Você está na página 1de 22

Metodologia de

Ensino de Língua
Espanhola
Material Teórico
Metodologia ELE

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Geovana Gentili

Revisão Textual:
Profa. Dra. Katia Mello Rodrigues
Metodologia ELE

• A Gramática no Ensino de ELE

O curso de Metodologia do Ensino de Língua Espanhola tem


por objetivo propiciar o seu contato com as nomenclaturas e
os conceitos relacionados ao ensino de espanhol como língua
estrangeira em ambas as línguas, português e espanhol.
Consideramos fundamental que você tenha esse conhecimento,
pois, ao término de sua formação, você atuará na área do
ensino de língua estrangeira e o domínio desse conteúdo nas
duas línguas possibilitará uma melhor atuação profissional.

Lembramos que é fundamental que a leitura desses textos seja pausada e reflexiva. Nos
casos de dúvidas de vocabulário, não deixe de consultar os dicionários, como o da Real
Academia Española (www.rae.es) e o da língua portuguesa Michaelis UOL, caso seja
necessário (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php). Esse exercício ampliará
seus conhecimentos linguísticos e lhe familiarizará com o idioma em aprendizagem.
Ainda que a maior parte do conteúdo teórico a ser estudado esteja na apostila, não se esqueça
de que os demais recursos também oferecem informações complementares que também
serão tema para a avaliação. Realize os exercícios de sistematização e de aprofundamento e,
por meio do deles, avalie o seu aproveitamento no curso.
Em caso de dificuldades ou dúvidas, entre em contato com o seu tutor por meio da
Plataforma Blackboard.

5
Unidade: Metodologia ELE

Contextualização

Nesta unidade, falaremos a respeito da presença da gramática nas aulas de ELE. Para iniciar
nossa discussão sobre o tema, propomos que você consulte, no Diccionario de Términos Clave
en ELE, o termo gramática. Após a leitura da explicação dada pelo Instituto Cervantes, anote as
principais ideias e definições.

Diccionario de Términos Clave en ELE:


o http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/diccio_ele/diccionario/gramatica.htm

Atenção
A realização dessa leitura ajudará na compreensão das proposições seguintes.

Mas, antes de iniciarmos o texto teórico, responda: que tipo de educação escolar você
recebeu? Como foi o ensino da própria língua portuguesa? E o de língua estrangeira? De que
modo a gramática era abordada nessas aulas? Você – como aluno – se sentia interessado?
Gostava de participar dessas aulas?
As suas respostas servem de parâmetro para a reflexão: “que tipo de professor eu quero ser
e como ensinarei a meus alunos uma língua estrangeira”.

6
A Gramática no Ensino de ELE

Fonte: Thinkstock/Getty Images


Ensinar ou não a gramática ao estudante de língua estrangeira? Que postura o professor
deve adotar? Para tratar desse tema, na presente unidade dialogaremos com o artigo “¿Hay
que enseñar gramática a los estudiantes de una lengua extranjera?”, de Maximiliano
Cortés Moreno, da Universidade de Chang Jung (Taiwán), publicado na CAUCE - Revista
Internacional de Filología y su Didáctica, nº 28, em 2005. Este artigo está disponível na
página do Instituto Cervantes:

Explore
“¿Hay que enseñar gramática a los Estudiantes de una lengua extranjera?”:
http://cvc.cervantes.es/literatura/cauce/pdf/cauce28/cauce28_05.pdf

Em seu trabalho, Maximiliano Cortés Moreno nos convida a refletir sobre alguns aspectos
relacionados à gramática e ao processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira:

“¿tenemos que enseñar gramática a todos nuestros alumnos?, ¿por


qué?, ¿para qué?, ¿cuándo?, ¿cómo? [...] ¿Precisan nuestros alumnos
un conocimiento declarativo o un conocimiento instrumental de la
gramática? ¿o ambos?, ¿se puede aprender la gramática de la lengua
extranjera sin estudiarla?”

(CORTÉS MORENO, 2005, p. 89)

Todas essas questões são fundamentais para a nossa reflexão como professores de ELE e
fazê-las ao início de cada curso ou nova proposta profissional nos orientará por qual caminho
seguir com cada grupo de alunos. Sendo assim, a primeira reflexão deve ser: ¿Qué entendemos
por enseñar gramática?

7
Unidade: Metodologia ELE

Para tentar responder a essa pergunta é necessário, primeiramente, ter claro o que se entende
por gramática e, para tanto, Cortés Moreno retoma duas definições diferentes do termo: listado
de normas e sistema interiorizado. Vejamos cada uma delas nos quadros abaixo:

Glossário
“Listado de normas que elabora el gramático o el profesor, con el fin de enseñar la lengua
en cuestión; es lo que denominamos conocimiento declarativo. Tanto en el caso de la lengua
natal (Ll) como en el de la LE, suele adquirirse a través de un aprendizaje formal”.
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 92)

Glossário
“Sistema interiorizado que permite codificar y descodificar discurso oral o escrito en una
lengua; es lo que denominamos conocimiento instrumental. La base para su adquisición es la
interacción oral o escrita con otros usuarios de la lengua en situaciones de comunicación”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 92)

Por muitas vezes, os professores não têm em conta essas definições e o ensino da gramática
pode transformar-se em algo nada rendoso para os alunos de língua estrangeira. Daí a outra
questão: ¿Existe alguna evidencia que demuestre que enseñándoles teoría gramatical de la LE
los alumnos aprenderán su uso? ¿Qué relación existe entre la teoría gramatical y el uso de la
gramática? (CORTÉS MORENO, 2005, p. 93).
Maximiliano Cortés Moreno recorda que o primeiro passo na história da humanidade foi a
aparição das línguas naturais. Com o passar de anos e anos, os gramáticos encarregaram-se
de esquematizar essas línguas como um complexo esquema linguístico com lista de conceitos,
definições e regras. Para refletir sobre a validade do conhecimento desse complexo linguístico,
cheio de regras, normas, e conceitos, Cortés Moreno faz a seguinte pergunta, partindo de um
tema paralelo:

“¿aprender mecánica del automóvil garantiza que uno mejore en


la conducción de su coche? ¿El aprendizaje del solfeo nos capacita
automáticamente para tocar un instrumento musical? ¿Todos los
usuarios de ordenadores personales necesitamos aprender los
lenguajes empleados en la programación?”

(CORTÉS MORENO, 2005, p. 93)

Sabemos que a gramática, há muito tempo, ocupa um espaço destacado no ensino de línguas
estrangeiras e essa situação faz com que Cortés Moreno (2005, p. 93) faça a seguinte pergunta:
“¿por qué la mayoría de los profesores enseñamos gramática?” (CORTÉS MORENO, 2005,
p. 93). Ainda que a resposta seja de caráter pessoal, Cortés Moreno lembra que os alunos de
língua estrangeira apresentam certas expectativas e alguns sentem a necessidade de dominar
algumas normas e regras da língua em aprendizagem.

8
Essa situação faz com que o autor proponha outras duas questões:

¿Precisan nuestros alumnos un conocimiento declarativo de


la gramática?
¿Precisan nuestros alumnos un conocimiento instrumental
de la gramática?
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 96).

Por infelicidade, não existe uma resposta única e certa para essas questões, dado que a
perspectiva do ensino a ser ministrado dependerá do público, isto é, do tipo de aluno. Para
explicar essa variedade, Cortés Moreno dá como exemplo diferentes tipos de estudantes, a
necessidade de cada um deles e o tipo de ensino gramatical adequado para eles:

··Un veraneante asiduo de la Costa Brava. Le bastará con un cierto nivel


de conocimiento instrumental para comunicarse satisfactoriamente
en la recepción del camping, en el restaurante, en la discoteca, etc.,
aun cuando desconozca por completo la terminología gramatical -
subjuntivo, gerundio, predicativo, etc.-.
··Un lingüista que está llevando a cabo un estudio comparativo
de las lenguas indoeuropeas. Le bastará con un cierto nivel de
conocimiento declarativo.
··Un estudiante de Filología Hispánica que aspira a ser profesor de
español. Le hará falta tanto un conocimiento instrumental como
un conocimiento declarativo del modelo metalingüístico.

(CORTÉS MORENO, 2005, p. 96, grifo do autor)

Como notamos, cada tipo de aluno possui um objetivo ao estudar uma língua estrangeira
e, consequentemente, em razão desse objetivo, apresentará uma necessidade. Por esse motivo,
Cortés Moreno esclarece que:

“Lo primero que necesitamos saber los profesores de LE es si el


caso de nuestros alumnos tiene más que ver con el del veraneante,
con el del lingüista comparativo o con el del profesor, por seguir
con los ejemplos anteriores. Según cuál sea la situación de los
alumnos, enfocaremos la enseñanza en uno u otro sentido”

(CORTÉS MORENO, 2005, p. 96, grifo nosso)

9
Unidade: Metodologia ELE

Sendo assim, cabe ao professor de língua estrangeira analisar a necessidade de sua


turma e, de acordo com essa análise, escolher a melhor maneira de ensinar. Para atingir
seu objetivo de ensino, o professor pode valer-se do conocimiento declarativo ou do
conocimiento instrumental.

O primeiro tipo – conocimiento declarativo –, segundo o autor, é concebido como um meio,


como um reforço metalinguístico, que facilita a aquisição do conhecimento instrumental. Neste
caso, enquadram-se os linguistas. Já o segundo tipo – conocimiento instrumental – possibilita
que o aluno seja capaz de fazer um uso adequado e espontâneo da gramática.

Apesar dessas considerações, Cortés Moreno ainda questiona: ¿La instrucción formal de
la gramática es útil? Para tratar desse tema, ele recorre a diversos estudiosos (Fotos & Ellis,
1991: 606-607; Ellis, 1993: 97; Pienemann, 1989) e, deles, retira alguns dados que afirmam
a validade do ensino formal da gramática:

··Tiene una incidencia positiva, tanto en el ritmo de aprendizaje de


la LE como en el nivel de consecución a largo plazo.
··Los aprendientes pueden beneficiarse de ella solo si está adaptada
a su etapa actual de interlengua.
··Lo ideal es que vaya acompañada de oportunidades para la
comunicación real.
··Desarrolla el conocimiento explícito de aspectos gramaticales, y
éste contribuye a la construcción del conocimiento implícito.
··Proporcionan oportunidades de interacción (p. ej., sobre un
aspecto gramatical determinado), que contribuyen directamente
a la construcción del conocimiento implícito.

(CORTÉS MORENO, 2005, p. 98, grifos do autor)

Apesar desses aspectos positivos, Cortés Moreno ressalta que mesmo que os alunos
aprendam as regras e façam bem alguns exercícios de gramática, isso não garante que eles a
apliquem corretamente em sala de aula e muito menos fora dela. Por isso, “para el desarrollo
de la fluidez, abogamos por una auténtica práctica oral y escrita en la LE” (CORTÉS MORENO,
2005, p. 98).

Outro tópico abordado por Cortés Moreno é o do ensino explícito da gramática como uma
faca de dois gumes. De acordo com o autor, qualquer aluno de uma língua, seja da língua
materna ou da estrangeira, constrói suas próprias regras, formula hipóteses e as põe em
prática. Porém, certas vezes, o aluno não encontra sozinho a solução para as suas dúvidas;
é, neste momento, depois da busca feita pelo aluno, que o professor e o livro de gramática
desempenham um papel decisivo. Desse modo, o ensino explícito da gramática torna-se uma
via que auxilia os alunos na configuração do sistema gramatical.

10
Defendendo essa abordagem educativa, Cortés Moreno (2005, p. 99) afirma:

“A nuestro juicio, lo propio es que, en general, la enseñanza explícita de


la gramática se reserve para cuando los alumnos ya tengan un cierto nivel
-digamos intermedio o avanzado- de la LE”.

É interessante observar que Cortés Moreno estabelece níveis no quais o ensino explícito da
gramática torna-se útil e eficaz: o intermediário e o avançado. Para entender claramente a que
se referem esses dois níveis, no ensino de língua estrangeira, faremos uma pausa no texto de
Cortés Moreno para verificar o que diz o Marco común europeo de referencia para las lenguas:
aprendizaje, enseñanza, evaluación (projeto geral de política linguística do Conselho da Europa).
A consulta a esse documento é pertinente no caso do ensino de língua espanhola, posto que
o Instituto Cervantes segue esses níveis na regularização do ensino de língua espanhola por
todo o mundo. Notamos essa opção do Instituto Cervantes ao consultarmos o Plan curricular
del Instituto Cervantes, pois cada tópico ou tema está dividido pelos níveis.

Informação

É possível salvar o Plan curricular del Instituto Cervantes, em formato pdf, disponível em
http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/plan_curricular/default.htm.
É fundamental, como futuro professor de língua espanhola, que você tenha esse
documento salvo em sua biblioteca, pois ele o auxiliará no tipo de aprofundamento dado a
cada tema de acordo com o nível do aluno.

Para que você visualize o que falamos a respeito dos temas divididos por níveis, reproduzimos
a imagem do índice do Plan curricular del Instituto Cervantes:
Fonte: http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/plan_curricular/default.htm

11
Unidade: Metodologia ELE

De acordo com o Marco Común Europeo (MCE), os seis níveis – Acceso, Plataforma,
Umbral, Avanzado, Dominio operativo eficaz, Maestria – usados comumente são adequados
para descrever as etapas do processo de uma língua. Entretanto, quando analisados, esses
níveis são o desdobramento da divisão clássica: Básico, Intermedio y Avanzado que são
apresentados em A, B e C. Veja o quadro que o MEC apresenta:

Fonte: CONSEJO DE EUROPA, 2002, p. 25.


Acredita-se, portanto, que esses níveis oferecem pontos de orientação aos professores e aos
responsáveis pelos planejamentos de cursos. Daí a validade de conhecer o que se espera dos
alunos em cada nível e as capacidades que os alunos devem desenvolver em cada um deles.
Reproduzimos, aqui, a tabela apresentada no MCE:

C2 Es capaz de comprender con facilidad prácticamente todo lo que oye o lee.


Sabe reconstruir la información y los argumentos procedentes de diversas fuentes, ya sean en lengua
hablada o escrita, y presentarlos de manera coherente y resumida.
Puede expresarse espontáneamente, con gran fluidez y con un grado de precisión que le permite
diferenciar pequeños matices de significado incluso en situaciones de mayor complejidad.
C1 Es capaz de comprender una amplia variedad de textos extensos y con cierto nivel de exigencia, así
como reconocer en ellos sentidos implícitos.
Sabe expresarse de forma fluida y espontánea sin muestras muy evidentes de esfuerzo para encontrar
la expresión adecuada.
Puede hacer un uso flexible y efectivo del idioma para fines sociales, académicos y profesionales.
Puede producir textos claros, bien estructurados y detallados sobre temas de cierta complejidad,
mostrando un uso correcto de los mecanismos de organización, articulación y cohesión del texto.
B2 Es capaz de entender las ideas principales de textos complejos que traten de temas tanto concretos como
abstractos, incluso si son de carácter técnico, siempre que estén dentro de su campo de especialización.
Puede relacionarse con hablantes nativos con un grado suficiente de fluidez y naturalidad, de modo que
la comunicación se realice sin esfuerzo por parte de los interlocutores.
Puede producir textos claros y detallados sobre temas diversos, así como defender un punto de vista
sobre temas generales, indicando los pros y los contras de las distintas opciones.
B1 Es capaz de comprender los puntos principales de textos claros y en lengua estándar si tratan sobre
cuestiones que le son conocidas, ya sea en situaciones de trabajo, de estudio o de ocio.
Sabe desenvolverse en la mayor parte de las situaciones que pueden surgir durante un viaje por zonas
donde se utiliza la lengua.
Es capaz de producir textos sencillos y coherentes sobre temas que le son familiares o en los que tiene
un interés personal.
Puede describir experiencias, acontecimientos, deseos y aspiraciones, así como justificar brevemente
sus opiniones oexplicar sus planes.

12
A2 Es capaz de comprender frases y expresiones de uso frecuente relacionadas con áreas de experiencia
que le sonespecialmente relevantes (información básica sobre sí mismo y su familia, compras, lugares
de interés, ocupaciones, etc.).
Sabe comunicarse a la hora de llevar a cabo tareas simples y cotidianas que no requieran más que
intercambios sencillosy directos de información sobre cuestiones que le son conocidas o habituales.
Sabe describir en términos sencillos aspectos de su pasado y su entorno, así como cuestiones relacionadas
con sus necesidades inmediatas.
A1 Es capaz de comprender y utilizar expresiones cotidianas de uso muy frecuente, así como, frases sencillas
destinadas asatisfacer necesidades de tipo inmediato.
Puede presentarse a sí mismo y a otros, pedir y dar información personal básica sobre su domicilio, sus
pertenencias y las personas que conoce.
Puede relacionarse de forma elemental siempre que su interlocutor hable despacio y con claridad y esté
dispuesto acooperar.
(CONSEJO DE EUROPA, 2002, p. 26)

As tabelas descrevem as capacidades gerais de cada nível. Para um melhor esclarecimento


de cada um deles, recomendamos a leitura do documento, pois ali você encontrará descrições
mais detalhadas.

Informação

O Marco Común Europeo é outro documento que deve constar da sua biblioteca de textos
relacionados ao ensino de língua estrangeira.
Disponível em: http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/marco/cvc_mer.pdf

Voltando ao artigo de Maximiliano Cortés Moreno, verificamos que o autor indica o ensino
explícito da gramática para alunos que estejam nos níveis B e C. Por outro lado, Cortés Moreno
alerta para o resultado inverso que o uso do ensino explícito da gramática pode gerar em nível
inferior, no caso, o nível A.

“Cuando se acomete su estudio sistemático en las primeras


etapas, algunos alumnos se bloquean con tantos esquemas, reglas,
excepciones...: quieren asegurarse en todo momento de que lo que
dicen es correcto. Esa obsesión por la perfección va en detrimento
de la fluidez, sobre todo cuando se trata del lenguaje oral, pero
también del lenguaje escrito”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 99)

Cortés Moreno assinala a diferença entre a gramática natural e gramática artificial, sendo
a primeira aquela que os nativos empregam ao se comunicarem, e, a segunda, aquela que
consta dos livros e materiais didáticos. O autor alerta para o caso do predomínio do ensino
da gramática artificial, sendo que, por muitas vezes, devido ao interesse comunicativo em
uma língua estrangeira, seria mais eficaz o ensino da gramática natural. Para demonstrar essa
situação, Cortés Moreno compara as respostas de um vídeo (material didático) e a fala de um
menino hispano-americano.

13
Unidade: Metodologia ELE

No caso, ao analisá-los, Cortés Moreno demonstra que, se o objetivo da aula fosse a comunicação
em língua estrangeira, seria melhor apresentar as respostas do menino hispano-americano.

PREGUNTAS EN EL VÍDEO RESPUESTAS EN EL VÍDEO RESPUESTAS NIÑO NATIVO


¿Cómo te llamas? Me llamo Paco. Héctor.
¿Cuántos años tienes? Tengo siete años. Cinco.
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 99)

Sendo assim, quando e como devemos ensinar gramática na aula de língua estrangeira?
A respeito de quando introduzir o ensino da gramática, Cortés Moreno explica que nos níveis
iniciais é recomendável o estudante aprender a usar a língua. Porém, é interessante que ele
tenha à sua disposição um material para consulta sobre os aspectos gramaticais, que podem ser
inclusos num anexo ou apêndice do livro.
Já nos níveis posteriores, caso os alunos desejem ou necessitem, é possível o estudo dos
sistemas formais da língua estrangeira, morfológico, sintático, fonológico etc. Considerações
feitas, Cortés Moreno expõe sua ideia:

“Nuestra propuesta es satisfacer la curiosidad de los aprendientes,


pero no crear una necesidad donde no la haya”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 101)

Já em relação a como ensinar gramática em língua estrangeira, Maximiliano Cortés Moreno


declara que no lugar do ensino descontextualizado da gramática, o mais eficaz e motivador é
integrá-la na aula de língua estrangeira.

“[…] al igual que la ortografía, la pronunciación, el léxico, la


coherencia, la cultura, etc. En efecto, cualquier tipo de tarea -una
representación teatral, una traducción, un comentario literario,
etc.- puede ser apropiado para abordar cualquiera de esos aspectos
de la LE en el momento en que se juzgue oportuno”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 101)

Cortés Moreno ainda menciona que a aprendizagem será mais rentável se seguir a característica
espiralar que a constitui; isto é, o professor pode iniciar com conteúdos simples e, periodicamente,
revisá-los, ampliando, pouco a pouco, a informação e os dados apresentados na fase inicial.
Desse modo, permite-se que o estudante construa sua própria rede de conhecimento, cada vez
mais rica e complexa: “Esto es lo que entendemos por aprendizaje significativo, tan distinto
de la mera memorización de datos aislados” (CORTÉS MORENO, 2005, p. 102, grifo do autor).
Assim, para Cortés Moreno, a aprendizagem significativa conduz ao desenvolvimento da
competência comunicativa. Já a memorização, ao contrário, permite unicamente bons resultados
em curto prazo, como, por exemplo: fazer bem exercícios em sala de aula; aprovação numa
avaliação; pode, inclusive, conseguir um certificado de título, mas, fica a dúvida, sobre se “el
documento está o no respaldado por un verdadero dominio de la LE” (CORTÉS MORENO,
2005, p. 102).

14
Tendo em conta, portanto, a superficialidade do aprendizado baseado na memorização, Cortés
Moreno sugere que se proponham atividades de conscientização gramatical, que permitam aos
próprios alunos irem descobrindo por eles mesmos as normas de uso de uma língua estrangeira.

“Dado que una lengua no es una lista de oraciones


descontextualizadas, entendemos que lo propio en su enseñanza
es operar con textos o discursos completos. Solo de ese modo es
posible aprender, en mayor o menor grado, el verdadero uso de
la gramática”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 102)

Para Maximiliano Cortés Moreno, também é válido nesse processo de aprendizagem de


uma língua estrangeira realizar comparações entre a língua materna (L1) dos alunos e a língua
estrangeira que aprendem.

A última questão proposta pelo autor é: ¿Se puede aprender la gramática de la LE sin
estudiarla? Para respondê-la, Cortés Moreno lembra que muitos imigrantes adultos quando
vão à Espanha acabam dominando o idioma sem nunca terem participado de uma aula de
gramática, aprendem por meio de conversas, leitura, televisão etc. Já aqueles que não se
encontram em um país de língua espanhola, não possuem tantas oportunidades de praticá-la e,
com isso, contam com situações de aprendizagem menos favoráveis.

“A pesar de todo, poniendo el suficiente empeño por parte del


centro, de los profesores y de los alumnos, también es posible
crear un ambiente propicio para el aprendizaje de la LE: carteles,
canciones, películas, charlas, etc.”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 104)

Durante a aprendizagem de uma língua estrangeira, desenvolvemos uma intuición lingüística


na língua que aprendemos, imitando o que fazemos com a nossa língua materna. Esta intuição vai
construindo-se por meio do acúmulo de amostras linguísticas aprendidas: “Es ese conocimiento
interiorizado, automatizado e intuitivo el que hace que una expresión o un enunciado nos suene
bien o mal, natural o extraño” (CORTÉS MORENO, 2005, p. 104).

Mas, em muitos casos, essa intuição não basta e, nesses momentos, nos valemos do professor,
das regras aprendidas no livro e de outros meios. Sendo assim, é importante ter em conta que
há diferentes vias de acesso a gramática em língua estrangeira.

Para finalizar e, ao mesmo tempo, para praticar a leitura de textos teóricos sobre ensino de
espanhol como língua estrangeira, reproduziremos, na sequência, partes da conclusão do artigo
de Maximiliano Cortés Moreno.

15
Unidade: Metodologia ELE

Atenção
··Faça uma leitura atenta, pausada; tome notas de trechos que você considera significativos;
··Consulte, no diccionário (RAE ou Wordrefence), as palavras que dificultam a compreensão
de algum dos fragmentos;
··Anote expressões e construções linguísticas que lhe parecem interessantes e peculiares da
língua espanhola.

Desenvolva sua compreensão leitora e amplie seu vocabulário em LE!

“Retomemos la pregunta de partida: ¿Hay que enseñar gramática a los estudiantes de una
lengua extranjera? Nuestra respuesta sería: sí y mucha, pero solo a aquellos alumnos que
verdaderamente les interese la gramática, ya sea por simple curiosidad, ya sea por necesidad
cultural, profesional, etc. Lo que necesitan la mayoría de los alumnos es aprender a usar la
LE, no solo con corrección, sino también con fluidez. Lo que precisan, en definitiva, son
unos conocimientos de tipo instrumental: desarrollar la capacidad de emplear la lengua
con espontaneidad, como vehículo de comunicación, que no es lo mismo que tener unos
conocimientos sobre la LE.
[…] En definitiva, los conocimientos declarativos sobre léxico, fonología, gramática, etc., por
regla general, no constituyen un fin en sí mismos, sino más bien un medio que auxilia a
conseguir el verdadero fin: el dominio de la lengua en un uso comunicativo espontáneo y
auténtico (cf. Giovannini et al., 1996, tomo 2, p. 7). A nuestro juicio, solo se puede aprender
el verdadero uso recibiendo las suficientes muestras lingüísticas en múltiples contextos orales
y escritos, y empleándolas después.
Las normas y descripciones gramaticales no son ni un artículo superfino ni un artículo
de primera necesidad, sino un artículo complementario y, como tal, no pueden concebirse
como un sustituto del uso de la LE. El proceso de enseñanza debería orientarse, entendemos,
hacia el uso, más que hacia las normas. Nos hacemos eco de la archicitada consigna de
enseñar la lengua, no sobre la lengua.
El objetivo de este artículo no ha sido dar una respuesta definitiva a la pregunta de partida
-porque no existe una única respuesta válida para cualquier situación de enseñanza /
aprendizaje-, sino, sencillamente, instar al lector a reflexionar en torno a esa cuestión, que
bien puede desglosarse en una serie de preguntas concretas, como las siguientes: ¿tengo que
enseñar gramática a todos mis alumnos?, ¿qué aspectos exactamente?, ¿por qué?, ¿para
qué?, ¿cuándo?, ¿cómo?, ¿con qué recursos?, ¿dónde?...
El río de preguntas y reflexiones que ha recorrido estas páginas desemboca, curiosamente,
en una vieja idea, la que Locke, entre otros, planteara hace ya más de tres siglos. Mucho
ha cambiado el mundo, las comunicaciones y la tecnología desde entonces: laboratorios de
idiomas, Internet, multimedia, etc. Y, sin embargo, las siguientes palabras de Locke (1693,
citado en Sánchez Pérez, 1992: 146-7) no han perdido ni un ápice de vigencia:
“Concedo que la gramática de una lengua debe ser estudiada
cuidadosamente en algunas ocasiones, pero sólo por adultos, cuando
se trata de lograr una comprensión crítica de la misma, que no es sino
lo propio de los estudiosos profesionales... el método de aprender una

16
lengua a través de la conversación no solamente es suficiente, sino
que debe ser preferido como el más eficaz... la gramática no es
necesaria... y si la gramática debe ser enseñada, debería serlo a quien
ya habla la lengua”.
Claro que el aprendizaje de la LE no solo tiene por objeto el lenguaje oral; el lenguaje escrito
es de igual importancia. La gramática desempeña un papel relevante en uno y otro lenguaje.
Como complemento a las observaciones de Locke, citamos a un autor contemporáneo,
Landero, quien en su artículo “El gramático a palos” (El País, 14 de diciembre de 1999, página
16) también aboga por el aprendizaje de la gramática a través del uso:
“Uno está convencido de que, fuera de algunos rudimentos teóricos,
la gramática se aprende leyendo y escribiendo, y de que quien llegue,
por ejemplo, a leer bien una página, entonando bien las oraciones
y desentrañando con la voz el contenido y la música del idioma, ése
sabe sintaxis”

Pelo artigo comentado, nesta unidade pudemos refletir sobre o espaço que a gramática
deve ocupar no ensino de língua estrangeira. Acreditamos que o ponto-chave dessa leitura foi
entender que o ensino explícito da gramática deve ocorrer em níveis específicos e em resposta
às necessidades ou interesse dos alunos.
Pela reflexão que pudemos realizar com a leitura do artigo de Maximiliano Cortés Moreno,
como futuro professor, fica claro que, ainda que você domine as normas, nomenclaturas e
regras da língua estrangeira, no momento de ensinar, é necessário, primeiramente, avaliar a
turma e o objetivo do curso para saber se o ensino sobre a língua será válido. Não podemos
perder de vista na hora de elaborar as aulas que o objetivo maior na aprendizagem de uma
língua estrangeira é o do “dominio de la lengua en un uso comunicativo espontáneo y auténtico”
(CORTÉS MORENO, 2005, p. 105).
Unidade: Metodologia ELE

Material Complementar

Na Biblioteca Virtual da Universidade, você encontra outros títulos que complementam o que
foi estudado no material teórico. Por isso, recomendamos que você amplie suas leituras e seu
conhecimento consultando-as.
MELO, A.; URBANETZ, S. T. Fundamentos de Didática, Curitiba: Editora IBPEX,
2008. E-book
MOROSOV, I. MARTINEZ, J. Z. A Didática do Ensino e a Avaliação da Aprendizagem
em Língua Estrangeira. Curitiba: Editora IBPEX, 2008. E-book
Além dessas obras, indicamos:
INSTITUTO CERVANTES. Reseña de manuales de gramática del español.

Explore
Disponível: http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/manuales_gramatica/default.htm

“El Centro Virtual Cervantes abre un nuevo espacio en el que se irán presentando diferentes
reseñas sobre las publicaciones centradas en la gramática que han sido editadas hasta la fecha.
El principal objetivo del proyecto es ofrecer al profesor una visión general de los manuales
disponibles que facilite una correcta toma de decisiones para enseñar nuestra lengua de la forma
más precisa y clara en sus distintos contextos de aprendizaje”.
INSTITUTO CERVANTES. El aprendizaje y la enseñanza de la gramática. Recompilación
de los textos: Mario Gómez del Estal Villarino. Disponível: http://cvc.cervantes.es/ensenanza/
biblioteca_ele/antologia_didactica/gramatica/default.htm
MUÑOZ LICERAS, Juana. Adquirir, aprender y enseñar el español como lengua extranjera.
In: ASELE, Actas I.

Explore
Disponível: http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/asele/pdf/01/01_0051.pdf

18
Referências

CONSEJO DE ESPAÑA. Ministerio de Educación, Cultura y Deporte. Marco común europeo


de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza, evaluación. Traducción: Instituto
Cervantes. Madrid: Ministerio de Educación, Cultura y Deporte; ANAYA, 2002. Disponível:
http://cvc.cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/marco/cvc_mer.pdf

CORTÉS MORENO, Maximiliano. Hay que enseñar gramática a los Estudiantes de una lengua
extranjera?. In: CAUCE - Revista Internacional de Filología y su Didáctica, nº 28, 2005,
p. 89-108.

ELLIS, R. The structural syllabus and second language acquisition. TESOL Quarterly, 1993,
27/1, p. 91-113.

FOTOS, S. & R. ELLIS. Communicating about grammar: A task-based approach. TESOL


Quarterly, 25/4, 1991, p. 607-628.

INSTITUTO CERVANTES. Plan Curricular del Instituto Cervantes. Disponível: http://cvc.


cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/plan_curricular/default.htm

INSTITUTO CERVANTES. Diccionario de Términos Clave de ELE. Disponível: http://cvc.


cervantes.es/ensenanza/biblioteca_ele/diccio_ele/default.htm

PIENEMANN, M. Is language teachable? Psycholinguistic experiments and hypotheses. Applied


Linguistics, 10, 1989, p. 52-79.

REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. Diccionario de la Lengua Española. 22. ed. Disponível:


http://lema.rae.es/drae/

19
Unidade: Metodologia ELE

Anotações

20
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000

Você também pode gostar