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ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA
5ª CÂMARA CÍVEL
Apelação Cível nº: 0097290-03.2006.8.19.0001
Apelante 1: Light Serviços de Eletricidade S.A.
Apelante 2: Bradesco Saúde S.A.
Apelado: Eliezer Fonseca Meira
Juiz: Dr. Ricardo Coimbra da S. Starling Barcellos
Relator: Des. Cristina Tereza Gaulia

Ementa: Apelação cível. Plano coletivo de saúde. Relação de consumo em face à seguradora de
saúde. Subsunção à Lei 9078/90. Estipulante. Legitimidade passiva. Teoria da asserção.
Reajuste de mensalidades acima do percentual permitido. Cobrança feita pela estipulante.
Devolução de valores. Contrato coletivo de saúde firmado com seguradora e intermediado pela
empresa ex-empregadora. Inexistência de solidariedade entre a estipulante e a seguradora de
saúde eis que aquela tão só repassa a cobrança, não sendo fornecedora, conforme art. 3º CDC.
Autor idoso e aposentado, que tem as mensalidades do plano de saúde reajustadas em patamar
incompatível com o índice estipulado pela ANS para o período. Reajuste que não tem amparo
legal e que fere os princípios da boa-fé, da transparência e da vulnerabilidade. Art. 4º, caput,
inc. I e II, CDC. Onerosidade excessiva imposta ao consumidor. Infringência às normas do art.
51, IV e X, CDC. Resolução Normativa nº 74/04 da ANS que atribui à agência o poder de
monitoração dos planos de saúde coletivos/empresariais. Índice de reajuste que, na forma do art.
7º da referida norma, deve ser submetido à apreciação da ANS. Inexistência de prova nos autos
de posicionamento da agência reguladora. Cobrança abusiva que resta configurada. Tentativa
de rompimento da equação econômico-financeira inicial. Fixação do índice no patamar
estipulado pela ANS para o ano de 2006 (11,57%). Devolução dos valores indevidamente
cobrados, de forma simples. Precedentes desta Corte. Primeiro recurso provido. Segundo apelo
desprovido. Manutenção em parte da sentença.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos da presente apelações


cíveis, em que constam como partes as acima mencionadas,
ACORDAM os Desembargadores da Quinta Câmara Cível do
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por
__________________, em DAR PROVIMENTO ao primeiro recurso
e NEGAR PROVIMENTO ao segundo, na forma do voto do Relator.

Rio de Janeiro, ___ /___ / 2010.

_____________________________
Des. Cristina Tereza Gaulia
Relator
TJRJ – 5ª CC
Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
VOTO

Estão presentes os requisitos de admissibilidade de


ambos os recursos, sendo caso de seu conhecimento.

A controvérsia exige verificar se há ilegitimidade


passiva da 1ª ré (Light); se o reajuste do valor da mensalidade do
plano de saúde coletivo de que é beneficiário o autor foi, ou não,
aplicado em índice autorizado por lei; se, em caso negativo, devem
ser devolvidas ao autor as quantias indevidamente cobradas; se há
solidariedade entre as rés, estipulante e seguradora.

A relação entre as partes é de consumo,


subordinada à Lei 8.078/90, vez que se está diante de contrato
coletivo de assistência médico-hospitalar. Não há dúvidas de que o
autor é consumidor, em sentido estrito, conforme definição do art. 2º
CDC, e a seguradora de saúde, fornecedora, à inteligência do art. 3º
§2º.

Pontue-se que, na hipótese em comento o contrato


ostenta, como característica diferencial, o fato de que os
consumidores-funcionários da 1ª ré (Light Serviços de Eletricidade)
não tiveram participação direta no momento da contratação com o
plano de saúde (2º réu), visto que estavam representados por seu
empregador, tendo este portanto atuado na condição de estipulante.

Diante disso, o autor, empregado aposentado da


referida empresa, pode exigir o cumprimento das condições pactuadas
no contrato e das normas legais que o regem pois, embora não seja o
contratante, é o usuário dos serviços, conforme letra do art. 2º CDC,
que se refere, o que o caracteriza como destinatário final:

“Art. 2º - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que


adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
final.”

Tal direito, por igual, também pode ser exercido


pela estipulante, já que esta contratou em favor do autor e dos demais
empregados dependentes e aposentados.

A forma da contratação, por conseguinte, através


da intermediação da estipulante, aqui a empresa Light, de modo
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Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
algum descaracteriza a natureza consumerista da relação contratual
firmada entre as partes.

Não há, por outro lado, ilegitimidade passiva da ré,


com base na teoria da asserção, ratificada, como se segue, pela
jurisprudência:

2005.002.29485-AGRAVO DE INSTRUMENTO
DES. SUIMEI MEIRA CAVALIERI
QUINTA CÂMARA CÍVEL
AGRAVO DE INSTRUMENTO. A verificação da presença das
condições da ação dá-se em abstrato, devendo o julgador
considerar a relação jurídica deduzida em juízo in statu assertionis.
Ao analisá-las, limita-se o Juiz a raciocinar admitindo,
provisoriamente e por hipótese, que todas as afirmações do autor
são verdadeiras. Assim, a preliminar de ilegitimidade passiva foi
corretamente afastada, pois a questão relativa à responsabilidade
da demandada por acidente envolvendo veículo que supostamente
não pertence à sua frota diz respeito ao mérito, podendo conduzir,
conforme o caso, à improcedência da pretensão autoral. (...)
Provimento parcial do recurso.

No entanto, não existe entre autor e Light uma


relação de consumo, o que exclui a solidariedade entre esta e a
Bradesco Saúde.

Entre o empregado aposentado e a empresa ex-


empregadora a relação se rege pelo instituto da estipulação em favor
de terceiro, não se enquadrando a empresa estipulante no conceito de
fornecedor de serviços do art. 3º §2º, eis que não presta serviços
securitários com habitualidade mediante remuneração, e nem
qualquer serviço de intermediação de venda de seguros, na forma
preconizada pelo art. 34 CDC.

Apenas convencionou a 1ª ré com a seguradora um


benefício médico-hospitalar coletivo em favor de seus empregados,
dependentes e ex-empregados, como se apontou acima.

Não há aqui identificação, quer expressa, quer com


base na teoria da aparência, entre as duas empresas, e a fórmula de
contratação visa à prática corrente de contratação da moderna
sociedade de massa.

A solidariedade, prevista no parágrafo único do art.


7º CDC, somente atinge os fornecedores, assim conceituados com
base na lei consumerista, que estejam atuando (e lucrando) no
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Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
mercado de consumo, em cadeia de fornecimento de produtos e
serviços.

Assim segundo o entendimento doutrinário e


jurisprudencial, a estipulante somente será solidariamente
responsável, se fizer parte do mesmo grupo econômico da
fornecedora principal.

Como tal não é a hipótese, e como a Light somente


repassa as cobranças das mensalidades, não é co-responsável pelo
aumento abusivo.

Superadas as questões preliminares, o mérito da


causa versa sobre reajuste na mensalidade do plano de saúde,
considerado abusivo pelo autor, enquanto que, para o 2º réu, tal
aumento é plenamente lícito pois amparado em cláusula contratual
que prevê “a possibilidade de reajustes por excesso de sinistralidade”.

No tocante a tal matéria, ab initio, ressalte-se que


está a mesma subordinada às normas protetivas ínsitas no art. 51,
incisos IV e X, CDC, que assim rezam:

“São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas


contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços
que:
(...)
IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas,
que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou
sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade;
(...)
X – permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente,
variação do preço de maneira unilateral.”

Por conseguinte, embora a Agência Nacional de


Saúde - ANS não tenha regulado especificamente a forma de reajuste
dos contratos coletivos de planos de saúde, ainda assim estão estes,
por sua própria natureza, subordinados aos princípios e normas de
proteção ao consumidor, não sendo pois cabível que se estipulem
regras que contrariem a legislação.

Outrossim, a função de monitoração da ANS em


relação aos planos coletivos de saúde está em vigor, aplicável
portanto à presente hipótese a determinação constante da Resolução
Normativa nº 74/04, cujo teor em parte se transcreve:
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Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
“RESOLUÇÃO NORMATIVA - RN Nº, 74 DE 07 DE MAIO DE
2004
Estabelece critérios para reajuste das contraprestações
pecuniárias dos planos privados de assistência suplementar à
saúde.
(...)
Considerando a política de controle da evolução de preços
adotada pela ANS, com foco principal nos planos individuais e
familiares e nos planos contratados por pessoas físicas junto a
autogestões não patrocinadas que sejam financiados
exclusivamente com recursos de seus beneficiários, mantendo sob
monitoramento permanente a operação das demais
modalidades de planos, ...
(...)
Art. 7º. Os percentuais de reajuste aplicados aos planos
coletivos, independente da data da celebração do contrato,
deverão ser informados à ANS pela Internet por meio de
aplicativo, observando as definições constantes do anexo VII desta
Resolução, em até trinta dias após a sua aplicação.

O 2º réu não provou tenha sido autorizado pela


ANS a implementar o reajuste em comento, tendo sido este, portanto,
fixado em patamar ao exclusivo alvedrio da seguradora.

Esse tipo de agir revela flagrante descumprimento


ao dever de transparência máxima e de informação ao consumidor
(art. 4º caput c.c art. 6º III CDC), em cabal desrespeito à condição de
vulnerabilidade daquele.

Portanto, não comprovada a licitude do índice


aplicado resta ilegítima a cobrança, razão pela qual devem ser
devolvidos ao autor-apelado os valores cobrados em excesso, ou seja,
acima de 11,75%, este o percentual autorizado pela ANS para o ano
de 2006, na forma determinada na sentença.

Outrossim, acrescente-se que inexiste nos autos


prova de que tenham sido submetidos à apreciação prévia dos
empregados da 1ª ré e associados do 2º réu, os cálculos que
embasaram o “redesenho do plano de saúde” (doc. às fls. 96/138) e
que justificaram o reajuste na forma implementada.

Consigne-se que a cláusula que prevê reajuste em


função da sinistralidade é abusiva vez que, na realidade, pretende o
fornecedor de plano de saúde repassar os riscos inerentes ao
desempenho da sua atividade comercial, ao consumidor.

TJRJ – 5ª CC
Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
No tocante a tal questão, colacionamos o
fundamento aplicado em hipótese análoga julgada na 16ª Câmara
Cível deste Tribunal (0097860-86.2006.8.19.0001), a saber:

“Não tendo os réus se desincumbido do ônus do inc. II do


art. 333 do CPC, pois não produziram prova técnica atuarial,
a única que teria força probante para demonstrar o
desequilíbrio contratual alegado e a necessidade de
reestruturação do seguro saúde com majoração tão elevada
das mensalidades (a chamada revisão técnica decorrente do
aumento da sinistralidade), deve ser reformada a sentença de
improcedência e limitado o aumento ao índice adotado e
divulgado pela ANS a fim de preservar o equilíbrio do
contrato.”

Refira-se o moderno entendimento doutrinário:

"(...) é necessário observar que o paradigma da autonomia


privada vem cedendo substancial e paulatinamente, com
especial ênfase em contratos de massa e de execução
continuada, como o seguro-saúde, sofrendo o influxo da
denominada boa-fé objetiva, que identifica a relação
obrigacional como um processo dinâmico." (in “A boa-fé no
Direito Privado”, Judith Martins Costa, 1ª ed., 2ª tiragem, São
Paulo, RT, 2000, p. 381 e segs).

A conduta da seguradora mostra-se pois em


descompasso com o princípio da boa-fé, este que deve nortear as
relações de consumo, na forma do art. 4º III1, e que gera no
consumidor a legítima expectativa de uma atuação com lealdade, em
qualquer fase da relação contratual.

No mesmo sentido tem decidido a jurisprudência


desta Corte. Refiram-se os seguintes acórdãos:

0028996-57.2010.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO


DES. ANTONIO SALDANHA PALHEIRO - Julgamento:
07/07/2010 - QUINTA CÂMARA CÍVEL
PROCESSO CIVIL. OBRIGAÇÃO DE FAZER. SEGURO-
SAÚDE. CONTRATO COLETIVO. RESCISÃO
UNILATERAL DO CONTRATO DIANTE DA NÃO
CONCORDÂNCIA DO AGRAVADO QUANTO AO
AUMENTO DE 30% DA MENSALIDADE DECORRENTE
DE AVALIÇÃO PERIÓDICA DOS RESULTADOS DE

1
CDC: “Art. 4º (...)
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do
consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos
quais se funda a ordem econômica (art. 170 da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações
entre consumidores e fornecedores.”
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Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
SINISTRALIDADE. DEFERIMENTO DE TUTELA
ANTECIPADA PARA QUE O AGRAVANTE MANTENHA O
PLANO CONTRATADO NAS CONDIÇÕES
ANTERIORMENTE DISCIPLINADAS NO CONTRATO.
AGRAVO DE INSTRUMENTO.1- INCONTROVERSA A
RELAÇÃO JURÍDICA HAVIDA ENTRE AS PARTES,
RESTANDO SUFICIENTEMENTE COMPROVADO O
ADIMPLENTE.2. DISCUSSÃO ACERCA DA VALIDADE,
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE NA
MAJORAÇÃO DO VALOR DA MENSALIDADE DO
PLANO DE SAÚDE QUE NÃO SE SOBREPÕE AO
DIREITO FUNDAMENTAL À VIDA E À SAÚDE. 3.
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA PRESERVADA PELA
MANUTENÇÃO DO CONTRATO EM SUAS ATUAIS
CONDIÇÕES. 4. DECISÃO AGRAVADA QUE NÃO SE
MOSTRA TERATOLÓGICA OU CONTRÁRIA À PROVA DOS
AUTOS. SÚMULA 59 DO E.TJ/RJ. NEGADO PROVIMENTO
AO RECURSO, MAS DE OFÍCIO AFASTAR A AMEAÇA DE
PRISÃO POR CRIME DE DESOBEDIÊNCIA.

0363551-92.2008.8.19.0001 - APELAÇÃO
DES. BENEDICTO ABICAIR - Julgamento: 28/05/2010 - SEXTA
CÂMARA CÍVEL
APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO.
REAJUSTE UNILATERAL DAS MENSALIDADES, ACIMA
DOS LIMITES ESTABELECIDOS PELA AGÊNCIA
NACIONAL DE SAÚDE. DESEQUILÍBRIO CONTRATUAL.
ONEROSIDADE EXCESSIVA.1. Inicialmente, cumpre
asseverar que a relação estabelecida entre as partes é regida pelas
normas de proteção ao consumidor, estando a ré enquadrada no
conceito legal de fornecedor de serviços e o autor, na posição de
consumidor, como determinam o art. 3º, § 2º e art. 2º, caput, ambos
do CDC.2. Não se pode olvidar que o contrato firmado entre as
partes é tipicamente de adesão, com todas as cláusulas impressas e
redigidas pelo apelante, que deve arcar com os ônus das
deficiências ou omissões do que foi pactuado.3. Assim, a
alteração dos preços das mensalidades por índices acima dos
oficiais depende da concordância expressa da parte contrária,
pois, se é lícito à apelante reclamar uma majoração dos preços
em função do aumento imprevisível e excessivo de seus custos,
também razão assiste ao apelado, que não se pode ver sufocado
por um encargo excessivamente oneroso, ao qual não prometeu
cumprir, formalmente.4. Cabe ressaltar que, não obstante a
apelante alegue desequilíbrio contratual e necessidade de
reestruturação do seguro saúde para fins de legitimação do reajuste
efetuado, não há nos autos prova técnica atuarial capaz de justificar
a tese expendida.5. Portanto, entendo que a sentença guerreada deu
a correta solução à lide, determinando que os reajustes do plano de
saúde sejam efetuados de acordo com os índices anuais fixados
pela ANS, pelo que não merece qualquer reparo.6. Negativa se
seguimento ao recurso, com fulcro no art. 557, caput, do CPC.

E também o STJ, verbis:


AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.
AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL. PLANO DE SAÚDE.
INCIDÊNCIA DO CDC. POSSIBILIDADE. REAJUSTE
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Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
ABUSIVO CONFIGURADO. MATÉRIA JÁ PACIFICADA
NESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83.
I - A variação unilateral de mensalidades, pela transferência
dos valores de aumento de custos, enseja o enriquecimento sem
causa da empresa prestadora de serviços de saúde, criando
uma situação de desequilíbrio na relação contratual, ferindo o
princípio da igualdade entre partes. O reajuste da contribuição
mensal do plano de saúde em percentual exorbitante e sem
respaldo contratual, deixado ao arbítrio exclusivo da parte
hipersuficiente, merece ser taxado de abusivo e ilegal.
Incidência da Súmula 83/STJ.
II - Agravo improvido.
(AgRg no Ag 1131324/MG, Rel. Ministro SIDNEI BENETI,
TERCEIRA TURMA, julgado em 19/05/2009, DJe 03/06/2009)

Isso posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO


ao primeiro recurso, julgando improcedente o pedido do autor em
relação à Light, condenando-o nos ônus da sucumbência, honorários
fixados em 10% sobre o valor da causa, observado o art. 12 da Lei
1060/50, e NEGAR PROVIMENTO ao segundo apelo, mantida a
sentença neste jaez, e impondo ao Bradesco os ônus da
sucumbência.

__________________________
Des. Cristina Tereza Gaulia
Relator

TJRJ – 5ª CC
Ap. Cív. nº 0097290-03.2006.8.19.0001
Rel. Des. Cristina Tereza Gaulia
ESTADO DO RIO DE JANEIRO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
5ª CÂMARA CÍVEL
Apelação nº: 0097290-03.2006.8.19.0001
Apelantes: 1) Light Serviços de Eletricidade S. A.
2) Bradesco Saúde S. A.
Apelado: Eliezer Fonseca Meira
Juiz: Dr. Ricardo Coimbra da Silva Starling Barcellos
Relator: Des. Cristina Tereza Gaulia

RELATÓRIO

Trata-se de apelações interpostas por Light


Serviços de Eletricidade S. A. e Bradesco Saúde S. A. à sentença
da 25ª Vara Cível da capital, retificada em sede de embargos de
declaração, que, nos autos da ação ordinária que lhes foi movida
por Eliezer Fonseca Meira, julgou procedente a pretensão autoral
para limitar o aumento do plano de saúde em 11,57%, nos períodos
de 2005 e 2006, e condenar as rés a restituírem os valores
cobrados a maior, acrescidos de correção pelos índices da
CGJ/TJRJ e com juros de 1% ao mês a contar da publicação da
sentença, bem como a pagar as custas e honorários advocatícios,
estes fixados em 10% sobre o valor da condenação.

Fundamentou o juízo de 1º grau que as rés são


legitimadas passivas tendo em vista que o contrato foi por ambas
firmado, e que o reajuste praticado não teve como parâmetro o
índice indicado pela ANS para o período a que se refere.

Recorre a 1ª ré (LIGHT S. A.), às fls. 307/321,


aduzindo, em preliminar, a inexequibilidade da sentença em relação
a si, pois não aufere qualquer valor em decorrência do plano de
saúde já que é mera estipulante e não operadora. No mérito,
sustenta que a ANS não tem atribuição para o controle de reajustes
de planos coletivos, mas tão somente de monitoração, bem como
não ser consumerista a relação entre as partes. Ressalta, ainda,
que o reajuste em questão decorreu de revisão técnica, regulada
pela Resolução Normativa ANS nº 19/02, com o objetivo de eliminar
situações de desequilíbrio e que somente foi implementado após
negociação com os contratantes. Ao final, requer o provimento do

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recuso, reformando-se a sentença para julgar improcedente a
pretensão autoral.

Apelação da 2ª ré (Bradesco Saúde S. A.), às fls.


323/330, afirmando ilegitimidade passiva ao argumento de que a
responsabilidade pelo reajuste deve ser imputada à 1ª ré; que o
contrato de plano de saúde coletivo firmado entre as partes, tendo a
Light como estipulante, previa a possibilidade de reajustes por
excesso de sinistralidade, para restabelecimento do equilíbrio
técnico-atuarial, com amparo na Resolução nº 371 da CVM; que o
reajuste em questão diverge daquele anualmente autorizado pela
ANS, que tem por finalidade corrigir a depreciação inflacionária dos
valores pagos pelos segurados. Ao final, requer o provimento do
recurso para que seja reconhecida sua ilegitimidade passiva ou,
subsidiariamente, a improcedência da pretensão autoral.

Contrarrazões apresentadas pelo autor às fls.


344/349, e pela 1ª ré às fls. 355/359.

Manifestações do Ministério Público de 1º grau


(fls. 350/352) e da Procuradoria de Justiça (fls. 362/367), ambas no
sentido do desprovimento dos recursos.

É o relatório.

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2010.

________________________________
Des. Cristina Tereza Gaulia
Relator

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Certificado por DES. CRISTINA TEREZA GAULIA


A cópia impressa deste documento poderá ser conferida com o original eletrônico no endereço www.tjrj.jus.br.
Data: 28/09/2010 19:26:02 Local: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - Processo: 0097290-03.2006.8.19.0001 - Tot. Pag.: 10