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Universidade Federal de Pernambuco – Curso de Especialização em Comunicação Política – maio/2021

Adriano Rodrigues de Oliveira – Matrícula 20212000029

TEORIAS DO JORNALISMO - ATIVIDADE ASSÍNCRONA 3 - FICHAMENTO DE TEXTO


John Soloski. O Jornalista e o profissionalismo: alguns constrangimentos no trabalho
jornalístico (pag. 133-146)

O autor John Soloski, em seu artigo presente no livro de Traquina (2016), busca
compreender como o profissionalismo jornalístico afeta a busca e o relato das notícias.
De partida, o autor afirma que busca sustentar que o profissionalismo seria um método
eficiente e econômico por meio do qual as organizações jornalísticas controlam o
comportamento dos repórteres e dos editores. São apresentados ainda os resultados de
um estudo de observação-participante que examinou como uma organização jornalística
implementou as suas políticas editoriais.

Ao discutir a questão da ideologia do profissionalismo, Soloski faz referência a autores


que apontam para uma incompatibilidade entre esta ideologia e o próprio modus
operandi do capitalismo e da lógica comercial. Isso ocorre porque a ideologia do
profissionalismo, na visão desses estudiosos, contém fortes componentes antilucro e
antimercado. No entanto, ao discorrer sobre o tema e analisar o arcabouço teórico sobre
o tema, chega-se a conclusão de que o profissionalismo e a organização comercial
burocrática não são polos distintos, mas sim pertencentes a uma mesma matriz histórica,
sendo complementares como formas de organização do trabalho.

Mais a frente surge novamente, conforme já discutido por Traquina (2005), a questão da
objetividade e sua relação com as normas profissionais do campo jornalístico. As
vantagens trazidas pelo uso da objetividade pelas organizações jornalísticas trazem a
estas duas formas de proteção: (1) o uso rigoroso de fontes para apresentar a exatidão
dos fatos isolam os jornalistas da posição de parciais; (2) ajuda a assegurar a posição
das organizações no monopólio de mercado. Segundo o autor, ao relatar a notícia
objetivamente, a lealdade do leitor para com um jornal não se dá em função de uma
ideologia, mas sim em função mais na eficácia da cobertura jornalística. Ressalta-se
ainda que, embora a apresentação das notícias e suas fontes sejam de competência do
jornalista, a organização terá muito influência sobre esse processo, sendo que o produto

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final resultará da interação do profissionalismo jornalístico com os interesses da


organização.

O profissionalismo jornalístico é também um meio eficiente tanto como forma de


controle como forma de recompensa aos jornalistas. Este profissionalismo dá aos
jornalistas maior liberdade para seleção, relato e apresentação das “estórias”, embora as
organizações busquem estabelecer políticas editoriais como forma de limitar o
comportamento discricionário dos jornalistas. Nesse sentido, conclui-se que o
profissionalismo jornalístico seria como uma “espada de dois gumes”, pois apesar de ser
utilizado como meio de controle, também dá ao jornalista certo poder de desviar os
desejos da direção da organização sem comprometer a sua posição nela.

Por fim, Soloski conclui que a natureza organizacional das notícias é determinada por
uma interação entre o mecanismo de controle transorganizacional representado pelo
profissionalismo jornalístico e os mecanismos de controle representados pela política
editorial. Tais mecanismos atuando em conjunto colaboram para determinar as
fronteiras do comportamento profissional do jornalista, apesar de ser possível afirmar
que essas fronteiras são suficientemente estreitas para se poder confiar que os jornalistas
agem de acordo com o interesse da organização jornalística.

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