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Livro: “Comunidade lugar do perdão e da festa” (Jean Vanier)

Podcast: “Pontos iniciais para viver uma vida fraterna plena”

"É preciso encaminhá-los em direção à


verdadeira comunidade, que os ajudará a
tornar-se homens e mulheres de prece e
compaixão" (p. 19).

1. Dados Históricos do Livro e do Autor:


Escrito originalmente em 1995 a partir das experiências vividas por Jean
Vanier, que nasceu em 1928. Em 1950 deixou a Marinha do Canadá para estudar
filosofia e morar em Paris, França. Como doutor em filosofia, chegou a lecionar na
Universidade de Toronto, no Canadá. Fundou a Comunidade Cristã “a Arca” em 1964
quando acolheu em uma casa em Trosly-Breunil, em Oise, França, um grupo de
adultos deficientes mentais. A partir de então a comunidade cresceu e se espalhou por
outros países. Vivendo em comunidades terapêuticas cristãs os membros da Arca têm
cuidado de diversas pessoas com deficiências físicas e mentais, muitas delas
abandonadas pelas famílias, amigos e governos.
Jean Vanier tem, desde então, animado muitos encontros sobre a vida comunitária.

2. Divisão do Livro:
O livro começa com a uma apresentação feita pelo então Cardeal Arcebispo de São
Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, depois vêm o prefácio e a introdução. Em seguida o
livro é subdividido em 11 capítulos temáticos.
Cada capítulo apresenta um conjunto reflexões, ora curtas, ora extensas, sobre
aspectos da vida comunitária, muitos deles narrados, a partir das experiências do
autor. Finaliza com uma conclusão relativamente curta, mas densa de significado.

3. Análise do Livro:
O livro trata das alegrias e dificuldades da vida em comunidade, especialmente das
comunidades religiosas cristãs. Jean Vanier demonstra ao longo da obra que a vida
comunitária não se constrói apenas com leis ou boa vontade. Para que a comunidade
cresça é preciso que existam condições adequadas, entre elas: crises, partilha,
pobreza, oração, doação, perdão, festa, silêncio, Palavra de Deus, celebração,
acolhimento, arrependimento, reuniões, discernimento, fidelidade, animação,
disponibilidade, refeição, amizade, encantamento, escuta, ministros, pequenez,
engajamento político, diretor espiritual, fé e amor.

Considerações iniciais sobre vida em Fraternidade

 O que é fraternidade: Lugar/ Valor teológico dos que buscam a Deus e ser
pessoa e sujeito. Ela é um valor tríplice interdependente (Fraternidade/ Igualdade/
Liberdade). Pequeno grupo de pessoas que se associam em uma Instituição que
vive o valor Comum. No caso da OFS, a Fraternidade local é a célula primeira de
toda a Ordem, sinal visível da Igreja, ambiente privilegiado para desenvolver o
sentido eclesial e a vocação franciscana.

 No Franciscanismo encontramos uma vida simples e livre com a prática evangélica


baseada em quatro pilares da penitência: Oração, Fraternidade, Minoridade/
Pobreza e apostolado. Foi um fundador da vida religiosa apostólica, nos deixou
uma herança materializada em um método, uma espiritualidade (caminho) e um
carisma. São Francisco é um hipertexto que carrega em sua história os valores
cavalheirescos/ código da ética cavalheiresca: fidelidade ao senhor, a fidelidade e
devoção à amada e a fidelidade cristã a Deus e aos pobres (desvalidos ou mais
fracos). Fides (Fidelidade e fé); Natura (Identidade natural); Creation (Criação). O
modo de ser Franciscano na liberdade e na responsabilidade: Como a herança
franciscana cria sujeitos fortes e não indivíduos enfraquecidos em meio ao circo da
modernidade?

 Objetivos da Comunidade: Muitas tensões numa comunidade ocorrem pela


incompatibilidade de objetivos. É necessário que o formando tenha consciência do
que a comunidade espera dele (Cada um de acordo com suas possibilidades); E o
que ele espera da comunidade? O que Deus espera de mim? Por que eu estou
aqui? Encontrar tais respostas nos ajudará a diminuir os conflitos, as infidelidades,
as irresponsabilidades, as desobediências.

 Comunidade para mim, eu para a comunidade: Páscoa! No batismo e na


profissão solene, o eu morre e nasce o eu-Nós, entregamos a vida! A Fraternidade
nos dar o sabor/ saber das coisas que nos formam em sujeitos e não somente em
indivíduos. O Indivíduo é programado para esquecer, o sujeito a sonhar. Quem
não cultiva a memória/ história não tem raízes. O sujeito recorda (Re:voltar +
cordis: Coração). Irmão de comunidade é diferente de amizade. Há uma oposição
entre nossas relações simpatia e antipatia. Não podemos limitar nossa relação
fraterna somente com as pessoas que sentimos simpatia. É necessário cultivar a
empatia. Na Fraternidade expressamos nossa afetividade, maturidades infantis,
traumas históricos... Toda a decisão comporta uma cisão: Mudar de mentalidade e
de lugar.

 Fraquezas profundas: Deixar-se revelar por inteiro, se dar a conhecer com


verdade e transparência sobre tudo as nossas fraquezas: traumas, sofrimentos...
A pessoa mais próxima ao formando é o Formador, nesta relação é primordial a
confiança.

 Pertença: O sentimento de pertença independe da presença física/ material. Nós


pertencemos naturalmente a um grupo familiar. O Eu, deixa de ser sozinho. Na
Fraternidade o ego, é compreendido como eu-nós. Neste sentido, não deseja-se
romper completamente com a individualidade de cada um, mas agregar a ela um
valor de referência comunitária. Somos responsáveis pelo que nos pertence.
Quando temos pertença o outro torna-se meu próximo, pelo qual eu sou
responsável e sou obediente a este amor (r+espons= esponsal, resposta/fidelidade
ao amor) é preciso se encantar/ enamorar-se sempre com o amor, não perder o
ponto de partida.

 Quais os princípios que regem sua vida?

 Espiritualidade: para os gregos Pneuma (Aquilo com o qual estamos cheios); Para
os Judeus Huá (Sopro da existência)
4. Considerações Finais:
Os escritos de Vanier são fonte de inspiração para muitos que se lançam no desafio
da vida comunitária. São bem conceituados ainda por que são fruto de uma vida
dedicada ao outro, portanto, mais que argumento e especulação, são experiências
adquiridas ao longo de toda uma existência.

Através dessa obra o autor revela como a vida comunitária favoreceu seu próprio
crescimento humano e cristão. O amor a Cristo e aos irmãos é o motor da experiência
que a cada capítulo se demonstra concomitantemente rica e desafiadora.

Comunidade, lugar do perdão e da festa


Autor: Jean Vanier
Editora: Paulinas
Produção: Brasil, São Paulo, 2006 - 6ª Ed.
Gênero: Espiritualidade
Páginas: 385 p.

Fonte: http://reverberarvida.blogspot.com/2015/11/resenha-do-livro-de-jean-vanier.html

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