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Aluna: Débora Danzer 3

º ano CAD
Professor: Horita
Resumo do vídeo

Publicado pela Casa do Saber, o vídeo “A República de Platão” apresenta uma


entrevista com Maurício Marsola, o qual expõe um pequeno resumo sobre a obra de Platão.
Segundo este, o livro que possui 10 volumes, e aborda sobre a cidade ideal e a utopia
platônica por meio de diálogos indiretos entre o personagem principal, Sócrates, e seus
interlocutores, além de circundar temas como educação, política e justiça.
No enredo, Sócrates, que acabara de sair de uma “festa”, é convidado para ir a casa de
Céfalo, um estrangeiro que possui uma condição financeira abastada, e questiona-o sobre a
vida feliz, virtuosa e justa, apresentando o tema da narrativa: o ideal de justiça e as
dificuldades de conceitua-la. De acordo com Céfalo, a justiça nada mais é do que “dar a cada
um o que lhe pertence”, porém, sua teoria é refutada por Sócrates, que exibe, como exemplo,
uma arma emprestada por uma pessoa que não se encontra mentalmente sadia. Portanto, não
seria justo devolvê-la sabendo que essa poderia causar mal a si ou aos outros.
Polemarco, filho de Céfalo, define justiça como “fazer bem aos amigos e mal aos
inimigos”, mas Sócrates a contraria, afirmando que praticar o mal, nunca será compatível
com a justiça. Trazímaco, um sofista, a conceitua como “a conveniência ou utilidade do mais
forte”, entretanto, Sócrates utiliza como exemplo um lutador de pancrácio que se alimenta de
um boi por dia e que, portanto, para ser justo, todos deveriam devorara mesma quantia,
ironizando seu conceito. Este, porém, apresenta-lhe outra definição, “Ser injusto, mas parecer
justo” tomando como exemplos, os médicos, que curam pessoas por dinheiro. Contraposto
novamente por Sócrates, Trazímaco se retira, finalizando o primeiro livro de A República.
No segundo livro, um dos interlocutores, Glauco, faz uma apologia à injustiça, citando
o Mito do Anel de Giges, o qual mostra um pastor de ovelhas, que em meio a um terremoto,
encontra um cadáver que portava um anel. Ele toma posse desse anel e ao regressar à cidade,
percebe que esse anel lhe dá o dom da invisibilidade. Giges, entra no palácio, seduz a rainha e
conspira com ela a morte do rei. Após o assassinato deste, ele assume seu lugar e governa
tiranicamente. Ou seja, Glauco afirma que “o ser humano não é justo, ele age de acordo com
suas conveniências.”

Refutado por seu irmão, Adimanto, Sócrates convida-os para conceituar a justiça de
uma maneira mais ampla: uma cidade ideal. Esta, é dividida em três grupos: artesãos,
guerreiros e guadiões (governantes). A Princípio, a educação se torna o foco das discussões,
tendo como base a ginastica e a musiqué. Há neste período uma crítica à poesia, a qual afirma
que não é possível a utilização de uma literatura corrompida para lecionar às crianças, no qual
os deuses apresentam atitudes ambíguas, portanto é necessário banir a poesia neste primeiro
momento.

No livro quatro, há a primeira definição de justiça: “a harmonia entre as partes da


cidade”. Há também a divisão da alma entre as partes: racional, emocional e impetuosa.
Portanto a justiça da alma, seria a harmonia entre as partes da alma. Todavia, restaram três
dificuldades, denominadas de As Três Ondas, que precisam ser resolvidas. A primeira onde
diz respeito a comunhão de bens entre os governantes da cidade, os quais não podem possuir
propriedades privadas e nem família. A segunda aborda sobre a igualdade entre homens e
mulheres, tanto para governar uma cidade quanto para ir à guerra. Já na terceira onda,
Sócrates afirma que “a cidade não será justa enquanto os reis não forem filósofos ou os
filósofos não forem reis”, ou seja, o governante precisa ter uma educação filosófica para
poder comandar a cidade, e trabalharia como retribuição aos ensinamentos, portanto, sem
remuneração.

O sexto livro, aborda sobre os três símiles da república, “Linha”, “Sol” e a “Alegoria
da Caverna”. A Linha divide dois planos, o sensível (mudança) e o inteligível, onde há a
busca pelo conhecimento e a razão, e que conseguiria alcançar uma definição racional sobre o
belo. Na analogia solar, Sócrates declara que não é possível falar do bem em si, mas sim de
seu filho, o sol. Ou seja, a definição de sol para o plano sensível, como fonte de crescimento e
manutenção de todas as coisas, condiz com o conceito de bem no plano inteligível.

O sétimo livro inicia-se com o terceiro símile, a famosa Alegoria da Caverna, no qual
consiste que um grupo de pessoas que vivia numa caverna, com seus braços, pernas e
pescoços presos por correntes, tinham suas visões focadas unicamente para a parede que
ficava no fundo da caverna. Atrás dessas pessoas existia uma fogueira que projetava suas
sombras na parede da caverna, onde os prisioneiros ficavam observando, julgando serem
aquelas os esboços da realidade.
Certa vez, uma das pessoas presas nesta caverna conseguiu se libertar das correntes e
saiu para o mundo exterior. A princípio, a luz do sol, a diversidade de cores e as formas
assustou o ex-prisioneiro. Entretanto, com o tempo, ele acabou por se admirar com as
inúmeras novidades e descobertas que fez. Assim, quis voltar para a caverna e compartilhar
com os outros prisioneiros todas as informações e experiências que existiam, porém elas não
acreditaram nas palavras do ex-prisioneiro e o chamaram de louco. Para evitar que suas ideias
atraíssem outras pessoas para os “perigos da insanidade”, os prisioneiros mataram o fugitivo.
Para Platão, a caverna simbolizava o mundo onde todos os seres humanos vivem,
enquanto que as correntes significam a ignorância que prendem os povos, que pode ser
representada pelas crenças, culturas e outras informações de senso comum que são absorvidas
ao longo da vida. As pessoas ficam presas a estas ideias pré-estabelecidas e não buscam um
sentido racional para determinadas coisas, evitando a “dificuldade” do pensar e refletir,
preferindo contentar-se apenas com as informações que lhe foram oferecidas. O indivíduo
que consegue se “libertar das correntes” e vivenciar o mundo exterior é aquele que vai além
do pensamento comum, criticando e questionando a sua realidade, o filósofo. Assim como
aconteceu com seu mestre, Sócrates, que foi morto pelos atenienses devido aos seus
pensamentos filosóficos que provocavam uma desestabilização no “pensamento comum”, o
protagonista desta metáfora foi morto para evitar a disseminação de ideias “revolucionárias”,
que ocorreria, segundo Sócrates, pela dialética.
A verdade, segundo os atenienses, é a opinião da maioria, portanto a cidade que
matou Sócrates é considerada com justa. No entanto, como se trata de opinião, esta pode ser
manipulada, não se configurando como verdade absoluta.
No oitavo livro, Platão faz tipologias de governo e afirma que, se ocorrer a realização
da cidade, ela vai se degenerar, característica de tudo o que se realiza no mundo sensível.
Cada tipo de governo, corresponde a um tipo de ser humano, como por exemplo a timocracia,
formada pelo homem timocratico (militar/disciplinado) que começa a acumular bens e ser
ambicioso, portanto, ocorre a formação de outro governo, a oligarquia, na qual há uma
diferença social entre ricos e pobres, gerando uma violência comum, degenerando-se. Há,
então, a formação da democracia, o reino da liberdade, onde os valores são invertidos, ou
seja, o pai teme o filho, instalando-se portando o caos e a anarquia. Consequentemente, há
um salvador que se instalará no poder, porém não sairá do mesmo, caracterizando o poder
tirano.
O livro nove analisa a psicologia do tirano, o qual é dominado pelas suas próprias
paixões e tem liberdade de realizar todos os seus desejos. Platão coloca o tirano como uma
pessoa que tem coragem de fazer algo acordado, aquilo que as pessoas fariam sonhando.
Portanto, a principal diferença entre o tirano e o filósofo, é que este último possui o prazer da
reflexão.
O livro encerra-se com o Mito de Er, um guerreiro, que morto em uma batalha, teve
seu corpo encontrado entre os outros cadáveres, mas diferente dos demais, estava são e
integro. Foi então levado de volta à sua terra e velado por doze dias e, no último dia em que
era velado recobra a vida e conta àqueles que ali se encontravam tudo o que havia visto no
Além, principalmente o destino das almas do tirano e do filósofo. No Hades, para escolher o
caminho dos céus ou do inferno, a deusa Necessidade diz que cada um deve escolher seu
caminho de acordo com sua virtude, portanto esta não tem senhor, logo, deus é isento de
culpa, ou seja, o primado da vida boa e feliz é a virtude, o caminho da felicidade, do
conhecimento e do saber.

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