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INTRODUÇÃO À

FILOSOFIA
SUMÁRIO
1. APRESENTAÇÃO 4. O FILÓSOFO E O SEU AVESSO
UMA ILUSTRE DESCONHECIDA P.5 CONCEITUAÇÃO DIALÉTICA P.29
DIMENSÃO EDIFICANTE DA FILOSOFIA P.6 O CÃO E O LOBO P.29
O APERITIVO DE UM BANQUETE P.7 FILOSOFIA E ANTIFILOSOFIAS P.30
UM PASSEIO APRAZÍVEL P.9 PHYSIS E NOMOS P.31
A DIALÉTICA FILOSÓFICA P.32

2. AMOR À SABEDORIA
UMA DÚVIDA
DÚVI SUFOCANTE P.11 5. GUIA DE LEITURAS
A QUINTESSÊNCIA DA FILOSOFIA P.11 PEQUENAS INTRODUÇÕES DIDÁTICAS P.34
O ESTADO DE ÂNIMO DO FILÓSOFO: O AMOR P.12 COLEÇÃO LEITURAS FILOSÓFICAS P.34
FILÓSOFO, E NÃO SÁBIO P.13 DA EDITORA LOYOLA
A VIDA FILOSÓFICA COMO ARTE DO AMOR P.14 COLEÇÃO COMO LER FILOSOFIA DA P.34
O RISCO DOS REDUCIONISMOS P.15 EDITORA PAULUS
ADMIRAÇÃO COMO ORIGEM DA FILOSOFIA P.16 INTRODUÇÕES GERAIS P.34
ENCICLOPÉDIAS
ENCIC P.35
DICIONÁRIO P.35
3. AS DISCIPLINAS FILOSÓFICAS HISTÓRIA DA FILOSOFIA P.35
DOIS MÉTODOS P.18 EM INGLÊS P.35
UM AMOR ORDENADO P.18 OS CLÁSSICOS P.35
CIÊNCIAS PRÁTICAS P.19
ÉTICA E POLÍTICA P.20
CIÊNCIAS TEÓRICAS P.23
SER, CONHECER E DIZER P.24
ONTOLOGIA CLÁSSICA
A ON P.25
A EPISTEMOLOGIA MODERNA P.26
A FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA P.27
DA LINGUAGEM
INTRODUÇÃO À

FILOSOFIA
1 APRESENTAÇÃO
UMA ILUSTRE
DESCONHECIDA
A filosofia é complexa e profunda, mas
ela não precisa ser obscura e confusa.

No contexto da pedagogia atual, muitos têm um contato traumático com a filosofia, por meio de uma disciplina escolar
ou universitária em que as ideias filosóficas são lançadas de modo praticamente aleatório e arbitrário.
Desse desencontro, restam empoeirados na memória alguns rótulos e clichês filosóficos, como o idealismo de Platão, o
dogmatismo de Tomás de Aquino, o racionalismo de Descartes, o empirismo de Locke, o materialismo de Marx e o ateísmo
de Nietzsche, que embaçam a compreensão do esforço intelectual dos grandes filósofos da nossa tradição, que alcançaram
um patamar superior de interpretação e elucidação da realidade e que tiveram um impacto significativo nas instituições soci-
ais e na cultura.

Se a filosofia fosse um conjunto de ideias soltas e sem sentido, uma especulação vazia e sem sentido, como explicar o
seu prestígio e permanência ao longo dos últimos 2.500 anos?

Mas, afinal, o que é a filosofia?

Qual é a sua finalidade? Este e-book foi escrito para começar a desmistificar esse preconceito e permitir a redescoberta
da filosofia, com um novo colorido, demonstrando o impacto que ela pode ter na nossa vida, pela expansão do nosso hori-
zonte intelectual.

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DIMENSÃO EDIFICANTE
DA FILOSOFIA
Quando bem apresentada e vivida, eu acredito que praticamente
todos se interessariam pela filosofia, como reflexão radical
sobre a existência e o mundo.

Por isso, há mais de dez anos, além da docência no e Tomás de Aquino (conheça o meu livro A filosofia do di-
magistério superior e da pesquisa acadêmica, dedico-me a reito natural de John Finnis, vol. 1 Conceitos fundamen-
levar a filosofia a um público maior, com a intenção pe- tais. Editora Lumen Juris).
dagógica de contribuir para sua formação moral e intelec- Mas nunca me restringi à atividade acadêmica estrita,
tual. Penso que, ao lado da literatura e da história, a filoso- pois sou o organizador da edição bilíngue de Platão (numa
fia seja uma disciplina humanista e edificante, capaz de coleção de 18 volumes, pela Editora UFPA), o pai e fonte
nos ajudar a orientar nos dilemas da nossa vida. permanente da Filosofia, e da obra ensaística de Benedito
Naturalmente, valorizo muito a filosofia “profissional”, Nunes (em 9 livros, por várias editoras, como Companhia
praticada com o rigor científico na Universidade. Com a das Letras, Martins Fontes e Loyola), um dos maiores filóso-
minha formação acadêmica de mestrado e doutorado em fos e críticos literários do Brasil.
Filosofia, sou professor e pesquisador da Universidade Fe- A importância desses dois autores não se limita à especiali-
deral do Pará e do Centro Universitário do Pará, com a pro- dade acadêmica, mas alimenta a inteligência de todas as
dução técnica e especializada de filosofia, sobretudo no pessoas, tanto quanto a música interessa-nos a todos, e
âmbito da teoria da lei natural, de inspiração de Aristóteles não apenas aos músicos profissionais e acadêmicos.

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e, em 2016, lancei meu site de cursos de filosofia,
Aliás, o fundador da filosofia, www.dialetico.com.br. Em 2021, compilei os meus escri-
Sócrates, não a considerava uma tos no livro A crise da cultura e a ordem do amor – Ensaios
profissão a ser remunerada e a conferir filosóficos (Editora É Realizações), que serve também de
um status social (como o prestigioso e introdução à filosofia e está consignado na bibliografia ao
rentável magistério dos sofistas), mas final deste trabalho.
uma vocação pedagógica e cívica. Neste sintético e-book, eu introduzo a essência da fi-
losofia clássica, de inspiração platônica, para que você a
Benedito Nunes, por sua vez, publicava seus ensaios fi- aprecie e queira me acompanhar nesta nova fase de di-
losóficos no jornal e palestrava em instituições culturais, fusão digital da filosofia, beneficiada pela comunicação
conservatórios, museus, galerias, e não apenas na universi- imediata e interativa de redes sociais como o Instagram,
dade. Telegram e Youtube, nos quais você já deve estar inscrito
Com essa intenção de divulgar a filosofia, mas sem (caso contrário, sugiro inscrever-se em todos eles agora e
vulgarizá-la ou simplificá-la, entre 2015 e 2017, contribui retorne à leitura em seguida).
com ensaios filosóficos no jornal paraense O Liberal

O APERITIVO DE
UM BANQUETE
Nas próximas páginas, não espere longas reflexões fi-
losóficas, com demonstrações analíticas dos argumentos,
mas apenas um convite na forma de um aperitivo que
aguce o seu paladar para um banquete que será servido
em seguida, caso você se disponha a me acompanhar
nesta longa caminhada, que não tem um ponto de chega-
da fixo.
Como a dança, a filosofia é um fim em si mesma, uma
atividade intelectual desinteressada, que não serve a
nenhum objetivo específico, como a diplomação ou capaci-
tação profissional. Ou seja, ela não tem fim e consome toda
a vida do filósofo autêntico. Por isso que Aristóteles distin-
guia a vida prática (voltada aos negócios da cidade,
necessários para a subsistência) e a vida contemplativa
(dedicada à atividade intelectual e científica de com-
preender o mundo, amando-o pela inteligência).
Um importante filósofo tomista¹ do século XX, o frade
dominicano Sertillanges, renovou a atenção a esta reali-
dade da filosofia clássica, a da vida intelectual, com vir-
tudes morais necessárias, como a paciência, a persev
rança e a amizade, para a conquista das virtude intelectuais
da concentração, memória, articulação e escrita.
¹ Tomista é quem desenvolve seu pensamento a partir de Tomás de Aquino, o maior filósofo da Cristandade.

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É claro que o treino filosófico desenvolve enormemente as nossas
potências intelectuais e nos permite pensar e escrever muito melhor,
estruturar logicamente os argumentos com mais destreza e propriedade.

Mas a filosofia é contemplativa, é uma forma de amor, que não tem preço e nem prazo. Portanto, ela não se confunde
com uma habilidade técnica profissionalizante, como as ciências em geral. Ela é teorética, seu fim é conhecer, e não
prático-produtiva. Mas ela é iminentemente ética, porque enriquece a personalidade de quem a pratica.

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UM PASSEIO APRAZÍVEL
Após uma definição breve da filosofia (capítulo 2), passeio inicial lembrando os colóquios de Aristóteles com
procedo com uma descrição sumária das suas disciplinas seus alunos em longas caminhadas, motivo pelo qual fica-
(capítulo 3), naturalmente fronteiriças e superpostas umas ram conhecidos como “peripatéticos” (caminhantes).
às outras: as ciências práticas da ética, política e poética e É um grande prazer contar com a sua companhia
as ciências teóricas da ontologia e epistemologia. Em nesta caminhada intelectual. Reforço este e-book marca
seguida, menciono a dialética da filosofia com suas rivais um recomeço da minha atuação na Internet, uma nova fase
sofísticas, as antifilosofias que tendem a neutralizá-la, do projeto Dialético. Dessa vez, eu preciso ainda mais da
como o ceticismo e o relativismo (capítulo 4). Ao cabo, pro- sua participação nas redes sociais, com a interação, per-
ponho um guia de leitura de obras que ajudam a se iniciar guntas, críticas, comentários e divulgação.
na filosofia, além dos seus principais clássicos (capítulo 5).
Aqui, adoto uma linguagem simples e direta, como A filosofia é uma forma de amor e de
numa conversa informal, sem incursões eruditas, aprofun- amizade e a minha proposta é formar
damentos conceituais e citações (as referências para leitura uma comunidade virtual.
ulterior constam ao fim).
Com isso, pretendo tornar essa primeira jornada in- Conto com a sua participação ativa e sua divulgação aos
telectual agradável, um primeiro passo para uma amigos interessados.
navegação mar adentro, posteriormente. Trata-se de um

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2 AMOR À
SABEDORIA
lo vicioso, que denigre a sua imagem aos leigos, que, com

UMA DÚVIDA
razão, poderiam afirmar aos filósofos: “Primeiro, decidam
o que é a filosofia; depois, convidem-nos a participar dela.”
Se decidimos estudar matemática ou jogar futebol,
por exemplo, precisamos apenas nos inteirar das regras e

SUFOCANTE
das finalidades dessas atividades para começar a pra-
titicá-las. Com a filosofia é um pouco diferente, porque,
antes de praticá-la, precisamos tomar consciência do que
ela é. E os próprios filósofos divergem sobre a sua essência.
Essa divergência é explicada pela dimensão crítica da
A filosofia é tão reflexiva e questionadora que ela filosofia, que convida a sempre questionar e problematizar
começa interrogando-se a si mesma, perguntando que tipo o que já foi conquistado, o que pode gerar um ceticismo
de atividade intelectual ela realiza. Por isso, é natural que generalizado sobre a própria filosofia, num gesto que o
ela enfrente, recorrentemente, uma espécie de crise de Chesterton (um dos filósofos mais perspicazes e incomuns
identidade, em que os seus diversos cultores concorram da nossa tradição) chamava de “suicídio do pensamento”,
sobre a sua natureza e finalidade. quando o pensamento duvida do próprio pensamento.
Essa característica reflexiva arrisca resvalar num círcu-

A QUINTESSÊNCIA
DA FILOSOFIA
Mas, em meio a este mar de dúvidas e incertezas que
constituem a natureza da filosofia, há um consenso, que
chega a ser uma unanimidade entre os filósofos: Platão
inaugurou uma série de questões permanentes e incon-
tornáveis.
Desde o seu mais célebre aluno, Aristóteles, passando
pelo seu mais conhecido herdeiro cristão, Santo Agostinho,
até o seu mais inflamado inimigo moderno, Nietzsche,
praticar filosofia é dialogar com Platão, é responder aos
seus múltiplos questionamentos. Por isso, o importante
filósofo da matemática Withehead afirmou, famosamente,
que a melhor caracterização da filosofia europeia (ociden-
tal) é que ela consiste numa série de notas de rodapé
a Platão.

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Platão é a quintessência da filosofia; como Bach, da música; e Shakespeare, da poesia. Ele a encarnou de forma tão pura
e perfeita que abriu o caminho para esta atividade fosse praticada indefinidamente, depois dele. Note que eu não me refiro
ao conteúdo da filosofia platônica como sendo o definitivo ou o verdadeiro, mas a forma de praticá-la, como amor insaciável
pela filosofia, que mobiliza toda nossa vida e inteligência.

O ESTADO DE ÂNIMO
DO FILÓSOFO: O AMOR
números; a biologia, os seres vivos; a física, o movimento;
o direito, as leis, e assim por diante.
Ao invés de ser definida pelo objeto de análise, a filo-
sofia se caracterizou, na Grécia antiga, pelo estado subjeti-
vo do filósofo: o amor (philia). Mas amor ao quê? À sabe-
doria (sophia). Sabedoria de quê? De tudo o que se pode
saber, sem exceção.
Quando lemos as obras fundamentais da filosofia,
que são as de Platão e Aristóteles, assusta a amplitude do
seu horizonte intelectual. Tudo lhes interessava, eram cien-
tistas universais, que amavam o conhecimento de toda a
realidade, das realidades naturais até os símbolos e narra-
tivas religiosas.

A definição etimológica da filosofia


como amor à sabedoria, portanto, não é
acidental, produto de uma contingência
linguística, mas revela a sua essência.

Em grego, as palavras sophos e sophistes eram usadas


para referir aos sábios, aqueles reconhecidos pela socie-
dade em geral como dotados de um conhecimento
abrangente sobre as ciências e sobre os negócios da cidade
(ética e política). Eram os poetas, cientistas, legisladores,
A identidade intelectual da filosofia é mesmo pro- estadistas e oradores, capazes de dissertar sobre pratica-
blemática porque ela é abrangente e universal e não tem mente todos os temas concernentes à religião e à socie
um único objeto de interesse. Nisso, ela difere das ciências dade.
particulares, que se caracterizam pelo seu objeto de
estudo. Ninguém duvida que a aritmética estude os

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FILÓSOFO, E NÃO SÁBIO
Pitágoras, no século VI a.C., foi o primeiro a recusar o insigne título de sábio, que ele certamente merecia, em nome da
designação mais modesta de amante da sabedoria. Com isso, ele enfatiza mais na busca do conhecimento do que no seu re-
sultado, a sabedoria. Aqui, já se percebem duas dimensões da filosofia, (1) o da inquirição e perseguição dinâmica do conhe-
cimento (a zetética e a crítica) e (2) e o resultado estático e cristalizado do conhecimento (a dogmática e a ciência).
Para facilitar a compreensão didática desse argumento, proponho a seguinte analogia: é como se houvesse, por um
lado, (1) uma dimensão de pesquisa acadêmica, de produção de novos conhecimentos a partir da discussão e da crítica dos
saberes já consolidados e, por outro lado, (2) uma dimensão de ensino escolar, de reprodução dos conhecimentos já acaba-
dos e fechados. A primeira dimensão é ativa, hipotética e propositiva; ao passo que a segunda é mais passiva, dogmática e
reprodutiva.

Por isso, podemos dizer que toda ciência tem uma dimensão
filosófica na sua origem, expansão e aprofundamento.

Quando Albert Einstein, um dos maiores e mais populares cientistas do século XX, procurou refutar a física moderna de Isaac
Newton, ele agiu como um filósofo, analisando e criticando uma teoria, tanto quanto Newton havia feito em relação à física
antiga de Aristóteles.
Ao propor a teoria da relatividade de forma acabada e definitiva, Einstein estabeleceu uma verdade científica, a ser re-
produzida por alunos e ensinada a alunos de física. Mas ela também pode ser estudada pela filosofia, critica e mesmo refuta-
da. O filósofo da ciência Thomas Khun refere-se às mudanças paradigmáticas, que são sempre filosóficas, por que passa a
ciência ao longo das eras.

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A VIDA
FILOSÓFICA
COMO ARTE
DO AMOR
Perceba que, em meio à questão epistemológica (rela- deixou de amar, depois de alguns meses ou anos, porque
tiva à produção de conhecimento científico, sólido, seguro, já esgotoutudo o que tinha a amar ou que a amada já foi
verdadeiro), desponta uma questão ética (relativa à prática suficientemente amada?
das virtudes), a da disposição intelectual crítica, livre e in- Instigado pela estranha figura de Sócrates, que, ao
vestigativa que exige que o filósofo se dedique à atividade mesmo tempo em que dizia que nada sabia, afirmava
intelectual ao longo de toda a sua vida, porque sempre há também que só sabia da “arte do amor”,
algo a descobrir e a aprofundar.
Platão refletiu profundamente sobre o
O filósofo ama o saber, por isso amor, como uma escada de ascensão do
se dedica a ele de modo integral e desejo erótico às formas mais sublimes de
praticamente ininterrupto. união intelectual e espiritual com a
beleza, verdade e bondade.
É lendária a figura incômoda de Sócrates, filosofando
nas praças e nos banquetes de Atenas, quando todos pre- Se a República é o diálogo mais completo e influente
tendiam apenas praticar política, comércio, poesia ou sexo. de Platão, sobre a questão da justiça na alma e na cidade,
É que Sócrates filosofava exatamente sobre essas práticas e se A apologia de Sócrates e Fédon, que narram, respecti-
cotidianas, sobre a vida boa, a felicidade, em como tomar vamente, a condenação e a morte de Sócrates, são os mais
consciência do sentido, da causa primeira e do fim último comoventes, os seus mais belos e inspirados diálogos são
de tudo isso. Daí a sua célebre afirmação, registrada por Banquete e Fedro, odes apaixonadas à potência moral e in-
Platão na Apologia de Sócrates: “uma vida não refletida
Pla telectual do amor.
não é digna de ser vivida”. Se descurarmos por algum instante a realidade funda-
Amor à sabedoria é uma definição que registra, muito mental e ascensional do amor, deixamos de entender o
bem, essa dupla dimensão, moral e intelectual, da filosofia. que é a filosofia. Neste sentido, Santo Agostinho é o maior
O filósofo tem um compromisso com a verdade das coisas, herdeiro de Platão, porque também refletiu sobre a di-
mas, para atingi-la, precisa amá-la e se dedicar a ela, como mensão ética e cosmológica do amor, tanto como peso
quem corteja a amada. gravitacional da existência humana, quanto como fator de
Quem ama tem um interesse tão genuíno e intenso explicação da realidade harmônica do mundo, a ser conhe
que sempre procura desvendar algo a mais da amada.
Ele não se cansa de procurá-la e cobiçá-la, sente que
nuncaa exaure. Não seria estranho alguém dizer que

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É o amor que liga o polo subjetivo do filósofo com o polo objetivo da realidade que ele quer conhecer. O amor filosófico
revela dimensão subjetiva e objetiva da filosofia. Subjetiva, porque ele engaja toda a existência do filósofo, numa autêntica
“vida intelectual”, tão bem descrita por Sertillanges. Objetiva, porque ele sai de si e busca compreender a verdade e assimilar
a beleza do mundo que contempla.

O RISCO DOS
e natural. Exemplo máximo disso é o embate entrea psiqui-
atria (ciência médica da dimensão orgânica da mente) e a
psicologia (teoria filosófica de interpretação da limguagem
simbólica da alma).

REDUCIONISMOS
Quando a filosofia perde de vista o nexo entre a di-
Isso explica, parcialmente, porque as ciências mo-
dernas resultaram em ideologias como o positivismo
(objetivista) e o romantismo (subjetivista), em que a
descoberta da realidade natural despreza o universo subje-
mensão subjetiva e interior com a objetiva e exterior, ela tivo do homem e, reciprocamente, a análise da interiori-
pode recair nos reducionismos modernos do cientificismo dade e da psicologia humana neutraliza a dimensão objeti-
(objetivista) e existencialismo (subjetivista), em que o polo va e universal da natureza.
oposto é neutralizado pela afirmação exclusiva de um Sem o ideal de totalidade e unidade, a filosofia pode
deles. se fragmentar numa miríade de ciências desencontradas,
Por isso, essas filosofias modernas acumularam autorrefutatórias e mutuamente excludentes. Um dos
notáveis conhecimentos sobre a natureza, por um lado, e maiores filósofos contemporâneos, Husserl denunciou essa
sobre a subjetividade, por outro, mas raramente con- crise das ciências, propondo a fenomenologia como alter-
seguiram uni-los de modo coeso e orgânico. Os resultados nativa.
extremos desses reducionismos são ora uma ciência desu-
mana, ora uma subjetividade descolada da realidade social

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ADMIRAÇÃO
COMO ORIGEM
DA FILOSOFIA
A origem da filosofia é a
contemplação, o gosto que temos por
admirar a beleza do mundo, tentando
aprofundar o seu sentido e investigar as
suas causas.

Diante da positividade do ser, brota no coração do


filósofo uma gratidão e um maravilhamento, o desejo de
trazer a realidade para dentro de nós, pelo pensamento,
depois de o mundo se apresentar como colorido e curioso
aos nossos sentidos.
As questões metafísicas fundamentais, a do ser e a do
conhecer, provêm exatamente desse amor à contem-
plação, ao desejo de conhecer toda a realidade, de modo
verdadeiro, e não apenas aparente.
A admiração filosófica inclina o filósofo ao todo da re-
alidade e ao conhecimento verdadeiro (científico). Por isso,
ele coleciona questões ontológicas (relativas à ordem do
ser) e epistemológicas (relativas à ordem do conhecer):
O que percebemos pelos sentidos exaure toda a realidade?
Não há algo mais a ser conhecido? O conhecimento recebi-
do pelos sentidos e o recebido pela tradição é mesmo ver-
dadeiro, sólido, consistente, científico (epistêmico)?

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3 AS DISCIPLINAS
FILOSÓFICAS
DOIS
(2) Já o método hermenêutico é diacrônico, histórico e
dialético, procurando relacionar os autores e correntes
entre si, numa linha de influências e rupturas, pensando a
tradição filosófica como uma sucessão de continuidades e
rupturas.

MÉTODOS
Esta
Es abordagem privilegia a história da filosofia, sua
origem e crises epocais, relacionando-a às situações
históricas específicas, como as guerras, as invenções tec-
nológicas, as descobertas científicas e as mudanças nas
formas de vida.
Há dois métodos básicos e intrinsecamente ligados da O ideal é sempre articular as duas abordagens, alternan-
filosofia: (1) o analítico-conceitual e (2) o hermenêu- do conceituações lógicas com considerações históricas e
tico-histórico. (1) O analítico é sincrônico e analisa os con- contextuais. Mas, como o objetivo deste e-book não é
ceitos filosóficos de modo abstrato, abstraído do contexto apresentar a história da filosofia, o que me exigiria muito
biográfico, histórico e social do filósofo, concentrado na di- mais páginas, cabe agora apresentar, sumariamente, o
mensão lógica dos argumentos, com seus termos, pro- quadro das disciplinas filosóficas tradicionais, sempre fron-
posições e silogismos. teiriças e interligadas.

UM AMOR ORDENADO
A filosofia é o amor ao todo da realidade e, como a
realidade se apresenta altamente complexa, composta por
múltiplas partes interdependentes, para alcançá-la na sua
inteireza, a filosofia precisa analisá-la por partes. Essa é a
origem das tradicionais disciplinas filosóficas, em que nor-
malmente os cursos universitários são divididos.
Foi Aristóteles que procurou, pela primeira, sistema-
tizar e fundar essas disciplinas, mas nunca descurou as
suas interrelações.

Ao estudar filosofia, é importante nunca


perder de vista a unidade ontológica da
realidade e a unidade epistemológica do
conhecimento sobre ela.

Caso contrário, recai-se, facilmente, na fragmentação que


impede a visão do todo, com que Platão caracterizou os
filósofos dialéticos, na República.
Aliás, foi essa visão sinóptica, capaz de perceber a to-
talidade da realidade, que me inspirou a denominar meu
site “dialético”, como também explico num ensaio introdu-
tório ‘A sinóptica do fragmento’ do meu livro A crise da A totalidade da realidade a que a filosofia se volta não
cultura e a ordem do amorr pode dispersá-la ou afogá-la. Ao contrário, é necessário

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muita disciplina intelectual, ordem e método para se con-
centrar em cada uma dessas disciplinas, uma de cada vez,
sempre ressaltando seus nexos de comunicação e justa-
posição, sabendo que a luz que se lança sobre uma delas
CIÊNCIAS PRÁTICAS
sempre irradia sobre as demais. Ao longo da história da fi- Na Metafísica de Aristóteles, o tratado fundacional on-
losofia, diferentes filósofos enfatizaram ora a uma, ora a tologia, a filosofia primeira que ordena todas as disciplinas
outra disciplina, e isso é relevante para a determinação de filosóficas, consta uma divisão elementar entre as ciências
sua identidade filosófica. teóricas e as ciências práticas.
Se as ciências teóricas são contemplativas, as práticas
estão interessadas na ação ética e na produção técnica. A
razão humana tem uma dupla faculdade, a teórica e a
prática. Pela faculdade teórica, conhecemos o mundo ao
redor; pela prática, tomamos decisões e orientamos a
nossa ação e produção.

A ética clássica reflete sobre o agir


humano a partir dos fins (bens) que ele
alcança, na busca pela felicidade, que é
um estado de realização e plenitude.

Kant, por exemplo, considerava que não


se pode ensinar filosofia (o resultado
dogmático da especulação), mas apenas
a filosofar (a atividade do pensamento
que desenvolve as teorias).

Ninguém aprende a nadar fora da piscina, é preciso As virtudes são forças da personalidades, excelências
treinar e testar a capacidade intelectual diante de proble- morais que franqueiam o bem individual e comum. A ética
mas reais e relevantes para a vida. Assim, o maior filósofo tem uma dimensão política, porque normatiza, racional-
da modernidade postulou quatro perguntas fundamentais: mente, a conduta social, por meio das leis e das concepções
1. Na metafísica: O que posso saber? morais da justiça.
2. Na ética: o que devo fazer? Se as ações éticas constituem o caráter do agente, as
3. Na religião: o que posso esperar? ações técnicas são produtivas, interessadas na produção de
4. Na antropologia: O que é o homem? objetos exteriores, que podem ser técnicos (pautados na
Como Kant já trabalha num contexto da crítica à utilidade, como um engenheiro que constrói uma ponte)
metafisica aristotélico-tomista, para erigir o seu sistema do e/ou artísticos (pautados na beleza, como um pintor que
idealismo transcendental, convém partir da primeira orga- desenha um quadro).
nização do saber filosófico na Antiguidade, que é a de
Aristóteles.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 19


As ciências produtivas técnicas são menos filosóficas do que as artísticas,
porque o belo sempre desperta grande interesse filosófico, pela sua
relação com o bem e com a verdade, suscitando questões
morais, psicológicas, epistemológicas e metafísicas.

ÉTICA E POLÍTICA pano de fundo conceitual e metodológico².


O homem é naturalmente político não como as formi-
gas ou abelhas, que coordenam a atividade para a sub-
sistência do grupo, mas porque é dotado de razão que uni-
fica o pensamento do grupo em torno do que é a justiça,
princípio que guia a colaboração social.

Para introduzir o tema clássico das relações entre ética


e direito, reproduzo o meu ensaio ‘Amizade e justiça’, in-
cluído no meu livro A crise da cultura e a ordem do amor
(Editora É Realizações):
Uma das expressões mais conhecidas da Filosofia é a de
que o homem é um animal político. Cunhada por Aristóte-
les, ela se encontra no Livro I da Política, tratado de filoso-
fia prática posterior à Ética a Nicômaco, que lhe serve de

²Aristóteles, Política, Lisboa, Veja, 1998

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 20


A Política é o conjunto de instituições, não apenas Ele o faz voluntariamente, como parte de sua racional-
governamentais, mas também sociais, éticas, pedagógicas, idade e realização pessoal, e não por medo de punição.
culturais e religiosas que moldam o caráter de um povo ci- Como explica Adler, o homem bom
vilizado,
vili isto é, um povo ordenado que vive numa cidade não é coagido pelo governo, e por isso o
constituída por leis que regulam as relações cívicas dos ci- governo não é, para ele, um mal, como o é para
dadãos livres e iguais (note-se o nexo não só etimológico o homem mal.
mas semântico entre cidade, civismo, cidadania e civi- O homem bom também não sente que sua
lização). Esse é o fundamento da tradição republicana: um liberdade é limitada pelo governo. Ele não quer
governo constitucional em que os cidadãos governam e mais liberdade do que consegue usar sem prej-
são governados por si próprios em nome do bem comum. udicar os outros. Só o homem mau quer mais
Diferente do positivismo das ciências sociais moder- liberdade do que isso, e portanto só ele sente
nas, que pretendem ser neutras de valoração ao descrever que sua liberdade de fazer o que quiser, sem
a Política, Aristóteles avalia que o bom governo caracter- preocupar-se com os outros, é limitada pelo
iza-se por servir ao bem comum dos governados, e não aos governo.³
interesses egoístas do governantes. Um governo que está
a serviço dos governantes é tirânico e usurpador. Os homens precisam da justiça política porque é im-
Ademais, o bom governo não se baseia apenas na possível desenvolverem amizade por todos da cidade. Se a
força e na coerção, na obediência pelo medo da punição amizade é o desejo de felicidade do amigo, o dom gratuito
que caracteriza o governo despótico, mas em leis com as de lhe dar tudo o que puder contribuir para o seu bem, a
quais concordam os governantes ou de cuja formulação justiça é o dever de atender aos direitos dos outros ci-
eles participaram, conferindo legitimidade à autoridade do dadãos. A amizade é baseada no amor, na generosidade,
Estado. no desinteresse e na benevolência, já a justiça, na res-
ponsabilidade e obrigação pelo bem comum, o conjunto de
condições externas para a realização pessoal dos bens a
que os homens são naturalmente inclinados.
No âmbito político, esses bens que provêm das neces-
sidades humanas fundamentais de viver bem, com saúde,
conhecimento, trabalho, sociabilidade e participação políti-
ca, são os direitos (que hoje classificamos como direitos
humanos). A justiça do regime constitucional, portanto, é a
liberdade de pessoas iguais, sendo que essa igualdade
provém da natureza humana comum, que me exige tratar
os outros como eu mereço ser tratado para que eu tenha
Por fim, o bom governo é um governo “constitucio- uma vida boa, isto é, desenvolvendo essas mesmas facul-
nal”, baseado em leis, que governam até mesmo os gover- dades naturais dos demais. Por isso, é intrinsecamente in-
nantes. Enquanto os homens são passionais e instáveis, as justo um governo tirânico ou despótico, que reduz os go-
leis são racionais e equilibradas, expressão da racionali- vernados a escravos ou súditos, privando-os da cidadania,
dade compartilhada de homens livres e iguais. A relação racionalidade e, portanto, humanidade.
entre governante e governado é de cidadania, de igual- E aqui reside a contradição fundamental da Política de
dade e alteridade, diferente da relação desigual entre Aristóteles.
tirano e escravo ou entre déspota e súdito.
Até o cristianismo, nenhuma sociedade
O regime constitucional das leis é um afirmou a igual dignidade de todos os seres
sinal da racionalidade humana. humanos, sem exceção, baseada na igual
Obedecê-las é típico do homem filiação divina em Cristo, motivo da
virtuoso que procura contribuir para o fraternidade universal (Gálatas 3, 28).4
bem comum e manter a paz social. ³Mortimer Adler, Aristóteles para todos – uma introdução simples para um
pensamento complexo, São Paulo, É Realizações, 2010, p. 126-127.
4
Luis Fernando Barzotto, ‘Direitos humanos’, in Filosofia do direito. Os conceitos
fundamentais e a tradição jusnaturalista, Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2010.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 21


Marcado pelo etnocentrismo e pela misoginia helênicos, Aristóteles considerava haver naturezas diferentes entre as
pessoas.
Por isso, o seu jusnaturalismo, tão articulado para promover os fundamentos filosóficos da cidadania, da igualdade e
da liberdade políticas, o conduziu a um dos erros mais graves da nossa tradição: o de negar a racionalidade e, portanto, a
dignidade de escravos e mulheres, subtraídos da participação política por serem “naturalmente” inferiores, incapazes de au-
togoverno, logo incapazes, como crianças e doentes mentais, de governarem os outros.
Pelo influxo do cristianismo e do liberalismo moderno que o secularizou, reconhecemos que o governo justo é o cons-
titucional, aquele que não discrimina nem despersonaliza nenhum ser humano por motivo de sexo, raça, credo, etnia ou ri-
queza.

Todos têm a liberdade de governarem e serem governados como iguais.


A igual dignidade de todos repousa na natureza humana comum e nos
bens humanos que a realizam.

Baseada no maior intérprete de Aristóteles, Tomás de Aquino, que comentou minuciosamente a Ética a Nicômaco e a
Política, essa interpretação do governo constitucional e da dignidade humana é a mais consoante com a atual política dos di-
reitos humanos. Mas a riqueza de um clássico como a “Política” de Aristóteles é a abertura intelectual que ela franqueia.
Mesmo pautada numa estrutura social de cidade-estado radicalmente diferente da moderna, essa obra-prima permanece
imprescindível para compreender a tradição política ocidental e continua a alimentar os debates em torno das ideologias
contemporâneas do socialismo, fascismo, liberalismo, republicanismo, conservadorismo e comunitarismo. Se Aristóteles não
fornece respostas prontas ou soluções definitivas para nossos incontáveis e incontornáveis dilemas atuais, ele ainda con-
tribui para reflexão sobre as virtudes da amizade e da justiça que mantêm a cidade unida.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 22


concentrar na sua quantidade. Elas são formais porque dis-

CIÊNCIAS
pensam a “matéria” quantificada. Assim, não importam se
são dois homens ou dois gatos que, somados com dois
entes da mesma espécie, resultam em quatro deles. O raci-
ocínio opera num nível de abstração da matéria, refletindo

TEÓRICAS
sobre a estrutura interna dos números.
Platão considerava absolutamente indispensável a ini-
ciação nessas ciências matemáticas como propedêuticas à
filosofia. Ele teria, inclusive, escrito no pórtico de sua Aca-
demia: “Aqui não entra, quem não for geômetra”. A ge-
As ciências teóricas são contemplativas, porque ometria é a projeção da matemática às formas sólidas,
buscam espelhar (do termo latino speculum, de que deriva analisando as suas relações numéricas.
também a palavra especulação) na mente a realidade que
não se pode transformar. Elas são ciências puras e desin- (3) A ciência metafísica é ontológica
teressadas, visam tão somente compreender a realidade porque enfoca o ser enquanto ser”, que
das coisas, independente da eventual aplicação técnica não é nada de específico e que, ao
desse conhecimento. mesmo tempo, é aquilo de que tudo o
É claro que a ciência da matemática tem uma utili- que é participa.
dade imediata para praticamente qualquer atividade, pela
capacidade de contar e relacionar os dados quantitativos
entre si. Do mesmo modo, a ciência da astronomia permite Essa ciência abstrai tanto a qualidade das espécies (cães) e
a orientação náutica, a compreensão dos ventos, das águas dos entes individuais (este poodle individual, peludo e alei-
e assim por diante. Mas essas ciências não teóricas exata- jado), quanto a sua quantidade (um ou trezentos cães ou
mente porque não se definem pelo uso técnico se faz dela estrelas), abstrai toda a matéria (carne ou granito) e forma
ou pela influência ética no caráter do filósofo. (circular ou retangular), concentrando-se simplesmente na
Num nível de abstração crescente, pode-se dividir as estrutura do ser, com as categorias metafísicas que o
ciências teóricas em (1) ciências naturais, (2) ciências tornam inteligível. A compreensão do que é a metafísica é
matemáticas e (3) ciência metafísica. fortemente condicionada à capacidade abstrativa da in-
(1) As ciências naturais se voltam à realidade forneci- teligência, que exige bastante treino gramatical e lógico.
da inicialmente pelos sentidos, abstraindo as diferenças in- Junto com a retórica, essas ciências são propedêuticas à fi-
dividuais dos fenômenos e se concentrando nas qualidades losofia.
ou propriedades comuns de um conjunto da realidade,
como os vegetais ou animais, por exemplo.
Não interessa este ou aquele cão, mas a natureza
canina, seus atributos constitutivos, sua essência ou espé-
cie científica, a substância sem a qual um animal deixa de
ser um cão. O binômio substância (aquilo que existe por si
mesmo) e acidente (aquilo que depende de outro ente
para existir) ajuda na formulação das essências dos entes
categorizados em conjuntos. Note que essa é a metodolo-
gia de qualquer ciência.
(2) As ciências matemáticas são lógicas e formais,
porque abstraem a qualidade sensível dos entes para se
concentrar na sua quantidade. Elas são formais porque dis-

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 23


SER, CONHECER E DIZER
Há muito o que se refletir no campo da ontologia (ciên- sempre idêntico, insuscetível a qualquer movimento ou mu-
cia do ser) e da epistemologia (ciência do conhecer), pois, dança, que simplesmente é o que é, e não pode jamais
ao longo da história, os filósofos divergem profundamente deixar de ser (e que a tradição cristã identificou com Deus);
sobre (1) a existência e essência do ser (ontologia), (2) a (2) Se houvesse o ser, ele não seria conhecível (ceticis-
possibilidade de conhecê-lo (epistemologia), e (3) e a pos- mo), pois não temos meios intelectuais de acessar algo per-
siblidade e os modos de dizê-lo (questão da linguagem). manente, eterno e imutável, de modo a nos certificar que,
O célebre retórico Górgias de Leontini foi um niilista de fato, o atingimos; isto é, não teríamos conhecimento
(do ponto de vista ontológico) e cético (do ponto de vista científico, sólido e infalível sobre o ser;
epistemológico). Ele formulou seu pensamento numa série (3) Se houvesse o ser e pudéssemos conhecê-lo, não
de três proposições encadeadas: poderíamos comunicá-lo (insuficiência da linguagem), pois
(1) Não há o ser (niilismo), este ente genérico e univer- nossa linguagem é imperfeita, instável e suscetível a infini-
sal que Parmênides buscava como permanente, estável tas interpretações, de modo que jamais poderíamos atestar

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 24


A ONTOLOGIA
que o receptor entendeu exatamente a mesma coisa que
lhe foi comunicada pelo emissor.
A tese niilista e cética de Górgias não vingou na filoso-
fia Antiguidade, pelo menos não entre os seus mais exten-

CLÁSSICA
sos e profundos expoentes, Platão e Aristóteles, que, ao
contrário, apostaram e demonstram ser possível exercitar e
depurar o pensamento e a linguagem de modo a alcançar
o ser fundamental da realidade, a causa não causada e o
moto imóvel, que consideravam divino.

Portanto, como bem notou Heidegger, a


tradição metafísica ocidental é uma
onto-teo-logia, uma articulação racional
(pelo logos), do ser (ontos) divino
(theos), que a teologia e filosofia cristãs
identificaram como sendo o próprio
Deus, que se fez carne em Cristo (Logos
de Deus).

Diante desse quadro de Górgias, o ser, o conhecer e o


dizer, pode-se identificar três tendências fundamentais na
história da filosofia: (1) a ontologia clássica dos antigos e
medievais, (2) a epistemologia dos modernos e (3) a filoso-
fia da linguagem dos contemporâneos.

A ontologia clássica dos antigos (como Platão e


Aristóteles) e medievais (como Agostinho e Aquino) busca-
va a unidade do todo da realidade, a partir da sua abóbada
metafísica, o ser ou Deus. Dessa premissa, deriva uma série
de análises epistemológicas da relação do conhecimento
sensível (dos órgãos corporais) e inteligível (da inteligência
abstraída da experiência sensível).
Franqueado pelos sentidos, o conhecimento sensível
(chamado de empírico na modernidade) é sempre particu-
lar, porque condicionado pelo tempo e espaço: o meu
corpo só me mostra uma coisa de cada vez, eu sou posso
tocar nesta pessoa humana particular, ver este computa-
dor e beber este copo de água.
Por outro lado, o conhecimento inteligível (que encon-
tra denominações muito variadas ao longo da história da
filosofa, como ciência, intuição, compreensão e entendi-
mento) formula um conceito universal, focado no ente em
si, concebendo o ser humano em geral (independente das
suas particularidades e contingências), a essência do com-
putador em si e a natureza permanente e substancial da
água como tal.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 25


Os filósofos clássicos são teístas, porque reconhecem a existência de Deus,
como ser supremo, eterno e imutável, causa não causada, motor imóvel
e inteligência ordenadora que engendrou o cosmos inteligível.

Essa dimensão filosófica e metafísica de Deus, já elaborada que exploraram e desenvolveram as categorias clássicas
por Platão, Aristóteles e Plotino, embora de modos dife- para refletir sobre a teologia (natureza de Deus) e antropo-
rentes em cada um deles, foi essencial para a assimilação da logia (natureza humana), epistemologia (teoria do conhe-
filosofia grega na especulação religiosa cristã, em filósofos cimento), psicologia (teoria das faculdades da alma
como Santo Agostinho de Hipona e Santo Tomás de Aquino, humana) e a ética (teoria do bem humano e da felicidade).

A EPISTEMOLOGIA MODERNA juízos analíticos (a priori), que são formais e explicativos,


não acrescentando nenhum conhecimento novo, mas
apenas explicitando o conteúdo predicativo já presente no
sujeito; por exemplo, o triângulo tem três lados. Os juízos
analíticos se fundam nos princípios lógicos da identidade e
não-contradição, formando juízos de identidade que são
tautológicos, universais e necessários. Eles são apriorísticos
porque anteriores à experiência sensível.
po
Já os juízos sintéticos (a posteriori) são materiais e ex-
tensivos, pois aumentam o conhecimento pela união sin-
tética de elementos heterogêneos no sujeito e predicado;
por exemplo, o calor dilata os corpos. Esses juízos se
fundam na experiência sensível, particular e contingente.
Eles são a posteriori, posteriores à experiência sensível, por
dependerem do dado empírico fornecido pelos sentidos.
Para que não seja nem tautológica (como no caso dos
juízos analíticos), nem contingente (como no caso dos
juízos sintéticos em geral), a ciência precisa de juízos sin-
téticos a priori (baseados em intuição não sensível). Isso
em três âmbitos, (1) na Estética Transcendental, (2), na
A epistemologia moderna se concentra não tanto no Analítica Transcendental e (3) na Dialética Transcendental,
ser, como a ontologia clássica, mas no conhecer, no modo (1) A Estética Transcendental analisa as faculdade de
como acessamos a realidade. Partindo dos embates entre se ter percepções sensíveis. Nela, os juízos sintéticos a
racionalistas, como Descartes, Spinoza e Lebniz, e empiris- priori se baseiam nas formas puras de intuição, o tempo e
tas, como Locke, Berkeley e Hume, Kant concebe o projeto espaço. Esses juízos independem da experiência sensível,
do criticismo transcendental, buscando fundamentar a são formas de apreensão, condições de possibilidade do
ciência moderna, como a praticada por Isaac Newton, que conhecimento das coisas, ou seja a condição transcenden-
era o modelo de cientista moderno. tal para as coisas serem objeto de conhecimento. Eles se
A gnosiologia (ou epistemologia) parte da diferença baseiam nas formas de sensibilidade, da faculdade de ter
entre sujeito cognoscente e objeto conhecido, analisando percepções sensíveis;
as categorias do sujeito que permitem atingir o objeto. A (2) A Analítica Transcendental considera que a coisa
teoria do conhecimento de Kant parte da distinção entre em si (o númeno) escapa a possibilidade de conhecimento,

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 26


pois Kant considera que só podemos conhecer os como Bertrand Russel, que cultivavam o ideal matemático
fenômenos, isto é as coisas tais como se mostram à nossa de ciência. Por outro lado, a linguagem na sua dimensão
capacidade de percepção, que são constituídos pelas cate- poética, histórica e cultural motivava a fenomenologia de
gorias transcendentais do conhecimento; Martin Heidegger e sua filosofia da existência, que inspirou
(3) A Dialética Transcendental reflete sobre a impossi- muitos alunos e seguidores nas mais diversas áreas.
bilidade científica da metafísica, uma vez que ela não al-
cança juízos sintéticos a priori, ao lidar com os conceitos de
alma (síntese das vivências subjetivas), universo (síntese
das vivências objetivas) e Deus (síntese final e suprema).

Para falar de Deus e alma, deve-se apelar à


razão prática, à consciência moral, que
fundamenta a religião.

Com sua teoria altamente complexa e elaborada do co-


nhecimento, Kant inaugura uma rica tradição de filosofia
alemã, como os seus sucessores idealistas, Fichte, Hegel e
Schelling, até os seus críticos voluntaristas como
Schopenhauer e Nietzsche.

FILOSOFIA
CONTEMPORÂNEA
DA LINGUAGEM
A filosofia contemporânea é dominada pelo tema da
linguagem. É comum dividi-la na vertente continental (her-
menêutica) e peninsular (analítica), considerando a cisão
pós-kantiana entre positivismo e romantismo.
Os positivistas afirmam a objetividade e a verdade
das ciências particulares, reduzindo o escopo da filosofia
ao âmbito empírico e material da realidade, ao passo que
os românticos se voltam para a complexidade da subjetivi-
dade e da psicologia humana, enfocando-a também pela
história e pela cultura a que ela pertence.
Essas posturas filosóficas têm em comum uma crítica
da metafísica clássica, com sua demonstração da existência
de Deus e a proposição de uma ética normativa das vir-
tudes, como a da lei natural.
A linguagem do ponto de vista lógico motiva as investi-
gações de Wittgenstein e os membros do Círculo de Viena,

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 27


4 O FILÓSOFO E
O SEU AVESSO
CONCEITUAÇÃO DIALÉTICA
A filosofia é a arte da conceituação, o esforço intelectual de usar temos adequados para definir as realidades. Isso se dá
pela dialética, pela confrontação de entes parecidos. Para formação de um conceito, Aristóteles busca o seu gênero comum
e a sua diferença específica. Ou seja, para compreendermos alguma coisa, precisamos aproximá-la de algo semelhante e
depois divisar o que ela tem de particular.
Assim, dizemos que o homem é um animal racional. Ele é tão animal quanto um cão, porque nasce e morre, tem vida
sensível e se movimenta. O homem pertence ao gênero comum dos animais. Mas há animais irracionais (como o cão) e racio-
nais (como homens). O homem também é um animal político, porque não apenas convive, mas forma uma organização
política baseada nas palavras e nas leis.

O CÃO E O LOBO
meias verdades ou quase-verdades. Seu objetivo é apenas
convencer, pela verossimilhança, e não conhecer o mundo
tal como ele é.

Os diálogos de Platão são uma tentativa


de explicar a fisionomia do filósofo em
confrontação dialética com os poetas e
os sofistas,

que gozavam de grande prestígio na cultura grega do seu


tempo, amante de recitações poéticas e discursos en-
comiásticos de toda natureza, na religião, na política e nos
banquetes festivos.
A distinção fundamental é que o filósofo ama a ver-
O filósofo é um intelectual, alguém que desempenha dade, o ser, e não o espetáculo, o aparecer e a persuasão.
a atividade do pensamento, mas certamente não é o único O filósofo busca a essência das coisas, sem se contentar
que faz isso. Como há outros tipos de intelectuais, Platão com as aparências sensíveis e as convenções tradicionais.
precisou distinguir o filósofo (cujo modelo fundamental é Uma distinção epistemológica desponta dessa dialética: o
Sócrates, o protagonista dos seus diálogos) dos poetas e amor à sabedoria contraposta ao amor à opinião (sofistas)
dos retóricos. ou ao espetáculo (poetas).
A distinção entre filósofo e sofistas é estrutural na fi-
losofia, pois é fácil confundi-los, como é fácil confundir, de
Sofistas e poetas não estão compromissados
noite, o cão e o lobo, como lembra Platão num diálogo
com a verdade, mas com a persuasão ou a
chamado exatamente Sofista. Na verdade, o cão é uma es-
beleza.
pécie de lobo domesticado, em quem se pode confiar e não
discerni-lo é demasiado arriscado.
Os sofistas eram os famosos professores de retórica Um argumento pode ser persuasivo e mesmo belo, mas
que viajam pela cidades helênicas ministrando aulas e falso. A filosofia afirma o critério intelectual e científico
preleções, ensinando a arte de persuasão verbal. Além da para aferir a verdade de algo, independente da populari-
retórica, os sofistas exploravam, argutamente, a gramática dade, da beleza ou das impressões subjetivas. No plano
(estrutura da língua) e a lógica (estrutura do raciocínio), ontológico, trata-se da distinção entre ser e parecer, que se
mas Platão percebeu que eles argumentam por falá- incorporou à sabedoria popular pelo provérbio “nem tudo
cias,que são raciocínios falsos, imprecisos, aproximativos, o que parece é”.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 29


FILOSOFIA E ANTIFILOSOFIAS
A partir dessa distinção fundamental entre filosofia e sofística, deve-se atentar às formas intelectuais concorrentes, as
antifilosofias que tendem a neutralizar a dimensão pedagógica e cognitiva da filosofia, apelando para formas variadas de
ceticismo e relativismo.
O filósofo tem um desejo sincero de educar seus alunos e discípulos, contribuindo para a formação humana e por con-
seguinte para a sociedade, a partir de um compromisso epistemológico com a verdade, que deve ser distinguida da falsi-
dade e da aparência.
Afirmar, dogmaticamente, que não é possível alcançar a verdade da coisas (ceticismo), ou a verdade não existe e que
tudo depende de uma perspectiva pessoal, cultural ou histórica (relativismo) neutraliza a atividade filosófica, confundindo-a
com uma retórica ou ideologia.
O resultado da negação de uma verdade a ser conhecida é a redução da inteligência a uma disputa retórica de poder
persuasivo, em que a filosofia se torna mais uma contendora numa disputa interminável de dominação.

Por isso, a filosofia deve se precaver e refutar os ceticismos


e relativismos,as sofísticas que sempre a assediam.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 30


PHYSIS E NOMOS
Nos diálogos Teeteto e Protágoras, Platão refere-se à afir-
mação deste último sofista de que “o homem é a medida
de todas as coisas”. Com isso, cada homem veria o mundo
de acordo com as suas próprias lentes, não havendo uma
verdade universal e objetiva, válida para todos eles.
Essa tendência intelectual se reflete no relativismo
pós-moderno de autores como Foucault, Derrida, Rorty e
Vattimo, que considera tudo dependente da linguagem, da
cultura ou da história, demitindo a possibilidade de se al-
cançar uma verdade objetiva na ética, estética ou política.

A afirmação de “tudo é relativo” integra o


senso comum atual, sendo uma afirmação
antifilosófica e autocontraditória.

A filosofia nasce da interseção dialética entre duas


tendências intelectuais vigentes na época de Platão, que Mas, na época de Platão, havia também os intelectu-
ele incorporou num impressionante gesto de síntese. Tra- ais que investigavam a natureza (physis), buscando as suas
ta-se da investigação sobre a natureza (physis) e sobre a causas fundamentais, o princípio divino que a estruturava
lei e costumes humanos (nomos). e animava. Trata-se da intuição de que o mundo é uma
Como a nossa era é ao mesmo tempo positivista e re- ordem (cosmos), que é regida por leis que podem ser con-
lativista, tendemos a considerar mutuamente excludentes hecidas, num ato conjunto dos sentidos e da inteligência.
a natureza (objetiva) e a cultura humana (subjetiva e Chamados de “pré-socráticos”, esses primeiros filóso-
histórica), soando autocontraditório o ideal clássico de uma fos naturalistas mobilizaram o vocabulário poético dis-
“lei natural” ou de uma “justiça por natureza”. ponível para articular os primeiros teoremas filosóficos,
Na perspectiva de Platão, os sofistas observavam que que foram aproveitados e desenvolvidos por Platão e
os costumes e as leis sociais variavam de cidade para Aristóteles, e seus sucessores.
cidade, concluindo que não há meios para superar esse re-
lativismo,
lativism que não se pode julgar uma ética por outra.

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 31


A DIALÉTICA FILOSÓFICA
O resultado dessa síntese platônica de buscar uma No século XIX, Nietzsche percebeu que toda a filosofia
verdade sobre a natureza e sobre o homem implica o ocidental se baseava neste tipo de dialética e que o cris-
reconhecimento de uma dialética estrutural (não necessari- tianismo a perpetuara na estrutura carne e espírito, e terra
amente um dualismo dicotômico) entre os que nós e céu. Para tentar superá-la, ele propôs uma ética para
chamamos de ciências da natureza (como física, química, além do bem e do mal, e uma negação da função intelectu-
biologia e astronomia) e ciências humanas (como sociolo- al e moral tradicionalmente atribuída à alma em relação ao
gia, economia, antropologia e direito). corpo.
Essa dualidade estrutural também se reflete em vários
pares dialéticos, cujo equacionamento e relação com os Admirador dos sofistas, Nietzsche
demais caracterizam as várias respostas filosóficas ao de- inaugura uma robusta antifilosofia no
safio platônico fundamental: nosso tempo, criticando veemente o
1. Corpo e alma; projeto filosófico como um todo,
2. Desejo e vontade;
3. Âmbito sensível (o que pode ser experimentado
pelos cinco órgãos dos sentidos corporais) e in- ao mesmo tempo que se envolve profundamente nas
teligível(o que pode ser pensado); questões filosóficas mais importantes, sobre a verdade, a
4. Opinião e ciência; bondade e a beleza.
5. Imanência e transcendência;
6. Pluralidade e unidade;
7. Substância e acidente;
8. Tempo e eternidade;
9. Mal e bem;
10. Caos e ordem.

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5 GUIA DE
LEITURAS
PEQUENAS INTRODUÇÕES DIDÁTICAS
As editoras Paulus e Loyola têm um catálogo relevante de filosofia, contando com duas coleções de volumes pequenos
e acessíveis, que permitem dar os primeiros passos na filosofia.

COLEÇÃO LEITURAS FILOSÓFICAS


DA EDITORA LOYOLA
1. AUBENQUE, Pierre. Desconstruir a metafísica? São Paulo: Loyola, 2012.
2. BERTI, Enrico. Convite à filosofia. São Paulo: Loyola, 2013.
3. BRAGUE, Rémi. Âncoras no céu. A infraestrutura metafísica. São Paulo: Loyola, 2013.
4. DUHOT, Jean-Joël, Sócrates ou o despertar da consciência. São Paulo: Loyola, 2004.
5. HADOT, Pierre, O que é a filosofia antiga?, São Paulo, Loyola, 1999.
6. HADOT, Pierre, Elogio da filosofia antiga. São Paulo, Loyola, 2012.
7. HADOT, Pierre, Elogio de Sócrates. São Paulo, Loyola, 2012.
8. MARITAIN, Jacques. Sete lições sobre o ser. São Paulo: Loyola, 2005.
9. PIEPER, Josef. Que é filosofar? São Paulo: Loyola, 2007.
10. PORTA, Mario Ariel González. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Loyola, 2002.

COLEÇÃO COMO LER FILOSOFIA


DA EDITORA PAULUS
1. BLANK, Renold. Encontrar sentido na vida: Propostas filosóficas. São Paulo: Paulus, 2008.
2. BOTTER, Barbara. Fazer filosofia. Aprendendo a pensar com os primeiros filósofos. São Paulo: Paulus, 2013.
3. CASERTANO, Giovanni. Uma introdução à República de Platão. São Paulo: Paulus, 2011.
4. TEIXEIRA, João de Fernandes. Por que estudar filosofia? São Paulo: Paulus, 2016.
5. NASCIMENTO, Carlos Arthur Ribeiro do. Um Mestre no Ofício: Tomás de Aquino. São Paulo: Paulus, 2011.

INTRODUÇÕES GERAIS
1. ALBERT, Karl. Platonismo. Caminho e essência do filosofar ocidental. São Paulo: Loyola, 2011.
2. • BARZOTTO, Luis Fernando. Filosofia do direito. Os conceitos fundamentais e a tradição jusnatualista. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010.
3. MARCONDES, Danilo; FRANCO, Irley. A Filosofia. O que é? Para que serve? Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar; PUC-RJ, 2011.
4. MORENTE, Gabriel Garcia. Lições preliminares de filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
5. • MELENDO, Tomas, Iniciação à filosofia. Razão, fé e verdade, São Paulo, Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência ‘Rai
mundo Lúlio’, 2005, p. 32.
6. NUNES, Benedito. ‘O fazer filosófico ou oralidade e escrita em filosofia’. In: Ensaios filosóficos. Organização e apre
sentação Victor Sales Pinheiro. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
7. PINHEIRO, Victor Sales. A crise da cultura e a ordem do amor. Ensaios filosóficos. São Paulo: É Realizações, 2021.
8. • ROBINET, François, O tempo do pensamento, São Paulo, Paulus, 2004.
9. ROOCHINIK, David. Pensar filosoficamente – Uma introdução aos grandes debates. São Paulo: Loyola, 2018.
10. SERTILLANGES, Antonin-Glibert, A vida intelectual – Seu espírito, suas condições, seus métodos. São Paulo, É Rea-
lizações, 2010.
11. SCIACCA, Michele Federico. Filosofia e antifilosofia. São Paulo: É Realizações, 2011.
12. VOEGELIN, Eric. Ciência, política e gnose, Coimbra, Ariadne, 2005.

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ENCICLOPÉDIAS
A editora Ideias & Letras tem traduzido os importantes Companions da Universidade de Cambridge, que são compila-
dos de artigos acadêmicos de especialistas sobre temas (como Filosofia medieval, Ciência e Religião e Filosofia crítica) ou au-
tores (como Primórdios da Filosofia grega, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino Agostinho, Aquino, Scotus, Descartes, Spino-
za, Hobbes, Locke, Kant, Hegel, Nietzsche, Freud, Foucault e James). Todos eles são valiosos e retratam o estado da arte da
pesquisa acadêmica sobre o assunto, com suas múltiplas interpretações.

DICIONÁRIO
ABBAGNO, Nicolas. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

HISTÓRIA DA FILOSOFIA
1. MARIAS, Julian. História da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
2. MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
3. REALE, Giovani; ANTISERI, Dario. História da filosofia. 3 vols. São Paulo: Loyola, 2017.
4. WEISCHEDEL, Wilhelm. A escada dos fundos da filosofia. A vida cotidiana e a o pensamento de 34 grandes filósofos.
São Paulo: Angra, 2001.

EM INGLÊS
1. KREEFT, Peter, The platonic tradition, Indiana, St. Augustine Press, 2018.
2. KREEFT, Peter, The philosophy of Thomas Aquinas, Maryland, Recorded Books, 2009.
3. KREEFT, Peter, Summa Philosophica. Indiana: St. Augustine´s Press, 2012.
4. KREEFT, Peter, Socratic Logic. A logic text using socratic method, platonic questions and aristotelian principles.
Indiana: Augustine, 2014.

OS CLÁSSICOS
Estas obras permitem o mergulho efetivo na filosofia. Ainda que não sejam plenamente entendidas, merecem ser lidas
e estudadas com calma e dedicação.
Ao procurar as edições dos próprios filósofos, nem sempre disponíveis em português, prefira as editoras universitárias
(como a Ed. UFPA, no caso de Platão, Ed. UNESP, no caso de Aristóteles, Descartes, Hume e Schopenhauer, e Ed. UNICAMP,
no caso de Heidegger), assim como editoras consolidadas como a Martins Fontes, no caso de Aristóteles, Hobbes e Kant,
Companhia das Letras, no caso de Nietzsche e Freud, Loyola, no caso de Aristóteles e Tomás de Aquino, e É Realizações e
Vide Editorial, no caso Santo Agostinho.
Não há tradução perfeita e nem é imprescindível saber a língua original do filósofo, embora isso seja muito recomenda-
do no aprofundamento do estudo.

1. Pré-socráticos (sobretudo Heráclito e Parmênides), Fragmentos


2. Platão, República, Banquete, Fédon e Apologia
3. Aristóteles, Ética a Nicômaco e Metafísica
4. Plotino, Enéadas
5. Santo Agostinho, Confissões e O livre-arbítrio
6. Boécio, Consolação da filosofia
7. Santo Anselmo, Proslogion
8. Santo Tomás de Aquino, Suma teológica e Suma contra os gentios

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 35


9. Descartes, Discurso do método e Meditações
10. Pascal, Pensamentos
11. Hobbes, O leviatã
12. Hume, Tratado da natureza humana
13. Rousseau, O contrato social e Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens
14. Kant, Crítica da razão pura e Fundamentação da metafísica dos costumes
15. Hegel, Fenomenologia do espírito
16. Nietzsche, Gaia ciência, Assim falou Zaratustra e Para além do bem e do mal
17. Kierkegaard, Ou ou
18. Husserl, A crise das ciências e a fenomenologia transcendental
19. Sartre, O existencialismo é um humanismo
20. Heidegger, Ser e tempo
21. Voegelin, Reflexões autobiográficas
22. Chesterton, Ortodoxia

Victor Sales Pinheiro - Introdução à Filosofia 36


Victor Sales Pinheiro

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