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segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Direito Administrativo- resumos

Passos do Ato discricionário:


- Arranque do procedimento;
- Instrução do procedimento;
- Audiência prévia dos interessados (decisão, omissão juridicamente relevante);
- Decisão;
- Fase complementar.
Um parecer pode ser obrigatório e não obrigatório. Será vinculativo/obrigatório se assim
a lei o decidir (mas regra geral não o é). Será facultativo se não precisava de ter sido
solicitado, convém ponderar este parecer porém a sua decisão não é vinculativa, não é
obrigatório seguir este parecer.

Parecer apenas será vinculativo se for negativo (obstáculos para a não concretização
de tal ato). Exemplo dos bombeiros que emitiram o parecer e este foi positivo, a câmara
não esta obrigada a construir algo só porque o parecer é positivo, pelo contrário, se o
parecer for negativo deverá ponderar se constrói ou não.

Audiência prévia dos interessados: Até a aprovação do atual CPA não era uma fase
obrigatória, a fase de ouvir o particular. A AD em vez de decidir automaticamente deverá
sempre ponderar e ouvir o particular para auxilio na decisão, ou na sua alteração. O
particular é ouvido em dois momentos: durante a instrução do processo e durante a
decisão. Art. 59º CPA. Art. 100º diferente deste pois neste a adm. já deverá ter uma
decisão, um projecto de decisão que irá mostrar ao particular, fundamentando esta.

Arranque do procedimento (procedimento do ato administrativo):


I. Art. 102º introduz-nos o princípio de qualquer procedimento previdente de um
particular);
II. Art. 110º fala-nos do início do procedimento. Este é obrigatoriamente notificado as
pessoas;
III. Art. 153º Inicia oficialmente o processo administrativo;
Quando um particular apresenta um requerimento, necessita de certas condições que
estão especificadas no art. 110º/Nº2 (requerimento de certos documentos específicos)
IV. Art. 104º- data de apresentação de um requerimento, um prazo para a apresentação
deste para receber por ex, um reembolso.

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Dando um exemplo concreto, se as vítimas dos últimos incêndios quiserem uma
indemnização pelos danos causados de todos os bens materiais que perderam, terão
de apresentar um requerimento até a data que for requerida de acordo com o Nº1/al. b
O carimbo dos correios deve estar presente nos requeridos pois é segundo este que se
verifica a data final do envio. Com este, o particular terá mais tempo para enviar o
documento, nomeadamente até as 00:00 do próprio dia (limite do prazo de entrega).
Sempre que o particular enviar um documento/requerimento deverá manter uma cópia
como comprovativo para segurança.

V. Art. 106º. Quando enviamos um requerimento, a administração não pode recusar-se


a enviar a cópia deste mesmo requerimento.
VI. Art. 108º. Cooperação entre administração e particulares. A administração deve
cooperar com particulares corrigindo qualquer erro que possa ter ocorrido resultante
do art. 102º.
Os requerimentos anónimos não rejeitados, tal como todos aqueles que forem ilegíveis.
Regra geral, porém a lei defende sempre a cooperação entre a adm. e os particulares, e
até quando possível suprir qualquer falha presente no requerimento. Quando esta
recebe o documento, deverá sempre começar pela análise da veracidade, verificar se
existe alguma questão relacionada com a análise do conteúdo do documento. Art. 109º

Questões que prejudicam o desenvolvimento normal do procedimento:


1. Caducidade do direito;
2. Ilegitimidade do requerente (a pessoa que envia afinal de contas não tem
legitimidade para tal);
3. Extemporaneidade do tempo (quando o prazo de entrega do requerimento expira e
o particular não pode enviar mais);
4. Incompetência do orgão administrativo (quando o particular enviar o requerimento
para o orgão errado, enviando este por exemplo ao provedor de justiça em vez do
ministro da agricultura|). Quando o orgão errado recebe um requerimento sem ter
competência para tal pode:
1. Devolver o requerimento ao particular dizendo que não tem competências para
tomar tal decisão. Atitude incorreta e ilegal, devendo sempre optar pela 2ª opção.
2. O orgão incompetente envia o requerimento para o orgão competente,
informando o particular da situação (vinculando a cooperação entre
administração e particulares)

Verificamos assim que a administração tem três tarefas:


A. Verificar se é competente para responder a tal requerimento;
B. Se não o for, enviar para o órgão competente para tal;

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C. Notificar o particular que reencaminhou o documento para o orgão competente.
Art. 41º refere as obrigações do orgão incompetente;

- Nº1 e Nº2: caducidade de entrega do requerimento. Por exemplo, o particular envia


um documento mas para o orgão incompetente e o prazo expira dia 28 tendo apenas
30 dias para entrega do requerimento. O orgão incompetente não envia o documento
a tempo para o orgão competente. Quando o orgão competente rever o requerimento
fora de validade não pode afirmar que este não é valido. O que conta nestas
situações é o dia de entrega ao 1º orgão, sendo este competente ou não.

Instrução do procedimento:
I. Art. 55º/Nº1: orgão com competência para decidir;
II. Art. 55º/Nº2: o orgão competente para decidir delega aos seus inferiores
hierárquicos/subalterno a competência para tratar de assuntos menos importantes.
A lei aqui impõe a delegação proibindo assim o orgão competente a realizar a
instrução e direção.
A. Delegação meramente interna (de um orgão para um subalterno, agente)
B. Art. 58º: interessa a própria vontade da administração para preparar e reparar
quaisquer erros que o particular tenha efectuado, para que o procedimento seja
normalizado/siga normalmente.
III. Art. 86º. O prazo para entrega é de 10 dias, prazo dentro do procedimento e não
para entrega deste (refere-se aos prazos dentro do procedimento, sempre que a
administração requer algo ao particular, este deve enviar tudo num prazo de 10
dias)
Nota: Todo o procedimento administrativo deve durar 90 dias. Desde o início até a
tomada de decisão. Diferenciamos prazos administrativos de prazos judiciais, os
primeiros só contam dias úteis, não incluindo feriados, sábados e domingos. Os prazos
judiciais incluem feriados, fins-de-semana, contam dias seguidos.

Pareceres: Art. 91º e 92º CPA

• São emitidos pela administração, opiniões emitidas a pedido dos orgãos da


administração. Existem pareceres obrigatórios e pareceres facultativos (pareceres
obtidos na face da instrução)

Pedidos de parecer pode ser obrigatório (lei) e facultativo; quando emitido, pode ser
vinculativo ou não vinculativo. Prossigamos a um exemplo mais concreto, o presidente
da câmera pede um parecer aos bombeiros acerca da construção de um centro
comercial, estes por sua vez condenam o ato e afirmar que não se pode construir
devido a dificuldade de acesso em casos de emergência (iria criar engarrafamento,

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constante confusão..), aquela zona iria ser congestionada dificultando o acesso. Mesmo
que este parecer não seja vinculativo, deverá ser cuidadosamente ponderado e
avaliado visto que o pedido para este parecer foi realizado e seria um desrespeito
grande pedir algo e de seguida deitar fora.

Art. 91º/Nº2: Salvo disposições expressas em contrário, os pareceres legalmente


previstos consideram-se obrigatórios e não vinculativos.

I. Assim, é obrigatório ouvir a entidade, mas não é vinculativo tomar a decisão de


acordo com este. Ex: questão do ambiente, segurança etc. São vários os interesses
públicos a ter em conta, no entanto, um parecer porém apenas de uma entidade
focando-se no interesse publico que lhe compete seguir. O que o legislador quer é
que o orgão receba os pareceres e considere este ano mínimo, certamente haverão
interesses públicos contraditórios daí não ser vinculativo. Só são vinculativos se a lei
assim o determina, e se estes forem desfavoráveis.

II. Um parecer será vinculativo apenas quando:

A. A lei assim o determinar;

B. Se este parecer for desfavorável, por ex, se os bombeiros aprovam a construção


do centro comercial o presidente da câmera não terá obrigatoriamente de
construir este. Apenas teve luz verde dos bombeiros, mas não implica que
também a tenha de outros setores. E necessário realizar uma boa ponderação.
Por outro lado, se não aprovarem será uma proibição dos bombeiros mas podem
e devem ser realizadas outras ponderações se o parecer não for vinculativo.

III. Regra geral, um parecer deverá ser emitido nos primeiros 30 dias úteis. Porém, se
for muito urgente, pode pedir para adiantar um pouco. Por outro lado, se existir um
contacto informal, os bombeiros podem pedir para adiar o tempo de entrega do
parecer. O prazo mínimo estabelecido pela lei será de 15 dias; O prazo máximo
estabelecido pela lei será 45 dias.

IV. Art. 92º Forma e prazos dos pareceres.

A. Nº5, pareceres obrigatórios não vinculativos/facultativos;

B. Nº6, pareceres obrigatório e vinculativos. Se pedir parecer terá de esperar por


este, não pode tomar uma decisão sem o parecer chegar antes disso.

C. Se por outro lado, pediu o parecer e este não chegar num prazo de 30 dias,
devemos primeiramente verificar se este é vinculativo ou não.

1. Não vinculativo- se o parecer não chega dentro do prazo, podem-se tomar


decisões sem este. Nº5

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2. Por outro lado, se for um parecer vinculativo, o orgão deve interpelar o orgão
com competência para emitir o parecer.

V. Resumindo, o parecer pode ser dividido em duas partes:

A. Não vinculativo- se o parecer não chegar dentro do prazo, podemos tomar a


decisão sem este. Nº5

B. Vinculativo- o orgão deve interpelar o outro com competência para emitir o


parecer, mandando por exemplo uma carta. A partir do envio da mesma, recebe-
se 20 dias extra para emitir o parecer. 30 dias somando aos 20 adicionais dá um
total de 50 dias para emitir um parecer. Se mesmo após estes 50 dias não
receber o parecer, aí deverá como ultima instância tomar a decisão mesmo com
a ausência deste parecer. Nº6

Audiência prévia do particular:


Trata-se da fase em que a administração ouve o particular, mesmo tendo uma decisão
já previamente estabelecida. Esta audiência tem como principal objetivo persuadir a
administração numa decisão diferente daquela que tenha eventualmente tomado
(apenas no caso desta decisão ser desfavorável a este). Dá ao particular a
oportunidade de detetar possível erro por parte da administração, ou então convencer a
administração em contrário.

I. Serve assim, para quando a administração decidir indeferir qualquer requerimento, o


particular possa ter conhecimento do projecto, dando a oportunidade de..

A. Corrigir eventuais erros que poderão ter ocorrido durante o processo de análise
do requerimento (poderá ter ocorrido um eventual erro na leitura dos factos);

B. Verificar se a lei que indeferiu o pedido é válida (a lei aplicada ao caso concreto
pode não ser a mais adequada, ou estar revogada);

C. Evitar ilegalidades nas decisões, ou decisões que não prossigam o interesse


público, a administração tem o dever de ponderar os argumentos do particular
quando existe a audiência prévia.

II. Porém, esta audiência prévia apenas é necessária quando a decisão for
desfavorável ao particular.

III. Art. 121º Regra geral da audiência prévia; Art. 122º Exceções à regra geral, casos
em que a audiência prévia é dispensável.

IV. Durante o período da audiência prévia a decisão da administração fica suspensa e


apenas retomara de novo quando os 10 dias desta passarem.

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Formalidades essenciais- Degradação das formalidades essenciais (Art. 48º/Nº2)- Não
essenciais. Existem certos casos em que se dispensa a anuência prévia. As formalidade
essenciais são dispensadas, dando um exemplo concreto, quando se esqueceram de
realizar a audiência prévia mas mesmo que esta se realizasse, não iria mudar nada.
Nestes casos concretos, não se anula a decisão apenas porque não existiu audiência
prévia, mantém-se esta mesmo com a presença de uma ilegalidade da inexistência da
Administração. A isto chamamos o principio de aproveitamento do ato (seria uma
formalidade- naquele caso concreto- realmente essencial ? A audiência prévia mudaria
realmente a decisão tomada? Devemos fazer estas perguntas e se a resposta for não,
se a audiência não iria alterar não, então não se anula o ato, mantém-se.

Fase da decisão:
Decisão expressa (indeferimento):

I. Impugnação administrativa (3 meses, anulação)

II. Impugnação judicial (pede a anulação administrativa + condenação pelo ato)

Quando a administração toma uma decisão e o particular não concorda com esta, tem
duas opções: conforma-se com a decisão ou pede uma anulação no prazo de 3 meses.

Houve um indeferimento do requerimento:

Art. 66º/Nº2- nos casos em que a administração tomou uma decisão ilegal, quando o
particular apresenta um requerimento, o tribunal vai analisar o requerimento deste e não
a decisão da administração. Se concluir que é ilegal, pede-se a anulação do ato e a
condenação administrativa da prática do ato discricionário.

Art. 71º/Nº1 e 2º- poderes de pronuncia do tribunal. Dupla tarefa deste de anular a
decisão e condenar a administração. Mas e se estivermos perante um ato
discricionário? Recorremos ao Nº2. Ato discricionário não permite apenas uma solução
legalmente possível, como várias. Só a administração está obrigada a procurar a melhor
decisão para a melhor prossecução do interesse público. Quando o tribunal vai analisar,
não pode opinar quando a parte discricionária da decisão pois apenas a administração
sabe o que é melhor para a prossecução do interesse público, mas pode opinar quanto
as vinculações associadas a decisão e ponderação do requerimento do particular. Pode,
no entanto, relembrar a administração todas as vinculações associadas a esta decisão.
O santos discricionários podem ser ilegais, a anuláveis e condenados.

Houve uma omissão da decisão fás ao requerimento:

Passaram 90 dias, houve um incumprimento do dever de decisão.Refere-se aos casos


em que o particular não recebe carta nenhuma, sem qualquer tipo de resposta por parte
da administração, o particular pode pedir uma impugnação judicial no prazo de 1 ano.

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Porque esta diferença de prazos ? Porque 1 ano para recorrer aos tribunais e apenas 3
meses para recorrer a administração ? O particular pode demorar algum tempo a
aperceber-se que ocorreu um incumprimento do dever de cisão e entretanto passam 3
meses e este já não pode pedir a anulação e condenação do ato. Surge aqui 1 ano
como uma “válvula de segurança”, para dar algum tempo de margem ao particular.

I. No caso das omissões pede apenas a condenação do ato pois não existe qualquer
decisão para anular. Art. 58º/Nº1/al. d

II. Requerimento pode sofrer um..

A. Indeferimento (decisão expressa). Podemos realizar uma impugnação


administrativa, pedindo a anulação do ato no prazo de 3 meses ou então
pedimos uma impugnação judicial, penando a anulação + condenação do ato
num prazo de 1 ano.

B. Omissão.

III. Situação hipotética: Decisão chega atrasada, o que fazer? Quando existe um
incumprimento do dever de decisão e esta chega após 90 dias, ou seja, com atraso
e com uma decisão de indeferimento, recorre-se ao tribunal e pede-se a anulação +
condenação à pratica do ato devido.

A. Imaginemos o seguinte: particular apresenta um requerimento, passaram 90 dias


e ainda não recebeu uma decisão. Este dirige-se ao tribunal pedindo a
condenação pelo facto de não ter recebido uma decisão, reporta o
incumprimento do dever de decisão. Porém, o ato chega (atrasado) uma semana
mesmo após a apresentação da queixa no tribunal, o particular neste caso
concreto, deve retirar as acusações de condenação e adaptar-se a situação,
apresentar uma nova história. Renova assim a ação judicial, dizendo que
entretanto recebeu uma decisão da administração, mas que considera esta
ilegal, pedindo a anulação do ato + condenação do ato face a administração.
Face aos novos factos, não apenas pede a condenação que se seguia do
incumprimento do dever de decisão, mas também a anulação da decisão que
entretanto chegou mesmo atrasada.

B. Deferimento tácito: a lei retira do requerimento um deferimento tácito. O silêncio


da administração corresponde a autorização do requerimento, neste caso
concreto, o silêncio da administração face a uma requerimento conta como
autorização e aceitação deste. Só existe deferimento quando a lei assim o
permitir e definir.

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Colocando desta forma os factos, o deferimento tácito corresponde a um “ato
administrativo” que por sua vez, corresponde a um deferimento expresso que pode ser
válido ou inválido. Ambas formas de deferimento são considerados “atos da
administração”.

Antes de tudo, teremos de verificar a validade do deferimento tácito. Verificando que é


válido, podemos prosseguir com a decisão. Porém, se estivermos perante um
deferimento tácito inválido então este pode ser indeferido com a decisão expressa
indeferimento.

Imaginemos a seguinte decisão: particular apresentou um requerimento e passado 90


dias não recebeu nenhuma decisão. Presumiu que a administração aceitou o seu
requerimento de acordo com o deferimento tácito. Passado uma semana, a
administração veio tomar a decisão de indeferimento, uma decisão expressa
contrariamente a anterior. Particular não pode ignorar esta decisão e deverá o mais
rápido possível recorrer ao tribunal. O tribunal por sua vez, deverá verificar se existe
alguma ilegalidade no ato que o particular vai realizar (se o deferimento tácito é válido
ou inválido).

1. Se for válido, então toma-se por decisão o deferimento tácito;

2. Se for inválido e estivemos perante uma ilegalidade (ex: construção de um prédio


numa zona interdita) toma-se por decisão expressa o indeferimento.