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DEZEMBRO

2018

FORMAÇÃO

Residência fiscal
e alojamento local

SEG4218

Marília Fernandes

www.occ.pt
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

FICHA TÉCNICA

Título: Residência fiscal e alojamento local

Autor: Marília Fernandes

Capa: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OCC

© Ordem dos Contabilistas Certificados, 2018

Impresso por Jorge Fernandes, Lda em novembro de 2018

Depósito-Legal:

Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não o indicado,
sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Contabilistas Certificados, entidade
que detém os direitos de autor.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ÍNDICE
RESIDÊNCIA FISCAL ................................................................................................... 3
1. INCIDÊNCIA PESSOAL .......................................................................................... 5
1.1 SUJEITO PASSIVO .............................................................................................. 5
1.2 SUJEITOS PASSIVOS RESIDENTES ................................................................. 5
1.2.1. PRINCÍPIO DA RESIDÊNCIA .............................................................................. 5
1.3 SUJEITOS PASSIVOS NÃO RESIDENTES ........................................................ 6
1.3.1 PRINCÍPIO DA FONTE .......................................................................................... 6
2. CONCEITO RESIDÊNCIA ...................................................................................... 9
2.1. RESIDENCIA EM TERRITORIO NACIONAL ...................................................... 9
2.1. RESIDENCIA NAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES E DA MADEIRA 13
2.2 RESIDENTES NÃO HABITUAIS EM IRS ........................................................... 15
2.2.1 ESTATUTO E APLICAÇÃO TEMPORAL ........................................................ 15
2.2.2 ACTIVIDADES DE ELEVADO VALOR ACRESCENTADO (PORTARIA
12/2010) .................................................................................................................... 16
2.2.3 REGRAS DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEIS ..................................................... 17
2.2.3.1 RENDIMENTOS OBTIDOS EM TERRITORIO NACIONAL ........................ 17
2.2.3.2 RENDIMENTOS OBTIDOS NO ESTRANGEIRO ......................................... 17
3. SUJEITOS PASSIVOS NÃO RESIDENTES ........................................................ 21
3.1 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO – SUJEITOS PASSIVOS NÃO RESIDENTES ... 23
3.1.1 REGIME GERAL .................................................................................................... 23
3.1.2 REGIME ESPECIAL (n.º 8 a 10 do art.º 71.º do CIRS) ................................... 26
3.1.3 REGIMES OPCIONAIS ........................................................................................ 26
3.1.3.1 RENDIMENTOS NÃO SUJEITOS A TAXAS LIBERATÓRIAS (art.º 72.º n.º
9 e 10) ............................................................................................................................... 27
3.1.3.2 OPÇÃO PELA APLICAÇÃO DAS REGRAS APLICÁVEIS A RESIDENTES
(Art.º 17-A do CIRS) ........................................................................................................ 27
3.2 CONVENÇÕES DUPLA TRIBUTAÇÃO ............................................................. 28
3.3 OBRIGAÇÕES DAS ENTIDADES PAGADORAS .............................................. 29
4. RESIDÊNCIA FISCAL PARCIAL ............................................................................. 31
4.1 RESIDÊNCIA FISCAL PARCIAL - CRITÉRIOS ................................................. 32
4.2 OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS ....................................................................... 33
5. REPRESENTANTE FISCAL .................................................................................... 35
5.1 NOMEAÇÃO DE REPRESENTANTE ................................................................ 35
5.2 RENÚNCIA DE REPRESENTANTE................................................................... 35

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ALOJAMENTO LOCAL ............................................................................................... 37


1- ENQUADRAMENTO LEGAL ............................................................................. 37
2.NOÇÃO DE ALOJAMENTO LOCAL ..................................................................... 39
3.MODALIDADES DE ALOJAMENTO LOCAL ........................................................ 41
4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ALOJAMENTO ............................................... 43
5. CAPACIDADE e LIMITE DE EXPLORAÇÃO ....................................................... 45
6. REQUISITOS GERAIS ......................................................................................... 47
7. REGRAS DE SEGURANÇA E PUBLICIDADE .................................................... 49
8. SEF - BOLETIM DE ALOJAMENTO (BA) ............................................................ 51
9. PROCEDIMENTOS DE REGISTO E OBRIGAÇÕES .......................................... 53
9.1 DANOS E OBRAS DE ADAPTAÇÃO .................................................................... 55
9.2 SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL ......................................................... 55
9.3 - CONTRIBUIÇÕES PARA O CONDOMÍNIO ...................................................... 56
10. ENTIDADES FISCALIZADORAS ....................................................................... 57
10.1 CANCELAMENTO DO REGISTO .................................................................... 57
11. DIFERENÇA ENTRE UM CONTRATO DE ARRENDAMENTO URBANO E A
EXPLORAÇÃO DE UM ESTABELECIMENTO DE ALOJAMENTO LOCAL ............ 59
12. TITULAR DA EXPLORAÇÃO DO ESTABELECIMENTO .................................. 61
13. FISCALIDADE – PESSOAS SINGULARES ....................................................... 63
13.1 REGIME SIMPLIFICADO ...................................................................................... 63
13.1.1 – DETERMINAÇÃO DO RESULTADO LIQUIDO DA CATEGORIA B – ANO
2018 ................................................................................................................................... 64
13.2 REGIME DA CONTABILIDADE ........................................................................ 65
13.3 AFETAÇÃO DO PATRIMONIO PARTICULAR AO EMPRESARIAL ........... 65
14. O ENQUADRAMENTO EM IVA ........................................................................ 67
14.1 PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS DE ALOJAMENTO LOCAL ............................ 67
14.2 - OS INTERMEDIÁRIOS – COMISSÕES ......................................................... 70
14.3 O CASO PARTICULAR DOS PRESTADORES DE SERVIÇO ENQUADRADOS
NO REGIME DE ISENÇÃO, DO ART.º 53.º DO CIVA ............................................ 75
15. TAXA TURISTICA DE DORMIDAS ........................................................................ 81
16. ENQUADRAMENTO EM IMI E IMT ....................................................................... 83
16.1 ENQUADRAMENTO EM IMT ........................................................................... 83
16.2 ENQUADRAMENTO EM IMI ............................................................................ 87
16.3 NOVO ADICIONAL DE IMI ............................................................................... 88
17. AREAS DE CONTENÇÃO ..................................................................................... 91
18 BIBLIOGRAFIA : .................................................................................................. 93

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RESIDÊNCIA FISCAL

1. INCIDÊNCIA PESSOAL
A Incidência Pessoal trata da questão associada a “quem” está sujeito a imposto. O
sujeito passivo de que trata este capítulo é a pessoa singular obrigada ao pagamento
do IRS. Trata-se, pois, do contribuinte e não de outro obrigado fiscal, a quem a lei
imponha um diferente tipo de obrigações.

1.1 SUJEITO PASSIVO


De acordo com o disposto no CIRS (art.º 13) são sujeitos passivos do imposto as
pessoas singulares residentes e as não residentes que no território português
obtenham rendimentos.

1.2 SUJEITOS PASSIVOS RESIDENTES


Os sujeitos passivos residentes em território português estão sujeitos a IRS pela
totalidade dos rendimentos auferidos, incluindo os obtidos no estrangeiro. Diz-se, por
isso, tratar-se de uma obrigação de âmbito pessoal (Princípio da Residência) tratando-
se de residentes, a obrigação fiscal é integral.

Verifica-se, pois, o princípio da residência ou princípio da tributação mundial dos


residentes ou princípio da universalidade (territorialidade pessoal). Noutros termos, a
tributação dos residentes opera-se, segundo base mundial (art.º 15.º n.º 1 CIRS).

Importa reter, que é indiferente ao IRS a nacionalidade do sujeito passivo.

1.2.1. PRINCÍPIO DA RESIDÊNCIA


O princípio da residência em matéria fiscal, prende-se com o facto de os Estados
quererem tributar os seus residentes por todos os seus rendimentos,
independentemente da sua fonte ser nacional ou estrangeira, donde resulta que os
contribuintes que sejam considerados residentes num determinado Estado serão
tributados nesse Estado por todos os seus rendimentos, incluindo os rendimentos
obtidos no estrangeiro ou seja obrigação mundial ilimitada dos residentes (tributação

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do rendimento global do contribuinte, sem ter em conta as suas origens e as


fronteiras).

O fundamento principal subjacente a este princípio e que legitima a tributação pelo


Estado da residência e a equidade, fundamentalmente no caso dos impostos que
operem através de taxas progressivas, ou seja, faz sentido, nestes casos, que os
contribuintes que sejam considerados residentes num determinado território sejam
tributados também pelos rendimentos obtidos no estrangeiro a fim de lhes ser aplicada
a taxa correspondente a sua efetiva capacidade contributiva.

Para além de outros, um dos argumentos que por norma é invocado é que se um
contribuinte reside num determinado Estado, beneficia aí, dos serviços
disponibilizados por esse Estado, pelo que, fará sentido que seja esse Estado (da
residência) a obter as competentes receitas fiscais.

1.3 SUJEITOS PASSIVOS NÃO RESIDENTES


Os sujeitos passivos não residentes estão sujeitos a IRS pelos rendimentos obtidos
em território português, na pessoa do respetivo titular. Diz-se, por isso, tratar-se de
uma obrigação real limitada ou parcial (Princípio da Fonte) serão tributados apenas os
rendimentos que se considerem aqui obtidos, isto é, em princípio, os que resultarem
de uma fonte, situada em território nacional (art.º 15 n.º 2 CIRS).

1.3.1 PRINCÍPIO DA FONTE


O princípio da fonte, por seu turno, tem subjacente o facto de os Estados quererem
tributar os rendimentos obtidos no interior dos seus territórios, independentemente dos
titulares dos rendimentos serem considerados ou não residentes, o que conduz a que
os contribuintes que sejam considerados não residentes num determinado território,
sejam tributados apenas pelos rendimentos nele obtido, ou seja, apenas quando a
fonte dos rendimentos se situe nesse território – obrigação limitada dos não residentes
(tributação limitada aos rendimentos produzidos no território).

A adoção do princípio da fonte, é igualmente legitima em virtude de os rendimentos


terem tido a sua origem num determinado Estado (Estado da fonte), consumindo os
recursos aí existentes e beneficiando também, dos serviços e equipamentos públicos.

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Conforme se depreende do supra exposto, ambos os argumentos são validos,


dependendo sobretudo do tipo de rendimentos em causa. Porém, os conflitos entre as
pretensões do Estado da fonte e do Estado da residência podem muitas vezes gerar
constrangimentos, designadamente situações de dupla tributação internacional.

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2. CONCEITO RESIDÊNCIA

2.1. RESIDÊNCIA EM TERRITÓRIO NACIONAL


Como supra se referiu, os sujeitos passivos que sejam considerados residentes em
território nacional serão tributados pela globalidade dos seus rendimentos incluindo os
obtidos no estrangeiro (art.º 15º, n.º 1 do CIRS), enquanto que os não residentes
serão tributados apenas pelos rendimentos obtidos em território nacional (art.º 15º, n.º
2 do CIRS).

Dado que face a legislação interna, e face as legislações de outros Estados, a forma
de tributação ira depender dos contribuintes serem ou não considerados como
residentes num determinado território, é fundamental que tais legislações estabeleçam
de forma objetiva quem e o que, se considera residente para efeitos fiscais.

Essa forma objetiva encontra-se contemplada nos artigos 16º e 17.º do CIRS. A
definição de residência e feita unilateralmente por cada Estado. As Convenções
internacionais sobre Dupla Tributação (CDT) aceitam tal competência, limitando-se a
estabelecer regras de “desempate” que permitem qualificar um contribuinte como
residente em (apenas) um dos Estados contratante, quando ambos (por força das
divergências entre as respetivas leis) o consideram como tal.

Assim, nos termos do artigo 16º CIRS, consideram-se residentes em território


português, as pessoas que no ano de obtenção dos rendimentos:
ð Tenham permanecido em território português por mais de 183 dias, seguidos
ou interpolados, em qualquer período de 12 meses com início ou fim no ano
em causa (critério da permanência) – alínea a) do n.º 1 do art.º 16º do CIRS.
Relativamente a esta alínea, uma das questões que se coloca, relaciona-se com a
impossibilidade, em geral, de comprovar o tempo de permanência, pelo menos no
Espaço da União Europeia, dada a inexistência de fronteiras e a não exigibilidade de
passaporte (livre circulação de pessoas no espaço da União Europeia).

ð Tendo permanecido por menos tempo ao referido no ponto anterior,


disponham, em qualquer dia do período de 12 meses supra referido, em
território português, de habitação em condições que façam supor intenção atual
de a manter e ocupar como residência habitual (neste caso a residência

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assenta na convicção de que a permanência prevista no ponto anterior vai


continuar) – alínea b) do n.º 1 do art.º 16º do CIRS.
ð Em 31 de Dezembro sejam tripulantes de navios ou aeronaves, desde que
aqueles (tripulantes) se encontrem ao serviço de entidades com residência,
sede ou direção efetiva em território português – alínea c) do n.º 1 do art.º 16º
do CIRS.

Nos termos desta alínea do art.º 16.º do CIRS, são considerados residentes em
território nacional os tripulantes de uma aeronave da transportadora aérea nacional
(TAP), ainda que essa aeronave esteja, em 31 de dezembro, ao serviço de uma
transportadora aérea estrangeira.

ð Desempenhem no estrangeiro funções ou comissões de caracter publico ao


serviço do Estado português– alínea d) do n.º 1 do art.º 16º do CIRS.

Os melhores exemplos de quem está abrangido por esta norma, será a dos membros
das missões diplomáticas e consulares de Portugal em serviço no estrangeiro, os
titulares de cargos oficiais do Estado português, como membros das delegações e
representações permanentes acreditadas perante organismos internacionais ou que
façam parte de delegações ou missões no estrangeiro, os funcionários no ativo que
exerçam no estrangeiro cargo ou serviço publico, assim como o dos militares no
estrangeiro em missões de salvaguarda de paz.

No entanto não será aplicada, caso os mesmos estejam no estrangeiro ao serviço de


uma organização internacional (NATO, ONU) e não do Estado português. Não serão,
no entanto, considerados residentes ao abrigo desta norma (podendo ser ao abrigo de
outro critério legal) as pessoas que, mesmo sendo funcionários públicos, exerçam no
estrangeiro funções ou comissões, mas não ao serviço do Estado português.

No caso dos funcionários públicos que vão integrar os quadros da organização da


União Europeia, mesmo que sejam nomeados pelo Governo português (comissários
portugueses na Comissão Europeia,) e em particular quanto ao caso dos funcionários
e agentes da União Europeia, ao abrigo do Protocolo n.º 4, os mesmos conservam a
sua residência fiscal originaria, independentemente do local onde prestam serviço. No
entanto, a sua tributação é impedida por outra norma do Protocolo que dispõe que os
funcionários e agentes das comunidades ficam isentos de impostos nacionais que
incidam sobre os vencimentos, salários e emolumentos pagos pela União. Tais

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rendimentos são sujeitos aos impostos próprios da União Europeia pelo que a isenção
consagrada, tem em vista evitar a dupla tributação jurídica internacional.

O oficio-circular n.º X-2/90, de 25/10, previa exatamente uma exclusão de tributação


em IRS do pessoal ao Serviço da CEE, tendo sido, por despacho de 90-05-27, de sua
Excelência o Secretario de Estado dos Assuntos Fiscais, sancionado o entendimento
de que não estão sujeitos a tributação em sede do IRS, nem sequer a englobamento
para efeitos de determinação da taxa aplicável ao restante rendimento porventura
existente, os rendimentos auferidos por cidadãos portugueses no desempenho de
funções em órgãos da CEE, ao abrigo do artigo 13.º do Protocolo Relativo aos
Privilégios e Imunidades Europeias, dado tratar-se de norma de caracter internacional.

Dessa forma, não deveriam tais remunerações ser incluídas nas declarações de
rendimentos do IRS.

Através do oficio-circulado n.º 20159/2012, de 20/02, tal entendimento foi alterado,


relativamente aos deputados do Parlamento Europeu, devido a entrada em vigor da
Decisão 2005/684/CEE do Parlamento Europeu, de 28/09, que veio a ter implicações,
em sede de IRS, no que se refere ao regime tributário aplicável aos rendimentos das
categorias A e H auferidos por aqueles deputados e que se consubstanciou nas
alterações ao CIRS a que fazemos referencia.

Assim, de acordo com o estipulado nos números 3, 4 e 5 do art.º 12.º do Estatuto dos
Deputados ao Parlamento Europeu, que entrou em vigor em 2009, os Estados-
Membros podem submeter ás disposições fiscais nacionais os subsídios, equivalentes
ao vencimento base, auferidos por estes deputados, incluindo a sua consideração
aquando do apuramento do imposto devido relativamente a outros rendimentos, bem
como os subsídios de reintegração e as pensões de aposentação, invalidez e
sobrevivência, desde que seja evitada a dupla tributação.

De modo a salvaguardar direitos adquiridos, relativos aos deputados eleitos antes da


entrada em vigor daquele Estatuto e que tenham sido reeleitos, foi definido um regime
transitório, segundo o qual, podem estes continuar a beneficiar da isenção prevista no
art.º 13º do Protocolo relativo aos Privilégios e imunidades europeias, devendo,
nesses casos, ter comunicado essa decisão ao Presidente do Parlamento Europeu no
prazo de 30 dias a contar da entrada em vigor daquele Estatuto.

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Assim, quanto a remuneração auferida pelos Deputados ao Parlamento Europeu


passa a aplicar-se o regime dos artigos 2.º (trabalho dependente) ou 11.º do CIRS
(pensões), consoante os casos, tendo sido revogado o oficio-circular n.º X-2/90, de
25/10, exceto relativamente aos rendimentos auferidos a partir de 2009 pelos
deputados em condições de optar pela aplicação do regime anterior e que tenham
exercido essa opção, com a respetiva comunicação ao Presidente do Parlamento
Europeu.

Em resultado da situação supra exposta, a Lei do OE para 2013 (Lei n.º 66-B/2012, de
31/12) aditou ao art.º 16º o n.º 11 (atual n.º 13) que passou a prever expressamente
que se enquadra nesta alínea d) do n.º 1 do art.º 16º, o exercício de funções de
deputado ao Parlamento Europeu. Ou seja, os deputados ao Parlamento Europeu
passaram a ser considerados residentes em território português.

Nesse seguimento, foi também aditado um novo n.º 15 ao art.º 2.º do CIRS que prevê
o enquadramento na categoria A das remunerações auferidas na qualidade de
deputado ao Parlamento Europeu.

Para efeitos de aplicação do conceito de residência, considera-se como dia de


presença em território português qualquer dia, completo ou parcial, que inclua dormida
no mesmo (n.º 2 do artigo 16º).

Tendo passado a vigorar a regra da tributação separada, passou a estabelecer-se,


quanto a residência, que a mesma é aferida em relação a cada sujeito passivo do
agregado (n.º 5 do artigo 16º).

Deste modo, deixou de fazer sentido a regra anteriormente prevista, no n.º 2 do artigo
16º CIRS (redação anterior á Reforma do IRS), que estabelecia o regime da residência
por “atração”, e que era gerador de múltiplos conflitos, apesar da Lei já prever a
possibilidade de afastamento da condição de residente por parte do cônjuge que não
permanecesse em território português (cônjuge ausente). O regime em causa
representava uma complexidade indesejável, para além de que era de difícil controle
por parte da AT.

O referido regime consubstanciava-se na seguinte situação, o marido era emigrante e


a esposa vivia e trabalhava em Portugal conjuntamente com os filhos. Nesta situação,
face á legislação vigente em 2014 e anos anteriores, o marido, era considerado

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residente em Portugal para efeitos fiscais, devendo, como tal, declarar o rendimento
obtido no estrangeiro, mesmo que no ano em causa, apenas tivesse passado alguns
dias de férias Portugal. No estrangeiro, este sujeito passivo seria igualmente
considerado como residente fiscal, uma vez que aí obtinha os rendimentos e se
localizava a sua habitação, pelo que seria aí tributado, cabendo posteriormente a um
dos Estados atenuar a dupla tributação. A problemática assentava, muitas vezes em
saber qual das duas Administrações Fiscais, aplicaria o crédito de imposto de modo a
que não existisse dupla tributação. Deste modo, a regra prevista no n.º 5 do art.º 16.º
do CIRS, redação dada pela Lei da Reforma do IRS, vem definitivamente resolver a
situação.

Dispõe ainda o artigo 16.º do CIRS, no seu n.º 6, que são também havidas como
residentes em território português as pessoas de nacionalidade portuguesa que
deslocalizem a sua residência fiscal para pais, território ou região sujeito a um regime
claramente mais favorável, no ano que se verifique a mudança e nos quatro anos
seguintes, salvo se o interessado provar que a mudança se deve a razões atendíveis,
designadamente, o exercício naquele território de atividade temporária por conta de
entidade patronal domiciliada em território nacional.

No entanto, nos termos do n.º 7 do artigo 16º, sem prejuízo do período definido (ano
que se verifique a mudança e nos quatro anos seguintes), a condição de residente por
força desta norma anti abuso subsiste, apenas, enquanto se mantiver a deslocação da
residência fiscal do sujeito passivo para pais, território ou região, sujeito a um regime
fiscal claramente mais favorável constante de lista aprovada por portaria do membro
do Governo responsável pela área das finanças, deixando de se aplicar no ano em
que o sujeito passivo, se torne residente fiscal em pais, território ou região distinto
daqueles.

Os espaços de fiscalidade privilegiada constam da Portaria n.º 345-A/2016, de 30


dezembro.

2.1. RESIDÊNCIA NAS REGIÕES AUTÓNOMAS DOS AÇORES E DA


MADEIRA
Por força da disposição constitucional que confere as Regiões Autónomas o poder de
adaptarem o sistema fiscal as especificidades regionais (art.º 227.º n.º 1 al. i) da CRP),
as taxas a utilizar no cálculo do IRS a ser pago pelos respetivos residentes podem ser
inferiores, às que se aplicam aos residentes no Continente. Como tal, torna-se

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necessário determinar quando e que uma pessoa singular se considera residente


numa das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

Assim, nos termos do artigo 17.º do CIRS, é havido como residente em Região
Autónoma aquele que cumpra os seguintes requisitos:
ð Seja considerado residente em território português, nos termos do art.º 16.º
CIRS;
ð Tenha residência habitual numa Região Autónoma;
ð Nela esteja registado para efeitos fiscais;
ð Tenha permanecido na Região Autónoma por mais de 183 dias no ano a que
respeitam os rendimentos (critério da permanência).
Poderemos dizer que este é o regime regra.

No entanto, o CIRS prevê um regime supletivo, segundo o qual, não sendo possível a
aplicação do regime regra, nomeadamente devido a dificuldades na determinação do
tempo de permanência, se considera residente numa Região Autónoma quem ali
tenha o seu principal centro de interesses, considerando-se como tal o local onde
obtenha a maior parte da base tributável, determinada nos seguintes termos:
ü Os rendimentos de consideram-se obtidos no local onde é prestada a
atividade;
ü Os rendimentos profissionais e empresariais consideram-se obtidos no local
onde é exercida a profissão ou onde se situa o estabelecimento;
ü Os rendimentos de capitais consideram-se obtidos no local do estabelecimento
estável a que deva imputar-se o pagamento;
ü Os rendimentos prediais e os ganhos provenientes de imóveis consideram-se
obtidos no local onde se situam;
ü As pensões consideram-se obtidas no local onde são pagas ou postas à
disposição.

Refira-se, ainda, que nos termos do n.º 4 do art.º 17º CIRS se consideram residentes
em Região Autónoma, as pessoas que constituam o agregado familiar cujo principal
centro de interesses se considere localizado nessa região.

A Região Autónoma dos Açores, através do Decreto Legislativo Regional n.º


15/2015/A de 7 janeiro, determinou no seu n.º 1 do art.º 4.º que às taxas nacionais do
imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (taxas art.º 68.º CIRS), em vigor
em cada ano, são aplicadas reduções de:

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• 30 %, para os rendimentos coletáveis correspondentes ao primeiro escalão,


• 25% para o segundo escalão e 20% para os restantes escalões;
• 20 % nas restantes taxas de retenção e taxas de tributação autónoma.

A Região Autónoma da Madeira, equiparou, por força do Plano de Ajustamento


Económico e Financeiro, as taxas de IRS e de IRC às praticadas no Continente
deixando, desta forma, de haver qualquer diferenciação fiscal.

2.2 RESIDENTES NÃO HABITUAIS EM IRS


A Lei n.º 64-A/2008, de 31 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para
2009, continha uma autorização legislativa que permitia ao Governo a criação de um
novo regime fiscal em IRS para os sujeitos passivos residentes que não tenham
residência habitual em Portugal.

No uso de tal autorização, o Governo procedeu à sua criação através do DL n.º


249/2009, de 23 de setembro, alterando, para esse efeito, os artigos 16º, 22º, 72º e
81º do CIRS.

2.2.1 ESTATUTO E APLICAÇÃO TEMPORAL


De acordo com o n.º 8 do art.º 16º do CIRS, consideram-se residentes não habituais
as pessoas singulares que, tendo-se tornado residentes em Portugal de acordo com
as regras previstas no n.º 1 do referido artigo, nomeadamente por aplicação da alínea
b), não tenham em qualquer dos cinco anos anteriores sido tributados como tal em
sede de IRS.

Obtido este estatuto, o sujeito passivo adquire o direito a ser tributado em IRS como
residente não habitual, pelo período de 10 anos consecutivos, a partir do ano, inclusive
da respetiva inscrição como residente em território nacional (n.º 9 do art.º 16º).

O gozo do direito a ser tributado como residente não habitual em cada ano do período
referido, requer que o sujeito passivo seja considerado residente em Portugal para
efeitos do IRS) podendo, no entanto, caso não tenha gozado daquele direito num ou
mais anos do período, retomar o gozo do mesmo em qualquer dos anos em falta para
terminar os 10 anos, contando que nele volte a ser considerado residente para efeitos
de IRS (n.º 12 do art.º 16)

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Trata-se, pois, de um direito que o SP adquire que, não é obrigatório podendo o


mesmo, caso o entenda e nada faça, ser tributado como residente, nos termos gerais,
pelo que o sujeito passivo deve solicitar a inscrição como residente não habitual no ato
da inscrição como residente em território português ou, posteriormente, até 31 de
março, inclusive, do ano seguinte àquele em que se torne residente nesse território
(n.º 10 do art.º 16º).

Poderão, pois, inscrever-se como Residentes não Habituais, os sujeitos passivos que,
cumulativamente, reunirem as seguintes condições:
ð Tornarem-se fiscalmente residentes em território português de acordo com os
critérios estabelecidos no n.º 1 do art.º 16.º do CIRS, nomeadamente ao abrigo
da alínea b);
ð Comprovarem no momento da inscrição, a anterior residência e tributação e
tributação no estrangeiro, através de certificado de residência fiscal
demonstrando a tributação efetiva;
ð Não terem em qualquer dos cinco anos anteriores sido tributados como
residentes em sede de IRS.

2.2.2 ACTIVIDADES DE ELEVADO VALOR ACRESCENTADO


(PORTARIA 12/2010)
As atividades consideradas de elevado valor acrescentado foram definidas através da
Portaria n.º 12/2010, de 7 de janeiro. Na listagem estão incluídas atividades como os
artistas, profissões técnicas, médicos, atividades ligadas a informática e tecnologias da
informação, investigação científica e de gestão e administração, ou seja, profissões
que interessa ao Pais captar, com vista ao seu desenvolvimento.

Para os efeitos da consideração de atividades de valor acrescentado, considera-se


que os “investidores” (Código 801) só podem usufruir do regime aplicável aos
residentes não habituais, relativamente aos rendimentos auferidos na qualidade de
Administradores ou gerentes.

São qualificados como gestores (Código 801):


ü os abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de março (Estatuto do
Gestor Público);
ü os responsáveis por estabelecimentos estáveis de entidades não residentes.

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As remunerações auferidas pelos membros dos órgãos estatutários das pessoas


coletivas que, nos termos da alínea a) do n.º 3 do art.º 2.º do CIRS, sejam qualificadas
como rendimentos de trabalho dependente, só podem beneficiar da tributação especial
á taxa de 20%, nos casos em que o exercício dessas funções possa ser enquadrado
no Código 801 da Portaria.
Quanto aos “quadros superiores de empresas (Código 802)” para efeitos de aplicação
do regime especial, consideram-se, as pessoas com cargo de direção e com poderes
de vinculação da pessoa coletiva.

2.2.3 REGRAS DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEIS


O regime de tributação aplicável aos sujeitos passivos residentes não habituais
caracteriza-se por:

2.2.3.1 RENDIMENTOS OBTIDOS EM TERRITORIO NACIONAL


ð Não englobamento, para efeitos da sua tributação, salvo opção dos respetivos
titulares, dos rendimentos líquidos das categorias A e B auferidos em território
nacional em atividades de elevado valor acrescentado, com caráter científico,
artístico ou técnico (n.º 8 do art.º 72º). Tais rendimentos serão sujeitos a
tributação através de uma taxa especial de 20%.

A Lei 64-B/2011, de 30/12 (OE de 2012) passou a prever, em relação a rendimentos


das categorias A e B auferidos em atividades de elevado valor acrescentado pelos
residentes não habituais, a retenção na fonte a uma taxa de 20% e não por aplicação
das tabelas gerais de retenção na fonte aplicáveis aos residentes (inicialmente
previsto no n.º 6 do art.º 3. do Regime Jurídico de Retenção na Fonte de IRS,
aprovado pelo DL 42/91, de 22/01 e atualmente no 8.º do artigo 99.º por força da
revogação do DL 42/91, e na al. d) do no 1 do art.º 101.

2.2.3.2 RENDIMENTOS OBTIDOS NO ESTRANGEIRO


Opção pela aplicação do método da isenção relativamente aos rendimentos obtidos no
estrangeiro das categorias E, F, G e da categoria B em atividades de prestação de
serviços de elevado valor acrescentado, com caracter cientifico, artístico ou técnico, ou
provenientes da propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de informações
respeitantes a uma experiencia adquirida no sector industrial, comercial ou cientifico,
desde que, se verifique qualquer das condições seguintes (n.º 5 do art.º 81.º):

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ü Possam ser tributados no outro Estado contratante, em conformidade com


convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal com esse
Estado;
ou
ü Caso não exista convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por
Portugal com o Estado da fonte, tais rendimentos possam ser tributados no
outro pais, território ou região, em conformidade com o modelo de convenção
fiscal sobre o rendimento e o património da OCDE, interpretado de acordo com
as observações e reservas formuladas por Portugal, desde que aqueles não
constem de lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável
pela área das finanças, relativa a regimes de tributação privilegiada,
claramente mais favoráveis e, bem assim, desde que os rendimentos, pelos
critérios previstos no artigo 18.º não sejam de considerar obtidos em território
português.

Opção pela aplicação do método da isenção relativamente aos rendimentos obtidos no


estrangeiro das categorias A e H (na parte em que os mesmos, relativamente a cat. H,
quando tenham origem em contribuições, não tenham gerado uma dedução para
efeitos do n.º 2 do artigo 25.º), desde que, se verifique qualquer das condições
seguintes (n.º 4 e 6 do art.º 81º):
Þ Caso exista convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal
com o Estado da fonte, tais rendimentos possam ser tributados neste Estado;
Þ Caso não exista convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por
Portugal com o Estado da fonte:
ü Quanto a categoria A, tais rendimentos sejam tributados no outro país, território
ou região, nos casos em que não exista convenção para eliminar a dupla
tributação celebrada por Portugal, desde que os rendimentos, pelos critérios
previstos no n.º 1 do artigo 18º, não sejam de considerar obtidos em território
português;
ü Quanto a categoria H, tais rendimentos, pelos critérios previstos no n.º 1 do
artigo 18º, não sejam de considerar obtidos em território português.

Nestes casos, e conforme o n.º 6 do art.º 81º, os rendimentos isentos, são


obrigatoriamente englobados para efeitos de determinação da taxa a aplicar aos
restantes rendimentos (exceto os rendimentos previstos nas alíneas c) a e) do n.º 1 e
no n.º 6 do artigo 72.º).

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A aplicação do método da isenção traduz-se, numa opção para os SP residentes que


não tenham residência habitual em Portugal pelo que estes poderão optar pela
aplicação do método do credito de imposto referido no n.º 1 do art.º 81º, sendo neste
caso os rendimentos obrigatoriamente englobados para efeitos da sua tributação, com
exceção dos previstos nas alíneas c) a e) do n.º 1 e nos no 3 e 6 do artigo 72º (n.º 8
do art.º 81º do CIRS).

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3. SUJEITOS PASSIVOS NÃO RESIDENTES


Consideram-se não residentes as pessoas que não cumpram os seguintes critérios:

Critério permanência
ü Permanência no território português mais de 183 dias, seguidos ou
interpolados, considerados em cada período de 12 meses com início e fim no
ano em causa;

ü Dispor em qualquer dia do ano de habitação, em condições que façam supor a


intenção de a manter e ocupar como residência habitual.

Critério da entidade pagadora dos rendimentos


ü Em 31 de dezembro, sejam tripulantes de navios e aeronaves, desde que
aqueles estejam ao serviço de entidades sem residência ou sede em território
português;

ü Não desempenhem funções no estrangeiro ao serviço do Estado Português.

Na nossa legislação, e em geral, a fonte poderá ser física (localização do imóvel),


financeira (local da entidade pagadora) ou ainda o local do exercício da atividade
(estabelecimento estável). Se a fonte dos rendimentos, nos termos descritos se
localizar em Portugal, poder-se-á dizer que, em princípio, haverá lugar a tributação em
território nacional a incidir sobre os rendimentos aqui obtidos pelos não residentes.

Basicamente, o Estado Português tem legitimidade e competência para tributar os


rendimentos obtidos no território nacional pelos Não Residentes, devendo
necessariamente especificar-se quando é que se considera que os rendimentos são
obtidos em território português.

O art.º 18º CIRS enumera, quais os rendimentos que, por considerados obtidos em
território nacional, estão sujeitos a imposto, sendo o respetivo titular um Não
Residente em Portugal (n.º 2 art.º 15º CIRS).

Nos termos do art.º 18º CIRS, consideram-se obtidos em território português:


a) Os rendimentos do trabalho dependente decorrentes de atividades nele
exercidas, ou quando tais rendimentos sejam devidos por entidades que nele tenham

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residência, sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o


pagamento;
b) As remunerações dos membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas
e outras entidades, devidas por entidades que nele tenham residência, sede, direção
efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o pagamento;
c) Os rendimentos de trabalho prestado a bordo de navios e aeronaves, desde
que os seus beneficiários estejam ao serviço de entidade com residência, sede ou
direção efetiva nesse território;
d) Os rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial, da
prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no setor
comercial, industrial ou científico, ou do uso ou concessão do uso de equipamento
agrícola, comercial ou científico, quando não constituam rendimentos prediais, bem
como os derivados de assistência técnica, devidos por entidades que nele tenham
residência, sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o
pagamento;
e) Os rendimentos de atividades empresariais e profissionais imputáveis a
estabelecimento estável nele situado;
f) Os rendimentos que não se encontrem previstos na alínea anterior decorrentes
de atividades profissionais e de outras prestações de serviços, incluindo as de carácter
científico, artístico, técnico e de intermediação na celebração de quaisquer contratos,
realizadas ou utilizadas em território português, com exceção das relativas a
transportes, telecomunicações e atividades financeiras, desde que devidos por
entidades que nele tenham residência, sede, direção efetiva ou estabelecimento
estável a que deva imputar-se o pagamento;
g) Outros rendimentos de aplicação de capitais devidos por entidades que nele
tenham residência, sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva
imputar-se o pagamento;
h) Os rendimentos respeitantes a imóveis nele situados, incluindo as mais-valias
resultantes da sua transmissão;
i) As mais-valias resultantes da transmissão onerosa de partes representativas
do capital de entidades com sede ou direção efetiva em território português, incluindo
a sua remição e amortização com redução de capital e, bem assim, o valor atribuído
aos associados em resultado da partilha que, nos termos do artigo 81.º do Código do
IRC, seja considerado como mais-valia, ou de outros valores mobiliários emitidos por
entidades que aí tenham sede ou direção efetiva, ou ainda de partes de capital ou
outros valores mobiliários quando, não se verificando essas condições, o pagamento

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dos respetivos rendimentos seja imputável a estabelecimento estável situado no


mesmo território;
j) As mais-valias resultantes da alienação dos bens referidos na alínea c) do n.º 1
do artigo 10.º, quando nele tenha sido feito o registo ou praticada formalidade
equivalente;
l) As pensões devidas por entidade que nele tenha residência, sede, direção
efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o pagamento;
m) Os rendimentos de atos isolados nele praticados;
n) Os incrementos patrimoniais não compreendidos nas alíneas anteriores,
quando nele se situem os bens, direitos ou situações jurídicas a que respeitam,
incluindo, designadamente, os rendimentos provenientes de operações relativas a
instrumentos financeiros derivados, devidos ou pagos por entidades que nele tenham
residência, sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o
pagamento;
o) Os rendimentos derivados do exercício, em território português, da atividade de
profissionais de espetáculos ou desportistas, ainda que atribuídos a pessoa diferente.

Deste modo, verificamos que a tributação irá ocorrer, face ao disposto no art.º 18.º do
CIRS, quando aqui se situar a fonte dos rendimentos:
Ø Fonte Financeira – als. a), b), c), d), f), g), l) e n);
Ø Fonte Física – al. h (imóveis);
Ø Local do exercício da atividade – al. e) (estabelecimentos estáveis) (nas als. m)
e o) será o local da execução dos serviços)
Ø Restantes Situações - als. i) e j)

3.1 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO – SUJEITOS PASSIVOS NÃO


RESIDENTES

3.1.1 REGIME GERAL


As pessoas singulares não residentes em território português e que aqui obtenham
rendimentos são por estes tributados, em regra mediante a aplicação de taxas
liberatórias de retenção na fonte a título definitivo (pagamento definitivo), traduzindo a
forma, digamos, normal de tributar os não residentes, aplicável as situações previstas
nas als. a), b), c), d), f), g), i), j), l), m), n) e o) do n.º 1 do art.º 18º. Nestes casos, os
não residentes ficam desobrigados de cumprir quaisquer obrigações em Portugal,
designadamente, a entrega de declaração de rendimentos.

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Estão sujeitos a tributação mediante retenção na fonte por taxas liberatórias, previstas
no art.º 71.º do CIRS, sem prejuízo do que se disponha em Convenção de Dupla
Tributação que seja aplicável ao caso concreto:
• Os rendimentos de trabalho dependente;
• Os rendimentos profissionais, considerando-se como tais os obtidos no
exercício de qualquer atividade constante da lista a que se refere o art.º 151.º,
bem assim como os rendimentos da propriedade intelectual ou industrial e do
know-how obtidos por titulares originários.
• As prestações de serviços que sejam consideradas rendimentos empresariais,
realizados ou utilizados em território português, com exceção das relativas à
atividade financeira, transportes e comunicações;
• As comissões pela intermediação na celebração de quaisquer contratos;
• Os rendimentos de capitais pagos por ou através de entidades que aqui
tenham sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-
se o pagamento e que disponham ou devam dispor de contabilidade
organizada;
• Os incrementos patrimoniais consistentes em:
o Indemnizações que visem a reparação de danos não patrimoniais,
exceto as fixadas por decisão judicial ou arbitral ou resultantes de
transação, de danos emergentes não comprovados e de lucros
cessantes;
o As importâncias auferidas em virtude da assunção de obrigações de
não concorrência, independentemente da respetiva fonte ou título;
• As pensões, complementos de pensões e rendas temporárias ou vitalícias.

São tributados mediante declaração que deve ser apresentada, nos termos e prazo
legais à Autoridade Tributaria, ainda que por intermédio do Representante Fiscal:
ü Os rendimentos profissionais e empresariais imputáveis a instalação fixa ou
estabelecimento estável aqui situado;
ü Os rendimentos prediais;
ü Os incrementos patrimoniais não sujeitos a tributação por retenção liberatória,
nomeadamente as mais-valias.

Os elementos de conexão territorial que permitem a tributação dos rendimentos


obtidos em território português encontram-se consagrados no art.º 18º e são
constituídos, essencialmente, pela fonte económica dos rendimentos, pela fonte

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

financeira dos rendimentos ou pela localização em território português dos bens ou


direitos geradores dos rendimentos.

O facto de alguns rendimentos deverem ser tributados por apresentação de


declaração, não impede que o regime de tributação que lhes é aplicável apresente
algumas especificidades, assim:
Þ Não são considerados quaisquer dos benefícios fiscais que só possam ser, nos
termos expressos da lei, atribuídos a residentes;
Þ Não são consideradas as deduções à coleta previstas no art.º 78. °, com
exceção, das relativas a retenções na fonte que tenham recaído sobre os
rendimentos ou a pagamentos por conta efetuados por estabelecimento estável
de não residente localizado em território português;
Þ São, porém, considerados os benefícios fiscais aplicáveis aos rendimentos e
que não estejam expressamente excluídos (art.º 71. ° n.º 5 do Código do IRS).
Þ Ao nível da determinação do rendimento tributável, observar-se-ão as
seguintes regras:
Þ Os rendimentos sujeitos a taxas liberatórias são tributados pelo seu valor bruto,
com exceção das pensões, às quais se aplicará a dedução prevista no art.º 53°
CIRS (dedução especifica);
Þ O rendimento de atividades empresariais e profissionais, imputáveis a
estabelecimento estável ou instalação fixa situados em território português, ou
a atos isolados nele praticados, corresponderá ao rendimento líquido objetivo e
será determinado nos termos gerais;
Þ Aos rendimentos prediais serão deduzidas as despesas previstas no art.º 41.º
do CIRS;
Þ O rendimento imputável a incrementos patrimoniais é determinado de acordo
com as regras gerais.

De harmonia com o disposto no art.º 72º CIRS, os rendimentos que devam ser
tributados mediante apresentação da declaração de rendimentos (Modelo 3), são
tributados às seguintes taxas especiais, relativamente ao ano de 2018:
ü Rendimentos imputáveis a estabelecimento estável: 25%;
ü Rendimentos prediais: 28%;
ü Saldo positivo entre as mais-valias e as menos-valias de valores mobiliários e
instrumentos financeiros derivados: 28%;
ü Outros rendimentos e outras mais-valias: 28%.

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De acordo com o n.º 2 do art.º 18º do CIRS, entende-se por estabelecimento estável
qualquer instalação fixa ou representação permanente através das quais seja exercida
uma atividade (das previstas no art.º 3º do CIRS). Trata-se, pois, de uma estrutura,
uma realidade física, capaz de indiciar uma atividade com um grau mínimo de
permanência no país, como por exemplo, uma exploração agrícola, uma fábrica, uma
loja, um escritório, etc.

3.1.2 REGIME ESPECIAL (n.º 8 a 10 do art.º 71.º do CIRS)


A Lei do OE para 2009 (Lei n.º 64-A/2008 de 31 de dezembro) instituiu um regime
especial de tributação para rendimentos de não residentes (restrito a residentes em
outro EM da UE ou do EEE, desde que, neste ultimo caso, haja intercambio de
informações em matéria fiscal) que se enquadrem nas alíneas a) a d), f), m) e o) do n.º
1 do art.º 18.º.

Tratando-se de rendimentos que, quando auferidos em Portugal por não residente,


estão sujeitos a retenção na fonte, este regime prevê a possibilidade de, se o imposto
retido e pago for superior ao que resultaria da aplicação da tabela de taxas previstas
no n.º 1 do art.º 68º, tendo em consideração todos os rendimentos do titular, incluindo
os obtidos fora do território nacional, e com dedução dos encargos necessários à sua
obtenção, pode o titular do rendimento requerer a devolução da diferença (n.º 8 e 9 do
art.º 71º).

De acordo com o n.º 10 do art.º 71º, a devolução do imposto retido e pago deve ser
requerida aos serviços competentes da DGI, no prazo de dois anos contados do final
do ano civil seguinte em que se verificou o facto tributário, devendo a restituição ser
efetuada ate ao fim do 3.º mês seguinte ao da apresentação dos elementos e
informações indispensáveis a comprovação das condições e requisitos legalmente
exigidos, acrescendo, em caso de incumprimento deste prazo, juros indemnizatórios a
taxa idêntica a aplicável aos juros compensatórios a favor do Estado. A apresentação
do requerimento implica a comunicação espontânea ao Estado de residência do
contribuinte do teor do pedido de devolução formulado e do respetivo montante.

3.1.3 REGIMES OPCIONAIS


Podem optar por um dos regimes a seguir referidos, apenas os não residentes que
residam num Estado Membro da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu,
desde que neste último caso, exista intercâmbio de informações em matéria fiscal, de

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

acordo com a natureza dos rendimentos e os condicionalismos estabelecidos para


aceder ao regime.

3.1.3.1 RENDIMENTOS NÃO SUJEITOS A TAXAS LIBERATÓRIAS


(art.º 72.º n.º 9 e 10)
Os residentes noutro Estado membro da União Europeia ou do Espaço Económico
Europeu, podem optar, relativamente aos rendimentos mais-valias imobiliárias,
rendimentos prediais e rendimentos imputáveis a estabelecimento estável, pela
tributação desses rendimentos à taxa que, de acordo com a tabela prevista no n.º 1 do
artigo 68.º, seria aplicável no caso de serem auferidos por residentes em território
português. (n.º 9 art.º 72.º)

No entanto, para efeitos de determinação da taxa do art.º 68.º são tidos em


consideração todos os rendimentos, incluindo os obtidos fora deste território, nas
mesmas condições que são aplicáveis aos residentes. (n.º 10 art.º 72.º).

O exercício desta opção é concretizado no Quadro 8B da declaração de rendimento


Modelo 3, a qual pode ser apresentada por representante fiscal.

3.1.3.2 OPÇÃO PELA APLICAÇÃO DAS REGRAS APLICÁVEIS A


RESIDENTES (Art.º 17-A do CIRS)
De acordo com o disposto no art.º 17.º-A ao Código do IRS, os sujeitos passivos
residentes noutro Estado membro da União Europeia ou do Espaço Económico
Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega) com o qual exista intercâmbio de
informações em matéria fiscal e que sejam titulares de rendimentos (até 2014 apenas
era de considerar os rendimentos das categorias A, B e H), obtidos em território
português, que representem, pelo menos, 90 % da totalidade dos seus rendimentos
totais relativos ao ano em causa, incluindo os obtidos fora deste território, têm a
possibilidade de optarem pela respetiva tributação de acordo com as regras aplicáveis
aos sujeitos passivos não casados residentes em território português.

Estes sujeitos passivos na situação de casados e não separados de pessoas e bens,


ou que se encontrem em situação de união de facto prevista no artigo 14.º do Código,
podem optar pelo regime da tributação conjunta dos rendimentos auferidos pelos
membros do agregado familiar, aplicável aos sujeitos passivos residentes em território
português casados e não separados judicialmente de pessoas e bens, desde que:

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a) Ambos os sujeitos passivos sejam residentes noutro Estado membro da UE ou


do EEE, neste caso com o qual exista intercâmbio de informação;
b) Os rendimentos obtidos em território português pelos membros do agregado
familiar correspondam a, pelo menos, 90 % da totalidade dos rendimentos do
agregado familiar;
c) A opção seja formulada por ambos os sujeitos passivos ou pelos respetivos
representantes legais.

Sendo exercida qualquer uma destas opções, serão aplicadas as taxas que, de acordo
com a tabela prevista no n.º 1 do artigo 68º, correspondem a totalidade do rendimento
coletável determinado de acordo com as regras previstas no capítulo II do Código IRS,
sendo tomados em consideração todos os rendimentos do sujeito passivo, incluindo os
obtidos fora do território português.

A coleta apurada e até a sua concorrência, são deduzidos os montantes previstos no


artigo 78.º relativamente a despesas ou encargos que respeitem aos sujeitos passivos,
a pessoas que estejam nas condições previstas no n.º 5 do artigo 13.º ou ainda aos
ascendentes e colaterais até ao 3.º grau que não possuam rendimentos superiores a €
580, desde que essas despesas ou encargos não possam ser tidos em consideração
no Estado da residência.

O exercício desta opção, é concretizado no Campo 10 do Quadro 8B da declaração de


rendimento Modelo 3. A declaração Modelo 3 deve ser acompanhada dos documentos
que comprovem as condições de que depende a aplicação do regime.

Os documentos deverão ser remetidos para o Serviço de Finanças da área do


domicílio fiscal do contribuinte ou do seu Representante.

3.2 CONVENÇÕES DUPLA TRIBUTAÇÃO


Um dos objetivos das convenções sobre dupla tributação (CDT) e proceder a partilha
do direito ao imposto entre os Estados contratantes. Partilha essa que, normalmente,
não resulta na atribuição de tal direito a um apenas um desses Estados, mas a ambos
(cúmulo de pretensões), com limitações ao imposto a ser cobrado pelo Estado da
fonte e a obrigação do Estado da residência eliminar ou, pelo menos, atenuar a dupla
tributação daí resultante.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, quando se coloque a questão de tributação de um rendimento obtido por um


não residente em Portugal, há que em primeiro lugar apurar se entre Portugal e o país
de residência do não residente existe uma CDT. Caso tal se verifique, há que verificar
se a pretensão para tributar do Estado português, tal como resulta do art.º 18º CIRS, é
ou não legitima face ao texto da CDT. Se não o for, não poderá haver lugar a
tributação pela prioridade que tem as normas jurídicas de fonte internacional.

Na generalidade dos casos, o art.º 18.º CIRS é compatível com as CDT subscritas por
Portugal, uma vez que por regra estão abrangidos pela previsão de tal norma
rendimentos relativamente aos quais aquelas reconhecem a legitimidade de tributação
pelo Estado da fonte. No entanto, nem sempre é assim.

Se o não residente ativar (através de um formulário apropriado) a CDT celebrada entre


o Estado de que é residente e o Estado português, poderá ocorrer uma das seguintes
situações:
ü Não existir retenção na fonte em território nacional – Estado da fonte sem
competência para tributar;
ü Existir retenção na fonte, mas a taxas inferiores as previstas no Código do IRS
– Estado da fonte com competência limitada para tributar;
ü Ou ainda haver lugar a retenção na fonte sem quaisquer limites – Estado da
fonte com competência integral.

Nestes casos, o Estado da residência do não residente poderá tributar sem quaisquer
restrições, mas terá a obrigação de eliminar a dupla tributação jurídica internacional
recorrendo aos métodos da isenção ou da imputação, dependendo das regras
vigentes nesse Estado.

3.3 OBRIGAÇÕES DAS ENTIDADES PAGADORAS


Nos termos do n.º 7 do artigo 119º, as entidades devedoras de rendimentos pagos ou
colocados a disposição de sujeitos passivos Não Residentes são obrigadas a:
ð Entregar a Autoridade Tributaria (AT), até ao fim do 2.º mês seguinte ao do
pagamento ou colocação a disposição dos respetivos beneficiários, uma
declaração relativa aqueles rendimentos, de modelo oficial (declaração modelo
30);
ð Possuir registo atualizado das pessoas credoras desses rendimentos, ainda
que não tenha havido lugar a retenção do imposto, do qual constem,

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

nomeadamente, o nome, o número fiscal e respetivo código, bem como a data


e valor de cada pagamento ou dos rendimentos em espécie que lhes tenham
sido atribuídos;
ð Entregar ao sujeito passivo, até 20 de janeiro de cada ano, documento
comprovativo das importâncias devidas no ano anterior, incluindo, quando for
caso disso, as correspondentes aos rendimentos em espécie que lhes hajam
sido atribuídos, do imposto retido na fonte e das deduções a que
eventualmente haja lugar ou ainda, nos 15 dias imediatos a respetiva
ocorrência, de qualquer facto que determine a alteração dos rendimentos ou a
obrigação de os declarar;
ð Possuir um registo atualizado dos titulares desses rendimentos com indicação
do respetivo regime fiscal, bem como os documentos que justificam a isenção,
a redução de taxa ou a dispensa de retenção na fonte.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4. RESIDÊNCIA FISCAL PARCIAL

Nos termos do art.º 16.º do CIRS, a residência fiscal é aferida em relação a cada
sujeito passivo do agregado.

Consideram-se não residentes as pessoas que:

Critério permanência
ü Não permaneçam no território português mais de 183 dias, seguidos ou
interpolados, considerados em cada período de 12 meses com início e fim no
ano em causa;
ü Não disponham em qualquer dia do ano de habitação em condições que façam
supor a intenção de a manter e ocupar como residência habitual;

Critério da entidade pagadora dos rendimentos


ü Em 31 de dezembro, sejam tripulantes de navios e aeronaves, desde que
aqueles estejam ao serviço de entidades sem residência ou sede em território
português;
ü Não desempenhem funções no estrangeiro ao serviço do Estado Português.

De modo a aferir da permanência, considera-se como dia de presença em território


nacional qualquer dia, completo ou parcial, que inclua dormida no mesmo.

Assim, um sujeito passivo que se torne residente pela aplicação dos critérios de
permanência, nesse ano, pode ser considerado como não residente de 1 de janeiro
até ao dia anterior á sua chegada e como residente desde o dia da chegada até 31 de
dezembro (residência fiscal parcial), salvo se quando tenha sido residente em
qualquer dia do ano anterior, caso em que é residente desde o primeiro dia do ano (n.º
3 art.º 16.º CIRS – regra salvaguarda).

31
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.1 RESIDÊNCIA FISCAL PARCIAL - CRITÉRIOS


Critério temporal

Critério habitação

Regra salvaguarda – final do n.º 3 art.º 16º DIRS (salvo, se tiver sido residente em
qualquer dia do ano anterior, caso em que é residente desde o primeiro dia do ano).

2017 2018

Residente Não residente Residente

Residente

Por outro lado, um sujeito passivo residente que sai, passa a ser não residente a partir
do último dia de permanência em território português. Podendo nesse ano ser
considerado RESIDENTE entre 1 de janeiro até ao último dia de permanência e como
NÃO residente desde o dia da saída até 31 de dezembro (residência fiscal parcial).

32
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Porém, será considerado residente em TN durante a totalidade do ano em que se


verificou a saída, quando se verifiquem cumulativamente as seguintes condições:
ð Permaneça em território nacional mais de 183 dias, seguidos ou interpolados,
nesse ano,
e
ð Obtenha, no decorrer desse ano e após o último dia de permanência em
território português, quaisquer rendimentos que fossem sujeitos e não isentos
de IRS, caso o sujeito passivo mantivesse a sua qualidade de residente em PT,
salvo se demonstrar que esses rendimentos são tributados por um imposto
sobre o rendimento idêntico ou substancialmente similar ao IRS:
o Noutro Estado Membro da União Europeia ou Espaço Economico
Europeu, desde que, neste último caso, exista intercambio de
informações em matéria fiscal e que se preveja a cooperação
administrativa no domínio da fiscalidade, ou
o Noutro Estado, não abrangido na alínea anterior, em que a taxa de
tributação aplicável àqueles rendimentos não seja inferior a 60%
daquela que lhes seria aplicável caso o sujeito passivo mantivesse a
sua residência em território nacional.

Perde a qualificação de NÃO RESIDENTE, e, portanto, a possibilidade de residência


fiscal parcial, considerando-se como RESIDENTE a totalidade do ano, sempre que
volte a adquirir a qualidade de residente durante o ano subjacente àquele em que
perdeu aquela qualidade.

2017 2018

Residente Não residente Residente

Residente

4.2 OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS


Sempre que, no mesmo ano, o sujeito passivo tenha, em Portugal, dois estatutos de
residência, deve proceder a entrega de uma declaração de rendimentos relativa a
cada um deles, sem prejuízo da possibilidade de dispensa, nos termos gerais.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estabelece-se que sempre que o sujeito passivo altere o seu estatuto de residência
(de residente em Portugal para não residente, ou vice-versa), deve comunicar tal facto
á AT, no prazo de 60 dias, tal alteração (artigo 19.º da LGT).

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5. REPRESENTANTE FISCAL
5.1 NOMEAÇÃO DE REPRESENTANTE
De conformidade com o disposto no artigo 130.º do CIRS, as pessoas singulares não
residentes em Portugal e que sejam residentes em Estados que não sejam membros
da UE, mas que aqui obtenham rendimentos são obrigados a designar uma pessoa
singular ou coletiva residente em Portugal para as representar perante a administração
fiscal portuguesa e garantir o cumprimento das suas obrigações fiscais.

Estas obrigações incluem:


ü A obtenção do número de identificação fiscal do não residente;
ü Apresentação e manutenção dos documentos relacionados com a venda de
participações sociais, rendimentos prediais e respetivas despesas;
ü Apresentação de declarações fiscais

Nesta garantia não se inclui a garantia de pagamento das dívidas fiscais dos
representados.

A designação do representante legal é efetuada na declaração de inscrição no


Número de Identificação Fiscal de pessoa singular ou na declaração de início de
atividade, devendo essa designação, ser objeto de aceitação expressa pelo
representante.

5.2 RENÚNCIA DE REPRESENTANTE


O representante pode renunciar à representação nos termos gerais, mediante
comunicação escrita ao representado, enviada para a última morada conhecida deste.

A renúncia torna-se eficaz relativamente à Autoridade Tributária quando lhe for


comunicada, devendo esta, no prazo de 90 dias a contar dessa comunicação,
proceder às necessárias alterações (art.º 130º A do CIRS).

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ALOJAMENTO LOCAL

1- ENQUADRAMENTO LEGAL
A figura do alojamento local foi criada pelo Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março,
alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 228/2009, de 14 de setembro, e 15/2014, de 23 de
janeiro e 62/2018 de 22 agosto, para permitir a prestação de serviços de alojamento
temporário em estabelecimentos que não reunissem os requisitos legalmente exigidos
para os empreendimentos turísticos.

Tal realidade viria a ser regulamentada através da Portaria n.º 517/2008, de 25 de


junho, entretanto alterada pela Portaria n.º 138/2012, de 14 de maio, que, no
seguimento da transposição da Diretiva n.º 2006/123/CE, do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 12 de dezembro de 2006, pelo Decreto-Lei n.º 92/2010, de 26 de julho,
veio consagrar a possibilidade de inscrição dos estabelecimentos de alojamento local
através do Balcão Único Eletrónico.

Assim, a Portaria n.º 517/2008, de 25 de junho, veio prever três tipos de


estabelecimentos de alojamento local, a saber, o apartamento, a moradia e os
estabelecimentos de hospedagem, estabelecendo alguns requisitos mínimos de
segurança e higiene.

A referida Portaria procurou enquadrar uma série de realidades que ofereciam


serviços de alojamento a turistas sem qualquer formalismo e à margem da lei,
acautelando, ao mesmo tempo, que alguns dos empreendimentos extintos pelo
Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março (nomeadamente, pensões, motéis, albergarias
e estalagens) e que não reuniam condições para serem empreendimentos turísticos,
pudessem ainda assim continuar a prestar serviços de alojamento, por forma a evitar o
respetivo encerramento com todas as consequências negativas associadas.

No entanto, a dinâmica do mercado da procura e oferta do alojamento fez surgir e


proliferar um conjunto de novas realidades de alojamento que, sendo formalmente
equiparáveis às previstas na Portaria n.º 517/2008, de 25 de junho, determinam, pela
sua importância turística, pela confirmação de que se não tratam de um fenómeno
passageiro e pela evidente relevância fiscal, uma atualização do regime aplicável ao
alojamento local.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Essa atualização, precisamente porque estas novas realidades surgem, não como um
fenómeno residual, mas como um fenómeno consistente e global, passou, não só pela
revisão do enquadramento que lhes era aplicável, mas, igualmente, pela criação de
um regime jurídico próprio.

O Decreto-Lei n.º 15/2014, de 23 de janeiro, que procedeu à segunda alteração ao


regime jurídico da instalação, exploração e funcionamento dos empreendimentos
turísticos, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março, que havia sido
anteriormente alterado pelo Decreto-Lei n.º 228/2009, de 14 de setembro, assumiu a
necessidade de autonomizar a figura do alojamento local em diploma próprio, de forma
a melhor adaptar à realidade a ainda recente experiência desta figura no panorama da
oferta de serviços de alojamento.

O Decreto-Lei n.º 128/2014, de 29 de agosto, elevou a figura do alojamento local de


categoria residual para categoria autónoma, reconhecendo a sua relevância turística e
inaugurando um tratamento jurídico próprio. Este decreto foi alvo de uma primeira
alteração em abril de 2015, com o Decreto-Lei n.º 63/2015. A segunda alteração teve
lugar em 22 de agosto de 2018, com a Lei 62/2018.

Assim, as figuras dos empreendimentos turísticos e do alojamento local passaram a


ser duas figuras autónomas, vedando-se a possibilidade de colocação sob a figura e
regime do alojamento local, de empreendimentos que cumprem com os requisitos dos
empreendimentos turísticos.

Esta autonomização pretende assegurar que a “produtos” distintos se aplicam regimes


jurídicos distintos, tratando de forma igual o que é materialmente igual.

Este regime jurídico da exploração dos estabelecimentos de alojamento local, entrou


em vigor a 27 de novembro de 2014 e foi objeto de uma alteração pelo Decreto-Lei n.º
63/2015, de 22 de abril, o qual veio densificar o regime dos «hostel» e precisar alguns
aspetos do regime jurídico anteriormente aprovado, tendo entrado em vigor no dia 22
de junho de 2015.

O Decreto-Lei n.º 128/2014, de 29 de agosto foi adaptado à Região Autónoma da


Madeira pelo Decreto Legislativo Regional n.º 13/2015/M, de 22 de dezembro.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2.NOÇÃO DE ALOJAMENTO LOCAL

Neste quadro legal, os estabelecimentos de alojamento local continuam a ser


caracterizados, como aqueles, que prestam serviços de alojamento temporário a
turistas, mediante remuneração, e que reúnam os requisitos nele previstos, proibindo-
se, expressamente, a exploração de estabelecimentos de alojamento local que
reúnam os requisitos para serem considerados empreendimentos turísticos.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

3.MODALIDADES DE ALOJAMENTO LOCAL

Os estabelecimentos de alojamento local, devem integrar-se numa das seguintes


modalidades:
ü Moradia;
ü Apartamento;
ü Estabelecimentos de hospedagem;
ü Quartos.
Þ Na “moradia” a unidade de alojamento é o edifício autónomo, de carácter
familiar;
Þ No “apartamento” é uma fração autónoma de edifício ou parte de prédio urbano
suscetível de utilização independente.
Þ No ‛estabelecimento de hospedagem’ as unidades de alojamento são
constituídas por quartos, integrados numa fração autónoma de edifício, num
prédio urbano ou numa parte de prédio urbano susceptível de utilização
independente.
Þ Nos “quartos” considera-se que a exploração de alojamento local é feita na
residência do locador, que corresponde ao seu domicílio fiscal, sendo a
unidade de alojamento o quarto e só sendo possível, nesta modalidade, ter um
máximo de três unidades.

Mantendo as mesmas modalidades de alojamento local que eram reconhecidas


anteriormente (moradia, apartamento e estabelecimento de hospedagem), o diploma
legal, tem subjacente uma lógica de simplificação e de maior facilidade no acesso à
atividade, assim:
ü São reduzidos os requisitos de acesso;
ü São eliminadas obrigações de prestação de serviços;
ü Não há qualquer mecanismo de licenciamento ou autorização, sendo apenas
exigida uma mera comunicação prévia junto da Câmara Municipal
territorialmente competente, assente no princípio da responsabilização do
titular da exploração;
ü Simplificação no envio da comunicação prévia através do Balcão Único
Eletrónico, que igualmente emite o título de abertura dos estabelecimentos, o
qual contém, desde logo, o número de registo do estabelecimento;

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ü Inexistência de qualquer obrigação de pagamento de taxas para iniciar a


atividade;
ü Em matéria sancionatória, manteve-se inalterado o montante das coimas,
tendo apenas sido criados mecanismos de fiscalização tributária mais eficazes
para situações de incumprimento das obrigações fiscais.

O regime consagra a possibilidade de os estabelecimentos de hospedagem, poderem


utilizar a denominação “hostel”, quando a unidade de alojamento predominante seja o
dormitório e preencham os seguintes requisitos:
Þ Dispor de ventilação e iluminação direta com o exterior através de janela;
Þ Dispor de um compartimento individual por cada cama, com sistema de fecho,
com uma dimensão mínima interior de 55cmx40cmx20cm;
Þ Dispor de espaços sociais comuns, cozinha e área de refeição de utilização e
acesso livre pelos hóspedes;
Þ As instalações sanitárias podem ser comuns a vários quartos e dormitórios e
ser mistas ou separadas por género, caso não sejam separadas por género, os
chuveiros devem configurar espaços autónomos separados por portas com
fecho interior.

A prestação a turistas de serviços remunerados de alojamento em quartos na


residência do locador, está também abrangida pelo regime jurídico do alojamento local
e sujeita ao Decreto-Lei n.º 128/2014 e agora expressamente referida na redacção
dada pela Lei 62/2018, de 22 agosto.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ALOJAMENTO

A exploração de estabelecimento de alojamento local corresponde ao exercício, por


pessoa singular ou coletiva, da atividade de prestação de serviços de alojamento.

Presume-se existir exploração e intermediação de estabelecimento de alojamento


local quando um imóvel ou fração deste:
ü Seja publicitado, disponibilizado ou objeto de intermediação, por qualquer
forma, entidade ou meio, nomeadamente em agências de viagens e turismo ou
sites da Internet, como alojamento para turistas ou como alojamento
temporário; ou
ü Estando mobilado e equipado, neste sejam oferecidos ao público em geral,
além de dormida, serviços complementares ao alojamento, nomeadamente
limpeza ou receção, por períodos inferiores a 30 dias.

A presunção pode ser ilidida mediante apresentação de contrato de arrendamento


urbano, devidamente registado nos serviços de finanças ou declarado através do
Portal das Finanças (Modelo 2 de Imposto Selo).

O n.º 4 do art.º 4.º do DL 124/2014, redação dada pela Lei 62/2018, determina que
não pode haver lugar à instalação e exploração de ‛hostels’ em edifícios em
propriedade horizontal nos prédios em que coexista habitação, sem autorização dos
condóminos para o efeito, devendo a deliberação respectiva instruir a comunicação
prévia com prazo.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5. CAPACIDADE e LIMITE DE EXPLORAÇÃO

A capacidade máxima dos estabelecimentos de alojamento local, com exceção da


modalidade de “quartos” ou qualificados como «hostel», é de nove quartos e 30
utentes.

A capacidade máxima é determinada pela multiplicação do número de quartos por


dois, acrescida da possibilidade de acolhimento de mais dois utentes na sala, no caso
das modalidades ‛apartamentos’ e ‛moradias’. Cada unidade, se tiver condições de
habitabilidade adequadas, poderá comportar, no máximo, duas camas suplementares
para crianças até aos 12 anos.

Cada proprietário, ou titular de exploração de alojamento local, só pode explorar, por


edifício, o máximo de nove estabelecimentos de alojamento local na modalidade de
apartamento. Para este efeito, consideram-se os estabelecimentos registados em
nome do cônjuge, descendentes e ascendentes do proprietário ou do titular de
exploração e bem assim os registados em nome de pessoas coletivas distintas em que
haja sócios comuns.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

6. REQUISITOS GERAIS

Os estabelecimentos de alojamento local devem obedecer aos seguintes requisitos:


ü Apresentar adequadas condições de conservação e funcionamento das
instalações e equipamentos;
ü Estar ligados à rede pública de abastecimento de água ou dotados de um
sistema privativo de abastecimento de água com origem devidamente
controlada;
ü Estar ligados à rede pública de esgotos ou dotados de fossas sépticas
dimensionadas para a capacidade máxima do estabelecimento;
ü Estar dotados de água corrente quente e fria.

As unidades de alojamento dos estabelecimentos de alojamento local devem:


ü Ter uma janela ou sacada com comunicação direta para o exterior que
assegure as adequadas condições de ventilação e arejamento;
ü Estar dotadas de mobiliário, equipamento e utensílios adequados;
ü Dispor de um sistema que permita vedar a entrada de luz exterior;
ü Dispor de portas equipadas com um sistema de segurança que assegure a
privacidade dos utentes;
ü As instalações sanitárias dos estabelecimentos de alojamento local devem
dispor de um sistema de segurança que garanta privacidade;
ü Os estabelecimentos de alojamento local devem reunir sempre condições de
higiene e limpeza.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

7. REGRAS DE SEGURANÇA E PUBLICIDADE

Os estabelecimentos de alojamento local, devem cumprir as regras de segurança


contra riscos de incêndio, nos termos da legislação aplicável, estão, no entanto,
definidas regras mais simples para aqueles que tenham capacidade inferior a 10
utentes, os quais devem possuir:
Þ Extintor e manta de incêndio acessíveis aos utilizadores;
Þ Equipamento de primeiros socorros acessível aos utilizadores;
Þ Indicação do número nacional de emergência (112) em local visível aos
utilizadores.

Os estabelecimentos devem identificar-se como estabelecimentos de alojamento local,


não podendo, em caso algum, utilizar a qualificação de empreendimento turístico, ou
de qualquer tipologia de empreendimento turístico, nem qualquer sistema de
classificação.

A publicidade, a documentação comercial e o merchandising dos estabelecimentos de


alojamento local devem indicar o respetivo nome ou logótipo e número de registo, não
podendo sugerir características que os estabelecimentos não possuam nem sugerir
que os mesmos se integram num dos tipos de empreendimentos turísticos previstos
no Decreto-Lei n.º 39/2008, de 7 de março.

Os ‛estabelecimentos de hospedagem’ e os ‛quartos’ podem usar comercialmente, a


designação de ‛Bed & breakfast’ ou de ‛guest house’.

A afixação de placa identificativa no exterior do estabelecimento é obrigatória, para os


estabelecimentos na modalidade de hostels, apartamentos, estabelecimentos de
hospedagem e quartos, não sendo pois obrigatório, para os estabelecimentos na
modalidade de moradias.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

8. SEF - BOLETIM DE ALOJAMENTO (BA)

Com a adesão de Portugal ao Acordo de Schengen e à respectiva Convenção da


Aplicação do Acordo de Schengen e a entrada em vigor dos Acordos no final de 1993,
contemplou-se um reforço das medidas de controlo em compensação da supressão
das fronteiras entre os Estados Membros.

O artigo 45.º da Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen prevê


expressamente o Boletim de Alojamento como forma de assegurar a comunicação do
alojamento de cidadãos estrangeiros. Constatando-se que um elevado número de
estabelecimentos hoteleiros dispunha de serviços informatizados e tecnologia
adequada, passou a ser permitida a comunicação através listas ou suportes
magnéticos.

A Portaria n.º 287/07, de 16 de Março cria o SIBA (Sistema de Informação dos


Boletins de Alojamento) tornando-se obrigatória a comunicação por via electrónica do
alojamento de cidadãos estrangeiros para todos os estabelecimentos hoteleiros e
similares detentores de meios informáticos. A génese do SIBA radicou,
simultaneamente, na modernização dos estabelecimentos hoteleiros e na necessidade
de agilizar o procedimento de comunicação de alojamento de estrangeiros,
racionalizando custos.

A Lei 23/2007, de 4 de Julho (Lei de Estrangeiros) veio consolidar e aperfeiçoar a


credencial legal relativa à comunicação electrónica de informação relativa a
alojamento, prevendo, no n.º 4 do artigo 15.º, que os estabelecimentos hoteleiros e
similares devem proceder ao seu registo junto do SEF como utilizadores do Sistema
de Informação de Boletins de Alojamento (SIBA), por forma a poderem proceder à
respectiva comunicação electrónica em condições de segurança.

A Portaria n.º 415/2008, de 11 de Junho manteve em vigor o quadro aplicável ao SIBA


e aprovou o modelo actualizado de boletim de alojamento, determinando a sua
distribuição gratuita através do portal do SEF na Internet.

Resumindo, todos aqueles que facultem, a título oneroso, alojamento a cidadãos


estrangeiros, ficam obrigadas a comunicá-lo, no prazo de três dias úteis.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A comunicação é sempre feita ao SEF, por Boletim de Alojamento BA, em suporte


electrónico ou em suporte de papel). O que varia é o modo pelo qual esta informação
e suporte chegam ao SEF. Assim:

a. No caso de “estabelecimento hoteleiro ou similar”(artigo 15.º n.º 4 da Lei


23/2007, de 4 de Julho) a comunicação faz-se, directa e obrigatoriamente ao
SEF, por via electrónica, através da Internet, o que obriga a um registo numa
aplicação informática (do SEF) – o “Sistema de Informação de Boletins de
Alojamento” (SIBA).

b. Nos restantes casos (para “todos aqueles que facultem, a título oneroso,
alojamento a cidadãos estrangeiros” - n.º 1 do artigo 16.º da Lei 23/2007), a
comunicação faz-se por Boletim de Alojamento em suporte de papel, que é
entregue:

Þ No SEF (Delegação ou Direcção regional ou posto de atendimento do SEF ou


Lojas do Cidadão onde há serviços do SEF)
ou,
Þ Nas localidades onde não exista delegações do SEF, à Guarda Nacional
Republicana (GNR) ou à Polícia de Segurança Pública” (PSP) que depois
reencaminham os BAs para o SEF.

Após a saída do cidadão estrangeiro do referido alojamento, o facto deve ser


comunicado, no mesmo prazo, às entidades mencionadas. Pode optar-se, contudo,
por colocar logo no primeiro envio a data prevista de check-out. Caso não haja
nenhuma alteração, não será necessário proceder ao envio de novo Boletim de
Alojamento.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

9. PROCEDIMENTOS DE REGISTO E OBRIGAÇÕES

Para a exploração de um imóvel como estabelecimento de alojamento local é


necessário efetuar previamente o registo do estabelecimento, através de uma
comunicação prévia, no Balcão Único Eletrónico, a qual é obrigatória, bem assim
como, efetuar a entrega de declaração de início de atividade junto da Autoridade
Tributária, para o exercício da atividade de prestação de serviços de alojamento
(correspondente à secção I, subclasses 55201 ou 55204 da Classificação Portuguesa
de Atividades Económicas).

São condições necessárias para a oferta, disponibilização, publicidade ou


intermediação na exploração de estabelecimento de alojamento local.

Resumindo, legalmente, apenas podem prestar serviços de alojamento temporário, os


estabelecimentos registados que possuam o número de registo respetivo.

Da comunicação prévia com prazo, dirigida ao Presidente da Câmara Municipal devem


obrigatoriamente constar as seguintes informações:
a) A autorização de utilização ou título de utilização válido do imóvel;
b) A identificação do titular da exploração do estabelecimento, com menção do
nome ou firma e do número de identificação fiscal;
c) O endereço do titular da exploração do estabelecimento;
d) Nome adotado pelo estabelecimento e seu endereço;
e) Capacidade (quartos, camas e utentes) do estabelecimento;
f) A data pretendida de abertura ao público;
g) Nome, morada e número de telefone de pessoa a contactar em caso de
emergência.

A comunicação prévia com prazo deve obrigatoriamente ser instruída com os


seguintes documentos:

a) Cópia simples do documento de identificação do titular da exploração do


estabelecimento, no caso de este ser pessoa singular, ou indicação do código
de acesso à certidão permanente do registo comercial, no caso de este ser
pessoa coletiva;

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Termo de responsabilidade, subscrito pelo titular da exploração do


estabelecimento, assegurando a idoneidade do edifício ou sua fração
autónoma para a prestação de serviços de alojamento e que o mesmo respeita
as normas legais e regulamentares aplicáveis;
c) Cópia simples da caderneta predial urbana referente ao imóvel em causa, no
caso de o requerente ser proprietário do imóvel;
d) Cópia simples do contrato de arrendamento e, caso do contrato não conste
prévia autorização para a prestação de serviços de alojamento ou
subarrendamento, documento autenticado contendo tal autorização do
senhorio do imóvel, no caso de o requerente ser arrendatário do imóvel;
e) Cópia simples da declaração de início ou alteração de atividade do titular da
exploração do estabelecimento para o exercício da atividade de prestação de
serviços de alojamento correspondente à secção I, subclasses 55201 ou 55204
da Classificação Portuguesa de Atividades Económicas, Revisão 3, aprovada
pelo Decreto -Lei n.º 381/2007, de 14 de novembro, apresentada junto da
Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).
f) Ata da assembleia de condóminos autorizando a instalação, no caso dos
‛hostels’;
g) A modalidade de estabelecimento em que se vai desenvolver a atividade de
alojamento local.

O titular da exploração do estabelecimento é obrigado a manter atualizados todos os


dados comunicados, devendo proceder a essa atualização no Balcão Único Eletrónico
no prazo máximo de 10 dias após a ocorrência de qualquer alteração. A cessação da
exploração do estabelecimento de alojamento local é comunicada através do Balcão
Único Eletrónico no prazo máximo de 10 dias após a sua ocorrência.

O titular da exploração do estabelecimento de alojamento local comunica às


plataformas eletrónicas de reservas, no prazo máximo de 10 dias, o cancelamento do
registo e/ou a interdição temporária da exploração dos estabelecimentos de
alojamento local.

A comunicação prévia com prazo à qual não haja oposição e as comunicações de


alterações e cessação são remetidas, automaticamente, para o Turismo de Portugal, I.
P.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O titular da exploração do estabelecimento está dispensado da apresentação dos


documentos que estejam já na posse de qualquer serviço e organismo da
Administração Pública, quando der o seu consentimento para que a câmara municipal
proceda à sua obtenção através da Plataforma de Interoperabilidade da Administração
Pública (iAP).

Pode haver oposição à comunicação prévia com prazo se, num prazo de 10 dias
contados a partir da sua apresentação ou num prazo de 20 dias no caso dos hostels, o
Presidente da Câmara Municipal territorialmente competente, com faculdade de
delegação nos vereadores ou dirigentes, se oponha ao registo, com os fundamentos
seguintes:
a) Incorreta instrução da comunicação prévia com prazo;
b) Vigência do prazo resultante de cancelamento de registo, nos termos do artigo
9.º;
c) Violação das restrições à instalação decididas pelo município, nos termos do
artigo 15.º -A, ou falta de autorização de utilização adequada do edifício.

A oposição prevista no número anterior obsta à atribuição do número de registo.

As declarações ou termos de responsabilidade assinados pelo titular da exploração do


estabelecimento de alojamento local que não correspondam à verdade são puníveis
nos termos do artigo 256.º do Código Penal.

9.1 DANOS E OBRAS DE ADAPTAÇÃO


O titular da exploração de alojamento local é solidariamente responsável com os
hóspedes relativamente aos danos provocados por estes no edifício em que se
encontra instalada a unidade.

O n.º 3 do art.º 13.º na redacção dada pela Lei 62/2018 determina que correm por
conta do titular do alojamento local as despesas com obras que sejam realizadas nas
partes comuns para adaptar ou licenciar o locado para esse fim.

9.2 SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL


O titular da exploração de alojamento local deve celebrar e manter válido um seguro
multirrisco de responsabilidade civil que o proteja dos seus ativos e reclamações no
âmbito da sua atividade turística, determinando a responsabilidade do titular da
exploração do estabelecimento, e que cubra riscos de incêndio e danos patrimoniais e
não patrimoniais causados a hóspedes e a terceiros, decorrentes da atividade de

55
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

prestação de serviços de alojamento. A falta de seguro válido, é fundamento de


cancelamento do registo.

9.3 - CONTRIBUIÇÕES PARA O CONDOMÍNIO


O condomínio pode fixar o pagamento de uma contribuição adicional correspondente
às despesas decorrentes da utilização acrescida das partes comuns, com um limite de
30 % do valor anual da quota respetiva, a deliberar nos termos do artigo 1424.º do
Código Civil.

Os estabelecimentos de alojamento local já existentes, dispõem do prazo de dois


anos, a contar da data em vigor da Lei 62/2018, para adotarem os requisitos referidos
nos pontos 9.1 a 9.3.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

10. ENTIDADES FISCALIZADORAS


A entidade fiscalizadora destes estabelecimentos é a ASAE, sendo a fiscalização do
cumprimento das obrigações fiscais decorrentes da atividade exercida, da
competência da Autoridade Tributária e Aduaneira. A ASAE pode determinar a
interdição temporária da exploração dos estabelecimentos de alojamento local, na sua
totalidade ou em parte, quando o estabelecimento reúna requisitos para ser
considerado empreendimento turístico e não tenha dado início ao processo de
autorização de utilização para fins turísticos no prazo fixado pelo Turismo de Portugal
I.P. ou quando a falta de cumprimento das disposições legais aplicáveis puser em
causa a segurança dos utilizadores ou a saúde pública, sem prejuízo da competência
atribuída por lei a outras entidades.

Está prevista troca de informações entre as Câmaras Municipais, o Turismo de


Portugal, I.P. e a Autoridade Tributária e Aduaneira.

10.1 CANCELAMENTO DO REGISTO


O Presidente da Câmara Municipal territorialmente competente pode determinar,
precedido de audiência prévia, o cancelamento do registo do respetivo
estabelecimento nas seguintes condições:
a) Quando exista qualquer desconformidade em relação a informação ou
documento constante do registo;
b) No caso de instalação de novo alojamento local em violação de áreas de
contenção, após a respetiva definição;
c) Por violação dos requisitos estabelecidos nos artigos 11.º a 17.º do DL
124/2014

No caso de a atividade de alojamento local ser exercida numa fração autónoma de


edifício ou parte de prédio urbano suscetível de utilização independente, a assembleia
de condóminos, por decisão de mais de metade da permilagem do edifício, em
deliberação fundamentada, decorrente da prática reiterada e comprovada de atos que
perturbem a normal utilização do prédio, bem como de atos que causem incómodo e
afetem o descanso dos condóminos, pode opor -se ao exercício da atividade de
alojamento local na referida fração, dando, para o efeito, conhecimento da sua decisão
ao Presidente da Câmara Municipal territorialmente competente.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O Presidente da Câmara Municipal territorialmente competente, com faculdade de


delegação nos vereadores, decide sobre o pedido de cancelamento. O cancelamento
do registo determina a imediata cessação da exploração do estabelecimento, sem
prejuízo do direito de audiência prévia.

Nos casos em que o município verifique que o estabelecimento é explorado sem


registo para o efeito comunica o facto à Autoridade de Segurança Alimentar e
Económica (ASAE).

A cessação de exploração implica:


a) O cancelamento do registo do estabelecimento, se a este tiver havido lugar;
b) Quando esteja em causa o cancelamento nos termos do n.º 2, a
impossibilidade de o imóvel em questão ser explorado como alojamento local,
independentemente da respetiva entidade, por um período fixado na decisão,
num máximo de 1 ano.

O cancelamento do registo deve ser imediatamente comunicado pela câmara


municipal territorialmente competente ao Turismo de Portugal, I. P., e à ASAE,
competindo ao primeiro proceder à comunicação às plataformas eletrónicas que
disponibilizem, divulguem ou comercializem alojamento de que o registo do
estabelecimento foi cancelado.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

11. DIFERENÇA ENTRE UM CONTRATO DE ARRENDAMENTO


URBANO E A EXPLORAÇÃO DE UM ESTABELECIMENTO DE
ALOJAMENTO LOCAL

Um imóvel pode ser arrendado para férias através de um contrato de arrendamento


urbano, o qual deve obedecer às disposições aplicáveis a este tipo de contrato, que
constam no Código Civil e do Novo Regime Jurídico do Arrendamento Urbano, bem
como às disposições aplicáveis em matéria tributária.

Neste caso, face ao previsto no artigo 4.º, n.º 3, do DL n.º 128/2014, de 29 de agosto,
não se considera existir exploração de estabelecimento de alojamento local.

A essencial diferença entre um contrato de arrendamento urbano e a exploração de


um estabelecimento de alojamento local (nos termos do DL n.º 128/2014, de 29 de
agosto) reside no facto de, enquanto no primeiro caso existe uma mera locação de
bens imóveis (que pode ser temporária e ter por objeto uma habitação para férias) no
segundo caso, existe uma prestação de serviços de alojamento.

Tal significa que, além do alojamento propriamente dito, existem serviços


complementares, como sejam de limpeza, receção ou outros serviços de apoio,
prestação esta que, se encontra próxima da realizada no âmbito da atividade hoteleira.

A este segundo caso aplica-se o DL n.º 128/2014, de 29 de agosto, sendo necessário,


nomeadamente, registar o imóvel como estabelecimento de alojamento local.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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12. TITULAR DA EXPLORAÇÃO DO ESTABELECIMENTO

O titular da exploração do estabelecimento é a pessoa singular ou coletiva que é


responsável pelo exercício da atividade de prestação de serviços de alojamento
temporário, seja ou não o proprietário. Cabe-lhe, pois, a ele declarar o início da
atividade de prestação de serviços de alojamento junto da Autoridade Tributária e
Aduaneira.

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13. FISCALIDADE – PESSOAS SINGULARES

A exploração de estabelecimentos de alojamento local corresponde ao exercício da


atividade de prestação de serviços de alojamento (alínea h) do n.º 1 do art.º 4,º do
CIRS), sendo geradora de rendimentos empresariais, enquadráveis no âmbito da
Categoria B.

Conforme refere o ofício circulado 20180 de 19/8/2015, em termos fiscais é possível


identificar três situações-tipo, com as inerentes implicações ao nível da qualificação e
enquadramento tributário dos rendimentos, assim:

13.1 REGIME SIMPLIFICADO


O OE de 2017 determinou o aumento do coeficiente para determinação do rendimento
líquido da categoria B, de 0,15 para 0,35 incidente sobre os rendimentos da
exploração de estabelecimentos de alojamento local na modalidade de moradia ou
apartamento.

Os titulares de rendimentos da exploração de estabelecimentos de alojamento local na


modalidade de moradia ou apartamento podem, a cada ano, optar pela tributação de
acordo com as regras estabelecidas para a Categoria F (n.º 14 do art.º 28.º do CIRS).

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13.1.1 – DETERMINAÇÃO DO RESULTADO LIQUIDO DA CATEGORIA B –


ANO 2018
Ao rendimento tributável apurado com base na aplicação dos coeficientes de 0,75 e
0,35, deve acrescer a diferença positiva, entre 15 % dos rendimentos brutos das
prestações de serviços e o somatório das seguintes importâncias:
a) O montante de € 4.104 (valor da dedução específica dos rendimentos do
trabalho dependente) ou, quando superior, os montantes comprovadamente
suportados com contribuições obrigatórias para regimes de proteção
social, que não sejam já dedutíveis no âmbito deste regime;
b) Despesas com pessoal e encargos a título de remunerações, ordenados
ou salários, comunicados pelo sujeito passivo à AT;
c) Rendas de imóveis afetos à atividade empresarial ou profissional que
constem de faturas e outros documentos, comunicados à AT;
d) 1,5% do valor patrimonial tributário dos imóveis afetos à atividade
empresarial ou profissional ou, quanto aos imóveis afetos a atividades
hoteleiras ou de alojamento local, 4% do respetivo valor patrimonial tributário,
de que o sujeito passivo seja o proprietário, usufrutuário ou superficiário;
e) Outras despesas com a aquisição de bens e prestações de serviços
relacionadas com a atividade, (ex: eletricidade, água, transportes e
comunicações, contencioso, seguros) que constem em faturas comunicadas à
AT ou emitidas no Portal das Finanças;
f) Importações ou aquisições intracomunitárias de bens e serviços
relacionados com a atividade.

As despesas e encargos previstos nas alíneas c), d) e e) supra, quando apenas


parcialmente afetos à atividade empresarial e profissional são considerados em
apenas 25 %.

Para efeitos da afetação à atividade empresarial ou profissional das despesas e


encargos o sujeito passivo deve identificar:
a) As faturas e outros documentos que titulam despesas e encargos relacionados
exclusiva ou parcialmente com a sua atividade empresarial ou profissional,
através do Portal das Finanças;
b) Os imóveis afetos exclusiva ou parcialmente à sua atividade empresarial ou
profissional e, de entre estas, a afetação a atividades hoteleiras ou de
alojamento local, através do Portal das Finanças;

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c) As importações e aquisições intracomunitárias de bens efetuadas, específica e


exclusivamente, no âmbito da sua atividade empresarial ou profissional são
indicadas na declaração de rendimentos.

13.2 REGIME DA CONTABILIDADE


No caso de sujeitos passivos enquadrados no regime da contabilidade organizada, o
rendimento tributável é apurado nos termos e normas do CIRC, com as necessárias
adaptações.

13.3 AFETAÇÃO DO PATRIMONIO PARTICULAR AO EMPRESARIAL


Caso o titular da exploração seja, igualmente, o proprietário dos imoveis onde é
exercida a atividade de alojamento local, tem que afetar os mesmos á atividade. Pelo
que no momento da afetação e da posterior desafetação ou transmissão a um terceiro,
haverá lugar ao apuramento de rendimentos da Categoria G e da Categoria B,
tributáveis no momento da última operação (alinea b) do n.º 3 do art.º 10.º do CIRS).

Os ganhos resultantes desta afetação têm a particularidade de se considerarem


obtidos apenas no momento da ulterior transmissão, a qual se poderá consubstanciar
na alienação onerosa dos bens em causa, da ocorrência de outro facto que determine
o apuramento de resultados em condições análogas (ex.: destruição por sinistro ou
transferência para o património individual por motivo de cessação da atividade),
conforme dispõe a alínea b) do n.º 3 do art.º 10°do CIRS.

Uma vez que a exigibilidade do imposto está subordinada ao «princípio da


realização», só pode ocorrer com a posterior alienação onerosa do bem ou com a
verificação de outro facto de efeito equivalente.

Deste modo, a tributação, envolve dois momentos distintos:


1. a sujeição ocorre com a afetação dos bens;
2. a exigibilidade do imposto só ocorre com a sua posterior alienação onerosa ou
facto equivalente.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Como da «afetação» (1ª transmissão) não resultou a realização efetiva de ganhos, a


tributação é diferida para o momento da alienação do bem ou situação equivalente. É
neste momento que o contribuinte é devedor de uma prestação de imposto igual ao
somatório da «Mais-Valia privada» (Categoria G) com a «Mais-Valia empresarial»
(Cat. B).

No entanto, o OE de 2017 introduziu uma alteração importante sobre esta matéria,


determinando que deixa de configurar fiscalmente, como uma transferência para o
património particular do empresário a afetação de bem imóvel habitacional, desde que
o mesmo se continue a destinar, à obtenção de rendimentos da categoria F, isto é
refere o n.º 9 do art.º 3.º do CIRS que não configura uma transferência para o
património particular do empresário a afetação de bem imóvel habitacional à obtenção
de rendimentos da Categoria F quando anteriormente o mesmo imóvel esteve afeto á
actividade empresarial do titular de rendimentos.

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14. O ENQUADRAMENTO EM IVA


14.1 PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS DE ALOJAMENTO LOCAL
Vamos agora abordar o enquadramento das prestações de serviços relacionadas com
o alojamento local em sede de IVA.

Como já foi referido no enquadramento em sede de IRS, a exploração de alojamento


local corresponde ao exercício de uma atividade de prestação de serviços de
alojamento e consequentemente também em sede de IVA ficam enquadradas como
prestações de serviços, conforme definido no art. 4º do CIVA.
Lembramos que o IVA é um imposto de base comunitária que tem sido ao longo dos
tempos regulado por várias diretivas do Conselho da União Europeia, pelo que se
aplica em todos os estados membros de forma semelhante. É um imposto que incide
sobre a despesa ou consumo e tributa o "valor acrescentado" das transações
efetuadas pelos contribuintes.

Este imposto caracteriza-se por ter uma base de tributação ampla, aplicando-se à
generalidade das operações económicas, concretamente, transmissões de bens,
prestações de serviços e operações de comércio intracomunitário e com países
terceiros.

A sua base tributável é o valor acrescentado que surge em todas as fases do circuito
económico, estendendo-se desde o sector produtivo à venda a retalho (imposto
plurifásico). Ou seja, cada sujeito passivo aplica o IVA sobre o preço de venda dos
bens transmitidos ou dos serviços prestados mas só entrega ao Estado, em cada
período de imposto, a diferença entre o IVA liquidado aos clientes e o IVA debitado
pelos respetivos fornecedores que seja suscetível de dedução, por força do método do
crédito de imposto ou método subtrativo indireto, que constitui o mecanismo nuclear
para o apuramento do imposto. Esta dedução é financeira e não física, o que significa
que é efetuada não bem a bem, mas por períodos de imposto.

O IVA possui a natureza de imposto genérico sobre o consumo, pelo que incide sobre
a generalidade das operações económicas efetuadas quer no interior do território
nacional quer com o exterior.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No que respeita à taxa aplicável, por se considerar um alojamento do tipo hoteleiro


aplica-se a taxa reduzida de 6% prevista na verba 2.17 da lista I anexa ao CIVA.

Esta verba refere o seguinte:


“2.17 - Alojamento em estabelecimentos do tipo hoteleiro. A taxa reduzida aplica-se
exclusivamente ao preço do alojamento, incluindo o pequeno-almoço, se não for
objeto de faturação separada, sendo equivalente a metade do preço da pensão
completa e a três quartos do preço da meia pensão.”
De referir que a aplicação do disposto na verba 2.17 da Lista I anexa ao Código do
IVA abrange qualquer operador incluindo aqueles que não tenham cá estabelecimento
estável (não residentes).

Isto é, tratando-se de apartamentos em plenas condições para serem locados a


turistas, independentemente de os apartamentos serem ou não propriedade da
empresa que os loca, tal operação, configura uma prestação de serviços de
alojamento do tipo hoteleiro localizado em território português, de acordo com o
disposto da alínea a) do n.º 8 do artigo 6.º do CIVA, aplicando-se a taxa prevista na
verba 2.17 da Lista I anexa ao CIVA.

Sobre este assunto a AT já se pronunciou através da informação vinculativa emitida


pelo SDG dos Impostos a 20 de outubro de 2011 - Processo nº 2570, quanto ao
enquadramento entre a entidade exploradora e administradora do empreendimento e
os proprietários das unidades de alojamento que o compõem.

Isto significa que, seja uma empresa a faturar ou um sujeito passivo individual que
exerça a atividade na espera da categoria B, a fatura deverá ser emitida à taxa de 6%,
esta situação também é relevante para avaliação por exemplo das reservas e de quem
faz as reserva do alojamento local, isto é independentemente da reserva ser efetuada
pelo próprio turista, ou ser faturada por exemplo a um operador turístico estabelecido
fora de Portugal em que aplica a mesma regra.

Para este enquadramento, e para melhor clarificar as operações com intervenientes de


outros países é importante abordar as matérias relacionadas com as regras de
localização previstas no art. 6.º do CIVA.

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As regras de localização do IVA, previstas no Artº 6º, são das matérias mais
complexas no âmbito do IVA. Até 31 de Dezembro de 2009, as regras de prestações
de serviços prevista no artº 6º do CIVA, previa uma regra geral de tributação na
origem, seguida de exceções à regra geral, e diversas exceções às exceções.

A partir de 01 de Janeiro de 2010, foi adotado como regra geral, o Estado Membro de
destino, ou seja, o Estado Membro de emissão do número de identificação fiscal do
adquirente, em suma, a tributação no destino.

Quanto às regras de localização das operações passaram a existir duas regras gerais
definidas no n.º 6 do artigo 6.º do CIVA, ou seja, são tributáveis em território nacional
as prestações de serviços a:
ü Sujeitos passivos de IVA em território português, cuja sede, estabelecimento
estável ou, na sua falta, o domicílio, para o qual os serviços são prestados, se
situe no território nacional, onde quer que se situe a sede, estabelecimento
estável ou, na sua falta, o domicílio do prestador (artigo 6.º n.º 6 alínea a) do
CIVA);
ü As pessoas que não sejam sujeitos passivos de imposto (particulares), quando
o prestador tenha no território nacional a sede da sua atividade, um
estabelecimento estável ou, na sua falta, o domicílio, a partir do qual os
serviços são prestados (n.º 6 do artigo 6 n.º 6 alínea b) do CIVA).

Assim, a localização das prestações de serviços, segue agora, em princípio, a regra


do denominado "princípio do país do adquirente", isto é, a tributação é efetuada onde
o adquirente tiver a sua sede, estabelecimento estável ou domicílio desde que, este
seja sujeito passivo. Ou a localização das prestações de serviços, segue, em princípio,
a regra do denominado "princípio do país de origem", isto é, a tributação é efetuada
onde o prestador tiver a sua sede, estabelecimento estável ou domicílio caso este seja
um "particular".

Todavia o artigo 6.º do CIVA comporta algumas exceções à regra geral, como é o
caso do alojamento local em território nacional, mencionado na alínea a) do n.º 8:
"8 - Não obstante o disposto no n.º 6, são tributáveis as seguintes operações:
a) (...) a prestação de serviços de alojamento efetuadas no âmbito da atividade
hoteleira ou de outras com funções análogas, tais como parques de campismo;

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(...)"

Daqui resulta que todas as faturas emitidas, relacionadas com a atividade de


alojamento local de imóveis situados em território nacional, mesmo que emitidas a
sujeitos passivos particulares ou não de outros estados membros ou países terceiros
serão sempre tributados em IVA em território nacional à taxa de 6%.

14.2 - OS INTERMEDIÁRIOS – COMISSÕES


Em relação à atividade de exploração de alojamento local e no que respeita á
tributação em IVA existem ainda outras particularidades que são relevantes para a
atividade e que se prendem com comissões de intermediação, promoção e publicidade
que, em regra, estão conexas com esta atividade.

Assim em sede de IVA devemos atender a quanto ao contrato celebrado entre a


empresa portuguesa e operador para a promoção e divulgação dos apartamentos ou a
comissão de intermediação, estamos perante uma prestação de serviços nos termos
do artigo 4.º do CIVA, tributada à taxa normal.

Ainda que se trate da promoção de alojamento de tipo hoteleiro, estes serviços de


promoção e comissões serão sempre tributados à taxa normal, já que a verba 2.17 da
Lista I anexa ao Código apenas se aplica ao alojamento de tipo hoteleiro e não à
prestação de serviços da sua promoção. Assim, se o operador tiver sede em território
nacional, ao faturar à empresa de Alojamento local, os serviços de promoção e/ou
comissões deverá liquidar IVA à taxa normal.

Se o operador tiver a sede fora do território nacional, ao faturar à empresa de


Alojamento local, os serviços de promoção, deverá aplicar as regras da localização
das operações do artigo 6.º do CIVA.

No caso apresentado, regra geral, quando os comissionistas estão localizados fora do


território nacional, independentemente da operação principal a que se refere a
intermediação ser localizada em território nacional, ou fora dele, quando o adquirente
é um sujeito passivo português, a operação é tributada em território nacional, através
do mecanismo do reverse-charge, ou seja, a empresa portuguesa terá que efetuar a

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

autoliquidação do imposto em Portugal, podendo proceder simultaneamente à sua


dedução nos termos do artigo 19.º e seguintes do CIVA.

No entanto, importa alertar que, se as comissões resultarem não apenas da


angariação de clientes, mas da intermediação na venda ou na locação ou
arrendamento de bens imóveis e na constituição ou transferência de determinados
direitos ou direitos reais sobre bens imóveis, será de aplicar a regra específica dos
imóveis prevista nos n.ºs 7 e 8, alínea a) do artigo 6.º do CIVA, ou seja, a tributação
em sede de IVA ocorre no local onde está situado o imóvel a que se referem os
serviços de intermediação.

Na situação em análise, aplicar-se-á a regra geral pois as prestações de serviços de


intermediação relacionados com o alojamento no sector hoteleiro ou em sectores com
funções similares, são excecionadas da regra específica dos imóveis (vide alínea d) do
n.º 3 do artigo 31.º-A da subsecção 6-A do Regulamento 1042/2013 atrás mencionado

Deste modo, o imposto deverá ser entregue pelo adquirente da prestação de serviços
se este for sujeito passivo em território nacional através do mecanismo de "reverse-
charge", desde que não exista estabelecimento estável ou representante da empresa
que presta o serviço, em Portugal, ou registo em IVA.

Ressalva-se que, a entidade adquirente, desde que seja sujeito passivo devidamente
registado em sede deste imposto, torna-se sujeito passivo com a obrigação de
liquidação do imposto pela aquisição da prestação de serviços, e, se tiver direito à
dedução (nos termos do artigo 19.º e seguintes do CIVA), fará a dedução em
simultâneo, na declaração periódica de IVA.

Em termos da declaração periódica de IVA, a referida autoliquidação de IVA por estes


serviços deverá ser incluída nos campos 3 (valor tributável) e 4 (imposto liquidado) do
Quadro 06 quando o prestador é de um país terceiro, e esse valor tributável deverá ser
ainda incluído no campo 98 do Quadro 06-A. O IVA dedutível (se aplicável) deverá ser
incluindo no campo 24 do Quadro 06.

Em termos de preenchimento da Declaração Periódica, há a reter o seguinte:


Aquisição dos serviços efetuadas a sujeitos passivos comunitários

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Na declaração periódica do IVA, o valor da prestação de serviços deverá ser


mencionado no campo 16 do quadro 06, enquanto o imposto deverá constar no campo
17 do mesmo quadro 06, de acordo com a taxa de imposto aplicável.

O imposto será, igualmente, dedutível, na medida do direito à dedução da empresa


portuguesa, devendo ser inscrito num dos campos 20 a 24 do quadro 06 da
declaração periódica do IVA.

Também é importante, em relação a esta matéria algumas considerações


relativamente à retenção na fonte a efetuar sobre os pagamentos a entidades não
residentes.

Isto é, se estamos perante o pagamento realizado por um sujeito passivo português a


uma entidade não residente, relativo a rendimento relacionado com as comissões por
intermediação na realização de contratos de alojamento de caráter turístico realizados
em território português, em termos de IRC, as entidades não residentes que não
tenham estabelecimento estável em território português são tributadas em Portugal,
apenas pelos rendimentos obtidos em território português, conforme n.º 2 do artigo 4.º
do Código do IRC, sendo esta tributação designada de base territorial.

Por sua vez, as entidades residentes são tributadas em Portugal pela totalidade dos
rendimentos auferidos, incluindo os obtidos fora do território nacional, ou seja, pela
regra da universalidade ou de base mundial, conforme o n.º 1 do artigo 4.º do Código
do IRC.

Para as entidades não residentes, a sujeição a imposto apenas se verifica quanto aos
rendimentos obtidos em Portugal, não suscetíveis de serem imputados a eventual
estabelecimento estável localizado em território português.

Os rendimentos consideram-se obtidos em território nacional, tendo em conta a fonte


produtora e/ou a entidade pagadora, conforme o n.º 3 do artigo 4.º do Código do IRC.

Os rendimentos provenientes da intermediação na celebração de quaisquer contratos


são considerados como obtidos em território português quando a entidade devedora
tenha a residência, sede ou direção efetiva em território português ou cujo pagamento

72
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

seja imputável a um estabelecimento estável nele situado, conforme previsto no n.º 6


da alínea c) do n.º 3 do artigo 4.º do Código do IRC.

Regra geral, as comissões consideradas como rendimentos obtidos em território


nacional por sujeitos passivos não residentes estão sujeitas a uma taxa de retenção
na fonte, com caráter liberatório de 25%, nos termos do n.º 4 do artigo 94.º do Código
do IRC.

Devido à existência das duas regras de tributação dos rendimentos nos diversos
Estados, pode ocorrer uma dupla tributação sobre esses rendimentos, pois os
rendimentos podem ser tributados no país onde são obtidos (regra da territorialidade)
e no país de residência da empresa que os obtêm (regra da universalidade), quando
esse país não for o mesmo.

Devido a esta situação foram criadas as Convenções para Evitar a Dupla Tributação
internacional celebradas entre Portugal e outros Estados, com o objetivo de
estabelecer uma redução ou eliminação de tributação de determinados rendimentos
obtidos num Estado por residentes do outro Estado.

O artigo 98.º do Código do IRC estabelece que não existe obrigação de se efetuar a
retenção na fonte de IRC, no todo ou em parte, consoante os casos, relativamente aos
rendimentos referidos no n.º 1 do artigo 94.º do Código do IRC quando, por força de
uma convenção destinada a eliminar a dupla tributação ou de um outro acordo de
direito internacional que vincule o Estado Português ou de legislação interna, a
competência para a tributação dos rendimentos auferidos por uma entidade que não
tenha a sede nem direção efetiva em território português e aí não possua
estabelecimento estável ao qual os mesmos sejam imputáveis não seja atribuída ao
Estado da fonte ou o seja apenas de forma limitada.

Para ser evitada essa tributação em Portugal, as empresas intermediárias, não


residentes sem estabelecimento estável, podem acionar a respetiva Convenção para
Evitar a Dupla Tributação celebrada entre Portugal e o respetivo país de residência,
neste caso por aplicação do artigo 7.º dessas convenções.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Na prática, pelo acionamento de qualquer dessas convenções, existirá a eliminação ou


atenuação da tributação no estado de origem dos rendimentos.

Para se acionar a referida convenção, as empresas não residentes devem entregar à


empresa pagadora dos rendimentos (portuguesa) o Modelo 21-RFI disponível no
Portal das Finanças, devidamente certificado pelas autoridades fiscais do país ou
território de residência dessas empresas não residentes, ou acompanhado por um
documento emitido por essas autoridades que comprove a residência dessas
empresas e a respetiva sujeição a imposto sobre o rendimento nesse país.

Esse documento, Modelo 21-RFI ou o certificado de residência fiscal devidamente


certificado pelas autoridades fiscais dos países de residência, ou acompanhado pelo
documento emitido pelas autoridades desse país, deve ser entregue à empresa
pagadora dos rendimentos (portuguesa), para que esta não proceda à retenção na
fonte pelo acionamento da CDT.

A entidade portuguesa, pagadora desses rendimentos a entidades não residentes,


deve ainda incluir esses rendimentos na Declaração Modelo 30, a entregar até ao final
do segundo mês seguinte à data da colocação à disposição dos rendimentos ao
beneficiário.

Essa entidade portuguesa deve ainda obter um número de identificação fiscal


português especial para a empresa não residente sem estabelecimento estável,
beneficiária de rendimentos considerados obtidos em território português (se esta não
possuir tal NIF). Esse NIF especial deve ser indicado no respetivo campo da Modelo
30.

No caso da empresa beneficiária do rendimento, não entregar o Modelo 21-RFI até à


data limite para realizar a retenção na fonte, a empresa portuguesa deve proceder a
essa retenção na fonte, entregando o respetivo imposto ao Estado português,
conforme determina o n.º 5 do artigo 98.º do Código do IRC, sendo considerada como
o substituto tributário.

Nessa situação, a empresa beneficiária do rendimento pode solicitar o reembolso total


ou parcial do imposto que tenha sido retido na fonte, no prazo de dois anos contados a

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

partir do termo do ano em que se verificou o facto gerador do imposto, mediante a


apresentação de um formulário de Modelo 24-RFI, desde que cumpra as respetivas
condições referidas para o acionamento da convenção.

Caso exista a obrigação de efetuar a retenção na fonte, nomeadamente por não ter
sido apresentado o formulário Modelo 21-RFI ou o certificado de residência fiscal em
devido tempo, a empresa portuguesa deve proceder à entrega do valor da retenção na
fonte ao Estado português até ao dia 20 do mês seguinte à realização do pagamento
do rendimento, através da Declaração de retenções de IRC/IRS e imposto do selo,
com a indicação de "Retenções a não residentes", código 202.

No caso do rendimento em causa se tratar da cobrança de um serviço pela utilização


da plataforma online de uma empresa intermediária (Airbnb, Booking ou outra), o
procedimento é similar ao referido, para as comissões de intermediação, pois tratam-
se de serviços utilizados em território português.

As Declaração de retenções de IRC/IRS e imposto do selo e a Modelo 30 devem


respeitar às operações realizadas num determinado mês, não podendo ser
acumuladas operações de vários meses anteriores. Deve ser enviada uma declaração
por cada mês em que existiram operações.

É importante também atender a que a forma como por vezes estas operações são
geridas pelas entidades intermediárias não permitem que a retenção na fonte seja feita
diretamente aos valores pagos uma vez que estas entidades como interferem
diretamente no recebimento do valor pago pelo turista quando transferem o
pagamento para o prestador de serviços do alojamento local já o fazem líquido da
comissão.

Neste caso, quem paga os rendimentos não fica desobrigado de efetuar a retenção na
fonte e proceder a todos os procedimentos acima mencionados

14.3 O CASO PARTICULAR DOS PRESTADORES DE SERVIÇO


ENQUADRADOS NO REGIME DE ISENÇÃO, DO ART.º 53.º DO CIVA
Quando estamos perante um prestador de serviço enquadrado no âmbito do regime
simplificado da categoria B do IRS (regime já referido anteriormente no em sede de

75
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IRS) a exercer atividade de exploração de alojamento local, e desde que não tenha
contabilidade organizada e reúna os restantes requisitos, pode para efeitos de IVA
ficar enquadrado no regime de isenção previsto no art.º 53.º do CIVA.

Este regime de isenção aplica-se apenas aos sujeitos passivos que:


ð Não tenham nem sejam obrigados a ter contabilidade organizada para efeitos
do IRS;
ð Não pratiquem importações, exportações ou atividades conexas com alguma
destas operações;
ð Não exerçam atividades que consistam em transmissões de bens ou
prestações de serviços do setor de desperdícios, resíduos e sucatas
recicláveis, mencionados no anexo E do Código do IVA;
ð Não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios superior a
€10.000.

Podem, ainda, beneficiar do regime de isenção os retalhistas com um volume de


negócios superior a €10.000, mas inferior a €12.500, que, se fossem tributados,
preencheriam as condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas.

O conceito de volume de negócios está definido no artigo 42.º do Código do IVA,


sendo constituído pelo valor, com exclusão do imposto, das transmissões de bens e
prestações de serviços efetuadas pelo sujeito passivo. Os subsídios ou subvenções
não fazem parte do volume de negócios.

A isenção do artigo 53.º é uma isenção simples ou incompleta, caracterizada pela não
liquidação do imposto a jusante, mas também pela não dedução do IVA suportando
nas aquisições de bens e serviços a montante.

Os sujeitos passivos que iniciem a sua atividade devem declarar, na respetiva


declaração de início de atividade, a previsão do volume de negócios relativo ao ano
civil corrente, a qual, depois de confirmada pela Autoridade Tributária e Aduaneira
(AT), é tida em consideração no enquadramento desse mesmo ano.

76
Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No entanto, quando o período em referência for inferior ao ano civil, deve converter-se
o volume de negócios relativo a esse período num volume de negócios anual
correspondente.

Assim, o sujeito passivo no regime especial de isenção de IVA do artigo 53.º deve
para o caso concreto da prestação de serviços de exploração de alojamento local
emitir obrigatoriamente fatura, fatura simplificada ou fatura–recibo com a menção “IVA
– regime de isenção”, seja a clientes portugueses sejam estrangeiros.

Agora é ainda importante pela especificidade desta atividade e atendendo a este


enquadramento no âmbito da isenção enquadrar as operações relacionadas com o
exterior nomeadamente com aplicação do art. 6.º do CIVA.

Assim, quando um prestador isento ao abrigo do artigo 53.º do Código do IVA efetuar
prestações de serviços a entidades não residentes, deverá em primeiro lugar verificar
as regras de localização das prestações de serviços dispostas no artigo 6.º do CIVA.

Esta é uma norma que se encontra prevista no Capítulo I - Incidência do CIVA e,


portanto, aplica-se previamente a normas que definam isenções, como é o caso do
artigo 53.º do CIVA.

A isenção prevista no artigo 53.º cessa quando o sujeito passivo passa a possuir
contabilidade organizada para efeitos do IRS ou IRC, ou passa a praticar operações
de importação, exportação ou atividades conexas (por exemplo, operações previstas
no artigo 14.º do CIVA, nomeadamente, comissões por intermediação numa
exportação), ou a exercer atividade que consista na transmissão dos bens ou
prestação dos serviços mencionados no anexo E do CIVA, ou ainda quando são
ultrapassados os € 10.000 de volume de negócios.

Não se tratando das operações ali mencionadas, as aquisições de serviços a não


residentes não determinam a impossibilidade de aplicação da isenção prevista no art.º
53.º do CIVA, pelo que não se altera, por esse motivo, o enquadramento no Regime
especial de isenção ali previsto. No entanto, esse enquadramento também não
determina a exclusão do sujeito passivo das obrigações que lhe assistam em termos
de liquidação de imposto a que haja lugar em Portugal, por via dessas aquisições.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Ora, de acordo com a alínea a) do n.º 6 do artigo 6.º do CIVA, são localizados em
território nacional os serviços prestados a um adquirente que seja sujeito passivo do
imposto em Portugal (mesmo que este sujeito passivo beneficie de isenção prevista no
Código), cabendo ao adquirente a obrigação de entrega do imposto nos cofres do
Estado português sempre que o prestador do serviço não tenha sede, nem
estabelecimento, nem registo neste espaço fiscal (Portugal).

As exceções àquela regra geral de localização das operações entre sujeitos passivos,
estão previstas nos n.ºs 7, 8 ou 12 do artigo 6.º do CIVA, mas nenhuma abrange as
comissões recebidas pela intermediação na celebração de contratos (no caso, de
contratos de alojamento temporário).

Como tal, pelo pagamento das comissões referidas, o sujeito passivo português fica
obrigado à entrega nos cofres do Estado português, por via da autoliquidação, do
imposto devido sobre as mesmas.

A autoliquidação do IVA referente à aquisição dos serviços de intermediação é


efetuada no campo 16 (valor tributável) e campo 17 (Imposto liquidado) do quadro 06
da Declaração Periódica de IVA do período em que os serviços foram adquiridos,
quando o prestador de serviços for sujeito passivo de outro Estado-Membro da União
Europeia (note-se que o imposto assim liquidado não pode ser deduzido, dado o
enquadramento do sujeito passivo, que não lhe confere direito à dedução).

Como o sujeito passivo português, em face do seu enquadramento, não está obrigado
ao envio da declaração periódica do IVA, esta só terá de ser enviada quando ocorram
operações desta natureza, o que terá que ser efetuado até final do mês seguinte
àquele em que as operações ocorreram (conforme n.º 3 art.º 27.º do CIVA). Nos
meses em que não existam operações, não é enviada a declaração periódica.

Note-se que, previamente à prática destas operações, terá de ser incluída a respetiva
informação no Cadastro do contribuinte, pelo que, deve entregar uma declaração de
alterações, a assinalar o quadro 27 - PRESTAÇÃO/AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS
INTRACOMUNITÁRIAS (Passou a efetuar).

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Em conclusão, passando a ser devedor de imposto pela aquisição de serviços


intracomunitários nos termos das alíneas e) e g) do n.º 1 do artigo 2.º do CIVA deve
entregar a declaração periódica para efetuar a liquidação do IVA dessas operações
(apenas quando existam), até ao final do mês seguinte à realização das aquisições,
procedendo ao pagamento do respetivo imposto liquidado.

Por último, quando um sujeito passivo se encontra enquadrado no regime de


tributação da contabilidade organizada em sede de IRS, não pode usufruir de isenção
do artigo 53.º do CIVA, ficando deste modo, enquadrado como sujeito passivo do
regime normal do IVA, com as consequentes obrigações declarativas anteriormente
mencionadas.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

15. TAXA TURISTICA DE DORMIDAS


A Taxa Turística de Dormida foi aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa através do
Regulamento n.º 569-A/2014, de 19/12, publicado na Parte "H" do Diário da República,
2.ª série - N.º 251 - 30 de dezembro de 2014.

A taxa é devida, por dormida, a partir de 1 de janeiro de 2016, sendo o seu valor de 1€
por pessoa em todos os empreendimentos turísticos. A taxa é aplicada aos hóspedes
a partir dos treze anos de idade, não abrangendo o dia do 13.º aniversário. A
comprovação da idade é feita pela exibição do documento de identificação ou
documento equivalente onde conste a data de nascimento.

Essa taxa turística é devida à Câmara Municipal de Lisboa por cada hóspede nos
estabelecimentos hoteleiros de Lisboa, sendo a responsabilidade pela sua liquidação e
cobrança dos estabelecimentos hoteleiros por conta da câmara municipal.

A responsabilidade pela liquidação e cobrança da taxa ao Município de Lisboa pode


ainda ser efetuada por intermediários turísticos (p.e. Airbnb ou Booking) em nome da
empresa de alojamento local.

Esta situação não desobriga a empresa do alojamento local de proceder à emissão da


fatura ao hóspede com a indicação da referida taxa turística.

A Taxa Municipal Turística não está sujeita ao Imposto sobre o Valor Acrescentado
(IVA) nos termos do nº 2 do artigo 2º do Código do Imposto sobre o Valor
Acrescentado (CIVA).

Em termos contabilísticos, a Norma Contabilística e de Relato Financeiro (NCRF) n.º


20 - "Rédito", no seu parágrafo 8, que estabelece que os impostos sobre vendas,
incluindo taxas cobradas, não são benefícios económicos que fluam para entidade,
sendo uma mera cobrança a terceiros de um imposto sobre vendas em nome e a ser
entregue à Câmara Municipal pela entidade, não fazendo, portanto, parte do rédito.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O registo contabilístico da taxa cobrada ao hóspede pela empresa em nome da


Câmara Municipal de Lisboa pode ser efetuado através do crédito de uma subconta da
conta 246 - "Estado e outros Públicos - Tributos das Autarquias Locais", a ser anulada
no momento da respetiva entrega à Câmara Municipal.

O registo contabilístico da taxa cobrada ao hóspede pela entidade intermediária, e


entregue por esta entidade à Câmara Municipal, deve ser registado na conta 278 -
"Outros devedores e credores", subconta a ser criada em nome da entidade
intermediária (p.e. Airbnb).

Esta conta será anulada no momento do encontro de contas entre a empresa de


alojamento local e a entidade intermediária.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

16. ENQUADRAMENTO EM IMI E IMT


16.1 ENQUADRAMENTO EM IMT
Segundo o art.º 2.º do Código do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas
de Imóveis (CIMT), o IMT incide sobre as transmissões, a título oneroso, do direito de
propriedade ou de figuras parcelares desse direito, sobre bens imóveis situados no
território nacional.

A liquidação do IMT é da iniciativa dos interessados, para cujo efeito devem


apresentar uma declaração de modelo oficial, devidamente preenchida.

Pelo que a compra de imóveis com destino a atividade de alojamento local, ficam aqui
enquadradas e não beneficiam, em regra, de qualquer dispensa, diferimento ou
isenção de pagamento de IMT.

A liquidação é promovida oficiosamente pelos serviços de finanças que forem


competentes e sempre que os interessados não tomem a iniciativa de o fazer dentro
dos prazos legais, bem como quando houver lugar a qualquer liquidação adicional,
sem prejuízo dos juros compensatórios a que haja lugar e da penalidade que ao caso
couber.

Para efeitos da liquidação, deve o interessado (adquirente do imóvel) fornecer os


seguintes elementos:
a) A identificação dos imóveis ou a indicação de estarem omissos nas matrizes,
bem como o valor constante do ato ou do contrato;
b) O valor atribuído aos bens, com especificação do que corresponder às partes
integrantes cujo valor não esteja compreendido no valor patrimonial tributário
dos respetivos prédios;
c) Informação sobre se a aquisição vai ou não ser feita no âmbito de um dos atos
ou contratos previstos no n.º 3 do art.º 2.º, juntando cópia do respetivo
documento nos casos previstos nas suas alíneas a) e b);
d) Os demais esclarecimentos indispensáveis à exata liquidação do imposto, (vide
art.ºs 17.º, 18.º, 19.º e seguintes do CIMT).

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No entanto, gostaríamos de ressalvar que, está prevista no art.º 7.º do CIMT, a


isenção de IMT nas aquisições de prédios para revenda. Esta isenção abrange as
entidades que têm como objeto de atividade a aquisição de prédios para revenda,
estabelecendo-se por isso, no próprio texto desta disposição legal, a prova dessa
qualidade de revendedor de imóveis, através da apresentação prévia de declaração de
início de atividade onde figure esse objeto de atividade.

Esta ressalva é relevante porque podem existir atividades de alojamento local cuja
aquisição inicial do imóvel tenha tido essa intenção e que agora possamos estar
perante a intenção de alteração do destino do imóvel com as consequentes
consequências dessa opção em termos de IMT.

Então vejamos, efetuando também as devidas ressalvas contabilísticas:


Em termos contabilísticos, se a entidade possui um imóvel, adquirido inicialmente com
o objetivo de ser vendido na atividade ordinária (corrente), sendo esta atividade a
compra e venda de imóveis, e consequentemente classificado como inventário
(mercadorias), quando destine esse imóvel ao mercado de arrendamento, ou efetue o
respetivo arrendamento, a partir desse momento, a entidade deve reclassificá-lo para
propriedades de investimento [cf. parágrafo 8c) da NCRF 11].

Essa reclassificação para propriedades de investimento deve ser efetuada pela


respetiva quantia escriturada a essa data, passando a ser essa quantia o custo no
âmbito da propriedade de investimento.

Por outro lado, se a entidade afetar esse imóvel, destinado a venda no decurso
ordinário da atividade corrente, à utilização na execução de prestações de serviços de
alojamento de carater hoteleiro, deve proceder à reclassificação de inventários para o
ativo fixo tangível (cf. definição prevista no parágrafo 6 da NCRF 7 - "Ativos fixos
tangíveis".

Os registos contabilísticos podem ser:


Pelo desreconhecimento do imóvel de inventários:
- Débito da conta 382 - "Reclassificação e regularização de inventários e ativos
biológicos - Mercadorias" por contrapartida a crédito da conta 32 - "Mercadorias", pela
quantia escriturada do imóvel.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Pelo reconhecimento como propriedade de investimento (ou ativo fixo tangível):


- Débito da conta 42 - "Propriedades de investimento" (conta 43 - "Ativos fixos
tangíveis") por contrapartida a crédito da conta 382 - "Reclassificação e regularização
de inventários e ativos biológicos - Mercadorias", pela quantia escriturada do imóvel.

Enquanto o imóvel permanecer afeto ao alojamento local, deve manter-se reconhecido


como propriedade de investimento (ou ativo fixo tangível), atendendo a que os
rendimentos que se estimam obter estarão relacionados com a prestação de serviços
(e não com a venda).

Se o imóvel alocado ao alojamento local for vendido, ou deixar de estar arrendado e


passar a estar destinado a ser vendido, sendo a compra e venda de imóveis a
atividade ordinária, a entidade deve voltar a reclassificá-lo para inventários, com o
objetivo de determinar o resultado pela venda desse bem como inventário, nos termos
previstos para a determinação do rédito da venda de bens (conta 71) e do respetivo
gasto das vendas (conta 61).

Vejamos então as implicações em IMT, como foi referido o IMT incide sobre as
transmissões, a título oneroso, do direito de propriedade sobre bens imóveis situados
no território nacional, conforme o disposto no n.º 1 do artigo 2.º do Código do IMT
(CIMT).

No entanto, existem algumas isenções previstas no referido Código, nomeadamente


quando se tratem de aquisições de imóveis com destino a revenda, efetuadas por
sujeitos passivos que tenham como atividade a compra e venda de imóveis.

De acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 7.º do CIMT, esta isenção de IMT apenas
é aplicada quando os adquirentes de imóveis sejam sujeitos passivos de IRS ou IRC
que estejam registados como tendo a atividade de compra e venda de imóveis.

De referir ainda que esta isenção é imediatamente reconhecida se for considerado que
o sujeito passivo exerce normal e habitualmente a referida atividade, sendo que esta
condição apenas se considera quando o contribuinte comprove o exercício da
atividade de compra e venda de imóveis no ano anterior, mediante certidão passada

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

pelo serviço de finanças competente, conforme referido nos números 2 e 3 do artigo


7.º do CIMT.

A certidão a emitir pelo serviço de finanças deve conter que no ano anterior, foi
adquirido para revenda ou revendido algum prédio antes adquirido para esse fim.

Esta isenção de reconhecimento automático é verificada pela entidade que intervier na


celebração do ato ou do contrato, conforme disposto da alínea a) do n.º 8 do artigo
10.º do CIMT.

Por outro lado, esta isenção apenas se mantém quando o destino atribuído a esse
imóvel não seja alterado pelo adquirente no prazo de três anos e se for vendido, desde
que não o seja novamente para revenda, no decurso desse prazo, conforme o
disposto no n.º 5 do artigo 11.º do CIMT.

Tratando-se de um imóvel que teria sido adquirido para revenda por uma empresa no
exercício da sua atividade, tendo beneficiado de isenção de IMT ao abrigo do artigo 7.º
do CIMT, cujo destino final irá ser alterado, uma vez que pretende afetá-lo à atividade
de prestação de serviços de alojamento de caráter hoteleiro, e que implica a sua
reclassificação como propriedade de investimento (ou ativo fixo tangível), existe a
obrigação da liquidação do IMT, conforme o disposto no n.º 5 do artigo do 11.º do
CIMT.

A empresa dispõe do prazo de 30 dias após essa afetação à atividade de prestação de


serviços de alojamento local para efetuar a liquidação do IMT, efetuando a entrega
desse imposto através do modelo oficial para o efeito, conforme previsto no artigo 34.º
do CIMT.

Se posteriormente a entidade efetuar a venda do imóvel, dentro do prazo de 3 anos


após a sua aquisição, não sendo o mesmo destinado a revenda, pode solicitar o
reembolso do IMT liquidado, conforme o n.º 4 do artigo 7.º do CIMT.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

16.2 ENQUADRAMENTO EM IMI


Também em termos de IMI os imóveis utilizados na atividade de alojamento local
ficam sujeito a este imposto e em regra não beneficiam de qualquer dispensa,
diferimento ou isenção de pagamento de IMT.

No entanto, também para efeito deste imposto se o destino inicial do bem tivesse sido
para revenda poderia beneficiar de uma não sujeição temporária.

Assim, se a aquisição tivesse sido efetuada como prédio destinado a revenda, este
imposto apenas seria devido a partir do terceiro ano seguinte, àquele em que um
prédio tenha passado a figurar no inventário de uma empresa que tenha por objeto a
sua venda, conforme a alínea e) do n.º 1 do artigo 9.º do Código desse imposto.

Uma das condições obrigatórias para que se verifique a não sujeição temporária a IMI,
nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 9.º do CIMI, é que a empresa tenha por
objeto social a compra e venda de imóveis.

Outras das condições obrigatórias para que a empresa possa requerer o diferimento
do início da tributação em IMI (em 3 anos) do prédio destinado a revenda, é que esses
itens estejam reconhecidos como inventários na empresa.

Para que possa beneficiar do reconhecimento da suspensão temporária de tributação


de IMI dos prédios para revenda, a empresa deve comunicar ao serviço de finanças da
área da localização do imóvel, no prazo de 60 dias contados da verificação do facto
determinante da sua aplicação, a afetação do prédio àquele fim, de acordo com o n.º 4
do mesmo artigo 9.º do CIMI.

Para que se possa comprovar que o prédio para revenda figura do ativo da empresa,
esta deve juntar à comunicação referida, documentos extraídos da respetiva da
contabilidade que demonstrem inequivocamente a data (dia, mês e ano) em que foi
feita afetação dos prédios aos fins aí indicados, já que é a partir dessa data que se
conta o prazo para apresentação da referida comunicação e o ano de início da
suspensão da tributação de IMI, conforme disposto no Ofício-Circulado n.º 40095 de
12 de março de 2009.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Todavia, se a empresa destinar esses prédios adquiridos a um destino diferente da


revenda, deixando de estarem classificados como inventários, passando a utiliza-los
para a prestação de serviços de alojamento local, deixa de beneficiar do referido
diferimento na tributação de IMI, devendo liquidar esse imposto por todo o período
decorrido desde a sua aquisição, conforme previsto no n.º 2 do artigo 9.º do CIMI.

Mais uma vez, a empresa deve proceder à comunicação à Autoridade Tributária e


Aduaneira a afetação dos imóveis a um fim diferente da revenda, tendo um prazo de
até 60 dias para a realizar, conforme a alínea j) do n.º 1 do artigo 13.º do CIMI.

Ainda que o imóvel seja vendido dentro dos prazos de diferimento da tributação do
IMI, após lhe ter sido dado um destino diferente da revenda, a entidade já não pode
voltar a beneficiar desse diferimento.

16.3 NOVO ADICIONAL DE IMI


A Lei do Orçamento do Estado para 2017 introduziu um novo imposto denominado
como Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis (AIMI), referindo que ficam
sujeitos a este imposto, as pessoas singulares ou coletivas que sejam proprietários,
usufrutuários ou superficiários de prédios urbanos situados no território português,
sendo também equiparadas a pessoas coletivas as heranças indivisas.

Em caso de contitularidade, o imposto é devido em função da quota parte de cada


titular.

São afastadas da sujeição ao AIMI as empresas municipais, os prédios urbanos


classificados como “comerciais, industriais ou para serviços” e “outros” nos termos das
alíneas b) e d) do n.º 1 do artigo 6.º do Código o IMI, respetivamente. Nos termos do
n.º 2 do artigo 6.º, são classificados como comerciais, industriais ou para serviços os
edifícios ou construções para tal licenciadas, ou, na falta de licença, que tenham como
destino normal cada um destes fins.

Em resumo, estão sujeitos ao AIMI os imóveis habitacionais e os terrenos para


construção.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O AIMI incide sobre a soma dos Valores Patrimoniais Tributários (VPT’s) dos prédios
urbanos situados em território português de que o sujeito passivo seja titular, seja ele
residente em Portugal ou não, no entanto não é contabilizado para a soma dos VPT’s
o valor dos prédios que no ano anterior tenham estado isentos ou não sujeitos a
tributação em IMI, podendo esta ser relevante para os contribuintes que beneficiem da
não tributação do IMI no caso de compra de imóveis para revenda conforme foi acima
referido no tratamento do IMI.

Para a determinação do valor tributável são deduzidas as seguintes importâncias:


ð € 600 000,00, quando o sujeito passivo é uma pessoa singular;
ð € 600 000,00, quando o sujeito passivo é uma herança indivisa.

Para as pessoas coletivas não existe qualquer dedução.

As Taxas aplicáveis são as seguintes:

• 0,4% às pessoas coletivas;


• 0,7%, sobre o valor tributável até 1 milhão de euros, e 1% na parte excedente,
relativamente à parcela dos prédios detidos por pessoas coletivas que sejam
afetos a uso pessoal dos titulares do respetivo capital, dos membros dos
órgãos sociais ou de quaisquer órgãos de administração, direção, gerência ou
fiscalização ou dos respetivos cônjuges, ascendentes e descendentes;
• 0,7%, sobre o valor tributável até 1 milhão de euros, e 1% na parte excedente,
às pessoas singulares;
• 0,7% às heranças indivisas;

Os sujeitos passivos casados ou em união de facto para efeitos do artigo 14.º do


Código do IRS podem optar pela tributação conjunta do AIMI. Neste caso, somam-se
os VPT’s dos prédios na sua titularidade e a dedução a efetuar para determinar o valor
tributável passa a ser de € 1 200 000 (i.e., 2 x € 600 000).

Nas situações em que, for exercida a opção pela tributação conjunta, haverá lugar a
uma única liquidação, sendo ambos os sujeitos passivos solidariamente responsáveis
pelo pagamento do imposto.

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Residência fiscal e alojamento local
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os sujeitos passivos casados sob os regimes de comunhão de bens que não exerçam
esta opção, podem, alternativamente, identificar, através de declaração conjunta, a
titularidade dos prédios, indicando aqueles que são bens próprios de cada um deles e
os que são bens comuns do casal. A referida declaração, de modelo a aprovar por
portaria e a apresentar exclusivamente no Portal das Finanças, deve ser efetuada de 1
de abril a 31 de maio.

Não sendo efetuada a declaração no prazo estabelecido, o AIMI incide, relativamente


a cada um dos cônjuges, sobre a soma dos valores dos prédios que já constavam da
matriz na respetiva titularidade.

Também em relação à herança indivisa a regra é a tributação sobre o somatório dos


VPT que constam das matrizes da herança, contudo, também aqui pode ser afastada
se a herança, através do cabeça de casal, apresentar uma declaração, de 1 a 31 de
março, identificando todos os herdeiros e as suas quotas, e se, subsequentemente, de
1 a 30 de abril, todos os herdeiros na mesma identificados confirmarem as respetivas
quotas. Em qualquer caso, a comunicação será feita exclusivamente através do Portal
das Finanças, por declaração de modelo a aprovar por portaria.

Sendo afastada a tributação na esfera da herança indivisa, a quota-parte de cada


herdeiro sobre o valor do prédio ou dos prédios que integram a herança indivisa
acresce à soma dos VPT’s dos prédios que constam da matriz na titularidade desse
herdeiro, para efeitos de determinação do valor tributável do Adicional de IMI.

O adicional ao imposto municipal sobre imóveis é liquidado anualmente, pela


Autoridade Tributária e Aduaneira, com base nos valores patrimoniais tributários dos
prédios e em relação aos sujeitos passivos que constem das matrizes em 1 de janeiro
do ano a que o mesmo respeita.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

17. AREAS DE CONTENÇÃO


Com o objetivo de preservar a realidade social dos bairros e lugares, a câmara
municipal territorialmente competente, pode aprovar por regulamento e com
deliberação fundamentada, a existência de áreas de contenção, por freguesia, no todo
ou em parte, para instalação de novo alojamento local, podendo impor limites relativos
ao número de estabelecimentos de alojamento local nesse território, que podem ter
em conta limites percentuais em proporção dos imóveis disponíveis para habitação.

As áreas de contenção identificadas por cada município são comunicadas ao Turismo


de Portugal, I. P., que introduz referência à limitação de novos registos nestas áreas
no Balcão Único Eletrónico. As áreas de contenção devem ser reavaliadas, no mínimo,
de dois em dois anos e comunicadas as respetivas conclusões ao Turismo de
Portugal, I. P..

O Turismo de Portugal, I. P., e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I. P.,


disponibilizam anualmente dados desagregados sobre o número de estabelecimentos
de alojamento local e de fogos de habitação permanente.

A instalação de novos estabelecimentos de alojamento local em áreas de contenção


carece de autorização expressa da câmara que, em caso de deferimento, promove o
respetivo registo.

Para evitar que a alteração das circunstâncias e das condições de facto existentes
possa comprometer a eficácia do regulamento municipal, podem os municípios, por
deliberação fundamentada da assembleia municipal, sob proposta da câmara
municipal, suspender, por um máximo de um ano, a autorização de novos registos em
áreas especificamente delimitadas, até à entrada em vigor do referido regulamento.

Nas áreas de contenção, o mesmo proprietário, apenas pode explorar um máximo de


sete estabelecimentos de alojamento local.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

18. BIBLIOGRAFIA :

- Carlos Silva e Elisabete Gomes;


IVA & RITI – Manual Prático Lidel – 2ª Edição; LIDEL
- Emanuel Vidal Lima;
Imposto sobre o Valor Acrescentado (Impostos Especiais de Consumo) – 7ª Edição;
Porto Editora
- José Roriz;
Ética e Deontologia profissional, Relato financeiro e análise de Balanços, IVA-Algumas
particularidades; - Manual OTOC
- José Roriz;
CIVA e Regime Do Iva nas Transações Intracomunitárias - Anotado e Comentado – 4ª
Edição; Reis dos Livros (1997)
- Clotilde Palma
“A localização das prestações de serviços em Imposto sobre o Valor Acrescentado”
Manual OCC (2016)
- Pareceres do consultório técnico da OCC

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FORMANDO
QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO
Caro (a) colega, agradecemos que nos dispense alguns minutos do seu tempo, respondendo
ao nosso questionário. A sua opinião tem muita importância para nós. Após preenchido, é favor
entregar ao formador.

Curso:

Data: / / Local:

Formador(a):

1. EXPETATIVAS Muito Bom Bom Razoável Fraco Mau

1.1 A sua expetativa em relação a este curso era:


1.2 O nível de conhecimentos com que iniciou o curso era:

2. ORGANIZAÇÃO
No que se refere ao apoio logístico disponibilizado (instalações,
equipamentos, apoio técnico-administrativo) considerou-o:

3. MONITORIA
3.1 O método utilizado pelo formador foi:
3.2 O formador demonstrou possuir um nível de conhecimentos:

3.3 O formador motivou o grupo de forma:


3.4 A qualidade do material pedagógico-didático utilizado
(manual e/ou outros documentos) foi:
3.5 Os conteúdos programáticos foram abordados de forma:

3.6 A duração do curso foi em sua opinião:


3.7 A utilidade e a pertinência dos exercícios e trabalhos realizados,
face aos objetivos propostos, foi, em sua opinião:

4. APRECIAÇÃO GLOBAL DO CURSO


4.1 No final do curso, a sua expetativa foi:

4.2 Para o exercício da profissão, os conhecimentos adquiridos são:

4.3 Globalmente considerou o curso:


4.4 Que curso/s sugere para sua realização profissional?

5. SUGESTÕES

Muito obrigado pela sua colaboração. 3676025346

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