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Fonética e Fonologia

da Língua Inglesa

Elen Azambuja

2010
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© 2010 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização
por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.

A991f Azambuja, Elen. / Fonética e Fonologia da Língua Inglesa. /


Elen Azambuja. — Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2010.
176 p.

ISBN: 978-85-387-0967-1

1. Fonética. 2. Fonologia. 3. Pronúncia. 4. Inglês. 5. Fonema.


I. Título.

CDD 414

Capa: IESDE Brasil S.A.


Imagem da capa: IstockPhoto

Todos os direitos reservados.

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Elen Azambuja

Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Sumário
Sons e símbolos das vogais .................................................. 11
Vogais............................................................................................................................................. 11

Sons e símbolos das consoantes ........................................ 27


Vogais versus consoantes ....................................................................................................... 27
Consoantes da língua inglesa . ............................................................................................. 27
Vibração ou não das cordas vocais ..................................................................................... 32
Consoantes fortes e fracas ..................................................................................................... 32
Consoantes silábicas ................................................................................................................ 36

O Alfabeto Fonético Internacional . ................................... 49


Transcrição fonética ................................................................................................................. 50

A pronúncia do passado
dos verbos regulares e irregulares ..................................... 65
As três possíveis pronúncias para o morfema –ed ........................................................ 65
A pronúncia dos verbos irregulares no passado ........................................................... 69

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Acento........................................................................................... 79
O acento em palavras .............................................................................................................. 80
Prefixos . ........................................................................................................................................ 81
Sufixos ........................................................................................................................................... 83
Palavras compostas .................................................................................................................. 85
Verbos frasais .............................................................................................................................. 87

Fala encadeada ......................................................................... 99


Ligação . ......................................................................................................................................100
Contração . .................................................................................................................................102
Assimilação . ..............................................................................................................................103
Apagamento .............................................................................................................................105
Epêntese . ...................................................................................................................................106
Redução de vogal ...................................................................................................................107

Entonação..................................................................................115
Entonação ascendente e descendente ...........................................................................117
Entonação ascendente . ........................................................................................................118
Outros padrões ........................................................................................................................120

A relação escrita/pronúncia
nas palavras com silent letters ............................................129
Silent letters.................................................................................................................................130

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A relação grafia/pronúncia nas palavras
com silent “e”, letras duplas e outros casos.....................145
Silent “e”........................................................................................................................................147
Palavras emprestadas de outras línguas..........................................................................150

Homófonos . .............................................................................159

Anotações..................................................................................175

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Apresentação
Este livro traz, de forma bastante simples, elementos de fonética e de fonolo-
gia da língua inglesa. Apesar de seu caráter introdutório, consegue dar ao leitor os
instrumentos necessários para conhecer o inventário de sons do inglês e enten-
der como esses sons se organizam.

É possível dividir essa obra em dois blocos – no primeiro deles, são abordadas
questões referentes aos sons e à pronúncia de palavras isoladas e na fala encade-
ada. No segundo bloco, são tratadas questões relativas à famosa relação grafia/
pronúncia no inglês. Assim, as dez aulas seguem uma ordem que pretende auxi-
liá-lo a construir pouco a pouco seu conhecimento acerca do funcionamento do
padrão de sons e da pronúncia do inglês.

Os primeiros dois capítulos apresentam o inventário de sons da língua inglesa.


Nos capítulos I e II, respectivamente, as vogais e as consoantes são apresentadas.
Veremos que há muito mais vogais no inglês do que em português, o que expli-
ca, em parte, a incapacidade que alguns aprendizes têm de distinguir e produzir
palavras com vogais semelhantes como live e leave, por exemplo. O capítulo III
aborda algo muito importante para os estudantes de língua estrangeira: os sím-
bolos do Alfabeto Fonético Internacional e transcrições fonéticas. O domínio dos
símbolos que são usados para representar os sons dá ao aprendiz autonomia,
pois, quando não sabe ou está em dúvida sobre a pronúncia adequada de uma
palavra, pode recorrer às transcrições, facilmente encontradas em dicionários. No
capítulo IV, analisamos um aspecto da língua inglesa que, apesar de ser simples, é
problemático para muitos estudantes: a pronúncia do passado dos verbos regu-
lares. Nesse capítulo, também estudamos as regularidades encontradas na pro-
núncia dos verbos irregulares. No capítulo V, abordamos o acento. Veremos que a
tonicidade é uma característica importante da identidade das palavras e do sig-
nificado das frases. No capítulo seguinte, analisamos o que acontece com os sons
na fala encadeada. Veremos que os sons têm comportamentos diferentes quando
em palavras isoladas e quando articulados num fluxo contínuo, típico da fala en-
cadeada. No capítulo VII, veremos os padrões entonacionais gerais do inglês. Nos
capítulos VIII e IX, a relação grafia/pronúncia é analisada. Veremos que, apesar da
típica irregularidade e frequente imprevisibilidade dessa relação, é possível en-
contrarmos regularidades. Por fim, no capítulo X, homófonos, palavras com grafia
diferente mas mesma pronúncia, serão abordados.

Espero que você aprecie as aulas e que elas contribuam não só para sua for-
mação, mas também para despertar seu espírito investigativo e a paixão pelos
estudos relacionados à fonética e à fonologia da língua inglesa.

Um grande abraço,

Elen

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Sons e símbolos das vogais

Nesta aula estudaremos as vogais da língua inglesa a partir dos símbo-


los do Alfabeto Fonético Internacional (IPA)1 usados para representá-las
e de exemplos de palavras em que aparecem. Num primeiro momento,
caracterizaremos vogais e apresentaremos aquelas presentes na fonolo-
gia da língua portuguesa para que você tenha um parâmetro em que se
basear. A seguir, abordaremos as vogais da língua inglesa, mais especifi-
camente aquelas do inglês americano, e, então, faremos uma discussão
sobre as vogais curtas e longas, sua relação com a grafia e sua possibilida-
de de ocorrência na palavra.

Vogais
Para produzirmos sons, precisamos de ar. Esse ar vem dos nossos pulmões.
Ao articularmos os sons, a corrente de ar pulmonar pode encontrar algum
tipo de obstrução na cavidade oral ou sair livremente, sem encontrar qualquer
tipo de obstrução. Na produção das vogais, diferentemente do que acontece
na articulação das consoantes, a corrente de ar passa livremente pela cavida-
de oral. Além disso, as vogais são o elemento central de uma sílaba, ou seja,
são o núcleo ou “pico” silábico. Isso quer dizer que sem vogais não há sílaba.

As vogais são classificadas de acordo com três parâmetros: altura, ante-


rioridade e arredondamento. Dessa forma, as vogais distinguem-se umas
das outras de acordo com quão alta a língua está no momento de sua pro-
dução (alta, média ou baixa), que parte da língua está envolvida (frontal,
central ou posterior) e se há ou não arredondamento dos lábios. Assim, a
vogal /o/, por exemplo, é definida como baixa posterior arredondada. Isso
quer dizer que, ao articularmos essa vogal, a parte da língua envolvida é a
parte posterior, a língua encontra-se abaixada e os lábios, arredondados.

A quantidade total de vogais varia de uma língua para outra. Há lín-


guas que apresentam um número bastante reduzido de vogais, como é o
caso do árabe, com as vogais /, , /, e outras com um sistema bem mais
numeroso, como é o caso do inglês.
1
A sigla IPA vem do nome inglês International Phonetic Alphabet.
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Sons e símbolos das vogais

Podemos, então, iniciar nossos estudos das vogais do inglês. Para isso, fare-
mos uma comparação entre as vogais encontradas no português brasileiro e
aquelas encontradas em inglês norte-americano.

As vogais da língua portuguesa


Abaixo, encontramos um quadro com símbolos do IPA que representam as
vogais orais tônicas do português.

Quadro 1 – Vogais tônicas orais do português brasileiro

(SILVA, 2007, p. 79)


anterior central posterior
arred não arred arred não arred arred não arred
alta i u
média-alta c O
média-baixa  o
baixa a

O quadro acima revela que há sete vogais orais tônicas em português. Os sím-
bolos usados remetem ao som que representam. Assim, o símbolo // represen-
ta a vogal da palavra vê, por exemplo. Os únicos símbolos diferentes daqueles
que usamos na escrita regular são o que representa a vogal média-baixa anterior
// e o que representa a vogal média-baixa posterior /o/. Vejamos alguns exem-
plos de palavras com os sons que os símbolos do quadro acima representam.

Som Exemplos Som Exemplos

/i/ ilha, bico /o/ pó, ópera

/c/ ema, bebê /O/ hoje, boca,

// fé, ela /u/ uva, uma

/a/ mata, ave

As vogais da língua inglesa


A seguir, encontramos uma figura com símbolos do IPA que representam as
vogais simples do inglês2.

2
Vogais encontradas no inglês norte-americano. Para ver um quadro com as vogais do inglês britânico, sugiro uma visita ao site <www.phonetics.
ucla.edu/vwels/chapter3/chapter3.html>..

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Sons e símbolos das vogais

Front Central Back

High i u
I 
c Rounded
c O
 o
Mid 

 
Low

Figura 1 – Vogais do inglês norte-americano.

Ao compararmos as vogais das duas línguas, um fato nos chama a atenção:


há mais vogais em inglês do que em português. Enquanto encontramos apenas
sete vogais em português, encontramos doze em inglês3.

Vejamos, então, que vogais existem na língua inglesa. Para isso, utilizaremos
os símbolos do IPA e exemplos de palavras em que as vogais correspondentes a
esses símbolos são encontradas.

Som Exemplos Som Exemplos

/i/ be, see, leave // but, sun, love

/I/ sit, ship, live /u/ boot, shoe, moon

// eight, aid, maid // book, should, good

// bet, bed, met /O/ gold, boat, goal

// apple, act, ask /o/ law, paw, ball

// ashore, afraid, later // hot, clock, mop

Uma comparação entre as vogais do português e aquelas do inglês nos


mostra que há algumas vogais que fazem parte das duas línguas, e outras, que
estão presentes apenas no inglês. Em termos articulatórios, podemos dizer que
as vogais que estão presentes nas duas línguas não nos oferecem problemas,
pois sabemos como articulá-las. Nossa tarefa é, então, aprender a produzir os
sons que não fazem parte da sua língua nativa e captar as sutilezas que distin-
guem sons que parecem muito semelhantes para nós, aprendizes4.
3
Embora as vogais // // e // não sejam fonológicas no português, alguns autores, como Silva (2007), afirmam que esses segmentos aparecem
em posição postônica final como variantes das vogais /, /, // e //, como nas palavras júri, jure, gota e mato, em que as pronúncias júr ~
júr; jur ~ jur; got ~ got e mat ~ mat são encontradas.
4
Para ver outras diferenças em relação à articulação das vogais, mais especificamente em relação à posição dos lábios, ver a tabela 1 do texto
complementar.

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Sons e símbolos das vogais

As diferenças entre algumas vogais do inglês, como é o caso das vogais /i/ e
/I/, encontradas em sheep e ship, respectivamente, parecem muito sutis para nós,
falantes de português, já que temos apenas a vogal /i/ no nosso sistema. Isso faz
com que muitos aprendizes produzam e até mesmo percebam esses segmentos
como se fossem o mesmo. Contudo, como essas diferenças são marcadas e per-
cebidas por falantes nativos, também têm de ser marcadas por não nativos, sob
pena de haver falhas na comunicação.

Uma análise do quadro das vogais nos mostra que a vogal /I/ está posiciona-
da entre as vogais /i/ e /c/. Essa posição no quadro não é aleatória. Ela mostra
exatamente o que a vogal /I/ é: um segmento articulado em uma posição inter-
mediária entre dois outros segmentos. /I/, por estar entre /i/ e /c/ carrega traços
de ambos. Assim, de uma forma bem simplificada, podemos dizer que a vogal
/I/ é um /i/ com características de //. Em termos práticos, isso quer dizer que
a vogal /I/ é articulada com a língua em uma posição mais baixa em relação à
articulação da vogal /i/.

Outros segmentos que apresentam o mesmo tipo de dificuldade são as vogais


// e //. Para nós que temos apenas a vogal //, as diferenças entre esses dois
segmentos parecem nem existir ou ser irrelevantes, por isso, muitos estudantes
falantes de português não percebem a diferença entre //, encontrado na pala-
vra bet, por exemplo, e //, de bat. A vogal //, como pode ser visto no quadro
das vogais do inglês, está entre // e //, por isso, é um som que tem característi-
ca dessas duas vogais. Dessa forma, a vogal //, embora nos pareça semelhante
à vogal //, é, de fato, articulada com a língua em uma posição mais baixa.

As diferenças existentes entre as vogais /i/ e /I/ e // e //, além de serem
meramente articulatórias, são, também, fonológicas, pois não são apenas um
detalhe de pronúncia, uma vez que levam a uma mudança de significado. Dessa
forma, é importante respeitá-las.

Outro som que não faz parte da fonologia do português também é a vogal
//. Essa vogal é também um som intermediário. Por estar entre // e /O/, apre-
senta características dessas duas vogais, ou seja, é um /u/ com características de
/O/. Em termos articulatórios, a vogal // é produzida com a língua em uma po-
sição mais baixa em relação à articulação da vogal /u/. As diferenças entre essas
duas vogais é mais fonética do que fonológica, pois não leva a uma mudança de
significado. No entanto, essas diferenças precisam ser entendidas e, na medida
do possível, marcadas, pois, afinal, saber pronunciar as palavras adequadamente
também deve fazer parte do conhecimento de uma língua estrangeira.

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Por fim, vejamos o schwa, a vogal representada pelo símbolo //. Esse símbo-
lo é usado para representar vogais não tônicas. É articulada como um // leve-
mente nasalizado e mais alto do que a vogal nasal ã do português. Essa vogal
pode aparecer sozinha, como em allow, ou ser seguida da consoante //, como
em farmer. Note que o schwa representa uma vogal não tônica, mesmo que se-
guida de //. Quando queremos representar a vogal tônica de palavras como
first, earth, fur, usamos o símbolo //5.

Ditongos
Celce-Murcia et al. (2000, p. 95) apresentam um quadro um tanto diferente do
mostrado na figura 2 para a classificação das vogais do inglês americano. Veja-
mos como as autoras representam as possíveis vogais do inglês.

(CELCE-MURCIA, 2000)
front central back
iy uw
high  
tongue rises and
jaw clos

mid y
an

w
drops


op es
d


en
s

o

low ae

Figura 2 – Quadrante das vogais do inglês norte-americano e


corte sagital da cavidade oral.

Segundo as autoras, as vogais do inglês americano dividem-se em simples,


vogais com um glide adjacente e ditongos6.

As vogais /I/, //, /, //, //, /o/, // pertencem ao grupo das vogais simples.
Get e cut são exemplos de palavras com esse tipo de segmento. Pain (/y/) e go
(/w/) são exemplos de palavras com vogais com glides adjacentes. Boy é um
exemplo de ditongo: um encontro de vogal e um glide não adjacente dentro da
mesma sílaba.
5
Atenção! Não confunda o símbolo //, que representa algumas vogais seguidas de –r em sílaba tônica, como mercy, dirty (mcy, dty)
com o símbolo //, de bed, head (bd, hd).
6
Glide é outra palavra para semivogal. /y/ e /w/ são glides. O glide /y/ é frequentemente representado pelo símbolo // em dicionários.

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Sons e símbolos das vogais

Abaixo, temos os possíveis ditongos encontrados em inglês, o movimento


feito em sua articulação e alguns exemplos de palavras que os contêm, segundo
Celce-Murcia et al. (2000, p. 94)7.

Som Movimento exemplos

/ay/ central-baixa para alta anterior pie, fine

/aw/ central-baixa para alta posterior blouse, how

/y/ baixa posterior para alta anterior boy, choice

Para as autoras, a diferença entre um ditongo e um encontro de vogal e glide


adjacente deve-se ao fato de que os ditongos exigem um movimento maior
para ir de uma vogal produzida em um ponto mais baixo na cavidade oral para
um glide produzido em um ponto mais alto.

Vogais longas e curtas


Ainda outra distinção que devemos fazer em relação às vogais refere-se à sua
característica como segmento longo ou curto8. Segundo Celce-Murcia (2000, p.
96), as vogais longas, como /iy, y, , o, w, w/), são executadas com maior
tensão nos músculos do que as vogais curtas /, , , , /9.

Além disso, as vogais longas podem ocorrer tanto em sílabas tônicas abertas
quanto em sílabas tônicas fechadas. As sílabas abertas são aquelas que não ter-
minam em consoante, é o caso das palavras see, bay, ma, paw, so, moo. As sílabas
fechadas, por outro lado, terminam em consoante, como nas palavras scene, bait,
mob, pawn, sole e mood.

As vogais curtas, por sua vez, são produzidas com os músculos mais relaxa-
dos. Em palavras monossilábicas ou quando acentuadas, aparecem somente em
sílabas fechadas, como em fit, get, cat, fuss, cut, jamais em sílabas abertas.

O estudo das vogais da língua inglesa nos mostra que, muitas vezes, as dife-
renças que existem entre as vogais longas e curtas do inglês não causam proble-
mas de comunicação, pois não levam a uma mudança de significado, apenas re-
velam que o falante não é nativo. É o que acontece com as vogais // e //. Outras
vezes, contudo, essas diferenças são relevantes, como é o caso das propriedades
que contrastam a vogal curta // e a vogal longa //. Essas vogais são diferentes
7
Esse quadro foi traduzido por mim.
8
Os termos longo e curto estão sendo usados como equivalentes aos termos tense e lax do inglês.
9
As vogais longas /y/ e /w/ são frequentemente representadas como /:/ e /:/ em transcrições encontradas em dicionários.

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tanto qualitativa quanto quantitativamente. Mais do que uma distinção apenas


fonética, essa diferença é também fonológica, pois leva a uma mudança de sig-
nificado. Afinal, é possível imaginar o estranhamento que podemos causar em
nosso interlocutor quando, em uma situação em que o que pretendemos dizer é
I have a white ship, acabamos dizendo I have a white sheep, por exemplo.

Essas são diferenças que devem ser mais respeitadas, já que podem causar
interferências na comunicação. Entretanto, em qualquer caso, a busca por uma
pronúncia adequada deve fazer parte dos objetivos do aprendiz de uma língua
estrangeira.

Relação entre grafia e pronúncia


nas vogais longas /, / e curtas /, /
A relação entre grafia e pronúncia das palavras do inglês é muito irregular.
Há uma gama de letras diferentes que podem representar o mesmo fonema,
como é o caso dos fonemas // e // e, por outro lado, diferentes fonemas que
podem ser representados pela mesma letra, como acontece com o grupo oo,
que pode representar os fonemas /o, , , /. No entanto, no que concerne à
distinção entre as vogais longas /, / e as curtas /, /, é possível chegarmos a
uma sistematização.

A vogal curta // pode ser representada pelas letras i (live, tin), e (eleven,
exaggerate), a (chocolate, beverage), ui (biscuit, build), u (business, busy) e até
mesmo o (women). A vogal longa //, por sua vez, é geralmente representada
pelas letras ee (see, teeth), ea (sea, tea), ey (key, honey) e y (heathy, funny). A vogal
// pode ser representada pelas letras u (put, push), oo (wood, book) e oul (como
nos modais would, should). A vogal longa //, por seu turno, é geralmente repre-
sentada pelas letras oo (boot, food), u ( nude, rude), o (to, do), ui (fruit, juice) e ew
(thew, flew) 10.

Quanto à possibilidade de ocorrência, as vogais // e // têm comportamen-


tos diferentes: a primeira pode aparecer no início (exam, encourage) ou no meio
de palavra (sit, fig), jamais no final; a segunda pode aparecer no início (eagle,
eat), no meio (scene, feet) e no final de palavra (see, flea). As vogais // e //, por
sua vez, também apresentam diferenças: // só ocorre no meio de palavra (pull,
full)), nunca no início ou no final; já // pode ser encontrado em qualquer posi-
ção: no início (ooze), no meio (mood, goose) ou no final de palavra (flu, glue).

10
Nedel. e Fronza, C. trazem outras possibilidades de letras que podem representar os fonemas longos /, / e curtos /, / em seu artigo, que
pode ser encontrado no endereço <www.letras.ufmg.br/labfon/congresso_2006/11-As_vogais_breves_e_longas.pdf>.

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Sons e símbolos das vogais

A partir da análise da relação entre os fonemas e as letras que os podem re-


presentar e as posições na palavra em que podem ocorrer, podemos chegar a
algumas generalizações.

Em relação às vogais // e //, é possível perceber que o fonema //, dife-
rentemente do fonema //, nunca vai aparecer em final de palavra e jamais será
representado graficamente pelas letras ee, ea, ey, y. Apesar de a vogal // poder
ser representada por diferentes letras, em contextos de contraste, parece que
a única letra que o representa é i, como em live e sit () versus leave e seat
(:), por exemplo. Portanto, o aprendiz deve prestar atenção especial a esses
contextos.

A relação entre letra e fonema nas palavras com as vogais // e //, entre-
tanto, não é tão direta, uma vez que tanto o fonema // quanto o fonema //
podem ser representados pelas letras u (nude: //; put: //) , o (do: //; woman:
//), oo (mood: //, good: //). Dessa forma, a única generalização que é possível
fazer em relação a esses segmentos é aquela que se refere à sua possibilidade de
ocorrência. Enquanto // pode aparecer em todas as posições na palavra – ini-
cial, medial e final – // pode ocorrer apenas em posição medial. Assim, é essa a
posição que deve receber mais atenção por parte do aprendiz.

Texto complementar

Summary of the characteristics of NAE


vowels and diphthongs
(CELCE-MURCIA et al. 2000)

We can summarize the primary characteristics of NAE vowels as follows:

 Vowels are classified as high, mid, or low, referring to the level of the
tongue within the oral cavity and the accompanying raised or lowered
position of the jaw.

 Vowels are also classified as front, central, or back, depending on how


far forward or back the tongue is positioned within the oral cavity du-
ring articulation and which part of the tongue is involved.

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Sons e símbolos das vogais

 Vowels can be either tense or lax. These terms refer to the amount of
muscle tension used to produce the vowel, the tendency of the vow-
el to glide, its distribution in closed or open syllables, and its relative
place of articulation (i.e., its position in the center or on the periphery
of the vowel quadrant).

 Vowels are simple or glided. The latter term refers to vowels with
tongue movement occasioned by an accompanying /y/ or /w/ glide.
Of these glided vowels, those with an adjacent glide are distinguished
from the three phonemic diphthongs, which involve a nonadjacent
glide.

 Vowels are characterized by the degree of lip rounding or spreading


that occurs during their articulation.

Obviously, no one characteristic is sufficient to describe a given vowel;


rather, only the constellation of these factors can adequately characterize a
vowel’s articulatory features.
Table 1 visually depicts the key differences in NAE vowel articulation.
Reading from left to right, the sounds move in a U-shape from the high front
vowels down to the low central /α/ and back up to the high back /uw/, con-
cluding with the mid-central vowel // and the three diphthongs. Note how
the positions of the tongue, jaw, and lips change from the left to the right of
this chart. Note also how the tongue and jaw are gradually lowered from the
highest front position /iy/ to the lowest central position // Then both the
tongue and the jaw begin to rise through the back vowels until the highest
back vowel /uw/ is reached. The lips show similar changes, beginning with
their most spread position for /iy/, and parting gradually into the wide open
position of //. Whereas the lips are more spread for the front vowels, they
are more rounded for the back vowels. The lip positions for the tense vowels
/y/ and /w/ involve a rise to an adjacent glide and are therefore marked
with an arrow. The lips in the articulation of the three diphthongs also move
from one position to another, but the movement is so great that two lip dia-
grams are used to represent this movement.

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Table1 – Classification of vowels

/iy / /I/ / y / / / / ac/ / / /o /


pea pin paint pen pan pa paul
feet fit fate fed fad fob fought

Tense or
Tense Lax Tense Lax Lax Tense Tense
lax

High front, Lowest,


Highest Mid Lower
but lower Mid central
Tongue front front, front Low
and more front lying
position near top gliding up than //, back
centered centered flat on
of mouth toward /iy/ centered
than /iy/ bottom
Slightly
Begins more
Slightly lower Open open than
Jaw High Open Closed
lower than /I/ wider // may
Position closed widest slightly
than /iy/ but rises than /ey/ drop a bit
during glide lower during
articulation

Relaxed, Spread
Widely
Lip slightly more Slightly
spread, Spread Yawn Oval
Position parted and during spread
smiling
spread glide to /iy/

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/w / // /uw / // /ay/ /aw / /y /


pole put pool pun pine pound poise
foe foot fool fun fight foul foil

Diph- Diph- Diph-


Tense Lax Tense Lax
thong thong thong

Moves
High back Highest Moves low Moves
Mid-back, low
and more back of Relaxed central low back
gliding up central
centered tongue mid-level to high to high
toward /uw/ to high
than /w/ pushed up front front
back

Begins
Rises Rises Rises
higher than
Slightly High with with with
/o/ rises Relaxed
higher closed tongue, tongue tongue
more during
closes closes closes
glide

Very Moves Moves


Relaxed Closed Moves
rounded, from from
slightly and Relaxed, from open
closing open to open
parted. rounded, slightly to slightly
like a slightly to slightly
weakly as for parted parted and
camera parted parted
rounded whistling spread
shutter and round and spread

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Sons e símbolos das vogais

Dicas de estudo
Uma forma interessante e instrutiva de praticar os sons das vogais da língua
inglesa, mais especificamente aqueles do inglês americano, é fazer uma visita
ao site da Universidade de Iowa, cujo endereço eletrônico é <www.uiowa.
edu/~acadtech/phonetics/>. Nesse site, é possível relacionar os símbolos do IPA
aos segmentos e também visualizar sua articulação.

Atividades
1. Que símbolo representa o som das vogais das palavras dadas? Associe as
colunas adequadamente para responder a essa questão.

a) // ( ) live

b) /:/ ( ) leave

c) /:/ ( ) shut

d) // ( ) book

e) /o:/ ( ) food

f) // ( ) fat

g) // ( ) raw

h) // ( ) occur

i) // ( ) occur

j) // ( ) mouth

k) // ( ) apply

l) // ( ) earth

( ) get

( ) put

( ) culture

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Sons e símbolos das vogais

2. Coloque as palavras abaixo na coluna que representa a pronúncia da vogal.


Siga o modelo.

// // /u:/ /ju:/ /a/ /o/ /:/ //

mood

mood mud mute floor blood


pour puddle flood down dawn
done dune poodle mower lawn
loan lone cousin town tow
put pure doom book shoe
should sure own curse
boot
course

3. Marque as afirmações abaixo com V ou F.

a) Shoe rima com toe. ( ) i) Book rima com food. ( )

b) Shoe rima com flu. ( ) j) Feet rima com fit. ( )

c) Some rima com sum. ( ) k) Mud rima com flood. ( )

d) Work rima com pork. ( ) l) Put rima com foot. ( )

e) Floor rima com more. ( ) m) First rima com thirst. ( )

f) Done rima com son. ( ) n) Put rima com but. ( )

g) Cover rima com lover. ( ) o) Fan rima com fun. ( )

h) Quite rima com quiet. ( )

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Sons e símbolos das vogais

Referências
CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation: a reference for tea-
chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000, pg. 102-103.

LADEFOGED, Peter. Vowels and Consonants. Disponível em: <www.phonetics.


ucla.edu/vowels/chapter3/chapter3.html>. Acesso em: 4 dez. 2009.

NEDEL, Eduardo; FRONZA, Cátia. As Vogais Breves e Longas da Língua Inglesa:


características e reflexões sobre seu uso por falantes brasileiros. Disponível em:
<www.letras.ufmg.br/labfon/congresso_2006/11-As_vogais_breves_e_longas.
pdf>. Acesso em: 9 dez. 2009.

SILVA, Thais Cristófaro. Fonética e Fonologia do Português: roteiro de estudos


e guia de exercícios. São Paulo: Contexto, 2007.

STEINBERG, Martha. Pronúncia do Inglês Norte-Americano. São Paulo: Ática, 1985.

Gabarito
1. F
A J
B I
H F
D J
C L
G D
E H
2.
// // /u:/ /ju:/ /a/ /o/ /:/ //
mud put mood mute down mower floor curse
flood book doom dune town low pour
blood should boot pure loan course
puddle sure shoe lone dawn

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Sons e símbolos das vogais

// // /u:/ /ju:/ /a/ /o/ /:/ //


cousin poodle own lawn
done tow

3.

a) F

b) V

c) V

d) F

e) V

f) V

g) V

h) F

i) F

j) F

k) V

l) V

m) V

n) F

o) F

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Sons e símbolos das consoantes

Estudaremos as consoantes da língua inglesa e os símbolos do Alfabe-


to Fonético Internacional (IPA) usados para representá-las. Num primeiro
momento, contrastaremos vogais e consoantes para, então, caracterizar-
mos as consoantes da língua inglesa a partir dos critérios ponto de articu-
lação, modo de articulação e grau de vozeamento. Além desses, caracte-
rísticas adicionais relacionadas a algumas consoantes do inglês, como a
aspiração, serão levadas em conta.

Vogais versus consoantes


Os sons da fala são ondas acústicas produzidas pela vibração que o ar
dos pulmões causa nas cordas vocais ao passar pela laringe. Entre os sons
produzidos pelo aparelho fonador humano, temos as vogais e as consoan-
tes. Vogais e consoantes distinguem-se em alguns aspectos.

Na articulação das vogais, a corrente de ar pulmonar sai livremente através


da cavidade oral, sem que haja qualquer tipo de obstrução a ela. Na articula-
ção das consoantes, por outro lado, os articuladores sempre oferecem algum
tipo de obstrução à passagem de ar. Além disso, na produção das consoantes,
pode haver ou não vibração das cordas vocais, o que é diferente na produção
das vogais, em que as cordas vocais sempre vibram. Ainda outra diferença é
que as consoantes não podem ser pico ou núcleo de sílaba como as vogais.
Isso quer dizer que não pode haver sílabas formadas apenas por consoantes1.
As vogais distinguem-se umas das outras em termos de altura, anterioridade
e arredondamento. As consoantes, por outro lado, caracterizam-se por seu
ponto e modo de articulação e vibração ou não das cordas vocais.

Consoantes da língua inglesa


As consoantes de uma língua são definidas a partir de seu ponto de
articulação, que é o lugar na cavidade oral em que são articuladas, seu
1
O inglês é diferente nesse aspecto, uma vez que a nasal // e a lateral // podem ser silábicas em alguns contextos.

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Sons e símbolos das consoantes

modo de articulação, que se refere à natureza da obstrução que os articuladores


criam em relação à passagem da corrente de ar pela cavidade oral, e vibração ou
não das cordas vocais. Vamos, então, analisar as consoantes da língua inglesa de
acordo com seu ponto e modo de articulação e grau de vozeamento.

Ponto de articulação
As consoantes podem ser definidas a partir do ponto na cavidade oral em
que são produzidas e dos articuladores envolvidos na sua produção. Os articula-
dores são os órgãos da cavidade oral com os quais produzimos os sons, e podem
ser classificados como ativos ou passivos. Os articuladores ativos movem-se na
direção dos articuladores passivos para produzir os sons. Os articuladores passi-
vos não podem mover-se, mas são coadjuvantes na produção dos sons. Na arti-
culação da consoante //, por exemplo, o articulador ativo é o lábio inferior e o
articulador passivo, os dentes superiores.

Para que compreendamos o ponto na cavidade oral onde as consoantes são


articuladas e os articuladores envolvidos em sua produção, é importante termos
uma noção dos diferentes órgãos que compõem o aparelho fonador. Abaixo,
encontramos uma figura que mostra o aparelho fonador humano e sua relação
com a produção dos sons.
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Lábios: articulação de sons bilabiais (b,


Céu da boca
m, p) e labiodentais (f, v).
Palato mole Cavidade nasal Dentes: escoamento do som.

Nariz Língua: participa na produção dos sons.


Trato vocal
Lábios Céu da boca: projeção da voz.
Faringe
Língua
Faringe: amplia o som.
Laringe
Cavidade Nasal: vibração e amortiza-
Dentes
Esôfago ção do som.
Cavidade oral
Cordas vocais
Laringe: contém as cordas vocais.
Traqueia: suporte para vibração das
Traqueia
cordas vocais.
Pulmão Pulmões: reservatório de ar.
Diafragma Musculatura respiratória: produz pres-
são no ar.

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Sons e símbolos das consoantes

De acordo com o ponto na cavidade oral em que as consoantes são articula-


das e os articuladores envolvidos em sua produção, podemos classificar as con-
soantes como:

 Bilabial: os segmentos bilabiais são articulados com o envolvimento do


lábio inferior e do lábio superior. /m, p, b/ são bilabiais. Como exemplos,
temos as palavras mom, park, ball.

 Labiodental: as consoantes labiodentais são produzidas com a participa-


ção do lábio inferior e dos dentes superiores, como nas consoantes /f, v/,
de first e love.

 Dental: as consoantes dentais são produzidas com a ponta da língua to-


cando a superfície interna dos dentes superiores ou muito próxima deles.
// e //, de think e that, respectivamente, são dentais, como mostra a fi-
gura abaixo2.

 Alveolar: as consoantes alveolares são articuladas com a ponta da língua


próxima dos alvéolos ou tocando neles3. /n, t, d, s, z, l/, de no, to, do, sick,
zoo, luck, são alveolares.

 Palatal: as consoantes palatais são produzidas com a lâmina ou corpo da


língua próxima ao palato duro4. /, , , /, de sugar, vision, check e justice,
respectivamente, são palatais.

 Velar: as consoantes velares são produzidas com a parte posterior da língua


tocando o palato mole ou próximo a ele, como em /, , /, de sing, kite, fog.

 Glotal: na produção das consoantes glotais, os músculos ligamentais da


glote comportam-se como articuladores (SILVA, 2007, p. 32). A consoante
/h/, de house, é glotal.
2
Como esses segmentos são efetivamente produzidos com a ponta da língua entre os dentes superiores e inferiores, alguns autores referem-se a
eles como interdentais.
3
Os alvéolos são aquela saliência que temos atrás dos dentes superiores.
4
O palato, popularmente conhecido como “céu da boca”, é dividido em palato duro e palato mole. O palato duro é a parte medial e frontal do céu
da boca; o palato mole, também conhecido como véu palatino, é a parte posterior e é, de fato, mole.

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Sons e símbolos das consoantes

Além desses pontos de articulação tradicionalmente encontrados na descri-


ção das consoantes, alguns autores ainda abordam outra característica dos sons
e a classificam como um ponto de articulação. Os sons que apresentam essa
característica são classificados como retroflexos.

 Retroflexo: sons retroflexos são produzidos com a parte frontal da língua


curvada para trás, fazendo com que a ponta da língua ou mesmo sua par-
te inferior faça contato com a superfície superior da boca. A consoante //
de road, park, more é retroflexa5.

Alguns autores, como Roach (2004), contudo, discordam da classificação de


retroflexo como um ponto de articulação. A esse respeito, o autor afirma que
retroflexo não é realmente um ponto, mas uma configuração da língua, e realmente não
pertence a nenhuma das classificações normais das categorias dos sons. A retroflexão é
encontrada também em vogais – é frequentemente ouvida na fala de americanos em vogais
quando há um "r" na escrita, como “car“, “more“, “bird“ (ROACH, p. 22-23, tradução nossa)

Modo de articulação
Como já falamos anteriormente, na produção das consoantes, a corrente de
ar pulmonar sempre encontra algum tipo de obstrução ao sair através da cavida-
de oral. Diferentes tipos de obstrução caracterizam diferentes modos de articu-
lação. De acordo com essa característica, as consoantes podem ser classificadas
como segue:

Oclusivas (ou plosivas)


Consoantes oclusivas são produzidas com uma obstrução inicial total à pas-
sagem da corrente de ar pulmonar através da boca antes de haver uma liberação
do fluxo de ar. Isso faz com que, na produção desses segmentos, haja um breve
período de silêncio e, então, o ar seja liberado. /, , , , , /, de push, ball, to, do,
kite e girl são oclusivas. Na articulação de // e //, a corrente de ar é num primei-
ro momento totalmente bloqueada pelos lábios antes de ser posteriormente li-
berada através da boca. Já na produção de // e //, a obstrução é causada pela
ponta da língua quando toca nos alvéolos. Na articulação de // e //, por outro
lado, é a parte posterior da língua que, ao se elevar em direção ao véu palatino,
causa uma obstrução.

5
Em inglês britânico, a consoante // só é pronunciada em posição pré-vocálica. Em posição pós-vocálica, essa consoante desaparece, como em
car, pronunciado [:].

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Sons e símbolos das consoantes

Nasal
Na articulação das nasais, há uma obstrução completa à passagem da corrente
de ar pela cavidade oral, como nas oclusivas. Contudo, diferentemente dessas, que
são orais, as nasais são segmentos produzidos com o fluxo de ar passando através
da cavidade nasal. Na produção das nasais, o véu palatino abaixa-se, forçando a
corrente de ar para a cavidade nasal. /, , /, de firm, tin e sing são nasais.

Das três nasais do inglês, // é a que pode causar mais problemas para os
aprendizes, visto que as outras duas consoantes são mais comuns nas línguas do
mundo. Felizmente, em português, temos uma consoante parecida: a nasal //,
encontrada em palavras como manha e estranho, por exemplo. // distingue-se
de // pelo ponto de articulação: enquanto esta é velar, aquela é palatal. Isso sig-
nifica que a nasal do inglês é articulada em uma região mais ao fundo do palato
do que a nasal do português.

A nasal // do inglês é encontrada em posição intervocálica, como em singing


ou singer, ou em posição final – sozinha, como em long ou charming, ou em en-
contros consonantais finais, como em hangs ou stinged. Essa consoante nunca
aparece em posição de início de palavra em inglês.

 Fricativa: a corrente de ar que vem dos pulmões nem sempre é completa-


mente bloqueada. Às vezes, “o ar passa por uma passagem estreita criada
quando os articuladores se aproximam, mas não se tocam. O ar forçado atra-
vés dessa passagem causa fricção” (CELCE-MURCIA et al. 2000, p. 44). O som
resultante é denominado fricativo. As consoantes /, , , , , , , , / de fur,
victory, thin, that, sorry, zebra, shoe, vision e hat pertencem a esse grupo.

 Africada: as africadas são consoantes que têm características tanto de oclu-


sivas quanto de fricativas: iniciam com uma obstrução total à passagem da
corrente de ar pela cavidade oral, mas, em vez de terminarem como oclusi-
vas, terminam como fricativas. // e //, de church e judge são africadas.

 Aproximante: nas consoantes aproximantes, o fluxo de ar move-se ao re-


dor da língua e sai pela boca de uma forma relativamente livre. Pertencem
a esse grupo as líquidas // e // e os glides // e //. Na produção de /l/, o
fluxo de ar passa pelos lados da língua, por isso, essa consoante é também
conhecida como lateral.

Quanto à outra líquida, a consoante //, Celce-Murcia et al. (2000) explicam


que há duas maneiras diferentes de produzir essa consoante em inglês ame-
ricano. A forma mais frequentemente descrita é a retroflexa, na qual a ponta
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da língua curva-se para trás e os lábios arredondam-se levemente. Essa forma é


classificada pelas autoras como um som palatal. Na outra forma, mais incomum,
os lábios arredondam-se mais, a ponta da língua permanece baixa na boca e o
corpo da língua eleva-se na região alveolar ou pós-alveolar. Essa forma é classifi-
cada pelas autoras como alveolar.

As outras aproximantes, os glides // e //, comportam-se como as líquidas,


pois o fluxo de ar sai através da boca de forma relativamente livre. Em posição
de início de sílaba, os glides comportam-se como consoantes, como nas palavras
yeast e woman. Esses segmentos também podem combinar-se com vogais para
formar ditongos em final de sílabas, como em toy.

Vibração ou não das cordas vocais


As cordas vocais, que se situam na laringe, parte superior da traqueia, desem-
penham um papel fundamental na produção dos sons. As cordas vocais têm a
forma de dois lábios, ou pregas, e são constituídas de um tecido elástico, chama-
do de ligamento. De acordo com Callou e Leite (1990, p. 18),
Uma de suas extremidades está unida às cartilagens aritenoides e a outra, à tireoide. A tireoide
é vulgarmente conhecida como pomo de adão por ser uma protuberância no pescoço bem
visível nos homens. As aritenoides são dotadas de vários movimentos devido a um intrincado
sistema de músculos, movimentos esses que ocasionam posições diversas das cordas vocais
e, consequentemente, sons diferentes. A abertura triangular existente entre as cordas vocais
se denomina glote.

Na respiração em repouso ou na produção dos chamados sons surdos ou des-


vozeados, a glote está aberta e as cordas vocais, separadas. Dessa forma, o ar que
vem dos pulmões pode passar livremente pelas cordas vocais sem causar vibra-
ção. Quando a glote está fechada e as cordas vocais unidas, o ar tem que forçar
sua passagem, o que faz com que vibrem. É isso que acontece com os chamados
sons sonoros ou vozeados. É a vibração ou não das cordas vocais que distingue
consoantes como //, de Sue, e //, de zoo, por exemplo. Essa diferença pode ser
sentida se colocarmos os dedos sobre o pomo de adão e articularmos as conso-
antes // e // alternadamente.

Consoantes fortes e fracas


Enquanto a maioria dos autores concorda que a distinção entre algumas con-
soantes como as oclusivas // e //, // e //, // e //, as fricativas // e //, // e

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/ /, // e // e as africadas // e // repousa apenas na vibração ou não das cordas
vocais quando esses segmentos são articulados, Underhill (2005) oferece uma expli-
cação adicional para o contraste entre esses segmentos em língua inglesa. Segundo
o autor, as consoantes desvozeadas do inglês são fortis (fortes) e as vozeadas, lenis
(fracas). A distinção entre fortis e lenis envolve esforço muscular e força da respiração
usada para produzir a consoante (UNDERHILL, p. 31). Para o autor, essa característica
pode ser facilmente sentida tanto quando articulamos os segmentos em voz alta
quanto quando os sussurramos. Se colocarmos a palma da mão aberta próximo aos
lábios quando articulamos essas consoantes em voz alta e quando as sussurrarmos,
podemos sentir a diferença na força do ar expelido. Para um exercício prático, os
pares abaixo são sugeridos pelo autor (UNDERHILL, p. 31):

pea bee
tea dee
chore jaw
came game
fire via
three then
sue zoo
mission measure

Mesmo ao sussurrarmos, conseguimos sentir a diferença entre as consoantes


da coluna da direita e aquelas da coluna da esquerda. As consoantes da primeira
coluna são executadas com maior esforço muscular e força de exalação e as da
segunda coluna, com menor esforço muscular e força de exalação.

A partir dessa observação, o autor conclui que vozeamento e desvozemento


não são a única diferença entre esses pares de consoantes em inglês. Há, ainda,
a característica adicional de colocarmos mais ou menos força na respiração
quando articulamos esses segmentos. Assim, nos termos do autor, as consoan-
tes desvozeadas /, , , , , , , / são fortis e suas contrapartes vozeadas /, ,
, , , , , / são lenis.

Aspiração
Até agora, vimos que alguns pares de consoantes do inglês distinguem-se
pela vibração ou não das cordas vocais quando são articuladas, o que as define
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como vozeadas ou desvozeadas, e pelo grau de esforço muscular e força de exa-


lação que demandam em sua articulação, o que as define como fortes (fortis) ou
fracas (lenis). A partir dessas considerações, sabemos que as oclusivas /, , /
distinguem-se de /, , / pelo grau de vozeamento e força – enquanto essas são
vozeadas e fracas, aquelas são desvozeadas e fortes.

Além dessas características, há outra relacionada a esses segmentos: a aspi-


ração. A aspiração é um sopro de ar que acompanha as oclusivas desvozeadas
/, , / em algumas posições. Como sugerem Celce-Murcia et al.(2000, p. 62), se
um falante de inglês disser pie, a aspiração poderá facilmente apagar um fósfo-
ro aceso ou mover um pedaço de papel colocado a sua frente; se disser buy, a
chama ou o papel não serão aparentemente afetados.

Contudo, não podemos generalizar e dizer que /, , / são sempre aspirados.
A aspiração depende de alguns fatores, como a posição da consoante na palavra
e a tonicidade da sílaba em que essa se encontra. As oclusivas /, , / só serão
aspiradas em posição de início de palavra ou de sílaba acentuada6. Compare os
exemplos abaixo7:

 [] [

pose test cord

comPOSE aTTEST reCORD (v.)

] [] [

PURpose8 PROtest (n.) REcord (n.)

Às vezes, por questões derivacionais, o acento muda de sílaba. Mesmo assim,


a regra se mantém, como mostram os exemplos abaixo:

] 

STUpid stuPIdity

RApid raPIdity

Os exemplos acima evidenciam que a aspiração, uma característica marcan-


te das consoantes /, , / do inglês, depende da posição desses segmentos na
palavra e da tonicidade da sílaba em que se encontram – esses segmentos são
6
O termo acentuado é o mesmo que tônico. Assim, sílaba acentuada quer dizer sílaba tônica.
7
Por convenção, as consoantes aspiradas são marcadas com o símbolo h sobrescrito.
8
É claro que, nesta palavra, estamos nos referindo à consoante // da segunda sílaba, já que a da primeira, por estar em início de palavra e em
sílaba acentuada, é aspirada.

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sempre aspirados em início de palavra e em sílaba tônica medial, independente-


mente de a palavra ser primitiva ou derivada.

Notação das consoantes


Agora que já sabemos que as consoantes são classificadas de acordo com
seu ponto de articulação, o modo como são articuladas e a vibração ou não das
cordas vocais, que as define como vozeadas ou desvozeadas, A sua classificação
segue a seguinte ordem:

Modo de articulação + ponto de articulação + grau de vozeamento

Vejamos, então, alguns exemplos de como as consoantes são classificadas:

//: fricativa dental desvozeada

//: fricativa dental vozeada

//: nasal bilabial vozeada

//: nasal alveolar vozeada

//: nasal velar vozeada

//: oclusiva velar desvozeada

//: oclusiva velar vozeada

Cada consoante é definida por uma combinação única de características. Isso


significa que consoantes diferentes são classificadas de forma diferente.

A partir dessas considerações, é possível chegarmos a um inventário das con-


soantes da língua inglesa. O quadro a seguir foi elaborado com base na análise
dos parâmetros modo de articulação, ponto de articulação e grau de vozeamento.
Quando as consoantes aparecem em pares, o segmento da esquerda é desvoze-
ado e o da direita é sua contraparte vozeada. Eis as consoantes do inglês9.

9
Quadro baseado em Celce-Murcia et al. (2000), que apresentam uma tabela das consoantes do inglês norte-americano. A consoante // aparece
duas vezes: como segmento alveolar e como segmento palatal. O segmento alveolar, por ser, segundo as autoras, menos frequente, aparece entre
parênteses.

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Consoantes do inglês
  Bilabial Labiodental Dental Alveolar Palatal Velar Glotal
Oclusiva   b t  d k g
Nasal m n 
Fricativa f  v    s  z    h
Africada t  d
l
Líquida r
(r)
Glide w 

Consoantes silábicas
Agora que já conhecemos as consoantes do inglês, vamos estudar ainda um fenô-
meno que distingue o inglês de muitas línguas: a presença de consoantes silábicas.

Uma das características que distinguem vogais de consoantes é o fato de po-


derem ser núcleos de sílaba. Isso tem como consequência o fato de podermos
ter sílabas formadas apenas por vogais, mas não podermos ter sílabas forma-
das apenas por consoantes. Enquanto esse entendimento parece aplicar-se à
maioria das línguas do mundo, o inglês destaca-se por ser diferente nesse as-
pecto. Em inglês, existem consoantes silábicas, ou seja, consoantes que podem
ser núcleo de sílaba. Essa possibilidade, contudo, não se aplica a todas as con-
soantes, apenas a um conjunto muito pequeno do qual fazem parte apenas as
consoantes // e //.

A lateral // e a nasal // podem tornar-se silábicas, ou seja, podem compor-
tar-se como uma sílaba, sem a necessidade de uma vogal. Isso acontece quando
essas consoantes estão em sílaba postônica, após as consoantes alveolares /, ,
/, como nas palavras button (//), sudden ( //), tunnel ( ). Como as
transcrições dessas palavras mostram, as consoantes silábicas são sempre iden-
tificadas através de uma pequena linha vertical desenhada abaixo delas. É claro
que na escrita regular essas sílabas são sempre grafadas com a presença de uma
vogal, mas, como os fatos indicam, isso é apenas uma convenção.

Muitos autores, entre eles Prator Jr. e Robinett (1972) e Celce-Murcia et al. (2000),
afirmam que as consoantes silábicas constituem um desafio para estudantes de
língua inglesa, que tendem a usar uma vogal nos contextos em que os falantes
nativos usam somente a consoante silábica. Por esse motivo, em vez de []
(wouldn’t) e [] (sentence), os aprendizes podem dizer [] e [],

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por exemplo. Esse fenômeno, no entanto, não causa interferências na comunica-


ção, apenas mostra que o falante não é nativo e tem sotaque estrangeiro.

Texto complementar
Consonants from a phonetic perspective
As we have seen before, vowels are essentially characterised by the ab-
sence of closure of the vocal tract, so that the air can pass through it in a
relatively unimpeded way. The opposite is true for consonants. Here, the
characteristic feature is that there is almost always some form of obstruction
or obstacle – or at least a narrowing of the vocal tract – which causes pertur-
bations in the air flow.

There are essentially three major ways of classifying consonants, accord-


ing to their place of articulation, manner of articulation and according to their
voicing. We’ll discuss each of them separately in the following sections.

Presence vs. absence of voice


As we have already seen for vowels, when there are fairly regular pulses
from the glottis filtering the airstream, we have incidences of voicing. Voic-
ing is not only possible for vowels, but may also occur with – and hence influ-
ence the quality of – consonants. Since this type of filtering action that ‘drives’
the focal folds uses up part of the overall energy available to the consonant,
voiced consonants tend to be weaker than voiceless ones. For this reason,
the former are also sometimes labelled with the Latin term lenis (soft) and
the latter with fortis (strong). Voiced consonants show similar vertical stria-
tions to vowels on a spectrogram, although they are often weaker and pos-
sibly also shorter, and therefore show up a little less clearly.

Manner of articulation
The term manner of articulation refers to the way in which the obstruc-
tion inside the oral cavity is made. According to this, we can establish a few
different classes of consonants that each show characteristic features which
usually make them identifiable on a spectrogram with a bit of practice.

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Sons e símbolos das consoantes

Plosives
For plosives – also called stops – a solid obstruction is built up somewhere
within the oral tract, initially completely blocking the airstream coming up
from the larynx. This blockage is then usually released abruptly, so that the
air that was compressed behind the obstacle can escape with a kind of ex-
plosive movement, producing a "racking" or "popping" sound. The group of
"ordinary" plosives in English comprises /p/ and /b/, /t/ and /d/, /k/ and /g/,
where for each pair, the first is voiceless and the second voiced. Because of
their ‘explosive’ nature, the audible phase for plosives is generally quite short,
although the closure phase before the burst is quite variable. One impor-
tant thing to remember when one is transcribing normal everyday running
speech is that sometimes plosives at the ends of words don’t actually get
released. For additional information, take a look at the plosives section of my
Practical Phonetics course.

Nasals
Nasal consonants in English are fairly limited in number. There are only
three – /m/, /n/ and // – and these correspond to the voiced plosives referred
to above, with the added feature that during their production the velum is
lowered. This allows the air to esape through the nasal cavity instead of the
oral one, in effect changing the filter. This also reduces the energy of the nasal
consonant, as well as the characteristic patterns it produces. The voicing can
again be seen in vertical striations, but this time, they mainly occur in a rather
low frequency region. An illustration of this can be found in the nasals section
of my Practical Phonetics course.

Fricatives
The English "pure" fricatives are /f/ and /v/, // and //, /s/ and /z/, // and
/, and /h/. Where there are pairs, the second one is again voiced. Fricatives are
produced, not through a complete closure, such as for plosives, but by creat-
ing a partial obstruction of the airstream. This makes turbulence arise at or near
the point of obstruction, where the airstream is now forced through a greatly
narrowed channel. The effect is similar to strong winds blowing through a
tunnel, where we may get a slow whistling sound. This whistling is particu-
larly noticible in the two pairs /s/ and /z/ and // and //, which is why they

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Sons e símbolos das consoantes

are also referred to as sibilants. Fricatives generally tend to be fairly long and
are therefore usually easier to see on a spectrogram, not least because they
also exhibit very characteristic noise frequencies. The last fricative in the series,
/h/, represents a special case since it is produced with a relatively small ob-
struction, and this not inside the oral tract, but rather within the larynx. Rather
than exhibiting very specific noise patterns of its own, it therefore represents
something like a voiceless version of the vowel following it. You can test this
by producing a sustained "plain" [h], which ought to sound rather like [h :]. Ad-
ditional information can again be found in the fricatives section of my Practical
Phonetics course.

Affricates
Affricates are essentially a combination of a plosive and a following fric-
ative, where the quality of the plosive remains largely the same, but the
fricative part tends to be shorter than in a "pure" fricative. For an illustra-
tion, see the affricates section of my Practical Phonetics course.The two pairs
of affricatives generally assumed to occur in English are /t/ and /d/ and /
t/ and /d/.

Laterals/approximants
Lateral consonants differ from the other consonants in one very distinct
feature. Whereas for all other consonants1 the air can usually escape evenly
around both sides of the relevant active articulator, for the English lateral /l/
(clear l) and its velarised variant [] (dark l), the air is allowed to escape over
the side of the tongue, rather than its middle.

Another group of sounds that is often listed with the consonants is that
of the so-called approximants. Phonetically speaking they are actually like
vowels, but for phonological reasons to be discussed later are generally
grouped with the consonants, as can also be seen from the consonant chart
further below. They don’t exhibit the kind of "random" noise that can be seen
in consonants, but usually show formant patterns similar to vowels. For this
reason, at least /j/ and /w/, that are phonetically similar to /i/ and /u/ respec-
tively, are often also referred to as semi-vowels. These two usually function as
relatively slow on- or off-glides to pure vowels, i.e. as linking elements.

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The transitions for the two remaining approximants, // – phonetically


like a neutral vowel – and /l/ take place slighly more rapidly, but we can still
discern clear formant patterns, most notably for // in a lowering of the third
formant (F3), which is not present in the lateral /l/.

Illustrations and additional explanations for most of the above can be


found in the the approximants section of my Practical Phonetics course.

Place of articulation
Place of articulation refers to the location where the constriction or
obstruction of the vocal tract occurs, as well as to the active or passive
articulator(s) involved in the production of the consonant.

Bilabial
As the name implies, a bi labial articulation is carried out by using both
lips as active articulators. For English, more or less the only bilabially pro-
duced (and distinctive) consonants are the plosives /p/, /b/ and /m/.

Labio-dental
In a labio-dental articulation, the lower lip and the upper teeth act together
in producing the sound. In fairly standard English, only the two fricatives /f/ and
/v/ belong to this category. One further sound – that is still considered non-
standard, but seems to become more frequent for some younger speakers – is a
labio-dental approximant [v]. It represents a realisation of // which some people
regard as one of the features of a new emerging "standard" called Estuary Eng-
lish, although it may also occur as a type of speech defect or in the speech of very
young children, who have not acquired the standard pronunciation of // yet.

Dental
Dental articulation in English is exemplified by the two fricatives /θ/ and
/ð/, which often represent a problem for foreign learners. This, however, may
at least partially be due to the fact that some older textbooks used to de-

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Sons e símbolos das consoantes

scribe them as inter-dental, a pronunciation that is not only fairly unrealistic,


but also relatively difficult to achieve for the voiced variant...

Alveolar
The alveolar ridge, situated just above the upper teeth, is a highly popular
place in terms of the production of English consonants. No less than 7 sounds
are produced there, ranging from the plosives /t/ and /d/, including the nasal
/n/, via the fricatives /s/ and /z/, to the two approximants // and /l/.

Palato-Alveolar
Sounds produced somewhere between the alveolar ridge and the hard
palate are referred to a palato- or sometimes also post-alveolar. They include
the two fricatives // and //, as well as the two affricates /t/ and /d/.

Palatal
The only English "consonant" that is produced with a palatal articulation
is /j/.

Velar
A velar place of articulation is limited to the two plosives /k/ and /g/, and
their nasal counterpart //.

Glottal
Out of the two glottal sounds of English, we have already encountered
one, namely the fricative /h/. The other glottal consonant is the plosive //,
also known as glottal stop.

The table below shows most of the consonants occuring in English, at


least in the reference varieties. Where necessary and applicable, we will in-
troduce further symbols when we discuss other accents of English or par-
ticular features that require their use.

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The consonants of English

Bilabial Labio-dental Dental Alveolar Palatoalveolar Palatal Velar Glottal


Plosive p b t d k g 
Nasal m n
Fricate f v s z  h
Approximant j j
Lateral
l
Approximant

Two further symbols for approximants that are not usually included in the con-
sonant table are /w/ for the voiced labial-velar and [ɫ] and the velarised variant of
the alveolar lateral /l/.

(WEISSER, Martin. Consonants From a Phonetic Perspective. Disponível em: <http://ell.phil.


tu-chemnitz.de/phon/articulatory/consonPhon.html>. Acesso em: jan. 2010.)

Dicas de estudo
Sugiro, como uma forma muito interessante e instrutiva de praticar os sons
das consoantes da língua inglesa, mais especificamente aqueles do inglês ame-
ricano, uma visita ao site da Universidade de Iowa, cujo endereço eletrônico é
<www.uiowa.edu/~acadtech/phonetics>. Nesse site, é possível relacionar os
símbolos do IPA aos segmentos e também visualizar sua articulação.

Uma outra dica é consultar o site organizado pelo respeitado foneticis-


ta Peter Ladefoged, intitulado A Course in Phonetics, que pode ser encontrado
no endereço eletrônico <www.phonetics.ucla.edu/course/contents.html>. No
capítulo 3 desse site, você encontra informações em áudio e vídeo sobre as
consoantes da língua inglesa, além de exercícios interessantes para testar seus
conhecimentos.

Atividades
1. Teste seus conhecimentos. Sem olhar o quadro das consoantes, associe as
colunas.

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a) nasal velar vozeada ( ) []

b) fricativa palatal vozeada ( ) []

c) oclusiva bilabial vozeada ( ) []

d) fricativa dental desvozeada ( ) []

e) africada palatal desvozeada ( ) []

f) fricativa glotal desvozeada ( ) []

g) oclusiva velar vozeada ( ) []

h) fricativa palatal desvozeada ( ) []

i) oclusiva bilabila desvozeada aspirada ( ) []

j) lateral alveolar vozeada ( ) []

2. Associe as colunas para descrever adequadamente os segmentos subli-


nhados.

a) oclusiva bilabial desvozeada aspirada ( ) peach

b) oclusiva bilabial desvozeada ( ) dancing

c) fricativa palatal vozeada ( ) forum

d) fricativa dental desvozeada ( ) pocket

e) líquida palatal vozeada ( ) land

f) oclusiva alveolar desvozeada ( ) chair

g) oclusiva alveolar vozeada ( ) bush

h) nasal bilabial vozeada ( ) neck

i) nasal alveolar vozeada ( ) bored

j) nasal velar vozeada ( ) leopard

k) africada palatal desvozeada ( ) north

l) fricativa palatal desvozeada ( ) beige

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3. Escolha a alternativa correta.

I. Uma oclusiva bilabial desvozeada aspirada é encontrada em:

a) pun

b) rap

c) bush

II. Uma fricativa labiodental desvozeada é encontrada em:

a) think

b) thanks

c) fun

III. Uma africada palatal vozeada é encontrada em:

a) church

b) justice

c) leisure

IV. Uma nasal velar vozeada é encontrada em:

a) nest

b) fun

c) sink

V. Uma fricativa glotal desvozeada é encontrada em:

a) rope

b) hope

c) shy

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Referências
CARVALHO, Guilherme Pires Sales; SANTOS, Thiago Monte dos. Biometria: im-
pressão vocal. Disponível em: <http://www.gta.ufrj.br/grad/09_1/versao final/
impvocal/propdosinal.html>. Acesso em 07 jan. 2010.

CALLOU, Dinnah; LEITE, Yonne. Iniciação à Fonética e à Fonologia. Rio de Janei-


ro: Jorge Zahar Editor, 1990.

CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation – a reference for tea-


chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000.

PRATOR JR., Clifford H; ROBINETT, Betty W. Manual of American English Pro-


nunciation. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1972.

ROACH, Peter. Phonetics. Oxford: Oxford University Press, 2004.

SIlVA, Thais Cristófaro. Fonética e Fonologia do Português: roteiro de estudos


e guia de exercícios. São Paulo: Contexto, 2007.

UNDERHILL, Peter. Sound Foundations: learning and teaching pronunciation.


Oxford: Macmillan, 2005.

WEISSER, Martin. Consonants from a Phonetic Perspective. Disponível em: <http://


ell.phil.tu-chemnitz.de/phon/articulatory/consonPhon.html>. Acesso em: jan. 2010.

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Sons e símbolos das consoantes

Gabarito
1.

a) C f) D

b) G g) I

c) A h) F

d) J i) E

e) B j) H

2.

a) A g) L

b) J h) I

c) H i) E

d) F j) B

e) G k) D

f) K l) C

3.

I. A

II. C

III. B

IV. C

V. B

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Sons e símbolos das consoantes

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O Alfabeto Fonético Internacional

Estudaremos o que são e como funcionam o Alfabeto Fonético Interna-


cional e as transcrições fonéticas. Veremos exemplos dos símbolos usados
para representar as vogais, as consoantes e os glides do inglês e também
transcreveremos palavras inteiras.

Uma das conquistas mais importantes dos foneticistas do século XIX foi
conseguir elaborar um sistema de símbolos capaz de representar os sons
das línguas do mundo e que pode ser aprendido por qualquer pessoa. O
Alfabeto Fonético Internacional (IPA) é um sistema de notação fonética
criado pela Associação Fonética Internacional como uma forma de repre-
sentação padronizada dos sons da fala. Por ser um sistema eficiente e prá-
tico para quem o domina, o IPA é amplamente utilizado por linguistas e é
muito útil a professores e estudantes de línguas estrangeiras.

Os símbolos do IPA são divididos em três categorias: letras, diacríticos e


suprassegmentais. As letras, em número de 107, indicam os sons básicos.
Os diacríticos, que totalizam 31, fornecem informações adicionais sobre
esses sons. Os suprassegmentais, em número de 19, indicam caracterís-
ticas como acento e entonação. Essas três categorias são ainda divididas
em categorias menores: as letras podem ser vogais, consoantes ou glides,
e os diacríticos e suprassegmentais são classificados de acordo com o que
indicam: articulação, fonação, tom, entonação, acento e ritmo1. Desde sua
criação, em 1888, o IPA já sofreu algumas reformulações. Nessas reformu-
lações, novos símbolos foram adicionados e outros, removidos ou modifi-
cados. A revisão mais recente foi feita em 2005.

Por ter a pretensão de harmonizar-se com o alfabeto latino, o mais


usado nas línguas do mundo, a maioria dos símbolos do IPA utiliza basica-
mente as letras desse alfabeto, de forma que os símbolos das consoantes
correspondam ao seu uso “universal”. Por esse motivo, os símbolos /, ,
, , , , , /, por exemplo, correspondem aos sons que essas letras re-
presentam em português e inglês.

1
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_fon%C3%A9tico_internacional>.

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O Alfabeto Fonético Internacional

O alfabeto latino, entretanto, não é o único utilizado no IPA. Além das letras
desse alfabeto, há alguns símbolos retirados do alfabeto grego, como //, que
representa uma consoante fricativa dental desvozeada, além de símbolos que
não parecem pertencer a nenhum desses dois alfabetos, como //, utilizado
para representar uma consoante oclusiva glotal.

No IPA, cada letra corresponde a um som específico. Isso significa que não
são utilizadas combinações de letras para representar sons únicos, ou de letras
únicas para representar mais de um som. Além disso, as letras sempre têm o
mesmo valor sonoro, independentemente do contexto. Às vezes, é possível de-
duzir o som representado por alguns símbolos através da forma de sua grafia,
principalmente quando esse som é uma consoante frequentemente encontrada
nas línguas do mundo; contudo, a maioria dos símbolos precisa ser treinada.

As letras originais utilizadas como símbolos do IPA são, por vezes, ligeiramen-
te alteradas para representar características adicionais. Por exemplo, há letras
que apresentam em sua grafia um gancho para baixo e para a direita. Essas letras
representam consoantes retroflexas. O par /n/ e // ilustra essa característica: en-
quanto o primeiro símbolo representa uma nasal alveolar, o segundo representa
sua contraparte retroflexa.

Além das letras, os diacríticos e suprassegmentais são muito importantes na


representação da pronúncia, pois fornecem informações adicionais. Os diacrí-
ticos são sinais que, colocados sob, sobre ou através das letras do IPA, repre-
sentam alguma alteração ou característica mais específica da pronúncia. O dia-
crítico “”, por exemplo, representa aspiração. Quando colocado acima de um
segmento, como em [], indica que ele é aspirado. Os suprassegmentais, por
outro lado, indicam características que se estendem por mais de um segmento,
como acento, tom ou entonação. O símbolo suprassegmental “”, quando co-
locado antes de uma sílaba, indica que ela é acentuada., como na transcrição
[], da palavra private, que indica que a primeira sílaba é aquela sobre a
qual recai o acento de tonicidade2.

Transcrição fonética
No estudo de línguas estrangeiras, especificamente no que concerne à pro-
núncia, o domínio do Alfabeto Fonético Internacional possibilita o entendimen-

2
Não confunda acento de tonicidade com acento gráfico. Não existe acento gráfico nas palavras do inglês, a não ser naquelas que vêm do francês.
Quando falamos em acento no campo da fonologia, nos referimos à tonicidade. Assim, quando dizemos “sílaba acentuada”, queremos dizer “sílaba
tônica”.

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O Alfabeto Fonético Internacional

to das transcrições encontradas em dicionários e materiais didáticos, que se uti-


lizam cada vez mais dos símbolos do IPA. A transcrição é muito útil no ensino de
línguas, pois mostra aos aprendizes como uma dada palavra deve ser pronun-
ciada. Por representar uma pronúncia padrão, independentemente de variações
regionais ou individuais, torna-se uma ferramenta indispensável ao aprendizado
e um modelo confiável no qual o estudante pode se basear para aprender a pro-
núncia das palavras da língua-alvo.

O primeiro passo para os estudantes de línguas estrangeiras é familiarizar-


-se com os símbolos que representam os sons da língua estudada. No Alfabe-
to Fonético Internacional, há um símbolo para cada som e, para cada som, não
mais do que um símbolo, de modo que a representação da pronúncia deve ser
inequívoca. Assim, quando usamos [m], sabemos que estamos nos referindo a
uma consoante nasal bilabial, independentemente da posição em que apareça:
inicial, medial ou final.

O que é, então, e como funciona essa ferramenta tão útil aos estudantes de
línguas estrangeiras? A transcrição fonética é um método que usa os símbolos
do Alfabeto Fonético Internacional para transcrever os sons da fala. Entre esses,
incluem-se palavras, frases e até mesmo textos. Callou e Leite (1990, p. 33) expli-
cam que
Uma transcrição fonética é uma tentativa de se registrar de modo inequívoco o que se
passa na fala. E um alfabeto fonético é uma convenção para se escrever os sons das línguas
independentemente da convenção que cada uma utiliza para sua escrita em cotidiano.

As autoras chamam a atenção para o fato de a transcrição fonética indepen-


der da escrita regular. Como qualquer estudante de inglês sabe, a relação entre
grafia e pronúncia nas palavras do inglês não é direta, ou seja, não existe uma
relação de um para um, em que cada letra sempre corresponde a um som e cada
som é sempre representado pela mesma letra. Na transcrição fonética, diferen-
temente do que acontece na escrita regular, cada símbolo representa um som
específico e não há sons que sejam produzidos na fala que não sejam represen-
tados na transcrição, ou seja, a transcrição fonética é uma representação exata
dos sons da fala.

Ao fazermos uma transcrição, podemos fazer um registro pouco especifica-


do, em que apenas identificamos os segmentos produzidos, importantes para
o significado, ou registrar todos os detalhes articulatórios observados, como
aspiração ou desvozeamento, mesmo que não sejam relevantes para o signifi-
cado. O primeiro método é conhecido como transcrição fonética ampla e o se-
gundo, como transcrição fonética estreita ou fina. A transcrição fonética fina é
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usada quando é necessário registrar detalhes articulatórios que podem levar a


identificação de diferentes sotaques, por exemplo. A transcrição fonética ampla,
por outro lado, é usada, entre outros fins, para mostrar aos estudantes de lín-
guas como algo deve ser pronunciado. Esse tipo de transcrição registra apenas
as diferenças de sons que servem para distinguir uma palavra de outra. Por esse
motivo, detalhes articulatórios secundários como variações dialetais ou indivi-
duais não são registrados. É esse tipo de transcrição que encontramos em dicio-
nários e chaves de pronúncia.

Como estamos estudando a pronúncia da língua inglesa, vamos ver os sím-


bolos usados para representar as vogais, as consoantes e os glides dessa língua,
juntamente com exemplos de palavras em que esses segmentos são encontra-
dos em posição inicial, medial e final, quando possível.

Vogais
Símbolos Exemplos
// eagle, scene, flea

// illegal, sin, fit

// bay, fame, ballet

// extra, get, fed

// apple, cat, man

// awkward, hot, clock

// all, pause, saw

// hotel, boat, follow

// oyster, noise, toy

// put, book, push

// ooze, moon, flew

// aisle, fight, fly

// owl, house, plow

// occur, ballet, zebra

// onion, cut, rug

// earth, third, fur

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Consoantes
Símbolos Exemplos
// pink, important, top

// bird, lobster, rob

// talk, hotel, lost

// dog, reduce, round

// card, mechanic, work

// girl, disgusting, beg

// fig, laughter, dwarf

// voice, reverse, love

// think, truthful, math

// there, father, bathe

// scene, research, mouse

// zoo, resentment, nose

// sugar, rational, fish

// genre, leisure, beige

// home, huge, prohibition

// cheese, achievement, rich

// justice, rigid, judge

// mask, comfort, room

// nest, monster, moon

// ink, singing, song

// lemon, blue, goal

// rat, cart, more

Glides
Símbolos Exemplos
/w/ woman, awake, awhile
/y/ yellow, soya, opinion

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Após termos estudado as vogais, consoantes e glides da língua inglesa e como


são representados pelo IPA, podemos passar à transcrição de palavras inteiras.
Como nosso objetivo é dar informações gerais sobre a pronúncia esperada das
palavras do inglês, detalhes articulatórios secundários e variações dialetais ou
de contexto serão desconsideradas. Por esse motivo, faremos uso da transcrição
fonética ampla. Assim, alguns aspectos como a aspiração e a presença de con-
soantes silábicas, entre outros, não serão registrados. Isso está em conformidade
com o tipo de transcrição que encontramos em dicionários monolíngues inglês-
-inglês.

Nas transcrições abaixo, você observará que:

 os ditongos // e // serão transcritos como // e //;

 embora as vogais // e // sejam diferentes, a vogal //, de palavras como
get (//), por exemplo, será transcrita com o símbolo // (//);

 o glide //, quando preceder uma vogal, será transcrito como //, como
em // (yellow);

 como sílabas com consoantes silábicas não serão registradas como tal,
serão transcritas com a presença do símbolo //, como na transcrição
//, da palavra apple;

 embora a transcrição fonética fina seja feita entre colchetes, a transcrição


fonética ampla, também conhecida como transcrição fonêmica, é geral-
mente feita entre barras.

As observações acima estão em harmonia com o que encontramos na maio-


ria dos dicionários que usam o IPA.

O quadro a seguir mostra, na primeira coluna, palavras do inglês escritas or-


tograficamente e, na segunda, suas pronúncias, transcritas com os símbolos do
IPA.

Escrita ortográfica Transcrição fonética


apple //

apron //

book //

but //

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Escrita ortográfica Transcrição fonética


castle //

church //

drama //

digestion //

eight //

earth //

focus //

fame //

guitar //

gesture //

hope //

house //

illegal /:/

isle //

joke //

just //

kite //

kangoroo /:/

love //

lullaby //

moon /:/

mom //

no //

nun //

oyster //

owl //

purple //

prince //

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Escrita ortográfica Transcrição fonética


quaker //

question //

rooster /:/

roam //

sand //

spring //

turtle //

think //

uncle //

uniform //

voice //

vacation //

wafer //

write //

xerox //

xylophone //

yacht //

yogurt //

zoo /:/

zebra /:/

Após ter analisado as transcrições das palavras acima, você deve ter feito al-
gumas observações. Porque a relação entre escrita e pronúncia não é regular em
inglês, você deve ter observado que as letras da escrita regular podem corres-
ponder a sons diferentes e que nem todas as letras que existem na grafia têm um
correspondente sonoro. Essa é uma característica do inglês, uma língua na qual
a relação escrita-pronúncia não é direta. Concentre-se, portanto, na transcrição
da pronúncia. É ela que vai lhe indicar como essas palavras são pronunciadas,
independentemente de como são grafadas.

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Texto complementar

Learning pronunciation with dictionary IPA


Important to note!!

There is more than one set of pronunciation symbols. The British and
American pronunciations, for example, show some variations in their phone-
tic transcriptions. The best way is to use the IPA tables provided in the dictio-
nary that you consult.

 IPA is not the conventional way to learn pronunciation.

People normally learn the sounds by listening to produce the sounds, but for
students who are learning English as a second language, the IPA guide can be
an invaluable tool to recognise and match individual words with their sounds.

 IPA is for pronouncing individual words. The sound of a word may


change slightly in a running speech. For example, pen and penknife,
only one consonant “n” is needed because the two words are connec-
ted with the same consonant.

 There is no one “correct” way of pronunciation. People from different


countries speak English with an accent. The sounds may vary due to
geographical location, intonation, manner of speech and the prece-
ding and following words. There are different regional pronunciation
even in countries where English is spoken as the first language. For
example, in UK, the Received Pronunciation sounds rather differently
from a speaker who speaks with a Scottish accent.

 Speaking involves more than pronunciation. It involves: stress, intona-


tion, expressiveness, rhythm and many other factors that contributes a
good speech. Pronunciation should not be interpreted as fluency. The-
re are many fluent speakers whose first language are English but speak
with an accent typical to their country.

Instead of learning to sound like a native speaker, bear in mind that lan-
guage is for communication and expression of ideas and opinion. Our prima-
ry aim is to speak and pronounce with clarity and fluency.

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Are there any differences between American and British Pronun-


ciation?

Yes, but the differences are slight and very often un-noticeable. The
most obvious ones include:

Sound of “r” at the end. British pronunciation does not pronounce the “r‟
sound if the sound is at the end of a word, e.g. roar, British IPA is /rɔ: r)/, Ame-
rican IPA is \ ror\.

The IPA Symbols may differ depending on which system the dictio-
nary is using. Some dictionaries provide both British and American IPA
transcription.

In American pronunciation, cot /kɒt/ and calm /kɑɪm/ , ɒ and ɑɪ have the
same vowel.

Last piece of advice...

 Sound has a lot to do with ear training, the tongue, the lip, the palate
and the air stream. To do it well, one may need a qualified speech tea-
cher. With this understanding, the IPA can only be used as a self-help
guide, a tool for second language learners to have a rough idea of the
sound of the word and to pronounce the word with the help of the
symbols.

 Learning pronunciation with an “audio” dictionary and the IPA tables


in front of you generally produce better effects because you can lis-
ten to the sounds and how IPA symbols are put together and read.
However, the effectiveness will also depend greatly on the quality of
the audio electronic dictionaries, some pronunciations are mechanical
and distorted and sound nothing like the natural speech.

 The best advice is to produce the sounds aloud so that you could hear
yourself over and over again. Checking the pronunciation with a na-
tive speaker will also help to know how the word is sound in natural
speech.

(LAU, Ivy. Learning Pronunciation with Dictionary IPA. Disponível em: <www.
mq.edu.au/studyskillssupport/pdfs/Dictionary%20IPA.pdf>. Acesso em: jan. 2010.)

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Dicas de estudo
Como uma forma interessante de praticar a transcrição fonética, sugiro o ma-
terial preparado por Ted Power, que pode ser acessado pelo endereço eletrônico
<www.btinternet.com/~ted.power/phonetics.htm>. Nessa página, você encon-
tra exercícios de transcrição de palavras e de textos inteiros. Mas, atenção! Você
deve ter cuidado, pois as transcrições são feitas em inglês britânico, no qual, di-
ferentemente do inglês americano, a consoante // não é pronunciada em po-
sição pós-vocálica.

Atividades
1. A consoante representada pelo símbolo // é encontrada em:

a) zebra

b) gesture

c) pleasure

2. A consoante representada pelo símbolo // é encontrada em:

a) think

b) there

c) south

3. A consoante representada pelo símbolo // é encontrada em:

a) cloth

b) mother

c) that

4. A consoante representada pelo símbolo // é encontrada em:

a) chimney

b) flush

c) television

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5. A vogal representada pelo símbolo /:/ é encontrada em:

a) book

b) boot

c) good

6. Que palavras estão sendo transcritas abaixo? Escreva-as ortograficamente.

a) //

b) //

c) //

d) //

e) //

f) //

g) //

h) /:/

i) //

j) //

k) //

l) //

m) /:/

n) /:/

o) //

p) //

q) //

r) //

7. Decifre a frase transcrita abaixo.

//

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8. Qual é a pronúncia esperada para as palavras abaixo? Escolha a transcrição


correta.
I. cover: a) // b) // c) //
II. control: a) // b) // c) //
III. possess: a) /s/ b) /ss/ c) /ss/
IV. iron: a) /r/ b) // c) /o/
V. chef: a) // b) // c) //
VI. private: a) // b) /a/ c) //
VII. contribute: a) /j/ b) /j/ c) /j/
VIII. occur: a) /‘k:r/ b) /‘k:r/ c) /‘k:r/
IX. Stephen: a) // b) // c) //
X. leopard: a) // b) // b) //

Referências
CALLOU, Dinah; LEITE, Yonne. Iniciação à Fonética e à Fonologia. Rio de Janei-
ro: Jorge Zahar Editor, 1990.

WIKIPEDIA. Alfabeto Fonético Internacional. Disponível em: <http://


pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_fon%C3%A9tico_internacional>. Acesso em:
fev. 2010.

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Gabarito
1. C

2. B

3. A

4. A

5. B

6.

a) of j) bathe

b) money k) height

c) laugh l) beige

d) genre m) appall

e) hose n) teacher

f) café o) junk

g) singer p) mermaid

h) equal q) thinking

i) third r) laugh

7. “Phonetics is a very interesting subject.”

8.

I. C VI. C

II. A VII. C

III. A VIII. B

IV. B IX. C

V. B X. A

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A pronúncia do passado
dos verbos regulares e irregulares
Estudaremos a pronúncia dos verbos regulares e irregulares do inglês.
Ao estudarmos o passado dos verbos regulares, também estudaremos
alguns adjetivos que, como os verbos regulares, terminam em –ed.

Aprender a pronúncia do passado dos verbos regulares do inglês é uma


das tarefas mais árduas que um estudante pode enfrentar. O passado dos
verbos regulares é formado pelo acréscimo do morfema –ed à forma-base
do verbo. Esse acréscimo não oferece maiores problemas quando o aprendiz
tem de escrever o passado dos verbos. O problema surge quando, baseado
na escrita, o estudante pensa que a partícula adicional cria uma nova sílaba
no verbo e, equivocadamente, o reorganiza e o pronuncia com uma sílaba
a mais. É esse fenômeno, muito comum entre falantes de português, apren-
dizes de inglês, que faz com que verbos como kiss, mesmo com o acrésci-
mo do morfema do passado continuem tendo apenas uma sílaba, sejam
erroneamente pronunciados com duas, como kiss//, em vez de kiss//. O
que esses estudantes não percebem é que a vogal do morfema do passado
existe apenas na grafia, não na pronúncia.

Na verdade, existe apenas um caso em que a vogal da marca de pas-


sado é pronunciada, o que, como consequência, cria uma nova sílaba no
verbo: quando o verbo terminar nos sons, não nas letras, // ou //. Por
exemplo, o último som de visit e date é // e de need e decide é //, in-
dependentemente da forma como são grafados: sem ou com uma vogal
final. Nesses casos, o acréscimo do morfema de passado vai criar uma nova
sílaba. Veremos adiante como isso acontece.

Passemos, então, ao estudo das possíveis pronúncias dos verbos regu-


lares no passado.

As três possíveis pronúncias


para o morfema –ed
Quando estudamos o passado dos verbos regulares, temos de apren-
der que, embora ele seja grafado com –ed, há três pronúncias distintas
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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

para esse morfema, //, // e //, que sempre dependem da pronúncia da for-
ma-base do verbo. A questão para o aprendiz não é memorizar quando escolher
uma forma ou outra, mas entender o processo para que, com o passar do tempo,
ele se torne automático e natural. Analisemos as três possibilidades separada-
mente e vejamos do que dependem.

–ed pronunciado como //


A pronúncia do morfema –ed depende da pronúncia do último som da for-
ma-base do verbo. // é uma consoante desvozeada, na qual, quando articu-
lada, não há vibração nas cordas vocais. Isso faz com que se una a segmentos
que tenham essa mesma característica. Assim, por uma associação natural, em
todos os verbos cuja forma-base terminar em consoante desvozeada, a termina-
ção –ed vai ser pronunciada como //. Pertencem a essa categoria verbos que
terminam em /, , , , , /1.

Analisemos os exemplos abaixo e vejamos como isso funciona. Preste aten-


ção no que acontece com o número de sílabas da forma-base e da forma de
passado, mesmo após o acréscimo do morfema –ed.

Forma- N.º de sílabas Pronúncia do mor- N.º de sílabas da


Passado
-base da forma-base fema de passado forma de passado
stop 1 stopped stopp// 1
work 1 worked work// 1
laugh 1 laughed laugh// 1
kiss 1 kissed kiss// 1
finish 2 finished finish// 2
watch 1 watched watch// 1

Observe que o acréscimo de –ed, efetivamente pronunciado como // nos


exemplos acima, não cria uma sílaba a mais na palavra, como muitos aprendizes
erroneamente pensam.

–ed pronunciado como //


//, diferentemente de //, é uma consoante vozeada, na qual, quando pro-
duzida, há vibração nas cordas vocais. Nesse caso, também por uma associação
1
Verbos cuja forma-base termina em //, também uma consoante desvozeada, pertencem a outra categoria.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

natural, une-se a verbos cujo som final é, também, vozeado. Pertencem a essa
categoria todos os verbos que terminam em / / ou // e nas consoantes /, ,
, , , , , , , ,/2. Vejamos como isso funciona. Compare o número de
sílabas da forma-base e da forma de passado.

Forma- N.º de sílabas Pronúncia do mor- N.º de sílabas da


Passado
-base da forma-base fema de passado forma de passado
marry 2 married marry// 2
allow 2 allowed allow// 2
rob 1 robbed robb// 1
beg 1 begged begg// 1
love 1 loved lov// 1
bathe 1 bathed bath// 1
use 1 used us// 1
judge 1 judged judg// 1
blame 1 blamed blam// 1
clean 1 cleaned clean// 1
bang 1 banged bang// 1
control 2 controlled controll// 2
repair 2 repaired repair// 2

Observe que, também nos exemplos acima, o acréscimo do morfema de pas-


sado não criou uma sílaba adicional nos verbos.

–ed pronunciado como //


A pronúncia do morfema de passado sempre depende do som final do verbo
em sua forma-base e, nesse caso, não é diferente. Quando estudamos a pro-
núncia de –ed nos casos acima, vimos que a vogal desse morfema só existe na
escrita, não na pronúncia. Também vimos que, como consequência disso, em
verbos que terminam em sons desvozeados, –ed é pronunciado como //, um
segmento também desvozeado e, em verbos que terminam em sons vozeados,
é pronunciado como //, uma consoante também vozeada. Entretanto, embora
// seja um som desvozeado e //, vozeado, os verbos cuja forma-base termina
nesses segmentos foram excluídos das duas categorias anteriores. Esses verbos
são especiais porque são os únicos nos quais a vogal do morfema –ed é pronun-
ciada, o que resulta em uma sílaba adicional. Assim, quando a forma-base do
2
Verbos cuja forma base termina em /d/, também uma consoante vozeada, pertencem a outra categoria.
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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

verbo terminar nos sons // ou //, a vogal da marca de passado será pronun-
ciada e terá a forma //3. Vejamos como isso funciona. Compare o número de
sílabas da pronúncia da forma-base e da forma de passado.

Pronúncia do
Forma- N.º de sílabas N.º de sílabas da
Passado morfema de pas-
-base da forma-base forma de passado
sado
want 1 wanted want// 2
dedicate 3 dedicated dedicat// 4
attend 2 attended attend// 3
decide 2 decided decid// 3

Os exemplos do quadro acima nos mostram que os verbos terminados em


// e // comportam-se de maneira diferente em relação à maioria dos verbos
regulares do inglês. Nesse caso, diferentemente do que acontece com a maioria
dos verbos em inglês, a vogal do morfema de passado é pronunciada e, como
consequência, uma nova sílaba é acrescentada ao verbo.

Algumas exceções à regra


As regras acima funcionam tanto para o passado simples quanto para o par-
ticípio passado dos verbos regulares, que também é formado pelo acréscimo de
–ed. No entanto, há algumas exceções no que concerne ao particípio passado.

O particípio passado pode, por vezes, ser usado como adjetivo, como mos-
tram os exemplos a seguir:

Martha is married.

I’m never bored when I study phonetics.

She is convinced she is right.

I’m delighted to meet you.

Em geral, a pronúncia dos adjetivos que vêm do particípio passado segue


as três regras acima. Contudo, em alguns adjetivos, a vogal da terminação –ed
será pronunciada e uma nova sílaba será criada, independentemente da sua
forma-base. Estes são adjetivos em que a terminação –ed é pronunciada como
// (ou //): aged, blessed, crooked, dogged, learned, naked, ragged, rugged,
3
Alguns dicionários representam a forma // como //.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

wicked e wretched. No entanto, quando o particípio está sendo usado como uma
forma verbal, não como um adjetivo, a regra relativa à pronúncia dos verbos se
mantém. Compare os exemplos abaixo.

1a. An aged (//) actor.

1b. He has aged (//) a lot since I last saw him.

2a. Virgin Mary is sometimes referred to as the Blessed (//) Mother.

2b.The priest blessed (//) the crowd.

3a. His dogged (//) determination has taken him far.

3b. The little child dogged (//) his father’s steps.

Nos exemplos em a, acima, as palavras com –ed têm função de adjetivo, por-
tanto, independentemente de sua forma-base, essa terminação é pronuncia-
da como //. Nos exemplos em b, por outro lado, –ed refere-se a uma forma
verbal, o particípio passado. Nesse caso, esse morfema é pronunciado como //
ou //, dependendo da forma-base do verbo, em consonância com as regras de
pronúncia do passado dos verbos regulares.

A pronúncia dos verbos irregulares no passado


Verbos irregulares são aqueles cujas formas de passado e particípio passado
não são formadas pelo acréscimo de –ed. Além disso, nesses verbos, diferente-
mente do que acontece com os verbos regulares, as formas de passado e parti-
cípio são, por vezes, distintas entre si.

Por haver um grande número de verbos irregulares no inglês, os aprendizes se


veem diante da tarefa de memorizar essas diferentes formas. O que muitos estu-
dantes não sabem é que é possível agruparmos os verbos irregulares de acordo
com padrões de pronúncia. Faça uma rápida reflexão e responda à seguinte per-
gunta: o que os verbos begin/drink, feed/meet e buy/think têm em comum? Após
uma rápida análise, você deve ter concluído que esses verbos podem ser agrupa-
dos de acordo com a pronúncia das vogais de suas formas de passado. No caso
de begin e drink, a pronúncia da vogal da forma de passado é //; em feed e meet,
é // e, em buy e think, é /:/. Assim como esses verbos, muitos outros podem ser
agrupados em diferentes categorias. Além disso, outras categorias podem ser
descritas. A seguir, encontramos diferentes verbos agrupados de acordo com a

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

pronúncia das vogais de sua forma de passado e de particípio passado. Somente


serão analisados aqueles verbos cujas formas de passado e particípio são distin-
tas da forma-base ou distintas entre si. Assim, verbos como cost, cujo passado é
cost e, o particípio também é cost, não serão descritas a seguir4.

Grupo I
Passado simples Particípio passado
Forma-base
// //
begin began begun
drink drank drunk
ring rang rung
sing sang sung
sink sank sunk
swim swam swum

Grupo II
Passado simples Particípio passado
Forma-base
// //
bleed bled bled
breed bred bred
creep crept crept
deal dealt dealt
feed fed fed
feel felt felt
keep kept kept
lead led led
mean meant meant
meet met met
read read read
sleep slept slept
sweep swept swept
weep wept wept

4
Para mais categorias, ver <www.davidappleyard.com/english/strongverbs.htm#Conjugation 1>. Mas, cuidado. Alguns dos símbolos usados nas
transcrições não são símbolos oficiais do IPA.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

Grupo III
Passado simples Particípio passado
Forma-base
/:/ /:/
bring brought brought
buy bought bought
catch caught caught
fight fought fought
seek sought sought
teach taught taught
think thought thought

Grupo IV
Passado simples Particípio passado
Forma-base
// //
arise arose arisen
drive drove driven
ride rode ridden
rise rose risen
strive strove striven
write wrote written

Grupo V
Passado simples Particípio passado
Forma-base
// //
cling clung clung
dig dug dug
shrink shrunk shrunk
spin spun spun
stick stuck stuck
sting stung stung
win won won

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Grupo VI
Passado simples Particípio passado
Forma-base
/:/ //
blow blew blown
fly flew flown
grow grew grown
know knew known
throw threw thrown

Após analisarmos os quadros acima, podemos perceber que há um padrão


nas formas de passado e particípio passado dos verbos em inglês. A partir disso,
podemos concluir que verbos semelhantes terão comportamentos semelhantes
no que tange à pronúncia de suas formas de passado.

Texto Complementar
How to pronounce –ed in English
(ENGLISHCLUB, 2010)

The past simple tense and past participle of all regular verbs end in –ed. For
example:

base verb (V1) past simple (v2) past participle (v3)


work worked worked

In addition, many adjectives are made from the past participle and so end
in –ed. For example:

 I like painted furniture.

The question is: How do we pronounce the –ed?

The answer is: In 3 ways – /Id/ or /t/ or /d/

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

If the base verb ends in one example example pronounce extra


of these sounds: base verb* with –ed: the –ed: syllable?
unvoiced /t/ want wanted
/Id/ yes
voiced /d/ end ended
/p/ hope hoped
/f/ laugh laughed
/s/ fax faxed
unvoiced /t/
/S/ wash washed
no
/tS/ watch watched
/k/ like liked
all other sounds, play played
voiced /d/
for example... allow allowed

*note that it is the sound that is important, not the letter or spelling. For example, “fax” ends
in the letter “x” but the sound /s/; “like” ends in the letter “e” but the sound /k/.

Exceptions:

The following –ed words used as adjectives are pronounced with /Id/:

 aged  dogged  ragged

 blessed  learned  wicked

 crooked  naked  wretched

Dicas de estudo
No endereço eletrônico <http://blog.jdaenglish.com/2009/09/25/past-sim-
ple-pronunciation-for-regular-verbs>, você encontra explicações sobre a pro-
núncia dos verbos regulares no passado, pode ouvir algumas frases com esses
verbos e testar seus conhecimentos através de um quiz sobre esse tópico.

No endereço eletrônico <www.angelfire.com/wi3/englishcorner/pronuncia-


tion/pronunciation.html>, você encontra verbos irregulares agrupados em dife-
rentes categorias e pode ouvir e repetir esses verbos.

Você pode assistir a uma aula sobre a pronúncia dos verbos regulares no
YouTube. Basta digitar <www.youtube.com/watch?v=_M7xIwAqy9I>.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

Você pode ter uma aula sobre diferentes padrões de verbos irregulares no
YouTube em <http://youtube.com/watch?v=ZJ-lhKD4Jxs&feature=related>.

Atividades
1. Coloque os verbos abaixo na coluna correta de acordo com a pronúncia do
morfema –ed.
passed visited cried liked

planned rubbed danced tapped

stayed owed rested laughed

moved rolled mended wished

needed fixed washed showed

// // //

2. As formas com –ed abaixo são adjetivos ou verbos? Como são pronuncia-
das? Coloque os símbolos //, // ou // nas barras.

a) Mary married Pete, her boyfriend from high school.


/ /
b) Joseph and Melinda are married.
/ /
c) He was bless­ed with good health.
/ /
d) She found the routine of a regular job a blessed routine5.
/ /

5
Cambridge Dictionary of American English.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

e) The old man’s ragged clothes and tired appearance made everyone feel
sorry for him. / / / /

3. Qual é o passado dos verbos irregulares abaixo? Classifique-os de acordo


com a pronúncia da vogal de sua forma de passado.

wear tear awake break choose cling

creep deal dig draw freeze keep

run see shut teach sit win

grow begin swim sweep have know

// // /:/ /:/ // //

Referências
ENGLISHCLUB. How to Pronounce –ed in English. Disponível em: <www.en-
glishclub.com/pronunciation/-ed.htm>. Acesso em: jan. 2010.

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A pronúncia do passado dos verbos regulares e irregulares

Gabarito
1.

// // //


passed cried visited
danced planned rested
fixed rubbed mended
washed stayed needed
liked owed
tapped moved
laughed rolled
wished showed

2.

a) Mary married Pete, her boyfriend from high school.


/d/

b) Joseph and Melinda are married.


/d/

c) He was bless­ed with good health.


/t/

d) She found the routine of a regular job a blessed routine6.


/ d /

e) The old man’s ragged clothes and tired appearance made everyone feel
sorry for him. / d / /d/

3.

// // /:/ /:/ // //


ran crept wore drew clung awoke
sat dealt tore grew dug broke
began kept saw knew won chose
swam swept taught shut froze
had
6
Cambridge Dictionary of American English.

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Acento

Nesta aula, estudaremos o que é acento, suas características articulató-


rias e acústicas e suas consequências em palavras e em frases. Estudare-
mos, também, os fatores dos quais a atribuição de acento depende.

Estudar o acento é tão importante quanto estudar os sons que com-


põem uma palavra, pois tanto os fonemas quanto o acento fazem parte da
identidade das palavras. O acento é a ênfase dada a uma sílaba específica
na palavra. Palavras com mais de uma sílaba têm sílabas acentuadas e não
acentuadas. Por exemplo, na palavra father, a primeira sílaba é acentua-
da e a segunda, não acentuada. Em inglês, há palavras longas, com mais
de três sílabas e, por isso, essas palavras recebem um acento primário
e um acento secundário. O acento primário é marcado em transcrições
fonéticas com o sinal “” e, o secundário, com “”, como na transcrição
/:/, da palavra unbelievable.

Sílabas acentuadas distinguem-se de sílabas não acentuadas em vários


aspectos. De acordo com Underhill (2005), uma sílaba acentuada é articu-
lada com mais força do que uma sílaba não acentuada. Isso acontece por
causa de uma pressão extra de ar que passa pelas cordas vocais devido a
uma maior potência dos pulmões. Segundo o autor, as sílabas acentuadas,
em relação às não acentuadas, são mais altas, mais longas e diferentes
em termos de tom. A essas características, o autor acrescenta outras: “os
sons em uma sílaba acentuada podem ser mais claramente articulados e,
em particular, as vogais podem ser “mais puras”, como resultado, as sílabas
acentuadas podem ser acompanhadas de movimentos maiores da man-
díbula, dos lábios e outros movimentos do falante” (UNDERHILL, 2005, p.
52, tradução nossa).

Sílabas não acentuadas, por seu turno, são mais baixas e mais curtas do
que sílabas acentuadas. Essas características têm algumas consequências
que modificam a qualidade das consoantes e das vogais nessas sílabas. De
acordo com Underhill (2005, p. 53), as consoantes em sílabas não acentua-
das podem ser articuladas de uma forma mais fraca ou até mesmo incom-
pleta e as vogais podem soar menos distintas, o que é conhecido como
redução. Quanto aos monotongos e ditongos, o autor afirma que
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Acento

Todos os monotongos reduzem-se para a vogal central //, embora /:/ frequentemente se
reduza para // e /:/, para //. Os ditongos não acentuados geralmente tornam-se menos
distintos e frequentemente perdem sua qualidade de vogal e glide e fundem-se em um
monotongo composto “obscuro”. (Tradução nossa)

Como o acento é uma característica marcante da identidade das palavras e


importante para o significado das frases, seu estudo torna-se fundamental. Em
inglês, o acento em uma sílaba errada pode causar mal-entendidos. Observe as
sentenças abaixo:

a. He lives in a green HOUSE.

b. He lives in a GREENhouse.

Na primeira frase, a palavra house recebeu o acento. Nesse caso, green (verde)
está qualificando house (casa), ou seja, green HOUSE refere-se a uma casa verde.
Na segunda frase, o acento recaiu sobre green, gerando a palavra composta GRE-
ENhouse (estufa). Assim, as frases a e b têm significados bem distintos: a frase a
pode ser interpretada como Ele mora em uma casa verde; a frase b, por outro lado,
leva o ouvinte a entender que Ele mora em uma estufa. Esse é apenas um dos
exemplos que mostram que o acento não é um aspecto secundário do estudo
da língua inglesa. Vejamos, então, como funciona o padrão de acentuação do
inglês.

O acento em palavras
Inglês é uma língua em que a maioria das palavras recebe acento na primeira
sílaba, como nos exemplos abaixo:

ARtist AIRplane PHOtograph HIStory

INternet PAtient NAtional CUrious

No entanto, a tonicidade nessa língua depende de alguns fatores como a


origem da palavra, sua formação (prefixos e sufixos) e função gramatical na frase.
Palavras com origem germânica e palavras com origem em outras línguas, como
o francês, por exemplo, podem apresentar padrões de acentuação diferentes.
Nas palavras de origem germânica, geralmente a primeira sílaba é acentuada,
como abaixo:
WAter MOther

FAther FREEdom
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Acento

Contudo, o padrão de acentuação descrito acima também atinge palavras


com origem em outras línguas, (KEMMER, 2010):

grego latim francês escandinavo

HIStory GRAdual GOvernment ANger

TRAgedy ORbit PRIson HUSband

AUtograph JAnitor COUNtry Ugly

A formação da palavra também é um dos aspectos importantes para atribui-


ção de acento, pois existem afixos que, ao serem acrescentados à palavra-base,
não alteram a acentuação, e outros que fazem o acento mudar de sílaba. Em
geral, é possível prevermos o padrão de acentuação de uma palavra a partir dos
afixos usados na sua formação. A seguir, faremos uma análise da influência dos
afixos no padrão de acentuação das palavras no inglês.

Prefixos
De modo geral, o prefixo não altera o padrão de acentuação da palavra-base,
como mostram as palavras abaixo.

SAFE – unSAFE poLITE – impoLITE MOral – aMOral

HAppy – unHAppy LEgal – ilLEgal RElevant – irRElevant

Segundo Celce-Murcia et al. (2000, p.134), em inglês, há dois tipos de prefi-


xos: prefixos de origem germânica e prefixos de origem latina. Alguns dos pre-
fixos de origem germânica, como a–, be–, for– e with não causam alteração no
padrão de acentuação na palavra ao qual se unem:

aWAKE forGIVE

beLIEVE withDRAW

Outros, como os prefixos un–, out–, over– e under– recebem um leve acento:

unDO outDO overLOOK underSTAND


unTIE out RUN overCOME underCOOK

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Acento

Entretanto, quando a palavra é um substantivo e tem o mesmo padrão de um


substantivo composto, a primeira sílaba da palavra, aquela que contém o afixo,
é acentuada:

FOREARM OUTLOOK OverCOAT UNderSTAND UPROAR


FORECAST OUTRAGE OverDOSE UNderCOOK UPSHOT

Compare os padrões de acento nos exemplos abaixo, em que o prefixo une-se


a verbos em 1a e 2a, e a substantivos em 1b e 2b1:

a. Close the faucet before the bathtub overFLOWS.

b. I couldn’t stop the OVERflow from the bathtub.

a. Make sure not to overLOAD the washing machine or it won’t work properly.

b. Because of an OVERload, the washing machine stopped working properly.

Prefixos de origem latina, segundo as autoras, comportam-se de forma seme-


lhante aos prefixos de origem germânica, pois, em geral, não recebem acento.
Contudo, diferentemente destes, que podem receber um leve acento, os latinos
nunca são acentuados quando se unem a verbos. Observe o padrão de acentu-
ação em verbos com os prefixos latinos com–, dis–, pro– e ex–, bastante usados
em inglês.

comMAND disCUSS proDUCE exPORT

comPARE disPLAY proTEST exPEL

Por outro lado, quando os prefixos de origem latina unem-se a substantivos,


é o prefixo que geralmente recebe o acento, como nos exemplos abaixo2:

You’ve proGRESSED a lot this year, but I’d like to see even more PROgress.
(verbo) (substantivo)

They proDUCE agricultural PROduce for EXport.


(verbo) (substantivo) (substantivo)
1
Exemplos de minha autoria.
2
Exemplos de minha autoria.

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Acento

Sufixos
De acordo com Celce-Murcia et al. (2000, p. 136), a relação entre os sufixos e a
acentuação pode se dar de três formas:

1. os sufixos podem não ter qualquer efeito sobre o padrão de acento da


palavra-base;

2. os sufixos podem receber forte acento;

3. os sufixos podem fazer com que o acento mude de uma sílaba para outra.

Segundo as autoras, em geral, os sufixos que pertencem ao primeiro grupo,


aqueles que não alteram o padrão de acento da palavra, são de origem germâ-
nica. Entre eles, estão –en, –er, –ing, –ish, –ly, –hood, –less, –ship e –ful. Veja os
exemplos a seguir3:

–en: THREATen

–er: BAKer

–ful: TACTful

–hood: CHILDhood

–ing: OPENing

–ish: DEVILish

–less: GROUNDless

–ly: FRIENDly

–ship: FRIENDship

Há outros sufixos que, embora não tenham origem germânica, também não
recebem acento e, portanto, não alteram o padrão de acentuação da palavra
base. Entre eles, estão –able, –al, –dom, –ess, –ling, –ness, –some, –wise e –y. Veja
os exemplos a seguir4:

3
Celce-Murcia et al. (2000, p. 136)
4
Exemplos de minha autoria.

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Acento

–able: reLIable

–al: aboRIginal

–dom: FREEdom

–ess: HEIRess

–ling: DUCKling

–ness: HAppiness

–some: AWEsome

–y: CHOOSy

Celce-Murcia et al. (2000, p. 136-137) também explicam que há sufixos que


entraram na língua inglesa através do francês. Os sufixos –aire, –ee, –eer, –ese,
–esque, –ique, –eur/–euse, –oon, –ette e –et são de origem francesa. Em geral, em
palavras que contêm esses sufixos, a última sílaba, a sílaba do sufixo, é aquela
que leva o acento, como nos exemplos a seguir:

–aire: millionAIRE

–ee: refuGEE

–eer: engiNEER

–ese: LebaNESE

–esque: picturESQUE

–ique: techNIQUE

–eur/euse: chauffEUR; chanTEUSE

–oon: saLOON

–ette: casSETTE

–et: balLET

Há, também, aqueles sufixos que causam uma mudança no padrão de acento
da palavra. Nesse caso, quando o sufixo é adicionado, o acento muda para a
sílaba imediatamente precedente à silaba do sufixo. Observe o que acontece
com o acento quando o sufixo é adicionado nas palavras a seguir5.
5
Exemplos de Celce-Murcia et al . (2000, p. 137).

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Acento

Sufixo Palavra raiz Raiz com sufixo

–eous adVANtage advanTAgeous

–graphy PHOto phoTOgraphy

–ial PROverb proVERBial

–ian PAris PaRIsian

–ic CLImate cliMATic

–ical eCOlogy ecoLOgical

–ious INjure inJURious

–ity TRANquil tranQUILity

–ion EDucate eduCAtion

É claro que, nessas palavras, o acréscimo do sufixo causa não só uma mu-
dança no acento, mas também uma mudança na qualidade da vogal na sílaba
não acentuada, que sofre uma redução, como em advantage (//)
e advantageous (//) ou climate (//) e climatic
(//).

Palavras compostas
Palavras compostas são aquelas formadas pela junção de duas outras pala-
vras, como, por exemplo, drugstore (drug + store). Em inglês, geralmente é a pri-
meira sílaba das palavras compostas que recebe acento. Observe os exemplos a
seguir6.

POST Office

RAILroad

HOT dog

MAKEup

Há compostos formados por dois substantivos e por adjetivo e substantivo.


Veja os exemplos abaixo:
6
Repare que, em inglês, os compostos não precisam ser necessariamente grafados como uma só palavra, como em pet store, por exemplo.

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Acento

substantivo + substantivo adjetivo+substantivo

AIRcraft BLUEberry

SUNglasses GREENhouse

Existe uma diferença entre o padrão de acentuação de verdadeiros compos-


tos e de palavras que parecem compostas, mas não são. Assim, você deve pres-
tar atenção redobrada na posição do acento. Compare os exemplos a seguir.

a. We saw his BUS pass.

b. We saw his bus PASS.

No primeiro exemplo, temos uma verdadeira palavra composta: bus pass (pas-
sagem de ônibus), um substantivo que segue o padrão de acentuação da maio-
ria dos compostos em inglês, no qual a primeira sílaba é acentuada: BUS pass. No
segundo exemplo, os elementos bus e pass não formam uma palavra composta,
pois bus e pass têm identidades diferentes: bus é um substantivo (ônibus) e pass
é um verbo (passar). Assim, a frase We saw his bus pass pode ter duas interpreta-
ções distintas de acordo com a palavra que recebe o acento.

Além dos compostos formados por dois substantivos ou por adjetivo e subs-
tantivo, há também compostos com adjetivos e com verbos. Nesses também o
acento principal recai sobre o primeiro elemento. Contudo, o segundo elemento
recebe um leve acento. Observe os exemplos abaixo:

Compostos com adjetivos Compostos com verbos


() ()
SECond hand PROOFread
GOODloking CRISScross

Segundo Celce-Murcia et al. (2000), o padrão de acentuação nos compos-


tos com adjetivos tem um comportamento diferente de acordo com a posição
desses elementos na frase. Observe o que acontece nos exemplos a seguir.

1a. That’s a SECondHAND bag.

2a. He’s a GOODLOOKing man.

1b. That bag is SECondHAND.

2b. That man is GOOD-LOOKing.

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Acento

Quando os adjetivos compostos modificam substantivos, seguem o padrão:


o primeiro elemento da palavra composta recebe o acento e o segundo é leve-
mente acentuado. Entretanto, em posição de final de frase, é o segundo elemen-
to da palavra composta que recebe o acento principal.

Verbos frasais
Verbos frasais (phrasal verbs) são locuções verbais formadas por um verbo
e uma preposição e/ou partícula adverbial. Esses verbos são muito comuns na
língua inglesa e geralmente dão um tom informal ao enunciado. Verbos como
think about, look for e take off são exemplos de verbos frasais. Além de about,
for e off, as preposições at, of, for, to, from e with são usadas para compor esses
verbos. Além dessas, as partículas adverbiais across, ahead, along, away, back,
behind, down, in, into, off, on, over, under e up também compõem verbos frasais.

Quando o verbo frasal é composto de verbo e preposição, o verbo é


acentuado:

THINK about

LOOK for

AGREE with

Quando o verbo frasal é composto de verbo e partícula adverbial, o verbo e a


partícula recebem o acento, como nos casos abaixo:

FALL beHIND

RUN aWAY

SIT DOWN

Alguns desses verbos são compostos de verbo e duas partículas adverbiais.


Nesse caso, o verbo e a primeira partícula são acentuados:

STAND UP for

LOOK DOWN on

PUT UP with

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Acento

Alguns verbos frasais, especialmente entre aqueles que são compostos por
verbo e partícula adverbial, têm uma contraparte nominal. Nesse caso, os subs-
tantivos são grafados como uma palavra única e exibem um padrão de pronún-
cia distinto da sua contraparte verbal. Compare:
Verbo frasal Substantivo

LET DOWN LETdown

MAKE UP MAKEup

TURN OFF TURNoff

Como os verbos acima são formados com o auxílio de partículas adverbiais,


tanto o verbo quanto a partícula recebem acento. Sua contraparte, por ser um
substantivo composto, segue o padrão de acentuação da maioria dos compos-
tos em inglês, com acento no primeiro elemento.

Os padrões que acabamos de estudar referem-se aos verbos frasais quando


enunciados isolados ou quando representam a última informação da frase, como
nos exemplos abaixo:
I’m LOOKing at it. (verbo + preposição)
She’s LOOKing BACK. (verbo + partícula adverbial)
He CAN’T GET AWAY with it. (verbo + partícula adverbial + partícula adverbial)
Contudo, quando há algum outro elemento de conteúdo após esses verbos,
eles apresentam um comportamento um tanto diferente, principalmente se esse
elemento veicular uma informação nova. Nesse caso, o verbo (não a preposição)
ou o verbo e a primeira partícula, de acordo com a estrutura do verbo frasal,
recebem um leve acento e o elemento que traz a nova informação recebe um
acento mais forte, como nas frases abaixo:

Verbo + preposição
They’ve apPROVED of my CHOICE.
They are LIStening to the RAdio.

Verbo + partícula adverbial


She TOOK OFF her JAcket.
We GET ALONG with our BOSS.

Verbo + partícula adverbial + partícula adverbial


They CAN’T GET AWAY with the RObbery.
I’m FED UP with his beHAvior.
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Acento

Acento em frases
Até agora, estudamos como se comporta o padrão de acentuação em pala-
vras no inglês. Como, na maioria das vezes, não nos comunicamos através de
palavras isoladas, mas através de frases, temos de ir além do nível das palavras e
ver como funciona a atribuição de acento em frases nessa língua. É o acento em
diferentes elementos da frase que dá ao inglês sua “musicalidade”. É importante
que você tenha em mente que o modo como dizemos algo pode afetar signifi-
cativamente o significado do que estamos querendo dizer.

Ao estudarmos o acento em frases, a primeira coisa que precisamos saber


é que nem todas as palavras de uma frase são acentuadas. As palavras podem
ser classificadas em palavras lexicais (ou de conteúdo) e palavras funcionais (ou
gramaticais). As palavras lexicais são aquelas que têm significado em si mesmas.
Pertencem a essa categoria os substantivos, os adjetivos, os verbos, os advérbios
e os pronomes interrogativos, por exemplo. As palavras funcionais, por outro
lado, são aquelas que têm pouco ou nenhum conteúdo lexical, apenas repre-
sentam relações gramaticais, como as preposições, as conjunções, os artigos,
os verbos auxiliares e os pronomes retos. Em geral são as palavras lexicais que
levam o acento. Assim, em uma frase neutra, como It’s nice to see you, o acento
recai sobre as duas palavras lexicais: nice e see. Quando o acento da frase cai em
uma palavra de mais de uma sílaba, ele coincide com a sílaba que já é normal-
mente acentuada, como na frase See you tomorrow, em que os elementos SEE e
MO, de tomorrow são acentuados.

Segundo Celce-Murcia et al. (2000, p.153), além das palavras de conteúdo


mencionadas acima, os pronomes possessivos, as partículas adverbiais que
acompanham verbos frasais (take off, do away with), as contrações negativas
(can’t, isn’t) e a partícula negativa not, quando não contraída, geralmente rece-
bem acento por causa de sua saliência semântica e sintática7. As palavras funcio-
nais, por sua vez, só são acentuadas por motivos de ênfase. Compare:

a. That’s my CAR.

b. That is MY car.

Em a, o falante está simplesmente mostrando seu carro a seu interlocutor.


Em b, está provavelmente tentando desfazer um mal-entendido ao enfatizar o
adjetivo possessivo my: Aquele é o MEU carro (“não o dele” ou “não o dela”, por
exemplo)8. Assim, o acento em elementos diferentes na frase comunica signifi-
cados diferentes. Compare as frases abaixo:
7
É claro que em frases imperativas negativas, mesmo que a partícula de negação not não esteja contraída, ela recebe acento, como em DON’T
MOVE!
8
Em inglês, há dois tipos de possessivos: os pronomes possessivos (mine, yours, ...) e os adjetivos possessivos (my, your, ...). Aqueles geralmente
recebem acento; estes, não.
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Acento

a. I ASked you to BUY that DRESS.

b. I ASked you to BUY that DRESS.

c. I ASked YOU to BUY that DRESS.

d. I ASked you to BUY that DRESS.

e. I ASked you to BUY that DRESS.

Em a, uma frase neutra, são igualmente acentuadas todas as palavras lexicais.


Nas outras frases, por outro lado, diferentes elementos são acentuados, o que
leva a diferentes interpretações. Vejamos a que interpretações essas diferentes
frases podem levar:

frase ênfase possível interpretação


b I eu pedi para você comprar aquele vestido (não foi ela quem pediu)

c you “pedi para você” (não para ela)


d buy “pedi para você comprar ...” (não para alugar)
e dress “pedi para você comprar aquele vestido” (não aquela saia)

Os exemplos estudados revelam que o estudo do acento, tanto em palavras


como em frases, não deve ser considerado como um aspecto secundário da
língua. Afinal, saber a sílaba certa a acentuar em uma palavra e a palavra certa a
acentuar em uma frase torna a comunicação mais clara e evita falhas que podem
levar a mal-entendidos.

Texto complementar
Which words should be stressed?
(PRATOR; ROBINETT, 1972)

Grammarians sometimes divide all words into two classes:

(1) content words, which have meaning in themselves, like mother, forget,
and tomorrow; and (2) function words, which have little or no meaning other
than the grammatical idea they express, such as the, of, and will. In general
content words are stressed, but function words are left unstressed, unless the
speaker wishes to call special attention to them.

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Acento

Content words, usually stressed, include


1. Nouns.
2. Verbs (with the few exceptions listed under function words).
3. Adjectives.
4. Adverbs.
5. Demonstratives: this, that, these, those.
6. Interrogatives: who, when, why, etc.
Function words, usually unstressed, include
1. Articles: a, an, the.
2. Prepositions: to, of, in, etc.
3. Personal pronouns: 1, me, he, him, it, etc.
4. Possessive adjectives: my, his, your, etc.
5. Relative pronouns: who, that, which, etc.
6. Common conjunctions: and, but, that, as, if, etc.
7. One used as a noun-substitute, as in the red dress and the blue one.

8. The verbs be, have, do, will, would, shall, should, can, could, may, might,
and must. These are easy to remember, since they are the verbs which may
be used as auxiliaries: He is resigning, Do you see it?, We must wait. Even
when they are the principal verb in the sentence, they are usually unstres-
sed: Harry is my best friend, Barbara has a lovely smile. On the other hand,
they are stressed when they come at the end of a sentence (I thought
he was smarter than he is), and when they are used in tag questions such
as didn’t we and are they (All movies aren’t made in Hollywood, are they?).
Though all nouns are actually content words, the first of two nouns used
together ordinarily receives sentence-stress while the second does not: an
apartment house, business affairs.

Though most verbs are also content words, in two-word verbs made up of
a verb and adverb it is normally the adverb which receives sentence-stress,
not the verb: to split up, to put on. Do not confuse these genuine two-word
verbs with oher verbs, Iike look and listen, which may be followed by a prepo-
sitional phrase: to look at him, to listen to him. A good way to tell the differen-
ce between, for example, to put on and to look at is to put both expressions

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Acento

into a question beginning with what: What are you putting on? What are you
looking at? Note that at may be placed before what and thus separated from
the verb: At what are you looking? But the two-word verb cannot be divided
in this way: On what are you putting? does not make sense.

In the great majority of cases, then, it is a very simple matter to determine


where the stresses are placed in a sentence. One has only to apply the prin-
ciples outlined above.
1. She declares that she likes rats, doesn´t she?
2. 1 don´t imagine you can succeed in a business venture.
3. In an hour it will be ready to turn over to you.
4. This red rose is to be planted here.
5. He eats three full meals each day.
6. I shall deliver it to you.

Which are the content words? Which are the function words? Why is there
no sentence-stress on venture in sentence 2? Why no stress on turn in sen-
tence 3? Why no stress on be in the same sentence? Why is doesn’t stressed in
sentence 1? Why stress this in sentence 4?

If a native speaker of English violates these principles and distributes


his sentence-stresses in some other way, he usually does so for one of two
reasons:

1. He may wish to call special attention to a word which would normally


receive no stress. If the speaker of sentence 2 above wishes to suggest that
you cannot succeed in a business venture though perhaps someone else
could, he will stress the function word you as well as the content words ima-
gine, succeed, and business. Such special stress on a function word adds a me-
aning which the sentence would not otherwise have.

2. He may wish, unconsciously, to give the sentence a more regular rhythm.


In English speech one stressed syllable is usually separated from the next by
one, two, or three unstressed syllables.

But sentence 5, if stressed according to the “rules,” contains six successive


stressed syllables without any intervening unstressed ones. A native speaker
of English might feel this to be an unnatural rhythm and instinctively sup-

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Acento

press some of the stresses: He eats three full meals day. Sentence 6, if stres-
sed according to the “rules,” ends in a series of four unstressed syllables. The
native speaker might therefore find it natural to stress the function word to
as well as the content word deliver: I shall deliver it to you.

The student of English should not, however, allow these unusual stresses
which he may occasionally hear to confuse him and lead him to distribute
his stresses carelessly. The basic principles – content words stressed, func-
tion words unstressed – are easy to follow. Particular care should be taken to
resist the tendency, widespread among those learning English as a foreign
language, to stress auxiliary verbs (can, may, etc.), personal pronouns (I, you,
he, etc.), and possessive adjectives (my, your, his, etc.). All of these are function
words. The main verb is ordinarily more significant than the auxiliary, and I
and my are not as important as we sometimes think.

Dicas de estudo
Você pode testar seus conhecimentos sobre o acento em palavras, em verbos
frasais e em frases através de três quizzes bastante interessantes que podem ser
acessados nos endereços eletrônicos abaixo:

<www.bbc.co.uk/apps/ifl/worldservice/quiznet/quizengine?ContentType
=text/html;quiz=1543_word_stress> (acento em palavras).

<www.soundsofenglish.org/hollys_corner/wordstress/ex4.htm> (acento em
verbos frasais).

<www.bbc.co.uk/worldservice/learningenglish/flatmates/episode61/quiz.
shtml> (acento em frases).

Atividades
1. Sublinhe as sílabas acentuadas nas palavras destacadas abaixo.

a) He works for a company that imports records and other objects from the US.

b) We do not object to your using imported produce in your research.

c) We project a 10% increase in exports this year.


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Acento

d) I think he is quite content with his career.

e) Chocolate has a high fat content.

f) People often contract word combinations when they speak.

g) That is the architect who won the contract to design the new building.

h) The export of precious stones is now under strict control.

i) There are conflicting ideas about the conflict.

j) In northern regions there is a great contrast between summer and win-


ter; in more southern regions, the seasons don’t contrast so much.

k) He objected that the object of the meeting should not be to criticize, but
to present information.

l) A suspect is someone who is suspected of committing a crime.

m) Practice makes learners perfect their skills.

n) Practice makes perfect.

2. Responda às perguntas abaixo usando palavras compostas. Para responder


às questões A-L, use verbos frasais.

a) Where do you go when you want to mail a letter?

b) Where do you go when you want to buy medicine?

c) What do you call the person who is responsible for the safety of a place?

d) What do you call the thing you wear when you want to protect your eyes
from the sun?

e) What do you call the substances women put on their face when they want to
improve their appearance?

f) What do you call the room a photographer uses to develop photographs?

g) What do you call the dark surface on a wall teachers write on with chalk?

h) What adjective would you use to refer to Brad Pitt?

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Acento

i) What verb do you use to refer to the act of reading and correcting a text be-
fore the final version is printed?

j) What phrasal verb do you use to refer to what you do when you delay doing
something, mainly because you don’t want to do it?

k) What three-part phrasal verb means “to use all of something and not have
any left”9?

l) What phrasal verb do you use to refer to what you do when you become
friends with someone again after you’ve broken up?

3. Identifique os elementos que recebem acento nas frases neutras abaixo.

a) I’m glad to meet you.

b) Don’t look!

c) I’m just looking.

d) I’ll send it to you by e-mail.

e) September is a nice month.

f) Look at the children!

Referências
CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation – a reference for tea-
chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000.

KEMMER, Suzanne. Major Periods of Borrowing in the History of English. Pu-


blicado em: set. 2009. Disponível em: <www.ruf.rice.edu/~kemmer/Words/lo-
anwords.html>. Acesso em: fev. 2010.

PRATOR, JR., Clifford H. ROBINETT, Betty W. Manual of American English Pro-


nunciation. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1972, p. 28-30.

9
Macmillan English Dictionary for Advanced Learners of American English (2006).

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Acento

UNDERHILL, Adrian. Sound Foundations: learning and teaching pronunciation.


Oxford: Macmillan, 2005.

Gabarito
1.

a) He works for a company that imports records and other objects from the US.

b) We do not object to your using imported produce in your research.

c) We project a 10% increase in exports this year.

d) I think he is quite content with his career.

e) Chocolate has a high fat content.

f) People often contract word combinations when they speak.

g) That is the architect who won the contract to design the new building.

h) The export of precious stones is now under strict control.

i) There are conflicting ideas about the conflict.

j) In southern regions there is a great contrast between summer and win-


ter; in more northern regions, the seasons don’t contrast so much.

k) He objected that the object of the meeting should not be to criticize, but
to present information.

l) A suspect is someone who is suspected of committing a crime.

m) Practice makes learners perfect their skills.

n) Practice makes perfect.

2.

a) To the POST Office.

b) To a DRUGstore.

c) A SAFEty guard.

d) SUNglasses.

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Acento

e) MAKEup.

f) A DARKroom.

g) BLACKboard.

h) good-LOOKing.

i) PROOFread.

j) PUT OFF.

k) RUN OUT of.

l) MAKE UP.

3.

a) I’m GLAD to MEET you.

b) DON’T LOOK!

c) I’m just LOOKing.

d) I’ll SEND it to you by E-mail.

e) SepTEMber is a NICE MONth.

f) LOOK at the CHILdren.

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Fala encadeada

Nesta aula, estudaremos as mudanças que os sons sofrem devido à


proximidade com outros sons na fala encadeada. Veremos que as palavras
comportam-se de maneira diferente quando são articuladas isoladamen-
te e quando são articuladas num fluxo contínuo.

Ao estudarmos as palavras de uma língua sob um ponto de vista fo-


nológico, aprendemos que as palavras não são somente o resultado dos
sons que as compõem – o acento é uma parte integrante de sua identi-
dade. Sob esse mesmo ângulo, entendemos que as frases também não
são somente o resultado da soma de palavras justapostas. O acento aqui
também tem papel fundamental, pois sua colocação em um elemento
errado pode levar a falhas na comunicação. Além de estudarmos esses
aspectos fundamentais da identidade das palavras e do significado das
frases, é importante que também analisemos o que acontece com as pala-
vras quando são postas lado a lado na fala encadeada.

Quando falamos, a menos que queiramos deliberadamente pausar


entre uma palavra e outra por motivos de clareza ou ênfase, não articu-
lamos cada palavra isoladamente. Ao invés disso, “emendamos” as pala-
vras num fluxo contínuo de sons. Ao encadearmos as palavras, acontecem
mudanças nos sons que as compõem devido ao contato com os sons vi-
zinhos. Essas mudanças envolvem assimilações, apagamentos, reduções
de vogais, epênteses e contrações e, de forma alguma, são reflexo de uma
fala descuidada; são, antes disso, naturais e características de todas as lín-
guas. No caso do inglês, muitos dos ajustes que ocorrem na fala encadea-
da têm por objetivo a manutenção do ritmo da língua. Preste atenção no
que acontece quando você articula as palavras abaixo separadamente e
quando as articula sem uma pausa entre elas. Você provavelmente notará
que há diferenças:

what time

rock and roll

pet dog

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Fala encadeada

No primeiro caso, quando falamos as duas palavras separadamente, articu-


lamos o som final de what e a inicial de time, a consoante //. Contudo, na fala
encadeada, não há a pronúncia de dois //. No fluxo contínuo característico da
fala, o resultado é uma só consoante. No segundo caso, ao articularmos as três
palavras juntas, percebemos que, além do desaparecimento da consoante d da
forma fraca and, a vogal dessa palavra pode sofrer uma redução (rock//roll) ou
desaparecer também (rock//roll)1. Quanto a pet dog, a pronúncia das duas con-
soantes oclusivas postas lado a lado na fala encadeada tornaria a fala truncada.
Assim, na fala natural, a primeira consoante não é “liberada” (pe[ ]og) . Essas
são algumas das alterações que acontecem nos sons na fala encadeada. A seguir,
analisaremos essas mudanças separadamente.

Ligação
Uma das características da fala natural é o fato de, em geral, não pausarmos
entre uma palavra e outra. Nesse fluxo contínuo de sons, o som final de uma
palavra acaba ligando-se ao som inicial de outra. Esse fenômeno é conhecido
como ligação. A ligação altera as características dos sons das palavras encadea-
das em comparação com quando são ditas isoladamente.

A ligação é um fenômeno bastante comum no inglês e sua ausência torna a


fala truncada, o que leva a uma quebra de ritmo e a uma consequente dificul-
dade para o ouvinte de concentrar-se na mensagem. Contudo, a frequência de
ligações que podemos encontrar depende de alguns fatores como o nível de
(in)formalidade da situação, a velocidade da fala e as características individuais
do falante. Por isso, nem sempre é possível prevermos quando acontecerá. No
entanto, ocorre com frequência em alguns contextos, os quais estão descritos
abaixo, Celce-Murcia (2000, 158-159):

 quando uma palavra termina em vogal e a palavra que a segue inicia por
vogal, um glide (// ou //) intrusivo é pronunciado entre as duas vogais.
Veja o que ocorre nas palavras abaixo:

you are (/:  /) he is (/:  /)

go out (/  /) say it (/:  /)

Segundo Celce-Murcia et al. (2000, p. 158), o fenômeno acima não ocorre com
as vogais baixas // e //, que geralmente se movem de uma vogal à outra sua-
1
Veremos adiante que entre a consoante final de rock e a vogal inicial de and pode aparecer uma consoante // intrusiva.

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Fala encadeada

vemente2. Contudo, alguns falantes de inglês americano inserem uma oclusiva


glotal [] antes da vogal inicial da segunda palavra, como nos exemplos abaixo:

// + V: spa owners ou spa [] owners

// + V: saw Ann ou saw [] Ann

Segundo as autoras, em casos como os acima, falantes de inglês, alguns dia-


letos do inglês americano, especialmente da Nova Inglaterra e Nova Iorque, e de
inglês britânico, acrescentam um // intrusivo nas sequências de vogal + vogal,
como mostram os exemplos abaixo3:

spa // owners

saw // Ann

 quando uma palavra termina em consoante e a próxima palavra inicia


por vogal, a consoante é produzida como se pertencesse a ambas as pa-
lavras:

in English an apple black and white

 quando uma palavra termina em encontro consonantal e a palavra seguin-


te inicia por vogal, a consoante final do encontro é pronunciada como se
fosse parte da palavra seguinte:

fin/d out wor/k out

 quando duas consoantes idênticas ficam lado a lado, como resultado do


contato de duas palavras, elas não são pronunciadas duas vezes. Em vez
disso, ocorre uma só consoante, articulada de forma mais alongada:

stop playing what time kiss Sue

[:] [:] [:]

 quando uma oclusiva é seguida de outra oclusiva ou africada, não há sol-


tura da primeira oclusiva, o que facilita a ligação entre as palavras:

big dog good job

[ ] [ ]

2
Segundo as autoras, esse fenômeno ocorre quando uma palavra ou sílaba termina em vogais tensas ou ditongos e a palavra ou sílaba seguinte
inicia com vogal.
3
O uso do // intrusivo é comum nesses dialetos, mas, nem por isso, obrigatório. Portanto, sua não ocorrência não constitui erro, como destaca
Underhill (2005, p. 66).

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Fala encadeada

Contração
Quando falamos, uma forma fraca pode ocorrer com outra palavra e sofrer
uma redução. Como consequência, as duas palavras são pronunciadas frequen-
temente formando uma única sílaba. Esse fenômeno é denominado contração.
Para Undehill (2005, p. 65), as contrações têm as seguintes características:

 palavras de duas sílabas geralmente se combinam em uma sílaba;


 ocorre uma elisão de sons;
 ocorre a omissão de uma ou duas letras na forma escrita, com seu lugar
marcado com um apóstrofo.

Os casos mais comuns de contrações são aqueles formados por pronomes


pessoais + verbo ou verbo (to be ou auxiliar) + not, como em:

I’m, I’ve, I’ll, I’d, etc.

isn’t, aren’t, don’t, can’t, haven’t, wouldn’t, etc.

should’ve, would’ve, can’t’ve, etc

Além desses casos de contrações indicados na forma escrita, há também aqueles


cujas formas são típicas da fala e não são registrados na escrita. Essas contrações acon-
tecem em situações informais e somente são grafados como tal quando a intenção é
fazer uma reprodução da fala. As palavras abaixo são exemplos desse fenômeno:

going to → gonna I’m going to post these letters.


/:/

want to → wanna I don’t want to go now.


//

got to → gotta I(’ve) got to go now.


//

give me → gimme Give me your hand.


//

lot of →lotta I have a lot of things to tell you.


/ /

out of → outta I’m out of here.


//

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Fala encadeada

Essas contrações são resultado de apagamentos ou de um processo de assi-


milação, como veremos adiante.

Assimilação
A assimilação é um processo natural e bastante comum nas línguas do
mundo. Nesse fenômeno, um segmento adquire características de um segmen-
to vizinho. Segundo Underhill (2005), os aprendizes que não assimilam podem
soar meticulosos, exageradamente precisos e cuidadosos demais. Para esse autor,
a falta de assimilação no fluxo da fala pode inibir o uso dos padrões de ento-
nação e ritmo do inglês, o que leva a uma perda de fluência e clareza. Entre as
características que geralmente são assimiladas, estão o grau de vozeamento, o
ponto de articulação e até mesmo o modo de articulação. Podemos distinguir
três tipos de assimilação: progressiva, regressiva e coalescência.

Na assimilação progressiva, o som precedente afeta o som seguinte. Encon-


tramos esse tipo ajuste na formação do plural regular e do passado dos verbos
regulares, por exemplo. Nesses casos, a pronúncia dos morfemas –s e –ed de-
pende do grau de vozeamento do som final da palavra ao qual se unem. Veja-
mos como isso funciona:

rat → rats
// → ambos os segmentos são desvozeados

drum → drums
// → ambos os segmentos são vozeados

pass → passed
// → ambos os segmentos são desvozeados

learn → learned
// → ambos os segmentos são vozeados

No caso do plural, se a palavra ao qual o morfema –s é acrescentado terminar


em segmento desvozeado, esse morfema vai ser realizado como //, também
um segmento desvozeado. Se, por outro lado, a palavra terminar em segmento
vozeado, teremos a pronúncia //, um segmento também vozeado. É também
dessa característica que depende a pronúncia do morfema –ed como // ou //.
Temos, portanto, dois casos de assimilação progressiva.

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Fala encadeada

Na assimilação regressiva, o som precedente é afetado pelo som seguinte.


Esse é um fenômeno que ocorre com bastante frequência com as consoantes
alveolares /, , / em final de palavra, que assimilam o ponto de articulação da
consoante inicial da palavra que precedem. Vejamos os exemplos abaixo:

in bed in class good boy at peace


// // /:/ /:/

Por vezes, os sons assimilados tornam-se idênticos ao som que desencadeia


a assimilação. Isso acontece com bastante frequência em sequências com as fri-
cativas // ou // + //, como mostram as palavras abaixo:

// + // → // glass shower


//

// + // → // his shoes


//

Além da assimilação de ponto de articulação, o grau de vozeamento também


pode ser assimilado, como nos exemplos abaixo, em que a consoante // tor-
na-se desvozeada por influência de //, uma consoante também desvozeada, e
consoante // torna-se // pelos mesmos motivos:

have → have to see


// //

use → used to see


// //

Um outro exemplo de assimilação é aquele que ocorre na fala informal. Nesse


caso há assimilação do modo de articulação. Observe as frases abaixo:

Give me your hand. Let me see.


/:/ /:/

No terceiro tipo de assimilação, a coalescência, ambos os sons se influenciam


mutuamente. Nesse caso, o resultado dessa assimilação mútua resulta em um
terceiro segmento com características comuns aos segmentos dos quais se ori-
ginou. Nos exemplos abaixo, as oclusivas // e //, as fricativas // e // e as se-
quências com // e // fundem-se com o glide palatal // e originam fricativas
e africadas palatalizadas, como mostram os exemplos abaixo:

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Fala encadeada

// + // → // I miss you.


//

// + // → // Where does your husband work?


//

// + // → // He died last year.


//

// + // → // She wants your money.


//

// + // → // Did you know …?


//

// + // → // She always reads your messages.


//

Como nos casos acima a coalescência origina segmentos palatalizados, esse


tipo de assimilação é também conhecida como palatalização.

Apagamento
O apagamento é um processo no qual sons que são articulados em palavras
isoladas desaparecem na fala encadeada. Por vezes, a grafia do inglês reflete
esse fenômeno, como na representação das formas contraídas dos verbos auxi-
liares com not, como em don’t, por exemplo, mas, em geral, os apagamentos não
são representados na escrita. Vejamos, então, alguns ambientes que favorecem
a ocorrência de apagamentos:

 Em inglês americano, a consoante /t/ é apagada entre duas vogais ou


diante de /l/ silábico, mesmo dentro de palavras, como mostram as pala-
vras abaixo:

win(t)er in(t)ernational in(t)eraction man(t)le

 As consoantes // e // são apagadas quando ocorrem entre outras duas
consoantes, tanto dentro da mesma palavra, quando como resultado do
contato de palavras na fala encadeada.

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Fala encadeada

Apagamento de //: exac(t)ly, res(t)less, the nex(t) day, I don’(t) know

Apagamento de /d/: san(d)wich, kin(d)ness, sen(d) me flowers, you an(d) me

O fonema // é apagado entre outras consoantes mesmo quando parte da


contração de not. Considere, por exemplo, a distinção entre can e can’t. Se o
fonema // desaparecer, can e can’t em frases como I can swim e I can’t swim
soarão muito parecidos, o que pode causar problemas de compreensão para os
aprendizes. Felizmente, há diferenças entre as duas formas que envolvem redu-
ção ou alongamento de vogal e diferenças no acento. Compare as duas formas:
I can swim.

/ /  redução da vogal de can (//) e acento no verbo (swim)

I can’t swim.

/I ‘k:(t) s/  alongamento da vogal (/:/) e acento tanto no auxiliar


negativo quanto no verbo.

 As consoantes // e // são apagadas em formas pronominais

ask him (ask im) give her (give er) send them (send em)

 As vogais não acentuadas de uma palavra são geralmente apagadas quan-


do estão em sílaba postônica, como nas palavras a seguir:

every, temperature, comfortable, vegetable, different, restaurant, family, inte-


resting, miserable, separate (adj), beverage, reasonable, evening, camera

 A fricativa // é apagada na forma fraca of quando diante de palavras que


iniciam por consoante, como nos exemplos a seguir:

a lot of money a waste of time friend of mine out of here


// // // //

Epêntese
A epêntese é a inserção de um segmento em uma cadeia de outros segmen-
tos. Esse fenômeno ocorre para quebrar sequências de segmentos que não são
bem-formadas na língua4. Em inglês, encontramos esse processo na formação
do plural regular e do passado regular, por exemplo.

4
Um exemplo de epêntese na língua portuguesa é a inserção da vogal /i/ ou /e/ entre as consoantes d e v na palavra advogado, o que resulta na
pronúncia a//vogado ou a//vogado. Isso acontece porque a sequência /dv/ não é bem-formada em português.

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O plural regular em inglês é formado através da adição do morfema –s. Nos


casos em que a palavra no singular terminar em sibilantes, para quebrar essa
sequência de sibilantes, é acrescentado uma vogal (//) como abaixo:

kiss + -s → kiss//s

buzz + -s → buzz//s

church + -s → church//s

judge + -s → judg//s

O passado dos verbos regulares é formado pelo acréscimo do morfema –ed à


forma base do verbo. Dependendo do som final da forma base, esse morfema é
pronunciado como // ou //, como em pass// ou learn//. Nos casos em que a
forma base do verbo terminar em // ou //, é acrescentada uma vogal // para
quebrar uma possível sequência de oclusivas alveolares, como abaixo:

visit + // ou // → visit//

mend + // ou // → mend//

Em inglês, além da possibilidade de ocorrer a inserção de uma vogal entre seg-


mentos, há contextos que favorecem a inserção de uma consoante epentética. Pala-
vras que terminam em // podem ser pronunciadas com um // entre elas, como
patience, que pode ser pronunciado patie//, fazendo-a soar como patients. Se-
gundo Celce-Murcia (2000), essa inserção torna mais fácil para os falantes produzirem
a sequência de nasal vozeada mais fricativa desvozeada. Por esse mesmo motivo,
alguns falantes acrescentam um // entre // e // em comfort, por exemplo.

Redução de vogal
Na cadeia da fala, as vogais não acentuadas sofrem uma redução em duração
e qualidade: tornam-se menos distintas e movem-se para uma posição mais cen-
tral. A maioria das vogais simples reduzem-se para //, à exceção de /:/ e /:/,
que se tornam apenas parcialmente centralizadas: /:/ reduz-se para // e /:/,
para // (UNDERHILL, 2005). Compare o comportamento das vogais nos casos
abaixo:

1a. and 1b. you and me...


// //

2a. You and me. 2b. I wish you would tell me.
/:/ /:/ // //
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Nos exemplos em a, as palavras and, you e me são acentuadas. Nesse caso,


não há redução alguma nas vogais. Nos exemplos em b, por outro lado, essas
mesmas palavras deixam de receber acento, já que outras palavras são acentua-
das. Nesse caso as vogais das palavras and, you e me sofrem uma redução, o que
as torna mais curtas e menos claras.

Ditongos também podem sofrer reduções na fala encadeada. De acordo com


Underhill (2005, p. 63), a duração do glide é reduzida e esse segmento pode até
mesmo desaparecer, resultando em um ditongo neutro no qual o primeiro e o
segundo elemento dissolvem-se em um monotongo composto. Segundo esse
autor, na fala encadeada rápida, o ditongo não acentuado torna-se mais curto e
menos claro em comparação com sua contraparte acentuada. Na verdade, o di-
tongo pode deixar de existir como tal, pois o segundo elemento pode desapare-
cer e tornar-se uma versão neutralizada do seu segundo elemento (UNDERHILL,
2005, p. 63).

As mudanças que ocorrem na fala encadeada na língua inglesa e que envol-


vem apagamentos, inserções, ligações e contrações são características de todas
as línguas e, de forma alguma, refletem um desleixo do falante. Essas alterações
são naturais a ajudam a manter o fluxo da fala e o ritmo da língua.

Texto complementar

Sentence stress in English


Sentence stress is the music of spoken English. Like word stress, sentence
stress can help you to understand spoken English, especially when spoken fast.

Sentence stress is what gives English its rhythm or “beat”. You remember
that word stress is accent on one syllable within a word. Sentence stress is
accent on certain words within a sentence.

Most sentences have two types of word:

 content words;

 structure words.

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Fala encadeada

Content words are the key words of a sentence. They are the important
words that carry the meaning or sense.

Structure words are not very important words. They are small, simple
words that make the sentence correct grammatically. They give the sentence
its correct form or “structure”.

If you remove the structure words from a sentence, you will probably still
understand the sentence.

If you remove the content words from a sentence, you will not under-
stand the sentence. The sentence has no sense or meaning.

Imagine that you receive this telegram message:

SELL CAR GONE FRANCE

This sentence is not complete. It is not a “grammatically correct” sentence.


But you probably understand it. These 4 words communicate very well. So-
mebody wants you to sell their car for them because they have gone to France.
We can add a few words:

SELL my CAR I’ve GONE to FRANCE

The new words do not really add any more information. But they make
the message more correct grammatically. We can add even more words to
make one complete, grammatically correct sentence. But the information is
basically the same:

Will you SELL my CAR because I’ve GONE to FRANCE.

In our sentence, the 4 key words (sell, car, gone, France) are accentuated
or stressed.

Why is this important for pronunciation? It is important because it adds


“music” to the language. It is the rhythm of the English language. It changes
the speed at which we speak (and listen to) the language. The time between
each stressed word is the same.

In our sentence, there is 1 syllable between SELL and CAR and 3 sylla-
bles between CAR and GONE. But the time (t) between SELL and CAR and
between CAR and GONE is the same. We maintain a constant beat on the

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stressed words. To do this, we say “my” more slowly, and “because I’ve” more
quickly. We change the speed of the small structure words so that the rhythm
of the key content words stays the same.

Will you SELL my CAR because I’ve GONE to FRANCE.

t1 beat t1 beat t1 beat t1 beat

(ENGLISHCLUB. Sentence Stress in English. Disponível em: <www.


englishclub.com/pronunciation/sentence-stress.htm>. Acesso em: mar. 2010.)

Dicas de estudo
No endereço eletrônico <http://davidbrett.uniss.it/phonology/aspects_of_
connected_speech_inde.htm> você encontra mais casos de modificações que
há nos sons na fala encadeada e também pode testar seus conhecimentos atra-
vés de diversos quizzes.

Atividades
1. Marque as afirmações abaixo com V ou F.

(( As alterações que acontecem nos sons devido à fala encadeada refletem


uma postura desleixada dos falantes, por isso, é preciso evitá-las.
(( No inglês, muitos dos ajustes que ocorrem na fala estão ligados à
manutenção do ritmo da língua.
(( Quando uma palavra termina em consoante e a próxima palavra inicia
por vogal, a consoante é produzida como se pertencesse a ambas as
palavras.
(( Quando duas consoantes idênticas ficam lado a lado, como resultado
do contato de duas palavras, elas são pronunciadas duas vezes.
(( A falta de assimilação no fluxo da fala pode inibir o uso dos padrões de
entonação e ritmo do inglês e levar a uma perda de fluência e clareza.
(( Formas escritas que representam contrações como gonna, wanna e
lotta são amplamente aceitas em textos de caráter mais formal.

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2. Marque a alternativa certa.

I. A pronúncia de have to como ha// to é um exemplo de:

a) assimilação de ponto de articulação

b) assimilação de modo de articulação

c) assimilação de grau de sonoridade

II. Ocorre uma epêntese em:

a) lense pronunciado como //

b) let me pronunciado como //

c) did you ... ? pronunciado como /: /

III. Ocorre uma assimilação de ponto de articulação em:

a) wants → wan//

b) in court → i// court

c) what time → wha/: /ime

IV. Ocorre uma palatalização em:

a) did you ... ? pronunciado como /: /

b) let me pronunciado como //

c) work + –s → works (//)

V. Uma assimilação regressiva acontece em:

a) bomb + –s (plural) → bom//

b) used + to → u// to

c) sandwich → //

VI. Ocorre uma redução de vogal em:

a) I like apples. → I like //pples

b) you and me → you // me

c) you and me → you // me

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Fala encadeada

Referências
CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation – a reference for tea-
chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000.

ENGLISHCLUB. Sentence Stress in English. Disponível em: <www.englishclub.


com/pronunciation/sentence-stress.htm>. Acesso em: mar. 2010.

UNDERHILL, Adrian. Sound Foundations: learning and teaching pronunciation.


Oxford: Macmillan, 2005.

Gabarito
1.

2.

I. C

II. A

III. B

IV. A

V. B

VI. C

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Entonação

Nesta aula, estudaremos um aspecto importante do significado: a en-


tonação. Como a entonação varia de uma língua para outra, para sermos
falantes bem-sucedidos de inglês, temos de entender o funcionamento
dos padrões básicos de entonação usados nessa língua.

Em uma conversa, o significado de uma frase depende de alguns ele-


mentos: a escolha adequada de palavras, o acento, que dá a alguns ele-
mentos proeminência, e o correto padrão de entonação. Na verdade, a
entonação é tão significativa que alguns autores como Underhill (2005)
defendem que “não é o que você diz, mas como você diz” que é importan-
te para o significado. Isso quer dizer que, em última instância, não é a es-
colha das palavras que vai transmitir o que o falante realmente quer dizer,
mas sim o modo como ele fala. Esse fato é tão verdadeiro, que uma única
palavra pode assumir diferentes funções simplesmente pela escolha de
diferentes padrões de entonação. Veja, por exemplo, os diálogos abaixo
em que a palavra ready é usada. Repare que, dita com diferentes entona-
ções, essa palavra transmite ideias diferentes. O símbolo  representa uma
entonação ascendente e o símbolo , uma entonação descendente:

1. A: Ready
2. A: Ready

B: Not yet B: Me too

Por que o falante B respondeu de forma diferente nas duas situações?


Embora o falante A tenha usado a mesma palavra (ready), seu padrão en-
tonacional foi diferente nos dois diálogos. No diálogo 1, a entonação as-
cendente sinalizou ao falante B que o falante A estava lhe fazendo uma

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Entonação

pergunta: (Are you) ready?. No diálogo 2, por outro lado, a entonação descenden-
te dada à fala de A levou o falante B a interpretá-la não como uma pergunta, mas
como uma declaração: (I’m) ready.

Além de atribuir diferentes significados a uma mesma frase, a entonação


também expressa diferentes atitudes do falante. Por isso, uma frase como We’re
going to the mountains, dita com diferentes padrões entonacionais, pode indicar,
por exemplo, surpresa, desapontamento, alegria ou mesmo raiva.

Os casos acima nos mostram a força que a entonação tem não só na atribui-
ção de significado, como também na indicação das atitudes do falante. Agora
que já conhecemos a importância da entonação, podemos analisar seu funcio-
namento. É isso que faremos a seguir.

A entonação pode ser descrita como a “melodia” da língua ou, mais espe-
cificamente, a representação do padrão de notas (altas ou baixas) de uma ex-
pressão ou frase. Entre as notas altas e baixas que compõem a entonação, existe
uma variação de outras notas, e pessoas diferentes podem fazer um uso maior
ou menor dessa variação. Segundo Prator Jr. e Robinett (1972), bons falantes
podem usar até vinte e cinco notas diferentes para dar variedade e significado
ao que dizem, enquanto outros usam uma extensão bem menor de notas.

É claro que não podemos esperar que aprendizes dominem uma extensão
muito grande de tons. No entanto, é esperado que usem o máximo que pude-
rem, pois o falante que faz uso de uma fala monotonal pode soar desinteressado
ou aborrecido.

Além da falta de entonação, a entonação inadequada pode ser problemática.


Segundo Underhill (2005), dentro de certos limites, erros de pronúncia, gramá-
tica e até mesmo de vocabulário podem ser acomodados pelo ouvinte nativo,
mas a entonação inadequada pode levar não só a uma obscuridade da mensa-
gem, mas também ao recebimento de uma mensagem bastante diferente da
pretendida.

Os aprendizes não precisam dominar as mínimas sutilezas envolvidas nos


diferentes padrões entonacionais do inglês, mas é necessário que aprendam a
reconhecer e a produzir os padrões mais gerais que o auxiliem na compreensão
e produção do significado esperado. Por isso, vamos nos deter nesses casos.

Em termos bem simples, podemos classificar os tons do inglês em neutro


(ou “normal”), alto e baixo. Nos nossos exemplos, usaremos uma linha curvada
para cima para representar um tom ascendente e uma linha curvada para baixo

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Entonação

para um tom descendente. O tom normal somente será representado quando


for relevante. Vejamos os diferentes padrões gerais que podemos encontrar no
inglês:

Entonação ascendente
e descendente
De acordo com Prator Jr. e Robinett (1972), a entonação correta é mais neces-
sária e previsível no final de uma frase. Nessa posição, a voz frequentemente se
eleva acima do normal e então cai abaixo do normal. Esse tipo de padrão pode
ser representado como segue:

Os elementos que vêm antes do tom alto são falados em um tom normal e
os que vêm depois, em um tom baixo. O tom alto geralmente coincide com o
último elemento acentuado da frase, como no exemplo abaixo.

The coffee is hot.

Prator Jr. e Robinett (1972, p. 44) explicam que a transição de uma nota para
outra dentro de uma sílaba acentuada significa que a vogal da sílaba será man-
tida por algum tempo, tanto que pode ser dividida em duas vogais levemente
diferentes, como se formassem um ditongo. Devido a esse fenômeno, a frase
acima (The coffee is hot) poderia ser transcrita assim:

   
Para os autores, essas sílabas de dois tons e o ditongo resultante constituem
uma importante diferença entre o inglês e muitas outras línguas. Esse é um caso
em que pronúncia e entonação se completam.

A entonação descendente geralmente indica completude. Nesse caso, o fa-


lante está indicando ao seu interlocutor que já acabou de falar e que esse pode
iniciar seu turno. Esse tipo de padrão é encontrado nas seguintes situações:

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Entonação

 frases declarativas em geral:

This is my sister.

English is fun.

I’d like to see him.

 comandos (ordens):

Come in and sit down.

Stop now.

Don’t speak.

 perguntas com pronomes interrogativos (what, when, why, how, ...):

What time is it?

How is he feeling?

When’s he coming?

Segundo Prator Jr. e Robinett (1972, p. 44) o tom descendente no final de


uma frase funciona como um ponto final vocal que indica que o pensamento
está completo. Quando o tom do falante não abaixa o suficiente, o ouvinte fica
com uma impressão desagradável de inconclusividade. A entonação claramente
decrescente, por outro lado, estabelece a ideia de certeza e completude.

Entonação ascendente
Uma outra forma de terminar frases em inglês é com uma entonação ascenden-
te. Nesse caso, o tom mais alto vai para a sílaba acentuada da palavra mais impor-

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Entonação

tante e pode continuar a subir ou pode manter-se no mesmo nível. Na verdade,


pode até mesmo cair um pouco, mas nunca a um tom muito baixo (Lane, 1993).

Diferentemente da ideia de completude expressa pela entonação descen-


dente em final de frases, o tom ascendente sugere incompletude. Esse padrão de
entonação indica que há algo a mais que precisa ser dito ou pelo falante ou por
seu interlocutor. Esse tipo de entonação é encontrado nas situações a seguir.

 Perguntas cujas respostas são sim ou não (yes/no questions):

Are you OK?

Would you like some coffee?

Do you know him?

 Situações em que são dadas alternativas e o falante quer sugerir que há


outras opções que ele não menciona:

Would you like champagne, whisky, vodka?

Sugar, cream, lemon?

I’d like my hamburger with everything – cheese, mayonnaise, ketchup, toma-


toes.

No entanto, se são oferecidas alternativas e o último item mencionado é real-


mente a última opção, as palavras antes do item final são pronunciadas com
uma entonação ascendente e o último item, com um tom descendente:

Do you want the black one or the blue one?

Would you like coffee or tea?

You can write in pen or in pencil.

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Entonação

 Para confirmar uma informação em uma das seguintes situações:

 ou porque o ouvinte não entendeu ou não ouviu o que foi dito.

Where do you live? (I didn’t get/hear you.)

 ou porque não acreditou no que ouviu.

Who did you see? ou You saw who? (I don’t believe it!)

Nessa situação, a entonação é mais exagerada.

 Para transformar afirmações em perguntas. Nesses casos, a estrutura da


frase não é alterada para uma estrutura típica de pergunta, com verbo au-
xiliar, por exemplo. Basta que a entonação seja ascendente. Compare:

He is married.

He is married?

No primeiro caso, a partir da entonação descendente, o ouvinte entende


que o que foi dito se trata de uma afirmação. No segundo caso, a entona-
ção ascendente sinaliza ao ouvinte que o que foi dito é uma pergunta.

Outros padrões

Tag questions
Tag questions são fragmentos de perguntas como didn’t you, isn’t it?, can he?
que são acrescentados a afirmações, para transformá-las em perguntas, ou a
ordens, para torná-las mais polidas.

Em relação ao primeiro caso, há duas situações possíveis:

 o falante realmente não sabe a resposta da pergunta e quer a informação.


Nesse caso, a entonação é ascendente;

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Entonação

You went to the supermarket, didn’t you?

You are tired, aren’t you?

You can’t drive, can you?

 o falante acredita que o que está dizendo é verdade e que seu interlocutor
vai concordar com ele. Nesse caso, a entonação é descendente.

Look at the sky. It’s going to rain again, isn’t it?

You failed again, didn’t you? (I can see that from your face)

You didn’t get the job, did you? (I can see that from your face)

Tag questions também podem ser usadas para deixar uma ordem mais cortês.
Nesse caso, a entonação é ascendente:

Bring me the saltshaker, will you?

Open the windows, would you?

Make me a sandwich, will you?

Diferentes atitudes do falante


 A entonação ascendente e descendente também é usada para dar ênfase
emocional à opinião do falante. Nesse caso, o tom eleva-se mais do que o
normal e depois abaixa.

That’s awful.

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Entonação

 Perguntas cujas respostas são sim ou não (yes/no questions) podem rece-
ber um tom de ironia se pronunciadas com um tom ascendente e descen-
dente, como se fossem uma afirmação.

Do I like him?

 Quando o falante está sendo sarcástico e realmente quer dizer o contrário


do que está dizendo, pode usar tag questions com uma entonação des-
cendente.

He’s such a bright guy, isn’t he? (He’s not bright!)

I’m a great cook, aren’t I? (I can’t cook at all!)

Nesse caso, a entonação é exagerada.

É claro que os padrões de entonação descritos acima não são os únicos usados
por falantes nativos, mas os tipos estudados aqui são suficientes para propósitos
conversacionais comuns. Através deles, você pode expressar-se de forma natural
e compreensível. Outros padrões poderão ser acrescentados através do contato
com a língua. Se, no entanto, você quiser estudar esses padrões especiais, você
pode ler Pike (1946), Prator Jr. e Robinett (1972), Celce-Murcia et al. (2000), entre
outros.

Texto complementar

American English pronunciation –


sentence intonation patterns
Perhaps you have heard people say that intonation is the melody or the
music of spoken American English. That’s because English speakers use diffe-
rent types of intonation or pitch patterns in sentences and phrases.

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Entonação

These intonation patterns, which are not visible in the written language,
are extremely important because they convey meaning. If you are not aware
of how Americans use these pitch or intonation patterns you could risk con-
fusing or offending your listeners.

Here are some examples of how American listeners interpret pitch


patterns:

 if you use a very high pitch it may indicate that you are surprised;

 if you use a very low pitch it may indicate that you are angry;

 if your pitch is too neutral it may indicate that you are bored or uninte-
rested in the conversation.

In spoken American English intonation patterns can occur over phrases


or entire sentences.

The most common intonation pattern in spoken English is rising falling


intonation. In rising falling intonation the pitch RISES on the most impor-
tant word in a sentence and then drops to indicate that you are finished
speaking.

Americans use rising falling intonation in declarative sentences, comman-


ds and when asking questions that begin with the words who, what, where,
when and why.

For example, in the sentence – WHERE is she GOing? – the pitch rises and
falls on the word GOing.

Another common intonation pattern is rising intonation. In this pattern


the pitch rises and STAYS HIGH at the end of the sentence. When you use rising
intonation it indicates that you are waiting for a reply from the listener.

Americans use rising intonation for questions that they expect to be


answered with yes or no, or when they are expressing doubt or surprise.

For example, in the sentence – The president is HERE?! – the pitch rises
and stays high at the end of the sentence.

Even if you pronounce all of your American English vowel and consonant
sounds clearly you will still have a difficult time communicating with Ame-
rican English speakers if you don’t use the correct intonation patterns. Your

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Entonação

speech patterns may sound rather boring to American listeners or may even
contribute to misunderstandings!

Try to listen carefully to the way Americans use sentence intonation and
copy the patterns in your own speech. This will make your English sound
much more natural so that Americans will enjoy listening to you.

Susan Ryan is an American English pronunciation and accent reduction


teacher in Washington, D.C. Visit her Accent Reduction Classroom or her
American English Pronunciation blog <www.confidentvoice.com/blog/> to
find more tips and lessons that you can use to improve your American En-
glish communication skills.

(RYAN, Susan M. American English Pronunciation: sentence intonation patterns.


disponível em: <www.eslteachersboard.com/cgi-bin/english/index.pl?read=2179>.
Acesso em: mar. 2010.)

Dicas de estudo
Para assistir a excelentes aulas sobre entonação, acesse os endereços abaixo,
na ordem em que estão listados:

<www.youtube.com/watch?v=g2bHdXcszJ4>.

<www.youtube.com/watch?v=Qh6kUsJcu3k&feature=related>.

<www.youtube.com/watch?v=k80wiT0t2rc>.

<www.youtube.com/watch?v=qLGJb63mkyA>.

Atividades
1. Marque as afirmações abaixo com V ou F.

(( Entonação e acento frasal são o mesmo fenômeno.


(( A entonação ascendente indica, entre outras coisas, incompletude.
(( A entonação descendente indica que o pensamento do falante está
completo e seu interlocutor pode, então, falar.

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Entonação

(( A entonação em tag questions é sempre ascendente.


(( O falante pode usar tag questions com a intenção de ser sarcástico.
Nesse caso, sua entonação deve ser descendente.
2. Desenhe uma linha ascendente ou descendente para representar os padrões
entonacionais das frases abaixo.

a) Do you remember me?

b) Can you drive?

c) What a lovely day!

d) We’ve studied sounds, stress and intonation.

e) Open the door, will you?

f) It’s boiling hot today, isn’t it?


g) You know my address, don’t you? (I don’t know
your answer)
h) Would you like cream or sugar?

i) Do you want coffee, tea, water?

j) Where do you live?

Referências
CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation – a reference for tea-
chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000.

LANE, Linda. Focus on Pronunciation: principles and practice for effective com-
munication. Longman, 1993.

PIKE, Kenneth L. The Intonation of American English. Ann Arbor: University of


Michigan Press, 1946.

PRATOR JR., Clifford H.; ROBINETT, Betty W. Manual of American English Pro-
nunciation. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1972.

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Entonação

RYAN, Susan. American English Pronunciation: sentence intonation patterns.


Disponível em: <www.eslteachersboard.com/cgi-bin/english/index.pl?read=21
79>. Acesso em: mar. 2010.

UNDERHILL, Adrian. Sound Foundations: learning and teaching pronunciation.


Oxford: Macmillan, 2005.

Gabarito
1.

a) F

b) V

c) V

d) F

e) V

2.

a) 

b) 

c) 

d) 

e) 

f) 

g) 

h) coffee  or sugar 

i) coffee  tea  water 

j) 

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Entonação

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A relação escrita/pronúncia
nas palavras com silent letters
Começaremos a estudar a relação entre escrita e pronúncia no inglês.
Estudaremos, mais especificamente, as chamadas silent letters. Veremos
que, apesar de a relação escrita/pronúncia no inglês ser considerada irre-
gular e arbitrária, podemos encontrar regularidades. Então, no que tange
ao tópico deste capítulo, você aprenderá a reconhecer grupos de letras
que sempre produzem alguma silent letter, o que, com certeza, o ajudará a
ser um aprendiz mais independente.

Entender a relação entre escrita e pronúncia no inglês é uma tarefa


árdua, já que nessa relação nem sempre há uma correspondência de um-
-para-um. Se esse fato é problemático para falantes que têm o inglês como
língua materna, imagine a situação para os aprendizes, que, ao tentarem
entender a organização do sistema dessa língua, buscam regularidades.

Na tentativa de se apropriarem do sistema da lectoescrita, os aprendi-


zes, nativos ou não, têm diante de si uma tarefa difícil, pois, no inglês, para
um mesmo grupo de letras, pode haver várias pronúncias possíveis. Pa-
lavras grafadas com as vogais ou, por exemplo, podem ser pronunciadas
como [], [], [], [] e [], como mostram could, enough, out, thought
e though. O contrário também ocorre: uma mesma pronúncia pode ser
representada por letras diferentes, como nas palavras flood, mud, love, em
que as vogais oo, u e o são pronunciadas //.

Uma outra relação complexa é a existente entre as letras e seu “desapa-


recimento” na pronúncia. Preste atenção na canção a seguir, que expressa
a perplexidade do autor em relação ao assunto.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

Silent letters

Silent letters, just hangin' around.


Silent letters, they never make a sound.
Silent letters, just hangin’ around.
Silent letters, they never make a sound. half

I don't know why there's an “I” in half.


Look – a baby cow – “I” is silent in calf.
Stuck in the castle is a silent “t”. calf

Then in psalm there's a silent “p”.


A silent “k” is just hangin' out in knee.
“W” in write sits silently.

Chorus

“H” is silent in honest and rhyme. castle


There's a silent “g” in gnat and sign.
The “b” in lamb is silent after “m”.
In column “m” is followed by “n”.

Chorus lamb

(Disponível em: <www. edutunes. com/free_materials_pages/advanced%20phonics%20time/si-


lent%20letters.htm>.)

A canção chama atenção para o fato de que há letras presentes na grafia de al-
gumas palavras que não têm um correspondente sonoro. Como o autor, que ex-
pressa dúvidas sobre o assunto (I don’t know why there’s an “l” in half), os estudantes,
principalmente os iniciantes, muitas vezes se perguntam por que existem letras que
não são pronunciadas. Essas letras são conhecidas no inglês como silent letters1. Para
os aprendizes de inglês, as silent letters são um transtorno, pois a tendência desses
aprendizes é reproduzir na pronúncia todas as letras da palavra escrita.

1
Optamos por deixar esse termo em inglês, por acreditarmos que a tradução para “letras mudas” ou “letras silenciosas” não seria adequada e a
tradução para “letras que não são pronunciadas” não seria nem adequada nem prática.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

A irregularidade da relação existente entre escrita e pronúncia no inglês, por-


tanto, não é facilmente entendida por aprendizes dessa língua. Isso se torna um
problema, visto que saber como os sons se organizam na língua, que combina-
ções de sons são possíveis e que combinações não são possíveis deve fazer parte
do conhecimento linguístico do falante. A falta desse conhecimento reflete-se
na forma como muitos aprendizes de línguas estrangeiras leem palavras daque-
la língua. Um aluno que lê a palavra eight como [], além de mostrar que não
domina a relação entre escrita e pronúncia, revela que ainda não percebeu que a
sequência // não faz parte da fonologia do inglês.

O entendimento de que a grafia do inglês não corresponde diretamente à


sua pronúncia não é recente (CHOMSKY; HALLE, 1968) e depende de uma com-
plexidade de fatores inter-relacionados: a estrutura interna da palavra, o padrão
de acentuação e a categoria gramatical a que a palavra pertence.

Segundo Celce-Murcia et al. (2000), há alguns séculos, a grafia do inglês re-


fletia a pronúncia e eram permitidas variações individuais e regionais. Contudo,
em meados do século XVIII, os efeitos da Grande Mudança nas Vogais (The Great
English Vowel Shift)2 e a invenção da imprensa contribuíram para que a grafia
gradualmente se padronizasse. Na Inglaterra, Aby-sel-pha, um livro de ortografia
publicado em 1740 e o Dicionário da Língua Inglesa de Samuel Johnson, de 1755,
contribuíram para essa padronização. Depois disso, houve apenas uma reformu-
lação na grafia do inglês, que data de 1828, quando Noah Webster propôs as mu-
danças que o inglês americano apresenta hoje, como color, center, traveled, por
exemplo, em contraste com as grafias colour, centre, travelled, usadas no inglês
britânico. No entanto, apesar da padronização na escrita, a pronúncia continuou
a evoluir e, como resultado, hoje a maioria dos fonemas pode ser representada
por várias grafias diferentes.

A boa notícia é que, apesar da relação arbitrária e, muitas vezes, imprevisí-


vel, entre grafema e fonema no inglês, existem regularidades. Há um conjunto
de letras que, ao aparecerem juntas na escrita, invariavelmente fazem com que
alguma delas “desapareça” na pronúncia. Isso é o que acontece com as silent let-
ters. Celce-Murcia et al. (2000, p. 280) destacam dois motivos possíveis para esse
fenômeno: “(1) os sons que representam foram perdidos através de uma mudan-
ça histórica de sons, ou (2) as letras representam empréstimos de língua estran-
geiras com encontros consonantais iniciais que não são parte do inventário do
inglês e foram, por isso, modificados para refletir a pronúncia dessa língua”. Esse
2
A Grande Mudança nas Vogais ocorreu entre 1450 e 1700 e foi sistematizada por volta de 1750. No estágio inicial dessa mudança, na maioria dos
dialetos do inglês, todas as vogais longas foram alçadas e desenvolveram glides, por exemplo, /:/, em nme, tornou-se //, em name; /i:/, em I,
tornou-se // em I e /:/, em hus > //, em house (Celce-Murcia et al, op. cit. p. 273).

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

fenômeno pode afetar grupos de consoantes em posição inicial, medial ou em


final de palavra.

Celce-Murcia et al. (2000, p. 280) destacam um conjunto de encontros conso-


nantais que sempre produzem silent letters. Em posição inicial, as autoras listam
as seguintes categorias:

 k precedendo n > /n/: knock, knee, knack

 g precedendo n > /n/: gnat, gnaw, gnash, gnome

 p precedendo n > /n/: pneumatic, pneumonia

 m precedendo n > /n/: mnemonic, mnemonomy

 p precedendo s > /s/: psychic, psychology, psalm, pseudonym

 w precedendo r > /r/: write, wrong, wrist

Em posição de final de sílaba e de meio de palavra, as autoras destacam as


categorias abaixo (CELCE-MURCIA, 2000, p. 281):

 l após a, antes de f/v > /f/: calf, half; /vz/: calves, halves

 l após a, antes de k > /k/: walk, talk, balk, chalk

 l após a, antes de m > /m/: calm, palm, almond

 l pós-vocálico, precedendo d (em verbos modais)> /d/: could, would,


should

 g pós-vocálico antes de nasais finais: /n/ ou /m/: sign, align, paradigm

 b em final de palavra, depois de m > /m/: comb, thumb, limb

 n em final de palavra, depois de m > /m/ damn, autumn, column

 t após f/s, antes de –en: /f/ ou /s/: often, soften, listen

Além das categorias elencadas pelas autoras, podemos ainda acrescentar os


seguintes encontros que resultam em silent letters.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

 u após g, antes de vogal: guard, guest, guitar, tongue

 b pós-vocálico, precedendo t: debt, doubt, subtle

 gh precedendo t: eight, height, ought, light, daughter

 gh após vogal + glide: bough, plough, high, sigh, weigh, neighbor,


although, dough, through3

 t no grupo -stle: castle, bustle, hustle

 c no encontro -scle: muscle

 a após o: moan, loan, cocoa, soap, coach, broad

As categorias acima referem-se a conjuntos de letras que sempre resultam em


silent letters. A seguir, fornecemos uma lista de palavras que não pertencem aos
grupos acima, mas que também possuem letras que não têm um corresponden-
te sonoro.

 silent h: hour, heir, honor, honest, herb

 silent d: handsome, handkerchief, Wednesday

 silent l: yolk, folk

 silent i: juice, fruit, nuisance, cruise

 silent u: biscuit, build, building, built

 silent s: island, isle, aisle, viscount

 silent w: answer, sword, toward, two

 silent o: leopard, Leonard, jeopardize

 silent p: cupboard, raspberry

 silent t em palavras de origem francesa: ballet, buffet, gourmet, challet,


beret, rapport, debut4

 silent e em final de palavra: are, same, cute, more, pure

3
Vogais longas podem ser analisadas como vogal + glide, como a vogal da palavra through (/u:/), que pode ser analisada como thr/uw/ (vogal / u/
+ glide /w/).
4
Nas palavras de origem francesa, as letras -et são pronunciadas /eI/, como em ballet (/bl'eI/).

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

Além das palavras acima, as palavras a seguir também têm silent letters. As
letras que não têm um correspondente sonoro estão destacadas em negrito:

parliament, yacht, mustn’t, corps, , chestnut, lifebuoy, coup, plumber, pharaoh,


asthma, mortgage, indict, receipt

Além dessas, há palavras em que alguma letra “desaparece” da pronúncia


como resultado de um processo de apagamento, característico da fala rápida.
No entanto, diferentemente das palavras da lista acima, em que os segmentos
destacados realmente não têm correspondente sonoro, os elementos destaca-
dos abaixo podem ou não desaparecer na pronúncia5.

sandwich, every, temperature, comfortable, aspirin, vegetable, different, res-


taurant, family, interesting, miserable, separate (adj)

Algumas exceções
Quando estudamos os casos destacados por Celce-Murcia et al. (2000), vimos
que alguns grupos de letras, quando juntas, sempre levam ao “desaparecimento”
de alguma delas na pronúncia. Esse é o caso de palavras como bomb, pronuncia-
da //, em conformidade com a regra segundo a qual, no encontro consonan-
tal –mb, a consoante b não é pronunciada. Agora você deve prestar atenção em
mais um fato: algumas vezes ambas as consoantes são pronunciadas. Quando e
por que isso acontece é o que veremos a seguir.

Às vezes, ao acrescentarmos afixos derivacionais à palavra, sua estrutura é


modificada e ocorre uma ressilabação, ou seja, uma reorganização de sua estru-
tura silábica. Quando isso acontece, a primeira consoante do grupo consonantal
passa a fazer parte da primeira sílaba, encerrando-a. A segunda consoante, por
seu turno, passa a fazer parte da segunda sílaba, como seu primeiro elemento.
Veja o que acontece nos casos abaixo:

bomb (//) bombard (//)


(1 sílaba) (2 sílabas: bom – bard)

No primeiro caso, temos a palavra primitiva, sem afixos derivacionais. Essa


palavra tem apenas uma sílaba, a qual segue a regra –mb > //. No segundo
5
Embora o desaparecimento desses elementos na pronúncia seja opcional, parece ser mais natural apagá-los.

134 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

caso, o acréscimo do afixo –ard causa uma reorganização da estrutura da pala-


vra, criando duas sílabas distintas, fazendo com que os elementos m e b sejam
pronunciados e fiquem, cada um, em uma sílaba.

Celce-Murcia et al. (2000, p. 281) destacam os casos a seguir, nos quais o acrés-
cimo do afixo também causa uma ressilabação.

/m/ bomb crumb thumb

/m-b/ bombard crumble thimble

/m/ autumn damn condemn solemn

/m-n/ autumnal damnation condemnation solemnity

/n/ sign malign design gnostic

/g-n/ signify malignant designation agnostic

/m/ paradigm phlegm diaphragm

/g-m/ paradigmatic phlegmatic diaphragmatic

/n/ know /s/ muscle

/k-n/ acknowledge /s-k/ muscular

Os casos analisados nos mostram que o acréscimo de afixos pode causar uma
reorganização na estrutura da palavra. Isso faz com que sua estrutura original
se altere e elementos que normalmente não seriam pronunciados, acabem por
sê-lo. Será que, a partir disso, é possível dizer que sempre que houver acréscimo
de afixos não há silent letters na palavra derivada?

Observe que, quando analisamos a ressilabação causada pelo acréscimo de


afixos, referirmo-nos a alguns afixos. Existem afixos que não parecem comportar-
se como os aqueles destacados por Celce-Murcia et al. (2000, p. 281). Os afixos
–er, –ed e –ing pertencem a esse grupo. Veja que esses são elementos que se
unem a verbos para formar substantivos (–er) ou diferentes formas verbais: pas-
sado (–ed) e particípio presente (–ing). Veja o que acontece com palavras com
–mb e –gn sem e com esses afixos.
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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

(1) bomb (//)

bomber (//

bombed (//

bombing (//)

(2) climb (//)

climber (//)

climbed (//)

climbing (//)

(3) design (//)

designer (//)

designed (//)

designing (//)

Os exemplos (1) a (3) revelam que, apesar do acréscimo dos afixos –er, –ed,
–ing aos verbos, as regras –mb > // e –gn > // se mantêm. Assim, podemos
concluir que, na grande maioria dos casos, as regras das silent letters se aplicam.
Somente em alguns casos, com alguns afixos derivacionais, há uma ressilabação,
o que faz com que ambos os segmentos sejam pronunciados.

Texto complementar

Silent letters
Some words in English have silent letters. How can we know which letters
in which words are silent?”

Unfortunately, the best answer to this question is “Become a professional


etymologist!” Etymology is the study of the origins of words, and the truth is
that this is more a question of etymology than of grammar.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

To give an idea of how big an area we are considering here, according to


Kent Jones, Education Committee, Esperanto Society of Chicago, “More than
60% of (English) words have silent letters.”

James Chandler observes “Many people are perhaps not aware of the
astonishing fact that nearly every letter of the English alphabet is silent in
some word.”

Here are three reasons why English has so many silent letters:

Old English was 90% phonemic (words sound the same as they look). But
from the beginning of the 15th century, we began to borrow words from
other languages. Because grammar and usage rules are different in other lan-
guages, adopted words did not follow the rules of English pronunciation.

The English language ‘borrowed’ the Latin alphabet, and so we have only
got 26 letters to represent around 41 different significant sounds. This means
that we must attempt to use combinations of letters to represent sounds.

In the Middle English Period William Caxton brought the printing press to
England. As time passed, pronunciation continued to change, but the print-
ing press preserved the old spelling. That’s why today we have words that
end in a silent ‘e’, or have other silent letters in the middle, like ‘might’. In fact,
modern day English is only 40% phonemic.

So are there any rules and can they help us? Axel Wijk (Regularized Eng-
lish, 1959, Stockholm: Almqvist & Wiksells) came up with over 100 rules for
English spelling. It is claimed that by using these rules, you can spell up to
85% of the words in English with 90% accuracy. But is this really helpful? Basi-
cally, no! It gets so complicated that a much easier approach is to memorize
sight words.

So you can see that unfortunately there is no clear way to know about all
the silent letters in English. But is it a hopeless case? Well, the best we can do
is to offer the following list of some silent letters:

 mb at the end of a word (silent b), e.g. comb, lamb, climb.

 sc at the beginning of a word followed by “e” or “i’” (silent c), e.g. sce-
ne, scent, science, scissors (except for the word ‘sceptic’ and its deriva-
tions!).

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

 kn (silent k), e.g. knife, knock, know.  

 mn at the end of a word (silent n), e.g. damn, autumn, column  

 ps at the beginning of a word (silent p), e.g. psalm, psychiatry, psycho-


logy  

 ght (silent gh), e.g. night, ought, taught  

 gn at the beginning of a word (silent g), e.g. gnome, gnaw, gnu

 bt (silent b), e.g. debt, doubtful, subtle (but not in some words, e.g.
“obtain”, “unobtrusive”!)  

The letter H is silent in the following situations:

 at the end of word preceded by a vowel, e.g. cheetah, sarah, messiah;

 between two vowels, e.g. annihilate, vehement, vehicle;

 after the letter “r”, e.g. rhyme, rhubarb, rhythm; 

 after the letters “ex”, e.g. exhausting, exhibition, exhort.  

A particularly good tool for viewing words with silent letters is the Web
Concordancer:

In the “search string” field, select the following options depending on


what you are looking for: “starts with”, e.g. sc, gn, ps; “contains”, e.g. ght, bt,
xh; “ends with”, e.g. mb, mn, vowel + h.

Another interesting possibility here, considering the relevance of etymol-


ogy mentioned above, is to select corpuses from different eras in the “select
corpus” field. If you choose, in turn, the Bible, Sherlock Holmes and a Times
corpus, you will see examples through the ages.

(BRITISH COUNCIL. Silent Letters. Disponível em: <www.britishcouncil.org/learnen-


glish-central-grammar-silent-letters.htm>. Acesso em: fev. 2010.)

Dicas de estudo
Você pode testar seus conhecimentos sobre silent letters através de quizzes
divertidos que podem ser acessados nos seguintes endereços eletrônicos:

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

<www.saintambrosebarlow.wigan.sch.uk/Fun_and_games/silentletters.htm>.

<http://eleaston.com/pr/sl-quiz-01.html>.

<www.usingenglish.com/quizzes/72.html>.

Divirta-se!

Atividades
1. Marque as afirmações abaixo com V ou F.

a) ( ) O “l” da palavra elk não existe na pronúncia. ( )

b) ( ) Não há silent letters na palavra psycho. ( )

c) ( ) Não há silent letters na palavra act. ( )

d) ( ) Não há silent letters na palavra eighteen. ( )

e) ( ) O “g” da palavra resignation não existe na pronúncia. ( )

f) ( ) O “d” da palavra handsome não existe na pronúncia. ( )

g) ( ) O “l” da palavra half não existe na pronúncia. ( )

h) ( ) Não há silent letters na palavra column. ( )

i) ( ) Não há silent letters na palavra resigntion. ( )

j) ( ) O segundo “a” da palavra pharaoh não existe na pronúncia. ( )

2. Nos diálogos abaixo, há palavras com silent letters. Quais são elas? Identifi-
que-as e risque suas silent letters.

I.

a) Where’s Leonard?

b) He’s feeding the leopards.

II.

a) Who was Tutankamon?

b) He was a pharaoh of ancient Egypt.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

III.

a) May I help you?

b) Yes. A cup of cocoa and a slice of toast with raspberry jelly, please.

IV.

a) Are you OK? Do you feel comfortable?

b) I think I still have a temperature.

V.

a) I’ll bring you another aspirin.

b) Can you bring me some vegetable soup, too?

3. Complete os diálogos com palavras que têm silent letters.

I.

a) Are you ready to order?

b) Yes. A chicken ____________________, please.

II.

a) What does Sue’s boyfriend look like?

b) He’s really something! Tall, dark and ____________________.

III.

a) Do you like eggs?

b) Well, I like the white, but I don’t like the ____________________.

IV.

a) Where’s the raspberry jelly?

b) In the kitchen ____________________ .

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

V.

a) What would you do if you won a million dollars?

b) That’s easy! I’d buy a ____________________ and go on a cruise to a Gre-


ek ____________________.

VI.

a) When are you going to see him again?

b) On ____________________ after the game.

VII.

a) Oh, no! I’m overweight again.

b) You should go on a diet and eat mostly ____________________ and


____________________.

VIII.

a) Do you know why the Egyptians built the pyramids?

b) Well, the pyramids were actually built as tombs for the ___________
___________________.

Referências
CELCE-MURCIA, Marianne et al. Teaching Pronunciation – a reference for tea-
chers of English to speakers of other languages. Cambridge: Cambridge Univer-
sity Press, 2000.

CHOMSKY, Noam; HALLE, M. The Sound Pattern of English. Harper & Row,
1968.

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

Gabarito
1.

a) F f) V

b) F g) V

c) V h) F

d) F i) V

e) F j) V

2.

I. Leonard; leopards

II. pharaoh

III. cocoa; toast; raspberry

IV. comfortable; temperature; aspirin; vegetable

3.

I. sandwich

II. handsome

III. yolk

IV. cupboard

V. yacht – island

VI. Wednesday

VII. fruit / vegetables

VIII. pharaohs

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A relação escrita/pronúncia nas palavras com silent letters

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A relação grafia/pronúncia nas palavras
com silent “e”, letras duplas e outros casos
Veremos como se comporta a relação grafia/pronúncia no inglês em
palavras com letras duplas, com silent “e” e com origem em outras línguas,
como o francês e o grego. Veremos que, apesar dessa relação ser frequen-
temente imprevisível e irregular, é possível encontrar regularidades.

A relação grafia/pronúncia na língua inglesa é, sabidamente, irregular


e, frequentemente, imprevisível. Em inglês há entre vinte e quatro e vinte
e sete fonemas consonantais e entre quatorze e vinte fonemas vocálicos,
dependendo do dialeto. Em um sistema de escrita que conta com apenas
vinte e seis letras para representar tantos fonemas distintos, é impossível
pensarmos em uma relação em que cada letra corresponde necessaria-
mente a um fonema. Como resultado, para uma mesma letra, pode haver
um conjunto de diferentes correspondentes sonoros e, para um mesmo
fonema, diferentes letras. Além disso, pode haver letras que não têm cor-
respondente sonoro algum. Veja, por exemplo, as palavras a seguir, em
que a vogal a e as consoantes ch representam diferentes fonemas.

Letra a Pronúncia

cat, apple, map //

safe, bake, cater //

car, mark, far //

assume, ago, visa //

tall, saw, pause1 //

Letras ch Pronúncia

chair, teacher, roach //

chivalry, Chicago, machine //

chaos, architecture, mechanic //


1
As vogais au e aw, juntas, quase sempre resultam na pronúncia //.

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

De forma inversa, as palavras abaixo mostram que um mesmo som pode ser
representado por letras distintas:

// – blood, cut, mother

// – east, eel, money, scene

Há, também, um grande número de palavras com silent letters, letras que não
têm correspondente sonoro algum, como destacado nos exemplos abaixo.

high, know, psychologist, hymn, half, resign, listen, island, debt, guard…

A relação irregular entre grafia e pronúncia no inglês é tão marcante que, não
raro, autores dedicam-se a escrever sobre ela. Vejamos o que diz Gerald Trenite
em seu poema “The chaos”.

The chaos

Gerald Nolst Trenite (1870 - 1946)


Dearest creature in creation,
Study English pronunciation.
I will teach you in my verse
Sounds like corpse, corps, horse, and worse.
I will keep you, Suzy, busy,
Make your head with heat grow dizzy.
Tear in eye, your dress will tear.
So shall I! Oh hear my prayer.

(Disponível em: <www.phon.ucl.ac.uk/home/mark/regeng/>.)

No poema o autor aborda a irregularidade da relação grafia/pronúncia no


inglês fazendo uso de palavras que têm a grafia semelhante, mas diferentes pa-
drões de pronúncia, como corpse (/:/) X corps (/:/); horse (/:/) X
worse (//); Suzy (//) X busy (//); head (//) X heat (/:/);
tear (substantivo: //) X tear (verbo: //), além de palavras com grafia abso-
lutamente diferente, mas com pronúncia semelhante, como tear (verbo: //)
e prayer (//).

Essa relação complexa encontra explicação em alguns fatos, entre eles, pode-
mos destacar alguns:

a) até meados do séc. XVIII, a grafia não era totalmente padronizada. Isso
significa que uma mesma palavra podia ser grafada de diferentes formas;
146 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,
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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

b) a última tentativa bem sucedida de reforma na grafia da língua inglesa


para torná-la mais consistente foi proposta por Noah Webster em 18062.
Desde então, não têm sido feitas propostas amplamente aceitas;

c) existe um grande número de empréstimos de palavras de outras línguas,


os quais geralmente retêm a grafia original. Isso torna a tarefa de relacio-
nar grafia e pronúncia adequadamente uma missão praticamente impos-
sível para aprendizes, nativos ou não, em níveis iniciais.

Os fatos acima contribuem para a famosa irregularidade entre escrita e pro-


núncia na língua inglesa. Contudo, a boa notícia é que, em alguns casos, é possí-
vel encontrarmos regularidades. É isso que estudaremos a seguir.

Silent “e”
Uma das perguntas que estudantes de língua inglesa frequentemente fazem
ao se depararem com palavras como bit e bite, em que a letra i é pronunciada //
e //, respectivamente, é: “como eu sei se a letra i vai ser pronunciada i ou ai?”.
Felizmente, essa pergunta tem uma explicação consistente. Comecemos através
da análise dos grupos de palavras abaixo.

Grupo A Grupo B

fat fate

rat rate

bit bite

sit site

not note

cod code

cut cute

hug huge

Observe que as palavras do grupo B são muito semelhantes àquelas do grupo


A, exceto pelo fato de que as palavras daquele grupo terminam com a vogal e.
Essa vogal não é pronunciada, tanto que é conhecida como silent “e”, mas sua
presença ou ausência na grafia tem uma relação direta com a pronúncia.
2
Foi nessa reforma que surgiram diferenças entre a grafia do inglês americano e aquela do inglês britânico em palavras como color X colour; theater
X theatre, por exemplo. Para saber mais, acesse <http://education.stateuniversity.com/pages/2544/Webster-Noah-1758-1843.html>.

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

Ao fazer uma comparação da pronúncia das palavras dos dois grupos, você
deve ter percebido que as vogais das palavras do Grupo A são simples (/, ,
, / em oposição àquelas do grupo B, que constituem ditongos (/, , ,
:/3. A conclusão a que podemos chegar é, então, que vogais de palavras gra-
fadas com um e final serão pronunciadas como ditongos. Sem esse elemento, a
vogal será simples. Essa regra é bem produtiva e parece não ter exceções.

Letras duplas
Uma outra questão que intriga os aprendizes, também relacionada ao con-
traste da vogal simples x ditongo, surge quando têm de estudar as famosas
“três colunas” dos verbos (forma base, passado simples e particípio passado).
Como sabem que a forma base de verbos como write é pronunciada //,
a tendência é que pronunciem sua forma de particípio passado (written) como
//. O problema é que a forma written é pronunciada //. Por
que isso acontece? Para casos como esse também há uma explicação.

Antes de prosseguirmos para a explicação, veja o quanto você sabe. Como


você pronuncia as palavras da lista a seguir?

ape / apple wafer / waffle

diner / dinner later /latter

game / gamma write / written

bite / bitter ride / ridden

utility / utterance uniform / udder

unity / unnerving hide / hidden

odor / odd quite / quitter

Para começar, preste atenção na forma como essas palavras são escritas.
Todas as primeiras palavras dos pares são grafadas com apenas uma consoante
(por exemplo, ape) e todas as segundas palavras dos pares são grafadas com
consoantes duplas (apple). Será que esse fato tem influência na forma como

3
Estamos usando o termo ditongo aqui para nos referirmos ao encontro de vogal + glide (/,,) ou de glide + vogal (/:/) e o termo simples
para vogais não acompanhadas de glides. Há quem se refira a esses casos como vogal longa e vogal curta, respectivamente.

148 Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A.,


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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

essas palavras são pronunciadas? O que você acha? Vamos conferir a pronúncia
das palavras da lista acima. Preste especial atenção na pronúncia das vogais.

ape (//) apple (//)

diner (//) dinner (//)

game (//) gamma (//)

bite (//) bitter (//)

utility (/:/) utterance (//)

unity (/:/) unnerving (//)

odor (//) odd (//)

wafer (//) waffle (//)

later (//) latter (//)

write (//) written (//)

ride (//) ridden (//)

uniform (/::/) udder (//)

hide (//) hidden (//

quite (//) quitter (//)

Você deve ter percebido que as vogais das palavras da primeira coluna são
pronunciadas como ditongos (/, ,,:/) e as vogais das palavras da se-
gunda coluna, como vogais simples. Então, podemos fazer uma correlação:
quando uma palavra for grafada com consoantes duplas, a vogal que precede
essas consoantes não pode ser pronunciada como ditongo. É por isso que as
vogais das formas verbais write e written têm pronúncias diferentes: como write
é grafado com apenas um t, a vogal i pode ser pronunciada como //4. A grafia
de written, com consoantes duplas (–tt–), não permite que a vogal i seja pronun-
ciada como ditongo, apenas como uma vogal simples: //. A regra das letras
duplas é muito importante na correlação grafia/pronúncia no inglês e há pou-
quíssimas exceções5.
4
É claro que também entra em ação aqui a regra do silent “e”.
5
Essas exceções ocorrem, principalmente em palavras com –oll: poll, toll, roll, em que a vogal é pronunciada //. Há, também, a palavras bass
(contrabaixo), pronunciada //. Possivelmente, existam outras exceções, mas, por serem tão raras, não desqualificam a regra.

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Palavras emprestadas de outras línguas


Na maioria das palavras do inglês grafadas com –et, o –t é pronunciado. Veja,
por exemplo, as palavras abaixo.

supermarket

internet

jacket

closet

bullet

diet

Contudo, algumas vezes, essa consoante existe apenas na grafia, não na pro-
núncia, como é o caso da palavra chalet, pronunciada //. Por que isso
acontece?

Uma das causas da relação grafia/pronúncia ser tão irregular no inglês deve-
-se ao fato de que, em seu vocabulário, há muitas palavras de outras línguas.
Isso não é um problema, já que enriquece o conjunto de palavras da língua. O
empréstimo pode passar a ser um problema quando, como no caso do inglês, a
grafia original das palavras “emprestadas” é mantida, o que faz com que o apren-
diz, seja ele nativo ou não, muitas vezes não consiga fazer a relação grafia/pro-
núncia nessas palavras adequadamente.

Uma das línguas que mais teve influência no vocabulário da língua inglesa é
o francês. Palavras dessa língua incorporaram-se ao vocabulário do inglês, prin-
cipalmente no período conhecido como Middle English, período em que o fran-
cês passou a ser a língua oficial da aristocracia inglesa, após a invasão da Ingla-
terra pelos normandos em 1066, (SCHUTZ, 2008). Muitas das palavras francesas
usadas no inglês terminam em –et. Veja os exemplos abaixo.

ballet crochet

beret croquet

bidet duvet

bouquet gourmet

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buffet parquet

cabaret ricochet

cachet sorbet

chalet sachet

Nessas palavras, a consoante –t não é pronunciada, e –et é pronunciado //,


como em ballet // , buffet //, gourmet //6. Em inglês
americano, a sílaba final, aquela com –et, é a que geralmente leva acento de to-
nicidade, em inglês britânico, a sílaba que recebe a tonicidade é a primeira7.

Considere, agora, os grupos de palavras grafadas com –ch abaixo. Você sabe
como pronunciá-las?

Grupo A Grupo B Grupo C8

change champagne chiropractor

chair chalet chemistry

chief chef chronicle

check chic chorus

chop chaufer choir

Você deve ter percebido que, embora todas as palavras dos grupos acima
sejam grafadas com –ch, seus padrões de pronúncia são diferentes entre si. Isso
ocorre porque a forma como –ch é pronunciado depende da origem da palavra.
Vamos analisar os três grupos separadamente.

Grupo A: todas as palavras desse grupo são originariamente inglesas, por


isso, nesse grupo, –ch é pronunciado //.

Grupo B: as palavras desse grupo são de origem francesa. Nesse caso, -ch é
pronunciado //.

Gupo C: as palavras desse grupo têm origem grega. Nessas palavras, -ch é
pronunciado //.

6
Diferentemente do substantivo buffet, pronunciado // ou /:/, o verbo buffet (bater) é pronunciado //.
7
A palavra bouquet parece ser uma exceção, já que é acentuada na segunda sílaba também por alguns falantes britânicos.
8
Embora a lista traga somente palavras que iniciam com –ch, no inglês também encontramos palavras de origem grega grafadas com –ch em
posição medial, como anchor, mechanic, architecture, psychology, por exemplo.

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

É claro que você não precisa conhecer a etimologia das palavras para saber
como pronunciá-las. Isso é algo que aprendemos com a experiência. Mas agora
você sabe que, em inglês, a origem das palavras influencia a forma como serão
pronunciadas, o que contribui para que, para uma mesma letra ou conjunto de
letras, haja diferentes possibilidades de correspondentes sonoros. Além desse
conhecimento, a consciência das relações entre grafia e pronúncia no inglês,
como a influência do silent “e” e das letras duplas contribuirá para torná-lo um
aprendiz mais seguro e certamente o auxiliará quando tiver de pronunciar pala-
vras desconhecidas.

Texto complementar
O francês é uma língua que influenciou enormemente o vocabulário da língua
inglesa, principalmente no período conhecido como Middle English. O que exa-
tamente aconteceu nesse período do desenvolvimento da língua inglesa? Leia o
texto a seguir e descubra.

Middle English (1100-1500)


O elemento mais importante do período que corresponde ao Middle
English foi, sem dúvida, a forte presença e influência da língua francesa no
inglês. Essa verdadeira transfusão de cultura franco-normanda na nação an-
glo-saxônica, que durou três séculos, resultou principalmente num aporte
considerável de vocabulário. Isso demonstra que, por mais forte que possa
ser a influência de uma língua sobre outra, essa influência normalmente não
vai além de um enriquecimento de vocabulário, dificilmente afetando a pro-
núncia ou a estrutura gramatical.

O passar dos séculos e as disputas que acabaram ocorrendo entre os nor-


mandos das ilhas britânicas e os do continente, provocaram o surgimento de
um sentimento nacionalista e, pelo final do século 15, já se tornava evidente
que o inglês havia prevalecido. Até mesmo como linguagem escrita, o inglês
já havia substituído o francês e o latim como língua oficial para documentos.
Também começava a surgir uma literatura nacional.

Muito vocabulário novo foi incorporado com a introdução de novos con-


ceitos administrativos, políticos e sociais, para os quais não havia equivalen-

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

tes em inglês. Em alguns casos, entretanto, já existiam palavras de origem


germânica, as quais, ou acabaram desaparecendo, ou passaram a coexistir
com os equivalentes de origem francesa, em princípio como sinônimos, mas,
com o tempo, adquirindo conotações diferentes. Exemplos:
Anglo- Anglo- Anglo-
Francês Francês Francês
-Saxão -Saxão -Saxão
answer respond folk people kingly royal
begin commence freedom liberty look search
bill beak ghost phantom pig pork
chicken poultry happiness felicity sheep mutton
clothe dress help aid shut close
come arrive hide conceal sight vision
end finish house mansion wish desire
fair beautiful hunt chase work labor
feed nourish kin relations yearly annual

Pequenas diferenças dialetais resultantes dessa simbiose entre diferentes


grupos sociais e suas respectivas línguas podem ser observadas ainda atu-
almente. Nos meios intelectuais das classes mais privilegiadas dos países de
língua inglesa existe até hoje uma tendência a um uso maior de palavras de
origem latina. De acordo com o norte-americano Pat Brown, frequentador
do fórum de discussões deste site,

The split between the French-speaking Normans and peasant English-spe-


aking Saxons still exists today in a curious fashion. The Normans, as the conque-
rors and rulers, became the upper-class of England and their speech metamor-
phosed into today’s well-educated English – composed primarily of Latin-based
vocabulary. The common everyday speech of most modern English speakers
however is still directly based on the Anglo-Saxon.

Além da influência do francês sobre seu vocabulário, o Middle English se


caracterizou também pela gradual perda de declinações, pela neutralização e
perda de vogais atônicas em final de palavra e pelo início do Great Vowel Shift.

The Great Vowel Shift


Uma acentuada mudança na pronúncia das vogais do inglês ocorreu
principalmente durante os séculos 15 e 16. Praticamente todos os sons vo-
cálicos, inclusive ditongos, sofreram alterações e algumas consoantes dei-
xaram de ser pronunciadas. De uma forma geral, as mudanças das vogais

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

corresponderam a um movimento na direção dos extremos do espectro de


vogais, como representado no gráfico abaixo.

PRONÚNCIA PRONÚNCIA
Front/high Back/high ANTES DO SÉCULO 15 MODERNA
Spread lips Rounded
fine /fi:ne/ /fayn/
i u hus /hu:s/ house /haws/

e o ded /de:d/, semelhante a dedo


em português
deed /diyd/

e c fame /fa:me/, semelhante à


/feym/
atual pronúncia de father
ai a a
Ω
so /só:/, semelhante à atual
/sow/
Central/low pronúncia de saw
Unrounded lips to /to:/, semelhante à atual
/tuw/
pronúncia de toe

O sistema de sons vogais da língua inglesa antes do século 15 era bas-


tante semelhante ao das demais línguas da Europa ocidental, inclusive do
português de hoje. Portanto, a atual falta de correlação entre ortografia e
pronúncia do inglês moderno, que se observa principalmente nas vogais, é,
em grande parte, consequência desta mudança ocorrida no século 15.

(SCHUTZ, Ricardo. História da Língua Inglesa. Publicado em: 2008. Disponível em:
<www.sk.com.br/sk-enhis.html>. Acesso em: fev. 2010.)

Dicas de estudo
Você vai reforçar seus conhecimentos e se divertir ao assistir ao vídeo
sobre o silent “e” no YouTube no endereço <www.youtube.com/watch
?v=EVC9TayQIh8>. Vale a pena conferir.

Para saber mais sobre empréstimos linguísticos através dos diferentes pe-
ríodos de desenvolvimento da língua inglesa, acesse o site <www.ruf.rice.edu
/~kemmer/Words/loanwords.html>.

Atividades
1. Marque as afirmações com V ou F.

a) As palavras chef e chief têm a mesma pronúncia. ( )


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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

b) No inglês, o –et final em palavras de origem francesa, como beret, é pro-


nunciado //. ( )

c) No inglês, o –e em final de palavra não é pronunciado. ( )

d) A vogal a da palavra gaffe não pode ser pronunciada como //. ( )

e) Na grande maioria das palavras do inglês, –ch é pronunciado //. ( )

f) A vogal e em final de palavra não tem qualquer influência na pronún-


cia da palavra. Assim, palavras como glob e globe têm a mesma pronún-
cia. ( )

2. Escolha a alternativa correta.

I. As letras –ch da palavra chivalry, de origem francesa, são pronunciadas:

a) // b) // c) //

II. A vogal i da palavra differ é pronunciada:

a) // b) //

III. A vogal a da palavra ladder é pronunciada:

a) // b) //

IV. As letras –et no substantivo buffet (refeição) e no verbo buffet (bater)


_________ a mesma pronúncia.

a) tem b) não tem

V. A vogal i nas palavras bit e bite ________ a mesma pronúncia.

a) tem b) não tem

VI. As letras –ch da palavra chaos, de origem grega, são pronunciadas:

a) // b) // c) //

VII. A vogal u da palavra fuse é pronunciada:

a) /:/ b) //

VIII. A palavra bass (contrabaixo) constitui uma exceção à regra das letras
duplas, pois, contrariando a regra, essa palavra é pronunciada:

a) // b) //

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

Referências
KEMMER, S. Loanwords. Disponível em: <www.ruf.rice.edu/~kemmer/Words/
loanwords.html>. Acesso em: fev. 2010.

REP. Regular English Pronunciation. Disponível em: <www.phon.ucl.ac.uk/


home/mark/regeng>. Acesso em: fev. 2010.

SCHUTZ, Ricardo. História da Língua Inglesa. Publicado em 2008. Disponível


em:<www.sk.com.br/sk-enhis.html>. Acesso em fev. 2010.

STATE UNIVERSITY. Education Encyclopedia. Disponível em: <http://education.


stateuniversity.com/pages/2544/Webster-Noah-1758-1843.html>. Acesso em:
fev. 2010.

TRENITE, Gerald. The Chaos. Disponível em: <www.phon.ucl.ac.uk/home/mark/


regeng/>. Acesso em: fev. 2010.

Gabarito
1.

a) F

b) V

c) V

d) V

e) V

f) F

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A relação grafia/pronúncia nas palavras com silent “e”, letras duplas e outros casos

2.

I. C

II. A

III. B

IV. B

V. B

VI. A

VII. A

VIII. B

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Homófonos

Nesta aula, estudaremos um fascinante aspecto da relação grafia/pro-


núncia na língua inglesa – homófonos. Veremos que há pares de palavras
que, embora totalmente distintas na grafia, têm a mesma pronúncia.

A língua inglesa constitui-se em um desafio para os aprendizes, nativos


ou não, pois apresenta uma complexa relação entre grafia e pronúncia.
Nessa língua, letras iguais podem representar sons diferentes (–oo: door
– //; blood – //; boot – /:/), letras diferentes podem representar um
mesmo som (//: love, but, flood) e letras podem não ter correspondente
sonoro algum (bough, doubt, knee). Além disso, na língua inglesa, há um
grande número de homófonos – entre oito e dez mil1. Leia o bem-humo-
rado poema abaixo e preste atenção nas palavras destacadas.

Friar Tuck’s on a diet

IESDE Brasil S.A.

On a chilly Sherwood Forest morn


Friar Tuck went out to pick some corn
He also gathered up some chili
The Merry Men all called him silly

1
É claro que esse número depende de alguns fatores. Entre eles, podemos destacar as diferenças existentes entre inglês americano e
inglês britânico. Devido ao fato de a consoante r não ser pronunciada em posição pós-vocálica em inglês britânico, palavras que são
consideradas homófonas nessa variedade do inglês podem não o ser em inglês americano, como as palavras awe e or, consideradas
homófonas em inglês britânico, já que ambas são pronunciadas /:/, mas não em inglês americano, no qual são pronunciadas /:/ e
/:/, respectivamente.
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Homófonos

In to his fryer he put some chips


Any wonder he had such large hips
Maid Marion came to him to warn
If he didn’t diet...him they’d mourn

On his grave they would have to plant thyme


Then at his wake they’d have a good time
Sure made Friar Tuck ponder the thought
Promised a whole new diet he’d sought

A six foot deep hole was not for him


Might go sign up at the local gym
He’d have to bridle his urge to eat
If he desires a true love to meet

He’d be the Chef at the bridal feast


On a large spit, there’d be a wild beast
From his dream he woke with fright and screamed
From now on all he’d eat would be steamed

From this day forth; no more fatty food


His paunchy gut; no longer protrude
No more meals including fourth courses
Jenny Craig’s menu he now endorses

(Disponível em: <http://allpoetry.com/poem/5215163>. Acesso em: fev. 2010.)

De forma bastante criativa, esse interessante poema usa os homófonos chilly/


chili, morn/mourn, friar/fryer, maid/made, thyme/time, whole/hole, bridle/bridal,
forth/fourth. Homófonos são palavras que, embora tenham significados e grafias
diferentes, têm a mesma pronúncia.

Quando pensamos em homófonos, alguns exemplos bastante comuns vêm


imediatamente à nossa mente. Entre eles, podemos destacar as palavras by, bye e
buy; to, too e two, ou mesmo there, their e they’re, o que nos mostra que, não raro,
é possível encontrarmos grupos de mais de duas palavras homófonas. Nesses
exemplos, há alguma semelhança na grafia das palavras. Contudo, por a relação
entre grafia e pronúncia no inglês ser bastante irregular, é possível encontrarmos

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Homófonos

palavras com grafias absolutamente diferentes, mas com a mesma pronúncia.


Esse é o caso de palavras como air e heir, ou wait e weight, por exemplo.

Assim como há diferentes formas de pronunciar uma mesma palavra, de


acordo com o país ou região de origem do falante, há também formas alterna-
tivas de escrever uma mesma palavra. No caso do inglês, há diferenças entre a
grafia britânica e a americana. Veja os exemplos a seguir:

Grafia americana Grafia britânica

ax axe

center centre

gray grey

pajamas pyjamas

practice (v.) practise (v.)

theater theatre

tire tyre

story (pavimento, andar) storey

whisky whiskey

Essas palavras, embora tenham grafias distintas e basicamente a mesma pro-


núncia, não podem ser consideradas homófonas, pois têm o mesmo significado,
ou seja, cada par corresponde à mesma palavra, grafada de forma diferente2.
Considere, agora, os pares de palavras abaixo.

chip cheap

sin scene

hose rose

so soul

Esses pares de palavras, por mais parecida que sua pronúncia possa parecer,
também não são homófonos, pois não são pronunciados exatamente da mesma
forma. Vejamos por quê.

2
A grafia distinta de palavras como essas resulta da reforma proposta por Noah Webster em 1806. Com essa proposta, Webster pretendia tornar a
grafia americana mais simples e mais próxima da linguagem falada.

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Homófonos

chip (//) cheap (/:/)

sin (//) scene (/:/)

hose (//) rose (//)

so (//) soul (//)

Como você pode perceber a partir das transcrições, os dois primeiros pares de
palavras não podem ser considerados homófonos, pois as vogais // e // não
são o mesmo segmento. É justamente a diferença entre essas vogais que distin-
gue palavras como ship/sheep, leave/live em inglês. O terceiro par de palavras
também não constitui homófonos pela óbvia diferença entre as consoantes //
e //, também de valor distintivo em inglês, como nas palavras hat/rat. O quarto
par, por sua vez, distingue-se pela presença ou ausência da consoante //, que
faz com que as palavras desse par não sejam pronunciadas da mesma forma, o
que leva, também, a uma diferença de vocabulário. Essa é a mesma diferença
existente entre go e goal, por exemplo. Assim, para que consideremos palavras
como homófonas, sua pronúncia deve ser realmente a mesma. A seguir, veremos
exemplos de palavras que podem ser consideradas verdadeiros homófonos.

Preste atenção nas palavras abaixo. Todas terminam em –ed e são formas ver-
bais no passado (ou no particípio passado) ou adjetivos. Ative seus conhecimentos
acerca da pronúncia do passado dos verbos regulares e, com eles em mente, tente
pensar em palavras que são pronunciadas da mesma forma que as listadas abaixo.
allowed mowed

banned owed

billed packed

bored passed

bowled sighed

brayed spayed

fined stayed

foaled tied

guessed towed

mined whirled

missed
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Homófonos

Você deve ter lembrado que a marca –ed é pronunciada //, // ou // no
passado dos verbos regulares. Em razão disso, allowed e guessed, por exemplo,
são pronunciados // e //, da mesma forma que aloud e guest.
Assim, as palavras abaixo acabam por ter exatamente a mesma pronúncia que
as palavras da lista anterior.
aloud mode

band ode

build pact

board past

bold side

braid spade

find staid

fold tide

guest toad

mind world

mist

Já que estamos falando em homófonos de verbos em sua forma de passado,


eis alguns verbos irregulares no passado ou no particípio passado. Você conse-
gue pensar em palavras que são pronunciadas como eles?

ate (passado de eat)

blew (passado de blow)

flew (passado de fly)

grown (particípio passado de grow)

made (passado e particípio passado de make)

rode (passado de ride)

seen (particípio passado de see)

taught (passado e particípio passado de teach)

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Homófonos

thrown (particípio passado de throw)

won (passado e particípio passado de win)

wore ( passado de wear)

Então, como você se saiu na tarefa? Alguns homófonos são bastante fáceis de
encontrar; outros, nem tanto. Pois bem, as palavras abaixo têm a mesma pronún-
cia que as palavras anteriores.
eight scene

blue taut

flu throne

groan one

maid war

road

É claro que encontramos homófonos entre outras palavras, não só entre


verbos. Considere as palavras abaixo. Repare que, muitas vezes, não há qualquer
semelhança entre a grafia dos pares ou grupos de homófonos.

air heir

aile isle

bare bear

bass (contrabaixo) base

berry bury

blue blew

boy buoy

cereal serial

choir quire

cite site sight

colonel kernel

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Homófonos

clue clew

crews cruise

doe dough

done dun

draft draught

ewe you

eye I

flower flour

genes jeans

gorilla guerilla

grate great

hair hare

heal heel he’ll

key quay

liar lyre

licker liquor

loan lone

mare mayor

nun none

pair pare pear

pole poll

profit prophet

rain rein reign

roomy rheumy

so sow sew

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Homófonos

slay sleigh

sole soul

stake steak

sweet suite

through threw

wait weight

waist waste

ware wear where

weal we’ll wheel

weir we’re

you’re your yore

yoke yolk

you’ll yule

Algumas das palavras acima, como os pares de homófonos colonel/kernel,


key/quay, ewe/you ou mesmo mare/mayor, por mais diferente que sua grafia
seja, surpreendentemente têm a mesma pronúncia. Homófonos, são, então, um
dos intrigantes (e, por que não dizer, fascinantes) enigmas da relação grafia/pro-
núncia do inglês que o aprendiz tem de aprender a desvendar em sua busca por
um melhor conhecimento da língua. Afinal, entender a relação grafia/pronúncia
também deve fazer parte desse conhecimento.

Texto complementar
Você pode acessar através do endereço <www.rachelsenglish.com/blog_2009
0208> ou no YouTube pelo endereço <www.youtube.com/watch?v=jhVYwIPNji0>.
Vale a pena conferir o vídeo.

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Homófonos

Homophones
Someone has asked me to talk a bit about homophones. Homophones
are words that are spelled differently but pronounced the same. If you’ve
taken a look at my sound chart, then you know that there are many different
ways to pronounce one letter. Let’s start with some homophones in which
it’s the vowels that alter the spelling of the word.

For example, week. Week can be weak as in not strong, it can also be
week as in seven days. Naval. This can either mean pertaining to ships or
the belly button. One is spelled with an A and the other an E and, now, they
are making here the schwa sound. Every vowel in American English can be
pronounced as a schwa when it is in an unaccented syllable. Die can either
mean to become dead or to – a process of changing the color of something.
Now, this is either spelled I-E or Y-E. And Y in English is a consonant but it
often acts like a vowel. And here I would say it is acting like a vowel and this
is a difference in vowel spellings.

Now let’s look at a comparison where it’s the consonants that change the
spelling of the word. Patients. This can be the plural of patient, for example,
a patient waiting to see a doctor, or it can be the noun patience: what you
have when someone is being very annoying but you do not yell at them. In
one case it is a T-S, and in the other case it is a C-E. Patience. So they can both
have this “ts” sound. Disburse. If this is spelled with a B-U, it means to pay out
money. When it’s spelled with a P-E, it means to scatter. Disperse. Now, the
B and the P are related. B, bb, being the voiced version of P, pp. Now in this
word, disperse, the B/P is almost a mix between being voiced and unvoiced,
it’s like it’s so light that they sound exactly the same within the word. Disper-
se, disburse.

In the past, –ed is sometimes pronounced as a T. So the word passed can


either be passed, as in the past tense of the verb to pass, or it can be past the
noun, past.

Sometimes one word in a pair of homophones is a contraction. For exam-


ple, we’ve. It can be the contraction of we have: we’ve been there. Or it can
be the verb to weave. Also, who’s: who is. Who’s coming? Or it can be whose
showing possession: whose bag is this? Sometimes it is the past tense of a
verb when it is not pronounced as a T that makes it a homophone. For exam-

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Homófonos

ple, towed. My car was towed yesterday. That is also like toad, the animal
that is related to the frog. Sealing is the ING form of the word to seal: I’m
sealing some envelopes. However spelled with a C, and also a vowel change,
it means the ceiling.

The K before an N can sometimes be silent, which created several ho-


mophone pairs. Knight and night, one spelled with a K being a figure from
Medieval times, and the other being the opposite of day. These are spelled
exactly the same except for the K. However there are others where the word
is not spelled exactly the same. For example: knows, as in, who knows the
answer? And of course, nose. The ff sound can be spelled with either an F
or a P-H, which gives us the homophone pair profit. Profit with an F-I, mea-
ning, money you make, and with a P-H-E meaning someone who speaks with
divine inspiration.

Two homophones that contain country names: Greece, being a coun-


try, but also being what you put in a pan when you want to fry something;
Turkey, being a country, but when it’s not capitalized, being the name of a
bird. These are just a few of the many examples of homophones in English.

(RACHEL`S ENGLISH. Homophones. Disponível em: <www.rachelsenglish.com/


blog_20090208>. Acesso em: fev. 2010.)

Dicas de estudo
Você pode obter uma lista de homófonos no endereço: <http://members.
peak.org/~jeremy/dictionaryclassic/chapters/homophones.php>.

Você pode testar seus conhecimentos sobre homófonos jogando “Memória”


on-line no endereço <http://teacher.scholastic.com/activities/adventure/gram-
mar5.htm#>.

Atividades
1. As palavras abaixo são homófonas? Marque com um √ os pares (ou trios) que
representam homófonos.

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a) ( ) buoy – boy

b) ( ) sweet – suit

c) ( ) board – bored

d) ( ) rose – hose

e) ( ) so – soul

f) ( ) chip – cheap

g) ( ) allowed – aloud

h) ( ) threw – through

i) ( ) niece – nice

j) ( ) passed – past

k) ( ) reign – rain

l) ( ) their – there – they’re

m) ( ) wore – war

n) ( ) Sue – sew

o) ( ) flu – flew

p) ( ) colonel – kernel

q) ( ) lone – loan

r) ( ) one – won

s) ( ) told – toad

t) ( ) suit – suite

u) ( ) key – quay

2. Escolha a alternativa correta.

I. A palavra _____________ tem a mesma pronúncia que sew.

a) so

b) Sue

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II. A palavra _____________ tem a mesma pronúncia que through.

a) thought

b) threw

III. A palavra _____________ tem a mesma pronúncia que toad.

a) towed

b) told

IV. A palavra _____________ tem a mesma pronúncia que choir.

a) chore

b) quire

V. As palavras flour e floor _____________ homófonas.

a) são

b) não são

VI. As palavras bear e beer _____________ homófonas.

a) são

b) não são

VII. As palavras pair e pear _____________ homófonas.

a) são

b) não são

VIII. As palavras their e there _____________ homófonas.

a) são

b) não são

Referências
RACHEL`S ENGLISH. Homophones. Disponível em: <www.rachelsenglish.com/
blog_20090208>. Acesso em: fev. 2010.

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Gabarito
1.

Alternativas corretas: A, C, G, H, J, K, L, M, O, P, Q, R, U.

2.

I. A

II. B

III. A

IV. B

V. B

VI. B

VII. A

VIII. A

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Anotações

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