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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTA - UNINTA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA

MEMORIAL ACADÊMICO DESCRITIVO


Jeovane Messias dos Santos

TABOCAS DO BREJO VELHO - BAHIA


2020
JEOVANE MESSIAS DOS SANTOS

MEMORIAL ACADÊMICO DESCRITIVO


Jeovane Messias dos Santos

Memorial apresentado ao Centro


Universitário INTA - UNINTA
como requisito parcial para
atribuição de nota de avaliação
parcial na disciplina de Estágio
Supervisionado III.

Orientação: Ilani Marques Souto


Araújo

TABOCAS DO BREJO VELHO - BAHIA


2020
1 INTRODUÇÃO

Pelo presente Memorial tenho o objetivo de descrever minha trajetória


educacional e acadêmica, bem como as respectivas experiências vivenciadas
ao longo deste período, que vai desde os tempos em que cursei a educação
infantil, passa pelo ensino fundamental, ensino médio e o ingresso no curso de
pedagogia. Registro também meus cursos de aperfeiçoamento e minhas
perspectivas de estudo, trabalho e especializações.
Este memorial, além da função de ser requisito parcial para atribuição
de nota da avaliação parcial na disciplina de Estágio Supervisionado III, terá
também a função de informar a todos os que lerem, sobre a minha vida
pessoal, escolar, acadêmica e as expectativas quanto a vida profissional.
Mostrará alguns dos meus passos e dificuldades para chegar ao final de um
curso superior que proporcionou a mim mesmo, uma melhor compreensão
acerca do trabalho docente, a partir de uma nova visão que adquirir durante
este processo, que me incentiva a continuar na busca pelo conhecimento, com
o objetivo de que a cada dia possa me tornar um profissional ainda mais apto e
atuante na busca por um futuro ainda melhor para a educação.
Tenho a expectativa de demonstrar através deste memorial, que a
minha trajetória pessoal e estudantil encontra-se profundamente vinculada a
momentos difíceis que atravessei ao longo de todos estes anos, uma vez que
sou pertencente a uma família humilde do interior do município de Tabocas do
Brejo Velho, embora busquei inspiração em Deus e na minha própria família,
para superar cada um destes momentos.

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1 MEMORIAL ACADÊMICO

2.1 Os primeiros passos, as primeiras escolas

Sou Jeovane Messias dos Santos, iniciei minha trajetória escolar, por
volta dos 5 a 6 anos de idade, sempre morei na zona rural do município de
Tabocas do Brejo Velho, estado da Bahia, sou de uma família humilde, porém
batalhadora, apegado aos exemplos de meus professores, segui em frente e
decidir ser um profissional da educação.
Sempre estudei em escola pública e, com muita dificuldade, levei
minha vida diária sem perder as esperanças de um dia ingressar em uma
instituição onde pudesse alcançar minha formação acadêmica, e assim ser um
profissional para servir outros que passarão pela escola com o intuito de
aprender e ser alguém na vida. Por não desistir de minha meta, enfrentei
muitas dificuldades desde os tempos da educação básica, mas nunca desistir
dos meus objetivos, nunca parei de buscar pelo aprendizado.
Minha primeira escola na verdade não era uma escola e sim uma
residência, onde o proprietário alugou uma sala para a secretaria municipal de
educação, para que funcionasse como escola. Meus primeiros professores se
chamavam José e Maria. Ali iniciei a minha jornada, erámos muitos, a classe
era multiseriada, mas os professores eram carinhosos e dedicados, eram
tempos difíceis, em que pouco progresso havia na nossa região, não tínhamos
energia elétrica, nem água encanada, nem posto telefônico. Foi nessa humilde
escola que dei meus primeiros passos no mundo do saber, aprendi desde
muito cedo a respeitar os meus professores, fiz minhas primeiras amizades. Ali
permaneci por um tempo, durante este período tive também o senhor Adelton
Lopes da Silva como professor, me lembro de como ele era dedicado e amava
o que fazia, e faz até hoje, pois ainda é professor nesta região.
Depois de algum tempo foi construído o prédio escolar na minha
localidade, que recebeu o nome de Escola Municipal Presidente Dutra, que
ficava ao lado da minha casa, hoje está inativa, neste tempo tive também a
senhora Edileuza Gomes como professora, está dividia o seu tempo entre
todos igualmente, até hoje me lembro com muita gratidão por tudo que ela me
ensinou, e assim posso falar que ela ficou marcada em minha memória. Minha
família era humilde, não só a minha, mas de todos, aqui é um povoado onde
todos são da mesma família, desde aquele tempo todos enfrentavam muitas
dificuldades.
Na época que menciono, do meu tempo de escola, na primeira parte
do ensino fundamental as disciplinas que formavam o currículo eram cinco:
Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências. Em Língua
Portuguesa, as aulas eram destinadas à leitura de pequenos textos, à prática
do ditado de palavras e à cópia. Não havia a preocupação em levar o aluno à
produção de textos, o que seria importante, pois, quando os textos são
espontâneos, as crianças escrevem com mais interesse, sendo produção
própria e não cópia. Em matemática, sempre era cobrado o estudo da tabuada,
como também a efetuação das quatro operações fundamentais e a resolução
de problemas. Já nas demais disciplinas, os conteúdos eram trabalhados de
acordo com o que os livros ofereciam, essas eram as disciplinas que eu mais
gostava, porque falavam sobre a vida, o corpo humano, a natureza e os
animais. Enfim, tinham mais relação com o meu cotidiano.

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Naquela escola não havia diretor, os professores é quem fazia as
matrículas, as reuniões com os pais e entregavam os boletins. Ao concluir a 4ª
série na Escola Municipal Presidente Dutra, fui transferido no ano seguinte para
a Escola Municipal Eurico Gaspar Dutra no Distrito de Mariquita, distante uns 5
km da minha casa. Minha timidez atrapalhava muito, geralmente, nas aulas de
língua portuguesa e matemática. O resultado eram notas baixas. Por isso, tive
muitas dificuldades. Principalmente, na disciplina de matemática. As aulas me
deixavam muito apreensivo, porque, muitas vezes, não entendia nada e minha
timidez atrapalhava muito, já que não tirava minhas dúvidas.
Naquela escola a diretora era a senhora Aroildes Bastos, muito séria,
respeitada e temida por grande parte dos alunos. Havia reuniões com os pais,
periodicamente, onde a diretora sempre cobrava a participação destes na vida
escolar dos filhos, ela sempre dizia que a tarefa de educar é da família, a
escola apenas prepara para o exercício da cidadania e para o mercado de
trabalho. Sempre nos aconselhava a levar a sério os estudos, cobrava
pontualidade e assiduidade, não tolerava indisciplina.
Ali prossegui com os estudos até a 7ª série. Tive bons professores, a
maioria ainda utilizava métodos tradicionalistas. Me lembro que em período de
provas e testes, eu pegava meu caderno e estudava até conseguir decorar o
conteúdo. Diferentemente do que acontece hoje, pois a avaliação é processual
e contínua. O aluno é avaliado em todos os aspectos possíveis da sua
aprendizagem. Ficava muito ansioso, temendo errar e obter notas baixas, pois
não queria que meus pais recebessem reclamações da escola. Na medida do
possível, procurava ter um bom comportamento.
No ano seguinte tive que mudar de escola, pois havia sido construído
um novo prédio escolar, e este ficava mais próximo da minha residência,
localizado no povoado de Camarinha, distante aproximadamente 3 km da
minha casa. Com uma infraestrutura moderna, salas confortáveis, muito bonito
por dentro e por fora, recebeu o nome de Escola Municipal Tarcicio Augusto da
Silva, ali estudei a 8ª série. Me lembro que todos os alunos da minha região
foram transferidos de maneira compulsória para lá, uma vez que a escola do
Distrito de Mariquita estava sobrecarregada. Durante aquele ano tive ótimos
professores, dentre eles, professora Cleciane, professora Clautides, professor
Tarcicio.

2.2 É hora de mais um passo: o Ensino Médio

No ano seguinte nas dependências da mesma escola, Escola Municipal


Tarcicio Augusto da Silva comecei a estudar em um anexo do Colégio Estadual
Lêonidas de Araújo Silva através do EMITec (Ensino Médio com Intermediação
Tecnológica), entre 2009 e 2011 cursei o Ensino Médio. O Ensino Médio com
Intermediação Tecnológica é um programa estruturante da Secretaria Estadual
da Educação do Estado da Bahia, que faz uso de uma rede de serviços de
comunicação multimídia que integra dados, voz e imagem, se constituindo em
uma alternativa pedagógica para atender a jovens e adultos que,
prioritariamente, moram em localidades distantes ou de difícil acesso em
relação a centros educacionais, onde não há oferta do Ensino Médio no Estado
da Bahia. O EMITec atende às três séries do Ensino Médio, com uma
organização curricular de escola regular e presencial, onde os alunos estão
presentes em uma sala de aula acompanhados por um mediador ou tutor.

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O programa EMITec utiliza dois tipos de interatividade envolvendo os
estudantes em tempo real. A interação indireta em que o aluno retira suas
dúvidas através de um chat e com a atuação do mediador e professor
assistente. Neste caso, o estudante repassa sua dúvida para o mediador e este
último que envia a mensagem para que o professor assistente possa responder
de forma imediata. É considerada indireta por não haver uma relação direta
estudante/professor videoconferencista, porém vale salientar que existe um
retorno imediato através do professor assistente e que contribui para a
construção de conhecimento.
A interação direta em sala é aquela que o estudante retira suas dúvidas
e apresenta resultados de sua produção diretamente junto ao professor
videoconferencista, em tempo real, ocorrendo colaboração. Neste tipo de troca
e construção do conhecimento o professor videoconferencista pode visualizar e
ouvir seu aluno, tornando o processo de ensino e aprendizagem prazeroso,
envolvente e instigante, elevando a autoestima do estudante, além de quebrar
a barreira e isolamento espacial provocado pela tecnologia.

2.3 O mundo adulto: o Ensino Superior

No ano de 2011 concluí o ensino médio, não tive solenidade de


colação de grau. Ao concluir não tive oportunidade de ingressar de imediato
no ensino superior, pelo fato de residir na zona rural, naquela época não tinha
acesso a internet, estava distante dos centros universitários, logo após
concluir os estudos, estive por um tempo como servidor público. Com o passar
dos anos percebi cada dia mais a necessidade de continuar meus estudos,
pois estamos num mundo cada vez mais exigente, mercado de trabalho cada
vez mais competitivo.
Foi quando no início do ano de 2016 fiquei sabendo que estava vindo
para o Distrito de Mariquita, que fica a poucos quilômetros da minha
residência, um projeto de extensão universitária, vi ali a grande oportunidade
de ingressar no ensino superior, em uma área que sempre me chamou a
atenção, pois tive excelentes professores que serviram de referência para que
eu escolhesse esse caminho. No início daquele ano prestei o vestibular, fui
aprovado, e ingressei no CPGE (Centro de Pós-Graduação e Extensão) no
curso de pedagogia.
Comecei sabendo que a jornada não seria nada fácil para mim. O
curso teve início em abril de 2016, logo nas primeiras aulas descobri os
momentos difíceis que enfrentaria nesta nova empreitada, de fato passei por
momentos complexos, e de lá para cá foi uma longa jornada com muitas lutas
e muitos desafios, para dar conta de tantos estudos, atividades e tarefas.
Naquele tempo tínhamos duas aulas presenciais por mês, de quinze
em quinze dias, os professores vinham para o Distrito de Mariquita e nas
dependências da mesma escola onde estudei por alguns anos, era ministrada
as aulas. Para complementar os estudos os professores traziam apostilas,
material em PDF, indicavam livros. Fato interessante é que iniciei o curso
tendo como colegas, muitos que já foram meus professores.
No início do ano de 2019, após várias polêmicas sobre os projetos de
extensão universitária, não somente eu, mas toda a nossa turma, nos
sentimos inseguros quanto a autenticidade do certificado que a instituição nos
entregaria, optamos pela transferência de instituição.

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Foi assim que ingressamos no início daquele ano no Centro
Universitário Inta-Uninta. No início ficamos um pouco perdidos por estarmos
conhecendo um ambiente virtual de aprendizagem, quando não tínhamos
muita prática com esta realidade. O aprendizado para o acesso a cada
ferramenta do ambiente virtual e os primeiros contatos com os tutores à
distância, foram desafiadores. Mas aos poucos descobrimos como lidar com
cada recurso.
Ao longo deste tempo participei de duas jornadas de educação
promovidas pelas faculdades Monte Negro, com os seguintes temas: O que o
mercado espera dos novos profissionais em educação; e Diálogo sobre o
cotidiano escolar: Pensando a educação, desafios e possibilidades. Participei
também de alguns cursos livres complementares, como: A importância do
conhecimento sobre educação especial; O comportamento ético no cenário de
pandemia, Empreendedorismo em tempos de Covid-19; entre outros.

2.4 A experiência profissional e o Curso de Pedagogia

Espero o mais breve possível iniciar minha experiência no chão da


sala de aula. Logo estarei finalizando essa jornada, enfrentei dificuldades,
mas superei cada uma delas, com esperança de que tudo iria dá certo, chego
ao momentos finais dessa caminhada com orgulho de ter conseguido realizar
meu grande sonho de ser um profissional da educação, pois é o que gosto de
fazer passar para outras pessoas tudo aquilo que aprendo e saber que estou
contribuído para a construção de um mundo melhor.
Não pretendo parar por aqui, com fé em Deus, assim como ele me
concedeu essa vitória, tenho certeza que ele irá me ajudar a chegar mais
adiante, espero conseguir espaço no mercado de trabalho e em um futuro
breve cursar uma pós-graduação e quem sabe ir mais além, essa foi apenas
uma das etapas que conseguir em meio a tantas outras que pretendo. Pois
acredito que ser professor é sonhar com o futuro que poderá ser modificado
se houver empenho para tal, para isso temos que estar sempre buscando,
estudando e lutando, afim de ampliarmos nossos conhecimentos.