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Lembre-se: “O êxito de um trabalho avaliativo está na seriedade que colocares ao respondê-lo”.

BOM TRABALHO!!!
Leia o texto com atenção e responda às questões propostas de 1 a 18.

A BORBOLETA E O CAOS
Marcelo Gleiser*
(Especial para a Folha)
01 Existe uma frase que ficou famosa na descrição das propriedades caóticas do clima: o
02 bater das asas de uma borboleta na África pode causar chuvas no Paraguai. Pelo menos, ----- é
03 uma entre milhares de versões.
04 O importante não é realmente onde está a borboleta ou onde vai chover, mas o fato
05 que o minúsculo deslocamento de ar causado pelo bater de suas asas pode causar efeitos na
06 atmosfera turbulentos o suficiente para serem sentidos a milhares de quilômetros de distância.
07 Conheço poucos exemplos de “globalização” melhores do que -------. Quando o assunto é
08 clima, o mundo é mais unido. A atmosfera não reconhece fronteiras.
09 Por trás da estranha relação da borboleta e o clima está uma propriedade fundamental
10 da física, a não-linearidade. Quando um sistema é linear, um estímulo é respondido na mesma
11 intensidade, como no caso de uma criança empurrada em um balanço. Quanto mais forte o
12 empurrão, mais alto ela vai (isso só é verdade para pequenos ângulos). Se o balanço fosse
13 não-linear, um pequeno empurrão poderia catapultar a criança em órbita. Meio dramático,
14 mas é verdade.
15 O clima é regido por equações não-lineares. Isso explica por que é tão difícil prevê-lo,
16 especialmente por muitos dias. Vários efeitos têm de ser computados, complicando as
17 previsões.
18 ------ limitação é o grande embate das simulações feitas em computadores para estudar
19 o efeito estufa e suas consequências climáticas. Segundo a maioria absoluta dos modelos, o
20 aumento da concentração de gases na atmosfera já está causando o seu aquecimento
21 gradativo.
22 A década de 1990 foi a mais quente dos últimos 150 anos. A política de ambiente
23 norte-americana é lamentável, especialmente sabendo-se que em torno de 25% de gás
24 carbônico do planeta é produzido lá. Talvez seja necessária uma catástrofe nacional para que
25 as coisas mudem. Ela possivelmente já começou, ameaçando um dos símbolos ecológicos
26 mais importantes dos EUA, a borboleta monarca.
27 Levando em conta as maravilhosas borboletas que existem no Brasil – pelo menos as
28 que conseguiram escapar dos pratos com tampo de vidro vendidos para turistas e exportados
29 para o mundo inteiro (quando esse absurdo será proibido?) – a monarca nem é tão especial. O
30 que a torna fascinante é o fato de ela ser uma espécie migratória.
31 Centenas de milhões de borboletas escapam do inverno nos EUA indo para o México.
32 A migração é medida pelas montanhas Rochosas, a cordilheira que corta a América do Norte
33 como uma espinha dorsal. As monarcas que vão para o México são as que estão do lado leste
34 das Rochosas. As que estão do lado oeste vão para o sul da Califórnia.
35 Ver milhares de borboletas voando é um espetáculo inesquecível. Às vezes, elas
36 obscurecem o céu. É incrível imaginar que criaturas tão frágeis, pesando meio grama, sejam
37 capazes de voar por milhares de quilômetros. Não só --------, elas sabem, todos os anos,
38 exatamente para onde ir, sempre retornando aos mesmos lugares.
39 Um ano significa quatro gerações de monarcas. De alguma forma, a tradição é
40 transmitida de geração a geração. Na ausência de mapas, talvez as borboletas usem algum
41 outro mecanismo de navegação. O biólogo Fred Urquhart sugeriu que elas seguem a difusão
42 em direção ao sudoeste de sua comida favorita, o soro leitoso secretado por certas plantas,
43 incluindo a soja. Ninguém sabe ao certo.
44 Estudos climáticos mostram que o efeito estufa está ameaçando os nichos ecológicos
45 mexicanos para onde migram as monarcas do leste. Modelos prevêem que, se nada for feito
46 para controlar a emissão de gases durante as próximas décadas, e se a temperatura global
47 continuar a subir, instabilidades climáticas vão causar um aumento na precipitação (chuva e
48 até neve) nessas regiões muito além da tolerância das frágeis borboletas. A situação piora
49 ainda mais com o desflorestamento que já ocorre na região. Alguns especialistas acham que
50 as borboletas vão encontrar outros lugares para passar o inverno, talvez mais ao sul, mas isso
51 é apostar no desconhecido. Infelizmente, nós somos uma espécie que só sabe reagir quando
52 não tem outra saída. Só espero que não sejam as pobres borboletas a pagar pela nossa
53 estupidez.
* Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro “O Fim
da Terra e do Céu”. (Folha de São Paulo, 30/11/2003)

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