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Limites

Noção intuitiva e propriedades


Velocidade Média e Velocidade Instantânea

• Conhecemos o conceito de velocidade média estabelecido pela Física


Clássica:

• Nessa fórmula representa a velocidade média;


• é o deslocamento do móvel considerado e
• é o tempo gasto pelo móvel para executar o deslocamento .
Exemplo 1: Determine a velocidade média de um automóvel que passa pela
posição 4 km em um circuito automobilístico no instante 5 segundos e passa
pela posição 12 km no instante 10 segundos.
• Temos os seguintes dados: , , , .
• Então e .
• Portanto .

Observação: A velocidade média é uma estimativa da velocidade do móvel


ao longo do percurso. Não significa que o móvel manteve sempre aquela
velocidade constante ao longo de todo o trajeto.

• Vejamos mais um exemplo:


Exemplo 2: Um ônibus parte do Rio de Janeiro às 8 horas da manhã com
destino a São Paulo e chega a essa cidade à uma hora da tarde. Considerando
que a distância aproximada entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo é
de 430 km, calcule a velocidade média do ônibus.


• .

Comentários:
• Provavelmente o ônibus não manteve a velocidade constante ao longo de
todo o percurso.
• Se o ônibus realizou duas paradas de 15 minutos em postos de conveniência
ao longo do caminho, então manteve velocidade zero por meia hora.
• De modo geral, nenhum móvel costuma manter a velocidade constante ao
longo de todo o trajeto.
• Os carros encontram sinais fechados, engarrafamentos e naturalmente não
se consegue manter uma velocidade constante ao longo de todo o
percurso.
• Isaac Newton, ao estudar movimentos, preocupou-se em determinar
exatamente a velocidade em cada instante ao longo de todo o trajeto.
• Para conseguir tal feito, criou o conceito de velocidade instantânea a partir
da definição de velocidade média.
• Inicialmente vamos pensar que as posições sejam conhecidas em cada
instante ao longo do trajeto, ou seja, as posições ocupadas são dadas em
função do tempo: .
• Desse modo temos que .
Exemplo 3: Um móvel se desloca ao longo de uma estrada segundo a
função , sendo medido em segundos e em metros.
1. Determine a velocidade média do móvel entre os instantes e .
Temos e .
( )
Então .
2. Determine a velocidade média do móvel entre os instantes e .
Temos e .
, ( ) , ,
Então .
, , ,
3. Determine a velocidade média do móvel entre os instantes e .
Temos e .
, ( ) , ,
Então .
, , ,
• Observe que para intervalos de tempo muito pequenos iniciados no instante
, obtemos velocidades médias cada vez mais próximas de .

• A partir dessa observação diremos que a velocidade instantânea do móvel


no instante é igual a .

• Isso pode ser constatado intuitivamente fazendo contas semelhantes às


apresentadas no slide anterior, com valores de cada vez mais próximos de
.

• Pergunta: É necessário fazer sempre essas contas para valores distintos de ?


• Resposta: felizmente não!
• Vamos utilizar o Exemplo 3 para verificar que não é necessário repetirmos
sempre essas contas.
• Tome a função . Sabemos que .
• Então .
• Note que o valor numérico do numerador dessa fração algébrica para
é igual a zero!
• Isso significa que é uma raiz desse polinômio e consequentemente
podemos fatorá-lo, obtendo .
• Desse modo obtemos e como , tem-se .
• Isso nos permite simplificar essa expressão, resultando em para
todo .
• Desse modo fica fácil calcular as velocidades médias do móvel nos trechos entre
e segundos, seja qual for o valor de (inclusive para ).
• Podemos montar a seguinte tabela:

𝒕 𝒗𝒎
2,01 3,01
2,001 3,001
2,0001 3,0001
2,00001 3,00001
2,000001 3,000001

• Agora ficou mais fácil perceber o que está acontecendo: quanto mais próximo
estiver de , teremos mais próxima de .
• Formalmente diremos que o limite de quando tende para é igual a 3 e
escreveremos
.

𝑣 (m/s)
𝑡 −𝑡−2
𝑣 =
𝑡−2

𝑡(s)
0 2
• O conceito de limite foi criado por Newton inicialmente para resolver esse
tipo de problemas.
• A partir daí ficou definido o conceito de velocidade instantânea como o limite
da velocidade média.
𝑣(𝑡 ) = lim 𝑣

∆𝑠
• De outro modo também poderíamos escrever: 𝑣(𝑡 ) = lim
→ ∆𝑡

• E lembrando que , podemos deduzir que para próximo de ,


teremos a diferença próxima de 0, ou seja, , o que nos dá:

∆𝑠
𝑣(𝑡 ) = lim
∆ → ∆𝑡
• Repare que o conceito de limite surge para resolver o problema de calcular
um quociente da forma para valores de tão próximos de quanto
desejemos.
• E no caso não teria sentido fazer , já que isso resultaria no quociente ,
o qual chamamos de indeterminação.
• Porém, o fato de que é raiz das funções que se apresentam tanto no
numerador como no denominador, nos permite simplificar esse quociente e
resolver o problema inicial.
• Depois de simplificada a expressão, é permitido fazer na fórmula
encontrada e obter o valor exato do limite.
• Vejamos alguns exemplos a seguir.
Exemplo 4: Calcule .

• Observe que é raiz de .


• Isso significa que podemos dividir esse polinômio por obtendo
resto zero.
• Efetuando essa divisão pelo algoritmo de Briot-Ruffini, obtemos:
1 2 −6 1 0 3

2 −4 −3 −3 0

• .
• Outro modo é o método da chave:
2𝑥 − 6𝑥 + 𝑥 + 0𝑥 + 3 𝑥−1
−2𝑥 + 2𝑥
2𝑥 −4𝑥 −3𝑥 −3
−4𝑥 + 𝑥 + 0𝑥 + 3
4𝑥 − 4𝑥
−3𝑥 + 0𝑥 + 3
3𝑥 − 3𝑥

−3𝑥 + 3
3𝑥 − 3

0
• Então .

• E como , podemos simplificar obtendo .

• Esse limite pode ser calculado diretamente fazendo , o que nos dá:

• .
Exemplo 5: Calcule .

• Vamos reduzir todas as raízes ao mesmo índice .


• Temos então , , e .
• Feito isto, vamos reescrever: , , e
.
• Agora mudamos a variável para . Note que quando .
• Então
Exemplo 6: Calcule .
• Vamos usar a identidade .
• Fazendo e , temos:
• .
• Então

• Pode ser calculado através de mudança de variáveis: .


• Quando , temos , ou seja, .
• Então .
Exemplo 7: Calcule .
• Nesse caso fazemos a mudança de variável .
• Quando temos .

• Então .
• Aqui podemos usar ou racionalização ou mudança de variável.
• Usando novamente mudança de variável, temos .
• Portanto quando temos , ou seja, .
•E .
• Logo
• Lembrando que , vamos desenvolver:

.
• Então

.
• Podemos observar que é raiz do polinômio
• Aplicando Briot-Ruffini obtemos:
2 1 0 −9 0 27 0 −28

1 2 −5 −10 7 14 0
• .
• Logo

• Poderíamos resolver usando racionalização:

.
Definição intuitiva de limite

• Considere uma função real definida em um intervalo aberto tal que ,


exceto possivelmente em .
• Dizemos que o limite de quando tende para é igual a , e
simbolizamos se:
• Para valores de muito próximos de , tem-se
• Valores de muito próximos de .

Observação: Essa não é uma definição formal!


𝑦
𝑦 = 𝑓(𝑥)

0 𝑎 𝑥
• Note que o conceito de limite é local e depende apenas da existência da
função próximo ao ponto considerado, não sendo necessário que a função
esteja definida nesse ponto.
Exemplo 8: Considere a função definida pela lei de formação dada a seguir.

𝑦
O gráfico de é:
3 • É possível verificar que quando 𝑥 assume
valores próximos de 1, a função 𝑓(𝑥)
assume valores próximos de 2.
2
• Embora por definição se tenha 𝑓 1 = 3,
podemos observar que lim 𝑓 𝑥 = 2.

1

0 1 𝑥
• Observe que no Exemplo 8, quando se aproxima de , tanto por valores
mores do que , quanto por valores maiores do que , obtém-se sempre
valores de próximos de .
• Então independentemente da forma como se faça se aproximar de ,
teremos sempre o mesmo resultado para o limite de .
• Essa situação não acontece sempre. Vejamos alguns casos em que isso não
ocorre.
Exemplo 9: Considere a função .
• está definida para todo real diferente de .

• Lembrando que temos .


• O gráfico de é: 𝑦

𝑥
0

−1

• Não é difícil perceber que para todo , próximo de tem-se .


• Analogamente, para todo , próximo de tem-se .
• Desse modo não existe um número real tal que se aproxime de
quando se aproxima de .
• Nesse caso, diremos que não existe
Exemplo 10: Considere a função .
• O domínio de é o conjunto dos para os quais .
• Resolvendo essa desigualdade obtemos o intervalo fechado .
𝑦
• O gráfico de é: • Observe que não existe 𝑔 para 𝑥 < −1 e nem para 𝑥 > 1.
1 • Consequentemente não faz sentido considerar a definição
usual de limite.
• Quando 𝑥 se aproxima de 1 por valores menores do que
−1 0 1 𝑥 1 tem-se 𝑔(𝑥) se aproximando de 0.
• Analogamente, quando 𝑥 se aproxima de −1 por valores
maiores do que −1 tem-se 𝑔(𝑥) se aproximando de 0.

Simbolizamos esses comportamentos escrevendo:


• e

• .

• No Exemplo 9, usando uma notação semelhante podemos escrever:
• e

• .

𝑥
0

−1
Definição informal de Limites Laterais

• Considere uma função real definida em um intervalo da forma

• Dizemos que o limite de quando tende para por valores


maiores do que (ou pela direita) é igual a , e simbolizamos
se:
• Para valores de maiores do que , muito próximos de tem-se
• Valores de muito próximos de .
𝑦

0 𝑎 𝑥
• Considere uma função real definida em um intervalo da forma

• Dizemos que o limite de quando tende para por valores


menores do que (ou pela esquerda) é igual a , e simbolizamos
se:
• Para valores de menores do que , muito próximos de tem-se
• Valores de muito próximos de .

0 𝑎 𝑥
Teorema 11: Considere uma função definida em um intervalo , exceto
possivelmente em . Existe o limite se, e somente se, os
limites laterais e existirem e forem iguais.
Simbolicamente temos:

𝑦
𝑦 = 𝑓(𝑥)

0 𝑎 𝑥
• Como uma consequência imediata do Teorema 11, podemos concluir que
vale a unicidade do limite.
Teorema 12 (Unicidade do Limite): O limite, quando existe, é único. Em
outras palavras: Se e , então .

Exemplo 13: Considere a função . Não existe


, pois:
• e

Como esses valores são distintos, não existe o limite em questão.
𝑦
3

−2 0 1 𝑥
Exemplo 14: Determine e reais para que existam e ,
para a função dada a seguir:


• .
• Como queremos que exista , devemos ter ,
ou seja, .


• Como queremos que exista , devemos ter ,
ou seja, .

• O sistema resultante formado por e é: que tem


como solução e .
Continuidade

• A ideia de continuidade é intuitiva.


• Dizemos que uma função é contínua quando podemos traçar seu gráfico
ininterruptamente, ou seja, “sem tirar o lápis do papel”.
• Desse modo, o gráfico de uma função contínua não pode apresentar nem
“furos” e nem “saltos”.
• Um “furo” é um ponto no qual a função não esteja definida, ou tenha
imagem diferente da maioria dos pontos do domínio.
• Um “salto” acontece quando temos um ponto no qual os limites laterais da
função são diferentes.
• Quando uma função não é contínua em um ponto, dizemos que ela é
descontínua nesse ponto.
Exemplo 15: A função é descontínua em .

• A função não está definida para 𝑥 = 1 pois esse


valor não faz parte do seu domínio.
• Simplificando a expressão de 𝑓(𝑥) obtemos
𝑓 𝑥 =
• Para 𝑥 ≠ 1 temos 𝑓 𝑥 = (𝑥 − 1)(𝑥 − 3)
Exemplo 16: A função é descontínua em .

• Observe que 𝑔 1 = 3.
• Porém lim 𝑔 𝑥 = 2.

• O gráfico de 𝑔 apresenta um “furo” no ponto (1,2).
Exemplo 17: A função é descontínua em .

• ℎ 1 = 1 + 3 = 4.
• lim ℎ 𝑥 = lim 𝑥 + 3 = 4.
→ →
• lim ℎ 𝑥 = lim 3 − 𝑥 = 2.
→ →
• Como os limites laterais são distintos, o gráfico
de ℎ apresenta um “salto” em 𝑥 = 1.
Pergunta: Existe alguma maneira de tornar as funções e dos exemplos 15
e 16 contínuas em ?
• Sim!

• Para isso basta obtermos um gráfico com traçado ininterrupto nesse ponto.
• No Exemplo 15, não existe .
• Porém está definida em uma vizinhança de , de modo que
.
• Então se fizermos resolveremos o problema obtendo uma curva
contínua.
• No Exemplo 16, existe , mas .
• Novamente se fizermos teremos um traçado
contínuo para o gráfico de .
Definição: Uma função é contínua em um ponto quando:
existe;
existe e
.

Exemplo 18: Determine e reais para que a função a seguir seja contínua
em e .
• A função está definida tanto em como em .
• Vamos calcular os limites laterais:



• Devemos ter e .
• Então e .

• Temos o sistema

• Que equivale a .

• Pelo método da adição obtemos , ou seja, e


• .
• Resposta: e .

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