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DIREITO CIVIL – CONTRATOS

AULA 08
2021/1

Prof. Esp. Cristiano Cidral.


1
SEJAM BEM-VINDOS!

HOJE VEREMOS:
AULA 08 – U3 SEÇÃO 3.1
Início da Unidade
Início do 2º bimestre

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Fiquem atentos com os seus
microfones e câmeras!
2
CALENDÁRIO DO 2º BIMESTRE DE 2021/01 – NOTURNO
SEMANA DATA ASSUNTO ENTREGA
08 13/04 U3 SEÇÃO 3.1
09 20/04 SEMANA ACADÊMICA
10 27/04 U3 SEÇÃO 3.2
11 04/05 U3 SEÇÃO 3.3 ATIVIDADE FORMATIVA
12 11/05 U4 SEÇÃO 4.1
13 18/05 U4 SEÇÃO 4.2
14 25/05 U4 SEÇÃO 4.3 ATIVIDADE FORMATIVA
15 01/06 AVALIAÇÃO OFICIAL DO 2º BIMESTRAL U 3 e 4 – Prova realizado pelo Prof.

16 14 e 15/06 2ª CHAMADA 1º e 2º bimestre


17 16/06 Término do Período de Aulas
18 17 e 18/06 Exame Final – Presenciais/híbridas
19 21 a 25/06 Exame Final - Interativas
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20 03/07 ENCERRAMENTO DO PERÍODO LETIVO
CALENDÁRIO DO 2º BIMESTRE DE 2021/01 - MATUTINO
SEMANA DATA ASSUNTO ENTREGA
08 16/04 U3 SEÇÃO 3.1
09 23/04 SEMANA ACADÊMICA
10 30/04 U3 SEÇÃO 3.2
11 07/05 U3 SEÇÃO 3.3 ATIVIDADE FORMATIVA
12 14/05 U4 SEÇÃO 4.1
13 21/05 U4 SEÇÃO 4.2 e 4.3 ATIVIDADE FORMATIVA
14 28/05 AVALIAÇÃO OFICIAL DO 2º BIMESTRAL U 3 e 4 – Prova realizado pelo Prof.

15 04/05 SEM AULA


16 14 e 15/06 2ª CHAMADA 1º e 2º bimestre
17 16/06 Término do Período de Aulas
18 17 e 18/06 Exame Final – Presenciais/híbridas
19 21 a 25/06 Exame Final - Interativas
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20 03/07 ENCERRAMENTO DO PERÍODO LETIVO
PEA – PLANO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
Unidade 3 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS II

Seção 3.1 – Dos Vícios Redibitórios e a Evicção.

Seção 3.2 – Da Extinção e Resolução dos Contratos.

Seção 3.3 – Contratos em Espécie - I

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PEA – PLANO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
Unidade 4 | ESPÉCIES CONTRATUAIS

Seção 4.1 – Contratos em Espécie – II

Seção 4.2 – Contratos em Espécie – III

Seção 4.3 – Contratos em Espécie – IV

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AULA 08 DIREITO CIVIL:
CONTRATOS

Unidade 3 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS II

Seção 3.1 – Dos Vícios Redibitórios e a Evicção.

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ASSUNTOS ABORDADOS NESTA SEÇÃO
✓Vícios Redibitórios. Conceito e fundamento jurídico
✓Requisitos para a caracterização dos vícios
redibitórios
✓Efeitos. Ações cabíveis. Espécies de ações
✓Prazos decadenciais
✓Hipóteses de descabimento das ações edilícias
✓Da evicção. Conceito e fundamento jurídico
✓Extensão da garantia
✓Requisitos da evicção
✓Verbas devidas
✓Da evicção parcial
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
1. CONCEITO

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DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
CONCEITO

São defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de


contrato comutativo que a tornam imprópria ao uso a que se
destina ou lhe diminuem o valor.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
VÍCIOS REDIBITÓRIOS
CARACTERÍSTICAS

✓ A coisa defeituosa pode ser enjeitada


pelo adquirente (art. 441 do CC).

✓ Este tem, contudo, a opção de ficar


com ela e reclamar abatimento no
preço (art. 442 do CC).
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
FUNDAMENTO JURÍDICO

Dispõe, com efeito, o art. 441 do Código Civil:

“A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser


enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem
imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.”

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PODER DE ESCOLHA

O adquirente tem, contudo, a opção de


ficar com ela e “reclamar abatimento
no preço”, como lhe faculta o art. 442 do
referido diploma.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
APLICAÇÃO AOS CONTRATOS

aos contratos bilaterais e


Essas regras aplicam-se
comutativos, em geral translativos da propriedade,
como a compra e venda, a dação em pagamento e a permuta.

Mas aplicam-se também às empreitadas (CC, arts. 614 e 615).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
DA NÃO INCIDÊNCIA

Como os contratos comutativos são espécies de contratos onerosos,


não incidem as referidas regras sobre os gratuitos,
como as doações puras, pois o beneficiário da liberalidade,
nada tendo pago, não tem por que reclamar (CC, art. 552).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
DA NÃO INCIDÊNCIA - EXCEÇÃO

O Código ressalva, porém, a sua aplicabilidade às doações


onerosas, até o limite do encargo (art. 441, parágrafo
único).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
2. FUNDAMENTO JURÍDICO

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DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
TEORIAS APLICADAS
Várias teorias procuram explicar a teoria dos vícios redibitórios. Dentre as mais
importantes, podem ser citadas:

■ a que se apoia na teoria do erro, não fazendo nenhuma distinção entre


defeitos ocultos e erro sobre as qualidades essenciais do objeto;

■ a teoria dos riscos, segundo a qual o alienante responde pelos vícios


redibitórios porque tem a obrigação de suportar os riscos da coisa alienada; e

■ há, ainda, os que se baseiam na teoria da equidade, afirmando a necessidade


de se manter justo equilíbrio entre as prestações dos contratantes.
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
A TEORIA MAIS ACEITA

A teoria mais aceita e acertada é a do inadimplemento contratual, que


aponta o fundamento da responsabilidade pelos vícios redibitórios no
princípio de garantia, segundo o qual todo alienante deve
assegurar, ao adquirente a título oneroso, o uso da coisa por ele
adquirida e para os fins a que é destinada.

O alienante é, de pleno direito, garante dos vícios redibitórios e


cumpre-lhe fazer boa a coisa vendida.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
A TEORIA MAIS ACEITA

Ao transferir ao adquirente coisa de qualquer espécie, por contrato


comutativo, tem o dever de assegurar-lhe a sua posse útil,
equivalente do preço recebido. – PRINCÍPIO DA UTILIDADE.

O inadimplemento contratual decorre, pois, de infração a dever legal


que está ínsito na contratação.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
DOS DEFETOS OU FALHAS

Não é qualquer defeito ou falha existente em


bem móvel ou imóvel recebido em virtude de
contrato comutativo que dá ensejo à
responsabilização do alienante por vício
redibitório.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
DOS DEFETOS OU FALHAS

Defeitos de somenos importância ou que


possam ser removidos são insuficientes
para justificar a invocação da garantia, pois
não o tornam impróprio ao uso a que se
destina, nem diminuem o seu valor
econômico.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
REQUISITOS
Segundo se deduz dos arts. 441 e s. do Código Civil e dos princípios doutrinários
aplicáveis, os requisitos para a verificação dos vícios redibitórios são os seguintes:

a) que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo;


b) que os defeitos sejam ocultos;
c) que existam no momento da celebração do contrato e perdurem
até a ocasião da reclamação;
d) que sejam desconhecidos do adquirente; e
e) que sejam graves.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS
Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo
ou de doação onerosa ou remuneratória
[...]contratos comutativos são os de prestações certas e determinadas. As partes
podem antever as vantagens e os sacrifícios, que geralmente se equivalem,
decorrentes de sua celebração, porque não envolvem nenhum risco.

Doação onerosa, modal, com encargo ou gravada é aquela em que o doador


impõe ao donatário uma incumbência ou dever.

Remuneratória é a doação feita em retribuição a serviços prestados, cujo


pagamento não pode ser exigido pelo donatário. 24
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS
Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo
ou de doação onerosa ou remuneratória

Em razão da natureza dos contratos comutativos, deve haver


correspondência entre as prestações das partes, de sorte que o vício
oculto, o qual inviabilizaria a concretização do negócio se fosse
conhecido, por acarretar um desequilíbrio nos efeitos da relação
negocial, prejudica a manutenção do ajuste nos termos em que foi
celebrado.
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS
Que os defeitos sejam ocultos

Não se caracterizam os vícios redibitórios quando os defeitos são


facilmente verificáveis com um rápido exame e diligência normal.

Devem eles ser tais que não permitam a imediata percepção, advinda
da diligência normal aplicável ao mundo dos negócios.
Se o defeito for aparente, suscetível de ser percebido por um exame
atento feito por um adquirente cuidadoso no trato dos seus negócios,
não constituirá vício oculto capaz de justificar a propositura da ação
redibitória. 26
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS
Que os defeitos sejam ocultos

Nesse caso, presumir-se-á que o adquirente já os conhecia e que não


os julgou capazes de impedir a aquisição, renunciando assim à
garantia legal da redibição.

Não pode alegar vício redibitório, por exemplo, o comprador de um


veículo com defeito grave no motor se a falha pudesse ser facilmente
verificada com um rápido passeio ao volante ou a subida de uma
rampa, e o adquirente dispensou o test drive.
27
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS

Que os defeitos existam no momento da celebração do contrato e


que perdurem até a ocasião da reclamação

Não responde o alienante, com efeito, pelos defeitos supervenientes,


mas somente pelos contemporâneos à alienação, ainda que venham a
se manifestar só posteriormente.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS DEFEITOS SUPERVENIENTES
CONCEITO
Os supervenientes presumem-se resultantes do mau uso da
coisa pelo comprador.

O art. 444 do Código Civil proclama: “A responsabilidade do alienante


subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer
por vício oculto, já existente ao tempo da tradição”.

A ignorância de tais vícios pelo alienante não o exime da


responsabilidade, devendo restituir “o valor recebido, mais as
despesas do contrato” (CC, art. 443).
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS
Que os defeitos sejam desconhecidos do adquirente

Presume-se, se os conhecia, que renunciou à garantia.

A expressão “vende-se no estado em que se encontra”,


comum em anúncios de venda de veículos usados, tem a finalidade de
alertar os interessados de que não se acham eles em perfeito estado,
não cabendo, por isso, nenhuma reclamação posterior.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE OS REQUISITOS

Que os defeitos sejam graves

Apenas os defeitos revestidos de gravidade a ponto de prejudicar o


uso da coisa ou diminuir-lhe o valor podem ser arguidos nas ações
redibitória e quanti minoris, não os de somenos importância (de
minimis non curat praetor).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EEITOS/AÇÕES CABÍVEIS

Se o bem objeto do negócio jurídico contém defeitos ocultos, não


descobertos em um simples e rápido exame exterior, o adquirente,
destinatário da garantia, pode enjeitá-lo ou pedir abatimento no
preço (CC, arts. 441 e 442).

A ignorância dos vícios pelo alienante não o exime da


responsabilidade.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EEITOS/AÇÕES CABÍVEIS

a ampliação
Nada impede, todavia, que as partes convencionem
dos limites da garantia em benefício do adquirente,
elevando, por exemplo, o valor a ser restituído na hipótese de enjeitar
a coisa defeituosa.

33
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EEITOS/AÇÕES CABÍVEIS

Se o alienante não conhecia o vício ou o defeito,


isto é, se agiu de boa-fé,

“tão somente restituirá o valor


recebido, mais as despesas do
contrato”.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EEITOS/AÇÕES CABÍVEIS

Mas, se agiu de má-fé, porque conhecia o


defeito, além de restituir o que
recebeu, responderá também por
“perdas e danos” (CC, art. 443).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EEITOS/AÇÕES CABÍVEIS
Ainda que o adquirente não possa restituir a coisa portadora de
defeito, por ter ocorrido o seu perecimento (morte do animal
adquirido, p. ex.), a “responsabilidade do alienante subsiste” se o
fato decorrer de “vício oculto, já existente ao tempo da
tradição” (CC, art. 444).

Na hipótese citada, o adquirente terá de provar que o vírus da doença que vitimou o animal,
por exemplo, já se encontrava encubado quando de sua entrega. 36
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
ESPÉCIES DE AÇÕES
O art. 442 do Código Civil deixa duas alternativas ao adquirente.

Pode ele, com efeito, optar pelas seguintes ações:

■ ação redibitória, para rejeitar a coisa, rescindindo o contrato e


pleiteando a devolução do preço pago; ou

■ ação quanti minoris ou estimatória, para conservar a coisa,


malgrado o defeito, reclamando, porém, abatimento no preço.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
SOBRE O EXEMPLO

Entretanto, o adquirente não pode exercer a opção (AÇÃO


ESTIMATÓRIA), devendo propor, necessariamente, ação
redibitória, na hipótese do citado art. 444, quando ocorre o
perecimento da coisa em razão do defeito oculto.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS

Os prazos para o ajuizamento das ações edilícias — redibitória e quanti


minoris — são decadenciais:

■ trinta dias, se relativas a bem móvel; e

■ um ano, se relativas a imóvel.


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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS

Nos dois casos, os prazos são contados da tradição.

Se o adquirente já estava na posse do bem, “o


prazo conta-se
da alienação, reduzido à metade” (CC, art. 445).

40
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS - CONVENÇÃO

Podem os contraentes, no entanto, ampliar


convencionalmente o referido prazo.

41
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS - CONVENÇÃO

É comum a oferta de veículos, por exemplo, com prazo de


garantia de um, dois ou mais anos.

Segundo prescreve o art. 446 do Código Civil, “não correrão os prazos


do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o
adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias
seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência”.

42
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS - COMPLEMENTO

Essa cláusula de garantia é, pois, complementar da


garantia obrigatória e legal e não a exclui.

43
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS – ACÚMULO DE PRAZO

Em síntese, haverá cumulação de prazos, fluindo primeiro o da


garantia convencional e, após, o da garantia legal.

o prazo para
Se, no entanto, o vício surgir no curso do primeiro,
reclamar se esgota nos trinta dias seguintes ao seu
descobrimento.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS
ATENÇÃO!

Significa dizer que, mesmo havendo ainda prazo para a garantia, o


adquirente é obrigado a denunciar o defeito nos trinta dias
seguintes ao em que o descobriu, sob pena de decadência do
direito.

45
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZOS DECADENCIAIS
DEVERES DA PROBIDADE E DA BOA-FÉ

A obrigação imposta ao adquirente, de


denunciar desde logo o defeito da coisa
ao alienante, decorre do dever de
probidade e boa-fé insculpido no art.
422 do Código Civil.

46
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EXCEÇÕES AOS PRAZOS DECADENCIAIS

Exceções a respeito da contagem do prazo a partir da tradição: a


jurisprudência vem aplicando duas exceções à regra de que os
referidos prazos contam-se da tradição:

a) a primeira, quando se trata de máquinas sujeitas à experimentação;


b) a segunda, nas vendas de animais.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EXCEÇÕES AOS PRAZOS DECADENCIAIS
CONTAGEM DE PRAZO

Quando uma máquina é entregue para experimentação, sujeita a


ajustes técnicos, o prazo decadencial conta-se do seu perfeito
funcionamento e efetiva utilização.

No caso do animal, conta-se da manifestação dos sintomas da doença


de que é portador até o prazo máximo de cento e oitenta dias.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EXCEÇÕES AOS PRAZOS DECADENCIAIS
VÍCIOS CONHECIDOS TARDIAMENTE
Dispõe, a propósito, o § 1º do art. 445 do Código Civil que,

em se tratando de vício que “só puder ser conhecido mais


tarde”,
a contagem se inicia no momento em que o adquirente “dele tiver
ciência”, com “prazo máximo de cento e oitenta dias em se
tratando de bens móveis, e de um ano, para os imóveis”.
49
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
EXCEÇÕES AOS PRAZOS DECADENCIAIS
VÍCIOS CONHECIDOS TARDIAMENTE
Já no caso de venda de animais (§ 2º),:

1º) “os prazos serão os estabelecidos por lei especial”,

2º) mas, enquanto esta não houver, reger-se-ão “pelos usos locais”
e,

3º) se estes não existirem, pelo disposto no § 1º.

50
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
3. O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES EDILÍCIAS

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DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
PARA COISAS VENDIDAS CONJUNTAMENTE

Não cabem as ações edilícias nas hipóteses de coisas vendidas


conjuntamente.

Dispõe, com efeito, o art. 503 do Código Civil: “Nas coisas


vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não
autoriza a rejeição de todas.”

52
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
PARA COISAS VENDIDAS CONJUNTAMENTE

Só a coisa defeituosa pode ser restituída e o seu valor deduzido do


preço, salvo se formarem um todo inseparável (uma
coleção de livros raros ou um par de sapatos, p. ex.).

Se o defeito de uma comprometer a universalidade ou conjunto das


coisas que formem um todo inseparável, pela interdependência entre
elas, o alienante responderá integralmente pelo vício.

53
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
INADIMPLEMENTO CONTRATUAL

A entrega de coisa diversa da contratada não configura vício


redibitório, mas inadimplemento contratual, respondendo o devedor
por perdas e danos (CC, art. 389).

54
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
INADIMPLEMENTO CONTRATUAL
Desse modo, o desfalque ou diferença na
quantidade de mercadorias ou objetos
adquiridos como coisas certas e por unidade
não constitui vício redibitório.

Assim também a compra de material de


determinado tipo e recebimento de
outro.

55
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
INADIMPLEMENTO CONTRATUAL
Em caso de inexecução do contrato, tem o lesado o direito de exigir o
seu cumprimento ou pedir a resolução, com perdas e danos.

O inadimplemento contratual não resulta de imperfeição da


coisa adquirida, mas da entrega de uma coisa por outra.

56
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
ERRO QUANTO ÀS QUALIDADES ESSENCIAIS DO OBJETO

Igualmente não configura vício redibitório e proíbe a utilização das


ações edilícias o erro quanto às qualidades essenciais do
objeto, que é de natureza subjetiva, pois reside na
manifestação da vontade (CC, art. 139, I).

57
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
ERRO QUANTO ÀS QUALIDADES ESSENCIAIS DO OBJETO
Dá este ensejo ao ajuizamento de ação anulatória do negócio
jurídico, no prazo decadencial de quatro anos (CC, art. 178, II).

O vício redibitório é erro objetivo sobre a coisa, que contém um


defeito oculto.

O seu fundamento é a obrigação que a lei impõe a todo alienante de


garantir ao adquirente o uso da coisa.
58
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
Se alguém, por exemplo, adquire um relógio
que funciona perfeitamente, mas não é de
ouro, como o adquirente imaginava (e
somente por essa circunstância o comprou), trata-
se de erro quanto à qualidade essencial do
objeto.
Se, no entanto, o relógio é mesmo de ouro,
mas não funciona por causa do defeito de
uma peça interna, a hipótese é de vício
redibitório.
59
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
COISA VENDIDA EM HASTA PÚBLICA
O Código Civil de 1916 excluía a possibilidade de o adquirente de bens em hasta pública que
apresentassem algum vício oculto se valesse das ações edilícias. Dizia o art. 1.106 do aludido
diploma:

“Se a coisa foi vendida em hasta pública, não cabe a ação redibitória,
nem a de pedir abatimento no preço”.

Esse dispositivo não foi reproduzido no Código Civil de 2002.

60
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
O NÃO CABIMENTO DE AÇÕES
COISA VENDIDA EM HASTA PÚBLICA

Por conseguinte, poderá o adquirente lesado, em qualquer caso,


mesmo no de venda feita compulsoriamente por autoridade da justiça,
propor tanto a ação redibitória como a quanti minoris se a coisa
arrematada contiver vício redibitório.

Não prevalece mais, pois, a hipótese excepcionada no diploma


anterior como exclusão de direito.

61
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
4. À LUZ DO CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR

62
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
À LUZ DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Quando uma pessoa adquire um veículo com


defeitos de um particular, a reclamação rege-
se pelas normas do Código Civil.

Se, no entanto, adquire-o de um comerciante


estabelecido nesse ramo, pauta-se pelo
Código de Defesa do Consumidor.

63
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
À LUZ DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Esse diploma considera vícios redibitórios tanto os


defeitos ocultos como também os aparentes ou de fácil
constatação.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS APARENTES
Os prazos são decadenciais. Para os vícios aparentes:

■ em produto não durável (mercadoria alimentícia, p. ex.), o prazo


para reclamação em juízo é de trinta dias; e

■ em produto durável, de noventa dias, contados a partir da entrega


efetiva do produto ou do término da execução dos serviços.

Obsta, no entanto, à decadência, a reclamação comprovada formulada


perante o fornecedor até resposta negativa e inequívoca.
65
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS OCULTOS

Em se tratando de vícios ocultos, os prazos são os mesmos,


mas a sua contagem somente se inicia no momento em
que ficarem evidenciados (CDC, art. 26 e parágrafos).

66
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS OCULTOS

Os fornecedores, quando efetuada a reclamação direta,


têm o prazo máximo de trinta dias para sanar o vício.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS OCULTOS

Não o fazendo, o prazo decadencial, que ficara suspenso a partir da


referida reclamação, volta a correr pelo período restante, podendo o
consumidor exigir, alternativamente:

■ substituição do produto;
■ a restituição da quantia paga, atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos; ou
■ o abatimento proporcional do preço.
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS OCULTOS

O prazo mencionado pode ser reduzido, de


comum acordo, para o mínimo de sete dias ou
ampliado até o máximo de cento e oitenta dias
(CDC, art. 18, §§ 1º e 2º).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
PRAZO DECADENCIAIS NO CDC: VÍCIOS OCULTOS

Para reforçar ainda mais as garantias do consumidor, o referido


diploma assegura a este a inversão do ônus da prova no
processo civil quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiência (art. 6º, VIII).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
5. CONCEITO

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DA EVICÇÃO
CONCEITO

Evicção é a perda da coisa em virtude de sentença


judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica
preexistente ao contrato.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DEVER DE GARANTIA

Todo alienante é obrigado não só a entregar ao


adquirente a coisa alienada como também a garantir-lhe
o uso e gozo.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
MOMENTO DO FATO JURÍDICO

Dá-se a evicção quando


o adquirente vem a perder, total ou parcialmente, a
coisa por sentença fundada em motivo jurídico anterior.
(evincere est vincendo in judicio aliquid auferre)

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
MOMENTO DO FATO JURÍDICO

Funda-se a evicção no mesmo princípio de garantia em que se assenta


a teoria dos vícios redibitórios.

Nesta, o dever do alienante é garantir o uso e gozo da coisa, protegendo o


adquirente contra os defeitos ocultos.

Mas essa garantia estende-se também aos defeitos do direito


transmitido.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
CONTRATOS COMUTATIVOS ONEROSOS

Trata-se de cláusula de garantia que opera de pleno direito, não


necessitando, pois, de estipulação expressa, sendo ínsita nos
contratos comutativos onerosos,...

... como os de compra e venda, permuta, parceria pecuária, sociedade,


transação, bem como na dação em pagamento e na partilha do acervo
hereditário.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
CONTRATOS GRATUITOS

Inexiste, destarte, em regra, responsabilidade pela evicção nos


contratos gratuitos (CC, art. 552), salvo se se tratar de doação
modal (onerosa ou gravada de encargo).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
FUNDAMENTO LEGAL NO CC
O Código Civil de 2002 desdobrou o conceito em dois dispositivos, a saber:

“Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela


evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha
realizado em hasta pública.

Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar,


diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção.”

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
QUANDO ACONTECE

Será o alienante, pois, obrigado a resguardar o adquirente dos riscos


pela perda da coisa para terceiro, por força de decisão judicial em que
fique reconhecido que aquele não era o legítimo titular do
direito que convencionou transmitir.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DAS PESSOAS ENVOLVIDAS

Há, na evicção, três personagens:

■ o alienante, que responde pelos riscos da evicção;

■ o evicto, que é o adquirente vencido na demanda movida por


terceiro; e

■ o evictor, que é o terceiro reivindicante e vencedor da ação.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ALIENANTE

A responsabilidade decorre da lei e independe, portanto, de previsão


contratual, como já dito.

Mesmo que o contrato seja omisso a esse respeito, ela existirá ex vi


legis em todo contrato oneroso, pelo qual se transfere o domínio,
posse ou uso.

81
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
6. DA EXTENSÃO DA GARANTIA

82
DA EVICÇÃO
DA EXTENSÃO DA GARANTIA

Sendo uma garantia legal, a sua extensão é estabelecida pelo


legislador.

Ocorrendo a perda da coisa em ação movida por terceiro, o


adquirente tem o direito de voltar-se contra o alienante para ser
ressarcido do prejuízo.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA EXTENSÃO DA GARANTIA

Tem direito à garantia não só o proprietário mas também o possuidor


e o usuário.

Cabe, pois, a denunciação da lide, destinada a torná-la efetiva tanto


nas ações petitórias como nas possessórias.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE

Só será excluída a responsabilidade do alienante se houver


cláusula expressa (pactum de non praestanda evictione), não se
admitindo cláusula tácita de não garantia.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
MODIFICAÇÃO DA CLAÚSULA DA
RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE

Podem as partes, por essa forma:

➢ reforçar (impondo a devolução do preço em dobro, p. ex.) ou


➢ diminuir a garantia (permitindo a devolução de apenas uma parte) e
➢ excluí-la, como consta do art. 448 do Código Civil [...].

86
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
ESQUEMA SOBRE A RESPONSABILIDADE

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
7. REQUISITOS DA EVICÇÃO E DAS VERBAS
DEVIDAS

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DA EVICÇÃO
LEMBRE-SE!

A evicção tem por causa um vício


existente no título do alienante, ou seja,
um defeito do direito transmitido ao
adquirente.

89
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
OBSERVAR A CAUSA

perda da propriedade ou da posse da


É necessário que a
coisa para terceiro decorra de uma causa jurídica, visto
que as turbações de fato podem por ele ser afastadas
mediante o recurso aos remédios possessórios.

Turbação é qualquer ato direto ou


indireto, manifestamente
contrário, no todo ou em parte à
posse ou direito de posse de
outrem.
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
REQUISITOS

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DAS VERBAS DEVIDAS
As verbas devidas estão especificadas no art. 450 do aludido diploma,
que assim dispõe:

“Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral


do preço ou das quantias que pagou:
I — à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II — à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;
III — às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.

Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o valor da coisa, na
época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de
evicção parcial.”
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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
RESSARCIMENTO AMPLO E COMPLETO

[...] na realidade, o ressarcimento deve ser amplo e completo, como se


infere da expressão “prejuízos que resultarem diretamente da
evicção”, incluindo-se as despesas com o ITBI recolhido, lavratura e
registro de escritura, juros e correção monetária.

São indenizáveis os prejuízos devidamente comprovados,


competindo ao evicto o ônus de prová-los.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
PERDAS E DANOS E OS JUROS LEGAIS

As perdas e danos, segundo o


princípio geral inserido no art. Os juros legais são devidos à
402 do Código Civil, abrangem o vista do disposto no art. 404 do
dano emergente e o lucro Código Civil.
cessante.

94
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DECISÕES DO STJ SOBRE O TEMA

O Superior Tribunal de Justiça, [...], tem proclamado:

“Perdida a propriedade do bem, o evicto há de ser indenizado


com importância que lhe propicie adquirir outro equivalente.

Não constitui reparação completa a simples devolução do que


foi pago, ainda que com correção monetária”

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
PRAZO PRESCRICIONAL PARA RESSARCIMENTO

3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, a


[...]segundo entendimento da
prescrição das pretensões dessa natureza, seja a reparação civil
decorrente da responsabilidade contratual ou extracontratual, ainda
que exclusivamente moral ou consequente de abuso de direito, deve
observar o prazo comum de três anos.

96
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA DETERIORAÇÃO DA COISA

[...]procurando manter a mesma ideia de integralidade da indenização,


estabelece o art. 451 do Código Civil que “subsiste para o alienante” a
obrigação instituída no dispositivo anterior, “ainda que a
coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo
do adquirente”.

97
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA DETERIORAÇÃO DA COISA

Por conseguinte, a deterioração da coisa, em poder do adquirente, não


afasta a responsabilidade do alienante, que responde pela evicção
total, salvo em caso de deterioração do bem provocada
intencionalmente por aquele.

Vale dizer que a responsabilidade permanece quando a deterioração


decorre de simples culpa.

98
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA DETERIORAÇÃO DA COISA

Não poderá, destarte, o alienante arguir a


desvalorização da coisa evicta com a pretensão de
obter uma diminuição do montante da indenização.

99
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DA DETERIORAÇÃO DA COISA
VANTAGENS DO ADQUIRENTE

Todavia, “se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações”


(vendendo material de demolição ou recebendo o valor de um seguro, p. ex.),
serão elas deduzidas da verba a receber, a não ser que
tenha sido condenado a indenizar o terceiro
reivindicante (CC, art. 452).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DAS BENFEITORIAS REALIZADAS NA COISA

Dispõe o art. 453 do Código Civil que as “necessárias ou úteis, não


abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante”.

O evicto, como qualquer possuidor, tem direito de ser


indenizado das necessárias e úteis, pelo reivindicante
(CC, art. 1.219).

101
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
DAS BENFEITORIAS REALIZADAS NA COISA

Contudo, se lhe foram abonadas (pagas pelo reivindicante) e tiverem


sido feitas, na verdade, pelo alienante, “o valor delas será levado
em conta na restituição devida” (CC, art. 454).

A finalidade da regra é evitar o enriquecimento sem causa


do evicto, impedindo que embolse o pagamento efetuado pelo
reivindicante de benfeitorias feitas pelo alienante.
102
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO
8. DA EVICÇÃO PARCIAL

103
DA EVICÇÃO PARCIAL
CONCEITO

Dá-se a evicção parcial quando o evicto perde


apenas parte ou fração da coisa adquirida em
virtude de contrato oneroso.

104
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
CARACTERÍSTICA

Pode caracterizá-la, ainda, obstáculo oposto ao gozo, pelo adquirente, de


uma faculdade que lhe fora transferida pelo contrato,

✓ como a utilização de uma servidão ativa do imóvel comprado;


✓ o fato de ter de suportar um ônus, como o de uma hipoteca incidente sobre o
imóvel vendido como livre e desembaraçado;
✓ e a sucumbência em ação confessória de servidão em favor de outro prédio.

105
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
PERDAS E DANOS

Se a evicção for parcial, mas com perda de parte considerável da coisa,


poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a
restituição da parte do preço correspondente ao
desfalque sofrido.

106
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
PERDAS E DANOS

Com efeito, dispõe o art. 455 do Código Civil:

“Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto


optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do
preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for
considerável, caberá somente direito a indenização.”

107
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
EXEMPLIFICANDO
Se, por exemplo, o evicto adquiriu cem alqueires de terra e perdeu
sessenta, pode optar por rescindir o contrato ou ficar com o
remanescente, recebendo a restituição da parte do preço
correspondente aos sessenta alqueires que perdeu.

108
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
INTERPRETAÇÃO DOUTRINÁRIA

A doutrina, em geral, considera parte considerável para esse fim a


perda que, atentando-se para a finalidade da coisa, faça presumir
que o contrato não se aperfeiçoaria caso o adquirente
conhecesse a verdadeira situação.

109
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
INFORMAÇÃO IMPORTANTE

Deve-se sublinhar também que não somente


sob o aspecto da quantidade pode ser aferido o
desfalque mas também em função da
qualidade, que pode sobrelevar àquele.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
EXEMPLIFICANDO

Se, por exemplo, alguém adquire uma propriedade rural e perde uma
pequena fração dela, porém justamente aquela em que se situa a casa
da sede ou o manancial de água, pode a evicção, não obstante a pouca
extensão territorial subtraída, ser tida como considerável ou de grande
monta, por atingir a própria finalidade econômica do objeto.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
EXEMPLIFICANDO
Se não for considerável a evicção, “caberá somente direito à
indenização”, segundo preceitua a segunda parte do art. 455
do CC.

Não se justifica, realmente, o desfazimento de um negócio jurídico


perfeito por causa de uma diferença irrelevante.

112
(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
EXEMPLIFICANDO

O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa,


na época em que se evenceu, “e proporcional ao desfalque
sofrido, no caso de evicção parcial” (CC, art. 450, parágrafo único).

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
DA EVICÇÃO PARCIAL
EXEMPLIFICANDO
O CÁLCULO DO PREÇO

Desse modo, o preço dos sessenta alqueires será calculado


pelo valor ao tempo da sentença que ocasionou a evicção,
pois foi nesse momento que, efetivamente, ocorreu a
diminuição patrimonial, e não pelo do tempo da celebração do
contrato.

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(GONÇALVEZ, 202O, grifo nosso)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRASIL, LEI NO 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. CÓDIGO CIVIL
BRASILEIRO.

CASTRO, Paulo Roberto Ciola de. Direito civil - negócio jurídico. Londrina : Editora
e Distribuidora Educacional S.A., 2018. 216 p.

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil: parte geral - obrigações - contratos


esquematizado. Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza volume 1, 10.
ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. 976 p.
Apresentação produzida por Cristiano Cidral.
Material utilizado para a disciplina de DIREITO CIVIL – CONTRATOS
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do autor.

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