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ORGANIZAR IDEIAS

O que caracterizava a arte na Antiguidade Clássica?


Na Antiguidade Clássica a arte é marcada pela procura do belo. O cânone é a proporção e a harmonia.
A arte é um saber fazer, é um conhecimento técnico.

Que alterações se dão no conceito de arte na Idade Média?


A arte medieval é sobretudo marcada por um profundo sentimento espiritual. As obras de arte medievais
têm uma grande carga religiosa. Dá-se a separação entre as artes liberais o saber teórico e o saber
fazer, próprio dos artesãos.

O que muda na Idade Moderna?


A arte na Idade Moderna é marcada pela inspiração e pela genialidade. Surgem artistas como Miguel
Ângelo ou Leonardo da Vinci. O fim da arte é o belo. Aparece o termo belas-artes associado às grandes
artes, como a pintura, a arquitetura, a poesia, a escultura ou a música.

O que traz de novo a Idade Contemporânea?


A arte contemporânea traz novas formas de arte e novas designações, como a de artes plásticas, artes
do espetáculo, arte popular, etc. Rompe com todos os princípios estéticos, unindo muitas vezes o útil
ao belo. É a época do aparecimento dos movimentos, das escolas e das correntes artísticas.

Em que consiste a teoria da arte como imitação?


Como o próprio nome indica, para os defensores desta teoria, uma obra de arte é arte se, e só se, imitar
algo.

Em que é que são distintas as perspetivas de Platão e Aristóteles?


Embora ambos afirmem que a arte é imitação, para Platão a arte é pura ilusão da verdade. As artes,
como a música e a poesia, ao despertarem paixões e emoções, desviam o ser humano do caminho das
ideias e da virtude. Daí que Platão condene os artistas. Já Aristóteles considera que a imitação da arte
é verdadeira, quer em termos de conhecimento, quer em termos morais. Para ele, a imitação é natural
ao ser humano. A arte é imitação do real e tem um efeito purificador (catarse). Neste sentido, a arte
tem também uma função pedagógica, pois fortalece a vida em comunidade.

Quais os prós e os contras da arte como imitação?


A favor tem o facto de nos dar, de forma clara, um critério para classificar o que pode ser arte e um
critério para valorar as obras de arte as melhores serão as que melhor imitarem o objeto que
representam. Contra tem o facto de existirem obras de arte que nada imitam, o que origina que os seus
critérios de classificação e de valoração falhem há obras que são reconhecidamente arte e não imitam

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nada. Por outro lado, levanta dificuldades de apuramento sobre se o que está representado é uma
imitação fiel do original.

Em que difere a teoria da arte como expressão (ou teoria expressivista)?


Esta teoria tenta ultrapassar as limitações da teoria anterior ao dirigir para o artista o elemento central
para a definição de arte. Basicamente, o que a teoria diz é que uma obra é arte somente se exprimir os
sentimentos e as emoções do artista e se este, pela sua criação, conseguir contagiar com os mesmos
sentimentos e emoções o espectador.

Porque é Lev Tolstoi um representante da teoria expressivista?


Para Tolstoi a arte é um meio de comunicação de sentimentos e de emoções por parte do artista, que
deve conseguir transmiti-los ao público. Para ele só há arte se houver essa unidade do sentimento entre
o artista e o público.

Quais os critérios que Tolstoi considera poderem definir a arte?


São três: a particularidade do sentimento transmitido, a clareza da transmissão desse sentimento e a
sinceridade com que o artista experimenta os sentimentos que transmite.

Que aspetos positivos tem a teoria da arte como expressão e que críticas lhe são feitas?
A favor tem o facto de vários serem os testemunhos de artistas que afirmam que as suas obras nasceram
da necessidade de transmitirem sentimentos e emoções. Também o seu critério abrangente para
classificar um objeto como arte lhe é favorável, assim como o é também o seu critério de valoração,
que é bem claro, já que a obra será tanto melhor quanto melhor expressar os sentimentos do artista.
Como aspetos negativos salienta-se o facto de haver obras consideradamente de arte que não
expressam qualquer sentimento. Este facto origina que haja obras de arte que não possam ser
classificadas como tal. A condição necessária para algo ser considerado obra de arte o espectador
viver os mesmos sentimentos que o artista não está também, à partida, garantida. Por fim, o critério
de valoração também falha, pois se o artista já tiver morrido, ou decidir ocultar as emoções que
estiveram na origem da sua criação, como saber exatamente que emoções ou sentimentos a sua obra
exprime?

O que diz a teoria da arte como forma (ou teoria formalista)?


Esta teoria defende a ideia de que uma obra é arte se, e só se, provocar emoções estéticas, sendo que
estas resultam da relação que o observador estabelece com a obra de arte.

O que a separa a teoria formalista das teorias anteriores?


A teoria formalista, ou da forma significante, recusa a existência de uma caraterística comum a todas
as formas de arte. Assim, de acordo com o seu principal teorizador, o crítico de arte Clive Bell, arte será

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tudo aquilo que provoca uma emoção estética. Para Bell, não se deve procurar aquilo que define uma
obra de arte na própria obra mas no sujeito que a aprecia.

O que provoca a emoção estética?


Segundo Bell, aquilo a que chama forma significante. A forma significante consiste numa relação entre
características que distinguem a estrutura de uma obra de arte e não no seu conteúdo. A forma
significante é uma particular combinação de linhas e cores, de certas formas e relações entre formas
que despertam a emoção estética.

A teoria formalista resolve o problema da definição de arte?


Não. É verdade que nela cabem todas as formas de arte e que a sua condição necessária e suficiente
para definir arte é tudo o que provoca emoção estética. No entanto, também tem limitações. Há pessoas
que não sentem nada perante objetos reconhecidos como arte. Depois, é difícil entender o critério da
forma significante. É uma teoria circular, pois a forma significante que origina a emoção estética é, por
sua vez, provocada por esta. Um outro ponto negativo é o facto de ser considerada uma teoria elitista,
pois postula que só algumas pessoas conseguem sentir a emoção estética que a obra de arte transmite.

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