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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTA - UNINTA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA

MEMORIAL ACADÊMICO DESCRITIVO


Ednalva de Jesus Barbosa Monteiro

TABOCAS DO BREJO VELHO - BAHIA


2020
EDNALVA DE JESUS BARBOSA MONTEIRO

MEMORIAL ACADÊMICO DESCRITIVO


Ednalva de Jesus Barbosa Monteiro

Memorial apresentado ao Centro


Universitário INTA - UNINTA
como requisito parcial para
atribuição de nota de avaliação
parcial na disciplina de Estágio
Supervisionado III.

Orientação: Ilani Marques Souto


Araújo

TABOCAS DO BREJO VELHO - BAHIA


2020
1 INTRODUÇÃO

O presente memorial, além da função de ser parte integrante do


conteúdo exigido pelo curso de pedagogia, terá também a função de informar ao
leitor, momentos vividos na mina infância, adolescência, juventude, e idade
adulta, ou seja, sobre a minha vida no decorrer dos anos.
Neste sentido vamos conhecer um pouco sobre a trajetória pessoal,
escolar, profissional e acadêmica de Ednalva Barbosa de Jesus Monteiro, desde
os primeiros momentos vividos na Escola Municipal Lázaro Medrado de Souza,
povoado Várzea de Baixo, zona rural do município de Serra Dourada, momentos
marcantes, dificuldades vividas e vencidas ao longo de todo esse percurso, que
passa pelo ingresso na 5ª serie no Centro Educacional São Gonçalo, pela
entrada na 6ª serie do Centro Educacional Cenecista (CNEC), pelo retorno para
o Centro Educacional São Gonçalo no 1º ano do segundo grau, pela conclusão
do segundo grau com o curso de formação de docentes em nível médio no ano
de 2006, pelo início do trabalho como professora, pelo ingresso no curso de
pedagogia do Centro de Pós – Graduação e Extensão (CPGE), pela
transferência para o Centro Universitário Inta-Uninta.
Cumpre ressaltar que diante de todas as dificuldades deparadas ao
longo do processo formativo, sempre busquei formas de aperfeiçoamento, seja
como aluna, como professora, como acadêmica, foram etapas vivenciadas com
positividade, alegria, emoção e muita diversão. Porém, na maior parte do tempo,
deparei-me com uma infinidade de obstáculos, obrigações e responsabilidades,
diante de tudo isso busquei inspiração em Deus e em minha família para galgar
cada degrau, avançar cada meta, alcançar cada objetivo.
Este é um momento de muita emoção na minha vida, relembrar cada
momento da minha trajetória, me enche de orgulho, fé, determinação e gratidão,
na certeza de que Deus sempre me deu forças para contornar cada obstáculo
que se pôs no meu caminho, tenho a certeza de que sem Ele me guiando, me
protegendo e me direcionando não teria chegado até aqui.

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1 MEMORIAL ACADÊMICO

2.1 Os primeiros passos, as primeiras escolas

Iniciei meus estudos no ano de 1994, na Escola Municipal Lázaro


Medrado de Souza, localizada no povoado de Várzea de Baixo, zona rural do
município de Serra Dourada, região oeste do estado da Bahia, escola típica de
zona rural, com apenas duas salas, um banheiro, uma cantina, não tinha muro
em volta, era cercada de arame farpado, aos lados da escola havia residências,
e ao fundo um campo de futebol.
O diretor não ficava na escola, ele realizava seu trabalho nas
dependências da Secretaria Municipal de Educação que estava na sede do
município, pelo fato de ser diretor de várias escolas da zona rural, na secretaria
havia uma sala para ele, onde o mesmo cuidava dos documentos da escola,
como mapa de matrícula, emissão e recepção de transferências, boletins de
notas e desempenho, e os demais documentos da instituição, portanto não tinha
nenhum relacionamento com nós, os alunos, e uma relação muito distante com
os país ou responsáveis, uma vez que o contato com as famílias acontecia
apenas para fornecer declarações ou transferências, efetuar matrículas, ou seja
apenas para resolver questões burocráticas. Me lembro que tinha um
coordenador pedagógico que constantemente visitava a escola, se reunia com
os professores, fazia reuniões com os pais e entregava os boletins de notas.
Todos os alunos eram filhos de famílias carentes, que viviam do plantio
do feijão, arroz, milho, mandioca, e da criação de bovinos. Naquele tempo não
existia programas sociais de transferência de renda, nem do governo federal,
nem do governo estadual, isso levava todos os lavradores a depender das
condições climáticas para o plantio, colheita e criação de animais. Quando as
condições climáticas eram favoráveis havia uma boa colheita, fartura de
alimentos para nós e de mantimento para os animais, ainda assim, não era
suficiente para suprir todas as necessidades das famílias, porque durante muito
tempo não tivemos acesso à energia elétrica, à água potável, e ao saneamento
básico, quando as condições climáticas não eram favoráveis, enfrentávamos
dias ainda mais tenebrosos.
Boa parte das famílias eram compostas por pais que não haviam
estudado, fato que levava estes a sonharem com um futuro promissor para os
filhos, sonhavam que os filhos pudessem obter êxitos no estudo, e assim um dia
terem melhores condições de vida, com isso incentivavam os filhos a se
empenharem nos estudos, entretanto as famílias não tinham tanta influência ou
participação na escola, como nos dias de hoje. Somente uma vez ou outra,
alguns pais iam a escola para saber a nota dos filhos. Poucos preocupavam com
o rendimento escolar, toda expectativa estava na nota, isso levava os
professores a dar ênfase somente a este tipo de avaliação. Apesar de tudo isso,
mesmo com algumas visões precipitadas, por falta de conhecimento, agradeço
aos meus pais pelo incentivo, e aos professores pela compreensão e dedicação,
pelo apoio para que todos nós, alunos, pudéssemos sonhar com dias melhores.
Me lembro que quando iniciei meus estudos já estava um pouco
atrasada na idade, por isso já iniciei na 1ª serie, até aquele momento não sabia
nada, nem mesmo escrever meu primeiro nome, mesmo olhando para o que a
professora havia escrito no topo da folha do caderno. No inicio tinha muita
dificuldade de aprendizagem, isso me deixava muito triste e desanimada.

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Naquela época, poucos professores haviam concluído o 2º grau, tinha
muitos professores, conhecidos na nossa região, como professores leigos. No
entanto, alguns deles, eram bons alfabetizadores, claro de acordo com a
realidade da época, foi um tempo em que tínhamos os professores como se
fossem nossos pais. Os métodos utilizados eram tecnicistas, ou seja,
tradicionalistas, a ênfase estava na repetição, memorização, e decodificação do
conteúdo, os professores viam todos os alunos a partir de uma mesma
perspectiva, como se todos fossem iguais na maneira de aprender, com isso
utilizavam uma mesma metodologia para ensinar a todos, tanto é que as
dificuldades que alguns possuíam para absorver determinados conteúdos, era
vista como incapacidade, falta de vergonha, e muitas vezes estas dificuldades
eram relatadas abertamente na frente dos próprios alunos, para causar
constrangimento, pensando que isto serviria de motivação para o aluno.
Permaneci nesta mesma escola até a 4ª série, uma das professoras
que muito me ajudou, foi a professora Kátia, era uma professora incrível, que
cativou o carinho e admiração de toda a turma, com uma metodologia bem mais
inovadora, nos estimulou a buscar cada vez mais o conhecimento, me lembro
que ela nos incentivava a buscar na educação as ferramentas para construir um
mundo melhor, com melhores condições de vida, nos aconselhava para nunca
desistirmos dos estudos, apesar de todas os obstáculos que viria pela frente,
pelo fato de que nossos pais, muito provavelmente não teria condições
financeiras de nos manter nas melhores escolas, muito menos em cidades
desenvolvidas. Era uma época que havia muita evasão escolar, me recordo de
muitos colegas que não concluíram sequer o primeiro grau, por terem que
trabalhar desde muito cedo para ajudarem aos pais no sustento da família, foi
uma época em que muitos pais eram ignorantes e estes forçavam as filhas a se
casarem muito cedo, e constituírem família, fato que impedia a conclusão dos
estudos.
Durante este tempo que estudei na Escola Municipal Lázaro Medrado
de Souza, entre 1994 e 1997, considerando que no início tive muitas dificuldades,
como dito anteriormente, chorava bastante quando sentia dificuldades de
aprendizagem, mas aos poucos fui obtendo um rendimento, cada vez mais
significativo, aprendi a ler e escrever, a realizar operações matemáticas, resolver
probleminhas, ao final da 4ª serie já sabia interpretar e compreender textos, a
utilizar o conhecimento adquirido no meu cotidiano, ou seja, apesar de toda
aquela metodologia tradicionalista que a maioria dos meus professores utilizava,
eu consegui alcançar um certo nível de aprendizado, isso alegrava muito os
meus pais, ao final das séries iniciais do primeiro grau, meus pais sempre
recebiam elogios por parte dos meus professores, até aquele momento os
professores não eram muito de incentivar a produção de textos, o raciocínio
lógico e a autonomia criativa.
Ao concluir a 4ª serie, no ano de 1997, tive que mudar de escola, pois
ali somente era ofertado o ensino até a 4ª serie do primeiro grau, a nova escola
ficava na sede do município, Centro Educacional São Gonçalo, distante da minha
residência 7 km, tive que enfrentar o desafio de deslocar da minha casa, chegar
à pé a outro povoado, para pegar o transporte escolar, considerando que muitas
vezes o ônibus escolar dava defeito, por isso muitas vezes tinha que ir a pé para
a escola. O Centro Educacional São Gonçalo era de um porte bem maior do que
a antiga escola, tinha várias salas, banheiros, uma cantina, um salão onde
realizava palestras e reuniões, uma secretaria, e um espaço livre para

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brincadeiras e apresentações, a escola tinha um muro alto ao seu redor e uma
quadra poliesportiva ao lado, na parte externa. Muitas e muitas vezes
passávamos fome, pelo fato de sair muito cedo de casa, e chegar somente mais
tarde, considerando que nem sempre havia merenda na escola.
Tive um impacto muito forte ao chegar numa sala que tinha mais de
cinco professores numa única série, e a cada som da campainha trocava de
matéria e, consequentemente de professor também. Os conteúdos bem mais
complexos. As metodologias de ensino ainda tinha muitos vestígios do
tradicionalismo, entretanto já havia algumas inovações por parte de alguns
professores, estes já incentivavam a desenvolvermos a oralidade, a não termos
medo de errar, tínhamos apresentações de trabalho em grupo, apresentações
de seminários, rodas de conversa, momentos de debate, oficinas, apresentações
em datas comemorativas, culminância cultural, grêmio estudantil, tenho boas
lembranças daquele tempo, me lembro que estudei ali apenas a 5ª série,
comemorei muito a aprovação ao final do ano, foi um sentimento de vitória
alcançada, de que valeu a pena todo o esforço ao longo daquele ano letivo, isso
servia de motivação para enfrentar, no próximo ano, todas as dificuldades e
continuar na busca por bons resultados.
Na 6ª serie iniciei no Centro Educacional Cenecista, me recordo que
aquela era uma escola privada, de renome, embora eu tenha sido contemplada
com uma espécie de bolsa de estudo. Esta escola era famosa em toda a região,
geralmente quem estudava lá era os filhos das pessoas mais influentes da
cidade, filhos do prefeito, filhos dos vereadores, filhos dos comerciantes mais
bem-sucedidos da cidade, tinha ótimos professores, uma proposta de ensino
maravilhosa, uma boa infraestrutura, para mim foi um sonho. Lembro que a
equipe gestora daquela escola, cultivava um bom relacionamento com todos os
alunos, professores e demais funcionários. Eram pessoas muito atenciosas,
educadas, prestativas, sorrisos no rosto, sempre me trataram com muita
cordialidade. Sem contar que eles tinham muita facilidade em se comunicar com
todos, nunca precisavam abusar da autoridade para manter a ordem, todas as
vezes que chamavam a atenção de alguém era com muita delicadeza, de modo
que todos eram constrangidos a respeitar.
Ali permaneci até a 8ª série, foram momentos bons, tive um grande
aprendizado naquele período, no inicio ainda era muito tímida, mas já havia
melhorado bastante, graças ao incentivo dos professores na 5ª série. Continuei
buscando êxito nos estudos, aliado a isso, estava o imenso apoio de toda a
equipe pedagógica e docente daquela escola. Ali aprendi muito, não somente as
convenções ortográficas, as classes gramaticais ou as equações de 1º e 2º grau,
teorema de Pitágoras, regra de três, aprendi muito mais que isso, aprendi a
sonhar alto, a ver o mundo com uma infinidade de possibilidades e
oportunidades, aprendi que antes de tudo, estava me preparando para o
exercício da cidadania. Ali estive entre 1999 e 2001.

2.2 É hora de mais um passo: o Ensino Médio

Ao concluir a 8ª série em 2001, por motivos de força maior, retornei para


o Centro Educacional São Gonçalo para cursar o 1º ano do segundo grau, onde
estudei também o 2º, 3º e 4º ano, foi um período muito proveitoso, conquistei
bons resultados, aproveitei muito bem, cada momento, ali eu fiz o estágio e me
formei no ano de 2006, no curso formação de docentes em nível médio,

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equivalente a famosa formação em magistério. Tivemos a colação de grau, um
momento tão significante e inesquecível da minha vida. Afinal, era um sonho não
somente meu, mas também dos meus pais e familiares, uma vez que para aquela
época a conquista desta formação na nossa região era o ápice da formação
acadêmica, naquele dia juntamente com amigos e familiares, comemoramos e
muito, a conquista, pois ao concluir o primeiro grau não tive está oportunidade.

2.3 O mundo adulto: o Ensino Superior

Após concluir o curso de formação de docentes em nível médio no ano


de 2006, não pude continuar os estudos por falta de oportunidade. Até mesmo
porque naquela época, não havia como ter acesso ao nível superior na nossa
região. No ano de 2008, recebi uma proposta de emprego no município vizinho,
mais precisamente, zona rural de Tabocas do Brejo Velho, onde comecei a
trabalhar como professora, a partir de então, comecei a participar de jornadas
pedagógicas, de cursos de formação continuada, foi assim que percebi a
necessidade de ingressar no ensino superior, para me adaptar as novas
realidades, as novas tendências da educação. Embora ciente da dificuldade que
teria, exatamente por residir em um povoado, zona rural, sem acesso à internet,
distante dos centros universitários.
Somente no começo do ano de 2016 fui informada que estava chegando
no Distrito de Mariquita, que fica há aproximadamente 10 km da minha
residência, um projeto de extensão universitária, percebi que ali estava a grande
oportunidade. No início daquele ano fiz o vestibular, fui aprovada e ingressei no
CPGE (Centro de Pós-Graduação e Extensão) no curso de pedagogia.
Comecei sabendo que a jornada não seria nada fácil. O curso teve início
em abril de 2016, logo nas primeiras aulas presenciei os momentos difíceis dessa
nova caminhada. Tínhamos duas aulas presenciais por mês, a cada quinzena,
os professores vinham para o Distrito de Mariquita e nas dependências da Escola
Municipal Eurico Gaspar Dutra, era ministrada as aulas. Para complementar os
estudos os professores traziam apostilas, material em PDF, indicavam livros.
No início do ano de 2019, após várias polêmicas sobre os projetos de
extensão universitária, não somente eu, mas toda a nossa turma, nos sentimos
inseguros quanto a autenticidade do certificado que a instituição nos entregaria
ao final do curso, se é que nos entregaria, então optamos pela transferência de
instituição. Foi assim que ingressamos no início daquele ano no Centro
Universitário Inta – Uninta. Sentimos um pouco perdidos no início do curso por
estarmos conhecendo um ambiente novo e não tínhamos muita prática com a
internet. Confesso que de início pensei em desistir, porém com o incentivo da
minha família e de amigos, resolvi continuar.
Ao longo deste tempo, participei de 2 jornadas da educação e cursos
livres online, que contribuíram positivamente para o meu desenvolvimento
acadêmico.
I jornada de educação como o tema: “O que o mercado espera dos novos
profissionais em educação?” realizada em Tabocas do Brejo Velho-BA, de 09 a
11 de junho do ano de 2017.
II jornada de educação com o tema: Diálogo sobre cotidiano escolar:
Pensando a educação, desafios e possibilidades, em Tabocas do Brejo Velho-
BA, de 17 a 19 de agosto de 2018.

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2.4 A experiência profissional e o Curso de Pedagogia

No momento não estou trabalhando. Porém a minha expectativa é que


em breve possa surgir uma oportunidade para que eu possa retornar para a sala
de aula. A minha esperança é de que dias ainda melhores virão.
Além de já ter atuado por vários anos no ensino público do município
de Tabocas do Brejo Velho, coleciono ainda as experiências dos estágios
supervisionados que realizei ao longo da graduação, o primeiro na educação
infantil, o segundo nos anos iniciais do ensino fundamental e o último na gestão.
Contudo aguardo a oportunidade de ingressar na sala de aula, como professora
o mais breve possível. Sigo na certeza de continuar em busca de aprendizado e
conhecimento, pois o professor precisa estar em constante formação.
Reconheço que minha prática profissional precisa sempre de
atualização, para que eu possa acompanhar as novas tendências pedagógicas,
estou ciente que terei que buscar a formação continuada. O curso de pedagogia
me trouxe uma nova visão, novas formas de enxergar a prática docente.
Pedagogia, para mim, antes de mais nada, é amor, é atenção, é dom de Deus,
é carinho, é dedicação.