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EXMO.

JUIZ DE DIREITO DA 24ª VARA CIVEL DA COMARCA DE BELO


HORIZONTE.

Processo n. XXXXXXXXXXXXX

João Tício, já qualificado nos autos em epígrafe, vem,


tempestiva e respeitosamente por seu procurador que esta subscreve, nos
autos da AÇÃO DE INDENIZAÇÃO proposta contra Picareta Linhas Áreas S/A,
interpor recurso da APELAÇÃO em face da sentença proferida, pelas razões
expostas em anexo, requerendo a remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de
Justiça do Estado de Minas Gerais para julgamento.

Belo Horizonte, 20 de setembro de 2014

ANA PAULA ROBERTO CAMILA GONÇALVES JAIRO DINIZ


OAB/MG XXXXXXX OAB/MG XXXXXXX OAB/MG
XXXXXXX
RAZÕES DE APELAÇÃO

Processo n. 0024.98.010442-6
Apelante: JOÃO TÍCIO
Apelada: PICARETA LINHAS ÁREAS S/A

Egrégia Câmara,

Ilustres Desembargadores Julgadores,

I – DOS FATOS

João Tício, beneficiário da justiça gratuita, propôs ação de indenização


contra Picareta Linhas Áereas S/A requerendo em sua petição inicial a
indenização pelos danos de ordem material e moral causados pelo atraso
superior a 8 horas do serviço prestado pela apelada.
Após a citação válida no processo, PICARETA LINHAS ÁEREAS S/A
apresentou contestação no prazo de 18 dias.
O juízo a quo, proferiu sentença que julgava a ação proposta por João
Tício, improcedente, condenando-o ao pagamento de 50% do valor total da
ação.
Respeitosamente, não há como se conformar o apelante com os termos
da r. sentença, razão pela qual se interpõe o presente recurso de apelação.

II – DA TEMPESTIVIDADE

Posto que o apelado ajuizou ação e que pelo curso do processo previsto
em nosso Código de Processo Civil, haverá a citação da apelada, pode-se
observar nos autos a intempestividade da ré que peticionou sua contestação
em 18 dias após a juntada do mandado, prazo notadamente superior ao
previsto no art. 267 do CPC.
Relator(a): Des.(a) Pedro
Bernardes
Data de Julgamento: 20/08/2014
Data da publicação da súmula: 28/08/2014
Ementa:
EMENTA: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
REVELIA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
IMPOSSIBILIDADE DE O REVEL PRODUZIR PROVAS
CONTRA OS FATOS SOBRE OS QUAIS PESA A
PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. OUTRAS ANOTAÇÕES.
LEGITIMIDADE. PROVA A CARGO DO AUTOR. APLICAÇÃO
DA SÚMULA 385, DO STJ.

Se o réu apresenta contestação intempestiva, configurada


está a revelia.

Havendo revelia, presumem-se verdadeiros os fatos afirmados


pelo autor na inicial, ressalvadas as hipóteses legais.

Nos termos da Súmula 385 do STJ, a existência de outros


apontamentos em nome do autor revela-se capaz de afastar a
presunção de ofensa à moral, porquanto já não gozava o autor
de bom nome no mercado. (grifo nosso).

Relator(a): Des.(a) Generoso


Filho
Data de Julgamento: 15/03/2011
Data da publicação da súmula: 04/04/2011
Ementa: V.V.P.: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS E MATERIAIS. REVELIA. PRESUNÇÃO DE
VERACIDADE DOS FATOS ALEGADOS PELO AUTOR.
AUSÊNCIA DE ELEMENTOS EM CONTRÁRIO. AVIAÇÃO.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEFEITO.
DESORGANIZAÇÃO. PASSAGEIROS IMPEDIDOS DE
EMBARCAR. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. ART.14 DO
CDC. DANO MORAL. VALOR DA INDENIZAÇÃO.
CRITÉRIOS. REPARAÇÃO DO DANO. CARÁTER
PEDAGÓGICO. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM
CAUSA DO INDENIZADO. RAZOABILIDADE E
PROPORCIONALIDADE.
I. A contestação intempestiva é inexistente, presumindo-se
verdadeiros os fatos afirmados pelo autor e constitutivos
de seu direito, desde que não haja nos autos elementos em
contrário.
II. Aplicando-se ao caso o art.14 do CDC, o fornecedor de
produtos e/ou serviços responde independentemente da
existência de culpa pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços.
III. É evidente o dever de indenizar por dano moral quando a
desorganização na prestação de serviço por companhia de
aviação resulta no impedimento do embarque de passageiro,
mesmo este tendo chegado a tempo.
IV. Em se tratando de dano moral, o quantum indenizatório
deve seguir os critérios da razoabilidade e da
proporcionalidade, sendo fixado em valor que tenha realmente
o condão de reparar o dano sofrido, mas sem causar o
enriquecimento sem causa do indenizado. (grifo nosso)
De acordo com o art. 319 do CPC, a revelia implica na dotação de veracidade
dos fatos alegados pelo autor da ação e conforme jurisprudências do Tribunal
de Justiça do Estado de Minas Gerais, considerar-se-á revel aquele que
aprestar contestação intempestiva.

III – DOS DANOS MORAIS E MATERIAIS

O apelado comprovou nos autos os danos materiais pelo fato de não ter havido
a prestação do serviço contrato. Com relação aos danos morais, conforme
entendimento do STJ, se caracteriza como in re ipsa.

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL.


ATRASO DE VÔO INTERNACIONAL - APLICAÇÃO DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR EM DETRIMENTO
DAS REGRAS DA CONVENÇÃO DE VARSÓVIA.
DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DANO.
CONDENAÇÃO EM FRANCO POINCARÉ - CONVERSÃO
PARA DES - POSSIBILIDADE - RECURSO PROVIDO EM
PARTE. 1 - A responsabilidade civil por atraso de vôo
internacional deve ser apurada a luz do Código de Defesa do
Consumidor, não se restringindo as situações descritas na
Convenção de Varsóvia, eis que aquele, traz em seu bojo a
orientação constitucional de que o dano moral é amplamente
indenizável. 2. O dano moral decorrente de atraso de vôo,
prescinde de prova, sendo que a responsabilidade de seu
causador opera-se , in re ipsa, por força do simples fato da
sua violação em virtude do desconforto, da aflição e dos
transtornos suportados pelo passageiro. 3 - Não obstante o
texto Constitucional assegurar indenização por dano moral sem
restrições quantitativas e do Código de Defesa do Consumidor
garantir a indenização plena dos danos causados pelo mau
funcionamento dos serviços em relação ao consumo, o pedido
da parte autora limita a indenização ao equivalente a 5.000
francos poincaré, cujos precedentes desta Egrégia Corte
determinam a sua conversão para 332 DES (Direito Especial
de Saque). 4 - Recurso Especial conhecido e parcialmente
provido.
(STJ - REsp: 299532 SP 2001/0003427-6, Relator: Ministro
HONILDO AMARAL DE MELLO CASTRO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/AP), Data de
Julgamento: 27/10/2009, T4 - QUARTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 23/11/2009) (grifo nosso).
Logo, sendo in re ipsa, o dano moral se caracteriza como presumido,
sendo inadmissível que o juiz a quo sentencie de forma desfavorável ao réu
alegando que não houve por parte desse, comprovação dos danos.
Ainda na esfera do pleito dos danos morais e materiais, ocorre mais um
grotesco erro in judicando por parte do juiz a quo na sentença proferida quando
além de considerar que devesse haver prova cabal de danos morais, sendo
esse, presumido, condiciona a concessão dos danos materiais a tal prova.
Logo, por não atinar para jurisprudências do STJ, para o atual e
cristalino entendimento jurídico sobre essa circunstancia pontual e aindoa crian
uma estranha e inovadora vinculação entre concessão de pedidos e suas
provas supracitada criada especialmente para essa sentença, julgou a ação
improcedente.

VI – DA CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS DE


SUCUMBÊNCIA

Não obstante, o apelado foi condenado em pagamento de honorários


sucumbenciais no valor de 50% do valor da ação, porém, é beneficiário da
justiça gratuita.

V – DO PEDIDO

Requer esse recurso seja provido e recebido em seu duplo efeito.


Requer a ré seja considerada revel.
Requer a reforma da sentença de modo a desconsiderar a condenação
do pagamento aos honorários, considerando o beneficio do apelado a justiça
gratuita e também os argumentos em epígrafe para conseqüentemente
conceder a indenização pelos danos de ordem moral e material.

Belo Horizonte
15 de setembro de 2014
ANA PAULA ROBERTO CAMILA GONÇALVES JAIRO DINIZ
OAB/MG XXXXXXX OAB/MG XXXXXXX OAB/MG
XXXXXXX

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