Você está na página 1de 9

Unidade Curricular

Investigação em Educação

Ano Letivo 2016-17

MESTRADO EM EDUCAÇÃO – FORMAÇÃO, TRABALHO E RECURSOS


HUMANOS

Docente: Maria José Casa- Nova

Discente: Hugo Silva

1
Índice:

Índice………………………………………………………...Pág.2

Introdução……………………………………………………Pág.3

Enquadramento Teórico e Metodológico…………………….Pág.4

Reflexões Finais……………………………………………...Pág.8

Bibliografia…………………………………………………..Pág.9

2
Desenvolvimento Profissional dos Trabalhadores da Câmara
Municipal de Ovar

Impacto da Formação

Introdução

Tendo este estágio como objetivo conhecer o impacto da formação no desenvolvimento


profissional dos trabalhadores da Câmara Municipal de Ovar, realçando valores ligados
ao trabalho e sua prática, articulamos uma dimensão aparentemente subjetiva com o modo
como a formação teve impacto na evolução profissional destes indivíduos.

Considerando que, segundo (Quivy, 1998,p.31), a “ investigação é, por definição, algo


que se procura. É um caminhar para um melhor conhecimento”, a pergunta de partida:
“Será que a formação vai de encontro às necessidades dos trabalhadores ou segue
simplesmente uma diretriz legal? “, sustentará o processo de investigação e o próprio
desenvolvimento do estágio.

3
Percurso Teórico e Metodológico

Observando que os fenómenos sociais são relativos, pois alteram-se de sociedade para
sociedade, procuramos encontrar regularidades sociais que sustentem a investigação e
permite compreender com maior certeza que cada individuo como ser singular permite
variabilidade comportamental perante o objecto de estudo que selecionamos para este
estágio (impacto da formação no desenvolvimento profissional).

A dinâmica da investigação sociológica pressupõe o uso de procedimentos


estandardizados para se proceder a uma análise rigorosa dos factos que estão a ser
observados. Esta dinâmica é adotada para facilitar quem se encontra por dentro da área
social. Estes procedimentos na investigação social são estandardizados pois são
codificados pela disciplina, permitem uma facilidade em termos de comunicação entre os
investigadores e são aceites como legítimos.

Este procedimento caracterizado por ser confiável, deixa um caminho aberto para ser
repetido, ou mesmo explorado empiricamente.

Quando recorremos a métodos e técnicas de investigação de investigação. É bastante


importante ter a noção clara, ainda que possam surgir dúvidas relacionadas com o menor
ou maior grau de experiência do investigador, que estas têm algum tipo de funcionalidade
e utilidade. Os métodos e técnicas facilitam a organização e exploração do próprio
trabalho, pois colocam em evidência os aspetos relevantes ao longo da investigação a que
nos propomos, para além que, legitima a produtividade científica.

Outro aspeto que podemos realçar é o conceito de validade inerente aos métodos e
técnicas, é através desta validade que os investigadores e quem a valia as componente dos

4
trabalho de investigação conseguem identificar o conhecimento cientifico do
conhecimento quotidiano.

Através dos métodos e técnicas de investigação selecionados para o objecto de estudo


conseguimos ultrapassar obstáculos ao conhecimento como é o caso do senso comum, as
conceções acerca da realidade que encontram sustentabilidade empírica, o etnocentrismo
e o próprio naturalismo que suporta o conhecimento social com base no biológico.

A construção do objecto de estudo e respetivas hipóteses por parte do investigador/a


devem ser conotados de um elevado conhecimento teórico, o própria compreensão acerca
das técnicas e elevar o seu espirito critico coadjuvado com a ética na investigação.

Aquando da realização da investigação o investigador está comprometido a uma


necessidade de teste/ prova por parte da comunidade científica para validação dos
resultados obtidos.

Este estágio começa com uma fase exploratória, onde é inevitável se proceder a uma
pesquisa bibliográfica acerca de autores que se debrucem sobre a temática do impacto da
formação em contextos profissionais e que sustente a pergunta de partida levantada (“Será
que a formação vai de encontro às necessidades dos trabalhadores ou segue simplesmente
uma diretriz legal? “).

A pesquisa bibliográfica começa por uma listagem de textos (livros, artigos e


documentos), tendo esta percorrido um caminho pertinente e o mais exaustivo possível.

Num sentido mais prático, utilizar-se-á uma consulta especializada sobre o assunto,
seguindo posteriormente a técnica da “ bola de neve”. Ao longo da pesquisa bibliográfica
é necessário confrontar o testemunho/informação examinada com outros testemunhos
independentes, sendo um procedimento necessário, pois os documentos são “
testemunhos” imprescindíveis em termos críticos no sentido de entender a sua
interpretação nos textos.

Ao longo deste estágio tentar-se-á o mais possível a distinção entre o que são as fontes
teóricas, primarias e as fontes secundárias recolhidas.

Após a consulta de varias pesquisas e adquirindo o suporte de conhecimento sustentado


em termos conceptuais e teóricos sobre o tema da formação e respetivo impacto,
consignar-se-á um melhor entendimento face á realidade que se propõe analisar.

5
Portanto, articularemos dois instrumentos de investigação, de modo a recolher a
informação necessária. Em primeiro lugar, optamos por uma abordagem etnográfica
alicerçada pela observação direta como o método mais adequado para o objecto a analisar.

Existindo na base de suporte etnográfico pessoas ou grupos que são observados num
período de tempo, podendo ser reforçado pela participação nas vivencias quotidianas e
profissionais, bem como recurso a entrevistas para se compreender a realidade social em
analise e sobretudo a cultura organizacional instituída no desenvolvimento profissional
dos trabalhadores da Câmara Municipal de Ovar e o impacto da formação nos mesmos.

O segundo instrumento será aplicação de uma entrevista semiestruturada, em que serão


colocadas perguntas questões semi abertas aos entrevistados, dando-lhes alguma
liberdade para responder, no entanto, haverá a preocupação de se orientar a entrevista
para s temáticas que contemplam o guião, fazendo parte: as noções de formação e seu
papel, impacto na performance dos trabalhadores, as estratégias dos recursos humanos
face á formação, tipos de formações utilizadas na respetiva entidade pública e a avaliação
da formação.

Este tipo de entrevista consiste na “ aplicação dos processos fundamentais de


comunicação e de interação humana “ (Quivy, 2008,p.191). Mesmo antes de se proceder
á entrevista existe o planeamento da mesma, sendo que esta tem que ter a aprovação de
ambas as partes.

A técnica tem várias utilidades, no entanto, nesta investigação em particular remetemos


a sua utilização como forma: verificação de um domínio organizacional em que se
conhece a estrutura, mas que se desconhece aspetos inerentes aos recursos humanos,
como é o caso das políticas formativas e de avaliação dessas mesmas formações e seu
impacto.

Devemos ter em atenção, ainda que faça parte da aplicação das entrevistas condicionantes
que influenciam o decorrer das mesmas como a situação, o entrevistado e o próprio
entrevistador, pois apesar de estar embutido na estrutura da organização não deverá se
fazer sentir parte dela, nem tão pouco alterar aspetos culturais.

Também o guião de entrevista apesar de ser uma espécie de catálogo temático não pode
levar ao descuido da sequência das questões a colocar, correndo-se o risco de dispersão
na entrevista.

6
No guião entrevisto existirão questões específicas, que têm o objetivo de servir de “
bússola” ao investigador, sendo questões especificas da técnica de entrevista, como são o
caso das questões follow up, que são utlizadas para incentivar o entrevistado a prosseguir
e as questões de filtro que tentam reorientar em função do objeto de investigação.

Em persecução das entrevistas a escolha recairá na adoção de uma análise que seja
proveitosa e que leve em diante uma maior aproximação ao objecto de estudo.

A análise conteúdo, no contexto a que se propõe examinará o mais rigorosamente possível


os valores e representações associados á formação e seu impacto no desenvolvimento
profissional dos trabalhadores da Câmara Municipal de Ovar num plano sincrónico.

O tipo de analise privilegiado será o categorial (Bardin, 1978), visto fazer uma apreciação
temática constituindo um campo de análise mais abrangente e dessa forma inserindo-se a
investigação numa estrutura indutiva, pois o que se pretende, fundamentalmente, é
descobrir o impacto da formação e se esta existe como somente uma imposição legal.

A análise de conteúdo assenta numa ideia bastante proveitosa face ao objecto de estudo,
no entanto, poderá ser reforçada por outros métodos de investigação que sejam
pertinentes.

Grosso modo, nesta investigação o nosso foco estará na problematização de hipótese face
á pergunta de partida com o objetivo de conhecer o impacto da formação numa entidade
pública perspetivando uma análise imparcial e com maior grau de autenticidade possível.

Face ao objecto de estudo e ao percurso metodológico elencado, e acreditando que não


existem métodos de investigação melhores ou piores, enquadramos este percurso num
paradigma compreensivo, na medida em que colocamos o lente sociológica no significado
da ação, penetrando no mundo pessoal e profissional dos sujeitos para atentarmos á
interpretação de diversas situações e que significado têm para estes indivíduos.

7
Reflexões Finais

Face ao percurso metodológico descrito, aos métodos e técnicas que se pretendem


utilizar, podemos considerar o processo de investigação uma sucessão de etapas
complementares, desde o início da pesquisa até a possível publicação da mesma.

Na proposta de investigação do impacto da formação numa Câmara Municipal, pensamos


que nos iremos deparar com a compreensão entre a causa e o efeito no desenvolvimento
profissional dos trabalhadores desta entidade pública. Assumindo que todos os
acontecimentos são procedidos de uma causa, em termos de investigação sociológica é o
reconhecimento das causas e dos efeitos da formação neste contexto profissional.

Na avaliação das causas e efeitos haverá a necessidade de descobrir as variáveis


independentes e dependentes face ao fenómeno em estudo, para dessa forma de
perspetivar uma análise coincidente com a realidade empírica.

Adotando um papel de observador participante, teremos que procurar as raízes da


significância das ações sociais e narrativas produzidas face ao desenvolvimento
profissional, á utilidade da formação nesse desenvolvimento e a intenção na
implementação formativa na Câmara Municipal de Ovar.

Normalmente, perante uma investigação de carácter etnográfico, existe a produção de


informação mais rica e aprofundada, sendo que o conhecimento mais vasto dos processos
sociais, requer um maior esforço intelectual do investigador.

O investigador terá que ter presente que está perante um grupo relativamente pequeno e
com uma cultura organizacional burocrática e gerencialista.

Posto isto, poderemos levantar alguns aspetos pertinentes face á realidade que nos
propomos investigar como é o caso: do verdadeiro impacto da formação em entidades
locais de origem pública, a própria modelização das formações às necessidades
profissionais dos trabalhadores, os problemas de delinear estratégias formativas e também
a importância da avaliação das entidades públicas.

8
Bibliografia

Bardin, Laurence (2004), Análise de Conteúdo. Lisboa: Gradiva

Carmen Lúcia Guimarães de Matos: A Abordagem Etnográfica na Investigação


Cientifica , 2001, UERJ
Caria, Telmo: A construção etnografica do conhecimento em Ciências Sociais:
reflexividade e fronteiras 2000
Casa-Nova (2009) Etnografia e produção do conhecimeto reflexões critícas a partir de
uma investigação com ciganos portugueses; Edição Alto Comissário para a Imigração e
Diálogo Intercultural
Fino, Carlos: A etnografia enquanto método: um modo de entender as culturas
(escolares) locais 2003
Giddens, A. (2008). Sociologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Loureiro, Armando: A metedologia etnográfica do connhecimento profissional: o


contexto de trabalho dos técnicos dos programas de educação de adultos(2008)

Quivy,Raimond e Campenhout, Luc Van (2003). Manual de Ciências Sociais. Lisboa:


Gradiva