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CENTRO UNIVERSITÁRIO ATENEU

Organizadores/as:

Carlos André Moura Arruda


Rosângela Couras Del Vecchio
Silvia Letícia Martins de Abreu

NEUROPSICOPEDAGOGIA – A NEUROCIÊNCIA E SUAS VARIÁVEIS


Volume 2

2ª Edição

Fortaleza
UniAteneu – 2021
3

Ficha Catalográfica
Bibliotecária: Aparecida Porto - CRB-3/770
______________________________________________________________________
N494n Neuropsicopedagogia: a neurociências e suas variáveis / Organizadores
Carlos André Moura Arruda, Rosângela Couras Del Vecchio, Sílvia
Letícia Martins de Abreu. – Fortaleza: Uniateneu, V.2, 2021.
83p.

ISBN: 978-65-88268-16-2 (impresso)


978-65-88268-14-8 (digital)

1.Neuropsicopedagogia. 2. Neurociências. I. ARRUDA, Carlos André


Moura. II. DEL VECCHIO, Rosângela Couras. III. ABREU, Sílvia Letícia
Martins de. IV. Título.

CDD: 370.1507
______________________________________________________________________
4

Reitor do Centro Universitário Ateneu


Cláudio Ferreira Bastos

Conselho Científico e Técnico Editorial


Prof. Dr. Rosendo Freitas de Amorim
Profª. Dra. Maria Coeli Saraiva Rodrigues
Prof. Dr. José Júlio da Ponte Neto
Profª. Dra. Ana Paula Vasconcellos Abdon
Prof. Dr. Eduardo de Almeida e Neves
Profª. Ms. Lucidalva Pereira Bacelar
Prof. Esp. Afonso Paulo Albuquerque de Mendonça
Profª. Dra. Rosângela Couras Del Vecchio
Profª Esp. Fabrícia Alves Pinto
Profª Esp. Sherida Nayara Alves da Silva
Profª Esp. Silvia Letícia Martins de Abreu
Profª. Dra. Karine Pinheiro Souza
Profª. Dra. Germania Kelly Furtado Ferreira
Profª Ms. Monike Couras Del Vecchio Barros
Profª Esp. Andreia Lourenço da Silva
Profª Ms. Ana Rita Braúna Alencar
Profº Ms. Gil Camelo Neto
Profª Esp. Maria Valnice Carolino
Profª Ms. Ana Lourdes Maia Leitão

Capa e Diagramação
Vitor Félix Silva de Sousa

Revisão Ortográfica
Prof. Esp. Silvia Letícia Martins de Abreu

Bibliotecária Responsável
Aparecida Porto
5

PREFÁCIO

Silvia Leticia Martins de Abreu1

A leitura deste livro levará você em uma viagem magnífica, no que diz respeito às
dificuldades e dúvidas que você provavelmente tem sobre como usar a Neuropsicopedagogia a
favor da educação.
Este é, de fato, um livro inovador. Sua completa leitura proporcionará a você andar por
caminhos já conhecidos, porém com novo olhar. Ele vem trazendo várias propostas dentro de
uma visão inovadora sobre a atuação do Neuropsicopedagogo dentro do meio educacional.
Entre vários assuntos serão abordados temas como: Atuação e inovações do
Neuropsicopedagogo na aprendizagem, e dentro do desenvolvimento cognitivo e psicomotor;
também tentar compreender o que leva o indivíduo a ter dificuldades de aprendizagem e
desenvolvimento; além de levar ao leitor a reflexão sobre a necessidade de termos mais acervos,
dentro da perspectiva neuropsicopedagógica, que abordem temas sobre o racismo dentro das
instituições privadas de Ensino Superior.
Desta forma, O Centro Universitário Ateneu, através do seu polo da pós-
graduação, do curso de Neuropsicopedagogia, tem uma imensa satisfação em poder
ofertar através do Livro NEUROPSICOPEDAGOGIA – A NEUROCIÊNCIA E SUAS
VARIÁVEIS (Volume 2) uma diversidade de propostas a serem usadas no processo de
ensino-aprendizagem de alunos que necessitarem de acompanhamento
neuropsicopedagógico.
Aproveite bem a leitura de cada artigo e aumente seus conhecimentos dentro
dessa área tão pouco conhecida por muitos profissionais da educação.

Mãos a obra!!!

1Professora, Psicopedagoga e Coordenadora de Curso da Pós-graduação UNIATENEU. Especialista em


Psicopedagogia clínica e Institucional; Gestão e Didática de Ensino Superior; MBA em Gestão e
Negócios, pelo Centro Universitário Ateneu - UniATENEU; Especialista em Gestão Escolar, pela
Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA. Coordenadora Pós Ateneu; Professora da Graduação
UniATENEU; Professora do Colégio da Polícia Militar General Edgar Facó – CPMGEF.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2702678444760795
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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

1 SUPERAÇÃO - A ATUAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA


APRENDIZAGEM - Aparecida Batista da Silva, Marceléia Pereira de Oliveira,
Rosângela Couras Del Vecchio, Silvia Letícia Martins de Abreu

2 INOVAÇÕES DA NEUROPSICOPEDAGOGIA PARA AS DIFICULDADES


DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO COGNITIVO - Rosemary
Menezes Costa Oliveira, Rosângela Couras Del Vecchio

3 CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE


AQUISIÇÃO DA LEITURA EM CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM. Analtina Dantas Santos Sales, Talita Alves Soares de
Souza, Rosângela Couras Del Vecchio

4 A VISÃO DA NEUROPSICOPEDAGOGIA SOBRE O ACERVO DE


PRODUÇÕES CIENTÍFICAS COMO CONTRIBUIÇÃO CONTRA O
RACISMO EM UMA INSTITUIÇÃO PRIVADA DE ENSINO SUPERIOR -
Patrícia Maia Cordeiro Dutra, Ângelo Dutra Gomes, Ana Lourdes Leitão,
Rosângela Couras Del Vecchio, Silvia Letícia Martins de Abreu

5 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO COMO RECURSO DA


NEUROPSICOPEDAGOGIA NO TRATAMENTO DAS DIFICULDADES NA
APRENDIZAGEM ESCOLAR - Juliana Kecia de Menezes Santos,
Rosângela Couras Del Vecchio

6 O TDAH NO APRENDIZADO: DESAFIOS E CONSEQUÊNCIAS - Ana


Roberta Oliveira de Aquino, Maria Osvanir Paula de Lima Tavares
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APRESENTAÇÃO

Silvia Leticia Martins de Abreu 2

Nesse livro você encontrará uma diversidade de artigos científicos criados, apresentados
e discutidos no Curso de Neuropsicopedagogia da Uniateneu, Turmas 3 e 4. Nele serão
abordados temas sobre quão importante a Neuropsicopedagogia é para o desenvolvimento do
aprendente no processo de ensino e aprendizagem. Assim como, compreender e poder refletir
sobre a atuação do neuropsicopedagogo dentro da educação.
Entre os vários desafios da educação nos deparamos com a questão da inclusão dos
aprendentes que têm dificuldades ou transtornos de aprendizagem. É nesse momento em que se
torna essencial o papel do neuropsicopedagogo e sua atuação.
Vale ressaltar que a inclusão é um direito e dever de todos. No Brasil, ela foi
regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB – Lei 9394/96 que preconiza
a igualdade de direitos na educação dos sujeitos com necessidades educacionais especiais.
Nessa linha de pensamento, os artigos deste livro trazem à tona elementos importantes
sobre neurociências, psicologia e pedagogia. No intuito de aumentar os conhecimentos daqueles
que querem ajudar os indivíduos que têm dificuldades de aprendizagem.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Neuropiscopedagogia – SBNPp, no dia 30 de
julho de 2014, decidiu-se em Assembleia extraordinária, com mais de 2/3 dos membros do
Conselho de Ética e Técnico Profissional da SBNPp, a aprovação do Art. 1º e Art. 2º, que torna
legal o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia.
Tal decisão torna possível que este profissional possa, não só se realizar no plano
individual, mas também assumir seu papel social de forma coletiva, no que diz respeito ao
atendimento de indivíduos que necessitem de auxílio de ordem clínica e institucional.
Desta forma, Através da leitura completa deste livro você poderá perceber o que diz o
Artigo 10º, do Código de Ética do Profissional da SBNPp sobre a Neuropsicopedagogia ser
uma ciência: “transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociência aplicada à
educação, com interfaces da Psicologia e Pedagogia que tem como objeto formal de estudo a
relação entre cérebro e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal,
social e escolar.”.
Aproveite a oportunidade que este livro te oferece e se encha de conhecimentos
enriquecedores na área da neurociência voltada para a educação; dos estudos psicológicos que
afetam a aprendizagem e nas questões de dificuldades cognitivas dentro da pedagogia.

Boa leitura!

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Professora, Psicopedagoga e Coordenadora de Curso da Pós-graduação UNIATENEU. Especialista
em Psicopedagogia clínica e Institucional; Gestão e Didática de Ensino Superior; MBA em Gestão e
Negócios, pelo Centro Universitário Ateneu - UniATENEU; Especialista em Gestão Escolar, pela
Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA. Coordenadora Pós Ateneu; Professora da Graduação
UniATENEU; Professora do Colégio da Polícia Militar General Edgar Facó – CPMGEF.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2702678444760795
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SUPERAÇÃO - A ATUAÇÃO DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA APRENDIZAGEM

(OVERCOMING - THE NEUROPSYCHOPEDAGOGUE'S PERFORMANCE IN


LEARNING)

Aparecida Batista da Silva3


Marcela a Pereira de Oliveira4
Rosângela Couras Del Vecchio5
Silvia Letícia Martins de Abreu6
RESUMO

A neuropsicopedagogia, emerge como um campo novo, um olhar sensível e


direcionado para novas perspectivas. O objetivo geral busca demonstrar que a
neuropsicopedagogia é aliada na contribuição da aprendizagem escolar. Os objetivos
específicos são: Definir que a neuropsicopedagogia está diretamente relacionada com
a aprendizagem; Especificar como a neuropsicopedagogia contribui para melhorar e
intensificar o relacionamento entre aluno e professor. A metodologia é do tipo
bibliográfica com abordagem qualitativa e caráter exploratório. Os resultados
encontrados tratam das questões da neurociência, psicologia, pedagogia e
contribuíram para uma maior compreensão da temática. Desta forma, conclui-se que
a atuação do neuropsicopedagogo na aprendizagem não há como negar a relação
entre desenvolvimento cerebral, cognição, emoção e aprendizagem, sendo esses
quesitos apontados por diversos teóricos.

Palavras-chave: Neuropsicopedagogia. Aprendizagem. Superação.

ABSTRAC

Neuropsychopedagogy emerges as a new field, a sensitive view and directed towards


new perspectives. The general objective seeks to demonstrate that
neuropsychopedagogy is combined with the contribution of school learning. The
specific objectives are: To define that neuropsychopedagogy is directly related to
learning; Specifying how neuropsychopedagogy contributes to improving and
intensifying the relationship between student and teacher. The methodology is
bibliographic with a qualitative approach and an exploratory character. The results
found deal with the issues of neuroscience, psychology, pedagogy and contributed to
a greater understanding of the theme. Thus, it is concluded that the role of the
neuropsychopedagogue in learning is not to deny the relationship between brain
development, cognition, emotion and learning, these issues being pointed out by
several theorists.

3 Pós graduanda do curso de Pós-graduação em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional do


Centro Universitário Ateneu (cidabatista109@gmail.com)
4 Pós graduanda do curso de Pós-graduação em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional do

Centro Universitário Ateneu (davisanttiago@gmail.com)


5 Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e

Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhanguera – SP


(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
6 Coordenadora e revisora da Pós-graduação da UniAteneu, do curso de Neuropsicopedagogia pelo

UNIATENEU. (silvialeticiacoordenacao@gmail.com)
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Keywords: Neuropsychopedagogy. Learning. Overcoming

1 INTRODUÇÃO

A comunidade escolar, de forma geral, tem como objetivo levar em


consideração, o processo de aprendizagem dos alunos para seu pleno
desenvolvimento educacional e social. Portanto, a função da escola pode ser
resumida, de certa forma, nos seguintes termos: espera-se que o aluno aprenda e que
o professor oriente a aprendizagem o aluno.
Existem novas demandas metodológicas e organizacionais dentro dos
ambientes escolares; novas posturas dos alunos e das famílias, advindas de uma
nova composição familiar; novos estímulos constantes, como é o caso das
tecnologias. Todos esses elementos colocam a sociedade em constante
transformação e, consequentemente, mudam as relações humanas, bem como a
aprendizagem, que se torna cada vez mais autônoma, uma vez que o acesso às
informações é mais frequente, ou seja, aprender não depende mais de um mediador
ou de um professor visto como detentor do saber; o aprender está disponível para ser
praticado a todo momento e de diferentes formas.
Como se vê, a área de atuação da Neuropsicopedagogia tem se apresentado
com múltiplas facetas, tanto no que se refere a prática clínica quanto a institucional. A
educação se aproximou de campos específicos, como da psicopedagogia, da
neurociência e da neuroeducação, ciências que trazem novas ferramentas de
entendimento e aplicabilidade sobre os processos de aprendizagem.
A neuropsicopedagogia favorece o entendimento mais amplo da aprendizagem
humana, contemplando diferentes ciências e pontos de vista, que vão ao encontro
dessa demanda de entender o indivíduo como ser único, detentor de conhecimentos
prévios e com capacidades diferentes de aprender.
Essa pesquisa poderá contribuir para o oferecimento aos profissionais que se
interessam por aprendizagem a possibilidade de analisar este processo do ponto de
vista do sujeito que aprende e da instituição que ensina. A pergunta norteadora que
sintetiza o problema: Como a atuação do neuropsicopedagogo pode ajudar o aluno a
construir seu conhecimento e como o mesmo aprende?
O objetivo geral busca demonstrar que a neuropsicopedagogia é aliada na
contribuição da aprendizagem escolar. Os objetivos específicos são: Definir que a
neuropsicopedagogia está diretamente relacionada com a aprendizagem; Especificar
como a neuropsicopedagogia contribui para melhorar e intensificar o relacionamento
entre aluno e professor.
Para melhor organização do trabalho, subdividimos em duas partes: a primeira
parte aborda sobre as teorias, onde trabalhamos conceitos fundamentais para
compreender o fenômeno. E a segunda parte empírica, metodologia, análise de
informação e conclusões.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Com a junção da neurociência, da psicologia e da pedagogia originou-se uma


nova ciência transdisciplinar, a Neuropsicopedagogia, cujo objetivo é compreender as
funções cerebrais para o processo de aprendizagem, com intuito na reabilitação e
prevenção dos eventuais problemas detectados nos indivíduos. Assim, o papel da
neuropsicopedagogia no processo de ensino e aprendizagem vem como uma
proposta de implementação desse profissional em todas as instituições como
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ferramenta de inclusão e sucesso escolar.

2.1 Neuropsicopedagogia

Com as transformações percebidas ao longo dos anos, o campo da Neurologia,


Psicologia e Pedagogia, áreas que estabeleceram relações com a Neurociências,
consequentemente tornando-se em Neuropsicopedagogia, tem buscado fomentar em
estudos e pesquisas em prol das funções desse profissional e de indivíduos que
sofrem com distúrbios neuronais.
A partir daí, diversos pesquisadores como: Pedagogos, Psicopedagogos,
Psicólogos, Neuropsicólogos, Pediatras, Psiquiatras, Fonoaudiólogos,
Neurolinguistas, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Neurocientistas, se
reuniram diretamente e indiretamente para melhor entender a forma como o cérebro
se processa nos processos cognitivos e emocionais dos indivíduos. E definiram que:
[...] a neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do
desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro,
ao mesmo tempo em que estuda os processos psicocognitivos responsáveis
pela aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo
ensino” (FONSECA, 2014, p.1).

Conforme o código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, no


capítulo 10, encontramos a seguinte definição dessa ciência:
a neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do
desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro,
ao mesmo tempo que estuda os processos psicocognitivos responsáveis pela
aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo ensino”
(SBNPP, 2016, p.3)

Desse modo, a neuropsicopedagogia se caracteriza na área de conhecimento,


voltada principalmente para os processos de ensino e aprendizagem, que se compõe
na avaliação de indivíduos em defasagem.
A saber, esses indivíduos não se desenvolvem fora dos contextos históricos,
sociais, culturais, econômicos e educacionais, e o funcionamento do cérebro
é justamente uma interação dos impulsos nervosos ao transmitir por meio das
sinapses a liberação de substâncias químicas chamadas de
neurotransmissores. (RAQUEL ARAUJO, 2010, p.149)

Para que haja o processo cognitivo do aluno no cotidiano escolar, uma ampla
inter-relação de desenvolvimento deve agregar-se aos fatores psicológicos, biológicos
e culturais, esses por sua vez, precisam estar sintonizados para alcançar o sucesso
escolar dos envolvidos nesse contexto.
A esse respeito, Acampora (2017, p.31) afirma:

Entre as muitas opções existentes para se entender como se dá o


aprendizado, nos últimos tempos, a Neuropsicopedagogia vem ganhando
destaque, por ser uma área que interliga conhecimentos de Psicologia
Cognitiva e da pedagogia, possibilitando assim a compreensão da forma com
que o cérebro dos sujeitos receptivos assimila as informações que são
transmitidas a eles. Para alcançar esse objetivo, os atuantes da área, que é
bem recente no Brasil, estudam a interação entre o funcionamento cerebral,
a mente e o aprendizado por meio de métodos rigorosamente científicos que
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os levam a planejar intervenções precisas na intenção de promover o


desenvolvimento dos sujeitos epistêmicos. (ACAMPORA, 2017, p.31)

Numa visão mais abrangente, pode-se dizer que essa junção se tornou em uma
ciência que analisa o sistema nervoso e sua atuação no comportamento humano,
tendo como principal enfoque, a aprendizagem por meio da práxis. Assim, procura
fazer inter-relações entre os estudos das neurociências com os conhecimentos da
Psicologia Cognitiva e da Pedagogia. As áreas do conhecimento que antes agiam
independentes uma das outras, começaram a fazer relações, denominado
neuroeducação, promovendo desta forma a identificação, diagnóstico, reabilitação e
prevenção frente às dificuldades e distúrbios das aprendizagens dos estudantes.
Dessa forma, percebemos que a neurociência (que tem sua origem no grego:
neuros que significa (nervos, ou seja, o estudo do sistema nervoso) e a psicologia
(que estuda os processos mentais e o comportamento humano) traz uma nova
concepção para o campo da aprendizagem e da educação, chamada de
neuropsicológica e de neura educação.
Extremamente ligada a neurociência, a neuropsicopedagogia busca por meio
do funcionamento do cérebro, os recursos para a aprendizagem, considerando os
métodos didáticos e avaliativos uma interferência significativa nesse processo. Para
compreender basicamente esse órgão, ele é dividido em três partes fundamentais: o
hipotálamo que é um pequeno órgão que controla as funções de sobrevivência, como
a fome, a sede, e também o impulso sexual; já o sistema límbico, tem a função de
prover ao indivíduo as emoções; por fim, o córtex que controla os movimentos do
corpo, a percepção dos sentidos e o pensamento. (BEAR; CONNORS, 2008)
Além da contribuição dessas duas áreas na neura educação, a pedagogia entra
nesse contexto como terceiro elemento para fechar um ciclo de novas possibilidades
e ampliações da visão educacional, pois essa ciência, como seu próprio nome já
traduz (paidos - criança e gogia - conduzir ou acompanhar), estuda a educação e a
didática de maneira conjunta para favorecer a aprendizagem.

2.2 Neuropsicopedagogia Relacionada a Aprendizagem

A aprendizagem é tema central na atividade do professor. Pode-se dizer que


todo o trabalho do professor se resume na questão da aprendizagem. Dewey (1979)
chega a afirmar que, se o aluno não aprendeu, o professor não ensinou; se o aluno
não aprendeu, o professor foi uma tentativa de ensinar, mas não ensinou, assim como,
no comércio, se o freguês não chegou a comprar, o comerciante não pode dizer que
vendeu.
É difícil encontrar uma definição de aprendizagem que abranja tudo que está
envolvido no processo de aprendizagem. Não é somente um processo de entrada e
saída de informação, nem tampouco pode ser considerado somente a partir da área
emocional. O aprendizado integra o cerebral, o psíquico, o cognitivo e o social.
Portanto, podemos dizer que é um processo neuropsicocognitivo que ocorrerá num
determinado momento histórico, numa determinada sociedade, dentro de uma cultura
particular.
Deve-se destacar a influência que toda a nossa bagagem tem sobre o
aprendizado, ou seja, nossas experiências passadas, nossos sentimentos, nossas
vivências e as situações sociais nas quais se desenvolve o aprender. Nossa estrutura
psíquica dá sentido aos processos perceptivos, enquanto a organização cognitiva
sistematiza toda a informação recebida de uma forma muito pessoal de acordo com
as experiências vivenciadas e as situações sociais onde elas se desenvolvem.
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Portanto os sujeitos da aprendizagem e seus modos de aprender são produtos das


práticas culturais e sociais. (RISUEÑO,2005).
O processo de aprendizagem já não é considerado uma ação passiva de
recepção, nem o ensinamento uma simples transmissão de informação. Ao contrário,
hoje falamos de aprendizagem interativa, da dimensionalidade do saber. A
aprendizagem supõe uma construção que ocorre por meio de um processo mental
que implica na aquisição de um conhecimento novo. É sempre uma reconstrução
interna e subjetiva, processada e construída interativamente.
Os seres humanos precisam de contínuas aprendizagens que começam a
ocorrer a partir da gestação. O aprender é o caminho para atingir o crescimento como
pessoas num mundo organizado; as interações com o meio nos permitem a
organização do conhecimento. Portanto, a aprendizagem é um processo que ocorre
durante toda a vida.
Vygotsky (1994, p.104) analisa que “o curso do desenvolvimento precede
sempre o da aprendizagem. A aprendizagem segue sempre o desenvolvimento”. Essa
concepção torna-se uma grande contribuição acerca dos pressupostos educacionais,
nos quais ‘o aprender’ favorece ativamente o desenvolvimento cognitivo e a
maturação. Ao contrário de condutas pedagógicas passivas, influenciadas pela teoria
de Piaget, na qual a escola acredita “como necessário esperar que a criança atinja os
diferentes estágios para poder aprender o conteúdo escolar” (CAPOVILLA;
CAPOVILLA, 2007, p.67). Vygotsky (1994) demonstra o oposto: não há necessidade
de esperar etapas e/ou estágios de desenvolvimento, mas sim, de estimular a
aprendizagem para a progressão do desenvolvimento cognitivo ao longo desses
estágios. Esta concepção comunga com o que imputável ao docente – a mediação.
Ao expor estas teorias, que procuram esclarecer as relações entre
desenvolvimento e aprendizagem, podemos trazer a reflexão para o campo da
neurociência onde o aprendizado provoca ou promove o desenvolvimento cognitivo
por meio da proliferação de redes neuronais e transmissão sináptica no sistema
nervoso central, pois “quanto mais aprendemos, mais redes formamos e mais
neurônios teremos para propiciar plasticidade cerebral” (FERREIRA, 2009, p.56).
Essa comprovação neuroanatomofisiológica ratifica os estudos teóricos de Vygotsky
(1994) em relação ao exposto anteriormente sobre aprendizagem, desenvolvimento
cognitivo e maturação, em que “a aprendizagem é uma superestrutura do
desenvolvimento” (p.104).
Considerando que a aprendizagem não se restringe, apenas, à fase escolar, e
aplicado esse conceito à relevância das relações sociais da criança com o meio em
que vive, fazem-se necessários diversos estímulos durante o seu desenvolvimento, já
que a infância é um período muito propício à aprendizagem. Observamos, na criança,
demonstrações de raciocínio e lógica abstrata, principalmente durante as
brincadeiras, antes do ingresso escolar.
Desta forma, torna-se importante a viabilização de diferentes estímulos
(auditivos, visuais, sinestésicos, motores) por intermédio de músicas, histórias,
teatros, brincadeiras, rimas, esportes, fantoches, jogos, dentre outros, adequando a
ludicidade e proporcionando estímulos em várias áreas cerebrais.
Nesta perspectiva, Ferreira (2009) afirma a correlação entre a aprendizagem e
o desenvolvimento cerebral quando relata que cada aprendizado determina uma
transformação cerebral, de forma anatômica, pois o(s) estímulo(s); leva(m) à
construção de uma nova ou de novas conexões entre os dendritos de diferentes
neurônios e que são localizados em diferentes regiões cerebrais.
Concluindo, pode-se definir aprendizagem como uma modificação
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relativamente duradora do comportamento, através de treino, experiência,


observação. Se a pessoa treinou, ou passou por uma experiência especialmente
significativa para ela, ou observou alguém na realização de algo, e depois disso
mostra-se de alguma forma modificações adequadas, e, além disso, mantiver esta
mudança por tempo razoavelmente longo- então podemos dizer que houve
aprendizagem.

2.3 Atuação do Neuropsicopedagogo

O neuropsicopedagogo é um especialista da junção da neurociência, psicologia


e pedagogia, que busca compreender o funcionamento do cérebro, além de adaptar
às melhores metodologias educacionais aos indivíduos com sintomas cognitivas e
emocionais debilitados. De antemão, esse profissional, deve conhecer as anomalias
neurológicas para desenvolver um papel de acompanhamento pedagógico as
pessoas que apresentem essas sintomatologias, sendo assim um dos elementos mais
importantes para desenvolver e estimular novas sinapses diante do processo de
ensino e aprendizagem (TABAQUIM, 2003).
O trabalho do neuropsicopedagogo em âmbito escolar ou fora dele é de propor
exercícios de estímulos aos pacientes/alunos que auxilie as atividades cerebrais. O
cérebro por sua vez, tem as funções de receber, selecionar, memorizar e processar
os elementos captados pelos sensores, a qual essa compreensão desse órgão, auxilia
no trabalho desse profissional. Sendo assim, realiza um trabalho que avalia e auxilia
nos processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para um melhor
processo de ensino e aprendizagem, direcionando suas atenções para aquelas
pessoas com transtornos diversos e que necessitam de um olhar mais apurado em
seu tempo de aprendizagem. Aliás, todo ser humano tem capacidade para aprender,
não importando suas limitações.
Em linhas gerais, os alunos que apresentam deficiências sensoriais, mentais,
cognitivas ou transtornos significantes no comportamento em âmbito escolar, são
amparados pela Educação Inclusiva, leis que foram discutidas na Declaração de
Salamanca (1994), na Conferência de Jomtien (1990), Estatuto da Criança e do
Adolescente (1990), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), qual
ratificaram que todos, devem tem possibilidades de integrar-se ao ensino regular e
sem restrição. Desse modo, a escola deve adaptar-se para atender essas
necessidades ao inseri-los em classes regulares, buscando caminhos que favoreçam
a integração dos mesmos em boas práticas e replicabilidade posteriormente. Porém,
no cotidiano escolar a realidade é outra, pois pais, educadores e os próprios colegas
de sala, não estão preparados para auxiliar o incluso nas turmas regulares de ensino
da Educação Básica.
O trabalho do neuropsicopedagogo em âmbito escolar ou fora dele é de propor
exercícios de estímulos aos pacientes/alunos que auxilie as atividades cerebrais. O
cérebro por sua vez, tem as funções de receber, selecionar, memorizar e processar
os elementos captados pelos sensores, a qual essa compreensão desse órgão, auxilia
no trabalho desse profissional. Sendo assim, realiza um trabalho que avalia e auxilia
nos processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para um melhor
processo de ensino e aprendizagem, direcionando suas atenções para aquelas
pessoas com transtornos diversos e que necessitam de um olhar mais apurado em
seu tempo de aprendizagem. Aliás, todo ser humano tem capacidade para aprender,
não importando suas limitações.
Atualmente a escola é a única instituição de ensino capaz de ampliar as
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questões de aprendizagens e sociais dos indivíduos, mas vem recebendo inúmeras


tarefas perdendo o foco com a relação com o saber. Assim, a escola e cérebro com
suas funções especificas remetem ao desenvolvimento cognitivo, por isso devem
estar agregadas as funções do neuropsicopedagogo que fará a amálgama para o
sucesso escolar.
Ao conhecer as funções neurofuncionais de alunos com determinadas
limitações, o neuropsicopedagogo torna-se primordial para o processo educacional ao
empregar como recurso principal, entrevistas dedicadas a expressão e
comportamentos em busca do diagnóstico educacional. Assim, será capaz de
desenvolver um trabalho pertinente, proporcionando assim, um processo eficaz na
aprendizagem dos alunos.
As atribuições do neuropsicopedagogo, em conhecer os distúrbios das
aprendizagens e posteriormente os processos da aprendizagem humana, tem a
função de identificar, diagnosticar e encaminhar a outros especialistas por meio de
pareceres e laudos. Distúrbios esses, que podem estar relacionados a leitura, a
escrita, a matemática, a situação problemas, a déficit visuais, motora, transtornos
emocionais ou desenvolvimento intelectual. Com essas observações especificas
pode-se endossar os recursos mediante aos outros laudos de profissionais de saúde,
a partir do quadro de sintomas existentes do aluno, e assim, trilhar o caminho para a
solução do problema de aprendizagem dos mesmos.
Em âmbito escolar, após o diagnóstico de outros especialistas, o profissional
de neuropsicopedagogo atuará paralelamente com a família, com intuito de realizar
um trabalho de intervenção pedagógica, almejando a evolução sistêmica do mesmo,
respeitando sempre as limitações de cada indivíduo. Dentro deste novo contexto
educativo de inclusão, os membros da comunidade escolar percebem urgentemente
a necessidade de um profissional especialista, que venha dar suporte diariamente,
nas questões pedagógicas e psicológicas para promover uma aprendizagem mais
eficaz e redução dos problemas educacionais nos diversos níveis de ensino.
O neuropsicopedagogo pode atuar em espaços clínicos e institucionais. Ao
atuar no clínico, pode realizar seu trabalho em consultórios e ambientes que
necessitem de uma atividade profissional contínua, com base no diagnóstico que
precede o processo de intervenção. A prática clínica não pode ser realizada de
maneira isolada, mas em parceria com a família, a escola, os professores envolvidos
e demais profissionais que estejam atendendo o sujeito.
Já o neuropsicopedagogo institucional pode trabalhar em hospitais, escolas e
demais espaços de atendimento coletivo. Poderá realizar atividades diagnósticas e
intervenção coletiva com o objetivo de prevenção. O profissional deve estar ciente de
sua identidade profissional e de suas práxis, delimitando a sua atuação apenas em
seu campo de conhecimento. Assim, quando necessário, deverá realizar
encaminhamentos e outros profissionais.
Segundo o Código de Normas Técnicas 01/2016, da Sociedade Brasileira de
Neuropsicopedagogia, no artigo 29, as funções do neuropsicopedagogo se resume
em:
a) Observação, identificação e análise do ambiente escolar nas questões
relacionadas ao desenvolvimento humano do aluno nas áreas motoras,
cognitivas e comportamentais, considerando os preceitos da neurociência
aplicada a Educação, em interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva;
b) Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo
ensino e aprendizagem dos que são atendidos nos espaços coletivos;
c) Encaminhamento de pessoas atendidas a outros profissionais quando o
caso for de outra área de atuação/ especialização contribuir com aspectos
específicos que influenciam na aprendizagem e no desenvolvimento humano.
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(SBNPp, 2016, p. 4).

A SBNPp instituiu o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicologia,


pela resolução n.03/2014 (SBNPP, 2016), que trata da postura ética do profissional
dessa área. Esse documento tem o objetivo de normatizar, por meio de valores e
princípios éticos, a conduta profissional do neuropsicopedagogo.
O Código de Ética, no seu artigo 3º, define como neuropsicopedagogo, o
profissional que através de uma formação pessoal, educacional, profissional e um
corpo de prática da Neuropsicopedagogia busca atender demandas sociais, norteado
por padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada
relação de um profissional com seus pares e com a sociedade como um todo de
acordo com as especificidades das funções. (SBNPP, 2016, p.1).
Os alunos de hoje merecem uma educação exemplar baseada na atual
investigação sobre o cérebro. Isto não pretende sugerir que tudo o que os professores
e as escolas fizeram até aqui estava errado, mas sim que temos uma nova informação,
baseada na própria biologia da aprendizagem do cérebro, que pode melhorar a
educação. Como o cérebro processa a informação que recebe, como ocorre o registro
sensório, como funciona a memória, como os ritmos biológicos afetam o aprender e o
ensinar são algumas das perguntas que nós fazemos e que já começa ter delineadas
suas respostas pelas Neurociências. Quem compreende o processo de aprender
como uma atividade deve pensar nas condições essenciais para que esta atividade
seja otimizada.
Mesmo que o especialista em neuropsicopedagogia desenvolva um papel
significativo nos quesitos de diagnósticos e na aplicação das ferramentas pedagógicas
no processo de ensino e aprendizagem, os problemas contemporâneos se destacam
em cunhos socioeconômico, familiar e cultural ainda bastante incisivos para o fracasso
escolar. Em contrapartida, defasagens de aprendizagens, incivilidades e indisciplinas
que permeiam no cotidiano escolar, poderiam serem amenizados se as famílias
estivessem ainda mais presentes na vida escolar dos filhos. É notório que a ausência
de responsáveis, seja em âmbito escolar ou afetivo, expõe os filhos a viverem com
sentimento de insegurança, carência, desvalorização e desinteresses, criando assim,
traumas irreversíveis em muitos casos, a qual consequentemente afeta no processo
da aprendizagem do aluno. Assim, a educação escolar é um subsídio interpretado
pela a família, e não vice versa, como pensam alguns pais com uma inversão de
valores, ao deixar os filhos à mercê dos professores na escola.

3 METODOLOGIA

A metodologia trata das formas de se fazer ciência. Cuida dos procedimentos,


das ferramentas e dos caminhos para se atingir a realidade teórica e prática, pois essa
é a finalidade da ciência. (DEMO,1985).

3.1 Tipo de Pesquisa

Essa pesquisa se caracteriza como bibliográfica. Para Gil (2002) pesquisa


bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído,
principalmente de livros e artigos científicos.
16

Conforme esclarece Boccato (2006, p. 266),

A pesquisa bibliográfica busca a resolução de um problema (hipótese) por


meio de referenciais teóricos publicados, analisando e discutindo as várias
contribuições científicas. Esse tipo de pesquisa trará subsídios para o
conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob que enfoque e/ou
perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura científica. Para
tanto, é de suma importância que o pesquisador realize um planejamento
sistemático do processo de pesquisa, compreendendo desde a definição
temática, passando pela construção lógica do trabalho até a decisão da sua
forma de comunicação e divulgação.

Ou seja, a pesquisa bibliográfica é uma das etapas da investigação científica e


por ser um trabalho minucioso ─ requer tempo, dedicação e atenção por parte de
quem resolve empreendê-la

3.1.1 Abordagem

O tipo de abordagem se dar de forma qualitativa. Se fundamenta em uma


estratégia baseada em dados coletados em interações sociais ou interpessoais,
analisadas a partir dos significados que participantes e/ou o pesquisador atribuem ao
fato. (CHIZZTI apud CAMPOS, 2001).
A pesquisa qualitativa constitui “(...) uma propriedade de ideias, coisas e
pessoas que permite que sejam diferenciadas entre si de acordo com suas naturezas.”
(MEZZAROBA,2003).

3.1.2 Objetivo Metodológico

Se caracteriza pesquisa exploratória, pois apresenta-se o percurso construído


com utilização da pesquisa bibliográfica como procedimento metodológico. Esta,
enquanto estudo teórico elaborado a partir da reflexão pessoal e da análise de
documentos escritos, originais primários denominados fontes. (SALVADOR,1986)
A pesquisa exploratória é uma metodologia que costuma envolver:
levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas
com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão.
(GIL, 2002).

3.1.3 Procedimento Bibliográfico

Esse procedimento tem o objetivo de auxiliar o pesquisador no


desenvolvimento da pesquisa, pois ela irá apresentar e explicar o conhecimento atual
sobre o tema selecionado e identificará pesquisa feita dentro do campo escolhido.
(SEVERINO,2000).
É o passo inicial na construção efetiva do processo de investigação, quer dizer,
após a escolha de um assunto é necessário fazer uma revisão bibliográfica do tema
apontado. (ALYRIO,2009)

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Podemos ver na tabela de nº 1 as contribuições de vários pesquisadores sobre


17

a temática estudada e que trata de uma nova perspectiva em educação, um olhar


minucioso sobre aprendizagem.

AUTOR TÍTULO RESULTADO DISCUSSÃO


V. Fonseca (2014) Papel das funções Neuropsicopedagogia procura Entender o
cognitivas, reunir e integrar os estudos do desenvolvimento
conotativas e desenvolvimento, das cerebral, dessa
executivas na estruturas, das funções e das forma, é essencial. É
aprendizagem: disfunções do cérebro, ao a compreensão de
uma abordagem mesmo tempo que estuda os dentro para fora que
neuropsicopedagó processos psicocognitivos vai revelar como
gica. responsáveis pela aspectos da
aprendizagem e os processos aprendizagem
psicopedagógicos acontecem, como as
responsáveis pelo ensino” conexões neuronais
favorecem a
aquisição de
conhecimento.
Sociedade brasileira Código de Ética A neuropsicopedagogia A
de procura reunir e integrar os neuropsicopedagogi
Neuropsicopedagogia estudos do desenvolvimento, a procura estudar a
,2016 das estruturas, das funções e relação entre o
das disfunções do cérebro, ao funcionamento do
mesmo tempo que estuda os sistema nervoso e a
processos psicocognitivos aprendizagem, mas
responsáveis pela sempre sob uma
aprendizagem e os processos perspectiva de
psicopedagógicos interação do sujeito
responsáveis pelo ensino” com a família, a
escola e a sociedade
de modo geral.
M.F Bear e B.E Neurociências- Extremamente ligada a Essa nova ciência
Connors,2018 desvendando o neurociência, a tem como objeto de
sistema nervoso. neuropsicopedagogia busca estudo o cérebro e a
por meio do funcionamento do educação ela atuará
cérebro, os recursos para a diretamente em
aprendizagem, considerando questões que
os métodos didáticos e envolvem as
avaliativos uma interferência estruturas cognitivas,
significativa nesse processo. emocionais, afetivas,
Para compreender sociointerativas e
basicamente esse órgão, ele é orgânicas.
dividido em três partes
fundamentais: o hipotálamo
que é um pequeno órgão que
controla as funções de
sobrevivência, como a fome, a
sede, e também o impulso
sexual; já o sistema límbico,
tem a função de prover ao
indivíduo as emoções; por fim,
o córtex que controla os
movimentos do corpo, a
percepção dos sentidos e o
18

pensamento.
John Dewey,1979. Como pensamos. Se o aluno não aprendeu, o Isso ocorre devido
professor não ensinou; se o que a aprendizagem
aluno não aprendeu, o é tema central na
professor foi uma tentativa de atividade do
ensinar, mas não ensinou, professor. Pode se
assim como, no comércio, se o dizer que todo o
freguês não chegou a comprar, trabalho dele se
o comerciante não pode dizer resume na questão
que vendeu. da aprendizagem.

M.E.C Ferreira, 2009. O enigma das Afirma a correlação entre a O resultado dessa
interações às aprendizagem e o interação certamente
práticas desenvolvimento cerebral será refletido na
pedagógicas. quando relata que cada prática de quem atua
aprendizado determina uma e na aprendizagem
transformação cerebral, de de quem recebe
forma anatômica, pois o(s) orientações
estímulo(s); leva(m) à profissionais que
construção de uma nova ou de possuem essa
novas conexões entre os percepção ampla e
dendritos de diferentes fundamentada sobre
neurônios e que são o ato de aprender,
localizados em diferentes que, como se sabe, é
regiões cerebrais. complexo, dinâmico e
principalmente,
ocorre de modo
individual, de acordo
com as
características de
cada ser humano.
M.L.M. Avaliação De antemão, esse profissional, O
Tabaquim,2003. Neuropsicológica deve conhecer as anomalias neuropsicopedagogo
nos distúrbios de neurológicas para desenvolver é o profissional que
aprendizagem. um papel de acompanhamento vai agregar os
pedagógico as pessoas que conhecimentos das
apresentem essas neurociências, da
sintomatologias, sendo assim psicologia e da
um dos elementos mais pedagogia para
importantes para desenvolver e realizar o seu
estimular novas sinapses trabalho, o qual
diante do processo de ensino e contempla o
aprendizagem. diagnóstico, estudo
de caso, a prevenção
e intervenção, por
meio de métodos e
estratégias
especificas para a
realização do
gerenciamento do
processo de
aprendizagem.
Tabela 1. Demonstrativo dos Resultados
Fonte: Elaboração própria (2020)
19

Todos esses estudos permeiam as questões da neurociência, psicologia,


pedagogia e contribuíram para uma maior compreensão da temática.

5 CONCLUSÃO

De acordo com as pesquisas que foram discutidas e analisadas a atuação do


neuropsicopedagogo na aprendizagem não há como negar a relação entre
desenvolvimento cerebral, cognição, emoção e aprendizagem, sendo esses quesitos
apontados por diversos teóricos.
Acerca da atuação do neuropsicopedagogo na ajuda ao aluno a construir seu
conhecimento e como o mesmo aprende, vimos que esse profissional tem que
conhecer o processo de funcionamento do cérebro, há de se apoderar dessa
ferramenta importantíssima no processo de aprendizagem.
Em função dos objetivos inicialmente traçados foi possível contemplar que: a
neropsicopedagogia esta sim diretamente relacionada com a aprendizagem, visto que
essa ciência tem como objeto de estudo o cérebro; além de especificarmos como o
neuropsicopedagogo contribui para melhorar e intensificar o relacionamento entre
professor e aluno, pois esse profissional mediante seus saberes e conhecimentos em
neurociências poderá elaborar pareceres, com intuito de realizar um processo
sistêmico de tratamento e intervenção, colocando o aluno como principal agente
prognóstico do sucesso de intervenção.
Diante do exposto neste estudo, percebemos que os resultados podem servir
de apoio para outros pesquisadores dessa temática para ampliação do conhecimento
acerca da atuação do neuropsicopedagogo na aprendizagem, visto que esse
profissional é de suma importância em seus ambientes de atuação.

REFERÊNCIAS

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21

INOVAÇÕES DA NEUROPSICOPEDAGOGIA PARA AS DIFICULDADES DE


APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
(APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
INNOVATIONS OF NEUROPSYCHEDAGOGY FOR LEARNING DIFFICULTIES
AND COGNITIVE DEVELOPMENT)

Rosemary Menezes Costa Oliveira 7


Rosangela Couras Del Vecchio8

RESUMO

O presente artigo aborda o tema Inovações da Neuropsicopedagogia para as


Dificuldades de Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo. Tendo como objetivo
geral mostrar as inovações da neuropsicopedagogia para as dificuldades de
aprendizagem e desenvolvimento cognitivo. Assim, como os específicos que visam
mostrar as inovações da neuropsicopedagogia utilizadas na educação; apontar as
dificuldades de aprendizagem e analisar o desenvolvimento cognitivo. A metodologia
se baseia em pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, por meio de pesquisa
bibliográfica. No resultado, constatou-se a importância da neuropsicopedagogia no
âmbito escolar, que o neuropsicopedago seria um grande aliado no processo ensino-
aprendizagem. Sabe-se que existem muitas dificuldades neste processo, que
precisam ser revistos e reavaliados, com decisões mais assertivas, buscando mais
excelência na educação e qualidade de vida dos alunos. Com isso, conclui-se que foi
possível compreender a relação entre a aprendizagem e a neuropsicopedagogia, a
partir de um olhar mais científico das neurociências, a qual, possibilita entender melhor
as conexões neurais cerebrais, formação cognitiva e aprendizagem.

Palavras Chave: Inovações da Neuropsicopedagogia. Dificuldades de


Aprendizagem. Desenvolvimento Cognitivo.

ABSTRACT

This article addresses the theme of Innovations in Neuropsychopedagogy for Learning


and Cognitive Development Difficulties. With the general objective of showing the
innovations of neuropsychopedagogy for learning and cognitive development
difficulties. Thus, as the specific ones that aim to show the innovations of
neuropsychopedagogy used in education; point out learning difficulties and analyze
cognitive development. The methodology is based on qualitative research, of
exploratory character, through bibliographic research. In the result, it was verified the
importance of neuropsychopedagogy in the school scope, that the neuropsychopedics
would be a great ally in the teaching-learning process. It is known that there are many
difficulties in this process, which need to be reviewed and reassessed, with more
assertive decisions, seeking more excellence in education and quality of life for
students. With that, it is concluded that it was possible to understand the relationship

7 Pós-graduanda do curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário


Ateneu (rosemarymco@yahoo.com.br)
8 Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e
Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhaguera – São Paulo
(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
22

between learning and neuropsychopedagogy, from a more scientific view of


neurosciences, which, allows a better understanding of brain neural connections,
cognitive formation, and learning.

Keywords: Innovations in Neuropsychopedagogy. Learning difficulties. Cognitive


Development.

1 INTRODUÇÃO

A educação e a neurociência coexistem numa relação de proximidade, uma vez


que ambas trabalham com a atividade cerebral que possibilita o acesso à
aprendizagem. A dificuldade de aprendizagem é um problema antigo vivenciado nas
escolas, decorrendo de situações diversas como déficit sensorial, abandono escolar,
baixa condição socioeconômica, problemas cognitivos, neurológicos, entre outros.
A partir dessa realidade, surgiu a proposta de se investigar de que forma a
neuropsicopedagogia pode construir ou interferir no processo de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo, ao lidar com os obstáculos e desafios enfrentados no
âmbito escolar.
O presente trabalho trata de uma pesquisa bibliográfica, qualitativa, realizada
através de pesquisas em livros, revistas e internet. Valendo-se do conceito da
neuropsicopedagogia e seus benefícios, o presente trabalho tem por objetivo
apresentar e responder a seguinte questão: Quais as inovações da
neuropsicopedagogia para as dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento
cognitivo?
Para alcançar o objeto desse estudo, foi considerado como objetivo geral as
inovações da neuropsicopedagogia para as dificuldades de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo. Assim como os específicos que visam identificar as
inovações da neuropsicopedagogia utilizadas na educação; apontar as dificuldades
de aprendizagem e analisar o desenvolvimento cognitivo.
O presente artigo está dividido em cinco seções. Na primeira trata-se da
introdução, justificativa, a problemática da pesquisa e os objetivos. Na segunda seção
trata-se do referencial teórico, onde inicialmente é apresentada uma breve abordagem
sobre as inovações da neuropsicopedagogia para as dificuldades de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo. Dando continuidade, apresenta a terceira metodologia
utilizada na pesquisa e na quarta vem a análise de dados e por fim na quinta a
discussões dos resultados. Finalizando, traz uma conclusão mostrando se os
objetivos foram atingidos, se a metodologia foi adequada e se responde a
problemática direcionadora do estudo proposto.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Assim como cada ser humano tem impressões digitais diferentes, também
possui sinapses cerebrais diferentes, pois cada um tem suas vivências, o seu
aprender do mundo e com o mundo. E nesse sentido Ventura (2010, p.123), ao retratar
sobre a neurociência e comportamento no Brasil, enfatiza que a mesma possui uma
importante interface com a Psicologia e a define do seguinte modo:
23

[...] A neurociência compreende o estudo do sistema nervoso e suas ligações


com toda a fisiologia do organismo, incluindo a relação entre cérebro e
comportamento. O controle neural das funções vegetativas – digestão,
circulação, respiração, homeostase, temperatura-, das funções sensoriais e
motoras, da locomoção, reprodução, alimentação e ingestão de água, os
mecanismos da atenção e memória, aprendizagem, emoção, linguagem e
comunicação, são temas de estudo da neurociência (VENTURA, 2010,
p.123).

Com as transformações percebidas ao longo dos anos, o campo da Neurologia,


Psicologia e Pedagogia, áreas que estabeleceram relações com a Neurociências,
consequentemente tornando-se em Neuropsicopedagogia, tem buscado fomentar em
estudos e pesquisas em prol das funções desse profissional e de indivíduos que
sofrem com distúrbios neuronais:

Numa visão mais abrangente, pode-se dizer que essa junção tornou-se uma
ciência que analisa o sistema nervoso e sua atuação no comportamento
humano, tendo como principal enfoque, a aprendizagem por meio da práxis.
Assim, procura fazer inter-relações entre os estudos das neurociências com
os conhecimentos da Psicologia Cognitiva e da Pedagogia. As áreas do
conhecimento que antes agiam independentes uma das outras, começaram
a fazer relações, denominado neuroeducação, promovendo desta forma a
identificação, diagnóstico, reabilitação e prevenção frente às dificuldades e
distúrbios das aprendizagens dos estudantes da Educação Básica.
Representação de entretenimentos e jogos que promovam a motivação e
interesse da criança a participar de forma ativa; conter elementos de
diferenciação que possam prender a atenção da criança durante o processo;
possibilitar a estimulação das áreas mais comprometidas da criança,
utilizando-se das mais desenvolvidas a fim de tornar a intervenção mais
completa possível; eliminação de fatores inibitórios que possam bloquear a
estimulação programada (PERUZZOLO; COSTA, 2015, p.7).

Segundo o Código de Normas Técnicas 01/2016, da Sociedade Brasileira de


Neuropsicopedagogia, no artigo 29, as funções do neuropsicopedagogo se resume
em: a) “Observação, identificação e análise do ambiente escolar nas questões
relacionadas ao desenvolvimento humano do aluno nas áreas motoras, cognitivas e
comportamentais, considerando os preceitos da neurociências aplicada a Educação,
em interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva; b) Criação de estratégias que
viabilizem o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem dos que são
atendidos nos espaços coletivos; c) Encaminhamento de pessoas atendidas a outros
profissionais quando o caso for de outra área de atuação/ especialização contribuir
com aspectos específicos que influenciam na aprendizagem e no desenvolvimento
humano”. (SBNPp, 2016, p. 4)
24

Os estudos sobre neurociências se inicia por volta do século XIX, destaca-se


dois pesquisadores Hitzig e Fritsch, ao estudar o cérebro humano perceberam que ele
responde a mudanças efetivas havendo contribuições de vários pesquisadores, onde
através de ensinamentos demonstraram que os estímulos acontecem através de
sinapses neurais, que designa em uma região do cérebro onde há uma comunicação
com os neurônios com células musculares

[...]Os seres humanos têm a capacidade única de comunicar aquilo que


aprenderam, e, assim, podem criar culturas que podem ser transmitidas de
geração em geração. As realizações humanas parecem expandir-se sempre,
porem o tamanho do encéfalo humano aparentemente não aumentou de
forma significativa desde que o homo sapiens apareceu, de acordo com os
registros fosseis, há diversas centenas de milhares de anos. O que
determinou mudanças culturais e progressos durante esses milhares de anos
não foi um aumento do tamanho do encéfalo, tampouco uma mudança em
sua estrutura. Foi, antes de tudo, a capacidade intrínseca do encéfalo
humano de capturar o que aprendemos pela fala e pela escrita e de ensinar
tais coisas a outros. (KANDEL, SCHWARTZ. JESSEL, 1997, p 14).

Kandel, Schwartz, Jessel (1997, p.14) diz que:

[...]somos produto das sinapses e “o quê” e “quem” somos por causa daquilo
que aprendemos e lembramos. E aborda também um pensamento que nem
tudo o que se explica por conflitos psíquicos nem por neurotransmissores
alterados. Ele se refere é que o cérebro é possível de alterar-se curar-se e
mudar, e que possui capacidade de mudança através de novas
aprendizagens e novas conexões”.

2.1 Inovações da Neuropsicopedagogia para Dificuldade de Aprendizagem e


Desenvolvimento Cognitivo

Entender a conexão cérebro x aprendizagem, proposta a partir do


conhecimento da neurociência, apresenta-se como um dos assuntos mais procurados
e mais desafiadores na educação. Conforme estudos de Tokuharna-Espinosa (2008,
apud ZARO, 2010, p. 205), demonstra-se que:

[...] enquanto milhares de estudos foram devotados para explicar vários


aspectos da neurociência (como animais, incluindo humanos, aprendem),
apenas poucos estudos neurocientíficos, tentaram explicar como os humanos
deveriam ser ensinados, para maximizar o aprendizado. (...) Das centenas de
dissertações devotadas ao “ensino baseado no cérebro”, ou “métodos
neurocientíficos de aprendizado”, nos últimos tempos, a maioria documentou
a aplicação destas técnicas, ao invés de justificá-la.

A neuropsicopedagogia vem abrindo espaço dentro do âmbito do


conhecimento. No Brasil teve a sua entrada através do Centro Nacional de Ensino
Superior (CENSOPEG) no ano de 2008, no estado de Santa Catarina.
Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado
Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la Neuropsicopedagogia”, onde
apresentou uma composição histórica da trajetória neuropsicopedagógica e ressaltou
a sua importância para o contexto educativo.
Fernandez (2010, p.11) aponta para três pontos elucidativos da
neuropsicopedagogia abordada por Suárez: 1º - Educação, 2º - Psicologia e 3º
25

Neuropsicopedagogia, educação no intuito de promover a instrução, o treinamento e


a educação dos cidadãos.
Para Hennemann (2012, p.11), a neuropsicopedagogia apresenta-se:

[...] como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos


neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia
vem contribuindo para os processos de ensino aprendizagem de indivíduos
que apresentam dificuldades de aprendizagem.

Desse modo, a neuropsicopedagogia se caracteriza na área de conhecimento,


voltada principalmente para os processos de ensino e aprendizagem, que se compõe
na avaliação de indivíduos em defasagem.
O cérebro é o órgão principal do sistema nervoso e consequentemente o
responsável pelo controle do corpo e do processo de aprendizagem. Assim, o estudo
das neurociências por educadores ajuda a evitar o fracasso escolar e frustações
futuras ao longo do processo educativo. A saber, a plasticidade neural é encarregada
da aprendizagem do indivíduo, ativada pela área do córtex cerebral. Desse modo,
educadores ao conhecerem o processo de funcionamento do cérebro, se apoderam
de uma ferramenta importantíssima no processo de ensino e aprendizagem que
remetem ao sucesso escolar tão almejado no Brasil.
É notório que a neuropsicopedagogia, tem se apresentado no contexto
educacional como promissora ao relacionar saberes, que vão desde os mais diversos
comportamentos, pensamentos, emoções, movimentos e principalmente a
efetividade, ao fornecer melhorias na qualidade de vida do indivíduo. Assim, a função
geradora do profissional em neuropsicopedagogia é buscar tratamentos efetivos para
variados distúrbios, transtornos ou doenças, que prejudicam principalmente sonhos
de alunos, pais e professores na Educação. Contudo, para Herculano-Houzel (2004),
cabe ao neuropsicopedagogo avaliar as necessidades cognitivas do aluno, para que
haja uma intervenção estimuladora e a possibilidade de entender como se processa
o desenvolvimento de aprendizagem, com atividades diferenciadas, respeitando o
ritmo de desenvolvimento de cada aluno no cotidiano escolar.
Segundo Lima (2017), ao longo da Educação, os processos cognitivos
precisam ser analisados em todas as concepções, não apenas com os fracassos, ao
qual ficam impregnados em alguns indivíduos. Mas, como oportunidade dos
envolvidos no processo de ensino e aprendizagem encontrar um víeis, na busca de
um ensino de qualidade e realização dos projetos de vida dos alunos.

2.2 A Neuropsicopedagogia e a Educação

O espaço educativo deve estar aberto para novos profissionais que venham a
somar a equipe multidisciplinar atendendo satisfatoriamente o educando, por isso
neuropsicopedagogos, além de ter uma visão de como ocorre a aprendizagem do
educando, também possuem vistas para uma metodologia diferenciada e mais
significativa no processo de aprendizagem do aluno.
Também, cabe aqui ressaltar, o enunciado feito por Hennemann (2012, p.11),
descrevendo as práticas neuropsicopedagógicas, atribuídas a estes profissionais:
26

[...] O grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do


Centro Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste
contexto educacional os profissionais da Neuropsicologia Clínica são
capacitados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos
neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes
espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que
potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e
cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e
capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas
neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica,
abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em
risco social (HENNEMANN, 2012, p. 11).

O neuropsicopedagogo, profissional que está em constantes buscas de


conhecimentos acerca dos transtornos, síndromes, patologias e distúrbios as quais o
indivíduo possa estar inserido, deverá ter condições de identificar tais sintomas,
procurando avaliar quais competências e habilidades os mesmos possuem, e, propor
uma intervenção neuropsicopedagógica, que com certeza se fará acompanhada junto
aos familiares, professores , equipe pedagógica e demais profissionais que se fazem
presentes na vida destes indivíduos. De acordo com Fonseca (2014, p.1):

[...] a neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do


desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro,
ao mesmo tempo que estuda os processos psicocognitivos responsáveis pela
aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo ensino.

O surgimento deste campo de conhecimento em âmbito escolar, traz consigo


uma gama de possibilidades, principalmente no que tange educação inclusiva,
contudo, de fato, precisa ser melhorado dia após dia. Inúmeras ações precisam ser
tomadas em relação a aprendizagem, políticas públicas, formação de professores e
apoio psíquico, econômico e social aos familiares em prol dos alunos. Conforme
Cosenza e Guerra (2011, p.139): “As neurociências não propõem uma nova
pedagogia e nem prometem solução para as dificuldades da aprendizagem, mas
ajudam a fundamentar a prática pedagógica que já se realiza com sucesso e orientam
ideias para intervenções, demonstrando que estratégias de ensino que respeitam a
forma como o cérebro funciona tendem a ser mais eficientes”.
É notório que a neuropsicopedagogia, tem se apresentado no contexto
educacional como promissora ao relacionar saberes, que vão desde os mais diversos
comportamentos, pensamentos, emoções, movimentos e principalmente a
efetividade, ao fornecer melhorias na qualidade de vida do indivíduo. Assim, a função
geradora do profissional em neuropsicopedagogia é buscar tratamentos efetivos para
variados distúrbios, transtornos ou doenças, que prejudicam principalmente sonhos
de alunos, pais e professores na Educação.
Segundo Cosenza (2011, p.142) “a educação tem por finalidade o
desenvolvimento de novos conhecimentos ou comportamentos”, pois “aprendemos
quando somos capazes de exibir, de expressar novos comportamentos que nos
permitem transformar nossa prática e o mundo em que vivemos, realizando-nos como
pessoas vivendo em sociedade. Cada aluno tem a sua história de vida pessoal, sua
estrutura genética herdada, o meio em que está inserido na família, na comunidade,
na escola, sendo que seu processo de aprendizagem é individual e fruto desta história
27

pessoal.”
Reforçando este tema, nos diz Russo (2015, p.15,) que:

o estudo das neurociências ajuda a compreender a complexidade do


funcionamento cerebral e as articulações entre cérebro e comportamento.
Agregar conhecimentos neurocientíficos a educação vai permitir explorar as
potencialidades do sistema nervoso de forma criativa e autônoma com
intervenções significativas para a melhoria do aprendizado escolar e da
qualidade nas relações intrapessoais e interpessoais dos alunos (Russo,
2015, p.15).

2.3 As Dificuldades de Aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem são limitações que os alunos apresentam na


realização de uma determinada tarefa, não acompanhando o ritmo dos demais. Collet
al. (1995) apud por Diaz (2011, p.28) se refere aos distúrbios da aprendizagem
assimilando como “qualquer dificuldade observável enfrentada pelo aluno para
acompanhar o ritmo de aprendizagem de seus colegas, da mesma faixa etária, seja
qual for o determinante desse atraso”.
Fonseca (1995), ao relatar sobre as dificuldades de aprendizagem, menciona
que:
[...] as teorias das dificuldades de aprendizagem são controversas,
conceitualmente confusas e raramente apresentam dados de aplicação
educacional imediata. Mesmo com uma grande panorâmica e com um grande
potencial de investigação, as teorias das DAs continuam a ser muito
complexas e muito pouco consistentes. (FONSECA, 1995, p.57-58).

A neuropsicopedagogia como um conhecimento transdisciplinar, fundamentada


nos estudos das neurociências, aplicada à educação, considerando os aspectos da
psicologia e da pedagogia, é um método de apoio através da atuação do
neuropsicopedagogo no âmbito escolar.
Beauclair (2014), ao se referir à neuropsicopedagogia, afirma: “um novo campo
de intervenção e especialização, onde o conhecimento ultrapassa fronteiras e cria,
com isso, novas possibilidades de aprender sobre o aprender, ampliando olhares e
oportunizando novas formas de interrelacionar informações, conhecimentos e
saberes”. (2014, p.28).
O profissional da neuropsicopedagogia, com um conhecimento das
neurociências, tem a compreensão do funcionamento do cérebro e o comportamento
humano, com base nas teorias de aprendizagem e nas estratégias para o ensino-
aprendizagem.
De acordo com Hennemann (2013, p. 48), o neuropsicopedagogo:

[...] utiliza-se dos processos de metacognição, o pensar sobre o pensar,


fazendo com que o indivíduo entenda o porquê de responder de tal maneira,
tal pergunta, de que forma poderia ter feito melhor, sendo assim, os processos
metacognitivos vão além da cognição, uma vez que esta se baseia somente
em ensinar o aluno a dar resposta e se possível, certas. Aliado aos demais
profissionais do contexto educativo ele procura transformar queixas em
pensamentos, criando espaço para a escuta e observação, a partir daí, fazer
devolutivas. (HENNEMANN, 2013, p.48)
.
Drouet (2003, p. 125), relata que “os principais fatores causadores das
dificuldades de aprendizagem, são provenientes dos aspectos físicos, neurológicos,
28

emocionais, intelectuais ou cognitivos, educacionais e socioeconômicos.”


Segundo Piaget (1973), a aprendizagem só se dá com a desordem e ordem
daquilo que já existe dentro de cada sujeito. É necessário obter contato com o difícil,
com o incomodo para desestruturar o já existente e em seguida estruturá-lo
novamente, com a pesquisa e também motivações tanto intrínseca como extrínseca
para obter a aprendizagem, ressaltando que a motivação intrínseca é mais importante
porque o sujeito tem que estar interessado em aprender, sendo que a junção dos dois
(intrínseca e extrínseca) formam importantes aliados para a melhor aprendizagem do
sujeito.
O processo do conhecimento se dá na interação entre sujeito e objeto, esta
interação Piaget (1973) chama de assimilação e acomodação.
Acomodação é toda mudança de comportamento, alteração do sujeito, este só
acontece quando o sujeito se transforma, amplia ou muda os seus esquemas.
Esquema é a estrutura da ação, ou seja, nós vamos integrando uma determinada
coisa com outra coisa que já entramos em contato anteriormente, assim vamos
articulando o já conhecido com o que está sendo apresentado, mudando ou ampliando
o esquema já existente.
Não há assimilação sem acomodação e vice-versa, mas pode acontecer o
predomínio de uma ou de outra, para ocorrer este processo é preciso que o sujeito
tenha situações problemas que desafiem sua inteligência.

2.3 O desenvolvimento cognitivo

Para Piaget (1973) o desenvolvimento cognitivo é dividido em quatro estágios.


O estágio Sensório motor vai aproximadamente entre 0 a 24 meses. Aqui a criança
vai percebendo aos poucos o seu meio e age sobre ele, o bebê age puramente através
de reflexos, com o tempo ele percebe que certos movimentos e atitudes movem o seu
externo, por exemplo, o choro, ela percebe que ao chorar vai vir alguém acudi-la, neste
período há várias assimilações e acomodações que criam esquemas de ação. Há
algumas características neste estágio: a primeira é o reflexo, na qual ela não se
diferencia do mundo exterior; a segunda são as primeiras diferenciações, existe uma
coordenação entre mão e boca, uma diferenciação entre pegar e sugar, surgem os
primeiros sentimentos como a alegria, a tristeza, o prazer e desprazer, que estão
ligados a ação; a terceira é a reprodução de eventos interessantes; a quarta é a
coordenação de esquemas, ou seja, ela começa a usar um esquema em outras coisas
para ver se obtém o mesmo resultado, por exemplo, a criança balança um chocalho e
vê que aquilo faz barulho, ao pegar outro objeto ela vai balançar para ver se aquilo
também fará barulho; a quinta é a experimentação, invenção de novos meios, a
criança passa a inventar novos comportamentos, ações a partir da tentativa e erro,
consegue a inteligência quando consegue solucionar problemas; a sexta é a
representação, ela começa a ter um sentimento de escolha, o que quer ou não fazer.
O estágio pré-operatório vai aproximadamente entre 2 a 6 anos. Aqui a criança
possui uma capacidade simbólica, uso de símbolos mentais como a linguagem e
imagens, nesta fase há uma explosão da linguística, algumas características deste
estágio são: primeira – a imitação diferida ou imitação de objetos distantes; segunda
– jogo simbólico é também imitativo, a criança não se preocupa se o outro irá entendê-
la, ela se preocupa com o seu entendimento, é uma forma de se autoexpressar;
terceira – desenho, é a sua forma de deixar uma marca, ela desenha o que quer,
sendo ou não real; quarta – imagem mental, as imagens são estáticas, são imagens
que representa o interno, algo que já foi passado; quinta – linguagem falada, a criança
29

começa a falar uma palavra como se fosse uma frase, aos pouco ela vai aumentando
o seu repertório vocábulo.
Neste estágio há também as características do pensamento infantil, que são:
egocentrismo – é a incapacidade de se colocar no ponto de vista do outro (por volta
dos 4 ou 5 anos), a criança acha que todo mundo pensa como ela, então ela não
questiona ninguém, por volta dos 6 ou 7 anos ela começa a ceder às pressões das
pessoas que vivem a seu redor, ela começa a se questionar porque gera um conflito,
assim ela começa a perceber que cada um pensa de um jeito; raciocínio
transformacional – é a incapacidade para raciocinar com sucesso sobre
transformações, a criança não focaliza a transformação; centração – a criança centra
alguma coisa limitadamente, não a vê como um todo, ela é incapaz de explorar todos
os aspectos, ela leva em consideração a percepção e não o raciocínio. Após os 6 ou
7 anos o pensamento da criança toma uma posição apropriada.
O estágio Operatório concreto vai aproximadamente entre 7 à 11anos. Aqui a
criança desenvolve processos de pensamento lógico, não apresenta dificuldades na
solução de problemas de conservação e apresenta argumentos corretos para suas
respostas, a criança descentra suas percepções e acompanha as transformações, ela
também começa a ser mais social saindo da sua fase egocêntrica ao fazer o uso da
linguagem, a fala é usada com a intenção de se comunicar, ela percebe que as
pessoas podem pensar e chegar a diferentes conclusões, sendo elas diferentes das
suas, ela interage mais com as pessoas, quando aparece um conflito ela usa o
raciocínio para resolver.
As operações lógicas é a ocorrência mais importante neste estágio porque as
ações cognitivas internalizadas permitem que a criança chegue a conclusões lógicas,
sendo elas controladas pela atividade cognitiva e não mais pela percepção e
construídas a partir das estruturas anteriores como uma função de assimilação e
acomodação.
O estágio do Pensamento formal acontece após os 12 anos, a criança ou
adolescente começa ter um pensamento hipotético – dedutivo, ou seja, começa a
levantar hipóteses e deduzir conclusões. O adolescente usa esquemas aprendidos
dos estágios anteriores para fortalecer as hipóteses deste estágio, assim ele vai
aprimorando cada vez mais os estágios anteriores. Deste estágio em diante o que
ocorre é o aperfeiçoamento dos estágios passados.
Segundo Fernández (2001), é importante levar em consideração as estruturas
cognitivas e a estrutura desejante do sujeito, porque um depende do outro, é
necessário que o sujeito tenha desejo, pois este impulsiona o sujeito a querer aprender
e este querer faz com que o sujeito tenha uma relação com o objeto de conhecimento.
Para ter essa relação o sujeito precisa ter uma organização lógica, que depende dos
fatores cognitivos. No lado do objeto de conhecimento ocorre a significação simbólica
que depende dos fatores emocionais. Todo sujeito tem a sua modalidade de
aprendizagem e os seus meios de construir o próprio conhecimento, e isto depende
de cada um para construir o seu saber.
O sujeito constrói esse saber a partir do momento que ele tem uma relação com
o conhecimento, com quem oferece e com a sua história. Para que o conhecimento
seja assimilado, é preciso que o sujeito seja ativo, transforme e incorpore o seu saber,
esquecendo de conhecimentos prévios que já não servem mais, é importante também
que o ensinante dê significado para este novo conhecimento, despertando o desejo
de querer saber do aprendente. O modo como uma pessoa relaciona-se com o
conhecimento se repete e muda ao longo de sua vida nas diferentes áreas.
É importante ressaltar que o sujeito é sempre ativo, é autor do seu
30

conhecimento, ele constrói sua modalidade de aprendizagem e a sua inteligência que


marcará uma forma particular de relacionar-se, buscar e construir conhecimentos, um
posicionamento de sujeito diante de si mesmo como autor de seu pensamento.
Para Vygotsky (1991), a criança nasce apenas com as funções cognitivas
elementares que se ampliam para as funções complexas a partir do contato com a
cultura, o que não acontece automaticamente, mas sim por meio de intermediações
de outros sujeitos, sendo essas intermediações responsáveis por formar significados
e valores sociais e históricos. O que proporciona a particularidade das subjetividades
individuais é a forma como os conteúdos culturais são combinados e processados no
interior de cada um de nós. Da mesma forma, o desenvolvimento mental ocorre de
maneira única em cada pessoa, a partir de como o mundo é experienciado, e “a cultura
se torna parte da natureza humana, num processo histórico, que ao longo do
desenvolvimento da espécie e do indivíduo, molda o funcionamento psicológico do
homem”. (OLIVEIRA, 1992, p.24)
Como explica Kramer et al (1991), a teoria sócia histórica busca a compreensão
de aspectos da dinâmica da sociedade e da cultura que interferem ativamente no
curso do desenvolvimento do sujeito, transformando tanto sua relação com a realidade
como sua consciência sobre ela. Para Vygotsky (1991), as estruturas do pensamento
dos sujeitos se alteram ao longo da história e essas mudanças estão enraizadas na
cultura que fornece elementos que circulam e integram as subjetividades.

3 METODOLOGIA DE PESQUISA

A metodologia deve apresentar como se pretende realizar a investigação. O


autor deverá descrever a classificação quanto aos objetivos da pesquisa, a natureza
da pesquisa, a escolha do objeto de estudo. Metodologia, portanto, pode ser definida
como uma sistematização para alcançar um resultado.
Os métodos se diferenciam pela forma com que abordam o problema a ser
estudado e pela sua sistemática. Indicam o caminho a ser seguido e vem em primeiro
lugar. O tipo de problema a ser pesquisado é que indicará a escolha do método. A
metodologia é o instrumento, como o investigador vai percorrer esse caminho desde
que seja coerente com o método escolhido
Este estudo baseou-se em uma metodologia de pesquisa qualitativa, de
caráter exploratório, por meio de pesquisa bibliográfica.

3.1 Tipos de Pesquisa

Toda pesquisa requer consultas a estudos feitos anteriormente a respeito do


problema a ser pesquisado. É muito importante examinar a bibliografia existente que
aborde o tema seguindo a linha metodológica que será utilizada.
A pesquisa bibliográfica baseia-se na consulta a textos, livros, documentos
publicados a respeito do problema levantado e que gerou o interesse pela pesquisa.
Segundo Cervo (1983, p.55) a pesquisa bibliográfica “busca conhecer e analisar as
contribuições culturais ou cientificas do passado existentes sobre um determinado,
tema ou problema.” Esse tipo de pesquisa é muito utilizado no meio acadêmico na
área das Ciências Humanas.
O pesquisador se serve das pesquisas já existentes para fundamentar seu
trabalho, “utiliza-se de dados ou de categorias já trabalhados por outros
pesquisadores e devidamente registrados”. (SEVERINO, 2007, p. 122). Esse tipo de
pesquisa é base para qualquer tipo de trabalho científico e inicia-se a partir dessa
31

consulta bibliográfica.
A pesquisa bibliográfica procura explicar e discutir um tema com base em
referências teóricas publicadas em livros, revistas, periódicos, internet e outros. Busca
também, conhecer e analisar conteúdos científicos sobre determinado tema
(MARTINS, 2001).
Podemos somar a este acervo as consultas a bases de dados, periódicos e
artigos indexados com o objetivo de enriquecer a pesquisa. Este tipo de pesquisa tem
como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito,
dito ou filmado sobre determinado assunto (MARCONI e LAKATOS, 2007).

3.2 Quanto a abordagem

O presente trabalho constitui-se numa pesquisa de delineamento bibliográfico,


com estudos de artigos, revistas, livros e internet. Um procedimento metodológico de
abordagem qualitativa com objetos metodológicos exploratórios, cuja aplicação tem
por finalidade a elaboração de pesquisa adequada à realidade.
Segundo Triviños (1987), o aparecimento da pesquisa com enfoque qualitativo
surgiu de maneira mais ou menos natural: (...) a pesquisa qualitativa tem suas raízes
nas práticas desenvolvidas pelos antropólogos, primeiro e, em seguida, pelos
sociólogos em seus estudos sobre a vida em comunidades. Só posteriormente
irrompeu na investigação educacional. (TRIVIÑOS, 1987, p. 120) A pesquisa com
enfoque qualitativo surgiu da necessidade de propor “alternativas metodológicas para
a pesquisa em educação”. Triviños (1987, p. 116). Daí a importância da pesquisa com
enfoque qualitativo para a educação, e para tanto, deve-se buscar a melhor forma de
utilizá-la a fim de que venha contribuir para a transformação da realidade social na
qual a escola está inserida.
Utilizando-se do enfoque qualitativo, na pesquisa, é possível que o pesquisador
participe e interfira na realidade pesquisada, podendo propor mudanças baseadas no
resultado do que foi observado, no “entendimento das particularidades do
comportamento dos indivíduos.” (RICHARDSON, 1999, p. 80).
Torna-se possível explicar por que determinados comportamentos acontecem,
qual a sua intensidade, as razões que levaram a desencadear tal atitude.
Para Lüdke (1986, p. 26) “a observação direta permite também que o
pesquisador chegue mais perto da ‘perspectiva dos sujeitos’, um importante alvo nas
abordagens qualitativas”. Essa participação mais próxima do investigador permite ao
mesmo a coleta de informações mais próximas à realidade, servindo de grande
contribuição por possibilitar o acesso a situações reais. Vários tipos de pesquisa
utilizam o enfoque qualitativo por ser uma forma de se entender a natureza de um
fenômeno social.

3.3 Quanto aos objetivos

A pesquisa exploratória assume, em geral, as formas de pesquisas


bibliográficas e estudos de caso. É um levantamento bibliográfico sobre o
assunto. (PRODANOV E FREITAS, 2013, p. 53).
Nada mais é do que uma das muitas modalidades de pesquisa científica.
Ela corresponde a concretização de um estudo para fazer com que a pessoa
que o está investigando, ou seja, o pesquisador, ganhe maior familiaridade com
o objeto que está sendo analisado.
32

Segundo Selltiz et al. (1965), enquadram-se na categoria dos estudos


exploratórios todos aqueles que buscam descobrir ideias e intuições, na tentativa de
adquirir maior familiaridade com o fenômeno pesquisado. Nem sempre há a
necessidade de formulação de hipóteses nesses estudos. Eles possibilitam aumentar
o conhecimento do pesquisador sobre os fatos, permitindo a formulação mais precisa
de problemas, criar hipóteses e realizar novas pesquisas mais estruturadas. Nesta
situação, o planejamento da pesquisa necessita ser flexível o bastante para permitir a
análise dos vários aspectos relacionados com o fenômeno.
De forma semelhante, Gil (1999) considera que a pesquisa exploratória tem
como objetivo principal desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo
em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para
estudos posteriores. Segundo o autor, estes tipos de pesquisas são os que
apresentam menor rigidez no planejamento, pois são planejadas com o objetivo de
proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato. Segundo
Malhotra (2001), a pesquisa exploratória é usada em casos nos quais é necessário
definir o problema com maior precisão. O seu objetivo é prover 21 critérios e
compreensão. Tem as seguintes características: informações definidas ao acaso e o
processo de pesquisa flexível e não-estruturado. A amostra é pequena e não-
representativa e a análise dos dados é qualitativa. As constatações são experimentais
e o resultado, geralmente, seguido por outras pesquisas exploratórias ou conclusivas.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Considerando os objetivos da pesquisa, que resultou em uma análise da


contribuição da neuropsicopedagogia para as dificuldades de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo, com a leitura e aprofundamento de diversos autores,
entende-se que, a neuropsicopedagogia no âmbito escolar seria uma grande aliada
no processo ensino-aprendizagem. Sabe-se que existem muitas dificuldades neste
processo, que precisam ser revistos, reavaliados, com decisões mais assertivas,
buscando mais excelência na educação e qualidade de vida dos alunos.
O referente estudo foi realizado através de website como Google
Acadêmico, Scielo, revistas e livros de pesquisa. Dentre os quais destacamos os que
mais contribuíram.

AUTOR TÍTULO RESULTADO DISCUSSÃO


Cosenza, R. Neurociências e Conforme Cosenza e A neurociência pode
M.; Educação Guerra (2011, p.139): intervir, orientando a
GUERRA, L.B. As neurociências não prática pedagógica
propõem uma nova com ideias e
pedagogia e nem estratégias de ensino,
respeitando a forma
prometem solução como o cérebro
para as dificuldades funciona.
da aprendizagem,
mas ajudam a
fundamentar a prática
pedagógica que já se
realiza com sucesso e
orientam ideias para
intervenções,
33

demonstrando que
estratégias de ensino
que respeitam a forma
como o cérebro
funciona tendem a ser
mais eficientes

FERNANDEZ, Aportes da Aponta para três A


Ana C. G. Neuropsicologia e pontos elucidativos da neuropsicopedagogia,
Pedagogia neuropscicopedagogia junto com a psicologia
abordada por Suárez, pode ser uma grande
1º) Educação, 2º) aliada na educação
Psicologia e 3º)
Neuropsicopedagogia.
promover a instrução, o
treinamento e a
educação dos cidadãos.

FONSECA, Papel das funções As teorias das Mesmo com tantas


Vitor. cognitivas, conativas
dificuldades de inovações, como por
e executivas na
aprendizagem são exemplo a
aprendizagem controversas, neuropsicopedagogia,
conceitualmente ainda existe um longo
confusas e raramente caminho para que as
apresentam dados de escolas busquem as
aplicação educacional melhores soluções
imediata. Mesmo com para uma
uma grande aprendizagem mais
panorâmica e com um satisfatória e/ou um
grande potencial de diagnóstico dos
investigação, as teorias motivos que levam a
das DAs continuam a estas dificuldades.
ser muito complexas.
HERCULANO- O Cérebro nosso de cabe ao O
HOUZEL, cada dia neuropsicopedagogo neuropsicopedagogo
Suzana avaliar as necessidades através de uma
cognitivas do aluno, avaliação das
para que haja uma necessidades e
intervenção dificuldades do aluno,
estimuladora e a tem como detectar o
possibilidade de processo de
entender como se desenvolvimento de
processa o aprendizagem,
desenvolvimento de buscando estímulos
aprendizagem, com para uma
atividades aprendizagem mais
diferenciadas, satisfatória.
respeitando o ritmo de
desenvolvimento de
cada aluno no cotidiano
escolar.
PIAGET, Jean. A Psicologia Segundo Piaget (1973), Assim, as estruturas
a aprendizagem só se mentais, os
dá com a desordem e esquemas e o modo
34

ordem daquilo que já do indivíduo pensar,


existe dentro de cada servem para que ele,
sujeito. É necessário desde pequeno,
obter contato com o encare e se molde às
difícil, com o incomodo dificuldades que
para desestruturar o já aparecerem.
existente e em seguida
estruturá-lo novamente
RUSSO, Neuropsicopedagogia o estudo das A
R.M.T. Clínica neurociências ajuda a neuropsicopedagogia
compreender a como aliada no
complexidade do âmbito escolar,
funcionamento através de um
conhecimento do
cerebral e as funcionamento
articulações entre cerebral poderá trazer
cérebro e melhoras
comportamento. significativas no
Agregar aprendizado e na vida
conhecimentos dos alunos.
neurocientíficos a
educação vai permitir
explorar as
potencialidades do
sistema nervoso de
forma criativa e
autônoma com
intervenções
significativas para a
melhoria do
aprendizado escolar e
da qualidade nas
relações
intrapessoais e
interpessoais dos
alunos”.

VYGOTSKY, A Construção do A criança nasce apenas A criança para


Lev. Pensamento e da com as funções desenvolver
Linguagem cognitivas elementares cognitivamente
que se ampliam para as precisa de estímulos,
funções complexas a o que é feito com
partir do contato com a outros sujeitos e com
cultura, o que não o contato com a
acontece cultura.
automaticamente, mas,
sim por meio de
intermediação de outro
sujeito, sendo esta
intermediação
responsável por formar
significado e valor social
e histórico.
35

Tabela 1. Demonstrativo dos Resultados e Discussões


Fonte: Elaboração própria (2020)

Na tabela acima temos a referência dos autores que mais contribuíram para
essa pesquisa, como também o resumo encontrado na obra e a discussão relacionada
com o conteúdo estudado.

5 CONCLUSÃO

A realização deste trabalho proporcionou uma compreensão mais efetiva sobre


as inovações da neuropsicopedagogia nas dificuldades de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo, no processo ensino aprendizagem no âmbito escolar.
A atuação no neuropsicopedagogo, com o conhecimento dos estudos da
neurociência e com a compreensão do cérebro e comportamento humano é
fundamental dentro das escolas para auxiliar no processo de aprendizagem.
Atendendo aos alunos que apresentam alguns transtornos, através da investigação,
elaboração de diagnóstico, busca de alternativas para uma ação pedagógica mais
dinâmica.
Durante o estudo foi possível compreender a relação entre a aprendizagem e
a neuropsicopedagogia, a partir de um olhar mais científico das neurociências, a qual,
possibilita entender melhor as conexões neurais cerebrais, formação cognitiva e
aprendizagem.
A neuropsicopedagogia entrelaçada com as práticas restaurativas pode
mostrar caminhos, novas alternativas e estratégias para avançar nas questões de
dificuldades e transtornos de aprendizagem.
Por fim, para que se efetive o sucesso escolar, o profissional de
neuropsicopedagogia é indispensável no âmbito escolar, para que se obtenha um
ensino de qualidade no País, quebrando as barreiras do fracasso escolar para os
alunos com defasagem e dificuldades escolar.

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36

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Curitiba: Editora Juruá, 2015.

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study in the development of standards in the new academic fiel of neuroeducation
(mind, brain and educacions Science) Tese de doutorado, programa de Pós-
graduação em educação, Capella University, Mineápolis, Minesola.
37

CONTRIBUIÇÕES DA NEUROPSICOPEDAGOGIA NO PROCESSO DE


AQUISIÇÃO DA LEITURA EM CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE
APRENDIZAGEM
(CONTRIBUTIONS OF NEUROPSYCEDEDOGOGY IN THE PROCESS OF
ACQUISITION OF READING IN CHILDREN WITH LEARNING DIFFICULTIES)

Analtina Dantas Santos Sales9


Talita Alves Soares De Souza10
Rosângela Couras Del Vecchio11

RESUMO
A neuropsicopedagogia é uma ciência que abrange a educação de forma ampla,
buscando responder ao método tradicional de ensino, separando e aumentando as
metodologias da educação, o objetivo geral é apresentar as contribuições da
Neuropsicopedagogia na aquisição da leitura em crianças com dificuldades de
aprendizagem. Assim como os específicos visam identificar as contribuições da
neuropsicopedagogia utilizadas na educação; analisar o processo de aquisição da
leitura e memorização e investigar as dificuldades de aprendizagem. A metodologia é
a pesquisa bibliográfica exploratória e qualitativa, sendo a pesquisa bibliográfica por
meio do levantamento de teorias publicadas em livros, artigos científicos, escritos ou
eletrônicos. Os resultados são que o educador deve associar a neurociência com a
educação para obter resultados significativos na aprendizagem do aluno e que cada
criança é singular em sua aprendizagem. Desta forma, concluímos que o triunfo do
desenvolvimento da leitura e escrita se dá pela intervenção do posicionamento do
educador em despertar no aluno o encantamento pela descoberta de ler e escrever.
Palavras chaves: Neuropsicopedagogia. Aquisição da leitura. Dificuldades de
aprendizagem.

ABSTRACT
Neuropsychopedagogy is a science that encompasses education broadly, seeking to
respond to the traditional method of teaching, separating and increasing the
methodologies of education, the general objective is to present the contributions of
Neuropsychopedagogy in the acquisition of reading in children with learning difficulties.
Just as the specific ones aim to identify the contributions of neuropsychopedagogy
used in education; analyze the process of acquisition of reading and memorization and
investigate learning difficulties. The methodology is exploratory and qualitative
bibliographic research, with bibliographic research through the survey of theories
published in books, scientific articles, written or electronic. The results are that the
educator must associate neuroscience with education to obtain significant results in
the student's learning and that each child is unique in their learning. Thus, we conclude
that the triumph of the development of reading and writing occurs through the
intervention of the educator's position in awakening in the student the enchantment by

9
Pós-graduanda do curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional do Centro Universitário
Ateneu (dantasanaltina@gmail.com)
10
Pós-graduanda do curso de Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional do Centro Universitário
Ateneu (taliiitah.alves@gmail.com)
11
Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e
Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhaguera – São Paulo
(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
38

the discovery of reading and writing.

Key words: Neuropsychopedagogy. Acquisition of reading. Learning difficulties.

1 INTRODUÇÃO

A neuropsicopedagogia tem se destacado no âmbito escolar, principalmente


nas metodologias de ensino e aprendizagem, assim como na avaliação de alunos com
dificuldades na leitura. Podemos dizer, que a neuropsicopedagogia tornou-se uma
ciência que investiga o sistema nervoso e influencia no comportamento humano,
tendo como principal destaque, a aprendizagem através da prática.
Raquel Araújo (2010) fala que a neurociência tem uma ligação extrema com a
neuropsicopedagogia e procura, mediante a atividade cerebral, os recursos para a
aprendizagem, levando em consideração os métodos didáticos e avaliativos uma
mudança significativa nesse processo.
Bastos e Alves (2013) citam que a aprendizagem acontece antes da vivência
escolar, observamos nas crianças demonstrações de raciocínio lógico e abstrato, por
diversos estímulos por meio de músicas, brincadeiras, histórias, esportes, entre outros
adequando a ludicidade e proporcionando estímulos cerebrais. O aprendizado
determina uma transformação cerebral, e os estímulos formam novas conexões entre
dendritos de neurônios diferentes. Isso é a plasticidade cerebral ou neuroplasticidade,
que é a capacidade do sistema nervoso de modificar a sua estrutura e funcionamento
de acordo com os estímulos.
Assim, Ferreiro (1995) descreve como a criança apropria-se dos conceitos e
habilidades para ler e escrever, explicando que os passos durante esse percurso
ocorrem similar ao que humanidade fez até chegar ao sistema alfabético, formulando
hipóteses seguindo uma lógica para compreender a relação entre a fala e a escrita,
compreendendo a fonética até chegar à representação da gráfica formal.
Diante desses fatores, o presente artigo pretende responder à seguinte questão:
quais as contribuições da neuropsicopedagogia no processo de aquisição da leitura
em crianças com dificuldades de aprendizagem?
Tendo como objetivo geral apresentar as contribuições da
Neuropsicopedagogia no processo de aquisição da leitura em crianças com
dificuldades de aprendizagem. Assim como os específicos visam identificar as
contribuições da neuropsicopedagogia utilizadas na educação; analisar o processo de
aquisição da leitura e memorização e investigar as dificuldades de aprendizagem.
A relevância da pesquisa se deu pela busca das contribuições da
neuropsicopedagogia para um melhor desenvolvimento escolar, assim como dar
suporte aos educadores e profissionais da área em sua prática pedagógica, ajudando-
os a alcançar resultados significativos diante das dificuldades de aprendizagem
apresentadas pelos alunos durante o processo educativo.
O presente artigo está dividido em cinco seções. A primeira, trata-se da
introdução, justificativa, a problemática da pesquisa e os objetivos. A segunda seção
é composta do referencial teórico, onde inicialmente é apresentada uma breve
abordagem sobre a neuropsicopedagogia em paralelo com a neurociência e o
desenvolvimento dos objetivos específicos. Dando continuidade, apresenta a terceira
seção, a metodologia utilizada na pesquisa, com caráter bibliográfico e qualitativo. A
quarta seção apresenta a análise de dados, e resultados. Finalizando, temos a
conclusão mostrando se os objetivos foram atingidos, se a metodologia foi adequada
e responde a problemática direcionadora do estudo proposto.
39

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Não podemos falar da neuropsicopedagogia sem mencionarmos a


neurociência, pois uma tem relação com a outra. A neurociência é uma ciência
multidisciplinar, inquieta com o desdobramento do cérebro, e com a aprendizagem.
Para Mietto (2012) a neurociência estuda a forma como o cérebro retém informações,
do mesmo modo que analisa as redes neurais durante a aprendizagem, a
consolidação das memórias e o armazenamento de dados.
Segundo Ferreiro (2001) criança nenhuma ingressa na escola sem algum
conhecimento da língua escrita, e, a dificuldade na aprendizagem existe porque são
trabalhadas cognitivamente com o que o meio lhes oferece.
Ao investigar sobre lecto-escrita, Ferreiro e Teberosky mostraram que durante
o desenvolvimento da aprendizagem as crianças constroem distintos
níveis/possibilidades, em relação à escrita antes de serem alfabetizadas. Como forma
de criticar o ensino puramente mecanicista, Ferreiro ressalta:

[...] o modelo tradicional associacionista da aquisição da linguagem é simples:


existe na criança uma tendência à imitação (tendência que as diferentes posições
associacionistas justificarão de maneira 10 variada), e no meio social que a cerca
(os adultos que a cuidam) existe uma tendência a reforçar seletivamente as
emissões vocálicas da criança que correspondem a sons ou pautas sonoras
complexas (palavras) da linguagem própria desse meio social (FERREIRO &
TEBEROSKY, 1985, p. 21).

Assim, a codificação e a decodificação de sinais gráficos no ensino-leitura não


devem ser favorecidas, mas sim, o processo de simbolização, privilegiando os
aspectos construtivos das produções infantis durante a alfabetização.
.
2.1 Contribuições da Neuropsicopedagogia para a educação

Apresentar as colaborações da neuropsicopedagogia no desenvolvimento da


aquisição da leitura em crianças com dificuldades de aprendizagem. Para Raquel
Araújo (2013) a junção entre a pedagogia, psicologia e neurociências, resultaram na
Neuropsicopedagogia.
Com isso, muitos pesquisadores, de diferentes áreas do conhecimento, se
propuseram a estudar e entender a forma ideal do funcionamento cerebral nos
processos emocionais e cognitivos dos indivíduos. Para um exemplar
desenvolvimento desse processo, é necessário que exista uma ligação entre os
contextos sócio-histórico, cultural, econômico e educativo, assim o cérebro passa a
funcionar promovendo uma comunicação entre os impulsos nervosos por transmitir
por intermédio das sinapses a liberação de substâncias químicas chamadas
neurotransmissores.
Bastos e Alves (2013) contam que a neurociência se tornou mais rica a partir
do fim do século XVII, devido aos neurologistas pesquisarem as bases neurológicas
através de autópsias e estudos em pacientes com lesões neurológicas. No século XX,
estudiosos passaram a descrever os processos psicológicos como ações voluntárias,
ativadas pela memória. De modo que, esses processos consideram o pensamento, a
memória, refletindo em áreas como a audição, visão, relacionadas ao ambiente em
que o indivíduo está inserido. Na década de 80, os equipamentos colaboraram para a
investigação das funções mentais, como a tomografia.
Os autores citados tratam da definição de neurociência cognitiva, como uma
40

subdivisão da neurociência, a qual aborda os processos cognitivos complexos como


as funções mentais superiores que envolvem o pensamento e suas complexas
relações com as estruturas da linguagem, a aprendizagem e as influências do mundo
exterior, mediando o desenvolvimento sociocultural no processo histórico do indivíduo.
Por ser o principal órgão do sistema nervoso, o cérebro é encarregado pelo
controle do corpo humano, assim como pela aprendizagem. Dessa forma, o estudo
da neurociência se faz progressivamente presente no cotidiano dos educadores que
busca evitar o fracasso escolar e futuras frustrações ao longo da educação. A
neurociência cognitiva busca discutir como os processos cognitivos são elaborados
funcionalmente pelo cérebro humano, possibilitando a aprendizagem, a linguagem e
o comportamento. O termo “neurociência” apareceu nos anos de 1960, revelando uma
área mais ampla que a neuroanatomia e neurofisiologia.
Cosenza e Guerra (2011) falam que as neurociências não sugerem uma nova
pedagogia, ou menos ainda uma resposta para as dificuldades de aprendizagem,
contudo auxiliam na fundamentação do exercício pedagógico, norteando intervenções
que consideram o funcionamento cerebral de forma eficiente.
É importante ressaltar que os educadores estejam dando continuidade a sua
formação através de cursos de extensão, visto que, a teoria e a prática andam juntas,
capacitando ainda mais esses profissionais a trabalhar melhor a individualidade dos
alunos, assim como as dificuldades por eles apresentadas. Para Cosenza (2011) é
imprescindível que as neurociências proporcionem uma visão mais científica do
processo de aprendizagem, levando em consideração os processos cognitivos.
Entretanto, é preciso prudência pois as descobertas não ratificam sua aplicabilidade
em sala de aula, apenas colaboram com o contexto.
O neuropsicopedagogo é um profissional que busca entender o funcionamento
do cérebro, fazendo adaptações nas metodologias educacionais para os indivíduos
com déficits cognitivos e emocionais. Esse especialista deve conhecer as
anormalidades neurológicas, fazendo um acompanhamento pedagógico dos
indivíduos que apresentem essas sintomalogias, para expandir e fomentar novas
sinapses do desenvolvimento da aprendizagem (TABAQUIM, 2003). De acordo com
o Código de Normas Técnicas 01/2016, da Sociedade Brasileira de
Neuropsicopedagogia, no artigo 29, as funções do neuropsicopedagogo se resume
em:

a)Observação, identificação e análise do ambiente escolar nas questões


relacionadas ao desenvolvimento humano do aluno nas áreas motoras,
cognitivas e comportamentais, considerando os preceitos da neurociências
aplicada a Educação, em interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva;
b) Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo
ensino e aprendizagem dos que são atendidos nos espaços coletivos; c)
Encaminhamento de pessoas atendidas a outros profissionais quando o caso
for de outra área de atuação/ especialização contribuir com aspectos
específicos que influenciam na aprendizagem e no desenvolvimento humano.
(CÓDIGO DE NORMAS TÉCNICAS, SBNPp, 2016, p. 4).

Mietto (2012) afirma que a neurociência da aprendizagem estuda o


desenvolvimento cognitivo cerebral, investiga a comunicação neural no momento da
aprendizagem, como os impulsos chegam ao cérebro. Sendo a neurociência
considerada o ponto inicial para teorias como a dos estágios do desenvolvimento de
Piaget e desenvolvimento proximal de Vygotsky. Pois, todo processo de aprendizagem
tem atuação do sistema nervoso e compreender os processos nos indivíduos, já que
nossas memórias, aprendizagem, emoções, comportamentos estão sendo
41

influenciados pelo sistema nervoso.


Avelino (2019) fala que são atributos do neuropsicopedagogo, conhecer os
distúrbios das aprendizagens, tem o papel de identificar, diagnosticar e encaminhar a
uma equipe multidisciplinar através de laudos. Os distúrbios citados podem estar
associados a leitura, escrita, déficit visuais, coordenação motora, transtornos
emocionais ou intelectuais. No contexto escolar, o neuropsicopedagogo trabalhará
simultaneamente com a família, para a intervenção pedagógica. Em um meio educativo
includente, a comunidade escolar percebe a urgência de um profissional que atenda a
questões pedagógicas e psicológicas oportunizando uma aprendizagem eficaz e
minimizando os problemas educacionais.
Este profissional pode atuar no âmbito clínico ou institucional, nosso trabalho tem
foco nas questões educacionais, com exceção das salas de atendimento especializadas
as escolas não possuem profissionais que trabalham com alunos com dificuldades de
aprendizagens.
Assim, faz-se necessário que o neuropsicopedagogo tenha conhecimento do
processo de ensino e aprendizagem, metodologias, currículo e atividades que podem
contribuir para a aquisição de conhecimentos, como também compreender as origens
neurais dos transtornos.

2.2 Análise do processo de aquisição da leitura e memorização

Ferreiro (1995) fala que as crianças participam ativamente do seu


conhecimento, construindo hipóteses de escrita. Acreditando que a alfabetização é
um processo de construção e representação da linguagem, indo além da repetição de
letras. Dessa forma, o educador deve valorizar as construções espontâneas das
crianças. A autora descreve a apropriação da escrita em três níveis: primeiro- distinção
entre a imagem (representação icônica) ou letras, números (não icônica) e intrafigural;
segundo, construção de formas de diferenciação, variação de grafia e quantidade de
grafia; nesses dois períodos a hipótese é pré-silábica; terceiro, a criança começa a
entender a relação da fala e escrita, a fonetização. Nesse nível, são três hipóteses: a
silábica, silábico-alfabética e alfabética.
Ferreiro e Teberosky (1986) fortalecem aspectos linguísticos da Psicogênese
da língua escrita, ao descrever as hipóteses, seguindo uma linha regular, nos três
períodos, percorrendo os níveis pré-silábico, silábico, silábico-alfabético, alfabético.
Ferreiro (1985) destaca:
[...] vão desestabilizando a hipótese silábica até que a criança tem coragem
suficiente para se comprometer em seu novo processo de construção. O
período silábico-alfabético marca a transição entre os esquemas prévios em
vias de serem abandonados e os esquemas futuros em vias de serem
construídos. Quando a criança descobre que a sílaba não pode ser
considerada como unidade, mas que ela é, por sua vez, reanalisável em
elementos menores, ingressa no último passo da compreensão do sistema
socialmente estabelecido. E, a partir daí, descobre novos problemas: pelo lado
quantitativo, se não basta uma letra por sílaba, também não pode estabelecer
nenhuma regularidade duplicando a quantidade de letras por sílaba (já que há
sílabas que se escrevem com uma, duas, três ou mais letras); pelo lado
qualitativo, enfrentará os problemas ortográficos (a identidade de som não
garante a identidade de letras, nem a identidade de letras a de som).
(FERREIRO, 1985, p. 13).

Por consequência, a Psicogênese da língua escrita retrata como na infância


aprendemos habilidades para ler e escrever, enfatizando novamente o percurso de
42

aprendizagem que este segue até chegar ao sistema alfabético, respondendo ao que
a escrita representa e como constrói essa representação.
Segundo Piaget (1998), o processo de aprendizagem ocorre associado ao
desenvolvimento intelectual, mediante as estruturas do pensamento e tem relação
entre a ação do sujeito com o ambiente em que está inserido. No desenvolvimento
intelectual da criança o autor afirma que é resultado do equilíbrio progressivo da
passagem entre os estados de menor equilíbrio para o de equilíbrio superior. Assim,
em cada estágio do desenvolvimento, é estabelecido por uma forma particular de
equilíbrio e uma sequência de evolução mental, sendo a aprendizagem o
conhecimento adquirido através das experiências individuais e sociais.
Piaget (1998) fala que os estágios do desenvolvimento da criança e
adolescente, leva em conta as funções superiores da inteligência e afetividade, a
psicologia genética contribuiu para uma pedagogia ativa. Para o autor essa pedagogia
busca que o indivíduo chegue ao seu desenvolvimento pleno. De modo que, o
conhecimento é originado através de uma ação sobre o objeto, sendo uma construção
epistemológica ativa, pois os sujeitos são ativos no método de desenvolvimento
cognitivo, compreendendo, criando, construindo e reconstruindo, sendo um uma
pesquisa do educando para que ele reconstrua o conhecimento e não que este seja
apenas transmitido.
Vygotsky (1996) destaca que o desenvolvimento psicológico acontece com
intervalos de períodos longos e estáveis e períodos curtos de crise. No período de
estabilidade, os desenvolvimentos ocorrem com pequenas mudanças na
personalidade, nos períodos curtos ocorrem mudanças repentinas na personalidade
reestruturando as necessidades da criança. Em cada etapa do desenvolvimento, há
uma nova estrutura de idade, essa estrutura consiste nas relações entre as funções
psicológicas, com foco nas interrelações, a cada idade as funções psicológicas
integram o processo de desenvolvimento, as estruturas anteriores modificam-se
surgindo novas à medida que a criança cresce.
Assim, podemos perceber que o desenvolvimento cognitivo percorre caminhos
associados a estímulos recebidos de forma externa e percorrem um percurso
conforme a maturação das estruturas neurais da criança.

2.3 Dificuldades de aprendizagem no processo de alfabetização e letramento

Cada criança é singular em sua aprendizagem, e, o meio em que ela está


inserida influência na aquisição do conhecimento. Uma criança de classe social baixa,
não lê com prontidão como uma criança de classe social mais elevada, por não ter as
mesmas oportunidades no universo educacional. A leitura é um exercício altamente
individual que integra o conhecimento ao contrário da escrita, que é uma ação de
expressar o pensamento. A criança que ainda não conseguiu uma alfabetização
significativa, pode passar por traumas que impeçam o seu desempenho futuramente.
O professor necessita ter um olhar clínico para esses alunos, para que possa intervir
e mediar no processo de alfabetização.
Cagliari (2001) fala que não podemos corrigir as crianças, é preciso incentivá-
los a autocorreção, orientando, motivando, desafiando-as, para que os conhecimentos
sejam solidificados e melhore o rendimento escolar nos anos futuros. O autor afirma
que escrever é como uma manifestação sofisticada e quando motivadas as crianças
também veem como passatempo. De modo, que nos experimentos da escrita, a
criança busca retrata o que imagina ser a escrita, portanto, o professor pode propor
trabalhos, analisando as dificuldades apresentadas no desenvolvimento da linguagem
43

e escrita individualmente.
Carvalho et al (2007) falam que durante o desenvolvimento da aprendizagem
são necessários elementos comunicadores, a mensagem, o receptor e o meio
precisam interagir entre si, para desenvolver condições, habilidades como motricidade
(rolar, sentar, andar, etc), integração sensório-motora (equilíbrio, ritmo, etc.),
habilidades perceptivo-motoras (visomotor, coordenação motora fina, etc.),
desenvolvimento da linguagem (vocabulário, fluência, etc.), habilidades conceituais
(seriação, classificação, etc.) e habilidades sociais (aceitação social, maturidade).
Assim, as dificuldades podem aparecer no estudante que não estava
totalmente capacitado nas questões iniciais, pré-requisitos para a alfabetização.
Contudo, quando falamos em distúrbios de aprendizagem, isso também é um
problema no processo de ensino-aprendizagem. O transtorno de aprendizagem é uma
perturbação na aprendizagem, modificando a forma como ocorrerá a aquisição e
assimilação do indivíduo, sendo os distúrbios de aprendizagem disfunções no Sistema
Nervoso Central relativas a um erro na aquisição da aprendizagem, não
caracterizando ausência, mas, sim uma perturbação na aquisição de informações.
De modo, que para os autores a dificuldade escolar pode ser algo de ordem
pedagógica, o transtorno de aprendizagem diz respeito a situações orgânicas que
impossibilitam o indivíduo de aprender, e a dificuldade escolar pode somar-se a fatores
emocionais, familiares, entre outros. Enquanto, os transtornos de aprendizagem
podem ser verbais e não verbais.
Para Carvalho et al (2007) os distúrbios verbais seriam relacionados às
dificuldades em ler e escrever como as dislexias, em três tipos: disfonética (indivíduos
que leem algumas palavras, mas tem dificuldades em palavras novas), deseidética
(leitura lenta) e mista, com os dois tipos apresentados. Os distúrbios não verbais têm
relação com visoespacial e incapacidade de compreensão do social. Manifestam
dificuldades táteis, motoras, em lidar com novas situações, com ausência de
problemas físicos ou emocionais. Na parte comportamental, a criança com dislexia
pode ter limitações na comunicação para expressar desejos, emoções. E, nos
distúrbios não verbais, são crianças consideradas problemáticas. Nos dois casos,
acarretam problemas escolares, por isso identificar a dificuldade permite ao professor
intervir para que o indivíduo tenha um novo vínculo com o aprendizado.
Diante do que foi exposto, pode-se dizer que o compromisso do educador é
fundamental durante as tarefas de intermediação entre os alunos e os conteúdos e a
interação entre todos os envolvidos. É preciso gerar na criança todo um interesse pelo
entendimento da representação oral para a escrita para que se possa desenvolver
uma alfabetização considerável.

O conflito cognitivo gerado e a consciência desta contradição que a criança


quando realiza a leitura de sua produção, costumeiramente produz um visível
desconforto. É frequente a criança utilizar-se de letras não interpretadas (no
interior da palavra), cuja função é apenas de preencher a quantidade
considerada como mínima para escrita. Outra forma momentânea de
negociar o conflito é deixar letras sobrantes (AZENHA, 1995, p.75).

Ponderando os problemas na decodificação da fonética e escrita, podemos


evidenciar os déficits, decorrentes de problemas de percepção, desenvolvimento
fonológico, de memória, entre outros, a serem apreciados em crianças disléxicas.
Além da dislexia, o estudante pode manifestar outros problemas de aprendizagem,
como: dislalia (bloqueio de fala, dificuldade em articular as palavras), disglossias
(distúrbios na articulação, decorrentes de anomalias na língua, palato, arcada dentária
44

ou lábios), disfemia (gagueira, desordem na fala), disfazia (perturbação na linguagem,


associada a uma lesão cerebral) e hiperatividade (impulsividade acarretando prejuízo
nas relações sociais).

3 METODOLOGIA

A pesquisa científica é fruto de uma investigação cuidadosa, na busca de


resolver um problema, com auxílio de recursos científicos. Sendo está uma inquirição,
procedimento sistemático, com objetivo de interpretar fatos, uma realidade específica.
Os métodos qualitativo e quantitativo são originários de pesquisas nas áreas
de ciências exatas, o quantitativo tem relação a adoção de metodologias dedutivas,
objetivas e buscando uma descoberta. O qualitativo tem origem antropológica, com
descoberta, identificação e descrição rica e aprofundada. Cada abordagem tem
limitações e vantagens, e o fator determinante é a abordagem que será utilizada e a
natureza do tema a ser pesquisado.

3.1 Tipo de pesquisa

O presente artigo teve como metodologia a pesquisa bibliográfica exploratória e


qualitativa. Para Fonseca (2002) a pesquisa bibliográfica ocorre mediante o
levantamento de teorias publicadas em livros, artigos científicos, escritos ou
eletrônicos, sendo que todos os trabalhos científicos começam através de pesquisa
bibliográfica.
A pesquisa qualitativa, segundo Minayo (2007) considera os valores,
significados, para além das variáveis. Atualmente, é utilizada nas áreas da Psicologia
e Educação, quando inicialmente eram aplicadas na Antropologia e Sociologia. A
pesquisa qualitativa preocupa-se com o fenômeno, a descrição, compreensão e
explicação das relações de um fenômeno específico, buscando resultados nas
investigações teóricas e dados empíricos.
Zanella (2013) fala que a pesquisa qualitativa utiliza métodos indutivos, com
objetivo de obter uma descoberta, de forma detalhada e aprofundada.
Gil (2008) fala que as pesquisas exploratórias procuram desenvolver,
esclarecer conceitos, formulando hipóteses que possam ser consultadas em estudos.
Entre os tipos de pesquisas, essas são as com menor rigidez, por envolver
levantamento bibliográfico e documental, entrevistas abertas e estudos de casos. As
pesquisas exploratórias procuram dar uma visão mais ampla acerca de um fato.
Geralmente, é escolhida quando o tema em questão foi pouco abordado, dificultando
formular hipóteses precisas, sendo necessária uma delimitação, com revisão literária,
discussões e o produto final é um problema esclarecido e possível de ser investigado
de forma sistemática.
Severino (2013) fala que a pesquisa bibliográfica é feita por intermédio do
registro disponível, através de pesquisas já existentes, documentos impressos, livros,
artigos e teses, onde os dados já trabalhados e os textos são as fontes da pesquisa,
assim o pesquisador analisa as contribuições de outros estudos teóricos.
Segundo Lakatos e Marconi (1992) a pesquisa bibliográfica é dividida em
fases, sendo a primeira a seleção do tema, uma dificuldade sem solução, encontrar
um objeto a ser investigado. Depois, elaborar um plano de trabalho, uma coleta de
dados bibliográficos. Em seguida, a fase da identificação onde o assunto é
45

reconhecido como um tema pertinente para estudo. A compilação, que seria a


sistematização do material, a análise e interpretação onde é feita a crítica ao material
pesquisado e a redação que seria qual tipo de trabalho científico, artigo, trabalho de
conclusão de curso, dissertação, entre outros.
Para Zanella (2013) a pesquisa qualitativa tem o ambiente como fonte de
dados, preocupa-se com o mundo empírico. A pesquisa qualitativa é descritiva, pois
descreve fenômenos e os resultados são transcritos de forma documental, a
preocupação está em conhecer como o fenômeno acontece, com o processo,
analisando os dados mediante um processo de baixo para cima.
Para Minayo (1996 apud ZANELLA, 2013) às críticas, a pesquisa qualitativa,
são:

[...] o empirismo de que são acometidos muitos pesquisadores que passam a


considerar ciência a própria descrição dos fatos que lhes são fornecidos pelos
atores sociais. [...]; a ênfase na descrição dos fenômenos em detrimento da
análise dos dados; o envolvimento do pesquisador com seus valores,
emoções e visão de mundo na análise da realidade; e a dificuldade em si de
trabalhar com “estados mentais”. (MINAYO apud ZANELLA, 2013, p. 101)
Contudo, o autor questiona a restrição da realidade social em relação ao
método utilizado, onde o objeto de estudo seria a sociedade. Os pesquisadores
costumam começar com questões amplas e posteriormente, tornam-se mais
específicas, à medida que as análises vão surgindo ao longo do processo de coleta
de dados, sendo nesse tipo de pesquisa a análise e coleta de dados ocorrem de forma
integral, simultaneamente.

4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os resultados são alcançados depois do levantamento sobre a bibliografia


pesquisada, onde temos que analisar os teóricos comparando discussões e exemplos
para chegar a uma teoria, dentre os quais destacamos.

AUTOR TÍTULO RESULTADO DISCUSSÃO


MIETTO A importância da A neurociência da A neurociência e
neurociência na aprendizagem as conexões
educação. estuda o neuronais no
funcionamento do momento da
cérebro. É o aprendizagem.
entendimento de
como as redes
neurais são
estabelecidas no
momento da
aprendizagem,
como também a
forma que os
estímulos chegam
ao cérebro, e como
as memórias se
consolidam, e de
como temos acesso
46

a essas
informações
armazenadas.

FERREIRO, Desenvolvimento da As crianças O educador deve


Emília. Alfabetização: participam valorizar as
psicogênese. ativamente do seu construções
conhecimento, espontâneas das
construindo crianças. A autora
hipóteses de descreve a
escrita. Acreditando apropriação da
que a alfabetização escrita em três
é um processo de níveis.
construção e
representação da
linguagem, indo
além da repetição
de letras.
BLANCO, Neurociência e os A neurociência O educador deve
Ozana das cinco cognitiva como a associar a
Graças sentidos na educação. ciência que procura neurociência com
Paccola; compreender e a educação para
NAVAJAS, explicar as relações obter resultados
Paulo Farah. entre o cérebro, as significativos na
atividades mentais aprendizagem do
superiores e o aluno.
comportamento. A
aprendizagem
desenha a
neuroplasticidade e
pode ser entendida
como um processo
através do qual o
sistema nervoso
cerebral reestrutura
funcionalmente as
suas vias de
processamento e
representações de
informação.
COSENZA, R. Neurociência e As neurociências A neurociência é
M. e GUERRA, educação: como o não buscam uma ciência que
L. cérebro aprende. modificar a surgiu na década
pedagogia, muito de 60, e os
47

menos tem uma progressos das


saída para as neurociências
dificuldades de permitem um
aprendizagem, olhar mais
contudo buscam científico do
fundamentar as desenvolvimento
práticas da aprendizagem.
pedagógicas com
estratégias que
respeitem o
funcionamento
cerebral.
FERREIRO, Psicogênese da língua Falam sobre os As crianças vão
E.; escrita. aspectos desestabilizando
TEBEROSKY, linguísticos da a hipótese silábica
A. Psicogênese da até que a criança
língua escrita, ao tenha coragem
descrever as suficiente para se
hipóteses, comprometer em
seguindo uma linha seu novo
regular, nos três processo de
períodos, construção.
percorrendo os
níveis pré-silábico,
silábico, silábico-
alfabético,
alfabético.
Vygotsky, L. S. Obras escogidas Destaca que o Em cada etapa
desenvolvimento do
psicológico desenvolvimento,
acontece com há uma nova
intervalos de estrutura de
períodos longos e idade, essa
estáveis e períodos estrutura consiste
curtos de crise. No nas relações entre
período de as funções
estabilidade, os psicológicas, com
desenvolvimentos foco nas
ocorrem com interrelações, a
pequenas cada idade as
mudanças na funções
personalidade, nos psicológicas
períodos curtos integram o
ocorrem mudanças desenvolvimento,
repentinas na as estruturas
personalidade anteriores
reestruturando as modificam-se
necessidades da surgindo novas à
criança. medida que a
criança cresce.
48

CAGLIARI, Alfabetização e Não devemos Precisamos


Carlos. linguística. corrigir demais as motivar as
crianças, é crianças para que
necessário permitir elas possam
que aprendam, construir suas
reflitam, pratiquem representações,
a autocorreção. O expressar suas
ato de corrigir tudo hipóteses,
que a criança faz, imaginar o que
não permite que ela pode ser a escrita.
reflita sobre a sua
opção.

Piaget, J. Seis estudos de Em cada estágio do O conhecimento


Psicologia. desenvolvimento, é é originado por
estabelecido por meio de uma ação
uma forma sobre o objeto,
particular de sendo uma
equilíbrio e uma construção
sequência de epistemológica
evolução mental, ativa, pois os
sendo a sujeitos são ativos
aprendizagem o no processo de
conhecimento desenvolvimento
adquirido através cognitivo,
das experiências compreendendo,
individuais e criando,
sociais. Os estágios construindo e
do reconstruindo,
desenvolvimento sendo um uma
da criança e pesquisa do
adolescente, leva educando para
em consideração que ele reconstrua
as funções o conhecimento e
superiores da não que este seja
inteligência e apenas
afetividade, a transmitido.
psicologia genética
contribuiu para uma
pedagogia ativa.
Para o autor essa
pedagogia busca
que a criança
chegue ao seu
desenvolvimento
pleno.

Tabela 1. Demonstrativo dos resultados


Fonte: Elaboração própria (2020)
49

Na tabela acima temos a referência dos autores que mais contribuíram para
essa pesquisa, no que concerne a área de neurociências, temos: Mietto, Blanco e
Navajas, Cosenza e Guerra; em aprendizagem: Ferreiro, Ferreiro e Teberosky,
Vygotsky, Piaget e Cagliari, como também o resumo encontrado na obra e a discussão
relacionada com a neurociências e as dificuldades de aprendizagem.

5 CONCLUSÃO

O artigo desenvolvido ensejou analisar as contribuições da


neuropsicopedagogia na metodologia de aquisição da leitura em crianças com
problemas de aprendizagem, expostas pelos autores mencionados, que destacam a
importância da neurociência e da neuropsicopedagogia como ferramentas de apoio
para o professor em sua prática pedagógica.
É necessário ressaltar que o educador necessita saber como transmitir os
conteúdos, principalmente para aquelas crianças que manifestam déficits na
aprendizagem, fazendo as intervenções necessárias, pois cada criança é singular na
aquisição do conhecimento. E que esses conhecimentos são transformados e
aprimorados pelas crianças para compreender como ocorre o processo de aquisição
da escrita, considerando seus conhecimentos pré-existentes e suas vivências além
da sala de aula.
Deste modo, concluímos que o triunfo do desenvolvimento da leitura e escrita
se dá pela intervenção do posicionamento do educador em despertar no aluno o
encantamento pela descoberta de ler e escrever, desenvolvendo a sua capacidade de
pensar, agir e crescer, propiciando atividades significativas, levando em conta o
desenvolvimento cognitivo de cada um. Tornando-o um sujeito ativo, participativo do
desenvolvimento da aprendizagem, sentindo-se valorizado e com um olhar social
amplificado.

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52

A VISÃO DA NEUROPSICOPEDAGOGIA SOBRE O ACERVO DE PRODUÇÕES


CIENTÍFICAS COMO CONTRIBUIÇÃO CONTRA O RACISMO EM UMA
INSTITUIÇÃO PRIVADA DE ENSINO SUPERIOR

Patrícia Maia Cordeiro Dutra12


Ângelo Dutra Gomes13
Ana Lourdes Leitão14
Rosângela Couras Del Vecchio15
Silvia Letícia Martins de Abreu16
Patrícia Maia Cordeiro Dutra17
Ângelo Dutra Gomes18
Ana Lourdes Leitão19
Rosângela Couras Del Vecchio20
Silvia Letícia Martins de Abreu
RESUMO
Esse apanhado sobre a aprendizagem a partir da observação e imitação do
comportamento social na infância, da instrução formal, nos dá indícios de que os
valores de uma sociedade precisam ser questionados, submetidos à crítica e à
discussão, a fim de que sejam fruto de um exercício analítico e não mera reprodução
irrefletida. A educação muda o perfil sociocultural e econômico de um país faz possível
estabelecer uma relação entre escolarização, cultura e comportamento social. O
objetivo geral da investigação é verificar o acervo de livros e de produções de alunos
do centro universitário que tratam do tema do racismo com o olhar de um
neuropsicopedagogo. Sendo assim, os objetivos específicos são caracterizar o
fenômeno do racismo, identificar os títulos de obras e trabalhos acadêmicos que
tratam sobre racismo, levantar as quantidades de exemplares dessas publicações;
analisar a contribuição das publicações para o combate ao racismo; analisar as
contribuições das publicações para o combate ao racismo na ótica do
neuropsicopedagogo. A metodologia utilizada é do tipo de campo, sendo de caráter
exploratório e com o objetivo metodológico bibliográfico e documental. O resultado da

12 Pós graduanda do curso de Pós-graduação em Didática do Ensino Superior e Tutoria em EAD do


Centro Universitário Ateneu, Mestre em Antropologia de Iberoamérica pela Universidade de
Salamanca-USAL e docente do curso de Psicologia da Uniateneu (pmcdutra@gmail.com)
13 Graduando do curso de Psicologia Centro Universitário Farias Brito (angelo.dutra2020@gmail.com)

14 Docente nos cursos de Administração, Direito e Serviço Social da Uniateneu, Mestre em Políticas
Públicas pela UECE (ana.lourdes@professor.uniateneu.edu.br)
15 Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e
Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhanguera – SP
(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
16 Coordenadora revisora da Pós-graduação da UniAteneu dos cursos de Neuropsicopedagogia e

Didática do Ensino Superior e Tutoria em EAD pelo UNIATENEU


(silvia.letícia@professor.uniateneu.edu.br)
17 Pós graduanda do curso de Pós-graduação em Didática do Ensino Superior e Tutoria em EAD do

Centro Universitário Ateneu, Mestre em Antropologia de Iberoamérica pela Universidade de


Salamanca-USAL e docente do curso de Psicologia da Uniateneu (pmcdutra@gmail.com)
18 Graduando do curso de Psicologia Centro Universitário Farias Brito (angelo.dutra2020@gmail.com)

19 Docente nos cursos de Administração, Direito e Serviço Social da Uniateneu, Mestre em Políticas
Públicas pela UECE (ana.lourdes@professor.uniateneu.edu.br)
20 Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e
Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhanguera – SP
(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
53

pesquisa levantou que menos de 1% da produção acadêmica e do acervo literário das


bibliotecas física e virtual trata do tema do racismo. A ínfima produção acadêmica,
assim como o inexpressivo acervo não favorecem à autoconsciência, à mudança de
consciência e de comportamento para o combate ao racismo.

Palavras chave: Racismo. Instituição Privada de Ensino Superior.


Neuropsicopedagogia.

ABSTRACT

This overview of learning from the observation and imitation of social behavior in
childhood, from formal instruction, gives us indications that the values of a society need
to be questioned, submitted to criticism and discussion, in order for them to be the
result of a analytical exercise and not mere thoughtless reproduction. Education
changes the socio-cultural and economic profile of a country, making it possible to
establish a relationship between schooling, culture and social behavior. The general
objective of the investigation is to verify the collection of books and productions of
students from the university center that deal with the theme of racism with the eye of a
neuropsychopedagogue. Therefore, the specific objectives are to characterize the
phenomenon of racism, to identify the titles of works and academic works that deal
with racism, to raise the number of copies of these publications; analyze the
contribution of publications to the fight against racism; analyze the contributions of
publications to the fight against racism from the perspective of the
neuropsychopedagogue. The methodology used is of the field type, being of
exploratory character and with the bibliographic and documentary methodological
objective. The result of the survey showed that less than 1% of academic production
and the literary collection of physical and virtual libraries deals with the theme of
racism. The tiny academic production, as well as the inexpressive collection, do not
favor self-awareness, the change of conscience and behavior to combat racism.

Keywords: Racism. Private Higher Education Institution. Neuropsychopedagogy.

INTRODUÇÃO

As produções científicas compartilham anseios de saber, esclarecimentos


sobre problemáticas consideradas relevantes, e o volume de publicações sobre um
mesmo tema é indicador do valor que a comunidade acadêmica e a sociedade
atribuem à dedicação em discuti-lo. A expressividade e a proporção dessas
investigações e relatos criam maiores ou menores condições de impacto para a
transformação na sociedade.
Conforme a neurociência cognitiva, os processos cognitivos em conjunto são
elaborados pelo cérebro e possibilitam que, simultaneamente, aconteça a
aprendizagem, seja desenvolvida a linguagem e também o comportamento humano.
Luria, neuropsicólogo soviético, entende que as funções mentais superiores, têm sua
origem nos sistemas funcionais que fundamentam o comportamento, cuja base está
na linguagem, e assim desenvolvem os processos de regulação das ações humanas
(BASTOS; ALVES, 2013).
54

A linguagem passiva e ativa, em suas diversas formas de expressão, é uma


atividade interacional, influenciada pelo contexto histórico e cultural. As relações
socioculturais são essenciais para o seu desenvolvimento. Na infância a
aprendizagem se dá basicamente por imitação, tanto de comportamentos, como de
linguagem e por fim, de discursos. Não sendo alimentadas com conhecimento e nem
incentivadas ao raciocínio crítico, resta a reprodução do que lhes for apresentado.
A partir da escolarização e do contato com informações exteriores ao círculo
íntimo de convivência, há uma evolução do repertório linguístico e semântico. Através
da educação formal o estudante pode emergir do seu mundo social e de sua rotina
cotidiana, avançar nas habilidades de raciocínio abstrato e lógico. O enriquecimento
mental amplia o acervo simbólico de signos, mediadores do pensamento e da visão
da cada um, sendo assim possível promover mudanças culturais (LURIA, 2010).
Tendo isso em mente, caracteriza-se a formação sociohistórica da atividade
mental, a partir da premissa de que o acesso à escolarização e à instrução é um
processo mediador tanto do aprimoramento das funções mentais superiores, quanto
das relações interpessoais em sociedade e da cultura do meio social em que se vive
e está inserido. Há uma relação interdependente entre aprendizagem e
desenvolvimento (VYGOTSKY, 2006).
O inverso também é pertinente. O desconhecimento e a desinformação deixam
inertes ou inócuos possíveis esforços para a mudança social. Tratando do caso do
racismo, a pouca produção e promoção de debate transparente sobre o tema contribui
para a sua perpetuação e para a dificuldade em aponta-lo e combate-lo. Essa
condição concorre para o seu negacionismo e para a manutenção do racismo
estrutural.
Considerando a relevância da construção de saberes e da divulgação e acesso
à produção de conhecimento como fatores de transformação social, e que possibilitam
a conscientização sobre os problemas que envolvem o racismo, interrogamos sobre
o acervo de produções científicas acerca do racismo em um centro universitário
privado em Fortaleza-CE.
O tema é relevante não apenas em virtude de sua gravidade, mas em
consonância com as mobilizações sociais em nível global que vem manifestando o
repúdio a esse crime. Movimentos como o “vidas negras importam” receberam adesão
massiva por ocasião da morte por asfixia de do homem negro George Floyd,
assassinado por policiais brancos nos Estados Unidos da América, desencadeando a
maior manifestação popular contra o racismo, desde 1968, com a morte de Martin
Luther King e uma mobilização internacional (BERMÚDEZ, 2020).
No Brasil, tivemos o trágico episódio do assassinato, também por asfixia, por
motivo banal e torpe do homem negro João Alberto Silveira de Freitas, cometido por
seguranças brancos da rede de supermercados Carrefour, e, na mesma semana, a
viralização das imagens da agressão de policiais brancos contra o produtor musical
negro Michel Zecler. Esse fato ocorreu exatamente no momento em que o governo
francês tramita a análise de uma lei que proíbe a divulgação de imagens de ação de
policiais, sugerindo uma multa de €45.000,00 contra quem o fizer (G1, 2020).
Reações públicas intensas colocam o racismo em questão e a conduta de
forças policiais contra negros ao redor do mundo. Na contramão, observamos um dos
líderes máximos dos brasileiros negar a existência do fenômeno do racismo em nosso
país. Na declaração do vice-presidente: “Não, para mim no Brasil não existe racismo.
Isso é uma coisa que querem importar, isso não existe aqui. Eu digo pra você com
toda tranquilidade, não tem racismo" (DW, 2020). Ao passo que o presidente durante
a reunião de cúpula do G20, grupo que congrega os vinte países que têm as maiores
55

economias mundiais, afirmou que tensões entre raças são alheias à nossa história
(ISTOÉ, 2020).
Esse trabalho pretende, demonstrar a relevância das produções científicas
como ação antirracista e antinegacionista, a fim de chamar a atenção para o
investimento acadêmico e científico de uma instituição de ensino superior,
questionando a contribuição da comunidade acadêmica nesse sentido. Almeja-se
assim, despertar a atenção para a necessidade de aderência à produção desse tipo
de conteúdo, como forma de contribuir para uma sociedade melhor.
Desta forma, a pesquisa visa elucidar a seguinte problemática: Quais as
contribuições das publicações para o combate ao racismo na ótica do
neuropsicopedagogo?
O objetivo geral da investigação é verificar o acervo de livros e de produções
de alunos de graduação do centro universitário que tratam do tema do racismo com o
olhar de um neuropsicopedagogo. Os objetivos específicos são caracterizar o
fenômeno do racismo, identificar os títulos de obras e trabalhos acadêmicos que
tratam sobre racismo, levantar as quantidades de exemplares dessas publicações;
analisar a contribuição das publicações para o combate ao racismo na ótica do
neuropsicopedagogo. Com base em estudos semelhantes, essa investigação
estabeleceu como hipótese a ideia de que há pouca ou inexpressiva contribuição em
termos de acervo que promova o debate sobre a chaga social que é o racismo
O interesse em conduzir essa pesquisa surgiu do acesso a um vídeo
documentário produzido pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo que
tratava da relação entre essa ciência e o fenômeno do racismo, em que, dentre outras
atividades, denunciava a baixa ou quase nula produção de conhecimento sobre esse
assunto (CRPSP, 2016). Diante do contexto do racismo no Brasil, essa situação é
constrangedora, pois indica, dentre várias possibilidades, ou um fatalismos diante do
preconceito, ou um convívio acomodado com o problema.
O presente artigo está dividido em cinco seções. Na primeira trata-se da
introdução, justificativa, a problemática da pesquisa e os objetivos. Na segunda seção
trata-se do referencial teórico, onde inicialmente é apresentada uma breve abordagem
sobre o acervo de livros e de produções de alunos do centro universitário que tratam
do tema do racismo e o desenvolvimento dos objetivos específicos. Dando
continuidade, apresenta a terceira metodologia utilizada na pesquisa e em na quarta
vem a análise de dados e por fim na quinta a discussões dos resultados. Finalizando,
traz uma conclusão mostrando se os objetivos foram atingidos, se a metodologia foi
adequada e responde a problemática direcionadora do estudo proposto.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A educação no Brasil tem se comprometido politicamente com o combate ao


racismo, dedicando-se a garantir que a população negra e indígena tenha a sua
história e, por consequência, o seu valor, registrado na consciência de todos da
população brasileira, a partir de sua discussão obrigatória no contexto escolar, tanto
nas aulas como na produção de materiais didático escolares, que são fonte preciosa
de reflexão e conhecimento.

A política nacional para a educação, manifesta na Lei 10639/2003 diretrizes


e práticas que valorizam e reconhecem a participação e contribuição dos
africanos e seus descendentes na formação do Brasil. A lei em questão
consiste em um marco da luta antirracista, trazendo em si a intenção de
56

promover a melhoria qualitativa do ensino em todos os níveis, a partir da


incorporação da diversidade étnico-racial, apresentando as lutas da
população negra e indígena e suas contribuições como fonte de orgulho e
valor, não vista apenas como problema, nas práticas escolares (BRASIL,
2004).

A educação sobre a pluralidade das questões étnico-raciais voltadas para o


Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Africana foi contemplada nas diretrizes
curriculares nacionais através da resolução 01 Resolução CNE/CP nº 1/2004,
impressa no Diário Oficial da União (DOU) em junho de 2004 (CNE, 2004). Em março
de 2008, passou a vigorar o artigo 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
com a seguinte redação: “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino
médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-
brasileira e indígena” (CASA CIVIL, 2008:pág.01). A população indígena também
passou a ser contemplada na edição da Lei 11645/2008, pelo entendimento de que
esta passava pelos mesmos problemas, ainda eu em diferentes proporções.
Além de determinar as diretrizes nacionais sobre o ensino das questões étnico-
raciais para a educação básica e o ensino fundamental, o Conselho Nacional de
Educação (CNE) contempla também o ensino superior no primeiro parágrafo do
primeiro artigo:
As Instituições de Ensino Superior incluirão nos conteúdos de disciplinas e
atividades curriculares dos cursos que ministram, a Educação das Relações
Étnico-Raciais, bem como o tratamento de questões e temáticas que dizem
respeito aos afrodescendentes, nos termos explicitados no Parecer CNE/CP
3/2004.

Esses preceitos constituem um desafio lançado pelo Ministério da Educação


para instituir parcerias com as instituições educacionais em todos os níveis e
modalidades de educação. O propósito é divulgar e produzir conhecimento, sobre
questões étnico-raciais, a fim de promover ações, atitudes e valores relativos aos
direitos e à dignidade humana, valorização da pluralidade cultural, da identidade e
consolidação de uma verdadeira democracia (BRASIL, 2011).
A contribuição científica e acadêmica para a compreensão de fenômenos
sociais é extremamente importante, porém, mais ainda quando essa produção
possibilita a ação transformadora de realidades. Nesse sentido, as produções sobre o
tema do racismo ajudam a compreender seu delineamento e oferecem visões distintas
de possibilidades para que essa prática seja combatida. Faz-se, para tanto,
necessário compreender as suas características, conforme trataremos a seguir.

2.1 O fenômeno do racismo

Na raiz do racismo estão o preconceito, as concepções e julgamentos prévios


a partir de um grupo social, mas explicar esse fenômeno apenas por essa concepção
é insuficiente. Além de ser apenas um fragmento do problema, há o agravante, como
explica DiAngelo (2020: pág. 43), que todos temos preconceitos, ampliando suas
proporções e formas de expressão. Eles são inevitáveis uma vez que são
desenvolvidos e aprendidos durante a formação do indivíduo a partir das suas
relações sociais, mas quando ele age baseado nesses preconceitos, ele estará
discriminando.
A discriminação, como foi dito anteriormente, é ação geralmente injusta e
negativa fundamentada pelos preconceitos (BEZERRA, 2020). Esses atos nem
sempre são claros, eles podem ser os mais evidentes como a violência física e verbal,
57

de fato, porém no contexto brasileiros evidencia-se uma discriminação mais sutil que
é mais difícil de ser identificada, como excluir, ignorar ou criar a sensação de
desconforto quando em contato com um grupo específico.
No momento em que o preconceito e a discriminação coletiva contra um grupo
racial são apoiados por uma instituição de poder legalizada, isso se torna racismo.
Conforme Bezerra (2020, pág: 01) “O racismo é a crença de que os membros de uma
etnia possuem características, habilidades ou qualidades específicas desta etnia e,
portanto, seriam uma "raça" superior às outras”.
O racismo seria então um sistema complexo que molda estruturas de opressão
contra esse grupo e, institucionalizado socialmente, torna-se um fato social. Conforme
Durkheim (GIDDENS, 2005) o fato social não depende de atores individuais para se
fazer valer. O fato social tem poder coercitivo, mas, raramente, é percebido como tal.
As pessoas são condescendentes com ele porque seguem os padrões comuns em
sua sociedade. São difíceis de serem percebidos por serem intangíveis, porém, ainda
assim, modelam a organização social em suas dimensões políticas, econômicas e
culturais.
A combinação dessas dimensões delineia a estrutura da sociedade, o que nos
aponta para o perímetro estrutural do racismo. De forma reduzida, pode-se afirmar
que o racismo estrutural se caracteriza pelas condições sociais, políticas e
econômicas que permitem e validam a discriminação sistêmica de grupos raciais.
Entretanto, fazer isso é um desserviço acadêmico pelo fato de diminuir um problema
multidimensional – social, econômico, político, educacional etc. – e de grande
magnitude a poucas linhas.
A exemplo disso, mencionamos a legislação referente ao acesso à educação
como forma de manutenção de ideologias, visto que representa os interesses da
sociedade. Conforme Thompson (1987, pág:350) “a lei também pode ser vista como
ideologia ou regras e sanções específicas que mantêm uma relação ativa e definida
(muitas vezes um campo de conflitos) com as normas sociais”. Ao longo de todo o
século XIX, no que ser refere à educação, ficou claro como era ser negro em uma
sociedade escravocrata em que os negros eram subordinados à relação senhor-
escravo “sujeitos a numerosas restrições legais ou simplesmente impregnados nos
costumes de uma sociedade dominada por uma diminuta elite branca” (AZEVEDO,
1987 apud BARROS, 2016:pág.603)
A constituição brasileira de 1824 determinou que a instrução primária seria
gratuita para todos os cidadãos, o que excluía os escravos. Vê-se assim também a
forma como foi explicitamente correlacionada a categoria de escravos e a da
população negra, como sinônimos. No ano de 1834, as províncias poderiam legislar
sobre quem seria admitido ou não na instituição escolar e várias delas especificaram
que escravos ou africanos, libertos ou ingênuos, assim como pessoas acometidas de
doenças infecto contagiosas, não poderiam ser admitidos nas escolas. Observou-se
um primeiro avanço quando da criação de escolas noturnas em Santa Catarina no ano
de 1874, se determinou que com a autorização de seus senhores, escravos poderiam
assistir aulas (BARROS, 2016).
Foi preciso decorrer todo o século XX e ultrapassar a primeira década do século
XXI, para que a população negra, enfim, ultrapassasse minimamente um percentual
significativo de acesso à educação. Conforme a Agência Brasil, dados obtidos junto
ao IBGE revelam que o percentual da população negra, que é composta por pessoas
pretas ou pardas, que chegaram a cursar o ensino superior nas instituições públicas
do Brasil chegou a 50,3% no ano de 2018. Apesar de que os negros compõem o
percentual de 55,8% da população brasileira, esta foi a primeira vez em que os pretos
58

e pardos ultrapassaram a metade das matrículas em instituições de nível superior


públicas (NITAHARA, 2019).
Essa foi uma melhora que vai impactar nos resultados de antes. Obteve-se no
ano de 2016, a taxa percentual dos estudantes que concluíram o ensino superior foi
composta por 36,1% de pessoas brancas e 18,3% de pretos e pardos. A taxa de
ingresso no ensino superior foi de 53,2% da população branca e de 35,4% da
população composta por pretos e pardos. Na faixa de 18 a 24 anos, dentre os que
terminaram os estudos do ensino médio, mas que não seguiram os estudos de nível
superior porque estavam trabalhando ou na busca por emprego, o percentual atingiu
a faixa de 61,8% para pretos ou pardos (NITAHARA, 2019).
Não apenas na educação o racismo estrutural afeta à população negra, mas o
faz especialmente, porque a sociedade branca se beneficia das vantagens que o
racismo lhes proporciona, mas, não se percebe racista. O racismo é parte de um
processo social que ocorre “pelas costas dos indivíduos e lhes parece legado pela
tradição” Almeida (2019: pág. 33). Através de um discurso de senso comum e
alienante que o indivíduo racista é “anormal” e que tal comportamento é patológico, a
compreensão – individual e geral – do que é racismo foi diluída.
Enxergar esse fato social de tal forma inviabiliza que pessoas brancas
reconheçam as suas próprias práticas racistas – que por falta de compreensão e
pensamento crítico elas têm mais dificuldade de mudá-los – e de não as fazer
perceber como o racismo (desde as suas formas mais sutis às mais graves) se
manifesta na sociedade. Por conseguinte, as pessoas brancas acabam não
entendendo o quanto que o racismo as beneficia, incidindo no fenômeno conhecido
como branquitude.
A branquitude não é caracterizada apenas pelas simples diferenças físicas e
por uma classificação racial, ela vai além disso. Esse conceito se firma a partir do
significado, concessões e garantias dadas ao branco por meio de uma premissa
integral para a sua estruturação: a de que o branco é o padrão. Este é um conceito
que diz que, conforme Conceição (2020: pág. 13):
a branquitude é um conceito elaborado a partir de um discurso ético, criado
para desvelar certos processos e relações estruturais de dominação, para
desmascarar a face oculta do colonialismo, como um operador sub-reptício
de naturalização do branco e para transformá-lo em ideal e em universal.

É um fenômeno silencioso e narcisista, como um pacto, através do qual, quer


seja conscientemente não, busca-se salvaguardar as vantagens obtidas em uma
sociedade que se estruturou a partir de vantagens destinadas para uma etnia. Assim
como a concepção de negro foi historicamente constituída, a dos brancos também
tem um caráter histórico, não foi concebida como privilegiada por determinação divina,
como preconizava a igreja. Foi construída como contraimagem de sua contrapartida
inferior, “através de falsos pressupostos, a partir de ideologias, [...], que serviram para
conformar e justificar sua hegemonia e seu controle sobre a humanidade, não apenas
como classe, mas como raça dominante” (CONCEIÇÃO, 2020: pág. 22)
DiAngelo (2020) compreende que ser branco e reconhecido como tal está muito
além de uma classificação étnica, pois esta confere status e uma identidade que
trazem em si direitos e privilégios que são negados aos negros. A branquitude
operacionaliza vantagens legais, políticas, econômicas e sociais reiteradamente ao
longo da história. Em vez de do foco típico na maneira como o racismo fere as pessoas
de cor, analisar a branquitude é focar no modo como o racismo concede importância
aos brancos (DIANGELO, 2020:pág.49).
Não vivenciando “na pele” as consequências da Branquitude, muitos brancos
59

se chocam e sofrem, escandalizados, quando os crimes de racismo incidem


violentamente contra os direitos humanos. Fragilizados e feridos, precisam ser
reconfortados pela dor que passam a perceber, colocando-se mais uma vez como
protagonista da necessidade de atenção. É o que DiAngelo (2020) comenta quando
dedica um de seus capítulos a discutir sobre as lágrimas das mulheres brancas.
Chocadas com a violência que recai sobre negros, demandam cuidados, o que desvia
energias que deveriam ser empregadas para consolar e confortar as vítimas.
Requerem atenção que deveria estar voltada para identificar, confrontar e combater o
racismo.

2.2 A contribuição das publicações para o combate ao racismo

A atenção destinada a combater o racismo pode ser voltada para o uso dos
recursos literários jornalísticos e científicos, com o propósito de esclarecer e
(re)educar. Tendo em mente o privilégio do alcance de recursos didáticos de materiais
escolares, estabelecer ajustes em livros e conteúdos escolares a partir da atualização
das diretrizes educacionais.
A fim de implementar a alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação que
estabeleceu a obrigatoriedade do ensino sobre a história e cultura africana e afro-
brasileira, foram executadas uma série de ações pelo MEC, tais como a criação de
Fóruns Estaduais e Municipais de Educação e Diversidade Etnicorracial, formação de
professores, realização de pesquisas e a publicação de material específico sobre a lei
e experiências acerca das políticas afirmativas de estudantes negros no ensino
superior (BRASIL, 2011: pág.21).
É crucial o investimento na formação de professores que devem fomentar o
pensamento crítico e a consciência das questões políticas e sociais que envolvem
conceitos e ideias que comprometem o respeito à diversidade étnico-racial, a fim de
promover a interculturalidade. Considerando essa realidade, Silva e Tobias (2016:
pág. 1) ponderam:
A formação de educadores e profissionais da área comprometidos com uma
educação antirracista não pode prescindir do conhecimento da produção
teórica de diversos autores sobre as relações raciais no Brasil. Por meio dele,
esses profissionais terão contato com as contribuições, os acertos e os
equívocos decorrentes desses trabalhos. Esse fato lhes permitirá questionar
algumas ideias que, embora desacreditadas academicamente, têm grande
força no imaginário social e obstaculizam a compreensão mais precisa da
realidade racial brasileira.

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) trazem como diretriz do marco legal


para a educação voltada à temática étnico racial o aprimoramento de práticas e
valores que promovam a inserção social e diminuam a exclusão da população afro-
brasileira e africana. Em apoio a essa determinação, o Ministério da Educação criou
a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), para
contornar o modelo excludente de acesso à educação e confrontar a injustiça nos
sistemas educacionais. Um de seus objetivos é:
articular as competências e experiências desenvolvidas, tanto pelos sistemas
formais de ensino como pelas práticas de organizações sociais, em
instrumentos de promoção da cidadania, da valorização da diversidade e de
apoio às populações que vivem em situações de vulnerabilidade social (MEC,
2004: pág. 5).
60

Quanto às publicações, além de produzir material sobre as experiências


derivadas da execução de políticas afirmativas Com esse intuito, em 2005 foram
publicados e distribuídos em todo território nacional, pelo MEC, um milhão de cópias
das DCN’s sobre relações étnico-raciais. O Programa Nacional do Livro e do Material
Didático (PNLD), responsável pela avaliação e disponibilização de obras didáticas,
compreendendo que a construção de uma sociedade democrática decorre da
educação e do acesso ao conhecimento, determinou que:
os livros didáticos deverão promover positivamente a imagem de afro-
descendentes e, também, a cultura afro-brasileira, dando visibilidade aos
seus valores, tradições, organizações e saberes sociocientíficos. Para tanto,
os livros destinados a professores(as) e alunos(as) devem abordar a temática
das relações Etnicorraciais, do preconceito, da discriminação racial e
violências correlatas, visando à construção de uma sociedade anti-racista,
justa e igualitária (BRASIL, 2011: pág. 29)

É evidente que a política nacional de educação reconhece na produção literária,


didática e acadêmica uma grande contribuição para a promoção da inclusão
socioeconômica, superação das desigualdades e busca por uma sociedade mais justa
e igualitária. Esse entendimento fica demarcado no eixo 2 do Plano Nacional de
Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais, que trata da política de
formação inicial e continuada e política de materiais didáticos e paradidáticos.
Na intenção de contribuir para reflexões, a partir da análise do conteúdo da
produção de material didático em livros de história proposto pelo PNLD entre os anos
de 2008 a 2011, Roza (2017) adverte que, ao tratar sobre o racismo nesses livros:
é importante evidenciarmos que para compreensão da experiência histórica
dos povos negros, tanto na África, como na diáspora, faz-se necessário o
entendimento sobre os processos de formação de resistências criadas por
tais sujeitos no interior de sociedades marcadas pela assimetria nas relações
sociais e de poder, e, não, somente, a compreensão do racismo sofrido pelos
africanos e seus descendentes. Contudo, faz-se também importante, a
problematização do racismo e compreensão do mesmo como uma prática
histórica, construída social e temporalmente, e, portanto, passível de ser
descontruída, ação sine qua non, para equidade e direito às diversidades.

Roza (2017) destaca que o Guia do Livro Didático, exemplar criado MEC para
a apresentação do material didático aprovado na edição do PNLD e dos critérios de
avaliação para sua aprovação, indicavam que as publicações escolares que
abordavam a história africana, afro-brasileira e indígena em duas perspectivas, a
informativa e a crítico-reflexiva. A primeira, vinculada à cronologia eurocêntrica, e a
segunda, estabelecendo uma problematização a partir da relação entre o passado e
o presente, destacando a continuidade ou não das contradições sociais. A diretriz é a
de que a produção didática deve não apenas promover a consciência histórica, mas
engendrar a ação transformadora da sociedade.

2.2.1 A produção acadêmica sobre racismo.

Há um encapsulamento da produção textual sobre a história dos africanos e


afrodescendentes brasileiros no contexto da escravidão e da desigualdade social,
desprestigiando a capacidade dessa população de se opor e combater a violência e
as injustiças a que foram submetidas. A manutenção dessa visão dificulta a superação
das barreiras limitadoras do acesso a melhores condições, de saúde, educação,
trabalho e de vida.
61

Quando se trata de publicações da área da Psicologia sobre o racismo, temos


alguns levantamentos de pesquisas diferentes. O Conselho Federal de Psicologia
(CFP) criou e publicou em 2017 o documento Relações Raciais: Referências Técnicas
para a Prática da(o) Psicóloga(o) (CFP, 2017), que foi produzido pelo Centro de
Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop). Em sua
apresentação, o CFP declara que essa documento foi criado como forma de responder
à demanda de produção de teorias que visem superar o racismo, o preconceito e
também a discriminação contra a população negra.
O levantamento feito pelo CFP indica a relevância da pesquisa de Ferreira
(2000) que publicou um livro, “Afro-descendente: identidade em construção”
consolidando resultados de suas investigações sobre o tema. Nesse,
apresenta uma revisão da literatura de 1987 a 1997, encontrando, dentre
4.911 trabalhos examinados (entre artigos de periódicos brasileiros de
Psicologia, dissertações e teses, tanto de doutorado quanto de livre-
docência), apenas três publicados sobre a temática negra, além de outros
nove em processo de publicação, nos quais identificou o discurso da ciência
psicológica sobre essa população, sendo um desses elementos discursivos
a afirmação da existência de preconceito, baseado em estereótipos em
relação ao negro (CFP, 2017: pág. 80).

Em 2002, esse mesmo autor publicou um artigo sobre o racismo silencioso e a


emancipação do afrodescendente, destacando o fato de que há uma farsa
consolidada de que o Brasil não é racista, e que seu povo se orgulha de não ser
preconceituoso (FERREIRA, 2002).Nesse texto, traz o depoimento ácido e pertinente
de Nélson Rodrigues, citado também por Souza (2010) com mais detalhes, que
publicou em uma de suas colunas “confissões”, em 26 de agosto de 1957, ao
mencionar sua admiração por um político que assumia e se orgulhava de sua
negritude e que esfregava sua cor na cara de todo mundo:
Eu já imagino o que vão dizer três ou quatro críticos da nova geração: que o
problema não existe no Brasil. Mas existe. E só a obtusidade pétrea ou a má
fé cínica poderão negá-lo. Não caçamos pretos, no meio da rua, a pauladas,
como nos Estados Unidos. Mas fazemos o que talvez seja pior. A vida do
preto brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós o tratamos com uma
cordialidade que é o disfarce pusilânime de um desprezo que fermenta em
nós, dia e noite. Acho o branco brasileiro um dos mais racistas do mundo

Para Ferreira (2002) a negação do racismo serve para não termos que nos
explicar sobre aquilo que não existe, e conforme Souza (2010), o branqueamento dos
negros, chamados de morenos ou mulatos para “não ofender”, serve para nos
mantermos afastados deles e não precisarmos efetuar nenhuma ação compensatória
ou qualquer reparação. Esse autor relatou ainda a perplexidade de Jean Paul Sartre
ao vir ao Brasil em agosto de 1960 e não encontrar pessoas negras em suas palestras
e proferiu a constrangedora pergunta aos universitários: “Onde estão os negros?”.
Pergunta válida para as universidades e suas as publicações.
Ainda analisando as produções da Psicologia seja na graduação ou pós-
graduação, conforme documento do CFP (2017), além do já referido livro de Ferreira
(2000), que enfatiza a necessidade da consciência política e da luta antirracista, tem-
se a publicação de uma publicação da autoria de A. de O. dos Santos, Schucman &
Martins (2012). Em 2013, Edna Martins, Alessandro de Oliveira dos Santos e Marina
Colosso publicaram o artigo “Relações étnico-raciais e Psicologia: publicações em
periódicos da SciELO e Lilacs”, no qual foi feita uma análise de artigos que tratassem
62

da temática das relações étnico-raciais entre os anos de 2000 e 2009. Em seu


levantamento, usou vários descritores: “raça”, “racismo”, “relações raciais”,
“discriminação racial”, “preconceito racial” e “negro”, e chegou a uma quantidade de
229 publicações. Excluindo os trabalhos de periódicos internacionais e de outras
áreas do conhecimento, chegou ao número de 41 publicações.
O levantamento do CFP (2017) também identificou as publicações de outro
Schucman, Nunes e Costa (2015) e, por fim, um escrito por Sacco, Couto e Koller
(2016). A pesquisa do CFP prosseguiu a última publicação aqui mencionada através
do levantamento nas três mais importantes bases de dados que os autores utilizaram,
a fim de levantar a produção sobre o tema entre o período de agosto de 2014 a outubro
de 2016, usando os descritores: racismo e preconceito racial. Também fizeram o
levantamento sobre pesquisa de pós-graduação no período de 2013 a 2016 na base
dados da CAPES para a área de concentração da Psicologia e correlatos.
Schucman, Nunes e Costa (2015) buscaram teses e dissertações depositadas
no Instituto de Psicologia da USP (IPUSP) através do Programa de Pós-graduação
em Psicologia, relacionados a raça, relações raciais e do racismo. Esse programa foi
criado em 1970 e gerou 2916 trabalho até o mês de maio de 2012. Desse total, apenas
15 trabalhos trataram dos temas relativos a raça e racismo, o que correspondeu a
menos de 0,5% do total de pesquisas realizadas. Considerando que a pesquisa
levantou também o dado de que a USP foi, conforme a lista elaborada pela, consultoria
britânica Quacquarelli Symonds (QS), que é especialista em educação superior, a
universidade que liderou, por três anos seguidos (de 2011 a 2013), o ranking das
melhores instituições de ensino superior da América Latina, podemos compreender o
quão preocupante é o escasso volume de produção acadêmica relativo ao racismo e
questões étnico-raciais.
Além dessa tendência nas produções, percebe-se um volume desproporcional
à relevância do assunto. Tendo conduzido um levantamento realizado em dezembro
de 2020 das publicações disponibilizadas no Scielo, abrangendo todas as revistas e
usando o descritor racismo no título, o resultado apontou para a ocorrência de apenas
152 títulos, sendo o mais antigo datado do ano de 1996. Entretanto, aproximadamente
50% dessas publicações estão concentradas a partir de 2016, e as demais 74 foram
publicadas entre os anos de 1996 e 2015, demonstrando que apenas muito
recentemente o volume de produções desse tema vem tomando mais consistência.
Historicamente vemos que a educação vem marcada por relações de poder
que excluem e marginalizam as minorias ou grupos sociais economicamente menos
privilegiadas. Grosfoguel (2016) caracteriza assim o que chamou de racismo/sexismo
epistêmico, e o tem como um dos mais relevantes problemas do nosso tempo.
Homens ocidentais são epistemicamente privilegiados em relação aos demais,
levando à injustiça cognitiva, que é um dos meios de manutenção de privilégios que
ao longo da história passaram pelas mãos colonialistas, imperialistas e patriarcais.
A inferiorização dos conhecimentos produzidos por homens e mulheres de
todo o planeta (incluindo as mulheres ocidentais) tem dotado os homens
ocidentais do privilégio epistêmico de definir o que é verdade, o que é a
realidade e o que é melhor para os demais. Essa legitimidade e esse
monopólio do conhecimento dos homens ocidentais tem gerado estruturas e
instituições que produzem o racismo/sexismo epistêmico, desqualificando
outros conhecimentos e outras vozes críticas frente aos projetos
imperiais/coloniais/patriarcais que regem o sistema-mundo (GROSFOGUEL,
2016: pág. 25).

Uma sociedade eugenista e colonizadora que passou a invadir, oprimir,


escravizar e aniquilar a cultura e o valor dos povos que lhes eram distintos foi a fonte
63

do desenvolvimento de instituições de ensino no Brasil, marcando-o com a pecha da


desigualdade social e do preconceito. Tanto a dificuldade de acesso à educação como
a frugal produção de conhecimento sobre o racismo e as temáticas afins, passam a
ser fatores que contribuem para a manutenção de uma sociedade preconceituosa.
Desta feita, é indispensável estabelecer a relação entre a produção de conhecimento
e o desenvolvimento cognitivo, comportamental e social.

2.3 A ótica do neuropsicopedagogo sobre a produção científica como estratégia


de combate ao racismo

O olhar do neuropsicopedagogo enfatiza a condição de evolução cognitiva e


comportamental a partir do estímulo à aprendizagem e do acesso ao conhecimento.
Considerando o contexto educacional em sua história, temos que a instituição escolar
foi marcada por relações de poder e exclusão, tendo seu acesso sido fator de
segregação por representantes de esferas de poder na sociedade, como a própria
igreja católica, que selecionava o acesso ao nível de conhecimento, conforme fosse o
estudante um cidadão comum ou um clérigo em formação (ARIÈS, 1981).
A educação demonstrou direcionar-se a mudanças por volta da década de 1970
e 1980, com a manifestação política de lutas sociais contra o colonialismo que ainda
submetia os países latino americanos à condição de inferioridade em relação a seus
antigos colonizadores europeus, a partir de movimentos pelos direitos civis. Conforme
Castillo (2018: pág.02):
La dependência económica y el racismo se convirtieron en razones políticas
para la acción social. También fueron tiempos fértiles para la academia que
empezó a cuestionar sus propios objetos de estudio a la luz de las
problemáticas sociales provenientes de los embates del neoliberalismo y la
globalización.

Castillo (2018) continua suas considerações sobre a educação apontando que


houve o desenvolvimento de estudos contra-hegemônicos que envolvem as
problemáticas da exclusão, da reprovação e evasão escolar, considerando o racismo
como um dos fatores que contribuem para essa condição. O Brasil, desenvolve
políticas públicas de educação que vão se opor ao racismo a partir do fortalecimento
da cultura e das contribuições da população negra e indígena, favorecendo à
discussão sobre o seu contexto na história brasileira e às consequências dessas
condições no cenário contemporâneo (BRASIL, 2011).
Conforme texto da Política Nacional de Livros Didáticos - PNLD 2010 para livros
de história, uma formação que valorize a reflexão requer a crítica e que a
conscientização política sejam conceitos prioritários no desenvolvimento das pessoas
e de sua capacidade de aprendizagem, para a formação de indivíduos capazes de
exercer a cidadania e o compromisso ético com uma sociedade multicultural. Isso
significa:
entender a aprendizagem como um processo educador, formador da
personalidade do indivíduo, percebido como um agente de transformação da
sociedade em que vive. Portanto, aprender é um aspecto constitutivo da
identidade de cada um, ensinar é formar (MEC, 2010: pág.24).

O estímulo à produção científica sobre o racismo e ao seu acesso seria um


recurso para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e reflexivas que
proporcionariam meios de se fazer uma análise do problema do racismo, o que pode
64

oferecer condições para melhor atuação no seu combate. Conforme Luria (2010), o
pensamento se desenvolve a partir da linguagem e da interação social. Concebendo
aqui a escrita como uma forma de linguagem, esta teria repercussões objetivas na
construção do comportamento social.
Em entrevista à jornalista Fernanda Salla (2012), António Nóvoa, educador e
reitor honorário da Universidade de Lisboa a neurociência concluiu que o
desenvolvimento do cérebro acontece conforme há uma interação entre o sujeito e o
seu meio, ou seja das experiências e estímulos que o corpo recebe ao vivenciar
experiências sociais. Potencializadas, essas vivencias irão estimular a evolução das
capacidades tanto cerebrais quanto sociais. A interação, em sua qualidade e
conteúdos, serão as fontes para o a aquisição e desenvolvimento de atitudes e
comportamentos assimilados e reforçados a cada experiência, através da
aprendizagem.
A aprendizagem se dá análoga ao desenvolvimento das funções cerebrais.
Cada unidade funcional compreende, portanto, um conjunto de órgãos ou de
áreas corticais que, em termos interdependentes, constituem o grande
sistema neuropsicológico da aprendizagem humana23.A maturação cognitiva
e comportamental é consequente à estrutural e à fisiológica e esta se produz
de maneira diferente, cronológica e qualitativamente, nas distintas regiões
cerebrais (PAULA et all, 2006: pág.227)

Os comportamentos decorrem de um processo de aprendizagem que é


desencadeado pelos estímulos externos e fortalecidos a partir da repetição e da
constituição de significado e valor. Essa aprendizagem envolve então os processos
mnêmicos, emocionais, perceptivos e de demais atividades cognitivas, como um
processo sistêmico, que promove o desenvolvimento individual e grupal, ampliando-
se para toda a sociedade.
Assim como as áreas do cérebro atuam de forma interdependente e
relacionadas entre si, como uma orquestra que opera simultaneamente diversos
instrumentos integrados entre si para a execução de uma melodia complexa e bela, a
aprendizagem cognitiva, social e emocional se dá de forma integrada entre si e a partir
de estímulos individuais e sociais, que, por sua vez, resultam no desenvolvimento da
pessoa e do meio em que vive.
Chegamos ao ponto em que precisamos ressaltar a relação entre
aprendizagem e conhecimento. Embora distintos, podem ser tomados como iguais,
mas é a aprendizagem que permite a aquisição de conhecimentos, conforme estejam
disponíveis e acessíveis, o que nos remete à relação entre a produção de material
acadêmico, didático, jornalístico e literário antirracista e a consciência sobre os
fenômenos racistas, suas características, a branquitude e a aquisição de
comportamento, quer seja racista ou antiracista. É preciso instruir, fomentar e dar
exemplos para mobilizar uma sociedade contrária ao racismo.
A aprendizagem deve ser compreendida em suas dimensões cognitivas sociais
e neurológicas. Conforme Campos (2.000: pág. 31) a aprendizagem é “uma
modificação sistemática do comportamento ou da conduta, pelo exercício ou
repetição, em função de condições ambientais e orgânicas”. Compreende que a
modificação do comportamento dependerá tanto de condições ambientais como
orgânicas, ressaltando as da ordem da plasticidade neurológica dos processos
cognitivos.
Nessas condições, estabelecidas a recepção de informações mediante os
processos de estímulos do meio e sua transmissão nervosa pelos órgãos do sentido,
65

como um processo físico-químico e social, aquilo que é captado passa pelos


processos cognitivos básicos que vão se tornando cada vez mais complexos,
refinando a interpretação, o significado e por fim, a resposta compreensiva e
comportamental.
Além da integridade das funções do sistema nervoso central e periférico, e as
funções psicodinâmicas exercem papel fundamental na aprendizagem, pois é a partir
da relação entre o que já existe na memória que, conforme Ausubel, o saber prévio é
utilizado em novas situações como um processo pessoal de construção de
significados que terão como base o meio onde foram concebidas (LEMOS, in SALLA,
2012). Conforme Vigotsky, a memória é construída inicialmente por associação entre
imagens, e conforme a linguagem se desenvolve, a associação passa a ser conceitual,
fazendo do componente cultural um dos mais importantes.
Por outro lado, Wallon destaca que, devido à integração entre cognição e
afetividade, “informações e acontecimentos que nos afetam e fazem sentido para nós
ficam retidos na memória com mais facilidade, Como a construção de sentido passa
pela afetividade, é difícil reter algo novo quando ele não nos afeta” (ALMEIDA, in
SALLA, 2012: pág. 55).
Estamos diante da combinação de conceitos que apresentam a relação entre
os estímulos sociais, culturais, comportamentais, afetivos, cognitivos, memória e
linguagem sobre a aprendizagem. A relevância dessa combinação para o tema
proposto é que ela pode alinhavar a necessidade de produção escrita, acesso à
mesma, fomento da reflexão e exemplo por parte de pessoas significativas e do meio
de convívio sociocultural para o desenvolvimento de uma sociedade antirracista.

3 METODOLOGIA

3.1 Tipo de Pesquisa

A proposta dessa investigação configurou a característica de uma pesquisa de


campo. Apesar de que toda a fonte de informações que foram necessárias ao
levantamento de dados que forneceriam a análise proposta estava acessível em meio
digital, determinadas informações não estão disponíveis aos estudantes ou visitantes.
Fez-se necessária a cooperação da gestora da biblioteca a fim de se ter acesso aos
elementos definidos como objeto de estudo. Essa contribuição foi aprimorada a partir
da troca comunicacional que permitiu refinar os dados, dando-lhes mais
especificidade e esclarecendo sobre procedimentos relativos à aquisição de
exemplares e seleção de títulos a serem comprados.
A pesquisa de campo é “aquela baseada na coleta de fenômenos que ocorrem
na realidade a ser pesquisada” (PRAÇA, 2015: pág.75). Para Prodanov e Freitas
(2013: pág.59), pesquisa de campo “é aquela utilizada com o objetivo de conseguir
informações e/ou conhecimentos acerca de um problema para o qual procuramos uma
resposta, ou de uma hipótese, que queiramos comprovar”. Conhecer o acervo de uma
biblioteca universitária vai além da verificação de títulos e da quantidade de
exemplares. O acervo de uma instituição de ensino superior comporta a produção
científica dos acadêmicos discentes, não apenas como atividade necessária para a
conclusão do curso, mas também como contribuição social a partir da construção de
conhecimento e análise crítica à luz do saber que transcende o senso comum.
O procedimento dessa investigação se caracterizou como documental, em
virtude de que buscou relatórios indicativos das obras literárias e acadêmicas
detalhando as informações de interesse para compor a análise a que se propôs. A
66

pesquisa documental é o meio que contempla mais adequadamente o objetivo


específico de identificar os títulos de obras e trabalhos acadêmicos que tratam sobre
racismo. Conforme Gil (2008: pág. 51), a pesquisa documental “vale-se de materiais
que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser
reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa”. Para Flick (2013:129), “a
análise de documentos pode se referir a materiais existentes – como diários- que não
foram ainda usados como dados em outros contextos”.
Essa modalidade de pesquisa assemelha-se à bibliográfica, mas não pode ser
confundida com esta. Conforme (CARVALHO et al, 2019:pág. 38):

Embora este tipo de pesquisa seja semelhante à bibliográfica, difere dela por
fazer uso de materiais ainda não estudados. Devido a isso, o pesquisador
tem a vantagem de ir direto à fonte, sem que haja a possibilidade de
reproduzir um erro ou uma análise precipitada, como pode ocorrer na
bibliográfica.

É relevante estabelecer essa diferença em virtude da confusão comum entre a


prática do levantamento bibliográfico e a pesquisa bibliográfica. A primeira constitui-
se da busca obrigatória, para qualquer tipo de pesquisa, por obras que deverão
compor o referencial teórico e que deverão subsidiar as análises futuras a respeito da
problemática, objetivos estabelecidos e dados coletados. O fato de buscar fontes para
fundamentar as referências significa foram selecionados parâmetros para a discussão
dos resultados. O levantamento identifica as obras que interessam à pesquisa
(LAKATOS,2003).
Já a pesquisa bibliográfica detém-se em verificar o estado da arte, compilar as
publicações sobre determinado tema e analisar o progresso do entendimento sobre o
assunto. Verifica as divergências e semelhanças apresentadas pelos diversos autores
e tecem uma crítica sobre as contribuições teóricas compartilhadas, podendo apontar
para novas perspectivas e tendências.
A abordagem mais interessante para lidar com as informações necessárias à
problematização é a mista, que combina aspectos quali e quantitativos. Considerando
os objetivos apresentados, entende-se que a modalidade quantitativa atende ao
objetivo específico de levantar as quantidades de exemplares dessas publicações.
Também mostra-se eficaz para refutar ou confirmar a hipótese proposta na
apresentação da pesquisa acerca da expressividade do acervo relacionado ao tema
investigado. A compilação das respostas convertida em dados numéricos é o exercício
de elaboração necessário para permitir a análise dos resultados obtidos. No caso
dessa investigação, buscou-se conhecer a quantidade de publicações, tanto do
acervo físico quanto digital das bibliotecas de todas as sedes da Universidade, quanto
o total de trabalhos de conclusão de curso que tratavam do tema do racismo (FLICK,
2013).
Ainda tendo em vista os objetivos específicos, a análise qualitativa é
indispensável para promover a análise e discussão de dados relativos ao olhar do
neuropsicopedagogo dirigido às ações antirracistas, a partir dos dados descritivos
sobre o acervo da Universidade acerca do tema. A quantidade do acervo implica na
possibilidade de impacto reflexivo e transformador da produção científica quanto ao
enfrentamento e luta contra o racismo. Segundo Triviños (1987apud OLIVEIRA, 2011:
pág. 24):
a abordagem de cunho qualitativo trabalha os dados buscando seu
significado, tendo como base a percepção do fenômeno dentro do seu
contexto. O uso da descrição qualitativa procura captar não só a aparência
67

do fenômeno como também suas essências, procurando explicar sua origem,


relações e mudanças, e tentando intuir as consequências.

O objetivo metodológico é classificado como exploratório e descritivo, em


virtude de que essa investigação busca oferecer maior familiaridade com a
contribuição das obras do acervo bibliográfico de publicações e trabalhos acadêmicos
de graduação contra o fenômeno do racismo, detalhando a sua composição.
Conforme Gil (2008: pág. 27) a pesquisa exploratória “tem em vista a formulação de
problemas mais precisos”.
A pesquisa descritiva permite estabelecer relação entre variáveis, que é um dos
objetivos específicos, relacionar os dados coletados à perspectiva
neuropsicopedagógica. Lakatos e Marconi (2003: pág. 188) consideram uma
modalidade específica de pesquisa a combinação do caráter exploratório-descritivo,
que combina dados empíricos e teóricos, assim como descrições qualitativas e/ou
quantitativas.
A coleta de dados foi feita a partir de entrevista desestruturada com a
bibliotecária gestora das bibliotecas de todas as unidades filiais da Universidade. Esta
compartilhou os dados quantitativos das publicações de trabalhos de conclusão de
curso de todos os cursos em todas as sedes da Universidade, assim como acerca dos
acervos materiais e digitais. Permitiu compreender particularidades sobre a aquisição
de exemplares para o abastecimento de títulos físicos, informações que ajudam a
analisar o quantitativo do acervo sobre o tema em questão.

4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


O levantamento dos dados junto à gestão da biblioteca da Universidade
resultou no conhecimento da realidade sobre o acervo da produção acadêmica dos
alunos de graduação e dos títulos de livros que tratam da temática do racismo, tanto
na biblioteca virtual como na biblioteca física.
Em termos de títulos de livros físicos, dentro de um acervo de mais de cem mil
exemplares, foram encontrados 24 títulos, totalizando 126 exemplares disponíveis,
conforme tabela abaixo:

Título da Publicação Autor Qtd.Disp

Dia da consciência negra: injustiça e discriminação: até 1


quando? BOULOS JÚNIOR, Alfredo.
África OLIC, Nelson Bacic 1
Antropologia MARCONI, Marina de Andrade 11
Casa-grande e senzala FREYRE, Gilberto 10
FERREIRA SOBRINHO, José
Catarina, minha nêga, tão querendo te vendê 4
Hilário
Cotas nas universidade SANTOS, Jocélio Teles dos 3
Cultura brasileira & identidade nacional ORTIZ, Renato 6
Etnografia e indigenismo NIMUENDAJÚ, Curt 1
Festas de negros em Fortaleza MARQUES, Janote Pires 2
O cortiço AZEVEDO, Aluísio 4
O escravismo antigo MAESTRI, Mário 1
O escravismo colonial GORENDER,Jacob 2
68

O espetáculo das raças SCHWARCZ, Lilia Moritz 15


O índio e o mundo dos brancos OLIVEIRA, Roberto Cardoso de 11
O mulato AZEVEDO, Aluísio 1
ROCHA, Everardo Pereira
O que é etnocentrismo 14
Guimarães
AZEVEDO, Celia Maria Marinho
Onda negra medo branco
de 1
Os índios do Brasil CARVALHO, André 2
Raça como retórica MAGGIE, Yvonne 12
PACHECO, Mário Victor de
1
Racismo, machismo: planejamento familiar Assis
Raízes do Brasil HOLANDA, Sérgio Buarque de 16
Ser negro no Brasil hoje VALENTE, Ana Lúcia E.F 1
Síntese da coleção história geral da África SILVERIO, Valter Roberto 4
Teorias da etnicidade POUTIGNAT, Philippe 2
TOTAL 126
Tabela 1: Títulos de publicações sobre racismo nas bibliotecas da instituição pesquisada.
Fonte: Registros da biblioteca da Universidade

Estabelecendo o parâmetro percentual, considerando a cifra de 100.000


exemplares como o total do acervo físico, temos que os 126 exemplares encontrados
sobre o tema correspondem a 0,13% desse total. Tendo em mente que boa parte da
motivação para a busca pelos livros está associada às demandas das disciplinas,
pode-se inferir que esta não é significativa.
A aquisição de livros para a biblioteca da universidade ocorre mediante a
solicitação dos coordenadores de curso que fazem o levantamento da demanda junto
aos docentes, tendo como como norte a bibliografia básica e complementar de cada
disciplina. Sendo assim, os achados refletem tanto a indicação do corpo docente
quanto a disponibilidade financeira para acatar e efetuar a aquisição dos títulos
solicitados.
Em relação à biblioteca virtual, em mais de 8.000 títulos, buscamos aqueles
que traziam no título descritores que se relacionassem com a temática do racismo
contra negros. Foram encontrados 26 que traziam a denominação racismo em seu
título, 4 que traziam o termo etnia, nenhum sobre escravidão, 29 sobre preconceito,
mas não apenas contra negros, de temas variados e 9 que continham o termo
escravos, somando um total de 68 títulos. Em termos percentuais, considerando 8.000
como o total, temos a cifra de 0,85% do todo.
Apesar de os títulos da biblioteca virtual não refletirem a bibliografia das
disciplinas dos cursos, compreende-se que esses são os recursos didáticos e
científicos, em conjunto com os títulos físicos, aos quais os alunos podem ter acesso
a partir do acervo disponibilizado pela instituição.
Em relação aos trabalhos de conclusão de curso da graduação, considerando
todo o acervo desde a fundação da instituição no ano de 2002, foram encontrados
apenas quatro trabalhos tratando do tema do racismo, produzidos nos cursos de
Pedagogia e Serviço Social. Apesar de não ter sido o foco da investigação buscar a
produção em cursos de pós-graduação, o levantamento feito pela gestora das
bibliotecas da universidade disponibilizou os achados dos cursos de pós-graduação
também. Os dados consolidaram que, de um total de 6.428 trabalhos de conclusão de
curso, somente 12 trataram do tema, conforme tabela a seguir.
69

Título da Publicação Ano Defesa Curso

GRADUAÇÃO
A importância da cultura afro-brasileira nas escolas 2019 Pedagogia
Educação escolar quilombola 2019 Serviço social
Expressão da religiosidade no candomblé e o racismo
religioso em Fortaleza 2019 Serviço social
Um estudo sobre o preconceito étnico-racial vivenciado 2017 Serviço social
pelos adolescentes negros do cuca Jangurussú
PÓS-GRADUAÇÃO
A contribuição da cultura negra no Ceará no fim do
2013 História
século XIX
A herança cultural que os negros deixaram no Ceará 2008 História
O preconceito contra as religiões de origens africanas no História e cultura
2013
Brasil afrobrasileira e indígena
A utilização de recursos audiovisuais no ensino da
História e cultura
história e cultura afrobrasileira no âmbito do ensino 2015
afrobrasileira e indígena
médio
A condição das escravas comborças no contexto sexual 2016 História e cultura
e familiar na sociedade do Brasil escravocrata afrobrasileira e indígena
O ensino afro-brasileiro: da lei 10.639 às metodologias História e cultura
2016
pedagógicas afrobrasileira e indígena
Filhos da África na "terra da luz": estudo de caso sobre
História e cultura
a inserção e a adaptação na vida acadêmica de 2016
afrobrasileira e indígena
estudantes africanos do PEC-G em Fortaleza-Ce
Uma reflexão sobre a inserção do conhecimento sobre
história e cultura afro-brasileira na disciplina de 2012 História
sociologia nas escolas estaduais de ensino médio
Tabela 2: Publicações de TCC’s sobre racismo em cursos de graduação no local da pesquisa.
Fonte: Registros da biblioteca da Universidade

Compreende-se que o tema do TCC deve ser trazido pelo estudante e é


interessante que este se identifique com ele, entretanto, pode-se também considerar
que o docente orientador pode sugerir, sem impor, temáticas a serem desenvolvidas.
Não foi possível levantar aqui se há, por parte dos professores, o incentivo à pesquisa
sobre esses temas, mas o quantitativo das produções sobre racismo é ínfimo,
equivalente a 0,18% do total das publicações.
Observando-se os achados dos acervos das bibliotecas físicas e virtual e dos
TCC’s, nenhuma dessas três categorias alcança sequer 1% do total de cada uma.
Fica clara a relação entre o acervo, a demanda docente, o ementário das disciplinas,
a efetivação da compra das publicações solicitadas e a produção discente, tanto na
graduação como na pós-graduação.
À luz da neuropsicopedagogia, devemos considerar a relação entre a
educação e a mudança de comportamento, no caso, no posicionamento ativo contra
o racismo. O combate às indignidades que ofendem os direitos humanos de existir, de
ser, de se expressar e o direito à igualdade. Os direitos humanos deveriam reger o
comportamento humano em sociedade (UNICEF, 2021), mas quando esses direitos
não são respeitados, é dever de todos defende-los.
A defesa ao direito de igualdade, contrário ao comportamento racista, fica
prejudicada quando se nega a existência desse fenômeno. A ideia de que o Brasil
seria um paraíso de miscigenação e boa convivência entre as pessoas de diferentes
70

etnias ainda persiste para muitos, mesmo tendo sido desmascarada por pesquisas da
ONU que vieram se inspirar no que acontecia aqui, como modelo para lidar com os
problemas revelados segunda guerra mundial. Mesmo com esse resultado, a visão de
Gilberto Freyre do Brasil a partir da Casa Grande e Senzala persiste. Resultado: não
se combate o que não existe.
Conforme Vigotsky, o comportamento é aprendido socialmente. É a partir do
que observamos no nosso entorno social, partindo do círculos mais próximos, família,
aos mais distantes, instituições, meios de comunicação em massa e redes sociais,
que vamos identificando, assimilando e reproduzindo valores, ideias, que irão nortear
o julgamento e a reflexão, e comportamentos. Estes são valorizados ou não ao longo
do processo de desenvolvimento.
A aprendizagem, para Vigotsky, passa pelo processo de aquisição com o
apoio de facilitadores que são tanto professores, quanto familiares, amigos e pessoas
do convívio nas diferentes esferas de intercâmbio e convívio social. É o que ocorre
naquilo que o autor chama de ZDP – Zona Proximal de Desenvolvimento. É a
aprendizagem que leva ao desenvolvimento humano, logo, o que o aprendiz não é
capaz de fazer sozinho, deverá contar com o apoio do outro para avançar, até que
posso exercer as habilidades por si mesmo.
Assim como as funções do cérebro não acontecem de forma isolada, a partir
de uma localização extremada, proposta por frenologistas como Gaal e Wernick, e se
tem que as faculdades mais elaboradas acontecem devido às múltiplas conexões
executadas paralelamente em diferentes regiões do cérebro, conforme demonstrado
por Luria (RODRIGUES; CIASCA2010, 2010), temos também que o comportamento
humano é influenciado pelas mais diferentes redes de contato, podendo estas terem
mais influência, por propor nexo e sentido, resultantes da reflexão e pensamento
crítico, que devem ser estimulados por professores em todos os níveis da educação.
Esta proposição se apoia na compreensão de Vigotsky, que tem “o ser humano como
um ser histórico e cultural, que se desenvolve por meio da interação com a cultura,
sendo ao mesmo tempo modificado pelo meio e o modificando” (MELO et all, 2020:
pág. 354).
As capacidades mentais mais complexas do ser humano precisam ser
alimentadas com informação, que resultam também da construção do conhecimento
científico, que deve oferecer fontes confiáveis e críticas sobre a realidade. Conforme
Luria, a linguagem precisa se desenvolver para que o pensamento evolua (LURIA,
2010), desta feita, o exercício da produção textual dirige, além do olhar, o pensamento
para uma crítica sobre o tema, o que permite desenvolver não apenas o
conhecimento, mas o comportamento em relação a esse contexto.
Na ótica do neuropsicopedagogo, essa produção desenvolve não só a
consciência sobre o assunto, mas promove a autoconsciência sobre o posicionamento
pessoal diante do problema. Foi interessante observar que nos títulos das produções
discentes há pesquisas que ressaltam o valor e a contribuição da cultura africana e
dos negros. Em geral, o empoderamento e a valorização de sua cultura fica em
segundo plano, sendo mais observada a sua fragilidade ou desvantagem
socioeconômica.
5 CONSIDERAÇÕES

A investigação aqui proposta pode ser considerada como bem sucedida a partir
do fato de que os objetivos nela propostos, foram observados e alcançados. O
primeiro objetivo específico está representado, pois foi possível caracterizar o
fenômeno do racismo como um fator de depreciação da vida humana e de prejuízo
71

para o acesso a melhores condições de existência, especialmente pelo prejudicado


acesso à educação, ficando pior conforme aprofunda-se o nível da escolarização.
O segundo objetivo específico foi apresentado a partir dos achados sobre as
produções e do quantitativo e qualitativo do acervo disponível na instituição, que,
como foi visto, deixam a desejar como fonte suficiente para despertar e o interesse
sobre o tema e a construção de reflexões ou a busca por deitar o olhar sobre a
realidade escandalosa do racismo. Entretanto, resultados semelhantes são
encontrados em instituições ilustres como a Universidade de São Paulo – USP e em
sites de publicações científicas consolidados como o Scielo.
Na instituição investigada, as publicações em termos de títulos disponíveis nas
bibliotecas tanto física quanto virtual não chegam a compor 1% do acervo total, da
mesma forma, a produção acadêmica dos estudantes dos cursos de graduação e pós-
graduação, embora essa última população não tenha sido alvo delimitado na proposta
investigativa, mas se teve acesso a esses resultados, que não poderiam ter sido
ignorados.
Obteve-se que o acervo da biblioteca e da produção acadêmica está associado
diretamente à orientação docente e às coordenações de curso, fazendo com que o
posicionamento pedagógico de todos os níveis da instituição estejam comprometidos
nessa carência de conteúdo. Essa condição está baseada no fato de que as
aquisições são frutos de demandas que se baseiam nos planos de ensino, que são
construídos por docentes que decidem a bibliografia básica e complementar das
disciplinas. Também no fato de que a orientação da investigação acadêmica
obrigatória em todos os cursos é conduzida por docentes que podem e deveriam
fomentar a criticidade sobre crimes contra os direitos humanos, como é o caso do
racismo.
O terceiro objetivo específico, que buscou verificar a contribuição dessas
publicações para o combate ao racismo na ótica do neuropsicopedagogo, foi atingido
na perspectiva que considerou que as obras promovem não apenas a consciência do
fenômeno como a autoconsciência, que é uma das funções cognitivas e mentais
superiores, que podem induzir a um posicionamento ativo contra o racismo. Ressalta
que a literatura farta e expressiva, marca afetivamente e estimula o registro
mnemônico que marcará a conduta futura. Da mesma forma, considera que a ínfima
produção acadêmica, assim como o inexpressivo acervo, em relação aos quantitativos
totais, não favorecem à mudança de consciência e de comportamento.
Fica atendido então, o objetivo geral, que foi verificar o acervo de livros e de
produções de alunos do centro universitário que tratam do tema do racismo com o
olhar de um neuropsicopedagogo, concebendo assim uma denúncia sobre a carência
dessas produções, que fogem às proposições da educação, embora atendam ao que
orientam as diretrizes curriculares nacionais, dão a impressão de que ali existem
apenas para constar como tendo sido atendida essa determinação, mas que não há
um comprometimento com a causa antirracista.
Tal fato pode não ter explicitamente a aparência do comportamento eugenista
que levou à escravidão e à diáspora por sequestro do povo africano e pela ratificação
da superioridade branca colonizadora, mas a ignorância desse cenário contribui para
a sua perpetuação, pelo fenômeno da branquitude e pelo que Diangelo (2020) chama
de fragilidade branca.
Da mesma forma que a branquitude é incorporada por brancos que sequer
concebem a diferença de suas possibilidades de acesso aos meios que permitem a
mobilidade social, os docentes e gestores que podem observar as considerações
pedagógicas e as implicações sociais da educação parecem não ter consciência de
72

tal fato. Considerar que o têm, significa pensar que pior do que a sua ignorância, seja
devido à sua indiferença.
Recomenda-se, a partir dessa investigação, aprofundar estudos e análise sobre
o conteúdo das publicações e sua vantagem na prática antirracista, bem como o
levantamento do acervo e das produções científicas sobre o racismo de outras
instituições de ensino superior, como forma de mapear o cenário local dessas
contribuições e produzir uma reflexão crítica sobre o posicionamento de instituições,
seus gestores pedagógicos e docentes no combate ao racismo, a partir do quantitativo
e qualitativo do seu acervo.

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76

AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO COMO RECURSO DA


NEUROPSICOPEDAGOGIA NO TRATAMENTO DAS DIFICULDADES NA
APRENDIZAGEM ESCOLAR
(DIGITAL INFORMATION TECHNOLOGIES AS A RESOURCE OF
NEUROPSYCHEDAGOGY IN TREATING DIFFICULTIES IN SCHOOL LEARNING)

Juliana Kecia de Menezes Santos21


Rosângela Couras Del Vecchio22

RESUMO

As tecnologias digitais da informação voltadas para as atividades escolares vêm se


firmando como imprescindíveis nas últimas décadas. A educação escolar como
instituição formada pela sociedade aparece para alguns autores como um dos
principais temas no contexto da evolução da tecnologia digital da informação. O
objetivo é analisar em que medida as tecnologias digitais da informação podem ser
utilizadas na abordagem neuropsicopedagógica como recurso no tratamento das
dificuldades de aprendizagem. Assim, os objetivos específicos são identificar a real
eficácia do uso das tecnologias digitais como ferramenta no processo de
aprendizagem de todos os alunos; comparar o método tradicional com o método de
aprendizagem por meio de softwares educativos e tecnologias digitais e descrever os
casos em que houve a intervenção das tecnologias digitais para complementar a
aprendizagem. A metodologia adotada para a realização deste trabalho foi de tipo
bibliográfica com a abordagem qualitativa e quanto aos objetivos, como pesquisa
exploratória. Os procedimentos metodológicos fundamentaram-se na pesquisa
bibliográfica. Os resultados atingidos após a leitura e revisão de artigos e livros nos
demonstraram o quanto precisamos nos empenhar para colaborar com a melhoria
21 Professora da rede básica de ensino, Graduada em Pedagogia pela UFC e Pós-graduação –
Neuropsicopedagogia – Uniateneu – (julianakeciams@hotmail.com)
22 Professora Orientadora da Pós-graduação da UniAteneu, Doutora em Administração pela UNIDA e

Doutora em Ciências da Educação pela Universidad Americana – Anhaguera – São Paulo


(dra.rosangela.delvecchio@gmail.com)
77

educacional daqueles que enfrentam dificuldades no desempenho escolar adotando


estratégias que considerem os conhecimentos prévios dos alunos. Concluímos que a
possível incorporação das ferramentas e softwares digitais da informação como
recurso na intervenção educativa escolar pela prática neuropsicopedagógica pode
proporcionar um ganho significativo ao aprendizado das crianças com dificuldades de
aprendizagem.

Palavras-chave: Tecnologia da informação. Recurso da neuropsicopedagogia.


Dificuldades na aprendizagem.

ABSTRACT

Digital information technologies for school activities have been established as essential
in recent decades. School education as an institution formed by society appears to
some authors as one of the main themes in the context of the evolution of digital
information technology. The objective is to analyze the extent to which digital
information technologies can be used in the neuropsychopedagogical approach as a
resource in the treatment of learning difficulties. Thus, the specific objectives are to
identify the real effectiveness of using digital technologies as a tool in the learning
process of all students; compare the traditional method with the learning method by
means of educational software and digital technologies and describe the cases in
which there was the intervention of digital technologies to complement learning. The
methodology adopted for the accomplishment of this work was of bibliographic type
with the qualitative approach and as for the objectives, as exploratory research. The
methodological procedures were based on bibliographic research. The results
achieved after reading and reviewing articles and books showed us how much we need
to strive to collaborate with the educational improvement of those who face difficulties
in school performance by adopting strategies that consider the students' prior
knowledge. We conclude that the possible incorporation of digital information tools and
software as a resource in school educational intervention through
neuropsychopedagogical practice can provide a significant gain to the learning of
children with learning difficulties.

Keywords: Information technology. Resource of neuropsychopedagogy. Learning


difficulties.

1 INTRODUÇÃO

As tecnologias digitais da informação voltadas para as atividades escolares


vêm se firmando como imprescindíveis nas últimas décadas e, especificamente, neste
ano (2020), uma vez que, se fez necessária uma intervenção de emergência no
processo educacional do país diante da crise de saúde pública estabelecida como
consequência da pandemia de Corona vírus.
Desde a década de 1970, observa-se uma acentuação no uso de recursos
tecnológicos digitais para realizar atividades diárias variadas, principalmente, no
âmbito do trabalho. Assim, a partir dessa revolução a sociedade transformou-se, isto
é, suas relações de trabalho foram modificadas pelo avanço tecnológico.
De acordo com Silva (2016, p.41),
78

A expansão das tecnologias da informação e da comunicação (TICs),


sobretudo a partir do século XX, exerceu, e ainda exerce, um importante
papel no desenvolvimento das mídias, afetando os mais variados processos
culturais da sociedade como um todo, a ponto de alguns autores
contemporâneos alegarem estar-se vivendo em plena "sociedade
tecnológica" (KENSKI, 2008, p. 23),

A educação escolar como instituição formada pela sociedade aparece para


alguns autores como um dos principais temas no contexto da evolução da tecnologia
digital da informação ao passo que, é no ambiente escolar onde se dão as práticas de
aprendizagem da maioria das pessoas.
Atualmente, é possível perceber muitas mudanças na forma de acesso à
informação por parte dos alunos, pois os mesmos podem trazer um conjunto de
conhecimentos diversos para dentro da sala de aula e isso pode se configurar como
um desafio à prática pedagógica dos professores (as).
Sobre algumas dificuldades identificadas no ambiente escolar, atualmente,
têm-se desenvolvido muitos experimentos e pesquisa no campo da neurociência da
educação.
A neuropsicopedagogia surge com o objetivo de complementar o trabalho do
professor em sua prática com crianças que apresentam dificuldades de
aprendizagem. Muitos recursos e metodologias são utilizados pelos
neuropsicopedagogos com a intenção de proporcionar ao aluno uma ampliação da
autonomia no ato de aprender.
Este artigo torna-se relevante na medida em que desenvolve uma pesquisa
acerca de questões primordiais no que se referem às dificuldades enfrentadas pelos
alunos ao se deparar com um conhecimento novo. Constituindo-se, assim, como uma
importante contribuição para os educadores que pretendem aprofundar seus
conhecimentos sobre aspectos fundamentais no processo de aprendizagem bem
como, para os que desejam solucionar problemas causados por dificuldades e
transtornos de aprendizagem.
Assim, uma questão importante é a consideração dos recursos digitais como
uma ferramenta a ser utilizada na intervenção neuropsicopedagógica no tratamento
das dificuldades nas instituições escolares.
Este trabalho tem o objetivo geral de analisar em que medida as tecnologias
digitais da informação podem ser utilizadas na abordagem neuropsicopedagógica
como recurso no tratamento das dificuldades de aprendizagem.
Para tanto, elencaremos os seguintes objetivos específicos, identificar a real
eficácia do uso das tecnologias digitais como ferramenta do processo de
aprendizagem de todos os alunos; comparar o método tradicional com o método de
aprendizagem por meio de softwares educativos e tecnologias digitais da informação
e descrever, por meio da literatura, os casos em que houve a intervenção das
tecnologias digitais para complementar a aprendizagem.
As seções a seguir discorrem sobre as tecnologias digitais da informação e
sua relação com a aprendizagem escolar e em que medida elas auxiliam e corroboram
para o aprimoramento do aprendizado de crianças com dificuldades; bem como
aborda a eficácia desses instrumentos tecnológicos como recurso da
neuropsicopedagogia com vistas à sanar problemas do aspecto cognitivo da
aprendizagem, proporcionando uma diminuição da exclusão de crianças com
dificuldades de aprendizagem do processo educativo, ao passo que é direito de todos
o acesso ao conhecimento construído pelos homens.
79

2 REFENCIAL TEÓRICO

As rápidas transformações ocorridas na sociedade no processo da difusão da


informação vêm apresentando grandes desafios para a área educacional brasileira
que, enfrentam inúmeros obstáculos para que seu corpo discente apresente um bom
desempenho escolar, pelo menos em sua maioria.
Atualmente, por conta do contexto social que se estabeleceu em
consequência da pandemia de Corona vírus, há movimentos tanto da sociedade
quanto do governo no sentido de pensar novas formas de atuação pedagógica no
desenvolvimento de aulas remotas. Leis educacionais já existentes tiveram que incluir
em seu escopo as especificidades apresentadas por esse modelo de ensino.
Sobre o impacto dessas mudanças no âmbito da escola pode-se afirmar que
houve um trabalho intenso de toda a comunidade escolar para manter as aulas. Esse
trabalho concentrou-se principalmente na inclusão das tecnologias digitais da
informação, entre as dificuldades apresentadas pode-se destacar a falta de
habilidades com esse tipo de tecnologia por parte de muitos professores que tiveram
que ressignificar suas práticas pedagógicas, posto que tiveram que ter suas aulas
mediadas por plataformas digitais, bem como tiveram que adaptar-se à câmeras
fotográficas para gravarem videoaulas.
É importante ressaltar a participação das famílias no processo de aquisição
de conhecimentos de seus filhos, esses tiveram que acompanhar tal processo a partir
do domínio de algumas mídias e dispositivos eletrônicos.
A partir dessa nova dinâmica imposta às escolas, que com o passar do tempo
foi se constituindo como a única forma de manter o atendimento escolar dos
estudantes, foi possível perceber a melhora de alguns alunos que apresentavam
dificuldades de aprendizagem.
Assim, formularam-se algumas hipóteses acerca da eficácia do uso das
tecnologias digitais da informação no contexto educacional para alunos que
apresentavam dificuldades de aprendizagem. Nesse ínterim, buscamos
esclarecimentos no âmbito da neurociência, especificamente, nas contribuições da
neuropsicopedagogia.

2.1 As tecnologias digitais da informação utilizadas na educação

A educação já há algumas décadas vêm buscando formas efetivas de utilizar


as tecnologias informacionais no processo metodológico do processo de
aprendizagem. O artigo que tem como título “Tecnologias digitais na educação:
proposta taxonômica para apoio à integração da tecnologia em sala de aula” observa-
se uma contribuição para a organização sistemática das classes das tecnologias
digitais de acordo com as inúmeras demandas inerentes à dinâmica escolar.
A presença constante no contexto educacional das plataformas e tecnologias
tradicionais e digitais conduz à necessidade de repensar sobre de que forma
essa tecnologia foi introduzida e como a gestão escolar e corpo docente,
podem fazer uso desses recursos para potencializar o trabalho pedagógico,
desembocando na ideia de que evoluir em relação à Gestão
Tecnopedagógica é uma tomada de atitude indispensável. (ZEDNIK et al.
2014).

Na concepção de Herik Zednik, Liane Tarouco, Luis Klering, Ana Gárcia-


válcarcel e Eder Guerra (2014), a inserção de novas tecnologias no âmbito educativo
80

precisam superar a visão tecnicista da educação e avançar em direção à consolidação


de um ensino em que o aprendizado seja efetivado pelos alunos enquanto sujeitos
autônomos.
Assim, afirmam que
No entanto, considerando o contexto educacional, compreende-se que não é
suficiente introduzir a tecnologia nas escolas, faz-se necessário um contínuo
e sistemático processo de amadurecimento da gestão tecnopedagógica,
onde a escola evolua progressivamente sua capacidade de organização e de
tomada de decisão estratégica, de forma a utilizar eficazmente a tecnologia
para melhorar a aprendizagem. (ZEDNIK; et al. 2014).

O processo de introdução da tecnologia digital na educação ou do


desenvolvimento da informática educacional já vem sendo elaborado há algum tempo
e muitos são os desafios enfrentados por aqueles que defendem uma mudança
substancial no modus operandi das escolas tradicionais. Junto a esse movimento
tecnológico surgem também questões primordiais no que se refere ao protagonismo
e autonomia dos alunos e mais relevante à nossa pesquisa, há a questão das distintas
potencialidades do ser humano para a aprendizagem. Isto é, quais fatores
preponderantes influenciam na aprendizagem humana, considerando os aspectos
socioemocionais, cognitivos e afetivos.
Sobre esse processo comum à aprendizagem humana, as contribuições da
neurociência voltadas à educação são inúmeras e reveladoras de conhecimentos
científicos e metodológicos, especialmente, no que diz respeito à forma como se dá a
construção da aprendizagem cognitiva, ou seja, quais as condições biológicas
humanas que permitem a consolidação do processo de aprendizagem.
Cosenza e Guerra (2011), em seu livro “Neurociência e educação – como o
cérebro aprende”, discorrem sobre a relação existente entre o desenvolvimento do
sistema nervoso, a neuroplasticidade e a capacidade neurobiológica humana para a
construção e elaboração do processo de aprendizagem.
Dessa forma ressaltam que,
Resumindo, do ponto de vista neurobiológico a aprendizagem se traduz pela
formação e consolidação das ligações entre as células nervosas. E fruto de
modificações químicas e estruturais no sistema nervoso de cada um, que
exigem energia e tempo para se manifestar. Professores podem facilitar o
processo, mas, em última análise, a aprendizagem e um fenômeno individual
e privado e vai obedecer às circunstancias históricas de cada um de nos.
(COSENZA; GUERRA, 2011).

Dentro desse campo de pesquisa, desenvolveu-se a neuropsicopedagogia


como uma ciência com objetivos educacionais mais específicos, com vistas a fornecer
subsídios e recursos para uma abordagem especializada junto aos alunos com
maiores dificuldades de aprendizagem. E como toda ciência a neuropsicopedagogia
apresenta recursos específicos para o tratamento de algumas disfunções escolares.
Uma das áreas educacionais que tem proximidade direta com a
neuropsicopedagogia é a educação especial e a inclusiva, que se dedicam ao
desenvolvimento de estratégias pedagógicas que visam promover o acesso de
crianças com deficiências, no caso da educação especial e outras dificuldades de
natureza biológicas ou sociais no caso da educação inclusiva. Sobre isso, destacamos
o uso de recursos tecnológicos que são utilizados para dar suporte educativo para os
alunos com tais dificuldades e/ou deficiência.
81

Diante do exposto, podemos perceber que o uso dessas ferramentas trouxe


uma contribuição substancial para a inclusão desses grupos no processo educativo
escolar. A partir disso, colocamos no centro da discussão o uso das tecnologias digitais
da informação comum a toda a sociedade como um recurso a ser utilizado pela
intervenção neuropsicopedagógica.

2.2 A tecnologia digital da informação como recurso da neuropsicopedagogia

A neuropsicopedagogia se apresenta nesse contexto com contribuições


significativas, uma vez que tem como função o auxílio ao trabalho pedagógico escolar.
Para Avelino (2019), esta é uma ciência transdisciplinar, pois fundamenta-se em
pressupostos teóricos de três principais ciências, a saber, a neurociência, a psicologia
e a pedagogia e tem como objetivo a compreensão das funções cerebrais para o
desenvolvimento da aprendizagem, concentrando-se na reabilitação e prevenção de
problemas que possam surgir nos indivíduos.
Durante a realização das aulas no modelo remoto foi necessário desenvolver
ou aprimorar as habilidades no manuseio de ferramentas tecnológicas como o
computador e o celular. Nesse caso, tanto os professores como alunos e pais de
alunos precisaram se aproximar dessas tecnologias a fim de proporcionar a
continuidade da escolarização.
Muitas pesquisas demonstram o quanto o uso de dispositivos digitais traz
contribuições importantes para o aprendizado escolar.
Melo e Neves citado por Silva (2015 p. 84), afirma que “Com a chegada dos
dispositivos móveis, que sempre estão nas mãos dos alunos, as TDIC são ferramentas
pedagógicas que grande parte deles já domina e assim constituem-se em recursos
prontos para serem utilizados em sala de aula”.
E para Silva (2015, p. 21),
Um ponto a ser destacado é que a utilização das TDIC como ferramentas
pedagógicas com fins de aprendizagem não é apenas um adicional na
educação como também uma necessidade para que se possa acompanhar a
evolução da sociedade. Melo e Neves (2014) dizem que as novas TDIC
promovem mudanças nos modos de produção de compartilhamento do
conhecimento, demostrando assim infinitas possibilidades de fazer acontecer
a aprendizagem em qualquer tempo e lugar.

Dessa forma, destacamos a importância da consideração dessas ferramentas


como recursos que precisam ser apropriados tanto pelo corpo docente como toda a
comunidade escolar no sentido de proporcionar um ensino que além de abranger as
possibilidades de aprendizagens pode ser utilizado no desenvolvimento da autonomia
do aluno, bem como da construção de uma aprendizagem especializada que
trabalhando a subjetividade do sujeito corrobora para um aprimoramento de uma ação
mais consciente do ato de aprender.
Um dos principais fundamentos da neuropsicopedagogia é exatamente
reconhecer a especificidade dos aspectos neurobiológicos, psicológicos e
pedagógicos de cada sujeito enquanto aprendiz para diminuir a distância e os
obstáculos entre o conhecimento e esse sujeito, isto é, atenuar os fatores que causam
as dificuldades de aprendizagem.
As dificuldades de aprendizagem se configuram como um problema antigo e
recorrente na educação brasileira, muitas são as formas apresentadas por
pesquisadores em busca de uma resolução, muitos caminhos são apontados como,
por exemplo, o aperfeiçoamento das metodologias ou construção do currículo.
82

Outras ações empreendidas, nesse contexto, são as leis educacionais criadas


por políticas públicas que procuram preencher algumas lacunas que impedem uma
evolução positiva no processo de aprendizagem dos estudantes.

2.3 As dificuldades na aprendizagem escolar

O problema das dificuldades de aprendizagem que já estão postos na


realidade escolar brasileira pode-se dizer que desde sua institucionalização expressa
uma deficiência que pode advir de fatores relacionados ao aluno, à escola ou à família.
Muitos estudos têm contribuído com algumas formulações nesse sentido. De acordo
com Sousa citado por Kauark e Silva (2008), [...] os fatores relacionados ao sucesso
e ao fracasso acadêmico se dividem em três variáveis interligadas, denominadas de
ambiental, psicológica e metodológica [...]
Dessa forma, as autoras afirmam que as questões referentes ao ambiente
sofrem influências do nível socioeconômico e ocupações dos pais, bem como da
escolaridade destes. Já no contexto psicológico diz respeito à organização da família
e fatores relacionados como “ansiedade, agressão e atitudes de desatenção”
(KAUARK e SILVA, 2008)
Ainda sobre os fatores que causam esse problema Navarro et al. (2016),
acredita que, as crianças que não têm bom desempenho escolar, por variados
motivos, são, em geral, consideradas crianças com dificuldades de aprendizagem,
sendo que esta expressão revela preconceitos dos educadores que julgam as
crianças a partir de suas expectativas referentes ao comportamento considerado
padrão. As crianças que não têm bom desempenho escolar, por variados motivos,
são, em geral, consideradas crianças com dificuldades de aprendizagem, sendo que
esta expressão revela preconceitos dos educadores que julgam as crianças a partir
de suas expectativas referentes ao comportamento considerado padrão

As crianças que não têm bom desempenho escolar, por variados motivos,
são, em geral, consideradas crianças com dificuldades de aprendizagem,
sendo que esta expressão revela preconceitos dos educadores que julgam
as crianças a partir de suas expectativas referentes ao comportamento
considerado padrão” [...] A mudança de paradigma do entendimento dessas
dificuldades, requer o deslocamento dessa postura excludente, que até agora
só trouxe desinteresse das crianças em aprender e desanimo dos
professores em ensinar, para a interpretação das condições educacionais que
estão produzindo e reforçando as dificuldades. (NAVARRO; GERVAI;
NAKAYAMA e PRADO, 2016, p. 21)

A partir do entendimento desses autores percebemos que a escola tem uma


responsabilidade considerável no combate aos problemas de dificuldade de
aprendizagem, especialmente, o professor como aquele que desenvolve junto ao
aluno um trabalho que poderá se configurar como positivo ou negativo dependendo
da postura pedagógica adotada.
Segundo Picolloto e Gonçalves (2015, p. 56),
O educador precisa auxiliar o aluno a entender todo o processo que possibilite
condições para entenderem os problemas voltados para a vida escolar. O
processo de aprendizagem inclui a família e a escola, para que, juntas,
possibilitem meios para tornar a educação uma extensão de saberes.

A partir do exposto, ressaltamos que as contribuições da


neuropsicopedagogia para a educação têm aberto um leque de possibilidades na
83

abordagem dessas dificuldades, uma vez que, contempla aspectos globalizantes do


aprendizado e propõe um trabalho específico com as crianças que apresentam tais
dificuldades. Nossa escola encontra-se numa transição importante que diz respeito,
principalmente a sua metodologia em virtude do avanço rápido das tecnologias da
informação e comunicação, hoje, está cada vez mais difícil não atentar para esses
avanços, ou seja, a escola não pode e nem consegue desenvolver um trabalho à
revelia desse progresso.
Por esse motivo é necessário que a instituição escolar adquira o
conhecimento acerca da contribuição das ferramentas tecnológicas, bem como
assuma uma postura mais consciente em busca do atendimento educativo adaptado
às crianças com dificuldades por meio dos conhecimentos já consolidados na área da
neurociência e neuropsicopedagogia.

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

A metodologia adotada para a realização deste trabalho foi de tipo


bibliográfica com a abordagem qualitativa, esta abordagem “[...] se propõe a abarcar
o sistema de relações que constrói o modo de conhecimento exterior ao sujeito, mas
também as representações sociais que traduzem o mundo dos significados. [...]”
(MINAYO, 1994, p. 45). Quanto aos objetivos, se configurou como pesquisa
exploratória. Os procedimentos metodológicos fundamentaram-se na pesquisa
bibliográfica.

4 ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados atingidos após a leitura e revisão de 20 artigos dentre os quais


nos interessaram 08 pesquisas que nos demonstraram o quanto precisamos nos
empenhar para colaborar com a melhoria educacional, especialmente, daqueles que
enfrentam maiores dificuldades no desempenho escolar e como é importante a
apropriação dos novos e constantes conhecimentos da tecnologia educativa.
O referente estudo foi realizado através de website como Google Acadêmico,
Scielo, Periódicos Cappes, Lilacs e livros de pesquisa. Dentre os quais destacamos
os que mais contribuíram.

AUTOR TÍTULO RESULTADO DISCUSSÃO


Silva (2016 p.41), O uso de dispositivos Os estudos já A educação
tecnológicos na realizados escolar como
educação: concepção mostram que instituição
dos licenciados para a frente aos formada pela
prática pedagógica. alunos digitais a sociedade
escola e os aparece para
professores não alguns autores
estão como um dos
conseguindo principais
oferecer aulas temas no
interessantes contexto da
incluindo as evolução da
TDIC em um tecnologia
ensino mais digital da
84

atualizado e informação ao
coerente aos passo que, é
tempos atuais. no ambiente
escolar onde
se dão as
práticas de
aprendizagem
da maioria das
pessoas.

ZEDNIK; et al. 2014. Tecnologias digitais na Mais do que A inserção


educação: proposta oferecer o de novas
taxonômica para apoio à acesso à tecnologias no
integração da tecnologia tecnologia nas âmbito
em sala de aula escolas, é educativo
necessário precisam
desenvolver superar a
ações que visão
garantam não tecnicista da
só o domínio educação e
técnico, mas, avançar em
principalmente direção à
ações consolidação
formativas. de um ensino
em que o
aprendizado
seja efetivado
pelos alunos
enquanto
sujeitos
autônomos.

Cosenza e Guerra Neurociência e O trabalho do Dentro desse


(2011), educação – como o educador pode campo de
cérebro aprende ser mais pesquisa,
significativo e desenvolveu-
eficiente quando se a
ele neuropsicoped
conhece o agogia como
funcionamento uma ciência
cerebral. com objetivos
educacionais
mais
específicos,
com vistas a
fornecer
subsídios e
recursos para
uma
abordagem
85

especializada
junto aos
alunos com
maiores
dificuldades de
aprendizagem.
Avelino (2019), A neuropsicopedagogia Por fim, para A
no cotidiano escolar da que se efetive o neuropsicoped
educação básica sucesso escolar agogia é uma
na Educação ciência
Básica, todas as transdisciplina
alternativas são r, pois
viáveis, e o fundamenta-
profissional de se em
neuropsicopeda pressupostos
gogia em âmbito teóricos de
escolar se faz três principais
necessário, não ciências, a
apenas em saber, a
algumas poucas neurociência,
salas de a psicologia e
recursos a pedagogia e
espalhadas pelo tem como
país, mas em objetivo a
todas as compreensão
escolas e salas das funções
de aulas da cerebrais para
nação. o
desenvolvime
nto da
aprendizagem,
concentrando-
se na
reabilitação e
prevenção de
problemas que
possam surgir
nos indivíduos.

Kauark e Silva Dificuldade de Mas, esta Percebemos


(2008), aprendizagem nas pesquisa revela, que a escola
séries iniciais do ensino significativamen tem uma
fundamental e ações te, que não é responsabilida
psico e pedagógicas. possível de
desenvolver um considerável
processo no combate
educacional aos problemas
verdadeiro, com de dificuldade
qualidade, de
“passando por aprendizagem,
86

cima” dos especialmente


problemas de , o professor
dificuldade de como aquele
aprendizagem que
de cada aluno. desenvolve
Não se pode junto ao aluno
fazer de conta. A um trabalho
escola precisa que poderá se
encontrar configurar
caminhos junto como positivo
à família e à ou negativo
sociedade, dependendo
contando com a da postura
atuação, pedagógica
também de adotada.
profissionais
especialistas.
Navarro et al. (2016) A dificuldade de A pesquisa
Nossa escola
aprendizagem e o mostrou que,
encontra-se
fracasso escolar por vezes, o
numa
mau transição
desempenho
importante que
do aluno esta
diz respeito,
presente na
principalmente
espera, a ou sua
melhor, na “não
metodologia
espera” por
em virtude do
parte do
avanço rápido
professor de um
das
sucesso tecnologias da
escolar. informação e
comunicação,
hoje, está
cada vez mais
difícil não
atentar para
esses
avanços, ou
seja, a escola
não pode e
nem consegue
desenvolver
um trabalho à
revelia desse
progresso.
Picolloto e Gonçalves O resultado da As
(2015), Dificuldades de pesquisa contribuições
aprendizagem: caracterizou da
pressupostos para a como possíveis neuropsicoped
evasão escolar causas o não agogia para a
87

entendimento educação têm


do conteúdo aberto um
aplicado em leque de
séries possibilidades
anteriores, na abordagem
problemas dessas
familiares, dificuldades,
socioculturais e uma vez que,
econômicos. contempla
aspectos
globalizantes
do
aprendizado.
MINAYO, 2002 Pesquisa social – teoria, Certamente o Numa
método e criatividade. ciclo nunca se pesquisa
fecha, pois toda qualitativa as
pesquisa produz subjetividades
conhecimentos dos sujeitos
afirmativos e são
provoca mais consideradas
questões para como
aprofundamento definidoras da
posterior. condução do
trabalho
atribuindo uma
fluidez que
leva a novas
descobertas.
Tabela 1. Análise dos Demonstrativos dos Resultados
Fonte: Elaboração própria (2020)

5 CONCLUSÃO

Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de analisar em que medida as


tecnologias digitais da informação poderiam ser utilizadas na abordagem
neuropsicopedagógica como recurso específico no tratamento das dificuldades de
aprendizagem.
Para tanto delineamos uma questão principal a consideração dos recursos
digitais como uma ferramenta a ser utilizada na intervenção neuropsicopedagógica no
tratamento das dificuldades nas instituições escolares.
A partir das leituras e análises realizadas consideramos que o uso das
tecnologias da informação para fins de educativos e especificamente para aqueles
alunos com alguma dificuldade de aprendizado pode ser assumido tanto pelos
profissionais tradicionais da escola como pelos profissionais que compõem a equipe
multidisciplinar, especialmente pelo neuropsicopedagogo.
Identificamos ainda que a eficácia do uso das tecnologias digitais como
ferramenta do processo de aprendizagem de todos os alunos é em boa medida
possível, visto que, faz parte do cotidiano dos alunos e os mesmos sentem-se
instigados e motivados por este conhecimento tecnológico.
Segundo Melo e Neves (2014), os casos em que as crianças têm acesso a
88

uma educação que prioriza os seus conhecimentos prévios, ou seja, que consideram
suas experiências com ferramentas e softwares digitais ode proporcionar uma
aprendizagem exitosa em que há “infinitas possibilidades de fazer acontecer a
aprendizagem em qualquer tempo e lugar”.
De acordo com os estudos abordados aqui podemos concluir que o método
tradicional de ensino em que temos como central a figura do mestre que repassar o
conhecimento precisa ser repensado no sentido de considerar como primordial a
participação ativa e autônoma dos estudantes/aprendizes. E para além dessa
participação, se faz necessária uma atuação pedagógica que se aproprie do
conhecimento tecnológico digital.
Assim, acreditamos que a neuropsicopedagogia, a despeito de ser uma
ciência nova, tem contribuído grandemente para os estudos acerca dos benefícios da
consideração dos aspectos neurobiológico, psicológico e pedagógico para dar
qualidade ao processo de aprendizagem dos alunos, uma vez que, propõe o uso de
recursos específicos que atendam às necessidades de cada aprendiz. Dessa forma,
concluímos ainda que a possível incorporação das ferramentas e softwares digitais da
informação como recurso na intervenção educativa escolar pela prática
neuropsicopedagógica pode proporcionar um ganho significativo ao aprendizado das
crianças com dificuldades de aprendizagem.

REFERÊNCIAS

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ESCOLAR DA EDUCAÇÃO BÁSICA. Revista Educação em Foco, [s. l], v. 01, n. 01,
p. 33-44, jan. 2019.

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como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

DESLANDES, Suely Ferreira; CRUZ NETO, Otavio; GOMES, Romeu. MINAYO M. C.


S. (Org.) PESQUISA SOCIAL: teoria método e criatividade. Petropolis: Vozes, 2002.

KAUARK, Fabiana da Silva; SILVA, Valéria Almeida dos Santos da. DIFICULDADE DE
APRENDIZAGEM NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL E AÇÕES
PSICO E PEDAGÓGICAS. Psicopedagogia, [s. l], p. 264-270, 2008.

NAVARRO, Lisienne; GERVAI, Solange; NAKAYAMA, Antônia; PRAD, Alice da S.. A


DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM E O FRACASSO ESCOLAR. Journal Of
Research In Special Educational Needs, [S.L.], v. 16, p. 46-50, ago. 2016. Wiley.
http://dx.doi.org/10.1111/1471-3802.12267.

PICOLOTTO, Rozeli Catarina Perin; GONÇALVES2, Rita de Cássia. DIFICULDADES


DE APRENDIZAGEM: PRESSUPOSTOS PARA A EVASÃO ESCOLAR. Lages, p. 1-
19, 2015.

SILVA, Everton Augusto da. O USO DE DISPOSITIVOS TECNOLÓGICOS NA


EDUCAÇÃO: concepções dos licenciandos para a prática pedagógica. 2015. 107 f.
Tese (Doutorado) - Curso de Mestrado em Educação, Universidade do Vale do
Sapucaí, Pouso Alegre, 2016.
89

ZEDNIK, Herik; TAROUCO, Liane M. R.; KLERING, Luis; GARCÍA-VALCÁRCEL, Ana;


GUERRA, Eder P. M.. Tecnologias Digitais na Educação: proposta taxonômica para
apoio à integração da tecnologia em sala de aula. 3º Congresso Brasileiro de
Informática na Educação (Cbie 2014), Rio Grande do Sul, v. 01, n. 01, p. 507-516,
jan. 2014.

O TDAH NO APRENDIZADO: DESAFIOS E CONSEQUÊNCIAS


(ADHD IN LEARNING: CHALLENGES AND CONSEQUENCES)

Ana Roberta Oliveira de Aquino


90

Maria Osvanir Paula de Lima Tavares


RESUMO
O presente artigo tem como principal objetivo apresentar, discutir e aconselhar
professores e pesquisadores sobre os desafios e consequências envolvidos no ensino
de estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) bem
como os métodos de ensino eficazes no processo de aprendizagem destes e como
podem ser adaptados para melhor se encaixarem e contribuírem para o processo de
aprendizagem dos estudantes. Usaremos uma extensa quantidade de artigos e
pesquisas para elucidar quais métodos de ensino podem vir a ser eficazes, desde que
trabalhados de forma e com intenções corretas. De mesmo modo, usaremos da
Neuropsicopedagogia para analisar as condições necessárias para este aprendizado
e como deverá ser o ensino de estudantes com TDAH no futuro.

Palavras-chave: TDAH. Neuropsicopedagogia. Métodos de Ensino.

ABSTRACT
The main objective of this article is to present, discuss and advise teachers, professors
and researchers about the challenges and consequences involved in teaching
students with Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) as well as the effective
teaching methods in the learning process and how they can be adapted to better fit
and contribute to the students’ learning process. We will use an extensive amount of
articles and research to elucidate which teaching methods may prove to be effective,
provided they are worked on in a correct manner and with rightful intentions. In the
same way, we will use Neuropshycopedagogy to analyze the necessary conditions for
this learning and how the teaching of students with ADHD should be in the future.

Keywords: ADHD. Neuropsychopedagogy. Teaching methods

1 INTRODUÇÃO

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) data, assim como


parte das doenças de cunho psicológico, do início da Revolução Industrial, momento
importantíssimo da história da humanidade, pois trouxe à tona todo um novo modelo
de produção, que acabou por se tornar a espinha dorsal de todo um novo sistema, a
qual hoje conhecemos como Capitalismo.
Ao mesmo tempo que mudou todos os rumos da economia, a Revolução
Industrial também mudou os rumos da humanidade. Podemos citar como exemplo o
fim da escravidão, a alteração das bases familiares, visto que no novo sistema
mulheres e até crianças se punham a trabalhar em fábricas por extensas cargas
horárias, e, além de tudo isto, alterou o modo de pensar da humanidade como um
todo.
Com essas alterações, todo o espectro de imaginação da sociedade foi afetado.
Séculos antes, a ociosidade, própria aos nobres, era algo extremamente valorizado,
pois ao não precisarem trabalhar para subsistir, focavam-se em “trabalhos mentais”
tais quais filosofia, estudos das regras do universo, arte e vários outros.
Mas após o advento do Capitalismo, tal ociosidade transformou-se em algo
desprezado e desencorajado, em uma sociedade cada vez mais desejosa por bens e
poder aquisitivo, os mais ricos passaram a buscar cada vez mais trabalho e formas
91

de lucrar, aumentando ainda mais as desigualdades, pois os mais pobres acabavam


por ter que se submeter a condições desumanas de trabalho, pois precisavam de
algum tipo de sustento agora que o sistema feudal começa a entrar em declínio e
apenas sujeitando-se a isso eles conseguiriam se alimentar.
Com isso, começaram a ser registrados os primeiros casos de tendências
consumistas, que acabaram por moldar muito da sociedade que existe hoje,
potencializando também a propagação de antigas e novas doenças psíquicas, tais
como ansiedade, depressão, transtornos bipolares entre outros.
Porém foi apenas no século XX, após os estudos de Benczik (2002) que tomou-
se conhecimento sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH),
caracterizando-o com os quadros de desatenção, hiperatividade, inquietude,
agressividade e dificuldade na aceitação de regras.
Atualmente, o TDAH é um transtorno conhecido e reconhecido
internacionalmente, inclusive pela OMS. Segundo fontes da ABDA (Associação
Brasileira de Déficit de Atenção), as crianças com tais condições correspondem entre
3 a 5% em todo o mundo, e em mais da metade desses casos o quadro acompanha
sua vida até a fase adulta.
Com isso, tornou-se um desafio para educadores, do pré-infantil aos
universitários, lidar com estudantes portadores desta condição. Muitos estudos foram
feitos e várias técnicas foram testadas, mas não existe um consenso sobre um modo
único e efetivo de ensino que ajude ao máximo essas pessoas, pois, essas técnicas
têm efeitos diversos sobre cada indivíduo, às vezes até tendo efeitos diferentes no
mesmo paciente, dependendo das condições específicas a qual ele foi submetido.
A Neuropsicopedagogia procura reunir e utilizar dos estudos do cérebro e dos
processos relacionados à aprendizagem e ao ensino de forma que esses estudos
trabalhem em conjunto para potencializar os efeitos da educação, tanto nos alunos
como nos professores.
Neste trabalho, iremos apresentar métodos de ensino e trabalhos de
pesquisadores direcionados ao ensino de estudantes com TDAH, ao mesmo tempo,
corelacionaremos as práticas neuropsicopedagógicas e analisaremos como essas
práticas podem impactar o processo de aprendizagem do estudante.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Primeiramente, falemos de nosso referencial teórico, isto é, as bases pré-


estabelecidas academicamente onde nosso trabalho se apoiará. Segundo Fonseca
(2014) existem diferentes estilos de ensino e estilos de aprendizagem e por isso cabe
a nós, pesquisadores, escolher um deles para nos ajudar em nossas pesquisas.
E é por isso que nos utilizaremos de Padovani (2016) que diz que o processo
de aprendizagem não se trata exclusivamente da aquisição de novos conhecimentos.
Ele afirma que o aprendizado vai muito além, abarcando processos individuais,
históricos, sociais, culturais e a correlação entre todos esses. Assim sendo, a
aprendizagem estaria intrinsecamente ligada às emoções, sentimentos e modos de
agir do ser humano.
Segundo Lima (2017), o ato de aprender, reter e lembrar exige um alto nível de
esforço e concentração, algo que, associado ao nosso enfoque neste presente
trabalho, acaba por se tornar uma problemática, visto que os alunos que possuem
TDAH têm imensas dificuldades em manterem-se focados em um único estímulo,
principalmente em locais com diversos tipos de distrações.
É necessário que o professor aja como intermediador dessa situação. Segundo
92

Vigotsky (2000 e 2003) o professor atua como mediador dentro de sala de aula e de
espaços sociais, devendo usar esse cargo para promover interações sociais que
despertem novos conhecimentos.
E é por este motivo que os professores devem estar sempre atentos às
demandas de seus alunos, pois nem todas as abordagens funcionam para todos os
alunos, principalmente para os que possuem TDAH, por isso o professor deve analisar
cada um de modo mais específico e técnico, atentando às suas principais
necessidades.
No caso do TDAH, os conteúdos e atividades planejadas devem ser
cuidadosamente estruturadas, eliminando ao máximo itens desnecessários, focando
em prender a atenção do aluno pelo máximo de tempo possível, assim,
potencializando seu aprendizado.
Para Barkley (2002), o êxito no aprendizado de alunos com TDAH depende
exclusivamente da boa vontade do professor, que deve colocar todo o seu
conhecimento e técnicas em prol de tornar aquele ambiente o mais propício possível
para eles.
Assim como em todas as salas, mas principalmente nas que possuem alunos
com TDAH, é exigido do professor um alto nível de competência e compromisso, pois
os desafios enfrentados exigirão um grande capacidade de instrumentalização do
conteúdo, de forma a torná-lo acessível e atrativo, ao mesmo tempo em que é
coerente com os assuntos abordados e a realidade do aluno.

3 METODOLOGIA

A metodologia deste trabalho consiste em, primeiramente, uma extensa e


detalhada pesquisa bibliográfica. Levando em consideração a abordagem escolhida
para este trabalho, não seria possível escolher apenas uma única fonte, pois não há
resposta única para o que deve ser feito e como se deve agir quando em relação à
alunos com TDAH, pois eles podem apresentar as mais diversas manifestações do
quadro, com diferentes características e intensidades, o que acaba por invalidar uma
ou outra abordagem.
Na sequência e levando em consideração o que foi dito anteriormente, optamos
por apresentar e discutir algumas abordagens e métodos que consideramos mais
efetivos no auxílio dos alunos com TDAH no aprendizado, lembrando sempre e
ininterruptamente que nenhum método é 100% eficaz, pois o aprendizado é um
processo individual e constante, não podendo assim ser facilmente comparado o
benefício de um método em relação ao outro.
Por fim, optamos por usar pesquisas que tivessem em seu corpus alunos com
TDAH sobre tratamento de psicoestimulantes, isso é, fármacos que tem como
principal função a estimulação direta dos receptores alfa e beta adrenérgicos. Alguns
medicamentos usados nos indivíduos estudados serão o Metilfenidato (Ritalina),
Imipramina (Tofranil, Imipra), Nortriptilina (Pamelor), além de Rubifen e Concerta.
Optamos por esse corpus pois, embora extensas pesquisas estejam sendo
feitas, portadores de TDAH aprendem muito mais quando estão passando por alguma
espécie de tratamento medicamentoso.
Embora também seja possível o aprendizado do mesmo sem os referidos
medicamentos, nota-se uma dificuldade muito mais elevada em fazer qualquer
progresso, o que nos levou a seguir este outro caminho para pesquisa.
Os medicamentos anteriormente citados foram aprovados para essa pesquisa
mediante indicação da própria ABDA, que têm nestes medicamentos os mais efetivos
93

e indicados para o tratamento de pessoas portadoras do Transtorno de Déficit de


Atenção e Hiperatividade (TDAH).

4 DISCUSSÃO

Começaremos nos debruçando sobre o mais tradicional e conhecido método


de ensino: a aula expositiva. A aula expositiva é, presumivelmente, o método de
ensino mais utilizado por todo o mundo. Trata-se de, durante a extensão da aula, o
professor apresentar um conteúdo e elucidar possíveis dúvidas sobre um determinado
tema. Ao adicionar momentos para interação dos alunos, esta aula expositiva torna-
se em uma aula expositiva dialogada, visto que ocorre a interação entre professor e
alunos.
Embora possa parecer maçante algumas vezes, esse tipo de método pode ser
realmente eficaz, pois uma aula bem planejada e executada pode fixar aquele
conhecimento na mente dos alunos durante todas as suas vidas.
Ao mesmo tempo que é muito usada, a aula expositiva também é muito
criticada, tanto por alunos como profissionais da educação, que não creem que a
educação se resume única e exclusivamente a este tipo de ensino, usando como
argumento que alguns professores utilizam-se apenas desse tipo de técnica para
tornar seus planejamentos mais “fáceis”, as vezes em detrimento da própria educação
dos alunos, que nem sempre se acostumam ou sentem-se confortáveis em sentar-se
em sala e serem apenas receptores da informação que lhes está sendo apresentada.
Em uma aula expositiva, comumente, o professor é o único interlocutor, com
raras participações de alunos, seja para esclarecimento de alguma dúvida ou por
requerimento do próprio professor. Desta forma, os alunos acabam se tornando
simplesmente ouvintes, receptores passivos da informação. É recorrente que alunos
não consigam um aprendizado satisfatório por terem se distraído momentaneamente.
Em casos de alunos portadores de TDAH, isso é ainda mais comum, sendo
basicamente uma regra, o que torna este método ainda mais difícil de ser aplicado de
modo eficaz. Para esse tipo de situação, é necessário fazer alguns tipos de
adaptações no modelo padrão da aula, visando um melhor rendimento deste aluno.
Algumas sugestões analisadas para um melhor rendimento é a utilização, de
forma organizada, dos quadros, evitando escrever demais e tomando cuidado de
regularmente alterar as informações contidas, para a não distração do aluno, que pode
acabar se distraindo com as informações escritas no quadro e não se atentando as
explicações sendo feitas pelo professor.
Também é aconselhável uma maior frequência nos convites de participação do
professor ao aluno, isto é, que ele mais vezes tente fazer com que os alunos
participem da aula, com dúvidas ou perguntando o que acham de determinado tópico,
uma participação mais ativa dos alunos é essencial, tanto para mantê-los focados,
quanto para influenciar os outros estudantes ao seu redor a fazerem o mesmo.
É sim possível realizar uma aula expositiva com alunos portadores de TDAH,
muito embora não seja uma das missões mais fáceis no ensino. Determinando o grau
de concentração que o aluno é capaz de manter e combinando isso com uma aula um
pouco mais dinâmica do que é comum, o aprendizado tende a não ser prejudicado,
na verdade, pode até ser impulsionado, levando em conta que alunos com TDAH
tendem a se sentir desmotivados com aulas desse modelo, ao fazê-lo ter um bom
rendimento, isso pode elevar sua auto-estima e, consequentemente, seu rendimento
geral enquanto aluno.
Outro método estudado foi o uso de jogos educativos no auxílio da
94

aprendizagem. O estudo de Araújo (2020) afirma que “A melhor forma de conduzir a


criança à atividade, ao conhecimento e a socialização é por meio dos jogos” (sic).
Seus estudos classificam o jogo como uma experiência motivadora e excitante aos
alunos, que levam suas experiências mesmo para fora da sala de aula, usando-a para
descobrir o mundo por si só no dia a dia.
É possível afirmar que, por meio de jogos, todos os seres humanos aprendem
algo, pois além de conhecimentos específicos, os jogos exercitam diversos tipos de
características humanas, tais quais a capacidade analítica, memória, habilidades,
valores, atitudes e vários outros.
Os jogos podem vir de diversas formas e modelos, e cabe ao professor escolher
aqueles que mais se adequam as intenções de sua aula e adaptá-los às necessidades
de seus alunos, para que eles não venham a ter dificuldades com uma ferramenta que
deveria ajudá-los. É necessário muito cuidado por parte do educador, pesquisas e
testes com turmas sem portadores de TDAH são aconselháveis para entender as
dificuldades que poderão ser enfrentadas.
Alunos portadores de TDAH tendem a ter uma recepção calorosa e positiva aos
jogos, por ser algo diferente, já que não é algo que esperam ver em uma sala de aula,
e que chama sua atenção. Este tende a ser o método favorito para a maioria dos
estudantes que, muitas vezes, não têm a aprendizagem como sua maior prioridade,
principalmente nos níveis iniciais de sua formação, e veem nesses jogos uma forma
divertida para gastar seu tempo.
É importante, como sempre, a atenção do professor, pois os estudantes podem
acabar por desvirtuar os jogos, isto é, isolar seu propósito lúdico/educativo,
transformando-o apenas em uma atividade recreativa. É preciso sempre estar atento
aos processos envolvidos na partida, como um mediador justo, e lembrá-los
repetidamente dos objetivos daquela atividade, seja através das regras do jogo ou de
questionamentos de como os conhecimentos adquiridos em aulas podem ajudar a
superar alguma dificuldade da partida. Ou até mesmo o contrário, como essa partida
pode ajudá-los a compreender e aperfeiçoar os conhecimentos obtidos nos estudos e
aulas.
Outro método, semelhante em parte ao anterior, é o uso de instrumentos
lúdicos. Um excelente exemplo é o de material dourado no ensino de matemática nas
séries iniciais. Os instrumentos lúdicos são extremamente úteis em casos que sejam
necessários lidar com objetos não existentes fisicamente.
Esse tipo de material é especialmente eficiente para portadores de TDAH,
embora também apresente uma série de riscos, visto que um elevado número do
material ou até mesmo muita exposição à esse tipo de artifício pode acabar por distrair
e desfocar o estudante, fazendo com que ele perca seu interesse pelos assuntos da
aula.
Embora isso possa acontecer, este tipo de material é extremamente bem visto
entre educadores e alunos, muito disso se deve ao fato de sua aplicação ser
considerada extremamente didática, mesmo não sendo uma abordagem recente e
sofisticada.
A seguir, discorreremos sobre as assim chamadas aulas práticas. Muito comum
no ensino de química e física, esse modelo de aulas é ao mesmo tempo perigoso e
empolgante para os alunos, principalmente os portadores de TDAH.
Nesse tipo de aulas, lida-se com materiais dos mais diversos tipos, dentre eles
materiais combustíveis, corrosivos e outros materiais que podem se tornar nocivos ao
aluno. É recomendado a presença de pelo menos dois professores ou adultos
responsáveis nesse tipo de atividade, para evitar ao máximo possíveis acidentes.
95

Aulas práticas tendem a fascinar os alunos, pois quebram totalmente com a


rotina pré-estabelecida durante anos de estudo. O novo ambiente, normalmente
laboratórios, atrai a atenção em cada mínimo detalhe, por isso é prudente por parte
do professor deixar com que os alunos se familiarizem um pouco antes de requerer
novamente sua atenção.
Alunos portadores de TDAH podem ser particularmente difíceis de lidar nessas
situações, não só pela sua atenção poder ser facilmente atraída para outros lugares,
mas também por terem dificuldades em aceitar e lidar com novas regras lhes sendo
impostas, o que pode causar acidentes caso ele decida por ignorar alguma das
advertências, devido a grande quantidade de materiais perigosos no local.
Deve-se tomar muito cuidado em exercícios desse tipo, sempre atento às ações
dos estudantes. Mas não são só dificuldades que envolvem esse tipo de didática, pois
a maioria dos experimentos, principalmente aqueles que criam substâncias com cores
vivas ou reações inesperadas, costumam fascinar e entreter os alunos, e é nesse
momento de atenção máxima que o aprendizado costuma ter seu efeito
potencializado, cabe ao professor, enquanto guia da aula, aproveitar-se disso para o
benefício de seus estudantes.
Um método particularmente bem avaliado é o de seminários, isto é, uma
apresentação de conteúdo, normalmente em grupos, de algum assunto pré-
determinado, porém ao invés do professor trazer sua apresentação pronta e
apresentá-la para os alunos, são os estudantes que, após algum tempo de pesquisa,
seja presencial ou ao retornar para suas casas, trazem e expõem os conhecimentos
que adquiriram.
Este tipo de método é particularmente interessante na criação de um ambiente
mais harmonioso entre os estudantes, pois ao uni-los com um propósito em comum,
acaba por gerar um certo companheirismo entre eles, ou até mesmo fortalecer um
laço pré-existente.
É necessário que o professor interfira, principalmente, na criação dos grupos,
é importante colocar os alunos com pessoas com quem ele não tem muito convívio,
mas ao mesmo tempo uni-los com pessoas com quem já tem alguma afinidade, para
desta forma aumentar os laços formados dentro da sala de aula.
Também é importante que, durante o período de pesquisas, o professor
aproxime-se dos grupos, examinando suas dúvidas e dificuldades, guiando-os para o
melhor caminho possível. Muitas vezes esse método pode gerar desconforto nos
alunos, seja por não estarem acostumados, por medo de se apresentarem diante os
outros, ou por quaisquer outras razões.
Deve-se primeiro tranquilizar o aluno, admitindo que esse tipo de medo ou
receio é algo completamente normal e encorajando-o da melhor forma para que ele
consiga superar isso, ao mesmo tempo que garante a ele que está tudo bem se ele
ainda não estiver pronto para isso.
Seminários são um tipo de método didático com o qual deve-se ter muito
cuidado, pois ao mesmo tempo que pode ser excelente para uns, pode causar
enormes problemas para outros alunos, e deve-se estar atento a cada um deles para
que haja uma aprendizagem eficaz e homônima.
Alunos portadores de TDAH podem ter reações exatamente opostas quanto a
este método. Podem se sentir encorajados pelas novas experiências e pelo trabalho
em conjunto, levando-os a demonstrarem suas principais qualidades no trabalho
enquanto suas deficiências são supridas pelos seus colegas.
Outra reação possível é que se sintam intimidados, isolados ou desmotivados
por isso, pois com todo o novo método sendo apresentado diante deles, podem se
96

sentir perdidos. O professor deve atentar-se a isso, fazendo as alterações possíveis


para deixá-lo o mais confortável possível.
Uma medida possível é a de pequenas recompensas, isto é, estabelecer
pequenos passos e procedimentos que, ao concluí-los, haja algum tipo de
recompensa, desta forma, tanto ele como os demais alunos podem se sentir
valorizados durante a atividade, assim contribuindo para um melhor desempenho.
Outro tipo de método são os debates. Neste, normalmente faz-se um círculo
com os estudantes, para que todos se sintam integrantes daquele ambiente como
iguais. O professor deve sugerir um tema e dar uma breve explicação sobre ele, a
seguir convidando seus alunos a participar.
Este tipo de método, inicialmente, pode deixar os estudantes encabulados e
sem intenções de participar, por isso pode ser necessário que o professor convide
alguns deles a se pronunciarem primeiro e darem suas opiniões. Deve-se também
incentivar os alunos a levantarem a mão para participar, criando um ambiente
ordenado e seguro para que todos possam expressar suas opiniões.
Neste método, o professor deve se atentar aos alunos que não estão
participando, o motivo disso é que eles, ao não participarem, podem acabar por se
desligar dos temas centrais da aula, contribuindo para que aqueles ao redor terminem
por se distrair também.
Alunos com TDAH, assim como no caso do seminário, podem se sair muito
bem nesse tipo de cenário, embora as condições para distração também possam
acontecer. Por determinadas vezes, é possível que esses alunos até chegarem a
dominar os debates, acabando por tirar oportunidades de outros alunos falarem.
Durante debates, o professor deve estar o tempo inteiro atento a esses
pequenos detalhes e, como um mediador, dar a palavra para alunos que não tenham
participado tanto quanto outros. Desta forma, ele pode guiar o debate para uma
conversa saudável e produtiva e fazer com que todos os alunos se sintam integrados
na discussão.
Alguns outros métodos, entretanto, não são tão fáceis de trabalhar, dentre eles
temos o brainstorming, método consistente em várias pessoas falando aquilo que lhes
vem à mente sobre um determinado assunto enquanto o mediador, neste caso o
professor da sala, anota as ideias dadas para que sejam melhor analisadas
posteriormente.
Este método pode ser problemático, pois, apesar de ser relativamente de uso
comum, principalmente em alguns cursos de ensino superior, alunos com TDAH
podem se sentir aflitos durante ele, com toda aquela quantidade de informação sendo
rearranjada ao mesmo tempo.
Apesar de diversos estudos terem sido feitos, não houveram casos efetivos
suficientes de alunos com TDAH se saindo bem na aprendizagem durante
brainstormings, o que pode nos levar a tentar abordar este mesmo método de forma
diferente no futuro, visando uma maior eficiência em casos futuros, talvez até mesmo
mesclando-o com diferentes técnicas.
Há ainda um método usado mais especificamente em cursos superiores como
o do de Direito. Trata-se do júri simulado, um método que consiste na replicação fiel
ao modelo de julgamentos do país. Neste método, o professor age como o juiz de uma
corte e divide a classe em duas: defesa e acusação.
Este método, assim como o brainstorming, não possui suficiente número de
êxitos a ponto de podermos tratá-lo como um dos mais bem sucedidos, mas após
alguns ajustes, é possível que se torne um método funcional para alunos portadores
de TDAH, que aqui enfrentam o mesmo problema encontrado no brainstorming, que
97

é a grande quantidade de informações sendo despejadas simultâneamente vinda de


várias fontes.
Embora os casos de brainstorming e júris simulados sejam mais comuns no
ensino superior, eles podem ser utilizados no ensino de portadores de TDAH, visto
que, diferente do senso e concepção geral da população, o TDAH pode sim ser
portado por pessoas adultas, embora pareça ser mais sutil, às vezes podendo ser até
mesmo imperceptível.
Seguindo o exemplo dos júris simulados, existe também um método muito
utilizado em diversas feiras culturais por todo o Brasil, que é o de uma peça. Isto é,
uma história encenada pelos próprios alunos, cujo professor age como um espectador
e avaliador.
Peças podem fugir um pouco da temática do ensino para alguns, mas para
outros ela é tão presente quanto qualquer outro método. Além de serem algo ensinado
em cursos superior como teatro, pode ser usado até mesmo no grau mais básico da
educação com diversas intenções, dentre elas o fortalecimento de laços entre alunos
devido a interação entre eles nos ensaios, conscientização e ensino sobre temas
usando-se o fator narrativo das histórias, prática de habilidades tais como memória e
fala devido a atuação entre outros aspectos.
Estes são apenas alguns dos métodos existentes e que podem ser usados no
ensino de estudantes, seja com portadores de TDAH ou não. Deve-se atentar que,
apesar de todos que foram aqui citados, existem muitos outros exemplos de técnicas
de ensino, algumas mais conhecidas, outras ainda pouco estudadas, mas todas
possuindo importância similar, pois o processo de aprendizagem não é algo
engessado e mandatório.
Pelo contrário, é totalmente livre e mutável, qualquer um destes métodos pode
agir de diferentes formas sobre o estudante, visto que o aprendizado surge da
combinação destes métodos, do conteúdo que está sendo ensinado e do próprio meio
sociocultural em que o aluno vive.
E é por este motivo que não é possível afirmar com precisão inequívoca que
métodos funcionarão e de que formas específicas devem ser adaptados para melhor
ensinar os estudantes. Esse tipo de afirmação só pode ser feita individualmente e
após muitas tentativas, tanto do aluno como do professor.
Por esta razão, é aconselhável que a mente de ambos esteja aberta para
experimentar novos métodos, ou até mesmo uma combinação de mais de um método,
visto que, embora não sejam codependentes, a maioria dessas técnicas não é, de
forma alguma, exclusiva. Ou seja, em uma mesma aula, mais de um destes métodos
pode ser adotado e usado para contribuir com o outro, adicionando ainda mais
variantes e possibilidades ao infinito horizonte de possibilidades de aprendizagem do
aluno.

5 CONCLUSÃO

Segundo Kandel (2002) os mecanismos específicos pelos quais os eventos do


ambiente modelam o comportamento são fundamentais, e os meios mais importantes
são a memória e a aprendizagem. Com isso, podemos supor que a aprendizagem e,
consequentemente, o ensino são de suma importância para a formação de um ser,
seja ele humano ou animal, mas é apenas no humano que essa formação atinge seu
ápice.
Para este ápice é necessário, segundo Brandão (2002), que existam 3 fatores,
a aquisição do conhecimento, o armazenamento e a evocação do mesmo. Somente
98

quando um ser consegue realizar estes três processos é possível dizer que este ser
aprendeu.
Enquanto seres que vivem em sociedade, surgiu a necessidade de alguém para
ensinar os novos seres aquilo que necessitavam saber, e é neste momento que surgiu
o professor, aquele que traz o conhecimento para os estudantes o adquirirem e ensina
os mesmos á concluir as outras duas etapas, para que, com esses conhecimentos,
eles possam alcançar o ápice de sua formação.
Este ensino apresenta inúmeras e imensas barreiras, mal podendo-se ter
noção de o quão difícil será resolvermos todas, mas é através da pesquisa e estudo
que pode-se achar um caminho para que a educação leve a humanidade ainda mais
adiante, cada vez mais próxima do ápice que anseia chegar. E que algum dia chegará.
Porém este ápice ainda está em um futuro longínquo, e a maneira mais eficaz
de se aproximar deles é solucionando, um a um, os desafios que se erguem diante do
caminho da educação e do aprendizado. Dentre eles os problemas causados por
diversas doenças e condições que podem vir a afetar o ser humano das mais diversas
formas.
Um destes desafios é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH), uma condição que por muitos anos despertou preconceito de outras pessoas
e temor dos pais quanto a seus filhos, muito pela falta de conhecimento dos mesmos,
e até da ciência, sobre a condição. Mas isso está começando a mudar.
Após centenas de estudos, cada vez mais a doença, suas características e
limitações passam a ser conhecidas, e, com isso, cada vez mais é possível criar
tratamentos e medicamentos para lidar com ela.
O progresso tem sido tamanho, que muitas crianças, que antes ao nascerem
com TDAH eram consideradas “crianças-problema”, acabam por iniciar sua vida
escolar de maneira relativamente normal, embora ainda permaneçam grandes
dificuldades para elas superarem.
É dever de nós, pesquisadores, descobrirmos formas de, cada vez mais, ajudar
os professores que arduamente se esforçam para transformar essas difíceis
experiências em sala de aula em algo cada vez mais simples e prazeroso para os
estudantes.
Através da Neuropsicopedagogia, é possível estudar assuntos das mais
diversas áreas e, combinando-os em um único propósito, utilizá-los para potencializar
o ensino e a aprendizagem em escolas e universidades. Mas não é aqui que
encontramos o grande segredo do Universo, aquele a qual a ciência tem perseguido
desde a sua criação e que tão incansavelmente e inabalavelmente continuará a
perseguir.
Mas certamente é na Neuropsicopedagogia que a ciência encontrará seu
caminho e as ferramentas para chegar tão longe.
Pesquisas e artigos continuarão a serem feitos e, lenta e minuciosamente,
progrediremos para um futuro onde o ensino evoluiu a tal ponto que questões como o
ensino de estudantes com TDAH serão banais, mesmo que pareça um grande desafio
para os pesquisadores e professores de hoje, da mesma forma que no presente é
relativamente simples explicar o que é um átomo, enquanto isso era inconcebível a
algumas centenas de anos atrás.
Este artigo tem, assim como todos aqueles que o precederam, como objetivo
final colocar a ciência algumas páginas mais próximas desse futuro.

REFERÊNCIAS
99

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