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Instituto Belém - Desejando o Conhecimento de Deus

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Instituto Belém

Visão

O Instituto Belém pretende ser uma instituição de


ensino superior associada à visão afetiva e comprometida
da nossa igreja que se esforça para proclamar uma men-
sagem centrada em Deus, que busca glorificar a Cristo, e
ao Espírito Santo. Que se utiliza das Santas Escrituras para
auxiliar na formação espiritual de homens e mulheres eq-
uipando-os para cumprir os propósitos do Reino de Jesus
Cristo no século 21 e forjar discípulos fiéis para ele de toda
raça, tribo, língua, povo e nação.

Propomos espalhar o conhecimento de Deus, que


desperta não apenas o intelecto, ou o conhecimento in-
telectual, mas principalmente o amor e o desejo de viver
numa intensa e apaixonante busca por Cristo. Esta é a
razão da existência da nossa escola. E é esta a visão que
desejamos compartilhar com todos.

Autor
Moisés Carneiro
Você pode fazer uma doação para ajudar a manter
esse projeto. Deposite o valor que desejar! oCaixa E.
Federal - Ag. 0314 - Op. 013 a i z
- lC.P. çã
a119429-0
ci
mer P. Carneiro
em nome de Moisés
d a a co
ibi Reservados ao Instituto Belém
P o
© rDireitos

História da Igreja
Curso Básico em Teologia
2 Faça sua Doação: Ag. 0314 / Op. 013 / C.P. 119429-0 - Caixa E. Federal
Curso básico de Teologia Pastor Moisés Carneiro

Aplicação no estudo deste livro



Você deve estar perguntando qual a melhor maneira de es-
tudar este livro e extrair o máximo possível de proveito. Ao pensar
nisso, elaboramos alguns métodos que poderão lhe ser úteis.
Seja Motivado
Motivação é um princípio peculiar na vida de todos os que
anseiam alcançar um objetivo. É impossível alguém atingir o ápice
de um grande sonho sem ter em sua bagagem o item motivação.
Muitos já iniciaram alguma coisa, mas só obtiveram o êxito aque-
les que se mantiveram motivados até o final.

Seja motivado para orar, para ler, para meditar, para pes-
quisar, para elaborar trabalhos e estudos bíblicos. Se sentir-se sem
motivação busque-a através do Espírito Santo. Faça petições a
Deus e leia sua Palavra, pois são fontes inesgotáveis para sua reno-
vação, e por final procure mantê-la acesa até findar o curso.
“Se não existe esforço, não existe progresso.” Fredrick Douglas

Seja Organizado e Disciplinado


a) Ore a Deus ao iniciar seus estudos e peça que lhe ajude a ter
um maior proveito do assunto em pauta.
b) Estude em lugares reservados.
c) Evite ambientes com sons, ruídos e falatórios. Pois você pode
o
perder sua concentração no estudo.
l i z açã
e
d) Procure adicionar outros importantes
m rcia
materiais à cada lição a
ac
ser estudada, como por exemplo: o
a
r o ibid
P se possível, com traduções que sejam difer-
• Bíblias de Estudos:
entes.
• Dicionários.
• Concordância Bíblica.

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• Livros: cujos assuntos sejam relacionados ao tema de cada lição.
• Lápis e bloco para anotações.

e) Leia e estude cada matéria durante a semana, reserve pelo


menos 1 hora por dia para fazer isso.

f) Faça anotações, especialmente àquelas que lhe causarem


dúvidas.

g) Responda aos questionários assim que terminar de es-


tudar cada lição. Eles irão fortalecer o assunto em sua mente.

h) Reserve períodos da semana para você elaborar trabalhos


voltados à matéria estudada em cada mês.

i) Formule perguntas ao professor, assim tanto você como ele fi-


carão cada vez mais abalizados no aprendizado.

Em suma, todos esses itens elaborados cuidadosamente


pelo departamento de pedagogia do IB, são de um valor ines-
timável para você, desde que procure segui-los conforme se seg-
uem.

ação
r c i aliz
m e
co
ibi da a
Pro

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Índice
Introdução

Lição 1
Origem da Igreja e sua Expansão....................................................08

Lição 2
Os Pais da Igreja e a sua Secularização...........................................27

Lição 3
A Igreja da Idade Média e a Reforma Protestante.........................47

Lição 4
A expansão da Reforma e a Contra-Reforma................................67

Lição 5
Dos Heróis do século XVII à Atualidade........................................81

ção
c i a liza
m er
a co
d a
ibi
Pro

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Introdução

Este volume narra a história do CRISTIANISMO. A


história do povo de Deus chamado Igreja, que vai desde a sua in-
auguração até os dias atuais. Uma história que ostenta uma tra-
jetória triunfante da Noiva de Cristo que ao longo dos séculos já
sobrepôs e resistiu aos temíveis e sorrateiros levantes de seus opo-
nentes.
O estudo deste livro desnuda uma superior compreensão
da cristandade e da sua influência sobre o mundo através dos sécu-
los. Mostra a volatilidade de alguns homens que “conduziram”
os princípios doutrinários nos séculos subseqüentes ao seu sur-
gimento, em detrimento dos seus ambíguos interesses. Homens,
que em alguma parte dessa história, foram mais instrumentos do
maligno do que do Divino, ao “conduzirem” a Imaculada Igreja do
Senhor Jesus.
Este estudo ressalta o início da organização da comuni-
dade cristã iniciada por Cristo quando este passou a convidar seus
primeiros discípulos e lançar-lhes os fundamentos doutrinários da
Nova Aliança. Afirma, contudo, que a Fundação ou a Inauguração
da Igreja só veio a ocorrer no dia de Pentecostes, numa reunião de
comunhão e oração no cenáculo entre aproximadamente cento
e vinte irmãos, quando Jesus enviou sobre eles o Espírito Santo.
Com a descida do Espírito Santo sobre aqueles primeiros irmãos,
a Igreja recebeu poder para espalhar a Mensagem de Boas Novas
çãdeo Pentecostes,
no mundo todo. A vinda do Espírito Santo,ino
l z adia
marca, portanto, a data inaugural da e ia da igreja como organ-
rcvida
m
ismo espiritual.
d a a co

oibi que desnuda os caminhos da Igreja com-
Essa é a história
P r
prada na cruz por um alto preço, marcada por sofrimentos e
perseguições, causados por tiranos de todas as épocas, que movi-

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dos pela injúria satânica, que tentaram sem sucesso algum, apagar
o nome do CRISTIANISMO dos anais da história humana, a fim
de que nunca mais fosse lembrado.
Ao longo desses dezenoves séculos de existência, a Igreja em nen-
hum momento foi derrotada, pois, como afirmou o seu FUNDA-
DOR: JESUS CRISTO, sua jornada desde o princípio seria impo-
luta e vitoriosa.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra


edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela” (Mt. 16.18).

ção
c i a liza
m er
a co
d a
ibi
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Lição 1

Origem da Igreja e sua Expansão

A Igreja Cristã em todas as eras quer na passada, presente


ou futura, é constituída por todos aqueles que crêem em Jesus de
Nazaré, o Filho de Deus.

Definindo o termo IGREJA


O estudo desta lição não deseja elucidar as temáticas que
definem a estrutura doutrinária, institucional ou governamental
da Igreja, algo que é peculiar em outro estudo, mais propriamente
conhecido como Eclesiologia ou Doutrina da Igreja, onde trata
destas questões de forma clara e concisa. Contudo, propõe uma
rápida definição do termo Igreja antes de mergulhar em sua vasta
história.
O vocábulo português “igreja”, vem do termo grego ek-
klesia e também do latim ecclesia que dá o sentido de “uma as-
sembléia de convocados para fora”. Na antiga Grécia seu sentido
era amplo e tinha uma conotação de “assembléia popular dos ci-
dadãos da cidade”. Por vezes, tinha o sentido de “convocação ex-
traordinária”.
A Septuaginta, tradução do Antigo Testamento (do he-
braico para o grego), emprega o termo ekklesia aproximadamente
cem vezes, relacionando-o com o vocábulo hebraico
i z ção qahal: as-
asignifica
cia
sembléia, congregação, multidão (de Israel),l e uma con-
vocação para uma assembléiaco e,m e r
o ato de reunir-se (Dt 9.10; 2 Cr
a
da ekklesia é usada com frequência na Sep-
6.3). Precisa-se notarique
roib a palavra qahal, e nunca ‘edah (sinagõgê,
tuaginta paraPtraduzir
igual a sinagoga).
O uso cristão do termo ekklesia no Novo Testamento pos-

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sui um significado mais específico. Em Mateus 16.18, a palavra foi


usada pela primeira vez por Jesus no Novo Testamento, referindo-
se ao grupo de discípulos que se reunia em torno dele. Ele afir-
mou: “Edificarei a minha igreja” (grifo nosso). Aqui a palavra
“igreja”. (ekklesia) transliterada do original (grego), refere-se a
uma soma da preposição ek (fora de) e o verbo Kaleõ (chamar).
Por conseguinte, ekklesia exprime o conceito de “um grupo de
cidadãos chamados e reunidos para fora, visando um propósito
especial”.
Já o vocábulo grego kuriakos (pertence ao Senhor) que é
encontrado no Novo Testamento por duas vezes (1 Co 11.20 e Ap
1.10), deu origem ao termo Church (“igreja”) em inglês. Tinha o
significado de lugar onde se reunia a igreja (ekklesia).
Entre muitos usos da palavra ekklesia, alguns se destacam
como mais importantes:

1. Identificando uma reunião de crentes de alguma locali-


dade específica, ou seja, uma igreja local (At. 11.26).
2. Identificando igrejas domésticas, ou seja, os lares-igrejas (1
Co 16.19). O fato de que os pequenos grupos em casas individuais
se chamam ekklesia (1 Co 16.19) indica que nem a importância
da cidade, nem o tamanho numérico da assembléia determinam
o emprego do termo. O que conta é a presença de Cristo entre as
pessoas, e a fé que nelas é alimentada por Ele.
o

l i z açã
3. Identificando um grupo de igrejas,
e r ciacomo as igrejas da Ju-
déia, da Galiléia e de Samaria c(At m
o 9.31). Isto não significa que as
a a
igrejas constituíam uma
o i b id organização, como a que atualmente se
P r
chama de “denominação”.
4. Identificando de forma mais geral a totalidade da igreja no
mundo inteiro (1 Co 10.32).
5. Identificando, em seu sentido mais significativo, todo o corpo

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de fiéis, quer noProibida


céu, querana
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terra, que se uniram ou se unirão a
Cristo como seu Salvador (Ef 3.10).
Hoje, “igreja” leva muitos outros sentidos, bem como: pré-
dios, templos (“vou à igreja”, “a igreja ficou glamorosa depois da
reforma”), denominações (“minha igreja é melhor que as outras”),
entretanto, seja como for, o sentido bíblico de “igreja” se refere
primeiramente àquelas pessoas que foram “chamadas” para a co-
munhão com Deus mediante a obra salvadora de Jesus Cristo e
que desde então pertencem a Ele.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

____ 1) - A Septuaginta, tradução do Antigo Testamento (do he-


braico para o grego), emprega o termo ekklesia aproximadamente
cem vezes, relacionando-o com o vocábulo hebraico qahal.

____ 2) - Em Mateus 16.18, a palavra foi usada pela primeira vez


por Jesus, referindo-se ao grupo de discípulos que se reunia em
torno dele.

____ 3) - O vocábulo grego kuriakos (pertence ao Senhor) que é


encontrado no Novo Testamento por duas vezes (1 Co 11.20 e Ap
1.10), deu origem ao termo Church (“igreja”) em inglês.

a ção
Origem da Igreja
r c i aliz

c o me
a
da errôneos
i b i
Há vários pontos de vista nos círculos teológicos quanto
Proda Igreja de Cristo como organismo vivo. Vamos
à data inaugural
enumerar alguns a seguir:

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a) 1º ponto de vista: alguns afirmam que igreja originou-se à


partir de Adão e Eva (Gn 3.15).
b) 2º ponto de vista: outros dizem que foi à partir do período
patriarcal, possivelmente com Abraão e sua descendência, con-
tinuando no tempo mosaico.
c) 3º ponto de vista: há ainda outros que afirmam que a igreja
foi inaugurada quando Cristo começou publicamente seu minis-
tério chamando os doze que após se tornariam os apóstolos.
d) 4º ponto de vista: e por final há aqueles que acreditam que
a igreja realmente não se iniciou antes do ministério e das viagens
missionárias de Paulo.

Entretanto, a grande maioria dos estudiosos afirma que a
data da INAUGURAÇÂO DA IGREJA ocorreu no dia de Pente-
costes na descida do Espírito Santo, conforme a evidência bíblica
registrada em Atos 2.
É certo que Cristo organizou a comunidade cristã ao con-
vidar seus primeiros discípulos e lançar-lhes os fundamentos
doutrinários da Nova Aliança. Contudo, a Fundação ou a Inaugu-
ração da Igreja só veio a ocorrer no dia de Pentecostes, numa re-
união de comunhão e oração no cenáculo entre aproximadamente
cento e vinte irmãos, quando Jesus enviou sobre eles o Espírito
Santo.

“A igreja de Cristo iniciou sua história com um


ç ã o movimento
de caráter mundial, no Dia de Pentecoste, a nolifima
z da primavera do
e r ci do
o m
ano 30, cinquenta dias após a ressurreição
c
Senhor Jesus, e dez
dias depois de sua ascensão a céu. Durante o tempo em que Jesus
da ao
i b i
Pro os discípulos criam que Jesus era o alme-
exerceu seu ministério,
jado Messias de Israel, o Cristo. Ora, Messias e Cristo são palavras
idênticas. Messias é palavra hebraica e Cristo é palavra grega. Am-
bas significam “O Ungido”, o “Príncipe do Reino Celestial”. Apesar
de Jesus haver aceito esse título de seus seguidores mais chegados,

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Proibida
proibiu-lhes, contudo, a comercialização
proclamarem essa verdade entre o povo,
antes que ele ressuscitasse de entre os mortos, e nos quarenta dias
que precederam sua ascensão, isto é, até quando lhes ordenou pre-
gassem o Evangelho. Mas deviam esperar o batismo do Espírito
Santo, para então serem testemunhas em todo o mundo. Na man-
hã do dia de Pentecoste, enquanto os seguidores de Jesus, cento
e vinte ao todo, estavam reunidos, orando, o Espírito Santo veio
sobre eles de forma maravilhosa... O Espírito Santo, desde então,
ficou morando permanentemente na igreja, não em sua organi-
zação ou mecanismo, mas como possessão individual e pessoal
do verdadeiro cristão. Desde o derramamento do Espírito Santo,
naquele dia, a comunidade daqueles primeiros anos foi chamada
com muita propriedade, “Igreja Pentecostal”.
Jesse Lyman Hurlbut.

Veja algumas razões que comprovam o surgimento da ig-


reja como organismo no dia do Pentecostes:

1. Jesus disse: “edificarei”, está no futuro! Jesus falava de algo


que ainda ia realizar (Mt 16.18).
2. Era necessário Jesus concluir a sua obra (morte, ressur-
reição e ascensão).
3. A igreja dependia da vinda do Espírito Santo. Isso só veio
acontecer no dia do Pentecostes conforme Atos 2.
“A igreja de Cristo veio a existir, como igreja, no dia do Pente-
costes, quando foi consagrada pela unção do Espírito Santo. As-
sim como o tabernáculo foi construído e depois consagrado
ç ã o pela
descida da glória divina (Ex. 40.34), assimlos
i a izaprimeiros membros
r c
c o me
da igreja foram congregados no cenáculo e consagrados como ig-

b i d aa
reja pela descida do Espírito Santo. É muito provável que os cris-
i nesse evento o retorno da “Shequinah” (a
P ono tabernáculo e no templo) que, havia há muito,
tãos primitivosrvissem
glória manifesta
partida do templo, e cuja ausência era lamentada por alguns dos
rabinos. Davi juntou os materiais para a construção do templo,
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mas a construção foi feita pelo seu sucessor, Salomão. Da mesma


maneira, Jesus, durante seu ministério terreno, havia ajuntado os
materiais da sua igreja, por assim dizer, mas o edifício foi erigido
por seu sucessor, o Espírito Santo. Realmente essa obra foi feita
pelo Espírito Santo, operando mediante os apóstolos que lançar-
am os fundamentos da igreja por sua pregação, ensino e organi-
zação. Portanto, a igreja é descrita como sendo “edificados sobre o
fundamento dos apóstolos... (Ef 2.20)”.
Myer Pearlman

Questionário

Assinale com “X” a alternativa correta

4) - Entretanto, a grande maioria dos estudiosos afirma que a data


da INAUGURAÇÂO DA IGREJA ocorreu no dia de Pentecostes
na descida do Espírito Santo, conforme a evidência bíblica regis-
trada:

___a. Joel 2.
___b. 1 Coríntio 2.
___c. Atos 2.
___d. Apocalipse 2.

z a ão concluir a
5) – Para a inauguração da igreja era necessárioçJesus
l i
rcia
sua obra:
m e
a co
___a. nascimento, morte e ascensão.
___b. batismo, morte eid a
ressurreição.
ib e ascensão.
Pro
___c. morte, ressurreição
___d. Todas as alternativas estão corretas.

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A expansão da Igreja

De modo evidente, nos primeiros anos subsequentes a sua


apresentação ao mundo, depois do Pentecostes, a Igreja se man-
teve instalada em Jerusalém, a capital da Judéia. Sua trajetória vi-
toriosa arrebanhou milhares de vidas em sua grande maioria ju-
deus, com a mensagem transformadora do Evangelho, conforme
registra Atos 2.41 e 4.4. Os cristãos da época sabiam que Jesus
havia determinado quatro importantes “áreas de evangelização”,
conforme Atos 1.8:

a) Jerusalém
b) Judéia
c) Samaria
d) Confins da Terra

A presidência da Igreja em Jerusalém ficou sob os cuida-


dos de Tiago, meio-irmão do Senhor, conforme afirma o famoso
historiador Eusébio de Cesaréia:

“Depois também foi escolhido Tiago, chamado irmão de nosso


Senhor, visto que é também chamado filho de José... Pedro e Tiago
e João, após a ascensão de nosso Salvador, ainda que preferidos de
nosso Senhor, não se contenderam pela honra, mas escolheram
Tiago o Justo, como bispo de Jerusalém”.
História Eclesiástica cap. I, 47
o
açã por alguns,

A presidência de Tiago, ainda queia l i z
questionada
m e rcano
foi de aproximadamente 28 anos.
c o No 62, Tiago, chefe da ig-
i da a do sumo sacerdote e ainda contra
reja, foi morto por iniciativa
i b
ro fariseus. Ante tais circunstâncias, os chefes
a oposição dePalguns
da igreja de Jerusalém decidiram mudar-se para Pela, uma cidade
em sua maioria gentia no outro lado do Jordão. Ao que apresenta

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parte do propósito nessa mudança, era não só fugir da perseguição


por judeus, mas também evitar as suspeitas por parte dos roma-
nos. Após a morte de Tiago, Eusébio de Cesaréia relata que “certo
primo de Jesus, por nome de Simeão, filho de Cleófas, substituiu-o
como presidente:

“Após o martírio de Tiago e a captura de Jerusalém, que se seguiu
de imediato, registra-se que os apóstolos e discípulos de nosso
Senhor que ainda viviam juntaram-se de todas as partes com os
que eram parentes de nosso Senhor de acordo com a carne. Eles
se consultaram para determinar a quem deveriam julgar digno de
suceder Tiago. Todos, unânimes, decidiram que Simeão, filho de
Cleófas, a quem se faz menção no volume sagrado, era digno do
trono daquele episcopado. Dizem que ele era primo do Salvador,
pois Hegéspio afirma que Cleófas era irmão de José”.
História Eclesiástica Cap. XI, 93.

Com o crescimento impoluto e imediato da igreja, au-


mentou-se também a necessidade de organização, e após uma
convocação dos apóstolos, a igreja escolheu sete homens de boa
reputação para servirem na distribuição do auxílio aos pobres, em
especial as viúvas. Dentre esses homens, estava Estêvão, homem
cheio do Espírito Santo. Foi provavelmente o primeiro pregador
naquela época a ter a visão de que o evangelho seria para o mundo
o
inteiro. Este foi perseguido e morto.
l i z açã
Um dos responsáveis pela suarc
e ia foi Saulo de Tarso,
morte
m
coum jovem que foi instruído pelo
a
cidade das costas da Ásia Menor,
a
distinto intérprete da idjudaica, Gamaliel. Atos 7.58, afirma que
iblei
Pro foram lançadas nos pés de Saulo, isso denota
as vestes de Estêvão
que ele já chefiava uma terrível e pertinaz perseguição contra os
cristãos, açoitando-os e arrastando-os pelas cidades. Com isto, a
igreja se dispersou por vários lugares. E por onde quer que fossem

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seus membros se Proibida a comercialização


tornavam pregadores do evangelho, conforme
registra Atos 8.1-4.

“E Saulo estava ali, consentindo na morte de Estêvão. A


Perseguição e a Dispersão da Igreja Naquela ocasião desencadear-
am-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém. Todos,
exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e de
Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram
por ele grande lamentação. Saulo, por sua vez, devastava a igreja.
Indo de casa em casa, arrastava homens e mulheres e os lançava
na prisão. Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por
onde quer que fossem”.

Além de Estêvão, outro diácono que ajudou na expan-


são do cristianismo foi Filipe, que após se refugiar em Samaria,
pregou ali o Evangelho com grande êxito (Atos 8.5-8).

“Indo Filipe para uma cidade de Samaria, ali lhes anunciava o
Cristo. Quando a multidão ouviu Filipe e viu os sinais miracu-
losos que ele realizava, deu unânime atenção ao que ele dizia. Os
espíritos imundos saíam de muitos, dando gritos, e muitos par-
alíticos e mancos foram curados. Assim, houve grande alegria
naquela cidade”.

O jovem Saulo viajava no caminho de Damasco quando


foi surpreendido por uma visão de Jesus ressuscitado que resul-
ç o
tou em sua conversão ao cristianismo. Os efeitosãpositivos de sua
li z a
ciados
conversão ao Evangelho foram logos percebidos na cristandade
e r
a om
primitiva. Saulo se tornou Paulo, o maior
ccristãos
apóstolos.
Nessa ocasião d
b i a
muitos já tinham se dispersado por
i
Pro
toda parte: especialmente para Damasco e Antioquia da Síria,
localizada ao norte da Palestina, cerca de 480 km de Damasco.
Segundo o historiador Flávio Josefo, era uma cidade de avultada

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importância, só Roma e Alexandria as superavam. Era uma encru-


zilhada onde se encontravam gregos, sírios, e judeus. Ali a nova fé
foi pregada aos gregos (gentios), proporcionando uma fácil divul-
gação do Evangelho entre muitas outras regiões. Ali surgiu não
somente a primeira Igreja gentílica, mas também a maior igreja
missionária da época. Dali partiria Barnabé e Paulo em suas via-
gens missionárias, a fim de evangelizar a Ásia menor, a Europa e
até os confins da Terra conforme a orientação do Mestre (Atos
1.8).
Antioquia se tornou o padrão para a nova Igreja, que de-
veria se espalhar por todo mundo. Foi ali que os discípulos pela
primeira vez foram chamados pelos gregos de cristãos, gr. “chris-
tianoi” (Atos 11.26). Quando a Igreja em Jerusalém tomou parte
do que estava ocorrendo em Antioquia apressou-se em enviar a
Barnabé, personagem que se destacou no desenvolvimento inicial
da Igreja ali. Ocupava uma ilustre posição entre os irmãos, pois foi
contado entre os “profetas e mestres”. Quando Barnabé se instalou
em Antioquia, “muita gente se uniu ao Senhor”. E seguindo a ori-
entação divina, foi até Tarso, a fim de buscar Saulo (Paulo), para
congregar em Antioquia com eles (Atos 11.25).
A Igreja que estava em Antioquia da Síria era muito gener-
osa, pois naqueles dias de fome previstos por Ágabo (Atos 11.28-
30) enviava ajuda para os irmãos que estavam em dificuldade.
Em seguida, em Atos 13 o Espírito Santo orienta aquela
i
Igreja a enviar Barnabé e Saulo para evangelizar z ção terras. Eles
aoutras
l
e
realizam sua primeira viagem missionária
m rciapassando por Chipre e
algumas cidades da Ásia Menor.a co
a

o ibidtal qual a de Antioquia deve enviar mis-
A Igreja de hoje,
r
P
sionários ao campo tendo em vista o objetivo de proclamar o
evangelho de Cristo, e fundar novas igrejas. O alvo daquela ig-
reja era conduzir pessoas a Cristo, e não o de realizar trabalhos
políticos ou sociais. A mensagem aspirava libertação das almas

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das garras da morte e do ainferno,
comercialização
e torná-las membros do corpo
de Cristo. Se este não for o objetivo, a visão, o anseio da Igreja
de Cristo, qual será então? Seria formar um clube social? Uma
organização política? Uma instituição de caridade? Não. A missão
da Igreja é testemunhar o poder e a mensagem de Cristo, através
do revestimento do Espírito Santo, a força propulsora da obra da
evangelização.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

____ 6) - A presidência da Igreja em Jerusalém ficou sob os cuida-


dos de Tiago, meio-irmão do Senhor, conforme afirma o famoso
historiador Eusébio de Cesaréia.

____ 7) - Além de Estêvão, outro diácono que ajudou na expansão


do cristianismo foi André, que após se refugiar em Capadócia,
pregou ali o Evangelho com grande êxito (Atos 8.5-8).

____ 8) - A Igreja de hoje, tal qual a de Antioquia deve enviar


missionários ao campo tendo em vista o objetivo de proclamar o
evangelho de Cristo, e fundar novas igrejas.

ação
As Igrejas Paulinas
r c i aliz
om e
c gentios”, fundou igrejas na Ásia
ados

d a
Paulo, o “apóstolo
i
P roib na Grécia, e na Ásia Ocidental. Na maio-
Menor, na Macedônia,
ria das vezes que lhe era permitido, para falar da mensagem do
Evangelho, fazia uso das sinagogas. A partir daí, surgiam igrejas

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separadas das sinagogas, compostas de judeus e gentios conver-


tidos, tendo cada uma sua própria estrutura, com os presbíteros
separados pelo apóstolo, entre os mais piedosos irmãos. As igre-
jas se reuniam no lar dos irmãos, lugar que representou um pa-
pel importante para o desenvolvimento histórico dessas igrejas.
Há registros da arqueologia que comprovam que durante os três
primeiros séculos, o ponto de reunião dos cristãos era em casas
particulares e não em edifícios de igrejas distintas.

As Igrejas da Ásia

Quando analisamos a Primeira Epístola de Pedro (cap. 1),


observamos que havia um grupo de igrejas espalhadas ao longo da
costa sul do mar Negro e pelo interior: Ponto, Galácia, Capadócia,
Ásia e Bítínia. Havia uma maioria gentílica e consequentemente,
uma minoria judaica naquelas igrejas. Podemos observar alguns
detalhes dessas igrejas no livro de Apocalipse:

Éfeso era a maior cidade da Ásia, e o centro da administração de


Roma naquela extensão. Foi entitulada de a “Guardiã do Templo”,
em referência ao templo da deusa Diana.

Esmirna, atualmente conhecida como Izmir, na Turquia, locali-


o
zada a uns 60 quilômetros de Éfeso, era uma das cidades mais
l i z açãAli a comuni-
prósperas da Ásia Menor, considerada a Metrópole.
a
dade judaica era numerosa. erci
m
a co
d a
ibi localizada a uns 70 quilômetros de Es-
Pérgamo era umaocidade
r
P
mirna. Era famosa por sua grande biblioteca com um acervo de
aproximadamente 200.000 pergaminhos, e seus monumentos re-
ligiosos. Sobre ela foi dito: “Mais que qualquer outra cidade da
Ásia, o seu visitante tinha a sensação de ser ela a sede da autori-

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dade”.

Tiatira era conhecida por seu comércio e indústria. Localizada a


65 quilômetros de Pérgamo. Era uma cidade pequena em relação
as demais citadas no Apocalípse.

Sardes, situada a 53 quilômetros de Tiatira, chegou a ser a capital


da Lídia, porém entrou em declínio após a conquista persa, até
que o imperador romano Tibério a reconstruiu depois de um ter-
remoto.

Filadélfia, a 65 quilômetros de Sardes, era uma cidade que tinha


uma pequena população. Foi destruída por um terremoto no ano
17 d.C. juntamente com Sardes, e também foi reconstruída por
Tibério. Entre as demais igrejas mencionadas entre o capítulo 2
e 3 de Apocalípse, nesta foi onde o cristianismo sobreviveu por
mais tempo.

Laodicéia, localizada a 65 quilômetros de Filadélfia, estava locali-


zada a margem de um rio, ficava no entroncamento de três vias
que cortavam a Ásia Menor, o que fez com que se tornasse um
grande centro comercial. Era um centro bancário de admiráveis
reservas financeiras, as indústrias principais eram de tecidos e ta-
petes de lã, e possuía uma faculdade de medicina.

ação
aliz
Questionário
e r c i
m
a cocorreta
Assinale com “X” a alternativa
a
r o ibid
P da arqueologia que comprovam, que durante os
9) - Há registros
três primeiros séculos, o ponto de reunião dos cristãos era:

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___a. sinagoga.
___b. templo.
___c. tabernáculo.
___d. casas particulares.

10) – Éfeso era a maior cidade da Ásia, e o centro da adminis-


tração de roma naquela extensão. Foi entitulada de:

___a. “guardiã do templo”.


___b. “guardiã da cidade”.
___c. “guardiã da Ásia”.
___d. “guardiã dos cristãos”.

Perseguição Religiosa

As primeiras reações de contrariedade à mensagem do
evangelho vieram dos próprios judeus, que tinham como religião
prevalecente o judaísmo. Como eles já haviam rejeitado o mestre,
não seria nada difícil rejeitarem também os seus discípulos. Não
demorou muito para o avanço da Igreja, e eles prenderam o diá-
cono Estêvão, levando-o à presença de magistrados, que culmi-
nou com o seu apedrejamento até a morte. Estêvão foi o primeiro
oparar por aí,
açãcontra a Igreja
mártir da Igreja primitiva. Contudo, isso não iria
ia l
haveria ainda, como sempre houve, perseguições i z
m e rccomo
a co quando ainda
de Cristo, tanto dos que estão dentro, dos que estão fora.

i b i
Algo previsto pelo próprioda mestre, palmilhava este
mundo: Pro
“Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, se-
jam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas.
Tenham cuidado, pois os homens os entregarão aos tribunais e os

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açoitarão nas sinagogas deles. Por minha causa vocês serão leva-
dos à presença de governadores e reis como testemunhas a eles e
aos gentios”.

A perseguição sob Nero

Conforme a tradição, Nero teria chegado ao poder no ano


54 d.C., graças aos esforços de sua mãe Agripina, que não vacilou
ante o assassinato de seu próprio pai, para assegurar a sucessão
do trono em favor de seu filho. A princípio, Nero não cometeu
os crimes pelos quais depois ficou famoso. Ainda mais, várias das
leis dos primeiros anos de seu governo foram de benefício para os
pobres e os despojados. Mas pouco a pouco, o jovem imperador
se deixou levar por seus próprios afãs de grandeza e poder, e por
uma corte que se desdobrava por satisfazer seus mínimos capri-
chos. E se tornou um dos piores de todos os imperadores romanos
que já existiu.
No ano 64 d.C., segundo o historiador Tácito, Nero, o dés-
pota, ateou um enorme incêndio em Roma, com o propósito de
demolir a Roma antiga, e construir uma nova e magnífica capital
para seu extenso Império. Ele só não esperava que surgissem cer-
tos rumores de que ele mesmo havia dado as ordens para tal del-
ito. Para escapar de tal acusação, culpou os cristãos por tal crime:
“Apesar de todos os esforços humanos, da liberalidade do
imperador e dos sacrifícios oferecidos aos deuses, nada bastava
o
açã de que o fogo
para apartar as suspeitas, nem para destruiriazcrença
l
rcia esse rumor, Nero fez
havia sido ordenado. Portanto, paraedestruir
m
co
aparecer como culpados osacristãos, uma gente odiada por todos
d a
P r oibi e os castigou com mui refinada cruel-
por suas “abominações”,
dade. Cristo, de quem tomam o nome, foi executado por Pôn-
cio Pilatos durante o reinado de Tibério. Detida por um instante,

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esta superstição daninha apareceu de novo, não somente na Ju-


déia, onde estava a raiz do mal, mas também em Roma, esse lugar
onde se narra e encontram seguidores de todas as coisas atrozes e
abomináveis que chegam desde todos os rincões do mundo. Por-
tanto, primeiro foram presos os que confessaram (ser cristãos), e
baseadas nas provas que eles deram foi condenada uma grande
multidão, ainda que não os condenaram tanto pelo incêndio, mas
sim pelo seu ódio à raça humana. Além de matá-los (aos cris-
tãos) fê-los servir de diversão para o público. Vestiu-os em peles
de animais para que os cachorros os matassem a dentadas. Outros
foram crucificados. E a outros acendeu-lhes fogo ao cair da noite,
para que a iluminassem. Nero fez que se abrissem seus jardins
para esta exibição e, no circo, ele mesmo ofereceu um espetáculo,
pois se misturava com as multidões, disfarçado de condutor de
carruagem, ou dava voltas em sua carruagem”.
(Anais, XV,44).

A morte dos primeiros discípulos

Nesse período, os cristãos e os seus líderes sofreram mar-


tírios bárbaros. Milhares foram torturados e mortos, entre os
quais mencionamos apenas alguns, conforme narra a tradição:

1. André foi atravessado por uma lança.


i z a ção
l
r ia
2. De Bartolomeu tiraram sua pelecpor ordem de um tirano.
m e
3.
co
Filipe foi enforcado na Frigia.
a
a
ibid depois morreu em Éfeso.
4. João foi lançado numa caldeira de óleo fervente, dester-
roPatmos,
rado para a ilhaPde
5. Mateus foi morto à espada na Etiópia.
6. Matias foi apedrejado e depois decapitado.
7. Marcos foi arrastado por um animal feroz nas ruas de Al-
exandria.

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8. Lucas foiProibida a comercialização


enforcado em uma oliveira.
9. Tiago, irmão de João, foi morto ao fio da espada em Je-
rusalém.
10. Tiago, o menor, irmão do Senhor, foi lançado do templo
abaixo, tendo morte instantânea.
11. Tomé foi amarrado a uma cruz e ainda assim pregou a Cristo
até morrer.
12. Judas Tadeu foi morto a flechadas. Simão, o Zelote foi crucifi-
cado na Pérsia.
13. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.
14. Paulo foi decapitado em Roma nos tempos de Nero.

Os crimes bárbaros de Roma



Já mencionamos os atos sangrentos do Imperador Nero sobre
os cristãos. Atos praticados por motivos sórdidos e mentirosos.
Condenando-os por um crime do qual não tinham cometido. Os
imperadores que se seguiram após Nero, o imitaram em sua refi-
nada crueldade contra a massa cristã, pois os tinham como opres-
sores, pelo fato de combaterem a baixeza moral que se havia no
império. A perseguição dos truculentos imperadores romanos foi
tão desenfreada que perdurou pelos três primeiros séculos da era
cristã, como se segue:

Domiciano (96 d.C.): Este imperador liderou uma das mais acen-
tuadas perseguições contra os cristãos. Matou-os sob a acusação
ç
de que eram ateus, por não frequentarem os cultos
z a ãorealizados em
i exilado na ilha de
c l pois até a sua esposa
seu favor. Foi em seu governo que Joãoiaesteve
e r
com de cristãos. Também foi neste
Patmos. Suas atrocidades não tinham limites,
a a
ibid os últimos livros do Novo Testamento,
ele a exilou. Este matou milhares
período que seP r o
escreveram
conforme afirma o famoso escritor Jesse Lyman. Ele menciona os
possíveis livros que foram compilados na época de Domiciano:

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Hebreus, II Pedro, as epístolas de João e o seu Evangelho, Judas


e o Apocalípse. Sendo estes reconhecidos posteriormente como
canônicos.

Trajano (98-117 d.C.): Apesar de se mostrar um benevolente im-


perador, preferiu manter as leis severas da antiga Roma, proib-
indo a todo custo o cristianismo. E segundo a tradição, este teria
matado a Simão, irmão de Jesus, bispo de Jerusalém.
Caio Plínio (111 d.C.): enquanto procônsul na Ásia Menor, em
111 d.C. escreve uma carta ao imperador Trajano em que cita os
cristãos, constituindo-se esta em um dos mais antigos documen-
tos não neotestamentários sobre a igreja primitiva: “...[os cristãos]
têm como hábito reunir-se em um dia fixo, antes do nascer do
sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles
mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime,
nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua pala-
vra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto,
despedem-se e se encontram novamente para a refeição...”
Adriano (117-138): Foi menos bárbaro em suas perseguições.
Mesmo assim, tirou a vida de muitos cristãos.
Antonio Pio (138-161): Favoreceu a igreja até certo ponto, entre-
tanto ainda proibiu o culto há um único Deus e matou muitos do
“Caminho”, entre eles, Policarpo, discípulo de João.
Marco Aurélio (161-180): Após Nero, foi o mais cruel. Praticou
os atos mais horríveis contra a igreja, lançando
z ão dos fiéis e
açmão
l i
cia
jogando às feras, também decapitou a rmuitos.
e
Sétimo Severo (193-211): Por todas m
co as partes a igreja sofria pesada
a a
perseguição. Muitos b
o i id
foram queimados vivos, crucificados e dego-
P r
lados por não negarem a fé.
Máximo (235-238): Foi um imperador cruel, matou muitos líderes
da época.
Décio (249-251): Cipriano disse a respeito da época em que o im-
perador Décio perseguiu aos cristãos: “O mundo inteiro está dev-

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astado”. Proibida a comercialização


Valeriano (253-260): Este matou a Cipriano, bispo de Cartago e
perseguiu a igreja.
Diocleciano (284-305): Diz a história que esta foi a mais severa
de todas as perseguições do império romano aos cristãos. Por um
espaço de dez anos ele investiu uma grande crueldade diabólica
para destruir o cristianismo.

Questionário

Associe a coluna “A” de acordo com a coluna “B”

___ 11) – Foi atravessado por uma lança. A. Filipe

___ 12) – Foi enforcado em uma oliveira. B. André

___ 13) – Foi enforcado na Frigia. C. Lucas

___ 14) – Foi crucificado de cabeça para baixo. D. Pedro

ação
r c i aliz
m e
co
ibi da a
Pro

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Lição 2

Os Pais da Igreja e a sua Secularização

Os cristãos eram alvos de calúnias

Na comunidade cristã, desde o cerco e a destruição de Je-


rusalém (66-70 d.C) liderada pelo general Tito, filho do impera-
dor Vespasiano, as reuniões se tornaram secretas. Visto que havia
uma forte e prolongada perseguição imperial, que perdurou até o
quarto século, por volta do ano 313, quando o edito de Constan-
tino fez cessar todos os intentos para destruir o cristianismo.
Por causa dessas reuniões secretas que geralmente aconte-
ciam antes do por sol, ou à noite, despertaram falsos rumores de
que entre eles haviam práticas de atos imorais e criminosos.
Havia também rumores, acusando os cristãos de comerem
e beberem até embriagarem-se, e praticarem atos sexuais entre si,
e com parentes mais próximos.

“Fundamentados na comunhão levantaram outro rumor:


o
que os cristãos diziam que comiam a “carne” de Cristo (simboli-
camente), e já que também falavam do menino
l i z açãque havia nas-
rcia de que os cristãos
cido em um estábulo, daí chegaram aeconclusão
m
estariam escondendo um meninoa co recém-nascido dentro de um
d a
r oibi diante de alguém que desejava ser cris-
grande pão, e o colocando
P
tão. Os cristãos então estariam ordenando que se cortasse o pão,
e logo devorariam o corpo ainda palpitante do menino. O neófito,
que se havia feito participante de tal “crime”, ficaria assim compro-
metido a guardar o segredo”.

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Proibida
Outra estranha a comercialização
opinião que alguns sustentavam era de que
os cristãos adoravam a um asno crucificado. Algum tempo antes,
haviam dito que os judeus adoravam a um asno. Agora, começar-
am a transferir essa opinião aos cristãos, a quem se fazia então
objeto de zombaria.
A inimizade contra os cristãos, que parecia se basear só
em questões de religião e doutrinas, também tinha muito a ver
com preconceitos de classe, e questões econômicas. Atacavam o
cristianismo, considerando-o uma religião de bárbaros. Diziam:

“em todo caso, seja qual for esse Deus dos cristãos, o fato é
que seu culto destrói a própria fibra da sociedade”.

“Os cristãos eram considerados como niveladores da so-


ciedade, portanto anarquistas, perturbadores da ordem social.
Eis por que eram tidos na conta de inimigos do Estado. Não raro
interesses econômicos também provocavam e excitavam o es-
pírito de perseguição. Assim como o apóstolo Paulo, em Éfeso,
esteve em perigo de morte em razão de um motim incitado por
Demétrio, o ourives, assim também, muitas vezes os governantes
eram influenciados para perseguir os cristãos, por pessoas cujos
interesses financeiros eram prejudicados pelo progresso da igreja:
sacerdotes e demais servidores dos templos dos ídolos, os que ne-
gociavam imagens, os escultores, os arquitetos que construíram
templos, e todos os que ganhavam a vida por meio da adoração
pagã.”
ção
liza
Jesse Lyman
cia
o mer
a cteológicas

d a
O surgimento de trêsiescolas
ib
Pro
Um novo e desafiador período se inicia à partir do seg-
undo século. Defender a fé entregue aos santos por meio de obras

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e artigos que a corroborasse. Nesse período, surgiram muitas sei-


tas e heresias, e então, tornou-se proeminente o cuidado da Igreja
quanto ao desenvolvimento da sua doutrina.
Nos tempos apostólicos, a comunidade cristã estava vol-
tada para o interior, para o coração. Havia uma entrega sem res-
salvas a Cristo. Contudo, nesse novo período, a fé passou a ser
mais mental e intelectual mais voltada para as doutrinas (artigos)
da Igreja, do que propriamente para o exemplo de vida de Jesus.
A doutrina ocupou um avantajado espaço no cristianismo
e com isso, nesse período, apareceram três escolas teológicas: uma
em Alexandria, outra na Ásia Menor, e outra no norte da África.

A escola de Alexandria: fundada em 180 d.C., por Patento, um


filósofo afamado. Foi um eloqüente orador, contudo, poucos de
seus ensinamentos sobreviveram. Suas obras combatiam acirr-
adamente o paganismo. Orígenes foi o mais ilustre personagem
da escola de Alexandria. Contribuiu com muitos temas intelec-
tuais naquele período.

A escola da Ásia Menor: era formada por um grupo distinto de


escritores e mestres da teologia. Irineu foi seu mais importante
porta-voz.

A escola do norte da África: localizava-se em Cartago. A que mais


o
açã foram: Ter-
contribuiu para o cristianismo. Ela deu forma ao pensamento te-
l i z
rcia
ológico da Europa. Seus dois maiores representantes
o m
tuliano e Cipriano, ambos fervorosos e teólogos.
d a ac
i
oib por esses distintos cristãos se tornaram
Prdeixadas
As obras
ricas informações sobre a Igreja, sua vida, suas doutrinas até
aquele período.

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Proibida Questionário
a comercialização

Marque “C” para certo e “E” para errado.

___ 15) – Na comunidade cristã, desde o cerco e a destruição de


Jerusalém (66-70 d.C) liderada pelo general Tito, filho de Vespa-
siano, as reuniões se tornaram secretas..

___ 16) – A inimizade contra os cristãos, que parecia se basear


só em questões de religião e doutrinas, também tinha muito a ver
com preconceitos de classe, e questões econômicas.

___ 17) – A escola de Alexandria: fundada em 380 d.C., por Plínio,


um filósofo afamado. Foi um eloqüente pregador, contudo, pou-
cos de seus ensinamentos sobreviveram.

Os líderes proeminentes da Igreja

Entre o primeiro e terceiro séculos, prosperou uma geração


de grandes homens verdadeiramente inspirados, capazes de rep-
resentarem a fé, e ainda persuadirem a muitos com a mensagem
de Cristo e com uma vida corroborada de singeleza e pureza di-
ante do Salvador:

Inácio (67–110 d.C.) - foi o Bispo de Antioquia da Síria, entre os


anos 70 e 107, data do seu martírio. Diz Eusébio que
z a ç ão ele foi o seg-
undo bispo de Antioquia: Também Inácio,
r c i alicelebrado por muitos
até hoje como sucessor de Pedrom eme Antioquia, foi o segundo que
c o
a A tradição diz que ele foi enviado da
obteve o ofício episcopaladali.
Síria para Romaro bid como alimento para as feras selvagens,
e ilançado
P
por conta de seu testemunho de Cristo. Diz ainda que ele desejava
ser martirizado, pois escrevia cartas as igrejas confessando seu an-
seio de não perder a honra de morrer por seu Salvador.
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Policarpo (69-156 d.C.) – homem que fora instruído pelos apósto-


los e bem relacionado com muitos que haviam visto a Cristo, ten-
do sido também nomeado bispo pelos apóstolos na Ásia, na igreja
de Esmirna, pois ele viveu longo tempo até idade muito avançada,
quando, após glorioso e por demais notável martírio, partiu desta
vida, queimado vivo. Diz que ao ser levado perante o governador
a fim de negar o nome de Cristo, assim respondeu: “oitenta e seis
anos o servi, e somente bem recebi durante todo o tempo. Como
poderia eu agora negar ao meu Senhor e Salvador?”
Papias (70-155 d.C.) – segundo Irineu, Papias foi ouvinte de João
e companheiro de Policarpo, um escritor antigo que os menciona
no quarto livro de suas obras. Foi bispo de Hierápolis.
Justino Mártir (100-167 d.C.) - era filósofo antes de se tornar cris-
tão. Seus ensinamentos acerca da vida da Igreja em meados do se-
gundo século ainda existem. Foi um grande defensor da fé. Conta
em suas obras como eram realizados os cultos e suas formas de
adoração. Diz que o culto consistia na leitura dos Salmos, Profetas
e outros textos do Velho Testamento, logo após celebravam a Ceia
do Senhor, e que recolhiam ofertas para atender as necessidades
existentes.
Irineu (130 d.C.) - era natural da Ásia Menor, provavelmente de
Esmirna, onde nasceu e se tornou discípulo do bispo Policarpo.
Durante sua vida, foi um admirador de seu mestre Policarpo, e em
seus escritos se referiu repetidamente aos ensinos de um “ancião”
- o presbítero — cujo nome não menciona, mas que
ç ã o denota ser
z a
Policarpo. Foi bispo em Lion e defensor da félicristã.
c i a
r cristãos.
A tradição diz
que foi degolado em um monte com
c o meoutros
b i a a d.C.) - ao que parece, Clemente
Clemente de Alexandria (150-215
dcidade
ro i
era natural de Atenas, a que durante séculos havia sido fa-
P
mosa por seus filósofos. Depois de viajar por uma boa parte do
Mediterrâneo, encontrou em Alexandria um mestre que o satisfez.
Este mestre era Panteno, de quem é pouco o que sabemos. Mas,
em todo caso, Clemente permaneceu em Alexandria, e sucedeu a
Panteno. No ano 202, por causa da perseguição de Sétimo Severo,

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Clemente viu-seProibida
obrigadoaacomercialização
abandonar Alexandria, e andou por
várias regiões do Mediterrâneo oriental — particularmente Síria e
Ásia Menor — até sua morte, que teve lugar por volta do ano 215.
Tertuliano (160-220 d.C.) - nasceu na cidade africana de Carta-
go por volta do ano 150, mas foi em Roma, quando contava uns
quarenta anos, que se converteu ao cristianismo. Algum tempo
depois, regressou à sua cidade natal, onde se dedicou a escrever
em defesa da fé contra os pagãos, e em defesa da ortodoxia contra
os hereges. Já que, ao que parece, era advogado ou ao menos havia
sido adestrado na ciência retórica, e nos procedimentos que usa-
vam os advogados toda sua obra leva o selo de uma mente legal.

Orígenes (185-254 d.C.) – o mais notável discípulo de Clemente,


e o último dos quatro grandes mestres da igreja que discutiremos
agora. Diferentemente de seu mestre Clemente, Orígenes era filho
de pais cristãos. Durante a perseguição de Sétimo Severo, o pai
de Orígenes foi feito prisioneiro e sofreu o martírio. Orígenes,
que ainda era jovem, quis sofrer martírio junto com ele. Sua mãe,
porém, escondeu suas roupas, e Orígenes viu-se obrigado a per-
manecer em casa, onde dedicou a seu pai um tratado em que o
exortava a ser fiel até a morte. Por fim, no tempo da perseguição
de Décio, Orígenes teve ocasião de mostrar a firmeza de sua fé.
Dado o caráter dessa perseguição, Orígenes não foi morto, mas
torturado até o ponto em que, posto em liberdade, morreu em
pouco tempo. Diz-se que morreu na cidade de Tiro.

Cipriano (257 d.C.) – segundo afirma o historiador


z a ç ão Eusébio de
r c i ali
Cesaréia, ele era bispo de Cartago. Foi alcançado por Cristo aos 45
anos de idade. Tornou-se um dos
c o memaiores escritores e dirigentes
i b i d a a venerá-lo.
da Igreja nesse período.aAcabou sendo condenado pelo impera-
Pro
dor Valeriano por recusar-se
Eusébio, de Cesaréia (264-340 d.C.) – bispo de Cesaréia no tempo
de Constantino escreveu uma importante obra: História Eclesiás-

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tica, uma fonte riquíssima sobre os primeiros quatro séculos da


Igreja de Cristo.

Questionário

Assinale com “X” a alternativa correta

19) – Foi o Bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107, data do seu


martírio.:

___a. Eusébio.
___b. Teófilo.
___c. Bartimeu.
___d. Inácio.

20) – Irineu (130 d.C.) - era natural da Ásia Menor, provavelmente


de Esmirna, onde nasceu e se tornou discípulo do bispo:

___a. Orígenes.
___b. Estevão.
___c. Policarpo.
___d. Filipe.

o
l i z açã
Um perigo eminente: seitas e heresias cia
c o mer
a continuar existindo parecia não ter
dapara

b i
As lutas da Igreja
i
Pro as intermináveis perseguições cruéis e bár-
fim. Não bastassem
baras dos imperadores, e as calúnias levantadas contra eles, brava-
mente combatia também as seitas e heresias que passavam a surgir
no transcorres dos anos dentro do próprio rebanho. Vamos desta-
car as mais importantes:

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Proibida a comercialização
O Gnosticismo – o termo grego “gnosis” significa sabedoria.
Movimento filosófico-teológico que considerava o conhecimento
como decisivo para a salvação. Nasceu antes do cristianismo com
elementos de diversas culturas antigas, na Ásia Menor. Adquiriu
força no mundo judeu e heleno desde o século I a. C. e se pro-
longou, também com elementos cristãos, até o século IV d.C. Foi
dualista; o espírito deveria ser libertado do cárcere da matéria por
meio do conhecimento em etapas sucessivas. Criam que do Deus
supremo emanava um grande número de divindades inferiores,
algumas benéficas, outras malignas. Interpretavam as Escrituras
de forma alegórica. Perduraram por apenas um século.

O Ebionismo – no hebraico significa pobre. Era formado por um


grupo de judeus que observavam a lei e os costumes judaicos. Não
aderiram aos ensinos de Paulo, porque este combatia tais posturas.

Docetismo - Do grego dókesis (aparência). Heresias dos primei-


ros tempos da Igreja, à qual já se refere em escritos do NT (João,
Colossenses), que atribuía a Cristo um corpo apenas aparente, il-
usório; com isso negava a realidade do mistério da Encarnação.
Negavam que Cristo teria nascido de Maria.

Judaizantes - Eles afirmavam ser necessário, para quem se tornava


cristão, seguir as práticas judaicas e, portanto, tornar-se judeu an-
tes de ser cristão. Paulo respondeu defendendo a liberdade dos
ção
filhos de Deus frente à lei (cf. Rm 1,16-17; Gl 2.11-14).
a
r c i aliz
me fundada em 144 d.C. em
O Marcionismo - foi uma seitaoreligiosa
c
Roma por Marcião de
b i a a (110-160), um religioso cristão do
dSinope
i
Proe um dos primeiros a serem denunciados pelos
segundo século,
cristãos como um herético. Ele rejeitava o Antigo Testamento. Por
muitos é considerado um anti-semita (aversão aos judeus).

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O Maniqueísmo – fundado por Mani, e era de origem persa. Dizi-


am que o universo compõe-se do reino das trevas e do reino da luz
e ambos lutavam pelo domínio da natureza e do próprio homem.
Não se casavam. Antes de se converter, Agostinho, o maior teólo-
go da Igreja era maniqueu.

O Montanismo – nome recebido por causa do seu fundador se


chamar Montano. Eram puritanos, exigiam que tudo voltasse à
simplicidade dos primitivos cristãos. Esta seita quase não poderia
ser contada entre as heréticas. Tertuliano, um dos principais pais
da Igreja escreveu em favor delas e aceitou as idéias dos montani-
stas.

Arianismo – no final do século III, Sabélio, bispo da Igreja na


África, questionou a divindade de Jesus, e a doutrina da Trindade
Divina. Outro por nome de Ário, bispo de Alexandria por volta
do século IV, ampliou as idéias de Sabélio, interpretando as Es-
crituras de modo pessoal e irreverente. Seus ensinos influenciam
correntes heréticas até os dias de hoje, como é o caso das Teste-
munhas de Jeová. Consideravam Cristo como um ser igual aos
demais seres criados, e não eterno como o Pai, conforme afirmam
as Escrituras.

o
l i z açã que negou a
Pelagianismo – foi fundado pelo de frade Pelágio,
e cia
corrupção total da raça humana pelartransgressão de Adão, que
m
coo próprio Adão. Ensinava com
segundo ele, prejudicou apenas
a a
o id
isso, que nascíamos bem
i estado de inocência. Sendo assim, seg-
r
P poderia salvar-se tanto pela graça quanto pela
undo ele, o homem
lei,

Apolinarialismo – este grupo afirmava que Jesus tinha uma na-


tureza divina que sobrepujava a humana, não tendo desta forma,

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sofrido a agoniaProibida a comercialização


da cruz, ou passado fome visto que sua natureza
divina lhe supria todas as suas necessidades, em contraposição
aos ensinos bíblicos. Estes seguiam as idéias do bispo rebelde
Apolinário. Seus ensinos são aderidos pelos unicistas, que negam
a trindade.

Agnosticismo – não podemos confundir agnosticismo com gnos-


ticismo. O agnosticismo é uma espécie de ateísmo disfarçado.
Embora não admitam que serem chamados de ateus, pois afirma
que não descrê na existência de Deus, apenas a ignora, por julgar
ser um problema insolúvel.

Os defensores da Fé Crista

A grande maioria dos tratados escritos após a formação do


Cânon do Novo Testamento tinha como objetivo opor-se tenaz-
mente as iminentes heresias formuladas contra a Igreja. Surgiram
líderes, que escreveram um vasto acervo de tratados de cunho
doutrinários. Estes homens posteriormente passaram a ser cham-
ados de “apologistas”, ou defensores da fé.

Jerônimo (340-420 d.C.) – o mais ilustre dos pais da Igreja. Tra-


duziu a Bíblia para o latim, conhecida como Vulgata. Vivia num
mosteiro em Belém, onde se dedicou profundamente para a
tradução da Bíblia e composição de tratados contra as heresias.
o
açã
i alizorador, considerado
João Crisóstomo (345-407 d.C.) – um cexímio
r
o m e
o maior pregador em sua época,
a c apelidado de “boca de ouro” pela
ib
eloqüência e unção de
o idasuas mensagens que paralisava as multi-
P r
dões, nas grandes reuniões da catedral de Santa Sofia em Con-
stantinopla, onde era bispo. Suas mensagens incomodaram à cor-
te que passou a persegui-lo. Foi lançado num exílio, onde morreu.

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Seu sepultamento em Constantinopla foi como o de um grande


estadista, um grande embaixador do Reino de Cristo.

Agostinho (354-430 d.C.) – converteu-se por causa da mãe de


Ambrósio, bispo em Milão, e das cartas de Paulo. Têm um nome
muito reconhecido na teologia. Foi um mestre e contribuiu distin-
tamente para doutrina da Igreja na Idade Média. Combateu acir-
radamente as heresias de Pelágio e Mani.

Ambrósio de Milão (340-397 d.C.) – possuía um grande zelo que


o destacou entre os líderes mais consagrados da época. Repreen-
deu o imperador Teodósio por seu pecado, levando-o a um since-
ro arrependimento diante de Deus. Sua atitude destacou-se entre
os líderes da sua época.

Atanásio (296-373 d.C.) – bispo de Alexandria que combateu


severamente as heresias arianas. Foi acusado falsamente de ter
matado o bispo de Arsino de Mileto. No dia do julgamento, para
espanto de seus acusadores, o próprio Arsino, que estava vivo,
apareceu para testemunhar em seu favor.

A Secularização da Igreja

ã o
izaçSenhor
al
Uma armadilha satânica contra a Igreja de Nosso
erci
om de sua coroa, por volta de
a
Depois de Diocleciano cabdicar
a
r o ibid rivais aspiravam por ocupar o trono
305 d.C., dois imponentes
P Maxêncio, filho de Maximiano; e Constan-
imperial. O déspota
tino favorável aos cristãos. Este era filho do governador Con-
stâncio e de Helena, filha de um estalajadeiro sérvio, que sendo
cristã, procurou incutir-lhe os princípios básicos do cristianismo:
justiça, misericórdia, paz e tolerância, contrastando com aqueles

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Proibida a comercialização
defendidos pela cultura romana e de seu próprio pai. Apesar disso,
a religião de sua mãe, exerceu forte influência sobre si, que mesmo
sabendo da antipatia popular aos cristãos, demonstrou desde o
princípio tolerância para com os mesmos.
Ao enfrentar a batalha campal a oposição que lhe fazia
Maxêncio no ano de 312 d.C., afirmou ter tido uma visão de uma
cruz resplandecente no céu e uma voz que lhe dizia e determinava:
-”In Hoc Signo Vinces” – (por este sinal vencerás). Adotando o
símbolo da cruz, como sinal de vitória e insígnia para o seu exérci-
to, morrendo seu inimigo Maxêncio, afogado no rio Tigre. Tendo
logrado êxito na batalha contra Maxêncio que morreu afogado no
rio Tibre, construiu o monumental arco comemorativo que existe
ainda, hoje, em Roma – o famoso arco de Constantino defronte
ao Coliseu, e determinou a liberdade aos cristãos, promulgando o
famoso “Edito de Tolerância” no ano seguinte em 313 d.C, quando
a espada não mais se levantou contra os cristãos.
Nesse período, Constantino se limitou a garantir a paz da
igreja, e a lhe devolver as propriedades que tinham sido confisca-
das:

“Os templos das igrejas foram restaurados e novamente


abertos em toda a parte. No período apostólico celebravam-se
reuniões em casas particulares e em salões alugados. Mais tarde,
nos períodos em que cessavam as perseguições construíram-se
templos para as igrejas. Na última perseguição, durante o tempo
de Diocleciano, alguns desses templos foram destruídos e outros
o
i z
confiscados pelas autoridades. Todos os templos
l açãque ainda exis-
cia foram pagos pelas ci-
tiam quando Constantino subiu ao rpoder,
e
dades em que estavam. A a partirm
co dessa época os cristãos gozavam
de plena liberdadeib d a
i edificar templos que começaram a ser er-
Proa parte. Esses templos tinham a forma e toma-
para
guidos, por toda
vam o nome de “basílica” romana ou salão da corte, isto é, um
retângulo divido por filas de colunas, tendo na extremidade uma

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plataforma semicircular com assentos para os clérigos”.


Jesse Lyman

Depois apoiou a igreja mais decididamente, como por ex-


emplo, doando-lhe o palácio de Latrão, em Roma, que pertencia à
família de sua esposa, e ordenando que os bispos que se dirigiam
para o sínodo de Áries, em 314, utilizassem os meios de trans-
porte imperiais, sem nenhum ônus para a igreja.
Ao mesmo tempo, entretanto, ele tentava manter boas
relações com os devotos dos cultos antigos, e particularmente
com o Senado romano. O Império oficialmente era pagão, e des-
ignava a Constantino, como cabeça do Império, o título de sumo
sacerdote.
O Cristianismo, sem dúvidas, passou a desfrutar de mui-
tos benefícios nesse período. Com a construção de novos templos
cristãos, a indenização pelo Estado de diversos templos destruídos
ou confiscados durante o governo do Imperador Diocleciano, até
mesmo a transformação dos templos pagãos em casas de oração,
porém a adoração pagã, não só era tolerada, mas sutilmente era
introduzida na esfera do cristianismo, que fazia “vistas grossas”.
Com o “Edito de Milão” em 320 d.C. dando mais liberdade aos
cristãos, o império ficou praticamente envolvido pelo cristianis-
mo, não existindo mais perigo de retrocesso. As Igrejas e o clero
passaram a receber donativos em pequena escala em princípio,

i z a ção
mas logo depois passaram a receber de maneira generalizada e de
l
ia como todo clero, que
rcdemais
forma liberal, enriquecendo as Igrejas, bem
m e
a co
gozava de privilégios acima de todos os cidadãos, uma vez
a
ibid em que tornassem parte, só poderiam
que dos mesmos não se exigiam os deveres cívicos, não podiam
ser tributados P rocausas
nas
ser julgados por uma corte eclesiástica e não civil.
Domingo, o primeiro dia da semana, foi proclamado o dia
de descanso e adoração em todo o império. Proibindo o funciona-
mento das cortes e tribunais nos domingos, ressalvo quando fosse

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Proibida
para libertar algum a comercialização
escravo. Inibiu o exército de trabalhar aos do-
mingos.
Da mesma forma que o cristianismo influenciou o impé-
rio romano, contribuindo para o crescimento das relações sociais,
sendo eliminadas práticas extremamente desumanas e irracionais
como:

a) – A CRUCIFICAÇÃO: forma comum de castigo para todos os


criminosos, exceto para um cidadão romano, que diante de uma
pena de morte eram decapitados, como foi o caso de Paulo que
possuía a cidadania romana. Constantino aboliu a crucificação,
pelo fato de considerá-la um emblema sagrado a ponto de torná-
la distintivo de seu exército.

b) – O INFANTICÍDIO: naquela época havia se tornado comum


o hábito de os pais matarem asfixiadas as crianças que não lhes
agradassem. Quando não as matavam as abandonavam para que
morressem. O Cristianismo trouxe o benefício da vida para aque-
las crianças, fazendo com que o infanticídio fosse banido do im-
pério.

c) – AS LUTAS DE GLADIADORES: as lutas entre os gladiadores


foram banidas. Essa lei foi imposta na capital. Entretanto, no an-
fiteatro romano ainda houve combates até 404 d.C. Até um monge
por nome de Telêmaco tentou parar uma luta entre gladiadores ao
entrar na arena, mas acabou sendo morto. Desde então, cessou a
ão

matança de homens para satisfazer o prazer dos espectadores.

r c i aliz
o
Contudo, apesar de todos e
messes plausíveis benefícios ad-
c
a com o ESTADO trouxe terríveis
vindos naquela época,daaaliança
i b i
Proo CRISTIANISMO. Que se embebedou com as
resultados para
regalias que lhe foi proporcionado, e aliado ao fato de ocorrer
novamente as terríveis circunstâncias da perseguição, deixou-se

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também influenciar, principalmente pela cultura religiosa pre-


dominante no império, trazendo para ao culto cristão práticas es-
púrias do paganismo, como a idolatria, o culto e a veneração aos
mortos, a divinização da virgem Maria, para assumir o lugar das
divindades femininas ali cultuadas, a elevação do bispo de Roma
à condição de Bispo Universal (imitando a estrutura de poder do
império).
Infelizmente, não existem evidências animadoras da con-
versão de Constantino a Jesus Cristo, senão um relatório extenso
de práticas que contrariam a moral cristã, como a execução de
seu filho; e pouco depois, a de sua própria mulher. Apesar de tão
antagônico comportamento, passou a freqüentar as reuniões de
líderes da Igreja, sem encontrar restrições por parte dos mesmos,
que passaram a reverenciá-lo como o “bispo dos bispos”, dando
origem através deste desvio doutrinário do cristianismo apóstata,
que foi o dogma do papado oficializado anos depois.
Mesmo sendo o principal responsável pelo fim da
perseguição aos cristãos, e inegavelmente ter demonstrado ta-
manho favorecimento ao Cristianismo, Constantino nunca acei-
tou submeter-se ao batismo durante toda sua vida, o que só ocor-
reu no último momento da sua vida, em seu leito de morte. Só
Deus conhece a real sinceridade de sua decisão.

A Oficialização do Cristianismo como a Religião Oficial


o
açãcrescia dentro

l i z
ia concediam honras e
Pouco a pouco a influência do imperador
da igreja, com isso os líderes da m e rclhes
cdeo que a repressão voltasse, como
igreja
a a
ibid temporais de galgar posições dentro da
o bajulavam, tanto por medo
Pro
também pelos interesses
hierarquia interna, ou mesmo funções públicas.
Podemos, sem sombra de dúvida, afirmar, que se o fim da
perseguição aos cristãos foi uma benção, a oficialização do cris-
tianismo como religião oficial do império, foi uma terrível cilada

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do inimigo, queProibida a comercialização


afetou profundamente a realidade espiritual da
Igreja, que se viu inflada, repleta de “membros”, que forçados a
uma pseuda conversão, migraram para o cristianismo, sem pas-
sarem pela imprescindível experiência do novo nascimento.
A Igreja e o Estado uniram-se quando Constantino ado-
tou o CRISTIANISMO como religião oficial do império romano.
Estando a Igreja aliada ao Estado, passou a ser dominada
por ele, com isso os propósitos estabelecidos por Cristo para ela
foram postos de lados por seus líderes, que se preocupavam ap-
enas em satisfazer os anseios do imperador, que por sua vez intro-
duzia o mundo dentro da Igreja. Ao invés de humildade e santi-
dade, os membros adotaram uma postura ambiciosa, arrogante e
orgulhosa.

O impacto de Constantino

O impacto da “conversão” de Constantino sobre a vida da


igreja foi tão grande que se fará sentir durante toda a narrativa da
história do cristianismo. Depois da sua “conversão”, o temor se
dissipou. Os poucos governantes pagãos, que vieram depois dele,
não perseguiram os cristãos, somente tentaram restaurar o pagan-
ismo por outros meios.
Tudo isso produziu, em primeiro lugar, o desenvolvimen-
to do que poderíamos chamar de uma “teologia oficial”. Deslumb-
rados com o favor que Constantino evidenciava em relação a eles,
não faltaram cristãos que se empenharam em provar que Con-
stantino era um eleito de Deus, e que sua obra eraoa consumação
l i z açã
rcoiaculto cristão tinha sido
da história da igreja.

m
Até a época de Constantino, e
co
aprincípio,
relativamente simples. No
b i d a os cristãos se reuniam para
adorar em casasro i
particulares. Depois começaram a se reunir tam-
P
bém em cemitérios, como as catacumbas romanas.
No século terceiro já havia lugares dedicados especifica-
mente para o culto. A igreja mais antiga descoberta até agora é a
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de Dura-Europos, que data aproximadamente do ano 270. Mas


também essa igreja de Dura-Europos não passa de uma pequena
habitação, decorada somente com algumas pinturas murais de
caráter quase primitivo.
Depois da conversão de Constantino, o culto cristão
começou a sentir a influência do protocolo imperial. O incenso,
que até então tinha sido sinal do culto ao imperador, apareceu nas
Igrejas cristãs. Os ministros que oficiavam no culto começaram a
usar vestimentas ricamente ornamentadas, em sinal de respeito.
Pela mesma razão vários gestos de respeito normalmente
feitos diante do imperador começaram a surgir também no culto.
Além disso, apareceu o costume de iniciar-se o culto com uma
procissão. Para dar mais destaque a esta procissão surgiram os
coros, com o resultado, em longo prazo, de que a congregação
participava cada vez menos do culto.
Por outro lado, as igrejas construídas no tempo de Con-
stantino e dos seus sucessores contrastavam com a simplicidade
da Igreja de Dura-Europos. O próprio Constantino mandou con-
struir em Constantinopla a igreja de Santa Irene, em honra à paz.
Helena, sua mãe construiu na Terra Santa a igreja da Natividade e
a do Monte das Oliveiras.
Ao mesmo tempo, ou por ordem do imperador, ou seguin-
do seu exemplo, foram construídas igrejas semelhantes nas prin-
cipais cidades do Império. Essa política continuou sob o governo
dos sucessores de Constantino que morreu em 22çde
z a ãomaio do ano
l i
rcia
337 d. C. Quase todos eles tentaram perpetrar sua memória, con-
o m e
ac
struindo igrejas pomposas.
i d a
ib
Pro com a Igreja de Roma
A divisão do Oriente

Constantino em sua efêmera vaidade reconstruiu Bizân-
cio, cidade grega que datava existência de mil anos e estava situ-
ada entre a Europa e a Ásia, chamando-a de Constantinopla (hoje

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Proibidaassim
Istambul, na Turquia), a comercialização
denominada em sua homenagem,
transformando-a na nova capital do Império Romano. Logo, sur-
gia a primeira dificuldade religiosa, pois o Bispo de Roma, havia
imposto sutilmente sua autoridade sobre as demais Igrejas a pre-
texto de ser o bispo da capital do império, plantando gradativa-
mente a semente do papado.
Com a mudança da capital, o bispo de Constantinopla
passou a reivindicar seus direitos sob a mesma alegação de que
se Constantinopla era a nova capital do império, logo o direito
de comando também deveriam ser transferidos a nova igreja.
Iniciou-se então a animosidade das igrejas do Ocidente com o
Oriente, culminando com a separação definitiva no século VIII,
surgindo desta forma a primeira divisão do cristianismo: Igreja
Católica Apostólica Romana no Ocidente e Igreja Ortodoxa Gre-
ga no Oriente.
Houve durante este período cinco bispos, ou patriarcas
como passaram a ser designados mais tarde, instalados em: Je-
rusalém; Antioquia; Alexandria; Constantinopla, e Roma. O pa-
triarca desta última reivindicava para a Igreja de Roma a suprema-
cia da autoridade religiosa, por ter sido fundada pelos apóstolos
Pedro e Paulo. Nesta ocasião surgiu a tradição de que Pedro teria
sido o primeiro bispo de Roma. Seu argumento baseava-se nos
textos de Mateus 16.18 “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei
a minha igreja”. E outro registrado em João 21.16-17 “apascenta
as minhas ovelhas”. Defendiam erroneamente estas afirmações,
utilizando-se de uma hermenêutica conveniente e preponderante.
Ao contrário, a Bíblia diz que Jesus, e não Pedro,ãéoo fundamento

da Igreja.
c ializ
c o mer
“Porque ninguém
i b i da apode pôr outro fundamento, além do
Proo qual é Jesus Cristo”. (I Co 3.11)
que já está posto,
Apóstolo Paulo

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O fim do Império Romano

Após a morte de Constantino, o Império Romano, um dos


mais bárbaros e temíveis impérios já visto, chegou ao seu final. Os
motivos que causaram seu enfraquecimento e consequentemente
sua subversão foram: as sucessivas invasões e divisões, a insatisfa-
ção do povo com a mudança religiosa, política e econômica.
Em 476, Odoacro, rei dos hérculos (uma tribo germânica)
apodera-se de Roma expulsando do trono o menino imperador
Rômulo, pondo fim ao extenso período de domínio do Império
Romano.
O fim do Império Ocidental é relevante por demarcar a
passagem da Idade Antiga para a Idade Média que vai até 1453
d.C. com a tomada de Constantinopla pelos turcos, onde finda os
dias do Império Oriental.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

___ 21) – o termo grego “gnosis” significa graça. Movimento


filosófico-teológico que considerava a graça como decisiva para
a salvação. ção iza
al
___22) – Depois de Dioclecianoom erci
a c abdicar de sua coroa, por volta
r o bida rivais
de 305 d.C., dois imponentes
iMaxêncio,
aspiravam por ocupar o trono
P
imperial. O déspota filho de Maximiano.

___ 23) – O impacto da “conversão” de Constantino sobre a vida


da igreja não foi tão grande assim, quase não se faz senti-lo no
decorrer da história do cristianismo.

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Proibida a comercialização
___ 24) – A igreja mais antiga descoberta até agora é a de Dura-
Europos, que data aproximadamente do ano 270 d.C

___ 25) – Em 476, Odoacro, rei dos hérculos (uma tribo germâni-
ca) apodera-se de Roma expulsando do trono o menino impera-
dor Rômulo, pondo fim ao extenso período de domínio do Impé-
rio Romano.

ação
r c i aliz
m e
co
ibi da a
Pro

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Lição 3

A Igreja da Idade Média e a Reforma Prot-


estante
Período que abrangem os fatos da Idade Média até a Reforma 476-1529

Origem do Papado

No período da Idade Média, fato que se tornou mais no-


tável foi o desenvolvimento do poder papal. Já no século V di-
vulgou-se por todos os lugares a heresia de que o bispo de Roma
deveria exercer poder sobre os demais bispos cristãos em todo o
mundo, pois este seria o legítimo sucessor de Pedro. Quando o
império ocidental (476) caiu o bispo de Roma ganhou notorie-
dade como a mais célebre autoridade na cidade e nos limites do
império.
Inocêncio I já havia iniciado as prerrogativas do bispo
“universal” em 402, convencendo a igreja ocidental de que todo e
qualquer assunto de ordem eclesiástica deveria ser remetido à “sé
apostólica” para lá ser resolvido, porém não conseguiu o conven-
cimento universal.
Contudo, o período de crescimento da autoridade papal
z ão se destacou
açque
começou com Gregório I, o Grande (589-604),
l i
ia de fato o domínio
por sua liderança expressiva, passando
m e racexercer
a co a ser chamado de “o cônsul de
sobre a igreja ocidental, chegando
d a
P r o i
Deus”. Consideradoiobprimeiro papa de caráter universal.
O poder temporal dos papas cresceu de tal forma na idade
média, que o poder da igreja neste período comparava-se ao do
antigo Império Romano, passando o próprio papa, a utilizar in-
clusive, títulos exclusivos da antiga autoridade imperial, como o
de “pontiex-maximus” (sumo – pontífice).

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O registro dos fatos,


Proibida porém, deixam claro e evidente, que
a comercialização
a criação do cargo de papa só ocorreu muitos séculos depois da
era apostólica, por pura vaidade humana, sem nenhum respaldo
bíblico, pois jamais foi mencionada no texto sacro a palavra “papa”,
ou qualquer referência a tal posto de “representante de Deus”, pois
esta é uma prerrogativa exclusiva do Espírito Santo. – S. João 14:
16-17, 26; 15: 26; 16: 7-14. Jesus enviou o Espírito Santo, como o
seu representante e fiel testemunha.

Papisa Joana

A Igreja Católica sofre por causa de um desconfortável as-


sunto, que há muito tem sido motivo de questões na cristandade.
Trata-se da papisa Joana, que para uns existiu, e para outros não
passa de uma lenda.

“Registros históricos dão conta de que Joana ocupou o


trono papal durante dois anos, cinco meses e quatro dias, tendo
sido aclamada pelos bispos e pelo povo de Roma, em 855. A ela
se deve a fundação do Vaticano, que engloba toda a área entre o
castelo de Santo Ângelo e a basílica de São Pedro, além de muitas
casas e outras obras... o fato teria ocorrido por volta de 851, quan-
do ela então, com o nome de João, o Anglicano, exercia a função
de cardeal. O verdadeiro nome da papisa era Gilberta, nascida em
Mogúncia... e teria quarenta e nove anos quando chegou à elevada
posição de papa com o nome de João VIII”.
Abraão de Almeida
ação
r c i aliz
As Cruzadas
m e
co
da a

ZADAS, que P
o i
Um grandeibmovimento da Idade Média foram as CRU-
seriniciou por volta do ano 1000 d.C. e perdurou por
trezentos anos. Com o aumento das peregrinações à terra santa
na esperança de que o retorno de Cristo ocorreria naquele ano,

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os peregrinos passaram a ser roubados e até mortos pelos mao-


metanos, promovendo indignação em toda Europa. Dado esse
fato, o papa Urbano II foi inquirido pelo imperador Aleixo (ori-
ente) de enviar guerreiros a fim de ajudá-lo e libertar a terra santa
das mãos dos maometanos, onde nasceu então a primeira cruzada
em 1095 d.C, no Concílio de Clermont.
Houve inúmeras cruzadas realizadas pela Igreja Papal
com o intento de libertar a terra santa do poder dos maometanos,
contudo promoveram apenas guerras, e incitou o ódio de muitos
povos contra os cristãos. As principais foram apenas sete, que diga
se de passagem, não obtiveram êxito em seus intentos:

a) – Urbano II em 1095 d.C.;


b) – Clairveaux, Luiz VII (França) e Conrado III, lideraram
um grande exército em socorro dos lugares santos, para reforçar o
domínio ocidental de Jerusalém, que perdurou até 1187 d.C.;
c) Frederico Barbarroxa, Felipe Augusto, e Ricardo I
(“coração de leão”) de 1188 a 1192 d.C.;
d) – A quarta cruzada realizada entre 1201 a 1204, foi um
verdadeiro fracasso, devido os grandes prejuízos causados a igreja;
e) – O excomungado Frederico II liderou um exército até
a Palestina em 1228 d.C. coroando a si mesmo como rei de Je-
rusalém;
f) – Luiz IX (França) em 1248 a 1254 d.C.;
– Luiz IX (França) e Eduardo (Inglaterra) emo1270 a 1272
çã
g)
d.C.; liza
cia
er
com
a a nos cultos
A Apostasia e Idolatria inseridas
id
P roib
O início do período medieval reporta-nos a decadência na
vida e na comunhão da Igreja. Nesse tempo o papa já exercia total
domínio sobre ela, que passou a ceder às exigências dos cidadãos
romanos como as práticas dos seus antigos rituais: festas, dogmas

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e tradições, tornando o cristianismo


Proibida uma religião quase pagã. A
a comercialização
igreja passou a receber imagens de santos, que eram cultuados em
suas reuniões, em especial da virgem Maria, “denominada” a mãe
de Deus e intercessora. Fazia-se oração pelos mortos, um costume
pagão. A liturgia do culto era uma missa, como faziam os pagãos.
Os sacramentos eram conhecidos como: batismo, matrimônio,
extrema-unção, eucaristia, penitência, confirmação e ordem. O
cumprimento dos sacramentos garantiria a salvação, segundo os
sacerdotes.
Havia-se na Igreja, especificamente entre o sacerdócio,
muitos escândalos. Eles eram acusados por negligenciarem seus
ofícios nas paróquias que dirigiam. Também eram acusados por
roubarem os cofres da Igreja.
A mistificação da Igreja nesse período, infelizmente, é in-
egável. Ela transformou-se numa terrível apostasia. Embora, uma
minoria ainda se mantinha em perfeita comunhão com Cristo.

O início da Reforma Religiosa – Uma luz na escuridão

Entre o século V e IX os genuínos cristãos, conheci-


dos como: Donatistas, Publicanos, Cátaros, Anabatistas, Pateri-
nos, dentre outros, foram cruelmente perseguidos pelos cristãos
católicos. Pouca coisa realmente se sabe da história da Igreja nessa
fase, em virtude dessas circunstâncias em que vivia esses cristãos
genuínos. Esses irmãos possuíam parte de manuscritos sagrados,
que posteriormente foram alvos de aniquilação da Igreja papal,
o
com o intento de inibir a dispersão de suas doutrinas.
z açãX a XIII surgi-
Já nos séculos posteriores, entre oliséculo
ram cinco grandes movimentos que e ia
rcpodemos denominá-los de
c o m
a
movimentos da pré-reforma, a são eles:
r o ibid
P Surgiram no norte da Itália e sul da França por
Os Albingenses.
volta do ano 1170 d.C. Aceitavam apenas o Batismo e a Santa Ceia

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como sacramentos eclesiásticos. A Bíblia era considerada a su-


prema autoridade, criticando o poder e a riqueza da Igreja Papal.
Inocêncio III mobilizou uma “cruzada” contra eles, desferindo
mortalmente quase toda a população da região.

Os Valdenses (1970 d.C.). Assim chamados por terem como ca-


beça um negociante de Lyon, na França, por nome de Pedro Val-
do. Repugnava a missa, as orações pelos mortos e a doutrina do
purgatório. Incentiva a leitura das Escrituras, em especial o Novo
Testamento. Foram cruelmente perseguidos e expulsos da França.
Esse movimento se fortificou e ainda hoje constitui uma parte do
pequeno grupo de cristãos protestantes na Itália.

João Wyclif. Este iniciou um movimento na Inglaterra com o


propósito de libertação do poder romano e da reforma da igreja.
Wyclif nasceu em 1324, foi instruído na Universidade de Oxford,
tornando-se doutor em teologia e chefe dos conselhos que minis-
travam aquela instituição. Não reconhecia a autoridade do papa,
atacava os frades, era contrário a doutrina da transubstanciação,
era contrário também a divisão estrutural do sacerdócio na Igreja.
Para ele o modelo estava no Novo Testamento. Traduziu o Novo
Testamento que foi publicado em 1384, ano em que morreu. A
pregação e a tradução da Bíblia por Wyclif abriram se as portas
para a grande Reforma da Igreja.

a ção
João Huss (1369-1415). Boêmio. Leitor a
c i lizescritos
dos de Wyclif,
m e r
c o
dando continuidade em suas doutrinas, dando ênfase na necessi-

i b i da apapal. Foi reitor da Universidade de


dade da libertação do poder
P o de suas mensagens através de cartas, quan-
Praga. Propagourparte
do esteve afastado da sua cidade Praga, por ocasião de sua ex-
comungação. Foi queimado em 1415 por ser considerado herege,
passado cem anos de morte nasceu Martinho Lutero.

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Proibida
Jerônimo Savonarola a comercialização
(1452-1498). Um dos pregadores mais no-
táveis da história da Igreja. Suas mensagens abalavam as estrutur-
as do inferno. Era considerado como um dos profetas do Antigo
Testamento. Ao ouvir dizer que ele ia pregar, a catedral se enchia
até transbordar de multidões desejosas de ouvi-lo. Às vezes suas
pregações causavam profundo medo e pavor, e por todos que o
ouviam era grandemente respeitado. Foi um proeminente refor-
mador na cidade de Florença (Itália). Foi queimado na praça em
1498.

A Inquisição

A Inquisição chamada de a Santa Inquisição foi a institu-


ição das mais desumanas, anticristãs e abomináveis estabelecida
pela igreja papal em vários países a partir do ano 1231 contra o
protestantismo. Esta foi a reposta da Igreja Romana para certos
movimentos populares contrários a ela e reformadores. Este ten-
ebroso instrumento de perseguição religiosa contra os cristãos
genuínos matou milhares de pessoas em todo o mundo, não só
por questões de fé, mas, também, por pesquisa científica e rac-
ismo (judeus, árabes, e outros).

“Os tribunais do santo ofício fizeram de tudo para ful-
minar os discípulos da Reforma, os judeus e outros religiosos
dissidentes. Os suspeitos de heresias eram levados aos terríveis
tribunais eclesiásticos e, sem qualquer direito de defesa, eram su-
o
pliciados da maneira mais cruel que se possa imaginar”.
l i z açã

m e rcia somente na Espanha,
“Este funesto tribunal (Inquisição),
co e à infâmia 97.000 infelizes”.
a 10.200
i d a
em 18 anos levou à fogueira
P roib

Questionário
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Assinale com “X” a alternativa correta

26) – O poder temporal dos papas cresceu de tal forma na idade


média, que o poder da igreja neste período comparava-se ao do
antigo Império Romano, passando o próprio papa, a utilizar in-
clusive, títulos exclusivos da antiga autoridade imperial, como o
de:

___a. “maximus”.
___b. “pontiex-maximus”.
___c. “pontiex-cardeal”.
___d. “pontífice-universal”.

27) – Um dos pregadores mais notáveis da história da Igreja. Suas


mensagens abalavam as estruturas do inferno. Era considerado
como um dos profetas do Antigo Testamento:

___a. João Huss.


___b. Wyclif.
___c. Pedro Valdo.
___d. Savonarola.

ção
c i a liza
A Reforma Protestante
m er
a co
d a
A Renascença roibi
Uma dasP grandes forças que conduziu a Reforma Protes-
tante, e a ajudou a progredir foi o movimento chamado RENAS-
CENÇA, também conhecido como o despertar da Europa para
um novo interesse pela literatura, artes, ciências, na busca pela
transformação dos métodos medievais para os modernos.

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A Renascença surgiu
Proibida não com o caráter de um movimento
a comercialização
religioso, mas com o caráter da literatura. Seus líderes não eram
sacerdotes nem monges, mas leigos que moravam na Itália, onde
teve início. Os motivos que culminaram no seu surgimento foram:
o colapso do poder imperial, e o enfraquecimento do poder papal.
Nesse período foi descoberta a IMPRENSA, por João
Gutemberg (1455) em Mogúncia, no Reno, que se tornou um
forte aliado da Reforma que ainda estava para chegar. O primeiro
livro que Gutemberg imprimiu foi a Bíblia.
A Renascença preparou o espírito da reforma e da inde-
pendência (nacionalista) em toda Europa. Abriu o caminho para
a tradução e circulação da Bíblia despertando a sua leitura entre o
povo. Com isso a massa se convenceu de que a Igreja Papal estava
em contradição com os ensinos do Novo Testamento. Tudo isso
abriu o caminho para a Reformada Protestante liderada por Mar-
tinho Lutero.

O Reformador Martinho Lutero


São poucos os heróis da fé que durante a história do cris-
tianismo têm sido examinados tanto como Martinho Lutero. Para
muitos católicos e céticos, Lutero é o “bicho-papão que destruiu a
unidade da igreja, a besta selvagem que pisou na vinha do Senhor,
um monge renegado que se dedicou a destruir as bases da vida
monástica”. Para outros, no entanto, ele é o grande reformador
de uma igreja corrompida, o grande herói que fez voltar, uma vez
mais, a pregação do evangelho puro.
Ao estudar a vida de Lutero e também sua obra, uma coisa
o
z açã não porque
fica bem clara: a tão esperada reforma se iproduziu,
l
e rcia a isso, mas porque ele
Lutero ou outra pessoa se havia proposto
m
chegou no momento oportuno
d a a coe porque nesse momento o Refor-
ibi junto dele, estiveram dispostos a cumprir
mador, e muitos ooutros
r
P
sua responsabilidade histórica.
Segundo a tradição, João Huss na hora de seu martírio
disse aos espectadores aos gritos a seguinte frase:

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“Podem matar o ganso (que significa “huss” em sua lín-


gua), mas daqui a cem anos surgirá um cisne que não poderão
queimar”.

Segundo a história, cem anos após a morte de João Huss,
Lutero nasceu, no dia 10 de novembro em 1483, em Eisleben, Ale-
manha, onde seu pai, de origem camponesa, trabalhava nas minas.
Sua infância não foi feliz, porque seus pais foram extremamente
duros com ele e, muitos anos mais tarde, ele mesmo contava com
amargura alguns dos castigos que lhe tinham sido impostos. Suas
primeiras experiências no colégio não foram melhores, pois tam-
bém posteriormente se queixava de como o tinham golpeado por
não saber suas lições. Se bem que não se deva exagerar em tudo
isso, não resta dúvida que essas situações deixaram marcas perma-
nentes no caráter do jovem Martinho.

Sua primeira vocação

Em julho de 1505, pouco antes de completar os 22 anos de


idade, Lutero ingressou no mosteiro agostiniano de Erfurt. Tem-
pos depois, ele mesmo revelou que os rigores do seu lar o lev-
aram ao mosteiro. Por outro lado, seu pai havia decidido que seu
filho se tornasse um advogado e fazia grandes esforços para lhe
o
z
dar uma educação adequada a essa carreira. Lutero
l i açãnão queria ser
ciaainda sem saber, havia
advogado e, portanto, é muito possívelrque,
e
m
coentre seus próprios desejos e os
d a a
interposto a vocação monástica
o bi se mostrou profundamente irado ao re-
projetos de seu pai,ique
dor ingresso de Martinho no mosteiro e demorou
ceber notícias P
muito tempo para perdoá-lo. Mas para Lutero, a vida presente
não parecia ser mais que uma preparação e prova para a vida vin-
doura. Logo seria tolice dedicar-se a ganhar prestígio e riquezas

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Proibida
no presente, mediante a comercialização
a advocacia, e descuidar do futuro. Lutero
entrou no mosteiro como fiel filho da igreja, com o propósito de
utilizar os meios de salvação que a igreja lhe oferecia e dos quais o
mais seguro lhe parecia ser a vida monástica.
Muitas vezes se tem dito entre os protestantes que Lutero
não conhecia a Bíblia e que foi, no momento de sua conversão, ou
pouco antes, que começou a estudá-la, mas isso não é certo. Como
monge que tinha de recitar as horas canônicas de oração, Lutero
sabia o Saltério de memória. E além disso, em 1512 ele obteve seu
doutorado em teologia e, para tanto, teria que ter estudado as Es-
crituras.
O que é certo é que quando se viu obrigado a preparar
conferências sobre a Bíblia, Lutero começou a ver nela uma pos-
sível resposta para suas angústias espirituais. Em meados de 1513,
começou a dar aulas sobre os Salmos. Este foi o princípio de sua
grande descoberta.

Uma grande descoberta

A grande descoberta veio provavelmente em 1515, quando


Lutero começou a dar conferências sobre a epístola de Romanos,
pois ele mesmo disse, depois, que foi no primeiro capítulo dessa
epístola onde encontrou a resposta para as suas dificuldades. Essa
resposta não veio facilmente. Não ocorreu simplesmente que,
num bom dia, Lutero abriu sua Bíblia no primeiro capítulo de
Romanos e descobriu ali que “o justo viverá pela fé”. Segundo ele
mesmo conta, a grande descoberta foi precedida por
z a ç ão uma grande
luta e uma amarga angústia, pois a epístola
r c i ali aos Romanos (1.17)
começa dizendo que: “no evangelho
c o me a justiça de Deus se revela”.
i b i da ade Deus
Segundo este texto, o evangelho é a revelação da justiça de Deus.
P ro
E era precisamente a justiça que Lutero não podia tolerar.
Se o evangelho fosse a mensagem de que Deus não é justo, Lutero
não teria tido problemas. Porém este texto relaciona indissoluvel-
mente a justiça de Deus com o evangelho. Segundo Lutero conta,
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ele odiava a frase “a justiça de Deus” e esteve meditando nela dia


e noite para compreender a relação entre as duas partes do ver-
sículo que começa afirmando que “no evangelho a justiça de Deus
se revela” e conclui dizendo que “o justo viverá pela fé”.
A resposta foi surpreendente. Em consequência, continua
comentando Lutero sobre sua descoberta, “senti que havia nas-
cido de novo e que as portas do paraíso me haviam sido abertas.
As Escrituras todas tiveram um novo sentido. E a partir de então
a frase “a justiça de Deus” não me encheu mais de ódio, mas se
tornou indizivelmente doce em virtude de um grande amor”.

Sua visita a Roma

Quando esteve visitando Roma, sofreu uma terrível de-


cepção com a imoralidade a que a cidade, sede do cristianismo,
estava entregue, principalmente os clérigos. Suas convicções acer-
ca da estrutura da instituição a que pertencia começaram a ruir,
e a doutrina da justificação pela fé, foi se consolidando em seu
coração à medida que mergulhava no estudo do Novo Testamen-
to, principalmente das epístolas pastorais e doutrinárias, ouvindo
através das mesmas a doce voz do Espírito Santo “Todavia, o meu
justo viverá da fé...” Hb. 10.38, Rm. 5.1, Gl. 2.16-21, etc. No fa-
moso concílio de Latrão, realizado em 1516, exortou os líderes e
sacerdotes, buscando conscientizá-los da necessidade de viverem
de acordo com a moral cristã, por eles proclamada
i z a çãoverbalmente,
mas longe de praticá-las, comprometendo l
cia assim a credibilidade
mer
do Evangelho com suas atitudesodevassas.
d a ac
ib i
Peroas 95 teses
As Indulgências

Se não fosse a pregação imoral e profana da Igreja Roma-


na, as indulgências, defendida e propagada e comercializada pelos
mensageiros do papa Leão X, diz-se que a Reforma não teria sur-

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gido tão rápido Proibida a comercialização


na Alemanha, tornando-se um brado de revolta,
que logo se estenderia por muitos países. Lutero perdeu a paciên-
cia com esta pregação que proclamava as “indulgências” como
meio de salvação, afixando na porta da Catedral de Wittemberg,
suas famosas 95 teses, onde expunha os contrastes da Bíblia com a
Igreja Romana.

“O ouro é o tesouro, e aquele que o possui tem tudo de que
se necessita no mundo, como ele tem também o meio de resgatar
as almas do purgatório e de as chamar ao paraíso”
Cristóvão Colombo se referindo às Indulgências

Segundo a Igreja Católica, define-se que doutrina das in-
dulgências significa “remissão das penas temporais merecidas
pelo pecador, em todo ou em parte, fora da confissão”. Observe
abaixo parte de um texto apresentando o perdão ao pecador que
comprasse as indulgências:

“Que o nosso Senhor Jesus Cristo, tenha misericórdia


convosco e vos absolva pelos méritos de sua santíssima paixão.
E eu, pela sua autoridade e a dos seus santos apóstolos Pedro e
Paulo, pela sua autoridade e a do santíssimo Papa, dada a conce-
dida a mim nestas partes, vos absolvo, primeiramente de todas as
censuras eclesiásticas, seja qual for o modo que incorrestes nelas;
depois de todos os vossos pecados, transgressões e excessos, por
enormes que sejam, mesmo dos que são reservados para o con-
hecimento da Santa Sé, e até onde se estendam asãchaves
ç o da santa
z a
i que quando mor-
igreja. Eu vos remito todas as penas... de
e r ialsorte
campla
rerdes logo, esta graça ficará em
c o m
força quando estiverdes ao
pondo de morrer. Emd
b i a a do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
nome
i
Pro
As indulgências foram inventadas no século XI, por São
Tomaz de Aquino, conforme ensina a tradição. Contudo no sécu-

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lo XVI, o Papa Leão X, devido à grande necessidade de obter uma


elevada soma de dinheiro para completar as obras do templo de
S. Pedro em Roma, contratou hábeis pregadores para comercial-
izar o produto que assegurava salvação e total perdão dos peca-
dos. Dentre esses, destacou-se João Tetzel, que em nome do papa
percorreu a Alemanha vendendo as cartas (indulgências), assina-
das pelo pontífice, as quais, dizia, possuíam o poder de conceder
o perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da carta,
mas também aos amigos, em cujos nomes fossem compradas e até
mesmo dos parentes mortos. Tetzel bradava:

“Padres, nobres, mercadores, esposas, rapazes, moças, ouvi


vossos pais e amigos já mortos, gritando-vos ao abismo profundo.
‘ Nós estamos sofrendo um martírio terrível. Uma pequena es-
mola poderia salvar-nos; vós podeis dá-la e, contudo não quereis
fazer! ’ Ouvi esses gritos... Como sois surdos e desleixados! Com
uma significante quantia podeis livrar o vosso pai do purgatório,
e, apesar disso, sois tão ingratos que não comprais a sua liber-
dade! No dia do juízo sereis castigados tanto mais severamente
por terdes desprezado tão grande salvação. Vinde e eu vos darei
cartas munidas de selos, pelas quais todos os vossos pecados vos
serão perdoados, mesmo os que desejais cometer no futuro... As
indulgências salvam não só os vivos, mas também os mortos. E
apenas a moeda tino no fundo do cofre, vossa alma será libertada
do purgatório para o Céu”. ção
iza
al
erci
com
Tetzel garantia que as indulgências
a
que vendiam deixava o
pecador “mais limpo do
b id a
que saíra do batismo”, ou “mais limpo do
r o i
que Adão antesPde cair”, que “a cruz do vendedor de indulgências
tinha tanto poder como a cruz de Cristo”.

“Que magnífica religião a dos papas! Que religião tão cô-

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moda, desde o dia em quea ocomercialização


Proibida ‘seráfico’ doutor Tomaz pôde desco-
brir o tesouro dos méritos dos santos! Podem pecar à vontade;
isto é, roubar, assassinar, adulterar, pois que, tendo dinheiro para
remir essas transgressões das leis divinas e humanas, dinheiro que
chegue para fazer saltar a mola de tal tesouro dos papas, está ga-
rantida a impunidade e regido o salvo-conduto de outros dias de
maiores crimes. As indulgências são a feira franca e permanente
da igreja: ela vende tudo. Vende o infame batismo, ao pecador
o perdão, ao amante direito de se casar, ao defunto a missa de
réquiem; vende orações, rosários, bentinhos, relíquias, amuletos.
O altar é um grande balcão, o papa o grande usuário. Os escribas
eram menos perversos, pois que os papas nem sequer se podem
chamar como Cristo chamou àqueles: sepulcros branqueados.”
Sanctis, L

Desde então Lutero, o Cisne que acreditava na justificação


pela fé, redigiu um discurso que foi lido possivelmente no Con-
cílio de Latrão, Roma, em 1516. Afirmando que:

“A maior e primeira de todas as preocupações – ah, se eu


pudesse inscrever com letra de fogo em vossos corações! É que os
ministros, antes de tudo, tragam ricamente a palavra da verdade.
O globo terrestre está repleto, sim, repleto até em profusão como
toda imundícia possível de doutrina. O povo é submetido a tantas
leis, a tantas opiniões de homens, sim, até mesmo a matérias su-
persticiosas; é inundado por eles – não se pode dizer: ensinando
– de modo que a palavra da verdade praticamente nem sequer
mais sussurra, sim, em muitos lugares, nemza
i ção mais isso. O
sequer
a l
e
que pode aí nascer, se é concebido com
m rcipalavras de homens, e não
com a Palavra de Deus?! Comoa c oa palavra, assim o nascimento, as-
d a
ibi
Pro
sim o povo”

Para Lutero, o estado apóstata da Igreja era fruto das in-


conseqüências papais, ou lideranças da Igreja Católica. Tal a men-

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sagem, tal seria o povo, tal o ensinamento, tal seria o princípio do


povo. A Palavra de homens, segundo ele, produziu um povo deca-
dente e apóstata, ao contrário do que poderia produzir a Palavra
de Deus.

“Portanto permaneça firme esta tese: a igreja não nasce


nem pode resistir segundo sua essência, a não ser que seja através
da Palavra de Deus, pois assim está escrito: ‘Ele nos gerou pela
Palavra da Verdade’, Tg 1.18”.

Lutero, indignado com as indulgências e ensinos papais,


e tendo esgotados todos os meios de frear esse comércio atroz,
afixou suas famosas noventa e cinco teses na porta da igreja do
castelo de Wittemberg. Essas teses, escritas em latim, não tinham
o propósito de criar uma comoção religiosa. Para Lutero, se era
verdade que o papa tinha poderes para tirar uma alma do pur-
gatório, tinha que utilizar esse poder, não por razões tão vulgar
como a necessidade de fundos para construir uma igreja, mas
simplesmente por amor, e assim fazê-lo gratuitamente (tese 82). E
ainda mais, o certo é que o papa deveria dar do seu próprio din-
heiro aos pobres de quem os vendedores de indulgências tiravam,
mesmo que para isso tivesse que vender a Basílica de São Pedro
(tese 51).
Lutero deu a conhecer suas teses na véspera da festa de
o se mar-
açã da reforma
Todos os Santos, e seu impacto foi tal que frequentemente
l i z
rciaum grande número de
ca essa data, 31 de outubro de 1517, como o começo
m e
co por toda a Alemanha, tanto no
protestante. Os impressores produziram
a
id a
cópias das teses e as distribuíram
roibem tradução alemã. O próprio Lutero havia
original latino,Pcomo
mandado uma cópia a Alberto de Brandeburgo, acompanhada
com uma carta muito respeitosa. Alberto enviou as teses e a carta
para Roma, pedindo a Leão X que interviesse. O imperador Maxi-
miliano se encolerizou diante das atitudes e dos ensinos daquele

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Proibida
“monge impertinente”, a comercialização
e também pediu a Leão X que interviesse.

Lutero é perseguido pelo papa

A resposta do papa foi pôr a questão debaixo da juris-


dição dos agostinhos, cuja próxima reunião capitular, teria lugar
em Heidelberg, e Lutero foi convocado. Para lá foi nosso monge,
temendo por sua vida, pois se dizia que seria condenado e quei-
mado. Porém para grande surpresa sua, muitos dos monges se
mostraram favoráveis a sua doutrina. Alguns dos mais jovens
acolheram entusiasticamente. Em consequência, Lutero regressou
a Wittemberg fortalecido pelo apoio de sua ordem e feliz por ha-
ver ganhado vários conversos para sua causa.
O papa então tomou outro caminho. Em breve enviaria
Cajetano, para se entrevistar com Lutero e o obrigar a retratar-se.
Se o monge se negasse, deveria ser levado prisioneiro a Roma.
O leitor Frederico, o Sábio da Saxônia, obteve do impera-
dor Maximiliano um salvo-conduto para o frade, a quem se dis-
pôs a ajudar em Augsburgo, mesmo sabendo que pouco mais de
cem anos atrás e, em circunstâncias muito parecidas, João Huss
tinha sido queimado em violação a um salvo-conduto imperial.
A entrevista com Cajetano não produziu o resultado de-
sejado. O cardeal se negava a discutir com o monge e exigia sua
renúncia. O frade, por sua vez, não estava disposto a retratar-se,
se não fosse convencido de que estava errado. Quando por fim se
inteirou de que Cajetano tinha autoridade para arrastá-lo, ainda
que em violação do salvo-conduto imperial, abandonou
z a ç ão a cidade
às escondidas no meio da noite, regressou
r c i ali
a Wittemberg e apelou
a um concílio geral.
c o me
Durante todo este a
da período, Frederico, não protegia Lutero
i b i
P ro
porque estava convencido de suas doutrinas, mas sim porque lhe
pareceu que a justiça exigia um julgamento correto. A principal
preocupação de Frederico era ser um governante justo e sábio.

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Com esse propósito fundou a Universidade de Wittemberg, onde


muitos dos professores lhe diziam que Lutero tinha razão, e que
se enganavam aqueles que o acusavam de heresia. Pelo menos, en-
quanto Lutero não fosse condenado oficialmente, Frederico estava
disposto a evitar que se cometesse com ele uma injustiça semel-
hante a que havia acontecido no caso de João Huss.

Lutero sofre ameaças

Na bula Exsurge domine, Leão X declarou que um javali


selvagem havia penetrado na vinha do Senhor e ordenava que os
livros de Martinho Lutero fossem queimados, e dava ao monge
rebelde sessenta dias para submeter-se à autoridade romana, sob
pena de excomunhão e anátema.
A bula demorou muito tempo para chegar às mãos de Lu-
tero, pois as circunstâncias políticas eram sobremodo complexas.
Em vários lugares, ao receber cópias da bula, as obras do Reforma-
dor foram queimadas. Porém em outros, alguns estudantes e out-
ros partidários de Lutero, preferiram queimar algumas das obras
que se opunham ao movimento reformador. Quando enfim a bula
chegou às mãos de Lutero, este a queimou, junto com outros livros
que continham as doutrinas papistas. O rompimento era defini-
tivo e não havia modo de se voltar atrás.

ção
liza
Lutero em Worms rompe com o Império
c i a
m
Quando Lutero chegoucaoWorms,
er

a a foi levado diante do Im-
perador e vários dos id
ibprincipais personagens do Império. Quem
Pro de interrogá-lo lhe apresentou um montão de
estava encarregado
livros e lhe perguntou se os havia escrito. Depois de examiná-los,
Lutero confirmou que os havia escrito todos e vários outros que
não estavam ali. Então seu interlocutor lhe perguntou se continu-
ava sustentando tudo o que havia dito neles ou se estava disposto

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a retratar-se de algo. Este era um momento difícil para Lutero, não
tanto porque temia o poder Imperial, mas porque temia sobrema-
neira a Deus. Atrever-se a se opor a toda a igreja e ao Imperador,
que tinha sido ordenado por Deus, era um passo temerário. Uma
vez mais o monge temeu diante da majestade divina e pediu um
dia para considerar sua resposta.
No dia seguinte, correu a notícia de que Lutero com-
pareceria diante da dieta e a assistência foi grande. A presença do
Imperador em Worms, rodeado de soldados espanhóis que abusa-
vam do povo, havia exacerbado ainda mais o sentimento nacional.
Uma vez mais, em meio ao maior silêncio, se perguntou a Lutero
se retratava. O monge respondeu dizendo que o que havia escrito
não era mais que a doutrina cristã que tanto ele como seus inimi-
gos sustentavam, e, portanto ninguém deveria pedir-lhe que se
retratasse daquilo.
Seu interlocutor insistiu: “Retratas-te, ou não?” E Lutero
lhe respondeu, em alemão, desdenhando, portanto, o latim dos
teólogos: “Não posso nem quero retratar-me de coisa alguma, pois
ir contra a consciência não é justo nem seguro. Deus me ajude.
Amém”.
Ao queimar a bula papal, Lutero havia rompido definiti-
vamente com Roma. E agora em Worms, rompia com o Império.
Não lhe faltavam razões suficientes para clamar: “Deus me ajude”.
Seu objetivo inicial não era o rompimento com a Igreja
Romana, mas antes reformá-la espiritual e moralmente, todavia
Deus tinha planos mais excelentes e a reação do papa foi de to-
o
tal indignação à atitude ousada de Lutero, que
l i z açãdeterminou sua
disciplina imediata com a convocação
m e rcia
de um tribunal religioso
na cidade de Worms na Alemanha,
a co com o intuito de condená-
lo ao mesmo destino
r o i biddea seus antecessores. Lutero, contrariando
seus amigos, P que temiam por sua vida afirmou: “Com a ajuda do
Senhor Jesus Cristo, estou resolvido a nunca fugir do campo, nem
abandonar a Palavra de Deus”. Chegando a Frankfurt os boatos

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de que o imperador o abandonaria à própria sorte, como, fez o


imperador Sigismundo com João Huss, Lutero reafirma sua con-
fiança no poder de Deus e afirma: “Ouvi dizer que Carlos V, pub-
licou um edito com o fim de me aterrorizar. Mas Cristo vive; e
havemos de entrar em Worms ainda que as portas do inferno, ou
todos os poderes das trevas se oponham”, nessa ocasião compôs o
mais antigo hino evangélico, ainda hoje conhecido: “Castelo Forte
é o Nosso Deus”.
Lutero, debaixo de forte pressão psicológica, tendo o
próprio imperador Carlos V, comparecido ao seu julgamento em
Worms, silenciou seus opositores e causou forte comoção popular,
devido à sua intrepidez e força de seus argumentos bíblicos, con-
cluindo sua defesa da seguinte forma:

“Visto que vossa majestade e vós poderosos senhores me


exigem uma resposta clara, simples e precisa, dar-vo-la-ei, assim:
Não posso submeter a minha fé, nem ao papa, nem aos concílios,
porque é claro como o dia, que eles muitas vezes têm caído em
erro, até nas mais palpáveis contradições, com eles próprios. Se,
portanto, não me convencerdes pelo testemunho das escrituras, se
não me persuadirdes pelos próprios textos que tenho citado, liber-
tando assim a minha consciência por meio da Palavra de Deus, eu
não posso, nem quero retratar-me, porque não é seguro para um
cristão falar contra a sua consciência”. oã
i a l izaç

m erc em plena praça pública.
Em seguida, ele foi excomungado
o
c
a nobres
i d a
Mas apoiado por seus alunos, e o povo em geral, queimou
roib
a bula de sua excomunhão e declarou publicamente a ilegitimi-
dade do papa Ppara tal atitude, iniciando assim o glorioso movi-
mento da Reforma, que recebeu o nome de “Reforma Protestante”,
e que mudou de uma vez por todas a história da humanidade.
Seus seguidores passaram a ser chamados de “luteranos” e a ig-
reja luterana foi assim a primeira igreja evangélica após a reforma

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protestante. Proibida a comercialização


Em 18 de fevereiro de 1546 faleceu Lutero em Eisleben,
local onde nasceu. Morreu com a certeza de que a Reforma na
Alemanha já estaria vitoriosamente estabelecida.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

___ 28) – Uma das grandes forças que conduziu a Reforma Prot-
estante, e a ajudou a progredir foi o movimento chamado RENAS-
CENÇA.

___ 29) – Nesse período foi descoberta a IMPRENSA, por João


Gutemberg (1455) em Mogúncia, no Reno, que se tornou um
forte aliado da Reforma que ainda estava para chegar. O primeiro
livro que Gutemberg imprimiu foi a Bíblia.

___ 30) – Segundo a história, dez anos após a morte de João Huss,
Lutero nasceu, no dia 10 de novembro em 1393, em Eisleben, Áus-
tria, onde seu pai, de origem camponesa, trabalhava nas minas.

___ 31) – As indulgências foram inventadas no século XXI, pelo


papa João Paulo II, conforme ensina a tradição.

o
l i z açã da festa
___ 32) – Lutero deu a conhecer suas teses na véspera de

e cia
Todos os Santos, e seu impacto foi tal que
rcomo frequentemente se mar-
co
ca essa data, 31 de outubro de m
1517, o começo da reforma
a
protestante. ida
ib
Pro

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Lição 4

A expansão da Reforma e a Con-


tra-Reforma

Dado o mesmo período que Martinho Lutera labutava


com ardor na defesa da justificação do homem pela fé, pregada
em suas teses, outros grandes homens proclamavam a mesma
verdade em suas nações. Dentre os quais se destacaram Zwínglio,
Calvino e Tyndale.

Zwínglio e a Reforma na Suíça

Zwínglio, o reformador suíço, nasceu em janeiro de 1484,


quase dois meses depois que Lutero, em uma pequena aldeia
suíça. Foi educado nas Universidades de Viena e Basiléia. Quando
recebeu seu título de Mestre em Artes, em 1506, deixou os estudos
formais para ser sacerdote na aldeia de Glarus.
Assumiu sua primeira paróquia em Glarus, de onde deu
continuidade em seus estudos. No ano de 1516 tomou empresta-
do o Novo Testamento, copiando as cartas paulinas o para fazer es-
a ç ã
iz
cialda cidade de Zurique
tudos mais acurados.
e r
om sobre as verdades bíblicas.
Quando por fim chegou a ser cura
em 1518, Zwínglio começouaacpregar
a
Em 1522 publicou r o ibid
um livro onde mencionou o seu rompimento
com o papado.P
Assim o prestígio de Zwínglio em Zurique foi grande. Quando
alguém chegou vendendo indulgências, ele conseguiu que o gov-
erno o expulsasse.

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Lutero estava motivando


Proibida uma imponente revolução na
a comercialização
Alemanha, justamente naquela mesma época, confrontando o
então, Imperador em Worms. E assim os inimigos de Zwínglio
começaram a dizer que suas doutrinas eram as mesmas do alemão.
Mais a frente, o próprio Zwínglio diria que, antes de ter conhecido
as doutrinas de Lutero, havia chegado a conclusões semelhantes
com base em seus estudos bíblicos. Assim, percebe-se aqui não
um resultado direto da obra de Lutero, mas sim de uma reforma
paralela à da Alemanha, que logo começou a estabelecer contatos
com ela, cuja origem, porém era independente.

A primeira divisão entre evangélicos

O termo Protestante surgiu depois do histórico protesto


de Espira (1529). Quando então, se percebeu a necessidade de que
logo teriam os protestantes de defender a sua fé. Dado a essa ne-
cessidade, Zwínglio e Lutero se reuniram em uma conferência, no
mesmo ano, como o propósito de se unirem e formarem uma liga.
Embora mantivessem uma mesma linha de pregação e de doutri-
na, descobriu-se, contudo uma divergência entre eles. O desfecho
da reunião ao invés de uni-los mais, acabou por ocasionar uma
ruptura entre ambos.
A divergência concentrou-se em apenas uma das quinze
questões elaboradas para a conferência. Chocaram-se na questão
doutrinária da Santa Ceia. Lutero dizia: “o verdadeiro corpo e o
verdadeiro sangue de Cristo eram recebidos pelos comungantes
o
ao lado do pão e do vinho”. Entretanto, Zwínglio dizia que o “sac-
ramento era um memorial da morte do Senhor l i z açãe que a Sua pre-
sença é unicamente espiritual.
m e rcia
Em 1531, depois a o
decprestar

b i d a um excelente trabalho na

P r oi
reforma protestante em seu país, Zwínglio morreu após ser ferido
mortalmente numa batalha entre os cantões católico-romanos e
protestantes.

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Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

___ 33) – Zwínglio, o reformador suíço, nasceu em janeiro de


1484, quase dois meses depois que Lutero, em uma pequena al-
deia suíça.

___ 34) – O termo Protestante surgiu depois do histórico protesto


de Espira (1529). Quando então, se percebeu a necessidade de que
logo teriam os protestantes de defender a sua fé.


João Calvino e a Reforma em Genebra

João Calvino que pertenceu a segunda geração da Refor-


ma é considerado por muitos como o maior teólogo da igreja, de-
pois de Agostinho (bispo de Hipona). Nasceu na pequena cidade
de Noyon, na França, em 10 de julho de 1509, quando Lutero, aos
26 anos de idade, já havia ditado suas primeiras conferências na
universidade de Wittemberg. Seu pai pertencia à classe média da
cidade e trabalhava, principalmente, como secretário do bispo e
procurador da biblioteca da catedral. Com esses recursos, o jovem
o
Calvino foi estudar em Paris.
l i z açã

e r ia nos seus dias levou-
A discussão teológica que tinha clugar
m
co Huss e Lutero. Porém, segun-
o a conhecer as doutrinas de Wyclif,
a a
o i b id
do ele mesmo disse: “estava obstinadamente atado às superstições
do papado”. Em r
P1529, completou seus estudos em Paris, ao obter
o grau de Mestre em Artes, e decidiu dedicar-se à jurisprudência.

A Conversão de Calvino

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Proibida a comercialização
É desconhecida a razão que levou Calvino a abandonar
a fé católica. Todavia, o mais provável parece ser que, no meio
do círculo de humanistas que frequentava e através de seus estu-
dos das Escrituras e da antiguidade cristã, Calvino chegou à con-
vicção de que teria de abandonar a comunhão romana e seguir o
caminho dos protestantes.
Em 1533, dois anos após a morte de seu pai, Calvino se
converteu ao protestantismo. Um ano depois, fugiu com um
grupo de convertidos para Basiléia, por causa de uma terrível
perseguição.

As Institutas da Religião Cristã

Surgia, então mais um notável reformador: Calvino. Ele


dedicou-se ao estudo das obras literárias. Seu propósito, a princí-
pio, não era de modo algum chegar a ser um dos líderes da Refor-
ma, mas sim encontrar um lugar tranquilo onde pudesse estudar
as Escrituras e escrever sobre a nova fé. Pouco antes de chegar
a Basiléia, havia escrito um breve tratado sobre o estado inter-
mediário dos mortos. Segundo ele encarava sua própria vocação,
sua tarefa consistiria em escrever outros tratados como esse, que
serviriam para aclarar a fé da igreja numa época de tanta con-
fusão.
A mais famosa obra que Calvino escreveu foi o manual
ao qual deu o título de Institutas da Religião Cristã, publicado no
ano de 1535. ção
cia liza
O Reformador de Genebra
co mer
aa
ibid
Protrês anos em Basiléia, Calvino rumou para Gen-
Passados
ebra (1536), onde a situação nessa cidade era confusa. O clero, em

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geral de escassa instrução e menor convicção, simplesmente havia


seguido ordens do governo de Genebra quando este decidiu abo-
lir a missa e optar pelo protestantismo. Isto tinha ocorrido poucos
meses antes da chegada de Calvino a Genebra e, portanto, os mis-
sionários procedentes de Berna, cujo chefe era Guilherme Farel,
se encontravam à frente da vida religiosa de toda uma cidade e
carentes de pessoal necessário.
Calvino chegou a Genebra com a intenção de não passar
ali mais que um dia e prosseguir seu caminho para Estrasburgo.
Porém alguém avisou a Farei que o autor das Institutas se encon-
trava na cidade, e assim se produziu uma entrevista inesquecível,
que o próprio Calvino nos conta.
Guilherme Farel, que “ardia com um maravilhoso zelo
pelo avanço do evangelho”, apresentou a Calvino várias razões pe-
las quais precisava de sua presença em Genebra. Calvino escutou
atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que ele,
porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projeta-
do certos estudos e que não lhe seria possível terminá-los na situ-
ação em que Farei descrevia. Quando por fim, Farel tinha esgo-
tado todos seus argumentos, sem conseguir convencer ao jovem
teólogo, apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo
com voz estridente: “Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquili-
dade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão
grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda”.
ão “essas pala-
izaç da viagem que
Diante de tal imprecação, nos conta Calvino:
vras me espantaram e me quebrantaramia e ldesisti
o
tinha empreendido”. E assim começou m erac carreira de João Calvino
d a ac
i
como reformador de Genebra.
oib viu cumprir-se um dos seus sonhos, ao
PrCalvino
Em 1559,
ser fundada a Academia de Genebra, sob a direção de Teodoro de
Beza, que depois sucedeu Calvino como chefe religioso da cidade.
Naquela academia, se formou a juventude genebrina segundo os
princípios calvinistas. Mas seu principal impacto se deve a que

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nela cursaram estudos


Proibidasuperiores pessoas procedentes de vários
a comercialização
outros países, que depois levaram o calvinismo a eles.
Os resultados das obras de Calvino em Genebra foram: a
vida moral da cidade se tornou um exemplo do que o poder da
fé reformada poderia fazer; a cidade de Genebra se tornou um
refúgio para os protestantes reformadores que eram perseguidos
em seus países, vindo principalmente da Holanda, Alemanha, Es-
cócia e Inglaterra; na sua academia e no ambiente da cidade foram
instruídos ministros piedosos e corajosos, dentre eles o reforma-
dor escocês João Knox, que se espalharam como missionários da
reforma por países que ainda não havia entrado.
Guilherme Farel, que havia se dedicado a prosseguir a
obra reformadora em Neuchâtel, foi ver seu amigo pela última
vez. Calvino morreu em Genebra, Suíça, a 27 de maio de 1564.
Os seguidores de Calvino se dividiram em duas correntes
principais:

A Calvinista: corrente que exalta à onipotência divina a escolha e


seleção antecipada dos que hão de ser salvos.

A Arminiana: corrente que destaca à onisciência divina o con-


hecimento antecipado, dos que hão de ser salvos, por sua própria
iniciativa, não influenciando, todavia em sua decisão.

Os huguenotes

A reforma logo se expandiu na França, apesar de muitas


o
i z
perseguições. O movimento cresceu e se fortaleceu
l açã na luta, não só
e
para expandir o verdadeiro Evangelho, ia também para alcançar
rcmas
a liberdade religiosa. Dadoao c o m
contínuo crescimento do protestant-
d a
ibi não se achou satisfeita, e incitou Carlos IX
Pro apelidados de “huguenotes”.
ismo, a igreja católica,
atacar esses cristãos,
A origem desse apelido, como se sabe, deu-se porque os
cristãos protestantes costumavam reunir-se à noite em frente ao

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portão do Rei Hugo. “O povo daquele lugar acreditava que o es-


pírito do rei perambulava pela noite. Certa vez, um monge disse
em seu sermão que os protestantes deveriam ser chamados de hu-
guenotes ‘parentes do rei Hugo’, porque andavam à noite e por isso
se pareciam com ele”.
O nome ‘huguenotes’ passou a ser conhecido depois do
morticínio de Amboise. Havia constantes guerras entre os cristãos
reformados e os católicos. De um lado os católicos queriam ex-
tinguir os huguenotes (cristãos), e do outro lado, os huguenotes,
liderados por Coligny e o príncipe Condé lutavam pela liberdade
religiosa. A batalha que ocorreu em 1562 foi uma reação contra a
tirania da rainha Catarina de Médice.

A noite de S. Bartolomeu

A igreja católica ameaçava por um fim esmagador na co-


munidade protestante em toda a França, com isso tornou-se mui-
to delicado o estado dos cristãos huguenotes.
Pio V, Catarina de Médice e Felipe II rei da Espanha, es-
timulavam Carlos IX para que destruísse todos os cristãos da
França. Felipe II afirmou invadir a França caso os “hereges” não
fossem destruídos.
Um terrível mal estava por vir contra os cristãos, na noite
de São Bartolomeu, dia 24 de agosto de 1582.
Muitos cristãos franceses se reuniram aem o durante
çãParis
l i z
alguns dias para comemorar o casamento
m e rcia de Margarida de Va-
a co
lois, irmã de Carlos IX, com Henrique de Bearn, filho de Joana
bid a
r o i
D’Albert, rainha de Navarra, uma das principais líderes do prot-
P época, que se opusera a essa aliança, talvez
estantismo naquela
‘pressentindo’ a tragédia. Ela havia se dirigido para Paris alguns
dias antes no mês de maio de 1572, com intento de tentar impedir
o casamento de seu filho. Chegando lá, logo (4 de julho) ficou
doente, e no dia 9 morreu misteriosamente. O que se soube depois

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Proibida apela
foi que ela foi envenenada comercialização
infame rainha Catarina de Médice.
Henrique e Margarida se casaram no dia 18 de agosto de
1572, por causa da morte de Joana D’Albert. Os cristãos acredita-
vam que o casamento entre eles garantia uma paz duradoura entre
as duas religiões. A festa perdurou por alguns dias com muitos
jogos. Enquanto isso, em surdina, os malvados assassinos se pre-
paravam para surpreenderem os cristãos durante a noite.

“Os algozes deveriam ter uma cruz no chapéu e um laço


da mesma cor no braço; as casas das vítimas foram marcadas com
uma cruz branca”.

Naquela como narra os anais da história, que milhares


de cristãos huguenotes foram cruelmente assassinados indefesa-
mente. O sino da igreja de Saint Germain-l’Alxerrois dá o sinal
para o início da matança naquela noite. As ruas se enchem de cor-
pos, uma terrível carnificina. Matam cruelmente os líderes do hu-
guenotes, dentre eles, Coligny que foi morto e seu cadáver atirado
ao pátio do palácio de Gaspar sob os pés de Guise, que num gesto
covarde retira a cabeça do cadáver, que depois é enviada a Roma,
para regozijo do papa Gregório XIII. Acredita-se que o número
de cristãos atrocidados tenha chego a 70.000, conforme afirma
Sully, o primeiro ministro de Henrique IV. Embora, De Tour disse
que foi 30.000, e o bispo Peréfixe 100.000, Sully parece estar mais
próximo do número real.
Apesar desse terrível massacre os cristãos se reabilitaram
o
e lutaram pela sua liberdade na França, logrando
l i z açã êxito em 1598
com o Edito de Nantes. cia
er
m
a co
idana Escócia
ib
João Knox e a Reforma
Pro
A Reforma na Escócia teve um progresso considerado
lento, pois a igreja estava ligada ao Estado. Em 1559, quando foi

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assassinado o cardeal Beaton, João Knox, que se achava exilado


em Genebra, regressou para assumir a direção da Reforma na Es-
cócia. Nesse período, os discípulos de Calvino, em Genebra for-
maram uma nova congregação cristã, e foram denominados de
presbiterianos.
O que se sabe sobre Knox, é que ele nasceu em 1505, foi
educado na Universidade de Santo André, foi professor, em 1547
abraçou a causa da Reforma Protestante, foi preso por com outros
reformadores, em Genebra conheceu João Calvino e adotou suas
idéias, conseguiu que a ordem e a fé presbiterianas alcançassem
importância suprema na Escócia, e possuía uma profunda paixão
pelas almas.

“Senhor, dá-me a Escócia, senão eu morro”.


Oração feita repetidamente por João Knox

Knox morreu em 1572, quando seu corpo descia à sep-


ultura, Morton (regente da Escócia) disse apontando para seu
caixão:

“Aqui jaz um homem que jamais conheceu o medo”.



A Reforma na Inglaterra

ã
O movimento da Reforma na Inglaterra iniciou-se
ç o no re-
iz a
cial Tomás More, volta-
inado de Henrique VIII, com um grupo de estudiosos das Escrit-
e r
com
uras Sagradas, dentre os quais alguns como
ram a fé católica, enquanto
da a
outros avançaram para a fé reformada.
i b i

Pro um homem de Deus, foi quem dirigiu a
João Tyndale,
Reforma naquele país. Este viajou para Alemanha em 1524 a fim
de traduzir o Novo Testamento para o inglês. Logo em 1526, cerca
de seis mil cópias do Novo Testamento foram distribuídas secre-
tamente na Inglaterra. A sua tradução em inglês foi a primeira de-

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pois da invençãoProibida a comercialização


da imprensa. Antes de sua morte conseguiu tra-
duzir ainda parte do Antigo Testamento (até Crônicas). Tyndale
foi degolado e em seguida foi queimado no fogo publicamente no
dia 6 de outubro de 1536.
Tomás Cranmer, também foi um dos dirigentes da Refor-
ma naquele país. Ele foi arcebispo de Cantuária. Após sua con-
versão ao protestantismo, pagou com sua própria vida por tal ou-
sadia.
A Reforma da Inglaterra foi beneficiada por Henrique
VIII que havia se separado de Roma por que o papa não autorizou
seu divórcio da rainha Catarina. Com isso ele fundou uma igreja,
da qual era o próprio chefe. Aos que não aderiram à sua igreja,
tanto protestantes quanto católicos, designou-lhes à morte.
Sob o reinado de Eduardo VI que era muito jovem, a causa
da Reforma se expandiu muito. Liderada por Cranmer e outros, a
igreja da Inglaterra foi fundada e o Livro de Oração foi compilado,
com sua rica linguagem. Após Eduardo VI, subiu ao trono a rain-
ha Maria, uma católica que iniciou um movimento para recon-
duzir seus súditos à igreja antiga. Depois dela, veio Elizabete, uma
mulher capaz, que abriu as portas novamente para o cristianismo.
Durante seu longo governo, a igreja da Inglaterra firmou-se outra
vez e tomou a forma que dura até hoje.

Questionário

Assinale com “X” a alternativa correta o


l i z açã
a
rciescreveu
m
35) – A mais famosa obra que Calvino
o e foi o manual ao
c
b i d aa
qual deu o título de Institutas da Religião Cristã, publicado no:
roi
___a. ano de P1535.
___b. ano de 1553.
___c. ano de 1355.
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___d. ano de 1555.

36) – A igreja católica ameaçava por um fim esmagador na comu-


nidade protestante em toda a França, com isso tornou-se muito
delicado o estado dos cristãos:

___a. presbiterianos.
___b. luteranos.
___c. calvinistas.
___d. huguenotes.

37) – Zwínglio, o reformador suíço, nasceu em janeiro de 1484,


quase dois meses depois que Lutero, em uma pequena aldeia:

___a. escocesa.
___b. francesa.
___c. suíça.
___d. inglesa.

A Contra-Reforma

Ameaçada em seu próprio território pela Reforma Prot-


estante, a igreja católica, iniciou também um grande esforço para
recuperar-se em toda Europa. Um grupo deza
i ção
aproximadamente
l
a da fé, conhecida
sessenta pessoas criou uma união para
m e rcidefesa
de Oratório do Amor Divino. c Aofinalidade dessa instituição foi o
a a
id para fazer frente às ameaças protes-
de moralizar a igrejaibcatólica
Proinstalações dos terríveis tribunais da inquisição.
tantes, através das
Esse movimento contrário as doutrinas luteranas e calvinistas foi
denominado “Contra-Reforma”.

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Os Jesuítas Proibida a comercialização

A Contra-Reforma se espalhou por toda parte, em forma


de entidades, que defendiam cegamente as tradições e os dogmas
romanistas. Dentre essas entidades, destacou-se a Ordem dos
Jesuítas organizada entre o período de 1528 à 1534 pelo espanhol
Inácio de Loyola. Este nasceu em 1491 ou 1495 em Azpeitia, no
castelo de Loyola, numa região basca, ao norte da Espanha. Era de
família nobre, caçula de 11 irmãos, ficou órfão de mãe aos 8 anos
de idade e de pai aos 14 anos. Até a idade de vinte seis anos, Loyola
foi soldado valente, embora dissoluto. Até que numa batalha tra-
vada no ano de 1521, foi gravemente ferido, deixando-o aleijado
para o resto da vida. Dedicou sua vida a serviço da igreja, e no dia
31 de julho de 1556 veio a falecer sendo posteriormente canoni-
zado. A Sociedade de Jesus ficou conhecida como os Jesuítas, uma
das instituições mais notáveis dos tempos modernos a serviço
da igreja católica. Era uma ordem monástica caracterizada pela
combinação da mais severa disciplina. Sua meta primordial era
combater o movimento protestante, tanto com métodos conheci-
dos como com formas secretas. Com o fortalecimento da Ordem
dos Jesuítas, esta passou a enfrentar uma forte oposição, inclusive
pelos países católicos. E por decreto do papa Clemente XIV, foi
proibida de funcionar dentro da igreja. Ainda assim, ela subsistiu
secretamente por algum tempo, até que, mais tarde foi reconhe-
cida pelo papa em 1814. Hoje é uma das forças mais ativas para
divulgar e fortalecer a igreja católica em todo o mundo.

ação
O Concílio de Trento
r c i aliz
om e

d a a c quanto a fazer a Reforma dentro
Houve uma tentativa,
bi do Concílio de Trento, convocado pelo
roiatravés
P
da própria igreja,
papa Paulo III, onde se reuniram durante o período de 1545 a
1563. Seu intento era “investigar os motivos e acabar com os abu-
sos que deram causa à Reforma”. O Concílio era composto de bis-
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pos e prelados, e cujas últimas sessões foram lideradas pelo gen-


eral Lainez. Havia um consenso entre muitos de que os católicos e
protestantes se unissem novamente, isso, contudo não aconteceu.
Fizeram várias reformas dentro da igreja e as doutrinas foram pre-
gadas. Depois do Concílio de Trento, acredita-se que os papas se
conduziram com mais acerto do que os que haviam governado
antes.

Intensas Perseguições

A perseguição contra a expansão da Reforma Protestante


foi uma arma poderosa da qual a igreja católica fez uso para ten-
tar reprimí-la. Em toda a Europa, os governos procuravam fazer
cessar o protestantismo através da espada. Na Espanha estabele-
ceu-se a Inquisição, por meio da qual praticaram inimagináveis
crueldades contra milhares de vidas. Nos Países-Baixos o governo
determinou matar todos os que fossem suspeitos de “heresias”.

Esforços Missionários

Os trabalhos missionários realizados pela igreja católica


foram também uma das forças da Contra-Reforma. Seu alcance
atingiu a América do Sul, México, parte do Canadá, e na Índia.
Esses trabalhos já haviam sido iniciados antes mesmo das mis-
i z ção membros
sões protestantes, e nesse período já gozava deamuitos
l
aumentando o poder da igreja.
mrcia
e
a co
A Guerra dos Trinta b ida
i
Anos
Pro
Em 1618, como consequência dos interesses e objetivos
dos Estados contrários à Reforma, culminou-se uma guerra em
toda a Europa, denominada de a “Guerra dos Trinta Anos”. Os
motivos dessa guerra abrangiam dois aspectos: rivalidades religi-

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Proibida
osas, e rivalidades a comercialização
políticas. Por vezes, estados que professavam a
mesma fé, optavam por partidos distintos. Esta guerra subsistiu
por quase uma geração, causando prejuízos pertinentes à Ale-
manha. Até que no ano de 1648, veio ao fim com a demarcação
dos limites católicos e protestantes, por meio do tratado de paz de
Westfália, que perdura até o dia de hoje. Aqui finda-se o período
da Reforma.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

___38) – A Contra-Reforma se espalhou por toda parte, em forma


de entidades, que defendiam cegamente as tradições e os dogmas
romanistas.

___39) – Houve uma tentativa, quanto a fazer a Reforma dentro


da própria igreja, através do Concílio de Tróia, convocado pelo
papa Paulo V, onde se reuniram durante o período de 1555 a 1573.

___40) – Em 1618, como consequência dos interesses e objetivos


dos Estados contrários à Reforma, culminou-se uma guerra em
toda a Europa, denominada de a “Guerra dos Trinta Anos”.

ação
r c i aliz
m e
co
ibi da a
Pro

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Lição 5

Dos heróis do século (XVII)


à atualidade

Os Puritanos

Surgiram após a reforma três grupos distintos na igreja da


Inglaterra:

a) os Romanistas: procuravam fazer uma nova amizade com


Roma,
b) os Anglicanos: que estavam satisfeitos com as reformas,
c) os Puritanos: denominados assim em 1654, por serem cristãos
reformados radicais. Resistia de maneira firme o sistema angli-
cano, e desejava uma igreja semelhante as de Genebra e Escócia.
Os puritanos foram grandes defensores dos direitos popu-
lares. Entre eles havia dois grupos: os que eram favoráveis ao pres-
biterianismo, e os chamados congregacionais. Três igrejas surgi-
ram desse movimento: Presbiteriana, Congregacional, e Batista.
No início o grupo Presbiteriano predominava. Segundo a ordem
do Parlamento, um concílio de ministros reunido em
ç ã o Westmin-
liz a
c i a
ster, em 1643, preparou a “Confissão de Westminster”, considerada
por muito tempo como regra de fé por
c o merpresbiterianos e congrega-
cionais. No período de 1660
d a aa 1688, em que Carlos II governava,
i
roib novamente o poder, que passaram a
os anglicanos assumiram
P
perseguir os puritanos. Dentre os perseguidos que foram expulsos
de suas igrejas estava o célebre João Bunyan, que escreveu a maior
obra literário-cristã depois da Bíblia, “O Peregrino”, quando esteve
na prisão durante 12 anos.

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Proibida a comercialização
Os Congregacionais

Os abusos de autoridade por parte dos pastores luteranos


e presbiterianos foram assemelhados por alguns, iguais aos abusos
papais, que muitas, por interesses egoístas, persuadiam o presbité-
rio a tomarem decisões contra a vontade da maioria. Isso fez com
que o sistema episcopal de governo (onde a congregação simples-
mente obedecia às determinações de seus superiores, não partici-
pando das decisões, e a igreja local não tinha nenhuma autonomia
de decisão, mas submetia-se às determinações de um sínodo ger-
al), fosse questionado, surgindo então o movimento protestante
“congregacional”. Esse movimento decidiria então, pelo voto da
maioria, subordinando assim a autoridade do pastoral aos seus in-
teresses. O efeito negativo desse movimento, logo ficou evidente,
pois os líderes piedosos, verdadeiros arautos e servos de Deus,
foram sufocados.

O estadista João Wesley (séc. XVIII)

A Inglaterra foi despertada no início do século dezoito,


após passar um momento sombrio e formalista entre os protes-
tantes. Os protagonistas desse despertamento foram três notáveis
pregadores, homens sinceros, tais como João Wesley, Carlos Wes-
ley e Whitefield. Este último era o pregador mais poderoso, suas
mensagens comoviam milhares de pessoas. Carlos Wesley era po-
eta sacro. João Wesley foi dirigente e estadista do movimento.
Wesley nasceu em 1703 em Epworth, a
i z çãoda Inglaterra.
norte
l
m e r ia Inglaterra por mais de
Seu pai foi superintendente da igrejacda
quarenta anos. Mas foi a suacmãe
a o quem o influenciou. Uma vir-

o i idaeducou 18 filhos. O jovem concluiu seus


tuosa mulher cristã,bque
r
P da Igreja de Cristo, em Oxford em 1724, e logo
estudos no Colégio
foi ordenado a ministro em seu país.

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“Senti que confiei em Cristo, em Cristo somente, para


minha salvação e alcancei grande segurança e certeza da purifi-
cação dos meus pecados, dos meus próprios pecados, e livrei-me
da lei do pecado e da morte”.
Depoimento da conversão de Wesley

João Wesley tornou-se pregador em 1739, e desde então,


por mais de cinquenta anos semeou a boa semente do Evangelho
de Cristo incansavelmente. Em pouco tempo, Wesley já tinha
ajuntado muitos seguidores do seu movimento, que passou a ser
chamado de “metodistas”, aceitando com naturalidade. Muitos lí-
deres da época passaram a negar o púlpito para Wesley pregar, daí
ele dizer esta frase: “minha paróquia é o mundo”.
Suas atividades resultaram na organização do corpo wes-
leyano na Inglaterra, no surgimento de igrejas metodistas no
mundo inteiro, e no avultado número de membros metodistas,
chegando a milhões. Wesley morreu em 1791.

A Igreja na América do Norte

A presença das igrejas reformadas ou protestantes, não só


na América do Norte, como em todo o continente, devem-se as
colonizações de países europeus. A igreja católica foi a primeira a
se instalar no continente em 1494, quando Colombo trouxe para
o
a América, em sua segunda viagem, doze sacerdotes
l i z açã para conver-
terem os ‘escravos’ nativos.
m e rcia
co Unidos cresceu muito a par-
A imigração para os Estados
a
bid a
r o i
tir do ano de 1845, procedente de toda Europa, trouxe a principio
P especialmente dos condados da Irlanda. Mas
muitos católicos,
logo depois, os primeiros imigrantes protestantes desembarcaram
em solo americano.

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a) A Igreja Proibida
Episcopala comercialização

A igreja da Inglaterra, Episcopal, foi a primeira igreja prot-


estante a se instalar no solo dos Estados Unidos. Francis Drake,
dirigiu um culto solene em 1579, na Califórnia. Com a apropri-
ação do território de Nova Iorque pelos ingleses, antigas colônias
dos holandeses, houve um grande favorecimento para a igreja da
Inglaterra, que tornou-se reconhecida como a igreja oficial da
colônia.

b) Os Congregacionais

A presença dos congregacionais nos arredores dos Estados


Unidos, chamado pelos colonizadores até então de Na Nova Ingla-
terra, foi resultado de uma intensa perseguição inglesa contra os
puritanos. Milhares de cristãos se refugiaram na Nova Inglaterra.
As colônias nessa região tiveram um imediato desenvolvimento.
Logo, fundaram duas Universidades: Harvard em Cambridge e a
de Yale em Novo Haven.

“Como os cristãos presbiterianos e os congregacionais


procediam da igreja da Inglaterra, e ambos os grupos adotavam
crenças calvinistas e aceitavam a Confissão de Westminster, suas
relações eram amigáveis”.

Houve até um pacto formalizado em 1801, que permitia


o Extinto esse
aos líderes servirem em ambas as denominações.
l i z açã muito
pacto em 1852, a corrente congregacional
e r cia cresceu nos Es-
tados Unidos, menos no sul.cEm
a om1931 a igreja Congregacional e
a para formar a igreja Cristã Congrega-
bidmilhões
a igreja Cristã uniram-se
r o idois
P
cional, possuindo de membros.

c) Os Luteranos

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As igrejas que se organizaram na Alemanha depois da


Reforma, foram denominadas Igrejas Luteranas. Bem no início
da colonização holandesa na Nova Amsterdã, atualmente Nova
Iorque, os luteranos chegaram a essa cidade. No ano de 1652
pediram uma licença para fundar uma igreja, mas sem êxito.
Contudo, em 1664, dada a conquista da Inglaterra sobre a Nova
Amsterdã, os luteranos gozaram de liberdade para realizarem seu
culto.
O primeiro templo luterano construído deu-se próximo
ao rio Delaware, próximo aos condados de Lewes, na América do
Norte. Em 1710, com a chegada de novos luteranos, vindo prin-
cipalmente dos territórios da Alemanha, estabeleceram sua igreja
em Nova Iorque e na Pensilvânia. Atualmente o número de mem-
bros arrolados nessa igreja chega a quase 10.000.000 (dez milhões)
em todo o mundo.

d) Os Presbiterianos

As igrejas dos Estados Unidos surgiram de duas origens.


A primeira veio da igreja presbiteriana que surgiu na Escócia no
período da Reforma, através de João Knox, depois que assumiu a
direção do movimento reformador. Onde se espalhou ao noroeste
da Irlanda quando a população era e ainda é protestante. A segun-
o
l i z açã
da fonte de onde se originou outro ramo do presbiterianismo foi o
rc
movimento puritano da Inglaterra, durante i a o reinado de Tiago I.
m e
Depois da ascensão de Carlos II,
a coa igreja da Inglaterra conquistou
bid a
novamente influência,
r o i onde mais de dois mil pastores puritanos,
P
da linha presbiteriana, foram expulsos de suas paróquias.
Os escoceses, irlandeses e ingleses ajudaram a formar a ig-
reja Presbiteriana nos Estados Unidos. Uma das primeiras igrejas
presbiterianas dos Estados Unidos foi organizada em Snow Hill,
Maryland em 1648, pelo Ver. Francis Makemie.

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Proibida a comercialização
e) Os Batistas

A história do surgimento dos Batistas, ou Anabatistas, as-


sim denominados por batizarem os adultos mergulhando-os em
água, remonta os primeiros anos da Reforma Protestante, com
origem na Suíça. Assim que surgiu, esse movimento logo se espal-
hou pela Alemanha e Holanda. Chegando aos Estados Unidos por
volta de 1644, quando Roger Willians, organizou a denominação
batista na América do Norte, depois de ser expulso do clérigo
da igreja em Massachusetts por não acatar as regras e opiniões
congregacionais. Na Inglaterra formaram a primeira agência mis-
sionária dos tempos considerados modernos em 1792, quando
enviaram Guilherme Carey à Índia.
Os batistas seguiam a linha congregacional, e assim eram
considerados, por se unirem a eles na Inglaterra. Contudo, logo se
afastaram. Diz-se que a igreja que João Bunyan pastoreou (1660)
é uma igreja considerada tanto batista como congregacional.
Por volta de 1814, organizou-se a Convenção Geral Mis-
sionária Batista, desde então, é tida como a pioneira nos esforços
missionários.

f) Os Quakers

Nesse período, o inglês Jorge Fox criou a sociedade dos


amigos na Inglaterra, mais conhecida como os “Quakers”. Ele era
o deveria ser
l i z açã
contrário a forma de governo da igreja, e dizia que esta

e r cia
instruída diretamente pelo Espírito Santo e não pelos seus sacer-
dotes.
a com

r o bida assimque
Os Quakers eram
iconcluíram
chamados de Sociedade dos Ami-
P
gos. Seus ensinos a igreja não deveria ter sacer-
dote, que foram adotados por milhares de pessoas.
Fugidos dos perseguidores ingleses, muitos se refugia-

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ram para as colônias da Nova Inglaterra, onde depois de acirrada


perseguição por parte dos puritanos já instalados em solo ameri-
cano, obtiveram êxito.
Os Quakers possuem aproximadamente 70.000 membros
espalhados pelos arredores do mundo.


g) Os Metodistas

As igrejas Metodistas do Novo Mundo surgiram em 1766,


desde que os irmãos wesleys vieram da Irlanda para os Estados
Unidos a fim de realizarem cultos segundo a linha metodista. No
ano de 1768, Filipe Embury edificou uma capela na Rua João,
onde funciona ainda uma igreja metodista. Em 1769, por ordem
de João Wesley, Ricardo e Tomás, vieram aos Estados Unidos
acompanha a grande expansão da igreja.
Em 1784 foi organizada a Igreja Metodista Episcopal em
Baltimore. Asbury foi nomeado o bispo. Diz-se que as igrejas
metodistas da América do Norte devem mais a Asbury do que a
qualquer outro homem, por causa de seus incansáveis trabalhos.

h) A Assembléia de Deus

A Assembléia de Deus nos Estados Unidos éoresultado do


çã espalhando-
izaXX,
movimento que teve origem no início do século
i a l
m erc
se logo por todos os arredores do mundo.
o

a a c que se evidenciaram nas igrejas
Uma das características
d
i
b era a intensa sede espiritual que moti-
roiXIX,
no final do século
vava os cristãosPda época a se reunirem por largas horas a fim de
orarem em busca de avivamento.
O início do movimento pentecostal não se pode atribuir

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Proibida
a determinada pessoa, a comercialização
pois existem evidências do derramamento
simultâneo do Espírito Santo em vários lugares. Daniel Awrey, um
ministro protestante recebeu o batismo com o Espírito Santo em
janeiro de 1890, na cidade de Delaware, Estado de Ohio, América
do Norte. Um grupo de pentecostais realizou uma convenção em
1897 na Nova Inglaterra. Na mesma época, manifestou-se um avi-
vamento no estado da Carolina do Norte. Segundo Clara Smith,
havia em torno de quarenta ou cinquenta pessoas batizadas com o
Espírito Santo. No mesmo ano houve um grande avivamento pen-
tecostal em Moorhead, Minnesota, cujos resultados são notáveis
até os dias de hoje.

Nesse período William Joseph Seymour, um pastor de cor,
apareceu no norte americano, onde iniciou reuniões na cidade de
Houston, Texas. Foi ali que Seymour recebeu a mensagem antes
mesmo de ser batizado com o Espírito Santo. Em Los Angeles,
pregou as Boas Novas a um grupo de pessoas de cor. Ali reascen-
deu a fé no coração dos ouvintes realizando reuniões de oração
com intenso fervor.
Logo depois de receber o batismo com o Espírito Santo,
Seymour então alugou um salão na Azusa Street 312 em Los An-
geles, Califórnia no dia 6 de abril de 1906, com mais oito irmãos e
uma criança onde realizaram reuniões durante três anos.
Houve um grande impacto naquele lugar ficando conhe-
cida como a Azusa Street Revival “Renovação da Rua Azusa”. “O
Pastor Seymour não só derrubou a existência de barreiras raciais
em favor da “unidade em Cristo”, ele também rejeitou
i z ção barreiras às
auma
mulheres em qualquer forma de liderança cia lde igreja”.
e r
A mensagem pentecostal
a comespalhou-se com rapidez, que
ida
ibpassou
recebeu o nome de movimento.
o
Por esse motivo o termo Movi-
P r
mento Pentecostal a designar todos os grupos que enfati-
zavam o batismo com o Espírito Santo.
Com o objetivo de formar um conjunto de doutrinas e

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forma de governo para o crescente movimento, realizou-se na ci-


dade Hot Springs, Estado de Arkansas, entre o dia 2 e 12 de abril
de 1914. Formando a primeira Convenção das Assembléias de
Deus nos Estados Unidos.
A Assembléia de Deus norte americana é uma grande
potência mundial, reunindo milhões de membros e muitos out-
ros patrimônios.

Questionário

Assinale com “X” a alternativa correta

41) – Após a Reforma surgem três grupos distintos na igreja da


Inglaterra: os Romanistas, os Anglicanos, e os Protestantes Rad-
icais. Este último ficou conhecido como:

___a. “Os publicanos”.


___b. “Arminianos”.
___c. “Os wesleyanos”.
___d. “Os puritanos”.

42) – Uma das mais antigas igrejas presbiterianas dos Estados


Unidos foi organizada em:
ção
c i a liza
___a. 1468.
m er
___b. 1648.
a co
d a
___c. 1668. ibi
___d. 1864. Pro
43) – Muitos líderes da época passaram a negar o púlpito para
Wesley pregar, daí ele dizer esta frase:

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Proibida a comercialização
___a. “Minha paróquia é o mundo”.
___b. “O mundo é uma paróquia”.
___c. “A paróquia é o meu mundo”.
___d. “Minha paróquia é a igreja”.

A Igreja Evangélica no Brasil

a) A chegada dos Huguenotes no Brasil

Nicolau Durand de Villegaignon, vice-almirante francês,


rumou para o Brasil, depois de conseguir apoio do almirante Gas-
par de Coligny, chegando a solo brasileiro em 1555.
Ao desembarcar na terra que tanto ambicionou Nico-
lau sofreu uma conspiração de seus próprios companheiros de
viagem, o que resultou na morte 16 pessoas. O vice-almirante en-
tão chefiou uma segunda expedição composta por 300 homens,
dentre eles 14 cristãos huguenotes renomados.
Ao desembarcar os Huguenotes no Rio de Janeiro, no dia
10 de março de 1557, realizou-se o primeiro culto em terras bra-
sileiras, onde o Pastor Peter Richer pregou o Salmo 27 e verso 4.
Os portugueses, entretanto, não ficaram passivos diante
do surgimento do primeiro movimento evangélico e como tin-
ham o monopólio do governo local, pressionaram Villegaignon,
na tentativa de extinguir o recém trabalho evangélico. Como Vil-
legaignon apesar de ter fé, tinha mais interesses
z ão e comer-
açpessoais
l i
m e rcia preferiu acomodar-se
ciais do que profunda convicção religiosa,
co da Nóbrega e Anchieta, que
às ordens dos portugueses, Manoel
a
r o i bida dos Pastores Jean du Bourdel, Mattthieu
determinaram a execução
P Bourdon em 1558, e ainda mandaram enforcar
Verneuil e Pierre
em 1567 o pregador Jean de Bolés que pregava o evangelho aos

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índios tamoios em São Vicente-SP.

b) A chegada dos Holandeses

O Brasil foi invadido pela Holanda, cujos navios aporta-


ram primeiramente em Salvador, Bahia em 1624, e em 1630 em
Recife (PB), estabelecendo nestes Estados, a fé evangélica, pelo
fato de ser a Holanda, na ocasião, um dos países onde a reforma
protestante logrou grande êxito.
Os holandeses em curto espaço de tempo de ocupação em
alguns pontos do Brasil iniciaram posteriormente alguns movi-
mentos de evangelização. Os morávios foram até as Guianas em
1735, onde se dedicaram a evangelizar os nativos.
Com a expulsão dos holandeses por parte dos portugueses,
as portas para a pregação do evangelho no Brasil, foram mais uma
vez fechadas e aqueles que receberam a nova religião, passaram a
ser perseguidos. Há registro do primeiro culto evangélico reali-
zado pelos holandeses em Recife, no dia 14 de fevereiro de 1630,
a bordo de um navio da Missão holandesa, ministrado pelo rever-
endo João Baers.
Devemos admitir que o principal motivo da frustração
destas primeiras iniciativas para evangelizar o Brasil, deveu-se
pelo fato de que tanto os franceses como os holandeses, tinham
outros interesses além da evangelização da nação brasileira, que
eram interesses políticos e econômicos. ção
iza
al
om erci
ac
Deus abre as portas definitivamente
i d a
ib se fecham e as dificuldades aumentam,
roportas
Pas
Quando
Deus interfere na história. Tem sido assim desde o princípio. Em
1810, Lord Strangford, que era crente em Jesus Cristo, foi designa-
do como embaixador da Inglaterra para o Brasil, pelos relevantes

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Proibida
serviços prestados a comercialização
ao rei de Portugal, pois, como comandante da
esquadra inglesa, garantiu a segurança da esquadra que trouxe o
rei D. João VI. Assim que chegou ao Rio de Janeiro, Strangford
começou a realizar cultos de adoração a Deus, despertando a
reação adversa dos padres católicos, que solicitaram a sua ex-
pulsão do país, mas não conseguiram. Em 1819, foi inaugurado
o primeiro templo evangélico do país, da Igreja Anglicana, à Rua
dos Bourdons, que hoje se chama Rua Evaristo da Veiga, no Rio
de Janeiro.

c) A Igreja Luterana

Por volta de 1800 quando os alemães emigraram para o


Sul, ali se instalou a primeira Luterana no Brasil.
Os Luteranos, embora sejam reformados, seguindo a idéia
de Martinho Lutero, batizam crianças recém-nascidas, conforme
a igreja católica.
Os cultos luteranos no Brasil durante alguns anos foram
celebrados na língua alemã, mas depois, passaram também a ser
celebrados em português.
No ano de 1846 realizou-se um Seminário, em São Le-
opoldo (RS), com o intento de preparar luteranos brasileiros para
o pastorado das igrejas.

d) A Igreja Metodista


ç o brasileiro à
A Igreja Metodista marcou seu início emãsolo
z a
i foi enviado à Amé-
c l observador, nas prin-
partir de 1835 quando o Rev. FountainiaPitts,
e r
com
rica do Sul em viagem missionária, e como
a a
ibiddos Sul dos Estados Unidos em 1874 co-
cipais cidades do continente.
P r o
Os Metodistas
missionaram Newman na qualidade de missionário episcopal me-

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todista do Sul para o Brasil. Três anos depois, Ranson também foi
enviado para o Brasil, dedicando seus esforços missionários no
Rio de Janeiro, São Paulo e Piracicaba.

e) A Igreja Congregacional

Iniciada 1855 pelo Reverendo Roberto Kalley. Pelo vulto


e expressão do seu trabalho, alguns associam a ele o inicio da Ig-
reja Evangélica Brasileira, porém esta informação não é verídica.
Organizou a primeira Escola Bíblica Dominical, voltada especifi-
camente à evangelização de brasileiros, marcando o evangelismo
pátrio, com seus abençoados 21 anos de serviços prestados à causa
do evangelho e à medicina em nosso país.

f) A Igreja Presbiteriana

Foi inciada em 1862 no Rio de Janeiro pelo Reverendo A


G. Simonton, enviado pela Junta de Missões Estrangeiras da Ig-
reja Presbiteriana dos Estados Unidos. Logo depois outros mis-
sionários, inclusive seu cunhado Alexandre Blackford, chegaram
para ajudar expandir a obra, sendo fato notório a conversão do
Padre católico José Manoel da Conceição, cuja repercussão alcan-
çou os jornais e se tornou um ministro presbiteriano exemplar,
o
que muito contribuiu para a causa evangélica no Brasil.
açã
aliz
g) A Igreja Batista
m erci
a co
i d a
roib norte americano (1859) chegou ao Rio de
Um missionário
P
Janeiro onde trabalhou por pouco tempo, pois teve que retornar
ao seu país natal, por motivos de doença.
Em Santa Bárbara (SP), os colonos norte-americanos que

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Proibida a comercialização
viviam ali fundaram a Igreja Batista de Santa Bárbara em 10 de
setembro de 1871. Mas por serem celebradas suas reuniões em
inglês, acabou se extinguindo.
A primeira Igreja Batista brasileira foi fundada no dia 15
de outubro de 1882, Salvador (BA), por Willian e Ann Bagby, Zac-
ary e Kate Taylor, e Antônio Teixeira de Albuquerque.

h) A Assembléia de Deus no Brasil

Em solo brasileiro, a Assembléia de Deus foi oficialmente


estabelecida no ano de 1911, em Belém do Pará através dos dois
pentecostais sueco-americanos Daniel Berg e Gunnar Vingren
que atribuíam suas motivações missionárias as revelações recebi-
das “diretamente de Deus”.
Gunnar Vingren, era ex-pastor da Swedsh Baptist Church
(Igreja Batista Sueca) , Michigan, EUA. Vingren nasceu no dia
8 de agosto de 1879, em Ostra Husby, Suécia. Vingren e Daniel
Berg, outro jovem sueco nascido na aldeia de Vargon, foram os
apóstolos comissionados por Deus para lançarem os fundamen-
tos da Assembléia de Deus no Brasil.
A aproximação dos dois pioneiros deu-se por ocasião da
convenção de igrejas batistas reavivadas, em Chicago, quando
sentiram o chamado para as terras distantes. Na cidade de South
Bend, pouco tempo depois, o Senhor lhes falou profeticamente:

“Num dia, no verão, Deus pôs no coração que deveríamos
o
açã orávamos, o
nos reunir num sábado à noite para oração.izQuando
l
Espírito do Senhor veio de uma forma
m e rciapoderosa sobre nós (…).
co pelo o Espírito Santo palavras
Um irmão, Adolfo Ulldin,arecebeu
a
o ibid escondidos que foram revelados. Entre
maravilhosas e mistérios
r
muitas coisas,Po Espírito Santo falou por meio desse irmão que nós
deveríamos ir a um lugar chamado “Pará”, onde o povo a quem

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testificaríamos de Jesus era de um nível social muito simples. Nós


iríamos ensinar-lhes os primeiros rudimentos do Senhor. Tam-
bém escutamos pelo Espírito Santo a linguagem daquele povo o
idioma português (…). Nenhum dos presentes conhecia tal lugar.
Após a oração, fomos a uma livraria a fim de consultar um mapa
que nos mostrasse onde estava localizado o Pará. Descobrimos
então que se tratava de um Estado no Norte do Brasil. A chamada
divina então estava confirmada (…)”.

Convictos da chamada de Deus, os dois missionários Berg


e Vingren empreenderam sua viagem missionária, sem o apoio
de nenhuma agência missionária, ou denominação evangélica,
pois já que não quiseram seguir para a Índia, conforme os planos
da Convenção Batista, não receberam nenhum apoio ao projeto
missionário para o Brasil. O que o irmão Vingren conseguiu jun-
tar para o empreendimento missionário no Brasil foi 90 dólares.
Além de se ter pouco dinheiro, Vingren sentiu pelo Espírito Santo
de doar aquele dinheiro para o Pastor Durham, para ajudá-lo na
publicação de uma revista.
Ao invés de receberem o necessário para a viagem, tiveram
que doarem os poucos pertences que possuíam. Porém, havia uma
voz interior que os confortava dizendo: “Se fores, nada vos faltará”.
Envolvidos pelas chamas que ardiam em seus corações
e sem nenhuma dúvida quanto à chamada de Deus, deixaram a
o
próspera América do Norte e rumaram para ozBrasil.
l i açã
Ao iniciarem a viagem de trem e ciaNova Iorque, não pos-
rpara
o m
cnecessidades
suíam dinheiro nem para suas
d a a pessoais. Numa para-
o ib i
da para troca de composição, andando pela cidade, carregando
P r
duas pequenas malas, enquanto aguardavam o horário de partida,
resolveram passar na Igreja do Pastor B. M. Johnson para se des-
pedirem. Chegando lá, receberam uma oferta missionária, quatro
vezes maior do que os 90 dólares que haviam ofertado.

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Chegando ao Brasil, após 14 dias de viagem a bordo do
vapor “Clement”, onde uma alma aceitou a Jesus durante o longo
percurso, desembarcaram no Brasil no dia 19 de Novembro de
1910, indo residir e congregar na pequena Igreja Batista na Rua
Balby, 406 em Belém do Pará, onde iniciaram o ministério em ter-
ras brasileiras, pregando o evangelho com simplicidade dizendo:
“Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo, porque: Jesus Cris-
to é o mesmo, ontem e hoje e eternamente”.
Logo, começou a reação de um grupo de conservadores
que começaram lhes chamarem de fanáticos e cobraram do pastor
uma atitude em relação aos novos missionários, que segundo os
batistas, oravam demais e ensinavam doutrinas que só foram váli-
das para os dias dos apóstolos, resultando na expulsão dos dois
missionários e dos que aceitaram as doutrinas ensinadas por eles.
No dia 08 de julho de 1911, a irmã Celina Albuquerque
recebeu o batismo com o Espírito Santo, no dia seguinte sua irmã
Maria Nazaré teve a mesma experiência. O resultado da experiên-
cia pentecostal entre aqueles irmãos culminou na revolta do evan-
gelista Raimundo que fez um motim para tentar inibi-los. Por
falta de compreensão talvez, ou não provar a gloriosa experiência
do batismo com o Espírito Santo, o irmão Raimundo fez uma re-
união como nos conta Vingren:

“Todos os demais que tinham vindo da Igreja Batista Cre-


ram então que isto era obra de Deus, todos menos dois, o evange-
lista Raimundo Nobre e a mulher de um diácono... Na terça-feira
seguinte ele (Raimundo) convocou os membros
z ãoigreja para um
açda
l i
culto extraordinário e não permitiurque
e cia o pastor falasse. Ele (o
m
co os que estão de acordo com
d a aDezoito
evangelista) somente disse: ‘Todos

r o ibi
a nova seita, levantem-se’ . irmãos levantaram-se e foram
imediatamente P cortados da comunhão da igreja. Estes dezoito
irmãos saíram então da Igreja Batista para nunca mais voltar. Isto
aconteceu no dia 13 de junho de 1911.”

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Diário do Pioneiro, G. Vingren

No dia 18 de junho de 1911 passaram a congregar na Rua


Siqueira Mendes, nº 67, em Belém, que ficou posteriormente con-
hecida por toda parte, por ser o primeiro endereço da maior de-
nominação evangélica do país.
No ano de 1913 os missionários suecos consagraram os
primeiros pastores brasileiros, devido o avultamento da obra: Ab-
salão Pinto, Isidoro Filho, Crispiniano de Melo, Pedro Trajano e
Adriano Nobre.

Questionário

Marque “C” para certo e “E” para errado

___ 43) – Os franceses foram os primeiros a difundir a fé evan-


gélica em solo brasileiro.

___ 44) – Há registro do primeiro culto evangélico realizado pelos


holandeses em Recife, no dia 14 de fevereiro de 1630, a bordo de
um navio da Missão holandesa, ministrado pelo reverendo João
Baers.
o
çã evangélico
___ 45) – Em 1819, foi inaugurado o primeiro
i a l izatemplo
do país, da Igreja Anglicana, à Rua dos c
erBourdons, que hoje se cha-
ma rua Evaristo da Veiga, noaRio o m
c de Janeiro.
a
r o ibid
P Joseph Seymour foi um pastor (filho de escra-
___ 46) – William
vos) norte americano que iniciou o movimento denominado neo-
pentecostalismo.

___ 47) – Sobre o pentecostalismo no Brasil, Louis Francescon,

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Daniel Berg, Gunnar Vingren, são o precursores do pentecostal-
ismo neste solo.

O progresso

Durante sete anos a Igreja Assembléia de Deus avançou


em meio as lutas e perseguições terríveis, destituindo as potes-
tades do mal, que imperavam em uma nação idólatra. Vingren
e Berg arriscaram a própria vida, enfrentando não só a fúria dos
homens, mas principalmente a do inferno, que na tentativa de de-
tê-los criava todos os obstáculos possíveis, tendo os mesmos con-
traídos por diversas vezes malária e outras doenças que minavam
a saúde, mas não minavam sua fé inabalável em Cristo Jesus.
Em 11 de Janeiro de 1918, foi registrado oficialmente o nome de
“Assembléia de Deus, em Belém do Pará”.
Nos primeiros meses no Brasil, Daniel Berg, dedicou-se
ao árduo trabalho de ferreiro para garantir o sustento, enquanto
Gunnar Vingren estudava o idioma, compartilhando com ele à
noite o aprendizado.
Agora, enquanto Vingren dedicava-se ao pastorado da Ig-
reja em Belém do Pará ao lado de sua esposa, a jovem missionária
sueca, Frida Vingren, autora de diversos hinos da Harpa Cristã;
Berg, companheiro fiel, dedicava-se ao trabalho de evangelismo
pessoal, como colportor, fundando inúmeras igrejas, inclusive no
Amazonas e outras regiões do norte do país, até que
ç ã o o Senhor di-
recionou Vingren para o Rio de Janeiro,laizfim a de atender a um
pedido feito através de uma carta, e r c i a
c o m solicitando que o mesmo fun-
dasse uma Igreja naquela
idaacidade.
ib
Pro
Avanço na Região Sudeste

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Era tardinha, quando ao passar em frente ao número doze


da Rua São Luiz Gonzaga, Paulo Macalão deparou com um fol-
heto amassado e jogado ao chão. Ao ler encontrou uma porção
da palavra de Deus que o tocou profundamente. De um jovem
triste e sem perspectiva levantou-se um jovem alegre e disposto a
consumir cada minuto da sua vida a proclamar o nome do Senhor
Jesus Cristo. Seu pai, preocupado, pois o mesmo queria que seu
filho seguisse a carreira militar, tentou afastá-lo da fé que abraçara,
porém em vão, mesmo sob os protestos do pai, o jovem Paulo pas-
sou a freqüentar os cultos na casa da família Brito, à Rua Senador
Alencar, 17, em São Cristóvão, trazendo seu violino com o qual
louvou a Deus por longos anos, antes que formasse a primeira
banda musical na Assembléia de Deus de São Cristóvão, criando
com esta iniciativa a salutar marca característica das Assembléias
de Deus, as bandas e orquestras que acompanham o louvor con-
gregacional.
Nesse período, chega ao Rio de Janeiro o irmão Heráclito,
vindo de Belém do Pará, e passa a freqüentar o mesmo local de
culto, contando aos irmãos sobre o avivamento espiritual que var-
ria o norte do país, sob a liderança dos missionários suecos. To-
dos sentindo o desejo de receber a mesma benção incumbiram
o jovem Paulo e o irmão Heráclito de escrever ao Missionário
Vingren, pedindo-lhe que enviasse alguém para lhes ministrar as
verdades pentecostais. Vingren responde dizendo que Deus já o
o
havia dirigido para descer para o sudeste do z
l i açãVingren chega
país.
ao Rio de Janeiro em novembro de e
m rciafundando oficialmente
1923,
a co de Deus nesta cidade.
em 30 de abril de 1924, a Assembléia
a

o ibid
As Assembléias
r
de Deus constituem a maior denominação
P
em território nacional. Tendo como slogan, a mensagem anun-
ciada por Daniel Berg e Vingren:

“Jesus cura, salva e batiza com Espírito Santo”.

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Surgimento de outras igrejas Pentecostais

A partir da década de 1950, com a chegada de dois mis-


sionários da International Church of The Foursquare Gospel, os
pastores Harold Edwin Willians e o seu auxiliar, Pastor Jesus Her-
mínio Vasquez Ramos. O primeiro natural de Los Angeles- EUA e
o segundo natural do Peru. A obra começou numa casa na cidade
de Poços de Caldas, junto com uma escola de inglês indo depois
para São João da Boa Vista onde foi construído pelos fundadores
um pequeno templo. Em 1952 vieram para a capital de São Paulo
realizar campanhas evangelísticas a convite de um pastor da ig-
reja Presbiteriana do Cambuci e pouco tempo depois foram para
uma tenda de lona no mesmo bairro. De lá foram para o bairro da
Água Branca e então para o salão da Rua Brigadeiro Galvão, 713.
Diz-se que na capital paulista, eles criaram a Cruzada Nacional
de Evangelização e, centrados na cura divina, iniciaram a evan-
gelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo
bastante para a expansão do pentecostalismo no Brasil. Em se-
guida, fundaram a Igreja do Evangelho Quadrangular.
No seu rastro, surgiu a Igreja Pentecostal O Brasil para
Cristo, uma denominação fundada por Manoel de Mello (1929-
1990). Mello veio a São Paulo do sertão de Pernambuco, con-
verteu-se na Assembléia de Deus, porém, logo aderiu a Cruza-
da Nacional de Evangelização, hoje conhecida como a Igreja do
Evangelho Quadrangular.
o

z
No ano de 1956, Mello iniciou sua própria
l i açã igreja, A Ig-
reja Pentecostal “O Brasil para Cristo”
e ia Mello, um homem
rc(IPBC).
m
leigo, porém era um pregadorcoeloqüente, usando o rádio para es-
da a
i
palhar sua mensagem, b i e o seu programa, “A Voz do Brasil para
Pro no ar por duas décadas. Conduziu reuniões de
Cristo” que durou
cura em praças públicas e estádios de futebol.
Depois veio a Igreja Pentecostal Deus é Amor, uma de-

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nominação que se originou no Brasil no ano de 1962 pelo mis-


sionário David Martins de Miranda, que havia se desvinculado da
Igreja O Brasil para Cristo, iniciando seu próprio ministério, no
Brás, São Paulo, com ênfase na cura divina e libertação de oprimi-
dos. Em função da fraca hermenêutica (regras básicas de interpre-
tação de textos bíblicos), em que se baseava a fundamentação de
sua visão de santidade, a partir dos anos 80, muitos membros se
uniram a outras denominações pentecostais.
No dia 9 de junho de 1964 foi realizado o primeiro culto da Casa
da Bênção, na praça Vaz de Melo, Belo Horizonte, às 15 horas,
pelo Missionário Doriel de Oliveira. Este foi o primeiro culto ofi-
cial, pois Doriel já tinha realizado vários cultos como ministro da
Igreja O Brasil para Cristo. Eles se reuniram por 5 meses na praça
até arranjarem um templo.
Depois, a Igreja Unida, uma instituição evangélica pente-
costal, foi fundada em São Paulo, Brasil, em 12 de julho de 1963,
que nesse ato teve como presidente o Pastor Luiz Schiliró. A enti-
dade tem como única regra de fé e prática, declaradamente, as Es-
crituras Sagradas, a Bíblia. Seus membros aceitam e praticam o
batismo nas águas por imersão, e em nome da Trindade Divina.
Sua existência se deu por fusão das seguintes igrejas: Igreja Cristã
Pentecostal Evangelismo e Cura Divina “Maravilhas de Jesus”; Ig-
reja Evangélica do Povo e Igreja Cristã Evangélica Unida.
A Igreja de Nova Vida foi organizada pelo Bispo Robert
o
McAlister, canadense, no ano de 1960 no Rio
l i z açdeã Janeiro. Este
oriundo do pentecostalismo clássico ercfilho
e ia de pastores também
co m
teve sua origem religiosa na Assembléia Pentecostal do Canadá. O
a a
r o i bid
Bispo Robert foi missionário em vários lugares do mundo e esteve
P em 1958/1959 a convite das Igrejas Assem-
pregando no Brasil
bléia de Deus e Evangelho Quadrangular. Sentindo a direção de
Deus estabeleceu-se no Brasil, estudando a língua portuguesa e
inaugurando um programa radiofônico, logo em seguida alugou o
nono andar da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) iniciando

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a Cruzada de Nova Proibida


Vida,a onde
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era pregado o pentecostalismo,
acompanhado de manifestações de curas, libertação e batismo
no Espírito Santo. É uma denominação compatível com as Ig-
rejas Americanas. Uma vez que no Brasil prevalecia a tendência
conservadora, preferiu o estilo “liberal” das Igrejas Pentecostais
Americanas, alcançando principalmente a classe média carioca.
O movimento neopentecostal, teve início na segunda
metade dos anos 70 com igrejas fundadas por brasileiros, como
por exemplo:
A Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro,
1977), fundada pelo Bispo Edir Macedo – oriundo da Igreja de
Nova Vida. A igreja iniciou suas atividades em um salão no bairro
Abolição no Rio de Janeiro. Adotou como princípio o ultra-liber-
alismo, e o sincretismo de símbolos religiosos, como instrumentos
de evangelização, dando toda ênfase na teologia da prosperidade
e sendo duramente criticado por não evangélicos e recebendo a
censura das igrejas evangélicas conservadoras, devido aos seus
métodos nada ortodoxos. No final da década de 90, adotou a es-
tratégia de construção de mega-templos em todo o país.
Depois, surgiu a Igreja Internacional da Graça de Deus no
Rio de Janeiro, fundada no de 1980 pelo Missionário RR Soares
(Romildo Ribeiro Soares), cunhado do Bispo Edir Macedo, repre-
sentante oficial de Kenneth Hagin no Brasil. Em seu trabalho deu
ênfase à teologia da prosperidade.
Em seguida, veio a Igreja Apostólica Renascer em Cristo,
uma denominação protestante também da linha neopentecostal,
o Hernandes e
foi fundada em São Paulo, em 1986, por Estevam
l i z açãa controlar
Sônia Hernandes. A Igreja Renascer logo
e r ciapassou uma
rede de TV, uma gravadora, rede
a comde rádio, uma editora e uma lin-
a Brasil há cerca de 1200 templos e mais
ibid
ha de confecções; hoje no
de 2 milhõesP deroseguidores. A Renascer é hoje, uma das maiores
denominações neopentecostais brasileiras.
E por último, a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra,

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que foi fundada em fevereiro de 1992, em Brasília, pelos bispos


Robson e Maria Lúcia Rodovalho.
As igrejas da linha neopentecostal, em sua maioria, utili-
zam de maneira muito intensa a mídia eletrônica, proporcionando
dessa forma uma grande expansão de fiéis. O neopentecostalismo
constitui a vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce.
Além das grandes denominações pentecostais, existem
outros milhares de ministérios independentes surgindo anual-
mente no Brasil e no mundo.
No decorrer dos anos, várias igrejas tradicionais aderiram
ao Movimento Pentecostal, experimentando novos horizontes,
com manifestações pentecostais. Considerados renovados, como
é o caso da Igreja Presbiteriana Renovada, da Convenção Batista
Nacional, Igreja do Avivamento Bíblico e a Igreja Cristã Maranata.

Questionário

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___ 48) – Durante sete anos a Igreja Assembléia de Deus avançou


em meio as lutas e perseguições terríveis, destituindo as potesta-
des do mal, que imperavam em uma nação idólatra.
o
l i z açã
rcia em frente ao número
___ 49) – Era tardinha, quando ao epassar
m
a
doze da Rua São Luiz Gonzaga,coPaulo Macalão deparou com um
a
o ibidao chão. Lendo-o encontrou uma porção
folheto amassado jogado
r
P
da palavra de Deus que o tocou profundamente.

___ 50) – No ano de 1996, Mello iniciou sua própria igreja, A


Igreja Pentecostal “O Brasil de Cristo” (IPBC).

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___ 51) – A Igreja de Nova Vida foi organizada pelo Bispo Robert
McAlister, canadense, no ano de 1960 no Rio de Janeiro.

___ 52) – No dia 19 de junho de 1984 foi realizado o primeiro


culto da Tenda da Bênção, na praça Paz de Melo, Belo Horizonte,
às 18 horas, pelo Missionário David Miranda.

___ 53) – A Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro,


1977), foi fundada pelo Arcebispo João Macedo, oriundo da Igreja
de Vida Nova. A igreja iniciou suas atividades em um salão no
bairro Abolição no Rio de Janeiro.

___ 54) – Em seguida, veio a Igreja Apostólica Renascer em Cris-


to, uma denominação protestante também da linha neopentecos-
tal, foi fundada em São Paulo, em 1986, por Estevam Hernandes
e Sônia Hernandes.

___ 55) – A Igreja Internacional da Graça de Deus foi fundada no


Rio de Janeiro pelo Missionário Romualdo Ribeirinha Soares no
ano de 1980.

ação
r c i aliz
m e
co
ibi da a
Pro

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Bibliografia

Dicionário de Religiões - Editora Vida


Bíblia de Estudo Pentecostal – CPAD.
CABRAL, Davi. Assembléia de Deus – A Outra face da História,
Editora Betel, 2002.
ALMEIDA, Abraão de. A Reforma Protestante, CPAD, 1997.
DAMIÃO, Valdemir. A Igreja no Século XXI, CPAD, 2005.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática, CPAD, 1997.
CESARÉIA, Eusébio de, História Eclesiástica, CPAD, 1999.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Editora
Vida, 1970.
GARDNER, Paul . Quem é quem na Bíblia Sagrada, Editora Vida,
1999.
HURBUT, Jesse Lyman. História da Igreja Cristã, Editora Vida,
1993.

ção
c i a liza
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d a
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Pro

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Site do Pastor Moisés Carneiro

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Somente nele.
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