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Turismo Sustentável e_Folio B

Luis Manuel Baltazar Alegre Aluno nº 801854

Este trabalho visa a implementação de medidas ambientalmente sustentáveis, para dinamizar um


hotel inserido numa zona protegida e teve como bases: a compreensão da terminologia conceptual
referente á actividade turística; a tentativa da compreensão das motivações dos potenciais clientes; a
análise da legislação das áreas protegidas e a caracterização climática da zona aonde está inserido,
as quais, foram conseguidas com o recurso a pesquisas e no material de apoio á cadeira
disponibilizado na plataforma e-learning da Universidade Aberta. No entanto, não foi possível
integrar nesta análise, o estudo espacial dos recursos existentes na zona de implantação da unidade
turística em análise, nem a realização do trabalho de campo, elementos fundamentais, para uma
perspectiva global das potencialidades da região.
Assim partimos de uma situação base que é a seguinte:
Um hotel, com 40 camas, ocupando uma antiga casa rural, inserido numa propriedade agrícola de
13 hectares, com infra-estruturas de apoio à agricultura e à pecuária, estando parte da propriedade
englobada numa área protegida. A 1 km do hotel, situa-se uma barragem, com zonas de falésia (sem
perigo de derrocada) e outra de formações arenosas que permitem tomar banho. No inverno a zona
tem condições para observação de aves.
Parti do princípio, que esta unidade hoteleira se situa relativamente perto do mar, tendo uma
ocupação sazonal ancorada na utilização balnear, apresentando índices de ocupação muito elevados
no Verão e pouca ocupação no Inverno.
O clima é tipo mediterrânico, com forte influência marítima. As temperaturas são amenas, excepto
em períodos de ventos de levante. O regime de ventos é um importante factor no clima da região. A
insolação média anual é muito elevada, das mais altas da Europa. A água do mar é muito rica em
biodiversidade e pura mas também fresca, dado o frequente upwelling, sendo que a temperatura
varia entre o 14º no Inverno e o 21º no Verão.
Análise potencial dos recursos possíveis com vista á dinamização do hotel.

1- Enquadramento conceptual
“A qualidade do turismo não passa pelo luxo do estabelecimento hoteleiro, mas antes pela
capacidade de acompanhamento dos desejos e motivações da procura e uma forte adaptação a
situações novas “ (Cunha 1997, pág. 21).

Partindo da opinião de Cunha, centraremos a nossa oferta, de modo a, responder às preferências dos
turistas, proporcionando-lhe flexibilidade através de uma oferta variada, com grande enfoque na
animação ambiental, procurando estratégias, que conciliem de uma forma sustentada, os desejos da
procura com os recursos endógenos, criando ao mesmo tempo, mais-valias para a comunidade local.
Perante o esgotamento do turismo de massas, tirando partido da localização deste hotel, propõe-se a
exploração de forma planeada e em harmonia com os princípios da sustentabilidade ambiental,
criando um cluster ambiental, aonde iremos ancorar a revitalização desta unidade hoteleira. Esta
nova abordagem turística, terá o seu enfoque no turismo em espaço rural (TER) e no turismo de
natureza.
Esta aposta deve ser feita de forma planeada, de maneira a ir de encontro às motivações dos utentes
e á preservação dos recursos naturais, de acordo com o plano de gestão da área protegida aonde este
hotel está inserido. Nesse sentido e projectando a dinamização das actividades de uma forma
sustentada, centraremos o espaço natural classificado como motor da nova dinâmica, apostando em
parcerias com outros agentes ligados a esta área protegida, principalmente com os seus órgãos de
gestão.

2- O espaço natural como destino turístico

O espaço natural, assume-se aqui como um valor, cultural, biológico e turístico, nesse sentido
iremos explorar o seu “consumo”, através da contemplação e contacto com uma paisagem muito
pouco antropizada.
A localização desta unidade hoteleira numa área protegida e o reconhecimento desta zona como
importante reserva cultural e ambiental, contribui para a definição da nova dimensão, valor e função
que se pretende imprimir a esta unidade turística, aproveitando as novas funções atribuídas a este
tipo de espaços naturais, destacando-se as actividades recreativas, científicas e turísticas.
Estes espaços naturais, de grande riqueza biológica, para serem valorizados em termos turísticos,
devem ser objecto de intervenções mínimas, de modo a tornar o seu usufruto sustentável.
Qualquer intervenção nesta área deve ser planeada com os gestores da área protegida e devidamente
licenciada. Assim e não tendo o conhecimento prévio do existente, é natural que seja necessário
implementar algumas medidas, capazes de harmonizar o ecossistema natural com as actividades
propostas, através de acções sustentadas, nomeadamente: abertura e manutenção de veredas,
limpeza de vegetação excedente, sinalização orientadora e interpretativa, identificação de espaços
de riqueza biológica, delimitação de áreas para prática de actividades, elaboração de cartografia e de
um plano de emergência.
As albufeiras apresentam potencialidades turísticas a par de algumas fragilidades, para minimizar o
impacto devem ser tomadas medidas de gestão eficazes e sustentáveis, nomeadamente através de
um plano de gestão de modo a regular os seus usos.

3- Plano de acção

O Plano Estratégico Nacional do Turismo, definiu o Turismo de Natureza como um dos 10


produtos, em que prioritariamente, deverá assentar a estratégia de desenvolvimento do Turismo
Nacional.
De acordo com o Artigo 18º do Decreto-lei 39/2008, este empreendimento turístico está enquadrado
na tipologia de hotel rural e reúne condições em potência, para ser classificado como turismo de
natureza, assim, deve ser feita a reconversão da sua classificação, bem como o pedido de
reconhecimento pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P., como turismo
de natureza, de acordo com o Artigo 20º do Decreto-lei 39/2008 e com os critérios definidos pela
Portaria nº 261/2009.

a) Pedido de classificação como turismo de natureza.

Deve anteceder a este pedido, a implementação das seguintes medidas:

• Elaboração de informação para distribuir aos clientes sobre a fauna, flora e geologia locais;
• Formação dos colaboradores em matéria correlacionadas com a conservação da natureza e da
biodiversidade;
• Adopção de boas práticas ambientais;
• Elaboração de informação para distribuir aos clientes sobre origem e modos de produção dos
produtos alimentares utilizados, os quais serão tendencialmente de origem biológica e
produzidos na unidade agrícola aonde o hotel está integrado;
• Uso predominante de flora local nos espaços exteriores do empreendimento, excepto nas áreas
de uso agrícola;
• Elaboração de informação sobre serviços complementares que garantam a possibilidade de
usufruto do património natural da região por parte dos clientes, nomeadamente através de
animação turística, visitação das áreas naturais, desporto da natureza ou interpretação
ambiental.
• Implementação de um Sistema de gestão ambiental certificado pela Norma ISO 14001, para
alcançar este objectivo, propõe-se primeiro a certificação ambiental do Eco-Hotel, que consiste
numa certificação ambiental pouco exigente em termos burocráticos. Este sistema visa facilitar
a iniciação de uma política eficaz de protecção ambiental, constituindo uma base sólida para
obter a certificação ISO 14001;
• Candidatura ao rótulo ecológico comunitário aplicável a serviços de alojamento turístico, tendo
por referência a Decisão da Comissão n.º 2003/287/CE, de 14 de Abril;
• Elaboração de um projecto de conservação da natureza e da biodiversidade, aprovado pelo
ICNB, I. P., o qual, deve ser transversal a todas as actividades complementares ao alojamento
de acordo com os seguintes critérios:
1- O projecto proposto, visa a compatibilização das várias actividades ligadas á animação
ambiental oferecidas por este hotel, com a sustentabilidade do espaço aonde elas são
realizadas e da própria área protegida, nesse sentido o projecto irá incidir em zonas piloto,
coincidentes com as actividades propostas aos turistas, os quais poderão optar por uma
participação activa no projecto, nomeadamente através da observação e monitorização de
aves e da flora;
2- Os valores naturais alvo do projecto, serão a fauna e a flora;
3- O cronograma da execução do projecto será adequado aos objectivos do projecto;
4- O projecto será uma mais-valia para a conservação do património natural, monitorizando
os fluxos migratórios das aves, a ocorrência das várias espécies da flora, a sua conservação
e o impacto que as actividades exercidas no âmbito do turismo de natureza, tem neste
espaço natural;
5- O projecto a apresentar, deve contar com a participação dos vigilantes da Natureza e dos
técnicos da área protegida, bem como envolver os turistas nas actividades do próprio
projecto, disponibilização serviços de visitação e actividades de educação ambiental
associados ao projecto.
b) Animação ambiental e desportiva
Esta unidade hoteleira irá central grande parte das suas actividades de animação, viradas para a
natureza, com especial enfoque, nas actividades previstas no projecto de conservação da natureza e
da biodiversidade a apresentar ao ICNB, no âmbito do pedido de classificação como turismo de
natureza.
Como foi descrito nas linhas gerais do projecto, irão existir actividades no âmbito do mesmo,
executadas pelos próprios hóspedes, proporcionando assim uma experiência única de contacto e
observação da natureza, a qual, será integrada num estudo científico. Nesse sentido serão
organizadas palestras sobre a biodiversidade da área protegida, que serão complementadas com
observações de campo, devidamente organizadas e os grupos que queiram integrar o projecto, ser-
lhe-á dada formação específica de modo a integrá-los no espírito do projecto, esperando que esta
estratégia fidelize estes turistas.

As actividades a implementar no serão:


Pedestrianismo - O pedestrianismo pode ser definido como o desporto de andar a pé geralmente na
natureza e em trilhos tradicionais. Na verdade, o pedestrianismo trata-se duma actividade
multifacetada ligada às áreas do desporto, do turismo e do ambiente. A prática de pedestrianismo
será feita integralmente em percursos pedestres devidamente sinalizados no terreno e dentro da área
protegida.
Ao contrário de outras actividades de ar livre, a prática de pedestrianismo não envolve grandes
dificuldades técnicas. Trata-se, em geral, de uma actividade simultaneamente relaxante e agradável,
daí que possa ser integrada num circuito de observação ligado ao projecto.
Birdwhacting -
A observação de aves é uma actividade que se integra no produto Turismo de Natureza,
constituindo uma oferta temática no âmbito da fruição das paisagens naturais da zona de
implantação deste hotel, o que, não impede que seja equacionada como uma actividade
complementar do pedestrianismo, sendo por excelência uma das actividades que melhor se
enquadra no projecto a apresentar ao ICNB, permitindo aos turistas dar o seu precioso contributo,
para o desenvolvimento do projecto ambiental que será dinamizado por este hotel.
Hipismo - O hipismo será um complemento á actividade agrícola da quinta, privilegiando a criação
de cavalos e o seu ensino, a par de passeios a cavalo nos locais autorizados para esse efeito.
Escalada - Aproveitando a escarpa existente numa das barragens, iremos potenciar a prática de
desportos de natureza, através da escalada e do rappelle.
Orientação - A orientação será outra das actividades propostas aos utentes desta unidade turística,
consistindo na orientação no terreno, através de mapas e de uma bússola.
Desportos do ar - As condições observadas no vento, aliadas às correntes térmicas geradas na
interface mar/terra, criam as condições ideais para a prática das varias actividades possíveis dentro
desta temática e compatíveis com o espaço aonde serão praticadas.
Paintball – O paintball será outro dos desportos a disponibilizar, o qual sendo um desporto de
grupo, irá de encontro á filosofia que assenta a dinamização desta unidade, a qual, procura na época
baixa uma clientela estruturada por grupos e por interesses comuns.

c) Restauração - Requalificação da oferta gastronómica, através da diferenciação em relação à


oferta existente na região, centrado a oferta num restaurante biológico e num roteiro turístico
gastronómico, conseguido através de parcerias com empresas de restauração tradicionais,
contribuindo assim para o desenvolvimento e divulgação da região.
d) Actividades agrícolas – A transformação e certificação de toda actividade agrícola, para
uma vertente biológica, para fornecimento da unidade de restauração, ao mesmo tempo que
funcionará como uma quinta pedagógica, proporcionando aos turista a possibilidade do contacto
directo com as várias actividades da quinta.
e) Praia fluvial – Aproveitando a barragem que tem condições para a prática balnear, iremos
pedir a sua classificação como praia fluvial, permitindo aos utentes uma diversificação da oferta em
termos de práticas balneares.
Bibliografia:

Cadima, J., Freitas, M., Mendes, R. (2001). O turismo no espaço rural: uma digressão pelo tema
apretexto da situação e evolução do fenómeno em Portugal. Núcleo de Investigação em Políticas
Económicas. Braga. Universidade do Minho.
Cunha, L. (1997), Economia e Política do Turismo, Alfragide, Editora de Mc Graw-Hill de Portugal
Lda.
Cunha, L. (2006). Economia e política do turismo. Lisboa, Edições Verbo.
Economia e Ambiente – Turismo Sustentável: Valorizar sem destruir, QUERCUS Ambiente nº 10,
2004.
Economia e Ambiente – A ISO 14001 e o EMAS, QUERCUS Ambiente. Niefer, I. A. e Garzel
Leodoro da Silva, J. C. Critérios para um ecoturismo ambientalmente saudável.
Cupeto, Carlos (2003): Ecoturismo, a sustentabilidade do turismo no século XXI. Documento URL:
http://www.ciari.org
Legislação: Decreto-lei 39/2008; Portaria nº 261/2009: Decisão da Comissão n.º 2003/287/CE