferentes.

A corrente de curto-circuito é aquela que acontece quando colocamos em curto-circuito


os terminais do módulo. Nesta situação não existe tensão elétrica e a corrente do módulo
alcança o seu valor máximo.
A tensão de circuito aberto é aquela que medimos na saída do módulo quando seus ter­
minais estão abertos, ou seja, quando não existe nada ligado a ele. Esta é a máxima tensão
que o módulo pode fornecer.
Células e Módulos Fotovoltaicos 79

Existe um único ponto nas curvas I - V e fornecer a corrente máxima especificada


P - V que corresponde à situação na qual em seu catálogo (na temperatura de 25ºC).
o módulo fornece a potência máxima.
A corrente máxima que o módulo pode
Idealmente deve-se operar o módulo nes­
fornecer varia proporcionalmente à ir­
se ponto, pois nest.a situação sua produção
radiância. Com pouca luz a corrente forne­
de energia é maior.
cida pelo módulo é muito pequena e sua
Para entender como a tensão e a corrente capacidade de gerar energia é severamen­
do módulo fotovoltaico variam de acordo te reduzida.
com a condição de operação, observe as
A Figura 3.21 mostra como a intensidade
três situações mostradas na Figura 3.18.
da luz solar afeta a curva I - V do módulo
Na primeira situação mostrada na figura fotovoltaico.
existe uma única lâmpada alimentada pelo
módulo. Na segunda situação há três lám­
padas em série, o que significa que a resis­
Situação 3
tência do circuito será maior e as lâmpa­ (V3, /3) Situação 1
das vão exigir menos corrente elétrica. Na (V1, /1)

terceira situação há três lâmpadas ligadas


em paralelo, o que significa que a resistên­
cia do circuito será menor e a o módulo
vai fornecer mais corrente para aliment.ar
essas três lâmpadas.
Em cada uma das três situações o módulo
fornece valores diferentes de tensão, cor­ º~~~~~~~~~~~~~~~
O VJ Tensão elétrica [volts,
rente e potência. As Figuras 3.19 e 3.20
mostram os diferentes pontos de operação Figura 3.19: Pontos de operação do módulo
fotovoltaico ao longo da curva I - V para
ao longo das curvas I - V e P - V de acor­ as três situações de operação mostradas.
do a configuração das lâmpadas ligadas ao
módulo. O módulo somente pode fornecer
valores de tensão, corrente e potência que
estejam de acordo com as curvas. Nenhum
valor fora dessas curvas é possível. Esta é
uma característica bast.ante peculiar dos
módulos fotovoltaicos.

3.6 Influência da radiação solar


A corrente elétrica que o módulo fotovol­
taico pode fornecer depende diretamente
da intensidade da radiação solar que inci­ Tensão elétrica lvolts, VJ
de sobre suas células. Com uma irradiância Figura 3.20: Pontos de operação do módulo
solar de 1000 W/m2 o módulo é capaz de fotovoltaico ao longo da curva P - V para
as três situações de operação mostradas.
80 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

3.7 Influência da temperatura


A temperatura tem influência na tensão que o módulo fornece em seus terminais e conse­
quentemente na potência fornecida. Em temperaturas mais baixas as tensões são maiores e
em temperaturas mais altas as tensões são menores, conforme mostra a Figura 3.22.
A corrente fornecida pelo módulo não se altera com a temperatura. Uma consequência
da variação sobre o módulo fotovoltaico é que, quando a temperatura aumenta, a potên­
cia fornecida pelo módulo diminui, pois a potência é o produto da tensão e da corrente
do módulo.

1000 W/m'

<
.,~"' 700W/m2
,Q)
Q.
E
~
e
·5 400 W/m2
"".,
se.,
~
8 100W/m'

Tensão elétrica lvolts, VJ


Figura 3.21: Influência da radiação solar na operação do módulo fotovoltaico.

ºo Tensão elétrica (volts, VJ


Figura 3.22: Influência da temperatura na operação do módulo fotovoltaico.
Células e Módulos Fotovoltaicos 81

Bosch Solar Module c-Sl M 60 I EUJC!l 7

F:i.bric.:into Compri· L:irgu,-:i, A.ltu1:a Poi.o -t1in;1da do Tipo do (:i,bo SLp~rfioo Nota relativa ä montagem.
1111111\;, (y) .i!:: 5g"',-iu turnad<tdo () liv vid a, "' Cor,sultar o manual de
¡,e¡ ll¡aç:io frenta nontaeem e operação em:
li 16¡;¡,J,O 900,C >L\O - lfJO t.str JIU· www.bostft-scìarenergy.com.
+1?M r~_:i;i ot/produto::.f
x. v. z, I em mm, t2 TI11: œso em kR !+),5 "' =>ossibilidad~ df -n,ntagem
'"lorizortal e vertical
Módulo :iohu crl:-.tallno "' Tensão méxjme do sistema
Cia.. , 4e po,tlnc.la Ui 'Np, 230V/p. Ui Wp,2.fOW~ 1.-1$ Wp >té 1000 V
Gradação de potincb -()(+4.99 VID
ts11'1Jt1Jra LanS'l.icb de vidro,pelicu.la
• Molduradc ah,n,ínio anodiza:1o Comportamento em
.. To'l'lld:'ld611&tçlo(r SS) :xwn3diodc3d~ derîviçlc
• Pelf<:ul:1 poSteri« fe$istenœ tsirtempff"ies (br!ll'Ca) condições de luminosidade
Célul•a iOc::él•lu aol,r11a monoç;rlatelin1a no ÎOM\8.10 de 156 s'\l"'I li !SS Mm
fraca:
r~,e:11 mdni~ .adm~f\•I &~ '•d• ($'8• à ,u;,•rfiel•.2400 P• d•csrso downto,
segurado IEC 01215 (e,,sail) alarg1do! lntars1dide JmJ:p lmpp
[V.Jn11 '.<?:ri>) (%]
Caracterfstlcas elétricas em STC': soo o.e -::!O

Des1gruçao Pn,:,p Vmpp Imp¡, \io, Ise ges stenca a


600 o.e -AO
(Wp) (\IJ IAI [If) (t.) t'llnPntP1ti\f1>,.¡;a ,OO -0,4 -6-0
Ir (.\) m -3,2 -ao
M24S :03 245 30,10 8,20 :;7,7(• 8,70 100 -6.C -~O
M?dO."lR~ ?40 30.ro A.IO ;-!7,4(1 ß/\0 17 os C,tO)Se!ectrlCOS S!IC apl1Clvtl$ a
?5 )(: P. AU l.!i.
r.1235 .:!83 235 zs.so 8,00 37,lC+ 8.SO
M230 ~83 230 29,70 ;',90 $7,0C• 8AO 1;"
M22S 383 225 29,lO r.80 36,fK. 9.30 1:'
RtdU(âo daeflciêrielado OOdulo em case œ diminuição da inter,sídade ele radiação de lOOO V//'n' cara 200\V.'rr'
Caracteristic;)S térmicas:
(e :s ºC); •),33)(,(ob$olvta); tolc,àrY..ledc 'l'ltdçàor ±-3'):,

Caracterlstlcas elétricas em NOCT': 0.)m) dc


ternpe1atu1a$
Ocslsruçlio Pmpp Vmpp V~c tsc r.+Pl!f"~r.ioiais
fM ~ M ~ ccefcier1te ce
r..1245 .!83 lì7 27.0i 3+1.09 6.92 t,,,rnr1>1:ih1r:i
1\1:l:40 ~ts:I li~ :.'ö~tl ~-1.ou l>,84 Prnµµ
M2:lS .:JO) 109 26.01 ~3.89 G,iG COClfcicinto CCI

ltmlJ.'~1atu1<1
"1230 '.383 166 26.76 31,;'9 6,68
Uoc
M225 .!83 162 16.55 33.49 6,60
coet dente ce
NOCT: Nu1111cil 0µ'1;!1,Hiun C~I Îell'IJ'l;fdUll~ 48,4 ·e: i11w11:i,i¡J¡;_\)¡;i ue 141,!ioçd.1.1 800 ,v:rn•. AVI 1,5, l1;111µ111,lUfil 40 ºC,
vetcddece do cento lm/s. ter.são em circuito aberto ,,.
terni:e1atu1a

Oimon&ões••:

• Os perâmeìros elétricos refletem valores médlos lfpicos obtidos com bese em dacios de produção históricos.
A Bosch Solar Energy AG não gaf8Ilte o rigor destes dados em totes de produção futuros •

.... Os desenhos não são ap,osentados à escala. Para obter medidas e tolerâncias pormon0tlzadas, ver acima.

Figura 3.23: Folha de dados dos módulos monocristalinos C-Si M 60. Cortesia: BoschSolar Energy AC.
82 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

3.8 Características dos módulos fotovoltaicos comerciais


3.8.1 Folha de dados
Os fabricantes de módulos fotovoltaicos disponibilizam folhas de dados com características
elétricas, características mecânicas e outras informações relevantes sobre os módulos.
A Figura 3.23 apresentada anteriormente mostra a folha de dados da família de módu­
los fotovoltaicos de silício monocristalino da série e-Si M60 EU30117 da Bosch. A seguir
vamos analisar detalhadamente as informações dessa folha.

3.8.2 Identificação e informações gerais


Tabela 3.2: Informações gerais do módulo fotovoltaico Bosch e-Si M60 EU 30117.

Tipo de Superfície
Compri- Largura Altura Tomadade Cabo
Fabricante Peso tomada de do vidro
mento [xl [y] [z] ligação [I]
ligação frontal
-800
17 1660,0 990,0 50,0 21 Spelsberg MC4 Estruturada
+1200
x, y, z, I em mm, ±2 mm; pesoem kg ±0,5
Módulo solar cristalino
Classesde potência 225 Wp, 230 Wp, 235 Wp, 240 Wp, 245 Wp
Gradação de potência -0/+4,99 Wp
Laminado de vidro-película
,....
Estrutura ,.... Moldura de alumínio anodizado
Tomadade ligação (IP 65) com 3 diodos de derivação
,.... Película posterior resistente às intempéries (branca)
Células 60 células solares monocristalinas no formato de 156 mm x 1 56 mm
5400 Pa de carga à superfície, 2400 Pa de cargo do vento,
Carga mecânica admissível
segundo I EC 6121 5 (ensaio alargado)

A Tabela 3.2 mostra informações gerais sobre o módulo, indicando inicialmente as clas­
ses de potência existentes nest.a família. Os fabricantes geralmente oferecem módulos de
potências próximas. Trata-se do mesmo produto, porém com ligeiras variações na potência
máxima de saída.
O modelo geral do módulo, neste exemplo, é o e-Si M60 e esse fabricante disponibiliza os
submodelos de 225 W, 230 W, 235 W, 240 We 245 W. A sigla do modelo indica que se
trata de um módulo de silício cristalino (e-Si), com 60 células monocrist.alinas (M60).

Em seguida a tabela apresenta informações relativas à estrutura e aos materiais empregados


na fabricação, quantidade de células existentes e dados sobre a resistência mecânica. As
informações disponibilizadas podem variar de um fabricante para outro.
Na parte de informações gerais da folha de dados também se encontram as dimensões
(largura, altura e espessura) do módulo, o peso, o tipo de material que recobre o módulo
(vidro, neste exemplo) e o tipo de conector disponível para as conexões elétricas (nesse
produto usam-se conectores do tipo MC4, estudados mais adiante).
Células e Módulos Fotovoltaicos 83

As dimensões físicas indicadas na Tabela 3.2 são explicadas na Figura 3.24, também encon­
tradas na folha de dados.

y±2
¡..

I I
K

-
î t

Figura 3.24: Aspecto do módulo e desenho com cotas das dimensões.

3.8.3 Características elétricas em STC


Uma das partes mais import.antes da folha de dados do módulo fotovoltaico é a tabela de
características elétricas em STC.
A sigla STC (Standard Test Conditions) refere-se às condições padronizadas de teste do
módulo.Todos os fabricantes de módulos fotovoltaicos realizam testes nas mesmas condi­
ções, que são padronizadas por organismos internacionais de certificação. Assim, é possível
comparar módulos de diversos fabricantes de acordo com os mesmos critérios.

A condição padrão de teste (STC) considera irradiãncia solar de 1000 W/m2 e a tempe­
ratura de 25ºC da célula solar. Est.a condição é produzida em laboratório, dentro de uma
câmara climática que possui um sistema preciso de controle e medição de iluminação e
de temperatura.
A Tabela 3.3 mostra as características elétricas nestas condições para a família de módulos
Bosch e-Si M60. A seguir vamos entender o que significa cada item especificado na tabela.

Tabela 3.3: Características elétricas em STC do módulo fotovoltaico Bosch e-Si M60.

Resistência
Pmpp Vmpp lmpp Voe Ise
Designação à corrente
[WpJ M [AJ M [AJ
inversa Ir [A]
M245 388 245 30,10 8,20 37,70 8,70 17
M240 388 240 30,00 8,10 37,40 8,60 17
M235 388 235 29,90 8,00 37, 1 O 8,50 17
M230 388 230 29,70 7,90 37,00 8,40 17
M225 388 225 29,40 7,80 36,90 8,30 17
Redução da eficiência do módulo em caso de diminuição da intensidade de radiação de 1000 W/m2 para
200 W/m2 (a 25ºC): -0,33% (absoluta); tolerância de medição P ::!:3o/o
84 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Tensão de circuito aberto (V0e) Evidentemente não existe nenhuma utili­


dade em fazer um curto-circuito no módu­
A tensão de circuito aberto, simbolizada lo fotovoltaico. A informação da corrente
como Voc (OC = Open Circuit) na literatu­
de curto-circuito é útil para auxiliar no
ra técnica internacional de sistemas fotovol­ dimensionamento dos sistemas fotovoltai­
taicos, é o valor da tensão elétrica, medida
cos e na especificação dos equipamentos
em volts [VJ, que o módulo fornece nos seus e acessórios ligados ao módulo, pois indi­
terminais quando estão abertos.
ca a máxima corrente que o módulo pode
fornecer quando recebe 1000 W/m2 de
+ radiação solar. O valor da corrente de cur­
to-circuito é a corrente máxima, em qual­
quer hipótese, que o módulo vai fornecer
nessa condição.

Corrente elétrica


de curto-circuito

Figura 3.25: Tensão de circuito aberto


do módulo medida por um voltímetro.

Em outras palavras, Voc é a tensão medida


por um voltímetro quando não existe nada
ligado ao módulo ou quando não existe
corrente elétrica circulando pelo módulo, Figura 3.26: Corrente de curto-circuito
como mostra a Figura 3.26. do módulo medida por um amperímetro.

A informação sobre a tensão de circuito


aberto é importante para o dimensiona­ Tensão de máxima potência (VMP)
mento de um sistema fotovoltaico, pois o
projeto de um sistema deve respeitar as A tensão de máxima potência VMP é o
tensões máximas dos inversores, baterias, valor da tensão nos terminais do módulo
controladores de carga e outros compo­ quando fornece sua potência máxima na
nentes que são ligados aos módulos foto­ condição padronizada de teste. Ou seja, é
voltaicos. a tensão do módulo no ponto de máxima
potência mostrado nas curvas I - V e P - V
das Figuras 3.16 e 3.17 respectivamente.
Corrente de curto-circuito (15e)
A corrente de curto-circuito do módulo Corrente de máxima potência (IMP)
fotovoltaico, simbolizada como I (SC =
Short Circuit), medida em ampères (A), é Analogamente, a corrente de máxima
a corrente elétrica que o módulo consegue potência é o valor da corrente nos ter­
fornecer quando seus terminais estão em minais do módulo quando fornece sua
curto-circuito. potência máxima na condição padroniza-
Células e Módulos Fotovoltaicos 85

da de teste. Ou seja, é a corrente do ponto A eficiência de conversão r¡ de um módu­


de máxima potência mostrado nas curvas lo fotovoltaico pode ser calculada com a
I - Ve P- V das Figuras 3.16 e 3.17 res­ seguinte expressão:
pectivamente.

Potência de pico ou máxima potência (PMP) TJp = Ap x1000

A potência de pico é a máxima potência


Em que PMÁX é a potência máxima ou
que o módulo pode fornecer na condição
padronizada de teste (STC). Ou seja, é o de pico do módulo [W] e AP é a área do
valor da potência no ponto de máxima módulo (m2) calculada a partir das dimen­
potência mostrado nas curvas I - V e P - V sões fornecidas na folha de dados.
das Figuras 3.16 e 3.17 respectivamente. Na fórmula apresentada o número 1000
O valor da máxima potência correspon­ corresponde à taxa de radiação solar
de à multiplicação da corrente de máxi­ padronizada de 1000 W/m2 em STC.
ma potência (IMP) pela tensão de máxima
potência (VMP ). Exemplo de cálculo da eficiência de um
módulo fotovoltaico
Eficiência do módulo (r¡) O módulo Bosch M2403BB de 240 W
Critérios de teste padronizados são possui os seguintes dados informados em
empregados pelos organismos de certi­ sua folha de dados:
ficação nacionais e internacionais para PMÁX = 240 W (potência de pico em STC)
a avaliação dos módulos antes de serem
lançados no mercado. AP= 0,99 mx 1,66 m = 1,6434 m2 (área
do módulo)
No Brasil os módulos fotovoltaicos são
avaliados e certificados pelo I NM ETRO Então a eficiência de conversão do mó­
(Instituto Nacional de Metrologia, Quali­ dulo é:
dade e Tecnologia) através de seus labo­ r¡ = 240/1000/1,6434 = 0,146 = 14,6%
ratórios credenciados.
Após os testes, recebem um selo do Pro­ Resistência à corrente inversa
grama Nacional de Conservação de Ener­ A especificação de resistência à corrente
gia Elétrica (PROCEL), o qual atestaa classe inversa fornecida pelo fabricante diz res­
de eficiência do módulo. Os módulos e-Si peito à corrente elétrica que o módulo
M60 da Bosch, cuja folha de dados é mos­ pode suportar no sentido contrário, ou
trada na Figura 3.23, recebem a classifica­ seja, a corrente que entra em seu terminal
ção máxima de eficiência do INMETRO. positivo e sai pelo seu terminal negativo.
Alguns fabricantes mencionam em suas Em operação normal, o módulo fotovoltai­
folhas de dados a eficiência do módulo. co é um fornecedor de energia, portanto o
Mesmo quando essa informação não está sentido normal da corrente elétrica é saindo
explícita, é possível identificar a eficiência do terminal positivo e entrando pelo termi­
do módulo a partir das suas características. nal negativo, como mostra a Figura 3.27.
86 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

+
..
Sentido da corrente
I elétrica durante a
T operação normal do
módulo fotovoltaico

Figura 3.27: Polaridade da corrente do módulo fotovoltaico em operação normal.

Corrente
inversa

+ +

Painel recebendo corrente inversa


..
Corrente
inversa Painel em funcionamento normal

Figura 3.28: Módulo fotovoltaico recebendo corrente no sentido inverso.

A Figura 3.28 mostra o que acontece quando dois módulos estão conectados em paralelo
e um deles recebe menos radiação solar do que o outro. O módulo iluminado fornece
corrente elétrica para o módulo escurecido, forçando a corrente no sentido da polaridade
inversa, ou seja, entrando pelo terminal positivo e saindo pelo negativo.
Est.a é uma situação que pode provocar a danificação do painel caso a corrente reversa
exceda o limite máximo especificado na folha de dados. Esta situação pode ocorrer em sis­
temas fotovoltaicos que possuem grandes conjuntos de módulos conectados em paralelo.

3.8.4 Características elétricas em NOCT


A folha de dados do módulo fotovoltaico também fornece a tabela de características elé­
tricas na condição de NOCT, que representa a temperatura normal de operação da célula
(NOCT = Normal Operation Cell Temperature).
Células e Módulos Fotovoltaicos 87

A tabela indica as tensões, correntes e potências do módulo em condições reais de opera­


ção, com temperatura da célula de 48,4°( e taxa de radiação solar de 800 W/m2.
Os valores obtidos na condição de NOCT são mais próximos do funcionamento real do
módulo fotovoltaico e mostram quanta energia ele realmente vai produzir.
O valor de 48,4°( foi adotado pelos fabricantes e pelos organismos internacionais de nor­
matização e certificação, pois esta é a temperatura média de uma célula solar quando
a temperatura do ar é de 20°(. Na realidade a temperatura pode ser maior ou menor,
variando de um tipo de célula para outro, mas este valor foi adotado mundialmente como
referência para os testes em NOCT cujos resultados são indicados nas folhas de dados.

Tabela 3.4: Características elétricas em NOCT do módulo fotovoltaico Bosch e-Si M60.

Designação Pmpp [W] VmppM vocM Ise [A]


M245 3BB 177 27,07 34,09 6,92
M240 3BB 173 26,98 34,00 6,84
M235 3BB 169 26,87 33,89 6,76
M230 3BB 166 26,76 33,79 6,68
M225 3BB 162 26,55 33,49 6,60
NOCT: Normal Operation Cell Temperature48,4ºC: intensidade de radiação 800 W/m2,
AM 1,5, temperatura 20ºC, velocidade do vento 1 m/s, tensão em circuito aberto.

3.8.5 Características térmicas


As características térmicas indicadas pela folha de dados mostram como o módulo se com­
porta diante de variações de temperatura.

Tabela 3.5: Características térmicas do módulo fotovoltaico Bosch e-Si M60.

Gama de temperaturas operacionais -40°Ca 85°C


Coeficiente de temperatura Pmpp -0,46%/K
Coeficiente de temperatura Voc -0,32%/K
Coeficiente de temperatura 'se 0,032%/K

Na Tabela 3.5 a primeira informação é sobre a faixa de temperatura de operação, de -40°(


a 85ºC, na primeira linha.
Em seguida é apresentado o coeficiente de temperatura de potência, que mostra a redução
de potência (em porcentagem) para cada grau de aumento de temperatura.
A terceira linha da tabela mostra o coeficiente de temperatura de tensão, que indica a
redução da tensão de saída do módulo (em porcent.agem) para cada grau de aumento de
temperatura.
Por último a tabela indica o coeficiente de temperatura de corrente, que most.ra quanto a
corrente aumenta (em porcentagem) para cada grau de aumento de temperatura.
88 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

3.9 Conjuntos ou arranjos rede elétrica, que operam com tensões


mais elevadas.
fotovoltaicos
Conjuntos de módulos em paralelo são
Os sistemas fotovoltaicos podem empregar comuns em sistemas fotovoltaicos autóno­
um grande número de módulos conecta­ mos, que operam com tensões baixas.
dos em série ou em paralelo para produzir Para aumentar a potência do sistema, con­
a quantidade de energia elétrica desejada. juntos de módulos em série podem ser
Um agrupamento de módulos é denomi­ acrescentados em paralelo, situação tam­
nado arranjo ou conjunto fotovoltaico. Na bém mostrada na Figura 3.30.
literatura em língua inglesa encontra-se Os conjuntos de módulos em série rece­
o termo array para definir um conjunto bem o nome de strings. Este termo é em­
de módulos. pregado com muita frequência no estu­
A Figura 3.29 ilustra um arranjo fotovoltai­ do de sistemas fotovoltaicos conectados à
co empregado num sistema fotovoltaico rede, como será visto no capítulo dedica­
conectado à rede elétrica. do a esses sistemas.

3.9.1 Conexão de módulos em série


Quando os módulos são conectados em
série, conforme visto na Figura 3.30, a
tensão de saída do conjunto corresponde
à soma da tensão fornecida por cada um
dos módulos. A corrente que circula pelo
conjunto é a mesma em todos os módulos.
A Figura 3.31 ilustra a característica I - V
de um conjunto de dois módulos em série.
Figura 3.29: Conjunto de módulos
fotovoltaicos. Cortesia: Bosch Solar Energy AC.
O formato da curva do conjunto é seme­
lhante ao da curva de um único módulo.
A tensão de circuito aberto do conjunto
A Figura 3.30 ilustra os modos de ligação
(2 x V0c) é a soma das tensões de circui­
de módulos em série e paralelo. Conjun­
to aberto dos módulos individuais (Voc) e
tos com mais de dez módulos em série
a corrente de curto-circuito Ose) é igual à
são comuns em sistemas conectados à
corrente de um módulo individual.
Células e Módulos Fotovoltaicos 89

I
+ +­

v,

..__ l=l,+12
V=V,+V2
+
+

t t
V2
V ,, '2

Conjunto de módulos em série Conjunto de módulos em paralelo

..__ /=/1+/2

v, v,

t t
V=V,+V2
,, ,,
_. _ +

-~--··-
.-
+

_. _
•••
v, -·-
..==·..
t
v, -~]=••••.···~. -
1111

t:lll

Conjunto de módulos em série e paralelo

Figura 3.30: Modos de ligação de conjuntos de módulos em série e paralelo.

3.9.2 Conexão de módulos em paralelo


Quando módulos são conectados em paralelo, conforme visto na Figura 3.30, a tensão de
saída do conjunto é a mesma tensão fornecida por um módulo individual. Por outro lado,
a corrente fornecida pelo conjunto é a soma das correntes dos módulos do conjunto.
90 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Figura 3.32 ilustra a característica/ - V de um conjunto de dois módulos em paralelo. O


formato da curva do conjunto é semelhante ao da curva de um único módulo. A tensão
de circuito aberto do conjunto (V0c) é a mesma tensão de um módulo individual (V0c),
mas a corrente de curto-circuito da curva resultante (2 x l5c) é o dobro da corrente de um
módulo individual.

~ .. Curva característica
,Q)
a. do conjunto de dois
E módulos em série
.!!!.
e Ise ¡
'.E
•Q) '
õi '
~ •
e •
~ .>:
8 Curva característicade-
um módulo individual ',

Tensão elétrica (volts, VJ


Figura 3.31: Característica I - V de um conjunto de dois módulos em série.

2xlsc

Curva característica
...---- do conjunto de dois
módulos em paralelo

Ise
~
e - .
õi '

/. •
Curva característica de
um módulo individual

Voc
o~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O Tensãoelétrica [volts, VJ

Figura 3.32: Característica I - V de um conjunto de dois módulos em paralelo.


Células e Módulos Fotovoltaicos 91

3.9.3 Conexão de módulos em série e paralelo


Quando módulos são conectados em série e depois em paralelo, conforme visto na Figura
3.30, a tensão de saída e a corrente fornecida pelo conjunto são somadas, como se observa
na curva/ - V resultante do conjunto mostrada na Figura 3.33.

2xlsc ' •
._ Curva caracterfstica
< do conjunto de dois
módulos em paralelo
~
'8.. e dois em série
E
~ Ise :
~ ~--·-······=:·r---------
'"'-.;·.5 '
.••• .•l '
'•
2e
~
/"
ß"

Curva característica de;:


.
8 um módulo individual •



• 2xV0c
~Voe
Tensão elétrica (volts, v)

Figura 3.33: Característica I - V de um conjunto de quatro módulos conectados em série e em paralelo.

3.1 O Sombreamento de módulos cuidadosamente escolhida para que não


ocorram sombras sobre suas superfícies.
fotovoltaicos
O efeito do sombreamento acontece quan­
Um módulo fotovoltaico sujeito a uma do uma ou mais células recebem pouca ou
sombra causada por um obstáculo pode nenhuma luz, impedindo a passagem da
deixar de produzir energia mesmo se ape­ corrente elétrica das outras células. O mes­
nas uma de suas células estiver recebendo mo efeito acontece em módulos conecta­
pouca luz. dos em série. Se um dos módulos de um
conjunto estiver recebendo menos luz do
Como sabemos, a intensidade da corren­ que os demais, a corrente elétrica de todo
te elétrica de uma célula fotovoltaica é o conjunto é reduzida e consequentemen­
diretamente proporcional à intensidade te o sistema produz menos energia.
da radiação que incide sobre ela. Se uma
célula tiver pouca ou nenhuma luz, sua Vamos entender o efeito do sombreamen­
corrente torna-se muito pequena ou nula. to analisando inicialmente a Figura 3.34,
que ilustra uma fileira de células conecta­
Por estarem conectadas em série, as célu­ das em série, representando um módulo
las de um módulo fotovoltaico dependem fotovoltaico. Neste caso todas as células
umas das outras para produzir corrente. O recebem a mesma quantidade de luz e a
efeito do sombreamento é bastante preju­ corrente elétrica flui normalmente pelos
dicial aos sistemas fotovoltaicos. A locali­ terminais do módulo.
zação dos módulos fotovoltaicos deve ser
92 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

o o
--{) ( J ( J ( }-+
Corrente elétrica
Figura 3.34: Módulo fotovoltaico: funcionamento normal.

Na Figura 3.35 o mesmo conjunto tem a passagem de luz de uma das células obstruída.
Como a corrente elétrica da célula fotovoltaica depende da quantidade de luz, a corrente
produzida pela célula obstruída é muito pequena ou zero. O problema neste caso é que a
célula que produz pouca corrente acaba limit.ando a corrente das outras células, pois estão
ligadas em série. Desta forma o funcionamento de todo o módulo pode ser prejudicado
apenas por uma obstrução de luz causada por uma pequena sombra. Isso é muito comum
nos sistemas fotovoltaicos inst.alados perto de prédios, árvores e outros obstáculos que
podem prejudicar a passagem da luz.

- - -

- -{""") ("") (,, ) e


' ' '
Z ::;;:: Z ~ 7, N

)( ~
Corrente elétrica interrompida

Figura 3.35: Módulo fotovoltaico com sombra em uma célula (sem diodo de bypass).

Para minimizar o efeito do sombreamento nos módulos fotovoltaicos, os fabricantes adicio­


nam diodos de bypass (ou de passagem) ligados em paralelo com as células. O ideal seria
exist.ir um diodo para cada célula do módulo, mas isso teria um custo muito alto e tornaria
difícil a fabricação dos módulos. Os fabricantes usam um diodo para um grupo com um
certo número de células, como mostra a Figura 3.36.

Corrente elétrica l Corrente desviada


î
Diodo de bypass despolarizado Diodo de bypass polarizado

Figura 3.36: Módulo fotovoltaico com sombra em uma célula (com diodo de bypass).
Células e Módulos Fotovoltaicos 93

Com o uso do diodo de bypass, mesmo que uma das células esteja escurecida e produ­
zindo pouca corrente, as outras células do módulo podem continuar produzindo corrente,
pois a corrente da célula problemática é desviada pelo diodo em paralelo. Não é uma
solução ideal, mas melhora a produção de energia do módulo fotovoltaico em caso de
sombreamento ou escurecimento parcial de suas células.
Na Figura 3.37 vemos a diferença entre os comportamentos de um conjunto de células
com diodo de bypass e sem diodo. A curva maior mostra a característica I - V do conjunto
sem a presença de sombreamento, ou seja, quando todas as células estão iluminadas igual­
mente. Neste caso os diodos de bypass, mesmo se estiverem presentes, não têm função.

< Curva característica com Curva característica


~- pouca luz em algumas / com as quatro células
-~ células e com diodos -...... recebendo iluminação
E homogênea (neste caso
.!!!.
os diodos não têm efeito)
Cl
·.5
,o,
õi Curva caracterfstica com
.Sl pouca luz em algumas
e
~ células e sem diodos
8 ............ 1:. ::,.,...---

Tensão elétrica [volts, VJ

Figura 3.37: Resultado do sombreamento na característica/ - V do módulo.

A curva menor e tracejada mostra o com­ é máxima, ou seja, é a corrente fornecida


portamento do conjunto com sombrea­ pelas células que recebem normalmente
mento de uma de suas células e sem a a radiação solar.
presença de diodos de bypass. Observa-se
A partir de um certo valor de tensão os
que a corrente do conjunto é limitada pela
diodos de bypass são despolarizados e a
célula problemática.
corrente do módulo é limidada ao valor
A curva intermediária mostra o comporta­ da corrente que as células problemáticas
mento do conjunto na presença de som­ podem fornecer. Embora os diodos de
breamento e com a presença de diodos bypass não sejam uma solução excelen­
de bypass. Neste caso observa-se que te, permitem que pelo menos parte da
até uma certa faixa de tensão o diodo de capacidade de fornecimento de corrente
bypass da célula defeituosa está em ope­ do módulo seja normalizada em algumas
ração e a corrente fornecida pelo módulo regiões da sua curva I - V característica.
94 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

3.11 Conexões elétricas nais elétricos padronizados para sistemas


fotovolt.aicos. Os cabos elétricos geralmen­
te são fornecidos pelos fabricantes junto
Caixa de junção com os módulos.
Os módulos fotovoltaicos comerciais apre­ Os cabos que acompanham os módulos
sentam uma caixa de conexões, geralmente de fábrica têm comprimentos adequados
denominada caixa de junção, em sua parte para que os módulos possam ser coloca­
traseira, como a ilustrada na Figura 3.38. dos lado a lado e conectados em série para
A caixa de junção recebe os terminais das formar strings em conjuntos fotovolt.aicos.
conexões elétricas das células fotovoltaicas Os cabos elétricos empregados nos módu­
e aloja os diodos de bypass do módulo. Na los fotovoltaicos e nas instalações fotovol­
parte externa, os cabos elétricos de cone­ taicas em geral devem ter características
xão do módulo são conectados à caixa de especiais, próprias para aplicações nesse
junção através de dois conectores exter­ segmento.
nos, que podem ser vistos na Figura 3.38.
Os sistemas fotovolt.aicos geralmente tra­
As caixas de conexões dos módulos foto­ balham com tensões de corrente contínua
voltaicos comerciais normalmente são mais elevadas do que as tensões de corren­
seladas e resinadas e o usuário não tem te alternada encontradas nas instalações
acesso ao seu conteúdo. elétricas convencionais, principalmente os
sistemas fotovoltaicos conectados à rede
elétrica.
Além disso, nas instalações fotovolt.aicas
os cabos normalmente ficam sujeitos a
intempéries e radiação solar excessiva, o
que exige cabos elétricos com característi­
cas específicas para evit.ar ressecamento e
deterioração acelerada.
A Figura 3.39 ilustra uma linha industrial de
cabos para aplicações fotovoltaicas. Suas
característic.as são descritas na Tabela 3.6.
Figura 3.38: Caixa de junção usada na parte traseira
de um módulo fotovoltaico, contendo as conexões
elétricas e diodos de bypass. Cortesia: Eudora Solar.

Cabos elétricos
O acesso à eletricidade do módulo fotovol­
t.aico dá-se através de dois cabos elétricos Figura 3.39: Cabos fotovoltaicos Flex-Sol.
conectados à caixa de junção e com terrni- Cortesia: Multi-Contact.
Células e Módulos Fotovoltaicos 95

Tabela3.6: Características dos cabos Flex-Sol, próprios para aplicações fotovoltaicas.


Fonte: Solar Line Catalog, Multi-Contact, Stäubli Croup.

Características elétricas
Tensão nominal Máxima: 1,8 kVcc
1,5 mm2: 30A/2,5 mm": 41
Corrente de trabalho 4,0 mm2: 55 A I 6,0 mm2: 70 A
1 O mm 2: 98 A
Tensão de trabalho 1,0 kVcc
Características térmicas e mecânicas
Temperatura ambiente -40°C a +90°C
Alta resistência contra incêndio + 120° (por mais de 20.000 horas)
Vida útil 25 anos
Flexivel em baixas temperaturas Sim
Resistente à abrasão Sim
Resistência a intempéries
Radiação ultravioleta, ozônio,
Resistente a:
hidrólise, ácidos, óleos

Conectores Na Figura 3.40 observa-se um conjunto


complet.o de conexões elétricas exter­
Na prática a conexão de módulos fotovol­
nas empregado em módulos fotovoltai­
taicos em série é feit.a com os conectores
cos, com caixa de junção, cabos elétricos
que já são fornecidos com os módulos,
positivo e negativo e conectores macho e
bastando conectar o terminal positivo de
fêmea do tipo MC4.
um módulo ao terminal negativo do outro.
As conexões em paralelo são feitas com
conectores auxiliares ou com caixas de
strings (string boxes), que serão abordadas
posteriormente.
As figuras a seguir ilustram alguns tipos de
conectores específicos para sistemas foto­
voltaicos encontrados no mercado. Os
conectores MC3 e MC4 foram desenvol­
vidos especialmente para aplicações foto­
Figura 3.40: Caixa de junção fornecida de fábrica
voltaicas e tornaram-se padrões mundiais. com cabos fotovoltaicos e conectores macho e
fêmea do tipo MC4. Cortesia: Multi-Contact.
Atualmente os conectores MC4 passaram
a ser adotados pela maior part.e dos fabri­
cantes de módulos fotovoltaicos, pois con­ A Figura 3 .41 apresenta a família de conec­
ferem maior segurança às conexões elétri­ tores MC4, os quais são empregados nos
cas através de seu sistema de travamento, cabos fornecidos com os módulos foto­
que impede que a conexão seja facilmente voltaicos e também podem ser usados na
interrompida, a menos que uma trava seja confecção de cabos para instalações foto­
pressionada pelo usuário. voltaicas em geral. Através de ferramentas
96 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

apropriadas, que são fornecidas pelo fabricante dos conectores, o usuário pode confeccio­
nar cabos com as características necessárias para a sua aplicação.

Na Figura 3.41 são apresentados conectores auxiliares que permitem a ligação de módulos
fotovoltaicos em paralelo. São ideais para pequenos sistemas fotovoltaicos e permitem dis­
pensar a confecção de um quadro elétrico para conexões entre vários módulos paralelos.

Conector macho Conector para ligação paralela


uma conexão fêmea e duas conexões macho

Conector fêmea Conector para ligação paralela


uma conexão macho e duas conexões fêmea

Figura 3.41: Família de conectores MC4.


Cortesia: Multi-Contact.

A Figura 3.42 ilustra conectores com funções semelhantes às dos conectores mostrados
anteriormente, porém estes são da família MC3, que tende a desaparecer do mercado,
pois atualmente os conectores MC4 tornaram-se o padrão da indústria fotovoltaica. Os
conectores MC3 não possuem sistema de travamento para impedir a interrupção acidental
das conexões elétricas.
Células e Módulos Fotovoltaicos 97

Conector macho Conector para ligação paralela


uma conexão fêmea e duas conexões macho

Conector fêmea Conector para ligação paralela


uma conexão macho e duas conexões fêmea

Figura 3.42: Família de conectores MC3. Cortesia: Multi-Contact.

Exercícios
1. Explique como funciona o efeito 7. Quais são os componentes de um
fotovoltaico. módulo fotovoltaico comercial?

2. Qual é a matéria-prima para a fabri­ 8. O que significa a curva característica


cação de células fotovoltaicas? de tensão e corrente de um módulo
fotovoltaico?
3. O que é um lingote? E um wafer?
9. Explique cada uma das característi­
4. Quais são os principais tipos de célu­ cas elétricas de um módulo fotovol­
las fotovoltaicas existentes? taico comercial.
S. Cite as principais diferenças entre os 1 O. Explique as condições de teste STC
módulos monocristalinos, policrista­ e NOCT.
linos e de filmes finos.
11 . O que acontece com a tensão de saí­
6. Explique a diferença entre módulo, da de um módulo fotovoltaico quan­
placa e painel fotovoltaico. do a temperatura aumenta?
98 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

12. Qual é o fator que influencia a inten­ 16. O que são e para que servem os dio­
sidade da corrente elétrica fornecida dos de bypass?
pelo módulo fotovoltaico?
17. O que é uma caixa de junção?
13. O que é a corrente inversa do módu­
18. Quais os tipos de conectores para
lo fotovoltaico?
instalações fotovolt.aicas citados no
14. Como os módulos fotovoltaicos po­ texto e qual deles é o mais emprega­
dem ser conect.ados em série e em do atualmente?
paralelo?
19. Cite algumas característicasespeciais
15. O que acontece quando uma som­ dos cabos elétricos empregados nas
bra incide sobre um módulo fotovol­ instalações fotovolt.aicas.
taico?
20. Calcule as eficiências dos módulos
Bosch e-Si M60 EU30117 com as
informações encontradas em sua
folha de dados.
Sistemas Fotovoltaicos
Autônomos

4.1 Aplicações dos sistemas fotovoltaicos


autônomos
Os sistemas fotovoltaicos autônomos, também chamados sistemas
isolados, são empregados em locais não atendidos por uma rede
elétrica. Podem ser usados para fornecer eletricidade para residên­
cias em zonas rurais, na praia, no camping, em ilhas e em qualquer
lugar onde a energia elétrica não esteja disponível.

Sistemas autônomos também encontram aplicação na iluminação


pública, na sinalização de estradas, na alimentação de sistemas de
telecomunicações e no carregamento das baterias de veículos elétri­
cos. Podem ser usados para fornecer eletricidade para veículos ter­
restres e náuticos e para um número infinito de aplicações, desde
pequenos aparelhos eletrônicos portáteis até sistemas aeroespaciais.

Muitos lugares do Brasil não são atendidos por rede elétrica. Nesses
locais um sistema fotovoltaico autônomo pode ser empregado para
substituir geradores movidos a diesel, com a vantagem da redução
de ruídos e poluição.

Em locais como fazendas, ilhas e comunidades isoladas na Amazô­


nia, por exemplo, um sistema fotovoltaico pode ser a melhor opção
para a geração local de eletricidade. Os sistemas fotovoltaicos exi­
gem pouca manutenção, são silenciosos, ecológicos e não precisam
de abastecimento de combustível.

As figuras apresentadas em seguida ilustram diversos exemplos de


aplicações de sistemas fotovoltaicos.
100 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Figura 4.4: Aparelhos eletrônicos portáteis são


exemplos de sistemas autônomos, como a
calculadora alimentada por duas pequenas
Figura 4.1: Sistema de sinalização marítima alimen­ células fotovoltaicas. Fonte: Stockxchng.
tado por células fotovoltaicas. Fonte: Stockxchng.

Figura 4.5: Carregador de celular portátil


alimentado por uma célula fotovoltaica.
Fonte: Shutterstock.
Figura 4.2: À esquerda, um sistema fotovoltaico
usado para recarregar a bateria de um veículo elé­
trico. Fonte: Shutterstock. À direta, um parquímetro
alimentado por um pequeno módulo fotovoltaico.
Fonte: Georg Slickers/Wiki Media Commons.

Figura 4.6: Postes de iluminação autônomos


alimentados por módulos fotovoltaicos.
Fonte: Shutterstock.

Figura 4.3: Módulos fotovoltaicos são


empregados para fornecer eletricidade a
sistemas autônomos de sinalização e de
telecomunicações. Fonte: Stockxchng.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 101

Figura 4.7: Embarcação eletrificada


com um sistema fotovoltaico autónomo.
Fonte: Magnus Manske/Wiki Media Commons.

Figura 4.1 O: Estação meteorológica alimentada


por um módulo fotovoltaico. Fonte: Shutterstock.

• .. • • - • ~ ••• 1 '
A • • • • > < • • • .. t

::;;;::::::1
•••• + •••••• ;

Figura 4.8: Sistemas fotovoltaicos fornecem


eletricidade em aplicações aeroespaciais.
Fonte: Shutterstock.

Figura 4.11: Sistema portátil de energia fotovoltaica.


Fonte: US Army/Wikimedia Commons.

Figura 4.9: Kit autónomo de energia fotovoltaica.


Fotos: Eng. João Adalberto Pereira.
Cortesia: Eudora Solar.

Figura 4.12: Sistema autónomo de bombeamento


de água alimentado por um módulo fotovoltaico.
Foto: Eng. João Adalberto Pereira.
Cortesia: Eudora Solar.
102 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

a aplicação, um inversor de tensão contí­


nua para tensão alternada.
Os módulos fotovoltaicos produzem ener­
gia na forma de corrente e tensão contí­
nuas e para algumas aplicações é neces­
sário converter essa energia em tensão e
corrente alternadas através do inversor.
Em aplicações que requerem baterias deve
ser empregado um controlador de carga,
que é um carregador de bateria específico
Figura 4.13: Estação autônoma de recarga de veícu­ para aplicações fotovoltaicas.
los elétricos alimentada por módulos fotovoltaicos.
Fonte: Tatmouss/Wikimedia Commons. O controlador de carga é usado para
regular a carga da bateria e prolongar sua
vida útil, protegendo-a de sobrecargas
4.2 Componentes de um sistema ou descargas excessivas. Alguns modelos
fotovoltaico autônomo de controladores ainda têm a função de
maximizar a produção de energia do pai­
Um sistema fotovoltaico autónomo é nel fotovoltaico através do recurso deno­
geralmente composto de uma placa ou um minado MPPT (Maximum Power Point
conjunto de placas fotovoltaicas, um con­ Tracking - rastreamento do ponto de máxi­
trolador de carga, uma bateria e, conforme ma potência).

Módulo fotovoltaico Controlador de carga Bateria

• al

• "'~I

I

Inversor Eletrodomésticos
Figura 4.14: Componentes de um sistema fotovoltaico autônomo típico.

Observe na Figura 4.14 os componentes básicos de um sistema fotovoltaico isolado ou


autónomo. O sistema é composto de um ou mais módulos fotovoltaicos, um controlador
de carga, uma bateria e um inversor que transforma a tensão contínua em tensão alternada.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 103

O inversor pode alimentar lâmpadas, acoplador entre o módulo e o restante do


aparelhos eletrodomésticos, computado­ sistema, impondo ao módulo fotovoltaico
res e qualquer tipo de equipamento que uma tensão de trabalho constante.
normalmente é alimentado pelas redes
residenciais de tensão alternada. Apare­
lhos que utilizam tensão e corrente con­ 4.3.1 Bancos de baterias
tínuas podem ser ligados diretamente ao As baterias podem ser agrupadas em série
controlador de carga, sem a necessidade ou em paralelo para formar bancos de
do inversor. baterias. A associação em série permite
obter tensões maiores e a associação em
paralelo permite acumular mais energia ou
4.3 Baterias fornecer mais corrente elétrica com a mes­
ma tensão.
Nos sistemas autónomos a geração e o
consumo de energia nem sempre coinci­ A Figura 4.15 ilustra os modos de conexão
dem devido à característica intermitente das baterias para a constituição de bancos.
e aleatória da radiação solar ao longo das Na conexão em série a tensão do banco
horas, minutos e segundos. é a soma das tensões de cada bateria e a
A presença de uma bateria é necessária corrente do conjunto é a mesma fornecida
para proporcionar fornecimento constante por uma única bateria. A conexão em série
de energia para o consumidor e para evitar de baterias é utilizada para proporcionar
desperdício da energia gerada quando o tensões maiores. Normalmente as baterias
consumo é baixo, permitindo seu armaze­ encontradas no mercado têm tensões de
namento para uso posterior, nos momen­ 12 V, 24 V e 48 V. Um banco de 48 V e
tos em que houver pouca ou nenhuma 1 OO Ah, por exemplo, pode ser constituído
radiação, no período da noite e nos dias de uma única bateria de 48 V e 1 OO Ah
nublados e chuvosos. ou por quatro baterias de 12 V e 1 OO Ah
ligadasem série.
Na maior parte dos sistemas fotovoltaicos
autónomos a presença de uma bateria ou Na conexão de baterias em paralelo a
de um banco de baterias também é neces­ tensão do banco é a mesma tensão de
sária para estabilizar a tensão fornecida aos uma bateria individual e as correntes são
equipamentos ou ao inversor eletrónico, somadas. Esse tipo de conexão é emprega­
uma vez que a tensão de saída do módulo do para proporcionar capacidades maio­
fotovoltaico não é constante e pode variar. res de corrente, mantendo-se a tensão
Desta forma a bateria funciona como um num nível baixo.
104 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

+ +

Banco série Banco paralelo Banco série e paralelo

Figura 4.15: Modos de conexão dos bancos de baterias.

Para aumentar simultaneamente a tensão remotas, onde existe dificuldade para


e a capacidade de corrente e de armaze­ manutenção e de acesso. Neste caso são
namento de carga nos bancos, pode-se vantajosas e seu custo inicial é compensa­
realizar ao mesmo tempo a conexão de do pela redução dos custos de manuten­
baterias em série e paralelo, como ilustra ção dos sistemas.
a Figura 4.15. Primeiramente são agrega­
das as baterias em série para obter tensões Bateria de chumbo ácido estacionária com
maiores e posteriormente se acrescentam eletrólito líquido
conjuntos em paralelo para proporcionar
maior corrente de saída e elevar a capaci­ Esse tipo de bateria é muito difundido no
dade de armazenamento de carga. mercado devido ao seu reduzido custo e é
o mais empregado nos sistemas fotovoltai­
cos autónomos.
4.3.2 Tipos de baterias A bateria de chumbo ácido estacioná­
Existem muitos tipos de baterias elétricas, ria, como a ilustrada na Figura 4.16, tem
sendo as baterias de chumbo ácido as mais aspecto semelhante ao de uma bateria
conhecidas e utilizadas. As baterias de automotiva, porém há importantes dife­
chumbo podem ser de ácido líquido ou renças técnicas entre esses dois tipos.
em gel e podem ser seladas ou abertas.
Nas aplicações fotovoltaicas não se reco­
As baterias seladas não requerem a adição menda o uso de baterias automotivas
de água. Uma alternativa às baterias de convencionais. Aplicações fotovoltaicas
chumbo ácido são as de níquel cádmio ou exigem o uso de baterias estacionárias. A
níquel-metal-hidreto. seguir vamos conhecer as características
dessas baterias e entender as diferenças
As baterias de níquel são mais caras,
entre a bateria estacionária e a bateria
porém são mais duráveis e podem ser
auto motiva.
mais adequadas em algumas aplicações
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 105

placas met.álicas finas para aumentar sua


área de superfície. Uma superfície grande
é necessária para permitir rápidas reações
químicas quando a descarga da bateria é
solicitada. No uso automotivo a descarga
ocorre com pouca frequência e as placas
são pouco utilizadas. Se forem usadas
para fornecer corrente durante um longo
período de tempo, essas placas tendem
a deslocar-se devido às forças mecânicas
Figura 4.16: Aspecto de uma bateria estacionária
produzidas pela passagem da corrente e a
de chumbo ácido com eletrólito líquido.
Fonte: Shutterstock. bateria é danificada.
Em contrapartida, uma bateria estacionária
A bateria de chumbo ácido automoti­ possui placas metálicas mais grossas, sendo
va não é adequada para aplicações que projetada para fornecer correntes constan­
precisam de corrente elétrica por perío­ tes por longos períodos de tempo. Ela pode
dos prolongados. A bateria automotiva oferecer sobrecorrente quando necessário,
foi projetada para oferecer grande inten­ mas foi projetada para fornecer correntes
sidade de corrente elétrica por um curto de valores menores durante o uso normal
período de tempo e sofre rápidas descar­ em um sistema fotovoltaico autónomo.
gas durante o acionamento do motor de Uma bateria estacionária é projet.ada para
arranque do veículo. Durante o funciona­ ser descarregada complet.amente várias
mento do veículo o alternador, que é um vezes, algo que não é possível numa bate­
gerador de eletricidade, fornece toda a ria automotiva.
energia que o automóvel precisa e a bate­
ria não é utilizada. A bateria estacionária foi desenvolvida
especialmente para aplicações fotovoltai­
O tempo de partida de um veículo auto­ cas e outros tipos de sistemas que neces­
motor é pequeno em relação ao seu tempo sitam de armazenamento de energia para
de funcionamento. Após ser descarregada a alimentação de equipamentos elétricos e
rapidamente quando o veículo é ligado, a eletrónicos. Pode ser usada por um longo
bateria é recarregada enquanto ele per­ tempo e pode ser descarregada até atin­
manece em funcionamento. Uma bateria gir uma porcent.agem menor de sua carga
automotiva normalmente se descarrega máxima sem se danificar.
apenas 20% durante o uso normal, o que
é necessário para prolongar sua vida útil. Além de tudo, a bateria estacionária possui
uma taxa de autodescarga menor do que
A bateria de chumbo ácido de eletrólito a de uma bateria automotiva convencio­
líquido é construída de placas de chum­ nal, ou seja, a carga elétrica é preservada
bo mergulhadas em uma solução ácida. por mais tempo mesmo quando a bateria
A energia é inserida na bateria e dela não está em uso. Na prática, nos sistemas
retirada através de reações químicas do fotovoltaicos a carga da bateria é mantida
chumbo com o ácido. Para poder forne­ pelo controlador de carga mesmo quan­
cer uma grande intensidade de corrente, do ela não é utilizada. A menor taxa de
a bateria automotiva é construída com autodescarga tem a vantagem de tornar a
106 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

bateria mais eficiente no armazenamento Bateria de chumbo ácido com


da eletricidade. eletrólito em gel
Uma bateria automotiva tem duas especi­ A bateria de chumbo ácido em gel é uma
ficações principais: versão melhorada da bateria de chumbo
,;; Corrente de partida a frio: corrente ácido com eletrólito líquido. Suas princi­
que a bateria pode produzir durante pais vantagens são a maior vida útil, com
30 segundos. um maior número de ciclos de carga e
descarga e a possibilidade de ser usada em
,;; Capacidade de reserva: o tempo locais pouco ventilados, pois não libera
durante o qual a bateria pode forne­ gases durante seu funcionamento normal.
cer uma certa corrente (25 A) enquan­
to mantém sua tensão acima de um
determinado valor que represent.a o
est.ado crítico de carga (10,5 V).
Em geral uma bateria estacionária tem
mais capacidade de reserva do que uma
bateria automotiva, mas tem apenas
uma parte da corrente de partida a frio
de uma bateria automotiva. Entretanto,
uma bateria estacionária pode suportar
centenas de ciclos de descarga e recarga,
enquanto uma bateria automotiva não foi Figura 4.17: Aspecto de uma bateria VRLAde
projetada para ser totalmente descarrega­ chumbo ácido com gel. Fonte: Shutterstock.
da e pode danificar-se se isso acontecer.
A bateria estacionária é projetada para A bateria de gel é equipada com uma vál­
trabalhar imóvel (por isso recebe a deno­ vula de segurança que permite a liberação
minação estacionária) em sistemas de ali­ de gases na ocorrência de sobrecargas. A
ment.ação de emergência, sistemas foto­ presença dessa válvula faz com que a bate­
voltaicos terrestres e out.ras aplicações que ria de gel seja conhecida pela sigla VRLA
não exigem movimento. Isso não significa (Va/ve Regulated Lead Acid).
que as baterias est.acionárias não possam Esse tipo de bateria requer um controlador
ser usadas em aplicações em que ocorre de carga adequado às suas características,
movimento. pois é altamente sensível a sobrecargas. A
A bateria automotiva, por outro lado, tensão de corte da carga deve ser rigorosa­
necessita do movimento que ocorre natu­ mente mantida para que não ocorra a libe­
ralmente durante o funcionamento do ração de gases por sobretensão. Devido à
automóvel para homogeneizar a solução selagem da bateria não é possível verificar
ácida de seu interior, otimizando assim o seu nível da carga através da medição
o processo químico de carga e descarga. da concentração do ácido (densidade do
A bateria estacionária não precisa disso e eletrólito). O único modo de obter uma
é tecnicamente melhor do que a bateria informação aproximada sobre o estado da
automotiva, podendo trabalhar em qual­ carga é através da tensão nos terminais da
quer tipo de aplicação, seja móvel ou fixa. bateria.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 107

Baterias de NiCd e NiMH 4.3.3 Baterias de ciclo profundo


As baterias de NiCd (Níquel-Cádmio) e As baterias de ciclo profundo são proje­
NiMH (Níquel-Met.al-Hidreto) são mais tadas para suportar um número maior de
caras do que as baterias de chumbo ácido ciclos de carga e descarga, além de pode­
líquidas ou de gel. Têm como principais rem descarregar-se mais do que as con­
características um baixo coeficiente de vencionais.
autodescarga, suportam elevadas varia­
ções de temperatura e permitem des­ As baterias de chumbo ácido estacioná­
cargas mais profundas, cerca de 90%. As rias são consideradas de ciclo profundo.
baterias de níquel geralmente não são Enquanto as baterias automotivas não
empregadas em sistemas fotovoltaicos podem sofrer mais do que 20% de des­
devido ao seu alto custo, exceto em apli­ carga, as estacionárias de ciclo profundo
cações muito específicas que dispõem de podem descarregar-se até 50% ou 80%
pouco espaço para instalação e requerem sem perder sua capacidade de recarga.
alt.a confiabilidade e pouca manutenção. Deve-se consult.ar o catálogo do fabricante
As baterias de níquel possuem uma den­ para conhecer a profundidade da descarga
sidade de carga maior, o que significa que aceita pela bateria. Algumas estacionárias
são menores do que as baterias de chum­ não devem ser descarregadas mais do que
bo de mesma capacidade. 50%, enquanto outras, especialmente as
baterias estacionárias industriais, que são
Bateria AGM mais caras e robustas, foram desenvolvidas
A bateria ACM (Absorbed Class Mat) é para permitir profundidades de até 80%.
um tipo avançado de bateria VRLA. Suas Os termos "estacionária" e "ciclo profun­
características são parecidas com as das do" normalmente se confundem quando
baterias ácidas VRLA de gel e sua maior nos referimos às baterias de chumbo ácido
vantagem é permitir ciclos de descarga que possuem essas características. Embora
mais profundos do que as convencio­ essas denominações tenham significados
nais. E uma bateria de alto custo e pouco diferentes, uma bateria estacionária de
encontrada no mercado, em comparação chumbo ácido quase sempre é também
com as de chumbo ácido. uma bateria que aceita descargas profun­
das, recebendo a classificação de bateria
de ciclo profundo.
Existem baterias desenvolvidas para per­
mitir descargas ainda mais profundas do
que as de chumbo ácido estacionárias de
eletrólito líquido. Este é o caso das bate­
rias de NiCD, NiMH e VRLA, que podem
descarregar-se até 90% sem ter sua vida
útil reduzida e ainda suportam um núme­
ro maior de ciclos do que as baterias de
eletrólito líquido.
Figura 4.18: Bateria ACM de ciclo profundo.
Cortesia: Trojan Battery Company.
108 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

4.3.4 Vida útil da bateria quando não está em uso), a operação em


ambientes de temperatura controlada e
A vida útil de uma bateria é determinada o uso de controlador de carga para evitar
pelo número de ciclos de carga e descar­ sobrecargas e descargas muito profundas.
ga que ela pode realizar. O número máxi­
mo de ciclos depende da profundidade A Figura 4.19 mostra um gráfico típico do
da descarga realizada, que corresponde à tempo de vida de uma bateria estacionária
porcentagem da carga máxima da bateria de chumbo ácido em função da tempera­
no final da descarga, ao final de um perío­ tura à qual ela é submetida. Conforme a
do de utilização ou um ciclo completo de temperatura aumenta, o tempo de vida da
carga e descarga. bateria é reduzido drasticamente. O gráfi­
co mostra que até a temperatura de 40°C
Em cada ciclo de carga e descarga de uma a bateria tem sua vida normal de 100%.
bateria o material das placas met.álicas é Acima de 40°C a vida útil começa a dimi­
transferido para os seus terminais. Uma nuir. Por exemplo, operando em 60°C a
vez que esse material separa-se do eletro­ bateria vai durar apenas 80% do tempo
do, não pode ser utilizado novamente e máximo possível para uma determinada
a bateria vai se desgastando conforme é profundidade de descarga, de acordo com
utilizada. o gráfico. A mesma bateria, com a mesma
A vida útil de uma bateria também é per­ profundidade de descarga, teria uma vida
manentemente reduzida pelo seu envelhe­ 20% mais longa se estivesse operando na
cimento, que está diretamente relaciona­ temperatura de 30°C.
do com a temperatura de operação ou de A vida útil de uma bateria estacionária de
armazenamento. chumbo ácido com eletrólito líquido tam­
Nas baterias de chumbo ácido o fim da bém está relacionada à profundidade de
vida é geralmente considerado como o ins­ descarga da seguinte forma:
tante em que a bateria, estando totalrnen­ fì"í 2500 ciclos: descarga de 10%
te carregada, pode armazenar apenas 80%
da sua capacidade nominal especificada fì"í 1500 ciclos: descarga de 20%
pelo fabricante. Essa perda permanente de fì"í 500 ciclos: descarga de 50%
20% de capacidade de carga está relacio­
nada com o número de ciclos já realizados A profundidade de descarga representa a
e com a idade da bateria. porcent.agem da carga que é retirada da
bateria ao longo de um ciclo de uso. Por
Procedimentos que contribuem para o exemplo, uma bateria que é carregada
aumento da vida útil da bateria são a durante o dia e utilizada à noite até per­
manutenção do estado de carga em bate­ der met.ade da sua carga, para depois ser
rias de chumbo ácido através do procedi­ recarregada no dia seguinte, tem uma pro­
mento da flutuação (manutenção da carga fundidade de descarga diária de 50%.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 109

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10 20 30 40 50 60 70 80
Temperaturade utilização (ºO

Figura 4.19: Gráfico da vida útil de uma bateria de


chumbo ácido em função da temperatura de utilização,

A Figura 4.20 mostra o gráfico da relação entre a vida útil de uma bateria, expressa
em número de ciclos de carga e descarga, em função da profundidade de descarga. O
gráfico mostra que se a bateria for descarregada moderadamente, ela terá uma vida útil
maior, podendo ser carregada e descarregada muitas vezes. Se a bateria for descarrega­
da até próximo de esgotar sua carga, com profundidade de descarga acima de 80%, o
número de ciclos possíveis será reduzido drasticamente e o tempo de vida da bateria será
muito pequeno.
De acordo com a maneira como o sistema fotovoltaico é dimensionado, uma bateria pode
durar mais ou menos tempo. Profundidades de descarga maiores reduzem o tempo de vida
da bateria. Uma bateria que se descarrega pouco pode durar muitos anos e uma que se
descarrega muito vai durar menos.

2500
@,
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V
~
V 2000
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z -
o 10 20 30 40 50 60 70 80
Profundidade de descarga (%)

Figura 4.20: Número de ciclos de carga e descarga possíveis


em função da profundidade de descarga da bateria.
110 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

4.3.5 Características das baterias dor de carga, um dispositivo indispensável


no sistema fotovoltaico autónomo.
estacionárias de chumbo ácido
A faixa de tensão de carga da bateria mos­
Os fabricantes de baterias geralmente for­
trada na Tabela 4.1 corresponde aos valo­
necem as informações mostradas na Tabe­
res de tensão apresentados pela bateria
la 4.1 a seguir.
quando sua carga atinge o nível máximo
A capacidade de carga da bateria, expressa após o início do processo de carga. A pre­
na unidade de ampère-hora (Ah), depen­ sença desses valores de tensão nos termi­
de do tempo de carga. Uma carga rápida nais da bateria indica que seu nível de car­
faz com que a capacidade seja ligeira­ ga é elevado.
mente reduzida, enquanto uma carga len­
Finalmente, o coeficiente de compensa­
t.a permite utilizar toda a capacidade de
ção de temperatura da Tabela 4.1 mostra
carga nominal da bateria. Na Tabela 4.1 é
como as suas tensões variam em função
exemplificada uma bateria com capacida­
da temperatura. O sinal negativo no coe­
de nominal de 240 Ah. Para uma carga de
ficiente indica que para cada grau Celsius
1 OO horas, ou seja, uma carga lenta, a bate­
de aumento de temperatura existe uma
ria consegue armazenar 240 Ah (ampères­
redução de 0,033 V. Analogamente, as
-hora). Para uma carga rápida de dez horas
tesões aumentam 0,033 V para cada dimi­
a bateria armazena apenas 200 Ah.
nuição gradual de temperatura.
Tabela 4.1: Principais características de
uma bateria estacionária de chumbo ácido.
4.4 Controlador de carga
Capacidade de carga
Tempo de carga Capacidade em 25°C Os sistemas fotovoltaicos com baterias
1 O horas 200Ah devem obrigatoriamente empregar um
20 horas 220Ah controlador ou regulador de carga. O
100 horas 240Ah controlador de carga é o dispositivo que
Tensão de flutuação faz a correta conexão entre o painel foto­
13,2 V a 13,8 V (em 25ºC) voltaico e a bateria, evitando que a bate­
Tensão de carga
ria seja sobrecarregada ou descarregada
excessivamente.
14,4 V a 15,5 V (em 25ºC)
Coeficiente de compensação de temperatura Alguns controladores realizam o carrega­
-0,033 Vf'C mento da bateria respeitando seu perfil
de carga, o que tende a aumentar sua
A Tabela 4.1 mostra a faixa de valores vida útil e maximizar a utilização. Contro­
de tensão que a bateria deve apresentar ladores mais sofisticados ainda possuem
quando se encontra no estado de flutua­ o recurso de rastreamento do ponto de
ção. Esse estado corresponde à situação máxima potência do módulo ou do con­
em que a bateria encontra-se carregada junto de módulos fotovoltaicos, possibi­
e deve ser mantida nessa faixa de tensão litando aumentar a eficiência do sistema
para que sua durabilidade seja aumenta­ fotovoltaico.
da. A flutuação é um estágio de manuten­ A Figura 4.21 mostra um controlador de
ção de carga proporcionado pelo controla- carga empregado em sistema fotovoltaico
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 111

com bateria. Na parte inferior observam-se sumo de energia do sistema fotovoltaico


os terminais elétricos aos quais são conec­ seja interrompido quando a bateria atinge
tados o módulo fotovoltaico, a bateria e o um nível crítico de carga. Esse nível tipi­
inversor ou outros equipamentos alimen­ camente ocorre quando a tensão da bate­
tados pelo sistema fotovoltaico. A seguir ria está próxima de 10,5 V na bateria de
vamos compreender o funcionamento do chumbo ácido estacionária. Se a bateria
controlador de carga, suas funções e seu continuar sendo descarregada abaixo des­
modo de utilização. ta tensão, sua vida útil pode ser severa­
mente comprometida.

Gerenciamento da carga da bateria


Alguns controladores de carga têm a capa­
cidade de gerenciar o carregamento da
bateria para respeitar seu perfil natural
de carga. Esse recurso é oferecido apenas
pelos controladores de carga mais sofistica­
dos, que possuem algoritmos de carga com
Figura 4.21: Controlador de carga para múltiplos estágios.
sistema fotovoltaico. Cortesia: Eudora Solar.
As baterias de chumbo ácido estacionárias
possuem um perfil de carga que, sempre
que possível, deve ser respeitado para oti­
4.4.1 Funções do controlador de carga mizar o carregamento e a durabilidade da
bateria. Existem algoritmos de múltiplos
Proteção de sobrecarga estágios para realizar o carregamento de
Uma função importante do controlador de uma bateria. Esses algoritmos podem variar
carga é impedir que a bateria seja sobre­ de um tipo de bateria para outro.
carregada. Nas baterias de chumbo ácido A Figura 4.22 mostra o perfil de carga de
estacionárias verifica-se a situação de carga uma bateria estacionária de chumbo áci­
complet.a quando a bateria atinge tensão do com três estágios, que são descritos
entre 14,4 V e 15,5. O controlador de car­ a seguir:
ga é responsável por monitorar o valor da
tensão nos terminais da bateria e impedir Estágio de carregamento pesado
que continue sendo carregada quando a
tensão de carga é atingida. Para evitar a Nesse primeiro estágio a corrente é leva­
sobrecarga, o controlador de carga desco­ da ao seu valor máximo, dentro do limite
necta o painel solar do sistema quando a de corrente suportado pelo controlador de
bateria atinge seu nível máximo. carga. A tensão da bateria inicialmente é
baixa, considerando que se encontra com­
Proteção de descarga excessiva pletamente descarregada, e vai aumentan­
do conforme a carga é realizada. Nesse
A proteção de descarga excessiva, tam­ estágio pesado tent.a-se carregar a bateria
bém chamada de função de desconexão da maneira mais rápida possível, retirando
com baixa tensão, é o recurso do contro­ toda a energia que o módulo ou conjunto
lador de carga que faz com que o con- de módulos é capaz de entregar.
112 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Estágio de absorção automaticamente para o estágio de flutua­


ção. Nesse estágio o controlador apenas
Quando a tensão da bateria atinge um mantém a bateria carregada, controlando
determinado nível, em torno de 14,4 V a
sua tensão na faixa compreendida entre
15,5 V, a bateria deve entrar no estágio de 13,2 V e 13,8 V. O valor da tensão de flu­
absorção. Nesse momento a bateria já está
tuação deve ser bem regulado de acordo
praticamente carregada, mas é possível ain­ com as especificações do fabricante da
da realizar um carregamento lento para que
bateria e conforme a temperatura. O con­
sua carga chegue a 1 00% de sua capacida­ trolador de carga deve ser capaz de medir
de. Durante esse estágio a tensão da bateria
a temperatura do ambiente e corrigir o
é mantida constante, tipicamente em 15,5 valor da tensão de flutuação de acordo
V, pelo controlador de carga e a corrente com o coeficiente térmico da bateria.
da bateria vai diminuindo lentamente, até
chegar a um valor bem pequeno. Nem todos os controladores de carga con­
seguem realizar os três estágios. Na prática,
Estágio de flutuação na maior part.e dos sistemas fotovoltaicos,
são empregados controladores simples que
Ao final do estágio de absorção a corrente fazem somente a conexão ou desconexão
da bateria atinge uma intensidade de valor da fonte de energia (módulo ou conjunto de
bem pequeno, indicando que ela está módulos fotovoltaicos) e da carga consumi­
completamente carregada. O controlador dora para evitar a sobrecarga ou o descar­
de carga detecta est.a condição e passa regamento excessivo da bateria.

Carga pesada Absorção Flutuação

2
--
Corrente

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100

75 - -- --
Tensão
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o
Tempo de carregamento da bateria

Figura 4.22: Perfil de carga de uma bateria de chumbo ácido com três estágios.

4.4.2 Modo de utilização do controlador de carga


Sem a presença do controlador de carga as baterias danificam-se e têm seu tempo de vida
muito reduzido. Nossistemas fotovoltaicos com baterias é essencial a presença de um con­
trolador de carga conectado entre a bateria e o painel fotovoltaico. Os controladores de
carga comerciais possuem três conjuntos de terminais, como ilustra a Figura 4.23.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 113

Todos os componentes do sistema devem ser conectados ao controlador. O módulo ou


conjunto de módulos fotovoltaicos é conectado aos terminais localizados à esquerda,
respeitando-se as polaridades positiva e negativa. O módulo fotovoltaico nunca deve ser
conectado diretamente à bateria. A conexão do módulo com a bateria é feit.a pelo circuito
interno do controlador de carga.
No controlador exemplificado na Figura 4.23 a bateria é conectada aos terminais centrais.
Também neste caso deve-se respeitar a polaridade dos terminais da bateria e do contro­
lador de carga. A conexão com a polaridade invertida pode danificar os componentes do
sistema fotovoltaico.

Controlador de carga

Entrada do módulo
fotovoltaico

Conexão dos consumidores


~--- (inversor ou aparelhos
L....,;:,----- alimentados em tensão contínua)
Conexão
• • da bateria
• • Terminais de saída do
sistema fotovoltaico
• •
• •
• •

• •

• •

Figura 4.23: Modo de utilização de um controlador de carga.

A bateria, conjuntamente com o módulo fotovoltaico, fornece tensão e corrente para a


alimentação de um inversor ou de aparelhos que podem ser aliment.ados diretamente em
tensão contínua. A conexão dos consumidores deve ser feita ao controlador, pois assim o
controlador mantém o rígido controle sobre a bateria, podendo desconectar os consumi­
dores quando o nível da carga da bateria é crítico. Se os consumidores forem aliment.ados
diretamente nos terminais da bateria, sem passar pelo controlador, perde-se esse recurso
de proteção.
Os controladores de carga são encontrados no mercado com capacidades de corrente que
variam entre 1 O A e 60 A. Controladores com correntes muito elevadas, acima de 60 A,
são incomuns.
114 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Em alguns sistemas fotovoltaicos pode ser conhecidos como controladores do tipo


necessário obter correntes maiores em fun­ LIGNDESLIGA.
ção do número de módulos fotovoltaicos
Os controladores LIGA/DESLIGA podem
empregados e da demanda de energia do
sistema. Nesses casos é possível utilizar ser construídos com dois tipos de circuitos
diferentes, paralelo ou série, classificados
controladores de carga ligados em paralelo.
de acordo com a localização da chave que
Para a ligação de controladores de carga faz a conexão do módulo fotovoltaico ao
em paralelo são usados modelos que pos­ sistema, como veremos a seguir.
suem o recurso específico de paralelismo.
Somente alguns fabricantes de controla­ Controlador com chave série
dores oferecem produtos que permitem
A Figura 4.24 mostra de maneira simpli­
a operação em paralelo. A maior parte
ficada como funciona um controlador de
dos controladores de carga encontrados
carga do tipo série. Dentro do controla­
no mercado não permite o paralelismo,
dor existem duas chaves eletrônicas, que
ou seja, jamais um controlador deve ser
podem ser um relé eletromecânico ou
conectado em paralelo com outro, mes­
um transistor eletrônico. Os controla­
mo que seja do mesmo modelo, se não
dores atualmente fabricados empregam
foi projet.ado especialmente para supor­
transistores eletrônicos, o que proporcio­
tar esse modo de operação. O manual
na maior durabilidade e confiabilidade no
de características e as instruções de uso
funcionamento.
fornecidos pelo fabricante do controlador
devem ser sempre observados. As chaves são abertas ou fechadas de
acordo com o est.ado de carga da bateria.
Um circuito de controle, que não é mos­
4.4.3 Principais tipos de trado na figura, monitora a tensão da bate­
controladores de carga ria e toma a decisão de abrir ou fechar
as chaves.
Convencionais
Quando a bateria está no estágio de carga
Os controladores de carga convencionais ou encontra-se operando na faixa de ope­
são os mais simples que existem e são ração normal, ou seja, seu nível de carga
encontrados na maior parte dos sistemas está acima do crítico e abaixo do máximo,
fotovoltaicos. São dispositivos de baixo a Chave 1 permanece fechada, permitindo
custo que possuem basicamente duas a passagem da corrente elétrica do módulo
funções: desconectar o módulo fotovoltai­ para a bateria. A corrente elétrica do pai­
co quando a bateria está completamente nel é então compartilhada entre a bateria
carregada e desconectar o consumidor e o consumidor. Uma parte da corrente é
quando a bateria atinge um nível de carga consumida pelos aparelhos conectados à
muito baixo, impedindo assim a descarga saída do sistema fotovoltaico e a part.e res­
excessiva. Para isso possuem duas chaves tante é fornecida à bateria, fazendo com
que são ligadas e desligadas de acordo que permaneça sendo carregada durante
com a necessidade. Por essa razão são o funcionamento do sistema.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 115

Corrente elétrica Corrente elétrica


do módulo fotovoltaico consumida
~ ~
+
Diodo Chave 2
Corrente
( descarregando
Corrente~ a bateria
carregando
a bateria
Consumidor

Figura 4.24: Estrutura de um controlador de carga com chave série.

Quando a tensão máxima de carga da continue recebendo corrente elétrica do


bateria é atingida, indicando que sua carga módulo para evitar a sobrecarga.
está completa, a Chave 1 é aberta para evi­
A Chave 2 no circuito da Figura 4.24 serve
tar a conexão entre o painel fotovoltaico
para interromper o fornecimento de ener­
e a bateria. Isso é necessário para evitar a
gia para o consumidor quando a tensão
sobrecarga da bateria.
da bateria cai a um nível crítico. O valor
Com a Chave 1 desligada o módulo foto­ da tensão depende da profundidade da
voltaico é impedido de fornecer energia e descarga permitida. Na situação mais crí­
a bateria continua alimentando o consu­ tica, com descarga completa, a tensão da
midor. Conforme sua cargaé consumida a bateria cai a cerca de 1 O V. A maioria dos
tensão nos seus terminais diminui. O con­ controladores do tipo LIGA/DESLIGA usa­
trolador monitora essa tensão e, de acordo dos com baterias estacionárias de chumbo
com um critério estabelecido pelo fabri­ ácido é programada para desligar nesse
cante, a Chave 1 é novamente fechada e a nível de tensão a fim de proteger a bateria.
bateria volta a ser carregada.
Quando aberta, para preservar a integri­
Na prática o que se espera é que a Cha­ dade da bateria, a Chave 2 impede o for­
ve 1 permaneça fechada na maior parte necimento de energia para o consumidor
do tempo, permitindo que a energia do e o sistema fotovoltaico fica indisponível
módulo fotovoltaico seja fornecida ao até que o estado de carga da bateria seja
consumidor e proporcionando o cons­ parcial ou totalmente restabelecido. Após
tante recarregamento da bateria quando o restabelecimento da carga, verificado
há excedente de energia. A Chave 1 será através da monitoração da tensão nos ter­
aberta somente no caso do carregamento minais da bateria, a Chave 2 é fechada e o
pleno da bateria, pois neste caso deve-se sistema fotovoltaico autónomo volta a for­
impedir a qualquer custo que a bateria necer energia para o consumidor.
116 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Controlador com chave paralela


O controlador com chave paralela tem o funcionamento muito semelhante ao do con­
trolador apresentado anteriormente. A diferença entre os dois tipos de controladores é
a posição da chave que faz a conexão ou a desconexão com o módulo fotovoltaico. Na
Figura 4.25 observa-se a presença da Chave 1 posicionada em paralelo com o módulo foto­
voltaico. Desta forma, quando estiver fechada, a Chave 1 desvia toda a corrente elétrica
do módulo e cessa o fornecimento de corrente elétrica para o restante do sistema, tanto
para a bateria como para o consumidor. O objetivo da Chave 1 do controlador paralelo é o
mesmo do controlador anterior: interromper o carregamento da bateria quando a bateria
atinge o nível máximo de carga.
No controlador paralelo a corrente do sistema é interrompida com a Chave 1 fechada,
mascontinua circulando pelo módulo em curto-circuito se houver radiação solar. O curto­
-circuito não é prejudicial aos módulos fotovoltaicos, pois sua corrente máxima é limitada
pela máxima corrente especificada pelo fabricante (corrente de curto-circuito) e pela inten­
sidade da radiação solar presente.

Corrente elétrica Corrente elétrica


do módulo fotovoltaico consumida
~ ~
+ +
Diodo Chave 2
Corrente
Corrente~ ( descarregando
carregando a bateria
a bateria

Chave 1 Consumidor

Figura 4.25: Estrutura de um controlador de carga com chave paralela.

Controlador eletrônico com PWM Esses controladores possuem um micro­


processador em seu circuito de controle
Os controladores de carga com PWM e são capazes de realizar o carregamento
(Pulse Width Modulation - modulação de
da bateria através de um algoritmo que
largura de pulso) são equipamentos mais respeita o perfil de carga de três estágios
sofisticados do que os convencionais
apresentados na Figura 4.22, passando
apresentados anteriormente. No lugar de pelos estágios de carga pesada, absorção
chaves ou relés que somente abrem ou
e flutuação.
fecham, existem transistores e circuitos
eletrónicos que fazem o controle preciso Os controladores eletrónicos do tipo PWM
das correntes de carga da bateria através têm a vantagem de maximizar o uso da
da abertura e do fechamento das chaves. bateria e prolongar sua vida útil. Além de
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 117

oferecer esse recurso de carregamento oti­ ponto de máxima potência, qualquer que
mizado, os controladores PWM executam seja a condição de radiação solar ou tem­
as mesmas funções dos controladores con­ peratura de trabalho do módulo.
vencionais, protegendo a bateria contra
A Figura 4.28 mostra a faixa de operação
sobrecarga ou descarga excessiva através
de um controlador sem MPPT e o ponto
do fechamento ou abertura das chaves, de
de operação de um controlador com
acordo com a tensão observada nos termi­
MPPT. No caso do controlador sem MPPT
nais da bateria.
existe uma conexão direta entre o módulo
fotovoltaico e a bateria. Quando o módulo
está conectado ao sistema, a tensão da
bateria é imposta a ele. Dest.a forma a ope­
ração do painel fotovoltaico varia na faixa
de tensão de aproximadamente 1 O V a 15
V, de acordo com a condição da bateria.
Figura 4.26: Controlador de carga Como sabemos, a potência fornecida pelo
eletrônico PWM. Cortesia: Eudora Solar. módulo depende do seu valor de tensão
e respeita a sua curva característica P - V.
Controlador eletrônico com PWM e MPPT Existe somente um valor de tensão no qual
a potência do módulo é máxima e ideal­
Os controladores com MPPT (Maximum
mente deve-se fazer o sistema fotovoltaico
PowerPoint Tracking - rastreamento do ponto
operar nesse ponto. O controlador com
de máxima potência) são os mais sofisticados
MPPT permite isso, pois seu sofisticado cir­
e caros encontrados no mercado. Além de
cuito eletrónico de dois estágios consegue
possuírem circuitos eletrónicos de chavea­
desacoplar o módulo fotovoltaico da bate­
mento com PWM, que possibilitam otimi­
ria, permitindo a esses dois componentes
zar o processo de carregamento da bateria,
operar em níveis de tensão diferentes,
ainda possuem o recurso de MPPT, que faz o
como mostra a Figura 4.27.
módulo fotovoltaico operar sempre em seu

Corrente elétrica Corrente elétrica


do módulo fotovoltaico consumida
+ Controlador PWM com MPPT
----+ ----+ +

Estágio Estágio
1 2 Consumidor

Tensão do módulo ~ Tensões ___. Tensãoda


fotovoltaico desaclopadas bateria

Figura 4.27: Controlador de carga PWM com MPPT. A presença de dois


estágios eletrônicos permite desacoplar as tensões do módulo e da bateria.
118 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Com o uso do controlador com MPPT o módulo fotovoltaico pode operar com a tensão
necessária para encontrar-se em seu ponto de máxima potência, independentemente do
valor da tensão nos terminais da bateria.

Curva Ix V

Sem MPPT

o 10V 15 V
Tensão elétrica (volts, VJ

Curva Px V
PMP Máxima

~ I ,~1+-1·
i Com
~ MPPT

·.su"'
'"'õiee

e
'"'e~
~

o 10V 15 V
Tensão elétrica (volts, VJ

Figura 4.28: Operação do módulo fotovoltaico com e sem o recurso do MPPT.

A Figura 4.28 ilustra o funcionamento dos sistemas com e sem o recurso do MPPT. Ao passo
que no controlador convencional a tensão do módulo é imprevisível, podendo situar-se em
toda a faixa de 1 O V a 15 V em função do estado de carga da bateria, com MPPT o painel
opera sempre no seu ponto de máxima potência (PMP).
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 119

Em geral os controladores com MPPT per­ até oito módulos fotovoltaicos, podem
mitem um ganho de 30% em produção trabalhar com o nível de tensão de 12 V.
de energia. Embora sejam mais caros, aca­ Sistemas fotovoltaicos de maior potên­
bam sendo mais vantajosos, pois o sistema cia, que possuem um número maior de
fotovoltaico requer um número menor de módulos, necessitam de níveis mais eleva­
módulos para produzir a energia neces­ dos de tensão para evitar que as correntes
sária para o consumo e para o carregamen­ elétricas sejam muito grandes.
to da bateria. Em geral a decisão de usar
ou não um controlador com MPPT leva em
cont.a o aspecto econômico e a praticida­
de. A redução do número de módulos tor­
na a instalação mais simples e faz o sistema
fotovoltaico ocupar menos espaço.

4.5 Inversor
Figura 4.29: Inversor eletrônico CC-CA.
O inversor, ilustrado na Figura 4.29, é um Cortesia: Eudora Solar.
equipamento eletrônico que converte a
eletricidade de tensão e corrente contí­ O inversor adequado deve ser escolhido
nuas (CC) em tensão e corrente alter­ para cada tipo de sistema fotovoltaico
nadas (CA). O inversor é necessário nos
em função de seu tamanho e dos demais
sistemas fotovoltaicos para alimentar con­ componentes existentes. No final deste
sumidores em corrente alternada a partir capítulo o leitor pode acompanhar um
da energia elétrica de corrente contínua exemplo de dimensionamento de sistema
produzida pelo painel fotovoltaico ou fotovoltaico autônomo e compreender
armazenada na bateria. como deve ser feita a escolha do nível de
A maior parte dos aparelhos eletrodomés­ tensão adequado.
ticos que conhecemos é construída para
trabalhar com a rede elétrica de tensão
alternada disponível em nossas residências
4.5.1 Princípio de funcionamento
(tensão de 127 V ou 220 V, por exemplo, e O princípio de funcionamento do inversor
frequência de 60 Hz). Para aliment.ar esses é baseado no circuito eletrônico mostrado
aparelhos com um sistema fotovoltaico na Figura 4.30. Quatro transistores, deno­
autônomo é necessária a presença de um minados T1, T2, T3 e T4, são abertos ou
inversor CC-CA. fechados para transferir a tensão e a cor­
rente elétricas da fonte de tensão contí­
Inversores eletrônicos para sistemas foto­
nua para os terminais de saída do inversor.
voltaicos autônomos estão disponíveis no
Os transistores são chaves eletrônicas que
mercado em uma vast.a gama de potên­
interrompem ou permitem a circulação da
cias e tensões de entrada, tipicamente
corrente elétrica de acordo com seu esta­
12 V, 24 V ou 48 V. Pequenos sistemas
do ligado ou desligado.
fotovoltaicos, que possuem geralmente
120 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

+
T1 T2
Saída do
inversor

T3 T4

Figura 4.30: Circuito eletrônico básico do inversor CC-CA.

A fonte de tensão contínua (módulo fotovoltaico) é conectada ao conjunto de chaves ou


transistores. Quando os transistores de uma diagonal são ligados, a tensão de saída nos
terminais do inversor é positiva, como mostra a Figura 4.31. Em seguida esses transistores
são desligados e a outra diagonal entra em funcionamento, aplicando uma tensão de pola­
ridade invertida aos terminais de saída.

r T1~! T2
+
Fonte de
~ IL-------+--------
Corrente
-,
I
tensão I
contínua I
+ Tunsão - I

T3
+I T4©¡
I I
I
I ---------------------------- I
Transistores diagonais T1 e T4 ligados

r----------------------
1
I

+
T1

Tensão
T2©l+ I
Fonte de I
tensão
continua ,--- -- ~- - ----
I
.J

©
I Corrente

• I
T3 I'
I
I
T4

Transistores diagonais T2 e T3 ligados

Figura 4.31: Funcionamento do inversor CC-CA.


Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 121

Acionando alternadamente os transistores das diagonais com frequência fixa, obtém-se a


onda quadrada de tensão alternada observada na Figura 4.32. Este é o princípio de fun­
cionamento do chamado inversor de onda quadrada. O result.ado do processo de inversão
é a produção de tensão e corrente alternadas a partir de uma fonte de corrente contínua.

Os inversores encontrados comercialmente são mais complexos do que o circuito mostra­


do na Figura 4.30. Um inversor comercial possui uma grande quantidade de componentes,
incluindo transistores, indutores, capacitores e um microprocessador digital.

+ +
Safda do
inversor
-

Figura 4.32: Tensão alternada produzida na saída do inversor CC-CA.

4.5.2 Modo de conexão


A Figura 4.33 mostra como são feit.as as ligações elétricas do inversor. Todo inversor possui
uma entrada de corrente contínua (CC) e uma saída de corrente alternada (CA). Os termi­
nais de entrada CC são conectados ao controlador de carga e recebem níveis de tensão de
12 V, 24 V ou 48 V, conforme o tipo do inversor. Os terminais de saída fornecem tensão
alternada de valor compatível com a rede elétrica. Inversores usados no Brasil devem for­
necer tensão alternada na frequência de 60 Hz, com valores eficazes próximos de 11 O V
ou 220 V.

Parte dianteira Parte traseira


/

Ventilação ' /

Ventilação
Entrada CC Saída CA

' ) ( ')
)
+
~ ~

Terra-!- '"------+--+-- '

Entrada de tensão contínua -


- Saída de tensão alt em ada
(12 V, 24 V, 48 V) conectada
11 O V, 220 V - 60 Hz
ao controlador de carga

Figura 4.33: Conexões elétricas do inversor CC-CA.


122

Na Figura 4.33 observa-se a presença de Tensão de entrada CC


um terminal de terra na parte dianteira do
É a tensão nominal de entrada do inversor.
inversor. Esse terminal deve ser conectado
Exemplos de tensões são 12 V, 24 V e 48 V.
ao sistema de aterramento da instalação
Estes valores são padronizados na indús­
elétrica. A conexão à terra é obrigatória
tria. São os mesmos valores com os quais
para evitar choques elétricos na carcaça do
são especificados os controladores de car­
inversor, como pode acontecer com qual­
ga e as baterias.
quer outro aparelho elétrico ou eletrônico.
Tensão de saída CA
4.5.3 Características principais É a tensão que o inversor fornece na saída
dos inversores em corrente alternada. Inversores podem
ser projetados para fornecer uma tensão
Um inversor CC-CA para sistema foto­
de saída de valor fixo ou ajustável com
voltaico autônomo possui geralmente as
uma chave seletora.
especificações e características mostradas
a seguir. Os valores das tensões de saída dos inver­
sores comercialmente disponíveis sãocom­
Potência nominal patíveiscom os níveis de tensão de 11 O V
e 220 V das redes elétricas de distribuição.
É a potência que o inversor pode fornecer
em operação normal. A potência do inver­ A tensão de saída do inversor deve ser
sor deve ser escolhida de acordo com as escolhida de acordo com a aplicação e é
potências dos equipamentos elétricos que uma decisão do projetista do sistema foto­
serão alimentados por ele. voltaico.

Potência máxima Frequência de saída


É a potência que o inversor pode fornecer É a frequência da tensão de saída em cor­
em situações de sobrecarga durante um rente alternada fornecida pelo inversor.
curto intervalo de tempo. Alguns inverso­ No Brasil os inversores devem fornecer
res têm a capacidade de fornecer, durante tensão alternada na frequência de 60 Hz,
alguns segundos, uma potência superior à pois esta é a frequência do sistema elétrico
sua potência nominal. nacional. Em alguns países são comerciali­
zados inversores de 50 Hz.
Esta capacidade de potência extra é útil
para alimentar equipamentos que uti­
lizam motores, como refrigeradores e
Regulação de tensão
bombas de água. Motores exigem corren­ É a variação relativa (em percentagem) da
tes elétricas elevadas durante sua partida tensão de saída do inversor quando um
e isso ocasiona esforço extra ao inversor, consumidor está ligado à sua saída de ten­
que deve estar preparado para suprir a são alternada.
corrente demandada.
Quando o inversor encontra-se em vazio,
ou seja, não fornece nenhuma potência
na saída, sua tensão é máxima. Por outro
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 123

lado, quando o inversor fornece potência, Distorção de 0% (condição ideal) significa


sua tensão tende a diminuir. que a tensão de saída é uma onda senoi­
dal pura. Distorção elevada indica que a
Um bom inversor consegue manter apro­
qualidade da tensão, e consequentemente
ximadamente constante sua tensão de saí­
da energia, produzida pelo inversor não é
da independentemente do uso que é feito
boa.
dele, indicando que possui uma boa regu­
lação de tensão. A regulação de tensão é Um inversor de onda quadrada apresen­
um índice de qualidade do inversor que ta uma distorção de saída elevada e não
pode variar geralmente de O a 10%. é recomendado para a aliment.ação de
alguns tipos de equipamentos que podem
Eficiência falhar com a presença de interferências
eletromagnéticas.
É a relação entre a potência de saída e
a potência de entrada do inversor. Uma O índice de distorção harmónica deve ser
alta eficiência (o mais próximo possível de fornecido pelo fabricante na folha de espe­
100%) é desejável em todos os equipa­ cificações do inversor.
mentos eletrónicos.
Proteção de curto-circuito
Bons inversores possuem eficiência acima
de 90%. Este número é normalmente for­ Se o inversor tiver essa proteção, signifi­
necido pelo fabricante e serve como índice ca que seus terminais de saída podem ser
de qualidade do equipamento. colocados em curto-circuito sem causar
danos ao equipamento. Todos os inverso­
forma de onda de saída res devem ser equipados com um fusível
de proteção de curto-circuito, entretanto
É o tipo de tensão alternada que o inversor alguns equipamentos mais sofisticados pos­
produz. Inversores de três tipos são encon­ suem uma proteção eletrónica que impede
trados no mercado, sendo de onda senoi­
a queima do fusível. Assim, quando colo­
dal pura, onda senoidal modificada e de cado em curto-circuito, o inversor limita
onda quadrada.
automaticamente sua corrente de saída.
O inversor de onda senoidal pura é o que Quando cessa o curto-circuito, o inversor
reproduz com perfeição a tensão alternada volta ao seu funcionamento normal.
da rede elétrica. Esse tipo de inversor é o
mais recomendado. Proteção de reversão de polaridade
Os inversores de onda modificada e onda A conexão elétrica aos terminais CC de
quadrada apresentam tensões que produ­ entrada do inversor deve respeitar as
zem interferências eletromagnéticas e não polaridades positiva e negativa da tensão.
são adequados para a alimentação de apa­ A ligação com a polaridade invertida vai
relhos ou equipamentos sensíveis. danificar a maior parte dos equipamentos.
Alguns inversores possuem proteção con­
Distorção harmônica tra reversão de polaridade, o que evita a
queima do aparelho em caso de troca de
É um parâmetro que mede a pureza da polaridade inadvertida.
tensão alternada fornecida pelo inversor.
124 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

4.5.4 Tipos de inversores


Inversores de onda quadrada e de onda senoidal modificada
Inversores de onda senoidal modificada são aparelhos que produzem tensões de saída com
o formato de ondas semiquadradas. As ondas semiquadradas possuem menos distorção
harmónica do que as ondas totalmente quadradas, entretanto ambas são muito distorcidas
quando comparadas com uma onda senoidal pura. A Figura 4.34 ilustra as ondas quadrada
e semiquadrada (senoidal modificada).

Os inversores de onda quadrada e de onda senoidal modificada são equipamentos de bai­


xo custo destinados à alimentação de eletrodomésticos, lámpadas e aparelhos eletrónicos
que não são sensíveis à distorção de tensão e operam normalmente. Aplicações mais críti­
cas, que exigem alta confiabilidade e qualidade, como equipamentos médicos, sistemas de
telecomunicações e equipamentos de alto custo, preferencialmente devem ser alimentados
por inversores de onda senoidal pura.

Onda senoidal pura


+
/ Onda
___
Onda senoidal modificada

_ ____,,,.., .,:'quadrada ....,

Figura 4.34: Ondas senoidal pura, modificada e quadrada.

Inversor PWM de onda senoidal pura


Os inversores de onda senoidal pura são aparelhos que produzem tensões com o formato
de ondas senoidais quase perfeitas, com baixíssima distorção harmónica. São equipamen­
tos ideais para aliment.ar todos os tipos de consumidores com elevada confiabilidade e
excelente qualidade de energia.

O inversor de onda senoidal pura funciona pelo princípio da modulação de largura de pul­
sos (PWM, Pulse Width Modulation). Em vez de produzir simplesmente uma onda quadra­
da ou uma onda quadrada modificada, como aquelas mostradas na Figura 4.34, o inversor
PWM produz uma sequência de pequenas ondas quadradas de alt.a frequência, como
ilustra a Figura 4.35.

O padrão de pulsos de PWM na saída do inversor possui um conteúdo senoidal funda­


mental (na frequência de 60 Hz) adicionado a um conteúdo harmónico de alta frequência.
A introdução de um filtro elétrico de alt.a frequência na saída do inversor, como mostra a
Figura 4.35, possibilita a obtenção de uma tensão de onda senoidal pura e com baixa dis­
torção harmónica.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 125

Os inversores de onda senoidal pura são mais sofisticados do que seus equivalentes de
onda quadrada ou senoidal modificada. Naturalmente, seu custo também é mais elevado.

T1 T2

I I
I I
-~ --o
I

T3 T4

Filtro elétrico Saída do


inversor

I
I
¡-o
L---------
Figura 4.35: Funcionamento do inversor PWM de onda senoidal pura.

Figura 4.36: Inversores de onda senoidal pura para sistemas


fotovoltaicos autônomos. Cortesia: Studer lnnotec.

Inversores interativos com a rede


Alguns inversores incorporam funções adicionais de controlador de carga e trabalham de
forma interativa com a rede. São inversores empregados em sistemas de alimentação de
emergência para aplicações não autónomas, como uma residência que já possui rede elé­
trica, mas deseja ter garantia de disponibilidade de eletricidade em caso de queda de
energia elétrica, ou sistemas híbridos que empregam várias fontes de energia além da solar
fotovoltaica.
A Figura 4.37 ilustra inversores da linha Extender/Studer, que têm a capacidade de intera­
gir com a rede. As Figuras 4.38 e 4.39 mostram os modos de funcionamento do inversor.
Quando a rede elétrica ou outra fonte está presente, o inversor comporta-se como um con-
126 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

trolador de carga e realiza o carregamento da bateria. Em caso de falha da rede ou ausência


de outra fonte, o inversor aliment.a os consumidores, operando no modo de inversão e
fornecendo tensão de alimentação com forma de onda senoidal pura nos seus terminais
de saída. Com esse tipo de inversor o módulo fotovoltaico pode ser agregado ao sistema
através de um controlador de carga externo, como é mostrado nas figuras seguintes.

I
Figura 4.37: Inversores de onda senoidal pura com recurso
de operação interativa com a rede. Cortesia: Studer lnnotec.

~ Consumidores alimentados
.-------o-+<l>--------, I • diretamente pela rede elétrica
Conexão à rede
elétrica pública Conexãoaos consumidores
Inversor Interativo
com a rede
Entrada Salda
CA CA
Bateria
+ -

Carregamento
\ da bateria com
~ energia da rede

.----:.-;;.· ·:;:;:----.
'--~=:=)
Controlador Carregamento ~
~-="
de carga da bateria com ~
energia do módulo ·---·-·-
-
Figura 4.38: Inversor interativo com a rede efetuando o carregamento
da bateria na presença de conexão com a rede elétrica.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 127

Redeelétrica
indisponível Conexão aos consumidores
Inversor Interativo
com a rede
Entrada Salda
CA CA
Bateria
+ -
Consumidores alimentados
t Energia da
diretamente pela rede elétrica
~atería em uso

Controlador Carregamento
de carga

Figura 4.39: Inversor interativo com a rede alimentando os


consumidores com a energia da bateria na ausência da rede elétrica.

4.6 Módulos fotovoltaicos para dos para sistemas fotovoltaicos de baixa


tensão. Módulos de 60 células, por outro
sistemas autônomos lado, são impróprios para aplicações em
12 V e são direcionados para os sistemas
Grande parte dos sistemas fotovoltai­ fotovoltaicos conectados à rede elétrica,
cos autónomos opera na tensão de 12 V nos quais os níveis de tensão costumam
Inversores, baterias e controladores de ser mais elevados.
carga para 12 V são os mais encontrados
no mercado. Existem módulos fabricados
especialmente para serem compatíveis
com esses sistemas autónomos.
Os módulos fotovoltaicos encontrados
no mercado dividem-se em duas catego­
rias de acordo com sua faixa de potência:
módulos de 36 células, com potências de
pico entre 130 W e 140 W e módulos de
60 células, com potências entre 240 W e
250W.
Os módulos de 36 células, como os ilustra­
dos na Figura 4.40, são indicados para os
sistemas fotovoltaicos autónomos, pois sua Figura 4.40: Módulos de 36 células para
tensão de saída é reduzida e são apropria- aplicações autónomas. Cortesia: LC.
128 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

As Tabelas4.2 e 4.3 exemplificam algumas 4.7 Organização dos sistemas


características de um módulo fotovoltaico
de silício policristalino de 36 células, espe­ fotovoltaicos autônomos
cífico para aplicações autônomas.
Para compreender as diferenças entre as
4.7.1 Sistemas para a alimentação
características dos módulos de 36 e 60
células, é preciso comparar as informações de consumidores em corrente
da tabela com as dos módulos monocrista­ alternada
linos de 60 células apresentados no Capí­
Um sistema fotovoltaico para a alimenta­
tulo 3. Ao fazer a comparação, verifica-se
que os valores de tensão especificados na ção de consumidores em corrente alterna­
da possui os seguintes componentes:
folha de dados do módulo de 60 células
são superiores aos dos módulos de 36 fì"í Módulo ou conjunto de módulos foto-
células em aproximadamente 1 O V. Os voltaicos;
níveis de corrente, todavia, são parecidos,
fì"í Controlador de carga;
pois o que muda de um tipo para o outro é
o número de células ligadas em série. fì"í Bateria ou banco de baterias;
fì"í Inversor CC-CA;
Tabela 4.2: Características em STC
do módulo LD135R9W da LC. fì"í Consumidores.
Potência máxima 135 W A organização de um sistema deste tipo,
Tensão de máxima potência 17,25 V com módulos conectados em paralelo, é
Corrente de máxima potência 7,9 A mostrada na Figura 4.41. O número de
Tensão de circuito aberto 21,8 V módulos empregados depende da neces­
Corrente de curto-circuito 8,41 A sidade de energia dos consumidores. O
Eficiência do módulo 13,7%
dimensionamento correto dos módulos de
um sistema fotovoltaico será apresentado
adiante.
Tabela 4.3: Características em NOCT
do módulo LD135R9W da LC. A Figura 4.42 mostra o mesmo sistema com
módulos conectados em série. O controla­
Potência máxima 98,23 W dor de carga e o banco de baterias devem
Tensão de máxima potência 15,54 V ser escolhidos de acordo com o nível de
Corrente de máxima potência 6,32A tensão empregado. Nesse sistema exem­
Tensão de circuito aberto 19,99 V plificado podem ser usadas duas baterias
Corrente de curto-circuito 6,83A de 12 V sem série ou uma bateria de 24 V.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 129

Consumidores em
corrente alternada
+
12
V +
Controlador
r-----+-..-----i- de carga
+...-.':», ~-+-~-~
12 V
220 V
Inversor 60 Hz
CC-CA

Figura 4.41: Organização de um sistema fotovoltaico autônomo em


12 V para a alimentação de consumidoresem corrente alternada.

Consumidoresem
correntealternada

24 V
220V
Inversor 60 Hz
CC-CA

Figura 4.42: Organização de um sistema fotovoltaico autônomo em


24 V para a alimentação de consumidoresem corrente alternada.

4.7.2 Sistemas para a alimentação de consumidores em corrente contínua


Alguns consumidores são alimentados com tensão contínua de 12 V ou 24 V, como lâmpa­
das e eletrodomésticos portáteis, conforme ilustra a Figura 4.43. Neste caso a presença do
inversor é dispensada e o sistema possui tipicamente os seguintes componentes:

,.-. Módulo ou conjunto de módulos fotovoltaicos;


,.-. Controlador de carga;
,.-. Bateria ou banco de baterias;
,.-. Cargas consumidoras.
130 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Consumidores em
+ corrente contínua

12
V + Controlador

7
~--+-------!- de carga
--~ ·:.::--- - ....+_~~
12 V

'
Figura 4.43: Sistema fotovoltaico para alimentação de cargas em corrente contínua.

4.7.3 Sistemas sem baterias


Algumas aplicações podem dispensar a presença de baterias, podendo usar diretamente a
energia produzida pelo módulo fotovoltaico. Est.e é o caso de sistemas de bombeamento
de água que empregam motores de corrente contínua e podem ser conectados diretamen­
te ao módulo, como ilustra a Figura 4.44.



t
• Caixa de
• controle


Figura 4.44: Sistema fotovoltaico de bombeamento de água sem bateria. Cortesia: Anauger.

Neste caso não há necessidade de armazenamento com baterias, pois o próprio elemento
a ser armazenado é a água. Assim, toda a energia elétrica produzida pelo painel fotovol­
taico é diretamente fornecida à bomba e armazenada na forma de água no reservatório
localizado no nível superior.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 131

O sistema de bombeamento de água mos­ pois a ausência de baterias aumenta a vida


trado na Figura 4.44 consegue aproveitar útil do sistema e reduz a necessidade de
toda a energia produzida pelo módulo manutenção. Essas bombas estão disponí­
fotovoltaico mesmo sem a presença de veis comercialmente nas versões para poço
bateria, entretanto sofre com a intermi­ (com capt.ação de água na parte superior
tência da radiação solar. O sistema possui da bomba) e para reservatório (com cap­
uma caixa de controle que faz a conexão tação na parte inferior). São bombas que
entre o módulo e a bomba. trabalham submersas, inseridas diretamen­
te no reservatório de água ou introduzidas
Esse tipo de sistema de bombeamento tem
em um poço de diâmetro estreito, como
a vantagem do baixo custo e do aumen­
mostra a Figura 4.45.
to da confiabilidade do funcionamento,

Caixa de Caixa de
controle
Captação de
água superior
)tÀ

Bomba Bomba para-........_ ~aptação de


para poço reservatório agua inferior

Método de instalação da bomba de poço

Figura 4.45: Bombas submersas para poço e reservatório. Cortesia: Anauger.

A Figura 4.46 mostra o gráfico de desempenho das bombas submersas P1 OO e R1 OO da


Anauger com diferentes modelos de módulos fotovoltaicos. A vazão de água bombeada
diariamente depende da altura do bombeamento (coluna d'água) e da potência de pico
do módulo fotovoltaico empregado. O gráfico reflete o desempenho das bombas para a
insolação de 6000 Wh/m2 diária.
132 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Noscasosem que o bombeament.o deve ser constante, ou seja, deve havervazão de água cons­
tante no período de funcionamento da bomba, exige-se o usode uma bateria e a bomba pode
ser aliment.ada como um consumidor convencional nos sistemas mostrados nas Figuras 4.41,
4.42 e 4.43.

Anauger solar H (mea) 100Wt 130Wt 170Wp


íõ 45
' ' ' ' ' o 4.600 6.300 8.600
j Bombas: 5 3.700 7.000

t~~~
40 >--
Anauger solar Pl OO 10 3.000 5.600
I\ ,..._
','
~ 35 Anaugersolar RlOO 15 2.400 4.500
... I\ ¡.. Potência do sistema:
20 1.950 2.600 3.650
·[ § 30
I',
I'
¡.. ~, 100 Wp -130Wp -170 Wp
I I I
25 1.550 2.050 2.900
!: 8 25 30 1.200 1.600 2.250
Q> Q>
¡¡¡ ..., r-., '¡,,.. 1 '9 }'\íP 35 900 1.200 1.700
f
20 " '' ~ ~, 40 1.200
li
:C ÕÍ 15
1·~p
ttb "'¡,..._
650 900

E 10
li
e 5
' l',100 WP- ~... ~ -
-r-. ¡,..._
.... ......
....... .......
E
- o 1.000 2.000 3.000
*4.000 5.000
Vazão * (litros por dia)
6.000 7.000 8.000 9.000
• Com insolação: 6 kWh/m2 por dia.
• Condlçäo climática afeta o desempenho.

Figura 4.46: Sistema fotovoltaico de bombeamento de água sem bateria. Gráfico da altura de bombeamento
em função da vazão diária de água com módulos fotovoltaicos de 100 W, 130 We 170 W. Cortesia: Anauger.

4.7.4 Sistemas fotovoltaicos nar ao sistema a capacidade de gerenciar


grandes correntes.
autônomos de grande porte
Sistemas autónomos de grande porte, de
É possível constituir sistemas fotovoltaicos
várias dezenas de quilowatts, para ali­
relativamente grandes, até alguns quilo­
ment.ar consumidores individuais com
watts, com os esquemas apresentados
alt.a demanda de energia, conjuntos de
anteriormente, baseados na estrutura con­
residências ou comunidades inteiras, re­
vencional compost.a de controlador de car­
querem o emprego de inversores que
ga, baterias e inversor.
gerenciam grandes bancos de baterias e
Controladores de carga são encontrados permitem o paralelismo.
no mercado com capacidades de corrente
Existem no mercado inversores que podem
de até 60 A e tensão de 48 V, o que per­
ser acrescentados em paralelo, permitindo
mite constituir sistemas de até aproxima­
constituir sistemas fotovoltaicos autóno­
damente 4 kW. Para aumentar a potência
mos de alt.a potência. Muitos desses equi­
dos sistemas além deste limite, é neces­
pamentos são capazes também de operar
sário empregar bancos de baterias maio­
em sincronismo para a constituição de
res e para gerenciá-los é possível empregar
redes elétricas trifásicas. Alguns exemplos
controladores que permitem a operação
de inversores desta categoria são os produ­
em paralelo, de modo que vários contro­
tos da linha Sunny lsland/SMA mostrados
ladores possam ser usados para proporcio-
na Figura 4.47.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 133

Figura 4.47: Inversores de onda senoidal pura para sistemas fotovoltaicos


autônomos de alta potência da linha Sunny Island. Cortesia: SMA.

A Figura 4.48 mostra um sistema composto por um inversor autónomo que alimenta uma
residência a partir de um banco de baterias em conjunto com um inversor para a conexão
de módulos fotovoltaicos à rede elétrica (este último será trat.ado no Capítulo 4).

O inversor Sunny Island mostrado na figura é responsável pelo fornecimento de tensão de


onda senoidal pura, constituindo uma rede elétrica autónoma para a residência. Módulos
fotovoltaicos podem ser agregados em qualquer quantidade ao sistema através de inverso­
res que se conectam a essa rede autónoma, no mesmo conceito dos sistemas conectados
à rede abordados no Capítulo 4.

···:-"i.,~--.. Banco de
t ~~~~c..;J;,
~ baterias

Inversor de onda
senoidal pura Inversor para a conexão
Sunny Island de módulos fotovoltaicos
à rede elétrica

1 -

Figura 4.48: Sistema de alimentação autônomo para residência.


Fonte: Sunny Island System Cuide. Cortesia: SMA.

A Figura 4.49 ilustra um sistema híbrido com duas fontes de energia. O sistema é alimenta­
do por um gerador a diesel e por módulos fotovoltaicos. O banco de baterias é gerenciado
pelo inversor autónomo Sunny Island, como no exemplo anterior.
134 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

··-;;Jfiz!J-... Banco de
·~~ baterias

Gerador diesel

Inversorde onda
senoidal pura Inversor para a conexão
Sunny Island de módulos fotovoltaicos
à rede elétrica

1 -

Figura 4.49: Sistema de alimentação autónomo híbrido para residência.


Fonte: Sunny Island System Guide. Cortesia: SMA.

A Figura 4.50 mostra o exemplo de um sistema híbrido autónomo, com módulos foto­
voltaicos e gerador a diesel, onde dois inversores Sunny Island são conectados em para­
lelo para aumentar a potência do sistema. Sistemas como este podem ser constituídos
com um número maior de inversores operando em paralelismo, o que permite atender
consumidores com alta demanda de energia, como residências de alto padrão, hotéis e
comunidades inteiras.
Essa figura também indica que é possível agregar um controlador de carga ao sistema,
conectando um conjunto de módulos fotovoltaicos diretamente ao banco de baterias,
como no modelo tradicional de sistemas autónomos. Neste exemplo usa-se um controla­
dor que pertence à família de produtos Sunny lsland/SMA.

~
~Controladorde
1
~
~ carga especial
'---@---...------.
Gerador diesel
Inversores para a
conexão de módulos
fotovoltaicosà
rede elétrica
Inversoresde onda
senoidal pura
Sunny Island
em paralelo

Figura 4.50: Sistema de alimentação autónomo híbrido para residência com dois
inversores Sunny Island em paralelo. Fonte: Sunny Island System Guide. Cortesia: SMA.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 135

A Figura 4.51 apresenta o exemplo de um sistema híbrido autônomo, com inversores Sunny
Island formando uma rede elétrica trifásica. Inversores ainda podem ser acrescentados em
paralelo a esses très, constituindo uma rede trifásica de alta potência para a alimentação
dos consumidores.

~Controlador de
..-~
,:.., ... ·~
.,.,
... ,,;;;~.-···
•.,.:.t¡
Banco de
baterias
~ carga especial
l - -füg- - ...--------­
Gerador diesel
Inversores para a
conexão de módulos
fotovoltaicos
à rede elétrica

Inversores de onda
senoidal pura 3-
Sunny Island em
ligação trifásica

Figura 4.51: Sistema de alimentação autônomo híbrido para residência com inversores
Sunny Island em ligação trifásica. Fonte: Sunny Island System Guide. Cortesia: SMA.

4.8 Cálculo da energia produzida gìa solar diária é encontrada na forma


da insolação, expressa em watt-hora por
pelos módulos fotovoltaicos metro quadrado por dia (Wh/m2/dia). O
valor da insolação diária para uma região
No dimensionamento de sistemas fotovol­ geográfica pode ser encontrado em mapas
taicos é muito importante saber determinar solarimétricos ou obtido através de uma
quanta energia é produzida diariamente ferramenta computacional como a calcula­
por um módulo fotovoltaico. A seguir são dora solar (www.calculadorasolar.com.br).
apresentados dois métodos muito simples
que podem ser empregados no projeto de O método da insolação para o cálculo da
sistemas fotovoltaicos. Para realizar o cál­ energia produzida pelo módulo fotovoltai­
culo é necessário conhecer as condições co é válido quando se considera o uso de
de insolação do local e as características controladores de carga com o recurso do
do módulo utilizado. MPPT. Ao considerar o valor da energia do
Sol disponível diariamente como basepara
o cálculo, espera-se extrair o máximo pos­
4.8.1 Método da insolação sível dessa energia. Neste caso a energia
produzida é limitada apenas pela eficiên­
Esse método pode ser empregado no cál­
cia do módulo.
culo da energia produzida pelo módulo
fotovoltaico quando se tem informação Os dados de insolação disponíveis nos
sobre a energia do Sol disponível diaria­ mapas solarimétricos referem-se a uma
mente no local da instalação. Como vimos média de insolação anual. Em outras pala­
no Capítulo 2, a informação sobre a ener- vras, o valor fornecido pelos mapas é a
136 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

soma das insolações de cada dia do ano A energia produzida pelo módulo fotovol­
dividida pelo número de dias, ou seja, 365. taico é calculada pela seguinte fórmula:
Se, por exemplo, obtém-se no mapa o valor
de 5000 Wh/m2/dia para uma cert.a loca­ Ep = Es x AM x r¡M
lidade, isso significa que em média o Sol sendo:
fornece diariamente a energia de 5000 Wh
para cada metro quadrado de área daque­ Ep = Energia produzida pelo módulo dia-
le lugar. Entretanto, nos meses de verão riamente [Wh]
esse número será maior e nos meses de Es = Insolação diária [Wh/m2/dia]
inverno a energia será bem menor.
AM = Área da superfície do módulo [m2]
O dimensionamento de um sistema foto­
voltaico com base na insolação média 11M = Eficiência do módulo
anual pode levar à falha do sistema por
falta de energia nos meses de inverno e
Exemplo
excesso de energia nos meses de verão. O Cálculo da energia produzida pelo módu­
excesso de energia torna o sistema exces­ lo LD135R9W da LG. Esse módulo tem
sivamente caro, mas tecnicamente não há potência de pico de 135 W e foi desenvol­
nenhum problema nisso. A questão prin­ vido especialmente para aplicações foto­
cipal é como dimensionar o sistema cor­ voltaicas autónomas. Vamos considerar
reto para atender a demanda de energia neste exemplo uma localidade que possui
elétrica em todos os dias do ano. Neste a insolação de 4500 Wh/m2/dia.
caso deve-se utilizar para o cálculo o valor
O primeiro passo para o cálculo é buscar
da insolação referente ao pior mês do ano
para garantir o abastecimento de energia as informações necessárias na folha de
dados do fabricante. Essas informações são
elétrica nos meses de menor insolação.
apresentadas na Tabela 4.4.
A taxa de insolação média diária por metro
quadrado da maior parte das localidades Tabela 4.4: Características do
brasileiras é de 5000 Wh/m2/dia. No Sul módulo LD135R9W da LC.
do País este número cai para 4500 Wh/m2/
Altura 1,474 rn
dia e no Nordeste pode chegar a mais de
Largura 0,668 rn
6000 Wh/m2/dia.
Área (Altura x Largura) 0,984 rn2
Levantamento das características Eficiência do módulo 13,7%
do módulo
Em seguida, com base nas informações da
As características do módulo fotovoltaico tabela, basta aplicar a fórmula apresentada
necessárias para o cálculo da energia pro­ anteriormente para o cálculo da energia
duzida com base na insolação são as suas diária produzida:
dimensões físicas (para o cálculo da área)
e a sua eficiência. A eficiência do módu­ Ep = 4500 x (1,474 x 0,668) x 13,7% =
lo, se não for fornecida pelo fabricante, = 607 Wh
pode ser calculada pelo próprio leitor com
base no valor de potência de pico (máxima Este cálculo leva em conta que o módu­
potência nas condições STC, 1000 W/m2 e lo vai ser inst.alado de modo a maximizar
25°C), como foi explicado no Capítulo 2. o aproveitamento da energia solar e será
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 137

empregado com um controlador de car­ ção. O cálculo feito com as condições STC
ga que possui o recurso do MPPT. Nos poderia result.ar um valor de energia pro­
locais situados abaixo da linha do equa­ duzido muito grande, acima do valor que
dor, o módulo deve ter sua face volt.ada vai realmente ser obtido na prática.
para o norte geográfico (se estiver acima
O cálculo da energia produzida pelo
da linha do equador, ou seja, no hemis­
módulo nesse método é feito pela seguinte
fério norte, deve estar voltado para o sul
fórmula:
geográfico) e a inclinação do módulo em
relação à superfície horizontal deve ser
determinada de acordo com a latitude
geográfica, como foi explicado no Capítu­ sendo:
lo 2. O valor da inclinação correta para o
módulo também pode ser obtido através
EP = Energia produzida pelo módulo dia-
riamente [Wh)
de ferramentas comput.acionais, dentre as
quais podemos citar a calculadora solar PM= Potência do módulo [W]
(www.calculadorasolar.com.br).
H5 = Horas diárias de insolação [horas)
A potência do módulo é calculada por:
4.8.2 Método da corrente máxima
do módulo
Nesse método considera-se que não é sendo:
possível ter o aproveitamento máximo da
energia solar, pois o sistema fotovoltaico
PM = Potência do módulo [W]
não está equipado com o recurso de MPPT l5c = Corrente de curto-circuito do mó­
(rastreamento do ponto de máxima potên­ dulo [AJ
cia do módulo).
V8Ar = Tensão da bateria ou do banco de
O módulo fotovoltaico é então impossibi­ baterias [V]
litado de operar em seu ponto de máxima
potência e sua produção de eletricidade A quantidade de horas diárias de insolação
fica condicionada ao ponto de operação de uma localidade é um número prático
imposto pela tensão da bateria ou do ban­ que pode variar ao longo do ano e é dife­
co de baterias do sistema, como foi mos­ rente para cada região geográfica. Valo­
trado na Figura 4.28. res que possibilitam bons result.ados para
o cálculo da energia nesse método estão
O primeiro passo no cálculo da energia pro­ entre quatro horas e seis horas.
duzida pelo módulo através desse método
é obter as características do módulo em O dimensionamento de um sistema foto­
sua folha de dados. Podem ser usadas as voltaico nessas condições, através desse
características em STC (condições padrão método, é extremamente empírico e os
de teste do módulo) ou NOCT (condições resultados produzidos podem requerer
normais de operação do módulo). As con­ ajustes em função das condições reais de
dições em NOCT são mais apropriadas funcionamento do sistema, o que só pode
para este caso, pois refletem com mais pro­ ser feito na prática e após verificadas as
ximidade as características reais de opera- condições verdadeiras de produção e con­
sumo de energia.
138 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Exemplo
Cálculo da energia produzida pelo módulo LD135R9W da LG com o método da corrente
máxima do módulo. Vamos considerar neste exemplo uma localidade que apresenta cinco
horas diárias de insolação e um sistema fotovoltaico autónomo com um banco de baterias
de 12 V.
Tabela 4.5: Característicasem NOCT
O primeiro passo para o cálculo é buscar do módulo LD135R9W da LC.
as informações necessárias na folha de
dados do módulo fotovotoltaico. Con­ Potência máxima 98,23 W
sult.ando a folha de dados do módulo Tensãode máxima potência 15,54 V
LD135R9W fornecida pelo fabricante Corrente de máxima potência 6,32 A
LG, encontram-se as características mos­ Tensãode circuito aberto 19,99 V
tradas na Tabela 4.5. Corrente de curto-circuito 6,83 A

A informação que interessa nesta tabela é o valor da corrente de curto-circuito do módu­


lo na condição NOCT Use Noc/ Este é aproximadamente o valor da corrente fornecida
pelo módulo dentro da faixa de operação entre 1 O V e 15 V, que é a faixa de tensão que
a bateria pode apresent.ar nos seus terminais. Por estar conectado à bateria através de um
controlador de carga simples, que não possui o recurso de MPPT, a tensão do módulo é a
mesma da bateria.
O módulo fotovotaico LD135R9W, nas condições deste exemplo, ou seja, com sua corrente
máxima e com bateria de 12 V, vai trabalhar no ponto de operação indicado na Figura 4.52.

10
9 Ponto de operação
<( 8 t--Co-r-re-nt_e_m_áx_i_m_a___
do módulo
o 7 • #
:i
:g 6 NOCT
E
o 5
"se: 4
<IJ 3
I:: Tensão nominal
o
u 2
------ da bateria
12 V
o
1
...
5.0 10.0 15.0 20.0 25.0

Tensão do módulo [VJ


Figura 4.52: Curvas características do módulo policristalino L0135R9W LC.

A potência do módulo nest.e casoserá:

PM= 6,83 x 72 = 81,96 W

E a energia produzida diariamente pelo módulo será:

Ep = 81,96 x 5 = 410 Wh
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 139

definido o valor da tensão de operação,


Em geral um sistema com MPPT produz 30% precisamos determinar a capacidade de
mais energia do que um sistema sem o recurso carga (expressa em ampère-hora, Ah) do
de MPPT. O leitor pode observar que o valor de banco de baterias, que vai determinar a
410 Wh obtido neste exemplo é cerca de 30% quantidade de elementos em paralelo.
menor do que o valor de 607 Wh obtido no
exemplo anterior.
Número de baterias em série
O número de baterias em série pode ser
4.9 Dimensionamento do determinado pela fórmula:

banco de baterias NBS= VBANCO I VVBAT

O dimensionamento do banco de baterias sendo:


do sistema fotovoltaico consiste em deter­ NBS = Número de baterias ligadas em
minar os tipos, a quantidade e a forma de série
organização das baterias utilizadas.
O dimensionamento começa a partir do
VBANCO = Tensão do banco de baterias [VJ
valor da energia que precisa ser armazena­ V118Ar - Tensão da bateria utilizada [VJ
da, que depende da energia demandada
A capacidade do banco de baterias é de­
pelos consumidores (energia consumida)
terminada pela fórmula:
e da profundidade de descarga permitida
nas baterias. A energia consumida deve CBANCO = EA I VBANCO
ser conhecida para cada sistema fotovol­
taico específico. Na próxima seção o leitor sendo:
aprenderá a fazer o dimensionamento de
um sistema fotovoltaico e a determinar a
C8ANco = Capacidade de carga do banco
energia que precisa est.ar disponível no sis­ de baterias em ampère-hora [Ahl
tema fotovoltaico para atender a demanda EA - Energia armazenada no banco
do consumidor. de baterias [Wh]

Além da energia armazenada, expressa em VBANCO = Tensão do banco de baterias [VJ


watt-hora (Wh), é necessário conhecer a
A energia armazenada é calculada pela
tensão de operação do banco de baterias,
fórmula:
que pode ser em 12 V, 24 V ou 48 V, de
acordo com o tipo de sistema fotovoltaico
desejado.
sendo:
As baterias de um banco podem ser orga­
nizadas em série e paralelo, como foi expli­ EA - Energia armazenada no banco de
cado no início deste capítulo. A tensão das baterias [Wh]
baterias empregadas e a tensão desejada
para o banco determinam o número de Ee - Energia consumida [Wh]
baterias que devem ser ligadas em série. Po - Profundidade de descarga permiti-
Depois, uma vez conhecida a energia e da (20%, 50%, 80% etc.)
140 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Número de baterias em paralelo sistema fotovoltaico de 24 V. Deseja-se ter


profundidade de descarga máxima de 30%
Finalmente, precisamos determinar a q uan­ com baterias estacionárias de chumbo áci­
tidade de conjuntos de baterias que devem
do de 12 V.
ser ligados em paralelo para constituir o
banco com a capacidade desejada. Isso A solução começa com a determinação do
depende do tipo de bateria empregado. número de baterias ligadas em série:
Geralmente são escolhidas baterias com
capacidade de ampère-hora [Ahl mais NBS= 24 / 12 = 2
próxima possível da capacidade total do A energia que precisa ser armazenada
banco. [Wh] no banco é calculada como:
O número de conjuntos paralelos é deter­
EA = 8600 / 0,3 = 28666 Wh ou 28,66 kWh
minado pela fórmula:
Em seguida é necessário calcular a capaci­
NBP = CBANCO I CBAT
dade de carga [Ahl do banco de baterias:
sendo:
CBANCO = 8600 / 24 / 0,30 = 1195 Ah
N8P = Número de conjuntos de bate­
rias ligados em paralelo Agora precisamos determinar quantos
conjuntos de baterias serão ligados em
C8ANCO = Capacidade de carga do banco paralelo. Para isso precisamos identificar
de baterias em ampère-hora [Ahl o modelo de bateria que será empregado.
C8Ar = Capacidade de carga de cada Olhando no catálogo de um determinado
bateria em ampère-hora [Ahl fabricante de baterias, encontramos que
seu maior modelo de 12 V tem a capaci­
Exemplo dade de carga de 240 Ah. Então:

Dimensionar um banco de baterias para NBP = 1195 / 240 = 5


um sistema que consome 8600 Wh de
O banco de baterias resultante é mostrado
energia. Esse banco será empregado num
na Figura 4.53.

r--------------------------------------------------------------------------------------

Conjunto série: 240 Ah,


------------------ Cinco conjuntos em paralelo: 5 x 240 Ah= 1200 Ah
1---------------------------------------------------------------------------------------
Figura 4.53: Banco de baterias dimensionado para 1200 Ah com baterias de 12 V I 240 Ah.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 141

Para certificar-se de que o dimensiona­ sendo:


mento está correto, bast.a multiplicar a ten­
Ee = Energia consumida em watts-hora
são de cada bateria pela sua capacidade
[Wh]
de carga, depois multiplicar pelo número
tot.al de baterias do banco. O valor obti­ P = Potência em watts [W]
do deve ser próximo do valor da energia
armazenada que foi considerado no iní­ T = Tempo de uso em horas [hl
cio do cálculo. Neste exemplo temos que O consumo de energia dos aparelhos ali­
a energia armazenada no banco é igual a mentados pelo sistema fotovoltaico pode
240 Ah x 12 V x 2 x 5 = 28,8 kW, ligei­ ser determinado a partir da potência do
ramente superior ao valor desejado de aparelho mostrada na placa de identi­
28,66 kWh, portanto o dimensionamento ficação, no seu manual ou no catálogo
está correto. do fabricante.
Para fazer o cálculo da energia é neces­
sário saber quantas horas por dia o apare­
4.1 O Levantamento do consumo lho é utilizado. Esta é uma tarefa nem sem­
de energia do sistema pre fácil, pois o uso de um aparelho pode
variar de um dia para outro, de acordo
fotovoltaico autônomo com a época do ano, ou pode ser diferen­
te de acordo com a pessoa que o utiliza.
O primeiro passo para o dimensionamen­
to de um sistema fotovoltaico é o levan­ O dimensionamento de um sistema foto­
tamento do consumo de energia elétrica. voltaico deve levar em conta o uso médio
Precisamos saber quais aparelhos elétricos do aparelho com base na experiência prá­
serão usados e durante quantas horas eles tica do projetista e tendo-se algum conhe­
ficarão ligados durante um dia ou durante cimento prévio do tipo de aparelho que
um mês. será aliment.ado e do tipo de usuário que
utilizará o sistema fotovoltaico.
O cálculo da energia necessária para ali­
mentar um aparelho elétrico ou eletrónico A Tabela 4.6 mostra as potências [W], as
é feito pela potência do aparelho e pelo horas de uso e o consumo médio mensal
número de horas em que ele é utilizado. [kWh] de algunsaparelhos e eletrodomésti­
cos comuns. Normalmente os sistemas foto­
Em sistemas fotovoltaicos autónomos, nor­
voltaicos são dimensionados com base no
malmente est.amos interessados em saber
consumo diário de energia, pois é comum
qual é a energia consumida pelo apare­
realizar o cálculo da energia produzida dia­
lho no período de um dia, pois queremos
riamente pelo módulo fotovoltaico.
dimensionar os painéis fotovoltaicos e as
baterias para possibilitar o uso diário des­ Se o dimensionamento for feito com base
ses aparelhos. no consumo mensal, pode-se utilizar a
tabela para obter o consumo de energia
A energia elétrica consumida por um apa­
mensal dos aparelhos. Se o dimensiona­
relho eletroeletrônico é calculada por:
mento for diário, basta dividir por 30 o
Ee= Px T número obtido na tabela.
142 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A energia é medida em Wh (watt-hora) ou quilowatt-hora (kWh). 1 kWh = 1000 Wh. O watt-hora (Wh)
é uma unidade de energia, enquanto o watt (W) é uma unidade de potência.

Tabela 4.6: Tabelade consumo dos aparelhos eletrodomésticos mais comuns.

Potência Dias de uso Tempo de Consumo


Aparelhos
(W) no mês utilização diária mensal (kWh)
Freezer 400 30 10 h (*) 120
Geladeira (2 portas) 300 30 10 h (*) 90
Geladeira (1 porta) 200 30 10 h (*) 60
Boiler elétrico 1500 30 2h 90
Chuveiro elétrico 3500 30 40 min 70
Torneira elétrica 3500 30 30 min 52
Forno elétrico 1500 30 1 h 45
Secadora de roupas 3500 12 1 h 42
Cafeteira elétrica 1000 30 1 h 30
Lavadora de louças 1500 30 40 min 30
Ventilador 100 30 8h 24
Computador 250 30 3 h 22
Lâmpada 100 30 5 h 15
TV (20 polegadas) 90 30 5 h 13
TV (14 polegadas) 60 30 5 h 9
Forno de micro-ondas 1300 30 20 min 13
Ferro elétrico 1000 12 1 h 12
Aspirador de pó 1000 30 20 min 10
Lavadora de roupas 1500 12 30 min 9
Secador de cabelo 1000 30 10 min 5
Aparelho de som 20 30 4h 2
Telefone sem fio 5 30 24 h 3
TV em stand by 6 30 19 h 3
Carregador de celular 1,5 30 5 h o
Rádio relógio 1,6 30 24 h 1
(*) O tempo médio de utilização para geladeiras e freezers refere-se ao período em
que o compressor fica ligado para manter o interior na temperatura desejada.
O consumo de energia de uma geladeira ou freezer depende da temperatura
ambiente e do modo de utilização. Com a abertura muito frequente das portas o
consumo tende a ser mais elevado.
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 143

4.11 Exemplo de Então:

dimensionamento de Ee= 3400 Wh (energia consumida diaria­


mente)
um sistema fotovoltaico
autônomo Dimensionamento do banco de baterias
O dimensionamento do banco de baterias
Vamos fazer o dimensionamento de um empregado num sistema fotovoltaico deve
sistema para atender o consumo diário de levar em conta os seguintes aspectos:
uma residência que possui os seguintes
aparelhos: ú Quanta energia é necessária para o
consumo diário.
ú Duas lâmpadas de 60 W: ligadas du­
rante cinco horas por dia. ú Quantos dias o banco de baterias
deve ser capaz de alimentar o consu­
ú Um televisor de 200 W: ligado qua­ mo caso não haja produção de ener­
tro horas por dia. gia em dias chuvosos ou nublados.
ú Um refrigerador de 200 W: ligado dez ú Qual é a profundidade de descarga
horas por dia (tempo de funcionamen­ permitida para as baterias.
to médio do motor do compressor).
O primeiro aspecto tem resposta simples,
Características do sistema: pois o dimensionamento do sistema par­
ú Usa baterias de chumbo ácido de te do conhecimento dos aparelhos que
12 V com descarga máxima de 50%. serão aliment.ados e de seu tempo médio
de utilização.
ú Usa controlador de carga convencional
(do tipo LIGNDESLIGA, sem MPPT). O segundo aspecto já é um pouco com­
plicado. Se as baterias forem dimensio­
ú Deve ter energia armazenada nas ba­
nadas para armazenar energia suficiente
terias para dois dias de uso.
para uma semana de uso, por exemplo, o
ú Utiliza módulos LD135R9W em região custo do sistema ficará elevado. Se forem
com 5 horas diárias de insolação. dimensionadas apenas para uso diário,
corre-se o risco de ficar sem energia num
ú A tensão de alimentação da instalação
dia de chuva.
dos aparelhos é de 12 7 V e a tensão
do banco de baterias é 24 V. O dimensionamento do banco de baterias
depende da aplicação e do conforto dese­
Levantamento do consumo jados. Se o sistema fotovoltaico for usado
em uma aplicação crítica, como a alimen­
Energia necessária diariamente:
tação de uma est.ação de telecomunicações
2 x 60 W x 5 h = 600 Wh ou de um sistema de iluminação de aero­
porto, é recomendável fazer o dimensio­
1 x 200 x 4 h = 800 Wh namento das baterias para suportar vários
1 x 200 W x 1 O h = 2000 Wh dias sem geração de eletricidade, pois isso
garante a continuidade do serviço.
Total = 600 Wh + 800 Wh + 2000 Wh =
3400 Wh
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 143

4.11 Exemplo de Então:

dimensionamento de Ee= 3400 Wh (energia consumida diaria­


mente)
um sistema fotovoltaico
autônomo Dimensionamento do banco de baterias
O dimensionamento do banco de baterias
Vamos fazer o dimensionamento de um empregado num sistema fotovoltaico deve
sistema para atender o consumo diário de levar em conta os seguintes aspectos:
uma residência que possui os seguintes
aparelhos: ú Quanta energia é necessária para o
consumo diário.
ú Duas lâmpadas de 60 W: ligadas du­
rante cinco horas por dia. ú Quantos dias o banco de baterias
deve ser capaz de alimentar o consu­
ú Um televisor de 200 W: ligado qua­ mo caso não haja produção de ener­
tro horas por dia. gia em dias chuvosos ou nublados.
ú Um refrigerador de 200 W: ligado dez ú Qual é a profundidade de descarga
horas por dia (tempo de funcionamen­ permitida para as baterias.
to médio do motor do compressor).
O primeiro aspecto tem resposta simples,
Características do sistema: pois o dimensionamento do sistema par­
ú Usa baterias de chumbo ácido de te do conhecimento dos aparelhos que
12 V com descarga máxima de 50%. serão aliment.ados e de seu tempo médio
de utilização.
ú Usa controlador de carga convencional
(do tipo LIGNDESLIGA, sem MPPT). O segundo aspecto já é um pouco com­
plicado. Se as baterias forem dimensio­
ú Deve ter energia armazenada nas ba­
nadas para armazenar energia suficiente
terias para dois dias de uso.
para uma semana de uso, por exemplo, o
ú Utiliza módulos LD135R9W em região custo do sistema ficará elevado. Se forem
com 5 horas diárias de insolação. dimensionadas apenas para uso diário,
corre-se o risco de ficar sem energia num
ú A tensão de alimentação da instalação
dia de chuva.
dos aparelhos é de 12 7 V e a tensão
do banco de baterias é 24 V. O dimensionamento do banco de baterias
depende da aplicação e do conforto dese­
Levantamento do consumo jados. Se o sistema fotovoltaico for usado
em uma aplicação crítica, como a alimen­
Energia necessária diariamente:
tação de uma est.ação de telecomunicações
2 x 60 W x 5 h = 600 Wh ou de um sistema de iluminação de aero­
porto, é recomendável fazer o dimensio­
1 x 200 x 4 h = 800 Wh namento das baterias para suportar vários
1 x 200 W x 1 O h = 2000 Wh dias sem geração de eletricidade, pois isso
garante a continuidade do serviço.
Total = 600 Wh + 800 Wh + 2000 Wh =
3400 Wh
144 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Para alimentar eletrodomésticos em uma derarmos o uso do sistema na maior parte


residência, pode-se dimensionar o banco do ano, com condições favoráveis de inso­
para ter energia durante apenas um ou lação na maior parte dos dias, a energia
dois dias. Em casode falta de produção de das baterias será necessária apenas para
eletricidade devido a chuvas ou nuvens, uso diário, portanto sua profundidade de
o usuário pode reduzir o seu consumo, descarga será de apenas 25% na maior
utilizando menos o televisor e outros apa­ parte do tempo e 50% somente nas situa­
relhos não essenciais. Desta forma o con­ ções raras em que fait.ar Sol durante dois
forto é reduzido, mas o custo do sistema dias seguidos.
fotovoltaico também é reduzido, pois um
Neste exemplo teremos então:
número menor de baterias é utilizado.
O terceiro aspecto afeta a durabilidade ou Ee= 3400 Wh
a vida útil das baterias. Se as baterias forem (energia consumida diariamente)
dimensionadas para serem descarrega­
das diariamente com uma profundidade EA= 3400 Wh x 2 dias = 6800 Wh
de descarga muito grande, seu tempo de ou 6,8 kWh
vida será severamente reduzido. Se forem
O banco de baterias deve ter a tensão de
dimensionadas para uma pequena profun­
24 V. Como utilizamos baterias de chumbo
didade de descarga, sua durabilidade será ácido de 12 V, teremos:
maior, porém o custo do sistema será mais
elevado. O projetista do sistema fotovoltai­ NBS= 24 / 12 = 2
co deve levar em conta o custo-benefício (baterias ligadas em série)
do sistema e a facilidade ou dificuldade
para realizar a manutenção. A capacidade do banco de baterias será:
Em geral uma profundidade de descarga CBANCO = 6800/ 24 / 0,5 = 566 Ah
de 20% nas baterias de chumbo ácido é
adequada para proporcionar uma longa Considerando o uso de baterias de 240
vida útil, enquanto uma descarga de 50% Ah, determinamos o número de conjuntos
proporciona um custo menor com o incon­ de baterias conectados em paralelo:
veniente de vida útil reduzida e necessida­
de frequente de manutenção para a subs­ NBP = 566 / 240 = 2,36
tituição das baterias. O número 2,36 pode ser arredondado
Neste exemplo est.amos dimensionando para cima ou para baixo. Para ter um sis­
um sistema no qual é prevista a profun­ tema de custo menor, pode-se optar por
didade de descarga de 50%, com energia apenas dois conjuntos. Para garantir que
armazenada nas baterias para dois dias de o sistema fotovoltaico atenderá as neces­
uso. Em outras palavras, est.amos dizendo sidades do usuário, pode-se optar pelo
que se não houver Sol durante dois dias emprego de três conjuntos. Nesteexemplo
seguidos, haverá energia armazenada no vamos adotar o número 3.
banco para suprir dois dias de consumo e
ao final desses dois dias as baterias terão Quantidade de módulos fotovoltaicos
sido descarregadasem 50%.
A escolha da quantidade de módulos
A profundidade de descargaadotada neste empregados deve ser feita com base na
exemplo é bastante razoável, pois se censi-
Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 145

produção de energia elétrica do módulo 24 V do sistema, será necessário utilizar um


no local da instalação e no tipo de con­ número par de módulos. Neste exemplo
trolador de carga empregado no sistema. vamos empregar oito módulos fotovoltaicos.
Neste exemplo empregamos um contro­
lador de carga do tipo LIGA/DESLIGA, Controlador de carga
que não possui o recurso do MPPT. Nes­
te caso o cálculo da energia produzida Depois de dimensionar o conjunto de
módulos fotovoltaicos e o banco de bate­
pelo módulo é feito pelo método da cor­
rente máxima. rias, a próxima etapa é escolher o modelo
de controlador de carga empregado.
Foi visto anteriormente que um módulo
A especificação do controlador de carga
LD135R9W fornece 41 O Wh de energia
leva em conta dois parâmetros, sendo a
diariamente num local com cinco horas
tensão de operação e a corrente elétrica
diárias de insolação, considerando sua
máxima fornecida pelos módulos.
corrente máxima em NOCT e a tensão de
operação de 12 V. Neste exemplo o siste­ A corrente máxima fornecida por cada
ma tem a tensão de operação de 24 V, pois módulo LD135R9W, de acordo com a
esta é a tensão do banco de baterias. Obri­ folha de dados do fabricante, é a corren­
gatoriamente serão utilizados dois módu­ te de curto-circuito na condição STC, que
los LD135R9W em série e um número de vale 8,41 A.
módulos em paralelo que ainda precisa­
mos determinar. O conjunto de oito módulos fotovoltaicos
neste exemplo possui dois módulos em
O número total de módulos necessários no série e quatro conjuntos paralelos, o que
sistema é calculado por: resulta uma corrente elétrica máxima de
4 x 8,41 A= 33,64 A.
N=Ec!Ep
A corrente máxima fornecida pelos módu­
sendo: los pode ser corrigida com um fator de
N = Número de módulos empregados no segurança de 30%, para garantir que a cor­
sistema rente máxima do controlador especificado
não será excedida em nenhuma hipótese.
Ee = Energia diária consumida no sistema O fator de segurança é um número prá­
[Wh] tico que pode ser escolhido de acordo
EP = Energia diária produzida por cada com a experiência do projetista. Neste
módulo [Wh] caso, a corrente máxima de projeto será
33,64 Ax 1,3 = 43,73 A.
Então teremos para o sistema considerado:
O controlador de carga empregado nesse
N = 3400 Wh I 410 Wh = 8,29 sistema deve operar na tensão de 24 V e
suportar a corrente máxima de 43,73 A.
Novamente, como no caso do dimensio­ Buscando nos catálogos dos fabricantes
namento do banco de baterias, podemos de controladores de carga, encontram-se
arredondar o número obtido para cima ou produtos na faixa de 24 V com correntes
para baixo. Como temos obrigatoriamente de 30 A a 60 A. Neste exemplo podemos
de empregar conjuntos de dois módulos escolher um controlador com as especifi­
em série devido à tensão de operação de cações de 24 V e 45 A.
146 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Organização do sistema
A Figura 4.54 mostra a organização do sistema com o conjunto de módulos e o banco de
baterias dimensionados. O inversor é escolhido de acordo com as tensões de entrada e
saída especificadas para o sistema e deve suportar a potência total dos aparelhos que serão
alimentados. Características do sistema:

lii Oito módulos LG, modelo LD135R9W


lii Seis baterias de 240 Ah I 12 V
lii Um controlador de carga 24 V I 45 A
lii Um inversor 24 VCC I 127 VCA I 500 W

+
24
V + Controlador 24 V
- de carga 45 A
12 V +
1240Ah
24V

Inversor
CC-CA

127 V
60 Hz

Figura 4.54: Organização do sistema fotovoltaico dimensionado.


Sistemas Fotovoltaicos Autônomos 147

Exercícios
1. Dê exemplos de algumas aplicações 13. Cite e explique os três modos de
dos sistemas fotovoltaicos autóno­ organização de sistemas fotovoltai­
mos. cos que foram apresentados.
2. Quais são os componentes dos siste­ 14. Em qual situação é possível dispen­
mas fotovoltaicos autónomos? Expli­ sar o uso de baterias no sistema foto­
que a função de cada um deles. voltaico autónomo?
3. Cite os tipos de baterias que podem 15. Quais são os dois métodos usados no
ser empregados nos sistemasfotovol­ cálculo da energia produzida pelo
taicos e explique suas diferenças. módulo fotovoltaico? Quando de
deve usar um ou outro?
4. Explique a diferença entre uma
bateria automotiva e uma bateria Dimensione os seguintes bancos de
estacionária. baterias:
5. Explique o que é a profundidade de o Banco 1: 8000 Wh, baterias de
descarga da bateria. 240 Ah I 12 V, tensão tot.al de
24 V, profundidade de descarga
6. Como se especifica a vida útil de
de 50%.
uma bateria? Quais são os fatores
que podem afetar o tempo de vida? O Banco 2: 3600 Wh, baterias de
1 50 Ah I 12 V, tensão tot.al de
7. Explique os diferentes estágios de 12 V, profundidade de descarga
carga de uma bateria estacionária de de 20%.
chumbo ácido.
16. Dimensione um sistema fotovoltaico
8. Explique as funções e o funciona­ com as características apresentadas
mento do controlador de carga. em seguida. Especifique o número
de módulos e a forma de organiza­
9. Quais são os tipos de controladores
de carga existentes e suas diferenças? ção, o número de baterias e a forma
de organização do banco, as caracte­
1 O. Explique como funciona um in­ rísticasdo controlador de carga e do
versor CC-CA e suas principais inversor empregado.
características.
o Uma lâmpada de 60 W: ligada
11. Quais são os tipos de inversores exis­ durante cinco horas por dia.
tentes de acordo com a forma de
o Uma lâmpada de 100 W: liga­
onda da tensão de saída? da durante duas horas por dia.
12. Explique o que é um inversor inte­ O Um televisor de 260 W: ligado
rativo com a rede elétrica. Cite um quatro horas por dia.
exemplo de aplicação.
148 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

a Um refrigerador de 80 W: liga­
do dez horas por dia (tempo de
funcionamento médio do motor
do compressor).
a Um microcomputador de 150 W:
ligado oito horas por dia.
Característicasdo sistema:
a Usa baterias de chumbo ácido
de 12 V com descarga máxima
de 50%.
a Usa controlador de carga eletró­
nico com MPPT.
a Deve ter energia armazenada
nas baterias para três dias de
uso.
a Utiliza módulos LD135R9W em
região com seis horas diárias de
insolação.
a A tensão de alimentação da ins­
talação dos aparelhos é de 220 V
e a tensão do banco de baterias
é 48 V.
~Sistemas Fctovottatcôs
Conectados à
Rede Elétrica

5.1 Introdução
O sistema fotovoltaico conectado à rede elétrica opera em parale­
lismo com a rede de eletricidade. Diferentemente do sistema autô­
nomo, o sistema conectado é empregado em locais já atendidos
por energia elétrica.
O objetivo do sistema fotovoltaico conectado à rede é gerar eletrici­
dade para o consumo local, podendo reduzir ou eliminar o consu­
mo da rede pública ou mesmo gerar excedente de energia.
Em alguns países os consumidores são incentivados a produzir exce­
dente de energia e são remunerados pela eletricidade que expor­
tam. Residências e empresas que possuem sistemas fotovoltaicos
conectados à rede e produzem energia excedente deixam de ser
consumidores e tornam-se produtores de eletricidade.
Ao longo deste capítulo vamos conhecer os sistemas fotovoltaicos
conectados à rede elétrica, suas características e seus componentes.

5.2 Categorias de sistemas fotovoltaicos


conectados à rede
Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede podem ser centrali­
zados, constituindo usinas de geração de energia elétrica, como a
mostrada na Figura 5 .1, ou micro e minissistemas descentralizados
de geração distribuída instalados em qualquer tipo de consumi­
dor. Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica podem
ser classificados em três categorias, de acordo com seu tamanho,
segundo as definições utilizadas pela Agência Nacional de Energia
Elétrica (ANEEL). São elas:
r.-. Microgeração: potência instalada até 1 OO kW;
r.-. Minigeração: potência instalada entre 1 OO kW e 1 MW;
r.-. Usinas de eletricidade: potência acima de 1 MW.
150 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Em 17 abril de 2012 a ANEEL publicou sua Resolução n2 482, que se tornou um marco
histórico para o setor de energias renováveis no Brasil, permitindo o acesso às redes públi­
cas de distribuição aos microgeradores e minigeradores de eletricidade baseados em fontes
renováveis. A resolução contempla, além da energia fotovoltaica, as energias hidráulica (na
forma de pequenas centrais hidrelétricas), eólica e da biomassa.

A referida resolução possibilita, a exemplo do que já ocorria em outros países, que micro e
minissistemas fotovoltaicos sejam construídos por usuários residenciais e empresas, visan­
do à produção de eletricidade para consumo próprio. A resolução não trata das usinas
de energia solar fotovoltaica, pois para esse tipo de empreendimento valem as regras já
existentes para as centrais geradoras construídas com o objetivo de comercializar energia.

5.2.1 Usinas de geração fotovoltaica


Os sistemas fotovoltaicos podem ser usados na construção de usinas de geração de energia
elétrica conectadas ao sistema elétrico através de transformadores e linhas de transmissão,
da mesma forma como são constituídas as usinas hidrelétricas, termelétricas e outras.

A Figura 5.1 mostra a organização de uma usina fotovoltaica. Grandes conjuntos de módu­
los fotovoltaicos são conectados a inversores centrais, que podem ter potências de 1 OO kW
até mais de 1 MW. Esses inversores são conectados a uma ou mais cabinas de transforma­
ção, que elevam as tensões dos sistemas fotovoltaicos a níveis compatíveis com as linhas de
transmissão do sistema elétrico.

Conexão ao sistema
elétrico em alta tensão

Cabine de
transformação

Inversores
centrais

Conjuntos de módulos
fotovoltaicos

Figura 5.1: Usina de geração fotovoltaica conectada ao sistema elétrico. Cortesia: Santerno.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 151

As Figuras 5.2 e 5.3 mostram exemplos de dependência da energia elétrica da rede


usinas de energia solar fotovoltaica consti­ pública, proporcinando economia na con­
tuídas por um grande número de módulos ta de eletricidade e imunidade contra a
fotovoltaicos e diversos inversores centrais elevação do preço da energia elétrica.
conectados à rede de alta tensão trifásica.
Além de tudo, muitas empresas buscam
No futuro as usinas de eletricidade foto­
soluções de energia sustentáveis e ambien­
voltaica poderão substituir part.e das usinas
talmente corretas, pois percebem que os
baseadasnas fontestradicionais de energia.
consumidores têm preferência por insti­
tuições que se preocupam com a preser­
vação do planet.a. As figuras a seguir ilus­
tram exemplos de sistemas fotovot.aicos
de minigeração.

Figura 5.2: Usina de geração fotovoltaica de 20 MW


em Calasparra, Espanha. Cortesia: Santerno.

Figura 5.4: Sistema fotovoltaico de minìgeraçäo


instalado no telhado de prédio comercial.
Cortesia: Bosch Solar Energy AG.

Figura 5.3: A maior usina fotovovoltaica do


mundo, com potência de 124 MW. Instalada
em Ravenna, Itália. Cortesia: Santerno.

5.2.2 Sistemas de minigeração


fotovoltaica
Os sistemas fotovoltaicos de minigeração
são aqueles inst.alados em consumidores
comerciais e industriais. São construídos
com o objetivo de suprir parcialmente ou Figura 5.5: Sistema fotovoltaico de minìgeraçäo
totalmente a demanda de energia elétri­ instalado no telhado de um prédio comercial.
Cortesia: Bosch Solar Energy AG.
ca desses consumidores, reduzindo sua
152 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

5.2.3 Sistemas de microgeração


fotovoltaica
Os sistemas fotovoltaicos de microgeração
são pequenos sistemas, com potência até
1 OO kW, instalados em locais de menor
consumo de eletricidade. Nesta categoria
encaixam-se os sistemas fotovoltaicos ins­
talados nos telhados de residências, que
podem suprir totalmente o consumo de
Figura 5.6: Sistema fotovoltaico de minigeração eletricidade e tornar a residência autos­
instalado no telhado de um centro comercial. suficiente em energia elétrica.
Cortesia: Bosch Solar Energy AG.
A Figura 5.9 ilustra um sistema fotovoltaico
típico de microgeração conectado à rede
elétrica de uma residência, composto de
um conjunto de módulos fotovoltaicos, um
inversor especial para a conexão à rede,
quadros elétricose um medidor de energia.
A energia gerada pelo sistema fotovoltaico
é injetada e distribuída na rede elétrica
interna da residência. A eletricidade obtida
dos módulos fotovoltaicos é consumida no
próprio local e o excedente, se houver,
é exportado para a concessionária de
Figura 5.7: Sistema fotovoltaico de minigeração eletricidade, gerando créditos que podem
instalado no telhado de um prédio industrial.
Cortesia: Bosch Solar Energy AG. depois ser descontados da conta de ener­
gia elétrica.

Sistemas fotovoltaicos conectados à rede


elétrica, como o mostrado na Figura 5.9,
podem ser conectados a redes monofási­
cas ou trifásicas de residências, empresas,
prédios comerciais e qualquer outro tipo
de consumidor que seja atendido pela rede
pública de distribuição de eletricidade.
Os sistemas fotovoltaicos são modulares,
o que significa que conjuntos de módulos
e inversores, como os mostrados na Figura
Figura 5.8: Sistema fotovoltaico de minigeração 5.9, podem ser acrescentados em paralelo
instalado no telhado de um estacionamento. em qualquer quantidade, de acordo com o
Cortesia: Bosch Solar Energy AG.
tamanho do sistema fotovoltaico desejado.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 153

Ponto de acoplamento

l
Rede pública com a rede elétrica
de eletricidade
Quadro geral

"fnl-----'Med,.do'-r-- .... --t /ì:... Qi--:-i=a_se_·_·


·_·__
l_n__s_-t~ ?_.
..!~,...~a_: __~-!~_-_·
:_(é--t~-~c_-~_?_.~-t<~~
..~-'.~-~n ·_·_·,·. .,· .. ;'
a: : Neutro/fase
Quadro de .
proteção CA /ì:... Q ..
dosistema ~
fotovoltaico .......,,.......... : : .
Quadro de
proteção CC Conjunto de módulos fotovoltaicos
do sistema
fotovoltaico
Inversor para
conexão à
rede elétrica ~
•:::

Figura 5.9: Organização e componentes de um sistema fotovoltaico


residencial conectado à rede elétrica. Cortesia: Eudora Solar.

Os sistemas fotovoltaicos de microgeração As figuras apresentadas nas páginas seguin­


são fáceis de instalar e utilizam poucos tes ilustram exemplos de sistemas fotovol­
componentes. A fixação de módulos foto­ taicos de microgeração inst.alados em áreas
voltaicos nos telhados é feita com técnicas residenciais. Esses sistemas são muito utili­
semelhantes às empregadas na instalação zados em outros países e agora começam
de coletores solares térmicos. a ser implant.ados no Brasil.

As instalações elétricas são simples e A disseminação desse tipo de sistema em


requerem apenas alguns requisitos de pro­ todas as residências do País, aproveitando
teção que serão abordados neste capítulo. áreas ociosas para a produção de eletrici­
Os módulos fotovoltaicos são conectados dade, pode contribuir fortemente com a
à rede elétrica da residência através de um geração de eletricidade em nível nacional
inversor CC-CA específico para a conexão e reduzir as emissões de carbono e outros
à rede elétrica, da maneira mostrada na prejuízos ambientais, causados pelo uso
Figura 5.9. de combustíveis fósseis e outras fontes tra­
dicionais de energia.
154 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Figura 5.10: Sistema fotovoltaico de microgeraçäo


instalado em estacionamento de área residencial.
Cortesia: Santerno.

Figura 5.11: Sistema fotovoltaico de microgeraçäo


instalado em área residencial. Cortesia: Santerno.
Figura 5.13: Sistemas fotovoltaicos de microgeraçäo
instalados em telhados de prédios residenciais.
Cortesia: Santerno.

Figura 5.12: Sistemas fotovoltaicos de rnicrogeração


instalados em telhados de prédios residenciais.
Cortesia: Santerno.

Figura 5.14: Sistema fotovoltaico de microgeraçäo


instalado no telhado de uma residência.
Cortesia: Bosch Solar Energy AC.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 155

Nacional de Energia Elétrica, através da


chamada pública 13/2011, promoveu a
construção de dezenas de usinas de 1 MW
ou maiores em todo o Brasil, em projetos
patrocinados e assistidos por concessioná­
rias de energia elétrica.

5.3.2 Tarifação net metering


A tarifação net metering, ou medida da
Figura 5.15: Sistema fotovoltaico de microgeraçäo energia líquida, é um sistema de medição
instalado no telhado de uma residência. adotado em alguns países que já empre­
Cortesia: Bosch Solar Energy AC.
gam sistemas fotovoltaicos residenciais
conectados à rede elétrica.

5.3 Sistemas de tarifação Nesse tipo de tarifação existe um medidor


eletrônico que registra a energia que a resi­
dência consome da rede elétrica pública e
5.3.1 Venda de energia no a energia que a residência produz e even­
mercado livre tualmente export.a para a rede elétrica.

Como foi dito anteriormente, os sistemas De acordo com esse sistema de tarifação,
fotovoltaicos podem ser empregados na no final do mês o consumidor só paga
construção de usinas de geração de ener­ a diferença entre o que consumiu e o
gia elétrica ligadas ao sistema elétrico. que gerou.

Neste caso aplicam-se as regras que valem Podemos enxergar o sistema de net metering
para usinas de outras fontes de energia, como aquele que emprega um medidor
como usinas hidrelétricas e termelétricas. que gira para os dois lados. Se estivermos
consumindo energia, o medidor registra o
A venda da energia ocorre no mercado de consumo. Se estivermos export.ando ener­
comercialização e aplicam-se as tarifas e os gia, o medidor gira no sentido contrário e
requisitos técnicos padronizados para esse vai diminuindo o valor do consumo que foi
tipo de conexão. registrado. No final do mês o consumidor
A conexão desses sistemas à rede é fei­ só paga o que ficou registrado no medidor,
ta através de grandes inversores que são ou seja, a diferença entre o que ele consu­
conectados a transformadores elevadores, miu e o que gerou.
permitindo a conexão a linhas de transmis­ O sistema de net metering, que é o modelo
são de alt.a tensão para a distribuição da que será implantado no Brasil, é necessário
energia elétrica produzida para o Sistema para viabilizar a microgeração fotovoltai­
Interligado Nacional. ca residencial, pois o sistema fotovoltaico
A primeira usina fotovoltaica comercial gera mais energia durante o dia, quando o
brasileira está sendo construída no muni­ consumo residencial é menor.
cípio de Tauá, no Ceará, com capacidade O net metering permite então registrar a
de geração de 1 MW. A ANEEL, Agência energia que foi export.ada pela residência
156 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

durante o dia, gerando créditos de ener­ No Brasil, de acordo com a resolução da


gia que depois são abatidos na cont.a de ANEEL nQ 482/2012, o microprodutor de
eletricidade. Na prática é como se o pro­ energia tem o prazo de 36 meses para
prietário de um microssistema residencial utilizar os créditos gerados. Ao final des­
estivesse exportando energia durante o te período os créditos serão perdidos, sem
dia, quando não está em casa, e receben­ remuneração pela energia produzida.
do a energia de volta no período da noite,
Os medidores usados no sistema de net
quando não há Sol e a energia obrigatoria­
metering serão eletrónicos, com a capa­
mente é consumida da rede elétrica.
cidade de medir o fluxo de energia nos
No conceito do net metering empregado dois sentidos, ou seja, tanto a energia
nos sistemas fotovoltaicos de rnicrogera­ consumida como a energia gerada. São os
ção e minigeração a rede elétrica funciona chamados medidores eletrónicos de qua­
como uma bateria que armazena a energia tro quadrantes.
gerada. A energia é enviada para a bateria
O consumidor que desejar se tornar um
quando existe excedente e posteriormente
microgerador ou minigerador de eletri­
é recuperada.
cidade pode solicitar à concessionária
Sem a existência de um sistema de tari­ a instalação de um medidor de quatro
fação com net metering, caso a energia quadrantes.
produzida pelo sistema fotovoltaico seja
Para conectar o seu sistema fotovoltaico à
maior do que o consumo, o exceden­
rede elétrica, o consumidor deve atender
te export.ado para a rede elétrica não é
as exigências da concessionária, adequan­
contabilizado e a energia é perdida, e o
do a instalação elétrica de sua residência
proprietário do sistema fotovoltaico não
com as normas e acrescentando os siste­
recebe nada por isso.
masde proteção que forem exigidos, além
No sistema de net metering implant.ado em de observar se os equipamentos utiliza­
alguns países, se uma residência com um dos (inversores, dispositivos de proteção e
sistema fotovoltaico gerar mais energia do módulos fotovoltaicos) atendem as certifi­
que produziu ao longo do ano, o proprie­ cações nacionais e internacionais vigentes.
tário pode receber um pagamento pela
O consumidor que possuir um sistema de
energia ao final de um determinado perío­
geração fotovoltaica registrado na conces­
do, caso não tenha utilizado os créditos
sionária de energia recebe todo mês uma
que foram gerados com a energia expor­
conta de eletricidade em que vão cons­
t.ada. A concessionária de energia elétri­
tar duas medidas: a energia consumida
ca é obrigada a comprar a energia pelo
mesmo preço que ela pagaria se estivesse
e a energia gerada. O consumidor paga
somente a diferença e verifica mensalmen­
comprando de outras fontes. As regras, as
te a economia proporcionada pelo sistema
tarifas e outros aspectos variam de um país
fotovolt.aico conectado à rede elétrica.
para outro.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 157

Geração Consumo

Rede pública Energia da <:: ' Energiaconsumida .,._ ,L


__
rede pública
~ pela residência Jiii JI! g
1--- ..__ (t~:J .._---; lii lii
.. .... L___.uJ._____Jr----'

..
Medidor de energia
bidirecional Energia produzida
pela residência

Figura 5.16: Sistema de tarifação net metering com um medidor bidirecional. Cortesia: Eudora Solar.

Consumo

.. ..
Rede pública ~ Energia
Energia da
rede pública ª1"
_-
, ~ consumida
pela residência Imi
~
------~ï
..
't ~
L_-,JLAL~~~
Medidor de consumo

..
Energia produzida
pela residência

Medidor de geração

Figura 5.17: Sistema de tarifação net metering com dois medidores. Cortesia: Eudora Solar.

5.3.3 Tarifação feed in


O sistema de tarifação feed in foi criado na Europa para incentivar o uso de energias
renováveis. O sistema de medição é semelhante ao do net metering com dois medidores,
mas no feed in o consumidor é premiado com a instalação de um sistema de energia
fotovoltaica em sua residência, recebendo um pagamento pela energia que o seu sistema
fotovoltaico exporta para a rede elétrica. O pagamento da energia exportada é maior do
que o preço da energia consumida da rede pública, portanto a instalação de um sistema
fotovoltaico com a tarifação feed in é muito vantajosa e rentável.
Para incentivar ainda mais o uso das energias renováveis, o sistema feed in foi aperfeiçoa­
do pelos governos de alguns países, premiando o consumidor por toda a energia que é
gerada por fontes alternativas e não somente pela energia que é exportada. Neste caso o
158 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

sistema torna-se ainda mais rentável. Na prática o governo, através deste incentivo, torna
mais barata a eletricidade para o consumidor, que recebe dinheiro pela eletricidade que
ele próprio consome, desde que seja gerada por uma fonte renovável. No sistema feed in
aperfeiçoado existem très tipos de tarifas:
r.i Tarifa de geração: o proprietário do sistema fotovoltaico recebe por cada quilowatt-hora
[kWh] gerado a partir de uma fonte renovável, independente de essa energia ser consu­
mida localmente ou ser exportada para a rede.
r.i Tarifa de exportação: se a residência produzir mais do que consome, o proprietário
recebe um valor adicional por cada quilowatt-hora [kWh] exportado para a rede elétrica.
r.i Tarifa de consumo: a energia efetivamente consumida da rede elétrica, que é a dife­
rença entre o que foi retirado da rede e o que foi exportado, é tarifada pelo preço nor­
mal da eletricidade. O mesmo preço que qualquer consumidor pagaria se não tivesse
um sistema de energia fotovoltaica.
A Figura 5.18 ilustra o sistema de tarifação feed in, com preços diferenciados para a energia
consumida, energia gerada e energia exportada.

Energia

..
Rede pública Energia da consumida
rede pública pela residência
lii
¡i---•---·
..
Energia
exportada
Medidor de consumo
lii

para a rede
pública

Medidor de geração Energia produzida


pela residência

Figura 5.18: Funcionamento do sistema de tarifação feed in. Cortesia: Eudora Solar.

5.4 Inversores para a conexão à rede elétrica


Os inversores para a conexão de sistemas fotovoltaicos à rede elétrica, assim como os seus
semelhantes usados nos sistemas autónomos, convertem em corrente alternada a eletrici­
dade de corrente contínua coletada dos módulos fotovoltaicos.

Nos sistemas autónomos os inversores CC-CA fornecem tensões elétricas alternadas nos
seus terminais, preferencialmente na forma de onda senoidal pura, para a alimentação dos
consumidores. Nos sistemas fotovoltaicos conectados à rede os inversores CC-CA funcio­
nam como fontes de corrente, como ilustra a Figura 5.19.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 159

operar sem a rede elétrica e não deve em


nenhuma hipótese continuar conectado à
-F•o•nt•e•de•
•·'. instalação elétrica, para a segurança de equi­
corrente
pamentos que estão ligados à mesma rede
Figura 5.19: O inversor para a conexão ou de pessoas que manuseiam no momento
à rede elétrica é uma fonte de corrente. a instalação elétrica para manutenção.

A Figura 5.20 ilustra o funcionamento de


O leitor que não está familiarizado com os
um inversor CC-CA para a conexão à rede
conceitos de engenharia elétrica precisa
elétrica. Esse tipo de inversor possui basi­
apenas compreender est.a diferença básica
camente a mesma estrutura encontrada no
entre os dois tipos de inversores. O primei­
inversor autónomo apresentado no Capí­
ro, usado nos sistemas autónomos, fornece
tulo 4. Entretanto, o inversor para a cone­
tensão elétrica. O segundo, usado nos siste­
xão à rede possui um sistema eletrónico de
mas conectados, fornece corrente elétrica e
controle sofisticado que o transforma em
não tem a capacidade de fornecer tensão
uma fonte de corrente. A função desse sis­
para os consumidores. O inversor conecta­
tema de controle, entre out.ras, é fazer com
do à rede elétrica funciona apenas quando
que a corrente nos terminais de saída do
está conectado a uma rede elétrica.
inversor, ou seja, a corrente injetada pelo
Na ausência ou falha no fornecimento de inversor na rede elétrica, tenha o formato
eletricidade da concessionária de energia senoidal e esteja sincronizada com a ten­
o inversor para a conexão à rede desliga­ são senoidal da rede.
-se por duas razões: não foi projetado para

Tensãochaveada PWM Correntesenoidal pura

Sensor
················, de corrente
,. ,

Filtro
elétrico

Corrente
senoidal
injetada
Rede
elétrica
na rede
elétrica

..................
Sinais de
comando Sensor
das chaves Sistema de .......,......., de tensão
do inversor controle eletrônico l:+-~~~~~~~~~-'
...............................
Figura 5.20: Funcionamento de um inversor CC-CA para conexão à rede elétrica.
160 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Inversores para a conexão à rede elétrica cos à rede elétrica das linhas Sunway M
estão disponíveis em diversas faixas de PLUS e Sunway M XS da Santerno.
potência, desde 250 W, para a conexão
de apenas um módulo à rede elétrica, até
vários quilowatts [kW], empregados em
usinas de energia solar.
Normalmente os inversores empregados
em microgeração e minigeraçãosão mono­ ã\
.. ·;)
·.,.
fásicos, com potências tipicamente de até
5 kW. A constituição de sistemas trifásicos
pode ser feita com a colocação de inverso­
res monofásicos em conexão trifásica.
A Figura 5.21 ilustra inversores monofási­ Figura 5.21: Inversores para a conexão de módulos
cos para a conexão de módulos fotovoltai- fotovoltaicos à rede elétrica. Cortesia: Santerno.

Tabela 5.1: Características dos inversores SUNWAY M XS da Santerno.

Características do produto
Faixa de tensão de MPPT 125-480 Vee Distorção total da corrente de rede s 3%
Máx. tensão CC 580Vcc Grau de proteção IP65
Número máx. strings na entrada 4 Faixa de temperatura -25ºC-+45 ºC
Número máximo de canais
2 (1 no M XS 2200) Umidade relativa 95% máx.
MPPT independentes
Tensão de rede 230 Vea +t- 15% Consumo parado <10W
Frequência de rede 60 Hz Consumo noturno <0,25 W

5.5 Características dos inversores


A Tabela 5.1, retirada do catálogo do fabricante Santerno, mostra as principais caracterís­
ticas encontradas nos inversores empregados em sistemas fotovoltaicos conectados à rede
elétrica, tomando como exemplo a linha de produtos Sunway M XS.

5.5.1 Faixa útil de tensão contínua na entrada


O range ou a faixa útil de tensão é o intervalo de valores de tensão de entrada no qual
o inversor consegue operar. É também a faixa de tensão na qual o sistema de MPPT (ras­
treamento do ponto de máxima potência) do inversor consegue maximizar a produção
de energia dos módulos fotovoltaicos. No inversor cujas características são mostradas na
Tabela 5.1, a faixa útil de tensão é de 125 a 480 V.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 161

Geralmente os inversores para a conexão Nos inversores Sunway M XS a tensão máxi­


à rede elétrica são construídos para rece­ ma suportada é de 580 V, como mostra a
ber conjuntos com vários módulos conec­ Tabela 5.1.
tados em série, formando os chamados
strings (fileiras de módulos) com tensão A tensão máxima suportada pelo inversor
está relacionada com a tensão de circuito
de saída elevada.
aberto dos módulos fotovoltaicos. A tensão
A especificação de uma faixa de tensão de de circuito aberto está presente nos termi­
MPPT significa que o ponto de máxima nais dos módulos quando estes não forne­
potência do conjunto de módulos fotovol­ cem corrente elétrica.
taicos deve est.ar dentro dessa faixa, para
Mesmo quando não estão em funciona­
que o inversor possa maximizar a produ­
mento, por exemplo quando o inversor
ção de energia dos módulos. Conjuntos
está desconectado da rede elétrica, os
de módulos com tensões de saída abaixo
módulos fotovoltaicos aplicam tensão ao
ou acima dos limites da faixa de MPPT do
inversor e o limite máximo deve ser respei­
inversor não vão proporcionar bons resul­
tado, sob risco de danificar os componen­
tados, ocasionando perda de eficiência do
tes eletrônicos internos do equipamento.
sistema fotovoltaico.
O valor da tensão máxima suportada pelo
inversor limita o número de módulos que
5.5.2 Tensão contínua máxima podem ser colocados em série. O projetis­
na entrada ta do sistema fotovoltaico deve consultar a
folha de dados dos módulos empregados e
Este é o valor máximo absolut.o da tensão
determinar o número máximo de módulos
admissível na entrada do inversor. Enten­
com base na informação da tensão de cir­
de-se por entrada do inversor os terminais
cuito aberto fornecida pelo fabricante.
de conexão dos módulos fotovoltaicos.
- -
String conjunto de ,~,,
--~- .... • '."'" T T I
/'

I I I I
módulos em série \
••
••' ••
••• ••
••
•• ••
••• ••
•• ••

I I I I
••• •

•••
••
••
••
••

I I I I
••
••
••
••
•• ••
•• •••
•• ••
••
••
••
••
\ I ..... ,,'
' ' ..... .. .(
••
••
••
•'
•••

I
l
I l
I I
Figura 5.22: Um conjunto de módulos fotovoltaicos formado pela associação de strings em paralelo.
162 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

5.5.3 Número máximo de strings voltaicos que apresentam um número


maior de strings paralelos devem fazer uso
na entrada de conectores auxiliares para o paralelis­
Strings são conjuntos de módulos liga­ mo de strings ou de uma caixa de cone­
dos em série, como mostra a Figura 5.22. xões denominada string box.
Geralmente, quando se constrói um siste­
ma fotovoltaico, os módulos são primeira­
mente ligados em série, formando strings, 5.5.4 Número de entradas
para proporcionar a tensão de trabalho independentes com MPPT
adequada. Para aumentar a potência do
Os inversores podem ser equipados com
sistema acrescentam-se strings em parale­
um ou mais sistemas de MPPT (rastrea­
lo, formando conjuntos fotovoltaicos com
mento do ponto de máxima potência).
vários strings.
Posteriormente o assunto do MPPT será
Os inversores comerciais possuem um abordado com mais detalhes e o leitor
número limitado de entradas para strings. compreenderá o funcionamento desse
A Figura 5.23 ilustra a parte inferior de um recurso importante do inversor.
inversor CC-CA para a conexão à rede.
Todosos inversores para a conexão à rede
Geralmente os inversores, independen­
possuem MPPT, o que significa que são pre­
temente do fabricante, apresentam um
parados para maximizar a potência forne­
conjunto de terminais do tipo MC4 para a
cida pelos módulos fotovoltaicos, fazendo­
conexão de até quatro strings.
-os operar constantemente em seu ponto
Se o inversor estiver instalado próximo aos de máxima potência, independentemente
módulos, eles podem ser conectados dire­ das condições que afetam o desempenho
tamente com os seus próprios terminais e alteram a curva característica de corrente
MC4 de fábrica. Entretanto, em geral as e tensão do conjunto de módulos.
distâncias são maiores, sendo necessário
Inversores que possuem múltiplas entradas
confeccionar ou adquirir cabos de exten­
com MPPT têm a capacidade de otimizar
são com conectores MC4 macho e fêmea
a produção da energia de modo indepen­
nas extremidades, para então realizar a
dente para vários conjuntos de módulos
conexão dos strings ao inversor.
fotovoltaicos. Caso um dos conjuntos ou
strings esteja com uma situação de som­
Entradas CC Chave de bra, por exemplo, os demais que estão
desconexão CC Entrada do conectados ao outro sistema de MPPT
cabeamento CA
~L. continuam operando normalmente em

o
1ga (conexão à rede)
seu ponto de máxima potência. Inversores
c[poesliga com múltiplos sistemas de MPPT tornam
os sistemas fotovoltaicos mais eficientes.
A Tabela 5.1 mostra que os inversores
Figura 5.23: Vista da parte inferior de um Sunway M XS possuem duas entradas com
inversor CC-CA para a conexão à rede. sistemas de MPPT independentes (exceto
o modelo M XS 2200), o que significa que
Normalmente os inversores possuem en­ existe um sistema de MPPT para cada dois
tradas para quatro strings. Sistemas foto- strings ligados ao inversor.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 163

5.5.5 Tensão de operação na conexão corrente é uma onda senoidal pura. Em


geral as normas permitem distorção de
com a rede corrente de até So/o.
A Tabela 5.1 mostra que os inversores
Sunway M XS são feitos para operar na ten­
são de 230 V (tensão alternada), com tole­ 5.5.8 Grau de proteção
rância de 15%. Isso significa que operam Os inversores fotovoltaicos para a conexão
normalmente na rede elétrica de 220 V. à rede são desenvolvidos para operar em
Em geral os fabricantes especificam os pro­ ambientes agressivos, expostos ao tempo.
dutos para um valor nominal de tensão, Embora possam operar em locais fechados,
mas versões diferentes dos equipamentos os inversores fotovoltaicos normalmente
são fornecidas para outros valores de ten­ são instalados em áreas externas, próximos
são de operação de acordo com a região aos módulos fotovoltaicos. A proximidade
onde são comercializados. com os módulos reduz os comprimentos
dos cabos elétricos e consequentemente
Antes de adquirir um inversor para a cone­ minimiza as perdasde energia nos sistemas.
xão à rede, deve-se consult.ar o distribui­
dor autorizado ou o fabricante para saber O grau de proteção de um equipamento
as condições de fornecimento e certificar­ fornece informações sobre sua capacidade
-se de que o aparelho é adequado para de operar em ambientes agressivos, supor­
operação na rede elétrica desejada. tando chuva, calor, frio e poeira. A Tabela
5.1 mostra que os inversores Sunway M XS
têm grau de proteção IP 65, então resis­
5.5.6 Frequência da rede elétrica tem a poeira e jatos de água moderados
A Tabela 5.1 mostra que os inversores e podem ser inst.alados em áreas externas.
Sunway M XS operam na frequência de O fato de possuir um elevado grau de
60 Hz. Em geral os fabricantes disponibi­ proteção, podendo ser usado em áreas
lizam versões dos inversores em 50 Hz e externas, não significa que o inversor deva
60 Hz, de acordo com o país onde é ser inst.alado a céu aberto. Recomenda-se
comercializado. Inversores especificados sempre alojar inversores fotovoltaicos em
para a rede de 50 Hz não devem ser uti­ um abrigo, de modo que estejam prote­
lizados no Brasil, pois não são adequados gidos da chuva e da exposição direta ao
para os parâmetros de nossa rede elétrica Sol. O aquecimento excessivo do aparelho
e não oferecem a segurança de opera­ com a incidência direta da radiação solar
ção necessária nos sistemas fotovoltaicos reduz sua eficiência e sua vida útil.
conectados à rede elétrica.

5.5.9 Temperatura de operação


5.5.7 Distorção da corrente
O inversor é especificado para operar den­
injetada na rede tro de uma determinada faixa de tempera­
A Tabela 5.1 mostra que os inversores tura, como todo equipamento eletroeletrô­
Sunway M XS injetam na rede elétrica uma nico. Temperaturas excessivamente baixas
corrente elétrica com distorção inferior a ou altas podem danificar o equipamento
3%. Isso significa que a forma de onda da ou impedir seu funcionamento correto.
164 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Tabela 5.1 mostra que os inversores nado com o funcionamento dos circuitos
exemplificados suportam temperaturas de internos do equipamento mesmo quan­
-25ºC a +45°C. Em ambientes agressivos, do o inversor não está em operação e os
como regiões sujeitas a invernos e verões módulos fotovoltaicos não estão produ­
muito rigorosos, deve-se considerar a ins­ zindo energia. Esta situação ocorre quan­
talação dos inversores em locais fechados do existe tensão fornecida pelos módulos
que possam conferir conforto térmico para fotovoltaicos, mas por alguma razão o
a operação dos equipamentos. inversor está desligado, por exemplo pela
falta de conexão com a rede elétrica.

5.5.10 Umidade relativa do ambiente


Inversores fotovoltaicos para a conexão à 5.5.12 Consumo de energia noturno
rede, como qualquer equipamento eletro­ O consumo noturno informado pelo fabri­
eletrônico, podem falhar em ambientes mui­ cante diz respeito ao consumo de energia
to úmidos. Em ambientes com elevada umi­ do inversor em stand by (modo de espera).
dade relativa do ar, como regiões litorâneas e À noite, quando não existe a possibilidade
amazónicas, deve-se considerar a instalação de os módulos fotovoltaicos fornecerem
dos inversores em locais fechados e secos. energia, o inversor é desligado automatica­
mente e apenas suas funções mínimas per­
manecem ativas, consumindo uma quanti­
5.5.11 Consumo de energia parado
dade de energia muito pequena.
O inversor consome energia mesmo quan­
do está parado. Esse consumo está relacio-

Tabela 5.2: Características técnicas dos inversores SUNWAY M XS da Santerno.

Características técnicas M XS 2200 TL MXS 3000TL M XS 3800 TL


Valores de entrada @ 40ºC
Potência de pico sugerida na entrada CC 2400Wp 3600Wp 4500Wp
Potência nominal de entrada em CC 2324 W 3220W 3995W
Corrente máxima de entrada 12,5 A(CQ 20 A(CC) 25 A(CQ
Número rastreadores MPPT
1 2 2
independentes
Valores de saída @ 40°C
Potência máxima de salda 2428W 3349W 4175 W
Potência nominal de salda 2208W 3059W 3795W
Corrente nominal de salda 9,6 A(CA) 13,3 A(CA) 16,5 A(CA)
Rendimentos
Rendimento máximo 95,5% 95,5% 95,5%
Rendimento europeu 94,6% 94,6% 94,6
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 338x570x218 mm 338x570x218 mm 338x570x218 mm
Peso 15 kg 18 kg 18 kg
Sistema de resfriamento Natural Natural Ventilação forçada
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 165

5.5.13 Potência de corrente será capaz de retirar dos módulos toda a


energia que poderiam fornecer caso esti­
contínua na entrada vessem operando com um inversor de
Os fabricantes apresentam sempre dois potência compatível.
valores de potência expressos em watts [WJ,
sendo um para a entrada do inversor (lado
CC ou lado de conexão com os módulos 5.5.14 Potência de corrente
fotovoltaicos) e um para a saída (lado CA ou alternada na saída
lado de conexão com a rede elétrica).
A potência de saída CA especificada pelo
Na Tabela 5.2 observam-se, na primeira fabricante na Tabela 5.2 é a máxima potên­
linha, os valores de potência de entra­ cia que o inversor pode injetar na rede elé­
da para cada um dos modelos da linha trica. Essa potência está relacionada com o
Sunway M XS da Santerno. valor da tensão de operação do inversor e
a máxima corrente suportada na conexão
Por exemplo, o modelo MXS 2200 TL
com a rede elétrica, também especificada
tem a potência de entrada sugerida de
na tabela.
2400 Wp (watts de pico). Este valor serve
como indicação da potência de pico do
conjunto fotovoltaico que pode ser ligado 5.5.15 Rendimento
a esse inversor.
O rendimento é um número muito impor­
Em geral, é possível conectar ao inver­ tante no inversor, assim como em qual­
sor conjuntos com potências ligeiramente quer equipamento que processa energia
maiores ou menores. No caso de um con­ elétrica. O rendimento informa quanta
junto de potência menor, o inversor fica energia o equipamento desperdiça duran­
subutilizado. Por outro lado, com potências te o seu funcionamento. Quanto maior o
maiores o inversor é utilizado em seu limite rendimento, melhor é o aproveitamento
de potência e os módulos são subutilizados. da energia extraída dos módulos fotovol­
taicos. Um bom equipamento possui ren­
Se a potência do conjunto de módulos for
dimento acima de 90%.
demasiadamente pequena, pode ser que o
número de módulos ligados em série seja A Tabela 5.2 mostra que os inversores
insuficiente para a operação correta do Sunway M XS têm rendimento acima de
equipamento, causando o desligamento 94%, de acordo com o método de cálculo
do inversor por falta de tensão. europeu, e acima de 95% de acordo com
a definição do rendimento (a potência
Se a potência dos módulos for demasia­
de saída dividida pela potência de entra­
damente grande, acima do valor reco­
da) no ponto de máximo rendimento da
mendado pelo fabricante, o inversor não
sua curva de operação, que é levantada
será capaz de fazer o aproveitamento da
experimentalmente durante um ensaio em
energia. Neste caso o conjunto de módu­
laboratório.
los será subutilizado, pois o inversor não
166 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

5.6 Recursos e funções dos dor de corrente contínua residual instalado


.inversores para a conexao
~ na entrada do equipamento, onde é feit.a
a conexão com os módulos fotovoltaicos.
de sistemas fotovoltaicos Os inversores comercialmente disponíveis
à rede elétrica e homologados de acordo com as normas
internacionais de segurança para sistemas
Além do fato de funcionarem como fon­ fotovolt.aicos trazem embutido esse siste­
ma de proteção, que impede o funciona­
te de corrente para a rede elétrica, e não
como fonte de tensão, como explicado mento do equipamento, desconectando-o
da rede, se alguma fuga de corrente for
anteriormente, os inversores eletrónicos
CC-CA para sistemas fotovoltaicos conec­ detect.ada nos módulos.
t.ados à rede elétrica são equipados com
recursos que não existem nos inversores 5.6.3 Rastreamento do ponto de
para sistemas autónomos ou isolados. A
seguir vamos analisar algumas das funções
máxima potência (MPPT)
incorporadas aos inversores chamados O MPPT (Maximum Power Point Tracking),
grid-tie ou grid-connected. ou rastreamento do ponto de máxima
potência, é um recurso presente em todos
os inversores para a conexão de sistemas
5.6.1 Chave de desconexão de fotovolt.aicos à rede elétrica.
corrente contínua O sistema de MPPT tem o objetivo de
A Figura 5.22 mostra que o inversor é equi­ garantir que inst.antaneamente os módulos
pado com uma chave de desconexão de operem em seu ponto de máxima potên­
corrente contínua, acessível na parte infe­ cia, qualquer que seja ele, independente­
rior do equipamento. mente das condições de operação.

Trata-se de uma chave manual, que pode Devido ao fato de as condições de ope­
ser acionada pelo usuário para desconec­ ração dos módulos fotovoltaicos (tempe­
tar internamente os módulos fotovoltaicos ratura e radiação solar) mudarem alea­
do circuito do inversor. toriamente durante o funcionamento do
inversor, a estratégia de MPPT é neces­
Essa chave é necessária para que o usuá­ sária nos sistemas fotovoltaicos conectados
rio, ao efetuar a manutenção do sistema, à rede para maximizar const.antemente a
tenha a certeza de que os módulos foto­ produção de energia, proporcionando o
voltaicos não estãoalimentando o inversor, maior rendimento possível do sistema.
sem a necessidade de desfazer fisicamente
as conexões dos cabos elétricos entre os Todos os inversores comerciais utilizam
módulos e o inversor. alguma variação do método de MPPT da
perturbação e observação, ilustrado na
Figura 5.24. O MPPT funciona com um
5.6.2 Proteção contra fuga de corrente algoritmo muito simples, que consiste em
Os inversores são equipados com um sis­ perturbar a operação dos módulos, alte­
tema eletrónico que monitora a fuga de rando intencionalmente a tensão nos seus
corrente para a terra através de um medi- terminais, e observar o que acontece com
a potência fornecida.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 167

Na Figura 5.24 vemos inicialmente o a perturbação proporciona o efeito contrá­


inversor aumentando a tensão de saída rio da redução da potência. Neste momen­
dos módulos. Com uma certa frequên­ to o algoritmo do inversor percebe que a
cia o inversor provoca uma mudança de perturbação da tensão no sentido crescente
tensão no sentido crescent.e, observando deve ser interrompida e inicia a perturbação
o aumento da potência fornecida pelos no sentido contrário, sempre observando o
módulos fotovoltaicos. Como o objetivo é que acontece com a potência.
maximizar a potência, o inversor continua
Quando está nas proximidades do ponto
aumentando a tensão nesse sentido, pois
de máxima potência, o algoritmo faz o
observa que a potência aumenta, passo a
inversor perturbar a tensão dos módulos
passo, após cada perturbação.
fotovoltaicos, fazendo o ponto de opera­
Tensão aumentando ção andar para cima e para baixo e rodear
o joelho da curva I x V e o pico da curva
.--..... ~:-\~MP! Px V, como ilustrado na Figura 5.24.
,., ,.. ' ")
Na prática os incrementos ou decrementos
¢:::= "t. ""\
Tensão ~ I de tensão são muito pequenos, então se
-,
diminuindo
considera que o ponto de máxima potên­
cia foi atingido quando o algoritmo encon­
r-,,,. Perturbação no sentido tra uma situação de estabilidade e as per­
crescente da tensão
turbações acontecem em volt.a do pico de
, , Perturbação no sentido potência do módulo, ou do conjunto de
-· '" decrescente da tensão módulos fotovoltaicos.
i PMPi Ponto de máxima potência
Os métodos de MPPT são vulneráveis à
ºo V, Tensão elétrica [volts, VJ presença de sombras parciais nos módulos
fotovoltaicos, o que pode comprometer a
eficiência global do sistema conectado à
Potência ~· ~""'\ \ rede elétrica.
aumentando~ .....:'"·''\ ... ~, Potência
0),:? ~ diminuindo A Figura 5.25 most.ra uma situação de som­
"'i:{ 'ù breamento parcial à qual é submetido um
Potência Potência conjunto de módulos fotovoltaicos 4 x 4,
aumentando
com quatro módulos em série por string
e quatro strings paralelos. Neste exemplo
dois módulos estão recebendo pouca luz e
o conjunto todo é afetado.
Observa-se na curva de potência, Figu­
V, Tensão elétrica [volts, VJ
ra 5.25, a presença de dois pontos máxi­
Figura 5.24: Funcionamento do sistema de MPPT mos, um global e um local. O algoritmo
com o algoritmo de perturbação e observação.
A tensão dos módulos fotovoltaicos é perturbada,
de MPPT não consegue distinguir esses
sendo aumentada e diminuída, em busca dois pontos e pode fazer o sistema operar
do ponto de máxima potência. no máximo local, que não corresponde à
máxima potência que poderia ser extraída
Em um dado inst.ante, quando o ponto de do conjunto com esta condição de radia­
máxima potência do módulo é ultrapassado, ção solar irregular.
168 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Conjunto com 4
strings em paralelo
~-~

Strings
com4
módulos
em série

Módulos com sombra


ou desligados

Curva/ - V
Curva P-V

Máximo local
"'
Tl
e
de potência

'
Tensão Tensão
Figura 5.25: Conjunto de módulos fotovoltaicoscom sombreamento parcial.

Inversor com dois


sistemas de MPPT
independentes

Uma estratégia para contornar o fenóme­


no do sombreamento parcial é utilizar mais
de um rastreador MPPT, fazendo com que
cada grupo de módulos solares seja conec­
t.ado ao seu próprio rastreador. Isso é con­
seguido com os inversores que têm mais
de uma entrada com MPPT, como ilustra
a Figura 5.26.

Figura 5.26: Conjuntos de módulos fotovoltaicos


conectados às entradas do inversor com
dois sistemas de MPPT independentes.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 169

Desta forma, se um dos conjuntos estiver em condição inferior de iluminação, os outros


conjuntos não são afetados, como ilustra a Figura 5.27. Como ambos os conjuntos operam
em seu ponto de máxima potência, graças à presença de dois sistemas de MPPT indepen­
dentes, o sistema como um todo opera com potência máxima nesta condição.

Conjunto Conjunto
com 2 com 2
l.- strings em _.i strings em
1~ paralelo ï I+- paralelo -+I

Strings
co m4
mo'dulos
em série

Módulos com sombra


ou desligados

Conjunto operando Conjunto operando


com potência máxima com potência máxima

Ponto de
Curva I - V Ponto de
potência
·~ Curva/ - V
e
<Ill

Tensão Tensão
Figura 5.27: Módulos fotovoltaicos em situação de sombreamento parcial
com sistemas de MPPT independentes. Cada conjunto pode operar em seu ponto de
máxima potência, maximizando a produção de energia do sistema como um todo.

O recurso de múltiplos sistemas de MPTI está disponível em alguns dos modelos de inver­
sores comerciais voltados para sistemas de micro e minigeração. Os inversores de potência
muito pequena não apresentam esse recurso, tampouco os inversores para alt.a potência
para usinas de energia solar.
170 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

No caso dos inversores de pequena potên­ 5.6.4 Detecção de ilhamento e


cia, não se justifica o uso de múltiplos sis­
temas de MPPT devido à pequena quan­
reconexão automática
tidade de módulos solares presentes nos Uma função necessária e obrigatória em
conjuntos. A presença de mais de um sis­ inversores usados em sistemas fotovoltai­
tema de MPPT em inversores de pequeno cos conectados à rede elétrica é o recurso
porte tornaria os inversores desnecessaria­ de detecção do ilhamento ou anti-ilha­
mente complexos e seu custo elevado. O mento (anti-islanding).
custo do inversor não justificaria o benefí­
Esse recurso, exigido pelas normas que
cio do aumento da produção da energia
regem a conexão dos sistemas fotovoltaicos
de um conjunto com poucos módulos.
à rede elétrica, é necessário para garantir a
No caso dos inversores de alta potência, esse segurança de pessoas, equipamentos e insta­
recurso não é necessário devido ao elevado lações nas situações de interrupção do forne­
custo que representaria para a construção cimento de energia da rede elétrica pública.
dos inversores e pelo fato de que a aplicação
A Figura 5.29 ilustra uma situação de ilha­
desses inversores ocorre em grandes usinas
mento de sistema fotovoltaico, na qual o
que são construídas em locais abertos, onde
fornecimento de energia da rede elétrica à
a possibilidade de ocorrer sombras sobre os
instalação local é interrompido.
módulos é muito reduzida.
Nesta situação a instalação elétrica encon­
A Figura 5.28 mostra uma situação em que
tra-se ilhada e, se não houver um sistema de
um módulo fotovoltaico é submetido a
anti-ilhamento para fazer a desconexão do
uma condição irregular de insolação, com
inversor, o sistema fotovoltaico pode conti­
sombreamento parcial de apenas algumas
nuar alimentando sozinho os consumidores
células. Também neste caso, assim como
locais, energizando indevidamente a rede
no sombreamento parcial de um conjunto
elétrica à qual está conectado, o que não é
de módulos, as curvas de potência e cor­
permitido devido aos riscos que isso repre­
rente apresentam-se irregulares e podem
senta para pessoas que realizam manuten­
possuir vários máximos de potência, o que
ção na rede ou para outros equipamentos
acarreta a degradação da eficiência do sis­
que estão conectados à mesma rede.
tema fotovoltaico.
A menos que a instalação elétrica local
passe a ser alimentada por um sistema de
microrrede, com a presença de um inver­
sor do tipo empregado em sistemas autó­
nomos, que fornecem tensão para o esta­
belecimento de uma rede elétrica própria,
isolada da rede pública, a exigência é que
o inversor para a conexão à rede seja des­
conectado ou desligado.

O inversor para a conexão à rede elétrica


deve desconectar-se da rede mesmo que
o sistema fotovoltaico seja supostamen­
Figura 5.28: Módulo solar fotovoltaico
submetido a sombreamento parcial. te capaz de suprir a demanda de energia
dos consumidores locais, de modo que,
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 171

hipoteticamente, o sistema fotovoltaico o sistema de anti-ilhamento deve ser capaz


não perceba a ausência da alimentação da de perceber rapidamente, com o uso de
rede elétrica. técnicas sofisticadas, a ausência de alimen­
tação da rede elétrica e automaticamente
O recurso de anti-ilhamento ou de detec­
desligar ou desconectar o inversor.
ção de ilhamento é necessário para evitar
acidentes quando a alimentação da rede Devido às exigências das normas interna­
é restabelecida (evitando a conexão fora cionais e das normas adotadas em países
de fase entre o conversor e a rede) e para individualmente, o sistema de anti-ilha­
garantir a segurança de pessoas durante mento está presente em todos os inverso­
intervenções para manutenção na rede res comerciais para sistemas fotovoltaicos
(desta forma assegura-se que a rede está conectados à rede elétrica.
totalmente desligada).
Os algoritmos de anti-ilhamento utiliza­
A Figura 5.30 ilustra uma situação de risco dos pelos fabricantes podem variar, mas
com sistema fotovoltaico ilhado. A eletri­ todos precisam atender os procedimentos
cidade da rua foi desligada pela conces­ de teste adotados pelas normas. A nor­
sionária para manutenção, mas uma das ma ABNT NBR IEC 62116:2012, que foi
residências possui um sistema fotovoltaico implantada no Brasil no início do ano de
que continua indevidamente conectado à 2012, trata dos procedimentos de ensaio
rede, estabelecendo um nível de tensão na de anti-ilhamento para inversores de sis­
rede que pode colocar em risco os técni­ temas fotovoltaicos conectados à rede
cos de manutenção. elétrica. Em breve será exigido que os
inversores comercializados no País sejam
Na ocorrência de falhas da rede elétrica
certificados e homologados de acordo
ou desligamento intencional programado,
com os critérios existentes nesta norma.

Conexão interrompida ---X Sistema elétrico ilhado


·········-··-······················-······················-· ······················-······················-··-···········~

Medidor
de energia
i
¡

.. ..
Painel solar Consumidores

Figura 5.29: Sistema fotovoltaico ilhado: não deve acontecer.


172 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Redeelétrica
desligadapara
manutenção
Residênciacom sistema fotovoltaico ilhado
(sem rede elétrica)
---------------------------------------, ••
i

O inversor deve
desconectar-se

1~_
Figura 5.30: Situação de risco de um sistema fotovoltaico ilhado.

5.6.5 Isolação com transformador


Tipos de isolação
Os inversores para sistemas conectados à rede elétrica podem possuir ou não um trans­
formador de isolação, como mostra a Figura 5.31. A presença do transformador torna
o sistema fotovoltaico mais seguro, pois possibilita a isolação completa entre o lado CC
(módulos fotovoltaicos) e o lado CA (rede elétrica), impedindo a circulação de correntes
de fuga entre os módulos e a rede e oferecendo segurança adicional em caso de falha de
equipamentos, curtos-circuitos e mesmo na ocorrência de transientes da rede elétrica que
podem afetar os inversores.

Inversor semtransformador (LF):


Circuito do inversor Transformador
de baixa frequência
.....

-- ....
• --o
I---, {LF) ~-

Filtro Conexão
elétrico à rede
~ elétrica

CC-CA

·--------- .
o

Figura 5.31: Tipos de inversores segundo a presença ou ausência de isolação elétrica: com
transformador de baixa frequência, com transformador de alta frequência e sem transformador. (continua)
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 173

Inversor com transformador de alta frequência (HF):


Estágio de pré-conversão Transformador Circuito do inversor
de alta frequência
(HF) ----<O

Filtro Conexão
CC-CC à rede
elétrico
elétrica

CC-CA

----<o
----···--·
Inversor sem transformador [fl):
Estágio de pré-conversão Circuito do inversor
.• ..........
. - -- -.•
----<O

CC-CC
©
CC-CA
Filtro
elétrico
Conexão
à rede
elétrica

·-----··-- .
o

Figura 5.31: Tipos de inversores segundo a presença ou ausência de isolação elétrica: com transformador
de baixa frequência, com transformador de alta frequência e sem transformador. (continuação)

Um aspecto importante nos inversores letras LF (Low Frequency), indicando que


com transformador é a localização desse se trata de um inversor com transformador
dispositivo: no estágio de pré-conversão de baixa frequência.
CC (transformador de alt.a frequência) ou
na saída do estágio CA (transformador na
frequência da rede elétrica ou de baixa
frequência), como visto na Figura 5.31.
Os inversores com transformador de baixa
frequência são os mais comuns no merca­ Transformadores toroidais de baixa frequência

do. Em geral são mais eficientes do que


os inversores com transformador de alta
frequência, porém são mais pesados e
volumosos devido à presença de um trans­
formador toroidal, como os mostrados na
Transformadores de alta frequência
Figura 5.32, que é conectado à saída do
inversor. Em alguns catálogos de fabrican­ Figura 5.32: Transformadores de baixa e alta frequên­
cias empregados nos inversores. Cortesia: Eudora Solar.
tes esse tipo de inversor é descrito com as
174 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Os inversores com transformadores de alta frequência, como os mostrados na Figura 5.32,


tendem a ser mais compactos e leves, com uma ligeira perda de eficiência. São geralmente
identificados com as letras HF (High Frequency) nos catálogos dos fabricantes.
Finalmente, os inversores sem transformador, que costumam ser identificados com as letras
TL (transformer/ess) nos catálogos, são os mais leves, compact.os e eficientes. Essa tecnolo­
gia de inversores foi a última a ser desenvolvida e autorizada para a utilização nos países
que iniciaram o uso dos sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Atualmente os
inversores sem transformador são certificados pelas normas internacionais e oferecem os
mesmos recursos e a mesma segurança que seus semelhantes com transformador. A Figura
5.33 mostra dois exemplos de inversores comerciais com e sem transformador e seus res­
pectivos circuitos internos encontrados no catálogo do fabricante.

Modelo Sunway M PLUS


com transformador

+- Inversor Filtro
-
+-
+- - -=
[---I
-
+- l! l!J -K
-
- - IGBT
Transformador

Modelo Sunway M XS
sem transformador

Inversor
+n---­
+ o-----11--1
Entrada 1 MPPT1--1-,

+n----
Entrada2+
n--------+-1
B MPPT

Dois sistemas de
MPPT independentes

Figura 5.33: Inversores com e sem transformador e os desenhos dos circuitos


internos fornecidos no catálogo do fabricante. Cortesia: Santerno.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 175

Isolação com transformador para módulos já acumulada em muitos anos de estudos


de filmes finos e construção de sistemas fotovoltaicos
nesses países.
A isolação com transformador também
facilita o aterramente dos módulos foto­ A literatura internacional frequentemen­
voltaicos, principalmente nos sistemas te faz referência às recomendações do
baseados em módulos de filmes finos, que IEEE (organismo dos Estados Unidos) e
necessitam, conforme a tecnologia empre­ IEC (organismo que tem mais de 60 paí­
gada, ter os terminais positivo ou negativo ses membro, incluindo União Europeia,
do conjunto de módulos aterrado para evi­ Estados Unidos, Canadá, China, Coreia
tar a degradação das células fotovoltaicas. e Austrália).

Normalmente os módulos fotovoltaicos Em complemento aos padrões definidos


devem ter suas estruturas de alumínio por esses dois organismos, existem regula­
conectadas ao terra da instalação, entretan­ mentos próprios definidos em alguns paí­
to os módulos de filmes finos são um caso ses. Embora muitos países já tenham uma
especial, pois os terminais elétricos dos con­ indústria fotovoltaica consolidada, com
juntos de módulos são também aterrados. milhares de sistemas fotovoltaicos conec­
tados à rede em operação, os estudos para
Nestes casos é recomendável o emprego a padronização e regulamentação dos sis­
de um inversor com isolação por transfor­ temas fotovoltaicos conectados à rede elé­
mador ou um inversor sem transformador trica estão em constante evolução.
que tenha sido projetado especificamen­
te para aplicação com módulos de filmes Atualmente, apenas nos organismos IEC e
finos. O fabricante do inversor deve ser IEEE existem cerca de 30 normas ou reco­
consultado sobre a adequação do produ­ mendações que tratam dos materiais e
to à tecnologia de filmes finos e sobre os equipamentos para sistemas fotovoltaicos.
requisitos necessários para a instalação de A listaseguinte cita alguns dos documentos
sistemasdesse tipo. mais importantes e diretamente relaciona­
dos aos inversores conectados à rede.
Alguns fabricantes oferecem acessórios (kits
de aterramente) que devem ser adquiridos D IEEE 154 7: Standard for interconnecting
separadamente e instalados nos inversores distributed resources with electric
para realizar o aterramente correto dos power systems - padrão para a cone­
módulos de filmes finos. xão de recursos distribuídos com a
rede elétrica.
á IEEE 929-2000: Recommended practice
5. 7 Requisitos para a conexão for utility interface of photovoltaic (PV)
de sistemas fotovoltaicos systems - prática recomendada para a
conexão com a rede de sistemas foto­
à rede elétrica voltaicos.
D IEC 61727: Characteristics of the utility
Muitas normas e procedimentos já existem
interface - características da rede elé­
em outros países e os requisitos estabe­
trica no ponto de conexão.
lecidos no Brasil observam a experiência
176 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

r.i IEC 62116: Testing procedure of presença de distúrbios na tensão da rede,


islanding prevention methods for conforme mostram as tabelas a seguir.
utility-interactive photovoltaic inverters
- procedimento de teste de méto­ Tabela 5.3: Tempos de desconexão do inversor
da rede elétrica na ocorrência de distúrbios
dos de detecção de ilhamento para de tensão - norma IEC 61727.
inversores fotovoltaicos conectados à
rede elétrica. Faixa de tensão Tempo de
(% do valor nominal) desconexão (s)
r.i VDE0126-1-1 : Automatic disconnection V< 50 0, 1
device between a generator and the
50 s V< 85 2,0
public low-voltage grid - desconexão
85 s Vs 110 Operação normal
automática de geradores da rede elé­
110<V<135 2,0
trica pública de baixa tensão.
V 2: 135 0,05
Os documentos cit.ados abordam assuntos
como as características de aterramento e
Tabela 5.4: Tempo de desconexão do inversor
isolação, qualidade de energia elétrica da rede elétrica na ocorrência de distúrbios
(conteúdo harmónico e limite de injeção de tensão - norma VDE 0126-1-1.
de corrente contínua na rede), proteção
Faixa de tensão Tempo de
contra ilhamento (segurança da conexão (% do valor nominal) desconexão (s)
com a rede) e outros assuntos relacionados V:::; 85, V 11 O
2: 0,2
com a tecnologia fotovoltaica e com a tec­
nologia de inversores eletrónicos. A seguir
se encontra um resumo dos requisitos que Tabela 5.5: Tempos de desconexão do inversor
da rede elétrica na ocorrência de distúrbios
os inversores para sistemas fotovoltaicos de tensão - padrão IEEE 1547.
conectados à rede devem atender.
Faixa de tensão Tempo de
(% do valor nominal) desconexão (s)
5.7.1 Tensão de operação V< 50 0,16
50:::; Vs 88 2,0
O inversor conectado à rede elétrica de
baixa tensão realiza apenas o controle da 110::'SVS120 1,0
corrente fornecida, não devendo exercer V> 120 0,16
nenhum controle sobre a tensão da rede.
Os parâmetros de tensão fornecidos pelas
normas dizem respeito às tensões máxima
5.7.2 Frequência de operação
e mínima com as quais o inversor deve A corrente que o inversor injeta na rede
ser capaz de operar. O inversor deve des­ elétrica é sincronizada com a tensão da
conectar-se quando condições anormais rede, o que significa que a frequência de
de tensão são detectadas, com diferentes operação do inversor é rigorosamente a
tempos de desconexão para faixas distintas mesma da rede. No Brasil essa frequência
de tensão. é de 60 Hz.
As normas IEEE 1547 (norte-americana), As recomendações sobre a frequência de
IEC 61727 (internacional) e VDE 0126-1-1 operação do inversor dizem respeito aos
(alemã) possuem diferentes requisitos com limites inferior e superior de frequência
relação ao comportamento do inversor na dentro dos quais o inversor pode operar.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 177

Quando a rede apresenta frequências fora Os documentos IEEE 1574 e IEC 61727
desses limites, o inversor deve desconec­ mencionam que a monitoração da corren­
tar-se, pois variações de frequência são um te CC injetada deve ser feit.a por meio de
indicativo de falha da rede ou de ilhamen­ análise harmónica (FFT) e não têm reco­
to do sistema fotovoltaico. A verificação da mendação quanto ao tempo máximo e
frequência da tensão da rede é o primeiro desconexão.
requisito (necessário, mas não suficiente)
para a detecção da condição de ilhamento
do sistema fotovoltaico. 5.7.4 Distorção harmônica de
A norma internacional IEC diz que o des­
corrente admissível
vio máximo de frequência permitido é de A distorção harmónica total (DHT ou THO,
±1 Hz, enquanto o padrão norte-ameri­ Total Harmonic Distortion) da corren­
cano IEEE permite a operação do inversor te injetada pelo inversor na rede elétrica
dentro do intervalo de 59,3 Hz a 60,5 Hz. não pode ser superior a 5%. Além desta
As faixas de frequência para a operação do recomendação geral, as normas IEE 1574 e
inversor podem variar de uma norma para IEC 61727 ainda preveem limites máximos
outra e de um país para outro, mas geral­ para diversas faixas de frequências harmó­
mente as variações de frequência permiti­ nicas, conforme a Tabela 5.6.
das são muito pequenas.
A Figura 5.34 compara uma corrente elé­
trica com elevada distorção harmónica e
5.7.3 Minimização da injeção uma corrente elétrica com forma de onda
senoidal pura. Além de reduzir a eficiência
de corrente contínua na do inversor, a corrente distorcida produz
rede elétrica interferências eletromagnéticas e distúrbios
A injeção de corrente contínua pelo in­ na operação de outros equipamentos liga­
versor pode ocorrer devido à assimetria dos à rede. Inversores de baixa qualidade
entre os semiciclos positivo e negativo e baixo custo, que produzem correntes
da corrente produzida pelo inversor. Essa de saída distorcidas, como a mostrada na
assimetria, causada por diferenças nas lar­ figura, além de não serem permitidos e não
guras dos pulsos da tensão chaveada na serem homologados de acordo com as nor­
saída do inversor, deve ser monitorada e mas, devem ser rejeitados pelo consumidor.
mantida dentro do limite recomendado.
Tabela 5.6: Limites de conteúdo harmônico
O padrão IEEE 1547 prevê um limite de de corrente (% da corrente fundamental).
corrente contínua de 0,5% da corrente Harmônicas Limite
nominal do conversor, enquanto o limite DHT (distorção harmônica total) 5%
da norma IEC 61727 é de 1 %. 3il a 9il 4%
A norma VDE 0126-1-1 não regulamenta o 11 il a 1 Sil 2%
limite em termos de porcentagem da cor­ 17il a 21il 1,5%
rente nominal, prevendo um limite abso­ 23il a 33il 0,6%
luto de 1 A e um tempo de desconexão acima da 33il 0,3%
máximo de 0,2 s caso o valor da corrente Harmónicas pares
25% dos
valores aci ma
CC exceda o limite.
178 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

ticipar do controle dos sistemas elétricos


de potência. Para sistemas fotovoltaicos
em baixa tensão isso não era necessário
I~ e nem mesmo era permitido. A norma
I IEC 61727, por exemplo, exigia que em
jr\_ qualquer circunstância o fator de potên­
cia fosse indutivo e não inferior a 0,85
(a)''-----..} (para inversor operando com mais de
1 Oo/o da potência nominal) ou 0,90 (para
Correnteelétrica com elevada
distorção harmônica inversor operando com mais de 50% da
potência nominal).
Entretanto, este cenário vem sendo altera­
do e alguns países já exigem que os inver­
sores, mesmo aqueles empregados em
microgeração, sejam controlados através
de redes inteligentes (smart grids) para
que possam cooperar com o controle da
tensão e da estabilidade das redes elétri­
Correnteelétrica com forma cas de distribuição. Os inversores para
de onda senoidal pura a conexão à rede estão deixando de ser
Figura 5.34: (a) Corrente elétrica distorcida
exclusivamente fornecedores de potên­
e (b) corrente senoidal pura visualizadas cia ativa e passando a fornecer também
com um oscilocópio. potência reativa, de forma controlada, às
redes elétricas de distribuição.

5.7.5 Fator de potência


5.7.6 Atuação na detecção
Em geral os inversores fotovoltaicos de
pequena potência, como os empregados do ilhamento
nos sistemas de microgeração e minigera­ De acordo com as normas para a conexão
ção, não podiam fornecer potência reativa à rede elétrica, o inversor deve ser capaz
à rede elétrica, devendo trabalhar rigoro­ de desconectar-se da rede quando o siste­
samente com fator de potência unitário, ma fotovoltaico fica ilhado. Os documentos
ou seja, injetando apenas potência ativa na IEEE 1574, IEEE 929, IEC 62116 (adotado
rede. Se observarmos as características dos no Brasil), VDE 0126-1-1 possuem reco­
inversores da maior parte dos fabricantes, mendações a este respeito e definem pro­
vamos perceber que todos os equipamen­ cedimentos de teste usados na verificação
tos são especificados para operação com do desempenho do sistema anti-ilhamento.
fator de potência igual a 1 .
A literatura que explora o assunto do
Até então somente os inversores centrais ilhamento é vast.a e deverão ainda surgir
de grande potência, empregados em usi­ normas mais refinadas sobre este assunto,
nas de energia solar e conectados a redes que é uma das maiores preocupações com
elétricas de alta tensão, tinham a habilida­ relação à segurança dos geradores distri­
de de controlar o fator de potência e par- buídos de pequena potência conectados à
rede elétrica.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 179

Um dos parâmetros analisados para a dimento de ensaio de anti-ilhamento para


detecção do ilhamento é o desvio de inversores de sistemas fotovoltaicos conec­
frequência, entretanto não serve como tados à rede elétrica".
único indicador da existência de ilha­
Atualmente os trabalhos da comissão
mento. Estudos sobre métodos sofistica­
CE-03 :082 .01 - "Sistemas de conversão
dos de detecção do ilhamento, capazes
fotovoltaica de energia solar", responsá­
de abranger a maior parte das situações,
vel pela elaboração da ABNT NBR IEC
reduzindo o tamanho da chamada zona
62116:2012, continuam em andamento.
de não detecção, podem ser encontrados
na literatura científica. Paralelamente se encontram em andamen­
to os trabalhos da comissão CE-03:064.01
Qualquer que seja o método empregado,
- "Instalações elétricas de baixa tensão",
os documentos IEEE 1574, IEEE 929 e IEC
que discute o texto da norma NBR IEC
62116 obrigam a desconexão do conver­
60364 para instalações elétricas de siste­
sor 2 s após a constat.ação do ilhamento. A
mas fotovoltaicos.
norma VDE 0126-1-1 prevê a desconexão
após 5 s. Após o ilhamento, depois de um
intervalo mínimo de desconexão (norma
IEC 61727) e após o restabelecimento das
5.8 Inversores comerciais para
condições normais de tensão e frequência sistemas fotovoltaicos
da rede, o conversor deve automatica­
mente reconectar-se e sincronizar-se com
conectados à rede elétrica
a tensão da rede elétrica.
A Tabela 5.7 mostra os diferentes requi­ 5.8.1 Inversores centrais para usinas
sitos para a reconexão do inversor à rede
após a ocorrência do ilhamento.
e sistemas de minigeração
Os fabricantes de inversores disponibili­
Tabela 5. 7: Condições para reconexão do zam os chamados inversores centrais, que
inversor após a ocorrência do ilhamento. são grandes inversores que podem ser
alimentados por um grande número de
Norma IEE 1547 IEC 61727
módulos fotovoltaicos. São inversores tri­
Tensão(%) 88 <V< 110 85 <V< 110
fásicos usados em usinas de energia solar
Frequência 59,3 < f < 60,5 fn -1 < f < fn+1
fotovoltaica, com potências de 1 MW até
Intervalo - 3 minutos
vários megawatts, e sistemas de minigera­
ção, com potências de 1 OO kW a 1 MW.
5.7.7 Normas brasileiras A seguir são apresentados alguns inver­
sores da linha Sunway TG da Santerno.
Os requisitos para a conexão de sistemas
São equipamentos trifásicos com potên­
fotovoltaicos à rede elétrica não estão
cias que variam de 13 kW a 770 kW. A
ainda definidos no Brasil. O primeiro pas­
Santerno é um fabricante de origem italia­
so para o estabeleci mento dos critérios
na que oferece ao mercado uma variedade
e regulamentos da geração fotovoltaica
de modelos de inversores para diferentes
conectada à rede de distribuição de baixa
aplicações. Seus inversores são emprega­
tensão foi a publicação da norma ABNT
dos em um grande número de usinas foto­
NBR IEC 62116:2012, intitulada "Proce-
voltaicas em todo o mundo.
180 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

A Figura 5.35 ilustra os inversores das linhas Sunway TG 600V e TG 800\1, com potências
de pico entre 13 kW e 118 kW. Além destas, existem ainda as linhas TG 600V TE e TG
800V TE, com potências entre 158 kW e 650 kW. A Figura 5.36 ilustra o inversor da linha
Sunway TG 900V TE, com potência de pico de 770 kW. Este é o modelo de maior potência
oferecido pela Santerno.

As Tabelas 5.8 a 5.15 apresentam as características dos inversores Sunway TG 600 V, TG


800V e TG 900V TE da Santerno.

·I Z•.um•• ~ ......... I

. . ..
·I

.. I
I

[J •
,:.._· ..:-;....--) I

Figura 5.35: Inversores Sunway TC 600V (à esquerda) Figura 5.36: Inversor Sunway TC 900V TE.
e TC 800V (à direita). Cortesia: Santerno. Cortesia: Santerno.

Tabela 5.8: Características dos inversores Sunway TC 600V - parte 1.

Características do produto
Range de tensão campo fotovoltaico 315 a 630 Vdc
Máxima tensão de circuito aberto do campo 740Vcc
Tensão de saida 400 Vea +/- 15o/o
Frequência de saida 50 Hz
Tensão de ripple restante no campo fotovoltaico <1o/o
Distorsão total da corrente de rede :5 3o/o
COS<p 1
Grau de proteção IP44
Temperatura de funcionamento -1 OºC a +400C
Umidade relativa 95o/o máx.
Resfriamento com ventilação forçada Temperatura controlada
Consumo noturno inversor < 20 Wem ausência de datalogger
Tensãode isolamento para terra e entre entrada e saida 2,5 kV
Proteção térmica Integrada
Proteção contra sobretensões CC (SPD) Sim
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 181

Tabela 5.9: Características dos inversores Sunway TC 600V - parte 2.

Características técnicas TG 14 600V TG 19 600V TG 26600V TG 42600V


Valores de entrada
Potência de pico
13 kWp 17 kWp 24 kWp 39 kWp
sugerida de campo FV
Potência nominal
11,2 kW 15,1 kW 21,1 kW 34,4 kW
de entrada em CC
Corrente nominal
31,4 A(CC) 42,6 A(CC) 60,6 A(CC) 97,4 A(CC)
de entrada
Valores de saída
Potência máxima de saída 11,7 kW 15,9 kW 22 kW 36kW
Potência nominal de saída 10,6 kW 14,4 kW 20,0 kW 32,8 kW
Corrente nominal de saída 15,3 A(CA) 20,8 A(CA) 28,9 A(CA) 47,3 A(CA)
Rendimento
Rendimento máximo 95,3% 96,0% 95,9% 96, 1 %
Rendimento europeu 93,8% 94,8% 94,5% 94,8%
Dados mecânicos
Di men sões (LxAxP) 800x161 6x600 mm 800x161 6x600 mm 800x161 6x600 mm 800x1 866x600 mm
Peso 260 kg 280 kg 340 kg 450 kg

Tabela 5.1 O: Características dos inversores Sunway TC 600V - parte 3.

Características técnicas TG61 600V TG90600V TG110600V TG 135 600V


Valores de entrada
Potência de pico
55 kWp 80kWp 100 kWp 118 kWp
sugerida de campo FV
Potência nominal
49,4 kW 72,2 kW 89,2 kW 107,1 kW
de entrada em CC
Corrente nominal
140,1 A(CC) 204,0A(CC) 251,4 A(CC) 304,5 A(CC)
de entrada
Valores de saída
Potência máxima de saída 51,8 kW 75,6 kW 93,2 kW 112,8 kW
Potência nominal de saída 47,1 kW 68,7 kW 84,7 kW 102,5 kW
Corrente nominal de saída 68,0A(CA) 99,2 A(CA) 122,3 A(CA) 147,9 A(CA)
Rendimento
Rendimento máximo 96,0% 95,9% 96,0% 96,4%
Rendimento europeu 94,7% 94,6% 94,7% 95,1%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 800x1920x600 mm 1000x2066x800 mm 1000x2066x800 mm 1200x2120x800 mm
Peso 518 kg 785 kg 827 kg 953 kg
182 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Tabela 5.11: Características dos inversores Sunway TG 800V - parte 1.

Características do produto
Range de tensão campo fotovoltaico 415 a 760Vdc
Máxima tensão de circuito aberto do campo 800Vcc
Tensãode salda 400 Vea -t- 15%
Frequência de salda 50 Hz
Proteçãocontra sobretensões CC (SPD) Sim
Tensão de ripple restante no campo fotovoltaico <1%
Distorsão total da corrente de rede s3%
Cos <p 1
Grau de proteção IP44
Resfriamento com ventilação forçada Temperatura controlada
Temperatura de funcionamento -1 OºC a +400C
Umidade relativa 95% máx.
Tensãode isolamento para terra e entre entrada e salda 2,5 kV
Proteção térmica Integrada
Consumo noturno inversor < 20 Wem ausência de datalogger

Tabela 5.12: Características dos inversores Sunway TG 800V- parte 2.

Características técnicas TG 35 800V TG57800V


Valores de entrada
Potência de pico sugerida de campo FV 32 kWp 51 kWp
Potência nominal de entrada em CC 28,5 kW 45,7 kW
Corrente nominal de entrada 60,6 A(CC) 97,4 A(CC)
Valores de saída
Potência máxima de salda 29,9 kW 48,0 kW
Potência nominal de salda 27,2 kW 43,6 kW
Corrente nominal de salda 39,2 A(CA) 63 A(CA)
Rendimentos
Rendimento máximo 96,1% 96,1%
Rendimento europeu 94,6% 94,6%
Dados mecânicos
Dimensões (lxAxP) 800x1616x600 mm 800x1 920x600 mm
Peso 380 kg 543 kg
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 183

Tabela 5.13: Características dos inversores Sunway TC 800V - parte 3.

Características técnicas TG82 800V TG 120 800 V TG 145 800 V


Valores de entrada
Potência de pico sugerida de campo FV 72 kWp 106 kWp 118 kWp
Potência nominal de entrada em CC 65,4 kW 96,0 kW 106,5 kW
Corrente nominal de entrada 140,1 A(CC) 204,0A(CC) 251,4 A(CC)
Valores de saída
Potência máxima de saída 69,0 kW 100,5 kW 112,8 kW
Potência nominal de sarda 62,7 kW 91,4 kW 102,5 kW
Corrente nominal de saïda 90,5 A(CA) 131,9 A(CA) 148 A(CA)
Rendimentos
Rendimento máximo 96,6% 96,2% 96,2%
Rendimento europeu 95,3% 94,8% 94,9%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 800xl 920x600 mm 100x2066x800 mm 1 200x2066x800 mm
Peso 670 kg 827 kg 900 kg

Tabela 5.14: Características dos inversores Sunway TC 900V TE - parte 1.

Características técnicas TG 750 900 TE Rendimentos TG 750 900 V TE


Valores de entrada 10% 95,9
Potência de pico sugerida de campo FV 770 kWp 20% 97,6
Potência nominal de entrada em CC 684,3 kW 25% 98,5
Corrente nominal de entrada 1253,4 A(CC) 30% 98,4
Valores de saída 50% 98,3
Potência máxima de saïda 731,6 kW 75% 98, 1
Potência nominal de saída 665,1 kW 100% 97,2
Corrente nominal de saída 1200 A(CA) 11% europeu 97,7
Rendimentos 11% máx 98,5
Rendimento máximo 98,5%
Rendimento europeu 97,7%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 2800x2475x800 mm
Peso 21 OO kg
184 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Tabela 5.15: Características dos inversores Sunway TG 900V TE - parte 2.

Características do produto
Range de tensão campo fotovoltaico 495 a 820 Vee
Máxima tensão de circuito aberto do campo 900Vcc
Tensãode salda 320 Vea -t- 10%
Frequência de salda 50 Hz
Proteçãocontra sobretensões CC (SPD) Sim
Tensãode ripple restante no campo fotovoltaico <1%
Distorsão total da corrente de rede :53%
Cos<p 1
Grau de proteção IP44
Resfriamento com ventilação forçada Temperatura controlada
Temperatura de funcionamento -1 OºC a +40"C
Umidade relativa 95% máx.
Tensãode isolamento para terra e entre entrada e salda 2,5 kV
Proteção térmica Integrada
Consumo noturno inversor < 45 Wem ausência de datalogger

5.8.2 Inversores para minigeração Inversores sem transformador


e microgeração Os inversores da linha Sunway M XS da
Inversores para microgeração, usados em Santerno são equipamentos monofásicos
sistemas fotovoltaicos com potência instalada sem transformador, com potências que
até 1 OO kW, estão disponíveis no mercado variam de 2,4 kW a 9 kW. As Tabelas 5.16
em versões monofásicas com diversos valores a 5 .19 apresentam suas características.
de potência, variando de algumas centenas
de watts até alguns quilowatts.

Esses inversores são indicados para siste­


mas fotovoltaicos residenciais, comerciais
e industriais que possuem potência instala­
da de geração de até algumas dezenas de
quilowatts, podendo ser usados em siste­
mas de microgeração e minigeração.

Dependendo do tamanho do sistema, vários


inversores são empregados em paralelo,
conectados a redes monofásicas ou trifási­
cas. A seguir vamos analisar alguns modelos Figura 5.37: Inversores Sunway M XS
de inversores para essas aplicações. sem transformador. Cortesia: Santerno.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 185

Tabela 5.16: Características dos inversores Sunway M XS - parte 1.

Características do produto M XS 2200/3000/3800 TL


Range de tensão do MPPT 125 a 480 Vee
Máxima tensão CC 580Vcc
Número máx. strings de entrada 4
Número máx. canais MPPT independentes 2 (1 para M XS 2200)
Tensão de rede 230 Vea -t- 1 So/o
Frequência de rede 50 Hz
Distorsão total da corrente de rede :53%
Grau de proteção IP65
Range de temperatura -25°C a +45°C
Umidade relativa 95% máx.
Consumo em stop < 10W
Proteção térmica Integrada
Consumo noturno < 25W

Tabela 5.17: Características dos inversores Sunway M XS - parte 2.

Características do produto M XS 5000/6000/7500 TL


Range de tensão do MPPT 330a 700Vcc
Máxima tensão CC 845 Vee
Número máx. strings de entrada 4
Número máx. canais MPPT independentes 1
Tensão de rede 230 Vea -t- 15%
Frequência de rede 50 Hz
Distorsão total da corrente de rede :53%
Grau de proteção IP65
Range de temperatura -25°C a +45°C
Umidade relativa 95% máx.
Consumo em stop < 10W
Consumo noturno < 0.25 W
186 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Tabela 5.18: Características dos inversores Sunway M XS - parte 3.

Características técnicas M XS 2200 TL M XS 3000 TL M XS 3800 TL


Valores de entrada @ 400C
Potência de pico sugerida de campo FV 2400Wp 3600Wp 4500Wp
Potência nominal de entrada em CC 2324 W 3220W 3995W
Corrente máxima de entrada 12,5 A(CQ 20A(CC) 25 A(CQ
Número de rastreadores MPPT
1 2 2
independentes
Valores de saída @ 40°C
Potência máxima de saída 2428W 3349W 4175 W
Potência nominal de salda 2208W 3059W 3795W
Corrente nominal de salda 9,6 A(CA) 13,3 A(CA) 16,5 A(CA)
Rendimentos
Rendimento máximo 95,5o/o 95,5o/o 95,5o/o
Rendimento europeu 94,6% 94,6% 94,6%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 338x570x218 mm 338x570x218 mm 338x570x218 mm
Peso 15 kg 18 kg 18 kg
Sistema de resfriamento Natural Natural Ventilação forçada

Tabela 5.19: Características dos inversores Sunway M XS - parte 4.

Características técnicas M XS 5000 TL M XS 6000 TL M XS 7500 TL


Valores de entrada @ 40ºC
Potência de pico sugerida de campo FV 6000Wp 7000Wp 9000Wp
Potência nominal de entrada em CC 5326 W 6295 W 7990W
Corrente máxima de entrada 17 A(CC) 20A(CC) 25 A(CQ
Número de rastreadores MPPT
1 1 1
independentes
Valores de saída @ 40°C
Potência máxima de saída 5566W 6578 W 8349W
Potência nominal de salda 5060W 5980W 7590W
Corrente nominal de salda 22,0 A(CA) 26,0 A(CA) 33,0 A(CA)
Rendimentos
Rendimento máximo 95,8% 96,5o/o 97,1%
Rendimento europeu 94,7% 94,7% 94,9%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 414x703x260 mm 414x703x260 mm 414x703x260 mm
Peso 31 kg 35 kg 35 kg
Sistema de resfriamento Natural Ventilação forçada Ventilação forçada
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 187

Inversores com transformador


Os inversores da linha Sunway M PLUS da Santerno, apresentados nas Figuras 5.38 e 5.39,
são equipamentos monofásicos equipados com transformador isolador de baixa frequên­
cia. Estão disponíveis em modelos com potências que variam de 1,2 kW a 7, 1 kW. As
Tabelas 5.20 a 5.22 apresentam suas características.

Figura 5.38: Inversores Sunway Figura 5.39: Vista de um inversor Sunway


M PLUS com transformador. M PLUS aberto. A caixa redonda na parte
Cortesia: Santerno. superior do equipamento aloja o transformador
de isolação toroidal. Cortesia: Santerno.

Tabela 5.20: Características dos inversores Sunway M MPLUS - parte 1.

Características do produto
Range de tensão do campo fotovoltaico auxiliar 24 a 486 Vee
Tensão máxima em continua aplicável ao inversor 600Vcc
Ripple em CC < 3%
Número máximo de strings MPPT1 4
Número máximo de stringsMPPT2 2
Revelador de dispersão para terra Sim
Varistores de proteção Sim
Tensão de rede 230 Vea +/- 15%
Frequência de rede 50/60 Hz
Distorção total da corrente de rede s 3%
COS<p 1
Temperatura de funcionamento -25°C a +60°C
Umidade relativa 95% máx.
Consumo em stop/Consumo noturno 8W/OW
Tensão de isolamento para terra e entre entrada e saída 2,5 kV
Proteção térmica integrada Sim
188 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Tabela 5.21: Características dos inversores Sunway M MPLUS - parte 2.

Características técnicas M Plus 1300 E M Plus 2600 E M Plus 3600 M Plus 3600 E M Plus 4300
Valores de entrada
Potência de pico
1263 Wp 2410 Wp 3310Wp 3310 Wp 3950 Wp
sugerida de campo FV
Potência nominal
1119 W 2140W 2930W 2930W 3470W
de entrada em CC
Corrente nominal
12 A(CC) 14A(CC) 11,5 A(CC) 18,8 A(CC) 13,8 A(CC)
de entrada MPPT1
Corrente nominal
de entrada MPPT2
- 10A(CC) 10A(CC) 10A(CC) 1 O A(C)

Range de tensão do
campo fotovoltaico 105 a 380 Vee 156a 585 Vee 260 a 585 Vee 156 a 585 Vee 260 a 585 Vee
principal
Valores de saída
Potência máxima
1138 W 2210W 3040W 3040W 3620W
de saída
Potência nominal
1035 W 2010W 2760W 2760W 3290W
de saída
Corrente nominal
4,5 A(CA) 8,7 A(CA) 12 A(CA) 12 A(CA) 14,3 A(CA)
de saída
Rendimento
Rendimento máximo 92,5o/o 94% 94o/o 94,5o/o 95o/o
Rendimento europeu 91,8o/o 92,6% 92,6% 93,1% 94,1%
Dados mecânicos
Dimensões (LxAxP) 290x71 Ox230 mm 290x71 Ox230 mm 290x71 Ox230 mm 290x71 Ox230 mm 290x71 Ox230 mm

Peso 39 kg 42 kg 45 kg 55 kg 45 kg
Grau de proteção IP65 IP65 IP65 IP65 IP65
Ventilação
Método de resfriamento Natural Natural Natural Natural
forçada
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 189

Tabela 5.22: Características dos inversores Sunway M MPLUS - parte 3.

Características técnicas M Plus 4300 E M Plus 5300 E M Plus 6400 M Plus 7800 E
Valores de entrada
Potência de pico
3950Wp 4920 Wp 5880Wp 7180Wp
sugerida de campo FV
Potência nominal
3470W 4230W 5060W 6170W
de entrada em CC
Corrente nominal
22,3 A(CQ 16,9 A(CC) 20,4 A(CQ 25 A(CC)
de entrada MPPT1
Corrente nominal
10A(CC) 15 A(CC) 15 A(CC) 15 A(CC)
de entrada MPPT2
Range de tensão do campo
260 a 585 Vee
156 a 585 Vee 260 a 585 Vee 260 a 585 Vee
fotovoltaico principal
Valores de saída
Potência máxima
3620W 4510W 5390W 6580W
de saída
Potência nominal
3290W 4100W 4900W 5980W
de saída
Corrente nominal
14,3 A(CA) 17,8 A(CA) 21,3 A(CA) 26 A(CA)
de saída
Rendimento
Rendimento máximo 94,5% 97% 97% 97%
Rendimento europeu 93,1% 94,8% 95,1% 94,8%
Dados mecânicos
Dimensões (lxAxP) 290x710x230 mm 290x710x230 mm 290x710x230 mm 290x710x247 mm
Peso 55 kg 55 kg 55 kg 63 kg
Grau de proteção IP54 IP54 IP54 IP54
Método de resfriamento Ventilação forçada Ventilação forçada Ventilação forçada Ventilação forçada

A Figura 5.40 mostra a organização dos componentes internos do inversor Sunway M


PLUS. Uma característica interessante desses inversores é a possibilidade de agregar um
módulo opcional de entrada auxiliar, com estágio de conversão CC-CC e sistema de MPPT
independent.es do circuito principal do inversor. Essa entrada auxiliar permite a conexão de
uma pequena quantidade de módulos fotovoltaicos ligados em baixa tensão.
Normalmente quando se organiza uma instalação fotovoltaica para cobrir um telhado,
por exemplo, alguns módulos ficam sobressalentes e não podem ser conectados ao con­
junto principal. Esses módulos sobressalentes são inst.alados apenas por razões estéticas
e permanecem desligados do sistema fotovoltaico. Com a entrada auxiliar do inversor
Sunway M PLUS é possível conectar os módulos excedentes, aproveitando ao máximo o
potencial de geraçãode energia da instalação fotovoltaica.
190 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Entrada auxiliar com estágio de pré-conversão CC-CC independente


..................................................................................................... ..
.
... ...
.: +
,--------- ----------,
, Option board: : Boost converter,
.:
; I I I I :

..
: I I I
..
:

: + I I :
: EMC I I :

:: filter 'I 'I --<


:
:
; I I :
: I I :
: I I :
'

:
( Auxiliary photovoltaic field
---------·
I

·-
I

--------'

:
( . . . . .
: : Circuito principal do inversor
.
..:
:
..
.: + :.
.. + :..
:
.: "' +
.Si L :
.
: .==lß
~:5 + EMC ....K EMC ":·.::: :
:. o "'8
B filter filter \J :
.
:: o.. E
.s: IGBT N ::
... ...
.: :. ... . ... ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .... ·: .:
.. : : ..
: Isolation Grid Grid ; :
: sensor Control voltage : :
: board sensor sensor :
.. ..
: Main photovoltaic field :
... ...
: . Sistemas Display and :
: keypad :
. : de controle ·
. ·-. - - . - - - - -.- -.-
...........................................................................................................................................
-.- - -.: :

Figura 5.40: Organização interna dos inversores Sunway M PLUS. Cortesia: Santerno.

5.8.3 Microinversores aos módulos fotovoltaicos. Normalmen­


te são posicionados na parte traseira dos
Existe uma categoria de inversores de módulos e sua conexão à rede elétrica é
pequena potência projetados especial­ muito simples.
mente para trabalhar com um único
módulo fotovoltaico. Esses equipamen­ O conjunto de um módulo e um microin­
tos, chamados microinversores, são muito versor acoplado é conhecido como "mó­
usados em pequenos sistemas fotovoltai­ dulo CA integrado", ou seja, um módu­
cos residenciais. lo fotovoltaico que pode ser conectado
diretamente à rede elétrica de corren­
Eles diferem dos demais inversores pelo te alternada. A Figura 5.41 mostra um
fato de serem pequenos e principalmente microinversor inst.alado em um sistema
por poderem ser acoplados diretamente fotovoltaico residencial.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 191

da entre 200 V e 500 V, então são projetados


para receber strings com vários módulos.
Para formar conjuntos de potência maior,
de acordo com as necessidades do sis­
tema ou de acordo com potência máxi­
ma do inversor empregado, colocam-se
strings em paralelo. A corrente fornecida
pelo conjunto todo é a soma das correntes
fornecidas por cada string individualmente.
A ligação em paralelo de módulos indivi­
duais geralmente ocorre apenas nos sis­
Figura 5.41: Microinversor usado para a conexão de
um módulo fotovoltaico individual à rede elétrica. temas isolados e não é empregada nos
Fonte: Maury Markowitz/Wiki Media Commons sistemas conectados à rede, exceto quando
os inversores têm um nível baixo de ten­
são de entrado no lado CC (como é o caso
5.9 Organização dos conjuntos da entrada auxiliar existente no inversor
Sunway M PLUS, mostradana Figura 5.40).
fotovoltaicos
Para construir um conjunto fotovoltaico,
em geral se dimensiona primeiramente o
5.9.1 Ligação de módulos número de módulos que serão conectados
em série em cada string, levando em conta a
fotovoltaicos em série e paralelo tensão admissível na entrada CC do inversor,
Os módulos fotovoltaicos são combinados escolhendo-se o número de painéis máximo
entre si através de ligações em série e para­ e mínimo que podem ser empregados em
lelo, de forma a criar conjuntos com maior série. Em seguida, de acordo com a potên­
capacidade de fornecimento de energia, cia do inversor ou com a potência desejada
com tensões e correntes maiores do que as no sistema, escolhe-se o número de strings
produzidas por um painel individualmente. que serão conectados em paralelo.

Os módulos ligados em série constituem


fileiras ou strings. Para minimizar as perdas 5.9.2 Número de módulos em
de potência no sistema, apenas devem ser série no string
utilizados módulos do mesmo tipo.
O número de módulos ligados em série Cálculo inicial
determina a tensão do conjunto fotovol­
O número de módulos que podem ser
taico, que é a tensão aplicada aos termi­
nais de entrada (lado CC) do inversor. Os ligados em série na entrada de um inversor
conectado à rede é determinado de acor­
inversores devem ser dimensionados para
do com a tensão máxima admissível na
suportar a soma das tensões de circuito
entrada CC e com a faixa de tensão úti I
aberto dos módulos, que é a tensão de cir­
do inversor. Ao determinar o número de
cuito aberto da fileira ou do string.
módulos conectados em série, o projetista
Normalmente os inversores para sistemas deve verificar as características do módulo
conectadosà rede possuem tensões de entra- no catálogo do fabricante.
192 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Os valores da tensão de circuito aberto levar em cont.a o coeficiente de variação da


(Vocl e da tensão de máxima potência tensão de circuito aberto com a tempera­
(VMP) do módulo devem ser multiplicados tura informado na folha de dados do fabri­
pelo número de módulos em série (N5) e os cante. Geralmente nesses casos considera­
valores resultantes devem estar de acordo -se que a temperatura mais baixa obtida na
com as características do inversor empre­ operação do módulo será de -1 OºC, o que
gado, como mostra a Figura 5.42. corresponde a uma temperatura ambiente
de cerca de -30°(. Esta é uma considera­
Recomenda-se que as tensões calculadas ção de projeto suficientemente segura para
estejam 1 Oo/o abaixo das tensões especi­ a maior parte das regiões do planet.a e cer­
ficadas para o inversor, especialmente a tamente para todasas regiões do Brasil.
tensão máxima admissível, pois variações
de temperatura alteram a tensão de saída O problema da variação de temperatura
dos módulos. Na prática os valores de ten­ reside no fato de que em temperaturas
são serão diferentes daqueles calculados, mais baixas a tensão de circuito aberto
então uma margem de segurança é neces­ dos módulos é maior, podendo exceder
sária no dimensionamento. a tensão máxima admissível pelo inver­
sor se o projeto não for cuidadosamente
Para projetos em localidades sujeitas a tem­ elaborado.
peraturas rigorosamente baixas, deve-se

+ Tensãode máxima
potência do conjunto
N5X VMP

Curva /-V
+
Corrente

Ns

,.________..,
Tensão
Faixa útil
de tensão
do inversor

Figura 5.42: Dimensionamento do conjunto fotovoltaico segundo o número de módulos em


série, levando em conta a faixa de tensão útil e a tensão máxima admissível do inversor.

5.9.3 Sistemas fotovoltaicos modulares


Nos capítulos anteriores o leitor aprendeu que sombras e condições irregulares de ilumina­
ção em módulos e conjuntos de módulos prejudicam a produção de energia, pois quando
parte das células de um módulo ou parte dos módulos de um conjunto está com menos
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 193

luz do que os demais elementos, surgem diversos pontos possíveis de máxima potência, e
nem sempre o sistema de MPPT do inversor consegue encontrar o ponto que corresponde
à máxima produção de energia do sistema.

Rede
~-----------------------elétrica

Rede
elétrica

Rede
elétrica

Figura 5.43: Acima: sistema fotovoltaico com um módulo por inversor. No centro: sistema com um conjunto
de módulos para cada inversor. Abaixo: sistema com todos os módulos ligados a um inversor central.
194 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

Um modo muito eficaz de tornar o sistema sistemas autónomos no seu tamanho e


fotovoltaico imune a sombras e condições pela potência fornecida.
irregulares de iluminação é torná-lo modu­
Tipicamente um módulo de silício cris­
lar com o emprego de diversos inversores
talino para a conexão à rede possui 60
de potência menor do que a potência total
células em série, apresentando tensões de
do sistema, como mostrou a Figura 5.43.
saída de circuito aberto em torno de 37 V
Em sistemas de microgeração e minigera­ e potências de 230 W a 245 W. Os valo­
ção recomenda-se o uso de vários inverso­ res podem variar de um fabricante para
res no lugar de um único inversor central outro ou entre modelos diferentes de um
para aumentar a confiabilidade do sistema, mesmo fabricante.
evitando que a falha de um equipamento
coloque todo o sistema em risco. Mui­ As características dos módulos fotovol­
tas vezes não há outra alternativa senão taicos comerciais foram apresentadas no
modularizar, pois os inversores encontra­ Capítulo 3.
dos no mercado têm potências de até
5 kW ou 7 kW, dependendo do fabricante. 5.10.2 Inversores para a conexão
Então sistemas com potência instalada aci­
ma desses valores obrigatoriamente reque­ à rede elétrica
rem o uso de diversos inversores conecta­ Os inversores são essenciais para os sis­
dos em paralelo. temas conectados à rede elétrica, sem os
Em grandes sistemas de geração, como é quais não seria possível fazer a injeção
o caso de usinas de eletricidade, o uso de da energia produzida pelos módulos na
inversores centrais é preferível, pois o cus­ rede elétrica.
to para o emprego de uma grande quanti­ Nas páginas anteriores falamos bast.ante
dade de inversores torna proibitivo o uso sobre os inversores para sistemas conec­
de inversores em paralelo, sendo preferível tados à rede e explicamos seu princípio
um único inversor conectado a uma gran­ de funcionamento, suas funções e carac­
de quantidade de strings. Do ponto de vis­ terísticas. A escolha do inversor adequado
ta de sombras e condições irregulares de para um determinado projeto depende
iluminação não há muito problema, pois da potência gerada, dos módulos que são
usinas são construídas em áreas abertas e empregados e de outros aspectos como a
livres de obstáculos que poderiam causar necessidade ou não de um transformador
sombras nos módulos. de isolação no inversor.

5.10 Componentes dos sistemas 5.10.3 Caixas de strings


fotovoltaicos conectados à Os strings de um conjunto fotovoltaico
podem ser ligados entre si através de uma
rede elétrica caixa de conexões, geralmente denomina­
da string box ou caixa de strings, que pode
5.10.1 Módulos fotovoltaicos ser construída com componentes avulsos
adquiridos no mercado ou pode ser uma
Os módulos para sistemas fotovoltaicos caixa pré-fabricada. Essa caixa deve ser
conectados à rede diferem dos usados nos ,-··- -- ····-·. -·. suindo no
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 195

mínimo o grau de proteção IP54, e deve ter todos os condutores ativos (positivos e
os terminais positivo e negativo bem sepa­ negativos) de acordo com a exigência da
rados e identificados em seu interior. norma IEC 60364.
A caixa de strings, cujo diagrama elétrico Se não forem utilizados fusíveis em série
é mostrado na Figura 5.44, concentra os com os strings, os condutores devem estar
cabos elétricos das diversas fileiras em dois dimensionados para a máxima corrente
barramentos, positivo e negativo, e ainda de curto-circuito dos módulos fotovol­
possui fusíveis de proteção. taicos. O uso de até dois strings paralelos
dispensa a presença de fusíveis. Conjun­
Para proteger os módulos e os cabos dos
tos com mais de dois strings requerem
strings contra sobrecargas e correntes re­
fusíveis de proteção.
versas, são usados fusíveis de strings em

Conjunto fotovoltaico String box - caixa de strings


com strings paralelos

'
Fusíveis
I
-- -- -- -- gPV

I I I -- -- -- --
I II I I
Barramento positivo
-, I
+

I II I
Barramento negativo

I I I _, I

-- -- -- --
I I II I I
-- -- -- --
.. ..
L :
Figura 5.44: Caixa para a conexão de diversos strings em paralelo, contendo fusíveis e barramentos de ligação.

A caixa de strings também pode conter diodos de bloqueio (não mostrados na Figura 5.44)
em série com os strings. Os diodos de bloqueio (também chamados diodos de strings)
impedem a corrente elétrica de circular no sentido contrário ao sentido normal da corrente
dos módulos, evitando que o painel seja danificado.
Com a presença do diodo de string, no caso de ocorrer um curto-circuito ou o sombrea­
mento em um dos strings, os demais continuam funcionando normalmente. Sem a presen-
196 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

ça de diodos de bloqueio nas fileiras, uma corrente pode fluir no sentido inverso através da
fileira afetada pela sombra.

Durante a operação normal do sistema fotovoltaico os diodos de strings provocam perdas


de energia devido à sua queda de tensão. Nos sistemas sombreados a produção de energia
com diodos de bloqueio não é muito maior do que nos sistemas que não empregam dio­
dos. Além disso, quando existem diodos de bloqueio, normalmente não se consegue per­
ceber com facilidade a existência de falhas nos painéis e em suas conexões, pois os diodos
permitem que o restante do sistema continue funcionando normalmente mesmo quando
uma fileira de painéis está defeituosa.

Por esses motivos o uso de diodos de bloqueio não é recomendável e os diodos passaram a
ser dispensáveis nas instalações fotovoltaicas e não são exigidos na norma IEC 60364 e em
nenhuma outra. Estudos e experiências práticas demonstram que o uso de fusíveis em série
com os strings é suficiente para a proteção dos sistemas fotovoltaicos.

A Figura 5.45 ilustra porta-fusíveis usados ,i


nas caixas de strings em sistemas fotovol­
taicos. São caixas desenvolvidas espe-
cialmente para aplicações fotovoltaicas, •)
com classe de tensão adequada e pró-
prios para alojar fusíveis gPV cilíndricos. Figura 5.45: Porta-fusíveis próprios para instalações
fotovoltaicas em corrente contínua. Cortesia: Eudora Solar.

A Figura 5.46 ilustra caixas de strings industriais. Alguns fabricantes, como é o caso da ita­
liana Santerno, disponibilizam caixas de strings que, além de fornecer suportes para fusíveis
e conexões elétricas, ainda oferecem funções adicionais de monitoramento eletrónico e
proteção dos strings. A Figura 5.47 mostra caixas de strings industriais instaladas em um
sistema de minigeração.

Figura 5.46: Caixas de strings industriais Smart String Box, com recursos especiais
de monitoramento e proteção dos módulos fotovoltaicos. Cortesia: Santerno.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 197

ser empregadaschaves de desconexão CC


específicas, que suportam os níveis de ten­
são presentes nos sistemas fotovoltaicos e
têm capacidade de interrupção de arco
elétrico em corrente contínua. Chaves para
instalaçõeselétricas convencionais de cor­
rente alternada não devem ser empregadas
com esta finalidade.
Uma tendência nos países europeus, que
possivelmente também ocorrerá no Brasil,
é a inserção de um botão de emergência
Figura 5.47: Caixas de strings empregadas em siste­
ma fotovoltaico de mìnigeração instalado sobre um para seccionar a conexão CC, assim como
estacionamento de veículos. Cortesia: Santerno. a chave de desconexão. Esse botão, no
entanto, tem a função de permitir aciona­
mento rápido em situações de emergência,
como em incêndios, em que o Corpo de
5.10.4 Quadro de proteção de
Bombeiros deve garantir extinção imediata
corrente contínua (CC) de toda corrente elétrica da instalação.
O quadro de proteção de corrente contí­ O dispositivo de proteção de surto (DPS)
nua do sistema fotovoltaico, além de pos­ é um componente necessário nos sistemas
suir os fusíveis para a conexão dos strings, fotovoltaicos, assim como nas instalações
incorpora uma chave de desconexão CC e elétricas convencionais, para proteger
o dispositivo de proteção de surto. O qua­ cabos e equipamentos contra sobreten­
dro de proteção CC pode ter a função da sões ocasionadas por descargas atmosfé­
caixa de strings. No mesmo quadro deve ricas. Nos sistemas fotovoltaicos, no lado
estar presente o barramento de aterramen­ CC, devem ser empregados dispositivos
to, necessário para coletar as ligações à ter­ projetados especialmente para operar em
ra das estruturas metálicas e carcaças dos circuitos de corrente contínua.
módulos fotovoltaicos.
A barra de aterramento do quadro de pro­
A chave de desconexão é necessária na teção pode ser conectada à terra ou ao
manutenção dos sistemas fotovoltaicos, condutor de equipotencial da instalação
permitindo a desconexão dos módulos para elétrica, conforme o tipo de aterramento
garantir a segurança durante manutenções empregado na instalação.
nas instalações e nos inversores. Devem
198 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

o--+----------~
I
o--,__-----~
o--.----~
o-----,
~1
rr:,
~l ~] Fusíveis
!!'!'
j gPV Chave de
desconexão CC

+ JÎiiiij
....¡_--......--<>

• v..
Barramento positivo

Barramento negativo
--;..--o

0-----i-----'
t-;~t~~t-: ..
~-- ~:f"~o:;:;::
o--+---------'
o--;----------~ ) )

o o o o o o o o o o
Barramento de terra

Figura 5.48: Quadro de proteção de corrente contínua (CC) da instalação fotovoltaica.

5.10.5 Quadro de proteção de Neste quadro observa-se a presença de


um disjuntor diferencial residual (DDR) na
corrente alternada (CA) entrada, que pode ser substituído por um
O quadro de proteção de corrente alterna­ disjuntor termomagnético combinado com
da, mostrado na Figura 5.49, faz a conexão um interruptor diferencial residual (IOR).
entre os inversores do sistema fotovoltaico
O método de aterramento pode variar
e a rede elétrica. Os dispositivos e o modo
de uma instalação para outra. Em alguns
de dimensionamento são semelhantes aos
casos o neutro do sistema será aterrado,
empregados nas instalações elétricas con­
em outros não. Em alguns casos a ligação
vencionais de baixa tensão.
à terra do lado CA será unificada com
A Figura 5.49 exemplifica um quadro de a ligação à terra do lado CC. A norma
proteção para sistema trifásico, no qual os IEC 60364 permite a separação dos pontos
inversores são conectados às fases do siste­ de aterramento quando a resistência de
ma e o neutro não é empregado. Entretan­ terra é inferior a 1 On.
to, recomenda-se que o neutro da instala­
Em geral se recomenda a equipotencia­
ção, mesmo não sendo usado na conexão
lização da instalação com a conexão uni­
aos inversores, seja conectado ao dispositi­
ficada de todos os barramentos e condu-
vo de proteção de surto (DPS).
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 199

tores de ligação à terra, tanto no lado CA próximo ao inversor, em quadro separado,


quanto no lado CC. Exceção deve ser feita como o mostrado na Figura 5.50, quando
no caso dos sistemas com módulos de fil­ a distância do inversor até a conexão à
mes finos, quando um dos terminais vivos rede for superior a dez metros. O méto­
(positivo ou negativo) dos conjuntos foto­ do de instalação do DPS pode variar de
voltaicos é ligado à terra. Neste caso os uma instalação para outra, de acordo com
condutores de aterramento do lado CC e a presença ou não do terminal de neutro e
do lado CA devem ser independentes. da maneira como a conexão à terra é feita.
O exemplo da Figura 5.50 mostra uma ins­
Na Figura 5.49 observa-se a presença de
talação na qual os inversores são conecta­
um dispositivo de proteção de surto (DPS)
dos às fases, sem a necessidade do neutro.
trifásico usado para proteger a instalação
e o lado de corrente alternada dos inver­ Os dispositivos de proteção de surto (DPS)
sores. Recomenda-se o uso de DPS em são de fundamental importância nos siste­
locais com elevada incidência de descar­ mas fotovoltaicos, inst.alados nos lados CC
gas atmosféricas, como é o caso da maior e CA. Seu custo é muito baixo em compa­
parte das regiões brasileiras. ração com os prejuízos aos equipamentos,
incluindo módulos, inversores e instala­
A norma I EC 60364 recomenda que um
ções, que podem decorrer de sobretensões
sistema de DPS adicional seja instalado
ocasionadas por descargas atmosféricas.

Conexão à rede
F1 F2 F3 N T
,.................................................................................. ............ .......... ..................... . ...

Disjuntor
diferencial residual
Barramento
Ligação aos
inversores
trifásico -
Disjuntor o
bipolar o
Disjuntor o
bipolar o

Disjuntor
bipolar
-
l.! :!
<
.._.,, -u
' I
Dispositivos recomendados: .
ii.= t= ~~'='
-+
Finder
r;:a Cl ílea DPS
Dispositivo
-- -- --
:=,-..~ ~ ;:J. :=,-.J?.~-i.li
7p.23.8.275.1020 (sem neutro) :·-''"::' ~--·-.:: . . . _.::~.:.
:-- .. de proteção
-·U~
7p.24.8.275.1020 (com neutro) - .-- .... -· --
de surto

.) ) )
te

w w

~'
' .
I Barramento de terra ~
Aterramento dos
..........................................................................................................................................
inversores ·i
Figura 5.49: Quadro de proteção de corrente contínua (CA) da instalação fotovoltaica. Cortesia: Finder.
200 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

¡··························································································································¡
F Disjuntor F
FIN<>-+----+----.---------, bipolar l-----'--<>f/N

·1-
DPS
Dispositivo
de proteção
de surto

Dispositivo recomendado:
Finder 71'22.8.275.1020

o
Barramento de terra
!, Aterramento dos
:. inversores ·
Figura 5.50: Dispositivo de proteção de surto (DPS) instalado próximo ao inversor. Cortesia: Finder.

5.10.6 Acessórios Esse tipo de ferramenta é necessário prin­


cipalmente em sistemas de minigeração
As instalações fotovoltaicas podem ser e usinas solares para realizar a análise do
increment.adas com uma vasta gama de desempenho esperado do sistema fotovol­
acessórios, como estações meteorológicas, taico diante das condições de operação.
sistemas de monitoramento da energia for­
necida pelos inversores e medidores de
energia inst.alados na conexão com a rede.

Estação meteorológica
A Figura 5.51 mostra a est.ação meteoroló­
gica fornecida pelo fabricante de inversores
Santerno, que possui anemómetro, sensor
de direção do vento, medidor de tempe­
ratura ambiente, piranômetro e sensor de
temperatura de cont.ato para os módulos.
A central é fornecida com uma caixa com
graude proteção IP65, que pode ser expos­
ta ao tempo, que contém um módulo de
registro de dados e comunicação, mos­
trado na Figura 5.52, que pode ser ligado
a um computador. Os dados podem ser
enviados a um software para a avaliação Figura 5.51: Estação meteorológica
do desempenho do sistema fotovoltaico. Centralina Meteo. Cortesia: Santerno.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 201

rente externo. A Figura 5.55 mostra o


esquema das conexões elétricas do medi­
dor e a Tabela 5.23 apresenta suas carac­
terísticas técnicas.

Figura 5.52: Módulo de aquisição de


dados e comunicação para uso com a
estação Centralina Meteo. Cortesia: Santerno.

Medidores de energia
Medidores de energia podem ser inst.ala­
dos na conexão com a rede elétrica, entre
o disjuntor de entrada do quadro de pro­ Figura 5.53: Família de medidores de
teção CA do sistema fotovoltaico e o ponto energia Finder. Cortesia: Finder.
de conexão com a rede, para a monito­
ração da produção de energia do sistema
fotovoltaico.
A Figura 5.53 ilustra a família de medi­
••
N
•El •~i l

dores Finder, disponíveis em versões mo­


nofásicas e trifásicas, com mostradores
digitais ou analógicos. São produtos fáceis
de instalar, próprios para montagem em
a a
trilho, podendo ser colocados dent.ro do
próprio quadro de proteção CA.
A Figura 5.54 destaca o medidor trifásico
modelo 7E.47, que permite a conexão Figura 5.54: Medidor de energia trifásico
direta a redes elétricas de até 65 A sem Finder Série 7E.46 para redes até 65 A
a necessidade de transformador de cor- (sem a necessidade de transformador
de corrente externo). Cortesia: Finder.
202 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

L1 ----~---------~
L2 --41>-+--------+--~ 3 x 230/400 V AC
L3 ~1-t--+--~19---~--~
N
(PEN)
l
iI
¿ -,I· ' •• o

Rn,12 I
i I -+---e--'-+
24 V
L----CD-_¡
I lu
I I

oN E1 E2 +so -so
o

I I

'---------'I I'---+---+-----'

Figura 5.55: Esquema de ligação do medidor de energia trifásico Finder Série 7E.46. Cortesia: Finder.

Tabela 5.23: Característicasdos medidores de energia trifásicos Finder Série 7E.

Especificações 7E.46.8.400.00x2 7E.56.8.400.00x0


Corrente nominal/Máxima corrente medida A 10/65 5/6
Minima corrente medida A 0.04 0.01
Campo de medida (na classede precisão) A 0.5 ... 65 0.5...6
Máxima corrente de pico A 1950 (10 ms) 180 (1 O ms)

Tensão de alimentação e monitora mento (UN) Vea 3 X 230 3 X 230

Campo de funcionamento (0.8 ... 1 .15) UN (0.8 ... 1 .1 5) UN


Frequência Hz 50/60 50/60
Potência nominal w < 1.5 < 1.5
Display, leitura (altura dos dígitos 6 mm) Contador de 7 dígitos, visor com iluminação própria
Contagem máxima/Contagem minima kWh 999,999.9/0.01 9,999,999/0.1
Pulsos de Led por kWh 100 10
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 203

Especificações 7E.46.8.400.00x2 7E.56.8.400.00x0


Saída em coletor aberto (SO+/SO-)
Tensão (fonte externa) Vee 5 ... 30 5 ... 30
Máxima corrente mA 20 20
Máxima corrente residual 30 V/25°C µA 10 10
Pulsos por kWh 1000 10
Dimensão dos pulsos ms 30 30
Resistência interna 100 100
Máxima dimensão do cabo (30 V/20 mA) m 1000 1000
Características gerais
Classe de precisão 1/B 1/B
Temperatura ambiente ºC -10 ... +55ºC -10 ... +55ºC
Categoria de proteção li li
Grau de proteção: dispositivo/terminais IP 50/IP 20 IP 50/IP 20

5.11 Conexões elétricas de corrente, queda de tensão e método


de instalação. Os dispositivos de proteção,
nos sistemas conectados como disjuntores termomagnéticos e inter­
à rede de distribuição ruptores diferenciais residuais, presentes
obrigatoriamente nas instalações elétri­
de baixa tensão cas em baixa tensão, são especificados e
dimensionados de acordo com técnicas já
conhecidas.
5.11.1 Dimensionamento das
instalações do lado de 5.11.2 Dimensionamento dos cabos no
corrente alternada (CA) lado de corrente contínua (CC)
Nos sistemas fotovoltaicos conectados à Os cabos elétricos empregados nas cone­
rede de distribuição de baixa tensão, as xões em corrente contínua devem ser
conexões elétricas são dimensionadas e específicos para aplicações fotovoltaicas,
construídas de acordo com as técnicas como aqueles apresentados no Capítulo 3.
convencionais das instalações elétricas em
baixa tensão. Cabos com isolação convencional podem
ser empregados em instalações abrigadas
Os critérios e as exigências da norma ABNT em calhas ou eletrodutos. Em instalações
NBR 5410:2004 - "Instalações Elétricas em com cabeamento aparente devem ser
Baixa Tensão" - devem ser atendidos na empregados cabos com proteção contra
conexão dos sistemas fotovoltaicos à rede, a radiação ultravioleta e fabricados para
assim como em qualquer instalação elétri­ suportar temperaturas extremas.
ca convencional.
Os cabos que fazem a conexão entre os
Os condutores devem ser dimensionados módulos e o inversor devem ter tensão de
de acordo com os critérios de capacidade isolação entre 300 V e 1000 V e sua capa-
204 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

cidade de condução de corrente deve ser reversa (no sentido inverso) que pode cir­
25% superior à corrente de curto-circuito cular pelo sistema. Em sistemas com mais
dos módulos fotovoltaicos em STC, ou seja: de dois strings paralelos a corrente supor­
tada pelo cabo deve ser igual pelo menos
1CABos > 1scsrc x 1,25 à corrente para a qual é especificado o
'
Sendo: fusível de proteção do string, conforme
visto a seguir.
/CABOS = Corrente suportada pelos cabos
elétricos nas instalações em cor­
rente contínua
5.11.3 Dimensionamento dos
fusíveis no lado de corrente
'se stc = Corrente de curto-circuitodos
' módulos ou conjuntos de mó­
contínua (CC)
dulos nas condições padrão de Segundo a norma IEC 60364, em con­
teste (STC) juntos com até dois strings paralelos não é
necessário empregar fusíveis para a prote­
As quedas de tensão nas conexões em
ção de sobrecorrent.e.
corrente contínua devem estar entre 1 %
e 3%. O dimensionamento dos cabos é Em conjuntos com mais de dois strings
feito inicialmente pelo critério da capa­ paralelos é necessário empregar fusíveis
cidade de condução de corrente, com a para a proteção contra a corrente reversa
consulta às tabelas de características dos dos módulos. Se um dos strings apresentar
condutores disponibilizadas pelos fabri­ falha devido ao sombreamento ou curto­
cantes de cabos. -circuito em algum módulo, ele pode estar
sujeito a uma corrente reversa imposta
Em seguida, após a escolha inicial da seção
pelos demais strings do conjunto.
transversal do condutor que se deseja ado­
tar, aplica-se o critério da queda de ten­ A corrente máxima suportada pelos fusí­
são, levando em conta a resistividade do veis é calculada como:
condutor escolhido, a corrente máxima
esperada (com base na fórmula anterior)
e o comprimento do cabo cuja queda de
Sendo:
tensão deseja-se determinar.
'scsrc = Corrente de curto-circuito do string
Os procedimentos de cálculo e dimensio­ '
nas condições padrão de teste
namento dos condutores são os mesmos
(STC) IA]
usados nas instalações elétricas conven­
cionais, devendo apenas ser observados os IF = Corrente nominal do fusível [Al
critérios especiais que devem ser atendi­
dos - a capacidade de condução de cor­ IR = Corrente reversa suportada pelo
rente mínima de acordo com a corrente de módulo fotovoltaico especificada
curto-circuito dos módulos fotovoltaicos e na folha de dados do fabricante [Al
a queda de tensão máxima admissível.
A expressão anterior diz que a corrente
Em conjuntos fotovoltaicos com strings suportada pelo fusível deve ser 1 Oo/o maior
paralelos o dimensionamento dos cabos do que a corrente de curto-circuito do
deve levar em conta também a corrente módulo. Isso é necessário para que duran-
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 205

te a operação normal do sistema o fusí­ tir que os módulos de um string jamais


vel não seja interrompido. O fusível deve serão submetidos a uma corrente reversa
atuar em situações de falha, quando a superior à corrente especificada na folha
ocorrência de corrente reversa pode exce­ de dados.
der a corrente máxima suportada pelo
Os fusíveis empregados na proteção dos
módulo. O fusível deve ser dimensiona­
do para atuar com uma corrente inferior
strings e conjuntos fotovoltaicos devem ser
do tipo gPV, conforme a norma IEC 60364.
ou igual à máxima corrente reversa que o
A Figura 5.56 mostra alguns aspectos des­
módulo suporta, de acordo com as especi­
ses fusíveis. São parecidos com fusíveis
ficações do fabricante.
cilíndricos e NH tradicionais, entretanto
A norma IEC 60364 ainda diz que a seguin­ são próprios para aplicações fotovoltaicas
te condição deve ser atendida em um con­ e fabricados de acordo com as especifica­
junto fotovoltaico com mais de dois strings ções da norma IEC 60269-6.
paralelos:

1,35 x /RM< (NPAR- 1>1sc,src


Sendo:
. -1
/RM - Corrente reversa máxima presen-
te no circuito [AJ
NPAR - Número de strings ligados em
paralelo
lscsrc
, = Corrente de curto-circuito máxi-
ma de um string, considerando a
condição padrão de teste (a nor­ Figura 5.56: Aspectos que podem ter os fusíveis
ma não especifica esta condição, gPV, fabricados de acordo com as especificaçõesda
norma IEC 60269-6. À esquerda, fusível cilíndrico
entretanto é possível assumirque para a proteção de strings fotovoltaicos. À direita,
a corrente máxima ocorrerá nes­ fusível empregado na proteção de conjuntos
t.a condição) [AJ com vários strings. Cortesia: Eudora Solar.

As correntes reversas suportadas pelos


módulos podem ser várias vezes a sua cor­
rente de curto-circuito. A expressão ante­ 5.11.4 Escolha dos diodos de
rior serve para limitar a corrente admis­ strings no lado de corrente
sível no sistema em função do número de contínua (CC)
strings paralelos.
Embora sejam dispensáveis na maior parte
A máxima corrente reversa que pode das instalações fotovoltaicas, quando exis­
ocorrer num string fotovoltaico é determi­ tentes os diodos empregados nas caixas
nada por: de strings, posicionados em série com os
módulos fotovoltaicos, devem ter a capa­
/RM = 'se STC x (NPAR - 1)
I
cidade de suportar o dobro da tensão de
Em geral IR < /RM e o fusível de proteção é circuito aberto do conjunto ou dos strings,
dimensionado pelo valor de lw para garan- ou seja:
206 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

mado de surto elétrico ou sobretensão,


que se propaga até encontrar um ponto
Sendo: de escoamento para a terra. Esse ponto de
Vo,SER = Tensão reversa suportada pelos escoamento pode ser um eletrodoméstico
diodos em série com os strings ou aparelho eletrónico, um inversor ou um
de módulos módulo fotovoltaico. Os equipamentos
atingidos pelo surto elétrico podem danifi­
V0c,src = Tensão de circuito aberto do car-se de modo irreparável ou até mesmo
conj unto ou dos strings nas con­ incendiar-se.
dições padrão de teste (STC)
Por esses motivos é essencial a instalação
dos dispositivos de proteção de surto (DPS)
nos sistemas fotovoltaicos. Levando em
5.12 Dispositivos de proteção conta o custo relativo de um DPS frente ao
de surto para sistemas custo dos inversores e módulos fotovoltai­
cos, não há razão para dispensar este item
fotovoltaicos de segurança. Os dispositivos de proteção
de surto protegem as instalações elétricas,
equipamentos e pessoas.
5.12.1 Introdução
Todos os anos as descargas atmosféricas 5.12.2 Princípio de funcionamento
(raios) provocam danos a edifícios, sistemas
de comunicação, linhas de energia e siste­ O princípio de funcionamento do DPS é
mas elétricos, gerando elevados prejuízos. baseado nos elementos mostrados na Figu­
ra 5.57. O varistor e o centelhador apre­
As descargas atmosféricas têm elevado sentam uma resistência elétrica muito ele­
poder destrutivo. Raios correspondem a vada em condições normais. Na ocorrência
correntes elétricas de até 200 mil ampè­ de surtos elétricos causados por descargas
res com duração de algumas dezenas de atmosféricas, surgem tensões elétricas mui­
microssegundos. Uma parcela da energia to elevadas. Acima de um determinado
das descargas atinge as diferentes unidades valor de tensão o varistor e o centelhador
consumidoras da rede de baixa tensão: mudam do estado de alt.a resistência para
residências, escolas, hospitais, indústrias, o estado de baixa resistência, permitindo a
est.ações de telecomunicações, escritórios passagem da corrente elétrica.
e também os sistemas fotovoltaicos conec­
tados à rede elétrica.
Por estar localizado na região dos trópicos
e possuir uma grande extensão territorial,
o Brasil é um dos países com a maior inci­
dência de raios. Nosso território recebe
em média 5 milhões de descargas atmos­
féricas anualmente. Centelhador a gás Varistor

Ao atingir a rede elétrica direta ou indire­ Figura 5.57: Componentes internos de um


dispositivo de proteção de surto (DPS).
tamente, os raios causam aumento súbito
Fonte: "Proteção contra surtos elétricos",
da tensão elétrica. Esse fenómeno é cha- White Paper, Ed. 002, Finder.
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 207

O varistor acumula internamente uma parte da energia elétrica do surto e, portanto, gasta
quando acionado. O DPS baseado no varistor precisa ser substituído após um certo núme­
ro de acionamentos. A substituição ocorre facilmente através de um módulo destacável
que contém somente o varistor, podendo ser trocado sem a necessidade de substituir com­
plet.amente o DPS.

A Figura 5.58 mostra a atuação do DPS na ocorrência de um surto de tensão no terminal


positivo do dispositivo. O varistor e o centelhador permitem o escoamento da descarga
elétrica para a terra. Um mostrador exibe o est.ado de uso do DPS. Quando o mostrador
está verde ou parcialmente vermelho, o dispositivo ainda está dentro de sua vida útil. O
mostrador complet.amente vermelho indica que o elemento varistor precisa ser substituído.

Descarga atmosférica
desviada para a terra
pelo varistor e pelo centelhador

------ ... '


, .. ..... - - ... '
+ •• - • ~ •
i - Î( .- -·-·
I A ', ........;,__,.
. .
: . ·- - ? - :
A i.
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Verde:
DPS novo

+ • -

Varistor --:-+
. '
V o
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I
I

Vermelho: -i--~
DPS gasto
I

Centelhador ¡ !ID • !ID


I
'-li--' '-li--' •
: Y.__"""\ ,.-.-'¡
..._...,,~:
_ _.y
-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-·-

:t
Figura 5.58: Funcionamento do DPS: a descarga atmosférica é desviada para a terra pelo
dispositivo. O mostrador vermelho indica que o DPS precisa ser substituído. Cortesia: Finder.

5.12.3 Classificações Já os dispositivos de Classes li e 111 são


ensaiados com impulsos atenuados e nes­
Os dispositivos de proteção contra surtos tes casos a indicação de aplicação é para
(DPS) são classificados de acordo com os locais onde a instalação é menos sujeita à
ensaios aos quais são submetidos. Podem incidência direta de raios.
ser das Classes I, li ou 111.
A norma IEC 60364 recomenda o uso de
Nos dispositivos de proteção contra surtos DPS Classe li nos sistemas fotovoltaicos,
da Classe I os ensaios simulam correntes como mostra a Figura 5.59. Os métodos
impulsivas oriundas de descargas elétricas. de instalação e os dispositivos adequados
Essa classe é recomendada para locais com dependem de projeto específico e da con­
grande exposição a raios, como pontos de sult.a ao catálogo do fabricante.
entrada, e nas edificações em locais prote­
gidos por sistemas de proteção contra des­
cargas atmosféricas.
208 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

NBR 5410:2004, 5.4.2; NBR 5410:2004, 6.3.5 IEC 603364-7-712

Dispositivos de proteção Inversor Gerador


Medidor
contra sobrecorretes fotovoltaico fotovoltaico
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1 O m, deve ser instalado DPS adicional
JI DPS classe 11, conforme IEC 61643-1
DPS classe 11, conforme IEC 61643-1
3 DPS classe li para aplicações fotovoltaicas em e.e.

Figura 5.59: Esquema de ligação dos dispositivos de proteção de surto


(DPS) na instalação fotovoltaica. Fonte: Projeto de norma NBR IEC 60364.

A Figura 5.60 mostra a família de dispositivos de proteção de surto da Finder. Os dispositi­


vos mais empregados devido ao seu custo-benefício e à sua adequação para a proteção da
maior parte das instalações fotovoltaicas estão list.ados na Tabela 5.24.

Figura 5.60: Família de dispositivos de proteção de surto (DPS) Finder para


instalações em corrente contínua e corrente alternada. Cortesia: Finder.

Tabela 5.24: Dispositivos de proteção de surto (DPS) empregados nas instalações fotovoltaicas mais comuns.

Tipo de circuito Código Finder


Monofásico CA (Fase + Neutro) - 220 V 7P.21.8.275.1020
Bifásico CA (Fase + Fase) - 220 V 7P.21.8.275.1020
Trifásico CA (3 Fases + Neutro) - 220 V 7P.24.8.275.1020
Trifásico CA (3 Fases sem Neutro) - 220 V 7P.23.8.275.1020
Circuito CC - 600 V 7P.23.9.700.1020
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Esquema de aplicação - Campo fotovoltaico N
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(Exemplo: através de PLQ
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7P.23.9.700.1020 7P.24.8.275.1020 (TT) (trifásico - Classe 1 + 2) (Trifásico - Classe 1 + 2) )>
(700 V - Classe 2) (Trifásico - Classe 2) 7P.13.8.275.1012 7P.14.8.275.1012 "2.
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(1000 V - Classe 2)
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Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 213

Tabela 5.25: Lista dos códigos dos dispositivos de proteção de surto Finder Série 7P.

Aplicações fotovoltaicas - Sinalização remota do estado


do varistor em caso de falha, módulos substituíveis
DPS Classe 2 (2 varistores +1 centelhador) para sistemas fotovoltaicos
7P.26.9.420.1020
em 420Vcc.
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7P.23.9.700.1020 DPS Classe 2 (3 varistores) para sistemas fotovoltaicos em 700 Vee.
7P.23.9.000.1020 DPS Classe 2 (3 varistores) para sistemas fotovoltaicos em 1000 Vee.
DPS Classe 2. Sistemas monofásicos. Proteção por varistor L - N.
7P.21.8.275.1020
Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 2. Sistemas monofásicos. Proteção por varistor L - N +
7P.22.8.275.1020
proteção por centelhador N - PE. Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 2. Sistemas trifásicos. Proteção por varistor L1, L2, L3. Módulos
B 7P.23.8.275.1020
a varistor substitufveis, 3 polos. Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 2. Sistemas trifásicos. Proteção por varistor L1, L2, L3 - N,
7P.24.8.275.1020
+ proteção por centelhador N - PE. Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 2. Sistemas trifásicos. Proteção por varistor L1, L2, L3 - N,
7P.25.8.275.1020
+ proteção por varistor N - PE. Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 1. Proteção a centelhador com módulo CTD somente para
7P.09.1.255.01 OO
aplicações N - PE contra descargas de altas correntes .
DPS Classe 1 + 2. Proteção a varistor com módulos CDT, unipolar,
7P.01.8.260.1025 indicado para sistemas monofásicos ou trifásicos (230/400V) e em
combinação com o 7P.0902.
DPS Classe 1 + 2, para sistemas monofásicos. Proteção a varistor CDT
7P.02.8.260.1025
L - N + centelhador N - PE. Indicação visual do estado do varistor.

e DPS Classe 1 + 2, para sistemas trifásicos sem neutro (condutor PEN).


7P.03.8.260.1025 Proteção a varistor CDT L1, L2, L3 - PEN. Indicação visual do estado
do varistor, em cada módulo.
DPS Classe 1 + 2 para sistemas trifásicos com neutro. Proteção a varistor
7P.04.8.260.1025 CDT L1, L2, L3 - N + centelhador N - PE. Indicação visual do estado do
varistor, em cada módulo.
DPS Classe 1 + 2 para sistemas trifásicos com neutro. Proteção a varistor
7P.05.8.260.1025 CDT L1, L2, L3 - N + centelhador N - PE. Indicação visual do estado do
varistor, em cada módulo.
DPS Classe 1 com sistema de baixo nivel de proteção (Low Up System) -
7P.12.8.275.1012 sistema monofásico. Proteção a varistor L - N + centelhador. Módulos
substituíveis.
DPS Classe 1 com sistema de baixo nivel de proteção (Low Up System) -
7P.13.8.275.1012
sistema trifásico. Proteção a varistor L1, L2, L3 - PEN. Módulos substitufveis.
DPS Classe 1 com sistema de baixo nivel de proteção (Low Up System) -
D sistema trifásico. Proteção a varistor L1, L2, L3 - PEN + centelhador
7P.14.8.275.1012
N - PE. Módulos a varistor substituíveis. Módulo a centelhador contra
descargas de altas correntes não substitufvel.
DPS Classe 1 com sistema de baixo nivel de proteção (Low Up System) -
7P.15.8.275.1012 sistema trifásico. Proteção a varistor L1, L2, L3, N - PE. Módulos
substituíveis. Indicação visual do estado do varistor.
DPS Classe 3. Sistemas monofásicos para instalação no soquete.
7P.32.8.275.2003
Indicação sonora do estado do varistor.
214 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

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Tipo 7P.26.9.420.1020 Tipo 7P.23.9.700.1020 Tipo 7P.23.9.000.1020
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• .• • .•
Tipo 7P.22.8.275.1020 Tipo 7P.23.8.275.1020 Tipo 7P.24.8.275.1020
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Tipo 7P.02.8.260.1025 Tipo 7P.03.8.260.1025 Tipo 7P.12.8.275.1012

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Tipo 7P.04.8.260.1025 Tipo 7P.13.8.275.1012 Tipo 7P.14.8.275.1012

Figura 5.65: Codificação da família de dispositivos de proteção de surto (DPS). Cortesia: Finder.

5.13 Exemplo de dimensionamento de um sistema fotovoltaico de


microgeração conectado à rede elétrica

5.13.1 Energia produzida


O primeiro passo no dimensionamento de um sistema conectado à rede é determinar
quant.a energia deseja-se produzir. Esta é uma escolha do projetista que pode levar em
conta diversos critérios.
A energia que se deseja produzir com o sistema fotovoltaico pode ser determinada com
base no consumo médio mensal de eletricidade, a partir de dados obtidos da cont.a de
eletricidade. Pode-se desejar suprir parcialmente ou integralmente a demanda de energia
elétrica de um determinado consumidor.
Outra maneira de determinar a energia produzida é levar em conta o espaço disponível
para a instalação dos módulos fotovoltaicos. Sabendo-se o número de módulos que serão
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 215

inst.alados, pode-se calcular a produção de Sendo:


energia diária ou mensal do sistema foto­
Np = Número de módulos da insta-
voltaico.
lação fotovoltaica
O terceiro critério de escolha pode ser
económico, conhecendo-se o limite do EsisrEMA = Energia produzida pelo sistema
investimento que o consumidor deseja [kWh] no intervalo de tempo
realizar no sistema fotovoltaico. considerado

EMóouLO = Energia produzida por um mó­


5.13.2 Dimensionamento do dulo [kWh] no mesmo interva­
número de módulos lo de tempo

Conhecendo-se o modelo de módulo que Exemplo


será utilizado, deve-se determinar a quan­
tidade de energia produzida pelo painel Queremos produzir 500 kWh ao mês em
na localidade em que será inst.alado. uma residência em Aracaju/SE. Neste local
a taxa de radiação solar é 5320 Wh/m2/
Nos capítulos anteriores o leitor aprendeu dia. Nest.as condições um painel fotovol­
a calcular a energia produzida diariamen­ taico monocristalino de 240 W da Bosch
te por um módulo fotovoltaico. O método produz 37 kWh ao mês.
de cálculo empregado nos sistemas autó­
nomos continua válido para os sistemas Então:
conectados à rede. NP= 500 kWh I 37 kWh = 13 módulos
Como os sistemas conectados à rede sem­
pre dispõem de um sistema de MPPT, o
método adequado é aquele baseado na 5.13.3 Dimensionamento
insolação diária, ou seja, no valor do dos inversores
quilowatt-hora por metro quadrado diário
A escolha do inversor empregado no sis­
[kWh/m2/dia] disponível em uma determi­
tema fotovoltaico deve levar em conta os
nada localidade. Conhecendo-se a área
seguintes critérios:
do módulo e a sua eficiência, calcula-se
com facilidade a energia elétrica por ele u A tensão de circuito aberto do string
produzida diariamente. Para saber a pro­ não pode ultrapassar a tensão máxi­
dução mensal, bast.a multiplicar por 30 o ma permitida na entrada do inversor.
valor diário obtido. Deve-se observar cuidadosamente
este critério, pois uma sobretensão na
Uma vez calculada a energia produzida
entrada do inversor pode danificar o
por um módulo e conhecendo-se o valor
equipamento irreversivelmente.
da energia que se deseja produzir diaria­
mente ou mensalmente, de acordo com u O inversor deve ser especificado
os critérios empregados pelo projetista, para uma potência igual ou superior
determina-se a quantidade de módulos à potência de pico do conjunto de
necessários no sistema fotovoltaico: módulos.
Entretanto, ao contrário do afirmado
anteriormente, é uma prática comum
216 Energia Solar Fotovoltaica - Conceitos e Aplicações

sobredimensionar levemente o con­ seja, para cada grau de redução de tem­


junto fotovoltaico (ou subdimensionar peratura existe um aumento de 0,32% na
o inversor), pois a potência de pico do tensão de saída do módulo. Consideran­
conjunto somente é atingida nas con­ do que em Aracaju/SE a temperatura de
dições padronizadas de teste (STC). operação do módulo nunca será inferior a
Na maior parte do tempo o conjunto 5°C, calcula-se:
fornece potência abaixo de sua capa­
Variação percentual de tensão = (25 - 5) x
cidade nominal.
0,32% = 6,4%
Ligar ao inversor um conjunto fotovol­
t.aico que tem potência de pico maior Variação de tensão = 6,4% x 482,2 V =
do que a suport.ada por ele não vai 30,86 V
danificar o equipamento, apenas vai Tensão total na temperatura de 5°C:
impedir o aproveitamento da potên­ VOCSTRING = 482,2 V+ 30,86 V= 513,06 V
cia máxima do conjunto fotovolt.aico, '
quando ele estiver operando em sua Observa-se que a regra prática de consi­
capacidade nominal. derar um fator de segurança de 10% pro­
porciona um valor mais elevado (port.anto
Exemplo mais seguro) do que o cálculo feito a partir
do coeficiente de temperatura.
No sistema que estamos dimensionando,
determinamos que para produzir a energia Para saber se podemos ligar esses módulos
necessária vamos precisar de 13 módulos. em série com a tensão total de 513,06 V
É import.ante verificar se esses módulos na temperatura mais baixa considerada,
podem ser ligados em série. precisamos verificar se existe um modelo
de inversor adequado para essa tensão.
Verificando a folha de dados do fabricante, Se desejarmos empregar, por exemplo, o
vemos que a tensão de circuito aberto dos inversor Santerno M PLUS, encontramos
módulos em STC é V0c = 37,4 V. na folha de dados tensão máxima contínua
Com 13 módulos ligados em série tem-se aplicável = 600 V.
VOCSTRJNG = 13 x 37,4 = 482,2 V. Então é possível empregar um string com
'
Considerando um fator de segurança 13 módulos na linha de inversores escolhi­
empírico de 1 Oo/o, a tensão máxima na saí­ da. O próximo passo é escolher um mode­
lo de inversor compatível com a potência
da do string será V0c STRING= 482,2 V x 1,1
= 530,42 V. ' dos módulos.

Para ter certeza da tensão de circuito aber­ O string com 13 módulos de 240 W
to que será encontrada na saída do string, fornecerá uma potência máxima ou de
o projetist.a pode recorrer ao coeficiente pico igual a 13 x 240 W = 3120 Wou
de temperatura especificado na folha de 3, 12 kW em STC. No catálogo do fabri­
dados do módulo. cante Santerno encontra-se o modelo M
PLUS 3600, que suporta até 3,3 kW em
Na folha de dados do módulo encontra-se sua entrada de corrente contínua, sendo
o coeficiente de temperatura para a ten­ adequado para este projeto.
são de circuito aberto igual a -0,32%/K, ou
Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica 217

Exercícios 11. Explique a importância do recurso


de detecção de ilhamento nos inver­
1. Explique as diferenças entre o sis­
sores para a conexão à rede.
tema fotovoltaico conectado à rede
elétrica e o sistema autônomo. 12. Explique as diferenças entre os
inversores com transformador de
2. Cite e defina as três categorias de
baixa frequência, com transforma­
sistemas fotovoltaicos conectados à
dor de alta frequência e sem trans­
rede.
formador.
3. Comente a Resolução n2 482 da
13. Cite os requisitos dos inversores para
Agência Nacional de Energia Elétrica.
a conexão de sistemas fotovoltaicos
4. Explique os sistemas de tarifação net à rede elétrica.
metering e feed in.
14. Explique as diferentes maneiras de
S. Enumere e descreva as principais rnodularizar um sistema fotovoltaico
características encontradas nos catá­ conectado à rede elétrica? Qual é a
logos dos fabricantes de inversores vantagem da modularização?
para a conexão de sistemas fotovol­
1 S. Qual é a função da caixa de strings
taicos à rede elétrica.
no sistema fotovoltaico e quais são
6. O que determina o número máximo seus componentes?
de módulos em série conectados a
16. Qual é a função da caixa de pro­
um inversor?
teção CC no sistema fotovoltaico e
7. O que determina o número mínimo quais são seus componentes?
de módulos em série conectados a
17. Qual é a função da caixa de pro­
um inversor?
teção CA no sistema fotovoltaico e
8. Qual é a importância da chave de quais são seus componentes?
desconexão CC do inversor para a
18. Qual é a função do dispositivo de
conexão à rede?
proteção de surto (DPS) no sistema
9. Explique o que é e como funciona fotovoltaico?
o recurso de MPPT presente nos
19. Como é possível identificar se o varis­
inversores para a conexão à rede.
tor do dispositivo de proteção de sur­
1 O. Qual é a vantagem de utilizar um to (DPS) precisa ser substituído?
inversor de várias entradas com sis­
temas de MPPT independentes?
Anotações
Bibliografia 219

Bibliografia

ABNT. NBR IEC 62116: Procedimento de ensaio de anti-ilhamento para inversores de


sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. Rio de Janeiro, 2012 .

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Marcas registradas
Todos os nomes registrados, marcas registradas ou direitos de uso cit.ados neste livro perten­
cem aos respectivos proprietários.
Indice Remissivo 221

Índice remissivo

A Capacidade de carga 1 08
da bateria 11 O
ABNT NBR IEC 62116 37
do banco de baterias 139
Absorbed Glass Mat 107
em ampère-hora 139
Acessórios 200
Características
Agência Nacional de Energia Elétrica 36
dos módulos fotovoltaicos comerciais 82
Alimentação de consumidores em corrente
elétricas em NOCT 86, 128
alternada 1 28
elétricas em STC 83
contínua 129
em STC 128
Altura
principais dos inversores 122
de bombeamento em funcão da vazão diária de água 132
térmicas 87
solar 56, 57
Carregamento das baterias 99
Ampère-hora (Ah) 11 O
Categorias de sistemas fotovoltaicos conectados à rede 149
ANEEL 150
Cdîe 73
Ângulo
Célula(s)
azimutal 50, 51, 56
comercial 65
da altura solar 56
de silício policristalino 71
de correção 52
em série 74
de incidência dos raios solares 57
fotovoltaica 65, 74
de inclinação 57
híbrida 73
do módulo 59
monocristali na 70
zenital 56
policristalinas 71
do Sol 42
híbridas 73
Anti-ilhamento 171
solar híbrida 74
Anti-islanding 170
Chave de desconexão 197
Aplicações dos sistemas fotovoltaicos
de corrente contínua 166
autónomos 99
Ciclos de carga e descarga 108
Array 88
CIGS 73, 74
Circuito eletrónico básico do inversor 120
B Coeficiente de temperatura 87
Bancos de baterias 103 Coletores solares 20
Bateria(s) 102, 103 Comparação
ACM 107