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Apostila: Direito Constitucional – Programa TRF – Pertence a Ju. 2007.

DIREITO CONSTITUCIONAL
Baseado no programa do concurso de nível superior para o TRF

Direito
Constitucional
*Baseado no programa do concurso de nível superior para o TRF

• Introdução à Teoria do Direito Constitucional;


• Seleção da Constituição Federal de 1988;
• Lei Complementar No. 35, de 14 de março de 1979
(Lei Orgânica da Magistratura Nacional).

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Sumário

1 - A Constituição.
1.1 - Conceito;
1.2 - Classificação;
1.3 - O Constitucionalismo;
1.4 - Princípios Fundamentais da Constituição Federal de 1988.

2 - Direitos e Garantias Fundamentais


2.1 - Direitos e Deveres Individuais e Coletivos;
2.2 - Direitos Sociais. da Nacionalidade;
2.3 - Direitos Políticos.

3 - Organização do Estado
3.1 - Administração Pública;
3.2 - Servidores Públicos Civis e Militares.

4 - Organização dos Poderes


4.1 - Atribuições e Competência do Congresso Nacional;
4.2 - Competências Privativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal;
4.3 - Processo Legislativo;
4.4 - Fiscalização Contábil, Financeira e Orçamentária.

5 - Poder Executivo
5.1 - Atribuições e Responsabilidades do Presidente da República;

6 - Poder Judiciário
6.1 - Órgãos;
6.2 - Garantia dos Magistrados;
6.3 - Competência dos Tribunais;
6.4 - Dos Tribunais Regionais Federais e dos Juízes Federais.
6.5 - Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979).

7 – Outros Artigos Referenciados

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1 - A Constituição

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1.1 - Conceito

CONCEITO

Idéia de Constituição

Um conjunto de normas colocado acima das demais normas de um povo, com a função de conter os poderes do
governante e assegurar um grupo mínimo de direitos individuais fundamentais.

Conceito Clássico

Na “Política” de Aristóteles encontramos que “a Constituição do Estado tem por objeto a organização das
magistraturas, a distribuição dos poderes, as atribuições de soberania, numa palavra, a determinação do fim
especial de cada associação política”.

Conceito moderno

Um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o
modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos
fundamentais do homem e as respectivas garantias e todos os grandes temas detentores da importância
fundamental para o Estado, dentre os quais, modernamente estão incluídos o direito à paz social, o reconhecimento
da função social da propriedade, o direito ao meio ambiente preservado, a proteção às minorias raciais e étnicas, a
proteção do fenômeno cultural, a disciplina da ordem econômica privada, os princípios do processo de produção de
leis.

Síntese do Conceito de Constituição

É o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do Estado e os temas valorizados pela Nação.

Outras Definições

É o conjunto de regras concernentes à forma do Estado, à forma do governo, ao modo de aquisição e exercício do
poder, ao estabelecimento dos seus órgãos, aos limites de sua ação.

“O nomen júris que se dá ao complexo de regras que dispõem sobre a organização do Estado, a origem e o
exercício do Poder, a discriminação das competências estatais e a proclamação das liberdades públicas” (Ministro
José Carlos de Mello Filho)

Conceito Jurídico

Hans Kelsen: A Constituição é apenas um conjunto de normas onde se acham reunidas as normas de organização
e funcionamento do Estado.

A Constituição é norma pura, um dever-ser jurídico, sem qualquer pretensão à realização de ideais sociológicos,
políticos ou filosóficos.

José Afonso da Silva: Constituição é algo que tem, como forma , um complexo de normas (escritas ou costumeiras);
como conteúdo, a conduta humana motivada pelas relações sociais (econômicas, políticas, religiosas); como fim, a

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realização dos valores que apontam para o existir da comunidade; e como causa criadora e re-criadora o poder que
emana do povo.

A Constituição é uma norma suprema multifacetada, ou seja, é o ponto para onde convergem os mais diversos
elementos que regem, motivam e conduzem o povo de um Estado, e que, dessa convergência, resulta uma norma
que fundamentará a existência e a atuação do próprio Estado, a partir de elementos que a formaram, agora
aglutinados em um texto jurídico, com força e peso jurídicos, e com hierarquia jurídica superior dentro do Estado.

Constituição IDEAL – Carl Schmitt

Características de uma constituição ideal:


a) A consagração de um sistema de garantias de liberdades e direitos individuais;
b) A definição e reconhecimento do princípio da divisão de poderes;
c) A sua apresentação sob forma escrita.

Concepções sobre as constituições

Constituição em Sentido Material: A Constituição é o conjunto de normas pertinentes à organização do poder, à


distribuição da competência, ao exercício da autoridade, à forma de governo, aos direitos da pessoa humana,
tanto individual como sociais. Kelsen: Por constituição em sentido material se entendem as normas referentes
aos órgãos superiores e às relações dos súditos com o poder estatal;

Constituição em Sentido Formal - Paulo Bonavides: A constituição em sentido formal é caracterizada pela
penetração, de modo impróprio, no corpo da constituição, de matérias que não fazem referência ao seu núcleo
material e típico, qual seja a forma do Estado, a natureza do regime, a estrutura do poder, os direitos e
garantias individuais;

1. Constituição em sentido sociológico – Ferdinand Lassale : A lei suprema de um país é, em essência, a soma dos
fatores reais de poder que governam esse País, como o econômico, o político, o militar e o religioso, e não o
texto escrito da Constituição, pelo fato de estar escrito;

2. Constituição em sentido político - Carl Schmitt : Constituição é uma decisão política fundamental, uma decisão
concreta de conjunto sobre o modo e a forma de existência da unidade política. A verdadeira Constituição seria
a definição do perfil essencial do Estado ( república, monarquia, parlamentarismo....);

3. Constituição em sentido jurídico - Hans Kelsen : Constituição é a norma jurídica escrita suprema de um Estado,
ao mesmo tempo fundamento lógico superior de toda a ordem jurídica, parâmetro de validade das demais leis e
regedora da estrutura básica fundamental do Estado.

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1.2 - Classificação
Quanto ao conteúdo

· Materiais: Compostas só dos conceitos relativos ao Estado, ao Poder e aos direitos e garantias individuais.
· Formais: Com o conteúdo referido e outros, das diversas naturezas;

Quanto à forma
· Escritas: Codificadas, sistematizadas em um texto único, passada em para o papel e elaborada de uma só vez.
podem ser: Sintéticas (Ex: A Constituição dos Estados Unidos) ou Analíticas (expansiva. Ex: A Constituição do
Brasil). A ciência política recomenda que as constituições sejam sintéticas e não expansivas como é a brasileira;
· Históricas ou Não-escritas: Cujas normas não estão reunidas em um texto escrito, sendo compostas de costumes,
de decisões de tribunal, de convenções e acordos e de leis esparsas (Exs: Constituições do Reino Unido da Grã
Bretanha e da Irlanda do Norte, Magna Carta de 1215)).

Quanto ao modo de elaboração:

· Dogmáticas: Seus termos têm peso jurídico de dogma (é escrita);


· Históricas ou Costumeiras: Formada com a evolução histórica de um povo, a qual vai firmando os costumes (ex.
Magna Carta de 1215).

* Obs: A escrita é sempre dogmática; A não escrita é sempre histórica.

Quanto à origem:

· Populares ou Promulgadas: Originadas de órgãos constituintes compostos por representantes do povo (Ex.:
Constituições de 1891, 1934, 1946, 1988);
· Outorgadas: Elaboradas por uma pessoa ou por um grupo de pessoas sem a participação do povo (Exs:
Constituições de 1824, 1937, 1967 e 1969);
· Pactuadas: São aquelas em que os poderosos pactuavam um texto constitucional (Ex: Magna Carta de 1215).

* Obs: A expressão Carta Constitucional é usada hoje pelo STF para caracterizar as constituições outorgadas.
Portanto, não é mais sinônimo de constituição.

Quanto à estabilidade:

· Imutáveis: Não admitem alterações e cujo texto é formulado para viger intacto;
· Rígidas: Que somente podem ser alteradas por processos especiais, diferentes e mais difíceis de realizar do que
aqueles usados para a produção de leis ordinárias ou complementares;
· Flexíveis: Livremente alteradas (Ex: as constituições não-escritas, na sua parte escrita);
· Semi-rígidas: Uma parte cuja alteração é mais difícil e outra mais fácil.

* Obs: A Constituição Federal Brasileira é escrita, analítica, dogmática, eclética, promulgada e rígida.

Quanto à sistemática:

· Reduzidas: Quando a apresentação formal da Constituição se faz por um texto único, sistematizado;
· Variadas: Quando a matéria constitucional é encontrável em diversos textos legais.

Quanto à ideologia:

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· Ortodoxas: Formada a partir de elementos fornecidos por uma única corrente ideológica, montada com coerência
sobre essa orientação e pensamento político;
· Eclética: Quando a Constituição abre espaço para as concepções de várias linhas de pensamento ideológico.

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1.3 - Constitucionalismo
*Rogério Salgado Martins - Acadêmico de Direito na UFRGS, em Porto Alegre (RS)

Para uma primeira definição do termo Constitucionalismo, precisamos buscar entender o que basicamente se
entende por "Constituição" e "constitucional".

Segundo os princípios do positivismo jurídico, o direito tem que ser despido de todo o seu conteúdo valorativo. A
escola, que tem seu máximo expoente em Kelsen, afirma, portanto, que precisa-se, essencialmente, existir uma
respeitabilidade entre o conjunto hierarquizado das normas, que contém na Constituição seu ápice (em cima desta,
apenas a presença abstrata da "norma fundamental": pedra de toque da teoria kelseniana).

No entanto, o Constitucionalismo moderno busca uma compreensão diversa daquela apresentada pelo positivismo
normativista, pois a Constituição teria essencialmente um conteúdo político e axiológico ligado a sua normatividade
(aliás, como viremos a tratar à seguir, o próprio Constitucionalismo clássico foi quem mais insistiu no sentido de um
conteúdo político de Constituição).

Aí se chega pela constatação de que a Constituição deve ser entendida como a própria estrutura de uma
comunidade política organizada, a ordem necessária que deriva da designação de um poder soberano e dos órgãos
que o exercem.

Mas não nos ateremos especificamente no conceito de Constituição (que seria uma outra questão isolada digna de
outras várias páginas…), pois é exatamente nesse conceito de Constituição e nos diferentes prismas sob os quais
ele foi apresentado, que trabalha o Constitucionalismo.

O termo Constitucional é, em sentido lato, entendido como que representando um sistema baseado em um
documento elaborado por uma reunião de homens reunida para exatamente para fazê-lo. O termo foi muito útil para
fazer uma separação entre a monarquia absoluta e a monarquia parlamentar, como, por exemplo, seria a forma de
governo instaurada depois da Revolução Gloriosa de 1688, na Inglaterra.

É valido deixar claro, entretanto, que esse entendimento não pode ser tido como absoluto, pois corre o risco de
tornar-se restritivo na medida em que não colhe, muitas vezes, o que é verdadeiramente essencial nesses regimes.

É muito comum a confusão feita entre o termo Constitucionalismo e os diferentes meios para se atingir o ideal de
Constituição. Confunde-se Constitucionalismo com a divisão de poderes, com aquela Constituição essencialmente
normativa… Quando, na verdade, o termo Constitucionalismo engloba em seu estudo todos esses meios na busca
do modelo constitucional mais próximo do ideal.

No meu entendimento, Constitucionalismo deve ser entendido como a análise dos diferentes meios utilizados pelo
processo da evolução constitucional, partidos de uma vontade soberana, para se atingir o valor maior que se acha
nos direitos da pessoa humana e nas garantias apresentadas para efetivar esses direitos.

O que pode ser feito é, a partir desse conceito, separarmos os diferentes ciclos do Constitucionalismo.

Temos, basicamente, uma divisão em dois grandes períodos: o CONSTITUCIONALISMO CLÁSSICO (1787 - 1918)
e o CONSTITUCIONALISMO MODERNO (1918-...).

Constitucionalismo Clássico

O Constitucionalismo clássico subdivide-se em cinco ciclos:

1º) Constituições Revolucionárias do Séc. XVIII: No qual se enquadra a Constituição Americana de 1787, a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão francesa de 1789, entre outros documentos importantes (a
Magna Carta de 1225 pode ser incluída aqui);

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2º) Constituições Napoleônicas: Autoritárias do início do século XIX;

3º) Constituições da Restauração: Como a dos Bourbons, de 1814. Esse ciclo, que se estende até 1830, consagra
as MONARQUIAS LIMITADAS, mas também se caracteriza por conter Constituições outorgadas, feitas sob um
processo autoritário de elaboração (como a do Império do Brasil de 1824);

4º) Constituições Liberais: Como a francesa de 1830 e a belga de 1831 (essa última muito importante por trazer uma
inovação que marca o Constitucionalismo: incorpora a declaração dos direitos à Constituição e não os dispondo
marginalmente).

5º) Constituições Democráticas: Iniciado em 1848. Conta com documentos como as 3 leis constitucionais francesas
de 1875.

Constitucionalismo Moderno

O Constitucionalismo moderno também é compreendido num total de 5 ciclos constitucionais:

1°) Constitucionalismo Democrático-racionalizado: Conta com a presença destacada da Constituição de Weimar de


1919 que tem como grande mérito a incorporação dos direitos sociais ao corpo constitucional (apesar de uma
forte corrente atribuir tal mérito à Constituição Mexicana de 1917). Ainda podemos lembrar aquelas
"Constituições dos professores", como a austríaca de 1920, sob acentuada influência de Kelsen;

2°) Constitucionalismo Social-democrático: Contém as Constituições francesas de 1946, italiana de 47 e a alemã de


49. Esse ciclo é muito importante pela ênfase nos direitos sociais e econômicos. Ele se estende até os nossos
dias e compreende também as Constituições portuguesa de 76, a espanhola de 78 e a brasileira de 88. O
"estado social" é elevado na sua máxima expressão;

3°) Experiências Nazi-facistas: Caracteriza-se por reformas às Constituições que modificaram seu núcleo em sua
essência. Seriam "fraudes à Constituição".;

4°) Constituições Socialistas: Surgidas em 1917 com a Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia. Dentre elas
estão as Constituições deste povo de 1924 e de 36. Nestas Constituições era comum a prática política burlar a
Constituição (democracia no papel);

5°) Constituições do Terceiro Mundo: Que caracterizam-se por uma tentativa de copiar as construções estrangeiras
e que tombaram por terra diante de uma realidade que não condizia com as instituições copiadas.

Diferenças entre Constitucionalismo e Separação dos Poderes

Como dissemos anteriormente, é muito comum observarmos a confusão entre Constitucionalismo e separação dos
poderes, atribuindo a equivalência entre os conceitos.

Muito dessa crença está estreitamente vinculado a concepção política de Constituição oferecida no
Constitucionalismo clássico.

O prof. Carrion nos ensina que uma concepção política de Constituição pode ser obtida do próprio artigo 16 da
DDHC de 1789: "Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não é assegurada e nem a separação dos
poderes determinada não tem Constituição".

Lassalle, em meados do século XIX, doutrina a teoria de uma Constituição baseada nos fatores reais do poder. Uma
Constituição só teria sua real efetividade quando declarasse as relações de poder dominantes (poder militar, poder
social, poder intelectual, poder econômico…).

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Segundo essa concepção política, a capacidade de regular está limitada à sua compatibilidade com a sua
Constituição real.

O próprio Georg Jellinek afirma que "o desenvolvimento das Constituições demostra que regras jurídicas não se
mostram em condições de controlar questões de poder. As questões políticas mover-se-iam por si".

Em função dessa inclinação política, o Constitucionalismo clássico pretendeu garantir os direitos individuais apenas
no corpo legislativo resultado da divisão de poderes.

A partir disso, percebemos uma efetividade muito reduzida dos direitos individuais e políticos. Primeiro porque as
declarações na maior parte das Constituições do século XIX não estavam no corpo da Lei Fundamental. Carré de
Malberg nos ensina que tais declarações não eram mais do que documentos filosóficos, não-dotados de eficácia
jurídica. Além disso, há de se destacar duas características fundamentais do liberalismo clássico que contribuíram
na doutrina da construção política da Constituição: a supremacia da lei (*) reduziria o poder de atuação do judiciário
e, como a Constituição era essencialmente política, a garantia dos direitos cabia quase que somente à separação
dos poderes. Voltando… era, então, na separação dos poderes que se encontrava, basicamente, a garantia dos
direitos. Porém, o tempo foi mostrando que a separação dos poderes não era suficiente para arcar sozinha com tal
tarefa. Antes de ser um equilíbrio constitucional, representava um equilíbrio social pelas classes que disputavam o
poder.

A partir da entrada do século XX, foram sendo buscadas outras alternativas de garantias.

Já com a Constituição belga de 1831, temos uma evolução no sentido das declarações de direitos serem
incorporadas ao texto constitucional. Mas é efetivamente no Constitucionalismo moderno que ocorrem as maiores
modificações.

Konrad Hesse brilhantemente responde à teoria de Lassalle afirmando que há de existir um conteúdo normativo na
Constituição. Nada de extremos como o positivismo jurídico de Kelsen ou o positivismo sociológico de Carl Schmitt,
temos que buscar uma relação de condicionamento entre o aspecto material e o normativo.

É necessário que a Constituição possua força normativa o suficiente para fazer valer o direito posto e não servir
apenas de declaração política. Dessa forma, baseada na "vontade de Constituição", a Lei Fundamental poderá
buscar uma efetiva garantia de direitos, que não se limitam ao campo individual e político como no período clássico,
mas são sociais, econômicos, religiosos… e se ampliam cada vez mais.

A separação dos poderes não podia sozinha com o avanço constitucional moderno, até porque o sistema político-
partidário moderno trabalha com um só partido no controle da casa legislativa e do governo. É, portanto, mister a
juridicização ocorrida nos tempos modernos para que o direito efetive a supremacia da lei, sempre, obviamente,
orientada pelo espírito da sociedade, mas sem ser um simples retrato desta. A Constituição moderna não é um
simples retrato do "ser", mas, ao lado deste, coloca o "dever ser" que passa a ser a base das garantias.

Também são criados órgãos como a Corte Constitucional, o Tribunal Administrativo, que se encaixam no espírito
moderno de efetiva garantia do direito (em relação a estes, nos ateremos apenas em citá-los. São pontos
importantíssimos do Constitucionalismo moderno e fica aqui o convite para um futuro estudo em especial).

(*) NOTA: Cabe apenas a ressalva de que, mais tarde, essa supremacia da lei culminaria num dos pilares de apoio
da corrente positivista. Acrescentando, mas sem entrar no mérito da questão que é interessantíssima mas longa e
complexa, o positivismo encontra grande parte de suas raízes no liberalismo clássico racionalista, em origens que
se mostram desde as doutrinas de Locke e Montesquieu e nos Códigos do século XIX, em especial o napoleônico
de 1804.

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1.4 - Princípios Fundamentais da Constituição de 1988

Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição.

Art. 2º - São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Art. 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.

Art. 4º - A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único - A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos
povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

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2 - Direitos e Garantias Fundamentais

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2.1 - Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à
imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se
as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em
lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de
censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em
caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de
investigação criminal ou instrução processual penal;
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício
profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele
entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de
autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas
exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a
interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados
judicial ou extrajudicialmente;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de
financiar o seu desenvolvimento;

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XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive
nas atividades desportivas;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como
proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos,
tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus;
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo
sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de
interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do
valor do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo
do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

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L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período
de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório
e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
social o exigirem;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária
competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a
assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem
fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de
obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente
de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício
dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou
bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio
público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na
sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao
exercício da cidadania.
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

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2.2 - Direitos Sociais


Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social,
a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Art. 7º - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição
social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar,
que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e
às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência
social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer
fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na
gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei;
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a
compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação
coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até seis anos de idade em creches e pré-
escolas;
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para
os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
a) (Revogada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25.05.00).
b) (Revogada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25.05.00).
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo,
idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a
menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.

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Parágrafo único - São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV,
VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.

Art. 8º - É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:


I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais ou administrativas;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em
folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da
contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta
grave nos termos da lei.
Parágrafo único - As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.

Art. 9º - É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e
sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis
da comunidade.
§ 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.

Art. 10 - É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em
que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.
Art. 11 - Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com
a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.

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2.3 - Da Nacionalidade
Art. 12 - São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a
serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da
República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir na República
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos
ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
§ 1º - Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor dos brasileiros, serão
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
Constituição.
§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
b) de imposição de naturalização, pela forma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

Art. 13 - A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.


§ 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
§ 2º - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

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2.4 - Direitos Políticos


Art. 14 - A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para
todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório, os
conscritos.
§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§ 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§ 5º - O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver
sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente.
§ 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito
Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o
segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de
mandato eletivo e candidato à reeleição.
§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§ 9º - Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se
temerária ou de manifesta má-fé.

Art. 15 - É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

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Art. 16 - A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à
eleição que ocorra até 1 (um) ano da data de sua vigência.

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3 - Organização do Estado

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3.1 - Administração Pública

Art. 37 - A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos
estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de
provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos
em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e
definirá os critérios de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados
ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices;
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta,
autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos
pelo Poder Executivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de
pessoal do serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins
de concessão de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o
disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários,
observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público;
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de
sua atuação;
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas no
inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;

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XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados
mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da
lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do
cumprimento das obrigações.
§ 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
§ 2º - A não-observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade
responsável, nos termos da lei.
§ 3º - A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando
especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de
atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto
no art. 5º, X e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública.
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função
pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem
prejuízo da ação penal cabível.
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que
causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.
§ 7º - A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e
indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.
* § 7º acrescentado pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998.
§ 8º - A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por
objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, e obrigações e responsabilidade dos dirigentes;
III - a remuneração do pessoal.
* § 8º acrescentado pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998.
§ 9º - O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas
subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento
de despesas de pessoal ou de custeio em geral.
* § 9º acrescentado pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998.

§ 10º É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142
com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.
* §10º acrescentado pela Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998.

Art. 38 - Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo,
aplicam-se as seguintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela
sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo,
emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada
a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será
contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;

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V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no
exercício estivesse.

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3.2 - Servidores Públicos Civis e Militares

SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS

Art. 39 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e
remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
§ 1º - A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos.
§ 2º - A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na carreira,
facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados.
§ 3º - Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI,
XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza
do cargo o exigir.
§ 4º - O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e
Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de
qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido,
em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.
§ 5º - Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a maior e
a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.
§ 6º - Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da
remuneração dos cargos e empregos públicos.
§ 7º - Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para
aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio
de produtividade.
§ 8º - A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º.

Art. 40 - Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados
critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
§ 1º - Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados
os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3°:
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de
acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificadas em lei;
II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição;
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco
anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de
contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais
ao tempo de contribuição.
§ 2° Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião de sua concessão, não poderão exceder a
remuneração do respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência
para a concessão da pensão.
§ 3° Os proventos de aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão calculados com base na remuneração do
servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria e, na forma da lei, corresponderão à totalidade da
remuneração.
§ 4° É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos
pelo regime de que trata este artigo, ressalvados os casos de atividades exercidas exclusivamente sob condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, definidos em lei complementar.

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§ 5° Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no §
1°, III, a, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na
educação infantil e no ensino fundamental e médio.
§ 6° Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a
percepção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto neste artigo.
§ 7° Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual ao valor dos proventos do
servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento,
observado o disposto no § 3º.
§ 8° Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentadoria e as pensões serão revistos na mesma
proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também
estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos
servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em
que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei.
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de
serviço correspondente para efeito de disponibilidade.
§ 10º A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício.
§ 11º Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes
da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a contribuição para o
regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de inatividade com
remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§ 12º Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo
observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.
§ 13º Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência
social.
§ 14º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, desde que instituam regime de previdência
complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das
aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite máximo estabelecido
para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.
§ 15º Observado o disposto no art. 202, lei complementar disporá sobre as normas gerais para a instituição de
regime de previdência complementar pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para atender aos seus
respectivos servidores titulares de cargo efetivo.
§ 16º Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor
que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente regime de
previdência complementar."

Art. 41 - São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo
em virtude de concurso público.
§ 1º - O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada
ampla defesa.
§ 2º - Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante
da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou
posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
§ 3º - Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
§ 4º - Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por
comissão instituída para essa finalidade.

SERVIDORES PÚBLICOS MILTARES

Art. 42 - Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na
hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

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§ 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei,
as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor
sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos
governadores.
§ 2º Aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios e a seus pensionistas, aplica-se o disposto no
art. 40, §§ 7º e 8º."
§ 3º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 4º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 5º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 6º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 7º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 8º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 9º - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 10 - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).
§ 11 - (Revogado pela Emenda Constitucional n.º 18, de 05-02-1998).

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4 - Organização dos Poderes

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4.1 – Atribuições e Competências


do Congresso Nacional

DO CONGRESSO NACIONAL

Art. 44 - O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal.
Parágrafo único - Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
Art. 45 - A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em
cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º - O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será
estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano
anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta
Deputados.
§ 2º - Cada Território elegerá quatro Deputados.

Art. 46 - O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o
princípio majoritário.
§ 1º - Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º - A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos,
alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º - Cada Senador será eleito com dois suplentes.

Art. 47 - Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão
tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.

DAS ATRIBUIÇÕES DO CONGRESSO NACIONAL

Art. 48 - Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o
especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre:
I - sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
II - plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública e emissões de
curso forçado;
III - fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV - planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento;
V - limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União;
VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas
Assembléias Legislativas;
VII - transferência temporária da sede do Governo Federal;
VIII - concessão de anistia;
IX - organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e dos Territórios e
organização judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal;
X - criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que estabelece o art.
84, VI, b;
XI - criação e extinção de Ministérios e Órgãos da Administração pública;
XII - telecomunicações e radiodifusão;
XIII - matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações;
XIV - moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal.
XV - fixação do subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, por lei de iniciativa conjunta dos Presidentes
da República, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal, observado o que
dispõe os arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III e 153, § 2º, I.
Art. 49 - É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

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I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos
gravosos ao patrimônio nacional;
II - autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei
complementar;
III - autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a
quinze dias;
IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma
dessas medidas;
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação
legislativa;
VI - mudar temporariamente sua sede;
VII - fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõe os arts. 37, XI, 39,
§ 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
VIII - fixar o subsídio do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que
dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução
dos planos de governo;
X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da
administração indireta;
XI - zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII - escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
XIV - aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV - autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de
riquezas minerais;
XVII - aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos
hectares.

Art. 50 - A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão convocar Ministro
de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando em crime de responsabilidade a
ausência sem justificação adequada.
§ 1º - Os Ministros de Estado poderão comparecer ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados, ou a qualquer de
suas Comissões, por sua iniciativa e mediante entendimentos com a Mesa respectiva, para expor assunto de
relevância de seu Ministério.
§ 2º - As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos escritos de
informação aos Ministros de Estado ou a qualquer das pessoas referidas no caput deste artigo, importando em
crime de responsabilidade a recusa, ou o não atendimento, no prazo de trinta dias, bem como a prestação de
informações falsas.

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4.2 - Competências Privativas


da Câmara dos Deputados
e do Senado Federal

DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Art. 51 - Compete privativamente à Câmara dos Deputados:


I - autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente
da República e os Ministros de Estado;
II - proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional
dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa;
III - elaborar seu regimento interno;
IV - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos,
empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para a fixação da respectiva remuneração, observados os
parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
V - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.

DO SENADO FEDERAL

Art. 52 - Compete privativamente ao Senado Federal:


I - processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza
conexos com aqueles;
II - processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-
Geral da União nos crimes de responsabilidade;
III - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de:
a) magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV - aprovar previamente, por voto secreto, após argüição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão
diplomática de caráter permanente;
V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal;
VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e
interno;
IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios;
X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo
Tribunal Federal;
XI - aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República
antes do término de seu mandato;
XII - elaborar seu regimento interno;
XIII - dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos,
empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remuneração, observados os
parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
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XIV - eleger membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII.
Parágrafo único - Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal
Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à
perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais
sanções judiciais cabíveis.

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4.3 - Processo Legislativo

DISPOSIÇÃO GERAL

Art. 59 - O processo legislativo compreende a elaboração de:


I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único - Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.

DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO

Art. 60 - A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma
delas, pela maioria relativa de seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de
estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal,
com o respectivo número de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.

DAS LEIS

Art. 61 - A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal
Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição.
§ 1º - São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I - fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II - disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua
remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da
administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e
aposentadoria;
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a
organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;

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e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração,
reforma e transferência para a reserva.
§ 2º - A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito
por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de
três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

Art. 62 - Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com
força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º - É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I - relativa a:
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) direito penal, processual penal e processual civil;
c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o
previsto no art. 167, § 3º;
II - que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
III - reservada a lei complementar;
IV - já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do
Presidente da República.
§ 2º - Medida Provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II,
IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia
daquele em que foi editada.
§ 3º - As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não
forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período, devendo o Congresso
Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes.
§ 4º - O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo-se durante os
períodos de recesso do Congresso Nacional.
§ 5º - A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias
dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais.
§ 6º - Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação entrará
em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas,
até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando.
§ 7º - Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta
dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.
§ 8º - As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados.
§ 9º - Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso
Nacional.
§ 10 - É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que
tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo.
§ 11 - Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia
de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência
conserva-se-ão por ela regidas.
§ 12 - Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á
integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto.

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Art. 63 - Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, §§ 3º e 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos
Tribunais Federais e do Ministério Público.

Art. 64 - A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal
Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
§ 1º - O Presidente da República poderá solicitar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
§ 2º - Se, no caso do § 1º, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não se manifestarem sobre a proposição,
cada qual sucessivamente, em até quarenta e cinco dias, sobrestar-se-ão todas as demais deliberações legislativas
da respectiva Casa, com exceção das que tenham prazo constitucional determinado, até que se ultime a votação.
§ 3º - A apreciação das emendas do Senado Federal pela Câmara dos Deputados far-se-á no prazo de dez dias,
observado quanto ao mais o disposto no parágrafo anterior.
§ 4º - Os prazos do § 2º não correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional, nem se aplicam aos projetos
de código.

Art. 65 - O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, e
enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único - Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
Art. 66 - A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao
interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e
comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º - O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 3º - Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§ 4º - O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser
rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em escrutínio secreto.
§ 5º - Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.
§ 6º - Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão
imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.
§ 7º - Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos §§
3º e 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do
Senado fazê-lo.

Art. 67 - A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma
sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso
Nacional.
Art. 68 - As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao
Congresso Nacional.
§ 1º - Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência
privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a
legislação sobre:
I - organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros;
II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;
III - planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos.
§ 2º - A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará
seu conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º - Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única,
vedada qualquer emenda.

Art. 69 - As leis complementares serão aprovadas por maioria absoluta.

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4.4 - Fiscalização Contábil,


Financeira e Orçamentária

Art. 70 - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da
administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e
renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle
interno de cada Poder.
Parágrafo único - Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade,
guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em
nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.
Art. 71 - O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete:
I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser
elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da
administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público
federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao
erário público;
III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração
direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para
cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões,
ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;
IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de
inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso
II;
V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma
direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros
instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das
respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre
resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;
IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se
verificada ilegalidade;
X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao
Senado Federal;
XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
§ 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de
imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas
no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
§ 3º - As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 4º - O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.

Art. 72 - A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, § 1º, diante de indícios de despesas não
autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios não aprovados, poderá
solicitar à autoridade governamental responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos
necessários.
§ 1º - Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal
pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.

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§ 2º - Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se julgar que o gasto possa causar dano irreparável
ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional sua sustação.

Art. 73 - O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito Federal, quadro próprio
de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que couber, as atribuições previstas no art. 96.
§ 1º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes
requisitos:
I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;
II - idoneidade moral e reputação ilibada;
III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública;
IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos
mencionados no inciso anterior.
§ 2º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:
I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamente dentre
auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os
critérios de antiguidade e merecimento;
II - dois terços pelo Congresso Nacional.
§ 3º - Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,
vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria
e pensão, as normas constantes do art. 40.
§ 4º - O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando
no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de Tribunal Regional Federal.

Art. 74 - Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno
com a finalidade de:
I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos
orçamentos da União;
II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira
e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por
entidades de direito privado;
III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da União;
IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
§ 1º - Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade,
dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
§ 2º - Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar
irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

Art. 75 - As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e
fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de
Contas dos Municípios.
Parágrafo único - As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão
integrados por sete Conselheiros.

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5 - Poder Executivo

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5.1 - Atribuições e Responsabilidades


do Presidente da República

ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Art. 84 - Compete privativamente ao Presidente da República:


I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel
execução;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;
VI - dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação
ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;
IX - decretar o estado de defesa e o estado de sítio;
X - decretar e executar a intervenção federal;
XI - remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa,
expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias;
XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
XIII - exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos;
XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco
central e outros servidores, quando determinado em lei;
XV - nomear, observado o disposto no art. 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União;
XVI - nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
XVII - nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII - convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele,
quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a
mobilização nacional;
XX - celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI - conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional
ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas
de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV - prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa,
as contas referentes ao exercício anterior;
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
XXVI - editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII - exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
Parágrafo único - O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e XXV,
primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da União, que
observarão os limites traçados nas respectivas delegações.

RESPONSABILIDADES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

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Art. 85 - São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição
Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais
das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único - Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e
julgamento.

Art. 86 - Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será
ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o
Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
§ 1º - O Presidente ficará suspenso de suas funções:
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;
II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
§ 2º - Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento do
Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.
§ 3º - Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não estará
sujeito a prisão.
§ 4º - O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos
ao exercício de suas funções.

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6 – Poder Judiciário

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6.1 – Órgãos

Art. 92 - São órgãos do Poder Judiciário:


I - o Supremo Tribunal Federal;
II - o Superior Tribunal de Justiça;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
Parágrafo único - O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm sede na Capital Federal e jurisdição
em todo o território nacional.

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6.2 – Garantias dos Magistrados

Art. 93 - Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura,
observados os seguintes princípios:
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, através de concurso público de provas e títulos,
com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, obedecendo-se, nas nomeações, à
ordem de classificação;
II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antiguidade e merecimento, atendidas as seguintes
normas:
a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de
merecimento;
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a
primeira quinta parte da lista de antiguidade desta, salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar
vago;
c) aferição do merecimento pelos critérios da presteza e segurança no exercício da jurisdição e pela freqüência e
aproveitamento em cursos reconhecidos de aperfeiçoamento;
d) na apuração da antiguidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo voto de dois terços de
seus membros, conforme procedimento próprio, repetindo-se a votação até fixar-se a indicação;
III - o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antiguidade e merecimento, alternadamente, apurados na
última entrância ou, onde houver, no Tribunal de Alçada, quando se tratar de promoção para o Tribunal de Justiça,
de acordo com o inciso II e a classe de origem;
IV - previsão de cursos oficiais de preparação e aperfeiçoamento de magistrados como requisitos para ingresso e
promoção na carreira;
V - O subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio
mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados
em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária
nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem
exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em
qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º;
VI - a aposentadoria dos magistrados e a pensão de seus dependentes observarão o disposto no art. 40;
VII - o juiz titular residirá na respectiva comarca;
VIII - o ato de remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-á em
decisão por voto de dois terços do respectivo tribunal, assegurada ampla defesa;
IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob
pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir, limitar a presença, em determinados atos, às
próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes;
X - as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria
absoluta de seus membros;
XI - nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores poderá ser constituído órgão especial, com o
mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições administrativas e
jurisdicionais da competência do tribunal pleno.

Art. 94 - Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal
e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados
de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados
em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.
Parágrafo único - Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que,
nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.
Art. 95 - Os juízes gozam das seguintes garantias:
I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do
cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença
judicial transitada em julgado;
II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII;
III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I.

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Parágrafo único - Aos juízes é vedado:
I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
III - dedicar-se à atividade político-partidária.

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6.3 – Competências dos Tribunais

Art. 96 - Compete privativamente:


I - aos tribunais:
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos, com observância das normas de processo e
das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos
jurisdicionais e administrativos;
b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício
da atividade correicional respectiva;
c) prover, na forma prevista nesta Constituição, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição;
d) propor a criação de novas varas judiciárias;
e) prover, por concurso público de provas, ou de provas e títulos, obedecido o disposto no art. 169, parágrafo
único, os cargos necessários à administração da Justiça, exceto os de confiança assim definidos em lei;
f) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem
imediatamente vinculados;
II - ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo
respectivo, observado o disposto no art. 169:
a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhes forem
vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde
houver, ressalvado o disposto no art. 48, XV;
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;
III - aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do
Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.

Art. 97 - Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial
poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
Art. 98 - A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo,
mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o
julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;
II - justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de
quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de
impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional,
além de outras previstas na legislação.
Parágrafo único - Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal.

Art. 99 - Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.


§ 1º - Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os
demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.
§ 2º - O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete:
I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a aprovação
dos respectivos tribunais;
II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com a
aprovação dos respectivos tribunais.

Art. 100 - À exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual
ou Municipal, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação
dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações
orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
§ 1º - É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de
seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judiciários, apresentados até

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1º de julho, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados
monetariamente.
§ 1º-A Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos,
pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou invalidez, fundadas na
responsabilidade civil, em virtude de sentença transitada em julgado.
§ 2º - As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder Judiciário,
cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exeqüenda determinar o pagamento segundo as
possibilidades do depósito, e autorizar, a requerimento do credor, e exclusivamente para o caso de preterimento de
seu direito de precedência, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito.
§ 3° - O disposto no caput deste artigo, relativamente à expedição de precatórios, não se aplica aos pagamentos de
obrigações definidas em lei como de pequeno valor que a Fazenda Federal, Estadual, Distrital ou Municipal deva
fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado.
§ 4º - São vedados a expedição de precatório complementar ou suplementar de valor pago, bem como
fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução, a fim de que seu pagamento não se faça, em parte, na
forma estabelecida no § 3º deste artigo e, em parte, mediante expedição de precatório.
§ 5º - A lei poderá fixar valores distintos para o fim previsto no § 3º deste artigo, segundo as diferentes capacidades
das entidades de direito público.
§ 6º - O Presidente do Tribunal competente que, por ato comissivo ou omissivo, retardar ou tentar frustrar a
liquidação regular de precatório incorrerá em crime de responsabilidade.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Art. 101 - O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta
e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.
Parágrafo único - Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República,
depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.
Art. 102 - Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de
constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso
Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica, resalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os
do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;
d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado de
segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal
Federal;
e) o litígio entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o
Território;
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive
as respectivas entidades da administração indireta;
g) a extradição solicitada por Estado estrangeiro;
h) a homologação das sentenças estrangeiras e a concessão do exequatur às cartas rogatórias, que podem ser
conferidas pelo regimento interno a seu Presidente;
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for autoridade ou
funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime
sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;
j) a revisão criminal e a ação rescisória de seus julgados;
l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
m) a execução de sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a
prática de atos processuais;
n) a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que
mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente
interessados;

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o) os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais, entre Tribunais
Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;
p) o pedido de medida cautelar das ações diretas de inconstitucionalidade;
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da
República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas
Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo
Tribunal Federal;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única
instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
b) o crime político;
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão
recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.
§ 1º - A argüição de descumprimento de preceito fundamental decorrente desta Constituição será apreciada pelo
Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.
§ 2º - As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações declaratórias de
constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante,
relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo.

Art. 103 - Podem propor a ação de inconstitucionalidade:


I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa;
V - o Governador de Estado;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
§ 1º - O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em
todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.
§ 2º - Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada
ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão
administrativo, para fazê-lo em trinta dias.
§ 3º - Quando o Supremo Tribunal Federal apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato
normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.
§ 4º - A ação declaratória de constitucionalidade poderá ser proposta pelo Presidente da República, pela Mesa do
Senado Federal, pela Mesa da Câmara dos Deputados ou pelo Procurador-Geral da República.

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SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Art. 104 - O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros.
Parágrafo único - Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República,
dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e
reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal, sendo:
I - um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre desembargadores dos Tribunais de
Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal;
II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito
Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94.

Art. 105 - Compete ao Superior Tribunal de Justiça:


I - processar e julgar, originariamente:
a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os
desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas
dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do
Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União
que oficiem perante tribunais;
b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha,
do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;
c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea a, ou quando o
coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da
Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;
d) os conflitos de competência entre quaisquer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, o, bem como
entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos;
e) as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;
f) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões;
g) os conflitos de atribuições entre autoridades administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades
judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do Distrito Federal, ou entre as deste e da União;
h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou
autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal
Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais
dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória;
b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais
dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;
c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro,
Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais
Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
Parágrafo único - Funcionará junto ao Superior Tribunal de Justiça o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe, na
forma da lei, exercer a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus.

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6.4 – Dos Tribunais Regionais Federais


e dos Juízes Federais

Art. 106 - São órgãos da Justiça Federal:


I - os Tribunais Regionais Federais;
II - os Juízes Federais.

Art. 107 - Os Tribunais Regionais Federais compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível,
na respectiva região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de
sessenta e cinco anos, sendo:
I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério
Público Federal com mais de dez anos de carreira;
II - os demais, mediante promoção de juízes federais com mais de cinco anos de exercício, por antiguidade e
merecimento, alternadamente.
Parágrafo único - A lei disciplinará a remoção ou a permuta de juízes dos Tribunais Regionais Federais e
determinará sua jurisdição e sede.

Art. 108 - Compete aos Tribunais Regionais Federais:


I - processar e julgar, originariamente:
a) os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos crimes
comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça
Eleitoral;
b) as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais da região;
c) os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal;
d) os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal;
e) os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal;
II - julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da
competência federal da área de sua jurisdição.

Art. 109 - Aos juízes federais compete processar e julgar:


I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de
autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça
Eleitoral e à Justiça do Trabalho;
II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente
no País;
III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional;
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou
de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da
Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado
tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a
ordem econômico-financeira;
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade
cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de
competência dos tribunais federais;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;
X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o exequatur,
e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva
opção, e à naturalização;
XI - a disputa sobre direitos indígenas.
§ 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte.

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§ 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o autor,
naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou ainda, no
Distrito Federal.
§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, as
causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de
vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também
processadas e julgadas pela justiça estadual.
§ 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na área
de jurisdição do juiz de primeiro grau.

Art. 110 - Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção judiciária que terá por sede a respectiva
Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido em lei.
Parágrafo único - Nos Territórios Federais, a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais caberão aos
juízes da justiça local, na forma da lei.

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6.5 - Lei Orgânica da Magistratura Nacional


(Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979)

O Presidente da República: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei
Complementar:

TÍTULO I
DO PODER JUDICIÁRIO
Vide Constituição da República Federativa do Brasil, arts. 112 a 144.

CAPÍTULO I
DOS ORGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO

Art. 1.º O poder Judiciário é exercido pelos seguintes órgãos:


I - Supremo Tribunal Federal;
II - Conselho Nacional da Magistratura;
III - Tribunal Federal de Recursos de juízes federais;
IV - tribunais e juizes militares;
V -tribunais e juízes eleitorais;
VI - tribunais e juizes do trabalho;
VII - tribunais e juizes estaduais;
VIII - tribunais e juizes do Distrito Federal e dos Territórios.

Art. 2.º Supremo Tribunal Federal, com sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional, compõe-
se de 11 (onze) ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pelo
Senado Federal, dentre cidadãos maiores de 35 (trinta e cinco) anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada.
Art. 3.º Conselho Nacional da Magistratura, com sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional,
compõe-se de 7 (sete) ministros do Supremo Tribunal Federal, por este escolhidos, mediante votação nominal para
um período de 2 (dois) anos, inadmitida a recusa do encargo.
§ 1.º A eleição far-se-á juntamente com a do presidente e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, os quais
passam a integrar, automaticamente, o Conselho, nele exercendo as funções de presidente e vice-presidente,
respectivamente.
§ 2.º Os ministros não eleitos poderão ser convocados pelo presidente, observada a ordem decrescente de
antigüidade, para substituir os membros do Conselho, nos casos de impedimento ou afastamento temporário.
§ 3.º Junto ao Conselho funcionará o procurador-geral da República.

Art. 4.º Tribunal Federal de Recursos, com sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional,
compõe-se de 27 (vinte e sete) ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, após aprovada a
escolha pelo Senado Federal, salvo quanto à dos juízes federais, sendo 15 (quinze) dentre juízes federais,
indicados em lista tríplice pelo próprio tribunal; 4 (quatro) dentre membros do Ministério Público federal; 4 (quatro)
dentre advogados maiores de 35 (trinta e cinco) anos, de notável saber jurídico e de reputação ilibada; e 4 (quatro)
dentre magistrados ou membros do Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal.
Art. 5.º Os juízes federais serão nomeados pelo Presidente da República, escolhidos, sempre que possível, em lista
tríplice, organizada pelo Tribunal Federal de Recursos, dentre os candidatos com idade superior a 25 (vinte e cinco)
anos, de reconhecida idoneidade moral, aprovados em concurso público de provas e títulos, além da satisfação de
outros requisitos especificados em lei.
§ 1.º Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constitui uma Seção Judiciária, que tem por sede a respectiva
Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido em lei.
· Vide a Lei Complementar n. 20, de 1.º de junho de 1974, que dispõe sobre a criação de Estados e Territórios,
estabelecendo, em seu art. 8º. que os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara passam a constituir um único
Estado, sob a denominação de Estado do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1977 e a Lei Complementar nº
31 de II de outubo de 1977, que criou o Estado de Mato Grosso do Sul, pelo desmembramento de área do Estado
de Mato Grosso (art.1.º).
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§ 2º Nos Territórios do Amapá, Roraima e Rondônia, a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais
caberão aos juízes da justiça local, na forma que a lei dispuser. O Território de Fernando de Noronha está
compreendido na Seção Judiciária do Estado de Pernambuco.

Art. 6.º O Superior Tribunal Militar, com sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional, compõe-
se de 15 (quinze) ministros vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pelo
Senado Federal, sendo 3 (três) dentre oficiais-generais da Marinha, 4 (quatro) dentre oficiais-generais do Exército e
3 (três) dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa, e 5 (cinco) dentre civis, maiores de 35 (trinta e cinco)
anos, dos quais 3 (três) cidadãos de notório saber jurídico e idoneidade moral, com mais de 10 (dez) anos de
prática forense, e 2 (dois) juízes-auditores ou membros do Ministério Público da Justiça Militar, de comprovado
saber jurídico.
Art. 7.º São órgãos da Justiça Militar da União, além do Superior Tribunal Militar, os juízes-auditores e os Conselhos
de Justiça, cujos números, organização e competência são definidos em lei.
Art. 8.º O Tribunal Superior Eleitoral, com sede na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional, é
composto de 7 (sete) juízes, dos quais 3 (três) ministros do Supremo Tribunal Federal e 2 (dois) ministros do
Tribunal Federal de Recursos, escolhidos pelo respectivo tribunal, mediante eleição, pelo voto secreto, e 2 (dois)
nomeados pelo Presidente da República, dentre 6 (seis) advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral,
indicados pelo Supremo Tribunal Federal.
Art. 9.º Os Tribunais Regionais Eleitorais, com sede na Capital do Estado em que te nham jurisdição e no Distrito
Federal, compõem-se de 4 (quatro) juízes eleitos, pelo voto secreto, pelo respectivo Tribunal de Justiça, sendo 2
(dois) dentre desembargadores e 2 (dois) dentre juízes de direito; 1 (um) juíz federal, escolhido pelo Tribunal
Federal de Recursos, se na Seção Judiciária houver mais de um, e, por nomeação do Presidente da República, de
2 (dois) dentre 6 (seis) cidadãos de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.
Art. 10. Os juízes do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais, bem como os respectivos
substitutos, escolhidos na mesma ocasião e por igual processo, salvo motivo justificado, servirão, obrigatoriamente,
por 2 (dois) anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos.
Art. 11. Os juízes de direito exercem as funções de juízes eleitorais, nos termos da lei.
§ 1.º A lei pode outorgar a outros juízes competência para funções não decisórias.
§ 2.º Para a apuração de eleições, constituir-se-ão Juntas Eleitorais, presididas por juíz de direito, e cujos membros,
indicados conforme dispuser a legislação eleitoral, serão aprovados pelo Tribunal Regional Eleitoral e nomeados
pelo seu presidente.

Art. 12. O Tribunal Superior do Trabalho, com sede na Capital da União e jurisdição em todoo território nacional,
compõe-se de 17 (dezessete) ministros, nomeados pelo Presidente da República, 11 (onze) dos quais togados e
vitalícios, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal, sendo 7 (sete) dentre magistrados da Justiça do
Trabalho, 2 (dois) dentre advogados no exercício efetivo da profissão, e 2 (dois) dentre membros do Ministério
Público da Justiça do Trabalho, maiores de 35 (trinta e cinco) anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, e 6
(seis) classistas temporários, em representação paritária dos empregadores e dos trabalhadores, de conformidade
com a lei, e vedada a recondução por mais de dois períodos de 3 (três) anos.
Art. 13. Os Tribunais Regionais do Trabalho, com sede, jurisdição e número definidos em lei, compõem-se de dois
terços de juízes togados e vitalícios e um terço de juízes classistas e temporários, todos nomeados pelo Presidente
da República, observada, quanto aos juízes togados, a proporcionalidade fixada no art. 12 relativamente aos juízes
de carreira, advogados e membros do Ministério Público da Justiça do Trabalho e, em relação aos juízes classistas,
a proibição constante da parte final do artigo anterior.
Art. 14. As Juntas de Conciliação e Julgamento têm a sede, a jurisdição e a composição definidas em lei,
assegurada a paridade de representação entre empregadores e trabalhadores, e inadmitida a recondução dos
representantes classistas por mais de dois períodos de 3 (três) anos.
Vide arts. 647 a 667 da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei n. 5.452, de 1.º-5-1943), sobre Juntas de
Conciliação e Julgamento.
§ 1.º Nas comarcas onde não for instituída Junta de Conciliação e Julgamento, poderá a lei atribuir as suas funções
aos juízes de direito.
Vide arts. 668 e 669 da Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei n.º 5.452, de 1.º-5-1943), sobre atuação
dos juízes de direito na Justiça do Trabalho.
§ 2.º Poderão ser criados por lei outros órgáos da Justiça do Trabalho.

Art. 15. Os órgãos do Poder Judiciário da União (art. 1.º, I a VI) têm a organização e a competência definidas na
Constituição, na lei e, quanto aos tribunais, ainda, no respectivo Regimento Interno.

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Art. 16. Os Tribunais de Justiça dos Estados, com sede nas respectivas Capitais e jurisdição no território estadual, e
os Tribunais de Alçada, onde forem criados, têm a composição, a organização e a competência estabelecidas na
Constituição, nesta Lei, na legislação estadual e nos seus Regimentos Internos.
Parágrafo único. Nos Tribunais de Justiça com mais de vinte e cinco desembargadores, será constituído órgáo
especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício das atribuições
administrativas e jurisdicionais, da competência do tribunal pleno, bem como para uniformização da jurisprudência
no caso de divergência entre suas seções.
Art. 17. Os juízes de direito, onde não houver juízes substitutos, e estes, onde os houver, serão nomeados
mediante concurso público de provas e títulos.
§ 1.º (Vetado.)
§ 2.º Antes de decorrido o biênio do estágio, e desde que seja apresentada a proposta do tribunal ao Chefe do
Poder Executivo, para o ato de exoneração, o juiz substituto ficará automaticamente afastado de suas funções e
perderá o direito a vitaliciedade, ainda que o ato de exoneração seja assinado após o decurso daquele período.
§ 3.º Os juízes de direito e os juízes substitutos têm a sede, a jurisdição e a competência fixadas em lei.
§ 4.º Poderão os Estados instituir, mediante proposta do respectivo Tribunal de Justiça, ou órgão especial, juízes
togados, com investidura limitada no tempo e competência para o julgamento de causas de pequeno valor e crimes
a que não seja cominada pena de reclusão, bem como para a substituição dos juízes vitalícios.
§ 5.º Podem, ainda, os Estados criar justiça de paz temporária, competente para o processo de habilitação e
celebração de casamento.

Art. 18. São órgãos da Justiça Militar estadual os Tribunais de Justiça e os Conselhos de Justiça, cujas
composição, organização e competência são definidas na Constituição e na lei.
Parágrafo único. Nos Estados de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, a segunda instância da
Justiça Militar estadual é constituída pelo respectivo Tribunal Militar, integrado por oficiais do mais alto posto da
Policia Militar e por civis, sempre em número ímpar, excedendo os primeiros aos segundos em uma unidade.
Art. 19. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, com sede na Capital da União, tem a
composição, a organização e a competência estabelecidas em lei.
Art. 20. Os juízes de direito e os juízes substitutos da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, vitalícios após 2
(dois) anos de exercício, investidos mediante concurso público de provas e títulos, e os juízes togados temporários,
todos nomeados pelo Presidente da República, têm a sede, a jurisdição e a competência prescritas em lei.

CAPÍTULO II
DOS TRIBUNAIS

Art. 21. Compete aos tribunais, privativamente:


I - eleger seus presidentes e demais titulares de sua direção, observado o disposto na presente Lei;
II - organizar seus serviços auxiliares, provendo-lhes os cargos, na forma da lei; propor ao Poder Legislativo a
criação ou a extinção de cargos e a fixação dos respectivos vencimentos;
III - elaborar seus regimentos internos e neles estabelecer, observada esta Lei, a competência de suas câmaras ou
turmas isoladas, grupos, seções ou outros órgãos com funções jurisdicionais ou administrativas;
IV- conceder licença e férias, nos termos da lei, aos seus membros e aos juízes e serventuários que lhes são
imediatamente subordinados;
V - exercer a direção e a disciplina dos órgãos e serviços que lhes forem subordinados;
VI- julgar, originariamente, os mandados de segurança contra seus atos, os dos respectivos presidentes e os de
suas câmaras, turmas ou seções.

CAPÍTULO III
DOS MAGISTRADOS

Art. 22. São vitalícios:


1 - a partir da posse:
a) os ministros do Supremo Tribunal Federal;
b) os ministros do Tribunal Federal de Recursos;
c) os ministros do Superior Tribunal Militar;
a) os ministros e juízes togados do Tribunal Superior do Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho;

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e) os desembargadores, os juízes dos Tribunais de Alçada e dos Tribunais de segunda instância da Justiça Militar
dos Estados;
Alínea e com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.
II - após 2 (dois) anos de exercício:
a) os juízes federais;
b) os juízes-auditores e juízes-auditores substitutos da Justiça Militar da União;
e) os juízes do trabalho presidentes de Junta de Conciliação e Julgamento e os juízes do trabalho substitutos;
a) os juízes de direito e os juízes substitutos da Justiça dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, bem
assim os juízes-auditores da Justiça Militar dos Estados.
Inciso II e alíneas com redaçao determinada pela Lei Complementar n. 37, de 13 de novembro de 1979.
§ 1.º Os juízes mencionados no inciso II deste artigo, mesmo que não hajam adquirido a vitaliciedade, não poderão
perder o cargo senão por proposta do tribunal ou do órgáo especial competente, adotada pelo voto de dois terços
de seus membros efetivos.
§ 1.º com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.
§ 2.º Os juízes a que se refere o inciso II deste artigo, mesmo que não hajam adquirido a vitaliciedade, poderão
praticar todos os atos reservados por lei aos juízes vitalícios.
§ 2.º com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.

Art. 23. Os juízes e membros de tribunais e Juntas Eleitorais, no exercício de suas funções e no que lhes for
aplicável, gozarão de plenas garantias e serão inamovíveis.
Art. 24. O juíz togado, de investidura temporária (art. 17, § 4.º ), poderá ser demitido, em caso de falta grave, por
proposta do tribunal ou do órgão especial, adotada pelo voto de dois terços de seus membros efetivos.
Parágrafo único. O quorum de dois terços de membros efetivos do tribunal, ou de seu órgão especial, será
apurado em relação ao número de desembargadores em condições legais de votar, como tal se considerando os
não atingidos por impedimento ou suspeição e os não licenciados por motivo de saúde.

TÍTULO II
DAS GARANTIAS DA MAGISTRATURA E DAS
PRERROGATIVAS DO MAGISTRADO

CAPÍTULO I
DAS GARANTIAS DA MAGISTRATURA

Seção 1
Da Vitaliciedade

Art. 25. Salvo as restrições expressas na Constituição, os magistrados gozam das garantias de vitaliciedade,
inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos.
Art. 26. O magistrado vitalício somente perderá o cargo (Vetado):
I - em ação penal por crime comum ou de responsabilidade;
II - em procedimento administrativo para a perda do cargo nas hipóteses seguintes:
a) exercício, ainda que em disponibilidade, de qualquer outra função, salvo um cargo de magistério superior, público
ou particular;
b) recebimento, a qualquer título e sob qualquer pretexto, de percentagens ou custas nos processos sujeitos a seu
despacho e julgamento;
c) exercício de atividade político-partidária.
§ 1.º O exercício de cargo de magistério superior, público ou particular, somente será permitido se houver
correlação de matérias e compatibilidade de horários, vedado, em qualquer hipótese, o desempenho de função de
direção administrativa ou técnica de estabelecimento de ensino.
§ 2.º Não se considera exercício do cargo o desempenho de função docente em curso oficial de preparação para
judicatura ou aperfeiçoamento de magistrados.

Art. 27. O procedimento para a decretação da perda do cargo terá início por determinaçio do tribunal, ou do seu
órgão especial, a que pertença ou esteja subordinado o magistrado, de ofício ou mediante representação
fundamentada do Poder Executivo ou Legislativo, do Ministério Público ou do Conselho Federal ou Seccional da
Ordem dos Advogados do Brasil.

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§ 1.º Em qualquer hipótese, a instauração do processo proceder-se-á da defesa prévia do magistrado, no prazo de
15 (quinze) dias, contado da entrega da cópia do teor da acusação e das provas existentes, que lhe remeterá o
presidente do tribunal, mediante oficio, nas 48 (quarenta e oito) horas imediatamente seguintes à apresentação da
acusação.
§ 2.º Findo o prazo da defesa prévia, haja ou não sido apresentada, o presidente, no dia útil imediato, convocará o
tribunal ou o seu órgão especial para que, em sessão secreta, decida sobre a instauração do processo, e, caso
determinada esta, no mesmo dia distribuirá o feito e fará entregá-lo ao relator.
§ 3.º O tribunal ou o seu órgão especial, na sessão em que ordenar a instauração do processo, como no curso dele,
poderá afastar o magistrado do exercício das suas funções, sem prejuízo dos vencimentos e das vantagens, até a
decisão final.
§ 4.º As provas requeridas e deferidas, bem como as que o relator determinar de ofício, serão produzidas no prazo
de 20 (vinte) dias, cientes o Ministério Público, o magistrado ou o procurador por ele constituído, a fim de que
possam delas participar.
§ 5.º Finda a instrução, o Ministério Público e o magistrado ou seu procurador terão, sucessivamente, vista dos
autos por 10 (dez) dias, para razões.
§ 6.º O julgamento será realizado em sessão secreta do tribunal ou de seu órgão especial, depois de relatório oral, e
a decisão no sentido da penalização do magistrado só será tomada pelo voto de dois terços dos membros do
colegiado, em escrutínio secreto.
§ 7.º Da decisão publicar-se-á somente a conclusão.
§ 8.º Se a decisão concluir pela perda do cargo, será comunicada, imediatamente, ao Poder Executivo, para a
formalização do ato

Art. 28. O magistrado vitalício poderá ser compulsoriamente aposentado ou posto em disponibilidade, nos termos
da Constituição e da presente Lei.
Art. 29. Quando, pela natureza ou gravidade da infração penal, se torne aconselhável o recebimento de denúncia
ou de queixa contra magistrado, o tribunal, ou seu órgáo especial, poderá, em decisão tomada pelo voto de dois
terços de seus membros, determinar o afastamento do cargo do magistrado denunciado.

Seção II
Da Inamovibilidade

Art. 30. O juiz não poderá ser removido ou promovido senão com seu assentimento, manifestado na forma da lei,
ressalvado o disposto no art. 45, I.
Art. 31. Em caso de mudança da sede do juízo será facultado ao juiz remover-se para ela ou para comarca de igual
entrância, ou obter a disponibilidade com vencimentos integrais.

Seção III
Da Irredutibilidade de Vencimentos

Art. 32. Os vencimentos dos magistrados são irredutíveis, sujeitos, entretanto, aos impostos gerais, inclusive o de
renda, e aos impostos extraordinários.
Parágrafo único. A irredutibilidade dos vencimentos dos magistrados não impede os descontos fixados em lei, em
base igual à estabelecida para os servidores públicos, para fins previdenciários.

CAPITULO II
DAS PRERROGATIVAS DO MAGISTRADO

Art. 33. São prerrogativas do magistrado:


I - ser ouvido como testemunha em dia, hora e local previamente ajustados com a autoridade ou juiz de instância
igual ou inferior;
II - não ser preso senão por ordem escrita do tribunal ou do órgão especial competente para o julgamento, salvo em
flagrante de crime inafiançável, caso em que a autoridade fará imediata comunicação e apresentação do magistrado
ao presidente do tribunal a que esteja vinculado (Vetado);

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III - ser recolhido a prisão especial, ou a sala especial de Estado-Maior, por ordem e à disposição do tribunal ou do
órgâo especial competente, quando sujeito a prisão antes do julgamento final;
IV - não estar sujeito a notificação ou a intimação para comparecimento, salvo se expedida por autoridade judicial;
V - portar arma de defesa pessoal.
Parágrafo único. Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a
autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o
julgamento, a fim de que prossiga na investigação.

Art. 34. Os membros do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Federal de Recursos, do Superior Tribunal Militar,
do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal Superior do Trabalho tem o título de ministro; os dos Tribunais de
Justiça, o de desembargador; sendo o de juiz privativo dos integrantes dos outros tribunais e da magistratura de
primeira instância.

TÍTULO III
DA DISCIPLINA JUDICIÁRIA

CAPÍTULO I
DOS DEVERES DO MAGISTRADO

Art 3.º São deveres do magistrado:


I - cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e atos de ofício;
II - não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar;
Vide arts. 125,II, 133, II e parágrafo único, 187, 189, 198 e 199. Todos do Colégio de Processo Civil, sobre excesso
de prazo.
III - determinar as providências necessárias para que os atos processuais se realizem nos prazos legais;
IV - tratar com urbanidade as partes, os membros do Ministério Público, os advogados, as testemunhas, os
funcionários e auxiliares da justiça, e atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quanda se trate de
providência que reclame e possibilite solução de urgência;
V - residir na sede da comarca, salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado;
VI - comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão, e não se ausentar injustificadamente
antes de seu término;
VII - exercer assídua fiscalização sobre os subordinados, especialmente no que se retere à cobrança de custas e
emolumentos, embora não haja reclamação das partes;
VIII - manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.

Art. 36. É vedado ao magistrado:


I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou
quotista;
II - exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou
finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração;
III - manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de
outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos
autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.
Parágrafo único. (Vetado.)

Art. 37. Os tribunais farão publicar, mensalmente, no órgão oficial, dados estatísticos sobre seus trabalhos no mês
anterior, entre os quais: o número de votos que cada um de seus membros, nominalmente indicado, proferiu como
relator e revisor; o número de feitos que lhe foram distribuídos no mesmo período; o número de processos que
recebeu em conseqúência de pedido de vista ou como revisor; a relação dos feitos que lhe foram conclusos para
voto, despacho e lavratura de acórdão, ainda não devolvidos, embora decorridos os prazos legais, com as datas
das respectivas conclusões.
Parágrafo único. Compete ao presidente do tribunal velar pela regularidade e pela exatidão das publicações.
Art. 38. Sempre que, encerrada a sessão, restarem em pauta ou em mesa mais de 20 (vinte) feitos sem julgamento,
o presidente fará realizar uma ou mais sessões extraordinárias, destinadas ao julgamento daqueles processos.

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Art. 39. Os juízes remeterão, até o dia 10 de cada mês, ao órgão corregedor competente de segunda instância,
informação a respeito dos feitos em seu poder, cujos prazos para despacho ou decisão hajam sido excedidos, bem
como indicação do número de sentenças proferidas no mês anterior.

CAPÍTULO II
DAS PENALIDADES

Art. 40. A atividade censória de tribunais e conselhos é exercida com o resguardo devido à dignidade e à
independência do magistrado.
Art. 41. Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem, o magistrado não pode ser punido ou
prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir.
Art. 42. São penas disciplinares:
I - advertência;
II - censura;
III - remoção compulsória;
IV - disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço;
V - aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço;
VI - demissão.
Parágrafo único. As penas de advertência e de censura somente são aplicáveis aos juízes de primeira instância.

Art. 43. A pena de advertência aplicar-se-á reservadamente, por escrito, no caso de negligência no cumprimento
dos deveres do cargo.
Art. 44. A pena de censura será aplicada reservadamente, por escrito, no caso de reitera-da negligência no
cumprimento dos deveres do cargo, ou no de procedimento incorreto, se a infraçao não justificar punição mais
grave.
Parágrafo único. O juiz punido com a pena de censura náo poderá figurar em lista de promoçáo por merecimento
pelo prazo de 1 (um) ano, contado da imposiçáo da pena.
Art. 45. O tribunal ou seu órgáo especial poderá determinar, por motivo de interesse público, em escrutínio secreto
e pelo voto de dois terços de seus membros efetivos:
I - a remoçáo de juiz de instância inferior;
II - a disponibilidade de membro do próprio tribunal ou de juiz de instância inferior, com vencimentos proporcionais
ao tempo de serviço.
Parágrafo único. Na determinaçlio de quorum de decisão aplicar-se-á o disposto no parágrafo único do art. 24.
A Ressolução n.º 12, de 26 de março de 1990, do Senado Federal, suspende, de acordo com a decisão proferida
pelo Supremo Tribunal Federal, em acórdão de 5 de março de 1986, a execução deste parágrafo único, nos termos
do que dispõe o art. 52, X, da Constituição Federal.

Ant. 46.0 procedimento para a decretação da remoção ou disponibilidade de magistrado obedecerá ao prescrito no
art. 27 desta Lei.
Art. 47. A pena de demissão será aplicada:
1 - aos magistrados vitalícios, nos casos previstos no art. 26, I e II;
II - aos juízes nomeados mediante concurso de provas e títulos, enquanto nao adquirirem a vitaliciedade, e aos
juizes togados temporários, em caso de falta grave, inclusive nas hipóteses previstas no art. 56.

Art. 48. Os regimentos internos dos tribunais estabelecerão o procedimento para a apuraçâo de faltas puníveis com
advertência ou censura.

CAPÍTULO III
DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO MAGISTRADO
Vide art. 133 do Código de Processo Civil, sobre responsabilidade por perdas e danos do juiz.

Art. 49. Responderá por perdas e danos o magistrado, quando:


no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude;
II - recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício, ou a requerimento das
partes.

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Parágrafo único. Reputar-se-ão verificadas as hipóteses previstas no inciso II somente depois que a parte, por
intermédio do escrivão, requerer ao magistrado que determine a providência, e este não lhe atender o pedido dentro
de 10 (dez) dias.

CAPÍTULO IV
DO CONSELHO NACIONAL DA MAGISTRATURA

Art. 50. Ao Conselho Nacional da Magistratura cabe conhecer de reclamações contra membros de tribunais,
podendo avocar processos disciplinares contra juízes de primeira instância e, em qualquer caso, determinar a
disponibilidade ou a aposentadoria de uns e outros, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.
Art. 51 Ressalvado o poder de avocação, a que se refere o artigo anterior, o exercício das atribuições específicas
do Conselho Nacional da Magistratura não prejudica a competência disciplinar dos tribunais, estabelecida em lei,
nem interfere nela.
Art. 52. A reclamação contra membro de tribunal será formulada em petição, devidamente fundamentada e
acompanhada de elementos comprobatórios das alegações.
§ 1.º A petição a que se refere este artigo deve ter firma reconhecida, sob pena de arquivamento liminar, salvo se
assinada pelo procurador-geral da República, pelo presidente do Conselho Federal ou Seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil ou pelo procurador-geral da Justiça do Estado.
§ 2.º Distribuída a reclamação, poderá o relator, desde logo, propor ao Conselho o arquivamento, se considerar
manifesta a sua improcedência.
§ 3.º Caso o relator não use da faculdade prevista no parágrafo anterior, mandará ouvir o reclamado, no prazo de
15 (quinze) dias, a fim de que, por si ou por procurador, alegue, querendo, o que entender conveniente a bem de
seu direito.
§ 4.º Com a resposta do reclamado, ou sem ela, deliberará o Conselho sobre o arquivamento ou a conveniência de
melhor instrução do processo, fixando prazo para a produção de provas e para as diligências que determinar.
§ 5.º Se desnecessárias outras provas ou diligências, e se o Conselho não concluir pelo arquivamento da
reclamação, abrir-se-á vista para alegações, sucessivamente, pelo prazo de 10 (dez) dias, ao reclamado, ou a seu
advogado, e ao procurador-geral da República.
§ 6.º O julgamento será realizado em sessão secreta do Conselho, com a presença de todos os seus membros,
publicando-se somente a conclusão do acórdão.
§ 7.º Em todos os atos e termos do processo, poderá o reclamado fazer-se acompanhar ou representar por
advogado, devendo o procurador-geral da República oficiar neles como fiscal da lei.

Art. 53. A avocação de processo disciplinar contra juiz de instância inferior dar-se-a mediante representação
fundamentada do procurador-geral da República, do presidente do Conselho Federal ou Seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil ou do procurador-geral da Justiça do Estado, oferecida dentro de 60 (sessenta) dias da ciência
da decisão disciplinar final do órgão a que estiver sujeito o juiz, ou, a qualquer tempo, se, decorridos mais de 3 (três)
meses do início do processo, não houver sido proferido o julgamento.
§ 1.º Distribuída a representação, mandará o relator ouvir, em 15 (quinze) dias, o juiz e o órgão disciplinar que
proferiu a decisão ou que deveria havê-la proferido.
§ 2.º Findo o prazo de 15 (quinze) dias, com ou sem as informações, deliberará o Conselho Nacional da
Magistratura sobre o arquivamento da representação ou a avocação do processo, procedendo-se, neste caso, na
conformidade dos §§ 4.º a 7.º do artigo anterior.

Art. 54. 0 processo e o julgamento das representações e reclamações serão sigilosos, para resguardar a dignidade
do magistrado, sem prejuízo de peder o relator delegar a instrução a juiz de posição funcional igual ou superior à do
indiciado.
Art. 55. As reuniões do Conselho Nacional da Magistratura serão secretas, cabendo a um de seus membros,
designado pelo presidente, lavrar-lhes as respectivas atas, das quais constarão os nomes dos juízes presentes e,
em resumo, os processos apreciados e as decisões adotadas.
Art. 56. O Conselho Nacional da Magistratura pederá determinar a aposentadoria, com vencimentos proporcionais
ao tempo de serviço, do magistrado:
I - manifestamente negligente no cumprimento dos deveres do cargo;
II - de procedimento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções;
III - de escassa ou insuficiente capacidade de trabalho, ou cujo proceder funcional seja incompatível com o bom
desempenho das atividades do Poder Judiciário.

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Art. 57. O Conselho Nacional da Magistratura poderá determinar a disponibilidade de magistrado, com vencimentos
proporcionais ao tempo de serviço, no caso em que a gravidade das faltas a que se reporta o artigo anterior não
justifique a decretação da aposentadoria.
§ 1.º O magistrado, posto em disponibilidade por determinação do Conselho, somente poderá pleitear o seu
aproveitamento, decorridos 2 (dois) anos do afastamento.
Vide art 1O6. § 4.º
§ 2.º O pedido, devidamente instruído e justificado, acompanhado de parecer do tribunal competente, ou de seu
órgão especial, será apreciado pelo Conselho Nacional da Magistratura, após parecer do procurador-geral da
República. Deferido o pedido, o aproveitamento farse-á a critério do tribunal ou seu órgão especial.
§ 3.º Na hipótese deste artigo, o tempo de disponibilidade não será computado, senão para efeito de aposentadoria.
§ 4.º O aproveitamento de magistrado, posto em disponibilidade nos termos do item IV do art. 42 e do item II do art.
45, observará as normas dos parágrafos deste artigo.

Art. 58. A aplicação da pena de disponibilidade ou aposentadoria será imediatamente comunicada ao presidente do
tribunal a que penencer ou a que estiver sujeito o magistrado, para imediato afastamento das suas funções. Igual
comumcação far-se-a' ao Chefe do Poder Executivo competente, a fim de que formalize o ato de declaração da
disponibilidade ou aposentadoria do magistrado.
Art. 59. O Conselho Nacional da Magistratura, se considerar existente crime de ação pública, pelo que constar de
reclamação ou representação, remeterá ao Ministério Público cópia das peças que entender necessárias ao
oferecimento da denúncia ou à instauração de inquérito policial.
Art. 60. O Conselho Nacional da Magistratura estabelecerá, em seu regimento interno, disposições complementares
das constantes deste Capítulo.

TÍTULO IV
DOS VENCIMENTOS, VANTAGENS E DIREITOS DOS MAGISTRADOS

CAPÍTULO I
DOS VENCIMENTOS E VANTAGENS PECUNIÁRIAS

Art. 61. Os vencimentos dos magistrados são fixados em lei, em valor Certo, atendido o que estatui o art. 32,
parágrafo único.
Parágrafo único. À magistratura de primeira instância da União assegurar-se-ão vencimentos não inferiores a dois
terços dos valores fixados para os membros de segunda instância respectiva, assegurados aos ministros do
Supremo Tribunal Federal vencimentos pelo menos iguais aos dos ministros de Estado, e garantidos aos juízes
vitalícios do mesmo grau de jurisdição iguais vencimentos.
Art. 62. Os ministros militares e togados do Superior Tribunal Militar, bem como os ministros do Tribunal Superior do
Trabalho, têm vencimentos iguais aos dos ministros do Tribunal Federal de Recursos.
Art. 63. Os vencimentos dos desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e dos Territórios não serão inferiores, no primeiro caso, aos dos secretários de Estado, e no
segundo, aos dos secretários de Governo do Distrito Federal, não podendo ultrapassar, porém, os fixados para os
ministros do Supremo Tribunal Federal. Os juízes vitalícios dos Estados têm os seus vencimentos fixados com
diferença não excedente a 20% (vinte por cento) de uma para outra entrância, atribuindo-se aos da entrância mais
elevada não menos de dois terços dos vencimentos dos desembargadores.
§ 1.º Os juízes de direito da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios têm seus vencimentos fixados em proporção
não inferior a dois terços do que percebem os desembargadores e os juizes substitutos, da mesma justiça, em
percentual não inferior a 20% (vinte por cento) dos vencimentos daqueles.
§ 2.0 Para o efeito de equivalência e limite de vencimentos previstos neste artigo, são excluídas de cômputo apenas
as vantagens de caráter pessoal ou de natureza transitória.

Art. 64. Os vencimentos dos magistrados estaduais serão pagos na mesma data fixada para o pagamento dos
vencimentos dos secretários de Estado ou dos subsídios dos membros do Poder Legislativo, considerando-se que
desatende às garantias do Poder Judiciário atraso que ultrapasse o décimo dia útil do mês seguinte ao vencimento.
Art. 65. Além dos vencimentos, poderão ser outorgados, aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes
vantagens:
Vide art. 145.

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I - ajuda de custo, para despesas de transporte e mudança;
II ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do Magistrado;
Inciso II com redação determinada pela Lei Complementar nº 54, de 22 de dezembro de 1986.
III salário-família;
IV diárias;
V representação;
VI gratificação pela prestação de serviço à Justiça Eleitoral;
VII gratificação pela prestação de serviço à Justiça do Trabalho, nas comarcas onde não forem instituidas Juntas
de Conciliação e Julgamento;
VIII gratificação adicional de 5% (cinco por cento) por qoinq0ênio de serviço, até o máximo de sete;
IX gratificação de magistério, por aula proferida em curso oficial de preparação para a magistratura ou em Escola
Oficial de Aperfeiçoamento de Magistrados (arts. 78, § 1.º e 87, § 1.º), exceto quando receba remuneração
específica para esta atividade;
X gratificação pelo efetivo exercício em comarca de difícil provimento, assim definida e indicada em lei.
§ 1.º A verba de representação, salvo quando concedida em razão do exercício de cargo em função temporária,
integra os vencimentos para todos os efeitos legais.
§ 2.º É vedada a concessão de adicionais ou vantagens pecuniárias não previstas na presente Lei, bem como em
bases e limites superiores aos nela fixados.
§ 3.º Caberá ao respectivo Tribunal, para aplicação do disposto nos incisos 1 e II deste artigo, conceder ao
Magistrado auxilio-transporte em até 25% (vinte e cinco por cento), auxílio-moradia em até 30% (trinta por cento),
calculados os respectivos percentuais sobre os vencimentos e cessando qualquer beneffcio indireto que, ao mesmo
título, venha sendo recebido (Vetado).
3.º acrescentada pela Lei Complementar n.º54, de 22 de dezembro de 1986.
lnconstitucionalidade do , § 3.º, do art. 65 da Lei Orgânica do Magistratura Nacional:
Rp 1404-5-SC, Diário da Justiça, de 31 de março de 1989, p. 4328.
·· A Resolução n.º 31, de 27 de abril de /993, do Senado Federal, suspende a execução deste parágrafo.

CAPÍTULO II
DAS FÉRIAS

Art. 66. Os magistrados terão direito a férias anuais, por 60 (sessenta) dias, coletivas ou individuais.
§ 1.º Os membros dos tribunais, salvo os dos Tribunais Regionais do Trabalho, que terão férias individuais, gozarão
de férias coletivas, nos períodos de 2 a 31 de janeiro e de 2 a 31 de julho. Os juízes de primeiro grau gozarão de
férias coletivas ou individuais, conforme dispuser a lei.
· A Lei Complementar n.º 701, de 15 de dezembro de 1992, altera dispositivos do Código Judiciário do Estado de
São Paulo, determinando o período de 2 a 31 de janeiro, para as férias coletivas em Primeira Instância.
§ 2.º Os tribunais iniciarão e encerrarão seus trabalhos, respectivamente, nos primeiro e íiltimo dias úteis de cada
período, com a realização de sessão.

Art. 67. Se a necessidade do serviço judiciário lhes exigir a contínua presença nos tribunais, gozarão de 30 (trinta)
dias consecutivos de férias individuais, por semestre:
I os presidentes e vice-presidentes dos tribunais;
II os corregedores;
III os juízes das turmas ou câmaras de férias.
§ 1.º As férias individuais não podem fracionar-se em períodos inferiores a 30 (trinta) dias, e somente podem
acumular-se, por imperiosa necessidade do serviço e pelo máximo de 2 (dois) meses.
§ 2.º É vedado o afastamento do tribunal ou de qualquer de seus órgáos judicantes, em gozo de férias individuais,
no mesmo período, de juizes em número que possa comprometer o quorum de julgamento.
§ 3.º As turmas ou câmaras de férias terão a composição e competência estabelecidas no regimento interno do
tribunal.

Art. 68. Durante as férias coletivas, nos tribunais em que não houver turma ou câmara de férias, poderá o
presidente, ou seu substituto legal, decidir de pedidos de liminar em mandado de segurança, determinar liberdade
provisória ou sustação de ordem de prisão, e demais medidas que reclamem urgência.

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CAPÍTULO III
DAS LICENÇAS

Art. 69. Conceder-se-á licença:


I para tratamento de saúde;
II por motivo de doença em pessoa da família;
III para repouso à gestante;
IV (Vetado.)

Art. 70. A licença para tratamento de saúde por prazo superior a 30 (trinta) dias, bem como as prorrogações que
importem em licença por período ininterrupto, também superior a 30 (trinta) dias, dependem de inspeção por junta
médica.
Art. 71. O magistrado licenciado não pode exercer qualquer das suas funções jurisdicionais ou administrativas, nem
exercitar qualquer função pública ou particular (Vetado).
§ 1.º Os períodos de licenças concedidos aos magistrados não terão limites inferiores aos reconhecidos por lei ao
funcionalismo da mesma pessoa de direito público.
§ 1.º com redação determinante pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.
§ 2.º Salvo contra-indicação médica, o magistrado licenciado poderá proferir decisões em processos que, antes da
licença, lhe hajam sido conclusos para julgamento ou tenham recebido o seu visto como relator ou revisor.
§ 2.º com redação determinada pela Lei Complementar n.º37, de 13 de novembro de 1979.

CAPÍTULO IV
DAS CONCESSÕES

Art. 72. Sem prejuízo do vencimento, remuneração ou de qualquer direito ou vantagem legal, o magistrado poderá
afastar-se de suas funções até 8 (oito) dias consecutivos por motivo de:
I casamento;
II falecimento de cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

Art. 73. Conceder-se-á afastamento ao magistrado, sem prejuízo de seus vencimentos e vantagens:
I para freqúência a cursos ou seminários de aperfeiçoamento e estudos, a critério do tribunal ou dc seu órgão
especial, pelo prazo máximo de 2 (dois) anos:
§ Inciso I com redação determinada pela Lei Complementar n.º37, de 13 de novembro de 1979.
II para a prestação de serviços, exclusivamente à Justiça Eleitoral;
III para excrccr a presidência dc associação de classe.
§ Inciso III acrecentando pela Lei Complementar n.º 60, de 06 de setembro de 1989.

CAPÍTULO V
DA APOSENTADORIA

Art. 74. A aposentadoria dos magistrados vitalícios será compulsória. aos 70 (setenta) toos dc idade ou por
invalidez comprovada. e facultativa, após 30 (trinta) anos de serviço público. com vencimentos integrais, ressalvado
o disposto nos arts. 50 e 56.
Parágrafo único. Lei ordinária disporá sobre a aposentadoria dos juízes temporários de qualquer instância.
Art. 75. Os proventos da aposentadoria serão reajustados na mesma proporção dos aumentos de vencimentos
concedidos, a qualquer título, aos magistrados em atividade.
Art. 76. Os tribunais disciplinarão, nos regimentos internos, o processo de verificação da invalidez do magistrado
para o fim de aposentadoria, com a observância dos seguintes requisitos:
I processo terá início a requerimento do magistrado, por ordem do presidente do tribunal, de ofício, em
cumprimento de deliberação do tribunal ou de seu órgão especial ou por provocação da Corregedoria de Justiça;
II tratando-se de incapacidade mental, o presidente do tribunal nomeará curador ao paciente, sem prejuízo da
defesa que este queira oferecer pessoalmente, ou por procurador que constituir;
III o paciente deverá ser afastado, desde logo, do exercício do cargo, até final decisão, devendo ficar concluído o
processo no prazo de 60 (sessenta) dias;

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IV a recusa do paciente em submeter-se a perícia médica permitirá o julgamento baseado em quaisquer outras
provas;
V o magistrado que, por 2 (dois) anos consecutivos, afastar-se, ao todo, por 6 (seis) meses ou mais, para
tratamento de saúde, deverá submeter-se, ao requerer nova licença para igual fim, dentro de 2 (dois) anos, a exame
para verificação de invalidez;
VI se o tribunal ou seu órgão especial concluir pela incapacidade do magistrado, comunicará imediatamente a
decisão ao Poder Executivo, para os devidos fins.

Art. 77. Computar-se-á, para efeito de aposentadoria e disponibilidade, o tempo de exercício da advocacia, até o
máximo de 15 (quinze) anos, em favor dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos membros dos demais
tribunais que tenham sido nomeados para os lugares reservados a advogados, nos terrnos da Constituição Federal.

TÍTULO V
DA MAGISTRATURA DE CARREIRA

CAPÍTULO I
DO INGRESSO

Art. 78. O ingresso na magistratura de carreira dar-se-á mediante nomeação, após concurso público de provas e
títulos, organizado e realizado com a participação do Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil.
§ 1.º A lei pode exigir dos candidatos, para a inscrição no concurso, título de habilitação em curso oficial de
preparação para a magistratura.
§ 2.º Os candidatos serão submetidos a investigação, relativa aos aspectos moral e 50cial, e a exame de sanidade
física e mental, conforme dispuser a lei.
§ 3.º Serão indicados para nomeação, pela ordem de classificação, candidatos em núme ro correspondente às
vagas, mais dois, para cada vaga, sempre que possível.

Art. 79. O juiz, no ato da posse, deverá apresentar a declaração pública de seus bens, e prestará o compromisso de
desempenhar com retidão as funções do cargo, cumprindo a Constituição e as leis.

CAPÍTULO II
DA PROMOÇÃO, DA REMOÇÃO E DO ACESSO

Art. 80. A lei regulará o processo de promoçao, prescrevendo a observância dos critérios de antigúidade e de
merecimento, alternadamente, e o da indicação dos candidatos à promoção por merecimento, em lista tríplice,
sempre que possível.
§ 1.º Na Justiça dos Estados:
I apurar-se-ão na entrância a antigüidade e o merecimento, este em lista tríplice, sendo obrigatória a promoção do
juiz que figurar pela quinta vez consecutiva em lista de merecimento; havendo empate na antigüidade, terá
precedência o juiz mais antigo na carreira;
O novo texo proposto pela Lei Complemetar n.º 37, de 13 de novembro de 1979, foi vetado, Mantivemos o texto
primitivo da Lei Complementar n.º 35/79.
II para efeito da composição da lista tríplice, o merecimento será apurado na entrância e aferido com prevalência de
critérios de ordem objetiva, na forma do regulamento baixado pelo Tribunal de Justiça, tendo-se em conta a conduta
do juiz, sua operosidade no exercício do cargo, número de vezes que tenha figurado na lista, tanto para entrância a
provei; como para as anteriores, bem como o aproveitamento em cursos de aperfeiçoamento;
III no caso de antigüidade, o Tribunal de Justiça, ou seu órgão especial, somente poderá recusar o juiz mais antigo
pelo voto da maioria absoluta de seus membros, repetindo-se a votação até fixar-se a indicaçâo;
IV somente após 2 (dois) anos de exercício na entrância, poderá o juiz ser promovido, salvo se não houver, com tal
requisito, quem aceite o lugar vago, ou se forem recusados, pela maioria absoluta dos membros do Tribunal de
Justiça, ou de seu órgáo especial, candidatos que hajam completado o período.
§ 2.º Aplica-se, no que couber, aos juízes togados da Justiça do Trabalho, o disposto no parágrafo anterior.

Art. 81. Na magistratura de carreira dos Estados, ao provimento inicial e à promoção por merecimento precederá a
remoçâo.

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§ 1.º A remoção far-se-á mediante escolha pelo Poder Executivo, sempre que possível, de nome constante de lista
tríplice, organizada pelo Tribunal de Justiça e contendo os nomes dos candidatos com mais de 2 (dois) anos de
efetivo exercício na entrância.
§ 2.º A juízo do Tribunal de Justiça, ou de seu órgáo especial, poderá, ainda, ser provida, pelo mesmo critério fixado
no parágrafo anterior, vaga decorrente de remoção, destinando-se a seguinte, obrigatoriamente, ao provimento por
promoção.

Art. 82. Para cada vaga destinada ao preenchimento por promoção ou por remoção, abrir-se-á inscriçâo distinta,
sucessivamente, com a indicação da comarca ou vara a ser provida.
Parágrafo único. Ultimado o preenchimento das vagas, se mais de uma deva ser provida por merecimento, a lista
conterá número de juízes igual ao das vagas mais dois.

Art. 83. A notícia da ocorrência de vaga a ser preenchida, mediante promoção ou remoção, deve ser imediatamente
veiculada pelo órgão oficial próprio, com a indicação, no caso de provimento através de promoção, das que devam
ser preenchidas segundo o critério de antigüidade ou de merecimento.
Art. 84. O acesso de juízes federais ao Tribunal Federal de Recursos far-se-á por escolha do Presidente da
República dentre os indicados em lista tríplice, elaborada pelo tribunal.
Art. 85. O acesso de juÍzes-auditores e membros do Ministério Público da Justiça Militar ao Superior Tribunal Militar
lar-se-á por livre escolha do Presidente da República.
Art. 86. O acesso dos juízes do trabalho presidentes de Juntas de Conciliação e Julgamento ao Tribunal Regional
do Trabalho, e dos juízes do trabalho substitutos àqueles cargos, lar-se-á, alternadamente, por antigüidade e por
merecimento, este através de lista tríplice votada por juízes vitalícios do tribunal e encaminhada ao Presidente da
República.
Art. 87. Na Justiça dos Estados e do Distrito Federal e dos Territórios, o acesso dos juízes de direito aos Tribunais
de Justiça lar-se-á, alternadamente, por antigúidade e merecimento.
§ 1.º A lei poderá condicionar o acesso por merecimento aos tribunais, como a promoção por igual critério, à
freqüência, com aprovação, a curso ministrado por escola oficial de aperfeiçoamento de magistrados.
§ 2.º O disposto no parágrafo anterior aplica-se ao acesso dos juizes federais ao Tribunal Federal de Recursos.

Art. 88. Nas promoções ou acessos, havendo mais de uma vaga a ser prcenchida por merecimento, a lista conterá,
se possível, número de magistrados igual ao das vagas mais dois para cada uma delas.

TÍTULO VI
DO TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS

CAPÍTULO ÚNICO

Art. 89. O Tribunal Federal dc Recursos funciona:


I em tribunal pleno;
II em seções de turmas especializadas;
III em turmas especializadas.
§ 1.º Compete ao tribunal pleno processar e julgar:
a) os juízes fedcrais. os juizes dos Tribunais Regionais do Trabalho e os da primeira instância da Justiça do
Trabalho, bem como os membros dos Tribunais de Conta dos Estados e do Distrito Federal e os do Ministério
Público da União, nos crimes comuns e nos de responsabilidade.
b) os mandados dc segurança e habeas corpus contra ato de ministro de Estado, do diretor-geral da Polícia
Federal, do presidente do próprio tribunal ou de suas turmas ou seções;
c) os conflitos de jurisdição entre as seções:
d)as revisões criminais e ações rescisórias de seus próprios julgados.
§ 2.º Compete, ainda, ao tribunal pleno:
a) uniformizar a jurisprudência em caso de divergência na interpretação do direito entre as seções:
b) declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo;
c) eleger, pela maioria dos seus ministros. em votação secreta, o presidente, o vice-presidente e os membrosn do
Conselho de Justiça Federal, com mandato de 2 (dois) anos,vedada a reeleição:
d) exercer as funções administrativas que lhe forem atribuidas pela lei ou no Regimento Interno;
e) dar posse aos seus ministros e aos titulares da sua direção.

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§ 3.º O vice-presidente do tribunal e o corregedor-geral da Justiça Federal participarão do tribunal pleno, também
com as funções de relator e revisor.
§ 4.º Haverá no Tribunal Federal de Recursos duas seções, constituídas, cada uma, pelos integrantes das turmas
da respectiva área de especialização, na forma estabelecida no Regimento Interno. As seções serão presididas,
uma pelo vice-presidente do tribunal e a outra pelo corregedor-geral da Justiça Federal, que nelas terão apenas
voto de qualidade.
§ 5.º A cada uma das seções incumbirá processar e julgar:
a) os embargos infringentes ou de divergência das decisões das turmas da respectiva área de especialização;
b) os conflitos de jurisdição relativamente às matérias das respectivas áreas de especialização;
c) a uniformização da jurisprudência quando ocorrer divergência na interpretação do direito entre as turmas que a
integram;
d) os mandados de segurança contra ato de juiz federal;
e) as revisões criminais e as ações rescisórias dos julgados de primeiro grau, da própria seção ou das respectivas
turmas.
§ 6.º Haverá no Tribunal Federal de Recursos seis turmas especializadas compostas de 4 (quatro) ministros cada
uma, votando apenas 3 (três) deles, na forma prevista na lei ou no Regimento Interno.
§ 7.º O presidente, o vice-presidente e o corregedor-geral da Justiça Federal não integra rão turma, podendo a ela
comparecer para julgar feitos a que estejam vinculados.

Art. 90. O Regimento Interno disporá sobre as áreas de especialização do Tribunal Federal de Recursos e o
número de turmas especializadas de cada uma das seções, bem assim sobre a forma de distribuição dos
processos.
§ 1.º Com finalidade de abreviar o julgamento, o Regimento Interno poderá também prever casos em que será
dispensada a remessa do feito ao revisor, desde que o recurso verse matéria predominantemente de direito.
§ 2.º O relator julgará pedido ou recurso que manifestamente haja perdido objeto, bem assim, mandará arquivar ou
negará seguimento a pedido ou recurso manifestamente intempestivo ou incabível ou, ainda, que contrariar as
questões predominantemente de direito, súmula do tribunal ou do Supremo Tribunal Federal. Deste despacho
caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgáo do tribunal competente, para o julgamento do pedido ou recurso, que
será julgado na primeira sessão seguinte, não participando o relator da votação.
Vide art. 3.º, parágrago único, da Lei n.º 6.825, de 22 de setembro de 1980.

TÍTULO VII
DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Vide a Cansolidação das Leis da Trabalho (Decreto-lei n.º 5.452, de 1.º - 5 - 1943), arts 643 a 735.

CAPÍTULO ÚNICO

Art. 91. Os cargos da magistratura do trabalho são os seguintes:


I ministro do Tribunal Superior do Trabalho;
II juiz do Tribunal Regional do Trabalho;
III juiz do trabalho presidente de Junta de Conciliação e Julgamento;
IV juiz do trabalho substituto.

Art. 92. O ingresso na magistratura do trabalho dar-se-á no cargo de juiz do trabalho substituto.
Art. 93. Aplica-se à Justiça do Trabalho, inclusive quanto à convocação de Juiz de Tribunal Regional do Trabalho
para substituir Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, o disposto no art. 118 desta Lei.
Artigo co redação determinada pela Lei Complementar n.º 54, de 22 de dezembro de 1996.
Parágrafo único. O sorteio, para efeito de substituição nos Tribunais Regionais do Trabalho, será feito entre os
juízes presidentes de Junta de Conciliação e Julgamento da sede da Região respectiva.
Art. 94. Aos cargos de direção do Tribunal Superior do Trabalho e dos Tribunais Regio nais do Trabalho aplica-se o
disposto no art. 102 e seu parágrafo único.

TÍTULO VIII

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DA JUSTIÇA DOS ESTADOS

CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

Art. 95. Os Estados organizarão a sua justiça com observância do disposto na Constituição Federal e na presente
Lei.
Art. 96. Para a administração da justiça, a lei dividirá o território do Estado em comarcas, podendo agrupá-las em
circunscrição e dividi-las em distritos.
Art. 97. Para a criação, extinção e classificação de comarcas, a legislação estadual estabelecerá critérios
uniformes, levando em conta:
I a extensão territorial;
II o número de habitantes;
III o número de eleitores;
IV a receita tributária;
V o movimento forense.
§ 1.º Os critérios a serem fixados, conforme previsto no caput deste artigo, deverão orientar, conforme índices
também estabelecidos em lei estadual, o desdobramento de juízos ou a criação de novas varas, nas comarcas de
maior importância.
§ 2.º Os índices mínimos estabelecidos em lei poderão ser dispensados, para efeito do disposto no caput deste
artigo, em relação a município com precários meios de comunicação.

Art. 98. Quando o regular exercício das funções do Poder Judiciário for impedido por falta de recursos decorrente
de injustificada redução de sua proposta orçamentária, ou pela não-satisfação oportuna das dotações que lhe
correspondam, caberá ao Tribunal de Justiça, pela maioria absoluta de seus membros, solicitar ao Supremo
Tribunal Federal a intervenção da União no Estado.

CAPÍTULO II
DOS TRIBUNAIS DE JUSTIÇA

Art. 99. Compõem o Órgão Especial a que se refere o parágrafo único do art. 16 o presidente, o vice-presidente do
Tribunal de Justiça e o corregedor da justiça, que exercerão nele iguais funções, os desembargadores de maior
antigüidade no cargo, respeitada a representação de advogados e membros do Ministério Púbíjeo, e inadmitida a
recusa do encargo.
§ 1.º Na composição do Órgâo Especial observar-se-á, tanto quanto possível, a representação, em número
paritário, de todas as câmaras, turmas ou seções especializadas.
§ 2.º Os desembargadores não integrantes do órgão especial, observada a ordem decrescente de antigúidade,
poderão ser convocados pelo presidente para substituir os que o componham, nos casos de afastamento ou
impedimento.

Art. 100. Na composição de qualquer tribunal, um quinto dos lugares será preenchido por advogados, em efetivo
exercício da profissão, e membros do Ministério Público, todos de notório merecimento e idoneidade moral, com 10
(dez) anos, pelo menos, de prática forense.
§ 1.º Os lugares reservados a membros do Ministério Público ou advogados serão preenchidos, respectivamente,
por membros do Ministério Público ou por advogados, indicados em lista tríplice pelo Tribunal de Justiça ou seu
órgão especial.
§ 2.º Nos tribunais em que for ímpar o número de vagas destinadas ao quinto constitucional, uma delas será,
alternada e sucessivamente, preenchida por advogado e por membro do Ministério Público, de tal forma que,
também sucessiva e alternadamente, os representantes de uma dessas classes superem os da outra em uma
unidade.
§ 3.º Nos Estados em que houver Tribunal de Alçada, constitui este, para efeito de acesso ao Tribunal de Justiça, a
mais alta entrância da magistratura estadual.
§ 4.º Os juÍzes que integrem os Tribunais de Alçada somente concorrerão às vagas no Tribunal de Justiça
correspondente à classe dos magistrados.
Vide art. 1/43.

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§ 5.º Não se consideram membros do Ministério Público, para preenchimento de vagas nos tribunais, os juristas
estranhos à carreira, nomeados em comissão para o cargo de procurador-geral ou outro de chefia.
Foi proposto um § 6.º para Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979, mas este foi vetado

Art. 101. Os tribunais compor-se-ão de câmaras ou turmas, especializadas ou agrupadas em seções


especializadas. A composição e competência das câmaras ou turmas serão fixadas na lei e no Regimento Interno.
§ 1.º Salvo nos casos de embargos infringentes ou de divergência, do julgamento das câmaras ou turmas
participarão apenas três dos seus membros, se maior o número de composição de umas ou outras.
§ 2.º As seções especializadas serão integradas, conforme disposto no Regimento Inter no, pelas turmas ou
câmaras da respectiva área de especialização.
§ 3.º A cada uma das seções caberá processar e julgar:
a) os embargos infringentes ou de divergência das decisões das turmas da respectiva área de especialização;
b) os conflitos de jurisdição relativamente às matérias das respectivas áreas de especialização;
c) a uniformização da jurisprudência, quando ocorrer divergência na interpretação do direito entre as turmas que a
integram;
Vide arts 476 a 479 do Código de Processo Civil, sobre uniformização de jurisprudência.
d) os mandados de segurança contra ato de juiz de direito;
e) as revisões criminais e as ações rescisórias dos julgamentos de primeiro grau, da própria seção ou das
respectivas turmas.
§ 4.º Cada câmara, turma ou seção especializada funcionará como tribunal distinto das demais, cabendo ao tribunal
pleno, ou ao seu órgão especial, onde houver, o julgamento dos feitos que, por lei, excedam a competência de
seção.

Art. 102. Os tribunais, pela maioria dos seus membros efetivos, por votação secreta, elegerão dentre seus juízes
mais antigos, em número correspondente ao dos cargos de direção, os titulares destes, com mandato por 2 (dois)
anos, proibida a reeleição. Quem tiver exercido quaisquer cargos de direção por 4 (quatro) anos, ou o de presidente,
não figurará mais entre os elegíveis, até que se esgotem todos os nomes, na ordem de antigüidade. E obrigatória a
aceitação do cargo, salvo recusa manifestada e aceita antes da eleição.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica ao juiz eleito, para completar período de mandato inferior a
1 (um) ano.

Art. 103.0 presidente e o corregedor da Justiça não integrarão as câmaras ou turmas. A lei estadual poderá
estender a mesma proibição também aos vice-presidentes.
§ 1.º Nos tribunais com mais de trinta desembargadores a lei de organização judiciária poderá prever a existência
de mais de um vice-presidente, com as funções que a lei e o Regimento Interno determinarem, observado quanto a
eles, inclusive, o disposto no caput deste artigo.
§ 2.º Nos Estados com mais de cem comarcas e duzentas varas poderá haver até dois corregedores, com as
funções que a lei e o Regimento Interno determinarem.

Art. 104. Haverá nos Tribunais de Justiça um Conselho de Magistratura, com função disciplinar, do qual serão
membros natos o presidente, o vice-presidente e o corregedor, não devendo, tanto quanto possível, seus demais
integrantes ser escolhidos dentre os outros do respectivo órgão especial, onde houver. A composição, a
competência e o funcionamento desse Conselho, que terá como órgão superior o tribunal pleno ou o órgão especial,
serão estabelecidos no Regimento Interno.
Art. 105. A lei estabelecerá o número mínimo de comarcas a serem visitadas, anualmente, pelo corregedor, em
correição-geral ordinária, sem prejuízo das correições extraordinárias, gerais ou parciais, que entenda fazer, ou haja
de realizar por determinação do Conselho da Magistratura.
Art. 106. Dependerá de proposta do Tribunal de Justiça, ou de seu órgão especial, a alteração numérica dos
membros do próprio tribunal ou dos tribunais inferiores de segunda instância e dos juízes de direito de primeira
instância.
§ 1.º Somente será majorado o número dos membros do tribunal se o total de processos distribuídos e julgados,
durante o ano anterior, superar o índice de 300 (trezentos) feitos por juiz.
§ 2.º Se o total de processos judiciais distribuídos no Tribunal de Justiça, durante o ano anterior, superar o índice de
600 (seiscentos) feitos por juiz e não for proposto o aumento de número de desembargadores, o acúmulo de
serviços não excluirá a aplicação das sanções previstas nos arts. 56 e 57 desta Lei.

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§ 3.º Para efeito do cálculo a que se referem os parágrafos anteriores, não serão computa-dos os membros do
tribunal que, pelo exercício de cargos de direção, não integrarem as câmaras, turmas ou seções, ou que,
integrando-as, nelas não servirem como relator ou revisor.
§ 4º Elevado o número de membros do Tribunal de Justiça ou o dos tribunais inferiores de segunda instância, ou
neles ocorrendo vaga, serão previamente aproveitados os em disponibilidade, salvo o disposto no § 2.º do art. 202
da Constituição Federal e no § 1.0 do art. 57 desta Lei, nas vagas reservadas aos magistrados.
§ 5. º No caso do parágrafo anterior, havendo mais de um concorrente à mesma vaga, terá preferência o de maior
tempo de disponibilidade, e, sendo este o mesmo, o de maior antigúidade, sucessivamente, na substituição e no
cargo.

Art. 107. É vedada a convocação ou designação de juiz para exercer cargo ou função nos tribunais, ressalvada a
substituição ocasional de seus integrantes (art. II 8).

CAPÍTULO III
DOS TRIBUNAIS DE ALÇADA

Ari. 108. Poderão ser criados nos Estados, mediante proposta dos respectivos Tribunais de Justiça, tribunais
inlúriores de segunda instância, denominados Tribunais de Alçada, observados os seguintes requisitos:
I ter o Tribunal de Justiça número de desembargadores igual ou superior a trinta;
II haver o número de processos distribuídos no Tribunal de Justiça, nos dois últimos anos, superado o índice de
300 (trezentos) feitos por desembargador, em cada ano;
III limitar-se a competência do Tribunal de Alçada, em matéria cível, a recursos:
a)em quaisquer ações relativas à locação de imóveis, bem assim nas possessórias;
b)nas ações relativas à matéria fiscal da competência dos municípios;
c)nas ações de acidentes do trabalho;
d)nas ações de procedimento sumarissimo, em razão da matéria;
e)nas execuções por titulo extrajudicial, exceto as relativas à matéria fiscal da competência dos Estados;
Inciso III e alíneas com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.
IV limitar-se a competência do Tribunal de Alçada, em matéria penal, a habeas corpus e recursos:
a) nos crimes contra o patrimônio, seja qual for a natureza da pena cominada;
b) nas demais infrações a que não seja cominada pena de reclusão, isolada, cumulativa ou alternativamente,
excetuados os crimes ou contravençôes relativas a tóxicos ou entorpecentes, e a falência.
Inciso IV e alíneas com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.
Parágrafo único. Nos Estados em que houver mais de um Tribunal de Alçada, caberá privativamente a um deles,
pelo menos, exercer a competência prevista no inciso IV deste artigo.
Parágrafo único com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.

Art. 109. Nos casos de conexão ou continência entre ações de competência do Tribunal de Justiça e do Tribunal de
Alçada, prorrogar-se-á a do primeiro, o mesmo ocorrendo quando, em matéria penal, houver desclassificação para
crime de competência do último.
Art. 110. Os Tribunais de Alçada terão jurisdição na totalidade ou em parte do território do Estado, e sede na Capital
ou cm cidade localizada na área de sua jurisdição.
Parágrafo único. Aplica-se, no que couber, aos Tribunais de Alçada, o disposto nos arts. 100, caput, §§ 1.º, 2.º e
5.º, 101 e 102.
Art. 111. Nos Estados com mais de um Tribunal de Alçada é assegurado aos seus juizes o direito de remoção de
um para outro tribunal, mediante prévia aprovação do Tribunal de Justiça, observado o quinto constitucional.

CAPÍTULO IV
DA JUSTIÇA DE PAZ

Art. 112. A Justiça de Paz temporária, criada por lei, mediante proposta do Tribunal de Justiça, tem competência
somente para o processo de habilitação e a celebração do casamento.
§ 1.º O juiz de paz será nomeado pelo governador, mediante escolha em lista tríplice, organizada pelo presidente do
Tribunal de Justiça, ouvido o juiz de direito da comarca, e composta de eleitores residentes no distrito, não

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pertencentes a órgão de direção ou de ação de partido político. Os demais nomes constantes da lista tríplice serão
nomeados primeiro e segundo suplentes.
§ 2.º O exercício efetivo da função de juiz de paz constitui serviço público relevante e assegurará prisão especial,
em caso de crime comum, até definitivo julgamento.
§ 3.º Nos casos de falta, ausência ou impedimento do juiz de paz e de seus suplentes, caberá ao juiz de direito da
comarca a nomeação de juiz de paz ad hoc.

Art. 113. A impugnação à regularidade do processo de habilitação matrimonial e a contestação a impedimento


oposto serão decididas pelo juiz de direito.

TÍTULO IX
DA SUBSTITUIÇÃO NOS TRIBUNAIS

Art. 114. 0 presidente do tribunal é substituído pelo vice-presidente, e este e o corregedor, pelos demais membros,
na ordem decrescente de antigoidade.
Art. 115. (Revogado pela Lei Complementar n.º 54, de 22-12-1986.)
Art. 116. Quando o afastamento for por período igual ou superior a 3 (três) dias, serão redistribuidos, mediante
oportuna compensação, os habeas corpus, os mandados de segurança e os feitos que, consoante fundada
alegação do interessado, reclamem solução urgente. Em caso de vaga, ressalvados esses processos, os demais
serão atribuidos ao nomeado para preenchê-la.
Art. 117. Para compor o quorum de julgamento, o magistrado, nos casos de ausência ou impedimento eventual,
será substituido por outro da mesma câmara ou turnia, na ordem de antigoidade, ou, se impossível, de outra, de
preferência da mesma seção especializada, na forina prevista no Regimento Interno. Na ausência de critérios
objetivos, a convocação far-se-ámediante sorteio público, realizado pelo presidente da câmara, turma ou seção
especializada.
Art. 118. Em caso de vaga ou afastamento, por prazo superior a 30 (trinta) dias, de membro dos Tribunais
Superiores, dos Tribunais Regionais, dos Tribunais de Justiça e dos Tribunais de Alçada (VETADO) poderão ser
convocados Juizes, em Substituição (VETADO) escolhidos (VETADO) por decisão da maioria absoluta do Tribunal
respectivo, ou, se houver, de seu Órgão Especial.
Caput com redaçãodeterminada pela Lei Complementar n.º 54, de 22 dezembro de 1986.
§ 1.º A convocação far- se-á mediante sorteio público dentre:
I os juízes federais, para o Tribunal Federal de Recursos;
II o corregedor e juizes-auditores para a substituição de ministro togado do Superior Tribunal Militar;
III os juízes da comarca da Capital para os Tribunais de Justiça dos Estados onde não houver Tribunal de Alçada e,
onde houver, dentre os membros deste para os Tribunais de Justiça e dentre os juizes da comarca da sede do
Tribunal de Alçada para o mesmo;
IV os juízes de direito do Distrito Federal, para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios;
V os juízes presidentes de Junta de Conciliação e Julgamento da sede da Região para os Tribunais Regionais do
Trabalho.
§ 2.º Não poderão ser convocados juizes punidos com as penas previstas no art. 42, I, II, III e IV nem os que
estejam respondendo ao procedimento previsto no art. 27.
§ 3.º A convocação de juiz de tribunal do trabalho, para substituir ministro do Tribunal Superior do Trabalho,
obedecerá ao disposto neste artigo.
§ 4.º Em nenhuma hipótese, salvo vacância do cargo, haverá redistribuição de processos aos juízes convocados.
§ 4.º acrescentado pela Lei Complementar n.º 54, de 22 de dezembo de 1986.

Art. 119. A redistribuição de feitos, a substituição nos casos de ausência ou impedimento eventual e a convocação
para completar quorum de julgamento não autorizam a concessão de qualquer vantagem, salvo diárias e transporte,
se for o caso.

TÍTULO X
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

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Art. 120. Os Regimentos Internos dos tribunais disporão sobre a devolução e julgamento dos feitos, no sentido de
que, ressalvadas as preferências legais, se obedeça, tanto quanto possível, na organização das pautas, a igualdade
numérica entre os processos em que o juiz funcione como relator e revisor.
Art. 121. Nos julgamentos, o pedido de vista não impede votem os juízes que se tenham por habilitados a fazê-lo, e
o juiz que o formular restituirá os autos ao presidente dentro em 10 (dez) dias, no máximo, contados do dia do
pedido, devendo prosseguir o julgamento do feito na primeira sessão subseqüente a este prazo.
Art. 122. Os presidentes e vice-presidentes de tribunal, assim como os corregedores, não poderão participar de
Tribunal Eleitoral.
Art. 123. Poderão ter seus mandatos prorrogados, por igual período, o presidente, o vice-presidente e o corregedor
que, por força de disposição regimental, estejam, na data da publicação desta Lei, cumprindo mandato de 1 (um)
ano.
Art. 124. O Magistrado que for convocado para substituir, em primeira ou segunda instância, perceberá a diferença
de vencimentos correspondentes ao cargo que passa a exercer, inclusive diárias e transporte, se for o caso.
Artigo com redação determinada pela Lei Comptementar n.º 54, de 22 de dezembro de 1986.
Art. 125. O presidente do tribunal, de comum acordo com o vice-presidente, poderá delegar-lhe atribuições.
Art. 126. O Conselho da Justiça Federal compõe-se do presidente e do vice-presidente do Tribunal Federal de
Recursos, e de mais três ministros eleitos pelo tribunal, com mandato de 2 (dois) anos.
Parágrafo único. O Tribunal Federal de Recursos ao eleger os três ministros que integra rão o Conselho, indicará,
dentre eles, o corregedor-geral, bem como elegerá os respectivos suplentes.
Art. 127. Nas Justiças da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Territórios, poderão existir outros órgãos
com funções disciplinares e de correição, nos termos da lei, ressalvadas as competências dos previstos nesta.
Art. 128. Nos tribunais, não poderão ter assento na mesma turma, câmara ou seção, cônjuges e parentes
consanguíneos ou afins em linha reta, bem como em linha colateral até o terceiro grau.
Parágrafo único. Nas sessões do tribunal pleno ou órgão que o substituir, onde houver, o primeiro dos membros
mutuamente impedidos, que votar, excluirá a participação do outro no julgamento.
Art. 129. O magistrado, pelo exercício em órgão disciplinar ou de correição, nenhuma vantagem pecuniária
perceberá, salvo transporte e diária para alimentação e pousada, quando se deslocar de sua sede.
Art. 130. (Revogado, juntamente com seus §§ 1.º e 2. º, pela Lei Complementar n. 37, de 13-11-1979.)
Art. 131. Ao magistrado que responder a processo disciplinar, findo este, dar-se-á certidão de suas peças, se o
requerer.
Art. 132. Aplicam-se à Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no que couber, as normas referentes à Justiça
dos Estados.
Art. 133.0 presidente do Supremo Tribunal Federal adotará as providências necessárias à instalação do Conselho
Nacional da Magistratura no prazo de 30 (trinta) dias, contado da entrada em vigor desta Lei.
Art. 134. Concluídas as instalações que possam atender à nova composição do Tribunal Federal de Recursos,
serão preenchidos 8 (oito) cargos de ministro, para completar o número de 27 (vinte e sete), nos termos do art. 4.º,
devendo o presidente do tribunal, no prazo de 30 (trinta) dias, tornar efetiva a reorganização determinada nesta Lei
e promover a adaptação do Regimento Interno às regras nela estabelecidas.
Parágrafo único. As disposições dos arts. 115 e 118 da Lei Complementar n.º 35, de 14 de março de 1979, não se
aplicarão ao Tribunal Federal de Recursos, enquanto não forem preenchidos os oito cargos de ministro, para
completar o número de vinte e sete, nos termos previstos neste artigo.
Parágrafo único. cam redaçãa determinada pela Lei Camplemeatar n.º 37, de /3 de dezembro de 1979.
Art. 135. O mandato dos membros do Conselho Nacional da Magistratura eleitos no prazo do artigo anterior, com
início na data de sua eleição, terminará juntamente com o do presidente e do vice-presidente do Supremo Tribunal
Federal eleitos em substituição aos atuais.
Art. 136. Para efeito do aumento do número de desembargadores, previsto no art. 106, § 1.º, poderá ser computado
o número de processos distribuídos durante o ano anterior, e que, por força desta Lei, passaram à competência dos
Tribunais de Justiça.
Art. 137. Os cargos de desembargadores criados após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 7, de 13 de
abril de 1977, e ainda não providos à data da vigência desta Lei, somente o serão uma vez satisfeito o requisito
constante no art. 106, § 1.º.
Art. 138. Aos juízes togados, nomeados mediante concurso de provas e ainda sujeitos a concurso de títulos
consoante as legislações estaduais, computar-se-á, no período de 2 (dois) anos de estágio para aquisição da
vitaliciedade, o tempo de exercício anterior a 13 de abril de 1977.
Art. 139. Dentro de 6 (seis) meses, contados da vigência desta Lei, os Estados adaptarão sua organização
judiciária aos preceitos nela estabelecidos e aos constantes da Constituição Federal.

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§ 1.º Nos Estados em que houver Tribunal de Alçada, os Tribunais de Justiça observarão, quanto à competência, o
disposto no art. 108, III e IV
§1.º com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de /3 de novembro de 1979.
§ 2.º Os Tribunais de Justiça e os de Alçada conservarão, residualmente, sua competência, para o processo e
julgamento dos feitos e recursos que houverem sido entregues, nas respectivas secretarias, até a data da entrada
em vigor da lei estadual de adaptação prevista no art. 202 da Constituição, ainda que não tenham sido registrados
ou autuados.
§ 2. com redação determinada pela Lei Complementar n.º 37, de 13 de novembro de 1979.

Art. 140. Vencido o prazo do artigo anterior, ficarão extintos os cargos de juiz substituto de segunda instância,
qualquer que seja a sua denominação, e seus ocupantes, em disponibilidade, com vencimentos integrais até serem
aproveitados.
§ 1.º O aproveitamento far-se-á por promoção ao Tribunal de Justiça ou ao Tribunal de Alçada, conforme o caso,
respeitado o quinto constitucional, alternadamente, pelos critérios de antigüidade e merecimento, e, enquanto não
for possível, nas varas da comarca da Capital, de entrância igual à dos ocupantes dos cargos extintos.
§ 2.º No Estado do Rio de Janeiro, nas primeiras vagas que ocorrerem ou vierem a ser criadas no Tribunal de
Justiça, ressalvada a faculdade do Governador, de prévio aproveitamento dos atuais desembargadores em
disponibilidade (Emenda Constitucional n.º 7, art. 202, § 2.º) e observado o quinto constitucional, serão aproveitados
os atuais juízes de direito substitutos de desembargador, sem prejuízo da antigüidade que tiverem os demais juízes
de direito de entrância especial, na oportunidade do acesso ao tribunal.
§ 3.º Os juízes substitutos dos Tribunais de Alçada do mesmo Estado serão aproveitados nas primeiras vagas que
ocorrerem ou vierem a ser criadas em qualquer desses tribunais, observados os mesmos critérios deste artigo.
§ 4.º Os juízes que, na data da entrada em vigor desta Lei, estejam no exercício de função substituinte, mediante
convocação temporária, reassumirão o exercício das varas de que sejam titulares.
§ 5.º É vedado o aproveitamento por forma diversa da prevista nos artigos anteriores, inclusive como assessor,
assistente ou auxiliar de desembargador ou de juiz de Tribunal de Alçada.

Art. 141. Independentemente do disposto no § 3.º, do art. 100, desta Lei, fica assegurado o acesso aos Tribunais de
Justiça, pelo critério de antigüidade, de todos os juízes de direito que, à data da promulgaçao desta Lei, integrem a
mais elevada entrância, desde que, segundo as disposições estaduais entao vigentes, tenham igual ou maior
antigüidade do que a daqueles que integram os Tribunais de Alçada, ressalvada a recusa prevista no inciso III, do
art. 144, da Constituiçao Federal.
Art. 142. No Estado do Rio de Janeiro a aplicação do disposto no § 3.º do art. 100 não poderá afetar a antigüidade
que tiverem, na data da entrada em vigor desta Lei, os juízes que atualmente compõem a entrância especial, entre
os quais se incluem os juízes que integram os Tribunais de Alçada.
Art. 143. 0 disposto no § 4.º do art. 100 não se aplica às vagas correntes antes da data da entrada em vigor desta
Lei.
Art. 144. (Vetado)
Parágrafo único. (Vetado.)
Art. 145. As gratificações e adicionais atualmente atribuidos a magistrados, nao previstos no art. 65, ou excedentes
das percentagens e limites nele fixados, ficam extintos e seus valores atuais passam a ser percebidos como
vantagem pessoal inalterável no seu quantum, a ser absorvida em futuros aumentos ou reajustes de vencimentos.
Parágrafo único. A absorção a que se refere este artigo não se aplica ao excesso decorrente do número de
qüinqüêmos e não excederá de 20% (vinte por cento) em cada aumento ou reajuste de vencimento.
Art. 146. Esta Lei entrará em vigor 60 (sessenta) dias após sua publicação.
Art. 147. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasilia, em 14 de março de 1979; 158.º da Independência e 91.º da República.

ERNESTO GEISEL

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8 - Outros Artigos Referenciados

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Art. 89 - O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele participam:
I - o Vice-Presidente da República;
II - o Presidente da Câmara dos Deputados;
III - o Presidente do Senado Federal;
IV - os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V - os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI - o Ministro da Justiça;
VII - seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomeados pelo
Presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos Deputados, todos com
mandato de três anos, vedada a recondução.

(...)

Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer
distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação
jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais,
ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da
lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
§ 1º - A vedação do inciso III, b, não se aplica aos impostos previstos nos arts. 153, I, II, IV e V, e 154, II.
§ 2º - A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às
delas decorrentes.
§ 3º - As vedações do inciso VI, a, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços,
relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos
privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o
promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os
serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam
sobre mercadorias e serviços.
§ 6º - Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou
remissão, relativo a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal,
estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou
contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g.
§ 7º - A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de
imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial
restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.

(...)

Art. 153 - Compete à União instituir impostos sobre:


I - importação de produtos estrangeiros;
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;

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III - renda e proventos de qualquer natureza;
IV - produtos industrializados;
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;
VI - propriedade territorial rural;
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
§ 1º - É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as
alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V.
§ 2º - O imposto previsto no inciso III:
I - será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei;
II - não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão,
pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa com idade
superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho.
* Inciso II revogado pelo art. 17 da Emenda Constitucional nº 20 de 15 de Dezembro de 1998.
§ 3º - O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas
anteriores;
III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.
§ 4º - O imposto previsto no inciso VI terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de
propriedades improdutivas e não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore, só ou
com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel.
§ 5º - O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à
incidência do imposto de que trata o inciso V do caput deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota
mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos:
I - trinta por cento para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem;
II - setenta por cento para o Município de origem.

(...)

Art. 166 - Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos
créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento comum.
§ 1º - Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente
pelo Presidente da República;
II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta
Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais
comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.
§ 2º - As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas, na forma
regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional.
§ 3º - As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser
aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que
incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 4º - As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis
com o plano plurianual.
§ 5º - O Presidente da República poderá enviar mensagem ao Congresso Nacional para propor modificação nos
projetos a que se refere este artigo enquanto não iniciada a votação, na Comissão mista, da parte cuja alteração é
proposta.
§ 6º - Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo
Presidente da República ao Congresso Nacional, nos termos da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º.

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§ 7º - Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, no que não contrariar o disposto nesta seção, as demais
normas relativas ao processo legislativo.
§ 8º - Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem
sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou
suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.

Art. 167 - São vedados:


I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou
adicionais;
III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as
autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo
por maioria absoluta;
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da
arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços
públicos de saúde e para manutenção e desenvolvimento do ensino, como determinado, respectivamente, pelos
arts. 198, § 2º, e 212, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no
art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo;
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos
correspondentes;
VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra
ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orçamentos fiscal e da seguridade social
para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art. 165,
§ 5º;
IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa;
X - a transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos, inclusive por antecipação de receita,
pelos Governos Federal e Estaduais e suas instituições financeiras, para pagamento de despesas com pessoal
ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
* inciso X acrescentado pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998.
XI - a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a
realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o
art. 201.
* inciso XI acrescentado pela Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998.
§ 1º - Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia
inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.
§ 2º - Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo
se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos
limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente.
§ 3º - A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes,
como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública, observado o disposto no art. 62.
§ 4º - É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e
dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação de garantia ou contragarantia à
União e para pagamento de débitos para com esta.
(...)

Art. 169 - A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não
poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.
§ 1º - A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções
ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos
órgãos e entidades da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder
público, só poderão ser feitas:
I - se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de pessoal e aos
acréscimos dela decorrentes;
II - se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as
sociedades de economia mista.

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§ 2º - Decorrido o prazo estabelecido na lei complementar referida neste artigo para a adaptação aos parâmetros ali
previstos, serão imediatamente suspensos todos os repasses de verbas federais ou estaduais aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios que não observarem os referidos limites.
§ 3º - Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo fixado na lei
complementar referida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes
providências:
I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de confiança;
II - exoneração dos servidores não estáveis.
§ 4º - Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento
da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o cargo, desde que ato
normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa
objeto da redução de pessoal.
§ 5º - O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a indenização correspondente a um
mês de remuneração por ano de serviço.
§ 6º - O cargo objeto da redução prevista nos parágrafos anteriores será considerado extinto, vedada a criação de
cargo, emprego ou função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos.
§ 7º - Lei federal disporá sobre as normas gerais a serem obedecidas na efetivação do disposto no § 4º.

Contatos
Autor da apostila: Gustavo José Alves da Silva Arruda
Rua Barão de Palmares, 56 / apto 106 - Imbiribeira
Cep 51.170-170 - Recife / PE
Fone (0xx81) 3428-2486
galves@intermega.com.br
www.gustavoarruda.clic3.net
Recife, fevereiro de 2003.