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LITERATURA

MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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TROVADORISMO 01

01| A poesia do Trovadorismo português tem íntima olhos se o Deus trouxer per aqui,
relação com a música, pois era composta para ser
entoada ou cantada, sempre acompanhada de ins- pois tam muit’há que nom veo veer
trumental, como o alaúde, a viola, a flauta, ou mes-
mi e meus olhos e meu parecer?
mo com a presença do coro.
(Com’ousará parecer ante mi de Dom Dinis. Fonte: http://pt.wikisour-
A respeito dessa escola literária, assinale a alterna- ce.org/wiki/Com%27ousar%C3%A1_parecer_ante_mi. Acesso em:
05.12.2012.)
tiva correta.

A Os principais trovadores utilizavam a gui- per = por


tarra elétrica para acompanhar a exibição. tam = tão
B As composições dividem-se em dois gran- nom = não
des grupos: líricas e satíricas. veer = ver
C Os principais trovadores são: Padre Antô- mi = mim, me
nio Viera e Camões. parecer = semblante
D O Trovadorismo é uma escola literária Sobre o fragmento anterior, pode-se afirmar que
contemporânea. pertence a uma cantiga de
E São exemplos de Cantigas Satíricas as Can-
A amor, pois o eu lírico masculino declara a
tigas de Amor e de Amigo.
uma amiga o sentimento de amor que tem
02| É correto afirmar sobre o Trovadorismo que por ela.

A os poemas são produzidos para ser ence- B amigo, pois o eu lírico feminino expressa a
nados. uma amiga a falta de seu amigo por quem
sente amor.
B as cantigas de escárnio e maldizer têm te-
máticas amorosas. C amor, pois o eu lírico é feminino e acha
que seu amor não deve voltar para os seus
C nas cantigas de amigo, o eu lírico é sempre braços.
feminino.
D amigo, pois o eu lírico masculino entende
D as cantigas de amigo têm estrutura poéti- que só Deus pode trazer de volta sua ami-
ca complicada. ga a quem não vê há muito tempo.
E as cantigas de amor são de origem nitida- E amor, pois o eu lírico feminino não con-
mente popular. segue enxergar o amor que sente por seu
amigo.
03| Leia atentamente o texto abaixo.

Com’ousará parecer ante mi TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:

o meu amigo, ai amiga, por Deus, No português, encontramos variedades históricas,


tais como a representada na cantiga trovadoresca
e com’ousará catar estes meus de João Garcia de Guilhade, ilustrada a seguir.

LITERATURA | TROVADORISMO 1
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Non chegou, madre, o meu amigo, A as cantigas de amor recriaram o mesmo


e oje est o prazo saido! ambiente palaciano das cortes galegas.
Ai, madre, moiro d’amor!
B “a literatura do amor cortês” refletiu a ver-
Non chegou, madre, o meu amado, dade sobre a vida privada medieval.
e oje est o prazo passado!
C a servidão amorosa e a idealização da mu-
Ai, madre, moiro d’amor! lher foi o grande tema da poesia produzi-
da por vilões.
E oje est o prazo saido!
Por que mentiu o desmentido? D o amor cortês foi uma prática literária que
Ai, madre, moiro d’amor! aos poucos modelou o perfil do homem
civilizado.
E oje, est o prazo passado!
Por que mentiu o perjurado? E nas cantigas medievais mulheres e ho-
mens submetem-se às maneiras refinadas
Ai, madre, moiro d’amor!
da cortesia.
04| Considerando a terceira estrofe, assinale a alterna-
tiva que apresenta uma palavra formada por paras- TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
síntese. Cantiga de Amor
A desmentido Afonso Fernandes
B prazo Senhora minha, desde que vos vi,
C saido lutei para ocultar esta paixão

D d’amor que me tomou inteiro o coração;

E moiro mas não o posso mais e decidi

05| No verso – Ai, madre, moiro d’amor! – a função sin- que saibam todos o meu grande amor,
tática do termo madre é a seguinte:
a tristeza que tenho, a imensa dor
A sujeito. que sofro desde o dia em que vos vi.
B objeto direto. Já que assim é, eu venho-vos rogar
C adjunto adnominal. que queirais pelo menos consentir
D vocativo. que passe a minha vida a vos servir (...)
(www.caestamosnos.org/efemerides/118. Adaptado)
E aposto.
07| Observando-se a última estrofe, é possível afirmar
06| “A literatura do amor cortês, pode-se acrescentar,
contribuiu para transformar de algum modo a reali- que o apaixonado
dade extraliterária, atua como componente do que
A se sente inseguro quanto aos próprios
Elias (1994)* chamou de processo civilizador. Ao
sentimentos.
mesmo tempo, a realidade extraliterária penetra
processualmente nessa literatura que, em parte, B se sente confiante em conquistar a mulher
nasceu como forma de sonho e de evasão.” amada.
(Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, EDUFSC, v. 41, n. 1 e 2, p.
83-110, Abril e Outubro de 2007 pp. 91-92) C se declara surpreso com o amor que lhe
dedica a mulher amada.
(*) Cf. ELIAS, N. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro: Zahar, 1994, v.1.

Interprete o comentário acima e, com base nele e


D possui o claro objetivo de servir sua amada.
em seus conhecimentos acerca do lirismo medieval E conclui que a mulher amada não é tão po-
galego-português, marque a alternativa correta: derosa quanto parecia a princípio.

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08| Uma característica desse fragmento, também TEXTO IV


presente em outras cantigas de amor do Trovado-
rismo, é Os privilégios que os Reis

A a certeza de concretização da relação Não podem dar, pode Amor,


amorosa.
Que faz qualquer amador
B a situação de sofrimento do eu lírico.
Livre das humanas leis.
C a coita de amor sentida pela senhora ama-
mortes e guerras cruéis,
da.
Ferro, frio, fogo e neve,
D a situação de felicidade expressa pelo eu
lírico. Tudo sofre quem o serve.
E o bem-sucedido intercâmbio amoroso en- (Luís de Camões, Obra completa.)

tre pessoas de camadas distintas da socie- TEXTO V


dade.
As minhas grandes saudades
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
São do que nunca enlacei.
TEXTO I
Ai, como eu tenho saudades
Ao longo do sereno
Dos sonhos que não sonhei!...)
Tejo, suave e brando,
(Mário de Sá Carneiro, Poesias.)
Num vale de altas árvores sombrio,
09| A alternativa que indica texto que faz parte da poe-
Estava o triste Almeno
sia medieval da fase trovadoresca é
Suspiros espalhando
A I.
Ao vento, e doces lágrimas ao rio.
(Luís de Camões, Ao longo do sereno.) B II.

TEXTO II C III.

Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas, D IV.


so aqueste ramo destas auelanas E V.
e quen for louçana, como nós, louçanas, 10| Sobre a poesia trovadoresca em Portugal, é INCOR-
se amigo amar, RETO afirmar que:
so aqueste ramo destas auelanas A refletiu o pensamento da época, marcada
uerrá baylar. pelo teocentrismo, o feudalismo e valores
(Aires Nunes. In Nunes, J. J., Crestomatia arcaica.) altamente moralistas.

TEXTO III B representou um claro apelo popular à


arte, que passou a ser representada por
Tão cedo passa tudo quanto passa! setores mais baixos da sociedade.
morre tão jovem ante os deuses quanto
C pode ser dividida em lírica e satírica.
Morre! Tudo é tão pouco!
D em boa parte de sua realização, teve influ-
Nada se sabe, tudo se imagina. ência provençal.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E as cantigas de amigo, apesar de escritas
E cala. O mais é nada. por trovadores, expressam o eu-lírico fe-
(Fernando Pessoa, Obra poética.) minino.

LITERATURA | TROVADORISMO 3
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11| Assinale a alternativa INCORRETA a respeito das A colega


cantigas de amor.
B companheiro
A O ambiente é rural ou familiar.
C namorado
B O trovador assume o eu-lírico masculino:
é o homem quem fala. D simpático

C Têm origem provençal. E acolhedor

D Expressam a “coita” amorosa do trovador, TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


por amar uma dama inacessível.
SEDIA LA FREMOSA SEU SIRGO TORCENDO
E A mulher é um ser superior, normalmente Estêvão Coelho
pertencente a uma categoria social mais Sedia la fremosa seu sirgo torcendo,
elevada que a do trovador.
Sa voz manselinha fremoso dizendo
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Cantigas d’amigo.
SONETO DE SEPARAÇÃO Sedia la fremosa seu sirgo lavrando,
De repente do riso fez-se o pranto Sa voz manselinha fremoso cantando
Cantigas d’amigo.
Silencioso e branco como a bruma
- Par Deus de Cruz, dona, sey que avedes
E das bocas unidas fez-se a espuma
Amor muy coytado que tan ben dizedes
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. Cantigas d’amigo.
De repente da calma fez-se o vento
Par Deus de Cruz, dona, sey que andades
Que dos olhos desfez a última chama D’amor muy coytada que tan ben cantades
E da paixão fez-se o pressentimento Cantigas d’amigo.

E do momento imóvel fez-se o drama. - Avuytor comestes, que adevinhades.


(Cantiga nº. 321 - CANC. DA VATICANA.)
De repente, não mais que de repente
ESTAVA A FORMOSA SEU FIO TORCENDO
Fez-se de triste o que se fez amante
(paráfrase de Cleonice Berardinelli)
E de sozinho o que se fez contente
Estava a formosa seu fio torcendo,
Fez-se do amigo próximo o distante Sua voz harmoniosa, suave dizendo
Fez-se da vida uma aventura errante Cantigas de amigo.
Estava a formosa sentada, bordando,
De repente, não mais que de repente.
Sua voz harmoniosa, suave cantando
(Vinícius de Morais)
Cantigas de amigo.
12| Releia com atenção a última estrofe:
- Por Jesus, senhora, vejo que sofreis
“Fez-se de amigo próximo o distante De amor infeliz, pois tão bem dizeis
Fez-se da vida uma aventura errante Cantigas de amigo.

De repente, não mais que de repente”. Por Jesus, senhora, eu vejo que andais
Com penas de amor, pois tão bem cantais
Tomemos a palavra AMIGO. Todos conhecem o sen-
Cantigas de amigo.
tido com que esta forma linguística é usualmente
empregada no falar atual. Contudo, na Idade Mé- - Abutre comeste, pois que adivinhais.
dia, como se observa nas cantigas medievais, a pa-
(In BERARDINELLI, Cleonice. CANTIGAS DE TROVADORES MEDIEVAIS EM
lavra AMIGO significou: PORTUGUÊS MODERNO. Rio de Janeiro: Organ. Simões, 1953, p. 58-59.)

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13| O paralelismo é um dos recursos estilísticos B


03|
mais comuns na poesia lírico-amorosa tro-
vadoresca. Consiste na ênfase de uma ideia De origem popular, a cantiga de amigo da po-
central, às vezes repetindo expressões idênti- esia trovadoresca caracteriza-se pela presença
cas, palavra por palavra, em séries de estrofes de um eu lírico feminino que expressa o so-
paralelas. A partir destas observações, releia o frimento por amor (coita). Assim, é correta a
texto de Estêvão Coelho e responda: opção [B], pois o fragmento transcreve lirica-
A O poema se estrutura em quantas séries mente o lamento de uma moça a uma amiga,
de estrofes paralelas? Identifique-as. queixando-se do “amigo” que tarda em vir ao
seu encontro: “pois tam muit’há que nom veo
B Que ideias centrais são enfatizadas em veer / mi e meus olhos e meu parecer?”.
cada série paralelística?
04| A
14| Considerando-se que o último verso da canti-
ga caracteriza um diálogo entre personagens; A derivação parassintética acontece quando,
considerando-se que a palavra “abutre” grafa- no processo de formação da nova palavra, se
va-se “avuytor”, em português arcaico; e con- acrescenta, simultaneamente, prefixo e sufixo,
siderando-se que, de acordo com a tradição como acontece em “desmentido”: des- (prefi-
popular da época, era possível fazer previsões xo com sentido de negação) + ment (radical) +
e descobrir o que está oculto, comendo carne -ido (desinência verbal indicadora do particí-
de abutre, mediante estas três considerações: pio passado do verbo desmentir).
A Identifique o personagem que se expressa 05| D
em discurso direto, no último verso do po-
ema; Trata-se do vocativo, termo que não possui re-
lação sintática com outra expressão da oração
B Interprete o significado do último verso,
e é usado para chamar ou interpelar o interlo-
no contexto do poema.
cutor, real ou imaginário. É correta a opção [D].

GABARITO 06| D

01| B É correta a alternativa [D]. Segundo o texto, a


literatura do amor cortês transformou a reali-
O Trovadorismo data da época Medieval (por dade extraliterária que, por sua vez, interferiu
volta do século XII) e foi uma literatura oral no processo civilizador do Homem.
acompanhada de alaúde, viola, flauta ou coro.
Dessa forma, as alternativas [A] e [D] são des- 07| D
cartadas.
O eu lírico dirige-se à mulher amada, confes-
O trovador podia optar por dois tipos distintos sando-se incapaz de continuar a esconder os
de cantigas: as líricas (de Amor e de Amigo) e sentimentos que nutre por ela. Perante a não
satíricas (Maldizer e Escárnio). Isso confirma a correspondência amorosa, resigna-se e pede-
alternativa [B] e invalida a [E]. -lhe veementemente que o deixe servi-la (“Já
que assim é, eu venho-vos rogar/que queirais
O Padre Antônio Viera pertenceu ao período
do Barroco, e Camões ao Renascimento e, por- pelo menos consentir/que passe a minha vida
tanto, [C] também está incorreta. a vos servir”).

02| C 08| B

As cantigas de amigo são composições breves As cantigas de amor caracterizam-se pela pre-
e singelas, de origem popular, cujo eu lírico é sença do eu lírico masculino que expressa à
sempre uma mulher apaixonada, que canta ao mulher amada o sofrimento provocado pela
seu “amigo” (amado). inviabilidade da concretização amorosa.

LITERATURA | TROVADORISMO 5
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09| B
10| B
11| A
12| C
13|
A Em duas séries: as duas primeiras estrofes
(uma série) e as duas estrofes seguintes
(outra série).
B Na primeira são enfatizados os afazeres da
mulher; na segunda, o seu sofrimento.
14|
A A mulher.
B Ela considerou o poeta uma espécie de
vidente, pois descobriu o seu sofrimento
amoroso.

6 LITERATURA | TROVADORISMO
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HUMANISMO 02

01| Considere o trecho para responder à questão. 02| Analise os trechos abaixo, retirados da peça
No final do século XV, a Europa passava por gran- Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente, e assi-
des mudanças provocadas por invenções como nale aquele que comunica ao leitor uma visão
a bússola, pela expansão marítima que incre- preconceituosa de caráter racial.
mentou a indústria naval e o desenvolvimento
A Eu só quero prantear
do comércio com a substituição da economia de
subsistência, levando a agricultura a se tornar este mal que a muitos toca;
mais intensiva e regular. Deu-se o crescimento
urbano, especialmente das cidades portuárias, que estou já como minhoca
o florescimento de pequenas indústrias e todas
as demais mudanças econômicas do mercanti- que puseram a secar.
lismo, inclusive o surgimento da burguesia. B Ó bebedores irmãos
Tomando-se por base o contexto histórico da
época e os conhecimentos a respeito do Hu- que nos presta ser cristãos,
manismo, marque (V) para verdadeiro ou (F) pois nos Deus tirou o vinho?
para falso e assinale a alternativa correta.
( ) O Humanismo é o nome que se dá à produção C Martim Alho, amigo meu,
escrita e literária do final da Idade Média e iní- Martim Alho, meu amigo,
cio da moderna, ou seja, parte do século XV e
início do XVI. tão seco trago o umbigo
( ) Fernão Lopes é um importante prosador do
como nariz de Judeu.
Humanismo português. Destacam-se entre
suas obras: Crônica Del-Rei D. Pedro I, Crônica D Ó Rua da Mouraria,
Del-Rei Fernando e Crônica de El-Rei D. João.
quem vos fez matar a sede
( ) Gil Vicente é um importante autor do teatro
português e suas principais obras são: Auto da pela lei de Mafamede
Barca do Inferno e Farsa de Inês Pereira.
( ) Gil Vicente é um autor não reconhecido em com a triste da água fria?
Portugal, em virtude de sua prosa e documen- E Devoto João Cavaleiro
tação histórica não participarem da cultura
portuguesa. que pareceis Isaías,
A V, V, V, F. dai-me de beber três dias,
B V, F, V, V. e far-vos-ei meu herdeiro.
C F, V, V, F. 03| Identifique a alternativa em que Maria Parda
D V, V, F, F. comunica o seu desejo de beber, exagerando a
consequência de não encontrar quem lhe ven-
E V, F, F, V. da vinho fiado.

LITERATURA | HUMANISMO 1
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A Ó Senhora Biscainha 05| Há muitas formas de violência simbólica. Al-


gumas se fundamentam no desrespeito aos
fiai-me canada e meia,
caracteres externos (fenótipo) da variedade
B Branca, mana, que fazedes? da espécie humana e, no caso específico, são,
também, herança do nosso modelo socioeco-
meu amor, Deus vos ajude;
nômico de colonização. Interprete os versos
já eu estou no ataúde, abaixo de O Velho da Horta e reconheça a op-
se me vós não acorredes. ção em que está sugerida essa forma de vio-
lência.
C Fiai-me um gentar de vinho,
A Branca Gil – Ó Santo Martim Afonso
e pagar-vos-ei em linho,
que já minha lã não presta: Ide Melo tão namorado

D Deixo por minha herdeira dá remédio a este coitado.


e também testamenteira, B Branca Gil – D’antemão
Lianor Mendes de Arruda,
faço uma esconjuração
E Diz um verso acostumado:
c’um dente de negra morta.
quem quer fogo busque lenha;
C Branca Gil – Eu já, senhor meu, não posso
04| As diferenças etárias são muitas vezes causa de
violência simbólica. Considerando isso, assina- vencer uma moça tal
le os versos em que as frases expressam, de
forma explícita, o tema básico de O Velho da sem gastardes bem do vosso.
Horta, fundamentado neste tipo de violência.
D Moça – Não vedes que já sois morto,
A Branca Gil – Todos os santos marteirados
e andais contra natura?
Socorrei ao marteirado
Que morre de namorado. E Mulher – Agora, com as ervas novas

B Moça – E essa tosse? vos tornastes garanhão.

Amores de sobreposse 06| O monólogo dramático “O pranto de Maria


Parda”, de Gil Vicente, é um desses textos
Serão os de vossa idade:
emblemáticos da produção de um dos mais
O tempo vos tirou a posse. respeitáveis autores portugueses. A peça
C Branca Gil – Eu folgo ora de ver dispõe de um conteúdo pelo qual perpas-
sam variados sentidos, ligados a problemas
Vossa mercê namorado; sociais, a preconceito, à paródia, ao grotes-
Que o homem bem criado co, enfim, nela se encontra uma espécie de
mosaico de informações de toda ordem. A
Té na morte o há de ser.
riqueza de questões suscitadas no monólogo
D Velho – Porém, amiga, ainda hoje pode ser considerada, como é da
Se nesta minha fadiga natureza do texto vicentino, de atualidade
indiscutível.
Vós não sois medianeira,
Não sei que maneira siga, Com base no comentário acima, é correto afir-
mar, relativamente à linguagem e ao conteúdo
Nem que faça, nem que diga, da peça de Gil Vicente, que
Nem que queira.
A a linguagem da peça é rica de lamentos,
E Parvo – Dono, dizia minha dona, pragas, pedidos, promessas e muitas ex-
Que fazeis vós cá te a noite? clamações apelativas.

2 LITERATURA | HUMANISMO
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B os taberneiros de Lisboa constituem uma chorro. Até carne passada na manteiga tinha.
espécie de coro, na peça, com a função de Para mim nada, João Grilo 6que se danasse.
comentar os lamentos expressos nas falas Um dia eu me vingo.
de Maria Parda.
Chicó – João, 1deixe de ser vingativo que 2você
C há, na peça, uma enfática oposição ao uso se desgraça. Qualquer dia você inda se mete
de vinho, manifesta no discurso de sacer- numa embrulhada séria.
dotes, escudeiros e barqueiros.
Ariano Suassuna, Auto da Compadecida
D Gil Vicente cria um personagem com as
características referidas aqui: doente, en- 08| Considere as seguintes afirmações.
velhecida, “sem gota de sangue nas veias”,
de corpo “tão seco”. I. O texto de Ariano Suassuna recupera as-
pectos da tradição dramática medieval,
E Maria Parda – mestiça, atrevida e sexual-
mente livre – é um personagem que re- afastando-se, portanto, da estética clássi-
presenta a base da pirâmide social lisboe- ca de origem greco-romana.
ta da época. II. A palavra Auto, no título do texto, por si
só sugere que se trata de peça teatral de
07| O Arlequim, o Pierrô, a Brighella ou a Colombi-
na são personagens típicos de grupos teatrais tradição popular, aspecto confirmado pela
da Commedia dell’art, que, há anos, encon- caracterização das personagens.
tram-se presentes em marchinhas e fantasias III. O teor crítico da fala da personagem, en-
de carnaval. Esses grupos teatrais seguiam, de tre outros aspectos, remete ao teatro hu-
cidade em cidade, com faces e disfarces, fa- manista de Gil Vicente, autor de vários au-
zendo suas críticas, declarando seu amor por tos, como, por exemplo, o Auto da barca
todas as belas jovens e, ao final da apresenta- do inferno.
ção, despediam-se do público com músicas e
poesias. A intenção desses atores era expres- Assinale:
sar sua mensagem voltada para a
A se todas estiverem corretas.
A crença na dignidade do clero e na divisão
entre o mundo real e o espiritual. B se apenas I e II estiverem corretas.

B ideologia de luta social que coloca o ho- C se apenas II estiver correta.


mem no centro do processo histórico.
D se apenas II e III estiverem corretas.
C crença na espiritualidade e na busca in-
E se todas estiverem incorretas.
cansável pela justiça social dos feudos.
09| Gil Vicente, criador do teatro português, rea-
D ideia de anarquia expressa pelos trovado-
lizou uma obra eminentemente popular. Seu
res iluministas do início do século XVI.
Auto da Barca do Inferno, encenado em 1517,
E ideologia humanista com cenas centradas apresenta, entre outras características, a de
no homem, na mulher e no cotidiano. pertencer ao teatro religioso alegórico. Tal
classificação justifica-se por
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Chicó – 3Por que essa raiva dela?
João Grilo – Ó homem sem vergonha! Você
inda pergunta? 5Está esquecido de que ela o
deixou? Está esquecido da exploração que eles
fazem conosco naquela padaria do inferno?
Pensam que são o cão só porque enriquece-
ram, mas 4um dia hão de pagar. E a raiva que
eu tenho é 3porque quando estava doente, me
acabando em cima de uma cama, via passar o
prato de comida 6que ela mandava para o ca-

LITERATURA | HUMANISMO 3
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A ser um teatro de louvor e litúrgico em que No texto, fala final do Anjo, temos no conjunto
o sagrado é plenamente respeitado. dos versos
B não se identificar com a postura anticleri- A variação de ritmo e quebra de rimas.
cal, já que considera a igreja uma institui-
ção modelar e virtuosa. B ausência de ritmo e igualdade de rimas.
C apresentar estrutura baseada no mani- C alternância de redondilha maior e menor
queísmo cristão, que divide o mundo en- e simetria de rimas.
tre o Bem e o Mal, e na correlação entre a
recompensa e o castigo. D redondilha menor e rimas opostas e em-
parelhadas.
D apresentar temas profanos e sagrados e
revelar-se radicalmente contra o catolicis- E igualdade de métrica e de esquemas das
mo e a instituição religiosa. palavras que rimam.
E aceitar a hipocrisia do clero e, criticamen- 12| Considerando a peça “Auto da Barca do Inferno”
te, justificá-la em nome da fé cristã. como um todo, indique a alternativa que me-
10| Gil Vicente escreveu o Auto da Barca do Infer- lhor se adapta à proposta do teatro vicentino.
no em 1517, no momento em que eclodia na
A Preso aos valores cristãos, Gil Vicente
Alemanha a Reforma Protestante, com a crítica
tem como objetivo alcançar a consciência
veemente de Lutero ao mau clero dominante
na igreja. Nesta obra, há a figura do frade, se- do homem, lembrando-lhe que tem uma
veramente censurado como um sacerdote ne- alma para salvar.
gligente. Indique a alternativa cujo conteúdo B As figuras do Anjo e do Diabo, apesar de
NÃO se presta a caracterizar, na referida peça, alegóricas, não estabelecem a divisão ma-
os erros cometidos pelo religioso. niqueísta do mundo entre o Bem e o Mal.
A Não cumprir os votos de celibato, manten-
C As personagens comparecem nesta peça
do a concubina Florença.
de Gil Vicente com o perfil que apresenta-
B Entregar-se a práticas mundanas, como a vam na terra, porém apenas o Onzeneiro
dança. e o Parvo portam os instrumentos de sua
C Praticar esgrima e usar armamentos de culpa.
guerra, proibidos aos clérigos. D Gil Vicente traça um quadro crítico da so-
D Transformar a religião em manifestação ciedade portuguesa da época, porém pou-
formal, ao automatizar os ritos litúrgicos. pa, por questões ideológicas e políticas, a
E Praticar a avareza como cúmplice do fidal- Igreja e a Nobreza.
go, e a exploração da prostituição em par- E Entre as características próprias da dra-
ceria com a alcoviteira. maturgia de Gil Vicente, destaca-se o fato
11| O teatro de Gil Vicente caracteriza-se por ser de ele seguir rigorosamente as normas do
fundamentalmente popular. E essa caracte- teatro clássico.
rística manifesta-se, particularmente, em sua
linguagem poética, como ocorre no trecho a GABARITO
seguir, de “O Auto da Barca do Inferno”.
Ó Cavaleiros de Deus, 01| A
A vós estou esperando, Última afirmação incorreta: Gil Vicente foi um
Que morrestes pelejando autor do teatro português, como colocado na
Por Cristo, Senhor dos Céus! terceira afirmativa. Sua importância para Portu-
Sois livres de todo o mal, gal é bastante reconhecida, uma vez que é con-
siderado o primeiro dramaturgo do país. Suas
Mártires da Madre Igreja, peças tinham um caráter moralizante, e faziam
Que quem morre em tal peleja coro com as mudanças que aconteciam na tran-
Merece paz eternal. sição da Idade Média para a Idade Moderna.

4 LITERATURA | HUMANISMO
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02| C com a finalidade de exorcizar a fome através


do humor.
Na alternativa [C], Maria Parda dirige-se a
Martim Alho, implorando que lhe dê de beber. Em [B], os taberneiros de Lisboa representam
Como justificativa, diz que tem o estômago tão o mercado lisboeta avarento e mesquinho ou
seco como o nariz de um judeu (“tão seco tra- a própria prudência para suportar a fome que
go o umbigo/como nariz de Judeu”), compara- grassava na época em Portugal.
ção que demonstra uma visão preconceituosa Em [D], as expressões entre aspas fazem parte
de caráter racial. das falas de Maria Parda, poderosa e perspicaz
03| B sedutora cheia de espírito, que assim se carac-
terizava para sensibilizar as pessoas a quem se
Na alternativa [B], a fala de Maria Parda revela dirigia a pedir vinho.
o desespero de quem necessita urgentemen-
te de alguém que lhe venda vinho fiado, de- Em [E], Maria Parda tipifica os negros e mesti-
clarando que corre o risco de morte se Bran- ços da metrópole, alcoólatras, serviçais explo-
ca não lhe satisfizer o pedido (“já eu estou no rados que não tinham perspectiva de ascensão
ataúde,/se me vós não acorredes”). social.

04| B 07| E

A violência simbólica diz respeito a critérios e O texto aborda uma das funções dos grupos
padrões do discurso dominante em determi- teatrais itinerantes que proviam o divertimen-
nada época e espaço. O diálogo entre Branca to através de malabarismo, acrobacias e repre-
Gil e o Velho revela, com bastante fidelidade, sentações de peças de humor. Baseados em
as ideologias e costumes desse período de um repertório de personagens pré-estabele-
transição para o Renascimento, em que o pre- cidos e um roteiro improvisado, desenvolviam
conceito de diferença de idades em relaciona- ações que poderiam facilmente ser atualizadas
mentos amorosos era considerado ridículo e e ajustadas para satirizar escândalos locais,
moralmente criticado. Esse tipo de comporta- eventos atuais e comportamentos que consi-
mento é evidente na alternativa [B], nos ver- deravam negativos, com a finalidade de mora-
sos em que Branca Gil interroga o velho sobre lizar os costumes da época. Ou seja, portado-
a tosse e a idade que parece terem-lhe afetado res de uma ideologia humanista, provocavam
a saúde: “E essa tosse?”, “O tempo vos tirou a o riso e, ao mesmo tempo, criticavam grupos e
posse”. classes sociais, cujos hábitos e ações compro-
metiam a moral - “Ridendo Castigat Mores”
05| B (com o riso se castigam os costumes).
Como herança do nosso modelo socioeconô- 08| A
mico de colonização, o conjunto de caracteres
visíveis relativamente à constituição física de O próprio título já sugere a ligação entre a peça
um indivíduo (fenótipo) é muitas vezes objeto de Ariano Suassuna e o teatro vicentino, am-
de discriminação e preconceito. Nos excertos bos de caráter popular.
transcritos, o preconceito racial é visível na al- 09| C
ternativa [B], quando Branca Gil ameaça fazer
uma praga com “dente de negra morta”. 10| E

06| C 11| E

As opções [A], [B], [D] e [E] são incorretas, pois 12| A

Em [A], as lamentações e imprecações de Ma-


ria Parda são elemento burlesco no desenvol-
vimento da peça que provoca o riso no público

LITERATURA | HUMANISMO 5
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

SHUTTERSTOCK
CLASSICISMO 03

01| ENEM A a carta de Pero Vaz de Caminha represen-


TEXTO I ta uma das primeiras manifestações artís-
ticas dos portugueses em terras brasileiras
Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez e preocupa-se apenas com a estética lite-
deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E pa- rária.
rece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocen-
tos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles B a tela de Portinari retrata indígenas nus
traziam arcos e flechas, que todos trocaram por com corpos pintados, cuja grande signi-
carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam.
ficação é a afirmação da arte acadêmica
[…] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem
feitos e galantes com suas tinturas que muito brasileira e a contestação de uma lingua-
agradavam. gem moderna.
CASTRO, S. “A carta de Pero Vaz de Caminha”. Porto Alegre: L&PM, 1996 C a carta, como testemunho histórico-polí-
(fragmento).
tico, mostra o olhar do colonizador sobre
TEXTO II a gente da terra, e a pintura destaca, em
primeiro plano, a inquietação dos nativos.

D as duas produções, embora usem lingua-


gens diferentes — verbal e não verbal —,
cumprem a mesma função social e artística.

E a pintura e a carta de Caminha são ma-


nifestações de grupos étnicos diferentes,
produzidas em um mesmo momentos his-
tórico, retratando a colonização.
02| ENEM

LXXVIII (Camões, 1525?-1580)


Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;

Presença moderada e graciosa,


Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a
Fala de quem a morte e a vida pende,
carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari
retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
leitura dos textos, constata-se que Repouso nela alegre e comedido:

LITERATURA | Classicismo 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Estas as armas são com que me rende 03| ENEM


E me cativa Amor; mas não que possa
TEXTO I
Despojar-me da glória de rendido.
CAMÕES, L. Obra completa. Rio de janeiro: Nova Aguilar, 2008.
XLI
Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).

Texto II

Transforma-se o amador na cousa amada


Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br.
Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento).

Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst e de


A pintura e o poema, embora sendo produtos de Camões, a temática comum é
duas linguagens artísticas diferentes, participaram
do mesmo contexto social e cultural de produção A o “outro” transformado no próprio eu líri-
pelo fato de ambos co, o que se realiza por meio de uma espé-
cie de fusão de dois seres em um só.
A apresentarem um retrato realista, eviden-
ciado pelo unicórnio presente na pintura e B a fusão do “outro” com o eu lírico, haven-
pelos adjetivos usados no poema. do, nos versos de Hilda Hilst, a afirmação
B valorizarem o excesso de enfeites na apre- do eu lírico de que odeia a si mesmo.
sentação pessoa e na variação de atitudes
C o “outro” que se confunde com o eu lírico,
da mulher, evidenciadas pelos adjetivos
verificando-se, porém, nos versos de Ca-
do poema.
mões, certa resistência do ser amado.
C apresentarem um retrato ideal de mulher
D a dissociação entre o “outro” e o eu lírico,
marcado pela sobriedade e o equilíbrio,
evidenciados pela postura, expressão e porque o ódio ou o amor se produzem no
vestimenta da moça e os adjetivos usados imaginário, sem a realização concreta.
no poema. E o “outro” que se associa ao eu lírico, sen-
D desprezarem o conceito medieval da idea- do tratados, nos Textos I e II, respectiva-
lização da mulher como base da produção mente, o ódio o amor.
artística, evidenciado pelos adjetivos usa- 04| IFSP A respeito do Quinhentismo no Brasil, marque
dos no poema. (V) para verdadeiro ou (F) para falso e assinale a al-
ternativa correta.
E apresentarem um retrato ideal de mulher
marcado pela emotividade e o conflito ( ) A principal obra do período foi A moreninha, de
interior, evidenciados pela expressão da Joaquim Manuel de Macedo, cuja temática era o
moça e pelos adjetivos do poema. índio brasileiro.

2 LITERATURA | Classicismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

( ) Consta que o primeiro texto escrito no território do ram-lhes vinho numa taça, mas apenas haviam
Brasil foi a Carta de Pero Vaz de Caminha, em que provado o sabor, imediatamente demonstraram
registra suas impressões sobre a terra recém-des- não gostar e não mais quiseram. Trouxeram-lhes
coberta. água num jarro. Não beberam. Apenas bochecha-
( ) Entre as publicações daquela época, encontram-se vam, lavando as bocas, e logo lançavam fora.
cânticos religiosos, poemas dos jesuítas, textos des- Fonte: CASTRO, Silvio (org.) A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto
critivos, cartas, relatos de viagem e mapas. Alegre: L&PM, 2003, p. 93.

( ) A produção das obras escritas naquele período A partir da leitura do fragmento, são feitas as se-
apresenta um caráter informativo, documentos guintes afirmativas:
que descreviam as características do Brasil e eram
enviados para a Europa. I. No fragmento, ao dar destaque as reações
dos nativos frente à comida e a bebida
A V, V, V, F.
oferecidas, Caminha registra o comporta-
B F, V, F, V. mento diferenciado deles quanto aos itens
básicos da alimentação de um europeu.
C F, V, V, F.
D V, F, V, V. II. No fragmento, percebe-se a antipatia de
Caminha pelos nativos, o que se confirma
E F, V, V, V. na leitura do restante da carta quanto a
05| IFSP Considerando o Classicismo em Portugal, assi- outros aspectos dos indígenas, como sua
nale a alternativa correta. aparência física.
A Os Lusíadas é a principal obra lírica de Ca- III. O predomínio de verbos de ação, numa
mões e o tema central é o sofrimento por sequência de eventos interligados crono-
um amor não correspondido. logicamente, confere um teor narrativo ao
B Os Lusíadas tem como temática a desco- texto.
berta do Brasil e a relação entre o coloni- Está(ão) correta(s)
zador e o índio.
A apenas I.
C Luís Vaz de Camões é o principal autor do
Classicismo em Portugal e destacou-se por B apenas II.
sua produção épica e lírica.
C apenas II e III.
D Uma característica dos versos de Camões
é que eles não apresentam uma métrica, D apenas I e III.
são livres e brancos.
E I, II e III.
E Uma característica de Camões é que ele
desprezava Portugal e o povo português. 07| UPF Leia as seguintes afirmações sobre o Padre An-
tônio Vieira e a sua obra.
06| UFSM Os hábitos alimentares estão entre os princi-
pais traços culturais de um povo. Era de se esperar, I. O autor é considerado, por vários escrito-
portanto, que houvesse alguma menção sobre o as- res e críticos literários posteriores a ele,
sunto no primeiro contato entre os portugueses e como um dos maiores mestres da língua
os nativos, conforme relatado na Carta de Pero Vaz
portuguesa.
de Caminha. De fato, Caminha escreve a respeito
da reação de dois jovens nativos que foram ate a II. Seu espírito contemplativo e sua vocação
caravela de Cabral e que experimentaram alimen-
religiosa impediram-no de abordar, em
tos oferecidos pelos portugueses:
seus escritos, as questões políticas e so-
Deram-lhe[s] de comer: pão e peixe cozido, con- ciais de sua época.
feitos, bolos, mel e figos passados. Não quiseram
comer quase nada de tudo aquilo. E se provavam III. O Sermão da sexagésima expõe a sua arte
alguma coisa, logo a cuspiam com nojo. Trouxe- de pregar.

LITERATURA | Classicismo 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Está correto apenas o que se afirma em: Composto de versos de ________ sílabas métricas,
“A Santa Inês” celebra a chegada da imagem da
A I. santa a um povoado. Para homenageá-la, o eu líri-
B I e II. co chama-lhe de “padeirinha”, pois traria um “trigo
novo” para “alimentar” o povo: o exemplo do amor
C I e III. a Cristo. Esse uso figurativo da linguagem caracteri-
za uma _______________.
D II e III.
Assinale a alternativa que completa corretamente
E III. as lacunas.
08| UFSM Em 2014, o jesuíta José de Anchieta foi cano-
A seis – metonímia
nizado pelo Papa Francisco I, tornando-se o terceiro
santo brasileiro. Muito embora tenha nascido nas B cinco – metáfora
Ilhas Canárias, Anchieta ficou conhecido como o
“Apóstolo do Brasil”, legando-nos importantes tex- C seis – antonomásia
tos, os quais dão a tônica da função da literatura no
início do período colonial brasileiro. Entre seus po- D cinco – prosopopeia
emas, destaca-se “A Santa Inês”. No poema, nota-se
o emprego figurativo e religioso do mais básico dos E seis – analogia
alimentos da época: o pão.
09| UERN Os gêneros literários são empregados com
A Santa Inês finalidade estética. Leia os textos a seguir.
Na Vinda de sua Imagem Busque Amor novas artes, novo engenho,
Cordeirinha linda, Para matar-me, e novas esquivanças;
Como folga o povo
Que não pode tirar-me as esperanças,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo! Que mal me tirará o que eu não tenho.
[…] (Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961.
Fragmento.)
Também padeirinha
Sois de nosso povo, Porém já cinco sóis eram passados
Pois, com vossa vinda,
Que dali nos partíramos, cortando
Lhe dais trigo novo.
Não é de 1Alentejo Os mares nunca doutrem navegados,
Este vosso trigo, Prosperamente os ventos assoprando,
Mas Jesus amigo
Quando uma noite, estando descuidados
E vosso desejo.
[….] Na cortadora proa vigiando,
O pão que amassastes
Uma nuvem, que os ares escurece,
Dentro em vosso peito,
É o amor perfeito Sobre nossas cabeças aparece.
Com que a Deus amastes. (Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo. Fragmento.)

Deste vos fartastes, Assinale a alternativa que apresenta, respectiva-


Deste dais ao povo, mente, a classificação dos textos.
Porque deixe o velho
A Épico e lírico.
Pelo trigo novo.
[…] B Lírico e épico.
Glossário C Lírico e dramático.
1Alentejo: região de Portugal. D Dramático e épico.

4 LITERATURA | Classicismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: ( ) A imagem do índio é resgatada por José


de Alencar em obras indianistas. E assim,
Quanto à organização social de nossos selvagens, é
coisa quase incrível – e dizê-la envergonhará aque-
com tipos heroicos como Peri e Iracema, o
les que têm leis divinas e humanas – que, 1apesar autor cria em seus romances uma imagem
de serem conduzidos apenas pelo seu natural, ain- gloriosa do povo indígena.
da que um tanto degenerado, eles se deem tão bem
e vivam em tanta paz uns com os outros. Mas com
( ) A produção literária deste período foi
isso me refiro a cada nação em si ou às nações que marcada pela recuperação do passado
sejam aliadas; pois quanto aos inimigos, já vimos histórico brasileiro, visto sob uma ótica às
em outra ocasião o tratamento terrível que lhes vezes crítica, outras irônica.
dispensam2. Porque, em ocorrendo alguma briga
(o que se dá com tão pouca frequência que duran- ( ) Devido à ausência de um passado medie-
te quase um ano em que com eles estive só os vi val, o indianismo foi um dos elementos de
brigar duas vezes), os outros nem sequer 3pensam sustentação do sentimento nacionalista, o
em separar ou pacificar os contendores; ao contrá- qual era característica deste período lite-
rio, se estes tiverem de arrancar-se mutuamente os rário.
olhos, 4ninguém lhes dirá nada, e eles assim farão.
5Todavia, se alguém for ferido por seu próximo, e Assinale a alternativa que apresenta a sequência
se o agressor for preso, ser-lhe-á 6infligido o mes- correta, de cima para baixo.
mo ferimento no mesmo lugar do corpo, por par-
A 2 - 2 - 2 - 1 - 3
te dos parentes próximos do agredido, e caso este
venha a morrer depois, ou caso morra na hora, os B 1 - 3 - 3 - 3 - 2
parentes do defunto tiram a vida ao assassino de
um modo semelhante. De tal forma que, para dizer C 1 - 3 - 2 - 3 - 2
numa palavra, é vida por vida, olho por olho, dente
D 2 - 3 - 2 - 1 - 3
por dente etc. Mas, como já disse, são coisas que
raramente se veem entre eles. E 2 - 2 - 3 - 1 - 2
2 O autor tratou do assunto no capítulo XIV, “Da TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
guerra, combate e bravura dos selvagens”.
CAPÍTULO II
Olivieri, Antonio Carlos e Villa, Marco Antonio. Cronistas do descobri-
mento. São Paulo: Ed. Ática,1999, p.69. Como os homens daquela terra principiaram a tra-
tar conosco, das suas casas e de alguns peixes que
10| UDESC A obra Cronistas do descobrimento, Antonio ali há, muito diversos dos nossos.
Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa, faz referência
à história do descobrimento do Brasil. A literatura Naquele mesmo dia, que era no oitavário da Pás-
está dividida em diversas estéticas literárias que coa, a 26 de abril, determinou o capitão-mor de
também pontuam características que se asseme- ouvir missa, e assim mandou armar uma tenda na-
lham ou resgatam elementos da história nacional. quela praia, e debaixo dela um altar, e toda a gente
Com base nesta analogia, relacione as colunas. da armada assistiu tanto à missa como à pregação,
1juntamente com muitos dos naturais, que baila-

1. Literatura de Informação vam e tangiam nos seus instrumentos; logo que se


acabou, voltamos aos navios, e aqueles homens
2. Romantismo entravam no mar até aos peitos, cantando e fazen-
do muitas festas e folias. Depois de jantar tornou
3. Modernismo a terra o capitão-mor, e a gente da armada para
espairecer com eles, e achamos neste lugar um rio
( ) A gênese da formação literária brasileira de água doce. Pela volta da tarde tornamos às naus
se encontra, basicamente, no século XVI, e no dia seguinte determinou-se fazer aguada e to-
constituem-na os relatos dos cronistas via- mar lenhas, 2pelo que fomos todos a terra e os na-
jantes. turais vieram conosco para ajudar-nos. 3Alguns dos
nossos caminharam até uma povoação onde eles
( ) Oswald de Andrade reestrutura a Carta habitavam, coisa de três milhas distante do mar,
4e trouxeram de lá papagaios e uma raiz chamada
de Caminha em poemas, criando uma pa-
inhame, que é o pão de ali que usam, e algum ar-
ródia e sugerindo uma releitura crítica da
roz, dando-lhe os da armada cascáveis e folhas de
história do Brasil.

LITERATURA | Classicismo 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

papel em troca do que recebiam. Estivemos neste V. O texto descritivo caracteriza-se pela ex-
lugar cinco ou seis dias; 5os homens, como já dis- posição de detalhes significativos levanta-
semos, são baços, e andam nus sem vergonha, têm
dos pelo autor a partir de percepção sen-
os seus cabelos grandes e a barba pelada; as pálpe-
bras e sobrancelhas são pintadas de branco, negro, sorial e de imaginação criadora. No texto,
azul ou vermelho; trazem o beiço de baixo furado a predominância de adjetivos também o
e 6metem-lhe um osso grande como um prego; ou- caracterizam como descritivo.
tros trazem uma pedra azul ou verde e assobiam
pelos ditos buracos; as mulheres andam igual- Assinale a alternativa correta.
mente nuas, são bem feitas de corpo e trazem os
A Somente as afirmativas II e III são verda-
cabelos compridos. As suas casas são de madeira,
cobertas de folhas e ramos de árvores, com muitas deiras.
colunas de pau pelo meio e entre elas e as paredes
B Somente as afirmativas I, II e V são verda-
pregam redes de algodão, nas quais pode estar um
homem, e de [baixo] cada uma destas redes fazem
deiras.
um fogo, de modo que numa só casa pode haver C Somente as afirmativas I, III e V são verda-
quarenta ou cinqüenta leitos armados a modo de
deiras.
teares.
OLIVIERI, Antonio Carlos e VILLA, Marco Antonio. Cronistas do descobri- D Somente as afirmativas II, III, IV e V são
mento. São Paulo: Editora Ática, 1999, pp. 30 e 31.
verdadeiras.
11| UDESC Analise as proposições em relação à obra
E Somente as afirmativas I, IV e V são verda-
Cronistas do descobrimento, Olivieri, Antonio Car-
los e Villa, Marco Antonio e ao texto. deiras.

I. A leitura do período “Alguns dos nossos caminha- 12| UDESC Analise as proposições em relação à obra
ram até uma povoação onde eles habitavam, coisa Cronistas do descobrimento, Olivieri, Antonio Car-
de três milhas distante do mar, e trouxeram de lá los e Villa, Marco Antonio e ao texto.
papagaios e uma raiz chamada inhame, que é o pão
de ali que usam, e algum arroz, dando-lhe os da ar- I. Da leitura do texto, infere-se que havia, a
mada cascáveis e folhas de papel em troca do que princípio, contato amistoso entre os ho-
recebiam” (referência 3) leva o leitor a inferir um mens da nau de Pedro Álvares Cabral e os
momento de escambo. índios que aqui residiam.
II. Nos sintagmas “juntamente com muitos II. No período “Como os homens daquela
dos naturais” (referência 1) e “pelo que
terra principiaram a tratar conosco” se a
fomos todos a terra e os naturais vieram
preposição destacada for substituída por
conosco para ajudar-nos” (referência 2) a
palavra destacada refere-se aos habitan- de a regência do verbo permanece de
tes nativos da terra recém-descoberta. acordo com língua padrão.

III. Eliminando-se a vírgula de “e trouxeram III. É a partir dos textos literários que remon-
de lá papagaios e uma raiz chamada inha- tam o século XVI que a corrente moder-
me, que é o pão de ali que usam” (referên- nista vai se apoiar para propor uma nova
cia 4) o sentido original do período ainda ideia de nacionalismo – uma releitura dos
permanece o mesmo, e a segunda oração moldes da Literatura de Informação em
passa a ser classificada como oração su-
relação ao nacionalismo.
bordinada adjetiva explicativa.
IV. A leitura da obra leva o leitor a inferir que
IV. A leitura da obra conjetura que embora
haja a predominância, no que se refere à esta não é apenas uma obra que retrata a
linguagem, de preocupações estilísticas, historiografia do período da Literatura de
ainda assim observa-se o tom satírico e Informação, mas também traz resquícios
irônico, adequando-a aos preceitos da es- de valores estéticos que remontam os tex-
tética barroca. tos literários do período medieval.

6 LITERATURA | Classicismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

V. Nas estruturas linguísticas “os homens, niscências de um mundo ideal a que volveremos
como já dissemos, são baços” (referência após a morte. Em Cantares de Hilda Hilst, o eu lírico
5) e “metem-lhe um osso grande como afirma não poder odiar nem temer o outro, já que
um prego” (referência 6) constata-se que o outro é o ser em que ele mesmo se transformou
em virtude da idealização amorosa (“Porque tu eras
o emprego das estruturas paralelísticas foi eu”). Camões  também compartilha da ideia de que
na intenção de estabelecer uma compara- o amor torna os amantes inseparáveis, fazendo-os
ção, aludindo às características físicas dos voltar à “antiga condição” de ser uno e perfeito
nativos. (“por virtude do muito imaginar (...) em mim tenho
a parte desejada”).
Assinale a alternativa correta.
04| E
A Somente as afirmativas II, III, IV e V são
verdadeiras. Joaquim Manuel de Macedo escreveu durante o
Romantismo, e não Quinhentismo, o que faz com
B Somente as afirmativas II e III são verda- que a primeira afirmação esteja incorreta.
deiras. Todas as outras estão corretas. O Quinhentismo é
o nome dado para todas as formas literárias que
C Somente as afirmativas I, III e V são verda- ocorreram no Brasil com a introdução da cultura
deiras. europeia, no século XVI. Ele foi marcado, sobretu-
do, pela Literatura Informativa, que buscava, por
D Somente as afirmativas I, II e III são verda- meio de documentos escritos, informar aos euro-
deiras. peus como era o Brasil. A primeira dessas manifes-
tações foi a Carta de Caminha.
E Todas as afirmativas são verdadeiras.
05| C

GABARITO A Incorreta: o tema central dos Lusíadas é


a viagem feita pelos portugueses rumo às
01| C Índias.
A Carta de Pero Vaz de Caminha revela a perspec- B Incorreta: o foco temático é o trajeto,
tiva otimista do colonizador (“Andavam todos tão cheio de desafios, realizado pelos por-
bem-dispostos, tão bem feitos e galantes”), en-
tugueses para chegar às Índias. Não há
quanto que a obra de Portinari revela a surpresa e
abordagem da descoberta do Brasil e da
a preocupação dos nativos ao apontar para o hori-
zonte. Assim, é correta a opção [C], pois a carta é
relação dos portugueses com os índios.
testemunho histórico-político do encontro do colo- D Incorreta: a métrica em Camões na verda-
nizador com as novas terras e a pintura destaca, em de é bastante importante. Nos Lusíadas,
primeiro plano, a inquietação dos nativos.
por exemplo, é possível observar uma es-
02| C trutura rígida com versos decassílabos di-
vididos em ABABABCC.
Os adjetivos “leda”, “deleitosa”, “doce”, “graciosa”,
“fermosa” e “rara” refletem a visão idealizada da E Incorreta: uma das intenções de Os Lusí-
mulher, mas sem o exagero de emotividade ca- adas foi destacar os feitos portugueses,
racterístico do Romantismo. Ao contrário deste, a sendo a obra dedicada ao rei de Portugal.
estética clássica defende a contenção emocional e Camões não desprezava sua pátria nem o
privilegia o equilíbrio e a sobriedade, características seu povo.
sugeridas nos termos “moderada” e “suave” refe-
rindo-se à imagem feminina, e na expressão “alegre 06| D
e comedido” com que se define o eu lírico. Assim, é
correta a opção [C]. I. Verdadeiro. Ao mencionar a oferta de ele-
mentos europeus (“pão e peixe cozido,
03| A confeitos, bolos, mel e figos passados”,
“vinho”) e a reação dos indígenas (“cus-
Ambos os poemas refletem conceitos do platonis-
piam com nojo” e “demonstraram não
mo amoroso. Para Platão, as realidades concretas
deste mundo, dito mundo sensível, são sombras
gostar e não mais quiseram”), percebe-se
das ideias que existem no mundo inteligível, remi- a diferença de comportamento entre os
dois povos.

LITERATURA | Classicismo 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

II. Falso. Não há menção à antipatia aos indí- O épico pode ser definido como um gênero consti-
genas, tanto no trecho apresentado como tuído de longo poema acerca de assunto grandioso
e heroico. Os Lusíadas, de Camões, é considerado o
na obra em geral. Caminha deteve-se a
grande épico da Língua Portuguesa e canta os atos
observar e relatar fatos, abstendo-se des- heroicos dos portugueses, durante as grandes na-
se tipo de juízo. vegações marítimas no século XV.

III. Verdadeiro. O emprego de verbos no pre- 10| C


térito perfeito do indicativo, relatando
1. A gênese da literatura brasileira começa
cronologicamente as ações dos portugue-
com as primeiras cartas dos viajantes para
ses e as reações dos indígenas, são ele- o rei de Portugal, por isso mesmo é cha-
mentos próprios da narrativa. mada de literatura de informação.
07| C 3. Osvaldo de Andrade atendendo aos ape-
los estéticos do Modernismo faz uma
Vieira, além de exímio orador, envolveu-se em
releitura das cartas de Caminha transfor-
questões políticas e sociais de sua época. São al-
mando-as em poemas piadas.
guns exemplos: o “Sermão de São Sebastião”, no
qual evidencia sua oposição ao governo espanhol; 1. O Romantismo em busca da criação de
o “Sermão pela vitória de nossas armas contra os uma cultura genuinamente brasileira, re-
Holandeses”, em que defende a necessidade de re- toma a figura do índio só que bastante
soluções de cunho político para que o cristianismo idealizada, fazendo-o herói de uma pátria
prevalecesse sobre o protestantismo; e o “Sermão que se consolidava culturalmente.
da Visitação de Nossa Senhora a Santa Izabel”, no
qual aponta a transferência de bens para a metró- 1. Modernismo brasileiro também retoma o
pole como um dos maiores males que envolviam o passado para criar uma cultura nova, mas
Brasil colônia. baseada em suas próprias origens. Dife-
rentemente dos românticos, os modernis-
08| B tas de 22 usavam de uma linguagem infor-
mal, crítica e irônica.
A escansão dos versos indica emprego de redondi-
lha menor: 2. O Romantismo vê no índio a figura ideal
para substituir o cavaleiro medieval com
1 2 3 4 5 seus valores de lealdade que tanto agra-
Cor dei ri nha lin (da), davam aos leitores dos romances produzi-
dos na Europa.
1 2 3 4 5
11| B
Co mo fol ga o po (vo)
A proposição [III] está incorreta. “Que é o pão de ali
1 2 3 4 5 que usam” já é oração subordinada adjetiva explica-
Por que vos sa vin (da) tiva. Se a vírgula fosse eliminada, a oração deixaria
de ser subordinada adjetiva explicativa, já que a vír-
1 2 3 4 5 gula é condição obrigatória para esse tipo de oração.
Lhe dá lu me no (vo)!
Quanto à quarta afirmativa, o texto não pertence ao
A figura de linguagem empregada é a metáfora, período barroco, nem possui tom satírico e irônico.
uma vez que ocorre aproximação implícita: o “trigo
novo” para “alimentar” o povo é o amor a Cristo; a 12| D
“padeirinha” é quem faz tal transformação, o que Não é correto afirmar que a obra traga resquícios
corresponde a Santa Inês ser um exemplo de reli- de valores estéticos dos textos literários do período
giosidade. medieval, pois a função do texto é apenas informa-
09| B tiva. Assim, está errada a proposição [IV]. Do mes-
mo modo, está incorreta a proposição [V], já que
Lírico é o gênero de poesia em que o poeta expõe estruturas paralelísticas são aspectos constituintes
suas emoções e sentimentos. Exemplo desse gêne- das cantigas de amigo trovadorescas, por isso, não
ro é o primeiro texto, cujo tema é o amor. estão presentes no texto.

8 LITERATURA | Classicismo
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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CLASSISCISMO / QUINHENTISMO 04

01| UPE “Ali ficamos um pedaço, bebendo e fol- ses recém-chegados, de outro, tem a in-
gando, ao longo dela, entre esse arvoredo, tenção de instigar o rei a dar início à colo-
que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas nização.
prumagens, que homens as não podem contar.
Há entre ele muitas palmas, de que colhemos II. Ao afirmar que os habitantes da nova
muitos e bons palmitos.” terra não têm nenhuma crença, Caminha
faz uma avaliação que denota seu desco-
“Parece-me gente de tal inocência que, se ho- nhecimento sobre a cultura daqueles que
mem os entendesse e eles a nós, seriam logo habitam a terra descoberta, pois todos
cristãos, porque eles, segundo parece, não os grupos sociais, primitivos ou não, têm
têm, nem entendem nenhuma crença. E, por- suas crenças e mitos.
tanto, se os degredados, que aqui hão de ficar
aprenderem bem a sua fala e os entenderem, III. Caminha usa a conversão dos gentios
não duvido que eles, segundo a santa inten- como argumento para atrair a atenção do
ção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos Rei Dom Manuel sobre a terra descoberta,
e crer em nossa santa fé, à qual praza a Nosso colocando, mais uma vez, a expansão da
Senhor que os traga, porque, certo, esta gente fé cristã como bandeira dos conquistado-
é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á res portugueses.
ligeiramente neles qualquer cunho, que lhes
quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes IV. Ao afirmar que os habitantes da terra des-
deu bons corpos e bons rostos, como a bons coberta não lavram nem criam, alimen-
homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi tam-se do que a natureza lhes oferece,
sem causa.” Caminha tece uma crítica à inaptidão e
“Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, inércia daqueles que vivem mal, utilizan-
nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem gali- do, por desconhecimento, as riquezas na-
nha, nem qualquer outra alimária, que costu- turais da região.
mada seja ao viver dos homens. Nem comem
V. As citações revelam que a Carta do Acha-
senão desse inhame, que aqui há muito, e des-
mento do Brasil tem por objetivo descre-
sa semente e frutos, que a terra e as árvores
ver a nova terra de modo a atrair os que
de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos
estão distantes pela riqueza e beleza de
e tão nédios, que o não somos nós tanto, com
que é possuidora.
quanto trigo e legumes comemos.”
Estão CORRETOS, apenas,
Partindo da leitura das três citações da Carta
de Pero Vaz de Caminha, analise os itens a se- A I, II e IV.
guir:
B I, II, III e V.
I. Trata-se de um documento histórico que
exalta a terra descoberta mediante o uso C I, II e III.
de expressões valorativas dos hábitos e D II e IV.
costumes de seus habitantes, o que, de
um lado, revela a surpresa dos portugue- E I e II.

LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO 1


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

02| UFSM A Carta de Pero Vaz de Caminha é o C argumentativo, pois Caminha está preocu-
primeiro relato sobre a terra que viria a ser pado em apresentar elementos que justi-
chamada de Brasil. Ali, percebe-se não ape- fiquem a exploração da terra descoberta,
nas a curiosidade do europeu pelo nativo, mas os quais se pautam pela confiabilidade e
também seu pasmo diante da exuberância da abrangência de suas observações.
natureza da nova terra, que, hoje em dia, já se
encontra degradada em muitos dos locais avis- D lírico, uma vez que a apresentação hi-
tados por Caminha. perbólica da terra por Caminha mostra a
subjetividade de seu relato, carregado de
Tendo isso em vista, leia o fragmento a seguir. emotividade, o que confere à “Carta” seu
Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta caráter especificamente literário.
que mais contra o sul vimos, até outra pon- E narrativo-argumentativo, pois a apresen-
ta que contra o norte vem, de que nós deste tação sequencial dos elementos físicos da
ponto temos vista, será tamanha que haverá terra descoberta serve para dar suporte à
nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por cos- ideia defendida por Caminha de explora-
ta. Tem, ao longo do mar, em algumas partes, ção do novo território.
grandes barreiras, algumas vermelhas, outras
brancas; e a terra por cima é toda chã e muito 03| UEPA Reconheça, nos versos abaixo, extraídos
cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta de Os Doze de Inglaterra, os dois elementos da
é tudo praia redonda, muito chã e muito for- comparação que Camões associa para comuni-
mosa. car ao leitor um pouco da intensidade da luta,
que está para se iniciar, entre portugueses e
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito
grande, porque a estender d’olhos não podía- ingleses, destacando o brilho das armas dos
mos ver senão terra com arvoredos, que nos combatentes.
parecia muito longa. Mastigam os cavalos, escumando,
Nela até agora não pudemos saber que haja Os áureos freios com feroz semblante;
ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal Estava o Sol nas armas rutilando
ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si
Como cristal ou rígido diamante;
é de muito bons ares, assim frios e tempera-
dos como os de Entre-Douro e Minho, porque A Diamante e cristal.
neste tempo de agora os achávamos como os
de lá. B Sol e diamante.

As águas são muitas e infindas. E em tal manei- C Cavalos e sol.


ra é graciosa que, querendo aproveitá-la, tudo D Armas e freios.
dará nela, por causa das águas que tem.
CASTRO, Sílvio (org.). A Carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre:
E Armas e cristal.
L&PM, 2003, p. 115-6.
04| IFSP A feição deles é serem pardos, um tanto
Esse fragmento apresenta-se como um texto avermelhados, de bons rostos e bons narizes,
bem feitos. Andam nus, sem cobertura algu-
A descritivo, uma vez que Caminha ocupa-se
ma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa
em dar um retrato objetivo da terra des-
de encobrir suas vergonhas do que de mostrar
coberta, abordando suas características
a cara. Acerca disso são de grande inocência.
físicas e potencialidades de exploração.
Ambos traziam o beiço de baixo furado e me-
B narrativo, pois a “Carta” é, basicamente, tido nele um osso verdadeiro, de comprimen-
uma narração da viagem de Pedro Álvares to de uma mão travessa, e da grossura de um
Cabral e sua frota até o Brasil, relatando, fuso de algodão, agudo na ponta como um fu-
numa sucessão de eventos, tudo o que rador.
ocorreu desde a chegada dos portugueses (Carta de Pero Vaz de Caminha. www.dominiopublico.com.br. Acesso
em: 04.12. 2012.)
até sua partida.

2 LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

O trecho acima pertence a um dos primeiros A a carta de Pero Vaz de Caminha represen-
escritos considerados como pertencentes à li- ta uma das primeiras manifestações artís-
teratura brasileira. Do ponto de vista da evolu-
ticas dos portugueses em terras brasileiras
ção histórica, trata-se de literatura
e preocupa-se apenas com a estética lite-
A de informação. rária.
B de cordel. B a tela de Portinari retrata indígenas nus
C naturalista. com corpos pintados, cuja grande signi-
ficação é a afirmação da arte acadêmica
D ambientalista. brasileira e a contestação de uma lingua-
E árcade. gem moderna.

05| ENEM C a carta, como testemunho histórico-polí-


tico, mostra o olhar do colonizador sobre
TEXTO I a gente da terra, e a pintura destaca, em
Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez primeiro plano, a inquietação dos nativos.
deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E
parece-me que viriam, este dia, à praia, qua- D as duas produções, embora usem lingua-
trocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns gens diferentes — verbal e não verbal —,
deles traziam arcos e flechas, que todos troca- cumprem a mesma função social e artís-
ram por carapuças ou por qualquer coisa que tica.
lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dis-
postos, tão bem feitos e galantes com suas tin- E a pintura e a carta de Caminha são ma-
turas que muito agradavam. nifestações de grupos étnicos diferentes,
CASTRO, S. “A carta de Pero Vaz de Caminha”. Porto Alegre: L&PM, 1996
produzidas em um mesmo momentos his-
(fragmento). tórico, retratando a colonização.
TEXTO II 06| PUCRS Compare o poema de Camões e o po-
ema “Encarnação”, leia as afirmativas que se-
guem e preencha os parênteses com V para
verdadeiro e F para falso.

Poema 1
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,


que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,


que, como o acidente em seu sujeito,
assim coa alma minha se conforma,
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro,
Está no pensamento como ideia;
a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de
Portinari retratam a chegada dos portugueses [e] o vivo e puro amor de que sou feito,
ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que como a matéria simples busca a forma.

LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO 3


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Poema 2 Mas esta linda e pura semideia,


Carnais, sejam carnais tantos desejos, que, como o acidente em seu sujeito,
carnais, sejam carnais tantos anseios, assim coa alma minha se conforma,
palpitações e frêmitos e enleios,
Está no pensamento como ideia;
das harpas da emoção tantos arpejos...
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
como a matéria simples busca a forma.
à noite, ao luar, intumescer os seios
láteos, de finos e azulados veios Com base no poema e em seu contexto, afir-
de virgindade, de pudor, de pejos... ma-se:

Sejam carnais todos os sonhos brumos I. Criado no século XVI, o poema apresenta
de estranhos, vagos, estrelados rumos um eu lírico que reflete sobre o amor e
onde as Visões do amor dormem geladas... sobre os efeitos desse sentimento no ser
apaixonado.
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
formem, com claridades e fragrâncias, II. Camões é também o criador de Os Lusía-
das, a mais famosa epopeia produzida em
a encarnação das lívidas Amadas!
língua portuguesa, que tem como grande
( ) Os dois poemas falam mais sobre o sentimen- herói o povo português, representado por
to do amor do que sobre o objeto amado. Vasco da Gama.
( ) No poema de Camões, o amor figura-se no III. Uma das características composicionais
campo das ideias. do poema é a presença de inversões sintá-
( ) Quanto à forma, os dois poemas são sonetos. ticas.

( ) O título “Encarnação” contém uma certa A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são


ambigui­dade, aliando um sentido espiritual a
A I, apenas.
um erótico.
A sequência correta de preenchimento dos pa- B III, apenas.
rênteses, de cima para baixo, é: C I e II, apenas.
A F – F – V – F
D II e III, apenas.
B V – V – F – V
E I, II e III.
C V – F – V – F
08| IFSP São características das obras do Classicis-
D V – V – V – V mo:
E F – V – F – F A o individualismo, a subjetividade, a ideali-
07| PUCRS Leia o poema a seguir, de Luís de Ca- zação, o sentimento exacerbado.
mões. B o egocentrismo, a interação da natureza
Transforma-se o amador na cousa amada, com o eu, as formas perfeitas.
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar, C o contraste entre o grotesco e o sublime, a
valorização da natureza, o escapismo.
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada, D a observação da realidade, a valorização
do eu, a perfeição da natureza.
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar, E a retomada da mitologia pagã, a pureza
pois consigo tal alma está liada. das formas, a busca da perfeição estética.

4 LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES: A ...não pudemos saber isso... / ...me parece
Esse texto do século XVI reflete um momento que será salvar eles...
de expansão portuguesa por vias marítimas, o B ...não pudemos saber-lhes... / ...me pare-
que demandava a apropriação de alguns gê- ce que será salvar-lhes...
neros discursivos, dentre os quais a carta. Um
exemplo dessa produção é a Carta de Caminha C ...não pudemos sabê-lo... / ...me parece
a D. Manuel. Considere a seguinte parte dessa que será salvá-la...
carta: D ...não pudemos saber-no... / ...me parece
Nela [na terra] até agora não pudemos saber que será salvar-lhes...
que haja ouro nem prata... porém a terra em E ...não pudemos sabê-lo... / ...me parece
si é de muito bons ares assim frios e tempera- que será salvá-los...
dos como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas
são muitas e infindas. E em tal maneira é 11| IFSP O verbo sob destaque no trecho – ...até
graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á agora não pudemos saber que haja ouro nem
nela tudo por bem das águas que tem, porém prata... – sinaliza a seguinte intenção do escre-
o melhor fruto que nela se pode fazer me pa- vente:
rece que será salvar esta gente e esta deve ser A por meio do modo subjuntivo, evidenciar
a principal semente que vossa alteza em ela uma constatação.
deve lançar.
B por meio do modo subjuntivo, evidenciar
09| IFSP Assinale a alternativa em que as palavras uma insatisfação.
grifadas estão empregadas em sentido conota-
tivo. C por meio do modo subjuntivo, evidenciar
uma incerteza.
A ...porém a terra em si é de muito bons
ares... D por meio do modo indicativo, evidenciar
uma convicção.
B Águas são muitas e infindas. E em tal ma-
neira é graciosa que querendo-a aprovei- E por meio do modo indicativo, evidenciar
tar... uma hipótese.

C ...querendo-a aproveitar, dar-se-á nela 12| IFSP O trecho apresentado é preponderante-


tudo por bem das águas que tem... mente descritivo. A classe de palavras que apa-
rece associada a esse tipo textual é o adjetivo.
D ...o melhor fruto que nela se pode fazer São exemplos de palavras dessa classe, no tex-
me parece que será salvar esta gente... to, as seguintes:
E ...esta deve ser a principal semente que A ...porém a terra em si é de muito bons
vossa alteza em ela deve lançar. ares...
10| IFSP Considere os dois trechos a seguir: B Águas são muitas e infindas.

...não pudemos saber que haja ouro nem pra- C ...dar-se-á nela tudo por bem das águas
ta... que tem...

...me parece que será salvar esta gente... D ...o melhor fruto que nela se pode fazer
me parece que será salvar esta gente...
Substituindo os trechos grifados por um pro-
nome oblíquo correspondente, tem-se um re- E ...esta deve ser a principal semente que
sultado correto gramaticalmente em: vossa alteza em ela deve lançar.

LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO 5


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

GABARITO 05| C

01| B A Carta de Pero Vaz de Caminha revela a pers-


pectiva otimista do colonizador (“Andavam
Todas as proposições são corretas, exceto [IV]. todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e
Não existe intenção crítica quando Caminha galantes”), enquanto que a obra de Portinari
informa que os habitantes da terra descoberta revela a surpresa e a preocupação dos nativos
“não lavram nem criam”. Trata-se de assinalar ao apontar para o horizonte. Assim, é correta
uma forma diferente de sobrevivência a que a opção [C], pois a carta é testemunho históri-
os povos europeus não estavam acostumados, co-político do encontro do colonizador com as
sem que tal trouxesse prejuízo à saúde ou bem novas terras e a pintura destaca, em primeiro
estar físico: “E com isto andam tais e tão rijos plano, a inquietação dos nativos.
e tão nédios, que o não somos nós tanto, com
quanto trigo e legumes comemos”. Como as 06| D
demais são corretas, é válida a opção [B]. Verdadeiro. Os dois poemas falam do amor
distante e irrealizável, entre o desejo e a idea-
02| A
lização.
Trata-se de um texto descritivo, pois sua inten-
Verdadeiro. O poema de Camões trata a ama-
ção é transmitir ao interlocutor as impressões
da à moda do platonismo neoclássico. Portan-
e as qualidades da terra a que os portugueses
to, o amor será sempre distante e idealizado.
haviam chegado: “grandes barreiras, algumas
vermelhas, outras brancas; e a terra por cima é Verdadeiro. Os dois poemas são sonetos, pois
toda chã e muito cheia de grandes arvoredos”, são compostos por dois quartetos e dois terce-
“praia redonda, muito chã e muito formosa”, tos com versos decassílabos.
“águas são muitas e infindas”. É correta a alter- Verdadeiro. O título Encarnação tem a ver com
nativa [A]. o sentido espiritual idealizador e com o senti-
03| B do mais sensual característicos do Simbolismo.
07| E
A conjunção subordinativa “como” é usada
muitas vezes como elemento de comparação I. Correta. O poema faz parte da lírica camo-
entre dois ou mais termos da frase. Nos versos niana composta no século XVI.
“Estava o Sol nas armas rutilando/Como cristal
II. Correta. Camões é autor de Os Lusíadas,
ou rígido diamante”, Camões utiliza os termos
obra baseada nas epopeias clássicas, foi
“cristal” e “diamante” para descrever o efeito
composta em versos decassílabos para
da luz do sol nas armas dos combatentes e narrar o nascimento de um povo e de uma
enfatizar, assim, a intensidade da luta. A única nação, quando são celebrados pela cora-
opção em que o sol é associado a um desses gem e pela ousadia das navegações.
elementos é [B].
III. Correta. As inversões sintáticas são recur-
04| A sos estilísticos bastante utilizados pelo po-
eta.
A Carta de Pero Vaz de Caminha é o primeiro
documento escrito da história do Brasil. Nela, 08| E
o autor registrou as suas impressões sobre a
É correta a opção [E], pois as obras do Classicis-
nova terra, com a intenção de informar ao rei mo reproduzem modelos ou padrões baseados
o “achamento” e apresentar-lhe o que encon- na busca de equilíbrio, simplicidade, conten-
trou, em linguagem objetiva e com grande ção e universalidade, valorizando e resgatando
quantidade de detalhes sobre fauna, flora e elementos artísticos da cultura greco-romana.
habitantes. Por isso, está vinculada à litera- Nas artes plásticas, teatro e literatura, o Clas-
tura dos viajantes ou dos cronistas, também sicismo ocorreu no período do Renascimento
chamada de informação, como mencionado Cultural, séculos XIV ao XVI, e na música, na
em [A]. metade do século XVIII.

6 LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO


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09| E
Na frase da opção [E], a palavra “semente”
foi usada em sentido figurado, sugerindo algo
embrionário que pode originar resultados po-
sitivos.
10| C
Os trechos grifados exercem função de ob-
jeto direto na oração a que pertencem, por
isso devem ser substituídos por pronomes
oblíquos átonos correspondentes: o, a. Como
se encontram em situação de ênclise relati-
vamente aos verbos transitivos diretos a que
estão ligados e estes terminam em “r” (saber,
salvar), essa terminação desaparece e os pro-
nomes transformam-se em “lo” e “la”, concor-
dando em gênero e número com os termos a
que se referem. Assim, é correta a opção [C],
pois ”lo” substituiria corretamente a oração
subordinada substantiva objetiva direta (“que
haja ouro nem prata”) e “la”, o objeto direto
“esta gente”.
11| C
É correta a opção [A], pois, na frase “até agora
não pudemos saber que haja ouro nem prata”,
o presente do subjuntivo do verbo haver suge-
re incerteza ou dúvida.
12| B
Nas opções [A], [C], [D] e [E], existem termos
que não pertencem à classe dos adjetivos, pois
em
[A] “muito” é advérbio de intensidade;
[C] “tudo” é pronome indefinido, e “bem”,
substantivo incorporado à locução prepo-
sitiva “por bem d(as)”;
[D] “gente” é substantivo;
[E] “semente” é substantivo.
Assim, é correta apenas a opção [B].

LITERATURA | CLASSISCISMO / QUINHENTISMO 7


LITERATURA
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BARROCO 05

01| ENEM Quando Deus redimiu da tirania se tanto se semeia a palavra de Deus, como
é tão pouco o fruto? Não há um homem que
Da mão do Faraó endurecido
em um sermão entre em si e se resolva, não
O Povo Hebreu amado, e esclarecido, há um moço que se arrependa, não há um
Páscoa ficou da redenção o dia. velho que se desengane. Que é isto? Assim
como Deus não é hoje menos onipotente, as-
Páscoa de flores, dia de alegria
sim a sua palavra não é hoje menos poderosa
Àquele Povo foi tão afligido do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é
O dia, em que por Deus foi redimido; tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje
Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia. tantos pregadores, por que não vemos hoje
nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão
Pois mandado pela alta Majestade
grande e tão importante dúvida, será a maté-
Nos remiu de tão triste cativeiro, ria do sermão. Quero começar pregando-me
Nos livrou de tão vil calamidade. a mim. A mim será, e também a vós; a mim,
para aprender a pregar; a vós, que aprendais
Quem pode ser senão um verdadeiro
a ouvir.
Deus, que veio estirpar desta cidade
VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965.
O Faraó do povo brasileiro.
DAMASCENO, D. (Org.). Melhores poemas: Gregório de Matos. São No Sermão da sexagésima, padre Antônio Viei-
Paulo: Globo, 2006.
ra questiona a eficácia das pregações. Para tan-
Com uma elaboração de linguagem e uma vi- to, apresenta como estratégia discursiva suces-
são de mundo que apresentam princípios bar- sivas interrogações, as quais têm por objetivo
rocos, o soneto de Gregório de Matos apresen- principal
ta temática expressa por
A provocar a necessidade e o interesse dos
A visão cética sobre as relações sociais. fiéis sobre o conteúdo que será abordado
no sermão.
B preocupação com a identidade brasileira.
B conduzir o interlocutor à sua própria refle-
C crítica velada à forma de governo vigente.
xão sobre os temas abordados nas prega-
D reflexão sobre os dogmas do cristianismo. ções.
E questionamento das práticas pagãs na C apresentar questionamentos para os
Bahia. quais a Igreja não possui respostas.
02| ENEM D inserir argumentos à tese defendida pelo
Sermão da Sexagésima pregador sobre a eficácia das pregações.

Nunca na Igreja de Deus houve tantas prega- E questionar a importância das pregações
ções, nem tantos pregadores como hoje. Pois feitas pela Igreja durante os sermões.

LITERATURA | BARROCO 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| ENEM C São bastante abstratos, pois se dirigiam


a uma plateia letrada, que dispensava
exemplos.
D São escritos em linguagem culta com pala-
vras difíceis, dirigidos à plateia sofisticada
que frequentava a igreja.
E Apresentam perguntas retóricas, que ge-
ravam um caloroso debate durante as pre-
gações.
05| UFRGS Leia as seguintes afirmações sobre o
Sermão de Santo Antônio aos peixes, de Padre
Antônio Vieira.
I. O Sermão apresenta a estratégia de se
dirigir aos peixes, e não aos homens, es-
tendendo o alcance crítico à conduta dos
colonos maranhenses.
II. O Sermão apresenta elogios aos grandes
pregadores, através de passagens do Novo
Com contornos assimétricos, riqueza de deta-
Testamento.
lhes nas vestes e nas feições, a escultura bar-
roca no Brasil tem forte influência do rococó III. A sardinha é eleita o símbolo do verdadei-
europeu e está representada aqui por um dos ro cristão, por ter sido o peixe multiplica-
profetas do pátio do Santuário do Bom Jesus do por Jesus.
de Matosinho, em Congonhas, (MG), esculpi-
do em pedra-sabão por Aleijadinho. Profunda- Quais estão corretas?
mente religiosa, sua obra revela A Apenas I.
A liberdade, representando a vida de minei- B Apenas II.
ros à procura da salvação.
C Apenas I e III.
B credibilidade, atendendo a encomendas
dos nobres de Minas Gerais. D Apenas II e III.
C simplicidade, demonstrando compromis- E I, II e III.
so com a contemplação do divino.
06| UFPR O soneto “No fluxo e refluxo da maré
D personalidade, modelando uma imagem encontra o poeta incentivo pra recordar seus
sacra com feições populares. males”, de Gregório de Matos, apresenta ca-
racterísticas marcantes do poeta e do período
E singularidade, esculpindo personalidade em que ele o escreveu:
do reinado nas obras divinas.
Seis horas enche e outras tantas vaza
04| UFRGS Assinale a alternativa correta sobre os
A maré pelas margens do Oceano,
três sermões do Padre Antônio Vieira.
E não larga a tarefa um ponto no ano,
A Estão repletos de exemplos do equilíbrio Depois que o mar rodeia, o sol abrasa.
e da simplicidade, típicos do homem bar-
roco. Desde a esfera primeira opaca, ou rasa
A Lua com impulso soberano
B São peças exemplares de retórica, com a
finalidade de despertar a consciência mo- Engole o mar por um secreto cano,
ral dos fiéis. E quando o mar vomita, o mundo arrasa.

2 LITERATURA | BARROCO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Muda-se o tempo, e suas temperanças. Quem vence a resistência, se enobrece:


Até o céu se muda, a terra, os mares, Quem faz o que não pode, impera e manda:
E tudo está sujeito a mil mudanças. Quem faz mais do que pode, esse merece.
1ternezas: ternuras
Só eu, que todo o fim de meus pesares
Eram de algum minguante as esperanças, GUERRA, Gregório de Matos. A um namorado, que se presumia de obrar
finezas. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Antologia dos Poetas Brasilei-
Nunca o minguante vi de meus azares. ros da Fase Colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979. p.65-66.

De acordo com o poema, é correto afirmar: A leitura atenta do texto permite afirmar que
A A temática barroca do desconcerto do A se trata de soneto em versos decassílabos
mundo está representada no poema, uma e que, portanto, escapa, em alguma medi-
vez que as coisas do mundo estão em de- da, à forma e à temática do Barroco.
sarmonia entre si.
B a temática da mitologia clássica – Amor,
B A transitoriedade das coisas terrenas está ou Eros, presente nos dois primeiros quar-
em oposição ao caráter imutável do sujei- tetos – é o que caracteriza o soneto acima
to, submetido a uma concepção fatalista como Barroco.
do destino humano.
C a recorrência do pronome “quem”, ao lon-
C A concepção de um mundo às avessas go dos dois primeiros quartetos, que cul-
está figurada no soneto através da clara mina na última estrofe, revela as contradi-
oposição entre o mar que tudo move e a ções típicas do Barroco.
lua imutável. D o fato de o eu lírico dirigir-se a “Fábio” e
D A clareza empregada para exposição do de fazer-lhe recomendações, na forma de
soneto, assevera sua matriz contraditória
tema reforça o ideal de simplicidade e bu-
e, portanto, barroca.
colismo da poesia barroca, cujo lema fun-
damental era a aurea mediocritas. E a oposição entre fazer apenas o possível,
de um lado, e fazer o impossível, de outro,
E A sintonia entre a natureza e o eu poético
confere feição barroca ao poema, ponti-
embasa as personificações de objetos ina-
lhando-o de antíteses.
nimados aliadas às hipérboles que descre-
vem o sujeito. 08| IMED Leia o texto abaixo, de Gregório de Ma-
tos Guerra:
07| IFSP Leia o soneto abaixo, de Gregório de Ma-
tos Guerra, para responder à questão. A MARIA DE POVOS, SUA FUTURA ESPOSA

Fábio: que pouco entendes de finezas: Discreta e formosíssima Maria,


Quem faz só o que pode, a pouco se obriga Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Quem contra os impossíveis se fatiga, Em tuas faces a rosada Aurora,
a esse cede o Amor em mil 1ternezas. Em teus olhos e boca, o Sol e o dia:

Amor comete sempre altas empresas: Enquanto, com gentil descortesia,


Pouco amor, muita sede não mitiga: O ar, que fresco Adônis te enamora,
Quem impossíveis vence, esse é que instiga Te espalha a rica trança voadora,
vencer por ele muitas estranhezas. Da madeixa que mais primor te envia:

As durezas da cera, o Sol abranda, Goza, goza da flor da mocidade,


a da terra as branduras endurece: Que o tempo troca, a toda a ligeireza,
Atrás do que resiste, o raio é que anda. E imprime em cada flor uma pisada.

LITERATURA | BARROCO 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Oh não guardes que a madura idade A ti tocou-te a máquina mercante,


Te converta essa flor, essa beleza, Que em tua larga barra tem entrado,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada. A mim foi-me trocando, e tem trocado
Tanto negócio, e tanto negociante.
Analise as assertivas abaixo a partir do texto:
Deste em dar tanto açúcar excelente
I. O soneto lírico se estrutura na oposição
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
entre dois campos semânticos, que pode
Simples aceitas do sagaz Brichote.
ser evidenciado, especialmente, na com-
paração entre a primeira a última estrofes. Oh se quisera Deus, que de repente
II. Em tal soneto, percebe-se o tema do car- Um dia amanheceras tão sisuda
pe diem, proveniente dos clássicos greco- Que fora de algodão o teu capote
latinos, que converge com a preocupação (Gregório de Matos)

do homem barroco brasileiro em relação


Poema II
à efemeridade da vida e à repulsa pela
morte. Horas contando, numerando instantes,
Os sentidos à dor, e à glória atentos,
III. O autor do soneto, Gregório de Matos Cuidados cobro, acuso pensamentos,
Guerra, cultivou a poesia sacra, lírica e
Ligeiros à esperança, ao mal constantes.
satírica. Também escreveu poemas gra-
ciosos e pornográficos. Representante do Quem partes concordou tão dissonantes?
período barroco, também foi conhecido Quem sustentou tão vários sentimentos?
como “Boca de Inferno”. Pois para a glória excedem de tormentos,
Quais estão corretas? Para martírio ao bem são semelhantes.

A Apenas I. O prazer com a pena se embaraça;


Porém quando um com outro mais porfia,
B Apenas III. O gosto corre, a dor apenas passa.
C Apenas I e II. Vai ao tempo alterando a fantesia,
D Apenas II e III. Mas sempre com vantagem na desgraça,
Horas de inferno, instantes de alegria.
E I, II e III.
(Gregório de Matos)

09| UPE-SSA Gregório de Matos, poeta baiano,


I. Além de poeta satírico, o Boca do Inferno
que viveu no século XVI, produziu uma poesia também cultivou a poesia lírica, composta
em que satiriza a sociedade de seu tempo. Exe- por temas diversificados, pois nos legou
crado no passado por seus conterrâneos, hoje uma lírica amorosa, erótica e religiosa
é reconhecido como grande poeta, sendo, in- e até de reflexão sobre o sofrimento, a
clusive, sua poesia satírica fonte de pesquisa exemplo do poema II.
histórica.
II. Considerado tanto poeta cultista quanto
Leia os poemas e analise as proposições a se- conceptista, o autor baiano revela criativi-
guir: dade e capacidade de improvisar, segundo
comprovam os versos do poema I, em que
Poema I realiza a crítica à situação econômica da
Triste Bahia! Oh quão dessemelhante Bahia, dirigida, na época, por Antônio Luís
da Câmara Coutinho.
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, III. Em Triste Bahia, poema I, musicado por
Rica te vejo eu já, tu a mi abundante. Caetano Veloso, Gregório de Matos iden-

4 LITERATURA | BARROCO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

tifica-se com a cidade, ao relacionar a situ- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


ação de decadência em que se encontram Para responder às questões, leia o poema a
tanto ele quanto a cidade onde vive. O po- seguir.
ema abandona o tom de zombaria, atenu-
ando a sátira contundente para tornar-se Definição do amor
um quase lamento. Mandai-me, Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
IV. Os dois poemas são sonetos, forma fixa
herdada do Classicismo, muito pouco uti- do Amor a ilustre prosápia,
lizada pelo poeta baiano, que desprezou E de Cupido as proezas.
a métrica rígida e criou poesia em versos Dizem que de clara escuma,
brancos e livres.
dizem que do mar nascera,
V. Como poeta barroco, fez uso consciente que pegam debaixo d’água
dos recursos estéticos reveladores do con- as armas que o Amor carrega.
flito do homem da época, como se faz pre-
sente na antítese que encerra o II poema: [...]
“Horas de inferno, instantes de alegria”.
O arco talvez de pipa,
Estão CORRETAS apenas A seta talvez esteira,
Despido como um maroto,
A I, II, III e V.
Cego como uma toupeira.
B I, II e IV.
[...]
C IV e V.
E isto é o Amor? É um corno.
D I, III e IV. Isto é o Cupido? Má peça.
E I, IV e V. [...]
10| IFSP Considerando o Barroco, assinale a alter- O amor é finalmente
nativa correta. Um embaraço de pernas,
A Padre Antônio Vieira caracterizou-se por Uma união de barrigas,
sua poesia satírica, sendo os sermões Um breve tremor de artérias
obras de insignificativa importância. Uma confusão de bocas,
B Gregório de Matos é reconhecido por seus Uma batalha de veias,
sermões religiosos, nos quais pregava a Um reboliço de ancas,
importância da fé e da manutenção das Quem diz outra coisa é besta.
práticas da burguesia, uma classe verda- Gregório de Matos: Poemas escolhidos (Seleção, prefácio e notas de José
deira e honesta. Miguel Wisnik). São Paulo: Cia. das Letras, 2010, p. 301-312 (fragmento).

C Um aspecto central da vida de Gregório de 11| CFTMG Gregório de Matos viveu no Brasil no
Matos era o equilíbrio. O amor nunca foi século XVII e é um importante escritor desse
primeiro momento da literatura brasileira. A
tema de suas poesias, já que era casado e
leitura do poema permite a identificação de
extremamente fiel à esposa. características do pensamento barroco, vigen-
D Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos te no período, especialmente no que diz res-
foram importantes autores do Barroco. peito à
A crítica à idealização amorosa.
E Padre Antônio Vieira nunca se envolveu
com a política, uma vez que acreditava B valorização da cultura clássica.
que seu trabalho era exclusivamente cleri-
cal e o sofrimento da população não des- C escolha pela linguagem formal.
pertava seu interesse. D estima pelos desejos subjetivos.

LITERATURA | BARROCO 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 13| UEG Tendo por base a comparação entre o po-
ema e a pintura apresentados, verifica-se que
Leia o poema e observe a pintura a seguir para
responder à(s) questão(ões). A o poema alude a questões de ordem so-
Destes penhascos fez a natureza cial e política, ao passo que a pintura faz
O berço, em que nasci: oh quem cuidara, referência a aspectos de teor material.
Que entre pedras tão duras se criara B a pintura representa uma cena de teor
Uma alma terna, um peito sem dureza! espiritual, ao passo que o poema retrata
Amor, que vence os tigres, por empresa elementos concretos de uma paisagem
Tomou logo render-me ele declara pedregosa.
Centra o meu coração guerra tão rara, C a pintura cristaliza um momento de louvor
Que não me foi bastante a fortaleza à força humana, ao passo que o poema
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano, discute questões atinentes à covardia do
A que dava ocasião minha brandura, homem.
Nunca pude fugir ao cego engano: D o poema sugere uma correspondência en-
Vós, que ostentais a condição mais dura, tre dureza da paisagem e dureza da alma,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano, ao passo que a pintura metaforiza ques-
tões mitológicas.
Onde há mais resistência mais se apura
COSTA, Claudio Manuel da. Soneto XCVIII. Disponível em: <http://www. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES:
bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 26 ago. 2015
Leia o excerto do “Sermão de Santo Antônio
aos peixes” de Antônio Vieira (1608-1697) para
responder à(s) quest(ões).
A primeira cousa que me desedifica, peixes,
de vós, é que vos comeis uns aos outros.
Grande escândalo é este, mas a circunstân-
cia o faz ainda maior. Não só vos comeis uns
aos outros, senão que os grandes comem os
pequenos. [...] Santo Agostinho, que pregava
aos homens, para encarecer a fealdade deste
escândalo mostrou-lho nos peixes; e eu, que
prego aos peixes, para que vejais quão feio e
abominável é, quero que o vejais nos homens.
Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não:
não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos
para os matos e para o sertão? Para cá, para
cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais
que só os tapuias se comem uns aos outros,
muito maior açougue é o de cá, muito mais
se comem os brancos. Vedes vós todo aquele
12| UEG Verifica-se que os versos e a pintura, em bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele
razão das características que lhes são peculia-
concorrer às praças e cruzar as ruas: vedes
res, pertencem respectivamente aos períodos
aquele subir e descer as calçadas, vedes aque-
A Árcade e Barroco le entrar e sair sem quietação nem sossego?
Pois tudo aquilo é andarem buscando os ho-
B Romântico e Realista
mens como hão de comer, e como se hão de
C Quinhentista e Naturalista comer.
D Modernista e Vanguardista [...]

6 LITERATURA | BARROCO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Diz Deus que comem os homens não só o seu A Deus diz que os homens, senão declarada-
povo, senão declaradamente a sua plebe: Ple- mente a sua plebe, comem não só o seu
bem meam, porque a plebe e os plebeus, que povo.
são os mais pequenos, os que menos podem,
B Diz Deus que os homens comem não só
e os que menos avultam na república, estes o seu povo, senão declaradamente a sua
são os comidos. E não só diz que os comem plebe.
de qualquer modo, senão que os engolem e
os devoram: Qui devorant. Porque os grandes C Deus diz que os homens comem não só
o seu povo, senão a sua plebe declarada-
que têm o mando das cidades e das províncias,
mente.
não se contenta a sua fome de comer os pe-
quenos um por um, poucos a poucos, senão D Os homens comem não só o seu povo,
que devoram e engolem os povos inteiros: Qui senão a sua plebe declaradamente, diz
devorant plebem meam. E de que modo se de- Deus.
voram e comem? Ut cibum panis: não como os E Os homens comem não só o seu povo, diz
outros comeres, senão como pão. A diferença Deus, senão declaradamente a sua plebe.
que há entre o pão e os outros comeres é que,
16| UNIFESP No sermão, Vieira critica
para a carne, há dias de carne, e para o peixe,
dias de peixe, e para as frutas, diferentes me- A a preguiça desmesurada dos miseráveis.
ses no ano; porém o pão é comer de todos os B a falta de ambição dos miseráveis.
dias, que sempre e continuadamente se come:
e isto é o que padecem os pequenos. São o C a ganância excessiva dos poderosos.
pão cotidiano dos grandes: e assim como pão D o excesso de humildade dos miseráveis.
se come com tudo, assim com tudo, e em tudo E o excesso de vaidade dos poderosos.
são comidos os miseráveis pequenos, não ten-
do, nem fazendo ofício em que os não carre- 17| UNIFESP O primeiro parágrafo permite iden-
guem, em que os não multem, em que os não tificar o lugar em que o pregador profere seu
defraudem, em que os não comam, traguem sermão, a saber,
e devorem: Qui devorant plebem meam, ut ci- A o mar.
bum panis. Parece-vos bem isto, peixes?
(Antônio Vieira. Essencial, 2011.)
B o sertão.
C a floresta.
14| UNIFESP Em “Cuidais que só os tapuias se co-
mem uns aos outros, muito maior açougue é o D a aldeia.
de cá, muito mais se comem os brancos.” (1º
parágrafo), os termos em destaque foram em- E a cidade.
pregados, respectivamente, em sentido 18| UNIFESP “Santo Agostinho, que pregava aos
homens, para encarecer a fealdade deste es-
A literal, figurado e figurado.
cândalo mostrou-lho nos peixes; e eu, que
B figurado, figurado e literal. prego aos peixes, para que vejais quão feio e
abominável é, quero que o vejais nos homens.”
C literal, literal e figurado. (1º parágrafo)

D figurado, literal e figurado. Nas duas ocorrências, o termo “para” estabe-


lece relação de
E literal, figurado e literal. A consequência.
15| UNIFESP “Diz Deus que comem os homens B conformidade.
não só o seu povo, senão declaradamente a
sua plebe” (2º parágrafo) C proporção.

Reescrito em ordem direta, tal trecho assume D finalidade.


a seguinte forma: E causa.

LITERATURA | BARROCO 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

19| UNIFESP Condizente com o teor do sermão A Apenas I.


está o conteúdo do seguinte provérbio:
B Apenas III.
A “A tolerância é a virtude do fraco.”
C Apenas I e II.
B “O homem é o lobo do homem.”
D Apenas II e III.
C “Ao homem ousado, a fortuna lhe dá a
mão.” E I, II e III.

D “A fome é a companheira do homem ocio-


so.” GABARITO
E “Quem tem ofício, não morre de fome.” 01| C

20| IMED Leia o texto abaixo, de Gregório de Ma- O poeta Gregório de Matos escreveu muitos
tos Guerra: poemas denunciando a corrupção e a injus-
tiça da sociedade baiana e colonial da época.
A INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO A população era composta de muitos negros
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, escravos e brancos pobres que em sua maioria
Depois da Luz se segue a noite escura, conviviam com pouquíssimas famílias influen-
tes e ricas vindas de Portugal que dominavam
Em tristes sombras morre a formosura,
a colônia que crescia à custa de muita explo-
Em contínuas tristezas a alegria. ração humana. Depois de infernizar essa elite
escravagista com seus versos, quando mais ve-
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
lho Gregório se volta ao catolicismo. Este po-
Se formosa a Luz é, por que não dura? ema é desta fase, neste, especificamente, faz
Como a beleza assim se transfigura? um paralelo entre a sociedade baiana que não
Como o gosto da pena assim se fia? melhorava por conta de seus governantes ao
faraó do Egito do velho testamento.
Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
02| A
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza. Questão é bastante delicada por causa da
sua elaboração propriamente dita, isto é, de
Começa o mundo enfim pela ignorância, alguma maneira, todas as alternativas estão
E tem qualquer dos bens por natureza corretas. As perguntas retóricas faziam parte
A firmeza somente na inconstância. do gênero literário em questão - do sermão
e também servia para conduzir o interlocutor
Considere as seguintes assertivas a partir do à sua própria reflexão, conforme alternativa
texto: [B]. Por outro lado, também podia apresentar
questionamentos para os quais a igreja não
I. Tal soneto é característico do período bar- possui resposta, conforme a alternativa [C];
roco brasileiro, momento em que o ho- posteriormente servirá para inserir argumen-
mem do século XVII está divido entre os tos e também para questionar a importância
valores antropocêntricos do Renascimen- das pregações durante os sermões, conforme
to e as amarras do pensamento medieval alternativa [D]. No entanto, o enunciado re-
restituído pela Contrarreforma. fere-se à estratégia discursiva das perguntas
II. O soneto revela o dualismo que envolve o retóricas para provocar a necessidade e o in-
homem barroco, marcado por incertezas e teresse dos fiéis sobre o conteúdo que será
inconstâncias. abordado no sermão. Este excerto pertence ao
início do sermão, trata-se de uma introdução,
III. O soneto apresenta a preocupação do po- sendo assim, as perguntas retóricas têm a fun-
eta com a efemeridade da vida e das coi- ção de provocar o interesse pelo assunto que
sas. Quais estão corretas? será abordado na missa.

8 LITERATURA | BARROCO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| D 06| B

O Barroco caracteriza-se por uma estética mo- A transitoriedade das coisas terrenas (“Muda-
vida principalmente por inspiração religiosa, -se o tempo, e suas temperanças. / Até o céu
mas expressando concomitantemente a sen- se muda, a terra, os mares, / E tudo está sujeito
sorialidade, como a estátua do profeta Eze- a mil mudanças.) está em oposição ao caráter
quiel esculpido por Aleijadinho. O manto, de- imutável do sujeito, submetido a uma concep-
corado por uma barra com desenho, apresenta ção fatalista do destino humano (“Só eu, que
dobras sobrepostas e riqueza de detalhes, ao todo o fim de meus pesares / Eram de algum
mesmo tempo que o rosto, altamente expres- minguante as esperanças, / Nunca o minguan-
sivo, apresenta bigodes, barba curta com ca- te vi de meus azares.”). Tudo no mundo muda,
belos curtos cobertos com um barrete ao invés menos os “azares” do eu lírico.
de um turbante. Assim, é correta a opção [D]
07| E
que afirma que a obra de Aleijadinho revela
personalidade ao modelar uma imagem sacra O Barroco foi caracterizado, sobretudo, pelo
com feições populares. conflito. Assim, era comum observar nos poe-
mas várias antíteses, que demarcam justamen-
04| B
te uma oposição. Nesse soneto de Gregório de
A alternativa [B] está correta, já que Padre An- Matos podemos observar uma oposição entre
tônio Vieira ficou conhecido justamente por as ideias de fazer apenas o possível e de fazer o
sua retórica. Além disso, diferentemente do impossível. Assim, o poeta constrói essa oposi-
que afirma a alternativa [A], o homem bar- ção a partir das estruturas “quem faz só o que
roco não era caracterizado pelo equilíbrio e pode” e “quem contra os impossíveis se fati-
simplicidade e sim pelo rebuscamento e pela ga” e cria variações destas ao longo do poema.
incerteza de seu tempo, presentes na lingua- Esse conflito confere justamente uma feição
gem por meio de certa empolação e de figuras barroca ao poema.
de pensamento, como antíteses, paradoxos e
inversões. Ao contrário do que afirmam as al- 08| E
ternativas [C] e [D], a plateia dos sermões aqui [I] Correta. Característica típica da literatura
referidos, exceto a do Sermão da Sexagésima
barroca, a temática conflituosa é percebi-
– que era composta pela nobreza portuguesa
da ao se confrontar a 1ª e a 4ª estrofes: na
–, em geral, apresentava uma maioria de colo-
1ª, Maria é apresentada pelo eu lírico no
nos portugueses no Brasil ou dos descenden-
auge de sua beleza e juventude; na última,
tes destes. E, por fim, as perguntas retóricas
sua beleza é finda (“Te converta essa flor,
mencionadas pela alternativa [E] não geravam
essa beleza,/ Em terra, em cinza, em pó,
debates, uma vez que eram respondidas pelo
em sombra, em nada.”)
próprio padre.
[II] Correta. O carpe diem pode ser verifica-
05| A do na voz do próprio eu lírico, preocupado
A única afirmação correta é a [I]. O Sermão, em convencer Maria a aproveitar a vida
(“Goza, goza da flor da mocidade”) en-
ao contrário do que afirma a proposição [II],
quanto a vida ou a beleza não chegam ao
é uma advertência aos pregadores vaidosos,
inevitável fim.
que não pregam a verdadeira doutrina e dizem
fazer uma coisa e fazem outra, e à prepotên- [III] Correta. Gregório de Matos Guerra é o
cia dos grandes. Ademais, diferentemente do principal nome do Barroco brasileiro. Sua
que é declarado na proposição [III], a sardinha obra abrange diversas temáticas, seja líri-
é eleita como símbolo dos pobres, dos peque- ca (amorosa, filosófica e religiosa) ou satí-
nos, que devem ser o alvo da atenção de to- rica (de teor crítico ou pornográfico). Este
dos. é o motivo para seu apelido.

LITERATURA | BARROCO 9
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

09| A [C] Incorreta: Gregório de Matos escreveu


poemas de amor, no qual explorava, so-
I. Correta. Vasta foi a produção literária de bretudo, o conflito entre o amor carnal e o
Gregório de Matos, abarcando uma gama amor de alma.
de assuntos. O Poema I é representante
de sua veia satírica, em que critica o go- [E] Incorreta: Além dos sermões religiosos, o
verno baiano, e o Poema II representa sua Padre Antônio Vieira também se envolveu
vertente lírica. com a política, criticando a escravidão e
corrupção no Brasil.
II. Correta. Gregório de Matos contempla
tanto o estilo cultista (em que jogos de 11| A
imagens se fazem presentes) quanto o
As últimas duas estrofes reproduzidas deixam
conceptista (em que o jogo argumentativo
bastante explícita a crítica de Gregório de Ma-
se faz marcante) em sua obra. Em Triste
tos à idealização amorosa. Isso porque ele des-
Bahia¸ a crítica se volta ao modo de gover-
nuda o conceito de Amor, tirando-lhe qualquer
no: “Deste em dar tanto açúcar excelente
adorno ou enfeite. Por exemplo, no verso em
/ Pelas drogas inúteis, que abelhuda / Sim-
que o eu lírico questiona “E isto é o Amor?” e
ples aceitas do sagaz Brichote”.
rebate “É um corno” vê-se uma falta de idea-
III. Correta. O eu lírico se equipara à situação lização. Além disso, na última estrofe ele elen-
da Bahia desde os primeiros versos, nos ca uma série de características que atribui ao
quais ambos estão diferentes do que já Amor, de forma crua. Ao terminar o poema
foram: “Triste Bahia! Oh quão desseme- com o verso “Quem diz outra coisa é besta”, o
lhante / Estás, e estou do nosso antigo eu lírico reforça sua crítica àqueles que ideali-
zam esse sentimento.
estado!”. Finalmente, o poema é encer-
rado pelo tom de lamentação diante dos 12| A
problemas: “Oh se quisera Deus, que de
repente / Um dia amanheceras tão sisuda Cláudio Manuel da Costa é um autor árcade
/Que fora de algodão o teu capote”. brasileiro, cujo soneto remete a característi-
cas como a simplicidade na escolha do voca-
IV. Incorreta. Ambos textos realmente são bulário, em oposição ao rebuscamento bar-
sonetos, forma fixa bastante empregada roco (inutilia truncat), presença do bucolismo
por Gregório de Matos, principalmente (“Destes penhascos fez a natureza / O berço,
em seus textos filosóficos e amorosos. Po- em que nasci: oh quem cuidara, / Que entre
rém, quando o assunto era menos grave, o pedras tão duras se criara.”), sem idealização
poeta optava por redondilhas. da Natureza e presença da Mitologia greco-ro-
mana (“Temei, penhas, temei; que Amor tira-
V. Correta. A poesia barroca é marcada pela no, / Onde há mais resistência mais se apura”).
presença de antíteses, figura de lingua-
gem em que as ideias opostas são aproxi- Caravaggio é um artista barroco italiano. Ele
madas. É exatamente o que ocorre entre retrata, em A conversão de São Paulo, a queda
horas x instantes; inferno x alegria. que Saulo sofre após ver uma luz muito forte,
que o cega – após ficar em transe, Saulo se con-
10| D verte para o Cristianismo, em referência à luz
vista, e muda seu nome para Paulo. A técnica
[A] Incorreta: O Padre Antônio Vieira desta- empregada é o claro-escuro, alternando entre
cou-se por seus sermões de críticas à má forte e fraca presença da luz na cena retratada,
conduta. o lhe que confere maior dramaticidade.
[B] Incorreta: Gregório de Matos é reconheci- 13| B
do por sua poesia religiosa e satírica, mar-
cada por muita ironia. Nela, o autor criti- O próprio título da tela remete ao seu teor es-
cava a sociedade e suas práticas. Também piritual: Caravaggio retrata, em A conversão de
escreveu poemas filosóficos e amorosos. São Paulo, a queda que Saulo sofre após ver

10 LITERATURA | BARROCO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

uma luz muito forte, que o cega – após ficar 18| D


em transe, Saulo se converte para o Cristia-
nismo, em referência à luz vista, e muda seu Nas duas ocorrências, o termo “para” estabe-
nome para Paulo. lece relação de finalidade: na primeira, a in-
tenção de Santo Agostinho em dirigir-se aos
Já o soneto de Cláudio Manuel da Costa retrata homens, fazendo analogia com o comporta-
a paisagem do local em que vive, caracterizada mento dos peixes: na segunda, a sua própria
pela aspereza, em oposição aos sentimentos intenção em dirigir-se aos peixes para enfatizar
do eu lírico: “Destes penhascos fez a natureza / a crueldade dos homens. Assim, é correta a
O berço, em que nasci: oh quem cuidara, / Que opção [D].
entre pedras tão duras se criara / Uma alma
terna, um peito sem dureza!”. 19| B

14| A Vários segmentos do excerto do “Sermão de


Santo Antônio aos peixes” mostram que Viei-
Na primeira ocorrência, o termo verbal “co- ra critica fortemente a cobiça e a perversidade
mem” foi usado em seu sentido literal, aludin- dos homens, que se matam uns aos outros:
do aos rituais antropofágicos dos “tapuias”. “e eu, que prego aos peixes, para que vejais
Já na segunda ocorrência, o verbo “comer” é quão feio e abominável é, quero que o vejais
usado de forma figurada, no sentido de obter nos homens”, “os grandes que têm o mando
proveito, explorar. Como “açougue” adquire, das cidades e das províncias, não se contenta
no contexto, o significado de carnificina ou a sua fome de comer os pequenos um por um,
matança, é correta a opção [A]. poucos a poucos, senão que devoram e engo-
15| C lem os povos inteiros”, entre outros. Assim, é
correta a opção [B].
Na ordem direta, a oração deve apresentar a
seguinte estrutura: Sujeito + Verbo + Comple- 20|
mento. Assim, é correta a opção [C]: “Deus diz [E]
que os homens comem não só o seu povo, se-
não a sua plebe declaradamente”. O soneto “A instabilidade das cousas do mundo”
apresenta características do estilo Barroco,
16| C vinculado ao período da Contrarreforma (séc.
Em vários excertos do Sermão de Santo Antô- XVII). Os temas refletem os conflitos dualistas
nio aos peixes, é evidente a critica de Vieira à entre o terreno e o celestial, o homem (antro-
ganância excessiva dos poderosos, como no pocentrismo) e Deus (teocentrismo), o pecado
seguinte: “os grandes que têm o mando das e o perdão, a religiosidade medieval e o paga-
cidades e das províncias, não se contenta a sua nismo presente no período renascentista. As
fome de comer os pequenos um por um”. As- sucessivas interrogações revelam as incerte-
sim, é correta a opção [C]. zas do homem barroco frente ao seu período,
a preocupação com a efemeridade da vida e
17| E a transitoriedade com que tudo se sucede. O
paradoxo final revela a tentativa de concilia-
Alguns excertos do primeiro parágrafo, “Para ção dos elementos opostos: a inconstância é a
cá, para cá; para a cidade é que haveis de única constante. Assim, todas as assertivas são
olhar”, “vedes aquele concorrer às praças e corretas, portanto, válida a opção [E].
cruzar as ruas: vedes aquele subir e descer as
calçadas”, permitem deduzir que Vieira profe-
riu esse sermão em ambiente urbano, como se
afirma em [E]. Na verdade, o “Sermão de Santo
Antônio aos peixes” foi proferido em São Luís
do Maranhão, no ano de 1654, período no qual
a colônia portuguesa tentava se impor e se ex-
pandir pelas terras brasileiras.

LITERATURA | BARROCO 11
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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ARCADISMO 06

01| UNIFESP Assinale a alternativa na qual se pode de- 02| UNIFESP


tectar nos versos do poeta português Manuel Ma-
ria de Barbosa du Bocage (1765-1805) uma ruptura
com a convenção arcádica do locus amoenus (“lu-
gar aprazível”).

A “Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre flores?”

B “O ledo passarinho que gorjeia

Da alma exprimindo a cândida ternura,

O rio transparente, que murmura,

E por entre pedrinhas serpenteia:”

C “Se é doce no recente, ameno Estio

Ver tocar-se a manhã de etéreas flores,

E, lambendo as areias e os verdores,


A conhecida pintura de Pedro Américo (1840-1905)
Mole e queixoso deslizar-se o rio;” remete a um fato histórico relacionado à seguinte
escola literária brasileira:
D “A loira Fílis na estação das flores,
A Barroco.
Comigo passeou por este prado B Arcadismo.
Mil vezes; por sinal, trazia ao lado C Naturalismo.

As Graças, os Prazeres e os Amores.” D Realismo.

E Romantismo.
E “Já sobre o coche de ébano estrelado,
03| IMED Sobre o arcadismo brasileiro, é correto afir-
Deu meio giro a Noite escura e feia; mar que:
Que profundo silêncio me rodeia A O arcadismo pregava a ressurreição do ideal
clássico, visando resgatar os valores antropo-
Neste deserto bosque, à luz vedado!” cêntricos do Renascimento.

LITERATURA | Arcadismo 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

B Marília de Dirceu foi um dos grandes poemas Assinale a alternativa que contém a sequência COR-
do arcadismo, cujo autor, Claudio Manuel da RETA.
Costa, apresenta um eu lírico apaixonado, que A F - F - V - V - V
expõe o conflito do amor de sua amada e a ob-
jeção do pai da moça. B F - V - F - V - F
C Em Caramuru, Frei José de Santa Rita Durão C V - F - V - V - F
faz uma ode aos heróis indígenas que habita-
vam a Bahia, no período da chegada da frota D V - V - F - F - V
de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. E V - F - V - F - V
D Em O Uraguai, o herói Gomes Freire de An-
drade divide as honras com Cacambo, herói TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
indígena. Poemeto épico, Silva Alvarenga traz Leia o soneto abaixo para responder às questões.
o período da guerra dos portugueses e espa-
nhóis contra os indígenas e jesuítas em Sete Para cantar de amor tenros cuidados,
Povos das Missões do Uruguai, em 1759. Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;
E Alvarenga Peixoto, em Glaura, apresenta-nos Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
poemas eróticos utilizando-se de técnicas Se é que de compaixão sois animados:
como a alegoria e o gesto teatral, as quais dis-
tingue sua produção de seus contemporâneos. Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;
04| UPE-SSA Sobre a produção do Arcadismo no Brasil,
analise as afirmativas a seguir e coloque V nas ver- Da lira de 1Anfião ao doce acento
dadeiras e F nas falsas. Se viram os rochedos abalados.

( ) Tomás Antônio Gonzaga é considerado, ao lado de Bem sei, que de outros gênios o 2Destino,
Cláudio Manuel da Costa, ícone da Literatura Ár- Para cingir de 3Apolo a verde rama,
cade. Contudo, os dois iniciaram suas produções Lhes influiu na lira estro divino:
poéticas de modo diverso: o primeiro como poeta
árcade e o segundo ainda dentro dos preceitos do O canto, pois, que a minha voz derrama,
Barroco. Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
( ) Tomás Antônio Gonzaga tem a obra poética perten-
cente a duas fases: a primeira é árcade, e a segunda COSTA, Cláudio Manuel da. A poesia dos inconfidentes. (Org.: COSTA,
MACHADO). São Paulo: Martins Fontes, 1966, p. 51 – 52.
tem traços românticos. Além disso, foi poeta satí-
rico em As Cartas Chilenas, e lírico, em Marília de Vocabulário:
Dirceu.
1Anfião: Deus da mitologia grega, filho de Zeus e
( ) Como poeta árcade, o autor de As Cartas Chilenas utili- Antíope, que recebeu uma lira como presente de
za o pseudônimo de Dirceu, que nutre amor pela musa Apolo, que também o ensinou a tocá-la. Ele cons-
Marília. Envolvido com o movimento dos inconfiden- truiu a cidade de Tebas tocando a lira, pois, ao som
tes, é degredado para a África, apenas regressando ao de sua música, as pedras se moviam sozinhas.
Brasil no final da vida. 2Destino: Na Grécia Antiga, o Destino dos deuses
e dos homens era concedido às três irmãs Moiras,
( ) O autor de Liras de Dirceu revela sentimentalismo
responsáveis por tecer e cortar o fio da vida de
e emotividade em seus poemas, apontando, assim, cada um.
para o pré-romantismo, que antecede o Arcadismo.
3Apolo: Filho de Zeus e Latona, é considerado o
( ) Tendo Tomás Antônio Gonzaga sido preso como deus da juventude e da luz. Apesar de ser sempre
inconfidente, continuou a escrever poemas mais associado à imagem de um jovem viril e talentoso,
emotivos e pessimistas, passando a falar de si mes- não teve sucesso no amor, devido à paixão não cor-
mo e lastimando sua condição de prisioneiro. A po- respondida por Dafne. O poeta Calímaco apresenta
esia que produz nesse período é a que mais contém Apolo como o inventor da lira, mas outros textos in-
características do Romantismo. dicam que quem o inventou foi seu irmão Hermes.

2 LITERATURA | Arcadismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

05| CFTMG O soneto de Cláudio Manuel da Costa traz 06| UEG Verifica-se que os versos e a pintura, em razão
vários elementos característicos da estética árcade, das características que lhes são peculiares, perten-
como a recuperação dos valores clássicos, percebi- cem respectivamente aos períodos
da na menção aos deuses gregos. Por meio dessa
estratégia, o autor indica a A Árcade e Barroco

A aspiração do eu lírico a seu destino artístico. B Romântico e Realista

B razão do eu lírico para suas escolhas poéticas. C Quinhentista e Naturalista


C subordinação do eu lírico ao desejo dos deuses. D Modernista e Vanguardista
D aproximação entre o eu lírico e os deuses do
07| UEG Tendo por base a comparação entre o poema
Panteão.
e a pintura apresentados, verifica-se que

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: A o poema alude a questões de ordem social e


política, ao passo que a pintura faz referência
Leia o poema e observe a pintura a seguir para res- a aspectos de teor material.
ponder à(s) questão(ões).
B a pintura representa uma cena de teor espiri-
Destes penhascos fez a natureza tual, ao passo que o poema retrata elementos
O berço, em que nasci: oh quem cuidara, concretos de uma paisagem pedregosa.
Que entre pedras tão duras se criara
C a pintura cristaliza um momento de louvor à
Uma alma terna, um peito sem dureza! força humana, ao passo que o poema discute
questões atinentes à covardia do homem.
Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me ele declara D o poema sugere uma correspondência entre
Centra o meu coração guerra tão rara, dureza da paisagem e dureza da alma, ao passo
que a pintura metaforiza questões mitológicas.
Que não me foi bastante a fortaleza
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura, TEXTO I
Nunca pude fugir ao cego engano: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Vós, que ostentais a condição mais dura, Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Temei, penhas, temei; que Amor tirano, Todo o mundo é composto de mudança,
Onde há mais resistência mais se apura Tomando sempre novas qualidades.
COSTA, Claudio Manuel da. Soneto XCVIII. Disponível em: <http://www. Continuamente vemos novidades,
bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 26 ago. 2015
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,


Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
(CAMÕES, Luís de. Rimas: Primeira parte, Sonetos. In: Obra completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 284.)

TEXTO II
XXXII
Se os poucos dias, que vivi contente,
Foram bastantes para o meu cuidado,
Que pode vir a um pobre desgraçado,
Que a ideia de seu mal não acrescente!

LITERATURA | Arcadismo 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Aquele mesmo bem, que me consente, 11| UPE No Arcadismo brasileiro, encontram-se textos
Talvez propício, meu tirano fado, épicos, líricos e satíricos. Com base nessa afirma-
ção, leia os textos a seguir:
Esse mesmo me diz, que o meu estado
Se há de mudar em outro diferente. TEXTO 1
Pastores, que levais ao monte o gado,
Leve pois a fortuna os seus favores;
Vede lá como andais por essa serra;
Eu os desprezo já; porque é loucura
Que para dar contágio a toda a terra,
Comprar a tanto preço as minhas dores:
Basta ver-se o meu rosto magoado:
Se quer, que me não queixe, a sorte escura, Eu ando (vós me vedes) tão pesado;
Ou saiba ser mais firme nos rigores, E a pastora infiel, que me faz guerra,
Ou saiba ser constante na brandura. É a mesma, que em seu semblante encerra
(COSTA, Cláudio Manoel da. In: A poesia dos inconfidentes.
A causa de um martírio tão cansado.
Org. Domício Proença Filho. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Se a quereis conhecer, vinde comigo,
1996. p. 65) Vereis a formosura, que eu adoro;
08| UFJF-PISM Na última estrofe do soneto de Camões Mas não; tanto não sou vosso inimigo:
(texto I), o eu lírico constata que: Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;
Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,
A a mudança cotidiana de valores gera espanto.
Chorareis, ó pastores, o que eu choro.
B tudo se transforma diariamente no mundo. Cláudio Manuel da Costa

C o bem e o mal deixam marcas eternas. TEXTO 2


[...]
D o próprio processo de mudança é instável. Enquanto pasta alegre o manso gado,
E o tempo converte o verde em neve e o canto minha bela Marília, nos sentemos
em choro. à sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
09| UFJF-PISM Quanto à conclusão, em que diferem os
textos I e II? na regular beleza,
que em tudo quanto vive nos descobre
A enquanto o eu lírico do texto I demonstra re- a sábia Natureza.
signação, o do texto II reclama.
[...]
B enquanto o eu lírico do texto I demonstra apa- Tomás Antônio Gonzaga
tia, o do texto II se rebela.
TEXTO 3
C enquanto o eu lírico do texto I demonstra im- [...]
paciência, o do texto II espera. Amigo Doroteu, não sou tão néscio,
Que os avisos de Jove não conheça.
D enquanto o eu lírico do texto I demonstra tris-
teza, o do texto II se alegra. Pois não me deu a veia de poeta,
Nem me trouxe, por mares empolados,
E enquanto o eu lírico do texto I demonstra fé, o A Chile, para que, gostoso e mole,
do texto II duvida.
Descanse o corpo na franjada rede.
10| UFJF-PISM No soneto XXXII de Cláudio Manoel da Nasceu o sábio Homero entre os antigos,
Costa (texto II), o eu lírico se queixa principalmente: Para o nome cantar, do grego Aquiles;
Para cantar, também, ao pio Enéias,
A por ter tido poucos dias felizes na vida.
Teve o povo romano o seu Vergílio:
B porque a inconstância lhe veta a plenitude. Assim, para escrever os grandes feitos
C porque a sorte escura lhe traz apenas dores. Que o nosso Fanfarrão obrou em Chile,
Entendo, Doroteu, que a Providência
D porque a ideia de seu mal não lhe acrescenta. Lançou, na culta Espanha, o teu Critilo.
E por saber que o tirano fado é firme nos rigo- [...]
res. Tomás Antônio Gonzaga - Cartas Chilenas

4 LITERATURA | Arcadismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Sobre eles, analise os itens seguintes: por tal lema. Ideia presente na poesia inglesa dos
séculos XVI e XVII, também inspirou poetas brasilei-
I. Os três poemas são árcades e nada têm que pos- ros, sendo uma das principais características do:
samos considerá-los pertencentes a outro estilo de
época, uma vez que seus autores só produziram A Barroco.
poemas líricos e com características totalmente ar-
cádicas. Além disso, todos eles trazem referências B Arcadismo.
à mitologia clássica mediante o uso de termos tais
C Romantismo.
como “monte”, “Natureza” e “Jove”, respectiva-
mente, nos textos 1, 2 e 3. D Simbolismo.
II. Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Cos- E Modernismo.
ta são poetas árcades, embora o primeiro tenha se
iniciado como barroco, daí os trechos dos dois poe- 13| UFSM O momento da refeição sempre foi uma
mas de sua autoria revelarem traços desse momen- ocasião para conversar. Em O Uraguai, de Basílio
to da Literatura. De outro modo, Cláudio Manuel da da Gama, o narrador aproveita o banquete dos ofi-
Costa, no poema de número 1, se apresenta pré-ro- ciais, que se segue ao desfile das tropas portugue-
mântico, razão pela qual sua produção se encontra sas, no Canto I, para apresentar as causas da guer-
dividida em dois momentos literários. ra, conforme mostra o excerto a seguir.
[...]
III. A referência a Critilo, autor textual do oitavo poe-
Convida o General depois da mostra,
ma, sendo espanhol, é um dado falso que tem por
finalidade ocultar a nacionalidade do autor mineiro Pago da militar guerreira imagem,
e, ao mesmo tempo, corroborar a camuflagem da Os seus e os espanhóis; e já recebe
autoria, em decorrência do tom satírico e agressivo No pavilhão purpúreo, em largo giro,
da epístola em versos. Contudo, o desejo de oculta- Os capitães a alegre e rica mesa.
ção não foi alcançado, porque Tomás Antônio Gon- Desterram-se os cuidados, derramando
zaga foi preso e deportado, por ter sido atribuída a
ele a autoria das referidas Cartas. Os vinhos europeus nas taças de ouro.
Ao som da 1ebúrnea cítara sonora
IV. O tema do amor se faz presente nos poemas 1 e Arrebatado de furor divino
2. Ambos apresentam bucolismo, característica do
Do seu herói, Matúsio celebrava
Arcadismo, contudo existe algo que os diferencia: o
pessimismo do eu poético no texto 1 e a reciproci- Altas empresas dignas de memória.
dade do sentimento amoroso no 2. […]
Levantadas as mesas, entretinham
V. O texto 3, apesar de satírico, nega, pelos aspectos
O congresso de heróis discursos vários.
temáticos e formais, qualquer característica do Ar-
cadismo, pois o poeta se preocupa, de modo espe- Ali Catâneo ao General pedia
cial, com os acontecimentos históricos e se exime de Que do principio lhe dissesse as causas
preocupação estética, revelando desconhecimento Da nova guerra e do fatal tumulto.
da produção épica de poetas gregos e latinos.
Glossário
Está(ão) CORRETO(S) , apenas, o(s) item(ns)
1Ebúrnea: relativa ao marfim.
A I, II e III.
Fonte: GAMA, Basílio da. O Uraguai. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

B I e IV.
A partir da leitura do fragmento, bem como da obra
C II, IV e V. a que pertence, assinale verdadeira (V) ou falsa (F)
em cada afirmativa a seguir.
D IV.
( ) Ao introduzir, no Canto I, as causas da guerra, per-
E I. cebe-se a preocupação do narrador em contar a
história respeitando a ordem cronológica dos even-
12| IMED Expressão do poeta romano Horácio, Car- tos, o que se dá desde o início do poema.
pe diem é popularmente traduzida do latim para
“aproveite o dia”. O professor John Keating, perso- ( ) A guerra, cujas causas são inquiridas por Catâneo,
nagem de Robin Williams no filme estadunidense ocupara grande parte do relato, o que confere a obra
Dead Poets Society, no Brasil “Sociedade dos poetas seu tom épico, ainda que certas passagens de O Ura-
mortos”, buscou motivar seus alunos entusiasmado guai também apresentem traços de puro lirismo.

LITERATURA | Arcadismo 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

( ) O poema e todo composto em versos decassílabos B O poema apresenta uma situação de conflito
brancos, predominantemente de ritmo heroico, entre dois vaqueiros que, segundo o eu lírico,
como se pode ver claramente no excerto. apresentam condições econômicas idênticas,
( ) A glorificação do General Gomes Freire de Andrade mas sentimentais opostas.
no excerto evidencia que ele e o herói do poema, C O último verso do poema apresenta uma antíte-
símbolo da civilização europeia que chega aos Sete
se como forma de representação de que a dis-
Povos e que se contrapõe aos indígenas, apresen-
puta retratada não poderá apresentar o mesmo
tados no poema como selvagens, sem quaisquer
final feliz para todas as partes envolvidas.
qualidades heroicas.

A sequência correta é D O uso anafórico de “bem”, no primeiro terceto


do poema, reforça a ideia de que o adversário
A F – V – V – F. do eu lírico pelo amor da “bela serrana” tam-
bém possui virtudes, ainda que não sejam tão
B V – V – F – F. intensas.
C V – F – F – V. E O poema apresenta rimas externas, interpola-
das nos quartetos e alternadas nos tercetos,
D F – F – V – F.
mas também apresenta rima interna, o que as-
E V – F – V – V. sinala uma das características da lírica: a musi-
calidade.
14| UFSM Na literatura, os alimentos são empregados
com frequência de forma figurada. E o que se vê no TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
poema de Cláudio Manuel da Costa:
Textos para a(s) questão(ões)
LXVII
Soneto VI
Não te cases com Gil, bela serrana;
Brandas ribeiras, quanto estou contente
Que é um vil, um infame, um desastrado;
De ver-vos outra vez, se isto é verdade!
Bem que ele tenha mais 1devesa, e gado,
Quanto me alegra ouvir a suavidade,
A minha condição é mais humana.
Com que Fílis entoa a voz cadente!
Que mais te pode dar sua cabana, Os rebanhos, o gado, o campo, a gente,
Que eu aqui te não tenha aparelhado? Tudo me está causando novidade:
O leite, a fruta, o queijo, o mel dourado; Oh! como é certo que a cruel saudade
Tudo aqui acharás nesta choupana: Faz tudo, do que foi, mui diferente!
Bem que ele tange o seu 3rabil grosseiro, Recebi (eu vos peço) um desgraçado,
Bem que te louve assim, bem que te adore, Que andou até agora por incerto giro,
Eu sou mais 2extremoso, e verdadeiro. Correndo sempre atrás do seu cuidado:
Este pranto, estes ais com que respiro,
Eu tenho mais razão, que te enamore:
Podendo comover o vosso agrado,
E se não, diga o mesmo Gil vaqueiro:
Façam digno de vós o meu suspiro.
Se é mais, que ele te cante, ou que eu te chore.
Cláudio Manoel da Costa
Fonte: IGLESIA, Francisco (org.). Melhores poemas de Cláudio Manuel da
Costa. São Paulo: Global, 2012, p. 96.
Soneto
Glossário Estes os olhos são da minha amada,
1Devesa: terra.
Que belos, que gentis e que formosos!
2Extremoso: excessivamente carinhoso.
Não são para os mortais tão preciosos
3Rabil: uma espécie de violino rústico ou rabeca. Os doces frutos da estação dourada.
Por eles a alegria derramada
Sobre o poema, assinale a alternativa INCORRETA.
Tornam-se os campos de prazer gostosos.
A Tendo como cenário o campo e, como perso- Em zéfiros suaves e mimosos
nagens, vaqueiros, o poema pode ser caracte- Toda esta região se vê banhada.
rizado como bucólico, o que vai ao encontro
Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo
de uma tendência da poesia do período em
que foi composto. Do rosto do meu bem as prendas belas,

6 LITERATURA | Arcadismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Dai alívio ao mal que estou gemendo. 17| UEG O fragmento e a pintura se aproximam por
Mas ah! delírio meu que me atropelas!
A possuírem temáticas semelhantes.
Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrelas. B retratarem o mesmo acontecimento.
Cláudio Manoel da Costa C reforçarem temas e ideais iluministas.
15| MACKENZIE É traço relevante na caracterização D aludirem ao mesmo momento histórico.
do estilo de época a que pertencem os poemas de
Cláudio Manoel da Costa, EXCETO: 18| UEG Embora O Uraguai seja considerado a melhor
realização épica do Arcadismo brasileiro, nota-se,
A a valorização do locus amoenus. na obra, uma quebra do modelo da epopeia clássi-
B a poesia bucólica. ca. Em termos de conteúdo, tanto no trecho quanto
na pintura apresentados, essa quebra se evidencia
C a utilização de pseudônimos pastoris.
D a busca da aurea mediocritas. A pela representação de situações tragicômicas.

E a repulsa à tradição clássica da poesia. B pelo retrato de episódios de bravura e heroís-


mo.
16| MACKENZIE Na composição poética árcade, a na-
tureza é tratada: C pela alusão a heróis mitológicos da Grécia An-
tiga.
A como uma lembrança da pátria da qual foram
exilados. D pelo questionamento da guerra como algo po-
B como um refúgio da vida atribulada das me- sitivo.
trópoles do século XIX.
C como um prolongamento do estado emocio- GABARITO
nal do poeta.
01| E
D como um local em que se busca a vida simples,
pastoril e bucólica. No excerto da opção [E], o pessimismo sugerido em
E como uma fonte para o retrato crítico às desi- “Que profundo silêncio me rodeia”, a subjetividade
gualdades sociais. expressa no pronome “me” e as referências a “si-
lêncio” e “deserto”, que remetem a paisagens pre-
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: nunciadoras do Romantismo, distanciam o poema
da convenção arcádica do locus amoenus.
Observe a pintura e leia o fragmento a seguir para
responder à(s) questão(ões). 02| B

A representação de Tiradentes com a cabeça de-


cepada e o corpo esquartejado sobre o cadafalso
destaca a violência do sistema colonial e evoca a
traição de que fora vítima durante a Inconfidência
Mineira, tentativa de revolta abortada pelo gover-
no em 1789. Escritores árcades mineiros como To-
más Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio
Manuel da Costa tiveram participação direta no
movimento da Inconfidência Mineira. A pintura de
Pedro Américo está, portanto, associada ao Arca-
dismo que, no Brasil, teve início no ano de 1768,
com a publicação do livro “Obras” de Cláudio Ma-
Vinha logo de guardas rodeado
nuel da Costa. Assim, é correta a opção [B].
Fonte de crimes, militar tesouro,
Por quem deixa no rego o curto arado 03| A
O lavrador, que não conhece a glória; O Arcadismo (século XVII) também é nomeado Ne-
E vendendo a vil preço o sangue e a vida oclassicismo, indicando a preocupação que seus ar-
Move, e nem sabe por que move a guerra. tistas tinham em retomar os valores clássicos, res-
gate que já havia sido feito pelos Classicistas (século
GAMA, Basílio. O Uraguai. In. BOSI, Alfredo. História concisa da literatu-
ra brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p. 67.
XV-XVI), durante o Renascimento cultural.

LITERATURA | Arcadismo 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Em [B], Marília de Dirceu é obra lírica de Tomás Antô- 05| D


nio Gonzaga. Na primeira parte das Liras, seu teor é
árcade; na segunda parte, a subjetividade se faz pre- Ao mencionar os deuses gregos, como Anfião e
sente, conferindo-lhe características pré-românticas. Apolo, o eu lírico acaba por se aproximar dos mes-
mos. Percebe-se, pela leitura, que ele busca uma
Em [C], Santa Rita Durão apresenta, em Caramuru o
certa comparação, uma vez que menciona os deu-
contato dos europeus com os indígenas quando do
descobrimento do Brasil; não se trata de uma ode em ses e seus instrumentos (como por exemplo em “da
homenagem a eles, e sim uma narrativa a respeito do lira de Anfião”) para fazer um paralelo com o seu
português Diogo Álvares Pereira, sobrevivente a um canto.
naufrágio, que vive na tribo dos Tupinambás até re-
tornar a Portugal com sua amada, a índia Paraguaçu. 06| A

Em [D], O Uraguai¸ poema com cerca de 1400 versos Cláudio Manuel da Costa é um autor árcade bra-
escritos por Basílio da Gama, retrata uma expedição sileiro, cujo soneto remete a características como
de espanhóis e portugueses contra as missões dos a simplicidade na escolha do vocabulário, em opo-
jesuítas no Rio Grande do Sul. Cacambo é um caci- sição ao rebuscamento barroco (inutilia truncat),
que que morre envenenado pelo padre; o general presença do bucolismo (“Destes penhascos fez a
Gomes Freire de Andrade é simpático aos indígenas. natureza / O berço, em que nasci: oh quem cuidara,
/ Que entre pedras tão duras se criara.”), sem idea-
Em [E], Glaura foi escrito por Silva Alvarenga.
lização da Natureza e presença da Mitologia greco-
04| D -romana (“Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
/ Onde há mais resistência mais se apura”).
I. Verdadeiro. Tomás Antônio Gonzaga e
Cláudio Manuel da Costa são os grandes Caravaggio é um artista barroco italiano. Ele retra-
nomes do Arcadismo brasileiro. A crítica li- ta, em A conversão de São Paulo, a queda que Sau-
terária indica que, no início das atividades lo sofre após ver uma luz muito forte, que o cega
como poetas, o primeiro já inovava com o – após ficar em transe, Saulo se converte para o
estilo árcade, mas o segundo ainda apre- Cristianismo, em referência à luz vista, e muda seu
sentava resquícios do conflito Barroco. nome para Paulo. A técnica empregada é o claro-
-escuro, alternando entre forte e fraca presença da
II. Verdadeiro. A produção de Tomás Antônio luz na cena retratada, o lhe que confere maior dra-
Gonzaga é bastante marcada pela própria maticidade.
biografia do poeta. Em Marília de Dirceu,
sua primeira parte é árcade; já a segunda, 07| B
marcada pela prisão do autor, apresenta
O próprio título da tela remete ao seu teor espiritu-
traços românticos, como a subjetividade e al: Caravaggio retrata, em A conversão de São Pau-
a presença da Morte. Cartas Chilenas, por lo, a queda que Saulo sofre após ver uma luz muito
sua vez, é a obra satírica em que o contex- forte, que o cega – após ficar em transe, Saulo se
to da Inconfidência Mineira foi exposto. converte para o Cristianismo, em referência à luz
III. Falso. Dirceu é o pseudônimo empregado vista, e muda seu nome para Paulo.
na obra lírica Marília de Dirceu, não em Já o soneto de Cláudio Manuel da Costa retrata a
Cartas Chilenas; nesta obra, optou por Cri-
paisagem do local em que vive, caracterizada pela
tilo. Além disso, o poeta faleceu no exílio.
aspereza, em oposição aos sentimentos do eu líri-
IV. Falso. Tomás Antônio Gonzaga realmente co: “Destes penhascos fez a natureza / O berço, em
demonstra características pré-românticas, que nasci: oh quem cuidara, / Que entre pedras tão
porém apenas na segunda parte de Marí- duras se criara / Uma alma terna, um peito sem du-
lia de Dirceu. reza!”.

V. Verdadeiro. Marília de Dirceu está divi- 08| D


dida em duas partes: a primeira parte é
árcade; já a segunda, marcada pela prisão Após a verificação de que a mudança se dá em to-
do inconfidente, apresenta traços român- dos os âmbitos, o eu lírico conclui que inclusive a
ticos, como a subjetividade e a presença mudança “não se muda já como soía”: a mudança
da Morte. também se transforma.

8 LITERATURA | Arcadismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

09| A 12| B

No Texto 1, o eu lírico apenas constata a mudança A expressão latina “carpe diem” incita a aproveitar
que a todos abarca: trata-se de um posicionamento o presente, sem porém recusar a disciplina de vida,
racional do Classicista ao constatar um fato; já no uma busca de prazer ordenado e racional. O retor-
Texto 2, o tom de reclamação se faz presente, como no à tradição clássica com a utilização dos seus
o próprio eu lírico assume: ele despreza os favores modelos e a valorização da natureza e da mitolo-
da sorte (“Leve pois a fortuna os seus favores; / Eu gia são característicos do estilo árcade, iniciado
os desprezo já”) e se queixa ao destino cruel (“Se no Brasil em 1768, com a publicação de Obras, do
quer, que me não queixe, a sorte escura, / Ou saiba poeta Claudio Manoel da Costa. Assim, é correta a
ser mais firme nos rigores, / Ou saiba ser constante opção [B].
na brandura”).
13| A
10| B

No segundo terceto, o eu lírico se queixa do destino


[I] Falsa. No Canto I, ocorre um banquete
(“sorte escura”) marcado pela inconstância: ele de- após o desfile das tropas portuguesas; du-
veria “ser mais firme nos rigores” ou “constante na rante a refeição, Catâneo solicitou ao Ge-
brandura”. neral que lhe relatasse as causas da guer-
ra que culminara em tumulto e mortes.
11| D
Ocorre, portanto, relato em flashback.
As proposições [I], [II], [III] e [V] são incorretas, pois
[II] Verdadeira. O Uraguai é uma obra épica
[I] exatamente por serem árcades, é que po- do Arcadismo brasileiro, relatando o con-
demos verificar em todos os poemas de- flito entre portugueses e espanhóis contra
terminadas características presentes em índios e jesuítas em Sete Povos das Mis-
estilos que os antecederam, como por sões; há, também, passagens líricas, como
exemplo o Classicismo e até o Barroco, o episódio em que Lindoia prefere a morte
pelo tom magoado e pessimista do poe- ao casamento.
ma 1. Também as referências a “monte” e
“Natureza” não aludem à mitologia clássi- [III] Verdadeira. A escansão do poema indica
ca, mas à temática do bucolismo típica do versos decassílabos – a se iniciar com
Arcadismo.
1 2 3 4 5
[II] a primeira fase da poesia de Claudio Ma-
Com vi da o Ge ne
nuel Da costa revela características do
Barroco, sobretudo por tematizar as con-
tradições da vida, como se observa no tex- 6 7 8 9 10
to 1, mas sem que isso vincule a sua poe- ral de pois da mos (tra) -
sia a dois momentos literários. O poema
3 pertence à produção satírica de Tomás e brancos, uma vez que não há regularidade das ri-
mas.
Antônio Gonzaga.
[III] só recentemente se atribuiu a autoria de [IV] Falsa. O trecho em questão realmente
“Cartas Chilenas” a Tomás Antônio Gon- mostra a vitória do General Gomes Frei-
zaga, por isso a prisão deveu-se a outra re de Andrade, porém os indígenas foram
causa: conspiração política contra o gover- massacrados devido à superioridade das
nador da capitania, considerada crime de armas europeias; como o modelo seguido
traição ao rei de Portugal. pelo Romantismo brasileiro em sua pri-
meira fase, os indígenas foram retratados
[V] o poema 3 pertence ao gênero satírico como bravos e corajosos durante o conflito.
e apresenta aspectos formais clássicos,
como a preferência pelo uso de versos de- 14| B
cassílabos.
O verso “Bem que ele tenha mais devesa, e gado”
Assim, é correta a opção [D]. indica que Gil tem condições econômicas superio-
res ao do eu lírico.

LITERATURA | Arcadismo 9
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

15| E

Claudio Manuel da Costa está inserido no período


literário do Arcadismo, também conhecido como
Setecentismo ou Neoclacissismo. Sua característica
principal consiste na defesa do retorno à tradição
clássica com a utilização dos seus modelos, na valo-
rização da natureza e uso da mitologia. Expressões
latinas como Inutilia truncat: “cortar o inútil”, Fuge-
re urbem: “fugir da cidade”, Locus amoenus: “lugar
ameno” e Carpe diem: “aproveitar a vida” sugerem
crítica aos excessos do movimento anterior, o Bar-
roco, assim como, no aspecto político,  aos abusos
da nobreza e do clero praticados no Antigo Regime.
Assim, todas as opções são corretas, exceto [E].

16| D

A alternativa [D] é correta, pois, na poesia árcade,


a natureza adquire sentido de simplicidade, harmo-
nia e verdade, onde o homem adquire a serenidade
e o equilíbrio.

17| A

A obra O Uraguai, poema épico escrito por Basílio


da Gama em 1769, conta de forma romanceada a
história da disputa entre  jesuítas,  índios  e  euro-
peus em  Sete Povos das Missões, no  Rio Grande
do Sul. A Batalha dos Guararapes, quadro pintado
por Victor Meirelles de Lima em 1879, retrata a ba-
talha travada entre o exército da Holanda e os de-
fensores do Império Português no Morro dos Gua-
rarapes em 1648/49. Assim, é correta a alternativa
[A], pois ambas retratam ambientes de guerra, ou
seja, aproximam-se por possuírem temáticas seme-
lhantes.

18| D

No quadro de Victor Meirelles, percebe-se a in-


tenção do artista em destacar o contraste entre as
hostes holandesas providas de armas, artilharias de
guerra e munições e os brasileiros, índios, negros
e brancos, que, apesar de não terem uniformes e
nem muitas armas, lutavam pela nação de forma
heroica a ponto de sacrificarem suas próprias vidas.
O mesmo contraste está presente no poema de Ba-
sílio da Gama, em que o poderio e o interesse mili-
tares contrastam com o sacrifício das camadas mais
humildes do povo totalmente desconhecedoras das
razões que as afastam do seu cotidiano humilde e
as condenam à morte.

10 LITERATURA | Arcadismo
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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ROMANTISMO - PARTE 01 07

01| ENEM Quem não se recorda de Aurélia Ca- C as características da sociedade em que
margo, que atravessou o firmamento da cor- Aurélia vivia são remodeladas na imagina-
te como brilhante meteoro e apagou-se de
ção do narrador romântico.
repente no meio do deslumbramento que
produzira seu fulgor? Tinha ela dezoito anos D o narrador evidencia o cerceamento sexis-
quando apareceu a primeira vez na sociedade.
ta à autoridade da mulher, financeiramen-
Não a conheciam; e logo buscaram todos com
avidez informações acerca da grande novidade te independente.
do dia. Dizia-se muita coisa que não repetirei
E o narrador incorporou em sua ficção há-
agora, pois a seu tempo saberemos a verda-
bitos muito avançados para a sociedade
de, sem os comentos malévolos de que usam
vesti-la os noveleiros. Aurélia era órfã; tinha daquele período histórico.
em sua companhia uma velha parenta, viúva,
02| ENEM FABIANA, arrepelando-se de raiva —
D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acom-
panhava na sociedade. Mas essa parenta não Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu
passava de mãe de encomenda, para condes- filho, e trouxe a mulher para minha casa. É isto
cender com os escrúpulos da sociedade brasi- constantemente. Não sabe o senhor meu filho
leira, que naquele tempo não tinha admitido que quem casa quer casa... Já não posso, não
ainda certa emancipação feminina. Guardando posso, não posso! (Batendo com o pé). Um dia
com a viúva as deferências devidas à idade, a arrebento, e então veremos!
moça não declinava um instante do firme pro-
pósito de governar sua casa e dirigir suas ações PENA, M. Quem casa quer casa. www.dominiopubiico.gov.br. Acesso em:
7 dez. 2012.
como entendesse. Constava também que Au-
rélia tinha um tutor; mas essa entidade era As rubricas em itálico, como as trazidas no tre-
desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila,
cho de Martins Pena, em uma atuação teatral,
não devia exercer maior influência em sua von-
tade, do que a velha parenta. constituem
ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006. A necessidade, porque as encenações preci-
O romance Senhora, de José de Alencar, foi sam ser fiéis às diretrizes do autor.
publicado em 1875. No fragmento transcrito,
B possibilidade, porque o texto pode ser
a presença de D. Firmina Mascarenhas como
“parenta” de Aurélia Camargo assimila práticas mudado, assim como outros elementos.
e convenções sociais inseridas no contexto do C preciosismo, porque são irrelevantes para
Romantismo, pois
o texto ou para a encenação.
A o trabalho ficcional do narrador desvalori-
za a mulher ao retratar a condição femini- D exigência, porque elas determinam as ca-
na na sociedade brasileira da época. racterísticas do texto teatral.

B O trabalho ficcional do narrador mascara E imposição, porque elas anulam a autono-


os hábitos no enredo de seu romance. mia do diretor.

LITERATURA | ROMANTISMO 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| ENEM De um lado, uma negra escrava


Os olhos no filho crava,
Soneto
Oh! Páginas da vida que eu amava, Que tem no colo a embalar...
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!... E à meia-voz lá responde
Ardei, lembranças doces do passado! Ao canto, e o filhinho esconde,
Quero rir-me de tudo que eu amava! Talvez p’ra não o escutar!
“Minha terra é lá bem longe,
E que doido que eu fui! como eu pensava
Das bandas de onde o sol vem;
Em mãe, amor de irmã! em sossegado
Esta terra é mais bonita.
Adormecer na vida acalentado
Mas à outra eu quero bem.”
Pelos lábios que eu tímido beijava!
ALVES, C. Poesias completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995 (fragmento).
Embora – é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda TEXTO lI
Pressinto a morte na fatal doença! No caso da Literatura Brasileira, se é verdade
que prevalecem as reformas radicais, elas têm
A mim a solidão da noite infinda!
acontecido mais no âmbito de movimentos li-
Possa dormir o trovador sem crença. terários do que de gerações literárias. A poesia
Perdoa minha mãe – eu te amo ainda! de Castro Alves em relação à de Gonçalves Dias
AZEVEDO, A. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996. não é a de negação radical, mas de superação,
dentro do mesmo espírito romântico.
A produção de Álvares de Azevedo situa-se na MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003
década de 1850, período conhecido na litera- (fragmento)
tura brasileira como Ultrarromantismo. Nesse
poema, a força expressiva da exacerbação ro- O fragmento do poema de Castro Alves exem-
mântica identifica-se com o(a) plifica a afirmação de João Cabral de Melo
Neto porque
A amor materno, que surge como possibili-
dade de salvação para o eu lírico. A exalta o nacionalismo, embora lhe impri-
ma um fundo ideológico retórico.
B saudosismo da infância, indicado pela
menção às figuras da mãe e da irmã. B canta a paisagem local, no entanto, defen-
de ideais do liberalismo.
C construção de versos irônicos e sarcásti-
cos, apenas com aparência melancólica. C mantém o canto saudosista da terra pá-
tria, mas renova o tema amoroso.
D presença do tédio sentido pelo eu lírico,
indicado pelo seu desejo de dormir. D explora a subjetividade do eu lírico, ainda
que tematize a injustiça social.
E fixação do eu lírico pela ideia da morte, o
que o leva a sentir um tormento constante. E inova na abordagem de aspecto social,
mas mantém a visão lírica da terra pátria.
04| ENEM
05| ENEM “Ele era o inimigo do rei”, nas palavras
TEXTO I de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um ro-
A canção do africano mancista que colecionava desafetos, azucrina-
Lá na úmida senzala. va D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”.
Sentado na estreita sala, Assim era José de Alencar (1829-1877), o co-
nhecido autor de O guarani e Iracema, tido
Junto ao braseiro, no chão,
como o pai do romance no Brasil. Além de criar
entoa o escravo o seu canto, clássicos da literatura brasileira com temas na-
E ao cantar correm-lhe em pranto tivistas, indianistas e históricos, ele foi também
Saudades do seu torrão... folhetinista, diretor de jornal, autor de peças

2 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

de teatro, advogado, deputado federal e até O núcleo temático do soneto citado é típico
ministro da Justiça. Para ajudar na descober- da segunda geração romântica, porém confi-
ta das múltiplas facetas desse personagem do gura um lirismo que o projeta para alem des-
século XIX, parte de seu acervo inédito será di- se momento especifico. O fundamento desse
gitalizada. lirismo é
História Viva, n.99,2011.
A a angústia alimentada pela constatação da
Com base no texto, que trata do papel do escritor irreversibilidade da morte.
José de Alencar e da futura digitalização de sua B a melancolia que frustra a possibilidade
obra, depreende-se que de reação diante da perda.
A a digitalização dos textos é importante C o descontrole das emoções provocado
para que os leitores possam compreender pela autopiedade.
seus romances.
D o desejo de morrer como alívio para a de-
B o conhecido autor de O guarani e Iracema silusão amorosa.
foi importante porque deixou uma vasta
obra literária com temática atemporal. E o gosto pela escuridão como solução para
o sofrimento.
C a divulgação das obras de José de Alencar,
por meio da digitalização, demonstra sua im- 07| ENEM
portância para a história do Brasil Imperial.
Texto I
D a digitalização dos textos de José de Alen- Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
car terá importante papel na preservação Meu Deus! não seja já;
da memória linguística e da identidade na- Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
cional. Cantar o sabiá!
E o grande romancista José de Alencar é im- Meu Deus, eu sinto e bem vês que eu morro
portante porque se destacou por sua te- Respirando esse ar;
mática indianista. Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
06| ENEM Os gozos do meu lar!
Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Soneto Lá na quadra infantil;
Já da morte o palor me cobre o rosto, Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
Nos lábios meus o alento desfalece, O céu de meu Brasil!
Surda agonia o coração fenece, Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
E devora meu ser mortal desgosto! Meu Deus! Não seja já!
Eu quero ouvir cantar na laranjeira, à tarde,
Do leito embalde no macio encosto
Cantar o sabiá!
Tento o sono reter!... já esmorece
ABREU, C. Poetas românticos brasileiros. São Paulo: Scipione, 1993.
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto! Texto II

O adeus, o teu adeus, minha saudade, A ideologia romântica, argamassada ao longo


Fazem que insano do viver me prive do século XVIII e primeira metade do século XIX,
introduziu-se em 1836. Durante quatro decê-
E tenha os olhos meus na escuridade.
nios, imperaram o “eu”, a anarquia, o liberalis-
Dá-me a esperança com que o ser mantive! mo, o sentimentalismo, o nacionalismo, através
Volve ao amante os olhos por piedade, da poesia, do romance, do teatro e do jornalis-
mo (que fazia sua aparição nessa época).
Olhos por quem viveu quem já não vive!
MOISÉS, M. A literatura brasileira através dos textos. São Paulo: Cultrix,
AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. 1971 (fragmento).

LITERATURA | ROMANTISMO 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

De acordo com as considerações de Massaud Texto 2


Moisés no Texto II, o Texto I centra-se Canto de regresso à Pátria
A no imperativo do “eu”, reforçando a ideia
de que estar longe do Brasil é uma forma de Minha terra tem palmares
estar bem, já que o país sufoca o eu lírico. Onde gorjeia o mar
B no nacionalismo, reforçado pela distância Os passarinhos daqui
da pátria e pelo saudosismo em relação à Não cantam como os de lá
paisagem agradável onde o eu lírico vivera
a infância. Minha terra tem mais rosas
C na liberdade formal, que se manifesta na E quase tem mais amores
opção por versos sem métrica rigorosa e
Minha terra tem mais ouro
temática voltada para o nacionalismo.
Minha terra tem mais terra
D no fazer anárquico, entendida a poesia
como negação do passado e da vida, seja Ouro terra amor e rosas
pelas opções formais, seja pelos temas.
Eu quero tudo de lá
E no sentimentalismo, por meio do qual se Não permita Deus que eu morra
reforça a alegria presente em oposição à
infância, marcada pela tristeza. Sem que volte para lá

08| ENEM Não permita Deus que eu morra

Texto 1 Sem que volte pra São Paulo


Canção do exílio Sem que eu veja a rua 15
Minha terra tem palmeiras, E o progresso de São Paulo
Onde canta o Sabiá; ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Círculo
As aves, que aqui gorjeiam, do Livro, s/d.

Não gorjeiam como lá.


Os textos 1 e 2, escritos em contextos histó-
Nosso céu tem mais estrelas, ricos e culturais diversos, enfocam o mesmo
Nossas várzeas têm mais flores, motivo poético: a paisagem brasileira entrevis-
Nossos bosques têm mais vida, ta a distância. Analisando-os, conclui-se que
Nossa vida mais amores.
A o ufanismo, atitude de quem se orgulha
[...]
excessivamente do país em que nasceu, é
Minha terra tem primores, o tom de que se revestem os dois textos.
Que tais não encontro eu cá;
B a exaltação da natureza é a principal ca-
Em cismar — sozinho, à noite —
racterística do texto 2, que valoriza a pai-
Mais prazer eu encontro lá; sagem tropical realçada no texto 1.
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá. C o texto 2 aborda o tema da nação, como o
texto 1, mas sem perder a visão crítica da
Não permita Deus que eu morra,
realidade brasileira.
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores D o texto 1, em oposição ao texto 2, revela
Que não encontro por cá; distanciamento geográfico do poeta em
Sem qu’inda aviste as palmeiras relação à pátria.
Onde canta o Sabiá. E ambos os textos apresentam ironicamen-
DIAS, G. Poesia e prosa completas.Rio de Janeiro: Aguilar, 1998. te a paisagem brasileira.

4 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

09| ENEM do território nacional e deu a conhecer os


lugares mais distantes do Brasil aos brasi-
O sertão e o sertanejo leiros.
Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses E valorização da vida urbana e do progresso,
campos, tão diversos pelo matiz das cores, o em detrimento do interior do Brasil, for-
capim crescido e ressecado pelo ardor do sol mulando um conceito de nação centrado
transforma-se em vicejante tapete de relva, nos modelos da nascente burguesia brasi-
quando lavra o incêndio que algum tropeiro, leira.
por acaso ou mero desenfado, ateia com uma
faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na 10| ENEM Pobre Isaura! Sempre e em toda parte
touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a esta contínua importunação de senhores e de
instantes qualquer aragem, por débil que seja, escravos, que não a deixam sossegar um só
e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula, momento! Como não devia viver aflito e atri-
como que a contemplar medrosa e vacilante os bulado aquele coração! Dentro de casa conta-
espaços imensos que se alongam diante dela. va ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado
O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe o
com mais lentidão algum estorvo, vai aos pou- coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e An-
cos morrendo até se extinguir de todo, deixan- dré, e uma êmula terrível e desapiedada, Rosa.
do como sinal da avassaladora passagem o al- Fácil lhe fora repelir as importunações e inso-
vacento lençol, que lhe foi seguindo os velozes lências dos escravos e criados; mas que seria
passos. Por toda a parte melancolia; de todos dela, quando viesse o senhor?!...
os lados tétricas perspectivas. É cair, porém, GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1995 (adaptado).
daí a dias copiosa chuva, e parece que uma
varinha de fada andou por aqueles sombrios A personagem Isaura, como afirma o título do
recantos a traçar às pressas jardins encantados romance, era uma escrava. No trecho apresen-
e nunca vistos. Entra tudo num trabalho íntimo tado, os sofrimentos por que passa a protago-
de espantosa atividade. nista
Transborda a vida. TAUNAY, A. Inocência. São Paulo: Ática, 1993 (adap-
tado).
A assemelham-se aos das demais escravas
do país, o que indica o estilo realista da
O romance romântico teve fundamental im- abordagem do tema da escravidão pelo
portância na formação da ideia de nação. autor do romance.
Considerando o trecho acima, é possível reco-
nhecer que uma das principais e permanentes B demonstram que, historicamente, os pro-
contribuições do Romantismo para construção blemas vividos pelas escravas brasileiras,
da identidade da nação é a como Isaura, eram mais de ordem senti-
mental do que física.
A possibilidade de apresentar uma dimen-
são desconhecida da natureza nacional, C diferem dos que atormentavam as demais
marcada pelo subdesenvolvimento e pela escravas do Brasil do século XIX, o que re-
falta de perspectiva de renovação. vela o caráter idealista da abordagem do
tema pelo autor do romance.
B consciência da exploração da terra pelos
colonizadores e pela classe dominante lo- D indicam que, quando o assunto era o
cal, o que coibiu a exploração desenfreada amor, as escravas brasileiras, de acordo
das riquezas naturais do país. com a abordagem lírica do tema pelo au-
tor, eram tratadas como as demais mulhe-
C construção, em linguagem simples, realis- res da sociedade.
ta e documental, sem fantasia ou exalta-
ção, de uma imagem da terra que revelou E revelam a condição degradante das mu-
o quanto é grandiosa a natureza brasileira. lheres escravas no Brasil, que, como Isau-
ra, de acordo com a denúncia feita pelo
D expansão dos limites geográficos da terra, autor, eram importunadas e torturadas
que promoveu o sentimento de unidade fisicamente pelos seus senhores.

LITERATURA | ROMANTISMO 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

11| ENEM No decênio de 1870, Franklin Távora 12| ENEM


defendeu a tese de que no Brasil havia duas
Ouvir estrelas
literaturas independentes dentro da mesma
língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões “Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo
segundo ele muito diferentes por formação perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
histórica, composição étnica, costumes, mo- que, para ouvi-las, muita vez desperto
dismos linguísticos etc. Por isso, deu aos ro- e abro as janelas, pálido de espanto...
mances regionais que publicou o título geral E conversamos toda noite, enquanto
de Literatura do Norte. Em nossos dias, um es- a Via-Láctea, como um pálio aberto,
critor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar
cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,
com bastante engenho que no Brasil há, em
verdade, literaturas setoriais diversas, refletin- inda as procuro pelo céu deserto.
do as características locais. Direis agora: “Tresloucado amigo!
CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios.
Que conversas com elas?” Que sentido
São Paulo: Ática, 2003. tem o que dizem, quando estão contigo?”
Com relação à valorização, no romance regio- E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
nalista brasileiro, do homem e da paisagem de Pois só quem ama pode ter ouvido
determinadas regiões nacionais, sabe-se que Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919.
A o romance do Sul do Brasil se caracteriza
pela temática essencialmente urbana, co- Ouvir estrelas
locando em relevo a formação do homem
Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo
por meio da mescla de características lo-
cais e dos aspectos culturais trazidos de que estás beirando a maluquice extrema.
fora pela imigração europeia. No entanto o certo é que não perco o ensejo
De ouvi-las nos programas de cinema.
B José de Alencar, representante, sobretu-
Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo
do, do romance urbano, retrata a temáti-
ca da urbanização das cidades brasileiras e que mais eu gozo se escabroso é o tema.
das relações conflituosas entre as raças. Uma boca de estrela dando beijo
é, meu amigo, assunto p’ra um poema.
C o romance do Nordeste caracteriza-se
Direis agora: Mas, enfim, meu caro,
pelo acentuado realismo no uso do voca-
As estrelas que dizem? Que sentido
bulário, pelo temário local, expressando
a vida do homem em face da natureza têm suas frases de sabor tão raro?
agreste, e assume frequentemente o pon- Amigo, aprende inglês para entendê-las,
to de vista dos menos favorecidos. Pois só sabendo inglês se tem ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
D a literatura urbana brasileira, da qual um
TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antolo-
dos expoentes é Machado de Assis, põe gia. São Paulo: Brasiliense, 1961.
em relevo a formação do homem brasilei-
ro, o sincretismo religioso, as raízes africa- A partir da comparação entre os poemas, veri-
nas e indígenas que caracterizam o nosso fica-se que,
povo.
A no texto de Bilac, a construção do eixo te-
E Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Si- mático se deu em linguagem denotativa,
mões Lopes Neto e Jorge Amado são ro- enquanto no de Tigre, em linguagem co-
mancistas das décadas de 30 e 40 do sécu- notativa.
lo XX, cuja obra retrata a problemática do B no texto de Bilac, as estrelas são inaces-
homem urbano em confronto com a mo- síveis, distantes, e no texto de Tigre, são
dernização do país promovida pelo Estado próximas, acessíveis aos que as ouvem e
Novo. as entendem.

6 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

C no texto de Tigre, a linguagem é mais for- nhecido sobre a terra não sabia nem falar da
mal, mais trabalhada, como se observa no tribo nem contar aqueles casos tão pançudos.
uso de estruturas como “dir-vos-ei sem Quem podia saber do Herói?
pejo” e “entendê-las”. Mário de Andrade.

D no texto de Tigre, percebe-se o uso da lin- 13| ENEM A leitura comparativa dos dois textos
guagem metalinguística no trecho “Uma indica que
boca de estrela dando beijo/é, meu ami-
go, assunto p’ra um poema.” A ambos têm como tema a figura do indí-
gena brasileiro apresentada de forma re-
E no texto de Tigre, a visão romântica apre- alista e heroica, como símbolo máximo do
sentada para alcançar as estrelas é enfati- nacionalismo romântico.
zada na última estrofe de seu poema com
B a abordagem da temática adotada no tex-
a recomendação de compreensão de ou-
to escrito em versos é discriminatória em
tras línguas.
relação aos povos indígenas do Brasil.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
C as perguntas “- Quem há, como eu sou?”
O CANTO DO GUERREIRO (10. texto) e “Quem podia saber do He-
rói?” (20. texto) expressam diferentes vi-
Aqui na floresta sões da realidade indígena brasileira.
Dos ventos batida,
D o texto romântico, assim como o moder-
Façanhas de bravos nista, aborda o extermínio dos povos in-
Não geram escravos, dígenas como resultado do processo de
Que estimem a vida colonização no Brasil.
Sem guerra e lidar. E os versos em primeira pessoa revelam que
- Ouvi-me, Guerreiros, os indígenas podiam expressar-se poetica-
mente, mas foram silenciados pela colo-
- Ouvi meu cantar.
nização, como demonstra a presença do
Valente na guerra, narrador, no segundo texto.
Quem há, como eu sou? 14| ENEM No trecho abaixo, o narrador, ao des-
Quem vibra o tacape crever a personagem, critica sutilmente um
Com mais valentia? outro estilo de época: o romantismo.
Quem golpes daria “Naquele tempo contava apenas uns quinze
Fatais, como eu dou? ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida
- Guerreiros, ouvi-me; criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais
- Quem há, como eu sou? voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a
primazia da beleza, entre as mocinhas do tem-
Gonçalves Dias.
po, porque isto não é romance, em que o autor
MACUNAÍMA sobredoura a realidade e fecha os olhos às sar-
(Epílogo)
das e espinhas; mas também não digo que lhe
maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha,
Acabou-se a história e morreu a vitória. não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natu-
reza, cheia daquele feitiço, precário e eterno,
Não havia mais ninguém lá. Dera tangolo-
que o indivíduo passa a outro indivíduo, para
mângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela
os fins secretos da criação.”
se acabaram de um em um. Não havia mais
ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles cam- (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de
Janeiro: Jackson, 1957.)
pos, furos puxadouros arrastadouros meios-
-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo A frase do texto em que se percebe a crítica
era solidão do deserto... Um silêncio imenso do narrador ao romantismo está transcrita na
dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum co- alternativa:

LITERATURA | ROMANTISMO 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

A ... o autor sobredoura a realidade e fecha C a relação familiar é idealizada.


os olhos às sardas e espinhas...
D a mulher é superior ao homem.
B era talvez a mais atrevida criatura da nos-
sa raça... E a mulher é igual ao homem.

C Era bonita, fresca, saía das mãos da na- TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
tureza, cheia daquele feitiço, precário e V – O samba
eterno, ...
À direita do terreiro, adumbra-se* na escuri-
D Naquele tempo contava apenas uns quin- dão um maciço de construções, ao qual às ve-
ze ou dezesseis anos ... zes recortam no azul do céu os trêmulos vis-
E ... o indivíduo passa a outro indivíduo, lumbres das labaredas fustigadas pelo vento.
para os fins secretos da criação. (...)
15| ENEM É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome
Texto 1 que tem um grande pátio cercado de senzalas,
às vezes com alpendrada corrida em volta, e
Mulher, Irmã, escuta-me: não ames, um ou dois portões que o fecham como praça
Quando a teus pés um homem terno e curvo d’armas.
jurar amor, chorar pranto de sangue, Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo
Não creias, não, mulher: ele te engana! chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dan-
As lágrimas são gotas da mentira çam os pretos o samba com um frenesi que
toca o delírio. Não se descreve, nem se imagi-
E o juramento manto da perfídia.
na esse desesperado saracoteio, no qual todo
(Joaquim Manoel de Macedo) o corpo estremece, pula, sacode, gira, bambo-
leia, como se quisesse desgrudar-se.
Texto 2
Teresa, se algum sujeito bancar o Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam
sentimental em cima de você no cangote das mães, ou se enrolam nas saias
das raparigas. Os mais taludos viram camba-
E te jurar uma paixão do tamanho de um
lhotas e pincham à guisa de sapos em roda do
bonde terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço
Se ele chorar do pai, negro fornido, que não sabendo mais
Se ele ajoelhar como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão
Se ele se rasgar todo e começou de rabanar como um peixe em
seco. (...)
Não acredite não Teresa
José de Alencar, Til.
É lágrima de cinema
É tapeação (*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.
Mentira 16| FUVEST Considerada no contexto histórico a
CAI FORA que se refere Til, a desenvoltura com que os
(Manuel Bandeira)
escravos, no excerto, se entregam à dança é
representativa do fato de que
Os autores, ao fazerem alusão às imagens da
lágrima sugerem que: A a escravidão, no Brasil, tal como ocor-
reu na América do Norte e no Caribe, foi
A há um tratamento idealizado da relação branda.
homem/mulher.
B se permitia a eles, em ocasiões especiais
B há um tratamento realista da relação ho- e sob vigilância, que festejassem a seu
mem/mulher. modo.

8 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

C teve início nas fazendas de café o sincretis- o corpo estremece, pula, sacode, gira, bambo-
mo das culturas negra e branca, que viria a leia, como se quisesse desgrudar-se.
caracterizar a cultura brasileira. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam
D o narrador entendia que o samba de ter- no cangote das mães, ou se enrolam nas saias
reiro era, em realidade, um ritual umban- das raparigas. Os mais taludos viram camba-
dista disfarçado. lhotas e pincham à guisa de sapos em roda do
terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço
E foi a generalização, entre eles, do alcoolis- do pai, negro fornido, que não sabendo mais
mo, que tornou antieconômica a explora- como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão
ção da mão de obra escrava nos cafezais e começou de rabanar como um peixe em
paulistas. seco. (...)
17| FUVEST Os momentos históricos em que se José de Alencar, Til.

desenvolvem os enredos de Viagens na minha (*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.


terra, Memórias de um sargento de milícias e
Memórias póstumas de Brás Cubas (quanto a 18| FUVEST Ao comentar o romance Til e, inclu-
este último, em particular no que se refere à sive, a cena do capítulo “O samba”, aqui re-
primeira juventude do narrador) são, todos, produzida, Araripe Jr., parente do autor e es-
determinados de modo decisivo por um an- tudioso de sua obra, observou que esses são
tecedente histórico comum – menos ou mais provavelmente os textos em que Alencar “mais
imediato, conforme o caso. Trata-se da se quis aproximar dos padrões” de uma “nova
escola”, deixando, neles, reconhecível que, “no
A invasão de Portugal pelas tropas napoleô- momento” em que os escreveu, “algum livro
nicas. novo o impressionara, levando-o pelo estímu-
lo até superfetar* a sua verdadeira índole de
B turbulência social causada pelas revoltas poeta”. Alguns dos procedimentos estilísticos
regenciais. empregados na cena aqui reproduzida indicam
C volta de D. Pedro I a Portugal. que a “nova escola” e o “livro novo” a que se
refere o crítico pertencem ao que historiado-
D proclamação da independência do Brasil. res da literatura chamaram de

E antecipação da maioridade de D. Pedro II. (*) “superfetar” = exceder, sobrecarregar,


acrescentar-se (uma coisa a outra).
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
A Romantismo-Condoreirismo.
V – O samba
B Idealismo-Determinismo.
À direita do terreiro, adumbra-se* na escuri-
dão um maciço de construções, ao qual às ve- C Realismo-Naturalismo.
zes recortam no azul do céu os trêmulos vis- D Parnasianismo-Simbolismo.
lumbres das labaredas fustigadas pelo vento.
E Positivismo-Impressionismo.
(...)
TEXTO PARA A(S) PRÓXIMA(S) QUESTÃO(ÕES)
É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome
que tem um grande pátio cercado de senzalas, E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe
às vezes com alpendrada corrida em volta, e toda a alma pelos olhos enamorados.
um ou dois portões que o fecham como praça
Naquela mulata estava o grande mistério, a
d’armas.
síntese das impressões que ele recebeu che-
Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo gando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia;
chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dan- ela era o calor vermelho das sestas da fazenda;
çam os pretos o samba com um frenesi que era o aroma quente dos trevos e das baunilhas,
toca o delírio. Não se descreve, nem se imagi- que o atordoara nas matas brasileiras; era a
na esse desesperado saracoteio, no qual todo palmeira virginal e esquiva que se não torce a

LITERATURA | ROMANTISMO 9
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

nenhuma outra planta; era o veneno e era o A promoção da cultura letrada


açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas B integração do mundo lusófono
com o seu azeite de fogo; ela era a cobra ver-
C valorização da miscigenação étnica
de e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca
doida, que esvoaçava havia muito tempo em D particularização da língua portuguesa
torno do corpo dele, assanhando-lhe os dese-
21| FAC. ALBERT EINSTEIN
jos, acordando-lhe as fibras embambecidas
pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, Era no tempo do rei.
para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha
daquele amor setentrional, uma nota daquela Uma das quatro esquinas que formam as ruas
música feita de gemidos de prazer, uma larva do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutu-
daquela nuvem de cantáridas que zumbiam amente, chamava-se nesse tempo – O Canto
em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo dos Meirinhos -; e bem lhe assentava o nome,
porque era aí o lugar de encontro favorito de
ar numa fosforescência afrodisíaca.
todos os indivíduos dessa classe (que gozava
Aluísio Azevedo, O cortiço. então de não pequena consideração). Os mei-
rinhos de hoje não são mais do que a sombra
19| FUVEST Em que pese a oposição programáti-
caricata dos meirinhos do tempo do rei: esses
ca do Naturalismo ao Romantismo, verifica-se
eram gente temível e temida, respeitável e res-
no excerto – e na obra a que pertence – a pre-
peitada; formavam um dos extremos da formi-
sença de uma linha de continuidade entre o
dável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio
movimento romântico e a corrente naturalista
de Janeiro no tempo em que a demanda era
brasileira, a saber, a entre nós e um elemento da vida: o extremo
A exaltação patriótica da mistura de raças. oposto eram os desembargadores (...).

B necessidade de autodefinição nacional. O trecho acima inicia o romance Memórias de


um Sargento de Milícias, escrito em forma de
C aversão ao cientificismo. folhetim entre 1852 e 1853 por Manoel Antô-
nio de Almeida. Deste romance como um todo,
D recusa dos modelos literários estrangei- é correto afirmar que
ros.
A reveste-se de comicidade, na linha do pi-
E idealização das relações amorosas. toresco, e desenvolve sátira saborosa aos
costumes da época, que atinge todas as
20| UERJ Sobretudo compreendam os críticos a
camadas sociais, em particular os políticos
missão dos poetas, escritores e artistas, neste
e os poderosos.
período especial e ambíguo da formação de
uma nacionalidade. São estes os operários in- B apresenta personagem feminina, Luisinha,
cumbidos de polir o talhe e as feições da indi- cuja descrição fere a caracterização sem-
vidualidade que se vai esboçando no viver do pre idealizada do perfil de mulher dentro
povo. da estética romântica.

O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá C caracteriza um romance histórico que pre-
e a jabuticaba pode falar com igual pronúncia tende narrar fatos de tonalidade épica e
heroica da vida brasileira, ambientados no
e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a
tempo do rei e vividos por seus principais
pera, o damasco e a nêspera?
protagonistas.
José de Alencar, prefácio a Sonhos d’ouro, 1872.
D configura personagens populares que,
Adaptado de ebooksbrasil.org.
pela primeira vez, comparecem no roman-
De acordo com José de Alencar, a caracteriza- ce brasileiro e que se tornam responsáveis
ção da identidade nacional brasileira, no sécu- pelo desprestígio da literatura brasileira
lo XIX, estava vinculada ao processo de: junto ao público leitor da época.

10 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

22| UEG Leia o fragmento e observe a imagem B na pintura tem-se o retrato de uma mu-
para responder à questão. lher de feições austeras, ao passo que no
É ela! é ela! – murmurei tremendo, poema nota-se a descrição de uma mu-
e o eco ao longe murmurou – é ela! lher sofisticada.
Eu a vi... minha fada aérea e pura – C no excerto tem-se a descrição realista e
a minha lavadeira na janela. não idealizada de uma mulher, ao passo
que na pintura retrata-se uma mulher per-
Dessas águas furtadas onde eu moro
tencente à burguesia.
eu a vejo estendendo no telhado
os vestidos de chita, as saias brancas; D na imagem tem-se uma moça cuja carac-
eu a vejo e suspiro enamorado! terização é abstrata, ao passo que no po-
ema tem-se uma mulher cujo aspecto é
Esta noite eu ousei mais atrevido, burguês e requintado.
nas telhas que estalavam nos meus passos,
E no quadro constata-se a imagem de uma
ir espiar seu venturoso sono,
moça simplória, ao passo que no poema
vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
nota-se a caracterização de uma donzela
Como dormia! que profundo sono!... de vida airada.
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!... GABARITO
Quase caí na rua desmaiado!
01| D
AZEVEDO, Álvares de. É ela! É ela! É ela! É ela. In: Álvares de Azevedo.
São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 44. D. Firmina Mascarenhas emprestava um ar de
respeitabilidade e decoro ao fato de Aurélia
Camargo ser solteira e financeiramente inde-
pendente, o que era pouco comum na socie-
dade patriarcal brasileira da época: “Mas essa
parenta não passava de mãe de encomenda,
para condescender com os escrúpulos da so-
ciedade brasileira, que naquele tempo não ti-
nha admitido ainda certa emancipação femini-
na”. Assim, é correta a opção [D].
02| B
As rubricas em itálico descrevem o estado de
espírito que a personagem deve se apresentar,
afinal, já estava cansada de ter de sustentar o
filho, agora casado. Entretanto, se a atriz em
questão resolver dar um outro sentido á fala,
fica a critério do diretor ou da intérprete, o au-
tor dá uma flexibilidade para a encenação.
03| E

Tanto a pintura quanto o excerto apresentados Cabe lembrar, que a fixação do eu lírico com
pertencem ao Romantismo. A diferença entre relação à morte não foi motivada apenas por
ambos, porém, diz respeito ao fato de que motivos estéticos, mas também pelo fato do
poeta ter contraído tuberculose ainda muito
A no fragmento verifica-se o retrato de um jovem, morrendo aos vinte anos, pouco an-
ser idealizado, ao passo que no quadro tes de completar vinte e um. Por ter adoecido
tem-se uma figura retratada de modo pe- precocemente, pouco conheceu da vida e do
jorativo. amor, conhecendo apenas o da mãe e da irmã.

LITERATURA | ROMANTISMO 11
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Essa fatalidade em sua vida foi registrada em 08| C


versos no único livro de poesia que deixou: A
Lira do Vinte Anos. O poema romântico de Gonçalves Dias mostra
uma visão ufanista do Brasil, enaltecendo – o
04| E por meio da flora e da fauna “Minha terra tem
Nos últimos quatro versos do poema de Castro palmeiras,/ Onde canta o Sabiá. O texto de
Alves, percebe-se a visão do eu lírico relativa- Oswald de Andrade, escritor modernista, elo-
mente à sua pátria (“Minha terra é lá bem lon- gia o país, mas não perde de vista a realidade.
ge, /Das bandas de onde o sol vem; /Esta terra Faz denúncias, como “Minha terra tem pal-
é mais bonita. /Mas à outra eu quero bem”). mares / Onde gorjeia o mar”, ou seja, apesar
No entanto, logo no início, é também paten- da natureza magnífica, do mar, da terra; das
te a condição social do escravo sujeito às mais riquezas como o ouro, o Brasil mantinha a es-
duras provações (“Junto ao braseiro, no chão, cravidão. Palmares foi um reduto de escravos
/entoa o escravo o seu canto, /E ao cantar cor- foragidos de Pernambuco, instalados, onde
rem-lhe em pranto /Saudades do seu torrão”). hoje fica o norte de Alagoas. O eu lírico do po-
Assim, é correta a alternativa [E]. ema deseja voltar não para qualquer lugar do
Brasil, mas especificamente para a rua 15 de
05| D novembro, centro financeiro do país, no início
do século XX, na cidade de S. Paulo, quando foi
Depreende-se do texto que, como José de escrito o poema – “Não permita Deus que eu
Alencar foi um escritor que teve importante morra / Sem que volte pra São Paulo / Sem que
atuação literária durante o período do Roman- eu veja a rua 15 /E o progresso de São Paulo. A
tismo no Brasil, a digitalização da sua obra terá questão realiza a intertextualidade, isto é , faz
importante papel na preservação da memória o diálogo entre textos.
linguística, assim como os romances indianis-
tas, históricos e textos jurídicos, na construção 09| D
da identidade nacional. Assim, é correta a op-
ção [D]. A implantação do Romantismo no Brasil está
relacionada ao projeto de construção da na-
06| D cionalidade. A composição das personagens
idealizadas, o cenário tipicamente brasileiro,
Para os ultrarromânticos, a morte era vista valorizando a natureza (cor local), a mostra
como alívio, fuga ao sofrimento ou ao tédio dos costumes, tudo isso contribuiu para pos-
de viver. Essa característica está presente nes- sibilitar ao país a expressão dos sentimentos
te soneto, pois o eu lírico, inconformado com nacionais. Taunay participou desse projeto, re-
a rejeição amorosa, prefere a morte à desilu- velando, no romance Inocência, uma região do
são de não ser correspondido:” O adeus, o teu Brasil, indicando as cores, o tipo de vegetação
adeus, minha saudade,/Fazem que insano do existente, transformando, poeticamente, o lu-
viver me prive/E tenha os olhos meus na escu- gar, em um jardim encantado – “É cair, porém,
ridade. daí a dias copiosa chuva, e parece que uma va-
07| B rinha de fada andou por aqueles sombrios re-
cantos a traçar às pressas jardins encantados e
O Romantismo, sobretudo a Primeira Geração, nunca vistos. Entra tudo num trabalho íntimo
foi importante na construção da identidade de espantosa atividade”.
nacional, porque exaltava os valores da cultura
nacional e as belezas naturais do Brasil. O po- 10| C
ema de Casimiro de Abreu expressa os anseios A Escrava Isaura é um romance tipicamente
do eu lírico em rever a sua pátria distante (“... romântico, cujas personagens femininas eram
dá-me de novo/ os gozos do meu lar”, “quero idealizadas, do ponto de vista físico e moral,
ouvir.../ cantar o sabiá”), num manifesto apelo como a protagonista do romance, assediada
saudosista de uma infância vivida numa paisa- por Leôncio, seu senhor. Embora o livro mostre
gem idealizada (“sítios gentis”, “O céu do meu as agruras da escravidão, não se aprofunda na
Brasil”). denúncia nem no tratamento do tema.

12 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

11| C A afirmação D está correta, porque, no texto de


Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalin-
Os romances do Nordeste, principalmente os guística no trecho “Uma boca de estrela dando
pertencentes à segunda fase modernista, são beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”
regionalistas e representam uma corrente ide- A função metalinguística ocorre quando se fala
ológica voltada a questões sociais, mais preci- sobre o código utilizado, usa-se a linguagem
samente para as relações entre o homem e o para falar dela própria. Boca de estrela dando
universo, enfatizando a dualidade - Opressor beijo é matéria, assunto para ser usado em um
X Oprimido. poema, aqui está a função citada.
12| D 13| C
A alternativa A está incorreta, porque a cons- Embora ambos desenvolvam temática relacio-
trução do eixo temático do poema de Bilac não nada ao indígena brasileiro, este não é apre-
se deu em linguagem denotativa, literal, usual, sentado de forma realista nem discriminató-
previsível. O eu lírico personifica as estrelas, o ria, o que invalida as opções A e B. Também
Sol, utiliza figuras de linguagem, como a pro- não existe denúncia do extermínio dos povos
sopopeia que consiste em atribuir a seres ina- indígenas, nem referência ao silenciamento
nimados características de seres animados ou de seus dotes poéticos, como se afirma em D
atribuir características humanas a seres irra- e C. Assim, a única válida é a C, pois as inter-
cionais. O texto do autor parnasiano possui um rogações revelam perspectivas diferentes do
alto índice de plurissignificação da modalidade enunciador sobre a realidade indígena bra-
de linguagem, diversa da modalidade própria sileira. “Quem há, como eu sou?” expressa a
do uso cotidiano. visão idealizada do herói na concepção do Ro-
mantismo indianista e “Quem podia saber do
A alternativa B está incorreta, pois o sujeito
Herói” traduz a visão inovadora e irreverente
poético, do poema parnasiano, com traços ro-
da 1ª Fase do Modernismo do “ herói da nossa
mânticos, afirma que o amor capacita as pes-
gente” na obra “ Macunaíma”, de Mário de An-
soas a ouvir e compreender as estrelas, por-
drade.
tanto, estas são acessíveis. Já as estrelas a que
se refere o eu lírico do texto de Bastos Tigre 14| A
são as atrizes do cinema. A acessibilidade é li-
mitada. A compreensão sobre elas depende do O narrador alude à idealização do persona-
conhecimento da língua inglesa, pois, o texto gem, característica do Romantismo, estilo que
se refere, provavelmente, às artistas do cine- rejeita ao afirmar que “isto não é romance, em
ma norte-americano. que o autor sobredoura a realidade e fecha os
olhos às sardas e espinhas”, ou seja, adverte ao
As alternativas C e E estão incorretas, na medi- leitor que irá usar descrições em que os aspec-
da em que as expressões “dir-vos-ei sem pejo” tos negativos também estarão presentes.
e “entendê-las” só são utilizadas pelo escritor,
15| A
para realizar a ironia, a crítica às ideias do poe-
ma parnasiano. Tigre realiza a intertextualida- A imagem da lágrima associa o sentimento
de, a partir do poema de Bilac. A linguagem amoroso à dor e sofrimento, característica típi-
usada no texto humorístico é mais coloquial ca da idealização romântica do séc. XIX, escola
que a de Bilac: “Vejo que estás beirando a ma- literária a que está vinculado Joaquim Mano-
luquice extrema.../ Uma boca de estrela dando el de Macedo. Manuel Bandeira, poeta do 1º
beijo / é, meu amigo, assunto p’ra um poema”. Tempo do Modernismo brasileiro, ironiza essa
A visão apresentada para alcançar as estrelas, visão idealizadora ao associá-la a “tapeação”
no texto de Bilac, é romântica; no de Tigre, é e a “mentira”, recurso estratégico do homem
moderna. para seduzir a mulher.

LITERATURA | ROMANTISMO 13
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

16| B rendição às tropas francesas.  Em “Memórias


póstumas de Brás Cubas”, o narrador relata
[Resposta do ponto de vista da disciplina de que, durante a sua infância, eram frequentes
Português] debates familiares sobre o referido tema. As-
sim, é correta a opção [A].
O romance “Til” retrata a linguagem e os cos-
tumes da vida rural na época em que foi lança- 18| C
do, 1872, com enredo ambientado na região
de Piracicaba. Em alguns momentos e sempre Araripe Jr. refere-se à escola naturalista em
sob a vigilância de seus senhores, os africanos cujos romances se refletia a filosofia determi-
e seus descendentes aproveitavam alguns epi- nista que analisava a sociedade sob a óptica do
sódios da tradição judaico-católica para cele- instinto, do fisiológico e do natural, do erotis-
brar os eventos que marcavam a sua própria mo e da violência que compõem a personali-
cultura, de que são exemplos a congada e o dade humana. A zoomorfização das persona-
lundu. Para os senhores e autoridades colo- gens presentes no capítulo “O samba” aludem
niais, isso estabelecia a segurança de que os a esse novo estilo: “pincham à guisa de sapos
escravos e libertos tinham aderido ao catoli- em roda do terreiro”, “começou de rabanar
cismo e para os africanos, servia para usufru- como um peixe em seco”. Assim, é correta a
írem de um momento de liberdade, ainda que opção [C].
temporária, e afirmarem sua própria história e 19| B
cultura. Assim, é correta a alternativa [B].
A linha de continuidade entre os movimentos
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Romântico e Naturalista, a partir da leitura
História] do excerto, é a menção à fauna e à flora bra-
No Brasil, assim como no Cariba e nas “colô- sileira. O movimento romântico empregou
a exaltação ao quadro físico brasileiro como
nias do sul” da América do Norte teve grande
instrumento de definição da nação que se tor-
intensidade. O braço escravo foi determinan-
nava independente; o mesmo instrumental é
te na produção e sua exploração, extrema. O
empregado em O Cortiço com a descrição da
sincretismo cultural pode ser percebido desde natureza indicada no trecho, porém sem a ide-
os primórdios da colonização e foi mais intenso alização característica dos românticos.
nas áreas canavieiras do nordeste. O narrador
não faz referências aos elementos religiosos e 20| D
à mentalidade capitalista do século XIX aliada
às pressões da Inglaterra foram determinantes [Resposta do ponto de vista da disciplina de
para a substituição gradual do trabalho escra- História]
vo pelo trabalho livre nos cafezais. O texto do escritor José de Alencar está vincu-
17| A lado ao Segundo Reinado, 1840-1889. José de
Alencar, 1829-1877, é considerado um precur-
Os momentos históricos em que se desenvol- sor do Romantismo no Brasil. Em suas obras
vem os enredos de “Viagens na minha terra”, procurou valorizar a língua falada no Brasil no
“Memórias de um sargento de milícias” e “Me- cotidiano das pessoas, as particularidades da
mórias póstumas de Brás Cubas” estão relacio- língua portuguesa. Daí o autor afirma que “o
nados com a invasão de Portugal pelas tropas povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e
napoleônicas. No primeiro, exibem-se os con- a jabuticaba pode falar com igual pronúncia e
flitos de uma sociedade em crise que se dividia o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a
entre o absolutismo de teor nacionalista e o pera, o damasco e a nêspera?”.
liberalismo, associado por muitos ao país inva-
sor e por isso considerado antinacionalista. Em [Resposta do ponto de vista da disciplina de
Português]
“Memórias de um sargento de milícias”, rela-
tam-se os costumes do Rio Colonial na época No Brasil, o Romantismo da primeira fase ad-
de D. João VI, momento em que a corte real quiriu características especiais, defendendo os
portuguesa se refugiou no Brasil para evitar a motivos e temas brasileiros, mais próximos da

14 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

fala e da realidade popular brasileira. A inter-


rogação de natureza retórica que finaliza o ex-
certo expõe a preocupação de José de Alencar
em adaptar a língua portuguesa às circunstân-
cias locais, valorizando tradições, costumes,
história e natureza de um país em construção.
Na prosa alencariana, são frequentes tupinis-
mos e brasileirismos, assim como infrações in-
tencionais a regras da gramática normativa de
colocação pronominal ou concordância verbal
para que os escritos se moldassem às caracte-
rísticas da linguagem local, visando à afirma-
ção de uma identidade nacional brasileira. As-
sim, é correta a opção [D].
21| B
O romance Memórias de um sargento de mi-
lícias descreve a vida suburbana do Rio de
Janeiro, em contraste com a vida da corte
que normalmente era descrita em obras do
Romantismo.  Embora vinculada ao estilo ro-
mântico, a obra apresenta características que
dele se distanciam, como o uso de linguagem
coloquial e a apresentação de personagens
pertencentes a classes sociais humildes, como
Luisinha, desengonçada e estranha na adoles-
cência e início da juventude, mas que se trans-
forma mais tarde numa linda mulher. Assim, é
correta a opção [B].
22| C
[A] Incorreta, pois o excerto apresenta não
um ser idealizado, mas uma descrição rea-
lista de uma mulher. Além disso, a pintura
de modo algum é uma caracterização pe-
jorativa, pois retrata uma mulher admirá-
vel para os padrões da época, de aparên-
cia refinada, pertencente à burguesia.
[B] Incorreta, uma vez que a pintura retrata
uma mulher com feições leves e simpáti-
cas, ao passo que o poema descreve uma
lavadeira na lida.
[D] Incorreta, pois a moça do retrato apresen-
ta traços realistas, embora um tanto idea-
lizados. Já a mulher do excerto é caracteri-
zada como alguém da classe trabalhadora.
[E] Incorreta, haja vista que o retrato mostra
uma mulher requintada, enquanto o poe-
ma descreve uma mulher séria, trabalha-
dora.

LITERATURA | ROMANTISMO 15
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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ROMANTISMO - PARTE 02 08

TEXTO PARA A(S) PRÓXIMA(S) QUESTÃO(ÕES) B por sua condição de membro da Guarda
Tornando da malograda espera do tigre, 1al- Nacional, que lhe interditava o trabalho na
cançou o capanga um casal de velhinhos, 2que lavoura.
seguiam diante dele o mesmo caminho, e con- C pela indolência atribuída ao indígena, da
versavam acerca de seus negócios particulares. qual era herdeiro o “bugre”.
Das poucas palavras que apanhara, percebeu
D pelo estigma que a escravidão fazia recair
Jão Fera 3que destinavam eles uns cinquenta
sobre o trabalho braçal.
mil-réis, tudo quanto possuíam, à compra de
mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, E pela ojeriza ao labor agrícola, inerente a
com que pretendiam abrir uma boa roça. sua condição de homem letrado.

- Mas chegará, homem? perguntou a velha. 02| UEG Leia o excerto e observe a pintura a seguir
- Há de se espichar bem, mulher! para responder à questão.
Uma voz os interrompeu: [...]
- Por este preço dou eu conta da roça!
E indo a dizer o mais, cai num desmaio.
- Ah! É nhô Jão!
Perde o lume dos olhos, pasma e treme,
Conheciam os velhinhos o capanga, a quem ti- Pálida a cor, o aspecto moribundo;
nham por homem de palavra, e de fazer o que
Com mão já sem vigor, soltando o leme,
prometia. Aceitaram sem mais hesitação; e fo-
ram mostrar o lugar que estava destinado para Entre as salsas escumas desce ao fundo.
o roçado. Mas na onda do mar, que, irado, freme,
Acompanhou-os Jão Fera; porém, 4mal seus Tornando a aparecer desde o profundo,
olhos descobriram entre os utensílios a enxa- – Ah! Diogo cruel! – disse com mágoa, –
da, a qual ele esquecera um momento no afã e sem mais vista ser, sorveu-se na água.
de ganhar a soma precisa, que sem mais deu DURÃO, Frei José de Santa Rita. Caramuru. In: Hernâni Cidade – Santa
costas ao par de velhinhos e foi-se deixando-os Rita Durão. Rio de Janeiro: Agir, 1957. p. 88.

embasbacados.
ALENCAR, José de. Til.

* moquirão = mutirão (mobilização coletiva


para auxílio mútuo, de caráter gratuito).

01| FUVEST Considerada no contexto histórico-so-


cial figurado no romance Til, a brusca reação de
Jão Fera, narrada no final do excerto, explica-se
A pela ambição ou ganância que, no perí-
odo, caracterizava os homens livres não
proprietários.

LITERATURA | ROMANTISMO 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Verifica-se, entre a pintura e o excerto apre- 04| UPE-SSA Observe as imagens e relacione-as aos
sentados, uma relação intertextual, na medida romances de José de Alencar, conforme os te-
em que ambos tematizam mas sugeridos pelos elementos verbais e visuais.
A a morte, que se dá de forma gradativa no
fragmento e de um modo direto na pintura.
B a solidão, que se dá de maneira prolixa no
fragmento e de forma abstrata na pintura.
C o grotesco, que se dá de modo objetivo no
excerto e de maneira indireta na pintura.
D a gratidão, que se dá de maneira paradoxal
no excerto e de modo incisivo na pintura.
E o ódio, que se dá de maneira simplista no
fragmento e de maneira obscura na pintura.

03| UNESP Ultrapassando o nível modesto dos


predecessores e demonstrando capacidade
narrativa bem mais definida, a obra romanes-
ca deste autor é bastante ambiciosa. A partir
de certa altura, este autor pretendeu abranger
com ela, sistematicamente, os diversos aspec-
tos do país no tempo e no espaço, por meio de
narrativas sobre os costumes urbanos, sobre
as regiões, sobre o índio. Para pôr em prática
esse projeto, quis forjar um estilo novo, ade-
quado aos temas e baseado numa linguagem
que, sem perder a correção gramatical, se
aproximasse da maneira brasileira de falar. Ao
fazer isso, estava tocando o nó do problema
(caro aos românticos) da independência esté-
tica em relação a Portugal. Com efeito, caberia
aos escritores não apenas focalizar a realidade
brasileira, privilegiando as diferenças patentes
na natureza e na população, mas elaborar a
expressão que correspondesse à diferencia-
ção linguística que nos ia distinguindo cada vez
mais dos portugueses, numa grande aventura
dentro da mesma língua.
(Antonio Candido. O romantismo no Brasil, 2002. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido refe-


re-se ao escritor
A Raul Pompeia.
B Manuel Antônio de Almeida.
C José de Alencar.
D Machado de Assis.
E Aluísio Azevedo.

2 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

05| USF “Também conhecidos como escolas, cor-


rentes ou movimentos, os períodos literários
correspondem a fases histórico-culturais em
que determinados valores estéticos e ideológi-
cos resultam na criação de obras mais ou me-
nos próximas no estilo e na visão de mundo.
Diferenciam-se do estilo de época por ter uma
abrangência maior, englobando circunstâncias
como as condições do meio, as influências filo-
sóficas e políticas, etc.”
(Gonzaga, Sergius, Curso de literatura brasileira. 2.ª ed. – Porto Alegre:
Leitura XXI, 2007. p.12)
Analise as afirmativas a seguir e coloque V nas
Verdadeiras e F nas Falsas. A partir da segmentação da produção literária
( ) As cinco imagens se relacionam, na sequên- nacional, como descrita por Sergius Gonzaga
cia, com os seguintes temas desenvolvidos por no excerto acima, nos aspectos que se referem
José de Alencar em seus romances: indianista, a contexto histórico, características, autores e
histórico, urbano, sertanista e de perfil femini- obras, é correto afirmar que
no.
A o Barroco surge do conflito entre Teocen-
( ) As imagens 4 e 5 apresentam a mesma temáti- trismo e Antropocentrismo e tem como
ca dos romances Senhora e As Minas de Prata, resultado uma poética dicotômica e ins-
ao passo que a imagem 1 retrata os primitivos tável emocionalmente. Já a prosa barro-
habitantes do Brasil, o que a aproxima dos ro- ca, expressa nos sermões do Padre Vieira,
mances O Guarani, Iracema e Ubirajara. não reflete esse conflito à medida que re-
( ) Os temas das imagens 2 e 3 relacionam-se às gistra as relações homem/entorno seguin-
histórias contidas nos romances urbano e ser- do a ótica analítico-racional que deriva do
tanista ou ruralista do escritor cearense, en- pensamento calcado na razão.
quanto a imagem 4 não se associa a qualquer
B o Arcadismo apresenta o primado do sen-
um dos romances de José de Alencar.
timento em detrimento da razão. Autores
( ) Os romances Lucíola, Senhora e Diva são deno- como Cláudio Manuel da Costa e Tomás
minados romances urbanos de perfis femini- Antônio Gonzaga – este em especial na
nos. Pode-se afirmar, então, que se relacionam poesia lírica e épica – antecipam o senti-
às imagens 2 e 4. mentalismo amoroso que encontrará seu
ápice no Romantismo. A poesia dos au-
( ) Cinco Minutos, A Viuvinha e A Pata da Gazela
tores citados vem impregnada, ainda, do
são textos em que Alencar, no seu projeto de de-
forte senso de nação, de onde derivará a
senvolver temas que cobrissem toda realidade
cultural nacional, traz à tona aspectos urbanos vertente nacionalista de nossa poesia do
que se fazem presentes nas imagens 1, 2 e 3. século XIX.

Assinale a alternativa que contém a sequência C o Romantismo brasileiro apresenta divi-


CORRETA. são temática tanto na prosa quanto na po-
esia. Nesta, a produção divide-se em três
A V - V - V - F - F gerações: Indianista-Nacionalista; Ultrar-
B V - F - F - V - F romântica-Byroniana-Mal do século e So-
cial-Hugoana-Condoreira. A prosa se orga-
C F - V - F - V - F niza sob as temáticas indianista, histórica,
D V - V - F - F – V regionalista e urbana, sendo que o autor
que mais se destaca nesses segmentos é
E V - V - V - F - V Joaquim Manuel de Macedo.

LITERATURA | ROMANTISMO 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

D o Realismo e o Naturalismo são contem- C Álvares de Azevedo, em A noite na taverna,


porâneos. Embora derivados do mesmo desvincula-se do nacionalismo paisagista e
contexto, algumas das obras sofreram indianista e ingressa no universo juvenil da
as influências de correntes cientificistas angústia, do erotismo e do sarcasmo.
– como Determinismo, Positivismo, Mar-
xismo, a Psicanálise de Freud – e apre- D Manuel Antônio de Almeida, em Memó-
sentam características muito particulares. rias de um sargento de milícias, vincula-se
No Realismo, há predomínio dos aspectos à estética romântica, em especial porque
psicológicos sobre a ação, e o Naturalismo se centra em personagens da classe média
apresenta a animalização do homem. Des- urbana fluminense.
tacam-se Dom Casmurro e O cortiço como
grandes obras desses períodos. E Castro Alves é o principal poeta do india-
nismo romântico, pois toma o índio como
E O Modernismo no Brasil, à maneira do figura prototípica da nacionalidade.
Romantismo, é segmentado em três gera-
ções, que se organizam cronologicamen- 08| PUCRS Leia o excerto abaixo, retirado da obra
te, a partir de 1922, quando da Semana Macário, de Álvares de Azevedo.
de Arte Moderna, até os dias de hoje, cuja
(O DESCONHECIDO) Eu sou o diabo. Boa-noite,
produção retoma os princípios dos pri-
meiros tempos modernistas. Destaca-se, Macário.
na produção modernista, a obra de João (MACÁRIO) Boa-noite, Satã. (Deita-se. O des-
Guimarães Rosa, Carlos Drummond de conhecido sai). O diabo! uma boa fortuna! Há
Andrade, Manuel Bandeira e Clarice Lis- dez anos que eu ando para encontrar esse pa-
pector, entre outros. tife! Desta vez agarrei-o pela cauda! A maior
06| UPF Em Senhora, de José de Alencar, pode- desgraça deste mundo é ser Fausto sem Mefis-
-se observar que o autor emprega, de modo tófeles. Olá, Satã!
recorrente ao longo da narrativa, uma lingua-
(SATÃ) Macário.
gem ___________ para sustentar certo grau
de ___________ diante do tema central do ro- (MACÁRIO) Quando partimos?
mance, o casamento por dinheiro.
(SATÃ) Tens sono?
Assinale a alternativa cujas informações preen-
(MACÁRIO) Não.
chem corretamente as lacunas do enunciado.
(SATÃ) Então já.
A jurídica / hermetismo.
(MACÁRIO) E o meu burro?
B jornalística / imparcialidade.
(SATÃ) Irás na minha garupa.
C metafórica / idealização.
Sobre o movimento literário em que se inscre-
D jornalística / sensacionalismo. ve Álvares de Azevedo, é INCORRETO afirmar:
E metafórica / realismo. A A representação de figuras do mundo so-
07| UFRGS Assinale a alternativa correta sobre au- brenatural também constitui uma das ca-
tores do Romantismo brasileiro. racterísticas desse movimento, conforme
se lê no excerto acima.
A Gonçalves Dias, autor dos célebres Can-
ção do exílio e I-Juca-Pirama, dedicou a B José de Alencar é o autor de romances
maioria de seus poemas à temática da es- mais representativos desse movimento,
cravidão. com obras como O Guarani, O sertanejo,
As minas de prata.
B Joaquim Manuel de Macedo, em A More-
ninha, afasta-se da estética romântica em C A representação da nação, um dos temas
muitos pontos, especialmente no tom pa- do movimento em que se inscreve a obra
ródico adotado pelo narrador que ridicu- de Álvares de Azevedo, exaltou as belezas
lariza a sociedade burguesa fluminense. naturais da terra brasileira.

4 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

D Os estados de alma em que o sujeito po- No céu gelado expira o derradeiro dia,
ético expressa seus sentimentos de tris- Na última região que o teu olhar devassa!
teza, dor e angústia é tema recorrente no E só, trevoso e largo, o mar estardalhaça
movimento em que se inscreve a obra de No indizível horror de uma noite vazia...
Álvares de Azevedo.
Pobre! por que, a sofrer, a leste e a oeste, ao
E A poesia de Álvares de Azevedo, como norte
a dos outros românticos brasileiros, de- E ao sul, desperdiçaste a força de tua alma?
fine-se em torno de dois polos poéticos: Tinhas tão perto o Bem, tendo tão perto a
a marcante presença da natureza, explo- Morte!
rada com destaque em Noites da taver- Paz à tua ambição! paz à tua loucura!
na, e a constante viagem ao interior do A conquista melhor é a conquista da Calma:
sujeito para exprimir sua dor e seus sen- - Conquistaste o país do Sono e da Ventura!
timentos. (Olavo Bilac)

09| UPE-SSA Enquadram-se os três sonetos em Poema 3


distintos Movimentos Literários. Leia-os e ana-
lise-os. A Morte
Oh! que doce tristeza e que ternura
Poema 1 No olhar ansioso, aflito dos que morrem…
Já da morte o palor me cobre o rosto, De que âncoras profundas se socorrem
Os que penetram nessa noite escura!
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece, Da vida aos frios véus da sepultura
E devora meu ser mortal desgosto! Vagos momentos trêmulos decorrem…
E dos olhos as lágrimas escorrem
Do leito embalde no macio encosto Como faróis da humana Desventura.
Tento o sono reter!… já esmorece
Descem então aos golfos congelados
O corpo exausto que o repouso esquece… Os que na terra vagam suspirando,
Eis o estado em que a mágoa me tem posto! Com os velhos corações tantalizados.
O adeus, o teu adeus, minha saudade, Tudo negro e sinistro vai rolando
Fazem que insano do viver me prive Báratro a baixo, aos ecos soluçados
E tenha os olhos meus na escuridade. Do vendaval da Morte ondeando, uivando…
(Cruz e Sousa)
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
A leitura dos poemas comprova que o tema
Volve ao amante os olhos por piedade,
da morte tanto quanto o tema do amor estão
Olhos por quem viveu quem já não vive! presentes em textos de todos os movimentos
(Álvares de Azevedo, Lira dos 20 anos) literários e em produção de diferentes poetas.
Nos três poemas, o tema da morte é ponto
Poema 2 fundamental. Sobre isso, assinale a alternativa
CORRETA.
A Morte
A Álvares de Azevedo, em diversos poemas,
Oh! a jornada negra! A alma se despedaça...
ao falar da morte, tema pelo qual tem cer-
Tremem as mãos... O olhar, molhado e ansioso, ta obsessão, usa constantemente a pala-
espia, vra palor, cujo sentido cromático se refere
E vê fugir, fugir a ribanceira fria à palidez mórbida da morte, característica
Por onde a procissão dos dias mortos passa. da poesia desse autor.

LITERATURA | ROMANTISMO 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

B Olavo Bilac toma a morte muito poucas É correto afirmar que essa obra pertence ao
vezes como tema, ainda que, ao fazê-lo, A Romantismo, pois ela critica os valores
cria um eu lírico despojado de tom confes- burgueses, exalta a natureza e a vida sim-
sional, próprio do Romantismo, mantendo ples do campo, denunciando a corrupção
assim imparcialidade e impessoalidade. e a hipocrisia na sociedade fluminense do
C O poema 3 apresenta elementos cromáti- século XX.
cos e sinestésicos, tais como doce tristeza B Romantismo, pois ela enaltece a fragilida-
e noite escura. Contudo, embora seu tema de da mulher e exprime de forma contida
seja a morte, o autor não utiliza esse vo- os sentimentos das personagens, situan-
cábulo, substituindo-o por metáforas, o do-as no contexto da sociedade paulista
que é próprio daqueles que fazem parte do século XX.
do parnaso.
C Romantismo, pois ela exalta a figura fe-
D Há, no poema 2, determinados elementos minina, expõe, de maneira exacerbada,
que revelam, à semelhança do 3, preocu- os sentimentos das personagens, tendo
pação com os aspectos formais, aproxi- como pano de fundo os costumes da so-
mando-os do Classicismo e do Arcadismo. ciedade fluminense do século XIX.

E Existe uma ordem sequencial dos poe- D Modernismo, pois ela idealiza a mulher
mas que permite ao leitor relacioná-los ao e a juventude e trata da infelicidade dos
Simbolismo, Romantismo e Parnasianis- amores não correspondidos, inserindo as
mo. Dessa forma, pode-se afirmar que o personagens na sociedade fluminense do
poema 1 é simbolista, pois apresenta um século XX.
discurso de cunho confessional, peculiar a
E Modernismo, pois ela se opõe ao exagero
esse Movimento Literário.
na expressão dos sentimentos e ao papel
10| FATEC Leia o fragmento da obra “Senhora”, de de submissão destinado às mulheres, re-
José de Alencar. tratando o cotidiano da sociedade paulista
do século XX.
Quando Seixas achava-se ainda sob o império
desta nova contrariedade, apareceu na sala 11| UPF Considere as afirmações a seguir, referen-
a Aurélia Camargo, que chegara naquele ins- tes às três gerações da poesia romântica brasi-
tante. Sua entrada foi como sempre um des- leira.
lumbramento; todos os olhos voltaram-se para
ela; pela numerosa e brilhante sociedade ali I. Gonçalves de Magalhães, com seus Suspi-
reunida passou o frêmito das fortes sensações. ros poéticos e saudades, traduz fielmente,
Parecia que o baile se ajoelhava para recebê-la na forma e nos temas, o espírito do Ro-
com o fervor da adoração. Seixas afastou-se. mantismo, sendo considerado até hoje,
Essa mulher humilhava-o. Desde a noite de sua pela crítica, como o maior expoente da
chegada que sofrera a desagradável impres- primeira geração.
são. Refugiava-se na indiferença, esforçava-se
por combater com o desdém a funesta influ- II. Nos autores da segunda geração, como
ência, mas não o conseguia. A presença de Au- Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu,
rélia, sua esplêndida beleza, era uma obsessão o nacionalismo e o indianismo da geração
que o oprimia. Quando, como agora, a tirava precedente cedem lugar a uma poesia mar-
da vista fugindo-lhe, não podia arrancá-la da cada pelo individualismo, pela confissão ín-
lembrança, nem escapar à admiração que ela tima e pelo extravasamento subjetivo.
causava e que o perseguia nos elogios profe- III. Em Castro Alves, representante principal
ridos a cada passo em torno de si. No Cassino, da terceira geração, a poesia social e a de-
Seixas tivera um reduto onde abrigar-se dessa fesa de causas humanitárias andam, lado
cruel fascinação. a lado, com poemas dedicados à mulher e
<http://tinyurl.com/ou5m65d> Acesso em: 17.09.2015. Adaptado. ao amor sensual.

6 LITERATURA | ROMANTISMO
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Está correto apenas o que se afirma em: 13| UEG Lembrança de morrer

A I. [...]

B II. Eu deixo a vida como deixa o tédio


Do deserto o poento caminheiro,
C III.
- Como as horas de um longo pesadelo
D I e II. Que se desfaz ao dobre sineiro

E II e III. [...]
AZEVEDO, Álvares de. Poesias completas de Álvares de Azevedo. 7. ed.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Rio de Janeiro: Ediouro, 1995. p. 37.

A(s) questão(ões) seguinte(s) analisa(m) as- Este fragmento mostra uma atitude escapista
pectos dos romances: HELENA, A ESCRAVA típica do romantismo. O eu lírico idealiza
ISAURA, LUZIA-HOMEM E DÔRA, DORALINA.
A a vida como um ofício de prazer, destina-
12| UFC Avalie as informações constantes do qua- do à fruição eterna.
dro a seguir.
B a morte como um meio de libertação do
terrível fardo de viver.

C o tédio como a repetição dos fragmentos


belos e significativos da vida.

D o deserto como um destino sereno para


quem vence as hostilidades da vida.

14| FGVRJ Caracteriza o Romantismo, na literatura


brasileira,

I. o desejo de exprimir sentimentos como


Marque a alternativa que avalia corretamente orgulho patriótico, considerado, então,
tais afirmações. algo de primordial importância;

A A afirmação 1 acerta quanto à classifica- II. a intenção de criar uma literatura inde-
ção da obra e erra quanto à escola lite- pendente, diversa, de identidade bem
rária. marcada;

B A afirmação 2 erra quanto à escola a que III. a percepção da atividade literária como
pertence a obra e acerta nos dados do parte indispensável da tarefa patriótica de
autor. construção nacional.

C A afirmação 3 acerta quanto à classifica- Está correto o que se afirma em


ção da obra e quanto aos dados do autor.
A I, somente.
D A afirmação 1 erra quanto à classifica-
ção da obra e acerta quanto aos dados B II, somente.
do autor. C I e II, somente.
E A afirmação 4 acerta quanto à classifica- D II e III, somente.
ção do romance e quanto à escola literá-
ria. E I, II e III.

LITERATURA | ROMANTISMO 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

15| UPE O Romantismo, materializado no Brasil, TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


subdivide-se em três gerações; caracteriza-se
TEXTO PARA A(S) PRÓXIMA(S) QUESTÃO(ÕES)
por pressupostos e princípios que não devem
ser confundidos com os pressupostos e os E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe
princípios que fundamentam outras escolas toda a alma pelos olhos enamorados.
literárias. Naquela mulata estava o grande mistério, a
síntese das impressões que ele recebeu che-
Considerando o que se afirma, assinale a alter-
gando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia;
nativa CORRETA.
ela era o calor vermelho das sestas da fazenda;
A Na opinião de alguns críticos, Gonçalves era o aroma quente dos trevos e das baunilhas,
de Magalhães não possui a liberdade in- que o atordoara nas matas brasileiras; era a
palmeira virginal e esquiva que se não torce a
trínseca ao Romantismo, embora seja
nenhuma outra planta; era o veneno e era o
considerado o introdutor do Romantismo açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o
no Brasil (1836). Alcântara Machado teria mel e era a castanha do caju, que abre feridas
dito que Gonçalves de Magalhães é um com o seu azeite de fogo; ela era a cobra ver-
“Romântico Arrependido”. de e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca
doida, que esvoaçava havia muito tempo em
B Assim como Gonçalves de Magalhães, torno do corpo dele, assanhando-lhe os dese-
Gonçalves Dias foi um escritor sem mui- jos, acordando-lhe as fibras embambecidas
ta expressividade. Seus textos, de modo pela saudade da terra, picando-lhe as artérias,
geral, não conseguem traduzir a estética para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha
romântica, visto que recebem muita influ- daquele amor setentrional, uma nota daquela
música feita de gemidos de prazer, uma larva
ência de autores meramente comerciais.
daquela nuvem de cantáridas que zumbiam
C A segunda geração do Romantismo no em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo
Brasil, assim como a primeira geração, ba- ar numa fosforescência afrodisíaca.
seou suas obras no pensamento de Byron Aluísio Azevedo, O cortiço.

e no de Musset. Foi uma geração que cul- 16| FUVEST Em que pese a oposição programáti-
tivou as camadas mais extremas da sub- ca do Naturalismo ao Romantismo, verifica-se
jetividade e deflagrou a criação de textos no excerto – e na obra a que pertence – a pre-
que evocavam o amor e a dor como cami- sença de uma linha de continuidade entre o
nhos possíveis para a morte. movimento romântico e a corrente naturalista
brasileira, a saber, a
D Os romances românticos brasileiros foram
A exaltação patriótica da mistura de raças.
escritos sob a regência de ideias conserva-
doras. É comum encontrarmos em textos B necessidade de autodefinição nacional.
de José de Alencar expressões que exor- C aversão ao cientificismo.
tam o escravismo e a natureza estrangei-
ra, a opressão de ideias libertárias e a crí- D recusa dos modelos literários estrangei-
ros.
tica ao que é nacional.
E idealização das relações amorosas.
E Castro Alves assim como Joaquim Mano-
el de Macedo tinham como seus leitores TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
mais assíduos grupos de pessoas acima de Quanto à organização social de nossos selva-
sessenta anos e que possuíam vinculações gens, é coisa quase incrível – e dizê-la envergo-
fortes com ideias retrógradas da época, as nhará aqueles que têm leis divinas e humanas
quais se aproximavam do feudalismo me- – que, 1apesar de serem conduzidos apenas
dievo. pelo seu natural, ainda que um tanto degene-

8 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

rado, eles se deem tão bem e vivam em tanta em seus romances uma imagem gloriosa do
paz uns com os outros. Mas com isso me refi- povo indígena.
ro a cada nação em si ou às nações que sejam
aliadas; pois quanto aos inimigos, já vimos em ( ) A produção literária deste período foi marcada
outra ocasião o tratamento terrível que lhes pela recuperação do passado histórico brasilei-
dispensam2. Porque, em ocorrendo alguma ro, visto sob uma ótica às vezes crítica, outras
briga (o que se dá com tão pouca frequência irônica.
que durante quase um ano em que com eles ( ) Devido à ausência de um passado medieval, o
estive só os vi brigar duas vezes), os outros indianismo foi um dos elementos de sustenta-
nem sequer 3pensam em separar ou pacificar ção do sentimento nacionalista, o qual era ca-
os contendores; ao contrário, se estes tiverem
racterística deste período literário.
de arrancar-se mutuamente os olhos, 4nin-
guém lhes dirá nada, e eles assim farão. 5To- Assinale a alternativa que apresenta a sequên-
davia, se alguém for ferido por seu próximo, cia correta, de cima para baixo.
e se o agressor for preso, ser-lhe-á 6infligido o
mesmo ferimento no mesmo lugar do corpo, A 2 - 2 - 2 - 1 - 3
por parte dos parentes próximos do agredido,
e caso este venha a morrer depois, ou caso B 1 - 3 - 3 - 3 - 2
morra na hora, os parentes do defunto tiram a C 1 - 3 - 2 - 3 - 2
vida ao assassino de um modo semelhante. De
tal forma que, para dizer numa palavra, é vida D 2 - 3 - 2 - 1 - 3
por vida, olho por olho, dente por dente etc.
Mas, como já disse, são coisas que raramente E 2 - 2 - 3 - 1 - 2
se veem entre eles.
18| UFG Leia o poema a seguir.
2 O autor tratou do assunto no capítulo XIV,
SONETO
“Da guerra, combate e bravura dos selvagens”.
Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Olivieri, Antonio Carlos e Villa, Marco Antonio. Cronistas do descobri-
mento. São Paulo: Ed. Ática,1999, p.69. Na calçada da rua um marinheiro,
17| UDESC A obra Cronistas do descobrimento, Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Antonio Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa, Do vinho nos vapores se expandindo!
faz referência à história do descobrimento do Além um Espanhol eu vi sorrindo
Brasil. A literatura está dividida em diversas
estéticas literárias que também pontuam ca- Saboreando um cigarro feiticeiro,
racterísticas que se assemelham ou resgatam Enchia de fumaça o quarto inteiro.
elementos da história nacional. Com base nes- Parecia de gosto se esvaindo!
ta analogia, relacione as colunas.
Mais longe estava um pobretão careca
1. Literatura de Informação De uma esquina lodosa no retiro
2. Romantismo Enlevado tocando uma rabeca!
Venturosa indolência! não deliro
3. Modernismo
Se morro de preguiça... o mais é seca!
( ) A gênese da formação literária brasileira se
Desta vida o que mais vale um suspiro?
encontra, basicamente, no século XVI, consti-
tuem-na os relatos dos cronistas viajantes. AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: FTD, 1994. p. 183.

( ) Oswald de Andrade reestrutura a Carta de Exemplar da segunda parte de Lira dos vinte
Caminha em poemas, criando uma paródia e anos, o poema transcrito encarna o lado Cali-
sugerindo uma releitura crítica da história do ban do poeta, que se manifesta ao empregar a
Brasil. ironia como recurso para expressar

( ) A imagem do índio é resgatada por José de A uma distinção da imagem do artista, pre-
Alencar em obras indianistas. E assim, com ti- sente nos versos “De uma esquina lodosa
pos heroicos como Peri e Iracema, o autor cria no retiro / Enlevado tocando uma rabeca!”.

LITERATURA | ROMANTISMO 9
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

B uma visão pejorativa do homem, que se E Gonçalves Dias constrói uma imagem ide-
evidencia nos vocábulos do verso “Mais alizada do indígena, muito próxima dos
longe estava um pobretão careca”. modelos heroicos do medievalismo euro-
peu, e não deixa de criticar indiretamente,
C um rebaixamento da condição humana, o em alguns dos seus poemas, a invasão do
que se confirma na descrição depreciativa colonizador e as consequências desastro-
dos espaços, na terceira estrofe.
sas dela para o colonizado.
D uma perspectiva escandalizada da socie-
20| ACAFE Considerando o contexto histórico des-
dade, comprovada pela representação de-
crito no texto a seguir, assinale a alternativa
pravada dos sujeitos, na primeira estrofe.
correta quanto à produção literária no Brasil.
E um deboche da moralidade, visível nos
versos “Venturosa indolência! não deliro / “Na Europa, a segunda Revolução Industrial
Se morro de preguiça... o mais é seca!”. promovera modificações profundas. Inovações
tecnológicas desenvolveram a produção em
19| UFSM Partes da obra de José de Alencar e de massa de bens diversos. As cidades cresceram
Gonçalves Dias contribuem para criar uma muito (em detrimento do campo), e formou-se
imagem do indígena brasileiro, da sua relação um proletariado que logo começou a organi-
com o colonizador português e das consequ- zar-se politicamente. E, dentro desse contexto,
ências dessa relação. Tal imagem, no entanto, as artes mudaram: a belle époque assiste a
nem sempre é clara e única, permitindo dife- uma sucessão de movimentos artísticos revo-
rentes interpretações. lucionários.”
Sendo assim, todas as interpretações a seguir (LAFETÁ, 1982, p. 99)
são plausíveis, EXCETO:
A Na literatura rompeu-se com a tradição
A A maneira como a conversão de Poti à reli- clássica, imposta pelo período árcade, e
gião cristã é representada, no final de Ira- apresentaram- se novas concepções lite-
cema, explicita uma avaliação negativa da rárias, dentre as quais podem ser aponta-
sujeição dos indígenas à religião católica, das: a observação das condições do estado
como se tal aceitação resultasse na cor- de alma, das emoções, da liberdade, desa-
rupção moral do indígena. bafos sentimentais, valorização do índio, a
manifestação do poder de Deus através da
B Quando Iracema afirma “Tu és Moacir, o
nascido do meu sofrimento”, pode estar natureza acolhedora ao homem, a temáti-
sugerindo que, para um povo mestiço nas- ca voltada para o amor, para a saudade, o
cer, fruto da união de duas raças e duas subjetivismo.
culturas, foi necessário o sacrifício e o so- B Os escritores brasileiros abordaram a re-
frimento de nativos brasileiros. alidade social do país, destacando a vida
C O narrador exalta, em Iracema e Poti, a nos cortiços, o preconceito, a diferencia-
face “civilizada” dos nativos, fiéis, hospi- ção social, entre outros temas. O homem
taleiros e amigos do branco europeu, mas é encarado como produto biológico pas-
não deixa de destacar também a coragem sando a agir de acordo com seus instintos,
e a bravura daqueles que lutam por suas chegando a ser comparado com os ani-
terras e pela tradição indígena, opondo-se mais (zoomorfização).
ao invasor português, como Irapuã.
C O romance focou o regionalismo, princi-
D O poema “Marabá”, em que uma mes- palmente o nordestino, onde problemas
tiça, filha de índio e branco, lamenta o como a seca, a migração, os problemas do
desprezo dos homens de sua tribo por trabalhador rural, a miséria, a ignorância
não possuir o padrão de beleza que eles foram ressaltados. Além do regionalismo,
valorizam, sugere o conflito, o sentimento destacaram-se também outras temáticas;
de inadequação daqueles que nasceram surgiu o romance urbano e psicológico, o
dessa fusão de traços étnicos e culturais romance poético-metafísico e a narrativa
distintos. surrealista.

10 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

D As características comuns às obras literá- 04| C


rias brasileiras desse período são: a ruptu-
ra com a linguagem pomposa parnasiana; I. Falsa. As imagens fazem menção a ro-
a exposição da realidade social brasileira; mances, respectivamente: 1 indianista; 2
urbano; 3 regionalista; 4 perfil feminino e
o regionalismo; a marginalidade exposta
urbano; 5 histórico.
nas personagens e associação aos fatos
políticos, econômicos e sociais. II. Verdadeira. A imagem 1 faz referência aos
romances indianistas de José de Alencar: O
Guarani, Iracema e Ubirajara; a imagem 4
GABARITO está relacionada ao romance Senhora, no
qual Aurélia tem sua história apresentada;
01| D
finalmente, a imagem 5 pode fazer refe-
[Resposta do ponto de vista da disciplina de rência a As Minas de Prata, romance histó-
História] rico cuja ação se passa no Brasil Colônia.

O romance Til, de José de Alencar, passa-se na III. Falsa. A imagem 4 faz nítida referência a
Campinas da década de 1830. Nesse contexto, obras voltadas ao perfil feminino, uma das
a escravidão estava enraizada no Brasil, mar- temáticas que mais sucesso alcançou en-
tre os leitores de José de Alencar; mere-
cando e marginalizando as pessoas que viviam
cem destaque Senhora, Lucíola, Diva.
do trabalho braçal, característico dos escravos.
IV. Verdadeira. Os três romances citados vol-
[Resposta do ponto de vista da disciplina de tam-se a protagonistas mulheres cujas
Português] ações se desenvolvem no meio urbano.
Ao ver a enxada, Jão Fera associa o trabalho V. Falsa. As obras citadas realmente são con-
braçal que prestaria ao casal de velhinhos às sideradas romances urbanos, portanto as
atividades desempenhadas pelos escravos, imagens 1 e 3 não estão relacionadas a
percebido de forma preconceituosa por mui- elas.
tos daqueles que viviam o contexto históri-
co-social retratado por Til, obra de 1872. 05| D

02| A A alternativa correta é a [D], pois tanto o Rea-


lismo quanto o Naturalismo se desenvolveram
A morte de Moema, retratada por Victor Mei- a partir da segunda metade do século XIX e fo-
relles em 1866, pode ser considerada uma ram influenciados sobremaneira pela profusão
cena posterior, o que possivelmente acon- de teorias científicas da época.
teceu com a indígena no poema escrito pelo
frei Santa Rita Durão em 1781. Assim, o mes- 06| C
mo episódio aparece nas duas obras de forma O autor emprega um certo tom metafórico
complementar, isto é, a pintura de Meirelles é para compor uma situação ideal a fim de trans-
um desdobramento dos acontecimentos nar- correr a trama e, por sua vez, desenvolver o
rados em Caramuru. tema central que é o casamento por dinheiro.
03| C 07| C
O comentário de Antônio Cândido faz referên- A alternativa [A] está incorreta, pois Gonçalves
cia a uma obra que pretendeu apresentar, de Dias ficou conhecido por dedicar-se ao india-
forma abrangente, a cultura nacional, os costu- nismo.
mes urbanos, a história e as regiões brasileiras
com uma linguagem inovadora para a época Está incorreta também a alternativa [B], já que
e que, “sem perder a correção gramatical, se A moreninha é justamente um dos primeiros ro-
aproximasse da maneira brasileira de falar.” Se mances do Romantismo brasileiro por trazer vá-
acrescentarmos a estas características a men- rios elementos desse movimento, como a ide-
ção a costumes indígenas, podemos concluir alização do amor puro, a cultura nacional (por
que o crítico literário se referia à obra de José meio da lenda da gruta), o registro de costumes
de Alencar, como se menciona em [C]. (e não a sua ridicularização) e o final feliz.

LITERATURA | ROMANTISMO 11
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Quanto à alternativa [D], embora a obra Me- 10| C


mórias de um sargento de milícias possa ser
vinculada à estética romântica pelo registro de [C] Alternativa correta. Este trecho carrega
costumes, a impulsividade dos personagens traços do Romantismo típico dos folhetins
e o final feliz, de fato promove uma inversão do século XIX, como a exaltação da mulher
do Romantismo. O humor ocupa o centro da e a idealização de sua beleza e carisma,
narrativa e o herói romântico sofre uma “car- tudo com certo exagero, o que é bem típi-
navalização”. Por isso é considerada uma obra co desse período romântico, por exemplo:
que faz a transição para o Realismo, e isso se sua entrada como sempre foi um deslum-
dá justamente por centrar-se em personagens bramento ou todos os olhos voltaram-se
de classes sociais mais baixas. para ela, parecia que o baile se ajoelhava
para recebê-la com o fervor da adoração
Já a alternativa [E] não está correta porque (...) O pano de fundo era a sociedade bur-
Castro Alves se dedicou à temática dos negros guesa carioca da época.
escravizados e ficou conhecido como o “poeta
dos escravos”. 11| E
08| E [I] Incorreta. O livro Suspiros poéticos e sau-
dades tem o mérito de trazer o roman-
Os dois polos poéticos de Álvares de Azevedo
tismo europeu para o Brasil. O autor não
(ou, em suas palavras, a binomia em que orga-
continuou a carreira literária, mas apesar
niza sua obra) são marcados pela prevalência
do sentimentalismo exacerbado e idealizado, dos versos não serem considerados tão
principalmente pela mulher amada, na primei- belos na forma, ele narra as aventuras do
ra parte de Lira dos Vinte Anos, e da ironia e poeta em suas viagens e experiências em
autocrítica na segunda parte da obra. outras terras e histórias.

Por sua vez, Noite na Taverna é uma coletânea [II] Correta. Os poetas citados são represen-
de contos macabros, fruto da conversa de um tantes da segunda geração romântica no
grupo de amigos reunidos em uma taverna – Brasil, que enfatizava a confissão e o extra-
distante, portanto, da “marcante presença da vasamento das emoções mais subjetivas.
natureza”.
[III] Correta. Em Castro Alves tem-se uma poe-
09| A sia que trata de temas humanitários, como
a abolição da escravatura, como também
Álvares de Azevedo, como representante da 2ª prima pelos versos apaixonados.
geração do Romantismo brasileiro, preza pela
temática da morte – daí sua obsessão pela ca- 12| B
racterização pálida tanto do eu lírico (no po-
ema presente) como da mulher amada (em 13| B
outros poemas).
A morte como forma de libertação desta rea-
[B] Incorreta. Olavo Bilac, apesar de ser um lidade mundana e sofrida era um dos temas
poeta parnasiano, por vezes se aproxima mais caros da segunda geração romântica, so-
da subjetividade romântica, inclusive em bretudo em Álvares de Azevedo.
relação à morte.
14| E
[C] Incorreta. Cruz e Souza é um poeta simbo-
lista, não parnasiano. O Romantismo foi o primeiro movimento lite-
rário surgido após a Independência do Brasil.
[D] Incorreta. Os poemas realmente indicam Por essa razão, manifesta-se, quase que es-
preocupação formal, uma vez que se trata pontaneamente, um sentimento nacionalista
de sonetos decassilábicos com rígidos es- na literatura do período. Torna-se um dos mais
quemas de rima, porém o Arcadismo não
importantes objetivos dos escritores da época
seguia, obrigatoriamente, tal forma.
a definição de uma identidade nacional, que
[E] Incorreta. Os poemas são, respectivamen- refletisse as peculiaridades e a grandeza da pá-
te, romântico, parnasiano e simbolista. tria brasileira.

12 LITERATURA | ROMANTISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

15| A rentemente dos românticos, os modernis-


tas de 22 usavam de uma linguagem infor-
Apenas a opção [A] reproduz conceitos corre- mal, crítica e irônica.
tos sobre Gonçalves de Magalhães. Em 1836
publicou Suspiros poéticos e saudades, cujo [2] O Romantismo vê no índio a figura ideal
prefácio valeu como manifesto para o Roman- para substituir o cavaleiro medieval com
tismo brasileiro, sendo por isso considerado o seus valores de lealdade que tanto agra-
iniciador dessa escola literária, apesar de o res- davam aos leitores dos romances produzi-
tante da obra ser considerada fraca pela crítica dos na Europa.
literária. Ao contrário do que se afirma em [B] 18| E
e [C], Gonçalves Dias é um grande expoente da
Primeira Geração do Romantismo brasileiro da [A] Não há distinção da imagem do artista,
vertente indianista, diferente da Segunda, ul- mas ironia no trecho escolhido.
trarromântica. As características atribuídas a
José de Alencar e suas obras na opção [D] são [B] É uma visão pejorativa de um homem,
incorretas, pois nelas estão retratadas a cultu- mas ao chamá-lo de pobretão careca está
ra do povo, a história e as regiões brasileiras, sendo irônico.
em narrativas que usam linguagem inovadora [C] O rebaixamento da condição de alguns in-
para a época. A opção [E] é totalmente desca- divíduos permeia todo o poema.
bida em todas as suas assertivas. Assim, é cor-
reta apenas a opção [A]. [D] A representação da sociedade é irônica,
não escandalizada.
16| B
[E] Correta. O deboche da moralidade dá-se
A linha de continuidade entre os movimentos no orgulho de ser preguiçoso, no quão co-
Romântico e Naturalista, a partir da leitura
mum são esses homens pouco afeitos ao
do excerto, é a menção à fauna e à flora bra-
trabalho.
sileira. O movimento romântico empregou
a exaltação ao quadro físico brasileiro como 19| A
instrumento de definição da nação que se tor-
nava independente; o mesmo instrumental é A alternativa [A] é incorreta, pois o Roman-
empregado em O Cortiço com a descrição da tismo brasileiro, na sua vertente “indianista”,
natureza indicada no trecho, porém sem a ide- resgatou as raízes europeias transformando o
alização característica dos românticos. índio no “bom selvagem” de Rousseau, como
personagem de um povo colonizado em busca
17| C de auto-afirmação. Assim, a conversão de Poti
[1] A gênese da literatura brasileira começa à religião cristã é representada de forma posi-
com as primeiras cartas dos viajantes para tiva, reforçando a visão alencariana de que o
o rei de Portugal, por isso mesmo é cha- verdadeiro brasileiro seria resultante da fusão
mada de literatura de informação. das raças branca e indígena.

[3] Osvaldo de Andrade atendendo aos ape- 20| D


los estéticos do Modernismo faz uma As alternativas [A], [B] e [C] são incorretas.
releitura das cartas de Caminha transfor- Em [A] e [B], as referências dizem respeito ao
mando-as em poemas piadas. Romantismo e Naturalismo, respectivamente,
[1] O Romantismo em busca da criação de movimentos estético-literários que aconte-
uma cultura genuinamente brasileira, re- ceram em contextos históricos anteriores ao
toma a figura do índio só que bastante da “belle époque”. Em [C], faz-se referência à
idealizada, fazendo-o herói de uma pátria segunda fase do Modernismo no Brasil, poste-
que se consolidava culturalmente. rior, portanto, à “belle époque”. Assim, é cor-
reta apenas a alternativa [D], que caracteriza o
[1] Modernismo brasileiro também retoma o Pré-Modernismo no Brasil o qual abre espaço
passado para criar uma cultura nova, mas aos movimentos artísticos vanguardistas do
baseada em suas próprias origens. Dife- início do século XX.

LITERATURA | ROMANTISMO 13
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

REALISMO NATURALISMO

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09
PARNASIANISMO

01| UEMG O excerto a seguir faz referência às 02| UCS Sobre a literatura brasileira na transição
tendências literárias que predominaram na se- entre o final do século XIX e o início do século
gunda metade do século XIX. XX, é correto afirmar que

“O liame que se estabelecia entre o autor ro- A Aluísio Azevedo escreveu romances em
mântico e o mundo estava afetado de uma que os seres humanos são determinados
série de mitos idealizantes: a natureza-mãe, pela raça, pelo meio e pelo momento his-
tórico, dada a influência do cientificismo.
a natureza-refúgio, o amor-fatalidade, a mu-
lher-diva, o herói-prometeu, sem falar na aura B Machado de Assis era tido como o maior
que cingia alguns ídolos como a ‘Nação’, a ‘Pá- escritor brasileiro, porque foi o primeiro a
tria’, a ‘Tradição’, etc. O romântico não teme aderir ao Naturalismo e por ter fundado a
as demasias do sentimento nem os riscos da Academia Brasileira de Letras.
ênfase patriótica; nem falseia de propósito a
C Olavo Bilac, que retomou a estética ro-
realidade, como anacronicamente se poderia mântica, era considerado o Príncipe dos
hoje inferir: é a sua forma mental que está sa- Poetas.
turada de projeções e identificações violentas,
resultando-lhe natural a mitificação dos temas D Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi a pri-
que escolhe. Ora, é esse complexo ideo-afeti- meira obra naturalista do Brasil, pois nela
vo que vai cedendo a um processo de crítica se identificam as três raças em que se ba-
na literatura dita ‘realista’. Há um esforço, por seia a formação étnica brasileira.
parte do escritor antirromântico, de acercar-se E Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens
impessoalmente dos objetos, das pessoas. E foram os principais representantes do
uma sede de objetividade que responde aos Simbolismo brasileiro, estética que uniu a
métodos científicos cada vez mais exatos nas objetividade científica ao rigor formal.
últimas décadas do século.”
03| UFG Leia o trecho a seguir.
(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cul-
trix, 1994, p. 167. Adaptado.)
E assim ia correndo o domingo no cortiço até
Em A mão e a luva, estão presentes os seguin- às três da tarde, horas em que chegou mestre
tes elementos: Firmo, acompanhado pelo seu amigo Porfiro
[…].
A demasias do sentimento, descrição impar-
cial de objetos e personagens, convenções [Firmo] Era oficial de torneiro, oficial perito e
sociais. vadio; ganhava uma semana para gastar num
dia; às vezes, porém, os dados ou a roleta mul-
B mulher-diva, foco narrativo em 1ª pessoa, tiplicavam-lhe o dinheiro, e então ele fazia
descrição idealizada do Rio de Janeiro. como naqueles últimos três meses: afogava-se
numa boa pândega com a Rita Baiana. A Rita
C falseamento proposital da realidade, mitifi-
ou outra. “O que não faltava por aí eram saias
cação do amor e da natureza, patriotismo.
para ajudar um homem a cuspir o cobre na
D sede de objetividade, identificações vio- boca do diabo!”
lentas, foco narrativo em 3ª pessoa. AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 20. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 62.

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 1


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

As aspas são um recurso gráfico que dão des- 05| UPF Leia as seguintes afirmações sobre os pe-
taque a determinada parte de um texto. No ríodos literários e assinale com V as verdadei-
trecho transcrito de O cortiço, elas realçam ras e com F as falsas.

A um pensamento do narrador, que exem- ( ) A arte literária barroca emprega figuras de lin-
guagem que indicam oposições, evidenciando
plifica a reputação de desregrado atribuí-
a presença de um homem dividido entre as
da a Firmo. coisas celestes e as coisas terrenas, ou seja, um
B uma fala de Firmo, que comprova seu re- conflito entre valores tradicionalistas, ligados à
consciência medieval, e valores progressistas,
lacionamento pândego com Rita Baiana.
que surgem com o avanço do racionalismo
C um pensamento dos moradores do cor- burguês.
tiço sobre Firmo, que concorda com sua ( ) Os árcades idealizam a vida no campo, por
imagem de mulato vadio. meio da poesia de temática pastoril, constru-
ída com ideias claras e simplicidade estilística.
D uma fala de Rita Baiana, que reafirma a
ideia do narrador a respeito da fama de ( ) Para o escritor simbolista, a poesia deve preo-
mulherengo de Firmo. cupar-se com a representação da vida objetiva,
os fatos em desenvolvimento na realidade, en-
E uma fala de Porfiro, que valida a perspec- quanto à prosa cabe a representação estática,
tiva determinista de ociosidade do ele- isto é, uma construção literária na qual não
mento mestiço. aparece o fluir do tempo.

04| UEPA Assinale a alternativa que contém o tre- ( ) A arte literária parnasiana prima pela clareza
sintática e pela correção e nobreza do vocabu-
cho em que Machado de Assis utiliza, como re-
lário, bem como pelas composições de caráter
curso literário de comunicação, a prosopopeia. eminentemente confessional.
A – (...) Olhe a pamonha da Beatriz; não foi A sequência correta de preenchimento dos pa-
agora para a roça só porque o marido im- rênteses, de cima para baixo, é:
plicou com um inglês que costumava pas-
sar a cavalo de tarde? (Capítulo dos Cha- A V – V – V – F.
péus). B F – V – F – V.
B Duas ou três amigas, nutridas de aritméti- C V – V – F – F.
ca, continuavam a dizer que ela perdera a
D V – V – F – V.
conta dos anos. (Uma Senhora).
E F – F – V – V.
C Tinha toda a vida nos olhos; a boca meio
aberta, parecia beber as palavras da sobri- 06| ESPM
nha, ansiosamente, como um cordial*. (D.
Paula).

* medicamento que fortalece.

D Mariana aceitou; um certo demônio so-


prava nela as fúrias da vingança. (Capítulo
dos Chapéus).

E Nunca encontro esta senhora que me não


lembre a profecia de uma lagartixa ao po-
eta Heine subindo os Apeninos: “Dia virá
(...) desde que Jerônimo propendeu para ela,
em que as pedras serão plantas, as plantas
fascinando-a com a sua tranquila seriedade de
animais, os animais homens e os homens animal bom e forte, o sangue da mestiça recla-
deuses.” (Uma Senhora). mou os seus direitos de apu­ração, e Rita pre-

2 LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

feriu no europeu o macho de raça superior. O D possuir subjetivismo, egocentrismo e sen-


cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às impo- timentalismo, ampliando a experiência da
sições mesológicas, enfarava a esposa, sua con- sondagem Interior e preparando o terreno
gênere, e queria a mulata, porque a mulata era para investigação psicológica.
o prazer, a vo­lúpia, era o fruto dourado e acre
destes ser­tões americanos, onde a alma de Je- E pretender ser universal, utilizando-se de
rônimo aprendeu lascívias de macaco e onde uma linguagem objetiva, que busca a con-
seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes. tenção dos sentimentos e a perfeição for-
(Aluísio Azevedo, O Cortiço) mal.

Tendo em vista as características naturalis­tas e 08| UFG No romance O cortiço, de Aluísio Azeve-
cientificistas, sobretudo do Determinis­mo, que do, tem-se a representação da prestação de
predominam no romance O Cortiço, o trecho serviços domésticos na sociedade carioca do
(assinale o item não pertinente): século XIX. Nesse sentido, a relação entre o
enredo e o espaço do trabalho doméstico de
A explicita a personagem que age de acor­ tal período se expressa pelo fato de que
do com os impulsos característicos de sua
raça. A Piedade se torna lavadeira no Brasil, de-
monstrando que os serviços domésticos
B põe em evidência o zoomorfismo, em que
eram realizados por pessoas de diversas
se destacam os elementos instintivos de
classes sociais.
prazer, sensualidade e desejo.
B Bertoleza serve João Romão como criada
C faz alusão à competição entre os mais
fortes (europeus) e os mais fracos (bra­ e amante, o que expressa a presença da
sileiros). cultura escravista em ambiente urbano.

D ressalta o homem sucumbindo aos fatores C Pombinha se muda para a casa de Léonie,
preponderantes do meio. comprovando a possibilidade de ascensão
social por meio da prostituição.
E condena veladamente o sexo e defende
indiretamente os princípios morais. D Rita Baiana se destaca como exímia dan-
çarina, o que reafirma o exercício das ati-
07| ESPCEX Quanto à poesia parnasiana, é correto vidades artísticas como uma especialida-
afirmar que se caracteriza por de feminina.
A buscar uma linguagem capaz de sugerir E Nenen se especializa como engomadeira,
a realidade, fazendo, para tanto, uso de o que mostra a incorporação do modelo
símbolos, imagens, metáforas, sinestesias, fordista de produção ao ambiente familiar.
além de recursos sonoros e cromáticos,
tudo com a finalidade de exprimir o mun- 09| UFRGS Considere as seguintes afirmações so-
do interior, intuitivo, antilógico e antirra- bre Esaú e Jacó, de Machado de Assis.
cional.
I. Pedro e Paulo, os filhos gêmeos do casal
B cultivar o desprezo pela vida urbana, res- Santos, odeiam-se desde o ventre mater-
saltando o gosto pela paisagem campes- no, fato insinuado pela cabocla do morro
tre; elevar o Ideal de uma vida simples, do Castelo e percebido por sua mãe, Nati-
integrada à natureza; conter nos poemas vidade, o que caracteriza uma disposição
elementos da cultura greco-latina; apre- hereditária que alinha o romance com a
sentar equilíbrio espiritual, racionalismo. tendência naturalista e determinista da
época.
C apresentar interesse por temas religiosos,
refletindo o conflito espiritual, a morbidez II. Os longos trechos digressivos da narrati-
como forma de acentuar o sentido trágico va estão em sintonia com as intervenções
da vida, além do emprego constante de do Conselheiro Aires e marcados por co-
figuras de linguagem e de termos requin- mentários repletos de ironia, erudição e
tados. humor; comentários que podem incidir

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 3


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

inclusive sobre as expectativas do público ( 4 ) Imergindo em um mundo de acontecimen-


leitor, como fica claro no capítulo XXVII, tos corriqueiros, o narrador revela o olhar da
De uma reflexão intempestiva. protagonista sobre a realidade circundante.
E é assim, através da observação das peque-
III. O Conselheiro Aires mantém uma relação nas coisas e pelo resgate de memória, que a
polida com o banqueiro Santos, a quem personagem vai percebendo o mundo e am-
considera intelectualmente limitado e pliando sua consciência sobre o mesmo. É a
moralmente condenável, embora Aires menina que se encanta com um universo de
reconheça sua dedicação à família, que o descobertas, de tonalidades e movimentos, de
leva a tentar amenizar a hostilidade entre acontecimentos e sensações, que se constitui
os filhos e a auxiliar com estímulos finan- em sujeito-mulher no imaginário do leitor.
ceiros os parentes pobres.
CITAÇÃO
Quais estão corretas?
( ) “Talvez ele houvesse exigido em demasia, sem
A Apenas I. levar em conta a maneira de ser de sua mulher,
B Apenas II. querendo transformá-la de um dia para outro
numa senhora de alta roda, da nata ilheense,
C Apenas I e II. arrancando-lhe quase à força hábitos arraiga-
dos. Sem paciência para educá-la aos poucos.
D Apenas II e III.
Ela queria ir ao circo, ele a arrastava à confe-
E I, II e III. rência enfadonha, soporífera. Não a deixava
rir por um tudo e por um nada como era seu
10| ACAFE Correlacione as colunas a seguir, con- costume. Repreendia-a a todo momento, por
siderando o comentário com a citação res- ninharias, no desejo de torná-la igual às senho-
pectiva. ras dos médicos e advogados, dos coronéis e
comerciantes. Não fale alto, é feio, cochichava-
COMENTÁRIO
lhe no cinema. Sente-se direito, não estenda as
( 1 ) A protagonista de A Hora da Estrela reproduz pernas, feche os joelhos. Com esses sapatos,
cotidianamente o papel imposto pelo masculi- não. Bote os novos, para que tem? Ponha um
no e concretiza, na sua existência rala, o proje- vestido decente. Vamos hoje visitar minha tia.
to identitário silenciosamente gestado no úte- Veja como se comporta.”
ro da cultura.
( ) “[...] segue num encantamento. Sua sombra se
( 2 ) Simone Beauvoir, em 1949, através da afirma- espicha na escada. Como a vida é boa! E como
ção: “ninguém nasce mulher: torna-se mu- seria mil vezes melhor, se não houvesse esta
lher”, traz uma importante reflexão sobre a necessidade (necessidade não: obrigação) de
categorização de ser mulher ou homem em ir para o colégio, de ficar horas e horas curva-
nossa sociedade. Sua intenção, com essa frase da sobre a classe, rabiscando números, escre-
era questionar sobre a suposta relação hierár- vendo frases e palavras, aprendendo onde fica
quica entre o sexo biológico e a construção ca- o Cabo da Boa Esperança, quem foi Tomé de
tegorial da mulher, ou seja, os comportamen- Sousa, em quantas partes se divide o corpo hu-
tos e atribuições nomeadas como “coisas de mano, como é que se acha a área de um triân-
mulher” são formuladas pela sociedade. Entre gulo...”
esses comportamentos e atribuições, inclui-se
( ) “Só depois é que pensava com satisfação: sou
o perfil da mulher casada que deve obedecer a
datilógrafa, e virgem, e gosto de coca-cola. Só
certos padrões de comportamentos.
então vestia-se de si mesma, passava o resto
( 3 ) Ela era uma mulher prendada que possuía os do dia representando com obediência o papel
dotes da família conservadora, mas também de ser.”
tinha seu lado emancipatório, questionava e
( ) “[...] Paixões de largos anos, chegando ao ca-
tentava colocar suas ideias; o modelo patriar-
samento, acabam muitas vezes pela separação
cal era ainda muito forte e ela não conseguiu
ou pelo ódio, quando menos pela indiferença.
mudar.

4 LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

O amor não é mais que um instrumento de es- ( ) A designação de Casmurro resultou do fato
colha; amar é eleger a criatura que há de ser de a personagem Bento Santiago, durante um
companheira na vida, não é afiançar a perpé- percurso de trem, não ter dado atenção a um
tua felicidade de duas pessoas, porque essa jovem poeta que lhe solicitou ouvir os versos
pode esvair-se ou corromper-se. Que resta à que havia criado, dele recebendo a alcunha
maior parte dos casamentos, logo após os anos que deu título ao livro.
de paixão? Uma afeição pacífica, a estima, a in-
timidade. Não peço mais ao casamento, nem ( ) O comprometimento do narrador-persona-
lhe posso dar mais do que isso.” gem, em Dom Casmurro, difere dos temas
dos demais romances realistas porque não é o
A sequência correta, de cima para baixo, é: adultério, porém a dúvida e o ciúme.
A 3 - 1 - 2 - 4 ( ) Em “A margem da alegria”, “A menina de lá” e
B 2 - 4 - 1 - 3 “Os cimos”, as personagens centrais são crian-
ças. No primeiro e no terceiro conto, os pro-
C 4 - 2 - 3 - 1 tagonistas são meninos e, no segundo, como
D 1 - 3 - 4 - 2 o próprio título denuncia, a protagonista é
Nhinhinha, uma menina que mora num brejo
11| UEPA No conto O Moinho, de Eça de Queirós, chamado Temor de Deus.
o gênero de comunicação textual chamado
carta, - hoje em parte, substituído pelo e-mail ( ) Em “A menina de lá”, a linguagem de Guima-
– é usado para: rães Rosa e o falar da protagonista Nhinhinha
assemelham-se. A personagem, da mesma for-
A Adrião comunicar a seu primo João Couti- ma que o autor, faz uso de expressões poéti-
nho que iria à vila onde este morava. cas, tais como: “A gente não vê quando o ven-
to se acaba” e “O passarinho desapareceu de
B Maria da Piedade enviar a Adrião os ver-
cantar”. Além disso, cria também neologismo,
sos apaixonados que escrevera após o bei-
tal como o verbo xurugar, na terceira pessoa,
jo que este lhe dera no moinho.
em “Ele xurugou?”, por exemplo.
C Os maledicentes da vila denunciarem o
( ) Os contos “A terceira margem do rio” e “Fami-
amor ilícito de Maria da Piedade.
gerado”, pertencentes à obra Primeiras histó-
D Adrião enviar a Maria da Piedade trechos rias, de Guimarães Rosa, da mesma forma que
de seus romances ainda inéditos. Dom Casmurro, possuem narradores-perso-
nagens. No primeiro, o relato é realizado pelo
E João Coutinho comunicar a Adrião que filho que se propõe a ocupar o lugar do pai,
Maria da Piedade vendera, por bom pre- mas, no exato momento, desiste. No segundo,
ço, sua fazenda. o narrador é a personagem consultada sobre o
12| UPE Machado de Assis e Guimarães Rosa são significado da palavra que dá título ao conto.
contistas e romancistas representativos de Assinale a alternativa que contém a sequência
momentos diferentes da Literatura Brasileira. CORRETA.
Ambos foram tão inventivos em suas narrati-
vas que se tornaram dignos representantes da A V – V – F – V – V
ficção brasileira, respeitados como tal no Brasil
B V – V – F – F – F
e no exterior.
C F – F – F – F – F
Após a análise dos itens sobre o romance Dom
Casmurro e a coletânea de contos Primeiras D V – V – V – F – F
histórias, analise as afirmativas abaixo, assina-
lando V nas Verdadeiras e F nas Falsas. E V – V – V – V – V

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 5


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

13| UPF Leia as seguintes afirmações sobre a obra TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES:
Quincas Borba de Machado de Assis.
O melro veio com efeito às três horas. Luísa es-
I. O autor realiza uma profunda análise so- tava na sala, ao piano.
cial, revelando ceticismo em relação à
sociedade de seu tempo e em relação à – Está ali o sujeito do costume – foi dizer Juliana.
espécie humana. Luísa voltou-se corada, escandalizada da ex-
II. Sofia é uma personagem ambígua, astu- pressão:
ciosa e cerebral, que se distancia da fragi-
– Ah! meu primo Basílio? Mande entrar.
lidade das heroínas românticas.
E chamando-a:
III. A afeição de Sofia por Rubião, principal-
mente no final da narrativa, deixa trans- – Ouça, se vier o Sr. Sebastião, ou alguém, que
parecer a preocupação universal diante da entre.
dor humana.
Era o primo! O sujeito, as suas visitas perderam
Está correto apenas o que se afirma em: de repente para ela todo o interesse picante.
A sua malícia cheia, enfunada até aí, caiu, en-
A I e III.
gelhou-se como uma vela a que falta o vento.
B II e III. Ora, adeus! Era o primo!

C I e II. Subiu à cozinha, devagar, — lograda.

D I. – Temos grande novidade, Sra. Joana! O tal pe-


ralta é primo. Diz que é o primo Basílio.
E II.
E com um risinho:
14| UFRGS Considere o seguinte trecho de Esaú e
Jacó. – É o Basílio! Ora o Basílio! Sai-nos primo à úl-
tima hora! O diabo tem graça!
__________ não tinha as mesmas expansões.
Era alto, e o ar sossegado dava um bom as- – Então que havia de o homem ser se não pa-
pecto de governo. Só lhe faltava ação, mas a rente? – observou Joana.
mulher podia inspirar-lhe; nunca deixou de
consultá-la nas crises da presidência. Agora Juliana não respondeu. Quis saber se estava
mesmo, se lhe desse ouvidos já teria ido pedir o ferro pronto, que tinha uma carga de roupa
alguma coisa ao governo, mas neste ponto era para passar! E sentou-se à janela, esperando.
firme, de uma firmeza que nascia da fraqueza: O céu baixo e pardo pesava, carregado de ele-
“Hão de chamar-me, deixa estar”, dizia ele a tricidade; às vezes uma aragem súbita e fina
__________, quando aparecia alguma vaga de punha nas folhagens dos quintais um arrepio
governo provincial. Certo é que ele sentia a ne- trêmulo.
cessidade de tornar à vida ativa. Nele a Política
era menos uma opinião que uma sarna; preci- – É o primo! – refletia ela. – E só vem então
sava coçar-se a miúdo e com força. quando o marido se vai. Boa! E fica-se toda no
ar quando ele sai; e é roupa-branca e mais rou-
Assinale a alternativa que preenche correta e pa-branca, e roupão novo, e tipoia para o pas-
respectivamente as lacunas do texto acima. seio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo
fica na família!
A Gouveia – D. Rita
Os olhos luziam-lhe. Já se não sentia tão logra-
B Nóbrega – D. Rita
da. Havia ali muito “para ver e para escutar”. E
C Batista – D. Rita o ferro estava pronto?
D Nóbrega – D. Cláudia Mas a campainha, embaixo, tocou.
(Eça de Queirós. O primo Basílio, 1993.)
E Batista – D. Cláudia

6 LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

15| UNIFESP Considere o antepenúltimo parágra- D da indiscrição da criada ao referir-se ao ra-


fo do texto. paz, o qual, apesar do vínculo familiar, não
Nas reflexões de Juliana, está sugerido o que era visita frequente na casa da patroa.
acaba por ser o tema gerador desse romance E da ambiguidade que se pode entrever nas
de Eça de Queirós, a saber: palavras da criada, referindo-se com ironia
A o amor impossível, em nome do qual Luísa às frequentes visitas de Basílio à patroa.
abandona o marido. 18| UFPA Em fevereiro de 1897, o poeta Olavo Bi-
B a vingança, em que Luísa vitima seu aman- lac substitui o já renomado romancista Macha-
te Basílio. do de Assis na função de cronista do periódico
fluminense Gazeta de Notícias. A crônica, que
C o triângulo amoroso, em que Basílio ocu- no século XIX cumpre a função de registrar as
pa o lugar de amante. questões mais prementes do dia, fossem polí-
ticas, culturais ou literárias, é o gênero ao qual
D o casamento por interesse, mediante a se dedicará o poeta conhecido como um dos
compra do amor de Basílio. mestres do verso parnasiano.
E o casamento por conveniência, no qual A respeito da crônica “A prostituição infantil”, é
Luísa foi lograda. correto afirmar que Olavo Bilac
16| UNIFESP A leitura do trecho de O primo Basí- A assume uma postura neutra com relação
lio, em seu conjunto, permite concluir correta- à prostituição e exploração do trabalho
mente que essa obra infantil que grassavam nas ruas do Rio de
A expõe a sociedade portuguesa da época Janeiro de fins do século XIX.
para recuperar a tradição e os vínculos so- B narra seu encontro noturno com uma
ciais. criança que vendia flores, demonstra sua
B traz as relações humanas de forma idealis- indignação com a prostituição e explora-
ta, ainda que recupere a ideologia vigente. ção do trabalho infantil, pondo sua verve
literária a serviço de uma causa social.
C retrata a sociedade portuguesa da época
C considera que a prostituição e o trabalho
de forma romântica e idealizada.
infantil não são um problema social no Rio
D faz explicitamente a defesa das institui- de Janeiro de sua época.
ções sociais, como a família.
D afirma que todos têm “mais o que fazer”,
E faz um retrato crítico da sociedade portu- de forma que não interessa a ele e aos lei-
guesa da época, exibindo os seus costu- tores o destino das meninas que se prosti-
mes. tuem e vendem flores aos passantes.

17| UNIFESP Quando é avisada de que Basílio es- E elogia a polícia por ter dado fim à prosti-
tava em sua casa, Luísa escandaliza-se com a tuição e ao trabalho infantil nas ruas do
forma de expressão de sua criada Juliana. A re- Rio de Janeiro.
ação de Luísa decorre 19| ENEM Mal secreto
A da linguagem descuidada com que a cria- Se a cólera que espuma, a dor que mora
da se refere a seu primo Basílio, rapaz cor-
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
tês e de família aristocrática.
Tudo o que punge, tudo o que devora
B da intimidade que a criada revela ter com O coração, no rosto se estampasse;
o Basílio, o que deixa a patroa enciumada
com o comentário. Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
C do comentário malicioso que a criada faz
à presença de Basílio, sugerindo à patroa Quanta gente, talvez, que inveja agora
que deveria envolver-se com o rapaz. Nos causa, então piedade nos causasse!

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 7


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Quanta gente que ri, talvez, consigo


GABARITO
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa! 01| A
Quanta gente que ri, talvez existe, Considerando peculiaridades da obra macha-
Cuja ventura única consiste diana em sua fase inicial, sabe-se que em A
Em parecer aos outros venturosa! mão e a luva o autor evidencia as demasias do
CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia.
sentimento por intermédio de uma típica per-
Brasília: Alhambra, 1995. sonagem romântica, Estêvão, assim como as
convenções sociais, exemplificadas na necessi-
Coerente com a proposta parnasiana de cui-
dade de uma mulher se casar – mesmo que a
dado formal e racionalidade na condução te-
escolha não esteja alicerçada nos sentimentos,
mática, o soneto de Raimundo Correia reflete
mas em uma troca de interesses; finalmente, a
sobre a forma como as emoções do indivíduo
descrição imparcial de objetos e personagens
são julgadas em sociedade. Na concepção do
eu lírico, esse julgamento revela que se dá por intermédio do foco narrativo em 3ª
pessoa.
A a necessidade de ser socialmente aceito
leva o indivíduo a agir de forma dissimu- Vale ressaltar a escolha de Machado de Assis
lada. pela não-idealização de qualquer elemento da
obra, traço que lhe é característico; do mesmo
B o sofrimento íntimo torna-se mais ameno modo, a narrativa machadiana não se inclina
quando compartilhado por um grupo so-
ao polo oposto, aproximado ao Naturalismo.
cial.
Ao contrário: o autor foi um crítico da exposi-
C a capacidade de perdoar e aceitar as dife- ção promovida por esse estilo literário.
renças neutraliza o sentimento de inveja.
02| A
D o instinto de solidariedade conduz o indi-
víduo a apiedar-se do próximo. [A] Correta. Uma das principais característi-
cas do naturalismo é o cientificismo, origi-
E a transfiguração da angústia em alegria é nando o determinismo da época, no qual
um artifício nocivo ao convívio social. se acreditava que o homem é, irremedia-
20| UNIFESP Leia os versos de Cesário Verde. velmente, fruto do meio em que vive.

Duas igrejas, num saudoso largo, [B] Machado de Assis inaugurou o Realismo
brasileiro com Memórias Póstumas de
Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero: Brás Cubas.
Nelas esfumo um ermo inquisidor severo,
[C] Olavo Bilac foi o poeta mais popular do
Assim que pela História eu me aventuro e alargo. Parnasianismo brasileiro.
(www.astormentas.com)
[D] O livro Os Sertões, de Euclides da Cunha,
Em relação à Igreja, o eu lírico assume, nesses foi publicado em 1902, bem depois da es-
versos, uma posição treia do Naturalismo brasileiro com O Mu-
lato, de Aluísio de Azevedo.
A anticlerical.
[E] Apesar do rigor formal inerente aos po-
B submissa.
etas do período, seja no Brasil seja com
C evangelizadora. Baudelaire na França, foi uma estética car-
regada de emoções, sensações, paixões,
D saudosista.
tudo de maneira profunda e forte, longe
E ambígua. de qualquer objetividade.

8 LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| B pelo mundo burguês culto em ascendên-


cia e expansão que passava a questionar
Este trecho é bastante expressivo em sua con- os valores e o comportamento do clero
cepção gráfica: lê-se a introdução de um per- perante a sociedade.
sonagem através de um colchete em início de
parágrafo. Conceito original, portanto, passível [V] Os árcades faziam uma poesia que prima-
de interpretações. A alternativa [A] seria total- va pela simplicidade vocabular e estilística,
mente viável, não fosse o personagem de Fir- pela tonalidade clássica de sua linguagem
mo ser introduzido desta maneira na narrativa. e expressão e pela idealização da vida bu-
A alternativa [C] também seria viável, caso o cólica, mais próxima da natureza do que
narrador fizesse alguma menção a respeito do das cidades.
pessoal morador do cortiço. A alternativa [D]
está errada por outro motivo, talvez para man- [F] A poesia simbolista procurava criar uma
ter a verossimilhança necessária: dificilmente atmosfera sensual e onírica desvinculada
uma mulher falaria assim de seu amante. A al- do mundo real, mas sensível e expressiva
ternativa [E] também está errada porque a fala por estimular os sentidos e as sensações
trata de uma visão moral, independentemente através das metáforas e sinestesias. O sim-
do determinismo permear por todas as tramas bolismo é um movimento estético emi-
da narrativa. A alternativa [B] é a correta, pelo nentemente poético.
fato do personagem estar implicitamente pre- [F] A arte parnasiana primava pela nobreza vo-
sente na narrativa através dos colchetes, fazen- cabular, mas suas composições não tinham
do parecer um narrador, em segundo plano. A tom confessional por exigirem distancia-
fala metafórica, quase proverbial, endossa a mento do eu lírico perante a realidade.
visão popular e estereotipada da mulher que
gosta de dinheiro que aguenta tudo ao lado 06| E
do fanfarrão, indicado pelas metonímias: saia Ao considerar as características naturalistas, o
e cobres e pela metáfora composta pela boca trecho de O Cortiço não condena veladamente
do diabo. No discurso, o narrador emprega a o sexo – ao contrário, estimula-o entre Jerô-
fala típica do malandro que estava se forman- nimo e Rita Baiana; além disso, não defende
do nos morros cariocas. os princípios morais, uma vez que o principal
tema abordado é o adultério.
04| E
07| E
A prosopopeia, também denominada perso-
nificação ou animismo, consiste na atribuição A alternativa [A] apresenta características do
do dom da palavra, sentimento ou ação a se- Simbolismo; a [B], do Arcadismo; a [C], do Bar-
res inanimados ou irracionais. Assim, é correta roco; e a [D], do Romantismo. Assim, é correta
a alternativa [E], trecho em que uma lagartixa a alternativa [E], que aponta alguns dos aspec-
adquire a qualidade de profeta. tos fundamentais do Parnasianismo.
05| C 08| B
[V] O movimento Barroco brasileiro foi in- Bertoleza, em troca do pagamento de uma su-
fluenciado pelo Barroco espanhol. Sua es- posta alforria que iria lhe comprar João Romão,
tética foi criada a partir de figuras de lin- trabalha sem parar para ajudá-lo nos negócios,
guagem que destacavam as contradições servindo-se de empregada doméstica sem sa-
como forma de expressão: as antíteses, lário, de empregada na pensão e de amante,
paradoxos e oxímoros, como também fa- o que por si só já se configura a escravidão na
zendo uso, não raro, com certo exagero, relação entre os dois.
das inversões sintáticas e do preciosismo
09| B
vocabular e imagético. Os valores estéti-
cos do período passam a retratar as con- O item [I] é incorreto, pois a obra “Esaú e Jacó”
tradições criadas por um lado pela igreja pertence à fase do Realismo psicológico de
extremamente repressora e por outro Machado de Assis. Nesta fase, o autor vai mos-

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 9


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

trar a ambiguidade fundamental do ser huma- 14| E


no de forma subtil e irônica, sem recorrer às
técnicas literárias do Naturalismo em que os No fragmento do texto, podem observar-se
mecanismos hereditários, de meio ou condi- algumas das características de Batista, pai de
cionados pelo momento histórico determinam Flora e marido de D. Cláudia: conservador, sem
o final trágico dos personagens. A afirmativa opinião firme, sempre disposto a adaptar-se
[III] é incorreta também, porque Santos não
ao que lhe fosse mais conveniente para a as-
auxilia financeiramente os parentes. Assim, é
censão na carreira política. Assim, é correta a
correta apenas a alternativa [B].
alternativa [E].
10| B
15| C
A primeira citação reflete as preocupações de
Nacib sobre as exigências que havia feito a Ga- Trata-se do tema do adultério, na perspectiva
briela, exigências típicas do perfil de mulher crítica do Realismo-Naturalismo. Luísa, jovem
casada na sociedade conservadora e sobre o sonhadora e ociosa, envolve-se com Basílio que
qual se debruça Simone de Beauvoir. A segun- se serve de recursos típicos de um conquistador
da reproduz a fantasia da personagem Claris- capaz de seduzir qualquer mulher para trans-
sa, no romance Clarissa, de Érico Veríssimo. A
formá-la em sua amante. Ao mesmo tempo,
terceira apresenta uma das falas de Macabeia,
personagem da obra A hora da estrela, de Cla- o romance coloca em evidência a decadência
rice Lispector. A quarta refere-se ao perfil da moral e a hipocrisia que dominam o cenário da
personagem do livro Helena, de Machado de cidade de Lisboa na segunda metade do século
Assis. Assim, a alternativa correta é [B]: 2 – 4 – XIX. Assim, é correta a alternativa [C].
1 – 3.
16| E
11| A
É correta a alternativa [E], pois, em O primo
O único momento da narrativa em que uma Basílio, Eça de Queirós faz uma análise da famí-
carta vai desencadear a onda de acontecimen- lia burguesa urbana no século XIX, uma sátira à
tos que constituem o enredo de “O moinho” é
hipocrisia da sociedade da época.
quando João Coutinho recebe uma do seu pri-
mo Adrião, para anunciar que iria chegar à vila 17| E
em duas ou três semanas.
A expressão “sujeito do costume” expressa a
12| E
visão irônica e crítica de Juliana sobre o fato
Como todas as proposições são verdadeiras, é de Luísa, na ausência do marido, receber fre-
correta a opção [E]. quentemente uma pessoa do sexo masculino
que não pertencia ao círculo de amigos que
13| C
normalmente frequentava aquela casa. Assim,
[I] Correto. O autor mostra o mundo da cor- é correta a alternativa [E].
te, das amizades interesseiras, do mundo
das aparências acima de tudo, o que per- 18| B
mite uma crítica ácida à sociedade bur-
guesa. Olavo Bilac, em “A prostituição infantil”, consi-
dera as crianças como vítimas de um sistema
[II] Correto. Sofia era uma mulher sem es- injusto que existe na sociedade em geral e para
crúpulos, oportunista, ambiciosa, muito o qual não consegue prever solução, chegan-
longe da descrição de uma heroína ro-
do a dizer que uma “morte providencial” se-
mântica.
ria talvez a melhor sorte para essas crianças
[III] Incorreto. Nunca Sofia nutriu por Rubião ultrajadas e desamparadas, o que descarta as
nenhum tipo de afeto, apenas interesses alternativas [A], [C], [D] e [E]. Assim, é correta
estavam em jogo. apenas a alternativa [B].

10 LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

19| A
No soneto “Mal secreto”, de Raimundo Cor-
reia, o eu lírico expressa a sensação de que o
comportamento social do indivíduo pode dissi-
mular as agruras de uma vida penosa que não
quer revelar a ninguém. Na última estrofe, os
versos “Quanta gente que ri, talvez, consigo/
guarda um atroz, recôndito inimigo” explicam
que o indivíduo age muitas vezes de forma dis-
simulada para ser socialmente aceito, como se
afirma em [A].
20| A
Nesta estrofe, o poeta associa a imagem das
duas igrejas ao papel desonroso do catolicismo
durante o período em que a Inquisição conde-
nava e mandava executar os que considerava
propagadores de heresias: “um ermo inquisi-
dor severo”. Assim, o eu lírico assume, nesses
versos, uma posição anticlerical, como se defi-
ne em [A].

LITERATURA | REALISMO NATURALISMO PARNASIANISMO 11


LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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PRÉ-MODERNISMO - PARTE 01 10

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: C faz com que o tempo da narrativa se dis-
Não era feio o lugar, mas não era belo. Tinha, tancie, até certo ponto, do tempo do leitor.
entretanto, o aspecto tranquilo e satisfeito de D torna o texto mais denso de significação, na
quem se julga bem com a sua sorte. medida em que institui lacunas temporais.
A casa erguia-se sobre um socalco, uma espé- TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES:
cie de degrau, formando a subida para a maior
altura de uma pequena colina que lhe corria A PRESSA DE ACABAR
nos fundos. Em frente, por entre os bambus
da cerca, olhava uma planície a morrer nas Evidentemente nós sofremos agora em todo o
montanhas que se viam ao longe; um regato mundo de uma dolorosa moléstia: a pressa de
de águas paradas e sujas cortava-as paralela- acabar. Os nossos avós nunca tinham pressa.
mente à testada da casa; mais adiante, o trem Ao contrário. Adiar, aumentar, era para eles
passava vincando a planície com a fita clara de a suprema delícia. Como os relógios, nesses
sua linha campinada [...]. tempos remotos, não eram maravilhas de pre-
BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Penguin &
cisão, os 1homens mediam os dias com todo o
Companhia das Letras. p.175. cuidado da atenção.
01| No excerto, narração e descrição Sim! Em tudo, 2essa estranha pressa de aca-
bar se ostenta como a marca do século. Não
A são elaboradas com a finalidade de con-
há mais livros definitivos, quadros destinados
ferir mais agilidade e maior dinamismo à
a não morrer, ideias imortais. Trabalha-se mui-
trama do romance.
to mais, pensa-se muito mais, ama-se mesmo
B são elaboradas de modo que uma se so- muito mais, apenas sem fazer a digestão e sem
brepõe à outra, o que faz decair a qualida- ter tempo de a fazer.
de estética do texto.
Antigamente as horas eram entidades que os
C se configuram para melhor caracterizar a homens conheciam imperfeitamente. Calcu-
atmosfera pessimista e sombria do espaço lar a passagem das horas era tão complicado
da narrativa. como calcular a passagem dos dias. 3Inventa-
vam-se relógios de todos os moldes e formas.
D se entrelaçam para melhor situar o leitor
diante dos eventos que compõem o enre- 4Hoje, nós somos escravos das horas, dessas
do. senhoras inexoráveis* que não cedem nunca e
cortam o dia da gente numa triste migalharia
02| Com relação ao tempo narrativo, nota-se que a
de minutos e segundos. Cada hora é para nós
utilização do pretérito imperfeito
distinta, pessoal, característica, porque cada
A aproxima o material narrado do universo hora representa para nós o acúmulo de várias
contemporâneo do leitor. coisas que nós temos pressa de acabar. O reló-
gio era um objeto de luxo. Hoje até os mendi-
B confere ao texto um caráter dual, que os- gos usam um marcador de horas, porque têm
cila entre o lírico e o metafórico. pressa, pressa de acabar.

LITERATURA | Pré-modernismo 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

O homem mesmo será classificado, afirmo eu 04| Nós somos uma delirante sucessão de fitas ci-
já com pressa, como o Homus cinematogra- nematográficas. (ref. 5)
phicus. 5Nós somos uma delirante sucessão
Ao comparar os seres humanos com filmes, o
de fitas cinematográficas. Em meia hora de
autor estabelece uma crítica.
sessão tem-se um espetáculo multiforme e as-
sustador cujo título geral é: Precisamos acabar No contexto, essa crítica pode ser sintetizada
depressa. pelo seguinte termo:
6O homem de agora é como a multidão: ativo e A insubordinação das hierarquias
imediato. Não pensa, faz; não pergunta, obra;
B coisificação das pessoas
não reflete, julga.
7O
C arrogância desmedida
homem cinematográfico resolveu a supre-
ma insanidade: encher o tempo, atopetar o D intolerância moral
tempo, abarrotar o tempo, paralisar o tempo
05| Hoje, nós somos escravos das horas, dessas
para chegar antes dele. Todos os dias (dias em
senhoras inexoráveis que não cedem nunca
que ele não vê a beleza do sol ou do céu e a do-
(ref. 4)
çura das árvores porque não tem tempo, dia-
riamente, nesse número de horas retalhadas Neste fragmento, o autor emprega uma figura
em minutos e segundos que uma população de linguagem para expressar o embate entre o
de relógios marca, registra e desfia), o pobre homem e o tempo.
diabo 8sua, labuta, desespera com os olhos fi-
Essa figura de linguagem é conhecida como:
tos nesse hipotético poste de chegada que é a
miragem da ilusão. A ironia
Uns acabam pensando que encheram o tem- B hipérbole
po, que o mataram de vez. Outros desespe-
rados vão para o hospício ou para os cemité- C eufemismo
rios. A corrida continua. E o Tempo também, o D personificação
Tempo insensível e incomensurável, o Tempo
infinito para o qual todo o esforço é inútil, o 06| O homem cinematográfico resolveu a supre-
Tempo que não acaba nunca! É satanicamente ma insanidade: encher o tempo, atopetar o
doloroso. Mas que fazer? tempo, abarrotar o tempo, paralisar o tempo
para chegar antes dele. (ref. 7)
RIO, João do. Adaptado de Cinematógrafo: crônicas cariocas. Rio de
Janeiro: ABL, 2009.
De acordo com a leitura global do texto, o au-
* inexoráveis − que não cedem, implacáveis tor caracteriza a tentativa de controlar o tem-
po como “suprema insanidade”, porque se tra-
03| essa estranha pressa de acabar se ostenta ta de uma tarefa que não está ao alcance do
como a marca do século. (ref. 2) homem.
O trecho acima contém o eixo temático da crô- O trecho que melhor expõe a insanidade dessa
nica escrita por João do Rio em 1909. tentativa é:

Na construção da opinião presente nesse tre- A homens mediam os dias com todo o cui-
cho, é possível identificar um procedimento dado da atenção. (ref. 1)
de:
B Inventavam-se relógios de todos os mol-
A negação des e formas. (ref. 3)

B dedução C O homem de agora é como a multidão:


ativo e imediato. (ref. 6)
C gradação
D sua, labuta, desespera com os olhos fitos
D generalização nesse hipotético poste (ref. 8)

2 LITERATURA | Pré-modernismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES: De forma que não tenho por onde aferir se as
minhas Recordações preenchem o fim a que
Recordações do escrivão Isaías Caminha as destino; se a minha inabilidade literária está
Eu não sou literato, detesto com toda a paixão prejudicando completamente o seu pensamen-
essa espécie de animal. O que observei neles, to. Que tortura! E não é só isso: envergonho-me
no tempo em que estive na redação do O Globo, por esta ou aquela passagem em que me acho,
foi o bastante para não os amar, nem os imitar. em que 11me dispo em frente de desconheci-
1São em geral de uma lastimável limitação de dos, como uma mulher pública... 12Sofro assim
ideias, cheios de fórmulas, de receitas, 9só ca- de tantos modos, por causa desta obra, que jul-
pazes de colher fatos detalhados e impotentes go que esse mal-estar, com que às vezes acordo,
para generalizar, curvados aos fortes e às ideias vem dela, unicamente dela. Quero abandoná-la;
vencedoras, e antigas, adstritos a um infantil fe- mas não posso absolutamente. De manhã, ao al-
tichismo do estilo e guiados por conceitos obso- moço, na coletoria, na botica, jantando, banhan-
letos e um pueril e errôneo critério de beleza. do-me, só penso nela. À noite, quando todos em
Se me esforço por fazê-lo literário é para que ele casa se vão recolhendo, insensivelmente aproxi-
possa ser lido, pois quero falar das minhas dores mo-me da mesa e escrevo furiosamente. Estou
e dos meus sofrimentos ao espírito geral e no no sexto capítulo e ainda não me preocupei em
seu interesse, com a linguagem acessível a ele. fazê-la pública, anunciar e arranjar um bom re-
É esse o meu propósito, o meu único propósito. cebimento dos detentores da opinião nacional.
13Que ela tenha a sorte que merecer, mas que
Não nego que para isso tenha procurado mo-
delos e normas. Procurei-os, confesso; e, agora possa também, amanhã ou daqui a séculos, des-
mesmo, ao alcance das mãos, tenho os autores pertar um escritor mais hábil que a refaça e que
que mais amo. (...) 5Confesso que os leio, que diga o que não pude nem soube dizer.
os estudo, que procuro descobrir nos grandes (...) 8Imagino como um escritor hábil não sabe-
romancistas o segredo de fazer. 6Mas não é a ria dizer o que eu senti lá dentro. Eu que sofri
ambição literária que me move ao procurar esse e pensei não o sei narrar. 4Já por duas vezes,
dom misterioso para animar e fazer viver estas tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a
pálidas Recordações. Com elas, queria modifi- incolor, comum, e, sobretudo, pouco expressi-
car a opinião dos meus concidadãos, obrigá-los va do que eu de fato tinha sentido.
a pensar de outro modo, a não se encherem de
LIMA BARRETO
hostilidade e má vontade quando encontrarem
na vida um rapaz como eu e com os desejos Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Penguin Classics
Companhia das Letras, 2010.
que tinha há dez anos passados. Tento mostrar
que são legítimos e, se não merecedores de 07| Na descrição de sua situação e de seus senti-
apoio, pelo menos dignos de indiferença. mentos, o narrador utiliza diversos recursos
7Entretanto, coesivos, dentre eles o da adição. O fragmento
quantas dores, quantas angústias!
2Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de do texto que exemplifica o recurso da adição
está em:
qualquer ordem. Cercam-me dois ou três bacha-
réis idiotas e um médico mezinheiro, 10repletos A repletos de orgulho de suas cartas que
de orgulho de suas cartas que sabe Deus como sabe Deus como tiraram. (ref. 10)
tiraram. (...) Entretanto, se eu amanhã lhes fosse
falar neste livro - que espanto! que sarcasmo! B me dispo em frente de desconhecidos,
que crítica desanimadora não fariam. Depois como uma mulher pública... (ref. 11)
que se foi o doutor Graciliano, excepcionalmen-
te simples e esquecido de sua carta apergami- C Sofro assim de tantos modos, por causa
nhada, nada digo das minhas leituras, não falo desta obra, que julgo que esse mal-estar,
das minhas lucubrações intelectuais a ninguém, com que às vezes acordo, vem dela, (ref. 12)
e minha mulher, quando me demoro escreven-
D Que ela tenha a sorte que merecer, mas
do pela noite afora, grita-me do quarto:
que possa também, amanhã ou daqui a
3– Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para séculos, despertar um escritor mais hábil
amanhã! (ref. 13)

LITERATURA | Pré-modernismo 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

08| O personagem Isaías Caminha faz críticas àque- 12| O personagem parece julgar quase todos que o
les que ele denomina “literatos”. No primeiro rodeiam, mas não se exime de julgar também
parágrafo, podemos entender que os chamados a si mesmo. Um julgamento autocrítico de Isa-
literatos são escritores com a característica de: ías Caminha está melhor ilustrado no seguinte
trecho:
A carecer de bons leitores
A Confesso que os leio, que os estudo, (ref. 5)
B negar o talento individual
B Mas não é a ambição literária que me
C repetir regras consagradas move (ref. 6)
D apresentar erros de escrita C Entretanto, quantas dores, quantas angús-
tias! (ref. 7)
09| só capazes de colher fatos detalhados e impo-
tentes para generalizar, (ref. 9) D Imagino como um escritor hábil não sabe-
ria dizer o que eu senti (ref. 8)
Esse trecho se refere à utilização do seguinte
método de argumentação:

A indutivo
GABARITO
01| D
B dedutivo
O romance “Triste fim de Policarpo Quares-
C dialético ma” é narrado em terceira pessoa, conta as
agruras da vida de Policarpo no período que
D silogístico
se segue à Proclamação da República no Brasil,
10| O emprego de sinais de pontuação contribui com detalhes descritivos que permitem anali-
para a construção do sentido dos textos. O em- sar sociologicamente esse momento. O tempo
prego de exclamações, no segundo parágrafo, da narrativa é cronológico, pois os fatos são
reforça o seguinte elemento relativo ao narra- apresentados em sua sequência temporal e as
dor: descrições são permeadas de subjetividade de
maneira a refletir a hipocrisia social que Lima
A ironia Barreto pretendia criticar, como se refere na
opção [D].
B mágoa
02| C
C timidez
Ao usar o pretérito imperfeito do indicativo,
D insegurança o narrador acrescenta forte carga subjetiva à
11| O texto de Lima Barreto explora o recurso da descrição da paisagem como se a cena, em-
bora esbatida, ainda estivesse presente na
metalinguagem, ao comentar, na sua ficção, o
sua memória. Este procedimento transmite o
próprio ato de compor uma ficção. Esse recur-
momento da percepção e o fluxo de sensações
so está exemplificado principalmente em:
vivenciadas pelo narrador, o que distancia o
A São em geral de uma lastimável limitação tempo da narrativa do tempo do leitor, como
de ideias, (ref. 1) se afirma em [C].

B Vivo aqui só, isto é, sem relações intelec- 03| D


tuais de qualquer ordem. (ref. 2) O trecho citado expande o conceito enunciado
C – Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório no parágrafo anterior, remetendo ao próprio
para amanhã! (ref. 3) título, síntese do assunto tratado ao longo da
crônica: a velocidade como característica dos
D Já por duas vezes, tentei escrever; mas, tempos atuais. Assim, é correta a opção [D],
relendo a página, achei-a incolor, comum, pois o autor adota um procedimento de ge-
(ref. 4) neralização, ou seja, apresenta uma opinião

4 LITERATURA | Pré-modernismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

genérica com base no conhecimento de certo (“São em geral de uma lastimável limitação
número de dados singulares expostos ao longo de ideias, cheios de fórmulas, de receitas, só
da argumentação. capazes de colher fatos detalhados e impoten-
tes para generalizar, curvados aos fortes e às
04| B
ideias vencedoras, e antigas, adstritos a um
É correta a opção [B], pois, ao associar seres infantil fetichismo do estilo e guiados por con-
humanos com filmes, o autor faz uma crítica ceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério
à transformação do homem em objeto, por se de beleza”).
comportar de acordo com as leis do universo
09| A
das coisas.
Dedução é a conclusão inferida após a análise
05| D
dos fatos, a dialética interpreta os processos
Ao associar horas a senhoras rigorosas e in- antitéticos que tendem a se resolver numa so-
flexíveis, o autor atribui uma ação própria lução-síntese, e o silogismo é o raciocínio que
dos seres humanos a um ser abstrato, o que parte de duas proposições para delas deduzir
configura uma personificação, como se enun- uma terceira. Assim, o método de argumenta-
cia em [D]. ção que parte de fatos ou dados particulares
para elaborar princípios gerais ou inferir uma
06| D conclusão é o indutivo, método implicitamen-
te referido em “só capazes de colher fatos de-
Segundo o autor, o homem tenta desesperada-
talhados e impotentes para generalizar”.
mente controlar o tempo, o que é impossível
de ser alcançado. Assim, a frase citada em [D] 10| B
é a que melhor expressa esse comportamento
obsessivo na busca de algo inacessível: “sua, As exclamações, que emprestam forte carga
labuta, desespera com os olhos fitos nesse hi- subjetiva às frases nominais (“quantas dores,
potético poste”. quantas angústias!”, “que espanto! que sar-
casmo!”), revelam o sentimento de mágoa do
07| D narrador perante a hipocrisia social em que se
sente mergulhado.
O fragmento do texto que exemplifica o re-
curso da adição está em [D]. Isaías Caminha, 11| D
depois de demonstrar preocupação com o
relato público da sua vida atribulada e com a Na frase da opção [D] existe metalinguagem,
receptividade que a obra viesse a ter por par- ato de comunicação em que se usa a lingua-
te do público, expressa seus maiores desejos: gem para falar sobre a própria linguagem.
sensibilização das pessoas que desconhecem
12| D
as dificuldades por que passam jovens como
ele e inspiração para outros escritores, talvez Na frase da opção [D], transcreve-se um jul-
mais hábeis que ele, para descrever as situa- gamento autocrítico de Isaías Caminha. Ao
ções que narrou. perceber que nem um escritor mais hábil que
ele conseguiria descrever expressivamente o
08| C
conflito que vivia naquele momento, o per-
Isaías Caminha esclarece que os “literatos” a sonagem admite que não possui habilidades
que se refere são os escritores de capacidade técnicas que reconhece em outros, no entan-
intelectual reduzida e que, incapazes de ado- to, também insuficientes para que até eles pu-
tarem um estilo individual, se limitam a repetir dessem descrever a forte carga emotiva que o
técnicas literárias de outros já consagrados, abalou (“Imagino como um escritor hábil não
convencidos de que a beleza estética não pode saberia dizer o que eu senti lá dentro. Eu que
ser atingida através de recursos inovadores sofri e pensei não o sei narrar”).

LITERATURA | Pré-modernismo 5
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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PRÉ-MODERNISMO - PARTE 02 11

01| UNICAMP Quanto ao conto Negrinha, de mens com chicotes. Vínhamos muitos de vá-
Monteiro Lobato, é correto afirmar que: rios lugares. Cada qual falava uma língua. Não
nos entendíamos. Todo o dia, morriam dois,
A O narrador adere à perspectiva de dona quatro; e os urubus acompanhavam-nos sem-
Inácia, fazendo com que o leitor enxergue pre.
a história guiado pela ótica dessa persona-
gem e se torne cúmplice dos valores éti- – Minha terra... Não sei... Era perto de um rio,
cos apresentados no conto. muito largo, como o mar, mas roncava mais...
Sim! Tudo era negro lá... Um dia, houve um
B O modo como o narrador caracteriza o grande estrépito, barulho, tiros e quando dei
contexto histórico no conto permite con- acordo de mim estava atado, amarrado e...
cluir que Negrinha é escrava de dona Iná- marchei... Não sei... Não sei...
cia e, portanto, está fadada a uma vida de
humilhações. Negra Velha – Eu não sei nada mais donde vim.
Foi dos ares ou do inferno? Não me lembro...
C A maneira como o narrador comenta as
características atribuídas às personagens Com base no texto selecionado e na obra de
contrasta com as falas e as ações realiza- Lima Barreto, afirma-se:
das por elas, o que caracteriza um modo
irônico de apresentação. ( ) A fala dos escravos evidencia que, além da per-
da da liberdade, os negros tiveram suas raízes
D O narrador apresenta as falas e pensa- subtraídas pela escravidão.
mentos das personagens de modo objeti-
vo; assim, o leitor fica dispensado de ela- ( ) O emprego reiterado de recursos expressivos,
borar um juízo crítico sobre as relações de como a antítese e a sinestesia, aproxima a lin-
poder entre as personagens. guagem do texto dramático à estética simbolis-
ta.
02| PUCRS Leia o excerto do texto dramático Os
negros (esboço de uma peça?), de Lima Barre- ( ) Uma das principais obras de Lima Barreto, Tris-
to, e preencha os parênteses com V (verdadei- te fim de Policarpo Quaresma, caracteriza-se
ro) ou F (falso). por uma forte crítica às forças opressoras es-
cravocratas durante o período colonial.
3º Negro – Os navios, que não nos vejam eles...
Quando vim, da minha terra, dentro deles... A sequência correta de preenchimento dos pa-
Que coisa! Era escuro, molhado... Estava solto rênteses, de cima para baixo, é
e parecia que vinha amarrado pelo pescoço.
Melhor vale a fazenda... A V – V – F

2º Negro – É longe a tua terra? Lá só há negro? B V – F – F

3º Negro – Não sei... Não sei... Era pequeno. C V – F – V


Andei uma porção de dias. As pernas doíam- D F – V – V
-me, os braços, o corpo, e carregavam muito
peso. Se queria descanso, lá vinham uns ho- E F – F – V

LITERATURA | Pré-modernismo 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| UFU Anda a espreitar meus olhos para roê-los,


E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Mamãe, Mamãe!
Na frialdade inorgânica da terra!
- Que é minha filha?
- Nós não somos nada nesta vida. Pneumotórax
Todos os Santos – Rio de Janeiro – Dezembro de 1921–janeiro de 1922. Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Tecnoprint/Ediouro, s/d. p. 77.
A vida inteira que poda ter sido e não foi.
De acordo com o trecho acima, assinale a al-
ternativa correta. Tosse, tosse, tosse.

A O diálogo entre dona Engrácia e sua filha Mandou chamar o médico:


Clara simboliza de forma alegórica a de-
sumanização da mulher negra e pobre, — Diga trinta e três.
numa sociedade regida por D. Pedro I, — Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
mas manipulada por uma elite branca pre-
conceituosa. — Respire.
B Este pequeno diálogo pode ser conside- — O senhor tem uma escavação no pulmão es-
rado uma metáfora de uma classe social querdo e o pulmão direito infiltrado.
típica da Primeira República: indivíduos
escravos, sem perspectiva de ascensão — Então, doutor, não é possível terar o pneu-
econômica, os quais lutavam pela assina- motórax?
tura da Lei Áurea.
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango
C O diálogo entre Clara e sua mãe, Engrácia, argentino.
que aparece ao final do romance Clara dos
Anjos, publicado em plena Monarquia, Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as se-
simboliza a falta de perspectiva da mulher guintes afirmações sobre os poemas.
negra, analfabeta e pobre.
( ) Os dois poemas tratam do problema da finitude
D Este pequeno diálogo, que fecha o final do do corpo, corroído por doenças, utilizando um
romance Clara dos Anjos, pode ser consi- vocabulário técnico, pouco comum à poesia.
derado uma metáfora do sofrimento de
uma classe social que, mesmo com a assi- ( ) O soneto de Augusto dos Anjos apresenta as
natura da Lei Áurea, continuava estigmati- energias do universo, que se associam para
zada etnicamente. formar o “Eu”, e não conseguem evitar a de-
composição do corpo.
04| UFRGS Leia o soneto Psicologia de um venci-
do, de Augusto dos Anjos, e o poema Pneumo- ( ) O poema de Manuel Bandeira mostra a fragi-
tórax, de Manuel Bandeira. lidade do corpo, encarada de forma irônica,
sem o tom grave de conspiração encontrado
Psicologia de um vencido em Augusto dos Anjos.
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância ( ) Os dois poemas evidenciam o destino implacá-
Sofro, desde a epigênese da infãncia, vel da destruição do homem desde que nasce,
A influência má dos signos do zodíaco. marcado pela presença dos vermes.
Profundissimarnente hipocondríaco, A V - F - V - V.
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia B F - V - F - F.
Que se escapa da boca de um cardíaco. C V - V - V - F.
Já o verme — este operário das ruínas — D F - F - V - V.
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra, E V - F - F - V.

2 LITERATURA | Pré-modernismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

05| UNISC Leia atentamente as afirmativas a se- O comentário do especialista associado à ima-
guir e assinale (V) para verdadeira e (F) para gem apresenta e representa características im-
falsa. portantes da prosa modernista da geração de
1930. Em relação à produção literária identifi-
( ) A Carta escrita por Pero Vaz de Caminha é con- cada, assinale a alternativa correta.
siderada o primeiro texto produzido em terri-
tório brasileiro. A A preocupação com a documentação da
realidade presente no Pré-Modernismo é
( ) Gonçalves Dias é um dos principais nomes do
retomada.
chamado condorismo no Brasil, sendo o poe-
ma “Navio negreiro” uma de suas obras mais B Utiliza-se uma linguagem rebuscada ob-
importantes. jetivando demonstrar a importância do
( ) O livro Os sertões, de Euclides da Cunha, pode tema abordado.
ser considerado uma obra representativa do
C O regionalismo é explorado de forma pre-
chamado Pré-modernismo brasileiro.
conceituosa, demonstrando com exagero
( ) Uma das características mais marcantes da a situação difícil das regiões retratadas.
obra de Carlos Drummond de Andrade é o liris-
mo idealizado de seus versos, que faz com que D O desejo por um país melhor, isento de
esse poeta seja considerado um dos grandes desigualdades sociais, faz com que os ro-
nomes do Romantismo no Brasil. mancistas de 1930 descrevam cenários e
personagens idealizados.
( ) Guimarães Rosa é um dos escritores mais sig-
nificativos da terceira geração do Modernismo 07| UNIFESP É preciso ler esse livro singular sem a
brasileiro. obsessão de enquadrá-lo em um determinado
gênero literário, o que implicaria em prejuízo
Assinale a alternativa que apresenta a sequên-
paralisante. Ao contrário, a abertura a mais
cia correta de preenchimento dos parênteses,
de uma perspectiva é o modo próprio de en-
de cima para baixo.
frentá-lo. A descrição minuciosa da terra, do
A F - F - V - F - V homem e da luta situa-o no nível da cultura
científica e histórica. Seu autor fez geografia
B V - F - V - V - V humana e sociologia como um espírito atilado
C V - V - V - F - V poderia fazê-las no começo do século, em nos-
so meio intelectual, então avesso à observação
D V - F - V - F - V
demorada e à pesquisa pura. Situando a obra
E V - F - V - F - F na evolução do pensamento brasileiro, diz lu-
cidamente o crítico Antonio Candido: “Livro
06| UERN Considere o texto e a imagem a seguir.
posto entre a literatura e a sociologia natura-
O decênio de 1930 teve como característica lista, esta obra assinala um fim e um começo:
própria um grande surto do romance, tão bri- o fim do imperialismo literário, o começo da
lhante quanto o que se verificou entre 1880 e análise científica aplicada aos aspectos mais
1910, e que apenas em pequena parte depen- importantes da sociedade brasileira (no caso,
deu da estética modernista. as contradições contidas na diferença de cultu-
(Antônio Candido e J. Aderaldo Castello. Presença da Literatura Brasilei-
ra entre as regiões litorâneas e o interior).”
ra: Modernismo. São Paulo / Rio de Janeiro: Difel, 1979.) (Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 1994. Adaptado.)

O excerto trata da obra


A Capitães da areia, de Jorge Amado.
B O cortiço, de Aluísio de Azevedo.
C Grande sertão: veredas, de Guimarães
Rosa.
D Vidas secas, de Graciliano Ramos.
E Os sertões, de Euclides da Cunha.

LITERATURA | Pré-modernismo 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

08| IMED Em sua obra “Urupês”, publicada em recifes desnudos, à maneira de escombros do
1918, Monteiro Lobato apresenta uma de suas conflito secular que ali se trava entre os mares
personagens mais representativas: Jeca Tatu. e a terra; em seguida, transposto o 15º parale-
Sobre o autor e sua obra, é possível afirmar lo, a atenuação de todos os acidentes — serra-
que: nias que se arredondam e suavizam as linhas
dos taludes, fracionadas em morros de encos-
I. A personagem Jeca Tatu representa a mi-
tas indistintas no horizonte que se amplia; até
séria e o atraso econômico do país, princi-
palmente o descaso do governo em rela- que em plena faixa costeira da Bahia, o olhar,
ção ao Brasil rural. livre dos anteparos de serras que até lá o re-
pulsam e abreviam, se dilata em cheio para o
II. Jeca Tatu remete à figura do homem cabo- ocidente, mergulhando no âmago da terra am-
clo, e sua aparência ligada à falta de higie- plíssima lentamente emergindo num ondear
ne passou a ser relacionada à campanha longínquo de chapadas...
sanitarista aderida por Monteiro Lobato.
Este facies geográfico resume a morfogenia do
III. Sem educação e alheio aos acontecimen- grande maciço continental.”
tos de seu país, Jeca Tatu representa a ig-
Euclides da Cunha, Os Sertões.
norância do homem do campo.
Quais estão corretas? 09| MACKENZIE Assinale a alternativa INCORRETA
sobre o contexto histórico e literário da prosa
A Apenas I. pré-modernista a que pertence o fragmento
de Os Sertões.
B Apenas III.
A Os prosadores pré-modernistas produzi-
C Apenas I e II.
ram uma literatura problematizadora da
D Apenas II e III. realidade brasileira de sua época.

E I, II e III. B Entre os temas pré-modernistas, está o


subdesenvolvimento do sertão nordesti-
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
no.
“O planalto central do Brasil desce, nos litorais
C A investigação social presente na prosa
do Sul, em 1escarpas inteiriças, altas e abrup-
tas. Assoberba os mares; e desata-se em cha- pré-modernista colabora para o aprofun-
padões nivelados pelos visos das cordilheiras damento do sentimento ufanista nacional.
marítimas, distendidas do Rio Grande a Minas. D A prosa da época é marcada por obras de
2Mas ao derivar para as terras setentrionais
análise e interpretação social significativas
diminui gradualmente de altitude, ao mesmo
para a literatura brasileira.
tempo que descamba para a costa oriental em
andares, ou repetidos socalcos, que o despem E O pré-modernismo antecipou formal ou
da primitiva grandeza afastando-o considera- tematicamente práticas e ideias que fo-
velmente para o interior. ram desenvolvidas pelos modernistas.
De sorte que quem o contorna, seguindo para 10| MACKENZIE A partir do fragmento de Os Ser-
o norte, observa notáveis mudanças de rele-
tões, pode-se afirmar que todas as afirmações
vos: a princípio o traço contínuo e dominante
estão corretas, EXCETO:
das montanhas, precintando-o, com destaque
saliente, sobre a linha projetante das praias, A o autor compõe seu texto com traços tan-
depois, no segmento de orla marítima entre o to de uma prosa científica quanto de uma
Rio de Janeiro e o Espírito Santo, um aparelho prosa literária.
litoral revolto, feito da envergadura desarticu-
lada das serras, riçado de cumeadas e corro- B a constante utilização de termos científi-
ído de angras, e escancelando-se em baías, e cos, como cumeadas, taludes e morfoge-
repartindo-se em ilhas, e desagregando-se em nia, compromete o valor literário da obra.

4 LITERATURA | Pré-modernismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

C destacam-se contrastes geográficos do A Clara dos Anjos é ambientado em uma ci-


Brasil, como evidenciado no fragmento: dade imaginária, na qual a estrutura agrá-
Mas ao derivar para as terras setentrionais ria do Brasil colonial e de suas relações so-
diminui gradualmente de altitude (ref. 2) ciais tradicionais não permitia casamentos
entre brancos e negros.
D há uma detalhada descrição da região em-
basada pelo conhecimento das Ciências B Em Clara dos Anjos e em suas principais
Naturais. obras, a linguagem de Lima Barreto é o
português parnasiano, no qual o trabalho
E a opção pela utilização de mais de um retórico com a linguagem tinha prioridade
adjetivo para caracterizar o substanti- sobre sua comunicabilidade.
vo, como em escarpas inteiriças, altas e
abruptas (ref. 1), está vinculada à ideia da C O romance Clara dos Anjos é narrado em
terceira pessoa por um narrador que emi-
objetividade científica.
te opiniões e juízos de valor sobre as per-
11| UEPB Considere o fragmento de Clara dos An- sonagens e as cenas que narra.
jos para responder à questão.
D Os personagens de Clara dos Anjos são
A educação que recebera, de mimos e vigi- pobres que, à força de viverem em uma
lâncias, era errônea. Ela devia ter aprendido sociedade de privilégios, sucumbem, sem
da boca dos seus pais que a sua honestidade exceção, à corrupção e à miséria.
de moça e de mulher tinha todos por inimigo, E Clara dos Anjos é um romance de resigna-
mas isto ao vivo, com exemplos, claramente... ção, que nos ensina a nos conformarmos
O bonde vinha cheio. Olhou todos aqueles com o lugar que nos é previamente reser-
homens e mulheres... Não haveria um talvez, vado em nossa sociedade, sem lutar por
entre toda aquela gente de ambos os sexos, condições humanas mais dignas nem por
que não fosse indiferente à sua desgraça... Ora, cidadania plena.
uma mulatinha, filha de um carteiro! O que
era preciso, tanto a ela como as suas iguais,
era educar o caráter, revestir-se de vontade, GABARITO
como possuía essa varonil D. Margarida, para 01| C
se defender de Cassis e semelhantes, e bater-se
contra todos os que se opusessem, por este ou Em diversos momentos da narrativa, o leitor
aquele modo, contra a elevação dela, social e percebe a ironia do narrador ao comentar as
moralmente. Nada a fazia inferior às outras, se- características das personagens. D. Inácia, por
não o conceito geral e a covardia com que elas exemplo, é considerada pessoa de fé e bondo-
sa, embora aplique castigos cruéis e injustos
o admitiam...
a uma criança, apenas para aliviar-se do mau
Chegaram em casa; Joaquim ainda não tinha humor com “uma boa roda de cocres bem fin-
vindo. D. Margarida relatou a entrevista, por cados!”. Assim, é correta a opção [C].
entre o choro e os soluços da filha e da mãe. 02| B
Num dado momento, Clara ergueu-se da ca- Apenas a primeira proposição é verdadeira.
deira em que se sentara e abraçou muito forte- Na segunda, há erros de conceituação relati-
mente a mãe, dizendo, com um grande acento vamente à obra “Triste fim de Policarpo Qua-
de desespero: resma”. A referência a presença de sinestesias
e antíteses, assim como a da aproximação do
- Mamãe! Mamãe!
texto à estética simbolista são falsas. A última
- Que é minha filha? proposição também é incorreta, pois as obras
de Lima Barreto estão inseridas no pré-moder-
- Nós não somos nada nesta vida. nismo, período literário situado nas duas pri-
meiras décadas do século XX, cujas caracterís-
Assinale a alternativa correia:

LITERATURA | Pré-modernismo 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

ticas literárias extrapolam as idealizadoras do 05| D


século anterior. A obra faz denúncia contun-
Gonçalves Dias é um dos principais nomes da
dente da realidade social brasileira, sobretudo
primeira geração do Romantismo brasileiro
ao espírito ufanista da época, através de uma
e Castro Alves, da terceira geração, também
linguagem coloquial, em ruptura com a lingua- conhecida como condoreira, sendo o poema
gem pomposa parnasiana. Assim, é correta a “Navio negreiro” uma de suas obras mais im-
alternativa [B]: V – F – F. portantes.
03| D Carlos Drummond de Andrade é um dos gran-
des nomes do Modernismo brasileiro, cujo li-
Clara, ao relatar o que se passara na casa da rismo não é idealizado.
família de Cassi Jones para a sua mãe, reflete
sobre a sua situação e toma consciência da 06| A
condição da mulher, pobre e negra, em um sis-
A Segunda Geração Modernista, ou Geração
tema em que predomina o preconceito racial e de 1930, se consolidou em um período de
social. tensões ideológicas.  Os autores dessa gera-
04| C ção, assim como os pré-modernistas, voltaram
sua produção para a denúncia de problemas
Verdadeira. Em ambos os poemas há menção sociais. Nesse sentido, pode-se estabelecer a
à morte física: no poema de Augusto dos Anjos, relação com a imagem da seca na Bahia. É pos-
o eu lírico menciona um verme que “à vida em sível, também, vinculá-la com a tendência re-
geral declara guerra / Anda a espreitar meus gionalista de autores como Graciliano Ramos,
que tratou do tema da seca no nordeste, da
olhos para roê-los”; no poema de Manuel Ban-
vida dura e miserável do retirante e do descaso
deira, o eu lírico, após o diagnóstico da gravi-
político em relação a esse problema em diver-
dade de seu estado de saúde, questiona seu sos romances, entre eles Vidas secas.
médico a respeito de haver algo a ser feito; a
resposta, no entanto, é: “— Não. A única coisa 07| E
a fazer é tocar um tango argentino”.
O livro a que se refere é Os sertões, de Eucli-
Ambos os poemas também apresentam como des da Cunha. A terra, o homem e a luta são os
diferencial o vocabulário empregado, como a capítulos que compõem a obra, bem como o
primeira estrofe de Psicologia de um vencido relato em que se mistura história e sociologia
são características fundamentais em que o au-
e os sintomas apresentados em Pneumotórax,
tor reflete sobre o sertanejo e os desvalidos do
além do próprio título.
sertão como nunca havia sido feito antes.
Verdadeira. Na primeira estrofe, o eu lírico in- 08| E
dica sua formação como referência a elemen-
tos universais (“Eu, filho do carbono e do amo- Todas são corretas, pois o personagem Jeca
níaco”), o que não impede a decomposição por Tatu,  criado por  Monteiro Lobato  em sua
ação do verme (“à vida em geral declara guerra obra “Urupês”, simboliza a situação do caboclo
/ Anda a espreitar meus olhos para roê-los”). brasileiro, abandonado pelos poderes públicos
às doenças e ao atraso. Envolvido na campa-
Verdadeira. Em Pneumotórax, a ironia se faz nha sanitarista da década de 1920, Monteiro
presente com o comentário do médico (“A úni- Lobato serve-se do personagem para denun-
ca coisa a fazer é tocar um tango argentino”); ciar a precariedade da saúde das populações
no texto de Augusto dos Anjos, o tom grave se rurais. Assim, é correta a opção [E].
dá inclusive pela escolha do vocabulário, além 09| C
de o eu lírico sentir-se vítima do inevitável.
A alternativa [C] é incorreta, pois a obra Os Ser-
Falsa. Apenas em Psicologia de um Vencido há tões, de Euclides da Cunha, revela  o descon-
referência a vermes. tentamento com a República por parte expres-

6 LITERATURA | Pré-modernismo
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

siva de diferentes grupos sociais e intelectuais,


contrariando a visão ufanista que caracterizava
outros autores como Graça Aranha, na obra
Canaã, editada no mesmo ano de 1902.
10| B
O vocabulário técnico empregado por Eucli-
des da Cunha não retira valor literário à obra
Os Sertões, pois o desenvolvimento da narra-
tiva e o estilo denotam preocupação estética
à luz do pensamento determinista de Tayne.
Assim, pode afirmar-se de que se trata de uma
obra significativa, já que se contrapõe à visão
ufanista e ingênua comum aos escritores da
época por retratar a comunidade de Canudos,
vítima das condições de vida miseráveis em
que viviam os sertanejos. Todas as opções são
corretas, exceto [B].
11| C
Em estilo despojado, linguagem coloquial e
fluente, Lima Barreto narra a história de Cla-
ra, mulata pobre que vive no subúrbio carioca
com seus pais, que a educam sem ter em conta
a crueldade de uma sociedade preconceituosa,
o que a vai expor a todo o tipo humilhações. Os
personagens de “Clara dos Anjos” são peque-
nos funcionários públicos, donas de casa, de-
sempregados, biscateiros, pseudoliteratos que
tentam ascender socialmente, constituindo
amplo painel social do Brasil da Primeira Repú-
blica. Assim, a única alternativa que faz análise
correta da obra é [C].

LITERATURA | Pré-modernismo 7
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

SHUTTERSTOCK
MODERNISMO 12

01| UPE “No dia seguinte, Fabiano voltou à cidade, ferentemente dele, que “era bruto”, pois,
mas ao fechar o negócio, notou que as operações também, não sabia ler nem fazer conta,
de Sinhá Vitória, como de costume, diferiam das nunca havia frequentado a escola.
do patrão. Reclamou e obteve a explicação habi-
B Quando o narrador personagem afirma
tual: a diferença era proveniente de juros.
que “O amo abrandou, e Fabiano saiu de
Não se conformou: devia haver engano. Ele era costas, o chapéu varrendo o tijolo,” sig-
bruto, sim senhor, via-se perfeitamente que nifica que a personagem percebeu que a
era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com cer- altivez era a única arma que possuía para
teza havia um erro no papel do branco. Não se enfrentar o proprietário das terras onde
descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. trabalhava, por isso resolveu camuflar o
Passar a vida inteira assim no toco, entregando orgulho saindo sem dar as costas ao amo.
o que era dele de mão beijada! Estava direito
C No final do segundo parágrafo, quando
aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar
se lê: “Passar a vida inteira assim no toco,
carta de alforria!
entregando o que era dele de mão beija-
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, da! Estava direito aquilo? Trabalhar como
achou bom que o vaqueiro fosse procurar ser- negro e nunca arranjar carta de alforria!”,
viço noutra fazenda. tem-se um discurso direto, pois o narrador
se afasta e deixa Fabiano demonstrar, de
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. forma direta, que tem a consciência da
Bem, bem. Não era preciso barulho não. Se ha- exploração do patrão quando faz uso dos
via dito palavra à toa, pedia desculpa. [...] verbos no presente.
O amo abrandou, e Fabiano saiu de costas, o D Graciliano Ramos cria duas comparações
chapéu varrendo o tijolo. [...] ao usar o vocábulo branco para designar
o patrão e, posteriormente, ao atribuir ao
Sentou-se numa calçada, tirou do bolso o di-
narrador o enunciado: “Trabalhar como
nheiro, examinou-o, procurando adivinhar
negro e nunca arranjar carta de alforria!”
quanto lhe tinham furtado. Não podia dizer
coloca a personagem na condição de sub-
em voz alta que aquilo era um furto, mas era.
misso, tal qual a de um escravo sem direi-
Tomavam-lhe o gado quase de graça e ainda
to à liberdade, o que contraria os princí-
inventavam juro. Que juro! O que havia era sa-
pios do romance regionalista de 1930.
fadeza.”
E Há algumas expressões usadas por Gra-
Sobre o fragmento do capítulo Contas, do ro-
ciliano Ramos que quebram a verossimi-
mance Vidas secas, de Graciliano Ramos, assi-
lhança existente entre a linguagem, a con-
nale a alternativa CORRETA.
dição social e o nível de escolaridade de
A Ao se referir a Sinhá Vitória, Fabiano admite Fabiano, pois são metáforas eruditas, tais
que “a mulher tinha miolo.” Essa afirmação como: “perdeu os estribos”, batendo no
significa que a esposa era inteligente, tinha chão como cascos” e “baixou a pancada e
frequentado escola, sabia fazer conta, di- amunhecou”.

LITERATURA | MODERNISMO 1
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

02| PUCRS Leia o excerto do romance Jubiabá, de 03| IMED Leia o fragmento abaixo:
Jorge Amado.
Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cin-
Foi quando o alemão voou para cima dele tilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão
querendo acertar no outro olho de Balduíno. quieta e deserta parecia um cemitério abando-
O negro livrou o corpo com um gesto rápido e nado. Era tanto silêncio e tão leve o ar, que se
como a mola de uma máquina que se houves- alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até
se partido distendeu o braço bem por baixo do escutar o sereno na solidão. Agachado atrás
queixo de Ergin, o alemão. O campeão da Eu- dum muro, José Lírio preparava-se para a últi-
ropa central descreveu uma curva com o corpo ma corrida. Quantos passos dali até a igreja?
e caiu com todo o peso. Talvez uns dez ou doze, bem puxados. Recebera
ordens para revezar o companheiro que estava
A multidão rouca aplaudia em coro: de vigia no alto duma das torres da Matriz.
– BAL-DO... BAL-DO... BAL-DO... O fragmento acima apresenta o Tenente Liroca,
O juiz contava: engajado na revolução como federalista, e se
trata do parágrafo introdutório do primeiro vo-
– Seis... sete... oito... lume da trilogia _______________________,
de __________________________, também
Antônio Balduíno olhava satisfeito o branco es-
tendido aos seus pés. autor de ___________________________,
______________________ e _____________
Com base no diálogo e na obra de Jorge Ama- ______________________.
do, considere as afirmativas.
Assinale a alternativa que preenche, correta e
I. A luta entre Antônio Balduíno e Ergin pode respectivamente, as lacunas do trecho acima.
ser interpretada como uma metáfora dos
conflitos entre o branco europeu e o ne- A O tempo e o vento – Erico Verissimo – Fan-
gro brasileiro. toches – Deus de Caim – Senhora

II. Ao longo dos seus diferentes romances, B A ferro e fogo – Josué Guimarães – Tam-
Jorge Amado constrói um projeto estético bores Silenciosos – Depois do último trem
baseado principalmente na representação – Camilo Mortágua
do intimismo e do lirismo. C O tempo e o vento – Erico Verissimo – Cla-
III. Nos romances Tereza Batista, cansada rissa – Incidente em Antares – O resto é
de guerra e Memorial de Maria Moura, silêncio
o escritor baiano explora basicamente o D A ferro e fogo – Josué Guimarães – Dona
universo erótico feminino em diferentes Anja – Enquanto a noite não chega – Amor
perspectivas sociais. de perdição
IV. O romance Capitães de areia apresenta
E A guerra no Bom Fim – Moacyr Scliar – O
um detalhado quadro da marginalidade
centauro no Jardim – A mulher que escre-
infantil urbana, ao retratar crianças de
veu a Bíblia – Max e os felinos
rua, como Pedro Bala, Sem Pernas e Piruli-
to. 04| UPF Considere as asserções a seguir, em rela-
Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s) ção aos romances Dom Casmurro, de Machado
de Assis, e São Bernardo, de Graciliano Ramos.
A I, apenas.
I. O narrador-protagonista inicia o romance
B I e IV, apenas. reconstituindo a situação que o levou a es-
crevê-lo.
C II e III, apenas.
II. A análise psicológica, especialmente a que
D I, II e IV, apenas.
o narrador-protagonista faz de si mesmo,
E I, II, III, IV. ocupa papel importante no romance.

2 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

III. A ação do romance evolui em torno de um 06| UFSM No romance Noite (1954), de Érico Ve-
triângulo amoroso real ou suposto. ríssimo, o protagonista não é nomeado, rece-
bendo a alcunha de Desconhecido. Pode-se
IV. O narrador-protagonista reconhece, ao fi- entender a ausência do nome próprio do per-
nal do romance, que se deixou cegar pelo
sonagem como
ciúme e que formou um juízo errôneo da
amada. A uma ironia voltada às classes favorecidas
que, assim como o personagem, desco-
É igualmente verdadeiro, em relação aos dois
nhecem a existência precária de grande
romances referidos, apenas o que se afirma em:
parte das populações urbanas.
A I e II.
B um modo de despersonificação, uma vez
B I e III. que o Desconhecido representa a massa
anônima e vacante, que perambula pela
C I, II e III. cidade a qual ele não compreende.
D II e IV. C uma estratégia de despersonalização,
dado o caráter autobiográfico do romance.
E III e IV.
D uma forma de singularização, já que a au-
05| UFRGS Assinale com V (verdadeiro) ou F (fal- sência de nome próprio evidencia a im-
so) as afirmações abaixo, sobre o romance Ter- portância do indivíduo para a dinâmica
ras do sem-fim, de Jorge Amado. urbana.
( ) Lúcia, Violeta e Maria são três irmãs que se E uma forma de padronização, já que, nas
relacionam, respectivamente, com o patrão, o grandes cidades, grande parte da popu-
feitor e um trabalhador da fazenda e que vão lação luta bravamente pela sua sobrevi-
para casa de prostituição: Lúcia e Violeta são vência, à semelhança do que é feito pelo
abandonadas pelos homens já não interessa- Desconhecido.
dos por seus corpos envelhecidos; Maria fica
viúva de seu amor Pedro, que morreu nas plan- 07| UFRGS Leia as seguintes afirmações sobre a
tações de cacau. obra de Graciliano Ramos.

( ) Lúcia, Violeta e Mana aparecem na primeira I. No romance Angústia, Luís da Silva narra
seu dilema de ou casar-se com a vizinha
parte do capítulo Gestação de cidades, iniciado
Marina ou mudar-se para o Rio de Janeiro
pela fórmula “Era uma vez” em clara referên-
para trabalhar como funcionário público.
cia fabular. As personagens de Jorge Amado,
no entanto, têm um destino miserável, muito II. Em São Bernardo, Paulo Honório, narra-
distante do final feliz. dor protagonista, recupera sua trajetória
de sucesso econômico, mas de fracasso
( ) O narrador em terceira pessoa condena a es- afetivo.
colha de Lúcia, Violeta e Maria pela prostitui-
ção. Para ele, elas poderiam tirar seu sustento III. No romance Vidas Secas, é narrada a dura
do trabalho árduo, como fizera a matriarca da trajetória de uma família de retirantes,
família. que luta contra as condições adversas,
tanto naturais como sociais.
A sequência correta de preenchimento dos pa-
rênteses, de cima para baixo é Quais estão corretas?

A F - F - V - F. A Apenas I.

B V - F - F - V. B Apenas II.

C F - V - F - V. C Apenas I e II.

D F - F - V - V. D Apenas II e III.

E V - V - F - F. E I, II e III.

LITERATURA | MODERNISMO 3
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

08| ITA O poema abaixo, de João Cabral de Melo 10| UPF


Neto, integra o livro A escola das facas.
O meu amigo era tão
A voz do canavial de tal modo extraordinário,
Voz sem saliva da cigarra, cabia numa só carta,
do papel seco que se amassa, esperava-me na esquina,
de quando se dobra o jornal: e já um poste depois
assim canta o canavial, ia descendo o Amazonas,
ao vento que por suas folhas, tinha coletes de música,
de navalha a navalha, soa, entre cantares de amigo

vento que o dia e a noite toda pairava na renda fina dos Sete Saltos,
o folheia, e nele se esfola. na serrania mineira,

Sobre o poema, é INCORRETO afirmar que a no mangue, no seringal,


descrição nos mais diversos brasis,
A compara o som das folhas do canavial com e para além dos brasis,
o da cigarra.
nas regiões inventadas,
B põe em relevo a rusticidade da plantação países a que aspiramos,
de cana de açúcar.
fantásticos,
C destaca o som do vento que passa pela
plantação. mas certos, inelutáveis,
terra de João invencível,
D associa o som do canavial com o amassar
das folhas de papel. a rosa do povo aberta…
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – A rosa do povo
E faz do vento a navalha que corta o cana-
vial. O fragmento transcrito pertence ao penúlti-
09| UPF Qual dos procedimentos abaixo não está mo poema do livro A rosa do povo, de Carlos
presente na composição de Incidente em Anta- Drummond de Andrade, publicado em 1945.
res, de Érico Veríssimo? Trata-se de um canto fúnebre, no qual Drum-
mond reverencia a figura do amigo, recém-
A Localização da ação em uma cidade imagi-
nária, denominada Antares. -falecido, que, nas muitas e longas cartas que
enviara ao poeta, não só lhe dera lições de
B Estruturação da narrativa, como um todo, poesia, mas, também, insuflara nele o amor
na forma de um diário pessoal. pelas coisas brasileiras.
C Uso da técnica contrapontística, com a
Assinale a alternativa que apresenta o nome
interpenetração de diferentes histórias
desse amigo.
ao longo de um mesmo fluxo narrativo e
temporal. A Mário de Andrade.
D Exposição de um amplo quadro social, que B Manuel Bandeira.
se estende dos níveis mais elevados aos
mais humildes. C Oswald de Andrade.
E Recurso ao maravilhoso, a partir do relato D Guilherme de Almeida.
de fatos que escapam a uma explicação
racional. E Jorge de Lima.

4 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

11| IMED Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, asso- 14nada poderia evitar a reincidência daquela
ciando as temáticas e as características abor- cena tantas vezes contada na história do amor,
dadas às obras da geração de escritores do Ro- que é a história do mundo. 10Ela o olhava com
mance de 30. um olhar intenso, onde existia uma incompre-
ensão e um anelo1, 15como a pedir-lhe, ao
Coluna 1 mesmo tempo, que não fosse e que não dei-
1. Universo das classes populares. Romance xasse de ir, por isso que era tudo impossível
“proletário”. entre eles.

2. Expulsão do campo de peões e agregados (...)


devido ao imperativo capitalista na atividade
Seus olhares 4fulguraram por um instante um
pecuária.
contra o outro, depois se 5acariciaram terna-
3. Decadência dos senhores de engenho, do mente e, finalmente, se disseram que não ha-
artesanato popular. Mostra o surgimento da via nada a fazer. 6Disse-lhe adeus com doçura,
perspectiva liberal-democrática no capitão Vi- virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si
torino. mesmo numa tentativa de secionar2 aqueles
dois mundos que eram ele e ela. Mas 16o brus-
4. Trajetória de uma família de camponeses do co movimento de fechar prendera-lhe entre as
sertão nordestino, oprimidos pela seca e pelas folhas de madeira o espesso tecido da vida, e
condições econômicas e sociais. ele ficou retido, sem se poder mover do lugar,
11sentindo o pranto formar-se muito longe em
5. Com sentido alegórico, trata-se de uma obra
política, cujo enredo apresenta coveiros em seu íntimo e subir em busca de espaço, como
greve, que se recusam a enterrar os mortos. um rio que nasce.

17Fechou os olhos, tentando adiantar-se à ago-


Coluna 2
nia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao
( ) Incidente em Antares, Erico Verissimo. lado, e dele separada por imperativos categó-
( ) Fogo Morto, José Lins do Rego. ricos3 de suas vidas, 12não lhe dava forças para
desprender-se dela. 8Sabia que era aquela a
( ) Jubiabá, Jorge Amado. sua amada, por quem esperara desde sempre
e que por muitos anos buscara em cada mu-
( ) Porteira Fechada, Cyro Martins.
lher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia,
( ) Vidas Secas, Graciliano Ramos. também, que o primeiro passo que desse co-
locaria em movimento sua máquina de viver e
A ordem correta de preenchimento dos parên- ele teria, mesmo como um autômato, de sair,
teses, de cima para baixo, é: andar, fazer coisas, 9distanciar-se dela cada
A 1 – 3 – 4 – 5 – 2. vez mais, cada vez mais. 18E no entanto ali
estava, a poucos passos, sua forma feminina
B 5 – 3 – 1 – 2 – 4. que não era nenhuma outra forma feminina,
mas a dela, a mulher amada, aquela que ele
C 5 – 4 – 3 – 2 – 1. 7abençoara com os seus beijos e agasalhara

D 4 – 5 – 3 – 1 – 2. nos instantes do amor de seus corpos. Tentou


3imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta
E 1 – 4 – 2 – 3 – 5. em seu espaço próprio, perdida em suas cogi-
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES: tações próprias − um ser desligado dele pelo
limite existente entre todas as coisas criadas.
SEPARAÇÃO
13De súbito, sentindo que ia explodir em lágri-
Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última mas, correu para a rua e pôs-se a andar sem
vez, como quem repete um gesto imemorial- saber para onde...
mente irremediável. 1No íntimo, preferia não
MORAIS, Vinícius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar,
tê-lo feito; mas ao chegar à porta 2sentiu que 1986.

LITERATURA | MODERNISMO 5
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

12| UERJ No íntimo, preferia não tê-lo feito; (ref. 1) A Ela o olhava com um olhar intenso, (ref.
10)
Embora seja narrada em terceira pessoa, a crô-
nica apresenta ao leitor as sensações do per- B sentindo o pranto formar-se muito longe
sonagem, por meio de termos que remetem à em seu íntimo (ref. 11)
intimidade, como exemplificado acima.
C não lhe dava forças para desprender-se
Dois outros termos, empregados pelo narra- dela. (ref. 12)
dor, que remetem ao universo interior do per-
sonagem são: D De súbito, sentindo que ia explodir em lá-
grimas, (ref. 13)
A sentiu (ref. 2) − imaginá-la (ref. 3)
16| UERJ Uma metáfora pode ser construída pela
B fulguraram (ref. 4) − acariciaram (ref. 5) combinação entre elementos abstratos e con-
cretos.
C Disse-lhe (ref. 6) − abençoara (ref. 7)
No texto, um exemplo de metáfora que se
D Sabia (ref. 8) − distanciar-se (ref. 9) constrói por esse tipo de combinação é:
13| UERJ nada poderia evitar a reincidência da- A como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que
quela cena tantas vezes contada na história não fosse e que não deixasse de ir, (ref. 15)
do amor, que é a história do mundo. (ref. 14)
B o brusco movimento de fechar prendera-
O trecho sublinhado reformula uma expressão -lhe entre as folhas de madeira o espesso
anterior. tecido da vida, (ref. 16)

Essa reformulação explicita a seguinte relação C Fechou os olhos, tentando adiantar-se à


de sentido: agonia do momento, (ref. 17)

A enumeração D E no entanto ali estava, a poucos passos,


(ref. 18)
B generalização
TEXTO PARA A(S) PRÓXIMA(S) QUESTÃO(ÕES)
C exemplificação
O OPERÁRIO NO MAR
D particularização
Na rua passa um operário. Como vai firme! Não
14| UERJ Sabia que era aquela a sua amada, por tem blusa. No conto, no drama, no discurso po-
quem esperara desde sempre e que por mui- lítico, a dor do operário está na sua blusa azul,
tos anos buscara em cada mulher, na mais de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enor-
terrível e dolorosa busca. (ref. 8) mes, nos desconfortos enormes. Esse é um ho-
mem comum, apenas mais escuro que os outros,
Neste trecho, existe um contraste que busca
e com uma significação estranha no corpo, que
acentuar o seguinte traço relativo à mulher
carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele,
amada:
pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou
A distância lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas ár-
vores, o grande anúncio de gasolina americana
B intimidade e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe so-
C indiferença bra tempo de perceber que eles levam e trazem
mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia,
D singularidade dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos
Deputados, o líder oposicionista vociferando. Ca-
15| UERJ A hipérbole é uma figura empregada na
crônica de Vinícius de Morais para caracterizar minha no campo e apenas repara que ali corre
o estado de ânimo do personagem. água, que mais adiante faz calor. Para onde vai
o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu ir-
Essa figura está exemplificada em: mão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão,

6 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

que não nos entenderemos nunca. E me despre- TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
za... Ou talvez seja eu próprio que me despre-
ze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de Irene no Céu
encará-lo: uma fascinação quase me obriga a Irene preta
pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe Irene boa
a marcha, pelo menos implorar-lhe que suste Irene sempre de bom humor.
a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu
pensava que isso fosse privilégio de alguns san- Imagino Irene entrando no céu:
tos e de navios. Mas não há nenhuma santidade — Licença meu branco!
no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu E São Pedro bonachão:
corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos
(Manuel Bandeira)
exércitos que não impediram o milagre? Mas
agora vejo que o operário está cansado e que se NEGRA
molhou, não muito, mas se molhou, e peixes es-
A negra para tudo
correm de suas mãos. Vejo-o que se volta e me
dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do a negra para todos
seu rosto são a própria tarde que se decompõe. a negra para capinar plantar
Daqui a um minuto será noite e estaremos irre- regar
mediavelmente separados pelas circunstâncias colher carregar empilhar no paiol
atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio
do mar. Único e precário agente de ligação en- ensacar
tre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa lavar passar remendar costurar
as grandes massas líquidas, choca-se contra as cozinhar rachar lenha
formações salinas, as fortalezas da costa, as me- limpar a bunda dos nhozinhos
dusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto,
trepar.
trazer-me uma esperança de compreensão. Sim,
quem sabe se um dia o compreenderei? A negra para tudo
ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo.
nada que não seja tudo tudo tudo
até o minuto de
17| FUVEST Embora o texto de Drummond e o (único trabalho para seu proveito
romance Capitães da Areia, de Jorge Ama-
exclusivo)
do, assemelhem-se na sua especial atenção
às classes populares, um trecho do texto que morrer.
NÃO poderia, sem perda de coerência formal (Carlos Drummond de Andrade)
e ideológica, ser enunciado pelo narrador do
livro de Jorge Amado é, sobretudo, o que está Essa Negra Fulô
em: Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
A “Na rua passa um operário. Como vai fir-
me! Não tem blusa.” no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
B “Esse é um homem comum, apenas mais chamada negra Fulô.
escuro que os outros (...).”
Essa negra Fulô!
C “Não ouve, na Câmara dos Deputados, o
Essa negra Fulô!
líder oposicionista vociferando.”
Ó Fulô! Ó Fulô!
D “Teria vergonha de chamá-lo meu irmão.
Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, (Era a fala da Sinhá)
que não nos entenderemos nunca.” — Vai forrar a minha cama,
pentear os meus cabelos,
E “Mas agora vejo que o operário está can-
sado e que se molhou, não muito, mas se vem ajudar a tirar
molhou, e peixes escorrem de suas mãos.” a minha roupa, Fulô!

LITERATURA | MODERNISMO 7
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

Essa negra Fulô! — Ah! Foi você que roubou!


Essa negrinha Fulô Ah! Foi você que roubou!
ficou logo pra mucama,
O Sinhô foi ver a negra
pra vigiar a Sinhá
levar couro do feitor.
pra engomar pro Sinhô!
A negra tirou a roupa.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô! O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
Ó Fulô! Ó Fulô!
que nem a negra Fulô.)
(Era a fala da Sinhá)
Essa negra Fulô!
vem me ajudar, ó Fulô,
Essa negra Fulô!
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô! Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê meu lenço de rendas,
vem coçar minha coceira,
Cadê meu cinto, meu broche,
vem me catar cafuné,
Cadê o meu terço de ouro
vem balançar minha rede,
que teu Sinhô me mandou?
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô! Ah! foi você que roubou.
Ah! foi você que roubou.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
“Era um dia uma princesa
Essa negra Fulô!
que vivia num castelo
que possuía um vestido O Sinhô foi açoitar
com os peixinhos do mar. sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
Entrou na perna dum pato
e tirou o cabeção,
saiu na perna dum pinto
de dentro pulou
o Rei-Sinhô me mandou nuinha a negra Fulô.
que vos contasse mais cinco.”
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô! Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Ó Fulô? Ó Fulô? Cadê, cadê teu Sinhô
Vai botar para dormir que Nosso Senhor me mandou?
esses meninos, Fulô! Ah! Foi você que roubou,
[Essa Negra Fulô – continuação] foi você, negra fulô?
“Minha mãe me penteou Essa negra Fulô!
minha madrasta me enterrou (Jorge de Lima)

pelos figos da figueira 18| UPE Nos três poemas mencionados anterior-
que o Sabiá beliscou.” mente, há um tema em comum, a situação ét-
Essa negra Fulô! nica do negro no Brasil, embora a abordagem
não seja a mesma.
Essa negra Fulô!
A Em Essa Negra Fulô, o uso de expressões
Ó Fulô? Ó Fulô?
próprias da linguagem erudita comprova a
(Era a fala da Sinhá origem humilde de Jorge de Lima. Nascido
Chamando a negra Fulô.) em Alagoas, possui um nível baixo de es-
Cadê meu frasco de cheiro colaridade, aspecto inerente à produção
Que teu Sinhô me mandou? poética do autor.

8 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

B A linguagem utilizada nos poemas reflete ( ) Os três poemas, produzidos por nordestinos,
a situação de submissão imposta aos afri- são construídos em linguagem popular entre-
canos que viveram aqui no Brasil. Além meada de palavras eruditas que se constituem
disso, nos três poemas, o eu poético trata, em paradoxo, pois o tema, a ambientação e o
especialmente, da imagem da mulher ne- cenário não estão adequados.
gra, ou como escrava, ou em decorrência A F F V F F
da situação em que viveu no passado.
B F F F V V
C A sensualidade da mulher é o tema de NE-
GRA, de Drummond, expresso de modo ob- C V V V V F
jetivo, claro e contundente no último verso
da primeira estrofe, quando o poeta usa o D F F F F V
verbo “trepar” no sentido denotativo. E V F V F V
D Em Irene no céu, há um tom carinhoso e Texto para a(s) questão(ões) a seguir
meigo, quando o eu poético analisa o com-
Catar Feijão
portamento de Irene e a coloca em um
bom lugar após a morte. Mesmo assim, a 1
concepção de submissão e de irreverência Catar feijão se limita com escrever:
se revela quando São Pedro ordena a Ire- joga-se os grãos na água do alguidar
ne: “Entra, Irene, / você não precisa pedir e as palavras na folha de papel;
licença”.
e depois, joga-se fora o que boiar.
E Há, nos três poemas produzidos por poe- Certo, toda palavra boiará no papel,
tas brancos, certo desprezo pelos negros, água congelada, por chumbo seu verbo:
percebido na linguagem utilizada pelo eu pois para catar esse feijão, soprar nele,
poético de cada um deles e na falta de
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
confiança das sinhás em relação às suas
mucamas. 2
19| UPE Analise as afirmativas abaixo e coloque V Ora, nesse catar feijão entra um risco:
para as verdadeiras e F para as falsas. o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
( ) Essa Negra Fulô é um poema descritivo, pró-
um grão imastigável, de quebrar dente.
prio do Parnasianismo. Nele, a sinhazinha acu-
sa diretamente a personagem negra de ladra Certo não, quando ao catar palavras:
pelo desaparecimento de objetos da Casa- a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
-grande. obstrui a leitura fluviante, flutual,
( ) Fulô é um substantivo erudito que, ao compor o açula a atenção, isca-a como o risco.
título do soneto, denota a preocupação do au- João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra.

tor em obedecer à oralidade própria da cultura


20| FGVRJ Considere as seguintes afirmações rela-
negra no momento da escravatura no Brasil.
tivas ao poema de Cabral de Melo:
( ) Na nona estrofe e em parte da décima, os ver-
I. O ideal de economia verbal, preconizado
sos apresentam aspas, usadas para identificar
no poema, assemelha-se ao ideal estilís-
as citações de fragmentos de duas histórias tico do Graciliano Ramos de Vidas secas,
da tradição popular oral, resgatadas median- também este sequioso de restringir-se ao
te o processo de intertextualidade usado pelo essencial.
poeta.
II. O recurso ao “grão imastigável, de que-
( ) O poema Essa Negra Fulô é todo construído na brar dente” e à “pedra [que] dá à frase seu
forma de redondilha, como Negra e Irene no grão mais vivo”, com o sentido que lhe dá
céu, obedecendo às normas da poesia popular Cabral de Melo, encontra-se presente no
medieval, pois apresenta a mesma métrica. próprio poema que a reivindica.

LITERATURA | MODERNISMO 9
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

III. A ideia de se produzir uma obstrução da [III] Incorreta. No romance “Tereza Batista,
leitura como algo positivo participa do ob- cansada de guerra”, publicado em 1972,
jetivo de se romper com os autoritarismos Jorge Amado encarna na personagem Te-
da percepção – desígnio frequente na lite- reza as vítimas de uma sociedade violenta
ratura moderna, inclusive em autores es- e moralista, denunciando, de forma con-
tilisticamente muito diferentes de Cabral, tundente, a complacência do sistema po-
como é o caso de Guimarães Rosa. lítico durante a ditadura militar no Brasil;
a obra “Memorial de Maria Moura” foi es-
Está correto o que se afirma em crita por Rachel de Queiroz;
A I, apenas. Assim, é correta a alternativa [B]: [I] e [IV], apenas.
B II, apenas. 03| C
C II e III, apenas. A referência ao personagem José Lírio no frag-
D I e III, apenas. mento que antecede o enunciado da questão,
assim como a menção à revolução federalista,
E I, II e III. que serve de contexto histórico à obra, permi-
tem inferir que se trata da obra “O tempo e o
vento”, de Erico Veríssimo, autor também de
GABARITO “Clarissa”, “Incidente em Antares” e “O resto é
01| A silêncio”. Assim, é correta a opção [C].

As opções [B], [C], [D] e [E] são incorretas, pois 04| C

[B] não foi por orgulho nem altivez que Fabia- Em Dom Casmurro, Bento Santiago, narrador
no desistiu de questionar o patrão, mas protagonista, justifica, no início do romance,
a razão que o levou a escrevê-lo: reconstituir
sim por medo de ser mandado embora e,
situações de seu passado para tentar compre-
assim, perder o sustento para si e sua fa-
endê-lo. A angústia de Bento é centralizada em
mília;
torno do suposto triângulo amoroso formado
[C] no excerto citado, configura-se o discurso por ele, sua esposa, Capitu, e seu melhor ami-
indireto-livre, que consiste em mesclar, si- go, Escobar. Sendo Bento bastante ciumento
e levando em conta que só conhecemos seu
multaneamente, o discurso direto da per-
ponto de vista a respeito dos acontecimentos,
sonagem ao indireto do narrador;
seu perfil psicológico se faz imprescindível para
[D] é típico do romance regionalista da déca- a compreensão da trama. No entanto, Bento,
da de 30 denunciar a realidade em que em momento algum, afirma ou demonstra ter
vive grande parte da população brasileira, formado um juízo errôneo de sua amada.
miserável e oprimida; Em São Bernardo, temos também um narrador
[E] as expressões “perdeu os estribos”, “ba- protagonista, Paulo Honório, que escreve com
tendo no chão como cascos” e “baixou a o objetivo de reconstituir seu passado, com a
pancada e amunhecou” reproduzem a lin- clara intenção de compreender a razão do sui-
cídio de sua esposa, Madalena. Paulo Honório
guagem oral da região da caatinga.
revela-se, psicologicamente, um homem bruto
02| B e de um ciúme paranoico em relação à esposa,
que, no entanto, é inocente.
[II] Incorreta. O autor desenvolve temática
social na primeira e segunda fases, segun- 05| E
do os preceitos da estética neorrealista [I] Verdadeiro. Lúcia, Violeta e Maria são ir-
característica da segunda geração do mo- mãs, cujo pai morrera de febre após tra-
dernismo, para, na terceira, dedicar-se a balho forçado prestado ao Coronel Teo-
narrativas classificadas pela crítica como doro. As três envolvem-se com homens, o
crônicas de costumes; que não resulta em destino feliz: Lúcia foi

10 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

abandonada pelo dono da fazenda, Viole- Bernardo, onde trabalhara; porém, o pro-
ta pelo capataz, e Maria ficou viúva; o des- tagonista se revelou uma pessoa ciumenta
tino delas é a casa de prostituição. e paranoica, levando seu relacionamento
com Madalena ao fracasso, marcado pelo
[II] Verdadeiro. Reiteradamente o narrador suicídio da esposa.
cita a locução “era uma vez”, empregada
geralmente para introduzir fábulas cujos [III] Correta. Considerado uma obra de de-
términos são marcados pelo final feliz. No núncia, Vidas Secas é o relato de Fabiano
entanto, este não é o caso das três irmãs, e sua família de retirantes pelo sertão do
que, após o término de seus relaciona- Nordeste, vítimas da marginalização social
mentos, dirigem-se a um prostíbulo. (vale lembrar que os filhos do casal sequer
têm nome) e das condições sociais (a pon-
[III] Falso. A leitura de Gestação de Cidades to de a secura do meio influenciar nas re-
não indica tal posicionamento acusatório lações humanas).
do narrador; sua opção é simplesmente
narrar a história das irmãs. 08| E
[IV] Falso. Frei Bento não condena a ocupação [A] Correta. Os versos “Voz sem saliva da ci-
das irmãs e participa do velório por ser garra, / (…) assim canta o canavial” deixam
pago por essa atividade. nítida a relação entre o som das folhas do
canavial e da cigarra.
06| B
[B] Correta. Os elementos aproximados ao
Até dado momento da narrativa, o Desconhe- som das folhas do canavial indicam a rusti-
cido não se lembra de informações a respei- cidade, elemento típico da poesia de João
to de si. Não consegue se recordar da própria Cabral de Melo Neto: “voz sem saliva”,
identidade e questiona-se assim como qual- “papel seco” e “navalha”.
quer indivíduo: “Quem sou? Onde estou? Que
aconteceu?”. [C] Correta. O poema é composto de apro-
ximações relativas ao som do vento que
Quando a personagem acorda, no dia seguin-
passa pela plantação: “ao vento que por
te, consegue se lembrar do que ocorrera antes
suas folhas, / de navalha a navalha, soa, /
do dia anterior, mas não dos acontecimentos
vento que o dia e a noite toda / o folheia,
da véspera. Uma vez que sua memória não se
completa até o fim da narrativa, sua identida- e nele se esfola”.
de também não se completa; por esse motivo, [D] Correta. A associação é nítida nos versos
é possível interpretar Desconhecido como um “de quando se dobra o jornal: / assim can-
tipo representante das pessoas anônimas, que ta o canavial”.
vagam sem saber o que lhes ocorre.
[E] Incorreta. O vento não corta o canavial;
07| D seu som é que se aproxima de uma na-
[I] Incorreta. A angústia de Luís da Silva está valha: “ao vento que por suas folhas, / de
relacionada ao descontentamento com navalha a navalha, soa”.
sua profissão, com a própria vida, levando- 09| B
-o a assassinar um rico homem que engra-
vidara e abandonara sua ex-noiva, Marina. O romance Incidente em Antares, de Érico
Luís da Silva, para ocultar seu crime, disfar- Veríssimo, é narrado em terceira pessoa por
ça o assassinato em suicídio, pendurando um narrador onisciente. Por isso, é incorreto
o corpo em uma árvore; a angústia decor- o que se afirma na alternativa [B], a narrativa
rente desse ato marca o tom da narrativa. não se estrutura em forma de diário pessoal.
[II] Correta. Paulo Honório é o narrador de 10| A
São Bernardo¸ romance marcado por seu
sucesso econômico – um garoto órfão que Esses versos de Drummond pertencem ao po-
se tornou proprietário da fazenda São ema “Mário de Andrade desce aos infernos”,

LITERATURA | MODERNISMO 11
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

do livro A rosa do povo. Mário de Andrade foi, 15| D


dentre os modernistas, o poeta mais eclético e
A hipérbole, figura de linguagem que enfatiza
o que melhor aplicou na literatura as ideias do
ou exagera a significação linguística, está pre-
“Manifesto Pau-Brasil” e do “Manifesto Antro-
sente no termo verbal na frase da alternativa
pófago”, de Oswald de Andrade. Essas ideias se
[D]: “explodir em lágrimas”.
manifestam em versos como: “nos mais diver-
sos brasis”, “e para além dos brasis”. 16| B
11| B Na frase da alternativa [B], a expressão “o es-
pesso tecido da vida” associa metaforicamente
A referência a greve de coveiros remete à obra o elemento concreto “tecido” à ideia abstrata
“Incidente em Antares”, de Érico Veríssimo (5), de “vida”.
assim como decadência dos senhores de en-
genho a “Fogo Morto”, de José Lins do Rego 17| D
(3). A classificação de “romance proletário” diz
A alternativa [D] indica a falta de proximidade
respeito à obra “Jubiabá”, de Jorge Amado (1). entre o poeta e a figura do operário; tal passa-
A alusão a “expulsão de peões na atividade pe- gem não encontra coerência formal e ideoló-
cuária” a “Porteira Fechada”, de Cyro Martins gica em Capitães da Areia, romance em que o
(2). Finalmente, a trajetória de família de cam- narrador aproxima-se dos personagens princi-
poneses pelo sertão nordestino é relatada em pais, marginalizados.
“Vidas secas”, de Graciliano Ramos (4). Assim,
é correta a sequência apontada em [B]: 5 – 3 – 18| B
1 – 2 – 4. As opções [A], [C], [D] e [E] são incorretas, pois
12| A [A] o poema “Negra Fulô” apresenta lingua-
gem simples, com alguns termos típicos
Os termos verbais “sentiu” e “imaginá-la” re- da linguagem coloquial. Também Jorge de
metem ao universo interior do personagem, Lima nasceu em família abastada de União
às suas sensações físicas e psicológicas, sen- dos Palmares para depois mudar para Sal-
timentos e emoções desencadeados pelo fim vador para iniciar estudos em medicina;
do relacionamento amoroso, assim como a
percepção daqueles que eram vivenciados [C] em “Negra”, Carlos Drummond de Andra-
de registra o cotidiano exaustivo da mu-
também pela outra pessoa. Assim, é correta a
lher negra em linguagem antissentimen-
alternativa [A].
tal, de forma distanciada. Além do mais, o
13| B termo “trepar” é usado de forma conota-
tiva, aludindo ao ato sexual desprovido de
O pronome relativo “que” remete anaforica- sensualidade e afeto.
mente à expressão “história do amor”. Assim,
“história do mundo” acrescenta e amplia o sig- [D] o eu poético revela ternura e compreen-
nificado da expressão anterior, tornando geral são pelo tom carinhoso com que São Pe-
aquilo que era apenas uma característica parti- dro convida Irene a entrar no céu;
cular. Assim, é correta a alternativa [B]. [E] não existe manifestação de desprezo por
parte dos poetas quando retratam o co-
14| D
tidiano dos escravos sob o jugo dos seus
O fato de ter procurado aquele tipo de mulher senhores.
de forma tão insistente e constante em cada
19| A
uma que ia encontrando no seu percurso de
vida demonstra a sua singularidade, ou seja, o A primeira assertiva é falsa, pois o poema,
conjunto de características que a distinguiam apesar de ser descritivo, não pode ser vincu-
e particularizavam de forma tão essencial. As- lado ao Parnasianismo que privilegiava a for-
sim, é correta a alternativa [D]. ma em detrimento do conteúdo e preferia o

12 LITERATURA | MODERNISMO
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

uso de estruturas poéticas clássicas que não


estão presentes no poema. Também a segun-
da é falsa, pois o termo “fulô” é corruptela de
flor, portanto de origem coloquial e popular.
Os poemas Negra e Irene são estruturados em
versos livres e brancos, característica da poesia
do Modernismo, o que invalida a penúltima e
última proposições. Como a terceira é verda-
deira, é correta a opção [A].
20| E
João Cabral de Melo Neto foi um poeta da ter-
ceira geração modernista, da qual fez parte
também Guimarães Rosa. Essa geração, entre
outros aspectos, foi marcada pela invenção lin-
guística, visava “romper com os autoritarismos
da percepção” [terceira afirmação].
“Catar feijão” faz parte da obra A educação
pela pedra. Nela, a pedra simboliza a própria
poesia, em um esforço, por parte do poeta, por
apreender a realidade concreta. Desse modo,
é possível compreender a simbologia do “grão
imastigável”, “de quebrar dente” e da “a pedra
dá à frase seu grão mais vivo”: a palavra dura,
os versos agressivos e impactantes, que des-
pertam para a dureza da própria realidade [se-
gunda afirmação].
Essa concepção de poesia aproxima o estilo
de João Cabral de Melo Neto ao de Graciliano
Ramos, escritor da segunda geração moder-
nista. Um dos traços mais marcantes da pro-
sa de Graciliano é o estilo seco – econômico,
exato, objetivo –, que, para o escritor, era ne-
cessário para retratar com precisão o cenário
nordestino, como o de Vidas secas [primeira
afirmação].

LITERATURA | MODERNISMO 13
LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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MODERNISMO 1ºFASE 13

01| ENEM Em junho de 1913, embarquei para a O Surrealismo configurou-se como uma das
Europa a fim de me tratar num sanatório suí- vanguardas artísticas europeias do início do
ço. Escolhi o de Clavadel, perto de Davos-Platz, século XX. René Magritte, pintor belga, apre-
porque a respeito dele me falara João Luso, senta elementos dessa vanguarda em suas
que ali passara um inverno com a senhora. produções. Um traço do Surrealismo presente
Mais tarde vim a saber que antes de existir no nessa pintura é o(a)
lugar um sanatório, lá estivera por algum tem-
po Antônio Nobre. “Ao cair das folhas”, um de A justaposição de elementos díspares, obser-
seus mais belos sonetos, talvez o meu predile- vada na imagem do homem no espelho.
to, está datado de “Clavadel, outubro, 1895”.
Fiquei na Suíça até outubro de 1914. B crítica ao passadismo, exposta na dupla
imagem do homem olhando sempre para
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1985. frente.

No relato de memórias do autor, entre os re- C construção de perspectiva, apresentada


cursos usados para organizar a sequência dos na sobreposição de planos visuais.
eventos narrados, destaca-se a
D processo de automatismo, indicado na re-
A construção de frases curtas a fim de con- petição da imagem do homem.
ferir dinamicidade ao texto.
E procedimento de colagem, identificado no
B presença de advérbios de lugar para indi- reflexo do livro no espelho.
car a progressão dos fatos.
03| ENEM
C alternância de tempos do pretérito para
ordenar os acontecimentos.
D inclusão de enunciados com comentários
e avaliações pessoais.
E alusão a pessoas marcantes na trajetória
de vida do escritor.
02| ENEM

As formas plásticas nas produções africanas


conduziram artistas modernos do início do sé-

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 1


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

culo XX, como Pablo Picasso, a algumas propo- A realiza um inventário dos elementos lúdi-
sições artísticas denominadas vanguardas. A cos tradicionais da criança brasileira.
máscara remete à
B promove uma reflexão sobre a realidade
A preservação da proporção. de pobreza dos centros urbanos.
B idealização do movimento. C traduz em linguagem lírica o mosaico de
elementos de significação corriqueira.
C estruturação assimétrica.
D introduz a interlocução como mecanismo
D sintetização das formas. de construção de uma poética nova.
E valorização estética. E constata a condição melancólica dos ho-
04| ENEM mens distantes da simplicidade infantil.

Camelôs 05| ENEM

Abençoado seja o camelô dos brinquedos de


tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
A perereca verde que de repente dá um pulo
que engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão
coisa alguma.
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
— “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu fi-
lho, vai buscar um pedaço de banana para eu
[acender o charuto.
Naturalmente o menino pensará: Papai está
malu...”
O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia
Outros, coitados, têm a língua atada. de que a brasilidade está relacionada ao futebol.
Todos porém sabem mexer nos cordéis como Quanto à questão da identidade nacional, as
o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades. anotações em torno dos versos constituem

E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroi- A direcionamentos possíveis para uma leitu-
cos da meninice... ra crítica de dados histórico-culturais.
E dão aos homens que passam preocupados B forma clássica da construção poética bra-
ou tristes uma lição de infância. sileira.
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, C rejeição à ideia do Brasil como o país do
2007.
futebol.
Uma das diretrizes do Modernismo foi a per- D intervenções de um leitor estrangeiro no
cepção de elementos do cotidiano como maté- exercício de leitura poética.
ria de inspiração poética. O poema de Manuel
Bandeira exemplifica essa tendência e alcança E lembretes de palavras tipicamente brasi-
expressividade porque leiras substitutivas das originais.

2 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

06| ENEM 07| ENEM

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente


dos homens das primeiras eras...
As primaveras de sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequi-
nal...
Intermitentemente...
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som re-
dondo...
Cantabona! Cantabona!
Dlorom ...
Sou um tupi tangendo um alaúde!
ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de
Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Cara ao Modernismo, a questão da identida-


de nacional é recorrente na prosa e na poesia
de Mário de Andrade. Em O trovador, esse as- O quadro Les Demoiselles d’Avignon (1907), de
pecto é Pablo Picasso, representa o rompimento com a
estética clássica e a revolução da arte no início
A abordado subliminarmente, por meio de do século XX. Essa nova tendência se caracteri-
expressões como “coração arlequinal” za pela
que, evocando o carnaval, remete à brasi-
lidade. A pintura de modelos em planos irregulares.
B mulher como temática central da obra.
B verificado já no título, que remete aos re-
pentistas nordestinos, estudados por Má- C cena representada por vários modelos.
rio de Andrade em suas viagens e pesqui-
D oposição entre tons claros e escuros.
sas folclóricas.
E nudez explorada como objeto de arte.
C lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de
expressões como “Sentimentos em mim 08| ENEM
do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma Estrada
doente” (v. 7), como pelo som triste do
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do
alaúde “Dlorom” (v. 9). caminho,
D problematizado na oposição tupi (selva- Interessa mais que uma avenida urbana.
gem) x alaúde (civilizado), apontando a Nas cidades todas as pessoas se parecem.
síntese nacional que seria proposta no Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Manifesto Antropófago, de Oswaldo de Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a
Andrade. sua alma.
Cada criatura é única.
E exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sen-
Até os cães.
timentos dos homens das primeiras eras”
para mostrar o orgulho brasileiro por suas Estes cães da roça parecem homens de negócios:
raízes indígenas. Andam sempre preocupados.

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 3


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

E quanta gente vem e vai! C representaram a ideia de que a arte de-


E tudo tem aquele caráter impressivo que faz veria copiar fielmente a natureza, tendo
meditar: como finalidade a prática educativa.
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada D mantiveram de forma fiel a realidade nas
por um figuras retratadas, defendendo uma liber-
bodezinho manhoso. dade artística ligada à tradição acadêmica.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, E buscaram a liberdade na composição de
pela voz suas figuras, respeitando limites de temas
dos símbolos, abordados.
Que a vida passa! que a vida passa! TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:
E que a mocidade vai acabar.
Canção do vento e da minha vida
BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar 1967.
O vento varria as folhas,
A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apre- O vento varria os frutos,
ensão de significados profundos a partir de O vento varria as flores...
elementos do cotidiano. No poema Estrada, o E a minha vida ficava
lirismo presente no contraste entre campo e Cada vez mais cheia
cidade aponta para
De frutos, de flores, de folhas.
A o desejo do eu lírico de resgatar a movi- [...]
mentação dos centros urbanos, o que re-
O vento varria os sonhos
vela sua nostalgia com relação à cidade.
E varria as amizades...
B a percepção do caráter efêmero da vida, O vento varria as mulheres...
possibilitada pela observação da aparente E a minha vida ficava
inércia da vida rural.
Cada vez mais cheia
C opção do eu lírico pelo espaço bucólico De afetos e de mulheres.
como possibilidade de meditação sobre a O vento varria os meses
sua juventude. E varria os teus sorrisos...
D a visão negativa da passagem do tempo, O vento varria tudo!
visto que esta gera insegurança. E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
E a profunda sensação de medo gerada pela
De tudo.
reflexão acerca da morte.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
09| ENEM Após estudar na Europa, Anita Malfatti
retornou ao Brasil com uma mostra que aba- 10| ENEM Predomina no texto a função da lingua-
lou a cultura nacional do início do século XX. gem
Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se A fática, porque o autor procura testar o ca-
considerava pronta para mostrar seu trabalho nal de comunicação.
no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de
Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma B metalinguística, porque há explicação do
arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita significado das expressões.
Malfatti e outros artistas modernistas C conativa, uma vez que o leitor é provoca-
A buscaram libertar a arte brasileira das nor- do a participar de uma ação.
mas acadêmicas europeias, valorizando as D referencial, já que são apresentadas infor-
cores, a originalidade e os temas nacionais. mações sobre acontecimentos e fatos reais.
B defenderam a liberdade limitada de uso E poética, pois chama-se a atenção para a
da cor, até então utilizada de forma irres- elaboração especial e artística da estrutu-
trita, afetando a criação artística nacional. ra do texto.

4 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

11| ENEM Na estruturação do texto, destaca-se [D] que aponta a sintetização das formas como
sinônimo da renúncia à perspectiva e à repre-
A a construção de oposições semânticas. sentação do volume sobre superfícies planas.
B a apresentação de ideias de forma objeti- 04| C
va.
Manoel Bandeira tem como uma das mais
C o emprego recorrente de figuras de lin- fortes marcas a expressão da ternura através
guagem, como o eufemismo. de imagens simples e rotineiras. Apesar de
D a repetição de sons e de construções sin- ser uma das marcas da estética modernista,
táticas semelhantes. trazer a vida comum para os versos dessacra-
lizando-o de alguma maneira, este poeta con-
E a inversão da ordem sintática das pala- segue desenvolver essa transparência através
vras. da sutileza que envolve seu olhar poético tão
especial para as pequenas coisas, bem como a
habilidade de descrever em palavras um sen-
GABARITO timento tão subjetivo e ao mesmo tempo tão
01| C universal.

O autor usa verbos no pretérito perfeito (“em- 05| A


barquei”, “vim” e “fiquei”) para relatar tempos As anotações em torno dos versos sugerem
passados e concluídos, alternando-os com ver- associação da brasilidade com as vitórias
bos no pretérito mais-que-perfeito (“passara”, conseguidas no futebol contra times nacio-
e “estivera”) para descrever ações que tinham nais e estrangeiros. Desta forma, constituem
acontecido antes daqueles primeiros. Assim, o direcionamentos possíveis para uma leitura
recurso usado pelo autor para organizar a se- crítica de dados histórico-culturais, como se
quência de eventos é a alternância de tempos afirma em [A].
do pretérito, como se afirma em [C].
06| D
02| A
A multiplicidade de sensações faz com que o
O movimento surrealista apresenta como prin- eu-lírico se sinta “estranho” em um jogo de
cipais características a ausência da lógica, a contrastes que o confunde à própria paisagem
fusão consciente da realidade com a ficção, a (“meu coração arlequinal”, “as primaveras de
exploração do mundo onírico e a exaltação da sarcasmo”), provocando-lhe o conflito existen-
liberdade de criação, entre outros. Magritte é cial de não saber definir exatamente quem é.
conhecido pelas obras provocadoras que de- O verso “Sou um tupi tangendo um alaúde”
safiam as percepções dos observadores, como transmite a harmonia da síntese, pois expressa
a tela “A reprodução proibida”, em que a ima- a consciência da miscigenação do primitivo e
gem do homem refletida no espelho contraria do civilizado na formação da sua própria iden-
a lógica. Assim, é correta a opção [A]. tidade. A opção [D] transcreve corretamente a
03| D proposta do Modernismo brasileiro de 22, ali-
cerçada nos princípios estéticos do Manifesto
A imagem de uma máscara senufo, provenien- Antropófago de Oswald de Andrade e expres-
te das manifestações artísticas das sociedades sa, também e amplamente, na obra de Mário
tradicionais da África, é associada às proposi- de Andrade.
ções artísticas das vanguardas europeias, no-
meadamente às obras de Pablo Picasso, grande 07| A
expoente do Cubismo. Este movimento tinha A obra “Les Demoiselles D’Avignon” pode ser
como principal característica a reprodução considerada o marco inicial do movimento
dos objetos por meio de figuras geométricas, cubista, cuja estética fragmenta as formas e o
representando as partes de todos os ângulos espaço através do uso de formas geométricas
no mesmo instante. Assim, é correta a opção e reproduz a realidade a partir de múltiplos

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 5


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

planos dispostos sobre a mesma tela. Assim, é


correta a opção [A].
08| B
Os dois últimos versos do poema (“Que a vida
passa! que a vida passa! /E que a mocidade vai
acabar“) enfatizam a efemeridade da vida, o
caráter transitório do momento percebido na
paisagem bucólica e propícia à meditação em
que o eu lírico está imerso (“E tudo tem aquele
caráter impressivo que faz meditar: /Enterro a
pé ou a carrocinha de leite puxada por um /
bodezinho manhoso”).
09| A
Uma das características mais importantes dos
modernistas brasileiros do início do séc.XX foi
o antiacademicismo e a dessacralização da
arte. Por isso romperam com os padrões, in-
corporaram as propostas das vanguardas eu-
ropeias (Cubismo, Expressionismo, Futurismo,
Dadaísmo e Surrealismo), mas adaptando-as à
realidade brasileira, resgatando e valorizando
o “primitivo”, como expresso na célebre frase
de Oswald de Andrade: “Tupi or not tupi, tha-
t´s the question”.
10| E
O texto referido é poético, cuja construção
pauta-se pelo emprego de uma linguagem fi-
gurada na qual o autor utilizou-se de alguns re-
cursos expressivos, conferindo uma autêntica
expressividade à linguagem.
11| D
No texto, há a predominância de aliteração,
que, foneticamente é representada pela con-
soante “v”. Caracterizada por meio dos versos:
“O vento varria os sonhos, e varria as amiza-
des, o vento varria as mulheres... [...].
No que se refere às construções sintáticas, es-
tas apresentam semelhança nos três grupos de
versos, ou seja, todos são dotados dos termos
essenciais que compõem a oração: sujeito,
predicado e complemento.

6 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


LITERATURA
MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

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MODERNISMO 1ºFASE 14

01| ENEM D descrição preconceituosa dos tipos popu-


Vei, a Sol lares brasileiros, representados por Macu-
naíma e Caiuanogue.
Ora o pássaro careceu de fazer necessidade, fez e
o herói ficou escorrendo sujeira de urubu. Já era E uso da linguagem coloquial e de temáticas
de madrugadinha e o tempo estava inteiramente do lendário brasileiro como meio de valo-
frio. Macunaíma acordou tremendo, todo lambuza- rização da cultura popular nacional.
do. Assim mesmo examinou bem a pedra mirim da 02| ENEM
ilhota para vê si não havia alguma cova com dinhei-
ro enterrado. Não havia não. Nem a correntinha en- O peru de Natal
cantada de prata que indica pro escolhido, tesouro
O nosso primeiro Natal de família, depois da mor-
de holandês. Havia só as formigas jaquitaguas ruivi- te de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de
nhas. consequências decisivas para a felicidade familiar.
Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse
Então passou Caiuanogue, a estrela da manhã. Ma- sentido muito abstrato da felicidade: gente hones-
cunaíma já meio enjoado de tanto viver pediu pra ta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves
ela que o carregasse pro céu. dificuldades econômicas. Mas, devido principal-
mente à natureza cinzenta de meu pai, ser despro-
Caiuanogue foi se chegando porém o herói fedia vido de qualquer lirismo, duma exemplaridade in-
muito. capaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara
aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas
– Vá tomar banho! – ela fez. E foi-se embora. felicidades materiais, um vinho bom, uma estação
de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu
Assim nasceu a expressão “Vá tomar banho” que os pai fora de um bom errado, quase dramático, o pu-
ro-sangue dos desmancha-prazeres.
brasileiros empregam se referindo a certos imigran-
tes europeus. ANDRADE, M. In: MORICONI, I. Os cem melhores contos brasileiros do
século.
ANDRADE, M. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: São Paulo: Objetiva, 2000 (fragmento).
Agir, 2008.
No fragmento do conto de Mário de Andrade, o
O fragmento de texto faz parte do capítulo VII, in- tom confessional do narrador em primeira pessoa
revela uma concepção das relações humanas mar-
titulado “Vei, a Sol”, do livro Macunaíma, de Mário
cada por
de Andrade, pertencente à primeira fase do Moder-
nismo brasileiro. Considerando a linguagem empre- A distanciamento de estados de espírito
gada pelo narrador, é possível identificar acentuado pelo papel das gerações.

A resquícios do discurso naturalista usado B relevância dos festejos religiosos em famí-


pelos escritores do século XIX. lia na sociedade moderna.

B ausência de linearidade no tratamento do C preocupação econômica em uma socieda-


de urbana em crise.
tempo, recurso comum ao texto narrativo
da primeira fase modernista. D consumo de bens materiais por parte de
jovens, adultos e idosos.
C referência à fauna como meio de denun-
ciar o primitivismo e o atraso de algumas E pesar e reação de luto diante da morte de
regiões do país. um familiar querido.

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 1


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

03| ENEM 04| ENEM

TEXTO I Evocação do Recife

Versos de amor A vida não me chegava pelos jornais nem pelos li-
vros
A um poeta erótico
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Oposto ideal ao meu ideal conservas. Língua certa do povo
Diverso é, pois, o ponto outro de vista Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
O que fazemos
Modo de ver, consoante o qual, o observas.
É macaquear
Porque o amor, tal como eu o estou amando, A sintaxe lusíada…
É Espírito, é éter, é substância fluida, BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2007.
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não o estar pegando! Segundo o poema de Manuel Bandeira, as varia-
ções linguísticas originárias das classes populares
É a transubstanciação de instintos rudes, devem ser
Imponderabilíssima, e impalpável, A satirizadas, pois as várias formas de se fa-
Que anda acima da carne miserável lar o português no Brasil ferem a língua
Como anda a garça acima dos açudes! portuguesa autêntica.
ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996 (fragmen- B questionadas, pois o povo brasileiro es-
to). quece a sintaxe da língua portuguesa.
TEXTO II C subestimadas, pois o português “gostoso”
de Portugal deve ser a referência de corre-
Arte de amar
ção linguística.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua
alma. D reconhecidas, pois a formação cultural
A alma é que estraga o amor. brasileira é garantida por meio da fala do
povo.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma. E reelaboradas, pois o povo “macaqueia” a
Só em Deus – ou fora do mundo. língua portuguesa original.
As almas são incomunicáveis. 05| ENEM PPL
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Cena
Porque os corpos se entendem, mas as almas não. O canivete voou
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, E o negro comprado na cadeia
1993.
Estatelou de costas
Os Textos I e II apresentam diferentes pontos de vis- E bateu coa cabeça na pedra
ta sobre o tema amor. Apesar disso, ambos definem ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001.
esse sentimento a partir da oposição entre
O Modernismo representou uma ruptura com os
A satisfação e insatisfação. padrões formais e temáticos até então vigentes na
literatura brasileira. Seguindo esses aspectos, o que
B egoísmo e generosidade. caracteriza o poema Cena como modernista é o(a)

C felicidade e sofrimento. A construção linguística por meio de neolo-


gismo.
D corpo e espírito.
B estabelecimento de um campo semântico
E ideal e real. inusitado.

2 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

C configuração de um sentimentalismo con- Os seus habitantes vagueiam no espaço


ciso e irônico. À procura de um lar.
Só é meu
D subversão de lugares-comuns tradicio-
O mundo que trago dentro da alma.
nais.
BANDEIRA, M. “Um poema de Chagall”. In: Estrela da vida inteira: poe-
E uso da técnica de montagem de imagens mas traduzidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1993 (fragmento).

justapostas.
06| ENEM
Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena


Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
PESSOA, F. Mensagens. São Paulo: Difel, 1986.

Nos versos 1 e 2, a hipérbole e a metonímia foram


utilizadas para subverter a realidade. Qual o objeti- A arte, em suas diversas manifestações, desperta
vo dessa subversão para a constituição temática do sentimentos que atravessam fronteiras culturais.
poema? Relacionando a temática do texto com a imagem,
percebe-se a ligação entre a
A Potencializar a importância dos feitos lusi-
tanos durante as grandes navegações. A alegria e a satisfação na produção das
obras modernistas
B Criar um fato ficcional ao comparar o cho-
ro das mães ao choro da natureza. B memória e a lembrança passadas no ínti-
mo do enunciador.
C Reconhecer as dificuldades técnicas vivi-
das pelos navegadores portugueses. C saudade e o refúgio encontrados pelo ho-
mem na natureza.
D Atribuir as derrotas portuguesas nas bata-
lhas às fortes correntes marítimas. D lembrança e o rancor relacionados ao seu
ofício original.
E Relacionar os sons do mar ao lamento dos
derrotados nas batalhas do Atlântico. E exaustão e o medo impostos ao corpo de
07| ENEM Só é meu
todo artista.
O país que trago dentro da alma. 08| ENEM
Entro nele sem passaporte A rua
Como em minha casa. Bem sei que, muitas vezes,
[...] O único remédio
As ruas me pertencem. É adiar tudo. É adiar a sede, a fome, a viagem,
Mas não há casas nas ruas, A dívida, o divertimento,
As casas foram destruídas desde a minha infância. O pedido de emprego, ou a própria alegria.

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 3


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A esperança é também uma forma Falando conversas fiadas


De contínuo adiamento. As duas costureirinhas passam por mim.
Sei que é preciso prestigiar a esperança, —Você vai?
Numa sala de espera. —Não vou não?
Mas sei também que espera significa luta e não, Parece que a rua parou pra escutá-las.
apenas, Nem trilhos sapecas
Esperança sentada. Jogam mais bondes um pro outro.
Não abdicação diante da vida. E o Sol da tardinha de abril
Espia entre as pálpebras sapiroquentas de duas nu-
A esperança vens.
As nuvens são vermelhas.
Nunca é a forma burguesa, sentada e tranquila da
espera. A tardinha cor-de-rosa.
Nunca é figura de mulher
Do quadro antigo. Fiquei querendo bem aquelas duas costureirinhas...
Sentada, dando milho aos pombos. Fizeram-me peito batendo
Tão bonitas, tão modernas, tão brasileiras!
RICARDO, C. Disponível em: www.revista.agulha.com.br. Acesso em: 2
jan. 2012. Isto é...
Uma era ítalo-brasileira.
O poema de Cassiano Ricardo insere-se no Moder-
nismo brasileiro. O autor metaforiza a crença do Outra era áfrico-brasileira.
sujeito lírico numa relação entre o homem e seu Uma era banca.
tempo marcada por Outra era preta.
ANDRADE, M. Os melhores poemas. São Paulo: Global, 1988.
A um olhar de resignação perante as dificul-
dades materiais e psicológicas da vida. Os poetas do Modernismo, sobretudo em sua pri-
meira fase, procuraram incorporar a oralidade ao
B uma ideia de que a esperança do povo fazer poético, como parte de seu projeto de confi-
brasileiro está vinculada ao sofrimento e guração de uma identidade linguística e nacional.
às privações. No poema de Mário de Andrade, esse projeto reve-
la-se, pois
C uma posição em que louva a esperança
passiva para que ocorram mudanças so- A o poema capta uma cena do cotidiano —
ciais. o caminhar de duas costureirinhas pela
rua das Palmeiras — mas o andamento
D um estado de inércia e de melancolia mo- dos versos é truncado, o que faz com que
tivado pelo tempo passado “numa sala de o evento perca a naturalidade.
espera”.
B a sensibilidade do eu poético parece cap-
E uma atitude de perseverança e coragem tar o movimento dançante das costurei-
no contexto de estagnação histórica e so- rinhas — depressinha — que, em última
cial. instância, representam um Brasil de “to-
das as cores”.
09| ENEM
Sambinha C o excesso de liberdade usado pelo poeta
ao desrespeitar regras gramaticais, como
Vêm duas costureirinhas pela rua das Palmeiras. as de pontuação, prejudica a compreen-
Afobadas braços dados depressinha são do poema.
Bonitas, Senhor! que até dão vontade pros homens
da rua.
D a sensibilidade do artista não escapa do
viés machista que marcava a sociedade do
As costureirinhas vão explorando perigos...
início do século XX, machismo expresso
Vestido é de seda. em “que até dão vontade pros homens da
Roupa-branca é de morim. rua”.

4 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

E o eu poético usa de ironia ao dizer da Nosso céu tem mais estrelas,


emoção de ver moças “tão modernas, tão Nossas várzeas têm mais flores,
brasileiras”, pois faz questão de afirmar as Nossos bosques têm mais vida,
origens africana e italiana das mesmas. Nossa vida mais amores.
10| ENEM [...]
Minha terra tem primores,
O bonde abre a viagem, Que tais não encontro eu cá;
No banco ninguém, Em cismar — sozinho, à noite —
Estou só, stou sem. Mais prazer eu encontro lá;
Depois sobe um homem, Minha terra tem palmeiras
No banco sentou, Onde canta o Sabiá.
Companheiro vou. Não permita Deus que eu morra,
O bonde está cheio. Sem que eu volte para lá;
De novo porém Sem que desfrute os primores
Não sou mais ninguém. Que não encontro por cá;
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005. Sem qu’inda aviste as palmeiras
Em um texto literário, é comum que os recursos Onde canta o Sabiá.
poéticos e linguísticos participem do significado do DIAS, G. Poesia e prosa completas.Rio de Janeiro: Aguilar, 1998.
texto, isto é, forma e conteúdo se relacionam sig-
nificativamente. Com relação ao poema de Mário Texto 2
de Andrade, a correlação entre um recurso formal
Canto de regresso à Pátria
e um aspecto da significação do texto é
Minha terra tem palmares
A a sucessão de orações coordenadas, que
Onde gorjeia o mar
remete à sucessão de cenas e emoções
sentidas pelo eu lírico ao longo da viagem. Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
B a elisão dos verbos, recurso estilístico
Minha terra tem mais rosas
constante no poema, que acentua o ritmo
acelerado da modernidade. E quase tem mais amores
Minha terra tem mais ouro
C o emprego de versos curtos e irregulares Minha terra tem mais terra
em sua métrica, que reproduzem uma via-
gem de bonde, com suas paradas e reto- Ouro terra amor e rosas
madas de movimento. Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
D a sonoridade do poema, carregada de Sem que volte para lá
sons nasais, que representa a tristeza do
eu lírico ao longo de toda a viagem. Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
E a ausência de rima nos versos, recurso Sem que eu veja a rua 15
muito utilizado pelos modernistas, que
E o progresso de São Paulo
aproxima a linguagem do poema da lin-
guagem cotidiana. ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno Oswald. São Paulo: Círculo
do Livro, s/d.

11| ENEM
Os textos 1 e 2, escritos em contextos históricos e
Texto 1 culturais diversos, enfocam o mesmo motivo po-
Canção do exílio ético: a paisagem brasileira entrevista a distância.
Minha terra tem palmeiras, Analisando-os, conclui-se que
Onde canta o Sabiá; A o ufanismo, atitude de quem se orgulha
As aves, que aqui gorjeiam, excessivamente do país em que nasceu, é
Não gorjeiam como lá. o tom de que se revestem os dois textos.

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 5


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

B a exaltação da natureza é a principal ca- 04| D


racterística do texto 2, que valoriza a pai-
Os poetas da primeira geração modernista ti-
sagem tropical realçada no texto 1.
nham muito respeito pela língua portuguesa
C o texto 2 aborda o tema da nação, como o usada pelas pessoas mais simples, por acredi-
texto 1, mas sem perder a visão crítica da tarem ser esta linguagem, a verdadeira tradu-
realidade brasileira. ção do povo brasileiro.

D o texto 1, em oposição ao texto 2, revela 05| E


distanciamento geográfico do poeta em Considerando o poema, não apenas como per-
relação à pátria. tencente ao modernismo, mas pela autoria
E ambos os textos apresentam ironicamen- de Oswald de Andrade, a técnica de imagens
te a paisagem brasileira. justapostas compondo os versos de um peque-
no poema é uma característica do poeta que
também trouxe a fragmentação de imagens
GABARITO formando composições cubistas com a lingua-
gem.
01| E
06| A
É correta a opção [E], pois “Macunaíma”, de
Mário de Andrade, faz parte da primeira fase Considerando as definições de hipérbole (fi-
modernista, período em que as vanguardas gura de pensamento que consiste no exagero
europeias são visíveis nas técnicas inovadoras proposital em um texto) e de metonímia (figu-
de linguagem, nas inúmeras referências ao fol- ra de palavra que consiste na transnominação
clore brasileiro e na composição narrativa que da parte pelo todo), percebe-se o incremento
se aproxima da oralidade.
das realizações portuguesas em tal período.
02| A
07| B
O último período do excerto é revelador do
O assunto do poema e do quadro é a preserva-
confronto entre o narrador e seu pai, cuja mor-
ção na memória daquilo que se viveu no pas-
te representou a queda do regime patriarcal
sado. No poema, o eu lírico recorda o país, a ci-
marcado pela frieza e formalidade e permitiu
dade, as pessoas que não existem mais na vida
que a família pudesse usufruir de prazerosas
real, mas estão registradas no seu íntimo de
reuniões, como uma festa de Natal. Assim, é
correta a opção [A], pois o fragmento é ilustra- forma gratificante. No quadro, o rosto feliz de
tivo de uma concepção das relações humanas um sujeito sugere que esse tipo de recordação
marcada pelo distanciamento de estados de lhe provoca prazer também. Assim, é correta
espírito entre duas gerações. a opção [B], pois o texto associado à imagem
permite perceber a memória e a lembrança
03| D passadas no íntimo do enunciador.
O poema de Augusto dos Anjos estabelece 08| E
oposição do conceito de amor relativamente
ao de Manuel Bandeira. Enquanto o primeiro No poema de Cassiano Ricardo, o eu lírico re-
valoriza a espiritualidade (“Porque o amor, tal nega comportamentos reveladores de melan-
como eu o estou amando,/É Espírito, é éter, é colia, resignação e inércia face às dificuldades
substância fluida”), o segundo enfatiza a im- materiais e psicológicas da vida. Ao contrário,
portância da carnalidade na relação amorosa reage ao estabelecer uma relação de perseve-
(“Deixa o teu corpo entender-se com outro rança e coragem no contexto de estagnação
corpo./Porque os corpos se entendem, mas as histórica e social em que vive. Assim, é correta
almas não”). Assim, é correta a opção [D]. a alternativa [E].

6 LITERATURA | Modernismo 1ºFase


MATERIAL DE FÉRIAS PREPARAENEM

09| B
Ao descrever o andar dançante das duas mu-
lheres, o eu lírico capta com a sua sensibilida-
de o movimento sincopado, em passos curtos
e rápidos, o ritmo ditado pela velocidade cos-
mopolita. Na combinação dos tecidos, morim
e seda, fundem-se o algodão da terra com o fio
da seda estrangeira, revelando a heterogenei-
dade da cultura brasileira através da mistura
de raças e culturas. Assim, é correta a alterna-
tiva [B].
10| A
As alternativas [B], [C], [D] e [E] são incorretas,
pois no poema
[B] não existe supressão de verbos;
[C] os versos têm métrica regular (redondilhos
menores);

[D] não existe percepção de tristeza do eu lírico,


apenas a descrição da viagem de bonde no co-
tidiano da cidade;

[E] existe presença de rimas nos versos.

Assim, é correta apenas [A].

11| C

O poema romântico de Gonçalves Dias mostra uma


visão ufanista do Brasil, enaltecendo – o por meio
da flora e da fauna “Minha terra tem palmeiras,/
Onde canta o Sabiá. O texto de Oswald de Andrade,
escritor modernista, elogia o país, mas não perde
de vista a realidade. Faz denúncias, como “Minha
terra tem palmares / Onde gorjeia o mar”, ou seja,
apesar da natureza magnífica, do mar, da terra; das
riquezas como o ouro, o Brasil mantinha a escravi-
dão. Palmares foi um reduto de escravos foragidos
de Pernambuco, instalados, onde hoje fica o norte
de Alagoas. O eu lírico do poema deseja voltar não
para qualquer lugar do Brasil, mas especificamente
para a rua 15 de novembro, centro financeiro do
país, no início do século XX, na cidade de S. Paulo,
quando foi escrito o poema – “Não permita Deus
que eu morra / Sem que volte pra São Paulo / Sem
que eu veja a rua 15 /E o progresso de São Paulo.
A questão realiza a intertextualidade, isto é , faz o
diálogo entre textos.

LITERATURA | Modernismo 1ºFase 7