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PREVALÊNCIA DE LESÕES NA MUCOSA ORAL DE PACIENTES HANSENIANOS

RESUMO

Objetivo: avaliar a presença de lesões bucais em pacientes portadores de hanseníase,


acompanhados por um serviço de saúde pública de Minas Gerais. Materiais e Método: trata-se de
um estudo de caráter descritivo, transversal e de análise quantitativa. A pesquisa foi realizada com
os pacientes que estão em tratamento em alguma unidade do serviço de saúde pública, constituindo,
portanto, uma amostra de conveniência. Foram coletados dados socioeconômicos, morbidade bucal,
uso de serviços, caracterização da hanseníase e avaliação de lesões bucais. Vale ressaltar que o
presente trabalho foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da SOEBRAS–FUNORTE.
Resultados: tendo em vista a participação de 25 pacientes com idade de 12 a 80 anos; em relação
aos tipos de reações hanseníase, verificou-se que 64% são acometidos do tipo 1 e 36% do tipo 2; já
em relação às lesões fundamentais, 11 foram localizadas em 44% dos pacientes. Conclusão: diante
da prevalência de lesões bucais em pacientes com hanseníase, percebeu-se a necessidade de que um
cirurgião dentista integre a equipe de saúde, junto ao tratamento destes pacientes.

Palavras-chave: Hanseníase. Cavidade bucal. Saúde pública. Mucosa bucal.


INTRODUÇÃO

A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa e seu agente etiológico é o


Mycobacterium leprae. Esse agente é um bacilo álcool-ácido resistente, fracamente gram-positivo,
que infecta os nervos periféricos do paciente, acometendo ainda os nervos superficiais da pele e
troncos dos nervosos periféricos (localizados na face, pescoço, terço médio do braço e abaixo do
cotovelo e dos joelhos), mas também pode afetar os olhos e órgãos internos (mucosas, testículos,
ossos, baço, fígado, etc.)7.
A pessoa com hanseníase apresenta como sintomas: lesões e/ou áreas de pele com alteração
de sensibilidade, como o acometimento de nervos periféricos. As vias aéreas superiores são a porta
de entrada mais importante para o bacilo e a fonte principal para a eliminação bacilar da hanseníase.
O segundo sítio principal de infecção e transmissão da M. leprae parece ser a mucosa bucal na
transmissão da hanseníase de adultos e crianças10.
Os tipos de reações mais importantes são a do tipo1 ou reação reversa (RR) e a do tipo 2 ou
eritema nodoso hansênico (ENH). Episódios de reação tipo I variam entre 10 e 33% dos pacientes
hansenianos e aparecem durante o tratamento ou após o primeiro ano da alta com manifestações
clínica, que se caracterizam pela infiltração de lesões antigas associadas ao surgimento de novas
lesões com edema, eritema e calor, ulcerações, hiperestesia, parestesia, mal estar, dor ou
espessamento de nervos periféricos com perda da função sensitivo-motora, febre, neuropatia
silenciosa, acometendo principalmente os nervos ulnar e tibial posterior. As reações do tipo II são
definidas pelo surgimento repentino de nódulos que variam em número, de coloração rósea, que
podem evoluir para necrose nas formas mais graves do ENH. São acompanhadas de sintomatologia
relacionada ao acometimento ocular, hepático, esplênico, dos linfonodos, peritônio, dos testículos,
das articulações, dos tendões, dos músculos, dos ossos e rins. Pode haver febre, leucocitose e,
geralmente, apresentam-se em múltiplos episódios18.
O tratamento para a hanseníase consiste em: quimioterapia específica, supressão dos surtos
reacionais, prevenção de incapacidades físicas, reabilitação física e psicossocial. A hanseníase não
tratada precocemente pode levar a sequelas neurológicas, oftalmológicas e motoras 8. E, nas formas
mais graves da doença, podem ocorrer as deficiências físicas ocasionadas pelo comprimento
neurológico periférico, que é capaz de afetar os indivíduos antes, no decorrer ou depois do
tratamento11.
Para Cortela e Ignotti9, no que se refere à atividade odontológica, o exame clínico deve se
estender além da cavidade bucal, permitindo não só o reconhecimento de sinais e sintomas oriundos
de alterações do complexo bucomaxilofacial, mas também a obtenção de informações sobre a saúde
geral do paciente.
Segundo Almeida et. al2, diante do ponto de vista clínico, as principais manifestações bucais
associadas à hanseníase referem-se a alterações gengivais na porção anterior da maxila, palato mole
e duro, úvula e língua, no entanto não existem lesões patognomônicas na cavidade oral. A respeito
do grau de envolvimento do palato, relaciona-se muito as lesões com a duração da doença,
importante marcador clínico aninhado a outras manifestações sistêmicas.
A manutenção de infecções orais pode levar a reações, o que dificulta o tratamento do
paciente. Por esta razão, perante a possibilidade de ocorrência destas lesões, a avaliação sistemática
do padrão das condições bucais é recomendada na rotina dos serviços. A relação entre as doenças
bucais e periodontais com as reações hansênicas tem sido estabelecida, sendo que a má condição
bucal aumenta a chance de quadros reacionais da hanseníase11.
Dessa forma, surge a seguinte questão norteadora: como está a condição bucal dos pacientes
hansenianos? Existe alguma lesão patológica que precipita as reações hansênicas e diminui a
qualidade de vida destes pacientes?
Diante de tantos desafios enfrentados, o presente estudo teve como objetivo avaliar a
presença de lesões bucais em pacientes portadores de hanseníase, os quais eram acompanhados pelo
serviço de saúde pública de Minas Gerais.

METODOLOGIA

O presente estudo apresenta caráter descritivo, transverso com análise quantitativa e foi
realizado no ambiente do serviço público de atenção secundária à saúde do município de Minas
Gerais. Nessa unidade, funciona o Centro de Referência Municipal em Hanseníase, com a atenção
integral aos pacientes diagnosticados com a doença e realiza em média 160 atendimentos/mês.
A população deste estudo foi composta por 25 pacientes em tratamento no referido serviço,
nos meses de março e abril de 2021, sendo assim, uma amostra por conveniência. Os indivíduos
foram elegíveis para o estudo baseado nos seguintes critérios: pacientes independentes do sexo ou
idade e com diagnóstico de hanseníase em tratamento no Centro de Referência, que aguardavam
consultas nos dias de coleta de dados. Por fim, vale mencionar que esse serviço público de saúde
possuía 83 pacientes diagnosticados com hanseníase no mês de abril de 2021.
Para coleta de dados foram utilizados três questionários contendo quatro dimensões:
características sociais e econômicas, morbidade bucal referida e uso de serviços, caracterização
sobre a hanseníase e, por último, avaliação de lesões bucais. Para avaliar as características
socioeconômicas foi utilizado um questionário do projeto SB Brasil (2010), adaptado para o estudo.
Para avaliar as interações entre a hanseníase e a saúde bucal do paciente, utilizou-se o
questionário validado por Matos (2015). Para a observação das características das lesões
patológicas intrabucais foi utilizado um roteiro denominado OralDESC. Esse roteiro foi validado
por cirurgiões-dentistas e acadêmicos de odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina.
Ele contém uma sequência de itens descritivos, separados por seis seções: identificação da
lesão/lesão fundamental, localização, características clínicas, hábitos comportamentais e
tratamentos prévios14.
Este estudo obedeceu a todos os preceitos éticos da resolução 466/2012 do conselho
nacional de saúde que trata de pesquisas envolvendo seres humanos. Dessa forma, ele foi submetido
e aprovado no comitê de ética em pesquisas das Faculdades Unidas do Norte de Minas, sob o
parecer de número 4.488.118. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e
esclarecido, no caso de participantes menores de 18 anos, os responsáveis também assinaram o
termo de consentimento. Os dados coletados foram analisados a partir do programa SPSS, versão
20.0, e descritos por meio de gráficos, tabelas, cálculo de média, mediana e porcentagens.

RESULTADOS

Foram entrevistados 25 pacientes com idades entre 12 a 80 anos. Na determinação do


gênero e cor da pele, constatou-se que do total, 14 (52%) eram do sexo masculino e 72% eram cor
parda. Em relação aos tipos de reações hansênicas, verifica-se que 64% são acometidos do tipo 1 e
36% têm o tipo 2. (Tabela 1).

Tabela 1 - Perfil dos participantes do estudo em relação ao sexo, cor da pele e tipo de hanseníase.
Montes Claros, MG. Maio, 2021. (n.25)

Variáveis (%)
Sexo
Masculino 52%
Feminino 48%
Cor de pele
Parda 72%
Branca 20%
Preta 8%
Tipo de reações hansênicas
Tipo 1 64%
Tipo 2 36 %
Fonte: Dados do estudo
Em relação às alterações de cor, 60% das lesões eram hipercrômicas, sendo a mucosa jugal a
estrutura mais afetada, com 60% dos casos. O lado mais afetado foi o direito, identificado em 60%
dos casos, conforme a tabela 2.

Tabela 2 - Características das lesões fundamentais identificadas nos pacientes participantes do


estudo, Montes Claros, MG. Maio, 2021. (n.25).

Variáveis Nº %

Aspectos da Lesão
Hipercrômica 3 60
Hipocrômica 2 40

Estrutura afetada
Mucosa Jugal 3 60
Língua 1 20
Gengiva 1 20

Lado afetado
Direito 3 60
Esquerdo 1 20
Bilateral 1 20

Arcada afetada
Inferior 1 20
Ambas 1 20

Região afetada
Anterior 2 40
Média 2

Número
Único 4 80
Múltiplo 1 20

Coloração
Branca 2 40
Vermelha 2 40
Azul 1 20

Superfície
Lisa 5 100

Dor
Difusa 2 8
Passageira 2 8
Leve 2 8
Fonte: Dados do estudo
Em relação às lesões fundamentais, foram localizadas 11 lesões diferentes na boca de 16
pacientes entrevistados, o que corresponde a 44% dos participantes, sobre os quais a recessão
gengival foi a mais prevalente. As demais são descritas no quadro a seguir.

Tabela 3 - Alterações inespecíficas identificadas na cavidade oral dos pacientes participantes do


estudo. Montes Claros, MG. Maio, 2021. (n.25)

Variações de normalidade Localização Nº (%)

Enantema não uso de prótese Palato 1 ( 4%)


Língua geográfica Língua 3 (12%)
Língua Sulcada Língua 2 (8%)
Recessão gengival Gengiva 10(40%)
Pigmentação racial Gengiva 2 (8%)
Inflamação Gengiva 4 (16%)
Abscesso Fundo de sulco 2 (8%)
Tórus palatino Palato 1 (4%)
Aspecto casca de laranja Gengiva 1(4%)
Trauma mecânico por uso de Rebordo alveolar 1 (1%)
prótese
Não possui lesão ------------ 9 (36%)
Fonte: Dados do estudo

Dentre os entrevistados, oito pacientes são usuários de próteses, os quais cinco possuem
prótese total, dois possuem próteses parciais e um possui os dois tipos de próteses. Ao avaliar a
possibilidade de trauma, a metade possui áreas de traumas decorrentes da prótese. Ao verificar a
eficiência mastigatória, constata-se que 75% não possui mordedura adequada. Além disso, é
possível constatar que a metade das próteses está mal-adaptada (Tabela 4).

Tabela 4 - Características das próteses utilizadas pelos participantes do estudo, Montes Claros, MG.
Maio, 2021. (n.25)

Variáveis Nº %
Tipo de prótese
Prótese total 5 62,5
Prótese parcial 2 25
Ambas (total e 1 12,5
parcial)
Trauma local
Sim 4 50
Não 4 50
Mordedura
Sim 2 25
Não 6 75
Prótese mal
adaptada
Sim 4 50
Não 4 50
Total 8 100
Fonte: Dados do estudo

Dentre as pessoas entrevistadas, somente 8% responderam que fumam cigarros, 40% não
consomem álcool e três pessoas disseram que fazem ou fizeram uso de drogas ilícitas como
anfetaminas (4%), inalantes (4%) e opioides (4%). Em relação à medicação, 48% dos pacientes
fazem uso da medicação para hanseníase e, em segundo lugar, a medicação para hipertensão, com
28% do total (Tabela 5).

Tabela 5 - Hábitos de fumo, álcool, drogas e medicação dos participantes do estudo. Montes
Claros, MG. Maio, 2021. (n.25).
Variante Nº (pessoas) %
Fumo
Não fuma 23 92
Cigarro 2 8
Álcool
Nunca 20 40
Uma vez por mês 4 16
Duas a 4 vezes por mês 1 4
Drogas
Anfetamina ou êxtase 1 4
Inalantes 1 4
Opioide 1 4
Medicação
Corticoide 12 48
Talidomida 5 20
Pentoxifilina 1 4
Nenhum 13 52
Fonte: dados do estudo.

Dentre os pacientes entrevistados que apresentaram lesões fundamentais, 40% fazem uso de
corticoide e 20% utilizam corticoide, talidamida e pentoxifilina (Tabela 6).

Tabela 6 - Associação entre uso de medicamentos e presença lesão fundamentais


Variante Nº (pessoas) %
Lesões fundamentes identificadas nos 5 100
pacientes

Usuários de corticoide que 2 40


apresentaram lesões fundamentais
Usuários de corticoide, talidamida e 1 20
pentoxifilina que apresentaram lesões
fundamentais
Fonte: dados do estudo

DISCUSSÃO

O âmbito da odontologia não se restringe apenas aos cuidados dos elementos dentais e de
suas estruturas de suporte, ela se enquadra também na prevenção e diagnóstico de doenças do
complexo bucomaxilofacial, sendo o reconhecimento das lesões bucais fundamental na prática
profissional do cirurgião dentista. O exame clínico sistemático da cavidade bucal e uma anamnese
criteriosa são de responsabilidade deste profissional, sendo imprescindível para realização de um
diagnóstico correto3.
O cirurgião dentista pode realizar a prevenção e diagnóstico precoce da doença, o que
implica em um maior número de identificações dessas patologias. Dessa forma, o tratamento será
mais efetivo, além de diminuir seus efeitos colaterais, preservando função e estética, possibilitando
uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Outro ponto positivo é que o tratamento será menos
oneroso tanto para os pacientes, quanto para os órgãos públicos competentes17.
Ao se fazer uma análise sobre saúde bucal e a hanseníase, é possível constatar uma relação
entre elas, pois as infecções odontológicas podem desencadear episódios de reações hansênicas.
Estas reações são manifestações localizadas em diversas partes do corpo, ocasionadas devido a
inflamação provada pelo bacilo da Mycobacterium leprae, o que causa bastante incomodo ao
paciente. Os fatores bucais mais prováveis na ocorrência dessas reações estão as doenças gengivais
e periodontais1.
Os processos patológicos se manifestam por meio das lesões fundamentais, que são lesões
morfológicas que norteiam as descrições de alterações na cavidade bucal. As variações de
normalidade, bem como as lesões da mucosa bucal exercem e sofrem a influência da saúde geral do
indivíduo. O conhecimento sobre frequência e distribuição das alterações de normalidade e lesões
da mucosa bucal é útil para o estabelecimento do diagnóstico e de políticas de prevenção19.
 Para a análise de uma lesão, deve-se considerar a possibilidade de serem causadas por
vários agentes etiológicos para, posteriormente, construir um diagnóstico final 4. Ao avaliar os
pacientes que participaram da pesquisa, foi observado que, dentre as alterações inespecíficas da
mucosa bucal, a mais frequente foi a recessão gengival com 40% do total dos pacientes. De acordo
com Yared, Zenóbio e Pacheco20, um dos fatores que ocasiona essa alteração é a inflamação
gengival, que foi identificada em 16% dos pacientes.
A língua geográfica aparece com 12% entre os entrevistados. Segundo Carvalho, Trigueira e
Mangueira (2010), essa variação de normalidade pode ser causada por estresse emocional,
condições alérgicas ou algum distúrbio hormonal. Essa lesão pode desaparecer em semanas, mas
em alguns casos sofrem reincidência8.
As próteses mal adaptadas, associadas à falta de higienização do paciente, podem afetar de
forma adversa o prognóstico final do tratamento, considerando o aparecimento de lesões orais
provocadas pela prótese. São inúmeras lesões que podem surgir em relação ao uso de próteses
sendo as hiperplasias, estomatites, úlceras traumáticas, lesões periodontais e candidoses, as mais
frequentes6.
Foram identificados que 50% dos pacientes, usuários de próteses, possuem traumas no local.
O trauma estimula o surgimento de ferimentos, denominadas úlceras traumáticas e a manutenção
desta ferida pode provocar muita dor ao paciente com próteses, principalmente para aqueles que
possuem próteses total, suportadas pela mucosa oral. Deste modo, ao identificá-las, é possível que
essas lesões sejam tratadas mais precocemente, removendo as causas de traumas, como ajustes das
próteses e orientação de higienização adequada, o que evita o agravamento desse dano e,
consequentemente, propicia uma melhor qualidade de vida aos pacientes15.
Lesões cancerizáveis ou pré-malignas são lesões que podem, mas não necessariamente,
anteceder ao câncer bucal, porém são manifestações de grande importância devido à possibilidade
de diagnóstico precoce de câncer e de todas as suas implicações. Em relação às evidências clínicas,
as lesões cancerizáveis representam um importante achado para este diagnóstico13.
O tabagismo e bebidas alcoólicas são fatores de risco para o câncer de boca, sendo a mucosa
jugal um dos principais locais de aparecimento de alterações histopatológicas 12. Tendo isso em
vista, pacientes que possuem estes hábitos têm maior predisposição a apresentar lesões bucais
cancerizáveis, ou seja, lesões que podem sofrer transformação para malignidade. As lesões pré-
cancerígenas mais comuns são a leucoplasia, eritroplasia e líquen-plano. Estas lesões geralmente
são hipocrômicas, localizadas na mucosa jugal e que não saem por meio da raspagem. Neste estudo,
40% das lesões fundamentais identificadas foram hipocrômicas e 60% localizadas na mucosa jugal,
tendo possibilidades reais de se tratar de lesões pré-cancerizáveis.
O diagnóstico clínico pode ser equivocado ou duvidoso, então é necessário realizar
procedimentos como biópsias para avaliação histopatológica e posterior confirmação do
diagnóstico4. Sendo assim, todos os pacientes que tiveram alguma lesão identificada foram
encaminhados para realização de biópsias para conclusão do diagnóstico. No caso de lesões por
traumas, apenas a remoção da causa pode ser o suficiente para melhorar o quadro clínico do
paciente.
Em relação à medicação, muitas reações adversas apresentam-se na cavidade oral. As
principais manifestações clínicas são a ulceração de mucosa, a hiperplasia gengival, a xerostomia,
as lesões brancas e a diminuição do fluxo salivar 16. A medicação mais prescrita para hanseníase
foram os corticoides, utilizados por 48% dos pacientes entrevistados. Dentre os pacientes que
apresentaram lesões fundamentais, 40% deles fazem uso de corticoide. Além disso, todos pacientes
entrevistados fazem uso da poliquimioterapia, que consiste na aplicabilidade de três drogas:
dapsona, clofazimina e rifampicina.

CONCLUSÃO

O tema abordado é de grande relevância, pois permite a análise a respeito das demandas
odontológicas dos pacientes hansenianos, que poderão desenvolver algum tipo de lesão patológica
e, em face do exposto, o cirurgião-dentista e a equipe de saúde bucal podem colaborar no
tratamento e na prevenção de possíveis doenças bucais destes pacientes. Vale frisar que estudos
brasileiros relacionados à cavidade bucal em pacientes hansenianos são escassos, assim, estudos de
prevalência são importantes, pois fornecem dados sobre uma determinada condição que pode ser
empregada para o planejamento de ações destinadas à saúde coletiva.
No presente estudo, observou-se uma prevalência de lesões e/ou alterações do padrão de
normalidade da cavidade bucal de pacientes hansenianos, dado que corrobora com a necessidade de
se ter um cirurgião-dentista compondo a equipe multiprofissional responsável pelo tratamento
destes pacientes.
O papel do cirurgião-dentista vai desde a prevenção à detecção e aos tratamentos de doenças
relacionadas à mucosa oral do paciente. Neste contexto, o levantamento epidemiológico realizado
por este estudo demonstrou quais necessidades odontológicas os pacientes portadores de hanseníase
possuem.
Sendo assim, constata-se o papel fundamental exercido pelo cirurgião-dentista na prevenção
e minimização dos fatores de risco para doenças bucais, assim como o diagnóstico e o tratamento
precoce.
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