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Direito Processual Penal

Constitucional

Disciplina: Direito Processual Penal Constitucional


Profª. Me. Jéssica Santiago Munareto
Direito Processual Penal


Conceito.

Características: na origem, autoritário.

Princípios e regras: CF.

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Interpretação da Lei Processual Penal


Conceito: interpretar é extrair da norma seu exato alcance e real significado.
Norma é o enunciado normativo interpretado/aplicado.

Espécies:
- Quanto ao sujeito que a elabora:
a) autêntica ou legislativa: pelo legislador. Contextual (realizada no próprio texto)
ou posterior (após a entrada em vigor).
b) doutrinária ou científica: pelos estudiosos da disciplina. Obs.: as exposições
de motivos dos Códigos constituem forma de interpretação doutrinária, não
sendo textos de lei.
c) Judicial ou jurisprudencial: pelos órgãos jurisdicionais.

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Interpretação da Lei Processual Penal


Quanto aos meios empregados:
a) gramatical, sintática ou literal: sentido literal das palavras do texto.
b) lógica ou teleológica: busca-se a vontade da lei, utilizando-se dos critérios de
raciocínio e conclusão para identificar o alcance do texto.
c) sistemática: interpreta o enunciado normativo dentro do contexto do sistema
normativo no qual se insere.
d) histórica: leva em consideração o histórico de sua edição, analisando, por
exemplo, os debates, emendas propostas, etc.

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Interpretação da Lei Processual Penal

- Quanto ao resultado:
a) declarativa: correspondência entre o que diz a lei e a sua vontade.
b) restritiva: norma disse mais do que pretendia, devendo a interpretação
restringir o seu alcance.
c) extensiva ou ampliativa: escrita da lei além da sua vontade, ou seja, disse
menos do que queria. Assim, cabe ao intérprete, nesses casos, estender o
âmbito de aplicação da lei.
d) progressiva, adaptativa ou evolutiva: é a interpretação que se adapta às
mudanças político-sociais. e às necessidades do presente.

Interpretação da norma processual: admite interpretação extensiva. Art. 3º,
CPP: “a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação
analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito”.

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Interpretação da Lei Processual Penal


Formas de procedimento interpretativo:
a) Equidade;
b) Doutrina;
c) Jurisprudência.

Analogia: não é um método de interpretação, mas sim de integração. Admitida
no CPP. Diferencia-se da interpretação extensiva, pois seu objetivo é suprir
lacunas na lei. A “aplicação analógica” do art. 3º, CPP refere-se a um método
de interpretação, ou seja, existe uma lei a ser interpretada, diferentemente da
analogia.

Aplicação subsidiária do CPC: apenas nos casos omissos.

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Lei Processual Penal no Espaço


Atividade: período situado entre a entrada em vigor da lei e a sua revogação.

Processo penal = CF + tratados e convenções internacionais + legislação
infraconstitucional.

CPP adota o princípio da territorialidade (art. 1º, CPP). Mesmo que algum ato
processual seja realizado no exterior, a lei brasileira deverá ser aplicada.
Hipóteses de extraterritorialidade são matéria do Direito Penal. Art. 7º, CP. Ver
arts. 5º, §1, 6º e 7º CP.

Art. 1º, I, CPP: Diplomata (imunidade plena); Cônsul (imunidade relativa – crimes
funcionais).

EC 45/04. Tratados e convenções internacionais. Art. 5º, §3º, CF. Tratamento de
EC. Adoção de regras penais eventualmente previstas. Ex: Convenção contra a
Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis (Dec. Leg. 4/89) e Pacto de San
José da Costa Rica (Dec. 678).

Jurisdição TPI: Art. 5º, §4º, CF. Não aplicação da legislação brasileira caso se
reconheça a necessidade de exercício da jurisdição penal internacional.
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Lei Processual Penal no Tempo


A legislação processual aplica-se imediatamente, desde a sua vigência,
respeitando-se os atos já praticados e efeitos jurídicos decorrentes, inclusive
os direitos adquiridos (art. 5º, XXXVI, CF). Art. 2º, CPP. Princípio tempus regit
actum ou da aplicabilidade imediata.

Princípio da irretroatividade da norma penal: art. 5º, XL, CF. Norma de
conteúdo misto (ou normas processuais materiais) aplica-se a regra da
irretroatividade, exceto se mais favorável ao réu. Impossibilidade de
fragmentação normativa (terceira legislação). Ex: Lei 9099/95.

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Fontes do Direito Processual Penal


Conceito: origem. Local de onde provém o Direito.

Espécies:
a) material ou de produção: as que criam o Direito. É o Estado. Competência
para legislar. Ex: Art. 22, I, CF.
b) formal ou de cognição: é a fonte que revela a norma. Pode ser:
b.1) imediata ou direta: lei e tratados; e
b.2) mediata ou indireta: costumes e princípios gerais do direito.

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Fontes do Direito Processual Penal


Costumes: conjunto de práticas sociais reiteradas obedecidas em razão da
convicção de obrigatoriedade. Diferencia-se, assim, dos costumes de mero
hábito. Pode ser:
a) contra legem: inaplicabilidade da norma por desuso;
b) secundum legem: de acordo com a norma; ou
c) praeter legem: complementa a lei, preenchendo lacunas.

Princípios gerais do Direito: premissas éticas extraídas do ordenamento
jurídico. Conferem fisionomia, unidade e validade a todo um sistema jurídico.
Art. 3º, CPP. Art. 4º, LINDB.

Analogia: inexiste norma reguladora, devendo ser aplicada a norma que trata
de hipótese semelhante. Espécies:
a) in bonam partem: em benefício do agente;
b) in malam partem: em prejuízo do agente.
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Questões

De acordo com o Código de Processo Penal, a lei processual penal aplicar-se-á:


a) sempre que uma norma prevista na Parte Geral do Código Penal for
desrespeitada.
b) apenas quando houver sentença condenatória transitada em julgado.
c) imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da
lei anterior.
d) de forma subsidiária, portanto se a lei material (lei de direito penal) falhar.
e) retroativamente quando, de qualquer modo, favorecer o agente, aplicando-se
inclusive aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado.

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Questões

De acordo com o Código de Processo Penal, a lei processual penal aplicar-se-á:


a) sempre que uma norma prevista na Parte Geral do Código Penal for
desrespeitada.
b) apenas quando houver sentença condenatória transitada em julgado.
c) imediatamente, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
vigência da lei anterior.
d) de forma subsidiária, portanto se a lei material (lei de direito penal) falhar.
e) retroativamente quando, de qualquer modo, favorecer o agente, aplicando-se
inclusive aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória
transitada em julgado.

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Questões

Com relação à aplicação e à eficácia temporal da lei processual penal, julgue o


item subsequente. O Código de Processo Penal será aplicado a todas as ações
penais e correlatas que tiverem curso no território nacional, nelas inclusas as
destinadas a apurar crime de responsabilidade cometido pelo presidente da
República.

( ) Certo

( ) Errado

13
Questões

Com relação à aplicação e à eficácia temporal da lei processual penal, julgue o


item subsequente. O Código de Processo Penal será aplicado a todas as ações
penais e correlatas que tiverem curso no território nacional, nelas inclusas as
destinadas a apurar crime de responsabilidade cometido pelo presidente da
República.

( ) Certo

( x) Errado

14
Questões

Dr. Frederico, juiz da 1ª Vara Criminal de Teresina-PI, após a denúncia do


Ministério Público e toda a sequência de atos processuais que permeiam o
processo, julgará o acusado. Quanto à aplicação e eficácia da lei processual no
tempo e no espaço, marque a alternativa CORRETA.

a) O Código de Processo Penal possui validade em todo território brasileiro e,


também, no estrangeiro, desde que o crime tenha sido cometido por brasileiro.
b) A lei processual penal brasileira aplica-se a todas as infrações cometidas em
território brasileiro ou em solo estrangeiro.
c) Os tratados e convenções internacionais sobre matéria processual não podem
ser aplicadas no Brasil, em nenhuma hipótese.
d) O processo penal da competência da Justiça Militar não será regulado pelo
Código de Processo Penal.
e) Aos crimes previstos em leis especiais não se aplica o Código de Processo
Penal.

15
Questões

Dr. Frederico, juiz da 1ª Vara Criminal de Teresina-PI, após a denúncia do


Ministério Público e toda a sequência de atos processuais que permeiam o
processo, julgará o acusado. Quanto à aplicação e eficácia da lei processual no
tempo e no espaço, marque a alternativa CORRETA.

a) O Código de Processo Penal possui validade em todo território brasileiro e,


também, no estrangeiro, desde que o crime tenha sido cometido por brasileiro.
b) A lei processual penal brasileira aplica-se a todas as infrações cometidas em
território brasileiro ou em solo estrangeiro.
c) Os tratados e convenções internacionais sobre matéria processual não podem
ser aplicadas no Brasil, em nenhuma hipótese.
d) O processo penal da competência da Justiça Militar não será regulado
pelo Código de Processo Penal.
e) Aos crimes previstos em leis especiais não se aplica o Código de Processo
Penal.

16
Questões

Considerando a disciplina da aplicação de lei processual penal e os tratados e


convenções internacionais, assinale a alternativa correta.

a) A lei processual penal aplica-se desde logo, conformando um complexo de


princípios e regras processuais penais próprios, vedada a suplementação pelos
princípios gerais de direito.
b) A superveniência de lei processual penal que modifique determinado
procedimento determina a renovação dos atos já praticados.
c) A lei processual penal não admite interpretação extensiva, ainda que admita
aplicação analógica.
d) Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de
um juiz ou outra autoridade autorizada pela lei a exercer funções judiciais e tem
direito a ser julgada dentro de um prazo razoável ou a ser posta em liberdade,
sem prejuízo de que prossiga o processo.
e) Em caso de superveniência de leis processuais penais híbridas, prevalece o
aspecto instrumental da norma.

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Questões

Considerando a disciplina da aplicação de lei processual penal e os tratados e


convenções internacionais, assinale a alternativa correta.

a) A lei processual penal aplica-se desde logo, conformando um complexo de


princípios e regras processuais penais próprios, vedada a suplementação pelos
princípios gerais de direito.
b) A superveniência de lei processual penal que modifique determinado
procedimento determina a renovação dos atos já praticados.
c) A lei processual penal não admite interpretação extensiva, ainda que admita
aplicação analógica.
d) Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à
presença de um juiz ou outra autoridade autorizada pela lei a exercer
funções judiciais e tem direito a ser julgada dentro de um prazo razoável
ou a ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo.
e) Em caso de superveniência de leis processuais penais híbridas, prevalece o
aspecto instrumental da norma.

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Questões

Em se tratando de processo penal, assinale a alternativa que apresenta, correta e


respectivamente, uma fonte direta e uma fonte indireta.

a) Costume e lei.
b) Costume e jurisprudência.
c) Doutrina e jurisprudência.
d) Princípios gerais do direito e doutrina.
e) Lei e costume.

19
Questões

Em se tratando de processo penal, assinale a alternativa que apresenta, correta e


respectivamente, uma fonte direta e uma fonte indireta.

a) Costume e lei.
b) Costume e jurisprudência.
c) Doutrina e jurisprudência.
d) Princípios gerais do direito e doutrina.
e) Lei e costume.

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Princípios

 São modalidade de norma jurídica, ao lado das regras. Dividem-se em


princípios constitucionais e princípios processuais penais propriamente ditos.
Os princípios constitucionais podem ser explícitos ou implícitos. São eles:
 Princípio da presunção da inocência ou do estado de Inocência ou da não
culpabilidade: art. 5º, LVII, da CF. Possui dois principais desdobramentos:
a) de tratamento: o réu não pode ser considerado culpado até o trânsito em
julgado da sentença condenatória. Impossibilidade de execução provisória da
pena, salvo para a concessão de benefícios penais – Súm. 716, STF.
b) de cunho probatório: o ônus da prova recai sobre a acusação.
 Princípio do contraditório ou da bilateralidade da audiência: art. 5º, LV, CF.
Binômio ciência e participação. As partes devem ser cientificadas da realização
dos atos processuais, sendo permitido que inclusive participem de toda a
relação jurídica, influindo no convencimento do magistrado.

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Princípios

 Princípio da ampla defesa: pode ser exercido por meio da defesa técnica e da
autodefesa. Art. 5º, LV, CF. Art. 261, CPP.
 Defesa técnica: é a feita por advogado e é indisponível. Se o réu não constituir
advogado, o juiz nomeará defensor dativo, de preferência um defensor público. Se o
defensor não for nomeado, o processo é nulo (Súm. 523, STF). Irrenunciável. Precisa
ser plena e efetiva (dever de fiscalização do juiz e MP).
 Autodefesa: art. 185, CPP. Patrocinada pelo próprio réu. Via de regra se materializa
por ocasião do interrogatório. Renunciável. Se divide em:
a) direito de audiência: de ser ouvido no processo; e
b) direito de presença: de comparecer a todos os atos do processo, mesmo que via
videoconferência. É disponível, ficando a cargo da conveniência do réu o seu
exercício.
 Princípio da plenitude de defesa: art. 5º, XXXVIII, a, CF. Tribunal do Júri. Permite-se
ao réu valer-se de argumentos jurídicos e/ou metajurídicos, invocando teses
sociológicas, filosóficas, econômicas etc.
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Princípios

 Princípio da imparcialidade do juiz: não confundir neutralidade com


imparcialidade. Existe um consenso de que a neutralidade não pode ser
alcançada, tendo em vista de que todos nós carregamos os nossos preceitos
morais, éticos, religiosos, familiares etc. A imparcialidade, por outro lado, se
refere ao distanciamento do julgador em relação aos fatos que deve apreciar.
Assim, o julgador DEVE ser imparcial, pois, caso contrário, haverá suspeição
(art. 254, CPP) ou impedimento (art. 252, CPP).
 Princípio da publicidade: atos processuais não podem ser mantidos em
segredo, tendo em vista que pode gerar desconfiança acerca da sua
legitimidade. Art. 5º, LX, CF c/c 792, CPP. Contudo, o sigilo não alcança o
acesso aos autos de investigação: Súm. Vinc. 14, STF. Caso seja negado o
acesso, é cabível Mandado de Segurança, sem prejuízo da reclamação
constitucional, diante do fato de que há uma súmula vinculante corroborando o
caso. Obs.: o acesso aos autos não inclui o prévio conhecimento de diligências
ainda não realizadas.

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Princípios

 Princípio da verdade real: é um dos princípios mais controversos do processo


penal na atualidade. De acordo com ele, cabe ao juiz buscar a verdade,
reconstruindo o que ocorreu de fato, mesmo que além dos autos
(diferentemente do processo civil). Existe uma divergência doutrinária sobre a
possibilidade de se alcançar de fato a verdade real e, em razão disso, alguns
autores preferem o termo “verdade processualmente construída” ou “verdade
humanamente possível”. Necessária aproximação da certeza dos fatos.
 Princípio do juiz natural: possui dois desdobramentos:
 O cidadão tem o direito de ser processado perante a autoridade competente
(art. 5º, LIII, CF), ou seja, um juiz devidamente investido na Jurisdição.
 Obsta a criação de juízos ou tribunais de exceção (art. 5º, XXXVII, CF), ou seja,
impede que se criem órgãos jurisdicionais pós-facto, como por exemplo,
ocorreu com Tribunais internacionais (Nuremberg, Ruanda, ex-Ioguslávia).
Obs.: TPI (art. 5º, §4º, CF) não é tribunal de exceção, pois somente julga fatos
ocorridos após a sua criação.
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Princípios

 Princípio do promotor natural: De acordo com Távora e Araújo, há divergências


relacionadas à existência ou não deste princípio. De acordo com a doutrina
majoritária, existe um princípio do promotor natural, o qual se caracteriza pela
proibição de designação de membros do MP de forma arbitrária.
 Princípio do favor rei ou favor réu: como regra, a dúvida milita em favor do réu
(in dubio pro reo). Diante disso, o juiz apenas poderá condenar o réu caso não
reste dúvidas relativas à autoria (ou participação) e materialidade. Não exigida
na decisão que recebe a denúncia ou na decisão de pronúncia (atos de
evolução procedimental). Também não é cabível na revisão criminal (in dubio
contra reum) – ônus da prova é do postulante (art. 621, CPP).
 Princípio do devido processo legal: art. 5º, LIV, CF. O processo é uma garantia
contra os arbítrios do Estado. Como corolário, temos os princípios do
contraditório, da ampla defesa, a paridade de armas e toda a carga protetiva
constitucionalmente assegurada.

25
Princípios

 Princípio da economia processual: EC 45/04. Razoável duração do processo


(art. 5º, LXXVIII, CF). Também decorrem desse princípio a celeridade e a
informalidade expressas na Lei 9099/95. Por óbvio, a celeridade pretendida no
processo penal não poderá desrespeitar as garantias constitucionais. Assim,
busca-se um equilíbrio: não pode ser moroso a ponto de ensejar a impunidade
e não tão célere a ponto de inobservar as garantias do réu/investigado.
 Princípio da não autoincriminação: art. 5º, LVII e LXIII, CF. Ninguém é obrigado
a produzir prova contra si mesmo. Decorre do princípio da presunção da
inocência e do direito ao silêncio. Ex: não são obrigados a fornecer material
genético para DNA, participar de simulação dos fatos, dizer a verdade etc. Esse
princípio também é válido no caso de testemunha e perito. Não há previsão
constitucional expressa deste princípio, pois decorre do Pacto de San José da
Costa Rica.

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Princípios

 Princípio da vedação às provas ilícitas: art. 5º, LVI, CF. Prova ilícita é a que
viola a norma (princípios e regras) constitucional e a norma infraconstitucional.
Art. 157, CPP – inadmissibilidade das provas derivadas das ilícitas, tendo em
vista a adoção da teoria dos frutos da árvore envenenada.
 A doutrina majoritária e a jurisprudência do STF admite que sejam utilizadas
provas ilícitas em benefício do réu.

27
Questões

Com relação a provas, julgue o próximo item.

Provas obtidas por meios ilícitos podem excepcionalmente ser admitidas se


beneficiarem o réu

( ) Certo
( ) Errado

28
Questões

Com relação a provas, julgue o próximo item.

Provas obtidas por meios ilícitos podem excepcionalmente ser admitidas se


beneficiarem o réu

( x) Certo
( ) Errado

29
Questões

O princípio do Direito Processual Penal que impede a criação de tribunais de


exceção refere-se ao princípio

a) do contraditório.
b) da verdade real.
c)da oficiosidade.
d) do juiz natural.
e) da indisponibilidade.

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Questões

O princípio do Direito Processual Penal que impede a criação de tribunais de


exceção refere-se ao princípio

a) do contraditório.
b) da verdade real.
c)da oficiosidade.
d) do juiz natural.
e) da indisponibilidade.

31
Questões

Indiciado em determinado inquérito policial, Pedro requereu, por meio de seu


advogado, acesso aos autos da investigação. O requerimento foi negado pelo
delegado de polícia.

Nessa situação hipotética, a decisão da autoridade policial está

a) correta, pois, sendo procedimento inquisitório, não há de se falar em


assistência de advogado no curso do inquérito policial.
b) incorreta, pois o exercício do direito de defesa e contraditório são plenamente
aplicáveis ao inquérito policial.
c) incorreta, pois afronta o princípio da publicidade, igualmente aplicável às ações
penais em curso e aos inquéritos policiais.
d) correta, pois o inquérito policial, sendo procedimento inquisitório, deve ser
mantido em sigilo até o ajuizamento da ação penal.
e) incorreta, pois o acesso do indiciado, por meio de seu advogado, aos autos do
procedimento investigatório é garantia de seu direito de defesa.

32
Questões

Indiciado em determinado inquérito policial, Pedro requereu, por meio de seu


advogado, acesso aos autos da investigação. O requerimento foi negado pelo
delegado de polícia.

Nessa situação hipotética, a decisão da autoridade policial está

a) correta, pois, sendo procedimento inquisitório, não há de se falar em


assistência de advogado no curso do inquérito policial.
b) incorreta, pois o exercício do direito de defesa e contraditório são plenamente
aplicáveis ao inquérito policial.
c) incorreta, pois afronta o princípio da publicidade, igualmente aplicável às ações
penais em curso e aos inquéritos policiais.
d) correta, pois o inquérito policial, sendo procedimento inquisitório, deve ser
mantido em sigilo até o ajuizamento da ação penal.
e) incorreta, pois o acesso do indiciado, por meio de seu advogado, aos
autos do procedimento investigatório é garantia de seu direito de defesa.

33
Questões

Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da


lei processual, julgue os itens a seguir.

A autodefesa, que, pelo princípio da ampla defesa, é imposta ao réu, é


irrenunciável.

( ) Certo
( ) Errado

34
Questões

Considerando os princípios aplicáveis ao direito processual penal e a aplicação da


lei processual, julgue os itens a seguir.

A autodefesa, que, pelo princípio da ampla defesa, é imposta ao réu, é


irrenunciável.

( ) Certo
(x) Errado

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Sistemas processuais

 CPP x Constituição. Autoritarismo CPP (preocupação com a segurança pública; princípio da


culpabilidade e da periculosidade do agente). CF – garantias.
 Sistema inquisitivo: adotado pelo Direito Canônico a partir do século XIII (antes vigorava o
sistema acusatório) e marcou o período da Inquisição. Nesse sistema, as funções estão
concentradas na mesma pessoa e, assim, o juiz-inquisidor acusa e julga. Ainda, produz as provas,
as quais são coletadas em sigilo. Desse modo, não há que se falar em contraditório ou presunção
de inocência e o réu é visto mais como um objeto do processo do que um sujeito de direitos. Em
virtude disso, este sistema é incompatível com os direitos e garantias que são assegurados pela CF.
 No entendimento de Pacelli (2020), “no sistema inquisitório, como o juiz atua também na fase de
investigação, o processo se iniciaria com a notitia criminis, seguindo-se a investigação, acusação e
julgamento”.
 De acordo com Anitua (2008), mais do que usurpar a função jurisdicional, o Estado e o Direito
(no caso, o rei e seus juristas especializados) apropriaram-se das relações de poder interpessoais,
do próprio conflito. Ius puniendi – substituição da sociedade em assembleia e também das vítimas
em sua reclamação e aparecimento de funções estatais que deveriam ser respeitadas. Interesse do
Estado na resolução dos conflitos mais do que os particulares: falta de acusações surgimento das
delações secretas como motor inicial das ações que promoveriam juízos e castigos. Quebra do
sistema acusatório, de mãos dadas com o direito canônico, abriu-se caminho ao sistema processual
inquisitivo.
36
Sistemas processuais

 Conforme Anitua, o sistema inquisitivo se baseava em alguns conceitos: a) infração em


substituição ao dano: o Estado é o lesado pela ação de um indivíduo pelo outro, sendo que a
reparação seria requerida por ele (afetado e demandante), motivo pelo qual que surgiram
com ela tanto a noção de delito como a noção de castigo; b) a decisão sobre a existência do
delito e a necessidade de castigo seria uma sentença emitida em nome da verdade
determinada pelo Estado e não pelos indivíduos; c) se fazia uma investigação, que foi
adotada pelas incipientes burocracias do modelo de resolução de conflitos nos casos
flagrantes, sendo esta a origem da instrução ou indagação.

 Inquisitio veio a substituir a luta ou a disputa como meio mais natural de resolver os
conflitos entre duas pessoas ou grupo de pessoas (ANITUA, 2008).

 Ainda de acordo com Anitua (2008), Inocêncio III, papa de 1198 a 1216, foi quem modificou
o direito canônico da época ao introduzir, juntamente com a organização do papado como
uma averiguação deixou de estar nas mãos do bispo que visitava os conventos de vez em
quando, criando-se um corpo permanente de monges que dependiam da autoridade estatal.
Sua atuação hierárquica obrigava o segredo de suas intervenções e a necessidade de
plasmá-las por escrito, algo para o qual a máquina burocrática, composta por especialistas,
tornava-se inevitável.
37
Sistemas processuais

 Anitua (2008) afirma que o processo penal começava com prisão preventiva
do acusado de heresia, seus bens eram então sequestrados e em seguida era
interrogado para se obter a confissão. Se ele negava ter cometido o “crime” de
que era acusado, era considerado “obstinado”, e isso podia acarretar
consequências mais graves para seu físico e sua vida. A missão fundamental da
tortura era a averiguação da verdade, além da purificação dos pecados, com a
aplicação do tormento, que se estendeu, finalmente, com a morte como pena,
significativamente, na fogueira. O método de averiguação da verdade seria
adotado pela justiça real durante todo esse período de absolutismo na Europa.

 A Inquisição foi a primeira agência burocratizada dominante destinada à


aplicação de castigos e à definição de verdade, e por isso a primeira a formular
um discurso de tipo criminológico. A heresia era um mal a ser eliminado, se
somava ao estigma de judeus os leprosos como sujeitos a ser perseguidos, além
da perseguição e controle das mulheres, acusadas de bruxas (Anitua, 2008).

38
Sistemas processuais

 Sistema acusatório: sistema adotado no Brasil (art. 129, I, CF). É diametralmente


oposto ao sistema inquisitivo, tendo em vista que caracteriza-se pela presença da
publicidade, do contraditório e da presunção da inocência. Sua principal característica é
a de que as funções de acusação, defesa e julgamento estão separadas. Dessa forma, o
órgão acusatório não se confunde com o julgador. Função privativa do MP para
propositura da ação penal. Assim, “deve o magistrado, portanto, abster-se de promover
atos de ofício na fase investigatória, atribuição esta que deve ficar a cargo das
autoridades policiais e do Ministério Público” (LIMA, 2019). Gestão da prova – juiz
somente é provocado.
 Entretanto, mesmo que o sistema seja adotado pelo Brasil, importa mencionar que não é
utilizado de forma pura, ortodoxa, pois permite-se ao magistrado, excepcionalmente,
produzir provas (art. 156, CPP), conceder habeas corpus, de ofício, assim como decretar
medidas cautelares e prisão preventiva de ofício durante o processo (TÁVORA;
ARAÚJO, 2016).
 De acordo com Pacelli (2020), “no sistema acusatório, além de se atribuírem a
órgãos diferentes as funções de acusação (e investigação) e de julgamento, o processo,
rigorosamente falando, somente teria início com o oferecimento da acusação”.
39
Sistemas processuais

 Sistema misto ou francês: surgido em 1808 após o sistema inquisitorial sofrer


alterações. Neste sistema, o processo é dividido em duas fases:
a) inquisitivo: secreto, sem contraditório;
b) contraditório: permite-se a ampla defesa.
 De acordo com Pacelli (2020), “nesse sistema processual, a jurisdição também se
iniciaria na fase de investigação, e sob a presidência de um magistrado – os Juizados
de Instrução –, tal como ocorre no sistema inquisitório. No entanto, a acusação criminal
ficava a cargo de outro órgão (o Ministério Público) que não o juiz, característica já
essencial do sistema acusatório. Exatamente por isso, denominou-se referido sistema
de sistema misto, com traços essenciais dos modelos inquisitórios e acusatórios”.
 Quando o CPP entrou em vigor, se entendia que o sistema brasileiro era misto em
razão da natureza inquisitorial do IP. Isso mudou após a CF/88. A existência do
inquérito policial não torna o sistema misto, pois, mesmo marcado pela inquisitividade,
ocorre em um momento pré-processual, de investigação preliminar. Diante disso, não
se pode dizer que o sistema brasileiro é misto.

40
Questões

São características do sistema inquisitório, EXCETO:


a) inexistência de contraditório pleno.
b) gestão da prova nas mãos das partes.
c) aglutinação de funções nas mãos do juiz.
d) parcialidade do juiz.

41
Questões

São características do sistema inquisitório, EXCETO:


a) inexistência de contraditório pleno.
b) gestão da prova nas mãos das partes.
c) aglutinação de funções nas mãos do juiz.
d) parcialidade do juiz.

42
Questões

Acerca dos princípios gerais, das fontes e da interpretação da lei processual


penal, bem como dos sistemas de processo penal, julgue o item que se segue. A
publicidade, a imparcialidade, o contraditório e a ampla defesa são características
marcantes do sistema processual acusatório.

( ) Certo
( ) Errado

43
Questões

Acerca dos princípios gerais, das fontes e da interpretação da lei processual


penal, bem como dos sistemas de processo penal, julgue o item que se segue. A
publicidade, a imparcialidade, o contraditório e a ampla defesa são características
marcantes do sistema processual acusatório.

(x) Certo
( ) Errado

44
Questões

No processo penal, as características do sistema acusatório incluem

I. clara distinção entre as atividades de acusar e julgar, iniciativa probatória exclusiva das
partes e o juiz como terceiro imparcial e passivo na coleta da prova.
II. neutralidade do juiz, igualdade de oportunidades às partes no processo e repúdio à
prova tarifada (valor de prova pré-definido).
III. predominância da oralidade no processo, imparcialidade do juiz e supremacia da
confissão do réu como meio de prova.
IV. celeridade do processo e busca da verdade real, o que faculta ao juiz determinar de
ofício a produção de prova.

Estão certos apenas os itens

a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
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Questões

No processo penal, as características do sistema acusatório incluem

I. clara distinção entre as atividades de acusar e julgar, iniciativa probatória exclusiva das
partes e o juiz como terceiro imparcial e passivo na coleta da prova.
II. neutralidade do juiz, igualdade de oportunidades às partes no processo e repúdio à
prova tarifada (valor de prova pré-definido).
III. predominância da oralidade no processo, imparcialidade do juiz e supremacia da
confissão do réu como meio de prova.
IV. celeridade do processo e busca da verdade real, o que faculta ao juiz determinar de
ofício a produção de prova.

Estão certos apenas os itens

a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
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Questões

O modelo processual acusatório tem sido entendido como o adequado a um


Estado Democrático de Direito por ser o mais garantista. Tem-se como um
pressuposto estrutural e lógico do modelo a

a) possibilidade de emendatio libelli e mutatio libelli.


b) existência de uma investigação prévia por delegado de polícia.
c) possibilidade da prova ser colhida pelo próprio juiz.
d) previsão legal de prisões processuais.
e) separação entre juiz e acusação.

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Questões

O modelo processual acusatório tem sido entendido como o adequado a um


Estado Democrático de Direito por ser o mais garantista. Tem-se como um
pressuposto estrutural e lógico do modelo a

a) possibilidade de emendatio libelli e mutatio libelli.


b) existência de uma investigação prévia por delegado de polícia.
c) possibilidade da prova ser colhida pelo próprio juiz.
d) previsão legal de prisões processuais.
e) separação entre juiz e acusação.

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Inquérito Policial


Persecução criminal: é o poder-dever do Estado investigar e punir as infrações penais. Art.
4º, CPP. É dividido em duas fases:
a) Fase pré-processual (informativa, preliminar e inquisitiva): é a fase de investigação criminal,
antecedente à ação criminal. É destinada à coleta de elementos relativos à materialidade
(existência do crime), bem como de autoria ou participação no delito. É a principal
modalidade de investigação criminal. Além dele, pode-se citar os inquéritos parlamentares
das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s), inquérito policial-militar (IPM) e a
investigação do MP. Há controvérsias na doutrina sobre o poder de investigação do MP, mas
a jurisprudência admite a tese. Súm. 234, STJ.
b) Fase processual: é o momento da persecução criminal em juízo, a ação penal.


Conceito: procedimento administrativo preliminar, presidido pela autoridade policial. Objetiva
a apuração da autoria, da materialidade (existência) da infração e das circunstâncias da
infração. De acordo com Lima (2020), possui dupla função:
a) preservadora: a existência prévia de um inquérito policial inibe a instauração de um processo
penal infundado, temerário, resguardando a liberdade do inocente e evitando custos
desnecessários para o Estado;
b) preparatória: fornece elementos de informação para que o titular da ação penal ingresse em
juízo, além de acautelar meios de prova que poderiam desaparecer com o decurso do tempo.
49
Inquérito Policial


Competência: “do local onde se consumou a infração penal, ou no caso de tentativa, com base no local
em que foi praticado o último ato de execução” (LIMA, 2020). Incompetência: por ser mera peça
informativa, não anula IP, pois mera irregularidade.


Finalidade: contribuir na formação do convencimento (opinião delitiva) do titular da ação penal que, via
de regra, é do MP e, excepcionalmente, da vítima (querelante - ação penal privada).


Natureza jurídica: procedimento administrativo de caráter informativo e preparatório da fase processual
da persecução penal. “Logo, como o inquérito policial é mera peça informativa, eventuais vícios dele
constantes não têm o condão de contaminar o processo penal a que der origem” (LIMA, 2020).


Obs.: é um procedimento e não um processo administrativo. Duas questões:
a) todo processo, seja judicial ou administrativo, possui contraditório (art. 5º, LV, CF). IP não possui
contraditório ou o possui de forma muito mitigada (acesso do defensor às provas já documentadas).
Desse modo, não pode ser caracterizado como um processo.
b) há uma relação de continência entre processo e procedimento. Todo processo pressupõe a existência
de um procedimento (conjunto encadeado de atos produzidos). Por essa razão, processo pressupõe
procedimento, porém nem todo procedimento é processo, pois não haverá necessariamente um
contraditório. É o que ocorre com o IP.

50
Inquérito Policial


Características:
a) Escrito: art. 9º, CPP. Não há objeção para que o registro dos depoimentos seja realizado
por outros meios, como a gravação magnética, digital ou meio audiovisual.
b) Inquisitivo: no IP não há observância ao contraditório. A vítima, o seu representante legal
e o indiciado podem requerer diligências, as quais podem ou não serem realizadas pela
autoridade policial (art. 14, CPP). Não é admitido no IP a suspeição da autoridade
policial (art. 107, CPP).

Existe apenas um IP em que o contraditório é necessário: IP instaurado pela PF por
determinação do Ministro da Justiça para a finalidade de expulsão de estrangeiro (art.
70, Lei 6815/80).
b.1) Acesso aos autos de investigação pelos advogados: art. 7º, XIV, EOAB. É direito do
advogado “ examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação,
mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza,
findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e
tomar apontamentos, em meio físico ou digital”. Não só na delegacia, mas MP, CPI etc.
Em autos sigilosos, há necessidade de apresentar procuração (art. 7º, §10, EOAB).

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Inquérito Policial


Características:
b.2) Participação do advogado em depoimentos e interrogatórios nas investigações: art.
7º, XXI, EOAB:
“assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob
pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e,
subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios
dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo,
inclusive, no curso da respectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos;
b) (VETADO)”.


A presença de advogado durante o interrogatório não é obrigatória. Apenas haverá
nulidade absoluta se o advogado for impedido de exercer as suas funções (violação de
prerrogativa funcional).


Se o investigado não tem advogado, não será nomeado um defensor ad hoc. É um
direito, mas não é imposto por lei.
52
Inquérito Policial


Características:
c) Dispensável: o IP destina-se apenas à colheita de elementos de informação
relacionados à materialidade e indícios de autoria ou participação. Assim, se o
titular da ação penal já tiver esses elementos, não há necessidade de recorrer
ao IP e, assim, a ação penal pode ser oferecida. Art. 12, CPP. Art. 27, CPP –
desnecessidade de requisitar instauração do IP. Art. 39, §5º, CPP.

Nas infrações penais de menor potencial ofensivo (Lei 9099/95) não há IP,
sendo substituído pelo termo circunstanciado da ocorrência.
d) Discricionariedade: o delegado conduz as investigações como lhe convir,
buscando a elucidação dos fatos investigados. Assim, o IP não possui rito
procedimental previsto em lei, cabendo ao delegado estabelecer um rito para
as suas atividades. Vítima, seu representante e o investigado podem requerer
diligências, as quais serão ou não realizadas, a juízo da autoridade
competente (art. 14, CPP). Art. 6º e 7º, CPP – diligências. Exceções:

53
Inquérito Policial


Características:
1) Requisições do MP e do juiz: delegado é obrigado a atender, salvo impossibilidade de
realizá-lo. Ex: requisição de depoimento de testemunha que acaba falecendo.
2) Realização de exame de corpo de delito. “Não obstante, certo é que essa discricionariedade
da autoridade policial não tem caráter absoluto, sobretudo se considerarmos que o próprio
art. 184 do CPP estabelece que salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a
autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao
escla­recimento da verdade” (LIMA, 2019). Desse modo, a autoridade não pode se negar a
atender diligências importantes ao esclarecimento da verdade.
e) Indisponível: a autoridade policial não poderá arquivar os autos do IP (art. 17, CPP), pois
depende de autorização judicial após pedido do MP. Contudo, o delegado não é obrigado a
instaurar IP diante do requerimento do ofendido, pois cabe-lhe verificar a procedência das
informações. A doutrina entende que o delegado somente poderá negar a abertura do IP
nos casos atípicos ou se inexistente o fato. Caso a vítima não concorde, poderá oferecer
recurso administrativo para o chefe de polícia (art. 5º, §2º, CPP) ou se dirigir ao MP ou à
autoridade judiciária e solicitar a requisição do IP ao delegado, caso que obriga a sua
instauração (art. 5º, II, CPP). Art. 28, CPP – nova redação pacote Anticrime.

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Inquérito Policial


Características:
f) Sigiloso: a autoridade policial assegurará no IP o sigilo necessário à elucidação do fato ou
exigido pelo interesse da sociedade (art. 20, CPP).

Atestados de antecedentes: autoridade policial não poderá mencionar quaisquer
anotações referentes a eventuais IP instaurados contra os requerentes (art. 20, §ú, CPP).

Sigilo externo (dirigido aos terceiros desinteressados) é diferente de sigilo interno (dirigido
aos interessados na persecução penal), o qual não poderá ser oposto ao juiz ou ao
membro do MP. Obs.: SV 14, STF.
g) Oficialidade: IP é atribuição da polícia judiciária (Delegado de Polícia civil ou federal), órgão
oficial do Estado (arts. 144, §1º, I c/c 144, §4º, CF). Obs.: polícia penal não investiga.
h) Oficiosidade: no caso de crime de ação penal pública incondicionada, a autoridade policial
deverá atuar de ofício, instaurando o IP e apurando os fatos, pois sua atuação decorre de
um imperativo legal (art. 5º, I, CPP), dispensando qualquer autorização para agir.
Inaplicável nos casos de ação penal condicionada à representação e ação penal privada.
i) Autoritariedade: o delegado de polícia, presidente do IP, é autoridade pública (art. 144, §4º,
da CF).
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Inquérito Policial


Características:
j) Procedimento temporário: art. 10, § 3º, CPP. Princípio da razoável duração do
processo (art. 5º, LXXVIII). IP “não pode ter seu prazo de conclusão prorrogado
indefinidamente. As diligências devem ser realizadas pela autoridade policial enquanto
houver necessidade” (LIMA, 2020). Prorrogação em casos complexos, como no caso de
vários acusados, por exemplo.

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Importante: Pacote Anticrime

 Reforma do Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), que promoveu alterações na matéria,


vedando, por exemplo, a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da
atuação probatória do órgão de acusação (art. 3o-A).
 Referido dispositivo, porém, e como todas as normas contidas no arts. 3o-A a 3o-F,
foram suspensas por liminar concedida nas ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305. Na citada
liminar, suspendeu-se também os efeitos da nova redação do art. 157, § 5o, CPP, e
também do art. 28, caput, que estabelece o controle interno do arquivamento, no âmbito
do MP.

57
Instauração

 IP deve ser instaurado com um mínimo de indícios acerca da materialidade e/ou autoria de um
ilícito. Art. 27, da Lei de Abuso de Autoridade tipifica o fato de “requisitar instauração ou instaurar
procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta
de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa”.
 Verificação de procedência de informações (VPI): art. 5º, §3º, CPP. De acordo com Lima
(2020), “cuida-se de investigação preliminar e simples, verdadeiro filtro contra inquéritos policiais
temerários, que possibilita a colheita de indícios mínimos capazes de justificar a instauração de
um inquérito policial”. O autor complementa afirmando que as diligências são relativamente
simples, devendo ser documentadas em relatórios, não sendo admitidas medidas invasivas
como, por exemplo, a busca e apreensão domiciliar, interceptação telefônica, quebra do sigilo de
dados, apreensão de bens, etc.
 Forma de instauração: depende da ação penal. Art. 5º, CPP.

a) de ofício: art. 5º, I, CPP. Princípio da obrigatoriedade - “caso a autoridade policial tome
conhecimento do fato delituoso a partir de suas atividades rotineiras (v.g., notícia veiculada na
imprensa, registro de ocorrência, etc.), deve instaurar o inquérito policial de ofício” (LIMA, 2020).
Nesse caso, a portaria será a peça inaugural do IP, a qual “deve ser subscrita pelo Delegado de
Polícia e conter o objeto da investigação, as circunstâncias já conhecidas quanto ao fato
delituoso, assim como as diligências iniciais a serem cumpridas” (LIMA, 2020).

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Instauração

b) requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público: art. 5º, II, CPP. Autoridade
policial é obrigada a instaurá-lo. Art. 129, VIII, CF. Art. 13, II, CPP. Requisição ilegal?
Abstenção, justificando a decisão ao MP e às autoridades correicionais.
c) requerimento do ofendido ou de seu representante legal: tem seus requisitos formais
no art. 5º, §1º, CPP. Nesse caso, entende-se que o delegado não é obrigado a instaurar
o IP, mas sim verificar a procedência das informações, como uma forma de evitar
investigações temerárias e abusivas. Se descabida ou fato manifestamente atípico ou
extinta a punibilidade, a autoridade policial irá indeferir a instauração do IP. Assim, a
vítima poderá interpôr recurso para o chefe de polícia (art. 5º, §2º). Esse chefe de polícia
pode ser o Delegado-Geral da Polícia Civil ou o Secretário de Segurança Pública (âmbito
Estadual); Chefe de Polícia e o Superintendente da Polícia Federal (âmbito Federal).
Ofendido também pode requerer diretamente com o MP.
d) notícia oferecida por qualquer do povo: art. 5º, §3º, CPP. É mera faculdade do
cidadão, via de regra. Exceção: art. 66 do Dec.-lei 3.688/41, o qual tipifica como
contravenção penal a falta de comunicação do crime. Autoridades públicas devem
noticiar fatos possivelmente criminosos, sob pena de responderem administrativamente
ou incorrerem no crime de prevaricação (art. 319, CP).
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Instauração

e) auto de prisão em flagrante delito: não está presente no art. 5º, mas é uma das formas de instauração do
inquérito policial, funcionando o próprio auto como a peça inaugural da investigação. “No âmbito processual
penal militar, se o auto de prisão em flagrante delito, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua
autoria, constituirá o inquérito, dispensando outras diligências, salvo o exame de corpo de delito no crime
que deixe vestígios, a identificação da coisa e a sua avaliação, quando o seu valor influir na aplicação da
pena”, sendo a remessa dos autos com breve relatório da autoridade policial militar, realizada sem demora
ao juiz competente, no prazo de 20 dias, se o indiciado estiver preso (CPPM, art. 27), sendo possível a sua
aplicação subsidiária ao CPP, devido à ausência de disposição expressa sobre o assunto. (LIMA, 2020).
 Possibilidade ou não de instauração de ofício pela autoridade judiciária: Segundo Lima (2020), “Apesar de
o art. 5º, II, do CPP, prever que a autoridade judiciária pode requisitar a instauração de um inquérito policial,
entende-se, majoritariamente, que essa possibilidade não se coaduna com o sistema acusatório adotado
pelo art. 129, I, da CF”. O autor complementa dizendo que esse dispositivo é anterior à CF, época em que
se permitia que até mesmo juízes iniciassem a ação penal. Nosso sistema é acusatório – art. 3º-A, CPP. Em
complemento, Pacelli (2020) possui o entendimento da impossibilidade de requisição de IP pela autoridade
judiciária, devendo encaminhar ao MP, nos termos do art. 40, do CPP.
 Controvérsia: inquérito (Inq. 4.781) instaurado pelo Min. Dias Toffoli para apurar Fake News,
denunciações caluniosas, ameaças e infrações referentes aos crimes contra a honra que estavam atingindo
a honra e a segurança do STF, conduzido pelo Min. Alexandre de Moraes. De acordo com Lima (2020), a
decisão fere o princípio do contraditório, o do juiz natural e do devido processo legal (ausência de
competência originária), devendo ser arquivado, acatando a promoção já feita pela PGR.

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Diligências investigatórias

 Arts. 6º e 7º, CPP – rol exemplificativo. Algumas são obrigatórias (exame pericial no
caso de existência de vestígios) e outras são condicionadas à discricionariedade da
autoridade policial de acordo com o caso concreto, como a reconstituição do fato, por
exemplo. São elas:
a) preservação do local do crime: art. 6º, I, CPP. Função de preservar os vestígios
(corpo de delito). Art. 169, CPP.
b) apreensão de objetos: art. 6º, II, CPP. Apreensão dos objetos que tiverem relação
com o fato, após liberados pelos peritos criminais, com o objetivo de: a) exibir
futuramente o instrumento utilizado para a prática do delito; b) necessidade de
contraprova e c) eventual perda em favor da União como efeito da condenação
(confisco) (LIMA, 2020). Refere o autor que “é possível a apreensão de quaisquer
objetos que guardem relação com o fato delituoso, pouco importando sua origem lícita
ou ilícita”, os quais devem acompanhar o IP, de acordo com o art. 11, CPP.
 Não poderão ser restituídas, por forma dos arts. 118, 119 e 120, CPP:

61
Diligências investigatórias

 as coisas apreendidas, enquanto interessarem ao processo;


 os instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação,
uso, porte ou detenção constitua fato ilícito produto do crime;
 qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do
fato criminoso;
 objetos em relação aos quais haja dúvida quanto ao direito do reclamante.
 “Para que a apreensão seja considerada lícita, há de se ficar atento aos requisitos da
medida cautelar de busca pessoal e de busca domiciliar” (LIMA, 2020). Art. 244, CPP.
Necessária observância do art. 5º, XI, CF no caso de busca domiciliar.
c) Colheita de outras provas: art. 6º, III. CPP. Violência doméstica - arts. 11, da Lei
11.340/06 e 12, caput, e §1º (procedimento, sem prejuízo do CPP). Nos casos de
violência doméstica, são admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários
médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde (§3º).

62
Diligências investigatórias

d) Oitiva do ofendido: art. 6º, IV, CPP. O depoimento deve ser colhido com certa reserva, devido ao fato de
que possui envolvimento emocional com o caso, bem como interesse no deslinde da investigação. As
informações podem ser úteis para a busca de fontes de provas, contribuindo para o êxito das investigações. Ex:
reconhecimentos de pessoas e coisas e a elaboração do exame de corpo de delito”. Condução coercitiva - Art.
201, § 1º, do CPP.
e) Oitiva do indiciado: art. 6º, V, do CPP. Com seu viés nitidamente autoritário, silencia acerca do direito de
o investigado ser ouvido durante o curso de procedimento investigatório instaurado em face da sua pessoa,
porém não se pode negar a existência desse direito. A CF assegura ao preso o direito de permanecer calado
(art. 5º, LXIII), subentende-se que o preso (suspeito/investigado/indiciado preso ou em liberdade), tem o direito
de ser ouvido pela autoridade responsável pelas investigações. Assim, é um direito do investigado: daí não se
pode admitir que um inquérito seja concluído sem que lhe seja franqueada a possibilidade de apresentar sua
versão sobre os fatos sob investigação.
 E se o investigado estiver foragido?
 Curador: doutrina entende pela revogação tácita do art. 15, do CPP devido à revogação do art. 194 que
previa curador para menores de 21 anos. Todavia, mesmo que os privilégios processuais para os menores
de 21 e maiores de 18 anos deixaram de existir em razão do novo CC, normas de natureza material que
lhes são favoráveis ainda permanecem em vigor, como, por exemplo, a contagem da prescrição pela
metade (CP, art. 115). Obs.: possível a nomeação de curador para o índio não adaptado ao convívio social,
assim como para o inimputável do art. 26, caput, do CP, tal qual dispõe o art. 151 do CPP.
 Necessidade de advogado: art. 15, §ú, II, da Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/19). Se investigado
optar, deve ser acatada a sua decisão de assistência profissional, sob pena de nulidade.

63
Diligências investigatórias

f) Reconhecimento de pessoas e coisas e acareações: art. 6º, VI, CPP. No caso de haver necessidade de fazer-se o
reconhecimento de pessoa (art. 226 do CPP) ou de coisas. O reconhecimento de coisas envolve:
 ato ligado à identificação dos instrumentos empregados na prática delituosa. Ex: faca, revólver, etc.;
 dos objetos utilizados para auxiliar no delito. Ex: uma motocicleta usada em um crime de furto; e
 dos objetos que constituem o produto do crime. Ex: automóvel subtraído, celular roubado, etc.
 Ao reconhecimento de coisas aplica-se o mesmo procedimento do reconhecimento de pessoas, no que for possível
(CPP, art. 227).
 Em razão do princípio da busca da verdade e da liberdade das provas, admite-se a utilização do reconhecimento
fotográfico. Para tanto, utiliza-se, por analogia, o procedimento previsto no CPP para o reconhecimento pessoal.
 Acareação: admitida entre investigados, entre investigado e testemunha, entre testemunhas, entre investigado ou
testemunha e a pessoa ofendida, e entre as pessoas ofendidas nos casos de divergências de declarações sobre fatos
ou circunstâncias relevantes. Dessa forma, será refeitas as perguntas aos acareados, com a intenção de que
expliquem os pontos de divergências. O ato será reduzindo a termo.
 Investigado é obrigado a participar da acareação? É direito do investigado não colaborar na produção da prova
sempre que se lhe exigir um comportamento ativo (direito de não produzir prova contra si mesmo - nemo tenetur se
detegere). Obs.: Provas de cooperação passiva (provas que demandam apenas que o acusado tolere a sua
realização): não se há falar em violação ao nemo tenetur se detegere. Assim, “o direito de não produzir prova contra si
mesmo não persiste, portanto, quando o acusado for mero objeto de verificação. Assim, em se tratando de
reconhecimento pessoal, ainda que o acusado não queira voluntariamente participar, admite-se sua execução
coercitiva” (LIMA, 2020).
64
Diligências investigatórias

g) Determinação de realização de exame de corpo de delito e quaisquer outras perícias: art. 6º, VII,
CPP. Relembrando: art. 158 do CPP - quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. O §único do art. 158 foi
incluído pela Lei n. 13.721/18 - crime que envolva violência doméstica e familiar contra a mulher, ou seja,
quando, presentes os requisitos dos arts. 5º e 7º da Lei Maria da Penha e o sujeito passivo for uma
mulher, assim como quando o delito envolver violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com
deficiência.
h) Identificação do indiciado e juntada da folha de antecedentes criminais: art. 6º, VIII, CPP. Duas
questões importantes:
 A primeira parte do artigo entrou em vigor antes da CF. Assim, deve ser lida em conjunto com o art.
5º, LVIII, da CF. Dessa forma, Lima (2020) afirma que “grande parte da doutrina advoga que a norma
constante do art. 6ª, VIII, do CPP é incompatível com a Carta Magna, visto que referido dispositivo
legal não pode ser considerado como a exceção prevista no texto constitucional”. Lei 12.037/09 – art.
5º (identificação datiloscópica). A identificação criminal abrange identificação datiloscópica (coleta das
digitais), fotográfica (método auxiliar de identificação, não sendo utilizada de forma exclusiva) e
genética. Não confundir com a qualificação do acusado ou com o reconhecimento de pessoas.
Preservação da imagem da pessoa identificada criminalmente – art. 7º, da Lei 12.037/09 fala sobre a
identificação fotográfica. No caso de identificação datiloscópica, “deve permanecer nos autos do
inquérito ou processo criminal” (LIMA, 2020). Art. 7º-A, da Lei 12.037/09 – exclusão de perfil genético.

65
Diligências investigatórias

 Folha de antecedentes: ficha que contém a vida pregressa criminal do investigado. Nela
constam dados relacionados a IP já instaurados e sua respectiva destinação. Atenção para o
art. 20, parágrafo único, do CPP, pela Lei no 12.681/12. A folha de antecedentes possui fé
pública e é suficiente para comprovar os maus antecedentes e a reincidência do acusado.
Assim, Lima (2020) conclui pela desnecessidade da juntada de certidão cartorária (certidão
de objeto e pé) do juízo de origem de suas condenações pretéritas. Súm. 636, do STJ.
i) Averiguação da vida pregressa do investigado: art. 6º, IX, do CPP. “Incumbe também à
autoridade policial averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual,
familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do
crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento e caráter” (LIMA, 2020).

j) Colheita de informações sobre a existência de filhos: art. 6º, X, do CPP. Diligência


acrescentada pelo Marco Civil da Primeira Infância. Lima (2020) menciona que esse
questionamento também deve ser feito à pessoa presa no interrogatório judicial e da lavratura do
auto de prisão em flagrante (arts. 185, § 10, e 304, § 4º, do CPP). De acordo com o autor,
objetiva-se conferir ao juiz maiores informações acerca da pessoa presa para fins de possível
concessão de prisão domiciliar (art. 318, III, V, e VI, do CPP).

66
Diligências investigatórias

k) Reconstituição do fato delituoso: art. 7º, do CPP. Desde que não contrarie a moralidade ou a
ordem pública. Ex: crime contra a dignidade sexual. De acordo com a doutrina e a jurisprudência, o
investigado tem o direito de não produzir prova contra si, não devendo ser exigido um
comportamento ativo do acusado caso possa gerar uma condenação. “Assim, sempre que a
produção da prova tiver como pressuposto uma ação por parte do acusado (v.g., acareação,
reconstituição do crime, exame grafotécnico, bafômetro, etc.), será indispensável seu consentimento”
(LIMA, 2020). Nesse sentido, a recusa de participar não resulta em delito de desobediência ou
desacato, tampouco deve ser extraída nenhuma presunção de culpabilidade. Lima (2020) entende
não ser possível a condução coercitiva do acusado caso recuse a participação no ato.
 STF entendeu que configura constrangimento ilegal a decretação de prisão preventiva de
indiciados diante da recusa destes em participarem de reconstituição do crime.
l) Acesso aos dados cadastrais de vítimas e de suspeitos: art. 13-A, do CPP. Nos casos dos crimes
de sequestro e cárcere privado, redução a condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas,
extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, extorsão mediante sequestro e o delito do
art. 239, do ECA (Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou
adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro).
Lima (2020) e Pacelli (2020) entendem que esses dados não estão abrangidos pelo direito à
intimidade (art. 5º, X, CF), sendo desnecessária, assim, decisão judicial.

67
Diligências investigatórias

m) Requisição de informações acerca das estações rádio base (ERB’s): art. 13-B, CPP.
Definição de “sinal” - §1º do art. 13-B. Conforme Lima (2020), “por meio delas, é possível saber a
localização aproximada de qualquer aparelho celular ligado, desde que este esteja em uso, seja
recebendo ou enviando uma mensagem, seja fazendo ou recebendo uma ligação, e,
consequentemente, de seu usuário”. Muito útil para verificar se o acusado estava nas
imediações de onde o delito foi praticado, assim como para verificar álibis. Lima (2020) afirma
que esse dispositivo é dúbio e causa algumas controvérsias devido ao fato de ora exigir prévia
autorização judicial (caput) para acesso às informações e ora dispensá-la (§4º). Em razão disso,
o autor aponta duas posições:
1) o acesso ao posicionamento das estações rádio base (ERB’s) não depende de prévia
autorização judicial: a interceptação das comunicações telefônicas está sujeita à cláusula de
reserva de jurisdição, nos termos do inciso XII do art. 5º da CF. STJ já se pronunciou sobre o
tema afirmando que “(...) o teor das comunicações efetuadas pelo telefone e os dados
transmitidos por via telefônica são abrangidos pela inviolabilidade do sigilo – artigo 5o, inciso XII,
da Constituição Federal –, sendo indispensável a prévia autorização judicial para a sua quebra, o
que não ocorre no que tange aos dados cadastrais, externos ao conteúdo das transmissões
telemáticas”. Essa também é a posição de Pacelli (2020), o qual entende que não há violação à
privacidade, pois “as informações requeridas se referem exclusivamente à localização física das
vítimas ou suspeitos, não importando em invasão ao conteúdo das comunicações envolvidas”.
68
Diligências investigatórias

2) o acesso ao posicionamento das estações rádio base (ERB) depende de prévia


autorização judicial: essa é a posição do autor. Nesse artigo há um problema de precisão
técnica, pois se contradiz ao utilizar as expressões “requisitar” e “autorização judicial”. O
autor entende que “a obtenção dessas informações guarda relação com a proteção do
direito à intimidade e à vida privada”, pois pode-se obter informações sobre a localização
aproximada da pessoa. Assim, diante do fato de que é necessária autorização judicial para
o caso, deve-se concluir pela inconstitucionalidade do §4º, do art. 13-B, pois dispensa a
exigência.
 Importante: “A adoção de quaisquer providências que estejam protegidas pelas cláusulas
da reserva da jurisdição, isto é, que digam respeito ao tangenciamento dos direitos
fundamentais das pessoas, deverá vir precedida de ordem judicial” (PACELLI, 2020). Ex:
mandados de busca e apreensão de coisas e/ou pessoas, interceptações telefônicas e/ou
de dados, etc. Exceção: poderes investigatórios das CPI’s (art. 58, § 3º, CF), bem como a
quebra de sigilo bancário por outras autoridades.

69
Indiciamento

 “Indiciar é atribuir a autoria (ou participação) de uma infração penal a uma pessoa. É apontar uma
pessoa como provável autora ou partícipe de um delito. Possui caráter ambíguo, constituindo-se, ao
mesmo tempo, fonte de direitos, prerrogativas e garantias processuais (CF, art. 5º, LVII e LXIII), e fonte
de ônus e deveres que representam alguma forma de constrangimento, além da inegável
estigmatização social que a publicidade lhe imprime” (LIMA, 2020). Produz efeitos:
 Extraprocessuais: a sociedade toma conhecimento de que a pessoa é provável autora do fato.
 Endoprocessuais: “representados pela probabilidade de ser o indiciado o autor do delito, considerado
antecedente lógico, mas não necessário, do oferecimento da peça acusatória” (LIMA, 2020).
 Obs.: não confundir indiciado com um mero suspeito ou investigado (frágeis indícios), nem tampouco
com o acusado (após a ação penal).
 Juizados especiais (Lei 9099/95): Lima (2020), entende inviável o indiciamento em sede de termo
circunstanciado, em razão da simplicidade que norteia a investigação dos crimes de menor potencial
ofensivo. Ademais, o autor menciona a existência de medidas despenalizadoras (composição civil dos
danos, transação penal, suspensão condicional do processo e representação nos crimes de lesão
corporal leve e culposa) e em virtude de que a imposição de pena restritiva de direitos ou multa nas
hipóteses de transação penal não constará de certidão de antecedentes criminais (art. 76, § 6º, da Lei),
acaba inviabilizando o indiciamento, pois o ato acarretaria no registro da imputação nos assentamentos
pessoais do indivíduo.
70
Indiciamento

 Momento: a condição de indiciado poderá ser atribuída em dois momentos: já no auto de prisão em
flagrante ou até o relatório final do delegado de polícia. Nesse sentido, após o recebimento da ação
penal não é mais possível o indiciamento, pois se trata de ato próprio da fase investigatória.
 Espécies: pode ser feito de duas maneiras:
 Direta: quando o indiciado está presente; e
 Indireta: quando o indiciado está ausente, ou seja, foragido.
 Via de regra, o indiciamento será feito na presença do investigado, todavia, caso não seja
localizado (seja por estar em local incerto e não sabido ou deixar de comparecer injustificadamente
após a intimação para tanto), é possível a realização do indiciamento indireto.
 Pressupostos: o indiciamento é importante para o exercício do direito de defesa na fase
investigatória, assim como pela possibilidade do advento de prejuízos à pessoa do indiciado. Diante
disso, o indiciamento só pode ocorrer após reunidos elementos suficientes que apontem para a
autoria da infração penal. Nesse momento, por ser um ato formal, o investigado deve tomar ciência
da sua condição de indiciado, respeitadas todas as garantias constitucionais e legais, não sendo esse
um ato arbitrário ou dotado de discricionariedade em razão de que estão presentes os elementos
informativos necessários. É ato privativo do Delegado de Polícia, sendo necessária a fundamentação
dessa decisão de indiciamento (art. 2º, §6º, da Lei 12.830/13).
71
Indiciamento

 Desindiciamento: quando não está presente qualquer elemento de informação que


conduza ao envolvimento do agente na prática do fato. De acordo com a jurisprudência, é
possível a impetração de HC com a finalidade de sanar o constrangimento ilegal daí
decorrente, buscando-se, dessa forma, o desindiciamento.
 Sujeito passivo: qualquer pessoa, via de regra. Exceção: art. 41, inciso II, e §ú, da Lei
8.625/93 (membros do MP) e art. 33, §ú, da LC no 35/79 (juízes).
 Obs.: no caso de pessoas com foro por prerrogativa de função (senadores, deputados
federais, etc.), não existe impossibilidade de vedação do indiciamento com posterior
remessa ao órgão competente para processamento. Contudo, o STF, em Questão de
Ordem suscitada no Inq. 2.411, modificou o seu entendimento e a autoridade policial não
pode indiciar parlamentares sem prévia autorização do ministro-relator do inquérito. Em
razão disso, “a partir do momento em que determinado titular de foro por prerrogativa de
função passe a figurar como suspeito em procedimento investigatório, impõe-se a
autorização do Tribunal (por meio do Relator) para o prosseguimento das investigações”
(LIMA, 2020). O autor complementa afirmando que “à exceção de investigado dotado de
foro por prerrogativa de função, não há necessidade de prévia autorização judicial para fins
de instauração de um inquérito policial, independentemente da natureza do delito.
72
Indiciamento

 Efeitos do indiciamento para o servidor público no caso de crimes de lavagem de capitais: art. 17-D da Lei de Lavagem de
Capitais (Lei no 9.613/98). Afastamento do servidor público de suas funções como efeito automático do indiciamento. Lima
(2020) entende pela inconstitucionalidade do mencionado art. 17-D, pois viola o princípio da presunção da inocência e
também o princípio da jurisdicionalidade, devido ao fato de que permite que autoridade não judiciária determine medida de
natureza cautelar sem qualquer aferição acerca de sua necessidade, adequação e proporcionalidade. No mesmo sentido
entende Pacelli (2020), pois o afastamento promove a antecipação de culpa.
 Lima (2020) afirma que “nada impede que a autoridade judiciária competente decrete a suspensão do exercício de
função pública, se visualizar que essa medida cautelar diversa da prisão é necessária para aplicação da lei penal, para a
investigação ou a instrução criminal, ou para evitar a prática de novas infrações penais (CPP, art. 282, I, c/c art. 319, VI)”.
 Incomunicabilidade do indiciado preso: art. 21, caput e §ú, do CPP. É um reflexo do viés ditatorial do CPP, devido ao fato
de que “assumidamente tratava o acusado como objeto de prova, cujo corpo podia ser instrumentalizado coercitivamente
para fins de tutela do poder punitivo” (LIMA, 2020).
 Lima (2020) menciona que prevalece o entendimento de que os arts. 21, do CPP e 17, do CPPM, não foi recepcionado
pela Constituição Federal. Isso se deve por duas razões:
 É assegurado pela CF a comunicação da prisão ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada,
bem como que o preso terá direito à assistência da família e de advogado (art. 5º, LXII e LXIII).
 Ao tratar do Estado de Defesa, onde há supressão de várias garantias constitucionais, a própria Constituição Federal
estabelece que é vedada a incomunicabilidade do preso (art. 136, § 3º, IV).
 Regime disciplinar diferenciado: a Lei 10.792/03 introduziu o artigo 52, III, na LEP (Lei de Execução Penal) referente ao
regime disciplinar diferenciado. Lima (2020) afirma que “organização e agendamento de visitas não importa
incomunicabilidade do preso, mas sim expediente administrativo visando à correta execução da pena” (LIMA, 2020).

73
Procedimento

 Prazo de conclusão: art. 10, CPP.


 Justiça Federal: 15 dias no caso de indiciado preso, podendo ser prorrogado por mais 15. Art.
66 da Lei 5.010/66. Com relação ao indiciado solto, entende-se que é de 30 dias (art. 10, CPP).
 Art. 19-A da Lei 12.483: prioridade na tramitação do IP em que figure indiciado, acusado, vítima
ou réus colaboradores e testemunhas que estiverem submetidas à proteção da Lei 9.807/99 (Lei
de proteção à vítimas e testemunhas).
 Crimes de tóxicos: Art. 51 da Lei 11.343/06. Indiciado preso – 30 dias e indiciado solto – 90
dias. Duplicação do prazo: §ú.
 Crimes contra a economia popular: Lei 1.521/51. 10 dias para concluir, independente de o
investigado estar preso ou não (art. 10,§1º da lei).
 Art. 20, CPPM: 20 dias no caso de indiciado preso e 40 dias se solto, podendo haver
prorrogação por mais 20 dias (§1º).
 Crimes hediondos e equiparados: no caso de prisão temporária (Lei 7.960/89) decretada por
até 60 dias (art. 2º, § 4o da Lei 8.072/90). Lima (2019) entende que o prazo para a conclusão do
IP é de até 60 dias, sendo inviável a prorrogação por mais 10 dias para a sua finalização.

74
Procedimento

 Esses prazos são essencialmente administrativos, ou seja, a superação dos prazos não implica o
encerramento definitivo ou o arquivamento do IP. Exceção: réu preso, pois o excesso de prazo ocasiona a
possibilidade de soltura (relaxamento da prisão). No caso de réu solto, poderá ser requerida a prorrogação do
prazo para efetuar novas diligências: art. 10, §3º, CPP. “Em se tratando de investigado solto, doutrina e
jurisprudência admitem a prorrogação sucessiva do prazo para a conclusão do inquérito policial” (LIMA, 2020).
 Natureza do prazo IP: natureza material ou processual?
 Prazo de natureza material: o dia do começo é incluído, não se prorroga até o primeiro dia útil subsequente
e não está sujeito a causas interruptivas ou suspensivas. Ex: art. 10, CP.
 Prazo de natureza processual: exclui-se o dia do começo e inclui-se o dia do final, podendo ser prorrogado
até o dia útil subsequente, se necessário.
 Lima (2019) afirma que o prazo para a conclusão de IP tem natureza processual, estando o investigado solto
ou preso.
 Pacelli (2020) menciona que embora o CPP afirme que é competência da autoridade judiciária o deferimento
da prorrogação do prazo para encerramento, o IP “dirige-se exclusivamente à formação da opinio delicti, isto é,
do convencimento do órgão responsável pela acusação”. Assim, o autor entende pela inconstitucionalidade do
art. 156, I, CPP devido ao fato de que o juiz não deveria se manifestar na fase investigatória, tendo em vista
que ainda não provocada a jurisdição, devendo apenas atuar como juiz das garantias individuais, ou seja, no
exercício do controle de legalidade dos atos administrativos.

75
Valor probatório do IP

 Aury Lopes Jr. (2020) afirma que existem doutrinas que entendem que os atos do inquérito
policial valem até prova em contrário. Essa presunção de veracidade não é nem mesmo
prevista em lei. Em tempo, o art. 12, CPP não atribui qualquer valor probatório ao IP, mas
possui a função de apenas servir de base para a ação penal, como uma forma de permitir o
juízo de pré-admissibilidade da acusação. Assim, esse valor probatório é exaurido após o
recebimento da denúncia.
 Nesse sentido, Aury Lopes Jr. (2020) não concorda com a presunção da doutrina e
jurisprudência de que os atos de investigação são válidos até prova em contrário, pois acaba
gerando efeitos contrários à própria natureza e razão de existir do IP, fulminando seu caráter
instrumental e sumário. Ainda, “também leva a que sejam admitidos no processo atos
praticados em um procedimento de natureza administrativa, secreto, não contraditório e sem
exercício de defesa.
 O autor afirma que essa presunção de veracidade advém desde legislações anteriores ao
CPP e, se fosse o caso, o próprio código atribuiria tal valor probatório ao IP.
 “É patente a função endoprocedimental dos atos de investigação. Na sentença, só podem
ser valorados os atos praticados no curso do processo penal, com plena observância de
todas as garantias” (LOPES JR., 2020). Art. 155, CPP.
76
Conclusão do IP

 Relatório da autoridade policial: art. 10, §1º, CPP. Conteúdo eminentemente descritivo. Mesmo sendo um dever
funcional da autoridade policial, não é uma peça obrigatória para o recebimento da denúncia. O relatório não deve
conter juízo de valor probatório, tendo em vista que “a opinio delicti deve ser formada pelo titular da ação penal:
Ministério Público, nos crimes de ação penal pública; ofendido ou seu representante legal, nos crimes de ação
penal de iniciativa privada” (LIMA, 2020).
 Obs.: importante mencionar que a disposição constante no art. 52, I, da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas) que traz
uma exceção às informações que devem constar no relatório, trazendo, assim, questões de valor probatório.
Contudo, Lima (2020) menciona que o MP não ficará vinculado à classificação mencionada pela autoridade
policial, tampouco o magistrado na análise de concessão de liberdade provisória.
 Destinação dos autos do IP: Lima (2020) menciona que a leitura do §1º do art. 10, do CPP conduz à ideia de
que os autos do IP devem ser encaminhados primeiramente ao Judiciário para após isso serem repassados ao
MP. Apesar disso, o autor menciona que diante da adoção do sistema acusatório, outorgando ao Ministério
Público a titularidade da ação penal pública, não é possível admitir que ainda subsista a necessidade de remessa
inicial dos autos ao Poder Judiciário. Dessa forma, o autor opina que essa tramitação judicial do inquérito policial
prevista nos arts. 10, §1º e 23, do CPP, não foi recepcionada pela CF.
 Essa tramitação direta entre Polícia e MP (salvo em caso de medidas cautelares), além de contribuir para a
diminuição da morosidade do processo, “afasta o magistrado de qualquer atividade investigatória que implique
formação de convencimento prévio a respeito do fato noticiado e sob investigação” (LIMA, 2020). Convém
mencionar que a Resolução nº 63, de 26 de junho de 2009 do Conselho da Justiça Federal menciona que, se
ausentes medidas cautelares a serem decididas pelo juiz, a Polícia Federal encaminha os autos diretamente ao
MPF. STJ, inclusive, já validou a referida resolução.
77
Conclusão do IP

 Caso se trabalhe com o recebimento dos autos do IP pela autoridade judiciária, duas
possibilidades se abrem:
a) Art. 19, CPP: no caso de crime de ação penal de iniciativa privada, deve o juiz determinar a
permanência dos autos em cartório, aguardando-se a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal. Na prática, porém, Lima (2020) menciona que “os autos acabam sendo
remetidos ao Ministério Público, para que analise se há elementos de informação quanto a
eventual crime de ação penal pública”;
b) No caso de delito de ação penal pública, os autos do IP são remetidos ao MP.
 O MP, após ter acesso aos autos, tem 5 possibilidades:

a) oferecer a denúncia;
b) arquivar os autos do IP;
c) requerer diligências: art. 16, do CPP. Essa disposição advém da discricionariedade mitigada do
IP. Lima (2020) menciona que essas diligências são requisitadas pelo MP diretamente à
autoridade policial (art. 13, II, CPP), salvo casos em que é necessária a intervenção judicial (ex:
interceptação telefônica). Assim, o MP deverá requerer ao juiz a remessa dos autos à autoridade
policial.
78
Conclusão do IP

d) declinação de competência: caso o MP entenda que o juízo perante o qual atua não é
competente para o julgamento do feito, deve requerer ao juiz a remessa dos autos ao juiz
natural;
e) conflito de competência: nesse caso, já houve prévia manifestação de outro órgão
jurisdicional, devendo-se, assim, ser suscitado o conflito de competência. Aplicação
subsidiária do art. 66, do CPC.
 Essas 5 providências podem ser adotadas pelo MP de forma isolada ou de forma
conjunta.

79
Arquivamento do IP

 Art. 17, CPP.


 O arquivamento também não poderá ser determinado de ofício pela autoridade judiciária e
nem pelo próprio MP. Isso se deve ao fato de que é incumbência exclusiva do MP avaliar
se os elementos de informação de que dispõe são (ou não) suficientes para o ofere­cimento
da denúncia e, assim, nenhum inquérito pode ser arquivado sem que haja requerimento
expresso nesse sentido. Isso também se repete nos casos de delitos com foro de
prerrogativa de função, devendo o Judiciário atuar apenas nos casos de ilegalidades
manifestas.
 O arquivamento poderá ser feito mesmo quando não há IP, pois permite que o mesmo
efeito recaia às peças de informação que o MP tenha acesso (art. 28, CPP). Ex: proce­
dimento investigatório criminal, relatório de comissão parlamentar de inquérito, etc. Na
mesma linha, dispõe o art. 76 da Lei 9099/95.

80
Arquivamento do IP

 O novo art. 28 mudou a sistemática do arquivamento, mas está com a eficácia suspensa
pelo STF.
 A redação anterior do art. 28 é a seguinte: “se o órgão do Ministério Público, ao invés de
apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças
de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará
remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a
denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido
de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender”.
 “Nessa sistemática o MP não arquiva, solicita o arquivamento para o juiz que poderá
concordar com o pedido do MP e então arquivar o inquérito (controle é judicial, portanto), ou
divergir do entendimento do MP e – de forma inquisitória e incompatível com a matriz
acusatória do CPP – determinar a remessa para o procurador-geral do MP, que poderá
(inclusive através de outro promotor designado) insistir no arquivamento (e então não restará
ao juiz outra opção do que arquivar) ou oferecer denúncia (que voltará para aquele mesmo
juiz julgar...eis o ranço inquisitório)” (LOPES JR., 2020).
 Nesse sentido, Aury Lopes Jr. (2020) afirma que se critica essa sistemática antiga do art.
28, pois coloca o juiz em uma posição incompatível com a matriz acusatória constitucional.
81
Arquivamento do IP

 Lima (2020) afirma que as hipóteses que autorizam o arquivamento são as seguintes:

a) ausência de pressuposto processual ou de condição para o exercício da ação penal;


b) falta de justa causa para o exercício da ação penal;
c) quando o fato investigado evidentemente não constituir crime (atipicidade);
d) existência manifesta de causa excludente da ilicitude;
e) existência manifesta de causa excludente da culpabilidade, salvo a inimputabilidade;
f) causa extintiva da punibilidade;
g) cumprimento do acordo de não-persecução penal (pacote anticrime).

82
Pacote Anticrime - Arquivamento

 O art. 28 ficou com uma nova redação.


 Assim, Aury Lopes Jr. (2020) explica que, com esse novo procedimento, o arquivamento
somente será ordenado pelo Ministério Público, com a possibilidade de recurso da vítima,
sendo, ainda, necessário reexame pelo órgão superior encarregado do MP.
 Aury Lopes Jr. (2020) entende que o fato de o arquivamento não depender de atuação do juiz,
algo que está de acordo com a estrutura acusatória. Desse modo, o MP analisará os autos de
inquérito e se entender que não estão presentes as condições de admissibilidade para o
oferecimento da ação penal, determinará o arquivamento do IP.
 Obs.: mesmo que não necessite de homologação, a decisão de arquivamento elaborada
pelo MP deve ser fundamentada, obedecendo aos princípios da obrigatoriedade e da
indisponibilidade da ação penal de iniciativa pública. A decisão de arquivamento deverá ser
encaminhada a instância ministerial para ser homologada.
 Vítimas determinadas serão comunicadas da decisão, para que possam, caso queiram,
submeter a matéria à revisão no prazo de 30 dias contados da ciência do ato. De acordo com
Aury Lopes Jr. (2020), o pedido pode ser feito pela vítima, por seu representante ou até mesmo
por advogado.

83
Pacote Anticrime - Arquivamento

 Se o órgão revisor do MP não concordar com os fundamentos do arquivamento, será


designado outro membro do MP para oferecer a denúncia, podendo ser requisitadas
diligências complementares caso seja necessário (art. 16, CPP).
 Crimes praticados em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, Estados ou
Municípios: §2º do art. 28, CPP. Nesse caso, o MP também deve comunicar o agente público
da decisão do arquivamento, assim como se faz com a vítima.
 Comunicação ao investigado e autoridade policial: de acordo com o caput do art. 28, o
investigado também será comunicado do desfecho da investigação, até mesmo para que
saiba como ficará a sua situação jurídica. Da mesma forma, a autoridade policial será
comunicada. Não está previsto qualquer recurso ou manifestação nestes casos.
 Aury Lopes Jr. (2020) entende que seria necessário que o juiz das garantias também fosse
comunicado da decisão de arquivamento, mesmo que não haja previsão legal. Isso se deve ao
fato de que há previsão de ciência da abertura do IP (art. 3º-B, IV, CPP).
 Mesmo que não se tenha pedido de revisão no prazo de 30 dias, o MP deve encaminhar os
autos para análise homologação da sua decisão por parte da instância ministerial competente.

84
Pacote Anticrime - Arquivamento

 A decisão que determina o arquivamento, por mais que não faça coisa julgada, é estável,
devendo ser respeitada. Desse modo, o IP apenas será reaberto se surgirem novas provas
(art. 18, CPP e Súmula 524, STF).
 Arquivamento implícito ou tácito: ocorre no caso de o MP deixar de oferecer denúncia ou
imputar um fato, mas não requerer o arquivamento dos autos. Ex: deixa de oferecer a
denúncia para um dos acusados. Nesse caso, devido à inércia do MP, a vítima pode se
oferecer a queixa-crime subsidiária (ação penal privada subsidiária da pública). Aury Lopes
Jr. (2020) afirma que a teoria do arquivamento implícito não é pacífica pelo STF e o órgão
entende que é possível oferecer nova denúncia posteriormente, ocorrendo, assim, uma
cisão da ação penal.
 Ação penal privada: concluído o IP, os autos do serão remetidos ao juízo competente,
ficando à disposição do ofendido ou mesmo entregues mediante traslado. MP pode solicitar
vista para verificar se é caso de ação penal pública. O ofendido não é obrigado a propor a
ação penal.

85
Pacote Anticrime – Juiz das garantias

 Juiz das garantias: art. 3º-A a 3º-F, CPP. Estão com a eficácia suspensa, conforme
decidido pelo STF.
 A figura do juiz das garantias já é comum em outros países. Em termos simples, é o “juiz da
investigação”, pois sua intervenção, se convocado (princípio da inércia), se dá na fase pré-
processual até o recebimento da denúncia, “encaminhando os autos para outro juiz que irá
instruir e julgar, sem estar contaminado, sem pré-julgamentos e com a máxima originalidade
cognitiva” (LOPES JR., 2020). O autor complementa que se estabelece uma estrutura
dialética: o MP e a polícia investigam os fatos; o imputado exerce sua defesa; e o juiz das
garantias decide sobre medidas restritivas de direitos fundamentais submetidas a reserva de
jurisdição (ex: busca e apreensão, quebras de sigilo, prisões cautelares, medidas
assecuratórias, etc.) e como guardião da legalidade e dos direitos e garantias do imputado.
 Desse modo, o juiz das garantias atua no recebimento ou na rejeição da denúncia ou
queixa, determina a citação do réu para apresentação da resposta preliminar.
Posteriormente, pode decidir se absolve sumariamente ou não, sendo que neste último caso
– decidindo pela continuidade do processo – irá marcar a audiência de instrução e
julgamento (LOPES JR., 2020).

86
Pacote Anticrime – Juiz das garantias

 Atuação: art. 3º-B a 3º-F do CPP.


 É o controlador da legalidade da investigação realizada pelo MP e/ou Polícia. Na fase de
IP existem algumas medidas que restringem direitos fundamentais, o que exige uma decisão
judicial fundamentada (reserva de jurisdição).
 O juiz das garantias também atua como garantidor da eficácia de direitos fundamentais
exercíveis nesta fase, como direito de acesso (contraditório, no seu primeiro momento),
defesa (técnica e pessoal), direito a que a defesa produza provas e requeira diligências do
seu interesse, enfim, guardião da legalidade e da eficácia das garantias constitucionais que
são exigíveis já na fase pré-processual.
 Possibilidade de prorrogação do IP: §2º, do art. 3º-B, CPP. Sanção pelo não atendimento
(relaxamento da prisão). Investigado em liberdade: não intervém, operando-se uma
tramitação direta entre polícia e MP acerca da prorrogação, sendo necessária a intervenção
do juiz das garantias no caso de a tramitação violar prazo razoável, devendo, assim, ser
fixado um tempo de conclusão. Em casos excepcionais, o juiz das garantias pode determinar
o trancamento da investigação pela violação do art. 5º, LXXVIII (razoável duração do
processo), da CF e/ou ausência de fundamento razoável para o seu prosseguimento.

87
Pacote Anticrime – Juiz das garantias

 Competência: art. 3º-C, CPP. Exceto crimes de menor potencial ofensivo (contravenções e crimes com
pena máxima inferior a 2 anos), pois não tem IP.
 Processos de competência originária dos tribunais: caso em que o desembargador ou o ministro é
chamado a atuar na investigação preliminar para autorizar medidas restritivas de direitos fundamentais
submetidas à reserva de jurisdição, e depois participa da instrução e julgamento do futuro processo penal.
Aury Lopes Jr. (2020) afirma que exige-se a mesma imparcialidade do julgador e, sendo assim, se atuou
como juiz das garantias na fase pré-processual, está impedido de participar da instrução e julgamento.
 §1º, do art. 3º-C, CPP: questões pendentes – ex: que digam respeito a restituição de bens apreendidos,
levantamento de medidas assecuratórias, revogação de prisão preventiva, etc. - serão decididas pelo juiz
do processo, responsável pela instrução e julgamento.
 §2º, do art. 3º-C, CPP: dever de revisar periodicamente a prisão cautelar e demais medidas cautelares
patrimoniais pelo juiz da instrução e julgamento.
 §§3º e 4º: medidas para evitar a contaminação da valoração do juiz da instrução e julgamento. Aury
Lopes Jr. (2020) enumera os documentos que serão encaminhados: a denúncia ou queixa; decisão de
recebimento, para compreensão do que foi recebido e do que foi rejeitado, por exemplo; decisão que
decretou medidas cautelares ou prisão cautelar, para controle e também para revisão no prazo de 10 dias;
decisão que manteve o recebimento e não absolveu sumariamente (art. 397).

88
Pacote Anticrime – Juiz das garantias

 Impedimento do juiz: art. 3º-D, CPP. Do juiz de garantias que atua na fase de instrução e
julgamento ou vice versa. §ú – sistema de rodízio.
 Art. 3º-E, CPP: forma de escolha do juiz das garantias. Não é concurso público para um novo
cargo.
 Art. 3º-F, CPP. Assegurar o respeito a imagem e dignidade do imputado.
 Obs.: foi determinado pelo STF (Min. Dias Toffoli) a exclusão do Juiz das Garantias dos
processos de competência originária dos tribunais, do rito do tribunal do júri, dos casos de violência
doméstica e familiar e dos processos criminais de competência da justiça eleitoral. Essa decisão foi
cassada posteriormente pelo Min. Fux na decisão que suspendeu a eficácia do juiz das garantias.
 Motivos que ensejaram a concessão da liminar que suspendeu a eficácia do juiz das garantias.
De acordo com o ministro, a implementação do juiz das garantias é uma questão complexa que
exige a reunião de melhores subsídios que indiquem, “acima de qualquer dúvida razoável”, os reais
impactos para os diversos interesses tutelados pela Constituição Federal, entre eles o devido
processo legal, a duração razoável do processo e a eficiência da justiça criminal”. Também afirmou
que fere a autonomia organizacional (necessidade de reestruturação) e financeira (impacto
financeiro relevante) do Judiciário, sem ter uma estimativa prévia, de acordo com a CF.

89
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 Acordo de não persecução penal: não está suspenso pelo STF, estando, assim, em vigor.
 Art. 28-A, CPP.
 Proposto pelo MP.
 “Instrumento de ampliação do espaço negocial, pela via do acordo entre MP e defesa, que
pressupõe a confissão do acusado pela prática de crime sem violência ou grave ameaça, cuja
pena mínima seja inferior a 4 anos (limite adequado à possibilidade de aplicação de pena não
privativa de liberdade), que será reduzida de 1/3 a 2/3 em negociação direta entre acusador e
defesa” (LOPES JR., 2020).
 Formalizado o acordo e cumpridas as condições estabelecidas, será extinta a punibilidade,
não gerando reincidência ou maus antecedentes. Ainda, um novo acordo não poderá ser
realizado nos próximos 5 anos (art. 28-A, § 2º, III, CPP).
 Aury Lopes Jr. (2020) menciona os requisitos cumulativos:
 Devem estar presentes as condições de admissibilidade da ação penal, não sendo caso,
assim de arquivamento (viabilidade acusatória);

90
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 O imputado deve confessar formal e circunstancialmente a prática de crime, podendo essa


confissão ser feita na investigação ou mesmo quando da realização do acordo;
 Crime com pena mínima inferior a 4 anos e ter sido praticado sem violência ou grave
ameaça, levando-se em consideração as causas de aumento e de redução, devendo incidir
no máximo nas causas de diminuição e no mínimo em relação as causas de aumento, pois o
que se busca é a pena mínima cominada (§1º do art. 24-A, CPP);
 O acordo e suas condições devem ser suficientes para reprovação e prevenção do crime,
ou seja, adequação e necessidade (proporcionalidade).
 Causas impeditivas do acordo (§2º do art. 28-A, CPP).
 No caso da transação penal, o acordo é dispensado em razão de que mais benéfica para
o imputado;
 No caso do inciso IV, do §1º, a proibição permanece mesmo que a pena mínima seja
inferior a 4 anos.
 Condições a serem acordadas: incisos do art. 24-A. São alternativas, mas podem ser
cumuladas.
91
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 Procedimento, conforme Aury Lopes Jr. (2020):


 Deverá ser proposto antes do recebimento da denúncia, sendo homologado pelo juiz das
garantias;
 Poderá ser proposto na audiência de custódia, quando for caso de sua realização e a
especificidade do caso permitir;
 Poderá ser oferecido aos processos em curso: se trata de norma mista (retroage para
beneficiar o réu). O autor acrescenta que é possível, ainda, que seja oferecido em qualquer
fase do procedimento, caso não tenha sido acordado no início do feito;
 Será formalizado por escrito e firmado pelo MP e o imputado e seu defensor, nada
impedindo que seja realizada audiência para a negociação das condições do acordo (§3º,
do art. 28-A, CPP);
 Firmado o acordo, será submetido a homologação judicial, na mesma audiência ou em
audiência específica (caso o acordo tenha se dado apenas por escrito entre as partes),
momento em que o juiz deverá ouvir o investigado na presença de seu defensor com o
objetivo de avaliar a voluntariedade do acordo e sua legalidade (§4º, do art. 28-A, CPP);
92
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 Homologado o acordo, deverá o MP promover-lhe a execução perante o juízo


competente (§6º, do art. 28-A, CPP);
 Reformulação da proposta: §5º, do art. 28-A, CPP. O autor comenta que “essa postura
intervencionista do juiz se justifica apenas quando houver ilegalidade nas condições ou for
gravemente abusiva para o imputado”.
 Recusa da homologação: §§7º e 8º, do art. 28-A, CPP. O autor complementa que se o
juiz não homologar o acordo e devolver os autos, o MP poderia, em tese, promover o
arquivamento e não denunciar. Se não homologado o acordo e não oferecida a denúncia,
ou pedidas diligências complementares ou promovido o arquivamento, poderia a vítima
utilizar a ação penal privada subsidiária da pública em razão da inércia do MP;
 A vítima não participa do acordo, mas é intimada da homologação (§9º do art. 28-A,
CPP), mas não pode se opor a ele. Também haverá intimação do descumprimento. Nada
obsta a presença da vítima no momento do acordo. Aury Lopes Jr. (2020) afirma que
mesmo na ausência de previsão legal, seria adequado e coerente também intimar a vítima
em caso de não homologação para que, caso seja possível, proponha a ação penal privada
subsidiária;

93
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 Em caso de descumprimento do acordo homologado, o MP comunicará o juiz para fins


de rescisão e oferecerá denúncia (§10, do art. 24-A, CPP);
 Informado pelo MP o descumprimento do acordo, haverá designação de audiência oral e
pública para exercício do contraditório, momento em que deverá ouvir o imputado sobre a
veracidade e eventuais motivos que justifiquem o descumprimento na presença do seu
defensor. Ainda, será analisada a proporcionalidade do descumprimento em relação às
consequências. Diante disso, a revogação, além do contraditório, deverá ser objeto de
decisão fundamentada do juiz, não sendo obrigatória, unilateral ou automática (LOPES JR.,
2020);
 O autor comenta que é necessária uma postura mais intervencionista do juiz no momento
da rescisão. Assim, eventualmente, poderá o juiz entender que está justificado o
descumprimento ou mesmo que ele não ocorreu, indeferindo o pedido de rescisão e
determinando a continuidade do acordo.
 Cumprido integralmente o acordo: §13, do art. 28-A, CPP. Será declarada a extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito, exceto o registro para impedir novo acordo no
prazo de 5 anos do inciso III do § 2º. Descumprido, oferece-se a denúncia.

94
Pacote Anticrime – Acordo de não persecução
penal

 E se não for oferecido o acordo com o MP, mesmo quando preenchidos os requisitos?
§14, do art. 28-A, CPP.
 É possível na ação penal privada? Não há previsão legal, mas Aury Lopes Jr. (2020)
entende ser plenamente possível, podendo ser proposta pelo ofendido ao invés do MP.

95
Ação Penal

 Direito de ação: art. 5º, XXXV, CF.


 A ação penal é tratada nos arts. 100 a 106, do CP e 24 a 62, do CPP.
 “Concebemos a ‘ação’ como um poder político constitucional de acudir aos tribunais para
formular a pretensão acusatória. É um direito (potestativo) constitucionalmente assegurado de
invocar e postular a satisfação da pretensão acusatória” (LOPES JR., 2020).
 MP é o titular da ação penal: art. 129, I, CF.
 Natureza jurídica: pública, pois se estabelece entre o particular e o Estado, para realização do
direito penal (público). É um direito público autônomo e abstrato (LOPES JR., 2020).
 Condições da ação penal: art. 395, CPP – causas de rejeição da denúncia. A doutrina
majoritária entende que não integram o mérito. Aury Lopes Jr. (2020) exemplifica que questões
como ilegitimidade de parte ativa ou passiva (negativa de autoria), não ser o fato criminoso ou
estar ele prescrito se encaixam nas situações previstas no art. 395, II, do CPP, o que impede a
manifestação sobre o caso penal (mérito) em julgamento. O autor menciona que também
entende estar ausentes as condições da ação nas causas de absolvição sumária (art. 397, CPP),
demonstrando o quão próximo estão do mérito, ou seja, do caso penal (elemento objetivo da
pretensão acusatória). A doutrina as classifica da seguinte forma:
96
Ação Penal

 Legitimidade: “se trata de exigir uma vinculação subjetiva, pertinência subjetiva, para o
exercício da ação processual penal” (LOPES JR., 2020).
 Interesse: Aury Lopes Jr. (2020) afirma que “alguns autores identificam o interesse de
agir com a justa causa, de modo que, não havendo um mínimo de provas suficientes para
lastrear a acusação, deveria ela ser rejeitada (art. 395, III)”. O autor afirma que se aproveita
o conceito do CPC, e rejeita a utilização no processo penal, pois inaplicável.
 Possibilidade jurídica do pedido: Aury Lopes Jr. (2020) também critica a utilização dessa
condição da ação no processo penal, mas afirma que os autores que a adotam costumam
dizer que para o pedido (de condenação, obviamente) ser juridicamente possível:
 a conduta deve ser aparentemente criminosa (o que acaba se confundindo com a causa
de absolvição sumária do art. 397, III, do CPP);
 não pode estar extinta a punibilidade (nova confusão, agora com o inciso IV do art. 397)
ou ainda haver um mínimo de provas para amparar a imputação (o que, na verdade, é a
justa causa).

97
Ação Penal

 Diante disso, Aury Lopes Jr. (2020) classifica as condições da ação de forma compatível com
o processo penal e o faz analisando as causas de rejeição da acusação. Assim, o autor classifica
as condições da ação da seguinte forma (considerando o revogado art. 43 e do atual art. 395 do
CPP):
Prática de fato aparentemente criminoso – fumus commissi delicti: duas questões importantes:
 Caso o crime seja praticado no abrigo de uma das causas de exclusão de ilicitude, a denúncia
ou queixa deve ser rejeitada em razão da ausência de uma das condições da ação (art. 395, II,
CPP). Aury Lopes Jr. (2020) menciona que a problemática surge na demonstração manifesta da
causa de exclusão da ilicitude, pois esta é uma questão de convencimento do juiz (algo que será
feito pelo juiz das garantias).
 Caso esse convencimento somente seja possível após a resposta do acusado, o juiz das
garantias deverá absolver sumariamente o acusado, nos termos do art. 397, CPP.
 Aury Lopes Jr. afirma que se o acusado agiu – manifestamente – ao abrigo de uma causa de
exclusão da culpabilidade (embriaguez involuntária, menoridade penal, não conhecimento de ato
ilícito, doença mental ou desenvolvimento mental incompleto, coação ou ordem hierárquica
superior), o juiz (das garantias) rejeitar a acusação, desde que haja prova pré-constituída na
investigação preliminar.
98
Ação Penal

 Punibilidade concreta: o juiz (das garantias) deve rejeitar a denúncia ou queixa quando
houver prova da extinção da punibilidade (prescrição, decadência e renúncia), devendo a
decisão de absolvição sumária ficar reservada aos casos em que essa prova somente é
produzida após o recebimento da denúncia, ou seja, após a resposta escrita do acusado
(LOPES JR., 2020).
 Legitimidade de parte: nos processos que dependam de denúncia (ou de ação penal de
iniciativa pública), o polo ativo deverá ser ocupado pelo Ministério Público, o titular dessa
ação penal. Nas ações privadas, caberá à vítima ou seu representante legal (arts. 30 e 31
do CPP) assumir o polo ativo. Aury Lopes Jr. (2020) afirma que a doutrina brasileira
majoritariamente entende que nessa situação ocorre uma substituição processual, algo que
o autor não concorda, tendo em vista que em hipótese alguma existe substituição
processual no processo penal. Dessa forma:
 Legitimidade ativa: MP nos delitos que dependam de denúncia (ação penal de iniciativa
pública) e do ofendido ou seu representante legal (ação penal de iniciativa privada), nos
delitos que dependam de queixa-crime.
 Legitimidade passiva: decorre da autoria do delito.

99
Ação Penal

 Ilegitimidade ativa ou passiva: leva à rejeição da denúncia ou queixa (art. 395, II, do CPP), ou o
trancamento do processo por meio de habeas corpus, eis que se trata de processo manifestamente
nulo (art. 648, IV, CPP) por ilegitimidade de parte (art. 564, II, CPP). Nesse caso, pode ser
promovida nova ação penal, pois a decisão faz coisa julgada formal.
 Justa causa: art. 395, III, CPP. Segundo Aury Lopes Jr. (2020), “identifica-se com a existência de
uma causa jurídica e fática que legitime e justifique a acusação (e a própria intervenção penal)”.
Nesse sentido, o autor afirma que está relacionada com dois fatores:
 Existência de indícios razoáveis de autoria e materialidade: a acusação deve portar elementos de
prova que justificam a admissão da denúncia, os quais são geralmente extraídos da investigação
preliminar (inquérito policial). São os elementos de autoria e materialidade. Caso contrário, a
denúncia deve ser rejeitada.
 Controle processual do caráter fragmentário da intervenção penal: afigura-se como uma proteção
contra o abuso do direito. “Deve existir, no momento em que o juiz decide se recebe ou rejeita a
denúncia ou queixa, uma clara proporcionalidade entre os elementos que justificam a intervenção
penal e processual, de um lado, e o custo do processo penal, de outro” (LOPES JR. 2020). Esse
“custo” refere-se à estigmatização e penas processuais. Aury Lopes Jr. (2020) entende que nesse
momento podem ser analisadas questões referentes à “insignificância” ou “bagatela” (análise do
caso observando requisitos referentes à periculosidade da conduta e valor da coisa).
100
Ação Penal

 Aury Lopes Jr. (2020) aponta a existência de outras condições da ação (rol não taxativo):

a) poderes especiais e menção ao fato criminoso na procuração que outorga poderes para
ajuizar queixa-crime, nos termos do art. 44, CPP;
b) a entrada no agente no território nacional, nos casos de extraterritorialidade da lei penal,
para atender à exigência contida no art. 7º, CP;
c) o trânsito em julgado da sentença anulatória do casamento no crime do art. 236, §ú, CP;
d) prévia autorização da Câmara dos Deputados nos crimes praticados pelo Presidente ou
Vice-Presidente da República, bem como pelos Ministros de Estado, nos termos do art. 51,
I, da Constituição.
 Em qualquer desses casos, a denúncia deverá ser rejeitada com base no art. 395, II,
CPP.

101
Ação Penal

 Ação penal de iniciativa pública: necessário verificar no CP (se é incondicionada ou


condicionada à representação).
 Caso não haja menção, será de iniciativa pública e incondicionada. Essa é a regra. Caso
seja condicionada à representação, será mencionado expressamente na lei.
 Regras (ou princípios):
 Oficialidade ou Investidura: o legitimado para propor a ação penal pública é o MP (art. 129,
I, CF).
 Obrigatoriedade (ou Legalidade): o MP tem o dever de oferecer a denúncia sempre que
presentes as condições da ação. Caso contrário, deve postular o arquivamento (art. 28,
CPP).
 Indisponibilidade: uma vez iniciado o processo, MP não pode ele desistir da ação penal
(art. 42, CPP) e nem desistir do recurso (art. 576, CPP). Obs.: pedir a absolvição do réu não
viola este princípio.
 Está sendo mitigado, pois temos os JECrims, acordo de não persecução penal, etc., ou
seja, há uma tendência da ampliação negocial no CPP.
102
Ação Penal

 Indivisibilidade: De acordo com Aury Lopes Jr., “o princípio da indivisibilidade tem aplicação
pacífica na ação penal de iniciativa privada, mas não nos crimes de ação penal pública”. Existem
algumas decisões do STF e STJ relativizando a indivisibilidade da ação penal. Aury Lopes Jr. não
concorda, especialmente diante dos princípios da obrigatoriedade e indisponibilidade, tratando-se,
assim, de política processual. Ex: em crimes que envolvem pessoas com prerrogativa de função e
pessoas que não a tem, comumente se denuncia quem não tem e depois quem tem.
 Intranscendência: a acusação não pode passar da pessoa do imputado (autor, coautor ou
partícipe do delito).
 Espécies:
 Ação Penal de Iniciativa Pública Incondicionada: é a regra. Exercida através de denúncia oferecida
pelo MP.
 Obs.: art. 26, do CPP está revogado, pois não foi recepcionado pela CF, sendo que no caso de
contravenção o MP oferecerá denúncia.
 Art. 41, CPP menciona o que deverá constar na denúncia. Obs.: circunstâncias - que
aumentem/agravem a pena como também as que diminuam/atenuem a pena. Aury Lopes Jr. (2020)
afirma que o rol de testemunhas é sempre necessário, salvo situação excepcionalíssima, pois as
provas no Brasil são essencialmente testemunhais.
103
Ação Penal

 Os elementos referentes à exposição do fato criminoso, a identificação do réu e a


classificação do crime devem necessariamente ser preenchidos sob pena de inépcia da
denúncia, devendo ser rejeitada pelo juiz (das garantias), nos termos do art. 395, I, do CPP.
Nova denúncia pode ser proposta posteriormente, mas deve satisfazer esse requisito.
 Com relação aos demais elementos (circunstâncias agravantes ou atenuantes, eventuais
causas de aumento ou diminuição ou indicação do rol de testemunhas), a denúncia deve ser
recebida, mas ocorrerá preclusão. Aury Lopes Jr. (2020) comenta que agravantes também
não poderão ser reconhecidas posteriormente pelo juiz diante da inconstitucionalidade do art.
385, CPP, além da incompatibilidade com o objeto do processo penal (pretensão acusatória).
 Sobre a prova testemunhal, Aury Lopes Jr. (2020) complementa que as testemunhas
devem ser arroladas no momento da denúncia nos crimes de ação pública e também na
queixa nos crimes de ação privada, sob pena de preclusão e impossibilidade de pleitear essa
prova posteriormente.
 Número de testemunhas: via de regra, 8 para o rito comum ordinário (art. 401, CPP) e 5
para o rito comum sumário (art. 532, CPP). Existem regras diversas em leis especiais. Obs.:
vítima não é testemunha.

104
Ação Penal

 Prazo para oferecimento da denúncia: art. 46, CPP. 5 dias acusado preso e 15 dias
acusado solto. O descumprimento não causa sanção. Se o acusado estiver solto e não for
oferecida denúncia, o ofendido poderá se utilizar da queixa subsidiária.
 Desse modo, Aury Lopes Jr. (2020) comenta que, no caso de acusado solto, o MP pode
ajuizar denúncia, em tese, até a prescrição da pretensão punitiva pela pena em abstrato,
calculada pela maior pena prevista no tipo penal a partir da análise dos prazos previstos no
art. 109 do CP. Considerando, dentre outras questões, a razoável duração do processo, o
autor adota outro posicionamento, mas não é majoritário.
 No caso de imputado preso, apesar de o autor entender que o descumprimento do prazo
deveria ocasionar a soltura do acusado, a jurisprudência tem sido complacente com a
violação do prazo.
 Ação Penal de Iniciativa Pública Condicionada: nesse tipo de ação há uma exigência legal
de que o ofendido (ou representante legal) faça a representação (ou requisição do Ministro
da Justiça, quando for necessário) para que o MP possa oferecer a denúncia. Obs.: um
mesmo crime pode ser de natureza incondicionada ou condicionada à representação, como
o estelionato, por exemplo. É uma espécie de autorização do ofendido e sem ela o MP não
pode oferecer denúncia (condição de procedibilidade).
105
Ação Penal

 Requisitos da representação:

a) Quanto ao sujeito: vítima ou representante legal (cônjuge, ascendente, descendente ou


irmão, art. 24, § 1º, CPP). Também por procurador com poderes especiais – art. 39, CPP.
 Menor de 18 anos: representante legal (pai, mãe, avós maternos ou paternos, irmão maior
de 18 anos e até mesmo os tios que detenham a guarda legal). Com relação à Súmula 594,
STF, Aury Lopes Jr. (2020) afirma que existem duas correntes doutrinárias: 1) prazo
decadencial de 6 meses não flui enquanto a vítima for incapaz e quando fizer 18 anos começa
o prazo decadencial, independentemente do conhecimento do fato pelo representante legal; 2)
o direito é único, mas com dois titulares. Assim, se houver decadência está fulminado o direito.
Nesse caso, temos duas situações: menor conta ao representante legal e este não representa
em 6 meses, havendo decadência; e menor não conta para o representante legal e o prazo
decadencial de 6 meses se inicia quando completa 18 anos. O mesmo ocorre da queixa-crime.
 Maior de 18 anos e menor de 21 anos: vítima é capaz com 18 anos, conforme mudança
ocorrida no CC em 2003 (na queixa-crime se tem o mesmo entendimento). Contudo, existem
ainda no CP alguns tratamentos diferenciados, como a atenuante da menoridade e redução do
prazo prescricional, por exemplo. Para o CPP, o que vale é a capacidade para a prática dos
atos da vida.
106
Ação Penal

 A representação não precisa identificar o imputado, pois pode depender de investigação


preliminar. Exceção: quando não é instaurado IP, pois, nesse caso, deverá a vítima
apresentar todos os elementos para a formulação da denúncia pelo MP.
b) Quando ao objeto: tem por objeto um fato, acrescida da autorização para que o Estado
possa proceder no sentido de apurar e acusar a todos os envolvidos no fato.
c) Forma dos Atos: a forma da representação foi relativizada por entendimento
jurisprudencial, porém existem alguns elementos básicos que devem constar:
 Quanto ao Lugar: pode ser feita diretamente ao juiz, ao MP ou na polícia. Juiz – deve
encaminhar ao MP, conforme art. 39, §4º, CPP.
 Tempo: prazo decadencial de 6 meses (art. 38, CPP), sem possibilidade de ser
prorrogado, interrompido ou suspenso. Forma de contagem: não é prazo processual,
aplicando-se o art. 10, do CP (dia do começo inclui-se no cômputo do prazo, sem
prorrogação pro próximo dia útil). Obs.: a requisição do Ministro da Justiça não tem prazo
para ser oferecida, não se aplicando o prazo decadencial de 6 meses da representação,
podendo, assim, ser oferecida até a prescrição da pretensão punitiva pela pena em
abstrato. O prazo é o mesmo para a queixa-crime.
107
Ação Penal

 Forma: art. 39, CPP e parágrafos. Aury Lopes Jr. (2020) afirma que “a jurisprudência
amenizou muito a forma prescrita no art. 39 e, atualmente, entende-se que a mera notícia-
crime já é suficiente para implementar-se o requisito legal” (instrumentalidade das formas,
com uma flexibilização dos requisitos formais, importando mais o conteúdo do que a forma).
 A representação não é obrigatória pela vítima e pode haver retratação até o oferecimento
da denúncia (art. 25, CPP).
 A retratação não pode ser parcial.
 É possível a “retratação da retratação” por meio de nova representação, desde que ainda
não tenha decaído o direito. Tourinho Filho entende que nesse caso teria ocorrido uma
renúncia, o que gera extinção da punibilidade.
 Crimes contra a honra de servidor público: retratação é possível, conforme art. 25, CPP.
Súmula 714, STF.
 Aury Lopes Jr. (2020) e Pacelli (2020) entendem ser possível a retratação da requisição
do Ministro da Justiça, pois submetida aos mesmos critérios de oportunidade e
conveniência da vítima. Sempre antes de oferecida a denúncia.
108
Ação Penal

 Ação Penal de Iniciativa Privada: “somente se procede mediante queixa”. Como dito, não há
substituição processual, devendo ser ofertada a queixa pelo ofendido (pretensão acusatória). Exercida
por meio da queixa-crime.
 Regida pelos princípios da oportunidade/conveniência e disponibilidade: se o querelante deixar de
exercer sua pretensão acusatória, deverá o juiz extinguir o feito sem julgamento do mérito ou, pela
sistemática do CPP, declarar a extinção da punibilidade pela perempção (art. 60, CPP) (LOPES JR.,
2020).
 Requisitos: mesmos da denúncia (art. 41, CPP). Juiz deve verificar também o preenchimento das
condições da ação (art. 395, CPP), sob pena de rejeição da queixa-crime. Ainda, Aury Lopes Jr. (2020)
acrescenta outros requisitos:
a) dar um valor à causa, de alçada, pois a queixa paga custas processuais;
b) conter procuração com poderes especiais, nos termos do art. 44 (a descrição do fato constitui uma
garantia contra uma eventual responsabilidade por denunciação caluniosa em relação ao advogado);
c) ainda que não seja um requisito imprescindível, deverá o querelante pedir a condenação do querelado
ao pagamento das custas e honorários advocatícios, pois incide nesse tipo de ação, salvo concessão de
AJG.

109
Ação Penal

 Regras:
 Oportunidade e conveniência: a vítima não está obrigada a exercer a ação penal.
 Disponibilidade: a ação penal de iniciativa privada é plenamente disponível, podendo o
ofendido renunciar ao direito de ação, desistir do processo dando causa à perempção (art.
60), bem como perdoar o réu (produzindo efeitos apenas no caso de aceitação).
 Indivisibilidade: a ação penal privada é indivisível – querelante não poderá escolher, por
exemplo, em caso de concurso de agentes, contra quem irá oferecer a queixa. Art. 48,
CPP. Aury Lopes Jr. (2020) menciona que o controle é feito pelo MP manifestando-se pela
extinção da punibilidade dos réus não mencionados na queixa-crime (renúncia tácita). Se
na instrução houver provas indicando novos réus, “o querelante o prazo de 6 meses
contados da data da audiência ou ato processual que definiu essa nova autoria para ajuizar
a queixa-crime” (LOPES JR., 2020).
 Intranscendência: não passa da pessoa do condenado, assim como na ação penal
pública.
 Titularidade: querelante (autor) e querelado (réu). Arts. 30 e 31, CPP.
110
Ação Penal

 Menor de 18 anos ou mentalmente enfermo: representante legal deve postular (art. 33,
CPP). Em caso de divergência entre o interesse do menor e do representante legal, será
nomeado curador, o qual não é obrigado a ajuizar queixa-crime, devendo ponderar a
conveniência e oportunidade.
 Procuração com Poderes Especiais (menção ao fato criminoso): art. 44, CPP. A
postulação em juízo se dá somente por meio de advogado, devendo a procuração conter
poderes especiais e fazer menção ao fato criminoso. Ex: poderes de ajuizar queixa-crime.
Aury Lopes Jr. (2020) acrescenta que deve conter o nome do querelante (pois é o
outorgante dos poderes) e também do querelado (o réu) (art. 44 está com erro material – é
querelado e não querelante).
 Menção do fato criminoso: mera indicação dos crimes praticados basta, conforme
entendimento jurisprudencial.
 Caso o ofendido não tenha condições de pagar advogado, o juiz lhe nomeará um,
conforme art. 32, CPP.

111
Ação Penal

 Espécies de Ação Penal de Iniciativa Privada:


 Originária ou comum: “trata-se da ação penal de iniciativa privada tradicional, sem qualquer
especificidade, podendo ser ajuizada através da queixa, no prazo decadencial de 6 meses, pelo
ofendido ou seu representante legal” (LOPES JR., 2020).
 Personalíssima: restrita à iniciativa pessoal da vítima. Atualmente, existe apenas um delito de
iniciativa personalíssima: o crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (art.
236, CP). Parágrafo único do art. 236 menciona que a ação penal somente poderá ser ajuizada
pelo contraente enganado. Nesse sentido, “não se opera a sucessão prevista no art. 31 do CPP e,
por consequência, com a morte do ofendido, extinguem-se a punibilidade e a ação penal” (LOPES
JR., 2020). Se o cônjuge enganado for menor de 18 anos - queixa somente poderá ser prestada
após cessada a menoridade.
 Subsidiária da pública: “também chamada de queixa substitutiva, exige uma atenção maior, pois
se trata de uma legitimação extraordinária para o ofendido exercer ação penal em um crime que é
de iniciativa pública” (LOPES JR., 2020). Prevista no art. 5º, LIX, CF e também nos arts. 29, CPP e
100, § 3º, CP. Sempre no caso de inércia do MP (não acusa, não pede diligência e não pede
arquivamento) após o prazo legal para oferecer a denúncia. É extraordinária: não transforma a
ação pública em privada, podendo o MP ser intimado dos atos e intervir no processo e retomar a
sua posição como parte principal (ofendido fica como assistente de acusação – art. 268, CPP e ss).
112
Ação Penal

 Ação Penal nos Crimes Praticados contra a Honra de Servidor Público: “nos crimes contra
a honra de servidor público, praticado em razão do ofício ou função desempenhados (ou
seja, propter officium), a legitimidade ativa é, atualmente, considerada concorrente entre o
ofendido (servidor) e o Ministério Público (condicionada à representação)” (LOPES JR.,
2020). Súmula 714, STF. Nesse tipo de delito específico, a ação pode ser tanto privada como
pública condicionada à representação, de modo que a via escolhida exclui a outra.
 Renúncia, Perdão e Perempção: art. 107, CP. Causa de extinção da punibilidade.
 Renúncia: é um ato unilateral do ofendido. Também possível em relação ao direito de
representação. Não é necessária aceitação do imputado para produção de efeitos. Somente
antes do exercício do direito de queixa (ou de representação). Pode ser: expressa (por
escrito - art. 50, CP) ou tácita (art. 104, §ú, do CP), quando houver a prática de ato
incompatível com a intenção de acusar alguém (art. 57, CPP).
 Problemática da parte final do §ú do art. 104, CP: não implica renúncia “o fato de receber o
ofendido a indenização do dano causado pelo crime”. Art. 74, §ú, da Lei 9099/95 trouxe uma
exceção. Todavia, Aury Lopes Jr. (2020) afirma que não foi revogado o art. 104, CP, pois lei
9099 tem outros procedimentos e nos casos que não é de competência do JECrim segue
valendo o art. 104, CP.
113
Ação Penal

 Também é renúncia o pedido de arquivamento do IP ofertado pelo ofendido, pois acarreta


extinção da punibilidade. Se menor de 18 anos, deve ser feito pelo representante legal
(divergência – curador do art. 33, CPP). Obs.: regra do art. 50, §ú, CPP não existe mais, pois
sendo maior de 18 anos pode renunciar (também serve para o perdão).
 A renúncia se estende a qualquer dos autores do fato: art. 49, CPP.
 Perdão: ato bilateral - ofendido oferece (no curso do processo) e o réu precisa aceitar. É
 Possível a partir do recebimento da queixa (antes o que pode haver é renúncia) até que ocorra o
trânsito em julgado da sentença (art. 106, § 2º, CPP).
 Em caso de concurso de agentes, o perdão oferecido a um dos réus a todos aproveita (art. 51,
CPP), correndo o efeito apenas para os que aceitarem.
 Teoricamente, pode ser tácito, mas é difícil ocorrer.
 Perempção: art. 60, CPP. “É uma penalidade, sanção de natureza processual imposta ao
querelante negligente e que conduz à extinção do processo e da punibilidade” (LOPES JR., 2020).
Aury Lopes Jr. (2020) entende que a desistência (durante o processo) também é uma causa
supralegal da perempção. Ocorrida a perempção, querelante arca com custas e honorários de
advogado do querelado.
114
Ação Penal

 Aditamento: é possível e classificado em aditamento próprio e impróprio. Deve ser feito antes da
sentença, assegurada a manifestação da defesa do réu.
 O aditamento próprio classifica-se em: real (com relação aos fatos) e pessoal (com relação aos
acusados). Ocorre em relação a questões desconhecidas no momento do oferecimento da denúncia
e comumente surge na fase de instrução.
 Aditamento impróprio: quando é necessária correção de uma falha na denúncia. Art. 108, §1º,
CPP.
 Se o aditamento não é feito, MP deverá fornecer nova denúncia.
 Iniciativa do aditamento: art. 384, CPP. Inteiramente do MP diante do sistema acusatório.
 Na ação penal privada: art. 569, CPP. “Resume-se a suprir falhas em torno da correta descrição
do fato ou da tipificação legal, mas sem maior relevância e que não conduzam a uma inovação na
tese acusatória” (LOPES JR., 2020). Aury Lopes Jr. (2020) comenta que o único aditamento possível
na ação penal privada é o aditamento impróprio (art. 45, CPP): “nada mais é do que uma mera
correção material na descrição dos fatos, como datas, lugares, circunstâncias, etc. Não existe
inclusão de fato novo, coautor ou partícipe”. Também com relação à falta de procuração com os
poderes especiais, devendo ser sanada antes da sentença e dentro do prazo decadencial de 6
meses, de acordo com o autor, pois a queixa deveria ter sido rejeitada.
115
Ação Penal

 Na ação penal privada, não é possível inclusão de fato novo (aditamento próprio real) por
ausência de previsão legal, devendo, nesse caso, ajuizar nova queixa-crime. Com relação à
inclusão de coautor ou partícipe (aditamento próprio subjetivo), devido ao princípio da
indivisibilidade (art. 48, CPP), somente é possível na ausência de elementos indicativos no
momento da apresentação da queixa, pois, do contrário, é causa de renúncia tácita, com
extinção da punibilidade (art. 49, CPP). Se tomar conhecimento apenas na instrução, é
necessária nova queixa-crime dentro do prazo decadencial de 6 meses, podendo o
processos serem reunidos para julgamento simultâneo. Caso não ofereça nova queixa-
crime – renúncia tácita.
 Fixação de Valor Indenizatório na Sentença Penal Condenatória
 Ação Civil Ex Delicti

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Referências


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de Janeiro: Revan, 2008.

CAPEZ, Fernando. Curso de processo penal. 18. ed. São Paulo: Saraiva,
2011.

LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal. 7. ed. Salvador: Ed.
JusPodivm, 2019.

______________________. Manual de processo penal. 7. ed. Salvador: Ed.
JusPodivm, 2020.

LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 17. ed. São Paulo: Saraiva,
2020.

PACELLI, Eugênio. Curso de processo penal. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2020.

TÁVORA, Nestor; ARAÚJO, Fábio Roque. Código de processo penal para
concursos. 7. ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2016.

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