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DESMASCARANDO O MARXISMO

A filosofia marxista

O marxismo talvez seja o maior


empreendimento cultural da história da
humanidade. Digo empreendimento
porque o marxismo foi criado, desde sua
origem, com o intuito de formar uma
cultura – o que ele cumpriu
perfeitamente. Existem outras culturas
superiores e mais amplas, mas nenhuma
foi planejada para se impor de forma tão
abrangente, como o marxismo.

Quando Marx e Engels desenvolveram


suas teses sobre a sociedade, sua
estrutura econômica e sobre as supostas
classes nela existentes, não se limitaram
a apenas fazer uma análise da situação
contemporânea, mas se arvoraram na
tentativa de descortinar as leis existentes
por detrás dos fenômenos sociais.
Influenciados, principalmente, pelas
idéias de Hegel, concluíram que a
realidade obedece a processos
imutáveis de desenvolvimento. No
entanto, inspirados pelo materialismo de
Ludwig Feuerbach, além de outros
autores materialistas,

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Sendo uma visão do todo, o marxismo


exigiu de seus intérpretes e
continuadores uma abordagem ampla,
que ia muito além da questão
estritamente social, mas reivindicava
uma abordagem filosófica e até mesmo
cosmológica. E não parou por aí, pois os
desdobramentos dos estudos marxistas
reclamaram análises psicológicas,
antropológicas, linguísticas e até mesmo
físicas e biológicas

O marxismo, então, expandiu-se


formidavelmente, atacando em
praticamente todas as frentes do
pensamento humano. Já no meio do
século XX, não havia uma área do
conhecimento que não tivesse uma
abordagem submetida ao crivo marxista.
No entanto, até os anos sessenta, pelo
menos, essa visão de mundo disputou
espaço com outras, especialmente
aquelas mais tradicionais, principalmente
as cristãs e conservadoras. De lá para cá,
porém, o marxismo apenas ganhou mais
espaço e hoje, praticamente, ele é uma
unanimidade cultural.

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O pensamento marxista está


impregnado em todas as áreas do
conhecimento como se fosse o
fundamento inerrante de todas elas.
Tanto é assim que praticamente todas as
matérias acadêmicas se esforçam por
corroborar, racionalizar e expandir os
preceitos marxistas. Não é que os
acadêmicos sejam marxistas,
simplesmente. O que acontece é que o
marxismo infiltrou-se com tanta força
que recebeu status de ciência. Porém,
não uma ciência qualquer, mas uma
ciência basilar, uma ciência que serve de
fundamento para a compreensão das
outras ciências. Isso acontece, muitas
vezes, de maneira velada, mas outras de
forma explícita. Como é o caso da
disciplina Análise do Discurso, na área da
linguagem. Como uma das maiores
autoridades nessa matéria, no Brasil, Eni
Orlandi, ensina, "A análise de discurso se
constitui (...) entre três domínios
disciplinares que são ao mesmo tempo
uma ruptura com o século XIX: a
Linguística, o Marxismo e a Psicanálise".
O fato é que não há, na universidade,
áreas de estudos que não citem Marx
em algum sentido.
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Os acadêmicos não apenas citam, mas


racionalizam suas próprias disciplinas
para que elas se encaixem na forma
marxista de ver o mundo. Um exemplo
claro acontece com a acolhida que a
teoria evolucionista recebe, em todos os
meios. Isso acontece menos por suas
qualidades intrínsecas e mais pelo fato
de ter sido uma teoria acolhida pelos
fundadores do marxismo. Simplesmente,
porque o evolucionismo, de alguma
maneira, corrobora a idéia de mundo em
constante mutação, que é uma das
bases da filosofia marxista. Não é por
acaso que ele tornou-se praticamente
unanimidade na mentalidade do nosso
tempo.

Outro exemplo é a da já citada Análise


do Discurso. Seu método consiste em,
principalmente, identificar a ideologia e a
classe a qual pertence o discursante,
praticamente ignorando seu raciocínio e
sua lógica. O pressuposto disso é a idéia
marxista de que a ideologia do sujeito é
fruto da estrutura econômica sobre a
qual vive e isso afeta sua consciência,
sua forma de pensar.

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Sendo assim, analisar suas palavras não


tem nenhum valor se não se fizer isso
observando a ideologia que a promove.
Nada mais marxista!

E poderíamos ficar aqui listando dezenas


de exemplos de como o marxismo
infiltrou-se na mentalidade acadêmica
deste país. Obviamente, o que vem
sendo discutido academicamente há
tantos anos, inapelavelmente, penetraria
nas outras camadas da sociedade – e foi
exatamente isso que aconteceu. Da
indústria do entretenimento, ao
jornalismo e daí até a mentalidade das
gentes comuns, foi um caminho óbvio
que o marxismo fez. Atualmente, todas
as pessoas estão, de uma maneira ou de
outra, impregnadas de uma visão de vida
marxista. Sabendo disso ou não. Na
verdade, a maioria nem se dá conta.
Simplesmente, reflete aquilo que
apreendeu da cultura onde está inserida.

Boa parte das nossas concepções, sobre


sociedade, progresso, evolução,
revolução, consciência, alienação,
desenvolvimento, tradição,

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burguesia, capitalismo e socialismo


foram moldadas pela forma marxista de
enxergar tudo isso. E, ainda que não
sejamos marxistas declarados,
acabamos replicando-as da forma como
o marxismo as ensina. Se o nosso tempo
exalta personalidades como Paulo Freire,
Lula, Marighela, Betinho, Chico Buarque
entre outros, é porque, antes, fora feita
uma formatação da consciência coletiva
em favor desses tipos.

O marxismo teve esse tremendo


alcance, antes de tudo, por ser mais do
que uma simples proposta de sociedade,
menos ainda uma mera sugestão
econômica. O marxismo é, na verdade,
uma visão de mundo, uma forma
completa de ver a existência. Da
composição da matéria à maneira como
a história se desenvolve, o marxismo
oferece uma explicação total e própria
sobre o universo.

No entanto, a maioria das pessoas que


se propõem a criticar e até combater o
marxismo concentram-se nos aspectos
exteriores dessa ideologia

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e acabam não atacando sua verdadeira


força, que vem da formatação mental
que ela estabelece.

Assim, quem luta contra o marxismo


apenas nos campos econômico e social
termina – ainda que algumas vezes
consiga atrapalhar a marcha marxista –
sendo engolido por ela, quando não,
inconscientemente, até contaminado
pelos princípios de sua ideologia.

Diante disso, torna-se necessário


entender que existe toda uma visão de
mundo que sustenta o pensamento
marxista. Há fundamentos que fazem do
marxismo muito mais do que uma mera
escola social ou de economia. O que o
marxismo oferece é uma verdadeira
cosmovisão.

Sendo uma cosmovisão, o marxismo


formata a mentalidade de todo aquele
que é submetido aos seus ensinamentos.
Quem é doutrinado por seus princípios já
não enxerga o mundo da maneira
natural, mas começa a vê-lo de uma
forma bastante específica e diferente de
tudo.
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Considerando que o marxismo é o maior


empreendimento cultural da
humanidade, acabamos por ter uma
geração inteira contaminada por sua
cosmovisão artificializada, o que se
reflete em todas as áreas da experiência
humana – da intimidade, passando pela
religião, encontrando até mesmo a
ciência.

Assim, independentemente dos


entendimentos específicos que um
socialista possua – dos mais extremistas
aos mais moderados – há uma visão de
mundo subjacente, e que é a mesma
para todos eles, que lhes fornece as
bases para sua forma de pensar e
percepções.

O marxismo, desde suas origens, possui


três áreas fundamentais: sua economia,
sua sociologia e sua filosofia. A mais
estudada por seus adversários foi a
primeira. E ela está completamente
desmoralizada. Ninguém acredita – nem
mesmo os marxistas atuais – nas
concepções econômicas de Marx.

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Repetir os conceitos econômicos do


socialismo original é colocar-se
completamente à parte da realidade.

A segunda área, a sociologia, foi quase


tão estudada como a economia e, de
alguma maneira, também caiu em
descrédito. Apesar de haver ainda
alguma retórica tentando mantê-la de
pé, a realidade a tem desmoralizado. A
sociedade evoluiu no sentido oposto das
previsões marxistas e a base de sua
concepção, o proletariado, transformou-
se de pedra de toque da revolução em
salvaguarda capitalista. Defender a
sociologia marxista funciona apenas
como símbolo; não tem mais nenhuma
relação com a vida das pessoas.

É a filosofia, a parte do marxismo mais


negligenciada por seus inimigos, que,
não coincidentemente, permanece
quase intacta, sendo a responsável por
mantê-lo vivo. Se a economia e a
sociologia são um motivo de escárnio
contra os socialistas, é na filosofia que
eles encontram seu porto seguro e sua
base de atuação.

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Repetir os conceitos econômicos do


socialismo original é colocar-se
completamente à parte da realidade.

A segunda área, a sociologia, foi quase


tão estudada como a economia e, de
alguma maneira, também caiu em
descrédito. Apesar de haver ainda
alguma retórica tentando mantê-la de
pé, a realidade a tem desmoralizado. A
sociedade evoluiu no sentido oposto das
previsões marxistas e a base de sua
concepção, o proletariado, transformou-
se de pedra de toque da revolução em
salvaguarda capitalista. Defender a
sociologia marxista funciona apenas
como símbolo; não tem mais nenhuma
relação com a vida das pessoas.

É a filosofia, a parte do marxismo mais


negligenciada por seus inimigos, que,
não coincidentemente, permanece
quase intacta, sendo a responsável por
mantê-lo vivo. Se a economia e a
sociologia são um motivo de escárnio
contra os socialistas, é na filosofia que
eles encontram seu porto seguro e sua
base de atuação.

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Sendo a única parte do marxismo onde


encontram-se alguns preceitos
minimamente coerentes, foi também
aquela que menos sofreu contestações.
Sendo assim, se ainda existe um
marxismo e se ele continua sendo
influente, isso é por conta de sua
filosofia, que se mantém firme.

Portanto, quem tem como meta opor-se


ao marxismo precisa ir para além de
onde liberais, economistas, historiadores
e sociólogos foram e abordar a filosofia
marxista. Sendo o último bastião do
socialismo, é ela que resta ser destruída.
No entanto, essa missão não é nada fácil.

São os fundamentos marxistas que


precisam ser abalados. É a destruição
daquilo que fez a forma de pensar de
quase toda uma geração de intelectuais,
políticos e cientistas, além de moldar a
mentalidade do resto das pessoas, que
precisa ser realizada.

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Fabio Blanco
é um livre-pensador, escritor e professor.
É formado em Direito e pós-graduado em
Retórica e Oratória. Em 2010, inaugurou o
Liceu de Oratória, escola pela qual ensina
oratória e escrita argumentativa.

É proprietário também do NEC - Núcleo


de Ensino e Cultura, promovendo, por
meio dele, diversos eventos culturais e
intelectuais. É ainda o idealizador do
projeto de Filosofia Integral para o
desenvolvimento da inteligência e da
capacidade de interpretação da realidade.
É professor no curso DESMASCARANDO O
MARXISMO nos cursos PHVOX

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