Você está na página 1de 11

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS – UEMG

UNIDADE ITUIUTABA
Curso: Psicologia
Disciplina: Leitura e Produção de Textos
Docente: Drª Leila Maria Franco

CONCETOS FUNDAMENTAIS

1.LINGUAGEM
- A capacidade universal específica à espécie humana de comunicar por meio de um
sistema de signos vocais (língua) e supõe a existência de uma função simbólica e de
centros nervosos, geneticamente especializados (DUBOIS, 1983, p. 387).
- As línguas naturais são manifestações de algo mais geral, a linguagem. Portanto, a
linguagem se realiza na língua (BORBA, 1973, p. 64).

2. LÍNGUA
-A língua é um objeto unificado e suscetível de classificação. A língua é uma parte
essencial da linguagem, “é um produto social da faculdade da linguagem e um
conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social (grupo social) para
permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (SAUSSURE, 1969, p.17).
-Um instrumento de comunicação. Um fato social porque pertence a todos os
membros de uma comunidade, é exterior ao indivíduo, e esse, de fato, não pode nem
criá-la nem modificá-la. No entanto, a língua não escapa à influência do indivíduo.
- A língua tem sempre possibilidade de fixação e sistematização em dicionários e
gramáticas. É um patrimônio extenso e ninguém a possui na sua totalidade.
-As línguas se transformam pela ação do tempo. Toda mudança linguística começa
com o falante, principal responsável por ela.
-O dinamismo da língua se deve à fala (ao uso).

3. FALA
-É a realização individual da língua, torna-se flutuante e varia, pois muda de
indivíduo para indivíduo, de situação para situação. Resulta das comunicações feitas
pelo sujeito falante, utilizando-se o código da língua. Expressa-se pelos mecanismos
psicofísicos (atos de fonação) necessários à produção dessas comunicações.

4. Modalidade oral e escrita da língua: Diferenças

LÍNGUA FALADA LÍNGUA ESCRITA


Interação face a face; Interação à distância (espaço-temporal);
Planejamento simultâneo ou quase Planejamento anterior à produção;
simultâneo à produção (pouco tempo
para planejamento);
Criação coletiva ; administrada passo a Criação individual;
passo;
Impossibilidade de apagamento; Possibilidade de revisão;
Sem condições de consulta a outros Livre consulta;
textos;
A reformulação pode ser promovida A reformulação é promovida apenas pelo
tanto pelo falante como pelo escritor;
interlocutor;
Acesso imediato às reações do Sem possibilidade de acesso imediato;
interlocutor;
O falante pode processar o texto, O escritor pode processar o texto a partir
relacionando-o a partir das reações do das possíveis reações do leitor;
interlocutor;
O texto mostra todo o seu processo de O texto tende a esconder o seu processo de
criação (caracterizado por falsos criação, mostrando apenas o resultado
começos, relatos incompletos, ( repositório de traços linguísticos
repetições e pausas vozeadas, tom, estabilizados). Usa-se os sinais de pontuação
timbre, entonação, ênfase, ritmo). Há o para mostrar os limites das unidades de
parcelamento da informação em ideias;
sequências: unidades de ideias;
Estrutura simples ou desestruturada, Estrutura complexa, formal e abstrata,
informal, concreta e dependente do independente do contexto , pois o produtor
contexto; do texto está isolado do seu público tanto
espacialmente quanto temporalmente;
Utilizada mais frequentemente em Serve ao trabalho intelectual no registro de
contatos sociais, para o fatos, ideias e armazenamento de
estabelecimento e a manutenção das informações.
relações humanas.
Exemplo:
Texto Oral
Texto (a)
L1 escuta... vai pintar um show com Marisa Montes amanhã na PRAia cara...
vamos? (( animado ))
L2 onde? (( sem muito interesse))
L1 lá no Boqueirão...
L2 amanhã? (( já com ar de impossibilidade))
L1 é: vamos embora logo cedo?
L2 não da cara... tô cheio de serviço até a cabe::ça...
L1 ah::: faz o possível pra dar conta pelo menos até a hora do almo::co (( meio
indignado))
L2 mas tá choven::do... (( eles iriam de moto))
L1 qual é cara? No Ano Novo eu desci na maior CHUva e lá faz bem... chuva dá
SO::Rte cara... vamos lá...
L2 vou pensar...
L1 tá bom mas ó... dá um je::ito, vamos lá:: você só traba::lha... Qual é?

Texto (b)
Texto Escrito

Convidei um amigo para ir à praia do Boqueirão, de moto, assistir ao show de


Marisa Montes que iria aconteceria durante as comemorações de aniversário de São
Paulo. Ele não aceitou o convite de imediato, alegando que estava com muito
serviço. Fiquei indignado e pedi que ele fizesse o possível para dar conta até a hora
do almoço, mas ele arrumou outra desculpa: a de que estava chovendo.
Comentei com ele que no Ano Novo eu tinha ido com chuva e que lá estava
um sol tão bom que até deu para aproveitar a praia; além disso, disse-lhe que
chuva fazia bem e que dava sorte, mas ele, ainda assim, disse que iria pensar.
Tem gente que é complicada!

Ainda assim = mesmo assim/ apesar disso

No estudo da língua não há como separar a heterogeneidade linguística da


heterogeneidade social, pois língua e sociedade são indissoluvelmente entrelaçadas,
uma influenciando a outra. Nesse sentido, à diversidade linguística, reserve-se o
nome de variedades linguísticas (ALCKMIN, 2001), uma vez que qualquer língua
exibe sempre variações, qualquer língua é representada por um conjunto de variedades,
uma vez que língua e variação são inseparáveis. A língua só pode ser vista como um
conjunto sistemático, mas intrinsicamente heterogênea, aberta, múltipla, móvel,
variável e está sempre em construção e reconstrução (Assistiu ao filme/ Assistiu o
filme)/ (A gente depois combina/ A gente podemos combinar/ Nós podemos combinar):
um conjunto de falares regulado por comunidades de falantes. É um processo, um
fazer-se permanente e nunca concluído/ acabado; uma atividade social, um trabalho
coletivo, empreendido por todos os falantes.

Nós trabalhamos = Norma-padrão/ culta/ Formal ( Gramáticas Normativas/


Literatura) = Sistema Homogêneo/ uniforme

Nóis trabalha
Nóis trabaia
A gente trabalha
A gente trabalhamos = Variações Linguísticas = Várias possibilidades de uso
A gente trampa Sistema Heterogêneo
Nóis trampa
Nós trabalhamos

LÍNGUA

VOCÊ (TU/VÓS/ Ele/ ELA)= Pronome Pessoal

ELE= Pronome Pessoal/ sujeito


/0/A/O/OS/AS

MARIA COMPROU O LIVRO


ELE (objeto)
O
ELE = PRONOME PESSOAS= SUJEITO

Nesse sentido, o que temos é uma realidade linguística composta de dois grandes
polos (BAGNO, 2007), a saber:
1.A norma padrão
Constitui o português “correto”: tudo que foge à norma
Gramática/ representa um erro. É o resultado de uma atitude social, um
Dicionários/ modelo idealizado ante a língua, que se traduz de um lado,
Clássicos da
pela seleção de um dos modos de falar entre os vários
Literatura/ existentes na comunidade e, de outro, pelo estabelecimento de
Literatura um conjunto de normas que definem o modo correto de
Especializada falar.
( Direito) É um produto cultural, modelo artificial de língua, criado
para neutralizar os efeitos da variação e server de modelo
Argumento de adequado, correto e conveniente de comportamentos
Competência linguísticos, considerados adequados, corretos e convenientes.
Linguística Exemplos:
Isto é para eu fazer
O projeto visa ao desenvolvimento das competências
cognitivas.
Cheguei ao Tribunal de Contas.
Aqui se pode viver tranquilamente.
2. A variação A língua em seu estado permanente de transformação, de
linguística fluidez, de instabilidade. Dizer que a língua apresenta variação
significa dizer que ela é heterogênea, o que se manifesta em
todos os níveis da língua, a saber:
-Variação fonética-fonológica: a alternância entre qualquer
pronúncia de [r] e sua ausência, como nas formas infinitivas
( falá, come).
-Variação morfológica: a alternância de sufixos derivacionais:
salaminho, salamito, pegajoso, peguento.
-Variação sintática: O filme a que me referi é muito bom/O
filme que me referi é muito bom/O filme que me referi a ele é
muito bom
-Variação semântica: Vexame significa vergonha/pressa,
dependendo da origem regional do falante.
-Variação lexical: Campo da alimentação: (abóbora, jerimum;
bergamota (ou vergamota), tangerina, laranja-cravo, mimosa;
mandioca, aipim, macaxeira; pão francês, pão de trigo,
cacetinho; polenta, angu.
-Variação estilístico-pragmática: Depende do grau maior ou
menor de intimidade e /ou formalismo ( Queiram se sentar, por
favor/ Vamo sentano ai, galera.)

5.Tipos de Variação Linguística


1.Variação Dialetal: Variações em função das pessoas que usam a língua

Adaptado de Travaglia (1997)


Variação A variação geográfica: Também chamada de variação regional ou
na diatópica (do grego dia = através de; topos = lugar), a variação
dimensão geográfica tem a ver com as diferenças linguísticas observáveis entre
territorial falantes oriundos de regiões distintas de um mesmo país ou oriundos de
ou diferentes países. Representa a variação que ocorre entre pessoas de
geográfic diferentes regiões em que se fala a mesma língua, em função das
a influências que cada região sofreu durante a sua ocupação,
polarizada em termos políticos, econômicos e culturais. O falante
desenvolve um comportamento linguístico comum que os identifica e
distingue, no plano fonético, no plano léxico e no plano sintático.
Podemos observar diferenças tanto entre o português de além-mar –
falado na Europa (Portugal, Açores, Madeira), na África (Angola,
Moçambique, Guiné Bissau) e na Ásia (Goa, Macau) – e o português do
Brasil, como entre os falares das várias regiões do Brasil (sul e nordeste,
por exemplo). As variedades do português faladas em Portugal e no
Brasil são inúmeras, como podemos observar a seguir:

a) Português de Portugal:
(i) construções aspectuais como estava a brincar;
(ii) uso frequente de pronomes clíticos como em Eu vi-o na rua (para se
referir a uma terceira pessoa);
(iii) uso predominante de ênclise como em Diga-me uma coisa;
(iv) emprego do verbo haver no sentido de existir como em Há fogo
naquela casa.
(iv) a colocação de advérbios como em Lá não vou ( Portugal)
b) Português do Brasil:
(i) construções aspectuais como estava brincando;
(ii) uso predominante de objeto nulo (ou de pronome tônico) em lugar
do clítico, como Eu vi Ø na rua e Eu vi ele na rua (para se referir a uma
terceira pessoa);
(iii) uso predominante de próclise como em Me diga uma coisa;
(iv) emprego do verbo ter (ao invés de haver) no sentido de existir como
em Tem fogo naquela casa.
(iv) a colocação de advérbios como em Não vou lá ( Brasil).
Variação Também conhecida como variação diastrática - está relacionada a
na fatores referentes à organização socioeconômica e cultural da
dimensão comunidade. Entram em jogo fatores como a classe social, a idade, o
social grau de escolaridade, a profissão do indivíduo. Considera como
variedades dialetais de natureza social os jargões profissionais ou de
determinadas classes sociais bem definidas como grupos ( linguagem
dos artistas, dos militares, dos médicos, dos marginais, da classe social
alta ( economicamente e politicamente), favelados, etc.). A gíria,
definida como forma própria de utilização da língua por um grupo social
o qual se identifica por esse uso da língua e se protege do entendimento
por outros grupos, pode ser considerada como uma forma de dialeto
social. Ao usar gírias, exclui-se, pela linguagem, aqueles que não fazem
parte do grupo. Os dialetos sociais exercem na sociedade um papel de
identificação grupal, isto é, o grupo ganha identidade pela linguagem.
Isso com frequência tem implicações políticas, quando os grupos
querem se opor e marcar a participação e integração das pessoas nas
lutas, ideias e reivindicações dos grupos. Exemplos:
São exemplos típicos de variação social
(i) a vocalização do -lh- > -i- como em mulher/muié;
(ii) a rotacização do -l- > -r- em encontros consonantais como em
blusa/brusa;
(iii) a assimilação do –nd- > -n> como em cantando/cantano;
(iv)a concordância verbal como em os meninos saíram cedo/ os menino
saiu cedo.
(v) dupla negação: ninguém não viu; eu nem num gosto)
(vi) __E aí, truta! Firmeza?
__Só, eu tô na boa, choque, e você?
__Na moral, Tô ligado, o Amaral me contou que ela tá indo pela ordi lá
com o esquema.
__É, o bagulho virou bem, se pá nóis vamo contrata ao Panetone, isso é,
se o bagulho dele com o futebol num virá.
__ Firmeza, o esquema é esse; afinal, como diz o crente, “Se Deus é por
nóis, quem será contra nóis.”(FERRÉZ,2000)
(vii) Esse jargão carcerário, em especial se origina quase sempre de
palavras do cotidiano dos presidiários submetidas à necessidade de
comunicação. [...] Vários são os exemplos desse processo, mas
destacam-se os ligados às drogas. Quanto à maconha, encontram-se “a
boa” (de boa qualidade), “bagulho” (a de qualidade ruim, mas que pode
também significar apenas a droga, por esvaziamento de sentido),
“beque” (quando já vem no formato de cigarro), entre diversas formas
como “fino”, “haxixe”, “lasca”, “pepita”, “tarugo”, “tablete”, “tijolo”, e
outras. Em relação à cocaína não é diferente: “batizada”, “brilho”,
“brizola, “brize”, “farinha”, “poeira”, “sal”, “jesus” (BORTONI, 2016)

Variação Representa estágios no desenvolvimento da língua.


na
dimensão
da
geração
ou
histórica

Huma fruita se dá nesta terra do Brasil muito saborosa, e mais prezada


de quantas ha. Cria-se numa planta humilde junto do chão, a qual tem
humas pencas como cardo, a fruita della nasce como alcachofras e
parecem naturalmente pinhas, e são do mesmo tamanho, chamão-lhes
Ananazes, e depois de maduros tém hum cheiro muito excellente,
colhem-nos como são de vez, e com huma faca tirão-lhes aquella casca
grossa e fazem-nos em talhadas e desta maneira se comem, excedem no
gosto a quantas fruitas há neste Reino, e fazem todos tanto por esta
fruita, que mandão plantar roças della, como de cardaes: a este nosso
Reino trazem muitos destes ananases em conversa.
( Pero de Magalhães de Cândavo, 1572)

Português= portuguêis (USOS)

2.Variação de Registro: Variações em função do uso que se faz da língua. Também


chamadas de variações de registro).
Chamada também de variação contextual, manifesta-se nas diferentes situações
comunicativas no nosso dia-a-dia. Em contextos socioculturais que exigem maior
formalidade, usamos uma linguagem mais cuidada e elaborada – o registro formal; em
situações familiares e informais, usamos uma linguagem coloquial – o registro informal.
Mas, o que observamos na prática é que as situações cotidianas de interação são
permeadas por diferentes graus de formalidade, mais do que por uma oposição
polarizada. A variação de registro é regulada pelos domínios em que se dão as
práticas sociais (escola, igreja, lar, trabalho, clube...), pelos papéis sociais envolvidos
(professor-aluno, pai-filho, patrão-empregado...), pelo tópico (religião, esporte,
brincadeiras, ...). Essa variação será maior ou menor dependendo desses fatores. Um
exemplo é encontrado no trabalho de Arduin (2005), ao estudar a variação entre os
pronomes possessivos teu(s) e seu(s), a partir de amostras de fala da região Sul (projeto
VARSUL). Ela mostra que nas relações assimétricas de inferior para superior a
forma teu é desfavorecida (apenas 44%) e a forma seu é a mais frequente, indicando um
maior distanciamento entre os interlocutores, como se fosse uma forma de respeito.
As especificidades de fala e de escrita nas quais ocorrem essas variações originam
assim diferentes níveis de linguagem, que variam de acordo com o arranjo que se dá à
sintaxe, ao vocabulário e à pronúncia. Assim, dependendo da situação de interlocução e
da intenção do discurso, o falante/escrevente poderá fazer uso de diferentes níveis de
linguagem. Portanto, em relação aos níveis, a linguagem pode assumir vários níveis
tanto na modalidade oral quanto na modalidade escrita. Vejamos os diferentes níveis
abaixo:

Linguagem familiar Corresponde a um nível menos formal,


mais cotidiano da língua. O vocabulário
obedece relativamente às normas
gramaticais. Utiliza-se esse nível de
linguagem nos gêneros oriundos de
situações mais informais, como as
conversas familiares ou com amigos, em
cartas familiares, bilhetes, entre outros.
Linguagem comum Emprega um conjunto de palavras,
expressões e construções mais usuais,
com uma sintaxe acessível ao leitor
comum, ou seja, é simples, mas segue a
norma padrão da língua escrita. É usada
em jornais, artigos de opinião, editoriais,
revistas, anúncios publicitários,
noticiários.
Linguagem popular Apresenta desvios da linguagem padrão.
Nível informal Caracteriza-se pelo excesso de gírias,
onomatopeias, clichês e formas
linguísticas que não atendem ao modelo
padrão, como por exemplo, dotôra
(doutora), cabôco (caboclo), cantadô
(cantador), trôxe (trouxe), papé ( papel).
Linguagem cuidada Usa um vocabulário mais preciso e raro,
Nível culto/ formal com uma sintaxe mais elaborada que a
linguagem comum. Emprega-se em
Argumento de Competência cartas comerciais, editais, artigos
Linguística científicos, correspondências oficiais,
LITERATURA, entre outros gêneros.
Linguagem oratória Cultiva os efeitos sintáticos, rítmicos e
sonoros, também usa imagens. Utiliza-se
esse nível de linguagem em sermões,
tribunal de júri.

6.TEXTO (COSTA VAL, 1998)

Os estudos sobre texto foram motivados pela Linguística Textual (MARCUSCHI,


(1983), KOCH (1990) e BENTES (2001) ao partir da premissa que a língua não
funciona e nem se dá em unidades isoladas, tais como fonemas, morfemas ou palavras
soltas, mas sim em unidades maiores, ou seja, por textos, sejam eles orais ou escritos.
Isto quer dizer ue há um fenômeno linguístico que vai além da frase e constitui uma
unidade de sentido.
O texto, o resultado de uma ação linguística cujas fronteiras são em geral definidas
por seus vínculos com o mundo no qual ele surge e funciona, é uma unidade linguística
comunicativa básica, já que o que as pessoas têm a dizer umas às outras não são
palavras e nem frases isoladas, são textos. Assim, pode-se definir texto como ocorrência
linguística falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade
sociocomunicativa, semântica e formal. Um texto é uma unidade de linguagem em uso,
cumprindo uma função identificável num dado jogo de atuação sociocomunicativa.
Mais especificamente, segundo Cavalcante (2011), entende-se por texto toda e qualquer
unidade de linguagem dotada de sentidos, que realiza uma função comunicativa
destinada a certo grupo de pessoas, levando-se em consideração as especificações de
uso, a época e os aspectos culturais dos envolvidos no processo de produção textual.
Tem papel determinante em sua produção e recepção uma série de fatores
pragmáticos que contribuem para a construção de seu sentido e possibilitam que seja
reconhecido como um emprego normal da língua. São elementos desse processo as
peculiaridades de cada ato comunicativo, tais como: as intenções do produtor, o jogo de
imagens mentais que cada um dos interlocutores faz de si, do outro e do outro em
relação a si mesmo e ao tema do discurso.
Outra propriedade básica do texto é o fato de constituir uma unidade semântica que
precisa ser percebida pelo recebedor como um todo significativo.
Finalmente o texto caracteriza-se por sua unidade formal. Seus constituintes
linguísticos devem se mostrar reconhecidamente integrados, de modo a permitir que ele
seja percebido como um todo coeso. De acordo com o conceito adotado, um texto será
bem compreendido quando avaliado sob três aspectos:
- o pragmático – que tem a ver com seu funcionamento enquanto atuação informacional
e comunicativa.
-o semântico-conceitual – de que depende sua coerência (nexos conceituais).
-o formal – que diz respeito à sua coesão (nexos linguísticos).

6.1Textualidade
Chama-se textualidade ao conjunto de características que fazem com que um texto
seja um texto, e não apenas uma sequência de frases (BEAUGRANDE; DRESSLER,
1983). Esses estudiosos apontam sete fatores responsáveis pela textualidade de um
discurso qualquer, a saber: a coerência e a coesão, que se relacionam, respectivamente
com o material conceitual e linguístico do texto, e a intencionalidade, a informatividade,
e a intertextualidade, que têm a ver com os fatores pragmáticos (usos) envolvidos no
processo sociocomunicativo.

6.2Fatores de Textualidade
1. A intencionalidade ( para quê??)

Diz respeito à intenção do emissor de produzir uma manifestação linguística coesiva e


coerente, capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa determinada situação
comunicativa, ainda que essa intenção não se realize integralmente. A meta pode ser de
informar, impressionar, alarmar, convencer, pedir ou ofender. Abrange todas as
maneiras como os emissores usam textos para perseguir e realizar suas intenções
comunicativas.

2. A informatividade

Previsível= conhecido/ dado

Imprevisível= novo/ a conhecer

Trata-se do grau de previsibilidade da informação contida no texto. Um texto será


tanto menos informativo, quanto mais previsível ou esperada for a informação por ele
traduzida. Designa em que medida a informação contida no texto é esperada/não
esperada, previsível/ imprevisível. O texto será tanto menos informativo, quanto maior
a previsibilidade; e tanto mais informativo, quanto menor a previsibilidade. Assim, se
contiver apenas informação previsível ou redundante, seu grau de informatividade será
baixo ( O oceano é água); se contiver além da informação esperada ou previsível,
informação não previsível, terá um grau maior de informatividade ( O oceano é água,
mas ele se compõe, na verdade, de uma solução de gases e sais); se, por fim, toda a
informação de um texto for inesperada ou imprevisível, ele terá um grau máximo de
informatividade, podendo, à primeira vista, parecer incoerente por exigir do receptor um
grande esforço de decodificação ( O oceano é água. Na verdade, ele é constituído de
gases e sais.)

3. A intertextualidade: Argumentos de Autoridade

Segundo o autor......
Conforme
De acordo com.....
Para o autor
Com nos lembra

Todo dizer remete sempre a outro(s) dizer(es), ou, como afirma Barthes (1992, p.
291), que “cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados”.
Diz-se da presença de outro(s) texto(s) em uma produção escrita e depende muito do
conhecimento do leitor, do seu repertório de leitura. Assim, podemos depreender que a
intertextualidade ocorre quando, em um texto, está inserido outro texto (intertexto)
anteriormente produzido, que faz parte da memória social de uma coletividade (Koch;
Elias, 2015).

4.Situacionalidade:

(Contexto histórico-social) = história

Diz respeito à adequação do texto a uma situação comunicativa, ou seja, ao contexto.


O contexto sociocomunicativo ( o contexto sócio-político-cultural) é de extrema
importância para a construção da textualidade de um enunciado, pois pode definir o
sentido do discurso e orientar tanto a produção quanto a recepção do texto. Para Koch e
Travaglia (1990), é preciso, ao construir um texto, verificar o que é adequado àquela
situação específica: grau de formalidade, variedade dialetal, o tratamento dado ao tema,
o lugar e o momento da comunicação, as imagens recíprocas que os interlocutores
fazem uns dos outros, os papéis que desempenham, seus pontos de vista, enfim, todos
os dados situacionais que vão influir tanto na produção do texto, como na sua
compreensão.

Você também pode gostar