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*Quem eram os filhos de Deus em Gênesis 6?

“Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhos, vendo os *filhos
de Deus* que as *filhas dos homens* eram formosas, tomaram para si mulheres, as que,
entre todas, mais lhes agradaram” (Gn. 6. 1,2).

Impossível ler o Gênesis 6 e não se perguntar: “Quem sãos os filhos de Deus e as filhas dos
homens a que o texto se refere?”

Há algumas interpretações que tentam dar essa resposta, veremos as três principais:

1) *Reis das dinastias orientais* - Os filhos de Deus são reis orientais que por seu poder
podiam, por seu poder, tomar para si qualquer mulher. Por outro lado, *as filhas dos
homens* seriam as pessoas comuns do povo, que não tinham poder e eram vítimas de
tais abusos.
Assim, o pecado mencionado aqui seria a poligamia (casar-se com várias mulheres).
Para sustentar essa posição, os seus defensores argumentam que em alguns contexto
os reis e magistrados são mencionados como “deuses” (Sal. 82), e às vezes como
“filhos de Deus” (2Sm. 7. 14; Sal 2. 7), e o fator do texto dizer “*tomaram para si*”
indica o poder de um rei, argumentam. De forma que o destino do povo sempre estava
vinculado ao do rei, por essa razão, toda a humanidade é castigada (dilúvio) por ação
dos “filhos de Deus” (Reis).
*O problema dessa teoria* - No livro de gênesis ainda não aparece um conceito de
reino e de reis, somente posteriormente.
2) *Anjos caídos* - Essa talvez seja a teoria mais divulgada e mais antiga, pois já era
ensinada pelos rabinos judeus, que diziam que “os filhos de Deus” eram anjos caídos e
que as “filhas de Deus” eram seres humanos mortais.
O pecado mencionado aqui seria o casamento entre seres espirituais caídos e seres
humanos mortais.
Para apoiar essa teoria argumentam que:
a) A expressão “filhos de Deus” se utiliza no antigo Testamento para descrever os
seres celestiais ou similares á divindade (Jó. 1. 6; 38. 7; Sal. 29. 1; Dn. 3. 25);
b) A citação de Judas 6, 7 se referindo a esse incidente, assim como, 1Ped. 3. 19,20 e
2Ped. 2. 4,6;
c) Na literatura pagã o termo “filhos de Deus” referia-se aos membros do panteão
(conjunto de deuses);

*As dificuldades dessa teoria:*

a) Se o pecado aqui foi o casamento entre anjos caídos e seres humanos porque
apenas os homens foram punidos (dilúvio);
b) No contexto não há nenhuma referência a “filhos de Deus” com anjos, mas essa
ideia é tirada da mitologia pagã;
c) Jesus afirma que os anjos não se casam – Lc. 20. 34-36.
3) *A linhagem de Sete e de Caim* - A terceira teoria é a que diz que as “filhas dos
homens” são a linhagem de “Caim e os filhos de Deus” a linhagem de Sete. Nesse
sentido “filhos de Deus”. Na descendência de Sete aparece Enos (Gn. 4.26), “daí se
começou a invocar o nome do Senhor”. Em contra partida, a descendência de Caim é
descrita como violenta e poligâmica (Gn. 4. 17 – 25).
O pecado cometido é a união daqueles que invocam o nome do Senhor, a linhagem de
Sete, e os que vivem afastados de Deus, a linhagem de Caim.
Como consequência veio a destruição de todo gênero humano, sendo preservado
exclusivamente pela graça de Deus, a Noé e sua família, que são da descendência de
Sete (dos filhos de Deus).
A favor dessa teoria há a harmonia do contexto em mostrar duas linhagem contrarias,
uma que vive para Deus e outra que vive longe de Deus, e a união de ambas trazendo
como consequência o dilúvio.
*Dificuldades dessa posição*
a) No Antigo testamento “filhos de Deus” não significa a descendência de Sete, mas
refere-se a Israel (Ex. 4. 22; Dt. 14. 1; Sal. 73. 15);
b) Não há evidência de que Deus estava trabalhando com uma linhagem especifica;
c) O pecado definido como a união do santo com o pecador, não pode descrever toda
a linhagem de Sete, pois apenas Noé era “justo e íntegro... andava com Deus” (Gn. 6.
9).

Das três teorias, a que melhor me parece identificar o texto é a terceira, a linhagem de
sete e Caim, por sua base na estrutura e narrativa que está sendo construída dentro do
livro de Gênesis.

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