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Eletrônica de Potência. Cap. 6 Prof.

Sérgio Augusto Oliveira da Silva


Engenharia Elétrica

6 – CONVERSORES CC-CC (Choppers)

6.1 – Introdução

Os choppers são conversores CC-CC que podem convertem uma fonte de tensão CC fixa em uma
fonte de tensão CC variável, ou ainda, converter uma fonte de tensão CC variável em uma fonte de
tensão CC fixa. Sua larga aplicação industrial se concentra no acionamento de máquinas CC para tração
elétrica, frenagem regenerativa de máquinas de corrente contínua, fontes chaveadas, sistemas de energia
ininterrupta (UPS – Uninterruptible Power Supply), dentre outras.
O circuito de potência dos conversores CC-CC é construído, basicamente, através da combinação
de elementos passivos, como indutores e capacitores, juntamente com dispositivos semicondutores de
potência como transistores (BJT’s, MOSFET’s, IGBT´s, etc.), tiristores (SCR’s, GTO’s, etc.), operando
em alta frequência no modo chaveado.
Duas técnicas de controle são empregadas nos conversores CC-CC, as quais controlam o fluxo de
potência entre a entrada e a saída do conversor, sendo elas:

• Controle em frequência constante: Nesta técnica de controle a frequência de operação é


mantida constante e controle é feito apenas pela variação do tempo em que a fonte de entrada
fornece energia para a carga. Sendo assim, a largura do pulso é controlada e esta técnica de
controle é conhecida como modulação por largura de pulsos (PWM – Pulse Width
Modulation);
• Controle em frequência variável: Nesta técnica de operação o tempo em que a fonte de
entrada fornece energia para a carga pode ser mantido constante, mas a frequência de
operação do conversor é variada. O inconveniente desta técnica é que pelo fato da frequência
ser variável dificulta o projeto de filtros.

Uma forma de controle PWM está mostrada na Fig. 6.1. A tensão de saída a ser controlada Vo é
medida e comparada com um sinal de referência Vo ref . O sinal de erro de saída Ve passa por um
controlador que gera um sinal de controle Vc . O sinal de controle é comparado com um sinal de
referência Vr (dente de serra) de forma a gerar um sinal PWM V g , adequado para controlar o chopper.

Fig.6.1 – Geração do sinal de controle PWM de um conversor CC-CC (chopper)


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6.2 – Topologias de conversores CC-CC

Alguns choppers serão estudados em aplicações como as fontes chaveadas, onde a tensão de
entrada CC pode ser variável, enquanto a tensão de saída é sempre fixa. Também serão discutidas formas
de se controlar a velocidade de máquinas CC utilizando os choppers.
Existem dois tipos de topologias fundamentais de conversores CC-CC, os quais são chamados de
conversor abaixador (conversor Buck) e conversor elevador (conversor Boost). No conversor Buck a
tensão média de saída é sempre menor ou igual à tensão de entrada e no conversor Boost a tensão média
de saída é sempre maior ou igual à tensão de entrada. Neste capítulo, além dos conversores Buck e Boost
serão estudados os conversores CC-CC chamados Buck-Boost e Cúk, nos quais a tensão média de saída
poderá ser maior, igual ou menor que a tensão de entrada.

6.2.1 – Conversores CC-CC para o controle de velocidade de Máquinas CC.

Um conversor CC-CC abaixador de tensão, destinado para o acionamento de máquinas CC está


representado na Fig. 6.2. Como dito anteriormente, sua característica principal é a que a tensão média de
saída é menor que a tensão de alimentação de entrada do conversor. Os conversores elevadores também
são usados para o acionamento de máquinas CC, em aplicações onde se deseja frear a máquina com o
envio da energia para a fonte. Este tipo de frenagem é chamado de frenagem regenerativa. Percebe-se
através da Fig. 6.2 (a) e (b) que a tensão de saída aplicada à carga não precisa ser filtrada. Já a corrente de
carga é naturalmente filtrada pela ação da indutância de armadura La .

(a)

(b)
Fig.6.2 – Conversor classe A: operação no I quadrante.

O conversor da Fig. 6.2 (a) é usado quando a máquina CC opera em apenas um quadrante. Neste
caso, a velocidade da máquina é unidirecional e a frenagem regenerativa não é requerida. Este conversor
é também chamado de conversor classe A.
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Desconsiderando as quedas de tensão nos semicondutores, quando a chave T1 é fechada, a tensão


Vs é aplicada toda sobre os terminais da carga. No momento que T1 é aberta, dada a característica da
carga ser indutiva, a corrente circula através do diodo de circulação D1. Desse modo, percebe-se que a
corrente de armadura pode circular em apenas um sentido e jamais existirá nos terminais da carga tensões
negativas devido à presença do diodo de circulação D1. As formas de onda correspondente às grandezas
do circuito são mostradas na Fig. 6.2 (b).
Caso a velocidade deva manter um sentido de rotação único, mas a operação de frenagem é
requerida, então um conversor de dois quadrantes dever ser usado, como o mostrado na Fig. 6.3 (b). Este
conversor que também chamado de conversor classe C, é formado pela junção do conversor classe B da
Fig. 6.3 (a) com o conversor classe A da Fig. 6.2 (a). A presença do conversor classe B na composição
do conversor classe C, possibilita que o sentido da corrente de armadura possa ser invertido, mesmo
considerando que a tensão nos terminais da máquina, apesar de poder ser controlada, seja sempre
positiva. Uma corrente de armadura positiva no conversor classe C caracteriza uma operação de tração.
Já uma corrente negativa, coloca-o em operação de frenagem regenerativa sem alteração no sentido de
rotação da máquina.
O esquema da Fig. 6.3 (c) é usado quando se deseja fazer uma frenagem dinâmica, ou seja, uma
frenagem dissipativa. Neste caso, ao invés da energia ser devolvida para a fonte de entrada, esta é toda
dissipada na resistência Rd. É bom lembrar que nem sempre a fonte de entrada é receptora de energia.

Fig.6.3 – (a) Conversor classe B: operação no II quadrante; (b) Conversor classe C: operação no I e II quadrantes;
(c) Conversor classe C para frenagem dinâmica (dissipativa).

Na Fig. 6.4, está representado o conversor classe D. Quando T1 e T4 encontram-se em condução,


é aplicada aos terminais da carga uma tensão positiva Vs. Quando estes são desligados, a corrente de
armadura circula através dos diodos D1 e D4, de forma que a tensão nos terminais da carga se inverta.
Apesar da inversão de tensão na carga, a corrente de armadura não se inverte, portanto não caracteriza
uma operação de frenagem. Neste intervalo o que ocorre é apenas a transferência da energia acumulada
na indutância de armadura para a fonte de alimentação, ou seja, a energia presente na massa girante
acoplada ao eixo da máquina permanece inalterada.

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Fig. 6.4 - Conversor classe D: operação no I e IV quadrantes.

O conversor classe E está mostrado na Fig. 6.5. Quando as chaves T1 e T4 são comandadas, o
sistema funciona no I e IV quadrantes, ou seja, com torque positivo. Já se as chaves comandadas são T2 e
T3 o conversor opera no II e III quadrantes, ou seja, com torque negativo.
A Fig. 6.6 (a) e (b) mostra os dispositivos em condução na operação do conversor em seus
respectivos quadrantes. Os quatro quadrantes de operação do conversor são mostrados em dois planos
diferentes. A Fig. 6.6 (a) do plano indicado é representado pelos valores médios da tensão nos terminais
da carga Va e pela corrente média de armadura I a , e a Fig. 6.6 (b) mostra o plano representado pela
velocidade angular ω m e pelo torque da máquina Ta . Desta forma, pode-se resumir o
comportamento da máquina operando nos quatro quadrantes conforme a Tabela 6.1. Admite-se que a
máquina girando no sentido horário possui a força contra-eletromotriz positiva, ou seja Ea > 0 , e no
sentido anti-horário E a < 0 .

Fig.6.5 – Conversor classe E.

(a) (b)
Fig.6.6 – Dispositivos em condução no conversor classe E.

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Tabela 6.1 – Características de Operação da Máquina CC.


Quadrante de Velocidade Torque Sentido de Variação de Classe do
Operação ( Ea ) ( Ia ) Rotação Velocidade Conversor
I Ea > 0 Ia > 0 Horário aceleração A, C, D e E
II Ea > 0 Ia < 0 Horário frenagem B, E
III Ea < 0 Ia < 0 Anti-horário aceleração E
IV Ea < 0 Ia > 0 Anti-horário frenagem DeE

Os valores médios da tensão nos terminais carga Va , considerando condução contínua, para as
diversas classes de conversores é mostrado na tabela 2.

Tabela 6.2 – Valores médios da tensão nos terminais da carga Va .

Classe do conversor Tensão média da carga Va


A Va = DVs
B Va = (1 − D)Vs
Va = DVs (tração) e
C
Va = (1 − D)V s (frenagem)
D Va = (2D − 1)Vs
E Va = ( 2 D − 1)V s ou Va = (1 − 2 D)V s

6.2.2 – Conversores CC-CC em fontes chaveadas.

6.2.2.1 – Conversor Buck

O diagrama do circuito do conversor Buck está mostrado na Fig. 6.7. Como pode ser observado
neste diagrama um filtro LC é colocado no estágio de saída de forma que a tensão de saída seja contínua
e com baixa ondulação.

Fig.6.7 – Diagrama do conversor Buck.

6.2.2.1.1 – Princípio de funcionamento do conversor Buck

Admitindo condução contínua, a primeira etapa de funcionamento inicia-se em t = 0, quando a


chave S é fechada. Neste instante a corrente de entrada cresce e flui através do indutor L, do capacitor C e
da carga. Neste intervalo ocorre a transferência de energia para a carga.
A segunda etapa de funcionamento inicia-se quando em t = t1 , quando a chave S é aberta. Neste
instante a o diodo de circulação D1 conduz devido a energia armazenada no indutor e a corrente
permanece circulando de forma decrescente através do indutor L, do capacitor C e da carga, até que a
chave S seja novamente fechada.
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Considerando a condução contínua, as formas de onda de tensão e corrente, baseado no circuito


da Fig. 6.7, são mostradas na Fig. 6.9.
Para efeito de análise o circuito da Fig. 6.7 pode ser substituído pelo circuito da Fig. 6.8 onde a
tensão da carga é substituída por uma fonte de tensão Vo .

Fig.6.8 – Diagrama equivalente do conversor Buck.

Fig.6.9 – Formas de onda do conversor Buck (condução contínua).

Para a primeira etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

diL (6.1)
V L = V s − Vo = L
dt

No intervalo de tempo ∆t 1 = t 1 - 0, a variação de corrente no indutor será ∆I L = I L max − I L min ,


assim (6.1) torna-se

∆I L (I − I L min ) (6.2)
Vs − Vo = L = L L max
∆t 1 t1

Desse modo, o tempo t1 pode ser calculado por

∆I L (I L max − I L min ) (6.3)


t1 = L =L
(Vs − Vo ) (Vs − Vo )
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Para a segunda etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

∆I L (6.4)
− Vo = − L
t2

Desse modo, o tempo t 2 pode ser calculado por

∆I L (6.5)
t2 = L
Vo
Através das expressões (6.2) e (6.5) tem-se que

( Vs − Vo )t1 Vo t 2 (6.6)
∆I L = =
L L

Pela expressão (6.6) e sabendo que t 2 = T − t1 , obtêm-se

Vs t 1 (6.7)
Vo =
T

Definindo razão cíclica D como a relação entre o período que a chave S permanece fechada ( t1 ) e
o período de chaveamento T encontra-se

Vo = DVs (6.8)

Onde

t1 (6.9)
D=
T

Desse modo, percebe-se através de (6.8) que a tensão de saída pode ser variada através da
variação da razão cíclica D. Como D é sempre menor ou igual a 1, conclui-se que a tensão de saída Vo
será sempre menor ou igual a tensão de entrada Vs .
Para um circuito sem perdas onde a potência de entrada é igual à potência de saída encontra-se:

I s = DI o (6.10)
Onde
I s é a corrente média da fonte de entrada;
I o é a corrente média da carga.

6.2.2.1.2 – Ondulação da corrente de saída

Pelas equações (6.3) e (6.5) e sabendo-se que T = t 1 + t 2 encontra-se a ondulação da corrente de


saída como
V ( V − Vo ) Vs D( 1 − D ) (6.11)
∆I L ≅ o s =
fLV s fL

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Por (6.11) observa-se que a ondulação máxima da corrente no indutor de filtragem L ocorre
quando D = 0,5. Desse modo:
V (6.12)
∆I L max ≅ s
4 fL

6.2.2.1.3 – Ondulação da tensão de saída

Para o cálculo da ondulação de tensão no capacitor C admite-se que a componente alternada da


corrente do indutor L circule todo por ele, ou seja, ∆i L = ∆iC .
Sendo assim, considerando que a corrente média do capacitor que flui no período de pico a pico
∆I
da ondulação do capacitor, I c = L , tem-se que
4
∆I (6.13)
∆VC ≅ L
8 fC

Desse modo por (6.13) e (6.11) encontra-se a ondulação de tensão no capacitor, ou seja:

Vs D( 1 − D ) (6.14)
∆VC ≅ 2
8 f LC

Por (6.14) observa-se que a ondulação máxima de tensão no capacitor de filtragem C ocorre
quando D = 0,5. Desse modo:
Vs (6.15)
∆VC max ≅ 2
32 f LC

Através das expressões (6.11) e (6.14) pode-se dimensionar o filtro de saída. Deve-se considerar
no dimensionamento do filtro LC, o valor da sua frequência de ressonância que é dada pela expressão
(6.16).
1 (6.16)
fo =
2π LC
Para evitar que a tensão de saída possa atingir valores excessivos, deve-se escolher um filtro cuja
frequência de ressonância seja muito menor que a frequência de chaveamento do conversor, ou seja:

f > fo (6.17)

6.2.2.2 – Conversor Boost

O diagrama do circuito do conversor Boost está mostrado na Fig. 6.10. Como pode ser observado
neste diagrama um filtro L é colocado na entrada e um filtro C é colocado no estágio de saída de forma
que a tensão de saída seja contínua e com baixa ondulação.

Fig.6.10 – Diagrama do conversor Boost.


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6.2.2.2.1 – Princípio de funcionamento do conversor Boost

Admitindo condução contínua, a primeira etapa de funcionamento inicia-se em t = 0, quando a


chave S é fechada. Neste instante a corrente de entrada cresce e flui através do indutor L e através da
chave S.
A segunda etapa de funcionamento inicia-se quando em t = t1 , quando a chave S é aberta. Neste
instante a energia armazenada no indutor L é transferida para a carga e a corrente no indutor permanece
circulando de forma decrescente através do indutor L, do diodo D1 , do capacitor C e da carga, até que a
chave S seja novamente fechada. Observa-se que isto apenas é possível se a tensão de saída Vo for
superior à tensão de entrada Vs .
Considerando a condução contínua, as formas de onda de tensão e corrente baseado no circuito da
Fig. 6.10 são mostradas na Fig. 6.12.
Para efeito de análise o circuito da Fig. 6.10 pode ser substituído pelo circuito da Fig. 6.11 onde a
tensão da carga é substituída por uma fonte de tensão Vo .

Fig.6.11 – Diagrama equivalente do conversor Boost.

Fig.6.12 – Formas de onda do conversor Boost (condução contínua).

Para a primeira etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

di L (6.18)
VL = Vs = L
dt

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No intervalo de tempo ∆t1 = t1 - 0, a variação de corrente no indutor será ∆I L = I L max − I L min ,


assim (6.18) torna-se

∆I L (I − I L min ) (6.19)
Vs = L = L L max
∆t 1 t1

Desse modo, o tempo t1 pode ser calculado por

∆I L (I L max − I L min ) (6.20)


t1 = L =L
Vs Vs

Para a segunda etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

∆I L (6.21)
Vs − Vo = − L
t2

Desse modo, o tempo t 2 pode ser calculado por

∆I L (6.22)
t2 = L
(Vo − Vs )
Através das expressões (6.19) e (6.22) tem-se que

( Vo − Vs )t 2 Vs t 1 (6.23)
∆I L = =
L L

Pela expressão (6.23) e sabendo que t1 = T − t 2 , obtêm-se

V sT (6.24)
Vo =
t2

Pela definição da razão cíclica D dada por (6.9), a expressão (6.24) torna-se:

Vs (6.25)
Vo =
(1− D )

Desse modo, percebe-se através de (6.24) que a tensão de saída pode ser variada através da
variação da razão cíclica D. Como D é sempre menor ou igual a 1, conclui-se que a tensão de saída Vo
será sempre maior ou igual a tensão de entrada Vs .
Para um circuito sem perdas onde a potência de entrada é igual a potência de saída, a corrente
média de entrada I s é dada por

Io (6.26)
Is =
(1− D)

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6.2.2.2.2 – Ondulação da corrente de entrada

Pelas equações (6.20) e (6.22) e sabendo-se que T = t 1 + t 2 encontra-se a ondulação da corrente


de entrada como
V ( V − Vs ) V s D (6.27)
∆I L ≅ s o =
fLVo fL

6.2.2.2.3 – Ondulação da tensão de saída

Para o cálculo da ondulação de tensão no capacitor C admite-se, no intervalo de tempo ∆t1 , que a
corrente média do capacitor I C é igual a corrente média da carga I o . Desse modo tem-se que:

I ot1 (6.28)
∆VC ≅
C

Pelas expressões (6.20), (6.27) e (6.28) encontra-se (6.29), ou seja:

I o ( Vo − Vs ) I o D (6.29)
∆VC ≅ =
Vo fC fC

Através das expressões (6.27) e (6.39) pode-se dimensionar os filtros de entrada e saída do
conversor Boost.

6.2.2.3 – Conversor Buck-Boost

O diagrama do circuito do conversor Book-Boost está mostrado na Fig. 6.13. Através deste
circuito a tensão de saída poderá ser maior, igual ou menor que a tensão de entrada. Este circuito tem a
característica de possuir a tensão de saída com polaridade invertida da tensão de entrada. Como nos dois
conversores apresentados anteriormente dois elementos armazenadores de energia, um indutor L e um
capacitor C compõem a formação deste conversor que também é chamado de conversor CC a
acumulação indutiva.

Fig.6.13 – Diagrama do conversor Buck-Boost.

6.2.2.3.1 – Princípio de funcionamento do conversor Buck-Boost

Admitindo condução contínua, a primeira etapa de funcionamento inicia-se em t = 0, quando a


chave S é fechada. Neste instante a corrente de entrada cresce e flui através do indutor L e da chave S.
A segunda etapa de funcionamento inicia-se em t = t1 , quando a chave S é aberta. Neste instante
a energia armazenada no indutor L é transferida para a carga e a corrente no indutor permanece
circulando de forma decrescente através do diodo D1 , do capacitor C e da carga, até que a chave S seja
novamente fechada.

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Considerando a condução contínua, as formas de onda de tensão e corrente baseado no circuito da


Fig. 6.13 são mostradas na Fig. 6.15.
Para efeito de análise o circuito da Fig. 6.13 pode ser substituído pelo circuito da Fig. 6.14 onde a
tensão da carga é substituída por uma fonte de tensão Vo .

Fig.6.14 – Diagrama equivalente do conversor Buck-Boost.

Fig.6.15 – Formas de onda do conversor Buck-Boost (condução contínua).

Para a primeira etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

di L (6.30)
VL = Vs = L
dt

No intervalo de tempo ∆t1 = t1 - 0, a variação de corrente no indutor será ∆I L = I L max − I L min ,


assim (6.30) torna-se

∆I L (I − I L min ) (6.31)
Vs = L = L L max
∆t 1 t1

Desse modo, o tempo t1 pode ser calculado por

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∆I L (I L max − I L min ) (6.32)


t1 = L =L
Vs Vs

Para a segunda etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

∆I L (6.33)
− Vo = − L
t2

Desse modo, o tempo t 2 pode ser calculado por

∆I L (6.34)
t2 = L
Vo

Através das expressões (6.31) e (6.33) tem-se que

V s t 1 Vo t 2 (6.35)
∆I L = =
L L

Pela expressão (6.35) e sabendo que t 2 = T − t1 , obtêm-se

Vs t1 (6.36)
Vo =
T − t1

Pela definição da razão cíclica D dada por (6.9), a expressão (6.36) torna-se:

Vs D (6.37)
Vo =
(1 − D)

Desse modo, percebe-se através de (6.37) que a tensão de saída pode ser variada através da
variação da razão cíclica D. Como D é sempre menor ou igual a 1, conclui-se que a tensão de saída Vo
poderá ser maior, menor ou igual a tensão de entrada Vs .
Para um circuito sem perdas onde a potência de entrada é igual a potência de saída, a corrente
média de entrada I s é dada por

IoD (6.38)
Is =
(1− D)
Onde
I o é a corrente média da carga.

6.2.2.3.2 – Ondulação da corrente de entrada

Pelas equações (6.32) e (6.34) e sabendo-se que T = t 1 + t 2 encontra-se a ondulação da corrente


de entrada como

VsVo V D (6.39)
∆I L ≅ = s
fL( Vo − Vs ) fL
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6.2.2.3.3 – Ondulação da tensão de saída

Para o cálculo da ondulação de tensão no capacitor C admite-se que, no intervalo de tempo ∆t1 , a
corrente média do capacitor I C é igual a corrente média da carga I o . Desse modo tem-se que:

I ot1 (6.40)
∆VC ≅
C

Pelas expressões (6.36) e (6.40) encontra-se (6.41)

I oVo I D (6.41)
∆VC ≅ = o
( Vo − Vs ) fC fC

Através das expressões (6.39) e (6.41) pode-se dimensionar os elementos de filtragem do


conversor Buck-Boost.

6.2.2.4 – Conversor Cúk

O diagrama do circuito do conversor Cúk está mostrado na Fig. 6.16. Como no conversor Buck-
Boost a tensão de saída poderá ser maior, igual ou menor que a tensão de entrada. Este circuito também
tem a característica de possuir a tensão de saída com polaridade invertida da tensão de entrada. O
conversor Cúk também é chamado de conversor CC a acumulação capacitiva.

Fig.6.16 – Diagrama do conversor Cúk.

6.2.2.4.1 – Princípio de funcionamento do conversor Cúk

Admitindo condução contínua, a primeira etapa de funcionamento inicia-se em t = 0, quando a


chave S está fechada. A corrente através do indutor L1 cresce e o capacitor C1 que anteriormente estava
carregado polariza reversamente o diodo D1 que é bloqueado. A energia proveniente da fonte de entrada
que havia sido acumulada no capacitor C1 é transferida para a carga, capacitor C 2 e indutor L2 . Nesta
etapa, a chave “S” conduz tanto a corrente do indutor L1 como de L2 .
A segunda etapa de funcionamento inicia-se em t = t1 , quando a chave S é aberta. A energia
acumulada em L2 , na primeira etapa, é transferida para a carga. Nesta etapa o diodo D1 também conduz
tanto a corrente do indutor L1 como de L2 . Portanto, neste intervalo a corrente de entrada (indutor L1 )
decresce e flui através do capacitor C1 e diodo D1 . Percebe-se que nesta etapa o capacitor C 1 volta a se
carregar.
Considerando a condução contínua, as formas de onda de tensão e corrente baseado no circuito da
Fig. 6.16 são mostradas na Fig. 6.18.
Para efeito de análise o circuito da Fig. 6.16 pode ser substituído pelo circuito da Fig. 6.17 onde a
tensão da carga é substituída por uma fonte de tensão Vo .

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Fig.6.17 – Diagrama equivalente do conversor Cúk.

Fig.6.18 – Formas de onda do conversor Cúk (condução contínua).

Para a primeira etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor é dada por

diL 1 (6.42)
VL1 = Vs = L1
dt

No intervalo de tempo ∆t 1 = t 1 - 0, a variação de corrente no indutor será ∆I L1 = I L1 max − I L1 min ,


assim (6.42) torna-se:

Vs = L1
∆I L 1 (I
= L1 L1 max
− I L1 min ) (6.43)
∆t 1 t1

Desse modo, o tempo t1 pode ser calculado por

t1 = L1
∆I L 1
= L1
(I L1 max − I L1 min ) (6.44)
Vs Vs

Para a segunda etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor L1 é dada por

∆I L1 (6.45)
Vs − VC 1 = − L1
t2
Desse modo, o tempo t 2 pode ser calculado por
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∆I L 1 (6.46)
t 2 = − L1
(Vs − VC 1 )
Através das expressões (6.44) e (6.46) tem-se que

Vs t 1 − (Vs − VC 1 )t 2 (6.47)
∆I L 1 = =
L1 L1

Pela expressão (6.47) e sabendo que t 2 = T − t1 , obtêm-se

Vs T (6.48)
VC1 =
T − t1

Pela expressão (6.9) e (6.48) a tensão média no capacitor C1 torna-se

Vs (6.49)
VC 1 =
(1− D )

Já a corrente no indutor L2 no intervalo de tempo ∆t1 = t1 - 0 será ∆I L 2 = I L 2 max − I L 2 min . Desse


modo,

VC1 − Vo = L2
∆I L 2 (I
= L2 L 2 max
− I L 2 min ) (6.50)
∆t1 t1

Assim, o tempo t1 também pode ser calculado por

t1 = L2
∆I L 2 (I
= L2 L 2 max
− I L 2 min ) (6.51)
(VC1 − Vo ) (VC1 − Vo )
Para a segunda etapa de funcionamento da estrutura a tensão no indutor L2 é dada por

∆I L 2 (6.52)
− Vo = − L 2
t2

Desse modo, o tempo t 2 pode ser calculado por

∆I L 2 (6.53)
t 2 = L2
Vo
Através das expressões (6.51) e (6.52) tem-se que

(VC1 − Vo )t1 V t V D (6.54)


∆I L 2 = = o2 = s =
L2 L2 fL2

Assim pelas expressões (6.49), (6.54) e sabendo que t 2 = T − t1 , obtêm-se a tensão média no
capacitor C1 .
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Eletrônica de Potência. Cap. 6 Prof. Sérgio Augusto Oliveira da Silva
Engenharia Elétrica

Vo (6.55)
V C1 =
D

Portanto, igualando as equações (6.49) e (6.55) encontra-se a tensão média de saída.

Vs D (6.56)
Vo =
(1 − D)

Desse modo, percebe-se através de (6.56) que a tensão de saída pode ser variada através da
variação da razão cíclica D. Como D é sempre menor ou igual a 1, conclui-se que a tensão de saída Vo
poderá ser maior, menor ou igual a tensão de entrada Vs .
Para um circuito sem perdas onde a potência de entrada é igual a potência de saída, a corrente
média de entrada I s é dada por

IoD (6.57)
Is =
(1− D)

6.2.2.4.2 – Ondulação das correntes nos indutores

Pelas equações (6.44) e (6.46) e sabendo-se que T = t 1 + t 2 encontra-se a ondulação da corrente


no indutor L1 como

− Vs (Vs − VC 1 ) Vs D (6.58)
∆I L 1 ≅ =
fL1VC 1 fL1

A ondulação no indutor L2 considerando as expressões (6.51) e (6.53) será dada por

Vo (VC 1 − Vo ) Vs D (6.59)
∆I L 2 ≅ =
fL2VC 1 fL2

6.2.2.4.3 – Ondulações das tensões nos capacitores

As ondulações nos capacitores C1 e C 2 são dadas, respectivamente por (6.60) e (6.61).

Is( 1 − D ) (6.60)
∆VC 1 ≅
fC1

VS D (6.61)
∆VC 2 ≅
2
8C 2 L2 f

Bibliografia:
MOHAN Ned; UNDELAND Tore M.; ROBBINS William P. Power Electronics – Converters,
Applications and Design. 2 ed. New York: John Wiley & Sons, Inc., 1995.
RASHID, Muhammad H. Eletrônica de Potência. São Paulo: Makron Books, 1999.
AHMED, Ashfaq. Eletrônica de Potência. São Paulo: Makron Book, 2000;
MELLO, Luiz Fernando P. de. Projetos de Fontes Chaveadas. São Paulo: Érica, 1996.
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