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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

ESTRATÉGICO

2019
FACULDADE LABORO
CURSO: MBA EM AUDITORIA, CONTROLADORIA E GESTÃO FINANCEIRA
DISCIPLINA: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ESTRATÉGICO
DOCENTE: PROFª DELZA ABREU SILVA
TITULAÇÃO: MESTRE

1 EMENTA

Sistema Tributário Nacional. Princípios e Normas Gerais da Tributação.


Responsabilidade pelos Débitos Fiscais e Estatuto de Defesa do Contribuinte.
Principais Tributos nas Atividades Empresariais. Regimes de Tributação: Lucro Real,
Presumido, Arbitrado e Simples Nacional. Planejamento Tributário: Evasão e Elisão.
Reorganização Societária: Fusão, Incorporação e Cisão de Empresas.

2 OBJETIVOS GERAL

Estudar e conhecer as principais operações de planejamento tributário.

Habilitar o estudante a identificar as condições necessárias para a redução da carga


tributária, por meio de um planejamento tributário, obedecendo as exigências impostas
pela legislação fiscal às empresas para o cumprimento das obrigações, principal e
acessórias,

2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Relacionar o planejamento tributário com o sistema tributário brasileiro e com as regras

gerais do Direito Tributário.

Definir planejamento tributário e diferenciá-lo de figuras afins.

Conhecer os limites do planejamento tributário e a regulação do instituto no Brasil.


Analisar casos práticos de planejamento tributário na tributação sobre a renda,
patrimônio, consumo, bem como na tributação internacional e no mercado financeiro.

3. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

1. Sistema Tributário Nacional;


2. Débitos Fiscais;
3. Estatuto de Defesa do Contribuinte;
4. Tributação e Regimes
5. Planejamento Tributário.

4. RECURSOS DIDÁTICOS

As aulas serão construídas com o uso de textos impressos e recursos tecnológicos,


quadro branco e acessório, projetor multimídia, e outros, que se fizerem necessários
durante o desenvolvimento das aulas.

5. PROCEDIMENTOS AVALIATIVOS

 Avaliação Processual através da observação da participação e interesse dos


alunos durante as atividades em sala de aula.
 Prova Regimental no Final do processo de desenvolvimento da disciplina.
 Aquisição da média em sala: Frequência, Participação e Entrega das atividades.

6. REFERÊNCIAS

Básica:
CHAVES, Francisco Coutinho; MUNIZ, Érika Gadêlha. Contabilidade tributária na
prática. 1ª. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Celso H. Imposto de Renda das empresas. 36a ed., São
Paulo: IR Publicações Ltda., 2011.
PEGAS, Paulo Henrique. Manual de contabilidade tributária. 7a. ed., Rio de Janeiro:
Freitas Bastos Editora, 2011.
NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Pessoa Imposto de Renda Jurídica.
13.ed.. São Paulo : Frase, 2007
OLIVEIRA, Luis Martins, et al. Manual de Contabilidade Tributaria. 6.ed. São Paulo:
Atlas, 2007.
PÊGAS, Paulo Henrique. Manual de Contabilidade Tributária. 2.ed. Rio de Janeiro:
Freitas Bastos, 2004.

Complementar:

BORGES, Humberto Bonavides. Planejamento tributário – IPI, ICMS, ISS e IR. 11ª.
ed., São Paulo: Atlas, 2011.

SOUZA, Edino Cezar Franzio de. O Poder de Tributar e o Cenário Econômico atual.
Editora MP, 2010.

FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade tributária. 11a ed., São Paulo: Atlas,
2009.
SUMÁRIO
1. Introdução 01
2. Sistema Tributário Nacional 01
2.1 Conceito 01
2.2 Tipos Principais de Tributos no Brasil 02
2.2.1. Impostos 03
2.2.2 Taxas 03
2.2.3 Contribuição de Melhoria 04
2.2.4 Contribuições Sociais 04
2.2.5 Empréstimos Compulsórios 04
3. Débitos Fiscais 04

4. Estatuto de Defesa do Consumidor 05

4.1 Lei 13.460 de 26 de junho de 2017 07

5. Tributação e Regimes 09

5.1. Simples Nacional 09


5.2 Lucro Presumido 11
5.3 Lucro Real 14
6. Planejamento Tributário 20
6.1 Conceito 20
6.2 Objetivos do Planejamento Tributário 22
6.3 Finalidades 23
7. Reorganização Societária 24
7.1 Incorporação 25
7.2 Fusão 25
7.3 Cisão 25
7.4 Elisão 26
Referencias 27
1. INTRODUÇAO

Em tempos em que a redução de custos é um objetivo perseguido pelas


empresas, o planejamento tributário torna-se ainda mais estratégico. A correta
administração dos tributos é decisiva para impulsionar a lucratividade de
qualquer negócio.

“O planejamento tributário é realizado para um completo mapeamento dos


tributos recolhidos e para que se programe os passos futuros, sempre em
conformidade com o que a legislação pertinente prevê, de modo que os riscos
de práticas indevidas sejam evitados”.

A definição do tipo de tributação que a empresa utilizará em 2020/2021


pode ser feita no início do ano. “As empresas devem avaliar a escolha da forma
de tributação considerando o comportamento do negócio e o planejamento
para o futuro. O enquadramento correto é um aspecto decisivo”.

2. SISTEMA TRIBUTARIO NACIONAL

O Sistema Tributário Nacional é um conjunto de regras jurídicas que


disciplina o exercício do poder impositivo pelos diversos órgãos públicos, aos
quais a Constituição Federal atribui competência tributária.

No Brasil adota-se o princípio da estruturalidade orgânica do tributo, pelo


qual a espécie tributária é determinada pelo seu fato gerador, sendo irrelevante
o nome atribuído ao tributo ou a destinação de suas receitas

Com base na doutrina mais aceita no Brasil, podemos afirmar que as


espécies tributárias que compõem o sistema tributário brasileiro, são cinco:
impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições especiais e
empréstimos compulsórios.

2.1 Conceito

Segundo Musgrave (1976), entende-se Sistema Tributário como sendo o


complexo orgânico formado pelos tributos instituídos em um país ou região

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autônoma e os princípios e normas que os regem. Por consequência, podemos
concluir que o Sistema Tributário Brasileiro é composto dos tributos instituídos
no Brasil, dos princípios e normas que regulam tais tributos.

Uma só lei é elaborada para milhares de atividades distintas, pois os


tributos individualmente são regulados por leis distintas. O planejamento
tributário visa Construir, neste caso, a aplicação na forma de tributação
objetivando a pagar menos tributos.

A adequação correta da legislação aos procedimentos da empresa para


que sejam tomados os créditos, calculado da melhor forma.

O funcionamento do Sistema Tributário Nacional é pautado no recolhimento


de tributos, com o objetivo de financiar as atividades do Estado, como
melhorias nos serviços prestados à população, investimentos em
infraestruturas e pagamentos dos salários dos servidores. Esses tributos
podem ser cobrados diretamente pelo Estado ou indiretamente, quando o
cidadão adquire um produto ou utiliza algum serviço, sejam eles de empresas
privadas ou públicas.

A complexidade do funcionamento surge por conta da não unificação das


leis tributárias. Há, por exemplo, um tributo denominado ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços) de competência estadual. Porém, cada
estado tem sua própria legislação sobre o ICMS. Isso acaba criando 27
legislações (26 estados e um Distrito Federal), cada uma tratando
especificamente de um dos mais complexos impostos no país!
Eleve essa dificuldade agora com o imposto municipal, o ISS (Imposto
Sobre Serviços). O Brasil possui cerca de 5570 municípios e cada um com sua
legislação específica sobre o tributo (IBGE,2013).
Além disso, existem, é claro, os tributos federais, sob responsabilidade da
União. O resultado é uma gigantesca legislação voltada unicamente para o
Sistema Tributário Nacional.

2.2 Tipos principais de tributos no Brasil

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O artigo 145 da Constituição Federal e o artigo 5º do Código Tributário
Nacional classifica expressamente como tributos apenas os impostos, taxas e
contribuições melhoria,

A doutrina majoritária e o Supremo Tribunal Federal entendem que o


empréstimo compulsório e as contribuições também são espécies tributárias
autônomas, por possuírem regime jurídico autônomo, de nítido caráter
tributário. Colabora com esse entendimento o artigo 4º do Código Tributário
Nacional, segundo o qual a "natureza jurídica específica do tributo é
determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação tributária", sendo
irrelevantes a denominação, as características formais adotadas pela lei e a
destinação legal do produto da arrecadação.

2.2.1 Impostos: É o tributo que tem como fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte
(Art. 16 do CTN).

Imposto é o tributo que não está vinculado a uma contraprestação direta a


quem o está pagando. As receitas de impostos não são destinadas a custear
obras ou serviços em prol de quem os paga, mas sim para serem utilizadas
para custear as despesas gerais do estado, visando promover o bem comum

O imposto poderá ser utilizado em qualquer área, desde que haja


legislação instituindo isso. Como exemplo, temos o ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços) e o IPVA (Imposto sobre Propriedade
de Veículo Automotores). O imposto é o principal financiador dos serviços
públicos.

2.2.2 Taxas: É o tributo que pode ser cobrado pela União, Estados,
Distrito Federal ou Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, que
tem como fato gerador, o exercício do poder de polícia ou a utilização efetiva
ou potencial, de serviço público específico e divisível prestado ao contribuinte
ou posto a sua disposição (Art. 77 do CTN).
As taxas são tributos vinculados, logo o poder público faz alguma coisa
em favor do contribuinte. Quando a cobrança é em razão do poder de policia, o

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Estado fornece em geral um documento cuja exigência está prevista em lei,
podendo ser um alvará de funcionamento de um estabelecimento, um
passaporte para viajar para o exterior.
As taxas compõem grande parte da arrecadação do Estado, visto que elas são
pagas quando o contribuinte utiliza algum serviço público. Sua destinação
assim como a contribuição também é pré-fixada. Exemplos de taxas são as
que são pagas na emissão de documentos e taxas de registro em juntas
comerciais.
Além desses, a Constituição Federal ainda trata de mais 2 espécies de
tributos, são elas:

2.2.3 Contribuições de melhoria: Esse tributo é destinado ao custeio de


obras públicas. Para ser cobrado, é necessária a existência de uma obra
pública. Além disso, é indispensável, para que seja válido, que tenha havido
valorização econômica do imóvel do contribuinte. Outra informação importante
sobre esse tipo de tributo é que deve ser cobrado de uma vez, após a
demonstração do custo da obra que gerou a valorização.

2.2.4 Contribuições sociais: as contribuições possuem sua destinação


definida na legislação, não podendo ser utilizada livremente. É uma das
principais fontes de renda do Estado. O PIS (Programa de Integração Social)
e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são
exemplos de contribuição
.
2.2.5 Empréstimos compulsórios: É um tributo de competência da
União. Como o nome sugere, o valor pago pelo contribuinte é devolvido. É
preciso que o destino do tributo seja legalmente estabelecido. Além disso, para
que seja válido, é indispensável a criação de uma lei complementar.

3. DÉBITOS FISCAIS

O débito fiscal é um problema que tira o sono de muitos empresários no Brasil.


O próprio número de dívidas fiscais contraídas pelas empresas no Brasil é
assustador.

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Débitos Fiscais é o débito em que o contribuinte, deixando de pagar tributo na
época certa à Fazenda Pública, passa a ser inscrito como devedor desta.

Os débitos fiscais mais recorrentes são aqueles relacionados ao recolhimento


indevido dos seguintes tributos:

 ICMS;
 ISS;
 CPP;
 CSLL;
 IPI;
 COFINS;
 IRPJ;

A forma como será feito esse recolhimento varia de acordo com o regime
tributário da empresa, que pode ser:

 Simples nacional;
 Lucro presumido;
 Lucro real.

4. ESTATUTO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.

Instituído pela Lei Nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, durante o mandato do


então presidente Fernando Collor, o Código, entretanto, teve a sua vigência
protelada para a adaptação das partes envolvidas.

O CDC foi fruto de uma expressa determinação constitucional que buscou


preencher uma lacuna legislativa existente no Direito Americano, onde as
relações comerciais, tratadas de forma obsoleta por um Código Comercial do
século XIX, não traziam nenhuma proteção ao consumidor. Assim, tornava-se
necessária a elaboração de normas que acompanhassem o dinamismo de uma
sociedade de massas que se formou no decorrer do século XXI, conforme
dispunha a Constituição de 1988 no seu artigo 5º, inciso XXXII:

O Estado promoverá na forma da lei a defesa do consumidor.

Por sua vez, o artigo 48 do ADCT- Ato das Disposições Constitucionais


Transitórias da nova Constituição já determinava que, dentro de 120 dias da
sua promulgação, deveria ser elaborado o código de defesa do consumidor.

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Buscando alcançar esse objetivo, o Ministério da Justiça designou uma
comissão de juristas para que elaborassem um anteprojeto de lei federal que
mais tarde seria aprovado como o Código de Defesa do Consumidor. Tal
comissão era presidida pela professora Ada Pellegrini Grinover e integrada por
Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamim, Daniel Roberto Fink, José
Geraldo Brito Filomeno, Kazuo Watanabe, Nelson Nery Júnior e Zelmo Denari.

Finalmente, o CDC foi promulgado em 1990, gerando importantes


mudanças que, no decorrer dos anos 90 e na primeira década do século XXI,
mudaram consideravelmente as relações de consumo, impondo uma maior
qualidade na fabricação dos produtos e no próprio atendimento das empresas
de um modo geral.

O CDC - Código de Defesa do Consumidor, estabelece normas de


proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social.

Após os devidos debates legislativos, em 1990, com a aprovação da Lei


8.078/1990, surgem as bases normativas específicas para a relação
consumidor/fornecedor. Entretanto, apesar de serem normas bem requisitadas
e bastante acionadas, muitos consumidores desconhecem tais direitos. O
artigo 6º do CDC apresenta os direitos básicos do consumidor, dentre eles:

 Educação e divulgação sobre o consumo adequado e correto dos


produtos e serviços;

 Proteção da vida, da saúde e da segurança;

 Informações (quantidade, qualidade, composição, característica e preço)


sobre os produtos e serviços;

 Proteção contra a publicidade enganosa e abusiva (caso seja enganado


tem o direito de trocar o produto ou ter o dinheiro de volta);

 Qualidade e eficiência dos serviços públicos em geral.

O CDC tem uma abrangência que envolve desde relações de compra de


produtos (alimentos, roupas, brinquedos, eletrônicos), compra de bens duráveis
(terrenos, apartamentos, carros) até as contratações de serviços (plano de
saúde, telefonia móvel, conserto de eletrodomésticos). Suas normas objetivam

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regularizar as relações de consumo, protegendo o consumidor de prejuízos na
aquisição de produtos e serviços.

Desta forma, os consumidores com ciência de seus direitos, através de


reclamações ou comprovação do não cumprimento do CDC, poderão
acionar os órgãos de defesa (como o Procon e o Idec).

Caso a reclamação não tenha sido resolvida satisfatoriamente, encaminha-se a


demanda para juízo.

As empresas ou fornecedores de serviços podem ser punidos através de multa


ou, dependendo da gravidade da situação, penalmente.

Entretanto, apesar de serem normas bem requisitadas e bastante acionadas,


muitos consumidores desconhecem tais direitos. O artigo 6º do CDC apresenta
os direitos básicos do consumidor, dentre eles:

 Educação e divulgação sobre o consumo adequado e correto dos


produtos e serviços;

 Proteção da vida, da saúde e da segurança;

 Informações (quantidade, qualidade, composição, característica e preço)


sobre os produtos e serviços;

 Proteção contra a publicidade enganosa e abusiva (caso seja enganado


tem o direito de trocar o produto ou ter o dinheiro de volta);

 Qualidade e eficiência dos serviços públicos em geral.

4.1 LEI Nº 13.460, DE 26 DE JUNHO DE 2017.

Dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos


serviços públicos da administração pública.

Art. 4º Os serviços públicos e o atendimento do usuário serão realizados


de forma adequada, observados os princípios da regularidade,
continuidade, efetividade, segurança, atualidade, generalidade,
transparência e cortesia.

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CAPÍTULO II

DOS DIREITOS BÁSICOS E DEVERES DOS USUÁRIOS

Art. 5º O usuário de serviço público tem direito à adequada prestação


dos serviços, devendo os agentes públicos e prestadores de serviços
públicos observar as seguintes diretrizes:

I - urbanidade, respeito, acessibilidade e cortesia no atendimento aos


usuários;

II - presunção de boa-fé do usuário;

III - atendimento por ordem de chegada, ressalvados casos de urgência


e aqueles em que houver possibilidade de agendamento, asseguradas
as prioridades legais às pessoas com deficiência, aos idosos, às
gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por crianças de
colo;

IV - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de exigências,


obrigações, restrições e sanções não previstas na legislação;

V - igualdade no tratamento aos usuários, vedado qualquer tipo de


discriminação;

VI - cumprimento de prazos e normas procedimentais;

VII - definição, publicidade e observância de horários e normas


compatíveis com o bom atendimento ao usuário;

VIII - adoção de medidas visando a proteção à saúde e a segurança dos


usuários;

IX - autenticação de documentos pelo próprio agente público, à vista dos


originais apresentados pelo usuário, vedados a exigência de
reconhecimento de firma, salvo em caso de dúvida de autenticidade;

X - manutenção de instalações salubres, seguras, sinalizadas,


acessíveis e adequadas ao serviço e ao atendimento;

XI - eliminação de formalidades e de exigências cujo custo econômico


ou social seja superior ao risco envolvido.

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5. TRIBUTAÇAO E REGIMES.

O denominado "Regime de Tributação" caracteriza-se pela forma com que o


contribuinte deve tributar seus resultados, operações, rendimentos ou rendas.

Para fins de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição


Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) há 3 regimes de tributação distintos:

5.1 Simples Nacional

Lei Complementar nº155/2016, que altera a Lei Complementar nº 123/2006,


para reorganizar e simplificar a metodologia de apuração do imposto devido por
optantes pelo Simples Nacional.

Regime tributário simplificado, o Simples Nacional foi desenvolvido para


descomplicar a escrituração tributária das pequenas e médias empresas.
Desse modo os tributos são agrupados em uma guia única de recolhimento.

No entanto, nem toda empresa pode ser enquadrada nessa modalidade de


regime tributário.

Fator R

Com a alteração a Lei Simples Nacional, veio também o Fator R. Trata-se da


alíquota que relaciona o faturamento bruto do negócio nos últimos 12 meses e
também os gastos com a folha de pagamento, onde se calcula qual dos anexos
a empresa se encaixa, que podem ser anexos III ou V.

Para fazer a conta é muito simples. Basta dividir o valor da sua folha de
pagamento dos últimos 12 meses pelo faturamento total obtido no ano. Caso o
resultado seja igual ou superior a 28%, sua empresa vai pertencer ao Anexo III.
Com o resultado menor que 28%, sua empresa é do Anexo V.

O primeiro passo é descobrir a Alíquota Nominal do Imposto, que consta nos


Anexos I a V, do Simples Nacional

Para isso você precisa saber qual foi o seu faturamento nos últimos 12 meses
e em qual Anexo do Simples Nacional a atividade da sua empresa está
enquadrada.

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Em resumo, no Anexo I se enquadram as empresas de Comércio, no Anexo
II as Indústrias, no Anexo III as empresas de locação de bens móveis e de
prestação de serviços não relacionados no § 5o-C do art. 18 da Lei
Complementar nº 123/2006, no Anexo IV as empresas de prestação de
serviços relacionados no § 5º-C do art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006 e
por fim no Anexo V as empresas de prestação de serviços relacionados no §
5o-I do art. 18 da Lei Complementar nº 123/2006.

RBT12 X Aliq – PD
RBT12

Anexo III – Alíquotas e Partilha do Simples Nacional


Receitas de Locação de Bens Móveis e de Prestação de Serviços descritos no
inciso III do parágrafo 1º do artigo 25-A, e serviços descritos no inciso V
quando o fator R for igual ou superior a 28%.

Exemplo:

Considerando empresa do Simples Nacional, anexo III, com Receita Bruta nos
12 meses anteriores ao período de apuração de R$ 280.000,00 e cuja receita
em Janeiro de 2019 foi de R$ 40.0000,00. Apure os impostos devidos.

280.000,00 x 11,20% - 9.360,00=

31.360,00-9.360,00= 30.424,00

30.424,00/280.000,00=0,108657 x 100=10,86

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40.000,00 x 0,108657= 4.344,00 ou 4.346,00 a pagar

PERT-SN: o Programa Especial de Regularização Tributária do Simples


Nacional, é um sistema de parcelamento instituído pela Lei Complementar Nº
162, de 6 de abril de 2018. O parcelamento pode ser feito por todas as
empresas do Simples, que tenham débitos vencidos até novembro de 2017.
Para aderir ao PERT-SN, você tem algumas opções de parcelamento:

1. À vista: Com 90% de redução dos juros e 70% de redução da multa;

2. 145 parcelas: Com 80% de redução dos juros e 50% de redução da


multa;

3. 175 parcelas: Com 50% de redução dos juros e 25% de redução da


multa.

5.2 Lucro presumido

O Lucro Presumido (art. 516 a 528 do RIR/99), é uma forma de tributação que
simplifica o cálculo dos tributos IRPJ e CSLL por meio de presunções do
resultado da empresa, ou seja, não importa se a empresa estiver dando lucro
ou prejuízo, haverá tributação.

Regulamentação
A sistemática de tributação pelo Lucro Presumido é regulamentada pelos
artigos 516 a 528 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99).

Período de Apuração:
Os períodos de apuração do Lucro Presumido são trimestrais nos períodos
encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de
dezembro de cada ano-calendário. Calendário (Lei 9.430/1996, artigos 1° e 25).

O Lucro Presumido é um regime tributário disponível para quase todo tipo de


empresa: os requisitos são apenas para quem fature abaixo de R$78 milhões
anuais.

Razão e forma de pagamento:

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O IRPJ e a CSLL deverão ser pagos até o último dia útil do mês subsequente
ao do encerramento do período de apuração trimestral.

Confirmação de opção

A opção será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do


imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-
calendário (Lei 9.430/1996, art. 26, § 1°), mantendo se desta forma de
tributação durante todo o ano. No Lucro Presumido, os impostos que incidem
sobre o faturamento têm o recolhimento mensal de acordo com as seguintes
alíquotas:

 PIS: 0,65%;
 COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): 3%;
 ISS (Imposto Sobre Serviço): de 2,5 à 5% conforme a cidade e serviço
prestado;

Já os impostos IRPJ (Imposto de Renda) e CSLL (Contribuição Social Sobre o


Lucro Líquido) vão incidir trimestralmente nas alíquotas de 15% e 9%,
respectivamente, apenas sobre as presunções de lucro.

 1,6% do faturamento para revenda de combustíveis e gás natural;


 8% do faturamento para vendas em geral, transporte de cargas,
atividades de imobiliárias, serviços hospitalares; industrialização para terceiros
com recebimento do material e demais atividades não especificadas que não
sejam prestação de serviços;
 16% do faturamento para transporte que não seja de cargas e serviços
em geral;
 32% do faturamento para serviços profissionais que exijam formação
técnica ou acadêmica — como advocacia e engenharia —, intermediação de
negócios, administração de bens móveis ou imóveis, locação ou cessão desses
mesmos bens, construção civil e serviços em geral.

Para o cálculo do IR e CSLL é preciso aguardar o faturamento do


trimestre, então suponhamos que o faturamento de R$ 10 mil se repita em

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Fevereiro e Março, teremos um total faturado no trimestre de R$ 30.000,00. A
presunção para o serviço de engenharia é de 32%, então aplicamos 32% sobre
R$ 30 mil, e temos uma base de R$ 9.600,00 para o cálculo de IR e CSLL,
sendo:

10.000,00 x 0,65%= 65,00 - Pis


10.000,00 x 3%= 30,00 - Cofins
10.000,00 x 5%= 50,00 - Iss
Cálculo de IR e CSLL, sendo: 30.000,00 x 32% = 9.600,00

9.600,00 X 15%= 62,40 IR


9.600,00 X 9%=288,00 CSLL

Cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido


O Imposto de Renda com base no Lucro Presumido é calculado
trimestralmente mediante a aplicação da alíquota:
a) de 15% sobre a totalidade do Lucro Presumido apurado no trimestre;

b) mais o adicional de 10% sobre a parcela do Lucro Presumido trimestral que


exceder a R$ 60 mil ou, no caso de início ou encerramento de atividades no
trimestre, sobre o limite equivalente ao resultado da multiplicação de R$ 20 mil
pelo número de meses do respectivo período de apuração.
Exemplo:
Para esse exemplo vamos utilizar uma empresa X de prestação de serviços
com um faturamento anual de R$R$3.400.000,00. Logo vamos considerar que
a empresa X atua no setor de prestação de serviços, aplicamos sobre seu
faturamento a base de 32% e descobriremos que seu lucro presumido é de
R$1.088.000,00.

3.400.000,00 x32%= 1.088.000,00

Para a CSLL, a alíquota é sempre 9% sobre a base de cálculo. Já no IRPJ, a


alíquota é de 15% para todo lucro até R$ 20.000,00 por mês e 25% para todo
lucro que passar esse limite.

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Logo vamos considerar o exemplo de lucro presumido que a empresa X obteve
no valor de R$R$1.088.000,00.

No cálculo da CSLL basta aplicar 9%:


1.088.000,00 x 9%=97.920,00

O IRPJ vai se dividir em duas etapas.

Na primeira etapa aplicamos a porcentagem de 15% em


R$240.000,00(20.000,00 x 12meses) e na segunda etapa pegamos o lucro
restante e aplicamos a alíquota de 10% ao excedente.

1.088.000,00 x15%= 163.200,00


1.088.000,00 – 240.000,00 = 848.000,0 x 10%= 84.800,00
Total a pagar: 248.000,00

Exemplo:

Um escritório de advocacia como exemplo. Vamos supor que o escritório teve


um faturamento anual de R$ 3.600.000,00.

Por ser um escritório de advocacia, a base de cálculo é a de prestação de


serviços, que para o Imposto de Renda e para a CSLL é de 32% do
faturamento bruto.

3.600.000,00 x 32%= 1.152.000,00

A base de cálculo é R$1.152.000,00.

Portanto, passou do limite de R$ 20.000,00 mensais de lucro (ou R$


240.000,00 anuais) que a receita delimitou para a alíquota de 15%.

Uma até o limite de R$ 240.000,00, na qual é aplicado uma alíquota de 15%, e


outra com o excedente (no nosso caso R$ 912.000,00), na qual aplica uma
alíquota de 10%.

240.000,00 x 15%=36.000,00

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1152.000,00 – 240.000,00=912.000,00, logo,

912.000,00 x 10%=91.200,00

IR a Pagar= 36.000,00 + 91.200,00 = 127.000,00

Para a CSLL aplica-se a alíquota de 9% sobre essa base de cálculo. Então


seria 1.152.000 x 9% = 103.680,00.

De CSLL o escritório terá que pagar R$ 103.680,00.

5.3 Lucro Real

Conceituação: Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil,


com observância das normas da legislação comercial, ajustado no Livro de
Apuração do Lucro Real – LALUR, pelas adições, exclusões e compensações
prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (arts. 247, 249 e 250 do
RIR/99).

Pessoas Jurídicas Obrigadas a Tributação pelo Lucro Real:


O art. 14 da Lei 9.718/98 dispõe:

I – Cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$


78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou superior a R$ 6,5 milhões
multiplicado pelo número de meses de atividade no período, quando inferior a
12 (doze) meses;(proporcional ao número de meses do período).

II – cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos,


bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades
corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e
valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de
crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de
previdência privada aberta;

III – que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;

15
IV – Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais
relativos à isenção ou redução do imposto;

V – que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal


pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996;

VI – que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de


serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e
riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos
creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de
serviços (factoring).

VII – que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários,


financeiros e do agronegócio.

Sob este sistema, a base de cálculo dos impostos será determinada em


relação ao lucro líquido das empresas apurado (receita menos despesas
certificadas) e deve ser comprovada com faturas e contratos.

O sistema Lucro Real é indicado para empresas com rentabilidade incerta ou


lucro muito variável durante o ano. Isso ocorre porque as empresas só pagarão
seus impostos se realmente tiverem lucros.

No lucro real, destinado a empresas de grande porte e baixo faturamento,


prevê um abatimento de créditos. Além disso, o cálculo do PIS e COFINS deixa
de ser cumulativo, e tanto o IRPJ como o CSLL devem ser abatidos de acordo
com o lucro real gerado pelo negócio.

No Brasil é preciso demonstrar detalhadamente o cálculo dos tributos, informar


para quem suas vendas estão sendo realizadas, para qual local, quais produtos
estão sendo vendidos, etc.

Todos esses dados são enviados ao fisco (Federal, Estadual ou Municipal) por
meio de formulários/arquivos eletrônicos, com objetivo de fiscalizar as
empresas ou mesmo autuá-las caso as informações estejam erradas ou
divergentes.

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No Lucro Real, a contabilidade da empresa deve sempre estar em dia e ainda
deve possuir bons sistema de informação para evitar erros na prestação de
conta – por exemplo, por meio de arquivos eletrônicos, como o SPED.- Sistema
Público de Escrituração Digital.

O SPED Fiscal é uma obrigação acessória que faz parte do Projeto


SPED. Trata-se de um arquivo digital que se constitui dos registros de todas as
operações e cadastros que possam influenciar na apuração do IPI e ICMS.

A responsabilidade pela geração desse arquivo é da empresa contribuinte, que


deve fazê-lo mensalmente. Para tanto, ela deverá extrair e submeter as
informações ao Programa Validador e Assinador (PVA), que é fornecido pelo
próprio SPED através do Brasil.

Após ser validado pelo PVA, a legislação obriga que esse arquivo seja
assinado digitalmente e transmitido, via Internet, ao ambiente SPED da Receita
Federal. Essa assinatura deve ser feita por meio de um certificado digital (e-
CNPJ), emitido por uma autoridade certificadora credenciada.

Uma empresa não pode simplesmente querer optar pelo Lucro Real.

Ela deve estar pronta para esse perfil tributário, pois o custo desse passo
(talvez mal dado) pode ser maior do que a economia teoricamente gerada.

As empresas que optam pela apuração anual do Lucro Real realizam esse
cálculo apenas uma vez por ano – na data de 31 de dezembro. O IRPJ e a
CSLL, pagos mensalmente, são considerados como antecipações dos valores
apurados no balanço anual. Se houver saldo positivo ou negativo ao final do
ano, ele deve ser pago ou compensado.

Além disso, o Lucro Real Anual pode ser apurado por Estimativa ou Receita
Bruta.

Apuração por Estimativa:

 Pagamento do IRPJ e CSLL todos os meses através da receita bruta e


acréscimos;

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 Redução do pagamento mensal do imposto e da contribuição social,
com base em balanço ou balancete intermediário, por ter apurado lucro
real ou base de cálculo positiva da CSLL menor do que a calculada com
base na receita bruta e acréscimo;

 Suspensão do pagamento mensal do imposto e da contribuição social,


com base em balanço ou balancete intermediário, por ter apurado
prejuízo fiscal e/ou base de cálculo negativa da CSLL.

Apuração por Receita Bruta:

O resultado da aplicação do percentual previsto no artigo 15 da Lei nº 9.249/95


sobre a receita bruta da atividade;

Os ganhos de capital, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes


de receitas não compreendidas na atividade.

O Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) é um dos tributos que
mais recebe a influência sobre a decisão pelo Lucro Real. Nesse regime, o
valor apurado com uma alíquota de 15% sobre o lucro líquido do período.

Fórmula:

IR = Lucro Real x 15%

Imposto de Renda Adicional

Além da aplicação dessa alíquota de 15%, ainda existe a situação em que deve
ser pago um valor adicional – que é uma alíquota de 10% sobre o lucro que
exceder R$ 20.000,00 por mês.

Fórmula:

IR Adicional = (Lucro Real Mensal – 20.000) x 10%

A Contribuição Social sobre Lucro Líquido é outro tributo que deve ser pago
sobre o desempenho da empresa no período. Ele é calculado aplicando uma
alíquota de 9% sobre o lucro real.

Fórmula:

CSLL = Lucro Real Mensal x 9%

18
No Lucro Real o PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) não são
cumulativos, portanto seguem as seguintes alíquotas:

 PIS não-cumulativo: alíquota de 1,65% aplicada sobre a receita bruta


mensal

 COFINS não-cumulativo: alíquota de 7,6% aplicada sobre a receita bruta


mensal

Fórmula:

PIS e COFINS = (Faturamento – Custos dedutíveis) x 9,25%(1,65%+7,6%)

Exemplo: uma empresa prestadora de serviços que teve uma receita bruta
trimestral de R$ 500.000,00 e um lucro trimestral apurado em R$300.000,00.

IRPJ

Para calcular o Imposto de Renda devido por essa empresa, vamos multiplicar
o seu lucro líquido pela alíquota (15%):

R$300.000,00 * 15% = R$45.000,00

Porém, essa empresa teve um lucro trimestral que ultrapassou em


R$60.000,00 a média de R$20.000,00 por mês, portanto será necessário
recolher um adicional:

Base de calculo: R$300.000,00 – R$ 60.000,00 = R$240.000,00

IR adicional: R$240.000,00 * 10% = R$24.000,00

No total, essa empresa deve recolher R$69.000,00(45.000,00+24.000,00) de


IRPJ.

CSLL

Para calcular a CSLL basta aplicar a sua alíquota sobre o lucro:

R$300.000,00 * 9% = R$27.000,00

PIS e COFINS

19
Para calcular o PIS e a COFINS é possível somar as suas alíquotas para
facilitar o cálculo: 1,65% + 7,6% = 9,25%

Vamos aplicar essa alíquota sobre a receita obtida:

R$500.000,00 * 9,25% = R$46.250,00

Entretanto, é importante considerar que é possível deduzir diversos custos –


como compras de matéria-prima, serviços de terceiros destinados à produção,
entre outras. Supondo que essas despesas somaram R$150.000,00, o cálculo
seria:

R$150.000,00 * 9,25% = R$13.875,00

No total, o valor devido de PIS e COFINS seria R$32.375,00(46.250,00 –


13.875,00)

ISS

Se essa empresa foi até a prefeitura do seu município e descobriu que a


alíquota de ISS sobre o faturamento dos seus serviços é de 5%, pode ser feito
o cálculo da seguinte forma:

R$500.000,00 * 5% = R$ 25.000,00

Casos de prejuízo no período:

É importante ressaltar que nos casos em que uma empresa optante pelo Lucro
Real tem prejuízo em vez de lucro, não é necessário recolher IRPJ ou CSLL –
o que não acontece com uma empresa optante pelo Lucro Presumido.

6. PLANEJAMENTO TRIBUTARIO
6.1 Conceito

O Planejamento pressupõe trabalho, aprimoramento para chegar a um


objetivo, tendo como ferramenta o gerenciamento e o acompanhamento para
atingir as metas.

Planejamento é uma palavra que significa o ato ou efeito de planejar, criar


um plano para otimizar a alcance de um determinado objetivo. Esta palavra
pode abranger muitas áreas diferentes.

20
O planejamento consiste em uma importante tarefa de gestão e
administração, que está relacionada com a preparação, organização e
estruturação de um determinado objetivo. É essencial na tomada de decisões e
execução dessas mesmas tarefas. Posteriormente, o planejamento também a
confirmação se as decisões tomadas foram acertadas (feedback).

É o processo de escolha de ação lícita, não simulada, anterior à ocorrência


do fato gerador, que vise, direta ou indiretamente, a economia de tributos. É um
processo de escolha porque pressupõe necessariamente a existência e a
análise dos efeitos fiscais de duas ou mais alternativas possíveis.

O Planejamento Tributário é uma técnica gerencial que visa projetar as


atividades inerentes da empresa, visando conhecer as obrigações e os
encargos fiscais inseridos em cada uma das alternativas legais, para, mediante
meio e instrumentos legítimos adotar aquela que possibilita a anulação,
redução ou adiamento do ônus fiscal.

Dois fatores determinam a importância e a necessidade do planejamento


tributário na empresa: o elevado ônus fiscal incidente no universo dos negócios
e a concorrência empresarial do significativo grau de complexidade,
sofisticação, alternância e versatilidade da legislação pertinente.

A natureza do planejamento tributário consiste em organizar os


empreendimentos econômico mercantis da empresa, mediante o emprego de
estrutura e formas jurídicas capazes de bloquear a concretização da hipótese
de incidência fiscal, ou então, de fazer com que sua materialidade ocorra na
medida ou no tempo que lhe sejam mais propícios. Trata-se, assim, de um
comportamento técnico-funcional, adotado no universo dos negócios, que visa,
excluir, reduzir ou adiar os respectivos encargos tributários.

O Planejamento Tributário visa reduzir a carga tributária utilizando-se de


um estudo prévio de acordo com cada atividade empresarial.

As leis são elaboradas para milhares de atividades distintas, pois os


tributos individualmente são regulados por leis distintas. O planejamento
tributário visa construir

21
neste caso, a aplicação na forma de tributação objetivando a pagar menos
tributos.
A adequação correta da legislação aos procedimentos da empresa para
que sejam tomados os créditos, calculado da melhor forma.
Qual empresa que não quer economizar legalmente a quantia de
dinheiro entregue ao governo em forma de tributos (impostos, taxas e
contribuições)? Com a globalização da economia, tornou-se questão de
sobrevivência empresarial a correta administração do ônus tributário, para isso
é necessário o planejamento tributário.

Em nosso país, em média, 33% do faturamento empresarial é dirigido ao


pagamento de tributos, ou seja, até 34% do lucro vai para o governo. Se
somados os custos e as despesas, mais da metade do valor é representada
pelos tributos. Desta forma, se torna imprescindível a adoção de um sistema de
economia legal.

6.2 Objetivos do Planejamento tributário

O planejamento tributário tem como objetivo a economia de tributos em uma


das seguintes modalidades:

1ª - impedindo ou retardando a ocorrência do fato gerador da obrigação;

2ª - reduzindo o montante do imposto devido.

Na primeira modalidade o contribuinte age de forma preventiva evitando a


ocorrência do fato gerador da obrigação, ou procede legalmente, de tal forma a
retardar o momento de sua caracterização para que coincida com aquele que
seja mais adequado ou, no mínimo menos inadequado, frente as suas
disponibilidades. Um exemplo de procedimento para evitar a ocorrência do fato
gerador é a situação em que uma empresa, tendo oportunidade de vender seus
estoques de produtos industrializados no mercado interno, ou para o mercado
externo por preços aparentemente equivalentes, opta em atender o mercado
externo. Com isso impediu a ocorrência de fato gerador do IPI e do ICMS, visto
que ambos os impostos não incidem nas exportações para o exterior, contudo
incidem nas vendas para o mercado interno.

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Um exemplo de como retardar licitamente a ocorrência do fato gerador de um
imposto é o caso de fornecedor que recebe um pedido no final do mês e ao
invés de emitir a nota fiscal imediatamente deixa para emiti-la no início do mês
seguinte, postergando com isso o recolhimento dos tributos incidentes na
venda, em um mês e não infringindo nenhuma norma legal.

Na segunda modalidade um bom exemplo é o caso de contribuinte que, tendo


a opção de apurar o IRPJ pelo lucro presumido, pelo lucro real, ou enquadrar-
se no Sistema Simplificado de Recolhimento de Tributos Federais – SIMPLES,
analisa detalhadamente a situação e depois decide pela sistemática que
representa o menor desembolso.

6.3 Finalidades:

6.3.1 Evitar a incidência do fato gerador do tributo. Por exemplo, substituir a


maior parte do valor do pró-labore dos sócios de uma empresa, por distribuição
de lucros, pois desde janeiro de 1996, eles não sofrem incidência do importo de
renda, nem na fonte, nem na declaração. O objetivo é evitar a incidência do
INSS (20%) e do IR na fonte (até 27,5%) sobre o valor retirado como lucros em
substituição do pró-labore.

6.3.2 Reduzir o montante do tributo, sua alíquota ou reduzir a base de cálculo


do tributo. Um modelo pode ser ao preencher a declaração de renda, optar por
deduzir até 20% da renda tributável como desconto padrão (limitado a R$
9.400,00) ou efetuar as deduções de dependentes, despesas médicas, plano
de previdência privada, entre outros. A escolha certamente será o maior valor,
que permitirá uma maior dedução da base de cálculo, para gerar um menor
Imposto de renda a pagar (ou um maior valor a restituir).

6.3.3 Retardar o pagamento do tributo, adiando o seu pagamento, sem a


ocorrência da multa. Isso pode acontecer através da transferência do
faturamento da empresa do dia 30 ou 31 para o primeiro dia do mês
subsequente. Com isto, se ganha trinta dias adicionais para os pagamentos do
PIS, COFINS, SIMPLES, ICMS, ISS, IRPJ e CSLL (lucro real por estimativa),

23
se for final de trimestre até noventa dias do IRPJ e CSLL (lucro presumido ou
lucro real trimestral) e entre dez a trinta dias se a empresa pagar IPI.

O planejamento tributário está na Lei 6.404/76 (Lei das S/A), mas, antes de ser
obrigatório é saúde para o bolso, pois representa maior capitalização do
negócio, possibilidade de menores preços e ainda facilita a geração de novos
empregos, pois os recursos economizados poderão possibilitar novos
investimentos.

Por isso, no Brasil há uma ‘explosão' do Planejamento Tributário como


prática das organizações. Quem não faz, no futuro poderá sofrer o descrédito
daqueles administradores omissos. Atualmente, não existe registro de
nenhuma causa ou ação, proposta por acionista ou debenturista com
participação nos lucros, neste sentido.

Mas, a inatividade nesta área poderá provocar ação de perdas e danos


por parte dos acionistas prejudicados pela omissão do administrador em
perseguir o menor ônus tributário.

7. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA

Lei nº 6.404 de 15 de Dezembro de 1976

Dispõe sobre as Sociedades por Ações.

Art. 226. As operações de incorporação, fusão e cisão somente poderão


ser efetivadas nas condições aprovadas se os peritos nomeados determinarem
que o valor do patrimônio ou patrimônios líquidos a serem vertidos para a
formação de capital social é, ao menos, igual ao montante do capital a realizar.

§ 1º As ações ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que


forem propriedade da companhia incorporadora poderão, conforme dispuser o
protocolo de incorporação, ser extintas, ou substituídas por ações em
tesouraria da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas,
exceto a legal.

§ 2º O disposto no § 1º aplicar-se-á aos casos de fusão, quando uma das


sociedades fundidas for proprietária de ações ou quotas de outra, e de cisão

24
com incorporação, quando a companhia que incorporar parcela do patrimônio
da cindida for proprietária de ações ou quotas do capital desta.

§ 3o Nas operações referidas no caput deste artigo, realizadas entre


partes independentes e vinculadas à efetiva transferência de controle, os ativos
e passivos da sociedade a ser incorporada ou decorrente de fusão ou cisão
serão contabilizados pelo seu valor de mercado. (Incluído pela Lei nº 11.638,
de 2007) § 3o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas
especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de fusão,
incorporação e cisão que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela
Medida Provisória nº 449, de 2008).

§ 3o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais


de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de fusão, incorporação e
cisão que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de
2009)

7.1 Incorporação

A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são


absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.

A assembleia geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo


de operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado
pela incorporada mediante versão de seu patrimônio líquido e nomear os
peritos que o avaliarão. A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar
o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos
necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da
incorporadora.

Aprovados pela assembleia geral da incorporadora o laudo de avaliação


e a incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o
arquivamento e a publicação dos atos da incorporação (art 227 da Lei
6404/76).

7.2 Fusão

A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para


formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.

25
A assembleia geral de cada companhia, se aprovar o protocolo de
fusão, deverá nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das
demais sociedades.

Apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou


acionistas das sociedades para uma assembleia geral, que deles tomará
conhecimento e resolverá sobre a constituição definitiva da nova sociedade,
vedado aos sócios ou acionistas votar o laudo de avaliação do patrimônio
líquido da sociedade de que fazem parte. Constituída a nova companhia,
incumbirá aos primeiros administradores promover o arquivamento e a
publicação dos atos da fusão( Art. 228 da Lei 6.404/76)

7.3 Cisão

A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu


patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já
existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o
seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.

Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver


parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e
obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as
sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida
sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos
direitos e obrigações não relacionados.

Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a


operação será deliberada pela assembleia geral da companhia à vista de
justificação que incluirá as informações retro mencionadas; a assembleia, se a
aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser
transferida, e funcionará como assembleia de constituição da nova companhia.

A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente


obedecerá às disposições sobre incorporação. Efetivada a cisão com extinção
da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem
absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento e publicação
dos atos da operação na cisão com versão parcial do patrimônio; esse dever

26
caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela
do seu patrimônio. As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da
companhia cindida serão atribuídas a seus acionistas, em substituição às
ações extintas na proporção das que possuíam. ( art. 229 da Lei 6404/76).

7.4 Elisão

É uma prática contábil que permite adequar uma empresa ao formato


mais vantajoso de pagamento de impostos, sem que para isso cometa
qualquer ilegalidade. A sua forma clássica atende também pelo nome de
planejamento tributário, momento no qual é definido o regime adotado para o
recolhimento dos tributos.

Há basicamente duas formas de uma empresa pagar menos impostos:


através da evasão fiscal e da elisão fiscal. A primeira delas é a popular
sonegação, que é crime. Isso significa que deixar de recolher um tributo ou
fazê-lo parcialmente, ainda que não seja intencional, fere a lei, dá multa e pode
levar o empresário à cadeia.
Já a elisão fiscal tem tudo de intencional, mas nada de ilegal. É na verdade
uma gestão tributária inteligente, uma técnica para pagar menos impostos que
depende do completo entendimento da legislação correlata. Assim, sempre que
a lei oportuniza a economia com tributos, a empresa aproveita.
Outra diferença entre evasão e elisão fiscal está no momento da ação.
Enquanto as práticas de elisão são adotadas antes da ocorrência do fato
gerador da obrigação tributária, a sonegação costuma ocorrer depois, como ao
não declarar venda ou não emitir nota fiscal - ato comum na prática de caixa 2.

REFERENCIAS

Constituição da República Federativa do Brasil/1988;

* Código Tributário Nacional, Lei 8884/94, Lei 7798/89, Lei Complementar


87/96;

* Decreto-Lei 406 e suas alterações; * Regulamento do I.R. Decreto 3000/99;

27
CHAVES, Francisco Coutinho; MUNIZ, Érika Gadêlha. Contabilidade
tributária na prática. 1ª. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Celso H. Imposto de Renda das empresas. 36a


ed., São Paulo: IR Publicações Ltda., 2011.

PEGAS, Paulo Henrique. Manual de contabilidade tributária. 7a. ed., Rio de


Janeiro: Freitas Bastos Editora, 2011.

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