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RELAÇÃO DO VOLUME DE SANGUE COM HEMÓLISE IN VITRO EM AMOSTRAS DE

SANGUE COLHIDAS À VACUO EM TUBOS COM EDTA

Autores
PEDRO HENRIQUE GONGORA POGIOLI (13)
ALINE TRAMONTINI ZANLUCHI (7)
LUIZ FERNANDO COELHO DA CUNHA FILHO (7)
WERNER OKANO (7)
FABÍOLA CRISTINE DE ALMEIDA RÊGO GRECCO (7)
AGOSTINHO LUDOVICO (7)
FLÁVIO ANTONIO BARCA JÚNIOR (7)
LUIZ CESAR DA SILVA (7)
LUIS ALVARO LEUZZI JUNIOR (7)
SILVIA MANDUCA TRAPP (7)

Categoria
 Trabalho de TCC

Introdução
 O sangue é um tecido líquido constituído por células vermelhas e brancas, plasma, e plaquetas (GARCIA-NAVARRO, 2005). Sua cor 
vermelha se deve à hemoglobina das hemácias (KERR, 2003). O plasma é composto por água, sólidos orgânicos (proteínas, principalmente a 
albumina, globulinas, fibrinogênio e fatores de coagulação) e sólidos inorgânicos (GARCIA-NAVARRO, 2005). A função do sangue é transportar 
nutrientes para os tecidos e os produtos finais do metabolismo das células para os órgãos de excreção. O hemograma é um exame que estuda 
a composição do sangue para avaliar o estado geral de um animal. Embora apresente resultados confiáveis e repetibilidade, vários fatores 
podem interferir em sua realização. Um deles é a inadequação da colheita, quando são colhidas quantidades de sangue muito menores ou 
maiores do que aquela indicada pelo fabricante dos tubos de coleta. No primeiro caso, a amostra pode hemolisar e, no segundo, coagular 
(KERR, 2003).

Objetivo
 O objetivo deste trabalho foi demonstrar a influência da variável volume de sangue como causa de erro pré analítico no hemograma, e 
mostrar que nem sempre os Médicos Veterinários respeitam o volume preconizado pelo tubo de colheita.

Metodologia
 Foram analisadas 1.045 amostras de sangue de caninos e felinos em tubos com EDTA provenientes da rotina do laboratório Santé, em 
Brasília, DF, no período de março a abril de 2010. Os tubos contendo as amostras eram homogeneizados para a realização do hemograma em 
analisador hematológico automático. Eram, então, centrifugados e, em seguida, era determinado o grau de hemólise e volume das amostras 
nos tubos. A classificação da hemólise era determinada por observação visual da coloração do plasma, classificando-se os graus de hemólise 
subjetivamente em grau zero (livre de hemólise), 1, 2 ou 3 (hemólise marcante). O volume da amostra no tubo era feito por comparação visual 
da quantidade do tubo avaliado com um tubo graduado. Amostras com graus 2 e 3 de hemólise não geram resultados confiáveis e são, 
portanto, descartadas. Os dados foram analisados utilizando o pacote estatístico Bioestat 5.0 pelos testes de Qui-quadrado  e Exato de Fisher 
com nível mínimo de significância de 5 por cento.
Resultado
 Foram comparados volume de sangue com grau de hemólise. Tubos com 100 por cento da capacidade (7 tubos) não apresentaram 
hemólise (grau zero). A comparação destes tubos com os que preenchiam 50 e 25 por cento do tubo apresentou diferença significativa. O 
mesmo não ocorreu com os tubos com 75 por cento da capacidade. Neste grupo (68 amostras), 52 tinham grau de hemólise zero e 1. Daqueles 
com 50 por cento da capacidade (518 amostras), 316 apresentaram grau de hemólise zero e 1. Outros 202 tubos apresentaram graus 2 e 3. 
Concentrações de EDTA acima de 16 mg/dL podem causar hemólise. Isso é freqüente em amostras colhidas de animais pequenos (KERR, 2003; 
DIAS & DIAS, 1998). Dos tubos preenchidos com 25 por cento da capacidade (452 amostras), 154 tiveram hemólise zero e 1. Ficou evidente 
que a proporção ideal sangue/anticoagulante deve ser respeitada para que amostras não sejam descartadas como inadequadas para realização 
do hemograma devido à hemólise, concordando com REBAR et al. (2003).

Conclusão
 A colheita de sangue, não pode ser considerada uma etapa menos importante na Medicina Veterinária. Este estudo mostra que o volume 
de sangue colhido se relaciona com a ocorrência de hemólise in vitro em tubos para colheita de sangue a vácuo e, quanto menor o volume 
colhido, maiores as chances de hemólise. Amostras hemolisadas não geram resultados fidedignos e são descartadas, o que provoca prejuízos 
de ordem material, além do tempo que se deverá dispensar para a colheita de uma amostra nova.

Bibliografia
 GARCIA NAVARRO, Carlos Eugenio Kantek. Manual de hematologia veterinária. 2º edição. São Paulo: Editora Livraria Varela, 2005.

REBAR, A.H., MACWILLIAMS, P. S; FELDMAN, B. F.; METZGER, F. L.; POLLOCK, R. V. H.; ROCHE, J.. Guia de hematologia para cães e 
gatos. 1º edição. São Paulo:  Editora Roca, 2003.

KEER, Morag G., Exames laboratoriais na medicina veterinária. 2º edição. São Paulo: Editora Roca, 2003. 

DIAS, JUNIOR R. F.; DIAS, R. A. F.; ROCHA, M. A.. Efeito de diferentes concentrações do ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) no 
eritrograma de cães. Londrina. 1998.

Legenda
(13) Aluno Egresso Unopar
(7) Docente Unopar