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ÉTICA EM PSICOLOGIA

PROF.A MA. PRISCILA REGINA DAIUTO


Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR

Reitor:
Prof. Me. Ricardo Benedito de
Oliveira
Pró-reitor:
Prof. Me. Ney Stival
Gestão Educacional:
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo Prof.a Ma. Daniela Ferreira Correa
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não Diagramação:
vale a pena ser vivida.” Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, Revisão Textual:
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica Gabriela de Castro Pereira
e profissional, refletindo diretamente em nossa Letícia Toniete Izeppe Bisconcim
vida pessoal e em nossas relações com a socie- Luana Ramos Rocha
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente
e busca por tecnologia, informação e conheci- Produção Audiovisual:
mento advindos de profissionais que possuam Heber Acuña Berger
novas habilidades para liderança e sobrevivên- Leonardo Mateus Gusmão Lopes
cia no mercado de trabalho. Márcio Alexandre Júnior Lara
Pedro Paulo Liasch
De fato, a tecnologia e a comunicação
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas,
Gestão de Produção:
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e
Kamila Ayumi Costa Yoshimura
nos proporcionando momentos inesquecíveis.
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino
Fotos:
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
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dade, capaz de formar cidadãos integrantes de
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes
atuantes.

Que esta nova caminhada lhes traga


muita experiência, conhecimento e sucesso.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

01
DISCIPLINA:
ÉTICA EM PSICOLOGIA

ÉTICA E MORAL
PROF.A MA. PRISCILA REGINA DAIUTO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................................4
1 - CONCEITOS DE ÉTICA E MORAL E SUA RELAÇÃO............................................................................................5
1.1. ÉTICA E MORAL....................................................................................................................................................5
1.1.1. SENSO MORAL E CONSCIÊNCIA MORAL.......................................................................................................6
1.1.2. DILEMAS ÉTICOS..............................................................................................................................................6
1.1.3. ÉTICA E OUTRAS CIÊNCIAS............................................................................................................................. 7
2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................................. 12

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INTRODUÇÃO
Na primeira unidade, pretende-se contextualizar o aluno sobre os conceitos de ética e
moral, bem como levá-lo a refletir sobre como estes fazem parte de nosso dia a dia e deixamos
de notar que a cada pequena escolha, mesmo sem perceber estamos fazendo uso de nossa ética
e moral.
Existem diferentes formas de conceituar ética e moral e muitas vezes essas nomenclaturas
são utilizadas como sinônimos por alguns autores e principalmente pelo senso comum quando
se diz por exemplo: Fulano não tem ética. No entanto, é interessante observar como este tema
faz parte do nosso dia a dia e está ligado a outros como política, economia, cultura e bem-estar.
Atualmente, por meio dos jornais e noticiários, até mesmo das redes sociais, é possível ver
o uso desses termos de modo até mesmo indiscriminado, principalmente quando correlacionados
ao contexto político e social, sendo importante a elucidação de seu significado e uma reflexão
sobre o uso que tem sido feito desses conceitos.
Além disso, visa-se contribuir para uma maior reflexão por parte do aluno e posterior
profissional a respeito da necessidade de tomada de consciência sobre o modo de agir em
determinadas situações a partir do seguinte binômio: O que é bom para mim/ O que é bom para
a sociedade.

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Deve-se refletir também sobre a evolução da moral com o passar dos anos, observando
que o correto em determinada fase histórica pode ser tido como incorreto em outro momento,
desta forma, não há verdades universais e o processo de pensar sobre a ética deve ser constante.
Por fim, o principal objetivo da ética é fazer com que as pessoas consigam conviver de
forma harmônica e saudável visando o bem comum e todas as profissões de modo geral precisam
responder a princípios éticos e morais, especialmente aquelas que lidam diretamente com a saúde
e bem-estar das pessoas como é o caso da psicologia que de modo geral lida com pessoas que
estão passando por conflitos que muitas vezes envolvem dilemas éticos, pessoas que encontram-
se fragilizadas e que provem de diferentes culturas.

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1 - CONCEITOS DE ÉTICA E MORAL E SUA RELAÇÃO

1.1. Ética e Moral


Ética e moral têm sido palavras utilizadas de forma recorrente pela mídia e também
pelo próprio senso comum, havendo, muitas vezes, confusões entre os termos, se tornando
importante a definição de cada um deles. Cabe ressaltar que os filósofos fizeram um grande
esforço para definir não só o que é ética e moral, mas também a finalidade dessas, cada um, à sua
maneira, refletiu sobre o tema, havendo certo consenso de que a ética e a moral são fundamentais
para cada sociedade em cada tempo histórico, visando o que é bom, mas o que é bom para um
indivíduo X pode não ser bom para um indivíduo Y, ou mesmo para uma sociedade inteira. Um
exemplo citado por muitos autores é o da escravidão, pois, certamente, os povos escravizados
não achavam bom serem escravos, porém, para uma parcela da população, a escravidão era algo
normal, bom, correto e justificável. Assim, é bastante difícil definir o que é bom e o que é mal,
assim como conceitos de o que é felicidade, por exemplo, pois muitas vezes a resposta se dá de
modo individual e de acordo com os valores de cada indivíduo e povo.
De acordo com Vazquez (1984), os termos “Ética” e “Moral” possuem origem etimológica
distinta. A palavra “ética” vem do Grego ethos, que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a

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palavra “moral” tem origem no termo latino morales, que significa “relativo aos costumes”. No
sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por
construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e
virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.
De forma sucinta, pode-se afirmar que Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos
da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional,
fundamentada de maneira científica e teórica, percebe-se que é uma reflexão sobre a moral.
Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente pelo cidadão, essas
orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou
imoral, certo ou errado, bom ou mau.
Ainda conforme Vazquez (1984), se por moral entendemos um conjunto de normas
destinadas a regular as ações dos indivíduos em uma dada sociedade, seu significado, função e
validade variam historicamente nas diferentes sociedades, assim, historicamente, morais diferentes
se sucedem. Desta forma, a escravidão já foi tida, inclusive no Brasil, pela moral dominante, como
algo normal e natural. Muito provavelmente, se vivêssemos naquela época, também acharíamos
natural, porém, atualmente, a moral vigente em nosso país condena a escravidão como sendo
uma atrocidade, porém como há diferenças entre cada sociedade em alguns lugares do mundo a
escravidão ainda é uma realidade.
Cabe ressaltar que as mudanças no campo da moral devem ocorrer através da reflexão,
do estudo ético sobre o passado e suas consequências para que possa haver evolução de uma
dada sociedade para uma posterior, no entanto, nem sempre a moral atual é melhor que sua
antecessora em alguns aspectos, podendo haver retrocessos.

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1.1.1. Senso moral e consciência moral


Em situações do cotidiano, como ver uma criança passando fome ou ouvir nos noticiários
sobre a guerra em algum país, de modo geral, as pessoas têm sentimentos semelhantes, como dó,
compaixão, assim como em relatos de situações de violência, sente-se medo, insegurança, etc.
Nossos sentimentos e nossas ações exprimem nosso senso moral.
De acordo com Chauí (2000), muitas vezes, somos levados por algum impulso
incontrolável ou por alguma emoção forte (medo, orgulho, ambição, vaidade, covardia) e agimos
de um modo que posteriormente nos faz sentir vergonha, remorso, culpa, vontade de poder
voltar atrás e agir de modo diferente. Esses sentimentos também exprimem nosso senso moral.
Esses dilemas éticos acontecem em nossas vidas constantemente e exigem que decidamos o que
fazer, que justifiquemos para nós mesmos e para os outros as razões de nossas decisões, e que
assumamos todas as consequências delas, porque somos responsáveis por nossas opções. Desta
forma, precisamos passar por um processo de reflexão e colocar a prova nossa Consciência Moral.
O senso moral e a consciência moral referem-se a valores (justiça, honradez, espírito
de sacrifício, integridade, generosidade), a sentimentos provocados pelos valores (admiração,
vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida, medo) e a decisões que conduzem
a ações com consequências para nós e para os outros.
Chauí (2000) conclui que para que haja conduta ética, é preciso que exista o agente
consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido

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e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também
se reconhece como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade
com os valores morais, sendo, por isso, responsável por suas ações e seus sentimentos e pelas
consequências do que faz e sente, tendo liberdade para tomar suas decisões não estando coagido.

1.1.2. Dilemas éticos


Para Valls (1994), as questões da ética nos aparecem a cada dia, seja no campo pessoal, em
situações como tirar ou não “vantagem”, por exemplo: quando alguém erra um troco, ou passa ou
não no sinal vermelho, quando estamos com pressa, traímos ou não o namorado (a), damos ou
não uma esmola, denunciamos ou não um roubo cometido por alguém que passava fome, etc.,
até questões mais amplas e que envolvem a sociedade em geral, como o capitalismo, que rende
muitos lucros para poucos, enquanto gera exploração e pobreza para muitos, também, em épocas
mais difíceis, muitas vezes, nos perguntamos se uma lei injusta de um Estado autoritário precisa
ou não ser obedecida. E quando temos um “problema de consciência”, quando estamos com um
“sentimento de culpa”, será que este sentimento corresponde de fato a uma culpa real? Cabe à
reflexão ética perguntar se o homem pode realmente ser culpado, ou se o que existe é apenas um
sentimento de um mal-estar sem fundamento. Mas há uma outra questão, especificamente ética,
que parece ser absolutamente fundamental: os costumes mudam e o que ontem era considerado
errado hoje pode ser aceito, assim como o que é aceito entre os índios do Xingu pode ser rejeitado
em outros lugares, do mesmo país.
A ética não seria então uma simples listagem das convenções sociais provisórias? Se
fosse assim, o que seria um comportamento correto, em ética? Não seria nada mais do que um
comportamento adequado aos costumes vigentes, e enquanto vigentes, isto é, enquanto estes
costumes tivessem força para coagir moralmente. Quem se comportasse de maneira discrepante,
divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria no erro, pelo menos enquanto a maioria
da sociedade ainda não adotasse o comportamento ou o costume diferente. Quer dizer: esta ação
seria errada apenas enquanto ela não fosse um novo comportamento vigente.

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No passado, houve épocas em que a pobreza e a castidade eram os valores mais altos da
escala ético-religiosa. Isto explica os grandes movimentos monacais, assim, no século passado, o
ideal do homem cristão enaltecia muito mais o burguês culto, casado, com família grande e boas
economias acumuladas.
Não seria exagerado afirmar que o esforço de teorização no campo da ética se debate
com o problema da variação dos costumes e os grandes pensadores éticos sempre buscaram
formulações que explicassem, a partir de alguns princípios mais universais, tanto a igualdade do
gênero humano no que há de mais fundamental, quanto as próprias variações. Uma boa teoria
ética deveria atender a pretensão de universalidade, ainda que simultaneamente capaz de explicar
as variações de comportamento, características das diferentes formações culturais e históricas.
Chauí (2000) menciona diversos exemplos de dilemas morais, tais como: Um rapaz
namora, há tempos, uma moça de quem gosta muito e é por ela correspondido; conhece uma
outra; apaixona-se perdidamente e é correspondido; ama duas mulheres e ambas o amam. Pode
ter dois amores simultâneos, ou estará traindo a ambos e a si mesmo? Deve magoar uma delas e
a si mesmo, rompendo com uma para ficar com a outra? O amor exige uma única pessoa amada
ou pode ser múltiplo? Que sentirão as duas mulheres, se ele lhes contar o que se passa? Ou deverá
mentir para ambas? Que fazer? Se, enquanto está atormentado pela decisão, um conhecido o vê
ora com uma das mulheres, ora com a outra e, conhecendo uma delas, deve contar a ela o que
viu? Em nome da amizade, deve falar ou calar?
Ou ainda: Um pai de família desempregado, com vários filhos pequenos e a esposa doente,
recebe uma oferta de emprego, mas que exige que seja desonesto e cometa irregularidades que

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beneficiem seu patrão. Sabe que o trabalho lhe permitirá sustentar os filhos e pagar o tratamento
da esposa. Pode aceitar o emprego, mesmo sabendo o que será exigido dele? Ou deve recusá-lo e
ver os filhos com fome e a mulher morrendo?
Esses exemplos mostram como pode ser complicado tomar uma decisão em determinadas
situações, nossas dúvidas, segundo a autora, não se manifestam apenas em nosso senso moral,
como também colocam à prova a consciência moral, pois exigem que decidamos o que fazer e que
justifiquemos para nós e para os outros as razões de nossas decisões, assumindo as consequências.
Mesmo nas situações corriqueiras, como atravessar ou não um sinal vermelho, “furar
a fila” ou não, jogar um papel no chão ou guardá-lo até achar uma lixeira, “roubar” o sinal de
internet do vizinho, podemos não nos dar conta mas estamos tomando decisões éticas, sendo que
a corrupção começa nas pequenas corrupções do dia a dia entendidas em nossa cultura como
“jeitinho”.
Para a autora supracitada, para haver conduta ética, é preciso que exista o agente
consciente, ou seja, conheça a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido,
virtude e vício, sendo a consciência e responsabilidade de condições indispensáveis da vida ética.
Desta forma, o sujeito moral deve ser consciente de si mesmo e dos outros, ser livre, dotado de
vontade e responsável pelas consequências de seus atos.

1.1.3. Ética e outras ciências


A ética tanto faz parte do nosso dia a dia como também está diretamente relacionada às
profissões de modo geral, no caso da Psicologia, há um código de ética específico para a profissão,
porém, mesmo em outras profissões, como cozinheiro, há uma grande responsabilidade envolvida
desde a escolha dos alimentos até questões como higiene, pois do contrário pode-se causar danos
à saúde de uma ou várias pessoas.

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De acordo com Vazquez (1984), a ética está diretamente relacionada ao Direito, pois as
leis, de modo geral, partem de princípios éticos, inclusive as leis vão mudando e se aperfeiçoando
conforme as sociedades também evoluem e os princípios morais se aperfeiçoam, no entanto,
não se restringe ao direito, pois nem tudo que é considerado uma falta ética é um crime, por
exemplo, em nossa sociedade, trair o namorado(a) é entendido como errado, porém não pode
ser criminalizado quem comete este ato por si só.
Outras ciências, como economia, estão relacionadas à ética, pois uma escolha, por
exemplo de um governo em priorizar um determinado grupo social, pode prejudicar um outro
grupo oposto. No caso de ciências sociais e antropologia, que estudam o homem em sociedade
e o homem em diferentes tempos históricos respectivamente, também têm ligação com a ética,
pois cada sociedade e cada homem histórico possui uma ética e alguns traços, por exemplo
dos homens das cavernas, que ainda são preservados, como a necessidade de se abrigar para se
proteger, que hoje permanece mas apresenta variações, como não querer apenas se abrigar do frio
e dos animais selvagens, como anteriormente, mas querer morar em um bairro X em uma casa Y.
No caso da Psicologia Vazquez (1984), esta afirma que tanto a psicologia quanto a
ética possuem como foco o comportamento humano, a maneira de agir sobre determinadas
circunstâncias, muitas vezes envolvendo conflitos éticos dos mais simples aos mais graves,
havendo a necessidade de reflexão para a tomada de decisões a partir da consciência moral.
De acordo com Valls (1994), a ética também está diretamente ligada à religião, no sentido
de que grande parte dos princípios morais vigentes na maior parte das sociedades partem de
princípios religiosos, porém também não se restringem a estes.

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Figura 1 - Ética. Fonte: Cabral (2007).

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No momento histórico vivido pelo país, a Psicologia brasileira, através de seus


conselhos de classe, veio a público apresentar seu posicionamento frente a uma
das temáticas mais relevantes para a manutenção das instituições democráticas
que garantem o estado de direito, conforme prevê o Artigo 5º da Constituição
Federal.

A laicidade do Estado deve ser entendida como princípio pétreo, jamais pode ser
colocada em questão, pois é sob essa base, segura e inquestionável, que se as-
senta a igualdade de direitos aos diversos segmentos da população brasileira,
cuja extraordinária diversidade cultural e religiosa, uma das maiores do planeta,
constitui um formidável potencial para resolução de inúmeros problemas da so-
ciedade.

O Estado Brasileiro, entretanto, não nasceu laico. Durante séculos, o país viveu
sob a égide de uma religião, o que determinou a interferência do dogma religioso
na política do Estado. Durante esse período, ocorreram perseguições religiosas e
muitas arbitrariedades foram cometidas. Com a República, o país tornou-se ofi-
cialmente laico e, com a Constituição de 1988, esse fato foi reafirmado de forma

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representativa pela população brasileira, conquistando total legitimidade. Portan-
to, entendemos ser legítimo afirmar que a laicidade do Estado se configura como
um princípio pétreo, inquestionável, que expressa o anseio da população brasilei-
ra.

Afirmar que o Estado é laico não implica alegar que o povo deva ser desprovido
de espiritualidade e da prática religiosa. No Brasil, como se sabe, o povo experi-
menta forte sentimento de religiosidade, expresso por meio de múltiplas formas
de adesão religiosa, dadas as suas raízes indígenas, europeias e africanas, a cujas
determinações culturais e religiosas se associaram outras, advindas do continen-
te asiático. São exatamente os princípios constitucionalmente assegurados que
permitiram a ampliação das denominações religiosas, hoje presentes na cultura
nacional, e também concederam aos cidadãos brasileiros o direito de declararem-
-se não adeptos de qualquer religião. Afirma-se, portanto, e, antes de tudo, o “direi-
to à liberdade de consciência e de crença”.

A Psicologia brasileira, por meio do Sistema Conselhos de Psicologia, reconhece a


obrigatoriedade de pautar-se por esse referencial ao realizar suas ações de orien-
tação, fiscalização e regulamentação da profissão. No Código de Ética da Psicolo-
gia, há referências importantes sobre a questão como, por exemplo, os princípios
fundamentais que afirmam o “respeito na promoção da liberdade, da dignidade,
da igualdade e da integridade”, bem como a “eliminação de qualquer forma de dis-
criminação”. Além disso, a responsabilidade dos psicólogos e psicólogas passa
necessariamente por uma “análise crítica e histórica da realidade.

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Mas pautar-se na obrigatória laicidade não implica negar uma interface que pode
ser estabelecida pela psicologia e a religião, e pela psicologia e a espiritualidade.
A religião é um dos elementos mais complexos e irredutíveis da tessitura das cul-
turas. Aborda a relação das pessoas com aspectos transcendentais da existência.
Seus fundamentos e práticas orientam de forma significativa as ações humanas.
Pessoas e instituições que orientam seu fazer social tendo por referência a reli-
gião o fazem, a partir de um pressuposto que reflete suas crenças.

Reconhecemos a importância da religião, da religiosidade e da espiritualidade na


constituição de subjetividades, particularmente num país com as especificidades
do Brasil. Neste sentido, compreendemos que tanto a religião quanto a psicologia
transitam em um campo comum, sendo o da produção de subjetividades, enten-
dendo ser fundamental o estabelecimento de um diálogo entre esses conhecimen-
tos. Este fator requer, da Psicologia, toda cautela para que seus conhecimentos,
fundamentados na laicidade da ciência, não se confundam com os conhecimen-
tos dogmáticos da religião. Reconhecemos, também, que toda religião tem uma
dimensão psicológica e que, apesar de a Psicologia poder ter uma dimensão es-
piritual, ela não tem uma dimensão religiosa, o que nos remete à necessidade de
aprofundarmos o debate desta interface.

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Dilemas éticos fazem parte do dia a dia de todas as pessoas, desde questões
simples até as mais complexas, tais como furar ou não o sinal vermelho ou trair ou
não seu parceiro (a), muitas vezes, as pessoas possuem uma determinada ideia
sobre um assunto, porém, quando se encontram na situação começam a relativi-
zar, exemplo: ah mas vai ser só dessa vez.. Desta forma, é feita uma relativização
dos princípios morais, o que serve para o outro é diferente do que serve para mim.
Será que não deveríamos de fato a começar a nos colocar no lugar do outro e de
fato refletir sobre as situações e o modo de agir sobre elas?
Não podemos deixar de pensar no individualismo, uma grande marca da era mo-
derna, ao refletirmos sobre essas questões, pois muitas vezes fazemos relativiza-
ções baseadas em nosso individualismo, como tal situação é errada, mas no meu
caso, eu agi assim porque tive motivos…

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Para entender melhor sobre diferentes momentos históricos e uma mesma ética
dominante, assista ao filme Quanto vale ou é por quilo?. O filme traz uma ana-
logia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo
marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII, um
capitão-do-mato captura uma escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la
ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos
dias atuais, uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comu-
nidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores
comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada.
Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador
de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.
Veja o trailer em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-110753/trai-
ler-19433095/
Ao assistir ao filme, será possível observar que mesmo com o passar dos anos o
preconceito e exploração dos negros continuam sendo aceitos como naturais de
acordo com a ética vigente, mesmo que ocorram de formas diferentes.
Nosso país e o mundo, de modo geral, muitas vezes, agem como se a escravidão
nem tivesse ocorrido ou como se não tivesse deixado marcas na sociedade e até

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mesmo no grande abismo socioeconômico em que vivem.

Figura 2 - Filme quanto vale ou é por quilo. Fonte: Adoro Cinema (2012)

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2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
É importante que todos os cidadãos conheçam as teorias sobre ética e moral e que acima
de tudo reflitam sobre a moral dominante na cultura e tempo histórico em que vivem, mas que
também estudem as diferentes éticas existentes em sua própria localidade no passado e também
em outras diferentes culturas, buscando compreender que a moral se modifica com o passar do
tempo, e que desta forma, não há uma verdade universal sobre a forma correta de agir.
Mesmo os grandes filósofos e pensadores não conseguiram chegar a um consenso sobre
o bem e mal ou sobre o correto e o errado, pois sempre devem ser analisados os seguintes pontos:
a situação, o contexto, as diferenças individuais, enfim, podemos observar que este é um tema
complexo e que não se esgota por aqui.
É imprescindível que como cidadãos busquemos refletir sobre os motivos pelos quais
agimos de determinada forma ou julgamos algo como correto ou errado sobre as influências
culturais que adquirimos desde o convívio com nossa própria família, amigos, igreja, escola; a fim
de entendermos que não existem verdades universais e algo que já foi visto como correto, como
é o caso da escravidão, que hoje é tido como um absurdo histórico pela maioria (não todas) das
culturas.
Faz-se necessário ainda que em determinadas profissões, como é o caso da Psicologia, haja
um empenho constante dos estudantes e mesmo dos profissionais já formados há muito tempo em

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 1


buscar compreender a ética e moral dominantes mas também em entender as individualidades,
tendo empatia com as escolhas das pessoas e buscando fazer com que seus pacientes também
sejam capazes de maior reflexão sobre as normas existentes e o próprio modo de agir, sem o
uso de argumentos religiosos, políticos ou outros quaisquer, utilizando apenas do conhecimento
científico advindo do estudo da Psicologia.

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02
DISCIPLINA:
ÉTICA EM PSICOLOGIA

DEONTOLOGIA DA PROFISSÃO DE PSICÓLOGO


PROF.A MA. PRISCILA REGINA DAIUTO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................. 14
1 - O FUNDAMENTO DEONTOLÓGICO DA ÉTICA.................................................................................................... 15
1.1. ÉTICA E FORMAÇÃO DE POSTURA PROFISSIONAL........................................................................................ 15
1.2. PROFISSÃO, EXERCÍCIO LEGAL E RESPONSABILIDADES............................................................................. 16
1.3. PRINCIPAIS RESPONSABILIDADES DOS PSICÓLOGOS................................................................................ 17
1.4. MÉTODOS E TÉCNICAS A SEREM UTILIZADOS DE ACORDO COM ORIENTAÇÕES DO CONSELHO REGIO-
NAL DE PSICOLOGIA................................................................................................................................................. 17
2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................................. 21

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INTRODUÇÃO
O trabalho no mundo capitalista é não apenas uma forma de sobrevivência como
também passa a fazer parte da subjetividade dos indivíduos e até mesmo da nossa personalidade.
Quando nos apresentamos, por exemplo, costumamos dizer sou fulano, trabalho em tal lugar, ou
estudo psicologia. Desta forma, as profissões passam a constituir em uma parte fundamental da
existência humana, muitas vezes inclusive passa-se a maior parte do tempo diário no trabalho
se comparado a qualquer outra atividade, sendo responsável também em grande parte pelo
adoecimento mental dos cidadãos devido as grandes exigências, competitividade, como afirma
Dejours (1998), as relações de trabalho, dentro das organizações, frequentemente, despojam o
trabalhador de sua subjetividade, excluindo o sujeito e fazendo do homem uma vítima do seu
trabalho.
Uma profissão se constitui e institucionaliza em virtude das demandas que visa atender e
que requerem saber especializado, domínio e tecnologias adequadas, além de forte adesão a um
conjunto de padrões éticos e fundamentais para garantir a qualidade dos serviços disponibilizados
a população, toda profissão enquanto atividade humana traz deveres, obrigações, atos a realizar
ou proibições, visando o benefício alheio, o bem comum, resultando da consciência de servir o
ser humano em suas necessidades.

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 2


A vocação que pode ser entendida como uma voz da natureza e da consciência que
convidam o homem a exercer uma profissão é importante no momento da escolha profissional,
porém não é o suficiente havendo a necessidade de estudo e atualização constantes, bem como
constante reflexão sobre o cumprimento ou não do dever social de cada profissão e seus desafios
e potencialidades. É importante ressaltar que um dos primeiros princípios da moral profissional
é fazer bem o que se faz. O profissional pratica atos que são passíveis de julgamento moral.
O profissional deve ter fé em sua profissão, mas não uma fé cega e sim instrumentalizada
a partir do amplo estudo e aperfeiçoamento em sua área.

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1 - O FUNDAMENTO DEONTOLÓGICO DA ÉTICA


Deontologia profissional é uma parte especial da ética que estuda a profissão em suas
consequências morais e sociais estabelecendo normas de conduta e deveres à consciência humana.
A ética profissional é uma exigência da ordem moral geral que se impõe ao homem como
um conjunto de princípios que regem a conduta funcional de determinada profissão, sendo assim,
segundo Sodré (1977) a moral profissional se justifica na necessidade de moldar o profissional,
sua conduta e vida aos princípios básicos dos valores sociais e culturais de sua missão. Além de
suas regras específicas, é claro que a moral profissional deve aplicar as regras da moral geral.
No caso específico da Psicologia, o profissional tem em suas mãos pessoas com diferentes
valores espirituais, pessoais e comunitários que a ele confiam suas dores, em momentos de
elevado sofrimento psíquico e mental, desta forma, a sociedade exige do psicólogo respeito aos
bons princípios da moral e uma reta consciência e vontade de agir dentro dos interesses maiores
confiados a profissão.
De acordo com Bastos et al. (2010), uma profissão se constitui e institucionaliza a partir
das demandas sociais que se responsabiliza por atender, as quais requerem saber especializado,
domínio de tecnologias apropriadas e adesão a um conjunto de padrões éticos fundamentais
para garantir à população a qualidade dos serviços prestados, pelo fato de articular campo de
conhecimento com demanda de serviços, as profissões e mais especificamente a psicologia precisa

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 2


lidar com dois mundos em constante transformação e com ritmos de mudança diferenciados, o
que impõe muitas exigências tanto para o sistema de formação como para o de acompanhamento
das ações profissionais.

1.1. Ética e Formação de Postura Profissional


Conforme apontam Benavides e Antòn (1987), no exercício da profissão, os psicólogos
devem adquirir algumas virtudes que correspondem a duas classes de virtudes: morais e
intelectuais. Enquanto as intelectuais envolvem conhecimento amplo e profundo da ciência e
profissão, possuindo otimismo e segurança na profissão com o uso de critérios regulares visando
constância e eficácia no desempenho, as virtudes morais dizem respeito ao “amor” ao cliente,
humildade, paciência, cortesia, simpatia, espírito de abnegação, discreção, etc.
Ainda de acordo com os autores supracitados, é necessário que o psicólogo possua três
formações diferentes concomitantemente:

- Cultural: Cultura significa o desenvolvimento das potencialidades subjetivas do homem,


é constituída de todas as atividades e criações humanas em vários âmbitos, envolvendo
artes, crenças, leis, moral, costumes, ideias, comportamentos, modo de vestir, práticas
sociais, hobbies, religião, esportes, estilo de vida, etc.
Torna-se fundamental para o psicólogo ter um conhecimento antropológico e sociológico
das populações que atende, buscando conhecer e entender as representações subjetivas
presentes em cada diferente cultura, sempre lembrando-se que não pode enquanto
profissional julgar ou discriminar a cultura de um indivíduo ou grupo, mesmo que esta
seja totalmente diferente de sua própria.

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- Profissional: É necessário entender a psicologia como ciência, não agindo a partir do


censo comum mas buscando conhecimento profundo e sempre atualizado dentro da
profissão, o que começa no curso de graduação e se estende para a vida toda mesmo após
formando, cabendo ressaltar que o profissional, ao exercer uma profissão é responsável
pelo mal que causa diretamente como também pelo que causa pela ignorância do que
deveria saber ou omissão e negligência.

- Filosófica e humanística: O estudo da cultura filosófica e humanística, que traz


diferentes visões de mundo, ajuda a pessoa a lidar com o ser humano, a compreender e
formar concepções mais íntima acerca do ser humano, além de adquirir estilo elevado
e profundo, clareza, precisão e transparência tanto na escrita como na conversação/
argumentação, qualidades básicas para o psicólogo, facilitando também a lógica e
raciocínio, bem como a imaginação.

1.2. Profissão, Exercício Legal e Responsabilidades


Grande parte das profissões exigem uma formação específica para que alguém possa
atuar de acordo com estas, no caso da psicologia, que foi reconhecida como profissão no Brasil
em 1962 pela lei 4.119, é necessário possuir um diploma de graduação em um curso reconhecido
pelo MEC (Ministério da Educação) para ter a habilitação profissional para seu exercício. Além

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disso, é necessário possuir inscrição em seu respectivo Conselho Regional de Psicologia (CRP),
devendo ser paga uma anuidade para manter o registro.
Cabe ressaltar que o diploma por si só não garante competência real a ninguém,
sendo necessário o desenvolvimento das virtudes intelectuais e morais no decorrer do curso e
posteriormente durante o exercício profissional.
Quando ao exercer a profissão o psicólogo agir de forma contrária a moral geral
ou específica de sua profissão poderá sofrer sanções, no caso das profissões fala-se em faltas
disciplinares, quando o ato pratica do pelo profissional viola algum dos deveres derivados da
função ou cargo que exercem, podendo ser de três classes de responsabilidades:

- Responsabilidade ético-profissional: O psicólogo deve responder a um Código de


ética específico da profissão, a fim de não prejudicar os interesses particulares do cliente e
da classe, quando desobedece ao código de ética poderá ser penalizado por seu respectivo
conselho regional, indo as penalidades de advertência e multa até a cassação do exercício
profissional em casos extremos.

- Responsabilidade Civil: Surge quando no exercício de sua atividade profissional por


ação ou omissão, negligência ou imprudência, viola os direitos dos outros, causando
danos e prejuízos, ou pelo descumprimento de obrigações, por exemplo quando quebra
alguma cláusula do contrato com o cliente sem aviso prévio.

- Responsabilidade penal: Quando o psicólogo pratica atos ilícitos, exerce a profissão


excedendo os limites impostos pela lei, pratica atos que a lei caracteriza como delituosos,
como por exemplo, apoiar ou auxiliar atos delituosos previstos no código penal, implica
em responsabilidade penal, podendo responder criminalmente por seus atos, sendo
julgado pela justiça.

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1.3. Principais responsabilidades dos psicólogos


• Reconhecer suas limitações e encaminhar a outro psicólogo casos que não julgue
ter capacidade técnica ou mesmo pessoal para atender, bem como recorrer a outros
especialistas quando necessário, por exemplo, médicos e outros profissionais.

• Colaborar para o progresso da psicologia enquanto ciência e profissão através de estudos


e pesquisas na área.

• Prestar serviços em situações de calamidade pública ou grave crise social, o que não
precisa ser remunerado e o profissional não pode visar lucro ou benefício pessoal nessas
situações.

• Deve ter como foco seu cliente e suas necessidades, respeitando seus valores e virtudes,
atendendo inclusive seus interesses morais e espirituais, entendendo que cada um possui
uma subjetividade e cultura diferentes.

• Definir compromissos e responsabilidades em relação aos clientes, estabelecendo um


contrato e esclarecendo quando for necessário um trabalho em equipe multidisciplinar,
dividindo com a equipe apenas as informações necessárias.

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• Não interromper o trabalho de forma abrupta e sem justificativa, estabelecendo sempre
diálogo com os clientes, não prolongar desnecessariamente o atendimento ao cliente
visando benefício próprio e não se acumpliciar com o exercício ilegal da profissão, fazendo
denúncias quando necessário ao Conselho Regional de Psicologia que é responsável pela
fiscalização do exercício da profissão.

• Em nossa vida de modo geral e também no trabalho temos uma certa liberdade de
atuação, porém é ilusório acreditar em uma liberdade plena, pois está sempre é limitada
pela responsabilidade, que significa responder por, pois o ser ético é consciente de suas
responsabilidades e resultados de seus atos, as leis são fundamentais em uma sociedade
ao estabelecer limites e responsabilidades, moldando as liberdades individuais, a
responsabilidade inclusive protege os indivíduos do exercício incorreto da liberdade que
pode trazer graves consequências e quando bem exercida aumenta a liberdade.

1.4. Métodos e técnicas a serem utilizados de acordo com


orientações do Conselho Regional de Psicologia
Aos psicólogos é permitido associar seu título e exercício profissional a princípios,
conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e
na legislação profissional. Não podem ser associadas ao atendimento em Psicologia práticas não
comprovadas cientificamente na profissão de psicólogo e/ou a utilização de práticas que possam
induzir a crenças religiosas, filosóficas ou de qualquer outra natureza e que sejam alheias ao
campo da Psicologia.
No caso de Pesquisas, algumas técnicas e práticas ainda não regulamentadas ou não
reconhecidas pela profissão poderão ser utilizadas em processo de pesquisa, resguardados os
princípios éticos fundamentais.

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Para realização de pesquisas com seres humanos deve-se seguir o emanado na Resolução
do Conselho Nacional de Saúde 196/1996, disponível no site: www.conselho.saude.gov.br,
o psicólogo pesquisador deve ainda seguir as seguintes resoluções do Conselho Federal de
Psicologia: Resolução CFP 10/1997, Resolução CFP 11/1997 e Resolução CFP 6/2000, disponíveis
no site do CFP (www.pol.org.br). O reconhecimento da validade de novos métodos e técnicas
dependerá da ampla divulgação dos resultados e do reconhecimento da comunidade científica,
não apenas da conclusão da pesquisa.
O Prazo de Guarda do Material – Os documentos escritos, decorrentes de avaliação
psicológica, assim como todo o material que os fundamentou, deverão ser guardados pelo prazo
mínimo de 5 anos, observando-se a responsabilidade por eles tanto do psicólogo quanto da
instituição em que ocorreu a avaliação psicológica. Esse prazo poderá ser ampliado nos casos
previstos em lei, por determinação judicial, ou ainda em casos específicos em que seja necessária
a manutenção da guarda por maior tempo. (Resolução CFP 007/2003)
A Validade dos conteúdos dos documentos – O prazo de validade do conteúdo dos
documentos escritos, decorrentes das avaliações psicológicas, deverá seguir normas vigentes.
Caso não haja definição legal, o próprio psicólogo avaliador poderá indicar o prazo de validade do
conteúdo emitido no documento produzido, em função das características avaliadas, informações
obtidas e dos objetivos da avaliação. Ao definir o prazo, o psicólogo deverá ter condições de
fundamentar sua indicação, se solicitado.
As Condições para guarda de documentos – Prontuários e outros documentos
produzidos pelo psicólogo, assim como testes em branco e manuais, devem ser guardados em

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armários ou móveis que permitam o fechamento a chave.
Testes Psicológicos são de competência do psicólogo o uso de instrumentos e técnicas
psicológicas. Este material é de uso privativo, não podendo divulgar, ensinar, ceder, dar, emprestar
ou vender instrumentos ou técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal
da profissão. (Artigo 18 do Código de Ética). Ao selecionar os testes para uso na avaliação, o
psicólogo deverá buscar os que têm parecer favorável do CFP. O artigo 16 da Resolução do
CFP 002/2003, que regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização dos testes psicológicos,
determina que será considerada falta ética a utilização de instrumentos que não constam na
relação de testes aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia, conforme Artigos 1º, alínea “c”,
e 2º, alínea “f ”, do Código de Ética Profissional do Psicólogo, salvo os casos de pesquisa. O CFP
constituiu o SATEPSI (Sistema de Avaliações de Testes Psicológicos) com objetivo de avaliar os
instrumentos de testagem psicológica e reunir informações sobre o assunto. A listagem dos testes
e pareceres sobre os testes, tanto os aprovados quanto os desaprovados, estão disponíveis no site:
www.pol.org.br.
Os Documentos Emitidos pelo Psicólogo – O CFP, pela Resolução nº 007/2003,
apresenta o Manual de Elaboração de Documentos Escritos, esclarecendosobre a construção,
guarda e condições de guarda de documentos.
A Publicidade e Mídia – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, deve
fazê-lo de acordo com as orientações emanadas do Código de Ética e Resoluções do CFP. Assim,
deverá informar o seu nome completo, a palavra “psicólogo”, o número de registro e a sigla do
Conselho Regional de Psicologia onde tenha sua inscrição (CRP-08/00000), suas habilitações e
qualificações, limitando-se apenas às atividades, recursos e técnicas que estejam reconhecidas ou
regulamentadas pela profissão. A Resolução do CFP 011/2000, disciplina a oferta de produtos
e serviços ao público, e proíbe toda publicidade enganosa ou abusiva, complementando o que
estabelecem o Código de Ética Profissional do Psicólogo e o Código de Proteção e de Defesa do
Consumidor.

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Os Honorários e Contrato – Os psicólogos estabelecerão os honorários mediante um


acordo com a pessoa, grupo ou instituição atendida, no início do trabalho a ser realizado, sendo
que toda e qualquer alteração no acordo inicial deverá ser discutida entre as partes. Estarão atentos
para obter a justa retribuição pelos seus serviços e não poderão utilizar-se da sua posição para
dela retirar quaisquer outros tipos de benefícios (doações, empréstimos, favores, etc.), limitando-
se apenas ao recebimento da justa remuneração acordada entre as partes (valor, periodicidade do
pagamento).

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Figura 1 - Questões éticas: Fonte: CRPSP (2014).

A deontologia se apoia em códigos de ética, resoluções e declarações dentro de


cada uma das profissões levando em consideração suas especificidades, no en-
tanto, mesmo em profissões em que não há códigos escritos visando ditar regras
de uma ética específica para aquele segmento profissional há um certo padrão
de comportamento esperado pela população que acessa seus serviços, é o caso
por exemplo de vendedores de lojas, garçons ou empregadas domésticas, etc.,
desta forma podemos considerar que além de uma ética geral todas as profissões
possuem também uma ética específica mesmo que esta não esteja escrita em
nenhum documento, visando em última análise o bem-estar comum, pois direta
ou indiretamente todas as profissões de alguma forma são maneiras de servir ao
outro, assim a ética deve ser pensada no cotidiano de qualquer profissão.

Dentro das profissões Código de Ética, trazendo benefícios recíprocos a quem


pratica e a quem recebe preservando condutas adequadas com os princípios éti-
cos específicos.

Um profissional comprometido com a ética não se deixa corromper em nenhum


ambiente, ainda que seja obrigado a viver e conviver com ele. O profissional tem o
dever ético de ser honesto integralmente, pois transgredindo os princípios da ho-
nestidade, não prejudica só seu usuário, mas toda uma classe e até uma socieda-
de. Tanto é contra a ética a aceitação de tarefa sem conhecimento, como aquela
com plenitude deste, mas aplicada para lesar o interesse de terceiros.

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As leis de cada profissão são elaboradas com o intuito de proteger os profissio-


nais da categoria como um todo e os indivíduos que dependem desse profissio-
nal, assim, a ética profissional é um conjunto de normas de condutas que regem a
prática de qualquer profissão. Uma ética profissional de tal gênero contribui para
o desenvolvimento da própria consciência “moral” do profissional; daquela consci-
ência que exige dele, não apenas lesar os direitos dos outros, mas viver o próprio
empenhamento profissional, importante para a própria vida da pessoa. É óbvio
que a profissão de uma pessoa, mesmo qualificada, atualizada, se é necessária,
não é suficiente. São precisas autênticas regras éticas para viver de modo objetivo
e se afirmar na profissão com a sua própria condição humana.

Nos últimos anos tem-se verificado que a ética profissional se tem centrado na
articulação de princípios morais gerais da ação e a sua utilização na tomada de
decisões e na justificação de ações com argumentos racionais por dedução, par-
tindo de princípios gerais e regras derivadas aplicando-as a casos particulares.

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 2


Ao escolher uma profissão, todo indivíduo passa a ter responsabilidades e deve-
res profissionais obrigatórios. Ser ético é basicamente aprender a agir sem preju-
dicar os demais, pensando também na felicidade e alegria de viver.

A partir dos termos ética, compromisso, amor e vocação é possível pensar sobre
a escolha por uma profissão que já se inicia ao ingressar em um curso de gradua-
ção, é possível imaginarmos que estes termos isoladamente não garantem suces-
so profissional, mas sim que agindo em conjunto são fundamentais na formação
e atuação profissional. Reflita sobre a escolha feita pelo curso de psicologia e a
ética, compromisso e vocação envolvidas nesse caminho.

Conforme Gondim, Magalhães e Bastos (2010) os estudos realizados apontam


que, de modo geral, os (as) psicólogos (as) decidem por este curso por livre es-
colha e em alguns casos enfrentando oposições familiares, havendo a junção de
um interesse pessoal de ajudar o próximo e a imagem social do psicólogo como
profissional que trabalha com as pessoas e se preocupa com elas visando ajudar,
sendo um dos critérios de avaliação da competência profissional, principalmente
na área clínica saber ouvir e compreender os demais. Além disso, sendo uma das
poucas profissões que promovem o autoconhecimento, muitas vezes é buscada
mais como autorrealização do que para fins de ganhos financeiros e status pro-
fissional, de modo geral, observou-se que os fatores internos como vocação e au-
toconhecimento pesam mais na escolha da profissão de psicologia do que os ex-
ternos como campos de atuação, ganhos financeiros e status social. Com relação
à escolha da área de atuação, os fatores externos como remuneração, concurso
público e maior oportunidade interferem na decisão, sendo que as experiências
durante o processo de formação, como aulas ministradas e estágios ofertados
interferem diretamente na escolha.

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Para mais informações sobre a escolha pela profissão de Psicologia e seus aspectos
éticos, ler o artigo O psicólogo brasileiro: sua atuação e formação profissional: http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931989000100003

Para mais informações sobre a relação Terapeuta-Paciente, assista ao filme Psi-


coterapra (Doctor Fish) que conta a história de um dedicado psicoterapeuta de
meia-idade que revive momentos em sua clínica, atendendo pacientes com pro-
blemas variados – até que em um certo dia, ele é quem se vê preso a um descon-
forto pessoal, acessar: https://www.youtube.com/watch?v=jpH0RfWGTZQ
Ao assistir o vídeo devemos refletir sobre a importância da profissão e de cuidar
de si para poder cuidar do outro.

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 2


2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na vida, de modo geral, e nas profissões especificamente, temos a liberdade de agir “como
julgamos necessário”, porém temos que entender que para cada ato haverá uma consequência,
assim a responsabilidade seria responder sobre seu ato, na prática liberdade e responsabilidade
devem caminhar sempre juntas, quando bem exercida a responsabilidade “disciplina” a liberdade
fazendo com que tenhamos decisões mais conscientes e acertadas.
Da mesma forma, possuímos uma ética geral da sociedade em que vivemos e uma
específica da profissão que escolhemos, sendo que a ética específica da profissão, ou deontologia
parte dos princípios e valores gerais da sociedade, mas traz demandas específicas para a profissão
em questão de acordo com o que a sociedade espera deste profissional.
De modo resumido, pode-se dizer que o psicólogo precisa ter um conjunto de virtudes
morais e intelectuais as quais devem ser desenvolvidas desde a graduação e durante toda a vida
profissional.
É necessário também que o psicólogo desenvolva as formações cultural, profissional e
filosófica e humanística o que se adquire a partir das aulas, do estudo dos materiais escritos, mas
vai muito além disso, sendo necessário grande esforço individual e uso de outros instrumentos
como ver diferentes filmes, ouvir diversas músicas, buscar conhecimentos de formas variadas e
enriquecimento de seu repertório e visão de mundo.
Cabe destacar também que o psicólogo pode sofrer penalidades quando cometer infrações
ao que é esperado de sua atuação e que é necessário habilitação profissional e registro no CRP
para de fato ser um profissional Psicólogo.

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

03
DISCIPLINA:
ÉTICA EM PSICOLOGIA

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO


PSICÓLOGO
PROF.A MA. PRISCILA REGINA DAIUTO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................23
1 - CONSTRUÇÃO DO CÓDIGO DE ÉTICA DO PSICÓLOGO....................................................................................24
1.1. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO (RESOLUÇÃO CFP N° 10/2015)..................................25
1.2. SIGILO/QUEBRA DE SIGILO..............................................................................................................................30
1.3. PAPEL DO CONSELHO REGIONAL E FEDERAL DE PSICOLOGIA...................................................................32
2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................................................36

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INTRODUÇÃO
De acordo com Jornal do Federal 50 anos de Psicologia no Brasil (2012), o primeiro
Código de Ética que orientou a conduta dos(as) psicólogos (as) foi elaborado pela Associação
Brasileira de Psicologia em 1967 e conforme a Resolução CFP 008/1975 “oficiosamente” pautava
as atividades do(a) psicólogo(a). Em 1975, o CFP aprova o Código da Associação Brasileira de
Psicologia com algumas modificações e o publica como o Código de Ética dos Psicólogos do
Brasil. Em 1979, a Resolução CFP 029/1979 revoga a anterior e estabelece o novo Código de Ética
dos Psicólogos. O código atual é publicado em 2005 (Resolução CFP 010/2005). Identificamos,
desde o primeiro Código, a preocupação com uma atuação que preservasse sempre a dignidade
do indivíduo e com a atualização constante dos conhecimentos teóricos e técnicos. A menção à
relação cuidadosa com outras profissões e ao cuidado com a sociedade aparece desde o primeiro
Código, embora a inserção de preocupações com questões sociais tenha se ampliado claramente
no decorrer das mudanças propostas.
Para Santos (2007), os Princípios Fundamentais são as bases do Código de Ética, diretrizes
que espelham as crenças a respeito de como deve ser a atuação do profissional e por onde deve
caminhar a ciência psicológica. Os artigos que seguem os Princípios Fundamentais são regras que
mapeiam a prática, ambos, princípios fundamentais e artigos, sofreram as mudanças decorrentes

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


das transformações sociais ao longo da história. É claro que continuarão a sofrer modificações,
uma vez que são espelhos e não estátuas, refletem a sociedade e não meramente a observam.
Conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP n° 10/2015),
toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais,
norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a
adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. Um
Código de Ética profissional, ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas
pela respectiva categoria profissional e pela sociedade, procura fomentar a autorreflexão exigida
de cada indivíduo acerca da sua práxi, de modo a responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por
ações e suas consequências no exercício profissional. A missão primordial de um código de ética
profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho, e, sim, a de assegurar, dentro de
valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas, um padrão de conduta que
fortaleça o reconhecimento social daquela categoria.
Assim, entende-se que códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de
sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios
e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Por
constituir a expressão de valores universais, tais como os constantes na Declaração Universal dos
Direitos Humanos; sócio-culturais, que refletem a realidade do país; e de valores que estruturam
uma profissão, um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e
imutável no tempo. As sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso exige, também,
uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta.

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1 - CONSTRUÇÃO DO CÓDIGO DE ÉTICA DO PSICÓLOGO


De acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP n° 10/2015),
a formulação deste Código de Ética, o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil, responde
ao contexto organizativo dos psicólogos, ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento
da Psicologia enquanto campo científico e profissional. Este Código de Ética dos Psicólogos
é reflexo da necessidade, sentida pela categoria e suas entidades representativas, de atender à
evolução do contexto institucional e legal do país, marcadamente a partir da promulgação da
denominada Constituição Cidadã, em 1988, e das legislações dela decorrentes. Consoante com a
conjuntura democrática vigente, o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços
de discussão sobre a ética da profissão, suas responsabilidades e compromissos com a promoção
da cidadania. O processo ocorreu ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta
dos psicólogos e aberto à sociedade.
Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um
instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. Para
tanto, na sua construção buscou-se:

a. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação
do psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades profissionais e a ciência, pois

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o
contexto social e institucional.

b. Abrir espaço para a discussão, pelo psicólogo, dos limites e interseções relativos aos
direitos individuais e coletivos, questão crucial para as relações que estabelece com a
sociedade, os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços.

c. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção


do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais.

d. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas
particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas
específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.

Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a expectativa é de


que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres
do psicólogo, oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações,
contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da Psicologia.

Os Princípios fundamentais contidos no Código de Ética Profissional do Psicólogo (2005,


s.p.):

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ENSINO A DISTÂNCIA

I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade,


da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores
que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das
pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas
de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e
historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.
IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo
aprimoramento profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia
como campo científico de conhecimento e de prática.
V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da
população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços
e aos padrões éticos da profissão.
VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com
dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada.
VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os
impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais, posicionando-se
de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código

1.1. Código de ética Profissional do Psicólogo (Resolução


CFP n° 10/2015)

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


Das responsabilidades do psicólogo:

Art. 1º
– São deveres fundamentais dos psicólogos:
a) Conhecer, divulgar, cumprir e fazer cumprir este Código;
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais
esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e
apropriadas à natureza desses serviços, utilizando
princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na
ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de
emergência, sem visar benefício pessoal;
e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os
direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia;
f) Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psicológicos, informações
concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional;
g) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da pres-
Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de serviços
psicológicos, transmitindo somente o que for necessário para a tomada de
decisões que afetem o usuário ou beneficiário;
h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a partir
da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os
documentos pertinentes ao bom termo do trabalho;
I) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo, guarda e
forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme
os princípios deste Código;
j) Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais, respeito,
consideração e solidariedade, e, quando solicitado, colaborar com estes, salvo
impedimento por motivo relevante;

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ENSINO A DISTÂNCIA

k) Sugerir serviços de outros psicólogos, sempre que, por motivos justificáveis,


não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente,
fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do
trabalho;
l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou
irregular da profissão, transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da
legislação profissional.

Art. 2º
– Ao psicólogo é vedado:
a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão;
b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de
orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas
funções profissionais;
c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas
psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de
violência;
d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam
o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade
profissional;
e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou
contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços
profissionais;
f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados
ou reconhecidos pela profissão;
g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica;
h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas,
adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas;
i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços;
j) Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha vínculo
com o atendido, relação que possa interferir negativamente nos objetivos do
serviço prestado;
k) Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos
pessoais ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do
trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação;
l) Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando benefício
próprio, pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha
qualquer tipo de vínculo profissional;
m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo
que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas, decorrentes de
informações privilegiadas;
n) Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais;
o) Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens outras de
qualquer espécie, além dos honorários contratados, assim como intermediar
transações financeiras;
p)Receber, pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de
serviços;
q) Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados de
serviços psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas,
grupos ou organizações.

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ENSINO A DISTÂNCIA

Art. 3º
– O psicólogo, para ingressar, associar-se ou permanecer em uma organização,
considerará a missão, a filosofia, as políticas, as normas e as práticas nela vigentes
e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código.
Parágrafo único:
Existindo incompatibilidade, cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e,
se pertinente, apresentar denúncia ao órgão competente.

Art. 4º
– Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:
a) Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do
usuário ou beneficiário;
b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará
ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado;
c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor
acordado.

Art. 5º
– O psicólogo, quando participar de greves ou paralisações, garantirá que:
a) As atividades de emergência não sejam interrompidas;
b)Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos
serviços atingidos pela mesma.

Art. 6º
– O psicólogo, no relacionamento com profissionais não psicólogos:

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas
que extrapolem seu campo de atuação;
b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço
prestado, resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a
responsabilidade, de quem as receber, de preservar o sigilo.

Art. 7º
– O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam
sendo efetuados por outro profissional, nas seguintes situações:
a) A pedido do profissional responsável pelo serviço;
b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço, quando
dará imediata ciência ao profissional;
c) Quando informado expressamente, por qualquer uma das partes, da
interrupção voluntária e definitiva do serviço;
d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da
metodologia adotada.

Art. 8º
– Para realizar atendimento não eventual de criança, adolescente ou interdito,
o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis,
observadas as determinações da legislação vigente:
§1°
– No caso de não se apresentar um responsável legal, o atendimento deverá ser
efetuado e comunicado às autoridades com petentes;
§2°
– O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem
necessários para garantir a proteção integral do atendido.

Art. 9º
– É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio
da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que
tenha acesso no exercício profissional.

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Art. 10
– Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do
disposto no Art. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código,
excetuando-se os casos previstos em lei, o psicólogo poderá decidir pela quebra
de sigilo, baseando sua decisão na busca do menor prejuízo.
Parágrafo único
– Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo, o psicólogo deverá
restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias.

Art. 11
– Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo poderá prestar informações,
considerando o previsto neste Código.

Art. 12
– Nos documentos que embasam as atividades em equipe multiprofissional, o
psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos
objetivos do trabalho.

Art. 13
– No atendimento à criança, ao adolescente ou ao interdito, deve ser comunicado
aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu
benefício.

Art. 14
– A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica

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obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente, devendo o
usuário ou beneficiário, desde o início, ser informado.

Art. 15
– Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo, por quaisquer motivos, ele
deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais.
§ 1°
– Em caso de demissão ou exoneração, o psicólogo deverá repassar todo o
material ao psicólogo que vier a substituí-lo, ou lacrá-lo para posterior utilização
pelo psicólogo substituto.
§ 2°
– Em caso de extinção do serviço de Psicologia, o psicólogo responsável
informará ao Conselho Regional de Psicologia, que
providenciará a destinação dos arquivos confidenciais.

Art. 16
– O psicólogo, na realização de estudos, pesquisas e atividades voltadas para a
produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias:
a) Avaliará os riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como pela divulgação
dos resultados, com o objetivo de proteger as pessoas, grupos, organizações e
comunidades envolvidas;
b)Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos, mediante
consentimento livre e esclarecido, salvo nas situações previstas em legislação
específica e respeitando os princípios deste Código;
c) Garantirá o anonimato das pessoas, grupos ou organizações, salvo interesse
manifesto destes;
d)Garantirá o acesso das pessoas, grupos ou organizações aos resultados das
pesquisas ou estudos, após seu encerramento, sempre que assim o desejarem.

Art. 17
– Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer, informar, orientar
e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste
Código.

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Art. 18
– O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou venderá a leigos
instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício
ilegal da profissão.

Art. 19
– O psicólogo, ao participar de atividade em veículos de comunicação, zelará
para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das
atribuições, da base científica e do papel social da profissão.

Art. 20
– O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios,
individual ou coletivamente:
a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro;
b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua;
c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e
práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas
pela profissão;
d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;
e) Não fará previsão taxativa de resultados;
f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais;
g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias
profissionais;
h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

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Art. 21
– As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar
com a aplicação das seguintes penalidades, na forma dos dispositivos legais ou
regimentais:
a) Advertência;
b) Multa;
c) Censura pública;
d) Suspensão do exercício profissional, por até 30 (trinta) dias, ad referendum do
Conselho Federal de Psicologia;
e) Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Federal de
Psicologia.

Art. 22
– As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos
pelos Conselhos Regionais de Psicologia, ad referendum do Conselho Federal
de Psicologia.

Art. 23
– Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto
aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código.

Art. 24
– O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho
Federal de Psicologia, por iniciativa própria ou da categoria, ouvidos os
Conselhos Regionais de Psicologia.

Art. 25
– Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005.
Este Código de Ética Profissional é fruto de amplos debates ocorridos entre os
anos de 2003 e 2005, envolvendo:
- 15 fóruns regionais de Ética, que culminaram com o II Fórum Nacional de
Ética;

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- os trabalhos de uma comissão de psicólogos e professores convidados;


- os trabalhos da Assembléia das Políticas Administrativas e Financeiras
do Sistema Conselhos de Psicologia, APAF, tudo sob a responsabilidade do
Conselho Federal de Psicologia

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Figura 1 - Código de ética Profissional do Psicólogo. Fonte: CFP (2005).

1.2. Sigilo/Quebra de Sigilo


O dever de guardar segredo faz parte da trajetória humana, desde crianças nos habituamos
a ouvir “Vou te contar uma coisa, mas você jura que não conta para ninguém” da mesma forma
que o segredo faz parte de relações como prova de fidelidade entre indivíduos, também é a base
de algumas profissões como por exemplo, padres, pastores e demais líderes religiosos a quem
seus fiéis confidencializam segredos ou médicos e advogados que lidam com questões íntimas e
que geram consequências para a vida das pessoas. Sendo o segredo o imperativo ético legal dessas
profissões pois é o elemento que determina o vínculo de confiança entre profissional e cliente.
Da mesma forma, no caso da psicologia, o sigilo é um dos pilares da profissão, pois os
indivíduos contarão a esse profissional seus segredos mais íntimos, precisando haver uma relação
de intensa confiança, sendo exigido inclusive da população em geral que o psicólogo honre seu
comprometimento com a questão do sigilo das informações que a ele chegam dentro do ambiente
profissional, o que já está explícito no próprio código de ética da profissão. O segredo é um valor
que protege a liberdade individual e a dignidade da pessoa em seu convívio social.
Na atuação do psicólogo em equipes multiprofissionais pode haver o chamado Segredo
participado, aquele que precisa ser revelado para permitir a ação de um grupo de profissionais
para a melhor solução do problema, no entanto, nesses casos, o psicólogo deverá cuidar para falar
ou escrever nos prontuários dos pacientes apenas as informações fundamentais para o melhor
acompanhamento do caso pela equipe de profissionais, sendo alguns dados sigilosos mesmo
trabalhando em equipe, o método de trabalho deverá ser informado ao paciente nesses casos.

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O Código de Ética Profissional dos psicólogos traz que em termos gerais o sigilo deverá
ser quebrado quando julgar necessário decidindo pelo menor prejuízo, porém na prática essa
decisão nem sempre é fácil, de qualquer forma, a inviolabilidade do segredo não pode ser absoluta
pois pode envolver danos ao próprio paciente, ao psicólogo, a terceiros ou até mesmo danos
sociais mais graves, como por exemplo, em uma situação hipotética em que um paciente diga
que planeja jogar uma bomba em uma escola.. Para tornar a situação mais complexa, o paciente
em questão pode estar dizendo isso “da boca para fora”, então o profissional deverá ter além de
conhecimento, bastante bom senso para tomar a decisão sobre a quebra ou não do sigilo.
Segundo Benevides e Antòn (1987), as possíveis causas da revelação de um segredo
profissional encontram-se fundamentadas no direito civil ou penal e nas próprias normas ético-
legais da profissão, sendo as principais elencadas:

- Com o consentimento do interessado: Mesmo com o consentimento do interessado o


psicólogo deverá avaliar se a revelação do segredo não envolve terceiros que possam ter
algum prejuízo com sua revelação. Em situações como por exemplo, desejo do paciente
de se suicidar, o psicólogo poderá convencê-lo da necessidade de contar a alguém de sua
família sobre esse desejo, a fim de, pedir ajuda e atenção a situações que possam favorecer
uma tentativa de suicídio, como a disponibilidade de armas na residência.

- Bem comum: Mesmo que seja contra a vontade do paciente, situações que possam gerar
danos para o interesse coletivo ou público podem fazer com que haja a necessidade de

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revelação do segredo, pois sua finalidade geral deverá ser o bem comum.

- Quando causar danos ou prejuízos a terceiros: Desde que o dano seja real, esteja por
se concretizar, seja realmente relevante e grave, mesmo assim deverá ser revelado apenas
o necessário. É o caso por exemplo de pacientes que estejam para cometer um crime,
roubar, matar alguém, dar um grande golpe.

- Quando a revelação é imposta em função do trabalho que realiza: É o caso de


profissionais que são peritos da justiça por exemplo, cuja função é justamente informar a
seus superiores e responsáveis sobre aptidões, capacidades ou qualidades psico-mentais
dos atendidos, nestes casos o atendido deverá ser informado de que os dados colhidos ali
não serão confidenciais mas constarão no processo.

- Em casos que envolvem crianças e adolescentes, bem como pessoas com deficiência
ou com transtornos mentais severos deverá ser dada especial atenção quando se
observar, por exemplo, situações de violência, abuso ou negligência por parte dos pais ou
responsáveis.

Cabe ressaltar que a violação injustificada do segredo profissional ofende à liberdade da


pessoa e constitui-se como crime podendo ser penalizado.

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Figura 2 - Você sabe guardar segredo? Fonte: Cardápio pedagógico (2019).

1.3. Papel do Conselho Regional e Federal de Psicologia


Sobre o CRP (2019), o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (8ª Região) é uma
autarquia, isto é, uma entidade autônoma, auxiliar e descentralizada, da administração pública,
sujeita à fiscalização do Estado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O CRP-PR tem a
função de “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo e zelar pela fiel

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observância dos princípios de ética e disciplina da classe”, de acordo com o estabelecido na Lei
Federal nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971.
O desenvolvimento das funções de orientar, fiscalizar e disciplinar vai além da efetivação
das averiguações, das determinações de penalidades por infrações éticas ou técnicas, do
acolhimento e do esclarecimento de dúvidas por parte de profissionais e usuários de serviços.
Essas funções criam a dinâmica do Conselho e, ao mesmo tempo, subsidiam suas ações. Seus
conteúdos tornam-se referências, que são organizadas e normatizadas, a fim de serem debatidas
e divulgadas, de modo a contribuir no crescimento da Psicologia como ciência e profissão na
sociedade. O Conselho profissional é, portanto, o órgão que zela pelo desenvolvimento das
funções da Psicologia, cabendo-lhe estimular e fortalecer a relação entre Conselho, Psicólogas(os)
e sociedade; formando, assim, uma rede comprometida com a cidadania, a solidariedade, a justiça
e a saúde mental.
Segundo o CFP (2019), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) é uma autarquia de direito
público, com autonomia administrativa e financeira, cujos objetivos, além de regulamentar,
orientar e fiscalizar o exercício profissional, como previsto na Lei 5766/1971, regulamentada pelo
Decreto 79.822, de 17 de junho de 1977, deve promover espaços de discussão sobre os grandes
temas da Psicologia que levem à qualificação dos serviços profissionais prestados pela categoria
à sociedade. Órgão central do Sistema Conselhos, o CFP tem sede e foro no Distrito Federal e
jurisdição em todo o território nacional.

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É comum que os psicólogos na atualidade atuem em equipes multidisciplinares


em todas as áreas, educação, assistência social, jurídica e principalmente na área
da saúde. O sigilo profissional não deve impedir o psicólogo de ser incluído em
projetos que visam a benefícios sociais para a população, na área da saúde. Os
psicólogos que trabalham em hospitais e/ou unidades básicas e que se assumem
como profissionais da saúde não podem se recusar a preencher prontuários que
objetivam informar e mesmo integrar ações referentes à pessoa atendida. Basea-
dos nesse critério, deve dar as informações que julgar pertinentes, sem entrar na
dinâmica do caso. É responsabilidade ética da instituição manter o sigilo de seus
arquivos.

Uma das situações na qual o sigilo profissional se apresenta para os psicólogos


é aquela referente aos prontuários. Prontuários são definidos como arquivos, em
papel ou informatizados, cuja finalidade é facilitar a manutenção e o acesso às in-
formações que os pacientes fornecem durante o atendimento. Isso pode ocorrer
em ambiente ambulatorial ou hospitalar, assim como em clínica, e inclui os resul-
tados de avaliações e procedimentos realizados com finalidade diagnóstica ou de
tratamento. “O prontuário é de propriedade do paciente”, enfatiza Cristina Pellini.

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“O Hospital, para dar um exemplo, apenas tem a guarda desses documentos, ou
seja, é seu fiel depositário, com a finalidade de preservar o histórico de atendi-
mento de cada paciente”. O registro de informações de pacientes/clientes deve
também ser feito para atendimentos em consultórios particulares, sendo que as
instituições e/ou psicólogos são responsáveis pela guarda.

Como se deve, contudo, lidar com esse tipo de documento de forma a garantir o
necessário sigilo e, ao mesmo tempo, atender outras exigências da profissão:

Vale lembrar que entre essas exigências está a obrigatoriedade do registro docu-
mental decorrente da prestação de serviços psicológicos, prevista pela Resolução
CFP 001/2009. Resolução que, em seu artigo 2º, aponta as informações que de-
vem ser registradas no prontuário pelo psicólogo, como: identificação do usuário/
instituição; avaliação de demanda e definição dos objetivos do trabalho; registro
da evolução dos atendimentos, de modo a permitir o conhecimento do caso e seu
acompanhamento, bem como os procedimentos técnico-científicos adotados; re-
gistro de Encaminhamento ou Encerramento; cópia de outros documentos produ-
zidos pelo psicólogo para o usuário/instituição do serviço de psicologia prestado,
que deverá ser arquivada, além do registro da data de emissão, finalidade e desti-
natário).

No caso de aplicação de instrumentos de avaliação psicológica, os instrumentos


testes, desenhos, relatos, devem ficar em pasta de acesso exclusivo do psicólogo,
como indica a resolução. O que deve ir para registro e consequentemente para o
prontuário é o resultado dessa avaliação, ou seja, a análise, a interpretação que o
profissional fez como resultado da aplicação daqueles instrumentos.

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Essa mesma orientação se aplica nos casos de atendimento por equipes multi-
profissionais, nos quais a situação de um paciente pode ser examinada em con-
junto por profissionais diversos de diferentes especialidades. “De acordo com o
artigo 6º, do Código de Ética Profissional dos Psicólogos - compartilhará somente
informações relevantes para qualificar o serviço prestado, resguardando o cará-
ter confidencial das comunicações, assinalando a responsabilidade de quem as
recebeu.

Esses registros que farão parte do prontuário do usuário também devem ser iden-
tificados pelo nome completo do profissional, como dispõe a Portaria do Minis-
tério da Saúde 1820/2009 sobre essa questão, em seu artigo 3º, que assegura à
pessoa atendida no inciso “IV - registro atualizado e legível no prontuário, das se-
guintes informações: ....h) identificação do responsável pelas anotações.” “Quanto
a esta questão, orientamos inclusive que os psicólogos identifiquem assinatura,
nome completo, n.° de inscrição no CRP nos registros realizados”.

Em caso de serviço psicológico prestado em serviços-escola e campos de está-


gio, o registro deve contemplar a identificação e a assinatura do responsável téc-
nico/supervisor que responderá pelo serviço prestado, bem como do estagiário.

Outra questão é a de quem pode acessar o prontuário. Como já apontado pela

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conselheira Cristina Pellini: “O prontuário é de propriedade do paciente”, o artigo
5º da resolução do CFP destaca em seu inciso II - “fica garantido ao usuário ou
representante legal o acesso integral às informações registradas, pelo psicólogo,
em seu prontuário”, ou seja, o usuário poderá dispor do prontuário para verificação
(conhecimento) ou obtenção de cópias. Entende-se que o psicólogo deve entregar
a cópia do prontuário ao usuário, quando solicitado, segundo o Código de Ética
Profissional do Psicólogo em seu artigo 1º, alínea h. Importante lembrar, ainda,
que o psicólogo deve manter disponíveis materiais psicológicos produzidos para
fins de fiscalização, averiguação e orientação, sempre que solicitado pelo CRP.

Por fim, a resolução, em seu art. 4°, aponta que a guarda do registro documental é
de responsabilidade do psicólogo e/ou da instituição em que ocorreu o serviço. O
período de guarda deve ser de, no mínimo, 05 (cinco) anos, podendo ser ampliado
nos casos previstos em lei. Por exemplo, na área da Saúde, a guarda do prontuário
é de no mínimo 20 (vinte) anos. Deve-se garantir que o registro documental seja
mantido em local que garanta sigilo e privacidade e fique à disposição dos Conse-
lhos de Psicologia para orientação e fiscalização, de modo que sirva como meio
de prova idônea para instruir processos disciplinares e à defesa legal.

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Os dilemas são muitos no dia a dia do psicólogo e quase nunca a tomada de


decisão é simples. No Jornal Psi 159, a Comissão de Ética publicou um quadro
das temáticas analisadas pela Comissão em 2008, esses tópicos são múltiplos e
inúmeros: laudo psicológico, envolvimento amoroso, avaliação psicológica para
obtenção de carteira de habilitação, quebra de sigilo, envolvimento material.

Em cada um desses casos, frente a uma problemática, o psicólogo toma uma de-
cisão, qualquer decisão que o psicólogo toma frente a um dilema está apoiada em
três aspectos fundamentais: a consciência do problema com que se defronta e as
consequências da sua ação; a linha teórica adotada, que dará os parâmetros e a
fundamentação para a ação e a responsabilização pela ação tomada, enfim, todo
o caminho de tomada de decisão implica em um psicólogo ético e competente.

Desta forma destaca-se a importância de psicólogos fazerem terapia e também


supervisão teórica de seus casos para que consiga refletir melhor sobre seus dile-
mas pessoais e profissionais e tomar as decisões de forma mais acertiva.

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3


Para um maior conhecimento acerca da história da Psicologia no Brasil e da evo-
lução da ética específica da profissão, acesse Multimídia-Memórias da psicologia
Brasileira. Disponível no site: https://site.cfp.org.br/cfp/conheca-o-cfp/.

O filme As faces da verdade conta a história de Rachel Armstrong, uma jovem re-
pórter da secção nacional do Capitol Sun-Times, um dos mais importantes jornais
diários de Washington. Rachel escreve um artigo explosivo, revelando a identidade
de uma agente da CIA sob disfarce, Erica Van Doren, que ao ser publicada desen-
cadeia um verdadeiro vendaval, levando o Governo a pedir a identificação da fonte
de Rachel. Com o apoio do seu editor, Bonnie Benjamin, do advogado do jornal,
Avril Aaronson e do marido, Ray, Rachel desafia o carismático e decidido Procu-
rador, Patton Dubois. Quando Rachel também se recusa a revelar a sua fonte ao
Juíz Distrital Hall, este acusa-a de desrespeito pelo Tribunal e manda-a para a ca-
deia, afirmando que só ela tem o poder de sair da cela e que o tempo a passar no
Centro de detenção a ajudará a percebê-lo. A história segue a dura experiência de
Rachel atrás das grades, bem como a luta legal empreendida pelo seu advogado,
Albert Burnside, que cita a Primeira Emenda da Constituição, quando leva o caso
ao Supremo Tribunal de Justiça.

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Mas toda a gente está ansiosa por saber: quem é afinal a fonte e porque razão
está Rachel disposta a sacrificar-se para a proteger? (https://filmow.com/faces-
-da-verdade-t9590/)
Ao final do filme correlacionando-o com o material estudado será possível refletir
sobre a importância do sigilo no ambiente profissional.

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Figura 3 - Faces da Verdade. Fonte: Filmow (2019).

2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
As profissões de modo geral obedecem a ética geral de uma dada sociedade, possuindo
também uma ética específica, que no caso da maioria dos cursos de nível superior está explicitada
através de documentos chamados Códigos de Ética, no caso da psicologia no Brasil foram
desenvolvidos três códigos sendo o de 2005 vigente na atualidade, o mesmo se divide em 25
artigos que trazem proibições, recomendações sobre o modo de agir de modo geral e com outros
profissionais psicólogos ou não, com crianças e adolescentes, com relação a discriminação, como
fazer propaganda se seus serviços, como agir com relação a pesquisas, aplicação de testes, etc.,
tratando-se de recomendações gerais, pois o campo de atuação do psicólogo é muito amplo,
assim em algumas situações deverá fazer uma reflexão sobre o melhor modo de agir sempre
tendo como base o código e outros documentos do Conselho Federal de Psicologia.

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ENSINO A DISTÂNCIA

Cabe ressaltar também a importância do sigilo que é uma premissa básica do serviço
prestado pelo psicólogo, devendo este zelar pela manutenção do sigilo inclusive na guarda e
manutenção de materiais escritos, no entanto quando o sujeito coloca em risco a própria vida
ou de outros, quando há ordem judicial ou quando a quebra do sigilo já faz parte do serviço
prestado o profissional deverá decidir pelo menor prejuízo e se necessário quebrar o sigilo,
sempre lembrando de falar apenas o necessário a quem de fato possa intervir na situação.
Os Conselhos Regionais de Psicologia devem dar um suporte aos profissionais além de
ser responsável pela fiscalização do exercício incorreto da profissão e aplicação de penalidades
caso ocorram, devendo sempre ser avaliada a situação visando a busca do menor prejuízo aos
envolvidos.

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 3

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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA

04
DISCIPLINA:
ÉTICA EM PSICOLOGIA

POSTURA ÉTICA E CRÍTICA DO PSICÓLOGO


PROF.A MA. PRISCILA REGINA DAIUTO

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................39
1 - PRECONCEITO, ESTEREÓTIPOS E DISCRIMINAÇÃO......................................................................................40
1.1. PAPEL DA PSICOLOGIA FRENTE AO PRECONCEITO......................................................................................42
1.2. HOMOFOBIA: ASPECTOS ÉTICOS PARA OS PROFISSIONAIS DE PSICOLOGIA..........................................43
1.3. SERVIÇOS PSICOLÓGICOS REALIZADOS POR MEIOS TECNOLÓGICOS......................................................44
2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................................................50

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ENSINO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO
De acordo com Bock (2011), a psicologia brasileira foi construída, ou melhor, inventada
pelos psicólogos. Em vários espaços foram inauguradas práticas e novos campos, tornando a
Psicologia uma profissão de interesse social, caminho percorrido com disputas e projetos
distintos. Sem dúvida, a abertura de novos cursos em todo país, a partir da década 70, colocou na
Universidade as camadas médias e possibilitou uma composição de categoria profissional para
além dos filhos das elites, assim, a situação era propícia para o desenvolvimento de um projeto
de compromisso social.
A psicologia, atualmente, se insere em várias áreas, o que é um testemunho da
complexidade do humano, sendo a psicologia rica devido a essa diversidade, revelando um
trabalho complexo que exige não somente conhecimentos de sua ciência como do contexto onde
atua, alocando a profissão de psicólogo(a) em si mesma como atividade multidisciplinar, tendo
a interdisciplinaridade como paradigma para a atuação profissional, sendo o grande desafio, a
defesa e reconstrução de sua identidade.
A ideia de compromisso social torna a psicologia uma prática comprometida com a
realidade social do país, de acordo com Bock (2011), discutir o compromisso social da psicologia
significa sermos capazes de avaliar sua inserção como ciência e profissão na sociedade, apontando

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 4


se esta tem contribuído de fato para a transformação das condições de vida da população ou
apenas tem reforçado sua manutenção, assim, assumir um compromisso social na psicologia é
estar voltado para uma intervenção crítica e transformadora das condições de vida da população,
estando comprometido com a crítica desta realidade a partir dos saberes de nossa profissão.
É fundamental que os psicólogos se atualizem sobre as mudanças no contexto sociocultural
e possuam conhecimentos sobre Direitos Humanos e populações vulneráveis para que possam
ter uma postura verdadeiramente ética nos mais diferentes campos de atuação visando atender às
diversas demandas sempre em busca tanto do alívio do sofrimento psíquico de pessoas vítimas de
preconceito e discriminação, em especial, quanto a diminuição do preconceito e discriminação
por parte da sociedade, a partir de conhecimento e conscientização.

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ENSINO A DISTÂNCIA

1 - PRECONCEITO, ESTEREÓTIPOS E DISCRIMINAÇÃO


De acordo com Sawaia (2002), a exclusão é um tema da atualidade usado por diversas
áreas do conhecimento possuindo diferentes interpretações, em uma perspectiva ético-
psicossociológica pode ser entendida como um processo complexo que não é em si subjetivo
nem objetivo, individual nem coletivo, mas sim é um processo sócio-histórico que se configura
em todas as esferas da vida social, sendo necessário analisá-la de forma ampla, considerando o
contexto social, histórico e político, mas nunca desconsiderando a dimensão ética da injustiça e
a dimensão subjetiva do sofrimento de quem se sente excluído de algum modo de um grupo ou
uma sociedade, havendo alguns mecanismos de reforçar a exclusão como culpabilizar o próprio
sujeito ou grupo excluído e naturalizar a exclusão ao atribuí-la, por exemplo, a competitividade
tão natural no mundo capitalista em que vivemos.
Pensar criticamente na exclusão como um mecanismo de produção da desigualdade
social impõe reconhecer a complexidade e as controvérsias do mundo atual, trazendo a reflexão
para o campo ético, o que implica uma discussão de valores e dos efeitos da ordem capitalista
sobre a vida das pessoas. Na origem e manutenção da exclusão estão o preconceito, estereótipos
e discriminação.
Conforme Rodrigues et al. (2000), o preconceito – entendido como atitudes ou
comportamentos negativos direcionados a indivíduos, ou grupos, baseados em um julgamento

ÉTICA EM PSICOLOGIA | UNIDADE 4


prévio que é mantido mesmo diante de fatos que o contradizem – é tão antigo quanto a própria
humanidade, por isso é extremamente difícil erradicá-lo, seu efeito pode apresentar diferentes
níveis em termos de agressividade, indo desde um olhar ou uma frase que possa diminuir e
ofender ao outro até a violência física e assassinato, tendo como exemplo talvez mais estarrecedor
na história recente o Holocausto, quando milhões de judeus foram massacrados na Europa. Até
o século XIX, os teóricos não se preocupavam com a questão do preconceito, pois entendia-se
que realmente havia diferenças entre as raças, sendo que umas seriam inferiores a outras o que
naturalizava por exemplo a escravidão de uns povos por outros, de 1930 para cá o preconceito
passou a ser visto como irracional ou injustificado, sendo uma consequência do processo de
Categorização Social que divide as pessoas como o nome diz em categorias ou grupos (bons e
maus), processo que inconscientemente fazemos constantemente, tendendo a nos identificarmos
com o grupo a que pertencemos e discriminar o diferente.
Na base do preconceito estão as crenças sobre características pessoais que atribuímos
a indivíduos ou grupos, chamadas de estereótipos, ou rótulos, ou seja, crenças compartilhadas
acerca de atributos, geralmente traços de personalidade ou comportamentos costumeiros de
certas pessoas ou grupos de pessoas, tendendo a enfatizar o que há de similar entre as pessoas,
não necessariamente similares e a agir de acordo com essa percepção, assim, o estereótipo pode
ser entendido como a base cognitiva do preconceito, os sentimentos negativos em relação a um
grupo constituem o campo afetivo, enquanto a discriminação está no nível comportamental.
De modo geral, pode-se dizer que o estereótipo é um jeito que nosso cérebro encontra para
simplificar e “agilizar” nossa visão de mundo, como por exemplo, quando uma criança ao assistir
a um filme pergunta quem é o bandido e quem é o mocinho, como se houvesse apenas essas duas
categorias de pessoas ali, da mesma forma, quando se fala: pense em um italiano ou pense em um
africano vem em nossa mente quase que automaticamente uma imagem, um perfil, muitas vezes
não só físico como também de caráter ou personalidade, que muitas vezes não retrata a realidade
ou representa apenas parte dela.

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Muitas vezes, quando não fazemos uma reflexão mais aprofundada, avaliamos as
pessoas apenas a partir dos estereótipos ou rótulos que atribuímos a elas e quando, por exemplo,
rotulamos alguém como sendo “preguiçoso”, por mais que essa pessoa se esforce e apresente
outras características como ser muito trabalhador, prevalece a “marca” sobre ele de preguiçoso.
Pode-se dizer que temos uma ativação automática dos estereótipos assim que nos deparamos com
determinada situação ou pessoa, mas a partir do processo de reflexão e reavaliação da primeira
impressão passa-se a uma ativação controlada e não mais automática.
Ainda de acordo com Rodrigues et al. (2000), o preconceito pode ser positivo ou negativo,
e também pode ser vivido por todos os grupos e não só as chamadas minorias, mas costumamos
usar esse termo para atitudes negativas, assim, o preconceito pode ser entendido como atitude
hostil ou negativa com relação a determinado grupo, não levando necessariamente a atos hostis ou
comportamentos agressivos. Uma das causas do preconceito e discriminação é a competição que
gera a ideia de que um grupo só pode obter sucesso com o fracasso de outro, os autores indicam
pesquisas em que um grupo passou a hostilizar o outro por detalhes como a cor dos olhos. A
competitividade é a base da economia capitalista, mas não é a única responsável pelo preconceito,
além disso, há os fatores da personalidade e da aprendizagem social, desde crianças aprendemos
a conviver em sociedade com nossos pais, parentes, vizinhos, igreja, escola, etc., porém do ponto
de vista ético, a partir de um dado momento precisamos refletir se o que aprendemos está mesmo
correto e mesmo que esteja precisamos entender que não há verdades absolutas, no exemplo do
Holocausto citado anteriormente, na época em que ocorreu grande parte da população europeia
acreditava que até mesmo torturar e matar pessoas porque possuíam uma crença ou raça diferente

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era o correto.
Conforme mencionado anteriormente é difícil pensarmos que o preconceito e
discriminação possam ser extintos, porém é possível reduzi-los a partir de melhores condições
educacionais, maior conhecimento da história e cultura, desenvolvimento da empatia, diminuição
da competição para atitudes de cooperação e quando diferentes grupos são submetidos a situações
em que passam pelas mesmas situações de conflito e dificuldades.

Figura 1 - O patinho feio. Fonte: Sociedade exclusiva (2007).

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1.1. Papel da Psicologia Frente ao Preconceito


Caniato (2013) destaca que é necessário o aperfeiçoamento político do diálogo com a
ciência e a formação de psicólogos comprometidos com a realidade brasileira, um dos elementos
a ser destacado refere-se antes mesmo da questão do currículo de formação acadêmica, ao
estabelecimento de um projeto ético político de formação para a área, revendo a suposta
neutralidade da ciência e aprofundando a discussão sobre para que e para quem a psicologia
existe no Brasil, além de tentar diminuir o abismo que existe entre teoria e prática, visto que
as teorias são ensinadas de forma cristalizada e não relacionada às exigências da realidade de
trabalho, configurando-se assim, em práticas alienantes, sendo necessário fazer constantemente
uma análise de conjuntura, pois saber avaliar o contexto é fundamental para a tomada de decisões
e intervenções profissionais de forma ética e política.
Cabe ressaltar que ao usarmos aqui a palavra Política não o fazemos no sentido de política
partidária, mas sim, entendendo a palavra em seu sentido mais amplo de ser tudo o que diz
respeito a vida das pessoas na pólis (cidade), daí também deriva o termo Cidadão (aquele que
vive e convive na cidade).
A psicologia possui direta relação com os Direitos Humanos, sendo que o próprio
Código de Ética da profissão tem como base os princípios da Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948), a qual embasa também a Constituição Federal Brasileira de 1988, nosso
principal conjunto de normas dentro da sociedade, de forma resumida, todos esses documentos

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dizem que todos são iguais perante a lei e tem os mesmos direitos e deveres, devendo ter iguais
condições de existência, porém sabemos que na prática estamos bem distantes dessa igualdade,
assim, principalmente os grupos entendidos como “minorias” ou mais “vulneráveis” e portanto
mais suscetíveis a serem vítimas de preconceito e discriminação, chegando a atos violentos
merecem proteção especial por parte da sociedade e do Estado, como é o caso de negros, índios,
pessoas com deficiência, idosos, crianças e adolescentes, mulheres, população LGBT, moradores
de rua, população carcerária, etc..
Os psicólogos trabalham em diversas áreas e campos de atuação tendo contato direto ou
indireto com essas diferentes populações, bem como suas famílias e os praticantes de violência e
discriminação também, por isso não poder se eximir do papel de conhecer e pensar sobre essas
questões, bem como de ter uma intervenção voltada a diminuição de qualquer forma de violência
e preconceito.
A afirmação dos direitos humanos como um patamar ético que deve mediar o
relacionamento entre todos os seres humanos esbarra, no caso brasileiro, no desafio da superação
do abismo das desigualdades que separam os grupos sociais privilegiados, da imensa massa dos
desvalidos e miseráveis. Mas, para além dessas dimensões objetivas, que envolvem os elementos
estruturais da sociedade, a construção de tal cultura pressupõe que se leve em conta, igualmente,
os aspectos da subjetividade social que permeiam esses processos. Tanto naqueles que envolvem
a promoção dos direitos humanos, quanto nos que envolvem as suas violações, não podemos
esquecer da dimensão subjetiva que lhes oferece base de sustentação e de existência no mundo.
São valores, ideias, sentimentos e atitudes, cuja direção, para a qual apontam. Nesse sentido, mais
do que assumir, nessa tarefa, aquela parte que a boa cidadania nos recomenda, cabe à Psicologia e
aos psicólogos um importante papel, engajando-se no desvelamento dos mecanismos subjetivos
através dos quais se produzem as legitimações ou invalidações das práticas sociais, que, como
tais, favorecem ou mutilam os direitos humanos.

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1.2. Homofobia: aspectos éticos para os profissionais de


psicologia
De acordo com Contato (2009), a homofobia, entendida como ódio ou aversão aos
homossexuais que pode ir de comentários maldosos até atos de extrema violência é um assunto
frequente na mídia em todo o Brasil, tendo sido assassinados 15 homossexuais no Paraná apenas
no primeiro semestre de 2009, cabe ressaltar que desde 1990 a Organização Mundial de Saúde
(OMS) aprovou a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças,
declarando que não constitui doença, distúrbio ou perversão, apesar disso, a população LGBT
(Gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais) continuam sofrendo as consequências da
homofobia.
Além do Código de Ética Profissional dos Psicólogos trazer em seu artigo 2° que é
proibido ao psicólogo agir com qualquer forma de preconceito e discriminação, pois é parte
dos pressupostos da profissão respeitar as diferenças, em 1999 o Conselho Federal de Psicologia
(CFP) publicou a Resolução 001/99 que trata especificamente da questão da Orientação Sexual
e da conduta ética esperada dos profissionais com relação a este tema, podendo ser punidos os
psicólogos que hajam de forma contrária a seus artigos ( segue abaixo). Cabe destacar ainda que
é necessário além de trabalhar com a população LGBT visando diminuir seu sofrimento também
é necessário suporte às famílias dessa população para que aprendam a lidar com a questão do

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preconceito, não podendo ser envolvidas questões religiosas no tema, pois a psicologia enquanto
ciência e profissão é laica.

RESOLUÇÃO CFP N° 001/99

“Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da


Orientação Sexual”

Art. 1° - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão


notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-
estar das pessoas e da humanidade.
Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para
uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e
estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas
homoeróticas.
Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização
de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva
tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único -Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que
proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de
pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a
reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como
portadores de qualquer
desordem psíquica.
Art. 5° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 6° - Revogam-se todas as disposições em contrário.

Brasília, 22 de março de 1999.

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Essa resolução ratificou o que já tinha sido definido pela Organização Mundial de Saúde
e colocou um divisor de águas na preservação dos direitos individuais e na maneira como o
profissional deve considerar o atendimento de pacientes homossexuais, principalmente para
aqueles que têm restrições à homossexualidade. A posição do Conselho Federal de Psicologia
sobre o tema, no mínimo, contribuiu para inibir práticas preconceituosas nos atendimentos e
induzir os mais intolerantes à reflexão, na medida em que abriu campo para que aqueles que se
julgarem prejudicados no atendimento dos serviços psicológicos se defendam.
A Resolução 01/99 está em sintonia com a Constituição Federal, que assegura “o bem de
todos, sem preconceitos” e tem o propósito de reafirmar que a sexualidade faz parte da identidade
do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade, e fazer com que o psicólogo use seu
conhecimento para esclarecer essas questões a fim de que a sociedade e a categoria superem
discriminações.
Para o Conselho Federal, a chamada “orientação sexual” não é algo que se mude, pois faz
parte integrante do sujeito e é resultado de um longo caminho pulsional que não possui uma rota
pré-estabelecida e muito menos um objeto único o qual todos deveriam almejar. Segundo o CFP,
o que determina a maneira como o sujeito vai experimentar a sua sexualidade é a interação de
inúmeros fatores psicossociais.
Ao normatizar a matéria sobre orientação sexual, o CFP espera que os psicólogos não
exerçam qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos homoerótica nem
tampouco orientem, de maneira coercitiva, tratamentos não solicitados. Além disso, não
poderão se pronunciar publicamente nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar

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os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer
desordem psíquica. Em seu parágrafo único, a resolução diz que “os psicólogos não colaborarão
com eventos e serviços que proponham tratamento ou cura das homossexualidades”.
O Conselho Federal ratifica que a homossexualidade, tanto quanto a heterossexualidade,
são posições igualmente legítimas. E mais: sabe-se que o que leva ao sofrimento não é a sexualidade
em si, mas a discriminação e o preconceito em decorrência de sua preferência sexual, a pessoa
pode estar exposta às diversas manifestações do preconceito que vão desde as formas mais sutis
de violência, tais como olhares curiosos, risos e comentários indevidos, às mais violentas e
escancaradas: maus-tratos, espancamento e até a morte
(http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/150/frames/fr_orientacao.
aspx).

1.3. Serviços Psicológicos Realizados por meios


Tecnológicos
Os avanços tecnológicos representam uma realidade da qual não há como fugir, estando
acessíveis e fazendo parte do dia a dia da maior parte da população, desta forma, a própria
Psicologia tem se atualizado, entendendo a necessidade de atualização também em seus métodos
para um melhor atendimento a população frente as mudanças inclusive em sua subjetividade,
assim, já faz algum tempo em que supervisões teóricas e atendimentos em situações específicas
como no caso de mudança de cidade por parte do psicólogo ou do paciente, psicodiagnóstico
e pesquisa são permitidos por meio de tecnologias da informação, no entanto, em 2018 uma
nova resolução do Conselho Federal de Psicologia ampliou ainda mais as possibilidades de
atendimento neste formato, o que além de responder a uma nova demanda da sociedade pode
ser muito útil para pessoas com graves dificuldades de horário ou deslocamento.

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Cabe ressaltar que é bastante recente esta prática havendo a necessidade de grande
cuidado e compromisso ético, pois pode-se pensar que o vínculo psicólogo- paciente fique
comprometido sem estarem frente a frente, além do fato de que é preciso estabelecer um contrato
de forma bastante clara entre as partes, estipulando, método utilizado, dias, horários, duração dos
atendimentos, independente do meio utilizado.
De acordo com CFP (2019), o Conselho Federal de Psicologia, ao publicar a Resolução
CFP nº 11/2018, atualiza a Resolução CFP nº 11/2012 que trata sobre atendimento psicológico on-
line e demais serviços realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância. A resolução
atual amplia as possibilidades de oferta de serviços de Psicologia mediados por Tecnologias da
informação e comunicação, mantendo as exigências previstas no Código de Ética e exigindo
o cadastro individual e orientação do profissional junto ao Conselho Regional de Psicologia
para possíveis apurações em caso de prestação incorretas de serviço. Com a nova resolução,
o profissional de Psicologia se torna responsável pela adequação e pertinência dos métodos e
técnicas na prestação de serviços, não havendo necessidade de vinculação a um site.
Ainda de acordo com CFP (2019), a psicóloga ou psicólogo poderá oferecer consultas
ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos por meio das tecnologias da informação e
comunicação, desde que cada tecnologia utilizada guarde coerência e fundamentação na ciência,
na legislação e nos parâmetros éticos da profissão. O atendimento, portanto, não poderá ocorrer
sem critérios, cabendo ao profissional fundamentar, inclusive nos registros da prestação do
serviço, se a tecnologia utilizada é tecnicamente adequada, metodologicamente pertinente e
eticamente respaldada.

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A Resolução CFP nº 11/2018:
1) Substitui a oferta de serviços de “Orientações Psicológicas de diferentes
tipos realizados em até 20 encontros ou contatos virtuais” por “consulta e/ou
atendimentos psicológicos” através de um conjunto sistemático de procedimentos
e da utilização de métodos e técnicas psicológicas na prestação de serviço nas
diferentes áreas de atuação da Psicologia com vistas à avaliação, orientação e/ou
intervenção em processos individuais e grupais;
2) Não limita mais o número de sessões e derruba a restrição quanto ao
Atendimento Psicoterapêutico antes permitido apenas em caráter experimental;
3) Substitui “Processos prévios de Seleção de Pessoal” por “Processos de Seleção
de Pessoal;
4) Na utilização de instrumentos psicológicos devidamente regulamentados por
resolução pertinente, foi acrescentado a necessidade de que os testes psicológicos
devem ter parecer favorável do Sistema de Avaliação de Instrumentos Psicológicos
(Satepsi), com padronização e normatização específica para tal finalidade;
5) Também ampliou as possibilidades de supervisão técnica dos serviços
prestados por profissionais da Psicologia, antes restritos ao processo de sua
formação profissional presencial realizada de forma eventual ou complementar,
agora permitido nos mais diversos contextos de atuação;
6) Muda a exigência do cadastro de um site para a obrigatoriedade da realização
de um cadastro individual prévio junto ao Conselho Regional de Psicologia e
sua autorização;
7) Explicita que o atendimento de crianças e adolescentes somente ocorrerá
na forma da Resolução com o consentimento expresso de ao menos um dos
responsáveis legais e mediante avaliação de viabilidade técnica por parte da
psicóloga e do psicólogo para a realização desse tipo de serviço;
8) Normatiza que o atendimento de pessoas e grupos em situação de urgência e
emergência e dos grupos em situação de emergência e desastres pelos meios de
tecnologia e informação previstos nesta Resolução é considerado inadequado,
devendo a prestação desses tipos de serviço ser executado por profissionais e
equipes de forma presencial;

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9) Também veda o atendimento de pessoas e grupos em situação de violação


de direitos ou de violência pelos meios de tecnologia e informação previstos
nesta Resolução, devendo a prestação desse tipo de serviço ser executado por
profissionais e equipes de forma presencial;
10) Salienta que a prestação de serviços psicológicos, por meio de tecnologias
de informação e comunicação, deverá respeitar as especificidades e adequação
dos métodos e instrumentos utilizados em relação às pessoas com deficiência na
forma da legislação vigente (CFP, 2019).

Segue a baixo a resolução na íntegra:

Art. 1º Regulamentar a prestação de serviços psicológicos realizados por meio


de tecnologias da informação e da comunicação.
Art. 2º São autorizadas a prestação dos seguintes serviços psicológicos realizados
por meios tecnológicos da informação e comunicação, desde que não firam as
disposições do Código de Ética Profissional da psicóloga e do psicólogo a esta
Resolução:
I – As consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos de maneira
síncrona ou assíncrona;
II – Os processos de Seleção de Pessoal;
III – Utilização de instrumentos psicológicos devidamente regulamentados
por resolução pertinente, sendo que os testes psicológicos devem ter parecer
favorável do Sistema de Avaliação de Instrumentos Psicológicos (SATEPSI),
com padronização e normatização específica para tal finalidade.

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IV – A supervisão técnica dos serviços prestados por psicólogas e psicólogos nos
mais diversos contextos de atuação.
§ 1º Entende-se por consulta e/ou atendimentos psicológicos o conjunto
sistemático de procedimentos, por meio da utilização de métodos e técnicas
psicológicas do qual se presta um serviço nas diferentes áreas de atuação da
Psicologia com vistas à avaliação, orientação e/ou intervenção em processos
individuais e grupais.
§ 2º Em quaisquer modalidades desses serviços, a psicóloga e o psicólogo estarão
obrigad(os) a especificarem quais são os recursos tecnológicos utilizados para
garantir o sigilo das informações e esclarecer o cliente sobre isso.
Art. 3º A prestação de serviços psicológicos referentes a esta Resolução está
condicionada à realização de um cadastro prévio junto ao Conselho Regional de
Psicologia e sua autorização.
§ 1º Os critérios de autorização serão disciplinados pelos Conselhos Regionais
de Psicologia (CRPs), considerando os fatores éticos, técnicos e administrativos
sobre a adequabilidade do serviço.
§ 2º O profissional deverá manter o cadastro atualizado anualmente sob pena
de o cadastro ser considerado irregular, podendo a autorização da prestação do
serviço ser suspensa.
Art. 4º O profissional que mantiver serviços psicológicos por meios tecnológicos
de comunicação a distância, sem o cadastramento no Conselho Regional de
Psicologia, cometerá falta disciplinar.
Art. 5º O atendimento de crianças e adolescentes ocorrerá na forma desta
Resolução, com o consentimento expresso de ao menos um dos responsáveis
legais e mediante avaliação de viabilidade técnica por parte da psicóloga e do
psicólogo para a realização desse tipo de serviço.
Art. 6º O atendimento de pessoas e grupos em situação de urgência e emergência
pelos meios de tecnologia e informação previstos nesta Resolução é inadequado,
devendo a prestação desse tipo de serviço ser executado por profissionais e
equipes de forma presencial.
Parágrafo único. O atendimento psicológico citado neste artigo poderá ocorrer
pelos meios de tecnologia e informação previstos nesta Resolução, de forma a
fornecer suporte técnico às equipes presenciais de atendimento e respeitando a
legislação em vigência.

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Art. 7º O atendimento de pessoas e grupos em situação de emergência e desastres


pelos meios de tecnologia e informação previstos nesta Resolução é vedado,
devendo a prestação desse tipo de serviço ser executado por profissionais e
equipes de forma presencial.
Art. 8º É vedado o atendimento de pessoas e grupos em situação de violação
de direitos ou de violência, pelos meios de tecnologia e informação previstos
nesta Resolução, devendo a prestação desse tipo de serviço ser executado por
profissionais e equipes de forma presencial.
Art. 9º A prestação de serviços psicológicos, por meio de tecnologias de
informação e comunicação, deverá respeitar as especificidades e adequação dos
métodos e instrumentos utilizados em relação às pessoas com deficiência na
forma da legislação vigente.
Art. 10 Ficam revogadas as disposições em contrário, em especial a Resolução
CFP nº 011/2012.
Art. 11 Esta Resolução entra em vigor 180 dias após a data de sua publicação.
Brasília, 11 de maio de 2018.

Atualmente, o psicólogo atua em diversas áreas além das tradicionais (clínica,


educação, organizacional) sendo que a maior parte dos concursos públicos e o
maior campo profissional na atualidade é a área das Políticas Públicas que englo-
bam a área da saúde, assistência social e também a área jurídica que tem cresci-

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do e empregado muitos psicólogos, sendo necessário para atuação nessas áreas
conhecimento de algumas leis e aprofundamento acerca do campo dos Direitos
Humanos e dos aspectos éticos envolvidos no trabalho com pessoas que apre-
sentam-se excluídas da sociedade, que são vítimas de violência e negligência, as
quais em geral apresentam elevada probabilidade de desenvolverem sofrimento e
até mesmo transtornos mentais em virtude de suas peculiaridades.

A história dos Direitos Humanos no século XX possui dois momentos. Um de-


les data do período anterior à 2ª Guerra Mundial com três marcos internacionais
surgidos logo após a 1ª Guerra Mundial, para garantir alguns direitos humanos.
Foram eles: “Direito Internacional Humanitário”, “Organização Internacional do
Trabalho” e “Liga das Nações”. O segundo momento foi estabelecido após a 2ª
Guerra Mundial com a criação da “Organização das Nações Unidas” e com a ado-
ção da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Esta Declaração consolidou uma visão contemporânea de Direitos Humanos, a


saber: a Universalidade (todos os indivíduos têm direito, pelo mero fato de sua hu-
manidade); a Indivisibilidade (a dignidade humana não pode ser garantida apenas
por direitos civis, mas pelo conjunto, incluindo os direitos sociais, econômicos e
culturais); e a Interdependência (aponta para a dependência entre os direitos eco-
nômicos, direitos civis e políticos).

O conhecimento e a compreensão sobre os Direitos Humanos são fundamentais


para o desenvolvimento das Políticas Públicas, as quais, na maioria das vezes,
são ações e estratégias para concretização desses direitos. Seus princípios de-
vem inspirar e basear as Políticas Públicas para que elas possam combater as
desigualdades e desequilíbrios de uma sociedade e garantir a todos os seres hu-
manos uma vida digna.

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Os Direitos Humanos são um conjunto de princípios, conceitos, acordos, conven-


ções e pactos pela humanidade, no sentido de vir a garantir a todos uma vida com
dignidade. Foram sendo construídos ao longo da história, representando a expres-
são de civilidade alcançada pelo povo e pela humanidade.

A consolidação e garantia destes direitos é uma luta e conquista diária. Por isto
que, ao mesmo tempo em que a doutrina do Direito Humano vai sendo construída,
é preciso organizar as instâncias para garanti-los e estimular permanentemente a
militância dos cidadãos em sua defesa.

A psicologia no Brasil, desde seu reconhecimento como área específica e inde-


pendente de saber vem ganhando diferentes espaços, sendo bastante diversa por
possuir diferentes abordagens e uma multiplicidade de áreas de atuação cada um
com óticas específicas sobre a vivência humana, assim, os psicólogos possuem
diferentes visões sobre o ser humano e sobre o mundo, a depender também de
sua história pessoal, tendo que estar em constante processo de reflexão, pois

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trabalhará com pessoas oriundas dos mais diversos contextos. Cabe destacar
também que além da visão pessoal de mundo e do ser humano dos psicólogos, a
psicologia como ciência deve ter também um comprometimento político, compre-
endendo as forças sociais que atuam sobre os sujeitos, sendo impossível falar de
sofrimento sem contextualizá-lo e enxergar para além do individual.

De acordo com o Jornal do Federal (2012), publicação do Conselho Federal de


Psicologia comemorativa aos cinquenta anos de psicologia no Brasil, em seu
processo de desenvolvimento no Brasil, a Psicologia conheceu diversas etapas
e passou por inúmeros fatos históricos. Os episódios que marcaram a história
brasileira influenciaram também no desenvolvimento da profissão, que cresceu
ligada aos processos da trajetória da sociedade e a elementos de origem, como o
fato de ter se desenvolvido em um cenário com o histórico de quatrocentos anos
de escravatura, em função desse passado escravocrata, a sociedade vive com a
perspectiva de que existem seres mais importantes que outros, sendo necessária
na atualidade a compreensão do papel político da psicologia, produzindo o res-
gate da condição de que todos os cidadãos possuem direitos que merecem ser
reconhecidos, respeitados e estimulados.

Ainda conforme o material citado, a psicologia no Brasil surgiu com as avaliações


psicológicas nas indústrias, escolas, para possibilitar um aprendizado melhor e
uma mão de obra mais preparada para o trabalho. No período pós-ditadura passa
a ingressar nas universidades a classe média, uma camada de gente que se rela-
cionava com o trabalho, tendo outra experiência de vida e maior convivência com
outros grupos sociais diminuindo o caráter puramente elitista das universidades.

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Um grande salto para a psicologia no que diz respeito a sua evolução enquanto
ciência embasada na subjetividade e com olhar voltado a participação política e
responsabilidade social ocorreu na década de 70 após ditadura em consonância
com as lutas sociais por melhores condições de trabalho, pela libertação sexual
feminina, igualdade de gênero, queda do autoritarismo, pelo fim das instituições
totais. Principalmente através do efetivo envolvimento na Luta antimanicomial, fo-
cando nos direitos sociais e humanos, surgindo a psicologia social e comunitária,
o que se consolidou ainda mais com a Constituição Cidadã de 1988.

Ainda para o jornal, a visão permanece basicamente a mesma nas décadas se-
guintes, apenas a partir da década de 1990 com o neoliberalismo, configura-se um
novo papel para os psicólogos com a maior reivindicação por políticas públicas
em todas as áreas e a inserção desse profissional em diversas áreas de atuação
acompanhada de considerável aumento no número de faculdades e universida-
des que ofereciam a formação em psicologia e na quantidade de pessoas da clas-
se média que conseguiam chegar a universidade, possibilitando diminuir o caráter
elitista da profissão, devendo na atualidade com a sociedade fortemente voltada
ao consumo, repensar suas práticas e valores, refletindo sobre a subjetividade
que os psicólogos podem e querem ajudar a construir, mais voltada a convivência
coletiva.

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O vídeo O tecido e o tear foi desenvolvido pela Comissão de Direitos Humanos do
CRP SP, conta a história da luta por direitos humanos e fala da necessidade de
toda a sociedade se unir para tecer a trama de defesa e garantia dos direitos das
pessoas em suas mais variadas formas. O material também aborda a violência do
preconceito e de práticas repressivas, como a tortura, e o papel do/a psicólogo/a
neste contexto, por fim, apresenta os canais que a sociedade pode utilizar para
denunciar a violação de direitos. Acesse o vídeo em um dos links. Ao assisti-lo
espera-se que o aluno aprimore seus conhecimentos acerca do histórico dos Di-
reitos Humanos e entenda sua relação com a prática ética da psicologia.
https://www.youtube.com/watch?v=eWevQkIuaYY
https://vimeo.com › rpires76 › Videos

Figura 8: O tecido e o tear. Fonte: Vimeo (2012)

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Para um maior aprofundamento sobre a atuação dos psicólogos com populações


excluídas e em maior vulnerabilidade como negros, indígenas, homossexuais, mu-
lheres, crianças e adolescentes, presidiários, etc. Acesse ao link http://crepop.pol.
org.br/.

2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
O preconceito é muito presente em toda a história da humanidade e especificamente na
sociedade brasileira o que pode estar correlacionado com baixo nível de escolaridade de grande
parte da população, baixo nível de desenvolvimento cultural, desconhecimento de sua própria
história, egocentrismo, baixa empatia, individualismo, marcas também do mundo capitalista em
que vivemos. Apesar de ser uma tarefa difícil acabar com o preconceito, entendemos a importância
de trabalharmos em prol de sua redução, pois isso já faria diferença para a população vítima desse
comportamento.
Além disso, o tema preconceito, embora não pareça, é bastante amplo e objeto de pesquisa

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de algumas áreas, como, a Psicologia, a Sociologia, a Filosofia, etc. Todo esse interesse se dá pelas
consequências e repercussões que o comportamento preconceituoso traz para o nosso cotidiano
e vida em sociedade o que repercute também diretamente na postura ética perante a sociedade.
Apesar de o tema ser bastante falado, tanto pelo senso comum quanto em pesquisas na
academia, ele ainda é muito carente de entendimento, sobretudo, na Psicologia mesmo, que
necessita compreender mais sobre a história do povo que atende, ter um olhar realmente empático
e uma escuta qualificada para as demandas principalmente das pessoas pertencentes as chamadas
minorias, ou pessoas em maior situação de risco e vulnerabilidade.
Pensar é difícil por isso a maioria das pessoas prefere julgar cabe aos psicólogos e a
psicologia enquanto profissão contribuir para uma sociedade melhor prestando seus serviços com
qualidade e ética diminuindo preconceitos e cuidando da dor de quem o sofre cotidianamente,
sendo necessário estar atento a tudo que acontece no território em que atua, na cidade, no país
e no mundo a fim de uma maior conhecimento e aprofundamento das demandas e melhor
atendimento as questões além de participar de um processo maior de mudança cultural e de
convívio social.

Figura 9 - Armandinho e o preconceito. Fonte: Jornalggn (2015).

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REFERÊNCIAS
ADORO CINEMA. Quanto vale ou é por quilo?. s/d. Disponível em: http://www.adorocinema.
com/filmes/filme-110753/trailer-19433095/. Acesso em: 01 fev. 2019.

BASTOS, A. V. B.; GONDIM, S. M. G.; RODRIGUES, A. C. A. Uma categoria profissional em


expansão: Quantos somos e onde estamos. O Trabalho do Psicólogo no Brasil. Porto Alegre:
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