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Pontapé na Matemática

Após ter efectuado uma grande defesa, o Vítor Baía repõe a bola em jogo pontapeando-a
numa determinada direcção. A trajectória da bola pode ser aproximadamente descrita pela
função

h(x) = -0,03x2 + 150x + 125 (em m)

representando h a altura da bola e x a distância da sua projecção ao local do pontapé,


conforme a figura

1) Recorrendo à calculadora gráfica, enquadre e analise o gráfico desta função.

1.1) Qual a altura máxima atingida pela bola?

1.2) Assumindo que a bola cai dentro do rectângulo de jogo e que não é interceptada antes
de bater no chão, qual o alcance do pontapé?

1.3) Imaginando um jogador adversário colocado a 3 m do guarda-redes no instante do


pontapé e na direcção da trajectória, poderá este interceptar a bola?

SUGESTÕES PARA APROVEITAMENTO PEDAGÓGICO

Deve o docente começar por alertar que este movimento apenas será avaliado a duas
dimensões ( x e h , neste caso), podendo a trajectória elaborada pela calculadora ocorrer em
diferentes direcções quando se considera a terceira dimensão.

Após este reparo, sugere-se uma breve alusão às condicionantes do movimento de


projécteis, a saber, intensidade da força aplicada e ângulo de saída, por um lado, e atracção
exercida pela terra (força da gravidade), por outro.

Encaminhando os discentes para a escolha de um referencial que permita a análise do


movimento no 1º quadrante, é de esperar que os alunos acabem por adoptar "janelas" com
e , resultando, para a opção
o seguinte gráfico

Para responder a 1.1 poderá ser utilizado, como 1ª aproximação, o processo "trace". Se for
essa a opção dos alunos, deverá o docente explicar e demonstrar que esta escolha pode não
ser a mais correcta, lembrando e estimulando para o aproveitamento da capacidade da
calculadora detectar os máximos e mínimos locais, alertando para as ligeiras diferenças de
resultados obtidos pelos dois processos. Será esta a oportunidade para reavivar extremos de
uma função e respectivo relacionamento com derivadas, encaminhando para a descoberta de
que a recta tangente ao gráfico no seu máximo é horizontal, pelo que o seu declive terá que
ser 0. Relembrando que a derivada de uma função num ponto traduz o declive da recta

tangente ao gráfico nesse ponto, pode-se pedir aos discentes que calculem e igualem a

0, vindo .

A abordagem de 1.2 pode ser iniciada com a associação alcance/distância horizontal,


resultando um dos processos possíveis de resposta rigorosa pela utilização da capacidade de
cálculo das coordenadas do ponto de intersecção de h(x) com a recta h = 0 (associando-a,
apenas, à álgebra de sistemas); outra forma será o aproveitamento da possibilidade da
determinação das raízes de h(x). Em qualquer dos casos e com as convenientes alterações
da "janela", pode o docente alertar para a possível visualização de dois pontos de
intersecção (ou duas raízes, correspondentes às duas soluções da equação do 2º grau h(x) =
0 ), devendo a escolha recair sobre a solução maior que zero, já que esta é a única com
sentido prático.

A pergunta 1.3 servirá para relembrar aos alunos que a calculadora permite o cálculo do
valor de uma função dado o valor da variável (x = 3, neste caso); como h(3) = 5,48 m , a
resposta obvia é não.

Finalmente, pode-se ainda solicitar aos discentes que provem que

(quer pela sobreposição gráfica, quer pelo desenvolvimento


algébrico) e recordar os efeitos dos parâmetros a,b e c no posicionamento da parábola

, devendo os alunos formular conjecturas pela respectiva


variação/experimentação.

CONCLUSÃO

Como já referido anteriormente, a avaliação da eficácia pedagógica deste problema só


poderá ser feita após a sua resolução na sala de aula. Em todo o caso e em termos gerais,
parece evidente que a correcta utilização da calculadora gráfica proporciona ao aluno
facilidades na aquisição, compreensão e aplicação de conhecimentos matemáticos, até
porque desperta a curiosidade e permite/estimula a auto-aprendizagem.

O discente pode rapidamente materializar e visualizar conceitos associados a funções e


condições, descobrindo e percebendo aplicações da matemática, desenvolvendo a
capacidade de análise e formulação de conjecturas.
Paralelamente à utilização da calculadora, recomenda-se um acompanhamento algébrico, de
tal modo que o aluno reconheça e compreenda os vários passos na resolução de problemas,
maximizando-se assim o aproveitamento pedagógico, contribuindo-se para o
desenvolvimento do raciocínio e desmistificando-se os fantasmas da inutilidade/dificuldade
geralmente conotados com a matemática.

Por estas razões e por muitas outras associadas a capacidades/aptidões da calculadora não
abordadas neste problema, reconhece-se, sem quaisquer tipo de dúvidas, que a utilização da
calculadora gráfica pode melhorar substancialmente a eficácia do processo de ensino-
aprendizagem.